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Escola EB23/Sec.de Oliveira de Frades

Katársis II Uma revista de Filosofia, Psicologia, Poesia e outras coisas afins…. 50 Katársicos Março Ano 2007/08

Nº2

Quem procura a verdade deve estar disposto a sacrificar tudo pela verdade. (Gandhi)


KATÁRSIS II

FICHA TÉCNICA

Editorial DIRECÇÃO E CONSELHO EDITORIAL

Novo ano (2008), revista nova! Pois é, a Katarsis II está de novo aí, com novos textos e desenhos, poemas, reflexões, enfim, com o fruto do trabalho de vários docentes e alunos. Como já havia sido referido na revista anterior procurou-se igualmente abrir esta publicação a todo o tipo de trabalhos das diversas áreas ou grupos disciplinares e embora tenha havido alguma participação, ela ainda não foi a desejada. Esperemos que o seja numa próxima oportunidade. Os temas apresentados neste número reflectem uma louvada preocupação dos nossos alunos com os problemas do meio ambiente, aspecto suscitado pelo visionamento do polémico documentário de Al Gore. Os restantes temas foram escolhidos livremente pelos participantes, que resolveram dessa forma dar o seu testemunho e o seu precioso contributo para que esta publicação fosse uma realidade. A presente revista conta com artigos de opinião, apresentação de autores pertinentes, breves críticas a livros ou filmes interessantes e outros trabalhos que gentilmente as pessoas nos foram facultando. Gostaria que esta nova edição despertasse outros docentes, alunos e outros a participarem neste projecto apresentando textos pessoais, desenhos, ideias, pois só assim haverá “matéria” para novos números.

Jorge Marques e António Paulo PROPRIEDADE

EB23/S. De Oliveira de Frades COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO

Rafael e Michel

IDEALIZAÇÂO DA CAPA

Jorge Marques e Nuno Fonseca MONTAGEM

Jorge Marques e António Paulo

REVISÂO DOS TEXTOS

António Paulo e Jorge Marques Jorge Marques Raquel Rei – 10º B

1ª Tiragem: 100 Exemplares AGRADECIMENTOS

A todos os alunos, funcionários e professores que participaram na revista, ao Conselho Executivo pela disponibilidade concedida; aos funcionários da reprografia pelo trabalho acrescido em tempo de aulas.

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KATÁRSIS II quem pedimos para compor o telhado, tendo aquele dito que aquilo era um problema muito difícil de resolver e se nós o queríamos resolver tínhamos de deixar de jogar a bola dentro de casa, de nos encostarmos as paredes, tínhamos que tratar muito bem a estrutura da casa, para que quando saíssemos desta casa e fossemos morar para outra os próximos inquilinos ainda tivessem casa. Este pequeno exemplo leva a pensar nas acções que o Homem executa. Durante muitas décadas ou mesmo séculos, sensivelmente a partir da Revolução Industrial, o Homem começou a explorar “melhor” a Terra e os seus recursos, levando por vezes à sobre exploração dos recursos e ao seu desaparecimento, isto teve muitas benesses na medida em que contribui para a sociedade em que hoje vivemos. Mas, também teve alguns senãos, como por exemplo o enfraquecimento da camada de ozono e nalgumas zonas mesmo a sua destruição. Estes factores colocam-nos a pensar nas acções do ser humano e do seu encadeamento, pois uma acção passada será a base de uma outra futura, isto é, como uma gigantesca bola de neve, primeiro é muito pequena, mas à medida que vai descendo a montanha torna-se cada vez maior até se transformar numa avalancha. A avalancha dependeu da pequena bola de neve. Todas as acções estão dependentes de uma passada (directa ou indirectamente) pois o que eu serei amanhã depende do que sou hoje. O que se passa com a camada de ozono é um efeito da nossa geração e das anteriores, mas nós ainda vamos a tempo de minimizar este problema, tendo para isso de pôr em prática algumas medidas que tenham em vista um desenvolvimento sustentável dos recursos que o nosso planeta nos oferece.

Comentário ao filme/documentário “Uma verdade inconveniente”

Dizer algo sobre este documentário é um pouco relativo, isto é, podemos associar este tema a muitos dos temas que são abordados na aula. Este tema alerta-nos para o que nós, que habitamos a Terra estamos a fazer. Reduzindo este problema a uma escala muito mais pequena, podemos comparar o nosso planeta à nossa casa. Uma casa com um telhado de vidro, muito fino. Na nossa casa, tentamos esteja sempre tudo arranjado, tudo limpo, tudo bonito, para nós nos sentirmos bem dentro dela. Não andamos a jogar à bola dentro dela. Mas, esta casa em que moramos é alugada, e temos que a estimar para os próximos inquilinos…mas os inquilinos anteriores tinham muitos filhos e esses filhos gostavam de jogar à bola dentro de casa e por andarem a mandas com a bola no telhado, o telhado começou a apresentar algumas fissuras. Entretanto esses inquilinos mudaram de casa, quando nós a fomos habitar vimos que o tecto tinha fissuras e não ligamos muito, o tempo foi passando e as fissuras começaram a deixar entrar água da chuva, primeiro umas gotinhas, depois umas gotas maiores…então começamo-nos a aperceber que como chovia dentro de casa começávamos a ficar doentes. Então decidimos que devíamos intervir, e chamámos um empreiteiro a

