Levantamento identifica as marcas mais associadas ao conceito de qualidade em materiais e equipamentos para instalações elétricas, a partir da avaliação espontânea de profissionais especializados do setor.
MICRORREDE
Um município à prova de apagões
Serra da Saudade (MG), com cerca de 800 habitantes, adotou uma microrrede que integra geração solar, armazenamento em baterias e automação. A solução, desenvolvida para evitar interrupções recorrentes do fornecimento de energia, aponta alternativas para regiões com limitações estruturais.
GESTÃO DE ENERGIA
Lean Energy: gestão do consumo, sustentabilidade e eficiência energética
Artigo apresenta a metodologia Lean Energy (LE) para gestão energética, aplicada a diversos setores, como o varejista e educacional. Baseada em princípios de Lean Manufacturing, ISO 50001 e critérios ESG, a abordagem utiliza ferramentas estatísticas e indicadores, alcançando reduções médias de 12% no consumo de energia.
PREMIAÇÃO
Abreme premia melhores fornecedores de 2025
Prêmio reconhece anualmente as empresas mais bem avaliadas por lojistas e distribuidores de materiais elétricos. Baseado em pesquisa nacional, considera critérios como logística, qualidade, marketing e apoio comercial.
GUIA – 1
Analisadores de qualidade da energia
Levantamento apresenta fornecedores de analisadores de qualidade da energia, com informações sobre características técnicas, grandezas medidas, recursos de comunicação e classes normativas.
GUIA – 2
Carretéis para acondicionamento de fios e cabos elétricos
Guia reúne fornecedores de carretéis para acondicionamento e transporte de fios, cabos elétricos e cordoalhas, com dados como dimensões, características construtivas e materiais empregados, incluindo modelos em madeira e plástico, novos ou reformados.
As opiniões dos artigos assinados não são necessariamente as adotadas
Jucele Reis
Editora-assistente de EM
Carta ao Leitor
O valor estratégico das pesquisas setoriais
Indicadores de desempenho, avaliações de mercado e pesquisas de percepção ajudam a compreender o cenário atual do segmento de instalações elétricas e a projetar caminhos para as empresas que atuam nessa área, uma vez que a tomada de decisão depende cada vez mais de informações consistentes.
É nesse contexto que se inserem os levantamentos apresentados nesta edição. Eles oferecem um retrato dos diferentes elos da cadeia de materiais e equipamentos elétricos, e reúnem dados que delineiam o comportamento do mercado e ainda as prioridades dos profissionais na escolha de fornecedores e marcas.
Prêmio Qualidade, tradicional pesquisa realizada junto a engenheiros, projetistas, instaladores e eletricistas, apresenta a avaliação de produtos e fabricantes sob a ótica do usuário profissional. Ao reunir opiniões de quem especifica e aplica os equipamentos no dia a dia, o levantamento evidencia a importância de atributos essenciais à qualidade, como confiabilidade, durabilidade e desempenho em campo. A recorrência dessa pesquisa ao longo dos anos também permite acompanhar a evolução dos produtos e a consolidação de marcas em diferentes segmentos.
A análise se complementa com outro mapeamento feito com distribuidores e revendedores de materiais elétricos, que traz a perspectiva da cadeia de suprimentos. Aspectos como logística, disponibilidade de produtos, suporte técnico e relacionamento comercial aparecem como elementos determinantes para a competitividade, sobretudo em um contexto em que prazos, previsibilidade e eficiência operacional ganham peso crescente nas decisões de compra.
Observadas em conjunto, essas pesquisas revelam um mercado dinâmico e cada vez mais exigente. A busca por qualidade e confiabilidade mantém-se como eixo estruturante, ao mesmo tempo em que a eficiência dos processos também ocupa posição estratégica na operação das empresas. Esse movimento reforça a necessidade de maior integração entre fabricantes e distribuidores, com potencial de gerar benefícios aos usuários finais, incluindo ganhos efetivos de desempenho e segurança nas aplicações.
Mais do que retratar um momento específico, levantamentos dessa natureza contribuem para orientar decisões técnicas, comerciais e estratégicas. Ao detectar a percepção de diferentes segmentos da cadeia de instalações elétricas, ajudam a identificar tendências, antecipar demandas e compreender com maior clareza os fatores que influenciam o desempenho do mercado.
DIRETORES
Edgard Laureano da Cunha Jr., José Roberto Gonçalves e José Rubens
Japan:Echo Japan Corporation – Mr. Ted Asoshina Grande Maison Room 303; 2-2, Kudan-kita 1-chome, Chiyoda-ku, Tokyo 102-0073 – tel: +81-(0)3-3263-5065, fax: +81-(0)3-3234-2064 aso@echo-japan.co.jp
Korea: JES Media International – Mr. Young-Seoh Chinn 2nd fl, Ana Building, 257-1, Myungil-Dong, Kandong-Gu Seoul 134-070 – tel: +82 2 481-3411, fax: +82 2 481-3414. jesmedia@unitel.co.kr
UK (+Belgium, Denmark, Finland, Norway, Netherlands, Norway, Sweden):Mr. Edward J. Kania - Robert G Horsfield International Publishers – Daisy Bank, Chinley, Hig Peaks, Derbyshire SK23 6DA tel. +44 1663 750 242; mobile: +44 7974168188 ekania@btinternet.com
ELETRICIDADE MODERNA , revista brasileira de eletricidade e eletrônica, é uma publicação mensal da Aranda Editora Técnica e Cultural Ltda.
Redação, publicidade, administração e correspondência: Alameda Olga, 315; 01155-900 São Paulo, SP - Brasil. TEL. + 55 (11) 3824-5300 em@arandaeditora.com.br | www.arandaeditora.com.br
Tecnologia que entrega Qualidade que conquista RESULTADO. RECONHECIMENTO.
1º lugar no Prêmio Qualidade 2026
Transformadores a seco e transformadores a óleo
A WEG conquistou por mais um ano consecutivo o primeiro lugar no Prêmio Qualidade da revista Eletricidade Moderna, sendo reconhecida como a fabricante de transformadores a óleo e a seco mais lembrada pelos profissionais do setor elétrico.
Esse resultado reforça a confiança do mercado nas soluções WEG presentes nas mais diversas aplicações e valoriza o compromisso das equipes que trabalham continuamente para entregar desempenho, tecnologia e confiabilidade. Agradecemos aos nossos clientes e aos profissionais do setor por mais este importante reconhecimento e reafirmamos nosso compromisso em impulsionar a qualidade e a inovação no mercado nacional. O mundo pede. A WEG faz.
Driving efficiency and sustainability
Indústria
eletroeletrônica cresce 4% em 2025
A indústria elétrica e eletrônica encerrou 2025 com crescimento de 4% em relação ao ano anterior, alcançando faturamento de R$ 270,8 bilhões, segundo a AbineeAssociação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. O resultado veio acompanhado de avanço nos indicadores de emprego e investimentos. O número de trabalhadores aumentou 1%, totalizando 288 mil pessoas, enquanto os investimentos subiram 9%, passando de R$ 4,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões. A utilização da capacidade instalada permaneceu estável em 78%.
Na área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD), o crescimento foi de 3%, impulsionado sobretudo pelos investimentos em transmissão — com modernização de ativos e construção de novas linhas e subestações — e pela expansão da distribuição, motivada pelo aumento do consumo e pela necessidade de redes mais resilientes frente a eventos climáticos extremos.
A automação industrial registrou crescimento de 4%, refletindo a busca da indústria por digitalização, eficiência e redução de custos. Já o faturamento de equipamentos industriais avançou 1%, sustentado por investimentos na modernização do parque
fabril. O segmento de material elétrico de instalação cresceu 2%, apoiado pela demanda dos setores de habitação e infraestrutura.
No segmento fotovoltaico, a Abinee apontou queda de 40% na importação de módulos ao longo de 2025, atribuída ao curtailment e ao processo de definição regulatória. Apesar disso, a entidade avalia que o interesse pela instalação de sistemas solares permanece, impulsionado pela evolução tecnológica e pela redução dos preços dos equipamentos.
Mercado externo - No comércio exterior, as exportações do setor cresceram 3%, totalizando US$ 7,9 bilhões, com destaque para eletrônica embarcada, que somou US$ 880 milhões, alta de 19% frente a 2024. Os Estados Unidos foram o principal destino, respondendo por 26% das vendas externas. As importações também avançaram 3%, alcançando US$ 49,1 bilhões, puxadas principalmente por máquinas para processamento de dados, componentes para utilidades domésticas e eletrônica embarcada. Os semicondutores lideraram as compras externas, com US$ 6 bilhões, sendo a China responsável por 45% das importações do setor. Com isso, o déficit da balança comercial chegou a US$ 41,1 bilhões, 3% acima do registrado em 2024. 2026 - Para 2026, a expectativa da Abinee é de faturamento de R$ 289 bilhões, crescimento real de 3%. A produção física deverá permanecer estável, enquanto o número de empregados tende a subir para 292 mil. A utilização da capacidade instalada pode recuar levemente para 77%, e os investimentos devem alcançar R$ 5 bilhões, alta de 7%. As exportações devem crescer 3% e as importações, 2%.
Em termos nominais, a projeção é de crescimento em todas as áreas do setor, com destaque para GTD (11%). Nesse segmento, a expectativa é de
investimentos relevantes em subestações e linhas de transmissão, impulsionados pelos leilões previstos para 2026, além de aportes das distribuidoras em digitalização, medição inteligente e qualidade de energia, reforçando a resiliência das redes elétricas no país.
Aneel prevê expansão de 9,1 GW em 2026
A Aneel projeta a adição de 9.142 MW à matriz elétrica brasileira em 2026, segundo o Relatório de Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica (Ralie). O volume estimado representa um crescimento de 23,4% em relação à expansão registrada em 2025, quando 7.403,54 MW entraram em operação no país.
Ao longo de 2025, 136 usinas iniciaram operação comercial no sistema elétrico nacional, com predominância de fontes renováveis. No período, foram incorporadas 63 centrais solares fotovoltaicas, somando 2.815,84 MW, além de 43 usinas eólicas, com 1.825,90 MW. As fontes hidrelétricas responderam por 11 pequenas centrais hidrelétricas (199,34 MW), uma usina hidrelétrica de 50 MW e três centrais geradoras hidrelétricas, totalizando 6,70 MW.
As termelétricas também contribuíram para a expansão, com a entrada em operação de 15 usinas, que acrescentaram 2.505,77 MW à potência instalada em 2025, conforme dados consolidados pela agência reguladora.
No recorte geográfico, 17 estados passaram a sediar novas usinas em operação ao longo do ano. Os maiores acréscimos de potência ocorreram no Rio de Janeiro (1.681,07 MW), seguido por Bahia (1.371,59 MW) e Minas Gerais (1.294,75 MW). Considerando apenas o mês de dezembro, a Bahia liderou a expansão, com nove usinas e 359,89 MW, enquanto o Rio Grande do Norte ficou em segundo lugar, com 184,50 MW.
Indicadores da Indústria Elétrica e Eletrônica
Acréscimo projetado supera em 23% o volume incorporado ao sistema em 2025
Em 1o de janeiro de 2026, o Brasil alcançou 215.936,9 MW de potência fiscalizada, de acordo com o Sistema de Informações de Geração da Aneel (SIGA), que reúne dados de usinas em operação e de empreendimentos outorgados em construção. A capacidade total considera apenas usinas centralizadas.
Do total em operação, 84,63% da potência instalada é proveniente de fontes renováveis, segundo o SIGA. A composição reforça o peso das energias renováveis na matriz elétrica brasileira e estabelece a base sobre a qual a Aneel projeta a expansão da oferta de geração em 2026.
Tarifas residenciais devem subir 5,4%
As tarifas residenciais de energia elétrica devem registrar aumento médio de 5,4% em 2026, segundo projeções da TR Soluções. As estimativas indicam, porém, um cenário bastante heterogêneo entre as distribuidoras, com variações individuais que vão de reduções de até 22% a elevações superiores a 30%.
Os cálculos foram realizados com base no Serviço para Estimativa de Tarifas de Energia (SETE), que aplica os procedimentos da regulação tarifária a todas as 51 concessionárias de distribuição do país. A análise considera os componentes tarifá-
Aneel propõe tarifa horária automática para baixa tensão
A Aneel abriu consulta pública (46/2025) para discutir a aplicação automática da Tarifa Horária — conhecida como Tarifa Branca — a consumidores de baixa tensão dos subgrupos B1 (residencial), B2 (rural) e B3 (comercial) com consumo mensal a partir de 1 MWh. Segundo a agência, a medida, prevista para entrar em vigor até o fim de 2026, busca modernizar a estrutura tarifária e alinhar a conta de luz à nova dinâmica do sistema elétrico brasileiro.
A proposta atinge cerca de 2,5 milhões de unidades consumidoras de maior porte, que respondem por um quarto do consumo total em baixa tensão. Segundo a Aneel, o sinal de preço da Tarifa Horária reflete a realidade atual do setor: ampla oferta de energia solar e eólica durante o dia e elevação do custo de suprimento no início da noite, quando a demanda atinge o pico.
O modelo permite que o consumidor visualize essas diferenças diretamente na fatura, incentivando o deslocamento de cargas mais intensivas — como bombas, máquinas, ar-condicionado
rios já definidos para o próximo ciclo e os efeitos regulatórios previstos.
O levantamento mostra que a maior concentração de reajustes está na faixa positiva moderada. De acordo com a consultoria, 17 distribuidoras devem registrar aumentos entre 0,7% e 7,9%, enquanto outras 12 terão altas entre 9,1% e 15,4%. Em sete concessionárias, os reajustes projetados ficam entre 15,6% e 20,7%, e apenas uma pode ultrapassar 30%. No campo negativo, nove distribuidoras apresentam variações entre -3,8% e 0%, cinco acumulam quedas superiores a 9%, e duas podem ter reduções acima de 14%.
Na média regional, os consumidores do Sul devem sentir o maior impacto, com aumento projetado de 9,81%, seguidos pelos do Sudeste, com 7,69%. No Norte, a alta média estimada é de 3,65%, enquanto no Centro-Oeste chega a 1,41%. No Nordeste,
Projeções da TR Soluções apontam forte dispersão de reajustes entre distribuidoras em 2026
e carregamento de veículos elétricos — para os períodos de menor tarifa. O objetivo é reduzir pressão no horário de ponta e ampliar o uso da energia mais barata disponível ao longo do dia.
A diretoria da agência também determinou que a consulta avalie os impactos da migração automática à Tarifa Branca para consumidores com micro e minigeração distribuída, considerando as regras do Marco Legal da Geração Distribuída, instituído pela Lei 14.300/2022.
