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Junho - Julho - 2015 | Ano X - Nº 50 | R$ 11,90

Decoração

Design em casa Tendências

Milão para quem ama design

Simplesmente acolhedora

Assinada por Antônio Felix e Moisés Felix, essa casa esbanja equilíbrio, sofisticação e ainda reforça o poder da arquitetura de traços leves Capa 50c.indd 1

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Ícones Mundiais

Sofá Marshmallow

Marco no design moderno, o sofá Marshmallow criado em 1956 foi desenvolvido para chamar a atenção e deixar as pessoas felizes. Suas almofadas podem ser todas da mesma cor ou em cores múltiplas, adaptando-se ao visual de escritórios particulares, saguões, salas

de descanso, salas de estar ou recantos. Com um design excêntrico, suas 18 almofadas redondas e confortáveis flutuam sobre a armação, podendo ser destacadas para fácil limpeza e reposicionadas, uniformizando o uso ou criando um visual diferente.

George Nelson Juntamente com Charles e Ray Eames, George Nelson foi um dos fundadores do chamado modernismo americano. Estudou arquitetura na universidade de Yale, formando-se 1928. Residindo em Roma, viajou pela Europa conhecendo vários modernistas. Retornou aos Estados Unidos alguns anos mais tarde para se dedicar à divulgação conceitual do design. Através de seus trabalhos, começou a chamar a atenção com diversos conceitos inovadores até então. Sua principal preocupação estava em interpretar, observar e compor soluções. Como exemplo disso está o conceito “family room” introduzido por ele. Em 1945, De Pree o convidou para assumir a direção de design da empresa Herman Miller, sendo o início de uma série de sucessos que também contaram com a participação de Ray e Charles Eames, Harry Bertoia, Richard Schultz, Donald Knorr e Isamu Noguchi. Dentre suas criações mais conhecidas estão o sofá Marshmallow, a cadeira Coconut, o banco Nelson e muitos outros produtos que se tornaram ícones do design.

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Editorial

Cinquentinha com tudo em cima C

hegamos à edição de número 50. Uma marca considerável da Editora ArteAmbiente! Uma soma notória de sucesso, trabalho e vocação de uma equipe determinada a dar sempre o melhor para seus leitores e parceiros. É relevante dizer que a revista ArteAmbiente foi pioneira e incentivadora de um mercado de arquitetura e design de interiores que ganhou terreno, base para a construção de grandes projetos e de imagem de profissionais talentosos há 10 anos. E crescemos juntos! Na Kabbalah é um número que representa as Portas da Sapiência, nos casamentos que dão certo, naqueles em que os anos passam sem sentir, refere-se a Bodas de Ouro. E a sensação é exatamente essa, viva a experiência e o fôlego para administrar o desejo de um público que ama casa, conforto e inovação. Nenhuma obra é definitiva, há sempre um ponto de partida para um novo olhar a cada edição. Até o fim 2015 temos muito a comemorar junto com vocês. O Encontros ArteAmbiente, programado para agosto, vai trazer Marcelo Rosenbaum para palestrar e homenagear a primeira década da editora. Respira, inspira porque logo depois, de 13 a 15 de novembro vem o ArteAmbiente Weekend, a grande festa do anuário ArteAmbiente, num formato ainda maior e melhor. Celebramos esta edição com uma entrevista especial com o arquiteto e designer Léo Romano, um dos profissionais mais talentosos do país, autor da coleção Chuva, para a Decameron, lançada recentemente. Em Galeria, a arte vibrante de Adauto Machado. Em Tendências, os brasileiros e as criações de design que chamaram atenção no Salão de Milão. A seção Internacional nos convida a renovar as energias na Big Apple, e desvendar o novo Whitney, museu que reúne mais de 20 mil obras de arte americana desde 1900. Em Arte e Letra, uma notável observação sobre uma obra de Sartre, “A idade da razão”, clássico lido e relido, investigado pelos olhos do filósoso Léo Mittaraquis. Apreciem sem moderação nossa cinquentinha!

Até a próxima edição!

Capa: Traços leves em projeto de Antônio Felix e Moisés Felix Foto: Martha Oliveira

expediente Direção Geral Jonatal Sousa e Leonardo Mittaraquis Comercial Jonatal Sousa ((79) 9828-9452) Lídice Rodrigues ((79) 9902-7763) Meire Mittaraquis ((79) 9828-9435) Criação Leonardo Mittaraquis ((79) 9828-9405) Josué Jackson - Diretor de Arte Diego Ferreira - Designer Gráfico Editora Roberta Nascimento DRT 1.068 SE Fotógrafos Álvaro Rocha Ivve Rodrigues Martha Oliveira Colaboradores Léo A. Mittaraquis Mário Britto Administrativo Rosilane Mesquita Tiragem 7.000 Exemplares ISSN 2238-6971 A Revista ArteAmbiente é uma publicação da Editora e Gráfica ArteAmbiente Ltda, com CNPJ 09.454.712/0001-55. A Editora ArteAmbiente não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados. Junho e Julho / 2015. Informações: Tel.: (79) 3231-3475 arteambiente@editoraarteambiente.com www.editoraarteambiente.com

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SUMÁRIO 10 - ÍCONES MUNDIAIS George Nelson

18 - ENTREVISTA Léo Romano

22 - NOTAS 26 - ARQUITETANDO Karina Luduvice

28 - DECORANDO

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Neila Machado

34 - MEU PROJETO Antônio Félix e Moises Félix

38 - AMBIENTE PARTICULAR Paulo Bedeu

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42 - TENDÊNCIAS Milão para quem ama design

48 - INTERNACIONAL Teatro Whitney

52 - OBJETOS DE DESEJO 54 - DECORAÇÃO Design em Casa

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56 - ESPAÇO CAU-SE 58 - FEIRAS E MOSTRAS Bienal brasileira de design 2015

60 - GALERIA Adauto Machado

62 - EVENTO Galeria J. Inácio é reinaugurada

64 - ARTE E LETRA 65 - ONDE ENCONTRAR

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Entrevista

MARIA CÉLIA SIQUEIRA

Duas décadas respirando arquitetura, design e urbanismo foram suficientes para transformar Léo Romano num ícone, um dos arquitetos mais renomados do país. O compromisso e a devoção ao trabalho faz a diferença na vida de muitas pessoas, mas, há algo pungente, que chama a atenção na carreira de um profissional como este. Talvez a simplicidade própria de quem saiu do interior de Goiás para desbravar o mundo com o olhar despretensioso e sem medo de ousar. Tenha a certeza de que o lema Léo é provocar! Soaria redundante citar o grande número de prêmios e publicações de projetos em revistas nacionais e internacionais. Léo Romano é generoso em muitos aspectos, sobretudo quando se fala em reger a criatividade em equipe e preservar talentos. Mais maduro, preserva seus devaneios e intuições. Acredita na estética como um caminho para a transformação e felicidade. Um bom exemplo disso foi o recente lançamento da linha CHUVA, para a famosa Decameron. Um trabalho que escancara sua veia artística e consegue imprimir na obra final a fluidez a que remete o nome das peças. Simplesmente chuva!!! A linha de pensamento desse artista da arquitetura traduz poesia, assim como suas casas. Casa é casa, com afeto a que se destina. Nessa entrevista exclusiva à ArteAmbiente, Léo Romano fala sobre sua carreira. ROBERTA NASCIMENTO

Léo Romano

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ARTEAMBIENTE – Conte-nos como começou a sua carreira?

LÉO ROMANO – Sou de Morrinhos, uma cidade do interior de Goiás, há 120 km de Goiânia. O primeiro curso que fiz foi artes plásticas, e isso deve ter uns 30 anos, e quando estava terminando o curso de artes comecei arquitetura e depois já emendei design de interiores e design gráfico. Fiz essas quatro formações, e no começo trabalhava muito dividido entre as artes plásticas, arquitetura e decoração, depois com os anos a seleção foi acontecendo naturalmente. Hoje, nosso escritório atende muitos clientes e a parte de design gráfico é a área que a gente mais trabalha, desenvolvendo muito do design de produto, móveis, além de muitos projetos de interiores e de arquitetura. Estamos começando a fazer alguns projetos verticais de prédios maiores, residenciais e isso foi acontecendo naturalmente, não tivemos nenhuma estratégia pensada para que o caminho fosse esse.

