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QUALIDADE COM CERTIFICAÇÃO EM DUAS DÉCADAS DE EXISTÊNCIA, O INSTITUTO DA QUALIDADE AUTOMOTIVA DEDICOU-SE À PROMOÇÃO DE ELEVADOS PADRÕES DE EXCELÊNCIA NA CADEIA DE PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA, CAPACITANDO PESSOAS, QUALIFICANDO E CERTIFICANDO SISTEMAS, PRODUTOS E SERVIÇOS IQA-20-ANOS.indd 1

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ANOS

EDITORIAL

INSTITUTO DA QUALIDADE AUTOMOTIVA

A opção pela qualidade com certificação e capacitação técnica

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esses 20 anos de existência, o Instituto da Qualidade Automotiva contabiliza um crescimento vigoroso na disseminação da qualidade através das certificações de sistemas de gestão, de produtos, de serviços automotivos, de treinamentos e publicações técnicas. Ele já estimula o desenvolvimento de tecnologia e da inovação por meio de laboratórios próprios de ensaios, dando suporte à implantação de novos empreendimentos da indústria automobilística local. É, ainda, uma referência como órgão sustentável da qualidade na cadeia automotiva e exerce um papel significativo na certificação compulsória para o mercado de reposição, protegendo o consumidor, o aplicador, o comerciante, o fabricante e os produtos. INGO PELIKAN Presidente, IQA

Dirigentes do IQA DIRETORIA EXECUTIVA Ingo Pelikan - Presidente (Anfavea) Ricardo Schneider Talhiari (Anfavea) Feres Macul Neto (Sindipeças) Stephan H. Blumrich (Sindipeças) Douglas Palma (Sindirepa) CONSELHO DIRETOR Amin Alidina (Anfavea) Edgardo A. Manriquez Martinez (Anfavea) Mário Luz Teixeira (Anfavea) Rogério Barreto de Rezende (Anfavea) Richard Schwarzwald (Anfavea) Antônio C. Bento de Souza - Presidente (Sindipeças) Alexandre Meirelles Nagle (Sindipeças) George Rugitsky (Sindipeças)

Fernando Herrera Neto (Sindipeças) Wilson Rocha Filho (Sindipeças) Ilcon Miranda Costa (ABCQ) Valter Biaggi Bombonato (Abiplast) Edvaldo Cardozo de Araújo (Abividro) Edson Orikassa (AEA) Vanderlei Borsari (Cetesb) Marcelo Ciardi Franciulli (Fenabrave) Luiz Eduardo Lopes (IPT) Ronaldo Camargo (Denatran) José Antônio Silvério (Setec) Antônio Carlos Fiola da Silva (Sindirepa) CONSELHO FISCAL Diogo Alarcon Clemente (EMP) Fábio Braga (SAE Brasil)

Francisco Emílio Baccaro Nigro (EMP) Marco Antônio Saltini (Anfavea) Amauri José de Almeida Silva (Sindipeças) Mauricio Muramoto (Sindipeças) HOMENAGEM AOS EX-PRESIDENTES DIRETORIA EXECUTIVA Paulo Roberto Lozano Marcio Fontoura Migues CONSELHO DIRETOR Ali El Hage Sérgio Pin STAFF DO IQA Mário dos Santos Guitti (Superintendente) Sérgio Kina (Gerente técnico) Carlos Mendonça (Gerente administrativo e financeiro) Sérgio Fabiano (Gerente de serviços automotivos)

Índice 3 A qualidade evolui com o IQA 6 As vantagens da certificação compulsória 8 Iniciativas que fazem a diferença 9 Do Geia ao Inovar-Auto 10 A expectativa sobre a qualidade dos veículos

12 O diferencial competitivo 14 O impacto do novo regime automotivo 16 A garantia da conformidade 18 Aftermarket: excelência de ponta

Publicação especial do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva editada por Automotive Business. Tiragem de 13 mil exemplares. Editor: Paulo Ricardo Braga (MTPS 8858); Jornalistas: Fernando Neves, Giovanna Riato, Sueli Reis; Colaboradores: Alfredo Lobo (Inmetro), Ingo Pelikan, Ilcon Miranda Costa e Márcio Fontoura Migues (IQA) e Valter Pieracciani (Pieracciani); Revisão de textos: Mário Curcio; Design Gráfico: Ricardo Alves de Souza e Josy Angélica. IQA – Instituto da Qualidade Automotiva – Alameda dos Nhambiquaras, 1.509, Moema, 04090013, São Paulo, SP, Tel. 11 5091-4545, www.iqa.org.br.

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LUIS PRADO

ANOS INSTITUTO DA QUALIDADE AUTOMOTIVA

20 anos

Qualidade evolui com o IQA

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inte anos após sua criação, em 1995, o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) assiste à consolidação de seu propósito de contribuir para o avanço dos padrões de qualidade da indústria automobilística e dos componentes e veículos produzidos no País. A entidade expandiu suas atividades em meio às mudanças significativas provocadas pela abertura às importações, marcadas pelo esforço para adequar os veículos nacionais a novos patamares de competitividade. Duas décadas depois da implantação, o IQA tem papel decisivo no apoio a outra revolução da qualidade, alavancada pelo amadurecimento do Inovar-Auto, programa implantado pelo governo para

uma nova onda de modernização da indústria e dos veículos brasileiros, dentro de níveis internacionais. Se nos anos 1980 a preocupação era assegurar a qualidade na cadeia de suprimentos e produção, os esforços na década seguinte se concentraram na gestão da qualidade e hoje são pautados pela busca da excelência. Concebido da interação entre as Câmaras Setoriais e o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, com a atuação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o IQA recebeu sinal verde para sua missão da então ministra da Indústria e Comércio, Dorothéa Werneck.