Outro ponto aprovado foi a abertura imediata de processo para que áreas técnicas da Aneel estudem o uso de recursos do Programa de Eficiência Energética (PEE) em um plano ampliado de comunicação sobre modernização tarifária, a ser desenvolvido paralelamente à consulta.
As contribuições poderão ser enviadas até 9 de março de 2026, por e-mail. A iniciativa segue os estudos sobre modernização tarifária iniciados pela agência em novembro, que buscam adaptar o modelo às transformações estruturais do sistema elétrico.
a variação média é praticamente estável, em 0,30%. A média Brasil calculada pela TR Soluções é de 5,43%.
Segundo a empresa, o principal fator de pressão sobre as tarifas é o aumento dos custos de transmissão. “Essa previsão é reflexo das tarifas de transmissão já definidas para o ciclo 2025/2026, cujo aumento médio de 12% é certo para as concessionárias com reajuste no primeiro semestre, com elevação menor projetada para aquelas que passam por revisão no segundo semestre”, afirma o diretor de Regulação da TR Soluções, Helder Sousa.
Em contrapartida, os dois componentes mais relevantes da tarifa — o custo do serviço de distribuição e o custo de compra de energia — devem crescer abaixo da inflação. Esse comportamento está associado, principalmente, à ampliação da base de consumidores responsáveis pelo custeio do subsídio da CDE GD, após a Lei no 15.269/2025 determinar a participação também dos consumidores livres.
Outro fator de alívio tarifário é o encerramento do suprimento da maior parte dos contratos do leilão emergencial realizado durante a crise hídrica de 2021. A medida
deve reduzir em quase R$ 2 bilhões a receita fixa da energia de reserva, com impacto direto na diminuição do Encargo de Energia de Reserva (EER).
Para os consumidores do mercado livre, contudo, a tendência é distinta. A mudança no critério de rateio dos custos das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, prevista na Lei no 15.235/2025, deve resultar em acréscimo aproximado de R$ 10 por MWh, reforçando a pressão sobre os custos desse segmento.
Prysmian testa tecnologia que amplia
capacidade de LT
A Prysmian e a ISA Energia Brasil iniciaram a primeira aplicação em campo da tecnologia E3X no país, em um trecho da linha de transmissão em Rosana (SP). A solução, protegida por mais de 15 patentes, promete elevar a capacidade de transporte de corrente das redes aéreas sem necessidade de expansão física dos ativos.
Segundo as empresas, a implantação no trecho piloto poderá resultar em aumento de até 8% na condução de corrente. Em cenários de novos projetos, o potencial da tecnologia pode chegar a até 25%, de acordo com estimativas da Prysmian.
A E3X consiste em um revestimento cerâmico aplicado à superfície de condutores aéreos, melhorando a dissipação térmica
Revestimento cerâmico pode elevar em até 8% a condução de corrente em trecho piloto
e, consequentemente, o desempenho elétrico. O material pode ser incorporado a novos cabos fabricados para linhas inéditas ou para recondutoramento, além de ser aplicado em condutores energizados por meio de sistemas robóticos.
A operação em Rosana emprega dois robôs que realizam a limpeza do cabo existente e aplicam o revestimento cerâmico. As atividades exigem precisão e são conduzidas por equipes treinadas para trabalhar em ambientes críticos, preservando a continuidade da operação da linha.
A proposta da tecnologia é modernizar infraestrutura existente com menor impacto ambiental, reduzindo a necessidade de novas obras e adiando investimentos mais onerosos. A maior eficiência operacional também contribui para reforçar a confiabilidade do sistema elétrico.
Casa dos Ventos inicia projeto de torre eólica de 166 m
A Casa dos Ventos iniciou o Projeto Everest, voltado à construção e validação de um protótipo de torre eólica com 166 metros de altura. Considerando a medição do solo até a ponta da pá, o conjunto alcança 257 metros, o maior já projetado no Brasil, segundo a empresa.
A iniciativa prevê o uso de concreto prémoldado com sistema auto-içável, tecnologia que busca ampliar a eficiência da geração ao permitir o aproveitamento de ventos mais fortes e constantes em maiores alturas. A proposta também mira a redução de custos de instalação e manutenção, especialmente em sítios com menor potencial eólico.
O projeto é desenvolvido em parceria com a Goldwind, responsável pelo fornecimento das turbinas e pela tecnologia dos aerogeradores, e com a Cortez Engenharia,
Prysmian/Divulgação
encarregada da construção da torre e de componentes auxiliares.
O investimento estimado é de R$ 94,9 milhões, com apoio da Finep, no âmbito de recursos destinados à inovação. O financiamento viabiliza as etapas de desenvolvimento e a construção do protótipo em escala real, considerada necessária para a validação técnica da solução.
Entre os diferenciais técnicos, a torre adota auto-içamento, o que elimina a necessidade de guindastes de alta capacidade para alturas superiores a 135 metros, atualmen-
te indisponíveis no país. O projeto também utiliza uma junta de comportamento reverso, que conecta duas semi-torres prémontadas por meio de protensão e grauteamento em escala inédita no Brasil.
A Casa dos Ventos afirma que a validação do protótipo permitirá avaliar ganhos operacionais e estruturais associados à tecnologia, com potencial de ampliar a competitividade da geração eólica em diferentes perfis de sítio.
Revogação de outorgas soma 22 GW em 2025
Em 2025, a Aneel revogou 509 outorgas de geração de energia elétrica, entre usinas so-
lares e eólicas, totalizando cerca de 22 GW de potência. As revogações decorreram, em sua maioria, de pedidos ordinários apresentados pelos próprios empreendedores, quando avaliam que os projetos se tornaram inviáveis sob as condições técnicas, regulatórias ou econômicas vigentes.
Esse movimento ocorreu em paralelo a um mecanismo excepcional criado pela
Lei 15.269 permitiu cancelamento sem penalidades de projetos que não assinaram CUST
Protótipo em concreto mira ganhos de eficiência e redução de custos
Freepik
No Circuito
Curtailment de eólicas e solares cresce em 2025
As perdas de geração por curtailment em usinas eólicas e solares dispararam em 2025, alcançando 32,9 milhões de MWh, volume 220% superior ao registrado em 2024. Os dados constam em estudo da ePowerBay, que analisa informações do ONS e da CCEE e aponta um agravamento estrutural das restrições operativas no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Do total acumulado no ano, a maior parcela dos cortes decorreu de razões energéticas, responsáveis por 54% das perdas, associadas à impossibilidade de alocação da geração na carga. Em seguida aparecem as restrições por confiabilidade elétrica, com 34%, e as razões externas, ligadas a indisponibilidades na rede de transmissão, com 12%.
Cortes superam 32,9 milhões de MWh e avançam 220% em relação a 2024
Em dezembro de 2025, apesar de uma redução mensal relevante, o curtailment permaneceu elevado. As perdas no mês somaram 1,96 milhão de MWh, queda de 38% em relação a novembro, quando os cortes haviam alcançado 3,16 milhões de MWh. Ainda assim, 69% das restrições regis-
Lei nº 15.269, de 2025, que converteu a Medida Provisória nº 1.304/2025. A norma abriu a possibilidade de revogação de outorgas sem aplicação de penalidades para empreendimentos que haviam obtido prorrogação de prazo para manter o desconto nas tarifas de uso da rede, mas que não chegaram a assinar o Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST).
Ao todo, 348 projetos de geração se enquadravam nesse dispositivo legal. O prazo para solicitar a revogação sem ônus foi finalizado em 26 de dezembro de 2025, encerrando uma janela regulatória considerada relevante pelo setor, sobretudo diante do avanço do curtailment e das restrições de conexão em algumas regiões do país.
Dos empreendimentos elegíveis, 158 solicitaram a revogação dentro do prazo legal. Esses projetos somavam 6.005,7 MW de
tradas no último mês tiveram origem em razões energéticas, indicando um problema persistente de escoamento e absorção da geração renovável. A análise geográfica do estudo mostra forte concentração dos cortes no Nordeste, especialmente no Rio Grande do Norte. Subestações como Açu III, João Câmara III e Monte Verde responderam por volumes superiores a 2 milhões de MWh ao longo do período analisado, evidenciando gargalos relevantes na infraestrutura de transmissão da região.
Entre os conjuntos eólicos mais afetados, Janaúba, Serra do Mel A e Serra do Mel B registraram perdas superiores a 1 milhão de MWh cada. No recorte mensal de dezembro, os dez conjuntos com maiores perdas percentuais estavam todos localizados no Rio Grande do Norte, conectados principalmente às subestações Açu II, João Câmara II e III e Polo Guamaré.
No caso das usinas solares, os maiores percentuais de corte se concentraram em empreendimentos localizados na Bahia, Piauí, Pernambuco e Minas Gerais, conectados a subestações como Janaúba 1–Manga 3, Ribeiro Gonçalves e Bom Jesus da Lapa, segundo o levantamento.
O estudo aponta que o avanço do curtailment reforça a necessidade de aceleração dos investimentos em transmissão e de ajustes regulatórios para mitigar perdas crescentes de geração renovável. Sem medidas estruturais, o aumento da capacidade instalada eólica e solar tende a aprofundar o descompasso entre oferta e capacidade de escoamento, com impactos diretos sobre a viabilidade econômica dos projetos.
potência instalada e estavam associados a garantias financeiras da ordem de R$ 1,05 bilhão. A decisão permitiu o encerramento formal dos projetos sem a execução dessas garantias.
Por outro lado, 190 empreendimentos, com potência total de 7.596,76 MW, não apresentaram pedido de revogação. As garantias vinculadas a esses projetos alcançam cerca de R$ 1,42 bilhão, mantendo aberta a possibilidade de penalidades ou de outras consequências regulatórias, a depender da análise da Aneel.
No total, os 348 projetos abrangidos pela lei representam 13.602,46 MW de potência outorgada e um volume de garantias que supera R$ 2,46 bilhões. O dado reforça a dimensão do passivo regulatório associado a projetos que não avançaram para a fase de contratação do uso do sistema.
Especialistas avaliam que a combinação entre gargalos de transmissão, incertezas regulatórias e mudanças nas condições de mercado tem levado empreendedores a reavaliar portfólios, priorizando projetos com maior viabilidade técnica e econômica.
Para o setor elétrico, o encerramento desse ciclo tende a trazer maior clareza sobre a carteira efetiva de projetos, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de coordenação mais estreita entre expansão da geração e da infraestrutura de transmissão.
América do Sul mapeia 143 projetos de hidrogênio
Um levantamento do Energy Industries Council (EIC) identificou 143 projetos de hidrogênio na América do Sul, com potencial de US$ 263 bilhões em investimentos — quase todos voltados ao hidrogênio verde. Apesar da escala prevista, o avanço da região rumo à exportação enfrenta limites de infraestrutura, incertezas de mercado e lacunas regulatórias, aponta o novo Insight Report da entidade.
O estudo mostra que as iniciativas de maior porte se concentram em atender mercados europeus e asiáticos. Embora a maioria esteja em estágios iniciais, governos e empresas começam a dar sinais de maior coordenação, refletidos em avanços de licenciamento, etapas de FEED e um fluxo mais consistente de decisões finais de investimento: dez projetos alcançaram FID entre 2024 e setembro de 2025, enquanto cinco foram suspensos.
Estudo da EIC vê potencial bilionário, mas ressalta entraves de rede, portos e regulação
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No Circuito
O parque operacional sul-americano ainda é dominado pelo hidrogênio cinza produzido em refinarias da Petrobras. O hidrogênio de baixo carbono permanece concentrado em pilotos de pequena escala na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. Dos 143 projetos em desenvolvimento, 141 têm foco em hidrogênio verde. O relatório aponta gargalos de transmissão, limitações portuárias e restrições hídricas como barreiras à escalabilidade. No Brasil, mesmo com o marco legal do hidrogênio de baixo carbono, perspectivas de créditos tributários, financiamento público bilionário e a formalização de hubs, a expansão das redes de transmissão ainda limita o avanço de projetos de grande porte, especialmente no Nordeste. No Chile, a estratégia nacional e o plano de ação com 81 medidas não se converteram, por ora, em um fluxo mais robusto de FIDs. Falhas de conexão entre polos renováveis remotos, portos e consumidores industriais continuam a restringir a maturação do pipeline, mesmo diante de uma proposta de crédito tributário de até US$ 5/kg.
A Argentina enfrenta entraves políticos e macroeconômicos. Embora vista como potencial exportadora no longo prazo, apoiada nos recursos eólicos da Patagônia, o país permanece concentrado na fase pré-FID. Instabilidade cambial, inflação elevada e incertezas regulatórias desestimulam investidores e retardam o avanço de projetos privados conduzidos por empresas internacionais.
A cadeia de suprimentos regional também é incipiente: o estudo identifica 144 fornecedores, majoritariamente oriundos de óleo e gás, e apenas uma fábrica de eletrolisadores em operação — a da brasileira Hytron. A dependência de equipamentos importados reduz competitividade e aumenta o risco de atrasos.
A diretora global de Relações Externas da EIC, Rebecca Groundwater, avalia que o desafio central está no descompasso entre ambição e capacidade de entrega. “Os go-
vernos querem hidrogênio em larga escala, mas os projetos precisam de redes, portos e previsibilidade de receita. Sem esse alinhamento, o capital vai buscar outros destinos”, afirma. O relatório também destaca sinais positivos, como pilotos em mineração, refino e fertilizantes, além do apoio crescente de bancos multilaterais e parceiros europeus.
UCS inaugura laboratório de baterias
A Universidade de Caxias do Sul, do Rio Grande do Sul, inaugurou recentemente o Laboratório de Baterias e Armazenamento de Energia (Labat/UCS), instalado no Bloco G do campus-sede. O novo espaço será dedicado à pesquisa aplicada, inovação e desenvolvimento tecnológico voltado ao armazenamento de energia.
O laboratório é resultado de projetos aprovados pelo CNPq, Fapergs e Finep, com foco na criação de materiais e métodos capazes de elevar o desempenho de dispositivos eletroquímicos. A estrutura vai apoiar estudos sobre baterias, supercapacitores e soluções sustentáveis para aplicações industriais e acadêmicas.
Entre as linhas de desenvolvimento, o Labat prevê a produção de baterias e supercapacitores utilizando resíduos agroin-
Estrutura apoiará estudos em materiais avançados e soluções de armazenamento de energia
Bruno Zulian
dustriais, além da integração de elementos como nióbio e grafeno para melhorar eficiência, estabilidade e vida útil dos dispositivos. Segundo o coordenador do laboratório, professor Ademir José Zattera, a demanda por novos materiais tem impulsionado a busca por dispositivos mais leves, seguros e com maior capacidade de armazenamento.
