Telefonia móvel (MVNO) para provedores de Internet
Oferecer telefonia móvel permite ao provedor aumentar o tíquete médio, reduzir o churn ao concentrar serviços no mesmo fornecedor e fortalecer o relacionamento com o cliente por meio de ofertas convergentes (banda larga + móvel). Além disso, cria novas oportunidades de cross-sell e dilui custos comerciais e de atendimento ao usar a estrutura já existente.
Guia das construtoras de data centers
O guia inédito mostra quem são as empresas especializadas na construção de data centers no Brasil, com informações como expertise (hyperscale, colocation, corporativo ou edge) e experiência com normas e certificações. O levantamento também detalha as disciplinas executadas, da seleção do local até o comissionamento e os testes.
SERVIÇO24
Qualificação da mão de obra técnica em tempos de IA
O avanço de tecnologias disruptivas trouxe para os provedores de Internet um paradoxo operacional: enquanto a infraestrutura se moderniza em ritmo acelerado, a disponibilidade de mão de obra técnica especializada não cresce na mesma proporção. A qualificação profissional e a gestão estratégica das equipes técnicas se tornaram fatores decisivos para a sustentabilidade das empresas.
PROVEDOR REGIONAL26
Guia de serviços de streaming para provedores
O streaming de vídeo está entre os principais serviços oferecidos pelos provedores regionais. Além de fidelizar clientes, o negócio traz novas oportunidades de mercado e fortalecimento de marcas. Veja quem fornece esses serviços, seja em plataformas próprias ou via integradores.
SERVIÇO30
Tecnologia Li-Fi para transmissão de dados
O Li-Fi, tecnologia de acesso à Internet baseada em luz, oferece diversos benefícios em relação ao Wi-Fi convencional, como altas taxas de dados e segurança. Enquanto as ondas de rádio podem atravessar paredes, aumentando o risco de espionagem e interceptação de dados, a luz permanece confinada no ambiente iluminado.
REDES SEM FIO32
A evolução da sala de controle inteligente
As salas de controle inteligente são capazes de otimizar o consumo de energia ao monitorar e controlar termostatos, interruptores, portas e janelas, além de coletar dados em tempo real sobre situações críticas como vazamentos de água, presença de fumaça e qualidade do ar. O artigo apresenta a evolução da tecnologia e sua aplicação nos cenários atuais.
TECNOLOGIA38
Capa: Helio Bettega Foto: Shutterstock
As opiniões dos artigos assinados não são necessariamente as adotadas por RTI, podendo mesmo ser contrárias a estas.
Desafios da construção civil na era da expansão dos data centers
Tão importante quanto os servidores, as estruturas física, de energia e refrigeração exigem execução precisa e eficiente.
Oquehá alguns anos era uma grande área desocupada em um distrito industrial de uma cidade no interior, a 100 km de São Paulo, hoje dá lugar a uma grandiosa estrutura. Muros impedem a visualização do que ali está sendo edificado. Os portões se abrem – não antes de uma minuciosa vistoria de identificação pessoal e no veículo, por questões de segurança –e o que se revela é o cenário da complexa construção de um data center (DC).
Em um mundo cada vez mais digital, os serviços, as transações comerciais e financeiras, a comunicação e a gestão de documentos ocorrem em poucos cliques no mouse de um desktop, na tela de um smartphone ou no próprio pulso, em um smartwatch.
Nesse contexto de hiperconectividade, os data centers são a infraestrutura fundamental para sustentar essas ações, que partem das necessidades de indivíduos, das corporações e dos governos. E isso significa ter acesso a centros de processamento de dados com eficiência máxima, 24 horas por dia, sete dias por semana.
Oportunidades e provações
A rápida e bilionária expansão dos projetos de data centers ao redor do globo terrestre chegou a ser comparada pelo CEO da OpenAI, big tech responsável pelo ChatGPT, Sam Altman, às conquistas realizadas pelo Império Romano ao dominar partes de três continentes.
No Brasil, de acordo com a plataforma online de mapeamento Data Center Map, há 198 unidades dessas instalações espalhadas pelo país, nas modalidades colocation ou hyperscale. A região Sudeste concentra a maior parte dessas dependências. Em linhas gerais, o colocation é o modelo em que empresas alugam o espaço
físico de forma compartilhada, para casos onde a organização mantém o controle dos seus servidores sem a necessidade de construir uma infraestrutura própria.
Já no hyperscale, são data centers projetados para operar em altíssima capacidade e automação, construídos sob medida para clientes como provedores de nuvens, plataformas digitais ou dar suporte à inteligência artificial.
Conexão histórica com o futuro
Os data centers não são novidade, pelo contrário. São figuras presentes desde os primeiros movimentos na história da computação. No entanto, a necessidade desse recurso ficou maior com o passar dos anos, em especial, a partir do boom da internet na década de 1990, com o decorrente apogeu das grandes companhias de tecnologia, o surgimento da nuvem na década seguinte e o recente advento da inteligência artificial generativa.
Apesar de “preenchidos” com uma moderna disposição de racks e chips de processamento, o conceito de data center é semelhante ao de um galpão logístico, porém, estrategicamente munido de poderosas estruturas de refrigeração e geração de energia – eles não desligam nunca.
Por esse estado de constante prontidão, os DC até podem se parecer com uma edificação industrial, mas olhando de perto se mostram muito mais complexos. O nível técnico para garantir a continuidade operacional exige um investimento sólido e de excelência em construção civil, que deve atender a todos esses requisitos e, ainda, oferecer segurança, solidez nos processos e eficiência energética.
Nascido entre a areia e o cimento
Quando completou 81 anos (hoje possui 103), o engenheiro Júlio Capobianco con-
cedeu um depoimento em que fala sobre os desafios de manter uma construtora com robustez e compromisso no mercado. Na ocasião relembrou de suas origens: “nasci no meio da areia e do cimento, pois meu pai, meu avô e meu bisavô mexiam com obras”.
Fruto dessa trajetória é a Construcap, empresa que ajudou a fundar e que hoje acumula 82 anos, com um portfólio de atuação em diversas áreas, responsável por obras de grande destaque na história do Brasil.
Para citar apenas algumas dessas obras realizadas, cases relevantes e de impacto nacional carregam a assinatura do grupo em áreas de infraestrutura, industrial e edificações; dentre os exemplos estão a Votorantim Cimentos Unidade Cimesa, Grupo Multiplan (Jundiaí Shopping e Ribeirão Shopping), Natura Sede Administrativa, em Cajamar (SP), a majestosa construção do Templo de Salomão, em São Paulo (SP), entre tantos outros nessas oito décadas de atividades.
Capobianco contou que a essência da companhia, desde a sua fundação, era ser um organismo vivo, com compromissos claros com a sociedade e com o time. “Hoje isso tudo está presente nos manuais, mas com a Construcap foi algo construído ano após ano”, comenta.
Preparados para a “nova fronteira” de DC
No ano de 2022, os valores priorizados desde os primórdios da organização passaram a ser aplicados, também, às rígidas exigências e protocolos do mercado de data centers.
Uma imersão internacional, com uma equipe de engenheiros vivenciando in loco cada detalhe técnico da instalação desses
parques tecnológicos de dados nos Estados Unidos, marcou o início da operação da Construcap em projetos de DC.
A primeira demanda partiu de uma obra já em andamento e de alta complexidade. A perfeição na entrega desse projeto inicial rendeu à construtora conquistas emblemáticas: ser a primeira na América Latina a atingir todos os marcos contratuais em hyperscale; e a primeira no mundo com zero itens pendentes (punch list) na data marco final de entrega de um projeto de data center.
“Executar os serviços com qualidade e eficiência e garantir o cumprimento da legislação e dos procedimentos estão entre as diretrizes do sistema integrado de gestão”, ressalta o superintendente de Obras da Construcap, Lucas Azevedo Capobianco, representante da terceira geração da família na organização.
Esses pilares ficam evidentes em cada segmento de um canteiro de obras. A organização extrema é o destaque nas fases que vão abrigar cada data hall; a sinalização bem definida, o rigor nas exigências de segurança e a preocupação com a execução de trabalhos têm por objetivo entregas de elevado rigor técnico no maior nível de qualidade.
Na chamada “nova fronteira” para os grandes investimentos em data centers na América Latina e no Brasil, um diferencial significativo na construção civil é carregar uma história onde comprometimento, segurança e integridade como princípios básicos.
Essa jornada não termina por aqui… Aliás, está apenas começando. Não perca na próxima edição: um olhar mais detalhado sobre o momento do Brasil no cenário mundial da expansão de DC.
A Construcap através dos tempos
Foi fundada a Construtora Pereira de Souza pelos engenheiros Caio Luiz Pereira de Souza e Henrique Pegado.
Criação da Imogeral S/A Imobiliária Incorporadora pelos engenheiros Júlio Capobianco, José Mandacaru, Iório Adami.
A Construcap Engenharia foi fundada pelos engenheiros Júlio Capobianco, José Mandacaru Guerra, John Ulic Burke Jr., José Ribeiro do Valle e Iório Adami.
Criação da Goiasa Goiatuba Álcool, constituída em 1984.
Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A, resultou da fusão das empresas Cia. Construtora Pereira de Souza e Construcap Engenharia Comercial S/A.
A Construcap inicia o processo de certificação pela GL System Certification. ISO 9001 – 2000, setembro de 2000 – Sistema de Gestão da Qualidade. OHSAS 18001 – 1999, abril de 2002 –Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional. ISO 14001/04, janeiro de 2006 – Sistema de Gestão Ambiental.
Fundada a Concer –Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora-Rio.
Fundada a CMO, para construção de plataformas no setor offshore, oferecendo soluções EPCI (Engineering, Procurement, Construction and Integration).
Fundada a empresa Minas Arena, que inclui a reforma, projeto executivo, gerenciamento e instalação e operação do sistema de controle e recebeu selo Platinum de Certificação LEED.
Fundada a Inova Saúde, com 03 complexos hospitalares; entrega do Templo de Salomão, no Brás, em São Paulo (SP).
Fundada a CFPS – Construção Fluor Engenharia e Projetos, um joint venture firmada entre a Construcap e a americana Fluor, cujo foco é oferecer serviços de engenharia para os segmentos de energia, mineração e refino.
Roberto Capobianco Presidente da Construcap
Julio Capobianco
Fundador da Construcap
Construcap atua em sua primeira obra de construção de data center.
EDITORIAL
convergência entre redes fixas e móveis deixou de ser uma promessa distante e tornou-se uma realidade estratégica no mercado brasileiro de telecomunicações. A expansão das operadoras móveis virtuais (MVNOs), tema da reportagem especial desta edição, mostra que os provedores regionais encontraram um caminho concreto para ampliar receitas, reduzir churn e fortalecer sua posição diante de um setor cada vez mais competitivo.
Os números confirmam essa tendência. O Brasil encerrou 2025 com 10,2 m ilhões de acessos móveis vinculados a MVNOs, após crescimento de 33,2% no ano, segundo dados da Anatel. No mundo, o modelo também avança de forma consistente: estimativas de instituições como GSMA Intelligence e Research and Markets indicam que o mercado global de MVNOs deve ultrapassar US$ 140 bilhões até o fim da década, impulsionado pela digitalização, pelo avanço do 5G e pela busca de novos modelos de monetização da conectividade.
No Brasil, esse movimento ocorre em um contexto singular. Os provedores regionais já respondem por mais de metade das conexões de banda larga fixa e agora começam a replicar esse protagonismo no segmento móvel. Ao incorporar a telefonia celular ao portfólio, esses operadores não apenas aumentam o tíquete médio, mas também consolidam o relacionamento com o cliente em um ambiente marcado por forte disputa e alta rotatividade de usuários.
Mais do que uma nova linha de receita, a mobilidade torna-se um instrumento de fidelização e de integração de serviços. A oferta de pacotes convergentes, reunindo banda larga e telefonia móvel, altera a lógica tradicional da competição, deslocando o foco da expansão geográfica para a retenção e o valor do cliente ao longo do tempo. Nesse modelo, a infraestrutura passa a ser apenas parte da equação, enquanto a capacidade de integrar serviços e gerenciar o relacionamento com o usuário assume papel central.
O amadurecimento do ecossistema de MVNOs também reflete a evolução tecnológica e regulatória do setor. A presença de habilitadoras, plataformas de integração e modelos white label, além do suporte técnico, comercial e de marketing, reduz barreiras de entrada e permite que empresas de diferentes portes participem desse mercado, ampliando a diversidade e a capilaridade das ofertas.
A oferta de telefonia móvel, antes restrita às grandes operadoras nacionais, passa a ser incorporada pelos provedores regionais. Essa transformação não apenas amplia seu escopo de atuação, mas também contribui para a diversificação e o fortalecimento do próprio mercado brasileiro de telecomunicações.
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A revista RTI - Redes, Telecom e Instalações é enviada a 12.000 profissionais das áreas de telecomunicações; redes locais, informática e comunicação de dados; instalações; TV por assinatura; áudio e vídeo; segurança (CFTV e alarmes); automação predial e residencial; e sistemas de energia, aterramento e proteção elétrica.
86S+ 96S
ainda exige alimentação elétrica nos pontos finais para operação de ONTsOptical Network Terminals. Com o PoF, conseguimos levar também a energia pela própria fibra, simplificando completamente a infraestrutura”, afirma.
Com o PoF, a alimentação alcança até 500 metros de distância, mantendo capacidade de alimentação adequada para os dispositivos de borda, como câmeras de CFTV, pontos de acesso Wi-Fi e sensores industriais. “Essa limitação de 500 metros está associada à potência que conseguimos entregar na ponta, com até 30 W por porta em aplicações típicas e até 120 W em ONTs com múltiplas interfaces”, explica Horn.
o completar 60 anos em 2026, a Parks, empresa nacional especializada em infraestrutura de redes, com sede em Cachoeirinha, RS, inicia um novo ciclo estratégico com o lançamento da Parks Solutions, unidade de negócios voltada aos segmentos de data centers, telecomunicações e enterprise, apresentada oficialmente em fevereiro, em Porto Alegre, RS, como parte das comemorações do aniversário da empresa. A estratégia inclui a verticalização do atendimento e o fortalecimento do ecossistema de integradores, com foco em soluções ópticas para ambientes críticos. O movimento tem como principal vetor tecnológico a introdução da solução PoF - Power over Fiber no mercado brasileiro, tecnologia que permite transportar simultaneamente energia elétrica e dados por um único cabo híbrido, combinando fibra óptica e condutores metálicos.
Segundo Cleber Horn, diretor técnico da Parks, o desenvolvimento da solução está diretamente ligado à evolução da arquitetura POL - Passive Optical LAN, que a empresa introduziu no mercado brasileiro em 2014. “A rede POL é descentralizada e elimina a necessidade de grandes switches e concentrações de cabos, mas
A arquitetura da solução é composta por três elementos principais: a OLTOptical Line Terminal, o distribuidor POF e as ONTs compatíveis. A OLT pode ser um equipamento GPON ou XGS-PON convencional. A partir dela, o sinal é direcionado ao distribuidor POF, que atua como um elemento intermediário responsável por inserir a alimentação elétrica no cabo óptico híbrido. “O distribuidor funciona como um splitter ativo, com versões de quatro, oito ou até 32 portas, permitindo alimentar múltiplos pontos simultaneamente sem alterar a OLT existente”, detalha o executivo. Na ponta da rede, as ONTs desenvolvidas pela Parks já nascem preparadas para receber energia
diretamente pelo conector óptico, eliminando a necessidade de fontes externas. “Basta conectar o cabo, e a ONT recebe simultaneamente dados e energia. Isso reduz componentes e aumenta a confiabilidade”, afirma Horn. Essas ONTs utilizam conectores ópticos padrão SC UPC e fornecem interfaces Ethernet com suporte a PoE, permitindo alimentar diretamente dispositivos finais, como câmeras ou pontos de acesso.
