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COLETÂNEA DE CRÓNICAS DO 9ºB (outubro de 2013)


A Cantina Escolar Na cantina escolar da minha escola há sempre uma fila enorme e a comida não é muito boa. Até ponho em causa se a comida será saudável, pois conheço alguns colegas meus que já foram para o hospital mal dispostos. Não se justifica a fila, porque a escola tem muitos alunos que preferem comer em casa ou no bar. Na minha opinião, podiam melhorar e variar a comida, porque é sempre carne ou peixe. Em relação à fila, deviam arranjar um sistema que permitisse melhor organização, ou então arranjar duas auxiliares para controlar melhor a entrada e saída. Tenho um colega que quase nunca compra senha para ir almoçar à cantina. Quando o encontro sentado à mesa, pergunto-lhe: - Como é que tu entras na cantina? - Entro na boa, a auxiliar está tão ocupada com os outros que nem me vê. Isto e só um exemplo do que sucede diariamente. Esta situação é de uma grande injustiça, porque a minha mãe paga-me a senha todos os meses e o dinheiro não cai do céu. Para me pagar a senha para almoçar, ela tem de trabalhar. Por outro lado, não é uma pitada de sal na comida que nos vai fazer mal nem apresentar batatas fritas de duas em duas semanas. O preço que


se paga por dia para ir almoçar à cantina é muito elevado para a qualidade da comida. Mas as coisas têm de ser vistas pelo lado positivo, é pensar que há quem não tenha nada para comer. Vítor Mendes

Hospitais Psiquiátricos Um assunto que me deixa realmente curiosa são os hospitais psiquiátricos, também chamados manicómios. Para perceber mais sobre a vida nestes locais, fui até um hospital desses com um senhor meu vizinho que tem uma dislexia na fala causada por um trauma de infância: ter visto a mãe ser morta pelo irmão. Como ele ia a uma consulta, aproveitei a ocasião e ofereci-lhe boleia. O Sr. José aceitou. Aliás, devo confessar que é um senhor muito simpático que, quando não toma a medicação, fica completamente alterado e começa a gritar “Ai! Ai! Ajudem, a minha mãe! A minha mãe!”. Pobre homem! No Hospital vi muitos homens e mulheres com cicatrizes, fechados em quartos isolados, a tomarem centenas de comprimidos, sem amigos, sem amor nem carinho. Em vez de ouvirem as suas histórias (tal como o senhor José muitos há muitos outros com histórias parecidas ou piores), as pessoas preferem gozá-los, ignorá-los, sem compreenderem a razão por que ficaram assim Na minha opinião, acho que a sociedade devia dar mais atenção a estas pessoas e parar de lhes chamar “deficientes”, ”lixo da sociedade” ou, então, “malucos”. Daniela

Dia In(útil)


O despertador toca e os meus olhos abrem repentinamente. Primeiro pensamento: mais um dia de escola. Deixo-me ficar mais alguns minutos na cama que são preciosos para o meu sono. Passo pela minha irmã que me diz um “Olá” animado. A minha mãe, sempre na mesma correria, nem repara na minha disposição matinal. Passo por todos os cantos da casa, procurando o que preciso para me arranjar. Quarto, casa de banho, escritório, tudo se repete infinitas vezes, até ficar cansada ainda antes de sair de casa. Reparo no relógio. Como é habitual, estou atrasada. Pego na mão da minha irmã e desço no elevador até ao rés-do-chão, ao encontro da minha vizinha. Na opinião das três, os dias de chuva são complicados, pois ficamos totalmente molhadas. Nos dias de sol, ainda não há calor às horas da manhã a que vamos para a escola, o ideal para a caminhada. Avisto o meu grupo nas habituais mesas ao pé do Bloco D, cumprimento os meus colgas um por um, fatigando-me mais. Por fim, sento-me numa cadeira, mas o meu descanso logo acaba. A campainha toca e lá vou eu a arrastar-me até à sala. Os intervalos são divertidos, mesmo sendo pequenos. E por fim, a última aula! Todos a olhar impacientes para os relógios, contando os segundos para poder sair deste edifício cinzento. Vou devagar até casa, conversando sobre o dia com a minha vizinha. Rimo-nos bastante e, por fim, chegamos ao nosso prédio. Cada uma segue o seu caminho, mas eu ainda não vou descansar. Destino: escritório. Retiro os livros da mala e começo a fazer os trabalhos de casa, praticamente obrigada. Ouço a minha mãe chegar, trazendo a minha irmã consigo, que se fecha automaticamente no quarto a brincar. Desço as escadas, deito-me no sofá da sala e logo começa a série que vejo com a minha irmã. Falamos o tempo todo sobre as personagens, rimo-nos uma da outra e lá vamos até à cozinha jantar. Habitualmente, levamos o tabuleiro com o prato até à sala e acabamos por comer lá. E não fazemos muito mais. Arrumamos a loiça e cada uma vai para o seu quarto preparar-se para dormir. Deito-me na cama, aconchego-me


