Skip to main content

Saúde - 2 de novembro de 2014

Page 1

Caderno F

Saúde MANAUS, DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO DE 2014

e bem-estar

saudeebemestar@emtempo.com.br

Psicóloga fala sobre homofobia

(92) 3090-1017

Câncer de próstata é o segundo tipo de câncer que mais mata os homens no Brasil MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO

E

m 2014, mais de 12 mil brasileiros podem morrer em decorrência do câncer de próstata, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). O alerta chama a atenção para a gravidade da doença e a necessidade de seu rastreamento precoce. No entanto, esse tema envolve questões delicadas no imaginário de muitos homens, que se deixam levar pelo preconceito criado em torno do exame de toque. E é por isso que a campanha Novembro Azul chega para desmistificar tudo isso e mostrar para os homens que é importante cuidar da saúde. Assim como o Outubro Rosa está para as mulheres, o Novembro Azul está para os homens. O mês é movimentado por ações de conscientização para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Serão debatidos, ainda, tópicos envolvendo campanhas antitabagismo, controle da pressão arterial, combate ao sedentarismo e prevenção à diabete e à obesidade. “Diferentemente das mulheres, que desde cedo estão acostumadas a ir ao ginecologista, o homem não tem o costume de procurar um médico com regularidade”, explica o presidente da Associação Médica de Brasília (AMBr) e urologista, Luciano Carvalho. Especialistas apontam que é necessário, sim, fazer o exame para detectar o problema desde o início. Quando isso acontece, as chances de cura são muito maiores, cerca de 90%. O exame é um procedimento rápido e simples, que deve ser realizado mesmo na ausência de sintomas, principalmente após os 45 anos de idade, faixa etária em que começa a aumentar a incidência da doença. Agora, se há histórico de outros casos na família ou sintomas como dificuldade de urinar ou dores, não perca tempo! Procure um urologista para fazer o exame de toque, podem ainda ser solicitados outros exames: o exame de sangue para dosar o PSA (antígeno prostático específico) ou uma biópsia guiada por ultrassom transretal. Luciano Carvalho também reforça que a prevenção de diversas doenças pode ser feita por meio de um check-up periódico para controlar fatores de riscos cardiovasculares, como sobrepeso, colesterol e hipertensão arterial, mas reforça que “deixar de lado alguns preconceitos é muito importante. Realizar o exame de toque retal periodicamente, por exemplo, pode aumentar as chances dos pacientes com câncer de próstata”. Genética O câncer de próstata é uma neoplasia que reconhecidamente possui importante fator genético familiar envolvido. Homens com parentes de primeiro grau, com câncer de próstata, podem ter chance até cinco vezes maior em relação à população normal. Dentro dos fatores de risco genéticos, contudo, nunca se encontrou um marcador gênico importante que revelasse com consistência risco aumentado para câncer de próstata. Recentemente, vem crescendo a importância da mutação dos genes BDCA1 e BRCA2 como fatores de risco para câncer da próstata. Para o médico Cesar Câmara, cirurgião geral e urologista, o que chama a atenção nessa constatação é que, além do fato de estar se revelando um marcador de risco genético para o tumor, os genes envolvidos são os mesmos que causam câncer de mama nas mulheres. “Mulheres com mutação nos genes BRCA1/2 possuem até sete vezes mais chances de desenvolver tumores malignos nas mamas. Para os homens, a despeito do tumor de mama ser raro, a chance aumenta em até cinco vezes”, diz.

azu Novembro

Pág. 4 e 5


F2

Saúde

e bem-estar

MANAUS, DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO DE 2014

João Bosco Botelho

DICAS DE SAÚDE

joaoboscobotelho@gmail.com / www.historiadamedicina.med.br

Serpente como símbolo da cura Os professores das faculdades de medicina que convivem com os alunos dos primeiros períodos percebem, sem dificuldade, nas expressões gestuais, o imenso orgulho de eles estarem na faculdade, e, especialmente, o cuidadoso uso das batas brancas com a serpente enrolada no bastão bordada no bolso ou na manga. Os mais entusiasmados ainda exibem as canetas e chaveiros enfeitados com a serpente. A ancestral relação, datando de 2500 anos, da serpente como símbolo de cura, já estava presente na teogonia e na teofania mesopotâmicas. No complexo panteão de deuses e deusas curadores, se destacam: Ningischzida, filho de Ninurta, representado pelas duas serpentes enroladas no bastão e Sachan, e a deusa-serpente. Simultaneamente, talvez como sequência teogônica, a narrativa mítica do herói Gilgamesh, o rei sumério, da cidade-estado de Uruk (hoje em dia Warka, no Iraque), a serpente se relaciona à vida eterna. Essa extraordinária narrativa, recuperada na tradução de 12 tábuas de argila, infelizmente incompletas, encontradas por arqueólogos, em Nínive, na antiga Acádia, escrita em linguagem acádia, durante o reinado de Assurbanipal (668-627