Zattera afirma que as pesquisas também buscam ampliar as soluções para armazenamento de energia renovável, contribuindo para o aumento da disponibilidade energética no país. De acordo com ele, as tecnologias desenvolvidas podem colaborar com um incremento estimado de até 20% no suprimento energético nacional.
O Labat atenderá alunos do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos e Tecnologias (Pgeprotec) e estudantes da área de Ciências Exatas e Engenharias, ampliando a oferta de infraestrutura científica para projetos acadêmicos.
Notas
Novas subestações – A EDP inaugurou duas novas subestações em Ferraz de Vasconcelos, no Alto Tietê, em São Paulo. Os empreendimentos, que somam investimento de R$ 32,9 milhões, ampliam em cerca de 40% a capacidade energética da cidade, beneficiando mais de 70 mil clientes residenciais, comerciais e industriais. Segundo a EDP, o novo complexo tem como objetivo reforçar a flexibilidade e a resiliência da rede elétrica regional. As subestações acrescentam 45 MVA de capacidade ao sistema do município e têm impacto também nas cidades vizinhas.
Pontos de recarga – A GWM, em parceria com os concessionários Dimas e Carrera, concluiu a instalação de sete novos pontos de recarga para veículos eletrificados, elevando para 32 o total de carregadores AC e DC em Florianópolis (SC), Brusque (SC) e São Paulo. Segundo a GWM, a expansão integra a estratégia de fortalecer sua presença no mercado brasileiro e oferecer soluções que reduzam barreiras à adoção de veículos eletrificados. A companhia destaca que a localização dos pontos — distribuídos entre polos turísticos, gastronômicos e de grande fluxo — foi definida para atender diferentes perfis de usuários e reforçar a visibilidade da marca em regiões estratégicas.
Gestão de produção – A TSEA, fabricante de transformadores de potência, reguladores de tensão e soluções para sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, adotou a solução de gestão da produção SKA MES, fornecida pela SKA. A plataforma oferece apontamento digital da produção, visão 360° dos processos e dados em tempo real sobre o desempenho da fábrica. Segundo a SKA, a implementação contribuiu para um aumento de cerca de 15 pontos percentuais no indicador
global de eficiência dos recursos produtivos (OEE – Overall Equipment Effectiveness) da TSEA nos primeiros meses de operação. Como complemento, a TSEA também incorporou o APS Delmia Ortems, solução voltada ao aprimoramento do sequenciamento de ordens, à otimização do uso de recursos e ao aumento da previsibilidade da produção.
Licença de instalação – A ISA Energia Brasil obteve licença ambiental de instalação do Projeto Fernão Dias, referente ao seccionamento da Linha de Transmissão 440 kV Bom Jardim – Água Azul, que se conecta à subestação Fernão Dias, em Atibaia, SP. A linha de transmissão possui 33 km de extensão, e vai passar por Atibaia e Mairiporã, em São Paulo. O prazo previsto para a energização é o segundo semestre de 2026, com investimento superior a R$ 300 milhões.
Reforço – Em dezembro, a Copel concluiu as obras de seis novas subestações de energia no Paraná. Os investimentos somam R$ 271,7 milhões. De acordo com a empresa, as unidades vão garantir o fornecimento de energia a residências, comércios, indústrias e agroindústrias, no campo e nas cidades, beneficiando cerca de 269 mil clientes.
Modernização de sistemas elétricos –A ABB concluiu a implantação de novos sistemas de eletrificação e automação projetados para otimizar a gestão de rejeitos na mina de cobre de Aitik, operada pela Boliden, no extremo norte da Suécia. A implantação objetiva elevar a segurança e a eficiência do processo, ampliar a capacidade de armazenagem e recuperação de minerais descartados, além de pavimentar incrementos de produção em Aitik, seguindo a expectativa de aumento de 22% na demanda mundial de cobre até 2035, constante nas projeções da Agência Internacional de Energia (IEA). O projeto incluiu equipamentos como e-houses modulares, painéis de média e baixa tensão, transformadores e inversores de frequência para estações de bombeamento.
Transmissão
Cumpre torcer para que testes aprovem a nova tecnologia de transmissão que permite conduzir, pelo mesmo fio, mais energia, aproveitando-se de inovação, produtividade e economicidade. O modelo não requer o erguimento de novas torres nem proteções diversas aos riscos do empreendimento. Os testes promissores foram realizados na linha (normalmente estressada) Porto Primavera–Rosana, no sudoeste paulista, em redes de 138 kV. A variável monitorada desta experiência é a temperatura do cabo, que não pode subir além do desejável.
Lixo
A China construiu cerca de mil usinas de incineração de lixo e agora está sem volume e massa para ativar os investimentos em sua plenitude. A queima em centrais inteligentes substitui os lixões que, em geral, emitem metano para a atmosfera. Os antigos lixões no Brasil — não planejados e politicamente dominantes — são fortemente defendidos em grandes e médias cidades pela comunidade de catadores. As usinas dispensam as municipalidades de coletas, pois as empresas delas se encarregam de maneira moderna. Contribuem com a saúde e alicerçam a economia circular, pois reciclam resíduos sólidos urbanos, tais como alumínio, níquel, estanho, zinco, ferro e aço, lenha e petroquímicos, além de papel e papelão.
Biometano
O governo de São Paulo e a Swedfund International AB, da Suécia, estudam aperfeiçoamentos nos dutos de biometano, coletado em aterros e biodigestores em profusão nas mais diversas localidades do Brasil. São Paulo projeta produzir 6,4 milhões de metros cúbicos por dia desse gás e precisa planejar seu transporte (o principal gargalo e maior Capex deste investimento).
O expert Heleno Quevedo, por sua vez, está avaliando um único parâmetro (aplicado
EM Sintonia
em 18 condições distintas de valores mínimos e máximos) no processo de biodigestão anaeróbio, mantidas constantes as demais condições operacionais. Quevedo conclui que não se altera o perfil cinético.
Outra questão que permeia o setor, merecendo audiência pública promovida pela ANPAgência Nacional do Petróleo, é: quem vai pagar a conta da descarbonização? Como serão individualizadas as metas de compras de cotas do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), com impacto no ritmo e na intensidade dos investimentos, e sobre os custos na esfera do gás natural no Brasil? O biometano é misturado ao gás natural, assim como o etanol com alto grau de pureza é adicionado à gasolina.
Baterias
Em abril de 2026, finalmente o Brasil deve realizar seu primeiro leilão de baterias em busca de ajudar a gerenciar o equilíbrio entre carga e oferta de energia, especialmente no anoitecer, quando as usinas solares fotovoltaicas param de produzir kWh e devem ser, numa rampa íngreme, substituídas pelas demais ofertantes gerenciadas pelo ONS - Operador Nacional do Sistema.
México, Chile e Argentina seguem o mesmo caminho, sendo que a Argentina já está instalando 660 MW para operar em 2027. No Brasil, estão de olho em vendas a Tesla, ante perdas de geração de 26% de solares e 19% em 2025 por curtailment regido pelo ONS.
Também uma modificação estrutural na oferta de energia e suas consequências aproxima-se à medida que ainda não se iniciou a esperada grande expansão no Brasil da produção de energia solar (onshore) e eólica flutuante (offshore) em larga escala.
Para veículos elétricos, a CATL colocará a primeira bateria a sódio no mercado. Em um panorama macro, é fundamental prever o universo da energia brasileira quando (ou depois que) milhões de carros, motos, caminhões e embarcações funcionarem como consumidores de kWh e/ou armazenamento.
Qualidade reconhecida pelo mercado mais uma vez.
Desde 1985, a Dispan desenvolve soluções em estruturas metálicas para cabeamento industrial. Atua nos segmentos de eletrocalhas, perfilados, leitos, aramados e barras roscadas.
Com fábrica em Nova Odessa e filial em São Paulo, atende todo o Brasil.
A Dispan conquista novamente o Prêmio Qualidade da Revista Eletricidade Moderna, vencendo três categorias por mais um ano consecutivo.
Pesquisa
A qualidade dos materiais e equipamentos empregados em instalações elétricas é um fator diretamente associado à segurança, à confiabilidade operacional e à vida útil dos sistemas. Em um setor regulado por normas técnicas rigorosas e em constante evolução tecnológica, a avaliação da reputação das marcas por parte dos profissionais especializados constitui um indicador relevante do desempenho dos fabricantes no mercado. É com esse propósito que Eletricidade Moderna realiza, desde 1978, a pesquisa Prêmio Qualidade, levantamento que identifica as marcas mais associadas ao conceito de qualidade entre os profissionais da área elétrica.
Ao longo de sua trajetória, a pesquisa consolidou-se como uma referência no setor de materiais e equipamentos elétricos, acompanhando transformações tecnológicas, mudanças no perfil dos produtos, processos de consolidação industrial e a entrada de novos fornecedores. Os resultados refletem não apenas a percepção momentânea do mercado, mas também a consistência das marcas ao longo do tempo.
A edição 2026 contou com a participação de engenheiros, técnicos, tec-
Prêmio Qualidade 2026
Veja aqui os resultados da pesquisa que identifica as marcas mais associadas ao conceito de qualidade em materiais e equipamentos para instalações elétricas, a partir da avaliação espontânea de profissionais especializados do setor
da Redação de EM
nólogos e eletricistas que atuam em diferentes segmentos. O universo consultado abrange profissionais que desempenham funções como usuários finais — responsáveis pela operação, manutenção e especificação de sistemas elétricos em indústrias, comércios, empresas de serviços, concessionárias e órgãos públicos — e especificadores vinculados a empresas de projetos, consultoria, montagem e manutenção de instalações elétricas.
Os respondentes receberam um questionário com uma pergunta única e direta: “Qual é, em sua opinião, a marca de melhor qualidade para cada um dos produtos listados?” A relação contempla 62 itens amplamente utilizados em instalações elétricas de baixa e média tensão e sistemas de iluminação. As respostas foram espontâneas, sem apresentação prévia de marcas ou qualquer tipo de indução, de modo a captar exclusivamente a percepção formada a partir da experiência prática dos profissionais. Os resultados são apresentados em tabelas, uma para cada produto pesquisado. Cada tabela possui um universo específico, definido pelo número de questionários, dentre o total recebido, que
continham indicações para aquele item. Os profissionais foram orientados a se manifestar apenas sobre produtos com os quais tivessem experiência efetiva de uso ou especificação. Por essa razão, os percentuais indicados referem-se sempre ao universo de cada produto, e não ao total de participantes da pesquisa. Foram consideradas para apresentação apenas as marcas que obtiveram, no mínimo, 2% das indicações em cada categoria.
Os dados de 2026 são apresentados em conjunto com os resultados da edição anterior, permitindo a análise comparativa da evolução das marcas no conceito do consumidor especializado. Esse acompanhamento histórico evidencia tendências de consolidação, ganhos ou perdas de participação e o impacto de estratégias técnicas, comerciais e de posicionamento adotadas pelos fabricantes.
Além das tabelas por produto, a pesquisa traz dois recortes complementares: as marcas que obtiveram o maior volume de indicações em um único item (tabela I, pág. 21) e os produtos mais utilizados no cotidiano dos profissionais consultados (tabela II, pág. 21). Esses indicadores contribuem para dimen-
sionar tanto a força das marcas quanto a relevância prática dos diferentes produtos nas instalações elétricas.
Os gráficos de perfil do universo consultado — que apresentam dados sobre ori-
Abraçadeiras e identificadores para fios e cabos
gem geográfica das respostas, formação profissional, cargos e áreas de atuação — completam o levantamento, oferecendo uma visão mais precisa sobre a composição da amostra e reforçando a consistên-
Barramento blindado WEG
Baterias estacionárias Moura
Bornes/conectores para trilhos Weidmuller Conexel
Botões, botoeiras e sinalizadores Schneider Electric
Cabos de potência isolados para média tensão Prysmian
Canaletas metálicas para instalação aparente Dutotec
Canaletas plásticas para instalação aparente Legrand
Chaves seccionadoras de baixa tensão (ação rápida) Siemens
Comutadores (chaves rotativas) WEG
Conduletes Wetzel
Conectores de média tensão Intelli
Conectores e terminais de baixa tensão Intelli
Contatores WEG
Disjuntores de média tensão Siemens
Disjuntores de potência BT Siemens
Dispositivos de proteção contra surtos (DPS) Clamper
Dispositivos DR Siemens
Dutos para redes subterrâneas de distribuição Kanaflex
Eletrocalhas Dispan
Eletrocentros WEG
Eletrodutos isolantes Tigre
Eletrodutos metálicos Elecon
Emendas e terminações para cabos 3M
Estações de recarga de veículos elétricos WEG
Ferragens para redes aéreas de distribuição Romagnole
Fios e cabos (BT) Prysmian
Fusíveis de baixa tensão tipo NH Siemens
Grupos geradores Stemac
Hastes de aterramento Intelli
Instrumentos de medidas elétricas para painéis Kron
cia dos resultados obtidos. Além disso, uma lista com os nomes das empresas, órgãos e entidades dos respondentes está disponível em http://www.arandanet. com.br/revista/em/pesquisas/pq2026.
Instrumentos de teste e medição de equipamentos MT Fluke
Interruptores e tomadas para instalação predial Legrand
Inversores de frequência WEG
Lâmpadas LED Philips
Leitos para cabos Dispan
Luminárias para iluminação pública Philips
Luminárias para lâmpadas LED Philips
Material elétrico à prova de explosão Wetzel
Material elétrico à prova de tempo Wetzel
Minidisjuntores (disjuntores modulares) Siemens
Motores elétricos de indução BT WEG
Para-raios de distribuição Hubbel
Perfilados Dispan
Plugues e tomadas industriais Steck
Poliméricos para redes compactas PLP
Prensa-cabos metálicos Wetzel
Prensa-cabos plásticos Steck
Quadros de distribuição para instalação predial Legrand
Relés de média tensão Pextron
Relés fotoelétricos Exatron
Relés para proteção de linhas Schweitzer e Siemens
Relés para proteção de motores WEG
Religadores Schneider Electric
Seccionadores/chaves seccionadoras de média tensão ABB
Sensores/detectores de presença Exatron
Sistemas de para-raios prediais (sistema completo) Termotécnica
Soft-starters WEG
Temporizadores/relés de tempo Coel
Transformadores BT WEG
Transformadores de média tensão a óleo WEG
Transformadores de potência a seco WEG
UPS Schneider Electric
As marcas vencedoras de “Prêmio Qualidade 2026”
Produto Marca
HellermannTyton
Produto Marca
Pesquisa
Universo consultado
Os gráficos abaixo oferecem dados sobre os profissionais de eletricidade participantes da pesquisa “Prêmio Qualidade 2026”.
