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2011

Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto

Escola E.B. 2,3 Passos José - Guifões


Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto

De há uns anos a esta parte, os relatórios de organismos nacionais e internacionais vocacionados para a avaliação do desempenho dos sistemas de ensino/aprendizagem têm mostrado uma situação pouco agradável do sistema de ensino português e do fraco desempenho dos nossos estudantes numa percentagem muito elevada. E a Matemática surge geralmente como a área onde o insucesso é maior. No entanto, ao longo dos tempos, sempre houve em Portugal o culto das Ciências Matemáticas, e matemáticos de grande nível científico, mesmo com distinção internacional. Na toponímia portuense encontramos alguns daqueles matemáticos, cujo mérito, talento e obra a Câmara Municipal do Porto, ao longo dos tempos, tem querido homenagear. Nestes “livro” despretensioso, que intitulamos “ Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto” pretendemos, somente, dá-los a conhecer um pouco mais, para além dum nome e duma data gravados numa placa colocada numa rua ou praça da cidade do Porto. Página 2


Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto

Índice

Alameda do Professor Ruy Luís Gomes ................................................................................................. 4 Avenida de Sidónio Pais ........................................................................................................................ 7 Praça de Gomes Teixeira ....................................................................................................................... 8 Praça de Pedro Nunes ........................................................................................................................... 9 Rua de Bernardino Machado .............................................................................................................. 11 Rua de José Falcão .............................................................................................................................. 12 Rua de Luís Woodhouse ...................................................................................................................... 14 Rua de Pedro Hispano ......................................................................................................................... 15 Rua do Professor Bento de Jesus Caraça ............................................................................................ 16 Rua do Professor Duarte Leite ............................................................................................................ 18 Rua do Professor Jayme Rios de Sousa ............................................................................................... 19 Rua do Professor Manuel Gonçalves Pereira de Barros ..................................................................... 20

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Alameda do Professor Ruy Luís Gomes Situa-se na freguesia da Aldoar.

Ruy Luís Gomes Ruy Luís Gomes nasceu no Porto em 5 de Dezembro de 1905. O seu pai, António Luís Gomes, tinha sido político na primeira república. Licenciou-se em Matemática, na Universidade de Coimbra e doutorou-se em 1928. Em 1929 tornou-se Professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde entrou como assistente de Álgebra Superior e de Geometria Projectiva. Em 1930/31 foi encarregado da regência da cadeira de Física-Matemática. Em 1933 tornou-se Professor Catedrático, com 28 anos. Foi director do

(1905-1984)

Gabinete de Astronomia, tendo promovido a instalação de um

observatório astronómico escolar no Monte da Virgem. Em 18 de Fevereiro de 1942 fundou o Centro de Estudos Matemáticos do Porto, anexo à Faculdade de Ciências. O grupo de apoio deste Centro era constituído pelos matemáticos: António Aniceto Monteiro (1907-1980), António Almeida e Costa (1903–1978), Ruy Luís Gomes, Luís Neves Real (1910-1985), Gonçalves Miranda, Pereira de Barros e Pereira Gomes. Foi eleito presidente da Comissão Distrital do Porto do Movimento de Unidade Democrática (MUD), tendo integrado as suas listas, razões pelas quais veio a ser preso. A morte do Prof. Abel Salazar (1889-1946), anteriormente demitido das suas funções universitárias pelo governo, provocou manifestações de descontentamento e de protesto contra o Estado Novo e pela instauração de um regime democrático. Ruy Luís Gomes foi um dos mais activos intervenientes e, por isso, foi novamente preso. Apoiou a candidatura do General Norton de Matos (1867-1955) à presidência da República. Entretanto o MUD tinha sido ilegalizado pelo governo. Foi então decidido Página 4


Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto por alguns membros deste Movimento fundar um outro, que se veio a denominar Movimento Nacional Democrático (MND), de que Ruy Luís Gomes seria presidente. Após a elaboração de um documento que proclamava os princípios defendidos pelo MND, Ruy L. Gomes foi, mais uma vez, preso. Voltou a ser preso, quando começaram os problemas em Goa, Damão e Diu. Em 1947, foi demitido das suas posições na Universidade no Porto por motivos políticos. Em 1951, foi proposto como candidato à Presidência da República, a par do Contra-Almirante Quintão Meireles, contra o candidato do regime, o General Craveiro Lopes, mas a sua candidatura foi reprovada pelo Conselho de Estado, entretanto criado pelo governo de Salazar. Ruy L. Gomes comentava sobre este episódio: “Pela primeira vez eu reprovei na vida, a primeira reprovação que tive foi como candidato à Presidência da República.” (cit. in Evocação do Prof. Ruy Luís Gomes, 1996) Em 1957 foi preso mais uma vez, juntamente com outros dirigentes do Movimento Nacional Democrático (MND), e julgado dez meses depois pelo Tribunal Plenário do Porto, tendo sido condenado a 24 meses de prisão. Em 1958 deixou Portugal e foi viver para a Argentina, tendo aceite a convite de António Aniceto Monteiro para regência de cursos de Análise Matemática, da licenciatura de Matemática no Instituto de Matemática da Universidade Nacional del Sur, na cidade de Bahia Blanca. Em 1962 foi para o Brasil, para a Universidade Federal de Pernambuco, onde já estavam Zaluar Nunes, Pereira Gomes e José Morgado. Após o 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal, onde chegou a 10 de Junho de 1974. Aceitou o cargo de membro do Conselho de Estado e assumiu as funções de Reitor da Universidade do Porto. Foi reitor nos anos de 1974 e 1975, tendo-se jubilado em 5 de Dezembro de 1975. Contribuiu para o lançamento do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, e continuou a desenvolver trabalho em matemática e a colaborar com a Sociedade Portuguesa de Matemática, tendo falecido no dia 27 de Outubro de 1984. Doutorou-se pela Universidade de Coimbra em 1928, com a apresentação e defesa da tese intitulada Desvio das Trajectórias de um Sistema Holónomo. Em 1933 tornou-se regente da cadeira de Física Matemática do último ano da Licenciatura em Ciências Matemáticas. Em 1933 apresentou provas públicas para Professor Catedrático, com a dissertação Sobre a Estabilidade dos Movimentos de um Sistema Holónomo. Nas suas aulas de Física-Matemática introduzia novos problemas em cuja resolução procurava envolver os seus alunos. Leccionou diversas vezes cursos de Teoria da Relatividade, Teoria do Potencial, Teoria da Medida e Integração, Espaço de Hilbert e Mecânica Quântica. Página 5


Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Entre outras actividades relevantes, destaca-se a participação de Ruy Luís Gomes no esforço de dinamização da matemática em Portugal que se materializou na fundação da revista Portugaliae Mathematica, em 1937, dedicada à investigação, e da Gazeta de Matemática, fundada em 1939, dedicada à divulgação, e ainda na fundação da Sociedade Portuguesa de Matemática, em 1940. Entretanto, fundava-se em Lisboa, no então ISCEF, o Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, em 1938, e o Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa, em 1940. Em 1943 foi fundada por Mira Fernandes, António Monteiro e Ruy Luís Gomes a Junta de Investigação Matemática, à qual aderiram muitos dos matemáticos portugueses da época. Esta Junta tinha por objectivos a promoção do desenvolvimento da investigação científica, a sistematização e coordenação da investigação científica dos matemáticos portugueses, o estabelecimento de relações com o movimento matemático de outros países e o incentivo do interesse dos jovens pela investigação matemática. Na Universidade de Pernambuco, a par das suas actividades lectivas, Ruy Luís Gomes assumiu, juntamente com José Morgado, a direcção da colecção Textos de Matemática. Pouco depois, os dois matemáticos fundaram duas novas colecções Notas e Comunicações de Matemática e Notas de Curso. Ambos tiveram uma acção determinante na formação de futuros doutorados. Em 1967, Gomes e Morgado fundaram um curso de mestrado em Matemática na UFPE, que adquiriu prestígio assinalável, tendo formado muitos mestres e contribuído, também, para a formação de doutores.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Avenida de Sidónio Pais Situa-se na freguesia de Ramalde.

Sidónio Pais

Sidónio Pais nasceu em Coimbra no dia 1 de Maio de 1872. Fez o curso de Artilharia na Escola do Exército e concluiu, em 1898, o curso de Matemática na Universidade de Coimbra, onde foi professor catedrático. Ministro do Fomento em Agosto de 1911, assumiu a pasta das Finanças em Novembro do mesmo ano e, entre 1912 e 1916, foi ministro de Portugal em Berlim. Foi eleito Presidente da República no dia 9 de Maio de 1918, na primeira eleição por sufrágio universal. Foi abatido a tiro por um fanático, na estação do Rossio, no dia 14 de Dezembro de 1918, quando se preparava para embarcar para o Porto, na busca de apoio para as suas reformas.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Praça de Gomes Teixeira Situa-se na freguesia da Vitória.

