Ano 7 • nº1426 Setembro/2013 Olho D’Água dos Borges Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Minha vida é: com amor à terra e sem terra para amar
O cultivo agrogeológico é prática da família de Dona Maria Cândida, na comunidade Olho D’Água do Borges
Na comunidade Olho D'Água localizada aproximadamente 3 km do município de Olho D'água dos Borges, na microrregião do Alto Oeste no estado do Rio Grande do Norte. Em um terreno de pouco mais de 1 hectare, Dona Maria Cândida, 39 anos de idade e seu esposo o senhor Eliude Franklin da Costa (44 anos ) cuidam desse pequeno pedaço de terra pra plantarem suas hortaliças. A renda familiar é tirada basicamente do plantio de hortaliças e frutas, que cultiva ela, seu esposo, e tem ajuda de sua amiga Antonia Benta de Araújo (Toinha) acompanha diariamente, contribuindo na prática. Mãe de três filhos, onde todos moram fora, porque não se sentiam acolhidos de não viverem em terras própria da família, ou seja, Dona Maria Cândida trabalha em terras dos outros, faz acordos por hectares para produzir agroecologiamente seus alimentos. Por muitas vezes, perdem tudo aquilo que se plantou, vindo de muito carinho, pois os donos da terra perde para saírem antes de colherem todos os frutos cultivados. A conquista pela terra ainda é o seu maior desafio. Desde que ela nasceu ela Trabalha na agricultura, passou um tempo morando em Minas Gerais, foram (4 anos) morando em terras de patrões. O Diversidade na área de produção do casal seu retorno as terras potiguares, foi em 2007 para sua terra natal.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Rio Grande do Norte
Trabalha no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e todas as tardes vai pra o sítio cuidar de sua horta, juntamente com seu esposo e a amiga que é presidente do Sindicato. “Sempre trabalhei nas terras dos outros, Os donos pedem e eu tenho que devolver, porque num é minha”, relata Dona Maria Cândida. Ainda em conversa, Maria Cândida diz, “Esta terra é de meu primo, mas quem toma de conta é o sogro dele. Ele me deu pra eu fazer um plantio de hortaliças, não pago nada, mas só tenho o direito daquele pequeno pedaço, que chega aproximadamente 1 hectare. Como também, não posso criar animais. Já passei por algumas situações do gado entrar para comer o que plantei”. Dona Maria Cândida, senhor Eliude e sua amiga Antonia no plantio Seu marido complementa, “Hoje temos uma diversidade na produção, entre elas: coentro, alface, cebolinha, pimentão batata doce, cenoura, beterraba, manga, coco e pinha. A mesma ainda diz que o maior incentivador de sua produção foi a atuação do projeto Dom Helder Câmara, principalmente quando iniciaram a implantação da feira orgânica. “Fiquei triste em ter que sair do projeto, por que não tinha a terra para produzir. O dono da terra fazia queimada próximo de onde tinha meu cultivo. De quê adianta eu plantar, se a 5m das minhas hortas o dono da terra jogava veneno nas plantações de feijão e milho. Simplesmente eu tive que sair do projeto das feiras, entreguei todo o equipamento. Recebi meu selo como produtora orgânic, mas tive que devolver. Pois, hoje estou na terra, amanhã eu não sei”. Apesar das dificuldades e decepções, ela se sente feliz, por ter sua família, sua casa, seus filhos e também a força e coragem para trabalhar e garantir o alimento de qualidade e saudável na mesa.
Minha vida é: com amor a terra e sem terra pra ama.
Mãos que plantam e colhem frutos de qualidade
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