Caderno F
MANAUS, DOMINGO, 1º DE FEVEREIRO DE 2015
DIVULGACÃO
Saúde
e bem-estar
saudeebemestar@emtempo.com.br
Depressão não é frescura
(92) 3090-1017
Páginas 4 e 5
Jovens apresentam
distúrbios do sono Insônia e queda de rendimento ao longo do dia estão entre os principais transtornos, de acordo com pesquisa MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO
O
s jovens brasileiros estão dormindo mal e enfrentando distúrbios ligados ao sono. De acordo com a pesquisa do Ipom (Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente), realizada em parceria com o Instituto Sou + Jovem, 88% avalia seu sono como ruim ou insatisfatório, declarando que encara dificuldades para dormir. Um exemplo dessa realidade é a universitária Kelly Almei-
da, 20. Ela conta que dorme mal, e dorme pouco. “Fico preocupada com o que tenho que fazer no outro dia, com coisas relacionadas à faculdade. Mas piorou quando decidi largar meu estágio, que também não estava acrescentando muita coisa em minha vida acadêmica”, conta. Kelly diz que chega em casa da faculdade às 22h. “Tento fazer o que preciso, estudo, mas na hora de deitar não consigo ‘pregar’ os olhos. Aí fico na internet, falando com os amigos pelas redes sociais. Sei que deveria dormir na hora certa e aproveitar o dia, mas não consigo. Fico até altas horas acordada, e de dia durmo, mas
já acordo cansada”, explica. Como consequência, Kelly Almeida conta que o aspecto da sua pele piorou, suas taxas estão alteradas, e já começam a surgir complicações por conta do sono desregulado: ganho de peso, mau humor e rendimento baixo. Preocupados A história da universitária não é única. Quase a maioria dos pesquisados, 47%, afirmou que acorda e dorme várias vezes ao longo da noite, enquanto 43% dormem de 3 a 5 horas por noite. Desse universo, 58% já acordam cansados e 94% declaram que sentem sonolência ou queda de rendimento ao longo do dia. Para compensar a fadiga pelas noites insones, 59% costumam dormir cerca de cinco horas a mais aos finais de semana. A insônia é a campeã de queixas entre os 1.830 jovens de 14 a 18 anos que participaram de pesquisa, realizada pelo Ipom no último trimestre de 2014 nas principais cidades brasileiras. O total de 53% dos pesquisados alegaram que têm perdido o sono em função de preocupações ligadas aos estudos, enquanto outros 53% apontaram que as preocupações financeiras têm levado o sono embora.
A pesquisa também revelou que 82% dos pesquisados dormem com o celular ligado ao lado da cama, 45% com a TV e 22% com o computador. Para a psicoterapeuta e presidente do Ipom, Myriam Durante, o resultado do estudo é preocupante e as noites mal dormidas estão se tornando um problema. “Hoje, os jovens estão levando uma vida tão corrida que mal sobra tempo para cuidar de si mesmo. Eles estão sempre acelerados e plugados, o que dificulta muito o relaxamento físico e mental. Muitas vezes eles só conseguem ‘apagar’ por exaustão, estando sujeitos às complicações de saúde física e mental”, explica a especialista. A médio e longo prazo, a má qualidade do sono provoca vários distúrbios comprometedores, como alterações de humor e comportamento. A pessoa que não dorme bem passa o dia se sentindo sonolenta, tem sua concentração afetada, dificultando as reações rápidas. “Para os jovens, dormir mal tem um preço alto, pois interfere no aprendizado. Sem um sono reparador, eles têm um desempenho escolar muito inferior ao que poderiam ter, pois não conseguem reter tudo aquilo que aprendem”, diz Myriam.
