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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

®

Literário, sem frescuras! ISSN 16641664-5243

Ano 4 - Setembro /Outubro de 2013— 2013—Edição no. 25 www.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

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ISSN 16641664-5243

LITERÁRIO, SEM FRESCURAS Genebra, Verão/Outono de 2013 Edição no. 25 setembro/outubro de 2013

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A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. A revista está gratuitamente para download em seus site e blog.

EXPEDIENTE Revista Literária VARAL DO BRASIL NO. 25- Genebra - CH - ISSN 1664-5243

Informações sobre o 28o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra e sobre o stand do VARAL DOBRASIL:

Copyright : Cada autor detém o direito sobre o seu texto. Os direitos da revista pertencem a Jacvaraldobrasil@gmail.com queline Aisenman. O VARAL DO BRASIL é promovido, organizado e realizado por Jacqueline Aisenman

BLOG DO VARAL

Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Foto capa: Lvnel - Fotolia com Muitas imagens encontramos na internet sem ter o nome do autor citado. Se for uma foto ou um desenho seu, envie um e-mail aqui para a gente e teremos o maior prazer em divulgar o seu talento. Agradecemos sua compreensão. Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman

COLUNAS

Você pode contribuir com artigos, crônicas, contos, poemas, versos, enfim!, você pode escrever para nosso blog. Também pode enviar convites, divulgação de seus livros, pinturas, fotografias, desenhos, esculturas. Pode divulgar seus eventos, concursos e muito mais. No nosso blog, como em tudo no Varal, a cultura não tem frescuras! (www.varaldobrasil.blogspot.com) Toda contribuição é feita e divulgada de forma gratuita e deve ser enviada para o e-mail varaldobrasil@gmail.com

ARTES NA VISÃO DE - Jacob Goldemberg CONVERSANDO COM - Clara Machado CULTÍSSIMO - Ana Rosenrot DEVANEIOS - Mário Filipe Cavalcanti ECOVOLUNTÁRIA - Alexandra Magalhães Zeiner FALANDO DE CULTURA - Marluce A. F. Portugaels HISTÓRIA DO BRSIL SOB A ÓTICA FEMININA Hebe C. Boa-Viagem A. Costa HISTÓRIAS DOS PROFISSIONAIS DA INFORMÁTICA - Sheila Ferreira Kuno LITERATURA & ARTE - Luiz Carlos Amorim LUPA CULTURAL - Rogério Araújo (ROFA) NO UNIVERSO DE - Guacira Maciel PALAVRA CRÔNICA—Anaximandro Amorim REFLEXÕES CONTEMPORÂNEAS - Júlia Rego REFLEXÕES E PRÁTICAS GEOGRÁFICAS Ricardo Santos de Almeida VARAL DOS FILMES E LIVROS - Valquiria Imperiano

PARITICIPE DAS PRÓXIMAS EDIÇÕES: •

Até 25 de setembro você pode enviar texto para a edição de novembro, nossa edição de quarto aniversário que trará o tema livre. Escreva em verso ou em prosa, envie poemas, crônicas, contos, artigos! Proponha uma coluna!

Até 25 de outubro você pode enviar textos para nossa edição especial de Natal! (Apenas textos relacionados ao Natal e Ano Novo). Prosa ou verso.

As inscrições podem ser encerradas antes se um número ideal de participantes for atingido.

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Passamos da metade do ano, o verão euro-

convite, os vencedores de nosso Prêmio Lite-

peu, que demorou uma eternidade para che-

rário e também os que ficaram em segundo

gar, caminha já para o seu final.

lugar, nas três categorias.

E enquanto o sol esquentava por aqui, no sul

Abrimos também as inscrições para participa-

do Brasil a neve caía e enfeitava morros e pla-

ção no 28o Salão Internacional do Livro e da

nícies. Do outro lado do grande país, a seca

Imprensa de Genebra onde estaremos, pela

continuava (e continua) matando o gado e fa-

terceira vez consecutiva, levando o brilho da

zendo sofrer a já sofrida população do Ceará.

nova literatura brasileira e portuguesa. Se nos-

Tantas diferenças climáticas assustam, mas o que deveria mesmo assustar é a maneira com

sa participação em 2012 e 2013 foi marcante, pretendemos em 2014 fazer ainda mais.

que o ser humano vem tratando, há tanto tem-

Fico feliz de dizer que nossa revista tem sido

po, o planeta em que vive.

cada vez mais lida, cada vez mais divulgada

Voltando destas reflexões, chegamos a este número de nossa revista que podemos chamar

pelos cinco continentes através desta imensa janela para o mundo que é a internet.

de especial: pela primeira trazemos um núme-

Neste mar de informações, onde muitas vezes

ro inteiramente dedicado ao homem. Sempre

a literatura é cercada por uma aura que a dis-

se fala da mulher, já fizemos mesmo duas edi-

tancia do público, me orgulho de dizer que o

ções especiais sobre a mulher. Mas e o ho-

Varal do Brasil faz literatura para todos. E con-

mem? Por que não falamos do homem, per-

tinua, como seu slogan diz “literário, sem fres-

guntou uma de nossas colaboradoras, Ana

curas”.

Rosenrot. Gostamos da ideia e fizemos do ho-

Autores e leitores têm um ponto de encontro

mem a nossa estrela da edição.

em nossa revista.

No princípio de agosto estivemos no Brasil

E é meu prazer trazê-la para vocês!

(em Florianópolis) lançando o livro Varal Antológico 3, terceira coletânea de nossa revista.

Uma boa leitura, amigos!

Foi um sucesso! Recebemos amigos para um coquetel na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina e presenteamos, literalmen-

Jacqueline Aisenman Editora-Chefe

te, o público com nossa antologia. Agora, já nos direcionando para 2014, estamos com as inscrições abertas para o livro Varal Antológico 4, onde figurarão também, a www.varaldobrasil.com

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ALCILENE MAGALHÃES

EVELIN CIESZYNSKI

ALDO MORAES

FÁTIMA FRIAÇA

ALEXANDRA MAGALHÃES ZEINER

FELIPE CATTAPAN

AMÉLIA LUZ

FLÁVIA ASSAIFE

ANA MOHAN

GAIÔ

ANA ROSENROT

GERMANO MACHADO

ANAXIMANDRO AMORIM

GIRLENE MONTEIRO PORTO

ANNA RIBEIRO

GUACIRA MACIEL

ANTONIO LAURENTINO SOBRINHO

HEBE C. BOA-VIAGEM A. COSTA

AUDELINA MACIEIRA

ISABEL C. S. VARGAS

BASILINA DIVINA PEREIRA

IVANE LAURETE PEROTTI

CARLO MONTANARI

JACOB GOLDEMBERG

CARLOS NOGUEIRA

JACQUELINE AISENMAN

CAROLINE BAPTISTA AXELSSON

JEANNE PAGANUCCI

CEIÇA ESCH

JÔ ALCOFORADO

CHRISTINA HERNANDES

JOSÉ CARLOS PAIVA BRUNO

CLARA MACHADO

JOSÉ HILTON ROSA

DEIDIMAR ALVES BRISSI

JULIA GODOY

DILERCY ADLER

JÚLIA REGO

DOMINGOS NUVOLARI

LAUDECY FERREIRA

DULENARY

LENIVAL NUNES ANDRADE

ELAINE FERNANDES

LEONIA OLIVEIRA

ELAINE ROCHA DE OLIVEIRA

LU TOLEDO

ELENA LAMEGO

LÚCIA AMÉLIA BRULLHARDT

ELIANA MARIA

LUIZ CARLOS AMORIM

ELIANE GANEM

MAGNO OLIVIERA

ELTON SIPIÃO

MARIA DALVA LEITE www.varaldobrasil.com

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MARIA JOSÉ VITAL JUSTINIANO MARIA (NILZA) CAMPOS LEPRE MARIA SOCORRO DE SOUSA MARILU F. QUEIROZ MARIO FILIPE CAVALCANTI MÁRIO REZENDE MARLUCE ALVES PORTUGAELS MICHELLE FRANZINI ZANIN PAULA ALVES RAQUEL ROCHA RAQUEL SÁ REGINA MERCIA SENE SOARES RICARDO SANTOS DE ALMEIDA ROGÉRIO ARAÚJO (ROFA) ROSSANDRO LAURINDO ROZELENE FURTADO DE LIMA SAFIRA ESTEFANES SHEILA FERREIRA KUNO SID SUMMERS SILVANA BRUGNI SONIA CINTRA SONIA NOGUEIRA SONINHA PORTO SUELI OLIVEIRA DE VASCONCELOS VALQURIA IMPERIANO VARENKA DE FÁTIMA VÓ FIA WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS YARA DARIN www.varaldobrasil.com

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O novo homem Por Aldo Moraes Estou como o novo homem Sentado a beira de um rio Olhando a vida por viés ... Estou como o novo homem Abraçado aos cestos de poesia Do sonho, vendo o que é melhor .... Estou como o novo homem Saltando o tempo no espaço Vivendo o arco da saudade Beijando a musa, a harpa O sono e o sonho da lira musical Estou como o novo homem Deitado dentro da floresta Sorrindo, simples, como o vento Estou como o novo homem Cansado e louco por viver Como a avenida que não pára Estou como o novo homem Parado ao céu que nos pertence E ao astro-rei, o mesmo sol Estou como o novo homem Escravo de um velho amor Liberto, enfim, da solidão!

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- sou o avatar de mim mesmo –

DUELO

volto velho e enxovalhado, sobretudo Sendo...

Por Amélia Luz

Ninguém é totalmente “o sou” intocável, sempre caça, luta e aprende.

O homem angustiado duela

Estando duvida e questiona

com o seu mundo interior

perdido em lucidez e enganos incontáveis...

travando batalhas sangrentas.

Mas modifica-se nas suas relutâncias,

Duela com o cosmos

até o minuto que antecede a sua morte.

com o uno, com o complexo

Porque também a morte, o que é afinal?

com momento passageiro

É passagem, é passagem.

ou com o eterno inexplicável

É mudança para o desconhecido!!!

diante da sua insignificância. Ser e Estar debatem-se

VARAL DO BRASIL

em conflitos e turbulências.

UM PROJETO SEM FRESCURAS!

Eu fui alguma coisa que se perdeu inesperadamente dentro de mim dando-me a condição de Estar. Avalio-me, sinto-me ameaçado nas novas crenças e propósitos. Encolho os ombros, abro-me para a vida,

O Varal do Brasil é um projeto de literatura sem frescuras que vem sendo realizado desde 2009 em Genebra, na Suíça, agregando escritores de língua Portuguesa, amadores e/ ou profissionais que desejam apenas uma coisa: escrever! Levando a prosa e o verso até o leitor sem frescuras, o VARAL DO BRASIL vem conquistando espaço na internet e no coração dos leitores e escritores.

sou lobo ou cordeiro, anjo ou feiticeiro, folha minúscula ou árvore frondosa entre podas e ramagens viçosas...

Escreva você também!

A mudança faz parte do Ser

Toda participação é gratuita e para participar é muito simples: solicite nosso formulário de inscrição e envie, juntamente com seu texto, para o e-mail varaldobrasil!gmail.com

que é movimento multifacetado de influências e riscos diversos. Eu duelo se Estou, grito, cresço, manifesto...

Venha você também para a alegria que é o

Martelo o Sou, calo-me na concha

VARAL DO BRASIL

solitário metamorfoseando-me. Saio para a caçada jovem, Estando, www.varaldobrasil.com

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Homem Por Anna Ribeiro

H omem O lhar M aroto E sconde M omentos

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MEU LUGAR Por Antonio Laurentino Sobrinho

Meu lugar será que está no mesmo lugar onde deixei? E o açude onde dei minhas primeiras braçadas, onde aprendi a nadar junto com as marrecas e os mergulhões que todos os anos vinham fazer seus ninhos nas moitas de Musambê. Será que esta no mesmo lugar? Ah! Meu lugar. Será que tem a santa e tão desejada abençoada água? Ou será que só tem folhas de juazeiro secas pelo sol escaldante, folhas misturadas com areias vermelhas como o pôr do sol. Ah!!! meu lugar é o sertão do Ceará. Quando será que tornarei a ver meu lugar? Será que esta no mesmo lugar? As pedras da serrinha será que estão no mesmo lugar? Como era bom estar em cima das pedras na virada do sol. Sentir o vento em meu rosto suado, ficar vendo os cabritos subindo nas pedras para comerem o capim rosado de flores, também rosadas que teimavam em nascer nas fendas das pedras. Ah! meu lugar, quantas saudades. Será que está no mesmo Lugar? Será que passou um aventureiro e quebrou aquele paredão de pedras para fazer cimento pra impermeabilizar a já tão seca terra do meu lugar? E os pés de coco catolé que insistia em viverem dentro das fendas das pedras daquele lugar. Será que alguém teve a coragem de arrancar aqueles lindos pés de coco catolé? Não, não, eles não têm esse direito de arrancarem aqueles pés de coco catolé onde as graúnas fazem seus ninhos pra cantar, pra

ensinar seus filhotes, quantas tardes passei sentado embaixo de tua sombra ouvindo as graúnas cantarem. Como era lindo assistir o pôr do sol, contemplar aquele lugar. Aqueles coqueiros tem um pedacinho de mim eles são meus irmãos, eles não podem nos matar, já não basta a falta da água? Quantas vezes os frutos daqueles coqueiros nos alimentaram? Não, eles não podem nos matar, por que tanta crueldade? Meus irmãos coqueiros, um dia voltarei lá só pra dormir embaixo de tua sombra refrescante, rever meu lugar, as casinha de taipa, de pilão os pés de juazeiros ,os pés de cajaranas o chiqueiro das cabras, ouvi os galos catarem nas madrugadas silenciosa, sentir o cheiro da terra, o cheiro da chuva, ouvi os berros dos cabritos .Ah! a minha vaquinha mimosinha, minha mamãe de leite. Será que ela ainda está lá? Ah! quanta maldade fizeram com meu lugar, por quê? Lá é minha terra ,minha pátria minha mãe ,meu pai, meus irmãos, minha vida ainda está lá. naquele costão de pedra cinzenta, no voo silencioso. Da asa branca, no cântico das patativas, no cântico do sabiá de laranjeira, nos cânticos dos galos de campinas, nas rachadura da terra seca por falta da tão sonhada e desejada chuva nas florada do cajueiro, nas folhas das palmas que alimenta o gado, estarei no aboio dos vaqueiros nas folhas. Dos juazeiros, no piado das corujas, que voam silenciosamente, nos raios do sol Nas estrelas do cruzeiro do sul, na lua nova que nasce clareando todo sertão. Por toda parte, enfim EU estarei em todo lugar. O sertão, EU sou o próprio sertão, serei sempre sertão. Será que ainda tonarei a ver meu torrão natal? Acho que sim! Será que até quando a chuva vai insistir em não molhar meu lugar? (Segue)

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De cima da cinzenta pedra poderia avistar minha casinha, os lindos pés de juazeiro em volta da casa com suas minúsculas flores brancas que perfumavam aquele lugar, às vezes lindo, outras vezes triste, por falta das chuvas tão desejadas. Ah! Meu lugar, eu vejo o poder de DEUS em cada detalhe do meu lugar, nas macambiras retorcidas pra se desviarem dos raios do sol, sinto a presença de DEUS em cada cantinho do meu lugar, nos cactos nos pés de xique-xique, em todas as gotas de orvalhos que caem na terra, nas madrugadas silenciosas, no piu das corujas, no cheiro da chuva caindo na terra seca, nos cânticos dos pássaros, no voar silencioso da asa branca. Ah! Meu lugar. Sinto, vejo a presença de DEUS na delicadeza do andar de uma criança sertaneja desnutrida, em uma jovem sertaneja amamentando. Seu filhinho, ele é ela desnutridos por falta de uma alimentação saudável, no aconselhamento de um pai para um jovem sertanejo querendo casar-se. Ah! meu lugar. Será que está no mesmo lugar onde deixei? A onde estará meu lugar? Tomara DEUS que esteja no mesmo lugar onde eu deixei... No sertão do Ceará lá é meu lugar, um dia eu voltarei AO MEU ASSARÉ.

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CULTíssimo Por @n[ Ros_nrot

Nesta edição quero fazer uma homenagem a um grande ícone do cinema brasileiro, aproveitando o tema do Homem apresentarei a genialidade de um ator e cineasta, pouco conhecido por seu nome verdadeiro, mas cultuado pelo personagem sádico e misterioso que nasceu de um pesadelo de seu intérprete: José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Nascido em uma fazenda e filho de atores circenses espanhóis, José Mojica apaixonou-se por cinema assistindo a filmes na sala de projeção do Cinema em que seu pai trabalhava, muito criativo, montava peças de teatro com bonecos e fantasias feitas de papelão; começou a fazer cinema aos 12 anos de idade após ganhar uma Câmera V8 e não parou mais, montou uma escola de interpretação e aos 17 anos já tinha a própria companhia de cinema: a Companhia Cinematográfica Atlas. Em 1955, tentou realizar o filme experimental Sentença de Deus por três vezes (vários acidentes impediram seu término) e o filme acabou como inacabado e em 1958 lançou: A Sina do Sinaleiro, um faroeste caboclo (chamado de Western Feijoada), uma obra importante, mas desprezada (como sempre) pelos historiadores do cinema nacional. Após outros projetos e participações, em 1963, José Mojica teve um sonho que mudaria sua vida: sonhou estar sendo arrastado por um homem todo de preto que o levava para o túmulo; este homem se tornou um dos mais famosos personagens da história do terror: um coveiro chamado Josefel Zanatas, o enigmático e aterrorizante Zé do Caixão.A composição do personagem foi um mix de Drácula (de Lugosi é claro), Nosferatu (pelas unhas enormes) e algumas características tradicionais brasileiras. A obsessão em encontrar a mulher perfeita (não fisicamente, mas intelectualmente superior) para ser mãe de seu filho, leva o odiado agente funerário a matar qualquer pessoa que cruze seu caminho e tente impedi-lo; assim nasceu o primeiro sucesso trash brasileiro, que

atravessou fronteiras e ganhou o mundo (recebendo em inglês o nome de Cofin Joe). Zé do Caixão é um personagem único, que transcendeu as telas e passou a fazer parte do folclore brasileiro e da vida de seu criador, que adotou o estilo de Josefel e criou um universo próprio, com filmes, programas de T.V. e múltiplas aparições; apesar de duramente censurado durante a ditadura militar, vários produtos foram lançados com seu nome: o VW 1600 – fabricado de 1969 a 1970 da Volkswagen, o “popular Zé do Caixão”; o Marafo (pinga) Zé do Caixão “A Pinga que Matou o Guarda” (daí a expressão); o DESODORANTE MISTÉRIO: “Espanta qualquer odor” (muita gente precisa); a marchinha de carnaval de 1969 Pagode Macabro e até foi tema de um HQ. “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”; que também é o nome de seu atual programa de entrevistas transmitido pelo canal a cabo Canal Brasil.

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Seu terror perfeito e sugestivo (principalmente para quem tem medo de animais peçonhentos e nojentos) assusta no sentido amplo da palavra, causa críticas, mas vale cada segundo, pela genialidade e perseverança de seu criador que filmou em 1964 "À MeiaNoite Levarei Sua Alma", seguiu com "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”, lançado em 1967 e completado graças a muita persistência em 2008 (quarenta anos depois do último) com “Encarnação do Demônio", altamente violento e corajoso. Quando se mistura a grandeza de um homem empreendedor e a perfeição imperfeita de um personagem, cria-se a verdadeira arte do cinema e da vida. Para terminar, sugiro aos “fortes” de plantão que promovam uma sessão particular com esses três filmes cultíssimos destes homens incríveis José/Josefel e boa diversão (e arrepios).

À Meia-Noite Levarei Sua Alma (Brasil-1964) At Midnight I’LL Take Your Soul (título em inglês) é dirigido e protagonizado por José Mojica Marins, conta a História do sádico e cruel coveiro Zé do Caixão (José Mojica) que pretende gerar um filho perfeito para dar continuidade ao seu sangue. Mas sua mulher não consegue engravidar e ele, obcecado, acaba violentando a mulher do seu melhor amigo. A mulher violentada, enlouquecida pela vergonha, quer se suicidar para regressar do mundo dos mortos e levar a alma de Zé do Caixão. Um filme trágico sobre crime e vingança pós mortem. Recebeu o Prêmio L'Ecran Fantastique pela originalidade e o Prêmio Especial no Festival de Cine Fantástico e de Terror de Sitges.

Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (Brasil -1967) − É a continuação do filme anterior, onde o coveiro Zé Do Caixão continua sua busca obsessiva: encontrar a mulher ideal para gerar seu filho perfeito – após sobreviver ao ataque sobrenatural no desfecho de À Meia Noite Levarei Sua Alma.Com ajuda do fiel criado Bruno, ele rapta seis beldades, submetendo-as a terríveis sessões de tortura. Somente a mais corajosa poderá ser a mãe de seu precioso filho. No entanto, o coveiro comete um erro imperdoável ao assassinar uma moça grávida. Atormentado pela culpa, ele tem um pesadelo no qual é levado para um inferno gelado, onde encontra todas as suas vítimas. Encarnação do Demônio (Brasil-2008) − Retornando após 40 anos de prisão, Zé do Caixão (José Mojica Marins) volta às ruas decidido a cumprir sua missão: encontrar uma mulher que possa gerar seu filho perfeito. Caminhando pela cidade de São Paulo ele enfrenta leis não naturais e crendices populares, deixando um rastro de sangue por onde passa. Com direito a cabeça afundada em tonel de baratas, mulher que come carne da própria nádega, carcaças e animais vivos, deixa qualquer filme do gênero de cabelo em pé (literalmente). Com a direção de José Mojica Marins e co-escrito pelo polêmico Denisson Ramalho. Para contato e/ou sugestões é só mandar uma mensagem: anarosenrot@yahoo.com.br

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REGULAMENTO PARA PARTICIPAÇÃO NO LIVRO VARAL ANTOLÓGICO 4 DA SELEÇÃO E DA PARTICIPAÇÃO 1.1. O livro Varal Antológico é promovido pelo VARAL DO BRASIL®, revista literária eletrônica realizada na Suíça (ISSN 1664-5243) responsável também pela promoção e divulgação de autores brasileiros e de língua portuguesa na Suíça e no Brasil.

1.2 Serão consideradas abertas as inscrições a partir de 1º de junho até 30 de setembro de 2013. Caso o número de participantes ideal seja atingido, as inscrições poderão ser encerradas antecipadamente. 1.3. Poderão participar da antologia todas as pessoas físicas maiores de 18 anos, de qualquer nacionalidade ou residentes em qualquer país, desde que escrevam na língua portuguesa. 1.4. A coletânea terá tema livre e será composta por diversos gêneros literários, o escritor podendo enviar contos, poemas, trovas, haicais, sonetos, crônicas ou outros. DA ACEITAÇÃO DOS TEXTOS 2.1. Serão aceitos textos em língua portuguesa, com tema livre, em documento MS Word ou equivalente (.doc), formato A4, espaço 2, fonte Times New Roman de tamanho 12, e que não ultrapassem quatro páginas. O texto ou os textos que ultrapassarem as 4 páginas serão eliminados automaticamente. Os textos deverão vir acompanhados das coordenadas de inscrição (ver abaixo). Os candidatos podem enviar mais de um texto de até quatro páginas (a totalidade dos textos somando quatro paginas) para avaliação. Todos os textos deverão vir já revisados. 2.2. Não serão aceitos textos que pertençam ao universo de personagens já existentes criados por outro autor. Também não serão acei-

tos textos politica ou religiosamente tendenciosos, que expressem conteúdo racista, preconceituoso, que façam propaganda política ou contenham intolerância religiosa de culto ou ainda possuam caráter pornográfico. Também não serão aceitos textos que possam causar danos a terceiros ou que divulguem produtos ou serviços alheios. 2.3 Os textos não deverão ter ilustrações ou gráficos.

2.4 Serão recusados os textos que não vierem na formatação requisitada, assim como os textos que chegarem colados no corpo do e-mail. 2.5. Os textos recebidos serão examinados por uma banca formada pela equipe do VARAL DO BRASIL® e alguns escritores e/ou críticos convidados. A avaliação se dará com base nos seguintes critérios: criatividade e originalidade do texto, assim como a qualidade do mesmo.

2.6 Os textos deverão vir acompanhados de uma pequena biografia. A biografia, escrita na terceira pessoa, deverá conter no máximo dez linhas (A4, letra Times New Roman 12, espaço 2). Lembre-se sempre que numa biografia, como em muito na vida, menos é mais. 2.7. Os textos não deverão conter formatação ou caracteres especiais que dificultem a leitura ou a futura diagramação. Deverão ser enviados para o e-mail: varaldobrasil@gmail.com, juntamente com as coordenadas de inscrição. 2.8. Ao se inscrever na Antologia o autor autoriza automaticamente a veiculação de seu texto e imagem, sem ônus para a revista VARAL DO BRASIL® nos meios de comunicação existentes ou que possam existir com a intenção de divulgar a antologia. 2.9. Os textos não necessitam ser inéditos.

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SOBRE AS INSCRIÇÕES PARA A SELEÇÃO: 3.1. As inscrições para a Antologia serão abertas no dia 1º de junho 2013 e encerradas no dia 30 de setembro de 2013, podendo ser encerradas antes, caso o número de textos recebidos e avaliados sejam aprovados antes da data, no formato e padrão já descritos. O livro será publicado em 2014. As inscrições só poderão ser feitas pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com OS NOMES DOS SELECIONADOS SERÃO DIVULGADOS DURANTE O MÊS DE OUTUBRO DE 2013. 3.2. Para participar os candidatos deverão, além de enviar um ou mais textos de acordo com as regras estabelecidas neste regulamento, fornecer o formulário anexo preenchido. 3.3. Só serão aceitas inscrições através dos procedimentos previstos neste regulamento. Os dados fornecidos pelos participantes, no momento das inscrições, deverão estar corretos, claros e precisos. É de total responsabilidade dos participantes a veracidade dos dados fornecidos à organização da Antologia. 3.4. Todo autor é proprietário dos direitos autorais dos textos por ele enviados para publicação no livro e cuja autoria seja comprovada pela declaração enviada; 3.5. Em caso de fraude comprovada, o texto será excluído automaticamente da antologia. Cada autor responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao direito autoral. 3.6 Todo autor é livre para divulgar, preparar lançamentos, noites de autógrafos, individuais ou em conjunto, do livro VARAL ANTOLÓGICO 4, desde que se responsabilize por todas as despesas - preparativos para lançamento, custos administrativos e convites, compra de exemplares a mais do que os recebidos pela participação – pertencendo também ao participante o valor das vendas dos livros em questão. Para tanto, o participante deverá entrar em contato com a revista através do e-mail varaldobrasil@gmail.com para que o número de

exemplares lhe seja enviado mediante pagamento (preço da editora / remessa), notandose aqui a antecedência requerida. O VARAL DO BRASIL® reserva-se o direito de estar ou não presente nos lançamentos organizados pelo autor. 3.6.a As datas dos lançamentos da antologia na Suíça e no Brasil serão divulgadas posteriormente. O VARAL DO BRASIL® reserva-se o direito de não realizar lançamentos físicos do livro, podendo, se as circunstâncias assim permitirem, realizar lançamentos virtuais do livro. 3.7. Os participantes concordam em autorizar, pelo tempo que durar a antologia com a editora, que a organização faça uso do seu texto, suas imagens, som da voz e nomes em mídias impressas ou eletrônicas para divulgação da Antologia, sem nenhum ônus para os organizadores, e para benefício da maior visibilidade da obra e seu alcance junto ao leitor.

4) DO PAGAMENTO PELO SISTEMA DE COTAS 4.1. A participação se dará no sistema de cotas, sendo que cada autor deverá proceder ao pagamento da seguinte forma: (a) Cada autor pagará o valor de BRL 650,00 (seiscentos e cinquenta reais) quando inscrever-se no Brasil; ou CHF 320,00 (trezentos e vinte francos suíços) quando inscrever-se na Suíça ou para os demais países EUR 300,00 (trezentos euros). (b) Participantes do VARAL DO BRASIL (mínimo 3 edições anteriores a julho de 2013 e/ou participação em eventos com o VARAL DO BRASIL) pagarão o preço especial de BRL 550,00 (quinhentos e cinquenta reais) ou CHF 280,00 (duzentos e oitenta francos) quando na Suíça, ou EUR 260,00 (duzentos e sessenta euros) para os demais países. Os pagamentos poderão ser feitos à vista ou em duas parcelas. Sendo o primeiro pagamento até 30 de novembro de 2013 e o segundo e último pagamento até 31 de dezembro de 2013. (Segue)

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(c) O pagamento deverá ser feito através de depósito bancário, sendo que a taxa de transferência deve ficar por conta do depositante (pessoa que se inscreve). Não serão aceitas transferências feitas por Western Union ou semelhantes. 4.2. A cada depósito o comprovante deve ser enviado imperativamente para o e-mail varaldobrasil@gmail.com 4.3. O recebimento do pagamento total dá ao autor a garantia de sua participação na coletânea. O não recebimento do pagamento total até o dia 10 de janeiro de 2014 anula a participação do autor. 4.3.a Não serão devolvidos os pagamentos aos autores que desistirem do projeto após 30 de novembro de 2013. 4.4. O pagamento parcial do valor cooperativo não dá direito à participação no livro. Caso o autor não termine o pagamento acordado, será substituído por outro participante e comunicado através de e-mail. Parcelas pagas poderão ser devolvidas se a desistência for anterior a 30 de novembro de 2013, ficando o Varal do Brasil com o valor de CHF 100,00 para pagamento de taxas e afins. Desistências a partir de 1 de dezembro de 2013 não serão reembolsadas. 4.5. No dia 15 de janeiro de 2014 considerarse-á o livro fechado. 4.6. O (s) depósito (s) deverá (ão) ser feito (s) em nome de: (Solicitar por e-mail) *É imperativo que o comprovante de depósito seja enviado para nosso e-mail para confirmação do pagamento. 4.7. Não haverá prorrogação dos prazos de depósito em respeito a todos os participantes selecionados. Pequenos atrasos podem ser considerados desde que avisados através do e -mail varaldobrasil@gmail.com e em acordo com a equipe organizadora. 4.8. Os participantes receberão um total de 10 exemplares da Antologia pela participação total.

4.9. O livro terá aproximadamente 250 páginas e: Formato padrão (14 x 21 cm) Capa nas medidas 14 x 21 cm fechado; Laminação BOPP Fosca (Frente); / Capa em Supremo 250g/m² com 4 x 0 cores; Miolo / Fechado em Pólen Soft 80g/m² com 1 x 1 cores 4.9 a Os serviços prestados serão de editoração completa: Leitura e seleção / Revisão * Projeto gráfico / criação de capa ISBN e ficha catalográfica /impressão *Mesmo os textos sendo revisados por profissionais, eles deverão vir, imperativamente, revisados pelo autor ou por revisor contratado pelo autor. Textos com excesso de erros gramaticais e/ou ortográficos, assim como com problemas de compreensão, serão devolvidos ao autor. 4.10. A presente antologia será editada pela Design Editora com o selo editorial Varal do Brasil, será registrada e receberá ISBN, mas cada autor é responsável por registrar suas obras (textos) junto à Biblioteca Nacional do Brasil ou de seu país. 4.11. A remessa dos exemplares para o endereço do autor que não se encontrar presente (residente no Brasil ou em qualquer outro lugar) quando do lançamento do livro será paga pelo mesmo, independente do valor pago pela participação. Em caso de lançamento na Suíça, só serão entregues os livros aos autores presentes que sejam residentes na Europa. A remessa acontecerá após o lançamento do livro e o autor deverá solicitar o valor do frete pelo e-mail atendimento@designeditora.com.br / Os autores que desejarem receber seus exemplares durante um dos lançamentos organizados pelo VARAL DO BRASIL ® deverão avisar com antecedência e ir busca-los no endereço que lhes será comunicado. NÃO ENTREGAREMOS LIVROS DURANTE AS SESSÕES DE AUTÓGRAFO.

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5) OUTRAS INFORMAÇÕES

for conveniente.

5.1. Dúvidas relacionadas a esta antologia e seu regulamento poderão ser enviadas para o e-mail varaldobrasil@gmail.com

5.8. O fórum para qualquer recurso é situado em Genebra, Suíça.

5.2. Todas as dúvidas e casos omissos neste regulamento serão analisados por uma comissão composta pela equipe organizadora e sua decisão será irrecorrível.

6. O VARAL DO BRASIL® reserva-se o direito de recusar qualquer candidatura sem ter que expressar os motivos de tal recusa.

5.3. Para todos os efeitos legais, o participante da presente Antologia, declara ser o legítimo autor dos textos por ele inscritos, isentando os organizadores e a editora de qualquer reclamação ou demanda que porventura venha a ser apresentada em juízo ou fora dele.

6.1 Os autores presentes no livro Varal Antológico 4 estarão automaticamente convidados a autografar os livros, sem mais ônus, nos lançamentos que forem realizados na Suíça e/ou no Brasil (aqui não se incluem lançamento de livros individuais, mas apenas a antologia).

5.4. O VARAL DO BRASIL ® reserva-se o direito de alterar qualquer item desta Antologia, bem como interrompê-la, se necessário for, fazendo a comunicação expressa aos participantes. 5.5. A participação nesta Antologia implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.

Genebra, em 30 de maio de 2013

Jacqueline Aisenman Editora-Chefe VARAL DO BRASIL Organizadora do Varal Antológico 4

5.6. A data prevista para a entrega dos exemplares do livro VARAL ANTOLÓGICO 4 é durante o lançamento do mesmo em 2014 (data a ser agendada) e pelos correios em média vinte a trinta dias após o lançamento (O autor se responsabilizará por pagar o frete caso deseje receber seus livros pelos correios). Será oportunamente discutida uma noite de autógrafos organizada pela revista VARAL DO BRASIL ® na cidade de Genebra, Suíça e no Brasil.

5.7. Os livros ficarão à disposição na editora para serem solicitados por TRÊS meses após o lançamento e/ou aviso aos autores por parte do VARAL DO BRASIL®. O autor que não recuperar os seus livros em 3 (três meses) após o lançamento dos mesmos, estará abdicando de seus direitos e o VARAL DO BRASIL® poderá dispor dos livros como www.varaldobrasil.com

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O HOMEM DE DENTRO DE NÓS E minha mente, disposta a me incentivar, fazme fluir Aquilo que não tinha coragem de fazer nascer de minha própria boca.

Por Carlo Montanari

E falo! Falo que o homem de dentro de mim sempre quis dizer, mas só pensava.

Estou cansado!!! Cansado de tanto ser eu sem estar dentro de mim. Cansado de tanto ser, sem não ser. Decidi: vou me procurar la dentro de mim... e agora!

Porem, agora... ...tenho a compilação de tudo em uma única frase: SOMENTE O HOMEM QUE TEM UMA MULHER DENTRO DE SI, AMADA, RESPEITADA, ACARIACIADA, VALORIZADA, IRMA... E , PRINCIPALMENTE MAE,

Eis a questão, sou ou não sou eu? Procuro e não me encontro. Ou me encontro sem vida, sem beleza alguma.

PODE ENTENDER O QUE E TER AMOR DENTRO DE SI, EIS “O HOMEM DE DENTRO DE MIM”. Deixo de ser um so para ter um homem dentro de mim... que ama UMA MULHER!!!

Why? Uai , diria o Minero dentro de mim. Onde esta o você que pensas mas nao encorajas ser? Porque?

(Dedico este texto, longe de ser poema ou poesia, a mulher mais fabulosa que conheço: você, minha “doce” Deucélia, a Dulcineia de meus sonhos!).

O que? Diria minha mente de dentro de mim para o eu de fora, na casca humana. Meu cérebro parece querer levar adiante a questão: _ Onde esta traduzido em atos a sua paixão pela mulher? _ Onde se traduz o respeito por ela nos seus gestos? _ Onde, sem machismo, a idolatra? Meu corpo para, parece não respirar, ... mas reajo em tempo: _ Estou aqui, envergonhado sem razão, mas admitindo a paixão! _ Estou aqui a lhe enviar pensamentos mas desejo torna-los frases vivas!! _ Estou cá me esvaindo em razoes que so minha mente sabia (meu corpo padecia) e não me deixava declarar, expor meus sentimentos... e são tantos!!... www.varaldobrasil.com

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Fascínio Por Silvana Brugni És fascínio, feitiço lançado em mim que meus poros aspiram, e inebria-me pelo ar. Enaltecida em perdição qual alquimia sigo cega, lançando-me à paixão. Sem ousar te tocar, ao seu redor invisível pairo a dançar. Qual manto em espiral, esvoaçante, inefável pelo ar. És de forma tão ideal qual perfeita escultura, feito pura inspiração, de tudo que mais belo há. Penetro tua alma e sua aura resplandece, qual fogo que arde em luz desvaneço-me em seu ser, inalcançável, que me atrai e seduz. Malgrado nunca vieres a saber do quanto me cativou, e do quanto amei você, deixe que esse amor puro platônico e louco morrendo seja ao menos sepultado em teu corpo.

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O CORTEJO Por Maria José Vital Justiniano

Ninguém chora Ninguém lastima Ninguém sofre

O cortejo está bem próximo da cidade dos mortos

Alguém pergunta: Quem está sendo levado? Alguém conhece este homem?

