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SONETO 21/2018

Não quero falar contigo tão só porque me invade um sentimento antigo de paixão e ansiedade

que pensei haver perdido na estrada que é o tempo e não o saber ter seguido nos acasos do momento

só porque inventei castelos e moinhos de vento aonde nunca existiram

e por isso se perderam

nas aventuras de tempo que sem fios faz novelos

Braga, dia 12 de março de 2018

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SONETO 22/2018

Sempre que a leitura é difícil e complexa numa sala meio escura meio clara de porta aberta

sem sol que entre janela nem chuva que porta bata vento que folha leva do campo para a estrada

é o momento oportuno para pensar duas vezes se o dia é um livro aberto

suficientemente desperto nas palavras que deduzes serem um grito seguro

Braga, março dia 13 de 2018

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SONETO 23/2018

Depois de lido o livro no alpendre por fazer já não há caminho feito nem carreiro a descrever

porque a escada de acesso depois de muito ranger tem direito a dar descanso ao degrau que está a sofrer

de madeira carcomida prego curto e enferrujado em gretas de pó cobertas

extensas e entreabertas por muito ter sido usado o nosso degrau de vida

Braga, dia13 de março de 2018

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SONETO 24/2018

E assim vamos por este carreiro e nĂŁo pisamos o mato rasteiro

Nem as pedras pousadas aqui e ali que fazem as regras para mim e para ti

caminho afora monte adentro sinuoso o percurso

daquilo que demora demasiado tempo a dizermos um ao outro

Braga, dia15 de março de 2018

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SONETO 25/2018

Na ambiguidade dos outros plantei arvore de raiz profunda de forma a que os rebentos segurem o muro que afunda

plantei tambĂŠm um arrozal sem limites nem contorno de passagem sazonal e caminho com retorno

abri janelas para Norte da incerteza madura que se retrai por sabedoria

nos recantos da alegria de uma amora segura sobre um trevo da sorte

Braga, dia16 de março de 2018

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SONETO 26/2018

Parou-se-me o tempo sem eu querer que parasse num único momento em que o quis que fosse

assim parado sem querer só porque assim o quis para que consiga beber toda a água do arco íris

e que se vá afastando sempre para mais além do sitio suposto de ser

aonde esteja a beber sem que haja alguém capaz de parar o vento

Braga,17 de Março de 2018

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SONETO 27/2018

Percorro-te o corpo deslumbrado olho-te nos olhos Demasiado

toco-te os lábios com calor o corpo inteiro com prazer

e o que acontece calamos no silêncio cúmplice

da vida que nos é doce amamos aquilo que não se esquece

Braga, dia 18 de março de 2018

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SONETO 28/2018

Tenho na mão um amor perfeito que colhi de uma assentada no momento em que me deu jeito e o vento soprou de rajada

Foi um gesto de um gosto fugaz suave... frio... mas... estonteante não sei se desejado ou de paz ou se querer é suficiente

Aquilo que sei e foi sublime e que me deu a tranquilidade de te dizer o quanto te quero

Num gesto simples e de apuro ou de irresponsabilidade nesta mão nua que ainda treme

Braga, 24 de março de 2018

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SONETO 29/2018

Não são iguais todos os dias tão pouco as manhãs o são também nas tardes do já tarde perdidas de todos os desejos que se tem

Impulsos de uma tola alma errante no tempo serôdio onde o saber manter a calma é saber afastar o perigo

Dos dias mais dias que o são da manhã ao pino mais tardio noite adentro à alvorada

onde o sonho tem a morada de uma fêmea com o cio num poema de uma só canção.

Braga, dia e de abril de 2018

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SONETO 30/2018

Foi tudo tão rápido sem jeito de uma forma estonteante que chegou a ser quase perfeito não foi porque foi sempre distante

dessa verdade inconfessada ficou uma magoa profunda tão grande quanto é a levada que em cada pedra se esgota

e arde em lume tão agreste sobre água limpa mas densa corpo abaixo até ao chão

escorre pelos dedos desta mão na fenda de entranha imensa onde nasce uma flor silvestre

Braga, dia 4 de abril de 2018

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ANTÓNIO FERNANDES 22

POR ATALHOS DE SILENCIOS  

10 Sonetos Março de 2018

POR ATALHOS DE SILENCIOS  

10 Sonetos Março de 2018

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