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•TECNOLOGIA ENCARA A CRISE NO CONGRESSO SAE

•COM A OROCH, RENAULT VAI À BRIGA DAS PICAPES

•MARKETING AUTOMOTIVO DEFINE NOVA ESTRATÉGIA

Automotive

OUTUBRO DE 2015 ANO 7 • NÚMERO 35

JOERG HOFMANN,

presidente da Audi Brasil, no escritório-modelo da empresa em São Paulo

OUTUBRO 2015 • ANO 7 • NÚMERO 35

A NOVA FACE

DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA MODELOS DE GESTÃO DAS MONTADORAS TRAZEM MAIS LIBERDADE AOS FUNCIONÁRIOS E INCENTIVAM A CRIAÇÃO COLABORATIVA

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LUIS PRADO

ÍNDICE

44

CAPA | GESTÃO

A INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA MOSTRA A NOVA CARA

8 FERNANDO CALMON ALTA RODA Erros e acertos

LUIS PRADO

Empreendimentos recentes como Audi e Jeep adotam filosofia atual na administração de suas operações e trazem mudanças na forma de encarar o trabalho

10 NO PORTAL 12 CARREIRA 16 NEGÓCIOS

28 DEBATE

MUDANÇAS NO MARKETING Lições dos profissionais do setor

32 FÓRUM QUALIDADE AUTOMOTIVA Os novos desafios

TOYOTA apresentou um dos cases de sucesso do Fórum de Marketing

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POLÍTICAS industriais estiveram em pauta no workshop Legislação Automotiva

36 WORKSHOP

LUIS PRADO

AVANÇOS NA LEGISLAÇÃO Análise do PPE, Bloco K e P&D

PEDRO

BICU

DO

40 CONGRESSO TECNOLOGIA CONTRA A CRISE O balanço da SAE Brasil 50 LANÇAMENTO PICAPE RENAULT NA BRIGA A nova proposta da Oroch 52 FENATRAN À ESPERA DA RETOMADA Montadoras faltam ao evento

58 CADERNO DE SERVIÇOS TERCEIRIZAÇÃO 60 Consultoria 61 Engenharia e projeto 62 Testes e simulações 63 Logística 64 Tecnologia da informação 66 Automação

DIVULGAÇÃO / TEGMA

56 FENABRAVE POUCA FESTA NO CONGRESSO As alternativas para sobreviver

CORREÇÃO – A fotografia creditada à Gestamp na página 68 da edição nº 34 de Automotive Business na verdade foi cedida pela Tower Automotive

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EDITORIAL

REVISTA

www.automotivebusiness.com.br

Paulo Ricardo Braga Editor paulobraga@automotivebusiness.com.br

INOVAÇÃO NA GESTÃO H

á muito tempo a indústria automobilística brasileira não inova na forma de criar e produzir. O alerta é de Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria, para quem a última grande mudança foi a introdução do condomínio industrial da MAN em Resende (RJ), que reúne sob o mesmo teto montadora e fornecedores. Se as transformações demoram a chegar às operações e ao chão de fábrica, nossa matéria de capa mostra que começam a surgir exemplos de modernização na gestão do pessoal, a maioria concentrada no ambiente da administração. É o que ocorre na Audi, cujos escritórios em São Paulo nada ficam a dever às melhores empresas para trabalhar no País. Reconhecendo que as pessoas ficam mais tempo no local de trabalho do que com a família, o presidente da Audi Brasil, Joerg Hofmann, introduziu um modelo de gestão liberal, no qual a produtividade é mais importante do que o controle do horário. Não há separação entre os diversos setores nem mesmo territórios demarcados. Como descobriu Giovanna Riato, editora-assistente de Automotive Business e autora do artigo da capa, em visita à montadora, os líderes estão sempre disponíveis na Audi e existe um grau expressivo de autonomia na tomada de decisões, enquanto os programas são desenvolvidos de forma colaborativa. A matéria de capa mostra também os avanços obtidos na gestão de pessoal na fábrica da Jeep, em Goiana (PE), e nos empreendimentos que acabam de ser inaugurados ou estão a caminho, como resultado de investimentos bilionários na indústria automobilística. Com um razoável grau de inovação, essas iniciativas reduzem a desvantagem do setor na infraestrutura e na maneira de trabalhar, aumentando a atratividade da carreira no setor, que vem sendo questionada nos últimos anos. Esta edição dedica também atenção especial aos eventos realizados recentemente, entre os quais o workshop sobre as mudanças na legislação setorial e os fóruns da qualidade automotiva e das transformações do marketing na era digital. Vale destacar a cobertura dos congressos da SAE Brasil e da Fenabrave, além da prévia da Fenatran, a feira do transporte rodoviário de carga. Destacamos o lançamento da picape da Renault, a Duster Oroch, e analisamos a evolução na prestação de serviços para a indústria automobilística, em caderno especial.

Editada por Automotive Business, empresa associada à All Right! Comunicação Ltda. Tiragem de 12.000 exemplares, com distribuição direta a executivos de fabricantes de veículos, autopeças, distribuidores, entidades setoriais, governo, consultorias, empresas de engenharia, transporte e logística e setor acadêmico. Diretores Maria Theresa de Borthole Braga Paula Braga Prado Paulo Ricardo Braga Editor Responsável Paulo Ricardo Braga (Jornalista, MTPS 8858) Editora-Assistente Giovanna Riato Redação Mário Curcio, Pedro Kutney e Sueli Reis Editor de Notícias do Portal Pedro Kutney Colaboradores desta edição Alexandre Akashi, Edileuza Soares e Ricardo Panessa Design gráfico Ricardo Alves de Souza e Josy Angélica (RS Oficina de Arte) Fotografia Estúdio Luis Prado Publicidade Carina Costa, Greice Ribeiro, Monalisa Naves Atendimento ao leitor Patrícia Pedroso WebTV Marcos Ambroselli Comunicação e eventos Carolina Piovacari Impressão Margraf Distribuição Door to Door

Administração, redação e publicidade Av. Iraí, 393, conjs. 51 a 53, Moema, 04082-001, São Paulo, SP, tel. 11 5095-8888 redacao@automotivebusiness.com.br Filiada ao

Boa leitura e até a próxima edição.

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ALTA RODA

LUIS PRADO

ERROS E ACERTOS FERNANDO CALMON é jornalista especializado na indústria automobilística fernando@calmon.jor.br

Leia a coluna Alta Roda também no portal Automotive Business PATROCINADORAS

E

nfim, boas notícias chegam de Brasília. Se não nas áreas política e econômica, pelo menos o otimismo vem de algumas regulamentações que afetam 60 milhões de brasileiros habilitados a dirigir os 40 milhões de veículos (sem incluir motos) que formam a frota real circulante, excluídos os sucateados. Sempre é bom reconhecer quando o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e seu órgão executivo máximo, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), acertam em decisões, mesmo quando significa voltar atrás em regulamentações polêmicas ou em desacordo ao bom senso. Verdade que há muitas pressões políticas e de fundo econômico de setores, no ganha-e-perde com as Resoluções que têm força de lei, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Depois da decisão que tornou o extintor de incêndio facultativo em automóveis e comerciais leves, no mês passado, finalmente revogou a exigência de que todos os veículos viessem de fábrica com rastreador e bloqueador contra furtos e roubos. Já se sabia dos problemas técnicos e

também do aumento de custos a onerar compradores em cidades pequenas e médias. No caso de caminhões, cada interessado achou soluções próprias. Também merece aplauso a criação do Registro Nacional de Veículos em Estoque que diminuiu custos na comercialização de veículos usados. Uma sugestão ao Contran é regulamentar o chamado espelhamento dos celulares em telas multimídias. Alguns fabricantes de veículos, por falta de clareza na lei, inibem a reprodução de imagens de aplicativos (Waze, Google Maps e outros) muito úteis no traçado de rotas menos congestionadas em tempo real. Se se permite fixar um telefone no painel ou para-brisa com as mesmas informações, por que não numa tela mais nítida e segura de operar no painel dos veículos? Afinal, não se trata de imagens de filmes ou de TV, mas de mapas. Algumas iniciativas do Congresso Nacional, porém, são desastrosas. Uma decisão puramente demagógica alterou o CTB e tornou falta gravíssima a multa por circular em qualquer faixa de ônibus. Antes havia uma graduação de mul-

tas – semelhante à velocidade em excesso – entre corredor (em geral do lado esquerdo e com estações de embarque) e faixas à direita. Não tem sentido igualar os dois tipos de infração. Faixas precisam ser interrompidas antes e depois de vias transversais, além do tráfego de entrada e saída de lojas, garagens e estacionamentos que deixam a “infração” ao arbítrio de quem multa, fora os casos controversos. Entre os projetos que tramitam no Legislativo Federal está a de obrigatoriedade do uso de farol baixo em estradas durante o dia. Em países de alta incidência solar como o Brasil isso não tem sentido, sem considerar que farol de uso diurno precisa ser específico e deixar desligadas lanternas traseiras e dianteiras. Especialistas dos EUA estudaram o assunto e, apesar de 250 milhões de veículos que circulam por lá, descartaram essa medida. O Contran poderia tornar obrigatórias as DRLs (luzes de uso diurno, em inglês), já vistas em vários modelos. Gastam pouca energia, sinalizam bem melhor e aumentam a segurança em estrada e cidade. Aceitas sem restrições em todos os países.

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FERNANDO CALMON

RODA VIVA

PROVA da virada da Volvo é o XC90. Além de imponente (4,95 m de comprimento), leva até 7 passageiros sem sacrificar demais os da terceira fileira. Motor 2 litros/320 cv usa turbo e compressor, mas sua sonoridade deixa a desejar; no entanto, lida bem com as duas toneladas de peso em ordem de marcha. Tela multimídia táctil vertical de 9 polegadas é um dos pontos altos. QUEDA nas vendas vem atingindo ritmo de investimentos em fábricas novas ou novos produtos. Fornecedores acenam que o segundo SUV (Projeto 551) da Jeep, em Goiana (PE), está em compasso de espera. Já o subcompacto da Fiat (Projeto X1H), em Betim (MG), confirmado para início de 2016, sairá com motor 4-cilindros. O 3-cilindros (nova geração) só no final do próximo ano.

pela tração nas quatro rodas e o novo motor turbo de 2 L, 268 cv e 37,7 kgfm. Um automóvel totalmente previsível. Seu câmbio automático CVT é bom, mas em altos regimes não empolga. LANÇADO sistema on-line de controle de autopeças, parte importante da Lei do Desmanche, do Estado de São Paulo, para inibir furto e roubo de veículos. Agora se pode consultar por QR Code de celulares e tabletes a procedência a partir de etiquetas afixadas em cada peça com número único de série. Uma garantia de compra com origem legal. POUCOS sabem que a GM colocou na internet versões digitalizadas de manuais de proprietário de todos os seus modelos produzidos ou comercializados no Brasil de 2008 a 2016. Mão na roda para quem extraviou o livreto. E em outro site (www.reparadorchevrolet. com.br) há manuais completos de reparação com vista explodida para identificação de códigos das peças. CONFORME esta coluna havia antecipado, Jaguar Land Rover confirmou que o Range Rover Evoque (já atualizado) será o SUBARU WRX: um esportivo de verdade, com motor de 268 cv e torque de 37,7 kgfm

primeiro produto a sair de sua nova fábrica de Itatiaia (RJ), no início do segundo semestre de 2016. Virá, logo sem seguida, o novo Discovery Sport, de sete lugares. Jaguar XE continua nos planos para ser o terceiro produto do grupo inglês. PREÇO ficou mais alto – R$ 183.900 – em versão única de sete lugares, mas nova geração do Kia Sorento ganhou bastante no refinamento de linhas. Com oito cm a mais de entre-eixos, os ocupantes têm mais espaço, ajudado pelo assoalho plano atrás. Motor V-6/270 cv e câmbio automático de seis marchas formam um conjunto silencioso e ágil para seus 4,78 m de comprimento. REAÇÃO da Ford à chegada do HR-V e do Renegade foi rápida ao reconhecer o avanço de preferência de câmbio automático nesse segmento. Agora o EcoSport oferece essa opção, em versão automatizada de dupla embreagem e seis marchas, também com motor de 1,6 L (potência aumentada para 131 cv e torque, para 16,1 kgfm). Preço parte de R$ 68.690. DIVULGAÇÃO / SUBARU

UMA NOVA arquitetura (maior por dentro, menor por fora), estilo menos amarrado ao padrão francês e itens sofisticados marcam os novos C4 Picasso e Grand C4 Picasso (7 lugares). Impostos altos e real desvalorizado puxaram os preços: R$ 111.900/117.900 e R$ 120.900/127.900, respectivamente, fora opcionais. Ousadia positiva é diferenciar o desenho das duas versões.

SUBARU WRX é daqueles carros feitos para quem gosta de explorar todas as virtudes de um sedã esportivo de verdade. Desenho pode não atrair tanto, mas mecanicamente conquista

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PORTAL

| AUTOMOTIVE BUSINESS

AS NOVIDADES QUE VOCÊ ENCONTRA EM WWW.AUTOMOTIVEBUSINESS.COM.BR TOYOTA FAZ RECALL GIGANTE POR CAUSA DE AIRBAGS A possibilidade do rompimento inadequado dos airbags levou a Toyota a comunicar dois recalls distintos. No primeiro ela chama proprietários da Hilux, do SW4 e do Corolla. A segunda campanha foi motivada por falha semelhante, mas no airbag do passageiro. Estão envolvidas unidades do Corolla e da perua Fielder. As convocações abrangem 424,6 mil carros.

ANFIR ESPERA RECUPERAÇÃO APENAS EM 2017 A indústria de implementos rodoviários enfrentou retração de 41,02% no volume de produtos vendidos até setembro de 2015, acompanhando o mergulho do mercado de caminhões. Diante disso, Alcides Braga, presidente da Anfir, acredita que “recuperar a retração atual de mais de 40% é algo que não deverá acontecer antes de 2017”.

RHODIA EXPORTARÁ 25% DE SUA PRODUÇÃO Com política agressiva para reviver os melhores momentos de seus programas de exportação, a Rhodia, do Grupo Solvay, vai destinar este ano 25% da sua produção local de plásticos a países como Estados Unidos, México, Colômbia e Argentina. Até recentemente a participação das vendas externas na receita da empresa mal passava dos 10%.

WEB TV www.automotivebusiness.com.br/abtv NOTICIÁRIO

EMPRESAS apostaram em tecnologia para driblar a crise durante o Congresso SAE Brasil 2015

ROBERTO CORTES, presidente da MAN Latin America, fala dos lançamentos da companhia

EXCLUSIVO QUEM É QUEM A ferramenta exclusiva e gratuita traz os contatos de quem comanda o setor automotivo. automotivebusiness.com.br/ quemquem.aspx

NOT

MAN

ENTREVISTA

SAE

EVENTO

BALANÇO SEMANAL dos acontecimentos mais importantes do setor automotivo

REDES SOCIAIS ESTATÍSTICAS Acompanhe a evolução das estatísticas das principais organizações do setor. automotivebusiness.com.br/ estatisticas.aspx

MOBILE WEBSITE Formato leve e adequado para quem acompanha as notícias pelo smartphone ou tablet. m.automotivebusiness.com.br

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CARREIRA

LUIS REZENDE

VOLVO CARS AUMENTA ÍNDICE DE SATISFAÇÃO NO TRABALHO SUELI REIS

P

romover um ambiente de trabalho mais que agradável tem sido uma das missões do presidente da Volvo Cars no Brasil, Luis Rezende, desde que assumiu o cargo, há quase dois anos. Ações de adequação dos horários de trabalho e alguns mimos são destaque em sua gestão: decretar o fim do expediente ao meio dia das sextas-feiras para todos os 60 funcionários, oferecer frutas e café a todos, além de trocar toda a mobília do escritório em São Paulo para o padrão sueco a fim de melhorar a ergonomia elevou para 97% o nível de aprovação dos funcionários.