Mariana Masteling Pereira - 10º B

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KATÁRSIS II

Um pensamento, uma mudança Após a visualização de um filme no passado dia 29, na aula de Filosofia, o professor sugeriu que reflectíssemos sobre o assunto e elaborássemos um texto aplicando conceitos anteriormente estudados em que exprimíssemos as nossas ideias, as nossas opiniões. O documentário, cujo nome era “Uma verdade inconveniente”, era muito apelativo visto que a sua principal função era alertar as pessoas para o estado do nosso planeta. O principal interveniente do documentário era AlGore, um candidato a presidente dos Estados Unidos da América, que concorreu contra Bush, de onde saiu derrotado. Durante o decorrer do filme apareceram imagens bastante chocantes de cheias, furacões, fogos, poluição, entre outros, resultantes das mudanças climáticas. Al-Gore serviu-se de um discurso argumentativo para mostrar às pessoas a sua posição, expressando as suas ideias através de um ecrã grande e argumentos válidos. A minha citação preferida foi “O que nos causa sarilho não é o que não conhecemos e sim o que temos a certeza que não é verdade”, ou seja, o que nos preocupa é o que sabemos que é mentira, pois ao sabermos que é mentira, procuramos a verdade, ao contrário do que não sabemos, se não sabemos, não nos vamos questionar sobre o que nem sabemos que existe. Segundo Al-Gore, a emissão de CO2 em elevadas quantidades está a prejudicar gravemente a Terra, pois este está a acumular-se na atmosfera terrestre, fazendo com que os raios solares que a penetram embatam na Terra e depois não saiam, o que provoca o aquecimento global (- definição de efeito de estufa). Devido ao efeito de

estufa, o gelo existente na superfície da Terra está a derreter significativamente e a juntar-se à água salgada do mar provocando a falta de água potável e a morte de alguns animais polares dependentes do gelo (ou seja, extinção de espécies). Tudo isto é resultante dos actos voluntários das pessoas, o que é muito triste, visto que nos estamos a destruir a nós próprios. Se fosse resultante de por exemplo, a camada do Ozono estar a ser destruída por poeiras ou gases existentes no Universo, pelo menos as pessoas viviam sem a consciência pesada por esta destruição, por este acto intencional e inconsciente da população em geral. Algumas pessoas têm o preconceito de que o mundo não acabará independentemente do que o Homem faça, o que me parece totalmente incorrecto, sendo uma prova disso os sinais que estão a começar a aparecer (poderá ser só o início se a população mundial não evoluir mentalmente dentro de pouco tempo). Outras pessoas são essencialmente dogmáticas, que é recusarem-se a analisar as ideias propostas por muita gente, declarando-as verdadeiras ou falsas sem razões para isso, e também há aquelas que pensam “Quando o mundo acabar eu já estarei morto”, não pensando nas gerações futuras e só em si próprias (egoísmo psicológico). Para mim, este assunto deve ser falado e discutido constantemente para despertar as pessoas o mais rapidamente possível para a realidade.

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KATÁRSIS II Existe uma colisão entre a Terra e a humanidade, o que muita gente ainda não percebeu, e sinceramente, espero que percebam a tempo de remediar este grande erro, visto que existe um encadeamento de acções (as acções futuras serão o resultado das acções presentes) e aí poderá ser tarde de mais. A Filosofia exige uma tomada de posição, pois não podemos continuar a nossa vida sem pensar nestes assuntos porque o nosso futuro e o dos nossos descendentes está em risco e não podemos esquecer-nos de que somos também responsáveis. Este filme é como se tivesse muitas premissas, todas verdadeiras (baseadas em estudos), com uma grande conclusão: se não actuarmos, estaremos a atentar contra a vida humana (que é crime) e se nos ajudássemos todos uns

aos outros, a vida seria menos árdua, e sei que pelo menos não existiriam tantas guerras e conflitos e a humanidade teria certamente um futuro melhor. Joana Silva 10ºB N.º 14

Meia-noite

Meia-noite. No asfalto cinzento Corre o sangue quente O corpo queima. Nos lábios exangues O sorriso brilha Sem saber o porquê Da dor que sente. O corpo vibra. Falanges estranhas Cerram-lhe as pálpebras. O corpo morre. Prof.ª Anabela Bacelo

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KATÁRSIS II

Marés Marés de algum mar, ausente… As ondas dos bosques salpicam de Espuma-algodão a paisagem Verde-água Dos portos de outros mares navegantes Com cavernas povoadas por monstros marinhos. Nascem luas nas montanhas E os barcos sulcam os jardins de algas As árvores são peixes e as pedras São corais…metáforas… E são bússolas as gotas das ondas Espumantes, Pérolas salgadas no leito do mar. Os portos, templos das deusas, Sereias lindas e etéreas Enigmáticas. Marés imaginadas de sonhos, Antíteses de outro mar, presente, Marés… Prof.ª Anabela Bacelo

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KATÁRSIS II

O comportamento do homem reduz-se a actividade electroquímica? Serão os estados mentais estados cerebrais? Existirá uma mente separada do cérebro?

