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OUTUBRO DE 2016 ANO 8 • NÚMERO 41

ROBERTO CORTES, CEO da Man Latin America

MAN LATIN AMERICA: FÔLEGO NA RETOMADA AOS 35 ANOS, MAIS ENXUTA, A EMPRESA PREPARA A SAÍDA DA CRISE INVESTINDO NAS EXPORTAÇÕES E EM NOVOS PRODUTOS

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LUIS PRADO

ÍNDICE

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CAPA | MAN LATIN AMERICA

FÔLEGO PARA A RETOMADA COMANDADA PELO CEO ROBERTO CORTES, AOS 35 ANOS A MAN LATIN AMERICA FICA MAIS ENXUTA NA SAÍDA DA CRISE, AVANÇA NAS EXPORTAÇÕES E INVESTE EM PRODUTO

ROBERTO CORTES, CEO da Man Latin America

16 F  ERNANDO CALMON ALTA RODA O novo motor do EcoSport

/ VW DIVULGAÇÃO

12 NO PORTAL

18CARREIRA ZARLENGA ASSUME PRESIDÊNCIA DA GMB Chamorro ganha vice-presidência na matriz 20 N  EGÓCIOS 20 ANOS DA VW EM SÃO CARLOS Fábrica produziu 10 milhões de motores

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31 LANÇAMENTO JEEP COMPASS Agora é nacional e mais tecnológico

THER JOCHEN GUEN

32 LANÇAMENTO NOVO UNO 1.0 de três cilindros é principal novidade

44 AUTOMECHANIKA O DOMÍNIO DA DIGITALIZAÇÃO Encontro de Frankfurt mostrou os rumos da indústria

34LANÇAMENTO FORD FUSION Sedã está mais econômico e completo

48 TECNOLOGIA VOLVO TEM CAMINHÃO AUTÔNOMO EM OPERAÇÃO FMX é utilizado por mineradora sueca

36 SALÃO DE PARIS LIBERDADE, CONECTIVIDADE E ELETROMOBILIDADE Exposição revelou as tendências atuais / MERCEDES-

BENZ

52 FÓRUM QUALIDADE COMO REFERÊNCIA Melhora na gestão traz ganhos de competitividade

DIVULGAÇÃO

54 LEGISLAÇÃO PREVISIBILIDADE, CHAVE DO PRÓXIMO INOVAR-AUTO Setor quer programa de dez anos para a indústria 56 MARKETING TENDÊNCIAS DISRUPTIVAS Evolução sem precedentes desafia empresas 40 IAA O FUTURO DOS CAMINHÕES As novidades apresentadas no evento

DIVULGAÇÃO / SEMCON

81 CADERNO DE SERVIÇOS DESINTERMEDIAÇÃO EM COMPRAS 83 Consultorias 84 Engenharia e Projeto 85 Testes e Simulações 86 Automação 87 Tecnologia da Informação 89 Logística 90 Certificação

80 LANÇAMENTO GOLF 1.0 TSI Motor do hatch tem 125 cavalos

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EDITORIAL

REVISTA

www.automotivebusiness.com.br

Paulo Ricardo Braga Editor paulobraga@automotivebusiness.com.br

OS 35 ANOS DA VWCO R

oberto Cortes volta à capa de Automotive Business com méritos. Entronizado no board da VW Truck & Bus, ele representa na nova holding global a vertente latino-americana dos negócios de caminhões e ônibus do grupo Volkswagen. Durante o 66o IAA Commercial Vehicles, em Hannover, Alemanha, ele foi apresentado à imprensa mundial e posou ao lado de um Constellation brasileiro, um dos destaques da marca. O executivo voltou ao Brasil para cumprir uma série de compromissos relativos ao aniversário da companhia, que completa 35 anos de existência, dos quais 20 produzindo na fábrica de Resende, no Estado do Rio de Janeiro, onde foi instalado o badalado consórcio modular da marca Volkswagen Caminhões e, mais recentemente, a montagem dos veículos MAN. Cortes explicou a Automotive Business seus planos para sair da crise com uma boa dose de energia. Ele considera que a companhia estará mais enxuta e produtiva, pronta para liderar a retomada à frente de uma ansiosa rede de fornecedores (entre os quais os oito parceiros do consórcio modular) e dos distribuidores da marca. O presidente da MAN LA começa forte campanha na exportação de produtos e serviços a países da América Latina e África. Enquanto isso, finaliza os preparativos para uma arremetida no mercado com o lançamento de uma nova linha de caminhões leves, conhecida no mercado como Phevos e ainda mantida em segredo em muitos detalhes – a empresa nem mesmo confirma o empreendimento. O editor Pedro Kutney desdobrou-se, em viagem à Europa, na cobertura de três salões dos mais representativos para a indústria automobilística. Ele começou com a visita à Automechanika de Frankfurt, depois foi até o IAA e, finalmente, ao Salão do Automóvel de Paris – tudo isso nas últimas de três semanas de setembro. O resultado desse esforço você acompanha em três matérias nesta edição. Abrimos um caderno especial para analisar o segmento de serviços para a indústria automobilística. Você vai saber como a Caoa coordena o suprimento da sua fábrica de automóveis e caminhões e atende também suas 148 revendas das marcas Hyundai, HB (caminhões), Subaru e Ford. Vai ler, ainda, a análise dos negócios no campo das consultorias, engenharia e projeto, testes e simulações, automação, tecnologia da informação, logística e certificação. Nesta edição você encontrará também a cobertura dos eventos organizados por Automotive Business e as informações essenciais nos lançamentos do Uno e Fusion 2017, Golf 1.0 TSI e do Compass nacional. Boa leitura!

Editada por Automotive Business, empresa associada à All Right! Comunicação Ltda. Tiragem de 10.000 exemplares, com distribuição direta a executivos de fabricantes de veículos, autopeças, distribuidores, entidades setoriais, governo, consultorias, empresas de engenharia, transporte e logística e setor acadêmico. Diretores Maria Theresa de Borthole Braga Paula Braga Prado Paulo Ricardo Braga Editor Responsável Paulo Ricardo Braga (Jornalista, MTPS 8858) Editora-Assistente Giovanna Riato Redação Mário Curcio, Pedro Kutney e Sueli Reis Editor de Notícias do Portal Pedro Kutney Colaboradora desta edição Edileusa Soares Design gráfico Ricardo Alves de Souza Josy Angélica RS Oficina de Arte Fotografia Estúdio Luis Prado Publicidade Carina Costa, Greice Ribeiro, Monalisa Naves Atendimento ao leitor Patrícia Pedroso WebTV Marcos Ambroselli Comunicação e eventos Carolina Piovacari Impressão Margraf Distribuição Correios

Administração, redação e publicidade Av. Iraí, 393, conjs. 51 a 53, Moema, 04082-001, São Paulo, SP, tel. 11 5095-8888 redacao@automotivebusiness.com.br

Filiada ao

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PORTAL

| AUTOMOTIVE BUSINESS

AS NOVIDADES QUE VOCÊ ENCONTRA EM WWW.AUTOMOTIVEBUSINESS.COM.BR FENABRAVE PROJETA QUEDA MAIOR DAS VENDAS As vendas de veículos seguem em patamares decepcionantes. Diante dos resultados fracos, a Fenabrave, entidade dos distribuidores de veículos, reduziu a expectativa para 2016. A expectativa agora é de queda de 19,8% sobre o resultado do ano passado, para 2,06 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.

INDÚSTRIA QUER DEFINIÇÃO PARA AVANÇAR COM PROCONVE O Brasil conquistou redução importante das emissões de poluentes com a criação do Proconve, que chega aos 30 anos. Ainda assim, o País está atrás de Europa e Estados Unidos, que apertam cada vez mais seus padrões. “O que a indústria quer é a definição de prazos para os novos níveis de emissões a fim de avançar ainda mais com o Proconve”, defende Stephan Blumrich, vice-presidente da Umicore.

AB INTELIGÊNCIA TRAZ ESTUDOS E ESTATÍSTICAS Nova área de Portal Automotive Business reúne o material essencial para que as empresas façam o planejamento de negócios. O espaço está sempre atualizado com dados e estatísticas das principais entidades do setor automotivo, além de relatórios, pesquisas e estudos feitos por consultorias parceiras, como Deloitte e KPMG.

WEB TV youtube.com.br/automotivebusiness ESPECIAL

NOTICIÁRIO

ENTREVISTA

Confira as novidades apresentadas no SALÃO DO AUTOMÓVEL DE PARIS 2016

RICARDO BACELLAR, da KPMG, fala das mudanças do marketing na era digital

BALANÇO SEMANAL Toda sexta-feira o resumo semanal dos principais acontecimentos automotivos

EXCLUSIVO QUEM É QUEM A ferramenta exclusiva e gratuita traz os contatos de quem comanda o setor automotivo. automotivebusiness.com.br/ quemquem.aspx

REDES SOCIAIS ESTATÍSTICAS Acompanhe a evolução das estatísticas das principais organizações do setor. automotivebusiness.com.br/ estatisticas.aspx

MOBILE WEBSITE Formato leve e adequado para quem acompanha as notícias pelo smartphone ou tablet. m.automotivebusiness.com.br

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RODA VIVA | FERNANDO CALMON CALMON | FERNANDO

O NOVO MOTOR DO

LUIS PRADO

ECOSPORT FERNANDO CALMON é jornalista especializado na indústria automobilística fernando@calmon.jor.br

Leia a coluna Alta Roda também no portal Automotive Business PATROCINADORAS

PRIMEIRO motor de três cilindros e 1,5 litro fabricado no Brasil estreia no EcoSport reestilizado, no primeiro trimestre de 2017. Fonte desta Coluna indica potência de 130 cv, suficiente também para o Focus hatch. Conhecido como Dragon, terá versão turbo (não de início), sucessora natural do EcoBoost. O SUV compacto receberá câmbio automático convencional no lugar do automatizado atual. NISSAN Sentra mostra atributos de boa dirigibilidade, em particular pela suspensão e direção eletroassistida bem calibradas, além de linhas revitalizadas. Volante, de novo desenho, manteve o incômodo sistema de regulagem de altura tipo “queda-livre”. Combinação de motor 2-litros (140 cv, apenas) e câmbio CVT tem respostas ao acelerador um pouco lentas. SERGIO MARCHIONNE, presidente mundial da FCA, reafirma que novas tecnologias – da condução autônoma à eletrificação – são muito caras e ainda geram incertezas, inclusive de

plena aceitação pelos clientes. “Em carros esporte, então, nem pensar”, disse. Ele veio ao Brasil para lançamento mundial do SUV médiocompacto Compass, que será fabricado também no México, Índia e China. FIAT montou uma estratégia para colocar o novo motor de 3 cilindros no Mobi, o que ajudará a impulsionar suas vendas. Criará nova versão (possivelmente batizada de Drive) prevista para estrear logo no início de 2017 ou até antes. Aos poucos, descontinuará o atual motor de quatro cilindros que, além de antigo, não brilha em termos de consumo. ESTILO tem alguns exageros, mas o híbrido Toyota Prius traz experiência marcante. Quem usa o acelerador com moderação consegue tirar o carro da imobilidade e, em teoria, rodar até 4 km no modo puramente elétrico. Resultado de consumo de combustível no uso urbano é excepcional; na estrada, nem tanto. Atmosfera da cabine, um ponto alto.

MITSUBISHI renova a picape média de cabine dupla L 200 Triton, sem retirar de linha a geração anterior. Estilo mudou pouco e uma das novidades é a altura da caçamba, o que aumentou o volume para carga. Grande evolução mesmo foi do motor a diesel, que diminuiu cilindrada para cortar consumo e ainda assim ganhou potência (190 cv) e torque (43,9 kgfm). HYUNDAI confirmou o que se esperava. Um crossover compacto será produzido no Brasil no próximo ano e exibido antes no Salão do Automóvel de São Paulo agora em novembro. Creta utilizará a base modificada do HB20 com estilo específico para o mercado nacional. Motor não foi informado pela marca, mas poderá ser o atual flex 1,6 L com injeção direta e 140 cv. PRESIDENTE da Ford América do Sul, Lyle Watters, atuou anteriormente na subsidiária europeia e teve de enfrentar a recente fase de profunda crise de vendas. A recuperação do mercado lá foi mais rápida do que o esperado. Para ele, tudo indica que acontecerá algo semelhante aqui. Quando o mercado começar a reagir, deve surpreender pela velocidade.

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CARREIRA

FOTOS: DIVULGAÇÃO

CARLOS ZARLENGA

ASSUME A PRESIDÊNCIA DA GENERAL MOTORS NO BRASIL E SUCEDE A SANTIAGO CHAMORRO, QUE FICOU NO CARGO POR 3 ANOS SUELI REIS

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arlos Zarlenga é o novo presidente da General Motors do Brasil, assumindo a responsabilidade de toda a operação da montadora no País. Ele deixa o cargo de chefe financeiro (CFO) da montadora na América do Sul e sucede a Santiago Chamorro, o novo vice-presidente de Global Connected Customer Experience (GCCX), área ligada aos processos de inovação em conectividade e mobilidade urbana. Chamorro ficará baseado na matriz da GM em Detroit (EUA) e se reportará diretamente à chairman e CEO global da GM, Mary Barra. Antes de assumir a nova função, Zarlenga também

era o presidente da GM para a Argentina, Uruguai e Paraguai (GMA). Ele acumulou experiência ao ser CFO da empresa na Coreia do Sul e diretor do conselho de administração no Usbequistão, em uma joint venture da GM com o governo local. Antes disso, passou pela General Electric, onde foi CFO Consumer and Industrial para a Europa, Oriente Médio e África. A GM designou Paris Pavlov como seu novo presidente na Argentina, Uruguai e Paraguai. Desde 2014 o executivo era vice-presidente de operações logísticas e de compras para a GMSA e estava baseado em São Paulo. Ele passa a ficar na filial de Buenos Aires. n

EXECUTIVOS  A  NTOINE GASTONBRETON passa a responder pela diretoria de marketing da Peugeot no Brasil, cargo que estava em aberto desde julho, com a saída de Frederico Bataglia, nomeado diretor comercial da marca no País.

ALEX PACHECO é o novo vice-presidente e gerente-geral da Johnson Controls, fabricante das baterias Heliar. RODRIGO MOREIRA assume a diretoria comercial da marca para o aftermarket no Brasil.

 C  AMILO RUBIM assume a nova área de vendas da T-Systems no Brasil, unificada pelas três operações de local market, global accounts e automotive & MI.

ANTONIO JOSÉ TEODORO é nomeado novo vice-presidente para a divisão de aftermarket da Tenneco para a América do Sul, sendo responsável pelas marcas Monroe e Walker na região.

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NEGÓCIOS

PONTO DE VISTA É preciso ter paciência com o Brasil. Tenho plena confiança de que o País vai se recuperar. Entre 2008 e 2009 o mercado dos Estados Unidos despencou e ninguém conseguia ter uma visão otimista. Agora, sete anos depois, os negócios estão restabelecidos por lá” SERGIO MARCHIONNE, CEO DA FCA, em entrevista à imprensa brasileira durante o lançamento do Jeep Compass

ZERO EMISSÃO

MOTORES

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ma capital do Nordeste decidiu fazer investida em carros elétricos. Entrou em operação em Fortaleza (CE) o sistema de compartilhamento de automóveis Vamo, de Veículos Alternativos para Mobilidade. Nesta fase o projeto tem quatro estações em funcionamento e oito carros. O plano é alcançar frota de 20 veículos, com 12 estações de compartilhamento. Os modelos são os chineses Zhi Dou, do Xindayang Group, e E6, da BYD, ambos totalmente elétricos. O programa é fruto de parceria entre a Hapvida Saúde, que investiu R$ 7 milhões no Vamo, a Prefeitura de Fortaleza e a Sarttel, responsável pela operação e manutenção do sistema.

FÁBRICA DA VW EM SÃO CARLOS COMPLETA 20 ANOS

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m outubro, a planta de motores da Volkswagen em São Carlos (SP) completou 20 anos de história, com 10 milhões de propulsores produzidos. Desde sua inauguração, a fábrica teve a área construída duplicada e recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos. A unidade faz atualmente os motores EA211 de três e quatro cilindros em versões 1.0 MPI, 1.0 TSI, 1.4 TSI e 1.6 MSI, que equipam boa parte da gama da marca no Brasil. Em São Carlos também é feito o EA111 1.6. Além de atender à demanda interna, a produção da planta é exportada, abastecendo, por exemplo, parte dos modelos Polo e Up! na Europa.

DIVULGAÇÃO / VW

DIVULGAÇÃO / VAMO

FORTALEZA JÁ TEM CARRO ELÉTRICO COMPARTILHADO

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NEGÓCIOS

DIVULGAÇÃO / DAF

PESADOS

DAF CHEGA AOS 3 ANOS NO BRASIL COM NOVIDADES

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fábrica da DAF em Ponta Grossa completou 3 anos de operação no Brasil. Mesmo com o mercado retraído, a empresa comemora: é a única marca no País a registrar aumento das vendas no segmento de comerciais pesados. Os emplacamentos subiram 57% até setembro. “Nos ajustamos ao mercado atual e estamos muito contentes com esse crescimento”, assegura Michael Kuester, presidente da DAF Caminhões no Brasil. Para manter o bom ritmo, a empresa promete lançar em 2017 um caminhão off-road. Outra novidade é uma versão do CF rígida. Esta última, no entanto, só chegará quando as condições do mercado nacional melhorarem. (Sueli Reis)

90 MILHÕES DE CARROS

MERCADO GLOBAL CAMINHA PARA NOVO RECORDE

E BANCO DE IMAGEM

nquanto o mercado brasileiro encolhe, as vendas de carros avançam globalmente. A consultoria Focus2Move projeta que até o fim de 2016 o mercado mundial alcance o recorde de 90 milhões de veículos de passeio vendidos este ano em todo o mundo. Apenas entre janeiro e agosto os emplacamentos já passaram da marca de 60 milhões de unidades, o maior volume histórico para o período, com aumento de 3,2% na comparação com igual intervalo de 2015.

AUTOPEÇAS

DANA COMPRA ATIVOS DA SIFCO

A

Dana fechou acordo para a compra de ativos estratégicos da Sifco, fabricante de componentes forjados e usinados que opera sob recuperação judicial desde 2014. A aquisição inclui bens de capital de manufatura como prensas, módulos de usinagem e outros equipamentos das unidades de Campinas (SP) e de Jundiaí (SP), além da absorção de mão de obra.