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João Bosco Botelho
DICAS DE SAÚDE
joaoboscobotelho@gmail.com / www.historiadamedicina.med.br
A queda do Muro de Berlim Durante o pós-doutorado, em algum dia do inverno de 1992, entre janeiro e fevereiro, conheci na salle de garde, da Universidade de Paris 7, o médico albanês Halrian Plavcz. Pelo crachá de identificação atado à bata branca, se sabia os nomes e países de origem dos médicos e estudantes que circulavam no hospital. As salles des gardes são as salas de refeições somente dos médicos. A tradição de os médicos comerem em lugares separados dos da administração hospitalar remonta à Revolução Francesa. Durante o almoço, o nosso diálogo começou em consequência da notícia, no jornal “Le Monde”, analisando a alta inflação brasileira. Não me lembro como a conversa avançou na direção da ruína da ordem socialista-comunista, no Leste europeu. Nesse momento, o médico albanês, com certa emoção, disse que estava, naquele momento e naquele lugar, porque o Muro tinha sido derrubado. Em seguida, explicou que a intolerância à liberdade, antes da queda do muro, seria facilmente compreendida por meio da peça teatral “A grande roda”, do teatrólogo Vaclav Havel, na época, presidente da Tchecoslováquia, que estava sendo encenada no Teatro de la Ville, um dos mais de 300 teatros
parisienses em funcionamento. A peça é essencialmente voltada à forte crítica do modelo socialismo-comunismo (ou comunismo-socialismo), que enclausurou a liberdade às ordens dos partidos comunistas. Aos que estavam próximos, era visível o aumento da tensão emocional do Halrian, ao dizer que nunca compreendeu como os membros dos partidos comunistas, uma porção minoritária em relação à população, conseguiram se manter tanto tempo no poder. Durante alguns instantes, fitando a fumaça do cigarro entre os dedos amarelados, perguntou como as pessoas puderam ter se encantado com um partido político que, essencialmente, baniu as mais elementares noções de liberdade. Naquele momento, relembrei para ele a viagem realizada ao Leste europeu, no inverno de 1976, quando visitei vários países. É difícil esquecer o entardecer gelado do domingo, em Sofia, na Bulgária, quando fotografei os dois policiais na porta da magnífica catedral, fiscalizando os papéis de autorização para as pessoas entrarem e assistirem a missa. O médico albanês afastara o prato de comida e ajeitou os cabelos precocemente embranquecidos.
Acendendo outro cigarro, perguntou se eu era cristão. Sem esperar a resposta, elevando o tom da voz, disse que o pai dele era pastor metodista e que, inconformado com a miséria dos camponeses, acreditou nas propostas do socialismo-comunismo. Não muito tempo depois, viu os amigos que contestavam a autoridade do partido comunista serem julgados e condenados. Por ter discordado publicamente com um desses “julgamentos”, foi preso e a família nunca mais teve notícia dele. Em poucos dias, a igreja foi transformada em viveiro de galinhas e patos. Nesse instante, vi que o médico chorava sem ruído; as lágrimas escorriam pela face muito branca. O refeitório estava em silêncio; todos ouviam e viam o pranto do médico quando ele aumentou ainda mais o tom da voz para dizer que tivera mais sorte. Seu irmão Glawcav morreu de frio e de fome antes de alcançar a fronteira italiana. Halrian soluçava e alguns médicos perguntavam o que se passava. Uma médica búlgara, também refugiada, afagava-lha o braço. Halrian sentou-se e com a cabeça baixa continuou o pranto de dor. Não lembro quanto tempo passou até retornarmos às salas de aulas.
João Bosco Botelho Membro Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
Durante o almoço, o nosso diálogo começou em consequência da notícia, no jornal ‘Le Monde’, analisando a alta inflação brasileira”
Soro fisiológico é ótimo para hidratar a pele Muitas atrizes revelaram que assim que acordam lavam o rosto com soro fisiológico gelado para acalmar, refrescar e limpar a pele. A limpeza de pele com o soro não é profunda, portanto, não é viável para tirar a maquiagem, é uma limpeza natural, o ideal seria usá-lo com essa finalidade pela manhã. Para acalmar e hidratar a pele, o soro fisiológico é comparável à água termal, claro, com as devidas ressalvas (a água termal tem todo o diferencial de ser extraído de fontes termais, o que garante maior estabilidade dos minerais, além de ser enriquecido em laboratório). Mas o soro faz bem o papel de acalmar e de hidratar a pele.
