Educação em Alerta

Page 1

I

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO INSTITUTO DE LINGUAGENS CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

O PROCESSO DE RECEPÇÃO DO EDUCAÇÃO EM ALERTA NO COTIDIANO DOS EDUCADORES (Estudo de caso: O jornal do Sintep­MT nas Escolas Estaduais 'Souza Bandeira' e 'Raimundo Pinheiro' ­ bairro Coxipó)

ANTONIA ALVES PEREIRA

Monografia apresentada ao Departamento de Comunicação Social do Instituto de Linguagens da Universidade Federal de Mato Grosso, como parte dos requisitos para conclusão do curso de Comunicação Social, habilitação em jornalismo, sob a orientação da Professora. Mariângela Sólla López

Cuiabá, 22 de agosto de 2000


II

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO INSTITUTO DE LINGUAGENS CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

O PROCESSO DE RECEPÇÃO DO EDUCAÇÃO EM ALERTA NO COTIDIANO DOS EDUCADORES (Estudo de caso: O jornal do Sintep­MT nas Escolas Estaduais 'Souza Bandeira' e 'Raimundo Pinheiro' ­ bairro Coxipó)

ANTONIA ALVES PEREIRA

Trabalho final apresentado por ANTONIA ALVES PEREIRA

CUIABÁ, 22 DE AGOSTO DE 2000


III

“Em nossa missão de educadoras no continente americano, onde a sociedade globalizada e mediatizada marginaliza e exclui grandes maiorias, requer interlocutoras capacitadas para assegurar a relação Educação­Comunicação­Cidadania, a partir de uma ética comunicacional baseada no Evangelho”. Ecosam/FMA/1998


IV

AGRADECIMENTOS

AGRADEÇO A DEUS, POR SUA PRESENÇA E VIDA QUE GERA TUDO NO MUNDO. Agradeço à minha família pelo incentivo. Agradeço à minha Inspetoria por ter caminhado comigo nesses anos. Agradeço a mim mesma, pela garra e força de vontade ao enfrentar os desafios da caminhada. Agradeço aos professores que semearam conhecimentos em meu caminho. Agradeço, de maneira especial, às professoras Lúcia Helena Vedrúsculo Possari por ter me acompanhado no desenrolar desta pesquisa; e à professora Marluce O. M. Scaloppe por ter­me instruído e apontado caminhos... Agradeço às Irmãs Maria de Lima Barros e Bernadete de Lima Barros por terem revisado esta pesquisa. Agradeço à minha orientadora Mariângela Sólla Lopez por ter orientado esta monografia. Agradeço à diretoria do Sintep­MT pela facilitação e atendimento desta pesquisa. Agradeço aos professores e funcionários das EEPG Souza Bandeira e Raimundo Pinheiro que contribuíram, eficazmente, nesta pesquisa.


V SUMARIO INTRODUÇÃO 7 1.1 DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO..........................................................................................8 1.2 COMUNICAÇÃO SINDICAL ...........................................................................................................11 1.3 A ESCOLHA DO TEMA E OBJETIVOS DA PESQUISA..........................................................................12 1.4 METODOLOGIA ..........................................................................................................................13 1.5 MARCO TEÓRICO ........................................................................................................................14 1.6 A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO ..........................................................................15

a) b)

1.

Distribuição do trabalho monográfico................................................................................15 Conclusões preliminares....................................................................................................16

BUSCA DE UMA ALTERNATIVA NA COMUNICAÇÃO 17

1.1. COMUNICAÇÃO: QUE FENÔMENO É ESTE? ....................................................................................18 1.2. COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA ....................................................................................................20 1.3. COMUNICAÇÃO POPULAR ...........................................................................................................22 1.4. COMUNICAÇÃO COMO ESPAÇO DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL .............................................................23

2.

CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO RECEPTOR

26

2.1. CICLOS DAS TEORIAS ..................................................................................................................27

a) b) c)

Teorias funcionalistas ........................................................................................................27 Teoria crítica e estruturalista .............................................................................................28 Recepção: foco desta pesquisa ...........................................................................................29

2.2. MEDIAÇÕES ESCLARECENDO A RECEPÇÃO ...................................................................................30 2.3. EM BUSCA DA NEGOCIAÇÃO........................................................................................................34

3.

METODOLOGIA: CONSTRUÇÃO EM PROCESSO

36

4.

EDUCAÇÃO EM ALERTA, O LADO DO EMISSOR

39

4.1. A COMUNICAÇÃO DO SINTEP ­MT ...............................................................................................39 4.2. OS EMISORES VÊEM OS RECEPTORES ASSIM..................................................................................41 4.3. O “CORPUS” DO EDUCAÇÃO EM ALERTA .....................................................................................43 4.4. LINGUAGEM INTERPERLATIVA DO EDUCAÇÃO EM ALERTA ............................................................44

5.

NEGOCIAÇÃO DE SIGNIFICADO, O LADO DO RECEPTOR 47

5.1. COMUNICAÇÃO COTIDIANA ........................................................................................................48 5.2. FILÓSOFOS DO COTIDIANO ..........................................................................................................50 5.3. RELEVÂNCIA DO EDUCAÇÃO EM ALERTA ....................................................................................53

CONCLUSÃO 60 1. VALORIZAÇÃO DO OUTRO ..........................................................................................................60 2. SINDICATO: MÃO NA CONSCIÊNCIA ................................................................................................61 3. POSSÍVEIS SAÍDAS .........................................................................................................................63

BIBLIOGRAFIA 65


VI ANEXOS 68 DADOS DO RECEPTOR ................................................................................................................68 i. Entrevista aplicada aos trabalhadores da Educação do Estado de Mato Grosso .................68 ii. Tabulação dos dados ­ Quem são? .....................................................................................70 iii. Como tomam conhecimento dos assuntos de sua área? ...................................................71 iv. Questões educacionais em nível geral.............................................................................71 v. Questões educacionais em nível específico .........................................................................72 vi. Relevância do Educação em Alerta.................................................................................76 vii. Comentários adicionais proferidos pelos profissionais da educação ...............................78 I. DADOS DO E MISSOR ...................................................................................................................81 i. Características do Educação em Alerta ..............................................................................81 ii. Linguagem interpelativa ....................................................................................................82 iii. Quando o funcionário aparece .......................................................................................85 iv. Entrevista com a Diretoria do Sintep­MT .......................................................................85 v. O Corpus do Educação em Alerta ......................................................................................86 J. CONTRIBUIÇÕES DA C OMUNIDADE............................................................................................103 i. Carta dos pais de alunos da Escola ..................................................................................103 A.

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL.....................................................................104


INTRODUÇÃO "A comunicação é um processo de produção e recepção de complexos efeitos de sentido a partir do lugar que os interlocutores ocupam na trama das relações sociais". Com esta expressão, o sociólogo Gilberto Gomes traz à tona a idéia de que há papéis distintos e recíprocos na comunicação cotidiana. Luiz Ramiro Beltrán complementa essa concepção dizendo que "a comunicação é um

processo de interação social democrática," pois os seres são livres para compartilhar experiências, dialogando e participando do processo de maneira igualitária. (GOMES, 1990:20)

Se a interação democrática – proposta nas argumentações acima – não acontece na sociedade atual de maneira eficaz, talvez seja porque alguns se acham no direito de comunicar, emitindo mensagens e informações para uma grande massa decodificar. Mesmo havendo fortes resquícios de uma comunicação vertical postulada sob o paradigma da funcionalidade, desenvolve­ se estudos que propõem o resgate do receptor como sujeito ativo e interlocutor do processo comunicacional.

Os meios de comunicação de massa(MCM), apesar de terem contribuído na cristalização de um modelo vertical de transmissão de informações, ensaiam pequenas tentativas de dar 'vez e voz' 1 ao seu público alvo, como é o caso de muitos programas nas emissoras de televisão e rádio, em que o ouvinte e/ou telespectador é convidado a dar sua contribuição. À medida que a comunidade social, vai percebendo sua força de mobilização, vai tomando consciência de que precisa ocupar um lugar de destaque sendo anfitriã do processo, resgatando a democracia e democratização dos meios que estão concentrados nas mãos de uma dezena de famílias no Brasil.

1

Expressão muito utilizada pela comunicação alternativa para significar o grau de interlocução que o receptor precisa exercer nos processos de comunicação.


8

1.1

Democratização da comunicação

O limiar do novo milênio trouxe à tona a gestação e desenvolvimento de muitos movimentos populares na sociedade. O povo está se organizando e lutando por seus direitos garantidos na Constituição Brasileira, porém negados no cotidiano real. De maneira geral, percebe­se em todos os âmbitos da vida social, política e econômica, que muitos grupos estão se organizando em busca de vida digna para todos, indistintamente. Um desses movimentos é o de luta pela democratização da comunicação em todos os países do mundo. No Brasil, foi criada em 1984 a Frente Nacional de Luta por Políticas Democráticas da Comunicação. Uma de suas prioridades é a luta pela democratização da radiodifusão, que abrange o rádio e a televisão. Daniel Herz acredita que esses dois veículos são os mais abrangentes e trazem em seu bojo o serviço público prestado à comunidade como razão de ser. (AEC nº69, 1988:41).

A luta pela democratização da comunicação vai de encontro às gigantescas corporações que defendem interesses privados de grupos específicos na sociedade e tendem a se alargar com a modernização das tecnologias, excluindo grandes massas do processo comunicacional por não possuírem os requisitos básicos para serem agentes do processo. Apesar de não ser receptor passivo dos Meios de Comunicação Social (MCS) e das políticas governamentais e privadas, o público não tem acesso aos canais informativos reconhecidos na sociedade como mídia convencional 2 . Cosette Castro 3 questiona, em sua pesquisa de dissertação, a omissão dos sindicatos na luta pela democratização dos meios. 2 Mídia convencional é formada pelos veículos reconhecidos pela sociedade como sendo os emissores legítimos das notícias e informações. Geralmente, defendem interesses econômicos e políticos de grupos específicos. Também são chamados de meios de comunicação de massa. Isso não impede que uma mídia alternativa, atinja grandes proporções de receptores, como é o caso do jornalismo praticado pela CUT que atinge 12 milhões de pessoas. 3 Cosette de Castro é professora da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos ­ RS). Em sua dissertação de mestrado, ela investigou a postura do emissor do jornal sindical 'O Bancário', de Porto Alegre, criticando a relação de não valorização do receptor no discurso do jornal.


9

"O século XX não foi apenas o século das revoluções sociais, foi o século das telecomunicações e da eletrônica. Mas nos sindicatos e nos movimentos sociais pouco se discute sobre a democratização dos meios de comunicação e do seu uso, ainda que, no Brasil, esses mesmos meios continuem concentrados nas mão de menos de dez famílias." (1997c)

É nesse universo simbólico e complexo que surgem as mídias alternativas como uma construção coletiva eficaz na busca dos interesses de comunidades e grupos, numa sociedade que vai despersonalizando as relações devido à ampliação dos fatos e acontecimentos.

A preocupação com a democratização da comunicação é antiga. O Nomic (Movimento por uma Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação) foi criado em 1961, agrupando diversos países em desenvolvimento opostos ao imperialismo internacional. Doze anos mais tarde, esse movimento levantava como bandeira de luta a questão da democratização da comunicação, sendo logo, encabeçada pela Unesco que instituiu uma comissão específica para tratar do assunto, em 1977. A mesma elaborou o 'MacBride' 4 , um relatório que mostrou ao mundo o desequilíbrio mundial da Informação e da Comunicação. (PESSINATTI, 1998:70). Segundo José Marques de Melo há muitos obstáculos para que aconteça, de fato, a democratização da imprensa. Ele aponta como alguns dos impedimentos a inacessibilidade aquisitiva dos brasileiros, o analfabetismo crônico, a ausência da participação política dos cidadãos e o elitismo da imprensa. O povo não se vê refletido nos meios a não ser quando a notícia mostra um conflito que lesou os 'interesses da nação'. Marques acredita que as lutas serão capazes de reverter esse quadro. (MELO, 1985:127­129).

É claro que essa sua citação é da década de oitenta, porém não mudou muita coisa. As lutas continuam modestas e o elitismo da sociedade aparecendo como condição indispensável para se compreender os processos sociais, seja

4 A comissão foi coordenada por Sean MacBride, por isso

recebeu o nome de ‘MacBride’.


10

através da ridicularização e banalização da vida cotidiana dos trabalhadores ou dos novos emergentes que vão surgindo na sociedade como exemplo de quem se deu bem na vida. A democratização dos benefícios da radiodifusão só poderá ser conseguida com a mobilização dos seguimentos. '(...)hoje marginalizada dos

benefícios do uso social das tecnologias da radiodifusão.' (AEC nº69, 1988:49). Cuiabá só pôde ouviu, no dia oito de abril de 2000, por ocasião do seu 281º aniversário, a inauguração da primeira rádio comunitária da cidade. A 'Rádio Comunitária Educativa CPA FM ­ 105,9' foi criada em 1998, porém só foi reconhecida dois anos mais tarde após inúmeras lutas da comunidade organizada. Isso porque a burocracia dos setores responsáveis pelas concessões são morosos e não têm como prioridade atender às políticas públicas, pois há muitos interesses econômicos em jogo.

Assim, as mídias comunitárias que procuram atender os interesses da comunidade tão deflagrados, vão tomando lugar e tendo força na sociedade. Cada comunidade ou grupo pode ter, se passar no crivo da fiscalização, o seu meio de comunicação como instrumento de mobilização e conquistas. A imprensa alternativa vai sendo construída também com participação e discurso alternativo, evitando a verticalização na grande imprensa tão criticada pelos comunicadores dessa área. Procura realizar seu discurso reciprocamente entre produção e recepção, valorizando os sujeitos envolvidos no processo de recepção e produção, de maneira circular. A imprensa alternativa tem uma força muito grande no mundo de hoje por sua capacidade de articular as comunidades em torno dos interesses da população local, visto que as pessoas estão cansadas de serem lesadas em seus direitos. Se a imprensa comunitária levar em conta o cotidiano do cidadão, certamente será significativa.


11

1.2

Comunicação Sindical

Quando praticada nos sindicatos, chama­se comunicação sindical e/ou imprensa sindical 5 porque procura defender os interesses de sua categoria. Para Cosette Castro “A comunicação sindical é um conjunto de táticas, estratégias e ações utilizadas pelas entidades sindicais para se comunicar com seus vários públicos, sejam eles os públicos internos ­ funcionários ou diretoria ­ ou externos ­ a categoria sindicalizada, os futuros associados ou a comunidade.” (CASTRO, 1998b).

Segundo a pesquisadora Cecília Peruzzo, os movimentos populares, no Brasil, passaram por quatro momentos históricos bem definidos. O primeiro foi o da mobilização, caracterizado pelas grandes manifestações. O segundo, chamado de organização, deu­se quando os movimentos se associaram para atingir melhor seus objetivos. Daí foi um passo para a articulação no terceiro momento, em fins da década de 80 e início dos anos 90. Hoje, vive­se o quarto momento através das parcerias e organizações em ONGs e outros tipos de associações. “Os movimentos, que antes negavam tudo que viesse do governo, começam a aceitar a idéia de discutir com ele. Foram, assim, abrindo espaço no interior do Estado, que passou a reconhecê­los como interlocutores e a mostrar­se mais sensível às reivindicações.” (Peruzzo, 1998:42).

A Comunicação Sindical, para Cosette, se firmará enquanto alternativa de comunicação se, mesmo mirando­se no 'espelho da mídia', não tropeçar nele. Mas, se assumir seu discurso diferenciado se colocando como autora do mesmo, reconhecendo suas falhas e incluindo o leitor em sua produção discursiva. Isto porque a Comunicação Sindical precisa ter sua postura própria e não mais reproduzir os modelos da mídia convencional. A diferenciação desse processo virá no momento em que o Outro for valorizado na estrutura discursiva, o que eliminará a relação de dominação que essa comunicação tanto gosta de criticar.

5 Com o passar dos tempos e da eficiência da comunicação sindical, até o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) passou a incluir o item 'imprensa sindical', em seus levantamentos.


12

1.3 A escolha do tema e objetivos da pesquisa O objeto de estudo dessa pesquisa é o jornal sindical dos trabalhadores da educação do Estado de Mato Grosso, que já foi objeto de estudo na pesquisa 6

acadêmica de Kleber Alves de Lima . A partir dessa reflexão, optou­se por esse tema pela identificação da pesquisadora com a comunicação alternativa e com os movimentos de luta popular. Deseja­se investigar o processo de recepção do jornal Educação em Alerta em duas escolas estaduais do bairro Coxipó para entender como se dá o processo de recepção. É preciso saber como se informam os profissionais da educação sobre os assuntos relacionados à sua área. E ainda mais, saber o grau de relevância desse jornal na vida cotidiana dos professores, técnicos administrativos e servidores de apoio educacional, nas escolas Souza Bandeira e Raimundo Pinheiro. A pesquisa também tem como objetivo específico saber se os emissores do jornal levam em conta as possíveis formas de recepção que o veículo de informação possa ter no meio dos profissionais, pois nem todos os trabalhadores, necessariamente, têm interesses idênticos aos da cúpula sindical.

Outro motivo pelo qual pode­se escolher um tema tão polêmico nos dias atuais, é a grande importância que assumiu a comunicação sindical no mundo atual. "A comunicação sindical ­ um mercado que no Brasil apresenta produção de 12 milhões de exemplares mensais no que diz respeito à comunicação impressa ­ também reflete sobre o futuro, principalmente porque o movimento sindical brasileiro passa por um processo de mudanças. Um processo que começou a ser observado ainda no início dos anos 90 com a chamada crise dos paradigmas, representada, principalmente, pela queda dos regimes de esquerda do leste europeu e latino­americanos e

Ele analisou o jornal do Sintep­MT e denominou­o como jornal integral a partir da concepção gramsciana. Kleber constatou que o sindicato tem consciência daquilo que edita, pois almeja contribuir na formação política da categoria, além de buscar satisfazer a demanda entre os interlocutores do processo de comunicação básico entre a base e o sindicato. Ele menciona que seria útil uma pesquisa sobre o assunto, mas que aprofundasse o processo de recepção para 'aferir a reação 6

dos trabalhadores em educação do Estado de Mato Grosso a este jornalismo que conceituamos como integral.' (LIMA, 1996). Kleber sintetiza o conceito de jornalismo integral a partir das concepções de Lênin e Gramsci. É um tipo de jornalismo característico dos sindicatos e partidos políticos que objetivam suscitar a


13

tomou força com os processos de globalização da economia e mundialização da cultura que atingiu diretamente o mundo do trabalho e o modo de vida dos trabalhadores sindicalizados brasileiros." (CASTRO, 1997c).

O sindicato hoje não tem a mesma credibilidade dos anos 70 e 80, quando surgiam, em grande escala, muitos movimentos sociais. Naquela época, o discurso sindical era respeitado pelos trabalhadores e era incentivo para novos adeptos. Cosette afirma que a crise de paradigmas e do desemprego dos dias atuais é que é responsável pelo enfraquecimento e descrença do discurso sindical diante da mídia.

1.4

Metodologia

Com esta pesquisa, pretende­se saber quais fontes informativas são mais utilizadas pelos pesquisados. Será feito um levantamento de fontes secundárias e primárias sobre o assunto. Terá por base a pesquisa monográfica que analisou o jornal do Sintep Educação em Alerta e a dissertação de mestrado e outros artigos afins da professora Cosette de Castro, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Também serão levantadas informações, através de entrevistas com os professores da educação, a fim de traçar o perfil desses profissionais, bem como o das escolas estudadas. As escolas foram selecionadas através de alguns critérios. Apesar de se encontrarem na mesma Avenida Fernando Corrêa da Costa, uma só tem o 1º grau e é dirigida por uma instituição religiosa, enquanto a outra atende alunos de 6ª série ao 2º grau. Dessa última escola, foram escolhidos apenas os trabalhadores do Ensino Médio para dar um certo contraste à pesquisa.

Deseja­se ainda, nessa pesquisa, conhecer o emissor/jornal, analisando o tipo de linguagem interpelativa utilizada pelo Educação em Alerta para entrar em consciência crítica e formação política de seus membros. Isso partindo de suas lutas específicas para as lutas de âmbito geral, por transformação das relações sociais e econômicas.