nos lençóis e fixo o olhar para o teto pensando: “Dia inútil! De que vale sair da cama se, ao fim do dia, me deito nela novamente?” Leonor Coelho

Dias (in)certos Acordo e fico a mirar uma parede durante minutos que passam a voar. A minha mãe chama-me como se eu estivesse muito atrasada e manda-me fazer algumas tarefas matinais que não são do meu agrado. E é assim que o meu dia começa, uma rotina inquebrável que faz os dias parecerem todos iguais. Vou para a paragem dos autocarros, digo bom dia ao condutor e sento-me num banco do lado da janela, nem muito à frente nem muito atrás. Tenho os olhos abertos, mas ainda não estou acordada. Meto os auriculares nos ouvidos, enquanto me mentalizo que hoje é apenas mais um dia, algo que passará num abrir e fechar de olhos e me lamento que nunca durmo as horas suficientes. Entro na escola, cumprimento os amigos que, sem saberem, me vão deixando bem-disposta. De repente, dou por mim já no meio-dia e penso em como pequenas situações podem mudar o nosso humor, tanto para pior como para melhor. E, nessas situações, todos nos apercebemos que a vida é uma rotina, um ciclo vicioso que parece nunca mais acabar. Num momento, todos nós tanto podemos estar bem como podemos estar mal. Lígia Gomes

O bar da Escola


O bar da escola é uma desorganização. As funcionárias nunca sabem quem devem atender e, depois, atendem pessoas que estão lá há menos tempo, sabendo que chegaram há mais tempo. Quando isto acontece uma vez tudo bem, pode ter sido um engano. Agora, quando acontece três vezes ao dia, já é “gozar” com a cara das pessoas. O pior é quando acontece todos os dias, sete dias por semana, trinta a trinta e um dias pior mês. Depois, ainda dizem que recebem pouco, mas não fazem nada para melhorarem. Sugiro que troquem as funcionárias do bar, as coloquem noutro lugar e voltem a ter as funcionárias antigas, pois nos anos anteriores não acontecia nada disto. David Reis

O meu dia a dia

O despertador toca às seis e quarenta e cinco, quinze minutos antes para poder dormir mais um bocadito. Enfim, tenho de acordar para ir para a escola. Levanto-me e vou-me pentear ainda sonolenta. Lavo a cara com água bem fria, para acordar, e tomo o pequeno-almoço. Visto-me, lavo os dentes e depois vou para a paragem do autocarro. O autocarro chega, sento-me ao pé da minha colega Jéssica e ficamos a conversar.


Chego à escola, toca a campainha e lá vou eu para a sala. Nos intervalos, vou ter com umas colegas para conversar. Resumidamente, é assim que passo o meu deia na escola. Apanho o autocarro para regressar a casa, meia hora até chegar. Chego a casa e vou lanchar e, de seguida, fazer os trabalhos de casa e dar uma revisão à matéria que dei nas aulas. Depois, vou para o ginásio que há na minha terra com a Jéssica. Estamos lá mais ou menos uma hora. Tomamos banho e voltamos a casa. Janto com a família e contamos as novidades que aconteceram durante o dia. Vou ver televisão e, finalmente, vou dormir após um dia bastante cansativo. É assim que passo o meu dia em tempo de escola! Andreia Rodrigues

Os perigos do Euromilhões Há muito tempo que foi criado o Euromilhões, um jogo de sorte em que as probabilidades de ganhar são muito reduzidas, embora seja muito atrativo, pois tem um prémio astronómico, sendo o mais pequeno de 15 milhões de euros. Quase todos nós sonhamos ganhar o Euromilhões, pois esse prémio milionário mudaria a vida de qualquer um.


