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Belo Horizonte, 23 de Setembro de 2013

Exposibram envolve mais de 3.800 profissionais especializados na cadeia produtiva da mineração

Exposibram 2013 Com foco no futuro do setor, 500 expositores e expectativa de público em torno de 50 mil visitantes, a Exposição Internacional de Mineração reúne, a partir de hoje, as principais mineradoras com atuação global e os grandes fornecedores de produtos e serviços para troca de informações e experiências


Yusuf Ahmad/Associated Press

Sumário 03 04 Exposibram começa hoje com a promessa de gerar meio bilhão de reais em negócios

Raio x da balança comercial e da produção minerária aponta posição de destaque do Estado no cenário nacional

06 e 07

Congresso Brasileiro de Mineração é oportunidade para aprender e trocar experiências com grandes nomes do setor

08 e 09

Municípios produtores, Estados, governo federal e setor minerário vivem o desafio de equacionar interesses quanto ao novo marco regulatório da mineração

10 e 11

Novo recorde: estimativa de investimentos em mineração até 2016 é de US$ 75 bilhões

12 14 Já ouviu falar em terras-raras? Se não, saiba que esse conjunto de minerais está mais presente no nosso cotidiano do que se imagina Expediente Editora responsável – Juliana Dapieve Grossi Repórteres – Alice Ferraz e Márcia Xavier Diagramação e projeto gráfico – Anderson Carvalho Artes e infográficos – Aline Medeiros Tratamento de imagens – Cristiano Silva

Cases de sucesso que marcam a Exposibram e inspiram toda a cadeia de mineração


Belo Horizonte, 23 de Setembro de 2013

Evento que ganhou proporções internacionais conta com a participação de empresas, entidades e representantes governamentais

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Exposição Internacional de Mineração

Exposibram chega a Belo Horizonte Cerca de 50 mil pessoas devem passar pelo Expominas durante os quatro dias de evento; expectativa é gerar meio bilhão em negócios

Márcia Xavier

P

resente no cotidiano das pessoas e responsável pela maior parte da matéria-prima usada na construção civil, a mineração – que abrange produtos que vão dos metais às cerâmicas; dos combustíveis aos plásticos; dos equipamentos elétricos aos eletrônicos; das rodovias à brita no quintal das casas vem, há anos, impulsionando a economia brasileira e gerando milhões de oportunidades de emprego e renda no mundo. Com dados que comprovam os fatos e baseada no tema “Mineração: investindo em sustentabilidade e desenvolvimento”, a 15ª edição da Exposição Internacional de Mineração – Exposibram começa hoje, no Expominas, encabeçada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O evento, considerado um dos maiores e mais importantes do setor em toda a América Latina, tem início às 13h e se estende até a próxima quinta-feira (26). “Neste ano, comemoramos 30 anos da Exposibram e também do Congresso Brasileiro de Mineração, que ocorre paralelamente a ela. Ambos são realizados a cada dois anos no Brasil e têm a participação de

empresas, entidades e representantes governamentais de dezenas de países. O interessante é que o evento ganhou realmente proporções internacionais”, explica o diretor-presidente do Ibram, José Fernando Coura. “Nesta edição teremos representantes de 38 delegações estrangeiras. A exposição é considerada um centro de oportunidades de negócios. É uma ótima ocasião para conhecer as tendências e novidades do mercado, trocar experiências com pessoas do setor, firmar parcerias, participar de debates etc”, completa ele. Novos projetos Segundo Coura, muitas empresas aproveitam a Exposibram para organizar lançamentos de projetos, selar parcerias, fechar negócios e para estabelecer contatos nesse importante mercado. Além disso, os profissionais conhecem novas metodologias e aprofundam conhecimentos. Afinal, são mais de 15 mil metros quadrados de estandes, nos quais estão representadas as principais mineradoras com atuação global e os grandes fornecedores de produtos e serviços. No espaço, eles apresentam novidades em tecnologia, equipamentos, softwares e serviços ligados à indústria

mineral, além de dados sobre investimentos e gestão. “A feira conta com mais de 500 estandes. A expectativa é de que, neste ano, a exposição gere meio bilhão de reais em negócios no Estado e em outras partes do mundo”, afirma o diretor-presidente do Ibram. E por falar em Minas Gerais, José Fernando Coura destaca que, até 2016, o Estado deverá captar 35% de um total de US$ 75 bilhões de investimentos que serão feitos no setor minerometalúrgico do país. Além disso, ele ressalta que Belo Horizonte se constitui na capital da indústria minerária e metalúrgica, envolvendo mais de 3.800 profissionais especializados na elaboração e na execução de projetos da cadeia produtiva. Durante os quatro dias de realização da Exposibram são esperadas 50 mil pessoas, sendo profissionais, técnicos e estudantes, dos setores público e privado de todo Brasil e do exterior. Dentre as empresas que estão na Exposibram, destacam-se a Vale S.A., a Anglo American, a AngloGold Ashanti, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a Samarco, a Votorantim Metais, a Geosol, a Ernst & Young Terco e a Gerdau. Mais Informações no site www.exposibram.org.br.

Exposibram - De 23 a 26 de setembro Dia 23/9 • 13h - Inauguração da exposição (somente para congressistas, expositores, convidados e autoridades) • Das 13h às 21h - Visitação aberta ao público externo

Dias 24, 25 e 26/9 • Das 13h às 21h - Visitação aberta ao público externo Local Centro de Feiras e Convenções de Minas Gerais – Expominas. Avenida. Amazonas, 6.030, bairro Gameleira.

A Exposibram em números São 420 expositores em 545 estandes

4.000

pessoas participaram da montagem do evento, entre equipe de montagem, arquitetos, decoradores, segurança, limpeza, equipe de telefonia e internet, tapeceiros, floristas etc.