Humberto Figliuolo hfigliuolo@hotmail.com
Os jovens e o álcool Uma relação perigosa. Eles começam cedo, e, aos poucos vão aumentando o volume e a graduação alcoólica. Se o alcoolismo já é por si só um grave problema de saúde pública no Brasil, entre os jovens parece ser ainda mais dramático. Pesquisas apontam que 6,99% dos rapazes e 3,5% das meninas com menos de 17 anos estão se tornando dependentes de álcool. Os jovens estão bebendo mais e mais cedo e as moças parecem querer se igualar a eles em volume consumido, o que ainda é mais grave, porque, não tendo as mesmas enzimas hepáticas do homem para metabolizar o álcool, elas se embriagam mais rapidamente. Rapazes e moças estão bebendo dentro do chamado padrão bebedeira de consumo, ou seja, cinco doses de bebidas alcoólicas em um período de duas horas. Dentro desse padrão, as pessoas bebem para se embriagar. Isso gera violência, sexo desprotegido, acidente de carro. É um cenário muito preocupante, pois o consumo excessivo de bebidas alcoólicas acarreta sérios riscos à vida profissional, pessoal e principalmente familiar do dependente. O álcool é uma droga legal que existe há milhões de anos e prova-
velmente existirá por muito tempo. É a única droga que pode ser usada tanto moderadamente, todos os dias, no caso de uma inocente taça de vinho no jantar, como sem controle nenhum. É uma droga democrática, a que todos têm acesso. É barata e está ligada a situações de celebração, aniversários, festas, baladas, brinde e recepções. O negócio é beber de forma rápida para obter efeitos imediatos. E há motivos para isso. Os jovens em geral vivem em grupo. O álcool bioquimicamente deixa a pessoa mais solta, mais legal, mais relaxada, o que conta pontos no grupo; o menino se sente mais macho quando mais consegue beber. As meninas bebem inicialmente para se mostrar, na tentativa de exibirem uma personalidade forte. E, infelizmente, ficam expostas a uma situação ainda mais constrangedora e perigosa, que é o assedio consentido. O álcool faz perder a noção do limite. O álcool não gera dependência rapidamente, ao contrário de outras drogas, como o crack, que gera dependência instantânea, o álcool precisa de uma longa exposição, em geral, anos. Para a grande maioria dos jovens, felizmente, a ficha cai no momento em que ele começa a trabalhar e a
ter mais responsabilidades, quando ele deixa de beber por beber. Mas pelo menos 20% dos jovens serão adultos dependentes. A tendência é partir depois para bebidas mais pesadas, os destilados que tem uma concentração maior de álcool em um volume menor. O dependente de álcool precisa de muita cerveja para se aliviar, com destilados, menos e mais rápido. O contato com a bebida é inevitável, é quando ele vai sentir, pela primeira vez, o efeito do álcool em seu corpo. A principal âncora é a família, quando a família transmite uma escola de valores éticos e de respeito ao outro. Uma segunda amarra são os amigos mais equilibrados. Se o jovem chega à adolescência em estado de depressão, angústia ou ansiedade, e sem amarras, o álcool será um aliado. O jovem precisa de um modelo, de um objetivo de vida, valores normalmente construídos na relação familiar. Se nada disso existir, o álcool passa a compensar essa ausência. A verdade é que vivemos em um mundo de crise, em que faltam, na grande maioria, modelos em quem se inspirar e sobram momentos de vazio existencial, e nesse vácuo que o álcool chega e faz estragos.
Humberto Figliuolo farmacêutico
As meninas bebem inicialmente para se mostrar, na tentativa de exibirem uma personalidade forte”.
Remédio caseiro para combater fungos nas unhas Micoses e fungos nas unhas é o pior que pode acontecer para quem adora viver no esmalte. Então, se você foi vítima, é bom cuidar logo antes de perder a unha. Se o caso não for grave, uma boa dica caseira pode ajudar. Misture um sachê de ácido bórico (vendido em farmácias) com um potinho pequeno inteiro de vaselina sólida (vendido em farmácias). Misture somente esses dois ingredientes (que serve como pomada contra qualquer micose ou coceira) e passe na unha da seguinte maneira: corte a unha oca até onde der, não importa se ficar feio, corte todo o oco e passe a mistura diariamente no local. O ideal é passar pelo menos três vezes ao dia.
Expediente Editora Vera Lima weralima@yahoo.com.br
Diagramação Adyel Vieira
Repórter Mellanie Hasimoto
Revisão Dernando Monteiro
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Saúde
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Bruxismo
pode causar zumbidos nos
ouvidos Fatores genéticos, estresse, tensão, alterações de mordida são alguns problemas que podem estar ligados ao bruxismo
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ocê sente dores de cabeça ao acordar? Fica com os músculos da mandíbula doloridos? Esses sintomas são peculiares do bruxismo, uma desordem funcional que é caracterizada pelo ato de ranger os dentes durante o sono. O problema é que além de provocar o desgaste dentário, na gengiva e na articulação da mandíbula (ATM), o esforço de friccionar os dentes pode originar incômodos zumbidos no ouvido no decorrer do dia. “A dor têmporomandibular pode limitar o individuo durante a realização de pequenas tarefas no dia a dia em decorrência dos incômodos que repercutem por toda a cabeça, podendo afetar até mesmo nas costas”, descreva a fonoaudióloga e coach, Patricia Antoniazi.