A mente existe…mas não separada do cérebro Este é um tema complicado de desenvolver e exige muita reflexão e concentração pois é difícil tomar partido relativamente ao problema proposto. O comportamento do homem reduz-se a actividade electroquímica? O papel da actividade electroquímica é codificar as informações do cérebro. O cérebro humano é fermento de actividade electroquímica que gera impulsos para o trabalho das células no processamento sensorial e na memorização da informação. Mas o ser humano não é apenas uma máquina controlada pelo cérebro! Não existe uma mente separada do cérebro, mas sabemos que ela existe. A mente é uma qualidade emergente do cérebro e é resultante da organização de todas as informações do cérebro. O cérebro é considerado um sistema complexo que processa e gera informações. A mente é o termo mais utilizado para descrever as funções superiores do cérebro humano, particularmente aquelas das quais os seres humanos são conscientes, como o pensamento, a razão, a memória, a inteligência e a emoção. A mente é um produto do funcionamento cerebral. Assim, se a mente é emergente do cérebro podemos dizer que os estados mentais são estados cerebrais. Em jeito de conclusão, podemos afirmar que o ser humano não se reduz à actividade electroquímica pois existe uma mente gerada pelo cérebro que descreve as funções superiores deste e se a mente é produto do cérebro, os estados mentais são estados cerebrais. Ana Lopes 12º C

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KATÁRSIS II

Egoísmo vs Altruísmo “Nós

somos

sobrevivência

máquinas

robots

de

cegamente

programados para preservar as moléculas egoístas que chamamos genes”. Esta é uma afirmação

bastante

interessante

do

naturalista britânico Richard Dawkins. Ora, esta afirmação pode dar origem a algumas

aquele que leva ao egoísmo e aquele que

questões, não menos interessantes: “quando

leva ao “lugar” situado entre os dois

agimos temos apenas em atenção os nossos

anteriores.

próprios interesses

ou interessamo-nos

Os que seguem o primeiro caminho

também pelo bem-estar dos outros?” e

defendem que nem por um momento

“seremos

pensamos primeiro em nós e, só a seguir,

por

natureza

egoístas

ou

altruístas?”

nos outros. Então, o altruísmo tem a

Vendo

estas

questões

importância filosófica de se referir às

repentinamente, surgem na nossa mente

características

duas correntes distintas: o egoísmo e o

indicando que ele pode ser bom e generoso

altruísmo.

naturalmente,

naturais

sem

do

homem

necessidade

de

O egoísmo é o hábito que uma

intervenções “divinas”. No entanto, penso

pessoa tem de colocar os seus interesses,

que o número de pessoas que, desde o

opiniões,

em

início até ao fim das suas vidas, têm em

primeiro lugar, em detrimento do ambiente

atenção, em primeiro lugar, o bem-estar do

e das pessoas com quem se relaciona.

próximo e só depois o seu próprio bem-

desejos

e

necessidades

Altruísmo é, na maior parte das vezes,

percebido

como

sinónimo

estar, é bastante reduzido. Sendo assim,

de

acho que não posso afirmar que, por

solidariedade. Esta palavra serve para

natureza, somos altruístas.

caracterizar o conjunto das disposições humanas

que

levam

os

humanos

a

dedicarem-se aos outros. As perguntas referidas acima não são de resposta fácil e simples.

Na minha opinião, existem três caminhos possíveis: aquele que leva ao altruísmo,

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KATÁRSIS II Há ainda o terceiro caminho: o

Os que seguem o segundo caminho

caminho intermédio entre o altruísmo e o egoísmo. Este é, por assim dizer, o caminho mais

sensato.

Penso

desta

maneira

simplesmente por pensar que não podemos nem conseguimos pensar apenas em nós próprios, esquecendo os outros e também não conseguimos pensar sempre nos outros, primeiramente, e só depois em nós. Acho nascemos

que

altruístas

quem tem

pensa uma

que visão

demasiado bondosa do ser humano pois penso que quase toda a gente, senão mesmo a totalidade das pessoas, tem pela menos uma ponta de egoísmo. Também acho que quem pensa que somos egoístas desde o podem estar ligados ao egocentrismo. O

momento do nosso nascimento, tem uma

egocêntrico caracteriza-se pela fantasia de

visão demasiado cruel do ser humano,

imaginar que o mundo gira em torno de si,

apesar de estar bastante mais perto da

tendo o “eu” como referência para todas as

realidade.

relações e factos. No entanto, uma pessoa

Mesmo assim, acho que o caminho

egoísta pode não ser egocêntrica, uma vez

intermédio é o mais aceitável ou, pelo

que luta para fazer com que as coisas vão

menos, é o que afecta o maior número de

de encontro aos seus interesses. Ora, acho

pessoas.

que este caminho é bastante mais comum

José Lopes 12.º B N.º 7

do que o anterior.

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KATÁRSIS II Uma pessoa que sai pela última vez da

vigora a posição de que nenhum cérebro

mesa de operações após várias trocas

é igual ao outro, nem mesmo os dos

de várias partes do corpo, quem é?

gémeos homozigóticos. De facto as

Quem se deita na mesa de operações

pessoas distinguem-se pela estrutura das

será o mesmo que sai?

suas aptidões mentais e pela forma diferenciada dos seus cérebros. Essas

“Ser ou não ser (eis a questão) ”

diferenças provêm da distinta expressão dos genes que conduzem ao discrepante desenvolvimento dos tecidos nervosos e ainda às experiências individuais desde a concepção do homem até todas as outras que decorrem ao longo da vida. Existe,

pois,

individualização, ultrapassa

as

um

processo

de

de

distinção,

que

definições

genéticas,

graças à plasticidade cerebral, ou seja, à sua capacidade para se modificar ao longo

da

vida

por

efeito

das

experiências vividas pelo sujeito.

Uma pessoa que sai pela última vez da mesa de operações após várias

O cérebro humano constitui uma

trocas de várias partes do corpo, pode

espécie de disco duro da sua história

ser e não a mesma pessoa.

pessoal, logo, é o responsável pelo facto não

de cada indivíduo ser único, não

identifica as partes do corpo trocadas.

clonável, produto de uma história

Creio que qualquer troca de órgãos

social. Descobertas recentes vieram

produzirá efeitos no indivíduo objecto

demonstrar que o cérebro é muito mais

de tais modificações, contudo, apenas

maleável

com

modificando-se

A

a

questão

colocada

substituição

do

cérebro

do

que sob

se o

imaginava, efeito

da

poderemos afirmar estar perante um

experiência, das percepções, das acções

indivíduo novo.

e

dos

comportamentos.