14

contato com os receptores. A partir dessa percepção será dissecado o Corpus de seis números do jornal, correspondentes aos meses de outubro/99 a abril/2000. 1.5

Marco teórico

Esta pesquisa está centrada no paradigma da Teoria da Recepção que tem o receptor como a essência de qualquer interlocução. Como sujeito privilegiado do processo, que acontece num determinado espaço social aberto ao confronto com o mundo global. Assim, as reflexões serão recortadas para o contexto latino­ americano a partir das reflexões de Jésus Martín­Barbero. Ele afirma que há uma negociação de significados por parte dos receptores que selecionam as mensagens de acordo com suas necessidades. É claro que o emissor tem o seu lado e precisa ser estudado também. Um estudo da Recepção que não leva em conta o lado do emissor não terá grandes resultados. Não se pode cair em dois extremos: acreditar que o receptor é um coitado ou vítima do sistema comunicacional ou que ele é responsável e o mestre do processo. Isto porque há limites na negociação. Outro aspecto, alertado por Barbero, é desconhecer os saberes dos produtores, pois esses são cada vez mais especializados.

Serão citados outros autores que refletem e interpretam o pensamento de Barbero, recortando para um dado significativo em sua realidade local. Dentre eles, destaca­se Cosette Castro que fez sua dissertação de mestrado sobre a negociação de sentidos entre o Sindicato dos Bancários e seus associados. Seu trabalho muito contribuiu para a efetivação e concretude deste, que também, pesquisa os associados de um jornal sindical. Duas pesquisas acadêmicas da UFMT serão mencionadas na pesquisa pois, de certa forma, elas tiveram como objeto de pesquisa o Sindicato analisado no presente estudo.


15

1.6

A organização do trabalho monográfico

a)

Distribuição do trabalho monográfico

BUSCA DE ALTERNATIVAS NA COMUNICAÇÃO. No primeiro capítulo será trabalhado o conceito de comunicação alternativa, recortando­o para a área da comunicação impressa. A partir de um breve histórico do termo será dissecado a experiência de comunidade para aferir o grau de inserção das pessoas num projeto comum. Será trabalhado o significado da comunicação como processo social em construção e comunicação popular como passos à mobilização social em vista de uma cidadania consciente.

CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO RECEPTOR. O segundo vai trazer o referencial teórico com o intuito de dar consistência à pesquisa dentro do paradigma da Teoria da Recepção. O sujeito será construído historicamente, a partir das concepções das Escolas de Comunicação, até chegar ao seu resgate como cidadão crítico, ou seja, um ser pensante que negocia as informações, dando relevância positiva ou negativa para as mesmas. O referencial partiu das idéias de Barbero sobre a recepção e se enriqueceram, de maneira especial, com as contribuições que Cosette Castro argumenta a respeito da comunicação sindical num mundo multicultural.

METODOLOGIA: CONSTRUÇÃO EM PROCESSO. O terceiro capítulo trata­se da construção metodológica escolhida como percurso desse trabalho monográfico. Nele serão dissertados os passos seguidos desde a escolha do tema, recorte temático e desfecho da pesquisa.

EDUCAÇÃO EM ALERTA, O LADO DO EMISSOR. Como todo estudo da recepção não deixa de fora o produtor, o quarto capítulo vai cuidar do emissor do Educação em Alerta. Vai relatar, resumidamente, a história do Sintep­MT e a comunicação utilizada pelo órgão. Também será apresentada a concepção que a diretoria do sindicato tem do seu público. O ‘corpus’ do jornal será dissecado a fim


16

de identificar o tipo de linguagem interpelativa que utiliza para se dirigir aos seus leitores. NEGOCIAÇÃO DE SIGNIFICADOS, O LADO DO RECEPTOR. No quinto, será trabalhada a negociação de significados praticada pelos receptores. Eles serão descritos em seu cotidiano escolar através da descrição dos dados coletados. Serão vistos enquanto membros de uma sociedade pós­moderna que vive em um ritmo frenético para dar conta da administração do próprio lar. Serão resgatados como filósofos cotidianos, ou seja, seres humanos pensantes que manifestam posicionamentos diferentes à sociedade e ao sindicato dos trabalhadores da educação do Estado de Mato Grosso. Serão mostrados os dados que darão ou não relevância ao jornal.

b)

Conclusões preliminares

Supõe­se que o Educação em Alerta não é relevante para a categoria por não ser lido com gosto e prazer pelos trabalhadores da educação. A vida deles é uma correria e por isso sentem não ter tempo para leitura do jornal. A linguagem também não é atrativa nem mesmo o visual o é. O sindicato não está reconhecendo nos receptores, o Outro da interlocução e do processo comunicacional. Talvez, se houvesse mudanças internas e externas no que diz respeito à comunicação do sindicato, os receptores iriam se apaixonar pelo jornal do órgão. Serão apontadas algumas possíveis saídas para esse desafio.


17

1. BUSCA DE UMA ALTERNATIVA NA COMUNICAÇÃO

A comunicação é um processo que se dá no interior das comunidades organizadas ou dos grupos formados a partir de interesses afins. Em uma sociedade estruturada nos critérios capitalistas e neo­liberais, em que a vida das pessoas vem colocada no final de uma escala de valores que começa pelo capital, empreendimentos e lucros, as comunidades organizadas vão se despertando e contestando alguns desses critérios.

Para ser comunidade não basta estar junto num mesmo contexto geográfico, alerta Ciro Marcondes Filho. A comunidade não pode ser vista como uma alternativa à sociedade porque ela só existe dentro desta. Nem tão pouco é classe social, pois ela tem suas leis de entrosamento e de auto­realização, que a classe nem sempre as tem. Ela se caracteriza por determinações quanto à estrutura, à dinâmica interna e ao indivíduo nela situado. “A estruturação da comunidade é feita de acordo com uma base comum. Max Weber já assinalava em seu tempo que uma característica biológica não é suficiente para caracterizar comunidade. Ser negro, judeu, japonês etc., não são elementos suficientes para definir uma "comunidade negra", "judia", "japonesa". Estes são, enquanto raças e tipos étnicos, somente grupos diferentes na sociedade. Não basta, portanto, a existência de uma "característica básica comum". Este é apenas o laço de união, e não o sentido da ligação. Estruturalmente, além disso, ainda é preciso existir uma forma própria de comunicação: um veículo, um tipo de troca de mensagens que mantenham os componentes da comunidade ligados entre si. Neste caso, a figura do jornal, do rádio, da comunicação visual em geral atuam no sentido de atualizar e organizar a ação de comunidade, que compõem o próximo item de sua caracterização.” (MARCONDES, 1992:157).

Ciro Marcondes, no entanto, afirma que a sociedade de massa burguesa atua com mecanismos de despersonalização, desorientação, desarticulação,

anonimato, reações isoladas, fugas de diferenciação, status, destaques o que a


18

distancia da comunidade. Aqui a pessoa é o centro da comunidade e sua comunicação será a ação organizada de todos os membros para empreendimentos comuns.. (MARCONDES, 1992:159). Para o pesquisador Marcos Palácios, da Universidade de Brasília, “a comunidade deve ser vista como toda forma de relação caracterizada por situações de vida, objetivos, problemas e interesses em comum de um grupo de pessoas, seja qual for a dimensão desse grupo e independentemente de sua dispersão ou proximidade geográfica. (...) Uma comunidade pode ser tão extensa e dispersa quanto o conjunto dos trabalhadores de uma determinada categoria profissional engajados em uma luta comum” (MONTORO, 1997:37)

Comunicação: que fenômeno é este? Se for analisada etimologicamente, percebe­se que a comunicação reporta à experiência de uma ‘comum­ação’ entre pessoas, grupos ou sociedades. Sendo assim, ela é estudada em todos os âmbitos da vida humana, seja no que se refere à experiência intrapessoal, interpessoal ou social. Em cada uma dessas áreas, há pessoas que vivem o processo comunicacional se tornando protagonistas de sua ação e realidade.

João Luís Van Tilburg afirma que a comunicação não pode ser confundida com persuasão. “Embora persuadir e fazer a cabeça também sejam formas de

comunicação, não são uma prática que respeita o que é uma das propriedades do ser humano, qual seja, a opção, a livre escolha.” (GOMES, BULIK E PIVA, 1989: 224)

“A comunicação é o veículo que aproxima as pessoas e contribui para que haja maior consciência e maior integração na vida da comunidade e da sociedade como um todo.” Isto porque ela desperta na pessoa o envolvimento pessoal,


19

comunitário e social, cultural, político e religioso, num tom de liberdade e democracia, de intercâmbio comunitário de conteúdos, códigos e meios de comunicação. Não podendo ser, então, impositiva e autoritária. Deve partir da vida do povo. (GOMES, 1994:31)

A comunicação de massa, segundo Pedro Gilberto Gomes, dirige­se a um público anônimo, heregêneo e disperso. Portanto, nivela as pessoas com o objetivo de vender seu produto. “(...) universaliza fatos e opiniões; despersonaliza

o indivíduo; manipula e escolhe informações; nivela as culturas; torna o receptor passivo diante do volume de apelos que recebe; exige enorme poder político e econômico para sustentá­la.” Segundo ele, a comunicação é o veículo que aproxima as pessoas e contribui para que haja maior consciência e maior integração

na

vida

da

comunidade

e

da

sociedade

como

um

todo.(GOMES,1994:19). Para Cristiano Donato, a comunicação não é um assunto privado entre Estado e Empresas privadas, “é uma questão pública, serviço público e de

interesse público.” A Comunicação Social é um processo que envolve emissão, difusão e recepção. (DIDONÉ e MENEZES, 1995: 83).

Já Alice Mitika Koshiyama, pesquisadora da Universidade de São Paulo, considera a comunicação como “atividade central, na organização dos

movimentos, pois expressa visões de mundo, troca de mensagens, troca de valores.” (DIDONÉ e MENEZES, 1995:116).

No encontro continental de comunicadores católicos convocado pelas organizações Decos­Celam e OCIC­AL, Uclap e Unda­AL, Jésus Martín­Barbero falou sobre a comunicação em tempos de globalização, deixando claro que ela é um processo também mediático que envolve as comunidades locais e internacionais.


20

“La comunicación mediática aparece entonces haciendo parte de las desterritorializaciones y relocalizaciones que acarrean las migraciones sociales y las fragmentaciones culturales de la vida urbana, del campo de tensiones entre tradición e innovación, entre el gran arte y las culturas del pueblo, del espacio en que se redefine el alcance de lo público y el sentido de la democracia.”( BARBERO, 1999).

Comunicação alternativa

‘Comunicação alternativa’ é um termo que nasceu na Europa, após o movimento dos estudantes franceses, em maio de 1968. Essa realidade de comunicação alternativa data dos anos 70 no contexto latino­americano. Porém, ela foi praticada por ocasião da Revolução Francesa(1789) e da Revolução Russa(1912­1917).

No Cone Sul, ela se tornou mais intensa devido às ditaduras militares, pois as classes populares – que não compactuavam com o sistema – se reuniam fazendo resistência à dominação, utilizando também a imprensa. No Brasil, também foi intenso esse processo de surgimentos de elementos alternativos na sociedade como “(...)os jornais Movimento, Opinião, Em Tempo, Coojornal, O São Paulo, Pasquim, Lampião, Ex, Bondinho e O Amigo do Rei. A citação desses títulos não é fortuita. Muitos jornais importantes estão de fora. Mas os citados englobam desde jornais trotskuitas aos ortodoxos; dos que defendem as maiorias homossexuais aos anarquistas; de jornais da Igreja esclarecida aos cooperativados, formando o conjunto elementos alternativos em relação ao tipo de emissor e modo de produção, aos conteúdos e organização dos receptores.” (GOMES, BULIK e PIVA, 1989:56).

Três países no Cone Sul se destacaram na busca de alternativas. Tanto o Uruguai como o Chile e Brasil, tinham elementos comuns e particularidades próprias que fizeram investir mais nas alternativas de oposição. Com Argentina


21

não aconteceu a mesma coisa porque a repressão sangrenta foi mais intensa. Nesse país, ‘ a Igreja não desenvolveu trabalhos de oposição por estar ligada

ao Estado e para que seus membros recebem salários do governo. Houve resistência, em especial entre sacerdotes ligados à Teologia da Libertação, mas quase toda a cúpula eclesiástica compactuou com o autoritarismo. Isso impediu que, ao lados dos meios de comunicação tradicionais, se criasse uma gigantesca rede alternativa de comunicação, formada, como no Brasil, pelas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica’.(GOMES, BULIK e PIVA, 1989:58).

Isso não significava que a grande imprensa não estava a favor das pessoas e da sociedade excluída do processo democrático social e político. Claro que não. A imprensa silenciou porque foi obrigada. Foi perseguida. Os jornalistas foram presos, exilados ou mortos. É nesse contexto que surgiu a imprensa alternativa para fazer força ao autoritarismo praticado pelas ditaduras militares.

Somente nos anos 80 é que veio a liberalização do regime e a possibilidade de transformação da conjuntura política e social.

“O Brasil e o Chile já havia dado um salto qualitativo. Aqui, expressando mais claramente a posição de partidos políticos, de sindicatos e de comunidades. Esse trabalho às vezes não é visível. Jornais, como o do Sindicato dos Metalúrgicos de S. Bernardo e dos Bancários de São Paulo, quase não se mostram em bancas de revistas.” (GOMES, BULIK E PIVA, 1989: 61)

A comunicação alternativa, portanto, é um processo. É uma nova maneira de se fazer comunicação a partir da construção coletiva. Parte da discussão dos problemas reais da comunidade, ou ligados a ela de alguma forma, para decidir compromissos que levem à mobilização social daquele grupo. Hoje, a comunicação alternativa caminha em busca da cidadania e da conquista dos direitos humanos e civis do povo.


22

Comunicação popular Denise Maria Cogo, fundamenta­se em Barbero, para afirmar que a compreensão da comunicação popular passa por um mergulho profundo no universo das culturas populares. Então, “é indispensável entender e resgatar os valores que passam o cotidiano e o imaginário tanto de emissores quanto de receptores e que vão se configurando como as mediações da comunicação popular. São valores como o sentido da vida, do trabalho, da solidariedade que aparecem articulados no cotidiano do povo.” (DIDONÉ e MENEZES, 1995:88).

Recortando para o jornalismo comunitário, Ciro Marcondes prega que este é o meio de comunicação que interliga, atualiza e organiza a comunidade e realiza os fins a que ela se propõe. Isso faz com que uma comunidade se torne uma atuação política, “interessada em conquistas e melhorias para seus

participantes (...) o jornalismo comunitário só o será se igualmente se interessar por esses fins.” Desta forma, os jornais de bairro, de colônias, de interior são estruturalmente idênticos aos jornais da grande imprensa, devido à elaboração, ao caráter, à vinculação e aos grupos políticos que obedecem aos mesmos critérios da imprensa liberal, de forma geral. Apenas o público visado é o que é diferente. (MARCONDES, 1992:160).

Mesmo sendo elaborado por membros de uma comunidade que procuram, através dele, ‘obter mais força política, melhor poder de barganha, mais impacto

social’, para os interesses de toda a comunidade, de acordo com o próprio Ciro, ele continua sendo confeccionado nos moldes do jornalismo profissional. No entanto, sabe­se que a maneira como se faz a comunicação é diferente nos meios alternativos, do ponto de vista dos interesses de mobilização social para conseguir atingir os objetivos.

Um jornalismo comunitário não deve estar apenas preocupado com a abordagem mercadológica dos problemas de seu leitor, mas também


23

“empenhado em organizar movimentos sociais e unificar esforços individuais em defesa de interesses comuns, normalmente menosprezados na sociedade, mas que representam grandes massas urbanas. E a forma de o indivíduo poder afirmar­se e fazer valer sua posição sem ser deglutido pelas máquinas de informação oficiais, públicas ou privadas, que tudo fazem, menos solucionar os problemas e as necessidades da população.” (MARCONDES, 1992:162).

Cristiano Donato, pesquisador da UnB, afirma que para uma mensagem ser alternativa, ela não necessita ser veiculada nos meios de comunicação alternativos. “discursos alternativos cabem perfeitamente em meios convencionais. A questão continua sendo a da democratização do acesso e do controle de tais meios. O que, obviamente, não quer dizer que não se deva pesquisar formas de comunicação alternativas e usá­las de forma e eficiente.”(MONTORO, 1997:77).

As linguagens de comunicação são diferenciadas de meio para meio. A linguagem de um jornal comunitário se diferencia da linguagem de um jornal diário dirigido ao público em geral. No entanto, essas diferenciações podem ser superadas por um bom profissional de comunicação que saberá fazer a adaptação de acordo com seu público. Donato afirma que se o profissional de comunicação for competente, ele saberá ajustar as diferenças e ser bom jornalista em qualquer comunicação alternativa.

Comunicação como espaço de mobilização social Hoje, os grupos organizados na sociedade acreditam mais do que nunca que para a democratização da comunicação e da democracia como valor essencial para todos, é preciso cultivar a comunicação alternativa. Sendo assim, ONGs (organização não­governamentais), sindicatos e partidos buscam, incansavelmente, maneiras de cobrar da sociedade respostas e posturas de participação através da mobilização social. Nesse sentido, a Universidade de


24

Brasília já lançou um curso de especialização nessa área porque acredita que, capacitando os cursistas, estarão contribuindo ao acesso e democratização dos meios de comunicação em favor da melhoria da qualidade da informação. Assim, de acordo com Dina Lida Kinoshita, USP, o veículo de comunicação da classe trabalhadora, seja sindical ou partidária, não é de propriedade de alguém específico que tem uma mensagem a ser consumida. Esta comunicação torna­se instrumento de intercâmbio porque é produzido interativamente. “Seu conteúdo é resultado do conjunto de informações,

preocupações, propostas, etc., produzido pela coletividade e para ela mesma. O jornal é um instrumento de informação, conscientização e mobilização; o receptor não é um elemento passivo, mas alguém que tem interesses comuns e participa da mesma forma de organização”. (DIDONÉ e MENESES, 1995:58).

Desta forma, o agente da comunicação popular é o povo organizado. É a comunidade organizada. O povo organizado cria suas formas específicas de comunicação, resgatando sua cultura e se comunicando a partir de seu imaginário. Pedro Giberto Gomes afirma que as organizações precisam estar sempre em busca e se avaliando para que o povo seja de fato construtor de comunicação. “Muitas vezes se busca alternativas de comunicação para fazer frente à comunicação de massa, mas o povo continua sendo objeto passivo e não sujeito construtor da comunicação. Muitos agentes de comunicação tomam consciência da necessidade do engajamento, da inserção e da inculturação como caminho para construir suma comunicação alternativa e popular.”(GOMES,1994:39).

Para trabalhar na comunicação como agente social e mobilizador é preciso ser consciente do papel deste novo agente social. Quem é o mobilizador social? Luiz Martins da Silva acredita que ele não “(...) é um ator a desempenhar funções manipuladoras em uma sociedade


25

marcada pelo jogo, pela estratégia e pela dominação(...) É aquele que respeita seu público, a sua audiência, os seus interlocutores, que são vistos como seres humanos, racionais, dotados de competência moral. Não se mobilizam ovelhas, apenas as conduzimos.” (MONTORO, 1997:29).


26

2. CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO RECEPTOR Esta pesquisa está centrada na teoria da recepção, definida por Jésus Martín­Barbero como um lugar novo, de onde se deve partir para estudar a comunicação nos dias de hoje. "É uma espécie de rever e repensar o processo

inteiro da comunicação(...)" (SOUZA, 1995:54). O estudo da recepção tem por objetivo resgatar a vida dos sujeitos envolvidos no processo, principalmente do receptor, pois este negocia as mensagens recebidas de acordo com suas necessidades cotidianas. O autor afirma, ainda, que para democratizar os meios será necessário que o pesquisador desça de seu pedestal intelectual para que possa compreender como se dão os processos de recepção.

A teoria da recepção parte do princípio de que o receptor é um agente ativo, capaz de escolhas, de intercâmbio de informações e posturas críticas. É um novo jeito de vivenciar a comunicação como um ato contínuo de diálogo e partilha. Essa nova maneira de compreender o processo comunicativo difere das teorias tão difundidas em décadas anteriores, e ainda, presentes no discurso 7

cotidiano de milhares de pessoas. A teoria funcionalista , por exemplo, via o receptor como uma tábua rasa onde se deveria imprimir conteúdos produzidos em outro lugar. Não dava autonomia ao sujeito que apenas deveria obedecer. 8

Também a teoria crítica partia do princípio de que o coitadinho do receptor é uma vítima do sistema e precisa ser defendido, pois existe uma conspiração tramando 9

contra ele .