Segundo a fonoaudióloga, as causas são multifatoriais para o acometimento do bruxismo. Porém, alguns fatores podem estar relacionados com o aparecimento desse distúrbio. “Fatores genéticos, estresse, tensão, alterações de mordida, problemas dentários, alterações musculares de fechamento inadequado da boca são alguns dos problemas que podem estar ligados com o acometimento de bruxismo tanto em homens como mulheres”, explica. Sintomas - Dificuldades no sono; - Dificuldade para conseguir manter a concentração nos estudos, trabalho ou demais atividades diárias; - Desgaste dos dentes; - Dores de cabeça, no pescoço, no ouvido e nas costas;
- Desequilíbrio da musculatura mastigatória; - Alterações de fala e voz. Tratamento Em muitos casos, o individuo só descobre que tem o bruxismo porque outra pessoa o observou dormindo e percebeu o ranger dos dentes. Nestes casos, o mais recomendado é buscar avaliação clínica e realizar um exame denominado polissonografia que ajuda a identificar o grau do distúrbio e determinar sobre o tratamento adequado. “O tratamento pode precisar de placas de silicone ou acrílico, que ajuda a proteger os dentes. Já no caso do zumbido, além da mudança de hábitos, o especialista pode recomendar o uso de medicamentos bem como o da fonoaudiologia para melhorar a audição”, conclui Antoniazi.
O tratamento pode precisar de placas de silicone ou acrílico, que ajuda a proteger os dentes
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não é ‘frescura’ Ao se constatar um quadro depressivo, a pessoa deverá utilizar os recursos disponíveis para o tratamento, tais como medicação antidepressiva e auxílio psicoterápico VERA LIMA Equipe EM TEMPO
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epressão não é brincadeira, nem frescura de quem quer chamar a atenção dos outros. Também não é tristeza que não tem cura, nem mal que o tempo se encarrega de apagar. Depressão é doença, e doença grave, que exige diagnóstico e tratamento adequado porque a falta de assistência especializada pode levar a pessoa à morte. Os dados comprovam que a depressão tem que ser encarada com mais seriedade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é hoje a doença mais incapacitante e afeta 7% da população mundial, algo em torno de 400 milhões de pessoas. O ponto que chama mais atenção é que a expectativa era que esse número fosse alcançado em 2030, mas a marca foi atingida em 2010, 20 anos antes do prazo. Para o dr. Hamilton Grabowski, psiquiatra formado pela Universidade Federal do Paraná, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e pesquisador clínico na área, um dos fatores que inibe quem sofre com a doença a procurar tratamento é o efeito colateral de alguns medicamentos. “O que poucas pessoas sabem é que hoje já existem substâncias eficazes que amenizam esses efeitos, permitindo que os pacientes tenham uma vida social normal, mesmo durante a terapia”, destaca. O Saúde e bem-estar conversou com o especialista sobre o assunto para esclarecer as principais dúvidas sobre o mal que ameaça a sobrevivência de milhões de pessoas em todo o mundo. SAÚDE- O que pode explicar esse aumento em casos de depressão? Hamilton Grabowski - Em primeiro lugar, ao longo das últimas décadas, a depressão passou a ser melhor diagnosticada e divulgada. Assim, as pessoas começaram a procurar mais os tratamentos oferecidos. Aumentaram também os diagnósticos de doenças clínicas produtoras de depressão como, por exemplo, o hipotireoidismo. Além disso, se evidencia um aumento real na incidência de novos casos de depressão nos estudos epidemiológicos. Isso é atribuído a possíveis causas como o stress da vida contemporânea (altos níveis de competitividade, violência urbana), a falta de valores existenciais, solidão e aumento no consumo de álcool e drogas. De uma forma generalizada, as pessoas se sentem mais insatisfeitas com suas vidas. SAÚDE - Como diferenciar a depressão de outros estados semelhantes como tristeza, angústia e ansiedade? HG - Tristeza se refere a um sentimento normal, que pode ser experimentado ao longo da vida por todos nós como consequência de adversidades, tais como a perda de um ente querido (luto), doença ou algum tipo de frustração ou aborrecimento. É esperado que possamos superar estas dificuldades, entendendo-as como parte de nossas vidas, comuns a todos os seres humanos e geralmente não precisam ser tratadas. A ansiedade é uma condição psíquica que frequentemente vem associada com depressão. A ansiedade se caracteriza por alguns sintomas como uma preocupação excessiva, geralmente antecipada, relacionada a fatos futuros (de-