Tais

tempo

modificações ocorrem principalmente

considerou-se ser o cérebro igual em

nos primeiros meses de vida, quando o

todos os indivíduos, contudo graças à

córtex

Durante

muito

evolução da investigação e da ciência, 10

está

a

organizar-se

e

em


KATÁRSIS II crescimento acelerado, continuando a

órgão, que rapidamente estabeleceria as

processar-se ao longo de toda a vida.

ligações

imprescindíveis

para

os

Voltando à questão colocada,

comandar. O homem saído da mesa de

parece pois, poder-se afirmar que ao

operações lembrar-se-ia da sua infância,

contrário de qualquer outro órgão, a

da sua família, dos seus amigos, da sua

substituição do cérebro faria com que o

cultura, e das suas convicções e raízes.

homem que se levanta da mesa das

Ser ou não ser o mesmo homem,

operações não mais voltasse a ser

o cérebro responde à questão: - é o

aquele que nela se deitou. Mantendo o

mesmo cérebro? Então o homem é o

cérebro

mesmo!

e

efectuadas

todas

as

substituições necessárias (de outros órgãos), adaptação

graças e

à

capacidade

“aprendizagem”

Luís Carvalho 12º C

de deste

Não ao relativismo ético Não se põe em causa o relativismo cultural. O modo como acolhemos os forasteiros não é melhor nem pior que o modo como os esquimós acolhem os estranhos. O mesmo poderemos afirmar relativamente ao relativismo ético? O valor de verdade das proposições " a pena de morte é justa" e "a pena de morte é injusta" são idênticos? O relativismo ético é defensável? O relativismo ético é defensável quando não respeitamos os outros e não damos valor à vida. Nas sociedades mais desenvolvidas é impensável defender-se o relativismo ético, pois somos contra a pena de morte (excepto nalguns estados dos E.U.A.,), consideramos que devemos respeitar os outros e que todos são iguais perante a lei. Todos os fundamentos para a nossa sociedade estão estipulados na Carta dos Direitos Humanos, da Convenção de Genebra. Apesar de o relativismo ético não ser defensável é possível, outras sociedades terem pressupostos éticos diferentes dos nossos, por exemplo, algumas sociedades aceitam a poligamia, no entanto, a nossa proíbe-a. Ou seja, existem várias formas de estruturar uma sociedade, no entanto, há formas inaceitáveis, como a aceitação da pena de morte e da tortura. Sociedades como a chinesa, na minha opinião ainda não se podem considerar como muito desenvolvidas, pois a pena de morte é utilizada frequentemente e o regime comunista censura muito dos meios de informação.

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KATÁRSIS II São aceitáveis algumas diferenças, pois as diferenças são saudáveis, mas todas as “diferenças” que colidam com a Carta dos Direitos Humanos, não são boas, e devem ser evitadas, pois não respeitam a vida das pessoas. Assim, na minha opinião, o relativismo ético não pode ser defendido, os padrões éticos das sociedades mundiais têm de ser baseados em princípios comuns a todos e que respeitem o Homem e a sua vida. Bernardo Masteling Pereira N.º9 12ºA

CURIOSIDADES FILOSÓFICAS No Ménon, um dos diálogos de Platão surge o paradoxo da aprendizagem a que a doutrina da anamnese pretende responder. Se não compreendemos algo, não podemos começar a aprendê-lo, já que não conhecemos o suficiente para sabermos como começar. Assim quando perguntamos sobre algo já sabemos alguma coisa sobre esse algo, ou nada sabemos? Se nada sabemos, como saberemos o que perguntar; se já sabemos, porque perguntar?

PROBLEMAS DE LÓGICA 1-O falacioso.

argumento a seguir apresentado é

A lei deve estipular uma percentagem mínima de mulheres nos cargos políticos, repartições e empresas. Os homens dominam praticamente todos os cargos importantes. Só uma sociedade discriminatória o pode suportar. Não fazermos nada para alterar esse estado de coisas é inaceitável.

“Lógica da batata”

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KATÁRSIS II

1- Mostre que a conclusão apresentada pelo argumentador, com a qual até pode concordar, não é a conclusão que ele pretendia tirar. 2 - Epiménides, poeta cretense do século VI a.C., afirmou: «todos os cretenses são mentirosos». Ora, atendendo a que ele próprio era cretense, será o enunciado verdadeiro?

GLOSSÁRIO DE FILOSOFIA Ética Aplicada Disciplina que aplica a ética a problemas práticos reais, tais como o aborto, a eutanásia, o tratamento dos animais ou outros problemas legais, políticos sociais e do meio ambiente. Chama-se por vezes eticistas aos especialistas em ética prática. Especismo Por analogia com o racismo ou com o sexismo, a posição incorrecta que consiste em recusar o respeito pelas vidas, pela dignidade e pelos direitos ou necessidades dos animais que não pertençam à espécie humana. Discriminação baseada na espécie. Valor Instrumental Uma coisa tem valor instrumental quando é um meio para um fim que se considera valioso. Opõe-se a valor intrínseco. Valor Intrínseco Uma coisa tem valor intrínseco quando tem valor por si, independentemente dos benefícios que dela possamos obter. Opõe-se a valor instrumental. Paradoxo Um paradoxo surge quando um conjunto de premissas aparentemente indisputáveis dá origem a conclusões inaceitáveis ou contraditórias. A resolução de um paradoxo implica mostrar que há um erro escondido nas premissas, ou que o raciocínio é incorrecto, ou que a conclusão aparentemente inaceitável pode, afinal, ser tolerada. Os paradoxos desempenham, portanto, um papel importante na filosofia, visto que a existência de um paradoxo não resolvido mostra que há algo nos nossos raciocínios ou nos nossos conceitos que não compreendemos.