a.C.). A descrição desse épico explica, inicialmente, a natureza de Gilgamesh como sendo mais divino que humano, mas também é reconhecido como construtor e guerreiro, simultaneamente, tirano e despótico. Os deuses atendendo às súplicas do povo enviaram Enkidu, para matar Gilgamesh. A luta titânica não resultou em vencedor e vencido. Ao contrário, os dois tornam-se amigos e partiram para novas aventuras. Longe de Uruk, enfrentam Huwawa, o guardião divino dos bosques de Cedro. Apesar de faltarem partes das tábuas que contam parte da história, é possível deduzir que Gilgamesh derrota Huwawa. Voltando para Uruk, Ishtar, a deusa do amor e da fertilidade propõe-lhe casamento. Gilgamesh sabendo do triste destino dos homens que se uniram a ela recusa o convite. Ishtar, enciumada e colérica, convence o pai para enviar o touro celestial para matar Gilgamesh. Ele e Enkidu enfrentam derrotam o monstro. Por ter participado do duelo, Enkidu recebe a ameaça de castigo em sonho, quando os três deuses, Anu, Ea e Shamah, dizem-lhe que irá morrer em breve. Como previsto, adoece e morre. Gilgamesh, desconsolado chora a morte de seu amigo e parte numa perigosa viagem em

busca do sábio Ut-Napishtim, único sobrevivente do dilúvio, justo e piedoso no meio da barbárie e da injustiça, possui o segredo da imortalidade. Os deuses mandaram UtNapishtim construir um barco, no meio do deserto, e esperar o pior. Durante seis dias e seis noites, aconteceu o dilúvio tão intenso que até os deuses se assustaram. Gilgamesh sobreviveu ao dilúvio e quando o nível das águas baixou, surgiu a nova Mesopotâmia. Na busca da imortalidade, Gilgamesh ouve do imortal Ut-Napishtim, sabendo que a planta da vida eterna está no fundo de um lago, parte na busca da imortalidade. Como sempre, enfrentando muitos desafios, triunfa. No caminho de volta a Uruk, cansado, descansa na margem do lago e ao acordar, vê a serpente roubar a planta milagrosa e após engolila, rejuvenesce mudando a pele. Nada mais resta a Gilgamesh a não ser chorar, amargamente, a perda da imortalidade. Desse modo, é admissível estabelecer relações históricas e míticas entre as batas dos estudantes de medicina, a serpente representando deus Ningishzida e mito de Gilgamsh, todas como metamorfoses da luta épica contra a morte.

João Bosco Botelho Membro Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

A relação, datando de 2500 anos, da serpente como símbolo de cura, já estava presente na teogonia e na teofania mesopotâmicas”

Polpa do abacaxi ajuda a quebrar carboidratos O abacaxi é rico em diversos nutrientes. Ele conta com vitamina C, que ajuda o organismo a desenvolver resistência contra agentes infecciosos e prejudiciais e sequestrar radicais livres pró-inflamatórios. A fruta também conta com vitamina A, que é importante no ciclo visual e diferenciação celular. A tiamina (vitamina B1) presente no abacaxi ajuda o corpo a quebrar carboidratos para obtenção de energia. As fibras retardam o esvaziamento gástrico, não levando o indivíduo a ter um pico glicêmico e ajudam no melhor funcionamento do intestino. Além dos nutrientes citados acima, o abacaxi contém quantidades menores, mas importantes de magnésio, cobre, manganês e ferro. O magnésio ajuda a relaxar, é necessário para a atividade normal das enzimas e para o uso de energia e é fundamental para a função normal do cálcio.

Humberto Figliuolo hfigliuolo@hotmail.com

Poluição da água ameaça a saúde Alguma vez na vida você já deve ter ouvido falar em preservar o meio ambiente, não prejudicar a natureza, evitar a poluição e reciclar o lixo. Talvez até reconhecesse a importância dessas questões, mas nada fez. Ou ainda tem perguntado o que isso interfere na sua vida? Saiba que interfere e muito, principalmente na sua saúde. Temos consciência de que a qualidade de vida da população vai se tornando cada vez mais ameaçada com o crescimento dos índices de poluição. A poluição agride o meio ambiente e quem nele vive. Gerada por várias fontes, ele está sendo motivo de preocupação constante, por parte da população mundial. A terra pode entrar em colapso, se a poluição não for contida. Infelizmente, a culpa é de todos nós. Devemos admitir que a situação seja crítica, utilizamos mal o meio ambiente, tiramos os recursos da natureza e não os repomos. Somos os responsáveis pelo acúmulo de lixo, pela poluição do ar e pelos rios sujos. O planeta pede socorro e é hora de começarmos a exigir soluções concretas do poder público, do comércio, das indústrias e de nós mesmos. Vamos destacar a poluição da água, temos bastante, porém precisa ser limpa e sonora.

