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REPORTAGEM OUTUBRO 2019

alguma vez realizado sobre a temática da horologia alemã – não apenas marcadores de tempo – relógios – mas também sobre o pensamento no mundo de língua alemã relacionado com o Tempo. Duas peças que pertencem ao acervo do Museu Nacional da Alemanha de Nuremberga foram as “vedetas” do encontro. Uma delas, um relógio com a inscrição “Petrus Hele me f.[ecit] Norimb.[erga] 1510”, adquirida pelo museu em 1897, por uma soma considerável, seria o primeiro relógio do mundo conhecido a usar a mola helicoidal como força motriz. — O ferreiro Peter Henlein (1485 - 1542), natural de Nuremberga, e com a vida profusamente documentada, terá sido o primeiro a usar a mola helicoidal como força motriz dos relógios, quando até então essa força advinha da gravidade e de pesos. Com a nova tecnologia, os chamados “ovos de Nuremberga” portabilizaram o Tempo e, ao mesmo tempo, tornaram-no mais pessoal. Objectos mais de aparato e estatuto do que relógios, eram usados pendurados ao pescoço. Desde sempre houve muitas dúvidas sobre a autenticidade da peça e, em 2013 e 2014, uma equipa multidisciplinar da Museu procedeu ao estudo minucioso da peça, desmontando-a e analisando-a com as mais recentes técnicas. Chegou-se à conclusão que muitos antecipavam já – a peça era uma falsificação. Várias soluções técnicas não correspondiam à mesma época, a caixa tinha sido raspada no lado, possivelmente para apagar vestígios de decoração que daria como pista outra era. A comunicação no Simpósio de Nuremberga, feita por Thomas Eser, responsável pelas colecções de instrumentos científicos do Museu, veio escrever o ponto final na história. Mas o objecto, apesar de falso, não deixa de ser fascinante. — A outra peça, neste caso verdadeira, é o do chamado Relógio Burgundy, desde há mais de 70 anos no Museu. Feito à volta de 1430, é u dos relógios de mesa mais complicados que se conhecem no mundo em época tão remota. Pela heráldica que o adorna, está ligado a Filipe o Bom, Duque de Burgundy (1396–1467), daí o seu nome. Originalmente, foi um autómato complexo, mas hoje apenas resta o corpo onde está o relógio. A peça é ainda impressionante do ponto de vista estético, pois reproduz a fachada de uma catedral gótica, com figuras de santos a moverem-se. Descoberto em 1835, na Áustria, apareceu em 1878 na Feira Mundial de Paris, passando a ser uma peça famosa, e foi vendido em 1926 para a Alemanha. Em 1943, em plena II Guerra Mundial, adquirido pelo Museu Nacional de Nuremberga. Do ponto de vista técnico, surpreende o facto de já ser usado e 1430 o sistema de escape de força constante através de fuso e corrente. — Únicos participantes de Portugal no Simpósio de Nuremberga, iremos tratar de futuro com mais pormenor cada uma das comunicações apresentadas. Desde já, um voo de pássaro sobre 4 dias de trabalho debruçados sobre o Tempo alemão.

FOI O MAIOR ENCONTRO

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Anuário Relógios & Canetas – Outubro 2019  

Edição mensal digital (Outubro de 2019) do Anuário Relógios & Canetas

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