1.500

pessoas trabalham diariamente para manter a estrutura do evento funcionando

7.000

pessoas são cadastradas para trabalhar nos estandes, entre expositores e equipe, durante toda a feira

300

toneladas em equipamentos de grande porte são usadas no evento 3 importantes livros sobre o setor serão lançados na exposição: “Gestão para a Sustentabilidade na Mineração: 20 anos de História”; “Guia Ibram de Planejamento para o Fechamento de Mina” e “Recursos Naturais e Desenvolvimento: Estudos Sobre o Potencial Dinamizador da Mineração na Economia Brasileira”


PRODUÇÃO MINERAL BRASILEIRA Principais regiões com depósitos minerais Presidente Figueiredo (AM) Estanho

O maior Estado minerador

Paragominas (PA) Alumínio Carajás (PA) Ferro, Ouro, Cobre, Níquel e Manganês

Ouro Alumínio Estanho Ferro-Manganês Grafita Caulim Níquel

Urucum (MS) Manganês e Ferro Araxá (MG) Nióbio

Goiás (GO) Cobre, Níquel e Ouro

Carvão

Criciúma (SC) Carvão

Agregados

Pedra Azul/Salto da Divisa (MG) Grafita Governador Valadares (MG) Gemas Espírito Santo (ES) Rochas Ornamentais Rio de Janeiro (RJ) Agregados Quadrilátero Ferrífero (MG) Ferro, Ouro, Manganês e Bauxita

São Paulo (SP) Agregados

Rio Grande do Sul (RS) Ametista e Agregados

enormes reservas. Tanta riqueza mineral fez surgir um parque industrial siderúrgico competitivo internacionalmente e que concorre para posicionar o Estado como segundo maior

Minas Gerais extrai mais de 160 milhões de toneladas/ano de minério de ferro

Bahia (BA) Bauxita, Ferro, Vanádio, Agregados, Níquel e Cromo

Itaituba (PA) Ouro

A história e as tradições de Minas estão fortemente ligadas à atividade mineradora e às suas

exportador brasileiro.

Alagoas (AL) Cobre Sergipe (SE) Sais de Potássio

Rondônia (RO) Estanho

Cobre

MINAS GERAIS

O Estado é responsável por aproximadamente 53% da produção brasileira de minerais metálicos, 29% de minérios em geral e por cerca de 50% de todo o ouro produzido no Brasil. As reservas mineiras de nióbio são para mais de 400 anos. Existem somente três minas em todo o mundo A atividade de mineração está presente em mais de 250 municípios mineiros Dos dez maiores municípios mineradores, sete estão em Minas, sendo Itabira o maior do país Mais de 300 minas estão em operação. Das cem maiores do Brasil, 40 estão localizadas no Estado. E 67% das minas classe A (com produção superior a 3 milhões t/ano) estão em MG

Castro (PR) Talco

Os principais bens minerais produzidos em Minas Gerais são: bauxita, ferro, manganês, ouro, paládio, prata, dolomito, filito, quartzo, calcário, chumbo, zinco, fosfato, feldspato, granito, zircônio, cobalto, enxofre, níquel, barita, manganês e nióbio.

BALANÇA MINERAL BRASILEIRA

Exportações e importações - % do valor em dólares

Cobre 3,90% Nióbio (ferronióbio) 4,68%

Silício 1,35%

Caulim - 0,61%

Enxofre 4,53% Outros 7,42%

Cobre 6,15%

Ouro (em barras) 6,05%

Exportações

Zinco 1,85%

Minério de manganês - 0,52% Bauxita - 0,84% Estanho - 0,04% Granito - 0,60% Outros – 1,28%

Cloreto de potássio 38,41%

Fosfato 2,25%

Minério de ferro 80,10%

Importações

Carvão mineral 39,39%

PRINCIPAIS PAÍSES COMPRADORES DO MINÉRIO DE FERRO BRASILEIRO – 2012 Alemanha 2,95% Holanda 4,56% Itália 4,09%

Japão - 9,71% Coreia do Sul - 4,97% China - 45,78% Omã - 3,06%

Aline Medeiros

Argentina – 2,95%


*Fonte: IBGE e Fundação João Pinheiro-2010. **Fonte: MDIC e Central Exportaminas-2011. ***1º lugar no ranking brasileiro nos anos iniciais do ensino fundamental. Fonte: IDEB-2011.


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Fórum

Congresso debate temas relacionados à mineração Especialistas do Brasil e do mundo participam do evento esclarecendo dúvidas e abordando temas considerados essenciais para o setor

Márcia Xavier

C

om mais de 70 especialistas do Brasil e de outros 24 países, o 15º Congresso Brasileiro de Mineração, realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), ocorre paralelamente à Exposibram, até a próxima quinta-feira, no Expominas. Tendo nesta edição recorde máximo de inscrições, segundo o diretor-presidente do Ibram, José Fernando Coura,

o evento vai reunir cerca de 2.000 congressistas e terá programação composta por palestras, workshops e talk-shows, dentre outras iniciativas que abordam temas considerados fundamentais para o setor mineral e para a cadeia produtiva, levando em conta o contexto socioeconômico e também político, tanto mundial quanto o brasileiro, bem como as perspectivas dos negócios para as próximas décadas, anunciadas pelas mineradoras. “Iniciativas como a Exposibram e o Congresso Brasileiro de Mineração constituem a

oportunidade para dar suporte ao planejamento dos negócios de longo prazo desse setor que é fundamental para a cadeia produtiva industrial brasileira”, justifica Coura. Segundo ele, as projeções para as próximas décadas indicam a retomada dos investimentos em projetos em operação e em novas plantas de mineração. “Afinal, o mundo demandará cada vez mais minérios para seguir se desenvolvendo. Esperamos com esses eventos mostrar para o grande público a importância da indústria da mineração brasileira em relação à

pesquisa e à aplicação de novas tecnologias; à geração de emprego, renda e desenvolvimento regional; à multiplicação de divisas ao país; aos investimentos privados de bilhões de dólares, tão necessários para manter a economia brasileira aquecida e estável e à sustentabilidade em todas as etapas do processo produtivo”.

Troca de experiências é diferencial José Fernando Coura explica que durante o Congresso Brasileiro de Mineração, altos executivos das principais minerado-

ras com atuação global ficam à disposição do público para externarem suas opiniões e trocarem experiências e informações. Integrantes de universidades e instituições de pesquisa de várias partes do planeta também podem abordar assuntos ligados à rotina do setor mineral, direta ou indiretamente. “Alguns exemplos de convidados são a senadora Kátia Abreu, o vice-presidente da AngloGold Ashanti, Hélcio Guerra e o vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho, dentre muitos outros”, pontua Coura.