Nas áreas urbanas, a poluição das águas é muito mais visível do que nas zonas rurais, pelo menos por enquanto. Isso se deve ao maior número de habitantes e pela maior concentração de esgotos, resíduos industriais e domésticos. Os nossos igarapés se transformaram em verdadeiros depósitos de lixo. A paisagem é desoladora, a degradação impressiona, o cheiro é insuportável, mas o que mais choca é o fato de aceitarmos passivamente essa situação. A poluição está lá e vai continuar se uma medida radical não for tomada. Projetos não faltam. Algumas medidas tímidas são tomadas, os governos se alternam e os igarapés continuam agonizando. Até quando aguentaremos? Os prejuízos ao equilíbrio ecológico e á saúde da população são enormes. Para mudar esse quadro, temos que começar pelo saneamento básico que constitui a base de toda a estrutura. Não é possível cogitar-se saúde pública sem condições de infraestrutura, isto é: sem drenagem urbana. Isso porque sem esses serviços básicos não haverá condições nem possibilidades de controle dos vetores e de todos os meios de disseminação de uma ampla gama de doenças. O combate ao barulho em centros

urbanos é considerado pela Organização Mundial de Saúde a terceira prioridade ecológica mundial, depois da poluição atmosférica e das águas. A exposição constante de sons intensos e ruídos desagradáveis, comprovadamente, provoca alterações, como o aumento da produção de adrenalina, a aceleração da pressão arterial e o aparecimento da depressão em algumas pessoas. Toda ação para controle e prevenção das poluições, seja ela do governo ou da iniciativa privada, será sempre bem-vinda. É necessário, no entanto, a sua participação e conscientização para que possamos erradicar, de uma vez por todos esses males que tanto nos afligem. Precisamos de nova energia! Se não fizermos agora, teremos uma parcela de culpa por não assumirmos a responsabilidade da mudança e, assim, ficando com medo de efetuar as melhorias. Vamos mudar sem prejudicar ninguém. Certo ou errado? Vamos fazer essas mudanças? Vamos planejar, promover e executar. Vamos mostrar a capacidade de transformar nossa cidade em uma nova feição urbana. Vamos aprender a querê-la, a estimá-la, a valorizar a nossa cidade.

Biomassa de banana-verde ajuda contra o câncer Humberto Figliuolo farmacêutico

Devemos admitir que a situação seja crítica, utilizamos mal o meio ambiente, tiramos os recursos da natureza e não os repomos”

A biomassa de banana-verde consiste em uma preparação feita com polpa de bananas-verdes cozidas. Esta simples preparação é capaz de melhorar a imunidade, contribuir para o desenvolvimento da microbiota intestinal, reduzir o risco de câncer de intestino, controlar os níveis de colesterol, prevenir o diabetes e evitar o acúmulo de gordura abdominal. A biomassa de banana-verde se destaca por possuir boas quantidades de um amido resistente que é uma espécie de fibra, que o aparelho digestivo não consegue digerir. Como este tipo de fibra não é digerida, ela serve de alimento para as bactérias benéficas do intestino e assim contribui para o desenvolvimento da microbiota intestinal. Consequentemente, a imunidade melhora e o risco de câncer no intestino diminui. Esta fibra também previne o diabetes tipo 2 e melhora o trânsito intestinal.

Expediente Editora Vera Lima weralima@yahoo.com.br

Diagramação Adyel Vieira

Repórter Mellanie Hasimoto

Revisão Gracycleide Drumond

www.emtempo.com.br


e bem-estar

F3

Sono e dieta

caminham juntos Alguns alimentos influenciam o nosso descanso e permitem um sono reparador, enquanto outros atrapalham a digestão e o descanso noturno

Na refeição noturna, dê preferência às frutas e verduras frescas

Enquanto dormimos, os níveis de leptina aumentam, sinalizando que temos energia suficiente para o momento”