Ninguém responde Ninguém se importa Ninguém comenta

O cortejo segue no silêncio da indiferença

Está na hora Largam na cova Deixam-no, indiferentemente, se está morto ou vivo E a vida continua, agora sem o cortejo.

Imagem by 1ManArmy www.varaldobrasil.com

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aprenderam novas lições, agora os homens aprenderam a valorizar as mulheres que lutam a seu lado pePor Maria Aparecida Felicori la sobrevivência e são preparados (Vó Fia) por suas famílias para cuidar e zelar por elas; agora são realmente Quando nascia uma criança, para homens, educados e gentis que os pais era uma alegria enorme enxergam a vida com suas espoquando o médico ou a parteira sas e filhos como uma alegria. anunciava: é homem, mas isso era antigamente, porque durante toda uma gravidez ninguém sabia qual seria o sexo da esperada criança e naquela longa espera os pais sonhavam com um filho e as mães sempre queriam uma filha, era o normal. Homens no passado desfrutavam do mando absoluto e ditatorial sobre suas famílias, mandavam e desmandavam e ninguém se atrevia a reclamar, porque eram criados para obedecer; as moças eram treinadas por suas mães para o oficio de esposas obedientes e todas sabiam que o homem da casa era o astro-rei e só ele podia aparecer e brilhar. PARITICIPE DAS PRÓXIMAS EDIÇÕES: Depois de casadas, aquelas mo25 de setembro você pode enviar ças bem adestradas ensinavam as • Até texto para a edição de novembro, nosmesmas coisas as suas filhas e sa edição de quarto aniversário que por séculos e séculos os homens trará o tema livre. Escreva em verso ou reinaram soberanos; os filhos vaem prosa, envie poemas, crônicas, rões era ensinados pelos pais a arcontos, artigos! Proponha uma coluna! te de domínio absoluto sobre suas • Até 25 de outubro você pode enviar mulheres e filhos, porque os hotextos para nossa edição especial de mens se consideravam semideuNatal! (Apenas textos relacionados ao ses e de certa maneira eram mesNatal e Ano Novo). Prosa ou verso. mo, mas o tempo passou. • As inscrições podem ser encerradas antes se um número ideal de particiE com o passar do tempo tudo pantes for atingido. mudou e os amos e senhores

HOMEM

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morações e valorizações do gênero feminino e poucas (ou quase nenhuma) com referência ao homem, sexo masculino.

Homem Por Flávia Assaife Fomos desafiadas a escrever algo sobre o homem, gênero masculino, este que ao longo dos tempos vem sofrendo inúmeras transformações, refletindo sobre o progresso, será mesmo? Desde que o mundo é mundo os seres humanos (pelo menos dizem) habita este planeta chamado Terra. Desde os primórdios é ensinado ao homem, sexo masculino que ele precisa ser forte, não deve chorar, deve prover o sustento da família e ter suas vontades e desejos satisfeitos. Sempre foi ensinado que devem jogar futebol, brincar com carrinhos, ser firme, dominador, talvez até um pouco “donos da verdade”. A questão é que, apesar da evolução dos tempos, das mudanças na sociedade e no mundo, muitos homens ainda acreditam que agindo assim comprovam sua masculinidade. Os tempos mudaram, a sociedade mudou e hoje o homem é percebido com um ser humano que possui vida, desejos e anseios que podem ser diferentes de antigamente, mas que em nenhum momento o tornam menos homem. Não há nada de errado em expressar as emoções, em rir, chorar, em demonstrar afeto, amor, respeito, carinho, desejos e sonhos. Não há nada de errado em ser diferente de padrões pré-estabelecidos e/ou fazer escolhas diferentes das consideradas corretas... Corretas para quem? As corretas são as que nos fazem felizes e não interferem no direito de outras pessoas, sejam homens ou mulheres. É direito e dever de todos os homens ser feliz! Só é preciso estar atento a não desrespeitar o direito de outros seres para alcançar a tão sonhada felicidade. A questão é que existem muitas come-

É fato, que assim como o gênero feminino, o homem possui vários espécimes: temos o que é cavalheiro, gentil, respeitador, carinhoso, trabalhador, fiel (ele existe, pode acreditar!), o que se faz de difícil, introspectivo, intelectual, tecnológico, bebedor, atleta, bom papo, mimado, “filho de mamãe”, gostoso, forte, companheiro, amigo, magro, canalha, grosseiro, “galinha”, covarde e tantos outros. Mas já parou para pensar como seria o mundo sem os homens? Não teria a menor graça. Todos os seres possuem sua importância no universo e com o homem não é diferente. Ao longo de minha vida, encontrei e convivi com homens especiais, meu pai me ensinou, através de seus exemplos, valores éticos e morais que são os alicerces de minha vida. Com ele aprendi a dar valor ao trabalho, às pessoas, a lutar pelos meus sonhos, a acreditar que somos capazes do que quisermos. Com os meus avôs aprendi como é bonito dar e receber carinho, ser reconhecido pelo legado de toda uma vida. Com meu marido descobri a beleza de construir uma relação pautada no respeito, no amor, na sinceridade e na amizade. Com meu filho descobri a importância do amor incondicional, a alegria da conquista e da descoberta. Com amigos homens descobri que é possível existir amizade pautada no respeito e na alegria mesmo possuindo formas distintas de ver o mundo.

(Segue)

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O homem é um ser maravilhoso, cheio de qualidades e defeitos (como todos nós), um ser que vem descobrindo novas formas de viver, um ser que vem se repensando (respondendo a pergunta inicial) e que vem promovendo mudanças e transformações sim, vencendo preconceitos, quebrando paradigmas, fazendo história, saindo do “armário”, descobrindo a ciência, modificando a vida... Mas, como todo processo de evolução, há os que estão mais abertos e os que estão mais resistentes; os que já deram passos importantes e os que ficam estagnados; os que vivem o progresso e os que ficam arraigados no passado... Isso faz parte! A história do mundo não seria a mesma sem os homens, nós mulheres, não seríamos as mesmas sem eles! Não é para ficarem com o ego insuflado (homens), até porque, vocês também nada seriam sem as mulheres! Precisamos uns dos outros, não há o mais ou o menos importante, o mais ou o menos valoroso... Todos fazem parte de uma cadeia de vida e como tal precisamos conviver com amor, respeito e parceria sempre! Não são relevantes os gostos, preferências, formas de ver a vida desde que sempre haja respeito, solidariedade, liberdade de expressão, compaixão... Que a história da humanidade e a vida possam continuar nos presenteando com homens notáveis!

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Estrela Sofrida Por Dulenary Muitos acham difícil falar do homem, aquele ser forte que domina, impõe e não chora – só tem crises de alergia e todos os ciscos do mundo insistem em cair nos seus olhos −, mas devemos aceitar o desafio e encarar essa tarefa de forma máscula. Lutadores por natureza, homens incríveis vem fazendo história, conduzindo a humanidade no caminho da evolução. Existem homens de todo tipo, soube de um que tinha um sonho e acabou com a segregação racial, outros dedicaram suas vidas à pesquisa e descobriram a cura para várias doenças, salvando gerações. Alguns homens sacrificaram a vida em nome da liberdade, da humanidade, da fé, da paz e tenho certeza de que nenhum se arrependeu. Líderes, empreendedores, cientistas, inventores, missionários, profetas, homens de destaque, maravilhosos, amados, cultuados e imitados. Mas um homem precisa ter realizado grandes feitos para ser considerado importante? Com certeza não. Nossas vidas são (ainda bem), povoadas por figuras masculinas que se destacam muito mais que os homens famosos e simplesmente os amamos, consideramos, respeitamos, porque eles fazem parte de nossa família, são nossos pais, irmãos, filhos, maridos, avôs, amigos, tios, professores, conhecidos... Há homens que não esquecemos, pois a simplicidade de suas vidas representaram lições valiosas para nossa existência; quem se esquece da sensação de segurança, de grandes descobertas, de sentir-se voando, quando na infância eram carregados no ombro pelo pai – ser supremo e maior que a vida −, primeiro herói de todos nós; as brincadeiras malucas ensinadas por seu avô – para desespero de sua mãe −; aquele professor distinto, severo, mas cheio de interesse; o irmão que nos protege; o príncipe encantado com o qual nos casamos; nossos tios de todo jeito; o filho que vemos, lentamente, se transformar de bebê indefeso, num homem forte e corajoso; são tantos homens, tantas histórias, responsabilidades, cobranças, desafios; não é fácil ser homem, como não é nada fácil ser humano; é padecer no paraíso, sustentar o mundo nas costas, ser macho alfa, fortaleza, arrimo, provedor, chefe de família, o que resolve tudo, comanda, se responsabiliza, enfim, nossa estrela sofrida: o Homem.

Desenho de Kume Bryant

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com cara de machadinha e a personalidade de

O Judeu

Drácula! Fazia tudo certo, reprimia aos dePor Caroline Baptista Axelsson

mais, e alcovitava os superiores na esperança de sempre ser insubstituível. O Notário era uma pilha de nervos e sofria de claustrofobia.

Curitiba era realmente a cidade do coração de

Ia de bicicleta ao trabalho já que não podia via-

Cláudia. Ela tinha passado vários anos estu-

jar de carro. Cláudia, jovem de vinte e cinco

dando artes e arqueologia em Paris, e agora

anos, bonita, educada, viajada, culta, viu de

formada, se alegrava em rever a beleza da sua

repente seus sonhos voarem pela janela. Me-

terra natal. Como ela absolutamente não que-

do do futuro penetrou no seu interior ofuscan-

ria voltar a morar com os pais e nem a depen-

do todas as possibilidades e virtudes da vida.

der economicamente deles, Cláudia alugou

Agora ela tinha que aprender a viver no mundo

uma casinha de madeira num bairro afastado e

dos duros, onde a bondade e a maldade lutam

de má reputação, mas no momento era o que

juntas sem dar e sem esperar trégua. Os anos

estava dentro das suas condições. Sabia que

em Paris e o amor de um certo francês pareci-

como arqueóloga e artista, o mercado de tra-

am pertencer a um passado muito distante.

balho não seria muito amplo, mas estava deci-

Um passado onde a realidade tinha sido bor-

dida a aceitar todas as propostas. A primeira

dada com fantasias. O objetivo dela agora era

semana foi deprimente porque nenhuma Gale-

simplesmente sobreviver. Mas naquele escritó-

ria de Artes tinha se interessado pelos seus

rio sufocante, o movimento monótono dos pa-

quadros. Diziam que ela pintava bem mas que

péis e das letras no computador, formando

os motivos eram difíceis. Pouca gente deseja-

explicações longas e sem sentido em “nome

va pendurar nas paredes os faraós do Egito ou

da lei” a deixavam de saco cheio e sonolenta.

as ruínas romanas. Aconselhavam que ela de-

Cláudia começou a sofrer de fortes dores de

veria pintar coisas menos alheias às expectati-

cabeça. Com poucos dias as dores se espa-

vas dos compradores. Quanto a encontrar tra-

lharam atacando as mandíbulas. Médicos,

balho dentro da arqueologia, a situação não

dentistas e especialistas a examinaram sem

era melhor já que os buracos na rua onde ela

encontrar a causa. Os analgésicos não ajuda-

morava não manifestavam artefatos antigos.

vam. Ela fazia o possível para continuar viven-

Mas, como necessidade não tem orgulho, ela

do normalmente mas a situação era insuportá-

se viu obrigada a considerar outras opções pe-

vel. Todas as noites se deitava na sua soli-

lo menos temporariamente. Sendo assim Cláu-

dão pedindo a Deus misericórdia. As vezes

dia conseguiu trabalho num escritório mixuruca

passava por uma fase de ira batendo nos tra-

de advocacia. O chefe era um careca alcoóla-

vesseiros ou até mesmo nas paredes, mas no-

tra que dormia a maior parte do dia deitado nu-

tava logo que as dores pioravam. Até que uma

ma espreguiçadeira velha. Fedia a tabaco de

madrugada, sentada na beira da cama, Cláu-

cachimbo e gin, mas não era despedido por

dia, agarrando o queixo com as mãos, sentiu

ser sócio da firma. A verdadeira mandona era

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um insulto a feminilidade. Uma mulher magra www.varaldobrasil.com

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que a vida começava a ir embora. Era uma sensação estranha, calma, sem dor, uma paz que a colocou num estado profundo de meditação. Ela estava morrendo mas agradecendo ser libertada. De repente deixou o estado hipnótico pois ouviu um ruído no jardim. Olhou pela janela e, para seu espanto, viu um homem alto, bem vestido de terno escuro, camisa branca e gravata, com os cabelos e barbas muito negros e compridos, um kippot de judeu na cabeça e iluminado pela lua! Ficou paralisada e nem percebeu que a dor tinha sumido. O judeu, com um porte elegante, movimentava os braços como mágico de circo. Do nada apareceram bolas de fogo no ar e ele, com muita agilidade executou acrobacias até que tudo virou fumaça e ele também desapareceu. Cláudia permaneceu por longo tempo contemplando o jardim escuro e vazio. Ao amanhecer a imagem queimava na sua memória. Teria sido aquela ilusão um produto da solidão e da vida medíocre que ela levava? A expressão de um desconhecido estava entranhada na experiência profunda de um instante. E já que o judeu trouxe cura talvez ele fosse um anjo. Quem sabe? Dizem que certos anjos existem. Cláudia tinha certos conhecimentos básicos em Cabala, e chegou à conclusão de que o judeu poderia ter sido a manifestação da consciência cabalística. Nós temos o poder de mudar tudo! As coisas não tem que ficar na mesma. Mas se queremos que tudo seja diferente, temos que ser diferentes, nunca vendo as dificuldades como blocos no caminho, mas como oportunidades para uma vida brilhante. Devemos correr (e não andar, mas correr) para fora da nossa zona de conforto, apressando-nos para tomar melhores decisões e selecionar os melhores destinos onde existem milagres.

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VARAL DO BRASIL CONVITE OFICI@L P@R@ P@RTICIP@ÇÃO NO 28èm_ S@LON INTERN@TION@L DU LIVRE ET DE L@ PRESSE DE GENÈVE 2014 (D_ 30 [\ril [ 4 ^_ m[io ^_ 2014) L’authentique rencontre entre éditeurs, auteurs, diffuseurs, distributeurs, médias et autres acteurs du monde de l’écrit et de la culture. Son accessibilité fait chaque année la magie de cet événement avec près de 100’000 visiteurs (soit plus de 20% de la population genevoise). O autêntico encontro entre editores, autores, promotores, distribuidores, mídias e outros atores do mundo literário e da cultura. Sua acessibilidade traz, a cada ano, a magia deste acontecimento contando com aproximadamente 100.000 visitantes (mais de 20% da população da cidade de Genebra) Convivial et festif, le Salon du livre de Genève est un rendez-vous où visiteurs de tous âges et professionnels se rencontrent pendant 5 jours pour partager et échanger autour d’une même passion : la culture par la lecture et l’écoute de débats passionnés sans oublier les rencontres avec plus de 800 auteurs présents ! Convivial e festivo, o Salão do Livro de Genebra é um local onde visitantes de todas as idades e profissionais se encontram durante cinco dias para compartilhar e trocar ideias em torno de uma mesma paixão: a cultura através da leitura e da escuta de debates apaixonados, sem esquecer os encontros com mais de 800 autores presentes. Visitantes de toda a Europa afluem para o Salão Internacional do Livro de Genebra! SEJA A ESTRELA DESTA FESTA! (Segue) www.varaldobrasil.com

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O Varal do Brasil estará presente com seu stand onde terá o prazer de apresentar a literatura brasileira e de língua portuguesa em geral, com os autores conquistando uma janela de visibilidade muito expressiva num dos mais renomados eventos literários da Europa. Esta iniciativa, que conta já com vários autores confirmados, se fará num sistema de investimento pessoal por parte do autor/editora interessado (a). As vagas para as sessões de autógrafos e para exposição de livros no Salão serão limitadas e selecionaremos os autores que desejarem participar deste sistema cooperativo. (A administração do Varal do Brasil se reserva o direito de recusar qualquer candidatura que não considere conveniente). - Não é necessária a presença do autor para que seu livro esteja no Salão. O que é necessário é termos o livro do autor (Solicite através de nosso e-mail o regulamento para participação para sessões de autógrafos ou para exposição de livros); - O idioma em que está escrito o livro não é o mais importante. O que importa é que o autor seja brasileiro, português, angolano, moçambicano, enfim, de língua portuguesa. O livro poderá estar em Português, Inglês, Francês, Espanhol, Italiano ou outra língua, ou mesmo ser bilíngue, em braile e etc. Veja fotos de nossa participação em 2012: http://www.varaldobrasil.ch/278301/index.html Veja fotos de nossa participação em 2013: http://www.varaldobrasil.ch/338512/index.html Escritor (a), esperamos contar com você e/ou com seus livros nesta feira literária suíça, a maior do país e uma das mais prestigiadas de toda a Europa! Para toda e qualquer informação escrever ao VARAL DO BRASIL por e-mail: varaldobrasil@gmail.com

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Poema para o menino com os olhos que mudam de cor Por Ana Mohan "Ele tem jeito de menino moleque Cabeça de homem sofrido Corpo de academia mal feita Olhos que mudam de cor Alma que muda de cor E uma boca que induz ao pecado (Ele é o certo no caminho que me leva ao errado!) Ele me enxerga sem pudor Me despe inteira com seu olhar malicioso Me interpreta com sua sabedoria popular Me inquieta com suas mãos experientes Me fascina com sua paixão esquizofrênica (Ele me domina e me faz inconsequente!) Ele me chama de menina mimada E escreve versos de amor rabiscados em caligrafia errônea Ele me faz rir como criança, de tirar o fôlego! E destrói meu fôlego de mulher menina madura (Ele me intriga! E eu o quero sem censura.) Ele desenha cicatrizes em minha boca com seu beijo ardente em febre E critica a falta de cicatrizes em minha razão ardente em pecado E exige me ter por inteira, mesmo que o inteiro seja apenas faz-de-conta E acalenta meu coração com promessas de não existir um amanhã incerto (Ele me escapa! E eu o quero sem decerto.) Menino experiente com os olhos que mudam de cor Homem malandro com ginga desafinada em melodia estonteante Príncipe ou sapo, Aprendiz ou professor, Não vá embora! Não seja presente! Minta para mim como quem se mente E arda em meu corpo regozijo para manifesto do nosso primeiro adeus."

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FALANDO DE CULTURA Marluce Alves Ferreira Portugaels

Brasil de Festas e Passeatas

todos esperam encerrar com chave de ouro

O Brasil é um país festeiro. Há meses

um ano pródigo em conquistas e feitos.

que são uma festa só! Junho e Dezembro são

Todas essas celebrações nos transpor-

os campeões. Primeiro, porque marcam o fim

tam às nossas raízes e nos ajudam a renovar

de um semestre de labuta. Depois, porque a

os traços que chamamos de culturais, e que

magia de suas festas encanta a todos, sejam

fizeram de nós o que somos.

crianças ou gente grande.

Este ano, o mês de junho foi diferente

Junho é a cara de nossa infância! É

no Brasil. Um fato inusitado veio

modificar

quando finda o primeiro semestre com as es-

aquela rotina de novenas, arraiais, festivais

colas ostentando aquele ar festivo, cheio de

folclóricos com danças típicas e apresenta-

sons, cores, sabores, odores da época. É

ções de boi-bumbá, comidas da época, fogos

quando o sagrado e o profano se encontram

de artifício. Tudo o que faz de junho o mês das

nos recintos das igrejas e nos terreiros das ca-

brincadeiras no terreiro. De repente, foi como

sas. É quando as famílias se reúnem para ce-

se o Brasil inteiro, de Norte a Sul, de Leste a

lebrar os santos do mês, Santo Antonio, São

Oeste tivesse despertado para protestar contra

João, São Pedro, com arraiais e fogos de arti-

um fato aparentemente prosaico como o au-

fício. “São João disse e São Pedro confirmou

mento da tarifa do transporte público.

que vamos ser primos que Jesus Cristo mandou”. O grau de parentesco selado ao redor da

Na verdade, os 20 centavos de aumento reclamados foram apenas a gota que trans-

fogueira.

bordou o vaso. Em todas as grandes cidades Dezembro também é uma festança que, aliás, começa em novembro com os preparativos para a celebração do nascimento de Jesus Menino no estábulo de Nazaré. Cristãos e não cristãos celebram o fim do ano, quando, ao lado das festas religiosas, realizações são festejadas e prognósticos para o ano vindouro são feitos. Enfim, dezembro é o mês em que

do Brasil, e em muitas pequenas, o povo foi às ruas para protestar contra o que não suportava mais, ou seja, a corrupção e a impunidade tão generalizadas no meio político, os serviços públicos sofríveis, a falta de segurança. Enfim, o básico que todo país democrático e desenvolvido oferece aos seus cidadãos e pagadores de impostos.

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(Segue) 32


Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

Apesar da lamentável atuação de vândalos, uma coisa surpreendente foi o espírito cívico das passeatas, congregando famílias inteiras, crianças, jovens, adultos, idosos, todos imbuídos do ideal de transformar o Brasil em um país sem desigualdades sociais tão gritantes. MUDANÇA foi a palavra chave nas passeatas. Todos querendo um Brasil mais justo, onde, independentemente, das classes sociais, as pessoas tenham um bom sistema de saúde, os jovens tenham boas escolas, todos tenham segurança em seu direito de ir e vir. Depoimentos colhidos nessas passeatas são verdadeiras joias de um suposto acervo antológico. Acredita-se que o Brasil não será o mesmo após essas manifestações que parecem estar em busca tão somente da justiça social. E de mudanças para o bem! Que assim seja! Voltando aos nossos traços culturais, é natural que haja uma simbiose daqueles existentes com os novos que venham ajuntar-se, fazendo aparecer uma nova feição cultural. Assim, nas festas juninas de hoje, além das danças tradicionais como a quadrilha, o tipiti, o boi-bumbá, outras danças oriundas de rincões estrangeiros transportam jovens e adultos para além de nossas fronteiras. O mesmo acontece com as celebrações de dezembro que também passam por modificações de acordo com as influências trazidas por outros povos que aqui venham instalarse. Como no passado, mas talvez com jeito mais folclórico, continuamos festejando os nossos santos juninos e o nosso Menino Jesus nascido no estábulo, com sons, sabores, olores variados, quiçá, repetindo refrãos que nos ficaram ao longo dos anos e nos quais acreditamos, segundo a tradição. Que Deus Menino junto com Santo Antonio, São João e São Pedro protejam o Brasil e os Brasileiros!!!

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*DESSE CABRA ME ORGULHO

Por Yara Darin

Ele veio lá do interior das Alagoas. Cabra macho, sim senhor! E era mesmo. Andava sempre com uma peixeira na cintura. “Se mexer comigo leva”, dizia! Felizmente, nunca chegou a precisar dessa violência, mas acho que matou muita cobra! Adorava pescar e andar pelos matos! Tinha seu chapéu de couro, sim, sempre pendurado atrás da porta da sala, com aquele orgulho de todo bom nordestino. Bernardo saiu da sua cidade natal em Viçosa, Alagoas para “tentar a sorte” no interior de São Paulo, montado numa carroceria de um caminhão, depois de viagem de navio até Santos. Foram longos e sofridos dias até São PauloMarília. As notícias à época diziam que a cidade de Marília prosperava em terras ricas de café e algodão. E foi nesta cidade que Bernardo se instalou a convite do irmão Odilon que, impressionado com o progresso, mandou chamá-lo. Tinha como ofício sapateiro, não sabia fazer outra coisa. E assim começou sua vida por lá. Seu primeiro e único emprego foi numa sapataria. Seu patrão, um homem bom e amável que o acolheu ,deu-lhe emprego , alimentação e moradia ,que ficava nos fundos da própria sapataria, até que Bernardo conseguisse arrumar um lugar e levar sua vida sozinho. O tempo foi generoso com Bernardo, que prosperava a cada dia em seu trabalho. Passado algum tempo ,Bernardo conheceu uma mimosa menina de apenas 15 anos, chamada Julieta, filha de italianos .Paixão fulminante. Não demorou muito para se casarem.

do já instalado em seu próprio negócio, como fabricante de sapatos ,que já eram vendidos para toda a Alta Paulista. Comunicava-se bem e ajudava sempre aquele necessitado que encontrava em seu caminho. Daí para entrar na política foi um pulo. Candidatou-se e ganhou seu primeiro mandato como vereador. Era eloquente e arrojado na defesa dos mais necessitados. Essa era a sua luta, a sua vida e a ela se dedicou de corpo e alma. Fez vários projetos beneficiando grande parte da população mariliense. Um salto para conquistar seu segundo mandato. Assim como conquistou a amizade e o prestígio de muitos ,também ganhou vários inimigos. Mas nada disso impediu que Bernardo ganhasse nos idos de 1960 título como o “melhor vereador do Estado de São Paulo”,em iniciativa do jornal Correio Paulistano. Um prêmio recebido com honras e aplausos pelas mãos do Presidente da Câmara e demais vereadores, mas fez questão de dividi-lo com a população ,que o chamava de “O Vereador do Povo!” Sentindo sua ascendência e a necessidade de mais dedicação ao povo, candidatou-se a prefeitura da cidade. Mas o tempo já não mais favorecia seus ideais e Bernardo foi cassado pela ditadura de março 64 sem conseguir o tão almejado cargo de prefeito. O primeiro homem cassado pela ditadura no Brasil, dizia ele. Preso, incomunicável por vários meses, terminava assim sua ideologia política, mas não morreria o sonho de ver a democracia reinstalada no país e por ela continuar lutando. Abalado pelo constrangimento que o deixou impossibilitado de reeleger-se, resolveu mudar com a família para Capital onde iniciou uma outra atividade até aposentar-se e voltar para o interior ,Ourinhos , com sua Julieta, onde veio a falecer aos 81 anos de idade. Morreu sentindo-se feliz, pois sabia que sua luta não havia sido inglória! (Segue)

Logo vieram os filhos, no total cinco, e Bernarwww.varaldobrasil.com

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Bernardo será sempre lembrado pelo seu idealismo democrático , sua garra e luta férrea para conseguir dar ao povo menos favorecido a mesma condição sócio- econômica ,quanto ao resto do país. Julieta que amava Bernardo; Bernardo que amava Julieta e com ela viveu durante felizes 52 anos. Seu corpo foi sepultado em Marília, a cidade escolhida por ele , que o acolheu como seu filho , dando-lhe as maiores alegrias desse mundo. Hoje , em Marília, ele está agraciado com uma imensa e arborizada praça que leva o seu nome : Praça Bernardo Severiano da Silva.Em Tempo:ainda moço aposentou a peixeira e passou a resolver tudo com uma boa conversa. Dizia: “Marília me civilizou “. Se eu tenho orgulho desse Homem cabra macho? Tenho e muito! Ele é meu eterno e inesquecível ídolo, ele é meu pai!

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fora, considerando que um descuido poderia resultar em um ataque de animal feroz, captura por inimigo ou outras coisas desastrosas pelas condições inóspitas dos lugares de outrora.

HOMENS Por Isabel C S Vargas

“Homens e mulheres devem ser iguais no direito à oportunidade de desenvolver plenamente suas potencialidades, mas, definitivamente não são idênticos nas capacidades inatas.” Allan e Barbara Pease Quando discorremos sobre homens ou mulheres, não é raro começar a apontar falhas, defeitos, ou ter atitudes discriminatórias. O que ocorre muitas vezes é a falta de percepção ou não reconhecimento de características próprias de cada um, que não implicam em defeito ou sinal de menos inteligência ou valor. Torna-se necessário buscar as origens para tentarmos entender os fatos, o aqui e o agora e estabelecermos uma percepção que nos permita uma visão mais clara para não incorrermos em constantes erros ou falácias. Valho-me de opiniões de autores abalizados para fundamentar meu posicionamento. Os autores supra citados falam no uso dos hemisférios para justificar diferenças óbvias entre homens e mulheres. Um usa a racionalidade, o outro a emoção. Içami Tiba os denomina de homemcobra e mulher- polvo. Isto baseado nas características inatas de cada um. Já viram homens fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo? Nada excepcional. Coisas tipo cuidar do almoço no fogão, colocar roupas na máquina de lavar, atender ao telefone e ainda olhar o tema da escola do filho que pede socorro e atenção, tudo isto simultaneamente? Impossível não é? Mas não se trata de má vontade, burrice ou falta de atenção com a esposa ou companheira. É preciso entender as características que ao longo dos séculos se incorporaram à genética. Eles tinham que ter o olho aguçado, certeiro para conseguir abater a caça e trazer o alimento para a família. Inclusive sob pena de desmoralização se não o fizessem. Em contrapartida, elas deveriam alimentar a prole, vestir, plantar, cuidar dos idosos, zelar para que os remanescentes no local não se perdessem ou se afastassem enquanto os homens estavam

Aos homens cabia uma função diferente das funções femininas o que implica, invariavelmente, em desenvolvimento de habilidades diversas. Responsabilidades diferentes, porém não menos importantes. O erro que persiste até a atualidade é supervalorizar um em detrimento do outro e atribuir valores diferentes aos gêneros. O ideal, o correto e justo é igualdade nas diferenças. Isto implica em respeito.

Com a revolução industrial, acesso ao mercado de trabalho pelas mulheres, divisão de tarefas, a conduta masculina vem se modificando. Com isto já não se vê mais as típicas e simplórias expressões: “Isso é coisa de homem” ou “Isso é coisa para mulheres”. Os homens deixaram de se enquadrar naquele estereótipo durão que não chora, e outras tantas coisas tolas. Homem chora sim, cuida de filho, troca fralda, faz mamadeira, vai ao parquinho, penteia cabelo das suas filhas, ouve suas reclamações, conta historinha, brinca de boneca ou de super-heróis e ainda encontra tempo para descansar a armadura e andar de quatro no chão para o filho montar em suas costas. Nos intervalos entre a tarefa profissional, o ser pai e ser marido, ainda é capaz de passar aspirador de pó na casa, ir ao super ou fazer um churrasquinho no final de semana para aliviar a esposa. Há os que ainda levam flores, chocolate ou perfume. Enfim, desenvolveram a sensibilidade e as potencialidades femininas. Sem qualquer ironia ou gozação nisso, creio que as pessoas, independente de sexo, quando amadurecem desejam viver bem e isso inclui despojar-se do egoísmo natural. Daí surge essa atitude de companheirismo e partilha.

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Evidentemente não somos tolos de achar que isto é unanimidade, pois ainda temos uns tantos brutamontes que se não tivessem um resquício de temor da lei, ainda arrastariam as suas mulheres pelos cabelos como na época das cavernas. Há aqueles que em função do álcool ou das drogas, espancam a cada bebedeira, namoradas, filhos, esposas, mães e pais idosos. Ora, racionalizemos, então. Bons e ruins, santos ou demônios, traiçoeiros ou fiéis, crápulas ou honestos são adjetivos que cabem em qualquer ser humano, independente de gênero. Assim sendo, dá para darmos um voto de confiança aos homens, cuja cotação no mercado feminino geralmente se encontra em alta.

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Homem ressuscitado Por Paula Alves

Em 2000 clamava...

Hoje digo-te:

Vai

Vai!

Cai o Sol

Brilha o Sol

A Lua desceu à Terra

A Lua espreita a Terra

E o Homem cantou ao vento.

E tu, Homem, cantaste ao vento.

Vá, corre, salta, hás-de lá chegar.

Vá, corre, salta, vais voltar a chegar.

Trepa o muro de algas,

Trepa todos os muros e obstáculos, não vais tropeçar.

Cuidado, não tropeces na maldade.

Isso! Vai!

Isso! Vai, O sol já caiu e tu ainda aí estás,

Vai: és leve, és livre, és preso de luz.

O Sol já adormeceu mas moveste-te, inquieto.

Corre, salta, ainda tens tempo de escalar o ar,

Vai: és leve, és livre, capacitaste-te de luz.

Ainda tens tempo de entoar sons surdos que ensurdecem o calor do Sol.

Corre, salta! Tens sempre tempo de escalar o tempo, sem que te falte o ar e o fôlego para gritar bem alto, ao mundo e aos Homens que, afinal, tens tempo e que mesmo tendo havido queda, não aceitaste a

Quieto.

Ainda tens tempo para Ver Que a queda

Desilusão.

Não É Ilusão.

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EU NÃO QUERO ESSE HOMEM PARA MIM Por Jô Mendonça Alcoforado Eu não quero esse homem para mim Eu olho para ele, ele não olha para mim, Eu passo por ele, ele não passa por mim, Eu sorrio para ele, ele não sorrir pra mim, Eu me aproximo dele, ele não se aproxima de mim, Eu me arrumo fico uma graça, ele acha tudo sem graça, Eu falo do que eu sinto, ele diz não me interessa, Eu confesso meus segredos, ele diz que não é padre, Eu suplico sua presença, ele só fala em ausência, Eu peço um simples favor, ele é totalmente indiferente, Eu caminho devagar, ele só anda apressado, Eu o acho sedutor, ele não me faz promessas de amor, Eu sinto o gosto dos seus beijos, ele não realiza meus desejos, Eu me sinto encantada, ele não me dá nenhuma cantada, Eu tenho um coração, ele no dele tem o fruto amargo de uma paixão, Eu quero muitas coisas, ele me parece não querer nada, Eu não resisto ao calor do amor, ele não derrete seu coração de gelo Eu sou um terreno fértil, mas nem por isso sou réu confesso, Eu não quero esse homem pra mim. Oh! Vida! Eu o quero bem longe de mim.

OBS: Poesia do livro Jeux de Mots en Poésie

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REFLEXÕES CONTEMPORÂNEAS JÚLIA REGO

O Universo das Redes Sociais Fenômeno social contemporâneo, as redes sociais transformaram o perfil das sociedades em todo o mundo. Mais que um instrumento de comunicação, as redes constituem-se em um espaço de compartilhamento de imagens, ideias e vidas, trazendo inúmeros questionamentos sobre até que ponto essa ferramenta pode ser considerada positiva do ponto de vista das relações humanas. Ainda que pese a constatação da perda de privacidade nos ambientes virtuais, encontra-se aí um espaço para o qual se direcionam as mais curiosas exposições e explosões de sentimentos numa frenética manifestação da carência absurda que tem afetado os indivíduos nos últimos tempos. De forma até paradoxal, já que se vive em um mundo extremamente individualista, dividemse tristezas e alegrias, perdas e conquistas, ideologias, sejam políticas, ou religiosas, pedem-se, doam-se, distribuem-se lágrimas e sorrisos numa incansável roda-viva de partilhas recheadas com boas e duvidosas intenções. Desde sempre, o homem manifesta-se como um ser gregário, entretanto, ao longo da história contemporânea, observa-se uma forte tendência ao isolamento social. Inúmeras razões podem ser levantadas para esse comportamento humano, desde as transformações nos sistemas políticos e econômicos ocorridas no mundo nesse período, que levaram os indiví-

duos à busca da ascensão social em detrimento das relações solidárias, ao avanço tecnológico que levou as pessoas à mudança de hábitos e costumes. Essas transformações contribuíram sobremaneira para que o olhar humano se voltasse mais para si mesmo, relegando o outro a segundo plano, que passa agora a ser visto como um concorrente pronto a usurpar toda promessa de conquista material vislumbrada. Competir passou a ser a prioridade coletiva. A revolução tecnológica provocou outra revolução, essa interior e extremamente preocupante. Dispondo de recursos com possibilidades infinitas, o homem agora se isola num mundo fechado, criando novas necessidades que seriam, supostamente, satisfeitas num circuito de si para si. Contrariamente, entretanto, esse indivíduo, receoso de tudo e de todos, continuou carregando, de forma latente, o desejo de estar junto, de ver e ser visto, o que traz a certeza do inexorável destino humano de viver em busca dos seus pares. Nesse contexto, eis que surgem as redes sociais travestidas de oásis para a solução das questões existenciais presentes de forma mais inquietante na contemporaneidade, propondo uma nova forma de se relacionar. Cria-se a ilusão de se estar perto, ao tempo é que se mantém distante, numa dinâmica em que se permite escolher com quem falar e estar, flutuandose ao sabor dos estados de espírito verdadeiros que, diga-se de passagem, não precisam ser compartilhados. (Segue)

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Com a autoestima elevada pelo número de amigos que se consegue adicionar, sejam eles reais, ou virtuais, e pelos comentários favoráveis que se consegue angariar depois de cada postagem, uma legião de adeptos segue, dia após dia, numa viciante rotina de acessar sua página, tentando reafirmar a eficiência da imagem politicamente correta, construída nos recônditos dos egos vulnerabilizados pelo mundo moderno. Imagem essa que prevalece à ideia de felicidade, de tristeza reais, ou de amizade eterna até que as animosidades levem à exclusão dos, muitas vezes, pseudoamigos. A despeito da função informativa, indiscutivelmente, importante das redes sociais e do bemestar momentâneo que se possa adquirir estando-se conectado virtualmente ao mundo exterior, é questionável a perda da convivência real com o outro, carregada da emoção proporcionada pelo contato físico que terminou sendo substituído, por muitos, pela comodidade de se permanecer à distância. Reflexo do caos interior em que está mergulhado o ser humano nos últimos tempos, o surgimento de espaços como esses, revelam mais que a necessidade de se compartilhar convicções, traz à tona o, ainda, perturbador e contraditório desejo de visibilidade real.

A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores através dos cinco continentes. Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL DO BRASIL E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch Site: www.varaldobrasil.com Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com

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90%

dos

HOMENS

A gente só vê aqui Desmantelo dali e daqui, E o homem não conseguir

Por Maria Laudecy Ferreira de Carvalho – Coleção

Educar bem sua casa.