Instituto foi criado para incentivar a qualidade na indústria automobilística e a certificação de produtos e serviços

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20 anos Os padrões de qualidade na indústria automobilística local se equiparam aos existentes nos Estados Unidos e nos melhores mercados da Europa e Ásia

“A formação do IQA foi consequência do desenvolvimento natural de várias ações com o objetivo de aprimorar a qualidade e produtividade da cadeia automotiva nacional”, define Marcio Migues, expresidente da diretoria executiva do IQA, que acompanhou de perto a evolução do instituto. Ele lembra que outras entidades aderiram posteriormente ao processo de disseminar e uniformizar normas e padrões automotivos. Migues entende que ainda há desafios a ser vencidos, mas garante que atualmente os padrões de qualidade na indústria automobilística local se equiparam aos existentes nos Estados Unidos e nos melhores mercados da Europa e Ásia. Apoiada no Código de Defesa do Consumidor, nos avanços das normas e dos processos de certificação, a atuação do IQA ganhou relevância crescente também no processo de disciplinar o mercado de consumo, estimulando mecanismos para avaliação da manufatura e desempenho de veículos e componentes e conter a pirataria no aftermarket.

VOCAÇÃO AUTOMOTIVA Organismo de certificação sem fins lucrativos, especializado no setor automotivo, o IQA é representante de organismos internacionais e acreditado pela Coordenação Geral de

Acreditação (CGCRE) do Inmetro. Dirigido por executivos do primeiro escalão da indústria automobilística, representantes do governo e Anfavea, Sindipeças, Sindirepa e outras entidades, atua em certificação de produtos, serviços automotivos, sistemas de gestão, ensaios laboratoriais, publicações e treinamento. É dessas atividades que provêm suas receitas. Com sede em São Paulo, o IQA regionalizou a atuação por meio de representações próximas aos polos automotivos. Sua estrutura compreende uma assembleia geral, conselhos diretor e fiscal, diretoria executiva, comissões técnicas de certificação e colaboradores.

INTERNACIONAL O Instituto da Qualidade Automotiva é referência internacional quando o assunto é certificação de produtos automotivos. A presença no exterior, na Europa e em países como China, Tailândia, Taiwan, Índia, Coreia do Sul, África do Sul, Estados Unidos, México, Indonésia e Japão, é garantida por meio de parcerias com laboratórios e organismos de certificação internacionais, qualificados para atender normas e exigências do Inmetro. Com essas interações, cria-se uma rede de laboratórios e auditores qualificados, prontos para atender o cliente brasileiro de forma personalizada nas certificações e com custobenefício atrativo.

PARCERIAS

SERVIÇOS OFERECIDOS PELO IQA • Certificação de sistemas de gestão • Certificação de produtos automotivos • Homologação de produtos • Certificação de serviços automotivos • Treinamentos especializados • Publicações técnicas em português • Serviços de laboratório de ensaios

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As parcerias do IQA no trabalho de certificação incluem organismos de renome, como a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio do Comitê Brasileiro Automotivo (ABNT/CB-05); do CGCRE do Inmetro; do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro); da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC; do Cesvi Brasil – Centro de Experimentação e Segurança Viária; do norte-

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FOTO: LUIS PRADO

americano Automotive Industry Action Group (Aiag); da italiana Associazione Nazionale Fra Industrie Automobilistiche (Anfia); do Insvor (unidade corporativa do Grupo Fiat); da europeia Organisation for Data Exchange by Tele-Transmission in Europe (Odette); do alemão TÜV SÜD Managemente Service; do francês Union Technique de L’Automobile, Du Motorcycle Et Du Cycle (UTAC); e das alemãs Verband Automobilindustrie e Qualitäts Management Center (VDA-QMC); da espanhola Idiada e da VCA, da Grã-Bretanha.

TREINAMENTOS FOTO: LUIS PRADO

O IQA mantém extenso programa de treinamento e cursos voltados para a área automotiva e foi escolhido pelo International Automotive Task Force (IATF), Aiag e VDA/ QMC para traduzir, editar e comercializar seus manuais. A biblioteca inclui também ISO/TS 16949 e Seis Sigma. Entre os eventos anuais destaca-se o Fórum da Qualidade Automotiva.

LABORATÓRIOS

FOTO: DIVULGAÇÃO / IQA

Em setembro de 2014 foi inaugurado no Parque Tecnológico de Sorocaba o laboratório do IQA dedicado à realização de ensaios químicos na área de Arla 32, líquidos de freio, aditivos de radiador e outros produtos. Estão em fase de desenvolvimento também os laboratórios metalúrgicos (para metalografia e ensaios de resistência mecânica e dureza) e de ensaios mecânicos e uma pista de provas veiculares. n

O IQA é acreditado pela CGCRE do Inmetro como organismo certificador e publica manuais especializados para o setor automotivo. Na sede, em São Paulo, são promovidos programas de treinamento e cursos. No Parque Tecnológico de Sorocaba, o laboratório do IQA realiza ensaios químicos

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ENTREVISTA | Ingo Pelikan

As vantagens da certificação compulsória Em entrevista a Automotive Business, o presidente do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) explica o papel da entidade e a importância da certificação de produtos na indústria automobilística Automotive Business – Qual é o papel do IQA no estímulo à qualidade na indústria automobilística brasileira? Ingo Pelikan – O sucesso da qualidade está no trabalho cada vez mais próximo de todos os segmentos, para que compartilhem conhecimento, troquem experiências e desenvolvam um conceito em comum para a cultura da qualidade. Como a missão do instituto é prestar serviços que contribuam para a melhoria da qualidade, agregando valor para toda a cadeia automotiva, tanto indústria, comércio e serviços, entendo que o IQA deve ser uma referência neste sentido para a cadeia automotiva. AB – Como está estruturado o instituto para cumprir esses objetivos? Ingo Pelikan – O IQA é composto por um conselho com 12 entidades participantes do setor automotivo, uma diretoria com cinco membros e uma estrutura organizacional instalada em São Paulo, cuja equipe está distribuída para atuar com certificação de sistemas de gestão, serviços automotivos e produtos, homologação de veículos e