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NEGÓCIOS

DIVULGAÇÃO / PIAGGIO

PRODUÇÃO CONFIRMADA

PIAGGIO TRAZ VESPA AO MERCADO NACIONAL

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or intermédio do grupo investidor Asset Beclly, a italiana Piaggio começa a operar no Brasil com a importação de scooters da marca Vespa. Os primeiros modelos a chegar são os Primavera 125 cc e 150 cc, com preço inicial de R$ 22.890. O objetivo da companhia é ousado e inclui a montagem local a partir de 2018. Para isso, a empresa terá fábrica em Manaus (AM) com capacidade para 35 mil unidades anuais. “A produção local poderá usar componentes vindos da China, da Índia e de qualquer uma das sete fábricas da Piaggio pelo mundo”, afirma Longino Morawski, presidente da empresa no Brasil. Para distribuir as motocicletas, a Asset Beclly aposta no conceito de butiques e planeja abrir 8 lojas em 2016 e mais 12 em 2017. A expectativa de vendas é ambiciosa: chegar a 35 mil Vespinhas em 2018. (Mário Curcio)

VENDAS ENFRAQUECIDAS

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setor de caminhões ainda não mostra nenhuma reação nas vendas. Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave, a federação dos distribuidores de veículos, calcula que o estoque do segmento já alcance volume suficiente para 85 dias de emplacamentos. O número é elevado mesmo com o baixo nível de produção das fábricas, que seguem com capacidade ociosa superior a 70%. Mesmo com o cenário ainda negativo, a entidade sustenta que as vendas voltarão a crescer em 2017.

LEO MARTINS

ESTOQUE DE CAMINHÕES CHEGA A 85 DIAS

CRETA DIVULGAÇÃO / HYUNDAI

HYUNDAI INVESTE US$ 155 MILHÕES NO BRASIL

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o mesmo tempo em que comemora quatro anos de inauguração da fábrica de Piracicaba (SP), a Hyundai faz novo investimento no Brasil. A empresa aplica US$ 155 milhões no País, sendo US$ 130 milhões para a planta de Piracicaba, onde é feito o HB20 e será produzido o Creta, segundo modelo a entrar na linha de montagem do interior paulista. Com o reforço, a unidade aumenta a capacidade produtiva anual para 190 mil unidades – 10 mil a mais por ano. O novo SUV começou a ser produzido em setembro, mas só deve chegar ao mercado no começo de 2017. Os demais US$ 25 milhões serão destinados à construção de um novo centro de pesquisa dentro do complexo industrial de Piracicaba, com foco na área de motores dedicados ao mercado brasileiro.

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ANFIR PEDE MUDANÇA NOS FINANCIAMENTOS

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BANCO DE IMAGEM

BNDES

setor de implementos rodoviários, representado pela Anfir, acumulou queda de 30,7% nas vendas de janeiro a setembro. Para melhorar a situação, a entidade pede mudança nas condições de financiamento pelo BNDES. O pleito é que o banco aumente sua participação na concessão de crédito. Atualmente, a instituição financia 50% do valor do bem para grandes empresas e 60% do montante no caso de pequenas e médias. “O ideal seria elevar os porcentuais de participação para 80% nas grandes e 90% nas PMEs e simplificar a concessão de crédito”, aponta o presidente da Anfir, Alcides Braga. O posicionamento da organização está alinhado com o defendido por uma série de fabricantes de caminhões. Uma delas é a MAN Latin America. Roberto Cortes, presidente da empresa, já declarou que o financiamento do BNDES deveria cobrir 100% do valor do bem.

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NEGÓCIOS

AUTÔNOMOS PODEM GERAR MERCADO DE US$ 5 BILHÕES EM CONTEÚDO

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s carros autônomos impactam fortemente o modelo de negócio das montadoras e devem ainda criar novos mercados. Um deles é o de conteúdo para esses veículos, segmento que pode chegar a US$ 5 bilhões anuais, segundo Elliot Garbus, gerente da divisão de soluções de transporte da Intel. Ele defende que, ao tirar do motorista a função de dirigir, este ficará em busca de “coisas para ler, assistir ou escutar”. Em resumo, existe ampla gama de possibilidades de manter o condutor ocupado.

ANIVERSÁRIO

HONDA COMPLETA 45 ANOS NO BRASIL

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m outubro a Honda completou 45 anos de operação no Brasil. Os negócios da empresa localmente começaram com a importação de motocicletas, em 1971. Dois anos mais tarde a empresa passou a vender também produtos de força. Com a restrição às importações, a empresa abriu fábrica de veículos de duas rodas da marca na Zona Franca de Manaus (AM), em 1976. Apenas em 1992 chegaram ao País os primeiros automóveis Honda, com a oferta local do Civic fabricado no Japão e uma série de outros modelos, como o Accord e o esportivo Prelude. Com o aumento da demanda local, em 1997 a empresa inaugurou sua primeira fábrica de carros em Sumaré (SP). O crescimento consistente da presença nacional da Honda estimulou a companhia a investir em nova unidade, em Itirapina (SP), que começou a ser construída em 2013 e foi concluída este ano. A empresa decidiu, no entanto, não iniciar a operação na planta até que as condições do mercado brasileiro de automóveis melhorem. Assim, a Honda chega aos 45 anos com 24 milhões de produtos fabricados no Brasil, 10 mil colaboradores na operação local e 1,5 mil pontos de venda.

VW TRUCK & BUS

MAN E SCANIA TRABALHARÃO JUNTAS EM P&D

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Volkswagen Truck & Bus definiu que MAN e Scania, duas marcas da holding, serão parceiras na área pesquisa e desenvolvimento (P&D). As equipes das duas empresas deverão trabalhar juntas na criação de componentes e trem-de-força para caminhões e ônibus de ambas as montadoras. O foco está em plataformas comuns para motores, transmissões e sistemas de pós-tratamento que possam ser adaptados entre as fabricantes. O objetivo é manter as identidades das marcas claramente definidas, ainda que boa parte do desenvolvimento seja feita em conjunto. A cooperação é parte da estratégia da VW Truck & Bus para alcançar liderança de mercado na próxima década.

DUAS RODAS

MERCADO SERÁ DE MENOS DE 1 MILHÃO DE MOTOS

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m mais um ano difícil, 2016 vai terminar com nova retração nas vendas de motocicletas. Excluindo os emplacamentos de ciclomotores usados (mas lacrados como novos este ano), a demanda não chegará sequer a um milhão de unidades, algo que não acontecia desde 2004. (Mário Curcio) BANCO DE IMAGEM

NOVO NEGÓCIO

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RENOVAÇÃO

VW TIGUAN E GOLF VARIANT GANHAM VERSÕES 1.4 TSI

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INGOBARENSCHEE.COM

DIVULGAÇÃO / VW

Volkswagen oferece nova opção de motor para o Tiguan e o Golf Variant. O primeiro passa a contar com versão 1.4 TSI a gasolina e o segundo trocou o propulsor antigo de 140 cv somente a gasolina por outro flex. O utilitário esportivo fabricado em Osnabrück, na Alemanha, agora tem preço o inicial de R$ 125.990, já com câmbio automático DSG de dupla embreagem com seis marchas. A tração é apenas dianteira. A opção 2.0 TSI 4x4 permanece à venda com tabela a partir de R$ 149.990. No Golf Variant, que vem de Puebla, no México, o 1.4 TSI flex equipa as duas versões à venda. Começa em R$ 101.880 na Comfortline e em R$ 113.290 na Highline. A troca pela unidade bicombustível teve um ponto negativo para o modelo, já que o câmbio automático DSG de sete marchas deu lugar a um automático convencional (com conversor de torque) de seis velocidades. (Mário Curcio)

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PROJETO

DIVULGAÇÃO / JAC MOTORS

JAC MOTORS LEVA PLANO DE FÁBRICA AO NOVO MDIC

om a mudança de governo, a JAC Motors decidiu levar a Marcos Pereira, novo ministro do MDIC, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, os seus planos para o Brasil. A empresa sustenta o plano já anunciado de produzir em solo brasileiro, ainda em Camaçari (BA), com investimento de R$ 200 milhões e capacidade de 20 mil unidades por ano, uma operação em CKD. O plano é bem diferente do original, anunciado em 2011, que previa investimento de R$ 1 bilhão para erguer fábrica com capacidade para 100 mil veículos por ano. Com a mudança, a JAC Motors teve outro assunto para debater no MDIC: o cancelamento de sua habilitação ao InovarAuto anunciado em maio deste ano. Como não cumpriu o plano inicial, inscrito no programa, a empresa precisará devolver os benefícios fiscais recebidos para importações de veículos entre os anos de 2013 e 2014.

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NEGÓCIOS

DIVULGAÇÃO / FOTON

CAMINHÕES

FOTON INICIA PRODUÇÃO PRÉ-SÉRIE

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chinesa Foton já fabrica seus primeiros caminhões na linha de montagem da fábrica da Agrale em Caxias do Sul (RS), onde a montadora decidiu iniciar suas atividades industriais no País de forma temporária, até que a sua planta própria, em Guaíba, fique pronta. Por lá, a empresa está montando os chamados pré-série, que representam a fase de testes da linha de produção com o modelo já validado com os fornecedores e apto para o mercado.

OPERAÇÃO

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s fábricas da Volkswagen no Brasil ficaram mais de um mês paralisadas por falta de componentes fabricados por empresas do Grupo Prevent. A montadora trocou de fornecedores e agora trabalha para repor os estoques e cumprir contratos de exportações que não puderam ser atendidos neste período. Para isso, a companhia pretende fabricar volume mensal de 50 mil carros. Para retomar a produção, foi necessário reunir o trabalho de 12 fornecedores. Há ainda componentes sendo feitos dentro da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) por funcionários da própria montadora.

MAURICIO ERCOLIN

VW ACELERA PRODUÇÃO PARA REPOR ESTOQUES

PRODUÇÃO LOCAL

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SUV Kicks, da Nissan, só começará a ser produzido no Brasil em março. Até lá, o modelo será importado do México para atender ao mercado local. Para abrigar a operação, a montadora contratará 600 trabalhadores para a planta de Resende (RJ), que já recebeu aporte extra de R$ 750 milhões. (Mário Curcio)

DIVULGAÇÃO / NISSAN

KICKS BRASILEIRO SÓ EM MARÇO

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ESTRATÉGIA

FIAT ENTREGA LIDERANÇA EM BUSCA DE RENTABILIDADE

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crise no setor automotivo no Brasil não provocou apenas redução drástica nos volumes de vendas, mas abalou algumas estruturas já bem estabelecidas no mercado. Uma delas foi a liderança da Fiat, que já durava 14 anos. A marca perdeu este posto no ano passado. “A perda de participação era esperada. Decidimos não perseguir volume, mas preservar o pouco de rentabilidade que ainda tínhamos naquele momento”, conta Sergio Marchionne, o CEO do grupo Fiat Chrysler, que visitou o País para cumprir uma agenda intensa de reuniões e acompanhar o lançamento do SUV Compass (leia na página 31). A marca italiana foi a que mais diminuiu seu market share este ano. Os números podem preocupar, mas não assustam o executivo, conhecido pelo jeito descontraído e direto ao ponto. “Eu não olho mais para os números

de cada marca de forma isolada. Já cometi esse erro antes. A FCA é uma coisa só”, diz, enfatizando que, enquanto a Fiat perde espaço, a Jeep ganha, o que garante algum equilíbrio. Desde o lançamento do Renegade, a marca saiu da 24a para a 10a colocação no ranking de vendas. Ainda assim, ele admite que intenção é recuperar o espaço perdido, algo que Marchionne só acredita que será possível quando o mercado brasileiro se reerguer. “Nós investimos na fábrica de Pernambuco no momento em que fazíamos um carro a cada 20 segundos. Agora precisamos olhar para a planta de Betim (MG), pensar na sustentabilidade do negócio e começar a mudar de dentro para fora, renovando a oferta de produtos. O portfólio pensado há dez anos não é mais o que o consumidor quer hoje”, diz. (Giovanna Riato)

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DIVULGAÇÃO / KIA

NEGÓCIOS

FOCO NO INOVAR-AUTO

KIA TERÁ CENTRO DE TECNOLOGIA EM SALTO

I

mportador dos carros da Kia Motors para o Brasil, o Grupo Gandini vai investir R$ 30 milhões na construção de um centro tecnológico em Salto, no interior de São Paulo. O empreendimento pretende cumprir uma das exigências do Inovar-Auto, regime automotivo

que determina investimentos mínimos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil. Chamado de Gandini Centro Tecnológico, o complexo ficará em São Paulo e contará com estrutura para testes de consumo e de emissões de motores.

VULNERÁVEL

CARRO DA TESLA É HACKEADO

U

m time de pesquisadores chineses conseguiu hackear um carro da Tesla. Os invasores entraram no sistema operacional do veículo e provocaram remotamente ações como frenagem do automóvel e destravamento das portas. Os especialistas informaram as vulnerabilidades à fabricante, que rapidamente ofereceu atualização do sistema de seus carros contra o hackeamento. A invasão reforçou a importância da segurança cibernética para o setor automotivo. A questão é uma preocupação grande para a Tesla, que oferece recompensas de US$ 100 a US$ 10 mil a hackers DIVULGAÇ ÃO / TESL capazes de descobrir falhas nos sistemas de seus carros. A

FORNECEDORA

NSK COMPLETA 100 ANOS DESDE SUA FUNDAÇÃO

A

fabricante japonesa de rolamentos NSK completa 100 anos de história em novembro. Empresa foi criada em 1916 com foco em produzir componentes para máquinas. Atualmente, a companhia está presente em todos os continentes, com 64 fábricas e 14 centros tecnológicos espalhados pelo mundo, um deles no Brasil. O País foi o primeiro fora do Japão a receber uma planta da empresa. Hoje a NSK fornece localmente para os setores automotivo e industrial, incluindo OEM e mercado de reposição.

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LANÇAMENTO

JEEP APRESENTA

COMPASS NACIONAL E MAIS TECNOLÓGICO SEGUNDO MODELO DA MARCA FABRICADO EM PERNAMBUCO CHEGA A PARTIR DE R$ 99.990 GIOVANNA RIATO | de Goiana, PE

C

O Compass encerra a primeira etapa do plano de produto do Polo Automotivo da Jeep em Goiana. A produção começou com o Renegade, evoluiu em 2016 com a picape Fiat Toro, construída sobre a mesma arquitetura, que serve de base agora para o Compass. “Saímos do zero e lançamos três produtos em um ano e meio”, destaca Stefan Ketter, presidente da companhia para a América Latina. A promessa é que o modelo vai atender não só ao mercado interno, mas será também produto de exportação, com potencial para atender os vizinhos da América Latina inicialmente e até mesmo países da África e do Oriente Médio. Globalmente, o Compass é um dos pilares da estratégia de internacionalização e expansão

da Jeep, que aparentemente avança dentro das expectativas. Segundo a companhia, nos últimos sete anos o volume de vendas da marca ficou cinco vezes maior. A expectativa é alcançar 1,5 milhão de unidades este ano. As metas de vendas no Brasil serão apoiadas na rede de concessionárias da Jeep, que já somam 191 lojas. O número, aparentemente, é o ponto de equilíbrio para a marca, que não planeja outras expansões. “Saímos de 45 revendas em 2014 e chegamos a essa cobertura. A partir de agora serão só ajustes, como eventualmente deslocar uma concessionária para alguma região que estiver descoberta, ou aberturas pontuais”, conta Alexandre Clemes, gerente de produto da Jeep. n

DIVULGAÇÃO / JEEP

omeçou a sair das linhas de montagem da cidade pernambucana de Goiana o Jeep Compass, modelo que promete ser mais um dos pilares para que a marca se estabeleça como a principal fabricante global de SUVs. O lançamento mundial ocorreu no Brasil e deve ser seguido pela apresentação nos Estados Unidos nos próximos meses. O carro chega ao mercado em novembro com preços que vão de R$ 99.990 a R$ 149.990, em versões 2.0 flex de 166 cv de potência e 2.0 diesel, de 170 cv.
 As configurações bicombustíveis vão disputar espaço no mercado nacional com modelos como Hyundai iX35, Mitsubishi ASX e Kia Sportage. Já na faixa de preço da opção a diesel, o alvo está nos SUVs das marcas alemãs, como Mercedes-Benz GLA, Audi Q3 e BMW X1. O plano da FCA, Fiat Chrysler Automobiles, controladora da Jeep, é alcançar a marca de 2 mil emplacamentos mensais, número ambicioso, superior ao dos concorrentes. Para alcançar o volume, a aposta é oferecer tecnologias inéditas para um modelo fabricado no Brasil. Entre elas estão controle de velocidade de cruzeiro, alerta de colisão e monitoramento de mudança de faixa de rodagem.

O COMPASS é um dos pilares da estratégia de internacionalização e expansão da Jeep, que nos últimos sete anos ampliou o volume de vendas em cinco vezes

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LANÇAMENTO

FIAT INVESTE MAIS DE R$1 BI NO

UNO 2017

MODELO RECEBEU NOVOS MOTORES DE 3 E 4 CILINDROS MÁRIO CURCIO | de Betim (MG)

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Fiat investiu mais de R$ 1 bilhão na linha Uno 2017. O carro recebeu como principal mudança dois novos motores, um 1.0 de três cilindros com até 77 cavalos e um 1.3 de quatro cilindros e até 109 cv. O preço inicial é de R$ 41.840. Os propulsores consumiram a maior parte do investimento. Eles são feitos dentro da fábrica de automóveis em Betim (MG), onde a montadora ampliou a seção em 22 mil metros quadrados, instalou 186 novos robôs e aumentou a capacidade produtiva de 650 mil para mais de 1 milhão de motores por ano. Essa nova família de motores é chamada Firefly e emprega bloco e cabeçote de alumínio. Tanto o 1.0 como o 1.3 utilizam apenas duas

válvulas por cilindro. Segundo a Fiat, essa receita foi a que trouxe o melhor compromisso entre dirigibilidade e consumo. A taxa de compressão adotada para ambos é bem alta, 13,2:1, e certamente ajudou na redução de consumo. Ambos conseguiram letra A em eficiência energética. Na cidade o Uno 1.0 faz 13,1 km/l com gasolina e 9,2 km/l com etanol. Na estrada esses números sobem para 15,1 km/l (g) e 10,4 km/l (e). Os resultados do 1.3 são bem parecidos. Em meio urbano ele faz 12,9 km/l com gasolina e 9,2 km/l com etanol. Em uso rodoviário alcança 14,05 km/l (g) e 10,1 km/l (e). Os motores Firefly recebem um sistema de partida a frio sem tanquinho

FOTOS: DIVULGAÇÃO / FIAT

FIREFLY 1.0 de 3 cilindros produz até 77 cv com etanol e versão 1.3 de 4 cilindros chega a 109 cv. Os dois obtiveram letra A em eficiência energética. Têm comando único no cabeçote, 2 válvulas por cilindro e partida a frio Marelli sem tanquinho

fornecido pela Magneti Marelli e utilizam recursos que ajudam a baixar o consumo. O eletroventilador e a bomba de combustível do 1.0 e do 1.3 têm funcionamento variável sob demanda. O 1.3 recebe ainda alternador inteligente (que só envia carga à bateria se necessário) e sistema start-stop. Esses dois motores da família Firefly têm comando único no cabeçote acionado por corrente metálica. A peça é produzida pela BorgWarner em Itatiba (SP) e substitui as correias dentadas de borracha, em regra menos duráveis. Os motores utilizam variador de fase, que altera o sincronismo do comando de válvulas conforme a faixa de rotação para melhorar ora a potência, ora o torque. Desde a versão de entrada, Attractive 1.0, o Uno 2017 traz de série ar-condicionado, vidros elétricos dianteiros, travamento central das portas e direção agora com assistência elétrica em vez de hidráulica, que inclui um botão no painel com a função City, que reduz em cerca de 50% a força necessária para esterçar o volante em manobras de estacionamento. Os carros já chegaram às concessionárias Fiat: “Estimamos vender cerca de 3 mil unidades por mês”, afirma o diretor de produto para a América Latina, Carlos Eugênio Dutra. Desse total, 45% serão da versão Attractive. n

