Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 6 | nº 938 | outubro | 2012 Santana do Ipanema- AL.
Programa de avicultura contribui para inclusão social e geração de renda . Desde os 12 anos que José Leandro Soares, 54, trabalhava no cultivo de feijão, macaxeira, palma, milho e algodão, junto com os pais, no médio sertão de Alagoas. Após o casamento para manter os sete filhos mais a esposa, Maria José Pereira Barros, continuou vivendo da agricultura em Santana do Ipanema, no Curral do Meio. Porém, a renda obtida não dava para garantir a segurança alimentar. Em 2011, José Leandro Soares, foi integrado no Programa de Avicultura Familiar (PAF) do município de Santana do Ipanema. Através do Programa a família recebeu trinta pintos de corte e trinta de postura e assistência técnica quinzenalmente. O casal se dedicou a cuidar das aves, dividindo as tarefas, para garantir a sobrevivência dos animais até o Aves de desenvolvem com o cuidado da família período da comercialização. Com 90 dias a prefeitura de Santana do Ipanema comprou 30 frangos de corte para ser inserido na alimentação escolar. Após cinco meses a família passou a vender a produção de ovos. A criação de aves garantiu a família o consumo dos ovos e da carne e uma renda mensal de R$ 800,00. “Com a renda dos primeiros pintos eu comprei mais cem pintos, e vendi ovos e frango três vezes ao ano, para prefeitura e Conab. Para vender na feira não estar sobrando, se eu tivesse dinheiro aumentaria a produção de frangos, porque minha família come e ainda tem muita procura”. O pinto é comprado por R$ 1,65 e vendido com 3 kg. “Para alimentar gasto em média 400g de ração ao dia, dou resto de alimento e capim e vamos cuidando até chegar o período da gente comer e vender, porque com cuidado eles crescem sadio e mais rápido”, disse José Leandro Soares. Segundo José Leandro as primeiras aves foram doadas pela prefeitura, e a família investiu em uma nova produção após a primeira venda. “Quando compro mais aves e a ração, o recurso que sobra para ajudar no sustento da família é R$ 400,00. “Esse ano não plantei nem feijão e nem milho, só plantei meia tarefa de palma, porque não teve chuva. Por isso, se não fosse a criação Na simplicidade do galinheiro cresce aves saudáveis. de aves a situação para sustentar a família seria mais difícil. Se, eu tivesse uma cisterna para
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produzir, com certeza eu tinha uma horta, mais aqui tem água encanada e é cara, sem contar que falta”. Destacou. A família de José Leandro vende semanalmente 60 kg de frango e 15 dúzias de ovos para a prefeitura de Santana do Ipanema e 50 kg de frango e 10 dúzias de ovos semanalmente para Companhia Nacional de Abastecimento.
Dificuldades encontradas Para a família, inclusive a mãe e a tia, que abraçou o José Leandro, em gesto de carinho, existe a necessidade de aumentar a produção e inserção dos produtos em outros mercados como Tia e mãe de Déo, exemplo de resistência. feira-livre, supermercados, mercadinhos etc. Porém, falta recurso financeiro e apoio técnico para acompanhar a ampliação da comercialização. De acordo com José Leandro, dos sete filhos, seis, maior de idade vivem junto com ele e a esposa, se tivesse apoio para criar mais aves, poderia garantir um trabalho para os filhos. José Leandro participa do Fórum Territorial de Economia Solidária do Médio Sertão (FOTES), da Asinha municipal de Santana do Ipanema e da Asa do Médio sertão. Inserido no processo de discussão por políticas públicas, ele defende a participação de novas famílias no PAF, porém no médio sertão o programa só existe em Santana do Ipanema, devido à falta de interesse de outros governantes municipais em aderir o Programa. O PAF é um modelo de empreendedorismo rural, e política de incentivo à permanência das famílias no campo. Em santana do Ipanema existe 82 famílias inseridas no Programa. Segundo José Leandro a CONAB compra das famílias 900 kg de frango e 300 dúzias de ovos e a prefeitura de Santana compra 175 dúzias de ovos e 400 kg de frango semanalmente. Para José Leandro essa é uma forma dos governos apoiarem a agricultura familiar com pouco investimento e resultado a curto e médio prazo. “A gente tem que criar animais de acordo com nossas condições. Precisamos de ajuda não é para criar boi e sim ovelhas, galinhas, apiário, e assim, podemos viver na região e ter o pão de cada dia”, concluiu. Alternativa de convivência no semiárido Maria José Pereira, destacou como ajudava a manter a família antes da criação de aves. “Não dava pra viver só da agricultura, então há dez anos eu fiz um curso de doceira e comecei a fazer doce de leite, mamão, goiaba, batata-doce, abóbora e outros, vendia em casa e nos campo de futebol. Em 2011, fui convidada pela secretaria de agricultura do Estado, em Santana do Ipanema para vender doce para o PAA. Formei um grupo de sete mulheres, que conseguiu vender por um período de três meses doces para o PAA”. O grupo estar vendendo bolo para prefeitura para ser inserido na alimentação escolar. “A gente buscou parceria e assa os bolos em uma padaria. Temos muitas dificuldades, mas a gente luta para sobreviver na região”, concluiu.
Apoio:
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Programa Cisternas