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notas

notes

1, viajar. a ideia de viagem, como fio condutor da exposição, ocorreu-me no primeiro instante em que comecei a trabalhar com os artistas, a ver que obras estavam a desenvolver, a conhecer novas obras ou a revisitar outras, descobrindo e recuperando uma outra atenção para o sentido que a primeira deambulação terá deixado para trás. e por mais que se pense conhecer o seu trabalho há sempre uma necessidade de voltar e de retomar os vários itinerários que cada processo, ou cada método, pode revelar.

1, to go on a journey. the idea of journey as a thread running through the exhibition came to me just as I began working with the artists, seeing what pieces they were working on, becoming acquainted with new works or revisiting others, discovering and recovering a different kind of attention to some meaning that might have been neglected at first. no matter how familiar we believe ourselves to be with their work, there is always a need to go back and once again take up the various itineraries each process, or method, can reveal.

1,1 quando se fala com alguém sobre o seu arquivo, lato sensu, estamos a chegar a uma fronteira que nos separa do seu universo pessoal, do seu espaço de trabalho e do seu imaginário, um campo subjectivo e profícuo da intimidade cujas afecções podem denunciar formas distintas de (des)arrumar as nossas ideias e o nosso olhar. assim, esta ideia de arquivo (entre aspas) não se circunscreve a uma materialidade organizada e serial. Não se procura aqui o inventário subjectivo, nem tão-pouco a busca de uma compilação de imagens ou de ideias que em cada trabalho percorre um tema ou uma tendência estílistica.

1,1 when we talk with someone about their archive, sensu lato, we approach a boundary that separates us from their personal universe, from their workspace and their imagination, a rich and subjective field of intimacy, where affections may disclose distinct forms of (dis)arranging our ideas and our gaze. thus, this idea of archive (so to speak) is not circumscribed to an organised, serial materiality. subjective inventory is not our aim here, nor the compilation of a number of pictures or ideas in which each piece deals with a given subject or stylistic trend.

1,2 pelo contrário, concorre para formarmos uma topografia da intencionalidade que cada artista desenha nos procedimentos e na clarificação que cada projecto vai revelando na sua relação temporal com a memória e com aquilo que se guarda, ou junta, delimitando por vezes um território próprio no planisfério do seu trabalho que a um dado momento se abre como percurso e como itinerário prospectivo.

1,2 on the contrary, it helps us create a topography of the intentionality each artist sketches out through the procedures and clarification each project unveils in its temporal relationship with memory and that which his kept, or gathered, sometimes staking out a territory of its own on the planisphere of the artist’s work, which at a certain moment will display itself as both a route and a prospective itinerary.

1,3 a sala como lugar para a viagem. como ponto de partida. sem cais de chegada. a viagem começa e não se detém mais, é uma cápsula, antecâmara, espaço, heterotopia, proximidade e distância entre eixos geográficos e coordenadas temporais. mensagens, escritos, imagens, objectos, datas, anotações. passar, festejar, ler, ouvir, escutar, olhar, ver, parar, voltar de novo.

1,3 the room as the place for the journey. as a point of departure. with no port of arrival. once the journey starts, it will never end, it is a capsule, an antechamber, space, heterotypy, proximity and distance between geographic axes and temporal coordinates. messages, writings, images, objects, dates, annotations. passing, celebrating, reading, listening, looking, seeing, stopping, returning.

1,4 walter benjamin, uma passagem, uma ligação numa rua de sentido único como o tempo e a incapacidade de nos separarmos da memória e a absoluta necessidade de a sentirmos como o presente. a memória é o presente, o legado ou a herança são por vezes o passado, um lastro ou um caminho entre duas colinas. a memória que se assemelha a si mesma, se espelha, como um espectro, um fantasma ou um afecto que nos faz o relato do tempo. 1,5 "Thinking is a search for siblings. There can be no thinking, at least not the kind of thinking that unfolds in the philosophical and literary writing, that will not have turned upon finding a sibling. Thinking, and the thinking of thinking, is the thinking of, by, for the sibling. It is the searching thinking that seeks connections with the sibling as the one who is related yet different, related in difference, and both the same and different in relation to the com-