O cabo utilizado é um elemento central da tecnologia. Trata-se de um cabo híbrido que integra fibra óptica e condutores metálicos paralelos responsáveis pela alimentação elétrica. “O grande desafio foi desenvolver um cabo suficientemente flexível e com condutores de alta pureza para transportar corrente com segurança, mantendo dimensões compatíveis com cabos ópticos convencionais”, explica Horn. O cabo opera com tensão de 48 V e possui versões com diferentes capacidades de corrente, permitindo otimizar o desempenho conforme a aplicação e a distância.
Outro componente crítico é o conector híbrido, que integra simultaneamente o acoplamento óptico e os contatos elétricos. O conector pode ser instalado em campo por meio de crimpagem, facilitando a implementação e manutenção. “O conector foi desenvolvido em parceria com fabricantes asiáticos e incorpora contatos elétricos diretamente no ferrolho óptico, permitindo a alimentação sem componentes adicionais”, afirma o diretor técnico.
Além da alimentação nativa das ONTs, a Parks também desenvolveu dispositivos conversores para garantir compatibilidade com equipamentos existentes. Esses módulos reduzem a tensão de 48 V para níveis compatíveis com ONTs convencionais, permitindo a integração gradual da nova tecnologia em redes legadas.
A solução foi projetada para coexistir com infraestruturas GPON já instaladas. Clientes podem utilizar portas livres de OLTs existentes para implementar segmentos baseados em PoF sem alterar o restante da rede.
A introdução da tecnologia também exigiu a criação de um ecossistema de capacitação. A Parks estruturou programas de treinamento voltados a integradores e instaladores, abrangendo desde boas práticas de instalação até o desenvolvimento de projetos completos. “Aprendemos com a introdução da POL que o sucesso depende da capacitação do ecossistema. Não basta fornecer os equipamentos; é fundamental garantir que os integradores estejam preparados para projetar e instalar corretamente”, afirma o executivo. Os treinamentos incluem aspectos técnicos, procedimentos de instalação, conectorização e planejamento de rede, além de conformidade com normas como a NBR 14565 e padrões internacionais ANSI/TIA 606, utilizados na administração de infraestrutura de cabeamento.
Com cerca de 300 projetos ativos baseados em POL, a Parks considera o PoF uma evolução natural da arquitetura óptica corporativa. “A tecnologia representa um avanço na convergência entre alimentação elétrica e comunicação óptica, ampliando o alcance e a eficiência das redes corporativas e abrindo novas possibilidades para aplicações em ambientes distribuídos e de alta confiabilidade”, diz.
Como parte das comemorações do sexagésimo aniversário, a Parks Solutions também incorpora portfólio voltado a redes ópticas passivas, DWDM 400G e equipamentos como OLTs, ONTs e switches MPLS, além de modelos comerciais como suporte 24x7 com substituição antecipada de hardware e oferta em formato TaaSTechnology as a Service.
Parks – Tel. (51) 3205-2905 n Site: www.parks.com.br
Black Box anunciou que celebrou um acordo definitivo para a aquisição de 100% do integrador de sistemas brasileiro 2S Inovações Tecnológicas por meio de sua subsidiária local. A conclusão da transação está prevista para o final de março de 2026.
Fundada em 1992 e com sede em São Paulo, a 2S atua como integradora de soluções de tecnologia da informação para o mercado corporativo brasileiro, com foco em redes, infraestrutura de data center,
serviços em nuvem, cibersegurança e serviços gerenciados. A empresa conta com aproximadamente 230 profissionais.
A aquisição integra a estratégia da Black Box de ampliar sua presença na América Latina e fortalecer seu portfólio de soluções de maior valor agregado. Com a incorporação da 2S, a companhia combinará sua presença global com a expertise local da integradora brasileira, aprimorando sua capacidade de execução de projetos complexos de infraestrutura digital, modernização de redes corporativas e ambientes de data center.
De acordo com Edmilson Virgulino e Sidney Andrino, diretores da Black Box para a América Latina, a aquisição está alinhada à estratégia de longo prazo da empresa. “Trata-se de um movimento altamente estratégico.
A Black Box já possui uma história sólida e bem consolidada em infraestrutura digital. Ao longo dos últimos 20 anos, o foco esteve voltado ao atendimento de milhares de clientes corporativos ao redor do mundo. Nos próximos 20 anos, a transição será em direção ao atendimento de bilhões de pessoas por meio desses clientes, impulsionada por um volume de dados em constante crescimento”, afirma Virgulino.
Segundo os executivos, esse cenário reforça o protagonismo do Brasil no contexto regional. “O objetivo da Black Box é preparar as grandes rodovias de dados que sustentarão esse crescimento. Isso está diretamente ligado à expansão dos data centers. O Brasil está se tornando um hub relevante, com disponibilidade de energia, mão de obra qualificada e uma matriz elétrica composta por mais de 80% de fontes renováveis. O país deve consolidar sua posição como polo latino-americano para essa avalanche de dados”, acrescentam.
A complementaridade entre as duas empresas é um dos principais motivadores da transação. “A 2S é uma empresa única no segmento de redes corporativas e figura entre os maiores integradores de soluções Cisco. A Black Box possui forte presença em infraestrutura física, e a 2S complementa isso com redes, colaboração e soluções vinculadas ao ecossistema da Cisco e de outros fabricantes”, observa Andrino. “Enxergamos essa parceria como estratégica para posicionar a Black Box em direção à sua meta de atingir US$ 2 bilhões em receita até 2029. A América Latina é uma das regiões com maior potencial de contribuição para esse crescimento”, conclui.
Fundada em 1976 e com sede nos Estados Unidos, a Black Box opera em mais de 30 países. Com sede em Barueri, São Paulo, a subsidiária brasileira conta com aproximadamente 500 profissionais diretos e indiretos.
Black Box – Tel. (11) 4134-4000 Site: https://www.blackbox.com/
INFORMAÇÕES
N-Multifibra, provedora de Internet com sede em Cotia, SP, modernizou sua infraestrutura com a implantação de um novo ambiente de data center, em projeto desenvolvido pela integradora GP Cabling. O investimento faz parte da estratégia da empresa para ampliar sua atuação e atender novos segmentos, incluindo operadores de data centers.
A companhia vem expandindo sua base de clientes residenciais em municípios como Itapevi, Vargem Grande Paulista, Santana de Parnaíba e Jandira, na Grande São Paulo. A decisão de estruturar um data center próprio foi motivada pela necessidade de suportar o crescimento da rede e viabilizar a oferta de serviços a clientes corporativos e ambientes críticos.
“O projeto de data center foi um estudo que fizemos visando expandir nossas atividades comerciais. A GP Cabling forneceu os equipamentos e o suporte técnico necessários para implementar a nova infraestrutura”, afirmou Antonio Carlos Pereira, CEO da N-Multifibra.
O projeto incluiu o fornecimento de racks, sistemas de climatização in-row , UPS, retificadores e unidades de distribuição de energia (PDU), além de sistema de confinamento para otimização térmica. A infraestrutura foi dimensionada para operação contínua, com redundância e disponibilidade permanente.
Segundo Raphael Carvalho, gerente de projetos de energia da GP Cabling, o principal requisito foi garantir a operação ininterrupta do ambiente.
“Desenvolvemos o projeto para manter o data center em operação 24x7, com redundância total”, afirmou.
A execução foi realizada sem interrupção dos sistemas existentes, o que exigiu planejamento para manter o ambiente ativo durante as intervenções. O cronograma inicial previa três meses, mas foi ajustado devido a intervenções estruturais no local.
A nova estrutura amplia a capacidade operacional da N-Multifibra e abre caminho para a oferta de serviços voltados ao mercado de data centers e aplicações corporativas. A iniciativa também reforça o movimento de provedores regionais que investem em infraestrutura própria para atender demandas de conectividade e processamento em nível local.
GP Cabling – Tel. (11) 2065-0800
Site: https://gpcabling.com.br/
redes de fibra óptica, raramente utilizam dispositivos que não oferecem algum protocolo de integração, seja ele SNMP, SSH, Telnet, API, gNMI ou até mesmo direto de interface web. Havendo esse canal, nós conseguimos fazer a integração”, afirma. As informações coletadas são reunidas em dashboards personalizados para o provedor. Caso o cliente precise de suporte, a MW Soluções conta com um NOC próprio para atendimento, localizado em sua sede. “Um bom monitoramento demanda uma equipe preparada e um arsenal de ferramentas sempre atualizadas. Nós tiramos tal incumbência do provedor, permitindo que ele conheça a sua infraestrutura para, se houver algum problema, ele possa ser sanado rapidamente”, salienta o CEO.
MW Soluções, desenvolvedora de soluções de monitoramento de redes em tempo real, planeja fornecer suas plataformas para o mercado de data centers. Com uma clientela composta majoritariamente por provedores de Internet, a empresa vê o segmento de infraestrutura de missão crítica como um nicho a ser explorado.
“Data centers e energia fotovoltaica são segmentos cuja operação não pode ser interrompida, ou seja, que demandam acompanhamento contínuo e preciso, armazenando dados e gerando insights. É algo que nossos sistemas oferecem”, afirma Gabriel Moura Cantanhede, CEO e fundador da MW Soluções.
Com sede em Natal, RN, a MW Soluções atua com um portfólio diversificado de ferramentas de monitoramento. Um dos destaques é o EasyMon, plataforma capaz de supervisionar desde rotas BGP até analisar a qualidade do sinal em uma residência ou em dispositivos de rádio. Atualmente, a empresa tem mais de 100 fabricantes integrados em sua base de códigos. Segundo Cantanhede, basta o equipamento oferecer um canal de coleta de dados para ser compatível com o EasyMon. “Provedores modernos, com
Outra solução da companhia é o EasyFlow, ferramenta capaz de coletar, processar, armazenar e exibir informações sobre tráfego de equipamentos como switches, roteadores e firewalls. Um de seus principais recursos é o uso do filtro INET para separar tráfego IPv4 e IPv6. O portfólio ainda inclui o EasyMaps, plataforma que auxilia no rastreamento da rede via um mapa de backbone organizado de forma geográfica; o EasyBI, software de business intelligence baseado em sistemas ERP com funcionalidades como criação de alertas, obtenção de informações acerca da gestão operacional de OS, ocorrências e cobertura de pontos cegos do ERP a partir de percepções do usuário; e o EasyReport, para a geração automática de relatórios de disponibilidade e tráfego.
INFORMAÇÕES
Fundada em 2018, a MW Soluções já atendeu mais de 500 clientes e ultrapassou a taxa de 20 Tbit/s de tráfego monitorado em mais de 400 mil equipamentos. Com ferramentas comercializadas no modelo SaaS –Software como Serviço, a empresa atende todo o Brasil e países como Argentina, México e Colômbia.
MW Soluções – Tel. (84) 99141-4651 n Site: https://home.mw-solucoes.com/
TelCables Brasil, subsidiária do grupo Angola Cables, ampliou o portfólio de serviços com o acréscimo do KaaS –Kubernetes-as-a-Service. Disponível nas plataformas Clouds2Africa e Clouds2Brasil, a solução foi concebida para permitir às empresas criar, gerir e escalar aplicações em ambientes de nuvem via orquestração de containers do Kubernetes.
A gestão do KaaS é feita via um painel de controle que possibilita ao usuário gerenciar clusters Kubernetes de forma simplificada; acompanhar o desempenho com ferramentas de monitoramento de métricas, logs, eventos, utilização de CPU e memória; e obter controle operacional por meio da visualização do histórico de ações e administração de namespaces e pods
De acordo com a companhia, o produto reforça o seu compromisso em entregar escalabilidade, inovação e eficiência aos parceiros do Nordeste. Para a empresa, Fortaleza, CE, cidade que abriga o AngoNAP, data center tier III da marca, é uma região estratégica por ter um ambiente tecnológico em expansão, com oportunidades nos mercados de telecomunicações e TI.
A TelCables também tem se deparado com o crescimento do tráfego dos cabos submarinos operados pela Angola Cables (Monet, SACS, WACS e EllaLink), em especial os que passam pelo Brasil. Segundo a empresa, o aumento acompanha a evolução da demanda global por dados, aplicações críticas,
cloud e distribuição de conteúdo, sendo um de seus diferenciais a utilização de rotas diretas, menos congestionadas e estrategicamente posicionadas, especialmente entre América do Sul, África, Europa e América do Norte. Para 2026, a empresa tem como meta avançar com o projeto do AngoNAP2, seu segundo centro de dados em Fortaleza, ampliar a infraestrutura de interconexão e fortalecer o ecossistema digital.
TelCables Brasil – Tel. (85) 99645-4143 n Site: https://telcables.com.br/
O melhor do Bits
Legislação - O ONS - Operador
Nacional do Sistema Elétrico informou que aceitou 43 solicitações de acesso de consumidores à rede básica de transmissão, em conformidade com o artigo 12 do Decreto nº 12.772/2025, que instituiu a PNAST - Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão. As solicitações são referentes a processos que estavam em tramitação no MME - Ministério de Minas e Energia. A maior parte dos pedidos está associada a projetos de data centers, que somam cerca de 7040 MW de demanda, distribuídos em 38 pedidos. Os demais 258,6 MW correspondem a cinco solicitações relacionadas a projetos de hidrogênio verde, empreendimentos industriais e atividades de mineração. Site: https:// abrir.link/qVDPn.
Abramulti - A Abramulti - Associação Brasileira dos Operadores de Telecomunicações e Provedores de
Internet chega à edição de 2026 do seu evento anual com uma nova iniciativa voltada a estimular negócios e movimentar o mercado de telecomunicações e Internet. Batizada de Saldão da Telecom , a proposta cria um espaço dedicado para que expositores comercializem produtos parados em estoque, em peças únicas ou em lotes, com descontos que podem chegar a 50% sobre o valor original. A ação será aberta a todos os expositores já confirmados no evento e tem como objetivo ampliar as oportunidades comerciais tanto para fabricantes e distribuidores quanto para provedores e integradores em busca de equipamentos a preços reduzidos. O Abramulti Comics acontecerá nos dias 8 e 9 de abril, no Centro de Exposições Expominas, em Belo Horizonte, MG. Site: https://abrir.link/uqxmQ.
Mercado - A Singtel Singapore anunciou a expansão de suas operações para o Brasil com a abertura de um
escritório de vendas em São Paulo, prevista para o terceiro trimestre de 2026, com foco no atendimento a empresas multinacionais e na oferta de soluções avançadas de conectividade, nuvem e orquestração digital. A iniciativa integra a estratégia do grupo de fortalecer a ponte digital entre a América Latina e os mercados da Ásia-Pacífico, apoiando projetos de transformação digital em ambientes corporativos complexos. Este é o oitavo escritório global da Singtel a ser estabelecido no mundo para dar suporte aos seus clientes corporativos. Com mais de 400 pontos de presença global e infraestrutura extensa nos mercados da Ásia-Pacífico, o grupo atinge mais de 820 milhões de clientes móveis em 20 países. Site: https://abrir.link/KdGIx.