Aprender Fazer Fazendo Valha-me Deus! Deus me valha!

Você já viu que coisa pra bulir Nunca vi gente sem iniciativa

E o homem correr pra li e pra qui

Como 90% dos homens

aperreado feito doido? É a ele entregar uma casa para educar.

Educar a casa daqui. O menino adoeceu

Não sabe por onde começar

E ele, nem se quer sabia

A tarefa fazer

onde estava a carteirinha

Menino pede comida

Do posto de saúde.

E ele se desespera.

Aqui tudo está um só grude Que visita não dar pra receber.

Menino chorando fala: Pai tô com fome !!!

Assim sendo minha amiga,

E vontade de dormir.

não se iluda, Não se arrisca,

Já está chegando a hora

Que a Educação de casa,

Dos meninos ir pra escola

Mesmo sem remuneração

E o almoço nada de sair.

Mesmo sem ganhar um tostão, É tarefa de mulher

É desmantelo dali e daqui.

Que sabe ser sábia e ter fé, que não quer ver o destroço,

Nem as tarefas da escola Não se viu os meninos cumprirem.

Em casa só alvoroço Sujeira até o pescoço

É roupa suja pra lavar

O menino sem almoço

Outras pra passar

Tornando o caminho perigoso

Sujeira daqui e dali,

Pra todos que naquela habita. Você já viu coisa pra bulir É entregar a educação da casa a 90% dos homens.

O jeito é a mulher ajudar Pra coisa continuar E os filhos poder formar.

É alimentos pra comprar Pois o feijão acaba de acabar

Promover a cidadania

Falta o pão e o pequi www.varaldobrasil.com

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Pra Deus e a Virgem Maria,

Nem parece que é de Nosso Senhor

Contente poder ficar

O seu fiel salvador.

E até a 90% dos homens A mulher poder salvar.

Mulher, mulher, que é capaz de gerar Você nasceu pra governar

Isso sim é que saber educar

e até Presidenta se tornar

Uma casa e um lugar

Como disse a Dilma Rousseff

Aqui e aonde for

Aqui no meu Ceará.

Por amor a Nosso Senhor E a natureza também

O Brasil já descobriu a arte de governar

Não deixe de avisar a alguém

Agora somente falta a Dona de casa se conscientizar

Que a mulher Deus quer tanto bem

Pra o Brasil todo mudar.

Que a escolheu também Pra gerar e educar o povo daqui e de qualquer lugar . É besteira da mulher Achar que 90% dos homens Nasceu pra educar Aqui e em qualquer lugar Por isso que o mundo moderno está assim Foi por a mulher achar Que a educação a 90% dos homens Pudesse entregar. São 20 anos de alvoroço, Droga, violência e desamor Mulher por amor a Nosso Senhor Volte a assumir a missão que é sua Desde que Jesus veio ao mundo Com a ordem de Deus Pai Mulher é tão especial Que se fez mãe do Salvador Eu lhe peço por amor ao criador Volte a educar o mundo Que está tão vagabundo Sem respeito, paz e amor www.varaldobrasil.com

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derruba. Após um grito de raiva contido, levanta-se com pressa. Arfa. Alcança o bonde ofegante e suado, talvez machucado – mas irrepreensivelmente pontual. Sentado, ainda tem tempo de constatar que as suas pegadas cinzas já estão sendo apagadas por uma neve

Óculos

mais jovem. Fecha os olhos. Para não rever o tempo se movendo lá fora...

Por Felipe Cattapan

E abre-os logo em seguida, ao descer do bonde. Como de praxe, examina o relógio de

I

pulso para reprovar o atraso quase quotidiano

6:00. 6 toques curtos. 2 olhos se abrem.

do transporte público – mas, para sua surpre-

1 homem se levanta. 1 mesmo ritual se repete.

sa e agonia, desta vez só consegue recriminar

Há 66 anos. 24090 vezes.

a si mesmo: suas mãos histéricas acusam em

Silenciado o despertador, o banho matinal. A água escorrendo pela pele ressecada.

todos os bolsos possíveis a ausência absoluta e definitiva dos seus óculos urgentes.

Enxuto o corpo, a contemplação da cicatriz no joelho direito... Depois o creme hidratante senII

do sugado pelas rugas do rosto. A refeição na cozinha reduzida ao essen-

Uma perda! Um colapso! Um lapso e um

cial: um ancião solitário se nutre de obediência

relapso! Uma falha – e uma culpa: a sua pró-

ansiando viver alguns anos a mais. Lá fora, a

pria ineficiência! Que o mundo é ineficiente,

escuridão – esperando por um sol que ainda

ele já sabia (e todos nós já sabemos); que a

não nasceu.

vida é falha, algum dia todos nós saberemos,

Às 6:46 desce cuidadosamente as esca-

você saberá e ele já sabia – no mais tardar

das, ainda sem óculos... o nariz escorregadio

quando foi para a guerra e a guerra o feriu no

denuncia um leve exagero na quantidade de

joelho direito, a cicatriz era (e é) a única meda-

creme... (um indício de senilidade?)... Apalpa

lha restante, o seu berro de raiva não sendo

nervoso, reencontra indiferente os óculos se-

escutado por ninguém, nem pela própria mu-

xagenários em algum bolso da calça. Protegi-

lher (que foi-se embora para não ouvir nunca

do pelo seu fiel casaco preto, às 6:49 final-

mais o eco deste grito distante que até hoje

mente abre a porta e sai ao mundo.

não quer calar)! O universo, a humanidade, o

O mundo está mais branco do que on-

ser humano, os animais, os outros, eles, vós,

tem. A neve dificulta a sua caminhada até o

nós, ele, tu, eu e quem quer que seja: tudo é

bonde... o medo de chegar atrasado acelera

falho – e toda falha é redundante (viver só se

os seus passos, a miopia sem óculos o deses-

tornando suportável quando a própria memória

tabiliza, o gelo o surpreende, a ineficiência da

falha e este diagnóstico crônico é provisoria-

perna direita o desequilibra, a insegurança o

mente esquecido).

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Repetindo, e a redundância estilística que se

rou; olhou, não achou, olhou, não achou,

dane, afinal quem aqui fala é um biólogo frus-

olhou - não viu. Saiu. Se perdeu...

trado que fracassou ao tentar provar que o áci-

Perdido em uma multidão dispersa, sem

do desoxirribonucleico não passa de “tempo

óculos o mundo era um borrão. Borrado no

congelado”: como pôde logo ele, que durante

mundo, se perdia entre as pessoas, as ruas,

grande parte da sua vida tentou comprovar

os bondes e os carros... Perdeu a direção, a

cientificamente que a vida tende à ineficiência,

paciência, a orientação. Olhou para cima e o

por que diabos foi logo ele ser capaz de come-

sol era uma mancha disforme clareando as

ter tamanha calamidade, deixando cair um ob-

nuvens sem nenhum propósito. Caminhou

jeto tão antigo e pessoal – o seu último e fiel

sem fim e, quando a luz se expandiu, viu um

companheiro – no chão inalcançável de algum

imenso parque branco... depois andou mais,

bonde qualquer que transitava e transita, que

viu um pouco mais e o parque era verde e

se dana e se danará por este caos incontrolá-

branco; andou muito mais, viu demais e as

vel a que chamamos de acasos e coincidên-

cruzes do parque mataram a grandiosidade da

cias? Pro inferno! Quero o bonde de volta, os

sua visão: viu que o que via era um cemitério!

passageiros que se danem como eu estou me

Hora de voltar para casa; para a sala de jantar

danando (e quem não está?) há tantas déca-

com as condecorações de uma guerra perdi-

das e ninguém me ouve (por um acaso al-

da, para o escritório abarrotado de livros de

guém te ouve?) desde que a minha mulher foi-

biologia esquecidos nas estantes, para a ca-

se embora fugindo que nem este maldito bon-

ma vazia de esposa que partiu, para o quarto

de e não voltou mais... pois que volte o bonde

oco do filho que não nasceu.

e eu me calo cansado: esquecerei a minha ira

Entrou no bonde. O veículo chegaria à

e o meu desejo irado de vingança – e você,

sua estação antes que a luz do sol desapare-

toda esta história exaustivamente repetitiva.

cesse por completo.

Pois nos calemos todos – o mundo que se ca-

Iria cedo para cama, após mastigar sozi-

le: como eu, tu, ele, nós, vós, eles nos cala-

nho qualquer coisa insossa da geladeira qua-

mos frente à ineficiência universal cujo supre-

se vazia.

mo paroxismo é o nosso envelhecimento pere-

No leito, seus olhos prefeririam a unifor-

ne e inexorável. Envelhecer é o pior dos fra-

midade da escuridão às habituais páginas

cassos. Ninguém escapa, nem mesmo tu, vos-

brancas com letras pretas...

sa mercê, você ou cê – existir é envelhecer. Tudo tende a nada. Sempre. Nascer é morrer,

Adormeceu... sem se lembrar de que se esquecera de procurar uma ótica...

não nascer é personificar a ausência. Sobreviver é esquecer.

III

Para esquecer basta agir. Caminhou até

6...

o escritório de achados e perdidos: hora do

7:00...

almoço. Esperou. Voltou. Esperou na fila; an-

8:00 horas

dou, parou; chegou, falou, ouviu; repetiu, ou-

(Segue)

viu, reclamou, não ouviu, silenciou; andou, pawww.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

9:00 horas! Um feixe de luz tocou a sua face.

mentaria que já era quase março e a primave-

Suas pálpebras palpitaram, sua boca sorriu.

ra estava chegando; mas a biologia é apenas

Despertava...

uma ciência, “primavera” é apenas um nome -

Sem óculos.

e o que ele via, sem contorno e por todos os

Sem despertador. E sem lamentar, após

lados, era a exuberância da Natureza pululan-

66 anos, a ausência dos 6 toques curtos: os 3

do sem controle nem razão!

ponteiros estagnados mais sugeriam uma sus-

Com o sol massageando a sua nuca, le-

pensão da contagem do tempo... do que um

vantou a cabeça para se embeber do azul infi-

castigo à sua memória, por ter esquecido de

nito de onde a vida parecia jorrar sobre a terra:

dar corda à sucessão de segundos, minutos e

pássaros fréneticos, inumeráveis, se inquieta-

horas.

vam entre postes, árvores e prédios; alguns

Embaixo do chuveiro, o tempo não escor-

desciam um pouco mais e, sem pressa nem medo, chegavam bem perto dele; outros pou-

ria. Fora do chuveiro, os poros da sua pele

savam eufóricos no chão e, por um piscar de

sugavam com avidez cada gota da brancura

olhos, até mesmo na rua ou na calçada. Um,

de um creme que era quase um bálsamo.

porém, estava imóvel. E imóvel permaneceu.

Uma sede, um sabor e um gosto de leite

No chão. Jazendo. Só.

o chamaram à cozinha que absorvia luminosi-

De todas as explicações possíveis, a

dade e oferecia calor. Lá fora, o sol exibia uma

morte é sempre a mais plausível... Sentiu von-

força mais amarela do que ontem.

tade e depois necessidade de enterrá-lo. Co-

Firme no corrimão, a sua mão direita con-

mo se este gesto transitório pudesse servir de

feriu-lhe a força necessária para descer as es-

consolo, como se este antigo ritual pudesse,

cadas sem óculos nem hesitação; sem medo,

de alguma forma, assumir a função terapêutica

saiu.

de uma cicatrização. Procuraria, no parque, O mundo estava menos branco e mais

um lugar ermo, esquecido. Longe da visão dos

cantarolado do que ontem. Um inesperado ca-

transeuntes. Onde houvesse verde. Talvez

lor amarelado acariciava o ar fresco, um caóti-

amanhã, ou depois, este verde se tornasse, de

co canto de pássaros encantava as árvores e

novo, branco – mas, até lá, aquele pequeno

os postes.

pássaro já haveria se dissolvido e desapareci-

O mundo era um borrão abstrato e vi-

do para sempre da sua memória...

brante. A luz intensificava as cores que surgi-

Caminhou. Devagar. Como se o respeito impu-

am de todas as partes e direções, principal-

sesse uma certa cerimônia fúnebre, aumentan-

mente de baixo: nos canteiros, gramados, pra-

do desnecessariamente a distância daquele

ças e jardins palpitavam o lilás, o vermelho, o

breve percurso. O pequeno ponto preto trans-

amarelo, o verde, o branco – mas um branco

formou-se em uma mancha pequena, em uma

menos branco do que antes, um branco que ia

mancha maior, em um ente desfocado, em um

desaparecendo, sendo sugado gota a gota pe-

objeto sem contorno, e, por fim, em um prosai-

lo solo sedento, umidificando a rigidez da terra

co par de óculos caídos no chão. Que final-

áspera que nos circunda... Um biólogo argu-

mente reencontravam o seu dono. (Segue)

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Suas mãos pueris tocaram com delicadeza

sensibilização para a verdade. Revisou o di-

aquele objeto tão íntimo; limparam-no, poliram

vórcio da sua mulher: chamaria-o de uma des-

-no, imacularam-no. Retornaram-no à sua con-

pedida digna. Revisou a vontade frustrada de

dição natural: acima da boca, em frente aos

ter um filho: chamaria-a de impulso vital. Revi-

olhos. De um pássaro morto, ressurgia a sua

sou a ineficiência perene dos seres humanos:

nova visão.

chamaria-a de tentativa. Revisou a sua própria

Viu que não perdera os seus óculos no

ineficiência: chamaria-a de uma informação a

bonde: caíram de algum bolso na neve en-

ser reprocessada. Revisou a sua velhice: cha-

quanto ele caía na calçada. Viu e reviu a ne-

maria-a de tempo vivido. Revisou a morte:

ve... dissolvida e se dissolvendo. Refletiu que

chamaria-a de ausência de nomes.

a vida, quando definida pela presença do áci-

E viu mais. Viu que o tempo é um nome

do desoxirribonucleico, se reduz a uma heran-

sem sentido; ou o nome de uma convenção

ça codificada geneticamente, se resume pura

cujo sentido se perde com o passar do tempo.

e simplesmente a “tempo congelado”... no en-

Uma lápide: tradicional, mas inofensiva.

tanto, justamente graças à inversão deste pro-

Viu que não há tempo. E que, em última

cesso, quando como por milagre a neve se

instância, não tinha medo de ter pouco tempo,

descongelava e desaparecia bem à sua frente,

mas de não ter tempo suficiente para ver que

pôde finalmente rever os seus óculos desapa-

o tempo não existia.

recidos!

E viu ainda mais: demais e em excesso:

Reviu o mundo e ele estava mais nítido

viu que o que agora via não era novo e sim

do que ontem e mais claro do que antes.

uma revisão: a repetição de uma visão já ex-

Olhou o sol – viu o verão que virá e ele verá e

perimentada quando ainda era jovem e não

nós veremos e vocês verão. Viu o bonde, a

usava óculos nem usurpava o ácido desoxirri-

rua, a calçada, as praças, os canteiros, os gra-

bonucleico, um reflexo tardio de uma experiên-

mados, os jardins, as flores, as árvores, os

cia antiga, uma redundância esquecida.

pássaros, o céu, os prédios, as casas, os pedestres, os carros, o vidro de um carro, o vidro

Ver é rever, reviver, entrever, absorver, sobrever, sobreviver.

dos seus óculos, o reflexo dos seus olhos atra-

Confiando no tato da sua mão direita, viu

vés do vidro dos seus óculos no vidro de um

sem ver: o mesmo leve exagero de creme hi-

carro. Não procurou adjetivos. Viu que o mun-

dratante não absorvido pelo seu nariz... (um

do prescindia deles.

capricho de adolescente?)...

Reviu a sua queda, o seu engano, o seu

Sorriu... em breve o frio já estará indo embora,

erro. E entreviu um outro nome para o que de-

seu nariz não precisará mais de creme, seus

nominava “erro”: revisão. De nomes. Revisou

óculos não precisarão mais esperar o seu na-

a cicatriz do ferimento de guerra no seu joelho

riz secar, todo este ritual não precisará mais

direito: chamaria-a de aviso. Revisou o fracas-

ser repetido; não perderá mais os óculos, a

so de tantas pesquisas não terminadas sobre

partir de agora farão parte da sua face , esta-

o ácido desoxirribonucleico: chamaria-as de

rão naturalmente integrados no (Segue)

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seu rosto até que o próximo inverno talvez os separe...! Limpou os óculos. Viu que a repetição exaustiva de um mesmo ritual tem como único propósito nos conferir uma frágil ilusão de eternidade... Não precisava mais de placebos. Prosseguiu a sua caminhada – sem tempo. Foi passear, em busca de novos nomes. Sem destino. Nem fim. Por um instante fechou os olhos. Mas não conseguiu evitar uma última visão: se hoje saiu de casa como um ancião, agora está caminhando por estas ruas como um pesquisador e à noite voltará à mesma casa de sempre como poeta.

INFORMAÇÕES SOBRE OS LIVROS DE JACQUELINE AISENMAN: No exterior: coracional@gmail.com No Brasil: atendimento@designeditora.com.br

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A CABEÇA EM IONESCO

substância-pensamento e existência pensante ou o pensamento no concreto existencial real..

Por Germano Machado

Como Hegel: "Todo real é racional e todo reacional é real". Queria dizer filosofar

"Ah, cabeça! ah cabeça!" É falando que me apercebo de que as palavras dizem coisas. As coisas dizem palavras? Por que é que as pessoas nascem com cabeça? Então, as perguntas não estão mortas..." (trecho do monólogo final de VIAGEM À CASA DOS MORTOS), peça inédita de Ionesco, com trechos publicados no Brasil. Não sendo embora um filósofo, no sentido, digamos técnico do termo, mas teatrólogo, nem por isso deixa Ionesco, como grande homem de teatro, uma arte em que forçosamente a filosofia como concretitude, na argumentação e vivência da peça se mostra. Ele filosofa: "Todo homem, porque homem, filosofa. haveria uma diferença entre a filosofia e exercer a si próprio e o filosofar no teatro e em outras ciências? Pois que sim. Filosofia é a exposição, são as definições, é a parte expositiva daquilo que se chama de doutrina ou princípio; filosofar é exercer um direito e mesmo o dever de pensar, de conjecturar, de refletir. Não vale pensar sem consciência, ou pensar que se pensa, é preciso mesmo pensar. Não vai pensar se não se está certo no ato de pensar. Quem não filosofa, quem não pensa sobre o penar e o pensamento, pode saber teorias filosóficas: Não filosofa, e portanto não pensa. Cabeça, aqui, não é a parte externa, física, no topo do corpo: é o pensamento, é a mente, é o ser interior, que, muitos chamam alma ou espírito e outros chamam, simplesmente, cabeça, Tenho cabeça e penso...

é estar no real que se exterioriza, como viu Ionesco, na CABEÇA pensante. Essência-existência estão sempre na base de todas as filosofias e de todo pensar. A CABEÇA, pois, em Ionesco, o pequeno trecho, é símbolo: Trata-se do que há dentro, informante e não mero órgão físico exterior. Ao falar o homem, com e pela palavra, nomina e dá sentido às coisas. Só falando, privilégio do animal mais aperfeiçoado da natureza, o homem percebe que as palavras dizem (significam) coisas. Ah, então, há um sentido realista entre o falar-manifestação exterioizante - e as palavras? O homem fala palavra. A s coisas dizem palavras? Também as palavras estão imbricadas e implicadas nelas. A s pessoas assim, nascem com CABEÇA, para pensar, falar, dizer, ver e saber as coisas. A s perguntas nunca estão mortas: Salvo se a CABEÇA( a mente interiorizante do homem) estiver sem a capacidade de perguntar por qualquer motivo, essencial ou existencial, ou sempre essencial-existencial... Ionesco sabe pensar: filosofar e, daí, que a frase teatral "Ah, cabeça, ah, cabeça!" Pode ser completada no pensamento do grande pensador espanhol José Bergamin: "Um paradoxo é um paraquedas do pensamento. Faço paradoxos para não me quebrar os ossos". E Ionesco fez, como dramaturgo, um paradoxo lógico e lógico para o filosofar humano... Ah, cabeça! Ah cabeça!

Deixemos. Cabeça, aqui apenas exterioriza, é um necessário MEIO para que se faça o pensamento e se faça o pensar. Pensamento no Homem, exterioriza o que há dentro na substância ou essência (podemos, aqui, confundir esses termos e, até certo ponto, propositadamente) mostrando que o homem é CABEÇA. Uma filosofia legítima, vê que o homem é essênciawww.varaldobrasil.com

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ANIMAIS EM CIRCOS NA GRANDE MAIORIA DAS VEZES NÃO SÃO BEM TRATADOS. SÃO FORÇADOS A ATIVIDADES NÃO NATURAIS PARA SEREM “TREINADOS”. E ISTO APENAS PARA O ENTRETENIMENTO DOS HUMANOS. SEJA HUMANO, BOICOTE CIRCOS COM ANIMAIS!

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A Criação do Homem Segundo o Gênesis Por Marluce Alves Ferreira Portugaels Contar a história do Homem é reverenciar seu Criador que, segundo o Livro Sagrado dos cristãos, a Bíblia, criou todas as coisas. Essa bela história diz que o Homem tem a idade da terra em que habita, pois foram ambos feitos nos seis dias de intenso labor do Divino Artesão. Mas, o Homem é a criação por excelência, porque feita à imagem e semelhança do Criador. Elaborado com o barro da terra fresquinha e tornado vivo e inteligente pelo sopro Divino, o Homem foi criado para reinar sobre todos os seres da terra, usufruir das benesses do jardim do Éden, multiplicar-se e ser feliz para sempre no paraíso que lhe fora destinado. Essas bemaventuranças ele deveria compartilhar com sua companheira, a Mulher, criada de sua costela enquanto ele dormia. Levado pela curiosidade da Mulher influenciada pela serpente, o Homem, porém, transgrediu os limites impostos pelo Criador, e comeu do fruto proibido, ficando seus olhos abertos para o bem e para o mal. O Homem tinha cometido o pecado original. Naquele momento, o Criador sentenciou que a terra ficaria maldita pela culpa do Homem, e que este estaria fadado a ganhar o pão com o suor de seu rosto, até voltar ao pó do qual fora feito. Esse ciclo da vida o Homem recebeu como missão passá-lo aos seus descendentes. Dentre os demais seres, ao Homem coube a inteligência e a capacidade de criar em todos os domínios. Jamais seria igual ao Criador, é verdade, nem viveria eternamente. Tampouco poderia chegar à árvore da vida, cujo caminho é sempre guardado pelos querubins. Mas, com muito sacrifício o Homem poderia obrar maravilhas, criar, modificar, deixar a sua marca em tudo, contanto que se mantivesse fiel aos ensinamentos do Criador. Acompanhado da Mulher, o Homem iniciou sua trajetória no mundo fora do jardim do Éden, labutando conforme o seu destino. Agora, caberia a ele escrever a sua história. Não satisfeito, o Homem, ainda inocente, decidiu tudo refazer. Achando que poderia igualar-se ao Criador, mais uma vez exagerou em suas pretensões, e, por sua obra, o que era belo e harmonioso tornou-se disforme e confuso. Diante do irreversível, eis que o Homem voltou a sonhar com o esplendor e a beleza do outrora paraíso. Esta é a história do Homem, essa maravilhosa criação do Divino, contada e recontada segundo a tradição.

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Esse Homem

Quem é esse homem Que me alcança de um jeito,

Por Ceiça Esch

De um modo perfeito Num silêncio cruel. E à noite, sozinha, sem sono , sem rumo, Pergunto às estrelas

Quem é esse homem Que me tira do sério, Que desvenda os meus mistérios,

Quando olho para o céu: Quem é esse homem que me deixa assim Tão fora de mim¿

A quem conto segredos, Confidencio os meus medos E me faz balançar¿

Quem é esse homem Que me fala de amor. De um amor tão profundo,

Quem é esse homem Que desfaz as minhas crenças, Minhas decisões e convicções,

Tão louco, tão sem medida. Um amor imenso, tão intenso Que me deixa perdida¿

Que me faz mudar¿ Quem é esse homem Quem é esse homem Que assim como Nnum conto de fadas Faz-me despertar¿

Quem é esse homem Que sai de repente, Mas deixa a semente De tudo o que sente

Que me chega agora, tão fora de hora, Tão sem esperar. E me toma nos braços E me enche de abraços¿

Quem é esse homem Que entre lágrimas e beijos Me desperta o desejo De voltar a amar¿

Em mim germinar¿ (Livro Suave Delírio-2009) Quem é esse homem Que em soluços me afogo Tentando saber Se alguém, algum dia De amor veio a morrer¿

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HOMEM-MENINO Por Luiz Carlos Amorim

O homem conquista a vida, galgando os degraus do futuro; mas quem lhe mostra o caminho, tira as pedras e os espinhos, ensina a ver colorido, ĂŠ o menino escondido, a pureza e a verdade que restaram no meu peito. O homem que sou condena, Subjuga, julga, conquista. O menino ama, apenas, Perdoa, preserva, ensina. Sou homem-menino, sim, mais menino do que homem. E quero ser mais menino, porque o homem apenas olha e o menino olha e vĂŞ...

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As Aventuras de Mada-Leninha, “O desaparecimento de Bubu” Les Aventures de Mada-Leninha, “et la disparition de Bubu”

ria de crianças entre 7 a 12 anos. Dessa forma, Lúcia Amélia consegue agradar e surpreender ao leitor, pois este não encontra na obra a falácia de adultos que tentam imitar o jeito infantil de contar histórias. O livro foi produzido em preto e branco para que a criança interaja com a história podendo assim colorir do seu jeito. No final do livro há páginas com trabalhos pedagógicos desenvolvendo assim na criança reflexão, criatividade e autonomia. O Objetivo com este projeto é distribuir gratuitamente nas Escolas brasileiras, e incentivar os professores a realizarem debates sobre o tema em sala de aula . A primeira edição da cartilha teve 3 mil exemplares (esgotados), e chamou a atenção de diversas autoridades na Suiça e no Brasil, segundo a secretaria de educação do município de Carpina – PE, 9 mil exemplares serão distribuídos, nas escolas.

A autora utiliza a literatura infantil para explorar o tema do tráfico de seres humanos e alertar as crianças para o crime. “A melhor forma de combater um problema é prevenindo. Por isso foi criada a cartilha, que, por meio da informação, irá alertar as crianças”,afirma a escritora . Neste livro, Lúcia Amélia Brüllhardt, narra a história de três crianças, Mada-Leninha, Muel e Bubu, um alerta contra o ‘Rapto de Crianças’, utilizando uma verdadeira linguagem infantil. O mundo da literatura infantil é mágico, pois as palavras têm o poder de nos envolver e transportar para um lugar que não é só imaginário, mas também é real, porque se pode viver, imaginar, sentir, aprender, sonhar um momento ímpar. As Aventuras de MadaLeninha, “ O desaparecimento de Bubu”, é uma narrativa feita sob o ponto de vista de uma escritora que não hesita em usar a fantasia e a imaginação para a faixa etá-

Ajude o Madalena’s à ajudar pedidos e informações : madalenas@hotmail.ch Toda renda será destinada ao Prevenção Madalena’s para confecção e distribuição de novas cartilhas. Madalena's Quai du Haut,8 2502 Bienne www.prevencaomadalenas.com.br contato@prevencaomadalenas.com.br

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Lobo em pele de cordeiro Por Elaine Fernandes

Dentro dele, um animal indomável, se manifesta sob sua imagem social que se apresenta como um simples e doce cordeiro. Mas, eis que o primeiro sente-se protegido pelo segundo e ambos completam-se para dar vida a um único ser. Ele, altamente voraz, em sua sede de sentir desvela-se perigosamente um sedutor inato. E, dentro de sua mente furtivamente tenaz jazem segredos não ditos de seu lado fugaz, embriagante. Ele, docemente implacável, sob a imagem de garoto bonzinho adentra sorrateiramente onde quer que deseje. Pois, há um fascínio indizível que emana misteriosamente de seu ser, magia secreta que encanta. O lobo, delirantemente sedutor, possui no olhar um toque inflamável que vicia. E seu fervor embebido de luxúria irrequieta o íntimo feminino provocando uma insana vontade de tê-lo. O cordeiro, vigorosamente gentil, sabe que em seu olhar inocentemente perigoso há um requinte irresistível que provoca suspiros latentes em qualquer ser feminino. E sua amabilidade fingida é isca infalível. Lobo em pele de cordeiro a confundir os sentidos femininos e a emanar sedução. Menino amadurecido que traz no olhar um leve feitiço que prende em sigilo. Eis dois seres irrequietos que dividem harmoniosamente o ambiente eloquente do corpo de um homem.

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PERIGOSAMENTE MASCULINO

Por Júlia Rego Conheci-o nos idos tempos em que despertei para o sexo oposto. A princípio resisti àquele ser incógnito e sedutor, que me acenava com olhares ignóbeis, mas decidi enfrentá-lo e, desde então, vivo entre dores e prazeres. Indomável e doce ao mesmo tempo, levei bastante tempo para aprender a desfrutar do encanto da sua companhia, assumindo os riscos de uma convivência saborosamente perigosa do ponto de vista emocional. Vivemos ao sabor do vento e das marés. Há dias em que ele se aninha em meus braços tal uma criança carente de afagos e atenção, há outros em que o vejo, incompreensivelmente, distante como um estranho que nos cumprimenta de longe e não adianta clamar por sua presença, já que, nessas horas sua provisão de achaques fala mais alto. Perco a conta das vezes em que tento compreendê-lo e mudá-lo ao meu bel prazer. A semente do machismo, implantada desde a sua gênese, germina no âmago das suas entranhas de tal forma que acorrentá-lo é uma tarefa praticamente impossível. Ainda assim, posso vê-lo, de quando em vez, derretendo-se com meu sorriso e pronto para satisfazer meus caprichos de mulher. Dúbio e contraditório como todos os seus semelhantes, atravessa as vias da minha vida de uma ponta a outra, trocando de humor e alternando entregas e ausências geradoras de uma angustiante expectativa de felicidade plena que tortura, deveras, meu coração. Ainda assim, estremeço de desejo quando vislumbro sua imagem, deliciosamente, máscula a acariciar meu corpo com seu jeito manso e silencioso, sussurrando palavrinhas proibidas em meu ouvido. Embora, constantemente, apareça com as vestes da independência e da segurança, tenho a certeza que não conseguiria escolher, sem pestanejar, um lingerie no tamanho ideal sem a minha ajuda, o que me provoca acessos de risinhos escondidos, entretanto, para minha surpresa, aprendeu a trocar fraldas e a preparar os mais requintados pratos e os mais afrodisíacos drinques que alguém já provou. Do alto da sua suposta autoridade, está sempre dando palpites nas minhas escolhas, nos pares de sapatos que consigo acumular, na fatura do meu cartão de crédito, enquanto ele, sozinho, não consegue encontrar um par de meias. É mestre em análise da figura feminina, das idiossincrasias, das mudanças de humor, do desempenho no volante, dos ciúmes, dos efeitos da TPM, entretanto, curiosamente, a fêmea continua sendo, para ele, uma incógnita a ser decifrada. Perigosamente masculino é esse homem que, ao invadir minha alma e lá se instalar de forma irreversível, consegue ser, paradoxalmente, indispensável em minha vida.

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A VIDA QUE PEDI A DEUS Por Lenival Nunes de Andrade

Hoje venho aqui de público para agradecer Primeiramente a DEUS ser supremo e maior Por ouvir minhas súplicas e preces e por mim interceder Quero tudo entender e compreender Saber e poder viver Esse momento maravilhoso em minha vida Com a mulher preferida Sendo por mim querida e entendida Juntamente com toda a minha família Na cidade que sempre amei e amo Com todos os meus colegas, parceiros e amigos Graças a DEUS Hoje tenho água, pão e guarida Roupa lavada, engomada e na hora certa minha comida Agradeço o sucesso no trabalho Em livros, CDS, Portais, Jornais e tudo o mais Já diz o ditado Que tudo tem sua hora certa E ela chegou para mim agora Agradeço a tudo e a todos os seus e aos meus Pois essa é a vida que pedi a DEUS

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LITERATURA & ARTE

LUIZ CARLOS AMORIM

EDUCAÇÃO E VIOLÊNCIA

A violência têm aumentado, exponencialmente, nos últimos tempos. São roubos, assaltos, raptos, assassinatos, etc. Uma escalada que vem solapando a segurança dos cidadãos brasileiros cada vez mais. Precisamos considerar a relação da educação brasileira com o crescimento da violência e do consumo de drogas em nossas cidades. Quanto mais a educação, o ensino brasileiro se deteriora, mais a proliferação de bandidos e consumidores e traficantes de drogas se intensifica. Se a falência da educação de nosso país não viesse crescendo nas últimas décadas, se tivéssemos uma escola pública bem tratada pelo poder público, com manutenção dos prédios escolares, equipamentos para um ensino eficaz e eficiente, qualificação de professores e salário digno para esses heróis anônimos que preparam nossos filhos para a vida adulta, não teríamos tanta falta de esperança e de respeito ao próximo. A escola deteriorada faz com que gerações inteiras tenham menos instrução e menor capacidade de chegar ao ensino superior, implicando tudo isso em menor qualificação profissional e, consequentemente, menor poder aquisitivo. E parte dessas pessoas que não conseguem ascender na sociedade, assistindo à corrupção e impunidade por parte de políticos e “autoridades” deste país, acabam enveredando pelo caminho do crime.

Então a educação – e quando digo educação estou incluindo aí o ensino público – do Brasil vem num decrescendo há muito tempo, o que resulta em gerações cada vez menos educadas. E a educação que as novas gerações recebem de pais que já vieram de geração defasada em relação à educação tratada com descaso pelos nossos governantes, tem cada vez menos qualidade, declínio esse agravado pelo sistema de ensino cada vez mais precário. É hora do poder público dar alguma atenção à educação brasileira, ao sistema de ensino brasileiro, para termos um país com menos violência, com menos crimes, com menos corrupção. Um povo instruído, um povo mais culto, mais inteligente produzirá mais, terá melhor qualificação e uma vida mais digna, não precisando enveredar para uma vida de crime. Saberá votar melhor e colocar representantes decentes no poder, para que esses nossos representantes cuidem melhor da coisa pública, melhorando a educação, a saúde, a segurança em nosso país. É uma bola de neve no sentido positivo, exatamente no caminho contrário daquela que está rolando atualmente. Funciona em qualquer país, em qualquer lugar. A arte de educar é a mesma que faz um futuro melhor.

O Colunista: Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br Contato: revisaolca@gmail.com

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A GELADEIRA DESLIGADA Por Alcilene Magalhães Numa escola pública não muito distante da capital, ocorreu algo, no mínimo, intrigante e inexplicável: uma das geladeiras foi desligada. E justo a geladeira da secretaria! Na semana anterior a esse fatídico incidente, não houvera dois dias de aula, 5ª e 6ª feira, por conta do luto pela morte repentina de um funcionário. Percebeu-se que a geladeira fora desligada pelo mau cheiro que tomava conta da sala. O odor dava-se por conta de que na geladeira havia almôndegas da merenda escolar, que estavam ali por não haver espaço nos freezers da cozinha. Pois bem, foi aí que começou a confusão. Para efeito de registro, é valido dizer que a escola fora cedida durante o final de semana para a Paróquia Católica da comunidade, como sede para celebração do Encontro de Casais. Dentre as várias hipóteses levantadas para a solução do “caso da geladeira”, estava a possibilidade de terem utilizado a tomada para algum fim durante o encontro e terem esquecido de ligar, falhas acontecem e muitos não assumem seu erro para não serem punidos ou por terem medo de pagarem pelo prejuízo. Outras hipóteses foram levantadas das mais aceitáveis às mais absurdas, cogitando-se até uma investigação mais profunda, quem sabe FBI, CSI ou coisa parecida! A Diretora da escola fora informada dos acontecimentos e, tão logo chegou à escola - dois dias depois - anunciou que o prejuízo teria que ser pago. E ela já chegara a uma conclusão sobre o ocorrido: Tratava-se de uma sabotagem, visto que alguns funcionários não gostavam dela. A geladeira fora desligada de propósito. Sabe-se que no sábado, a Diretora estivera na escola e não observara se a geladeira estava ou não desligada, comprovando que não se sabia o dia nem a hora que o plano terrorista fora executado. A única certeza era de que a geladeira fora desligada. Alguns funcionários, depois desse episódio foram chamados à sala da direção pra serem comunicados de seu afastamento da escola. Assim como a geladeira, foram todos desligados. Talvez, por motivos fúteis como não ter parentesco com vereadores ou ainda, por não acharem determinado vereador bonito. Talvez por motivos sérios, como o desligamento da geladeira. Sabe-se apenas que esses funcionários foram desligados. Friamente desligados. Uma pena só foi saber que todos esses funcionários, assim como a geladeira, tinham sua função e exerciam seu trabalho todos os dias. Alguns, como a geladeira, trabalhando de graça. A geladeira foi desligada e o que estragou dentro dela foi para no lixo. E pessoas, não geladeiras, também foram parar na rua... Infelizmente, vivemos num país onde manda quem pode e obedece quem tem juízo. Sim, quem tem juízo, pois quem tem vereador não se preocupa em obedecer. As escolas nos municípios tornaram-se terrenos cujos donos são vereadores que, por sua vez, distribuem cargos pedagógicos como se fossem lotes, como cabides de emprego para pessoas sem qualquer preparo profissional. Tudo para honrar promessas de votos ganhos. E acaba-se com a educação. E a geladeira é desligada. Como ou quando a geladeira foi desligada ninguém sabe, ninguém viu... mas com ela sonhos foram desligados, projetos foram desligados e quem sabe o que mais vai ser desligado ainda? Uns são demitidos, outros são contratados, e a geladeira agora está ligada e funcionando plenamente. Mas ontem, a geladeira estava desligada!

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NO UNIVERSO DE GUACIRA MACIEL

Inferioridade por outorga Creio que não existem acasos e que tudo tem uma lógica e uma razão na mágica de existir; que na Criação nada é aleatório, e que na vida há uma previsão maior de que os acontecimentos concorram para determinado fim, excluindo-se, obviamente, as ações decorrentes em linha direta do uso do “livre arbítrio” e até mesmo, como nos refere a Física Quântica, das possibilidades do observador. Creio que algumas realidades precisam ser lidas de forma menos determinística na trajetória da evolução do mundo e das pessoas, aliás, para que essa evolução possa seguir seu curso, alguns mistérios e seus desdobramentos são passíveis de análise, estando entre eles a Justiça. Me refiro à uma Justiça muito mais ampla e profunda, e fonte dessa evolução. Há poucos dias, em uma conversa entre pessoas de muito bom nível cultural e de escolaridade, alguém relatava fatos de sua vida e fez, com muita convicção, e esperando das pessoas presentes anuência e admiração por sua tese, uma colocação que me causou surpresa... Esperei que alguém mais se espantasse, porém senti que fora a única incomodada ou com coragem para questionar esta afirmação: __ “ ...porque, é claro, na vida, uns nascem para usar o chicote e outros para apanhar...” Ouvir aquilo me incomodou profundamente e, embora correndo o risco de ser destratada, ousei contestar aquela teoria: __ Então, para você, os seres humanos são reféns de sua condição material?... Fui olhada com alguma surpresa pelo fato de ter ousado duas vezes: ter interrompido sua retórica e contestá-lo à frente dos ouvintes.

__Mas, continuei: essa teoria estaria afirmando a vida como uma compulsoriedade; em ultima análise, uma visão elementar e primária da mais completa impossibilidade, que se impõe e contradiz, desde os princípios da Criação, da Justiça, até o mais simples pensamento de exercício e realização de democracia e dos direitos individuais e até da própria realidade. Considero esse pensamento de um primitivismo científico que vem, inclusive, contradizer as mais contemporâneas e comprovadas teorias. Sabe-se hoje que o cérebro, até pouco tempo considerado a “caixa preta” da vida, tem uma extraordinária capacidade de reorganização e reconstrução; que os próprios neurônios, numa extraordinária demonstração de autonomia, pode se recompor através de um fantástico processo de religamento, até pouco desconhecido e inconcebível. __ ? __ Nessa perspectiva, o ser humano e toda essa ainda desconhecida, sob determinados aspectos, capacidade, seria perda de tempo! e, em sendo assim, aqueles que nascem com menor potencial físico, social, econômico ou financeiro, não teriam o direito – inalienável – de aprender, de avançar, de evoluir, de mudar essa condição primeira... Percebendo que não fora entendida e que meu interlocutor não tinha condição mínima de avançar essa discussão, e que os presentes também não queriam se envolver, caleime. Mas fiquei me perguntando onde estaria a justiça (bem mais rasa, claro) da vida? como uma cabeça que se diz pensante, é capaz de uma teoria dessas, e baseada em quais elementos a engendraria? qual o seu merecimento para estar na atual condição social?...então, alguns povos da África, como nos vem mostrando os “Médicos sem Fronteira” a toda hora na TV, o povo do Haiti, entre outros, nasceram para viver e morrer nas condições sub (Segue)

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humanas que todos sabemos, sem os mais elementares direitos como seres humanos? nessa trajetória, os analfabetos, os doentes, portadores de deficiências, etc...teriam que viver alijados em sua condição e seria garantida apenas a uma minoria todos os acessos, direitos e possibilidades, inclusive, se confirmando o direito à seleção de pureza genética, etc, etc....significando dizer que o Universo poderá ser sacrificado e que somos todos ratos, cobaias engaioladas e alvo da genialidade daqueles que se consideram elites?...

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MEU AMANTE Por Leonia Oliveira

Meu amante Possui os dedos que possuí antes. E me possui mesmo distante E me beija delirante Com a boca ardente de um amante De um ideal sem fim. Meu amante Carrega um coração que possui asas e um vou rasante Para pousar no meu quintal. E ele chega como eu cheguei, Inquietante, E é tímido como um rei ou um farsante E é gritante seu sapato e seu cabelo. Ele é um gigante, Como eu creio ser Quando amante, Quando amante. Meu amante possui...

(MEU AMANTE in ASTROLÁBIO SONG LYRICS -CreateSpace eStore: https:// www.createspace.com/4080435 Distribuído pela Amazon Company)

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Guerreiros do Mar Por Ricardo Santos de Almeida A paisagem que o cinzento mar revela Traz consigo e revela sua plena transformação Navegar por entre as velas do sombrio mar iluminado Sol ascendente reluzente sombra clama quem trabalha Embarca pela proa de um barco um pescador determinado Logo, vejo um horizonte transcendente onde não estás ausente Sois guiados pelo barco Não me entonteço ou anoiteço viverei com perspicácia

Seguem com seus dons guerreiros Pelas águas turbulentas Naufragada são as dores De quem nunca se deslumbra pelo ardor da negativa É justiça por sua vida Frágil nunca peregrina pelos mares sem destino Seu destino é aportar tranquilo num cais Não te arremesses contra o cais Guia antes do retorno e planejada é sua vitória Pela vida e pela comida Que sem ela não se sinta maltrapilho ou sem alma É guerreiro a batalha pela vida nunca será camarada www.varaldobrasil.com

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Tenébria Por Julia Godoy

Tenébria arrastava tufos de cabelo perdido com a vassoura, e os fios de cabelo e piaçava emaranhavam-se imitando a luta enlouquecida dos amantes. Era assim que Tenébria imaginava. Nada era o que ela sabia de amores, além dos restos deixados pelo chão e entre os lençóis amassados. Depois de varrer, umedeceu o assoalho com uma mistura displicente de água e kiboa. Quanto aos lençóis, bastava esticá-los até seus limites, visto que não havia manchas aparentes. Os clientes apreciavam a aparência limpa das coisas. Por último, Tenébria borrifou o quarto com o aroma de lavanda, encobrindo quase perfeitamente os cheiros deixados pelos últimos hóspedes. Do promontório, o Turcomano berrava por Tenébria. Ela permanecia muda. Somente após o terceiro rugido seco do patrão, Tenébria arrastou-se lentamente até a cozinha, vestiu o capote que a ajudaria a enfrentar o frio do ancoradouro recém-amanhecido e saltou para uma das jangadas, pondo-se enfim a uma lenta e pesarosa remada com seu longo bastão. Fungos cresciam entre as tábuas apodrecidas da jangada e cracas se aninhavam sob as mesmas. Era uma embarcação antiga, Tenébria navegara em seu dorso por muitas vezes quando era ainda uma menina magrela, cheia de ossos e sonhos. Queria ser uma pescadora de mariscos, como seu pai fora um dia, mas caminhos diversos a levaram a ser a faxineira da estalagem que se erguera sobre as ruínas do velho casebre de sua família. Tenébria sacudiu a cabeça a fim de afastar aquelas distantes lembranças, o Turcomano não gostava de lembranças e já podia vê-lo no alto do promontório, chacoalhando seus braços gordos e flácidos. Mais um pouco e já podia enxergar com clareza sua cabeçorra coberta de pelos negros e oleosos e os tecidos de milhares de cores que se enrolavam pelo largo pescoço do homem, escorrendo até cobrir partes avulsas de seu corpanzil. Afora isso, estava nu. Tenébria escarrou sua repulsa no mar e um cardume de minúsculos peixes prateados disputou

aquela repulsa até não sobrar nada. Agora estava pronta para enfrentar o chefe. Os olhos miúdos do Turcomano se espetaram como flechas na velha faxineira, mas há muitas décadas ela já não temia aqueles olhares. Seguiu então lentamente, varrendo a água do mar com seu bastão até que a jangada finalmente tocasse a pedra. Dedos gordurosos agarraram desajeitadamente o braço escuro e fino de Tenébria. Seus ossos rangeram e estalaram quando ele a ergueu com uma só mão para em seguida largá-la na pedra dura e fria. Desembrulhando sua trouxinha de algodão cru, Tenébria entoou uma prece pelas almas dos mortos e chacoalhou os ossinhos com a mão enrugada e carcomida. Os olhos do Turcomano se esbugalharam quando ela abriu sua boca seca espalhando no ar seu hálito de lavanda e o temido prognóstico. O mau agouro inflou as bochechas do homem e tornou rubro seu largo rosto, o que fez Tenébria acreditar que ele ia bater as botar ali mesmo, naquela horinha. Por um momento suas esperanças se dissiparam quando o grandalhão explodiu em uma gargalhada estrondosa, contorcendo-se e derramando excrementos e fluidos por todas as partes do seu grande e peludo corpo nu. A anciã então estremeceu e preparou-se para o retorno, colocando com cuidado seus pés ressequidos contra a umidade da rocha, um passo de cada vez, até alcançar a segurança da velha jangada. Foi já de longe que Tenébria assistiu com um quase espanto à visão espetacular do corpo obeso espatifandose em mil pedaços que se espalharam por todo o mar, servindo de alimento aos peixes por toda uma eternidade.

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PALAVRA CRÔNICA

Por Anaximandro Amorim LOUCURA, LOUCURA, LOUCURA

Dizem que, de louco, todo mundo tem um pouco. Mas, quão chocado não fiquei quando, ao ouvir um "talk-show" com um renomado psicólogo, uma participante do programa confessou que a mania de limpeza de sua mãe era tamanha que esta chega a levar vassouras, baldes e rodos para o quarto... e ainda dormia abraçada em um... frasco de alvejante! Essa, foi demais! Loucura, loucura, loucura!

para classificar as pessoas ditas "normais": the common people. De fato, tem gente que anda por aí e a gente nem sabe o que faz. Como uma ex-aluna minha, que confessou que tudo dela tem de ser o número sete. Ela pula os canais se sete em sete, comprava sete canetas, sete lápis, sete cadernos... conheço uma pessoa que tem mania de arrancar os próprios cílios! Aliás, descobri, recentemente, que isso é uma "doença" (quer dizer, neurose): tricotilomania. Eta mania mais esquisita!

Ney Matogrosso já cantou: "dizem que eu sou louco". Aliás, a loucura sempre fez parte da arte. Inclusive, creio até haver um linha tênue entre a arte e a insanidade. Quer maluquice maior que cortar a própria orelha, como fez Van Gogh? Ou beber absinto como Baudelaire? Ou simplesmente achar que se tem uma missão e começar a construir maquetes, vestes, mantos e querer reformar o mundo, como Bispo do Rosário? Freud escreveu sobre as neuroses, nome mais técnico, em vários de seus tratados. Foucault historiou a loucura. Mas foi Machado quem melhor tratou do assunto. Seu "Alienista" é impagável! De longe, na minha opinião, seu melhor escrito. Ok, os literatos vão me achar louco, mas... garanto que se Capitu passasse na frente do Doutor Simão Bacamarte, até ela pararia no manicômio. Aliás, o cara era tão doido que até ele... opa, quase! Afinal, contar final de livro já não é mais loucura... é sadismo, mesmo. Bom, já dizia Caetano: "de perto, ninguém é normal". E talvez nem ele. A língua inglesa tem um adjetivo que, acho, é mais certo

Está bem, está bem, eu confesso: também tenho as minhas. Não sei se muitas, não sei se tão graves a ponto de parar no manicômio do Dr. Bacamarte. Só sei que posso dizer uma: tenho mania de saber se tudo está trancado. Às vezes, checo se uma porta está fechada umas três vezes. Já fui pior até que dei um basta na "loucura". Depois, descobri que tem muita gente por aí com isso. Também tinha um medo danado de cachorro. Mas, aí, já não era mania, era fobia - e tinha até um nome: cinofobia. (Segue)

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Como melhorei? Convivendo a força com um cachorro, numa casa em que morei, na França. Não tinha como correr. Foi uma loucura! Por falar em correr, felizmente, não corro atrás de avião. Apesar de um conhecido meu afirmar, categoricamente, que, quando adolescente, queria fazer um. Não me lembro de ter vontade de construir nada, apesar de, tecnicamente, ser fácil fazer um ultraleve. Mas, nesse caso, acho que o doido é ele. Porque eu não me lembro de tamanha insanidade. Porém, aí, eu acho que já estamos saindo do campo da loucura e entrando no da fofoca, que não tem graça nenhuma. Daqui a pouco, vão dizer por aí que eu também rasgo dinheiro. Ou que vou pra cama dormir abraçado em um litro de alvejante.

SENTIMENTOS CONFISCADOS Jacqueline Aisenman

A crônica, este gênero do presente, é tão flexível que pode beirar o ensaio, o conto, a piada, a poesia ou o simples registro. E é nessa dança que a crônica torna-se cheia de possibilidades, sempre sedutora e com cada vez mais adeptos. O presente volume reúne crônicas e aforismos de uma das mais prolíficas escritoras catarinenses, alguém que aprendi a respeitar pelo trabalho de editora e agitadora cultural, mas sobretudo pelo poder da palavra. Com este “Sentimentos Confiscados” ela prova ser uma das cronistas e aforistas mais afiadas do país, e com uma versatilidade impressionante aborda assuntos tão díspares como desejo e redenção, e mostra como a delicadeza e a sutileza são o verdadeiro tempero da crônica brasileira. Os textos ora se contrapõem ora se sobrepõem numa dualidade incrível (são sempre dois textos em um) e que cortam de maneira diferente. E esta faca de dois gumes vai deixar marcas indeléveis nos leitores, pois a verdadeira literatura sempre confisca.

Na Suíça: coracional@gmail.com No Brasil e demais países:

Carlos Henrique Schroeder, escritor, editor (Design Editora e Editora da Casa)

atendimento@designeditora.com.br

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GANGORRA Por Basilina Pereira De que é mesmo feito o homem além dos seus movimentos, que excessos lhe consomem insegurança ... sofrimento? Receio de tanto danos: rancor, mágoa, incoerência... alimentam seus enganos, tristeza vem, sem clemência. Na alma, a busca do amor, esse frágil encantamento por vezes diz que é senhor de inesquecíveis momentos. O prazer também lhe sonda mais que o sonho, sim, procura. Sangue e vinho sempre rondam no limite da loucura. Nessa gangorra mordaz que não vê cor nem idade difícil manter a paz e essa tal felicidade.

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O HOMEM E SUAS INVENÇÕES Por Mário Rezende

O cara estava sentado pensando na vida... Não tinha nada para fazer naquela época. Descansava, de barriga cheia, depois de ter matado um guinu na base do porrete, degustado a carne sanguinolenta e comido a metade da maçã que a mulher ofereceu para ele. Começou a esfregar, distraído, um pedacinho de pau no tronco de árvore em que estava sentado. Esfregou, esfregou, esfregou... e fez uma valeta bem lisa. Esfregou mais rápido e com mais força até que da casca da árvore começou a desprender uma fumacinha. De repente fumegou mais e surgiu algo amarelado e muito quente que lhe queimou a ponta de um dos dedos. Mas assim que a palha acabou, aquela coisa quente desapareceu com a fumaça. Então ele começou a friccionar de novo e depois de algum tempo reapareceu a chama. Para que não se apagasse, jogou palha em cima para sustentar o que ele chamou de fogo. Conseguiu mantê-lo aceso por algum tempo e foi logo mostrar para os outros do bando. Ele os ensinou a alimentar a chama e pediu que o ajudassem porque a palha era logo consumida na medida em que ela aumentava. Tornou-se o primeiro líder. Todos passaram a trabalhar para manter o fogo, porque se interessaram pelo calor que dele se desprendia. Pensaram que seria interessante quando chegasse a época do gelo, estava inventado o trabalho. Certo dia a chuva apagou o fogo, então eles descobriram que a água tinha o poder de apagá-lo se fosse necessário. Criaram uma nova chama e ele teve a ideia de fazer uma cobertura com pedras para protegê-la da chuva. Naquela altura, a palha já havia sido substituída por gravetos e depois por pequenas toras que ficavam acesas a noite toda e, pela manhã, bastava que eles reavivassem o fogo, dispensando-se assim o trabalho noturno para mantê-lo. Foi inventado o carvão. Sempre aceso em baixo das pedras, o fogo fez com que elas ficassem muito quentes. Então, alguém deixou cair um pedaço de carne sobre uma pedra que cobria o fogo, e dela começou a se desprender um cheiro muito agradável. O aroma delicioso chamou a atenção deles que, ao provarem a carne assada, acharam o gosto bem melhor do que crua. Assim, foi inventado o churrasco. Outro dia, caiu sobre as pedras um ovo de pássaro. O ovo se partiu e logo ficou esbranquiçado, com uma rodela amarela no meio, Quem o descobriu foi o inventor do ovo frito e do fogão. Com o fogo abastecido e perenizado com o uso das toras, aliviou-se o trabalho. Assim os homens puderam sair para caçar e se abastecerem enquanto as mulheres ficavam cuidando do fogão e da comida. Foi inventado o trabalho da mulher. Só que elas não se acomodaram como os machos e foram aos poucos desencostando a barriga do fogão e hoje estão atuando em todas as áreas. Não vai demorar muito, vão inverter o processo e comandar o mundo. Souberam usar com sabedoria, a arma mais poderosa que a natureza lhes deu em compensação à menor capacidade física.

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A breve história do homem e do uso de sua inteligência! Por Elton Sipião Eu nasci do barro da terra, vivia dependurado nas grandes árvores que formavam aquelas imensas florestas que existiam antigamente neste imenso e vasto mundo. Com o passar dos anos, as gigantescas florestas foram se acabando, forçando a mim e ao meu povo a descermos das árvores para assim ganhar o chão feito do barro, sim, aquele mesmo barro de onde um dia viemos e para onde um dia retornaremos. Tornamo-nos com o correr do tempo uma raça de hominídeos coletores, pois nos alimentávamos daquilo que pegávamos das árvores frutíferas. Foi uma fase bem difícil de nossa existência, andávamos sobre nossas mãos e pés, ainda, longe de sermos os animais de postura ereta que seríamos um dia. Em nosso “interior coletivo”, havia uma voz que nos dizia que nascêramos para reinar sobre aquele nosso planeta, ainda um bebê que engatinhava. Sentíamo-nos diferentes de todas as outras criaturas, porque na verdade assim éramos. Os meses e os anos se passaram, apesar de, naquela época, não termos ainda noção de tempo, sendo que o calendário e o relógio estavam muito longe de ser inventados pela nossa inteligência criativa. Sim, inteligência. Era especialmente neste quesito que nos diferenciávamos de todo e qualquer outro ser vivo deste planeta que no futuro batizaríamos de “Terra”. Aprendemos a ficar e a andar sobre nossos dois pés, sujeitos, como todas as outras criaturas terrestres, ao processo paulatino, mas, infalível e eficaz, da “evolução das espécies”. Como a coleta não poderia continuar a ser a nossa única fonte alimentar, usando nossos cérebros, aprimorados a cada passagem do tempo, desenvolvemos a prática da caça. Mais tarde, criamos a nossa agricultura, não precisando mais esperar que uma fruta caísse ao chão, nem tínhamos a necessidade de irmos procurar por árvores frutíferas, pois com nossas próprias mãos aprendemos a plantar vegetais para comer. Nessa época, como éramos ligados muito às coisas da “Terra”, nós desenvolvemos a nossa primeira religião, adorando deuses da

natureza, e, por consequência, cultuamos a primeira divindade da nossa história, chamando-a de “Mãe Terra”. Mais tarde, demos um “esposo” a essa nossa Mãe- Divina, e o invocávamos sob o nome de “Deus Cornífero”. Enquanto o nosso vasto e imenso mundo envelhecia, nós envelhecíamos com ele, várias espécies humanas apareceram e desapareceram até chegarmos ao que somos hoje. E o que somos hoje? Ao mesmo tempo em que somos capitalistas e consumidores dos recursos naturais dessa nossa Mãe-Terra, somos também caçadores de nossa própria felicidade, seja ela em contexto coletivo ou individual. Podemos hoje diferir, em alguns aspectos, dos nossos primeiros pais, mas aquela mesma “voz” que eles ouviam em seu “interior coletivo” quando ainda rastejavam como primatas sobre o chão feito de pó e barro batido, é a mesma “voz” que ainda ouvimos em nosso “subconsciente coletivo” nos dias atuais. Há dentro de nós, humanos, uma “voz” que nos repete insistentemente que continuamos a ser diferentes de todo e qualquer outro ser vivo, por termos ainda uma inteligência poderosa em termos racionais e sermos possuidores de uma criatividade imensa e sem precedentes. Agora, a grande pergunta é: será que nós, “HOMENS”, estamos sabendo usar com sabedoria essa inteligência poderosa e a nosso favor? Será que as inúmeras guerras, o crescimento da violência e da pobreza, a poluição e dilapidação dos nossos recursos naturais, assim como outras tantas destruições, não nos responde isso, tristemente? Se continuarmos usando mal essa nossa inteligência, nós, que viemos das árvores, e depois chegamos a morar em cavernas, poderemos retornar a tais lugares. É lógico que são só hipóteses, mas, elas nos fazem pensar que, a continuarmos o mal uso de nosso potencial intelectual, como hoje estamos fazendo, poderemos levar tanto a nós mesmos como o nosso planeta a um estado deplorável de vida.

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AOS HOMENS MARAVILHOSOS

Por Lúcia Amélia Brüllhardt Que nos enchem de carinho e de beijinhos Que nos dizem palavras de amor e com voz de tenor nos defendem quando aparece um acusador. Esses homens maravilhosos que nos protegem e a cada dia nos fortalecem. Este homem lutador seja ele pedreiro, carpinteiro, arquiteto ou promotor, Nunca procura seu bel prazer, pois o que ele deseja fortemente é ver a mulher ao seu lado crescer. Homens Maravilhosos são aqueles que mesmo quando erramos estão ali ao nosso lado, prontos para nos ajudar a consertar nossas falhas. Que na alegria ou na dor estão sempre ao nosso dispor. Homens maravilhosos podem ser chamados de Paulo, Rolf, Rubens ou João . Podem ser nosso esposo, filho, amigo, avô, companheiro, um simples conhecido, namorado ou irmão. Podem ser apelidados de deus grego, príncipe encantado, anjo, painho, neguinho, Paulão ou amorzão. Deixamos aqui registrado que você HOMEM MARAVILHOSO foi, é e será aquele único, que nos fala palavras verdadeiras e que nos chama a razão quando agimos em plena emoção. Queridos homens maravilhosos, a cada um de vocês gostaríamos de oferecer um troféu em forma de reconhecimento, honras e agradecimentos pela vossa bravura, ternura, companheirismo e fidelidade.

No ano de 2014 O Prevenção Madalena’s juntamente com a VARAL DO BRASIL estará homenageando (condecorando, laureando, premiando) “ESSES HOMENS MARAVILHOSOS”. Faremos uma noite especial totalmente dedicada aos heróis que fizeram ou fazem parte da nossa caminhada aqui na terra. Você tem algum homem importante em sua vida que deseja homenagear e vê-lo sendo homenageado em público? Entre em contato conosco enviando um breve resumo de seu HOMEM MARAVILHOSO.

Madalena's Quai du Haut,8 2502 Bienne www.prevencaomadalenas.com.br contato@prevencaomadalenas.com.br ( 041 ) 76 454 87 85 www.varaldobrasil.com

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Os Tropeiros Por Maria (Nilza) de Campos Lepre Fim de tarde. Encaminho-me até umas das redes colocadas na área da frente da casa, e deito em uma delas. Fico me embalando, de cá para lá, suavemente, aproveitando as belezas de uma tarde de férias na fazenda. Estou cansada de tantas brincadeiras e aventuras, vividas naquele dia, em companhia de meus irmãos e amigos. Necessito de um pouco de recolhimento e sossego, para poder meditar sobre as belezas que encontro neste pedaço de chão que Deus me presenteou como morada. Não penso em nada, apenas fico a apreciar o som agradável que chega aos meus ouvidos. São os trinados dos pássaros que aproveitam as ultimas horas do dia para se prepararem, para mais uma noite de descanso. Os bem-te-vis fazem uma algazarra imensa, enquanto se banham nas águas represadas por mamãe, destinadas a criação de patos. As maritacas, uma espécie de periquito, sobrevoam a casa fazendo o maior barulho, vão em direção a invernada, onde existem muitos coqueiros de macaúbas, cujos frutos são muito apreciados por elas. O mugir das vacas sendo conduzidas aos currais parecem musicas para meus ouvidos. Os cavalos que já se encontram recolhidos, aproveitam para soltar alguns relinchos, talvez para saudar o por do sol, e a noite que se aproxima. Essa rotina de todos os dias na fazenda agrada-me em demasia, os sons que escuto aqui, não encontro na cidade. Consigo captar neles, a tranqüilidade, e a calma, de uma vida sem correrias, onde tudo costuma fluir naturalmente, como realmente deveria ser em todos os lugares do mundo. Aos poucos parece que chega até mim o som de um berrante. Apuro os ouvidos e realmente reconheço o som. Saio da rede, e corro até a cozinha em busca de minha mãe, estou eufórica:

- Mamãe, eu acho que os tropeiros estão chegando. Escuta, sente se não é o som de um berrante? Ela para um pouco com seus afazeres, e começa a esperar pelo som que eu disse ter ouvido, e de repente também consegue escutar e o reconhece: - Sim são os gaúchos se aproximando, só não sei se farão a parada aqui, ou no sitio dos baianos, esperemos para ver o que acontece. Voltei para a rede, e fiquei na expectativa da aproximação deles. Não demorou muito, e pude escutar o barulho da carroça do cozinheiro, que vinha a frente da comitiva fazendo seu barulho inconfundível. Era o som de panelas e apetrechos culinários, que ficavam pendurados em varais, e com o andar dos animais, batiam uns contra os outros, lembrando o som de sinos sendo badalados. As notas do berrante estavam cada vez mais próximas, levantei-me, e fiquei aguardando o aparecimento deles, e da boiada na entrada da fazenda. Não demorou muito, para que pudesse avistá-los. Papai já se encontrava na porteira a fim de receber a comitiva e saber qual seu paradeiro. A boiada não era muito grande, acredito que haviam entregado grande parte dos animais em outras paragens. Esta talvez fosse a etapa derradeira, e depois voltariam para suas casas no estado do Rio Grande do Sul de onde partiram. Sinto-me fascinada pelas indumentárias que usam. A Camisa é geralmente em algodão branco listrado ou xadrez, sem botões apenas com cadarços que servem como fechos, uma manga muito larga, e grandes golas. Na cintura trazem uma larga faixa negra, como um cinturão, com varias bolsas, que chamam de guaiacas, onde levam moedas, palhas, fumo, cédulas e até uma pistola (revolver). Trazem bem a vista, preso a cintura as boleadeiras, (uma espécie de funda composta por três bolas, quando arremetidas prendem se as patas de um animal derrubando-o), e uma faca flamenga, ou adaga, e por vezes um facão. (Segue)

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Quando estão a cavalgar usam um poncho geralmente feito de lã grossa na cor azul e forrado de vermelho. Mas devido ao uso contínuo, geralmente se apresentam numa cor indefinida. Ele protege o vaqueiro contra o frio o sol e a chuva. A gola é alta, e tem uma pala na frente que serve como peitilho. Usam botas com esporas, que fazem um barulho inconfundível quando caminham. Na cabeça trazem um chapéu de abas largas, que é preso ao queixo por uma faixa feita de couro cru. As calças são no estilo bombacha, lembrando as vestimentas dos turcos antigos, se estreitam nos tornozelos. Na lateral, quase sempre são adornadas com favos de mel (uma espécie de ponto casinha de abelha, usado em bordados). Esses vaqueiros se vestem de forma inconfundível e muito peculiar. Quando sem o poncho, costumam usar lenços coloridos no pescoço atado por nós. Parece que papai aceitou que eles pernoitem por aqui, pois começaram a encontrar lugar para a carroça do cozinheiro. Em seguida começaram a descarregar os burros que trazem os mantimentos. Os outros tropeiros começaram a tocar a boiada para o pasto, onde irão passar a noite. Papai chegou a casa, acompanhado de meus irmãos. Eles se encontram muito nervosos, pois queriam permanecer ao lado dos visitantes, mas, não conseguiram a permissão. Excesso de zelo paterno. Entrou dizendo: - Se preparem, pois à noite, nos reuniremos no terreiro de café, para uma confraternização com os visitantes e os colonos. A lua já apontara no céu, quando papai nos chamou para a descida até o terreiro, pegamos lampiões, lanternas, e começamos a caminhada. Antes de nos aproximarmos, começamos a escutar o som da sanfona e do vilão, acompanhadas pelo som das vozes deles cantando alegremente. Os colonos acenderam uma fogueira no centro do terreiro, e as pessoas estavam sentadas nas muretas que o delimitam. Quando chegamos o chefe dos tropeiros,

veio nos cumprimentar e pedir que nos juntássemos a eles. Papai agradeceu, apresentou sua família, nos juntamos a todos que lá estavam. Voltaram a tocar as musicas gauchas, a maioria guaranias, rancheiras, mas, tocaram também algumas vaneras, e milongas (ritmos próprios da região sul do país). Depois lançaram um desafio a nossos colonos, que rapidamente aceitaram, aí começou a vez da nossa musica regional caipira. Um dos nossos é exímio tocador de viola, e começou a cantar um desafio caipira, mexendo com uma pessoa de cada vez, e esta tinha que prontamente responder cantando em resposta. A roda ficou muito animada e todos gargalhavam quando a resposta ou o desafio era cheio de malícia. Depois de algum tempo se cansaram. Resolveram começar a contar os causos que cada grupo tinha armazenado para estas ocasiões. Esta era a parte que eu mais gostava. Os gaúchos vinham com muitas histórias: o Negrinho do Pastoreio, o Boitatá, a Moça do Cemitério, o Caipora o Curupira e muitas outras. Os nossos colonos vinham com histórias: do Saci-Pererê, Lobisomem, Mula sem cabeça, Bicho Papão, Cuca e outras. As horas passavam sem que a gente se apercebesse. Subimos para casa quando o relógio já marcava mais de onze e meia. Para o pessoal da roça é como se tivessem varado a noite em claro, pois, como costumam dizer, se levantam com as galinhas. Quando os primeiros raios de sol apontam no horizonte, eles costumam estar acordados ha muito tempo. Eu e meus irmãos, não tivemos uma noite tranquila, pois as histórias haviam nos impressionado em demasia. Mas, saímos da cama, muito curiosos para ver a partida da comitiva, raramente passavam por nossa região. Esta foi uma ocasião muito especial. Durante minha vida na fazenda só por duas vezes os vi por aqui. (Segue)

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Ficamos na varanda, enquanto papai descia para se despedir deles. Acompanhamos a tropa com o olhar, até se perderem no meio da mata. Quando finalmente só conseguíamos ouvir o maravilhoso som do berrante, parecia que ele estava a nos enviar uma mensagem: - Fiquem com Deus, obrigado, e até a próxima vez.

va que nunca iriam existir, coisas que eu pensa-

Caminho da vida

va que não iria conseguir aprender.

Por Domingos Nuvolari

Um dia eu parei novamente e olhei, olhei, esperei, parecia demorar para vir, sentado eu esta-

Trilhando sempre o caminho da vida, o caminho va, era una espécie de abismo ao meu lado. mais difícil para se andar é esse. Ele começa E ali eu esperei para adorá-la, por todo um temsempre cheio de tanta esperança, cheio de ale- po aquele lugar estava vazio, não tinha mais gria que até a gente estranha. aquela estrela que eu tanto adorava, o brilho da Quantas e quantas vezes a gente tropeça em

noite que ela trazia aquela noite não tinha, esta-

coisinhas mínimas, são pedras que a vida nos

va escuro, o caminho apagou-se, e ali naquele

ensinou a tropeçar, quantas vezes você tenta

mesmo lugar talvez eu continuo sentado até

ignorar coisas que existe e é necessário que

hoje. Esperando que talvez um dia ela volte pa-

você as encontre, tropece e caia.

ra ensinar o caminho de volta, o caminho no

Uma vez em que eu seguia não cansado, mas

qual eu me perdi, porque foi nele que eu conhe-

exausto, esse caminho, caminhava sempre fe-

ci tudo que a vida tem tudo mesmo, ali eu vivi,

liz, porque talvez eu pensasse que a felicidade

aprendi e me perdi.

era como o infinito do céu, que você vê, vê mas não vê o fim. Foi um dia, um dia distante de hoje, assim um dia longe, numa noite parado nessa estrada que eu tinha que passar, olhei para cima e vi no alto, o mais alto, longe no mais longe, foi ali que eu parei, e por um momento pensei que nunca iria ver uma coisa assim; Olhei, era assim uma espécie de estrela, cintilante, viva como a vida que eu achava viva, grande, bonita muito bonita. E ali por varias noites eu parava e olhava, mais e mais eu admirava-a, quando ela aparecia eu a adorava, quando não eu a imaginava. Assim passou tempos, e eu andei muito mais, esse caminho me ensinou coisas que eu pensawww.varaldobrasil.com

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HOMEM: Delírio de Egos, Economia de Afetos Por Gaiô -HOMEMDelírio de Egos, economia de afetos. Obscuro sentido do humano Moderno transgride paisagem-infinitude. Atitude, quando? De quem o destino? Decifrá-lo como? Delírio de egos cotidianos, donos do mundo em desatino.

Ideias rolam como surdas pedras em solilóquio e solidão. Ninguém, nada, tudo e a todos afetam contradição da evolução. No avanço contaminado, iludido, progresso embutido guarda detalhes desperdiçados, economia de afetos, desuso, amarrotados, vazios guardados na contramão. Do bicho homem o humano humus, faz-se lixo o justo, o honesto e a retidão, Sentido onde? Decifrá-lo como? Se abate em discernimento, obscura paisagem-finitude. Desperdiça o se doar, sensível olhar, alma esvaziada de afetos se dissolve no ar o AMAR.

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DEVANEIOS Por Mario Filipe Cavalcanti

APRENDIZADO

E o pião ainda rodando no chão mostrava o rastro de sangue tirado da barriga do pobre pequeno.

– Homem é homem, ser imperativo, feito pra

– Claro, que está doendo, você não é de barro!

ação, meu filho. Não sei de nada que seja homem e

Mas aguente, vamos fazer um curativo, isso não é o

seja coisa diferente dessa.

fim do mundo, pra tudo há jeito na vida, menos pra

Seus olhos brilhavam com o aprendizado de

morte. Aguente. Homem não chora!

mais essa lição, de mais essa certeza, de mais essa

E o menino chorava calado, contrariando a si

compreensão alheia da realidade. Quando, enfim,

próprio, seu intento maior, igualdade ao pai, ser

ele compreenderia a vida? Ele mesmo, sem o auxí-

igual, ser maior, ora que pecado ele achava isso!,

lio da visão de outros olhos? Bem, há perguntas que

ser melhor que o próprio pai! Um “homenzarrão”,

a gente só se faz lá por dentro. Sabença de nada dis-

como dizia sua mãe! Mas fazia parte, parte da vida,

so ele tinha, a vida era futebol, pique-esconde, pega-

dessas coisas da gente, o menino ia aprendendo na

pega e essa mania de correr feito um louco sem pé

travessia.

nem razão.

– Aguenta moleque idiota, não tá vendo painho di-

Mas o pai, o pai não, o pai já tinha passado

zer que homem não chora! Prendia o choro, engolia

por tudo, já tinha visto de tudo, já era senhor de

aquela água salgada de mares internos, deveria ser

muito e muitos. “A sabença da vida quem tem é

como o pai, aguentar feito homem que não chora,

quem vive”, a primeira lição que seu avô tinha incu-

deveria controlar aqueles rios internos embaraçado-

tido em seu pai, Seu Amaro de Souza..., um avozão,

res, como Poseidon, do alto do Olimpo controlava

metido a contador de estórias, um Esopo! Mas da-

os mares com seu tridente potente.

quela primeira lição seu pai nunca tirou muitos proveitos... “Ora!, esse negócio de ir vivendo e aprendendo faz a gente quebrar a cara, prefiro ensinar meu filho as coisas que ele deve saber e pronto!”, tinha falado pra esposa quando lembrado da tal li-

sem arrodeios, sem titubeios, tendo certeza, caminho certo, pés sem vacilar. Vida mais fácil, sem as preocupações das perspectivas. Aquela lição durou até que ele conheceu a

ção do Seu Amaro. – Que é isso, menino? Erga a cabeça! Homem não chora.

Outra lição que tinha aprendido era a de agir

Laurinha... (Segue)

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

A janela da Laurinha dava pra sala, e de repente o

– Ele quer falar, Tavinho, ele quer falar, en-

menino não saía mais da sala, lendo no sofá, escre-

costa o ouvido... Ai meu Deus! Uma mão no peito,

vendo no sofá, desenhando no sofá, brincando no

apertando, outra com as costas na testa, saindo do

sofá.

quarto escuro, buscando um ar, um ar que respirar, – Filho, não vai brincar mais com o Marqui-

essa liberdade em nuvem constante no ar, Dona

nhos ou o Mateus, não? Vi os meninos indo pro

Maria angustiada, nem benção de padre o homem

campinho...

quis “Padre não se faz hoje como antes. Padre mesmo quem foi, foi o nazareno, depois dele, uns bos-

– Não, mãe, tô brincando aqui já.

tas!”.

E eram horas e horas de ver Laurinha no quarto brincando de bonecas. O menino lutando contra sua insegurança, lembrando sempre das lições aprendidas, “o que painho vai dizer se souber que

E Dona Maria preocupada com aquela lição para ela tão errada que o marido dava, heresia nas portas da morte. Um pecado ficar sem unção extrema...

você tá com medo de ir até lá, seu maricas! Homem O filho recostou o ouvido esquerdo na boca

não vacila!”.

do pai, o quarto silencioso, um ar pesado, a morte Mas a Laurinha era mais forte que as lições do pai. Um dia, quando ele ia saindo de casa destino da escola, a porta da casa de Laurinha também se abriu e ele, de repente, bruscamente, voltou pra dentro de casa e fechou a porta. Correu pra janela e ficou espiando Laurinha correndo atrás de sua poodle, ela estudava na mesma sala dele, à tarde, e

gosta de olhar quem vai levar por uns instantes, e enquanto ela fica no quarto, parada, encostada em uma das paredes, num canto mais escuro, às vezes sentada na cadeira mais simples esquecida a um canto, arfa, essa sua respiração pesada de muitos sonhos, de muitos intentos breveados, de muitas desilusões de sua própria vida morta em devaneios.

aquela hora era o momento de passear com a cadelinha. Ele hesitara! Ele vacilara! Laurinha era mais forte... Lição que aprendera sozinho.

– Um... idi... Um idiota, meu filho, eu sou! – Não diga isso, meu pai. Ô, aguente, homem

Quando se lembrou disso uns anos mais tarde,

não chora!

achou até um tanto engraçado. Uma graça sem gra-

– Por isso, mesmo! Um idiota! Quem já viu...

ça. Sem graça por ser um riso fora de ocasião, com

Quem já viu homem não chorar?! Até Jesus chorou,

graça porque, ora!, porque tinha graça! Contradi-

meu filho!, isso pelo que dizem... E sabe o que

ção. A vida feito um travalínguas. Vida contraditó-

mais? Não tenho essa certeza toda, aquela seguran-

ria caminho do norte indo pro sul – bússola, qual

ça... Me borro de medo: a morte à espreita, uma ca-

há?

ra de olhos cobertos... O pai dele, homem do forte, cabra macho cri-

– Não diga isso, meu pai...

ado e benzido no interior quase sertão, homem de poucas palavras e muitos conselhos, lições que dava

– Uma última lição, menino, anote no juízo... Ou-

aprendizado do filho, pai dele na cama estirado

viu, Otávio? Anote no juízo: quem dá lição na gente

inerte balbuciando umas palavras estranhas, a mãe

é a vida. Ninguém mais... Um filete de lágrima no

já idosa com o coração apertado, um malestar sem

canto do olho.

sabença de porquês.

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

De repente, voltou os olhos agoniados para um canto do quarto, o filho olhou assustado, apenas a parede e um ar pesado. – Você aprende uma coisa hoje, Amaro de Souza Filho. Esse é seu nome, não? Disse o ser de voz tranquila que acabava de se chegar a ele. Sua derradeira lição... Uma resposta a umas perguntas, presente por morrer... Eu sou a vida também. O homem, na cama, abriu-se num riso contentado, riso maroto mostrando os dentes, uma luz em seus olhos, e seu último ar exalado. “Que ironia, meu Deus!”, suas últimas palavras. – Pai? Pai? Ironia, o quê? Pai? Com as mãos em suas costas, como gesto de consolo, Laura abraçou-lhe bem forte, passando essa coisa enérgica que existia nela. Ele olhou profundamente em seus olhos, e com aquela lembrança da infância se riu... Seu pai descansava, morrera sorrindo, era, na verdade, a lição derradeira. Laura em seus braços, confortando... Em seus olhos, tomados de estranha alegria, um filete de lágrima.

Iansã Por Sueli Oliveira de Vasconcelos Meu homem carrega um homem cheio de vida e de morte dono de seu passado perdido no seu futuro. Meu homem não esquece que o homem ama, manda, mata mas faz chorar a alma, e chora pelo abraço que acalma. Meu homem me traz uma poesia passeia comigo na maresia conta seus planos de menino e ri de meus sonhos cristalinos. Meu homem quando está comigo, nossos corações disparam e nossos corpos compõem o ritmo para a vida ter abrigo. Meu homem quando já é manhã, vem cheio de manha, me arranha , me diz para ser sua, e me pede para ser guerreira. Sou Iansã.

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PROCURO UM AMOR VERDADEIRO Por Girlene Monteiro Porto Não procure, não desperte nem perturbe o amor sem que antes o queira. Se quiser meu amor, me ame. Coloque-me sobre o seu coração como uma tatuagem que o tempo não apaga. Coloque-me em seu colo e me queira para sempre em sua vida, porque o amor é mais forte que a morte. É assim que quero um amor para mim. Estou com vontade de amar, dar completamente o meu amor. Procuro um sonho para viver, meu coração distante quer agora voltar, voltar para amar. Quero entregar a alguém todo o amor que existe em mim. Não quero mais paixões fugas, pois, a paixão é violenta como o ódio e suas centelhas são de fogo, uma chama que quando cessa nada resta. Já ao amor não há torrentes que o possam extinguir, nem os mares o poderiam submergir. Porém, se alguém oferecesse toda a riqueza que possua em troca do amor só obteria desprezo. Pois, amor não pode ser comprado, nem que seja por um dote muito grande. Eu quero amar alguém que pelo menos me compreenda e respeite. Alguém que confie e acredite em mim, que não permita nunca ninguém interferir no nosso amor. Alguém que me dê uma mão amiga quando eu precisar. Alguém que esteja sempre comigo e não me deixe sentir solidão. Alguém que seja tudo o que sonho e que me traga os momentos que do amor espero, que me guarde no seu peito e me aceite do meu jeito. Quero amar alguém que esteja comigo nos meus momentos de aflição e que sorria comigo nos meus momentos de alegria. Quero um alguém que eu não tenha medo de amar, preciso amar alguém que me dê valor. Agora eu quero amar, um amor simples e verdadeiro, como o amor de duas crianças, um amor livre, de regras, de tabus e de preconceitos. Quero um alguém que seja forte e seja frágil, que também me procure quando precisar de uma mão amiga e de um colo para afagar-te. Meu coração te chama, quer te encontrar, quer alguém para pertencer, a quem possa se dar. Sei que este alguém existe em algum lugar, sei que parece loucura, amar-te sem conhecer-te, mas, sei também que estás em meu caminho e sigo na procura até te encontrar. Quero amar alguém por quem eu possa fazer tudo e que faça tudo por mim. Alguém que assuma este amor, assuma que é um grande amor. Quero um amor que venha a qualquer hora, que se manifeste em qualquer lugar, quando e onde eu menos esperar. Quero um amor que acima de tudo seja verdadeiro. Preciso amar alguém que acabe com os meus medos, que me proteja em seus braços e se sinta protegido ao meu lado, alguém que me livre de uma vez dos meus segredos e me faça esquecer o que é passado. Quero amar alguém que me faça feliz e que seja feliz junto de mim, que não me magoe nem me deixe chorar. Quero amanhecer num novo dia para amar a quem me amar, que mais do que dizer, “Eu te amo” demonstre seu amor. Estou com vontade de me dar uma nova chance para viver um novo sentimento e que este sentimento me traga de volta a emoção de amar novamente. Que seja dessa vez um amor verdadeiro.

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A POESIA DE RAINER MARIA RILKE EM TORNO DO SER: O HOMEM, A VIDA E DEUS

EM SI MESMO Por Jeanne Paganucci Homenagem a Orlando Paganucci Nasceu. Olhos abertos,

http://www.eveandersson.com/photo-display/large/italy/ vatican-st-peters-basilica-sculpture-pietamichelangelo.html

Choro incontido, Lágrimas límpidas, fulgor.

Deus, que será de ti quando eu morrer?

Batalha peleja incansável, luta.

Eu sou teu cântaro (e se me romper?)

Todos os dias, sôfrego.

A tua água (e se me corromper?)

Máquina do tempo, rosa dos ventos,

Sou teu agasalho, sou teu afazer.

Brilho das estrelas, razão de ser.

Vai comigo o significado teu.

Futuros, presente, passado, misturam-se. No limiar da mente. Resquício do antepassado,

Não tens mais sem mim aquela casa, Deus,

Domínio do nada. Fascinação dos mistérios a

que com quentes palavras te acolhia. Perdem teus pés exaustos as macias

Que os sábios não desvendaram.

sandálias: também elas eram eu.

Repousa e chora complacente. O fio do destino Escapa-lhe no último instante,

De ti desprende-se o teu longo manto.

quando o sopro

o teu olhar, que a minha face, quente

Já não lhe obedece. Foge de si mesmo, retorna ao pó.

coxim acolhe, virá entrementes, virá procurar-me longamente e deitar-se depois, ao sol poente, entre pedras estranhas, nalgum canto.

Deus, que será de ti? Tenho medo, tanto... www.varaldobrasil.com

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RILKE, Rainer Maria. Poemas. Tradução José Paulo Paes – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p.65

a fé, sem acreditar em algo? Mais que isso, o eu lírico surpreende ao investigar o Deus de que professamos.

De acordo Campbell (1990: p.3-4) “Um de nossos

As sandálias, a casa, o aconchego são a referência

problemas, hoje em dia, é que não estamos familia-

da segurança. Nesse aspecto, o eu lírico toca o sem-

rizados com a literatura do espírito. Estamos inte-

blante da existência, rasgando o universo que, para-

ressados nas notícias do dia e nos problemas do mo-

lelo ao pensamento, formam a casa mental do eu, e

mento. (...) Quando um dia você ficar velho e, tendo

faz-se homem, ser integral. A casa mental então se-

as necessidades imediatas todas atendidas, então se

ria Deus?

voltar para a vida interior, aí bem, se você não sou-

Em torno do medo, da solidão, aconchega-se em

ber onde está ou o que é esse centro, você vai so-

buscar tenazmente o que seria Deus. E enleva-se

frer.” Pensando nisso, observa-se um mal estar so-

para sentir sua face, sofrer seu instante, a procura da

cial no que tange às conquistas humanas, visto que

resposta para sua ânsia do divino. O eu lírico toma-

o homem, enquanto ser integral, não está preparado

se de piedade diante da vida, e cria o momento em

para usufruir daquilo que projeta em torno de si

que nunca deixará de temer a morte, a própria morte

mesmo.

que incide na ausência de Deus.

Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 1875. Exerceu influência sobre a poesia moderna, além de ser considerado um cidadão isolado do mundo. Iso-

REFERÊNCIAS:

lara-se em castelos, sendo cobiçado por muitas mu-

CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. Tradução de Carlos Felipe Moisés. – São Paulo: Palas Athena, 1990.

lheres nobres e ‘plebeias’. Sua poesia solene, metafísica, com significativa abrangência acerca do real, impressiona quem o lê. Pensando nisso, vale a pena visitar (para os que não o conhecem) e revisitar (para aqueles que já o leram) e surpreender-se com sua poesia, fruto do seu isolamento interior, de sua perspicácia. A brevidade da vida se expressa na poesia de Rilke. Mas, por outro lado, o rigor filosófico com o qual o poeta canaliza os vocábulos transcende, ao destacar o homem e sua morte à existência de Deus. Pensando por esse viés, que seria de Deus sem o homem? Há de trazer à tona um sofrimento humano em torno da morte, da vida após o desenlace, do existir. Dessa forma, traduz o homem como o cântaro, a água, a vida, o afazer, o significado de tudo. Seria então Deus, para o eu lírico, a (re) invenção do próprio homem. Que será então a vida, sem Deus, sem

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

bre através de um amigo que o seu melhor amigo ficou com a garota que você ficava. O que você faz? a) Nem liga, você só ficou mesmo; b) Fica chateado mas, não perde a amizade; c) Procura os dois pra tirar satisfação, dá na cara da garota e sai na porrada com o amigo.”

Danny Sem Noção Por Raquel Rocha

Danny: 13 anos

C.

Perfil: Super legal, super feliz, super amiga, super. . . Qualquer outra coisa Amigas da Danny: Fe, Le, Re, Pri, Dri, Gi, Taty, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Cí e Paty.

Crééédo! “Você convida uma gatinha pra balada, ela recusa e diz que no sábado à noite vai levar o irmãozinho ao cinema”. O que você faz? a) Convida outra menina; b) Fica furioso e decide nunca mais convidá-la; c) Compreende e acha lindo.” C.

Passatempo preferido da Danny: Testes de revistas para adolescentes. Certo dia o avô da Danny, um senhor de 86 anos, foi buscá-la na escola. Combinaram de encontrar os pais dela na cidade vizinha. Viagem longa, uma hora de ônibus. Sem as amigas, sentiu-se um tanto deprimida. Nada para fazer. Tédio total! Sacou da mochila uma dessas revistas para adolescentes. Leu, releu.

Que C o quê! Dãããããã! Ô si liga! Ninguém troca uma balada de sábado à noite pra levar irmãozinho pro cinema! Hum, cada uma! Vai, continuando, “Você vai dançar num baile de debutante, daí convida a garota que você esta super afim e ouve um sonoro ‘Ããããhhh! Ta loco!? Viajou você, heim! ’. O que você faz? a) Chora a noite inteira; b) Dá risada na cara dela e diz ‘tava zoando contigo bruxa!’; c) Convida outra garota, afinal, a fila anda.”

Que saco! – bufou.

C.

Mais uma folheada e encontrou um superteste “Você sabe levar um fora e sair numa boa?”. Sem nenhuma amiga por perto resolveu fazer o teste com o vovô, que estava lá, na sua, olhando a paisagem, alheio a tudo. Vô olha só, vou fazer um teste com você. Ókééi? Hrum – resmungou sem entender nada, continuava alheio olhando a paisagem. Ó presta atensaum! Você tem que responder as alternativas a, b ou c. C. Que c? Alôôôôuuu!! Ainda naum comeceei! “Você sai pra balada e encontra aquela gatinha e ela não te da a menor bola. O que você faz? a) Vai embora com os amigos pra outra balada; b) Nem liga e fica com outra gatinha; c) Vai para um canto chorar no ombro de um amigo.”

Aêêêêê! Suuuuper! É isso ai, gostei! Vâmbora, “Depois de um longo namoro de uma semana, a garota vira pra você e diz ‘Méu, tipo assim, acho que a dgentchi naum tem nada a vê’. O que você faz? a) Tudo bem, estava mesmo com saudades dos amigos e das baladinhas; b) Arma o maior barraco; c) Implora para ela não te deixar, pois, não vive sem ela”. C. Sério!? Bom, agora, vamos ver quantos pontos você fez. Caraca! Só dez pontos! Ó presta atensaum, vou ler o seu perfil. “Você precisa aumentar sua autoestima. Levar um fora é super normal. Curte a vida, as baladas, afinal, você ainda tem muito para aproveitar. Isso é só o começo”. Nooosaaaa! Suuuuper legal! Eu adoro esses testes dão suuuuper certo!!

C. Ah, fálá sério! Tá continuado, “Você descowww.varaldobrasil.com

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HISTÓRIA DO BRASIL SOB A ÓTICA FEMININA Hebe C. Boa-Viagem A. Costa

Ângela do Amaral Rangel

tanias do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, - Gomes Freire de Andrade. Ângela, nessa ocasião, declamou duas de suas poesi-

Primeira poetisa brasileira a ter seus versos publicados antes de 1822

as que mais tarde fizeram parte da antologia Júbilos da América.

Ângela do Amaral Rangel nasceu

É interessante notar que sua produ-

no Rio de Janeiro no começo do século XVIII.

ção continua sendo discutida até hoje. Em

Não se sabe nem o dia de seu nascimento

1862, Joaquim Norberto de Sousa e Silva no

nem o de sua morte. As notícias que se tem

seu livro Brasileiras Célebres dedica-lhe umas

dela fogem a todas as expectativas vigentes

páginas. Outros autores, em 1874, 1880 e

na sua época. Mulher, cega de nascimento,

1889 também se referem aos seus poemas.

alfabetizada e muito mais do que isso, fez ver-

No século XX, em todas as décadas há obras

sos considerados tão bons que lhe deram

com referências a Ângela. Peregrino Jr. publi-

acesso à Academia dos Seletos, Rio de Janei-

ca na Revista de Cultura Brasileña, nº 37, Ma-

ro, freqüentada pelos intelectuais da época.

drid, o artigo Contribución de la mujer em la

Foi a tal ponto prestigiada que teve seus poe-

poesia brasileña em que faz referência a Ân-

mas publicados, em português e espanhol, no

gela do Amaral Rangel e seus poemas.

livro Júbilos da América, editado em Lisboa em 1754.

Em suma, a crítica reconhece que Ângela revela em seu diminuto acervo,

É pena que não se tenha mais detalhes de sua vida. Com tantas dificuldades, como conseguiu vencê-las? Ainda não existia

capacidade de versificar corretamente e com alguma espontaneidade. Para saber mais

“Braile e seu sistema de escrita”... COSTA, H.Boa-Viagem A. Elas as pioneiras do

Era conhecida como a “Ceguinha”. Segundo Nelly Novaes Coelho, Ângela viveu na época em que imperava o cultismo e o con-

Brasil – são Paulo, Ed. Scortecci, p.65 2005 Pag. 1//Palavras 358 /// s/ espaços 1764/// c/ espaços 2145/// Parágrafos 10/// linhas 34

ceptismo academicista difundidos nas reuniões festivas e laudatórias da academia. Em 1752, a Academia dos Seletos prestou uma homena-

(Segue)

gem ao Governador e Capitão Geral das Capiwww.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

governantes criaram um clima geral de descontentamento. Foi nesse ambiente que Bárbara Heliodora cresceu. Seu pai, o advogado José da Silveira e Souza, bem diferente dos senhores de engenho do nordeste, fez de Bárbara uma mulher culta capaz de perceber todas as distorções existentes e ansiar por um mundo melhor. Na sua juventude fazia versos e, segundo seus contemporâneos, eram tão louvados quanto a sua beleza. Nesse tempo, muitos jovens, filhos de mineradores bem-sucedidos, estuda-

Bárbara Heliodora, a heroína da Inconfidência

vam na Europa e de lá vieram imbuídos das ideias liberais e republicanas inspiradas na revolução francesa e na independência dos Estados Unidos.

1759 – 1819

Aos vinte anos, Bárbara se apaixoBárbara Heliodora Guilhermina da Silveira nasceu em São João Del Rei (MG), no dia 3 de dezembro de 1759.

nou pelo poeta Alvarenga Peixoto e foi viver com ele. O casamento só aconteceu depois do nascimento da filha Maria Iphigênia. Dessa união, que durou dez anos, nasceram mais

No final do século XVIII, em Minas

três filhos. Foi um período de muita harmonia,

Gerais, na região de Vila Rica e São João Del

de companheirismo e também o da produção

Rei, desenvolveu-se uma sociedade tipica-

poética de Bárbara. Infelizmente não foram

mente urbana com uma estrutura bem mais

publicadas e muitas das suas poesias foram

complexa que a de senhores de engenho e

destruídas durante as devassas feitas na sua

escravos. As cidades tinham suas ruas pavi-

casa durante o processo dos inconfidentes. Só

mentadas, praças ajardinadas, igrejas barro-

restaram As Sextilhas ou Conselhos a Meus

cas, construções assobradadas. Comercian-

Filhos. Em 1830, pela primeira vez, são publi-

tes, mercadores, ourives,

homens de letra,

cados com o título Conselhos de Alvarenga

artistas formavam uma classe média. Nascia,

Peixoto a seus filhos numa Coleção das me-

assim, uma sociedade bem diferente da elite

lhores poesias do Brasil, tanto inéditas, como

rural e latifundiária do nordeste. O ouro e os

impressas organizada pelo Cônego Januário

diamantes descobertos nessa região é

que

da Cunha Barbosa. Só em 1862, no livro Bra-

ensejaram toda essa mudança. A coroa portu-

sileiras célebres de Joaquim Norberto de Sou-

guesa, entretanto, sugava essas riquezas por

za e Silva é que a autoria do poema é atribuí-

meio de pesados impostos. Além do mais, a

da a Bárbara Heliodora.

arbitrariedade e as injustiças cometidas pelos

(Segue)

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

Nele são publicadas nove das doze sextilhas

(2) – Liberdade ainda que tardia

que compõem o poema. Em 1789 a sociedade mineira so-

Foi muito mais! A mulher colaboradora dos

freu um duro golpe: a dívida do quinto foi ele-

ideais do marido, participante, como ele tam-

vada além das outras provenientes de contra-

bém revolucionária e poeta não se parece com

tos atrasados. O Visconde de Barbacena, o

o modelo vigente no sistema patriarcal rural e

novo governador, chegou disposto a cobrar os

urbano do nordeste. Ela conseguiu “cortar as

impostos provocando a derrama, para a qual

amarras” que sujeitavam as mulheres de en-

toda a população (mineradores ou não) era

tão.

obrigada a contribuir. Foi o bastante para que Os bens dos inconfidentes foram

a revolta, há muito guardada, ganhasse corpo.

sequestrados e Bárbara conseguiu garantir a Bárbara Heliodora e o marido se

“meação conjugal”. A outra parte foi comprada,

juntaram ao grupo revolucionário constituído

em leilão. por um amigo da família que a de-

por Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antonio

volveu a Bárbara. Meses depois da deporta-

Gonzaga, o alferes Joaquim José da Silva Xa-

ção, Alvarenga Peixoto faleceu. A poeta não

vier, Joaquim Silvério dos Reis e muitos ou-

mais escreveu versos. Dedicou-se à educação

tros. A revolta se propunha a criar uma repúbli-

dos quatro filhos e a administrar as fazendas,

ca, com a capital São João Del Rei, cuja ban-

lavras e escravos.

deira teria o lema: Liberta quae será tamem.(2) Mais uma provação experimentaria Não chegaram a consumar a revolta posto que a derrama foi suspensa. Com o ob-

Bárbara Heliodora. Maria Iphigênia, aos quinze anos, sofre uma queda de cavalo e falece.

jetivo de ter suas dívidas perdoadas é que Silvério dos Reis, após a suspensão da derrama,

(Segue)

denunciou os companheiros às autoridades. Gradativamente os acusados foram presos e enviados para o Rio de Janeiro. O processo durou três anos resultando várias condenações, degredo, comutação de penas, menos para o chefe – Tiradentes – que foi enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792. Preso, Alvarenga Peixoto foi levado para o Rio de Janeiro. Ficou na fortaleza da ilha das Cobras e, depois de julgado, em 1792, foi deportado para Angola, na África. No cárcere, escreveu Bárbara Bela. Nesses versos percebe-se claramente que Bárbara não foi simplesmente a musa inspiradora. www.varaldobrasil.com

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Talvez por todos esses percalços, foi criada a

1984 – Escola Municipal de Educação Infantil

lenda de que ela enlouquecera. Todavia pes-

Bárbara Heliodora – Jardim Ângela – São

quisas mais recentes revelaram a falsidade

Paulo – SP.

dessas informações. Segundo o escritor Aure-

Na Rua da Prata, em São João Del Rei, ainda

liano Leite, autor de A vida heróica de Bárbara

existe a casa em que Bárbara nasceu. Fica

Heliodora, ela sempre esteve em perfeito juízo.

em frente à praça que serve de átrio à igre-

Foi admitida na Ordem Terceira do Carmo, em

ja de São Francisco de Assis.

São João Del Rey e, aos sessenta anos, faleceu em São Bento do Sapucaí, de tuberculose. Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, em magníficos versos descreve o enterro de Bárbara Heliodora

Para saber mais COSTA, H.Boa-Viagem A. Elas as pioneiras do Brasil – são Paulo, Ed. Scortecci, p.69 2005

(Romance LXXX ou Do Enterro de Bárbara Heliodora). Se ela fosse realmente

Pag. 4///Palavras 1050 /// s/ espaços 5426 ///

demente e perambulasse pelas ruas de São

c/ espaços 6511 /// Parágrafos 26/// linhas

João Del Rei como mendiga, teria a Igreja a

116

admitido na Ordem Terceira do Carmo e lhe proporcionado um funeral com tanta pompa? O escritor uruguaio Rodrigues Fabregat se refere a ela como a Mulher Símbolo do Novo Mundo. Homenagens: Seu túmulo simbólico foi colocado, lado a lado, com o do marido no Panteão da Inconfidência – Ouro Preto – MG; 1909 – Patrona da cadeira 8 da Academia Paulista de Letras – São Paulo – SP; 1910 - Patrona da cadeira 24 da Academia Mineira de Letras – Juiz de Fora – MG; 1957– Placa de Bronze no embasamento da estátua de Tiradentes – oferecida pelas Damas Rotarianas de São Paulo – Ouro Preto –

O ser humano não pode abandonar estes que sempre o acompanharam. É preciso defender o direito dos animais contra a crueldade humana.

MG; 1969 – Placa comemorativa do 150º aniversá-

DEFENDA OS ANIMAIS,

rio da morte da poetisa colocada na casa onde

NÃO ABANDONE, NÃO MALTRATE!

ela residiu por vários anos – Campanha – MG; www.varaldobrasil.com

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COMPLEXO DE ADÃO Por Rozelene Furtado de Lima

Desde tenra idade ouvia a minha mãe conversar com as amigas vizinhas e com as minhas irmãs adolescentes e a temática, “homem“, era uma constante desses descontraídos papos. Pequena e muito magrinha ficava fácil esconder-me e ouvir as tão proibidas e enigmáticas conversas. Não posso imaginar como é que elas sobreviviam sem televisão, celular, computador e internet. Só tinham rádio e vitrola. E foram capazes de bem educar os filhos! Certa vez as minhas duas irmãs estavam prontas para ir uma festa de casamento, com vestidos que elas escolheram o pano, desenharam o modelo e levaram à costureira. Estavam muito bem arrumadas e bonitas. A minha mãe chamou-as e falou com voz grave e dedo em riste:- Escutem bem, já falei e vou repetir – “homem não presta, não vale nada, cuidado com o bicho homem”. Elas abaixaram a cabeça e não fizeram nenhuma pergunta. Uma outra vez ela acrescentou:- não vou criar neto, tomem cuidado! Tinha uma prateleira na cozinha, que ficava a altura do ouvido dela. E nessa prateleira ficava o rádio, aquele do tipo capela. Só ela podia tocar naquele rádio, qualquer outra pessoa teria que subir numa escada. O aparelho era o professor, o noticiário, a diversão, um companheiro que fazia com que ela vibrasse de emoção delimitando o contraste da vida de restrições. Ela oscilava como um pêndulo, entre a dura e complexa realidade e a fantasia. Minha irmã começou a namorar escondido. Até que um dia levou o rapaz para conhecer a família. Depois que ele saiu, foi aquela ladainha, meu pai ouvia quieto e balançava a cabeça e minha mãe repetia toda aquela história que ela sabia do “homem”. E, terminava com a clássica frase: “As mulheres sofrem muito sempre por causa do bicho homem”. As mulheres não ficavam alzaimadas, ouviam a novela e reconheciam os personagens

pela fala, imaginavam as cenas, a roupagem e o cenário. Ficavam de tal maneira ligadas que faziam caretas, riam, batiam palmas e se contorciam de acordo com as cenas, um exercício mental e mímico sem tamanho. No momento da radionovela a minha mãe se esvaziava como uma banheira d’água para absorver cada palavra, cada som, decodificando dentro da história qual o significado, cor e a importância dos fatos. Era alimento para alma e aprendizagem para vida. Cresci, e a minha mãe continuava ouvindo novelas no rádio, aquele mesmo rádio que tinha “O Repórter’ Esso” e que a mantinha em dia com as notícias. Um dia ela chorou muito de alegria quando ouviu que a 2ª Guerra Mundial tinha terminado. Queria conhecer esse malvado homem, esse bicho bravo - o “bicho homem”. Eu, particularmente, nutria um sentimento escondido de carinho por esse bicho domado. Coitado! Começou sendo doador de costela para ter uma companheira. Depois perdeu o paraíso, o descanso, a vida de regalo, por causa da companheira – a tal da Eva. Teve que trabalhar para ganhar o sustento com o suor do rosto, porque Eva, como a minha mãe escutava sons que vinham do alto, ouviu a serpente enrolada na árvore da maçã, e fez com que Adão, pobrezinho, comesse do fruto proibido. E o sossego do homem foi por água abaixo. Quando a minha mãe escutava a novela nenhum som poderia ser feito, nem o zumbido de um mosquito, ela mantinha guardada atrás do rádio uma varinha de marmelo e uma vassoura embaixo da prateleira. Ai de quem ousasse! Se buscarmos a culpa de qualquer erro, qualquer deslize da mulher, chegaremos a Eva, adjetivando-a de desobediente e luxuriosa, fazendo uma ligação como se fosse resultado da genética do pecado. Eva enganou a Adão, traiu a sua confiança, e foram expulsos do paraíso porque Eva escutou a voz da serpente, que falou bem no seu ouvido. (Segue)

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Teresinha de Jesus conheceu três cavaleiros, o primeiro foi seu pai, o segundo seu irmão e o terceiro foi aquele que Teresa deu seu coração. Eu queria tanto conhecer esse “bicho homem”, deixar que ele aproximasse de mim, mas a voz da minha mãe estava no meu ouvido, dizendo: cuidado ele é perigoso! E eu via o homem por uma vertente matizada através da imagem distorcida da educação familiar. Até que em uma tarde de inverno, eu conheci o “bicho homem”. Ah! Ele encheu minha vida de encantos, revirou meus sonhos, reescreveu o verbete – “homem” - no meu dicionário particular, ensinou-me a flutuar nas nuvens, a saltar estrelas, a perder meu chão, comer poeira de ilusão e a cavalgar nas rédeas do amor até extenuar. Então entendi a Eva, a minha mãe e muitas ou todas as mulheres: era ele “o bicho homem” o fruto proibido, a serpente sabia disso e incitou Eva a persuadi-lo e a saborear as delícias do amor. Qualquer culpa é da Eva que ouviu a voz da serpente, da minha mãe que, na Radionovela, sofria e lutava pelo “Direito de Nascer” ou de ser feliz. E, se buscarmos a origem estereotipada do machismo e a razão dos homens serem infiéis, é claro que esse viés nos conduzirá a Adão, um homem sofrido, indignado, humilhado com medo de ser enganado novamente pelas ”Evas”. Esse maravilhoso “bicho homem” jamais se curará do eterno Complexo de Adão que nada mais é que o mito antiquado da masculinidade, machista forjado no ressentimento e alargado por um álibi genético impregnado na memória celular da humanidade. Tudo isso em represália por ter cedido à sedução feminina. É duro reconhecer que esse sistema machista e outros de opressão só perduram porque os oprimidos aceitam seus opressores. Mas à luz do amor, nós mulheres somos apaixonadas e gratas aos homens pais, homens maridos, homens irmãos e filhos homens. Para que esses braços tão fortes? – Para te abraçar te abraçar mais.

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Araras Azuis Por Regina Mércia Sene Soares

As araras azuis Que enfeitam a natureza Mostrando toda a sua beleza Já estão em extinção Porque o homem não tem coração Mas vamos lutar por elas Porque as araras são belas

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Ou estivemos: imagens indo e voltando, sideral passeando... Semelhanças fins a novos começos, evoluir recomeços?

Passagem Secreta Por José Carlos Paiva Bruno Talvez a dúvida, seja o medo do homem e seus anseios, Métodos e leigos, solilóquio d’eterna busca, Talvez a maquiagem seduza além dos seios... Ressabiados recreios em sedutores recheios.

Resoluto, luto possa merecer seu preço, Terço que rezo; ternura que prezo... Por tudo que prego, redescobrindo meu ego, Resiliência, agora sossego, apego que apego.

O que mais emociona? Serão os fins ou meios? Talvez o mapa seja ansiedade do receio... Donde pra todo começo, carecemos dum outeiro, Talvez rota em afins colimados: medalha ou batalha? Dúvida da partida ou chegada... Passagem desesperada, paisagem da entrada, Qual loucura da chegada, adeus inimigos da escada... Então, por que da caminhada? Panoramas antigos, vingados modernos abrigos, Liberdade da casca que apodrece; sorver fruto da prece, Graça dum cheiro e beijo que não esquece... Aquece guia lareira, farol de olhos da noite. Quando menos esperamos, está ali, aparece, Então nada que apresse, templo de magia reveste... Tuaregue contemplando a espaçonave, ave! Movimento, entretenimento entre tempos, ventos...

PARTICIPE! Venha participar da quarta antologia do Varal do Brasil! VARAL ANTOLÓGICO 4 Um livro diferente Um livro especial VARAL ANTOLÓGICO 4 Inscrições abertas pelo e-mail varaldobrasil@gmail.com

Vestes daqueles quatrocentos, escravidão dos lamentos, Alforria cruzando mares, marés tragando beligerantes... Ao cajado estrela guia; radiante nunca tardia, sinergia, Euforia quarentena, nova morada que acena... Qual vista milagre da Cruz de Vera Terra, Diletante quimera, corações em nova era... Aquarela mar e terra, outono de primavera, Fertilidade das cartas, nau Caminha nas vagas...

Capa: Maria Lagranha Poema de abertura: Marco Llobus Será lançado em Genebra, Suíça, em maio de 2014.

Quando contemplamos nossa obra humana, Percebemos o quão próximos ao divino estamos, www.varaldobrasil.com

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Fez-se Por Elena Lamego Deus criou o mundo por amor. O amor expandiu-se ao infinito Nas estrelas, Esferas, Galáxias e seus planetas. O amor expandiu-se pela terra. E Deus nela continuou -se Nas águas, Frutos e flores, Nas pedras e seus cristais, Em todos os seres vivos, Em todos os animais. E Deus criou o Homem! Acendeu-se nova Estrela. Brilhava intensamente! Nascia no coração da terra a esperança E assim, Deus criou o Homem a sua imagem e semelhança.

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Homem - Ciência

Por Maria Socorro de Sousa

Homem - Ciência: .... Cumplicidade ........ ... Mistério e Poder ... O Homem constrói bombas para tirar a Vida... Na Ciência, descobre fórmula de esperança para Viver a Vida... Transforma o Homem o CONHECIMENTO em uma faca de dois gumes... .....Incentiva a Vida .....Programa a Morte!

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MEU ENCONTRO COM LISBOA Por Carlos Nogueira de Oliveira

Sempre que posso eu faço uma das coisas que mais amo na vida que é viajar. Já conheço boa parte do Brasil, alguns outros países da América e vários países da Europa. Eu costumo dizer que a França eu conheço mais do que muitos franceses e a Itália, mais do que muitos italianos. Esse ano resolvi retornar à Europa e coloquei no roteiro França ( se eu for na Europa 1.000.000 de vezes, eu vou a Paris 1.000.000 de vezes ), Bélgica, Holanda, República Tcheca, Áustria e Itália. Queria deixar Portugal e Espanha para uma viagem única, especial. Mas, para a minha surpresa, ao comprar as passagens pela TAP ( minha e de minha esposa ) pude verificar que na ida ficaria 6 horas em Lisboa e na volta ficaria uma noite e o outro dia até 16:30 hs também em Lisboa. Fiquei feliz porque seria uma maravilhosa oportunidade de conhecer Lisboa. Então fiz o meu roteiro da seguinte forma: Como tem vários roteiros, escolhi 2 para fazer 1 na ida e outro na volta. Na ida cheguei no aeroporto, cumpri todos os protocolos para entrar no país, pequei o metro que sai do aeroporto ( que maravilha essa facilidade ) e fui para a praça Martim Moniz pegar o elétrico 28. O dia estava maravilhosamente ensolarado e logo chegou o 28 para me apresentar alguns dos mais belos patrimônios de Lisboa. Fomos para o bairro da graça e pude contemplar o mosteiro de São Vicente de Fora. Continuamos por Alfama e suas ruas medievais como o largo da porta do sol com seu magnífico miradouro e o castelo de São Jorge. Depois passamos pela igreja de Santo Antonio o padroeiro da cidade e depois pelo projeto do Marques de Pombal que é a Baixa Pombalina. Depois subimos por um dos mais famosos lugares de Lisboa que é o Chiado com o antigo convento de São Bento. Depois que retornamos para a Martim Moniz, pegamos o metro e voltamos para o aeroporto. Estava ansioso para no retorno pegar outro roteiro e conhecer o que mais eu queria ver em

Lisboa que é a torre de Belém. Ir a Lisboa e não conhecer a torre de Belém, para mim é o mesmo que ir ao Rio de Janeiro e não conhecer o corcovado. Peguei o avião e visitamos Paris, Bruxelas, Amsterdã, Praga, Viena, Salzburg e Veneza. Em Veneza o avião nos levou até Lisboa para no outro dia nos levar até Salvador na Bahia. Chegamos em Lisboa já à noite e fomos para o hotel. Depois saímos para jantar ( para minha tristeza, sem fado ) e retornamos ao hotel. No dia seguinte pegamos na praça dos toros em Campo Pequeno um sightseeing que passaria em Torre de Belém. Passamos por vários pontos da Lisboa nova e antiga. Vários teatros e vários belos parques com o Tejo ao fundo. Passamos por baixo da ponte que foi inspirada na de São Francisco na Califórnia com o Cristo ao lado e finalmente estava na minha frente a Torre de Belém dominando todo o local e querendo abraçar a cidade como se fosse somente dela. Eu pude sentir a torre dizendo “ eu sou o centro das atenções”. Passamos pelo local da 83ª Feira do Livro e lembrei de meu irmão escritor e poeta. Pudemos ver também a Praça do Comércio com seus prédios antigos e conservados e o imponente prédio onde está o museu de arte moderna coleção Berardo. A torre de Belém é maravilhosa e é um dos mais atraentes retratos de Lisboa. Terminamos o nosso passeio por Lisboa e fomos para o aeroporto na certeza de que voltaremos a está maravilhosa cidade e também para conhecer as outras. OBRIGADO PORTUGAL.

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As flores Por Audelina Macieira São belas Todas elas As azuis e as amarelas Que fazem festa nas janelas As vermelhas falam de paixão E as brancas inspiram a emoção As tulipas dançam tango à noite Acompanhadas das folhas ao vento As rosas, soltam no ar um perfume intenso Misterioso, que invade os corações dos noivos. As orquídeas são tímidas discretas parecem Falar de tão quietas As flores do campo tão simples Tão humildes tão sinceras Aparecem sempre nas horas singelas Horas! que não precisamos das palavras Nem dos beijos mais ardentes Para expressar nosso sentimento Neste momento só precisamos prestar atenção nas flores elas enfeitam a vida , enfeitam os amores Estão por todo caminho Onde o homem anda sozinho Estão em todo lugar A nos encantar Natural natureza são as flores Com certeza Elas são nossas amigas Que nos acompanha na hora da partida As flores dançam uma canção de mel e só os corações conseguem ver com os olhos d’alma Elas florescem espalhando perfume por toda terra as flores são frágeis, são eternas. São mensageiras da fraternidade elas as belas flores Todas elas nós remete a paz. www.varaldobrasil.com

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Homem Por José Hilton Rosa Apeando do lombo O frio no rosto No inverno do sul Mãos geladas, coladas ao corpo Como americano em Seul Um querendo insultar Outro querendo aproximar Alvéolos em chamas Afilhado pelo batismo Aviltado na sorte Desejo de viajante Autoridade sem voz Inválido no tempo de espera Caminhando rápido Com a culpa do desprezo Sonhando na noite vazia Inocência real Amizade fria Vestindo o couro da pele Faminto de sono Quarando o sereno da noite Triste homem Ébrio na vida

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TRÊS COLETÂNEAS LANÇADAS NO BRASIL E NA SUÍÇA, MAIS DE TRINTA EDIÇÕES DA REVISTA, DUAS PARTICIPAÇÕES VITORIOSAS NO SALÃO INTERNACIONAL DO LIVRO DE GENEBRA: VARAL DO BRASIL, LITERATURA SEM FRESCURAS, LITERATURA FEITA PARA TODOS! www.varaldobrasil.com

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Ciência e Caridade Por Sonia Nogueira Era ao cair da tarde fria, A mulher trazia no braço, A criança e o guarda-chuva, O vento soprava, o cansaço, Ele surgiu como um anjo, Ofereceu-lhe carona e abrigo, Dr, Valdo médico, não esquecido.

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INTROMETIDO

Por Deidimar Alves Brissi

Por que incomodas com meu caminho? Se não te peço explicação, se não seguras a minha mão, se não me dás nenhum carinho?

Por que implicas como eu caminho? Se não conheces meu coração, se não vive minha aflição, se não me ajudas um minutinho?

Se você não se importa e nada sente! Se você não é amigo, não chora comigo, não vem querendo invadir minha mente!

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O amor no mundo virtual Por Soninha Porto Anita acordou, neste dia, de bem com a vida, abriu as janelas, tinha sol lá fora. Sentiu o ar frio a lhe percorrer o corpo, embora vestida num pijamão de pelúcia e um chambre enorme para lhe agasalhar dos nove graus, que entrou gelado. Está alegre, o sábado sempre tem um efeito especial sobre ela, em seu humor, em seu cotidiano. Ela trabalha na prefeitura da cidade, chefia uma equipe de projetos, de vinte e duas pessoas, revisa e assina papeis, com uma responsabilidade que lhe dá prazer, estudou pra aquilo e o faz bem, mas como a maioria dos trabalhadores, dá graças a Deus, quando o final de semana chega, pra organizar sua casa, seu Eu, suas coisas. A semana, como sempre, foi estafante, um burburinho de gente, bate-papos, por vezes, acirrados, sobre jogos da dupla Inter e Grêmio, a novela das oito, com atores perfeitos, sarados e que vivem uma vida pouca parecida com as pessoas normais, as modas, as plásticas da fulana, chefes exigentes, normal. Pior é ter que engolir em seco, a situação constrangedora da colega, com o olho roxo e aquela sensação horrível, de que nada é possível fazer, ou dizer. Como pode uma mulher aguentar tamanha humilhação? O processo psicológico deve enlouquecer qualquer uma, porque nada e nem ninguém a convence de sair do jogo, nem conselhos de amigos, familiares e colegas, que afirmam ser caso de polícia, e é, de que tem que livrar-se do carrasco, mas nada, continua refém e insiste, resiste e os resultados aparecem no rosto e nos olhos tristes e vagos. Mas é sábado, deixa as coisas e problemas que vive lá, não dá pra resolver o mundo mesmo, o que pode é rezar por ela, torce que Deus lhe dê forças para um dia sair dessa situação. Mas hoje quer pensar é em si, viver seu momento, pensa nas suas possibilidades, no que tem a fazer, meu Deus como passa rápido o tempo! Já são 10h! Correu para o banho quente, afinal, os nove graus estão a exigir até aquecedor para tirar a roupa e, fica horas (força de expressão para esclarecer uma ação que não passa de 20 minutos), daquelas de sais e aromas em sua banheira que expande fumaça pelo ambiente.

Sente o prazer da água aquecida a lhe escorrer pelo corpo esguio, tira suores e espanta energias ruins. Seus cabelos e corpo ficam perfumados, seca-se rapidamente, faz uma escova e chapinha, enquanto prepara-se para o seu sábado e para os próximos dias. É a maneira de se manter no controle das coisas, ou por ser final da semana, que pode pensar e rever com calma a vidinha que leva, seus compromissos, decisões, o que deixou para trás, o que foi perfeito, bom ou ruim. É um exercício, onde se mantém crítica e em estado de alerta. E alerta-se, está pensando já em seu computador, será que ele está a lhe esperar? Será que Hoje quem sabe algo de bom aconteça? Será que ele vem? Ela acredita que tudo de bom ou ruim, sempre, lhe acontece aos sábados. Olha-se no espelho, sabe não ser uma deusa, mas pra feia também não serve, é uma mulher loira, pele clara, que já apresenta traços do tempo no rosto, é alta, magra, corpo bem feito e nunca quis casar, prefere ter a liberdade de escolhas ao alcance da mão. Tem seu preço, às vezes sente-se só. Namorados? Muitos e agora vive um proibido, que lhe tira a paz. Vestiu uma roupa grossa pra enfrentar o frio, faz um café preto, acende um cigarro e acessa a internet, seu passatempo preferido, que a deixa conectada com um mundo mágico, onde tudo pode acontecer. Aguardou. Esperava por ele, o Paulo, para acarinhar-lhe, mesmo que seja só pela tela, mas sentir o gosto na boca da sensação de um beijo, do cheiro dele, de vibrar com aquele sorriso e sentir-se amada por inteiro, que coisa estranha essa do computador! Uma máquina, que a faz sentir amor e tesão, com a doce impressão, de pelo menos por alguns instantes, ser única, a deusa que ele deseja e ama! Ele é um homem bem mais novo que ela, no mínimo uns 15 anos, loiro, alto, sarado, olhos verdes, lindo. Conheceram-se na internet e a beleza do homem fez Anita perder a cabeça. No entanto, ele é comprometido com a profissão, filhos de um casamento desfeito e uma ex, que está sempre à volta. Ele só quer aventuras, sexo e sabe ela, que nada de compromisso, gosta dela, mas não arranja tempo para ela. Não se esforça. Ela se ressente porque é a primeira vez que sente vontade de ter um homem a seu lado. - Sonho! Viagem! Te acalma Anita, diz para si, com o coração batendo forte. Sente-se viva, mas quer mais, muito mais... (Segue)

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Recompõe-se. Ele só tem estes momentos a lhe dar, e como ela fica feliz! Mas ao pedir-lhe o mundo real, enche-se de desculpas, as de sempre, já são quase dois anos assim, que a remoem por dentro. - Não dá, os filhos me esperam... A mulher quer Eu vá ali... Tem jogo hoje... Não sei quem, tá doente... Sim vamos nos encontrar, calma... Pensa. Porque se contenta em receber quase nada? Aliás, nada. Baixa autoestima? Não. É uma mulher bem resolvida, tranquila, paciente, tolerante, em paz. Está apenas como refém da situação, vive o drama de um amor louco e cheio de ausências, por um homem que sabe bem o que quer: passar o tempo. Abriu o site, ele está ali. Falam do dia, do trabalho, do sexo que fizeram e vão fazer, da possibilidade de tudo ser diferente. Ele passa uma conversinha e ela finge que está tudo bem. As poucas palavras - ele sempre ocupado - parecem aliviar-lhe a ânsia de tê-lo, mas não dá para fingir, no fundo sabe, não o tem, não é deusa, nem aqui nem na China e muito menos, a amada que gostaria de ser. Dói. Leu alguns e-mails, passeou nas Redes, tentou se distrair, mas o pensamento está fixo naquela luzinha que acende e apaga na tela do computador. Vê a manhã ir embora, tenta retêlo ao máximo, mas a hora chega. Ele se despede amoroso, como é sedutor! E cheio de desculpas se vai. Ela fica como se largada no canto. - Será que gosto de sofrer? O dia, que antes parecia bom, agora perde a cor, o frio corta o osso, gela sua essência e ela fica sem graça, impaciente e triste. Na cabeça, um turbilhão de ideias mirabolantes para fugir do que sente, cheia de coragem, diz mil vezes que vai encerrar de vez o assunto, mas na hora H, a da maldita luzinha, cai tudo por terra. Ela o ama, ele não, sente-se vibrar e a pior coisa do mundo, é ter essa certeza. Ela resistiu a ele tudo o que pode, mas a carência falou mais alto. Não poder reviver aqueles encontros que lhe tiram o ar, de ser correspondida no seu querer, de poder mais uma vez tocar-lhe, sentir seu cheiro, seus beijos na nuca, um amar sem olhar o relógio e de rir muito das bobagens. As vontades não realizadas deixam-lhe um vazio e a impotência, entende o que sua colega deve sentir, aquela do olho socado, lembram? Ela também vive um dilema, que exige uma decisão difícil. As horas passam, armada de certezas e coragem, repete várias vezes que vai virar a pági-

na e seguir adiante. Não quer dentro si dor, aquela faca enfiada no peito, não quer viver o nada, ou de esperanças. Quer poder amar, sem amarras, livre, intensamente. E receber de volta na mesma intensidade. O que sente é doença, é vício, talvez fruto de tantos amores mal resolvidos. Embora relutante repete pra si mesma que precisa que o coração escute, assimile e concorde com a razão. Mas ele, o tum-tum, se faz de bobo. Quem sabe possa resistir ao efeito da luz que acende e apaga diante de si. Pensando assim envolveu-se com almoço, a agenda da semana, contas a pagar e foi ao Shopping, comprou roupas novas, nada melhor que compras para afastar a tristeza, fez um mercado cheio de bolos, chocolates, um vinhozinho especial para aquele frio e as coisas de sempre. Voltou para casa feliz, olhou o computador, a luzinha estava acesa... O coração fica aos pulos. A decisão ficou para o outro sábado.

EM NOVEMBRO O VARAL DO BRASIL ESTARÁ COMPLETANDO QUATRO ANOS DE ATIVIDADES LITERÁRIAS! São quatro anos divulgando novos autores, espalhando a literatura sem frescura pelos quatro cantos do mundo através da revista VARAL DO BRASIL! Participe: • •

De nossas revistas! De nossas antologias! Do Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra - Suíça

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Porque Danço Por Varenka de Fátima Araújo Porque condiciona meu corpo e mente E no passo e passo fortalecida Livre percorro todos os espaços Porque penetro, às vezes em campos Como os camelos nas areias Que afundam seus cascos na dança Suportando cargas pesadas Porque danço sobre infortúnios da vida Onde minh’ alma de poder altíssima Desce ao inferno dos outros Para invisível submergir ilesa E provo o prazer imenso da vitória

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VARAL ANTOLÓGICO 3 - LANÇAMENTO EM FLORIANÓPOLIS A terceira coletânea do Varal do Brasil, Varal Antológico 3, foi lançada com sucesso no Brasil no dia 2 de agosto. Estiveram presentes vários coautores e participantes do livro que foram recebidos por um público acolhedor. Na ocasião foram anunciados os vencedores do I Prêmio Varal do Brasil de Literatura.

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Heroico Sorriso Por Magno Oliveira Seu corpo é mais que um paraíso Ele é meu refúgio e esconderijo Nas noites frias faço dele meu abrigo Em pensamento viajo em suas curvas Encaro meus fantasmas, mantendo a fé no seu heroico sorriso. Encarar a realidade, meus medos, minhas fraquezas É difícil, mas encará-los é preciso. O seu corpo de mulher, O seu sorriso de menina Me mantém firme, ainda tenho fé A esperança assim nos ensina Aprendi com você, a base é o verdadeiro ombro amigo Se o encanto um dia acabar, ainda me leve consigo. Eu não minto, não finjo Mantenho minha personalidade Buscando a felicidade. No caminho podemos sangrar Mas quando formos nos encontrar Mantenha seu heroico sorriso.

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ECOVOLUNTÁRIA

Alexandra Magalhães Zeiner

dessas comunidades, onde a Mãe Terra, é um símbolo sagrado.

Direitos da Mãe Terra Através desse artigo a “ecovoluntária” do Varal do Brasil chama a atenção para um ato histórico, feito por homens, dedicado ao nosso planeta. A Bolívia, país da America do Sul onde 60% dos seus habitantes são povos indígenas, foi a primeira nação do mundo a reconhecer por lei os direitos da Mãe Terra. A “ Lei da Mãe Terra” diz que a natureza possui o direito à vida, a continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio, e o direito de não ter estruturas celulares modificadas ou alteradas geneticamente. A lei também garante o direito do país "não ser afetado por megaestruturas e projetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e as comunidades locais". Os maiores influenciadores da lei foram indígenas andinos, líderes espirituais, que com sua visão de um novo mundo ressurgente, colocam o meio ambiente e a Terra, divindade conhecida como “Pachamama”, no centro de toda a vida. De acordo com princípios desses povos, os seres humanos são considerados iguais a todas as outras entidades. Na verdade, culturas indígenas de todo planeta, acreditam e celebram a natureza como o maior tesouro que temos nessa vida. A comunhão entre seres humanos e todos seres do mundo animal e vegetal é parte diária da vida

Imagem de digitumdei

No conturbado momento atual, se faz necessário ouvir atentamente os avisos que chegam dos quatro cantos do planeta, em diferentes vozes, línguas e intensidades: unidos somos mais fortes. (Segue)

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As mudanças ocorrem na Terra e em nós, as vibrações se estendem como uma onda gigante e a todo momento estamos recebendo mensagens que tem influência até na nossa estrutura celular. A ilusão consiste em insistir na separação do meio-ambiente e nossa vida na Terra, um processo milenar que nossos antepassados nem questionavam, ou seja aceitavam como natural e viviam bem dessa forma. Impossível continuar dessa forma, somos parte da Natureza do Planeta! Nosso ar, alimento, matéria, tudo está intimamente ligado à Terra. A entrega ao momento presente, o agradecimento e a fé, devem fazer parte de uma lista de cuidados individuais à serem cultivados para um bem estar diário. Afinal, quando consideramos o milagre da vida na Terra e em nós mesmos, tornar-se-á claro nossa missão, proteger e amar nossa Mãe, o planeta Terra. Dedico aos leitores do Varal do Brasil, parte da minha “Prece à Mãe das Florestas”, publicada na “Antologia Mulheres da Floresta” pela REBRA em março de 2013.

... Mãe, eu te agradeço por nossos ancestrais que sempre Te respeitaram e protegeram, desde o inicio dos tempos; eles foram e ainda são os guardiões dos Teus segredos. Mãe, perdoa a ignorância daqueles que cobiçam as ri-quezas das Tuas florestas e matas. Eles exploram, destroem, queimam Teus santuários naturais, esquecendo as futuras ge-rações do nosso planeta. Mãe, eles desconhecem o significado, o amor do co-ração de uma mãe; desconhecem Teu amor, incondicional e infinito para com todas criaturas da Terra.

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para ela, afinal também é filha de Deus, ao re-

AMOR ESQUECIDO

tornar para casa perceber que só encontra nas sacolas roupas e mimos para aqueles, seres Por Christina Hernandes

tão especiais, tão amados: seus filhos. Só ir às festas e lugares, onde, evidentemente

Falar de maternagem no passado, nos remon-

poderia carregar a prole, afinal eles são a ra-

ta a lembranças sublimes, emoções inimaginá-

zão da sua vida, seu maior tesouro, o motivo

veis, continuidade, cuidado, colo, guarida, so-

da sua existência.

brevivência, brincadeiras juntos, inocência prolongada. A mãe que cumpria brilhantemente

Que saudades! Cadê essa mãe? Onde ela está escondida?

seu papel de mulher do seu único homem, abrindo em alguns momentos, mão do seu desejo feminino no papel de mulher, linda, sedutora para se transformar na mãezona protetora, que levantava a qualquer hora da madrugada para dar uma espiadinha nos filhos, só para matar a saudade e verificar, é claro, se esta-

Falar de maternagem no presente nos remonta a lembranças intranquilas, emoções contidas, falta de tempo, cuidado transferido, brincadeiras com babás, atividades frenéticas, inocência perdida. Na mulher estressada que cumpre brilhantemente seu papel de emancipada, podendo escolher seus parceiros em nome de não

vam cobertos.

abrir mão do seu desejo, deixando, às vezes, Acordar em sobressalto, ir desesperadamente ao quarto dos filhos, que muitas vezes ficava ao lado do seu quarto, mas que naquele mo-

esquecido lá nas suas lembranças o significado do que é ser mãe, o papel dos filhos no enredo da sua vida.

mento parecia tão longe, chegando ofegante, só para colocar a mão levemente em seus peitos para ter a certeza de que estavam vivos, aliviando sua ansiedade, maus pensamentos e o desespero do coração acelerado. Levantar-

Levantar a qualquer hora da madrugada, só num pesadelo. Não dá, o cansaço as impede ao menos de abrir os olhos, mesmo quando começa o novo dia.

se às cinco horas da manhã, todos os dias,

Acordar em sobressalto ir desesperadamente

mesmo nas noites que tenha ia se deitar às

ao quarto ao lado, dos filhos, impossível, a dis-

duas horas da manhã, num frio de lascar, só

tancia agora, é intransponível. A hipótese de

para chamá-los evitando com isto, que che-

que alguma coisa possa acontecer com eles

guem atrasados no colégio.

dormindo, soa como mentira.

Voltar ao supermercado pela milésima vez no

Levantar às cinco horas da manhã todos os

dia só para comprar aquela guloseima que ca-

dias, só se for por doença, caso contrario, ca-

da um gosta e foi esquecida, não de propósito,

da um que coloque seu despertador, se vire

mas pela pressa de chegar a casa e acariciar

sozinho.

sua prole, orgulhosa do produto que gerou, fru-

Voltar ao supermercado nem pensar, o que foi

to de grande amor.

esquecido fica para outra vez, não se pode

Sair com o propósito de comprar um agasalho

perder tempo com mimos, nhenhenhen.

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

tindo roupas de grife, salto alto, cabelo com

É mais ou menos cada um para si. Trazer uma enormidade de sacolas, sem um alfinete para a prole, tendo olhos somente para seu umbigo, sua vaidade seu prazer, tudo para ficar mais bonita e atraente. Virou rotina

escova progressiva, horário marcado para a próxima plástica ou lipo, culpada, infeliz, insatisfeita e descolada da sua própria vida, do seu homem e da vida dos seus filhos? Ufa!

ficarem os filhos sem interesse, inclusive em

Oras, estamos falando da mãe do futuro ou a

saber, o que trás naquelas infindáveis sacolas.

mãe do presente? Ou será que estamos falan-

Apesar deles também serem filhos de Deus.

do da mulher do futuro, não, não! Essa é a

Só ir às festas e lugares, onde, evidentemente poderia carregá-los ficou definitivamente no passado. Entram em cena os cuidadores da

mulher do presente. Ai, ai, ai, não consigo me concentrar para fazer o perfil provável da mulher do futuro.

família ou qualquer pessoa que esteja de bo-

Talvez um protótipo de robô, quem sabe clo-

beira, para tomar conta daquelas pestinhas,

nes, será?

afinal não são mais a única razão da sua vida,

Sei apenas que essas mulheres, mães, estão

seu maior tesouro, o motivo da sua existência.

perdidas naquilo que é o seu papel correndo

Que abandono! Cadê a outra mãe? Onde ela

atrás de uma modernidade que as tornou inse-

está escondida?

guras, infelizes na escolha de muitas vezes de

Falar de maternagem no futuro nos remonta a uma tremenda dor de cabeça, um frio na espinha, uma ânsia de vomito, um aperto no peito, um amolecer das pernas, um descontrole do pensamento, uma vontade de dormir e não acordar nunca mais, portanto, incerteza sem

ser mães. Hoje vivendo freneticamente a procura da perfeição, física e profissional, frustrada pela certeza do inevitável, como acertar com os filhos? Essas pessoas tão queridas em alguns momentos e tão odiadas em outros. Será que posso falar isto? Odiadas, bem na verdade é isto mesmo, mas elas precisam es-

fim.

conder, afinal mãe obrigatoriamente tem que Podíamos desejar ter novamente aquela mãe com aquele vestidinho florido, abaixo do joelho, mangas três-quarto, decote em V, ligeiramente gorda, cabelos grisalhos, protetora e

amar os filhos e eles a elas. Os erros cometidos são como diria Freud, esquecidos, banidos da memória, amenizando a dor de um desejo pela metade.

acolhedora em todos os momentos bons e ruins dos seus filhos, sem culpa e com seu lugar definido em sua vida, na vida do seu cônjuge, na vida dos seus filhos, sabendo a que veio, ser mãe, dona de casa, esposa, ser reali-

Será que posso dizer felizes as mulheres do passado, que tinham bem definido a importância da maternagem? Ah! Que falta essas mães fazem para seus filhos! Uma legião de seres perdidos, sem rumo, sem amor, sem o olhar

zada nesta maternagem.

que aponta o melhor caminho. Ou será que teremos uma mãe turbinada, estudada, vestida para matar, veterana da ponte aérea, ligada no celular, com seu “laptop”, ves-

Cadê aquela mãe? Em que momento se perdeu no tempo?

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da, mas eu discordo. Ainda tenho muito que viver muito que aprender. Quero conhecer lugares, conhecer pessoas, pode não parecer mais ainda tenho sonhos e pretendo realizálos.

MENSAGEM DE UM ANCIÃO

Por Michelle Franzini Zanin

Um semblante meigo, a pele enrugada, um sorriso cerrado, olhos brilhantes iguais aos de uma criança em uma manhã de natal. É assim que me vejo, ao olhar meu reflexo no espelho.

O que importa não é a idade física e sim a idade da alma. Eu por exemplo, me considero um adolescente, cheio de inseguranças, ilusões e sempre disposto a mudar o mundo.

Vejo que o tempo passou, tudo esta mudado e eu ainda estou aqui como um jacarandá, forte, com as raízes fincadas no chão.

Muitos me perguntam se penso na morte ou se tenho medo dela, não sejamos hipócritas é lógico que tenho medo do desconhecido, mas não penso nela porque dentro de mim há muita vida e sei que no dia que ela chegar poderei partir sorrindo, pois dei o meu melhor, vivi cada dia como se fosse o ultimo, vivi ao extremo.

Porém sei que não sou mais uma criança, embora tenha a ingenuidade de uma. Setenta anos, tanto tempo se foi, quantas coisas vi e ouvi. Pude ver a queda do muro de Berlim, ver a ascensão de uma nação e a queda de outra.

Mas não quero me preocupar com esse assunto chato agora. Como já disse, tenho muito que viver muito que aprender.

Vivi em um tempo mais simples, sem televisão ou computador, pude ter a honra de ouvir a voz de cantores consagrados no meu simples rádio, ir ao cinema e assistir clássicos como Bonequinha de luxo em uma tela sem cores, onde podia soltar a imaginação.

E por favor, não me chamem de senil, pois não sou invalido e muito menos uma vitima do tempo. Sou um jovem, um jovem de coração que ainda há de dar muita felicidade para seus familiares.

Posso me dizer feliz, pois pude ver o rei Pelé jogar, assim como pude assistir a luta de uma geração se tornar realidade e ver o fim de uma era, a era fria e sombria da ditadura. Encontrei o amor, me casei, tive filhos, os criei, os vi crescer, seguir seu rumo, viver suas próprias vidas. Enfrentei adversidades, tive medo, momentos de angustia, aprendi lições, fui feliz. E agora estou aqui, preso em um tempo que desconheço. Desconheço os valores, desconheço o rumo que essa geração ira tomar, desconheço o que acontecerá com o mundo. Por conta de minha idade e das transformações que estou vendo, todos pensam que estou com medo, mas pelo contrário estou disposto a enfrentar os novos desafios: aprender a usar o computador; entender a juventude e aprender a conviver com ela.

Imagem de Ed Yourd

Todos acham que estou no fim de uma jornawww.varaldobrasil.com

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O pássaro

Por Elaine Rocha Você nasceu Destruiu seu pequeno mundo para que ele lhe pertencesse Incendiando em seguida suas vestes manchadas de sangue Você nasceu, e seus braços já suportavam o peso da humanidade Assim como os seus pés quebravam os crânios do passado Suas asas eram douradas e negras, pois você possuía a glória de ser homem, um homem amado Embora ainda não pudesse alçar voo com os olhos cegos Sua casa era um ninho apertado de medo e solidão Onde você se encolhia e comia a carne da sua mãe Quando enfim descerrou as pálpebras Você perdeu a inocência heroica que o nascimento proporcionara Abriu as asas para o céu que não mais te supervisionava E pulou para o imenso abismo que é a vida

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REFLEXÕES E PRÁTICAS GEOGRÁFICAS

Ricardo Santos de Almeida

Nesta coluna estarão expostas as experiências e reflexões do processo de formação acadêmica em Geografia. Neste segundo relato estará em ênfase a experiência no âmbito da docência em escolas públicas, a partir das reflexões relatadas em relatório sobre a atuação do autor no estágio supervisionado. O Estágio Supervisionado 3 possuiu uma especificidade que motivou a participação dos estagiários no desenvolvimento de atividades didáticas de cunho mais participativo, como a produção de desenhos e a utilização de recursos audiovisuais, por exemplo, realçando nosso olhar para compreender a educação analiticamente, enquanto um projeto de pesquisa. Nesta intenção, focamos o conhecimento do espaço escolar, das características das escolas, das turmas, da atuação dos professores enquanto conjunto de análise microssocial na macroesfera Escola. Em análise está a prática da observação, conversação com o professor da turma do 6º ano B da Escola Estadual Professora Maria José Loureiro, localizada no Centro de Estudos e Pesquisa Aplicada (CEPA), às margens da principal artéria viária de Maceió, a Avenida Fernandes Lima, sem número, no bairro Farol. Sendo assim, devido ao bom posicionamento geográfico a escola atende os públicos do ensino fundamental de vários bairros da cidade DA OBSERVAÇÃO À AÇÃO COMO REGENTE DA SALA DE AULA O primeiro contato com a Escola Estadual Professora Maria José Loureiro se deu no dia 21 de março de 2011 às 08h56 onde fui bem recebido pela diretora e me encaminhou à sala dos professores onde pude conhecer o professor regente da disciplina Geografia do 6º ano turma B na escola. Consequentemente

conheci muitos espaços, dentre eles a biblioteca. Lá conversei com a responsável verificando, claro se lá havia mapas, e quais os livros de Geografia que poderiam ser utilizados como suporte à futuras pesquisas. Identifiquei que havia um conjunto de mapas históricos, no total cinco, seis atlas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dentre os inúmeros livros didáticos de Geografia, Literatura e demais áreas os livros “Decifrando a Terra” de Wilson Teixeira (organização) e “Brasil: Questões Atuais da Reorganização do Território” de Iná Castro, Paulo Gomes e Roberto Corrêa. Neste mesmo espaço continham maquetes apresentadas no ano passadas ainda guardadas. Durante o intervalo, entre 09h20 e 09h50, pude conversar com o professor Jeferson David de Melo Carmo sobre o comportamento da turma, que possui quarenta alunos, e sobre como os assuntos são por ele abordado. Ele comentou que há a utilização de livro didático, mas não se prende muito a ele. Confessou que nas aulas das quartas-feiras trabalha geralmente enfatizando a Geografia de Alagoas. Informoume sobre os horários das aulas. Disse que possui Especialização em Educação Ambiental e que estamos próximos a datas que podem envolver a temática, mas não há um maior entrosamento entre os professores de outras áreas do conhecimento. (Segue)

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Destacou a problemática da utilização de outros recursos didáticos, pois há espaços específicos e que poderiam chocar com as aulas de outros professores, por exemplo. Quanto a utilização do quadro branco informou que prefere escrever em letra de forma para evitar que os alunos percam tempo perguntando qual letra está em uma determinada palavra. Apresentou-me o livro didático “Geografia Sociedade e Cotidiano – Fundamentos do Espaço Geográfico, 6º ano, 2 edição” utilizado na escola e disponibilizou seus contatos telefônicos e email. Após o toque para retorno do intervalo foi junto comigo à sala e realizou minha apresentação na turma do 6º ano B. Sentei-me no fim da sala para poder ver como os alunos se comportavam e como o professor ministra a aula, sem o ficar recriminando ou elogiando, afinal, estava realizando a prática da observação. Acredito que não há um padrão para ministrar aulas, pois cada sala é específica e tem pessoas especificamente únicas. Quanto a sala de aula foram detectadas em primeira observação: - Os alunos são sinceros e tentam participar. E afirmo devido ao fato dos mesmos terem informado ao professor que não leram conteúdo em casa o que foi pedido na aula anterior, e principalmente por dedurarem “gazeões”; - A sala só possui dois ventiladores fixados nas paredes, nos extremos (frente e fundo) da sala a deixando calorenta;

regionalização: “Apesar da divisão pelo IBGE, em cinco regiões ser a mais popular, existe outra divisão regional que leva em conta as semelhanças econômicas e históricas. Essa divisão não segue os limites estaduais como divisas, ela apresenta três complexos geoeconômicos: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul.” Ao finalizar esta transcrição o professor pergunta aos alunos o que significa IBGE, um responde e depois ele confirma ser o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e recomenda aos alunos anotarem. Em seguida continua a transcrever, conceituando Limites: “Limites: Separam um município de outro, um Estado de outro e até mesmo os países. Esses limites são chamados de fronteiras. Eles podem ser: - Naturais: Formado por rios, córregos, serras, lagos, etc.; - Artificiais: Formado por ruas, avenidas, vilas, linhas divisórias, etc.”

Em seguida partindo dessas observações introdutórias, adentra o conteúdo ao entendimento da configuração regional de Alagoas:

“Alagoas limita-se: - Ao norte: Com o Estado de Pernambuco;

- Alunos tumultuam a sala, principalmente chamando a atenção do professor. Neste dia um dos coordenadores entrou na sala e reclamou do comportamento da turma;

- Ao sul: Com o Estado de Sergipe; - Ao leste: Com o Oceano Atlântico; - Ao oeste: Com os Estados de Pernambuco e Bahia.”

- Alunos reclamam por transcreverem o que há no quadro.

Ainda na aula do dia 21 de março de 2011 foram inicialmente corrigidas as questões 1 a e 1 b da página 16 do livro didático, do qual envolveu a categoria Lugar, na perspectiva histórico-dialética. Ao finalizar a correção coletiva, o professor dá continuidade ao assunto envolvendo a Geografia de Alagoas. No quadro é transcrita a síntese produzida pelo professor a partir da leitura de materiais de pesquisa sobre o Estado trabalhando a

Em seguida o professor realiza a representação do mapa de Alagoas (ver figura 1.) no quadro e ajuda os que possuem dificuldade para desenhá-lo. Os recomenda imaginarem desenhando um pássaro com as asas abertas. (Segue)

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Figura 1. Anotações do estagiário e representação transcrita do que está no quadro.

Retorna a escrever no quadro branco: “Pontos extremos: São os pontos mais distantes em relação a região central de um Estado.

Os pontos extremos (ver figura 2.) de Alagoas são: - Ao norte: A curva do rio Jacuípe; - Ao sul: O pontal de Piaçabuçu com a foz do rio São Francisco; - A leste: A ponta da margem direita do rio Persinunga; - A oeste: O encontro do rio moxotó com o rio São Francisco.”

trar que estavam transcrevendo do quadro branco para o caderno. O professor sugeriu a utilização de pintura com lápis de cor que receberam no kit oferecido pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEEE/AL). Também ajudei alguns alunos na produção de desenho do mapa de Alagoas. A aula encerrou -se às 12hs. Avisou sobre os assuntos que serão desenvolvidos ao longo das semanas. Destacou que não segue o livro sequencialmente. Em 28 de março de 2011 chego à Escola Estadual Professora Maria José Loureiro às 08h48 fico esperando o professor na sala dos professores. E segundo o analisado no livro didático acredito que ministrarei aula envolvendo a categoria Paisagem. Esclareço que tenho de desenvolver plano de aula sobre o tema supracitado com duração de 2 horas/aula e posteriormente desenvolver questionário ou atividade, podendo utilizar desde datashow como primeira alternativa e levar imagens de jornais e revistas (que mostrei ao professor no mesmo dia), caso não consiga a reserva do auditório. Às 09h50 inicia a aula, e continuo na prática da observação, antes da aula regencial, na semana seguinte. Os alunos separam o “melhor lugar” abaixo do ventilador do fundo da sala, e ajudam o professor a abrir as janelas, devido ao calor. O professor finaliza o assunto da aula de quarta-feira, sobre o Planeta Terra, respondendo as questões: 1. Qual o nome da galáxia que está o universo? Via Láctea;

2. Qual o oceano que banha nosso país? Oceano Atlântico;

3. Em que continente está localizado o Brasil? América Figura 2. Posicionamento dos pontos extremos de Alagoas. Percebe-se a falha do estagiário ao inserir a linha imaginária entre os pontos oeste e leste.

(América do Sul);

4. Quantos e quais são os oceanos? Cinco, Atlântico, Pacífico, Índico; Glacial Ártico e Glacial Antártico.

5. Quantos e quais são os continentes? Seis, América, Escreve a atividade que consistiu em três questões: “1. Em qual região geoeconômica do Brasil está localizado o Estado de Alagoas?

África, Antártida, Europa e Oceania.

6. Como são chamadas as divisões do continente das Américas? América Central, América do Sul e América do Norte.

2. Com quais Estados Alagoas faz fronteira? 3. Quais são os pontos extremos do Estado de Alagoas?”

Enquanto observações foram apontadas as constantes idas dos alunos ao professor mos-

7. Quais são as regiões geoeconômicas do Brasil? Amazônia, Nordeste e Centro-sul.

(Segue)

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Na última questão o professor chama atenção da turma para não continuar confundindo a divisão regional tradicional brasileira com regiões geoeconômicas brasileiras. Confere os cadernos dos alunos e os carimba e assina. Ao longo da aula, uma das alunas me mostra um cartucho de bala. Outra aluna chama o professor de chato, pois pediu para abrirem na página 20 do livro didático e sugeriu a leitura dele na hora. Enquanto os alunos leem o professor comenta comigo que os livros não trazem muitos elementos da Formação Econômico Social brasileira, é mais generalizado. Em seguida, uma das alunas pergunta, mas não respondo sobre como seria atuar um professor chato como o regente. É recomendada à turma a abertura do livro didático na página 20, no capítulo “A sociedade Constrói o Espaço Geográfico”, assunto que terá explicação e continuidade com o autor/relator deste documento. Em 04 de abril de 2011 chego à escola às 09h08 e me dirijo à sala dos professores. Lá identifico no mural as datas das provas e constava que no dia 13 do corrente mês a prova seria de Geografia de Alagoas, e no dia 18 de Geografia Geral. Ministrei a aula pautandose no tema “A Sociedade Constrói o Espaço Geográfico” (ver em anexo). Em análise de minha atuação percebi que tive um bom entrosamento com os alunos e apesar do barulho foram recíprocos quanto a participação sobre as revoluções Agrícola, Comercial e Industrial e como o Espaço Geográfico foi se transformando ao longo dos anos devido as inovações das técnicas. Ao final da aula, por volta das 12hs pergunto ao professor como ministrei a fim de ser avaliado. E recebi críticas construtivas, principalmente quanto ao domínio da sala devido ao barulho, pois os alunos acreditam que aula ministrada por estagiário é diferente do professor e muitos não entendem a importância do momento. Acreditou ser importante a minha atitude quanto aos exemplos do cotidiano na sala. O professor me comunicou sobre a possibilidade dos estagiários desenvolverem oficina a ser aplicada na semana do meio ambiente envolvendo as duas turmas A e B do 6º ano. Deve-se destacar a não ocorrência das aula nos dias 11, 18 de abril e 02 de maio de 2011 devido a paralisação da categoria Professor público estadual. No entanto, no dia 25 de abril de 2011, mesmo com o fim da paralisação devido ao fato da turma ter sido liberada

após as duas primeiras aulas não pude ministrar a aula, pois os professores estavam em reunião. Em 09 de maio de 2011 finalmente retornei a ministrar a aula e trabalhei a categoria Paisagem (ver anexo) no auditório utilizando datashow enquanto recurso audiovisual. Neste dia enfatizei a transformação da paisagem e iniciei conversação favorecendo a participação dos alunos os perguntando o que seria paisagem. Com a ajuda da professora orientadora de estágio um dos alunos que condicionava o barulho na sala foi separado e a tranquilidade retornou. Apliquei atividade (ver figura 3.) sobre paisagem que permeou na produção de desenhos livres representando paisagens humanizadas ou naturais. Nesta atividade foi perceptível a participação de todos os alunos presentes e infelizmente não pode ter continuidade devido a paralisação da rede estadual de ensino. Como continuidades seriam feitos painéis a serem expostos na semana do meio ambiente. CONCLUSÃO A educação brasileira possui lacunas, mas não é a única no mundo. Estas advêm desde o período colonizador, e ao longo dos anos se prorroga o jogo do “a culpa não é minha, mas do outro governo” que segue como discurso de quem “assume” o compromisso com a Educação. Neste processo educativo de ensino-aprendizagem devemos na prática docente respeitar as fases do desenvolvimento cognitivo de cada indivíduo, o condicionando em um sujeito social mais participativo na sociedade, mesmo na atual contradição capitalista, algo não impossível. O estágio supervisionado desenvolve muito mais que a habilidade de ministrar aulas ou lidar com turmas, é uma experiência única, que pode frustrar ou trazer alegrias, mas são nas dificuldades que devemos aprender que nada é um mar de rosas. O desenvolvimento de atividades de pesquisa no estágio também é essencial, pois extrapola as barreiras do simples ensinar e aprender, é entender o processo educativo mais analiticamente. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Rosângela Doin & PASSINI, Elza Yasuko. O Espaço Geográfico Ensino e Representação: A importância da Leitura de Mapas, o Domínio Espacial no Contexto Escolar e Propostas de Atividades. 15 ed. São Paulo: Contexto, 2008. 90 p.

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013 BIGOTTO, José Francisco [org.]. Geografia Sociedade e Cotidiano – Fundamentos do Espaço Geográfico, 6º ano. 2. ed. São Paulo: Escala Educacional, 2009. 240 p. CARNEIRO, Sônia Maria Marchiorato & NOGUEIRA, Valdir. Educação Geográfica e formação da consciência espacial-Cidadã: Contribuições dos Princípios Geográficos. Maringá: Boletim Geográfico. v. 2627, n. 1, p. 25-37, 20082009.

A PALAVRA DO HOMEM Por Dilercy Adler Quantos significados têm uma mesma palavra?

COSTA, C. M.; BARROS, A. M. A.; CAVALCANTI, M. A. S. Didática Geral: Guia de Estudo. Maceió: Núcleo de Educação a Distância do Curso de Pedagogia, 2003. p. 65-77.

quantas interpretações produz uma mesma palavra? quantas palavras usamos

GOOGLE. Disponível em: <http://images.google.com.br/>. Acesso em: 07 mai. 2011.

para não dizermos nada? e pior

MAMIGONIAN, Armen. Teorias sobre a industrialização brasileira. Cadernos Geográficos. n. 1.Florianópolis: CFH/ DG/UFSC, 1999. MULTIMAPAS. Mapa Mundi: Planisfério Político – Escolar. Esc. 1:32.400.000. São Paulo: Multimapas, 2010. OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. Modo de Produção Capitalista, Agricultura e Reforma Agrária. São Paulo: Labur Edições, 2007, 184 p.

quantas tantas empregamos para não sermos entendidos? A palavra que a princípio serviria para externar necessidades e desejos aproximando os pares

SAMPAIO, Fernando dos Santos. Para Viver Juntos: Geografia, 6º ano: Ensino Fundamental. 1. ed. São Paulo: Edições SM, 2009. p. 118-122.

geralmente produz o exatamente oposto: afasta-os!

SANTOS, Milena Queiroz Gonçalves. Geografia na Sala de Aula (Reflexão sobre a Importância do Material Didático). Disponível em: <http://www.profissionalizando.org/ para-educadores/151-para-reflexao/2887-geografia-nasala-de-aula-reflexao-sobre-a-importancia-do-materialdidatico->. Acesso em: 21 abr. 2010.

A palavra quase sempre emaranha confunde

SECRETARIA DO ESTADO DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Proposta Curricular: um novo formato – Geografia. Disponível em: <http:// www.conexaoprofessor.rj.gov.br/downloads/ GEOGRAFIA.pdf>. Acesso em: 12 mai. 2010.

mascara magoa cria rupturas rachaduras profundas nos outros com os outros e em nós mesmos!

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

ESTRELA VIVA Por Sonia Cintra Viajante que passas pela estrada da vida leva em teu peito a estrela nascida do teu nascimento que sua luz benfazeja ilumine o caminho que teus olhos reflitam sua chama divina

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O ESPÍRITO DO GASTÃO

Como lazer, tinham o Belmonte e o Guimas. No carnaval, a Banda de Ipanema e o Suvaco do Cristo, mais muito Cine Estação, CCBB, Municipal,

Por Jacob Goldemberg

Cecília Meirelles, Canecão, o que mais pintasse no pedaço: uma vida feliz, comum, mas diferenciada,

Que lástima! Uma pena, realmente! Depois de passar por todos os abre-portas que o marke%ng divino exigia para uma santa e nobre jornada terrestre — ba%smo, crisma, primeira comunhão, procissão, dia do padroeiro, seminário pré-matrimonial e casamento no religioso —, não seria pecar muito admi%r que %vesse havido certa ingra%dão por parte do Poderoso Chefão nas alturas; no mínimo, propaganda enganosa, se VV. Eminências me permitem.

isto é, incomum para a maioria dos cariocas co-

Sim, quem poderia imaginar que aquele fiel,

ção básica, numa boa... quando se encontravam bi-

tão fiel, fosse partir tão cedo, assim, sem mais nem

blicamente, no quarto novo, o sangue quente e as

menos, nem mesmo uma bala perdida para justificar

recordações sempre afloravam:

muns, antenada com Big Brother, Luciana Gimenez, Raul Gil e outras pérolas cult da TV aberta. Gastão, como bom macho gaúcho, não perdia a oportunidade de uma bravata, uma autovaloriza-

o evento; e em uma radiante quarta-feira, em seu

— Hoje é dia de cavalgar minhas coxilhas

escritório de investimentos, no seu querido Rio de

ondulantes, até o abrigo em minha querência acon-

Janeiro.

chegante! — Meio cafona, mas ninguém é perfei-

Gastão e Rosinha, naquele ano, completariam

to... Rosinha sorria, cheia de si e se sentindo queri-

vinte e cinco anos de um casamento celebrado na

da, dos chistes do maridão, de seus recuerdos das

Igreja da Matriz, com tudo a que tinham direito,

andanças pelos Pampas onde ele nunca estivera.

programado pelo melhor cerimonial da época: qua-

Saíra de Porto Alegre para o Rio aos oito anos de

torze testemunhas — como então estava na moda,

idade; mas isso é mero detalhe, coisas que o amor

além de aumentar, substancialmente, o número de

desconsidera...

presentes —, música moderninha pela banda dos

Haviam acabado de redecorar a casa para a

amigos roqueiros e oficiado pelo Betão, muito po-

festa — de arromba, segundo ele — que planeja-

pular entre os jovens: cantor de rock, surfista long-

vam oferecer aos amigos pelas bodas de prata: Prata

board e, oficialmente, padre — com certas restri-

da boa, como a do meu facão e da bomba de chi-

ções e olhares desiludidos por parte dos mais velhos

marrão! — e o que mais o agradava era o quarto do

e carolas.

casal, todo branco — teto, paredes, móveis e tapete

Tinham passado por tudo, de bom e de ruim,

—, uma parede espelhada, cortinas de voile, um

que se passa durante tanto tempo juntos. Com um

ambiente repousante, etéreo, mas sem frescura ne-

casal de filhos adolescentes, já filhos da PUC, o ca-

nhuma, coisa de macho, tchê! E a menina dos olhos,

sal tinha o sucesso profissional que lhes afagava o

de cuja descoberta e aquisição muito se orgulhava,

ego: Gastão, no mercado financeiro, sem mãos a

mesmo contra a vontade do fresco do arquiteto: o

medir, melhor dizendo, sem bolsos a medir, para o

enorme

dinheiro que estava ganhando; e Rosinha, bem, aí já

condicionado, de uma marca estranha mas sem emi-

é outra história: era professora, o que não se sabe,

tir um ruído sequer: “Si-len-ci-o-so!, tás ouvindo

por estas plagas, se é sacerdócio ou penitência, mas,

alguma coisa? Um sopro que seja? Esse aí foi o de-

ainda assim, feliz, fazendo um trabalho do qual

gas aqui quem descobriu, trilegal!!

aparelho,

também

branco,

de

ar-

muito se orgulhava. (Segue) www.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

O súbito telefonema comunicando o acontecido, o desespero, a sensação de que o mundo caiu, o enter-

— Ih... tá baixando o espírito do garanhão dos pampas!

ro e o vazio, na casa e no coração, fizeram com que Rosinha não pisasse naquele quarto por uns bons

Ponto, parágrafo. Não se discute mais. Inicia-

noventa dias. Mas a vida tem que continuar, há que

ram os preparativos para a venda, a lista do que ia e

reagir e viver, o que, com muito esforço, a fez vol-

do que ficava. Pelo preço que as coisas estavam,

tar ao sacrossanto ninho do amor — ah!, esse Gas-

pela hora da morte — quem não tem uma tia que

tão!... —, e também decidir-se vender o imóvel:

sempre diz isso?! —, resolveu-se levar tudo: mó-

— Aqui não fico! Nem que a vaca tussa! — Passou a dormir no sofá do escritório, agora trans-

veis, cortinas, tapetes, objetos de adorno e de arte, os ares, tudo.

formado em quarto de campanha.

— É melhor consertar o que está com defeito,

— Tá bom, pode ser surto, neurose, psicose, o

a

máquina

de

secar,

os

aparelhos

de

ar-

que vocês quiserem... mas quando entro lá, quando

condicionado de vocês... e aproveito pra dar uma

passo por aquela cama, de tão saudosa memória...

limpeza no meu. Depois botamos anúncio no jornal

sinto um calafrio que me percorre o corpo todo, das

oferecendo a casa, e começamos a procurar outra,

pernas à cabeça.

combinado? Corretores, pelo amor de Deus, longe!

— Mas, mamãe, isso passa, é efeito retardado

E assim foi feito, dando início à epopeia que, geral-

do garanhão dos pampas, como papai se autodefinia

mente, leva os casais à quase separação. O que não

— disse Gastãozinho.

era o caso, diante do triste acontecido. Nunca se sa-

— Mais uma razão; bem que ele dizia que

berá se por arrependimento divino por não ter des-

ninguém iria pôr a mão na querência dele, mesmo

viado o indicador um pouquinho mais para o lado

depois de morto. Só pode ser o espírito daquele sa-

naquela quarta-feira, ou por força do espírito — de

cana... — emendou Rosinha, entre um sorriso maro-

quem, de quem? sempre ele... —, o fato é que, em

to e um olhar tristonho.

15 dias, Rosinha encontrou comprador; e um imó-

— Tá, mãe, agora virou espírita? Isso passa, é impressão.

vel excelente para comprar: — Milagre, tchê! — exclamou ela, sorrindo

— Impressão ou não, tenho certeza de que

para dentro. — Nem acredito!

ele, esteja onde estiver, deve dar boas gargalhadas

Em sua inabalável decisão, chegou a titubear, só

cada vez que me arrepio toda naquele quarto. Não

não voltando atrás para impor moral ao sorriso de

dá, não dá mesmo, vamos vender a casa, mudar,

Gastão em sua memória; e às risadas dos filhos, na

outra vida, quero mais é sossego! Nada de calafrios!

sala, quando seu Arnaldo, o técnico de ar-

Decisão tomada, não houve modo nem manei-

condicionado, telefonou:

ra de fazer Rosinha mudar de ideia; os filhos sugeri-

— Dona Rosinha, boa tarde, tudo bem ? Sou

ram psicólogo, psicanalista, todos os psicos em vo-

eu, o Arnaldo. Olha, os ares dos meninos tão legal,

ga na praça, ao que Rosinha, prontamente reagiu:

só precisa de limpeza, agora, o seu é que tem um

— Está bem, então não vendo a casa e tudo

pobrema: não desliga, a gente leva o terruptor até o

que iria obter por ela eu entrego ao terapeuta! Nem

desliga mas tem um curto e ele fica ligado, um so-

vem que não tem! Não tô maluca, tô mais é preci-

prinho gelado pra caramba, fininho, e como o apa-

sando de um calaquente de vez em quando

relho é muito silencioso nem dá pra notar que tá ligado. São quatrocentos reais, posso consertar?

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

— Pode, seu Arnaldo, pode sim — disse ela, um sorriso gostoso nos lábios e um menear de cabeça que só o espírito de Gastão entendeu, orgulhoso de seu aparelho. “Sem mais calafrios”, pensou Rosinha, aliviada. *** Sentados numa confortável nuvem, bem mais ao sul do muito alto, Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Osvaldo Aranha e Lupicinio Rodrigues, tirando um dedo de prosa, não entendiam muito bem o momento celestial: — Desencarnastes muito antes do que pretendias, então por que ris, ô Garanhão dos Pampas? O semblante de Gastão resplandecia qual pôr-do-sol no Guaíba, e seu sorriso poderoso como avião da Varig, a daqueles tempos, lembram?

AMO E SOU AMADA. Por Safira Monteiro Stefanes NÃO ÉS O HOMEM QUE SONHEI MAS ÉS O HOMEM POR QUEM VIVO. NÃO ÉS O HOMEM QUE DESEJEI MAS ÉS O HOMEM QUE AMO. E SÓ POR ISSO E POR TUDO ISSO SINTO-ME FELIZ... NA MATURIDADE DA VIDA AMO E SOU AMADA, ENQUANTO TANTOS ESTÃO SOZINHOS. EU TENHO A TI E TU ME TENS. ASSIM VALE A PENA VIVER, VIVER PARA TE AMAR E QUERER, VIVER POR MIM, POR TI.

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

A letra escarlate Por Evelyn Cieszynski nossa caligrafia refinada se esvai len ta mente do papel desgastado pintado de cor carmesim incendiado com a tinta forte que se mistura num mar de luxúria do vermelho forte doçura respirar a loucura da nossa letra no painel bordado de novo queimado borbulhante tapeçaria em sua eterna fantasia agonia de soslaio atender as chamas para salvar nossa doce inquieta e perversa caligrafia

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

Burroughs: O Comissário dos Esgotos Por Sid Summers William Seward Burroughs. Garoto educado tradicionalmente, oriundo de uma família abastada (herdeiro da Burroughs Corporation fundado por seu avô). Estudante da John Burroughs School, onde em 1929 publicou seu primeiro ensaio: “Magnetismo Pessoal”. Na Universidade de Harvard, quando estudava artes, conheceu os amigos que iriam mudar sua vida e o rumo da literatura e da própria história do planeta. Juntos eles formariam a chamada Geração Beat. O que começa na década de 40 como um movimento literário torna-se um fenômeno sociológico de importância e repercussão mundial, uma revolução cultural. Nas palavras de Allen Ginsberg, poeta beat, um movimento de “libertação espiritual, feminina e racial”. Na década de 60, com o advento do hippismo, se converteu no movimento político que trouxe a tona várias inquietações dos jovens e que tornaram possíveis diversas mudanças. Nas palavras do Burroughs, se “protestava a favor do fim da guerra do Vietnam, da legalização da maconha, o fim da censura, reconhecimento dos direitos das minorias e quase todos esses objetivos se alcançaram”. Em suma, a beat aglutinou um grupo de poetas notáveis que anunciaram o novo por via da linguagem. Bem se aplica a frase do diretor italiano Federico Fellini: “A realidade pertence ao visionário”. Burroughs inventou seu estilo de literatura (experimental, escatológico e urbano). Foi o primeiro a ficar famoso por coisas que se ocultam, tais como o uso abusivo de drogas, sua orientação sexual confusa, um poeta sujo e original. Sua mulher, Joan Volmer, foi a primeira ocidental a ser internada num manicômio por abuso de drogas na época em que exagerava na mistura do álcool a benzendrina. Segundo Amir Baraka, poeta beat, se referindo a

Burroughs, sua postura drogada serviu para “denunciar ao mundo que existiam drogados nos EUA e isso foi um avanço social”. Ainda que Walt Whitman (quem considero o maior poeta de língua inglesa de todos os tempos) tenha assumido sua homossexualidade muitíssimo antes, o impacto foi completamente diverso. Como Jean Genet e Pier Paolo Pasolini, ele assumiu quando havia perigo em sua afirmação. Na década de 60, nos EUA, homossexualidade era ainda um tabu, era praticamente proibido falar sobre o mundo gay, que era considerado um meio criminoso, uma doença. Burroughs foi um pioneiro no movimento de libertação gay e trabalhou conjuntamente com o Andy Warhol nos primórdios desse movimento. “Tenho que escrever essa novela gay, sou o único que pode fazê-lo, é o meu dever” – Disse Burroughs sobre seu livro Queer. Introduziu na literatura “cus” e “heroína”. Junkie, um livro de inspiração autobiográfica, trata do vício em opiáceos do seu autor. Entretanto, quem lê sua obra, antes nota-se uma advertência ao não uso da heroína, apesar de ter feito boa parte do que escreveu sob efeito da droga, do que o incentivo e glamorização do uso dela. “Por que sempre uso a paródia? Porque nem na vida nem na escrita encontro sinceridade” – afirmou Burroughs. Em 1962, sua obra mais famosa, Naked Lunch (lançada em 1959), foi julgada e condenada por conter em suas páginas infanticídio e pedofilia, para somente em 1966 ter sua sentença revogada e ter efetivamente reconhecido o seu redentor valor social. Nas palavras de Anne Waldman, fundadora junto a Kerouac e Ginsberg da School of Disembodied Poets, Naked Lunch foi “uma alegoria contra a pena capital, a maneira de A Modest Proposal de Jonathan Swift”. Burroughs rompeu as barreiras das artes e influenciou diversas outras expressões artísticas, quais a musica e o cinema. (Segue)

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

É o que se observa no título do clássico do cinema Blade Runner, no batismo da banda Soft Machine ou mesmo no termo Heavy Metal, que lhe foi atribuído. Por isso, Victor Brockis o considera “o escritor mais genial do mundo na segunda metade do século XX”. Trabalhou conjuntamente com sua poesia junto a diversos músicos ilustres, como Frank Zappa, John Cage, Philip Glass, Tom Waits, entre outros, além de estar entre os que aparecem na capa do antológico Sargent Peppers dos Beatles. Considerado também o padrinho do movimento punk, pois o futuro comportamento da juventude da década de 70 foi profetizado em seus livros, como Naked Lunch ou The Wild Boys. David Cronemberg, que adaptou ao cinema o inadaptável Naked Lunch, Burroughs participando e opinando nas filmagens em 1991, disse: “Creio que os escritos de Burroughs eram bastante revolucionários. Falavam de coisas que não se diziam, especialmente nos EUA de sua época, devido a tradição puritana”. Acho estranho, chocante e um cúmulo de ignorância, que ainda hoje um autor revolucionário e original ainda sofra com a deturpada imagem do beatnick da década de 50. Um adjetivo pejorativo que funde o vocábulo beat ao Sputinik, um estereótipo comercial usado na venda de periódicos que exploravam a imagem do “garoto mal”. Nesse sentido, referente ao desconhecimento da sua obra, Burroughs e a beat precisam ser redescobertos, no mínimo lidos. Burroughs é o exemplo do uso da linguagem para descobrir verdades, verdades novas. Me sirvo de um provérbio blakeano para o trabalho dos jovens destoantes da sua época, que permanecem vivos hodiernamente: “A cisterna contem, a fonte transborda”.

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

você expusesse pedaços, que às vezes inter-

Marina do Poeta

rompiam nossos afagos tão íntimos para se estender em íntimas conversas. Me lembro Por Eliane Ganem

também do seu pequeno apartamento e o nosso cheiro que impregnava as cobertas, as ma-

Na Marina do Poeta, os seus olhos me encontraram, me deitaram sobre a relva fina que brotava aos nossos pés, logo adiante, como se o mar fosse um tapete de grama prateada, onde a lua desfilava intacta e bela. Foi rápido o tempo que ficamos na espera, da inebri-

deixas molhadas do suor dos meus cabelos, dos seus cabelos, dos seus abraços misturados aos meus afetos. Me lembro também dos telefonemas extensos, das vezes em que corri na sua direção como se você fosse um antigo companheiro.

ante vontade de deitar no silêncio das noites

Ah, como a lua ficou impregnada de

descobertas. Sob o ardente encontro dos nos-

vontade, como se dela tivesse sido arrancada

sos sonhos amantes, a lua, minguante, se es-

a nossa parte nesse pequeno espaço que ocu-

tirava em nosso colo, cansada de tantas ma-

pamos. Como se todo o universo fosse marina

drugadas repletas de versos.

repleta de nós. Como se todo o espaço entre o

Fiquei devendo talvez a possibilidade de você me amar demasiado. Fiquei devendo talvez a possibilidade de deitar com você no espaço e dançar sobre o tapete deslizante do mar, equipados com as asas dos anjos que nos amparavam alegres. É um desperdício deixar que as sombras do nosso passado tão iluminado, se perca. É um desperdício até mesmo tentar aprisionar aqui - entre palavras tão pouco fiéis - o nosso caso desfeito.

mar, a areia onde deitamos a nossa história, e o nosso olhar que mirava as estrelas com o conforto plácido dos que erram, ficasse banhado pela luz azulada que a lua ainda lança em minha memória. E é você, clareado de um rompante de amor singelo, de uma enternecida história que jamais acaba, de um adeus que ficou no ar, é você que ficou parado como os acenos das imagens de infância, que ainda permanecem. Me lembro das nossas melhores noites de rimas, do pessoal que vinha nos as-

Pena que tudo seja tão apavorantemen-

sistir, como se o motivo principal fosse usufruir

te fugaz, tão infinitamente pequeno, e que vo-

do amor que rodeava o nosso encontro, e não

cê tenha permanecido como o melhor dos ami-

os versos que deveriam levar tanta gente ali.

gos deste ano inteiro. E que você tenha per-

Era bonito ver quando você me encontrava,

manecido como o melhor dos cativos desse

quando o seu perfume tocava o meu repleto

encontro, do qual conservo o seu cheiro, o

de mulher. Então tudo sumia, o chão, a multi-

meu abandono, o seu medo, o terror em te

dão, o microfone, os risos, as palavras, os de-

perder quando você vinha ao meu encontro, o

sencontros dos que partiam, a balbúrdia dos

seu jeito de homem dengoso, o meu estranho

que chegavam.

desejo de querer te ensinar a viver – como se eu soubesse. Me lembro também da sua ver-

(Segue)

gonha, como se no conforto dos meus braços www.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

Nem mesmo o mar ficava, quieto de-

mendigos que abandonam suas tralhas. Eco-

mais, talvez esperasse por uma deixa, uma

nomizamos na poesia, ávidos de agonia. Tal-

onda que pudesse sobrepujar o nosso silêncio

vez seja esse o meu desmazelo diante do

amoroso, o carinho ousado do nosso olhar um

olhar que te lanço. Talvez seja esse o confron-

no outro, o brilho exagerado que contornava a

to que não ousei desvendar com a tua partida.

todos, como se todos estivessem partilhando

E a lua, velhaca, agora ri em meu rosto, escar-

do imã vibrante que nos aproximava. Somen-

necida. Vem – ela me diz - mais um pouco, e o

te a lua ousava permanecer, destemida e cúm-

teu corpo lamberá os escombros do infortúnio,

plice , e era tanta ousadia, tanto olhar surpre-

enquanto a tua alma rendida e seca verterá

endido, tanta falta de juízo, que até os versos

em direção ao acaso, iludida por antigas pala-

se perdiam diante da real poesia que rolava

vras vazias. E quem sabe, esquecido o des-

das nossas bocas que se beijavam.

prezo contido que lançamos um em direção ao

E seria mais amplo esse nosso encontro, se tivesse a mesma dimensão do intenso transe que passamos juntos diante da lua, debaixo das cobertas do meu quarto. Só que, de repente, e apenas só de repente, algum motivo escuso te afastou de mim. E então, quando

outro, o nosso amor um dia possa resplandecer como os lírios na lama pútrida emergem em direção à lua, novamente atraídos. E quem sabe, os versos que não deram em nada, possam ser aproveitados em outra obra, talvez mais perfeita.

o passado já havia deitado seu manto deses-

Por enquanto, muito longe do adeus,

perado, e a lua tentava não se esvair de todo,

devo me despedir até qualquer outro dia,

nada mais havia na marina que não fosse a

quando eu puder erguer novamente o olhar e

ausência de um possível encontro. E me de-

encontrar ao meu lado a sua mão, o seu jeito

frontei com o seu jeito infiel de viver pela meta-

carinhoso de me beijar o rosto, o sorridente

de o que a vida lhe dava com um transbordar

encontro da nossa natureza que ama além do

de excessos. E também com o meu sôfrego

que deveria, a sua impaciente incompreensão

dilúvio interno, me deixei poupar por inteiro do

de si. Estender o braço, rodopiar como as cri-

teu inconveniente jeito de se afastar de mim.

anças envolvidas no abraço, me alegrar ape-

Os desencontros de uma situação que acaba-

nas com a nossa eterna despedida. E abando-

va, deixando lugar a uma cruel despedida, co-

nar a esperança de te ter novamente em mi-

mo se virar amigo fosse coisa pensada e deci-

nha cama, rejeitando a lua que distraída passa

dida. E ficamos com essa interrupção nos mal-

- como se eu não fosse mais o seu alvo prefe-

tratando, com essa rapidez distorcida, com es-

rido - e mais uma vez esquecer as antigas

sa atitude que mascara a nossa verdadeira

possibilidades, me deter em seus braços e

vontade de viver o que ficou perdido.

chamá-lo de amigo.

Tanto tempo depois, e eu aqui no devaneio do que podia ter sido. Tanto tempo, tanto descaso, tanto ato esquecido, tanta palavra vertida, tanto verso abandonado, como os www.varaldobrasil.com

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

VARAL DOS FILMES E LIVROS

VALQUIRIA IMPERIANO Bom dia Varalgistas! Passamos do meio do ano, o relógio está engolindo o tempo e quase não sobra lugar para relaxar, mas relaxar é preciso e nada melhor que parar e viajar numa historia, seja contada em forma de letras, seja em forma de imagens. Aqui vão umas dicas para matar o tempo que por acaso estiver sobrando ou mesmo para fugir da pressão. Também uma sugestão para dar uma escapadinha fora da Suíça conciliando prazer, viagem e cultura. PENDURANDO LIVRO

samparada e ainda enfraquecida ela se põe a costurar, monta um pequeno atelier com a ajuda da dona da pensão; a guerra explode. Em meio a varias clientes ela faz um belíssimo vestido para Rosalinda, uma inglesa excêntrica amante de um poderoso dignitário espanhol, as duas iniciam uma amizade. Rosalinda ajuda Sira a salvar sua mãe, isolada e abandonada em Madrid. Tempos depois Rosalinda pede a ajuda de Sira, ela precisa de alguém acima de qualquer suspeita que ouça informações sobre os alemães e as transmita aos ingleses. Sira, apesar do receio mas impulsionada pela gratidão aceita a proposta e se vê enrolada num esquema de espionagem. PENDURANDO FILME

Romance L'ESPIONNE DE RANGER Autora : María Duenas L’ESPIONNE DE RANGER é um romance que se passa na Espanha, durante a segunda guerra mundial. A historia gira em torno de uma costureira, que pela força do destino transforma-se em espiã. O enredo é cativante e prende o leitor até o fim do romance. Sira é filha única de uma costureira, aos vinte anos se apaixona por Ramiro. Ramiro decide partir para Tanger e Sira o acompanha, deixando a mãe sozinha em Madrid. Após alguns meses Ramiro foge levando consigo todo o dinheiro e deixando Sira grávida e com a conta do hotel de luxo a pagar. Sira , doente, faz um acordo com o chefe de policia para escapar da prisão. O chefe de policia a instala em Tétouan, afim de vigiá-la enquanto ela se recupera e possa trabalhar para liquidar sua divida do hotel. De-

O HOMEM DO FUTURO é um filme brasileiro que mistura elementos de ficção científica e comédia romântica, com direção de Cláudia Torres. Protagonizado por Wagner Moura e Alinne Moraes. Sinopse: João/Zero (Wagner Moura) é um cientista genial, mas guarda na lembrança uma humilhação publica durante uma festa há 20 anos atrás quando ele perde Helena (Alinne Moraes), uma antiga e eterna paixão. João trabalha em uma experiência e descobre uma maneira de viajar no tempo. Ele decide então retornar a época da festa e desfazer a humilhação para recuperar Helena. Mas ao mudar o rumo da historia o seu futuro também muda e João não fica nada feliz com o seu novo futuro, decide, então, desfazer a historia novamente mas alguns empecilhos aparecem...

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PENDURANDO EVENTOS FEIRA DO LIVRO EM FRANKFURT - do 9 ao 13 de outubro de 2013 Local : Frankfurt – Alemanha Frankfurt é uma cidade localizada na Alemanha a 5 horas de Genebra. Frankfurter Buchmesse) é o maior encontro mundial do setor editorial, sendo realizado desde 1949 em Frankfurt em Main (Alemanha) e atraindo anualmente mais de 7.000 expositores e 280.000 visitantes. O evento é promovido pela Börsenverein des Deutschen Buchhandels (em Português : Associação do Comércio de livro Alemão) A feira do livro de Frankfurt é um grande evento internacional e este ano o Brasil será homenageado. Vários escritores brasileiros estarão lançando livros assim como associações artísticas e academias brasileiras se farão representar mostrando ao mundo que a literatura brasileira é rica, diversa e importante. BUSCANDO DICAS Quem quiser publicar textos e/ou anunciar eventos, lançamentos de livros, filmes, exposições, encontros, shows, propor uma boa leitura é só ir no Facebook : Arte Letras Imperiano. Estou esperando sugestões toda arte é bem-vinda.

PARTICIPE DO VARAL!

Escreva para a revista, escreva no blog! Inscreva-se para o livro Varal Antológico 4! Inscreva você e seu livro para o 28o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra! Com o Varal a literatura é feita para todos, nossa revista circula via internet pelos cinco continentes!

VARAL DO BRASIL LITERÁRIO SEM FRESCURAS!

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A CARREIRA DAS LETRAS Por Fátima Maria de Oliveira Friaça Pereira

Quando falo eu escrevo a carreira das letras me perseguem acho que vou começar uma palavra, um manuscrito até no sorriso vejo gritos para se dizer, quanto tempo posso achar uma formação de um texto onde quero chegar. Faz sentido, sinto um zunido falo comigo a pensar a hora é agora irei iniciar uma nova versão que vem de dentro do meu coração chamo a inspiração a carreira das letras estão juntas ao meu lado,parece que me assistem de pé ou deitada, mas vivem comigo. Ah! Se eu pudesse evitar não consigo são marcas dentro de mim ouço vozes me chamando acorda não dorme a hora é agora vamos dar inicio para nunca terminar é sempre iniciando e nunca terminando mas sempre tem um fim para recomeçar novamente lá vamos nós dando passos largos nas virgulas e no hífen e assim tomamos rumo certo. Convido você entra nessa, é carreira de letras é grande o seu caminhar, a literatura, a ficção na leitura, nas histórias a contar vamos trabalhar, há muitas novelas que param no ar, mas já não tem mais a tv que pouco se vê é ilusão, nada disso tem muito a ver com isso lança a sua melodia de noite e de dia sairá sua canção. Todos tem talentos a música, o livro, a educação, a mensagem passa tudo é só querer num passo de mágica a literatura vai se encontrando batendo de frente alegremente saiu a narração em forma de canção, muito obrigado posso dizer, enxergar e ver tudo de tão perto. Crânio cabeça quantas coisas na letra podem fazer, demais é pouco fica tudo perfeito e a linguagem mexe com sua atenção, levanta vamos copiar você é a carreira das letras que te chamam e tomam certas a linhas que eram tortas para ti ver crescer. Olá! Chegou o seu dia ajunta suas fantasias não demoram monte, conta fala um pouco de você tem que ter talento porque tudo vem de dentro é fruto de uma mente cheia de ideias e pode formar tudo o que puder fazer, digo coisas boas nascem de uma mente saudável então sai tudo de bom. Parando aqui as letras mas não parando a carreira que é contínua e seguem absolutamente quem quer vencer.

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Ah..., não é ele! Por Madal (Maria Dalva Leite) No seu burro chucro meu amado vai se afastando... Ao longe, já não o reconheço mais. Perto, esqueci seu rosto perdi seu olhar. Não me lembro seu nome não reconheço sua voz. Como será ele agora? Ou ele não será mais o que era? E se já era, como vou saber se é ele? Ele não me reconhecerá tenho certeza. Mesmo que eu diga:- Sou eu, lembra? Não lembrará. Dentro e fora tudo mudou. Nada será como antes.

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@RTES N@ VISÃO DE J@COB B. GOLDEMBERG

FOTOS, FATOS E FOCOS

guir: 1 – Imperdível!

Da Arte, visão e audição são os alvos; emoção, prazer e elevação os objetivos. Própria e exclusiva dos que se dizem humanos, a Arte comporta processos a provocarem seus prazeres, ou sofrimentos, ou indiferença, ou que mais que explicar, quem há de? FOTOGRAFIA, no caso: o quanto, além de seus atributos artísticos, nos mobiliza, nos

2 – O que torna este artista extraordinário, além das qualidades técnicas e da estética de sua arte fotográfica, é o dom de “ver” a fotografia antes de fazê-la, antes de clicar o momento, o ato, o fato ou o espaço físico. Ele certamente sabe o resultado antes; nós, só depois.

faz pensar?

Da exposição no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro — parte integrante do lançamento do livro GENESIS, de SEBASTIÃO SALGADO (Editora Taschen) — duas assertivas e questões, muitas, a sewww.varaldobrasil.com

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As questões: o que leva à transformação do ser dessas duas imagens, ao longo do tempo? Como? Por que? Que estranhos desígnios conduzem tal processo para que assim tenha sido? E quando vai parar; e vai? A nossa insaciável curiosidade busca sempre a resposta criativa. Darwin desvenda caminhos. Freud explica. Deus é a resposta — não os deuses mais populares, esses de sucesso de público, nem o mais único dentre os únicos, nem os mais corporativos ou falangistas —, só o Deus de Spinoza resolve. Mais ainda, além da exposição, fixemos um tema específico, simples: Braço. Como, em algumas poucas fotos, nossa sensibilidade é motivada a reagir, a se situar, a se expressar? O quanto e quão diversamente reagimos!? Ou até nem é conosco! Então voltamos a questionar: que estranhos desígnios são capazes de definir transformações e destinos, para o bem e para o mal, nos seres humanos de ambos os lados da objetiva? Mais uma vez Spinoza, que além de filósofo era, por profissão, polidor de lentes, o olho da fotografia (acaso, nenhuma implicação filosófica!)

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me. O primeiro apagara-se quando descobri

JANELAS QUEBRADAS

que de ilusões também se constrói a vida diá-

Por Ivane Laurete Perotti

ria. Os imperiosos fatos que espadanaram minhas certezas cortaram os alicerces nada conDivagações masculinas "pós-jogo" de

cretos das empreitadas de sucesso. Por algu-

futebol

mas horas, eu acreditei que seria possível sentir a vitória dos movimentos em campo. Campo

- a prosa de um homem só -

aberto, bem tratado, em nada lembrava o último jogo desordenado e sem sucesso que fora obrigado a amargar.

As fraldas de minha camisa

Meus olhos ardem. Os mo-

pareciam asas de borboleta louca. Ajustavam-

mentos preciosos que separavam o "eu" atual

se ao encontro do vento que assobiava melo-

do "eu" há poucas horas atrás se manifestava

dias alquebradas. Flâmulas de uma embarca-

em festa para o outro lado da torcida. Legiti-

ção naufragada. Fantasmagóricas, as fraldas

mamente não existem torcidas. Minhas elucu-

dispunham-se a desnudar-me.

brações culminavam em outros conceitos, es-

Eu estava ao sabor do vento, desejando ser levado sem convite. Não existem regras para os convites feitos pela força do desejo. Nem medidas para o prazer em escalar o desconhecido, livre de intenções catalogadas. Prazer de ir, simplesmente ir.

pecialmente nesse caso: torcidas são movimentos psíquicos, mera energia volátil que em nada se assemelha ao desejo de estar onde não se imagina possível. Eram as lembranças vagando pelas cores das camisas suadas. Não funcionara, dessa vez! Outra vez mais, o empuxo exercido sobre time resultara em desi-

Vagas lembranças teimosas

gualdade na liberação do fluído deslocado. A

infiltram-se entre as lufadas do vento. Não as

força vertical dirigida para cima daqueles com-

quero próximas a mim. Distancio-me acredi-

panheiros irmanados, não passara pelo centro

tando deixá-las onde devem ficar. Vagas lem-

de gravidade dos corpos imersos em emoções

branças esgueiram-se por entre as fraldas im-

líquidas. Meus olhos ardiam. As fraldas de mi-

placáveis.

nha camisa terminaram por expor a nudez de Meus olhos ardem. Naufraguei

meu estado de ânimo: melancólico, sentei para

nas sombras da melancolia que me atava ao

absorver melhor a certeza de que meu time

passado havia muito tempo. Ali, naquele espa-

naufragara. Definitivamente, naufragara.

ço abandonado, eu refazia a caminhada de-

A ilusão era uma necessidade primária contida

sastrosa que culminara por deixar-me órfão de

a custo para encaixar-se em um mundo que

mim mesmo. Soberano, eu acreditava em

cobra os resultados imediatos. Ilusões desfo-

equilíbrio diante da vida. Racionalizava as

cadas queimavam-me enquanto ouvia o alari-

ações e os fatos à mercê de qualquer pretexto

do que atravessava a cidade.

funcional. Pragmatismo era meu segundo no-

(Segue)

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

De um lado, os ganhadores, de outro, os que sofriam o açoite dos ventos traiçoeiros. Como voltar para o lugar de sempre se para chegar até ele eu precisava desconstruir-me? Já não bastava a dor que tomava todas as formas circulares desenhadas em meu pensamento? Com

os

pensamentos

nas

mãos, tratei de voltar por aonde viera. Os caminhos da vida podem ser bifurcados, mas o time do coração não joga para perder. Então, até o próximo jogo eu engoliria a necessidade de destacar a minha soberania enquanto futebolista de janela quebrada. Janela quebrada... a coisa toda começava por aí!

Apenas o ser humano é capaz de fazer mal aos animais e aos próprios seres humanos pela pura vontade de fazer o mal. NÃO MALTRATE! NÃO ABANDONE! RESPEITE OS ANIMAIS!

"Hasta la vitória, siempre!" Che Guevara

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Rua de rico Por Raquel Sá O solo cintilante Com sons de toc, toc, De salto de sapatos Em pés esvoaçantes Adorna suas moradas Pintadas à tinta óleo Sobre massa corrida Acariciada por uma espátula. Os faróis dos carros que entram e saem Cantam ópera e baila entre pó e fagulhas E entram em portões enormes Que exibem suas piscinas e seus jardins Com estátuas de mármore. O apito do guarda noturno Irrita os ouvidos dos grã-finos Na madrugada fria e solitária! A lua, lá de cima, vela tudo. Espia a rua de rico Tão bela, mas tão triste. Observando que lá não há Mulheres tagarelando E crianças correndo até ralar seus joelhos... Há apenas gatos gorduchos e peludos E cachorros enormes que latem com os tais bichanos. De fora se vê de vez em quando, Pela luz tênue de um abajur Alguns vultos... E o vento leva um mistério chamado riqueza Que vai, vai, vai... Para onde? A lua tão velha que é e tão experiente Compara a rua de rico com a rua de pobre E diz a si mesma Chorando com suas lágrimas de prata Que não há em todo universo Uma rua perfeita.

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O ENCONTRO COM ‘HUCK’

Por Lu Toledo

Dois mil e doze foi um ano muito difícil realmente. Perdi grandes amigos. Todos de diferentes maneiras, mas de intensidade semelhante me atingiram profundamente e deixaram feridas ainda mal cicatrizadas. Foi um ano de aprendizado a partir de experiências dolorosas, muitas das quais ainda hoje, mais de um ano depois são difíceis de processar ou elaborar. Teimam em doer na memória e no coração. Era inicinho de fevereiro de 2012. Final de férias escolares, as quais nada aproveitei e, em função do cansaço do trabalho desgastante e desestimulante do ano anterior se somou um profundo desgaste emocional que já atingia meu corpo de maneira implacável. Estava aguardando ser chamada para uma consulta médica. Sentia muito a perda do Mestre Jonas, meu amigo e incentivador nos caminhos da música, e de uma amiguinha, uma ‘filhinha’ adotiva, a gatinha Gana. Sangrava essas perdas de maneira metafórica e literal. Sangrava sem parar as feridas abertas no corpo e na alma. Mas por algum motivo que ainda não compreendi não teria trégua naquele ano. E eu que achava que meu tormento havia passado, tomei outro susto. Enquanto aguardava ser chamada, o celular tocou. Era minha amiga Lana. A principio pensei que ela havia chegado de viagem (sempre viajava nas férias) e visto minha ligação em sua caixa postal. Tinha sido meu aniversario dias atrás e, para não passar em brancas nuvens, tentando usar a máxima “a vida continua”, tentei ligar para ela para tomarmos uma cerveja no Pedacinhos do Céu, uma casa de Chorinhos que gosto muito, do amigo e músico Ausier Vinicius. Seriam poucos amigos, minha mãe e alguns familiares. E a Lana era sempre presente. Mas nas primeiras palavras que ela disse ao telefone, notei um pouco de fraqueza em sua voz, logo seguida da triste notícia: Lana

tinha sido submetida a uma cirurgia no cérebro para a retirada de um tumor gravíssimo, segundo me contou. Longe de minha casa, só em uma sala de espera, fragilizada e doente, foi uma das notícias mais terríveis de ser ouvidas, embora ainda não soubesse da real gravidade do problema e tivesse grande esperança da cirurgia ter sido bem sucedida. Combinei que naquele dia mesmo a tarde iria visita-la. Terminada a consulta, com os pedidos de exames na mão, as minhas mãos trêmulas erraram na última folha de cheque que tinha na bolsa. Expliquei para a atendente já conhecida e fui procurar um banco na região para efetuar o pagamento. No caminho do banco, muitos quarteirões depois, absorta em meus pensamentos e temores e sem saber ainda o que sentia em relação a noticia dada por minha amiga, me deparo com um pequeno cãozinho poodle, de um branco sujo e encardido que foi ao meu encontro no meio da rua. Olhava-me com os olhos aterrorizados pelo abandono em que se encontrava, suplicando-me ajuda.

Abaixei-me e procurei em sua coleira alguma identificação que me fizesse localizar seus donos. Não tinha. Perguntei a algumas pessoas das lojas próximas. Ninguém sabia dizer sobre o cãozinho. Aí procurei conversar com ele. Disse que infelizmente estava sem condições de ajuda-lo. Meu carro estava bem longe e ainda tinha que resolver os assuntos referentes à consulta, ao pagamento e à marcação dos exames. Disse a ele que quando voltasse, passaria pela rua e se o visse ali o levaria. (Segue)

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Achava que como era um cãozinho de raça, deviam estar procurando por ele, ou mesmo se não, acharia logo algum adotante. Seria só anunciar no SOS Bichos, como sempre fazia em casos assim e logo conseguiria alguém para nos ajudar. Morando em apartamento, Dnhamos decidido ter apenas os cinco ga%nhos que havíamos resgatado em diferentes situações. E já Dnhamos feito uma concessão e abrigado uma cadelinha, a Pe%t, que por ter nascido com um defeito em uma das patas, %nha sido abandonada ainda filho%nha. E acabamos tendo que ficar com ela, pois a senhora que a adotou sofreu um acidente vascular cerebral e ficou impossibilitada. É uma preocupação constante minha, enquanto psicóloga, de não extrapolar na ânsia por ajudar a esses bichinhos e passar dos limites de cuidadora para ‘acumuladora’ de animais, o que não é nada saudável nem mesmo para os bichinhos.

dava lá fora e assim que me viu novamente se levantou. Sempre em silencio, com olhos assustados e suplicantes chegamos após mais alguns quarteirões onde o carro estava estacionado. Antes, passei em um lava-jato em frente e pedi água em uma vasilhinha que guardava no carro. Ele tomou tudo. Estava sedento. Esvaziou-a duas vezes. Esperou que eu abrisse a porta olhando-me fixamente, como que aguardando que lhe desse algum sinal do que fazer. Não pensei duas vezes. Seria muita crueldade deixa-lo ali completamente abandonado, completamente desamparado e perdido. Abri a porta de traz e o convidei a entrar. Silenciosamente ele entrou, deitou-se nos jornais que coloquei no chão do carro e poucos minutos depois, antes que eu desse a par%da, ele já havia adormecido. Devia estar exausto. Mas confiou e se entregou. Perdeu seus medos e adormeceu. A clínica onde faço as consultas fica a uns quarenta minutos de casa, na região do Barreiro. No caminho fui pensando o que teria que fazer primeiro. Lembrei-me do ‘pet shop’ da Graziela, que nos ajudou dias antes a encontrar uma adotante para um Cocker que encontramos perdido em uma noite chuvosa. Achei que seria também muito fácil encontrar alguém para aquele pequeno poodle. Ele precisava de um bom banho, talvez uma tosa, precisava comer algo. Depois faríamos fotos e o anunciaríamos nos sites de perdidos e achados.

Mas disse também ao cãozinho que se ele conseguisse me acompanhar durante todo o trajeto que ainda faria, eu o ajudaria. E para minha surpresa foi exatamente isso que aquele cãozinho fez: começou a me acompanhar em silencio por todas as ruas que percorri. No banco onde pegaria o talão e o dinheiro ele sentou-se à porta sem nada precisar falar e ficou me aguardando, com olhar fixo em mim, até que eu saísse. Imediatamente se levantou quando saí e silenciosamente voltou a me acompanhar por vários quarteirões até a porta da clínica. Após resolver tudo na clínica, ele me aguarwww.varaldobrasil.com

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No final da tarde quando fui busca-lo, Graziela e seu funcionário vieram me contar o quanto o cãozinho ficou desolado quando deixei-o lá. O quanto ele mal se mexeu. Contaram que ele abaixou a cabeça e ficou imóvel durante todo o tempo que permaneceu no banho e na pet. Não quis comer nada. E mais surpresos ainda ficamos quando ele veio ao meu encontro. Ao ver-me ficou completamente eufórico. Pulava em mim como se já me conhecesse há anos. Como se sempre tivesse sido meu. Subiu ao meu colo tão afoito que me arranhou braços e peito. Chorava e dava ganidos de felicidade e alivio. Eu não sabia o que fazer. Graziela perguntou se eu tinha ‘certeza que esse cãozinho não era meu mesmo’... Pois agia mesmo como se fosse. Chegamos em casa, entrou alegremente e Petit o recebeu latindo e brincando, como se já o tivesse elegido como seu companherinho de travessuras. Tirei algumas fotos e imediatamente postei nos sites e enviei para protetores de animais da região do Barreiro. Fiquei pensando em como chamá-lo. Lembreime imediatamente de um livro que havia ganhado no Natal: “Huck”- Sobre um cãozinho poodle abricó que ficou perdido alguns dias em uma cidade americana. Sua dona e autora do livro conta na sinopse que era a ‘história de um cachorrinho que ensinou lições sobre esperança e finais felizes a uma família e a uma cidade inteira’. Quando o chamei por esse nome, aquele pequeno cãozinho atendeu imediatamente. Achei incrível aquilo. E passei então a chamálo de ‘Huck’.

mente aos meus pés. Se me levantava, imediatamente ele se levantava também e me seguia. O olhar sempre muito atemorizado, ansioso. Como a temer ser novamente abandonado. Como sempre aos fins de semana vamos para a casa de minha família em Betim e levamos a Petit para passear com os dois cães resgatados que mamãe nos ajuda a cuidar. Resolvemos levar o Huck junto. Esses passeios de carro até Betim eram alguns dos poucos momentos em que víamos esse cãozinho mais animado, mais alegre. Ia sempre em pé, apoiando as patas no banco da frente e seu focinho em um dos ombros de quem estava dirigindo ou às vezes de quem estava ao lado, já que sempre revezamos quem dirige na ida e na volta para casa. Sair de casa passou a ser um grande problema para nós. Tanto para trabalhar, como para passear não tínhamos mais sossego. Quando voltávamos, havia xixi pela casa inteira. Isso me incomodava demais. Para piorar, os dias se passavam e ninguém aparecia – nem os donos legítimos, nem algum adotante. Pessoas ligaram alegando terem perdido cãezinhos parecidos, mas as características não batiam para nossa tristeza. E quando encontramos alguém para ficar com ele, quem disse que ele aceitou ficar. Puxou tanto a correia que ninguém conseguia segurá-lo e nada o fazia sair do nosso colo, ou de trás da gente, onde se escondia.

Mas com poucos dias em que estava abrigado conosco, fui percebendo um sério problema em Huck. Primeiro, que seus donos não apareciam. Ninguém o procurava nos anúncios que busquei e postei. Voltamos na região e próximo onde ele foi ao meu encontro e nada, nenhum sinal de pessoas o procurando. Mas o pior era que aquele cãozinho se fixou em mim de uma forma muito estranha. Ele ficava literalmente no meu pé. Ele não relaxava nem para dormir. Onde eu ia, lá estava ele atrás. Se me sentava, ele deitava silenciosawww.varaldobrasil.com

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Pesquisadora que sou, fui tentar entender o problema do Huck. Achei vários sites e blogs de veterinários e cuidadores de animais, alem de algumas pesquisas acadêmicas sobre o que chamavam de “ansiedade de separação”. A dor de ser abandonado foi tão forte no Huck, que ele passou a padecer desse problema emocional. E pensar que são tantos, milhares de cãezinhos que diariamente e por qualquer motivo, a intolerância e a insensibilidade humana impõe o abandono e o sofrimento indescritível a pequenos seres indefesos. E pensar na questão da ‘bioética’ – o sentir-se responsável e solidário não apenas ao seu semelhante humano, mas em relação a qualquer ser vivo que se encontra em situação de vulnerabilidade. O quanto o ser humano é capaz de fazer sofrer, devido à sua dificuldade em se colocar no lugar do outro e sentir compaixão. Huck não conseguia nem dormir tranquilamente. A qualquer movimento nosso ele despertava e imediatamente nos seguia. O olhar sempre ansioso, sempre temeroso. Não conhecia a história de vida desse cãozinho. Não sabia que idade ele poderia ter. Um veterinário disse que uns cinco anos, outro dizia que ele parecia ter uns sete. E sempre nos questionávamos porque um cãozinho tão educado, tão bonzinho havia sido abandonado daquela maneira? À medida que o tempo passou, depois de compreender um pouco mais sobre seu problema, tentando amenizar seu sofrimento quando tínhamos que deixa-lo em casa com a Petit e os gatinhos por mais horas, deixando peças de roupas nossas, televisão ou rádio ligados para parecer que havia gente em casa... Sempre após longas caminhadas para deixa-los em energia um pouco mais calma (como nos ensina o Encantador de Cães no programa do Animal Planet)... o Huck começou a apresentar sinais de melhora... Passou a se tranquilizar mais e já brincava mais com a Petit. Adorava os passeios e ia sempre muito alegre em sua correia, junto com a Petit. Já estava adaptado em nossa casa e eu já havia me resignado a ter dois animais a mais e de outra espécie que havia estabelecido (os cin-

co gatinhos). Se apareceu daquela maneira e se permaneceu conosco era por algum motivo que eu ainda não compreendia, mas sabia que não era por acaso. Mas acompanhada desse sentimento havia uma intuição de que ele não ficaria conosco por muito tempo. O Huck era muito dócil e amoroso, com exceção dos momentos em que o pegávamos ou tentávamos carrega-lo no colo. Ou mesmo quando queríamos fazer carinho passando a mão em suas costas. Nesses momentos Huck rosnava. Ou gritava de dor. Ficava na defensiva, meio bravo. Achávamos que ele devia ter recebido algum golpe nas costas que o traumatizou. E seis meses depois que estava com a gente. Seis meses que havia se encontrado, sendo acolhido e amado e amando-nos incondicionalmente, agradecido que se mostrava sempre, após uma de suas longas e alegres caminhadas, Huck apresentou ter dificuldade em subir os degraus da escada – poucos, da garagem até no primeiro andar. Começou a cambalear e logo depois passou a arrastar-se nas patas traseiras. Imediatamente corremos com ele ao veterinário. O veterinário, após os exames de raio X descobriu que ele tinha um sério problema na coluna. Um desgaste. Disse que esse problema dava com muita frequência em cães mais velhos. Por isso o Huck devia ter pelo menos uns nove a dez anos de idade. Huck gritava de dor quando tocado na área em que o problema foi detectado. Havia um processo inflamatório. O veterinário não se mostrou muito animado com o prognostico. Receitou vários remédios para a dor e anti-inflamatórios. E pediu para torcermos para que ainda não fosse um problema crônico. Infelizmente era. E Huck foi só piorando e ficando mais e mais paralisado nas patas traseiras, a coluna mais e mais arqueada e sua dor não aliviava nem um pouco, mesmo com todos os remédios para dor. (Segue)

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Não conseguia levantar as patas para fazer xixi ou cocô, sentindo muita dor quando íamos limpá-lo. Não havia, depois de vários dias, esperança de melhora. Nosso amigo veterinário nos informou e nos preparou para o pior. Cirurgias somente adiaria o inevitável: teria que ser “colocado para dormir”. Na última noite em que passou conosco não dormimos. Ele gemeu a noite toda de dor. Nada aliviava. Não conseguia se deitar, sempre assentado em cima de suas patas paralisadas, tentando encontrar uma posição. Não conseguíamos toca-lo sem que ele sentisse tamanha dor. Era muito difícil e doloroso vê-lo assim. Pela manhã liguei para o amigo Guilherme. Não fui trabalhar. Passei o dia com ele. Velando por aquele cãozinho. Sentindo a impotência, a incapacidade de aliviar seu sofrimento e sofrendo com ele a cada grito, a cada uivo, a cada gemido.

parada, sem rumo. Na história de vida desconhecida do Huck, tentava reencontrar a minha própria historia. E na tentativa de ajudar à Lana e ao Huck, na busca de algo que aliviasse seus sofrimentos, esqueci um pouco da minha própria dor. E principalmente, no amor incondicional do Huck aprendi um pouco mais sobre o meu próprio amor, sobre a intensidade e a profundidade que ele poderia chegar, independentemente se o ser amado fosse humano ou animal. Um profundo amor pela vida em toda a sua dimensão. Em todas as suas formas e expressões. Entendendo-a como sagrada e lutando por ela com todas as forças que me sobravam ou que me faltavam.

Huck teve que ser “colocado para dormir” em casa mesmo. O Guilherme veio com os aparatos e na parte da tarde sua dor foi aliviada. Antes nos despedimos e pedimos a ele perdão por ter que fazer aquilo. Mas não tínhamos outra saída. E diferente da história do livro, aquela história não teve um final feliz. Fico até hoje pensando que ensinamentos esse pequeno cãozinho veio nos trazer. Especialmente a mim que foi encontrada por ele no meio de uma rua movimentada, em uma região muito movimentada. Em um período dos mais difíceis que já passei em minha vida. Sofrendo com uma perda atrás da outra. Tendo que buscar forças em um período de grande fragilidade para ajudar e confortar quem estava ainda mais fragilizado. Naqueles meses que ele permaneceu com a gente, vi impotentemente minha amiga Lana se definhar até a morte, por causa do tumor no cérebro. Tirei forças de onde não tinha para tentar levar a ela algumas palavras de esperança e conforto. Nos olhinhos do Huck me vi atemorizada e sofrendo com a dor das separações e das perdas que sofri ao longo do ano. Nos olhinhos suplicantes do Huck, me vi perdida e desamwww.varaldobrasil.com

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LUPA CULTURAL Por Rogério Araújo (Rofa) leva o leitor à reflexão de temas relevantes e

O prazer de ler um bom livro

que servem de alerta para sua vida. O interesse é pessoal. Uns amam um Muita gente tem aversão a ler. Talvez porque não aprendeu a decifrar bem as letrinhas e tem dificuldade com a leitura, além da compreensão pelo pouco vocabulário que possui.

determinado gênero e outros o odeiam. E não tem nenhum mal nisso, porque gosto não se discute. O que realmente importa é ler e de verdade, não apenas passar os olhos nas palavras, folhear páginas, sem se dar conta do

Agora, quem gosta de abrir um livro, passar suas páginas uma a uma e ler, envolvendo-se com a história, viajando pela imaginação, reportando-se às personagens, interagindo com elas – eis um prazer inigualável. Existem inúmeros gêneros de texto e para todos os gostos. Uns amam poesia, outros adoram contos, sem contas nos que querem pensar nas crônicas e poucos estudar mais a fundo nos ensaios. E ainda tem o mix de gêneros um dentro do outro que também têm seu valor e admiradores.

poder que está em suas mãos, de voar como águias rumo ao infinito. Quando criança, eu lembro que gostava muito de ver figuras, desenhos, nos livros infantis, mas ler que é bom nada ou muito pouco. Coisa da idade mesmo, mas que pode (e deve) ser um pouco substituído por “imagens” na forma escrita que transcendem as letras e levam à fantasia, ao fazer a mente criar situações, como se estivesse na história. Pegar um livro de ficção, por exemplo, com mais de 500 páginas para ler, sendo o tí-

Hoje em dia tem todo tipo de livro que se imagina. Biografias, quando exemplos de vidas são contados para nosso crescimento, embora muitos sejam pessoais e familiares ao extremo; autoajuda, que como o nome diz, se propõe a dar uma mãozinha na vida das pessoas que vendem milhões de exemplares como se resolvessem os problemas do leitor; ficção ou romance, para quem deseja viajar, so-

tulo em best seller é algo raro, mas incrivelmente saboroso e realizador. Afinal, a vida não pode ser feita apenas de “realidade”, a invencionices ou a irrealidade é necessária. Os mais antigos até dizem que é uma grande bobagem e perda de tempo, mas não é, tanto que faz um bem enorme para arejar a cabeça, esquecendo momentaneamente dos problemas, sendo um lazer bem interessante.

nhar, dar asas à imaginação; debatedor, que www.varaldobrasil.com

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Ler por ler não vale nem a pena. Quando alguém quer bancar o intelectual apenas para dizer que é culto ou gosta de ler, no fundo não cumpre o papel primordial do livro: envolver o leitor e fazê-lo pensar e assimilar o que ali está escrito. Palavras não são meras palavras, mas algo profundo e não raso com a beira de uma praia. Pode ir e vir, com as ondas, mas pode nos derrubar e afundar para repensar a vida. E, em tempos de modernidade, em que

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até o papel é substituído, vez ou outra, por equipamentos como tablet, ipad, smartphones,

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dentre outros, o livro não fica “ameaçado” de acabar como muitos dizem, pelo contrário, tende a ser ampliado e existir em formatos diferentes, mas de grande valia, como os e-books. Bill Gates, dono da Microsoft, que programou alta tecnologia nos computadores que mudou o rumo do mundo, disse, certa vez: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história”. Uma grande verdade, sim. Quer ler uma obra em edição digital ao invés de impressa? Leia. O que não pode é ficar sem ler nada por preguiça e deixar de crescer e usufruir do prazer e ler um bom livro. Um forte abraço do Rofa!

* Escritor, jornalista, autor do livro “Mídia, bênção ou maldição?” (Quár%ca Premium), dentre par%cipações em diversas antologias no Brasil e exterior; vencedor de prêmios literários e culturais; membro de várias academias literárias brasileiras e mundiais. O que achou da coluna “Lupa Cultural” e deste texto? Contato direto: rofa.escritor@gmail.com

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Gesto Por Marilu F Queiroz (poema e aquarela) Gesto que me segue desde a dança de menina. Na música imaginária, nas pontas dos pés flutuantes, como folhas ao vento leve... Esse gesto sou eu... É momento, imaginação, intenção, prazer com que expresso e reflito, a expressão pictórica. Gesto é o meu corpo... Repleto da sensatez inebriante da água, que conduz num só tempo e espaço, cor após cor, nas alvas e insolentes ranhuras do papel!

Aquarela série Doces Caminhos, 2011

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CONVERSANDO COM CLARA MACHADO

O Homem Quando Cristo veio a Terra há mais de dois mil anos atrás, ele viveu um período de sua vida como homem físico e inconsciente e a partir do momento que ele ficou os 40 dias no deserto ele teve o grande contato com a sua verdadeira consciência e missão no nosso planeta que era a de ajudar a nossa humanidade a entender seu verdadeiro papel. Ao estar encarnado fisicamente, ele utilizava as parábolas como um meio de chegar aos homens e ao seu verdadeiro entendimento e de como eles poderiam superar todas as suas dificuldades terrenas acreditando no amor incondicional do Pai Eterno. e o mais incrível nessa história é que ele foi incompreendido, preso, torturado em uma cruz até sua morte física. E hoje temos o seu grande legado os seus ensinamentos e o mais surpreendente é que até hoje o homem continua com as mesmas dificuldades, ganância, poder, ciúmes, inveja, matando seu semelhante, por puro prazer e luxúria e outros matando e dizendo que matam em nome de Deus. Se Deus é puro Amor, como o homem pode usar essa desculpa para matar em seu nome? Não seria mais fácil o homem admitir o quanto ele é ignorante nos seus argumentos e na sua mesquinhez e se deparar com esta realidade que esta dentro dele mesmo, e ter uma atitude de coragem. e dizer para ele mesmo: " Sou eu que faço as maldades e sou responsável por elas eu também tenho dentro de mim a pureza e a santidade que posso deixar aflorar e transformar a partir deste exato momento, tudo o que fiz de ruim para mim e para os meus semelhantes até o dia de hoje e começar com um firme propósito de transformação e mudar radicalmente a minha vida e me transformar em um homem bom. capaz de mudar toda a minha inconsciência em

uma consciência plena de amor, por mim e por meus semelhantes e encontrar aquilo que Cristo veio nos ensinar que é encontrar o Reino dos Céus". pois o Reino dos Céus esta na nossa consciência, muito mais perto de você do que você imagina, acredite nisso, acredite em você, na sua capacidade de evolução e de purificação e tem mais, só tem um caminho para você chegar neste lugar é através de você mesmo. Você que esta lendo esse texto agora, comece a pensar que ele foi escrito para você neste momento e faça uma reflexão de tudo o que está ruim na sua vida, hoje e acredite que tudo isso esta assim porque você esta permitindo que sua vida seja dessa forma, mais agora você tem a chave da mudança e da transformação, acabou de receber, e faça bom uso dela. E para terminar minha fala deixo uma parábola de Jesus para você. "Jesus falou: O Semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os passarinhos foram e as semearam. Outras sementes caíram em terrenos pedregosos, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Porém, o sol saiu, queimou as plantas e elas secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e responderam cem, sessenta e trinta frutos por um. Quem tem ouvidos, ouça!" Mateus: 13: 3. Boa leitura. Clara Machado www.claramachado.com.br

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Homem é homem e... ponto final?!

Por Rogério Araújo (Rofa) O homem foi criado por Deus que o fez “muito bom” (Gênesis 1.31). Mas, quanta coisa boa e ruim ao mesmo tempo ele faz neste mundo? É impressionante e um desastre!!! Depois de certo período, “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea”. E, assim, seguiu sua vida conquistando as mulheres que para ele são fundamentais, pois não vive sem elas, mas nem sempre de forma romântica e sensível. Uns dizem que, na verdade, o homem foi o “rascunho”, veio primeiro como protótipo, teste, e, depois a criação “definitiva e original”, que seria a mulher. As feministas gostam dessa história, ainda que em clima engraçado, pode ter fundo de verdade... que sabe?! Só perguntando diretamente para Deus. Alguém se habilita? O homem se diz um ser racional, mas, muitas vezes age mais de forma egoísta e com atitudes machistas, irracionais, para com a mulher, do que qualquer animal. Não a ouve, não a trata como deveria e ainda reclama que está sempre correto. Alguns reclamam que a mulher é a culpada de tudo, repetindo o que Adão fez com Deus, ao ser indagado sobre o porquê de ter comigo o fruto proibido: “A mulher que me deste deu-me da árvore e eu comi”. Será uma prática comum desde essa época? Tudo culpa a pobre coitado... será o benedito?! Outros se dizem tão homens que tratar com um pouco de delicadeza parece que significa tornar-se menos homem por isso ou em linguagem popular, bem machista e preconceituosa: “Isso é coisa de bicha!”. E a mulher gosta de homens educados, bem vestidos, românticos e delicados sim. Apesar que têm periguetes por aí que pegam todos e não ligar para bons partidos, mas para qualquer um, mostrando seu poder de sedução e aquelas que tem “dedo podre” e escolhem sempre os piores. Existe o homem vaidoso na medida certa e que se cuida mesmo, não é desleixado e aquele em excesso, o metrossexual, que é uma frescura, faz de tudo pelo seu corpo e ao extremo. E, afinal de contas, o que deseja o homem? Apenas sexo ou algo físico? Não se apaixona ou quer compromisso sério, não? É

tão egoísta assim? Quer “pegar” todas sem pegar uma só de jeito, até mesmo chegando à chamada hoje em dia de “loucura total” que é o casamento? De nada adianta ser inflexível, imutável, só para dizer que é homem e ponto final. Homem é aquele que é homem para mudar, aperfeiçoar, a mulher melhor tratar e, acima de tudo, amar. E de verdade e de corpo, alma e coração. Um bater mais forte, pois o que há dentro do peito é um coração de carne e não de pedra como muitos acham. Homem que é homem nunca será ponto final em si mesmo desde criancinha, mas reticências para continuar a preencher a sua vida com o que há de melhor a vida; exclamação para dar emoção à vida; vírgula para respirar e dar oportunidade de ouvir; e interrogação quando tem dúvida e pergunta para entender o que se passa. Homem é homem, mas, sem mulher ao seu lado, não passa de um solitário, bobalhão, crianção, com corpo sarado e cérebro atrofiado. Homem e mulher juntos podem somar o que um tem e o outro não; diminuir os defeitos de ambos; dividir sua vida; e multiplicar momentos marcantes a dois pela vida afora, na maior felicidade do mundo!

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Um anjo e um homem Por Jacqueline Aisenman

Havia um anjo que, cansado do céu, pedira licença para partir. Queria conhecer outros lugares, o sabor das frutas (quem sabe das carnes), cruzar horizontes, afundar nas linhas debaixo daquele infinito do qual ele conhecia apenas a parte superior. De tanto atender às preces humanas, de ser chamado anjo da guarda, amigo, companheiro, santo... De tanta responsabilidade ele agora queria somente o alívio de nada mais poder conceder e por ninguém interceder. Pretendia alcançar a graça da humanidade, um benefício que os seres viajantes do planeta transformavam em uma cruzada desgraçada e muitas vezes sem sentido. O anjo já tinha feito todos os planos e estava pronto para partir. Suas asas repousavam ao seu lado, junto a outros pertences que não levaria consigo. Poucas despedidas depois, estava à caminho de sua nova vida. Não percebia, mas seu corpo seguia já com outra densidade e parte dele havia ficado para trás. Um dia notaria que suas asas tinham vindo junto com ele, apenas agora se chamavam alma e estavam dentro do corpo, invisíveis, presas, limitadas. E sentiria quando adormecesse que o que chamaria sonhos seriam os momentos em que suas asas se abririam e ganhariam os céus. Como nos tempos em que, anjo livre, circulava pelo universo vibrando ao chamado dos homens.

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Abandono Crônico Por Rossandro Laurindo

Estou ausente dos lábios alheios O nome que possuo não é pronunciado Às traças dos cantos estou entulhado Amnésias de mim todos têm Desdém da essência de mim Gruta oca em meio ao jardim Rastros de respirar sôfrego Olhares vagos, perdidos Vazio até mesmo do fôlego Caído todo semblante Antes fora amante De seres errantes Pastam ao redor da alma pútrida Habitante das estantes esquecidas Moídas esperanças partidas As lágrimas, filhas recém-nascidas Repousam as feridas na face felina Sublima o desprezo em cicatrizes Carícias são lendas à empedernida alma Ausente de sentir em seu núcleo Plúmbeo o conteúdo dos sentidos em lama A cama enlaça os vacilantes membros Cortantes tormentos insípidos Sentir a vida pulsante? Não me lembro Transpassam-me os olhares e corpos Copos solitários a brindarem-se Ácaros vizinhos aos rostos Espelhos irrefletidos têm companhia Reflexos egoístas aos que retêm Refém de si mesmos em suas manias Consumismo de si mesmos Excluindo o que é valor Ser humano é abandono em flor

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Por Sheila Ferreira Kuno

Pérolas do Gerente de Informática Para que uma organização atinja seus objetivos é imprescindível que o gerente (“chefe”) seja um líder. Por definição, líder é a pessoa que domina a arte de comandar pessoas, atrair seguidores e influenciar de forma positiva mentalidades e comportamentos. Um bom líder mostra o caminho para o sucesso, com disciplina, compromisso, paciência, respeito e humildade. Agora imagine ter como chefe um profissional, que nos momentos mais difíceis de um projeto, solta as seguintes frases para sua equipe:

“Amanhã até as 9 horas tudo tem que estar pronto, então eu vou deixá-los implantando o sistema, pois hoje é dia do encontro do Clube do Cinema.” “Boa implantação para todos! Se precisarem de mim, não adianta ligar, pois vou ao cinema.” “Boa implantação para todos! Se precisarem de mim, não adianta ligar, pois vou mergulhar, estarei em alto mar, incomunicável.” “Para finalizar o projeto, será necessário que vocês trabalhem no feriado. Eu até viria, mas como não entendo nada do projeto (“que eu gerencio”), então não virei.”

“Isso não me preocupa.” “O trabalho que você está fazendo não é prioridade, mas não tenho tempo para lhe passar o que precisa ser feito.”

“O problema deste projeto, é que não temos mapeado o que é preciso fazer.” “VOCÊS têm 20 dias para terminar o sistema, não importa como.”

“Bom, vou acompanhar a implantação até as 5 horas, pois tenho que dar carona para a minha baixinha.” E quando o projeto atinge o fracasso, ele diz: “Vou deixá-los trabalhando na implantação do sistema, pois tenho que ir ao cinema todas as segundas-feiras.” “Não importa o que aconteça na reunião, às 4 horas irei embora, pois hoje tem festinha do dia das mães na escolinha do meu filho e eu preciso acompanhar minha esposa.”

“A que ponto chegamos!” E como diz a música “Essa É Pra Você” de Clarice Falcão: “... E se você me perguntar se é pra você. Eu vou negar e vou dizer que nada a ver”

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

Manoel de Barros Por Walnélia Corrêa Pederneiras Querido Manoel de Barros, quando te escuto, canto Quando te leio, rezo... Saber que existes, é voar... O azul que me cobre, chama-se Manoel. A brisa que me toca traz alegria e vitalidade Descobri, lendo teus livros, que as paredes falam porque silêncio é beleza. Que os pássaros me dizem coisas belas em seus gorjeios... Que a cigarra trabalha e a formiga canta. Que as abelhas fazem mel e desenhos sonorizados no ar... Que os ouriços escutam o canto da natureza E a delicada e bela ave pousa no galho seco para descansar feliz. E assim, vou descobrindo você em todas as coisas indefinidas, porque são livres e delicadas.

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

O Reencontro Por Eliana Maria

De um lado da Terra, ouvia-se o Canto dos homens. Do outro lado da Terra, ouvia-se o Canto das mulheres. Separados estavam, os homens das mulheres, pelo profundo abismo criado . . . . . . entre eles e por eles . . . Ambos os Cantos eram levados aos seus distantes destinos pelo Vento. O Vento, no papel de mensageiro da Redenção, Espalhava por todos os cantos da Terra o profundo e angustiante Lamento . . . das almas e das essências . . . . . . . das mulheres . . . e dos homens . . . Lamentavam, eles e elas, todas as atrocidades por eles cometidas : os homens contra as mulheres as mulheres contra os homens Lamentavam haverem ignorado a intrínseca beleza do outro. Lamentavam o não reconhecimento do real valor do outro. Lamentavam a profanação de seus poderes e dons para o exercício do domínio destruidor e da manipulação castradora sobre o outro. Lamentavam o medo e a insegurança que haviam malevolamente semeado . . . . . . as mulheres nos homens . . . gerando assim, homens que temiam mulheres . . . . . . os homens nas mulheres . . . gerando assim, mulheres que temiam homens . . . Cobertos pela vergonha, Lamentavam o profundo desrespeito a si próprios e Cada qual lamentava o degradante desrespeito ao sexo oposto. Lamentavam do íntimo das suas almas não haverem compreendido a profunda Sabedoria e o Mistério manifestado em suas diferenças. . . Diferenças estas que haviam sido propositalmente criadas pelo infinito Amor -Sabedoria do Pai e da Mãe Divina. . . Diferenças criadas somar, multiplicar e complementar . . . e não para subtrair, dividir e anular ! O Lamento e a Nostalgia do Verdadeiro Amor perdido no Tempo cortava simultaneamente os corações em ambos os lados.

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

VARAL DO BRASIL POR TODOS OS LUGARES, PARCERIAS VENCEDORAS!

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

Revista Varal do Brasil

CONSULADO-GERAL DO BRASIL EM

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Varal do Brasil - Setembro/Outubro de 2013

VARAL DO BRASIL NO. 25 VOLTAREMOS EM NOVEMBRO COM A EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO!

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Revista Varal do Brasil - ed 25 - Set/out de 2013 - Especial Homem  

A Revista Varal do Brasil é um projeto editorial criado em Genebra no ano de 2009 pela escritora Jacqueline Aisenman, com a missão de levar...

Revista Varal do Brasil - ed 25 - Set/out de 2013 - Especial Homem  

A Revista Varal do Brasil é um projeto editorial criado em Genebra no ano de 2009 pela escritora Jacqueline Aisenman, com a missão de levar...

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