1,4 walter benjamin, a passage, a connection in a one-way street, like time and the inability to separate ourselves from memory and our absolute need to feel it as the present. memory is the present, while legacy or heritage are sometimes the past, a ballast or a path between two hills. memory is similar to itself; it mirrors itself, like a spectre, a ghost or an affection that narrates time to us. 1,5 "Thinking is a search for siblings. There can be no thinking, at least not the kind of thinking that unfolds in the philosophical and literary writing, that will not have turned upon finding a sibling. Thinking, and the thinking of thinking, is the thinking of, by, for the sibling. It is the searching thinking that seeks connections with the sibling as the one who is related yet different, related


mon parent whose existence both unites and divides the siblings. Thought seeks to establish relays, to articulate relations, merging with and departing from what is closest to it. It seeks a sibling to sustain it, an other who will read along even in the absence of their father’s guarantees, in a gesture that also works to maintain the distance between the siblings. This thought seeks to erase difference in order to join its sibling completely in a fraternal embrace while, at the same time, perpetuating the difference that separates it from its sibling in order to establish itself as the one who differs. No literature without siblings, no philosophy without siblings, no thinking without siblings. Thinking is a search for siblings. Yet if thinking is a search for siblings, it also depends on finding the right distance – Abstand – from these siblings." 1,6 (Kindle Book) um excerto de um texto, mais amplo, de Gerhard Richter, intitulado "A Matter of Distance: Benjamin’s One-Way Street Through the Arcades", sétimo capítulo de Walter Benjamin and the Arcades Project, editado por Beatrice Hanssen, Continuum, Londres e Nova Iorque, datado de 2006. 1,7 a escolha dos artistas. 1,8 a viagem da sala 53, o título. 1,9 as obras seleccionadas e discutidas com os artistas. as que ficaram de fora. a dimensão da sala, a sala ao lado. a outra exposição que só agora conhecemos. 2,0 os processos de trabalho, a procura constante. a relação próxima, quase familiar, quase orgânica com os registos, com um desenho para o qual é necessário partir e procurar. as imagens dos lugares sem nome, expurgadas de qualquer referência. o que os objectos já foram e o significado que adquiriram no processo criativo que cada um dos autores acautelou, recontextualizando cada um deles, em conjunto, em série, como uma obra, ou como um projecto que se reconfigura no tempo, agregando e inscrevendo outros lugares e outras referências.

in difference, and both the same and different in relation to the common parent whose existence both unites and divides the siblings. Thought seeks to establish relays, to articulate relations, merging with and departing from what is closest to it. It seeks a sibling to sustain it, an other who will read along even in the absence of their father’s guarantees, in a gesture that also works to maintain the distance between the siblings. This thought seeks to erase difference in order to join its sibling completely in a fraternal embrace while, at the same time, perpetuating the difference that separates it from its sibling in order to establish itself as the one who differs. No literature without siblings, no philosophy without siblings, no thinking without siblings. Thinking is a search for siblings. Yet if thinking is a search for siblings, it also depends on finding the right distance – Abstand – from these siblings." 1,6 (Kindle Book) excerpt from a text by Gerhard Richter, entitled "A Matter of Distance: Benjamin’s One-Way Street Through the Arcades", chapter 7 of Walter Benjamin and the Arcades Project (ed. Beatrice Hanssen), Continuum, London and New York, 2006. 1,7 the selected artists. 1,8 a viagem da sala 53 [the journey of room 53], the title. 1,9 works selected and discussed with the artists. the ones that were left out. the room’s size, the room next door. the other exhibition we only now get to know. 2,0 the working processes, the constant search. the close, near-familiar, nearorganic relationship with these documents, with a drawing that calls us to search. the images of places without a name, devoid of any referents. what the objects once were and the meaning they acquired during the creative process of each artist, in which each of them was recontextualised as part of a set or a series, as a work or as a project that reconfigures itself over time, aggregating or absorbing other places and referents.