A

combinação de uma alimentação saudável e os cuidados básicos com a higiene do sono é a fórmula ideal para quem deseja uma noite de descanso revigorante. Estar atento a esses fatores colabora para o bom funcionamento do organismo e, consequentemente, para a qualidade de vida. Segundo a consultora do Sono da Duoflex, Renata Federighi, fazer refeições muito próximas ao horário de dormir e, principalmente, ingerir alimentos que promovam o aumento dos níveis de insulina, pode influenciar na má qualidade do sono. “O indivíduo deve evitar alimentos refinados como arroz branco, farinhas

brancas e pães”, ressalta. O mais indicado é que a pessoa dê preferência a alimentos leves e que ajudem a relaxar, dentre eles, alface, maçã, pepino, salsão e ervas como, camomila e cidreira. Alimentos que são fonte de triptofano, como leite e derivados, frutos do mar, grãos integrais e leguminosas, também podem colaborar para boas noites de repouso, pois essa substância participa da formação da melatonina, hormônio responsável pelo sono. Em contrapartida, um sono de má qualidade também pode influenciar na atividade metabólica fazendo com que o indivíduo busque por alimentos mais calóricos. “Enquanto dormimos, os níveis de leptina au-

mentam, sinalizando que temos energia suficiente para o momento. Na privação do sono, os níveis desse hormônio diminuem resultando no aumento da fome e no armazenamento das calorias ingeridas”, esclarece Renata. Além da leptina, durante a noite acontece a troca e a regeneração celulares, com a liberação do Hormônio do Crescimento (GH), que ocorre principalmente nas fases mais profundas do descanso. “O sono reequilibra o organismo produzindo também a serotonina, o hormônio responsável pela sensação de prazer, e impedindo a acumulação de cortisol, que melhora o humor e a boa disposição”, esclarece a consultora.

O sono reequilibra o organismo produzindo também a serotonina, o hormônio responsável pela sensação de prazer”

Hábitos alimentares para um descanso merecido 1

Bebidas estimulantes como, café, chocolate, chá-preto ou mate, guaraná e refrigerantes à base de coca devem ser evitados próximo ao horário de dormir. Esses alimentos são fonte de substâncias como a cafeína e estimulam o sistema nervoso central;

2

Tome um copo de leite morno. A bebida possui o aminoácido triptofano, que relaxa os músculos e induz

ao sono. Se preferir um chá, opte pelo de ervas descafeinado;

3

Utilize um travesseiro para apoio da cabeça, em uma altura que se encaixe perfeitamente entre ela e o colchão, formando assim um ângulo de 90 graus no pescoço. Nesta posição, os joelhos deverão estar preferencialmente semiflexionados, com um travesseiro de corpo entre eles;

4

À noite, o metabolismo é mais lento, portanto, diminua a ingestão de alimentos gordurosos ou o consumo de refeições em grande quantidade;

5

Invista em exercícios físicos leves. Eles liberam substâncias que farão o indivíduo relaxar na hora de dormir;

6

Durma em ambientes escuros. A luz prejudica os ciclos

biológicos e a produção hormonal, já que quando dormimos na claridade as produções de cortisol e melatonina são interrompidas, dando uma sensação de cansaço pela manhã;

7

Evite altas doses de bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos condimentados como molhos gordurosos e temperos fortes.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Saúde

MANAUS, DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO DE 2014


F4

Saúde

e bem-estar

Temos falado mais sobre

homofobia do que ética, diz psicoterapeuta Mônica Pessanha, mestre em psicologia clínica pela PUC, fala sobre o tema

VERA LIMA Equipe EM TEMPO

S

egundo Freud, na maioria dos casos de homossexualismo masculino, os indivíduos experimentam na primeira infância uma ligação erótica muito intensa com uma mulher, geralmente a mãe. Possivelmente um vínculo despertado e encorajado pela ternura constante e intensa por parte da genitora. Após esse estágio preliminar, o amor da criança não sendo mais consciente, passa a sofrer

repressão. O sujeito ao reprimir o amor por sua mãe tomará a si mesmo como objeto sexual ao se colocar no lugar dela, num processo decorrente de uma identificação narcísica, arrogando a si mesmo como modelo. Dessa forma, passa procurar outros jovens que se pareçam com ele, e possam amá-lo como a sua mãe o amou. Essa seria, basicamente uma explicação para a homossexualidade masculina, tema que tem levado a mídia a explorar exaustivamente a relação entre pessoas do mesmo sexo em novelas, séries, filmes e livros. No momento, a novela “Império”, a exemplo de outros folhetins do horário nobre da Globo, vem mostrando o caso vivido entre Cláudio Bolgari (José Mayer) e Leonardo (Klebber To-