No entanto, o Euromilhões também tem coisas más, ou menos boas. Muita gente, com todo aquele dinheiro, perde a noção da realidade e “estraga-o” muito rapidamente. Alguns consideram o valor do prémio excessivo e pensam que é injusto alguém ganhar 50 milhões de euros, enquanto existem outros milhões de pessoas, sem casa, a passar fome, como disse Tupac Amaru Shakur, para muitos considerados o rei do HipHop. Um caso real, de algo que correu mal devido ao Euromilhões, é a desavença do casal de namorados de Barcelos que venceu o prémio de 15 milhões. O jovem casal separou-se, devido à fome de dinheiro. Uma coisa é certa, apesar do dinheiro não ser sinónimo de felicidade, o Euromilhões pode mudar a vida de qualquer um!

Samuel

Prostituição A Prostituição, considerada a profissão mais antiga do mundo, é um dos piores problemas da nossa sociedade. Para a sociedade em geral, a prostituição é um horror, mulheres\homens a sujeitarem-se a maus tratos ou até à morte. As pessoas que se sujeitam a esses “trabalhos”, muitas vítimas de tráfico humano, normalmente precisam de dinheiro para sobreviver. Outras para, pura e simplesmente, ganhar dinheiro fácil para manter o seu elevado estatuto de vida sem grandes dificuldades.


A sociedade vê a prostituição como uma prática ilegal, pois as pessoas que se prostituem estão a vender o corpo por dinheiro. Muitas das atuais prostitutas são “escravas”, obrigadas a fazerem este tipo de trabalhos por traficantes, pessoas que vêm do estrangeiro coagidas pela falta de dinheiro, em busca de uma vida melhor. Hugo

Somos todos iguais Sinto uma grande indignação relativamente a algumas situações que se verificam na escola. O controlo à entrada da escola é uma dessas situações, porque a funcionária pergunta quem tem tarde livre e deixa passar alguns alunos e não deixa passar outros. Na minha opinião, se deixa passar alguns alunos também deveria deixar passar os outros, pois somos todos iguais. O outro caso é o que se regista na cantina. No ano passado, apareciam na fila alguns alunos que diziam “Nós vamos ter Educação Física. Por isso, temos de ir almoçar”, que passavam à frente de todos. Eu não concordo, pois há pessoas que estão na fila meia hora à espera para comer! No bar acontece a mesma situação, pois todos se atravessam à frente. Conclusão: Nós somos todos iguais e temos de nos respeitar uns aos outros. Os alunos, mas também os docentes da escola, pois são adultos e devem dar o exemplo aos mais jovens.


Na minha opinião, existem muitos professores um pouco agressivos que deviam de tentar mudar este seu comportamento. Também existem muitos alunos que deveriam de mudar. Ana Teresa

A escola Quando entrei para o 5º ano, vinha todos os dias de autocarro com umas amigas minhas que são da minha terra e que também frequentam esta escola. Este ano, ando no 9º ano e continuo na escola de Montemor-oVelho. A minha turma está maior do que em anos anteriores. Agora somos 20 alunos. A comida na cantina não é assim tão boa, porque alguma vem crua e não sabe assim tão bem. Por exemplo, o peixe praticamente não leva sal, o arroz nem sempre está bem cozido (mas já está a melhorar…), e a carne continua boa e não vem crua. Este ano fizeram cartões para nós pagarmos a comida do bar e as senhas de almoço. Os cartões, às vezes, podem avariar e perdem-se facilmente.

Rotina Aborrecida Acordo, desço as escadas e tomo o pequeno-almoço. Arranjo-me, dou os bons-dias à minha família e saio. Saio para mais um dia de aulas. Ainda sonolento, apanho o autocarro.


Quando chego à escola, oiço o barulho das pessoas, que me faz despertar. Entro para as aulas e vejo os meus colegas cansados, mas com muita energia para falar. Quando chega o intervalo, ou vou comer ou vou para o pátio conversar com os meus colegas. Volto à sala de aula e vejo o Pimparel a rir-se que nem um maluco, olho para trás e converso com o Moio, o meu companheiro de conversa. Por vezes, olho para a esquerda e vejo a Andreia muito calada e atenta. Olho em meu redor e vejo colegas a conversar, uns ao telemóvel e outros com atenção ao que a professora diz, como eu. Terminam as aulas, despeço-me dos meus colegas e apanho o autocarro. Sempre a mesma rotina, sempre as mesmas pessoas, sempre os mesmos cachopos a fazer um barulho e sempre a mesma trajetória! Sinto-me cansado. Quero uma nova aventura! Bernardo