sempenho profissional, saúde dos filhos etc.) gerando emoções de medo, irritabilidade, inquietação constante. Ela é geralmente acompanhada de sintomas físicos como cansaço, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbações do sono. As preocupações são sentidas como involuntárias e são difíceis de serem controladas pelas pessoas. Como a ansiedade e a depressão compartilham sintomas comuns, facilmente são confundidas. O psiquiatra ajudará os pacientes no diagnóstico e tratamento. A angústia é considerada um sinônimo de ansiedade, porém alguns estudiosos preferem chamar de angústia, quando há uma presença maior de sintomas físicos nos quadros de ansiedade, como, por exemplo, aperto no peito ou sensação de falta de ar. SAÚDE- Como proceder ao se constatar que de fato é depressão e quem pode diagnosticar o quadro? HG - Às vezes uma depressão é tão evidente que pessoas comuns já percebem e ajudam o outro a buscar tratamento. Geralmente, as pessoas deprimidas chegam aos consultórios médicos levadas por seus familiares, amigos ou colegas de trabalho, pois, muitas vezes, os sintomas depressivos causam uma incapacidade tão grande que inibem os indivíduos de buscar auxílio espontâneo. Os médicos são as pessoas habilitadas a fazer o diagnóstico, principalmente os especialistas da área de saúde mental como os psiquiatras. Os psicólogos também são profissionais habilitados para este auxílio. Ao se constatar um quadro depressivo, a pessoa deverá utilizar os recursos disponíveis para o tratamento, tais como medicação antidepressiva e auxilio psicoterápico. Muitas vezes será necessário o afastamento das atividades e, em casos muito graves, até internamento hospitalar. Pessoas gravemente deprimidas podem perder o prazer pela vida e ter desejos de morrer. Toda esta ajuda visa evitar o desfecho mais cruel de todos que pode ser o suicídio. O apoio e a compreensão da família são fundamentais. Depressão é uma doença altamente incapacitante e não pode ser olhada como uma “fraqueza” ou “frescura” do outro. Frases que são ditas para um deprimido como “você não se ajuda”, “não te falta nada” e “há pessoas que tem coisas piores” são inapropriadas e agravam a culpa de quem está em sofrimento.
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SAÚDE - Depressão tem cura ou a pessoa pode ter recaídas ao longo da vida? HG - A depressão é considerada uma doença crônica, porém episódica. Por exemplo, se você tiver um diagnóstico de diabetes, você passará a tê-la para o resto da vida e necessitará usar medicamentos diariamente. A depressão costuma acontecer em episódios, que geralmente ocorrem ao longo da vida. Muitas vezes os episódios se sucedem com muita frequência e, nestes casos, é indicado que o paciente utilize medicamentos antidepressivos de maneira contínua e permanente. Isto se deve a uma constatação no mundo de que cada novo episódio de depressão vem mais forte e de mais difícil tratamento, sendo muito melhor prevenir novas crises. O objetivo do tratamento será não só reduzir os sintomas da depressão, mas também obter um reestabelecimento completo com o retorno pleno às atividades anteriores habituais da pessoa. Antigamente a dificuldade era conseguir uma substância que conseguisse tratar a doença e ainda ajudar o paciente a retomar a vida. Mas hoje isso já é possível. Estudos mostram que a agomelatina (Valdoxan) atua no cérebro restaurando os ritmos biológicos. O paciente se sente melhor, acorda mais disposto, com pensamentos mais claros e apresenta aumento da atenção desde o início do tratamento. É uma substância comprovadamente eficaz em todos os sintomas da depressão. O processo de melhora é gradual e contínuo: logo nas primeiras semanas de tratamento é percebida uma melhora dos aspectos positivos, como padrão do sono, disposição ao despertar, cognição, prazer e
interesse. Em seguida os aspectos negativos, como humor deprimido, ansiedade e sentimento de culpa, são trabalhados. Portanto, agomelatina é eficaz desde o princípio do tratamento. Sem alterar a libido, nem o peso. SAÚDE- É hereditária? HG - Como em toda a medicina, as doenças têm fortes características familiares. Existem famílias onde a presença de depressão ocorre com mais frequência. Características hereditárias não são uma condenação, porém, aumentam o risco para depressão se existem familiares próximos que tem ou tiveram o transtorno. O desenvolvimento da depressão depende também de fatores ambientais e psicossociais, como o stress. O tratamento O processo de melhora do paciente tratado com a agomelatina é gradual e contínuo. Ela repara primeiro os aspectos positivos (rapidamente percebidos ainda na primeira semana), como melhora da disposição ao despertar e do padrão de sono, retorno da cognição, prazer e interesse, e logo em seguida os aspectos negativos (humor deprimido, ansiedade e sentimento de culpa). Portanto, a substância se mostrou eficaz desde o princípio do tratamento, sem alterar a libido (preservando a vida sexual), nem o peso. A agomelatina atua no cérebro restaurando os ritmos biológicos. “O paciente tratado se sente melhor, acorda mais disposto, com pensamentos mais claros e apresenta aumento da atenção desde o início do tratamento”, afirma Grabowski.