Para ver e ser visto Confira algumas presenças já confirmadas Alberto Pinto Coelho. Vice-governador de Minas Gerais Paulo Sérgio Machado Ribeiro. Subsecretário de Mineração do Estado de Minas Gerais

Associação dos Economistas de Minas Gerais Jorge Gerdau Johannpeter. Presidente do Conselho da Gerdau Mark Cutifani. Presidente da Anglo American Murilo Ferreira. Diretor-presidente da Vale S/A

Programação completa no site : www.exposibram.org.br

Congresso Brasileiro de Mineração Quando – De 23 a 26/9 Onde – Centro de Feiras e Convenções de Minas Gerais – Expominas. Avenida. Amazonas, 6.030, bairro Gameleira, Belo Horizonte. Horários – 23/9

Das 15h às 17h: será realizado o primeiro talk-show do Congresso, com o tema “A mineração do futuro e o futuro da mineração brasileira” Horários – 24, 25 e 26/9 Às 9h iniciam-se os eventos do Congresso

Segundo José Fernando Coura, projeções para as próximas décadas indicam a retomada dos investimentos em projetos em operação e em novas plantas de mineração

IBRAM/DIVULGAÇÃO

Ana Lúcia Martins. Vice-presidente de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Comunidades Carlos Alberto Teixeira de Oliveira. Presidente da


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STOCKXPERT/ARQUIVO

No primeiro dia do Congresso um debate sobre rumos, desafios, tendências e oportunidades do setor será conduzido por representantes da AngloGold, da Samarco e da Anglo American

Sustentabilidade e desafios do setor estão entre os assuntos debatidos Focando o tema “Mineração: investindo em sustentabilidade e desenvolvimento” e destrinchando outros assuntos relacionados a ele, o fórum é uma excelente oportunidade para mapear as perspectivas de negócios em vários países, especialmente no Brasil. Além disso, por meio das sessões de palestras e debates do Congresso Brasileiro de Mineração, é possível obter qualificação profissional e ainda mais conhecimento. Para abrir o evento com o pé direito, nesta segunda-feira, o debate será sobre rumos, desafios, tendências e oportunidades do setor mineral. Participarão Hélcio Guerra (AngloGold Ashanti), Ricardo Vescovi Aragão (Samarco Mineração) e Walter De Simoni (Anglo American Níquel). Na terça-feira (24), os cenários da economia mineral para os próximos

anos serão analisados por especialistas como Magnus Ericsson (Raw Materials Group), Paul Robinson (CRU Group) e Ronaldo Valiño (PriceWaterhouseCoopers Brasil). Murilo Ferreira (Vale S.A) falará sobre as “Perspectivas para mineração brasileira nas próximas décadas”. O painel “Planejamento para fechamento de mina: desmistificando e tornando realidade” será abordado por Jeff Parshley (SRK) e Luis Enrique Sánchez (USP). Na quarta-feira (25), Harry Robinson (Mckinsey & Company) vai palestrar sobre o tema “Lições aprendidas na análise dos últimos movimentos globais em regulação do setor mineral”. Em seguida, falará Pierre Gratton (Associação Mineira do Canadá). Hans Flury (Peru) apresentará um panorama sobre o marco regulatório da mineração no Peru.

O Congresso também vai exibir o painel “Interface mineração & mercado global de aço: o presente e o futuro”. Sigurd Mareels (McKinsey & Company) falará sobre a perspectiva global do mercado de aço, com Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau), moderados pelo vice-governador de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho. Guilherme Simões Ferreira (Votorantim Metais e IBRAM), Marcio Luis Silva Godoy (Vale S.A.), Leonardo Quintão, Deputado Federal e Relator do Projeto de Lei do novo Marco Regulatório da Mineração na Câmara dos Deputados e Marcelo Ribeiro Tunes (IBRAM) falarão sobre o novo marco regulatório da mineração. Na quinta-feira (26), o tema “Agrominerais: como superar a crescente demanda por insumos externos?” será apresentado por Roger

Downey (Vale Fertilizantes), Eduardo Ledsham (B&A Mineração), e Carlos Nogueira da Costa Júnior (MME), mediados pela Senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Em seguida, será a vez da Palestra Magna “Brasil: onde estamos e para onde vamos?”, que terá a presença de Eduardo Giannetti da Fonseca (Ibmec e Fiesp). “Mineração: como chegar às Bolsas de Valores”, com Laurel Petryk (McMillan´s Mining Group), Cristiana Pereira (BMF&Bovespa), moderados por Miguel Antônio Cedraz Nery (ABDI), é o último debate do evento. “O Congresso abrange as diversas cadeias da mineração e é uma boa oportunidade, principalmente para profissionais de diversos níveis – sejam técnicos, engenheiros etc, debaterem temas diversos”, finaliza José Fernando Coura. (MX)


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Desafios do setor

Custo de fazer negócios tende a ser maior Com os preços das commodities na maior alta de todos os tempos e a necessidade de se atualizar o novo código minerário, empresas e governos devem trabalhar para encontrar um denominador comum Alice Ferraz Especial para O TEMPO

M

uito tem se falado nos últimos meses a respeito de um inevitável aumento dos royalties da mineração. Em palestra no 14º School of Mines, realizado no Rio de Janeiro, o analista sênior de mineração do Santander Research, Felipe Reis, destacou que o cenário mais provável é de alta, seguindo a tendência internacional. Na Austrália, já houve um aumento de 30%; no Chile, está em exame no congresso um reajuste de 4% para 9% dos royalties cobrados das

mineradoras privadas. Demanda histórica dos mineiros, a revisão da política de divisão dos royalties da mineração tem sido uma das principais bandeiras e reivindicações do governo de Minas perante a esfera federal, nos últimos anos. Protagonistas nos cenários nacional e mundial, responsáveis por mais de 50% da produção brasileira e por colocar o Brasil na posição de segundo maior exportador mundial de minério de ferro, Estado e municípios mineiros entendem que não recebem a devida compensação financeira pela exploração dos minerais, sendo muitos os pontos de divergência com a atual política que regula o setor.

