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Sumário e Editorial 03

DIRETOR: Sílvio Oliveira EDITOR: Wagner Galian DESIGN: Anse 2020 FOTOGRAFIA DA CAPA: Wagner GalianIMPRESSÃO: Workstation Soluções Gráficas, Lda.

04 BREVES 06 TEMA DE CAPA 09 INSTITUIÇÃO 12 ATIVIDADES 13 OPINIÃO 14 FORMAÇÃO 15 LIVROS

PROPRIEDADE: Abrigo de Nossa Senhora da Esperança Rua Manuel Vieira Neves da Cruz, 196 4475-037 Milheirós - Maia Tel. 22 207 37 90 Fax. 22 207 37 99 geral@anse.pt www.anse.pt PERIODICIDADE: Trimestral DISTRIBUIÇÃO Por correio personalizado PREÇO: Grátis EDIÇÃO Nº 37 Os conteúdos dos textos e as opiniões, ideias e conceitos expressas nos artigos publicados são da exclusiva e inteira responsabilidade dos seus autores, não refletindo necessariamente os pontos de vista da Direção da Revista.

Caros Amigos, Em tempos de pandemia, todos somos assolados por medos e inquietações, que se nos deparam, dia após dia, ao longo do percurso que temos, juntos, de percorrer. A nossa instituição, como todas as outras do setor social, não está nem estará imune a um inimigo, invisível e silencioso, que à espreita, ataca indiscriminadamente sem olhar para classes e/ou faixas etárias. Sabemos que são na população idosa, mais vulnerável por variadíssimos fatores, que os efeitos podem ser mais devastadores. Contudo, esta realidade não servirá de desculpa para nos abstermos de lutar, contra tudo e todos, em prole dos idosos de quem cuidados. Como disse Napoleão Bonaparte, a palavra impossível não consta no nosso vocabulário e com esta crença vamos ser capazes de, em equipa, seguirmos o nosso caminho, por vezes sinuoso e empedrado, mas seguiremos, sem olhar para trás, porque a Esperança faz parte do nosso nome, da nossa identidade.

Sílvio Carvalho de Oliveira Presidente

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“Não temas, eu venci o mundo”, disse Jesus Cristo. A ANSE vai querer dizer vencemos o vírus e, com isso, ficámos mais fortes.


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Breves

COMEMORAÇÃO DO DIA DE REIS No dia 6 de janeiro, foi comemorado na ANSE o Dia de Reis.

DIA DE SÃO VALENTIM No dia 14 de fevereiro o Atelier de Culinária da Academia Sénior da ANSE foi dedicado ao dia de S. Valentim.

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TARDE DE FADOS NA ANSE No passado dia 22 de janeiro os nossos Utentes puderam disfrutar de uma agradável Tarde de Fados.

PRÁTICA DA ESCRITA No passado dia 6 de fevereiro os nossos Utentes participaram numa classe dedicada a prática da escrita.


Breves 05

CARNAVAL NA ANSE

COMEMORAÇÃO DO DIA DO PAI

No passado dia 21 de fevereiro, os alunos do 7º C do colégio Novo da Maia e os Utentes da ANSE comemoraram o Carnaval.

No dia 19 de março foi oferecido uma lembrança para assinalar o Dia do Pai na ANSE.

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DIA INTERNACIONAL DA MU LHER

CONSIGNAÇÃO DO IRS

No passado dia 6 de março na ANSE, foi comemorado o Dia Internacional da Mulher.

No dia 19 de março foi dado início a mais uma campanha de Consignação do IRS.