“É meta da Volvo Cars ser uma empresa em que as pessoas escolheram trabalhar. Nosso rating de satisfação de gestão é alto e isso é resultado do processo de entender as necessidades de clima e preservar a saúde das pessoas. Me deixa orgulhoso, as pessoas são realmente felizes trabalhando aqui”, enfatiza Rezende. O executivo informa que toda a rede de concessionárias deverá também em breve adotar o padrão sueco de mobília: “O funcionário reconhecerá a empresa onde quer que ele esteja, seja no Brasil, seja da Suécia”, conclui. n

EXECUTIVOS FOTOS: DIVULGAÇÃO

 S  TEFAN KETTER sucede CLEDORVINO BELINI (foto 1) na presidência do Grupo FCA na América Latina, acumulando os cargos de vicepresidente mundial de manufatura e membro do conselho executivo da companhia. Belini assume a presidência de desenvolvimento da FCA na região, cargo até agora inexistente na empresa.

 ANA THERESA BORSARI (foto 2) assume a direção-geral da Peugeot no Brasil. Ineditismo de nacionalidade e gênero: é a primeira mulher e brasileira a ocupar o cargo no País. Vai se reportar a Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën na América Latina.  CHRISTOF WEBER (foto 3) assume a vice-presidência de desenvolvimento de caminhões e agregados (motores, câmbios e eixos) da Mercedes-Benz no Brasil, sucedendo a Walter Sladek, designado para a Alemanha.  ANTENOR FRASSON (foto 4) é o novo diretor de vendas da DAF no Brasil, no lugar de Jorge Medina, transferido para a marca Peterbilt, também do Grupo Paccar, nos Estados Unidos.

 A Michelin tem novo presidente para a América do Sul, Central e Caribe: NOUR BOUHASSOUN (foto 5) assume o lugar de Jean-Philippe Ollier, que terá novas responsabilidades na companhia na França.



SANDRA MARIANI (foto 6) é nomeada nova CFO (diretora financeira corporativa) da Navistar Mercosul, que controla as operações da International Caminhões e MWM Motores Diesel. Ela acumula a direção de RH e TI e em seu novo cargo também se reportará a José Eduardo Luzzi, presidente e CEO da empresa na região.

THOMAS PÜSCHEL (foto 7) passa a responder pela direção de vendas da MWM Motores Diesel para o mercado de reposição, acumulando o cargo de diretor de vendas e de marketing da empresa. MARCO ANTONIO MARQUES (foto 8) é nomeado gerente para o aftermarket.

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FABRÍCIO BIONDO (foto 9), diretor de marketing e produto da PSA Peugeot Citroën, passa a acumular a direção de comunicação e relações externas, área unificada em seu departamento. 10

DIEGO LUIS VIGNATI (foto 10) assume a direção-geral da Nissan na Argentina. Ele se reportará a Jose Roman, diretor-geral para América Latina e Caribe. SÉRGIO ROCHA (foto 11) é o novo diretor superintendente da fábrica da Continental Pneus em Camaçari (BA). Sucede a David Johnson, que se aposenta após 35 anos de empresa.

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NEGÓCIOS

PONTO DE VISTA Acho muito difícil que o mercado interno chegue a 75 mil caminhões em 2015, mas não adianta chorar. É preciso se adaptar para contornar o momento difícil.” PHILLIPP SCHIEMER, presidente da Mercedes-Benz para o Brasil, ao indicar que as vendas de caminhões devem ficar próximas de 70 mil unidades, com forte retração de 49% sobre 2014.

POUCA DEPRECIAÇÃO

CHEVROLET ONIX TEM MAIOR VALOR DE REVENDA

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Chevrolet Onix venceu pelo segundo ano consecutivo o Prêmio Maior Valor de Revenda – Autos, da Agência AutoInforme, que verifica o índice de depreciação do preço dos veículos após um ano de uso com base nos dados da Molicar. No total foram premiados 41 modelos em 14 categorias, além do campeão geral. A pesquisa considerou os modelos mais vendidos e seus preços praticados pelo mercado em agosto, não os de tabela. (Sueli Reis)

INTERESSE MANTIDO

JAC AINDA QUER CONSTRUIR FÁBRICA BAIANA

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atraso da JAC Motors para construir fábrica em Camaçari (BA) tirou credibilidade do projeto. Ainda assim, a empresa assegura que o interesse no empreendimento está mantido. “Perdeu-se a pressa, mas o trabalho continua”, diz o diretor de assuntos corporativos, Eduardo Pincigher. A empresa aguarda empréstimo de R$ 120 milhões aprovado há mais de um ano pela Desenbahia, agência de fomento do Estado. O investimento total previsto era de R$ 1 bilhão. Em nota, a JAC informa que “vem trabalhado na reconfiguração de seu projeto fabril para a atual realidade do mercado automotivo brasileiro, o que envolve, naturalmente, novo cronograma de implantação de forma ‘faseada’”. (Mário Curcio)

MAIOR VALOR DE REVENDA 2015 (10 MELHORES)

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º

MODELO Chevrolet Onix Hyundai HB20 Ford Fiesta Renault Sandero Volkswagen Up! Fiat Palio Evo Fiat Punto Evo Toyota Etios Volkswagen Fox Fiat Palio Fire Ford Ka Volkswagen Gol

DEPRECIAÇÃO -7,6% -8% -8,1% -8,2% -8,3% -8,4% -8,5% -8,8% -8,9% -9% Fonte: AutoInforme/Molicar

EXPORTAÇÕES

BRASIL E COLÔMBIA FIRMAM ACORDO AUTOMOTIVO

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presidente Dilma Rousseff assinou acordo de comércio de veículos entre Brasil e Colômbia. A parceria foi firmada com o presidente do país, Juan Manuel Santos. Com isso, será possível importar e exportar automóveis e comerciais leves sem taxação a partir de 2016, com validade de oito anos. A tarifa de importação entre os dois países será zerada para cota de 12 mil unidades em 2016, que subirá para 25 mil no segundo ano e para 50 mil a partir do terceiro ano em diante.

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DIVULGAÇÃO / FIAT TORO

NEGÓCIOS

PICAPE

FIAT TORO CHEGA AO MERCADO EM 2016

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Fiat já produz unidades de teste da picape Toro na fábrica de Goiana (PE). O modelo chegará ao mercado no início de 2016. A companhia quer iniciar um novo segmento com o veículo, o SUP, de Sport Utility Pick-Up, ou picape utilitária esporte. O modelo terá 4,915 metros de comprimento e deve ser equipada com o motor Multijet de 170 cavalos importado da Itália, presente em versões do Jeep Renegade. Com o lançamento, a Fiat segue os passos da Renault, que também fez sua investida no segmento de picapes médias com a Oroch (leia mais na página 50).

NOVA FÁBRICA

WOODBRIDGE INVESTE R$ 16 MILHÕES NO BRASIL

O

Grupo The WoodBridge inaugurou sua sexta fábrica no Brasil. Com investimento de R$ 16,2 milhões, a nova unidade dedicada à produção de espumas para assentos de veículos fica em Capivari (SP). Inicialmente, a planta vai fabricar 500 mil kits por ano. Está prevista expansão para produzir também partes internas de automóveis, como encostos e descansos de braço.

EXPECTATIVAS

ANFAVEA JOGA A TOALHA E ADMITE QUEDA DE 27%

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iante da falta de reação na demanda por veículos, a Anfavea reduziu as expectativas para este ano. A entidade dos fabricantes do setor espera que o mercado interno sofra queda de 27,4% ASSISTA À na comparação com 2014, para 2,5 ENTREVISTA milhões de unidades, entre leves e EXCLUSIVA COM LUIZ MOAN, pesados. Se confirmado, o volume fará PRESIDENTE DA ANFAVEA o mercado interno voltar ao patamar de 2007. A queda refletirá na produção de veículos. As exportações devem trazer o único número positivo por causa da renegociação de acordos de comércio e do estabelecimento de novas parcerias.

PROJEÇÃO 2015 2015

2014

VARIAÇÃO

PRODUÇÃO 2,41 milhões 3,14 milhões -23,2% 2,54 milhões 3,49 milhões -27,4% VENDAS 334 mil +12,2% EXPORTAÇÕES 375 mil

Fonte: Anfavea

NOVA GAMA

VW VAI ATUALIZAR GOL, VOYAGE E SAVEIRO

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ornecedores da Volkswagen já têm encomendas de componentes para versões renovadas do Gol, Voyage e Saveiro, segundo informações obtidas por Automotive Business. Os modelos passam por trabalho de reengenharia e reestilização para entrar em produção em janeiro de 2016 e chegar ao mercado nos meses seguintes. Todos continuarão a ser fabricados sobre a plataforma PQ24. Fontes indicam que, na geração seguinte, em 2018 ou 2019, há planos de usar a base modular MQB na família brasileira de compactos. A estrutura é compartilhada por 43 modelos do Grupo VW, como Golf e Jetta. (Pedro Kutney)

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NEGÓCIOS

FÁBRICA EM ITATIAIA

RANGE ROVER EVOQUE SERÁ FEITO NO BRASIL Jaguar Land Rover vai fabricar o Range Rover Evoque em Itatiaia (RJ). O modelo será o primeiro da gama a ser feito na fábrica brasileira, semanas antes de o Discovery Sport entrar em linha. Os dois modelos compartilham a mesma plataforma e devem chegar ao mercado em versões nacionais ainda no primeiro semestre de 2016. A fabricante tem atualmente 42 concessionárias, com a previsão de que sejam abertas mais quatro até meados do ano que vem. (Sueli Reis)

IMPORTADOS

KIA PREVÊ 2016 AINDA MAIS DESAFIADOR

“É

a pior crise já vivida pelo setor, não tenho dúvida disso. Depois dos 30 pontos de IPI (sobretaxação a carros importados imposta pelo governo brasileiro desde 2012), o dólar a R$ 4 praticamente acaba com o negócio.” É assim que José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil, avalia o momento atual dos importadores de veículos no País. Ele projeta para 2016 ano ainda mais difícil do que os últimos quatro, quando as vendas da Kia mergulharam de 85,8 mil unidades em 2011 para 23,8 mil em 2014. Mas ainda existem duas esperanças: a primeira é a importação de uma cota da fábrica que a Kia constrói no México com isenção dos 35% de alíquota de importação; a outra, menos segura, seria o fim da sobretaxa de IPI. (Pedro Kutney)

DIVULGAÇÃO

A

R$ 37,1 MILHÕES

FCA RECEBE EMPRÉSTIMO DO BNDES

O

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 37,1 milhões à FPT Powertrain Technologies do Brasil, fabricante de motores controlada pela FCA Fiat Chrysler. O dinheiro será utilizado na modernização da fábrica de Campo Largo (PR) para produção de novos propulsores.

MINIVAN

MERCEDES-BENZ VITO CHEGA ÀS CONCESSIONÁRIAS

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ASSISTA À ENTREVISTA EXCLUSIVA COM PHILLIPP SCHIEMER, PRESIDENTE DA MERCEDES-BENZ BRASIL

Mercedes-Benz começa a vender no Brasil a Vito, que ampliará a gama de vans da fabricante. A novidade chega em versões furgão para o transporte de cargas ou configuração Tourer, voltada ao transporte de passageiros, com oito ou nove lugares e motores turbodiesel de 114 cv ou turbo flex de 184 cv. Os preços começam em R$ 104.990. Fabricada na Argentina, a minivan ajudará a Mercedes-Benz a ganhar espaço em segmento pouco explorado do mercado brasileiro. “Há grande potencial tanto para uso profissional quanto para o particular, mas estamos testando o mercado. Ainda não temos uma projeção de vendas”, afirma Phillipp Schiemer, presidente da companhia no Brasil.

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NEGÓCIOS

INTERBRAND

VALOR DA MARCA NISSAN É O QUE MAIS CRESCE

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Nissan é a empresa automotiva com o maior crescimento em valor de marca, de acordo com a edição 2015 do Best Global Brands Study, organizado pela Interbrand. Estimada em US$ 9 bilhões, a empresa teve valorização de 19% com relação ao último ano e subiu para a 49a posição no ranking geral das 100 maiores marcas globais. No Top 100, 15 marcas são diretamente ligadas ao setor automotivo. Uma delas é a Mini, que aparece pela primeira vez na lista. A Toyota continua como a montadora mais valiosa. O ranking geral é mais uma vez liderado por empresas do setor de tecnologia. Apple e Google ocupam 1o e 2o lugar, respectivamente.

APIMENTADO

RENAULT QUER ESQUENTAR VENDAS COM SANDERO RS

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LEO SPOSITO

onfiante em agregar 2 mil vendas anuais à linha Sandero, a Renault lançou a versão esportiva RS, com motor flex 2.0 aspirado de 150 cavalos e torque de 20,9 kgfm aliado ao câmbio manual de seis marchas. O carro vai de 0 a 100 km/h em oito segundos, com velocidade máxima de 202 km/h. A ideia é oferecer um “esportivo atingível” por R$ 58.880, já que não existem opções do gênero por menos de R$ 100 mil no mercado brasileiro. Mas parece contrassenso lançar compacto envenenado de fábrica com carroceria popular, com alto consumo de combustível e maior quantidade de

componentes importados (motor e câmbio vêm da França), justamente no momento em que a legislação brasileira, via Inovar-Auto, exige das montadoras aumento de compras locais e eficiência energética. A Renault garante que vale a pena: “Traz muito valor à marca”, diz Bruno Hohmann, diretor de marketing da fabricante. O Sandero RS é o primeiro modelo desenvolvido pela divisão de alto desempenho da montadora, a Renault Sport, fabricado fora da França. A suspensão da versão RS foi redesenhada para garantir maior estabilidade, foram instalados parrudos freios a disco nas quatro rodas, capazes de fazer o carro parar de 100 a 0 km/h em 37,4 metros. O modelo também conta com controle eletrônico de estabilidade e tração (ESP com ASR) e direção assistida eletro-hidráulica, que isola o volante do motor e não rouba potência. Na prática o Sandero RS é de fato bastante esperto, tem acelerações e retomadas fortes, entra justo e estável nas curvas, mas tudo dentro dos limites de um carro com motor de 150 cavalos. O acabamento interno de painel e portas segue sendo bastante simples. Apesar do bom trabalho da engenharia, o RS brasileiro continua a ter as limitações de um Sandero. (Pedro Kutney)

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ESCÂNDALO

VOLKSWAGEN AINDA MEDE TAMANHO DA CRISE

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tensão na Volkswagen é grande enquanto a companhia calcula as consequências da crise que começou em setembro, após a descoberta de que a montadora adulterou carros equipados com o motor diesel EA 189 para que eles passassem em testes de emissões. O esquema é um dos maiores escândalos da indústria automotiva. Desde setembro, quando a fraude foi desmascarada, o grupo enfrenta avalanche de problemas. Até a metade de outubro a montadora já havia perdido mais de t 21 bilhões em valor de mercado e estimativas indicavam que os custos da desonestidade passariam de t 35 bilhões nos próximos anos, considerando multas, processos e recalls. Há ainda

o dano à imagem e credibilidade da companhia, que afetará o plano da empresa de superar a Toyota para se tornar líder do mercado global de veículos até 2018. A Volkswagen admitiu que vendeu globalmente 11 milhões de veículos das marcas Volkswagen, Audi, Seat e Skoda com a tecnologia para burlar os testes. A consultoria Focus2Move calcula, no entanto, que o número é bastante superior, chegando a 40 milhões de carros. Um software detectava quando os veículos estavam em análise nos laboratórios e reduzia o nível de poluentes, mas nas condições normais de rodagem os carros liberavam até 40 vezes mais óxido de nitrogênio do que o permitido pela legislação de vários países.