Banda larga - O número de acessos à banda larga fixa cresceu 2,7% ao se compararem os dados de dezembro de 2025 com o mesmo período do ano
anterior. Segundo o painel da Anatel, vinculada ao Ministério das Comunicações e atualizado no fim de janeiro, foram registrados 53,9 milhões de acessos, frente a 52,5 milhões em 2024. De acordo com a Anatel, a fibra óptica já responde por cerca de 79% de todas as conexões de banda larga fixa no país, consolidando-se como a principal tecnologia de acesso à Internet no Brasil. O painel também aponta crescimento no acesso à telefonia móvel: foram 270,2 milhões de acessos em 2025, contra 263,4 milhões em 2024. Site: https://abrir.link/zZQdU.
O melhor do Bits traz um resumo das principais notícias sobre o mercado publicadas no RTI in Bits, boletim semanal enviado por e-mail para os leitores de RTI. Mais notícias podem ser encontradas no site: https:// www.arandanet.com.br/revista/rti/noticias.
Do Core à Borda: Construindo Criptografia Pronta para o Pós-Quântico na Rede
A era quântica já influencia decisões de design nas redes.
Com redes expandindo e infraestrutura modernizada, surge a questão: como proteger dados enquanto a criptografia atual se torna obsoleta?
De enlaces de acesso de 1G e 10G até ambientes backbone de 100G, a criptografia não pode mais ser tratada como um recurso de perímetro. A criptografia deve estar em toda a rede, sem latência, complexidade, alto consumo ou packet loss.
Desempenho Sem Compromissos
A série SAFE, da Sitehop, foi criada com essa realidade em mente. A criptografia inline FPGA integra-se nativamente a IPsec, SD-WAN, 5G e nuvem. Ela entrega submicrossegundo de latência, 10x menos energia e Zero packet loss.
O portfólio completo da Sitehop inclui: SAFEseries 10G e 100G (alto desempenho), SAFEmini 1G (formato compacto para edge) e SAFEnms (gerencia centralizada).
Testes mostram 835ns a 100G, milhares de túneis e validação em 5G e finanças.
A POC da BT mostrou 90Gbps, -75% energia e implantação em dois cliques. Estes não são apenas resultados de laboratório, são benchmarks com qualidade carrier-grade.
O SAFEblade 1100 cobre 1G a 100G com segurança consistente e packet loss nulo.
Por que falar de PQC agora?
Em agosto de 2024, o NIST finalizou os primeiros algoritmos oficiais pós-quânticos.
ML-KEM para troca de chaves e ML-DSA e SLH-DSA para assinaturas digitais agora definem o caminho global de migração para VPNs, TLS, 5G SBA e infraestrutura financeira.
A ameaça “colher agora, decifrar depois” é real.
No setor de telecomunicações, a GSMA publicou as diretrizes Pq.03, recomendando inventário criptográfico, migração faseada e arquiteturas cripto-ágeis em todo o ecossistema de fornecedores.
O Brasil avançou rapidamente. Em fevereiro de 2026, o ITI atualizou os padrões criptográficos da ICP-Brasil para incorporar ML-KEM e ML-DSA, com planos de implantar assinaturas PQC avançadas no GOV.BR ainda no primeiro semestre do ano 2026, posicionando o Brasil entre os primeiros países com a intenção a operacionalizar PQC em escala nacional.
Nos serviços financeiros, o BIS (Bank for International Settlements) recomenda que as instituições iniciem imediatamente o inventário e adotem abordagens híbridas (clássicas + PQCa). O FS-ISAC alerta para riscos de procrastinação criptográfica e destaca potenciais falhas de interoperabilidade se a migração for adiada além de 2030–2035.
Se o avanço quântico acelerar, migrações reativas podem ser
inevitáveis. Começar o trabalho agora permite priorizar sistemas segundo a sensibilidade e longevidade dos dados, evitando urgência e pressão de última hora.
O que isso significa para operadoras e instituições financeiras
A cripto-agilidade deixou de ser opcional. As redes devem transicionar de forma transparente entre ECC ou RSA e algoritmos PQC, em IPsec IKE, TLS e 5G SBA. A programabilidade via FPGA da Sitehop permite a adoção de ML-KEM e ML-DSA por meio de atualizações de firmware, evitando substituição de hardware em longos ciclos de CAPEX.
A segurança não pode impor penalidades de latência. Em plataformas de trading, pagamentos instantâneos e network slicing, microsegundos definem competitividade. Latencia menos de 1μs a 100G prova que SLAs não são comprometidos.
Eficiência energética tornou-se estratégica. Reduzir 75% da energia reduz OPEX e melhora ESG.
Uma mudança quântica que nenhuma rede pode ignorar
A transição para PQC é uma decisão arquitetural presente.
As redes implantadas hoje ainda estarão operando quando ataques quânticos se tornarem práticos. Preparação antecipada evita migrações apressadas e riscos futuros.
Sem governança, a migração torna-se reativa, inconsistente e dependente de fornecedores. A Sitehop oferece um caminho pragmático para avançar, garantindo desempenho, confiabilidade e Zero packet loss comprovado em redes privadas e publicas:
• Desempenho PQC-capaz em 1G, 10G e 100G, sem compromissos de latência.
• Hardware cripto-ágil que evolui conforme os padrões do NIST.
• Eficiência energética que reduz OPEX e fortalece a sustentabilidade.
• **Zero packet loss** comprovado e medido tanto em redes privadas quanto públicas.
• Instalação simples, operação rápida e curva de aprendizado mínima.
• Preserva o investimento do cliente, eliminando necessidade de novos hardwares para evoluções futuras.
Se a criptografia clássica definiu a geração anterior da infraestrutura, a criptografia inline cripto-ágil definirá a próxima, e as redes que a adotarem hoje estarão preparadas para tudo o que o futuro quântico trouxer.
Do
Borda:
Oferecemos criptografia ágil, reforçada por hardware e com desempenho de 1G a 100G. A base segura que permite que IA e sistemas críticos escalem com máxima performance em redes de telecom, nuvem e finanças.
A menor latência do mundo PQC e agilidade criptográfica Ultra-alto throughput Movimento rumo ao net-zero Uso dual Gerenciamento centralizado
Escaneie o código QR para uma demonstração.
Email: krister.almstrom@sitehop.com
Celular/Whatsapp: +55-11-95654 6759
Telefonia móvel (MVNO) para provedores de Internet
Oferecer telefonia móvel permite ao provedor aumentar o tíquete médio, reduzir churn ao concentrar serviços no mesmo fornecedor e fortalecer o relacionamento com o cliente por meio de ofertas convergentes (banda larga + móvel). Além disso, cria novas oportunidades de cross-sell e dilui custos comerciais e de atendimento ao usar a estrutura já existente. A reportagem a seguir mostra as opções para oferta de serviços como MVNO - operadora móvel virtual.
Omercado brasileiro de operadoras móveis virtuais (MVNOsMobile Virtual Network Operators) encerrou 2025 em forte expansão, consolidando-se como uma alternativa estratégica tanto para empresas de telecomunicações quanto para provedores regionais de Internet que buscam ampliar o portfólio, reduzir churn e aumentar a fidelização de clientes. Dados da Anatel indicam que o país fechou dezembro de 2025 com 10,2 milhões de acessos móveis vinculados a MVNOs, após a adição de 2,6 milhões de linhas ao longo do ano, o que representa um crescimento de 33,2%.
Segundo Eduardo Tude, CEO da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações, o avanço reflete um mercado já maduro do ponto de vista geográfico, no qual a competição passa a se dar menos pela expansão territorial e mais pela retenção de clientes, integração de serviços e oferta de soluções convergentes. “Em um cenário em que todos vendem, mas perdem clientes rapidamente, o churn baixo passa a ser decisivo para garantir crescimento líquido”, avalia.
O que é uma MVNO e como funciona
Uma MVNO é uma empresa que oferece serviços de telefonia móvel
sem possuir rede própria, como espectro de frequência, antenas ou estações radiobase. Em vez disso, utiliza a infraestrutura de uma operadora tradicional, a chamada
MNO - Mobile Network Operator, por meio de acordos comerciais, concentrando seus esforços em marketing, atendimento, precificação e relacionamento com o cliente.
De forma simplificada, o ecossistema móvel se organiza da seguinte maneira:
• MVNO - Mobile Virtual Network
Operator: operadora virtual que vende serviços móveis com marca própria, planos comerciais e base de clientes, usando a rede de terceiros.
• MNO - Mobile Network
Operator: operadora tradicional que detém espectro, torres e rede de acesso móvel, como Vivo, Claro e TIM.
• MVNE - Mobile Virtual Network
Enabler: empresa que atua como facilitadora técnica e operacional, fornecendo plataformas, sistemas e integração para viabilizar a operação de MVNOs.
Modelos regulatórios: autorizada ou credenciada
No Brasil, a Anatel reconhece dois modelos principais de MVNO:
Sandra Mogami, da Redação da RTI RTI RTI RTI
MVNO autorizada de rede virtual
• Possui autorização própria para prestação do SMP - Serviço Móvel Pessoal.
• Tem código de operadora, numeração própria e relação direta com a Anatel.
• Fatura diretamente o cliente final.
• Paga à operadora de origem pelo uso industrial da rede.
MVNO credenciada de rede virtual
• Atua como representante comercial de uma prestadora de origem.
• Utiliza a numeração e o faturamento da operadora ou MVNO autorizada.
• Recebe um percentual do faturamento.
• Pode agregar serviços de valor adicionado com receita própria. De acordo com dados de 2024, o Brasil contava com 142 MVNOs, sendo 16 autorizadas e 126 credenciadas, modelo que tem atraído provedores regionais por exigir menor complexidade regulatória e investimento inicial.
MVNO como estratégia de fidelização
Para Eduardo Tude, a MVNO não deve ser vista apenas como uma nova fonte de receita móvel, mas como parte de uma estratégia de convergência e fidelização. Ele cita como exemplo os combos fixo-móvel, que vêm reduzindo significativamente o churn no mercado. “Quando o serviço móvel está integrado ao acesso fixo, o ganho com fidelização supera, em muitos casos, a margem direta do serviço móvel”, afirma.
Nesse contexto, a simples oferta de um plano móvel isolado tende a ter baixo impacto. O diferencial está na criação de pacotes convergentes, integrados à operação comercial e à estratégia de vendas do provedor.
Com a crescente complexidade técnica, regulatória e comercial do modelo, cresce também a demanda por consultoria especializada em MVNO. A Teleco atua apoiando empresas interessadas em ingressar
nesse mercado, desde a avaliação do modelo mais adequado — autorizada ou credenciada — até a negociação com operadoras de origem, definição de projeções de demanda e desenho da estratégia de atuação.
“O operador que pretende se tornar MVNO precisa chegar ao mercado estruturado, com projeções claras e entendimento do seu público. Isso pesa diretamente na negociação com a operadora de origem”, explica Tude. Segundo ele, uma análise neutra e bem fundamentada é essencial para evitar decisões baseadas apenas em preço e garantir sustentabilidade ao projeto.
A seguir, apresentamos algumas empresas que atuam como autorizadas e credenciadas de MVNO com atuação no mercado de provedores regionais.
Braz Móvel
A Braz Móvel, empresa do Grupo Itnet/ITTV, atua como operadora móvel virtual (MVNO) credenciada à Vivo e vem ampliando sua presença junto a provedores regionais com um modelo de negócios voltado à oferta de telefonia móvel sob marca própria. Lançada há cerca de 1,5 ano, a empresa utiliza a rede nacional da Vivo e concentra sua proposta em custos operacionais reduzidos e geração de receita recorrente para os provedores parceiros. “Pela primeira vez uma empresa propõe pelo menos 30% de lucro na venda das linhas. É uma média maior do que a Internet fixa hoje”, afirma Jamyson Machado Gois, CEO da Braz Móvel.
Jamyson Gois, da Braz Móvel, e a máquina de chips: sem volumes mínimos de contratação e rápida ativação
Segundo o executivo, a escolha pela rede da Vivo foi motivada pela demanda dos próprios provedores. A operação inclui recursos como portabilidade no mesmo dia para clientes que migram da Vivo para a Braz, com ativação imediata após a troca do chip. “Isso facilita muito trazer a linha para nós”, afirma Jamyson Gois, acrescentando que migrações oriundas de outras operadoras seguem o processo regulatório convencional. Um dos diferenciais destacados é a integração da gestão da linha móvel à fatura do provedor. “Se o cliente não paga o combo, a linha de celular e a Internet caem juntas”, explica. A proposta busca reduzir inadimplência e preservar o tíquete médio, mantendo serviços agregados em um único pacote. O modelo comercial é focado no provedor, responsável pela venda ao consumidor final. A Braz não exige volumes mínimos de chips e permite personalização em pequenas quantidades, o que reduz o custo de investimento. Além disso, retirou a taxa de setup e adotou uma mensalidade fixa de suporte técnico, comercial e de marketing. “É uma taxa mais barata do que pagar um funcionário”, afirma. Para acelerar a logística, a Braz internalizou a produção de chips após a aquisição de equipamentos. “O provedor pede e recebe os chips dois, três dias depois. Antes levava até dois meses”, relata. A estratégia busca evitar estoques elevados e perdas para provedores de menor porte, permitindo compras graduais conforme as vendas avançam. Em eventos setoriais, como a Abrint em 2025, a empresa passou a fechar contratos e entregar chips personalizados no local. “O provedor fechava o contrato, escolhia os planos e já saía com chips prontos para ativar”, conta.
No acordo com a Vivo, a Braz afirma não assumir investimentos em infraestrutura de rede nem em call center próprio, exigência regulatória da Anatel. “A infraestrutura é toda da Vivo, e o atendimento é feito por uma terceirizada dedicada ao projeto, com número nacional do grupo exclusivo da Braz Móvel”, explica o executivo, indicando redução de custos para
os parceiros. Segundo ele, uma outra vantagem é que a Braz atua como MVNO credenciada. “A credenciada usa a mesma rede da operadora; a autorizada constrói partes da sua própria estrutura, o que pode impactar a experiência do cliente”, diz.
A empresa relata crescimento acelerado desde o lançamento em 2024. “Crescemos quase 200% em 2025 e já superamos 400 provedores na base”, diz o CEO. Os planos incluem ofertas pré e pós-pagas, eSIM e pacotes voltados a diferentes perfis de consumo, incluindo classes C, D e E. O modelo também é apresentado a empresas de outros setores interessados em oferecer conectividade móvel sob marca própria.
Site: www.brazmovel.com.br/
Eaí
A Eaí Telecomunicações oferece soluções de MVNO para provedores de Internet, permitindo que eles passem a comercializar serviços de telefonia móvel com marca própria ou utilizando a marca da Eaí. A empresa, que atua há mais de 20 anos no mercado de telecomunicações, afirma ter estruturado o modelo a partir de sua experiência prática no segmento. “A Eaí nasceu dentro de um provedor. Eu e minha esposa somos sócios em provedores regionais, então entendemos a necessidade do provedor e os desafios que ele tem quando precisa entrar no mercado”, afirma Rosauro Baretta, CEO da Eaí. Segundo o executivo, a companhia opera hoje dois formatos de MVNO. O principal é o modelo white label, voltado a provedores com base superior a 1000 assinantes, no qual o serviço é oferecido com a marca do próprio provedor. “O white label fortalece a marca do provedor, amplia o portfólio e gera uma percepção de mais autoridade e organização para o consumidor”, diz Baretta. Para provedores menores, a Eaí oferece um modelo inicial usando a própria marca da empresa, com menor custo
de entrada, permitindo uma migração futura para a marca própria.
A estratégia parte do pressuposto de que a base de clientes de Internet fixa representa um mercado potencial para a venda de telefonia móvel. “Hoje, para cada conexão que o provedor vende, na média, existem três assinantes móveis para vender. Um provedor com 10 mil clientes tem um mercado potencial de 30 mil linhas móveis só dentro da sua base”, afirma o CEO. De acordo com ele, a oferta de serviços móveis tende também a impulsionar as vendas da própria banda larga fixa.
