Ano 7 • nº1273 Julho/2013 Ibititá
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Uma família modelo de organização e sustentabilidade Os projetos sociais de convivência com o semiárido fazem com que os agricultores familiares possam melhorar sua qualidade de vida. Através do Programa “Uma Terra e Duas Águas” (P1+2), estes agricultores e agricultoras podem enfim, produzir, mesmo em tempos de pouca chuva. Projetos de inclusão e mobilização social estão transformando a vida do homem do campo, e através destas iniciativas sustentáveis, propostas pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e o Centro de Assessoria do Assuruá (CAA), com o patrocínio da PETROBRAS, estão mudando significativamente a visão do semiárido. Um exemplo do sucesso destas iniciativas e parcerias pode ser visto na propriedade do agricultor Valter Pereira Santana, morador da comunidade de Fazenda Nova, município de Ibititá. Seu Valter é o que podemos chamar de um verdadeiro Agricultor Experimentador. Este nome é dado aos agricultores que através de suas iniciativas e vasto conhecimento do trabalho no campo, conseguiram implementar algo novo em sua propriedade, algo que fez a diferença no manejo da terra e da água no sertão e na construção da cidadania e cultura do sertão. Do esforço à roça organizada... Seu Valter, juntamente com sua esposa, a agricultora Francisca dos Santos, há muito lutam para ver sua propriedade produzindo. O acesso à água sempre foi um desafio muito difícil de superar: ainda é recente na memória da família o esforço de Dona Francisca, que precisava percorrer 8 km para buscar água em baldes na cabeça, numa cacimba, para suprir as necessidades de sua família. Há pouco tempo, com muito esforço, seu Valter conseguiu cavar um poço em sua propriedade. Entretanto, a vazão de água não foi suficiente para sustentar toda sua propriedade e, com a escassez de chuva na região, o poço, antes salvação, virou mais um motivo de preocupação para todos. Porém, mesmo com pouca água, foi enfrentando muitas adversidades que a família Santana conseguiu, durante muitos anos, manter um canteiro vistoso e muito bem cuidado. Lá, é possível encontrar alface, coentro, cebolinha, pimentão, pimenta, couve, batata, tomate, chuchu entre outros cultivos, que são vendidos todos os sábados, na feira da sede do município. Com a venda destes produtos, a família fatura em média R$ 100,00 (cem reais) por semana, sendo que a horta garante também a alimentação saudável da família – que consome somente alimentos orgânicos, sem veneno. Incentivo Nesse cenário, onde a vocação para a produção no semiárido e forte, a família de Seu Valter encara a chegada de uma cisterna de enxurrada como uma grande conquista. Tecnologia de captação de água da chuva, que visa melhorar a produção da família e dar segurança alimentar no período da estiagem, a cisterna representa o resultado de uma luta histórica do povo da região. Mais do que uma simples construção ou benefício, a nova cisterna representa a felicidade de poder ter uma tecnologia simples que irá incentivar a vocação produtiva que a família de seu Valter já tem.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia
Assim, mesmo com o antigo poço artesiano enfraquecido, a cisterna se coloca como essencial para o enfrentamento dos efeitos da estiagem – que já dura três anos na região. Afinal , segundo seu Valter, a tecnologia “vai possibilitar à sua família a continuidade na produção dos produtos vendidos na feira”, e, como diz dona Francisca, “com a cisterna, será possível ampliar o cultivo e aumentar a renda da família”. Mais força para a inovação A cisterna-enxurrada, segundo os agricultores, servirá, ainda, para ajudar a matar a sede do pequeno rebanho de gado (15 animais ao todo) que, além da água das cisternas, continuarão sendo alimentados com palma, planta adaptada à região semiárida, que garante o sustento do rebanho em tempos de pouca chuva. À água coletada das chuvas também irá para o pequeno cercado onde a família cria cerca de 40 galinhas, (cujos ovos também são vendidos na feira) e alguns porcos. No local onde o gado é criado, seu Valter fez uma pequena vala, onde as fezes do gado são armazenadas juntamente com terra de quixaba e um preparo de plantas secas e água, e este preparo após curtido é levado a horta como adubo orgânico. Assim, a organização e a cooperação de toda a família servirá para que os cultivos da propriedade continuem dando frutos vistosos – frutos que são um exemplo para tantos outros agricultores familiares. Com a ajuda dos seus 3 2 filhos, seu Valter e Dona Francisca continuarão colocando seu conhecimento de agricultor experimentador em prática, para continuar fazendo da propriedade um modelo de organização e sustentabilidade. Agora, os próximos passos da família, com a chegada da tecnologia de produção, será ampliar os canteiros produtivos, próximos à tecnologia, aumentando assim o sistema produtivo da roça e reforçando a variedade da produção. “se a gente não se mexe, definha, é como uma planta. Se não cuidar bem, e não mantiver nossa terra sempre em condições de produzir, ela morre”. Afirma o agricultor, que tem na perseverança e na inovação sua grande característica.
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