Gomes Teixeira Francisco Gomes Teixeira nasceu em S. Cosmado - Armamar, no distrito de Viseu, a 28 de Janeiro de 1851. Concluiu a licenciatura em Matemática, na Universidade de Coimbra, no dia 8 de Janeiro de 1875 e, nesse mesmo ano, concluiu o doutoramento. Em 1883, foi nomeado lente da Academia Politécnica do Porto. De 1911 a 1918 foi Reitor da Universidade do Porto. Em 1887 fundou o Jornal de Ciências Matemáticas e Astronómicas, que dirigiu até 1932. Graças aos seus 20 trabalhos científicos de alta valia foi considerado o mais notável matemático da Península Ibérica do seu tempo. Destacam-se: Curso de Análise Infinitesimal; Cálculo Diferencial 1887-1892 (em dois volumes); Sobre o Desenvolvimento das Funções em Série 19; Tratado de las Curvas Especiales Notables Tanto Planas com Alabeadas (1900); Obras sobre Matemática 19041915 (sete volumes). Morreu no Porto no dia 8 de Fevereiro de 1933.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Praça de Pedro Nunes Situa-se na freguesia de Cedofeita.

Pedro Nunes Pedro Nunes foi um cosmógrafo e principalmente Matemático português, oriundo de Alcácer do Sal, onde nasceu em 1502, e morreu em 1578, com 76 anos de idade, em Coimbra. Pedro Nunes era de ascendência Judaica. Fez os seus estudos em artes, medicina e matemática, de 1520 a 1526, ano em que se tornou bacharel. Pensa-se que, posteriormente, terá frequentado a Universidade de Alcalá de Henares. Já em Lisboa, foi nomeado, por alvará régio de 16 de Novembro de 1529, cosmógrafo do reino, sendo então admitido, através de concurso, para a Universidade de Lisboa, a 4 de Dezembro de 1529, para leccionar filosofia moral. Posteriormente, veio a assegurar, também, as cadeiras de lógica e metafísica. Com a transferência da Universidade para Coimbra, em 1537, Pedro Nunes mudou-se também para lá, onde continuaria a ensinar, até 4 de Fevereiro de 1562, ano da sua reforma. Em 1572, estava de novo em Lisboa, no exercício do cargo de cosmógrafo-mor do reino, dando cursos de cosmografia e náutica aos pilotos das carreiras portuguesas. A mais original das suas obras intitula-se De Crepusculis (1542), onde descreve a sua principal e mais conhecida invenção – o Nónio. Este pequeno invento é uma pequena régua que desliza ao longo de outra e permite avaliar fracções da menor divisão desta última. Um outro invento, o Nónio Circular, é uma pequena peça circular que desliza ao longo da circunferência de um círculo graduado e cuja construção e uso são análogos ao do Nónio Rectilíneo. Pedro Nunes também inventou as linhas de rumo, mais tarde designadas Loxodromias. Publicou numerosas obras, como o Tratado de Sphera (1537), um resumo do Tratado de Sacrobosco – Astromici Introductori de Sphaera Epilone; o já referido De Crepusculis e o De Arte

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Navigandi Libri Duo (1573), entre outros. A sua obra científica coloca-o entre os maiores matemáticos do seu século.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua de Bernardino Machado Situa-se na freguesia de Lordelo do Ouro.

Machado Guimarães (Bernardino Luís). Presidente da Republica Portuguesa, nasceu no Rio de Janeiro a 28 de Março de 1851. Filho do 1.º barão de Joane, António Luís Machado Guimarães, e de sua segunda mulher, D. Praxedes de Sousa Guimarães. Vindo para Lisboa, em criança, conclui os estudos secundários no Porto. Matriculou-se em Outubro de 1866 em Matemática e Filosofia da universidade de Coimbra, onde cursou Matemática e Filosofia Natural. Formou-se em 1873, apresentando e defendendo, a 14 de Janeiro de 1875, o trabalho que tinha como título Teoria Mecânica na Reflexão e na Refracção da Luz. Doutorou-se a 9 de Junho de 1876, defendendo a tese Deduções das Leis dos Pequenos Movimentos da Força Elástica e concorreu a professor com o trabalho Teoria Matemática das Indiferenças. Em 1882 filiou-se no Partido Regenerador, tendo ficado a cargo da pastas das Obras Públicas, Comércio e Indústria em 1893. Foi grão-mestre da Maçonaria. Tendo aderido ao Partido Republicano, tornou-se seu presidente em 1903. Proclamada a República, foi ministro dos Estrangeiros, depois embaixador no Brasil. Eleito presidente da República no dia 6 de Agosto de 1915, foi deposto pela revolução sidonista em 8 de Dezembro de 1917. Foi reeleito no dia 11 de Dezembro de 1925, sendo novamente destituído do cargo com o golpe militar de 28 de Maio de 1926. Morreu no Porto no dia 29 de Abril de 1944.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua de José Falcão Situa-se na freguesia da Vitoria.