ledo), que afeta profundamente o relacionamento do primeiro com o filho Enrico, vivido por Joaquim Lopes, que se revela homofóbico no decorrer da história, rejeitando, assim, a opção sexual do pai. O Saúde e bem-estar conversou com a psicoterapeuta infantil e de adolescentes, Mônica Pessanha, mestre em psicologia clínica pela PUC, neuropsicopedagoga, mantenedora do projeto Brincadeiras Afetivas (oficina terapêutica que trabalha a relação familiar) sobre o assunto. Saúde - Vivemos um tempo de mudanças e cada vez mais a homossexualidade é tema na mídia, inevitavelmente as crianças despertam para a questão e fazem perguntas sobre o assunto. Como falar sobre homossexualismo com as crianças? Mônica Pessanha - Hoje em dia, modelos homossexuais estão em toda parte. Relacio-

namentos entre pessoas do mesmo sexo são regularmente apresentados em programas de TV, filmes e até jogos de computadores. É natural que as crianças sintam mais curiosidade por tudo isso que elas estão vendo. Também é natural que pais conservadores ou liberais sintam desconforto ao falar desse assunto com as

Se existisse diálogo aberto e ensinamentos familiares de valores como a ética, a homofobia e o bullying não estariam acentuados

crianças, até porque os pais de hoje nem sabiam, quando criança, que a homossexualidade existia, então não havia uma preocupação em falar sobre isso na infância deles. Como conversamos sobre drogas, segurança on-line ou quaisquer outros assuntos, os pais devem ter com os filhos uma conversa sobre a homos-

sexualidade, que deve ser aberta e permanente. Orientar é um dever dos pais. Primeiro, é bom ressaltar que os pais não precisam elaborar uma historinha sem pé nem cabeça para falar sobre homossexualismo. À medida que as crianças vão ficando mais velhas, as conversas se tornarão mais profundas e íntimas, mas os pais ainda não têm de se concentrar nos rótulos atribuídos para a homossexualidade ou para a bissexualidade ou lésbicas ou gays. É bom para descrever e definir os termos de acordo com a maturidade da criança. Gosto muito de ajudar os pais a pensarem em “devolver” a pergunta que a criança fez. Por exemplo, uma criança de 5 anos pode perguntar “o que é homossexualismo?” Os pais podem neste momento perguntar a ela: o que você acha que é? Ou o que você sabe sobre o assunto? Provavelmente a criança vai tentar explicar o que ela acha que é, usando a linguagem compatível com a maturidade dela. A partir de sua explicação, os pais podem elucidar o pensamento da criança, respeitando a maturidade dela e dando-lhe informação que a satisfaça naquele momento. Não é aconselhável mentir. Os pais devem responder com naturalidade, falando sempre a verdade.

Saúde - A partir de que idade essa e outras questões sobre sexo podem ser abordadas? MP- Primeiro, vamos pensar que cada família vai abordar isso a sua própria maneira, com base em seus valores, nível de conforto e estilo. É melhor começar a falar com as crianças sobre a sexualidade à medida que elas mesmas vão sentindo-se a vontade para falar. As crianças são curiosas naturalmente em relação ao seu corpo, sendo menino ou menina. Essa curiosidade cria uma oportunidade natural para começar a conversar e começar a construir uma relação de respeito e confiança entre pais e filhos. Para crianças pequenas, você pode começar por ensinarlhes os nomes de suas partes do corpo ou perguntar se eles sabem por que meninas e meninos são diferentes. Quando falamos com nossos filhos sobre sexo, é importante manter uma conversa apropriada para a idade. Se uma criança de 5 anos de idade pergunta: “o que é o nascimento?”, podemos responder: “é quando um bebê sai do corpo de uma mãe”. Se uma criança de 10 anos fizer a mesma pergunta, a nossa resposta teria mais detalhes e pode começar com: “Depois de nove meses de crescimento dentro do útero de sua mãe, um bebê sai por meio de sua vagina”. Saúde- Como agir com a criança se perceber compor-


F5 FOTOS: DIVULGAÇÃO

MANAUS, DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO DE 2014

Mônica Pessanha é mestre em psicologia clínica pela PUC e neuropsicopedagoga

tamentos que possam ser interpretados como homossexualidade? MP - Acho que a interpretação, às vezes, é muito preconceituosa, porque não é o fato de um menino brincar de bonecas e uma menina de super-herói que vai fazer deles homossexuais. Muito pelo contrário, a criança em si não faz sexismo, quem faz essa distinção é adulto. Cabe ressaltar que na relação entre infância e comportamento, nossa identidade enquanto sujeitos vai se formando ao longo de nossas experiências de vida. Acho que se os pais se sentirem muito incomodados com a questão, podem procurar ajuda conversando com outros pais e buscar ajuda profissional para uma orientação.

