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FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO  INSTITUTO DE LINGUAGENS  CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL 

O PROCESSO DE RECEPÇÃO DO EDUCAÇÃO EM  ALERTA   NO COTIDIANO DOS EDUCADORES  (Estudo de caso: O jornal do Sintep­MT nas Escolas Estaduais  'Souza Bandeira' e 'Raimundo Pinheiro' ­ bairro Coxipó) 

ANTONIA ALVES PEREIRA 

Monografia apresentada  ao  Departamento de Comunicação Social do  Instituto  de  Linguagens  da  Universidade  Federal de Mato Grosso, como parte dos  requisitos  para  conclusão  do  curso  de  Comunicação  Social,  habilitação  em  jornalismo,  sob  a  orientação  da  Professora. Mariângela Sólla López 

Cuiabá, 22 de agosto de 2000


II

FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO  INSTITUTO DE LINGUAGENS  CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL 

O PROCESSO DE RECEPÇÃO DO EDUCAÇÃO EM  ALERTA   NO COTIDIANO DOS EDUCADORES  (Estudo de caso: O jornal do Sintep­MT nas Escolas Estaduais  'Souza Bandeira' e 'Raimundo Pinheiro' ­ bairro Coxipó) 

ANTONIA ALVES PEREIRA 

Trabalho final apresentado por  ANTONIA ALVES PEREIRA 

CUIABÁ, 22 DE AGOSTO DE 2000


III

“Em nossa missão de educadoras no  continente americano, onde a sociedade  globalizada e mediatizada marginaliza e exclui  grandes maiorias, requer interlocutoras  capacitadas para assegurar a relação  Educação­Comunicação­Cidadania, a partir de  uma ética comunicacional baseada no  Evangelho”.  Ecosam/FMA/1998


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AGRADECIMENTOS

AGRADEÇO A DEUS, POR SUA PRESENÇA E VIDA QUE  GERA TUDO NO MUNDO.  Agradeço à minha família pelo incentivo.  Agradeço à minha Inspetoria por ter caminhado comigo nesses anos.  Agradeço a mim mesma, pela garra e força de vontade  ao enfrentar os desafios da caminhada.  Agradeço aos professores que semearam conhecimentos  em meu caminho.  Agradeço, de maneira especial,  às professoras Lúcia Helena Vedrúsculo Possari  por ter me acompanhado no desenrolar desta pesquisa;  e à professora Marluce O. M. Scaloppe  por ter­me instruído e apontado caminhos...  Agradeço às Irmãs Maria de Lima Barros e Bernadete  de Lima Barros  por terem revisado esta pesquisa.  Agradeço à minha orientadora Mariângela Sólla Lopez  por ter orientado esta monografia.  Agradeço à diretoria do Sintep­MT pela facilitação  e atendimento desta pesquisa.  Agradeço aos professores e funcionários das EEPG Souza Bandeira e  Raimundo Pinheiro que contribuíram, eficazmente, nesta pesquisa.


V SUMARIO  INTRODUÇÃO  7  1.1 DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO..........................................................................................8  1.2 COMUNICAÇÃO SINDICAL ...........................................................................................................11  1.3 A ESCOLHA DO TEMA E OBJETIVOS DA PESQUISA..........................................................................12  1.4 METODOLOGIA  ..........................................................................................................................13  1.5 MARCO TEÓRICO ........................................................................................................................14  1.6 A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO ..........................................................................15 

a) b) 

1.

Distribuição do trabalho monográfico................................................................................15  Conclusões preliminares....................................................................................................16 

BUSCA DE UMA ALTERNATIVA NA COMUNICAÇÃO 17 

1.1. COMUNICAÇÃO: QUE FENÔMENO É ESTE? ....................................................................................18  1.2. COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA ....................................................................................................20  1.3. COMUNICAÇÃO POPULAR  ...........................................................................................................22  1.4. COMUNICAÇÃO COMO ESPAÇO DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL  .............................................................23 

2.

CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO RECEPTOR 

26

2.1. CICLOS DAS TEORIAS ..................................................................................................................27 

a) b)  c) 

Teorias funcionalistas ........................................................................................................27  Teoria crítica e estruturalista .............................................................................................28  Recepção: foco desta pesquisa ...........................................................................................29 

2.2. MEDIAÇÕES ESCLARECENDO A RECEPÇÃO ...................................................................................30  2.3. EM BUSCA DA NEGOCIAÇÃO........................................................................................................34 

3.

METODOLOGIA: CONSTRUÇÃO EM PROCESSO 

36

4.

EDUCAÇÃO EM ALERTA, O LADO DO EMISSOR 

39

4.1. A COMUNICAÇÃO DO SINTEP ­MT ...............................................................................................39  4.2. OS EMISORES VÊEM OS RECEPTORES ASSIM..................................................................................41  4.3. O “CORPUS” DO  EDUCAÇÃO EM  ALERTA .....................................................................................43  4.4. LINGUAGEM INTERPERLATIVA DO EDUCAÇÃO EM  ALERTA  ............................................................44 

5.

NEGOCIAÇÃO DE SIGNIFICADO, O LADO DO  RECEPTOR  47 

5.1. COMUNICAÇÃO COTIDIANA  ........................................................................................................48  5.2. FILÓSOFOS DO COTIDIANO ..........................................................................................................50  5.3. RELEVÂNCIA DO EDUCAÇÃO EM ALERTA ....................................................................................53 

CONCLUSÃO 60  1.  VALORIZAÇÃO DO OUTRO  ..........................................................................................................60  2. SINDICATO: MÃO NA CONSCIÊNCIA ................................................................................................61  3. POSSÍVEIS SAÍDAS .........................................................................................................................63 

BIBLIOGRAFIA 65


VI ANEXOS  68  DADOS DO RECEPTOR  ................................................................................................................68  i.  Entrevista aplicada aos trabalhadores da Educação do Estado de Mato Grosso .................68  ii.  Tabulação dos dados ­ Quem são? .....................................................................................70  iii.  Como tomam conhecimento dos assuntos de sua área? ...................................................71  iv.  Questões educacionais em nível geral.............................................................................71  v.  Questões educacionais em nível específico .........................................................................72  vi.  Relevância do Educação em Alerta.................................................................................76  vii.  Comentários adicionais proferidos pelos profissionais da educação ...............................78  I.  DADOS DO E MISSOR ...................................................................................................................81  i.  Características do Educação em Alerta ..............................................................................81  ii.  Linguagem interpelativa ....................................................................................................82  iii.  Quando o funcionário aparece .......................................................................................85  iv.  Entrevista com a Diretoria do Sintep­MT .......................................................................85  v.  O Corpus do Educação em Alerta ......................................................................................86  J.  CONTRIBUIÇÕES DA C OMUNIDADE............................................................................................103  i.  Carta dos pais de alunos da Escola ..................................................................................103  A. 

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL.....................................................................104


INTRODUÇÃO "A  comunicação  é  um  processo  de  produção  e  recepção  de  complexos  efeitos  de  sentido  a  partir  do  lugar  que  os  interlocutores  ocupam  na  trama  das  relações sociais". Com esta expressão, o sociólogo Gilberto Gomes traz à tona a  idéia  de  que  há  papéis  distintos  e  recíprocos  na  comunicação  cotidiana.  Luiz  Ramiro Beltrán complementa essa concepção dizendo que "a comunicação é um 

processo de  interação  social  democrática,"  pois  os  seres  são  livres  para  compartilhar  experiências,  dialogando  e  participando  do  processo  de  maneira  igualitária. (GOMES, 1990:20) 

Se a  interação  democrática  –  proposta  nas  argumentações  acima  –  não  acontece  na  sociedade  atual  de  maneira  eficaz,  talvez  seja  porque  alguns  se  acham  no  direito  de    comunicar,  emitindo  mensagens  e  informações  para  uma  grande  massa  decodificar.  Mesmo  havendo  fortes  resquícios  de  uma  comunicação vertical  postulada  sob  o  paradigma  da  funcionalidade,  desenvolve­  se estudos que propõem o resgate do receptor como sujeito ativo e interlocutor do  processo comunicacional. 

Os meios  de  comunicação  de  massa(MCM),  apesar  de  terem  contribuído  na cristalização  de  um  modelo  vertical  de transmissão de  informações,  ensaiam  pequenas  tentativas  de  dar  'vez  e  voz' 1  ao  seu  público  alvo,  como  é  o  caso  de  muitos  programas  nas  emissoras  de  televisão  e  rádio,  em  que  o  ouvinte  e/ou  telespectador  é  convidado  a  dar  sua  contribuição.  À  medida  que  a  comunidade  social, vai percebendo sua força de mobilização, vai tomando consciência de que  precisa  ocupar  um  lugar  de  destaque  sendo  anfitriã  do  processo,  resgatando  a  democracia  e  democratização  dos  meios  que  estão  concentrados  nas  mãos  de  uma dezena  de famílias no Brasil. 

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Expressão muito  utilizada  pela  comunicação  alternativa  para  significar  o  grau  de  interlocução que o receptor precisa exercer nos processos de comunicação.


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1.1

Democratização da comunicação 

O limiar  do  novo  milênio  trouxe  à  tona  a  gestação  e  desenvolvimento  de  muitos  movimentos  populares  na  sociedade.  O  povo  está  se  organizando  e  lutando por seus direitos garantidos na Constituição Brasileira, porém negados no  cotidiano real. De maneira geral, percebe­se em todos os âmbitos da vida social,  política e econômica, que muitos grupos estão se organizando em busca de vida  digna para todos, indistintamente.  Um  desses movimentos  é o  de luta  pela democratização da comunicação  em todos os países do mundo. No Brasil, foi criada em 1984 a Frente Nacional de  Luta  por  Políticas  Democráticas  da  Comunicação.  Uma  de  suas  prioridades  é  a  luta  pela  democratização  da  radiodifusão,  que  abrange  o  rádio  e  a  televisão.  Daniel Herz acredita que esses dois veículos são os mais abrangentes e trazem  em  seu  bojo  o serviço  público  prestado  à comunidade  como  razão  de ser. (AEC  nº69, 1988:41). 

A luta  pela  democratização  da  comunicação  vai  de  encontro  às  gigantescas  corporações  que  defendem  interesses  privados  de  grupos  específicos  na  sociedade  e  tendem  a  se  alargar  com  a  modernização  das  tecnologias,  excluindo  grandes  massas  do  processo  comunicacional  por  não  possuírem os requisitos básicos para serem agentes do processo. Apesar de não  ser  receptor  passivo  dos  Meios  de  Comunicação  Social  (MCS)  e  das  políticas  governamentais  e  privadas,  o  público  não  tem  acesso  aos  canais  informativos  reconhecidos na sociedade como mídia convencional 2 .  Cosette Castro 3  questiona, em sua pesquisa de dissertação, a omissão dos  sindicatos na luta pela democratização dos meios.  2  Mídia convencional é formada pelos veículos  reconhecidos pela sociedade como sendo os  emissores  legítimos  das  notícias  e  informações.  Geralmente,  defendem  interesses  econômicos  e  políticos de grupos específicos. Também são chamados de meios de comunicação de massa. Isso não  impede  que  uma  mídia  alternativa,  atinja  grandes  proporções  de  receptores,  como  é  o  caso  do  jornalismo praticado pela CUT que atinge 12 milhões de pessoas.  3  Cosette de Castro é professora da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos ­ RS).  Em sua dissertação de mestrado, ela investigou a postura do emissor do jornal sindical 'O Bancário', de  Porto Alegre, criticando a relação de não valorização do receptor no discurso do jornal.


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"O século XX não foi apenas o século das revoluções sociais, foi o  século  das  telecomunicações  e  da  eletrônica.  Mas  nos  sindicatos  e  nos  movimentos  sociais  pouco  se  discute  sobre  a  democratização  dos  meios  de  comunicação  e  do  seu  uso,  ainda  que, no Brasil, esses mesmos meios continuem concentrados nas  mão de menos de dez famílias." (1997c) 

É nesse universo simbólico e complexo que surgem as mídias alternativas  como uma construção coletiva eficaz na busca dos interesses de comunidades e  grupos,  numa  sociedade  que  vai  despersonalizando  as  relações  devido  à  ampliação dos fatos e acontecimentos. 

A preocupação com a democratização da comunicação é antiga. O Nomic  (Movimento  por  uma  Nova  Ordem  Mundial  da  Informação  e  Comunicação)  foi  criado  em  1961,  agrupando  diversos  países  em  desenvolvimento  opostos  ao  imperialismo  internacional.  Doze  anos  mais  tarde,  esse  movimento  levantava  como bandeira de luta a questão da democratização da comunicação, sendo logo,  encabeçada  pela  Unesco  que  instituiu  uma  comissão  específica  para  tratar  do  assunto, em 1977. A mesma elaborou o 'MacBride' 4 , um relatório que mostrou ao  mundo o desequilíbrio mundial da Informação e da Comunicação. (PESSINATTI,  1998:70).  Segundo José Marques de Melo há muitos obstáculos para que aconteça,  de  fato,  a  democratização  da  imprensa.  Ele  aponta  como  alguns  dos  impedimentos  a  inacessibilidade  aquisitiva  dos  brasileiros,  o  analfabetismo  crônico,  a  ausência  da  participação  política  dos  cidadãos  e  o  elitismo  da  imprensa.  O  povo  não  se  vê  refletido  nos  meios  a  não  ser  quando  a  notícia  mostra um  conflito que lesou  os  'interesses da nação'.  Marques  acredita  que as  lutas serão capazes de reverter esse quadro. (MELO, 1985:127­129). 

É claro  que  essa  sua  citação  é  da  década  de  oitenta,  porém  não  mudou  muita coisa. As lutas continuam  modestas e o elitismo da sociedade aparecendo  como  condição  indispensável  para  se  compreender  os  processos  sociais,  seja 

4 A comissão foi coordenada por Sean MacBride, por isso

recebeu o nome de ‘MacBride’.


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através da  ridicularização  e  banalização  da  vida  cotidiana  dos  trabalhadores  ou  dos novos emergentes que vão surgindo na sociedade como exemplo de quem se  deu bem na vida. A democratização dos benefícios da radiodifusão só poderá ser  conseguida  com  a  mobilização  dos  seguimentos.  '(...)hoje  marginalizada  dos 

benefícios do uso social das tecnologias da radiodifusão.'  (AEC  nº69,  1988:49).  Cuiabá  só  pôde  ouviu,  no  dia  oito  de  abril  de  2000,  por  ocasião  do  seu  281º  aniversário,  a  inauguração  da  primeira  rádio  comunitária  da  cidade.  A  'Rádio  Comunitária  Educativa  CPA  FM  ­  105,9'  foi  criada  em  1998,  porém  só  foi  reconhecida  dois  anos  mais  tarde  após  inúmeras  lutas  da  comunidade  organizada. Isso porque a burocracia dos setores responsáveis pelas concessões  são  morosos  e  não  têm  como  prioridade  atender  às  políticas  públicas,  pois  há  muitos interesses econômicos em jogo. 

Assim, as  mídias  comunitárias  que  procuram    atender  os  interesses  da  comunidade  tão  deflagrados,  vão  tomando  lugar  e  tendo  força  na  sociedade.  Cada comunidade  ou grupo  pode  ter, se  passar  no crivo  da fiscalização,    o  seu  meio de comunicação como instrumento de mobilização e conquistas. A imprensa  alternativa vai sendo construída também com participação e discurso alternativo,  evitando  a verticalização  na  grande  imprensa  tão criticada  pelos  comunicadores  dessa  área.  Procura  realizar  seu  discurso  reciprocamente  entre  produção  e  recepção,  valorizando  os  sujeitos  envolvidos  no  processo  de  recepção  e  produção, de maneira circular. A imprensa alternativa tem uma força muito grande  no mundo de hoje por sua capacidade de articular as comunidades em torno dos  interesses  da  população  local,  visto  que  as  pessoas  estão  cansadas  de  serem  lesadas  em  seus direitos.  Se  a  imprensa comunitária  levar em  conta  o cotidiano  do cidadão, certamente será significativa.


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1.2

Comunicação Sindical 

Quando praticada  nos  sindicatos,  chama­se  comunicação  sindical  e/ou  imprensa sindical 5  porque procura defender os interesses de sua categoria. Para  Cosette Castro  “A  comunicação  sindical  é  um  conjunto  de  táticas,  estratégias  e  ações utilizadas  pelas entidades sindicais para  se comunicar com  seus vários públicos, sejam eles os públicos internos ­ funcionários  ou  diretoria  ­  ou  externos  ­  a  categoria  sindicalizada,  os  futuros  associados ou a comunidade.” (CASTRO, 1998b). 

Segundo a  pesquisadora  Cecília  Peruzzo,  os  movimentos  populares,  no  Brasil, passaram por quatro  momentos históricos bem definidos. O primeiro foi o  da  mobilização,  caracterizado  pelas  grandes  manifestações.  O  segundo,  chamado  de  organização,  deu­se  quando  os  movimentos  se  associaram  para  atingir  melhor  seus  objetivos.  Daí  foi  um  passo  para  a  articulação  no  terceiro  momento,  em  fins  da década  de 80 e  início dos  anos 90.  Hoje, vive­se  o quarto  momento  através  das  parcerias  e  organizações  em  ONGs  e  outros  tipos  de  associações.  “Os movimentos, que antes negavam tudo que viesse do governo,  começam  a  aceitar  a  idéia  de  discutir  com  ele.  Foram,  assim,  abrindo espaço no interior do Estado, que passou a reconhecê­los  como  interlocutores  e  a  mostrar­se  mais  sensível  às  reivindicações.” (Peruzzo, 1998:42). 

A Comunicação Sindical, para Cosette, se firmará enquanto alternativa de  comunicação  se,  mesmo  mirando­se  no  'espelho  da  mídia',  não  tropeçar  nele.  Mas,  se assumir seu discurso diferenciado se colocando como autora do mesmo,  reconhecendo  suas  falhas  e  incluindo  o  leitor  em  sua  produção  discursiva.  Isto  porque  a  Comunicação  Sindical  precisa  ter  sua  postura  própria  e  não  mais  reproduzir  os  modelos  da  mídia  convencional.  A  diferenciação  desse  processo  virá  no  momento  em  que  o  Outro   for  valorizado  na  estrutura  discursiva,  o  que  eliminará a relação de dominação que essa comunicação tanto gosta de criticar. 

5 Com  o  passar  dos  tempos  e  da  eficiência  da  comunicação  sindical,  até  o  IBGE  (Instituto  Brasileiro  de  Geografia  e  Estatística)  passou  a  incluir  o  item  'imprensa  sindical',  em  seus  levantamentos.


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1.3 A escolha do tema e objetivos da pesquisa  O objeto de estudo dessa pesquisa é o jornal sindical dos trabalhadores da  educação  do  Estado  de  Mato  Grosso,  que  já  foi  objeto  de  estudo  na  pesquisa  6 

acadêmica de  Kleber  Alves de Lima  .  A  partir  dessa reflexão, optou­se  por  esse  tema pela identificação da pesquisadora com a comunicação alternativa e com os  movimentos  de  luta  popular.  Deseja­se  investigar  o  processo  de  recepção  do  jornal  Educação  em  Alerta  em  duas  escolas  estaduais  do  bairro  Coxipó  para  entender como se dá o processo de recepção. É preciso saber como se informam  os profissionais da educação sobre os assuntos relacionados à sua área. E ainda  mais, saber o grau de relevância desse jornal na vida cotidiana dos professores,  técnicos  administrativos  e  servidores  de  apoio  educacional,  nas  escolas  Souza  Bandeira e Raimundo Pinheiro. A pesquisa também tem como objetivo específico  saber se os emissores do jornal levam em conta as possíveis formas de recepção  que o veículo de informação possa ter no meio dos profissionais, pois nem todos  os  trabalhadores,  necessariamente,  têm  interesses  idênticos  aos  da  cúpula  sindical. 

Outro motivo  pelo  qual  pode­se  escolher  um  tema  tão  polêmico  nos  dias  atuais,  é  a  grande  importância  que  assumiu  a  comunicação  sindical  no  mundo  atual.  "A  comunicação  sindical  ­  um  mercado  que  no  Brasil  apresenta  produção  de  12  milhões  de  exemplares  mensais  no  que  diz  respeito à comunicação impressa ­ também reflete sobre o futuro,  principalmente  porque  o  movimento  sindical  brasileiro  passa  por  um  processo  de  mudanças.  Um  processo  que  começou  a  ser  observado ainda no início dos anos 90 com a chamada crise dos  paradigmas,  representada,  principalmente,  pela  queda  dos  regimes  de  esquerda  do  leste  europeu  e  latino­americanos  e 

Ele analisou  o  jornal  do  Sintep­MT  e  denominou­o  como  jornal  integral  a  partir  da  concepção  gramsciana.  Kleber  constatou  que  o  sindicato  tem  consciência  daquilo  que  edita,  pois  almeja  contribuir  na  formação  política  da  categoria,  além  de  buscar  satisfazer  a  demanda  entre  os  interlocutores do processo de comunicação básico entre  a base e o sindicato. Ele menciona que seria  útil uma pesquisa sobre o assunto, mas que aprofundasse o processo de recepção para 'aferir a reação  6 

dos trabalhadores em educação do Estado de Mato Grosso a este jornalismo que conceituamos como  integral.' (LIMA, 1996).  Kleber sintetiza o conceito de jornalismo integral a partir das concepções de Lênin e Gramsci. É  um  tipo  de  jornalismo  característico  dos  sindicatos  e  partidos  políticos  que  objetivam  suscitar  a


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tomou força  com  os  processos  de  globalização  da  economia  e  mundialização  da  cultura  que  atingiu  diretamente  o  mundo  do  trabalho  e  o  modo  de  vida  dos  trabalhadores  sindicalizados  brasileiros." (CASTRO, 1997c). 

O sindicato  hoje  não  tem  a  mesma  credibilidade  dos  anos  70  e  80,  quando  surgiam,  em  grande  escala,  muitos  movimentos  sociais.  Naquela  época,  o  discurso  sindical  era  respeitado  pelos  trabalhadores  e  era  incentivo  para  novos  adeptos.  Cosette  afirma  que  a  crise  de  paradigmas  e  do  desemprego  dos  dias  atuais é que é responsável pelo enfraquecimento e descrença do discurso sindical  diante da mídia. 

1.4

Metodologia

Com esta pesquisa, pretende­se saber quais fontes informativas são mais  utilizadas pelos pesquisados. Será feito um  levantamento de fontes secundárias  e primárias sobre o assunto. Terá por base a pesquisa monográfica que analisou  o  jornal  do  Sintep  Educação  em  Alerta  e  a  dissertação  de  mestrado  e  outros  artigos  afins  da  professora  Cosette  de  Castro,  da  Universidade  do  Vale  do  Rio  dos Sinos (Unisinos). 

Também serão  levantadas  informações,  através  de  entrevistas  com  os  professores da educação, a fim de traçar o perfil desses profissionais, bem como  o  das  escolas  estudadas.  As  escolas  foram  selecionadas  através  de  alguns  critérios.  Apesar  de  se  encontrarem  na  mesma  Avenida  Fernando  Corrêa  da  Costa, uma só tem o 1º grau e é dirigida por uma instituição religiosa, enquanto a  outra atende alunos de 6ª série ao 2º grau. Dessa última escola, foram escolhidos  apenas  os  trabalhadores  do  Ensino  Médio  para  dar  um  certo  contraste  à  pesquisa. 

Deseja­se ainda, nessa pesquisa, conhecer o emissor/jornal, analisando o tipo de  linguagem  interpelativa  utilizada  pelo  Educação  em  Alerta  para  entrar  em  consciência crítica e formação política de seus membros. Isso partindo de suas lutas específicas  para  as lutas de âmbito geral, por transformação das relações sociais e econômicas.


