Ano 7 • nº1074 Dezembro/2013 Miravânia
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Segurança alimentar, preservação e respeito à natureza FAUSTINO FERNANDES Dias e Luiza da Rocha Queiroz Dias, conhecidos como Miúdo e Lu, nasceram em Brasília de Minas e em 1952 mudaram para Miravânia, na comunidade de Periperi e dizem gostar muito dalí, aprenderam a viver daquela terra, dela tiram todo seu sustento e segurança alimentar, não se imaginam em outro lugar. Segurança alimentar Miúdo e Lu têm 48 anos de casados, trabalham na lavoura, plantam mandioca, feijão, horta, frutas e roseiras, criam galinha. Depois que colhem e tiram seu sustento, no período que não produzem arrendam a terra, no acordo 25% do que é produzido no arrendamento fica com Miúdo e Lu. Contam que passaram por muitas dificuldades, mas se não tinha o café sempre tinha o feijão e a farinha. E hoje eles têm de tudo, Dona Lu conta que na comunidade de Periperi o lema é “Lá no Miúdo tem”. Não tiveram filhos, mas adotaram e criaram dois, Manoel Reis e Teodomiro Pereira da Silva. Tiravam algum dinheiro com a venda da farinha, do polvilho, mas explicam que o dinheiro é pra comprar roupa, produtos de limpeza e higiene, o resto tudo se usa do que se plantou e criou na terra. Eles também acessaram crédito do AgroAmigo do Banco do Nordeste e compram um gado. A horta é feita desde que chegaram há 48 anos atrás na beira do brejo cultivada de maio a outubro período sem chuva. As frutas vêm de ter aprendido a fazer mudas com seu Chiquito de Januária. “Fazer a própria muda fica muito mais barato do que comprar”, declara seu Miúdo. Sementes: independência do mercado e garantia de fartura Miúdo é um guardião das sementes, ele mostra seu estoque, diz que não gasta dinheiro comprando sementes, o feijão ele planta com a semente que guardou da última colheita e ainda estoca pra comer, não tem de comprar do supermercado. O mesmo acontece com o milho, quiabo, alface, rúcula, mostarda, hortelã, menta. Além das sementes ele produz as mudas pra si e para vizinhos e amigos: laranja, manga, poncã, rosas, ele ama as rosas. Conta que “é difícil eu comprar, eu colho e guardo”, fala Miúdo. Ele explica como armazena as sementes: ele guarda em garrafas pets menores, o feijão ele guarda em tambores de 300 litros e por cima coloca bastante pimenta malagueta,
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Minas Gerais
segundo ele assim nunca deu nenhum caruncho (inseto). Ele diz que até os vizinhos e as pessoas para quem ele arrenda terra pedem a semente e ele empresta com a condição de que devolvam no final. Assim a produção fica mais barata, pois não precisam comprar. Como salvar a água?
Feijão estocado para replatio e consumo
A água deles vem das nascentes e minas do córrego calindó. Eles contam que plantam 2 vezes no ano milho e feijão e percebem que a produção já caiu um quarto. A casa é 360 metros do leito do rio, ele conta que apesar de ainda ter água restam menos de 25% do que houve um dia, 10km do rio já secaram segundo Miúdo. Miúdo percebendo que a margens do rio e das nascentes precisam ser preservados para garantir a água juntou a família e os vizinhos e encaminharam pedido de cercamento envolta das minas para o IGAM (Instituo Mineiro de Gestão das Águas).
Ele comenta que hoje sabe que isso acontece devido a prática de desmate, limpar e queimar o solo, principalmente na beira das água, e ainda o solo produzindo sem descanso, percebeu que a umidade do solo foi ficando menor. “Não adianta plantar capim, arroz e não ter água depois, sem água não planto, não crio e morro de sede”, constata Miúdo. Outro agravante seriam as estradas baixas sem barraginhas de contenção das enxurradas, que acabam carregando muita terra e tapando as nascentes e minas que alimentam o rio calindó. “Eu deixo uns 10 metros ou mais de margem cercada e já sinto necessidade de preservar mais porque estou sentido a falta da água, estou vendo o rio secar”, fala Miúdo.
Área cercada para recuperação
“Para preservar basta deixar sem Sementes guardadas para replantar a horta mexer, sem roçar perto das águas para as próprias plantas crescerem e protegerem o rio. Uma vez eu plantei arroz nos brejos, mas o estrago que fez eu sinto hoje, agora eu choro a falta de água. No momento foi bom, colhi 300 litros de arroz, fui dar falta agora, que com o desmatamento a água esta acabando. Retirei 4 gameleiras que ajudam a minar água, agora depois de 2 anos uma parte das gameleiras já voltou a crescer. Observa que onde não planta nada, onde deixa cercado percebe que há muito mais água” nos ensina com sua experiência Miúdo.
Ali em Periperi encontramos este casal, Lú e Miúdo, que tiram todo seu sustento da terra, tem sua semente nativa que lhes garante segurança alimentar (feijão, milho verduras, remédios caseiros e outros) e ainda estão aprendendo a respeitar e conviver com natureza para garantir que ela continue viva e lhes dando fartura.
Realização
CÁRITAS BRASILERIA REGIONAL MINAS GERAIS
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