Espera bloqueia mineração Enquanto governos e setores envolvidos não chegam a um consenso, o atraso do novo código de mineração, que está sendo discutido pelo governo há pelo menos quatro anos e deverá substituir uma lei em vigência desde 1967, colocou a indústria do setor em estado de letargia. Pelo menos 120 portarias de lavra, que permitem o início efetivo da produção, estão bloqueadas por falta de assinatura do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. A decisão do governo, conforme admitiu o próprio Lobão no ano passado, é não liberar mais nenhuma autorização até o novo código. Há, ainda, outra questão que

promete acirrar os debates. Tal como no modelo de distribuição dos royalties do petróleo – hoje em discussão no Supremo Tribunal Federal, por conta da redistribuição para todos os municípios brasileiros – seriam beneficiados também municípios vizinhos e aqueles que têm instalações de transporte e armazenagem da produção. Em dezembro de 2012, por exemplo, esse último tipo ficou com cerca de 15% dos royalties arrecadados com a produção de petróleo em plataformas marítimas. No Maranhão, por onde passa o sistema logístico da Vale, há manifestações a favor de se adotar o padrão semelhante para o setor de mineração.

“Sou favorável ao debate, temos que conhecer melhor todos os aspectos da questão. O objetivo é achar um modelo que seja mais justo para todos”, diz o relator do novo marco na Câmara dos Deputados, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). A expectativa dos “atores” envolvidos de levar o texto à aprovação na segunda quinzena de outubro não deverá ser cumprida, já que o tema abriu espaço no Congresso para a discussão da minireforma política. Enquanto isso, estão sendo realizadas audiências públicas em 13 Estados (Espírito Santo, Rio, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Pará, Amapá, Mato Grosso, Pernambuco, Bahia, Ceará e Maranhão).

Ano

Arrecadação MG

Arrecadação Brasil

Percentual de Minas

2011

788.882.888,75

1.544.749.140,35

51,07%

2012

974.497.742,65

1.832.380.844,17

53,18%

2013

582.347.346,50

1.291.841.897,23

45,07%

(até junho)

Montante da arrecadação (* em R$)

* Em 2011, 2012 e 2013, Minas Gerais ocupou o 1º lugar em arrecadação da Cfem. Ocupando o 2º lugar está o Estado do Pará.

Fonte: Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)

NÚMEROS DA CFEM (royalties da mineração)


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Minas quer repasse maior Em entrevistas veiculadas na imprensa, o governador Antonio Anastasia (PSDB) reiterou seu posicionamento a favor da revisão dos valores pagos atualmente pelos royalties da mineração e diz que considera necessária a criação de uma nova legislação, que possa contemplar o marco regulatório para o setor. De acordo com o governador, a tributação deve ser balizada pelos valores praticados no mercado mundial e calculada sobre o faturamento bruto das mineradoras. “Somos a nação que tem os menores royalties cobrados sobre a mineração no mundo. Aqui, as mineradoras pagam de 0,2% a 3% do faturamento líquido. No caso do minério de ferro, o governo

de Minas sugere 5% sobre o faturamento bruto. Na Austrália e na Índia, por exemplo, esse valor é muito maior, 7,4% e 10%, respectivamente”, aponta Anastasia. O imposto pago pelas mineradoras sobre a exploração dos recursos minerais, incluindo ouro, ferro, pedras preciosas, carvão e metais nobres, acontece por meio da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem). “Dos anos 1970 ao final dos anos 1980, o extinto Imposto Único sobre Minerais arrecadou US$ 1,30 por tonelada de minério. Hoje, a Cfem, seu equivalente, arrecada US$ 0,26. Não houve um esforço desde então para atualizar esse valor. É uma distorção de décadas”, alerta

o governador. Como a definição sobre os royalties da mineração ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional e o governo federal, Antonio Anastasia acredita que o envolvimento da sociedade é fundamental para sensibilizar os Poderes. No ano passado, o governo de Minas lançou a campanha publicitária “Movimento Justiça Ainda que Tardia”, em prol de mudanças na legislação sobre a exploração dos recursos minerais. A iniciativa conta com a participação da seccional mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do escritório de representação de Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Mineira de Municípios (AMM). (AF)

Cidades vizinhas também reivindicam royalties Uma batalha que não será nada silenciosa. Em Minas e no Pará, municípios vizinhos aos produtores de minério lutam por um quinhão na receita do setor. Um exemplo é a extração de minério do Sistema Minas-Rio, da Anglo American, que se dará nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas. Mas a cidade de Dom Joaquim será a base do sistema de captação de água para a mina. A prefeitura reclama dos trabalhos que vêm sendo realizados na localidade conhecida como São José da Ilha. Pela regra atual de distribuição da Compensação Financeira para a Exploração de Recursos Minerais (Cfem) — os royalties da mineração — apenas a União, os Estados e os municípios produtores de

bens minerais são beneficiados com recursos. O modelo foi reforçado pelo governo na proposta do novo marco do setor, em discussão no Congresso, que aumenta as alíquotas da Cfem mas mantém a repartição dos recursos vigente: 12% para a União, 23% para o Estado onde se der a lavra e 65% para o município produtor. “As cidades do entorno também são impactadas e têm que receber recursos para fazer frente aos desafios que enfrentam”, reclama o secretário-executivo da Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (Famep), Josenir Nascimento. Está no Pará o maior pagador de Cfem do Brasil, a mina de Carajás, operada pela Vale, que rendeu a Parauapebas,

apenas nos primeiros sete meses de 2013, a arrecadação de R$ 522 milhões, segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A cidade é responsável por 43% da arrecadação da Cfem sobre a produção de minério de ferro. Para a doutora em Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração do Pará, Maria Amélia Enriquez, a criação de um fundo para repassar recursos aos municípios vizinhos aos produtores pode ser uma solução para compensar os impactos negativos nas cidades vizinhas. “O município minerador atrai os benefícios, mas isso acaba esvaziando o entorno, gerando problemas regionais”, justifica ela. (AF)