LEITURAS QUE QUER DIZER TUDO ISTO? Uma Iniciação à Filosofia Thomas Nagel Em 1995 a Gradiva lançou em boa hora a colecção Filosofia Aberta. Num mercado tão carente de obras de filosofia acessíveis a um público mais vasto e não apenas a especialistas, como é o mercado português do livro, esta colecção foi uma verdadeira pedrada no charco. A colecção que já vai no número dezassete iniciou-se com a publicação da obra de Thomas Nagel, Que quer dizer Tudo Isto? Uma Iniciação à Filosofia. Fiel à melhor tradição filosófica, Thomas Nagel oferece-nos uma esplêndida introdução aos principais

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KATÁRSIS II problemas, teses e argumentos da filosofia, colocando a ênfase na capacidade de levantar questões, traçar distinções e formular hipóteses, exercendo assim a faculdade crítica da razão, que é, afinal, a própria função da filosofia. O livro é uma introdução elementar a 9 problemas filosóficos típicos, escrita num tom informal, claro e simples, mas rigoroso e preciso. O autor introduz tópicos de epistemologia e metafísica, filosofia da linguagem e da mente, ética e filosofia política, terminando com uma introdução a dois tópicos metafísicos gerais (o sentido da vida e o problema da morte). Nagel defende que não é possível compreender os textos dos grandes filósofos sem que tenhamos percebido os problemas com que se debatem. Por isso, introduz directamente o leitor aos problemas da filosofia, nunca citando uma só vez um nome de um filósofo. Praticamente todos os problemas abordados em Que Quer Dizer Tudo Isto? fazem parte dos programas do ensino secundário, pelo que esta obra constitui um instrumento crucial neste domínio. Mas a acuidade com que os problemas são colocados, o cuidado posto na clareza da argumentação e a importância central dos temas tratados tornam esta obra numa leitura obrigatória para os alunos do ensino superior e para o público interessado em conhecer um pouco mais os problemas da filosofia. No capítulo I o autor introduz o problema como sabemos seja o que for?, problema de natureza epistemológico abordado no 11º ano; o capítulo II introduz o problema outras mentes, problema abordado no âmbito da filosofia da mente; o capítulo III aborda o problema metafísico da relação mente-corpo; o capítulo IV aborda o problema do significado das palavras, problema estudado no âmbito da filosofia da linguagem; no capítulo V é abordado o problema metafísico do livre arbítrio, estudado no 10º ano; o capítulo VI aborda o problema ético sobre o certo e o errado, estudado no 10º ano; o capítulo VII aborda o problema da justiça, problema de filosofia política estudado no 10º ano; os capítulos VIII e IX abordam os problemas metafísicos da morte e do sentido da existência, temas que tanto podem ser abordados no 10º como no 11º anos. É um livro pequeno (92 páginas), com uma linguagem muito acessível e por isso de fácil leitura. Além disso existe na biblioteca da escola, o que torna indesculpável a sua não leitura. Boas leituras…

LIDO E REGISTADO A FILOSOFIA É DIFÍCIL? A filosofia é muitas vezes descrita como uma disciplina difícil. Há vários tipos de dificuldades associadas à filosofia, algumas delas evitáveis. Em primeiro lugar, é verdade que muitos dos problemas com os quais os filósofos profissionais lidam exigem efectivamente um nível bastante elevado de pensamento abstracto. Contudo o mesmo se aplica a praticamente todas as actividades intelectuais: a esse respeito a filosofia não é diferente da física, da teoria literária, da informática, da

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KATÁRSIS II geologia, da matemática ou da história. Tal como acontece com estas e outras áreas de estudo, a dificuldade em dar um contributo substancialmente original na área respectiva não deve ser usada como desculpa para negar às pessoas comuns o conhecimento dos avanços dessas áreas, nem para a impedir de aprender os seus métodos básicos. Contudo, há um segundo tipo de dificuldade associada à filosofia que pode ser evitada. Os filósofos nem sempre são bons prosadores. Muitos têm fracas capacidades para comunicar claramente as suas próprias ideias, Por vezes, isto acontece porque só estão interessados em atingir uma pequeníssima audiência de leitores especializados; outras vezes, porque usam uma gíria desnecessariamente complicada que se limita a confundir os que com ela não estão familiarizados. Os termos especializados podem ser úteis para evitar explicar certos conceitos sempre que são usados. Contudo, há entre os filósofos profissionais uma tendência infeliz para usar termos especializados como um fim em si; muitos usam expressões latinas apesar de existirem equivalentes portuguesas perfeitamente aceitáveis. Um parágrafo cheio de palavras desconhecidas e de palavras conhecidas usadas de forma desconhecida podem intimidar. Alguns filósofos parecem falar e escrever uma linguagem inventada por eles. Isto pode fazer que a filosofia pareça muito mais difícil do que na verdade é. WARBURTON, Nigel, Elementos Básicos de Filosofia, Lisboa: Gradiva, 1998, 1ª edição, pp.25-26.