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LANÇAMENTO

FUSION 2017 ESTÁ MAIS

ECONÔMICO E COMPLETO NOVO FORD AGORA QUER BRIGAR COM SEDÃS MÉDIOS, GRANDES E PREMIUM MÁRIO CURCIO | de Mata de São João (BA)

C

DIVULGAÇÃO / FORD

om mudanto automático ças na oferadaptativo com ta de motostart-stop, alerres, nos itens de ta de colisão tecnologia e no com sistema desenho externo, o autônomo de Ford Fusion 2017 frenagem, assistenchegou às conceste autônomo de desionárias no início tecção de pedestres, de outubro. O sedã sistema de estaciocontinua vindo do namento automátiMéxico, onde é co, monitoramenmontado na fábrito de pontos cegos, ca de Hermosillo. alerta de tráfego cruA versão de entrazado, sistema de da, 2.5 flex, ficou NOVA DIANTEIRA teve leves mudanças na grade, faróis e para-choque. permanência na fai7% mais econômi- Iluminação interna agora permite ajuste de intensidade (no destaque). Banco xa, banco do mototraseiro tem descansa-braço com porta-copos e cintos de segurança infláveis ca e adotou sistema rista e do passageiro de partida a frio sem com ajustes elétritanquinho auxiliar de gasolina. Tem marketing de produto Fernando Pfei- cos, aquecimento e refrigeração, enpotência máxima de 175 cavalos e ffer. Até o fechamento desta edição a tre outros itens. preço inicial de R$ 121,5 mil. O Fusion 2017 tem rodas de 18 Ford ainda não havia definido o preJá o motor 2.0 EcoBoost recebeu ço do novo Fusion híbrido. polegadas, sistema de partida sem novo turbo, teve a taxa de compresCom a linha 2017 a montadora es- chave, nova central multimídia Sync são elevada e passou de 234 cv para pera concorrer com as versões mais 3, controle ativo da grade frontal (que 248 cv. Também está 7% mais eco- completas de sedãs médios como se fecha para melhorar a aerodinâminômico. Esse propulsor agora é dis- Honda Civic e VW Jetta e com mode- ca), monitoramento da pressão dos ponível desde a versão SEL e tem los de porte semelhante ao seu como pneus, AppLink, conectividade com preço inicial de R$ 125,5 mil. Mais Honda Accord, Hyundai Azera, Toyo- Car Play e Android Auto. completas são as opções Titanium ta Camry e VW Passat. Também tenTodo Fusion vem com câmbio auFWD (com tração dianteira) e Tita- tará ganhar, na base da potência, do tomático de seis marchas. Na linha nium AWD (com tração integral), por espaço e da tecnologia, consumido- 2017, no lugar da alavanca tradiciopreços sugeridos de R$ 138 mil e R$ res de Audi A4, BMW Série 3 e Mer- nal há um botão giratório chamado 154,5 mil. “Antes, cerca de 60% das cedes-Benz Classe C. pela Ford de E-Shifter. As aletas pavendas eram da versão topo de linha. Para isso, sua versão topo de linha ra trocas de marchas atrás do volanEsperamos mudar isso com o novo Titanium AWD traz, além dos 248 te estão em todas as versões a partir EcoBoost SEL”, afirma o gerente de cv, tração integral inteligente, pilo- da SEL EcoBoost. n

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DAIMLER AG / DIVULGAÇÃO MERCEDES-BENZ

SALÃO DE PARIS

MERCEDES-BENZ EQ GENERATION: SUV elétrico e autônomo

LIBERDADE,

CONECTIVIDADE E ELETROMOBILIDADE AUTÔNOMOS, CONECTADOS, ELÉTRICOS E COMPARTILHADOS SÃO TENDÊNCIAS PEDRO KUTNEY | de Paris (França)

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a capital francesa onde eclodiu no fim do século 18 a revolução que mudou o mundo, baseada nos princípios da tríade “liberdade, igualdade e fraternidade”, os maiores fabricantes mundiais de carros se reuniram dois séculos depois no Salão de Paris para mostrar outra revolução que vai mudar rapidamente o universo dos carros até o fim da década. Parafraseando os ideais revolucionários franceses, liberdade, conectividade e eletromobilidade são os fios condutores das mudanças em passo acelerado. Cada marca à sua maneira trabalha para deixar o cliente livre da obrigação de ter um veículo ou precisar dirigi-lo, de estar conectado em movimento ou parado para encontrar um lugar para estacionar, o melhor restaurante ou o caminho de casa (entre muitas

outras possibilidades), tudo sem emitir um grama sequer de gases poluentes ou de efeito estufa, usando a energia limpa da eletricidade. Graças à evolução das tecnologias de conectividade, das baterias elétricas e da inteligência artificial embarcada nos automóveis na forma de sensores, centrais de processamento de dados de alta velocidade e atuadores mecatrônicos, os carros de um futuro bem próximo, de cinco a dez anos, poderão guiar com pouca ou nenhuma interferência humana, ter autonomia acima de 500 km em modo elétrico (com recargas rápidas de 30 minutos), além de ganhar vida em um mundo paralelo virtual, no qual se trocam informações, atualizações, roteiros etc.

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DE QUALIDADE

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O ELÉTRICO RENAULT ZOE: autonomia dobrada para 400 km

delos Renault e Nissan com o nosso Pro-Pilot já a partir de 2017, que permite a condução semiautônoma (mantém o carro com frenagem e aceleração automáticas na faixa de rolamento sem que o motorista precise pegar no volante).” De maneira geral, a maioria dos fabricantes já traçou a rota para a direção autônoma, que começa a se tornar realidade a partir do ano que vem com adoção de funções semiautônomas como o Pro-Pilot da Nissan.

PEDRO KUTNEY

REINVENÇÃO DO AUTOMÓVEL “Conectividade, direção autônoma, compartilhamento e eletromobilidade são os quatro pilares que estão virando a indústria de ponta-cabeça”, reconhece Dieter Zetsche, presidente do Grupo Daimler e CEO da Mercedes-Benz Cars. O executivo explicou à imprensa internacional durante apresentação no Salão de Paris (que ocorreu de 1o a 16 de outubro) como a marca que inventou o automóvel está tratando de reinventá-lo, seguindo essas megatendências. No caminho da autonomia, a proposta da Mercedes é a fusão de sensores como radar, lidar e câmeras para dar olhos e orientação ao automóvel. “É como fundir as habilidades admiráveis de alguns animais, como os pássaros que voam orientados pelo magnetismo da Terra, ou os peixes que nadam no escuro seguindo as ondas da água. Queremos criar um carro com poderes quase sobrenaturais, indo tão longe com a direção autônoma quanto a segurança e legislação permitirem”, disse Zetsche. Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault-Nissan, que tem acordo de parceria tecnológica com a Mercedes, vai na mesma linha, mas com muita prática: “A aliança vai lançar dez mo-

O VOLKSWAGEN ID, 100% elétrico, pode rodar até 600 km antes de recarregar, conectado e autônomo: as tendências do Salão de Paris em um carro

OLIVIER MARTIN-GAMBIER / DIVULGAÇÃO RENAULT

SALÃO DE PARIS

ELETRIFICAÇÃO ESTENDIDA Ao que parece, o principal entrave para o desenvolvimento de veículos elétricos está sendo superado: as baterias estão ficando mais baratas, leves e potentes, aumentando bastante a autonomia e viabilizando o maior uso da tecnologia. Quase todos os fabricantes presentes no Salão de Paris prometeram lançar modelos elétricos em abundância nos próximos anos na Europa, Estados Unidos, China e Japão. E apresentaram carros que mais que dobraram a distância que podem percorrer antes de precisar recarregar as baterias. A Renault saiu na frente com sua aposta nos elétricos, já vendeu 100 mil deles e tem 50% do mercado mundial da categoria. No Salão de Paris, apresentou quatro desses, incluindo o novo ZOE com autonomia dobrada para 400 km. A alemã BMW, que criou a marca “i” para seus elétricos e híbidos, dedicou boa parte de seu estande no evento só para modelos alimentados por baterias. A Mercedes-Benz, que há algum tempo já vendia uma versão elétrica

do subcompacto Smart, também apresentou em primeira mão em Paris sua submarca para modelos elétricos, a EQ, começando pelo protótipo EQ Generation, um SUV com sistema de direção autônoma e o novo “visual eletrificado” que dará origem a uma família de carros alimentados por baterias da marca. “Queremos ser uma das dez marcas de veículos elétricos mais vendidas do mundo até 2025”, relevou Dieter Zetsche. E para alimentar essa ambição, a Mercedes investe nada menos que t1 bilhão em duas fábricas para fazer as próprias baterias na Alemanha. O Grupo Volkswagen também anunciou que criará uma nova marca para abrigar todas as iniciativas de eletrificação da companhia. Com os híbridos Panamera, da Porsche, por exemplo, vai iniciar os testes com sistema de leasing de baterias. Mas o foco da eletrificação está na Volkswagen, que apresentou em Paris o ID, primeiro protótipo da marca construído sobre a nova plataforma exclusiva para carros elétricos, com direção autônoma, promessa de autonomia de até 600 km e preço parecido com o de um Golf a diesel na Europa (cerca de t 25 mil atualmente na Alemanha). “Vamos lançar uma família de modelos totalmente elétricos até 2020 e queremos ser a marca número um do mundo nesse tipo de propulsão até 2025”, disse Hebert Diess, CEO mundial da marca de carros Volkswagen. n •A cobertura do evento por Automotive Business foi patrocinada pela Carcon Automotive, Delphi e Renault

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IAA

DIVULGAÇÃO / IAA DIVULGAÇÃO / MERCEDES-BENZ

URBAN ETRUCK: protótipo de caminhão elétrico pesado da Mercedes-Benz para entregas urbanas eleva o alcance da eletrificação em veículos comerciais

O FUTURO DOS

CAMINHÕES DIGITALIZAÇÃO, CONECTIVIDADE E ELETRIFICAÇÃO SÃO AS MEGATENDÊNCIAS PEDRO KUTNEY | de Hannover (Alemanha)

O

s caminhões do futuro serão ainda mais digitais, comerciais e componentes, que ocorre a cada dois anos em verdadeiros bancos de dados sobre rodas, conec- Hannover, Alemanha, desta vez de 22 a 29 de setembro. tados e eletrificados, seguindo a rota obrigatória “Esta edição foi caracterizada por temas orientados da redução de emissões, especialmente nos centros urba- para o futuro dos caminhões e veículos comerciais em nos, além de garantir maior eficiência operacional e geral, como digitalização, conectividade e direção segurança, com implementação crescente de sisteautomatizada, tudo isso com propulsão alternamas avançados de auxílio ao motorista até a diretiva”, resumiu Matthias Wissmann, presidente ção autônoma, já antevista para a próxima década associação da indústria automotiva alemã, a da, quando se estima que atrás do volante esteja VDA, que reúne fabricantes de veículos e autoum “supervisor de transporte”, que só precisará peças do país e organizou o IAA – este ano com ASSISTA À dirigir em certas condições. Essas foram as mega2.013 expositores de 52 países, que ocuparam REPORTAGEM o COMPLETA E tendências demonstradas no 66 IAA Commercial 270 mil metros quadrados dos 27 pavilhões da EXCLUSIVA DO Vehicles, maior e mais importante salão de veículos Hannover Messe e fizeram 332 lançamentos IAA NA ABTV

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DIVULGAÇÃO VW

mundiais durante o evento, entre caminhões, ônibus, vans, componentes e implementos. A perspectiva da VDA é de que até o fim desta década os veículos comerciais vão ganhar sistemas para condução semiautônoma. A automação total deve chegar em etapas entre 2020 e 2030. Primeiro, a inteligência artificial assumiria o controle em situações de menor complexidade de tráfego, evoluindo para a direção autônoma em qualquer situação. Veículos comerciais autônomos estão presentes em número cada vez maior no IAA. Em 2014, a Mercedes-Benz apresentou seu primeiro conceito do gênero. Este ano foi a vez de mostrar o primeiro ônibus capaz de rodar sem interferência do motorista, que já circula em testes em corredor BRT de Amsterdã, na Holanda, e também a primeira van autônoma – esta com outras inovações futuristas, como compartimento de carga automatizado, com pequenos robôs e drones pousados no teto do veículo para fazer entregas urbanas em um raio mais curto de ação. Scania, Iveco e Volvo também apresentaram seus conceitos autônomos.

A MAN LA apresentou tecnologias viáveis para os mercados em que atua

NO IAA a ZF promoveu suas tecnologias de conectividade e eletrificação

MAIS ELETRIFICAÇÃO A conectividade também será fundamental para fazer dar certo a onda de eletrificação do powertrain de ônibus e caminhões. As mudanças rumo aos veículos comerciais alimentados por baterias devem ocorrer na logística urbana, onde sistemas de propulsão elétricos e híbridos são necessários para atender metas de emissão de CO2 e redução de ruídos cada vez mais restritivas, especialmente nas cidades da Europa e América do Norte. “Propulsão elétrica e híbrida, bem como gás natural, são palavras-chave no transporte urbano, onde esse tipo de veículo está se tornando mais e mais importante. Isso já é realidade para vans e ônibus e logo será também para caminhões pesados que

LUCIO / DIVULGAÇÃO ZF

IAA

operam na distribuição local de produtos”, prevê Wissmann. MAN e Mercedes-Benz mostraram seus primeiros modelos pesados 100% movidos por motores elétricos embutidos diretamente nos eixos, fornecidos pela ZF. VW CAMINHÕES Este ano a VWCO mostrou no IAA um ônibus e dois caminhões com propostas alternativas de redução de emissões. O Volksbus 18.280 urbano de piso baixo trazido a Hannover é movido a biodiesel de cana e encarroçado pela também brasileira Marcopolo. O cavalo mecânico Constellation 25.420 Prime tem cabine-leito fabricada com 18% de materiais recicláveis e redução de massa, que redeu capacidade de carga uma tonelada maior em comparação com modelos do mesmo porte. Já o Constellation 24.280 chassi-cabine usa gás natural (GNV) para reduzir em 20% as emissões de CO2. “Enquanto muito se fala em eletrificação dos veículos comerciais neste IAA, trouxemos alternativas mais viáveis para os mercados em que atuamos para reduzir emissões”, destacou Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America. n •A cobertura do evento por Automotive Business foi patrocinada pela Carcon Automotive, Delphi e Renault, com o apoio da MAN LA, Mercedes-Benz e ZF.

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PIETRO SUTERA / DIVULGAÇÃO BOSCH

AUTOMECHANIKA

AUTOMECHANIKA FRANKFURT 2016 mostrou o futuro no presente, como a realidade aumentada em oficina-modelo

DIGITALIZAÇÃO DOMINA

AUTOMECHANIKA 2016 VEÍCULOS E COMPONENTES CONECTADOS SÃO TENDÊNCIA CENTRAL DA INDÚSTRIA PEDRO KUTNEY | de Frankfurt (Alemanha)

S

e uma palavra pode definir a edição 2016 da Auto- noma e propulsões alternativas para reduzir emissões e mechanika em Frankfurt, Alemanha, com certeza consumo de derivados de petróleo – são fatores mistué digitalização. Os impactos dos veículos que hoje rados em um caldo digital que move toda a indústria são computadores sobre rodas conectados em rede do- automotiva nas próximas duas décadas. “Em mais 20 minaram as discussões na maior feira de autopeças do anos teremos 30 bilhões de coisas conectadas no munmundo – este ano com novo número recorde do, entre elas os carros, e muitos deles serão de 4.820 expositores entre fabricantes de comautônomos, vão trafegar sem a interferência do ponentes e fornecedores de equipamentos para motorista. A indústria corre para se preparar oficinas de 76 países, que ocuparam integralpara essa realidade e este evento mostrou isso”, mente os 305 mil metros quadrados dos 11 paavaliou Detlef Braun, presidente da Messe Frankvilhões de exposições da Frankfurt Messe de 13 furt, na abertura da Automechanika 2016, que ASSISTA À a 17 de setembro. ocorre a cada dois anos desde 1971 – e em 45 REPORTAGEM COMPLETA DA Conectividade, serviços de mobilidade (como anos cresceu de 400 expositores para os 4,8 mil AUTOMECHANIKA de agora, uma expansão de 3,4% sobre 2014. compartilhamento de veículos), direção autôNA ABTV

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TRILHÕES DE BYTES O que também é crescente é o gigantesco volume de dados gerados e transmitidos pelos veículos. São trilhões de bytes que atendem a muitos propósitos, tanto para servir de base à evolução tecnológica como pelo lado comercial, para potencializar vendas de produtos e serviços. “Todos os participantes do setor discutem como se beneficiar dessas informações, mas o fato é que elas pertencem ao indivíduo, o dono do carro”, disse Keith Stipp, presidente da divisão de aftermarket da Delphi. “Mas claro que esses dados podem contribuir muito com o desenvolvimento da engenharia, ajudar até a reduzir emissões com base em informações geradas, além de abrir muitas oportunidades comerciais”, acrescentou. Stipp avalia que ainda levará tempo até que um veículo possa antecipar problemas e transmitir esses dados aos fornecedores de peças e oficinas de reparo, “mas por certo essa é a tendência futura”. Ele lembrou que, com base em informações recolhidas do mercado, já é possível predizer a vida útil de alguns componentes, como por exemplo uma bateria, que dura algo como 44 meses

JOCHEN GUENTHER

AUTOMECHANIKA

4.820 EXPOSITORES ocuparam os 11 pavilhões da Frankfurt Messe

DIVULGAÇÃO / SINDIPEÇAS

e informa aos fabricantes em quanto tempo eles devem produzir uma nova bateria para cada carro já feito. A Delphi aposta alto no sistema híbrido leve de 48 volts, ou mild-hybrid, como são chamados em inglês automóveis equipados com baterias de 48 V e pequenos motores/geradores elétricos que ajudam o veículo a dar partida, economizando combustível dessa forma. A empresa calcula que, até 2025, cerca de 14,5 milhões de carros híbridos leves serão produzidos por ano no mundo, o que representaria mais da metade de todos os modelos híbridos vendidos globalmente. A razão para isso está na relação custo-benefício da solução: dependendo do uso, um mild-hybrid é capaz de entregar de 50% a 70% da economia de um híbrido convencional, mas custa só 30% do preço. “Não será possível atingir as metas de emissões propostas à frente sem algum tipo de eletrificação. Todos os carros vão precisar disso e o sistema de 48 volts é uma boa solução sem aumento excessivo de custos”, explica Stipp, que apresentou um modelo Honda diesel vendido no mercado europeu equipado com o sistema híbrido leve. SINDIPEÇAS e APEX incentivaram a presença Os órgãos regulabrasileira na feira dores da União Europeia estipularam

a partir de 2021 redução de mais de 25% nas emissões de CO2, por isso a Delphi aposta em alta demanda de sua tecnologia híbrida leve, que pode ajudar a reduzir o consumo e emissões em dois dígitos porcentuais. Com a queda pronunciada do mercado interno, algumas empresas brasileiras de autopeças tentam melhor sorte no exterior, enquanto outras já consolidaram há tempos sua presença internacional como objetivo estratégico. Em ambos os casos o setor encontrou este ano uma ampla vitrine para ampliar os negócios na Automechanika. Embora ainda tenha exposição discreta no evento quando se compara com outros países, o Brasil aumentou bastante sua presença em relação à edição anterior da feira, saltando de 34 representantes em 2014 para 48 agora. Grande parte da presença brasileira na feira alemã se concentrou no estande coletivo montado pelo Sindipeças e pela Apex, a agência brasileira de promoção de exportações. O espaço dedicado ao País permaneceu o mesmo em relação a 2014, mas o número de expositores aumentou de 15 há dois anos para 38 agora, sendo 10 deles pela primeira vez. Além do espaço do Sindipeças, 10 empresas brasileiras alçaram voos-solo na Automechanika Frankfurt deste ano, com estandes próprios. n •A cobertura do evento por Automotive Business foi patrocinada pela Carcon Automotive, Delphi e Renault