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MAIORES MUNICÍPIOS ARRECADADORES DA CFEM (* EM 2012)

Posição 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Município arrecadador

Valor recolhido (* em R$)

Nova Lima Itabira

188.475.017,42 132.525.924,28

Mariana São Gonçalo do Rio Abaixo

118.963.251,87 114.676.051,02

Itabirito Brumadinho

75.930.760,09 70.318.513,41

Congonhas Ouro Preto

62.979.665,48 37.397.577,13

Itatiaiuçu Barão de Cocais

19.300.835,05 17.549.753,95

Fonte: Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)

Entenda - Marco regulatório da mineração Novo texto. O novo marco regulatório inclui a atualização do código com as regras de exploração de minas, a criação de uma agência reguladora e o aumento das alíquotas de royalties. Regulação.Alémdessespontos,está emdiscussãonoCongressoNacional a regulamentação da mineração em terras indígenas, objeto do PL nº 1610/96, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB/RR). Especulação. Os instrumentos até o momento publicados indicam uma ingerênciamaiordoEstadonacondução da política de desenvolvimento

por meio da manutenção e aprofundamento de atividades intensivas no usodosrecursosnaturaisedagarantia de maior participação e controle nos resultadoseconômicosgerados. Futuro. Nesse contexto, e considerando que à data de publicação do atual Código de Mineração (1967) ainda não havia discussões relevantesacercadaproteçãoambiental, diferentemente do que ocorre hoje, osprojetosemdiscussãocertamente impactarão nas medidas de controle ambiental das atividades de mineração vigentes, bem como na implementação de novas políticas ambientais . STOCKXPERT/ARQUIVO


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Diferencial brasileiro

Dados reforçam a importância da mineração Estimativa de investimentos no setor para o período 2012/2016 é de US$ 75 bilhões, um novo recorde para a indústria mineral Alice Ferraz Especial para O TEMPO

D

ados atualizados da Economia Mineral Brasileira foram apresentados em abril deste ano pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). A“Sétima Edição das Informações e Análises da Economia Mineral Brasileira” compila dados de 2011 e 2012 para 13 grupos minerais e apresenta informações consolidadas referentes a investimentos, distribuição regional, preços, produção e reservas de bens minerais no Brasil. A proposta do Ibram foi organizar um banco de dados capaz de comprovar, com números, os benefícios da mineração à economia brasileira e sua ampla contribuição à sociedade civil. O diretor-presidente do Ibram, José Fernando Coura, ressalta o compromisso que o setor de mineração tem com a sociedade brasileira. “A nós interessa uma mineração forte, com responsabilidade social e ambiental e, principalmente, que traga desenvolvimento para o país”. Sobre os dados, Coura acredita que os números evidenciam a importância da atividade mineradora para a balança comercial e para a criação de empregos. Cada bem mineral corresponde a um capítulo do trabalho desenvolvido pelo Ibram. Há ainda da um capítulo intitulado “Brasil”, que reúne informa-

ções consolidadas para a economia mineral do país. Nele estão, por exemplo, os dados da produção mineral brasileira de 2012, que foi de US$ 51 bilhões, e a estimativa de crescimento – de 2% a 5% – para os próximos dois anos. Expectativas A estimativa de investimentos no setor de mineração para o período 2012/2016 é de US$ 75 bilhões, o que representa novo recorde para a indústria mineral. Com média de US$ 15 bilhões investidos anualmente, Coura destaca que, no Brasil, o setor é responsável pela maior parcela dos investimentos privados, superando inclusive aqueles destinados à área petrolífera. Tais informações reforçaram o valor da economia mineral para o desenvolvimento do país. Segundo o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB/MG), há seis anos o novo marco regulatório é esperado. “O setor é da maior importância, mas recebe pouca atenção do governo Federal. Por exemplo, os processos de outorga estão paralisados, causando muito prejuízo”.

Cobre

A produção de cobre brasileira cresceu, entre os anos de 2012 e 2013, de 450 para 480 mil toneladas. A tendência de consumo global também é crescente, especialmente porconta do processo de urbanização acelerado dos países em desenvolvimento, principalmente da China.

Saiba mais

Urânio O principal Estado brasileiro produtor de urânio é a Bahia, que responde por 100% da produção. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciará, em breve, a extração do mineral em Santa Quitéria (CE), em uma mina com capacidade de produção de 1.600 toneladas, permitindo a exportação de mais de 1000 toneladas excedentes.

Caulim Aproximadamente 6,2% de todo o caulim produzido no mundo é brasileiro. No ano de 2011 foram produzidas no país aproximadamente 2,05 milhões de toneladas. As reservas brasileiras são de altíssima qualidade (alvura e pureza).

Bauxita O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de bauxita, com 31 milhões de toneladas em 2011. A produção vem crescendo ao longo dos anos, assim como o preço, que passou de US$ 25,40 / tonelada (2010) para US$ 43,75 / tonelada (2011). Isso representa um aumento de 72%. A exportação também cresceu de 6.789 mil toneladas em 2010 para 6.887 em 2011. Até novembro de 2012 as exportações somaram 6.860 mil toneladas.


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Níquel

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Manganês

A produção brasileira de níquel cresceu 15,5% no ano de 2011, passando de 108.983 mil toneladas/ano (2010) para 124.983 mil toneladas/ano (2011). Os principais Estados produtores são Bahia (68%), Goiás (22%) e Minas Gerais (10%).

O Brasil é o sexto maior produtor de minério de manganês, com 2,95 milhões de toneladas em 2011. O país é superavitário na Balança Comercial de Manganês: em 2011, o valor do saldo (exportações menos importações) foi de US$ 304 milhões FOB. Cerca de 90% de todo o manganês produzido é utilizado em siderúrgicas.

Zinco

As reservas medidas e indicadas de zinco no Brasil alcançam 6,5 milhões de toneladas, sendo que a maior parte está concentrada no Estado de Minas Gerais. O país produziu 12.400 mil toneladas em 2011, 400 mil a mais do que no ano anterior.