Chegou a hora de atualizar seu conhecimento!
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Fig. 1 – Origem das respostas
Fig. 3 – Cargos e/ou funções exercidas
“ENGENHARIA NÃO É CAMPO PARA ACHISMO!”
João Cunha
Aponte a câmera e saiba mais!
Tab. I – As 10 marcas que receberam mais indicações em um único produto
Tab. II – Os
Pesquisa
Abraçadeiras e identificadores para fios e cabos
Universo 2026: 249
Universo
HellermannTyton
Frontec
Elesys
Phoenix Contact
Weidmüller Conexel
Barramento blindado
Universo 2026: 170
WEG
Beghim
Schneider Electric
Novemp
Megabarre
Gimi
Siemens
Flexmaster
Holec
Maxbar
Steck
Stemman
Baterias estacionárias
Universo 2026: 175
Moura
Delco Freedom
UCB Power
WEG
Fulguris
Bornes/conectores para trilhos
Universo 2026: 258
Marca
Weidmüller Conexel
Phoenix Contact
Wago
WEG
Metaltex
Schneider Electric
Siemens
Steck
Sindal
Botões, botoeiras e sinalizadores
Universo 2026: 258
Schneider Electric
WEG
Siemens
Steck
ABB
Metaltex
Mar Girius
ACE Schmersal
Eaton
Soprano Universo 2025: 258
Cabos de potência isolados de média tensão
Universo 2026: 227
Prysmian
Nexans
Induscabos
Conduspar
Cobrecom Universo
Canaletas metálicas para instalação aparente
Universo 2026: 156
Universo
Dutotec
Valemann
Dispan
Legrand
Eletropoll
Mopa
Engeduto
Wetzel
Tramontina
Kennedy
Bandeirantes
Canaletas plásticas para instalação aparente
Universo 2026: 187
Legrand
HellermannTyton
Dutoplast
Tigre
Dutotec
Schneider
Steck
Enerbras
Chaves seccionadoras de baixa
tensão (ação rápida)
Universo 2026: 231
Siemens
WEG ABB
Schneider Electric
Kraus&Naimer Steck
Comutadores (chaves rotativas)
Universo 2026: 207 WEG
Conduletes
Universo 2026: 217
Universo 2025: 199
Wetzel
Tramontina
Daisa
Tigre
Legrand
Conectores de média tensão
Universo 2026: 147
Universo 2025: 130
Indicações (%)
Intelli 3M KIT
TE Connectivity
Prysmian
Nexans
Incesa
Hubbell
ABB WEG
Eurocabos
Atkore
Magnet
Conectores e terminais BT
Universo 2026: 167
Intelli Weidmüller Conexel
Dispositivos de proteção contra surtos (DPS)
Universo
Disjuntores de média tensão
Universo
Disjuntores de potência BT
Contatores
Dispositivos DR
Universo
Dutos para redes subterrâneas de distribuição
Universo
Estações de recarga de veículos elétricos
Universo 2026: 122
Pesquisa
Ferragens para redes aéreas de distribuição
Universo 2025: 95
Universo 2026: 88
Romagnole PLP
Ancora Olivo Alubar Balestro/Hubbel
Fios e cabos (BT)
Universo 2026: 287
Universo
Prysmian SIL Corfio Cobrecom Induscabos
Nexans
Fusíveis de baixa tensão tipo “NH”
Universo 2026: 218
Siemens WEG
ABB Eaton
Negrini
Grupos geradores
Universo 2026: 217
Universo
Stemac
Cummins
Caterpillar WEG
MWM
Motomac
Generac
Maquigeral Toyama
Hastes de aterramento
Universo 2026: 178
Intelli
Termotécnica
Cooperweld Magnet
Instrumentos de medidas elétricas, para painéis
Universo 2026: 201
Kron
Siemens
Schneider Electric
ABB
Fluke
WEG
Minipa
Renz Universo
Instrumentos de teste e medição para equipamentos de média tensão
Universo
Universo 2026: 150
Fluke
Minipa
Megabras
Siemens
Instrum
Instrutemp
ABB
Kron
Megger
Ritz
Omicron
Interruptores e tomadas para instalação predial
Universo 2025: 269
(%)
Lâmpadas LED
Universo 2026: 235
Philips
Osram
Avant
Ledvance
Taschibra
Ourolux
Elgin
Empalux
Kian
Leitos para cabos
Universo 2025: 179
Dispan
Eletropoll
Real Perfil
Elecon
Perfil Líder
Legrand
Kennedy
Mopa
Bandeirantes
Inecel
Maxtil
Induscalhas
Obo Battermann
Salf
Universo 2025: 274
Legrand
Schneider Electric
Tramontina
WEG
Steck
Pezzi
MarGirius
Siemens
Inversores de frequência
Universo
Universo
Luminárias para iluminação pública, projetores e refletores industriais
Seccionadores/chaves seccionadoras de média tensão
Universo 2025: 160
ABB
Siemens WEG
Beghim
Schneider
Lebasi Moran
Rehtom
Relés fotoelétricos
Universo 2026: 135
Universo 2025: 159
Exatron
MarGirius
Ilumatic
WEG
Finder
Tecnowatt
Fox Lux
Legrand
Schneider Electric
Metaltex
Siemens ABB
Coel
Relés para proteção de motores
Universo 2026: 219
Perfilados
Universo 2026: 127
Dispan
Perfil Líder
Eletropoll
Real Perfil
Elecon
Legrand
Mopa
Bandeirantes
Kennedy
Inecel
Piralux
Wetzel
Daisa
Poliméricos para redes compactas (cruzetas, espaçadores, braço e anéis)
Universo 2026: 80
PLP
Hubbell
Ancora
Romagnole
Vincentinos
ASW
Eletrosud
Alubar
KV Lux
Mantelli
Média Tensão
UPS
Universo 2026: 157
Schneider Electric WEG
Legrand
Eaton
NHS CM Comandos
Intelbras
Engetron
Vertiv ABB Universo
Marca
Um município à prova de apagões
Serra da Saudade, o menor município do Brasil em número de habitantes, localizada no Centro-Oeste de Minas Gerais, tornou-se referência nacional com a inauguração de um sistema inédito: uma microrrede que integra geração de energia solar com armazenamento em baterias (BEES), capaz de garantir até 48 horas de fornecimento elétrico contínuo.
O projeto foi criado com o objetivo de resolver problemas crônicos
Jucele Reis, da Redação de EM
Com apenas 800 habitantes, Serra da Saudade destacou-se no cenário brasileiro ao adotar uma microrrede que integra geração solar, armazenamento em baterias e automação de rede. Projetada para enfrentar falhas recorrentes no fornecimento de energia, a solução permite o chaveamento automático em caso de interrupções, elevando a confiabilidade do sistema e apontando novos caminhos para o atendimento em regiões com limitações estruturais.
de qualidade e confiabilidade no fornecimento de energia elétrica na localidade. A cidade enfrentava limitações estruturais da rede que alimenta o município, que causavam interrupções frequentes e prolongadas, com um DEC anual em torno de 24 horas e entre 20 e 27 ocorrências por ano.
A iniciativa foi desenvolvida pela Cemig em parceria com o Governo do Estado de Minas Gerais. O projeto e a execução
da microrrede ficaram sob responsabilidade da Enerzee, empresa especializada em soluções energéticas, contratada pela WEG. A inauguração oficial contou com a presença de autoridades estaduais e, de acordo com a concessionária, reforça o potencial das microrredes como solução estratégica para ampliar a segurança energética, a sustentabilidade e a resiliência do sistema elétrico.
Para a Enerzee, o projeto de Serra da Saudade simboliza o início de uma
Microrrede integra geração de energia solar com armazenamento em baterias (BEES), capaz de garantir até 48 horas de fornecimento elétrico contínuo
Microrrede
nova etapa no uso de baterias como pilar central da infraestrutura elétrica no país. “O mundo das baterias chegou para ficar, e projetos como esse mostram como é possível garantir energia limpa, contínua e confiável para cidades inteiras”, afirma Alexandre Sperafico, CEO e fundador da Enerzee. “Mesmo que a rede convencional falhe, a cidade terá mais de 48 horas de energia garantida pelas baterias, tempo suficiente para que o sistema seja restabelecido sem deixar a população no escuro”, completa.
Estrutura e funcionamento
O projeto recebeu investimento de R$ 7 milhões. Ao todo, foram instalados 800 módulos solares, que somam potência de 500 kWp. A usina apresenta geração média mensal de 67.439,30 kWh, volume suficiente para atender toda a demanda do município.
O sistema conta ainda com quatro inversores, totalizando 400 kW de potência, além de um conjunto de armazenamento composto por oito racks de baterias, com capacidade total de 500 kVA / 2.500 kWh, capaz de sustentar o fornecimento de energia por até dois dias completos em caso de interrupção da rede principal.
Na prática, a energia gerada pela usina fotovoltaica é armazenada nas baterias. Em caso de interrupção no fornecimento convencional da Cemig, o sistema realiza automaticamente o chaveamento, e as baterias passam a alimentar a cidade, sendo recarregadas pela própria geração solar. De acordo com a distribuidora, essa autonomia de até 48 horas é suficiente para que as equipes de manutenção atuem na correção das falhas na rede principal.
Segundo a Cemig, a microrrede permite reduzir significativamente as in-
terrupções de energia no munícipio. A concessionária destaca ainda que o tempo de transição entre a rede principal e a microrrede ocorre de forma quase imperceptível para os consumidores. “Estamos prevendo um DEC mínimo em Serra da Saudade. Nos testes realizados, o tempo de operação entre a bateria e a fonte principal — ou seja, o chaveamento do sistema — ocorre em cerca de 32 segundos”, afirmou Henrique Parreiras, engenheiro de gestão de ativos da Cemig.
Quando o sistema de armazenamento atinge sua carga máxima, a usina fotovoltaica é desligada. A decisão está relacionada às características da rede local, que não suporta a injeção da totalidade da geração instalada, estimada em 500 kW, em função de sua fragilidade estrutural e da baixa demanda média do município, em torno de 150 kW. Além disso, a empresa ressalta que há restrições regulatórias que impedem a distribuidora de injetar energia excedente na rede de distribuição.
Além da função de backup, o sistema de baterias atua na estabilização da rede elétrica, contribuindo para o controle de tensão e a mitigação de variações. De acordo com Parreiras, nesse papel, o BEES funciona de forma semelhante a um compensador síncrono, com a vantagem adicional de fornecer potência ativa. “Os mesmos inversores utilizados para injetar potência também ajudam a regular a tensão, reduzir variações e estabilizar o sistema dentro dos limites regulatórios”, explicou.
Para a Cemig, a microrrede representa uma mudança de paradigma no atendimento a regiões com desafios estruturais. “A microrrede de Serra da Saudade é um verdadeiro ‘canivete suíço’ tecnológico, que reúne múltiplas funções: backup, regulação de tensão e frequência, além de suporte
às atividades de manutenção”, destacou William Alves, superintendente de operações de distribuição da Cemig.
Monitoramento
O sistema de armazenamento está conectado ao centro de operações da distribuidora, permitindo o monitoramento contínuo do desempenho da microrrede. Todos os equipamentos da rede elétrica local foram modernizados, com a instalação de dispositivos de proteção e religadores automáticos, possibilitando o chaveamento automático e remoto em caso de ocorrências, sem a necessidade de intervenção manual.
Como parte do projeto, foram instalados medidores inteligentes em todas as unidades consumidoras do município. A tecnologia permite que os consumidores acompanhem seu consumo de energia em tempo real por meio de aplicativos, além de solicitar desligamentos e religamentos de forma remota.
Expansão
Diante dos resultados obtidos, a Cemig planeja replicar o modelo adotado em Serra da Saudade em outros dez municípios ainda este ano, com investimento estimado em R$ 80 milhões. A prioridade será dada a localidades com maior vulnerabilidade no fornecimento de energia elétrica e onde a implantação de infraestrutura convencional se mostra técnica ou economicamente inviável.
A análise técnica e econômica conduzida pela Cemig indicou que a microrrede em Serra da Saudade era uma alternativa mais viável do que soluções convencionais de expansão da rede. Segundo a companhia, reforços estruturais e a construção de novos alimentadores para garantir dupla alimentação ao município exigiriam investimentos da ordem de R$ 30 milhões. “Em vez de uma obra cara, complexa e demorada, optamos por uma solução técnica de rápida implantação e alta eficiência para a população”, afirma Marney Antunes, vice-presidente de Distribuição da empresa.
Para Nelson Tinoco, vice-presidente da Enerzee, a iniciativa representa um avanço relevante para o setor elétrico brasileiro. “Essa inauguração é um marco para a geração fotovoltaica com armazenamento de energia. Trata-se da primeira usina desse tipo a entrar em operação no Brasil dentro do modelo da concessionária, demonstrando que essa tecnologia é viável, segura e plenamente replicável em outros municípios”, conclui.
Lean Energy: gestão do consumo, sustentabilidade e eficiência energética
Francisco Glauber de Souza Cavalcante, Menaouar Berrehil El Kattel, Ricardo Silva Thé Pontes e Fernando Luiz Marcelo Antunes, da Universidade Federal do Ceará
Agestão do consumo de energia elétrica tem se tornado cada vez mais relevante nas empresas. De acordo com um artigo publicado na revista Harvard Business Review (2017) [1], o tema está ganhando destaque na agenda corporativa, uma vez que o consumo energético é uma das áreas de maior custo para as organizações, juntamente com mão de obra, produção, instalações e equipamentos. Além disso, um estudo publicado no Journal of Cleaner Production (2016) [2] revelou que a implementação de um Sistema de Gestão Energética (SGE) [3] tem um impacto positivo na redução de emissões de carbono e custos operacionais, especialmente em empresas certificadas pela norma ISO 50001 [3].
Considerando a relevância do uso consciente de recursos energéticos no processo de descarbonização, no combate às mudanças climáticas e na transição energética, a COP 28 (2023) [4] enfatizou a necessidade de duplicar, anualmente, a taxa de melhorias em eficiência energética até 2030.