NETFILOSOFIA http://www.cinefilosofia.blogspot.com/ O que o cinema tem a ver com a filosofia? Para alguns nada tem a ver, para outros tudo, preferimos afirmar que tem muito. Luis Rodrigues, Diogo Santos e Pedro Sargento apresentam-nos um blog de filosofia e cinema e é a nossa sugestão deste número da Katársis. Neste blog os seus autores fazem uma análise de diversos filmes de um ponto de vista filosófico – questões filosóficas levantadas, respostas a grandes problemas filosóficos propostos, etc. Os filmes analisados são dos mais diversos géneros, desde um Apocalipse Now, passando pelo Batman, Crash, Der Untergang, Final Fantasy até ao Harry Potter. Por exemplo num ensaio sobre o filme 13th Floor, Luis Rodrigues afirma “O filme 13th Floor tem a particularidade de apresentar - pelo menos - dois problemas filosóficos com séculos e séculos de existência: primeiro, o problema do cepticismo epistémico que deriva, segundo,

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KATÁRSIS II do problema de não haver contradição lógica em supor que somos cérebros em cubas, “ligados” ao mundo onde julgamos estar e que julgamos conhecer apenas por fios eléctricos ou sistemas wireless bluetooth . Estes problemas estão talvez ainda por resolver. Sendo tão ou mais cépticos que o céptico, podemos inclusive sugerir que nunca se irão resolver - pois a sua resolução depende possivelmente de uma perspectiva do “olho de Deus” que nunca poderemos alcançar. Mas também não é menos correcto afirmar que ou nos deixamos de cepticismos pirrónicos ou nos devemos calar em nome da coerência. Todo aquele que afirma que “o conhecimento é impossível” tem que perceber que a sua própria afirmação terá que ser igualmente impossível (falsa), pois se fosse verdadeira qualquer afirmação seria falsa, incluindo essa, e, se fosse apenas falsa, apenas ficaríamos a saber que o conhecimento é, tanto quanto diz respeito a essa afirmação, possível. Estão confusos? Espantados? Cépticos? Humm…Ainda bem! Umas doses razoáveis de incerteza, espanto e cepticismo nunca fizeram mal àqueles que anseiam perceber o mundo e subir na escada do saber. (…) Apesar de tudo o que disse até agora não ser nada evidente, estar mal explicado e estar longe de ter resolução, era aqui que queria chegar, pois este é o tema que domina 13th Floor , a saber, até que ponto não vivemos numa realidade fictícia -- uma simulação - criada por um Demónioenganador (que pode ser desde um cientista excêntrico a um conjunto de máquinas insensíveis e tão ou mais ditatoriais que o Fidel Castro) que nos incute crenças falsas sobre estados de coisas no mundo e, a limite, não nos deixa ver ou perceber a nossa verdadeira identidade e condição ontológica (e eu a dar-lhe! eehm!…Não tenho mesmo juízo nenhum. Sempre a brincar com coisas sérias. Será que podemos fazê-lo e sair impunes? Ora aí está uma boa questão filosófica, não é? É pena é que alguns professores nem sequer a coloquem…)” São reflexões deste género que encontramos em dezenas de ensaios sobre dezenas de filmes. Mas como quase tudo, o que é bom não dura sempre o mesmo aconteceu a este blog. A 12 de Maio de 2006 o blog não mais foi actualizado. Com o título The End os autores põem fim ao projecto alegando um conjunto de dificuldades. Apesar de tudo cinefilosofia.blogspot.com continua a ser um blog a visitar.

VIDAS FILOSÓFICAS Thomas Nagel (n. 1937) Filósofo político e moral americano. Thomas Nagel nasceu a 4 de Julho de 1936 em Belgrado, ex-Jugoslávia (actual Sérvia), no seio de uma família era judaica e estudou em Cornell, Oxford e Harvard. Ensinou em Princeton de 1966 a 1980, e depois disso na Universidade de Nova Iorque. As suas principais áreas de interesse são a filosofia da mente, a filosofia política e a ética. A sua obra centra-se na natureza da motivação moral e na possibilidade de uma teoria racional da adesão moral e política, tendo estimulado significativamente o interesse nas abordagens realistas e kantianas a estes assuntos.

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KATÁRSIS II Um dos ensaios mais discutidos na moderna filosofia da mente tem sido o seu "What is it Like to Be a Bat?", onde argumenta que na experiência há um aspecto subjectivo irredutível que não pode ser apreendido pelos métodos objectivos das ciências naturais, ou por filosofias do tipo do funcionalismo, que se limitam a estes métodos. Nagel é provavelmente mais conhecida no campo da filosofia da mente como um defensor da ideia de que a consciência e a experiência subjectiva não podem, pelo menos com o entendimento contemporâneo do fisicalismo, ser reduzido a uma mera actividade cerebral. As suas obras incluem The Possibility of Altruism (1970), Mortal Questions (1979), The View from Nowhere (1986), What Does It All Mean? (1987, trad. Que Quer Dizer Tudo Isto?, 1995) e Equality and Partiality (1991). (In Dicionário de Filosofia, de Simon Blackburn. Gradiva, 1997.)

