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Palestra proferida pelo Governador VASCO LARIA DA FONSECA, texto extraído do Boletim do RC de Juiz de Fora – Sul. Aniversario de Rotary Internacional O conselho diretor deste club, muito acertadamente, transformou em festiva esta reunião, para dar um cunho mais solene ás comemorações do 93º aniversario de Rotary Internacional. Por certo, a mesma coisa estará acontecendo-nos quase 30.000 RC espalhado por 157 países do mundo. Realmente constituí motivo de alegria e festa término de mais um ano de existência. Principalmente quando essa existência tem sido toda ela, dedicada ao bem estar da humanidade. Rotary nasceu da sensação de isolamento e da necessidade de amigos em que vivia, na grande Chicago, um jovem advogado. Dizia mesmo Paul Harris: “Não há sítios com os Parques das grandes cidades, aos domingos, para nos sentirmos sós; a própria presença de tantos estranhos, acentua essa solidão”. Na realidade, as grandes concentrações humanas, por mais paradoxal que possa parecer, isola os homens. Sentimo-nos muito mais isolados numa populosa São Paulo ou Rio de janeiro do que nas pequenas cidades do interior. Paul Harris teve então ideia de fundar um clube diferente de todos os já existentes, onde se reunissem homens de varias profissões, para se conhecerem melhor e tornaremse amigos, já que naquela ocasião, em Chicago, os interesses pessoais, frutos de uma concorrência desleal e desonesta, se sobrepunham às amizades sinceras. Expôs suas Ideias a 3 conhecidos e no dia 23 de fevereiro de 1905, foi fundado o 1º Rotary Club. Longe dele, porém, estava supor que aquela ideia iria ter tanta receptividade. A ponto de se tornar Internacional. Quando pensamos nisso, uma pergunta nos vem à mente: “o que existe em Rotary que o fez e continua fazendo crescer tanto?”. E essa curiosidade torna-se ainda maior quando verificamos- que, num mundo materializado como o que vivemos, em que a “Lei do Gerson”- impera, ele não oferece aos seus associados, nenhuma recompensa financeira, exigindo deles, pelo contrário, o


pagamento de uma mensalidade, uma frequência obrigatória às suas reuniões e uma manifestação constante de Serviço. O que existe então de mágico, nessa Instituição, que atrai para suas fileiras, tantos homens e mulheres ocupados que, muitas vezes, deixam suas ocupações para se preocuparem com as causa de Rotary? Parece-nos que podemos encontrar uma resposta a essas perguntas, numa passagem da vida de Paul Harris que ele chamou de “Louca Aventura”; durante os últimos anos do seu curso de direito, ele alimentou um desejo que se sobrepunha a todos os outros os de conhecer melhor a maneira de ser dos homens, Iniciou, então, durante 5 anos, uma serie de viagens por várias cidade do mundo e, aquelas suas andanças levaram-no a concluir que por maiores que fossem as diferenças de raças e línguas dos povos por ele visitados, existia entre eles uma coisa em comum e que era maior do que todas aquelas diferenças: o desejo de viver com tranquilidade, com segurança e em paz. Ele verificou também, que a história da humanidade tem sido uma sequência de experiências às vezes sangrentas em busca de uma paz duradoura, tão almejada, porém, nuca alcançada. Concluiu, então, que ela nunca será conseguida com guerras ou através de tratados, mas, somente quando houver mais compreensão e mais tolerância entre as Nações. E outras não são as metas de Rotary. Rotary com o seu desejo de colaborar para um mundo melhor, não condicionou seu ideal de servir ao próximo, a nenhuma corrente filosófica. Nenhum rotariano é convidado a deixar de ser o que é para servir melhor ao meio em que vive. Cada um com sua profissão, seu credo religioso, suas convicções políticas, seu temperamento e suas capacidade de trabalho, concorre para formar, nessa diversidade, uma unidade que avança em direção do mesmo objetivo. “Rotary é um exemplo em miniatura de um mundo em paz” já dizia Paul Harris. Nem mesmos a violência e os horrores das guerras, são capazes de fazer com que os verdadeiros rotarianos, considerem inimigos os filhos de um País adversário, se eles portarem na lapela o distintivo da Roda dentada. Ainda nesta ultima guerra mundial, muitos Rotary Clubs de países ocupados, continuavam a realizar suas reuniões, ás escondidas, mesmo sabendo o risco que corriam. Em Amiens, na França, tivemos um exemplo eloquente de companheirismo, que serviu de inspiração a um rotariano do meu club, Dr. Pedro Anísio Maia (então juiz de


direito em Carangola) que escreveu um poema sobre o fato e que me permito ler apenas a parte final. Os rotarianos, certa vez, No seu fraterno jantar, Souberam com altivez Os alemães enfrentar. Em plena sessão rotaria A gestapo temerária Surgiria como um dragão. Os olhares se cruzaram, Todos, heris, aguardaram. A fatal condenação. Foi um momento sublime; Epopeia de beleza; Em palavras não se exprime Tal valor, tanta nobreza. O soldado prussiano, Vendo o troféu rotário A fulgir com um luzeiro, Sereno exclamou sorrindo: Celeste gozo sentindo: Continuem companheiros. Continuem essa sessão Pois sei o quanto ela encerra Na Alemanha, com razão, Fui rotariano antes da guerra. E o garboso militar Perfilou-se devagar Logo após sua fala, E dando ao gesto o sentido De um grande dever cumprido, Solene deixou a sala. Esse exemplo sublime edificante mesmo é bem uma prova de força do ideal de Rotary que através de seus integrantes, faz com que a compreensão se sobreponha ao ódio.


Os seus 93 anos de existência tornaram Rotary hoje, uma Instituição admirada por todos, pelo muito de positivo e concreto que vem realizado em favor da aproximação dos povos, principalmente através dos magníficos programas da Fundação Rotaria. Mas, ele tem pela frente a grande tarefa de conseguir a união de um mundo tão profundamente desunido. Este é um desafio e um trabalho a ser por nós empreendido. Uma das grandes obras da engenharia dos Estados Unidos é a suspensão da Ponte da Porta Dourada à entrada da Baía de São Francisco. Aquela gigantesca ponte é sustentada por imensos cabos com diâmetros de 1 metro. Em um corte transversal de um daqueles cabos, encontra-se gravada a informação de que o mesmo é composto de 27.327 arames delgadíssimos, cada um contribuindo com seu pequeno esforço, para sustentar o peso da ponte. Meus caros companheiros; Que essa silenciosa Parábola da Ponte da Porta Dourada nos faça sentir que a cada um de nós cabe uma pequena parcela de grande responsabilidade de fazer com que Rotary continue sua vitoriosa caminhada. De nós, somente de nós rotarianos, depende o futuro de Rotary, já que a nossa participação e o nosso trabalho irão escrever a sua historia e fazer com que o mesmo sonho, de uma Paz verdadeira e duradoura, seja um dia alcançado. Sejamos meus caros companheiros, historiadores dignos e conscientes, para que possamos comemorar outros aniversários de Rotary com a satisfação de reconhecer que contribuímos de algum modo, para enaltecê-lo cada vez mais, transformando os obstáculos que porventura surgirem em sua caminhada, em degraus, através dos quais sua bandeira subirá, para que um dia ela venha a tremular nas alturas, anunciando a Paz entre as Nações.


Aniversário de Rotary Internacional