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contato com os receptores. A partir dessa percepção será dissecado o Corpus de  seis números do jornal, correspondentes aos meses de outubro/99 a abril/2000.  1.5 

Marco teórico 

Esta pesquisa está centrada no paradigma da Teoria da Recepção que tem  o  receptor  como  a  essência  de  qualquer  interlocução.  Como  sujeito  privilegiado  do  processo,  que  acontece  num  determinado  espaço  social  aberto  ao confronto  com o mundo global. Assim, as reflexões serão recortadas para o contexto latino­  americano a partir das reflexões de Jésus Martín­Barbero. Ele afirma que há uma  negociação  de  significados  por  parte  dos  receptores  que  selecionam  as  mensagens de acordo com suas necessidades. É claro que o emissor tem o seu  lado  e  precisa ser  estudado  também.  Um  estudo  da  Recepção que não  leva  em  conta  o lado  do  emissor  não terá  grandes resultados. Não se pode cair  em  dois  extremos:  acreditar  que  o  receptor  é  um  coitado  ou  vítima  do  sistema  comunicacional ou que ele é responsável e o mestre do processo. Isto porque há  limites  na  negociação.  Outro  aspecto,  alertado  por  Barbero,  é  desconhecer  os  saberes dos produtores, pois esses são cada vez mais especializados. 

Serão citados outros autores que refletem e  interpretam o pensamento de  Barbero,  recortando  para  um  dado  significativo  em  sua  realidade  local.  Dentre  eles,  destaca­se  Cosette  Castro  que  fez  sua  dissertação  de  mestrado  sobre  a  negociação de sentidos entre o Sindicato dos Bancários e seus associados. Seu  trabalho  muito  contribuiu  para  a  efetivação  e  concretude  deste,  que  também,  pesquisa  os  associados  de  um  jornal  sindical.  Duas  pesquisas  acadêmicas  da  UFMT  serão  mencionadas  na  pesquisa  pois,  de  certa  forma,  elas  tiveram  como  objeto de pesquisa o Sindicato analisado no presente estudo.


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1.6

A organização do trabalho monográfico 

a)

Distribuição do trabalho monográfico 

BUSCA DE  ALTERNATIVAS  NA  COMUNICAÇÃO.  No  primeiro  capítulo  será trabalhado o conceito de comunicação alternativa, recortando­o para a área  da comunicação impressa. A partir de um breve histórico do termo será dissecado  a  experiência  de  comunidade  para  aferir  o  grau  de  inserção  das  pessoas  num  projeto  comum.  Será  trabalhado  o  significado  da  comunicação  como  processo  social  em  construção  e  comunicação  popular  como  passos  à  mobilização  social  em vista de uma cidadania consciente. 

CONSTRUÇÃO HISTÓRICA  DO  RECEPTOR.  O  segundo  vai  trazer  o  referencial  teórico  com  o  intuito  de  dar  consistência  à  pesquisa  dentro  do  paradigma  da  Teoria  da  Recepção.  O  sujeito  será  construído  historicamente,  a  partir  das concepções  das  Escolas  de Comunicação,  até chegar ao  seu  resgate  como  cidadão  crítico,  ou  seja,  um  ser  pensante  que  negocia  as  informações,  dando relevância  positiva  ou  negativa  para  as  mesmas.  O  referencial  partiu  das  idéias de Barbero sobre a recepção e se enriqueceram, de maneira especial, com  as  contribuições  que  Cosette  Castro  argumenta  a  respeito  da  comunicação  sindical num mundo multicultural. 

METODOLOGIA: CONSTRUÇÃO  EM  PROCESSO.  O  terceiro  capítulo  trata­se  da  construção  metodológica  escolhida  como  percurso  desse  trabalho  monográfico.  Nele  serão  dissertados  os  passos  seguidos  desde  a  escolha  do  tema, recorte temático e desfecho da pesquisa. 

EDUCAÇÃO EM  ALERTA,  O  LADO  DO  EMISSOR.  Como todo estudo da  recepção não deixa de fora o produtor, o quarto capítulo vai cuidar do emissor do  Educação  em  Alerta.  Vai  relatar,  resumidamente,  a  história  do  Sintep­MT  e  a  comunicação utilizada pelo órgão. Também será apresentada a concepção que a  diretoria do sindicato tem do seu público. O ‘corpus’ do jornal será dissecado a fim


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de identificar o tipo de linguagem interpelativa que utiliza para se dirigir aos seus  leitores.  NEGOCIAÇÃO DE SIGNIFICADOS, O LADO DO RECEPTOR. No quinto,  será  trabalhada  a  negociação  de  significados  praticada  pelos  receptores.  Eles  serão  descritos  em  seu  cotidiano  escolar  através  da  descrição  dos  dados  coletados. Serão vistos enquanto membros de uma sociedade pós­moderna que  vive em um ritmo frenético para dar conta da administração do próprio lar. Serão  resgatados  como  filósofos  cotidianos,  ou  seja,  seres  humanos  pensantes  que  manifestam  posicionamentos  diferentes  à  sociedade  e  ao  sindicato  dos  trabalhadores  da  educação  do  Estado  de  Mato  Grosso.  Serão  mostrados  os  dados que darão ou não relevância ao jornal. 

b)

Conclusões preliminares 

Supõe­se que  o  Educação em  Alerta  não é relevante  para  a categoria por  não  ser lido com gosto e prazer pelos trabalhadores da educação. A vida deles é uma  correria  e  por  isso  sentem  não  ter  tempo  para  leitura  do  jornal.  A  linguagem  também  não  é  atrativa  nem  mesmo  o  visual  o  é.  O  sindicato  não  está  reconhecendo  nos  receptores,  o  Outro  da  interlocução  e  do  processo  comunicacional.  Talvez,  se  houvesse  mudanças  internas  e  externas  no  que  diz  respeito à comunicação do sindicato, os receptores iriam se apaixonar pelo jornal  do órgão. Serão apontadas algumas possíveis saídas para esse desafio.


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1. BUSCA DE UMA ALTERNATIVA NA COMUNICAÇÃO 

A comunicação  é  um  processo  que  se  dá  no  interior  das  comunidades  organizadas  ou  dos  grupos  formados  a  partir  de  interesses  afins.  Em  uma  sociedade estruturada nos critérios capitalistas e neo­liberais, em que a vida das  pessoas  vem  colocada  no  final  de  uma  escala  de  valores  que  começa  pelo  capital,  empreendimentos  e  lucros,  as  comunidades  organizadas  vão  se  despertando e contestando alguns desses critérios. 

Para ser  comunidade  não  basta  estar  junto  num  mesmo  contexto  geográfico, alerta Ciro Marcondes Filho. A comunidade não pode ser vista como  uma alternativa à sociedade porque ela só existe dentro desta. Nem tão pouco é  classe social, pois ela tem suas leis de entrosamento e de auto­realização, que a  classe  nem  sempre  as  tem.  Ela  se  caracteriza  por  determinações  quanto  à  estrutura, à dinâmica interna e ao indivíduo nela situado.  “A  estruturação  da  comunidade  é  feita  de  acordo  com  uma  base  comum.  Max  Weber  já  assinalava  em  seu  tempo  que  uma  característica  biológica  não  é  suficiente  para  caracterizar  comunidade.  Ser  negro,  judeu,  japonês  etc.,  não  são  elementos  suficientes  para  definir  uma  "comunidade  negra",  "judia",  "japonesa".  Estes  são,  enquanto  raças  e  tipos  étnicos,  somente  grupos diferentes na sociedade. Não basta, portanto, a existência  de  uma  "característica  básica  comum". Este  é  apenas  o  laço  de  união,  e  não  o  sentido  da  ligação.  Estruturalmente,  além  disso,  ainda  é  preciso  existir  uma  forma  própria  de  comunicação:  um  veículo,  um  tipo  de  troca  de  mensagens  que  mantenham  os  componentes da comunidade ligados entre si. Neste caso, a figura  do  jornal,  do  rádio,  da  comunicação  visual  em  geral  atuam  no  sentido  de  atualizar  e  organizar  a  ação  de  comunidade,  que  compõem  o próximo item de sua caracterização.” (MARCONDES,  1992:157). 

Ciro Marcondes,  no  entanto,  afirma  que  a  sociedade  de  massa  burguesa  atua  com  mecanismos  de  despersonalização,  desorientação,  desarticulação, 

anonimato, reações  isoladas,  fugas  de  diferenciação, status,  destaques  o  que  a


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distancia da  comunidade.    Aqui  a  pessoa  é  o  centro  da  comunidade  e  sua  comunicação  será  a  ação  organizada  de  todos  os  membros  para  empreendimentos comuns.. (MARCONDES, 1992:159).  Para o pesquisador Marcos Palácios, da Universidade de Brasília,  “a  comunidade  deve  ser  vista  como  toda  forma  de  relação  caracterizada  por  situações  de  vida,  objetivos,  problemas  e  interesses  em  comum  de  um  grupo  de  pessoas,  seja  qual  for  a  dimensão desse grupo e independentemente de sua dispersão ou  proximidade  geográfica.  (...)  Uma  comunidade  pode  ser  tão  extensa  e  dispersa  quanto  o  conjunto  dos  trabalhadores  de  uma  determinada  categoria  profissional  engajados  em  uma  luta  comum” (MONTORO, 1997:37) 

Comunicação: que fenômeno é este?  Se for analisada etimologicamente, percebe­se que a comunicação reporta  à experiência de uma ‘comum­ação’ entre pessoas, grupos ou sociedades. Sendo  assim, ela é estudada em todos os âmbitos da vida humana, seja no que se refere  à experiência intrapessoal, interpessoal ou social. Em cada uma dessas áreas, há  pessoas que vivem o processo comunicacional se tornando protagonistas de sua  ação e realidade. 

João Luís Van Tilburg afirma que a comunicação não pode ser confundida  com  persuasão.  “Embora  persuadir  e  fazer  a  cabeça  também  sejam  formas  de 

comunicação, não são uma prática que respeita o que é uma das propriedades do  ser humano, qual seja, a opção, a livre escolha.” (GOMES, BULIK E PIVA, 1989:  224) 

“A comunicação  é  o veículo  que  aproxima  as  pessoas  e  contribui  para  que  haja maior consciência e maior integração na vida da comunidade e da sociedade  como  um  todo.”  Isto  porque  ela  desperta  na  pessoa  o  envolvimento  pessoal,


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comunitário e  social,  cultural,  político  e  religioso,  num  tom  de  liberdade  e  democracia,  de  intercâmbio  comunitário  de  conteúdos,  códigos  e  meios  de  comunicação.  Não  podendo  ser,  então,  impositiva  e  autoritária.  Deve  partir  da  vida do povo. (GOMES, 1994:31) 

A comunicação de massa, segundo Pedro Gilberto Gomes, dirige­se a um  público  anônimo,  heregêneo  e  disperso.  Portanto,  nivela  as  pessoas  com  o  objetivo de vender seu produto. “(...) universaliza fatos e opiniões; despersonaliza 

o indivíduo; manipula e escolhe informações; nivela as culturas; torna o receptor  passivo  diante  do volume  de  apelos  que  recebe;  exige  enorme  poder  político  e  econômico  para  sustentá­la.”  Segundo  ele,  a  comunicação  é  o  veículo  que  aproxima  as  pessoas  e  contribui  para  que  haja  maior  consciência  e  maior  integração 

na

vida

da

comunidade

e

da

sociedade

como

um

todo.(GOMES,1994:19). Para  Cristiano  Donato,  a  comunicação  não  é  um  assunto  privado  entre  Estado  e  Empresas  privadas,  “é  uma  questão  pública,  serviço  público  e  de 

interesse público.”  A  Comunicação  Social  é  um  processo  que  envolve  emissão,  difusão e recepção. (DIDONÉ e MENEZES, 1995: 83). 

Já Alice  Mitika  Koshiyama,  pesquisadora  da  Universidade  de  São  Paulo,  considera  a  comunicação  como  “atividade  central,  na  organização  dos 

movimentos, pois  expressa  visões  de  mundo,  troca  de  mensagens,  troca  de  valores.” (DIDONÉ e MENEZES, 1995:116). 

No encontro  continental  de  comunicadores  católicos  convocado  pelas  organizações  Decos­Celam e  OCIC­AL,  Uclap  e  Unda­AL, Jésus  Martín­Barbero  falou sobre a comunicação em tempos de globalização, deixando claro que ela é  um  processo  também  mediático  que  envolve  as  comunidades  locais  e  internacionais.


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“La comunicación  mediática  aparece  entonces  haciendo  parte  de  las  desterritorializaciones y relocalizaciones que acarrean las migraciones sociales y  las  fragmentaciones  culturales  de  la  vida  urbana,  del  campo  de  tensiones  entre  tradición e innovación, entre el gran arte y las culturas del pueblo, del espacio en  que  se  redefine  el  alcance  de  lo  público  y  el  sentido  de  la  democracia.”(  BARBERO, 1999). 

Comunicação alternativa 

‘Comunicação alternativa’  é  um  termo  que  nasceu  na  Europa,  após  o  movimento  dos  estudantes  franceses,  em  maio  de  1968.  Essa  realidade  de  comunicação  alternativa  data  dos  anos  70  no  contexto  latino­americano.  Porém,  ela  foi  praticada  por  ocasião  da  Revolução  Francesa(1789)  e  da  Revolução  Russa(1912­1917). 

No Cone Sul, ela se tornou mais intensa devido às ditaduras militares, pois  as  classes  populares  –  que  não  compactuavam  com  o  sistema  –  se  reuniam  fazendo  resistência  à  dominação,  utilizando  também  a  imprensa.  No  Brasil,  também  foi  intenso  esse  processo  de  surgimentos  de  elementos  alternativos  na  sociedade como  “(...)os jornais  Movimento,  Opinião,  Em  Tempo,  Coojornal,  O  São  Paulo,  Pasquim,  Lampião,  Ex,  Bondinho  e  O  Amigo  do  Rei.  A  citação  desses  títulos  não  é  fortuita.  Muitos  jornais  importantes  estão  de  fora.  Mas  os  citados  englobam  desde  jornais  trotskuitas  aos ortodoxos; dos que  defendem as maiorias homossexuais aos  anarquistas;  de  jornais  da  Igreja  esclarecida  aos  cooperativados,  formando o conjunto elementos alternativos em relação ao tipo de  emissor  e  modo  de  produção,  aos  conteúdos  e  organização  dos  receptores.” (GOMES, BULIK e PIVA, 1989:56). 

Três países no Cone Sul se destacaram na busca de alternativas. Tanto o  Uruguai  como  o  Chile  e  Brasil,  tinham  elementos  comuns  e  particularidades  próprias  que  fizeram  investir  mais  nas  alternativas  de  oposição.  Com  Argentina


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não aconteceu  a  mesma  coisa  porque  a  repressão  sangrenta  foi  mais  intensa.  Nesse país,  ‘ a  Igreja  não  desenvolveu  trabalhos  de  oposição  por  estar  ligada 

ao Estado  e  para  que  seus  membros  recebem  salários  do  governo. Houve resistência, em especial entre sacerdotes ligados  à  Teologia  da  Libertação,  mas  quase  toda  a  cúpula  eclesiástica  compactuou  com  o  autoritarismo.  Isso impediu  que,  ao  lados  dos  meios  de  comunicação  tradicionais,  se  criasse  uma  gigantesca  rede  alternativa  de  comunicação,  formada,  como  no  Brasil,  pelas  Comunidades  Eclesiais  de  Base  da  Igreja  Católica’.(GOMES,  BULIK e PIVA, 1989:58). 

Isso não  significava  que  a  grande  imprensa  não  estava  a  favor  das  pessoas e da sociedade excluída do processo democrático social e político. Claro  que não. A imprensa silenciou porque foi obrigada. Foi perseguida. Os jornalistas  foram  presos,  exilados  ou  mortos.  É  nesse  contexto  que  surgiu  a  imprensa  alternativa para fazer força ao autoritarismo praticado pelas ditaduras militares. 

Somente nos  anos  80  é  que  veio  a  liberalização  do  regime  e  a  possibilidade de transformação da conjuntura política e social. 

“O Brasil  e  o  Chile  já  havia  dado  um  salto  qualitativo.  Aqui,  expressando  mais  claramente  a  posição  de  partidos  políticos,  de  sindicatos  e  de  comunidades.  Esse  trabalho  às  vezes  não  é  visível.  Jornais,  como  o  do  Sindicato  dos  Metalúrgicos  de  S.  Bernardo  e  dos  Bancários  de  São  Paulo,  quase  não  se  mostram  em bancas de revistas.” (GOMES, BULIK E PIVA, 1989: 61) 

A comunicação alternativa, portanto, é um processo. É uma nova maneira de se  fazer  comunicação  a  partir  da  construção  coletiva.  Parte  da  discussão  dos  problemas  reais  da comunidade,  ou  ligados  a  ela  de  alguma  forma,  para  decidir  compromissos  que  levem  à  mobilização  social  daquele  grupo.  Hoje,  a  comunicação  alternativa  caminha  em  busca  da  cidadania  e  da  conquista  dos  direitos humanos e civis do povo.


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Comunicação popular  Denise  Maria  Cogo,  fundamenta­se  em  Barbero,  para  afirmar  que  a  compreensão  da  comunicação  popular  passa  por  um  mergulho  profundo  no  universo das culturas populares. Então,  “é  indispensável  entender  e  resgatar  os  valores  que  passam  o  cotidiano  e  o  imaginário  tanto  de  emissores  quanto de receptores e que vão se configurando  como  as  mediações  da  comunicação  popular.  São  valores  como  o  sentido  da  vida,  do  trabalho,  da  solidariedade  que  aparecem  articulados  no  cotidiano  do  povo.”  (DIDONÉ  e  MENEZES, 1995:88). 

Recortando para o jornalismo comunitário, Ciro Marcondes prega que este  é  o  meio  de  comunicação  que  interliga,  atualiza  e  organiza  a  comunidade  e  realiza  os  fins  a  que  ela se propõe.  Isso faz com  que uma  comunidade se torne  uma  atuação  política,  “interessada  em  conquistas  e  melhorias  para  seus 

participantes (...)  o jornalismo comunitário só o será se igualmente se interessar  por  esses  fins.”  Desta  forma,  os  jornais  de  bairro,  de  colônias,  de  interior  são  estruturalmente  idênticos  aos  jornais  da  grande  imprensa,  devido  à  elaboração,  ao  caráter,  à  vinculação  e  aos  grupos  políticos  que  obedecem  aos  mesmos  critérios  da  imprensa  liberal,  de  forma  geral.  Apenas  o  público visado é  o  que  é  diferente. (MARCONDES, 1992:160). 

Mesmo sendo  elaborado  por  membros  de  uma  comunidade  que  procuram,  através dele, ‘obter mais força política, melhor poder de barganha, mais impacto 

social’, para os interesses de toda a comunidade, de acordo com o próprio Ciro,  ele  continua  sendo  confeccionado  nos  moldes  do  jornalismo  profissional.  No  entanto,  sabe­se  que  a  maneira  como  se  faz  a  comunicação  é  diferente  nos  meios  alternativos,  do  ponto  de  vista  dos  interesses  de  mobilização  social  para  conseguir atingir os objetivos. 

Um jornalismo  comunitário    não  deve  estar  apenas  preocupado  com  a  abordagem mercadológica dos problemas de seu leitor, mas também


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“empenhado em organizar movimentos sociais e unificar esforços  individuais  em  defesa  de  interesses  comuns,  normalmente  menosprezados  na  sociedade,  mas  que  representam  grandes  massas urbanas. E a forma de o indivíduo poder afirmar­se e fazer  valer  sua  posição  sem  ser  deglutido  pelas  máquinas  de  informação  oficiais,  públicas  ou  privadas,  que  tudo  fazem,  menos  solucionar  os  problemas  e  as  necessidades  da  população.”  (MARCONDES, 1992:162). 

Cristiano Donato,  pesquisador  da  UnB,  afirma  que  para  uma  mensagem  ser  alternativa,  ela  não  necessita  ser  veiculada  nos  meios  de  comunicação  alternativos.  “discursos  alternativos  cabem  perfeitamente  em  meios  convencionais.  A  questão  continua  sendo  a  da  democratização do acesso  e  do  controle de tais meios. O  que,  obviamente,  não  quer  dizer  que  não  se  deva  pesquisar  formas  de  comunicação  alternativas  e  usá­las  de forma e eficiente.”(MONTORO, 1997:77). 

As linguagens  de  comunicação  são  diferenciadas  de  meio  para  meio.  A  linguagem de um jornal comunitário se diferencia da linguagem de um jornal diário  dirigido  ao  público  em  geral.  No  entanto,  essas  diferenciações  podem  ser  superadas  por  um  bom  profissional  de  comunicação  que  saberá  fazer  a  adaptação  de  acordo  com  seu  público.  Donato  afirma  que  se  o  profissional  de  comunicação for competente, ele saberá ajustar as diferenças e ser bom jornalista  em qualquer comunicação alternativa. 

Comunicação como espaço de mobilização social  Hoje,  os  grupos  organizados  na  sociedade  acreditam  mais  do  que  nunca  que  para  a  democratização  da  comunicação  e  da  democracia  como  valor  essencial para todos, é preciso cultivar a comunicação alternativa. Sendo assim,  ONGs  (organização  não­governamentais),  sindicatos  e  partidos  buscam,  incansavelmente,  maneiras  de  cobrar  da  sociedade  respostas  e  posturas  de  participação  através  da  mobilização  social.  Nesse  sentido,  a  Universidade  de


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Brasília já  lançou  um  curso  de  especialização  nessa  área  porque  acredita  que,  capacitando  os  cursistas,  estarão  contribuindo  ao  acesso  e  democratização  dos  meios de comunicação em favor da melhoria da qualidade da informação.  Assim, de acordo com Dina Lida Kinoshita, USP, o veículo de comunicação  da  classe  trabalhadora,  seja  sindical  ou  partidária,  não  é  de  propriedade  de  alguém específico que tem uma  mensagem  a ser consumida. Esta comunicação  torna­se instrumento de intercâmbio porque é produzido interativamente.  “Seu  conteúdo  é  resultado  do  conjunto  de  informações, 

preocupações, propostas, etc., produzido pela coletividade  e  para  ela  mesma.  O  jornal  é  um  instrumento  de  informação, conscientização e mobilização; o receptor não  é  um  elemento    passivo,  mas  alguém  que  tem  interesses  comuns  e  participa  da  mesma  forma  de  organização”.  (DIDONÉ e MENESES, 1995:58). 

Desta forma, o agente da comunicação popular é o povo organizado. É a  comunidade  organizada.  O  povo  organizado  cria  suas  formas  específicas  de  comunicação,  resgatando  sua  cultura  e  se  comunicando  a  partir  de  seu  imaginário.  Pedro  Giberto  Gomes  afirma  que  as  organizações  precisam  estar  sempre  em  busca  e  se  avaliando  para  que  o  povo  seja  de  fato  construtor  de  comunicação.  “Muitas vezes se busca alternativas de comunicação para  fazer  frente  à  comunicação  de  massa,  mas  o  povo  continua sendo objeto passivo e não sujeito construtor da  comunicação.  Muitos  agentes  de  comunicação  tomam  consciência da necessidade do engajamento, da inserção  e  da  inculturação  como  caminho  para  construir  suma  comunicação alternativa e popular.”(GOMES,1994:39). 

Para trabalhar na comunicação como agente social e mobilizador é preciso  ser consciente do papel deste novo agente social. Quem é o  mobilizador social?  Luiz Martins da Silva acredita que ele não  “(...)  é  um  ator  a  desempenhar  funções  manipuladoras  em  uma  sociedade


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marcada pelo  jogo,  pela  estratégia  e  pela  dominação(...)  É  aquele  que  respeita  seu  público,  a sua audiência,  os seus  interlocutores,  que são vistos como seres  humanos,  racionais,  dotados  de  competência  moral.  Não  se  mobilizam  ovelhas,  apenas as conduzimos.” (MONTORO, 1997:29).