7 A Escola Funcionalista é baseada no método positivista e surgiu nos EUA, na década de 30. Seus principais autores são: Robert Merton, Paul Lazarsfeld, Talcott Parsons, Harold Lasswell, Kurt Lewin e Carl Hovland. 8 A teoria crítica é conhecida como teoria da Escola de Frankfurt, onde os estudiosos são os

frankfurtianos: Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Jürgen Habermas. Surgiu na Alemanha nos anos 30. Seus estudiosos ficaram exilados nos Estados Unidos na década de 40, retornando para sua terra natal, na década seguinte. Tinham dois conceitos básicos: A Dialética do Esclarecimento e a Indústria Cultural. 9 Ciro Marcondes Filho questiona esse posicionamento porque isso daria a entender que haveria sempre, em algum lugar, uns poucos tramando algo contra a grande maioria. A isso ele dá o nome de postura conspiratória.


27

Ciclos das teorias A história das teorias de comunicação, de acordo com Armand e Michèle Mattelart, “é a história das separações e a das diversas tentativas de articular ou

não os termos do que freqüentemente surgiu sob forma de dicotomias e oposições binárias, mas do que de análises” (1997:10). Isto leva a crer que cada uma das escolas existentes estava a serviço da vida social na sua época, porém de acordo com sua visão de mundo. Foi significativa para seu momento histórico. Algumas serviram de fundamento para novos estudos que iam sendo desenvolvidos.

a) Teorias funcionalistas A história humana é, também, a história da comunicação. Desde a organização social, com a descoberta das trocas e dos fluxos, da divisão do trabalho e da aglutinação das multidões, as pessoas humanas vão se comunicando e interagindo. Já nos anos finais de 1800, Jean­Martin Charcot elabora o conceito de ‘psicologia das massas’, para designar que “o contágio, a

sugestão e a alucinação transformam os indivíduos em autômatos e sonâmbulos” (MATTELART, 1997:23). Algum tempo depois, surgiu Gabriel Tarde para dizer que a ‘era das massas’ já havia passado e começava­se a ‘era dos públicos’, ou seja, a psicologia social passava a ser determinante.

Com o desenvolvimento do empirismo no mundo, as organizações e os estudiosos vão elaborando melhor suas contribuições para entender os processos. A Escola de Chicago, por exemplo, contribuiu com os conceitos de

‘ecologia humana, diversidade e homogeneidade’. A organização Mass Communication Research apresentou novos conceitos, bem como o estudo da 10

etnografia da interação simbólica dos atores . Na década de 30, o relatório

10

Os autores Jonh Dewey e George Herbert Mead, mentores da etnografia, criticaram as concepções unilaterais do processo de urbanização que eliminaram a possibilidade dos grupos primários de análise. Eles afirmavam que os indivíduos eram capazes de uma experiência singular em sua história de vida. Porém continuavam submetidos ao nivelamento e homogeneização.


28 11

Payne Fund aponta para a inadequação da teoria behaviorista do efeito direto das mensagens nos receptores, indiciando a possibilidade das diferenças pessoais. Nessa mesma ocasião Lazarsfeld e Merton aperfeiçoam o analisador de programa para registrar as reações dos ouvintes em ‘termos de aprovação,

aversão ou indiferença’. (MATTELART, 1997:41). Com a Teoria da Informação surge novos conceitos como a entropia – ou seja, a medida do grau de desorganização da soma de informações – e o estudo mais aprofundado sobre a cibernética. A Escola de Palo Alto 12 , contribuiu para uma teoria sobre os processos de comunicação que leva em conta as interações, afirmando que “o receptor tem um papel tão importante quanto o emissor” em maneira circular de trabalhar.

b) Teoria crítica e estruturalista Na Teoria Crítica foi desenvolvido o conceito de ‘manipulação da opinião,

da padronização, da massificação e da atomização do público’. Daí já se constata que a proposta desta teoria é defender a pessoa dos processos de dominação que a sociedade da informação e do emaranhado do poder impõe, como alternativa de sobrevivência dentro dessa escola. Para Jünger Habermas “o cidadão tende a se tornar um consumidor de comportamento emocional e aclamatório, e a comunicação pública dissolve­se em ‘atitudes’, como sempre estereotipados, de recepção isolada.”. (MATTELART, 1997:83).

O Estruturalismo parte do estudo lingüístico com outras disciplinas. Introduz o estudo da semiologia como o estudo dos signos, que na verdade é o estudo de tudo que existe. Uma de suas tendências é a releitura do Marxismo, com Louis Althusser, que vê o indivíduo não mais como um sujeito da história mas como um

11 Foi elaborado por sociólogos e educadores a respeito dos efeitos do cinema nas culturas estrangeiras. 12 Escola localizada em São Francisco, EUA, na década de 40.


29

“(...)senhor de suas alianças em matéria de parentesco. Ele é o lugar de passagem, o ‘suporte’ de estruturas; seu comportamento e suas atitudes faz com que participe do processo de reprodução das relações sociais em uma formação social, ou seja, em uma sociedade historicamente determinada.” (MATTELART, 1997:95).

Os Cultural Studies, nessa época começam a se aproximar dos estudos da recepção e das culturas, fazendo sua segmentação. Em 1937, Antonio Gramsci introduz o conceito de hegemonia, deslocando o sentido de ‘classes sociais’ para a questão do poder, trazendo presente a necessidade de se levar em conta as negociações, compromissos e mediações. A partir da noção de ideologia, Stuart Hall define três tipos de codificação na audiência, a saber: dominante, oposicional e negociada. Este tipo de negociação “é uma mescla de elementos de oposição, adaptação e valores dominantes. Mas busca numa situação vivida, em interesses categoriais, argumentos de refutação de definições geralmente aceitas. (MATTELART, 1997:110).

c) Recepção: foco desta pesquisa Com o desenvolvimento dos estudos sobre o imperialismo econômico e cultural – uma produção dos EUA para o mundo – na América Latina, os estudiosos abandonam as posturas teóricas funcionalistas para formular a teoria da dependência. Um grande período de críticas e buscas levou pesquisadores a encontrar alternativas para que o cidadão fosse protagonista de sua história social. Nesse período floresceu, também, a luta pela democratização da comunicação. Assim a década de 70 foi explodindo também na América Latina e autores locais foram se destacando nas pesquisas sociais e comunicacionais, como Paulo 13

Freire , Néstor Canclini e Jésus Martín­Barbero. Atenção às interações e fragmentações, com conceitos como crioulização, mestiçagem, hibridização e

13

A Pedagogia do Oprimido (livro) apresenta a troca entre o educador e o educando. O aprendizado se dá num processo de interação.


30

modernidade alternativa, fazem a Ásia e a América destacarem no mundo empírico. Falando dos limites sociais, Barbero alega que é preciso estudar não o que os meios fazem com as pessoas, mas o que elas fazem consigo mesmas. "O artifício consiste em nos darmos conta de que a verdadeira proposta do processo de comunicação e do meio não está nas mensagens, mas nos modos de interação que o próprio meio transmite ao receptor ­ na negociação dos sentidos como dizem os italianos. Aqui também há dois extremos: estudar se as intenções do emissor são manipulatórias ou ideológicas e pensar que o receptor faz o que quer com a mensagem. Discutir o modo de interagir não só com as mensagens mas com a sociedade, com outros atores sociais e não só com os aparatos." (SOUZA,1995:57).

Mediações esclarecendo a recepção Para entender as maneiras como se dão os processos de recepção nas pessoas, precisa servir­se de mediações que possam auxilia­la a compreensão dos dados. “El campo de lo que denominamos mediaciones se halla constituído

por los dispositivos a través de los cuales la hegemonía transforma desde dentro el sentido del trabajo y la vida de la comunidad.” (BARBERO, 1993:207). Para Barbero, as mediações são passos importantíssimos para a investigação da recepção. A primeira mediação proposta pelo estudioso é a

heterogeneidade de temporalidades, ou seja, é preciso se conscientizar de que não há mais só uma história ou visão de mundo. O que há são posturas e contribuições diferentes que interagem, dando nova forma ao contexto social. Esse é um pensamento geral, segundo o autor, tanto de pensadores da direita política como da esquerda. (SOUZA, 1995:43). Outra mediação são as novas fragmentações sociais e culturais, que distinguem os diferentes públicos com seus interesses e possibilidades. Souza


31 14

cita Miguel de Moragas Spá

que os “intelectuais, executivos e yuppies” se

inscrevem nas programações televisivas que lhes interessa para os seus negócios, trabalhos ou investigações. Essa divisão é nova apenas na maneira de se produzir informação, pois vem aprofundar a velha divisão social e estrutural de longa data. No entanto, há outras divisões nessa mediação, como é o caso das gerações ou do gênero. (SOUZA, 1995:45). A reorganização dos espaços públicos e privados parte da concepção de que além da privatização da economia, desprivatiza­se também a vida íntima. Daí provém a necessidade de reorganizar esses espaços. Até os espaços sociais das cidades se modificaram em decorrência do tráfego. As fronteiras não são mais os 15

limites físicos, mas os lugares de osmose e intercâmbio como detectou Canclini . Os públicos estão fragmentados: homens e mulheres; mulheres de diferentes profissões; mulheres do campo e da cidade; de cidade grande e de cidade pequena, etc. Examinando essa mediação, Barbero elogia os publicitários como aqueles investigadores sensíveis às mudanças, pois percebem que os valores estão sendo refragmentados e rearticulados porque a expressão social está mudando profundamente. (SOUZA, 1995:48). As demandas sociais de comunicação e cultura é outra mediação que, se analisada em seus modos de desfrutar e de relacionar­se com a cultura, seria capaz de democratizar a comunicação. Ao falar dessa intervenção, Barbero aponta o gosto popular como algo que precisa ser reconhecido como essencial para se investigar os processos de recepção que acontecem nas classes populares. (SOUZA, 1995:49).

Uma chave importantíssima no estudo da recepção, passando pelas mediações, é o resgate da complexidade da vida cotidiana, como espaço de

14 Miguel de Moragas Spa é um investigador da Universidade Autônoma de Barcelona que chama a atenção para como as novas tecnologias de comunicação estão reforçando a divisão entre a informação e a cultura dirigidas para aqueles que tomam decisões na sociedade e outro tipo de informação de cultura voltada para o entretenimento das grandes massas. 15 Nestor Canclini é um estudioso da comunicação. Investigou os limites geográficos da fronteira do México com os Estados Unidos.


32

produção de significado a partir da apropriação da mensagem. Para investigar o processo de recepção do Educação em Alerta na vida cotidiana dos profissionais da educação, foi preciso verificar como está organizado seu contexto cotidiano. Segundo Barbero, é no cotidiano social que se produz a sociedade. "O cotidiano

não é mais o lugar da reprodução da força do trabalho(...)". Ele cita a obra de Norbert Lerner para afirmar que a vida cotidiana é um espaço onde se produz e não mais se reproduz a sociedade, pois acredita­se que a sociedade é produzida pela e para as pessoas. (SOUZA, 1995:58).

Partindo dessa mediação, a presente pesquisa quer saber como é que o profissional da educação constrói seu cotidiano informacional a respeito dos assuntos ligados à sua área. Se ele constrói seu conhecimento a partir do que se é divulgado no jornal Educação em Alerta ou é através de outros meios. É preciso saber se o Educação em Alerta é um meio relevante para eles ou não. Porque é em seu cotidiano que as pessoas vão construindo suas relações a partir daquilo que são e partilham com os outros.

Assim, é possível chegar a um outro conceito de sociedade: a sociabilidade. Essa teoria ilustra a realidade fragmentária não mais dirigida por uma só visão de mundo. Partindo disso, Cosette Castro apresenta o sujeito dos tempos modernos como um sujeito fragmentado, inserido num contexto de diversas visões de mundo, principalmente aquela que privilegia o mundo do trabalho. Só vale quem trabalha, quem produz. "Os materiais sindicais fazem o mesmo. Seu discurso é sobre o trabalho, as denúncias, a categoria, e tudo que disser respeito às possibilidades de sobrevivência no emprego ou de aumentar a produção. A discussão não abre espaço para a relação do sujeito trabalhador com seu trabalho. Muito menos da possibilidade dele não estar mais empregado. Seu público alvo se restringe aos associados, aos trabalhadores sindicalizados.

No caso brasileiro, está leiloando as empresas nacionais, além de ameaçar os servidores públicos com o fim da estabilidade e o congelamento salarial que vigora desde 1994. Os sindicatos, conta Boaventura Santos, sofrem o mesmo desarme, já que foram criados para organizar os trabalhadores e não para


33

organizar os desempregados." (CASTRO, 1997a).

O estudo da cotidianidade resgata o cidadão comum como um filosófo 16 . Um ser é capaz de pensar, questionar e duvidar porque é um ser pensante que sabe fazer perguntas sobre assuntos de seu cotidiano. Mas afinal, onde fica a vida cotidiana? Segundo Barbero "(...) não fica em casa, não fica no bairro, mas,

tecido de reconhecimentos sociais, tem como seu espaço produtivo, como seu espaço criativo, o espaço do bairro." (SOUZA, 1995:61)

Se a recepção resgata o sujeito como um filósofo em seu cotidiano, como é que se dá a interação com as mensagens veiculadas por um determinado emissor? Como já foi dito, o receptor não é saco vazio passivo, nem vítima manipulada por alguém. Ele é sim, um ser responsável por escolhas e decisões. No entanto, ele não faz o que quer porque há limites sociais que o restringem desse poder, como é o caso do desconhecimento dos saberes dos produtores, que cada vez mais se especializam em vista de seus objetivos. É preciso, então, conhecê­los para saber como interagir eficazmente.

Segundo Mauro Wilton de Souza, o receptor pode ser confundido com o consumidor social ou com o desbravador de si mesmo, pois "(...) é um consumidor que não se resume a depositário sedento do irrefletido de desejos, nem a uma busca desesperada de si; é um receptor que entre o presente e o futuro luta para não ter o real como pesadelo, um sonho mais difícil de ser enfrentado que o próprio sonho; é como se o real não coubesse mais à pessoa, nem mesmo a esperança." (SOUZA, 1995:23).

.

16

Gramsci é o autor dessa expressão que apresenta o cidadão como um filósofo e intelectual pensante. É citado por Barbero.


34

Em busca da negociação Para que haja interação é preciso haver negociação de significados 17 , ou seja, os receptores vão tirar daquilo que ouvem, lêem ou assistem algo para sua vida aquilo que lhes interessam. No entanto, para que ocorra essa interação, supõe­se que haja uma certa sintonia entre o emissor e o receptor, caso contrário não haverá negociação nenhuma entre eles. Elaine Souza Rezende 18 , em sua pesquisa, fala que "Muitas vezes, os próprios trabalhadores não vêem o

movimento sindical de modo positivo. Parece haver na intersubjetividade coletiva um equívoco, a partir do qual o sindicalismo é vinculado à anarquia." Talvez porque o sindicalismo brasileiro teve origem no movimento anarquista. (PASSOS & ANDREOLA, 1999:101).

Cosette afirma que isso não é motivo para pensar que o sindicalismo brasileiro passa por uma agonia sem saída. É apenas uma crise que se coloca como etapa do processo, devido às transformações no mundo do trabalho, que tem afetado o sindicalismo brasileiro. As direções sindicais estão perplexas, pois ainda não estão conseguindo caminhar junto com essas mudanças pelas quais os trabalhadores passam. Se a política continuar voltada para a 'redução dos

encargos sociais, da massa salarial e da carga tributária', tanto as empresas privadas como as públicas seguirão o trajeto de concentrar­se apenas em uma atividade essencial. Isso resultaria na escolha da prestação de serviço autônomo e da terceirização de tudo aquilo que for considerado como secundário para os dias atuais. Os sindicatos estão com uma estrutura ultrapassada, seguida pela busca de atrelamento ao Estado, o que vem fazendo com que atuem de forma defensiva. "Até o momento não conseguiram esboçar uma reação à crise em que se encontram, seja pelo agravamento da recessão, pelas constantes perdas salariais ou pelo crescente número de

17 Expressão utilizada pelos italianos (Umberto Eco) para falar dessa mesma interação. É o

mesmo que produção de sentido. 18 É mestranda pela UFMT. Em um artigo, falando do tema de sua dissertação, afirma que a

mídia dá pouco espaço às organizações sindicias.


35

desemprego, que está reduzindo drasticamente o número de sindicalizados." (CASTRO, 1997a).

Para ela, o essencial agora é redescobrir o papel dos sindicatos na atualidade para que a comunicação sindical possa cumprir o que ela se propõe: ser portadora de um discurso dialógico onde os trabalhadores possam ser reconhecidos em sua cotidianidade. Caso contrário, não serão representantes de uma categoria de receptores ativos.

Se o sindicalismo passa por essa crise, necessariamente a Comunicação Sindical também passará pelo processo, justamente porque ela repetirá as situações de dominação semelhantes às das direções sindicais. "Isso ocorre principalmente por causa das relações viciadas que aparecem no sindicalismo praticado pela Central Única dos Trabalhadores. As posturas cupulistas (onde só a diretorias resolvem tudo; a cúpula é a "dona do saber e dos desejos de seus associados"), autoritárias, despolitizadas e pouco solidárias, mostram que as direções sindicais têm visto nas suas categorias, enquanto público, mero depositários das informações que desejam veicular. Ou seja, repetem na Comunicação Sindical as mesmas atitudes verticalizadas e unidirecionais encontradas nas relações com seus patrões. Os sindicatos situados à esquerda política continuam a ignorar a visão de mundo do seu público(...)". (CASTRO, 1997c).

O discurso sindical, segundo Cosette, se conseguir atingir seus objetivos será capaz de provocar eco na sociedade e reconstruir significados como resposta ao Outro , que compartilhará da mesma visão de mundo desejada pelo sindicato. "É o discurso por excelência do sujeito em todos os seus sentidos. Ele se enuncia na luta política. Seu objetivo é vencer a luta através do jogo da desconstrução e reconstrução de significados, através da defesa articulada de uma visão de mundo. O discurso sindical, a exemplo do político, vive de sua capacidade de interpelar, já que seu êxito depende da capacidade de construir sujeitos com a mesma visão de mundo." (CASTRO, 1997b).


36

3. METODOLOGIA: CONSTRUÇÃO EM PROCESSO Todo saber científico se constrói em processo a partir de algo concreto que se possa ser investigado para gerar um novo conhecimento. Para Maria Immacolata Vassalo Lopes o modelo metodológico opera como um modelo de

interpretação e se particulariza numa obra acabada que se tornará um modelo de reconstrução metodológica. Isso implicará na descrição e explicação dos fatos bem como na análise crítica de todo o processo. (LOPES, 1994:98). Diélcio Salomon diz que a pesquisa descritiva “(...) compreende descrição, registro, análise e interpretação da natureza atual ou processos dos fenômenos. O enfoque se faz sobre condições dominantes ou sobre como uma pessoa, grupo ou coisa se conduz ou funciona no presente. Usa muito a comparação e o contraste.” (SALOMON, 1996:114)

Uma pesquisa exploratória e analítica se restringe a “definir objetivos e

buscar maiores informações sobre determinado assunto”, de acordo com Cervo e Bervian. Ou seja, a partir do momento que se familiariza com o caso investigado, obtém­se novas percepções e descobertas. A pesquisa, então, vai se construindo pelas descrições das descobertas em suas correlações existentes. (CERVO & BERVIAN, 1983:56).

Esta pesquisa, partindo do estudo exploratório e descritivo, investiga o processo de recepção do Educação em Alerta de duas escolas estaduais do bairro Coxipó, localizadas à Avenida Fernando Corrêa da Costa. As escolas foram selecionadas por conveniência de proximidade e diferenciação. As duas escolas atendem uma clientela (alunos e profissionais) de bairros distantes de Cuiabá e Várzea Grande. A diferenciação foi caracterizada pelo atendimento aos graus de ensino. A escola 'Souza Bandeira'(Escola 1) só tem o 1º grau e é dirigida por uma instituição religiosa: Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. Já que a escola

'Raimundo Pinheiro'(Escola 2) é uma escola pólo da região do Coxipó e atende o


37

2º grau e três séries do 1º grau: sexta à oitava. Ela dá continuidade, em parte, à educação iniciada na Souza Bandeira. Na Escola 1 foram entrevistados oito professores e sete funcionários (técnicos administrativos e pessoal de apoio educacional) do Ensino Fundamental. Já da Escola 2 investigou­se apenas seis professores e cinco funcionários que trabalham com o Ensino Médio. Aos entrevistados foram feitas indagações a respeito de como se informam dos assuntos relativos à sua área, não apresentando nenhuma proposta. Com esse tipo de pergunta, desejava­se saber se o jornal Educação em Alerta é valorizado pela categoria educacional. A investigação questionou os entrevistados a respeito dos assuntos ligados à educação e noticiados no jornal do Sintep­MT. Para detectar como é o cotidiano dos profissionais, a pesquisa quis saber o grau de instrução, a idade, a renda e o horário de trabalho em que exercem sua profissão. Objetivando saber o grau de aceitação do Educação em Alerta. A segunda parte da entrevista fez um levantamento sobre as percepções, gosto e identificação dos receptores em relação ao jornal.