Ouro

O incremento do poderaquisitivo das classes C e D está ampliando o consumo de ouro no Brasil. As reservas de ouro lavráveis no Brasil alcançam 2,6 mil toneladas, o que corresponde a 5% das reservas mundiais do minério. O ouro foi uma das commodities em que o preço se manteve alto mesmo durante a crise, e continua sendo um dos principais ativos financeiros. A produção cresceu 13,7% em 2011, passando de 58 toneladas (2010) para 66 toneladas (2011).

Nióbio

A produção de nióbio brasileira bateu novo recorde: 92,06% do total mundial e está em crescimento devido ao aquecimento do mercado de ferroligas. O Brasil detém as maiores reservas mundiais e 90% das exportações são de ferronióbio. Em 2011, o total exportado foi de 70.009 toneladas, o que gerou ao país uma receita de US$ 1,8 bilhão.

Extração de ferro avança em Minas Gerais É inegável que a atividade minerária rende empregos. Na contramão das análises pessimistas sobre a crise europeia e a demanda mundial de minério de ferro, a Manabi S/A, mineradora constituída por fundos de investidores canadenses, coreanos e australianos, formalizou junto ao governo de Minas, em março, a intenção de desembolsar R$ 6,25 bilhões para explorar reservas de ferro da região Central de Minas. Segundo informações da companhia, dois projetos representam uma transformação “sem precedentes” para os pequenos municípios essencialmente agrícolas de Morro Pilar, com 3.500 habitantes, e Santa Maria de Itabira, com seus 10.700 moradores, onde a extração da matéria-prima deverá gerar 2.000 empregos diretos e 6.000 indiretos, de acordo com os planos divulgados pela Manabi. Segundo Ricardo Antunes, presidente da companhia, o megaempreendimento – o maior da indústria da mineração em Minas, tanto em valores, quanto em produção estimada – permitirá a extração, ao todo, de 31 milhões de toneladas por ano de concentrado de alto teor a partir de jazidas de minério pobre, graças à tecnologia avançada. “Trabalhamos em parceria com as prefeituras para desenvolver planos diretores que vão

nos orientar sobre como os desafios dos projetos serão encarados. É importante que essas cidades sejam capacitadas para lidar com os impactos econômicos”, diz Ricardo Antunes. Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, o empreendimento é importante por aproveitar a vocação mineradora do Estado em produtos de maior valor. O material concentrado sairá das reservas de Morro do Pilar, com produção prevista de 25 milhões de toneladas anuais, e de Santa Maria de Itabira, que vai produzir 6 milhões de toneladas por ano, com teor de 68,5% de ferro. Apesar da grande geração de empregos anunciada, forte apelo dos dois projetos, a Manabi enfrenta resistências dos ambientalistas. A Associação de Conservação Ambiental Orgânica (Acao) e a ONG Quatro Cantos questionam a falta de estrutura dos municípios para absorver o fluxo de trabalhadores no empreendimento e os impactos nos mananciais de água. “Os impactos desse grande empreendimento envolvem uma série de localidades entre as duas cidades que não estão preparadas para isso”, afirmou Mariane Gomes, secretária da Acao. (AF)


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Belo Horizonte, 23 de Setembro de 2013

Pioneirismo

Terras-raras colocam

MG em posição de destaque CBMM é a primeira empresa com método para processar metais de gadgets tecnológicos Alice Ferraz Especial para O TEMPO

A

pesar de parecer contraditório, terras-raras existem em abundância. E os 17 minerais que compõem o grupo estão presentes em fartura nas jazidas de boa parte do mundo e Araxá, no Alto Paranaíba, possui enorme potencial exploratório, segundo estudos recentes. A maioria das pessoas não conhece esses metais, mas provavelmente já teve contato com algum dos diversos produtos que eles compõem – para ter uma ideia, eles são usados em smartphones, iPods, fibras óticas, supercondutores, baterias para carros híbridos, vidros e lentes especiais, ímãs, refino de petróleo e na indústria bélica, além devários outros. Quanto mais os eletrônicos são miniaturizados, mais a indústria precisadesses elementos. Atento a esse potencial, o governo de Minas Gerais está investindo na exploração de terras-raras, numa operação conjunta com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). A empresa começou a produzir, no ano passado, concentrados refinados de terras-raras em Araxá por meio de uma tecnologia própria e, agora, está próxima de iniciar a comercialização dos subprodutos de terras-raras produzidos em Araxá, no Alto Paranaíba. A intenção da empresa é que as primeiras vendas sejam realizadas ainda neste ano, conforme sinalizou o presidente da companhia, Tadeu Carneiro, durante palestra realizada no “Conexão Empresarial”, evento promovido pela VB Comunicação, há um mês. De acordo com o executivo, a CBMM já está produzindo sulfato duplo de terras-raras na planta de Araxá. “Estamos muito próximos de um produto que é comercializável, mas ainda existe uma série de licenças e pequenas organizações burocráticas para que a gente seja capaz de vender este produto”, disse. A produção no Alto Para-

naíba foi iniciada em meados do ano passado. A planta-piloto tem capacidade para produzir cem toneladas mensais. Os investimentos no projeto de terras-raras já somam R$ 60 milhões. Conforme o presidente da CBMM, a companhia vem intensificando o desenvolvimento tecnológico para obter produtos de maior valor agregado. Entre os parceiros do projeto está a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Ao que tudo indica, a CBMM saiu na frente na exploração de terras-raras no Brasil. Além disso, a companhia conseguiu desenvolver um sistema de produção que aproveita os rejeitos do nióbio produzido em Araxá. O executivo explicou que, ao invés de ser direcionado para a barragem de rejeitos, o material é enviado para a planta-piloto, onde os subprodutos são processados.