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componentes, publicações e treinamentos para a qualidade. Além disso, instalou recentemente um laboratório químico no Parque Tecnológico de Sorocaba, onde oferece desenvolvimento e ensaios para produtos químicos. AB – De que forma o IQA atende as empresas relacionadas à indústria automobilística? Ingo Pelikan – Com a sua estrutura organizacional, apoio das entidades do setor pelo conselho e diretoria, sendo representante oficial no Brasil de diversas entidades internacionais de referência em qualidade da Alemanha, França, Estados Unidos, Itália, entre outros, proximidade de órgãos governamentais, atuação constante em diversas regiões do País, participação em feiras e eventos correlacionados ao setor automotivo e realização de eventos para o setor, permite oferecer regularmente e/ou, de acordo com as necessidades dos clientes, todo o tipo de serviço focado para a qualidade AB – Quais são os principais resultados positivos das atividades

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da entidade ao longo dos 20 anos de sua existência? Ingo Pelikan – Ponto fundamental é o reconhecimento do seu valor como entidade e ser referência como órgão sustentável da qualidade da cadeia automotiva. Além disso, quando criado nas câmaras setoriais como órgão certificador credenciado pelo Inmetro, sem fins lucrativos, tinha uma pequena gama de clientes e serviços. Hoje esse número mudou de forma exponencial, mantendo uma estrutura sólida e atuante. AB – Em que medida a indústria local desenvolveu padrões de qualidade comparáveis aos oferecidos em mercados maduros, como Europa e América do Norte? Ingo Pelikan – Nestes 20 anos podemos observar o número crescente de indústrias que se instalaram no Brasil, como uma diversidade de marcas, produtos e modelos como pouco se vê no mundo. Hoje somos o quinto maior mercado e o oitavo maior fabricante, tendo produtos e serviços comparáveis com países do primeiro mundo. Sistemas, métodos e ferramentas da qualidade são os mesmos utilizados mundialmente. A sensibilidade para a qualidade por parte dos fabricantes, comércio e clientes evoluiu fortemente, desencadeando uma cultura para a qualidade cada vez mais apurada. Evidentemente que há muito a fazer na busca do aculturamento para a qualidade. AB – O Inovar-Auto traz impacto no avanço da qualidade dos veículos produzidos no País? De que maneira?

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INSTITUTO DA QUALIDADE AUTOMOTIVA

Ingo Pelikan – Sim, traz. Mas ainda deverá trazer muito mais, pois estamos na metade do programa e seu início foi relativamente lento e as oportunidades ainda estão sendo captadas. Uma delas é parte da capacitação técnica, que permite investimentos na qualidade de processos e produtos dos fabricantes por meio das montadoras. O conteúdo local é outro grande desafio, que gera oportunidades de novos desenvolvimentos e tecnologias. AB – Os investimentos promovidos pela indústria automobilística na área de pesquisa, desenvolvimento e inovação contemplam aportes específicos no campo da qualidade? Ingo Pelikan – Sim, mas muitas vezes não de uma forma direta. Existem oportunidades inúmeras nesses aspectos de pesquisa e inovação. Para termos produtos competitivos mundialmente, precisamos inovar constantemente, mas de uma forma robusta e organizada, de forma que os processos gerem automaticamente produtos de alta tecnologia e, consequentemente, uma qualidade de alto padrão. Desta forma evitamos desperdícios e custos da não qualidade,

aumentando a produtividade e competitividade. Por outro lado, vale ressaltar que somente isso não basta. Investimentos consistentes na capacitação do capital humano também são fundamentais. É necessário um trabalho robusto na formação dos profissionais, desde o ensino básico, passando pelo profissionalizante, superior e especialização, para que tenhamos realmente uma cultura voltada para a qualidade. AB – Além de promover a qualidade na indústria, o IQA tem atuado bastante ao lado do Inmetro na área de certificação para regulamentar a oferta de componentes no mercado de reposição. Como avança esse programa? Ingo Pelikan – A certificação compulsória permite ao fabricante investir em seus produtos de forma que possam ser aceitos e comercializados dentro de um padrão de qualidade conforme normas específicas e regulamentadas. Isso protege o cliente, o comerciante e o produtor. Desta forma, o IQA atua e estimula esse procedimento em todos os níveis da cadeia automotiva, começando por certificação do sistema de qualidade, homologação e certificação de produtos e de serviços. As evidências comprovam que essas atividades trazem um retorno significativo para todos os envolvidos, mas principalmente deve ser encarado como um investimento para os seus negócios. Parte já está regulamentada, mas existem ainda grandes oportunidades que a própria sociedade irá demandar. n

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INOVAÇÃO | Valter Pieracciani

Iniciativas que fazem diferença GLADSTONE CAMPOS

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A inserção competitiva do Brasil e a sobrevivência de nossa indústria estão intimamente ligadas a qualidade e inovação