Para enriquecer o construir científico desta pesquisa foi preciso fazer um levantamento de bibliografias existentes a respeito do assunto, como, por exemplo, a de Kleber Lima, que analisou o conteúdo do Educação em Alerta e sugeriu que se complementasse sua investigação com uma análise mais centrada no receptor. Outro trabalho que muito contribuiu nesta pesquisa foi a dissertação de mestrado de Cosette Castro, uma professora da Unisinos­RS que investigou a comunicação sindical no jornal dos bancários de Porto Alegre. Paralelamente a esse aprofundamento, a pesquisadora participou de dois cursos de comunicação sindical (básico em outubro/99 e avançado em abril/2000), promovido pela Adufmat e leu outras bibliografias que diziam respeito ao assunto.

Foi realizada entrevista com a direção do Sintep­MT e coletados dados sobre a visão que o sindicato tem do receptor. Também foram observadas posturas dos sindicalistas diante de questionamentos sobre a linguagem praticada


38

pelos sindicatos e movimentos populares, em debates e cursos durante o desenrolar da investigação. Simultaneamente à etapa anterior, foi trabalhado o ‘Corpus’ de seis números do Educação em Alerta, correspondente aos meses de outubro e novembro de 1999; e janeiro a abril de 2000. Analisou­se a linguagem utilizada pelo sindicato para interpelar os leitores bem como algumas expressões que desrespeitam as posturas diferentes dos receptores diante de um determinado assunto.

A análise deste trabalho foi de forma qualitativa, ou seja, interpretando os fatos, ora comparando­os ora contrastando­os. Essa reflexão levou a pesquisa à constatação de que o receptor precisa ser valorizado como um filósofo cotidiano, capaz de contribuições significativas no feed­back com o sindicato, mesmo se pensar diferente da cúpula sindical. Este também é um desafio para a comunicação sindical.


39

4. EDUCAÇÃO EM ALERTA, O LADO DO EMISSOR Os professores do Estado de Mato Grosso estão organizados desde o ano de 1965, quando foi criada a Associação Municipal de Professores Primários (AMPP). Onze anos depois, tornou­se Associação Municipal de Professores (AMP). Em 1986, ganhou outra sigla e passou a ser Associação Municipal de Professores da Educação (AMPE). Até que, finalmente, se estruturou como Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público do Estado de Mato Grosso (Sintep­MT), em 1988.

O Sintep­MT está organizado em quinze regionais, que por sua vez são formados pela agregação das sub­sedes municipais. A diretoria central tem sua sede em Cuiabá e é composta pelos representantes dos vários regionais. Trinta e cinco pessoas fazem parte da diretoria, formando as quinze secretarias do órgão.

A rede estadual é composta por 609 escolas, que agregam 30 mil trabalhadores da Educação. Desses profissionais apenas 14 mil são associados ao Sintep­MT. Os associados sofre desconto de 1 e 1/5% no salário mensal. Em 1990, havia 20 mil sindicalizados, que foram desfiliados por oito meses, porque o Governo Estadual deixou de efetuar o desconto. Só a partir de 1992 é que o Sindicato voltou a trabalhar com afinco no sentido de conseguir de volta seus filiados. A diretoria sindical atual almeja voltar aos vinte mil.

A comunicação do Sintep­MT Desde a origem, o Sintep­MT sempre se comunicou com a categoria através de ofícios para fazer os encaminhamentos chegarem à base. Na metade da década de 80 é que começou a se preocupar com sua maneira de se comunicar. Com a vitória da chapa Novos Rumos, em 1985, o sindicato passou a editar um boletim trimestral de mesmo nome. O principal objetivo desse veiculo era "dar uma ação sindical mais incisiva de embrião cutista à categoria". (Diretoria do Sintep­MT, 2000).


40

Dez anos após essa data, nasceu o Educação em Alerta com o objetivo de dar maior agilidade a comunicação e às deliberações. Com sua criação em 1995, o sindicato desejava pautar melhor a classe trabalhadora, formando­a para uma ação transformadora. Isto porque concluíram que o boletim 'Novos Rumos' não era suficiente para uma boa comunicação entre diretoria e base. Nessa ocasião, ainda continuavam enviando ofícios como o veículo mais rápido de comunicação. São editados 10 mil exemplares do Educação em Alerta, o que leva a deduzir que essa quantia não atende nem aos associados, quanto mais a todos os profissionais. Em sua trajetória comunicacional, o sindicato já passou pelo rádio com o

Sintep no Ar. O programa diário foi abandonado porque não trouxe ganho­ beneficio, segundo um membro da diretoria, para o sindicato, ou seja, os professores e funcionários não ouviam­no porque estavam trabalhando. Outro motivo que fez com que o sindicato deixasse o programa foi a possibilidade dos comerciais na televisão. Um programa de rádio atinge uma cidade, enquanto um comercial na Tv Centro América – filiada à Rede Globo de Televisão – atinge todo o Mato Grosso, segundo a diretoria. No entanto, sabe­se que nem todos os municípios conseguem sintonizar a filial da 'Rede Globo', pois assistem televisão via­antena parabólica. O Sintep­MT pensa em incorporar em sua comunicação as novas tecnologias. Em maio estreiou a sua homepage. Estão pensando na produção de um clip eletrônico para ser encaminhado às escolas e, assim, toda a comunidade escolar poder assistir as notícias do sindicato. Outro recurso que está sendo gestado é a possibilidade de um clip em linguagem computadorizada para ser enviado às unidades escolares. Isto porque o órgão acredita que a imagem tem um poder muito grande de formar opinião. “Não podemos ignorar os avanços

tecnológicos, as mudanças na conjuntura política e econômica. É preciso que o nosso sindicato se fortaleça para o século XXI.” (Educação em Alerta, 2000:nº58).

Cosette Castro aponta como vantagem a utilização de novas tecnologias nos sindicatos, mas declara que quase sempre


41

“(...) essa "modernização" não tem contribuído para ampliar a participação dos trabalhadores, que estão se afastando e se desfiliando dos sindicatos. Isso ocorre por vários motivos, mas basicamente porque questões de fundo não se resolvem com modernização tecnológica. (1997a).

Como o Sintep­MT se comunica com a sociedade? A diretoria afirma que se comunica constantemente com a comunidade escolar através das reuniões de pais nas escolas. Quando dão entrevistas à mídia procura evitar o sindicalês 19 , ou seja, linguagem falada dentro das corporações sindicais. A diretoria afirmou, em entrevista, que faz reuniões com pais nas escolas. No entanto, essa prática não é comum nas escolas 1 e 2. É curioso porque, enquanto as escolas analisadas estavam em greve, alguns pais de alunos da Escola 1 escreveram uma carta dirigida aos professores e ao Sintep. Os pais entendiam os motivos de luta, mas estavam revoltados porque seus filhos estavam ociosos em casa sem estudar.

“Queremos dizer que nosso entendimento tem limite, o qual já está chegando ao fim. Pois na sociedade existem vários segmentos profissionais que estão sofrendo financeiramente também, e todo mundo não pára dias e dias para protestar. O compromisso com a população está acima das necessidades pessoais e políticas.” (anexo C, Carta 1, p.103).

Os emisores vêem os receptores assim... A diretoria do Sintep­MT é quem edita o Educação em Alerta. Discute as pautas nas reuniões, divide os trabalhos de redação entre os membros e revisa os rascunhos escritos para liberá­los para publicação. O jornal já teve um jornalista responsável, mas não deu certo. A atual diretoria alega que ele “não

estava politicamente adequado com a lógica do movimento”. Destina­se aos

19 Sindicalês é expressão utilizada por Vitor Gianotti e Claudia Santiago no Curso de Comunicação Sindical, promovido pela Adufmat – Associação dos Docentes da UFMT, em outubro/1999 e abril/2000, na própria universidade.


42

trabalhadores da rede estadual de educação: professores de 1º e 2º grau, técnicos administrativos e servidores de apoio escolar. (Diretoria, 2000). Os emissores acreditam que os leitores participam do jornal porque algumas vezes, em Assembléia, redigiram as perguntas feitas pelos presentes e responderam no jornal como dúvidas da categoria. Alegam que os receptores participam também, pois enviam poesias, paródias e notícias vindas das sub­ sedes. Ao que parece, essas contribuições são redigidas e enviadas por membros 20

da diretoria, imbuídos do espírito cutista . Esperam que a participação dos receptores aumente com a implantação da homepage. A diretoria acredita que os objetivos do Educação em Alerta são atingidos em parte, pois a categoria toma conhecimento dos assuntos da área. Entretanto, o hábito de leitura não está consolidado na sociedade brasileira, alega a diretoria. Pretende­se distribui­lo através de mala direta para os associados, mesmo sabendo que uma ação sindical não pode ficar só entre os associados. As demandas estão se ampliando para as redes municipais que têm sua própria pauta e precisa ser aprimorada. Apesar do Sintep­MT achar demorado o vai e vem de comunicação, orgulha­se por levar suas notícias aos recintos mais distantes da capital, onde nenhum outro meio de comunicação consegue chegar. Tem consciência de que alguns professores não acatam a política sindical, mas desconhecem casos de desfiliação de seus sócios. Dizem que não recebem críticas por escrito, no entanto, sabem que elas acontecem pelos corredores e pátios. Alegam não poder melhorar sua postura por não recebê­las. Buscam com seriedade melhorias para o coletivo, por isso são confundidos com o Partido dos Trabalhadores (PT). ”Não

somos partidários, apesar de ter vários militantes filiados a partidos políticos. Lutamos por uma política pública para toda a sociedade. Muitas das nossas ações se parecem com a do PT". (Diretoria, 2000).

20 Expressão utilizada para identificar a tendência política dos sindicatos filiados à CUT (Central Única dos Trabalhadores).


43

O jornal cita pouquíssimas vezes os funcionários administrativos. Quando mencionados, estão atrás dos termos ‘trabalhadores e profissionais da educação’. Nos seis números analisados apenas uma notícia se referia ao curso Arara Azul promovido pela Seduc (Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso). Foi noticiado com uma certa crítica, com o título “A tentativa de vôo do projeto Arara

Azul”. Não foi encontrada nenhuma expressão ou comunicado dirigido aos funcionários de apoio geral na escola.

O “ corpus ” do Educação em Alerta O Educação em Alerta é mensal. Em seu projeto gráfico, percebe­se que foi determinado para ter oito páginas com duas colunas. Tem formato oficio duplo (31,5 x 22 cm), com um centímetro de margem. Nos números analisados, dois possuíam oito páginas, três quatro páginas e um seis. É confeccionado com apenas uma cor. De acordo com os emissores, o tamanho do jornal varia de acordo com o número de notícias, apesar da proposta de ter um jornal de oito páginas. A principal característica do Educação em Alerta é ser um jornal político­ sindical que informa a categoria sobre os assuntos referentes à sua área. Não traz nenhuma matéria assinada. É opinativo por excelência. Os verbos são usados sempre na primeira pessoa do plural em quase todos os textos, salvo algumas exceções em que falam de maneira impessoal. É confeccionado pela Secretaria de Comunicação do Sindicato e impresso numa gráfica comercial.

O jornal teve seu visual mudado em janeiro de 2000. Acredita­se que a transformação veio após um membro do Sintep­MT ter participado do curso de comunicação sindical básico, promovido pela Adufmat – Associação dos docentes da UFMT – em outubro de 1999. Nesse curso, Vito Gianotti declarou que um jornal sindical precisa ser tão bom quanto aos jornais da grande imprensa. Isto porque seu objetivo é disputar hegemonia – expressão utilizada pelo Vito. Apesar da mudança, o Educação em Alerta ainda não é um jornal que tenha uma boa diagramação. Ou seja, sua apresentação ainda não está atrativa e não consegue


44

cativar os seus leitores. Em entrevista, uma professora da escola 1, ao ser questionada sobre o que achou do novo visual do jornal, disse: “Mudou? É

verdade. Eu nem tinha percebido...”

O jornal não tem um projeto gráfico definido. As manchetes e títulos são de diferentes tamanhos. As fotos, quando utilizadas, não chamam a atenção dos leitores. Não existe um padrão quanto ao tamanho das colunas e dos textos. Nos jornais analisados, cada primeira página foi elaborada de um jeito: três colocaram o editorial em destaque.

Segundo a jornalista Cláudia Santiago, “um jornal sindical, que é opinativo

por excelência, não precisa ter editorial. E, se tiver, é bom que se escreva sobre um assunto apenas.” Ora, no Educação em Alerta foram encontrados diferentes tamanhos de editorial. O maior ocupava toda a página dois e era uma agenda anual com diversos pontos de perspectiva para o ano. (Curso de Comunicação Sindical 1, 2000).

Linguagem interperlativa do Educação em Alerta O jornal Educação em Alerta utiliza uma linguagem técnica para se referir aos seus leitores. Os emissores têm consciência de que falam para os professores, administrativos e pessoal de apoio geral. Usam frases muito longas, às vezes contendo mais de 50 palavras, como se observa no trecho abaixo. “A marcha construída pela intensa mobilização nos estados e municípios brasileiros, cumpriu a tarefa de retratar a dura realidade das escolas, revelando problemas e propondo soluções, ao mesmo tempo, recolheu e traduziu os anseios dos alunos, pais, professores e funcionários, enfim, dos mais diferentes seguimentos da sociedade brasileira que desejam políticas públicas sérias e includentes.” (Número 55).

No curso de Comunicação Sindical avançado foi citado que um jornal sindical precisa ter no máximo 22 palavras em cada frase. Caso contrário, o leitor sairá perdendo. Ou seja, um leitor que só tenha o primeiro grau não consegue


45

assimilar bem uma mensagem se não foi respeitada a regra acima. Mas não é coisa da comunicação sindical. A Folha de São Paulo está editando, com muita freqüência, textos muito curtos porque descobriu que essa nova maneira dá dinamicidade ao texto e semelhança à comunicação televisiva. Como os emissores do Educação em Alerta utilizam sempre o pronome ‘nós’, às vezes fica difícil de identificar a quem estão se referindo. Há momentos que o nós é para mencionar o trabalho da direção sindical e em outros para mostrar uma conquista da categoria. Neste exemplo, houve uma junção do ‘nós’. 21

“É por isso, companheiros, que temos a convicção de fazer valer nosso suor e de construir o poder dos trabalhadores da educação.” No caso abaixo, percebe­se que há clareza em está se referindo a toda a categoria sindical. “O processo de

evolução e conquistas se deve à luta, coragem e capacidade de organização e comprometimento da categoria, independente de qualquer outro seguimento ou grupo político”. (Número 57). ‘Companheiros e companheiras’ é um tratamento cotidiano nos organismos sociais ligados à CUT. Está muito presente na comunicação sindical. Também evoca a preocupação dos envolvidos no comprometimento com a questão de gênero, onde mulheres e homens lutam por igualdade de direitos e deveres. Festejando a posse dos concursados na educação, dirigiram­se assim a seus leitores:“Que bom que agora teremos novos profissionais da educação que

somarão aos valorosos companheiros e companheiras em defesa da escola pública. Ânimo. Já estivemos mais longe.”( Número 57). Convocam os leitores à luta contínua. Isso pode­se perceber nos exemplos que seguem:

Número 57 (janeiro): “Permanecer sempre mobilizados e organizados deve ser o firme propósito de cada um de nós, professores e funcionários da educação pública de Mato Grosso.”


46

Número 58 (fevereiro): “Vamos arregaçar as mangas e encaminhar o que já foi deliberado. Companheiros e companheiras, foi sempre a nossa responsabilidade e resistência que garantiram nossas conquistas. Se muito fizemos, muito ainda haveremos de fazer. Com a sua participação! Juntos somos fortes!” “ Essa não pode ser uma luta particular de poucos.” “Não há tempo para esperar. Não podemos ter medo.” “não podemos jamais esquecer da nossa luta nem perder nossa moral e nosso senso de justiça.”

Número 59 (março): “Garantir que a greve tenha a participação de toda a comunidade escolar e da sociedade é nosso desafio. Não podemos ser meros expectadores. Nossa participação é fundamental para a melhoria da qualidade da educação.” “Vamos intensificar nossas ações e envolver toda a comunidade escolar.”

Número 60 (abril): “Embora a greve seja um instrumento drástico, somente por este processo conseguimos alterar as condições de trabalho, de oferta e de qualidade na educação do Estado.” “Permanecer em greve é fundamental para que o governo atenda nossas reivindicações com mais rapidez.”

21 ‘Pra fazer valer nosso suor’ é o lema da Direção sindical atual.


47

5. NEGOCIAÇÃO DE SIGNIFICADO, O LADO DO RECEPTOR Mulheres e homens, profissionais da educação no Estado de Mato Grosso, tentam conciliar sua vida cotidiana com a missão de educar crianças e jovens, num contexto de pós­modernidade. Além das mudanças do mundo moderno, de maneira acelerada, a educação no Estado também vai incorporando novas propostas de qualidade, nem sempre vistas como positivas pelos profissionais.

Nem todos os entrevistados das duas escolas se mostraram receptivos à pesquisa. Alguns evitavam responder às questões, justificando com os motivos mais simples e banais possíveis. A Escola 2 (Raimundo Pinheiro) atende a 870 alunos, sendo que 650 são do ensino médio. São 32 professores, 7 técnicos administrativos e 7 pessoal de apoio educacional. Desses profissionais, o ensino médio conta com 29 professores, os técnicos administrativos e o pessoal de apoio educacional se revesam nos turnos. São 555 alunos da Escola 1(Souza Bandeira) em dois turnos, com 23 professores, 4 técnicos administrativos e 8 funcionários de apoio educacional. Responderam à entrevista oito professores e sete funcionários (técnicos administrativos e pessoal de apoio). Todos os professores entrevistados têm 3º grau completo e apenas, uma professora em cada escola, tem curso de especialização. Na ‘Escola 1’ a média de idade é de 40 a 60 anos. Enquanto na

‘Escola 2’ é de 40 anos. A maioria tem renda de R$ 700 a R$1.000 reais. Na ‘Escola 1’ a maioria trabalha um turno enquanto na ‘Escola 2’, dois turnos. Já os funcionários entrevistados estão na faixa etária média dos 30 anos, mas existem vários com idade por volta de 60 anos. A maioria ganha em torno de um salário mínimo. Na ‘Escola 1’, a maioria trabalha dois turnos, e na ‘Escola 2’, apenas um. Nas duas escolas, a maioria tem o 2º grau completo.


48

Comunicação cotidiana Ao serem entrevistados, professores e funcionários mostraram que não dependem do Educação em Alerta para se informar a respeito dos assuntos ligados à sua área educacional. A mídia convencional e os cursos aparecem como os principais veículos de comunicação para os profissionais da educação das duas escolas. Ao responder a questão a respeito de como se informam, encontrou­se as seguintes respostas. ­ Mídia (7)

­ Palestras/Seminários/

cursos (9)

­ Papo com colegas (6) ­ Ofícios Escola 1

Seduc/Circulares(3) ­

­ Mídia: TV/JO/Rv/RA (6) Escola 2 ­ Papo com colegas (4)

Reuniões Sintep (2)

­ Diário Oficial (2)

­ Jornal Sintep (1)

­ Jornal do Sintep (1)

­ Diário Oficial (1)

­ Livros (1)

­ Curso qualificar (1)

­ Informes (1)

­ Revista Escola (1)

­ Folders (1) ­ Ofícios Seduc (1)

Os números ao lado de cada fonte de informação indicam a incidência nas respostas dos entrevistados. Isso significa que o jornal Educação em Alerta foi citado por duas pessoas. Uma em cada escola. Por ordem de prioridade, sua colocação está em quinto lugar. Como já foi citado anteriormente, a direção do Sintep acredita que o hábito da leitura ainda não está consolidado na sociedade brasileira. No entanto, parece que a questão é mais complexa e profunda. Por isso será discorrida ao longo deste capítulo.

