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“Não se vive em um espaço neutro e branco; não se vive, não se morre, não se ama no retângulo de uma folha de papel. Vive-se, morre-se, ama-se em um espaço quadriculado, recortado, matizado, com zonas claras e sombras, diferenças de níveis, degraus de escada, vãos, relevos, regiões duras e outras quebradiças, penetráveis, porosas. ” (FOUCAULT, 2013)


A ARTE DO FAZER: O CORPO NO MEIO ANA FLÁVIA MARÚ ORIENTAÇÃO: PEDRO BRITTO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO ARQUITETURA E URBANISMO FACULDADE DE ARTES VISUAIS UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS


“Não se vive em um espaço neutro e branco; não se vive, não se morre, não se ama no retângulo de uma folha de papel. Vive-se, morre-se, ama-se em um espaço quadriculado, recortado, matizado, com zonas claras e sombras, diferenças de níveis, degraus de escada, vãos, relevos, regiões duras e outras quebradiças, penetráveis, porosas. ” (FOUCAULT, 2013)


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“no segundo dia optei por mudar minha forma de posicionar no espaço, levei uma câmera” 11


“o ato de sentar nesses espaços (não planejados para tal) como uma forma de “dar golpe” ao sistema que é imposto para o praticante da cidade”

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Fotocolagem: Ana Flávia Marú, 2016.


“ Ela estava em frente a um poste de energia fazia na calçada, para se proteger do sol. O foi chegando algumas motos e estacionando n colocava sob o asse

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a, ele estava utilizando da sombra que o poste tempo foi passando, e continuei a observa-lo, na rua, cada moto que chegava, ele levantava e ento dela, um tapete�

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Figura: Gangorra - Exposição Parque DiVerSom - CCBB Brasilia Foto: Tiago Rodrigues, 2016.

Figura: Gangorra com pneus. Fonte: www.materiaincognita.com.br

Figura: Carrosol Breique Foto: Opavivará, 2011.

Figura: Swingers Chair Foto: www.blog.sunhouse.com.br/

Figura: A rua é um espetáculo Foto: Opavivará, 2011.


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Ilha da PermanĂŞncia

um lugar planejado para quem pratica a cidade

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a proposta O que seria hoje, em tempos pressa ter um espaço exclusivamente da permanência? Com a união entre o poder público e o privado obersevamos o potencial de táticas e permanência presente na Avenida Goiás no Setor Cetral, e a intervenção proposta irá beneficiar você, praticante Goianiense. A proposta começa na Avenida Goiás, próximo à Praça Cívica, com cerca de 513 metros lineares

de revitalização pura, onde tudo é permitido neste espaço, desde que você permaneça nele. Apresentamos para você, os estudos que legitimam esta proposta. Os mapas a seguir mostrarão como que acontece a permanência e quais serão as estratégias projetuais para que esta intervenção que irá se tornar referência para quem pratica a cidade e não se sente contemplado com o planejamento urbano atual.

Mapa: Setor Central - Avenida Goiás (Praça Cívica - Avenida Anhanguera)

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Transição permanência / passagem Mapa: Recorte Avenida Goiás


OBSERVADO

O canteiro central já é o local planejado para permanecer, porém ainda falta suportes para que isso se efetive.

PROPOSTA

O canteiro central será planejado para ser a ilha da permanência e as calçadas o eixo depassagem.

PERMANÊNCIA PASSAGEM OBSERVADO

As arvores existentes no eixo de passagem serão retiradas para que nenhum praticante da cidade crie oportunidade de permanecer em sua som

PROPOSTA

Arvores serão plantadas na ilha da permanência para dar oportunidade do praticante da cidade criar no espaço e permanecer neste.

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PERFIL USUÁRIO O praticante é quem cria os espaços da cidade, é quem utiliza de táticas para reinventa-los. A ilha é voltada para eles. O que seria projetar um espaço para quem é excluído ou simplesmente invisíveis para o poder hegemônico que projeta a cidade? O que seria um espaço que permite a permanência destes que estão sempre burlando as regras da cidade? Um espaço que prevê a liberdade de prática qualquer desde que esta pessoa permaneça ou crie oportunidades de permanecer, seja trabalhando – de formas não legitimadas pelo mercado - comendo, dormindo ou perdendo tempo. A proposta é: pensar no corpo deste praticante ordinário da cidade que resiste e insiste em permanecer. Este que procura a sombra da árvore ou a sombra de um poste para poder ficar, que coloca papelão nos degraus que possuem pedras pontiagudas para poder sentar. Esse corpo que se agacha para sentar no meio fio para esperar o ônibus. O que este corpo pede? O que este corpo carrega? Que lugar ele ocupa? Como o espaço pode ser afetado por ele? Neste espaço feito para você, praticante, pensamos em como seu corpo pode experimentar um espaço livre da espetacularização do mundo contemporâneo, que possui os espaços públicos cada vez mais privatizados, aqui, você cria experiências, você atualiza o projeto através da prática e reinventa o seu cotidiano.