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DIVULGAÇÃO / VOLVO

TECNOLOGIA

VOLTADO PARA APLICAÇÕES PESADAS, FMX foi adaptado e ganhou seis sensores Lidar para rodar de forma autônoma

VOLVO JÁ TEM

CAMINHÃO AUTÔNOMO EM OPERAÇÃO

FMX QUE RODA SEM MOTORISTA É USADO PELA MINERADORA SUECA BOLIDEN GIOVANNA RIATO | de Skelleftea (Suécia)

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Volvo quer ser uma das empresas líderes em direção autônoma para veículos comerciais e dá passos consistentes a fim de alcançar o objetivo. Desde junho um caminhão da companhia equipado com a tecnologia roda na operação da mineradora sueca Boliden, especializada na extração de minérios como zinco, bronze, alumínio e ouro. O veículo trabalha dentro da mina de Kristineberg, no norte da Suécia, e leva carga de 25 toneladas de pedras. Nos próximos meses, com o amadurecimento dos testes, o veículo será efetivamente integrado à operação e transportará o material escavado. O modelo usado no programa que coloca o caminhão autônomo em aplicação real é o FMX adaptado. O veículo

fora de estrada voltado a aplicações pesadas ganhou seis sensores Lidar, tecnologia de precisão milimétrica que calcula distâncias e mapeia ambientes a partir de pulsos de luz. No futuro devem ser integradas câmeras também. A intervenção humana direta só é necessária para ligar e desligar o veículo. O resto é feito pelo sistema. De fora da mina, a equipe define por computador uma missão, com a rota e as paradas que o caminhão deve fazer. Lá dentro o veículo cumpre a programação mesmo no escuro dos túneis abaixo do solo, reconhece o espaço e a sua localização no mapa, detecta as paredes irregulares da mina, percebe obstáculos e faz manobras para mudar de direção. Tudo é exibido em uma tela instalada na cabine.

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TECNOLOGIA

No teste feito com a reportagem de Automotive Business a bordo, o FMX autônomo circulou por cerca de dez minutos. Um engenheiro fica no posto de motorista, apesar de não tocar na direção ou nos pedais de freio e acelerador. A ideia é monitorar a operação nesta fase de desenvolvimento. No futuro, no entanto, tirar o motorista dali é justamente um dos objetivos do programa. “É um trabalho desgastante que não deve ser feito por pessoas, mas por máquinas. Vamos deslocar esses trabalhadores para outras posições na operação”, diz Peter Burman, que lidera o programa de automação das minas da Boliden. A mina de Kristineberg é uma das

EM OPERAÇÃO FECHADA NÃO TEMOS DE OBEDECER A LEGISLAÇÃO VIÁRIA QUE EXIGE QUE UM MOTORISTA DIRIJA O VEÍCULO HAYDER WOKIL, diretor de automação da Volvo

cinco operadas pela empresa, com 45 quilômetros de vias internas e profundidade que chega a 1,3 mil metros. A mineradora é referência quando o assunto é tecnologia na área e já tocava projeto próprio de automação antes mesmo da cooperação com a Volvo. A unidade de Kristineberg é uma das únicas no mundo a contar com wifi, recurso essencial para o caminhão se deslocar lá dentro, já que não há sinal de GPS. Este foi um dos aspectos que pesaram a favor do local para o teste do caminhão. “Teríamos de investir nessa estrutura se a mina não tivesse”, conta Christian Grante, especialista técnico em automação da Volvo envolvido no projeto.

MINERAÇÃO AUTÔNOMA É MAIS RENTÁVEL AUMENTO DE PRODUTIVIDADE CHEGA AOS 50%

programa é uma parceria entre a Volvo, a mineradora e universidades da região. As organizações investem conjuntamente na iniciativa, mas não revelam o valor. A montadora confirma apenas que a área de veículos autônomos recebe “parte significativa” do aporte de US$ 1,8 bilhão aplicado anualmente em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Encontrar os parceiros certos parece ser o caminho mais adequado para a Volvo experimentar suas novas tecnologias. “Em operação fechada não temos de obedecer a legislação viária que exige que um motorista dirija o veículo. Temos flexibilidade e melhor controle para experimentar”, diz Hayder Wokil, diretor de automação da Volvo. Por outro lado, o projeto também é positivo para a Boliden, que investe em tecnologias do gênero há quatro anos e mantém um pé na mineração e outro no mundo digital. Segundo ele, além de driblar o risco de acidentes e custos trabalhistas crescentes, os testes mostram oportunidades que fazem brilhar os olhos: aumento da produtividade em 50% e redução da mesma proporção nos custos do transporte. “Sem intervalos para almoço, mantemos fluxo constante de trabalho”, diz. O programa em parceria com a Boliden já prevê a entrada em operação de mais três caminhões autônomos a partir de 2017. A Volvo estima que somente em cinco

DIVULGAÇÃO / VOLVO

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a dez anos os caminhões totalmente autônomos serão realidade nas vias públicas. Com oito centros de P&D no mundo, a Volvo conduz projetos similares ao feito na Boliden em diversas regiões, incluindo o Brasil. “Temos um projeto no Brasil em parceria com uma usina de cana-de-açúcar, que testa a tecnologia em sua operação”, admite Torbjörn Holmström, vice-presidente responsável pela área de tecnologia no Grupo Volvo. n

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FOTOS: LUIS PRADO

FÓRUM

A QUALIDADE COMO

REFERÊNCIA

PARTICIPAÇÃO DE 1% NO MERCADO AUTOMOTIVO GLOBAL RENDERIA VENDA ANUAL DE 800 MIL VEÍCULOS GIOVANNA RIATO

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elson Gramacho, diretor da PricewaterhouseCoopers, que participou como palestrante no fórum promovido pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva dia 19 de setembro, em São Paulo (SP), entende que diversas forças em movimento contribuem para a consolidação da gestão da qualidade na indústria automobilística e permitem obter ganhos de competitividade. A primeira força diz respeito às mudanças nas expectativas e nos critérios de decisão de compra dos consumidores. “A qualidade passou a ser considerada pelo mercado como uma referência básica, e em muitos casos a principal, para escolha do produto. Prova disso são as parcerias de qualidade na rede de suprimentos e o aperfeiçoamento dos sistemas de medição de desempenho em qualidade, e particularmente da satisfação do cliente”, disse. Ele observa que outra força diz respeito à mudança comportamental das pessoas, acreditando que podem melhorar a qualidade de seus trabalhos, de forma contínua, e que podem criar e participar de times para melhorar

os resultados. O consultor cita ainda que outra tendência é o aperfeiçoamento dos instrumentos de quantificação e avaliação econômica dos custos e benefícios micro e macroeconômicos da qualidade. Gramacho entende que avanços de qualidade no desenvolvimento de veículos e na manufatura brasileira serão decisivos para que o País possa competir globalmente nos próximos anos. Rodrigo Custódio, diretor da Roland Berger, concorda com ele e assegura que as montadoras e o governo brasileiro precisam parar de ter nos países da América Latina o único canal de exportação de veículos. Para ele, o Brasil só terá volume importante de vendas externas quando olhar para o mercado global. “Participação de 1% nas vendas fora do continente já representaria volume anual de 800 mil unidades”, estima. Antonio Megale, presidente da Anfavea, também enfatizou a importância da qualidade no esforço de exportação e reforçou que o Brasil segue empenhado em firmar ou renegociar acordos automotivos. Exemplos recentes

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PRECISAMOS DECIDIR SE VAMOS COMPETIR NO MERCADO NACIONAL DE 3 MILHÕES DE VEÍCULOS OU NO GLOBAL, DE 90 MILHÕES DE UNIDADES

foram os novos termos acordados com Colômbia e Uruguai. O dirigente destaca, no entanto, o potencial de a indústria brasileira atender a demanda de países da África e do Oriente Médio. Megale destaca que esse é o ponto de virada para a indústria, a hora de desenhar as políticas e medidas que farão diferença no futuro. “Precisamos decidir se vamos competir no mercado nacional de 3 milhões de veículos ou no global, de 90 milhões de unidades.”

ANTONIO MEGALE, presidente da Anfavea

OCIOSIDADE Sem falsas esperanças, Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, admitiu que a cadeia produtiva ainda tem longos anos de dificuldades para administrar. O dirigente declarou que esse é o momento de inflexão na curva de queda da demanda por veículos no Brasil, com início de lenta recuperação. “Com certeza vou errar

a projeção, mas apenas em 2022 ou 2023 devemos alcançar os volumes dos recordes recentes”, avaliou. Até lá, ele diz, o setor terá de enfrentar a ociosidade superior a 50% da capacidade produtiva na indústria de autopeças. O caso é mais grave ainda para fornecedores de componentes para veículos pesados, que administram sobra superior a 70% do potencial instalado.

Ioschpe voltou a falar que essa é a pior crise já enfrentada pela indústria de autopeças no Brasil. Segundo ele, a dificuldade está mais relacionada à recente expectativa de crescimento frustrada do que, efetivamente, com o volume atual de produção em torno de 2 milhões de veículos por ano. “Nós nos preparamos para patamares bem maiores”, observa.

DAN IOSCHPE, presidente do Sindipeças

RODRIGO CUSTÓDIO, diretor da Roland Berger

NELSON GRAMACHO, diretor da PricewaterhouseCoopers

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FOTOS: LUIS PRADO

MÁQUINAS AGRÍCOLAS LEGISLAÇÃO

PREVISIBILIDADE SERÁ CHAVE DO PRÓXIMO

INOVAR-AUTO SINDIPEÇAS ESPERA POLÍTICA INDUSTRIAL COM CENÁRIO PARA OS PRÓXIMOS DEZ ANOS GIOVANNA RIATO

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etapa atual do Inovar-Auto está próxima do fim. O programa termina em outubro de 2017. Com esse panorama começam os debates acerca de uma nova política industrial. Esse foi um dos assuntos do IV Workshop Legislação Automotiva, realizado por Automotive Business em São Paulo no dia 12 de setembro. “Um dos pontos que temos de melhorar é a previsibilidade. Esperamos um programa com cenário de pelo menos dez anos”, aponta Marcos

Clemente, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Mahle e membro do grupo de inovação e competitividade do Sindipeças. A opinião dele reforça a expectativa da Anfavea. A ideia é ter prazo maior para o programa, com revisões a cada cinco anos para atender a possíveis mudanças de cenário. O executivo acredita que a previsibilidade é um dos aspectos fundamentais para o sucesso da política industrial, que precisa desenvolver a capacidade da indústria nacional de produzir

e desenvolver carros que atendam à demanda global, cumprindo metas de segurança, conectividade e, claro, de eficiência energética. Esse último aspecto foi, inclusive, uma das vitórias da primeira fase do Inovar-Auto. Vitor Klizas, presidente da Jato Dynamics, indica que, sem as metas de redução do consumo e das emissões impostas no Inovar-Auto 1, os carros vendidos no Brasil já estariam completamente defasados, sem possibilidade de exportação nem mesmo para a Argentina. “E

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KLIZAS, DA JATO DYNAMICS, aponta que as metas de consumo e emissões impediram a defasagem do carro brasileiro

ficaremos fora da tendência global caso a gente não defina novas metas a partir de 2017”, avisa. Ele acredita que nenhuma montadora instalada no Brasil terá grande dificuldade para melhorar em 12% a eficiência energética de sua frota no Brasil nesta primeira fase do Inovar-Auto. POLÍTICA INDUSTRIAL Os executivos são unânimes ao defender que a próxima etapa do Inovar-Auto priorize ainda a enfraquecida cadeia de autopeças nacional, como já adiantou Margarete Gandini, diretora

do Departamento de Indústrias para a Mobilidade e Logística do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). “Na crise, essa indústria enfrenta a queda da demanda interna e a dificuldade para exportar”, observa Klizas. Ele e Clemente defendem ainda a necessidade de que o Brasil se torne polo de desenvolvimento de veículos, não só de produção. “O próximo Inovar-Auto precisa trazer benefício para a indústria e para o governo, trazer evolução que reduza a dependência do mercado local com exportações”, avalia. Outra lacuna tecnológica da primeira etapa do Inovar-Auto que deve ser corrigida, aponta Clemente, é a falta de regulamentação para a eficiência energética de veículos pesados. “Nos Estados Unidos já existe a meta de reduzir em 25% o consumo de combustível de caminhões e ônibus até 2027”, exemplifica.

MARCOS CLEMENTE, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Mahle e membro do grupo de inovação e competitividade do Sindipeças

MENOS BARREIRAS Klizas, da Jato Dynamics, lembra que para o Brasil se integrar como fornecedor global, é essencial também diminuir as barreiras aos veículos importados no mercado interno. “Não existe nenhum país que produz todas as marcas que vende”, avalia. Segundo ele, o adicional de 30 pontos porcentuais ao IPI de carros importados além da cota permitida pelo Inovar-Auto terá de ser revisto. “Pode ser mantida alguma alíquota, mas deverá ser menor”, aponta.

CADEIA AUTOMOTIVA PRECISA APROVEITAR BENEFÍCIOS FISCAIS PAULO PAIVA, VICE-PRESIDENTE DA BECOMEX, APONTA QUE HÁ RECURSOS SUBUTILIZADOS

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senso comum criticar a elevada carga tributária brasileira. A novidade é que as empresas utilizam pouco os benefícios oferecidos para reduzir custos e elevar a competitividade no Brasil. A informação é de Paulo Paiva, vice-presidente de consultoria e serviços da Becomex, que participou do Workshop Legislação Automotiva realizado por Automotive Business. Um dos exemplos é a classificação fiscal de peças e componentes. Paiva aponta que 90% das empresas da cadeia automotiva enfrentam problemas nessa área, com in­ cor­ reções ou generalizações. A falta de precisão, ele diz, pode gerar o pagamento de 10% a 30% a mais de impostos. O consultor aponta que outro incentivo mal-aproveitado é o Reintegra, que repõe custos

embutidos na cadeia de produtos exportados. “Trinta por cento do benefício é inutilizado por problemas no cruzamento fiscal”, enfatiza. O consultor alerta que as companhias precisam trabalhar para manter a eficiência diante da complexidade do sistema tributário brasileiro. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, IBPT, indica que a dívida tributária chegou a R$ 2,2 trilhões no Brasil em 2015. Parcela de 6,6% desse montante vem de empresas do setor automotivo. Com isso, o estoque da dívida supera a arrecadação, que foi de R$ 2 trilhões. “Esse valor fundamenta o pleito por simplificação e reforma tributária. O setor esgotou sua capacidade contributiva”, observa Cristiano Lisboa Yazbek, diretor do IBPT. n

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FOTOS: LUIS PRADO

MARKETING AUTOMOTIVO

EVENTO de Automotive Business ocorreu no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo

DIGITAL

DITA TENDÊNCIAS DISRUPTIVAS CLIENTE CONECTADO EXIGE TRANSFORMAÇÃO PROFUNDA DAS EMPRESAS DO SETOR SUELI REIS

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s novas tendências do relacionamento entre as empresas e os consumidores ditadas pela era digital foram o debate central do IV Fórum de Marketing Automotivo realizado dia 26 de setembro em São Paulo por Automotive Business. Todos os palestrantes alertaram que a nova realidade digital não está mais em um futuro próximo ou distante: já está acontecendo e, embora seja só o começo, exigirá muito mais do que já foi feito até agora em termos de inovação. Desde a chegada da internet, a sociedade vive uma evolução sem precedentes e agora assiste à quarta revolução industrial, que envolve a aplicação da internet das coisas. A conectividade está em todo lugar – sem exceções –, seja na

rua, nas praças, no ônibus, no computador, no escritório, na smartTV, no supermercado, na concessionária. Difícil imaginar um lugar onde a internet não possa chegar e o céu não é o limite. Diante deste cenário disruptivo, os clientes cada vez mais inseridos na conexão digital estão exigindo uma nova relação entre empresa e consumidor – que por sua vez ganhou status de usuário em tudo, inclusive dentro do carro. E é neste universo – ora estimulante e excitante, ora assustador pela velocidade com que acontece e pelo seu alcance – que as companhias já compreenderam a necessidade de se reinventar a fim de acompanhar e fazer parte do universo desses usuários do novo milênio.

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será. “Faz sentido para a lógica do bolso: é mais eficiente, mais rápido e abre um leque incrível de oportunidades.”

DANIEL DOMENEGHETTI, CEO da Dom Strategy Partners

“Estamos diante de uma geração viciada em aplicativo, 100% digital, multiconectada e que vai definir o consumo – inclusive de carros – nos próximos 20 anos”, argumentou Daniel Domeneghetti, CEO da Dom Strategy Partners. Para ele, as empresas devem se perguntar se estão preparadas para conversar com essas pessoas: “Qual é a experiência efetiva que a marca [montadora] proporciona para o cliente? E não é melhorando um produto atual – com a inserção de um sensor de estacionamento, por exemplo – que vamos atender essas pessoas. Isso ajuda os usuários de hoje, que ainda gostam de dirigir e de ter um carro. Essa nova geração digital já está revendo o conceito da posse do veículo porque o futuro estará baseado em três pilares: mobilidade, convergência e colaboração. Esse novo cliente está ancorado no uso do veículo e não mais na propriedade.” O executivo reforça que tudo o que poderá ser digital o

RICARDO BACELLAR, diretor da KPMG para o setor automotivo

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GOOGLE Para Bruna Terra, analista do Google para a indústria automotiva, uma das novas tendências que sua empresa, a maior gigante da internet, denomina como cultura da expectativa já vem sendo utilizada em larga escala nos mercados de varejo e se tornando cada vez mais comum no setor, ainda visto como tradicional e que começa a se apropriar dessa ferramenta: “A cultura da expectativa alimenta os dois lados: pelo da indústria, cria novidades para o mercado – como o anúncio de um lançamento da Tesla, por exemplo, que revelou em março um carro em um evento fechado para convidados, mas cujo produto ainda não está disponível. Já pelo lado do consumidor, gera o desejo – usando o mesmo exemplo da Tesla, esse carro só chega no fim de 2017, mas já rendeu uma pré-venda de 400 mil unidades e uma receita projetada em US$ 14 bilhões”, revela. MOBI Estratégia diferente dos moldes tradicionais das montadoras foi adotada pela FCA com o lançamento do Fiat Mobi. Segundo Maria Lúcia, gerente de comunicação da marca no Brasil, o novo modelo já foi pensado para a era digital. Ela conta que na fase de pré-lançamento a empresa soltou somente o nome do carro, sem mencionar nada referente a ele, apenas para começar a gerar o assunto, principalmente nas mídias sociais. “Deu resultado. A ideia, desde o começo, era lançá-lo com uma transmissão ao vivo pelas redes. Chamamos influenciadores para o evento, para falar do carro nos próprios canais e atingir milhões de seguidores, porque o Mobi traz esse conceito da nova mobilidade urbana conectada”, conta.