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omitê Gestor do Programa, grupos de trabalho multifuncionais, pontos focais espalhados, ação transversal, estratégia e política definidas. E, mais recentemente, norma de gestão de sistema em vigor. Parece que estamos falando de qualidade, certo? Não! Estamos falando de uma clássica estrutura de gestão da inovação. Muito do que se aprendeu e se implantou nas últimas décadas é útil na hora de colocar a inovação para funcionar efetivamente nas empresas. Não falamos da empresa que inova de forma esporádica, mas sim das usinas de inovações, que montaram um conjunto de práticas para assegurar que ideias nasçam e se transformem em negócios sistematicamente. Inovação em série. Nessas empresas a inovação é planejada. Existem estratégias indicando onde inovar, recursos previstos para essa finalidade e capacitação para formar agentes e líderes de inovação. Tecnologias novas são prospectadas e acompanhadas, bem como seus resultados. Mesmo entre as empresas inovadoras, são poucas as que dedicam atenção ao planejamento da inovação. Muitas simplesmente saem fazendo, erram e ainda reclamam que inovação é cara... Já as empresas que planejam a inovação chegam a registrar as lições aprendidas em módulos de gestão do conhecimento. Ativo valioso em uma era da inovação veloz. Há ainda, nessas empresas, processos claros para acolher ideias, com filtros previamente estabelecidos, estruturados como sistema. E de montagem de sistema de gestão você entende... Sem falar que, a depender de quanto a inovação foi contemplada na hora de implantar o sistema de gestão da qualidade,

ela se sobrepõe a essas práticas, facilitando a implantação. A Norma NBR 16501 – Gestão do PD&I é o padrão de referência para interessados em avaliar suas práticas internas. Não são só esses os pontos em comum entre qualidade e inovação. É um erro grosseiro achar que só a inovação radical é válida. Muito do desenvolvimento de produtos e processos é inovação incremental que gera importante competitividade. Fazer melhor, mais rápido e mais barato. Os programas de lean, melhoria contínua e os chamados kaizen devem ser considerados inovação e, como ocorre na maioria das vezes, podem perfeitamente ser gerenciados pelas mesmas pessoas. Temos vários casos nos quais as equipes de QMS (qualidade, meio ambiente, saúde e segurança) viraram QMSI, evidenciando a forte correlação entre qualidade e inovação. Na dimensão estratégica, e pensando em termos de país, meu brilhante professor João Mario Csillag propõe uma conexão ainda mais instigante entre qualidade e inovação. A inovação nos países campeões nesse quesito é fruto direto de elevados níveis de qualidade na educação, na gestão das organizações, na saúde pública e infraestrutura e nos serviços públicos – incluídos aí institutos de ciência e tecnologia. Assim, se quisermos mesmo ver o Brasil entre as nações inovadoras, deveremos avançar muito no campo da qualidade. Para finalizar, a inserção competitiva do Brasil e a sobrevivência de nossa indústria estão intimamente ligadas a esses dois temas. A qualidade e a inovação é que poderão, de fato, fazer a diferença. Nesse campo, o IQA participa de modo importante para a promoção da qualidade em toda a cadeia automotiva brasileira. A luta continua! n

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HISTÓRIA | Ilcon Miranda Costa

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á 59 anos foi publicado o Decreto nº 39.412, estabelecendo normas para a criação da indústria automobilística brasileira e instituindo o Grupo Executivo (Geia), a fim de executar as diretrizes básicas enunciadas no decreto, formular outras recomendações de incentivo à indústria automobilística e garantir estímulos às empresas envolvidas na fabricação de automóveis e de autopeças. Atraídos pelo programa de metas de desenvolvimento do governo, os alemães instalaram uma fábrica no País em 1959. Nove anos depois foi a vez dos americanos. Essas indústrias automobilísticas foram as responsáveis pelo desenvolvimento da maior parte da rede de fornecedores de autopeças e de mão de obra qualificada, tão carente no Brasil. No fim dos anos 1960, o índice de nacionalização já estava prestes a atingir a meta do governo. Em 1973, o governo criou o Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro), instituindo novas regras para a qualidade industrial, e para executá-las foi criado o Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade (Inmetro). Em 1976 chegaram os italianos. A abertura do mercado nacional à importação, nos anos 1990, trouxe os japoneses, franceses, coreanos e outros que, aqui, fixaram suas fábricas. Ainda nos anos 1990 o governo criou o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP), instituiu o Sistema Brasileiro de Certificação (SBC) e o Comitê Brasileiro de Certificação (CBC) para regulamentar a acreditação de organismos de certificação. Em 1995 foi fundado o

Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), primeiro organismo de certificação no setor automobilístico, acreditado pelo Inmetro, resultado do trabalho conjunto do governo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e outras entidades neutras. Em 2012 o governo publicou o Decreto o n 7.819, regulamentando o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Inovar-Auto, com o objetivo de criar condições de competitividade e incentivar as empresas a fabricar carros mais econômicos e mais seguros, investir em capacitação da cadeia de fornecedores, em engenharia, em tecnologia industrial básica, em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e participar do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o PBEV, do Inmetro. Nesse espírito, o decreto estabeleceu metas de eficiência energética para veículos movidos a gasolina e/ou etanol, a ser atingidas até 31 de dezembro de 2017, e as empresas automobilísticas já deverão estar produzindo veículos mais seguros. O decreto prevê como os incentivos fiscais serão concedidos aos fabricantes habilitados pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A indústria automobilística chega a 2015 com muitos obstáculos a serem vencidos antes que sejam atingidas as metas estabelecidadas pelo governo. Com certeza elas serão alcançadas. Isso aconteceu no passado e ocorrerá em 2017. n

LUIS PRADO

Do Geia ao Inovar-Auto

A partir dos anos 1990, o governo incentivou a criação de organismos para estimular a qualidade automotiva

ILCON MIRANDA COSTA é presidente do Conselho da Associação Brasileira de Controle da Qualidade (ABCQ), conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) e membro da Associação Brasileira da Qualidade (ABQ)

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ARTIGO | Marcio Migues

A expectativa dos clientes sobre a qualidade dos veículos brasileiros LUIS PRADO

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MARCIO MIGUES foi durante 14 anos presidente da diretoria executiva do IQA. Atua há 41 anos na área automotiva. É membro da ABQ – Academia Brasileira da Qualidade

