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MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
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Fisioterapia ajuda crianças com câncer Saúde e bem-estar F4
De mal com a vida
Na psicologia, o mau humor crônico é chamado de distimia, e precisa ser tratado para não atrapalhar a vida. Saiba como reconhecer os principais sintomas da doença e a hora certa para procurar ajuda especializada MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO
U
m mau humor sem fim. Irritabilidade constante. Gente de mal com a vida. Apesar de esses sentimentos aparecerem de vez em quando em qualquer ser humano, a permanência por um longo tempo pode caracterizar um distúrbio. Na psicologia, o mau humor crônico é chamado de distimia e precisa ser tratado para não atrapalhar a vida. A distimia é uma doença que atinge 3% da população mundial, o que significa cerca de 180 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A psicóloga Myriam Durante explica que a palavra vem do grego e significa mau humor. “Durante muito tempo a palavra foi
usada para caracterizar a pessoa mal-humorada, que está sempre irritada, de mal com a vida. Hoje em dia o termo já é empregado para assinalar um distúrbio”. Doença séria Na verdade, ressalta a psicóloga, a distimia vai muito além de apenas um mau humor crônico. “É um tipo de depressão crônica de moderada intensidade e se manifesta já na adolescência. Por ter sintomas mais leves do que a depressão, às vezes leva mais tempo para as pessoas procurarem tratamento”, completa. Ou seja, por acreditar que se trata de um traço de personalidade, quem padece desse distúrbio acaba se acostumando a ser mal-humorado e passa a achar normal viver irritado ou aborrecido. Segundo a Organização
Mundial de Saúde (OMS), 3% da população mundial, sofrem de distimia, sendo o mau humor mais comum são em mulheres, por causa das oscilações hormonais. “No entanto, as causas determinante do humor são três: 10% vem de circunstâncias da vida, isto é, acontecimentos felizes ou não, a genética com 50% e atividades intencionais 40%. Entre essas atividades estão ser otimistas, focar metas pessoais, cultivar relação com outras pessoas, práticas espirituais e ações relacionadas com o corpo”. Sintomas O principal sintoma é a irritabilidade, mas existem outros, como o mau humor, baixa autoestima, desânimo e tristeza, predominância de pensamentos negativos, al-
terações do apetite e do sono, falta de energia para agir, isolamento social, além das tendências ao uso de drogas lícitas, ilícitas e de tranquilizantes. “Quem tem distimia não consegue ver o lado bom das coisas. Coloca defeito em tudo, não sabe lidar com imprevistos, se sente injustiçado, leva tudo para o lado pessoal e parece que carrega um grande peso nas costas. Não sabe rir dos problemas e das situações que fogem ao seu controle, sofrendo muito quando algo em seu planejamento não dá certo”, diz Myriam. O dado mais importante a considerar é a manifestação destes sintomas, durante pelo menos 2 anos consecutivos para adultos e 1 ano para crianças e adolescentes.
Ajuda A psicoterapeuta alerta que a doença não pode ser subestimada. Quem apresenta mau humor com muita frequência corre um risco 30% maior de desenvolver depressão ou algum tipo de fobia. Também há um grande risco da pessoa se envolver com drogas ou álcool, na busca ilusória de acabar com a irritação. A distimia pode aparecer na infância e se estender por toda vida, prejudicando bastante a qualidade de vida de quem a possui e de quem estão ao seu redor. “O mais comum, porém, é que surja na adolescência. A evidencias de que muitos idosos já tenham manifestado sinais dos sintomas na adolescência”, acrescenta. “Não há dúvidas de que a combinação de psicoterapia e antidepressivos é
tratamento ideal para aliviar os sintomas da distimia, problemas que atinge uma série de neurotransmissores em regiões do cérebro que comandam o humor, como o sistema límbico, o hipotálamo e o lobo frontal. Eles ajudam a restabelecer o equilíbrio da seratonina e noradrenalina”, reforça a especialista. “O importante é, quando perceber um quadro geral da doença, procurar ajuda médica para diagnosticar o distúrbio. Em muitos casos a ajuda de um bom psicoterapeuta já é capaz de curar a doença. Em outros, mais graves, é necessário também o uso de medicamentos. Praticar atividades físicas que liberam endorfina e serotonina também ajudam a melhorar o humor, além de aumentar a autoestima”, afirma a psicoterapeuta.