Neste contexto, emerge a metodologia Lean Energy (LE) [5–6], que adapta os princípios e ferramentas do Lean Manu-
O artigo apresenta a metodologia Lean Energy (LE) para gestão energética nos setores hospitalar, industrial, varejista e educacional. Integrando princípios de Lean Manufacturing, ISO 50001 e critérios ESG, a abordagem visa reduzir em 8% o consumo anual de energia elétrica por meio de ferramentas estatísticas e indicadores como o Consumo Médio Diário (CMD). Os resultados indicam redução média de 12%, sem investimentos iniciais.
facturing para otimização do consumo de energia elétrica. Segundo Thollander (2012) [7], a abordagem da eficiência energética requer uma perspectiva interdisciplinar. Assim, o conceito de LE, apresentado por Cavalcante (2023) [6], contribui significativamente para esse propósito, ao focar na melhoria contínua da cadeia de valor do consumo sustentável de energia elétrica. Visto que o LE integra expertises nas áreas de engenharia, economia, Lean, gestão e ESG.
Desse modo, este trabalho seguiu a proposta de introduzir o Lean Energy em empresas do segmento hospitalar, industrial, varejista e educacional, su-
gerindo um Project Management Office (PMO) para uma meta de 8%, equivalente a 1/12 avos, de redução do consumo anual de energia elétrica.
Este artigo está organizado em sete seções, compostas por uma introdução, quatro seções de desenvolvimento, uma de conclusão e, ao final, as referências bibliográficas utilizadas. A Seção 2 apresenta a fundamentação teórica que sustenta o estudo, enquanto a Seção 3 descreve a metodologia adotada. Já na Seção 5, são analisados e discutidos os resultados obtidos a partir da aplicação da abordagem proposta.
Nos setores educacional e varejista obtiveram-se economias médias de 11% e 24%, respectivamente, bem acima da meta de 8% proposta. Já nos setores hospitalar (6%) e industrial (7%), a operação contínua e a criticidade dos processos limitam a aplicação de medidas mais agressivas de redução de consumo
Fotos: Shutterstock
Fundamentação
teórica
O consumo global de energia elétrica segue em expansão, impulsionado pelo avanço da eletrificação, pelo uso crescente de dispositivos conectados e pela incorporação de tecnologias como inteligência artificial e veículos elétricos. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), em 2024 a demanda mundial de eletricidade aumentou 4,3% [8]. Em contrapartida, estima-se que até 2030, cerca de 645 milhões de pessoas ainda permanecerão sem acesso à eletricidade, muitas delas dependentes de fontes poluentes [9]. Nesse contexto, a eficiência energética e o enfrentamento das mudanças climáticas tornaram-se prioridades globais, figurando entre os principais eixos dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas [10].
Paralelamente, os critérios ESG (Environmental, Social, and Governance) consolidaram-se como elementos estratégicos nas decisões de investimento e nas práticas corporativas, avaliando o desempenho das organizações em sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. No Brasil, a ABNT publicou em 2022 a prática recomendada ABNT PR 2030, com diretrizes de avaliação alinhadas às normas internacionais e aos compromissos do Acordo de Paris [11].
A norma ISO 50001, por sua vez, tem se destacado como referência na gestão eficiente da energia. Em entrevista, o então diretor da Abesco, Alexandre Sedlacek Moana, destacou que empresas que dominam e otimizam seus fluxos energéticos demonstram competência, confiança e maior desempenho organizacional [12].
Nesse cenário, a gestão de processos ganha relevância como prática contí-
nua de planejamento, monitoramento e aprimoramento dos processos organizacionais, com foco na eficiência, redução de custos e garantia da qualidade [13]. Metodologias como o Lean Six Sigma (LSS) [16], baseadas no Sistema Toyota de Produção, aliam os princípios do pensamento enxuto a métodos estatísticos, com o objetivo de eliminar desperdícios e melhorar o uso dos recursos, não apenas na produção, mas também na gestão energética e ambiental.
Diante disso, neste artigo se propõe a integração dos conceitos de eficiência energética, gestão de processos, filosofia Lean e diretrizes ESG por meio da abordagem denominada Lean Energy. Essa metodologia foi aplicada, de forma estruturada e replicável, em empresas dos setores hospitalar, industrial, varejista e educacional, com o propósito de contribuir para uma transição energética sustentável e menos intensiva em carbono.
Lean Energy
No livro Guía de implementación: Energía limpia y libre de desperdício [5], os autores definem o Lean Energy como uma metodologia que integra os princípios do Lean Six Sigma à eficiência energética, energias renováveis e conceitos da Indústria 4.0. Ressaltam que os profissionais envolvidos devem ter domínio técnico e visão econômica, já que são responsáveis por propor melhorias estratégicas à alta gestão.
A correta quantificação de desperdícios e a identificação dos principais consumidores de energia são pontos centrais da metodologia. Antes de investir em fontes renováveis, o Lean Energy propõe a otimização dos recursos existentes, visando um retorno sobre o investimento (ROI) superior a 8%.
Em síntese, o Lean Energy vai além das práticas convencionais de eficiência energética ao aplicar princípios enxutos
à gestão energética. Seu propósito é promover a sustentabilidade e o uso otimizado dos recursos, alinhando-se à visão da IEA [14], que classifica a eficiência energética como o “primeiro combustível” para a transição sustentável.
Metodologia
A filosofia Lean tem sido amplamente aplicada em processos de melhoria, inclusive no setor de saúde. Em 2017, o Ministério da Saúde do Brasil, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, implementou o projeto Lean nas Emergências para reduzir a superlotação em hospitais [15]. Com foco em eficiência e eliminação de desperdícios, a metodologia demonstrou resultados expressivos e agora é adaptada à gestão do consumo energético em diferentes setores.
Este estudo propõe a aplicação do Lean Energy nos segmentos hospitalar, industrial, varejista e educacional, com a meta de reduzir em 8% o consumo anual de energia elétrica. A implementação é conduzida por um Project Management Office (PMO), utilizando ferramentas estatísticas e computacionais para identificar padrões de estabilidade e volatilidade no consumo. O Consumo Médio Diário (CMD), em kWh, é o principal indicador adotado para estabelecer a Linha de Base Energética (LBE) e monitorar os resultados ao longo do tempo.
A implementação do LE começa com o mapeamento energético da unidade consumidora (UC), identificando os ativos que consomem a maior quantidade de energia. A análise inicial é feita a partir da fatura de energia, que é detalhadamente observada, considerando itens como demanda, consumo em horários de ponta e fora de ponta, fator de carga e excedentes reativos. A seguir, é realizada uma Visita Técnica de Diagnóstico (VTD) na UC para o reconhecimento do local, coleta de informações sobre ambientes, setores e equipamentos, me-
Gestão de energia
dições de parâmetros elétricos e registros fotográficos.
Com a conclusão da VTD, inicia-se a análise dos dados e a elaboração do Plano de Ação – PMO, que detalhará as Ações de Eficiência Energética (AEE) com foco na redução do consumo de energia e no atendimento aos critérios ESG. As ações serão classificadas de acordo com o custo de implementação, variando entre custo zero, baixo custo e médio/ alto custo. Em seguida, utiliza-se a sequência de 5 passos do método DMAIC (Define, Measure, Analyze, Improve e Control) para orientar a implementação e justificar cada AEE.
dos em diferentes segmentos organizacionais.
Análise e discussão de resultados
Por fim, este estudo parte da hipótese de que a aplicação da metodologia Lean Energy, estruturada em princípios de gestão de processos e eficiência energética, será capaz de promover uma redução mínima de 8% no consumo de energia elétrica nas organizações analisadas, sem necessidade de grandes investimentos. O objetivo é validar essa hipótese por meio da análise de resulta-
A aplicação da metodologia Lean Energy nos setores hospitalar, industrial, varejista e educacional evidencia resultados significativos no que se refere à eficiência energética, com ênfase na identificação de desperdícios e no direcionamento estratégico da Ações de Eficiência Energética - AEE. A abordagem adotada envolveu uma combinação de análise estatística, visualização gráfica e
ferramentas de gestão da qualidade com os dados de energia elétrica coletados, como o DMAIC e o Sipoc (Suppliers, Inputs, Process, Outputs, Customers), proporcionando uma visão sistêmica do consumo energético. Destaca-se ainda que LE é eficiência energética e não racionamento de energia elétrica.
Embora a metodologia Lean Energy tenha sido aplicada de forma padronizada nos quatro setores avaliados, cada um apresentou particularidades operacionais que influenciaram os resultados obtidos. A padronização metodológica permitiu garantir comparabilidade entre as unidades consumidoras (UCs), já que todas passaram pelas mesmas etapas: mapeamento energético, visita técnica de diagnóstico (VTD), definição da Linha de Base Energética, aplicação de ferramentas como CMD, Sipoc e DMAIC, e classificação das Ações de Eficiência Energética (AEE). No entanto, os impactos variaram em função de fatores como regime de funcionamento, criticidade de operação, perfil das cargas e capacidade de ajuste dos
Fig. 1 – Mapa de calor referente ao consumo de energia elétrica de um período de 30 dias (fonte: os autores)
processos. Por exemplo, enquanto o setor varejista obteve economias expressivas devido à maior flexibilidade na operação e controle dos sistemas de climatização e iluminação, o setor hospitalar apresentou resultados mais modestos, reflexo da sua alta demanda contínua e da rigidez nos protocolos assistenciais. Essa constatação reforça a robustez e adaptabilidade da abordagem Lean Energy, ao mesmo tempo em que evidencia a importância de contextualizar os resultados conforme a realidade de cada segmento.
O Consumo Médio Diário (CMD) foi a métrica fundamental para padronizar a análise do consumo mensal, considerando as variações do ciclo de fatura-
mento da distribuidora. Esse indicador permitiu comparações mais precisas entre os períodos analisados, isolando fatores sazonais e operacionais.
Corroborando com o mapeamento energético realizado nas unidades consumidoras deste trabalho, o mapa de
calor da figura 1, demonstra a possibilidade de uma análise temporal do consumo, destacando horários e dias da semana com maior demanda. As áreas em vermelho apontaram picos de consumo, enquanto os tons verdes indicaram períodos de baixa atividade, permitindo o reconhecimento de padrões de comportamento energético e a identificação de possíveis excessos operacionais.
As AEEs propostas são integradas aos diversos setores das UCs, desde iluminação, passando pela hotelaria hospitalar, climatização, motores e pelas mais diversas instalações e equipamentos que fazem uso da energia elétrica na UC.
A utilização do Sipoc exemplificada neste trabalho (figura 2), referente à im-
Fig. 2 – Processo de implementação de Lean Energy em hospital com a ferramenta Sipoc (fonte: os autores)
Gestão de energia
plementação do LE em uma unidade hospitalar, auxilia a equipe a compreender rapidamente a amplitude e o escopo do processo, destacando os pontos de entrada, promovendo alinhamento e eficiência na implementação das ações propostas.
Adicionalmente, foi realizada uma análise estatística utilizando a métrica dos GrausDias de Resfriamento (GDR) como variável explicativa para o consumo de energia elétrica, considerando as influências do clima na demanda por climatização conforme visto na figura 3. Os dados climatológicos foram obtidos da estação meteorológica de Fortaleza (SBFZ), com base de referência em 15,5 °C.
industriais, a operação contínua e a criticidade de seus processos limitam, em parte, a aplicabilidade de medidas mais agressivas de redução de consumo. Ainda assim, a média geral entre os setores avaliados foi de 12,0%, o que valida a eficácia da abordagem Lean Energy como uma metodologia de gestão energética replicável, estratégica e de alto impacto.
A correlação entre os GDR e o consumo mensal de energia elétrica foi avaliada por meio de regressão linear, resultando em um coeficiente de determinação R² = 0,72. Esse valor indica que aproximadamente 72% da variação no consumo energético pode ser explicada pelas variações de temperatura externa, evidenciando a forte influência do clima nas cargas térmicas das edificações analisadas. Apesar de o valor estar levemente abaixo do ideal (R² > 0,75) recomendado em projetos de eficiência energética, os resultados reforçam a importância de considerar variáveis meteorológicas na modelagem e no planejamento de ações voltadas à redução do consumo energético em ambientes climatizados.
Finalmente, os percentuais de economia obtidos variaram conforme o segmento analisado. O setor hospitalar alcançou uma média de economia de 6,0%, enquanto o setor industrial registrou 7,0%. Esses valores, embora inferiores aos percentuais observados nos setores varejista (24,0%) e educacional (11,0%), devem ser interpretados à luz das especificidades operacionais de cada segmento. No caso das unidades hospitalares e
Conclusões
A aplicação da metodologia Lean Energy demonstrou-se eficaz como ferramenta de gestão energética orientada à eficiência, sustentabilidade e melhoria contínua. Ao integrar conceitos do Lean Manufacturing com práticas de eficiência energética, ESG e normas como a ISO 50001, a abordagem permitiu estruturar ações estratégicas e operacionais com foco na redução do consumo de energia elétrica, sem depender de investimentos iniciais.
A utilização de ferramentas como DMAIC, Sipoc, mapeamento energético e indicadores padronizados como o Consumo Médio Diário, viabilizou uma análise robusta e sistêmica dos dados de consumo, contribuindo para o direcionamento preciso das Ações de Eficiência Energética. A consideração de aspectos contextuais, como o perfil operacional de cada unidade consumidora, agregou valor às análises e reforçou a aplicabilidade prática da metodologia.
Os resultados obtidos confirmam a hipótese inicial: foi possível alcançar uma média de 12% de redução anual do con-
Fig. 3 – Regressão linear do consumo vs GDR (fonte: os autores)
sumo de energia elétrica, superando a meta proposta de 8%. Esse desempenho foi observado em diferentes segmentos — hospitalar, industrial, varejista e educacional —, com variações proporcionais às características operacionais de cada setor. Destaca-se que tais ganhos foram alcançados por meio de intervenções no fluxo de processos internos, sem a necessidade de investimentos financeiros diretos, o que evidencia o potencial da metodologia para projetos escaláveis e de rápida implementação.
Portanto, o Lean Energy é uma solução estratégica viável para organizações que buscam alinhar desempenho energético, competitividade e responsabilidade ambiental. Sua adoção contribui não apenas para a otimização do uso de recursos, mas também para o fortalecimento da cultura organizacional voltada à sustentabilidade e à inovação.
REFERÊNCIAS
[1] Winston, Andrew; Favaloro, George; Healy, Tim: Energy strategy for the C-Suite Acesso em: 5 mai. 2025. Disponível em: https://hbr.org/2017/01/energy-strategy-forthe-c-suite.
[2] Bottcher, C.; Muller, M.: Insights on the impact of energy management systems on carbon and corporate performance. “Journal of Cleaner Production”, v. 137, Elsevier, p. 1449–1457, 2016.
[3] ABNT NBR ISO 50001:2018 – Sistemas de gestão de energia: requisitos com orientação para uso. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT, 2018.
[5] Martín Gómez, Juan Pablo: Socconini Pérez, Luis: Lean Energy 4.0: Guía de implementación – Energía limpia y libre de desperdício para el desarrollo sostenible Editora Marge Books, 2019.