Se os leitores se informam mais através da mídia convencional que através do Educação em Alerta, isso faz com que também não comparem os fatos que são noticiados em ambos. Ao serem indagados sobre isto, houve certo contraste entre os entrevistados. Na escola 1 não costumam compará­los, enquanto que na

escola 2 o fazem com maior freqüência. Alegam não compará­las por falta de tempo. São unânimes em concordar que há interesses diferentes entre a mídia e um jornal sindical.


49

Opiniões divergentes entre os profissionais apresenta certa contradição se confrontadas com as críticas que eles próprios fazem ao sindicato. Fica a impressão de que eles têm o direito de criticar o sindicato na hora que quiserem, mas quando se trata de comparar o jornal do Sintep­MT com os Meios de Comunciação Social (MCS), a defesa é imediata. Isso percebe­se nos casos “ Os MCS não possuem um público específico.” “ Não tenho tempo de comparar com a mídia; fiquei sabendo que dia 10 havia previsão de greve, após reunião com o governo(dia 6) e assembléia (dia 7) e qual não foi minha surpresa quando no dia 6, aparecem representantes do Sintep­MT dizendo que já está decida a greve.” “As notícias da mídia, o pessoal valoriza mais, mas a do Sintep­ MT é mais verdadeira. São verídicas.” “Porque em ambos, há finalidades diferentes: um enquanto sindical defende o interesse dos trabalhadores da categoria e o outro como MCS.” “Nos outros, há sensacionalismo. Aumentam e mostram o lado do governo;” “Há contradições. A mídia, às vezes, anuncia sem embasamento nenhum;” “Geralmente se equiparam. A mídia local favorece o governo.” “Em muitos casos não coincidem, um discorda do outro e ninguém sabe quem fala a verdade.” (Anexo A, vi, p.76).

Cláudia Santiago e Vito Gianotti, afirmaram durante o curso de 22

comunicação sindical, promovido pela Adufmat,

que o objetivo de um jornal

sindical é convencer para levar à ação, por isso o jornal sindical não é neutro.

22 Adufmat é a associação dos docentes da Universidade Federal de Mato Grosso, ou seja o

sindicato dos professores da UFMT.


50

“Não somos neutros, mas precisamos ter credibilidade(...) Nós declaramos que temos um jornal a serviço do trabalhador, por isso é preciso dizer não ao discurso vazio. Não ao xingamento gratuito, mas apresentar fatos e dados.” (Curso de Comunicação Sindical 2, 2000).

No jornal Educação em Alerta, fala­se mais contra as posturas governamentais que das vantagens e desvantagens de cada uma. Alguns educadores acham o discurso um tanto vazio porque ficam falando sempre “dos

antigos novos assuntos”, como se referiu uma entrevistada da Escola 2.

Filósofos do cotidiano A maioria dos profissionais está descrente em relação à educação que se pratica em Mato Grosso, porém acredita que a mesma é de suma importância.

“As questões educacionais estão nos desafiando sempre mais. O desafio consiste em adequar a educação aos moldes que a atualidade exige.” (Anexo A, iv,p.71). Todos acreditam que essas questões precisam ser discutidas com a sociedade. No entanto, a divergência de idéias e pensamentos aparecem nas questões específicas da educação, levantadas pelo Sintep­MT como bandeiras de luta: ‘a redução da jornada de trabalho para 30 horas, greve, dias nacionais de

paralisação, escola pública de qualidade, crítica à escola ciclada e a construção da nova sede do sindicato’. Os entrevistados se posicionaram conscientemente diante dessas questões, apontando as vantagens e desvantagens de cada item. Enquanto alguns louvam a conquista da redução da jornada de trabalho, os professores de I a IV lamentam, ‘pois ficamos impossibilitados de realizar um

trabalho com qualidade’. (Anexo A, v, p.73). Muitos profissionais não aprovam a greve porque alegam que a Educação é a única Secretaria Estadual que precisa repor trabalho quando realiza esse ato. Uma professora da escola 2 afirma que a greve é muito complicada no atual momento histórico. Diz que vê seus colegas desorganizados para uma ação tão séria como esta. Isto porque além de estarem estressados,


51

‘(...) não temos tempo e nem damos prioridade para estarmos buscando saber e se informar junto ao sindicato. Não vou dizer que o sindicato esteja errado. Ele está fazendo o papel dele, reivindicando junto à categoria. Mas estou sentindo um certo distanciamento. Precisamos de uma aproximação maior. Irrita­me o fato de alguém fazer pela maioria. É preciso uma discussão maior e mais profunda com a comunidade escolar e com a sociedade. Agora, a pessoa chega ali numa sala e diz 'vai ter greve!' Ela não teria esse direito, visto que ainda haveria reuniões para se decidir isso. Quando o aluno e professor voltam, é aquele atropelo, até que se consiga organizar alguma coisa. Quando o professor consegue alguma coisa, ainda volta mais animado. Senão o desgate da comunidade é estressante.” (Anexo A, vii,p.78).

Outro fator que implica na greve, segundo os entrevistados, é a concepção que a comunidade, incluindo os pais, tem de férias escolar. Diante disto, a administração da escola diz que é muito complicado mexer no calendário. Por outro lado, a direção sente que precisa respeitar o coletivo dentro de uma gestão democrática, apesar de saber que quem decide a greve é ‘uma meia dúzia’. Ou

seja, um grupinho de Cuiabá e os representantes dos municípios’ (Anexo A, vii,p.78).

Essa argumentação confirma o posicionamento de Elaine Souza Rezende quando diz que os próprios trabalhadores vêem de modo negativo o movimento sindical. Parece que foi exatamente isso que aconteceu na última greve, encerrada no dia 24 de maio deste ano. Um pequeno grupo trabalhou com afinco, enquanto a grande maioria ficou alheia a todo o processo reivindicatório, iniciado no dia 10 de abril. Isso foi percebido em conversas informais que a pesquisadora teve com profissionais das escolas investigadas.

Todos concordam com as mobilizações, mas esperam maior empenho do sindicato. “As paralisações tem de acontecer desde que o Sintep­MT tenha certeza da força da classe. E aqui em nosso Estado, não se obtém muito êxito devido à desunião da categoria. Sabemos que só 25%


52

vão às lutas. Os outros vão cuidar de interesses particulares.” (Anexo A, vii,p.78).

Os profissionais desejam uma escola pública de qualidade, que invista na pessoa do educador e do educando. Tanto o sindicato como o governo querem uma escola pública de qualidade, porém apresentam propostas divergentes no que se refere ao trabalho. O Sintep­MT almeja a redução da jornada de trabalho e o Estado propõe a escola ciclada, considerada inadequada por alguns professores. Utilizam­se do mesmo discurso autoritário que seguem as vias das cúpulas decisórias até se apresentar como proposta à base.

O Sintep­MT parte do princípio de que o profissional sobrecarregado não consegue desempenhar o seu trabalho, por isso quer que o profissional trabalhe apenas 30 horas. “Alguns professores já tinham 30 horas no Estado. Fizeram

concurso para mais 30 horas no Estado e 20 horas na Prefeitura. Como é que o profissional de I a IV vai conciliar tudo isso?” São questionamentos de uma professora da Escola 2. Mais uma vez, dá­se o impasse na questão comunicacional entre base e cúpula sindical. Até que ponto essas questões são discutidas pela direção do sindicato? (Anexo A, vii, p.72).

O próprio sindicato acredita que o ‘vai e vem’ de informações é demorado mas se orgulha por está presente em todo lugar do Estado. Estar presente em todas as cidades, não significa que tenha relevância para os profissionais e que seja que suas comunicações sejam lidas por todos. Muitos profissionais das escola 1 e 2 disseram que não gostam do Sintep­MT porque fazem política partidária e não abrem espaço para outras discussões ou posicionamentos diferentes. A diretoria do órgão confirma que alguns confundem a política do sindicato com o Partido dos Trabalhadores porque eles lutam por justiça para um coletivo muito maior. Dizem que dão espaço para as pessoas se manifestarem, mas ninguém o faz.


53

O Sintep­MT está planejando construir uma nova sede para exercer melhor sua missão de defender a categoria. Alguns profissionais não estão gostando dessa construção porque ‘não estamos por dentro desse trabalho’. Alegam que se ‘(...) fosse para abrigar todos os associados e não associados. Mas do jeito que eles estão agindo até hoje, não conseguirão levar a maioria a nada. Essa é uma construção deles porque na hora que você precisa do sintep, não consegue nada. Sou associada e não tive benefício nenhum. Quando você vai numa reunião e pensa diferente, eles cortam você na hora. Falo isso por experiência própria. Não gostei disso e vejo isso aí uma força para mostrar poder.” (Anexo A., v, p.74).

Relevância do Educação em Alerta Na análise dos dados, percebeu­se algo curioso em relação às respostas dos profissionais da educação. Em todas as questões, a maioria se recusou a responder àquelas que se referiam ao projeto do jornal. Alguns disseram não saber respondê­las, pois não prestavam muita atenção quando faziam a leitura do Educação em Alerta. Outros se declararam leitores casuais. Essa omissão foi interpretada como dado relevante à pesquisa. Ora, se os leitores não percebem a identidade do jornal é porque este não está conseguindo ser significativo para o público investigado.

Se a maioria se omitiu, os números analisados dizem respeito à minoria que respondeu às indagações. Quando se falar em maioria, nesse item, entende­ se a maioria dos que se mostraram receptivos à pesquisa. Na Escola 1, a maioria dos entrevistados não lê o Educação em Alerta porque não tem tempo, não tem acesso ou não tem o hábito de leitura. Na Escola 2, a maioria lê porque deseja ficar informada. Porém, declara que lê apenas o que lhe interessa. Muitos se sentiram inseguros para manifestar a própria opinião. Até sugeriram para a investigadora que da próxima vez levasse para a entrevista, exemplares anteriores do Educação em Alerta para que tenham maior conhecimento do jornal. Isto porque não se lembravam do lugar das colunas. Aliás, até se


54

questionaram sobre a existência delas. Se isso aconteceu, é porque o jornal como visual não está impresso em suas mentes.

“A imagem gera opinião, muito mais que a escrita...” disse o presidente do Sintep­MT Júlio César Martins Viana, em entrevista. Se é assim, que opinião está gerando o Educação em Alerta transmitindo textos maçantes sem recursos visuais como janelas, gráficos ou fotos? Isto não quer dizer que só existam textos no jornal. Pelo contrário, há fotos e ilustrações. Porém, elas não são valorizadas tanto quanto o texto. Prova disso são os enormes editoriais com muitos itens para serem assimilados pelos leitores. Apenas uma pessoa, em cada escola, declarou gostar do editorial. Em números pesquisados, havia documentos oficiais transcritos tal como o são oficialmente. Um jornal que se preza pelo seu leitor saberia traduzi­los em linguagem acessível a todos os professores e funcionários.

A linguagem precisa ser dinâmica, afirma Santiago e Gianotti. Para isso é preciso traduzir e cortar textos, frases e palavras. No entanto, a primeira condição é se convencer de que os sindicatos utilizam uma linguagem ininteligível à maioria das pessoas. A segunda, é acatar as idéias de Caio Graco, que afirma que um leitor que só tenha o primeiro grau só consegue assimilar 22 palavras numa frase. Isso porque esta é era da imagem e quem manda é a televisão com sua linguagem curta, direta e cheia de imagens e ilustrações. Quanto à mudança visual ocorrida no jornal em 2000, na Escola 1 apenas quatro pessoas se manifestaram positivamente e na Escola 2, cinco gostaram. Todos afirmaram que não têm experiência negativa com o jornal, mas alguns a têm com a direção sindical. Você se sente valorizado pelo jornal? foi perguntado nas duas escolas. A maioria dos que responderam o fizeram positivamente. Eles se vêem refletidos na luta pelos direitos e interesses da categoria. Uma funcionária disse que se sente valorizada como mulher profissional. No entanto, duas funcionárias – uma de cada escola – se mostraram descontentes com o sindicato por terem sido lesadas em seus direitos. Uma reclama do advogado da entidade que não fez nada quando ela foi reivindicar seus direitos: “Ele não

resolve nossos problemas e é pago para isso”. A outra diz que foi cortada numa reunião porque pensou diferente da cúpula: "O Sintep tem deixado a desejar. Eu


55

era representante de escola e quando eu vi que não era por aí, me afastei.” (Anexo A, vii, p.78). Alguns entrevistados mudariam o jornal, colocando a presença de “todos os seguimentos da escola e artigos mostrando o esforço das escolas apesar das dificuldade. Falaria da questão ambiental, respeito à natureza.” (Anexo A, vi, p.76).

Valorizariam mais os profissionais “Que desse mais valor ao profissional e questões como aumento de salário. Da luta pelos direitos e do valor da mulher profissional.” (Anexo A, vi, p.76).

Apresentariam “Mais legislação para que o professor fique informado. Tiraria o discurso meramente político sem função de melhoria de condições de trabalho. (Anexo A, vi, p.76).

Muitos entrevistados criticaram os colegas por não participarem ativamente das lutas. Entretanto, ao responderem a pergunta sobre a adesão dos colegas ao Educação em Alerta, a maioria da Escola 1 acha positiva o interesse dos outros profissionais pelo jornal. “Não vejo a voz de outros sindicatos, como escolas particulares. Não fala quase nada do interior.” (Anexo A, vi, p.76). “Há troca de informações, socialização. Há pouco tempo, falava­se

só de professor.” (Anexo A, vi, p.76).

Já na Escola 2, a maioria afirma ser negativa a adesão dos colegas, pois “Falta divulgação. Um ou dois lêem, os outros jogam fora. Nem todos têm acesso.” (Anexo A, vi, p.76). “Não vão às paralisações para descansarem, pois sabem que o governo não liga mesmo, inclusive eu. (Anexo A, vi, p.76). “Não demonstram nenhum interesse pelo jornal.” (Anexo A, vi, p.76).


56

Quando chega o Educação em Alerta, como se sentem os trabalhadores das duas escolas? Alguns se sentem bem “Corro para ler.” (Anexo A, vi, p.76). “Em alerta, pois é algo bom para a categoria.” (Anexo A, vi, p.76). “Feliz. Vou estar por dentro da verdade.” (Anexo A, vi, p.76). “Curiosa porque quero estar a par dos novos antigos assuntos que nunca se resolvem; interessante para saber da prestação de contas dos representantes, pois cada associado paga uma quantia e quer saber no que é aplicado esse recurso.” (Anexo A, vi, p.76). “É o único mais fiel em relação aos assuntos educacionais.” (Anexo A, vi, p.76).

Apenas dois entrevistados, um de cada escola não se sente bem “E aí, será que vai ter greve? Preocupo­me com o andamento da escola.” (Anexo A, vi, p.76). “Mais um do Sintep!” (Anexo A, vi, p.76).

Diante do fator tempo e da crise econômica, os profissionais da educação sentem na pele os desafios. Ao criticar a desorganização da categoria, a falta de compreensão do Sintep­MT para com a base, os entrevistados se apóiam mutuamente. "As pessoas estão desanimadas. Não querem fazem nenhuma coisinha a mais. Tudo é para ser resolvida em cima da gestão democrática e isso é muito complicado, hoje. É difícil convencer as pessoas que é preciso ter momento para discussão da Lopeb, que é de interesse nosso. É preciso fazer uma análise global, situacional e econômica porque cada um está correndo atrás dos interesses de sua sobrevivência porque pegam uma coisa aqui, outra acolá.” (Anexo A, vii, p.78).

O atropelo é tão grande que não se consegue nem fazer discussões pedagógicas, quanto mais reflexões de caráter político e sindical. Os professores


57

estão exaustos, mencionou uma professora. “Se os alunos estão precisando de

psicólogos, os professores também.” (Anexo1, 2.6). No entanto, uma boa parte dos profissionais acredita que a comunicação do sindicato precisa melhorar. Quando os profissionais percebem nas entrelinhas algo relativo à política “Tudo os trabalhadores acham que é política, não vêem como uma possibilidade para se discutir. Estamos num tempo de fazer se quisermos, não há mais autoritarismo. Autonomia é criteriosa. Se o poder governamental não organizar, vira bagunça." (Anexo A, vi, p.76).

A sociedade não é a mesma. Os trabalhadores também não o são. Segundo Cosette Castro, só os sindicatos não perceberam que precisam mudar seu discurso para atingir o profissional do novo milênio. Ela fala que é preciso pensar a territorialidade construída de diversas maneiras. Afirma que as questões voltadas para o próprio umbigo levarão os sindicatos ao extermínio. “Torna­se imprescindível que a análise sindical passe pela globalização econômica, incluindo a mundialização da cultura nas suas reflexões, para melhor compreender­se e interpretar as influências pelas quais passa a sociedade civil e seus associados. Ou seja, é preciso contextualizar para entender as novas relações de um mundo que estão sendo estabelecidas e, desta forma realmente comunicar­se não apenas com a categoria envolvida, mas com a sociedade.” (CASTRO, 1997c).

Essa argumentação é uma alerta aos sindicatos que se prezam por seus associados e pela sociedade na qual estão inseridos. Um sindicato que sabe dialogar em meio a diversas tendências políticas e sociais, saberá também expressar suas idéias com autoridade. O que acontece é que se manifesta com radicalismo, grosseria e falta de educação, como se posicionaram alguns dos profissionais e pais de alunos (informações contidas nos anexos).

No Educação em Alerta não há espaço para o leitor se manifestar, enquanto sujeito com posicionamento próprio e até diferente da cúpula sindical. Nos seis números analisados, apenas quatro traziam a voz de sete leitores. Desses, quatro eram identificados como representantes de conselheiros das


58

cidades de Juína, Canarana e Poxoréo. Dois de Cáceres e Jaciara, não tinham nada especificado além do nome e da escola. Uma pessoa que escreveu uma oração não foi identificada com o nome e nem sua função.

Isso leva à compreensão de que o espaço do jornal é para quem pensa como os produtores. Além do mais, as contribuições têm conteúdo ameno. Quatro se referiam a augúrios de Natal e citação de pensamentos; a oração aos grevistas e o poema traziam um conteúdo mais profundo, mas de acordo com o pensamento da direção sindical. Será que seria publicado algum artigo de leitor que fosse diferente da postura da direção sindical? Até que ponto há o exercício da cidadania e da democracia no jornal?

Contudo, há muitos que acreditam no sindicato e desejam vê­lo forte na sociedade. Uma professora da Escola 2, militante de sindicato, fez questão de mencionar que "Considero fundamentalmente a construção do jornal do sindicato, ele tem de ter mais matérias consistentes para trabalhar a consciência de classe, como também informar a categoria de seus direitos e deveres na luta como trabalhador. Considero que notícias mais pessoais e de cotidiano são secundárias, deve ter um papel mais político." (Anexo A, vii, p.78).

Na Escola 1, uma professora disse acreditar "(...) que um jornal sindical seja um espaço para organizar as lutas dos trabalhadores da categoria e o jornal ­ o veículo de articulação dessas lutas ­ livre de partidos políticos institucionais. Porém, muitas vezes, isso não é respeitado e indiretamente, a diretoria sindical ­ responsável pelo jornal – torna­se tendenciosa e oportunista, utilizando espaços no jornal para divulgar 'benfeitorias', de um ou outro candidato de um determinado partido. O trabalhador não é massa de manobra e deve ser respeitado." (Anexo A, vii, p.78).


59

Os funcionários aparecem pouquíssimas vezes nos números analisados. Em outubro/99, o jornal falou das pautas de reivindicações dos profissionais da educação. Em novembro, fez­se uma crítica ao projeto Arara Azul, através do qual a Secretária de Educação qualifica os funcionários que têm o ensino médio e convocou a todos para uma reunião. Em janeiro/2000, o jornal mencionou a conquista garantida em Lei e convocou a todos para estarem mobilizados. Em fevereiro e março, apareceram apenas as expressões profissionais e trabalhadores da educação. Os funcionários são desinformados até dentro da própria escola a respeito dos assuntos ligados à sua área. “Aqui, nós somos as

últimas a saber das coisas,” lamentam duas funcionárias da Escola 1. (Anexo B, iii, p.85).


60

CONCLUSÃO

1. Valorização do Outro O receptor do Educação em Alerta é o Outro diferenciado do Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado de Mato Grosso. O objetivo desta pesquisa era saber quais fontes informativas são mais utilizadas pelos professores e funcionários das Escolas Souza Bandeira e Raimundo Pinheiro. Chegou­se à conclusão de que eles não se pautam pelo jornal do sindicato, primeiro porque não têm tempo para ler. Depois porque não gostam da postura do Sintep­MT frente a uma série de assuntos. As pessoas que responderam às questões sobre o projeto gráfico do jornal deram uma certa relevância ao jornal, dizendo serem reconhecidas e valorizadas enquanto educadoras e educadores. Todavia, os trabalhadores que deixaram de responder às questões somam em torno de 60 a 70% dos entrevistados, nas duas escolas. Isso significa que o Educação em Alerta não é relevante para eles, porque não sabiam se localizar no jornal.