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2. CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO RECEPTOR  Esta  pesquisa  está  centrada  na  teoria  da  recepção,  definida  por  Jésus  Martín­Barbero  como  um  lugar  novo,  de  onde  se  deve  partir  para  estudar  a  comunicação  nos  dias  de  hoje. "É  uma  espécie  de  rever  e  repensar  o  processo 

inteiro da  comunicação(...)"  (SOUZA,  1995:54).  O  estudo  da  recepção  tem  por  objetivo  resgatar  a  vida  dos  sujeitos  envolvidos  no  processo,  principalmente  do  receptor,  pois  este  negocia  as  mensagens  recebidas  de  acordo  com  suas  necessidades cotidianas.  O autor afirma,  ainda,  que  para democratizar  os  meios  será  necessário  que  o  pesquisador  desça  de  seu  pedestal  intelectual  para  que  possa compreender como se dão os processos de recepção. 

A teoria  da  recepção  parte  do  princípio  de  que  o  receptor  é  um  agente  ativo, capaz de escolhas, de intercâmbio de informações e posturas críticas. É um  novo  jeito  de  vivenciar  a  comunicação  como  um  ato  contínuo  de  diálogo  e  partilha. Essa nova maneira de compreender o processo comunicativo difere das  teorias  tão  difundidas  em  décadas  anteriores,  e  ainda,  presentes  no  discurso  7 

cotidiano de  milhares  de  pessoas.  A  teoria  funcionalista  ,  por  exemplo,  via  o  receptor como uma tábua rasa onde se deveria imprimir conteúdos produzidos em  outro  lugar.  Não  dava  autonomia  ao  sujeito  que  apenas  deveria  obedecer.  8 

Também a teoria crítica  partia do princípio de que o coitadinho do receptor é uma  vítima do sistema e precisa ser defendido, pois existe uma conspiração tramando  9 

contra ele  . 

7 A  Escola  Funcionalista  é  baseada  no  método  positivista  e  surgiu  nos  EUA,  na  década  de  30. Seus principais autores são: Robert Merton, Paul Lazarsfeld, Talcott Parsons, Harold Lasswell, Kurt  Lewin e Carl Hovland.  8  A teoria crítica é conhecida como teoria da Escola de Frankfurt, onde os estudiosos são os 

frankfurtianos: Theodor  Adorno,  Max  Horkheimer,  Walter  Benjamin,  Herbert  Marcuse,  Jürgen  Habermas. Surgiu na Alemanha nos anos 30. Seus estudiosos ficaram exilados nos Estados Unidos na  década de 40,  retornando para  sua terra natal, na década seguinte. Tinham dois conceitos básicos: A  Dialética do Esclarecimento e a Indústria Cultural.  9  Ciro  Marcondes  Filho  questiona  esse  posicionamento  porque  isso  daria  a  entender  que  haveria sempre,  em  algum lugar, uns  poucos tramando algo contra  a  grande maioria. A isso  ele  dá  o  nome de postura conspiratória.


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Ciclos das teorias  A  história  das  teorias  de comunicação,  de  acordo  com  Armand  e  Michèle  Mattelart, “é a história das separações e a das diversas tentativas de articular ou 

não os  termos  do  que  freqüentemente  surgiu  sob  forma  de  dicotomias  e  oposições binárias, mas do que de análises” (1997:10). Isto leva a crer que cada  uma das escolas existentes estava a serviço da vida social na sua época, porém  de acordo com sua visão de mundo. Foi significativa para seu momento histórico.  Algumas  serviram  de  fundamento  para  novos  estudos  que  iam  sendo  desenvolvidos. 

a) Teorias funcionalistas  A  história  humana  é,  também,  a  história  da  comunicação.  Desde  a  organização  social,  com  a  descoberta  das  trocas  e  dos  fluxos,  da  divisão  do  trabalho  e  da  aglutinação  das  multidões,  as  pessoas  humanas  vão  se  comunicando  e  interagindo.  Já  nos  anos  finais  de  1800,  Jean­Martin  Charcot  elabora  o conceito de ‘psicologia das massas’,  para  designar  que “o contágio, a 

sugestão e a alucinação transformam os indivíduos em autômatos e sonâmbulos”  (MATTELART,  1997:23).  Algum  tempo  depois,  surgiu  Gabriel  Tarde  para  dizer  que a ‘era das massas’ já havia passado e começava­se a ‘era dos públicos’, ou  seja, a psicologia social passava a ser determinante. 

Com o  desenvolvimento  do  empirismo  no  mundo,  as  organizações  e  os  estudiosos  vão  elaborando  melhor  suas  contribuições  para  entender  os  processos.  A  Escola  de  Chicago,  por  exemplo,  contribuiu  com  os  conceitos  de 

‘ecologia humana,  diversidade  e  homogeneidade’.  A  organização  Mass  Communication  Research  apresentou  novos  conceitos,  bem  como  o  estudo  da  10 

etnografia da  interação  simbólica  dos  atores  .  Na  década  de  30,  o  relatório 

10

Os autores  Jonh  Dewey  e  George  Herbert  Mead,  mentores  da  etnografia,  criticaram  as  concepções  unilaterais  do  processo  de  urbanização  que  eliminaram  a  possibilidade  dos  grupos  primários de análise.  Eles afirmavam que os indivíduos eram capazes de uma experiência singular em  sua história de vida. Porém continuavam submetidos ao nivelamento e homogeneização.


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Payne Fund  aponta  para  a  inadequação  da teoria  behaviorista do  efeito direto  das  mensagens  nos  receptores,  indiciando  a  possibilidade  das  diferenças  pessoais.  Nessa  mesma  ocasião  Lazarsfeld  e  Merton  aperfeiçoam  o  analisador  de  programa  para  registrar  as  reações  dos  ouvintes  em  ‘termos  de  aprovação, 

aversão ou indiferença’. (MATTELART, 1997:41).  Com a Teoria da Informação surge novos conceitos como a entropia – ou seja, a  medida  do  grau  de desorganização  da  soma  de  informações  –  e  o  estudo  mais  aprofundado  sobre  a  cibernética.  A  Escola  de  Palo  Alto 12 ,  contribuiu  para  uma  teoria  sobre  os  processos  de  comunicação  que  leva  em  conta  as  interações,  afirmando  que  “o  receptor  tem  um  papel  tão  importante  quanto  o  emissor”  em  maneira circular de trabalhar. 

b) Teoria crítica e estruturalista  Na  Teoria  Crítica foi  desenvolvido o  conceito  de ‘manipulação da opinião, 

da padronização, da massificação e da atomização do público’. Daí já se constata  que  a  proposta  desta  teoria  é  defender  a  pessoa  dos  processos  de  dominação  que  a  sociedade  da  informação  e  do  emaranhado  do  poder  impõe,  como  alternativa de sobrevivência dentro dessa escola. Para Jünger Habermas  “o  cidadão  tende  a  se  tornar  um  consumidor  de  comportamento  emocional e aclamatório, e a comunicação pública dissolve­se em  ‘atitudes’,  como  sempre  estereotipados,  de  recepção  isolada.”.  (MATTELART, 1997:83). 

O Estruturalismo  parte  do  estudo  lingüístico  com  outras  disciplinas.  Introduz  o  estudo  da semiologia  como  o  estudo  dos signos,  que  na verdade é  o  estudo  de  tudo  que  existe.  Uma  de  suas  tendências  é  a  releitura  do  Marxismo,  com  Louis  Althusser,  que  vê  o  indivíduo  não  mais  como  um  sujeito  da  história  mas como um 

11 Foi elaborado por sociólogos e educadores a respeito dos efeitos do cinema nas culturas  estrangeiras.  12  Escola localizada em São Francisco, EUA, na década de 40.


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“(...)senhor de  suas  alianças  em  matéria  de  parentesco.  Ele  é  o  lugar de passagem, o ‘suporte’  de estruturas; seu comportamento  e suas atitudes faz com que participe do processo de reprodução  das  relações  sociais  em  uma  formação  social,  ou  seja,  em  uma  sociedade historicamente determinada.” (MATTELART, 1997:95). 

Os Cultural Studies, nessa época começam a se aproximar dos estudos da  recepção e  das  culturas,  fazendo  sua  segmentação.  Em  1937,  Antonio  Gramsci  introduz o conceito de hegemonia, deslocando o sentido de ‘classes sociais’ para  a  questão  do  poder,  trazendo  presente  a  necessidade  de  se  levar  em  conta  as  negociações, compromissos e  mediações.  A  partir da  noção de  ideologia,  Stuart  Hall define três tipos de codificação na audiência, a saber: dominante, oposicional  e negociada. Este tipo de negociação  “é  uma  mescla  de  elementos  de  oposição,  adaptação  e  valores  dominantes.  Mas  busca  numa  situação  vivida,  em  interesses  categoriais,  argumentos  de  refutação  de  definições  geralmente  aceitas. (MATTELART, 1997:110). 

c) Recepção: foco desta pesquisa  Com  o  desenvolvimento  dos  estudos  sobre  o  imperialismo  econômico  e  cultural  –  uma  produção  dos  EUA  para  o  mundo  –  na  América  Latina,  os  estudiosos  abandonam as  posturas teóricas funcionalistas para formular  a teoria  da dependência. Um grande período de críticas e buscas levou pesquisadores a  encontrar  alternativas  para  que  o  cidadão  fosse  protagonista  de  sua  história  social.  Nesse  período  floresceu,  também,  a  luta  pela  democratização  da  comunicação.  Assim a década de 70 foi explodindo também na América Latina e autores  locais foram se destacando nas pesquisas sociais e comunicacionais, como Paulo  13 

Freire ,  Néstor  Canclini  e  Jésus  Martín­Barbero.  Atenção  às  interações  e  fragmentações,  com  conceitos  como  crioulização,  mestiçagem,  hibridização  e 

13

A Pedagogia  do  Oprimido  (livro)  apresenta  a  troca  entre  o  educador  e  o  educando.  O  aprendizado se dá num processo de interação.


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modernidade alternativa,  fazem  a  Ásia  e  a  América  destacarem  no  mundo  empírico.  Falando dos limites sociais, Barbero alega que é preciso estudar não o que  os meios fazem com as pessoas, mas o que elas fazem consigo mesmas.  "O  artifício  consiste  em  nos  darmos  conta  de  que  a  verdadeira  proposta  do  processo de comunicação  e  do  meio  não está  nas  mensagens,  mas  nos  modos  de  interação  que  o  próprio  meio  transmite  ao  receptor  ­  na  negociação  dos  sentidos como dizem os italianos. Aqui também há dois extremos: estudar se as  intenções do emissor são manipulatórias ou ideológicas e pensar que o receptor  faz  o  que  quer  com  a  mensagem.  Discutir  o  modo  de  interagir  não  só  com  as  mensagens  mas  com  a  sociedade,  com  outros  atores  sociais  e  não  só  com  os  aparatos." (SOUZA,1995:57). 

Mediações esclarecendo a recepção  Para  entender  as  maneiras  como  se  dão  os  processos  de  recepção  nas  pessoas,  precisa  servir­se  de  mediações  que  possam  auxilia­la  a  compreensão  dos  dados.  “El  campo  de  lo que denominamos mediaciones se  halla  constituído 

por los dispositivos a través de los cuales la hegemonía transforma desde dentro  el sentido del trabajo y la vida de la comunidad.” (BARBERO, 1993:207).  Para  Barbero,  as  mediações  são  passos  importantíssimos  para  a  investigação  da  recepção.  A  primeira  mediação  proposta  pelo  estudioso  é  a 

heterogeneidade de  temporalidades,  ou  seja,  é  preciso  se  conscientizar  de  que  não  há  mais  só  uma  história  ou  visão  de  mundo.  O  que  há  são  posturas  e  contribuições  diferentes  que  interagem,  dando  nova  forma  ao  contexto  social.  Esse  é  um  pensamento  geral,  segundo  o  autor,  tanto  de  pensadores  da  direita  política como da esquerda. (SOUZA, 1995:43).  Outra  mediação  são  as  novas  fragmentações  sociais  e  culturais,  que  distinguem  os  diferentes  públicos  com  seus  interesses  e  possibilidades.  Souza


31 14 

cita Miguel  de  Moragas  Spá 

que os  “intelectuais,  executivos  e  yuppies”  se 

inscrevem nas  programações  televisivas  que  lhes  interessa  para  os  seus  negócios, trabalhos ou investigações. Essa divisão é nova apenas na maneira de  se produzir informação, pois vem aprofundar a velha divisão social e estrutural de  longa data. No entanto, há outras  divisões  nessa  mediação, como  é  o  caso  das  gerações ou do gênero. (SOUZA, 1995:45).  A  reorganização  dos  espaços públicos  e privados  parte  da  concepção  de  que além da privatização da economia, desprivatiza­se também a vida íntima. Daí  provém a necessidade de reorganizar esses espaços. Até os espaços sociais das  cidades se modificaram em decorrência do tráfego. As fronteiras não são mais os  15 

limites físicos, mas os lugares de osmose e intercâmbio como detectou Canclini  .  Os  públicos  estão  fragmentados:  homens  e  mulheres;  mulheres  de  diferentes  profissões;  mulheres  do  campo  e  da  cidade;  de  cidade  grande  e  de  cidade  pequena,  etc.  Examinando  essa  mediação,  Barbero  elogia  os  publicitários  como  aqueles  investigadores  sensíveis  às  mudanças,  pois  percebem  que  os  valores  estão  sendo  refragmentados  e  rearticulados  porque  a  expressão  social  está  mudando profundamente. (SOUZA, 1995:48).  As demandas sociais de comunicação e cultura é outra mediação que, se  analisada  em  seus  modos  de  desfrutar  e  de  relacionar­se  com  a  cultura,  seria  capaz  de  democratizar  a  comunicação.  Ao  falar  dessa  intervenção,  Barbero  aponta  o  gosto  popular  como  algo  que  precisa  ser  reconhecido  como  essencial  para  se  investigar  os  processos  de  recepção  que  acontecem  nas  classes  populares. (SOUZA, 1995:49). 

Uma chave  importantíssima  no  estudo  da  recepção,  passando  pelas  mediações,  é  o  resgate  da  complexidade  da  vida  cotidiana,  como  espaço  de 

14 Miguel  de  Moragas Spa  é  um investigador  da  Universidade  Autônoma  de  Barcelona  que  chama a  atenção para como as novas tecnologias de comunicação  estão reforçando a  divisão entre a  informação  e  a  cultura  dirigidas  para  aqueles  que  tomam  decisões  na  sociedade  e  outro  tipo  de  informação de cultura voltada para o entretenimento das grandes massas.  15  Nestor  Canclini  é  um  estudioso  da  comunicação.  Investigou  os  limites  geográficos  da  fronteira do México com os Estados Unidos.


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produção de significado a partir  da  apropriação da  mensagem.  Para  investigar  o  processo de recepção do Educação em Alerta na vida cotidiana dos profissionais  da  educação,  foi  preciso  verificar  como  está  organizado  seu  contexto  cotidiano.  Segundo Barbero, é no cotidiano social que se produz a sociedade. "O cotidiano 

não é  mais  o  lugar  da  reprodução  da  força  do  trabalho(...)".  Ele  cita  a  obra  de  Norbert Lerner para afirmar que a vida cotidiana é um espaço onde se produz e  não mais se reproduz a sociedade, pois acredita­se que a sociedade é produzida  pela e para as pessoas. (SOUZA, 1995:58). 

Partindo dessa  mediação,  a  presente  pesquisa  quer  saber  como  é  que  o  profissional  da  educação  constrói  seu  cotidiano  informacional  a  respeito  dos  assuntos ligados à sua área. Se ele constrói seu conhecimento a partir do que se  é  divulgado  no  jornal  Educação  em  Alerta  ou  é  através  de  outros  meios.  É  preciso saber se o Educação em Alerta é um  meio relevante para eles ou não.  Porque é em seu cotidiano que as pessoas vão construindo suas relações a partir  daquilo que são e partilham com os outros. 

Assim, é  possível  chegar  a  um  outro  conceito  de  sociedade:  a  sociabilidade.  Essa  teoria  ilustra  a  realidade  fragmentária  não  mais  dirigida  por  uma  só visão de  mundo.  Partindo  disso,  Cosette  Castro  apresenta o sujeito  dos  tempos  modernos  como  um  sujeito  fragmentado,  inserido  num  contexto  de  diversas  visões  de  mundo,  principalmente  aquela  que  privilegia  o  mundo  do  trabalho. Só vale quem trabalha, quem produz.  "Os  materiais  sindicais  fazem  o  mesmo.  Seu  discurso  é  sobre  o  trabalho, as denúncias, a categoria, e tudo que disser respeito  às  possibilidades  de  sobrevivência  no  emprego  ou  de  aumentar  a  produção. A discussão não abre espaço para a relação do sujeito  trabalhador  com  seu  trabalho.  Muito  menos  da  possibilidade  dele  não  estar  mais  empregado.  Seu  público  alvo  se  restringe  aos  associados, aos trabalhadores sindicalizados. 

No caso  brasileiro,  está  leiloando  as  empresas  nacionais,  além  de  ameaçar  os  servidores  públicos  com  o  fim  da  estabilidade  e  o  congelamento  salarial  que  vigora  desde  1994.  Os  sindicatos,  conta  Boaventura  Santos,  sofrem  o  mesmo  desarme,  já  que  foram  criados  para  organizar  os  trabalhadores  e  não  para


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organizar os desempregados." (CASTRO, 1997a). 

O estudo  da  cotidianidade  resgata  o  cidadão  comum  como  um  filosófo 16 .  Um  ser  é capaz  de pensar, questionar  e  duvidar  porque é  um  ser pensante  que  sabe  fazer  perguntas  sobre  assuntos  de  seu  cotidiano.  Mas  afinal,  onde  fica  a  vida cotidiana? Segundo Barbero "(...) não fica em casa, não fica no bairro, mas, 

tecido de  reconhecimentos  sociais,  tem  como  seu  espaço  produtivo,  como  seu  espaço criativo, o espaço do bairro." (SOUZA, 1995:61) 

Se a recepção resgata o sujeito como um filósofo em seu cotidiano, como é  que  se  dá  a  interação  com  as  mensagens  veiculadas  por  um  determinado  emissor?  Como  já  foi  dito,  o  receptor  não  é  saco  vazio  passivo,  nem  vítima  manipulada por alguém. Ele é sim, um ser responsável por escolhas e decisões.  No  entanto,  ele  não  faz  o  que  quer  porque  há  limites  sociais  que  o  restringem  desse  poder,  como  é  o  caso  do  desconhecimento  dos  saberes  dos  produtores,  que cada vez mais se especializam em vista de seus objetivos. É preciso, então,  conhecê­los para saber como interagir eficazmente. 

Segundo Mauro  Wilton  de  Souza,  o  receptor  pode  ser  confundido  com  o  consumidor social ou com  o desbravador de si mesmo, pois  "(...)  é  um  consumidor  que  não  se  resume  a  depositário  sedento  do  irrefletido  de  desejos,  nem  a  uma  busca  desesperada  de  si;  é  um receptor que entre o presente e o futuro luta para não ter o real  como  pesadelo,  um  sonho  mais  difícil  de  ser  enfrentado  que  o  próprio  sonho;  é  como  se  o  real  não  coubesse  mais  à  pessoa,  nem mesmo a esperança." (SOUZA, 1995:23). 

.

16

Gramsci é  o  autor  dessa  expressão  que  apresenta  o  cidadão  como  um  filósofo  e  intelectual pensante. É citado por Barbero.


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Em busca da negociação  Para  que  haja  interação  é  preciso  haver  negociação  de significados 17 ,  ou  seja, os receptores vão tirar daquilo que ouvem, lêem ou assistem algo para sua  vida  aquilo  que  lhes  interessam.  No  entanto,  para  que  ocorra  essa  interação,  supõe­se que haja uma certa sintonia entre o emissor e o receptor, caso contrário  não  haverá  negociação  nenhuma  entre  eles.  Elaine  Souza  Rezende 18 ,  em  sua  pesquisa,  fala  que  "Muitas  vezes,  os  próprios  trabalhadores  não  vêem  o 

movimento sindical de modo positivo. Parece haver na intersubjetividade coletiva  um  equívoco,  a  partir  do  qual  o  sindicalismo  é  vinculado  à  anarquia."  Talvez  porque o sindicalismo brasileiro teve origem no movimento anarquista. (PASSOS  & ANDREOLA, 1999:101). 

Cosette afirma  que  isso  não  é  motivo  para  pensar  que  o  sindicalismo  brasileiro  passa  por  uma  agonia  sem  saída.  É  apenas  uma  crise  que se  coloca  como  etapa  do  processo,  devido  às  transformações  no  mundo  do  trabalho,  que  tem afetado o sindicalismo brasileiro. As direções sindicais estão perplexas, pois  ainda não estão conseguindo caminhar junto com essas mudanças pelas quais os  trabalhadores  passam.  Se  a  política  continuar  voltada  para  a  'redução  dos 

encargos sociais,  da  massa  salarial  e  da  carga  tributária',  tanto  as  empresas  privadas  como  as  públicas  seguirão  o  trajeto  de  concentrar­se  apenas  em  uma  atividade essencial. Isso resultaria na escolha da prestação de serviço autônomo  e  da  terceirização  de  tudo  aquilo  que  for considerado  como  secundário  para  os  dias atuais.  Os  sindicatos  estão  com  uma  estrutura  ultrapassada,  seguida  pela  busca  de  atrelamento  ao  Estado,  o  que  vem  fazendo  com  que  atuem  de  forma  defensiva.  "Até o momento não conseguiram esboçar uma reação à crise em  que  se  encontram,  seja  pelo  agravamento  da  recessão,  pelas  constantes  perdas  salariais  ou  pelo  crescente  número  de 

17 Expressão utilizada pelos italianos (Umberto Eco) para falar dessa mesma interação. É o 

mesmo que produção de sentido.  18  É mestranda pela UFMT. Em um artigo, falando do tema de sua dissertação, afirma que a 

mídia dá pouco espaço às organizações sindicias.


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desemprego, que  está  reduzindo  drasticamente  o  número  de  sindicalizados."  (CASTRO, 1997a). 

Para ela,  o  essencial  agora  é  redescobrir  o  papel  dos  sindicatos  na  atualidade para que a comunicação sindical possa cumprir o  que ela se  propõe:  ser  portadora  de  um  discurso  dialógico  onde  os  trabalhadores  possam  ser  reconhecidos em sua cotidianidade. Caso contrário, não serão representantes de  uma categoria de receptores ativos. 

Se o  sindicalismo  passa  por  essa  crise,  necessariamente  a  Comunicação  Sindical  também  passará  pelo  processo,  justamente  porque  ela  repetirá  as  situações de dominação semelhantes às das direções sindicais.  "Isso  ocorre  principalmente  por  causa  das  relações  viciadas  que  aparecem  no  sindicalismo  praticado  pela  Central  Única  dos  Trabalhadores.  As  posturas  cupulistas  (onde  só  a  diretorias  resolvem tudo; a cúpula é a "dona do saber e dos desejos de seus  associados"),  autoritárias,  despolitizadas  e  pouco  solidárias,  mostram que as direções sindicais têm visto nas suas categorias,  enquanto público, mero depositários das informações que desejam  veicular.  Ou  seja,  repetem  na  Comunicação  Sindical  as  mesmas  atitudes  verticalizadas  e  unidirecionais  encontradas  nas  relações  com  seus  patrões.    Os  sindicatos  situados  à  esquerda  política  continuam  a  ignorar  a  visão  de  mundo  do  seu  público(...)".  (CASTRO, 1997c). 

O discurso  sindical,  segundo  Cosette,  se  conseguir  atingir  seus  objetivos  será  capaz  de  provocar  eco  na  sociedade  e  reconstruir  significados  como  resposta  ao Outro ,  que compartilhará da  mesma visão de mundo  desejada pelo  sindicato.  "É o discurso por excelência do sujeito em todos os seus sentidos. Ele se enuncia  na luta política. Seu objetivo é vencer a luta através do jogo da desconstrução e  reconstrução  de  significados,  através  da  defesa  articulada  de  uma  visão  de  mundo.  O  discurso  sindical,  a  exemplo  do  político,  vive  de  sua  capacidade  de  interpelar,  já  que  seu  êxito  depende  da  capacidade  de  construir  sujeitos  com  a  mesma visão de mundo." (CASTRO, 1997b).