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Tema de capa

AS INFEÇÕES E OS DESAFIOS ASSOCIADOS Atravessamos um momento novo para todos a nível mundial com o surgimento de uma nova estirpe de vírus - SARS-COV2 (Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2), capaz de causar doença em humanos. Trata-se de um vírus pertencente à família de vírus SARSr-COV2, que abrange outros 6 coronavírus capazes de provocar doença em humanos e onde se incluem muitas outras estirpes de coronavírus que “vivem” habitualmente nos morcegos e outros animais. Estes vírus podem causar desde sintomas gripais leves a doenças mais severas como a síndrome respiratória do médio oriente (MERS - 2012), síndrome respiratória aguda grave (SARS 2002-2003) e, mais recentemente, a doença COVID 19. Estamos perante um vírus que não era previamente conhecido e que levou a que a forma como vivemos o nosso dia-a-dia tenha vindo a sofrer adaptações diárias, desde pequenos gestos de higiene e medidas de evicção de contacto social próximo, como medidas mais abrangentes e de imposição por parte do governo, como o estado de emergência ou até, como verificado em alguns países, medidas de quarentena obrigatória para toda a população. Apesar do destaque que compreensivelmente tem sido dado ao SARS-COV2, continuamos a ter outras fontes de infeção mais comuns, causadoras de doença e para as quais importa manter o alerta. Assim, é importante lembrar as principais infeções associadas aos cuidados de saúde, principalmente em contexto de lares, uma vez que estas possuem particularidades associadas à sua deteção e tratamento pelo tipo de população a que se dirigem e pelo contexto ambiental em que acontecem. Importa igualmente salientar as principais formas de transmissão de doenças infeciosas de forma a que possam ser tomadas medidas preventivas de contágio, não apenas durante os períodos de pandemia mas ao longo de todo ano, tanto pelos profissionais como pelos residentes de forma a reduzir o impacto das intercorrências infeciosas: morte, limitação funcional, síndrome de

fragilidade, diminuição da qualidade de vida, complicações de tratamento, internamentos e aumento de custos associados a cuidados de saúde. As infeções (todas) são a principal causa de morte para cerca de 33% das pessoas com idade acima dos 65 anos e são causa importante de morbilidade em idosos, exacerbando outras doenças prévias e o declínio funcional. Fatores biológicos como o aumento da esperança média de vida que acarreta uma menor capacidade do sistema imunitário e sociológicos, contribuem para uma maior suscetibilidade das pessoas idosas para as infeções e uma menor capacidade para o seu combate. Estes fatores (biológicos) podem inclusive alterar a forma de apresentação dos síndromes infeciosos, sendo necessária uma vigilância mais apertada durante o seu curso e tratamento. Para o tratamento devem ser tidas em conta particularidades das populações idosas (por ex. eliminação mais lenta de alguns fármacos, sendo necessário o ajuste de doses) e riscos potenciais associados a cada tratamento, devendo com empenho, ser privilegiada a abordagem centrada no doente e não na doença. As instituições de longa permanência representam um grupo particular de instituições prestadoras de cuidados de saúde, nas quais se incluem os lares (ERPI - Estrutura Residencial para Pessoas Idosas), e que, em algumas situações, são não só a “casa” dos seus residentes, mas também o local onde obtêm cuidados de médicos, de enfermagem e de apoio psicossocial. Pelas suas características muitos particulares, os lares são locais que possuem um ambiente único e favorável à transmissão de infeções entre os seus residentes.

Infeções mais frequentes As infeções que mais frequentemente afetam as pessoas residentes em lares são:


Tema de capa 07

Infeções das Vias Respiratórias (infeções respiratórias “comuns”, gripe por influenza, pneumonia). As vias respiratórias são mais vulneráveis à infeção do que outros locais, pela entrada facilitada de microrganismos durante a inspiração. As infeções víricas são responsáveis por cerca de 90% de todas as infeções das vias respiratórias, mais comuns no inverno, que se dividem em infeções das vias respiratórias superiores (nariz, seios nasais, orofaringe, faringe e laringe) e infeções das vias respiratórias inferiores (traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos), sendo comum a coexistência de infeção em vários locais. O rhinovirus é o principal responsável pela maioria das infeções respiratórias ditas comuns. Durante o período entre novembro e março verifica-se um aumento do número de casos de gripe que está associada. É necessário adaptar a prescrição terapêutica a cada caso, tendo em conta a maior suscetibilidade da população idosa. Os antibióticos podem proporcionar um benefício, que é moderado, nas infeções respiratórias ditas comuns (Infeções da Vias Aéreas Superiores e Bronquite Aguda) relativamente à possibilidade de reações adversas e o risco de resistência; Infeções do trato urinário são a fonte mais comum de infeções entre pessoas residentes em lares bem como a maior causa de utilização de antibióticos. Os fatores predisponentes a este tipo de infeções nesta população estão relacionados com a maior prevalência de hipertrofia prostática benigna e prostatite nos homens, atrofia vaginal e défice de estrogénios nas mulheres, diabetes, bexiga hiperativa, demência, desidratação e diminuição da capacidade funcional são fatores de risco transversais a ambos os sexos. Nesta situação importa salientar que o rastreio de infeção urinária (por tira de teste ou exame bacteriológico) e o seu tratamento apenas está indicado se houver presença de sintomas urinários ou sinais de doença sistémica, que devem ser adaptados à população idosa; Infeções do trato intestinal (diarreia) também são comuns em lares. As formas de transmis-

são incluem pessoa-pessoa, comida contaminada e transmissão pelo ar. Dentro deste grupo de infeções e particularmente na população residente em lares, destaca-se a infeção pela bactéria clostridium difficile, que é favorecida pela maior utilização de antibióticos nesta população; Infeções da pele e tecidos moles estão maioritariamente relacionadas com infeção de úlceras de pressão, escabiose (sarna) e infeções fúngicas. Para a reduções deste tipo de infeções são usadas estratégias como o recurso a superfícies de suporte, posicionamento adequado e regular e cuidados regulares com a pele; Infeções oculares também podem ocorrer com maior frequência no contexto de lar comparativamente à comunidade, sendo que a incidência de infeções oculares bacterianas é previsivelmente baixa.

Maior suscetibilidade a infeção em pessoas idosas Os fatores que contribuem para uma maior suscetibilidade às doenças infeciosas são essencialmente 3: 1. diminuição das defesas do hospedeiro; 2. estilos de vida; 3. condições domésticas. Com o avanço da idade ocorre uma diminuição na capacidade de resposta das defesas do organismo por diversas razões. Por exemplo, por um processo chamado imunosenescência, no qual ocorrem alterações tanto na quantidade como na qualidade da resposta do sistema imune. Daí advém um risco aumentado de doença por orga nismos capazes de causar doença. Para isso contribuem outros fatores: • Doenças crónicas como a diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica, insuficiência cardíaca, hipertrofia benigna da próstata, reflexo da tosse e da sede diminuídos; • Os prejuízos na capacidade funcional que possam ocorrer nas pessoas idosas (por exemplo, imobilidade, incontinência, dificuldade em engo-


08

Tema de capa

lir) podem complicar o processo de envelhecimento e aumentar a suscetibilidade à infeção; • A exposição a alguns medicamentos; • A desnutrição e desidratação também são fatores que contribuem para um maior risco de infeções. Os estilos de vida também podem ser foco de maior suscetibilidade infeciosa. Nos países ocidentais, algumas pessoas idosas utilizam o seu tempo livre para por exemplo, viajar, praticar hobbies, fazer trabalho voluntário, ir visitar amigos que possam estar doentes, visitas regulares ao seu médico e outros padrões de socialização, que expõe esta população a infeções que podem ser transmitidas ou adquiridas nos cuidados de saúde. Quando falamos de populações residentes em lares, falamos de um ambiente que simula o que acontece na sociedade relativamente aos estilos de vida, de uma forma mais concentrada. Um estudo ilustra os principias agentes patogénicos causadores de infeções respiratórias na população residente em lares, tendo sido maioritariamente influenza A, influenza B, vírus sincíclia respiratório, coronavírus, vírus parainfluenza e Rhinovírus, que são os vírus causadores das infeções respiratórias ditas “comuns” e que mais frequentemente causam doença na comunidade. A diferença aqui, prende-se precisamente com as razões biológicas descritas anteriormente, que fazem com que esta população seja mais vulnerável e tenha maior risco de contrair doença potencialmente grave. As condições de alojamento da população idosa variam desde alojamentos privados na comunidade a lares, que estão normalmente munidos de cuidadores formais e diversos níveis de apoio diferenciado. Aproximadamente 90% dos residentes em lares cai na faixa etária geriátrica (>65anos). Como um grupo, estas pessoas apresentam praticamente todos os fatores de risco para propagação de infeções, fazendo com que ocorram frequentemente neste cenário. Das infeções mais comuns em lares referidas em cima, sa-

lienta-se aquelas que são normalmente “endémicas” nos lares: infeções do trato urinário, vias respiratórias e pele. Pessoas idosas com infeção podem não apresentar os sintomas típicos como febre e dor focalizadora, podendo a febre estar ausente em 30-50% dos casos. Neste sentido, é necessária uma maior vigilância de outos sinais (perda de apetite, queda, confusão, alterações do estado de consciência) que embora sejam pouco específicos e esclarecedores do diagnóstico, levantam alerta para a necessidade de avaliação adicional em meio hospitalar. Independentemente de estarmos a viver um tempo onde infelizmente, este assunto entrou nas nossas vidas de uma forma forçada, devemos aprender e perpetuar alguns hábitos relacionados com a evicção de propagação de doenças infeciosas e que agora somos obrigados a ter mais presentes nas nossas vidas. Independentemente de estarmos em pandemia e principalmente no contexto das ERPI, devemos sempre adotar todas as condutas para evitar a propagação de doenças infeciosas. O que pode fazer para prevenir a propagação de doenças infeciosas? (adaptado) • Lavar regularmente e cuidadosamente as com água e sabão; • Manter pelo menos 1 metro de distância relativamente a qualquer pessoa com tosse e espiros; • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca se tiver de o fazer, lavar as mãos antes; • Incentivar todos a cobrir a boca e o nariz com o cotovelo ou tecido dobrado quando tossir ou espirrar; • Isolamento em caso de sintomas; • Se tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, contactar linha SNS24 ou no lar, informar os cuidadores; • Evitar viagens ou saídas, ainda que pequenas, nos períodos em que possa ter sintomas, ainda que ligeiros. André Graça

Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar


Instituição 09

COMEMORAÇÃO DO DIA DE REIS No dia 6 de janeiro, foi comemorado na ANSE o Dia de Reis com a atuação do “Grupo de Cantares de Valongo”.

TARDE DE FADOS NA ANSE No dia 22 de janeiro os nossos Utentes puderam relembrar momentos do passado e disfrutar de uma agradável Tarde de Fados.


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Instituição

DIA DE SÃO VALENTIM

CARNAVAL NA ANSE

No dia 14 de fevereiro no Atelier de Culinária as nossas Utentes confecionaram um doce em forma de um coração, feito em massa folhada, barrados com chocolate e decorado com um morango colocado por cima.

No passado dia 21 de fevereiro, os alunos do 7º ano do colégio Novo da Maia e os Utentes da ANSE comemoraram o Carnaval. Foram momentos de muita alegria e boa disposição.

No Colégio Novo da Maia, no âmbito de Cidadania e Desenvolvimento, os professores têm como missão preparar os alunos para a vida, para serem cidadãos democráticos, participativos e humanistas, num contexto de diversidade social e cultural crescente, no sentido de promover a tolerância e a não discriminação, bem como de suprimir os radicalismos violentos. Como defendia Kant, para se ser verdadeiramente homem não basta ser apenas homem, precisamos de aprender a ser pessoas.


Instituição 11

A Professora Carla Capela, Diretora de Turma do 7ºC, desafiou os seus alunos a investirem no voluntariado como veículo de aprendizagem pela ação e o resultado foi o nascimento de uma cooperação com a ANSE – Abrigo Nossa Senhora da Esperança. Motivados por este desafio, os alunos projetaram um calendário de atividades a dinamizar com o lar a que chamaram #maisfamilia. As atividades variam entre workshops de tecnologia do ponto de vista do utilizador, a aulas de dança adaptadas, sessões de bingo, apresentações dramáticas e, até, desfiles de moda. Todas as atividades propostas são analisadas pelos responsáveis ANSE de forma a garantir que se adequam à faixa etária.

DIA INTERNACIONAL DA M U LHER No dia 6 de março na ANSE foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. Para marcar este dia tão importante, foi oferecido uma lembrança a todas as senhoras residentes.

COMEMORAÇÃO DO DIA DO PAI

Para começar em grande esta cooperação, os alunos foram convidados a participar na Festa de Carnaval da instituição. A experiência foi um sucesso para todos! Desde linhas de conga em cadeira de rodas até partilhas de histórias. Houve tempo para tudo, inclusive para lágrimas de alegria! Prof. Carla Capela Diretora de Turma 7ºC “Colégio Novo da Maia”

No passado dia 19 de março não deixamos passar em branco, foi oferecido uma lembrança feita no Atelier de Artes pelos nossos Utentes para simbolizar o super herói que existe em cada pai residente na ANSE.


12 Atividades

VICE-VERSA DO SABER Foi uma iniciativa que decorreu nas instalações da ANSE Maia, onde os alunos do 7º ano do Colégio Novo da Maia partilharam histórias com os nossos Utentes e vice-versa.

ATELIER DE CULINÁRIA No Atelier de Culinária da Academia Sénior da ANSE as nossas Utentes confecionaram “Enroladinhos de Salsicha”.

ATELIER DE CULINÁRIA No Atelier de Culinária da Academia Sénior da ANSE as nossas Utentes confecionaram “Enroladinhos de Salsicha”.


Opinião 13

TEMPO PASCAL APÓS CAMINHADA QUARESMAL Com a situação atual não queremos evocar apenas um acontecimento do passado, mas fazer memória pelo que acontece nos dias de hoje. “A maior pandemia, tipo Tsunami dos últimos 45 anos! Disse um Antropólogo: Não esqueçamos que quando a China se constipa o mundo fica de cama! Gratidão por todos os que são sinal de proximidade com os mais frágeis e desprotegidos no âmbito humano: • Saúde, segurança, sociológico e económico; • Unidade na diversidade do sentimento,sofrimento e luto. É preciso ultrapassar o medo, esta crise não se vai resolver fechando-nos nos nossos interesses e comodidades, não é admissível que haja portugueses que não têm de comer e onde dormir!

O medo não gera solidariedade e não nos torna melhores (...) Neste tempo emerge um medo particular, o “coronavirus”, que abrange todos os níveis da nossa existência e do nosso relacionamento pessoal, social, económico e político; e, como sempre, a reação primária é passar culpas e encontrar culpados. É absurdo dizer “parem de se preocupar” ou “não há motivo para entrar em pânico”, porque nunca há um bom motivo para entrar em pânico. O pânico – palavra que vem daquelas ovelhas que o deus Pan, adorava assustar – está sempre ligado ao medo exagerado e incontrolável. (in filos francês). O medo não gera solidariedade e não nos torna melhores. O que acontece por medo, na quase totalidade, é ditado por um interesse pessoal, verdadeiro ou pensado como tal. Sob a sua alçada prolifera o carrosel dos defeitos humanos, prontos a retomar a centralidade na nossa existência

logo que o medo passe para uma lembrança passada. (...) Só a aquisição de uma profunda consciência interior pode contrariar os efeitos, nefastos do medo, no que diz respeito ao relacionamento com o outro.

Apesar disso, não podemos colocar o valor da vida acima de tudo, pois existem valores maiores (...) Não podemos controlar se iremos ficar doentes ou não. Podemos lavar as mãos (não esquecendo que há milhões de pessoas que não se podem dar a esse luxo) e devemos seguir as recomendações de higiene e segurança. Devemos preocupar-nos connosco e com os nossos, claro, mas também com os sistemas de saúde (que a maioria da população mundial não tem) e com o modo como os mais pobres sobreviverão a esta crise. Apesar disso, não podemos colocar o valor da vida acima de tudo, pois existem valores maiores sem os quais a vida deixa de ser verdadeiramente humana: a proximidade com os mais frágeis, o dever de acompanhar os doentes e não abandonar os idosos. Mais do que valores evangélicos, são deveres universais. Esta crise põe a nu não apenas a fragilidade da nossa vida, mas também a fragilidade da democracia, da economia, da justiça, da liberdade, da solidariedade, da saúde, da educação...

Diácono Jorge Moreira


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Formação

SAÚDE - NECESSIDADES INDIVIDUAIS EM CONTEXTO INSTITUCIONAL No passado dia 4 de março no Centro de Formação da ANSE, foi dado início a mais uma ação de formação certificada pela DJERT, tendo como objetivos gerais: • Executar os cuidados de higiene totais e parciais da pessoa Idosa; • Executar as medidas de higiene geral relativas ao meio ambiente que envolve a pessoa Idosa; • Executar as medidas de promoção do bem-estar da pessoa Idosa; • Reconhecer a realidade das Instituições de apoio à pessoa Idosa. Esta ação de formação tem a duração de 50 horas.


Livros 15

EDUCAÇÃO DOS GAFANHOTOS

DAVID MACHADO - DOM QUIXOTE

No Verão de 2001, David e Marco celebram o fim do curso com uma viagem pelos Estados Unidos, para fugirem das rotinas, das convenções, das famílias, e para, à sua maneira, gozarem a independência. A Educação dos Gafanhotos é a história dessa marcante aventura: das dificuldades que os dois jovens amigos têm de ultrapassar, das conversas insólitas que travam com quem vão conhecendo, das longas noites passadas em bares da América profunda, das personagens que, a todo o instante, encarnam. É também o relato do abalo provocado neles pelo ataque terrorista do 11 de Setembro. Na senda da viagem fascinante de Índice Médio de Felicidade, com a maturidade de Debaixo da Pele, o presente romance é um retrato de uma juventude em plena efervescência, para quem a literatura é um passaporte para a liberdade e a quem a realidade por vezes troca as voltas. Disponível nas livrarias

APRENDER A FALAR COM AS PLANTAS

MARTA ORRIOLS - DOM QUIXOTE

Paula Cid é uma neonatologista de 42 anos. Apaixonada pelo seu trabalho e mergulhada na rotina de um relacionamento acomodado, perde o companheiro num acidente poucas horas depois de ele a ter convidado para um almoço em que lhe disse que havia outra mulher na sua vida e ia sair de casa. Juntamente com o choque de uma morte estúpida e prematura, Paula terá, pois, de enfrentar o desgosto de ter sido abandonada e de lidar não apenas com o luto, mas sobretudo com o ressentimento e o rancor. Aprender a Falar com as Plantas confirmou Marta Orriols, que já tinha publicado contos, como uma das autoras espanholas mais interessantes da atualidade. Vencedor dos prémios Òmnium e L’Illa dels Llibres, o romance reflete os meandros da alma feminina, levando-nos em segundos da dor à ternura, do sorriso à emoção mais dramática. Marta Orriols estará em Portugal de 17 a 21 de Fevereiro para promover este romance e participar, na Póvoa de Varzim, no Festival Literário Correntes d’Escritas. Disponível nas livrarias

A FÁBULA

WILLIAM FAULKNER - DOM QUIXOTE A Fábula, uma história alegórica da Primeira Grande Guerra, passada nas trincheiras em França e que retrata um motim num regimento francês, foi originalmente considerada um afastamento vincado das obras anteriores de Faulkner. Nos últimos tempos começou a ser considerado como um dos seus principais romances e uma parte essencial da obra do autor. O próprio Faulkner combateu na guerra, e as descrições que faz dela «ascendem ao magnífico», segundo o New York Times, e incluem, nas palavras de Malcolm Cowley, «algumas das cenas mais poderosas que Faulkner alguma vez concebeu.» Este romance foi galardoado com o Prémio Pulitzer bem como com o National Book Award em 1955. Disponível nas livrarias

TODOS DEVEMOS SER FEMINISTAS

CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE (TEXTO) E LEIRE SALABERRIA (ILUSTRAÇÕES) - DOM QUIXOTE

Além de ser uma escritora notável e um modelo para as novas gerações, Chimamanda Ngozi Adichie é uma voz do feminismo e uma defensora da igualdade e dos direitos humanos. A sua palestra Todos Devemos Ser Feministas deu origem a um livro e, agora, a esta edição ilustrada e adaptada ao público mais jovem. Disponível nas livrarias


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Revista ANSE nº 37 - Abr/Mai/Jun 2020  

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