2,1 ana vidigal, "Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga"; igor jesus, "O Lado escuro da Lua" + "Novo dicionário de conversação"; karlos gil, "In Every Room there is a Ghost of Time"; nuno nunes ferreira, "primeira semana de liberdade" + "Festa"; vasco barata, "Shades of Gray".

2,1 ana vidigal, "Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga"; igor jesus, "O Lado Escuro da Lua" + "Novo dicionário de conversação"; karlos gil, "In Every Room there is a Ghost of Time"; nuno nunes ferreira, "primeira semana de liberdade" + "Festa"; vasco barata, "Shades of Gray".

2,2 as obras e os autores, o sentido da viagem.

2,2 the works and their authors, the meaning of the journey.

2,3 a permanência do desenho numa obra que se tem desenvolvido a partir de imagens. a reinterpretação do desenho que a obra de ana vidigal nos propõe para a exposição. o uso da cor. os objectos encontrados – guardados, arquivados – o arquivo arquivado, armazenado. a espera. todo o desenho instalado sobre a parede faz-nos reencontrar com o seu domínio da escala e da proporção, tantas vezes presente nas pinturas, nas colagens, nos objectos. independentemente da sua dimensão. não se trata de saber se

2,3 the permanence of drawing in a body of work that has developed out of images. the reinterpretation of drawing in ana vidigal’s piece for the exhibition. the use of colour. found – preserved, archived – objects, the archived, stored archive. the wait. all the drawings displayed on the wall remind us of her command of scale and proportion, so often present in her paintings, collages and objects. regardless of their size. whether they are large or small matters not. what matters is the way the various elements


são obras de grande ou pequena dimensão, mas de que forma os diferentes elementos se relacionam sobre o suporte, as ligações pintadas ou desenhadas. a composição. a serialidade presente nas suas obras, as imagens que se repetem (que não se repetem), mas que geram um ritmo e uma sequência jogando com a semelhança. 2,3,1, o arquivo de uma empresa, o trabalho. o formato homogéneo, as linhas manuscritas, a vida ou os afectos. o título da obra: "Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga", a ambiguidade e a ironia que as suas obras presentificam para nós, como um passo temerário que antecede o seguinte que pensamos firme e seguro. a construção do desenho, que nos confronta com o pé-direito da sala. as linhas cruzadas que se elevam do chão, as anotações escritas, a mão firme que as escreveu, hoje e doravante o desenho que elas são. 2,4 a relação com o espaço. a escultura, a ocupação desse espaço. os objectos domésticos. frigoríficos e uma tela/objecto. o desenho agora revelado, as entranhas técnicas que o conforto doméstico esconde. a recolha. as ligações anónimas e pessoais na sua procura, a construção da escultura e a sua relação com o espaço da galeria. a funcionalidade desse espaço, o corredor de luz que igor jesus provoca com esta obra, intitulada "O Lado escuro da Lua", a relação interior vs. exterior. a luz no lugar dos víveres, os volumes negativos sem luz no lugar da permanência, os congeladores cegos. a temperatura ambiente. o desperdício, o objecto obsoleto, o lado avesso, o contraverso do consumo, o quotidiano desvitalizado, os lugares-comuns, a memória sem lugar. um recado. um leve rumor, uma sonoridade que nos faz recordar algo. de novo a memória, o presente. 2,4,1 o apêndice escrito para situar a acção deste artista na sua página deste livro. uma sebenta de notas. uma página cuja imagem se pode tornar ausente. a posse anónima de um original. imagem, desenho, polaroid. registos do arquivo. 2,5 qual a correspondência entre o modelo do móvel desenhado por erno goldfinger, arquitecto modernista, e os outros objectos da instalação que karlos gil apresenta sob o título "In Every Room there is a Ghost of Time"? que paradoxo nos propõe este artista, relacionando o modelo de um original (em escala reduzida) com objectos de outras proveniências e outras épocas? a relação com o tempo histórico como transitoriedade do significado e do simbolismo que as imagens e os objectos transferem para o espectador parece evidente. vejo aqui o espectador como um decifrador, um construtor de narrativas em permanente trânsito, em movimento entre intervalos de tempo. as diferentes referências, a alteração dos objectos e da sua quantidade, que em cada exposição adquirem uma nova configuração, obedecem apenas à permanência desse modelo de um arquivo. um objecto de mobiliário. um lugar do que é perene, mas que neste caso pode ser o outro daquilo que significa. acompanha a mudança e faz parte dessa mudança, mas contém o referente.