Comentário ao Filme “Nell” Aquilo que somos depende daquilo que vemos, do que sentimos… Se não tivermos uma base, ou seja, uma imagem em que nos possamos basear, a criação da nossa personalidade, a formação da nossa linguagem não será totalmente conseguida. Nós somos aquilo que vemos, a minha perspectiva do “bem” é aquela que eu criei pelo que vejo do mundo, dos valores da sociedade e os valores da minha educação que os meus pais me deram. No filme, Nell (que é a sobrevivente de duas gémeas que viviam com a mãe, uma eremita que faleceu) apenas teve o exemplo da mãe e da irmã, na criação da sua personalidade, da linguagem, da visão do mundo exterior. a sua visão do bem e do mal, despende da imagem/educação que a mãe lhe deu, para a sua mãe que tinha sido violada e ficado grávida das gémeas, os homens eram uma coisa má, eram maus e por isso decidiu viver isolada do mundo. Nell falava uma linguagem própria que falava com a mãe e com a irmã, mas que para as pessoas que viviam no mundo civilizado (cidades, vilas e aldeias) era completamente estranha. Aquilo que eu sou hoje depende daquilo que os meus pais me ensinaram, depende da educação que recebi e que continuo a receber, (existem sempre excepções,

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KATÁRSIS II mas a excepção faz a regra) por exemplo os meus pais ensinaram-me que falar com a boca cheia é frio, então eu não falo de boca cheio. A sociedade também nos impôs valores por exemplo: todas as pessoas menores de 16 anos devem andar na escola, então eu ando na escola. Como Nell não teve estas vivências a sua “ pessoas” é muito diferente da “ pessoa” que teria sido se vivesse na cidade mas, isso não quer dizer que isso a faça mais infeliz, pois ela sempre viveu ali, logo o meio em que se sente bem é aquele. A meu ver, continuar a viver na floresta foi o melhor para Nell, pois é esse o seu meio natural e de origem. Mariana N.º16 10.ºB

Anedotas filosóficas Um professor de Filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima da mesa e escreve no quadro: "Provem-me que esta cadeira não existe." Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto. No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras na folha e entrega-a ao professor. Este, quando a recebe não pode deixar de sorrir depois de ler: "Qual cadeira?" Pesquisa na Internet – David - nº 11 - 10ºB

SOLIDARIEDADE À DISTÂNCIA

Intriga-me esta solidariedade à distância tão típica do nosso tempo, quando o materialismo e o egoísmo parecem ser as notas dominantes. É tão cómodo pagar e não ter que me aborrecer com o que não gosto. Eis, que em qualquer lugar surge a feliz oportunidade de ser solidário e a sensação instantânea do dever cumprido. É a Corrida da Mulher, a Corrida do Homem, o brinquedo que te impingem à porta dos Hipermercados para uma qualquer causa/instituição, o saco para o Banco Alimentar Contra a Fome, o peditório da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a venda da revista Cais, a Legião da Boa Vontade, a Abraço; para não falar da publicidade televisiva,

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KATÁRSIS II principalmente na época natalícia, às inúmeras causas, a Missão Sorriso, a Causa Maior, a Casa do Gil, as Ceias de Natal, os concertos de Natal, etc. Questiono-me sobre esta incrível abundância de generosidade tão fervilhante na sociedade actual, quando se ignora o colega de trabalho que precisa de uma qualquer ajuda, se desconhece o vizinho que mora há trinta anos a teu lado, se depositam os pais em lares de terceira idade, se ignora um parceiro de viagem que se sentiu mal num comboio apinhado de gente, se vira a cara ao sem abrigo que está na rua à tua frente… A quantidade de lixo que estas actividades produzem impressiona quem se preocupa minimamente com o ambiente, assim como todo o aparato de propaganda comercial que as envolve. Mas o problema central desta solidariedade contemporânea, é saber para onde vão estes donativos. Pergunto-me se chegarão ao fim pretendido ou se engrossam salários chorudos e armários de quem se aproveita da generosidade alheia mas não dá a sua. Os meios justificarão os fins? Uma solidariedade longínqua, sem rosto, compensará o alheamento e a indiferença quotidiana? Neste contexto parece enquadrar-se, como uma luva, o slogan da AMI – “Dê, vai ver que não dói nada.” Não, não dói, mas será que nos humaniza? É sem dúvida muito cómodo. Se é verdade que os filósofos nunca se acomodaram ao mundo, eu já me acomodei, mas note-se, não sou filósofa, simplesmente, às vezes, ainda me indigno. Prof. Isabel Soares

Poluição A poluição em si Muito tem para declarar Agora que entendi Em partes a vou relatar Começo pela do solo Que com as chuvas ácidas tem a ver O ácido sulfúrico A vegetação vai desfazer Depois vem a da água E a maré negra a chegar Assim a vida marinha Em breve vai acabar

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A poluição do ar Também nos torna doentes Lutar com unhas e dentes Para esta situação mudar Há também a do ruído Que é a poluição sonora Espero que a surdez Tenha uma longa demora Amais estranha de todas É a poluição visual Ver lixeiras aos montes Passa a ser habitual. Carlos Pereira – 10º A

Carta a Luís de Camões Cambra, 24 de Janeiro de 2008 Caro amigo Luís Vaz de Camões: Saúdo-te, ó grande génio, pela maravilhosa obra que nos deixaste. Como tens estado nessas Terras do Além-Túmulo? Cá, neste mundo, o povo português ainda sente orgulho dos tempos áureos que descreves nos “Lusíadas”. Agora, como podes ver, não temos muita fama nem importância para as outras nações, que orgulhosas da sua História, ainda que vergonhosa, se tentam superiorizar a qualquer outra. Mas podes crer que não será por isso que este povo heróico, a quem até os deuses obedecem, vai desanimar e parar de lutar por um futuro melhor. Hoje já não temos reis como no tempo em que viveste, mas temos um regime democrático, que também conheces, pois era o regime político de Grécia Antiga. Quanto a mim, um simples e humilde estudante, vou iniciar o estudo da obra que te imortalizou: “Os Lusíadas” – nas minhas aulas de Língua Portuguesa. Assim, vou estudar e aprender tudo o que me for possível para que um dia possa também eu glorificar a nossa amada pátria. Espero uma resposta tua. Despeço-me com um abraço. Um abraço, do teu sempre amigo: José Rafael Pereira 9º Ano – Turma C