O ambiente na escola De todas as escolas por onde passei, nenhuma esteve à minha altura, nenhuma a meu gosto. Desde que conheço a escola, desde que a frequento e pelas opiniões que recolhi até ao dia de hoje, percebo que nunca vou encontrar uma escola a meu gosto dado que numa escola devemos ser como uma família, todos unidos e os professores não deviam revelar uma tão grande superioridade para com os alunos. O ambiente, nos intervalos, podia ser


muito melhor se a relação entre alunos e funcionários fosse de amizade e os alunos se dessem bem uns com os outros e não estivessem divididos em grupos. Tenho como referência um professor de Matemática que me dizia «Ó David, se eu com função que tenho reagisse pelo que sou, não seria ninguém, não seria feliz!» Lembro-me muitas vezes das palavras do professor Jorge que conseguia manter a ordem e a alegria dentro de uma sala de aula. Podia até parecer que estávamos a falar de como viver a vida da melhor forma, mas ele conseguia dar-nos uma razão para aprendermos a Matemática. Um outro exemplo, foi quando a minha professora de História começava a dar exemplos reais para percebermos a importância dos factos ocorridos. Foi a primeira vez que uma professora doutorada me chamou e disse «Obrigada, não te queria dar razão, mas fizeste-me perceber o como é bom sentir que os alunos aprenderam, em vez de comentarem «Não percebi nada desta aula, que seca!» Podemos concluir, pois, que não é preciso ser-se muito rígido nem esforçar-nos demasiado para sermos felizes! David Ferreira

Não à escravatura! Vejo o telejornal e as notícias que se veem e ouvem falam da escravatura de crianças e de adultos. Acho muito cruel fazerem das pessoas escravas, pois temos todos os mesmos direitos. Não é justo que


alguns sejam escravos, enquanto outros descansam e vivem do trabalho do seu semelhante. Gostava que todo o mundo pensasse como eu. As pessoas que, neste momento, estão a trabalhar e a esforçarem-se para sobreviver e sustentar quem os rodeia estão a sofrer. Cada dia que passa, estas pessoas querem libertar-se da escravatura e, por incrível que pareça, não conseguem. Queria que nos uníssemos contra esta maldade. Ainda ninguém pensou nisso? Não, acho que ainda ninguém pensou nisso, pois nenhum de nós está a sofrer como estas populações. Se as pessoas sofressem, decerto quereriam que as ajudassem a livrar-se daquela crueldade. Penso que algumas pessoas não têm coração ao fazerem de outras pessoas, da mesma cor ou de cor diferente, seus escravos. Somos todos iguais, Podemos ser de cor diferente ou da mesma cor, podemos ser Chineses, Angolanos, Moçambicanos não interessa de onde vimos ou de que cor somos, temos todos os mesmos direitos: temos o direito de viver em liberdade, de sermos feliz, de trabalharmos e ganharmos o nosso dinheiro sem ser através do trabalho escravo. Pensem no sofrimento destas pessoas todos os dias!

Jéssica Soares


A vida estudantil Acorda de manhãzinha cedo, vestese, toma o pequeno-almoço e, de seguida, vai a correr apanhar o autocarro, comboio, enquanto outros vão a pé ou de carro. Chega à entrada da escola e vê alguns alunos, alguns até conhecidos, a fumar. Vai para a primeira aula. Grande parte da turma está cheia de sono (às vezes, ele também). Nos intervalos, os alunos encontram-se no bar, na papelaria, andam a passear ou a tratar de outros assuntos. À hora de almoço há uma grande barafunda, pois existem muitos alunos que saem às 13:15 horas. Na cantina, ficamos na fila, às vezes quase meia hora, para depois a comida ser, com frequência, intragável. Daí muitos irem comer ao Bar, ou fora da escola. A seguir, vêm as aulas da tarde, a barulheira e a falta de concentração (nas aulas da manhã também acontece isto). Quando se chega às 16:25 horas ou às 17:20 horas, toda a gente está ansiosa para ir para casa descansar, outros jogar computador, praticar desporto (como futebol, atletismo, canoagem, …). E é assim que é a vida de um aluno. Telmo Lopes

Coletânea de crónicas do 9ºB  

Conjunto de crónicas elaboradas pelos alunos do 9ºB da Escola Básica 2/3 Jorge de Montemor