Ano 7 - nº 1463 Novembro/2013
Ingá
A chegada da água para produção na vida de Seu Luiz e Dona Iracema
Sr. Luiz e Dona Iracema ao lado da cisterna calçadão. Foto: Sinaldo Luna
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edreiro desde 1974, a experiência do Sr. Luiz Elias Ferreira vai além das atividades que envolvem a agricultura.
Ele aplicou seus conhecimentos aprendidos como migrante pedreiro no Rio de Janeiro para construir a cisterna calçadão que conquistou através do Programa Uma Terra e Duas Águas, da Articulação Semiárido Brasileiro – ASA BRASIL. Sr. Luiz mora com sua esposa, Iracema dos Santos Ferreira, na comunidade Sítio Cachoeirinha, no município de Ingá, e tem uma vida toda dedicada ao trabalho com a terra e o que ela pode lhes oferecer, tirando dali a principal fonte de renda da família. Em meio à produção no arredor de casa, destacam-se a criação de galinha, peru e caprinos. Dona Iracema nos conta que chegando o período natalino a busca por perus é grande, mas se alguém ainda quiser ter uma ave criada sob seus cuidados terá de esperar pelo próximo ano. “A busca por peru para o final do ano é sempre grande e desde setembro eu já vendi todos que estavam em tempo para as festas. Nossa comunidade e as comunidades vizinhas sempre procuram minhas criações para o período de festas”, nos conta dona Iracema.
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A pequena criação de Dona Iracema e Sr. Luiz agora deverá ser ampliada com a chegada do Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2, patrocinado pela Petrobras e executado pelo Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste, e eles já comemoram e dedicam amor a mais uma atividade que movimenta sua terra. “A chegada da segunda cisterna já é uma grande alegria pra gente”, diz o Sr. Luiz, que teve a primeira cisterna construída com recursos próprios.
Sr. Luiz exibe cisterna e Dona Iracema cuida da criação. Fotos: Sinaldo Luna
Recebendo a tecnologia social da cisterna calçadão, Sr. Luiz esteve envolvido com sua construção de corpo e alma, utilizando sua experiência como pedreiro para através de suas próprias mãos levantar a obra. E inovar. O calçadão de sua cisterna foge aos padrões estabelecidos, sendo maior que o proposto, e ele nos conta que construiu cada metro quadrado com muito amor e dedicação, já comemorando os resultados que busca atingir com o aumento de sua criação de galinhas. “A dedicação pra construir a cisterna e o calçadão foi redobrada porque é uma grande riqueza que chega em minha casa e vai contribuir pra aumentar nossa criação e nossa renda. Dediquei tempo e investi recursos próprios pra fazer um pouco diferente. Sei que vai valer muito a pena. Agora é só esperar cair a chuva pra encher a cisterna”, comemora Sr. Luiz. As inovações buscadas pelo agricultor-pedreiro para inserir em sua tecnologia visam, segundo ele, um maior cuidado com a limpeza da água. Além de estabelecer um novo formato ao calçadão, ele pretende protegê-lo com telas que impeçam a entrada de animais. “Toda e qualquer forma de cuidado que possamos ter com a cisterna é o mínimo que podemos fazer. É ela quem nos ajuda nos momentos de seca”, diz relembrando que no último ano foi preciso comprar quatro carros pipas para consumo próprio e para os animais, além de ajudar os vizinhos que não tinham condições de também comprar água. Além das atividades como pedreiro e criador de animais no arredor de casa, Sr. Luiz é um grande incentivador das pequenas atividades que visam a resistência das experimentações com a terra. Ele é presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Raspadinha, comunidade vizinha, e faz dessa função uma grande ferramenta de incentivo ao desenvolvimento local e valorização da agricultura. Sr. Luiz diz que conhece que em outras localidades muita gente minimiza a importância dos projetos que levam tecnologia pra produção através da segunda água ou que desistem durante o processo de construção, mas ele diz que todo mundo dele aceitar e aproveitar essa oportunidade. “Todo mundo deve aproveitar enquanto é tempo. A gente nunca sabe até quando vai poder desfrutar de uma riqueza como essa chegando em nossas casas e eu tenho certeza que quem desiste se arrepende depois, assim que vê seu vizinho com a cisterna pronta e produzindo ainda mais, enquanto ele permanece com sua pequena produção e sem os ensinamentos que a gente aprende nos cursos de capacitação, porque além da cisterna e do aumento da produção a gente ainda ganha muito aprendizado pra poder cuidar ainda mais de tudo o que a gente mais ama que é a terra onde a gente vive”, garante Sr. Luiz.