relate to one another on the support, their painted or drawn connections. the composition. the seriality, ever-present in her works, the images that repeat themselves (that do not repeat themselves), but nonetheless generate rhythm and sequence by playing with resemblance. 2,3,1, the archive of a company: work. homogeneous format, handwritten lines, life or affections. the piece’s title: "Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga" [There’s love, of course. And there’s life, its enemy], the ambiguity and irony her works bring to us, like a daring step that precedes the next one, which we believe will be firm and secure. the construction of the drawing, confronting us with the room’s height. the crossed lines rising from the floor, the handwritten notes, the steady hand that wrote them, today and henceforth the drawing they are. 2,4 the relationship with space. sculpture as the occupation of that space. domestic objects, refrigerators and a canvas/object. the drawing now revealed, the technical entrails concealed by domestic comfort. the gathering of elements. the anonymous and personal connections that occur during that activity, the construction of the sculpture and its rapport with the gallery’s space. the functionality of that space, the light corridor igor jesus generates with this piece, entitled "O Lado Escuro da Lua" [The Dark Side of the Moon], the interior vs. exterior relationship. the light replacing provisions, lightless negative volumes replacing permanence, blind freezers. room temperature. waste, the obsolete object, the reverse, the other side of consumerism, the lifeless everyday, commonplaces, memory without a place. a message. a slight noise, a sound that reminds us of something. memory again, the present. 2,4,1 the appendix written to situate this artist’s action in his page in this book. a notebook. a page, the image of which can become absent. the anonymous possession of an original piece. a picture, a drawing, a polaroid shot. documents from the archive. 2,5 what is the connection between the model of a piece of furniture designed by modernist architect erno goldfinger and the other objects in the installation karlos gil presents here, under the title "In Every Room there is a Ghost of Time"? what paradox is the artist trying to bring up by combining the (small-scale) model of an original piece with objects from other places and times? the connection with historic time as the transitoriness of the meaning and symbolism that images and objects convey to the viewer seems quite clear. I see here the viewer as a decipherer, a creator of narratives in constant motion between intervals of time. the various references, the changes in the objects and their number, which are renewed in each new exhibition, respect only the permanence of that model of archive. a piece of furniture. a place for that which is perennial, but may in this instance be the opposite of what it means. it accompanies change and is part of that same change, while containing the referent.


2,6 documentos históricos, jornais diários, acontecimentos, mudança de vida e de paradigma. o regime, aquilo a que se chamava o regime. o fim do regime. a revolução.

2,6 historic documents, daily papers, events, changes in life and paradigm. the regime, what was once called the regime. the end of the regime. revolution.

2,6,1 nuno nunes ferreira. a memória como local de trabalho, como campo de possibilidades, como revisitação permanente. como actualização. uma semana pós-revolucionária. o imaginário da festa política exposta sem poder ser lida ou escutada. "primeira semana de liberdade" e "Festa", duas obras sobre o mesmo tempo, transportando consigo memórias próximas, quase gémeas, entre a liberdade conquistada e a liberdade prometida e gritada em altifalantes de uma campanha política. os jornais, amordaçados nas molduras, documentos encerrados na sua figuração fragmentada, como bocados, um por cada dia de uma semana de liberdade. o calendário enunciado pelo frontispício, a condição do documento enquanto indício da memória. o documento exposto como um objecto intocado e ilegível. a ambiguidade do espécime que não pretende ser prova mas apenas um sinal. uma possibilidade da viagem enquanto activadora da memória do espectador. sem guião. os altifalantes/balões que já transitaram em automóveis. mensagens de união que agora residem fora do alcance da mão, no alto da galeria. a transmutação desses objectos em outros que assemelhamos a outros. a importância da imagem (do imaginário?) sob a qual recombinamos o significado, o referente e a ironia.