BRUNA TERRA, analista do Google para a indústria automotiva

Ricardo Bacellar, diretor da KPMG para o setor automotivo, afirmou que o grande problema imposto às montadoras na atual conjuntura é entender o potencial do possível cliente antes mesmo de ele chegar às concessionárias. “Já existem ferramentas disponíveis para identificar clientes digitais, como nas redes sociais. As estratégias devem abranger todo o ciclo, desde o conhecimento do usuário até sua experiência no pós-venda”, ponderou. Além da identificação do cliente, Bacellar recomenda monitorar sua experiência – o que também pode ser feito pelas redes. “É fundamental uma postura proativa e não reativa, desenvolver novos serviços e pensar em soluções disruptivas, como mudar a experiência de um recall de forma positiva ou, ainda, aplicar preço individualizado por meio das tecnologias de smartphone. A diferenciação pode gerar fidelização”, afirma. n

MARIA LÚCIA, gerente de comunicação da FCA no Brasil

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ESPECIAL MAN LATIN AMERICA

AOS 20 ANOS,

CONSÓRCIO MODULAR CONFIRMA SEU POTENCIAL

COM GESTÃO COLABORATIVA, MODELO DE PRODUÇÃO DA FÁBRICA DE RESENDE MOSTRA FLEXIBILIDADE PARA CONTORNAR A CRISE SUELI REIS e GIOVANNA RIATO

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abricar caminhões de qualidade, de forma rápida, eficaz e que permitisse começar a produzir em tempo ágil para não perder a oportunidade do mercado. Era este o cenário imposto para a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) com o fim da Autolatina, joint venture que a montadora manteve com a Ford de 1987 até 1996 e que a obrigou a repensar seu modelo de negócio para atender a urgente necessidade de ter fábrica própria no País. Foi quando surgiu a ideia de concentrar em uma mesma linha um modo de montagem totalmente fora dos padrões convencionais. Denominado consórcio modular, o modelo nasceu de um convite da montadora a suas empresas parceiras para se reunirem

LINHA DO TEMPO 1995 Resende (RJ) é a cidade escolhida para abrigar a fábrica da MAN Latin America

em uma linha de produção onde elas mesmas montariam os itens fornecidos. “Era um problema complexo e a resolução tinha de vir de forma rápida e sem margem para erro”, lembra Adilson Dezoto, membro do conselho de administração da MAN Latin America para produção e logística e que na época da criação do consórcio modular trabalhava na Maxion, uma das fornecedoras que participam do grupo desde o início da concepção da fábrica em Resende, no Rio de Janeiro. O projeto representou a ruptura dos modelos tradicionais de produção, nunca vistos antes nem no Brasil nem no mundo. “Estamos falando de diferentes

1996

2000

2001

2002

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Transferência da produção do Complexo Ipiranga para Resende (RJ)

Volkswagen Veículos Comerciais (VWN) da Alemanha assume responsabilidade pela operação de caminhões e ônibus da fábrica de Resende

Fábrica alcança recorde mensal de produção ao montar 2,2 mil veículos em maio

MAN comemora a montagem do veículo número 100 mil em Resende

É criada a empresa Volkswagen Caminhões e Ônibus Indústria e Comércio de Veículos Comerciais Ltda.

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culturas, com diferentes formas de inclusive da matriz, pelo seu formato trabalhar que, quando juntas, geinédito, agora conhecido internaram uma gestão bastante incionalmente. O processo trouteressante e um modelo xe agilidade em desenvolviMONTAGEM INSPEÇÃO FINAL baseado na confiança”, mento e adequação dos DO CHASSI explica Dezoto. modelos, característiOs fornecedores ca fundamental para con­cordam que unir a produção dos cadiversas empreminhões extrapesas em uma únisados da marca ACABAMENTO DA CABINE EIXO E SUSPENSÕES ca linha de monMAN, que chegatagem foi um deram à fábrica sulsafio e uma ino-fluminense em vação. “Com tu2012 e cuja linha do definido, foi conta com os complicado ademesmos parceiPINTURA RODAS E PNEUS quar a relação enros da VWCO. Por tre todos os parceisua versatilidade, o ros. Ali não tem ninconsórcio facilitou a guém sozinho. É um integração dos motime que vai montando delos em um processo o caminhão em sequêntranquilo e articulado. ARMAÇÃO DA CABINE MOTORES cia, uma mudança de para“Sinto-me bastante ordigma muito grande”, avalia Silgulhoso por fazer parte disvio Barros, vice-presidente e diretor so, pelo ineditismo do projeto, pe-geral da Meritor, uma das parceiras la coragem de fazer fora da caixa e da iniciativa. Marcello Lucarelli, di- queremos produzir caminhões de al- muito contente pelo resultado. Esretor de veículos comerciais e after- ta qualidade, então não existe com- sa trajetória pode ser medida pemarket da Continental, outra empre- petição. É um ajudando o outro.” lo sucesso dos nossos produtos no sa do consórcio modular, compleHoje são 11 empresas, sendo oito mercado e pela história da VWCO. menta: “É um grande casamento en- fornecedores e duas joint ventures que É um modelo que, se não foi copiatre todas as partes, com convivência integram o consórcio modular, mode- do, serviu de exemplo para que a insaudável. No fim das contas todos lo que causou bastante curiosidade, dústria brasileira cuidasse mais da

MAN

CONTINENTAL

CARESE

MAXION

PARCEIROS DO CONSÓRCIO MODULAR

AKC AETHRA

MERITOR

REMON

POWERTRAIN

2008

2010

2011

2013

2015

2016

Volkswagen Caminhões e Ônibus passa a fazer parte do grupo alemão MAN AG

Com terceiro turno de produção, planta eleva capacidade anual para 72 mil veículos. Em junho, volume recorde para o mês é alcançado

Fábrica alcança a produção de 500 mil veículos

Companhia apresenta na Fenatran o cavalo mecânico TGX, da marca MAN

MAN Latin America anuncia programa Vire a Chave para retomar trajetória de crescimento

Fábrica de Resende completa 20 anos de operação e marca Volkswagen Caminhões e Ônibus chega aos 35 anos de história

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ADILSON DEZOTO, membro do conselho de administração da MAN Latin America para produção e logística

relação entre montadora e fornecedor”, ponderou Lucarelli. Em seus 20 anos, o consórcio modular não só garantiu a resolução da equação imposta à VWCO, mas também trouxe benefícios que se encaixaram de forma natural nos planos da montadora para o empreendimento erguido na região. O novo modo de trabalho conferiu maior flexibilidade, agilidade e uma grande capacidade de se adaptar, gerando estreitamento maior entre as empresas, sinergias e reduzindo o tempo e o custo no desenvolvimento de produtos. “Foi um processo muito importante neste mercado de altos e baixos, porque nos conferiu parceria maior em desenvolvimento a fim de entregar o produto sempre mais próximo à necessidade do cliente. E foi esse formato que nos permitiu o ganho importante de market share nos anos subsequentes”, afirmou Barros. GESTÃO COLABORATIVA Para construir e equipar a fábrica de Resende foi necessário investimento inicial de US$ 220 milhões à época. Ao longo de duas décadas, a operação passaria por outros ciclos e aportes, como o de R$ 1 bilhão anunciado pela empresa para o período entre 2012 e 2017, que cobre também a internacionalização da companhia e o desenvolvimento de novos produtos.

SILVIO BARROS, vice-presidente e diretor-geral da Meritor

MARCELLO LUCARELLI, diretor de veículos comerciais e aftermarket da Continental

Os investimentos são feitos de forma flexível, garante Dezoto. Conceitualmente eles são divididos, mas há situações em que a MAN LA pode decidir fazê-los sozinha, o que depende do montante e do foco do aporte. A gestão do consórcio modular também gerou entre a montadora e as empresas inseridas em sua fábrica um contrato de fornecimento amplo, que

prevê, entre outras resoluções, o consenso como base de tomadas das decisões. “Para o caso de esse consenso não ser alcançado, criamos um comitê para deliberar e concluir sobre os assuntos. Em 20 anos nunca foi necessário recorrer ao comitê”, conta o executivo. “Tal feito só foi possível a partir do conceito de proximidade que nosso consórcio criou, mudando a relação da montadora com seus fornecedores. Um modelo radical, forte e baseado na confiança.” Essa aproximação e trabalho em conjunto refletiram nos números que a marca se orgulha em mostrar: de 1996, desde que inaugurou sua fábrica, até 2003, a VWCO dobrou sua participação no mercado de veículos comerciais pesados. “Muito disso se deve ao consórcio modular com o foco comum sempre no cliente final”, garante Dezoto. Lucarelli, da Continental, aponta que a convivência próxima da montadora gera mais oportunidades para os fornecedores. “No consórcio modular vivemos a realidade da MAN. Quando você conhece os desafios do seu cliente pode propor soluções de forma muito transparente. Viramos uma espécie de extensão da engenharia deles para algumas áreas”, observa. “Trabalhar tão diretamente é um aprendizado muito grande, uma oportunidade única”, destaca Barros, da Meritor.

MAN LATIN AMERICA EM NÚMEROS 850 MIL CAMINHÕES E 110 MIL ÔNIBUS JÁ

PRODUZIDOS EM RESENDE

100

MIL CAMINHÕES EXPORTADOS DO BRASIL

13

ANOS DE LIDERANÇA NO MERCADO DE CAMINHÕES ACIMA DE 6 TONELADAS DE PBT OPERAÇÃO EM QUATRO TURNOS POR SEMANA

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ESPECIAL MAN LATIN AMERICA

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DESAFIOS DO PRESENTE QUE PREPARAM PARA O FUTURO

iante da queda de 30% das vendas de caminhões em 2016, a MAN LA intensificou seu foco em racionalizar processos, o que inclui redução de custos em geral, como o uso consciente de recursos e energia elétrica, entre outras ações. “Estamos passando por um momento bastante forte para agregar valor e continuar competitivos nesse mercado desafiador. A tônica que começou em 2015, quando o mercado já estava retraído, continua neste ano e vai perdurar em 2017 é a ‘otimização dos processos’, com todas as oito empresas consorciadas focadas e evitando qualquer tipo de desperdício”, ressalta Dezoto. O cenário não implica apenas reduzir custos, mas manter a saúde dos negócios. Para se ter ideia do impacto da crise na fábrica de Resende, a unidade que já chegou a operar em 16 turnos por semana entre 2011 e 2013 hoje trabalha em apenas quatro turnos no mesmo período e, ainda assim, não está em plena carga. “A ociosidade oscila entre 75% a 80% da capacidade”, lamenta o executivo. Isso afetou em cheio não só a montadora em si, mas também os fornecedores. Há apenas três anos, a montadora inaugurava a primeira expansão de sua planta com o parque de fornecedores localizado ao lado da fábrica de caminhões e ônibus, com as linhas de montagem da Suspensys, do Grupo Randon, e da Meritor, para o fornecimento local de eixos e cardãs, cubos, tambores, freios, suspensão e suportes. O novo empreendimento de 70 mil metros quadrados demandou R$ 90 milhões à época, sendo R$ 40 milhões da Meritor. Outra linha de montagem que também está pronta é a da Maxion. Esta, no entanto, ainda não iniciou suas atividades por causa da baixa demanda e aguarda o momento mais oportuno para iniciar a operação. Neste contexto, o ciclo de investimento que ainda está em curso prioriza o que de fato é mais importante neste momento de tormenta para a empresa e para a indústria como um todo. Parte disso é a campanha Vire a Chave lançada pela MAN LA em abril deste ano, que visa diferentes ações para voltar a crescer, envolvendo planos ambiciosos para exportações e ofensivas na área comercial para ambas as marcas com foco na estrutura de vendas e pós-venda. O esforço da montadora parece surtir resultados, com os fornecedores empenhados em contornar a crise e alcançar desempenho melhor. É o que garante o

executivo da Continental: “A ociosidade é enorme atualmente, mas trabalhamos soluções compartilhadas com a MAN. Casamento é na alegria e na tristeza. Sairemos mais fortes da crise e entendemos que o modelo do consórcio modular continua viável. O Brasil se movimenta sobre rodas e teremos recuperação no médio prazo”, estima Lucarelli. Barros, da Meritor, concorda que o elo entre a fabricante de veículos comerciais e os parceiros sairá fortalecido da crise. “Temos recebido assistência muito grande da MAN no esforço de redução de custos. Estamos dividindo a responsabilidade e buscando produtividade em conjunto. Isso nos dá tranquilidade para trabalhar”, conta. Outro plano importante da montadora para os próximos meses é o lançamento da nova linha de caminhões leves que abrange a faixa de oito a dez toneladas de PBT, conhecido como projeto Phevos. Embora a MAN LA ainda se esquive de falar da novidade, é certo que a nova gama vai chegar ao mercado em 2017 para complementar o portfólio de produtos oferecidos ao mercado brasileiro. Sobre o futuro, Dezoto afirma que é difícil projetar quando o mercado brasileiro deverá voltar a seus anos de ouro, próximo do pico alcançado em 2011. A MAN LA chegou a produzir 85 mil unidades. Apesar disso, o sentimento é de otimismo e de que a empresa ainda terá muito trabalho para atingir seus novos objetivos em meio às oscilações do mercado. “Já existem alguns resultados. O que podemos afirmar é que o Vire a Chave deu novo fôlego para a rede”, conta. “Acredito que desta forma vamos continuar essa história de sucesso que já tem mais de 20 anos.” A empresa projeta que as vendas comecem a melhorar no ano que vem, quando o mercado alcançará 60 mil licenciamentos de caminhões. A marca de 100 mil emplacamentos em um ano só deve ser rompida novamente depois de 2020. Por outro lado, a crise trouxe uma vantagem, que, para Dezoto, aumenta ainda mais a integração do consórcio modular: “Trouxemos as melhores práticas de cada empresa. Se até pouco tempo atrás o foco era produzir mais e desenvolver estratégias para isso, agora toda a energia está voltada em como alcançar uma produtividade saudável, mantendo sempre a qualidade.” n

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COM ATITUDE POSITIVA, VAMOS PASSAR POR ESTE MOMENTO. COMEÇO A SENTIR OS PRIMEIROS SINAIS DE RETOMADA ROBERTO CORTES, HÁ 20 ANOS PRESIDENTE DA MAN LATIN AMERICA, CONTA COMO A EMPRESA CONTORNA O PERÍODO DE FORTE CONTRAÇÃO NO MERCADO BRASILEIRO PARA SE FORTALECER E AVANÇAR NO PLANO INTERNACIONAL GIOVANNA RIATO

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ASSISTA AOS PRINCIPAIS TRECHOS DA ENTREVISTA COM ROBERTO CORTES

meço a sentir os primeiros sinais de retomada”, aponta. A situação complicada do mercado fez a MAN Latin America registrar em 2015 o primeiro prejuízo de sua história na região. “Os custos subiram e os preços não aumentaram na mesma proporção. Então existe uma defasagem que compromete muito a rentabilidade, aliada a um volume 70% pior do que era em 2011. Essa equação não fecha”, diz o executivo. Cortes, no entanto, garante já ter desenhado a estratégia para evitar que os resultados negativos persistam por muito mais tempo. A receita está em seguir com a internacionalização da marca Volkswagen Caminhões e Ônibus e investir nas exportações, que hoje têm participação de apenas 15% no volume produzido pela fábrica fluminense. A intenção é aumentar essa presença para 30% no futuro, conta. Na entrevista a seguir, o executivo fala ainda dos planos para o pacote de investimento de R$ 1 bilhão que termina em 2017 e dos resultados que conseguiu alcançar ao investir na flexibilidade do consórcio modular, na fábrica de Resende, para driblar a crise. Pelo que sinaliza o executivo, resiliência é a alma do negócio – muito mais do que um mercado pujante. LUIS PRADO

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om 20 anos no comando da MAN Latin America, Roberto Cortes é o presidente mais longevo de uma montadora no Brasil. É um mérito e tanto, principalmente por se tratar de um executivo brasileiro em universo tão dominado por líderes importados das matrizes para as operações nacionais. Dessa forma, ele está na função desde que a fábrica da companhia foi instalada em Resende (RJ), inaugurando o conceito do consórcio modular. O executivo é corintiano roxo e mantém sempre a esperança de que o cenário vai melhorar, transferindo para os negócios o otimismo inabalável que todo torcedor que se preze carrega. Ele confirma que este é o pior momento que já enfrentou na indústria automotiva, mas lembra que toda crise passa e a meta é preparar a companhia para quando este momento chegar. “Estamos fazendo a nossa lição de casa, nos tornando mais eficientes, com otimização de custos e melhoria de portfólio. Seguimos trabalhando em novos produtos, respeitando o nosso DNA de oferecer veículos com tecnologias adequadas ao mercado brasileiro. Com esse pensamento e atitude positiva, vamos passar por este momento. Co-

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AUTOMOTIVE BUSINESS – Depois de 20 anos nessa posição, como é chegar a este momento contraditório do mercado, com contração forte das vendas no Brasil, mas expectativa positiva na empresa com a internacionalização da VWCO? ROBERTO CORTES – A vantagem de estar há 20 anos na presidência com 44 anos de profissão é ter bagagem para encarar essa dificuldade política e econômica de forma serena. Essa é a minha 18ª crise, que reconheço como a mais forte e duradoura. Por outro lado, a Volkswagen Caminhões e Ônibus está muito bem posicionada dentro do Grupo VW. Somos uma das marcas da VW Truck & Bus, com foco em países como o Brasil, onde somos líderes há 13 anos. Isso nos credencia a voos mais altos e é isso que buscamos dentro da holding, que tem como objetivo ser líder global. Queremos fazer parte dessa trajetória. AB – Você mencionou durante o IAA, em Hannover, que a VW Caminhões e Ônibus tem uma meta ambiciosa de crescer no Hemisfério Sul. Quais são os pilares desse projeto? CORTES – Queremos replicar no mundo as conquistas que alcançamos no Brasil. Temos produtos perfeitos para países como o nosso, com condições rodoviárias não tão boas e problemas como segurança e qualidade de combustível. Encontramos essas características em países do Hemisfério Sul, não na Europa ou nos Estados Unidos. Pretendemos come-

