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Introdução Este não é um livro didático no sentido tradicional. Também não é simplesmente um livro de leitura. Ele representa a materialização de uma proposta dialética para o ensino-aprendizagem da Ciência. Todo o trabalho desenvolvido neste projeto pressupõe uma intensa participação do aluno no processo ensino-aprendizagem, que é a construção do próprio conhecimento. A proposta aqui apresentada resulta de uma perspectiva em que nem o professor é um repetidor de coisas que estão no livro, nem o aluno aprende simplesmente ouvindo ou anotando. Trata-se de oferecer meios para uma grande interação professor-aluno, na qual o aluno participa intensamente da aula e o professor assume um papel parecido com o de um regente de orquestra. Cabe ao docente usar sua experiência para conduzir e balancear a participação dos educandos. Dessa maneira, também o cabedal de experiências adquiridas por ele cresce rapidamente, sem tanto risco de “esclerosar” ou mesmo “fossilizar” seus conhecimentos e seus hábitos de ensino, como acontece quase sempre. Os textos foram preparados com a preocupação de oferecer uma linguagem ao alcance do aluno, que proporcione um grande cenário de ideias, situações e “deixas” para discussões que podem ser exploradas segundo os interesses do estudante e a disponibilidade do professor. As atividades são parte obrigatória dessa metodologia


e foram pensadas e ensaiadas para serem possíveis em quaisquer condições da realidade brasileira, pois não exigem nunca material caro ou de difícil obtenção. É importante que o professor consiga previamente esse material (sugerimos que haja um pequeno grupo de alunos sempre incumbido de consegui-lo). As ideias sugeridas nos textos apresentados não foram simplesmente planejadas em gabinete; têm sido exaustivamente ensaiadas desde 1970, ininterruptamente, com a incorporação da experiência acumulada em grande número de cursos para professores em diferentes regiões do Brasil e América Latina. É bom lembrar, também, que uma das preocupações sempre presente foi criar uma estrutura em paralelo para todo o projeto. Isso equivale a afirmar que não existe uma ordem obrigatória entre as unidades nem mesmo entre capítulos e seções. As partes (com raras exceções) não são pré-requisitos umas para as outras. Assim, o professor pode começar o curso por qualquer das partes. A seguir, estão relacionadas algumas normas que se mostraram necessárias pela experiência vivida e que facilitarão o trabalho do professor: 1) Explique aos alunos que, com os métodos tradicionais, eles têm apenas assistido às aulas e que, agora, irão se tornar parte do jogo ensino-aprendizagem. Nesse jogo, eles não vão adquirir apenas informações, também treinarão argumentação e iniciativa de raciocínio, ingredientes básicos em qualquer ramo do conhecimento. 2) Uma primeira leitura do texto deve ser feita em voz alta e sem nenhuma interrupção. Cada pequeno trecho deve ser lido por um aluno diferente, escolhido ao acaso. Durante a leitura, os alunos devem fazer um pequeno sinal ao lado da linha em que se encontram um assunto ou conceito que não entenderam ou que lhes interesse discutir. Quando se trata de classes muito boas ou já treinadas em trabalho em grupos, a leitura em voz alta pode, com vantagem, ser substituída pela individual.


3) Terminada essa etapa, deve ser iniciada a discussão dos pontos escolhidos pelos alunos e pelo professor. Nesse momento, a atuação do professor é indispensável, tanto para ordenar a discussão, como para evitar que uns fiquem com a palavra em prejuízo de outros. Diante das perguntas, o professor não deve simplesmente dar as respostas, mas, sim, conduzir a discussão para que as respostas sejam provocadas nos alunos. 4) Sempre que um aluno manifesta uma ação considerada desejável pelo professor, este deve manifestar ao aluno, de alguma maneira, sua aprovação e, sempre que possível, registrar a contribuição na folha de registro de trabalho. Essa aprovação deve ser expressa sobretudo em relação às ações de ler, discutir, fazer (atividades), contribuir (acrescentar ideias que não estão no texto) e cooperar com o grupo ou classe. Se o professor achar oportuno, poderá acrescentar outros critérios de avaliação. Todas essas recomendações se aplicam também (e especialmente) ao trabalho nas atividades. 5) Todos os textos (seções) incluem uma atividade que deve ser feita, sem exceção, e na ordem em que aparece.

Para a realização dessas atividades, o docente deve dividir os alunos em grupos com não mais que seis elementos. Durante a realização das atividades, ele deve passar pelos grupos para verificar (e eventualmente estimular) o trabalho e as discussões sobre o que está sendo feito. Quando o professor perceber que há dificuldades que se manifestam em vários grupos, será oportuno interromper o trabalho por uns instantes para esclarecê-las e evitar que o ritmo do trabalho decaia. Nos momentos propícios, a juízo do professor, este poderá fazer uma pequena palestra que ajude a situar o trabalho e a discussão, enriquecendo-os com conteúdos relevantes. É importante que os alunos tenham presente que o professor está observando o


trabalho de todos e anotando positivamente o desempenho de cada aluno e de cada grupo. 6) Desaconselha-se inteiramente que seja usado qualquer método coercitivo ou que represente ameaça, ainda que simplesmente a de um zero. 7) Alunos, individualmente ou em grupos, devem ser incum­ bidos pelo professor de obter e organizar o material para a atividade seguinte. 8) Os níveis Se você quiser saber um pouco mais e Um pouco mais ainda são destinados aos alunos que puderem (e quiserem) se aprofundar. Não é recomendado que todos os alunos sejam submetidos a uma carga que pode ser “pesada” ou indesejável para muitos. É importante lembrar que, desta perspectiva, os alunos não se dividem em “bons e “maus”, mas em pessoas que têm interesses e aptidões diferentes.

O Céu  

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