2,6,1 nuno nunes ferreira. memory as workplace, as a field of possibilities, as permanent re-visitation. as actualisation. the trappings of political celebration are displayed here, unread and unheard. "primeira semana de liberdade" [first week of freedom] and "Festa" [Celebration], two pieces concerning the same time, which carry in themselves close, near-twin memories between freedom gained and freedom promised and shouted from the loudspeakers of a political campaign. the newspapers, framed and muzzled, documents confined in their fragmented figuration, like separate pieces, each standing for one day in a week of freedom. the calendar enunciated by the frontispiece, the document’s condition as a token of memory. the document exhibited as an untouched, illegible object. the ambiguity of the specimen that aims at being just a sign, rather than proof. a possibility: the journey as the activator of the viewer’s memory. unscripted. the loudspeakers/balloons that once rode in cars. messages of unity that now reside out of one’s reach, high on the gallery wall. the transmutation of these objects into others that strike us as similar to others still. the importance of the image (imagination?), which allows us to recombine meaning, referent and irony.

2,7 uma série de fotografias surdas. vasco barata. 2,7,1 surdas, sem eco, sem identificação, desterritorializadas, sem lugar de referência mas que convocam uma outra noção de tempo e de lugar através dos objectos visíveis sob o olhar do artista. o tempo e o lugar são assim o correlato fragmentado de momentos que indiciam modelos históricos e referências ligadas à arquitectura ou, por vezes, ao design de equipamentos. à paisagem urbana, à solidão, ao objecto fotografado e à passagem fugaz de anónimos que deixam sinais, registos e restos de acções que se transformam em imagens abstractas. as fotografias da série "Shades of Gray" são espectros das próprias imagens. o título da série, o título de cada imagem como se cada uma, impressa sobre alumínio a uma só cor, fosse o registo último (e único, provas únicas) e o fragmento irrepetível. como é característica da imagem fotográfica. como o é também da memória. do arquivo. da relação que temos com o tempo. da necessidade de o actualizar. nestas imagens, da impossibilidade de estabelecer ligações, geografias, cronologias. reconhecemos o instante actualizado como presente, espectral e fantasmático como está inscrito no próprio título. 2,8 regressar daqui a uns meses entre montagens de uma outra exposição. a sala vazia.

2,7 a series of muffled photos. vasco barata. 2,7,1 muffled, echoless, nameless, placeless and referenceless, they nonetheless manage to invoke another notion of time and place through the objects visible under the artist’s gaze. time and place are thus a fragmented correlate of moments that hint at historic models and references related to architecture or, sometimes, to equipment design. to the urban landscape, to loneliness, to the photographed object and to passing anonymous people who leave behind signs, records and traces of actions that turn into abstract images. the photographs in the “Shades of Gray” series are spectres of the images themselves. the series’ title, the title of each image as if each one of them, printed on aluminium in monochrome, were both an ultimate (and unique; these are single proofs) record and an unrepeatable fragment. as it is typical of the photographic image. and also of memory. of the archive. of our relationship with time. of the need to actualise it. in these images, of the impossibility to establish connections, geographies, chronologies. in our eyes, the actualised instant is present, spectral and phantasmatic, as the title itself says. 2,8 to return a few months later, in the middle of setting up another exhibition. the room is empty.