çar pela América Latina, onde não somos líderes ainda. O objetivo é crescer desde o México até a Argentina, além de aumentar a presença no continente africano. Hoje já somos fortes na África do Sul e em países como Angola e Nigéria. Pretendemos ir para o norte da África e um dia avançar ainda para o outro lado do mundo. AB – Então o papel da VW Caminhões e Ônibus dentro da holding seria nos mercados emergentes? CORTES – Sim. É onde os nossos produtos vão ao encontro das necessidades dos clientes. São veículos robustos, com qualidade muito boa para esse tipo de aplicação e custo-benefício bastante interessante. Não são caros, mas trazem retorno muito grande aos clientes. Por isso somos líderes no Brasil. Queremos pegar essa nossa fortaleza e, de alguma forma, levar para outros lugares do mundo. AB – A marca também faz aniversário junto da fábrica de Resende. Qual o balanço destes 35 anos de história da VW Caminhões e Ônibus? Quais foram as vitórias e quais oportunidades ainda existem? CORTES – Mesmo com toda a dificuldade de mercado temos muito a comemorar. Sofremos um pouco menos do que nossos maiores concorrentes. O grande pilar que nos trouxe até aqui é, como falei, ter o produto certo. O segundo ponto importante é a fábrica. Ousamos há 20 anos ao lançar um modelo novo de produção, o consórcio modular, em que temos os principais fornecedores de-

senvolvendo e produzindo os nossos caminhões. O terceiro pilar é a rede de revendedores, com concessionários fortes, dedicados e uma equipe de assistência técnica excelente. O quarto pilar é o foco no negócio de caminhões. Começamos como um apêndice da Volkswagen Brasil, passamos a fazer parte da VW Nutzfahrzeuge, na Alemanha, voltada a veículos comerciais, depois integramos a MAN, que é uma empresa de 255 anos. Agora nos tornamos uma marca da Volkswagen Truck & Bus. São muitas possibilidades de sinergias com as outras marcas do grupo. Há ainda outro ponto essencial: nosso time. Recrutamos em Resende pessoas que não tinham experiência no setor automotivo, então tivemos a possibilidade de treiná-las da forma necessária. Pudemos desenvolver trabalhadores excelentes. AB – A MAN Latin America usufruiu bons anos de crescimento até ter esse ciclo interrompido pela crise. Como foi administrar o impacto da forte contração nas vendas em uma empresa que se desenvolvia tão bem? Como ajustaram a operação? CORTES – Essa é outra vantagem do consórcio modular, em que compartilhamos o processo de produção com nossos fornecedores. Qualquer ajuste fica mais fácil quando é feito com cada um cuidando da sua parte da produção do caminhão. O segundo ponto é que a região em que estamos instalados em Resende recebeu recentemente uma série de outras montadoras. Ajustamos a operação aos poucos nos últimos anos e alguns dos nossos funcionários, que foram muito bem treinados, tiveram a chance de aderir a um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e se recolocar em uma dessas novas empresas, como Nissan e Land Rover. Também lançamos mão de medidas de flexibi-

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lização. Fizemos algo como o PPE, o Programa de Proteção ao Emprego, antes de a solução existir, com ajuste de salário e de jornada de trabalho em 10%. Com o lançamento do PPE do governo, aderimos e passamos a trabalhar quatro dias por semana. Com essas medidas, hoje temos nosso pessoal bastante adequado ao volume que esperamos ter a partir do ano que vem. AB – Quantas pessoas trabalham na MAN atualmente? CORTES – Com todas as operações, incluindo o México, estamos com 3,3 mil. Esse número inclui também a área administrativa e escritórios regionais. AB – Neste momento, além de administrar a queda nos próprios volumes, a MAN tem o desafio de gerenciar a situação com os fornecedores. Como esse processo ocorre? CORTES – São oito empresas produzindo conosco e acho que oito cabeças pensam melhor do que uma, então somos muito unidos. Temos uma história de 20 anos de muito sucesso e percebo que todos os integrantes do consórcio modular estão cientes de que vivemos uma crise passageira e precisamos passar por ela juntos. A tônica do nosso negócio sempre foi de parceria, de ajuda, de entender a situação do outro. Nesse período difícil isso é bastante importante. AB – Com a organização mudando tanto globalmente, qual é o papel da operação e do mercado nacional na empresa? CORTES – Em razão da crise, nossa participação é relativamente pequena dentro do grupo, mas o mais importante é que já contribuímos muito, principalmente no início desta década, entre 2010 e 2011. Em 2012 a indústria caiu com a introdução do Euro 5 e, de 2013 para frente, começamos a

ESTAMOS FAZENDO A NOSSA LIÇÃO DE CASA, NOS TORNANDO MAIS EFICIENTES, COM OTIMIZAÇÃO DE CUSTOS E MELHORIA DE PORTFÓLIO sentir os primeiros reflexos da crise. De qualquer forma, a importância do Brasil e da América Latina para a holding é bastante grande. Somos uma região muito relevante dentro da estratégia de alcançar a liderança global. AB – Você sempre foi conhecido pelo otimismo em relação ao Brasil e ao futuro do mercado. Está conseguindo manter esse espírito no momento atual? CORTES – Considero-me uma pessoa com pensamento positivo e muita boa vontade. Normalmente isso leva a resultados satisfatórios porque acordo de manhã querendo fazer mais e melhor. Se eu não acreditasse que é possível, não estaríamos onde estamos hoje. Continuo achando que a situação é de dificuldade, mas também de oportunidade. Estamos fazendo a nossa lição de casa, nos tornando mais eficientes, com otimização de custos e melhoria de portfólio. Seguimos trabalhando em novos produtos, respeitando o nosso DNA de oferecer veículos com tecnologias adequadas ao mercado. Prestamos muita atenção às necessidades para fazer o produto exatamente do jeito que o cliente quer. Com esse pensamento e atitude

positiva, vamos passar por este momento. Começo a sentir os primeiros sinais de retomada. AB – E para quando você espera retomada mais consistente, com desempenho melhor do mercado? CORTES – Já espero para agora, no último trimestre do ano. Projeto crescimento a partir do primeiro trimestre de 2017, com alta do PIB. Não podemos esperar muito mais do que 1,5% a 2% de aumento na economia no ano que vem, mas os sinais indicam que a fase de contração já é passado. AB – Qual é, afinal, o tamanho do mercado brasileiro sem o PSI e os incentivos que provocaram a expansão recente? CORTES – É difícil quantificar. Ao fazer uma analogia com mercados como o norte-americano, o chinês ou o indiano, se levarmos em conta a população e a dependência de transporte rodoviário, sem muito cálculo estimo algo entre 120 mil e 140 mil unidades por ano. Levo em conta a esperada retomada do crescimento da economia, a necessidade de infraestrutura e a demanda por renovação de frota, que hoje tem cerca de 17 anos no Brasil. AB – No ano passado a MAN não teve lucro na América Latina pela primeira vez na sua história. Qual é a expectativa para este ano? CORTES – Estamos falando de uma queda do mercado de 70% em relação ao pico, que foi 2011, com a indústria trabalhando com capacidade ociosa de 70%. O nível de vendas voltou ao patamar do século passado, para as estimadas 50 mil unidades este ano. Com volume tão baixo, a briga por preço fica muito mais difícil. Desde 2012, quando a indústria lançou caminhões Euro 5, tivemos encarecimento dos produtos por causa

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Em 15 anos de competência e dedicação, foram customizados mais de 140 mil veículos em parceria com a MAN Latin América. Nós da BMB, vestimos com orgulho esta camisa.

Parabéns MAN, por

anos de sucesso e inovação em Resende-RJ.


da melhoria tecnológica, mas naquela época já não houve o repasse de preço necessário. Ainda assim, tivemos aumento de matéria-prima, de mão de obra, de energia elétrica etc. Os custos subiram e os preços não aumentaram na mesma proporção. É uma defasagem que compromete a rentabilidade, aliada a um mercado muito pior do que era. Essa equação não fecha e nós, depois de 35 anos de operação, estamos incorrendo em prejuízos. Ao mesmo tempo, seguimos esperançosos por reversão dessa tendência. Mesmo com toda a dificuldade, mantivemos nosso plano de investimentos inalterado. Sustentamos o pacote de R$ 1 bilhão anunciado, com novidades que devem ser apresentadas em breve. AB – Como é utilizado esse investimento, que vai de 2012 a 2017? CORTES – Inicialmente, estavam contemplados alguns aumentos de capacidade e expansão da fábrica. Sem a necessidade disso, usamos esse valor em iniciativas como o plano de internacionalização, com o desenvolvimento de produtos para alguns mercados ou então a instalação de operações de CKD em outros países, como o Quênia. Tudo isso está dentro dessa autorização de R$ 1 bilhão. Temos algo em torno de R$ 300 milhões ainda para serem gastos até dezembro do ano que vem. AB – Vocês estão esperando alguma mudança no mercado nacional para decidir sobre o que ainda resta ou já têm destino para esse aporte? CORTES – A mudança que esperamos é a melhora do mercado, mas o plano de desenvolvimento de novos produtos está mantido. A nossa visão sempre foi a longo prazo. Estamos nos preparando para os momentos normais porque o que temos hoje, com toda essa insegurança, vai aca-

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bar. O mercado vai voltar a comprar, justificando os investimentos. AB – O mercado aguarda há algum tempo o lançamento de um novo caminhão leve da Volkswagen, conhecido como projeto Phevos. Quando o modelo chega e qual espaço a companhia pretende ocupar no mercado com ele? CORTES – Realmente, temos vários produtos em estudo e desenvolvimento, mas não comentamos lançamentos. O que eu posso assegurar é que os clientes terão os veículos que eles precisam na hora certa. AB – No auge do mercado nacional, a MAN LA chegou a produzir 85 mil caminhões em um ano em Resende. Como você projeta o papel da planta no futuro, já que esse volume deve demorar muito a voltar? CORTES – Nessa época áurea Resende provou que é capaz de produzir em três turnos, seis dias por semana. Hoje o volume caiu para praticamente um terço disso. Trabalhamos com um turno de produção quatro dias por semana. Esperamos voltar a trabalhar em nível melhor num futuro próximo. AB – Até o mercado chegar a esse patamar melhor, é possível trabalhar com baixo volume e eficiência e ainda assim garantir rentabilidade?

CORTES – Buscamos isso por meio da internacionalização. Se o volume está caindo aqui, vamos tentar crescer nos países em que a economia está melhor. É obvio que a eficiência é bem melhor com a fábrica cheia, mas você precisa ser eficiente trabalhando em um turno da mesma forma que era trabalhando em três turnos. AB – E como estão as exportações? CORTES – Os nossos maiores mercados de exportação também sofrem um pouco. A Argentina é um exemplo. Mas ainda assim estamos crescendo. Enquanto caímos como todo o mercado aqui no Brasil, na exportação devemos avançar de 5% a 10%. Queremos ganhar participação em cada mercado, como Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Angola. Hoje, da nossa produção, 15% vão para exportação e 85%, para o mercado doméstico. Pretendemos mudar essa relação para 30% de exportação e 70% de mercado interno. AB – Em abril a MAN anunciou o programa Vire a Chave, que pretendia colocar a MAN Latin America de volta à rota de crescimento. Quais são os resultados da iniciativa? CORTES – É um programa que será mantido até a situação virar, com foco motivacional. Estávamos focados havia muito tempo em reduzir custos e cortar despesas. Adequamos a organização, fizemos um downsizing e a deixamos mais flexível. Depois disso decidimos usar essa energia para gerar bons fluidos, trazer negócios, ir atrás de clientes. Começamos com os nossos trabalhadores internos, depois fomos para os nossos parceiros de Resende, o sindicato, revendedores e, mais recentemente, aos clientes por meio de sorteios. O projeto é um sucesso. Temos aí vendas incrementais quantificadas muito maiores do que imaginávamos. n

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Nós da Semcon gostaríamos de parabenizar a MAN pelo seus 35 anos no Brasil e 20 anos em Resende.Nos sentimos honrados e agradecidos pelos anos de parceria em Resende, atuando em diversos serviços de engenharia.

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VWCO

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COMPLETA 35 ANOS COM MAIS ESPAÇO INTERNACIONAL COM FOCO EM EMERGENTES, MARCA PASSA A OCUPAR POSIÇÃO ESTRATÉGICA NOS PLANOS DE EXPANSÃO GLOBAL DA HOLDING DE VEÍCULOS COMERCIAIS

ROBERTO CORTES, presidente da MAN Latin América, no IAA

VOLKSWAGEN TRUCK & BUS PEDRO KUTNEY

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ma invenção brasileira criada há 35 anos, que por décadas foi o único braço do Grupo Volkswagen fabricante de veículos comerciais pesados, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) desde o ano passado é parte de uma grande divisão internacional da corporação, que replica seu nome em inglês, a VW Truck & Bus, que além da empresa com sede no Brasil reúne outras três marcas internacionais: MAN, Scania e VW Nutzfahrzeuge (comerciais leves). Foi assim criada a oportunidade para a VWCO ser tão multinacional quanto suas irmãs do grupo, com foco voltado aos mercados emergentes e planos de dobrar a participação das exportações no negócio. “Somos uma operação forte no Brasil que pertence a um grande grupo internacional, hoje um pouco diferente do que éramos como MAN Latin America. Agora nos apresentamos como Volkswagen Caminhões e Ônibus com ambições internacionais bem maiores”, explicou Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, nome oficial da empresa des-

de 2009, quando a VWCO foi comprada pela companhia alemã que, por sua vez, teve o controle acionário adquirido pelo Grupo VW em 2011. Agora a marca é estratégica para que a organização alcance a meta de ser líder global do mercado de caminhões na próxima década. “Costumo dizer que só a metade do mundo, o Hemisfério Sul, já está de bom tamanho para nós”, afirmou o executivo para resumir a parte do globo que cabe à VWCO explorar com maior apetite daqui para frente. O principal objetivo é elevar a proporção das exportações dos atuais 15% da produção para 30%. “Já somos líderes em vendas no Brasil e não há motivos para não sermos também no resto da América Latina. Também vamos expandir as operações para outras regiões, especialmente África e Oriente Médio. Temos produtos apropriados para esses mercados”, diz Cortes. POTENCIAL PARA CRESCER GLOBALMENTE A VWCO já exportou 100 mil veículos em sua histó-

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NAVISTAR DÁ FORÇA À HOLDING

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o começo de setembro a Volkswagen Truck & Bus anunciou a compra de 16% de participação no controle acionário da Navistar, fabricante norte-americana de caminhões da marca International. O acordo de US$ 256 milhões é estratégico para a companhia europeia ganhar espaço nos Estados Unidos, onde ainda não tem presença por causa de uma série de particularidades em relação ao design, legislação de carga e às tecnologias de emissões adotadas na região. O país deve demandar 240 mil caminhões só em 2016, pouco abaixo do estimado para a Europa, onde as vendas podem alcançar 290 mil unidades. No Brasil, a MAN Latin America pode ser beneficiada pelo negócio. A empresa americana é dona da marca de caminhões International e, localmente, da fábrica de motores diesel MWM, que há 30 anos fornece para a VWCO e desde 2011 produz de forma terceirizada o motor MAN D08 que equipa veículos da marca. Dessa forma, mesmo que não seja o foco inicial do acordo com a Navistar, se o negócio evoluir a montadora poderá ganhar uma unidade de motores no País. Também em setembro, durante o IAA Commercial Vehicles, o salão de veículos comerciais de Hannover, na Alemanha, quando um caminhão International ProStar dirigido por Troy Clarke, CEO da Navistar, abriu um evento que a Volkswagen Truck & Bus fez para se apresentar à imprensa internacional, tudo indicava que a intenção do Grupo VW é assumir o controle integral da empresa americana. “Você pode comprar”, disse em tom de brincadeira Clarke a Andreas Renchler, presidente da holding alemã, enquanto ele elogiava o porte vistoso do caminhão americano. Sintomaticamente, dois dias depois, na entrevista coletiva que a MAN Latin America organizou para a imprensa brasileira e latino-americana em Hannover, também estavam presentes como ouvintes na sala o próprio Clarke e o brasileiro Pérsio Lisboa, hoje chefe global de operações da Navistar. Ninguém quis adiantar nenhum possível aumento de sinergias das operações brasileiras. “Vocês terão de esperar algum tempo até que todas as possibilidades de cooperação entre as empresas sejam identificadas nos diversos mercados onde atuam”, disse Clarke. “O foco do negócio é o mercado dos Estados Unidos. No Brasil temos uma parceria de longa data e já produzimos 100 mil motores MAN (na MWM). Claro que poderemos estudar a produção de outros motores”, limitou-se a informar Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America. Isso poderá afetar também os negócios com a Cummins, que hoje fornece a maior parte dos propulsores utilizados pelos caminhões Volkswagen. DIVULGAÇÃO / MAN

ria. “Temos uma meta de crescimento forte agora, mas já alcançamos isso antes. As exportações já chegaram a 28% da nossa produção, com pico de 14 mil unidades em um ano na década passada, e potencial para chegar a 17 mil se houvesse capacidade na época”, lembra Marcos Forgioni, diretor de vendas internacionais da MAN Latin America. Nesta década, o máximo exportado foi de 9,5 mil em 2011. Em 2015 o volume caiu para apenas 6 mil, número que deve ser repetido este ano. “É perfeitamente possível retomar os negócios e abrir novos mercados. A recuperação nas exportações brasileiras tem potencial para, pelo menos, crescer 5%. E dependendo da mudança atual em economias vizinhas, não seria exagero pensar em crescimento de até dois dígitos porcentuais ao ano”, avalia Cortes. O executivo garante que agora, como parte do grupo Volkswagen Truck & Bus, existe uma mudança de foco com o objetivo de internacionalizar as operações da VWCO. “Não faz sentido depender de um país só. Temos mais possibilidades dentro de um grupo maior, com vocação para mudar o modelo e não colocar todas as laranjas em uma só cesta”, diz. No momento, a prioridade é abrir novos mercados para compensar as quedas de vendas no Brasil e na África do Sul, além de intensificar os negócios na América Latina. “Hoje já somos fortes em países como Angola e Nigéria. Pretendemos ir para o norte da África e um dia avançar ainda para o outro lado do mundo”, ambiciona Cortes. Para viabilizar os planos internacionais, a VWCO já tem 342 concessionários no mundo, 156 de-

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SINERGIA INTERNACIONAL Cortes também destacou a maior sinergia internacional com as demais empresas da Volkswagen Truck & Bus e a importância que a VWCO ganhou dentro do grupo com a formação da holding: “Agora fazemos parte do conselho da companhia, temos um assento e voz”, disse o executivo durante apresentação global da divisão de veículos comerciais do Grupo VW, na Alemanha, que contou com a presença de um caminhão Volkswagen Constellation 25.420 Prime, modelo que celebra os dez anos de criação da linha Constellation. “Já foram produzidos 130 mil caminhões Constellation no Brasil, é uma história de grande sucesso, graças ao bom trabalho da equipe

nacional, onde está a nossa base especialista em mercados emergentes, com produtos eficientes e robustos, que serão lançados em mais países fora da América Latina”, confirmou Andreas Renchler, CEO da Volkswagen Truck & Bus, na abertura do 66o IAA Commercial Vehicles, em Hannover, no fim de setembro. “Estou seguro de que a expansão internacional (da marca VWCO) será um sucesso”, completou. “Com a formação da holding ganhamos acesso ao que não tínhamos quando éramos uma ilha isolada, com 500 engenheiros. Agora temos 8 mil na companhia com acesso a muito mais tecnologia”, acrescenta Cortes. Parte de como esse imenso time de engenheiros vai trabalhar foi revelada recentemente, quando a Volkswagen Truck & Bus desenhou os princípios para a cooperação entre MAN e Scania na área de desenvolvimento. As equipes das duas empresas deverão trabalhar juntas glo-

balmente na criação de componentes e do trem-de-força para os caminhões e ônibus das duas marcas, da VWCO e da Navistar, que teve parte do controle acionário comprada pelo grupo alemão recentemente. O foco está em plataformas comuns para motores, transmissões e sistemas de pós-tratamento que possam ser adaptados entre as fabricantes. Tanto a holding quanto as empresas terão programação clara do que está em curso nos departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). A Scania vai liderar o desenvolvimento de uma plataforma de motores de 13 litros e de sistemas de pós-tratamento para veículos grandes. A MAN será responsável pelo projeto de propulsores de 5 a 9 litros e por sistemas para veículos pequenos e médios. A divisão dos projetos de transmissões será semelhante: as caixas pesadas ficarão com a marca sueca, enquanto a MAN cuidará das pequenas e médias. n DIVULGAÇÃO / MAN

les no Brasil e 186 espalhados por países da América Latina e África. Também tem linhas de montagem já instaladas no México e na África do Sul. Com 25 pontos de venda, a operação mexicana já cresceu 20% este ano e deve montar mil unidades em 2016, com perspectiva de alcançar 5 mil em três a cinco anos. Com o recuo do mercado brasileiro, a empresa decidiu dedicar parte que resta dos recursos do atual programa de investimento da companhia, de R$ 1 bilhão no período 2012-2017, para abrir novas unidades no exterior. Ainda este ano começam a operar na África duas pequenas plantas para montar kits semidesmontados (SKD) de caminhões Volkswagen enviados de Resende, uma na Nigéria e outra no Quênia. “Ainda não estamos em boa parte dos mercados africanos e temos condições de avançar lá”, comenta Cortes.

CAMINHÕES brasileiros para exportação

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LANÇAMENTO

GOLF GANHA

MOTOR 1.0 TSI NOVA OPÇÃO TURBINADA DO HATCH TEM 125 CAVALOS

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Volkswagen Golf passa a ter uma versão 1.0 TSI. Seu motor de três cilindros com turbo e injeção direta de combustível é semelhante ao do Up! TSI, mas produz 125 cavalos em vez de 105. O novo carro chega em novembro na versão Comfortline, com câmbio manual de seis marchas e preço inicial de R$ 74.990. Este é o único hatch médio à venda no Brasil com motor de um litro e utiliza o 1.0 flex mais potente a equipar um carro nacional. A nova opção passa a ser a mais acessível do Golf, abaixo da 1.6 Comfortline, que tem 120 cv e tabela de R$ 78.130. Outros propulsores disponíveis para o carro são o 1.4 TSI e o 2.0 TSI. O supervisor de marketing de produto Joas Fritz descarta a saída de linha do 1.6: “Vamos manter todos os motores. É provável que aqueles que gostam mais de tecnologia optem pelo novo 1.0 TSI e os mais conservadores procurem o 1.6 na versão com câmbio automático, não disponível no 1.0”, afirma.

MÁRIO CURCIO

O novo motor também é produzido em São Carlos (SP). Os 20 cavalos extras em relação ao Up! TSI vêm do aumento da pressão do turbo de 0,9 para 1,3 bar. “A turbina também é fornecida pela BorgWarner e tem as mesmas dimensões daquela do Up! TSI, mas resiste a temperaturas até 1.050 graus Célsius em vez de 950 porque utiliza outros materiais”, afirma o engenheiro de powertrain da VW, Paulo Takamura. No Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular o modelo obteve a letra A. Na cidade ele faz 8,4 km/l com etanol e 11,9 km/l com gasolina. Na estrada os números passam a 10,1 km/l (e) e 14,3 km/l (g). De acordo com a Volkswagen, o Golf 1.0 TSI acelera de zero a 100 km/h em 9,7 segundos e atinge a velocidade máxima de 194 km/h, números obtidos com etanol. Esses dados são melhores que os da versão 1.6, que acelera de zero a 100 km/h em 10,4 s e chega a 188 km/h.

Entre os itens de série há freios a disco nas quatro rodas, controles eletrônicos de tração e estabilidade, frenagem automática pós-colisão, monitoramento da pressão dos pneus, sistema Isofix para prender cadeirinhas infantis, sete airbags, direção com assistência elétrica, ar-condicionado, vidros dianteiros e traseiros com acionamento elétrico e função “um toque”, travamento central por controle remoto, rodas de liga leve de 16 polegadas, assistente de partida em rampa e sensores de aproximação de obstáculos na dianteira e na traseira. Os retrovisores externos têm aquecimento, ajuste elétrico, luz de seta integrada e função “tilt down”, que baixa o foco do espelho direito cada vez que se engata a marcha à ré para facilitar manobras. A central de entretenimento Composition Media é outro item de série em todas as versões. n

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ULG

AÇÃ

O/

VW

VOLANTE é revestido de couro e vem com ajustes de altura e profundidade. Central multimídia de série inclui rádio CD-Player, tela sensível ao toque de 6,5 polegadas e App-Connect.

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CADERNO| SERVIÇOS

DESINTERMEDIAÇÃO É TENDÊNCIA EM COMPRAS

I

van Witt tem triplo desafio como diretor de compras e RH do Grupo Caoa. Além de ser responsável pelo abastecimento de materiais e serviços produtivos e não produtivos para atender a fábrica de automóveis e caminhões de Anápolis (GO), ele responde pelos suprimentos às 148 lojas das revendas das marcas Hyundai, HB (caminhões), Subaru e Ford e ainda promove a gestão dos funcionários de todo o grupo. As compras não produtivas representam 12 mil itens e 25% a 35% do total, cabendo o restante às compras produtivas. Estas últimas são coordenadas por oito engenheiros. Os resultados, que têm aparecido de forma positiva em todas as frentes, renderam aos negócios de distribuição da Hyundai o segundo lugar no ranking de satisfação da JD Power voltado ao consumidor (a primeira foi a Toyota), cabendo a terceira posição à marca HB. “A área de compras não é uma colocadora de pedidos no mercado. Ela deve adicionar valor, após uma análise detalhada do que deve ser feito para satisfazer o cliente”, pondera Ivan Witt, que destaca entre as tendências dessa atividade a desintermediação

na hora de comprar e a análise de dados em profusão que ocorrem com o BigData e exigem a participação de engenheiros com especialização em estatística. São valorizados pelo departamento da Caoa também atendimento rápido, qualidade, inovação e garantia de suprimento. Um dos grupos de trabalho com atuação decisiva para o sucesso do departamento é a área de inteligência de compras, que busca trazer métricas de mercado e promover o benchmarking, avaliando os resultados em comparação com objetivos pré-definidos. “Essa equipe olha o futuro, analisa a saúde financeira, a evolução do parque industrial e as melhores práticas do mundo, com atenção especial para as modernas técnicas de compras”, explica Ivan Witt. A prestação de serviços na área de compras é vital para a saúde dos negócios da Caoa, estendendo-se pela segurança, limpeza, frotas e viagens. A área de RH é um dos principais clientes e tem no plano médico uma das maiores demandas, ao lado de vale-transporte, alimentação e treinamento. De maneira geral, os serviços mais requisitados estão no campo do

DIVULGAÇÃO / CAOA

CAOA ADQUIRE INSUMOS E SERVIÇOS PARA A FÁBRICA E PARA 148 LOJAS DE VEÍCULOS

IVAN WITT, diretor de compras e RH do Grupo Caoa

ÍNDICE Consultorias 82 Engenharia e Projeto 84 Testes e Simulações 85 Automação 86 Tecnologia da Informação 87 Logística 89 Certificação 90

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CADERNO | SERVIÇOS

CONSULTORIA

OPORTUNIDADES EM PERÍODO DE CRISE

GOVERNO, MONTADORAS E AUTOPEÇAS GARANTEM DEMANDA DE SERVIÇOS PAULO RICARDO BRAGA

P

residente da Jato do Brasil, empresa especializada em informações estratégicas e soluções para a indústria automobilística, Vitor Klizas entende que o setor automotivo ganhará estabilidade no mercado local nos próximos dois anos e destaca que a exportação da produção nacional, tecnicamente mapeada, começará a ganhar volume significativo nesse período. Ele comenta que, nesse cenário, a demanda de serviços para as consultorias estará bastante concentrada em novas ferramentas, dados, análise e relatórios que orientam as empresas na tomada de decisões de curto e médio prazos – com grande foco em resultados consistentes. “Haverá forte necessidade de planejamento por parte do governo, das montadoras e de seus fornecedores, estimulando a ação dos consultores”, garante. Klizas observa que, com a retração nos negócios, a concorrência no setor automotivo tornou-se tão acirrada no Brasil como nos mercados mais maduros. “A demanda pelas modernas ferramentas de detecção de oportunidades e mapeamento do mercado utilizadas pelos segmentos mais competitivos do mundo passaram a fazer parte do dia a dia dos nossos clientes, no-

LUIS PRADO

transporte, obras civis, engenharia (desenvolvimento, testes e homologações), tecnologia da informação e recursos humanos. São preocupações destacadas a inflação nos custos dos planos de saúde (o dobro da inflação corrente) e a oneração na área de logística, que traz na planilha de despesas os serviços com motoristas, pedágio, combustível e pneus. Uma das soluções para ganhar eficiência e reduzir custos foi a adoção do milk run, que recolhe os componentes nas fábricas dos fornecedores. A consolidação dos suprimentos é promovida em Barueri, próxima a São Paulo, para o envio à fábrica de Anápolis. Uma das iniciativas com bom retorno foi a substituição de embalagens, que hoje são totalmente retornáveis. As embalagens de peças importadas são descartáveis em grande parte. Na central de serviços compartilhados, que atende as equipes de compras produtivas e não produtivas e também a inteligência de compras, a aquisição de serviços de viagens é um exemplo das iniciativas que visam à desintermediação de mercado. “Não é nosso core business, mas representa uma tendência global e um fator importante de economia e velocidade no atendimento”, afirma Ivan Witt, enfatizando que seu pessoal está sempre atento à aquisição direta de serviços. Em Anápolis a Caoa implantou um centro técnico de desenvolvimento de produtos, que se estende para laboratórios químicos e sistemas de testes e simulações em dinamômetros de chassis, motor e tração 4x4. “Trata-se do mais moderno centro do gênero na América do Sul, agilizando os serviços de engenharia e elevando a nossa competência local”, garante Ivan Witt, lembrando que em matéria de criação e desenvolvimento é possível recorrer também às unidades da Coreia do Sul, onde fica a sede da Hyundai. n

VITOR KLIZAS, presidente da Jato do Brasil

tadamente para os tomadores de decisão. O mercado amadureceu e demanda soluções que vão além do escopo dos projetos tradicionais”, esclarece. Klizas avalia que o governo e as entidades setoriais estão ativos na solicitação de trabalhos de consultoria, seja para o estabelecimento de políticas industriais, seja para a consolidação de marcos regulatórios. Assim, a demanda por assessoria nesse segmento não diminui, apesar da crise, pois sempre existem oportunidades de melhoria que necessitam de apoio especializado.

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DEMANDA A A.T. Kearney informa que o segmento automotivo tem demandado trabalhos de consultoria, apesar da crise. “Na realidade, a procura se intensificou e em alguns casos declinamos tarefas que não estão no escopo de nossas atividades. Houve incremento de pedidos de propostas por projetos. Diferentemente de outros momentos no Brasil, poucos projetos foram abandonados. Alguns foram adiados, mas não tira-

dos da pauta”, explica o diretor David Wong. Há diversos gêneros de trabalhos requisitados, afirma o diretor da A.T. Kearney, esclarecendo que a natureza dos projetos varia, compreendendo avaliação e redesenho de estratégia para crescimento, mudanças na operação para ganhos de produtividade, entendimento e avaliação de produtos e tecnologias para introdução no País, busca de novas alavancas de receita para o negócio

e atração de parcerias ou investidores para o negócio, incluindo fusões e aquisições. Wong avalia que, de modo geral, o foco das empresas do setor automotivo está em buscar alternativas para atravessar a crise e estar preparadas para a recuperação. Ele acredita que haverá pequena melhora dos negócios em 2017, com evolução de 2% a 5% nas vendas de veículos. Os patamares de 2012 só devem voltar em 2023 ou 2024.

DE OLHO NAS TENDÊNCIAS DA INDÚSTRIA

R

odrigo Custódio, diretor da Roland Berger Strategy Consultants, relata que o segmento de consultoria acompanha o ciclo da indústria – inicialmente com uma mudança da natureza dos projetos, de estratégias de crescimento para reestruturação e eficiência operacional. Há também a busca por novas oportunidades de receitas na exportação e no mercado de reposição. “A vinda de novas montadoras e plataformas promovidas pelo Inovar-Auto trouxe o desafio da nacionalização de peças, que tem sido outra demanda de nossos clientes”, diz. Segundo Custódio, as empresas que já fizeram o trabalho de reestruturação com a profundidade necessária começam a olhar para as novas tendências da indústria, como a conectividade e digitalização. Essas inovações tecnológicas, somadas com o comportamento da nova geração de consumidores, e o surgimento de novos modelos de negócios e competidores, demandam atenção das empresas para as oportunidades e riscos relacionados. Daí surgirem, também, novas frentes para as consultorias. Ele detectou que o governo tem se movimentado para ouvir mais as empresas do gênero da Roland Berger e existe um movimento importante para entender os impactos e possibilidades das novas tendências tecnológicas. As entidades setoriais também têm apoiado, em certa extensão, seus associados com programas ligados a eficiência, parcerias estratégicas e governança. “Em países amadurecidos, a investigação de soluções e desenvolvimento de programas é mais pujante, mas observamos uma evolução importante recentemente”, afirma.

A atuação da Roland Berger para atender as tarefas voltadas à sucessão nas empresas de autopeças tem se traduzido em assessoria aos conselhos de administração e se avolumaram. “Existe uma preocupação com o novo ciclo de planejamento de curto e longo prazos. A solução para as autopeças passa por uma visão holística do negócio, com o planejamento financeiro, estratégico e operacional, além de uma visão profissional da governança, como instrumento estratégico para geração de valor para o proprietário ou acionistas”, completa Custódio. O diretor da Roland Berger analisa que as montadoras começam a se estruturar para incorporar elementos de indústria 4.0 nas novas gerações de veículos, o que certamente se traduzirá em trabalho para as consultorias. “Nesse momento, o principal esforço é desenvolver transparência sobre o potencial que a indústria 4.0 oferece, definir o papel que deve ter na empresa e traçar uma rota de desenvolvimento”, relata. Ele acredita que a indústria vai começar a se recuperar já no início de 2017, respeitado um cenário de maior estabilidade política. Mesmo com essa recuperação ainda existe o desafio para a maior parte das empresas de retornar ao ponto de equilíbrio econômico, visto que estão muito abaixo disso: “A recuperação será lenta e a expectativa é voltarmos a um mercado de 3 milhões de unidades apenas por volta de 2020. Nesse período as empresas atravessarão o duplo desafio de recuperar a eficiência da operação e preparar o negócio para o futuro da mobilidade. n

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ENGENHARIA E PROJETO

CRESCIMENTO POSSÍVEL, APESAR DE TUDO

ROBIN ARON / DIVULGAÇÃO SEMCON

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NOVOS PROJETOS DAS MONTADORAS MANTÊM ATIVAS AS EMPRESAS DO SETOR MÁRIO CURCIO

A

de arrefecimento do motor, aero e vibroacústica estão entre as especialidades da companhia incorporada. Trabalhos com automóveis de entrada e intermediários movimentam a equipe da empresa: “O downsizing de motores de combustão interna e uso do etanol hidratado são desafios em que as simulações numéricas agregam muito valor”, recorda Scuzzarello. Para César Batalha, diretor-geral da Autoform, houve um freio nos investimentos, mas a empresa seguiu em movimento ascendente por causa de novos modelos de automóveis: “A demanda poderia ser maior, porém acredito que, assim como em outros mercados, o Brasil tem despertado para uma nova revolução industrial, onde simulações e ambientes virtuais são a base para o aumento da eficiência”, diz. A Autoform é especializada em softwares de simulação de estamparia. A Semcon, que atua em uma ampla gama de serviços de engenharia, recebeu uma demanda vinda da maDIVULGAÇÃO / AUTOFORM

pesar do fraco desempenho da indústria automobilística, com queda de cerca de 20% nas vendas no acumulado até outubro, empresas especializadas em serviços de engenharia e projetos continuam apontando para cima. “Os negócios da Siemens quanto a simulações numéricas se mantiveram e cresceram. Desenvolvimento virtual é uma ótima opção para redução de custo durante a crise”, afirma Daniel Scuzzarello, diretor de vendas da Siemens Industry Software. Em abril deste ano a empresa adquiriu a CD-adapco, onde Scuzzarello atuava como gerente regional. Simulações

CÉSAR BATALHA, diretor da Autoform, e LEANDRO CARDOSO, supervisor de engenharia de aplicação

CARRO AUTÔNOMO SMILING CAR, da Semcon, transmite confiança ao sorrir para os pedestres

triz sueca para um projeto de direção autônoma. Com ele a equipe vai ganhando know-how nessa nova área a ser desenvolvida enquanto atravessa o mau momento da indústria local. Desde janeiro a equipe da Semcon no Brasil atua nesse projeto: “Estamos trabalhando em detecção, segmentação, definição de trajetória e classificação de objetos”, informa o diretor Fabrício Campos, ressaltando que o estudo ainda não está direcionado para o mercado brasileiro. Entre os trabalhos realizados pela empresa no exterior está o Smiling Car, modelo autônomo que se comunica com pedestres por meio de um “sorriso luminoso” na grade dianteira. NOVO HORIZONTE A definição do cenário político anima as empresas do setor e seus clientes: “Já começamos a receber um número maior de RFIs e RFQs”, afirma Campos, da Semcon, referindo-se a consultas sobre serviços e valores. “Acredito que o otimismo esteja voltando. Precisamos ainda ver quais medidas serão aprovadas para a recuperação econômica e como o novo governo pretende fomentar a indústria nacional”, conclui Scuzzarello. n

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INOVAÇÃO E PESQUISA MANTÊM SETOR NOS TRILHOS EMPRESAS E INSTITUTOS DEDICADOS A TESTES E SIMULAÇÕES VENCEM PERÍODO COM TECNOLOGIA E PESSOAL CAPACITADO

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uem atua com testes e simulações apostou em inovação e incentivo à pesquisa para atravessar 2016. Foi assim que empresas especializadas e institutos se adaptaram ao período atual. A Autodesk, dedicada à produção de softwares de simulação, viu crescer o uso da realidade virtual: “Começamos a atuar mais fortemente no Brasil com ela no ano passado e hoje é grande a aceitação. O hardware (os óculos de realidade virtual) está muito acessível e o software para locação também”, afirma Raul Arozi Moraes, técnico especializado em manufatura da Autodesk. “As OEMs já trabalham com realidade virtual há alguns anos (...) Cada vez mais vemos diferentes áreas utilizando, com resultados incríveis.”