O abuso de crianças é mais do que hematomas e ossos quebrados. Os danos são emocionais

Saúde - A partir de que idade a criança define sua opção sexual? MP- Consciência de uma criança de ser um menino ou uma menina começa nos primeiros anos de vida. Nos anos iniciais começam a descobrir seus órgãos genitais. Então, entre 1 e 2 anos de idade, as crianças tornam-se conscientes das diferenças físicas entre meninos e meninas; antes de seu terceiro aniversário são facilmente capazes de se identificar como um menino ou uma menina. Aos 4 anos, a identidade de gênero das crianças é estável, e eles sabem que sempre será um menino ou uma menina, veja que aqui ainda não falamos de opção sexual. Até porque devemos pensar em opção sexual para o meado da adolescência e início da fase adulta. Contudo, ocasionalmente, algumas crianças parecem apresentar papel de gênero confuso. Mais do que apenas uma falta um interesse em esportes, por exemplo, alguns meninos realmente tendem a identificar-se com questões femininas. Da mesma forma, algumas meninas se identificam mais com traços masculinos.

Essas características podem fazer surgir um conflito sobre sexo e relacionamento com os pares do mesmo sexo. As possíveis causas destas variações são, no geral, controversas. Saúde - Abusos na infância podem levar a um caminho diferente do previsto inicialmente? Ou seja, meninos abusados podem se tornar gays e meninas podem vir a gostar de meninas porque foram iniciadas

A melhor forma de lidar com uma pessoa homofóbica é não pagar com a mesma moeda, mas sim procurar se defender com diálogo

dessa forma? MP - O abuso de crianças é mais do que hematomas e ossos quebrados. Embora o abuso físico possa ser o mais visível, outros tipos de abuso, como o abuso emocional e a negligência, também deixam profundas cicatrizes. O abuso sexual infantil está cada vez mais causando implicações psicossociais, legais e médicas. É uma das formas mais complicadas de abuso, pois envolve muito sofrimento, culpa e vergonha. É importante reconhecer que o abuso sexual nem sempre envolve contato corporal. Expor a criança a situações sexuais ou a material sexualmente abusivo também é abuso sexual. A adolescência é uma época em que os meninos e meninas estão começando a explorar a sua própria sexualidade de forma vivida. Eles podem sentir-se inseguros ou até mesmo confusos sobre o que aconteceu com seus corpos. Abuso

sexual pode inflamar uma luta de crise de identidade sexual. Não há nenhuma evidência para sugerir que um menino ou menina que está sendo abusada sexualmente por outro homem ou mulher torna-se homossexual. Mais comum entre as vítimas adultas são problemas como depressão, ansiedade, distúrbios do sono, problemas de abuso de substâncias e relacionamentos fracassados, sendo que o efeito mais comum é a dificuldade de confiar nos outros. Saúde - A novela “Império” trata do tema e mostra um filho que abomina o pai, quando descobre que ele é homossexual. Como lidar com uma pessoa assim (homofóbica)? MP- Nesse caso não podemos pensar que a atitude do filho é exclusivamente homofóbica. A criança, quando cresce em um ambiente heterossexual, toma para si esse modelo, no geral. Ela cresce admirando o pai, querendo ser como ele, aprendendo dele os valores sociais, éticos e culturais. O pai é o modelo de herói e rival. Quando adulto tudo aquilo que ganhou de experiência na infância e na adolescência, ganha “vida”. Descobrir que o pai é homossexual é um choque para o modelo que foi, até um certo momento da vida, heterossexual. É nessa situação que existe uma quebra de paradigma significativa. O filho pode sentir-se traído. A traição envolve perdas e gera sofrimento, pode haver sentimentos de culpa, raiva e confusão e até distanciamento afetivo. É bom lembrarmos que no exemplo citado, a quebra de paradigma é heterossexual, mas também poderia ser homossexual. Mas independente dos sentimentos que o pai ou o filho expressam, uma coisa é fato: temos falado mais sobre homofobia do que ética.


F6

Saúde

e bem-estar

MANAUS, DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO DE 2014

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Doenças reumáticas não são exclusivas da

terceira idade Adolescentes, crianças e, principalmente, o público feminino são os mais afetados por esses males