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câncer
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O sem mitos
Tire dúvidas sobre a doença do século, que continua fazendo vítimas em número cada vez maior e que ainda é cercada de muitas crenças
Q
uando ouvimos falar em câncer, inevitavelmente, pensamos no pior. Mesmo com os mais inovadores tratamentos disponíveis no mercado, a maioria das pessoas ainda desconhece vários aspectos da doença. Isso ocorre porque existem muitas ideias errôneas sobre o câncer e suas causas. Muitas vezes, uma má interpretação de fatos relacionados à doença ou à generalização de um caso isolado, assim como especulações, acabam por fazer com que conceitos e até mesmo crenças se apresentem como verdades, atrapalhando a prevenção e o tratamento da doença. O médico oncologista Leandro Ramos ajuda a desmistificar o câncer. Saúde - Muitos falam da hereditariedade do câncer. Isso é mito ou verdade? Doutor Leandro Ramos - Em geral o câncer não é hereditário, porém, existem alguns casos, como o câncer de mama, que apresentam uma mutação no gene BRCA1 e 2, que tem uma transmissão hereditária (cerca de 7% do total dos cânceres de mama). Outro exemplo é o câncer de cólon, quando associado ao surgimento de pólipos intestinais. Saúde- Conte-nos sobre alguns tumores hereditários. LR - Um exemplo clássico de câncer hereditário é o retinoblastoma - doença maligna que compromete o olho e ocorre em crianças. No entanto, existem alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais sensíveis à ação dos carcinógenos ambientais, o que explica por que algumas delas desenvolvem câncer e outras não, quando expostas a um mesmo carcinógeno. Saúde- Sabendo que a incidência do câncer de mama tende a aumentar com a idade, a partir de quantos anos a mulher deve realizar
a mamografia? LR - O câncer de mama é mais frequente em mulheres com mais de 50 anos, porém, temos observado um aumento significativo do diagnóstico em mulheres mais jovens. Por este motivo, a mamografia deve ser realizada após 40 anos, e qualquer alteração nas mamas deve ser comunicada ao médico. Saúde - A rotina das mulheres vem mudando nas últimas décadas e muitas optam por não ter filhos. Deixar de ter filhos aumenta o risco de câncer de mama? Por quê? LR - Sim. A mulher que nunca engravidou apresenta uma maior possibilidade de desenvolver o câncer de mama. Isso acontece devido à produção hormonal que ocorre neste período, que é um fator protetor contra o câncer de mama. A amamentação também é um fator protetor contra a doença. Saúde - O uso excessivo de celular aumenta o risco de câncer? LR - As ondas eletromagnéticas, quando em altas concentrações, estão relacionadas ao surgimento de câncer. Porém, até o momento, a relação entre o uso do telefone celular e câncer não está definida. A recomendação é o uso limitado deles.