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á algumas décadas os consumidores esperavam que os carros tivessem cada vez menos problemas e que, quando houvesse defeitos, estes pudessem ser reparados com eficiência e rapidez. Desejavam ainda que a marca sempre tivesse uma oficina o mais perto possível. A segurança oferecida aos passageiros, bem como algumas comodidades nos veículos, completava a lista. Era isso então o que se poderia esperar de um carro para ser considerado de “boa qualidade”. O marketing e a qualidade de projetos desenvolvidos pelos fabricantes tinham a confiabilidade como fator principal. Essa confiabilidade acabou, ao longo do tempo, sendo cada vez mais dominada pelo setor e se tornou menos importante no rol das expectativas, tornando-se aspecto de exigência compulsória por parte dos consumidores. Em outras palavras, hoje os consumidores acreditam que os carros têm realmente menos defeitos, não devem ir à oficina e possuem segurança adequada. Se houver algum senão com esse veículo, o consumidor deseja ter a solução de mobilidade preservada, com a reposição de outro veículo. Esse é o sonho dos usuários atualmente.

EXIGÊNCIAS Na verdade, hoje os consumidores entendem por boa qualidade muito mais do que

ausência de problemas ou defeitos. O carro precisa ter design atraente, garantir status ao proprietário, oferecer bom espaço e habitabilidade (hoje passamos mais tempo dentro do carro), trazer número expressivo de itens de tecnologia e mídia, assegurar baixo custo de operação (combustível e manutenção), além de desempenho e funcionalidade. Há diferenças de percepção de mercado para mercado, como a questão dos ruídos. Quando se compara o número de reclamações sobre a ocorrência de ruídos e problemas de acústica (em um mesmo veículo) no mundo, o Brasil, e em sequência os países latinos, registra mais exigências nesse quesito do que europeus e asiáticos. A explicação: nós latinos às vezes enxergamos nossos carros de maneira afetiva, como um “ser”, e o ruído significa que algo não vai bem com ele.

PESQUISAS A indústria melhorou a confiabilidade, que se tornou um fator competitivo, e também trabalhou na redução de custos, muitas vezes como resultado da obediência a regulamentações governamentais e institucionais. O uso de garantias estendidas salienta mais essa condição. As pesquisas com consumidores no Brasil, aos três meses de uso, mostram que nos últimos dez anos as reclamações por problemas de confiabilidade foram reduzidas em 50%, em

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média, e as marcas ficaram mais próximas entre si nesse aspecto. Ao mesmo tempo, há menos reclamações de defeitos em relação aos itens de satisfação dos clientes citados anteriormente.

CONFIABILIDADE Alguns fatores externos colaboraram para que o setor automotivo melhorasse a confiabilidade dos produtos automotivos: • as regulamentações internacionais exigiram o desenvolvimento de normas de certificação mais adaptadas ao setor automotivo que a ISO 9000 e construíram a QS 9000 (EUA), VDA 6.1 (Alemanha), EAQF (França) e AVSQ (Itália) que se fundiram na ISO TS 16949 mundial;

• evolução do global sourcing, estabelecendo exigências de desempenho e qualidade globais para itens automotivos; • legislação de recalls e Código de Defesa do Consumidor pelo governo brasileiro; • Certificação de Marca de Conformidade para peças de segurança e funcionais. Concluindo, os clientes de hoje realmente esperam que a confiabilidade e a segurança sejam inerentes ao veículo e que qualidade seja sinônimo de ter mais ou menos satisfação na experiência de possuir um veículo. É com base nesses fatores que nos últimos 20 anos de sua existência o IQA tem contribuído de forma determinante, assistindo ao setor automotivo como um todo com competência ética e integridade. n

O consumidor quer muito mais do que ausência de defeitos

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A NOVA ERA DA QUALIDADE

O diferencial competitivo A qualidade passou a ser atrelada à satisfação do consumidor com os produtos da indústria automobilística

LUIS PRADO

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O veículo fabricado no Brasil é extremamente competitivo em termos de qualidade LUIZ MOAN, presidente da Anfavea

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presença do consumidor tornouse obrigatória em qualquer equação para explicar qualidade no mercado automotivo. O motivo é simples: não importa design exterior arrojado, motores potentes, tecnologia importada dos programas espaciais ou da Fórmula 1 ou mesmo preço baixo. Se quem paga a conta não está satisfeito, a venda não acontece, ou melhor, é transferida para aquele produto que permite ao consumidor vivenciar a melhor experiência de consumo. “A qualidade é o diferencial competitivo”, resume Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria e analista especializada no mercado automobilístico brasileiro. Para Luiz Moan, presidente da Anfavea, associação das montadoras instaladas no País, esse diferencial já está presente nos produtos feitos por aqui. “O veículo fabricado no Brasil é extremamente competitivo em termos de qualidade. Prova disso é que já exportamos modelos para os principais mercados do mundo, como Estados Unidos e Europa”, afirma. Stephan Keese, sócio-diretor da consultoria Roland Berger, concorda com o presidente da Anfavea quanto ao nível de qualidade do produto brasileiro. “Em

PPM (partes por milhão, medida utilizada em amostragem de produção industrial), a qualidade brasileira é muito boa em comparação com outros países”, afirma. Ele aponta que a dificuldade das montadoras instaladas no País, partilhada também pelos fornecedores Tier 1, os chamados sistemistas, está na falta de alternativa para fornecimento de componentes. No Brasil, segundo o consultor, há poucas opções para alguns produtos, como ABS, por exemplo. “Isso compromete a qualidade”, alerta. Letícia recorda que num passado recente carros japoneses e sul-coreanos eram considerados de baixa qualidade. “Isso mudou e hoje consumidores de automóveis Honda e Toyota, por exemplo, são fiéis e os modelos vendidos por essas marcas não estão entre os mais baratos do mercado”, diz. Para a consultora, a explicação vem da qualidade avaliada: “O consumidor percebe qualidade nos produtos dessas marcas, independentemente do preço, e isso inclui o atendimento nas revendas”, explica. “A Hyundai está no mesmo caminho de criar fidelização à marca”, assinala, lembrando que, atualmente, o produto que tem a pecha de ser considerado de nível discutível é o chinês. Para Sergio Pin, conselheiro responsável por assuntos relacionados a tecnologia,

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ANOS

LETÍCIA COSTA

DIVULGAÇÃO

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LUIS PRADO

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SERGIO PIN

qualidade e inovação no Sindipeças, entidade dos fabricantes de autopeças, mesmo necessitando de investimentos, o parque de produção de autopeças pode ser considerado de qualidade. “Não seria possível nacionalizar produtos, algo que é sistematicamente feito por montadoras e sistemistas, se não houvesse qualidade em toda a cadeia produtiva”, diz. Para Moan, a perda de competitividade que se abateu sobre o veículo brasileiro ante a concorrência internacional foi causada pelo aumento de custos de produção e pelas variações do câmbio ocorridas na última década. “Atualmente, este cenário está se alterando e há uma tendência de fortalecimento de nossas exportações”, diz. Pin também lamenta a situação macroeconômica: “Nosso problema é a falta de competitividade, cuja origem é de natureza econômica e, muitas vezes, independe de nós. Mas qualidade nós temos”, afirma. No entanto, Keese acredita que liberar as importações é a melhor alternativa para ampliar a competitividade – e não nacionalizar. “Em geral, para dar suporte à competitividade é necessário abrir o país às importações”, pondera, indicando que o programa Inovar-Auto não segue nessa direção. Dessa forma ele se coloca em campo oposto ao da Anfavea, promotora e defensora do programa. Nas regras do Inovar-Auto está previsto desconto de até 30% no IPI para automóveis produzidos e vendidos no Brasil. O incentivo é concedido às empresas que cumprem determinadas contrapartidas contidas no programa e a Anfavea estima

STEPHAN KEESE

que serão aplicados R$ 15 bilhões nas áreas de inovação, pesquisa e desenvolvimento. Letícia observa que faltam informações a respeito das ações que estão em curso dentro do programa. “O Inovar-Auto pode ajudar na qualidade porque há recursos para produção e treinamento, mas há pouca transparência”, critica, ressaltando a necessidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, processo produtivo e treinamento de mão de obra. n (FERNANDO NEVES)

Em PPM, a qualidade brasileira é muito boa em comparação com outros países STEPHAN KEESE, sóciodiretor da Roland Berger

PESSOAL QUALIFICADO ALAVANCA A QUALIDADE

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ispor de pessoal qualificado é outra preocupação da indústria automobilística na busca por melhorar a qualidade de seus produtos. Para muitos, a formação técnica é fundamental e nesse campo o IQA tem contribuído com um expressivo programa de cursos e treinamentoS. No País o ensino é oferecido basicamente em duas vertentes: Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). O Pronatec foi criado em 2011 e até 2014 recebeu R$ 24 bilhões em recursos. O programa oferece, entre seus 220 cursos distribuídos em 13 eixos tecnológicos, 71 cursos em 9 eixos com base curricular que permite aos profissionais técnicos buscar emprego na indústria automotiva. Já o tradicional Senai dispõe, com possibilidade de aproveitamento pelo setor automobilístico, de 300 cursos em 20 áreas tecnológicas na modalidade de ensino a distância, 25 cursos nas unidades físicas da instituição e 30 cursos no programa de aprendizagem industrial. Keese, da Roland Berger, no entanto, considera que falta treinamento de alto nível para essa faixa de profissionais. “O que é feito no Brasil é para substituir a instrução básica, que é carente”, avalia.

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INOVAR-AUTO

O impacto do novo regime automotivo Programa deve elevar a indústria local a outro patamar, mas não resolve o problema da falta de produtividade e não ataca diretamente a questão da qualidade DIVULGAÇÃO

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O Inovar-Auto tem o mérito de estimular o desenvolvimento da cadeia de suprimentos ROGÉRIO REZENDE, vice-presidente da Anfavea

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explosão das vendas de veículos no Brasil a partir de 2007 pegou as fabricantes desprevenidas. Além de investir para produzir mais e acompanhar a demanda, as empresas precisavam de diretrizes capazes de guiar a evolução da, ao menos naquele momento, efervescente indústria automotiva local. O Inovar-Auto surgiu justamente para suprir essa necessidade. O regime automotivo começou a ser esboçado em 2011, mas entrou em vigor apenas em janeiro de 2013, com validade até 2017. Desde já muitos apostam na criação de uma segunda etapa do programa a partir de então. Apesar de não atacar diretamente a questão da qualidade, o Inovar-Auto deve trazer melhorias importantes nesse aspecto. A obrigação de nacionalizar a produção de grande parte dos componentes tende a forçar a cadeia produtiva a se adequar para suprir as necessidades das montadoras e acompanhar a evolução dos carros. “Percebo que empresas que tinham qualidade intermediária tiveram de se atualizar. É uma influência para toda a cadeia produtiva”, analisa Edson Orikassa, presidente da AEA, associação que representa os engenheiros automotivos. O executivo acredita que o regime automotivo deu impulso importante para enraizar a qualidade como aspecto essencial

desde os elos mais distantes das montadoras na cadeia produtiva. Ele chama esse processo de “aculturamento da qualidade”. A AEA aponta ter trabalhado intensamente ao lado do IQA como parte dessa evolução na criação de metodologias para teste e homologação de componentes. “Muitas vezes precisamos estabelecer parâmetros aqui para itens que não têm normas internacionais, como é o caso de alguns componentes de motores flexíveis”, explica. Rogério Rezende, vice-presidente da Anfavea e coordenador da comissão de qualidade da entidade, concorda que o regime automotivo é uma influência importante para a evolução da indústria, apesar de enfatizar que esse é um processo que já estava em curso no Brasil. “É importante ressaltar que a qualidade está inserida em todos os processos, independentemente de um programa ou de outro. Mas, nesse contexto, o Inovar-Auto pode trazer aceleração na utilização das ferramentas da qualidade, uma vez que a necessidade de melhoria dos processos para ganhos de produtividade e eficiência serão preponderantes para atender aos requisitos exigidos”, avalia. O executivo aponta que os grandes desafios nessa área estão ligados à formação, capacitação e aprofundamento das ferramentas da qualidade ao longo da cadeia de

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fornecedores. “O Inovar-Auto tem o mérito de estimular o desenvolvimento da cadeia de suprimentos e, consequentemente, da indústria automobilística brasileira”, reforça. Nas empresas, a impressão é semelhante. A Renault enfatiza que a qualidade nunca foi um problema dentro dos portões de sua fábrica nacional no Paraná. Apesar disso, com a chegada do Inovar-Auto há esforço mais intenso com os parceiros da cadeia produtiva. “A exigência de alcançar índice maior de localização dos produtos nos leva a um trabalho forte para validar fornecedores. Como queremos carros de alta qualidade, isso é transferido para os nossos parceiros e faz com que toda a máquina industrial brasileira se movimente nesse sentido”, analisa Carlos Santos, gerente de projetos responsável pelo desenvolvimento de powertrain na companhia. Outro aspecto importante destacado pelo executivo é a evolução tecnológica

dos produtos impulsionada pelo programa com medidas como as metas de eficiência energética. O impacto, segundo ele, será mais forte nas fabricantes newcomers, que estão chegando agora ao País e ainda não tinham estrutura local de pesquisa e desenvolvimento. “Já trabalhávamos intensamente nisso, temos mais de mil engenheiros em nosso time no Brasil e um centro de design, mas outras empresas terão de se adaptar.” Diante das regras de redução de consumo e de emissões, a Renault acelera a chegada de sua nova gama de motores ao Brasil. A empresa já tinha a intenção de trazer os propulsores mais modernos ao mercado nacional, mas talvez enfrentasse desvantagem de preço na comparação com os concorrentes menos atualizados. “Agora as regras do Inovar-Auto colocaram a indústria em patamar de igualdade. Todos precisam oferecer carros melhores.” (GIOVANNA RIATO)

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Estamos desenvolvendo a indústria local para ter produtos de alta qualidade EDSON ORIKASSA, presidente da AEA

RUMO AO INOVAR-AUTO 2

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General Motors também atualiza sua linha de produtos, mas destaca que a modernização dos carros não representa, necessariamente, melhoria da qualidade. “Teremos veículos mais evoluídos, com mais itens tecnológicos, mas o Inovar-Auto não influencia a qualidade”, contesta Marcos Munhoz, vice-presidente da companhia no Brasil. Ele enfatiza ainda que a cadeia produtiva brasileira não enfrenta problema de qualidade, mas sim de custos. Ainda não está confirmado o Inovar-Auto 2, continuação do programa a partir de 2017, mas a falha apontada por Munhoz seria um aspecto importante a ser abordado em uma possível segunda fase. A questão dos custos e da produtividade fica hoje descoberta no regime automotivo. “Nenhum país pode viver com produtos voltados só ao mercado interno, como temos hoje. Perdemos muita competitividade. É importante ter um eixo do programa que trabalhe a produtividade. Se faço hoje um carro em 20 horas e pudesse fazer amanhã em 18 horas isso ajudaria a elevar as exportações”, diz Santos, da Renault. Orikassa, da AEA, concorda. “Estamos desenvolvendo a indústria local para ter produtos de alta qualidade. Falta política para a exportação desses produtos”, reforça. Ele aponta que, em momento de baixa do mercado interno, como o atual, sem força para vender os carros brasileiros em outros países, as empresas acabam interrompendo também os processos de pesquisa e desenvolvimento para a modernização dos produtos com o objetivo de reduzir custos. “Em uma hora dessas não podemos incluir itens que encarecem os carros. É preciso buscar equilíbrio entre as vendas locais e as exportações com melhoria da competitividade.” n

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ENTREVISTA | Alfredo Lobo

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Garantia de conformidade

ALFREDO LOBO

Alfredo Lobo, diretor de Avaliação da Conformidade do Inmetro, explica as principais atribuições do organismo

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Automotive Business – O Inmetro foi criado em 1973 como um instituto voltado para a metrologia e qualidade. Como mudaram as suas atribuições e qual é o perfil atual? Alfredo Lobo – O Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro) foi criado em 1973 e, com ele, o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), com o objetivo de dar tratamento sistêmico à infraestrutura de serviços tecnológicos. O Sinmetro foi instituído essencialmente para apoiar a indústria brasileira, tendo o Inmetro com seu órgão executivo central, concebido também para atuar intensamente em outra vertente: a proteção da segurança e da saúde do consumidor e do meio ambiente. Em 2011, o nome do Inmetro mudou. Agora, como Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, passou a incorporar a inovação em todas as suas atividades como ferramenta fundamental voltada para o fortalecimento e aumento da competitividade da indústria brasileira. AB – Qual é a estrutura atual do Inmetro e como atua a entidade em nível nacional? Alfredo Lobo – O Inmetro é reconhecido não só pela credibilidade e eficiência que conquistou ao longo dos anos nos diferentes segmentos da sociedade, mas também pela sua singularidade no que diz respeito à diversidade de atividades complexas que se encontram sob sua responsabilidade, entre as quais a Secretaria Executiva do Conmetro e de seus Comitês