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PROGRAMA DE ACONTECIMENTOS O programa de acontecimentos previstos para este espaço conta com ações corriqueiras, como: um espaço para colocar tapetes que podem ser utilizados para cobrir as motos estacionadas próximo a calçada; um lugar que possibilite colocar uma chave e uma sacolinha plástica amarrada, pois você pode precisar guardar algum objeto nesta sacola; um espaço que permita você utilizar sua almofada, porque ficar trabalhando sentado o dia todo em um banco duro nenhum corpo merece; um lugar possibilite sentar sobre o próprio corpo, agachar e ficar assim parado. Porém entendemos também que essa infinidade de possibilidades e de acontecimentos que pode vir a ter no espaço, escapa deste breve memorial que estamos apresentando para você praticante, escapa dos nossos olhos de observadores afim de reter e planejar todas as possibilidades, até porque, para vocês, é vivenciando as necessidades do momento que se cria possibilidades de utilizar daquele espaço da maneira necessária.

em breve! Está mais próximo do que você imagina, as estratégias já estão sendo elaboradas e logo mais você, praticante, poderá desfrutar deste espaço pensado exclusivamente para você! Venha perder tempo e ganhar espaço na Ilha da Permanência!

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Livros BARROS, Manoel de. Biblioteca de Manoel de Barros. São Paulo, Leya, 2013. BAUDELAIRE, Charles. O pintor da vida moderna. Em: A modernidade de Baudelaire. Tradução de Suely Cassal. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988: 160. BRITTO, Fabiana Dultra; DRUMMOND, Washington; JACQUES, Paola Berenstein. Experiências metodológicas para compreensão da complexidade da cidade contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2015. CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. CAMPBELL, Brígida. Arte para uma cidade sensível - São Paulo, Invisíveis Produções, 2015. CAMPBELL, Brígida. Exercício para a liberdade. São Paulo, Invisíveis Produções, 2015. CARERI, Francesco. Walkscapes: o caminhar como prática estética. Prefácio de Paola Berenstein Jacques. São Paulo: Editora G. Gili, 2013. CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. Trad. Ephraim F. Alves. Petrópolis: Vozes, 1996. Goiânia art déco: acervo arquitetônico e urbanístico – dossiê de tombamento. Goiânia: Instituto Casa Brasil de Cultura, 2010. CRAVEIRO, Camila Caires. Cor(poro)cidades: experimentando (re)existências. Niteroi, 2014. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal Fluminense. FONTENELLE, Romullo Baratto. Cidades imateriais: o espaço enquanto fazer. Florianópolis, 2013. Dissertação (Trabalho de Conclusão de Curso). Universidade Federal de Santa Catarina. FOUCAULT, Michel. O corpo utópico; As heterotopias / Michel Foucault; posfácio de Daniel Defert; [tradução Salma Tannus Muchail]. São Paulo: n-1 Edições, 2013. MARQUES, Monique Sanches. Subjetividade e singularidades urbanas: na construção de um “devir” outro arquiteto urbanista. Salvador, 2010. Teste (Doutorado). Universidade Federal da Bahia. SANTOS, Milton. A natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006. Artigos ALMEIDA, Lutero Proscholdt. Dobras Deleuzianas, Desdobramentos de Lina Bo Bardi: considerações sobre o ‘’desejo’’ e o ‘’papel do arquiteto’’ no espaço projetado. Disponível em: http://www.vitruvius. com.br/revistas/read/arquitextos/13.146/4422. Acesso: Maio 2016. BIASE, Alessia de. Insistência urbana: ou como ir ao encontro dos “imponderáveis da vida autêntica”. Disponível em: http://www.redobra. ufba.br/wp-content/uploads/2013/12/redobra12_EX2_alessia.pdf. Acesso: Outubro 2016. JACQUES, Paola Berenstein. Breve histórico da Internacional Situacionista – IS. Disponível em: http:// www.vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/03.035/696. Acesso: Julho 2016. JACQUES, Paola Berenstein. Corpografias urbanas. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.093/165. Acesso: Agosto 2016. JACQUES, Paola Berenstein. O projeto como processo. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/16.176/6145. Acesso: Novembro 2016. MILHOMEM, Marília Pereira. Cidade em quadros: Setor Central, onde tudo começou. Goiânia, 2011-2012. Pesquisa iniciação científica. Universidade Federal de Goiás. REZENDE e GHIZZI, Alex Nogueira e Eluiza Bortolotto. Sentar e sentir: Reflexoes acerca de um significado na relação entre mobiliário, arquitetura e lugar. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/ read/arquitextos/16.182/5620. Acesso: Maio 2016. RIBEIRO, Cláudia Gonçalves. A cidade pelos olhos de Charles Baudelaire e Mário de Andrade. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: http:// www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/92.pdf. Acesso: Maio 2016. Figuras: Todas as figuras não referênciadas foram produzidas por Ana Flávia Marú durante o desenvolvimento do trabalho.


Caderno Prático - o corpo no meio  

Caderno Prático - A Arte do fazer: o corpo no meio Ana Flávia Marú TCC - Arquitetura e Urbanismo - UFG

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