joão silvério


a obra de igor jesus “O lado escuro da Lua” é apresentada neste livro sob uma perspectiva participativa. Os registos, as polaroids, o desenho enquanto esboço preparatório, ou as breves notas contendo informação necessária à construção da instalação constituem o conjunto documental inerente ao seu processo de trabalho. este arquivo de originais, disperso de forma aleatória em cada um dos exemplares desta edição, e disponibilizado de forma gratuita pelo artista, faz-nos reflectir sobre o valor económico de um registo autoral, bem como sobre a relação de partilha desse arquivo individual na sua recepção pública. igor jesus’ piece “O lado escuro da Lua” is presented in this book in a participative fashion. recordings, polaroids, preparatory drawings and short notes concerning the construction of the installation make up the documental mass that underlies the artist’s working process. this archive of originals, made available for free by the artist and randomly divided across each copy of this publication, inspires us to reflect on the economic value of an authorial mark, as well as on the act of sharing that personal archive with the public at large.

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I found the Palace of Green Porcelain, when we approached it about noon, deserted and falling into ruin. Only ragged vestiges of glass remained in its windows, and great sheets of the green facing had fallen away from the corroded metallic framework. Within the big valves of the door, we found, instead of the customary hall, a long gallery lit by many side windows. At the first glance I was reminded of a museum. The tiled floor was thick with dust, and a remarkable array of miscellaneous objects was shrouded in the same grey covering.

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Legendas / Captions

Obras expostas / Exhibited works

pp 11 - 12 ana vidigal

ana vidigal Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga, 2014 Instalação/desenho Installation/drawing 400 × 150 cm

pp 13 igor jesus pp 14 - 15 karlos gil pp 16 - 17 nuno nunes-ferreira pp 18 - 19 vasco barata

igor jesus O Lado Escuro da Lua Frigoríficos, cabos eléctricos Refrigerators, electric cables 660 × 323 × 70 cm Novo dicionário de conversação Óleo sobre tela Oil on canvas 40 × 30 × 4 cm karlos gil In Every Room there is a Ghost of Time, 2012 Vasos de cerâmica fragmentados de vários períodos históricos, sapele (mogno africano), Plexiglas, metacrilato de metilo, alumínio, plástico polímero. A instalação incorpora elementos diferentes a cada nova apresentação. Dimensões variáveis. Fragmented ceramic vases from different historical periods, sapele wood, Plexiglas, methyl methacrylate, aluminium, polymer plastic. Installation incorporates different elements in every presentation. Variable dimensions. nuno nunes-ferreira primeira semana de liberdade, 2013 7 jornais diários emoldurados, de 25 de abril a 1 de maio de 1974 7 framed daily newspapers, from April 25 until May 1, 1974 51 × 38,5 cm cada / each Festa, 2013 Conjunto de 9 megafones usados em campanha política Set of 9 megaphones used in political campaign Dimensão variável Variable dimensions vasco barata Shades of Gray , 2010 Impressão digital sobre alumínio (dibond) Digital print on aluminium (dibond) 100 × 100 cm (1) (2) (3) (4) 50 × 50 cm (5) (6) (7) (8) 30 × 45 cm (9) (10) (11) (12) (13) (14) (15) Edição / Print run: 1 + 1AP


Exposição / Exhibition

Publicação / Publication

a viagem da sala 53 the journey of room 53

Este livro é publicado na sequência da exposição a viagem da sala 53 apresentada na Baginski Galeria/Projectos, Lisboa, de 22 de Janeiro a 22 de Março de 2014. The publication of this book follows the exhibition the journey of room 53 presented at the Baginski Galeria/Projectos, Lisbon, from January 22nd to March 22nd 2014.

22 Janeiro - 22 Março, 2014 January 22 - March 22, 2014 Curadoria / Curator joão silvério Artistas / Artists ana vidigal igor jesus karlos gil nuno nunes-ferreira vasco barata Projecto / Project Francisco Fino Art Projects Montagem / Set Up jorge catarino Moldura do conhecimento, Lda Transportes / Transportation Moldura do conhecimento, Lda Iterartis Em colaboração com / In collaboration with