José Falcão Nasceu no lugar da Pereira, concelho de Miranda do Corvo, em 1 de Junho de 1841 e morreu em Coimbra, a 14 de Janeiro de 1893. Matriculou-se em 1858 nas faculdades de Matemática e Filosofia, doutorando-se em Matemática a 31 de Julho de 1865. Em 8 de Setembro de 1870 foi nomeado lente substituto de Matemática e ajudante

do

Observatório

Astronómico

de

Coimbra, tendo

apresentado a concurso o seu trabalho chamado Comparação do método teleológico de Wronski com os methodos de Daniel Bernouilli e Eu ler, para a resolução numérica das equações. Em 7 de Maio de 1874 foi promovido a lente catedrático e a 13 de Março de 1888 ascende a primeiro astrónomo. É nomeado director interino do Observatório, em 28 de Julho de 1890. Foi regente das cadeiras de Mecânica Celeste e Astronomia. Dotado de um espírito liberal, José Falcão foi grande defensor das ideias republicanas, colaborando assiduamente nos jornais republicanos do país, especialmente sobre assuntos de ensino. No entanto, segundo o seu colega Teixeira de Queirós, terá defendido: «O partido republicano luta pelo país e não pela República. Se a Monarquia nos pode salvar, que nos salve.» Sem nome de autor, publicou a Cartilha do Povo, que foi um dos escritos mais notáveis da propaganda republicana.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Quando da malograda revolta de 31 de Janeiro, coube-lhe assumir a autoridade em Coimbra, onde uma parte importante da academia e de elementos populares estava preparada para agir. Após o seu fracasso, José Falcão foi encarregado de reorganizar o partido republicano no Porto, para o que escreveu artigos políticos na Voz Pública e reuniu ali uma assembleia de que saiu o Manifesto, que ele próprio redigira. Proposto deputado em 23 de Outubro de 1892, não tardou que a morte viesse cortar a sua carreira profissional e política. O dia 1 de Junho, data de nascimento de José Falcão, foi também a data escolhida para a comemoração do feriado municipal de Miranda do Corvo. A praça envolvente ao edifício dos paços do concelho de Miranda do Corvo recebeu o seu nome.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua de Luís Woodhouse Situa-se na freguesia de Paranhos.

Luís Woodhouse O prof. Luís Inácio Woodhouse nasceu na cidade do Porto em 1858. Descendente, por seu pai, de uma ilustre família inglesa, foi bacharel formado na Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra, sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, lente de Matemática na portuense Academia Politécnica (1884) e, mais tarde, professor na Faculdade de Ciências, na Secção de Matemática da Universidade do Porto. Nos dizeres de um seu biógrafo, foi um professor insigne, uma inteligência arguta e um carácter primoroso. Luís Woodhouse deixou-nos a imagem de um grande pedagogo, respeitado por todos. Leccionava Geometria Analítica e Álgebra. Das suas lições, dizia-se serem magistrais e de clareza admirável. As suas aulas eram frequentadíssimas e disputavam-se os lugares. Foi Vice-Reitor da Universidade do Porto. Lembremos o perfil do ilustre sábio, traçado por um seu discípulo, o Professor Aníbal Sapião de Carvalho: “… ao aproximarem-se dele, todos reconheciam a sua superioridade nos mais variados sentidos, e admiravam o extraordinário equilíbrio das múltiplas aptidões do seu espírito, a extensão da sua cultura, a bondade do seu coração, a inteligência de que era dotado, a ânsia constante da perfeição, a afabilidade de trato e a educação primorosa.” Faleceu a 13 de Março de 1927.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua de Pedro Hispano Situa-se na freguesia de Cedofeita.