[6] Cavalcante, Francisco Glauber de Souza: Integração da metodologia Lean Energy, norma ISO 50001, critérios ESG e análise de dados na gestão energética de um hospital universitário. Universidade Federal do Ceará – PPGEE, 2023. (Dissertação de Mestrado).
[7] Thollander, Patrik; Palm, Jenny: Improving energy efficiency in industrial energy systems: An interdisciplinary perspective on barriers, energy audits, energy management, policies, and programs. “Springer Science & Business Media”, 2012.
[8] International Energy Agency: Electricity 2025: Analysis and forecast to 2025. Acesso em: 20 maio 2025. Disponível em: https://www.iea.org/reports/electricity-2025/demand.
[9] International Energy Agency: Access to electricity – SDG7: Data and projections. Acesso em: 20 maio 2025. Disponível em: https://www.iea.org/reports/sdg7-data-andprojections/access-to-electricity.
[10] ONU: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Acesso em: 12 maio 2025. Disponível em: https://www.un.org/sustainabledevelopment/pt-br/agua-saneamento/.
[11] ABNT PR2030:2022 – Ambiental, social e governança (ESG): conceitos, diretrizes e modelo de avaliação e direcionamento para organizações. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT, 2022.
[12] APCER: ISO 50001 | Entrevista Alexandre Sedlacek Moana, Diretor da ABESCO. Acesso em: 19 abr. 2025. Disponível em: https://apcergroup.com/pt-br/newsroom/3121/iso50001.
[13] Governo Federal: Guia Prático de Gestão de Processos – Maio 2024. Acesso em: 26 maio 2025. Disponível em: https://www.gov.br/gestao/pt-br/acesso-a-informacao/estrategiae-governanca/gestaodeprocessos/GuiaPrticodeGestodeProcessosv1maiode20241.pdf.
[14] IEA: Energy Efficiency. Acesso em: 2 maio 2025. Disponível em: https://www.iea.org/ energy-system/energy-efficiency-and-demand/energy-efficiency.
[15] Ministério da Saúde: Projeto Lean nas Emergências. Acesso em: 15 mai. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/projetolean-nas-emergencias-reducao-das-superlotacoes-hospitalares.
[16] Instituto 6Sigma: Nível Sigma: Aprenda a calcular sem esforço. Acesso em: 11 maio 2025. Disponível em: https://instituto6sigma.com.br/blog/gestao-de-projetos/six-sigma/ nivel-sigma-aprenda-a-calcular-sem-esforco/.
Trabalho apresentado no congresso Eletrotec+EM-Power 2025, realizado em agosto último em São Paulo, publicado aqui, com adaptações, sob autorização dos autores e da direção do congresso.
Abreme premia melhores fornecedores de 2025
Jucele Reis, Editora-assistente de EM
AAbreme - Associação Brasileira dos Revendedores e Distribuidores de Materiais Elétricos realizou a 19a edição do Prêmio Abreme Fornecedores, iniciativa que reconhece as empresas que mais se destacaram na avaliação dos lojistas e distribuidores de materiais elétricos em todo o país. A cerimônia de premiação aconteceu em dezembro, em São Paulo, SP. De acordo com Francisco Simon, diretor da Abreme, o prêmio atua como um alerta e um “termômetro” para os fornecedores, incentivando-os a melhorar suas políticas, logística, marketing e processos.
Os vencedores são definidos a partir de uma pesquisa quantitativa conduzida pela empresa New Sense junto a reven-
A associação realiza anualmente o Prêmio Fornecedores, que reconhece as empresas mais bem avaliadas por lojistas e distribuidores de materiais elétricos. Baseada em pesquisa nacional, a premiação funciona como um termômetro do mercado, e leva em conta critérios como logística, qualidade, marketing e apoio comercial. Confira, a seguir, os resultados da edição 2025.
dedores e distribuidores de material elétrico constantes da base de dados da Abreme. Os respondentes são profissionais responsáveis pela definição, especificação ou compra de materiais elétricos nas empresas consultadas.
O levantamento foi realizado em âmbito nacional, entre 31 de agosto e 11 de outubro de 2025, por meio de uma metodologia híbrida, que combinou entrevistas pessoais e questionários digitais, enviados para preenchimento após apresentação da pesquisa via contato telefônico. Foram contatados 5378 revendedores e distribuidores, e recebidas 204 respostas.
A pesquisa avaliou cinco segmentos do mercado de material elétrico: ilumina-
ção; fios e cabos; dispositivos elétricos residenciais; dispositivos elétricos industriais; e material de infraestrutura e instalação. Os entrevistados indicaram os três melhores fornecedores para cada um deles, considerando três categorias de avaliação: apoio logístico, apoio comercial e marketing, e percepção de qualidade. Para efeito de pontuação, as indicações receberam, respectivamente, 3, 2 e 1 ponto para o primeiro, segundo e terceiro colocados. “A associação se relaciona constantemente com fornecedores para aprimorar os critérios, garantindo que o prêmio seja justo e reflita a realidade do mercado”, destaca Simon.
A Abreme concedeu também o Prêmio Destaque, destinado às empresas que
Evento de premiação reuniu fornecedores, revendas e distribuidores do setor de material elétrico (à esquerda, a diretoria da Abreme)
CUBÍCULOS BLINDADOS MODULARES CLASSES 17,5, 24 e 36kV ISOLADOS A AR, MISTO OU INTEGRAL EM SF6
HOMOLOGADO E AUTORIZADO EM TODO O BRASIL
Premiação
apresentaram a maior evolução no ranking de 2025, valorizando avanços consistentes e melhorias de desempenho ao longo do ano. Além das premiações por segmento, foi anunciado o Melhor Fornecedor do Ano, concedido à empresa que registrou o maior número de indicações entre todas as categorias que integram o prêmio.
O cálculo dos rankings levou em conta dois níveis de ponderação. O primeiro considerou o porte das empresas participantes, com pesos atribuídos à abrangência de atuação, número de empregados e faturamento, resultando em pesos totais que variaram de 1 a 8. O segundo nível correspondeu à composição das avaliações por categoria, com pesos de 35% para apoio logístico, 30% para apoio comercial e marketing e 35% para qualidade. A pontuação máxima possível por meio dessas ponderações foi de 10 mil pontos.
Dispositivos industriais WEG Schneider Siemens ABB
Infraestrutura Tramontina Perfil Líder Wetzel Grupo Intelli
Melhor fornecedor Cobrecom
Sustentabilidade SIL
Persona Cícero André de Souza (Real Perfil)
A entidade também oferece anualmente o Prêmio Persona, que reconhece um empresário do segmento de material elétrico como a personalidade do ano, destacando sua trajetória, atuação e contribuição para o desenvolvimento do setor de material elétrico no Brasil. Este ano, o premiado foi Cícero André de Souza, presidente da empresa Real Perfil.
Uma das novidades desta edição foi a criação do Prêmio Abreme de Sustentabilidade, que valoriza iniciativas voltadas
às boas práticas ambientais e sociais. A premiada foi a empresa SIL Fios e Cabos.
Panorama do mercado
Além de reconhecer os fornecedores que se destacaram em 2025, a pesquisa coleta informações sobre o setor de material elétrico, apresentando indicadores regionais e projeções de mercado. Segundo a entidade, o objetivo é subsidiar fabricantes e distribuidores com dados atualizados. Os resultados indicam uma visão oti-
mista para 2026, com predominância, entre os entrevistados, de expectativa de crescimento em todos os segmentos analisados, ainda que em ritmos distintos. No segmento de iluminação, 79,3% dos respondentes projetam melhora no faturamento. Entre fios e cabos, o otimismo é ainda mais acentuado: 83,3% esperam aumento em 2026. Em dispositivos residenciais, 81,5% dos entrevistados indicam expectativa de melhora. Já em dispositivos industriais, 71,8% dos respondentes projetam crescimento. Por fim, instalação e infraestrutura apresenta o menor nível de otimismo relativo, embora ainda majoritário: 62,5% esperam melhora no faturamento.
Quando questionados sobre o desempenho de 2025 em relação a 2024, 54,4% apontaram melhora no faturamento (54,4%) enquanto 39,2% indicaram queda e 6,4% relataram estabilidade no
período. “Além disso, houve diminuição da inadimplência e do número de pedidos de recuperação judicial/falências”, afirma Simon. “Entre os principais desafios, estão os impostos e a nova legislação tributária, que impactam o custo e a lucratividade, apesar do aumento do faturamento”, acrescenta.
Em relação a fatores que impactam o ambiente de negócios, a obtenção de crédito e o custo financeiro aparecem como aspectos majoritariamente positivos: 68,9% consideram esse fator muito ou um pouco positivo. No que se refere à qualificação da mão de obra, 38,3% avaliam o fator como um pouco positivo e 31,1% como muito positivo, enquanto as avaliações negativas somam 19,7%. Em relação à legislação tributária, 43,5% dos respondentes consideram o fator muito positivo e 17,6% um pouco positivo; por outro lado, 33,7% o avaliam de forma
negativa. Já a venda direta do fabricante ao consumidor apresenta um cenário mais equilibrado, com 60,6% de avaliações positivas e 35,8% negativas.
Quanto ao destino das vendas, em média, 41,6% do volume comercializado é direcionado ao consumidor final, seguido pela indústria (22,5%), instaladores e construtores (20,2%) e varejo e distribuidores (15,6%).
Outro dado relevante do estudo diz respeito ao perfil dos respondentes. Com a ampliação do número de empresas participantes, a pesquisa de 2025 revelou predominância de revendedores de menor porte, com atuação concentrada em um único município, menor número médio de empregados e de faturamento e tempo de mercado inferior ao observado na edição anterior.
Quando a tecnologia vira muleta: por que “estado da arte para tudo” não é engenharia
Vinícius Ayrão
Primeira coluna do ano e precisamos decidir quais caminhos percorreremos. Continuo com o incômodo de que estamos distanciando demais a teoria (o que defendemos) do que ocorre no mundo real. Num momento em que qualquer pessoa com um celular pode “falar engenharia”, potencializada pela IA, a mediocridade vira o caminho mais simples. Por isso divido o incômodo com vocês: se ao final da leitura houver desconforto ou reflexão, mesmo com discordância, o objetivo estará cumprido.
Este incômodo não é retórico. Ele nasce de uma constatação técnica recorrente: decisões estão sendo terceirizadas para instrumentos, normas e benchmarks sem que haja hierarquização explícita de risco, consequência ou ganho real. Quando isso ocorre, não é excesso de zelo técnico, mas abdicação da engenharia como instância decisória.
Engenharia versus tecnologia
Existe um erro conceitual que vem se consolidando no setor elétrico: confundir engenharia com tecnologia. Ou pior: confundir boa engenharia com a simples adoção de equipamentos caros, sofisticados ou “de referência de mercado”, independentemente do contexto.
Essa lógica é equivocada, irrealista e ineficiente. Evita a análise de contexto e risco, ignora restrições econômicas e operacionais e resulta em medições que não alteram nenhuma decisão técnica relevante.
A defesa automática do “estado da arte para tudo” não nasce de uma análise técnica profunda. Na maioria das vezes, nasce de três coisas: insegurança técnica, comodismo intelectual e captura do discurso por quem vende equipamento. O resultado é uma engenharia
que mede muito, decide pouco e gera menos ganho real do que poderia.
Engenharia não é fazer o máximo. É escolher
Boa engenharia é escolher o necessário dentro de restrições reais: técnicas, econômicas, operacionais e temporais. Às vezes, isso exige não executar ações “porque dá” — isso é responsabilidade.
Não confundam com uma simplificação do conceito do Prof. Cortella “Faça o teu melhor, nas condições que você tem, enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda”. A engenharia muitas vezes vai exigir que não se faça ações nas condições que se tem. Isso é responsabilidade.
Quando alguém defende que todo ensaio deve ser feito com o instrumento mais sofisticado disponível, o que se revela, na prática, é incapacidade de hierarquizar risco: terceiriza-se o raciocínio para o equipamento.
Tecnologia
não substitui critério
Tecnologia amplifica critério — quando ele existe. Um bom engenheiro, com ferramentas tecnicamente adequadas, costuma entregar mais resultado do que um engenheiro que terceiriza o raciocínio para o instrumento, mesmo operando equipamentos de ponta. Isso incomoda porque quebra um discurso confortável: o de que basta “ter a melhor tecnologia” para estar tecnicamente correto. Não basta.
O mercado aprendeu a medir.
Esqueceu de analisar
Os equipamentos evoluíram: registram mais, sugerem limites e até “interpretam” desvios.
Mas o fato de uma medição mostrar resultados fora do esperado não significa nada, por si só.
Se vou ao médico e minha pressão arterial está alta, espero diagnóstico e conduta. Em engenharia, o equivalente a “medir sem diagnosticar” é produzir dados que não sustentam decisão, e isso é perda de função.
Medir é um ato técnico. Analisar é um ato de engenharia.
Hoje vemos campanhas extensas, relatórios volumosos, gráficos bem apresentados e referências normativas corretas e, ao final, nenhuma resposta clara à pergunta central: o que isso muda na decisão técnica?
Se a resposta não altera priorização de risco, alocação de recursos ou estratégia operacional do ativo, então não houve análise de engenharia — houve apenas registro técnico.
Avaliamos laudo/parecer pelo número de páginas e pela quantidade de imagens. Mas se um ensaio não altera estratégia de manutenção, priorização de riscos, decisão de investimento ou ação concreta no ativo, ele não cumpriu seu papel como engenharia. Virou documentação técnica cara e estéril.
Estamos criando uma geração de profissionais excelentes em operar instrumentos e frágeis em sustentar decisões.
Quando o discurso técnico passa a ser ditado por quem vende tecnologia
Existe um fator pouco tratado: a captura do discurso técnico. Parte relevante do “estado da arte para tudo” não vem de análise normativa ou estatística, mas de narrativas bem construídas por quem precisa vender equipamento, serviços e pacotes completos.
EM Profissionais
Isso não é crítica moral. Eu também vendo meu peixe quando defendo valorização da engenharia, board técnico e contratação de especialistas. O problema surge quando o engenheiro abdica do seu papel.
Quando a decisão de engenharia passa a seguir a mesma lógica da compra de um tênis — orientada por influencer, ranking de mercado ou narrativa pronta —. ela deixa de ser técnica e passa a ser adesão.
– Engenharia não é adesão. É responsabilidade técnica por consequência.
– Manual de fabricante não é norma.
– Recomendação não é obrigação.
– Benchmark sem contexto não é critério técnico.