O melhor recurso contra o câncer ainda é a prevenção
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Qualquer atividade física praticada com regularidade pode beneficiar os hipertensos
Atividade física para hipertensos Que atividade física faz bem a quem sofre com a pressão arterial todo mundo já sabe, o que algumas pessoas desconhecem é que podem ter problemas de pressão arterial sem sintomas alarmantes. É bom destacar que exercícios alteram a pressão sanguínea, mas, esta alteração depende da pressão arterial do indivíduo, ou seja, em indivíduos com pressão arterial (PA) normal, pouco alteração ocorre com o treinamento, mas, provocam redução significativas em indivíduos hipertensos leves e moderados. Os exercícios aeróbios moderados e de longa duração são os mais eficientes na diminuição ou na regularização da PA, principalmente quando associados à redução do peso corporal e da ingestão de sal. O American College of Sports Medicine (ACSM) e outros revisores concluíram que as pessoas com hipertensão discreta podem esperar uma queda média das pressões arteriais sistólica e diastólica de 8 a 10 mmHg e 6 a 10 mmHg, respectivamente, em resposta ao
exercício aeróbio regular. Os programas de exercícios devem ser de predominância aeróbia, como caminhadas, corridas leves, ciclismo, natação. Vale destacar que a frequência das atividades não deve ser inferior a quatro vezes por semana, com a duração inicial de 30 minutos aumentando gradativamente a uma hora e a intensidade entre 40 a 65% da frequência máxima. A hipertensão acomete crianças, adultos e idosos de ambos os sexos, embora atinja mais homens e pessoas com a idade mais avançada. Tratase de uma doença crônica que não tem cura e pode aparecer por herança genética. A causa, na maioria das vezes, é desconhecida. Entretanto, diversos fatores contribuem para o surgimento da doença. Exemplo deles são: obesidade, alto consumo de bebidas alcoólicas, cigarro, estresse e preocupações em excesso, uso exagerado de sal, nível de diabetes e de colesterol elevados e sedentarismo. O ACSM (American College of Sports Medicine)
recomenda exercícios anaeróbios como uma estratégia não farmacológica no tratamento da hipertensão. Por outro lado, a musculação também potencializa a conquista deste objetivo e tem grande segurança cardiovascular para indivíduos hipertensos, desde que bem controlados e orientados por um profissional da área. A combinação de aeróbios e musculação traz grandes benefícios para o hipertenso, já que o treino com pesos ajuda no emagrecimento, aumenta os níveis de força e de massa muscular, diminui a resistência periférica, a frequência cardíaca e a pressão sanguínea. Antes de iniciar o programa de exercícios é indispensável um exame cardiológico completo para identificar possíveis riscos. Outro cuidado em relação à pressão arterial. É necessária a verificação da mesma antes do início da atividade para saber se é possível praticar a musculação no determinado dia ou não. Após a prática é recomendado o descanso.
Abuse das saladas no
verão A base da salada deve ser de folhas verdes, como alface, agrião, rúcula e para incrementá-la existem alimentos funcionais
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s saladas são as queridinhas de quem busca uma vida mais saudável ou deseja perder aqueles quilinhos extras. Nas temperaturas mais elevadas, o organismo sofre e, para facilitar sua adaptação, uma alimentação leve e rica em nutrientes faz toda a diferença. “As folhas verdes são importantes principalmente por serem fontes de vitaminas e minerais, porém o acréscimo de outros alimentos como frutas, linhaça, chia, quinoa e até temperos como o alho, por exemplo, agregam valor nutricional ao prato”, afirma a nutricionista Cintya Bassi. A base da salada deve ser de folhas verdes, como alface, agrião, rúcula entre outras, e para incrementá-la existem alguns alimentos considerados funcionais que podem ser incluídos no cardápio. “A soja ajuda a manter o equilíbrio hormonal das mulheres na fase da menopausa e contribui para a redução de colesterol; o alho, que auxilia na manutenção da pressão arterial; o tomate, que possui ação antioxidante e previne contra doenças como o câncer de próstata; frutas como a manga, que possui nutrientes precursores da Vitamina A; a maçã, que auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares e câncer de pulmão”, acrescenta a especialista. Os legumes também são uma boa pedida para turbinar a salada e ajudar na sensação de saciedade. “Assim como as verduras, os legumes são fontes importantes de nutrientes que vão além de vitaminas e minerais e encontram substâncias específicas de cada um, como é o caso da cenoura, que possui forte ação antioxidante e é rica em pectina, fibra solúvel que auxilia no funcionamento intestinal. Diversos legumes podem ser incluídos nas saladas, é o caso da abóbora, berinjela, cenoura, palmito, pimentão, batata e nabo. Entre esses os menos calóricos são abobrinha, berinjela, nabo, cenoura e pimentão”, explica a profissional. Conservação Os nutrientes dos legumes são mais bem aproveitados quando o alimento é consumido cru. Porém se a opção é consumi-los cozidos, o cozimento a vapor conserva melhor os nutrientes. “Principalmente por que, nesse caso, ele não é imerso na água, então mantem suas propriedades. Alguns legumes podem ser preparados na grelha, como a abobrinha e o pimentão, e prepará-los assados também pode ser uma forma de conservar os nutrientes e variar o sabor”, ensina Cintya. Aos fãs de sabores agridoces, a nutricionista indica a inclusão de frutas na salada. “As frutas são essenciais para a saúde, já que possuem nutrientes capazes de fortalecer o sistema imunológico, auxiliar na prevenção de doenças e envelhecimento do organismo devido às substâncias antioxidantes, contribuir para o funcionamento adequado do intestino, por causa das fibras, entre outras coisas. Elas podem ser incluídas nas saladas e contribuem ainda para deixar o prato mais saboroso”. Nutrientes importantes As proteínas devem compor todas as refeições pois são nutrientes fundamentais para o crescimento, reparação e conservação de órgãos, músculos e células. Devem constituir entre 10% e 15% do valor calórico da refeição e isso é facilmente obtido com o consumo de leites e derivados, carnes e leguminosas.