Pedro Hispano Portucalense (ou Pedro Julião) Filósofo e médico, nascido em Lisboa, provavelmente em 1205, fez os primeiros estudos na escola catedral olisiponense, e depois em Paris, vindo a ser nomeado Papa com o nome de João XXI. No estado actual das investigações persistem sérias dúvidas sobre as obras que efectivamente escreveu, sendo difícil sustentar que, dada a amplidão temática e sobretudo atendendo à diversidade dos estilos de escrita, seja efectivamente autor de todas as obras que comummente lhe vêm sendo atribuídas. Em todo o caso, as opiniões confluem, embora com segurança relativa, para lhe atribuir a autoria do Tractatus, depois chamado Summulae logicales, manual pelo qual se procedeu ao ensino da lógica nas mais prestigiadas universidades europeias, até ao século XVI, dando-lhe projecção e importância bastante para figurar na Divina Comédia de Dante. Embora não conhecesse as mil transcrições da obra de Paulo Orósio, são mais de três centenas os manuscritos conhecidos da sua obra e quase outras tantas as edições impressas nos séculos XVI e XVII. Para além do Tractatus são-lhe ainda atribuídos, embora com dúvidas, as obras Scientia libri de anima¸ Commentarium in De anima e uma obra médica intitulada Thesaurus pauperum, para além da Expositio librorum Beati Dionysii. Aquando da reforma da Universidade de Lisboa, realizada durante o reinado de D. Manuel, a obra de Pedro Hispano ainda fazia parte dos planos de estudos. Faleceu em 1277, em Viterbo. Página 15


Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua do Professor Bento de Jesus Caraça Situa-se na freguesia do Bonfim.

Bento de Jesus Caraça Bento Jesus Caraça nasceu em Vila Viçosa no dia 18 de Abril de 1901. Era filho dos trabalhadores rurais, João António Caraça e Domingas da Conceição Espadinha. Revelou desde muito cedo uma grande capacidade e rapidez de aprendizagem que fizeram com que os seus estudos fossem apoiados pela família Albuquerque, de quem o pai de Caraça era feitor, em Vila Viçosa. Completou a sua instrução primária em 1911, tendo ido então para o Liceu de Sá da Bandeira, em Santarém. Aos 13 anos mudou-se para Lisboa, onde concluiu os seus estudos do ensino secundário em 1918, no Liceu Pedro Nunes. Matriculou-se em 1918 no Instituto Superior de Comércio, posteriormente designado Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (I.S.C.E.F.), actual Instituto Superior de Economia e Gestão (I.S.E.G.). Concluiu a licenciatura em 1923. Entretanto, a partir de 1919, era 2º assistente do 1º grupo de cadeiras do ISCEF. Terminada a licenciatura em 1923, foi nomeado 1º assistente em 13 de Dezembro de 1924, tendo no ano lectivo de 1924-1925 regido a cadeira de «Matemáticas Superiores - Análise Infinitesimal, Cálculo das Probabilidades e suas Aplicações». Em 1927 foi nomeado professor extraordinário e, em 28 de Dezembro de 1930, foi nomeado professor catedrático da cadeira de «Matemáticas Superiores - Álgebra Superior. Princípios de Análise Infinitesimal. Geometria Analítica». Manteve a regência desta cadeira até à sua demissão compulsiva em 7 de Outubro de 1946.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto A par da sua carreira académica, Bento Caraça desenvolveu uma intensa actividade política em acções contra o regime ditatorial de Oliveira Salazar (1889-1970), quer a nível clandestino, quer em movimentos legais e semi-legais. Foi membro da Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo, criada em 1934, do Movimento de Unidade Anti-Fascista (MUNAF), de que foi fundador em 1943, e do Movimento de Unidade Democrática (MUD), fazendo parte da sua comissão central em 1945. Em Setembro de 1946 foi-lhe instaurado um processo disciplinar pelo Ministro da Educação, na sequência da assinatura de um manifesto contra a admissão de Portugal na ONU. Em seguida, foi expulso da cátedra universitária, sendo-lhe proibida a docência, no ensino público ou privado. Em Outubro desse ano foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), o que aconteceu de novo em Dezembro. Em 1948 foi preso pela terceira vez, juntamente com outros membros do MUD. Interveio activamente na preparação da candidatura de Norton de Matos (1867-1955) à Presidência da República e em 25 de Junho morreu em sua casa.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua do Professor Duarte Leite Situa-se na freguesia de Paranhos.

Duarte Leite Duarte Leite nasceu no Porto no dia 11 de Agosto de 1864. Formou-se em Matemática na Universidade de Coimbra em 1885, com a tese "Integração dos diferenciais algébricos". Foi docente da Academia Politécnica do Porto onde regeu, durante vinte e cinco anos, as cadeiras de Geometria descritiva, Astronomia e Geodesia. Simultaneamente foi director do diário A Pátria. Exerceu diversos cargos políticos ao longo da sua vida. Foi Vereador da Câmara Municipal do Porto, ministro das Finanças no governo de João Chagas, chefe do governo e ministro do Interior e foi, ainda, embaixador de Portugal no Brasil. Os seus estudos sobre os descobrimentos portugueses deram origem a uma colecção de dois volumes intitulada "História dos Descobrimentos". Morreu no dia 29 de Setembro de 1950.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua do Professor Jayme Rios de Sousa Situa-se na freguesia de Miragaia.

Jayme Rios de Sousa Completam-se mais de 100 anos sobre a data em que nasceu, na Avenida da Boavista, onde sempre morou, na cidade do Porto, onde sempre viveu o Senhor Professor Doutor Jayme Rios de Sousa. A ele se deve o Estádio Universitário, o Pavilhão nele construído, a piscina de água quente, na Rua da Boa Hora e ainda mais do que todas estas realizações materiais, a criação de um espírito de gestão único, que dava às diversas secções, – e eram tantas! -uma inteira liberdade e independência, que mais responsabilizavam os que, dessa liberdade e dessa independência, beneficiavam, fazendo nascer aquilo que julgo inédito no nosso País, - de então e de agora - um Clube onde os sócios eram praticantes desportivos, como praticantes desportivos eram os elementos das sucessivas Direcções. "Se todo o desportista tem obrigações, a situação do Universitário, além de tudo o mais, exige-lhe o respeito pela sua Universidade. Todas as suas atitudes são apontadas como exemplo a seguir. Era Professor Catedrático, regendo as cadeiras das Matemáticas na, então principiante, Faculdade de Economia, ainda nos tempos em que ela era no último andar do edifício do Largo dos Leões. Doutorou-se em 20 de Junho de 1944, depois de uma brilhante carreira académica, que começou no Liceu de Alexandre Herculano e terminou na Faculdade de Ciências, onde entrou, como aluno, em 1929.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto Rua do Professor Manuel Gonçalves Pereira de Barros Situa-se na freguesia de Ramalde.

Manuel Pereira de Barros Manuel Gonçalves Pereira de Barros nasceu em Esposende, em 1908. Licenciou-se em Matemática e em Engenharia Civil e doutorou-se em Astronomia com uma tese intitulada “Registo Fotográfico das Observações Meridianas” (publicada em 1944), tendo estagiado, em 1946, no Observatório de Greenwich, em Inglaterra. Desenvolveu um vasto e precioso trabalho ao longo da sua vida em diferentes áreas, particularmente a sua rara capacidade de conceber e desenhar instrumentos astronómicos. É a Manuel de Barros que se deve a criação do Observatório do Monte da Virgem”, em Vila Nova de Gaia, que, depois do seu falecimento, passou a ter o seu nome. Contudo, para além do percurso notável como cientista, como esposendense habituado ao mar como horizonte, Manuel de Barros desenvolveu também outro interesse, o desenho de construção naval, de cujos lápis nasceram alguns barcos construídos em Esposende. Com uma rara capacidade de conceber e desenhar instrumentos astronómicos, desenvolveu alguns dos existentes no Observatório do Monte da Virgem. Como fruto do seu intenso trabalho nesta área, Manuel de Barros tornou-se membro efectivo da União Astronómica Internacional. Nos derradeiros anos da sua vida criou um curso de Astrofísica na Universidade, mantendo, simultaneamente, um permanente esforço na actualização do equipamento do Observatório para que este pudesse responder às novas exigências da investigação e do ensino.

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Matemáticos que encontramos nas ruas do Porto No sentido de encorajar os estudos de Astronomia no país, Manuel de Barros organizou um Curso de Verão em estudos astronómicos patrocinado pela NATO, que teve lugar em Ofir, Esposende, em Setembro de 1970, numa fase em que a sua saúde já se encontrava debilitada. Faleceu em 1971.

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