A operação de MVNO da Eaí utiliza a rede da TIM, com cobertura nacional, e é viabilizada por meio da Datora, empresa credenciada como MVNE. A oferta inclui chips físicos e eSIM, embora, segundo Baretta, a maior parte da demanda ainda seja por chips tradicionais. “Hoje a média é cerca de 8% de eSIM e 92% físico, principalmente porque muitos clientes estão em cidades menores, onde o perfil de aparelho e o conhecimento sobre eSIM ainda são mais limitados”, explica.
Um dos diferenciais apontados pela empresa é o uso de um software proprietário para gestão da operação,
Modelo de chip para o provedor inserir a marca
batizado de Corevo. A plataforma integra MNO, MVNE, MVNO e assinantes em um único ambiente, com recursos de billing, ativação de linhas, portabilidade, campanhas e engajamento do cliente. “É um software muito maduro, que permite ao provedor acompanhar consumo, qualidade do serviço e toda a gestão da linha”, diz Baretta. A Eaí divulgou recentemente, inclusive, um spin-off para comercializar a plataforma separadamente para outras empresas do setor.
Segundo a companhia, com o Corevo é possível reduzir o tempo de implantação de uma MVNO de até 12 meses, no modelo tradicional, para menos de três meses, dependendo do nível de integração com a operadora hospedeira. A solução inclui ainda aplicativos white label para Android e iOS, totalmente personalizados com a identidade visual do provedor, permitindo recargas, abertura de chamados e acompanhamento de consumo pelos usuários finais.
Atualmente, a Eaí atende cerca de 85 provedores parceiros com a solução de MVNO em todo o país. Os investimentos iniciais variam conforme o modelo: no formato com a marca da Eaí, o custo de entrada é a partir de R$ 3,5 mil,
enquanto no modelo white label, com marca própria, o investimento parte de cerca de R$ 20 mil. “O provedor não precisa fazer investimentos em infraestrutura. A gente entrega site, aplicativo, plataforma e dá suporte completo para a operação”, afirma o executivo.
Além do MVNO, a Eaí oferece soluções como PABX virtual, telefonia fixa, cloud computing, backup, plataforma de SMS e trânsito IP, estando presente em mais de 1200 cidades brasileiras, com cerca de 40 mil clientes ativos e processamento de mais de 40 milhões de chamadas por mês. A empresa tem sede no Paraná e escritório em São Paulo, e mantém presença em data centers e pontos de troca de tráfego no Brasil e no exterior.
Para Baretta, o principal desafio para os provedores é estruturar equipes comerciais capazes de vender novos serviços além da fibra óptica. “Tem
Chips da Eaí: treinamentos e apoio ao provedor
ESPECIAL
dois tipos de provedores: os que já entenderam que precisam agregar novos serviços e estão treinando o time, e os que ainda estão focados só na Internet”, afirma. Segundo ele, a Eaí oferece treinamentos e apoio estratégico para que os provedores consigam ampliar o tíquete médio. “Com um plano de Internet de R$ 100 e três linhas móveis de R$ 40, o tíquete da mesma casa pode ir de R$ 100 para R$ 220. É uma mudança significativa no modelo de receita”, afirma.
Site: https://eai.net.br/
TIP Brasil
A TIP Brasil ampliou sua atuação no mercado de operadoras móveis virtuais (MVNO) ao concluir, no fim de 2025, a aquisição da Tá Telecom. A operação reforça a estratégia da empresa de oferecer serviços móveis em modelo white label para provedores regionais, permitindo que o serviço seja comercializado com a marca do próprio parceiro. As duas companhias seguem operando de forma independente, com manutenção integral das equipes e da gestão da Tá Telecom. Segundo Cristiano Alves, diretor comercial da TIP Brasil, a principal mudança é a ampliação do portfólio. “Antes a Tá ofertava MVNO na rede da TIM. Agora passa a ter também a possibilidade de vender MVNO na rede da Vivo, além de outros serviços da TIP que devem ser incorporados gradualmente”, afirma. A governança e o apoio em marketing também passaram a contar com suporte direto da TIP, enquanto as áreas comercial, de suporte e financeira permanecem inalteradas.
Com a integração das bases, a empresa projeta alcançar 500 mil clientes móveis ativos até o fim de 2026, somando os usuários atendidos por meio dos provedores parceiros. A TIP já atua com mais de 400 MVNOs credenciados, cobertura em mais de 4 mil cidades e histórico de fornecimento de centenas de milhares de SIM cards para o mercado regional. O foco da operação está no modelo white label. “A TIP nunca vendeu chip com a própria marca. O
O foco da operação da TIP está no modelo white label
objetivo é que o provedor seja o dono da relação com o cliente final”, diz Alves. No caso da Tá, que tinha atuação mais direta no B2C, a estratégia passa a ser a migração dos parceiros para esse formato, alinhado ao modelo da controladora.
O modelo de negócios prevê forte suporte comercial e operacional aos provedores. “O provedor precisa basicamente de um time de vendas. O restante — estratégia, marketing, desenho de planos e acompanhamento — a TIP ajuda a estruturar”, explica o executivo. Há acompanhamento mensal de desempenho e ações para destravar vendas quando necessário, com uma equipe dedicada ao crescimento dos parceiros.
Para ampliar o acesso de provedores menores, a TIP reduziu o volume mínimo inicial, que era de 1000 chips, para pacotes a partir de 250 SIM cards. Esse movimento foi viabilizado pela aquisição de máquinas próprias para a produção de chips, o que reduziu prazos de entrega. “Antes, a implantação podia levar até 90 dias. Hoje, após a validação da arte, conseguimos despachar os chips em cerca de 15 dias, ou até na mesma semana em volumes menores”, afirma Alves.
Em janeiro de 2026, segundo a empresa, foram entregues 32 mil SIM cards pela TIP e outros 4 mil pela operação da Tá, atendendo 53 provedores no período. A companhia também oferece integração completa com sistemas dos provedores,
permitindo operação em regime plug and play , além de contratos homologados junto à Anatel.
Site: https://tipbrasil.com.br/
Telecall
A Telecall consolidou sua atuação como habilitadora e agregadora de operadoras móveis virtuais (MVNOs) ao superar, em outubro de 2025, a marca de 1 milhão de linhas móveis ativas. O avanço reflete uma estratégia focada em provedores credenciados, com forte integração tecnológica e operação baseada em APIs.
Licenciada nacionalmente com outorgas de SCM, STFC e SMP, a Telecall atua como MVNE da Vivo, fornecendo a base tecnológica e regulatória para que provedores regionais ofertem serviços móveis com sua própria marca. A operadora também dispõe de mais de 900 quilômetros de fibra óptica no país,
Bruno Ajuz, da Telecall: crescimento de 35% no número de linhas móveis no último ano
incluindo infraestrutura no Rio de Janeiro e em São Paulo com pontos de recepção de cabos submarinos, e atende mais de 2 mil clientes corporativos. O modelo evoluiu nos últimos anos. Inicialmente, a Telecall operava com dois formatos: um voltado a pequenos provedores, que utilizavam a licença da operadora em regime de white label, e outro direcionado a empresas que se credenciavam formalmente como MVNOs sob sua autorização de SMP. Esse arranjo foi revisto para privilegiar parceiros mais estruturados. “Há cerca de um ano e meio, decidimos não atender mais os menores. Preferimos ter menos MVNOs e focar nas
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credenciadas”, diz o CMO da empresa, Bruno Kelman Ajuz. Segundo ele, provedores menores passaram a ser encaminhados a parceiros já credenciados, que possuem sistemas e integração tecnológica mais avançados.
A estratégia busca aumentar eficiência operacional e facilitar a gestão automatizada dos serviços móveis. Toda a operação é baseada em APIs integradas aos sistemas de gestão dos provedores, permitindo ativação de chips físicos e eSIM, portabilidade, controle de consumo, cobrança e conformidade regulatória. “Como tudo nosso hoje é por API, a operação fica mais eficiente e independente para escalar”, afirmou o executivo.
A integração direta com ERPs permite que os provedores administrem o ciclo completo do serviço móvel, incluindo gestão de planos, faturamento e atendimento ao cliente final. Esse nível de automação contribui para reduzir a complexidade operacional e acelerar a expansão das ofertas móveis entre provedores regionais, que já respondem por cerca de 60% do mercado nacional de banda larga fixa.
Segundo Ajuz, a oferta de mobilidade tem se consolidado como instrumento de fidelização e aumento do valor dos clientes desses provedores. “O churn diminui muito. Isso dá uma blindagem para o provedor não perder clientes quando as grandes operadoras chegam na região”, disse. Para ele, a aceitação do modelo também foi favorecida por mudanças no comportamento dos consumidores, impulsionadas por outros setores digitais. “Os bancos digitais ensinaram que não são só os grandes bancos que podem oferecer bons serviços. O mesmo acontece com os provedores”, afirmou.
Com crescimento de 35% no número de linhas móveis nos últimos 12 meses, a Telecall pretende manter a estratégia de expansão por meio de parceiros credenciados e reforçar investimentos em infraestrutura, redes privativas e serviços baseados em 5G. O modelo, segundo o executivo, demonstra a maturidade do ecossistema de MVNOs no país.
Site: https://www.telecall.com/
Vero
A Vero ampliou sua atuação no mercado de operadoras móveis virtuais (MVNOs) após a fusão com a Americanet, concluída em 2023, e passou a estruturar uma plataforma white label voltada a provedores regionais de Internet. A operação utiliza a rede da TIM e funciona sob o modelo de MVNE independente, no qual a companhia atua como habilitadora tecnológica sem concorrer diretamente com os parceiros.
Segundo Christiana Mello, diretora do negócio B2B da Vero, a proposta é oferecer mobilidade como complemento estratégico ao FTTH, preservando o equilíbrio concorrencial entre os provedores credenciados. “Operamos de forma neutra. O parceiro mantém a relação com o cliente final, enquanto a Vero provê a infraestrutura tecnológica, a governança e a supervisão regulatória do ecossistema”, afirma.
A solução contempla cobertura nacional nas tecnologias 3G, 4G e 5G, com recursos como VoLTE e eSIM, conforme elegibilidade técnica. A plataforma disponibiliza
Christiana Mello, da Vero: mobilidade como complemento estratégico ao FTTH
uma camada de APIs que permite a integração aos sistemas de CRM e vendas do provedor, viabilizando gestão do ciclo de vida do assinante, ativação digital e acompanhamento de consumo. O modelo busca reduzir o tempo de entrada no mercado e dar autonomia operacional ao parceiro, dentro dos parâmetros de compliance estabelecidos.
No arranjo B2B2C, a Vero assume os elementos de rede, sistemas operacionais e infraestrutura necessários à prestação do SMP - Serviço Móvel Pessoal, enquanto o provedor é responsável pela comercialização, relacionamento e atendimento ao cliente final. “É um modelo tripartite que assegura clareza de papéis, aderência regulatória e foco em escala”, explica Christiana.
Atualmente, a Vero reúne mais de 30 provedores parceiros e uma base conjunta superior a 300 mil clientes ativos. Cada nova parceria começa com a construção de uma previsão de desempenho. A empresa monitora indicadores como gross adds, net adds e churn, além da evolução tecnológica e da aderência às metas projetadas. Os parceiros têm liberdade para definir preços e planos, podendo estruturar ofertas por pacote ou consumo, inclusive integradas a produtos de banda larga.
O modelo é integralmente white label: a marca é do provedor, que pode desenvolver aplicativo próprio, portal de atendimento e interface personalizada. A Vero realiza a entrega nacional de SIM cards e eSIMs ao parceiro, com integração digital para ativação dos serviços.
Para Christiana, a mobilidade deixou de ser apenas uma nova linha de receita. “O chip se tornou um instrumento estratégico. Permite oferecer bônus de Internet, cashback, franquias adicionais e benefícios que elevam o tíquete médio e reduzem churn”, afirma. Segundo ela, o impacto se reflete em indicadores como LTV – Life Time Value e EBITDA, ao fortalecer a fidelização e a recorrência.
A capacitação comercial e técnica faz parte da proposta. A Vero oferece treinamentos adaptados à realidade do provedor, canais oficiais de suporte e plataforma de gestão com dados operacionais da base ativa. “O objetivo é reduzir a complexidade para o parceiro, permitindo que ele possa focar em vendas e relacionamento”, diz.
Na avaliação da executiva, integrar serviços móveis tornou-se um movimento natural para provedores que buscam ampliar competitividade. “Quem incorpora o móvel fortalece o FTTH, aumenta o valor do cliente e reduz a competição baseada apenas em preço”, finaliza.
Site: www.querovero.com.br
SERVIÇO
Guia das construtoras de data centers
O guia inédito mostra quem são as empresas especializadas na construção de data centers no Brasil, com informações como expertise (hyperscale, colocation, corporativo ou edge) e experiência com normas e certificações. O levantamento também detalha as disciplinas executadas, da seleção do local até comissionamento e testes.
executadas
Análise de risco Enterprise/Corporativo Edge/Micro data centers Colocation Data center hyperscale
Obra civil completa Edificações modulares Piso elevado Retrofit Contratação de fornecedores Seleção de local Estrutura metálica
Estudo de viabilidade Comissionamento e testes Salas técnicas
Fit-out
Salas brancas
Blindagem eletromagnética Uptime Institute (Tier I a IV) LEED/Sustentabilidade TIA 942 Capacidade de atuar em projetos acelerados (fast-track) Atuação integrada com engenharia, EPC Uso de BIM, digital twins Experiência com eficiência energética e hídrica Obras em ambientes energizados
Integração com sistemas críticos* ISO (9001, 14001, 45001)
ADV Net (11) 96179-1701 n projetos@advnetit.com.br
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Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 109 empresas pesquisadas.
Fonte: Revista Redes, T Redes, Redes, T Redes, Redes, Telecom e Instalações elecom e Instalações elecom e Instalações elecom e Instalações elecom , março de 2026.
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Qualificação da mão de obra técnica em tempos de IA
O avanço de tecnologias disruptivas, especialmente a IAInteligência Artificial, a automação e as redes ópticas de alta capacidade, trouxe para os provedores de Internet um paradoxo operacional: enquanto a infraestrutura se moderniza em ritmo acelerado, a disponibilidade de mão de obra técnica especializada não cresce na mesma proporção. Este artigo analisa como a qualificação profissional, a rotatividade e a gestão estratégica das equipes técnicas se tornaram fatores decisivos para a sustentabilidade das empresas.
OProf. José Maurício dos Santos Pinheiro, do UBM – Centro Universitário de Barra Mansa e do SEST/SENAT
setor de telecomunicações, em especial os provedores regionais de Internet, atravessa um ciclo contínuo de expansão. A Anatel registra mais de 20 mil operadoras ativas no país, enquanto o mercado de fibra óptica supera 50 milhões de acessos em redes FTTH – Fiber to the Home. Paralelamente, cresce a adoção de IA – Inteligência Artificial aplicada ao monitoramento, correlação de eventos, previsão de falhas e automação de processos críticos. Entretanto, permanece um desafio estrutural: a qualidade da mão de obra técnica. A evolução dos equipamentos, protocolos e sistemas não tem sido acompanhada pela capacitação dos profissionais responsáveis por instalar, operar e manter essas tecnologias. Hoje, um provedor de Internet não compete apenas por clientes, mas sobretudo por talentos.
A IA muda a forma de trabalhar
A expansão das redes FTTH, XGS-PON, SD-WAN, roteamento avançado, redes desagregadas e sistemas de automação exige profissionais capazes de interpretar dashboards complexos e atuar junto a sistemas inteligentes. Ferramentas de IA já são usadas pelos provedores para a previsão de rompimentos de
cabos, a análise automática de equipamentos, a priorização inteligente de tíquetes e correlação de alarmes, além de análise de causa raiz automatizada.
Contudo, para operar essas soluções, o profissional precisa dominar fundamentos de topologia, protocolos, óptica, latência, ruído, perdas e lógica de rede. Assim, o trabalho técnico torna-se mais estratégico e menos operacional.
O turnover técnico como risco estrutural
Os provedores brasileiros apresentam uma das maiores taxas de rotatividade (turnover) técnica entre as indústrias de serviços. Estudos da Brasscom, Deloitte e Teleco/Abrint indicam que a rotatividade média varia de 28% a 42% ao ano, dependendo da região e da senioridade. A tabela I apresenta indicadores comparativos do período 2023-2024.
Enquanto o índice médio brasileiro gira em torno de 16% e grandes operadoras mantêm taxas entre 18% e 24% devido a estruturas consolidadas de capacitação e carreira, provedores regionais chegam a registrar até 42% de rotatividade anual.
Essa disparidade decorre de um conjunto interconectado de fatores estruturais e conjunturais. O primeiro é a competição intensa por talentos
em âmbito local. Os provedores disputam a mesma base limitada de profissionais, particularmente agravada em cidades médias ou pequenas, onde um técnico qualificado em fibra ou BGP – Border Gateway Protocol recebe propostas constantes e frequentemente migra motivado por diferenças salariais relativamente pequenas. Paralelamente, observa-se que o crescimento acelerado desses provedores costuma superar sua capacidade interna de estruturar trilhas de carreira, políticas de retenção, remuneração coerente com a complexidade técnica e programas robustos de formação. Essa maturidade de gestão insuficiente gera sensação de estagnação profissional e incentiva a busca por oportunidades externas.
Fig. 1 - Distribuição percentual de rotatividade técnica. Fonte: Compilado pelo autor a partir de dados da Abrint (2023), Teleco e Brasscom (2024) e Deloitte (2025)
qualidade percebida pelo assinante. Em muitos provedores regionais, o custo real de substituir um técnico pleno alcança entre 1,5 e 2 salários mensais, considerando todos os impactos diretos e indiretos.
Análise setorial e indicadores
Agravando o cenário, a pressão tecnológica crescente impõe desafios adicionais. A chegada de novas gerações de tecnologias ópticas, como XGS-PON, DWDM compacto, automação, orquestração e redes desagregadas, encontra equipes pouco maduras tecnicamente, resultando em sobrecarga operacional, retrabalho constante e frustração técnica que alimentam o ciclo de rotatividade. O impacto combinado desses fatores produz consequências financeiras e operacionais exponenciais.
A troca constante de técnicos eleva o Opex não apenas pelos custos diretos de recrutamento e seleção, mas principalmente pelo tempo necessário para que um novo profissional alcance o mesmo nível de produtividade, autonomia e precisão operacional daquele que saiu. Somam-se a isso a perda irreversível de conhecimento tácito sobre a rede específica do provedor, o aumento na frequência de incidentes durante o período de adaptação e o comprometimento da
A comparação entre os setores evidencia a dimensão do problema. Enquanto a indústria geral mantém índices baixos de rotatividade e operadoras de grande porte têm estruturas consolidadas de retenção, os provedores regionais apresentam comportamento muito mais volátil (figura 1).
A movimentação de profissionais não ocorre apenas para setores externos, mas principalmente dentro do próprio ecossistema regional. Isso reforça a urgência de políticas estruturadas de qualificação e retenção. Além da rotatividade, outro indicador crítico para compreender o
papel dos provedores no mercado é sua participação no tráfego local. A figura 2 apresenta a distribuição dos pontos de conexão destinados ao tráfego regional no Brasil. Os provedores regionais concentram 57% desses pontos, mostrando sua importância para a interiorização da conectividade. Essa capilaridade torna ainda mais crítica a necessidade de equipes técnicas qualificadas para manter redes distribuídas operantes e resilientes.
Escassez de mão de obra qualificada
A rotatividade elevada está diretamente associada a um desafio estrutural ainda mais profundo: a escassez de profissionais preparados para lidar com tecnologias cada vez mais complexas. A velocidade de adoção de fibra óptica, soluções avançadas de roteamento e ferramentas de IA excede a capacidade dos sistemas formativos em produzir mão de obra tecnicamente madura.
As consequências operacionais desse descompasso são múltiplas e interconectadas. Primeiramente, os provedores regionais enfrentam uma dificuldade crescente para encontrar operadores adequadamente preparados, o que resulta na subutilização sistemática dos recursos disponíveis de equipamentos como OLTs e switches de alta capacidade. Profissionais sem domínio técnico suficiente não exploram funcionalidades avançadas de QoS – Qualidade do Serviço, DBA – Alocação Dinâmica de Banda ou agregação inteligente de tráfego, desperdiçando investimentos significativos em infraestrutura.
Fig. 2 - Distribuição percentual dos pontos de conexão destinados ao tráfego regional. Fonte: Compilado pelo autor a partir de dados setoriais (2024)
Adicionalmente, a falta de conhecimento aprofundado provoca o acúmulo de erros de
Tab. I – Indicadores comparativos de turnover técnico no Brasil (2023-2024). Fontes: Teleco, Brasscom,
Segmento Segmento T Turnover anual urnover anual urnover
médio (em %) médio (em %) médio (em %) médio (em %) (em
Deloitte e Abrint
Observações Observações
Provedores regionais35 a 42 Variações maiores em cidades médias e regiões Norte/Nordeste Telecom de grande porte18 a 24Programas de capacitação e carreiras estruturadas
TI / Data centers22 a 30Demanda crescente por especialistas em rede Indústria em geral16Base de comparação não tecnológica
configuração que, embora individualmente pequenos, comprometem progressivamente a estabilidade e o desempenho da rede. Outro efeito crítico é a incapacidade dos técnicos em validar adequadamente as recomendações geradas por sistemas de IA para diagnóstico e resolução de problemas. Quando o profissional não compreende os fundamentos que justificam a sugestão do sistema inteligente, tende a ignorá-la ou aplicá-la incorretamente, anulando o benefício da automação.
Por fim, todos esses fatores convergem para o aumento no número de visitas técnicas presenciais, elevando custos operacionais e ampliando o tempo médio de resolução de incidentes, justamente o oposto do que as tecnologias implantadas deveriam proporcionar.
A tabela II apresenta casos reais que ilustram a disparidade entre tecnologias implantadas e domínio técnico das equipes. Esse cenário mostra que infraestrutura sem pessoas preparadas não gera vantagem competitiva.
Tab. II – Disparidade entre tecnologia instalada e domínio técnico
T Tecnologia implantada ecnologia implantada ecnologia Domínio técnico observado técnico Risco operacional Risco Risco XGS-PON 50% dos técnicos desconhecem DBAs avançados Subutilização e gargalos BGP em bordaApenas 30% compreendem atributos e comunidadesInstabilidade de rotas DWDM mini/mux 40% não interpretam OSNRRiscos de apagão parcial IA de monitoramentoTécnicos ignoram root cause sugeridoAumento de MTTR
Estratégias de retenção e desenvolvimento
A análise evidencia um descompasso entre a evolução tecnológica e a maturidade das equipes. Diante desse cenário, a retenção e o desenvolvimento da mão de obra deixam de ser ações secundárias e tornam-se indispensáveis para a sustentabilidade operacional.
A reversão desse cenário demanda um conjunto articulado de medidas que pode ser organizado em três eixos estratégicos: desenvolvimento técnico, reconhecimento profissional e gestão inteligente.
No eixo do desenvolvimento técnico, a prioridade consiste na implementação de programas de capacitação contínua estruturados não em modelos genéricos de mercado, mas adaptados ao ambiente tecnológico real de cada provedor. Esses programas devem integrar-se diretamente às ferramentas de IA efetivamente utilizadas na operação, aumentando a taxa de retenção do conhecimento e sua aplicação prática imediata. Complementarmente, matrizes de competências técnicas e comportamentais devem orientar avaliações periódicas que evitem
formações genéricas e per mitam ao profissional visualizar concretamente seu progresso.
O eixo do reconhecimento profissional combina elementos de carreira e remuneração. Trilhas formais e transparentes, com níveis definidos e critérios objetivos de progressão, oferecem perspectiva de crescimento dentro da organização. Paralelamente, a política salarial precisa refletir adequadamente a complexidade técnica das funções e os riscos operacionais envolvidos, reconhecendo que profissionais capazes de operar tecnologias críticas como BGP, DWDM ou sistemas de IA agregam valor estratégico diferenciado ao negócio.
Finalmente, o eixo da gestão inteligente mobiliza tanto recursos humanos quanto tecnológicos. O monitoramento sistemático de indicadores de sobrecarga como horas extras recorrentes, acúmulo de
tíquetes não resolvidos e baixa taxa de conclusão de projetos, permite identificar e mitigar precocemente os principais gatilhos de desligamento. A própria IA pode ser empregada nessa gestão, viabilizando análise objetiva de padrões de produtividade, identificação de sinais de desmotivação e até predição estatística de risco de rotatividade individual, possibilitando ações preventivas personalizadas.
Em conjunto, essas ações representam um movimento de maturidade organizacional que aumenta a eficiência, reduz riscos operacionais e fortalece a competitividade dos provedores regionais.
Conclusão
A transformação digital que marca o setor de telecomunicações brasileiro é, antes de tudo, uma transformação
humana. Infraestruturas mais inteligentes, redes de alta capacidade e sistemas baseados em IA dependem de profissionais capazes de interpretar dados, tomar decisões estratégicas e operar ambientes cada vez mais complexos.
Os dados apresentados deixam claro que o principal desafio dos provedores regionais não está exclusivamente na modernização de sua infraestrutura, mas, igualmente, na capacidade de formar, reter e desenvolver suas equipes técnicas. A rotatividade elevada e a escassez de profissionais qualificados criam riscos diretos à estabilidade da rede, à qualidade do serviço e à experiência do cliente. Na era da IA, o maior fator de desempenho de um provedor não é apenas a tecnologia que ele implanta, e sim a equipe que ele consegue manter.
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Fonte: Revista Redes, T Redes, Redes, T Redes, Telecom e Instalações elecom e elecom e Instalações elecom e elecom , março de 2026.
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Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 138 empresas pesquisadas.
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Tecnologia Li-Fi para transmissão de dados
Gabriel Gonçalves Peres Dias, Lucas Fernandes dos Santos, Luccas Henrique Rocha Medeiros e Richard Barbosa Mazzuco, do Curso Técnico em Eletrotécnica da ETEC José Martimiano da Silva, vinculada ao CEETEPS – Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza
AO Li-Fi, tecnologia de acesso à Internet baseada em luz, oferece diversos benefícios de segurança quando comparado com o Wi-Fi. Enquanto as ondas de rádio podem atravessar paredes, aumentando o risco de espionagem e interceptação de dados, a luz permanece confinada no ambiente iluminado. A tecnologia também permite altas taxas de dados devido à frequência elevada das ondas, capaz de alcançar velocidades superiores às das redes Wi-Fi convencionais. O artigo mostra o resultado de um experimento com um protótipo de sistema Li-Fi, desenvolvido para a transmissão de áudio.
transmissão de dados tem se tornado cada vez mais central no cotidiano, com o Wi-Fi desempenhando papel predominante nesse processo. No entanto, essa tecnologia enfrenta limitações relacionadas à velocidade, à estabilidade, à segurança e às interferências eletromagnéticas. Diante desse cenário, o Li-Fi surge como uma alternativa inovadora e promissora ao possibilitar a transmissão de dados de forma rápida e segura por meio da luz visível. Com taxas de transmissão que podem ser até 100 vezes superiores às do Wi-Fi tradicional, o Li-Fi simplifica a conectividade e se mostra especialmente vantajoso em ambientes sensíveis ou desafiadores — como aviões, hospitais, empresas e presídios — nos quais a segurança da informação é um fator crítico. Apesar dessas vantagens, a tecnologia ainda enfrenta desafios relevantes, como a impossibilidade de a luz atravessar obstáculos físicos e a escassez de aplicações e estudos práticos em larga escala. Nesse contexto, este estudo propõe o desenvolvimento de um protótipo de transmissão de áudio
por meio da luz, com o objetivo de explorar o potencial do Li-Fi e contribuir para a disseminação de uma tecnologia ainda pouco conhecida no cenário brasileiro.
Tecnologia Li-Fi
Desenvolvida por Harald Haas e apresentada ao público em uma conferência TED – Tecnologia, Entretenimento e Design em 2011, em Edimburgo, na Escócia, a tecnologia Li-Fi utiliza o espectro de luz visível para transmitir informações sem fio de alta velocidade. Diferente da VLC –Comunicação por Luz Visível, útil para comunicações ponto a ponto, o Li-Fi oferece conectividade bidirecional e multiusuário, permitindo formar redes sem fio com células ópticas pequenas, proporcionando handover e conectividade móvel contínua.
O que é VLC?
A VLC refere-se aos sistemas em que dados são transmitidos por meio da modulação de ondas de luz dentro do espectro visível, entre
390 e 700 nm. Qualquer sistema que utiliza luz visível para transmitir informações pode ser classificado como VLC, desde que a transferência de dados ocorra de maneira imperceptível ao olho humano, mantendo a aparência de iluminação comum. Tecnologias semelhantes, como a OWC - Comunicação Óptica sem Fio e o Li-Fi, também são abordadas nessa categoria. Enquanto as ondas de rádio têm sido extensivamente estudadas desde o início do século XX, levando a diversos avanços tecnológicos, a comunicação via luz visível é uma área que começou a ganhar atenção
A VLC é uma tecnologia promissora devido à crescente adoção de lâmpadas LEDs e a chegada da iluminação inteligente gerida via dispositivos móveis. No futuro, espera-se que desempenhem tanto o papel de iluminação quanto de comunicação.
Camada física
No modelo de referência padrão, como o OSI – Open Systems Interconnection, a camada física é responsável pela transmissão de bits por meio de um canal de comunicação, seja em um cabo de cobre ou em ondas de rádio. Nela, são
acadêmica há pouco mais de uma década, e ainda é menos explorada em comparação com a radiofrequência.
A figura 1 apresenta o intervalo do espectro eletromagnético, que vai desde as baixas frequências, onde se localizam as ondas de rádio, até as frequências mais altas, como a radiação gama. Dentro desse intervalo está o espectro visível da luz. Qualquer informação transmitida por modulação das ondas de luz dentro desse intervalo pode ser considerada VLC. A faixa destinada às ondas de rádio, incluindo o Wi-Fi, abrange frequências de 3 kHz a 300 GHz. Comparativamente, o intervalo de frequências da luz visível vai de 430 a 770 THz, que é significativamente maior.
abordadas questões como a representação dos sinais 0 e 1, método de envio e o estabelecimento e término da comunicação, além de aspectos como interface eletrônica e sincronização, que também se aplicam à VLC. As camadas superiores processam os dados normalmente, enquanto a física trata da transmissão por meio da luz.
Fluxo luminoso e perdas de caminho
A primeira consideração na camada física em VLC é o fato de que as lâmpadas LED desempenham duas funções: iluminação e comunicação. Parâmetros fotométricos, que determinam características da luz como brilho e cor, são importantes do ponto de vista da visão humana. Em contrapartida, aspectos radiométricos medem a energia da radiação eletromagnética da luz. Com esses parâmetros, é possível calcular o fluxo luminoso, que representa a energia emitida por um LED e, a partir dele, determinar a perda de caminho.
Outra propriedade fundamental para a camada física é a propagação da luz. Em ambientes internos, onde é comum a presença de múltiplos transmissores e superfícies que refletem a luz emitida, é crucial compreender o impacto dessa luz refletida em sistemas VLC.
Ruídos
Os ruídos são fatores críticos para a eficiência da comunicação em um sistema VLC. Em ambientes externos, a luz solar pode interferir na comunicação, chegando a inibi-la. Nesses casos, podem ser utilizados filtros para eliminar ondas destrutivas. Em alguns estudos é abordado o uso de LEDs como receptores, pois eles atuam como fotodiodos seletivos. Outro aspecto essencial da camada física é a modulação. Os sinais analógicos baseados na intensidade da luz precisam ser convertidos em digitais para representar bits. Esse processo é feito via modulação. Diferentemente de outras formas de comunicação, a modulação da luz deve buscar alta taxa de dados sem interferir na percepção humana da luz. Um requisito importante é o escurecimento (dimming). Lâmpadas em diversos ambientes são equipadas com circuitos de escurecimento, permitindo o controle da intensidade da
Fig. 1 – Espectro eletromagnético [1]
Fig. 2 – Parte receptora do protótipo Li-Fi. Fonte: Autor
REDES SEM FIO
luz. Conforme o padrão IEEE 802.15.7, a VLC deve suportar essa função sem prejudicar a comunicação. Outro requisito é evitar a oscilação (flickering), pois a modulação aplicada não pode causar oscilações perceptíveis ao olho humano.
Modulação do sinal
A modulação OOK – On-Off Keying é simples e adequada para o funcionamento de lâmpadas LED. Nesse método, os bits 0 e 1 são transmitidos através da luz apagada e acesa, respectivamente. O bit 0 pode ser representado pela diminuição da intensidade da luz, ao invés de apagá-la completamente. Contudo, deve-se considerar a percepção humana da luz. Por exemplo, se o valor 100001 for enviado, a lâmpada poderia ficar desligada por muito tempo, causando oscilações perceptíveis. Para contornar
esse problema, o padrão IEEE 802.15.7 propõe redefinir os níveis On e Off, representando o bit 0 com outra intensidade de luz, ou usar variações do OOK, como o Variable OOK, que permite o escurecimento ao inserir períodos de compensação na onda modulada, dependendo do nível de escurecimento desejado. Por padrão, os sinais na modulação OOK são enviados com um símbolo Manchester simétrico.
Aplicações do Li-Fi
O Li-Fi pode ser visto como uma opção ao Wi-Fi, oferecendo Internet
com maior velocidade. Em qualquer ambiente onde o Wi-Fi é utilizado, o Li-Fi também pode ser implementado.
Hospitais
Em áreas sensíveis dos hospitais, o uso de Wi-Fi é restrito devido à radiofrequência, que pode comprometer a saúde dos pacientes e interferir com equipamentos médicos. Como o Li-Fi utiliza a luz para transmissão de dados, ele pode substituir o Wi-Fi em aplicações médicas, garantindo maior segurança.
Aeronaves
Durante voos, os passageiros são instruídos a manter seus dispositivos no modo avião para evitar que radiofrequências interfiram nos sistemas de navegação. O Li-Fi se apresenta como uma alternativa mais segura ao Wi-Fi nesses casos.
Comunicação subaquática
A tecnologia Wi-Fi é ineficaz para comunicações subaquáticas pois a radiofrequência não é adequada para transmitir debaixo d’água. Em contrapartida, veículos operados remotamente submersos sem cabo (UTROV) utilizam a tecnologia de comunicação VLC para esse fim.
Gestão de desastres
Durante desastres naturais, como terremotos ou ciclones, as torres de comunicação Wi-Fi podem ser danificadas, interrompendo a cobertura em grandes áreas. Em tais situações, se lâmpadas LED forem instaladas em postes de iluminação pública, o Li-Fi pode assumir a comunicação, já que as luzes de rua, posicionadas a poucos metros uma da outra, continuariam funcionando após um desastre. Esta abordagem pode ser integrada no desenvolvimento de cidades inteligentes.
Defesa
A defesa é crucial para garantir um sistema de comunicação seguro.
Fig. 3 – Parte transmissora do protótipo Li-Fi. Fonte: Autor
Jammers podem bloquear sinais de radiofrequência, o que compromete a comunicação. Por operar com luz, a tecnologia Li-Fi não pode ser neutralizada por jammers, tornando-se uma alternativa mais segura ao Wi-Fi.
Comparativo entre Wi-Fi e Li-Fi
Devido às suas propriedades de propagação, a luz oferece benefícios de segurança em comparação com as ondas de rádio. Enquanto as ondas de rádio podem atravessar paredes e outras superfícies, aumentando o risco de espionagem e interceptação de dados, a luz não se propaga além dessas barreiras, resultando em ambientes mais seguros.
Além disso, a comunicação por luz permite altas taxas de dados devido à frequência elevada das ondas, que pode alcançar velocidades muito superiores às do Wi-Fi, como demonstrado pelas pesquisas em VLC. O Li-Fi, por sua vez, é mais econômico e eficiente em termos energéticos, eliminando a necessidade de diversos equipamentos eletrônicos, e oferece um nível de segurança
superior por não atravessar objetos opacos que bloqueiam a luz.
Protótipo do sistema Li-Fi
O protótipo de Li-Fi desenvolvido neste trabalho é composto por duas partes principais: receptora e transmissora.
Receptora
Responsável por captar os sinais de luz modulada e convertê-los em áudio.
Seus componentes incluem:
Faixa de espectro5 GHz~400 – 800 THz Interferência eletromagnéticaSimNão CoberturaMáximo 150 mBaseada em intensidade de luz PadrãoIEEE 802.11 IEEE 802.15.7
Taxa de transferência de dados10 Mbit/s>1 Gbit/s SegurançaLimitada Alta Consumo de energia Complexidade do sistemaAltoBaixo Custo
• Placa fotovoltaica –Componente central por converter a luz emitida pelo LED em sinal elétrico. A eficiência da placa é fundamental para garantir uma boa captação do sinal;
Tab. I - Comparativo entre Wi-Fi e Li-Fi. Fonte: [2]
REDES SEM FIO
• Cabo AUX - Após a conversão, o sinal elétrico é transmitido por meio de um cabo AUX, que conecta a placa fotovoltaica à caixa de som, permitindo que o áudio seja reproduzido;
• Caixa de som – É onde o sinal de áudio é amplificado e ouvido. Ela transforma o sinal elétrico em ondas sonoras que podem ser captadas pelo ouvido humano.
Transmissora
Responsável por gerar e modular a luz que transporta as informações. É composta por:
• Módulo amplificador MP3
Bluetooth - Utilizado para reproduzir a música ou o áudio desejado.
Também realiza a modulação do sinal que será enviado;
• LED - Elemento que emite a luz. Ele é modulável, ou seja, sua intensidade pode ser alterada rapidamente, permitindo que diferentes informações sejam codificadas na luz;
• Resistor de 220 ohms – Utilizado para limitar a corrente que passa pelo LED, protegendo-o e garantindo que funcione adequadamente;
• Bateria de 9 V - Fornece a energia necessária para o funcionamento do módulo amplificador e do LED, garantindo que o sistema opere de forma eficiente.
Funcionamento
O funcionamento do sistema é relativamente simples. O áudio é enviado do módulo amplificador para o LED, que modula a luz de acordo com o sinal. A luz emitida viaja até a parte receptora, onde a placa fotovoltaica converte-a de volta em um sinal elétrico. Esse sinal é então enviado pelo cabo AUX para a caixa de som, onde é amplificado e reproduzido.
Conclusão
A partir do desenvolvimento deste trabalho, foi possível
explorar a tecnologia Li-Fi e demonstrar sua viabilidade por meio de um protótipo funcional de transmissão de áudio via luz. O estudo abordou as limitações das tecnologias de comunicação sem fio tradicionais, como o Wi-Fi, e apresentou o Li-Fi como uma alternativa promissora, especialmente em ambientes que demandam maior segurança, alta velocidade de transmissão e redução de interferências.
O protótipo evidenciou as potencialidades do Li-Fi, utilizando componentes acessíveis e de baixo custo. Os testes apresentaram resultados satisfatórios, destacando a eficiência do sistema em diferentes condições de iluminação e distância. Entretanto, algumas limitações, como a dependência de uma linha de visão clara entre transmissor e receptor, ainda precisam ser superadas para uma aplicação mais ampla.
Além disso, o trabalho contribuiu para a disseminação de conhecimento sobre o Li-Fi no Brasil, incentivando novas pesquisas e o desenvolvimento de soluções que aproveitem essa tecnologia emergente. Com o avanço das pesquisas e investimentos, é possível crer que o Li-Fi poderá desempenhar um papel significativo
REFERÊNCIAS
[1] Pathak, P.H.; H.; Feng, X.; HU, P.; Mohapatra, P. Visible Light Communication, Networking, and Sensing: A Survey, Potential and Challenges. Communications Surveys & Tutorials (IEEE) 17(4), 2047-2077, 2015.
[2] Saranya, S. et al. Audio Transmission using Visible Light Communication and Li-Fi Technology . In: 6th International Conference on Inventive Computation Technologies (ICICT), 2021, Coimbatore, India. Anais. IEEE,
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A evolução da sala de controle inteligente
Embora o conceito de sala de controle seja relativamente antigo, as salas de controle inteligentes, equipadas com recursos avançados, são uma novidade. Esses ambientes são capazes de otimizar o consumo de energia ao monitorar e controlar termostatos, interruptores, portas e janelas, além de coletar dados em tempo real sobre situações críticas como vazamentos de água, presença de fumaça e qualidade do ar. O artigo apresenta a evolução da tecnologia e sua aplicação nos cenários atuais.
No final da pandemia mundial da gripe espanhola, no início da década de 1920, surgiram as primeiras salas de controle dentro das fábricas, com o objetivo principal de supervisionar a produção a partir de um escritório central. As salas de controle aprimoraram a comunicação entre as unidades de produção, coordenaram as operações e responderam com eficácia a emergências. Ao longo do século XX, salas de controle de processos e gerenciamento de usinas de energia reduziram significativamente os custos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, que durou do final da década de 1930 ao início da década de 1940, os centros de comando e controle tornaram-se cruciais no planejamento de batalhas.
As salas de controle exibiam um grande mapa central, com figuras do exército que eram constantemente movidas, cercadas por muitos operadores que passavam as informações mais recentes recebidas do campo.
Na década de 1950, uma sala de controle provavelmente estaria localizada em uma usina elétrica, no escritório de despacho
de energia elétrica ou na sala de controle de um departamento de polícia, porém a mais conhecida na década de 1960 era a do centro de controle de missões da NASA - National Aeronautics and Space Administration em Houston, EUA.
As salas de controle da década de 1970 abrigavam muitos instrumentos de medição, botões e talvez um terminal para acessar um grande computador central que precisava de um espaço próprio. Uma mistura heterogênea de conexões composta por cabos de rede de alta velocidade twinax e protocolos antigos era utilizada.
Os computadores só mudaram de tamanho na década de 1980 com a introdução dos PCs, porém sua chegada nas salas de controle levou um pouco mais de tempo. Até a
Black Box
década de 1990, as salas de controle abrigavam computadores maiores, consoles grandes e monitores de tubo de raios catódicos (CRT).
De 1990 a 2000, o uso de PCs tornou-se comum. Isso impulsionou a tecnologia KVM, permitindo que o próprio PC fosse transferido da sala de controle para uma área segura. A alternância entre os computadores era feita por meio de teclas de atalho. Para facilitar a memorização, as sequências de teclas de atalho eram impressas no teclado. Em uma sala de controle típica da década de 1990, era possível encontrar monitores CRT, teclados e mouses PS/2, switches KVM e equipamentos de áudio e vídeo para comutação/extensão VGA. A resolução máxima dos monitores era limitada a 1024 x 768 ou 1280 x 1024.
De 2000 a 2010, os monitores LCD eram a norma. As interfaces típicas migraram para USB em vez de PS/2. O VGA ainda era usado, mas o DVI estava começando a se tornar mais popular. As resoluções aumentaram de 1280 x 1024 para 1920 x 1080, chegando a até 2560 x 1600.
De 2010 a 2020, a tecnologia LCD avançou, a USB melhorou, o DisplayPort tornou-se mais comum, o VGA começou a desaparecer, as resoluções aumentaram para 4K60 e 5K/6K/8K ainda eram consideradas novidades.
Há dez anos, a tecnologia KVM tornou-se mais prática com a introdução do OSD - On-Screen Display. Pressionar uma única tecla de atalho exibia o OSD no monitor para selecionar este ou aquele computador. Em um tempo menor, cinco anos, a tecnologia KVM começou a usar comunicação IP. Isso permitiu que os terminais do usuário enviassem comandos de comutação para o sistema KVM. Um painel de toque habilitado para Ethernet IP permite que os usuários gerenciem sistemas de automação de salas de conferência, controle e ambientes.
A cada década, os PCs ficam menores e mais eficientes em termos de energia. As salas de controle adotam esses dispositivos menores, mas projetam as imagens de origem em telas maiores, monitores e videowalls.
Para o futuro, os analistas preveem o avanço da tecnologia LCD, com a incorporação de mais recursos inteligentes (sensores, controle de cores, brilho, ajuste automático), diferentes hardwares que podem integrar realidade aumentada, cibersegurança robusta e avanços em equipamentos de IoT – Internet das Coisas. Além disso, as resoluções 5K/6K/8K se tornarão mais comuns.
Dias atuais
Hoje, estamos a um passo da próxima evolução tecnológica em termos de salas de controle com o acréscimo de mais inteligência a todo o ecossistema. Isso também é necessário pois o número de pessoas que operam salas de controle diminuiu ao longo dos anos. Há 30 anos o gerenciamento era feito por 20 pessoas, um número bem acima dos dias atuais, em que a tarefa é realizada por no máximo três profissionais. Diversos estudos comprovaram que os responsáveis por salas de gerenciamento costumam sofrer da chamada “cegueira de tela”, ou seja, cansaço visual advindo de longos períodos olhando para uma tela. O problema possibilita que informações importantes possam passar despercebidas, resultando em riscos à segurança.
Com salas de controle automatizadas, o problema de possíveis falhas na visualização e comunicação de ocorrências é reduzido. A tecnologia IoT, por exemplo, pode monitorar e gerenciar dispositivos e sistemas em escritórios ou locais remotos, controlando parâmetros como energia, utilização de equipamentos e bem-estar do ambiente, deixando a climatização em um nível adequado ao ajustar automaticamente janelas, ar-condicionado, nível de aquecimento, portas e persianas de acordo com a qualidade do ar.
Embora o conceito de sala de controle remonte ao início do século XX, os recursos avançados ainda são uma novidade. Salas de controle inteligentes economizam energia monitorando itens simples como termostatos, interruptores de luz, portas e janelas. A necessidade de repensar o consumo de energia deixou de
ser apenas uma questão ambiental e passou a ter impacto direto nos custos operacionais. Em muitos casos, salas de controle legadas ainda são grandes consumidoras de energia, operando de forma contínua mesmo quando não há demanda efetiva, o que resulta em desperdício e baixa eficiência.
Salas de controle inteligentes permitem racionalizar esse consumo de forma automática. Estações KVM podem ser desligadas quando não há operadores no ambiente e religadas assim que a presença é detectada. Videowalls também podem reduzir ou desligar áreas não essenciais durante a madrugada ou em períodos de menor uso, contribuindo para a diminuição do gasto energético sem comprometer a operação.
Além disso, esse tipo de infraestrutura possibilita o monitoramento detalhado de consumo elétrico e taxa de utilização dos sistemas, oferecendo dados que apoiam decisões mais precisas sobre investimentos futuros. Outro diferencial é a gestão do conforto ambiental: sistemas inteligentes conseguem equilibrar ventilação, climatização e qualidade do ar, ajustando janelas, portas e ar-condicionado de forma automatizada, evitando tanto o desconforto dos operadores quanto o desperdício de energia.
Do ponto de vista da confiabilidade, salas de controle inteligentes também reduzem riscos de indisponibilidade. A tecnologia permite identificar falhas iminentes em discos, ventiladores e outros componentes críticos, viabilizando estratégias de manutenção preditiva. Em ambientes que dependem de redundância, o sistema é capaz de alertar as equipes antes que uma falha estrutural comprometa todo o conjunto, garantindo operação contínua com níveis otimizados de energia.
Elas também podem coletar dados sobre emergências, como vazamento de água, presença de fumaça ou qualidade do ar e corrigir automaticamente a condição anormal ou notificar para que o operador possa tomar providências. De um enorme computador mainframe à tela de um smartwatch, a tecnologia de automação continuará a evoluir.
Quais são as principais características e diferenças entre os padrões SPESingle-Pair Ethernet, SPoE - Single-Pair Power over Ethernet e PoDLPower over Data Line?
Embora operando em cabeamento balanceado de um único par, há algumas diferenças entre esses padrões, como veremos nesta edição de Interface.
SPE e SPoE
O SPE é um padrão que estabelece métodos para a comunicação entre dispositivos baseados em protocolos de camada física Ethernet, normalmente algum tipo de CSMA - Carrier Sense Multiple Access, e a transmissão no padrão Ethernet por um único par balanceado de cobre e serve como base para o SPoE.
Velocidade Velocidade Velocidade Velocidade Velocidade10 Mbit/s
100 Mbit/s / 1 Gbit/s de transmissão de transmissão de transmissão de transmissão Cabo Cabo1 par1 par U/UTP e blindadoU/UTP e blindado Potência suportada Potência suportada Potência ≈ 52 W máx. ≈ 50 W máx.
utilização em automação predial, algumas implementações IoTInternet das Coisas, além de outras aplicações, inclusive em ambientes corporativos, e pode conviver com sistemas de cabeamento estruturado convencionais, pois opera em pares balanceados.
O SPoE é um padrão Ethernet que entrega alimentação elétrica remota em corrente contínua e dados por meio do mesmo par
terminal. De qualquer forma, o SPoE não é uma aplicação para cabeamento estruturado, pois não está em conformidade com a limitação de 100 m de comprimento máximo do canal.
PoDL
É importante também entender que SPoE e PoDL não são a mesma coisa. Enquanto o padrão PoDL entrega alimentação elétrica
12 V12 V24 V24 V48 V24 V24 V Classe Classe Classe0123456789101112131415
V V V V PSE (máx.) PSE PSE (máx.) PSE (V) (V) (V) (V) (V)1836603058
V V V V PSE PSE PSE PSE (mín.) (mín.) (mín.) (mín.) (V) (V) (V) (V) (V)614,41226482050
II PI PI (máx.) (máx.) (mA) (mA) (mA)10122724947197339215461735136092240632231600 1579
P P PD (máx.) (W) (W) (W)0,51351351030501,233,28,37,72052
Potencialmente, a tecnologia SPE traz novas possibilidades e campos de aplicação para o padrão Ethernet, especialmente em ambientes industriais. Essa tecnologia tem potencial para
Esta seção se propõe a analisar tópicos de cabeamento estruturado, incluindo normas, produtos, aspectos de projeto e execução. Os leitores podem enviar suas dúvidas para Redação de RTI RTI RTI, e-mail: info rti@arandanet.com.br.
balanceado de cobre ao equipamento terminal. Ao contrário do PoE convencional, que utiliza dois ou quatro pares do cabo balanceado, o SPoE simplifica a infraestrutura de cabeamento e pode otimizar os custos de implementação para determinadas aplicações. Em resumo, o SPoE é o padrão SPE com a capacidade de entregar alimentação elétrica remota em corrente contínua ao equipamento
em corrente contínua ao equipamento terminal em distância curta, limitada a 40 m, o SPoE faz o mesmo para uma distância muito maior, ou seja, de 1000 m. Ambos os padrões entregam alimentação elétrica e transmitem dados por um único par balanceado. A tabela I mostra um comparativo entre os padrões SPoE e PoDL.
Aproveito para destacar as redes operacionais ou redes de
Tab. II – Classes de desempenho do padrão PoDL
tecnologia operacional (OT) entre as aplicações, conforme mostrado na tabela I, que se referem aos sistemas de hardware e software cuja função é monitorar e controlar dispositivos e processos físicos em ambientes industriais. Essas redes são essenciais para gerenciar infraestruturas críticas, como manufatura, distribuição de energia e transporte, garantindo segurança e eficiência nas operações.
As redes OT são projetadas para garantir a operação segura e eficiente dos processos físicos. Elas têm como foco o monitoramento e controle em tempo real, o que é crucial para manter o timing operacional e prevenir o tempo de inatividade em operações industriais. Essas redes podem ser integradas às redes de TI nas corporações.
Quanto à tecnologia utilizada no padrão PoDL, padronizada no IEEE 802.3bu e estendida pelo IEEE 802.3cg, ela entrega alimentação elétrica e dados ao equipamento terminal por meio de um único par trançado. Essa tecnologia define várias classes de desempenho, de 0 a 15, para diferentes níveis de potência, entre 0,5 e 50 W no equipamento terminal e níveis variados de tensão.
Conforme mostrado na tabela II, as normas IEEE 802.3bu e IEEE 802.3cg definem várias classes, frequentemente agrupadas por requisitos de tensão e potência:
• Classes 0 a 9 – Com aplicação na indústria automotiva, são suportadas por 12, 24 e 48 V e mais comumente aplicadas em sensores e câmeras automotivas.
• Classes 10 a 15 – Utilizadas em aplicações industriais/SPoE, são introduzidas para suportar 10Base-T1L em automação industrial. As classes 0 a 3 são especificadas para baixa potência, entre 0,5 e 5 W. As demais classes atendem a
equipamentos terminais de potências elevadas, até 50 W, aproximadamente.
Para finalizar, há diversos padrões do IEEE para a transmissão Ethernet por meio de um único par como o 802.3cg, 802.3bw, 802.3bp, 802.3bu e 802.3ch que operam em velocidades de transmissão entre 10 Mbit/s e 10 Gbit/s. Portanto, há uma ampla gama de aplicações para esse padrão.
A tecnologia 10Base-T1L SPE (Single-Pair Ethernet) em conjunto a SPoE, padrão IEEE 802.3bu, viabiliza a alimentação de dispositivos Ethernet a 10 Mbit/s em canais com comprimentos de até 1000 m. Essa tecnologia atende às necessidades de conexão a baixa velocidade em espaços amplos como estacionamentos, shopping centers, armazéns, aeroportos, espaços para eventos, entre outros, e pode conectar câmeras de vigilância e outros equipamentos remotos, incluindo dispositivos inteligentes, em longas distâncias. Estamos trabalhando atualmente na CE da ABNT/Cobei que coordeno, no projeto de norma brasileira de cabeamento para a entrega de alimentação elétrica remota em corrente contínua ao equipamento terminal com o foco na instalação de cabos em feixes e controle da elevação da temperatura por efeito Joule. O uso extensivo da tecnologia PoE leva à determinação de critérios de instalação para a garantia de desempenho adequada.
Paulo Marin é engenheiro eletricista, doutor em interferência eletromagnética aplicada à infraestrutura de TI e telecomunicações e mestre em propagação de sinais. Marin é membro sênior do IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers, consultor, palestrante, coordenador da ABNT/Cobei e autor de livros técnicos.
Avanços da IA em cibersegurança
Quando falamos de IAInteligência Artificial e segurança, quase sempre, e com razão, vêm à mente os imensos riscos que o LLM –Large Language Model traz embutidos para a segurança de dados e a privacidade. Mas o uso dos LLMs vem trazendo ganhos, alguns ainda com grande potencial, para o aperfeiçoamento da segurança cibernética como um todo. Essa discussão acaba sendo ofuscada pela dos riscos, o que é uma pena. Antes, é importante distinguir a febre de marketing que afeta os fabricantes de segurança do planeta. Hoje, praticamente todos usam modelos LLM em seus mecanismos de detecção para diferentes fins, mas nem todos são iguais. É sempre importante lembrar que a IA não é uma entidade única sobrenatural que resolve tudo e dispensa qualquer outro mecanismo. Talvez um dia, mas não hoje. Cada modelo baseado em LLM requer treinamento e/ou ferramentas, e há LLMs melhores do que outros. Há ainda o desafio da alucinação que, em segurança, se traduz em falsos positivos e negativos, com erros potenciais em processos automatizados. Quando saímos do marketing e damos uma olhada nas pesquisas e iniciativas para o uso de LLM na área, vemos, como
exemplo, a iniciativa do AIxCC –Artificial Intelligence Cyber Challenge (Desafio Cibernético de Inteligência Artificial), competição de dois anos encerrada na edição 2025 da DEFCON em agosto passado, e promovida pela DARPAAgência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa em colaboração com a ARPA-HAgência de Projetos de Pesquisa Avançada para a Saúde, ambas ligadas ao governo dos Estados Unidos, com apoio das gigantes da IA Microsoft, Google, Anthropic e OpenAI. No total, foram distribuídos US$ 29,5 milhões em prêmios. O AIxCC focou na criação de sistemas de IA baseados em LLM para a identificação e correção de vulnerabilidades em software open source em uso real, ou seja, não software de laboratório, incluindo as vulnerabilidades dia-zero, ainda desconhecidas. O principal motivador foi a proteção da infraestrutura crítica, especialmente no setor da saúde. De acordo com os organizadores, os setores considerados críticos dependem largamente do uso de código open source . Os resultados foram além de promissores, com a equipe vencedora descobrindo três vulnerabilidades dia-zero. Duas delas foram no SQLite –Sistema de Banco de Dados de Software Livre amplamente utilizado em diversas aplicações, e a terceira no Apache Commons Compress, biblioteca Java também amplamente utilizada para manipular formatos de
arquivos compactados por meio de uma API unificada.
O fato de ambos os sistemas serem antigos e de uso amplo significa que já foram esmiuçados por inúmeros profissionais de pesquisa de vulnerabilidades e bugs, e demonstra o potencial do uso da IA para estender o trabalho desses profissionais. Há limites à ação humana, e a IA pode estendê-los. Nesse ponto, há uma questão primordial: é um erro acreditar que sistemas de IA para a investigação de vulnerabilidades em software podem substituir por completo a ação humana, ou mesmo funcionar sem a sua supervisão. Não só nesse campo, na verdade, em qualquer um. Nem mesmo as grandes empresas da área apostam nisso no momento, como mostra um estudo publicado em fevereiro pela Anthropic.
A empresa, uma das líderes em pesquisa em IA, é a criadora do Claude, uma família de assistentes baseados em LLM para aplicações diversas. Ele é menos conhecido, mas não menos poderoso do que ChatGPT, Gemini e Copilot. No início de fevereiro, a empresa lançou a versão 4.6 do Claude Opus, modelo de IA voltado a aplicações complexas e ações autônomas (como um agente). Um dos usos testados foi justamente o de pesquisa de vulnerabilidades em software livre, para o qual a empresa anuncia ter chegado a um “ponto de inflexão”. De acordo com o artigo da empresa, os pesquisadores entregaram ao
Claude Opus apenas ferramentas padrão de análise de vulnerabilidades, além de outras ferramentas, como Python, mas nenhuma orientação específica sobre como utilizá-las, nem instruções sobre como proceder na análise de código voltada à busca de vulnerabilidades. De acordo com a empresa, os resultados chegaram à casa de 500 vulnerabilidades de alto risco identificadas.
Apesar desse resultado impressionante, talvez até mesmo um ponto de inflexão, a Anthropic deixa claro que todas as vulnerabilidades identificadas foram analisadas e confirmadas por analistas humanos já que o Claude, como qualquer outro assistente ou agente de IA, está sujeito a alucinações, que, nesse caso, seriam listar vulnerabilidades ou bugs inexistentes. Dessa forma, o Claude entrou como uma ferramenta de automação e aceleração da
pesquisa, e não como substituto. Não quer dizer que isso não possa acontecer no futuro, mas por enquanto não é possível.
Há também a parte de criação das correções, ação perfeitamente transferível para um modelo de IA. No caso das vulnerabilidades descobertas pelo Claude Opus, os ajustes foram desenvolvidos manualmente, mas é questão de tempo que a tarefa seja feita pela própria IA. Mas, novamente, é impensável que a implementação dessas correções ocorra sem supervisão humana. Os riscos ainda são muito altos, e os benefícios não os superam. Mas o ganho de produtividade obtido pelo uso de modelos de IA é realmente um ponto de inflexão na área e, em se tratando de software livre, beneficia todo o ecossistema base da sociedade e economia digitalizadas de hoje.
O formato do AIxCC é, na minha opinião, um exemplo de
incentivo à inovação mais eficiente do que os programas de financiamento direto, mais comuns no Brasil. Combina universidades e empresas que, juntas, montam seus times para disputar não só os prêmios, mas também as oportunidades decorrentes da participação. É importante ressaltar que os resultados da competição americana estão disponíveis para livre acesso, o que beneficia toda a comunidade de pesquisa, tanto acadêmica quanto corporativa. É o tipo de ação em que todos ganham.
Marcelo Bezerra é especialista em segurança da informação, escritor e palestrante internacional. Atua há mais de 30 anos na área, com experiência em diferentes áreas de segurança cibernética. No momento, ocupa o cargo de Gerente Sênior de Engenharia de Segurança na Proofpoint. Email: marcelo.alonso.bezerra@gmail.com.
Daniel Sartori, Head de Operações e Conectividade da Deutsche Telekom Global Business Solutions
IA, cloud e o retorno ao trabalho presencial reforçam a importância da conexão fixa dedicada
O DIA ou Acesso Dedicado à Internet ganha cada vez mais importância na forma como as empresas repensam sua infraestrutura, por possuir valências que ajudam a atender à demanda por velocidade e capacidade de transferência de dados, que será cada vez maior no futuro.
Apesar da maioria das pessoas focar em novidades como o 5G Advanced, 6G ou a Internet via satélite, a relevância do DIA cresce conforme novas tecnologias são lançadas no mercado.
O DIA nada mais é do que uma conexão direta entre as instalações da empresa e a rede do provedor regional de Internet feita via cabos de fibra óptica, que oferecem transmissão de dados em alta velocidade e capacidade, sem o compartilhamento da largura de banda com outros usuários.
A tecnologia permite que empresas atendam ao aumento de tráfego gerado por tendências do setor produtivo, que também afetam o Brasil, como o crescimento no uso de aplicações e dados na nuvem (cloud), o retorno dos colaboradores aos escritórios e o crescente uso de aplicações com IA – Inteligência Artificial generativa, que demandam maior transferência de dados.
O mercado de nuvens públicas cresceu nos últimos anos e a tendência é que continue evoluindo. Segundo a consultoria Grand View Research, o mercado brasileiro de cloud deve alcançar US$ 120,15 bilhões em 2030, com um crescimento anual médio de
Esta seção aborda aspectos tecnológicos das comunicações corporativas, em especial redes locais, mas incluindo também redes de acesso e WANs. Os leitores podem enviar suas dúvidas para Redação de RTI RTI, e-mail: inforti@arandanet.com.br.
22,4% entre 2025 e 2030, impulsionado pela adoção da IaaSInfraestrutura como Serviço. Outra tendência que reforça a necessidade de ampliar a capacidade e velocidade de conexão é o retorno dos colaboradores aos escritórios, seja em regimes 100% presenciais ou por meio do trabalho híbrido.
Mas a principal tendência que mostra a importância de expandir e investir na capacidade de rápida transferência de dados é o crescimento na adoção da IA generativa nas atividades profissionais. O tráfego de dados já cresce naturalmente a cada ano e segundo a ITU - International Telecommunication Union em 2022 o tráfego de dados global foi de 4,3 mil EB ou 4,3 bilhões de TB, em 2023 subiu para 5,1 mil EB e em 2025 alcançou a marca de 7,3 mil EB. Segundo pesquisa da consultoria Omdia, o tráfego de dados gerados pela IA em 2024 foi de 39 EB ou 39 milhões de TB, sendo que a previsão era que o número chegasse a 79 EB em 2025. Apesar de ainda representar pouco diante do volume total, esse número deve crescer a uma taxa média anual de 57% até 2033, de acordo com a pesquisa Nokia’s 2023 Traffic Report. O uso da IA também deverá crescer no Brasil. Em setembro de 2024 a Microsoft informou que pretende investir R$ 14,7 bilhões no período de três anos para aprimorar a infraestrutura de cloud e IA no país. É o maior investimento já anunciado pela empresa para o mercado brasileiro. Além de oferecer maior capacidade e velocidade na transferência de dados, o Acesso Dedicado permite maior segurança na conexão por meio de configurações de qualidade de serviço, que priorizam o tráfego para garantir que aplicativos críticos tenham a largura de banda necessária para funcionar de forma otimizada, um fator importante para prevenir riscos de alta latência em aplicações que podem ser comprometidas por atrasos, como videoconferências ou plataformas de negociação online. Esse tipo de
conexão também permite alocar recursos de banda de forma eficiente, garantindo que as transferências de dados e comunicações de alta prioridade não sejam prejudicadas em momentos críticos.
O DIA ainda aumenta a segurança dos dados ao possibilitar a implantação de protocolos de segurança robustos diretamente nas conexões. Por ser um ambiente mais controlado, fácil de monitorar e gerenciar, as empresas podem configurar firewalls, além de sistemas antimalware, de detecção de intrusão e de criptografia para garantir que os dados transmitidos permaneçam protegidos contra interceptações ou violações.
Outra vantagem está na gestão financeira, pois o Acesso Dedicado possibilita às empresas pagarem por uma quantidade fixa de largura de banda associado a um nível de serviço garantido, o que auxilia o planejamento orçamentário e a gestão financeira.
Mas antes de adotar o DIA é necessário considerar um provedor que garanta a confiabilidade e tempo de atividade de acordo com o SLA -Acordos de Nível de Serviço com garantias de tempo de atividade, latência, medidas de redundância, monitoramento da rede e capacidade de aumentar a largura de banda conforme as necessidades da empresa.
Também é importante checar se a conexão tem recursos de segurança, incluindo criptografia e firewalls, e se o provedor oferece suporte técnico 24/7.
Em relação à cobrança pela conexão, é essencial que o provedor ofereça preços claros e transparentes, sem custos ocultos, e que esclareça como são feitas cobranças por serviços adicionais.
O DIA melhora o fluxo de trabalho dos colaboradores e aumenta a produtividade. Em setores como e-commerce e atendimento ao cliente, a conexão dedicada ainda pode melhorar a experiência do usuário final por meio do carregamento rápido de páginas e processos de transição com maior confiabilidade e segurança.
28-29
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O gabinete Telecom Seguro, da Clemar, oferece proteção contra atos de vandalismo e ameaças externas. Com chapas de aço externas de 2 mm e internas de 1,5 mm, não apenas as paredes, mas
também o teto e as portas são preenchidos com 25 mm de concreto, criando uma barreira contra acessos não autorizados. Apresenta porta com sistema de multitravas nas quatro faces, cadeado encapsulado de alta segurança com Bluetooth e capacidade de dissipação de 3000 W. Disponível em configurações de 19”, 21” e 23”, com 40U livres. Site: www.clemar.com.br
Duto corrugado
O duto corrugado em PEAD – Polietileno de Alta Densidade, da PE Tubos, é utilizado em infraestruturas de distribuição de energia elétrica e projetos de telecomunicações. Seu design corrugado facilita a instalação
em terrenos irregulares e proporciona proteção para cabos elétricos, mesmo em áreas com alta umidade ou ambientes agressivos. Site: www.petubos.com.br.
Teste de velocidade
O NIC.br – Núcleo de Informação e Coordenação
do Ponto BR, disponibilizou uma nova versão do SIMET, plataforma online que testa a velocidade da Internet de um usuário ou empresa. Ao navegar pela solução, o usuário recebe um diagnóstico do desempenho da sua conexão à Internet nas seguintes atividades: trabalho remoto, streaming, jogos, redes sociais e educação a distância. As avaliações são classificadas como boa, regular ou ruim para cada métrica. A ferramenta ainda fornece orientações sobre como melhorar a conexão, corrigindo problemas típicos na rede. Site: https://simet.nic.br/.
Grampo guia
Comercializado pela PLP, o conjunto grampo guia Fiberlign é projetado para fixar o cabo OPGW na descida da torre,
de forma que o acabamento fique unidirecionado e padronizado, protegendo-o de eventuais avarias. A empresa fornece dois tipos de suporte para fixação do grampo: compressão com garra ou com chapas em “L”. Site: https://plp.com.br/.
Medidor de antenas
Fabricado pela MVG, o StarLab é um sistema de testes para antenas 5G. A solução realiza medições em parâmetros de frequência de 650 MHz a 50 GHz, analisando aspectos como ganho, diretividade,
largura de feixe, eficiência e padrão de radiação de antenas com diâmetros de até 45 cm. Comercializado no Brasil pela Belver. Site: https://www.belver.com.br/.
Esteira porta-cabos
A esteira porta-cabos metálica modelo M065, da Porta Cabos, apresenta estrutura de correntes laterais formada por elos duplos, fabricados em aço estrutural zincado ou inoxidável. Montada com travessas em alumínio
que permitem larguras milimetricamente ajustáveis, a solução tem altura externa do elo de 44 mm e raio de curvatura de 75 a 200 mm. Site: www.portacabos.com.br.
Rádio profissional
A Silvus Technologies, empresa da Motorola Solutions, lançou o StreamCaster MINI 5200 (SM5200). O produto pesa
182 gramas e oferece alta velocidade de um rádio MIMO 2x2, com até 2 W de potência de saída e
100 Mbit/s de taxa de transferência de dados. Equipados com a tecnologia da Silvus MN-MIMO, os rádios StreamCaster MANET criam uma rede mesh adaptativa e organizada de forma automatizada, capaz de fornecer dados em tempo real, incluindo vídeo de alta qualidade, em diversos dispositivos simultaneamente, mantendo desempenho mesmo em ambientes com interferência ou congestionamento. Site: https:// silvustechnologies.com/.
Salas seguras
A Envolve Ambientes Seguros apresenta um portfólio de data centers modulares, salas seguras, contêineres, portas e painéis corta-fogo, além de racks de alta proteção. Todos os produtos são desenvolvidos e testados no Brasil para atender às exigências normativas de resistência ao fogo, estanqueidade e proteção contra intrusões. O
data center modular pré-fabricado é um ambiente independente da estrutura existente, com múltiplas camadas de proteção física e infraestrutura elétrica, climatização e controle de acesso. A sala segura segue o mesmo conceito de isolamento, com projeto customizável. Já o contêiner modular, içável e transportável, pode ser ajustado conforme o espaço disponível. Site: https://envolvebr.com /
m Machine Learning com Python na Prática, Yuxi (Haiden) Liu traz um guia que leva o leitor dos fundamentos da IA – Inteligência
Artificial até os modelos avançados, como redes neurais e aprendizado por reforço. A obra combina teoria e prática com projetos reais, desde sistemas de recomendação e previsão de preços de ações até análise de texto e reconhecimento de imagens. Com 498 páginas, o livro ensina a construir soluções inteligentes em Python e a dominar boas práticas de engenharia de machine learning. Editora Blucher (https://abrir.link/wzSxi).
acesso à educação tecnológica podem se reposicionar em um mercado cada vez mais automatizado e como
adotar a tecnologia sem interferir em questões éticas e legais. Editora Brasport (https://abrir.link/nSPRh), 270 páginas.
livro Inteligência Artificial: Entenda como a IA Pode Impactar no Mercado de Trabalho e na Sociedade reúne experiências e conhecimentos de diversos especialistas, permitindo uma imersão no tema sobre os impactos da IA – Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Com curadoria de Antonio Muniz, Cristiana Valente, Marcelo Graglia e Patricia Huelsen, a obra propõe reflexões sobre como trabalhadores com menos qualificação ou sem
m IPv6 Fundamentals Packet and Data Structures, Addressing Architecture, Device Discovery, and Configuration Protocols , James Aweya explora os conceitos e a implementação prática do protocolo de Internet IPv6. Voltado a engenheiros de redes, administradores de TI, arquitetos de sistemas e profissionais de telecomunicações, o livro conecta conceitos teóricos com aplicações do mundo real, explicando não apenas como as funções do IPv6 operam individualmente, mas também como se interconectam dentro do ecossistema de rede mais amplo entre hosts e
Cisco disponibilizou o estudo Data and Privacy Benchmark Study 2026, que revela uma mudança significativa na forma como as organizações abordam a privacidade de dados e a governança. Com a aceleração da adoção de IA –Inteligência Artificial, quase todas as empresas estão ampliando programas de privacidade e estruturas de governança para proteger seus dados e inovar em escala. A Cisco ouviu 5200 profissionais de tecnologia e segurança digital com atuação em privacidade de dados em 12 países, incluindo o Brasil. O estudo revela a IA como o principal catalisador por trás da expansão dos programas de privacidade: 95% das empresas no Brasil relatam ter ampliado essas iniciativas (90% é a média global) e 91% planejam novos investimentos para acompanhar a complexidade dos sistemas de IA e as expectativas de clientes e reguladores (93% é a média global). Com 25 páginas, a análise em inglês está disponível no link: https://abrir.link/EUenl.
Datacom
DrayTek.........................43
Wardner Maia, Conselheiro
Administrativo da Abrint
A trindade da conectividade e o que está em jogo para o cidadão
O ecossistema que leva a Internet aos brasileiros é um caso de sucesso que precisa ser defendido com clareza, pois conceitualmente a Internet é diferente da rede de telecomunicações que lhe dá suporte. Enquanto o debate global muitas vezes se perde em tecnicismos, o Brasil conseguiu, graças a essa separação, construir um modelo de conectividade plural e descentralizado que é, antes de tudo, um patrimônio da população. Hoje, para garantir que o cidadão continue tendo acesso à Internet de qualidade a um preço justo, é preciso olhar atentamente para três pilares: a preservação do nosso modelo de provedores regionais de Internet, a democratização real do espectro de 6 GHz e o combate firme ao estratagema do Fair Share
Diferente de mercados altamente concentrados, o Brasil possui mais de 22 mil prestadoras de SCM – Serviço de Comunicação Multimídia habilitadas. Esse exército de pequenos e médios provedores foi o verdadeiro responsável por levar banda larga a 93% dos domicílios brasileiros.
A presença massiva dos provedores regionais de Internet, que respondem por 34,5 milhões dos cerca de 53 milhões de acessos de banda larga fixa, é o que garante a continuidade dos serviços em todo o território nacional. A competição real entre milhares de empresas mantém a inovação constante na ponta da rede, com investimentos anuais do segmento na casa dos R$ 18 bilhões.
Esta seção aborda aspectos técnicos, regulatórios e comerciais do mercado de provedores de Internet. Os artigos são escritos por profissionais do setor e não necessariamente refletem a opinião da RTI RTI
A democratização do espectro de radiofrequências, com destaque para a faixa de 6 GHz, é estratégica para complementar as redes de fibra e ampliar a capacidade de acesso. Inicialmente, o Brasil sinalizou o uso integral da faixa para Wi-Fi, alinhando-se a países como Estados Unidos e Coreia do Sul, mas o cenário mudou.
A recente regressão para um modelo que limita o espectro para o Wi-Fi em favor das operadoras móveis prejudica a evolução técnica das redes domésticas e empresariais. Garantir o uso eficiente desse espectro é assegurar que a inovação e o Wi-Fi 7 cheguem a todos, permitindo que a qualidade real da rede de fibra chegue aos dispositivos dos usuários.
Na prática, o ponto sensível para o usuário final é simples. A fibra pode entregar capacidade elevada até a residência ou a empresa, mas a experiência percebida depende cada vez mais do desempenho do Wi-Fi dentro dos ambientes.
Quando o espectro disponível para redes locais fica limitado, a consequência tende a aparecer como menor disponibilidade de canais largos, mais interferência em cenários densos e maior dificuldade de sustentar aplicações intensivas.
O tema mais crítico para o futuro do acesso à Internet é o chamado Fair Share. Apresentado pelas grandes operadoras como uma busca por equilíbrio, ele é, na realidade, um atentado contra o orçamento das famílias brasileiras e a própria natureza da rede. O cidadão já paga pela sua conexão à Internet. Ao tentar cobrar uma taxa adicional das empresas de conteúdo pelo uso da infraestrutura, as grandes operadoras criam uma espécie de bitributação privada.
Quando se exige essa remuneração pelo conteúdo gerado por aplicações e plataformas, entram em jogo não apenas a arquitetura econômica do setor, mas também o risco de distorções concorrenciais, já que grandes grupos têm mais capacidade de negociação enquanto os provedores
regionais ficam expostos a condições cada vez mais assimétricas.
Esse custo adicional será inevitavelmente repassado à população, que passaria a pagar duplamente: uma vez pelo serviço de acesso e outra pelo aumento nos preços das plataformas de streaming, nuvem e educação a distância. Sem o poder de barganha das grandes teles, os provedores regionais seriam esmagados por esse modelo, reduzindo a competição e deixando o cidadão refém de poucas e caras opções de serviço.
Para um país com forte presença de provedores regionais e competição na ponta, o efeito mais sensível é o potencial de reduzir a diversidade de oferta, além de elevar custos ao longo da cadeia, o que certamente afeta serviços essenciais como educação a distância, ferramentas de produtividade e streaming, sem que isso represente, necessariamente, um ganho proporcional de investimento em rede na última milha.
Defender o modelo brasileiro de telecomunicações é defender o direito do cidadão ao desenvolvimento social e à soberania digital. Não podemos aceitar retrocessos que transformem a Internet em um sistema de pedágios ineficientes ou que limitem o uso do espectro em favor de interesses restritos. A agenda para os próximos anos deve focar na eficiência técnica e na preservação da liberdade que nos trouxe até aqui. O Brasil nunca esteve tão preparado, e é nossa missão garantir que o interesse público prevaleça sobre a busca por lucros extraordinários de poucos players.
Maia é conselheiro e membro fundador da Abrint, tendo sido o primeiro presidente da entidade. Graduado em engenharia elétrica com especialização em telecomunicações, é professor de tecnologias ligadas a redes voltadas para provedores regionais. Desde 1995 atua como diretor técnico na MD Brasil TI & Telecom.