U

ma prática muito comum entre a população é associar o aparecimento de dores reumáticas a pessoas que passaram da faixa etária dos 60 anos. Mas, diferentemente do que pensam essas dorzinhas não são exclusivas de quem está na terceira idade. Os jovens e até mesmo crianças podem ser acometidos pelo problema. O fisioterapeuta Helder Montenegro, fisioterapeuta, especialista em coluna vertebral, presidente da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna – ABRC, descreve que o reumatismo é um conjunto de doenças reumáticas que podem afetar as articulações, causando fraqueza muscular, inchaço e dores intensas. Existem diversas doenças reumáticas. No caso do aparecimento em jovens, as mais comuns são as que atingem as estruturas próximas às articulações. São elas: as tendinites, lombalgites, bursites, LER (Lesão por Esforço Repetitivo), entre outras. “As doenças reumáticas podem afetar pessoas de qualquer idade. Mas, a incidência é maior entre mulheres na faixa etária

entre 20 e 60 anos. As doenças mais comuns no público feminino são a lúpus, osteoporose, fibromialgia e artrite reumatoide”. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) a artrite reumatoide é, no mínimo, de entre duas a três mulheres para cada homem. Já a osteoporose aparece em 13 mulheres para cada homem.

Fisioterapia é aliada no tratamento

Algumas dores podem ser evitadas com exercícios adequados

A fisioterapia é um importante aliado ao tratamento das dores reumáticas. Ela ajuda tanto na prevenção como no tratamento dos distúrbios de movimento decorrentes de alterações de órgãos ou sistemas. “Podem ser utilizadas técnicas de mobilização articular para diminuir a dor e a rigidez das articulações, alongamentos musculares suaves, técnicas de massagem, medidas analgésicas como termoterapia, exercícios sua-

ves de Pilates e hidroterapia”, informa Helder. Ele descreve que por meio da utilização de alguns exercícios específicos para o tratamento das dores reumáticas é possível desenvolver ou reabilitar algumas funções do corpo. “O tratamento visa trabalhar nas disfunções provocadas por doenças crônico-degenerativas ou inflamatórias. Sendo que estas, atingem o sistema músculo esquelético e o sis-

tema conjuntivo de causas não traumáticas”, esclarece o especialista. Além de diminuir as dores reumáticas, a aplicação de técnicas de terapia manual atuam fortalecendo e alongando os músculos envolvidos. “O intuito é prevenir a instalação de deformidades ou a progressão do problema. Dessa forma, ajuda o indivíduo a ter uma qualidade de vida melhor”, conclui Montenegro.

Personal Fitness Club www.personalfitnessclub.com.br

Quem deseja perder peso rápido está disposto a se submeter a qualquer dieta restrita que tenha resultados. Entretanto, essas dietas que prometem perder cinco quilos em duas semanas contam com alguns vilões que podem colocar a saúde em risco e até provocar o efeito sanfona. Algumas dietas excluem do seu cardápio o carboidrato, que são responsáveis em fornecer nutrientes energéticos para o organismo. “Muitas pessoas cortam o carboidrato durante a noite por acreditar que esse é um método eficaz para perder peso mais rápido. Mas, assim que se corta o carboidrato, o organismo começa a gastar a energia reserva e, por isso, a maioria das pessoas que seguem esse tipo

de dieta reclama de cansaço, má qualidade de sono e indisposição”, afirma o nutrólogo André Veinert, da clínica Heatlhme – Gerenciamento de Perda de Peso. Segundo o nutrólogo, a falta do carboidrato no dia a dia também provoca um desequilíbrio no organismo. “A partir do momento que o carboidrato é excluído da alimentação e depois ele é reintroduzido novamente no cardápio, o indivíduo sofre uma alteração no organismo que pode até levar ao ganho de peso rapidamente”, explica. O que realmente emagrece é a redução das calorias no dia a dia e não restringir nenhum alimento. “Pular as refeições também não é recomendado. O ideal é se alimentar várias vezes ao dia para driblar a

fome. Durante as refeições, procure não beber muito líquido, beba água pelo menos uma hora antes de fazer a refeição”, sugere o nutrólogo. Equilíbrio nos alimentos A alimentação de quem deseja perder peso precisa ser equilibrada em relação ao carboidrato e proteínas. “Um prato saudável deve conter carboidratos, proteínas, legumes e verduras. Enquanto os carboidratos oferecem energia ao organismo, a proteína contribui para o crescimento dos músculos, a verdura para o funcionamento do intestino e os legumes, que são ricos em minerais e vitaminas, auxiliam na reposição do cálcio e no bom funcionamento da visão, entre outros benefícios”, esclarece o doutor André.