REFLEXOS DO DIESELGATE Primeiras consequências

•Martin Winterkorn renuncia ao cargo de CEO e Matthias Müller assume •Companhia é obrigada a fazer recall de 8,5 milhões de carros na Europa •Empresa prepara plano de redução de custos com corte de t 3 bilhões em compras e corte nos investimentos nos próximos anos •União Europeia forma comissão para verificar se outras montadoras adotaram práticas parecidas

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NEGÓCIOS

PREMIUM

MODELOS DA AUDI E DA MINI SÃO FABRICADOS NO BRASIL

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gama de carros premium fabricados no Brasil cresceu. A Audi retomou em outubro a produção em São José dos Pinhais (PR). A unidade passou a fazer a geração atual do A3 Sedan com motor 1.4 TSFI Flex. No mesmo mês, o Grupo BMW, que já faz modelos da marca BMW desde 2014 em Araquari (SC), começou a produzir na unidade o Mini Countryman. O carro é o primeiro da marca inglesa a ser montado na planta do Sul do País, já responsável pela produção dos modelos Série 3, X1, Série 1 e X3.

RENOVADO

HB20 2016 PASSA POR REESTILIZAÇÃO

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Hyundai mudou itens de estilo e acabamento na linha 2016 do hatch HB20. Todas as versões receberam grade dianteira e para-choques remodelados. O modelo fabricado em Piracicaba (SP) parte agora de R$ 38.995, valor pedido pelo 1.0 Comfort, que recebeu itens extras como vidros dianteiros com função um toque para o motorista e travas das portas com acionamento elétrico, mais aviso de manutenção no computador de bordo. Segundo a fabricante, o acréscimo foi de R$ 400. Algumas mudanças importantes aplicadas à linha 2016 só beneficiaram os carros 1.6, como o câmbio manual de seis marchas e o sistema de partida a frio E-Start, que elimina o tanquinho auxiliar de gasolina. Mais completo, o HB20 1.6 Premium começa agora em R$ 59.455. Subiu R$ 3 mil ao receber ar-condicionado digital, retrovisores com rebatimento automático, airbags laterais, faróis e lanternas diferenciados e câmbio automático atualizado. Para reduzir o consumo de combustível tanto do 1.0 como do 1.6 e manter o carro dentro das metas do Inovar-Auto, a Hyundai aplicou novos anéis e pistões, velas de irídio, um óleo de menor atrito e adotou sistema de gerenciamento do alternador. A fabricante também utilizou pneus Goodyear Efficient Grip, de baixa resistência ao rolamento. Segundo a fabricante, o 1.6 manteve os 128 cavalos de potência máxima, mas ficou até 6,5% mais

econômico e migrou da letra B para a A no selo de eficiência energética. Os 1.0 também permaneceram com 80 cv, mas alcançaram redução de consumo até 6%, mantendo a letra A. “Do ano em que foi lançado até o momento, o HB20 saltou de 0,6% para 6,3% de participação de mercado. E a fatia da Hyundai cresceu de 3% para 8%”, recorda o gerente de produto Rodolfo Stopa. Enquanto as vendas de automóveis de janeiro a agosto recuaram 19,4%, as do Hyundai diminuíram bem menos, 7,5%. E as do HB20S, o sedã, registraram leve alta de 1,4%. Como resultado, a fábrica de Piracicaba permanece trabalhando em três turnos. (Mário Curcio)

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MOTOS

SALÃO DUAS RODAS ENFRENTA ANO DE QUEDA

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Salão Duas Rodas enfrentou a crise nas vendas e ocorreu entre 7 e 12 de outubro em São Paulo. O evento já começou encarando a realidade do mercado. A Abraciclo, associação que representa os fabricantes do segmento, anunciou na mostra novas projeções para este ano. A queda nas vendas deve chegar a 10,5% na comparação com 2014, para 1,28 milhão de ASSISTA À motocicletas. MATÉRIA ESPECIAL SOBRE O SALÃO Entre os lançamentos DUAS RODAS importantes a BMW anunciou no Anhembi a produção de uma moto de média cilindrada baseada na Concept Stunt G 310. “Ela tem potencial para 80 mil unidades por ano”, acredita o diretor de vendas e marketing da BMW Motorrad, Heiner Faust. A Honda confirmou o início da produção de mais um scooter, o SH 300i, que chega no primeiro semestre de 2016. Assim

como ocorre com o modelo mais vendido da categoria, o PCX 150, o SH 300i usará componentes nacionalizados no Brasil mais os importados da Tailândia. A Yamaha levou alguns lançamentos antecipados recentemente como a 150 Factor e motos de alta cilindrada como a MT-09 Tracer e a esportiva R1. Honda e Yamaha ficaram devendo, no entanto, mudanças em modelos abaixo de 150 cc. Da primeira eram aguardadas a Biz 100 e a CG 125 com injeção eletrônica. O mesmo se esperava dos modelos de 110 e 125 cc da Yamaha. Essas renovações eram esperadas por causa da entrada em vigor em janeiro da segunda fase do Promot 4, programa de redução de emissões para motos. Os estoques na rede impediram a apresentação dessas novidades. (Mário Curcio)

ÔNIBUS

SCANIA LANÇA BIARTICULADO

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e olho em projetos de mobilidade urbana pelo Brasil, a Scania estreia no segmento de ônibus biarticulado com o modelo F 360 HA. O chassi vem para brigar por uma fatia do mercado que até agora pertencia somente à Volvo. O novo ônibus é indicado para operar nos sistemas de transporte público BRT (Bus Rapid Transit), corredores exclusivos que vêm ganhando espaço em médias e grandes cidades. “Há muito tempo a Scania não desenvolvia algo 100% no Brasil. Este não é um veículo ‘tropicalizado’, ele começou do zero e agora temos uma completa gama para o transporte urbano com veículos a partir de 12 metros”, salienta Silvio Munhoz, diretor de vendas de ônibus. O modelo roda com motor de 360 cv de potência. Segundo a Scania, o custo passageiro/km do biarticulado pode ser até 40% menor que o de um articulado. (Sueli Reis)

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NEGÓCIOS

CADEIA PRODUTIVA

FOTON NOMEIA 34 FORNECEDORES NO BRASIL

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Foton selecionou 34 fornecedores para a fabricação no Brasil do caminhão Foton 10 – 16DT, de 10 toneladas, cujo protótipo está em fase final de testes. A companhia garante que o modelo sairá de fábrica com mais de 65% de conteúdo nacional, índice que atende os requisitos do Inovar-Auto e o mínimo exigido pelo BNDES para financiamentos via Finame. A Foton planeja iniciar suas operações de produção no Brasil no primeiro semestre de 2016 em Guaíba (RS).

FOTON

FORNECEDORES CONFIRMADOS NO BRASIL Cummins – motores ZF – transmissão Knorr – conjunto de freios Sachs – embreagens Maxion – chassis e rodas Dana – eixos e cardãs Voss – conexões Pirelli – pneus Monroe – amortecedores Bepo – tanque de combustível Rassini – feixes de mola Heliar – baterias ThyssenKrupp – barras estabilizadoras

INVESTIGAÇÃO

OMC ACEITA DENÚNCIA DO JAPÃO CONTRA INOVAR-AUTO

LANÇAMENTO

ECOSPORT 1.6 AGORA TEM OPÇÃO AUTOMÁTICA

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aumento da concorrência levou a Ford a mudar a linha EcoSport 2016. O carro passou a ter opção de câmbio automático Powershift de seis marchas combinada ao motor 1.6 com até 131 cavalos. Antes, a caixa automática só era disponível na versão 2.0. A novidade chega à rede com preços apontados para o Jeep Renegade. O valor inicial do 1.6 SE Direct é de R$ 68.690, o mesmo de um Renegade de entrada com câmbio manual. O novo conjunto motor-câmbio do Ford é oferecido em quatro opções. A mais completa, FreeStyle Plus, chega a R$ 80,3 mil, quase R$ 5 mil a menos que um Renegade automático com nível semelhante de equipamentos. O restante da linha EcoSport teve preços reduzidos por volta de 3%. “O que fizemos foi basicamente alinhar a tabela com os valores que a rede vinha praticando”, afirma o gerente de marketing da Ford, Oswaldo Ramos. O motor 1.6 adotado na nova opção é o mesmo que equipa Fiesta e Focus. Faz parte da família Sigma e tem como principal diferença daquele utilizado no EcoSport manual (com até 115 cv) o duplo comando variável para as válvulas de admissão e escape. Ambos são feitos em Taubaté (SP). A transmissão Powershift vem do México. Com as novas versões, essa caixa deve tomar mais de 50% das vendas do EcoSport. “Na faixa de R$ 75 mil a R$ 80 mil, somente 4% dos carros vendidos têm câmbio manual”, diz Ramos. (Mário Curcio)

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OMC, Organização Mundial do Comércio, deu parecer favorável ao pedido do Japão para a abertura de investigação contra as medidas supostamente protecionistas adotadas no Brasil. Dessa forma, o país asiático passa a integrar processo já aberto a pedido da União Europeia e que tramita desde o fim de 2014. A alegação é que a política de incentivos fiscais dada pelo governo brasileiro aos setores automotivo, de telecomunicações e de tecnologia afeta as empresas estrangeiras de forma injusta, tendo o Inovar-Auto como foco principal da queixa.

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TECNOLOGIA

CHEVROLET CRUZE PASSA A CONTAR COM ONSTAR

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linha 2016 do Chevrolet Cruze incorporou o OnStar, sistema de telemática que oferece serviços de segurança, navegação e conveniência. Os carros ficarão conectados 24 horas a uma central dedicada à GM, com gente de verdade do outro lado da linha. O sistema tem 7 milhões de usuários em todo o mundo. “No Brasil ele é parte de nosso plano de investimento de R$ 13 bilhões até 2019”, afirma o vice-presidente da montadora no País, Marcos Munhoz. O sistema é operado a partir de três botões na base do retrovisor interno, um para realizar chamadas à central, outro para atendê-las e um terceiro para acionamento em caso de emergência. Há também aplicativo que transforma o smartphone em uma espécie de controle remoto para ações como travar ou destravar o carro, acionar faróis, buzina e outras ações. A GM pretende ampliar essas funcionalidades no futuro. Em caso de acidente com disparo de airbags ou do pré-tensionador do cinto de segurança, o OnStar alerta a central. Como em outros serviços de monitoramento ele pode detectar abertura forçada das portas e furto.

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DEBATE

ESTRATÉGIAS DE

MARKETING

EM ERA DE MUDANÇAS LIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DO SETOR PARA ESCAPAR DAS DIFICULDADES NA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA GIOVANNA RIATO, PEDRO KUTNEY E SUELI REIS

“C

Troiano lembrou que as marcas são consideradas a principal ferramenta de um negócio para 81% de executivos de diversas empresas ouvidos em uma pesquisa recente. Portanto, é fundamental manter a marca sempre viva e forte, com exposição que nem sempre exige altos investimentos. Ele aconselha também o perfeito engajamento de todos os empregados, que para ele são os grandes aliados na formação e exposição de uma marca. “As áreas de RH são mais importantes do que nunca nessa tarefa. Os empregados devem ser vistos como apóstolos da marca”, defende.

Outro conselho de Troiano para enfrentar os tempos bicudos “é colocar a barriga no balcão”. Para ele, a palavra de ordem é ir para a rua: “É uma obrigação ver ao vivo como o negócio acontece.” É também o momento de manter o foco na especialidade que cada marca representa, “evitar a tentação de ir aonde não foi chamado” e aproveitar o momento para pensar melhor, buscar qualificação e mais estudo. MÍDIAS DIGITAIS As novas mídias, principalmente as de plataforma digital, se tornaram ferramentas fundamentais para as

FOTOS: LUIS PRADO

laro que no cenário atual alguma redução de investimento tem de fazer, mas nunca silenciar.” O conselho consta do “manual de sobrevivência” de Jaime Troiano, presidente da Troiano Branding e especialista em estratégia de marcas. Em sua apresentação no III Fórum de Marketing Automotivo, promovido por Automotive Business dia 28 de setembro, em São Paulo, ele destacou que é preciso manter as marcas ainda mais fortes em momentos de crise como a atual. “Só assim conseguiremos sair dela mais fortes e preparados”, ponderou.

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estratégias do marketing automotivo, concordaram os palestrantes do painel “Como o marketing das montadoras enfrenta a crise”, durante o III Fórum de Marketing Automotivo. “Embora a mídia digital exija muito mais investimento em produção do que uma peça para TV aberta, por exemplo, é necessário ter um nível maior de relevância e conteúdo para gerar engajamento”, afirmou Oswaldo Ramos, gerente-geral de marketing da Ford no Brasil. Para Claudia Campos, gerente de marketing e comunicação para caminhões da Mercedes-Benz, o conteúdo digital vem tomando um espaço extraordinário de forma muito acelerada e independente da crise. A executiva elucida a situação como uma ação de guerrilha nunca antes travada em tais níveis e aponta que em fases de reavaliações das ações de marketing, toda a cadeia da empresa precisa falar a mesma língua, gerando mudanças desde os mais altos escalões até a ponta da cadeia, como concessionárias e agentes de vendas e pós-venda. RELACIONAMENTO A crise traz chance para que marcas reinventem o relacionamento com os seus consumidores. A recomendação foi dada por Sérgio Prandini, vice-presidente executivo da Grey Brasil. “Passamos por um ponto de virada histórico na comunicação, que muda o relacionamento das marcas com os clientes. É preciso trazer transparência e verdade, criar conexão, engajar as pessoas”, avalia. O executivo lembra que, neste momento, o mais importante está na palma da mão das pessoas: o celular, que traz comunicação, serviços, informação e facilidades. Prandini recomenda que as empresas aproveitem isso para se aproximar dos clientes. A abordagem, no entanto,

JEEP RECONSTRÓI IMAGEM NO PAÍS ESTRATÉGIA LEVOU MARCA A ESCALADA METEÓRICA EM APENAS UM ANO

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m apenas um ano, a bemsucedida estratégia traçada pela Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para reconstruir a imagem da Jeep no Brasil levou a marca a uma escalada meteórica: pouco antes do fim de setembro ela já era a nona mais vendida do mercado nacional de automóveis e seu principal produto, o Renegade, fabricado em Goiana (PE), que MARCELLA CAMPOS, chegou às concessionárias da Jeep em maio passado, já figurava como décimo mais emplacado no mês. No III Fórum de Marketing Automotivo, Marcella Campos, diretora de marketing da Jeep no Brasil, contou sobre a campanha que recriou a imagem da marca no País, cuja história remonta ao velho Jeep Willys fabricado por aqui entre 1954 e 1982. Ela diz que o trabalho começou na edição de 2014 do Salão do Automóvel de São Paulo, quando o Renegade foi mostrado ao público brasileiro pela primeira vez. Para fazer diferença, a estratégia foi criar uma comunicação diferente, em que a marca é mais importante do que a imagem dos carros que ela faz. Outro objetivo foi aliar à campanha a fábrica de Goiana – um investimento de R$ 7 bilhões da FCA em um dos complexos automotivos mais modernos e produtivos do mundo.

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DEBATE

SÉRGIO PRANDINI, da Grey

precisa ser inovadora. “Ninguém para mais para prestar atenção em publicidade”, enfatiza. Ele aponta que esta interação tem de acontecer de forma mais natural e espontânea. Integrar as atividades de marketing e alinhá-las às estratégias de negócios, tanto locais como globais, é peça-chave para alcançar os resultados esperados pelas empresas de autopeças também em tempos mais desafiadores, concordaram os representantes da Bosch, Carlos Abdalla, da MWM Motores Diesel, Thomas Püschel, e da ZF, Michel Haddad.

JAIME, da Troiano Branding

MOBILE É DECISIVO PARA O SUCESSO NA INTERNET GOOGLE: 15 MILHÕES DE CONSUMIDORES PROCURAM CARRO ON-LINE MENSALMENTE

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setor automotivo precisa dar mais atenção às interações preços. O levantamento do Google indica que 44% com o consumidor que acessa a internet via mobile, por dos consumidores mudam de opinião ao longo desse smartphone ou tablet. O recado é de Bruna Terra, analista processo e acabam comprando um carro diferente do sênior para a indústria do Google Brasil. Ela garante que o que queriam inicialmente. uso de celulares para buscar informações tem O cenário traz desafios. Se em 2013 o cliente crescido em ritmo acelerado. Ainda assim este fazia em média quatro visitas às concessionárias meio só recebe 2% das verbas que as empresas antes de adquirir um automóvel, este ano investem em publicidade no País. o número caiu para 2,6 visitas. “É essencial Segundo a especialista, em 2012 apenas preparar força de vendas para isso”, determina. 2% das buscas no Google eram realizadas via mobile. Esse número saltou para 45% este ano CRM FORTE e a tendência é de crescimento. “No YouTube, “Ninguém faz mais nada sem o celular na mão. 60% dos vídeos são vistos do celular”, conta. A Vivemos em uma sociedade conectada e RENATA BOKEL, da Isobar empresa aponta que 15 milhões de brasileiros multifacetada. É um novo ecossistema de interessados em comprar carros navegam consumo, em que precisamos resolver mensalmente em sites automotivos. Bruna o problema de quem busca um serviço ou assegura que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, produto no momento exato, de forma imediata quando se o acesso pelo smartphone é feito por consumidores de abre a oportunidade de venda”, avaliou Renata Bokel, vicevárias idades e faixas de renda. A empresa aponta que 38% presidente de planejamento da Isobar, agência especializada do uso é de indivíduos das classes C, D e E. em marketing digital que entre outros clientes atende Fiat e Na indústria automotiva, Bruna estima que o acesso Jeep. Para exemplificar esse mercado on-line, ela lembra de mobile é responsável por grande transformação no processo uma mulher grávida de gêmeos, que postou essa situação de compra. Segundo ela, 85% dos consumidores pesquisam em alguma rede social e, não por acaso, começa a receber sobre o veículo que pretendem comprar antes de ir a uma em seu smartphone propagandas de carro grande, no qual concessionária. Em média, 40% do tempo dessa pesquisa é caberá toda a nova família. “Para influenciar nessa decisão gasto via mobile e 41% dos clientes já chegam na revenda é fundamental ter um forte CRM (sistema de gestão de decididos sobre a aquisição, interessados apenas no test clientes), para interpretar esses dados e saber chegar com drive e na negociação de preço e financiamento. a oferta certa no momento certo. Hoje o cliente é mimado Bruna destaca que 52% das pessoas usam celular para pela tecnologia, precisa que alguém sempre se ofereça para comparar opções de carros lendo avaliações e analisando resolver seu problema de consumo.” n

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FÓRUM

OS DESAFIOS DA

QUALIDADE AUTOMOTIVA

INDÚSTRIA DEBATE CAPACIDADE DE MANTER O NÍVEL DE PRODUTOS EM CENÁRIO ADVERSO GIOVANNA RIATO E SUELI REIS

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cluindo os crescentes recalls. Bodewig lembra que o número de chamadas para reparo começou a se elevar na Alemanha e nos Estados Unidos exatamente no período pós-crise de 2009. Em sua contribuição ao evento, Rogério Rezende, vice-presidente da Anfavea, advertiu que para alcançar o mercado de exportação a cadeia não pode parar de investir em qualidade, conceito essencial para manutenção das fábricas instaladas no Brasil. “Esse deve ser um processo contínuo se quisermos ser competitivos no mercado global. Contudo, qualquer empresário só inves-

FOTOS: LUIS PRADO

qualidade será uma das áreas que sofrerão maior impacto dentro do processo produtivo da cadeia automotiva neste momento de crise. A constatação é de Martin Bodewig, diretor da Roland Berger, em apresentação durante o III Fórum da Qualidade Automotiva, promovido pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, dia 21 de setembro, em São Paulo. “A crise será mais profunda do que acreditávamos no início deste ano. Ela vai aumentar a pressão por toda a cadeia e isso claramente vai ter consequências na qualidade”, afirmou, alertando que a não qualidade gera custos, in-

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te quando há expectativa de retorno e é com razão que as empresas fornecedoras de nossa cadeia têm sido cautelosas quanto a investimentos neste momento, quando não há expectativa referente à retomada.” Na visão do Inmetro, o debate sobre a qualidade é contínuo, uma vez que o órgão regulamentador ligado ao governo encontrou em revisões internas novas formas de alcançar seus mesmos objetivos. Paulo Roberto Coscarelli, diretor de avaliação da conformidade, conta que novas ferramentas ajudaram o instituto a diminuir ou simplificar processos de certificação de conformidade, garantindo que todas as partes envolvidas – indústria, consumidor e governo – participem e contribuam para que o processo seja o menos impactante possível sob a ótica do custo.

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NA VISÃO DO INMETRO, O DEBATE SOBRE A QUALIDADE É CONTÍNUO, UMA VEZ QUE O ÓRGÃO REGULAMENTADOR LIGADO AO GOVERNO ENCONTROU EM REVISÕES INTERNAS NOVAS FORMAS DE ALCANÇAR SEUS MESMOS OBJETIVOS

CONFIABILIDADE Planejar no longo prazo e apostar no potencial do mercado interno foram premissas para que o Grupo FCA trouxesse o Jeep Renegade ao Brasil. “Em seu primeiro teste do Latin NCAP o veículo alcançou as cinco estrelas, pontuação máxima em segurança. Desde o início buscamos muito isso no projeto: excelência na qualidade e na segurança de um produto que carrega no DNA a história da marca. Trazer um produto realmente confiável, evitando recalls, faz parte deste processo”, afirmou Charleston Rodrigues, gerente responsável pela qualidade da linha de veículos da Jeep. Luis Batista, diretor de qualidade da fábrica pernambucana da Jeep, lembra da importância do complexo

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FÓRUM DE QUALIDADE

RICHARD SCHWARZWALD, diretor da qualidade assegurada da Volkswagen

PAULO COSCARELLI, diretor de avaliação da conformidade, Inmetro

industrial com a presença das plantas dos fornecedores: “São parceiros que nos fornecem as peças mais críticas em termos de qualidade. Assim como na montagem de veículos, mantemos com nossos fornecedores a prática de tolerância zero de defeitos a fim de garantir a plena satisfação”, detalha. ANTECIPAR METAS “É necessário dar o primeiro passo antes mesmo que as melhorias sejam impostas pela legislação”, avaliou Richard Schwarzwald, diretor da qualidade assegurada da Volkswagen do Brasil durante o Fórum da Qualidade Automotiva. Ele destaca que isso ocorreu com o compacto Up!, que conquistou nota máxima em segurança no Latin NCAP e agora incorpora o motor turbinado 1.0 TSI, com elevada eficiência energética, antecipando as metas da le-

CHARLESTON RODRIGUES, gerente da qualidade da linha Jeep

gislação. Na visão de Schwarzwald, trabalhar com plataformas globais e oferecer conectividade também são iniciativas essenciais para garantir a qualidade para o consumidor. A Volkswagen enfatiza que garantir bom relacionamento com a cadeia de fornecedores é outro aspecto importante. “Lidamos com mais de 15 mil empresas, um total de 100 mil pessoas”, calcula Schwarzwald. Para tornar mais eficiente o fluxo de trabalho entre tantos elos, a companhia investiu em um programa com os fornecedores. O trabalho começou em 2011 em parceria com a Bosch, que foi a empresa escolhida para atrair outros parceiros de elos mais distantes da cadeia produtiva. AUTOPEÇAS Bosch e Schaeffler também defendem a necessidade de investir em qualidade e desenvolvimento sem

ROGÉRIO REZENDE, vice-presidente da Anfavea

que precisem ser puxadas para isso. “O mercado caiu, mas os volumes maiores vão voltar. Devemos estar preparados”, enfatizou Flávio Mateus, diretor executivo da Schaeffler durante o fórum. O executivo defende que a busca por excelência precisa estar no DNA de cada empresa, como aspecto essencial para garantir a competitividade. Bruno Neri, gerente da qualidade corporativa na Bosch, concorda com a necessidade de colocar em primeiro plano a qualidade. O executivo acredita que, apesar do momento de contração das vendas, as organizações precisam estar prontas para uma retomada. Ele recomenda que as fabricantes de autopeças aproveitem o momento para manter a mão de obra e os fornecedores qualificados, além de investir na melhoria dos produtos e na localização da produção.

BRASIL PRECISA GLOBALIZAR INDÚSTRIA AUTOMOTIVA CONSULTORA LETÍCIA COSTA: SETOR TEM DE MELHORAR A QUALIDADE

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indústria automotiva nacional precisa se inserir no cenário global. Caso isso não aconteça, o setor continuará dependente apenas do mercado interno e exposto aos altos e baixos que afetam qualquer nação emergente. O recado foi dado por Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria, durante o Fórum da Qualidade Automotiva. A consultora acredita que investir em qualidade será determinante no longo prazo. “O Brasil tem um mercado fechado que vai se abrir nos próximos anos. Não sabemos em qual velocidade isso vai acontecer, mas sabemos que não há como fugir. Neste caso a melhoria da qualidade será questão de sobrevivência.” Letícia destaca ainda que será necessário investir em capital humano, com mais qualificação para a mão de obra, trabalhar na gestão da mudança e ainda se empenhar para trazer inovação. “Falta proatividade na busca por soluções”, avalia. n

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WORKSHOP

WORKSHOP SOBRE LEGISLAÇÃO avaliou os desafios para montadoras e autopeças

OS AVANÇOS DA LEGISLAÇÃO EVENTO DEBATEU MUDANÇAS NO PPE, BLOCO K, RENOVAÇÃO DE FROTAS E P&D GIOVANNA RIATO, MÁRIO CURCIO E SUELI REIS FOTOS: LUIS PRADO

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Sindipeças, que representa as fabricantes de autopeças no Brasil, entregou ao Ministério do Trabalho uma proposta de revisão do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), revelou o assessor jurídico da entidade, Sérgio Graf, durante o workshop Os Desafios da Legislação Automotiva, promovido por Automotive Business em 14 de setembro para colocar em dia os cenários, tendências e

desafios que montadoras e empresas de autopeças vão enfrentar com os avanços nos regulamentos que disciplinam as operações do setor. As reivindicações do Sindipeças começam com a revisão do Indicador Líquido de Empregos (ILE) – do atual 1% para 5%. A proposta também pede a exclusão da obrigação das empresas em esgotar as férias vencidas ou o banco de horas, assegurando tais direitos ao empregado

mesmo após os seis meses de adesão ao PPE, período máximo de vigência conforme a regulamentação. O sindicato sugere que, durante a adesão ao PPE, seja possível que a empresa contrate pessoas em substituição aos demissionários a fim de atender novas demandas ao longo da permanência no programa, o que atualmente não é permitido. “Também propomos que o programa seja menos burocrático e adotado em

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caráter permanente, uma vez que adesões só serão aceitas até 31 de dezembro de 2015, conforme a MP”, esclarece Graf.

MARCO SALTINI, da Anfavea: sucatear 30 mil caminhões por ano

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RENOVAÇÃO DE FROTA No evento de Automotive Business, a Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, insistiu na necessidade de promover um programa eficiente de renovação de frota para retirar das ruas cerca de 230 mil caminhões com mais de 30 anos de idade, a maioria nas mãos de autônomos. “A intenção é sucatear 30 mil desses veículos a cada ano. No primeiro ano seriam mil, no segundo, 2 mil”, afirmou o vice-presidente da entidade, Marco Saltini. Pelo programa sugerido, que se

SÉRGIO GRAF, do Sindipeças: revisão no Programa de Proteção ao Emprego (PPE)

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WORKSHOP

VALTER PIERACCIANI, PEDRO KUTNEY, BRUNO BRAGAZZA e THOMAS SCHMIDT analisaram incentivo a P&D e inovação

encontra em poder do governo, cada proprietário receberia crédito de R$ 30 mil para entregar seu caminhão, que seria sucateado. “Dinheiro para isso existe: aquele que é gasto hoje com a saúde pública em consequência de acidentes e da poluição do ar”, defendeu Saltini. BLOCO K Se não houver adiamento, passará a valer em janeiro de 2016 o Bloco K, o oitavo de nove conjuntos de informações que comporão o Sped Fiscal. Criado para impedir sonegações, ele exigirá bastante das áreas industrial e operacional das empresas. “Nele terá de constar tudo o que se produz e se usa para produzir”, disse o sócio-consultor da área tributarista e trabalhista da KPMG, Marcus Vinicius Gonçalves, durante o workshop sobre a legislação automotiva. Além do grande trabalho que terão para elaborar fichas técnicas de produtos, algumas empresas temem que o Bloco K acabe revelando segredos industriais pelo extremo detalhamento de informações, que vão além do estoque de matéria-prima ou de produtos acabados e incluem fórmula ou composição e itens consumidos.

Com essa novidade na área de legislação, a Receita Federal terá acesso ao processo produtivo e à movimentação completa de cada item do estoque, possibilitando o cruzamento quantitativo dos saldos apurados eletronicamente pelo Sped com os informados pelas indústrias ou atacadistas pelo inventário. AVANÇO EM P&D Criar equipes dedicadas e exclusivas para gerenciar os processos de inclusão das companhias em programas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento (P&D) será o primeiro passo para que o setor automotivo possa aproveitar de forma plena todas as ferramentas disponíveis no Brasil, concordaram os participantes do painel O Desenvolvimento dos Programas de P&D e Inovação, durante o workshop. “As empresas anseiam por incentivos e para esta área estamos bem servidos, mas é preciso se organizar para isso. As companhias precisam focar e entender que é o tipo de trabalho que não dá para fazer nas horas vagas: é burocrático, complexo e precisa ser tratado com pessoal competente”, afirmou Val-

ter Pieracciani, diretor da consultoria Pieracciani. Para Bruno Bragazza, gerente de inovação e propriedade intelectual da Bosch América Latina, o trabalho exige investimento em capacidade e conhecimento: “A gestão de incentivos consiste em entender os conceitos e objetivos da empresa em pesquisa, desenvolvimento e inovação e buscar oportunidades que viabilizam esses projetos. Há uma série de bons instrumentos e ferramentas disponíveis, mas ainda há pouco uso deles exatamente pela falta de conhecimento. É preciso estudar as leis e definir uma equipe especializada para isso”, pondera. Thomas Schmidt, diretor regional de P&D e inovação da ZF América do Sul, concorda que não há falta de recursos para sustentar os programas de incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento, mas que a burocracia, além da falta de conhecimento sobre a área, pode atrapalhar o acesso das empresas. Segundo Pieracciani, o governo está disposto a devolver de alguma forma 78% do que se gasta com P&D, como se observa na Lei do Bem ou mesmo no Inovar-Auto com o incentivo do IPI.n

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DIVULGAÇÃO / SAE BRASIL

CONGRESSO SAE BRASIL

EVENTO DA MOBILIDADE ocorreu no Expo Center Norte, em São Paulo, de 22 a 24 de setembro

