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Produção com segurança nutricional e econômica no sertão da Bahia

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 6 | nº 2 | Outubro | 2012 Ipupiara - Bahia

Produção com segurança nutricional e econômica no sertão da bahia programa Uma Terra, duas águas (P1+2) executado em 2012 pelo Centro de Assessoria do Assuruá (CAA) e a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) nos Municípios baianos de Barra do Mendes, Barro Alto e Ipupiara, entende que a produção das famílias do semiárido não segue um padrão fixo. Muitas são as aptidões produtivas dos agricultores familiares e isso influi diretamente na forma como a água estocada pelas tecnologias sociais do Programa vai ser utilizada. Diferente da diversidade do agronegócio, que é pautada somente pelas relações de mercado e pela busca desenfreada do lucro, a diversidade da agricultura familiar e o investimento em diferentes potenciais produtivos é resultado de alguns outros fatores como: as condições naturais e ecológicas; o acesso a terra; a chegada de novas estruturas e tecnologias para a melhoria do trabalho familiar e a organização da própria família. O agricultor Evânio Ribeiro (37 anos) do município de Ipupiara é uma prova da diversidade produtiva que acompanha a agricultura familiar em suas origens mais básicas. Desde pequeno Evânio trabalhou nas terras da sua família. De sol a sol o produtor e sua família tiraram do chão fértil do sertão boa parte do que precisavam para ter uma alimentação com um mínimo de qualidade. Quando no inverno (período chuvoso), Evânio conseguia plantar e manter uma pequena produção que garantia uma mínima alimentação para a sua família. De tudo eles já cultivaram: grãos, verduras, frutas... Porém, foi somente com a chegada da cisterna de enxurrada, uma das tecnologias do P1+2, que Evânio conseguiu atingir novos horizontes em sua Unidade produtiva familiar. Há cerca de dois anos, além de manter a plantação de verduras orgânicas para o consumo da família, ele utiliza a água estocada no reservatório para ajudar a manter um pequeno rebanho de porcos das raças Durox e piau para o abate e comercialização da carne. Atualmente, o agricultor mantém um Foto: Henrique Oliveira | Arquivo CAA pequeno açougue de onde retira parte da renda familiar e incrementa a alimentação da casa. Foto: Henrique Oliveira | Arquivo CAA

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Bahia


Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Bahia Foto: Henrique Oliveira | Arquivo CAA

Água e segurança econômica

Evânio vende a carne dos porcos em vários povoados de Ipupiara e, com isso, consegue ter mais segurança para tocar as despesas da família. Segundo o produtor, o P1+2 e as tecnologias sociais de convivência com o semiárido voltadas a estimular a produção dos agricultores familiares possibilitaram manter a produtividade das hortas e do rebanho mesmo em época de estiagem. “Foi muito importante, principalmente para a gente que vive no sertão, a chegada dessas cisternas porque fez com que a gente se preocupasse menos com o a acesso à água na época da seca”, afirma. Mesmo com o preço do milho (principal alimento na dieta do rebanho) mais alto por conta da estiagem, Evânio vem conseguindo ter algum lucro com a venda da carne dos porcos e incrementando a renda familiar. Tal postura “empreendedora” do produtor revela a tendência dos agricultores familiares em, diversificar, modernizar e especializar suas produções. Com os devidos estímulos e o acesso a políticas públicas sensíveis ás questões sociais do semiárido – como é o caso do P1+2 –, agricultores como Evânio podem manter sua diversidade produtiva, aliando a produção de subsistência a uma produção destinada ao mercado sem, com isso, perder o foco na agroecologia e na segurança nutricional dos sertanejos. Como afirma o pesquisador, Paulo Petersen, essa diversificação de ocupações, constatada na experiência de Evânio, junto com o incremento das fontes de renda das famílias agricultoras “deve ser vista como uma das expressões dessa engenhosa capacidade dos agricultores de atualizar estratégias para permanecer na atividade agrícola frente a contextos desfavoráveis. Em vez de trilhar caminhos que os subordinam progressivamente a uma lógica mercantil estranha aos seus modos de vida e incompatível com seus meios de produção, buscam a construção de crescentes níveis de autonomia por meio da combinação de atividades agrícolas, para-agrícolas e não-agrícolas”. Assim, tal experiência de diversificação produtiva demonstra que os povos do sertão fortalecem, a cada dia, suas identidades de agricultores ao mesmo tempo em que adentram no mundo contemporâneo de cabeça erguida e trazendo novas ideias e saberes...

Produção agrícola familiar em números O agriculores familiares representam proximadamente 74 % dos trabalhadores agropecuários do país, sendo responsáveis por 84,4% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros um verdadeiro exército que ocupa 4,36 milhões de estabelecimentos agropecuários e que, mesmo acupando a reduzida área 80,25 milhões de hectares - o que corresponde a 24,3% da área total ocupada por estabelecimentos rurais no país -, respondem grande parte da produção de alimentos dos brasileiros. Confiram a tabela.

Fonte: IBGE - Censo Agropecuário 2006

Apoio:

Programa Cisternas


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