– Influência comercial não substitui hierarquização de risco.
Quando o engenheiro repete discursos prontos, sem filtrá-los pelo risco real do ativo, pelo ciclo de vida e pelo impacto econômico da decisão, ele deixa de ser instância e vira repetidor qualificado. Isso empobrece a engenharia e encarece o sistema. E “impacto econômico” não é escolher o mais barato; é escolher o necessário e correto no contexto.
A realidade que muitos preferem ignorar: orçamento existe
A engenharia opera no mundo real. Clientes têm orçamento limitado e ativos têm margem econômica finita. Nem toda planta suporta (nem precisa de) análises de laboratório em todas as etapas.
Quando a única alternativa apresentada é cara demais, o efeito prático costuma ser simples: não se faz nada. Nenhuma medição, nenhuma correção, nenhum aprendizado, nenhum ganho incremental.
Entre uma análise perfeita que nunca será contratada e uma análise tecnicamente adequada, executável, que gera melhoria real, a segunda quase sempre entrega mais valor ao sistema.
Engenharia não vive de soluções ideais. Vive de melhorias possíveis.
Um exemplo simples
O mercado gosta de discutir analisadores de energia como se todos servissem para tudo. Não servem.
Fazendo uma consulta rápida no Google, encontramos equipamentos com preços entre R$ 9000,00 e R$ 150 000,00. O mais caro tem mais recursos mas encarece o serviço. A pergunta é: esse custo a mais entrega mais valor no seu caso?
Em levantamentos de carregamento de transformadores, perfil de demanda e dimensionamento de banco de capacitores, o objetivo é entender comportamento de carga, horários críticos e necessidade (ou não) de compensação. Isso pode ser feito com instrumentos portáteis mais acessíveis, desde que a campanha seja planejada e os dados sejam analisados com critério. Em muitos casos, com a memória de massa do medidor da concessionária, base técnica e Excel, você resolve. Exigir instrumentos de altíssimo custo nesse cenário costuma inviabilizar a análise — e eliminar ganho.
Já em indústrias com problemas recorrentes de qualidade de energia que afetam produção, paradas ou refugo, o cenário muda completamente. Aqui o fenômeno é eventual, de curta duração e alto impacto. Instrumentação inadequada gera medições inconclusivas, suspeitas sem evidência e decisões adiadas. Nesses casos, subir o nível tecnológico não é luxo, é condição para fechar diagnóstico.
Engenheiro eletricista da Sinergia Consultoria, com grande experiência em projetos de instalações elétricas MT e BT, entradas de energia e instalações fotovoltaicas, conselheiro da ABGD - Associação Brasileira de Geração Distribuída e diretor técnico do Sindistal RJ - Sindicato da Indústria de Instalações Elétricas, Gás, Hidráulicas e Sanitárias do Rio de Janeiro, Vinícius Ayrão apresenta e discute nesta coluna aspectos ligados à atualização dos profissionais de eletricidade em relação às novas tecnologias e tendências do mercado. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões pelo e-mail: em_profissisonais@ arandaeditora.com.br, mencionando em “assunto” “EM Profissionais”.
O erro está em tratar os dois casos como se fossem iguais.
O que diferencia engenharia madura de engenharia fraca
• Engenharia madura: entende o problema antes de escolher o instrumento; relaciona ensaio com decisão; aceita ganhos incrementais quando tecnicamente válidos; sabe quando subir a régua e quando isso é desperdício; e assume responsabilidade intelectual pelo que recomenda.
• Engenharia fraca: começa pelo equipamento; mede por checklist; replica discursos prontos; evita se comprometer com conclusões; e se esconde atrás do “estado da arte”.
Atenção: Não existe negociação quando o assunto é segurança
Falamos de riscos à vida, incêndio, explosão ou falhas com potencial catastrófico e não reversível. Nesses casos, o critério técnico muda de patamar e o rigor deixa de ser opção para ser obrigação.
Por isso, é perigoso banalizar o discurso do “máximo para tudo”. Quando tudo vira crítico, nada é tratado como realmente crítico — e isso enfraquece a defesa técnica quando a segurança está em jogo.
Um gancho necessário para as próximas discussões
O objetivo deste artigo era marcar posição e não esgotar o tema. Pelo contrário.
Tecnologia é indispensável. Mas sem critério, vira muleta.
E quando o engenheiro abdica do raciocínio técnico — da análise de risco, da escolha sob restrição e da responsabilidade pela decisão — alguém decide por ele. Normalmente, quem não responde pelas consequências.
EM Aterramento
Considerações sobre o arranjo de Wenner
Sergio Roberto Santos
Do ponto de vista técnico não se mede a resistividade do solo, porque esse parâmetro não é medido diretamente, mesmo em laboratório, mas obtido através de uma sondagem geoelétrica, uma forma de sondagem geofísica. Uma Sondagem Elétrica Vertical (SEV) é um conjunto de leituras realizadas na superfície de um terreno através de um método de eletrorresistividade, utilizando-se um alinhamento simétrico de eletrodos, variando o espaçamento entre eles, de acordo com o arranjo de medição adotado.
O que se obtém através de uma sondagem geoelétrica após o processamento dos valores obtidos no campo é uma curva de resistividades aparentes, correspondentes ao perfil de resistividades em função da profundidade do solo, visto da sua superfície. Compreendendo melhor, não se obtêm um valor único que forneça a resistividade do solo porque este valor não existe, já que o solo não é homogêneo e as correntes elétricas simplesmente não desaparecerão no ponto onde elas forem injetadas [1].
Sondagens Elétricas Verticais
Essa técnica de sondagem geoelétrica analisa a distribuição vertical do parâmetro resistividade, sendo adequada apenas para camadas do solo consideradas rasas, equivalentes a algumas dezenas de metros. Ela é o método de obtenção de parâmetros de resistividade mais utilizado pelos profissionais da área elétrica devido à sua relativa praticidade, sendo baseada na injeção de correntes elétricas no solo, através de quatro eletrodos, dois de corrente e
dois de potencial, para medição da diferença de potencial entre os eletrodos de potencial provocada pela corrente injetada [2].
As SEV utilizam uma fonte de tensão contínua ou de baixa frequência e quatro eletrodos alinhados, espaçados simetricamente e firmemente cravados no solo em pequenas profundidades. Enquanto os dois eletrodos de corrente formam um circuito fechado, injetando e recebendo uma corrente elétrica I, os dois eletrodos de potencial medem a diferença de potencial ΔV através de um potenciômetro ou voltímetro de alta impedância. Em uma SEV, a resistividade do solo é proporcional à relação ΔV/I, sendo o fator de proporcionalidade K função da configuração utilizada no arranjo de medição [2].
Dessa forma, a resistividade aparente do solo é obtida através da fórmula:
Ρa = K ΔV/I, onde:
K é o fator de proporcionalidade; I é a corrente injetada no solo pelo equipamento de medição; e
ΔV é a diferença de potencial na superfície do solo medida pelo equipamento.
Arranjo de Wenner
Entre os métodos mais utilizados para obtenção dos valores da resistividade do solo está o arranjo de Wenner, proposto pelo Dr. Frank Wenner do U.S. Bureau of Standards em 1915 (figura 1) [3], principalmente devido à sua relativa simplicidade.
No arranjo de Wenner, todos os quatro eletrodos (hastes) de medição são igualmente espaçados, como mostrado na figura 2, onde A e B são os eletrodos
Fig. 1 – Imagem fac similar da introdução do artigo em que Frank Wenner propõe seu método de medição de resistividade do solo [3]
Fig. 2 – Configuração do arranjo de Wenner
EM Aterramento
de corrente e a tensão é medida entre os eletrodos de potencial M e N. Nesse procedimento, um aspecto fundamental é a distância entre os eletrodos adjacentes que para todos é a mesma, neste caso a; sendo h a profundidade de cravação, que não deve exceder 10% da distância entre os eletrodos (h ≤ 0,1a) [4].
O arranjo de Wenner constitui um caso particular do arranjo de Schlumberger, em que os quatro eletrodos são movidos simultaneamente, aumentando o espaçamento exponencialmente em 1 m, 2 m, 4 m, 8 m, 16 m, 32 m e 64 m, de modo que, quando eles são plotados em um gráfico log-log, resultam em pontos de medição igualmente espaçados.
No arranjo de Wenner a resistividade aparente do solo é obtida pela equação (1) a seguir, sendo que quando h ≤ a/10 a equação pode ser simplificada para a equação (2) [2].
ρ(a) = 4πa (1) ( ) 1 + –2a a² + 4h² √ 2 a² + h²
ρ(a) = 2π x a x (V/I) (2)
Considerações para a realização das medições
Como os resultados obtidos em campo serão posteriormente tratados através de softwares específicos, é muito importante que eles sejam os mais precisos possível, o que só acontecerá se o processo de medição for realizado corretamente. Por isso é importante observar os seguintes pontos:
1) A localização dos pontos e direções das SEV depende da geometria da área em questão e das características específicas do local, como sua topografia, possíveis interferências, obstáculos, espaço disponível para o trabalho e alinhamentos de medição executáveis. Caso a área da sondagem seja aumentada, a quantidade necessária de linhas de medição também o será, mas de forma quadrática, considerando que o aumento da área é função do quadrado do raio equivalente e o semi-volume de solo prospectado aumentará com o cubo do raio equivalente.
2) Para que os resultados das medições correspondam ao período de maior resistividade do solo, recomenda-se que as medições sejam realizadas em épocas apropriadas, quando a resistividade do solo no local seja a maior possível.
3) Para reduzir a resistência de contato das medições, os eletrodos de exploração devem ter um bom contato com o terreno.
4) O material solto no solo deve ser removido até que se encontre terra firme. Caso o solo tenha camadas grossas de areia, pode-se colocar água no ponto de cravamento dos eletrodos.
Ao contrário do tratamento dos dados, normalmente realizados em um escritório e que podem ser refeitos relativamente sem problemas, as sondagens em campo envolvem deslocamentos e trabalho em ambientes externos, às vezes inóspitos, o que requer um rigoroso planejamento que, se não for corretamente seguido, comprometerá a obtenção dos resultados. Por isso
Engenheiro eletricista da Lambda Consultoria, consultor da Embrastec e mestre em energia pelo Instituto de Energia e Ambiente da USP, Sergio Roberto Santos apresenta e analisa nesta coluna aspectos de aterramento, proteção contra descargas atmosféricas e sobretensões transitórias, temas aos quais se dedica há mais de 20 anos. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões ao especialista pelo e-mail: em_ aterramento@arandaeditora.com.br, mencionando “EM-Aterramento” no assunto.
as seguintes recomendações adicionais devem ser observadas com atenção:
1) Não devem ser feitas medições sob condições atmosféricas adversas, tendo em vista principalmente a ocorrência de tensões de passo, mas também de toque e líderes ascendentes não conectados, causados por descargas atmosféricas diretas ou indiretas;
2) Todos os profissionais no campo devem utilizar os equipamentos de proteção coletiva e individual previamente indicados por um engenheiro ou técnico de segurança do trabalho;
3) Como o trabalho no campo exige caminhadas, fixação e retirada de hastes, lançamento e recolhimento de cabos, deve ser previsto no planejamento do serviço um número suficiente de pessoas que não sobrecarregue individualmente cada membro da equipe, além de intervalos regulares de descanso. Cabe lembrar que o serviço é realizado a céu aberto, estando as pessoas sujeitas à influência direta do sol.
4) Pessoas estranhas ao serviço, mesmo que funcionários do cliente, e animais não devem se aproximar dos equipamentos de medição, incluídos cabos e hastes;
5) Não se deve tocar nos eletrodos durante a medição.
Conclusão
O arranjo de Wenner é um dos métodos mais utilizados para obtenção da resistividade aparente do solo, principalmente pela sua praticidade. Conhecê-lo permite que os profissionais da área elétrica possam realizar corretamente as sondagens geoelétricas, contribuindo para projetos de sistemas de aterramento os mais eficientes possível.
Analisadores de qualidade da energia
Da Redação de EM
Os analisadores de qualidade da energia são utilizados para medir e diagnosticar distúrbios em sistemas elétricos, como variações de tensão, harmônicos e interrupções. Este levantamento apresenta fabricantes e fornecedores desses equipamentos, com informações sobre características técnicas, tipos de grandezas medidas, recursos de comunicação e classes normativas.
Nota: *) A empresa procura por representante para o Brasil. Obs.: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 18 empresas pesquisadas Fonte: Revista Eletricidade Moderna, Janeiro / Fevereiro de 2026
Grandezas medidas
Demanda Portas
Diretriz
UE 1230:2023
Estellito Rangel Júnior
A nova edição da “Diretriz de máquinas UE 1230: 2023” impõe avaliar os riscos de explosão desde a fase de projeto das máquinas. O documento substituiu a Diretriz de Máquinas anterior, a UE 42: 2006, e torna-se diretamente aplicável em todos os Estados-Membros da União Europeia a partir de 20 de janeiro de 2027.
Sobre os riscos de explosão, a nova Diretriz dispõe:
• A máquina deve ser projetada e construída de modo a evitar qualquer risco de explosão apresentado pela própria máquina ou por gases, líquidos, pós, vapores e outras substâncias produzidas ou usadas por ela.
• A proteção contra explosões deve ser incorporada na fase de projeto, eliminando ou reduzindo riscos ao longo da vida útil da máquina.
• Quando usada em atmosferas potencialmente explosivas, a máquina deve cumprir também a Diretriz ATEX UE 34: 2014.
• A Diretriz de Máquinas não substitui a Diretriz ATEX para máquinas destinadas a uso em áreas potencialmente explosivas. Ela estabelece uma obrigação geral de evitar explosões. A Diretriz UE 34: 2014 continua aplicável para certificação “Ex”.
• Os fabricantes terão que integrar a análise de risco de explosão na fase de projeto das máquinas e docu-
mentá-la no prontuário, de acordo com os requisitos essenciais de segurança estabelecidos na Diretriz.