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3. METODOLOGIA: CONSTRUÇÃO EM PROCESSO  Todo saber científico se constrói em processo a partir de algo concreto que  se  possa  ser  investigado  para  gerar  um  novo  conhecimento.  Para  Maria  Immacolata  Vassalo  Lopes  o  modelo  metodológico  opera  como  um  modelo  de 

interpretação e se particulariza numa obra acabada que se tornará um modelo de  reconstrução  metodológica.  Isso  implicará  na  descrição  e  explicação  dos  fatos  bem como na análise crítica de todo o processo. (LOPES, 1994:98).  Diélcio Salomon diz que a pesquisa descritiva  “(...)  compreende  descrição,  registro,  análise  e  interpretação  da  natureza  atual  ou  processos  dos  fenômenos.  O  enfoque  se  faz  sobre  condições  dominantes  ou  sobre  como  uma  pessoa,  grupo  ou  coisa  se  conduz  ou  funciona  no  presente.  Usa  muito  a  comparação e o contraste.”  (SALOMON, 1996:114) 

Uma pesquisa  exploratória  e  analítica  se  restringe  a  “definir  objetivos  e 

buscar maiores informações sobre determinado assunto”, de acordo com Cervo e  Bervian. Ou seja, a partir do momento que se familiariza com o caso investigado,  obtém­se novas percepções e descobertas. A pesquisa, então, vai se construindo  pelas  descrições  das  descobertas  em  suas  correlações  existentes.  (CERVO  &  BERVIAN, 1983:56). 

Esta pesquisa,  partindo  do  estudo  exploratório  e  descritivo,  investiga  o  processo  de  recepção  do  Educação  em  Alerta  de  duas  escolas  estaduais  do  bairro Coxipó, localizadas à Avenida Fernando Corrêa da Costa. As escolas foram  selecionadas  por conveniência  de proximidade e  diferenciação. As  duas escolas  atendem  uma  clientela  (alunos  e  profissionais)  de  bairros  distantes  de  Cuiabá  e  Várzea Grande. A diferenciação foi caracterizada pelo atendimento aos graus de  ensino. A escola 'Souza Bandeira'(Escola 1) só tem o 1º grau e é dirigida por uma  instituição  religiosa:  Instituto  das  Filhas  de  Maria  Auxiliadora.  Já  que  a  escola 

'Raimundo Pinheiro'(Escola 2) é uma escola pólo da região do Coxipó e atende o


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2º grau e três séries do 1º grau: sexta à oitava. Ela dá continuidade, em parte, à  educação iniciada na Souza Bandeira.  Na  Escola  1  foram  entrevistados  oito  professores  e  sete  funcionários  (técnicos  administrativos  e  pessoal  de  apoio  educacional)  do  Ensino  Fundamental.  Já  da  Escola  2  investigou­se  apenas  seis  professores  e  cinco  funcionários  que  trabalham  com  o  Ensino  Médio.  Aos  entrevistados  foram  feitas  indagações  a respeito de  como  se  informam  dos  assuntos  relativos  à  sua  área,  não  apresentando  nenhuma  proposta.  Com  esse  tipo  de  pergunta,  desejava­se  saber se o jornal Educação em Alerta é valorizado pela categoria educacional. A  investigação  questionou  os  entrevistados  a  respeito  dos  assuntos  ligados  à  educação e noticiados no jornal do Sintep­MT. Para detectar como é o cotidiano  dos profissionais, a pesquisa quis saber o grau de instrução, a idade, a renda e o  horário de trabalho em que exercem sua profissão. Objetivando saber o grau de  aceitação  do  Educação  em  Alerta.  A  segunda  parte  da  entrevista  fez  um  levantamento  sobre  as  percepções,  gosto  e  identificação  dos  receptores  em  relação ao jornal. 

Para enriquecer  o  construir  científico  desta  pesquisa  foi  preciso  fazer  um  levantamento  de  bibliografias  existentes  a  respeito  do  assunto,  como,  por  exemplo, a de Kleber Lima, que analisou o conteúdo do  Educação em Alerta  e  sugeriu que se complementasse sua investigação com uma análise mais centrada  no receptor. Outro trabalho que muito contribuiu nesta pesquisa foi a dissertação  de mestrado de Cosette Castro, uma professora da Unisinos­RS que investigou a  comunicação sindical    no jornal  dos  bancários  de Porto  Alegre.  Paralelamente  a  esse aprofundamento, a pesquisadora participou de dois cursos de comunicação  sindical  (básico  em  outubro/99  e  avançado  em  abril/2000),  promovido  pela  Adufmat e leu outras bibliografias que diziam respeito ao assunto. 

Foi realizada  entrevista  com  a  direção  do  Sintep­MT  e  coletados  dados  sobre  a  visão  que  o  sindicato  tem  do  receptor.  Também  foram  observadas  posturas dos sindicalistas diante de questionamentos sobre a linguagem praticada


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pelos sindicatos  e  movimentos  populares,  em  debates  e  cursos  durante  o  desenrolar da investigação.  Simultaneamente  à  etapa  anterior,  foi  trabalhado  o  ‘Corpus’  de  seis  números  do  Educação  em  Alerta,  correspondente  aos  meses  de  outubro  e  novembro  de  1999;  e  janeiro  a  abril  de  2000.  Analisou­se  a  linguagem  utilizada  pelo  sindicato  para  interpelar  os  leitores  bem  como  algumas  expressões  que  desrespeitam  as  posturas  diferentes  dos  receptores  diante  de  um  determinado  assunto. 

A análise  deste trabalho foi  de  forma  qualitativa,  ou seja, interpretando  os  fatos,  ora  comparando­os  ora  contrastando­os.  Essa  reflexão  levou  a  pesquisa  à  constatação de que o receptor precisa ser valorizado como um filósofo cotidiano,  capaz  de  contribuições  significativas  no  feed­back  com  o  sindicato,  mesmo  se  pensar  diferente  da  cúpula  sindical.  Este  também  é  um  desafio  para  a  comunicação sindical.


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4. EDUCAÇÃO EM ALERTA, O LADO DO EMISSOR  Os professores do Estado de Mato Grosso estão organizados desde o ano  de  1965,  quando  foi  criada  a  Associação  Municipal  de  Professores  Primários  (AMPP).  Onze  anos  depois,  tornou­se  Associação  Municipal  de  Professores  (AMP).  Em  1986,  ganhou  outra  sigla  e  passou  a  ser  Associação  Municipal  de  Professores  da  Educação  (AMPE).  Até  que,  finalmente,  se  estruturou  como  Sindicato  dos  Trabalhadores  do  Ensino  Público  do  Estado  de  Mato  Grosso  (Sintep­MT), em 1988. 

O Sintep­MT  está  organizado  em  quinze  regionais,  que  por  sua  vez  são  formados  pela  agregação  das  sub­sedes  municipais.  A  diretoria  central  tem  sua  sede em Cuiabá e é composta pelos representantes dos vários regionais. Trinta e  cinco pessoas fazem parte da diretoria, formando as quinze secretarias do órgão. 

A rede  estadual  é  composta  por  609  escolas,  que  agregam  30  mil  trabalhadores  da  Educação. Desses  profissionais apenas 14  mil  são  associados  ao Sintep­MT. Os associados sofre desconto de 1 e 1/5% no salário mensal. Em  1990, havia 20 mil sindicalizados, que foram desfiliados por oito meses, porque o  Governo  Estadual  deixou  de  efetuar  o  desconto.  Só  a  partir  de  1992  é  que  o  Sindicato  voltou  a  trabalhar  com  afinco  no  sentido  de  conseguir  de  volta  seus  filiados. A diretoria sindical atual almeja voltar aos vinte mil. 

A comunicação do Sintep­MT  Desde  a  origem,  o  Sintep­MT  sempre  se  comunicou  com  a  categoria  através de ofícios para fazer os encaminhamentos chegarem à base. Na metade  da  década  de  80  é  que  começou  a  se  preocupar  com  sua  maneira  de  se  comunicar. Com a vitória da chapa Novos Rumos, em 1985, o sindicato passou a  editar  um  boletim  trimestral  de  mesmo  nome.  O  principal  objetivo  desse  veiculo  era "dar uma ação sindical mais incisiva de embrião cutista à categoria". (Diretoria  do Sintep­MT, 2000).


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Dez anos  após  essa  data,  nasceu o  Educação  em  Alerta  com  o  objetivo  de  dar  maior  agilidade  a  comunicação  e  às  deliberações.  Com  sua  criação  em  1995, o sindicato desejava pautar melhor a classe trabalhadora, formando­a para  uma  ação  transformadora.  Isto  porque concluíram  que  o  boletim 'Novos  Rumos'  não  era  suficiente  para  uma  boa  comunicação  entre  diretoria  e  base.  Nessa  ocasião,  ainda  continuavam  enviando  ofícios  como  o  veículo  mais  rápido  de  comunicação.  São  editados  10  mil  exemplares  do  Educação  em  Alerta,  o  que  leva a deduzir que essa quantia não atende nem aos associados, quanto mais a  todos os profissionais.  Em  sua  trajetória comunicacional,  o  sindicato  já  passou  pelo  rádio  com  o 

Sintep no  Ar.    O  programa  diário  foi  abandonado  porque  não  trouxe  ganho­  beneficio,  segundo  um  membro  da  diretoria,  para  o  sindicato,  ou  seja,  os  professores  e  funcionários  não  ouviam­no  porque  estavam  trabalhando.  Outro  motivo  que  fez  com  que  o sindicato  deixasse  o programa  foi  a  possibilidade  dos  comerciais na televisão. Um programa de rádio atinge uma cidade, enquanto um  comercial na Tv Centro América – filiada à Rede Globo de Televisão – atinge todo  o  Mato  Grosso,  segundo  a  diretoria.  No  entanto,  sabe­se  que  nem  todos  os  municípios conseguem sintonizar a filial da 'Rede Globo', pois assistem televisão  via­antena parabólica.  O  Sintep­MT  pensa  em  incorporar  em  sua  comunicação  as  novas  tecnologias. Em maio estreiou a sua homepage. Estão pensando na produção de  um clip eletrônico para ser encaminhado às escolas e, assim, toda a comunidade  escolar  poder  assistir  as  notícias  do  sindicato.  Outro  recurso  que  está  sendo  gestado  é  a  possibilidade  de  um  clip  em  linguagem  computadorizada  para  ser  enviado  às  unidades escolares.  Isto  porque o órgão acredita  que  a  imagem  tem  um  poder  muito  grande  de  formar  opinião.  “Não  podemos  ignorar  os  avanços 

tecnológicos, as  mudanças  na conjuntura  política  e econômica.  É  preciso  que  o  nosso sindicato se fortaleça para o século XXI.” (Educação em Alerta, 2000:nº58). 

Cosette Castro  aponta  como  vantagem  a  utilização  de  novas  tecnologias  nos sindicatos, mas declara que quase sempre


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“(...) essa  "modernização"  não  tem  contribuído  para  ampliar  a  participação  dos  trabalhadores,  que  estão  se  afastando  e  se  desfiliando  dos  sindicatos.  Isso  ocorre  por  vários  motivos,  mas  basicamente  porque  questões  de  fundo  não  se  resolvem  com  modernização tecnológica. (1997a). 

Como o  Sintep­MT  se  comunica com  a  sociedade? A diretoria afirma  que  se comunica constantemente com a comunidade escolar através das reuniões de  pais nas escolas. Quando dão entrevistas à mídia procura evitar o sindicalês 19 , ou  seja,  linguagem  falada  dentro das corporações sindicais.  A  diretoria  afirmou,  em  entrevista, que faz reuniões com pais nas escolas. No entanto, essa prática não é  comum  nas  escolas  1  e  2.  É  curioso  porque,  enquanto  as  escolas  analisadas  estavam  em  greve,  alguns  pais  de  alunos  da  Escola  1  escreveram  uma  carta  dirigida aos professores e ao Sintep. Os pais entendiam os motivos de luta, mas  estavam revoltados porque seus filhos estavam ociosos em casa sem estudar. 

“Queremos dizer que nosso entendimento tem limite, o qual já está chegando ao  fim. Pois na sociedade existem vários segmentos profissionais que estão sofrendo  financeiramente  também,  e  todo  mundo  não  pára  dias  e  dias  para  protestar.  O  compromisso  com  a  população  está  acima  das  necessidades  pessoais  e  políticas.” (anexo C, Carta 1, p.103). 

Os emisores vêem os receptores assim...  A diretoria do Sintep­MT é quem edita o Educação em Alerta. Discute as  pautas  nas  reuniões,  divide os  trabalhos  de  redação  entre  os membros  e  revisa  os  rascunhos  escritos  para  liberá­los  para  publicação.  O  jornal  já  teve  um  jornalista  responsável,  mas  não  deu  certo.  A  atual  diretoria  alega  que  ele  “não 

estava politicamente  adequado  com  a  lógica  do  movimento”.  Destina­se  aos 

19 Sindicalês  é  expressão  utilizada  por  Vitor  Gianotti  e  Claudia  Santiago  no  Curso  de  Comunicação  Sindical,  promovido  pela  Adufmat  –  Associação  dos  Docentes  da  UFMT,  em  outubro/1999 e abril/2000, na própria universidade.


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trabalhadores da  rede  estadual  de  educação:  professores  de  1º  e  2º  grau,  técnicos administrativos e servidores de apoio escolar. (Diretoria, 2000).  Os  emissores  acreditam  que  os  leitores  participam  do  jornal  porque  algumas vezes, em  Assembléia,  redigiram  as perguntas feitas  pelos presentes e  responderam  no  jornal  como  dúvidas  da  categoria.  Alegam  que  os  receptores  participam  também,  pois  enviam  poesias,  paródias  e  notícias  vindas  das  sub­  sedes. Ao que parece, essas contribuições são redigidas e enviadas por membros  20 

da diretoria,  imbuídos  do  espírito  cutista  .  Esperam  que  a  participação  dos  receptores aumente com a implantação da homepage.  A diretoria acredita que os objetivos do Educação em Alerta são atingidos  em parte, pois a categoria toma conhecimento dos assuntos da área. Entretanto,  o hábito de leitura não está consolidado na sociedade brasileira, alega a diretoria.  Pretende­se    distribui­lo  através  de  mala  direta  para  os  associados,  mesmo  sabendo  que  uma  ação  sindical  não  pode  ficar  só  entre  os  associados.  As  demandas  estão  se  ampliando  para  as  redes  municipais  que  têm  sua  própria  pauta e precisa ser aprimorada.  Apesar  do  Sintep­MT  achar  demorado  o  vai  e  vem  de  comunicação,  orgulha­se  por  levar  suas  notícias  aos  recintos  mais  distantes  da  capital,  onde  nenhum  outro  meio  de  comunicação consegue  chegar. Tem consciência de  que  alguns  professores  não  acatam  a  política  sindical,  mas  desconhecem  casos  de  desfiliação  de  seus  sócios.  Dizem  que  não  recebem  críticas  por  escrito,  no  entanto, sabem que elas acontecem pelos corredores e pátios. Alegam não poder  melhorar sua postura por não recebê­las. Buscam com seriedade melhorias para  o coletivo, por isso são confundidos com o Partido dos Trabalhadores (PT). ”Não 

somos partidários,  apesar  de  ter  vários  militantes  filiados  a  partidos  políticos.  Lutamos  por  uma  política  pública  para  toda  a  sociedade.  Muitas  das  nossas  ações se parecem com a do PT". (Diretoria, 2000). 

20 Expressão  utilizada  para  identificar  a  tendência  política  dos  sindicatos  filiados  à  CUT  (Central Única dos Trabalhadores).


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O jornal  cita  pouquíssimas  vezes  os  funcionários  administrativos.  Quando  mencionados, estão atrás dos termos ‘trabalhadores e profissionais da educação’.  Nos seis números analisados apenas uma notícia se referia ao curso Arara Azul  promovido pela Seduc (Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso). Foi  noticiado com uma certa crítica, com o título “A tentativa de vôo do projeto Arara 

Azul”. Não  foi  encontrada  nenhuma  expressão  ou  comunicado  dirigido  aos  funcionários de apoio geral na escola. 

O “ corpus ”  do Educação em Alerta  O Educação em Alerta é mensal. Em seu projeto gráfico, percebe­se que  foi determinado para ter oito páginas com duas colunas. Tem formato oficio duplo  (31,5  x  22  cm),  com  um  centímetro  de  margem.  Nos  números  analisados,  dois  possuíam  oito  páginas,  três  quatro  páginas  e  um  seis.  É  confeccionado  com  apenas  uma  cor.  De  acordo  com  os  emissores,  o  tamanho  do  jornal  varia  de  acordo  com  o  número  de  notícias,  apesar  da  proposta  de  ter  um  jornal  de  oito  páginas.  A principal característica do Educação em Alerta é ser um jornal político­  sindical  que  informa  a  categoria  sobre  os  assuntos  referentes  à  sua  área.  Não  traz  nenhuma  matéria  assinada.  É  opinativo  por  excelência.  Os  verbos  são  usados  sempre  na  primeira  pessoa  do  plural  em  quase  todos  os  textos,  salvo  algumas  exceções  em  que  falam  de  maneira  impessoal.  É  confeccionado  pela  Secretaria de Comunicação do Sindicato e impresso numa gráfica comercial. 

O jornal  teve  seu  visual  mudado  em  janeiro  de  2000.  Acredita­se  que  a  transformação  veio  após  um  membro  do  Sintep­MT  ter  participado  do  curso  de  comunicação sindical básico, promovido pela Adufmat – Associação dos docentes  da  UFMT  –  em  outubro  de  1999.  Nesse  curso,  Vito  Gianotti  declarou  que  um  jornal  sindical  precisa  ser  tão  bom  quanto  aos  jornais  da  grande  imprensa.  Isto  porque seu objetivo é disputar hegemonia – expressão utilizada pelo Vito. Apesar  da mudança,  o Educação  em Alerta  ainda não é um  jornal  que  tenha uma  boa  diagramação. Ou seja, sua apresentação ainda não está atrativa e não consegue


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cativar os  seus  leitores.  Em  entrevista,  uma  professora  da  escola  1,  ao  ser  questionada  sobre  o  que  achou  do  novo  visual  do  jornal,  disse:  “Mudou?  É 

verdade. Eu nem tinha percebido...” 

O jornal não tem um projeto gráfico definido. As manchetes e títulos são de  diferentes  tamanhos.  As  fotos,  quando  utilizadas,  não  chamam  a  atenção  dos  leitores. Não existe um padrão quanto ao tamanho das colunas e dos textos. Nos  jornais analisados, cada primeira página foi elaborada de um jeito: três colocaram  o editorial em destaque. 

Segundo a jornalista Cláudia Santiago, “um jornal sindical, que é opinativo 

por excelência, não precisa ter editorial. E, se tiver, é bom que se escreva sobre  um assunto apenas.” Ora, no Educação em Alerta foram encontrados diferentes  tamanhos  de  editorial.  O  maior  ocupava  toda  a  página  dois  e  era  uma  agenda  anual  com  diversos  pontos  de  perspectiva  para  o  ano.  (Curso  de  Comunicação  Sindical 1, 2000). 

Linguagem interperlativa do  Educação em Alerta  O  jornal  Educação  em  Alerta  utiliza  uma  linguagem  técnica  para  se  referir  aos  seus  leitores.  Os  emissores  têm  consciência  de  que  falam  para  os  professores, administrativos e pessoal de apoio geral. Usam frases muito longas,  às vezes contendo mais de 50 palavras, como se observa no trecho abaixo.  “A  marcha  construída  pela  intensa  mobilização  nos  estados  e  municípios  brasileiros,  cumpriu  a  tarefa  de  retratar  a  dura  realidade das escolas, revelando problemas e propondo soluções,  ao mesmo tempo, recolheu e traduziu os anseios dos alunos, pais,  professores  e  funcionários,  enfim,  dos  mais  diferentes  seguimentos  da  sociedade  brasileira  que  desejam  políticas  públicas sérias e includentes.” (Número 55). 

No curso  de  Comunicação  Sindical  avançado  foi  citado  que  um  jornal  sindical precisa ter no máximo 22 palavras em cada frase. Caso contrário, o leitor  sairá  perdendo.  Ou  seja,  um  leitor  que  só  tenha  o  primeiro  grau  não  consegue


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assimilar bem  uma  mensagem  se  não  foi  respeitada  a  regra  acima.  Mas  não  é  coisa  da comunicação sindical.  A  Folha de  São  Paulo  está  editando,  com  muita  freqüência,  textos  muito  curtos  porque  descobriu  que  essa  nova  maneira  dá  dinamicidade ao texto e semelhança à comunicação televisiva.  Como  os  emissores  do  Educação  em  Alerta  utilizam  sempre  o  pronome  ‘nós’, às vezes fica difícil de identificar a quem estão se referindo. Há momentos  que  o  nós  é  para  mencionar  o  trabalho  da  direção  sindical  e  em  outros  para  mostrar uma conquista da categoria. Neste exemplo, houve uma junção do ‘nós’.  21 

“É por isso, companheiros, que temos a convicção de fazer valer nosso suor  e  de construir o poder dos trabalhadores da educação.” No caso abaixo, percebe­se  que  há clareza em  está se referindo  a  toda a categoria sindical. “O processo de 

evolução e  conquistas  se  deve  à  luta,  coragem  e capacidade  de  organização  e  comprometimento  da  categoria,  independente  de  qualquer  outro  seguimento  ou  grupo político”. (Número 57).  ‘Companheiros e companheiras’ é um tratamento cotidiano nos organismos  sociais  ligados  à  CUT.  Está  muito  presente  na  comunicação  sindical.  Também  evoca  a  preocupação  dos  envolvidos  no  comprometimento  com  a  questão  de  gênero,  onde  mulheres  e  homens  lutam  por  igualdade  de  direitos  e  deveres.  Festejando  a  posse  dos  concursados  na  educação,  dirigiram­se  assim  a  seus  leitores:“Que  bom  que  agora  teremos  novos  profissionais  da  educação  que 

somarão aos  valorosos  companheiros  e  companheiras  em  defesa  da  escola  pública. Ânimo. Já estivemos mais longe.”( Número 57).  Convocam  os  leitores  à  luta  contínua.  Isso  pode­se  perceber  nos  exemplos  que seguem: 

Número 57 (janeiro):  “Permanecer  sempre  mobilizados  e  organizados  deve  ser  o  firme  propósito de cada um de nós, professores e funcionários da educação  pública de Mato Grosso.”


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Número 58 (fevereiro):  “Vamos  arregaçar  as  mangas  e  encaminhar  o  que  já  foi  deliberado.  Companheiros  e  companheiras,  foi  sempre  a  nossa  responsabilidade  e  resistência  que  garantiram  nossas  conquistas.  Se  muito  fizemos,  muito  ainda  haveremos  de  fazer.  Com  a  sua  participação!  Juntos  somos fortes!”  “ Essa não pode ser uma luta particular de poucos.”  “Não há tempo para esperar. Não podemos ter medo.”  “não podemos jamais esquecer da nossa luta nem perder nossa moral  e nosso senso de justiça.” 

Número 59 (março):  “Garantir  que  a  greve  tenha  a  participação  de  toda  a  comunidade  escolar  e  da  sociedade  é  nosso  desafio.  Não  podemos  ser  meros  expectadores.  Nossa  participação  é  fundamental  para  a  melhoria  da  qualidade da educação.”  “Vamos  intensificar  nossas  ações  e  envolver  toda  a  comunidade  escolar.” 

Número 60 (abril):  “Embora  a  greve  seja  um  instrumento  drástico,  somente  por  este  processo conseguimos alterar as condições de trabalho, de oferta e de  qualidade na educação do Estado.”  “Permanecer  em  greve  é  fundamental  para  que  o  governo  atenda  nossas reivindicações com mais rapidez.” 

21 ‘Pra fazer valer nosso suor’ é o lema da Direção sindical atual.


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5. NEGOCIAÇÃO DE SIGNIFICADO, O LADO DO  RECEPTOR  Mulheres e homens, profissionais da educação no Estado de Mato Grosso,  tentam  conciliar  sua  vida  cotidiana  com  a  missão  de  educar  crianças  e  jovens,  num  contexto  de  pós­modernidade.  Além  das  mudanças  do  mundo moderno,  de  maneira  acelerada,  a  educação  no  Estado  também  vai  incorporando  novas  propostas de qualidade, nem sempre vistas como positivas pelos profissionais. 

Nem todos  os  entrevistados das  duas  escolas se  mostraram  receptivos  à  pesquisa.  Alguns  evitavam  responder  às  questões,  justificando  com  os  motivos  mais  simples  e  banais  possíveis.  A  Escola  2  (Raimundo  Pinheiro)  atende  a  870  alunos,  sendo  que    650  são  do  ensino  médio.  São  32  professores,  7  técnicos  administrativos e 7 pessoal de apoio educacional. Desses profissionais, o ensino  médio conta com 29 professores, os técnicos administrativos e o pessoal de apoio  educacional se revesam nos turnos.  São  555  alunos  da  Escola  1(Souza  Bandeira)  em  dois  turnos,  com  23  professores,  4  técnicos  administrativos  e  8  funcionários  de  apoio  educacional.  Responderam  à  entrevista  oito  professores  e  sete  funcionários  (técnicos  administrativos  e  pessoal  de  apoio).  Todos  os  professores  entrevistados  têm  3º  grau  completo  e  apenas,  uma  professora  em  cada  escola,  tem    curso  de  especialização. Na ‘Escola 1’ a  média de idade é de 40  a 60 anos. Enquanto na 

‘Escola 2’  é  de  40  anos.  A  maioria  tem  renda  de  R$  700  a  R$1.000  reais.    Na  ‘Escola 1’  a maioria trabalha um turno enquanto na ‘Escola 2’, dois turnos. Já os  funcionários entrevistados estão na faixa etária média dos 30 anos, mas existem  vários com idade por volta de 60 anos. A  maioria ganha em torno de um salário  mínimo. Na ‘Escola 1’, a maioria trabalha dois turnos, e na ‘Escola 2’, apenas um.  Nas duas escolas, a maioria tem o 2º grau completo.


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Comunicação cotidiana  Ao  serem  entrevistados,  professores  e  funcionários  mostraram  que  não  dependem  do  Educação  em  Alerta  para  se  informar  a  respeito  dos  assuntos  ligados  à  sua  área  educacional.  A  mídia    convencional  e  os  cursos  aparecem  como  os  principais  veículos  de  comunicação  para  os  profissionais  da  educação  das  duas  escolas.  Ao  responder  a  questão  a  respeito  de  como  se  informam,  encontrou­se as seguintes respostas.  ­  Mídia (7) 

­ Palestras/Seminários/ 

cursos (9) 

­ Papo com colegas (6)  ­  Ofícios  Escola 1 

Seduc/Circulares(3) ­ 

­ Mídia: TV/JO/Rv/RA (6)  Escola 2  ­  Papo com colegas (4) 

Reuniões Sintep (2) 

­ Diário Oficial (2) 

­ Jornal Sintep (1) 

­ Jornal do Sintep (1) 

­ Diário Oficial (1) 

­ Livros  (1) 

­ Curso qualificar (1) 

­ Informes (1) 

­ Revista Escola (1) 

­ Folders (1)  ­  Ofícios Seduc (1) 

Os números ao lado de cada fonte de informação indicam a incidência nas  respostas  dos  entrevistados.  Isso  significa  que  o  jornal  Educação  em  Alerta  foi  citado  por  duas  pessoas.  Uma  em  cada  escola.  Por  ordem  de  prioridade,  sua  colocação  está  em  quinto  lugar.  Como  já  foi  citado  anteriormente,  a  direção  do  Sintep acredita que o hábito da leitura ainda não está consolidado na sociedade  brasileira.  No  entanto,  parece  que  a  questão  é  mais  complexa  e  profunda.  Por  isso será discorrida ao longo deste capítulo. 

Se os leitores se informam mais através da mídia convencional que através  do Educação em Alerta, isso faz com que também não comparem os fatos que  são noticiados em ambos. Ao serem indagados sobre isto, houve certo contraste  entre os entrevistados. Na escola 1 não costumam compará­los, enquanto que na 

escola 2  o  fazem  com  maior  freqüência.  Alegam  não  compará­las  por  falta  de  tempo. São unânimes em concordar que há interesses diferentes entre a mídia e  um jornal sindical.


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Opiniões divergentes entre os profissionais apresenta certa contradição se  confrontadas  com  as  críticas  que  eles  próprios  fazem  ao  sindicato.  Fica  a  impressão de que eles têm o direito de criticar o sindicato na hora que quiserem,  mas  quando  se  trata  de  comparar  o  jornal  do  Sintep­MT  com  os  Meios  de  Comunciação Social (MCS), a defesa é imediata. Isso percebe­se nos casos  “ Os MCS não possuem um público específico.”  “ Não tenho tempo de  comparar com a mídia; fiquei  sabendo que  dia 10 havia previsão de greve, após reunião com o governo(dia 6)  e assembléia (dia 7) e qual não foi minha surpresa quando no dia  6,  aparecem  representantes  do  Sintep­MT  dizendo  que  já  está  decida a greve.”  “As  notícias  da  mídia,  o  pessoal valoriza  mais,  mas a  do  Sintep­  MT é mais verdadeira. São verídicas.”  “Porque  em  ambos,  há  finalidades  diferentes:  um  enquanto  sindical  defende  o  interesse  dos  trabalhadores  da  categoria  e  o  outro como MCS.”  “Nos outros, há sensacionalismo. Aumentam e mostram o lado do  governo;”  “Há  contradições.  A  mídia,  às  vezes,  anuncia  sem  embasamento  nenhum;”  “Geralmente se equiparam. A mídia local favorece o governo.”  “Em muitos casos não coincidem, um discorda do outro e ninguém  sabe quem fala a verdade.” (Anexo A, vi, p.76). 

Cláudia Santiago  e  Vito  Gianotti,  afirmaram  durante  o  curso  de  22 

comunicação sindical,  promovido  pela  Adufmat, 

que o  objetivo  de  um  jornal 

sindical é convencer para levar à ação, por isso o jornal sindical não é neutro. 

22 Adufmat é a associação dos docentes da Universidade Federal de Mato Grosso, ou seja o 

sindicato dos professores da UFMT.


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“Não somos  neutros,  mas  precisamos  ter  credibilidade(...)  Nós  declaramos que temos um jornal a serviço do trabalhador, por isso  é preciso dizer não ao discurso vazio. Não ao xingamento gratuito,  mas  apresentar  fatos  e  dados.”  (Curso  de  Comunicação  Sindical  2, 2000). 

No jornal  Educação  em  Alerta,  fala­se  mais  contra  as  posturas  governamentais  que  das  vantagens  e  desvantagens  de  cada  uma.  Alguns  educadores  acham  o  discurso  um  tanto vazio  porque ficam  falando sempre “dos 

antigos novos assuntos”, como se referiu uma entrevistada da Escola 2. 

Filósofos do cotidiano  A  maioria dos profissionais está descrente em relação à educação que se  pratica  em  Mato  Grosso,  porém  acredita  que  a  mesma  é  de  suma  importância. 

“As questões educacionais estão nos desafiando sempre mais. O desafio consiste  em adequar a educação aos moldes que a atualidade exige.” (Anexo A, iv,p.71).  Todos acreditam que essas questões precisam ser discutidas com a sociedade.  No  entanto,  a  divergência  de  idéias  e  pensamentos  aparecem  nas  questões específicas da educação, levantadas pelo Sintep­MT como bandeiras de  luta:  ‘a redução  da  jornada de  trabalho  para  30  horas, greve,  dias  nacionais de 

paralisação, escola pública de qualidade, crítica à escola ciclada e a construção  da  nova sede  do  sindicato’.  Os  entrevistados  se  posicionaram  conscientemente  diante dessas  questões,  apontando  as vantagens  e  desvantagens de cada item.  Enquanto  alguns  louvam  a  conquista  da  redução  da  jornada  de  trabalho,  os  professores  de  I  a  IV  lamentam,  ‘pois  ficamos  impossibilitados  de  realizar  um 

trabalho com qualidade’. (Anexo A, v, p.73).  Muitos profissionais não aprovam a greve porque alegam que a Educação  é a única Secretaria Estadual que precisa repor trabalho quando realiza esse ato.  Uma  professora  da  escola  2  afirma  que  a  greve  é  muito  complicada  no  atual  momento  histórico.  Diz  que vê seus colegas  desorganizados  para uma  ação tão  séria como esta. Isto porque além de estarem estressados,


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‘(...) não  temos  tempo  e  nem  damos  prioridade  para  estarmos  buscando  saber  e  se  informar  junto  ao  sindicato.  Não  vou  dizer  que  o  sindicato  esteja  errado.  Ele  está  fazendo  o  papel  dele,  reivindicando  junto  à  categoria.  Mas  estou  sentindo  um  certo  distanciamento. Precisamos  de  uma  aproximação  maior.  Irrita­me  o  fato  de  alguém  fazer  pela  maioria.  É  preciso  uma  discussão  maior  e  mais  profunda  com  a  comunidade  escolar  e  com  a  sociedade.  Agora,  a  pessoa  chega  ali  numa  sala  e  diz  'vai  ter  greve!' Ela não teria esse direito, visto que ainda haveria reuniões  para se decidir isso. Quando o aluno e  professor voltam, é aquele  atropelo,  até  que  se  consiga  organizar  alguma  coisa.  Quando  o  professor  consegue  alguma  coisa,  ainda  volta  mais  animado.  Senão o desgate da comunidade é estressante.” (Anexo A, vii,p.78). 

Outro fator que implica na greve, segundo os entrevistados, é a concepção  que  a  comunidade,  incluindo  os  pais,  tem  de  férias  escolar.  Diante  disto,  a  administração  da  escola  diz  que  é  muito  complicado  mexer  no  calendário.  Por  outro lado, a direção sente que precisa respeitar o coletivo dentro de uma gestão  democrática, apesar  de saber que  quem  decide a greve  é ‘uma meia dúzia’. Ou 

seja, um grupinho de Cuiabá e os representantes dos municípios’ (Anexo A, vii,p.78). 

Essa argumentação confirma o posicionamento de Elaine Souza Rezende  quando  diz  que os  próprios  trabalhadores vêem  de  modo negativo o  movimento  sindical.  Parece  que  foi  exatamente  isso  que  aconteceu    na  última  greve,  encerrada no dia 24 de maio deste ano. Um pequeno grupo trabalhou com afinco,  enquanto a grande maioria ficou alheia a todo o processo reivindicatório, iniciado  no dia 10 de abril. Isso foi percebido em conversas informais que a pesquisadora  teve com profissionais das escolas investigadas. 

Todos concordam  com  as mobilizações,  mas  esperam  maior  empenho do  sindicato.  “As  paralisações  tem  de  acontecer  desde  que  o  Sintep­MT  tenha  certeza da força da classe. E aqui em nosso Estado, não se obtém  muito êxito devido à desunião da categoria. Sabemos que só 25%


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vão às  lutas.  Os  outros  vão  cuidar  de  interesses  particulares.”  (Anexo A, vii,p.78). 

Os profissionais  desejam  uma  escola  pública de qualidade,  que  invista  na  pessoa  do  educador  e  do educando.  Tanto o  sindicato  como  o  governo  querem  uma  escola  pública  de  qualidade,  porém  apresentam  propostas  divergentes  no  que se refere ao trabalho. O Sintep­MT almeja a redução da jornada de trabalho e  o  Estado  propõe  a  escola  ciclada,  considerada  inadequada  por  alguns  professores.  Utilizam­se  do  mesmo  discurso  autoritário  que seguem  as  vias  das  cúpulas decisórias até se apresentar como proposta à base. 

O Sintep­MT  parte  do  princípio  de  que  o  profissional  sobrecarregado  não  consegue desempenhar o seu trabalho, por isso quer que o profissional trabalhe  apenas  30  horas.  “Alguns  professores  já  tinham  30  horas  no  Estado.  Fizeram 

concurso para mais 30 horas no Estado e 20 horas na Prefeitura. Como é que o  profissional  de  I  a  IV  vai  conciliar  tudo  isso?”  São  questionamentos  de  uma  professora  da  Escola  2.  Mais  uma  vez,  dá­se  o  impasse  na  questão  comunicacional  entre  base  e cúpula sindical.  Até  que  ponto  essas  questões são  discutidas pela direção do sindicato? (Anexo A, vii, p.72). 

O próprio sindicato acredita que o ‘vai e vem’ de informações é demorado  mas  se  orgulha  por  está  presente  em  todo  lugar  do  Estado.  Estar  presente  em  todas  as cidades,  não significa  que tenha  relevância  para  os profissionais e  que  seja  que  suas  comunicações  sejam  lidas  por  todos.  Muitos  profissionais  das  escola  1  e  2  disseram  que  não  gostam  do  Sintep­MT  porque  fazem  política  partidária  e  não  abrem  espaço  para  outras  discussões  ou  posicionamentos  diferentes.  A  diretoria  do  órgão  confirma  que  alguns  confundem  a  política  do  sindicato com o Partido dos Trabalhadores porque eles lutam por justiça para um  coletivo  muito  maior.  Dizem  que  dão  espaço  para  as  pessoas  se  manifestarem,  mas ninguém o faz.


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O Sintep­MT está planejando construir uma nova sede para exercer melhor  sua  missão  de  defender  a  categoria.  Alguns  profissionais  não  estão  gostando  dessa construção porque ‘não estamos por dentro desse trabalho’. Alegam que se  ‘(...)  fosse  para  abrigar  todos  os  associados  e  não  associados.  Mas do jeito que eles estão agindo até hoje, não conseguirão levar  a  maioria  a  nada.  Essa  é  uma  construção  deles  porque  na  hora  que você precisa do sintep, não consegue nada. Sou associada e  não  tive  benefício  nenhum.  Quando  você  vai  numa  reunião  e  pensa  diferente,  eles  cortam  você  na  hora.  Falo  isso  por  experiência própria. Não gostei disso e vejo isso aí uma força para  mostrar poder.”  (Anexo A., v, p.74). 

Relevância do Educação em Alerta  Na  análise dos dados, percebeu­se algo curioso em relação às respostas  dos  profissionais  da  educação.  Em  todas  as  questões,  a  maioria  se  recusou  a  responder  àquelas  que  se  referiam  ao  projeto  do  jornal.  Alguns  disseram  não  saber respondê­las, pois não prestavam muita atenção quando faziam a leitura do  Educação  em  Alerta.  Outros  se  declararam  leitores  casuais.  Essa  omissão  foi  interpretada como dado relevante à pesquisa. Ora, se os leitores não percebem a  identidade do jornal  é  porque este  não  está conseguindo ser significativo  para  o  público investigado. 

Se a  maioria  se  omitiu,  os  números  analisados  dizem  respeito  à  minoria  que respondeu às indagações. Quando se falar em maioria, nesse item, entende­  se a maioria dos que se mostraram receptivos à pesquisa. Na Escola 1, a maioria  dos entrevistados não lê o Educação em Alerta porque não tem tempo, não tem  acesso  ou  não tem o hábito  de  leitura. Na Escola 2,  a  maioria  lê porque  deseja  ficar  informada.  Porém,  declara  que  lê  apenas  o  que  lhe  interessa.  Muitos  se  sentiram  inseguros  para  manifestar  a  própria  opinião.  Até  sugeriram  para  a  investigadora  que  da  próxima  vez  levasse  para  a  entrevista,  exemplares  anteriores  do  Educação  em  Alerta  para  que  tenham  maior  conhecimento  do  jornal.  Isto  porque  não  se  lembravam  do  lugar  das  colunas.  Aliás,  até  se


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questionaram sobre a existência delas. Se isso aconteceu, é porque o jornal como  visual não está impresso em suas mentes. 

“A imagem gera opinião, muito mais que a escrita...” disse o presidente do  Sintep­MT Júlio César Martins Viana, em entrevista. Se é assim, que opinião está  gerando  o  Educação  em  Alerta  transmitindo  textos  maçantes  sem  recursos  visuais como janelas, gráficos ou fotos? Isto não quer dizer que só existam textos  no jornal. Pelo contrário, há fotos e ilustrações. Porém, elas não são valorizadas  tanto quanto o texto. Prova disso são os enormes editoriais com muitos itens para  serem assimilados pelos leitores. Apenas uma pessoa, em cada escola, declarou  gostar  do  editorial.  Em  números  pesquisados,  havia  documentos  oficiais  transcritos  tal  como  o  são  oficialmente.  Um  jornal  que  se  preza  pelo  seu  leitor  saberia traduzi­los em linguagem acessível a todos os professores e funcionários. 

A linguagem precisa ser dinâmica, afirma Santiago e Gianotti. Para isso é  preciso traduzir e cortar textos, frases e palavras. No entanto, a primeira condição  é se convencer de que os sindicatos utilizam uma linguagem ininteligível à maioria  das  pessoas.  A segunda,  é  acatar  as  idéias  de  Caio  Graco,  que  afirma  que  um  leitor que só tenha o primeiro grau só consegue assimilar 22 palavras numa frase.  Isso  porque  esta  é  era  da  imagem  e  quem  manda  é  a  televisão  com  sua  linguagem curta, direta e cheia de imagens e ilustrações.  Quanto à mudança visual ocorrida no jornal em 2000, na Escola 1 apenas  quatro  pessoas  se  manifestaram  positivamente  e  na  Escola  2,  cinco  gostaram.  Todos  afirmaram  que  não  têm  experiência  negativa  com  o  jornal,  mas  alguns  a  têm com a direção sindical.  Você se sente valorizado pelo jornal? foi perguntado  nas duas escolas. A maioria dos que responderam o fizeram positivamente. Eles  se  vêem  refletidos  na  luta  pelos  direitos  e  interesses  da  categoria.  Uma  funcionária  disse  que  se  sente  valorizada  como  mulher  profissional.  No  entanto,  duas  funcionárias  –  uma  de  cada  escola  –  se  mostraram  descontentes  com  o  sindicato por terem sido lesadas em seus direitos. Uma reclama do advogado da  entidade  que  não  fez  nada  quando  ela  foi  reivindicar  seus  direitos:  “Ele  não 

resolve nossos problemas e é pago para isso”. A outra diz que foi cortada numa  reunião porque pensou diferente da cúpula: "O Sintep tem deixado a desejar. Eu


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era representante  de  escola  e  quando  eu  vi  que  não  era  por  aí,  me  afastei.”  (Anexo A, vii, p.78).  Alguns entrevistados mudariam o jornal, colocando a presença de  “todos  os  seguimentos  da  escola  e  artigos  mostrando  o  esforço  das escolas apesar das dificuldade. Falaria da questão ambiental,  respeito à natureza.” (Anexo A, vi, p.76). 

Valorizariam mais os profissionais  “Que  desse  mais  valor  ao  profissional  e  questões  como  aumento  de  salário.  Da  luta  pelos  direitos  e  do  valor  da    mulher  profissional.” (Anexo A, vi, p.76). 

Apresentariam “Mais  legislação  para  que  o  professor  fique  informado.  Tiraria  o  discurso meramente político sem função de melhoria de condições  de trabalho.  (Anexo A, vi, p.76). 

Muitos entrevistados criticaram os colegas por não participarem ativamente  das lutas. Entretanto, ao responderem a pergunta sobre a adesão dos colegas ao  Educação em Alerta, a maioria da Escola 1 acha positiva o interesse dos outros  profissionais pelo jornal.  “Não  vejo  a  voz  de  outros  sindicatos,  como  escolas  particulares.  Não fala quase nada do interior.” (Anexo A, vi, p.76).  “Há troca de informações, socialização. Há pouco tempo, falava­se 

só de professor.” (Anexo A, vi, p.76). 

Já na Escola 2, a maioria afirma ser negativa a adesão dos colegas, pois  “Falta  divulgação.  Um  ou  dois  lêem,  os  outros  jogam  fora.  Nem  todos têm acesso.” (Anexo A, vi, p.76).  “Não  vão  às  paralisações  para  descansarem,  pois  sabem  que  o  governo não liga mesmo, inclusive eu. (Anexo A, vi, p.76).  “Não demonstram nenhum interesse pelo jornal.” (Anexo A, vi, p.76).


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Quando chega o Educação em Alerta, como se sentem os trabalhadores  das duas escolas? Alguns se sentem bem  “Corro para ler.” (Anexo A, vi, p.76).  “Em alerta, pois é algo bom para a categoria.” (Anexo A, vi, p.76).  “Feliz. Vou estar por dentro da verdade.” (Anexo A, vi, p.76).  “Curiosa porque quero estar a par dos novos antigos assuntos que  nunca  se  resolvem;  interessante  para  saber  da  prestação  de  contas dos representantes, pois cada associado paga uma quantia  e quer saber no que é aplicado esse recurso.” (Anexo A, vi, p.76).  “É  o  único  mais  fiel  em  relação  aos  assuntos  educacionais.”  (Anexo A, vi, p.76). 

Apenas dois entrevistados, um de cada escola não se sente bem  “E aí, será  que vai ter greve? Preocupo­me com o andamento da  escola.” (Anexo A, vi, p.76).  “Mais um do Sintep!” (Anexo A, vi, p.76). 

Diante do fator tempo e da crise econômica, os profissionais da educação  sentem na pele os desafios. Ao criticar a desorganização da categoria, a falta de  compreensão  do  Sintep­MT  para  com  a  base,  os  entrevistados  se  apóiam  mutuamente.  "As  pessoas  estão  desanimadas.  Não  querem  fazem  nenhuma  coisinha  a  mais.  Tudo  é  para  ser  resolvida  em  cima  da  gestão  democrática e isso é muito complicado, hoje. É difícil convencer as  pessoas que é preciso ter momento para discussão da Lopeb, que  é  de  interesse  nosso.  É  preciso  fazer  uma  análise  global,  situacional e econômica porque cada  um está correndo  atrás dos  interesses  de  sua  sobrevivência  porque  pegam  uma  coisa  aqui,  outra acolá.” (Anexo A, vii, p.78). 

O atropelo  é  tão  grande  que  não  se  consegue  nem  fazer  discussões  pedagógicas, quanto mais reflexões de caráter político e sindical. Os professores


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estão exaustos,  mencionou  uma  professora. “Se  os  alunos  estão  precisando  de 

psicólogos, os  professores  também.”  (Anexo1,  2.6).  No  entanto,  uma  boa  parte  dos  profissionais  acredita  que  a  comunicação  do  sindicato  precisa  melhorar.  Quando os profissionais percebem nas entrelinhas algo relativo à política  “Tudo os trabalhadores acham que é política, não vêem como uma  possibilidade  para  se  discutir.  Estamos  num  tempo  de  fazer  se  quisermos,  não  há  mais  autoritarismo.  Autonomia  é  criteriosa. Se  o poder governamental não organizar, vira bagunça." (Anexo A, vi,  p.76). 

A sociedade  não  é  a  mesma.  Os  trabalhadores  também  não  o  são.  Segundo  Cosette Castro, só  os sindicatos  não  perceberam  que  precisam  mudar  seu  discurso  para  atingir  o  profissional  do  novo  milênio.  Ela  fala  que  é  preciso  pensar a territorialidade construída de diversas maneiras. Afirma que as questões  voltadas para o próprio umbigo  levarão os sindicatos ao extermínio.  “Torna­se  imprescindível  que  a  análise  sindical  passe  pela  globalização econômica, incluindo a mundialização da cultura nas  suas  reflexões,  para  melhor  compreender­se  e  interpretar  as  influências pelas quais passa a sociedade civil e seus associados.  Ou seja, é preciso contextualizar para entender as novas relações  de  um  mundo  que  estão  sendo  estabelecidas  e,  desta  forma  realmente  comunicar­se  não  apenas  com  a  categoria  envolvida,  mas com a sociedade.” (CASTRO, 1997c). 

Essa argumentação  é  uma  alerta  aos  sindicatos  que se  prezam  por  seus  associados  e  pela  sociedade  na  qual  estão  inseridos.  Um  sindicato  que  sabe  dialogar  em  meio  a  diversas  tendências  políticas  e  sociais,  saberá  também  expressar suas  idéias com  autoridade.  O que  acontece  é  que  se  manifesta com  radicalismo,  grosseria  e  falta  de  educação,  como  se  posicionaram  alguns  dos  profissionais e pais de alunos (informações contidas nos anexos). 

No Educação  em  Alerta  não  há  espaço  para  o  leitor  se  manifestar,  enquanto  sujeito  com  posicionamento  próprio  e  até  diferente  da  cúpula  sindical.  Nos  seis  números  analisados,  apenas  quatro  traziam  a  voz  de  sete  leitores.  Desses,  quatro  eram  identificados  como  representantes  de  conselheiros  das


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cidades de  Juína,  Canarana  e  Poxoréo.  Dois  de  Cáceres  e  Jaciara,  não  tinham  nada  especificado  além  do  nome  e  da  escola.  Uma  pessoa  que  escreveu  uma  oração não foi identificada com o nome e nem sua função. 

Isso leva  à  compreensão  de  que  o  espaço  do  jornal  é  para  quem pensa  como os produtores. Além do mais, as contribuições têm conteúdo ameno. Quatro  se referiam a augúrios de Natal e citação de pensamentos; a oração aos grevistas  e  o  poema  traziam  um  conteúdo  mais  profundo,  mas  de  acordo  com  o  pensamento  da  direção  sindical.  Será  que  seria  publicado  algum  artigo  de  leitor  que fosse diferente da postura da direção sindical? Até que ponto há o exercício  da cidadania e da democracia no jornal? 

Contudo, há  muitos  que  acreditam  no  sindicato  e  desejam  vê­lo  forte  na  sociedade.  Uma  professora  da  Escola  2,  militante  de  sindicato,  fez  questão  de  mencionar que  "Considero fundamentalmente a construção do jornal do sindicato,  ele  tem  de  ter  mais  matérias  consistentes  para  trabalhar  a  consciência de classe, como também informar a categoria de seus  direitos  e  deveres  na  luta  como  trabalhador.  Considero  que  notícias  mais  pessoais  e  de  cotidiano  são  secundárias,  deve  ter  um papel mais político." (Anexo A, vii, p.78). 

Na Escola 1, uma professora disse acreditar  "(...)    que  um  jornal  sindical  seja  um  espaço  para  organizar  as  lutas  dos  trabalhadores  da  categoria  e  o  jornal  ­  o  veículo  de  articulação  dessas  lutas  ­  livre  de  partidos  políticos  institucionais.  Porém,  muitas  vezes,  isso  não  é  respeitado  e  indiretamente,  a  diretoria sindical ­ responsável pelo jornal – torna­se tendenciosa e  oportunista,  utilizando  espaços  no  jornal  para  divulgar  'benfeitorias',  de  um  ou  outro  candidato  de  um  determinado  partido.  O  trabalhador  não  é  massa  de  manobra  e  deve  ser  respeitado." (Anexo A, vii, p.78).


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Os funcionários  aparecem  pouquíssimas  vezes  nos  números  analisados.  Em    outubro/99, o  jornal falou  das  pautas  de  reivindicações  dos  profissionais  da  educação.  Em  novembro,  fez­se  uma  crítica  ao  projeto  Arara  Azul,  através  do  qual a Secretária de Educação qualifica os funcionários que têm o ensino médio e  convocou  a  todos  para  uma  reunião.  Em  janeiro/2000,  o  jornal  mencionou  a  conquista  garantida  em  Lei  e  convocou  a  todos  para  estarem  mobilizados.  Em  fevereiro  e  março,  apareceram  apenas  as  expressões  profissionais  e  trabalhadores  da  educação.  Os  funcionários  são  desinformados  até  dentro  da  própria  escola a  respeito  dos  assuntos  ligados  à sua área. “Aqui, nós somos as 

últimas a saber das coisas,” lamentam duas funcionárias da Escola 1. (Anexo B,  iii, p.85).


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CONCLUSÃO

1. Valorização do  Outro   O  receptor  do  Educação  em  Alerta  é  o  Outro   diferenciado  do  Sindicato  dos  Profissionais  da  Educação  do  Estado  de  Mato  Grosso.  O  objetivo  desta  pesquisa  era  saber  quais  fontes  informativas  são  mais  utilizadas  pelos  professores  e  funcionários  das  Escolas  Souza  Bandeira  e  Raimundo  Pinheiro.  Chegou­se  à  conclusão  de  que  eles  não  se  pautam  pelo  jornal  do  sindicato,  primeiro porque não têm tempo para ler. Depois porque não gostam da postura do  Sintep­MT  frente  a  uma  série  de  assuntos.  As  pessoas  que  responderam  às  questões sobre  o  projeto  gráfico  do  jornal  deram  uma  certa relevância  ao  jornal,  dizendo  serem  reconhecidas  e  valorizadas  enquanto  educadoras  e  educadores.  Todavia,  os  trabalhadores  que  deixaram  de  responder  às  questões  somam  em  torno  de  60  a  70%  dos  entrevistados,  nas  duas  escolas.  Isso  significa  que  o  Educação em Alerta não é relevante para eles, porque não sabiam se localizar  no jornal. 

Os profissionais  vivem  num  ritmo  acelerado  em  busca  da  sobrevivência.  Não  têm  tempo  para  refletir  questões  educacionais  e  muito  menos  sindicais.  Alguns  professores  apontam  isso  como  uma  alternativa  para  que  o  Sintep­MT  tenha  mais  credibilidade  junto  à  categoria.  Ora,  se  vivem  aceleradamente,  acabam  estressados  e  desmotivados  para  as  lutas.  Como  poderão  estar  em  prontidão para as interpelações que o sindicato faz à base, se estão preocupados  com o sustento de sua família?  Como  Cosette,  acredita­se  que  o  Outro   só  terá  valor  na  produção  discursiva  da  comunicação  sindical,  quando  esta  passar  a  olhá­lo como  alguém  que  tem  algo  a  dizer  e  pode  contribuir  com  as  lutas  sindicais,  independente  de  sua  postura  política.  Todos  querem  educação  pública  de  qualidade  para  a  sociedade, querem salário justo e apoio do governo para a vida e política escolar.  Do que discordam é da maneira com que o sindicato conduz suas lutas.


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A comunicação  sindical  precisa  olhar  o  Outro   com  respeito,  com  singularidade e como pessoa que tem individualidade e postura diferente da sua.  Isso  será  possível  através  de  pesquisa  que  investigue  a  vida  do  receptor,  suas  reações,  sua  linguagem,  seus  interesses  e  desinteresses.  Isso  não  é  novo.  Também  foi  sugerido  no  curso  de  comunicação  sindical,  pois  os  próprios  sindicalistas estão preocupados porque não estão atingindo a base. Em encontros  casuais  que  a  investigadora  desta  pesquisa  participou  e  estiveram  presentes  pessoas da diretoria do Sintep­MT, ficou muito clara. 

2. Sindicato: mão na consciência  Logo  supõe­se  que  o  Sintep­MT  não  está  conseguindo  atingir  seus  objetivos,  através  do  Educação  em  Alerta,  pois  os  profissionais  estão  se  pautando  e  se  informando  através  da  mídia  convencional  e  de  cursos.  Aqueles  que  declararam  ler  as notícias  do jornal sindical  afirmaram  que só  lêem aquelas  que  lhe  interessam.  No  entanto,  um  texto  mal  diagramado,  sem  recursos  de  edição ou de linguagem dinâmica, mesmo que seja importantíssimo, será sempre  23 

considerado um  tijolo  .  Se  o  Educação  em  Alerta  continuar  editando  textos  massantes,  sem  janelas,  sem  intertítulos  e  sem  uma  linguagem  dinâmica  vai  perder  os  leitores  que  ainda  têm.  Porque,  até  o  momento,  os  leitores  não  se  sentem  refletidos  no  jornal,  apesar  de  terem  respondido,  por  escrito,  o  que  sentem.  Em  conversa  com  a  pesquisadora,  muitas  vezes  utilizaram  expressões  como “eles fizeram” ou  “isso é coisa deles lá”. 

A pesquisa  não  teve  como  objetivo  principal  estudar  o  emissor  do  Educação  em  Alerta  mas,  como  um  bom  estudo  da  Recepção  não  pode  ser  desligado da produção, procurou conhecer o emissor do jornal, analisando o tipo  de linguagem interpelativa com a qual entra em contato com os receptores. Se os  produtores continuarem sendo radicais em suas colocações e em um pensamento 

cutista­esquerdista, não  conseguirá  ser  significativo.  A  linguagem  praticada  é  23  O Curso de Comunicação Sindical convidou a todos os participantes a destijolar  os textos 

massantes, chatos e horríveis para se ler.


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muito cansativa porque os leitores não têm tempo para ler. O que acontece é que  o jornal, não sendo lido porque não atrai, acaba na lata do lixo sem cumprir seu  objetivo inicial.  O Sintep­MT, como outros sindicatos, ainda não entendeu que não há mais  só  uma  visão  de  mundo.  A  sociedade  não  é  vista  mais  só  como  luta  de  classe  mas  como  sociabilidade,  ou seja,  é a  pluralidade  de pensamentos  na sociedade  que leva à construção do tecido social.  Segundo Barbero, isto leva a repensar o  conceito de hegemonia, tão debatido nos movimentos sindicais. É preciso sair da  compreensão de uma hegemonia ideológica  “de  um  grupo  que  dirige  a  sociedade  para  uma  sociedade  muito  mais  fragmentada.  Uma  sociedade  que  não  tem  só  um  centro,  como dizem os pós­modernos, e na qual a vida cotidiana  tem um  papel  muito  mais  importante  na  produção  incessante  do  tecido  social”. (Souza, 1995:59). 

É na  vida  social  que  as  pessoas  se  manifestam,  enquanto  sujeitos  diferentes que  têm  posicionamentos  divergentes.  É  nesse  universo  fragmentado  que vivem os profissionais da educação das escolas pesquisadas 1e 2, em busca  de compreensão e negociação. Mas até agora, o Sintep­MT ainda não olhou para  esse  sujeito,  que  é  pessoa  diferente  dele  e  que  pode  contribuir  com  a  visão  de  mundo da cúpula sindical. Esse sujeito é filósofo cotidiano mas não é reconhecido  por seu interlocutor. Os emissores do Sintep­MT, como afirmou Cosette Castro se  referindo  a  sua  pesquisa,  pensam  que  são  donos  do  saber  e  dos  desejos  dos 

associados . Eles  vêem  o  seu  público  como  depositários  das  informações  que  desejam  veicular.  Portanto,  continuam  ignorando  a  visão  de  mundo  do  seu  público.  Segundo  Nestor  Garcia  Canclini,  será  impossível  realizar  uma  comunicação  sindical  se  a  esquerda  continuar  se  negando  a  conhecer  e  re­  conhecer  seu  público  e  as  mudanças  pelas  quais  eles  vêm  passando.  Se  os  sindicatos  abrirem  seus  materiais  para  o  seu  público  e  a  sociedade,  certamente  dará  o  primeiro  passo  para  o  debate  e  o  diálogo,  tão  desejado  num  mundo  moderno. (CASTRO, 1998b).


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Se a diagramação e a pauta do Educação em Alerta melhorar, certamente  a  categoria  começará  a  se  interessar  um  pouco  mais  por  esse  veículo  de  informação.  Para  começar,  com  essa  falta  de  qualidade,  o  jornal  não  consegue  atingir  nem  os  associados  quanto  mais  profissionais  nas  escolas  estaduais  e  municipais. O jornal conseguirá ser significativo para seus leitores, quando souber  dar  vez  e  voz  à  visão  de  mundo  de  seu  público  para  poder  enxergar  a  multiplicidade de óticas que existem entre seus leitores. 

Somente assim será possível uma negociação de significados para ambos,  e  crescimento  para  receptores  e  emissores.  Enquanto  não  houver  essa  aproximação  real,  os  leitores  continuarão  se  informando  através  de  outros  veículos, nos cursos e em qualquer outro lugar, menos no veículo de informação  da  categoria.  Educação  em  Alerta  não  é  a  voz  dos  trabalhadores  e  sim  dos  dirigentes do sindicato. Se essa postura não continuar refletida no jornal, e se não  se  buscar  alternativas,  não  vai  ser,  através  das  novas  tecnologias  em  comunicação,  que  a  cúpula  sindical  abrirá  o  leque  de  participação  aos  associados. 

A própria Cláudia Santiago diz que para que um jornal seja significativo, é  preciso  que  haja  feed­back  contínuo  dos  seus  leitores.  Isso  não  acontece  no  Educação em Alerta. 

3. Possíveis saídas  Após a abordagem destas constatações, parece ficar claro que o Sintep­MT  (Sindicato  dos  Trabalhadores  da  Educação  de  Mato  Grosso)  precisa  tomar  algumas providências, se quiser ser significativo para sua categoria.  Serão  pontuadas,  algumas  sugestões,  que  segundo  a  pesquisadora  do  presente trabalho, merecem ser levados em conta:  1.  Organizar  uma  assessoria  de  comunicação  com  políticas  bem  definidas.  Caso  contrário,  o  sindicato  continuará  à  beira  da  grande  imprensa.  Precisa  acreditar  em  sua  força  e  constituir  políticas


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comunicacionais para  atender  à  sua  categoria  e  contexto  social.  Por  ocasião  da  greve  de  abril  a  maio,  se  houvesse  uma  assessoria  que  estivesse  atenta,  fazendo  pesquisa  e  decidindo  qual  a  política  mais  adequada para esse momento.  2.  Contratar  um  jornalista.  Um  bom  profissional  saberá  comunicar  a  política do sindicato sem prejudicar a categoria. Este seria responsável  pela Assessoria de Comunicação.  3.  Fazer um projeto gráfico para o jornal. Mas não basta apenas fazê­lo,  é preciso segui­lo porque isto vai dar identidade ao veículo. Se são oito  páginas, nunca editar em número inferior. Definir tamanho para textos,  fotos e ilustrações e respeitá­los no texto.  4.  Melhorar  imediatamente  os  textos.  Os  textos  não  precisam  ser  extensos.  Os  parágrafos  podem  ser  pequenos,  com  frases  curtas  e  palavras de fácil entendimento sem empobrecer o vocabulário.  5.  Cultivar  o  hábito  de  pesquisa  interna  e  externa.  Descobrir  o  gosto  dos receptores e procurar atendê­lo sempre. Valorizar cada opinião que  chegue  mesmo  que  a direção sindical  não  goste  ou  veja  que  não  tem  futuro para a categoria.  6.  Montar  uma  pauta  para  atender  o  receptor.  A  partir  da  pesquisa  contínua,  a  direção sindical,  juntamente  com  a  equipe de  redação  e  o  jornalista, poderão colocar, no jornal, as sugestões dos receptores.  7.  Valorizar as fotos e ilustrações. Após o projeto gráfico bem definido.  É  importante,  conscientizar­se  de  que  as  fotos  e  ilustrações  são  tão  necessárias ao jornal como o texto.  8.  Dialogar sem ‘radicalismo ou falta de educação’ com a sociedade.  A  sociedade  gosta  da  proposta  de  trabalho  do  Sintep­MT  e  a  luta  por  qualidade  de  educação  para  todos.  O  que  detesta  é  o  ‘Fora  FHC’  ou  outras  expressões  que  eles  entendem  que  são  falta  de  educação.  Várias pessoas, ao saber da existência desta pesquisa, pediram que se  colocasse esse fato para reflexão.


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Democratização     da      Comunicação:      A      luta      após      a 

derrota   na Constituinte. Comunicação:  meios,  mitos  e  medos.  Revista  da   Associação   de Educação Católica. N.69, p. 41­52,1988.  INTERCOM.  Regionalismo,  Mídia  e  Consumo.  Revista  Brasileira  de  Comunicação. São Paulo: Intercom. 1996.  LEAL,  Ondina  Fachel.  A  Leitura  Social  da  Novela  das  Oito.  Petrópolis:  Vozes,  1986.  LIMA, Kleber Alves.  O  jornalismo  integral  na  imprensa sindical: estudo de caso 

das publicações  do  Sindicato  dos  Trabalhadores   do   Ensino   Público  de   Antonio Gramsci.  1997.   (Monografia  apresentada  na  Faculdade  de  Comunicação  Social,  UFMT,  Campus  de  Cuiabá,  para  obter  o  título  de  bacharel em Jornalismo).  LOPES, Maria  Immacolata  Vassalo.  Pesquisa  em  comunicação:   formulação 

de  um modelo metodológico. São Paulo: Loyola, 1994.  ______. Temas Contemporâneos em Comunicação. São Paulo: Edicon, 1997.


67

MANUAIS DE  COMUNICAÇÃO  nº02.  A    notícia    Popular.    Aler­Brasil,    Ibase,  Fase, Sepac/EP. São Paulo: Paulinas, 1986.  MATA,  Maria  Cristina(org).  Mulher  e  rádio  popular.  Aler­Brasil.  São  Paulo:  Paulinas, 1998.  MATTELART,  Armand  e  Michèle.  História    das    teorias da  Comunicação.  São  Paulo: Loyola, 1999.  MELO, José Marques de. Comunicação Popular Alternativa. Cidade: editora, data.  ______. Para uma leitura crítica da Comunicação. São Paulo: Paulinas, 1985.  MELO, José Marques de. Comunicação: direito à informação. Campinas:Papirus,  1986.  MONTORO,  Tânia  Siqueira.  Comunicação,  Cultura,  Cidadania  e  Mobilização 

Social. Volume II, Série Mobilização Social. Salvador: UnB, 1997.  NEUMANN,  Laurício.  Educação  e  Comunicação  Alternativa.  Petrópolis:  Vozes,  1991.  NORMAS   para    Publicações   da   UNESP.    Vol.  4.  Dissertações   e  Teses  do 

Trabalho Científico ao Livro. São Paulo: UNESP, 1995.  ___________________.  Vol.  2.  Referências  Bibliográficas.  São  Paulo:  UNESP,  1994.  ORTIZ, Renato. A moderna Tradição Brasileira. São Paulo: Brasiliense,1994.  PERUZZO,  Cecília  Maria  Krohling.  Comunicação  nos  Movimentos 

Populares: A  participação na construção da cidadania. Petrópolis: Vozes,  1998.  PESSINATTI,  Nivaldo  Luiz.  Política  de  Comunicação  da  Igreja  Católica 

no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1998.  RESENDE,    Elaine    Souza    e  MORGADO,    Maria    Aparecida.  Jornalismo 

impresso  e  Sindicato   em   Mato   Grosso:   início   de   um   diálogo. In:  PASSOS,      Najla    &  ANDREOLA,    Márcia    (org).  Informação  em  Tempo 

Real. Cuiabá: Adufmat, 1999.   p. 100 – 114.  SANTIAGO, Cláudia  &  GIANOTTI, Vito. Curso de Comunicação Sindical. Núcleo  de  Piratinga de Comunicação. Apostila 1 e 2: 1999­2000.  SALOMON,  Délcio  Vieira. Com    fazer    uma    monografia.  São  Paulo:    Martins  Fontes, 1997.  SOUZA, Mauro Wilton (org).  Sujeito,  o  Lado  Oculto  do  Receptor.  São  Paulo:  Brasiliense, 1995.


68

ANEXOS a.  Dados do Receptor 

i. Entrevista aplicada aos trabalhadores da Educação do  Estado de Mato Grosso  

Informante nº _________  A­ Dados Pessoais:  Nome: _________________________________________________________________  Idade: ______________ 

Função: ________________________________________ 

Grau de instrução:__________________________ 

Renda: _________________ 

Você trabalha quantos turnos:  (          ) 1 

(          ) 2 

(            ) 3 

No mesmo lugar:  ( 

)sim

(            )não  ONDE: ___________________________________ 

Como você toma conhecimento dos assuntos de sua área? _________________  _______________________________________________________________________  _______________________________________________________________________ 

O que você pensa sobre as questões em nível geral, relacionadas à educação?  _  _________________________________________________________________________  _____________________________________________________________________ 

O que  você pensa  sobre  as questões  específicas  do  jornal(  Redução  da  jornada  para 30 horas, Greve, Mobilizações, Construção da nova sede do sintep, Luta por escola  pública de qualidade e Escola Ciclada)? ________________________________  _______________________________________________________________________  _______________________________________________________________________ 

B­ Dados Coletivos:  1. Você lê o jornal 'Educação em Alerta' do Sintep­MT?  (      ) sim 

(     ) não 

(       ) às vezes


69

Por quê?  _______________________________________________________________  _______________________________________________________________________  2. Qual  a  coluna  que  você  mais  gosta? Por quê?  ?    ______________________________  _______________________________________________________________________  _______________________________________________________________________  3.  O  que  você  menos  gosta  nesse  jornal?  Por  quê?  ?  ___________________________  _______________________________________________________________________  _______________________________________________________________________  4.  O  que  você  achou  da  mudança  visual  do  jornal?  ______________________________  _______________________________________________________________________  _______________________________________________________________________  5.  Você  se  sente  valorizado/a  no  jornal?  Em  que  sentido  ?    _____________________  _________________________________________________________________________  _____________________________________________________________________  6.  O  que  você  mudaria  no  jornal,  se  pudesse?  Por  quê?    _________________________  _________________________________________________________________________  _____________________________________________________________________  7.  Você  se  sente  refletido/a  no  jornal?  De  que  forma?    ____________________  _______________________________________________________________________  _______________________________________________________________________  8. Como  você  vê a  adesão dos outros  trabalhadores  da  educação  a  esse  jornal?  Por quê?  _________________________________________________________________________  _____________________________________________________________________  9. Você costuma comparar as notícias que saem no jornal do Sintep­MT com as que saem  na  mídia  convencional  (Diário  de  Cuiabá,  A  Gazeta  ou  a  Folha  do  Estado)?  Qual  o  resultado  de  sua  comparação?    _________________________________________  _______________________________________________________________________  _______________________________________________________________________  10. Como você se sente, quando chega o jornal 'Educação em Alerta' em suas mãos? Por  quê? 

_______________________________________________________________

_______________________________________________________________________11 .  Você  tem  alguma  experiência  negativa  com  o  jornal  do  Sintep­MT?  Em  que  sentido?  _______________________________________________________________________


70

ii. Tabulação dos dados ­ Quem são?  Escola 

Idade

Instr ução

Função

Renda

Tr abalha

Tur nos Sex. 

Tot.

S

53

4ª série 

Ag. Apoio 

R$ 170,00 

SB/PSA

2

F

4 apoio 

O

35

2º grau 

Secretária

R$ 433,00 

SB

2

F

1 sec. 

U

34

2º grau 

Ag. Apoio 

R$ 480,00 

SB/loja

2

F

2 tec. 

Z

51

1º grau 

Ag. Apoio 

R$ 180,00 

SB

1

F

7 func. 

A

20

2º grau 

Téc. Admin. 

R$ 230,00 

SB/loja

2

F

2 loja 

43

2º grau 

Téc. Admin. 

R$ 350,00 

SB

2

F

3 ­ 1ºg. 

B

39

1º grau 

Ag. Apoio 

R$ 170,00 

SB

1

F 4 ­ 2º g. 

A

39

3º grau 

Profª/Coord.

R$ 1.200,00 

SB

2

F

8 prof. 

N

41

3º grau 

Professora

R$ 830,00 

SB

1

F

1 diret. 

D

43

3º grau 

Professora

R$ 847,00 

SB

1

F

E

58

3º grau 

Diretora

R$ 847,00 

SB

2

F 1 o.lug. 

I

23

3º grau 

Professora

R$ 200,00 

SB

1

F

R

24

3º grau 

Professora

R$ 240,00 

A

48

3º grau/esp. 

Professora

R$ 980,00 

SB

1

F

51

3º grau 

Professora

R$ 405,00 

SB

2

F

Escola

Idade

Instr ução

Função

Renda

SB/munic/UFMT 3 

Tr abalha

F 7 ­ 3º g. 

Tur nos Sex. 

1 ­ PG. 

Tot.

Professora

R$ 1800,00 

RP

2

F

8 prof. 

3º grau 

Diretora

R$ 1034,00 

RP

3

F

1 diret. 

33

3º grau 

Professora

R$ 700,00 

RP

2

F

42

3º grau 

Professora

R$ 1.000,00 

RP

2

F 5 ­ 3º g. 

45

3º grau 

Professora

R$ 870,00 

3

F

PI

40

3º grau 

Professor

R$ 850,00 

RP

2

M

N

26

2º grau 

Vigia

R$ 136,00 

RP

1

M

5 func. 

H

60

1º grau inc. 

Ag. Apoio 

R$ 136,00 

RP

1

F

1 apoio 

EI

38

3º grau 

Téc. Admin. 

R$ 523,00 

RP

1

F

2 tec. 

R

55

3º grau inc. 

Téc. Admin. 

R$ 500,00 

RP

1

F 2 vigias 

O

63

1º grau 

Vigia

R$ 136,00 

RP

1

R

38

A

43

I M. 

3º grau/pós­g. 

RP/ fac. Part. 

M

1 ­ PG. 


71

iii. Como tomam conhecimento dos assuntos de sua área?  Souza 

­

Bandeira ­ 

Diário Oficial 

Raimundo

­

Diário Oficial (2) 

Mídia (7) 

Pinheiro

­

Livros

­

Curso qualificar 

­

Palestras/Seminários/cursos (9) 

­

Reuniões Sintep (2) 

­

Informes

­

Papo com colegas (6) 

­

Folders

­

Ofícios Seduc/Circulares(3) 

­

Papo com colegas (4) 

­

Jornal sintep 

­

Mídia:TV/JO/Rv/RA (6) 

­

Revista Escola 

­

Ofícios Seduc 

­

Jornal do sintep 

iv. Questões educacionais em nível geral  ­ 

questões duvidosas; 

­

parecem que  as  intenções  são  boas,  mas 

­

­

nosso estado;  ­ 

bastante clara com objetivos; 

a mídia  está  dando  mais  enfoque;  tem 

­

deve ser discutida com a sociedade; 

­

ainda não são prioridades ao governo; 

­

de maneira gera, não é levada a sério pelos nossos 

acho que  apesar  da  melhora,  os  jovens  estão menos preocupados com os estudos 

O

está muito  discutida  mas  pouco  avançada  em 

sem firmeza e pouco resultado; 

relatado mais o Fundef, PDE, PNDE; 

S

­

pelo fato de não reprovarem; 

U ­  Z 

melhorou depois  que  o  Fundef  passou 

A

R A  I 

representantes políticos  como  prioridade  e  a  população não cobra os seus direitos;  através de diálogo; 

para os  municípios  e  estados;  o  ensino 

M ­ U  ­ 

melhorou, também  o  salário;  os  prédios 

N ­ 

sérias e deveria ser prioridade; 

tem melhorado  mas  o  povo  precisa  se 

D ­ 

há muitos  profissionais  bons  que  precisam  de 

B

conscientizar de  que  precisa  manter  a 

O

atenção; por  exemplo  fala­se  que  toda  criança 

A

escola;

N D 

­

precisamos estar  sempre  em  busca  de  melhorias, qualidade e justiça; 

­

E

estão nos  desafiando  sempre  mais;  o  desafio  consiste  em  adequar  a  educação 

deveria estar  na  escola,  no  entanto,  há  crianças 

P I  N 

I

aos moldes  que  a  atualidade  exige: 

H

R

relacionada com  a  realidade,  produtiva, 

E

A

crítica que  decodifique  as  novas 

I

linguagens, novas posturas nas diferentes 

R

áreas do saber; 

O

­

há muita coisa para se questionar; 

­

está deficiente (2); 

falta alguma coisa; 

fora da mesma e outras sendo fechadas.


72

­

com o  Fundef  os  professores  recebem  mais  em  dia  e  o  município  propõe  mais  curso. 

v. Questões educacionais em nível específico  O que você pensa sobre Redução da jornada para 30 horas, greve, mobilizações, construção da nova sede do  Sintep, luta por escola pública de qualidade e escola ciclada? 

Souza Bandeir a 

Raimundo Pinheir o 

J or nada

* seria  muito  bom  se  o  professor  se 

Muitos

de  30 

dedicasse exclusivamente  para  fazer 

prefer ir am com assuntos de nosso interesse político e 

hor as

seu trabalho  melhor.  Mas  se  o 

r espondê­

salário não  é  suficiente,  ele  vai  procurar outros serviços;  * há mais tempo para dedicação; 

las de  maneir a  geral: 

* louvável; 

* são importantes para estarmos em dia 

social; * bem elaboradas;  * importante para atualização;  * legais e de interesse para a categoria;  * nem sempre conduzem com a realidade; 

* duração boa para todo trabalhador; 

* bom porque fala dos professores e 

* sou a favor; 

funcionários;

* com  apenas  30  horas,  o  professor 

* devem ser reivindicadas com urgência 

de I  a  IV  fica  impossibilitado  para 

para melhorias na educação. 

desenvolver

um

trabalho

com

qualidade. *  os  que  entram  agora  não  tem  muitos  direitos,  pois  as  horas  passaram para 30h. 

Gr eve

* é um direito dos trabalhadores para 

Gr eve

* não gosto porque tem que repor aulas; 

reivindicar seus direitos; 

* atrasa o ano letivo; 

* não  sou  a  favor  porque  não  vai 

* é um atropelo; 

mudar nada; (2) 

* é a maneira de pressionar o governo 

*em nosso  meio,  não  atinge  os 

mas é a única secretaria que tem de repor 

objetivos;

seu serviço. 

* só  agita  e  não  chega  a  objetivo 

* vejo a greve, agora, muita complicada, 

nenhum;

não sei se é porque estou estressada e 

* vejo  que  o  Governo  não  importa 

ansiosa, sinto que mais do que nunca não 

em atender  as  reivindicações,  pois  a 

estamos organizados. Talvez eu esteja 

classe não  gera  retorno  financeiro  a 

pensando em mim, como administradora. 

ele;

Eu acho que ela deveria estar mais 

* cria clima de conflito por parte dos 

organizada. Nós deveríamos estar 

sindicalistas.

buscando saber e se informar junto ao


73

* o  pessoal  não  comparece  nas 

sindicato. Não vou dizer que o sindicato 

manifestações. Falta  força  e  ainda 

esteja errado. Ele está fazendo o papel 

falam mal  do  sindicato.  Mas  o 

dele, reivindicando junto à categoria. Mas 

sindicato somos  todos  nós;  falta 

estou sentindo um certo distanciamento. 

conscientização.

Precisamos de uma aproximação maior. 

* não  sou  a  favor;  precisa­se 

Irrita­me o fato de ter de alguém fazer 

elaborar questionamento  com  os 

pela maioria. É preciso uma discussão 

pais; mostrar que  alguns  professores 

maior e mais profunda com a comunidade 

fazem 'bico'  para  completar  o 

escolar e com a sociedade. Agora, a 

orçamento da  casa  para  que  a 

pessoa chega ali numa sala e diz 'vai ter 

sociedade se  sensibilize  e  cobre  do 

greve'. Ela não teria esse direito, visto que 

governo.

ainda haveria reuniões para se decidir 

* a greve causa revolta e insatisfação 

isso. Quando o aluno volta e o professor 

nos pais. 

também, é aquele atropelo. Até que se  consiga organizar alguma coisa. Quando o  professor consegue alguma coisa, ainda  volta mais animado. Senão o desgate da  comunidade é estressante. Existe na  cabeça da comunidade­pais que as férias  são em julho, dezembro e janeiro e não  admitem que se mexa no calendário  escolar. Já sinto que vamos ter  transferências para escolas particulares.  Eu como diretora, preciso respeitar o  coletivo pois estamos em gestão  democrática. Nas assembléias, uma meia  dúzia costuma decidir pela maioria (um  grupinho de Cuiabá e os representantes  dos municípios). Quando alguns  professores decidem dar aulas e outros  não, na mesma escola, é outro atropelo.  Quem perde é o aluno que precisa vir em  dois períodos. 

Mobili­

* é  preciso  porque  se  ninguém  fizer 

J ornada de  * isso é complicado. Alguns professores 

zação

nada as coisas não vão mudar; 

30 hor as 

já tinha 30h no estado, fizeram concurso 

* se  for  para  surtir  efeito,  fortalecer 

por mais 30h e mais 20h no município. O 

o movimento, é boa; 

profissional de V a VIII consegue 

* um  recurso  de  sensibilização  na 

unificar, mas para o de I a IV é muito 

luta por  melhores  condições  dos 

complicado. O sintep parte do princípio 

assalariados;

que o profissional sobrecarregado não


74

* aprovo; 

consegue desempenhar o seu trabalho... e 

* tem  de  acontecer,  desde  que  o 

a questão acima? Na contagem de pontos, 

sindicato tenha  certeza  da  força  da 

o professor chega e diz 'eu posso tais dias 

classe. E  aqui  em  nosso  estado,  não 

em tais horários'. Agora como você vai 

se obtém  muito  êxito  devido  à  falta 

conseguir organizar seu horário? Você 

de união  da  classe  trabalhadora  da 

então vai tentar facilitar a vida do 

educação. Sabemos que  só  25%  vão 

profissional mas é complicado. 

às lutas, ao passo que 75% procuram  descansar 

e

cuidar dos 

seus

interesses particulares. 

Nova Sede  *  não  estamos  a  par  desse  trabalho; 

Nova Sede 

* precisa. É direito adquirido. 

Escola

* é preciso ter algo melhor.

não se tem informações;  *  ninguém  sabe  como  vai  ser  construída;  * aprovo;  * é necessário que haja ampliação  para melhorar o desempenho da  classe.  *  toda  entidade  precisa  de  um  local  para  desempenhar  suas  tarefas.  Senão  fora,  custa  de  mais  taxas  cobradas  dos  educadores,  se  tem  o  dinheiro, não vejo nada de mal nisso.  *  se  fosse  para  abrigar  todos  os  associados  e  não­associados...  Mas  do  jeito  que  eles  estão  agindo  até  hoje, não conseguem levar a maioria  a nada. Essa é uma construção deles  porque  na  hora  que  você  precisa  do  sintep,  não  consegue  nada.  Sou  associada  e  não  tive  benefício  nenhum.  Quando  você  vai  numa  reunião  e  pensa  diferente,  eles  cortam  você  na  hora.  Falo  isso  por  experiência própria. Não gostei disso  e vejo isso aí uma força para mostrar  poder. 

Escola

* extremamente justa e coerente; 

Pública de  * é preciso continuar lutando;  Qualidade 

* sou a favor;  *  importante,  urgente,  porém  ainda 

Pública de  Qualidade 


75

só no papel;  *  o  governo  paga  a  mídia  para  mostrar  à  população que  a educação  é  nota  10;  só  se  vê  que  é  nota  10  para  a  população  que  não  acesso  direto  com  a  educação(escolas);  se  formos destrinchar,  vamos encontrar  escolas 

sem

conservadas,

carteiras, sem 

mal

materiais

necessários e  sem,  contar  com  a  classe trabalhadora má paga.  * luta que  nunca  vai conseguir nada  por  causa  da  redução  das  30  horas,  da  escola  ciclada.  As  crianças  não  vão Ter senso crítico. O governo  faz  isso  para  conseguir  verbas  do  exterior.  *  melhora  porque  os  professores  se  decidiram  a  estudar  e  até  ajudam  a  escola. 

Escola

* super  interessantes  mas  os 

Escola

Ciclada

profissionais não  estão  preparados, 

Ciclada

pois foi  imposta.  Não  houve  discussão;  * boa;  *  foi  positiva  devido  aos  temas  geradores  e  da  maneira  diferenciada  de trabalhar, porém negativa, porque  não tem nota e os pais não entendem  porque  o seu  filho  precisaria  perma­  necer no ciclo;  * não aprovo;  * tem seu amparo na LDB do país. O  objetivo  colocado  é  bom.  Precisa,  porém,  antes  de  assumir  uma  um­  dança  na  educação  formal,  informal  ou  pelo  menos  ofereceu  subsídios  aos  profissionais  de  educação  para  poderem atuar a mudança;  * o  governo não quer mostrar índice 


76

baixo de  rendimento,  então  procura  de todas  as  formas, elevar a imagem  da educação;  * acho o método fraco. 

vi. Relevância do Educação em Alerta  1.  Você lê o jornal 'Educação em Alerta' do Sintep­MT?  Escola 1  Escola 2  Sim  3  4  Para se informar(2); ficar atualizada; é representante do sintep ­ encontro na  sala; tenho que me inteirar dos assuntos da categoria.  Não 

Às vezes 

8 5 

2 porque  não  recebemos;  talvez  porque  não  somos  associadas(fun);  não  tive  acesso(6);  não  respondeu  (3);  falta  tempo  (2);  falta  de  hábito.  ­  porque  sou  novata; não sei do que se trata.  3  Só leio aquilo que me interessa. ­ porque o governo não atende mesmo o que  está ali. 

2. Qual a coluna que você mais gosta? Por quê? ?  Escola 1  Escola 2  Informes  4  1  Não respond  10  6  Ainda não tem; não presta atenção; não sabe a estrutura do jornal.  Todas  2  4  São ótimas, cada uma tem sua importância  Editorial  1  1  Nenhuma  1  3.  O que você menos gosta nesse jornal? Por quê?  Escola 1  Escola 2  Não respond  11  7  Editorial  1  Art. Comem.  Deveriam informar sobre todos os seguimentos da educação;  1  Humor  1  Politicagem  1  4.  O que você achou da mudança visual do jornal?  Escola 1  Escola 2  Não respond  9  5  Ótimo/bom  3  5  Destacou­se melhor;  interessante  O antigo já estava saturado;  1  Não percebeu  3  1  5.  Você se sente valorizado/a no jornal? Em que sentido ?  Escola 1  Escola 2  Não respond  9  5  Mais/ menos  1  Sim  7  6  Na  luta  pelos  direitos,  valor  da    mulher  profissional;  ­  porque  defende  os  interesses da categoria; fala da educação; luta pelo servidor;  Não 

1

1 Só no papel; ­ funcionários da educação ficam em 2º plano. 

6. O que você mudaria no jornal, se pudesse? Por quê?  Escola 1  Escola 2


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Não respond  Mais inform. 

Nada Cursos 

9 2 

2 1 

6 3  De todos os seguimentos da escola; artigos  mostrando  o esforço das  escolas  apesar  das  dificuldade;  questão  ambiental,  respeito  à  natureza.  ­  que  desse  mais  valor  ao  profissional  e  questões  como  aumento  de  salário;  mais  legislação para que o professor fique informado; tiraria o discurso meramente  político sem função de melhoria de condições de trabalho.  2  Na luta pelos direitos, valor da  mulher profissional; 

7. Você se sente refletido/a no jornal? De que forma?  Escola 1  Escola 2  Não respond  9  7  Sim  4  3  Enquanto  categoria  porque  faço  parte  da  educação  e  me  informo  dos  meus  Às vezes  Não 

2

direitos e das reivindicações; ­ meus anseios, angústias, enquanto educadora,  quando é publicado assuntos que me interessam.  Na luta pelos direitos, valor da  mulher profissional;  2  porque  até  o  advogado  do  sintep  não  resolve  os  nossos  problemas  e  é  pago  para isso. 

8. Como você vê a adesão dos outros trabalhadores da educação a esse jornal? Por quê?  Escola 1  Escola 2  Não respond  8  6  segmentação  1  Não  vejo  a  voz  de  outros  sindicatos,  como  escolas  particulares;  não  fala  quase nada do interior;  Positiva 

4

1 Há  troca  de  informações,  socialização;  há  pouco  tempo,  falava­se  só  de 

Negativa

1

4 Falta  divulgação;  ­  um  ou  dois  lêem,  os  outros  jogam  fora;  não  vão  às 

professor. paralisações  para  descansarem  pois  sabem  que  o  governo  não  liga  mesmo,  inclusive  eu;  não  demonstram  nenhum  interesse  pelo  jornal;  nem  todos  têm  acesso. 

9. Você  costuma  comparar  as  notícias  que  saem  no  jornal  do  Sintep­MT  com  as  que  saem  na  mídia  convencional (Diário de Cuiabá, A Gazeta ou a Folha do Estado)? Qual o resultado de sua comparação  Escola 1  Escola 2  Não  9  5  respondeu  Não  4  2  Porque em ambos, há finalidades diferentes: um enquanto sindical defende o 

Sim

3

interesse dos trabalhadores da categoria e o outro como MCS não possui um  público  específico;  ­  Não  tenho  tempo  de  comparar  com  a  mídia;  fiquei  sabendo que dia 10 havia previsão de greve, após reunião com o governo(dia  6)  e  assembléia  (dia  7)  e  qual  não  foi  minha  surpresa  quando  no  dia  6,  aparecem  representantes  do  sintep  dizendo  que  já  está  decida  a  greve;  a  da  mídia  o  pessoal  valoriza  mais,  mas  a  do  sintep  é  mais  verdadeira;  mas  as  notícias do sintep são verídicas.  4  Nos outros há sensacionalismo, aumentam e mostram o lado do governo; há  contradições;  a  mídia  às  vezes  anuncia  sem  embasamento  nenhum;  ­  geralmente se equiparam; a mídia local favorece o governo, em muitos casos  não coincidem, um discorda do outro e ninguém sabe quem fala a verdade. 

10. Como você se sente, quando chega o jornal 'Educação em Alerta' em suas mãos? Por quê?  Escola 1  Escola 2  Não respond  9  5  Positiva  5  5  Corro  para  ler;  em  alerta,  é  algo  bom  para  a  categoria;  feliz,  vou  estar  por  dentro  da  verdade;  curiosa  porque  quero  estar  a  par  dos  novos  antigos  assuntos  que  nunca  se  resolvem;  interessante  para  saber  da  prestação  de  contas dos representantes, pois cada associado paga uma quantia e quer saber  no que é aplicado esse recurso; ­ curiosa para saber das notícias; interessada;  é o único mais fiel em relação aos assuntos educacionais; muito bem divulga  meus interesses.


78

Negativa

1

1 E aí, será que vai ter greve? Preocupo­me com o andamento da escola; ­ mais  um do sintep!; 

11. Você tem alguma experiência negativa com o jornal do Sintep­MT? Em que sentido?  Escola 1  Escola 2  Não respond  10  5  não  4  6  Mandam o jornal com atraso; 

vii. Comentários adicionais proferidos pelos profissionais da  educação  Escola 1  "O Sintep tem deixado a desejar. Eu era representante de escola e quando eu vi que  não era por aí, me afastei. Na luta pelos juros de 89, eles se acomodaram porque a maioria  do  sintep  consegui  receber  'o  seu'  na  época  do  Oswaldo  Sobrinho.  Enquanto  eles  não  haviam recebido, lutavam com afinco, agora esfriaram.  Quanto à Lopeb, enquanto eles brigavam pelos interinos, esqueceram dos efetivos,  principalmente no que diz respeito à aposentadoria que os que tinham 25 anos de serviço e  não tivessem idade, não poderiam se aposentar... Eu fiz uma notificação com a Vera e eles  passaram por cima. Quer dizer, eles deixam muito a desejar." (Informante 1) 

"As pessoas estão desanimadas. Não querem fazem nenhuma coisinha a mais. Tudo  é  para  ser  resolvida  em  cima  da  gestão  democrática  e  isso  é  muito  complicado,  hoje.  É  difícil convencer as pessoas que é preciso ter momento para discussão da Lopeb que é de  interesse  nosso. É preciso fazer uma análise  global, situacional e econômica porque cada  um está correndo atrás dos interesses de sua sobrevivência porque pegam uma coisa aqui,  outra acolá. (Informante 2) 

"Nós nunca  sabemos  de  nada. Sabemos pela  boca  dos  outros  e  não  pelas  pessoas  encarregadas de comunicar, como a secretária. Nunca lemos o jornal do Sintep (Informante  3) 

"Acredito que  um  jornal  sindical  seja  um  espaço  para  organizar  as  lutas  dos  trabalhadores  da  categoria  e  o  jornal  ­  o  veículo  de  articulação  dessas  lutas  ­  livre  de  partidos políticos institucionais porém, muitas vezes isso não é respeitado e indiretamente,  a diretoria sindical ­ responsável pelo jornal, torna­se tendenciosa e oportunista, utilizando


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espaços no jornal para divulgar 'benfeitorias', de um ou outro candidato de um determinado  partido. O trabalhador não massa de manobra e deve ser respeitado." (Informante 4) 

Escola 2  Existem funcionários que vivem exclusivamente  desse serviço, tem que ser artista  para dar  contar de  viver  com  apenas  esse  salário como renda  familiar.  Hoje  não  dá  mais  tempo nem para pesquisar preços. É um sufoco. Não dá nem para pensar.  É  um  atropelo  tão  grande,  que  na  escola  não  se  consegue  fazer  nem  discussões  pedagógicas. Você fica por conta do administrativo, do social e dos probleminhas. Não se  consegue parar para ver projetos. Ainda não conseguimos associar o trabalho com o estudo  necessário  à  missão  de  educadores.  Por  exemplo,  não  adianta  determinar  que  a  hora  atividade  será  de  tal  hora  a  tal  hora,  é  preciso  apresentar  uma  proposta  de  estudo  e  programação para elaborar projetos. A escola passa por esse atropelo da modernidade. Já  pensei  em  organizar  seminários,  pegando  as  escolas  mais  próximas  (SB,  FM  e  RP)  mais  ainda  não  consegui  organizar.  A  única  coisa  que conseguimos  foi  o  salto para o  futuro  ­  que algumas pessoas criticam mas por ele passam muitas discussões.  A  comunicação  na  escola,  hoje,  é  muito  complicada,  onde  as  transparências  nas  ações sejam conhecidas por todos... O CDCE é órgão que gere a escola com a participação  de todos os seguimentos, mas aí também é complicada a participação ­ há as justificativas  pessoais pelas faltas ­ porque se a escola afunda, nós afundamos juntos. Eu trabalho longe  da  minha  casa,  queimo  muito  combustível.  Antes  me  sobrava dinheiro  no  mês,  hoje  não  me  sobra  mais  nada.  A  escola  precisa  de  psicólogo  para  os  alunos  e  corpo  docente,  também. É preciso repensar uma reestruturação da escola.  Em  99,  o  sindicato  encaminhou  um  inventário  para  as  escolas.  Minha  escola  não  respondeu porque não houve interesse para se estudar junto. Eu não ia responder uma coisa  em  nome  de  todos.  Esse  inventário  seria  bom  para  que  o  sindicato  pudesse  reivindicar  aquilo  que  as  escolas  pedissem.  Há  um  certo  desanimo  com  a  política.  Tudo  os  trabalhadores  acham  que  é  política,  não  vêem  como  uma  possibilidade  para  se  discutir.  Estamos  num  tempo  de  fazer  se  quisermos,  não  há  mais  autoritarismo.  Autonomia  é  criteriosa. Se o poder governamental não organizar, vira bagunça." (Informante 3)


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"Considero fundamentalmente a construção do jornal do sindicato, ele tem de Ter  mais matérias consistentes para trabalhar a consciência de classe como também informar a  categoria de seus direitos e deveres na luta como trabalhador. Considero que notícias mais  pessoais e de cotidiano são secundárias, deve ter um papel mais político." (Escola 2)


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i. Dados do Emissor 

i. Características do Educação em Alerta  Características 

'Educação em Aler ta' ­ mensal 

Inauguração

1995

Periodicidade

Mensal

Característica

Político/sindical

Tiragem

10 mil exemplares 

Número de colunas 

2 colunas por página 

Altura/largura da coluna 

29,5cm x 6cm 

Público a que se dirige 

Trabalhadores do Ensino Público de MT 

Características do público 

Professores de I e II graus, funcionários  administrativos e de serviços gerais 

Escolas associadas 

As escolas não se filiam 

Trabalhadores associados 

14 mil 

Forma de distribuição 

Distribuição gratuita 

Formato

Ofício duplo ­ 31,5 x 22 cm  ­ 1cm de margem / monocromato 

Número de páginas 

8 páginas 

Propriedade

Sintep­MT

Outros veículos da empresa 

Novos Rumos 

Credibilidade

Nenhuma matéria é assinada;  Usa­se a 1ª pessoa do plural nos textos;  É de caráter opinativo. 

Diagramação

É feita por uma gráfica 

Capa

Logotipo ­ manchetes ­ chamadas 

Espaço para o leitor 

Não há. A não ser poesias, parodias e  espaço para as sub­sedes 

Corpo da letra 

Mnchete ­ não tem um corpo definido  Para os títulos ­ também não  Para os textos ­ era C 10 agora, C 12


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ii. Linguagem interpelativa 

Página

Outubro/2000 – 4 páginas 

... é a resposta que queremos e requer a atenção constante de todos nós. A marcha  vai  continuar.  Estamos  em  campanha  salarial,  temos questões  ainda  não  saldadas  por  este  governo...  Permanente  resistência  na  luta.  No  dia  10  de  novembro  nós  vamos parar em favor da nação brasileira. 

Página

Novembro/2000 – 4 páginas 

Vamos continuar nossa marcha em defesa e promoção da educação pública. 

Realizar imediatamente  reuniões  com  pais,  mães,  alunos/as,  professores/as,  funcionários/as para esclarecer o que é o projeto, as implicações e prejuízos para a  carreira dos/as profissionais da educação e para os/as alunos/as. Vamos aprofundar  o debate sobre escola ciclada envolvendo toda a comunidade escolar. 

Contribuições: augúrios  de  Natal  de  Aparecido  Alves  Ferreira  (Representante  do  Conselho de Juína); e de Herta e Eliana (Representantes de Canarana). 

Página

J aneiro/2000 – 4 páginas 

Vencemos. Ampliamos  direitos;  garantimos  a  democracia;  asseguramos  melhores  condições  de  trabalho;  a  sociedade  manteve  a  educação  como  serviço  público  estratégico  essencial.  Parabéns.  Sejam  todos  e  todas  bem  vindos  e  bem  vindas.  Haverá ainda muito para ser feito. 

O processo  de  evolução  e  conquistas  se  deve  à  luta,  coragem  e  capacidade  de  organização  e  comprometimento  da  categoria,  independente  de  qualquer  outro  seguimento ou grupo político. É por tudo isso, companheiros e companheiras, que  temos  a  convicção  de  fazer  valer  nosso  suor  e  de  construir  o  poder  dos  trabalhadores da educação. 

Que bom  que  agora  teremos  novos  profissionais  da  educação  que  somarão  aos  valorosos  companheiros  em  defesa  da  escola  pública.  Ânimo.  Já  estivemos  mais  longe!!! 

Permanecer sempre mobilizados e organizados deve  ser o firme propósito de cada  um de nós, professores e funcionários – profissionais da educação pública básica.  Contribuições: pensamentos  de Mizael Ponce da Silva (Cáceres) e Dora (Poxoréo –  Conselho de Representantes)


83

Página

F evereiro/2000 – 8 páginas 

vamos arregaçar as mangas e encaminhar o que já foi deliberado. Companheiros e  companheiras  foi  sempre  a  nossa  responsabilidade  e  resistência  que  garantiram  nossas conquistas. Se muito já fizemos, muito mais ainda haveremos de fazer. Com a  sua participação! Juntos somos fortes. 

Essa não pode ser uma luta particular de poucos...' "o governo Dante já apresentou  a  sua.  Se  não  a  mudarmos  com  certeza  pagaremos  caro."  (governo)  nosso  interlocutor...  Sempre  fomos  críticos;  precisamos  estar  preocupados;  será  necessário estar...; se não a mudarmos...; nosso interlocutor tem afirmado...; isso é  uma provocação...; a greve é nosso instrumento de conquista. 

é curioso  que  o  órgão  estadual  de  educação  conseguiu  um  financiamento  do  governo  federa,  que  conseguiu  uma  verba  do  Banco  Mundial  para  implementar  algumas experiências...; parece que esse foi o mesmo filme passado nos idos 1995.';  a Escola Jovem tem um projeto de investimento (PI) e o Estado tem que mostrar que  o  ensino  médio  está  separado  do  ensino  fundamental...  nem  que  tenhamos  que  atravessar  um  muro  no  meio  da  escola..."  'temos  que  começar  já.  Não  há  tempo  para esperar. Não podemos ter medo.' 

4ª e 5ª 

Gostaríamos de  acreditar  que  a  Lopeb  (LC  50/98),  fruto  da  nossa  luta,  foi  na 

página

verdade, entendimento  de  governo  que  queria  garantir  a  qualidade  da  educação 

central

pública para o povo deste Estado. O Sintep­MT tem defendido a redução da jornada  de  trabalho  como  forma  de  melhorar  nossas  condições  de  vida  e  a  qualidade  da  educação como também de viabilizar novos postos de trabalho. Temos que construir  uma  articulação  eficiente,  com  troca  de  informações  capazes  de  cumprir  nossas  tarefas. A defesa da escola pública é a principal marca que carregamos e fazemos  dela um compromisso constante com a vida. Não podemos jamais esquecer da nossa  luta, nem perder nossa moral e nosso senso de justiça. 

'não podemos  ignorar  os  avanços  tecnológicos,  as  mudanças  na  conjuntura  política  e  econômica... é preciso que  o nosso sindicato se fortaleça muito  mais para o século XXI' ; o  projeto  vai  atender  2500  pessoas  de  2000  a  2002.  Esse  é  um  'projeto  ambicioso  que 

responderá às expectativas dos trabalhos da educação'.


84

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Março/2000 – 8 páginas 

Garantir que  a  greve  tenha  a  participação  de  toda  a  comunidade  escolar  e  da  sociedade  é  nosso  desafio.  Não  podemos  ser  meros  expectadores.  Nossa  participação é fundamental para a melhoria da qualidade da educação. 

Não vacilaremos em 10 de abril. Mais uma vez estaremos diante do dilema da greve,  como uma das outras vezes, por pura responsabilidade e inconseqüência do governo  estadual. 

4ª e 5ª 

Nossa participação  deverá  ser  efetiva  na  organização  das  atividades  que 

página

contemplem os eixos da paralisação e da greve. Vamos intensificar nossas ações e 

central

envolver toda  a  comunidade  escolar.  Procure  sua  sub­sede  para  saber  quais  os  documentos necessários(sobre imposto de renda). 

o que  você  pode  fazer?  como  portadoras/es  do  desejo  de  igualdade  e  de  justiça...  devemos  nos  envolver  nas  ações  da  Marcha  das  Mulheres  para  que  cada  qual,  homem e mulher, tenha a sua voz e a sua vez, para que cada um de nós tenha do que  viver. Temos 2000 boas razões para marchar... 

Contribuições: poema ‘Poder do Gato’ da professora Lázara (EE Marechal Rondon –  Jaciara/MT) 

Página

Abril/2000 – 6 páginas 

Embora a  greve  seja  um  instrumento  drástico,  somente  por  este  processo  conseguimos alterar as condições de trabalho, de oferta e de qualidade na educação  do  estado.  Enfrentamos,  nas  três  décadas  e  meia  de  nossa  existência,  governos  autoritários... Não nos intimidamos! Não desistimos de avançar! Avançamos e não  temos dúvida disso. 

Permanecer em  greve  é  fundamental,  inclusive  para  que  possamos,  com  a  sustentação da categoria, fazer com o governo atenda nossas reivindicações com a  rapidez necessária. 

Contribuições: oração aos grevistas (não colocou o nome do autor)


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iii. Quando o funcionário aparece 

Funcionár ios

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Outubro Na citação da Lei da pauta de reivindicações (profissionais da educação).  Novembro  Crítica ao projeto Arara Azul para profissionalizar.  Numa convocação para reuniões e debates. 

Janeiro

Falando da conquista garantida em Lei.  Convite para permanecer mobilizados. 

Fevereiro Expressão: trabalhadores da educação.  Março 

Expressão: profissionais da educação. 

iv. Entrevista com a Diretoria do Sintep­MT  1.  Quantas Escolas há no Estado de Mato Grosso?  2.  Quantos professores e funcionários são associados?  3.  Quando surgiu o jornal do Sintep­MT? Com que objetivo?  4.  Há outros órgãos ou veículos do Sintep­MT?  5.  Quem é o responsável pelo Educação em Aler ta?  6.  Como são feitas as pautas e notícias? Quem participa?  7.  Que espaço tem o leitor para se manifestar?  8.  Quem recebe o jornal? Só os associados?  9.  Como vocês vêem o feed­back dos profissionais da educação aos encaminhamentos do  sindicato?  10. Como vocês se comunicam com a sociedade?  11.  Por que os associados confundem o sindicato com o Partido dos Trabalhadores? 

12. Há dados das desfiliações dos profissionais da educação?


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v. O Corpus  do  Educação em  Alerta 

Página número 1 

OUTUBRO/99 Logomar ca ­ Boletim Informativo + Educação  em Alerta ­ bandeira do Sintep­MT ­ filiados a  CUT  Manchete ­ 3 linhas ­ 18 palavras ­ não tem  verbo ­ "10 de novembro de 1999. dia Nacional 

de Paralisação e Protesto em Defesa do  Emprego e do Brasil"  Editor ial ­ com foto e texto­olho ­ texto de 70  linhas em 2 col (16x8cm) 

NOVEMBRO/99 Logomar ca ­ Boletim Informativo + Educação  em Alerta ­ bandeira do Sintep­MT ­ filiados a  CUT  Foto ­ pagina inteira  Manchete ­ "Educação aprova indicativo de 

greve" Subtítulo ­ "A decisão e de iniciar o ano 

letivo/2000 somente quando as reivindicações  forem atendidas" 

Texto­legenda


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JANEIRO/2000 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque  para o Educação em Alerta  Editor ial ­ 16 linhas em 1 coluna  Destaques ­ "Retrospectiva Sintep­MT 35 

anos/ Se muito ja fizemos, muito mais ainda  haveremos de fazer/ Só a luta garante  nossos direitos"  Foto ­ Com as inscrições ” A cada dia um 

compromisso com a vida e os números  1965, 1977, 1983, 1995, 2000.  Manchete ­ 1 linha ­ 4 palavras ­ corpo 16  ­ não tem verbo 

FEVEREIRO/00 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque  para o Educação em Alerta  2 Fotos ­ pagina inteira  Manchete ­ "Paralisação das atividades 

nos dias 9 e 10 de marco" ­ 1 linha ­ não  tem verbo ­ 10 palavras  Destaques ­ "Projeto Escola Jovem ­ 

Escola Ciclada Investimento a fundo  perdido/ Representantes do Sintep­MT  avalia escolarização da merenda/ Sintep  defende jornada única de 30 horas/  Decisões arbitrarias comprometem  posse dos concursados


88

MARÇO/00 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque para  o Educação em Alerta Foto ­ 12,4 x 6,7  Manchete ­ "Greve tem inicio definido " ­ 4  palavras em 1 linha  Chapéu ­ Conselho de Representantes e  Assembléia Geral Subtítulo ­ "10 de abril"  Texto­ 2 colunas ­ aumentou o corpo da letra  ­ 19 linhas  Destaque ­ "Semana Nacional de 

Mobilização / Alterações da Lopeb/ Eixos da  greve/ Certidões de Créditos 

ABRIL/00 Logomar ca ­ Novo símbolo ­ destaque para  o Educação em Alerta  Manchete ­ 5 palavras em 1 linha ­ sem  verbo ­ "Greve, um instrumento de luta"  Editor ial ­ 2 colunas ­ texto  Destaques ­ "Avaliação da resposta do 

governo/ Continuamos em greve/ Greve,  nosso direito”.  Char ge ­ 20 x 6,1cm


89

Página número 2  OUTUBRO/99  Pagina casada  (2ª e 3ª)  Titulo –  Pauta de reivindicações ­ 3 colunas de  textos 5,5x5,5cm ­ inter títulos e  mar cadr oes numér icos ­ salariais  concurso publico/ recursos/ seguridade  social (continua na pagina 3 

NOVEMBRO/99 Chapéu ­ Campanha Salarial Titulo ­  "Aprovado o indicativo de greve"  Texto ­ 7 x 12,5  Box ­ 7x8cm com ilustração de 2,8x5,3cm  Chapéu ­ "Profissionalização dos  funcionários"  Titulo ­ "A tentativa de vôo do Projeto  Arara Azul"  Texto ­ 11,2 x 10,6cm  Box ­ 15x7,5cm


90

JANEIRO/00 Pagina casada (2­3)  Uma coluna com a metade do título  Editor ial: título:  Retrospectiva Sintep­MT 35 anos – tudo  num Box  ilustr ação: 10,7x7,5  texto: 1 col 15,5x9,5  título: Só a luta garante nossos direitos  subtítulo: Nosso suor está valendo  texto: 10,8x9,2cm  texto: metade em numeração  título: se muito já fizemos, muito mais  ainda haveremos de fazer  texto: 11x8,5cm 

FEVEREIRO/00 Editor ial com uma ilustração de  8,8x5cm  Texto: 2 col de 23cm  Título: Nossa Agenda de cada dia  para 2000.


91

MARÇO/00 Editor ial  Título: Queremos uma escola nota dez – 2  colunas de 16x9,5  Box: 8,5x19,5 cm  Título: Eixos da greve e da paralisação 

ABRIL/00 Título: Continuamos em greve  Texto: 8x9,6 cm  Foto: 5x9,7cm  Chapéu: Assembléia Geral  2º texto:  título: Rumos do Movimento  texto: 8x9,5cm – 2col  Box: 7,5x20cm  Título: XI Congresso Estadual do  Sintep­MT


92

Página número 3 OUTUBRO/99  Página casada (2 ­3):  Continuação: Pauta de reivindicações;  Inter títulos e marcadores: Educacional.  Texto: 2 colunas de na folha inteira  Box: 1 coluna  Encaminhamento da Assembléia Geral 

NOVEMBRO/99 Chapéu: Projeto de Escola ciclada  Titulo: Conselho de representantes quer  que o Projeto seja discutido com toda a  comunidade escolar  Texto: 2 col 13,2x9,3  Ilustr ação: 2 ad. no texto  Título: A atribuição de classes e/ou aulas  texto: 2 colunas  Ilustr ação: 2  Texto: em duas colunas


93

OUTUBRO/99 Página casada (2 ­3):  Continuação: Pauta de reivindicações;  Int er títulos e marcadores: Educacional.  Texto: 2 colunas de na folha inteira  Box: 1 coluna  Encaminhamento da Assembléia Geral 

NOVEMBRO/99 Chapéu: Projeto de Escola ciclada  Titulo: Conselho de representantes quer  que o Projeto seja discutido com toda a  comunidade escolar  Texto: 2 col 13,2x9,3  Ilustr ação: 2 ad. no texto  Título: A atribuição de classes e/ou aulas  texto: 2 colunas  Ilustr ação: 2  Texto: em duas colunas


94

MARÇO/00 Título: Resumo das audiências  Texto: 3 col de 9,2x6  Chapéu: Lopeb  Titulo: Oportunismo do Governo  reduz direitos  Texto: 9,5 x 9,7  Ilustração: 3,7x3cm 

ABRIL/00 Titulo: Resposta do Governo não  atende reivindicações  Olho: 2x19,5cm  Box: 2 colunas 21x22  Texto de 2 colunas  18,2x9,2 e 11,8x9,2  ilustração: 9,2x6,4


95

Página número 4  OUTUBRO/99  Chapéu: Cut convoca – 1col de 26,2 x  8,7cm  Título: Dia Nacional de Paralisação e  Protesto  2º texto:  título: 12 e 13 de Novembro Conselho  de Representantes  subtítulo: 10 de novembro de 1999 –  dia nacional de paralisação e protesto  em defesa do Emprego e do Brasil  texto: 17,8x4cm/2col  Expediente: 7x8,5cm 

NOVEMBRO/99 Titulo: Governo diminui valor médio do  custo aluno através de portaria  Texto: 1 coluna 24,7x10  Ilustr ação adentrada no texto (5x3,5)  Título: Cantinho democrático – 4x9,2cm  Char ge: 65,x9,7cm  Expediente: 15,2z8xm


96

JANEIRO/00 Titulo: Sindicato somos todos nós  Subtítulo: Construindo um sindicato  livre, democrático e de luta  Texto: 24,7x10cm  Ilustr ação: adentrada no texto 5x3,5  2ª coluna:  cantinho democrá tico:  4x9,2cm 

char ge: 6,5x9,7  Expediente: 15,2x8 

FEVEREIRO/00 Pagina casada  Titulo: Decisões arbitrárias  comprometem a posse dos concursados  Texto: 2 colunas 11,8x9,5  Box: de 9,2 em 3 col.  Ilustr ação: 9,5x10  Texto: 14,5 – 1col  2º texto (p.5)  Chapéu: Acúmulo de cargo  Título: Sintep­MT defende jornada  única de 30horas de trabalho


97

MARÇO/00 Chapéu: jornada nacional em defesa e  promoção da educação pública  Titulo: Semana Nacional de  mobilização (2col)  Subtítulo: Retomando os eixos da  marcha  Ilustração: 5,6x5,8  Texto: 5,6 x 7 – 2 col  2º texto:  titulo: Temas da Semana Nacional de  Educação­2col  5x9,8cm/col  calendár io e mobilização  10,7 x 20cm 

ABRIL/00 Continuação da 3ª página:  2 colunas com ilustração de 9,5x12cm


98

Página número 5  FEVEREIRO/00  Titulo: Representantes do Sintep­MT  avaliam escolarização da merenda  Ilustração ad. 9,5x5,5  Texto: 14,5/2col  Continuação da p.04  Ilustração: 9x9  2º texto:  título: Deu na pesquisa – 11x10,7 

MARÇO/00 Chapéu: Certidões de créditos  Titulo: Certidão de crédito é rejeitada  como proposta de pagamento de juros  Texto: 8x9,5 – 2colunas  Box: 14,6x20,5  Titulo: Atenção: imposto de renda 1994­  1999  Texto: 6,8/2col * Ilustr ação: 5x16,8


99

ABRIL/00 Chapéu: Estágio probatório corte de  ponto/ reposição  Titulo: Greve, nosso direito  Subtítulo: Em virtude das declarações  do governo sobre corte de ponto e  outras ameaças aos trabalhadores em  greve, consideramos importante  esclarecer alguns itens:  Texto: 22,7 e 11,8/2col 

Página número 6  FEVEREIRO/00  Ger ais:  1ª coluna:  3 títulos pequenos com chapéus:  Trabalhadores rurais denunciam trabalho  escravo; demissões e atribuições de aula  aleatória em Rondônia; centro de direitos  humanos.  2ª coluna: notícia e comunicado  1º Box: 14,8x9,8 ­ rádio comunitária  2º Box: 10x9,2 – atenção desligados de 1995


100

MARÇO/00 Título: Marcha Mundial de Mulheres  Subtítulo: Que marcha é essa?  Inter titulo: o que você pode fazer  Texto: 12,4x20 – 1 coluna  Ilustração adentrada (4,5x3,5 e 8,8x4,7)  Pr opaganda – sintep on line (9,6x19,5  Pr opaganda disque salário – 3x20cm 

ABRIL/00 Or ação aos gr evistas – 14x11 com  ilustração  Pr ocesso eleitoral do sintep­MT 8x8cm  Memor ex – 13x11,1cm  Expediente: 15x8cm


101

Página número 7 

FEVEREIRO/00 Chapéu: For mação sindical  Titulo: Sintep­MT apresentea o programa de  formação  Ilustr ação – 7,8x3,8ad.  Texto: 10cm/2col  2º texto:  titulo: Projeto de construção da nova sede do  sintep­MT  foto – 12,1x7,2cm  texto: 7,2x7,4  Box: 6,4x20 

Titulo: Sintep­MT realizará seminário para  debater aposentadoria e fundo de pensão 

MARÇO/00 Br asil:  CNTE infor ma: mobilização nos estados  1º Box: Greve de funcionários públicos  em Rio Branco – 8,2x9,7cm  2º Box: Rio Grande do Sul mantém greve  – 8,5x9  3º Box: Paraíba entra em greve – 3,1x20  4º Box: 7,20  Br asil – outros 500 – 3,8x20 com  ilustração


102

Página número 8 

FEVEREIRO/00 Dia Internacional da Mulher – música Maria,  Maria  Humor  Agenda  Expediente 

MARÇO/00 Humor   charge  poder  do gato  expediente


103

j. Contribuições da Comunidade 

i. Carta dos pais  de alunos da  Escola


104

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL  COORDENAÇÃO DE ENSINO DE GRADUAÇÃO  FICHA DE AVALIAÇÃO DA MONOGRAFIA  I – PARTE ESCRITA  1.1  – CONTÉUDO 

1.2 – ESTILO E FORMA  DE APRESENTAÇÃO 

a) Objetivo do Estudo.  Até que ponto a delimitação dos objetivos  permitiu que seus propósitos fossem  alcançados?  NOTA:  0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10 

a) A redação foi clara, a linguagem precisa, as  idéias foram apresentadas com lógica e  continuidade?  NOTA:  0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10 

b) Metodologia. 

Se a  metodologia  utilizada  foi  apropriada  para alcançar os objetivos.  NOTA:  0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10  c)  Cor po do Tr abalho.  O desenvolvimento teórico, analítico de  resultado e de conclusão foram sistematizados  de maneira a possibilitar o atingimento dos  objetivos?  A bibliografia é atualizada?  NOTA:  0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10 

b) As tabelas, quadros, figuras, citações  bibliográficas, notas de rodapé, números,  abreviaturas, anexos, referências  bibliográficas, etc., seguiram as normas  técnicas? 

NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10 

(ITEM 1.2)  Média (a+b/2) = _____ x 2,0 (peso) = _____ 

(ITEM 1.1)  Média (a+b+c/3) = _____ x 5,0 (peso) = _____ 

II – PARTE ORAL  O conteúdo da exposição e da argüição, a postura, a gesticulação, a linguagem, os recursos didáticos e audiovisuais,  desenvolvidos ou apresentados durante a defesa oral foram satisfatórios? 

NOTA: 0 / 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10 X 3,0 (peso)  NOTA FINAL  1 – PARTE ESCRITA = ________  (ITEM 1.1)  2 – PARTE ORAL = ________  (ITEM 1.2) 

SOMA (PARTES I + II) = __________  SOMA/10 (NOTA FINAL) = ________ 

COMISSÃO DE AVALIAÇÃO:  ________________________ Ass. ___________  (Presidente) 

__________________________ Ass._______________  (Membro) 

________________________ Ass. ___________ 

__________________________ Defesa ____/____/___ 

(Membro)

(Nome da aluna)


2

Er r ata Página  Linha 

Onde se lê 

Leia­se

IV

1

Agradecimento

Agradecimentos

IV

5

conhecimento

conhecimentos

V

1

Sumario

Sumário

8

1

A escolha do tema e objetivos 

Democratização da comunicação 

da pesquisa  10 

6

só pôde ouviu 

só pôde ouvir 

17

11

Ela se caracteriza 

Ela caracteriza­se 

19

6

heregêneo

heterogêneo

20

28

se destacaram 

destacaram­se

24

1

estarão

Estará

30

17

auxilia­la

auxiliá­la

31

1

Spá que os... 

Spá para dizer que os... 

40

8

essa quantia 

essa quantidade 

45

11

está

estar

52

19

e que seja que suas 

e que sejam suas comunicações lidas 

comunicações sejam lidas por 

por todos. 

todos. 52 

28

Alegam que se 

Alegam, que se 

53

11

se recusou 

recusou­se

53

14

se declaram 

declaram­se

54

12

Graco, que afirma que 

Graco. Ele afirma que 

54

14

Isso porque esta 

Isso, porque, esta 

54

19

Você se sente 

Você sente­se

Educação em Alerta  

Estudo de caso: O jornal do Sintep-MT nas Escolas Estaduais 'Souza Bandeira' e 'Raimundo Pinheiro' - bairro Coxipó Autor: Antonia Alves Pere...

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