Técnicos Assessores e o Instituto Nacional de Metrologia. O Inmetro é responsável por guardar e desenvolver os padrões nacionais de medidas e pela organização de ensaios de proficiência e de comparações interlaboratoriais. É o organismo acreditador oficial do governo brasileiro e regulamentador exclusivo na área de metrologia legal. Autarquia federal, permanece vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Está presente em todos os Estados brasileiros por meio de órgãos delegados que compõem a Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade-Inmetro. AB – Qual a relação do Inmetro com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na hora de estabelecer normas para a qualidade e definir regras de conformidade? Alfredo Lobo – A relação do Inmetro com a ABNT é histórica e remonta ao período em que as normas técnicas elaboradas por aquela entidade precisavam ser registradas pelo Inmetro, na década de 1970. A partir do momento em que a ABNT, que é uma das fundadoras da International Organization for Standardization (ISO), foi reconhecida pelo Conmetro como o fórum nacional de normalização, a atividade ganhou ainda mais expressão no Brasil. As normas técnicas publicadas pela ABNT (as NBRs) são utilizadas como base normativa para os Programas de Avaliação da Conformidade implantados pelo Inmetro. É a partir delas que são definidos requisitos e métodos de ensaio aplicáveis aos objetos que são regulamentados e que têm a conformidade avaliada. Diante da necessidade de revisão, e até de elaboração de novas normas, o Inmetro articula-se com a ABNT

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para que as mesmas sejam viabilizadas. AB – Quais são os principais serviços oferecidos pelo Inmetro às empresas da indústria automobilística e quais os benefícios para a sociedade brasileira? Alfredo Lobo – Pelo estabelecimento de inúmeros regulamentos e programas de avaliação da conformidade, o Inmetro promove a competitividade da indústria nacional, a justa concorrência e a inovação, provendo infraestrutura de laboratórios e organismos de certificação acreditados e gerando confiança na atuação de organizações que executam atividades de avaliação da conformidade.

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O instituto planeja a instalação de um centro automotivo, que terá o objetivo de ser uma referência no País em termos de tecnologia e inovação. AB – Qual a sua visão de futuro no papel que o Inmetro desempenha dentro e para fora do Brasil? Alfredo Lobo – Em âmbito nacional, devemos dar suporte à indústria local na busca por aumento de competitividade e apoiar o esforço exportador, tarefas diretamente relacionadas à razão de ser do Inmetro. Em âmbito internacional, queremos ser reconhecidos como uma instituição de conhecimento, tecnologia e inovação que tem pessoal qualificado

e especializado com competência para representar o País nos fóruns dos quais participa. AB – O IQA está completando 20 anos de existência em 2015, sempre trabalhando com o Inmetro. Que mensagem o senhor gostaria de deixar registrada para a sua direção? Alfredo Lobo – O Inmetro se orgulha em poder contar com o apoio do IQA e do trabalho que vem sendo desenvolvido em parceria com foco na competitividade da indústria automobilística brasileira. O Instituto tem um papel fundamental nessa tarefa, representando os interesses do setor sempre de maneira ponderada e ética. n

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AFTERMARKET

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Excelência de ponta Exigência cada vez maior do consumidor eleva padrões de produtos, serviços e do atendimento com foco na fidelização DIVULGAÇÃO

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ANTONIO FIOLA, presidente do SindirepaSP: ênfase na certificação compulsória para o mercado de reposição

busca pela excelência na qualidade de produtos, serviços de pós-venda e principalmente no atendimento ao cliente tem sido a missão número um das redes de distribuição de veículos e de autopeças, que têm no contato direto com o consumidor a oportunidade de mostrar a evolução nesses quesitos. A primeira grande vitória para ambos os lados – tanto para quem vende quanto para quem compra – é a certificação compulsória, programa do Inmetro que regulamenta os mais variados tipos de componentes para o mercado de reposição. “As normas da ABNT para serviços automotivos, que o IQA utiliza em seus

processos de certificação, são de suma importância e servem de parâmetros que visam qualidade e melhoria da produtividade”, afirma Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP, o Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo. O executivo indica que o papel da entidade é também ajudar a difundir a necessidade da certificação compulsória nas empresas de reparação automotiva: “Nesse sentido, conseguimos a aprovação da Lei Alvarenga (no 15.297, de 10 de janeiro de 2014) que regulamenta a abertura e funcionamento das oficinas no Estado, o que é um avanço enorme para o setor”, lembra. (SUELI REIS)

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as redes de concessionárias, onde os serviços de pós-venda estão cada vez mais presentes nas estratégias de negócios, o termo qualidade também tem se difundido para todas as áreas a fim de garantir que o cliente será o maior beneficiado. Os resultados são traduzidos em fidelização e, consequentemente, em rentabilidade. Segundo Valdner Papa, diretor da Fenabrave para relações com o mercado, neste contexto de exigências nas duas pontas o concessionário é obrigado a criar processos nos âmbitos administrativos, operacionais e comerciais para alcançar os níveis desejáveis. “O consumidor entende bem o conceito de custo x benefício. A qualidade de todo o conjunto passa a ser vislumbrada pelo cliente, induzido por ela à repetição do consumo em suas várias vertentes dentro de uma revenda. Essa fidelização talvez seja o fator mais relevante para incrementar suas vendas”, afirma Papa. Por meio de seus serviços de certificação de concessionárias, o IQA tem contribuído de maneira preponderante na busca da qualidade em todo o mercado nacional. n

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QUALIDADE NAS REDES TRAZ FIDELIZAÇÃO

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Edição Especial IQA - 20 anos