Os profissionais vivem num ritmo acelerado em busca da sobrevivência. Não têm tempo para refletir questões educacionais e muito menos sindicais. Alguns professores apontam isso como uma alternativa para que o Sintep­MT tenha mais credibilidade junto à categoria. Ora, se vivem aceleradamente, acabam estressados e desmotivados para as lutas. Como poderão estar em prontidão para as interpelações que o sindicato faz à base, se estão preocupados com o sustento de sua família? Como Cosette, acredita­se que o Outro só terá valor na produção discursiva da comunicação sindical, quando esta passar a olhá­lo como alguém que tem algo a dizer e pode contribuir com as lutas sindicais, independente de sua postura política. Todos querem educação pública de qualidade para a sociedade, querem salário justo e apoio do governo para a vida e política escolar. Do que discordam é da maneira com que o sindicato conduz suas lutas.


61

A comunicação sindical precisa olhar o Outro com respeito, com singularidade e como pessoa que tem individualidade e postura diferente da sua. Isso será possível através de pesquisa que investigue a vida do receptor, suas reações, sua linguagem, seus interesses e desinteresses. Isso não é novo. Também foi sugerido no curso de comunicação sindical, pois os próprios sindicalistas estão preocupados porque não estão atingindo a base. Em encontros casuais que a investigadora desta pesquisa participou e estiveram presentes pessoas da diretoria do Sintep­MT, ficou muito clara.

2. Sindicato: mão na consciência Logo supõe­se que o Sintep­MT não está conseguindo atingir seus objetivos, através do Educação em Alerta, pois os profissionais estão se pautando e se informando através da mídia convencional e de cursos. Aqueles que declararam ler as notícias do jornal sindical afirmaram que só lêem aquelas que lhe interessam. No entanto, um texto mal diagramado, sem recursos de edição ou de linguagem dinâmica, mesmo que seja importantíssimo, será sempre 23

considerado um tijolo . Se o Educação em Alerta continuar editando textos massantes, sem janelas, sem intertítulos e sem uma linguagem dinâmica vai perder os leitores que ainda têm. Porque, até o momento, os leitores não se sentem refletidos no jornal, apesar de terem respondido, por escrito, o que sentem. Em conversa com a pesquisadora, muitas vezes utilizaram expressões como “eles fizeram” ou “isso é coisa deles lá”.

A pesquisa não teve como objetivo principal estudar o emissor do Educação em Alerta mas, como um bom estudo da Recepção não pode ser desligado da produção, procurou conhecer o emissor do jornal, analisando o tipo de linguagem interpelativa com a qual entra em contato com os receptores. Se os produtores continuarem sendo radicais em suas colocações e em um pensamento

cutista­esquerdista, não conseguirá ser significativo. A linguagem praticada é 23 O Curso de Comunicação Sindical convidou a todos os participantes a destijolar os textos

massantes, chatos e horríveis para se ler.


62

muito cansativa porque os leitores não têm tempo para ler. O que acontece é que o jornal, não sendo lido porque não atrai, acaba na lata do lixo sem cumprir seu objetivo inicial. O Sintep­MT, como outros sindicatos, ainda não entendeu que não há mais só uma visão de mundo. A sociedade não é vista mais só como luta de classe mas como sociabilidade, ou seja, é a pluralidade de pensamentos na sociedade que leva à construção do tecido social. Segundo Barbero, isto leva a repensar o conceito de hegemonia, tão debatido nos movimentos sindicais. É preciso sair da compreensão de uma hegemonia ideológica “de um grupo que dirige a sociedade para uma sociedade muito mais fragmentada. Uma sociedade que não tem só um centro, como dizem os pós­modernos, e na qual a vida cotidiana tem um papel muito mais importante na produção incessante do tecido social”. (Souza, 1995:59).

É na vida social que as pessoas se manifestam, enquanto sujeitos diferentes que têm posicionamentos divergentes. É nesse universo fragmentado que vivem os profissionais da educação das escolas pesquisadas 1e 2, em busca de compreensão e negociação. Mas até agora, o Sintep­MT ainda não olhou para esse sujeito, que é pessoa diferente dele e que pode contribuir com a visão de mundo da cúpula sindical. Esse sujeito é filósofo cotidiano mas não é reconhecido por seu interlocutor. Os emissores do Sintep­MT, como afirmou Cosette Castro se referindo a sua pesquisa, pensam que são donos do saber e dos desejos dos

associados . Eles vêem o seu público como depositários das informações que desejam veicular. Portanto, continuam ignorando a visão de mundo do seu público. Segundo Nestor Garcia Canclini, será impossível realizar uma comunicação sindical se a esquerda continuar se negando a conhecer e re­ conhecer seu público e as mudanças pelas quais eles vêm passando. Se os sindicatos abrirem seus materiais para o seu público e a sociedade, certamente dará o primeiro passo para o debate e o diálogo, tão desejado num mundo moderno. (CASTRO, 1998b).


63

Se a diagramação e a pauta do Educação em Alerta melhorar, certamente a categoria começará a se interessar um pouco mais por esse veículo de informação. Para começar, com essa falta de qualidade, o jornal não consegue atingir nem os associados quanto mais profissionais nas escolas estaduais e municipais. O jornal conseguirá ser significativo para seus leitores, quando souber dar vez e voz à visão de mundo de seu público para poder enxergar a multiplicidade de óticas que existem entre seus leitores.

Somente assim será possível uma negociação de significados para ambos, e crescimento para receptores e emissores. Enquanto não houver essa aproximação real, os leitores continuarão se informando através de outros veículos, nos cursos e em qualquer outro lugar, menos no veículo de informação da categoria. Educação em Alerta não é a voz dos trabalhadores e sim dos dirigentes do sindicato. Se essa postura não continuar refletida no jornal, e se não se buscar alternativas, não vai ser, através das novas tecnologias em comunicação, que a cúpula sindical abrirá o leque de participação aos associados.

A própria Cláudia Santiago diz que para que um jornal seja significativo, é preciso que haja feed­back contínuo dos seus leitores. Isso não acontece no Educação em Alerta.

3. Possíveis saídas Após a abordagem destas constatações, parece ficar claro que o Sintep­MT (Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Mato Grosso) precisa tomar algumas providências, se quiser ser significativo para sua categoria. Serão pontuadas, algumas sugestões, que segundo a pesquisadora do presente trabalho, merecem ser levados em conta: 1. Organizar uma assessoria de comunicação com políticas bem definidas. Caso contrário, o sindicato continuará à beira da grande imprensa. Precisa acreditar em sua força e constituir políticas


64

comunicacionais para atender à sua categoria e contexto social. Por ocasião da greve de abril a maio, se houvesse uma assessoria que estivesse atenta, fazendo pesquisa e decidindo qual a política mais adequada para esse momento. 2. Contratar um jornalista. Um bom profissional saberá comunicar a política do sindicato sem prejudicar a categoria. Este seria responsável pela Assessoria de Comunicação. 3. Fazer um projeto gráfico para o jornal. Mas não basta apenas fazê­lo, é preciso segui­lo porque isto vai dar identidade ao veículo. Se são oito páginas, nunca editar em número inferior. Definir tamanho para textos, fotos e ilustrações e respeitá­los no texto. 4. Melhorar imediatamente os textos. Os textos não precisam ser extensos. Os parágrafos podem ser pequenos, com frases curtas e palavras de fácil entendimento sem empobrecer o vocabulário. 5. Cultivar o hábito de pesquisa interna e externa. Descobrir o gosto dos receptores e procurar atendê­lo sempre. Valorizar cada opinião que chegue mesmo que a direção sindical não goste ou veja que não tem futuro para a categoria. 6. Montar uma pauta para atender o receptor. A partir da pesquisa contínua, a direção sindical, juntamente com a equipe de redação e o jornalista, poderão colocar, no jornal, as sugestões dos receptores. 7. Valorizar as fotos e ilustrações. Após o projeto gráfico bem definido. É importante, conscientizar­se de que as fotos e ilustrações são tão necessárias ao jornal como o texto. 8. Dialogar sem ‘radicalismo ou falta de educação’ com a sociedade. A sociedade gosta da proposta de trabalho do Sintep­MT e a luta por qualidade de educação para todos. O que detesta é o ‘Fora FHC’ ou outras expressões que eles entendem que são falta de educação. Várias pessoas, ao saber da existência desta pesquisa, pediram que se colocasse esse fato para reflexão.


65

BIBLIOGRAFIA BARBERO, Jésus Martín. “América Latina e os Anos Recentes” in: Sujeito, o

lado oculto do Receptor. São Paulo: Brasiliense,1995. BARBERO, Jésus Martín. De los medios a las mediaciones. Naucalpan: Litoarte,1993. BARBERO, Jésus Martín. Processos de Comunicacion Y Matrices de

Cultura – itinerário para salir de la razón dualista. Vallejo: Azteca,1987. BULIK, Linda. Doutrinas da Informação no mundo de hoje. São Paulo: Loyola, 1990. CADERNOS Leitura Crítica da Comunicação – da formação do senso crítico à educação para a comunicação – UCBC – São Paulo: Loyola, 1988. CAPARELLI, Sérgio. Comunicação de Massa sem Massa. São Paulo: Summus, 1995. CASTRO, Cosette. As transformações do Mundo do Trabalho e a

Comunicação Sindical. (1997a). Avaliable from World Wide Web: <http://ccc.unisinos.br/users/ c/cosette/index.htm. ______________. O Discurso Sindical e a Busca do Outro. (1997b). Avaliable from World Wide Web: <http://ccc.unisinos.br/users/c/cosette/index.htm. ______________. O Final do Século e as Novas

Possibilidades da

Comunicação Sindical. (1997c). Avaliable from World Wide Web: <http://ccc.unisinos.br/users/c/cosette/index.htm. ______________. Estratégias de Sentido na Comunicação Sindical: uma

tentativa de seduzir o leitor. (síntese da dissertação de mestrado apresentada no Intercom/98, 1998a).

Avaliable from World Wide

Web: <http://ccc.unisinos.br/users/c/ cosette/index.htm. ______________. A Comunicação em tempos de multiculturalismo. (1998b). Avaliable

from

World

Wide

Web:

<http://

ccc.unisinos.br/users/c/cosette/index.htm. CERVO, A. L. & BERVIAN, P.A. Metodologia Científica. São Paulo: MC.Graw­Hill, 1983. CHINEM, Riv aldo. Imprensa alternativa: jornalis mo de oposição

e inovação. Série Princípios. São Paulo: ática,1995.


66

DIDONÉ, Iraci Maria e MENEZES, José Eugênio de O. (org). Comunicação e

Política – a ação conjunta das ONGs. São Paulo: Paulinas,1995. FERNANDES,

Francisco A.M. e BARROS,

Laan mendes de (org).

Comunicação e Solidariedade. São Paulo: Loyola, 1992. FERREIRA, Sueli Mara S. P. & Kroeff, Marica S. Referências Bibliográficas

de Documentos eletrônicos. Associação Paulista de Bibliotecários (AAB). Vol. 1. São Paulo: 1996. FILHO, Ciro Marcondes. Quem manipula quem? . Petrópolis: Vozes, 1992. GOMES, Pedro Gilberto. O Jornalismo alternativo no projeto popular . São Paulo:Paulinas,1990. GOMES, Pedro Gilberto. Políticas de Comunicação Participação Popular . Paulo:Paulinas,1988. GOMES,

Pedro

Gilberto.

Comunicação

em

debate .

São

Paulo:Paulinas,1994. GOMES, Pedro Gilberto, BULIK, Linda e PIVA, Marcia C. (org).

Comunicação: memória & resistência . São Paulo:Paulinas,1989. GRINBERG, Máximo Simpson (org).

A comunicação alternativa na

América Latina . Petrópolis: Vozes, 1987. HERZ, Daniel.

Democratização da Comunicação: A luta após a

derrota na Constituinte. Comunicação: meios, mitos e medos. Revista da Associação de Educação Católica. N.69, p. 41­52,1988. INTERCOM. Regionalismo, Mídia e Consumo. Revista Brasileira de Comunicação. São Paulo: Intercom. 1996. LEAL, Ondina Fachel. A Leitura Social da Novela das Oito. Petrópolis: Vozes, 1986. LIMA, Kleber Alves. O jornalismo integral na imprensa sindical: estudo de caso

das publicações do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Antonio Gramsci. 1997. (Monografia apresentada na Faculdade de Comunicação Social, UFMT, Campus de Cuiabá, para obter o título de bacharel em Jornalismo). LOPES, Maria Immacolata Vassalo. Pesquisa em comunicação: formulação

de um modelo metodológico. São Paulo: Loyola, 1994. ______. Temas Contemporâneos em Comunicação. São Paulo: Edicon, 1997.


67

MANUAIS DE COMUNICAÇÃO nº02. A notícia Popular. Aler­Brasil, Ibase, Fase, Sepac/EP. São Paulo: Paulinas, 1986. MATA, Maria Cristina(org). Mulher e rádio popular. Aler­Brasil. São Paulo: Paulinas, 1998. MATTELART, Armand e Michèle. História das teorias da Comunicação. São Paulo: Loyola, 1999. MELO, José Marques de. Comunicação Popular Alternativa. Cidade: editora, data. ______. Para uma leitura crítica da Comunicação. São Paulo: Paulinas, 1985. MELO, José Marques de. Comunicação: direito à informação. Campinas:Papirus, 1986. MONTORO, Tânia Siqueira. Comunicação, Cultura, Cidadania e Mobilização

Social. Volume II, Série Mobilização Social. Salvador: UnB, 1997. NEUMANN, Laurício. Educação e Comunicação Alternativa. Petrópolis: Vozes, 1991. NORMAS para Publicações da UNESP. Vol. 4. Dissertações e Teses do

Trabalho Científico ao Livro. São Paulo: UNESP, 1995. ___________________. Vol. 2. Referências Bibliográficas. São Paulo: UNESP, 1994. ORTIZ, Renato. A moderna Tradição Brasileira. São Paulo: Brasiliense,1994. PERUZZO, Cecília Maria Krohling. Comunicação nos Movimentos

Populares: A participação na construção da cidadania. Petrópolis: Vozes, 1998. PESSINATTI, Nivaldo Luiz. Política de Comunicação da Igreja Católica

no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1998. RESENDE, Elaine Souza e MORGADO, Maria Aparecida. Jornalismo

impresso e Sindicato em Mato Grosso: início de um diálogo. In: PASSOS, Najla & ANDREOLA, Márcia (org). Informação em Tempo

Real. Cuiabá: Adufmat, 1999. p. 100 – 114. SANTIAGO, Cláudia & GIANOTTI, Vito. Curso de Comunicação Sindical. Núcleo de Piratinga de Comunicação. Apostila 1 e 2: 1999­2000. SALOMON, Délcio Vieira. Com fazer uma monografia. São Paulo: Martins Fontes, 1997. SOUZA, Mauro Wilton (org). Sujeito, o Lado Oculto do Receptor. São Paulo: Brasiliense, 1995.


68

ANEXOS a. Dados do Receptor

i. Entrevista aplicada aos trabalhadores da Educação do Estado de Mato Grosso

Informante nº _________ A­ Dados Pessoais: Nome: _________________________________________________________________ Idade: ______________

Função: ________________________________________

Grau de instrução:__________________________

Renda: _________________

Você trabalha quantos turnos: ( ) 1

( ) 2

( ) 3

No mesmo lugar: (

)sim

( )não ONDE: ___________________________________

Como você toma conhecimento dos assuntos de sua área? _________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________

O que você pensa sobre as questões em nível geral, relacionadas à educação? _ _________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________

O que você pensa sobre as questões específicas do jornal( Redução da jornada para 30 horas, Greve, Mobilizações, Construção da nova sede do sintep, Luta por escola pública de qualidade e Escola Ciclada)? ________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________

B­ Dados Coletivos: 1. Você lê o jornal 'Educação em Alerta' do Sintep­MT? ( ) sim

( ) não

( ) às vezes


69

Por quê? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 2. Qual a coluna que você mais gosta? Por quê? ? ______________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 3. O que você menos gosta nesse jornal? Por quê? ? ___________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 4. O que você achou da mudança visual do jornal? ______________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 5. Você se sente valorizado/a no jornal? Em que sentido ? _____________________ _________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 6. O que você mudaria no jornal, se pudesse? Por quê? _________________________ _________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 7. Você se sente refletido/a no jornal? De que forma? ____________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 8. Como você vê a adesão dos outros trabalhadores da educação a esse jornal? Por quê? _________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 9. Você costuma comparar as notícias que saem no jornal do Sintep­MT com as que saem na mídia convencional (Diário de Cuiabá, A Gazeta ou a Folha do Estado)? Qual o resultado de sua comparação? _________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 10. Como você se sente, quando chega o jornal 'Educação em Alerta' em suas mãos? Por quê?

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________________11 . Você tem alguma experiência negativa com o jornal do Sintep­MT? Em que sentido? _______________________________________________________________________


70

ii. Tabulação dos dados ­ Quem são? Escola

Idade

Instr ução

Função

Renda

Tr abalha

Tur nos Sex.

Tot.

S

53

4ª série

Ag. Apoio

R$ 170,00

SB/PSA

2

F

4 apoio

O

35

2º grau

Secretária

R$ 433,00

SB

2

F

1 sec.

U

34

2º grau

Ag. Apoio

R$ 480,00

SB/loja

2

F

2 tec.

Z

51

1º grau

Ag. Apoio

R$ 180,00

SB

1

F

7 func.

A

20

2º grau

Téc. Admin.

R$ 230,00

SB/loja

2

F

2 loja

43

2º grau

Téc. Admin.

R$ 350,00

SB

2

F

3 ­ 1ºg.

B

39

1º grau

Ag. Apoio

R$ 170,00

SB

1

F 4 ­ 2º g.

A

39

3º grau

Profª/Coord.

R$ 1.200,00

SB

2

F

8 prof.

N

41

3º grau

Professora

R$ 830,00

SB

1

F

1 diret.

D

43

3º grau

Professora

R$ 847,00

SB

1

F

E

58

3º grau

Diretora

R$ 847,00

SB

2

F 1 o.lug.

I

23

3º grau

Professora

R$ 200,00

SB

1

F

R

24

3º grau

Professora

R$ 240,00

A

48

3º grau/esp.

Professora

R$ 980,00

SB

1

F

51

3º grau

Professora

R$ 405,00

SB

2

F

Escola

Idade

Instr ução

Função

Renda

SB/munic/UFMT 3

Tr abalha

F 7 ­ 3º g.

Tur nos Sex.

1 ­ PG.

Tot.

Professora

R$ 1800,00

RP

2

F

8 prof.

3º grau

Diretora

R$ 1034,00

RP

3

F

1 diret.

33

3º grau

Professora

R$ 700,00

RP

2

F

42

3º grau

Professora

R$ 1.000,00

RP

2

F 5 ­ 3º g.

45

3º grau

Professora

R$ 870,00

3

F

PI

40

3º grau

Professor

R$ 850,00

RP

2

M

N

26

2º grau

Vigia

R$ 136,00

RP

1

M

5 func.

H

60

1º grau inc.

Ag. Apoio

R$ 136,00

RP

1

F

1 apoio

EI

38

3º grau

Téc. Admin.

R$ 523,00

RP

1

F

2 tec.

R

55

3º grau inc.

Téc. Admin.

R$ 500,00

RP

1

F 2 vigias

O

63

1º grau

Vigia

R$ 136,00

RP

1

R

38

A

43

I M.

3º grau/pós­g.

RP/ fac. Part.

M

1 ­ PG.


71

iii. Como tomam conhecimento dos assuntos de sua área? Souza

­

Bandeira ­

Diário Oficial

Raimundo

­

Diário Oficial (2)

Mídia (7)

Pinheiro

­

Livros

­

Curso qualificar

­

Palestras/Seminários/cursos (9)

­

Reuniões Sintep (2)

­

Informes

­

Papo com colegas (6)

­

Folders

­

Ofícios Seduc/Circulares(3)

­

Papo com colegas (4)

­

Jornal sintep

­

Mídia:TV/JO/Rv/RA (6)

­

Revista Escola

­

Ofícios Seduc

­

Jornal do sintep

iv. Questões educacionais em nível geral ­

questões duvidosas;

­

parecem que as intenções são boas, mas

­

­

nosso estado; ­

bastante clara com objetivos;

a mídia está dando mais enfoque; tem

­

deve ser discutida com a sociedade;

­

ainda não são prioridades ao governo;

­

de maneira gera, não é levada a sério pelos nossos

acho que apesar da melhora, os jovens estão menos preocupados com os estudos

O

está muito discutida mas pouco avançada em

sem firmeza e pouco resultado;

relatado mais o Fundef, PDE, PNDE;

S

­

pelo fato de não reprovarem;

U ­ Z

melhorou depois que o Fundef passou

A

R A I

representantes políticos como prioridade e a população não cobra os seus direitos; através de diálogo;

para os municípios e estados; o ensino

M ­ U ­

melhorou, também o salário; os prédios

N ­

sérias e deveria ser prioridade;

tem melhorado mas o povo precisa se

D ­

há muitos profissionais bons que precisam de

B

conscientizar de que precisa manter a

O

atenção; por exemplo fala­se que toda criança

A

escola;

N D

­

precisamos estar sempre em busca de melhorias, qualidade e justiça;

­

E

estão nos desafiando sempre mais; o desafio consiste em adequar a educação

deveria estar na escola, no entanto, há crianças

P I N

I

aos moldes que a atualidade exige:

H

R

relacionada com a realidade, produtiva,

E

A

crítica que decodifique as novas

I

linguagens, novas posturas nas diferentes

R

áreas do saber;

O

­

há muita coisa para se questionar;

­

está deficiente (2);

falta alguma coisa;

fora da mesma e outras sendo fechadas.


72

­

com o Fundef os professores recebem mais em dia e o município propõe mais curso.

v. Questões educacionais em nível específico O que você pensa sobre Redução da jornada para 30 horas, greve, mobilizações, construção da nova sede do Sintep, luta por escola pública de qualidade e escola ciclada?

Souza Bandeir a

Raimundo Pinheir o

J or nada

* seria muito bom se o professor se

Muitos

de 30

dedicasse exclusivamente para fazer

prefer ir am com assuntos de nosso interesse político e

hor as

seu trabalho melhor. Mas se o

r espondê­

salário não é suficiente, ele vai procurar outros serviços; * há mais tempo para dedicação;

las de maneir a geral:

* louvável;

* são importantes para estarmos em dia

social; * bem elaboradas; * importante para atualização; * legais e de interesse para a categoria; * nem sempre conduzem com a realidade;

* duração boa para todo trabalhador;

* bom porque fala dos professores e

* sou a favor;

funcionários;

* com apenas 30 horas, o professor

* devem ser reivindicadas com urgência

de I a IV fica impossibilitado para

para melhorias na educação.

desenvolver

um

trabalho

com

qualidade. * os que entram agora não tem muitos direitos, pois as horas passaram para 30h.

Gr eve

* é um direito dos trabalhadores para

Gr eve

* não gosto porque tem que repor aulas;

reivindicar seus direitos;

* atrasa o ano letivo;

* não sou a favor porque não vai

* é um atropelo;

mudar nada; (2)

* é a maneira de pressionar o governo

*em nosso meio, não atinge os

mas é a única secretaria que tem de repor

objetivos;

seu serviço.

* só agita e não chega a objetivo

* vejo a greve, agora, muita complicada,

nenhum;

não sei se é porque estou estressada e

* vejo que o Governo não importa

ansiosa, sinto que mais do que nunca não

em atender as reivindicações, pois a

estamos organizados. Talvez eu esteja

classe não gera retorno financeiro a

pensando em mim, como administradora.

ele;

Eu acho que ela deveria estar mais

* cria clima de conflito por parte dos

organizada. Nós deveríamos estar

sindicalistas.

buscando saber e se informar junto ao


73

* o pessoal não comparece nas

sindicato. Não vou dizer que o sindicato

manifestações. Falta força e ainda

esteja errado. Ele está fazendo o papel

falam mal do sindicato. Mas o

dele, reivindicando junto à categoria. Mas

sindicato somos todos nós; falta

estou sentindo um certo distanciamento.

conscientização.

Precisamos de uma aproximação maior.

* não sou a favor; precisa­se

Irrita­me o fato de ter de alguém fazer

elaborar questionamento com os

pela maioria. É preciso uma discussão

pais; mostrar que alguns professores

maior e mais profunda com a comunidade

fazem 'bico' para completar o

escolar e com a sociedade. Agora, a

orçamento da casa para que a

pessoa chega ali numa sala e diz 'vai ter

sociedade se sensibilize e cobre do

greve'. Ela não teria esse direito, visto que

governo.

ainda haveria reuniões para se decidir

* a greve causa revolta e insatisfação

isso. Quando o aluno volta e o professor

nos pais.

também, é aquele atropelo. Até que se consiga organizar alguma coisa. Quando o professor consegue alguma coisa, ainda volta mais animado. Senão o desgate da comunidade é estressante. Existe na cabeça da comunidade­pais que as férias são em julho, dezembro e janeiro e não admitem que se mexa no calendário escolar. Já sinto que vamos ter transferências para escolas particulares. Eu como diretora, preciso respeitar o coletivo pois estamos em gestão democrática. Nas assembléias, uma meia dúzia costuma decidir pela maioria (um grupinho de Cuiabá e os representantes dos municípios). Quando alguns professores decidem dar aulas e outros não, na mesma escola, é outro atropelo. Quem perde é o aluno que precisa vir em dois períodos.

Mobili­

* é preciso porque se ninguém fizer

J ornada de * isso é complicado. Alguns professores

zação

nada as coisas não vão mudar;

30 hor as

já tinha 30h no estado, fizeram concurso

* se for para surtir efeito, fortalecer

por mais 30h e mais 20h no município. O

o movimento, é boa;

profissional de V a VIII consegue

* um recurso de sensibilização na

unificar, mas para o de I a IV é muito

luta por melhores condições dos

complicado. O sintep parte do princípio

assalariados;

que o profissional sobrecarregado não


74

* aprovo;

consegue desempenhar o seu trabalho... e

* tem de acontecer, desde que o

a questão acima? Na contagem de pontos,

sindicato tenha certeza da força da

o professor chega e diz 'eu posso tais dias

classe. E aqui em nosso estado, não

em tais horários'. Agora como você vai

se obtém muito êxito devido à falta

conseguir organizar seu horário? Você

de união da classe trabalhadora da

então vai tentar facilitar a vida do

educação. Sabemos que só 25% vão

profissional mas é complicado.

às lutas, ao passo que 75% procuram descansar

e

cuidar dos

seus

interesses particulares.

Nova Sede * não estamos a par desse trabalho;

Nova Sede

* precisa. É direito adquirido.

Escola

* é preciso ter algo melhor.

não se tem informações; * ninguém sabe como vai ser construída; * aprovo; * é necessário que haja ampliação para melhorar o desempenho da classe. * toda entidade precisa de um local para desempenhar suas tarefas. Senão fora, custa de mais taxas cobradas dos educadores, se tem o dinheiro, não vejo nada de mal nisso. * se fosse para abrigar todos os associados e não­associados... Mas do jeito que eles estão agindo até hoje, não conseguem levar a maioria a nada. Essa é uma construção deles porque na hora que você precisa do sintep, não consegue nada. Sou associada e não tive benefício nenhum. Quando você vai numa reunião e pensa diferente, eles cortam você na hora. Falo isso por experiência própria. Não gostei disso e vejo isso aí uma força para mostrar poder.

Escola

* extremamente justa e coerente;

Pública de * é preciso continuar lutando; Qualidade

* sou a favor; * importante, urgente, porém ainda

Pública de Qualidade


75

só no papel; * o governo paga a mídia para mostrar à população que a educação é nota 10; só se vê que é nota 10 para a população que não acesso direto com a educação(escolas); se formos destrinchar, vamos encontrar escolas

sem

conservadas,

carteiras, sem

mal

materiais

necessários e sem, contar com a classe trabalhadora má paga. * luta que nunca vai conseguir nada por causa da redução das 30 horas, da escola ciclada. As crianças não vão Ter senso crítico. O governo faz isso para conseguir verbas do exterior. * melhora porque os professores se decidiram a estudar e até ajudam a escola.

Escola

* super interessantes mas os

Escola

Ciclada

profissionais não estão preparados,

Ciclada

pois foi imposta. Não houve discussão; * boa; * foi positiva devido aos temas geradores e da maneira diferenciada de trabalhar, porém negativa, porque não tem nota e os pais não entendem porque o seu filho precisaria perma­ necer no ciclo; * não aprovo; * tem seu amparo na LDB do país. O objetivo colocado é bom. Precisa, porém, antes de assumir uma um­ dança na educação formal, informal ou pelo menos ofereceu subsídios aos profissionais de educação para poderem atuar a mudança; * o governo não quer mostrar índice


76

baixo de rendimento, então procura de todas as formas, elevar a imagem da educação; * acho o método fraco.

vi. Relevância do Educação em Alerta 1. Você lê o jornal 'Educação em Alerta' do Sintep­MT? Escola 1 Escola 2 Sim 3 4 Para se informar(2); ficar atualizada; é representante do sintep ­ encontro na sala; tenho que me inteirar dos assuntos da categoria. Não

Às vezes

8 5

2 porque não recebemos; talvez porque não somos associadas(fun); não tive acesso(6); não respondeu (3); falta tempo (2); falta de hábito. ­ porque sou novata; não sei do que se trata. 3 Só leio aquilo que me interessa. ­ porque o governo não atende mesmo o que está ali.

2. Qual a coluna que você mais gosta? Por quê? ? Escola 1 Escola 2 Informes 4 1 Não respond 10 6 Ainda não tem; não presta atenção; não sabe a estrutura do jornal. Todas 2 4 São ótimas, cada uma tem sua importância Editorial 1 1 Nenhuma 1 3. O que você menos gosta nesse jornal? Por quê? Escola 1 Escola 2 Não respond 11 7 Editorial 1 Art. Comem. Deveriam informar sobre todos os seguimentos da educação; 1 Humor 1 Politicagem 1 4. O que você achou da mudança visual do jornal? Escola 1 Escola 2 Não respond 9 5 Ótimo/bom 3 5 Destacou­se melhor; interessante O antigo já estava saturado; 1 Não percebeu 3 1 5. Você se sente valorizado/a no jornal? Em que sentido ? Escola 1 Escola 2 Não respond 9 5 Mais/ menos 1 Sim 7 6 Na luta pelos direitos, valor da mulher profissional; ­ porque defende os interesses da categoria; fala da educação; luta pelo servidor; Não

1

1 Só no papel; ­ funcionários da educação ficam em 2º plano.

6. O que você mudaria no jornal, se pudesse? Por quê? Escola 1 Escola 2


77

Não respond Mais inform.

Nada Cursos

9 2

2 1

6 3 De todos os seguimentos da escola; artigos mostrando o esforço das escolas apesar das dificuldade; questão ambiental, respeito à natureza. ­ que desse mais valor ao profissional e questões como aumento de salário; mais legislação para que o professor fique informado; tiraria o discurso meramente político sem função de melhoria de condições de trabalho. 2 Na luta pelos direitos, valor da mulher profissional;

7. Você se sente refletido/a no jornal? De que forma? Escola 1 Escola 2 Não respond 9 7 Sim 4 3 Enquanto categoria porque faço parte da educação e me informo dos meus Às vezes Não

2

direitos e das reivindicações; ­ meus anseios, angústias, enquanto educadora, quando é publicado assuntos que me interessam. Na luta pelos direitos, valor da mulher profissional; 2 porque até o advogado do sintep não resolve os nossos problemas e é pago para isso.

8. Como você vê a adesão dos outros trabalhadores da educação a esse jornal? Por quê? Escola 1 Escola 2 Não respond 8 6 segmentação 1 Não vejo a voz de outros sindicatos, como escolas particulares; não fala quase nada do interior; Positiva

4

1 Há troca de informações, socialização; há pouco tempo, falava­se só de

Negativa

1

4 Falta divulgação; ­ um ou dois lêem, os outros jogam fora; não vão às

professor. paralisações para descansarem pois sabem que o governo não liga mesmo, inclusive eu; não demonstram nenhum interesse pelo jornal; nem todos têm acesso.

9. Você costuma comparar as notícias que saem no jornal do Sintep­MT com as que saem na mídia convencional (Diário de Cuiabá, A Gazeta ou a Folha do Estado)? Qual o resultado de sua comparação Escola 1 Escola 2 Não 9 5 respondeu Não 4 2 Porque em ambos, há finalidades diferentes: um enquanto sindical defende o

Sim

3

interesse dos trabalhadores da categoria e o outro como MCS não possui um público específico; ­ Não tenho tempo de comparar com a mídia; fiquei sabendo que dia 10 havia previsão de greve, após reunião com o governo(dia 6) e assembléia (dia 7) e qual não foi minha surpresa quando no dia 6, aparecem representantes do sintep dizendo que já está decida a greve; a da mídia o pessoal valoriza mais, mas a do sintep é mais verdadeira; mas as notícias do sintep são verídicas. 4 Nos outros há sensacionalismo, aumentam e mostram o lado do governo; há contradições; a mídia às vezes anuncia sem embasamento nenhum; ­ geralmente se equiparam; a mídia local favorece o governo, em muitos casos não coincidem, um discorda do outro e ninguém sabe quem fala a verdade.

10. Como você se sente, quando chega o jornal 'Educação em Alerta' em suas mãos? Por quê? Escola 1 Escola 2 Não respond 9 5 Positiva 5 5 Corro para ler; em alerta, é algo bom para a categoria; feliz, vou estar por dentro da verdade; curiosa porque quero estar a par dos novos antigos assuntos que nunca se resolvem; interessante para saber da prestação de contas dos representantes, pois cada associado paga uma quantia e quer saber no que é aplicado esse recurso; ­ curiosa para saber das notícias; interessada; é o único mais fiel em relação aos assuntos educacionais; muito bem divulga meus interesses.


78

Negativa

1

1 E aí, será que vai ter greve? Preocupo­me com o andamento da escola; ­ mais um do sintep!;

11. Você tem alguma experiência negativa com o jornal do Sintep­MT? Em que sentido? Escola 1 Escola 2 Não respond 10 5 não 4 6 Mandam o jornal com atraso;

vii. Comentários adicionais proferidos pelos profissionais da educação Escola 1 "O Sintep tem deixado a desejar. Eu era representante de escola e quando eu vi que não era por aí, me afastei. Na luta pelos juros de 89, eles se acomodaram porque a maioria do sintep consegui receber 'o seu' na época do Oswaldo Sobrinho. Enquanto eles não haviam recebido, lutavam com afinco, agora esfriaram. Quanto à Lopeb, enquanto eles brigavam pelos interinos, esqueceram dos efetivos, principalmente no que diz respeito à aposentadoria que os que tinham 25 anos de serviço e não tivessem idade, não poderiam se aposentar... Eu fiz uma notificação com a Vera e eles passaram por cima. Quer dizer, eles deixam muito a desejar." (Informante 1)

"As pessoas estão desanimadas. Não querem fazem nenhuma coisinha a mais. Tudo é para ser resolvida em cima da gestão democrática e isso é muito complicado, hoje. É difícil convencer as pessoas que é preciso ter momento para discussão da Lopeb que é de interesse nosso. É preciso fazer uma análise global, situacional e econômica porque cada um está correndo atrás dos interesses de sua sobrevivência porque pegam uma coisa aqui, outra acolá. (Informante 2)

"Nós nunca sabemos de nada. Sabemos pela boca dos outros e não pelas pessoas encarregadas de comunicar, como a secretária. Nunca lemos o jornal do Sintep (Informante 3)

"Acredito que um jornal sindical seja um espaço para organizar as lutas dos trabalhadores da categoria e o jornal ­ o veículo de articulação dessas lutas ­ livre de partidos políticos institucionais porém, muitas vezes isso não é respeitado e indiretamente, a diretoria sindical ­ responsável pelo jornal, torna­se tendenciosa e oportunista, utilizando


79

espaços no jornal para divulgar 'benfeitorias', de um ou outro candidato de um determinado partido. O trabalhador não massa de manobra e deve ser respeitado." (Informante 4)

Escola 2 Existem funcionários que vivem exclusivamente desse serviço, tem que ser artista para dar contar de viver com apenas esse salário como renda familiar. Hoje não dá mais tempo nem para pesquisar preços. É um sufoco. Não dá nem para pensar. É um atropelo tão grande, que na escola não se consegue fazer nem discussões pedagógicas. Você fica por conta do administrativo, do social e dos probleminhas. Não se consegue parar para ver projetos. Ainda não conseguimos associar o trabalho com o estudo necessário à missão de educadores. Por exemplo, não adianta determinar que a hora atividade será de tal hora a tal hora, é preciso apresentar uma proposta de estudo e programação para elaborar projetos. A escola passa por esse atropelo da modernidade. Já pensei em organizar seminários, pegando as escolas mais próximas (SB, FM e RP) mais ainda não consegui organizar. A única coisa que conseguimos foi o salto para o futuro ­ que algumas pessoas criticam mas por ele passam muitas discussões. A comunicação na escola, hoje, é muito complicada, onde as transparências nas ações sejam conhecidas por todos... O CDCE é órgão que gere a escola com a participação de todos os seguimentos, mas aí também é complicada a participação ­ há as justificativas pessoais pelas faltas ­ porque se a escola afunda, nós afundamos juntos. Eu trabalho longe da minha casa, queimo muito combustível. Antes me sobrava dinheiro no mês, hoje não me sobra mais nada. A escola precisa de psicólogo para os alunos e corpo docente, também. É preciso repensar uma reestruturação da escola. Em 99, o sindicato encaminhou um inventário para as escolas. Minha escola não respondeu porque não houve interesse para se estudar junto. Eu não ia responder uma coisa em nome de todos. Esse inventário seria bom para que o sindicato pudesse reivindicar aquilo que as escolas pedissem. Há um certo desanimo com a política. Tudo os trabalhadores acham que é política, não vêem como uma possibilidade para se discutir. Estamos num tempo de fazer se quisermos, não há mais autoritarismo. Autonomia é criteriosa. Se o poder governamental não organizar, vira bagunça." (Informante 3)


80

"Considero fundamentalmente a construção do jornal do sindicato, ele tem de Ter mais matérias consistentes para trabalhar a consciência de classe como também informar a categoria de seus direitos e deveres na luta como trabalhador. Considero que notícias mais pessoais e de cotidiano são secundárias, deve ter um papel mais político." (Escola 2)


81

i. Dados do Emissor

i. Características do Educação em Alerta Características

'Educação em Aler ta' ­ mensal

Inauguração

1995

Periodicidade

Mensal

Característica

Político/sindical

Tiragem

10 mil exemplares

Número de colunas

2 colunas por página

Altura/largura da coluna

29,5cm x 6cm

Público a que se dirige

Trabalhadores do Ensino Público de MT

Características do público

Professores de I e II graus, funcionários administrativos e de serviços gerais

Escolas associadas

As escolas não se filiam

Trabalhadores associados

14 mil

Forma de distribuição

Distribuição gratuita

Formato

Ofício duplo ­ 31,5 x 22 cm ­ 1cm de margem / monocromato

Número de páginas

8 páginas

Propriedade

Sintep­MT

Outros veículos da empresa

Novos Rumos

Credibilidade

Nenhuma matéria é assinada; Usa­se a 1ª pessoa do plural nos textos; É de caráter opinativo.

Diagramação

É feita por uma gráfica

Capa

Logotipo ­ manchetes ­ chamadas

Espaço para o leitor

Não há. A não ser poesias, parodias e espaço para as sub­sedes

Corpo da letra

Mnchete ­ não tem um corpo definido Para os títulos ­ também não Para os textos ­ era C 10 agora, C 12


82

ii. Linguagem interpelativa

Página

Outubro/2000 – 4 páginas

... é a resposta que queremos e requer a atenção constante de todos nós. A marcha vai continuar. Estamos em campanha salarial, temos questões ainda não saldadas por este governo... Permanente resistência na luta. No dia 10 de novembro nós vamos parar em favor da nação brasileira.

Página

Novembro/2000 – 4 páginas

Vamos continuar nossa marcha em defesa e promoção da educação pública.

Realizar imediatamente reuniões com pais, mães, alunos/as, professores/as, funcionários/as para esclarecer o que é o projeto, as implicações e prejuízos para a carreira dos/as profissionais da educação e para os/as alunos/as. Vamos aprofundar o debate sobre escola ciclada envolvendo toda a comunidade escolar.

Contribuições: augúrios de Natal de Aparecido Alves Ferreira (Representante do Conselho de Juína); e de Herta e Eliana (Representantes de Canarana).

Página

J aneiro/2000 – 4 páginas

Vencemos. Ampliamos direitos; garantimos a democracia; asseguramos melhores condições de trabalho; a sociedade manteve a educação como serviço público estratégico essencial. Parabéns. Sejam todos e todas bem vindos e bem vindas. Haverá ainda muito para ser feito.

O processo de evolução e conquistas se deve à luta, coragem e capacidade de organização e comprometimento da categoria, independente de qualquer outro seguimento ou grupo político. É por tudo isso, companheiros e companheiras, que temos a convicção de fazer valer nosso suor e de construir o poder dos trabalhadores da educação.

Que bom que agora teremos novos profissionais da educação que somarão aos valorosos companheiros em defesa da escola pública. Ânimo. Já estivemos mais longe!!!

Permanecer sempre mobilizados e organizados deve ser o firme propósito de cada um de nós, professores e funcionários – profissionais da educação pública básica. Contribuições: pensamentos de Mizael Ponce da Silva (Cáceres) e Dora (Poxoréo – Conselho de Representantes)


83

Página

F evereiro/2000 – 8 páginas

vamos arregaçar as mangas e encaminhar o que já foi deliberado. Companheiros e companheiras foi sempre a nossa responsabilidade e resistência que garantiram nossas conquistas. Se muito já fizemos, muito mais ainda haveremos de fazer. Com a sua participação! Juntos somos fortes.

Essa não pode ser uma luta particular de poucos...' "o governo Dante já apresentou a sua. Se não a mudarmos com certeza pagaremos caro." (governo) nosso interlocutor... Sempre fomos críticos; precisamos estar preocupados; será necessário estar...; se não a mudarmos...; nosso interlocutor tem afirmado...; isso é uma provocação...; a greve é nosso instrumento de conquista.

é curioso que o órgão estadual de educação conseguiu um financiamento do governo federa, que conseguiu uma verba do Banco Mundial para implementar algumas experiências...; parece que esse foi o mesmo filme passado nos idos 1995.'; a Escola Jovem tem um projeto de investimento (PI) e o Estado tem que mostrar que o ensino médio está separado do ensino fundamental... nem que tenhamos que atravessar um muro no meio da escola..." 'temos que começar já. Não há tempo para esperar. Não podemos ter medo.'

4ª e 5ª

Gostaríamos de acreditar que a Lopeb (LC 50/98), fruto da nossa luta, foi na

página

verdade, entendimento de governo que queria garantir a qualidade da educação

central

pública para o povo deste Estado. O Sintep­MT tem defendido a redução da jornada de trabalho como forma de melhorar nossas condições de vida e a qualidade da educação como também de viabilizar novos postos de trabalho. Temos que construir uma articulação eficiente, com troca de informações capazes de cumprir nossas tarefas. A defesa da escola pública é a principal marca que carregamos e fazemos dela um compromisso constante com a vida. Não podemos jamais esquecer da nossa luta, nem perder nossa moral e nosso senso de justiça.

'não podemos ignorar os avanços tecnológicos, as mudanças na conjuntura política e econômica... é preciso que o nosso sindicato se fortaleça muito mais para o século XXI' ; o projeto vai atender 2500 pessoas de 2000 a 2002. Esse é um 'projeto ambicioso que

responderá às expectativas dos trabalhos da educação'.


84

Página

Março/2000 – 8 páginas

Garantir que a greve tenha a participação de toda a comunidade escolar e da sociedade é nosso desafio. Não podemos ser meros expectadores. Nossa participação é fundamental para a melhoria da qualidade da educação.

Não vacilaremos em 10 de abril. Mais uma vez estaremos diante do dilema da greve, como uma das outras vezes, por pura responsabilidade e inconseqüência do governo estadual.

4ª e 5ª

Nossa participação deverá ser efetiva na organização das atividades que

página

contemplem os eixos da paralisação e da greve. Vamos intensificar nossas ações e

central

envolver toda a comunidade escolar. Procure sua sub­sede para saber quais os documentos necessários(sobre imposto de renda).

o que você pode fazer? como portadoras/es do desejo de igualdade e de justiça... devemos nos envolver nas ações da Marcha das Mulheres para que cada qual, homem e mulher, tenha a sua voz e a sua vez, para que cada um de nós tenha do que viver. Temos 2000 boas razões para marchar...

Contribuições: poema ‘Poder do Gato’ da professora Lázara (EE Marechal Rondon – Jaciara/MT)

Página

Abril/2000 – 6 páginas

Embora a greve seja um instrumento drástico, somente por este processo conseguimos alterar as condições de trabalho, de oferta e de qualidade na educação do estado. Enfrentamos, nas três décadas e meia de nossa existência, governos autoritários... Não nos intimidamos! Não desistimos de avançar! Avançamos e não temos dúvida disso.

Permanecer em greve é fundamental, inclusive para que possamos, com a sustentação da categoria, fazer com o governo atenda nossas reivindicações com a rapidez necessária.

Contribuições: oração aos grevistas (não colocou o nome do autor)


85

iii. Quando o funcionário aparece

Funcionár ios

Página

Outubro Na citação da Lei da pauta de reivindicações (profissionais da educação). Novembro Crítica ao projeto Arara Azul para profissionalizar. Numa convocação para reuniões e debates.

Janeiro

Falando da conquista garantida em Lei. Convite para permanecer mobilizados.

Fevereiro Expressão: trabalhadores da educação. Março

Expressão: profissionais da educação.

iv. Entrevista com a Diretoria do Sintep­MT 1. Quantas Escolas há no Estado de Mato Grosso? 2. Quantos professores e funcionários são associados? 3. Quando surgiu o jornal do Sintep­MT? Com que objetivo? 4. Há outros órgãos ou veículos do Sintep­MT? 5. Quem é o responsável pelo Educação em Aler ta? 6. Como são feitas as pautas e notícias? Quem participa? 7. Que espaço tem o leitor para se manifestar? 8. Quem recebe o jornal? Só os associados? 9. Como vocês vêem o feed­back dos profissionais da educação aos encaminhamentos do sindicato? 10. Como vocês se comunicam com a sociedade? 11. Por que os associados confundem o sindicato com o Partido dos Trabalhadores?

12. Há dados das desfiliações dos profissionais da educação?


86

v. O Corpus do Educação em Alerta

Página número 1

OUTUBRO/99 Logomar ca ­ Boletim Informativo + Educação em Alerta ­ bandeira do Sintep­MT ­ filiados a CUT Manchete ­ 3 linhas ­ 18 palavras ­ não tem verbo ­ "10 de novembro de 1999. dia Nacional

de Paralisação e Protesto em Defesa do Emprego e do Brasil" Editor ial ­ com foto e texto­olho ­ texto de 70 linhas em 2 col (16x8cm)

NOVEMBRO/99 Logomar ca ­ Boletim Informativo + Educação em Alerta ­ bandeira do Sintep­MT ­ filiados a CUT Foto ­ pagina inteira Manchete ­ "Educação aprova indicativo de

greve" Subtítulo ­ "A decisão e de iniciar o ano

letivo/2000 somente quando as reivindicações forem atendidas"

Texto­legenda


87

JANEIRO/2000 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque para o Educação em Alerta Editor ial ­ 16 linhas em 1 coluna Destaques ­ "Retrospectiva Sintep­MT 35

anos/ Se muito ja fizemos, muito mais ainda haveremos de fazer/ Só a luta garante nossos direitos" Foto ­ Com as inscrições ” A cada dia um

compromisso com a vida e os números 1965, 1977, 1983, 1995, 2000. Manchete ­ 1 linha ­ 4 palavras ­ corpo 16 ­ não tem verbo

FEVEREIRO/00 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque para o Educação em Alerta 2 Fotos ­ pagina inteira Manchete ­ "Paralisação das atividades

nos dias 9 e 10 de marco" ­ 1 linha ­ não tem verbo ­ 10 palavras Destaques ­ "Projeto Escola Jovem ­

Escola Ciclada Investimento a fundo perdido/ Representantes do Sintep­MT avalia escolarização da merenda/ Sintep defende jornada única de 30 horas/ Decisões arbitrarias comprometem posse dos concursados


88

MARÇO/00 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque para o Educação em Alerta Foto ­ 12,4 x 6,7 Manchete ­ "Greve tem inicio definido " ­ 4 palavras em 1 linha Chapéu ­ Conselho de Representantes e Assembléia Geral Subtítulo ­ "10 de abril" Texto­ 2 colunas ­ aumentou o corpo da letra ­ 19 linhas Destaque ­ "Semana Nacional de

Mobilização / Alterações da Lopeb/ Eixos da greve/ Certidões de Créditos

ABRIL/00 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque para o Educação em Alerta Manchete ­ 5 palavras em 1 linha ­ sem verbo ­ "Greve, um instrumento de luta" Editor ial ­ 2 colunas ­ texto Destaques ­ "Avaliação da resposta do

governo/ Continuamos em greve/ Greve, nosso direito”. Char ge ­ 20 x 6,1cm


89

Página número 2 OUTUBRO/99 Pagina casada (2ª e 3ª) Titulo – Pauta de reivindicações ­ 3 colunas de textos 5,5x5,5cm ­ inter títulos e mar cadr oes numér icos ­ salariais concurso publico/ recursos/ seguridade social (continua na pagina 3

NOVEMBRO/99 Chapéu ­ Campanha Salarial Titulo ­ "Aprovado o indicativo de greve" Texto ­ 7 x 12,5 Box ­ 7x8cm com ilustração de 2,8x5,3cm Chapéu ­ "Profissionalização dos funcionários" Titulo ­ "A tentativa de vôo do Projeto Arara Azul" Texto ­ 11,2 x 10,6cm Box ­ 15x7,5cm


90

JANEIRO/00 Pagina casada (2­3) Uma coluna com a metade do título Editor ial: título: Retrospectiva Sintep­MT 35 anos – tudo num Box ilustr ação: 10,7x7,5 texto: 1 col 15,5x9,5 título: Só a luta garante nossos direitos subtítulo: Nosso suor está valendo texto: 10,8x9,2cm texto: metade em numeração título: se muito já fizemos, muito mais ainda haveremos de fazer texto: 11x8,5cm

FEVEREIRO/00 Editor ial com uma ilustração de 8,8x5cm Texto: 2 col de 23cm Título: Nossa Agenda de cada dia para 2000.


91

MARÇO/00 Editor ial Título: Queremos uma escola nota dez – 2 colunas de 16x9,5 Box: 8,5x19,5 cm Título: Eixos da greve e da paralisação

ABRIL/00 Título: Continuamos em greve Texto: 8x9,6 cm Foto: 5x9,7cm Chapéu: Assembléia Geral 2º texto: título: Rumos do Movimento texto: 8x9,5cm – 2col Box: 7,5x20cm Título: XI Congresso Estadual do Sintep­MT


92

Página número 3 OUTUBRO/99 Página casada (2 ­3): Continuação: Pauta de reivindicações; Inter títulos e marcadores: Educacional. Texto: 2 colunas de na folha inteira Box: 1 coluna Encaminhamento da Assembléia Geral

NOVEMBRO/99 Chapéu: Projeto de Escola ciclada Titulo: Conselho de representantes quer que o Projeto seja discutido com toda a comunidade escolar Texto: 2 col 13,2x9,3 Ilustr ação: 2 ad. no texto Título: A atribuição de classes e/ou aulas texto: 2 colunas Ilustr ação: 2 Texto: em duas colunas


93

OUTUBRO/99 Página casada (2 ­3): Continuação: Pauta de reivindicações; Int er títulos e marcadores: Educacional. Texto: 2 colunas de na folha inteira Box: 1 coluna Encaminhamento da Assembléia Geral

NOVEMBRO/99 Chapéu: Projeto de Escola ciclada Titulo: Conselho de representantes quer que o Projeto seja discutido com toda a comunidade escolar Texto: 2 col 13,2x9,3 Ilustr ação: 2 ad. no texto Título: A atribuição de classes e/ou aulas texto: 2 colunas Ilustr ação: 2 Texto: em duas colunas


94

MARÇO/00 Título: Resumo das audiências Texto: 3 col de 9,2x6 Chapéu: Lopeb Titulo: Oportunismo do Governo reduz direitos Texto: 9,5 x 9,7 Ilustração: 3,7x3cm

ABRIL/00 Titulo: Resposta do Governo não atende reivindicações Olho: 2x19,5cm Box: 2 colunas 21x22 Texto de 2 colunas 18,2x9,2 e 11,8x9,2 ilustração: 9,2x6,4


95

Página número 4 OUTUBRO/99 Chapéu: Cut convoca – 1col de 26,2 x 8,7cm Título: Dia Nacional de Paralisação e Protesto 2º texto: título: 12 e 13 de Novembro Conselho de Representantes subtítulo: 10 de novembro de 1999 – dia nacional de paralisação e protesto em defesa do Emprego e do Brasil texto: 17,8x4cm/2col Expediente: 7x8,5cm

NOVEMBRO/99 Titulo: Governo diminui valor médio do custo aluno através de portaria Texto: 1 coluna 24,7x10 Ilustr ação adentrada no texto (5x3,5) Título: Cantinho democrático – 4x9,2cm Char ge: 65,x9,7cm Expediente: 15,2z8xm


96

JANEIRO/00 Titulo: Sindicato somos todos nós Subtítulo: Construindo um sindicato livre, democrático e de luta Texto: 24,7x10cm Ilustr ação: adentrada no texto 5x3,5 2ª coluna: cantinho democrá tico: 4x9,2cm

char ge: 6,5x9,7 Expediente: 15,2x8

FEVEREIRO/00 Pagina casada Titulo: Decisões arbitrárias comprometem a posse dos concursados Texto: 2 colunas 11,8x9,5 Box: de 9,2 em 3 col. Ilustr ação: 9,5x10 Texto: 14,5 – 1col 2º texto (p.5) Chapéu: Acúmulo de cargo Título: Sintep­MT defende jornada única de 30horas de trabalho


97

MARÇO/00 Chapéu: jornada nacional em defesa e promoção da educação pública Titulo: Semana Nacional de mobilização (2col) Subtítulo: Retomando os eixos da marcha Ilustração: 5,6x5,8 Texto: 5,6 x 7 – 2 col 2º texto: titulo: Temas da Semana Nacional de Educação­2col 5x9,8cm/col calendár io e mobilização 10,7 x 20cm

ABRIL/00 Continuação da 3ª página: 2 colunas com ilustração de 9,5x12cm


98

Página número 5 FEVEREIRO/00 Titulo: Representantes do Sintep­MT avaliam escolarização da merenda Ilustração ad. 9,5x5,5 Texto: 14,5/2col Continuação da p.04 Ilustração: 9x9 2º texto: título: Deu na pesquisa – 11x10,7

MARÇO/00 Chapéu: Certidões de créditos Titulo: Certidão de crédito é rejeitada como proposta de pagamento de juros Texto: 8x9,5 – 2colunas Box: 14,6x20,5 Titulo: Atenção: imposto de renda 1994­ 1999 Texto: 6,8/2col * Ilustr ação: 5x16,8


99

ABRIL/00 Chapéu: Estágio probatório corte de ponto/ reposição Titulo: Greve, nosso direito Subtítulo: Em virtude das declarações do governo sobre corte de ponto e outras ameaças aos trabalhadores em greve, consideramos importante esclarecer alguns itens: Texto: 22,7 e 11,8/2col

Página número 6 FEVEREIRO/00 Ger ais: 1ª coluna: 3 títulos pequenos com chapéus: Trabalhadores rurais denunciam trabalho escravo; demissões e atribuições de aula aleatória em Rondônia; centro de direitos humanos. 2ª coluna: notícia e comunicado 1º Box: 14,8x9,8 ­ rádio comunitária 2º Box: 10x9,2 – atenção desligados de 1995


100

MARÇO/00 Título: Marcha Mundial de Mulheres Subtítulo: Que marcha é essa? Inter titulo: o que você pode fazer Texto: 12,4x20 – 1 coluna Ilustração adentrada (4,5x3,5 e 8,8x4,7) Pr opaganda – sintep on line (9,6x19,5 Pr opaganda disque salário – 3x20cm

ABRIL/00 Or ação aos gr evistas – 14x11 com ilustração Pr ocesso eleitoral do sintep­MT 8x8cm Memor ex – 13x11,1cm Expediente: 15x8cm


101

Página número 7

FEVEREIRO/00 Chapéu: For mação sindical Titulo: Sintep­MT apresentea o programa de formação Ilustr ação – 7,8x3,8ad. Texto: 10cm/2col 2º texto: titulo: Projeto de construção da nova sede do sintep­MT foto – 12,1x7,2cm texto: 7,2x7,4 Box: 6,4x20

Titulo: Sintep­MT realizará seminário para debater aposentadoria e fundo de pensão

MARÇO/00 Br asil: CNTE infor ma: mobilização nos estados 1º Box: Greve de funcionários públicos em Rio Branco – 8,2x9,7cm 2º Box: Rio Grande do Sul mantém greve – 8,5x9 3º Box: Paraíba entra em greve – 3,1x20 4º Box: 7,20 Br asil – outros 500 – 3,8x20 com ilustração


102

Página número 8

FEVEREIRO/00 Dia Internacional da Mulher – música Maria, Maria Humor Agenda Expediente

MARÇO/00 Humor charge poder do gato expediente


103

j. Contribuições da Comunidade

i. Carta dos pais de alunos da Escola


104

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL COORDENAÇÃO DE ENSINO DE GRADUAÇÃO FICHA DE AVALIAÇÃO DA MONOGRAFIA I – PARTE ESCRITA 1.1 – CONTÉUDO

1.2 – ESTILO E FORMA DE APRESENTAÇÃO

a) Objetivo do Estudo. Até que ponto a delimitação dos objetivos permitiu que seus propósitos fossem alcançados? NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10

a) A redação foi clara, a linguagem precisa, as idéias foram apresentadas com lógica e continuidade? NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10

b) Metodologia.

Se a metodologia utilizada foi apropriada para alcançar os objetivos. NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10 c) Cor po do Tr abalho. O desenvolvimento teórico, analítico de resultado e de conclusão foram sistematizados de maneira a possibilitar o atingimento dos objetivos? A bibliografia é atualizada? NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10

b) As tabelas, quadros, figuras, citações bibliográficas, notas de rodapé, números, abreviaturas, anexos, referências bibliográficas, etc., seguiram as normas técnicas?

NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10

(ITEM 1.2) Média (a+b/2) = _____ x 2,0 (peso) = _____

(ITEM 1.1) Média (a+b+c/3) = _____ x 5,0 (peso) = _____

II – PARTE ORAL O conteúdo da exposição e da argüição, a postura, a gesticulação, a linguagem, os recursos didáticos e audiovisuais, desenvolvidos ou apresentados durante a defesa oral foram satisfatórios?

NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10 X 3,0 (peso) NOTA FINAL 1 – PARTE ESCRITA = ________ (ITEM 1.1) 2 – PARTE ORAL = ________ (ITEM 1.2)

SOMA (PARTES I + II) = __________ SOMA/10 (NOTA FINAL) = ________

COMISSÃO DE AVALIAÇÃO: ________________________ Ass. ___________ (Presidente)

__________________________ Ass._______________ (Membro)

________________________ Ass. ___________

__________________________ Defesa ____/____/___

(Membro)

(Nome da aluna)


2

Er r ata Página Linha

Onde se lê

Leia­se

IV

1

Agradecimento

Agradecimentos

IV

5

conhecimento

conhecimentos

V

1

Sumario

Sumário

8

1

A escolha do tema e objetivos

Democratização da comunicação

da pesquisa 10

6

só pôde ouviu

só pôde ouvir

17

11

Ela se caracteriza

Ela caracteriza­se

19

6

heregêneo

heterogêneo

20

28

se destacaram

destacaram­se

24

1

estarão

Estará

30

17

auxilia­la

auxiliá­la

31

1

Spá que os...

Spá para dizer que os...

40

8

essa quantia

essa quantidade

45

11

está

estar

52

19

e que seja que suas

e que sejam suas comunicações lidas

comunicações sejam lidas por

por todos.

todos. 52

28

Alegam que se

Alegam, que se

53

11

se recusou

recusou­se

53

14

se declaram

declaram­se

54

12

Graco, que afirma que

Graco. Ele afirma que

54

14

Isso porque esta

Isso, porque, esta

54

19

Você se sente

Você sente­se