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Defendam a Natureza onda do “deixa andar”. Para começar, devemos falar das atitudes em casa: poupar energia através do bom isolamento térmico; substituição de lâmpadas convencionais por lâmpadas económicas; lavar a loiça e roupa apenas com as máquinas cheias; adquirir sistemas de rega de jardim eficientes e económicos: micro irrigação; utilização de energias renováveis para o aquecimento de água, produção de electricidade, climatização; aproveitamento da água da chuva: para rega. Claro que não podemos tomar estas medidas de uma só vez, visto que algumas medidas requerem avultados investimentos e respostas eficientes dos vendedores, mas com a progressiva evolução da técnica e da tecnologia, dentro de alguns anos já deveria ser obrigatório tomar algumas medidas como estas.

Colegas, a Natureza precisa de nós e o seu futuro está nas nossas mãos. Hoje a poluição e o comportamento anti ambientalista de população está a comprometer o nosso futuro, e não pensem, que as únicas consequências destes problemas são apenas o aquecimento global. È bem mais grave que isso. Se continuarmos a manter algumas atitudes, teremos vários problemas, como a falta de água potável, que pode levar a guerras pelo controlo de zonas com este recurso, problemas de saúde relacionados e fome; destruição de espécies de animais e vegetais; diminuição da esperança média de vida; sofrimento, entre muitos outros. Em suma, os eternos problemas temidos pela Humanidade: guerra, fome e doença. Nós somos da Natureza: pertencemos a ela, por isso, quando a destruímos estamos a atacar-nos a nós próprios. O futuro da espécie humana está nas nossas mãos e nas gerações vindouras. Vamos começar a actuar: não podemos facilitar e entrar na

José Rafael Pereira 9º Ano – Turma C

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Ler um livro O professor de Filosofia, aconselhou no início do ano a lermos três livros para esse ano lectivo, e eu, fui pelo nome que mais me chamou a atenção: “O Mundo de Sofia”. Antes perguntava-me o que era a Filosofia, até o professor me explicar, mas isso não foi o suficiente até que comecei a ler o livro. O livro foi feito para explicar a Filosofia de uma maneira que capte a atenção do leitor, com uma história de uma menina que tem como correspondente um senhor de idade, que lhe envia cartas a explicar o valor da filosofia. Desta forma, não só torna a história misteriosa na descoberta deste enigma (quem é quem? e o quê?) mas também nas coisas estranhas que sucedem a Sofia.

Este livro resolveu, ensinou e tirou dúvidas a muitos problemas e questões que eu tinha, tenho e tive ao longo da passagem da minha infância para adolescência. Segui o conselho do professor e fiquei certamente mais culta e mais sabedora em relação aos temas tratados no livro e nas aulas de Filosofia. Aconselho outros alunos a lerem o livro pois terão menos dúvidas no aspecto da Filosofia. Apesar de tudo, convém dizer que muitas dúvidas foram dissipadas, outras permaneceram e muitas outras surgiram em relação à Filosofia.

Adriana 10º B

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Existem ou não aparições? Concordo que as pessoas tenham dificuldade em acreditar naquilo que não vêem, embora acreditar seja exactamente isso. Todavia, sei que só algumas pessoas têm experiências invulgares e que quando as contam passam por mentirosos e visionários para a maioria. Deixo no ar apenas algumas questões: será tudo fruto de uma imaginação ou até alucinação? Qual a real necessidade de as pessoas mentirem a respeito desses temas? Ficam as perguntas e cada qual responde e argumenta de acordo com as suas crenças e experiência de vida.

Inicialmente eu pensava que tudo aquilo que fosse relacionado com espíritos era só mais uma forma de ganhar dinheiro ou de ludibriar algumas mentes menos atentas, mas após uma história verídica mudei de opinião. Passo a citar Desde pequena que oiço a minha mãe contar que contactava com espíritos de pessoas já falecidas. Eu, pouco dada a acreditar em tais coisas, chegava a brincar com ela a respeito disso. Mas, uma vez ela contou que um dia estava com a minha tia, sua irmã, como todos os dias a ir para o seu emprego e, quando atravessavam a ponte de Pessegueiro viram uma luz branca, que à medida que elas se iam aproximando, ia aumentando cada vez mais, sucessivamente. Quando chegaram perto dessa luz o suficiente viram um homem enorme. A minha tia com medo ia a correr para passar depressa, mas pelo lado debaixo desse espírito e, como dizem que não se deve fazer. Foi então que a minha mãe a puxou, começou a tratá-lo mal e seguiram em frente. Após terem caminhado olharam para trás e viram que tal figura tinha desaparecido. Eu como não havia acreditado nas outras histórias que ela tinha contado também não acreditei naquela, até ao dia em que a minha tia me contou a história da mesma forma. Confesso que fiquei chocada, bastante pensativa e a fazer milhões de perguntas a mim própria. Pensei para mim mesma: “Será que elas estão a mentir?”. Após uma longa reflexão achei que alguma coisa havia de ter um fundo de verdade e passei a dar algum crédito às aparições.

Raquel – 10º B

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Katársis Março/08  

Katársis revista Março

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