ARTEAMBIENTE – Qual o maior desafio de um arquiteto? A melhor compreensão da arquitetura da casa brasileira? LÉO ROMANO – Não diria o maior desafio, mas a maior responsabilidade, talvez, seja uma interpretação correta de um sonho, porque de um lado você tem a expectativa de quem está te contratando, e do outro lado, você tem o seu conhecimento e aquilo que acredita. Saber dosar um pouco o jeito que você acha que a arquitetura deve ser e no final levar para o cliente uma melhoria de vida é fantástico. Nosso trabalho interessa muito mais quando a gente consegue fazer as pessoas mais felizes, o objetivo principal é esse, levando bem estar e fazer com que os espaços sejam mais carregados de vida, de alma e de personalidade. Nossa busca é sempre por um trabalho mais autoral e com mais identidade. Então é nossa preocupação é tentar fazer de cada projeto uma oportunidade desse exercício.

layout, a escolha de um material, uma cor. A gente tem na arquitetura residencial – acredito que essa é uma das minhas características – primeiro de uma casa muito fácil de ser lida, não faço casas que você não entenda. Gosto daquela casa que você abre e sabe como ela acontece, que fala por ela mesma, como está organizada e dê para imaginar como é a rotina doméstica. A maioria dos nossos projetos é fechado para rua e aberto para dentro. O mais importante é o espaço interior, pois se temos um jardim grande, uma natureza bacana, procuramos valorizar isso. Os traços são mais retos, a forma da arquitetura é mais minimalista, mínimo de linhas necessárias e no interior trabalhamos o inverso – procuramos pegar todos os elementos e referencias que o cliente têm e incorporamos dentro da decoração. É bacana quando você entra na casa de uma pessoa, olha algo e ela tem uma história para contar. A casa não pode ser terminada por mim, mas pelo cliente e se ele não integrar nada afetivo, um objeto ou recordação, não faz muito sentido. Gosto muito do ponto de vista de que no interior da casa não tenha muita regra, porque a casa precisa ter uma simplicidade e gosto de brincar com sua anatomia. Casa é casa!

Chuva é uma coleção de móveis com a expressão da fluidez, onde a madeira é trabalhada numa construção artesanal precisa e cuidadosa produzindo imagens plásticas conduzidas por linhas puras e contínuas

ARTEAMBIENTE – Quem são seus mestres? Arquitetos e artistas que inspiram a sua criação?

LÉO ROMANO – Várias coisas me inspiram sem ser necessariamente o profissional, como o cotidiano, gente, viagens, revistas, pesquisas, livros. A natureza é uma fonte de inspiração inesgotável. Os profissionais, por exemplo, entre os brasileiros eu adoro o Kogan, o Isay, o Oscar, que fez

Decorado Casa Opus: opulência de casa, mas projetado num apartamento, integrado ao parque, com vista privilegiada da natureza

ARTEAMBIENTE – Como funciona sua rotina de

EDGARD CÉSAR

criação? Como você trabalha a estética dos projeto, das casas? LÉO ROMANO – Hoje tenho uma equipe grande no escritório, somos em 13, mas a parte de criação fica toda sob minha responsabilidade. As primeiras reuniões com os clientes são feitas por mim, o acompanhamento de todo o projeto, além da criação. Claro que tem elementos que dão certo e acabam se transformando na marca da gente, às vezes um traço, às vezes a forma de fazer um

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PAULO REZENDE

maneira geral a arquitetura brasileira começou a construir alguns linhas que são muito comuns, principalmente a arquitetura contemporânea. Esses elementos da brasilidade, os cobogós, as tramas, o artesanato e os elementos naturais você vê no trabalho de vários arquitetos e muitas vezes se repete exaustivamente. Quando temos uma ideia muito diferente passa a ser o inusitado. Uma coisa que tem me interessado muito na parte de interiores é a memória dos moradores, e que lhes remete a várias sensações e lembranças de sua vida. Quando se oferece esse convite sobre o lado emocional me interessa. Uma casa tem que ter a sensação de continuidade e parecer que já existia.

ArteAmbiente –Você tem predileção por alguma matéria prima?

Léo Romano –Eu adoro concreto e tenho gostado de trabalhar cada vez mais com materiais naturais como pedra, madeira, elementos que você pode trazer a natureza para dentro da casa. De cores, uma coisa que brinco, e naturalmente incorporei, é o amarelo dentro do meu ambiente de criação. Eu uso muito o amarelo e simbolicamente é uma cor que remete energia, força, sol, vibração.

A Casa da Caixa Vermelha

um trabalho incrível, fez a arquitetura brasileira existir a partir do seu nome. Sem dúvida é nosso maior marco e é um dos nomes mais importantes da arquitetura mundial. No design, igualmente, o Sérgio Rodrigues, que eu acho perfeito, os Irmão Campanas com projetos de contemporaneidade.

ArteAmbiente – Com tanta informação, é mais difícil criar algo inusitado? Você prefere se recolher durante a criação ou buscar as tendências, os eventos, as grandes cidades? Léo Romano –Criar uma linguagem, um traço é algo que leva tempo. Eu preciso de tudo um pouco e ando muito. Todos os anos gosto de visitar mostras, bienais de arquitetura, gosto de ir a museus, visitar galerias. Gosto do meio da criação. E claro, que isso vai influenciar o meu trabalho de alguma forma. Criar algo novo é mais difícil e digo que existe algo hoje na criação que é o pensamento coletivo muito forte. Ás vezes você faz alguma coisa e quando vai ver ela já existe. Ou você pensa um projeto seu e vê replicado alguns anos depois, com as mesmas características. De uma

ArteAmbiente – É possível tornar a arquitetura mais acessível, diferente do usual sinônimo do exclusivo e do luxo? Léo Romano –É possível, sim. E um projeto que fala muito bem dessa experiência é o Lar Doce Lar, que atinge projetos sociais de baixo custo e acho que a gente também tem essa função educadora. Você pode melhorar o dia a dia com coisas simples e uma qualidade de vida melhor. A gente tem inclusive essa obrigação de orientar, inclusive sobre essas questões novas de sustentabilidade, de mobilidade, de economia de energia, de funcionalidade, algo que deve ser democrático, aberta e não deve fazer distinção de classe social. ArteAmbiente –Você recentemente assina uma coleção de móveis intitulada “Chuva” para a Decameron. Como você avalia a produção do design de móveis nacional? Léo Romano –Eu acho que a gente nunca teve um momento de tanta valorização como hoje. É claro que os Irmãos Campana tiveram uma importância de abrir caminho, mostraram pro mundo que o design brasileiro existia. São únicos e não tem no mundo alguém que faça algo parecido com o que eles criam com a propriedade, apuro estético e ousadia. Eles tiverem essa função

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extremamente importante. A gente passou por um período em que o design brasileiro ficou esquecido, e num período de uns 10 anos para cá volta com força total. Hoje, nos meus projetos diria que 90% é com mobiliário brasileiro, mas há 15 anos atrás era usual que 90% fosse de mobiliário italiano. Isso não ocorre só no meu trabalho, mas a maioria dos profissionais tem essa valorização do produto brasileiro. Infelizmente, o nosso parque industrial é muito pouco tecnológico e não temos como competir com a Europa, com a Ásia. O nosso produto ainda é feito de uma maneira artesanal, o que na verdade me agrada, porque o país ainda precisa gerar esse tipo de emprego, ainda mais com o tipo de matéria prima que a gente usa – a madeira, a palha, o tecido. Perceber a presença da mão do homem é muito importante e o design brasileiro faz isso muito bem, assim como o design escandinavo, que tem essa particularidade.