DIVULGAÇÃO

Dieta sem carboidrato pode até fazer mal Uma alimentação equilibrada é vital para emagrecer


A

s doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 300 mil óbitos por ano no Brasil - esse número representa uma morte a cada dois minutos. Dentre as mais frequentes estão o infarto e o AVC, que contabiliza mais de 100 mil mortes anualmente, de acordo com estatísticas do Ministério da Saúde. O AVC (Acidente Vascular Cerebral), popularmente conhecido como derrame, pode se caracterizar pelo surgimento de um quadro neurológico súbito causado por um entupimento ou pela interrupção do fluxo do sangue nas artérias do sistema nervoso central, podendo ser provocada pela formação de um coágulo. Esse, o mais comum, é chamado de isquêmico e representa 85% dos casos. Outro tipo, menos frequente, é o hemorrágico, que acontece devido ao rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo. A falta ou restrição de sangue pode provocar lesão ou morte celular, assim como danos nas funções neurológicas. Alerta O supervisor do setor de cardiologia clínica do Hospital do Coração (HCor), doutor Ricardo Pavanello afirma que a doença é a principal causa de incapacidade no mundo e que a incidência do AVC é maior que a do infarto em populações menos favorecidas. “Praticar atividades físicas regularmente, optar por uma alimentação balanceada, controlar o peso, não fumar e evitar o consumo excessivo de bebidas alcóolicas ajuda a se manter saudável e longe do AVC”, alerta o especialista.

Saúde

AVC contabiliza mais de

AVC figura em segundo lugar no ranking das doenças letais e pode ser prevenido

100 mil

casos por ano no Brasil

DIVULGAÇÃO

MANAUS, DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO DE 2014

e bem-estar

F7

Sintomas Em função do alto número de registros de mortes por AVC no país, em 2012 o governo federal lançou um programa de combate à doença com foco na prevenção. “A Linha de Cuidado do AVC” foi elaborada na Rede de Atenção às Urgências, que visa investimentos na rede básica de saúde, Samu, unidades hospitalares de emergência e leitos de retaguarda, reabilitação ambulatorial, programas de atenção domiciliar, entre outros aspectos. O AVC pode apresentar alguns sinais de alerta, como fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, na face, braço ou perna, confusão ou variação na fala ou compreensão, alteração de equilíbrio e coordenação e dor de cabeça súbita, sem causa aparente. Para saber se uma pessoa está sofrendo um AVC, a World Stroke Organization (WSO), Organização Mundial de Derrame, recomenda uma avaliação que consiste em três passos simples e rápidos: basta pedir para a pessoa sorrir e observar se o sorriso está torto, depois verificar se consegue levantar os dois braços, e, finalmente, pedir para repetir uma frase e identificar se há alguma diferença na fala, se está enrolada ou arrastada. Caso alguns desses sinais sejam notados, a orientação é que se deve procurar um médico imediatamente. Além de hábitos como tabagismo, ingestão de bebidas alcoólicas e sedentarismo, as principais causas para o desenvolvimento de um AVC são a hipertensão arterial e a fibrilação atrial (mais conhecida como arritmia).


Saúde

e bem-estar

MANAUS, DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO DE 2014

DIVULGAÇÃO

F8

Ressonância magnética no diagnóstico precoce do

câncer de mama O biomédico Javier Sordo reafirma a importância do exame para as mulheres na prevenção da doença

S

egundo tipo mais frequente no mundo, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que são cerca de 57 mil novos casos estimados em 2014 e o diagnóstico precoce é o maior aliado da mulher que luta pela cura. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após 5 anos é de 61%. Muitas pessoas não sabem que a mamografia não é o único exame para detecção e avaliação de nódulos mamários. Um método que vem ganhando muito espaço é a Ressonância Magnética (RM), um dos meios de diagnóstico

por imagem mais completos e sofisticados do mundo. Um dos maiores especialistas em Ressonância Magnética da América Latina, Javier Sordo, esteve em Manaus para uma palestra com o tema “Diferenciais da Tecnologia 3 Tesla”, na inauguração do Centro de Diagnóstico por Imagem da Unimed Manaus. O biomédico que atua há 24 anos no ramo explicou que a ressonância atua em praticamente todos os segmentos da medicina. “Há também uma forte tendência no segmento de oncologia devido à alta especificidade e qualidade de informações que fornece, o que torna o procedimento ímpar versus outros modelos de sistemas médicos”, disse. Segundo ele, de todos os âmbitos que a ressonância atua, a área de oncologia

carrega um diferencial muito grande e, dentro da área de oncologia, a subdivisão da mastologia, quando se trata da saúde da mulher. O método cada vez mais está se tornando um exame alternativo, até mesmo para consolidar ou não uma eventual lesão em uma paciente.

Ele acrescentou que mulheres com alto risco para desenvolver o câncer (com antecedente familiar), com mamas densas ou operadas da patologia com suspeita de reincidência, fazem parte do grupo para qual o exame pode ser recomendado. “A ressonância é um bom sistema para a triagem de lesões”, complementou.

A ressonância atua em praticamente todos os segmentos da medicina


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Saúde - 2 de novembro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu