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Artesanato é meio de vida na comunidade Departamento

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Ano 7 • nº1104 Dezembro/2013 Boa Nova

Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Artesanato é meio de vida na comunidade Departamento AO LONGO da BR-116, no município baiano de Boa Nova, é comum ver, as margens da rodovia, barraquinhas vendendo diversos itens de madeira: canecas, pilões, lembranças para os viajantes... Famílias de várias comunidades da região trabalham com o artesanato há anos, utilizando madeira das árvores encontradas localmente. Na comunidade Departamento, que fica às margens da Rio-Bahia, como é conhecida a rodovia, existem pessoas que fazem dessa arte o seu meio de vida, tirando o sustento através da coleta da madeira de umburana para a fabricação de utensílios de cozinha.

De jogos de chá a fruteiras e travessas: a diversidade criativa dos artesãos de Departamento

Erisvaldo Rodrigues Pereira e Josias Maria Marcos são vizinhos e trabalham juntos na labuta do artesanato da umburana. Juntamente com Edson, Paulo, Gildásio e Carlos, todos parentes de Erisvaldo, eles se dividem entre viajar pelas fazendas de cidades próximas, coletando madeira de umburana, e trabalhar em casa, transformando o material em diversas peças de cozinha e decoração.

Colheres de pau, as mais vendidas

Erisvaldo conta que o artesanato entrou na vida dele desde pequeno. “A gente não tinha emprego aqui, e desde novo comecei a trabalhar com as 'colherzinha'”, se referindo à primeira peça e a mais popular dos utensílios feitos com a umburana. “Eu aprendi com meu tio, na década de 80 ainda”. Josias aprendeu o ofício também na mesma época, e os dois passaram o conhecimento adiante, incentivando parentes e amigos da região a trabalharem com a umburana.

É notável o cuidado deles na forma de coletar a madeira. Josias explica: “Através do conhecimento das pessoas, a gente vai atrás dos fazendeiros da região. Conversamos e


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tiramos os tocos, a madeira velha e seca, que não serve mais pra nada, aí a gente recicla essa madeira. Ficamos uns 15 dias lá coletando e mais de um mês aqui trabalhando (em casa)”. Erisvaldo complementa explicando que “a maior parte das umburanas não são boas pra trabalhar, porque são ocadas, ou então ainda são muito novas”. Isso exige bastante critério na escolha do material. Nos primeiros anos, eles vendiam sua produção em Manoel Vitorino, cidade vizinha, mas desistiram, pois os compradores não honravam os pagamentos Criatividade no acabamento das peças corretamente. A dificuldade na comercialização fez com que eles buscassem alternativas para vender a produção. “Em 2003, pegamos o material e levamos pra Vitória da Conquista, pra vender no mercadão do CEASA. Deixamos as coisas no chão e esperou o pessoal encostar. O início foi difícil, porque não tínhamos referência, mas a gente foi pegando conhecimento do pessoal pouco a pouco”. A experiência no CEASA rendeu bons frutos, e pouco tempo depois Erisvaldo, Josias e seus companheiros começaram a vender para uma loja de grande movimento. “Expliquei pra ele que as colheres de pau que ele comprava em SP deixavam gosto ruim na boca. O dono da loja resolveu comprar 10 colheres, depois foi pra 20, aí passou pra 30... hoje vendemos para barraqueiros lá do mercadão também. Nem vamos mais lá, porque não sobra nada da produção”, conta Erisvaldo. A criatividade no trabalho dos artesão da comunidade vai além da criação de diversas peças, como os jogos de chá e cozinha, muitas vezes feitos com detalhes exclusivos sob Ferramentas de trabalho encomenda. As ferramentas de trabalho são feitas por eles mesmos, pensando nas necessidades da labuta com a madeira, como o acabamento e o corte. Reaproveitando materiais como enxadas velhas, facas e latinhas de atum, as ferramentas contemplam tudo que eles precisam para transformar em arte o que era somente madeira velha.

Parte dos produtos é feito sob encomenda

O artesanato trouxe autonomia financeira e autoestima para os artesãos de Departamento. “Eu fiquei 11 anos em São Paulo, mas quase tudo que eu tenho é graças ao trabalho com a umburana”, resume Josias. Erisvaldo reforça: “Tudo que nós conquistamos aqui, que temos em casa, é tudo vindo do material da umburana”.

A felicidade de Erisvaldo e Josias se resume em poucas palavras: “Trabalhamos do jeito que a gente quer, no ritmo que a nós gostamos. A gente adora o que faz!”

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