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Psicologia no divã
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Christiam Costa
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“Lembro que naquela manhã acordei confuso e em busca de algo que me deixasse mais calmo. Tive uma semana estressante no trabalho, e só queria sair dali para esfriar minha cabeça. Sempre me relacionei melhor com crianças, pois elas não me criticavam o tempo todo. Não tinha dúvida que ao entrar na minha Kombi, era uma criança que iria me fazer companhia. Depois de uns 30 minutos dirigindo, percebi um grupo de meninas que estavam brincando em uma praça... Então observei e estacionei minha Kombi próxima ao grupo. Percebi que à medida que me aproximava delas, ficava mais ansioso e a única maneira daquela ansiedade diminuir, era descer do carro e oferecer ao grupo de meninas uma série de jogos que estava amontoado atrás do banco do motorista. Uma dessas meninas, que parecia ser a mais carente, se interessou mais que as outras pelos jogos e brinquedos que eu mantinha no carro. Não foi difícil convencê-la a ir até minha casa para que eu pudesse lhe mostrar outros jogos e brinquedos... Ao chegarmos em casa coloquei um vídeo infantil...Tomei um banho e voltei para ficar com ela. Tentei acariciá-la
e demonstrar todo o amor que estava sentindo naquele momento, mas ela reagiu chorando e pedindo para ir embora. Disse a ela que antes de ela ir para casa, tínhamos de nos conhecer melhor e que o ideal seria que ela relaxasse e permitisse que eu apenas a tocasse...Era só isso que eu queria” (relato de um presidiário condenado por pedofilia). Ouvir um relato desses é no mínimo sentir-se indignado e se fazer a seguinte pergunta: Por quê? O que leva um indivíduo adulto a ter preferências sexuais por uma criança? Que tipo de “doença” é esta? Por quê não se contentar com relações adultas e maduras? Por quê traumatizar uma criança? Todos estes questionamentos nos levam a reflexão deste artigo e do tema em questão que é a pedofilia e a violência sexual. A violência de um modo geral é entendida como um comportamento extremo e prejudicial em nossos dias, mas também não podemos esquecer que em nossas raízes primitivas, este comportamento era necessário para a própria sobrevivência e perpetuação da espécie. Por motivos sociais, genéticos e comportamentais, a violência sempre esteve presente na história da humanidade.
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Pedofilia e violências sexuais Christiam Costa tem formação acadêmica em filosofia e psicologia, com especialização em terapia cognitiva e mestrado na área de psiquiatria forense
De uma maneira geral, o ato pedofílico consiste em toques, carícias e agrados às crianças
Atualmente, indivíduos que manifestam qualquer modalidade de violência durante suas relações sociais, com mais persistência que os demais, percebem que este comportamento está presente em suas vidas de forma intensa e demonstram em seus comportamentos, poucas possibilidades de controle, ou seja, entende-se que são mais impulsivos, agressivos e com baixa tolerância à frustração. Estes indivíduos possuem características, onde demonstram dificuldades de seguir normas sociais e padrões éticos. Como consequência destes fatos, estruturam paradigmas e normas específicas que lhes
proporcionem ganhos pessoais e obtenção imediata de prazer. Pensando em especial na violência sexual, podemos, em alguns momentos, associar este padrão de comportamento disfuncional as parafilias, que são atitudes sexuais diferentes daquelas entendidas como normais pela sociedade, sendo que as pessoas que as praticam possuem preferência sexual “desviada”, por se tornar uma necessidade de prazer prioritária e exclusiva. É importante ressaltar que ela se torna exclusiva porque exclui o normal e pessoas parafílicas podem ter dois ou mais tipos de parafilias ao mesmo tempo. Como por exemplo,
o sadismo, o masoquismo e o fetichismo. As parafilias geralmente são praticadas por uma pequena parcela da população, mas como essas pessoas cometem atitudes parafílicas com muita frequência e repetição, tem ocorrido um grande número de vítimas delas. SERVIÇO Curso: Crimes sexuais – causas e consequências Professor: Christiam Costa Local: auditório da Escola Superior de Tecnologia da UEA (antiga Utam) Data: 6.2.2015 Informações:99161-0218/ 99292-962306
Por motivos sociais, genéticos e comportamentais, a violência sempre esteve presente na história da humanidade”.