entenda O interesse na produção de terras-raras surgiu após a China, que responde por cerca de 90% da oferta global desses minerais, aumentar o controle sobre as vendas externas, resultando em ameaça de desabastecimento do insumo no mercado mundial. Além da CBMM, a canadense Mbac deverá também investir pesado na produção de terras-raras em Araxá. Com isso, o município do Alto Paranaíba ganhará um polo tecnológico voltado, principalmente, para pesquisa e desenvolvimento de terras-raras. O projeto, denominado Cidade Tecnológica do Triângulo Mineiro, deverá receber aportes de R$ 40 milhões até 2016. Ferro-nióbio As estimativas do presidente da CBMM são que os resultados da companhia neste ano repitam os verificados no exercício passado. A previsão leva em conta a queda nas vendas de ferro-nióbio no início deste ano, principalmente para o mercado chinês, maior consumidor do insumo. A China responde por 25% das vendas da companhia.

wikimedia/reprodução

Matéria-prima: elementos das terras-raras produzem de superímãs a gadgets para a indústria da tecnologia

Em relação aos investimentos em ampliação, o presidente da CBMM afirmou que os aportes deverão totalizar R$ 1 bilhão entre quatro e cinco anos. A empresa pretende aumentar a produção de ferro-nióbio das atuais 90 mil toneladas/ano para 150 mil toneladas anuais até 2016.

Terras-raras São 17 elementos químicos muito parecidos,masquediferemnonúmero de elétrons em uma das camadas da eletrosfera do átomo Características. São agrupados em uma mesma família na tabela periódicaporqueocorremjuntosnanatureza e são quimicamente muito parecidos. Nomes. Também têm como característica comum os nomes complicados: lantânio, neodímio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio,hólmio, érbio, túlio, itérbio, escândio e lutécio. Curiosidade.Apesardonomesugerir, esses metais não são tão raros como o ouro, porexemplo.

Estratégia põe Minas na vanguarda do mercado Os investimentos realizados pelas duas empresas fazem parte de uma estratégia que coloca Minas na vanguarda desse mercado – isso porque esses produtos têm grande demanda em indústrias de ponta pelo mundo. A Codemig, que é uma empresa pública de Minas, e a CBMM, da família Moreira Salles, são sócias desde os anos 1970 em uma empresa criada para extrair nióbio na mina em Araxá. A Codemig detém a concessão federal para explorar parte da jazida; a CBMM a outra parte. Pelo contrato, o Estado recebe 25% dos resultados. O documento também estabelece que outros bens minerais podem ser explorados obedecendo os mesmos critérios de participação nos resultados. Histórico O Brasil foi um dos pioneiros na produção de terras-raras, iniciada no país ainda no século XIX, na Bahia, e chegou a liderar a produção mundial nas décadas de 1950 e 1960. No entanto,

apesar do uso variado e cada vez mais constante, o governo vem deixando de lado a pesquisa em terras-raras desde o regime militar, quando a Nuclemon, subsidiária da Nuclebras, assumiu a exploração do material. A paralisação coincidiu com o avanço da China, dona de 57,7% das reservas mundiais conhecidas. Hoje, sabe-se que a China investiu na exploração e produção e quebrou os concorrentes. Para se ter uma ideia, a China produziu, em 2008, 120 mil toneladas, enquanto a produção na Índia foi de 2,7 mil toneladas e o Brasil, terceiro maior produtor mundial, produziu 834 toneladas. Quando a CBMM começou a intensificar as pesquisas com terras-raras, a Codemig decidiu entrar na aposta. E não é a única: a Vale e a canadense Mbac são algumas das empresas que realizam pesquisas e têm projetos de desenvolvimento de terras-raras em Minas Gerais. Nessa corrida, a CBMM e o Estado saíram na frente.


O MAIOR E MAIS IMPORTANTE EVENTO DA MINERAÇÃO DA AMÉRICA LATINA de 23 a 26/9/2013

Belo Horizonte (MG), EXPOMINAS • www.exposibram.org.br

tema

“Mineração: investindo em sustentabilidade e desenvolvimento”

muitos neGócios

As principais companhias de mineração e empresas de vários outros setores, em um total de 500 expositores de 30 países, apresentam seus empreendimentos e prospectam parceiros comerciais.

acesso à informação

O setor mineral evolui para tornar suas operações cada vez mais sustentáveis e o Congresso Brasileiro de Mineração é o fórum qualificado para apresentação de cases e discussão de novas metodologias no cenário mineral internacional. Expectativa de 2 mil participantes.

Grandes nomes

Expoentes da mineração brasileira e internacional discutem os rumos, desafios, tendências e oportunidades para o setor mineral nas próximas décadas, mediados por um respeitável nome do jornalismo econômico brasileiro. Logo na abertura da programação, os participantes serão brindados com um Talk-show com personalidades do setor mineral, mediado pelo jornalista William Waack:

talk-show Hélcio Roberto Martins Guerra • Vice-Presidente Sênior-Américas | AngloGold Ashanti Ricardo Vescovi de Aragão • Diretor-Presidente | CEO Samarco Mineração S/A Walter De Simoni • Presidente | CEO Anglo American Níquel Brasil Ltda

José Fernando Coura

Murilo Ferreira

Diretor-Presidente do IBRAM, do SINDIEXTRA e Vice-Presidente da FIEMG

Diretor-Presidente da VALE S/A

Mark Cutifani

Jorge Gerdau Johannpeter

CEO Anglo American [Reino Unido]

Presidente do Conselho do Grupo Gerdau e da Câmara de Gestão e Competitividade do Governo Federal

Alberto Pinto Coelho Vice-Governador de Minas Gerais

Senadora Kátia Abreu (PSD-TO) Presidente da Confederação Nacional da Agricultura – CNA

Deputado Federal Arnaldo Jardim (PPS-SP)

Deputado Federal Leonardo Quintão (PMDB-MG)

Presidente da Frente Parlamentar Mista de Defesa da Infraestrutura no Congresso Nacional

Relator do Projeto de Lei do novo Marco Regulatório da Mineração na Câmara dos Deputados

Deputado Federal Gabriel Guimarães (PT-MG)

Eduardo Giannetti da Fonseca

Presidente do Projeto de Lei do novo Marco Regulatório da Mineração na Câmara dos Deputados

Economista e Cientista Social, Professor do IBMEC e membro do Conselho Superior de Economia da FIESP