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João Bosco Botelho
DICAS DE SAÚDE
joaoboscobotelho@gmail.com
Diagnóstico das doenças na leitura greco-romana No século 4 a.C., na Grécia, na Escola Médica de Cós, sob a liderança de Hipócrates, a palavra higiene se impôs no sentido regulador tanto na alimentação quanto no caráter educativo. Nesse contexto, a ginástica fazia parte da manutenção da saúde. Por esta razão, os ginastas permaneceram independentes frente ao crescente poder médico nas relações sociais e também conquistaram papel importante no aconselhamento do corpo sadio. O texto De um Regime de Vida Saudável se propõe servir de guia ao público. O autor desconhecido estabeleceu os parâmetros da cultura médica mínima da vida saudável. O objetivo central do autor seria estabelecer, pela lei, o caminho que as pessoas deveriam seguir para evitar a doença. O propósito parece ter sido o mesmo do autor do livro Da Dieta que aborda a importância da alimentação balanceada com frutas e legumes. A estrutura teórica da medicina como paideia, na Grécia, no século 4 a.C., estava tão bem elaborada que perpassou o mundo romano. No século 2 d.C., o médico Galeno
(138-201), o mais conhecido representante da medicina romana, acoplou a cada humor da Escola de Cós, da teoria dos Quatro Humores (sanguíneo, fleumático, bilioso preto e bilioso amarelo) novas categorias por ele denominadas temperamentos (sanguíneo, linfático, melancólico e colérico). Os escritos galênicos, valorizados durante mais de quinze séculos, no Ocidente cristão, valorizava a sangria, sudorese, diarreia e a vômito como formas de tratamento para equilibrar os humores e restabelecer a saúde. Humor (Grécia) Temperamento (Roma) Sanguíneo Sanguíneo Fleumático Linfático Bilioso preto Melancólico Bilioso amarelo Colérico A flexibilidade da medicina como paideia acabou ferida, na Idade Média, pela intolerância restritiva exaltando a doença como pecado e o milagre como principal prática
de cura. Os santos substituíram os deuses e deusas greco-romanos e se tornaram o único tratamento dos doentes sem esperanças, nos incontáveis santuários, especialmente, em Jerusalém e Compostela. A influência greco-romana trazida pelo elemento colonizador marcou as práticas médicas coloniais: a princesa Paula Mariana, filha do primeiro imperador do Brasil, sob os cuidados dos mais importantes médicos da corte, faleceu após ser submetida às muitas sangrias e clisteres para expurgar os “maus humores”. O mesmo pensamento se manteve na Europa do século 19: o viajante Von Martius, no Amazonas, descreveu o temperamento dos índios como “fleumático, por terem pouco sangue nas veias”. As construções teóricas do saberes, independente dos juízos de valores, se mostram competentes e duradouras na medida da durabilidade do pensamento inovador: a teoria dos Quatro Humores, do tempo de Hipocrates, na Grécia do século 4 a.C., e a teoria dos Temperamentos, do médico romano Cláudio Galeno, no século 1, sustentaram a veracidade do diagnóstico e do tratamento por quase vinte séculos.
João Bosco Botelho Doutor Honoris Causa na França
A flexibilidade da medicina como paideia acabou ferida, na Idade Média, pela intolerância restritiva exaltando a doença como pecado e o milagre como principal prática de cura”
Cabelo bonito e sadio depende da alimentação Uma das maiores preocupações das mulheres permanece na cabeça. Literalmente. É que a vaidade começa nos cabelos e para mantê-los saudáveis e belos apenas bons xampus não são suficientes, é preciso investir em uma alimentação equilibrada. O cabelo é quase todo composto de proteínas. Para ter fios fortes e vibrantes, portanto, comece a comê-las suficientemente. O queijo cottage light, com baixas taxas de gordura, é uma proteína peso pesado, com 14 gramas em meia xícara. Mas o zinco pode ser outro grande aliado de sua cabeleira, pois esse mineral ajuda a reduzir a queda do cabelo”, diz Francesca Fusco, professora de dermatologia do Centro Médico Monte Sinai, nos EUA. Despeje um pouco dessa poderosa fonte de zinco em seu cereal matinal e aproveite os seus benefícios.