Textos / Texts joão silvério Tradução / Translation josé gabriel flores Publicado por / Published by Francisco Fino Art Projects Desenho gráfico / Graphic Design cláudia costa Impressão / Printing Ink Spots Produções Tiragem / Print Run 400 exemplares


ana vidigal nasceu em 1960, em Lisboa, onde vive e trabalha. Licenciou-se em Pintura pela ESBAL em 1984. Em 1999 ganha o Prémio Maluda e em 2003 o Prémio Amadeo de Souza Cardozo. Em 2010, o Centro de Arte Moderna da F. C. Gulbenkian organiza, com curadoria de Isabel Carlos, a primeira exposição antológica da sua obra, intitulada Menina Limpa Menina Suja. Expõe regularmente desde 1981; as suas mostras mais recentes são JUÁ (de vivre), Fundação Júlio Resende, Porto (2013); Casa dos Segredos (2012), Instituto Superior Técnico, Lisboa; Estilo Queen Anne (2011), Baginski Galeria/Projectos e The brain is deeper than the sea (2011), Museu do Chiado, Lisboa. A sua obra encontra-se presente em diversas colecções públicas e privadas. igor jesus nasceu em 1989; vive e trabalha em Lisboa. É licenciado em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Actualmente faz parte da equipa editoral da Marte nº 5. Participou em diversas exposições, nomeadamente: Logradouro, Espaço Avenida 211, Lisboa (2012); Cimento (curadoria de Sara Antónia Matos), Sala do Veado, Museu Nacional de História Natural, Lisboa (2012); Ninguém diz nada, Quinta da Alagoa, Carcavelos (2013); Summer Calling, Sala do Veado, Museu Nacional de História Natural, Lisboa (2013). Exposição individual: Peso Morto, Espaço Zero, Tomar (2013). Recentemente ganhou o primeiro prémio num concurso do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) para a realização de uma curta-metragem. karlos gil (Toledo, 1984) estudou na School of Visual Arts de Nova Iorque e nas faculdades de belas-artes de Madrid e Lisboa. Entre as suas últimas exposições, destacam-se: Secret Codes, Galeria Luisa Strina (São Paulo), II Moscow International Biennale, MMOMA (Moscovo), Les Rencontres Internationales, HKW (Berlim) e Centre Pompidou (Paris); Open Event, Salon Flux (Londres); The Moon Museum, LABoral (Gijón); La condición normativa, La Capella (Barcelona); Estación Experimental, CA2M, Centro de Arte Dos de Mayo (Móstoles) e Colorless Green Ideas, Garcia I Galería (Madrid). nuno nunes-ferreira nasceu em Lisboa em 1976. Vive e trabalha em Santarém. Licenciado em Arquitectura pela Universidade Lusíada de Lisboa no ano 2000. Nunca exerceu a actividade de arquitecto. Expõe com regularidade desde o ano 2000. Está representado em inúmeras colecções, donde se destacam: IVAM; Colección Norte de Arte Contemporáneo; Fundación Focus Abengoa; Fundació Sorigué; Colección DKV; Fundação Bienal de Cerveira; Museo de Arte Moderno y Contemporaneo de Santander; Liberty Seguros; Colección Olor Visual; Colección ACB; Juan Uslé. vasco barata nasceu em 1974, em Lisboa, onde vive e trabalha. Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, frequentou em 2006 o Curso de Artes Visuais do Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística (Fundação Calouste Gulbenkian / Ar.Co). Desde finais dos anos 90, Vasco Barata tem vindo a apresentar o seu trabalho sob diversas formas, alternando sobretudo entre uma investigação aturada no domínio da construção e percepção da imagem (através do recurso à prática da fotografia e do vídeo) e uma tentativa de compreensão dos mecanismos da expressão aliados à prática diária do desenho. Articula, nas suas obras, um interesse particular pelo cinema e pelas estratégias cinematográficas, pelos códigos da linguagem e por um vasto leque de referentes da cultura popular. Das exposições colectivas em que participou, destacam-se REAKT: Olhares e Processos (2012) e Lições da Escuridão (2013). Das suas exposições individuais, destacam-se Quelque chose qui n’est pas encore endormie, Lisboa (2010), Shades of Gray, Madrid (2011), Matière Noire, Lisboa (2011) e Les Apaches, Lisboa (2013).

