Ano 7 • nº 1338 Agosto/2013
Vitória da Conquista Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Manoel e Maria, exemplos de amor a terra e convivência com o semiárido A COMUNIDADE de Poço Cumprido II é uma das várias localidades do município de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, que possuem clima semiárido - a cidade está localizada em uma região de transição de climas. Lá, vivem seu Manoel Pereira Oliveira e dona Maria Ildete Santana Oliveira, uma família que traz um belo exemplo de amor a terra e convivência com as condições do clima. Manoel e Maria hoje cultivam hortaliças, milho, feijão, andú, palma e forrageiras para a alimentação dos animais, além das fruteiras no quintal, graças à água armazenada na cisterna de enxurrada e no barreiro, que garante a água para matar a sede das ovelhas e das vacas. Porém, antes de possuírem meios de guardarem a água da chuva, a situação era bem diferente. Dona Maria lembra: “Eu tinha tanta vontade de fazer horta, que tinha um tanque ali perto, nesse açudezinho a gente pegava água pra lavar roupa, dar as galinhas, e quando chovia que enchia, a gente puxava na bomba manual, era uns 300 metros de distancia. Aí a gente enchia o tonel e improvisava uma hortinha pequena, plantava um coentro, um pezinho de alface, uma cebolinha... nos anos que chovia bem, o tanquinho aguentava até setembro, mas em outros anos, em julho já não tinha água pra fazer nada. A horta era um canteirinho do tamanho dessa mesa [da cozinha], aí eu colocava uma lona e dividia pra um monte de coisa”. Com o aprendizado adquirido ao longo dos anos, dona Maria e seu Manoel passaram a conhecer bem o valor de estocar, tanto de água quanto de sementes, capim e outras provisões. O capim e o milho, por exemplo, passam pela silagem e forragem, e são guardados em um quarto para dar de comer aos animais no
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia
período da seca. “Com a máquina forrageira a gente prepara a forragem e guarda, pra usar como alimentação da criação no período da seca. Enquanto o pasto tiver aguentando, a gente deixa a forragem bem guardada, de reserva” conta com sabedoria seu Manoel. A qualidade na alimentação e o incremento na renda são conquistas que ficam claras na vida da família. Dona Maria conta um exemplo: “se eu esquecesse de comprar suco artificial no mercado, antes ninguém achava nada aqui pra fazer um suco, mas agora eu nem quero mais comprar suco de mercado, porque eu tenho muita opção pra fazer suco, e isso é bom pra saúde aqui de casa”. A produção das hortas geralmente dá para o consumo de casa e ainda sobra boa parte: “A gente vende o que sobra aqui mesmo na comunidade, ou até de outra comunidade, a gente vende também. Tem horas que damos pra quem tá precisando. E tem um filho nosso que trabalha vendendo refeições (quentinhas) em domicílio lá na cidade, então o couve que a gente produz aqui já é garantido, ele compra toda semana”, conta seu Manoel. Manoel e Maria são pessoas ativas na associação da comunidade, e presentes nas atividades da ASA . Uma das melhores recordações deles nessa caminhada é a do intercâmbio de experiências que foi realizado na comunidade em 2011. “Esse intercâmbio ficou na história!” lembra dona Maria. “A nossa comunidade foi escolhida pra acolher o evento, aí a ASA marcou o dia e a gente conversou entre nós mesmos pra organizar tudo direitinho, receber o pessoal, preparar a alimentação... ficamos com medo porque nunca tínhamos organizado um evento desses, mas deu tudo certo. Teve uma noite cultural bem animada, o povo cantou terno de reis, poesia, contação de causos, foi lindo!” Dos tempos difíceis da falta de água até a conquista da segurança alimentar e a melhoria da renda, foi uma longa caminhada, que eles sempre trilharam com força e união. “Aí Manoel falava: 'como é que tu insiste com essa horta, sabe que não tem água, olha a dificuldade', mas depois ele sempre voltava e me ajudava...” recorda dona Maria, dos tempos onde fazia hortas em bacias. Seu Manoel prefere exaltar a transformação pela qual a vida deles passou com a conquista dos meios de guardar a água da chuva: “A ASA aqui foi uma nova vida pra gente. A ASA atingiu 100% da nossa comunidade, e o modo dela trabalhar é muito diferente de prefeitura, do poder público, por exemplo. Com a ASA a gente se sente importante”.
Realização
Patrocínio