Humberto Figliuolo hfigliuolo@hotmail.com
Coração de mulher Aumentou muito, nos últimos anos, a incidência de moléstias cardiovasculares em mulheres, sobretudo as que mais matam o infarto do miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral o AVC, hoje ultrapassam aquelas causadas por câncer de mama e de útero. O sinal de alerta está ligado. A mortalidade feminina por doenças cardiovasculares em todas as faixas etárias está maior porque os fatores de risco hoje agridem a mulher antes do tempo. A proteção hormonal está sendo marcada pela potencializarão desses fatores de risco. O índice de obesidade entre as mulheres, por exemplo, hoje chega a 40%. A obesidade leva à hipertensão e ao diabetes. E as condições estressantes, como a competitividade no mundo do trabalho, estão muito mais presentes na vida da mulher de hoje. Até há algum tempo, a influencia do stress nas doenças cardiovasculares era apenas uma suposição. Essas doenças têm muito a ver com fatores psicossociais, ansiedade, raiva, depressão, stress no trabalho e na vida conjugal. E quem tem a capacidade de perdoar, ao contrário, tem maior expectativa de vida, é justamente conscientizar para os fatores de riscos e preveni-los adequa-
damente. As mulheres devem conhecer seu risco. Cinquenta e um por cento é construída de mulheres, e a faixa etária mais numerosa está entre 35 a 45 anos, justamente a que está sendo mais atingida pelas doenças do coração. Os principais fatores de riscos são o tabagismo, a hipertensão e o diabetes. A hipertensão arterial atinge 70 a 80% das mulheres acima dos 60 anos. E nas mulheres pré-menopausa, a pressão alta sem controle aumenta em 10 vezes o índice de mortalidade. A hipertensão arterial é muito mal controlada entre nós. A hipertensão é silenciosa, não dá sintomas e as pessoas tem a tendência de não tomar medicamentos contra doenças que não dão sintomas. A prevenção de doenças cardiovasculares é fácil e barata: 80% dos fatores de risco podem ser controlados. A partir dos 50 anos, procure o profissional médico especializado para cuidar de sua máquina e procure melhorar a sua qualidade de vida. Hoje em dia, você tem tudo para chegar aos cem anos, mesmo com uma genética desfavorável. Com os avanços nos método de diagnóstico e terapias, incluindo medicamentos cada vez mais eficientes dá para chegar lá, a menos que
você cometa erros graves de estilo de vida. Fumar um erro primário, eliminatório. Inatividade física também abrevia a vida. E comendo mal você não chega lá. A palavra mágica em alimentação é equilíbrio. Com moderação não abandone alguns prazeres. Porque se morre tanto do coração? As pesquisas dos últimos 20 anos privilegiaram muito o ômega três, como uma substância protetora das artérias, deixando de lado alguns modismos desse período, como a vitamina E, magnésio, etc. Ter barriga sarada não é mera questão estética. Por motivos metabólicos, quanto maior a circunferência abdominal (aquela que se mede sobre o umbigo) maior a propensão para doenças cardiovasculares. A gordura acumulada na cintura é a mais prejudicial de todas, não deve passar de 80 cm. Os fatores de risco não eram enfocados ou tratados como são hoje (fumar, pressão arterial e diabetes). Não havia o sentido atual de prevenção primária. As doenças do coração eram atribuídas apenas ao destino ou a genética. O restante é viver a vida, procure sempre a relação entre corpo e mente. Gordura abdominal inimiga número 1.
Olhos mais saudáveis a partir de bons alimentos Humberto Figliuolo Farmacêutico
A mortalidade feminina por doenças cardiovasculares em todas as faixas etárias está maior porque os fatores de risco hoje agridem a mulher antes do tempo”
Faça uma omelete com o ovo inteiro. A parte amarela é rica em dois antioxidantes - luteína e zeaxantina -, carotenoides que reduzem a chance de catarata, bem como de degeneração macular, maior causa de cegueira. Ignore a má fama da gema: pesquisadores da Universidade de Massachusetts, nos EUA, concluíram que consumir uma por dia não compromete os níveis de colesterol ruim. Outra boa dica é couve-flor no vapor. Sim, cientistas europeus desenvolveram três espécies coloridas da hortaliça branca: verde, púrpura e laranja. Sendo 25 vezes mais ricas em betacaroteno, mas com gosto idêntico, elas garantem maior proteção à sua córnea. “Como qualquer verdura de baixa caloria, você pode cozinhar no vapor com um pouco de sal e aproveitar para garantir mais saúde.
Expediente Editora Vera Lima weralima@yahoo.com.br
Diagramação Kleuton Silva
Repórter Mellanie Hasimoto
Revisão Gracycleide Drumond Leomir Góes
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Endometriose, doença que pode impedir a gravidez O processo contínuo pode causar dores e cicatrizes, acompanhadas de aderências na região das trompas e ovários
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Cólicas persistentes e intensas podem sinalizar que alguma coisa muito séria merece uma investigação mais profunda
A
endometriose está entre as doenças que mais afeta a população feminina mundial. De acordo com pesquisas realizadas pelo World Endometriose Research Foundation, seis milhões de mulheres sofrem da doença no Brasil, somando aproximadamente 176 milhões no mundo, sendo já considerado um problema de saúde pública. Ocasionada por uma mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce em outras regiões do corpo, que não são expelidas, migrando em sentidos adversos, caindo nos ovários ou na cavidade abdominal, gerando em sangramentos irregulares e possíveis infertilidades. “Normalmente essa formação de tecido se localiza na região pélvica, na parte externa do útero, ovários, intestino reto, bexiga e
na túnica pela qual reveste a pélvis. Todavia, também pode ser fixados em outras localizações do corpo”, ressalta o ginecologista Joji Ueno (CRM48.486), doutor em medicina pela Faculdade Medicina da USP, responsável pelo setor de histeroscopia ambulatorial do hospital Sírio Libanês e diretor na clínica Geral. Diagnóstico tardio Segundo o especialista, a causa da endometriose é desconhecida, porém existem algumas bases teóricas, como a menstruação retrógrada, no qual consiste que as células endometriais subam através das trompas, sendo fixadas e crescendo na cavidade pélvica ou abdominal. O processo contínuo da disfunção da doença pode causar dores e cicatrizes, acompanhadas de aderências na re-
gião das trompas, ovários e proximidades da pélvis. O diagnóstico tardio da endometriose aumenta as possibilidades de possível infertilidade, nesses casos pode recomendar-se a cirurgia laparoscópica, que pode auxiliar a aumentar a fertilidade. Entretanto, a obtenção do sucesso do tratamento depende da gravidade da doença. Em muitos casos, se a primeira cirurgia não for eficaz para engravidar, repetir a laparoscopia pode ser pouco provável para reverter a situação, diante dessas situações as pacientes devem procurar outras formas de tratamentos para infertilidade. “Entretanto, a prevenção da doença ainda se concentra com as pílulas anticoncepcionais que podem auxiliar a impedir ou protelar o desenvolvimento da endometriose”, finaliza Ueno.
O diagnóstico tardio pode vir acompanhado de uma série de complicações e algumas dores
Coisa de Mulher weralima@yahoo.com.br
É tempo apenas de ser feliz Fim de ano chegando e a gente acaba caindo naquele mesmo período de reflexão que já é característico no encerramento de um ciclo e começo de outro. De certa forma acabamos colocando na balança os principais acontecimentos do ano que se vai e criando expectativas para o ano que chega. É inevitável, os sonhos e anseios fazem parte da natureza humana. Assim como os erros e acertos do tempo que se vai. Eu diria até que se vai muito rapidamente. Parece que o tempo não corre mais, ele voa. Ou somos nós que vivemos tão apressados que nem temos mais tempo para observar o passar dos anos com um pouco mais de calma e atenção?
Parece que foi ontem que começou 2103 e já estamos na contagem final para o encerramento desse ano impar que deve ter sido bons para uns, ótimo para outros e talvez nem tanto para alguns. Mas, na soma final de erros e acertos o que conta de fato é a riqueza que as experiências nos trazem e nos fazem perceber coisas e detalhes que em nossa inexperiência anterior teríamos deixado passar. Há quem aposte que o tempo nos torne pessoas melhores. Eu não sei se é assim que acontece com todo mundo. Algumas pessoas, realmente, melhoram com o passar dos anos e se tornam mais humanas, generosas, pacientes, enfim, evoluem. Infelizmen-
te, outras, por circunstâncias da vida que não nos cabe julgar, pioram sensivelmente e acabam perdendo qualidades que poderiam ter sido cultivadas ou aprimoradas ao longo dos anos. A escola da vida é um aprendizado constante que nos traz lições diárias até o fim de nossas vidas. Mas, se as experiências de vida podem ser enriquecedoras e ajudar na evolução espiritual de algumas pessoas, os traumas podem agir de maneira adversa e deixá-las amargas, rancorosas, desconfiadas, tristes e maldosas. É fato que a idade acaba sabotando certas qualidades como a paciência e a tolerância, mas conheço pesso-
as da terceira idade que são exemplos de vida e de amor ao próximo, a despeito de todos os inconvenientes que o tempo traz e que são mazelas típicas da velhice. São pessoas que souberam envelhecer, que cultivaram outros valores além da aparência física ou da vaidade que o tempo se encarrega de minar. O que estou querendo dizer é que, na correria do dia a dia, muitas vezes acabamos atropelando a felicidade porque ela está no nosso caminho e não acompanha a nossa pressa. E pressa para quê? Para chegar mais rápido ao trabalho, para chegar mais cedo em casa, para não atrasar para o cinema. Sempre há um motivo a mais para correr e
para ficar impaciente, irritado, nervoso e... infeliz. Corremos tanto que esquecemos de dar aquele abraço gostoso nos entes amados, aquele beijo carinhoso de despedida antes de iniciar o dia, um para cada lado, negligenciamos aquela frase que pode fazer alguém ganhar o dia, ou elevar a autoestima. Enfim, esquecemos que a felicidade é feita de pequeninas coisas, que podem até paracer insignificantes, mas não são. Resumo da ópera: que este ano, que chega ao final, leve todas as mazelas e que possamos iniciar um outro período com a certeza que o tempo corre rápido demais e que, a melhor coisa a fazer é ser feliz, o resto é consequência.
Vera Lima Editora do Saúde
Parece que o tempo não corre mais, ele voa. Ou somos nós que vivemos tão apressados que nem temos tempo para observar o passar dos anos com mais calma?”
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Fisioterapia garan de vida a crianças Fisioterapeuta atua a partir do diagnóstico de forma preventiva, curativa ou paliativa, maximizando as habilidades funcionais remanescentes FOTOS: DIVULGAÇÃO
Conduta do profissional que lida com paciente oncológico é aquela que visa restaurá-lo dentro das possibilidades
N
o Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, para todas as regiões, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Atualmente, em torno de 70% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado. Dentro desse contexto, a fisioterapia se torna uma aliada para as crianças diagnosticadas com a doença, segundo explica o presidente da Associação Amazonense de Fisioterapia (Asfiam), o fisioterapeuta doutor Daniel Xavier. De acordo com ele, que atua há mais de 10 anos na área de oncologia, por apresentar peculiaridades clínicas, o câncer infantojuvenil deve ser abordado por profissionais da saúde de forma diferenciada do câncer do adulto, por meio de uma equipe multiprofissional. “A fisioterapia está inserida
nesse contexto, utilizando-se de recursos e técnicas que visam o manejo das complicações e das sequelas, para manutenção ou restauração da capacidade funcional, o alívio dos sintomas e a melhora da qualidade de vida desses pacientes após o câncer”, disse Daniel. Ele explica que o fisioterapeuta atua a partir do diagnóstico de forma preventiva, curativa ou paliativa, maximizando
DIAGNÓSTICO
Segundo o Inca, o câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo as habilidades funcionais remanescentes, controlando os sintomas e melhorando a qualidade de vida do paciente, visando a sua reinserção na vida domiciliar e social. De acordo com as características da criança e as sequelas provocadas pelo câncer, seu estado geral, idade, condições físicas e mentais, e dependendo do prognósti-
co da doença, Daniel Xavier ressalta que cabe ao fisioterapeuta traçar os objetivos que deseja alcançar e desenvolver um plano de tratamento. “A conduta do profissional que lida com paciente oncológico é aquela que visa restaurá-lo dentro de suas possibilidades, ou seja, que exige do paciente apenas o suficiente para a sua reabilitação, de acordo com a fase no processo da doença”, disse. Segundo o Inca, o câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático). Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).
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nte qualidade s com câncer Relacionamento prazeroso Para que os resultados da fisioterapia em uma criança com câncer sejam alcançados de forma satisfatória é importante também que o vínculo entre fisioterapeuta e paciente seja instalado desde o início do diagnóstico, de tal forma que seja criada uma relação de confiança e de aceitação ao tratamento. “A abordagem deve ser atraente e adequada à faixa etária para que o paciente aceite o tratamento como algo prazeroso, e não como um sacrifício”, destacou. Na maioria das vezes, é difícil para a família e ainda mais para a criança perceber a importância do tratamento, bem como as consequências do abandono. Por isso, a participação da família nesse processo é fundamental. Parte do sucesso do tratamento depende desses fatores, o restante fica a cargo da efetividade da conduta adotada e dos aspectos individuais e clínicos de cada paciente. De acordo com Daniel Xavier, as atividades lúdicas são importantes no tratamento
dessas crianças, pois proporcionam ambiente menos traumatizante e mais humanizado, possibilitando a saúde e o bem-estar daqueles que sofrem devido às restrições impostas pela doença. “O caráter preventivo é um aspecto que deve ser considerado pela fisioterapia para antecipar possíveis complicações, aconselhando pacientes e familiares, para que sofrimentos desnecessários sejam evitados”, afirmou. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, a fisioterapia em oncologia é especialidade que tem como objetivo preservar, manter, desenvolver e restaurar a integridade do paciente, assim como prevenir os distúrbios causados pelo tratamento oncológico. O profissional dessa área deve saber lidar com as sequelas causadas pelo câncer e pelo próprio tratamento. Exercícios favorecem o tratamento da dor e evitam o desenvolvimento de complicações musculares, respiratórias, motoras e circulatórias.
O câncer infantojuvenil deve ser abordado por profissionais da saúde de forma diferenciada do câncer do adulto
Presidente da Associação Amazonense de Fisioterapia
Parceria firmada entre GACC e Iapes facilita novos atendimentos Desde ontem, o Grupo de Apoio às Crianças com Câncer no Amazonas (Gacc) passou a oferecer atendimento fisioterapêutico para as mais de 50 crianças em tratamento da doença e que são atendidas pela instituição, localizada no Dom Pedro, Zona CentroOeste de Manaus. Uma parceria firmada entre o Gacc e o Instituto Amazonense de Aprimoramento de Ensino em Saúde (Iapes) vai permitir o atendimento. De acordo com Daniel Xavier, que está a frente da ação, a primeira fase do projeto é fazer a triagem das crianças. “Queremos atender o maior número de
O Grupo de Apoio às Crianças com Câncer no Amazonas está oferecendo atendimento fisioterapêutico para as mais de 50 crianças em tratamento da doença e que são atendidas pela instituição
Loureiro, afirmou que a parceria irá amenizar os transtornos das crianças com câncer em relação ao deslocamento para outras unidades de saúde. “Parcerias com essa são sempre bemvindas. Claro que vão ocorrer casos que serão necessários um atendimento mais específico, mas em menor quantidade”, afirmou Joyce.
crianças por meio desse projeto, uma vez que a área de oncologia pediátrica ainda não é muito desenvolvida. Inicialmente, vamos verificar quais as prioridades de cada paciente, destacou. A diretora do Gacc, Joyce
Atendimento semanal Segundo Daniel Xavier, o atendimento a essas crianças vai ocorrer em uma sala com equipamentos apropriados ao desenvolvimento do trabalho de fisioterapia, no período de duas a três vezes por semana.
PARCERIA
O atendimento a essas crianças vai ocorrer em uma sala com equipamentos apropriados
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Para tratar a dor sem sentir dor Sem o acompanhamento médico adequado, o tratamento da lombalgia pode causar danos
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entir dor não é normal, mas é uma condição que acomete as pessoas de tempos em tempos. Incômodos na região lombar, tendões, articulações, cabeça, entre outros, são muito comuns e podem indicar a existência de algum dano, doença ou perigo no nosso corpo, já que a dor funciona como um mecanismo de alerta do nosso organismo. Para se ter uma ideia, a dor nas costas (conhecida também como lombalgia) é a segunda queixa mais comum entre os pacientes (40%), perdendo somente para a dor de cabeça (81%). Dores na região lombar podem ser provocadas por diversos fatores, como sedentarismo, má postura, excesso de peso ou genética. Seja qual for o caso, o ideal é que o indivíduo procure um médico para que sua dor seja investigada e tratada adequadamente. Na maioria das vezes, os especialistas indicam o uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Dentro da categoria desses últimos, existem aqueles que contêm corticosteroides (substâncias de origem hormonal e de uso mais específico) e os que não contêm esteroides, conhecidos como AINEs (anti-inflamatórios não hormonais). Apesar dos evidentes benefícios no alívio da dor, vale ressaltar que esses medicamentos
não podem ser usados indiscriminadamente e sem acompanhamento médico, pois podem causar efeitos colaterais significativos no trato gastrointestinal. De acordo com Décio Chinzon, gastroenterologista, a prevalência de lesões no trato digestivo su-
Os anti-inflamatórios convencionais não seletivos tratam a dor no momento crucial, mas trazem complicações posteriores
perior (faringe, esôfago e estômago) é alta em pacientes que utilizam anti-inflamatórios convencionais não seletivos. “Os AINEs não seletivos podem causar vários prejuízos gastrointestinais, desde um simples desconforto digestivo até complicações mais graves, como sangramento e perfuração. Cabe salientar que estas complicações podem ocorrer em todo o tubo digestivo , incluindo esôfago, estômago e intestino”, alerta o especialista.
Tratamentos aprimorados Em um estudo conduzido por Chinzon e outros especialistas, 655 indivíduos submetidos à endoscopia digestiva alta foram avaliados quanto à prevalência, queixas clínicas e lesões endoscópicas em decorrência do uso de AINEs não seletivos. Desse universo, 95 pessoas (14.5%) demonstraram que, em algum momento da vida, usaram um anti-inflamatório não seletivo. O principal sintoma relacionado com a ingestão de AINEs foi dor epigástrica (dor na “boca” do estômago) 78/95 (82.1%), seguido por queimação 41/95 (43.1%), sensação de empachamento 19/95 (20%) e náusea 11/95 (11.5%). Sangramento gastrointestinal alto com fezes pretas (melena) e/ou vômito com sangramento (hematemese) foi reportado por dois pacientes (2.1%). Segundo Chinzon, “o san-
gramento digestivo é uma condição preocupante, que pode variar de uma pequena perda sanguínea, que o paciente não percebe em um primeiro momento, podendo se manifestar como uma anemia crônica e até como um sangramento abrupto, de grande quantidade, que coloca em risco a vida do indivíduo”. Dados do Ministério da Saúde3 apontam que a taxa de mortalidade de pessoas com sangramento digestivo alto varia de 10% a 14% (primeiro evento) e chega a 28% em pacientes hospitalizados com re-sangramento. Muitas pessoas que necessitam usar anti-inflamatórios por um longo período precisam de opções medicamentosas que não prejudiquem o estômago. Nestes casos, os médicos podem recomendar medicamentos inibidores seletivos da
COX-2. Entre as alternativas existentes no mercado, está Celebra (celecoxibe), indicado para tratamento de diferentes tipos de dor, inibindo a enzima COX-2, responsável pela dor e inflamação, sem afetar a COX-1, cuja função é proteger o estômago e o intestino. Para Chinzon, atualmente, há um entendimento muito mais completo e aprofundado em relação ao tratamento da dor. “Acredito que os conceitos sobre este assunto foram aprimorados ao longo dos últimos anos nas diversas especialidades médicas, já que é um assunto de interesse geral”, avalia o gastroenterologista. “Novos medicamentos e modalidades terapêuticas que atuam no combate à dor surgiram nos últimos anos e, para cada um deles, existe um processo de aprendizado”, afirma. FOTOS: DIVULGAÇÃO
Dor na região lombar pode ser provocada por diversos fatores, entre eles sedentarismo
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Atenção especial aos prematuros Está prestes a começar a estação de circulação do VSR – Vírus Sincicial Respiratório, na Região Norte
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nome do vírus parece estranho, porém é a principal causa de problemas respiratórios em bebês – nas crianças nascidas “a termo”, seus efeitos são de um resfriado forte, mas em prematuros pode levar a hospitalizações frequentes, bronquiolites e, nos casos, mais graves, pode ser fatal. Especialistas alertam para os cuidados especiais necessários com os bebês prematuros – que são assim considerados os bebês nascidos antes de 37 semanas de gestação. Quanto menor o período de gestação e quanto menor o peso do bebê ao nascer, maiores são os riscos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil está entre os 10 países com maior número de bebês prematuros, que já representam quase 12% de todos os nascimentos – números que colocam o Brasil no mesmo patamar de países de baixa renda. Em países de renda média, os bebês prematuros representam cerca de 9% dos nascimentos. A prematuridade é a causa principal de mortalidade infantil durante o primeiro mês de vida, de acordo com dados do Ministério da Saúde
(2011). Cerca de 70% dessas mortes ocorrem nos primeiros 28 dias após o nascimento. Uma das principais causas de hospitalização recorrente e morte entre bebês prematuros é a infecção causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), um vírus sazonal, cuja circulação pode variar de região para região. No Brasil, está presente durante todo o ano. Na Região
constantes hospitalizações e é a principal causa de internação entre bebês abaixo dos dois anos de idade. Uma das sequelas mais comum é um chiado no peito recorrente, que pode perdurar até os 13 anos de idade. Alguns estudiosos acreditam que as taxas de mortalidade relacionadas ao VSR, em bebês prematuros, ficam em torno de 5%. Não há tratamento específico para infecção por VSR, somente prevenção. Prevenção - Medidas preventivas contra o VSR incluem lavar as mãos frequentemente e sempre antes de tocar o bebê (o vírus permanece nas mãos por mais de uma hora); evitar aglomerações; lavar sempre os objetos do bebê (em superfície porosa, o VSR pode sobreviver por cerca de 24 horas); evitar o contato de bebês com crianças mais velhas e adultos com sinais de resfriados e com fumantes. A imunização preventiva contra o VSR em bebês prematuros é recomendada pela Sociedade Brasileira de Imunização, que recomenda um calendário especial, que pode ser acessado em http://www. sbim.org.br/publicacoes/ guias-de-vacinacao/guia-devacinacao-do-prematuro/
TERAPIA
Em bebês nascidos prematuramente, ou que sofrem de doença cardíaca congênita e displasia broncopulmonar, o vírus pode dobrar o tempo de hospitalização ou o tempo em unidades de terapia intensiva Norte, pode circular a partir de dezembro; nas regiões Sul e Sudeste, seu pico é entre abril e setembro. Chiado no peito - Em bebês nascidos prematuramente, ou que sofrem de doença cardíaca congênita e displasia broncopulmonar, o vírus pode dobrar o tempo de hospitalização ou o tempo em unidades de terapia intensiva. O VSR é também responsável por