ArteAmbiente –Qual a importância da Decameron para seu trabalho como designer? Como surgiu a ideia de retratar a simplicidade da chuva? Léo Romano –A Decameron foi um encontro casual, assim como as coisas na minha vida acontecem sem planejamento, na hora certa. Trabalho para uma loja em Goiânia que revende Decameron e o ano passado estava responsável por reorganizar o layout da loja em função do lançamento das peças da marca. Quando o Marcos Ferreira foi à primeira reunião de escolha dos produtos que ele lançaria lá, perguntou-me o que andava fazendo. Disse para eu mostrar algum projeto meu e mostrei no celular e viu uma mesa, que foi a primeira mesa da coleção chuva, pensada para uma cliente específica. E disse: “Léo, essa mesa está muito linda, vamos lançar isso em São Paulo”. Eu disse que não iria a São Paulo para lançar uma única mesa e me debrucei sobre a criação da coleção. E aí foi surgindo tudo e hoje já temos 16 peças lançadas recentemente. A Vera Santiago, agente de design, tem recebido os lojistas do Brasil inteiro. O trabalho é muito inspirado na natureza e se tornou muito poético, dizendo que haveria chuva com a aparição da coleção. E eu achei uma delícia fazer. Nos meus 20 anos de profissão,

já desenhei muito para cliente final e já fiz um trabalho para uma empresa do Sul, a TecLine, num redesign de vários produtos deles. Tem alguns produtos meus que são fabricados pela América. Já temos a ideia de fazer uma outra coleção e o Marcos acabou virando um grande parceiro, e acho que isso é um grande prestígio, a Decameron é uma linha de produtos que sempre especifiquei nos meus projetos, o projeto da loja é lindo, e fiquei super feliz.

A coleção Chuva, para a Decameron, já tem 16 peças

ArteAmbiente – Como você interpreta o viés da sustentabilidade no seu trabalho?

Léo Romano –Acredito que cada vez mais a sustentabilidade vai se diluindo naturalmente nos projetos. Indicamos o reuso de água, lâmpadas corretas, iluminação fotovoltaica e natural, ventilação cruzada, reciclagem de lixo. E a arquitetura precisa ser viável e consciente para gerar menos desperdício numa casa e ser prática. Estamos envolvidos com o projeto de um prédio em Goiânia com grande jardim vertical, com árvores escalonadas para o maior conforto térmico e acho que esse é o caminho natural. Quem não se atentar para essas questões vai ficar um pouco fora e o projeto precisa ter a contemporaneidade, inovação e isso é uma necessidade básica.

A madeira é trabalhada numa construção artesanal precisa e cuidadosa

O objeto representa imagens plásticas conduzidas por linhas puras e contínuas

ArteAmbiente – Que impressão você leva de aracaju?

Léo Romano – A cidade e as praias são lindas!! Aracaju é muito organizada e arborizada. O trânsito flui e as pessoas são bem receptivas! Minha vinda à capital sergipana foi rapidamente para encontrar com uma cliente, mas foi muito especial. ArteAmbiente – Quais os seus principais projetos para 2015? Há algum sonho que gostaria de alcançar? Léo Romano –Eu vou deixar as coisas irem acontecendo. Esse ano todo mundo está um pouco apreensivo pelas questões econômicas do país, mas nós temos muitos projetos já em desenvolvimento que vão ocupar bastante as nossas pranchetas durante o ano de 2015. A maior novidade é que estamos na Casa Cor São Paulo, e logicamente vamos dar mais um pouco de visibilidade ao nosso trabalho.

Escultural, o desenho se revela único, difícil de perceber o seu começo e seu fim.

Os móveis falam sobre a fluidez da chuva

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Notas

Nova paleta de cores Manufatti

Fotografias pra decorar

Antecipando tendências em design, decoração e arquitetura, a Manufatti apresenta ao mercado brasileiro uma nova paleta de cores. Entre os destaques para o uso de COBOGÓS e revestimentos da marca, figura um rico e encorpado tom de Vinho inspirado na cor Marsala. Eleita cor do ano de 2015 pela Pantone (www.pantone.com), a Marsala traz em sua essência um marcante tom de Vinho, presente também nas peças da Manufatti. Saiba mais sobre Manufatti: www.manufatti.com.br | www.facebook. com/manufattirev | www.instagram.com/ manufattirevestimentos | (11) 2369-4441 ou (11) 2369-4445.

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Banho e Metal com Você A expectativa em torno da segunda edição do Workshop “Banho e Metal com Você” é cada vez maior. O projeto, de autoria da Mauad Consultoria & Eventos para a Banho e Metal, ganhou força quando reuniu grandes especialistas, arquitetos, decoradores e interior designers, em um mesmo espaço com o objetivo de estabelecerem um diálogo eficaz sobre assuntos relacionados à área, há quatro anos. Em sua versão 2015, o projeto ganha uma roupagem ainda mais moderna, pelas mãos da Zeca Propaganda, e promete ser um celeiro de boas ideias. Informações sobre data, horário e local, além da programação, somente na próxima edição. “Fique atento e não perca a chance de fazer sua inscrição!

Calendário Casa Cor - 2º Semestre 2015 Mostras Nacionais CASA COR PERNAMBUCO CASA COR RIO DE JANEIRO CASA COR ALAGOAS CASA COR MINAS GERAIS CASA COR ESPÍRITO SANTO CASA COR BRASÍLIA CASA COR BAHIA CASA COR CEARÁ CASA COR PARÁ CASA COR RIO GRANDE DO NORTE CASA COR CAMPINAS CASA COR LITORAL SP

Início 08 de Julho 05 de Agosto 18 de Agosto 21 de Setembro 23 de Setembro 25 de Setembro 26 de Setembro 08 de Outubro 17 de Outubro 17 de Outubro 24 de Outubro 15 de Novembro

Término 18 de Agosto 13 de Setembro 20 de Outubro 29 de Outubro 03 de Novembro 05 de Novembro 03 de Novembro 17 de Novembro 01 de Dezembro 30 de Novembro 10 de Dezembro 21 de Dezembro

Franquias Internacionais CASA COR PERU CASA COR CHILE CASA COR EQUADOR

Início 01 de Outubro 05 de Outubro 17 de Outubro

Término 08 de Novembro 10 de Novembro 23 de Novembro

A vez do inox! Devido a sua versatilidade, durabilidade e qualidade estética o inox tornou-se o material mais procurado para a confecção de corrimãos de escadas, proteção para sacadas em prédios e casas, entre outros objetos decorativos. De fácil manutenção, praticidade de limpeza e por não precisar de pintura ou reparos, o inox apresenta um excelente custo benefício para atender as exigências personalizadas dos mais variados projetos. A Dinox Indústria de Artefatos de Metais é uma empresa especializada em aço inox com 12 anos de experiência na área, conta com mão-de-obra especializada e comprometida, sempre oferecendo uma solução inteligente e econômica para quem precisa reformar ou construir. Rua Prof. Jose Freitas de Andrade, 3639 - Loja 01 - Coroa do Meio dinoxse@gmail.com Fone 79 3255-4280 | 79 9989-1564

*Informações sujeitas a alterações sem aviso prévio

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Qualidade e pontualidade

Movidrolar de casa nova

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Tecnoflex A Tecnoflex, marca nacional de mobiliário corporativo, inaugurou neste semestre seu showroom em Sergipe. A nova loja, localizada na capital Araca ju, será responsável pelo atendimento na região, e comercializará todos os produtos e soluções que a Tecnoflex oferece para ambientes corporativos, escritórios e home offices. Abrangendo todo o território nacional, hoje essa marca especializada na produção e criação de soluções para ambientes de trabalho como cadeiras, divisórias, piso teto e arquivos deslizantes está preparada para atender escritórios de arquitetura e seus clientes finais, e aumentar sua participação no setor.

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Arquitetando

Karina Luduvice ção com a qualidade de vida das pessoas e contribui na preservação do meio ambiente. Soluções simples como a utilização de mais janelas e grandes aberturas aproveitando ao máximo a luz e ventilação natural, utilizar técnicas de captação da água da chuva e energia solar e a utilização de um índice maior de áreas verdes, são de suma importância na hora de idealizar um projeto que não afete tanto o meio ambiente. Como você visualiza a arquitetura no futuro? Espero que seja uma arquitetura com mais qualidade de vida, mais humana, mais igualitária, mais acessível e que atenda as necessidades do indivíduo sem comprometer o meio ambiente e a saúde da população. Profissional que admira: Na arquitetura: Antônio Caramelo e Santiago Calatrava. Na Ambientação: Débora Aguiar Arquitetura ou ambientação? Para mim é difícil imaginá-las separadamente, ambas trabalham o espaço, a funcionalidade, a ergonomia, o conforto e a beleza; uma ambientação bem feita enobrece ainda mais o projeto arquitetônico. Livro indispensável para atuação: Arte de projetar em Arquitetura de Ernest Neufert. Mudanças que gostaria de promover na arquitetura de Araca ju? Conscientizar mais a população sobre a importância do profissional de arquitetura na elaboração e execução de um projeto arquitetônico; construção qualquer um faz, ARQUITETURA não.

karinaarq@hotmail.com Cel: (79) 9900-3348 (79) 9191-4980 VICTOR CALDAS

Natural de: Araca ju/SE Formação profissional: Arquiteta Urbanista formada pela Universidade Tiradentes em 2003 Algum projeto que considera cartão de visita? Costumo dizer que o melhor cartão de visita de um profissional é a satisfação do cliente perante o trabalho que este desenvolveu. O cliente satisfeito indica e fideliza o profissional que atendeu bem as suas necessidades. Onde busca inspiração? A inspiração vem desde o primeiro contato com o cliente, nele procuro obter ao máximo informações necessárias para elaborar um projeto que atenda as suas necessidades, pois cada cliente traz consigo, estilos, costumes, ideais e sonhos diferentes. Um projeto desafiador: Quando se gosta do que faz, não existe um projeto desafiador e sim um projeto que te enriquece cada vez mais, que te obriga a pesquisar mais, a buscar novos conceitos, novas formas, novas soluções no projetar e construir. Monumento da arquitetura mundial: Cidade das Artes e das Ciências do Engenheiro e Arquiteto Santiago Calatrava. Estilos e correntes da arquitetura com que mais se identifica: Cada estilo arquitetônico tem a sua beleza, sua particularidade, sua função no espaço inserido e no tempo; mas minha identificação maior é com a Arquitetura Moderna e Contemporânea pela sua funcionalidade, formato, novas soluções construtivas, tecnológicas e sustententáveis. Sustentabilidade na arquitetura: A sustentabilidade possui uma rela-

MARTHA OLIVEIRA

A mistura de tons, diferentes texturas, iluminação e espelho compõem estas salas conjugadas com cozinha americana de aproximadamente 18,50m² projetada para um decorado, onde a maior preocupação na hora da concepção do projeto, foi atender todas as necessidades do cliente sem deixar de lado o conforto, a sofisticação e o requinte

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Decorando

Neila Machado Natural de: Araca ju/SE

Formação profissional: Decoradora formada pela EDI e Técnica em Edificações Algum projeto que considera cartão de visita? Vários. Como tenho paixão pela profissão, me entrego de corpo e alma ao projeto, e até o considero temporariamente como um filho Boas ideias exigem noites em claro? Às vezes. De repente surge uma ideia para aquele problema que eu queria resolver, pulo da cama e vou aproveitar o silêncio da casa para trabalhar. Nem sinto a noite passar... Dois materiais imprescindíveis na sua criação: A primeira coisa que penso quando vou fazer um projeto é a iluminação. Seja natural ou artificial. A luz cria efeitos especiais aos ambientes. A segunda é sempre inserir o verde. A energia das plantas faz parte de mim. Um objeto ou móvel do design: São muitos. Os móveis de Sérgio Rodrigues são excelentes. Mas hoje estou apaixonada pela poltrona Shell do Estúdio Bola.

Como reconhecer o bom design? Aquele alia conforto, funcionalidade e charme. Estilos e correntes no design de interiores com que mais se identifica: Me identifico mais com o contemporâneo, mas sigo a risca o gosto do cliente. Sustentabilidade no design é: Fundamental. Vamos utilizar cada vez mais produtos sustentáveis, que estão mais acessíveis e sofisticados. Profissional que admira: Artur Casas, Sig Bergamin, David Bastos entre outros. Livros indispensáveis para atuação: Oca e publicação do trabalho de vários profissionais da área. Hoje o mercado sobre arquitetura e decoração é enorme. Como vê a decoração da casa no futuro? Vejo cada vez mais valorizada a nossa profissão pelo desafio de tornar aconchegantes e bonitos espaços na maioria das vezes tão reduzidos. É mais fácil projetar grandes espaços.

Sofisticação inusitada - os lavabos apresentam traços da personalidade dos donos e também a forma como eles se comunicam com seus visitantes. A bancada iluminada, o revestimento de vidro leitoso nas paredes, o papel imitando couro e a luz indireta atravessando a madeira vazada, conferem toda sofisticação ao projeto

Contato: Tel.: (79) 9912-2176 neilamachadointeriores@hotmail.com

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Meu projeto

Simplesmente acolhedora

MARTHA OLIVEIRA

Elegante e muito confortável, essa casa de traços contemporâneos une a leveza do branco ao aconchego da madeira

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armonia e equilíbrio dos elementos são aspectos fundamentais no processo de criação dos arquitetos Antônio Félix e Moisés Félix. Segundo eles, garantir bem estar ao usuário é primordial ao espaço idealizado. Partindo de uma arquitetura com traços leves e detalhes construtivos arrojados, o projeto dessa residência acolhe sofisticação e contemporaneidade. É uma residência unifamiliar composta pelo pavimento térreo e superior, compreendendo uma área total construída de 642,12m², em condomínio fechado no Mosqueiro, área privilegiada de Aracaju/SE. A proposta era projetar uma casa com linguagem das linhas retas e dos volumes limpos. Seria uma casa projetada para um jovem casal com três filhos e que adoram receber amigos. Para refletir e materializar os princípios de vida dos clientes, a implantação da casa foi norteada pela ventilação, iluminação, conforto, privacidade e principalmente a integração dos ambientes sociais.

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Os ambientes com mobiliário assinado por designers conjugam funcionalidade e requinte. A estante modulada nos tons preto e amadeirado com espelhos ao fundo garante amplitude ao espaço. Persiana em madeira e estolas controlam a intensidade de iluminação natural e dão charme ao espaço.

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Antônio Félix e Moisés Félix Arquiteto e Urbanista Designer de Interiores CAU-SE A78527-0

Av. Pedro Paes Azevedo, 600 – salas 01 Salgado Filho – Araca ju/SE (79) 3246-2201 / 9979-0565 / 9971-2344 / 9191-4245 arquitetura@amfelix.com.br

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Ambiente Particular

Casa e conquista equilibradas Em lua-de-mel com a vida, o empresário Paulo Bedeu abre a sua casa e conta um pouco de sua trajetória ROBERTA NASCIMENTO

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IVVE RODRIGUES

entro do universo estético de uma casa essencialmente masculina, há sempre um quê de desapego, uma arrumação de quem está mais preocupado em viver a vida lá fora. Isso é muito natural! Relapso assumido com as questões de ordem decorativa, o empresário Paulo Bedeu afirma que sua casa reúne sentimentos de conquista. “Fui engraxate, vendi picolé e meu pai era maquinista da Leste. Morei a minha infância toda no Siqueira Campos. Meu sonho era uma casa com um fusca na garagem. Achava isso rico, então, para uma pessoa que vem de baixo e hoje está bem de vida, só agradeço muito a Deus. Tenho três academias, não devo nada a ninguém e minha perspectiva de futuro é de tranquilidade. Não posso reclamar da vida”, relembra Bedeu. A residência ampla e arejada, com a porta principal desenhando os raios de sol, dividida em dois pisos, exibe o humor de quem ama a vida e a liberdade. Foi adquirida no início da década de 1990, no bairro de Atalaia, bem pertinho do mar. O empresário orgulha-se em dizer que sabe onde fica pilar por pilar da casa, porque foi ele mesmo que cavou o início do projeto assinado pelo arquiteto Paulo Rehn. Os ambientes refletem exatamente a personalidade do

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morador, sobretudo a área de lazer com piscina, aconchegante e despretensiosa. É o astral de um esportista apaixonado pelo que faz e sabe curtir a vida. A garagem também é espaçosa para guardar uma outra paixão: os carros. A palheta de cores é reduzida, muito branco com toques incisivos de neutros, como amadeirados e terrosos. A última reforma pela qual a casa passou foi realizada há uns nove anos. Fica clara a mistura contemporânea de metais nos móveis com formas retilíneas. No mais, é um lar funcional, sem exageros.

História antes da casa A conversa flui e Bedeu, ora se emociona, ora ri à toa da própria trajetória, até alcançar o reconhecimento como grande empreendedor de academias em Sergipe. Segundo ele, a sua história daria para fazer um livro. Formado em Educação Física pela UFS em 1985, faz exatamente 30 anos que abriu a sua primeira academia. “Desde os 6 anos de idade que sou doido por

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O jardim de inverno garante astral e temperatura agradável, mantem o estilo das casas construídas na década de 90

O living de traços contemporâneos e pé direito duplo, totalmente integrado à varanda, é arejado e amplo

esporte, era considerado o Dunga, líder da minha turma no Costa e Silva. Joguei futebol no Confiança e quando completei 16 anos, meu pai não podia mais me conduzir financeiramente e tive que trabalhar. O Cotinguiba me contratou para jogar vôlei, ganhei uma bolsa no Arquidiocesano e fui o primeiro atleta a ganhar os estudos com o esporte. Com 17 anos quis morar no Rio, era louco pelo Rio, como até hoje. Fui treinar no campo da Boa Vista pelo Botafogo, mas quando cheguei lá vi que havia uma panelinha: era Bernard, Marcos Vinícius, Montanaro, a geração de Prata do Vôlei. Voltei, fiz medicina, perdi o vestibular, fui chamado pelo Exército e fiz vestibular novamente, quando então passei em Educação Física em segundo lugar quase desisti de raiva, porque queria mesmo medicina, mas Deus sabe o que faz e hoje sou uma pessoa realizada”, conta o empresário. A decoração é edição, assim como a felicidade. Não é que não se pode ter tudo, não se deve ter tudo e esse é um lema na vida de Paulo Be-

deu. É um pai presente, embora os três filhos vivam com suas mães. “Meus filhos moram fora e são criados para o mundo, o mais velho estuda em São Paulo. Gosto da minha casa porque realmente é o lugar que me encontro, onde faço minhas orações, curto meu descanso, meu lazer, minhas festas. Gosto muito do meu quarto, mas já está precisando de uma nova reforma. Até ontem, todos os meus esforços estavam direcionados para a academia Bedeu Beach, a mais nova, mas hoje digo que estou de Lua-de-Mel com o meu trabalho, a vida. Nos dias de hoje há muita oportunidade, mas para se estabelecer, e ser o primeiro, é duro. Tudo é relativo e para ser feliz não tem nada a ver com posses materiais”, declara. Mesmo com tantos sonhos alcançados, há um sentimento indelével que o empresário ainda almeja sentir e realizar. “A causa do outro e a solidariedade precisam de apoio. Meu maior sonho é realizar um projeto social. E vou realizá-lo se Deus quiser”, revela Paulo Bedeu.

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Linhas retas e decoração pontual, sem excessos. No andar superior, o conforto dos quartos e o closet

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Tendências

Milão Coleção Estrela dos irmãos Campana para a Lot Of Brazil trial. A linha, composta por cadeira, poltrona, mesa de centro, mesa lateral, sofá e luminária, chegará às lojas brasileiras e internacionais por preços sugeridos que variam de R$ 800 a R$ 4 mil,

para quem ama design 54ª edição do Salão do Móvel expõe design e tendências mais criativas e versáteis. Brasileiros deram um show a parte!

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A trama artesanal da Cadeira Chita, de Sérgio Matos, fez sucesso na exposição BRAZIL S/A

odos os anos a capital da Lombardia ganha os holofotes do mundo para mostrar as maiores inovações do design. Tudo que envolve esse evento na Itália parece redundante, inclusive seu sucesso. No balanço da 54ª edição do Salão Internacional do Móvel de Milão, de 14 ao dia 19 de abril, juntamente com os mais de 300 eventos paralelos - o charmoso Fuori Salone, rendeu mais um recorde - 310 mil turistas de 160 países. Tinha atração para todos os gostos, e claro que os profissionais de design, arquitetos, artistas, apaixonados pela arte, casa, e curiosos foram lá por uma simples razão: inspiração e aprendizagem sobre o que é ou será tendência em termos de materiais, acabamentos e formas, ou principalmente em relação a soluções inovadoras e sustentáveis. Segundo a arquiteta Lilia Duarte, veterana do Salão de Milão, esta edição foi a menos inusitada que já viu, mas, ainda assim, chamou atenção a intensidade criativa e a aposta no monocromático, a ousadia nas formas e os clássicos reapresentados. “A

A Moooi Carpets ganhou instalação que Marcel Wanders. Pode pisar firme

feira em si, este ano, não nos trouxe tantas novidades. As cores direcionadas para os rosados, a gama de cores salmon estampada em muitos móveis, a laca com cores mais sóbrias, além dos amadeirados”. A designer de interiores Ana Romélia afirma que o evento é sempre marcado pela diversidade de estilos e a combinação de conceitos do design moderno e contemporâneo. Para ela, o grande destaque foi a criatividade e as tendências do Fuori Salone, que ocorreram nos bairros urbanos de Tortona, Brera, Lambrate e Porta Romana e chamaram muita atenção. “Muitas peças me chamaram atenção, como a mesa Serra Pelada, do designer Roque Frizzo, os tapetes da Moooi, de Marcel Wanders, a luminária Serena T, de Patrícia Urquiola, dentre outros. A versatilidade da madeira foi o grande destaque deste ano, aparecendo em várias formas e aplicações, como os móveis e peças trabalhadas em pinus, algo que não se via há muito tempo, mobiliário soltos, elementos retilíneos sem uso de

Poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues, é exposta como obra de arte do design mundial

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puxadores. A funcionalidade aliada ao minimalismo, a maior tendência, exemplo de como a simplicidade é linda”, destaca.

Inovação made in Brazil Assim como a Bossa Nova no mundo, o talento dos brasileiros em Milão ganhou uma cadência expressiva. Na avaliação de Lilia, os espaços de exposição dedicados ao design made in Brazil ganhou status de arte. Três grandes eventos chamaram sua atenção: o Fuori Salone, a Zona Tortona e a 6ª edição do Brazil S/A, na tradicionalíssima Università Degli Studi di Milano (Via Festa del Perdono, 7) com a mostra “Energy for Creativity”, onde estiveram presentes Brunno Jahara, Guto Requena, Marcelo Rosenbaum, Estúdio Fetiche, Sérgio Matos, Zanini de Zanine, Bruno Faucz, Fernando Jaeger e Alê Jordão, além da exposição “Sou do Mundo, Sou Minas Gerais”, um tributo ao trabalho Sérgio Rodrigues. “Dá muito orgulho participar de eventos como esses, lotado de designers brasileiros. A

Poltrona Face assinada por Zanini e lançada pela Moora

exposição na qual homenageou o Sérgio Rodrigues foi muito bonita. No MADE, os Irmãos Campana deram o ar da graça. Os brasileiros estavam com tudo, mas muita gente falou da crise de corrupção pela qual o país passa. O próprio Philippe Starck perguntou como os brasileiros deixaram o Brasil chegar a esse ponto”, declarou a arquiteta Lilia Duarte. A agenda de um brasileiro em especial surpreendeu olhares atentos durante o Salão de Milão. Simples e encantador nas formas, o designer Zanini di Zanine afirma que apresentou peças de marcas nacionais e internacionais no evento. “Fui convidado para participar da mostra da revista inglesa Wallpaper para apresentar uma peça inédita, e assim trouxe uma fruteira em mármore produzida pela empresa paulista Villa della Pietra. Tive a honra de ser convidado por Giulio Cappellini para participar da mostra de 60 anos da marca de cerâmica italiana Flaminia, na qual contou com nomes como Piero Lisoni, Paola Navone, Jasper Morrison, entre outros...”, destaca Zanini.

Luminária Flora, de Zanini de Zanine, para a Slamp de Roma, exposta na Euroluce

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Os coloridos móveis outdoor da designer Paola Lenti marcaram presença no Salão do Móvel de Milão

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Artista paulista Alê Jordão apresentou exposição “Over Consumismo – The Neon Traffic Dealer”

Na Euroluce, no pavilhão de iluminação, Zanini ainda expôs para a marca italiana Slamp de Roma, a linha Flora com pendente e luminária de piso nos acabamentos cobre, prata e ouro. No Salone Del Mobile pela Butzke (Brasil), expôs a linha externa Mucuri, composta por espreguiçadeira, cadeira, mesa e mesa lateral, lançada em madeira cumaru e que em breve entrará em comercialização. Ainda no Salone pela Moora (Brasil) outras três peças em madeira foram expostas no stand desta jovem marca. Fora do Salão ainda apresentou peças na Zona Tortona na mostra carioca Rio+Design e na exposiçao Brazil S/A com a linha desenha para Mekal em aço inox. E para finalizar na Galeira Twenty 14, em Brera, montou uma exposiçao itali-brasileira com cadeiras únicas de designers italianos e brasileiros. “Impressiona a qualidade inventiva de Zanini e a dimensão de seu trabalho em Milão. O cara estava em todas!”, pontua a arquiteta Lilia Duarte. Ana Romélia afirma que o surgimento de novos talentos de todo o mundo e a presença marcante dos brasileiros a faz acreditar que cada vez mais o design se distancia da indústria e volta para as mãos do artesão (dos designers) como o trabalho de Paola Lenti. “Nesse cenário, o design precisa ir muito além da forma e função, cumprindo o seu papel de refletir os reais anseios da sociedade”, declara Romélia.

Inspirada na estrela-do-mar é a primeira série de móveis Campana produzida de forma industrial e com custo baixo

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Internacional

Museu Whitney inaugura nova sede

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N De autoria do arquiteto Renzo Piano, o novo Whitney, com 18.580 m2 de área construída, fica ao longo do parque da High Line, no Greenwich Village

o fim de abril, uma grande inauguração mexeu com estatura de grande centro da arte contemporânea no mundo – Nova York. A abertura do novo Whitney, no Meatpacking District, é um acontecimento que vem sendo celebrado com intensidade. A última vez que uma das maiores instituições de Nova York se mudou para um prédio novo foi em 1966, quando o próprio Whitney ocupou o célebre edifício brutalista de Marcel Breuer, na Avenida Madison, do qual precisou se despedir por limitações de espaço. A partir de agora, a instituição começa a funcionar na base do High Line, hoje um dos maiores pontos turísticos da cidade, e ao lado da região de Chelsea, que abriga as principais galerias de arte do mundo. O novo projeto leva a assinatura do arquiteto italiano Renzo Piano. Coincidência ou não, o novo prédio fica a poucas quadras da casa de Gertrude Vanderbilt Whitney, em 1930, artista e mecena fundadora do museu. Na entrada do museu, na galeria do lobby, é ela quem dá as boas-vindas num retrato pintado por Robert Henri, em 1916. A exposição de

estreia, “America is hard to see”, resulta de um mergulho de quatro anos na coleção permanente do museu, que reúne 22 mil obras de arte americana a partir de 1900, e se espalha por toda a casa nova. O novo prédio com direito a tetos retráteis, paredes móveis, pisos flexíveis e terraços diversos oferece possibilidades infinitas a ousadias artísticas inimagináveis na antiga sede, que tinha metade do tamanho para abarcar um acervo de 600 trabalhos de 400 artistas. Para ter ideia, muitos não eram vistos há décadas ou jamais foram exibidos, e agora surgem ao lado de ícones mundiais como Georgia O’Keeffe, Edward Hopper e Jasper Johns, num esforço de desvendar o que a curadora-chefe do museu, Donna De Salvo, chama de “a inconveniente complexidade da arte americana”. Passado o lobby — onde ficam ainda uma loja e o restaurante Untitled, do estrelado chef Danny Meyer —, a visita começa pelo topo, no oitavo andar (o nono, e último, não é aberto ao público). Os elevadores, diga-se, foram transformados em instalações de Richard Artschwa-

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Museu Whitney de arte americana. Obra de reforma custou US$ 420 milhões

Museu ganhou vista para a Estátua da Liberdade e a histórica linha do horizonte de Nova York

Galerias ocupam andares inteiros sem colunas

ger criadas pouco antes de o artista morrer, em 2013; no vão da escada principal, cai uma cascata de lâmpadas de Félix Gonzáles-Torres. Do alto do “navio” projetado por Piano em frente ao píer que recebeu os sobreviventes do Titanic, avista-se a Estátua da Liberdade, o Rio Hudson e, do lado leste, a histórica linha do horizonte de Nova York — para onde os terraços são voltados. A expansão do Whitney está em pauta desde os anos 1980. Após décadas de estudos e tentativas infrutíferas de crescer permanecendo no Upper East Side, a prefeitura ofereceu o terreno no Meatpacking em 2008 — e ainda doou US$ 55 milhões para a construção do museu, que custou US$ 422 milhões. Além de teatro e centros

de conservação, educação e estudos de papel, a instituição ganhou galerias que ocupam andares inteiros sem colunas, graças a uma estrutura que alçou o peso do edifício a 20 mil toneladas. A partir da próxima leva de exposições, em outubro, dois dos quatro andares expositivos continuarão dedicados a recortes da coleção do museu. Estão programadas mostras de artistas estabelecidos, como Frank Stella; pouco reconhecidos, como Archibald Motley; e estreantes, como Laura Poitras, diretora do documentário “Cidadão quatro”, vencedor do Oscar este ano. A farra está só começando. O Empire State apresentará iluminação especial inspirada na coleção do Whitney.

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Objeto de Desejo

Mesinha macaco Essa divertida criação do designer espanhol Jaime Hayón para a BD Barcelona foi pensada para fazer parte da coleção de móveis e objetos gardênia. O simpático macaquinho em estilo desenho animado é feito em material de argamassa de concreto e sua bandeja em alumínio, ambos receberam a mesma pintura, padronizando assim seu acabamento. A mesinha inusitada foi um dos destaques na Feira de Milão 2015

Mesa Serra Pelada O lançamento da Saccaro no Salão de Milão chamou atenção do público. Assinada pelo designer Roque Frizzo, a mesa Serra Pelada retrata as escavações nos garimpos do Pará na década de 1980. Em meio à superfície de madeira da peça, há um grande buraco em formato cônico que vai se fechando em direção ao fundo. Os recortes no material são uma referência às marcas impressas na terra pelos garimpeiros. Completam a peça os pés de metal e o tampo de vidro que, com suas linhas retas e transparência, permitem que a parte de madeira se sobressaia

Cadeira vintage Cadeira vintage (anos 1960), com estrutura de madeira e couro, 50 x 84, 54 cm, assinada pela arquiteta Lina Bo Bardi

Abajur Battery Aba jur Battery (2015), de PMMA, 22 x 13 cm de diâm. design Ferruccio Laviani para Kartell, R$ 1.325,88

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Decoração

Design em casa PA U L

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Poltrona Exo, do estúdio Fetiche Design, foi inspirada no esqueleto dos insetos, estruturada por triângulos de madeira e revestimento de couro, que se encaixa aos pés por conexões em madeira maciça. Na Dautore

Banco Drumond, de Design Ana Scorra, exibe o ar contemporâneo em traços afetivos da madeira. Na Mais Design

A casa fala e exprimi muito sobre os seus moradores. A decoração ocupa importância afetiva no lar. Cada detalhe, sobretudo, a presença de peças com design assinado tornam os ambientes únicos, oferecendo personalidade e arte. São produtos que têm história para contar, e muitos ficam eternos, não importa o estilo. Se você ainda está na dúvida na escolha de uma peça para levantar o astral da sua casa, aí vão as melhores dicas!

Banco Copan, dos Irmãos Fahrer, foi Inspirado no edifício símbolo de São Paulo. O Copan acentua a quebra dos ângulos retos, linhas curvas e encaixes precisos da madeira. Na CeliMallDecor

ALU IZIO ACC IOLY

Banco Kyoto, um clássico do designer Pedro Mendes, que se encaixa em qualquer ambiente, com seu charmoso trabalho em palha. Na Dautore

Cadeira Easy deJader Almeida conquistou dois prêmios internacionais, o IF Product Design Awards 2014 e o Good Design Award Chicago. Na CeliMallDecor 54 | REVISTA ARTEAMBIENTE

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Fly - Exclusividade Iluminar - Revenda exclusiva em Araca ju Lumina Fly ja nasce premiado pelo Salão Design Movelsul e Abilux. O design com traos aerodinamicos espaciais revele o constraste da linearidade do anel de luz emitido entre a sutileza das curvas opostas: côncavo e convexo em pereita harmonia. Na Lumina

Fly já nasce premiado pelo Salao Design Movelsul e Abilux. O design com traços aerodinamicos espaciais revela o constraste da linearidade do anel de luz emitido entre a sutileza das curvas opostas: côncavo e convexo em perfeita harmonia. Na Lumina

Grande Pote de porcelana chinesa, no formato das antigas leiteiras, com decoração “Damascos” na cor vermelha, desenhada pelo premiado arquiteto Jayme Bernardo. Na MC Home

“Corais” é uma peça central única, criada por Bartek Mejor, com efeito visual produzido pelo reflexo da luz sobre suas formas ondulantes, tanto côncava e convexa, que nos lembra dos mares revoltos e da beleza hipnotizante dos corais. Na MC Home

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A poltrona Tepui de Pedro Useche tem maciço trabalhado em volumes de retas e curvas, cheios e vazados, resultando numa forma de personalidade forte. Na Home Design

A Poltrona Domenica tem estrutura em madeira maciça e assento em fibra de vidro ou estofada com capa de tecido com espuma (fixada com cabo náutico azul ou vinho e o pesponto na cor do cabo). Na Home Design JUNHO / JULHO 2015 | 55

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Espaço CAU-SE

O que é o projeto arquitetônico e quem pode fazer?

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que nos move a elaborar esse artigo é uma questão de esclarecimento à sociedade, uma vez que sempre se pensa que o ato de projetar trata se apenas da representação gráfica do projeto, ou seja, o desenho. Porém é importante esclarecer que o projeto arquitetônico é a ideia do futuro edifício, que surge a partir do atendimento das necessidades do usuário e dos diversos condicionantes, como a geometria do terreno, as possibilidades econômicas, as condições climáticas e a legislação que levam o arquiteto e urbanista a optar por essa ou aquela solução de projeto. Assim de forma breve ficou esclarecido o que é o projeto arquitetônico e fica claro também que todo edifício existente é o resultado de um projeto, que atenderá melhor as necessidades do programa, se for bem detalhado. E surge a seguinte pergunta: e quem pode fazer o projeto arquitetônico? De acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) que foi criado pela Lei 12378/2010 que regulamenta o exercício profissional e tem como função orientar, disciplinar e fiscalizar; para se exercer o ofício de arquiteto e urbanista, portanto a estar apto a projetar é necessário desenvolver competências e habilidades específicas da profissão que só podem ser adquiridas nos cursos de Arquitetura e Urbanismo. Os cursos de Arquitetura e Urbanismo preparam os alunos em um período mínimo de cinco anos, nos quais os estudantes cursam disciplinas que os habilitam a exercer o ofício de arquiteto e urbanista. Os conhecimentos essenciais são adquiridos nas disciplinas: de projeto de arquitetura, projeto paisagístico, projetos de interiores, projetos que envolvam intervenções em edificações e conjuntos urbanos pertencentes ao Patrimônio Histórico e Cultural, Projetos de urbanismo, Planejamento Urbano e Regional e tecnologia que levem a arquitetura sustentável, que perfazem mais do que metade da carga horária do curso, e outras disciplinas que formam

arquitetos e urbanistas lhes conferindo atribuições profissionais próprias. (ver todas as atribuições do profissional na Res. 21, de abril de 2012) Dentre as atribuições profissionais dos arquitetos e urbanistas, algumas foram destacadas para exercício privativo dos profissionais vinculados ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo, dentre elas, temos os Projetos de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo. (ver todas as atribuições exclusivas do profissional na Res. 51, de julho de 2013) Aquele que diz ser autor de projeto de arquitetura ou de urbanismo, sem ter formação específica, ou seja, que não esteja habilitado para tal exercício está cometendo uma irregularidade, exercício ilegal da profissão, que pode inclusive levar a um processo na justiça comum. Dessa forma só quem pode fazer efetivamente um projeto arquitetônico é o arquiteto e urbanista. O exercício da profissão de arquiteto e urbanista sem formação específica, atenta contra a segurança da sociedade e do meio ambiente, inviabiliza o bom atendimento das questões de interesse social, desmobiliza o mercado de trabalho e prejudica os profissionais e a profissão.

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Feiras e Mostras

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O evento cultural com exposições, seminário internacional, ações educativas e ações paralelas vai inspirar a cidade de Florianópolis e o Brasil sobre o design nacional

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e 15 de maio a 12 de julho acontece a Bienal Brasileira de Design com o tema “Design para todos”, em Florianópolis, Santa Catarina. Durante quase dois meses de programação, as atividades da Bienal — exposições, seminários, ações educativas e interativas e um circuito de ações paralelas — visam promover o reconhecimento do importante papel que o design representa para o desenvolvimento econômico e sustentável do Estado e do País. O tema “Design para todos” quer mostrar bons projetos que atendem a todas as pessoas, independentemente de idade, gênero, capacidade ou background cultural, dentro do chamado design acessível ou design universal. Estão incluídos também produtos voltados para as faixas da população emergentes economicamente e projetos destinados ao uso coletivo. O conjunto de exposições abarca a produção nacional, alguns recortes da produção internacional recente e aborda a produção de Santa Catarina, quarto

estado mais industrializado do Brasil, com produção rica e diversificada e com alto índice de desenvolvimento humano no país. A Bienal vai se estender por toda a cidade de Florianópolis, com mostras em locais como o Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) e o Museu da Imagem e do Som (MIS), ambos no Centro Integrado de Cultura (CIC), o Museu Histórico de Santa Catarina (MHSC), na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catrina (FIESC) e em espaços abertos. Um Seminário Internacional vai marcar a abertura do evento e outros acontecerão ao longo dos dois meses de duração da bienal. A Bienal Brasileira de Design 2015 Floripa é uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC), apoiada pela Apex-Brasil e Governo de Santa Catarina e promovida pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e pelo Centro de Design Catarina.

Fred Van Camp curador da Bienal Brasileira de Design 2015 de Floripa

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Galeria

Adauto Machado Cacumbi

Pintor, escritor, desenhista publicitário e professor de artes, Adauto Machado nasceu no dia 18 de junho de 1950, na cidade de Nossa Senhora das Dores/SE. Aos dezesseis anos, em 1966, inicia uma brilhante carreira artística e, desde então, vem participando, continuamente, de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. MÁRIO BRITTO

N

o começo da década de 70, passou a morar na Bahia, onde teve a oportunidade de conhecer vários artistas de renome. Cerca de um ano depois, permaneceu por um curto período no Rio de Janeiro e, em seguida, partiu para a França, onde residiu por 4 anos, em Paris. Retornou ao Brasil

em 1976, morou, posteriormente, por quase dois anos em Manitoba, no Canadá e, de volta ao Brasil, fixou residência em Aracaju, onde montou o seu ateliê de pintura. Em sua exitosa carreira, tem recebido muitos prêmios. Na década de 80, foi premiado com a

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Mário Britto é Procurador do Estado de Sergipe, escritor, palestrante, curador, colecionador de arte e sócio fundador da Sociedade Semear.

LÚCIO TELLES

menção honrosa no I Salão Sergipano de Artes Plásticas, da Prefeitura Municipal de Aracaju e, em 1999, recebeu, no Canadá, o prêmio de primeiro lugar no 9º Concurso Internacional de Coreldraw. Em 1983, foi nomeado membro da equipe de coordenação geral do Circuito de Artes Plásticas do Norte-Nordeste/Sergipe, promovido pelo MEC/FUNART/INAP e, no final da década de 80, passou a ser membro do Conselho de Cultura do Estado de Sergipe. Sua produção artística, espalhada por todo o Brasil, compreende principalmente paisagens e temáticas regionalistas, predominantemente monocromáticas, com estilizações nas quais surgem manchas coloridas. Notabilizou-se pintando cavalos, correndo soltos, esvoaçantes e livres, mas a sua ampla iconografia passa por feiras sergipanas, marinhas, paisagens urbanas e rurais, retratos e cenas do sertão nordestino. Excursiona, também, com igual brilho e muito talento no universo da arte digital, já tendo, nessa seara, conquistado prêmios internacionais. Como escritor, publicou o livro Aprendendo Arte no Coreldraw. Conhecedor de artes, é, também, professor de curso de pintura. Uma de suas obras mais representativas é o imenso painel no hall da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, no espaço Cultural Djenal Queiroz. Taieiras

Encontro Cultural de Laranjeiras

São Gonçalo Samba de Coco

Adauto Machado Pintor, escritor, desenhista publicitário e professor de artes.

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Evento

Galeria J. Inácio é reinaugurada com vernissage de Adauto Machado MIKE CHRISTIAN

Elias Santos, Jo’k, Caã e Lisandra

Luciana Gonçalves, Adalto Machado e Fatima Basto

Adauto Machado e o curador da exposicao Mário Britto

Lindolfo Amaral, Hortência Barreto e Mario Britto

C

Sônia Carvalho, Murilo Mellins, o secretário de Cultura Elber Batalha e Salete Correia

om a exposição “Sergipe, Cor e Cultura”, do artista plástico Adauto Machado, sob a curadoria de Mário Britto, foi, no último dia 14 de Maio, reinaugurada a Galeria J. Inácio, instalada na Biblioteca Pública Epifânio Dória. A Galeria J. Inácio foi inaugurada em 1981, com uma exposição do pintor Ronaldo Gomes de Oliveira, o “Caã”. Desde então, tem sido palco das artes plásticas em Sergipe, recebendo exposições de artistas de renome nacional e internacional, além de artistas sergipanos consagrados, como José de Dome, Horácio Hora, Álvaro Santos, Florival Santos, Pythiu, Cãa, Leonardo Alencar e Jenner Augusto. A Galeria J. Inácio funcionava no hall

da Biblioteca Pública Epifânio Dória. Para dar condições de receber adequadamente as obras plásticas a serem expostas, uma sala dentro da Biblioteca, onde antes funcionava o Conselho Estadual de Cultura, passou por uma meticulosa reforma, na qual itens como iluminação controlada e ventilação foram cuidadosamente planejados. “Esta é uma ação que possibilitará a realização de um maior número de eventos e a conservação adequada das obras expostas. Sergipe dá um grande passo na promoção das artes plásticas”, esclarece o Secretário de Cultura, Elber Batalha. Para esta exposição, dentre as diversas tradições culturais sergipanas que ocorrem em diferentes municípios de

Neu Fontes, Ana Paula, Iedo Flávio, Elber Batalha, Mário Britto, Angelo Antoniolli e Estella Mares Dornelas

Sergipe, Adauto Machado destacou: “Taieiras”, “Chegança”, “Cacumbi”, “São Gonçalo”, “Bacamarteiros”, “Festa Junina”, “Samba de Coco”, “Parafusos”, “Guerreiro Treme Terra”, “Lambe-sujos e Caboclinhos”, “Cavalhada” e “Reisado”. E, ainda, completando esse círculo folclórico, o artista selecionou a obra “Encontro Cultural de Laranjeiras”, que tão bem exemplifica os diversos encontros culturais que são realizados em Sergipe. Segundo o curador da exposição Mário Britto, “é exatamente da junção de todas essas manifestações folclóricas, representadas pelos folguedos e pelas tradições culturais, que se formam a cultura e o modo de ser da gente sergipana”. Fotos de Mike Christian.

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Arte e Letra

O insustentável fardo denominado liberdade A

“A angústia se distingue do medo, porque o medo é medo dos seres do mundo, enquanto a angústia é angústia diante de mim.”

Jean-Paul Sartre

Léo A. Mittaraquis leomittaraquis@uol.com.br Professor de Filosofia. Mestre em Educação.

literatura altamente qualificada traz em si a atemporalidade. Registra a lavra do autor na época em que o livro foi escrito e publicado, mas, também, atravessa anos, séculos e até milênios a preservar valores sempre reconhecidos mediante a lente do leitor capturado pela narrativa excepcional e envolvente. Exemplos? Livros à macheia, ainda que, paradoxalmente, não alcancem tantas e tantas multidões assim. Deixam-se, portanto, serem sorvidos pelos grupo bibliófilos seletos. Vem à superfície da memória “A Idade da Razão”, de Jean-Paul Sartre. E sobre o quê trata o livro? Antes de tudo, sobre o imensurável peso da liberdade. Sobre como é penoso pretender-se livre, sem dever coisa alguma a alguém. Leitura fascinante, “A Idade da Razão” é, sem dúvidas, obra do escritor e do filósofo. Sartre o era em excelência nas duas dimensões. Nada mais adequado do que iniciar a história com um casual encontro entre Mathieu Delarue e um vagabundo, este que pede ao primeiro uns trocados, pois, tem fome. Mas (questiona por um momento Delarue) não seria “sede” o que homem sentiria? O bafo de pinga o delata. Contudo o sujeito jura que não. Neste momento, a genialidade do pensador e escritor francês se manifesta em sua plenitude a partir de uma simplificação avassaladora: “No fundo não me interessa, perguntei por perguntar”. Não, de fato não interessa a Delarue se o pedinte irá se valer do dinheiro dado para refocilar com um prato de sopa ou encher a cara. Pouco lhe dá isso: o que importa é o ato assumido pelo homem em nome dele mesmo. Repentinamente entra em cena um policial que aborda o vagabundo com a ameaça de prisão por vadiagem. É a representação imediata da proteção e repressão legítima do Estado. O homem, com a atenção fixada em Delarue, mal parece notar a presença da Lei, e o professor especialista em Kant (Delarue) interfere com firmeza ao afirmar que se trata de uma conversa, um diálogo, e

O Escritor e filósofo Jean-Paul Sartre

que ninguém está vadiando por ali. E mais: deixa claro que são livres, a liberdade se impõe ao homem se manifestando no homem e pelo homem. Mas o preço é a densificação do ser livre. E, ao mesmo tempo, da esterilização da imagem do sujeito. Diz Marcelle Dufett: “Cheiras a roupa lavada, é como se tivesses passado pela lavanderia. Só que falta o contraste. Nada de inútil, de hesitante, de estranho. É tórrido”. Constatação emblemática das disputas engendradas pela Razão em si mesma, pois, as pulsões também (e principalmente) são inerentes ao corpo que a abriga. Ao longo da obra o embate se dará, notadamente, entre a liberdade de ser e apenas ser e a atitude comprometida de se adotar uma convicção já tida no entorno como moralmente correta e sem opções outras para escolha. E que para além da memória este livro ponha-se, de novo, entre minhas mãos e diante dos meus olhos. Já o li dezena de vezes. Por que lê-lo mais uma vez? Responderei buscando apoio em Ítalo Calvino: “A única razão que se pode apresentar é que ler [e reler] os clássicos é melhor do que não ler os clássicos”. Nostalgia: esta capa é do exemplar que possuo há mais de vinte anos

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Onde Encontrar

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