Conheça a programação completa. Inscreva-se agora mesmo no 15º Congresso Brasileiro de Mineração.

www.exposibram.org.br


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Belo Horizonte, 23 de Setembro de 2013

Expositores

Cases de sucesso

têm espaço garantido Exposibram reúne cerca de 500 empresas em uma área de 15 mil metros quadrados: um verdadeiro parque de diversões para aficionados do setor Alice Ferraz Especial para O TEMPO

P

rodutos que atendem a normas de segurança, novidades tecnológicas que aumentam a produtividade e trazem ganhos em sustentabilidade, programas de networking. Temas e produtos tão distintos têm espaço certo na Exposibram. O denominador comum, é claro, é o setor de mineração, e o público-alvo é tão vasto quanto as soluções levadas para o evento. A empresa curitibana Luvas Yeling, maior fabricante de luvas tricotadas do Brasil, está presente na 15ª edição da Exposibram, onde apresenta os lançamentos da marca HexArmor® já comercializados no Brasil voltados para o setor de mineração. A Rig Lizard® 2021,queridinha da mineração nos Estados Unidos, é uma luva anti -impacto que oferece bastante conforto e tem alto potencial de destreza. Já a GGT5® 4020X

(Gator Grip Technology®) é a mais completa linha para a indústria de mineração, óleo e gás. Os produtos combinam materiais de alta performance para fornecer proteção contra impacto, corte e perfuração. A participação da Yeling no evento representa a tentativa de contribuir na prática com normas como a NR 22 e 33, específicas para o setor de mineração. “Existem normas que fazem com que a empresa responsável pelos trabalhadores garanta, no mínimo, a proteção contra riscos físicos, químicos e biológicos e atmosferas explosivas. Por isso, trouxemos produtos que possam contribuir com a saúde dos funcionários”, explica Fernanda Maria Santos, gestora de Marketing da Luvas Yeling. A divisão industrial da unidade brasileira da SKF, que fornece rolamentos e outros componentes para vários segmentos industriais, participara da Exposibram com as novidades tecnológicas desenvolvidas

para as mineradoras – e pretende mostrar como elas estão ajudando as empresas do segmento a aumentarem sua produtividade e se tornarem mais sustentáveis. É o caso dos rolamentos autocompensadores de rolos vedados. “Em tempos de incertezas econômicas, as soluções da SKF podem ser um diferencial estratégico nas operações das mineradoras. Nossas soluções e serviços estão alinhados com as necessidades atuais dessas companhias. Temos componentes e soluções mais leves, resistentes e econômicas. Todo esse conjunto torna a operação mais sustentável e competitiva”, explica Rafael Costa, consultor de negócios para o segmento de Mineração e Cimento da SKF e um dos representantes da companhia na Exposibram. Futuro Apesar do bom desempenho obtido com as mineradoras ao longo deste ano, a SKF já traçou um plano de negócios

até 2015: pretende triplicar as vendas e participação no segmento de mineração para atingir as metas determinadas pela companhia. Para conquistar este objetivo, a companhia aposta na venda de produtos e soluções que atendam às políticas sustentáveis do setor, caso dos rolamentos autocompensadores de rolos vedados, do serviço de repotencialização de rolamentos, do sistema de lubrificação e dos lubrificadores automáticos, por exemplo. Já a SSAB, multinacional sueca líder mundial na produção de aços de alta resistência, expõe na Exposibram uma mini báscula 793, fabricada toda em Hardox. A empresa também leva peças de desgaste fabricadas por seus clientes membros do programa Hardox Wearparts, e demonstra a vasta gama de espessuras disponíveis no Hardox.w O Hardox Wearparts é um programa internacional de networking para fabricantes de peças de desgaste, que

utilizam a chapa Hardox para fabricação de suas peças. Os membros são certificados por serem especialistas em soluções eficientes para o desgaste e passam por treinamentos e acompanhamento contínuo de seus processos. O processamento correto do material garante que a qualidade da chapa será mantida e que o usuário terá o melhor aproveitamento do mesmo. Além disso, a companhia vai mostrar aos visitantes quatro de seus principais produtos: o Hardox, aço de alta resistência ideal para a aplicação em mineração; o Domex, aço voltado principalmente para a indústria de transportes rodoviários e pesados; o Weldox, aço ideal para a indústria de equipamentos de movimentação e elevação de cargas; e o Toolox, aço para ferramentas pré-endurecido. A Exposibram conta com 15 mil metros quadrados de estandes e cerca de 500 expositores. Stockxpert/arquivo

De olho em toda a cadeia produtiva, empresas levam produtos variados à Exposibram


O SENAI É A MAIOR REDE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DA AMÉRICA LATINA. MAIS MÃO DE OBRA QUALIFICADA E DESENVOLVIMENTO PARA A INDÚSTRIA. O SENAI, assim como o SESI, a FIEMG, o CIEMG e o IEL, faz parte do Sistema FIEMG. Ele é a maior rede de escolas de educação profissional da América Latina, formando mão de obra qualificada para a indústria e criando novas oportunidades para as pessoas. O SENAI tem cursos técnicos, de qualificação e aprendizagem industrial em 28 áreas. Também tem cursos de aperfeiçoamento profissional, graduação tecnológica e educação a distância. O SENAI tem tudo isso e muito mais. Acesse www. fiemg.com.br e descubra o que o SENAI tem para oferecer a você.


TodAs As porTAs dA AssembleiA esTão AberTAs pArA Você. Participar da vida política é direito de todo cidadão. Por isso, a Assembleia facilita o acesso para você chegar à Casa do Povo. Você pode acompanhar o trabalho dos parlamentares, consultar os projetos e as notícias e apresentar sugestões. Acesse a Assembleia pela internet, TV ou telefone. Ou venha aqui pessoalmente. Fique à vontade, a Assembleia é a sua Casa.

Acesse: www.almg.gov.br Assista: TV Assembleia – em BH, canal 35 UHF Fale: Centro de Atendimento ao Cidadão – (31) 2108 7800 Venha: Rua Rodrigues Caldas, nº 30 – Santo Agostinho – Belo Horizonte. Atendimento das 7h30 às 20h.

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