Ainda não existe um tratamento específico para infecção por VSR, somente prevenção
Especialistas alertam para os cuidados especiais necessários com os bebês prematuros
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O ideal é pelo menos 150 minutos de exercícios na semana
Invista em exercícios aeróbicos e de fortalecimento Está procurando um treino completo que, além do gasto calórico promova também um fortalecimento muscular? Então não procure mais. Existem exercícios que trazem duas funções em apenas uma atividade. É o caso do treinamento funcional, por exemplo, que além de ser um ótimo exercício para fortalecer os músculos, promove o gasto calórico e trabalha o sistema cardiorrespiratório. A explicação é simples, esse treino exige velocidade de execução das tarefas e alto tempo de permanência em cada posição, aumentando a frequência cardíaca de acordo com a intensidade das tarefas. Se esta ainda não é a alternativa que você procura, outra opção de treino completo é o CrossFit,
uma atividade de alta intensidade que combina exercícios de atletismo, ginástica olímpica e levantamento de peso para queimar calorias e fortalecer os músculos. O gasto pode chegar até a 1.500 calorias por treino, dependendo da intensidade dos exercícios. Outra vantagem do CrossFit é que esse programa trabalha vários grupos musculares em cada exercício. Se além do fortalecimento muscular, a intenção também é com o gasto calórico por treino, invista em exercícios fracionados. As pesquisas científicas têm demonstrado que fracionar o exercício em três sessões de 20 minutos ou duas de 30 vale a pena. O importante é seguir as recomendações da Organização Mundial de Saú-
de e realizar pelo menos 150 minutos de atividades físicas por semana. Quando a preocupação maior é a saúde, vale ressaltar que, além do maior gasto calórico, o treino fracionado pode também ser mais eficiente para ajudar a controlar doenças. Um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas de Estilo de Vida Saudável da Universidade do Estado do Arizona (EUA) mostrou que o treino dividido em três sessões curtas por dia é mais eficiente que uma sessão única de meia hora para controlar a pressão arterial. Embora o estudo ainda não seja suficiente para provar que os treinos divididos são realmente mais eficazes em todas as situações, por outro ele indica que é possível ajustar a rotina
para praticar exercícios e, ainda assim, experimentar benefícios. Entretanto, evite fracionar demais o exercício e diminuir muito o ritmo das atividades, dessa maneira os benefícios serão inferiores ao esperado.
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Saúde
e bem-estar
MANAUS, DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO DE 2013
Barriga de aluguel: diretrizes
para reprodução assistida N
ovelas e filmes abordam há muito tempo histórias de mulheres que geram um bebê para outro casal. Atualmente, um dos núcleos da novela “Amor à Vida”, vivido por um casal homossexual, trouxe à tona novamente a polêmica sobre a Barriga de Aluguel. Esse termo, popularmente conhecido, não condiz com a realidade, já que esse processo, no Brasil, deve ser voluntário e não pode ter caráter comercial. Segundo a ginecologista especialista em Reprodução Humana da Criogênesis, médica Paula Bortolai, o termo mais adequado seria Útero de Substituição ou Barriga Solidária. “Essa gestação envolve o casal e uma mulher. O casal doa seus gametas, que serão fecundados in vitro e implantados no útero da mulher que vai gerar o bebê”, explica. Mas, não é qualquer mulher que pode, legalmente, gerar esse bebê. É necessário que ela tenha um grau de parentesco com o casal. De acordo com a nova regra do Conselho Federal de Medicina (CFM), a permissão foi ampliada para parentes de até quarto grau, como tias e primas. As regras também determi-
nam a permissão do uso das técnicas de reprodução assistida por mulheres solteiras ou por casais do mesmo sexo. Nesse último caso, com casais masculinos, o óvulo para procedimento precisa ser de doadora anônima. “É feito um acordo entre o casal sobre quem doará o sêmen. A partir disso, busca-se uma doadora de óvulos anônima, e o útero precisa ser de familiar até o quarto grau de parentesco. Na falta de parentes, é imprescindível encaminhar o caso ao CFM, explicando a situação e pedindo autorização para que outra pessoa, que não seja parente possa “participar” do processo. Por exemplo, uma amiga, detalha a médica. O ponto mais delicado é o fato da mulher, que está gerando uma vida, passar por todas as mudanças em seu corpo e ter que entender que este filho não é seu e entregá-lo ao casal. “Por isso, os especialistas envolvidos no processo aconselham o casal e a responsável por gerar a criança a buscarem ajuda médica, psicológica e jurídica. A gestante não tem direito sobre a criança, assim como a herança ou a custódia. Ela terá direito a todo acompanhamento médico antes e após o parto”, diz a médica.
DIVULGAÇÃO
No Brasil, o processo deve ser voluntário e a gestante deve ter algum grau de parentesco com o casal
Na impossibilidade de gerar um filho, o casal pode apelar para uma barriga solidária, mas o processo ainda é polêmico