ana vidigal born in 1960, in Lisbon, where she lives and works. She graduated in Painting from ESBAL in 1984. In 1999, she won the Maluda Prize, and in 2003 the Amadeo de Souza Cardozo Prize. In 2010, the Modern Art Centre of the Calouste Gulbenkian Foundation presented, under the curatorship of Isabel Carlos, the first anthological exhibition of her work: Menina Limpa Menina Suja. She exhibits regularly since 1981; her most recent shows are JUÁ (de vivre), Fundação Júlio Resende, Porto (2013); Casa dos Segredos (2012), Instituto Superior Técnico, Lisbon; Estilo Queen Anne (2011), Baginski Galeria/ Projectos and The brain is deeper than the sea (2011), Museu do Chiado, Lisbon. Her work is featured in several public and private collections. igor jesus born in 1989; lives and works in Lisbon. Graduated in Sculpture from Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. He is currently a member of the editorial team of Marte nº 5. Took part in several group exhibitions, namely: Logradouro, Espaço Avenida 211, Lisbon (2012); Cimento (curated by Sara Antónia Matos), Sala do Veado, Museu Nacional de História Natural, Lisbon (2012); Ninguém diz nada, Quinta da Alagoa, Carcavelos (2013); Summer Calling, Sala do Veado, Museu Nacional de História Natural, Lisbon (2013). Solo exhibition: Peso Morto, Espaço Zero, Tomar (2013). Recently, he won first prize in a competition by ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual) for the production of a short film. karlos gil (Toledo, 1984) studied at School of Visual Arts, New York, and at the Fine Art Schools of Madrid and Lisbon. His latest exhibitions include Secret Codes, Galeria Luisa Strina (São Paulo), II Moscow International Biennale, MMOMA (Moscow), Les Rencontres Internationales, HKW (Berlin) and Centre Pompidou (Paris); Open Event, Salon Flux (London); The Moon Museum, LABoral (Gijón); La condición normativa, La Capella (Barcelona); Estación Experimental, CA2M, Centro de Arte Dos de Mayo (Móstoles) and Colorless Green Ideas, Garcia I Galería (Madrid). nuno nunes-ferreira born in Lisbon, in 1976. Lives and works in Santarém. Graduated in Architecture from Universidade Lusíada de Lisboa in 2000. Never worked as an architect. Exhibits regularly since 2000. His work is represented in several collections, such as: IVAM; Colección Norte de Arte Contemporáneo; Fundación Focus Abengoa; Fundació Sorigué; Colección DKV; Fundação Bienal de Cerveira; Museo de Arte Moderno y Contemporaneo de Santander; Liberty Seguros; Colección Olor Visual; Colección ACB; Juan Uslé. vasco barata born in 1974, in Lisbon, where he lives and works. After graduating in Painting from Faculdade de Belas Artes de Lisboa, he attended in 2006 the Visual Arts Course of Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística (Calouste Gulbenkian Foundation / Ar.Co). Since the late 1990s, Vasco Barata has been presenting his work in a variety of ways, generally alternating between an intensive research on image construction and perception (via the practice of photography and video) and attempting to understand the expressive mechanisms that underlie the daily practice of drawing. His works display a particular interest in the cinema and cinematic strategies, as well as in the codes of language and a wide range of references from popular culture. He took part in several group shows, such as REAKT: Olhares e Processos (2012) and Lições da Escuridão (2013). His solo shows include Quelque chose qui n’est pas encore endormie, Lisbon (2010), Shades of Gray, Madrid (2011), Matière Noire, Lisbon (2011) and Les Apaches, Lisbon (2013).

A VIAGEM DA SALA 53 | Baginski galeria projectos  

Ana Vidigal-Igor Jesus-Nuno Nunes.Ferreira-Karlos Gil-Vasco Barata Curadoria de João Silvério Projecto Francisco Fino Art Project

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