TECNOLOGIA

ENFRENTA A CRISE COM MOSTRA ESVAZIADA, EMPRESAS APRESENTARAM SOLUÇÕES PARA A INDÚSTRIA PEDRO KUTNEY

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romover desenvolvimento tecnológico e apresentar soluções em tempos de profundos cortes de custos. Este é o maior desafio atual de todas as empresas da cadeia automotiva no Brasil, espelhado com precisão pela mostra tecnológica do Congresso SAE Brasil 2015, maior evento no Hemisfério Sul da comunidade de engenharia da mobilidade. O encontro recebeu apenas 50 expositores – menos da metade do que já houve em anos recentes –, mas teve algumas novidades importantes a apresentar e continua a investir em tecnologia para encarar a crise, mesmo que de

forma mais comedida. “Não há muito mais o que fazer além de trabalhar para enfrentar esse momento e passar por ele. Ao menos estaremos melhor preparados para o ano que vem. A solução para nós segue sendo o desenvolvimento tecnológico dos produtos para elevar receitas e exportar mais”, resume o sentimento geral Lourenço Oricchio, diretor-geral da Sabó, uma das poucas empresas de autopeças de capital nacional que restaram no País, graças à estratégia de extrapolar fronteiras e internacionalizar sua produção. Juntas e retentores com sofisticadas tecnologias

agregadas, com utilização em mercados do mundo todo, são a receita de sobrevivência da Sabó e foi justamente isso que a empresa colocou em exibição na pequena mostra do Congresso SAE. EFICIÊNCIA MAIS BARATA No Brasil, apresentar soluções mais baratas para atingir metas de nacionalização de componentes e eficiência energética continua a ser o foco principal da engenharia de diversas empresas, como é o caso da Bosch, que em seu estande mostrou pela primeira vez no Brasil um sistema avançado de injeção indireta de combustí-

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CONGRESSO SAE BRASIL

DIVULGAÇÃO / SCANIA

RELÓGIO TOMA PULSO DO CAMINHÃO

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Scania levou ao Congresso SAE Brasil 2015 um relógio digital para o motorista, com diversas informações relativas ao caminhão e sua condução. O Smart Watch, fabricado pela Sony, foi apresentado este ano na Suécia em edição limitada de 999 unidades. Conectado por Bluetooth a um laptop ou tablet com acesso à internet, o dispositivo inteligente recebe as mesmas informações do programa eletrônico de treinamento da fabricante. O aplicativo indica consumo instantâneo e média dos últimos sete dias, porcentual de condução em inércia (sem aceleração) e motor trabalhando em marcha lenta, relação de carga transportada e consumo em km/l, níveis de combustível e Arla 32, velocidade média, distância percorrida, relação de concessionárias Scania e informações de suporte como uso de freios e trocas de marchas.

vel, chamado Advanced PFI. “É uma combinação de tecnologias já conhecidas que a matriz começou a desenvolver na Alemanha e pode substituir a injeção direta com componentes totalmente nacionais. Já existem quatro a cinco montadoras interessadas em utilizar aqui e estamos agora desenvolvendo para uso em motores flex gasolina-etanol”, explicou Martin Leder, chefe de engenharia avançada da companhia no Brasil.

A alemã Schaeffler trouxe para a mostra da SAE componentes que espera poder produzir e vender no Brasil, como o rolamento de terceira geração, que embute disco de freios e roda em uma só peça, uma tendência global já fornecida aqui – mas o conjunto ainda é importado da unidade da empresa na China. “Podemos fazer aqui, mas ainda estamos esperando por maior demanda para justificar o investi-

mento”, explica Marcelo Machado, vice-presidente sênior automotivo da empresa na América do Sul. Os três dias do Congresso SAE foram bem além de sua mostra tecnológica. Este ano o encontro teve 23 painéis e fóruns de discussões que abrangeram toda a cadeia automotiva, além da já tradicional apresentação de 144 trabalhos inéditos de engenharia de autores brasileiros e estrangeiros.

ENGENHARIA PREPARA VEÍCULO DE 2050 NOVO PRESIDENTE DA SAE INTERNACIONAL FALA DE TENDÊNCIAS NA INDÚSTRIA

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DANIEL DEAK / SAE BRASIL

s veículos de 2050, mais limpos, inteligentes e autônomos, já estão sendo concebidos por profissionais da indústria automobilística, segundo Cuneyt Oge, eleito novo presidente da SAE Internacional, que assumirá o posto em 2016. Ele abriu os trabalhos da sessão internacional no 24o Congresso SAE Brasil anunciando que diversos fatores, especialmente a matriz energética, vão alavancar as mudanças nos projetos: “Nos últimos 50 anos temos falado sobre a evolução dos motores a combustão. Pela primeira vez na história isso está mudando. Só nos Estados Unidos há 76 alternativas existentes de motores e estamos falando de híbridos, elétricos e, mais recentemente, células de hidrogênio”, disse.

Oge explica que a exigência de carros mais limpos criará a demanda necessária para que o veículo elétrico obtenha custo total equivalente ao modelo atual de combustão, o que deve acontecer já em 2020. Ele também indica que muitos investimentos já são feitos em novos materiais e que em 2030 a indústria estará muito mais avançada nesse sentido. Devem surgir, ainda, importantes mudanças na cadeia de valor: “A cadeia baseada na eletricidade é muito mais barata, criando uma nova zona de players. Haverá muita concorrência no futuro. Novas entrantes já são consideradas no presente, como Google, Apple e Tesla. (Sueli Reis) n

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GESTÃO

A NOVA FACE

DA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA EMPRESAS DO SETOR DÃO OS PRIMEIROS PASSOS EM BUSCA DE MAIS PRODUTIVIDADE E ENGAJAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS GIOVANNA RIATO

LUIS PRAD O

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JOERG HOFMANN, presidente da Audi Brasil

magine trabalhar em uma empresa que não controla o horário dos colaboradores, apenas a produtividade. Essa companhia também não separa os setores de sua sede administrativa e evita demarcar o território dos funcionários em mesas fixas, tudo para motivar a interação e a troca de ideias. Há níveis hierárquicos, mas os líderes não são inatingíveis e existe autonomia para que todos os funcionários tomem decisões. A área de pesquisa e desenvolvimento trabalha de forma altamente colaborativa, com processos que extrapolam os limites dos laboratórios de testes e prototipagem. Se estas possibilidades soam distantes e até ineficientes, pode ser a hora de rever conceitos e conhecer novos modelos de gestão. Longe de ser modismo, a atualização das operações é necessária. Quem garante é Valter Pieracciani, sócio da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, consultoria especializada em inovação. “As organizações mais jovens se relacionam de forma diferente em todas as frentes em que atuam, mobilizando funcionários, prestadores de serviços, fornecedores, governo e assim por diante. É um ambiente bom para os negócios. Nesse aspecto, a indústria automotiva é muito antiga”, avalia. Segundo ele há “uma legião de trabalhadores infelizes e empregadores quebrados. Os dois lados estão mal. Tem algo muito errado no modelo atual”. Para ele, o setor está perdendo o bonde de um processo importante em curso nas empresas de tecnologia e startups. É isso o que faz do Google uma companhia tão inovadora e atrativa para os jovens profissionais. “A indústria automotiva não é bem vista pela nova geração como possibilida-

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NA VANGUARDA DA INOVAÇÃO

evolução chega devagar à indústria, mas algumas objetivos e valores claros. Uma vez por trimestre todo o empresas decidiram assumir a vanguarda. Uma de- time da Audi sai do escritório e vai para um espaço de las é a Audi, que entrou no que chama de nova era no eventos onde são apresentados os resultados da compaBrasil. Em paralelo à retomada da produção na fábrica nhia no período e as metas para a próxima etapa. A emdo Grupo Volkswagen no Paraná, a companhia mudou presa também cria oportunidades para a equipe interagir a sua sede administrativa em São Paulo (SP). A nova es- fora do ambiente de trabalho. “Uma sexta-feira por mês trutura reúne os 115 funcionários em um mesmo andar, fechamos tudo mais cedo por aqui e passamos a tarde sem baias separando as áreas. O coração da sede é a em um parque fazendo exercícios, praticando esportes.” Audiplatz, espaço que reúne café, bar, mesa de sinuca, O dirigente acumula mais uma função no time. Ele é área para apresentação e para reuniões. “Muita gente vocalista da banda Audi, formada pelos funcionários. passa mais tempo no escritório do que com a família. É Segundo ele, atividades como esta mantêm o time motipreciso criar um ambiente do qual as pessoas gostem”, vado. “As pessoas trabalham duro, precisam se divertir.” diz Joerg Hofmann, presidente da Audi Brasil desde A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) também aprovei2013 e o grande entusiasta do novo modelo. tou momento de crescimento no Brasil para inovar em O executivo diz que constatou consistente aumento da seu modelo de gestão. O Polo Automotivo Jeep, inausatisfação dos funcionários desde a gurado em abril em Goiana (PE), foi mudança, que aconteceu em agosa deixa para a companhia implemento. Com as pessoas mais próximas, É PRECISO CRIAR UM tar novas práticas em busca de uma a empresa ganhou agilidade. “Acreindústria mais humana. Assim como dito que esse é um dos motivos AMBIENTE DO QUAL acontece na Audi, o setor adminispara o nosso bom resultado no trativo do complexo industrial não é mercado. Somos mais rápidos do AS PESSOAS GOSTEM dividido por áreas. Os trabalhadores que os nossos concorrentes”, assenão têm local fixo, cada um trabalha gura Hofmann, ao comentar os re- JOERG HOFMANN, com seu notebook na mesa que for presidente da Audi Brasil cordes de vendas da Audi em pleno mais conveniente naquele momento. ano de crise no Brasil. A companhia estima que o sistema Um quadro no escritório da marca serve de banco de trouxe melhora de 40% na comunicação, com menos ideias. Quando percebe uma oportunidade ou possibilida- e-mails e telefonemas e mais questões resolvidas em de de melhoria, o funcionário, independentemente da área, conversas olho no olho. pode incluir sugestões ali. Todas elas são analisadas pelos A roupa dos trabalhadores da Jeep demonstra a unilíderes, que podem optar por implementar as propostas. dade que a empresa quer para o time. Desde o diretor Há um brainstorm constante. “Quanto mais gente contri- até os trabalhadores do chão de fábrica, todos usam o buindo com ideias, mais inovação temos”, comemora. mesmo uniforme. O objetivo é aproximar a equipe. Na Hofmann dispensa o controle de horários dos funcio- produção as tarefas são divididas entre times de seis nários. A empresa cumpre o que é imposto pela legis- pessoas, com um líder para cada grupo. Este profissiolação, mas sem ficar de olho em cada intervalo que o nal toma decisões e gerencia todos aspectos do posto colaborador faz ao longo do dia. “Se a pessoa sabe o de trabalho e da qualidade de vida do grupo. Segundo que tem de fazer, não me importo se ela precisa de um a Jeep, a ação valoriza as afinidades e reforça o elo enrespiro. Ela pode estender o horário do almoço para ir à tre os colaboradores e a empresa. academia ou fazer um intervalo para tomar uma cerveja Pellaes avalia que dar algum nível de autonomia aos na Audiplatz”, conta, destacando que o importante é o profissionais da produção é o caminho mais rápido resultado e este ele acredita que cada funcionário sabe a para que os benefícios da modernização da gestão melhor forma de entregar. cheguem às fábricas. Na visão dele, é dessa forma que A Audi tem trabalhado em algo que Alexandre Pellaes, os colaboradores desenvolverão pensamento crítico e sócio da 99Jobs, destaca como essencial para qualquer serão capazes de tomar decisões e contribuir para as companhia que deseja engajar colaboradores: deixar os melhorias.

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FOTOS: LUIS PRADO

GESTÃO

A AUDIPLATZ, coração da nova sede administrativa da Audi em São Paulo, ilustra as transformações na gestão do setor automotivo. O espaço reúne café, bar, mesa de sinuca, área para apresentação e reuniões. O presidente da companhia, Joerg Hofmann, justifica: “Muita gente passa mais tempo no escritório do que com a família”

de profissional e nem sempre chega a ser considerada. Há identificação com os produtos, mas não com o employer branding, que é a marca empregadora de uma empresa”, esclarece Alexandre Pellaes, sócio da 99Jobs, especializada em recrutamento, seleção e consultoria em modelos flexíveis para as empresas. Prova da baixa atratividade é que hoje apenas 54% dos engenheiros formados trabalham na indústria. O restante migra para outras áreas aparentemente mais atrativas. O especialista acredita que a mudança-chave para modernizar o mo-

delo de gestão está na autonomia dos colaboradores. Acabou a história de “o chefe manda, os subordinados obedecem”. Na visão dele, a tendência é por outra distribuição, com mais responsabilidade para todo o time. “A hierarquia passa a ser de estrutura, não de poder.” Pellaes explica que, nesse contexto horizontalizado, o papel de um diretor é agregar co-

nhecimento, influenciar e consolidar informações, não ser apenas o dono da palavra final. NOVA GESTÃO É justamente o interesse nos produtos, mas não em trabalhar nas montadoras e empresas relacionadas, que acende o alerta para o setor automotivo. O panorama para os próximos

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É PRECISO ESTAR ATENTO AO FATO DE QUE O CARRO CONECTADO VAI MUDAR A NATUREZA DO NEGÓCIO DA MONTADORA LETÍCIA COSTA, diretora, Prada Assessoria

montadora e fornecedores. Desde então só vemos melhorias incrementais nas áreas de qualidade e produtividade”, avalia. Ela concorda que a transformação é essencial para que as empresas acompanhem os desafios que virão com a necessidade de evolução tecnológica. “É preciso estar atento ao fato de que o carro conectado vai mudar a natureza do negócio da montadora. Vemos a tendência clara de compartilhamento de veículos, o que deve fazer com que

DIVULGAÇÃO / 99JOBS

anos é de automóveis conectados e evolução dos sistemas de assistência de direção, que tornarão a condução mais autônoma. Pieracciani acredita que, para entregar tanta inovação e se manter competitivas, as empresas terão de inovar também dos portões para dentro. Para o consultor, o trabalho precisa começar a acontecer com velocidade. Ele defende que as engenharias e área de desenvolvimento precisam se preocupar menos em manter segredos e começar a se abrir. “Temos de olhar para as empresas de garagem, as startups, que estão inovando e têm muito a contribuir. Elas são rápidas e capazes de garantir mais produtividade”, aponta. A sugestão dele é que, no lugar de internalizar todo o processo de desenvolvimento, as empresas devem ir atrás dos parceiros mais jovens, trabalhar de forma colaborativa. Ele garante que os resultados são surpreendentes e demandam investimento menor. Letícia Costa, da Prada Assessoria, lembra que no Brasil o setor há muito tempo não inova em sua forma de criar e produzir. “A última grande mudança foi a operação no conceito de condomínio industrial, que reúne

ALEXANDRE PELLAES, sócio da 99Jobs

as fabricantes de carros se tornem também gestoras de frotas”, projeta. FÁBRICA DO FUTURO A indústria automotiva larga em desvantagem na corrida pela modernização dos modelos de gestão. Enquanto as empresas mais jovens nascem com essa orientação, as corporações que acumulam décadas de história têm dificuldade para acompanhar o ritmo. “Aprender é fácil. Desaprender é difícil”, destaca Pieracciani, ao falar do desafio de mudar culturas enraizadas. Esse aspecto deve fazer com que a indústria automotiva busque um ponto de equilíbrio próprio, que combine tradição e novidade. “Uma empresa como a Fiat Chrysler Automobiles nunca será uma startup”, diz Paulo Matos, que passou pela gerência de inovação da companhia e agora é professor no Isvor, universidade corporativa que pertence ao grupo, mas não tem atuação restrita a ele. Márcia Neves, superintendente da organização, defende o olhar crítico em busca de um formato próprio, capaz de tornar a indústria mais eficiente, produtiva e inovadora. “Temos de decidir o que rearranjar, o que criar e descartar o que não faz mais sentido como processo, como modelo de gestão. Em alguns momentos é preciso sair um pouco da planilha e ir para a elaboração mais abstrata, mais orgânica. As respostas ainda não estão prontas.” Matos diz que a velocidade da reação precisa mudar. “As empresas jovens têm em sua essência estrutura muito flexível, rápida e experimental. Elas não investem anos de desenvolvimento para depois testar. Elas prototipam rápido para ver o conceito”, conta. É a filosofia fail fast, nascida nas empresas do Vale do Silício. A ideia é que se o erro é inevitável, o melhor é falhar e corrigir rápido, sem tentar contornar decisões er-