DIVULGAÇÃO / AUTODESK

TESTES E SIMULAÇÕES

RAUL AROZI MORAIS, técnico especializado em manufatura da Autodesk

Além da realidade virtual, a locação dos softwares como alternativa à compra também cresceu: “Cada vez mais empresas de pequeno e médio portes optam pela locação. Na maioria dos casos, quando apresentamos uma proposta de locação pela primeira vez, a reação dos clientes é de surpresa porque estão acostumados com valores de compra de licença perpétua muito superiores aos de locação”, revela Moraes. “Muitos ainda não conhecem ou não sabem como funciona a locação de softwares”, admite Moraes. No Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), são os requisitos do Inovar-Auto para redução de consumo e emissões que mantêm os laboratórios ocupados: “A maioria dos fabricantes ainda está na fase de introdução de novos propulsores e também haverá a fase de aumento da nacionalização das peças desses motores, portanto poderá haver um fôlego extra para a engenharia nacional”, ressalta Renato Romio, chefe da divisão de motores e veículos do centro de pesquisas do IMT. Romio também se anima pelo empenho na ampliação do setor de

pesquisa acadêmica e tecnológica do IMT: “A área sempre existiu na Mauá e foi, durante o Proálcool, a grande impulsionadora do relacionamento com os fabricantes de veículos e autopeças (...) Atualmente, atingimos um nível de relacionamento com as indústrias que permite manter uma equipe dedicada a pesquisas sem que haja perda financeira. Enfim, estamos conseguindo contratar pesquisadores”, comemora Romio. ESTRUTURA PRÓPRIA A General Motors possui campo de provas no Brasil em Indaiatuba (SP), com 16 pistas de testes e 600 profissionais. Por ano o campo consome US$ 10 milhões. Mais que testes de rodagem, a estrutura realiza ensaios de impacto e pode até simular temperaturas extremas entre -40 até +85 graus Célsius. “É o maior do gênero no Hemisfério Sul e o segundo mais completo da GM, atrás apenas do campo de Milford, nos Estados Unidos”, diz o diretor do campo de provas, Luciano Santos. (Mário Curcio) n

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AUTOMAÇÃO

ROBÔS COLABORATIVOS ENTRAM NA MODA ROBOTIZAÇÃO ENGATINHA NO BRASIL: EM 2018 TEREMOS APENAS 18.300 UNIDADES

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specializada em automação, com soluções em turn key, seguindo conceitos avançados de manufatura e Indústria 4.0, a Pollux Automation investiu na robótica colaborativa, colocando robôs para trabalhar ao lado de humanos em um modelo inovador de negócio que combina locação com a prestação de serviços. A empresa, em lugar de comercializar equipamentos, oferece robôs como prestadores de serviços. “Assim é possível elevar a produtividade nas fábricas sem necessidade de fazer investimentos”, esclarece José Rizzo Hahn Filho, presidente e CEO da Pollux, que demonstra satisfação com os resultados que vêm obtendo. “Os robôs colaborativos começam a trabalhar imediatamente, antecipando resultados para as empresas. Eles constituem a forma mais rápida e econômica de dar partida a um processo urgente de transformação das fábricas e caminhar em direção a altos níveis de produtividade”, garante Rizzo Hahn, alertando que as estatísticas de automação no País são preocupantes. Enquanto a Coreia do Sul possui 478 robôs para cada dez mil trabalhadores, o Japão 314 e a Alemanha 292, o Brasil tem apenas 10. A base de robôs instalada no País em 2018 deve alcançar 18.300 unidades, enquanto a China avançará para 614

mil e a Coreia do Sul para 279 mil. “A competição global será cada vez mais tecnológica”, assegura Rizzo Hahn, enfatizando que precisamos de engenheiros bem preparados. As empresas, em seu entendimento, também precisam trabalhar mais em colaboração. “É preciso um grande esforço no País para compreender o tsunami de informação no cenário industrial”, afirma, lembrando que o Brasil aparece em 75o lugar no ranking de competitividade entre 140 nações, tendo perdido 27 posições em três anos. “Temos boas escolas, mas faltam professores em quantidade suficiente para virarmos a página”, pondera. O diretor da Pollux afirma que automação é chave no aumento de produtividade e eficiência, dois fatores que preocupam bastante a indústria automobilística local. “O custo de mão de obra triplicou entre 2002 e 2012, enquanto a produtividade se manteve estável. Infelizmente haverá, ainda, cerca de 3,5 milhões de processos trabalhistas em 2016”, adverte. INTERNET INDUSTRIAL A Pollux Automation, a Fiesc – Federação das indústrias do Estado de Santa Catarina e a Embraco constituíram em agosto a Associação Brasileira de Internet Industrial (abii.com.br), entidade

inspirada no Consórcio de Internet Industrial (IIC), estruturado por grandes multinacionais em 2014, com sede nos Estados Unidos e cerca de 250 associados de 30 países. Adotando conceitos também utilizados pela Indústria 4.0, que tem como precursor o governo alemão, a Internet Industrial já começou a se consolidar, como explica Rizzo Hahn. “Ela une máquinas inteligentes, análise computacional avançada e trabalho colaborativo entre pessoas conectadas para gerar mudanças profundas e trazer eficiência operacional para setores industriais como manufatura, transporte, energia e saúde”, diz. Os cenários para desenvolvimento dessa atividade mobilizam gigantes globais e impressionam pelo mercado potencial de US$ 15 trilhões em 15 anos. Quais as diferenças entre os movimentos da Indústria 4.0 e Internet Industrial? A primeira, focada principalmente na manufatura, tem como precursor o governo alemão e utiliza como plataforma de suporte políticas industriais governamentais. A segunda, voltada para manufatura, energia, transportes, saúde, utilidades, cidades e o setor de agro, nasceu por iniciativa de empresas multinacionais e promove um consórcio aberto, sem fins lucrativos. (Paulo R. Braga) n

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TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

SOLUÇÕES OTIMIZAM PROCESSOS E CORTAM CUSTO COM FÁBRICAS EM MARCHA LENTA, UMA SAÍDA É REVITALIZAR SISTEMAS EXISTENTES PARA DIMINUIR A INEFICIÊNCIA E DESPESAS COM MANUTENÇÃO EDILEUZA SOARES DIVULGAÇÃO / DASSAULT

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m olhar mais atento para os processos de manufatura pode ajudar as montadoras a diminuir custos para enfrentar o atual momento de queda nas vendas e ociosidade das fábricas. A sugestão é de fornecedores de tecnologia da informação (TI), especializados em soluções para melhorar a eficiência operacional e competitividade do setor. Uma das medidas de curto prazo que as montadoras podem colocar em prática nesse período, em que as fábricas estão operando em marcha lenta, é a otimização de recursos existentes. A revitalização de sistemas antigos traz aumento de produtividade e eficiência, sem a necessidade de grandes investimentos. A maioria das fábricas automotivas não opera em estado da arte em tecnologia da informação. “Embora se fale muito de indústria 4.0, as plantas do setor no País não são as mais robotizadas nem estão sendo utilizadas da melhor forma. Elas estão funcionando com recursos defasados”, avalia o engenheiro elétrico Luiz Egreja, responsável pelas iniciativas de manufatura na área de Business Transformation da Dassault

LUIZ EGREJA, da Dassault Systèmes: “Há muito espaço no Brasil para as montadoras reduzirem custos com a otimização de sistemas existentes”

Systèmes para a América Latina. Egreja menciona a tecnologia de robôs utilizados por montadoras brasileiras que trabalham sem sincronização com a linha de produção. De acordo com ele, a programação dessas máquinas, na maioria dos casos, é feita manualmente quando há alteração dos modelos de carro. A automação desse processo por

meio de software traz mais agilidade, avalia o executivo. Ele dá o exemplo da estamparia que conseguiria reduzir em dois segundos o tempo de preparo das peças. Parece pouco, mas para uma ferramentaria que estampa 2 mil peças por dia, daria uma economia de tempo de mais de uma hora e ganhos de produtividade. Além de reduzir o custo de montagem das peças, a montadora aumenta a capacidade produtiva. “Hoje as fábricas não têm muita demanda, mas todos esperam sair da crise e voltar ao seu ritmo”, diz o executivo da Dassault Systèmes. Ele ressalta a importância de as fabricantes aproveitarem o momento de ociosidade para azeitar processos e se fortalecerem para a retomada do mercado. Outra área que pode ser revitalizada para melhorar a produtividade, planejamento da produção e eficiência são os sistemas de Manufacturing Execution Systems (MES), que controlam o chão de fábrica, interligados com os pacotes de gestão empresarial (ERP). “Há montadora que tem entre 40 e 50 MESs para rastrear produção sem integração e alguns estão duplicados”, informa Egreja.

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No seu entender, o problema da indústria brasileira não é falta de sistemas, mas o excesso de tecnologias desconectadas e que nem sempre falam a mesma língua. Esse fator encarece os custos de manutenção, dificulta a rastreabilidade e aumenta a margem de erros, que acabam gerando recalls. A Dassault Systèmes propõe resolver essa situação com a implementação de software que integra o chão de fábrica e dá mais visibilidade aos controles de produção com corte de gastos operacionais. “Há muito espaço no Brasil para as montadoras reduzirem custos com a otimização de sistemas existentes”, garante Egreja.

BRUNO FAVERY

MAIS EFICIÊNCIA Uma das alternativas da T-Systems, fornecedora de serviços de TI, para que a indústria automotiva ganhe mais fôlego com a desaceleração de mercado é a solução Extended Enterprise Value Network (eEVN). Trata-se de um serviço em nuvem criado para diminuir a ineficiência da cadeia produtiva.

RODRIGO STANGER, da IBM Brasil: “O que as empresas estão demandando são soluções para reduzir custos e se tornarem digitais”

O eEVN integra pela web fornecedores e montadoras para monitoramento em tempo real de pedidos e gestão de estoques. Ricardo Michelan, diretor comercial para a indústria automotiva da T-Systems, explica que a nova solução cria um ambiente colaborativo para maior visibilidade da cadeia e decisões mais assertivas. “Como as fábricas estão ociosas e com custo elevado, qualquer desperdício ou parada das linhas de produção por falta de material impacta os negócios. Por isso, todos estão em busca de aumento de eficiência”, comenta Michelan. Um piloto está sendo realizado com uma fabricante no Brasil, integrada com cerca de 600 fornecedores. Outra novidade que a T-Systems está trazendo para o Brasil é a solução Cloud of Things, baseada na internet das coisas e nuvem para reduzir custos de manutenção de robôs do chão de fábrica. O sistema dispara alertas quando essas máquinas precisam de óleo ou de revisão, antes que falhem e parem as linhas de montagem. Uma das vantagens é que os dados são transmitidos para o smartphone dos gestores para que tomem decisões mais rapidamente. TRANSFORMAÇÃO DIGITAL “O que as empresas estão demandando mais no momento são soluções para reduzir custos e se tornar digitais”, informa Rodrigo Stanger, executivo de global business services da IBM Brasil. Ele afirma que em grandes indústrias o declínio da produção chega a um terço dos volumes registrados em 2010. Porém, os gastos com manutenção das plantas e mão de obra continuam elevados, o que tem estimulado as empresas a buscar soluções de TI que aliviem essa carga. Como medida de curto prazo, Stanger sugere a consolidação de data center, terceirização de serviços

DIVULGAÇÃO / T-SYSTEMS

CADERNO | SERVIÇOS

RICARDO MICHELAN, da T-Systems: “Qualquer desperdício ou parada das linhas de produção por falta de material impacta os negócios”

de TI, downsizing (enxugamento) de tecnologias que geram muitas despesas com manutenção e até o uso do supercomputador Watson da IBM, baseado em computação cognitiva e inteligência artificial para automação do atendimento em call center. Segundo Stanger, montadoras fora do Brasil estão testando o Watson para atender clientes, concessionárias e funcionários nas áreas de RH. Nesse caso, o supercomputador faz o trabalho dos operadores humanos, cortando gastos com mão de obra. Como medida de longo prazo, o executivo da IBM recomenda que as montadoras se preparem para a transformação digital, com uso de ferramentas de mobilidade, internet das coisas, big data e social media, entre outras, para que possam desenvolver novos modelos de negócios. “As montadoras foram por muito tempo uma indústria de manufatura e logística. Agora todas estão numa corrida para serem digitais e descobrir novas fontes de receita”, afirma o executivo da IBM. n

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AJUSTES DITAM O RITMO DOS SERVIÇOS

LOGÍSTICA

EMPRESAS DE GRANDE PORTE SE READAPTAM AOS CLIENTES PARA MANTER A SAÚDE DOS NEGÓCIOS

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SUELI REIS

DIVULGAÇÃO / ID LOGISTICS

DIVULGAÇÃO / JSL

iante do cenário desafiador o acordado será Para Marcos Bagque vem sendo desenha- o responsável em nolesi, diretor codo desde 2015 no Brasil, as levar seu material mercial e de markeoperadoras logísticas se adaptam aos para a montadora. ting da ID Logistics, clientes visando a uma melhor eficiên- Por outro lado, se que atende, entre cia nos serviços e principalmente nos o operador atrasa, outras empresas, a custos. Readequar equipes e buscar a responsabilidade MWM Motores e a novas estratégias, o que inclui rever passa a ser dele em Meritor, rever progestão e campos de atuação, têm se garantir o restante cessos e repensar apresentado como saídas interessan- das coletas. Isso faz as estratégias com tes que por ora mantêm o fôlego das com que todos FABIO VELLOSO, diretor os clientes foi funcompanhias e a saúde dos negócios. tenham uma dis- executivo de novos negócios damental. “Essa e relações institucionais da JSL Soluções visando a tais melhorias ciplina rigorosa a providência levou e ajustes foram adotadas pela JSL, ser cumprida. Caso a reduzir equipes e uma das maiores operadoras do contrário, a rentabiautomatizar, embora setor no País e que na indústria au- lidade é afetada”, explica Fabio Velloso, a premissa fosse não gerar mais custo tomotiva atende os principais fabri- diretor executivo de novos negócios e ou investimentos importantes”, afirma. cantes, como Ford, General Motors, relações institucionais da JSL. Foram ações simples, mas que geHonda, Mercedes-Benz, MAN LA, Segundo ele, além de ações como raram resultados. No caso da MWM Nissan, Renault, essa, a diversificação Motores, trazer produtos de maior Scania, Toyota e que a empresa ofe- giro para mais próximo das docas e Volkswagen. rece em seu portfó- para a prateleira mais baixa economi“Hoje, se um lio ajudou a absorver zou tempo e aumentou a produtividacaminhão chega a melhor os impactos de. “Foi importante, porque a empredeterminado forda crise, favorecen- sa perdeu de 20% a 25% de sua força necedor para codo o equilíbrio dos de trabalho”, comenta. Já na Meritor, letar as peças e o negócios. Em 2015, mudanças de armazenagem também material não está apesar da forte retra- geraram custo menor, aumentando a pronto, o operador ção da economia, economia para ambas as empresas. logístico pode retia empresa cresceu Apesar do cenário imposto, a ID rar o veículo desse 13% na receita ge- Logistics espera encerrar o ano com fornecedor e seguir rada por serviços, crescimento de 15% a 20% sobre o MARCOS BAGNOLESI, diretor comercial e de para o próximo. mesmo índice de ano passado, quando já havia anomarketing da ID Logistics O fornecedor que crescimento pro- tado alta de 20% no faturamento não cumpriu com jetado neste ano. total no País. n

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CADERNO | SERVIÇOS

CERTIFICAÇÃO

HORA DE RETOMAR A LIÇÃO DE CASA

MUDANÇAS EM NORMAS ISO VISAM À ATUALIZAÇÃO, MAS CRISE PODE TRAZER DIFICULDADES EM OBTENÇÃO DOS CERTIFICADOS

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ferecer um produto ou um mordial para quem quer fazer parte serviço de qualidade requer da indústria e ser fornecedor, por exiplanejamento e o mínimo de gência das próprias montadoras. No mercado de reposição, as cercritério em sua trajetória de execução. Para isso, normas e métodos passo tificações têm ocorrido em sua maior a passo regem essas ações a fim de parte de forma compulsória. “Essa se alcançar o resultado final, visando ação surgiu para a segurança do mersempre a qualidade e a segurança. cado, visando ao consumidor. Em E assegurar que todo esse processo um segundo estágio, isso ajudou a seja feito de forma satisfatória é fun- proteger o próprio mercado de uma ção primordial da certificação que, competição injusta com produtos que embora não seja tão aparente, conti- vinham com custo muito menor pornua como um dos principais itens de que não eram acreditados por órgãos atenção da indústria automotiva e de certificadores”, lembra Campos. Ainda assim há muito o que fatoda a sua cadeia. “Além de significar mais segurança zer pelo aftermarket e também pelo e maior controle, quando há certifi- OEM, revela Campos. Segundo ele, cação há a opção de trabalhar seu itens importantes como o cinto de processo de aprimoramento”, afirma segurança ou mesmo pastilhas de Daniel Bassoli Campos, diretor da freios para veículos comerciais pesaSGS para a área ligada ao segmento dos não fazem parte do programa de certificação compulsória do Inmetro. de transporte. Segundo Campos, há uma tendên- Outro ponto delicado é a fiscalização. cia mundial na queda de certificados, “Um exemplo é o que houve com o em parte pela onda de banalização da ISO 9000, que vinha numa curva crescente desde 2004 e que diminuiu nos últimos anos. Para ele, essa curva voltará a crescer, principalmente pela modernização das normas. Para o mercado original (OEM), a acreditação de pro- NAKATA de Diadema (SP) é dutos e de seus processos pro- certificada pela SGS com sistema de gestão integrado dutivos é o fato mais recorrente na cadeia automotiva por ser pri-

Arla 32, produto utilizado nos sistemas de tratamento de emissões em veículos comerciais pesados. Sem a fiscalização adequada foram encontrados ‘jeitinhos’ para não aumentar os custos com o seu uso. Assim, há quem burle o produto ou simplesmente não o coloque no tanque”, conta o diretor da SGS. DIFICULDADES Estão previstas mudanças em códigos fundamentais de certificação, como a própria ISO 9001, cuja nova versão está disponível desde setembro de 2015, e a atualização da ISO TS 16949 para a IATF 16949, que chegou em outubro deste ano. Diante dessas alterações, planejamento estratégico visando à melhora contínua será parte da rotina de todas as companhias que farão sua atualização. Mario Guitti, superintendente do IQA, o Instituto da Qualidade Automotiva, adverte no entanto que o momento de crise se tornou um obstáculo aos investimentos necessários, principalmente para as fornecedoras de autopeças que passam por dificuldades financeiras. “Se você não busca a certificação, não entra na jogada, não pode fornecer. Acredito que haverá ainda muita dificuldade, porque há um custo em tudo isso”, conclui. (Sueli Reis) n

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Revista Automotive Business | edição 41