Dentre os requisitos para manuais de operação das máquinas, a Diretriz estabelece:
• nome e endereço completo do fabricante;
• designação da máquina;
• declaração de conformidade da UE;
• descrição geral da máquina;
• diagramas, descrições e explicações necessários para a utilização, manutenção e reparação da máquina, e para a verificação do seu correto funcionamento;
• tipos e frequência das inspeções e manutenções necessárias à segurança;
• indicação das peças sujeitas a desgaste, bem como os critérios de substituição;
• instruções de montagem, instalação e conexão, incluindo plantas, diagramas, meios de fixação e designação da base em que a máquina deverá ser montada;
• instruções relativas às medidas de proteção para os usuários, incluindo EPI;
• descrição das operações de ajuste e manutenção a serem realizadas pelo usuário, bem como as medidas preventivas a serem observadas;
• concentração de substâncias perigosas em torno da máquina, origi-
Estellito Rangel Júnior, engenheiro eletricista, primeiro representante brasileiro de Technical Committee 31 da IEC, apresenta e discute nesta coluna temas relativos a instalações elétricas em atmosferas potencialmente explosivas, incluindo normas brasileiras e internacionais, certificação de conformidade, novos produtos e análises de casos. Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões ao especialista pelo e-mail em@ arandaeditora.com.br, mencionando em “assunto” EM-Ex.
nárias de sua operação ou decorrentes de substâncias usadas por ela; e
• no caso de máquinas destinadas a usuários não profissionais, a elaboração e a apresentação do manual de instruções devem levar em consideração o nível de educação e compreensão geral esperado dos usuários.
A Diretriz UE 1230: 2023 também define, dentre os requisitos gerais para máquinas:
• após o corte do fornecimento de energia, qualquer energia residual ou armazenada nos circuitos da máquina poderá ser descarregada sem risco para as pessoas;
• o conteúdo do manual de instruções deve abranger não apenas o uso normal da máquina, mas também o uso indevido razoavelmente previsível; e
• as máquinas devem ser construídas para prevenir a ocorrência de cargas eletrostáticas potencialmente perigosas e/ou serem equipadas com meios para dissipá-las.
Embora a Diretriz entre em vigor apenas em 2027, fabricantes e usuários devem se preparar desde já para a transição.
Fabricantes brasileiros que exportam máquinas para a União Europeia devem se adaptar aos novos requisitos.
Os usuários brasileiros também deveriam conhecer os detalhes da nova diretriz e comparar seus requisitos com as máquinas hoje encontradas no mercado brasileiro.
A Diretriz de Máquinas UE 1230:2023 está disponível em https://eur-lex.europa.eu/ legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:32023R1230.
No Brasil
Intersolar Brasil Nordeste – O Intersolar Brasil Nordeste acontecerá no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, em 28 e 29 de abril. Constituído de congresso e feira, o evento enfocará energia solar, armazenamento de energia, H2V e outros assuntos. Realização: Solar Promotion, FMMI e Aranda Eventos. Informações: https://www.inter solar-summit-brasil.com/nordeste.
Hidrogênio – A primeira edição brasileira do Hyvolution, evento dedicado ao hidrogênio e descarbonização, vai ser realizada nos dias 16 e 17 de junho, no Centro de Convenções do Distrito Anhembi, em São Paulo. A expectativa é receber cerca de 6 mil visitantes, mais de 800 congressistas e pelo menos 100 marcas expositoras. Entre o público-alvo estão executivos de empresas, especialistas, investidores e representantes do poder público. O objetivo é impulsionar empreendimentos e políticas sustentáveis voltadas à transição energética e reforçar a importância do tema em âmbito nacional e internacional. Mais informações em https://www.hyvolution.com.
REDs – O SenRed – Seminário Nacional de Recursos Energéticos Distribuídos, idealizado pelo Comitê de Estudos Sistemas Ativos de Distribuição e Recursos Energéticos Distribuídos – Cigre-Brasil CE-C6, será realizado em 25 e 26 de junho, no Auditório da Administração do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, PR. O evento discutirá desafios técnicos, regulatórios e de mercado relacionados aos recursos energéticos distribuídos (REDs), incluindo geração distribuída, armazenamento, microrredes, veículos elétricos e a interface TSO-DSO. Mais informações em https://senred.cigre.org.br.
The smarter E – O The smarter E South America 2026 acontecerá de 25 a 27 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, congregando os eventos: Intersolar South America - A maior feira & congresso para o setor solar da América do Sul; ees South America - Feira de baterias e sistemas de armazenamento de energia; Eletrotec+EM-Power South America - Feira de infraestrutura elétrica e gestão de energia; e Power to Drive South America - Feira de produtos e serviços para eletromobilidade. Organização de Solar Promotion International GmbH, Freiburg Management and Marketing International e Aranda Eventos & Congressos. Informações: www.thesmartere.com.br.
CURSOS
Conceitos básicos de eletricidade – A Schneider Electric oferece o curso Conceitos básicos para introduzir eletricidade na sua plataforma digital de aprendizagem Schneider Electric University. O conteúdo é gratuito, e simula a configuração elétrica de uma casa de pequeno porte, abordando desde conceitos fundamentais de eletricidade e normas de segurança até atividades aplicadas, como instalação de tomadas, planejamento de cabos e implementação de poço de aterramento. Informações: www.se.com/ww/en/about-us/ university.
Hidrogênio e Energias renováveis – A AHK Brasil - Rio de Janeiro, em parceria com o Gesel/ UFRJ, promove o curso Hidrogênio e Transição Energética, abordando temas técnicos, regulatórios, econômico-financeiros e ambientais. A entidade também oferece o curso de Gestão em Energias Renováveis (GENRE), com ênfase nas tecnologias solar, eólica, biomassa e outras. Mais informações sobre os cursos, respectivamente: https://brasilienriodejaneiro.ahk.de/br/formacao-profissional/ cursos-sincronos-ao-vivo/hidrogenio-e-transicaoenergetica e https://brasilien.rio.ahk.de/pt/cursos/ genre?utm_campaign=genre_0205&utm_ medium=email&utm_source=RD+Station.
Energia na América Latina – A Olade - Organização Latino-Americana de Energia oferece um programa de formação executiva, que abrange diversos temas relacionados ao desenvolvimento energético da região através de 16 cursos, organizados em cinco eixos temáticos: tecnologias, hidrocarbonetos, transição energética, políticas energéticas e integração energética regional. Os cursos serão ministrados em diferentes modalidades (e-learning, virtuais e semipresenciais, webinars e oficinas de trabalho). Para mais informações, acesse https://capevlac.olade.org.
Treinamento Ex – A Tramontina mantém a Cabine de Treinamento para instalações em ambientes com atmosferas explosivas e áreas industriais, localizada em Carlos Barbosa (RS). O ambiente está equipado com painéis, luminárias, botoeiras, caixas de ligação, plugues e tomadas com proteções “Ex e” (segurança aumentada), “Ex d” (à prova de explosão) e “Ex t” (proteção contra ignição de poeiras), a fim de proporcionar uma experiência prática e teórica aos participantes. Os interessados podem obter mais informações por meio do site https://glo
bal.tramontina.com/atmosferas-explosivas ou telefone (54) 99981.1022.
Proteção – De 25 a 27 de março, a Conprove realizará o curso Proteções aplicadas na interligação de consumidores com geração distribuída (GD) nas concessionárias de energia elétrica, que abordará critérios de proteção, modelagem de fontes de geração distribuída, parametrização de relés e requisitos técnicos para a interligação segura de consumidores à rede das distribuidoras, com exemplos práticos e estudos de caso. Informações em https://conprove.com.
NO EXTERIOR
Eólica – O WindEurope Annual Event 2026 será realizado de 21 a 23 de abril, no Ifema Madrid, em Madri, Espanha, reunindo mais de 16 mil participantes e 500 expositores de toda a cadeia de valor da energia eólica. O encontro promoverá debates sobre o papel da fonte na construção de uma Europa mais competitiva e de baixo carbono, além de oportunidades de networking e de negócios. Mais informações em https://windeurope.org/.
Workshop Cired – A 10a edição do Cired Workshop será realizada nos dias 9 e 10 de junho, em Bruxelas, Bélgica. O evento, que terá como tema central “Implementando inovações bemsucedidas em redes de distribuição”, deve reunir cerca de 500 especialistas da área, abordando três grandes eixos: novos métodos para planejamento de redes confiáveis, resilientes e sustentáveis; experiências práticas na implementação de inovações; e regulamentações e práticas para fomentar inovação e reduzir riscos. Uma exposição paralela complementa a programação. Mais informações: https://2026brussels.cired.net/. World Energy Congress – Considerado um dos maiores e mais importantes eventos globais voltados para o setor de energia, e organizado pelo World Energy Council (WEC), o congresso reúne líderes do setor de energia, governantes, acadêmicos e especialistas para discutir os maiores desafios e oportunidades no campo da energia mundial. A edição de 2026 será realizada em Riyadh, Arábia Saudita, de 26 a 29 de outubro. O evento atrai profissionais e líderes de empresas de energia, governos, organizações internacionais e a academia, proporcionando um ambiente de troca de conhecimento e networking. Informações em: https://www.worldenergy.org.
Carretéis para acondicionamento de fios e cabos elétricos
Da
Redação de EM
Este guia reúne fornecedores de carretéis para acondicionamento e transporte de fios, cabos elétricos e cordoalhas. As empresas estão organizadas de modo a facilitar a busca conforme dimensões, características construtivas e materiais empregados, incluindo opções em madeira e plástico, além de carretéis novos ou reformados.
Empresa
Bobimar – (11) 3857-7154 bobimar@bobimar.com.br
Edentec – (15) 3225-1477 edentec@edentec.com.br
Rotto Brasil – (11) 4693-4190 vendas@rottobrasil.com.br
Madem Reels – (54) 3462-5600 sales@mademreels.com
Obs.: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 31 empresas pesquisadas Fonte: Revista Eletricidade Moderna, Janeiro / Fevereiro de 2026. Este e muitos outros guias estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/em e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.
Madeira
Farsas e paródias elétricas
Paulo Ludmer
O setor elétrico brasileiro é farsesco, vive uma paródia ou, como se dizia na minha infância, recita textos para inglês ver. Isso se esclarece de vez no quadro atual em que o governo dos Estados Unidos revela ao mundo que o humanismo pouco importa, que os valores da civilização judaica-cristã tampouco contam, incluindo a ética, e que o poder da força, humilhação, prepotência e opressão é, de fato, o regente da orquestração do mundo. Direitos humanos, multilateralidade nas cadeias produtivas, soberania das nações –enfim os progressos éticos comportamentais que nortearam nossas vidas e de nossos países nos últimos 80 anos –, inserções que organizaram o convívio no planeta, não eram de verdade; eram biombos, discursos de pre-
partes organizadas da sociedade junto ao governo e diante da Nação, para advogar medidas junto aos poderes da República, desejando ser atendidas por estadistas, homens de bem honestamente interessados no que entendessem por superiores interesses do bem público. Esses homens de bem, em todas as instâncias, parecem que são encontráveis na ficção literária.
3) Na verdade, entidades de classe tratam de varrer o lixo de suas dificuldades e mazelas para debaixo do tapete alheio. Normalmente vão para as despesas dos erários públicos e dos consumidores que pagam todas as despesas inventadas e arquitetadas sobre sofismas de benesses sob a bandeira da igualdade. Se tem algo que o setor elétrico faz é concentrar renda. Não se iludam com as migalhas do Luz para Todos nem os farelos das tarifas sociais.
4) Na área pública, nos três poderes, encontram ressonância e acolhimento.
5) As políticas públicas – vide sinais de preços e cargas tributárias – claramente não colocam a igualdade como primado, embora fantasiem o imaginário
“Se o ofertante ganha, o bônus é dele.
Se perde, socializa o drama”
Paulo Ludmer é jornalista, engenheiro, professor, consultor e autor de livros como Derriça Elétrica (ArtLiber, 2007), Sertão Elétrico (ArtLiber, 2010), Hemorragias Elétricas (ArtLiber, 2015) e Tosquias Elétricas (ArtLiber, 2020). Website: www.pauloludmer.com.br.
servação de mais do mesmo, da barbárie de séculos atrás.
A realidade sempre foi assim, mas bastante camuflada, maquiada, disfarçada, enfeitada por discursos para boi dormir. Conceitos como fraternidade, igualdade, liberdade, a rigor, reservaram-se para manipulações dos detentores do poder. Eis 12 considerações ou exemplos ao acaso:
1) Várias entidades de classe, por aqui, criaram intestinamente castas de sócios, os que podem mais e os que podem menos, em distintas estruturações do que fantasiavam por democráticas.
2) As velhinhas de Taubaté acreditaram que elas nasceram para ser interlocutoras de
coletivo de que a galera merece distribuição de renda. Os subsídios e incentivos são prioritariamente proteções de empreendimentos, e não da sociedade, sejam nas alocações ou nas escolhas e decisões em geral.
6) Os partidos políticos, em boa parte, não são partidos políticos: não têm ideologias, programas, planos, estratégias, o que e como fazer pelo Brasil. No universo da energia, boa parte é superficial e ignorante. Cometem embustes alinhados com este artigo. Copiam mal D. João VI, são negociais. O rei de Portugal pelo menos criou alguns entes dignos que deixou de herança no Brasil.
7) A deformidade nos sinais de preços são janelas para a nudez do que se pratica. A energia de Itaipu custa o dobro do que deveria, considerando o término do pagamento de suas dívidas. Ela é desviada para gastos exógenos à energia, tanto no Paraguai quanto no Mato Grosso do Sul, Paraná e recentemente na COP 30, no Pará.
8) Os subsídios pagos por todos os consumidores – a título de que nossos irmãos do Norte tenham acesso à energia como os do Sudeste, Centro Oeste e Sul – não diminuem nem terminam com a Ligação Tucuruí-Manaus-Macapá. Não se controlam eficientemente para evitar que diesel siga para serrarias, embarcações, prefeituras e oportunistas. Uma parte banca usinas a carvão por aqui mesmo. Subsídios no Brasil não têm prazo, metas ou métricas nem fim. E só crescem.
9) Os benefícios para municípios com terras inundadas por reservatórios hidrelétricos, que regularizaram cheias e estiagens, que fundamentam irrigação, pesca, turismo, saneamento e mobilidade intermunicipal, não são contabilizados. Mas todos os consumidores pagam penalidade de indenização às suas prefeituras pela inundação.
10) A coleta via fatura mensal de energia elétrica de cada consumidor de encargo para sustentar a Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica é, em boa parte, desviada para o Tesouro a título de abatimento da dívida pública. Isso se repete com combustíveis fósseis na Agência Nacional do Petróleo e que tais.
11) A ausência de Estado nas comunidades de grandes cidades brasileiras abre espaço para que milícias e o crime organizado cobrem pedágios a fim de que domicílios recebam água, energia e gás. Rouba-se em metrópoles até 30% dos kWh fornecidos e rateia-se a conta equivalente sobre os consumidores pagantes. Responsabilidade é punida com a cobertura do ônus dos contraventores.
12) Se falta energia, o ônus é do consumidor (via preço ou via racionamento). Se sobra, o ônus também é do consumidor que arca com o custo do excesso. Se o ofertante ganha, o bônus é dele. Se perde, socializa o drama.