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CLELIO TOMAZ

GESTÃO

NOVOS MODELOS AÇÕES PARA ENGAJAR COLABORADORES E FOMENTAR A INOVAÇÃO

PAULO MATOS, professor no Isvor, universidade corporativa do grupo FCA

radas, sejam elas no projeto de um novo veículo, em um serviço ou na contratação de um profissional. AMEAÇA DA MUDANÇA Os especialistas garantem que, ao fazer a travessia para a gestão mais flexível, a indústria será bem recompensada. O processo, no entanto, é desafiador. “A mudança é inevitável e estamos claramente em uma fase de transição. Mas será necessário enfrentar conflitos de gestão e de gera-

ções”, acredita Pellaes. Segundo ele, é preciso fazer os profissionais irem além de seus cargos. “As pessoas devem ter liberdade para contribuir mesmo se aquilo não for exatamente a sua área.” O resultado, assegura, é o maior potencial para inovar e responder a novas tendências e necessidades. Na linguagem dos negócios a tradução é: mais produtividade com menor custo. Nas grandes organizações, ele recomenda começar por uma área, fazer dela o laboratório da mudança. A receita, segundo ele, é trazer mais profissionais para o cérebro da organização. “Quando incluímos colaboradores na tomada de decisões abrimos as portas para a criatividade e a diversidade. Se as mesmas pessoas sempre tomarem as decisões, teremos decisões parecidas.” O comprometimento dos líderes é tido como essencial. “Existe alguma resistência à mudança, mas é preciso perder o medo. A competência de um grande profissional é a prontidão para aprender em qualquer contexto. O endurecimento não funciona”, destaca Márcia, apontando que o caminho é abraçar a evolução. Pieracciani acredita que as áreas de engenharia e pesquisa e desenvol-

JEEP COMMUNICATION CENTER – Escritórios abertos

GLADSTONE CAMPOS / REALPHOTOS

DIVULGAÇÃO / FCA

•Aumentar a autonomia dos colaboradores •Envolver a equipe com o propósito e os objetivos da companhia •Estimular o pensamento crítico e a troca de ideias •Aproximar a área de P&D de startups •Incentivar a criação colaborativa

VALTER PIERACCIANI, sócio da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas

vimento sejam as portas de entrada ideais para os modelos mais flexíveis. Para ele, é ali que as companhias capazes de aumentar a colaboração entre os funcionários e os outros elos da cadeia vão colher os primeiros frutos. “Essa evolução está acontecendo muito mais rápido do que imaginamos. Não adianta tentar frear ou ir chorar para o governo. A tecnologia vem para o bem. Vai melhorar a vida das pessoas, a produtividade e os resultados.” n

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LANÇAMENTO

RENAULT

ENTRA NA BRIGA DAS PICAPES

DUSTER OROCH TEM COMO PROPOSTA REUNIR O MELHOR DAS CONCORRENTES DE QUALQUER TAMANHO RICARDO PANESSA, do Rio de Janeiro

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ao do Duster, a Oroch chega ao mercado em novembro em duas versões de acabamento (Expression e Dynamique) e duas motorizações (1.6 e 2.0, ambas flex), a primeira com câmbio manual de cinco marchas e a segunda com câmbio manual de seis marchas. Os preços sugeridos vão de R$ 62.290 (Expression 1.6) a R$ 70.790 (Dynamique 2.0). A opção intermediária Dynamique 1.6 vai custar R$ 66.790. Versões superiores, com câmbio automático e tração 4x4, também estão no portfólio do modelo, mas só virão no meio do próximo

ano. A montadora não tem planos de lançar uma versão a diesel. Fruto do ciclo de investimentos de R$ 500 milhões iniciado pela Renault em 2013, a Oroch (nome de uma tribo quase desconhecida nos confins da Rússia) é fabricada em São José dos Pinhais e também será exportada para outros mercados da América Latina. Olivier Murguet, vice-presidente sênior e presidente do Conselho da Região Américas da Renault, destacou a importância do lançamento do novo veículo. “O Brasil é o maior mercado da marca no mundo depois FOTOS: PEDRO BICUDO

ara disputar o concorrido segmento das picapes, a Renault lançou a Oroch. O modelo originado do utilitário esportivo Duster tem como principal característica dimensões e capacidades intermediárias entre as picapes pequenas, derivadas de automóveis, e os veículos maiores, considerados de porte médio. Com visual praticamente idêntico

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da França. Com a Oroch, inauguramos um segmento entre os utilitários, que vai ter papel fundamental para atingirmos nosso objetivo máximo de alcançar 8% de market share até 2018”, disse. Segundo o executivo, no Brasil as picapes são responsáveis por 80% do mercado de comerciais leves e por 13% do mercado total, com aproximadamente 450 mil veículos vendidos em 2014. CONCORRÊNCIA A Duster Oroch está posicionada entre as picapes pequenas, como Fiat Strada e Volkswagen Saveiro, e as médias, como Toyota Hilux e Chevrolet S10. Utilizando a mesma plataforma do Duster, mas com distância entre eixos aumentada, o que a torna 38 cm mais comprida do que o SUV, a picape Renault tem como maior trunfo em relação às concorrentes pequenas a cabine dupla onde realmente podem se acomodar cinco adultos. Mas a Oroch não poderá tirar vantagem sozinha dessas qualidades durante muito tempo. A Fiat lançará também uma picape compacta-média, batizada de Toro, com algumas características herdadas do Jeep Renegade, principalmente o motor 2.0 Multijet turbodiesel de 170 cavalos, entre outros recursos.

AO VOLANTE, É COMO UM AUTOMÓVEL

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esando entre 1.292 kg (versão 1.6) e 1.346 kg (versão 2.0), a Oroch tem comportamento dinâmico praticamente igual ao de um automóvel. Assim como o Duster, a nova picape oferece dirigibilidade fácil e agradável. Durante rápida avaliação do modelo pela orla marítima do Rio de Janeiro (RJ), conforto da cabine, baixo nível de ruído ao rodar e suspensões com calibragem bem ajustada foram os destaques do modelo. A Oroch é firme sem ser excessivamente dura sobre pisos irregulares e macia sem ser mole demais sobre pisos bem pavimentados e curvas. A caçamba tem 683 litros de capacidade, pode carregar até 650 kg de carga, mas tem apenas 1,35 m de comprimento. Segundo o fabricante, é capaz de transportar volumes maiores, como motocicletas, por exemplo, utilizando um extensor que permite rodar com a tampa da caçamba aberta. A Oroch oferece a mesma boa posição de dirigir, com comandos bem posicionados e grande visibi-

lidade, além de inesperado conforto no banco traseiro – um de seus pontos fortes. Com quatro portas e lugar para cinco pessoas, o espaço interno é outro item positivo do modelo. A picape vem de fábrica equipada com o Media NAV Evolution 2.0, nova geração do sistema multimídia exclusivo da Renault que, além de integrar o sistema de som e se conectar ao celular, também oferece GPS na tela colorida de sete polegadas sensível ao toque, acessa redes sociais como Facebook e Twitter e pode passar informações em tempo real sobre o trânsito em algumas cidades brasileiras. Com motorização 2.0 de 148 cv de potência e 20,9 kgf.m de torque (com etanol), a Oroch respondeu bem ao acelerador tanto nos trechos urbanos como nas longas retas encontradas no percurso. Segundo a montadora, com esse conjunto motriz a Oroch é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos e atingir velocidade máxima de 186 km/h, sem carga. Fôlego de sobra. n

RODOLFO BUHRER / LA IMAGEM

FICHA TÉCNICA - RENAULT DUSTER OROCH 2.0 Comprimento: Largura: Entre eixos: Peso em ordem de marcha: Carga útil: Volume da caçamba: Tanque de combustível: Tração Câmbio:

4.693 mm 1.821 mm 2.829 mm

Motor:

1.346 kg

Torque máximo:

650 kg 683 litros 50 litros dianteira Manual, 6 velocidades

Consumo / Estrada:

Potência:

Consumo / Cidade: Velocidade máxima:

1.998 cc, 16 válvulas 143 cv (gasolina) 148 cv (etanol) 20,2 kgfm (gasolina) 20,9 kgfm (etanol) 10,8 km/l (gasolina) 7,3 km/l (etanol) 9,2 km/l (gasolina) 6,4 km/l (etanol) 178 km/l (gasolina) 186 km/h (etanol)

Informações do fabricante

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FENATRAN

À ESPERA DA RETOMADA

COM A AUSÊNCIA DE GRANDES FABRICANTES DE VEÍCULOS COMERCIAIS, A PRINCIPAL FEIRA DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA PERDE O BRILHO RICARDO PANESSA

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de caminhões, que tradicionalmente representam o maior atrativo da feira. Com um olho na crise e outro no futuro, os empresários do setor vivenciam panorama ainda bastante nebuloso, diante das incertezas políticas e econômicas e da retração do Produto Interno Bruto (PIB), que representa um termômetro para as vendas de caminhões. João Paulo Picolo, diretor da Fenatran, defende a importância do evento, tido por ele como fundamental para um debate sobre a retomada dos negócios no DIVULGAÇÃO / FERNATRAN

s fracos resultados do mercado de caminhões até outubro não trazem o alento esperado pela indústria de veículos e implementos à véspera do principal evento do setor na América Latina – a Fenatran, salão voltado para soluções no transporte rodoviário de carga. A atual edição do encontro, no Anhembi, em São Paulo, de 9 a 13 de novembro, que poderia representar um marco na recuperação dos negócios, perde impacto com a ausência dos principais fabricantes

JOÃO PAULO PICOLO, diretor da Fenatran

setor de transporte rodoviário de cargas. “É a oportunidade de o mercado se encontrar e discutir os novos cenários. Todo o espaço do evento será voltado para tomadas de decisão na renovação de frotas de caminhões, implementos e serviços em geral”, afirma. A Fenatran 2015 vai ocupar 80 mil m2 do Pavilhão de Exposições do Anhembi, com 300 marcas expositoras, sendo 260 nacionais e 40 internacionais. Cinquenta empresas participam pela primeira vez. A expectativa da promotora, a Reed Alcantara, é receber mais de 50 mil profissionais, a maioria dos quais constituída de compradores qualificados. Espera-se que o público seja um pouco menor que o da edição anterior, de 61,3 mil pessoas. Em 2013 foram 370 as empresas participantes. Para Picolo, o evento apresenta bons indicativos para todo o setor. “Mais de 95% de nossos expositores têm lançamentos de produtos e serviços, a maioria focando esforços e investimentos para gerar vendas durante a feira”, explica.

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E

ntre as montadoras de caminhões, de uma lista de quase uma dezena de grandes marcas, apenas duas, Volvo e DAF, vão montar seus estandes este ano. Ocupando área de 4.000 m2, a Volvo mostra novos produtos e destaca os recursos de conectividade recentemente incorporados aos caminhões da marca. A montadora já apresentou durante o ano as primeiras novidades nessa área: o I-See, sistema que lê a topografia da estrada e a memoriza; o Dynafleet, que atua tanto para gerar relatórios de desempenho do veículo como do perfil de condução e consumo de combustível de cada motorista individualmente; e o My Truck, um aplicativo para smartphones que reproduz no aparelho funções exibidas no painel de instrumentos do veículo. Bernardo Fedalto, diretor de caminhões da Volvo, entende que o mercado começa a apresentar sinais

BERNARDO FEDALTO, diretor de caminhões da Volvo

de estabilização e a Fenatran é uma boa oportunidade para divulgar as novas tecnologias e, principalmente, fechar negócios. Entre outras novidades, a montadora apresenta o sistema que permite a elevação do eixo tandem nas composições 6x4. Desenvolvido em conjunto com a Meritor, o sistema permite desativar e elevar o segundo eixo de tração, proporcionando melhor aderência ao piso e consumo de combustível até 4% inferior quando comparado ao caminhão conduzido sem carga. Lançado recentemente na Europa, o eixo suspensor tem como grande vantagem reduzir os custos em operações como transporte de madeira, construção ou mesmo granéis, quando o caminhão vai carregado, mas pode retornar vazio.

co: “Não há como o mercado cair ainda mais. Esta é apenas mais uma crise, entre muitas já enfrentadas, e também deve chegar ao fim em breve.” A afirmação, feita em setembro durante coletiva de imprensa para apresentação de novas versões da linha 2016, resume a postura da empresa para superar a atual crise do setor. DIVULGAÇÃO / SCANIA

AUSENTES, MAS NEM TANTO As montadoras que não participam da Fenatran deste ano estão de olho nas oportunidades no mercado e à espera da retomada. As empresas tomaram medidas para se adequar à queda dos patamares de produção e vendas, mas não perderam o rumo. Roberto Cortes, CEO da MAN Latin America, foi enfáti-

DIVULGAÇÃO / VOLVO

VOLVO FOCA EM CONECTIVIDADE

VICTOR CARVALHO, diretor de vendas de caminhões da Scania

Entre outras medidas, a MAN reduziu a produção, a jornada de trabalho e os salários de funcionários, mas em compensação apresentou 18 novas versões na linha de caminhões 2016. “Também somos os primeiros a lançar o leasing operacional, para o MAN TGX, sem entrada e com prestações menores que as do Finame; nosso programa de investimentos de R$ 1 bilhão entre 2012 e 2016 continua sendo aplicado”, ressaltou Cortes. Outra gigante dos pesados, a Scania, fica ausente do evento, mas também apresentou novidades durante o ano. A estratégia da montadora continua embasada na proximidade com o cliente, para entender o seu negócio e entregar as melhores soluções. Segundo Victor Carvalho, diretor de vendas de caminhões, a fabricante está voltada, em 2015, à intensificação de outras atividades de relacionamento em busca de maior presença e suporte aos transportadores. Entre outras ações, a Scania lançou em julho o cavalo mecânico

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FENATRAN

DIVULGAÇÃO / DAF

DAF EXPANDE PORTFÓLIO DAF Caminhões Brasil prepara uma exposição de peso na Fenatran. Mais esperado desde o lançamento do XF105, em 2013, o CF85 estreia no mercado brasileiro durante o evento. O pesado da DAF será vendido nas versões 6x2 e 4x2, equipado com motor Paccar MX 12,9 L, de 360 cv a 410 cv, transmissão ZF automatizada de 16 velocidades e duas opções de cabine. Será a terceira participação e a maior presença da DAF Caminhões na mostra. Além do lançamento do CF85, a marca holandesa irá expandir o portfólio com as novas configurações do XF105. “A Fenatran é a principal feira de transporte de carga rodoviária e está totalmente relacionada aos nossos negócios. É uma grande oportunidade para fortalecermos a presença no Brasil, colocar a marca em evidência e também intensificar o relacionamento com o nosso público, sobretudo neste momento de crescimento da empresa”, comenta Luis Gambim, diretor comercial da DAF Caminhões Brasil.

los P 250 e P 310”, finaliza Carvalho. O esforço para contornar a crise também está presente na Iveco. Ricardo Barion, diretor de marketing da empresa para a América Latina, destaca o investimento anunciado de R$ 650 milhões até 2016 na consolidação de suas bases. O aporte é voltado ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de produtos, localização de componentes, inauguração do campo de provas, em Sete Lagoas (MG), e na otimização dos processos produtivos. “Nossos DIVULGAÇÃO / IVECO

rodoviário 8x2 de fábrica, com capacidade para 54,5 toneladas de Peso Bruto Total Combinado (PBTC) e de 37 t de carga líquida. Em agosto foi a vez do anúncio da Griffin Edition, série limitada dos caminhões R440 e o R480 nas configurações 6x2, 6x4 e 8x2. Apenas 300 unidades serão produzidas e o período de encomendas irá até dezembro. “Ainda para este ano vamos lançar oficialmente o semipesado com cabine estendida para as versões 4x2 e 6x2, dos mode-

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RICARDO BARION, diretor de marketing para a América Latina, da Iveco

esforços foram concentrados em minimizar os impactos causados pelo momento econômico desfavorável”, afirma o executivo. Outra ausência de peso da Fenatran é da Mercedes-Benz. A empresa segue com seu programa focado fortemente no pós-venda e na apresentação de modelos. Num evento em outubro em São Bernardo do Campo (SP), do qual participou também o vice-presidente mundial, Stefan Buchner, a montadora mostrou de uma só vez sete modelos de caminhões e apresentou a inédita família de minivans Vito, além de destacar três serviços de manutenção e novidades no consórcio da própria marca. A Ford, lacônica, limitou-se a distribuir um comunicado oficial pelo qual informa que “em razão da significativa queda dos níveis de produção e de vendas da indústria automotiva, particularmente mais profunda no setor de veículos comerciais leves e pesados, a Ford Caminhões optou por não participar da edição 2015 da Fenatran. Com relação às novidades, no momento, não temos nenhum anúncio para fazer”. n

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FENABRAVE

DISTRIBUIÇÃO BUSCA ALTERNATIVAS PARA SOBREVIVER GIOVANNA RIATO e SUELI REIS

ENTIDADE ABRIU 25o CONGRESSO E EXPO E ANUNCIOU CRIAÇÃO DE FRENTE PARLAMENTAR

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DIVULGAÇÃO / FENABRAVE

Congresso e Expo Fenabrave, realizado dias 15 e 16 de setembro no Expo Center Norte, em São Paulo, trouxe um tom mais preocupado do que em eventos anteriores. O encontro, chegou à 25a edição no mesmo ano em que a entidade que representa os distribuidores de veículos completa 50 anos. Os motivos para come-

ALARICO ASSUMPÇÃO, presidente da entidade

morar, no entanto, foram sufocados pela urgência em encontrar soluções capazes de amenizar os efeitos da expressiva queda das vendas de veículos novos. O tema do evento, “Inove para Vencer”, destacou a necessidade de os empresários manterem o fôlego mesmo no momento difícil. Alarico Assumpção, presidente da entidade, apontou que o setor gera mais de 420 mil empregos diretos e responde por 5,2% do PIB brasileiro. A Fenabrave estima que cerca de 350 concessionárias das mais de 8 mil casas espalhadas pelo Brasil deixaram de operar ao longo de 2015. “Precisamos nos unir e trabalhar na criação de uma agenda positiva, que devolva a confiança ao consumidor e estimule as vendas”, declarou na abertura do congresso. A Fenabrave aproveitou o congresso para anunciar a criação de uma frente parlamentar que defenderá os interesses dos distribuidores de veículos no governo. O grupo será liderado pelo deputado federal Herculano Passos e pretende melhorar a presença do setor da distribuição

no Congresso Nacional. O presidente da Fenabrave lembra que o segmento reúne 53 associações de marca, conta com 90% de capital nacional e precisa, portanto, garantir presença na tomada de decisões no País. Anthony Portigliatti, reitor da Florida Christian University, recordou durante apresentação no evento que crises como a atual são oportunidades de transformação. Ele fez um paralelo com a crise dos Estados Unidos iniciada em 2009 e que seguiu intensa até meados de 2011: “Passamos na época exatamente pelo que os brasileiros estão começando a enfrentar. O concessionário tem a oportunidade de escolher onde quer ficar: se no grupo da projeção que aponta que 450 casas devem fechar no próximo semestre ou entrar para a história daqueles que apertaram os cintos, reviram seus negócios, enxugaram suas máquinas, estudaram e utilizaram ferramentas digitais e se reposicionaram com estratégia sistêmica e uma nova modelagem empresarial.”

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REVOLUÇÃO NA EXPERIÊNCIA DO CONSUMIDOR

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DARREN SLIND, diretor sênior e líder para América Latina e Canadá da consultoria J. D. Power

DIVULGAÇÃO /J.D. POWER

Hyundai planeja estar entre as líderes da revolução prevista para o papel do carro na sociedade, que deve acontecer nos próximos anos. O objetivo foi anunciado pelo vice-presidente global da companhia, Won Hong Cho, que fez a palestra magna do 25o Congresso e Expo Fenabrave. O executivo acredita que a indústria terá de se desenvolver tanto tecnologicamente, com carros mais conectados e funcionais, quanto em atendimento e relacionamento com o cliente. “A internet afetou a experiência de compra e a relação do consumidor com as concessionárias”, apontou. Ele falou de empresas como o Google, que há pouco tempo era uma ferramenta de busca, mas hoje já representa um verdadeiro concorrente das revendas. “Em breve será possível comprar um carro on-line”, prevê. Em resposta ao cenário de rápida transformação, a Hyundai implementa novidades em sua rede e planeja modernizar globalmente suas concessionárias. O objetivo é melhorar a experiência do consumidor desde que ele entra na loja até quando senta no banco do automóvel. Como parte deste plano, a empresa implementará nos próximos cinco anos a Jornada de Experiência do Cliente, sistema de conectividade que acompanhará o consumidor desde o seu primeiro contato com a marca. (Giovanna Riato)

DIVULGAÇÃO / HYUNDAI

HYUNDAI PREVÊ ATUALIZAÇÃO DO PAPEL DO CARRO NA SOCIEDADE

WON HONG CHO, vicepresidente global da Hyundai

ABRAÇANDO A CONVERSÃO DIGITAL JD POWER APONTA QUE CONCESSIONÁRIA DEVE SE ADAPTAR AO CLIENTE CONECTADO onsumidores cada vez mais conectados começam a provocar mudanças profundas na forma de vender carros no mundo todo, o que já está causando transformações nas concessionárias de todas as marcas, que precisam abraçar a conversão digital o quanto antes. “Essa mudança é rápida, implacável e a adaptação é perpétua. Melhor não lutar contra ela, mas abraçá-la, porque qualquer resistência é inútil”, aconselha Darren Slind, diretor sênior e líder para América Latina e Canadá da consultoria J.D. Power, especializada em pesquisa de consumo e satisfação no mercado automotivo. O consultor abordou a necessidade de conectar a rede de distribuição à nova realidade em sua palestra “Tecnologia, Transparência e a Transformação do Varejo Automotivo” no primeiro dia do Congresso Fenabrave. De acordo com pesquisas da J.D. Power, um forte aliado tecnológico do vendedor é o tablet, que deve estar amarrado a um robusto sistema de informações com preços digitais e todos os detalhes dos veículos à venda. Slind aponta que várias fabricantes de veículos já estão promovendo essa mudança em sua rede, especialmente as de alto luxo como Lexus, BMW e Mercedes-Benz, mas também alguns concessionários investem pesadamente na digitalização das concessionárias. (Pedro Kutney) n

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SERVIÇOS|CADERNO ESPECIAL

TERCEIRIZAR É OPORTUNIDADE PARA REDUZIR CUSTO FIXO ESTRATÉGIAS NA COMPRA DE MATERIAIS PODEM TRAZER MAIS EFICIÊNCIA ÀS GRANDES COMPANHIAS GIOVANNA RIATO

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MURAO

resposta imediata das montadoras para a forte retração das vendas de veículos este ano é reduzir os investimentos em compras de materiais diretos e indiretos. Há, no entanto, oportunidade de ajustar os custos ao terceirizar serviços. Quem garante é Maurício Muramoto, diretor da Deloitte para a indústria automotiva. “As montadoras têm a chance de ficar mais concentradas em sua atividade principal. É um

jeito de transformar custo fixo em custo variável, que acompanha o ritmo do mercado. Em momento de retração da demanda, automaticamente há redução dos custos.” Comprar serviços também assegura às fabricantes de veículos que algumas áreas que fogem da especialidade da indústria sejam conduzidas por empresas com a competência certa. Entre os exemplos estão os setores jurídico, contábil e de logística. Para a Deloitte, estes

são departamentos estratégicos que podem ganhar produtividade quando recebem atenção de uma empresa dedicada, contratada para cuidar daquilo. ESTRATÉGIA As fabricantes de veículos e componentes ainda trabalham para amenizar o susto causado pelo tombo das vendas de veículos este ano. Os esforços da Mercedes-Benz para se adequar à nova

COM SERVIÇOS AS MONTADORAS PODEM TRANSFORMAR CUSTO FIXO EM CUSTO VARIÁVEL, QUE ACOMPANHA O RITMO DO MERCADO MAURÍCIO MURAMOTO, diretor da Deloitte para a indústria automotiva

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FAZEMOS DE TUDO PARA ACOMODAR OS ESTOQUES E AS EMPRESAS TERCEIRIZADAS NÃO DEVEM FICAR FORA DISSO

que o custo-Brasil é um desafio que precisa ser superado. “Sempre buscamos desenvolver e qualificar os nossos fornecedores para atendimento com padrão de eficiência e qualidade internacionais. Em geral, o nível de competitividade no Brasil é impactado fortemente pelos custos fixos que podem prejudicar a produtividade em comparação a outros fornecedores mundiais.” Para a executiva, os problemas de fora da montadora afetam aspectos estratégicos, como os serviços logísticos. Muramoto aponta que outra área bastante sensível é a fiscal. É difícil para qualquer empresa acompanhar o emaranhado da legislação brasileira, o que faz as companhias terem um time especializado no assunto, normalmente acompanhado por equipes terceirizadas. “Nossa complexidade é muito alta. Há quantidade enorme de leis e decretos que surgem diariamente.” EVOLUÇÃO Ivar Berntz, sócio-líder para o setor automotivo da Deloitte no Brasil, destaca que a compra de serviços deve ser grande aliada da indústria automotiva ao longo dos próximos

anos, período em que o setor enfrentará forte transformação. “Tudo caminha para que a estratégia de aquisição de serviços seja bem mais enérgica, com as companhias evitando tudo o que a distraia de sua atividade principal”, acredita. O consultor cita as empresas mais jovens e as startups. Segundo ele, estas organizações já nascem com uma cultura muito mais forte de terceirizar. Um exemplo é a Apple, ícone de tecnologia e valor de marca. “É um objeto de desejo. Com um dispositivo da marca você tem o design e a tecnologia ali, mas nem sequer sabe onde ou por qual empresa o aparelho foi produzido”, aponta. No setor automotivo há a Tesla, especializada em carros elétricos de alta performance. “A companhia não tem tradição fabril, então é muito mais agressiva na aquisição de serviços”, observa Berntz. Muramoto complementa: “Em 15 anos teremos os carros com direção autônoma rodando em vários mercados. Isso fará com que muitos serviços surjam ao redor de veículo para garantir mais funcionalidades e conteúdo. A indústria deve seguir pelo mesmo caminho.” n LUIS PRADO

realidade do mercado vão refletir na contratação de serviços. “Estamos fazendo de tudo para acomodar nossos estoques, como a redução da jornada de trabalho em nossa fábrica de São Bernardo. As empresas terceirizadas não devem ficar fora disso”, avisa Erodes Berbetz, diretor de compras da companhia no Brasil. Segundo ele, o investimento na aquisição de serviços deve diminuir cerca de 30% este ano na comparação com 2014. Giulianno Ampudia, responsável por compras na Bosch, revela que o momento desafiador tem feito a empresa se esforçar para buscar soluções com seus fornecedores. “Não queremos simplesmente comprar menos. Estamos estudando como comprar de forma diferente”, conta. A ideia é se debruçar sobre os contratos com a cadeia de serviços para encontrar maneiras criativas e mais inteligentes de atender as necessidades da sistemista. As oportunidades para melhorar extrapolam os limites das fábricas e os acordos entre parceiros da cadeia produtiva. Na Ford, a diretora de compras Roxana Molina aponta

ERODES BERBETZ, diretor de compras da Mercedes-Benz no Brasil

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SERVIÇOS

| CONSULTORIA

TRANSFORMAÇÃO GLOBAL DITA NOVAS TENDÊNCIAS DE GESTÃO DE OLHO NO FUTURO, EMPRESAS JÁ SE PREPARAM PARA PROFUNDAS MUDANÇAS SUELI REIS

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uma decisão a considerar e sim ‘por que não consideramos esse movimento antes?’. Além disso, empresas do ramo de tecnologia vão chegar com mais força, gerando transformações em toda a cadeia.” NOVAS POSTURAS As novas tecnologias já ditam as necessidades de novas parcerias. Segundo Bacellar, os setores de economia e negócio, tecnologia, telecomunicações e energia nunca estiveram tão próximos como agora. Neste contexto há um relacionamento mais forte de setores que até então tinham pouca ligação com o mundo automotivo, como segurança e saúde, que passam a ficar integrados nos carros por meio DIVULGAÇÃO / KPMG

m tempos de profunda transformação da indústria global, as empresas intensificam a busca por serviços de consultorias especializadas, que se adiantam para entender o novo status quo do cenário mundial. No Brasil o momento não é diferente, mas, diante de uma crise, muda o escopo de prioridades, hoje concentrado em ferramentas de superação ligadas à redução de custo, como revisão de processos ou mesmo de planejamento logístico. Para Ricardo Bacellar, diretor de relacionamento para o setor automotivo na KPMG, embora o País viva sua particularidade, a tendência mundial aponta para mudanças estratégicas importantes nos modelos de negócio, o que pode chegar por aqui com algum atraso, mas com a vantagem de estar em seu estado mais maduro. “Quem sair na frente para entender todo este novo movimento que estamos vivendo vai tirar mais proveito. E as consultorias estão aí para acelerar esse processo”, afirma. Em sua análise, em alguns anos montadoras não serão tão numerosas em consequência de um processo maciço de consolidação: prospecções entre Fiat e GM relatadas recentemente já são sintomas dessa profunda transformação. “Daqui a dez anos, a questão não será se essa é

de recursos tecnológicos, como sistemas capazes de realizar chamadas automáticas de emergência em caso de acidente. Tais sinergias pedem uma relação cada vez mais rica com o cliente, que inclua o momento da venda e também o pós-venda. “Essas transformações estão acontecendo, claro que o ponto de partida é dado lá fora em diferentes proporções porque as situações econômicas e financeiras são díspares, mas todas estão antenadas. As companhias de tecnologia estão mais acostumadas com mudanças velozes e as montadoras vão assumir esse perfil, única e exclusivamente pela demanda do novo consumidor, que não quer ter menos do que já tem.”n

QUEM SAIR NA FRENTE PARA ENTENDER TODO ESTE NOVO MOVIMENTO VAI TIRAR MAIS PROVEITO RICARDO BACELLAR Diretor de Relacionamento, KPMG

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SERVIÇOS

| ENGENHARIA E PROJETO

COMO CRESCER

EM AMBIENTE HOSTIL EMPRESAS ESPECIALIZADAS ATRAVESSAM MOMENTOS DISTINTOS MÁRIO CURCIO

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lgumas emtros. Fornece os serviços de engenharia com presas espeequipe e softwares de simulação. cializadas em A companhia tem expectativa positiva serviços de engenhapara os próximos meses. Percebe o ria conseguem enconcrescimento da demanda de softrar espaço para crescer, twares pelos novos clientes e apesar do ambiente hostil de prestação de serviços e da retração nas vendas, pelos clientes atuais. Já mas o período sugere caupresta serviços a uma tela: “Nosso mercado é o fabricante do segmende desenvolvimento de novos to premium e vem neprodutos e não está diretamengociando com outras. PORTAS: Autoform desenvolve te vinculado à produção. O ano Nesse ponto, Vieira, da softwares para estamparia e dá de 2015 foi bom para a Autoform Autoform, é mais cauteloso: suporte nesta área mesmo com a crise e apesar dos proble“O ano de 2016 é uma granmas com o contrato de uma montadora que reduziu de incógnita. Em princípio o volume de serviço de novos drasticamente seu budget e nos atingiu significantemente. projetos demandará uma quantidade significativa de trabaNo entanto, outra montadora que abriu nova fábrica lho, mas acredito que alguns lançou um volume representativo de serviços, o de nossos clientes do merque nos ajudou a manter nosso fôlego”, cado de autopeças teafirma o diretor-geral da Autoform, rão sérias dificuldaFábio Vieira. A empresa é esdes em sobreviver, pecializada em softwares com caixa suficiente para estamparia e em para se manterem até suporte a essa área. o dinheiro de novos O gerente regioprogramas chegar em nal da CD-adapco, suas mãos (...) A flutuaDaniel Scuzzarello, ção da taxa de câmbio torna 2016 um garante: “Estamos ano ainda mais imprevisível.” crescendo. FechaO diretor de engenharia da divisão FLUIDODINÂMICA computacional é uma das mos o ano fiscal em sepowertrain da Delphi para a América especialidades da CD-adapco tembro com alta de 35% entre do Sul, Roberto Stein, também vê com softwares e serviços.” A empresa é especiaapreensão o momento atual: “Existem lizada em simulações de arrefecimento do motor, aero e muitas incertezas com relação a mercado, economia vibroacústica, conforto térmico da cabine (que inclui de- e política que estão afetando as decisões das empresembaçamento e descongelamento), gerenciamento de sas. Portanto, não têm surgido novas demandas.” Coágua em áreas como portas, porta-malas e desempenho mo outras empresas, a Delphi teve de adequar seus térmico com o carro em movimento ou parado, entre ou- quadros de engenharia ao momento econômico. n

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SERVIÇOS

| TESTES E SIMULAÇÕES

ESPAÇO PARA DEMANDAS RETRAÇÃO DE MERCADO ATINGE EMPRESAS E SETORES EM PROPORÇÕES DIFERENTES MÁRIO CURCIO

SOFTWARE DA AUTODESK simula áreas de maior tensão em componente

DIVULGAÇÃO / FORD

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retração no mercado nacional afetou uma parte importante de empresas e setores especializados em testes e simulações, mas há quem continue trabalhando embalado por causa das atualizações de projeto em curso: “Estamos em uma fase de mercado aquecido para desenvolvimento automotivo, principalmente powertrain”, afirma o engenheiro do centro de pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Romio. Ele recorda que o Inovar-Auto trouxe ao Brasil muitos motores novos e tanto a nacionalização desses propulsores como o desenvolvimento para melhoria da eficiência energética têm exigido investimentos constantes, sobretudo na área de ensaios em dinamômetro de bancada. “Grande parte do esforço do IMT está sendo aplicada na contratação e desenvolvimento de mão de obra”, diz Romio. O gerente de testes especiais da Ford, Gilberto Geri, afirma que as simulações no campo de provas da montadora em Tatuí (SP) não dimi-

LABORATÓRIO EM TATUÍ analisa dados como consumo e emissões

nuíram: “Elas sempre aumentam por conta da demanda, seja por novos projetos, seja por novas metodologias de simulação. Há claramente um direcional de aumento na utilização de simulações. Portanto, é preciso que elas estejam cada vez mais correlatas aos testes físicos”, diz. Para a Autodesk, que fornece softwares de simulação, a demanda permaneceu normal até o primeiro semestre. “Mas na segunda metade do ano caiu a procura, houve cancelamento ou adiamento de negociações para o próximo ano fiscal”, afirma o técnico especialista de

vendas da empresa, Raul Arozi Moraes. Para a indústria automobilística, a Autodesk fornece softwares para simulação de processos produtivos e injeção de peças plásticas, entre outros. Moraes recorda que a companhia percebeu recentemente a necessidade de mudar o plano de negócios. “Até algum tempo só vendíamos os softwares, mas passamos a alugá-los. Foi uma forma de nos protegermos da instabilidade do mercado.” O custo da locação, por ser mais baixo, ainda ajudou na redução do uso de licenças irregulares. O diretor de engenharia da VirtualCAE, Valmir Fleischmann, percebeu este ano uma redução na busca de simulações proporcional à queda do mercado, quando o ideal era ter aumentado. “O uso das simulações reduz o custo do desenvolvimento (...) A crise deveria ser um motivador para a utilização dessas tecnologias.”n

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SERVIÇOS

| LOGÍSTICA

APERTANDO OS CINTOS EMPRESA DEDICADA AO TRANSPORTE DE VEÍCULOS MANTÉM FOCO NA RACIONALIDADE DOS CUSTOS PARA SUPORTAR SOLAVANCOS SUELI REIS DIVULGAÇÃO / TEGMA

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GENNARO ODDONE, diretor-presidente da Tegma

nutenção de geração de caixa em um patamar adequado e saudável para suportar os solavancos futuros. Embora a crise atinja o País como um todo, o fato de estar presente em todas as regiões é vantajoso, uma vez que a empresa possui capilaridade em importantes locais, como o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde os índices de queda DIVULGAÇÃO / TEGMA

encolhimento da demanda por veículos novos em todo o País, cujas vendas devem cair quase 28% neste ano com relação ao ano passado, de acordo com estimativas da própria indústria automotiva nacional, diminui bastante as atividades de toda a cadeia e isso não exclui o segmento logístico. Com operações que cobrem desde fábricas até seus centros de distribuição, empresas dedicadas ao ramo e responsáveis pela distribuição e chegada dos veículos ou mesmo de autopeças para reposição nas concessionárias travam uma batalha diária contra o tempo e, agora, contra a crise. Esse é o caso da Tegma, empresa que há 45 anos se dedica ao transporte de veículos novos e que detém um terço do negócio no País. Em 2014, a receita líquida da empresa recuou 9% com relação ao ano anterior, para R$ 1,44 bilhão. “Este ano está sendo muito desafiador para nós e para todo o mercado, diante da queda de cerca de 20% das vendas de veículos novos até setembro. Um de nossos focos continua sendo a racionalidade dos custos e das operações”, afirma o diretor-presidente, Gennaro Oddone, que reassumiu a função em junho deste ano, após ter ocupado o mesmo cargo entre 2003 e 2013. O executivo enfatiza que em períodos de reequilíbrio das contas a empresa não deixa de observar os diversos movimentos do próprio mercado, a fim de também ajustar suas bases de custo e investimentos visando à ma-

do mercado automotivo são menores. “Além disso, sempre estamos atentos às novas indústrias que porventura se instalem no Brasil”, recorda. Por outro lado, é em momentos como este, de menor atividade, que surge a oportunidade de arrumar a casa, já que o setor de logística carece de melhoras constantes em todos os modais, incluindo integrações eficientes. Para Oddone, o Programa de Investimentos em Logística, anunciado em junho pelo governo e que prevê a inserção de R$ 198 bilhões em concessões nos próximos anos, pode representar o avanço tão esperado na infraestrutura. “Qualquer medida que venha no sentido de melhorar a qualidade da logística no Brasil, principalmente no modal rodoviário, será positiva para a empresa, pois permitirá que as entregas sejam feitas de forma mais rápida, beneficiando nossos clientes, os clientes de nossos clientes e a nossa própria companhia”, conclui. n

TEGMA detém um terço do transporte de veículos novos no País

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SERVIÇOS

| TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

ALAVANCAR

O MOMENTO ATUAL FABRICANTES BUSCAM SOLUÇÕES PARA REDUZIR CUSTOS E MELHORAR A EFICIÊNCIA OPERACIONAL EDILEUZA SOARES

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DIVULGAÇÃO / SYSTEMS

m tempos de crise aumenta a pressão por rentabilidade e redução de custos na indústria automotiva. Uma das alternativas buscadas pelo setor para amortecer os efeitos da desaceleração é a adoção de novas soluções de Tecnologia da Informação (TI) para automatizar processos, fisgar compradores de veículos e melhorar a eficiência operacional. A queda das vendas de veículos e o aperto aos cintos fizeram com que algumas indústrias recorressem à T-Systems em busca de soluções para reduzir custos. Camilo Rubim, vice-presidente de vendas para o setor automotivo da prestadora de

serviços de TI Brasil, menciona a procura pela terceirização de mão de obra especializada para o suporte técnico dos sistemas de gestão empresarial (ERP). Em vez de manter equipes internas dedicadas a essa atividade, montadoras como Honda, Mercedes e Volkswagen passaram a comprar pacote mensal de horas com recursos humanos para atendimento aos chamados técnicos da empresa. “Temos sido desafiados por alguns executivos de TI da indústria automotiva a aprePLATAFORMA CEM, da T-Systems sentar soluções que tragam resultados rápidos”, informa Rubim. Entre elas estão tecnologias e serviços para melhorar a eficiência operacional e vender mais carros com modelo de TEMOS SIDO contratação mais flexível, já que os orçamentos para investimentos em DESAFIADOS POR tecnologia tiveram uma queda de 30% este ano, segundo estimativas EXECUTIVOS DE do executivo. Com menos dinheiro, as montaTI A APRESENTAR doras estão tentando trocar Capex SOLUÇÕES QUE (despesas com capital) por Opex (custos operacionais) para as novas TRAGAM RESULTADOS aquisições de TI. Essa demanda tem sido atendida, principalmente pela RÁPIDOS computação em nuvem, que permite uso de aplicações pelo modelo de CAMILO RUBIM, da T-Systems

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cinas, concessionárias e clientes, com o objetivo de incrementar os negócios, melhorar a qualidade dos produtos e oferecer melhor atendimento aos clientes. Pelo sistema, o consumidor não depende mais de vendedor em lojas para escolher o carro dos seus sonhos. Por meio de um aplicativo baixado em seu smartphone ele consegue se aproximar do veículo e explorar todos os seus

recursos, com ajuda de um dispositivo móvel chamado beacon, que conecta o celular com o automóvel. As informações do CEM alimentam a equipe comercial, que traça estratégias para atrair potenciais compradores de carros. Segundo a T-Systems, a tecnologia pode incrementar vendas em até 18% e tem sido bem aceita por indústrias na Europa, como Audi, BMW e Renault.

AJUSTE FINO SEM CORRERIA D

aniel Bio, gerente de produtos para a indústria automotiva da SAP, fornecedora de ERP, que processa operações de diversas montadoras no Brasil, observa que o momento de ociosidade é oportuno para ajudar as fabricantes a revisar sistemas informatizados e deixá-los mais robustos para quando acontecer a retomada do mercado. “As montadoras devem aproveitar a queda das vendas para repensar os negócios e fazer ajustes que não conseguem fazer quando estão na correria para atender as altas demandas do mercado”, aconselha o executivo. Enquanto anda na marcha lenta, Bio orienta os fabricantes a avaliar se o fluxo de produção está funcionando conforme planejado e se os relatórios de estoques estão 100%, por exemplo. “Agora é a hora certa de olhar a operação mais profundamente para descobrir o que pode ser feito de forma automatizada e melhor para reduzir erros”, diz o executivo da SAP. Entre as tecnologias que Bio acredita que haja oportunidade para investimentos no setor atual estão os sistemas de monitoramento de equipamentos do chão de fábrica via M2M (máquina a máquina). A vantagem da tecnologia é o acompanhamento em tempo real dessas máquinas com dados sobre a manutenção e temperatura, por exemplo, para adoção de medidas com antece-

dência em caso de falhas, evitando prejuízos nos processos produtivos. “As indústrias precisam ficar mais ágeis e produtivas ainda mais em momentos de crise. Elas têm de integrar sistemas e funcionar com soluções mais robustas”, destaca André Veiga, diretor do segmento de Varejo da Totvs, produtora nacional de ERP, que atende montadoras, fornecedores de autopeças e concessionárias de veículos. Segundo ele, a companhia está recebendo demanda dos clientes por novas ferramentas para ganhar mais velocidade e acelerar processos internos. Veiga aponta a plataforma Fluig, uma ferramenta de produtividade e colaboração que unifica a gestão de processos, documentos e identidades, podendo ser acessada também por dispositivos móveis. O sistema Fluig cria portais para que as empresas se comuniquem on-line com suas comunidades. Veiga constata que uma das dificuldades das montadoras é o envio dos catálogos de produtos para as concessionárias, que podem ser liberados por meio da nova plataforma, sem a necessidade do uso de e-mail. A tecnologia é uma rede social corporativa criada para dar mais velocidade ao fluxo de documentos e compartilhamento de informações. Seu objetivo é fazer com que as decisões de negócios sejam tomadas mais rapidamente.n

DIVULGAÇÃO / TOTVS

DIVULGAÇÃO / SAP

serviço, sem necessidade da compra de hardware ou software. Rubim conta que alguns clientes perguntaram: “Como vocês podem ajudar a vender mais?” Uma das respostas da T-Systems foi o lançamento no Brasil da plataforma Customer Experience Management Automotive (CEM), importada da matriz, na Alemanha. A tecnologia integra pela nuvem fabricantes, ofi-

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SERVIÇOS

| AUTOMAÇÃO

SINAIS DE

OPORTUNIDADE APESAR DO RECUO NA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA, FORNECEDORES DE ROBÔS TÊM EXPECTATIVA DE RETOMADA NOS NEGÓCIOS milares aos de 2014 e final de 2013”, revela. Cesar Mingione, gerente de marketing da Balluff, comenta que a companhia adota uma nova postura, procurando ser mais simples, objetiva, voltada às necessidades do cliente, para propor soluções sob CESAR MINGIONE, gerente medida. “Estamos mais de marketing da Balluff próximos dos usuários de nossos serviços e procuramos comprovar alto nível automatização como Kuka e Balluff – de eficiência. Estes diferenciais estão nos tornando mais e mais presentes pelo menos por enquanto. Mekhalian afirma que os negócios no mercado “, afirma. O gerente da Balluff acredita que em 2015 serão 20% inferiores ao previsto no início do ano e a saída tem 2016 será um ano desafiador e de sido buscar novos mercados, como muito trabalho, uma vez que após as indústrias alimentícia, farmacêuti- a explosão de consumo em 2012 ca, de cosméticos, metalúrgica e ele- e 2013 o atual período está sendo troeletrônica. “Muitos projetos que tí- marcado por ajustes econômicos e nhamos com o segmento automotivo expressiva retração nas vendas da inforam adiados”, explica, observando dústria automobilística. Apesar desse porém ter certeza de que esses pro- cenário negativo, ele admite que hagramas ainda serão realizados. verá uma nova onda de automação Para o executivo há um certo otimis- nas montadoras, seja para ganho de mo em relação a 2016. “Acredito que eficiência, redução de custos ou adeserá um ano bom, pois representantes quação das linhas a novos produtos de diferentes setores com quem tenho globais”, diz. Mingione entende ainda conversado dizem estar prontos para que a nova situação cambial coloca investir e melhorar a produtividade e o Brasil em posição extremamente competitividade. Assim, esperamos competitiva ante os demais países obter no ano que vem resultados si- produtores de veículos.n DIVULGAÇÃO/BALLUFF

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s robôs no processo produtivo da indústria automobilística são uma realidade sem volta. No mundo, a média de utilização é de 64 braços automatizados para cada 10.000 trabalhadores humanos. Com nível sete vezes menor, o Brasil é um mar de oportunidades para quem atua na área de automação industrial. Mas o negócio não é tão simples assim. Segundo Edouard Mekhalian, managing director da Kuka Roboter, é preciso vencer barreiras culturais e econômicas para aumentar o número de robôs nas linhas de produção industriais brasileiras e aproveitar as oportunidades. “É um desafio justificar o retorno sobre o investimento no Brasil”, diz. Fato é que o País possui diversos fatores de risco que são analisados e pesam contra investimentos deste tipo, como juros altos, instabilidade cambial e insegurança de mercado. Esses fatores, aliados à crise que o setor industrial vive atualmente, incluindo as montadoras de veículos, com volumes de vendas repetindo os níveis de 2008, têm impactado negativamente os fornecedores de componentes de

ALEXANDRE AKASHI

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Revista Automotive Business - edição 35  

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