Imóveis & Decor - 6 de dezembro de 2015

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MANAUS, DOMINGO, 6 DE DEZEMBRO DE 2015

Para que serve o Registro de Imóveis. Página 3

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Respeito ao meio ambiente com a arquitetura verde As preocupações com o uso consciente de recursos e bens naturais deram espaço ao estilo de projetos arquitetônicos ANDRÉ TOBIAS

O

timizar a utilização de recursos naturais com o objetivo de minimizar os impactos ambientais de grandes construções. Este é o desafio da chamada “arquitetura verde”, termo usado em projetos arquitetônicos que visam trabalhar com um conjunto de práticas, conceitos e técnicas que contribuem para uma obra sustentável, criando uma harmonia entre o produto final e evitando danos desnecessários à natureza. A arquiteta e urbanista Mayara Pierre, da Quest Arquitetura Criativa, afirma que as preocupações com o meio ambiente, o uso consciente de recursos e a reutilização de bens naturais, fizeram com que a chamada arquitetura verde ganhasse cada vez mais espaço. Segundo ela, já há, inclusive, um selo internacional que é dado a construções “responsáveis”. “Para ter esse selo, precisa cumprir várias etapas dentro do processo de construção. Reciclar tudo o que é de plástico, não usar

madeira, a utilização do mais avançado tipo de placa solar, o uso de escoria de metal, a reutilização do cascalho, evitar ao máximo fazer sujeira ou quebra-quebra e minimizar desperdício, são algumas medidas que podem fazer determinada obra ganhar essa certificação”, explica Mayara. Evolução Apesar de ter ganhado mais notoriedade no início do século 21, a arquitetura verde já começava a ser esboçada em meados da década de 1960. A preocupação daquela época é a mesma dos dias atuais: otimizar o processo de construção com o menor impacto possível ao meio ambiente, gerando novas tecnologias e diminuindo consumos energéticos, sem perder a qualidade e o conforto do produto final. “Hoje já tem sistemas de

captação de água da chuva para ser reutilizada em irrigação de jardins, em vasos sanitários, que por sua vez, já são vendidos com dois tipos de acionamentos: um que despeja pouca água e outro que derrama um pouco mais. Uma simples lâmpada LED já pode estar ajudando, gastando menos energia e deixando o ambiente mais claro. Coisas simples que tornam o prédio sustentável”, aponta Mayara. De acordo com a profissional, há recursos para todos os tipos de bolso. Quem não quiser gastar muito, pode colocar sensores de presença nas lâmpadas, que contribuem para um menor consumo de energia. Para quem tiver melhores condições, existe a opção de placas solares ou até mesmo telhados verdes, que diminuem o calor em relação a telhas normais ou laje.

Custo é empecilho Para o arquiteto e urbanista Wanderley Custódio, graças a insistência de pessoas envolvidas diretamente com o meio ambiente, algumas coisas têm surgido para tornar as construções mais sustentáveis e menos danosas ao meio ambiente. Contudo, ele ainda não vê a aplicação efetiva dessas ferramentas, principalmente por conta do alto custo para a instalação delas. “Tem a questão de energia solar, de reaproveitamento de água, você gasta um pouquinho a mais no projeto, mas acaba compensando. Hoje eu vejo um apelo para a questão da água, uma água que você pode reciclar e fazer um sistema para reutilizar. Eu já fiz a aplicação disso numa indústria aqui

Inpa inova com roletes Após estudos, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) constatou que a quantidade de resíduos produzida na indústria brasileira de compensados é muito alta. Este “saldo”, conhecido como rolete ou rolo-resto, é a parte central ou miolo da tora, que sobra após o processo de torneamento na confecção das lâminas de madeira que irão ser usadas na produção do compensado. “Os roletes quimicamente tratados, mecanicamente processados e prontos para montagem são cerca de 59% mais baratos que a madeira serrada. Isso trará indubitavelmente uma grande redução no custo final de moradias feitas com esse

subproduto da indústria de compensado. Consequentemente facilitará a construção de moradias para as populações carentes”, aponta o pesquisador do Inpa, Basílio Vianez. A título de comparação de custos, foi feito um levantamento no mercado madeireiro de Manaus, onde o material necessário para confeccionar a mesma metragem de paredes (140,4 m²) com tábuas e peças estruturais de madeira serrada, custaria cerca de três vezes mais, comparado com o preço dos roletes. Contudo, esta madeira, quase sempre, não está adequadamente seca para oferecer um acabamento adequado à obra.

em Manaus. Isso uns 10 anos atrás”, destaca Custódio. O arquiteto comenta que quase instalou um projeto de energia solar em sua residência, mas acabou desistindo por não estar convencido com o que ouviu a respeito do projeto até agora. Para ele, existem outras formas de minimizar os impactos ao meio ambiente em grandes construções, como materiais sintéticos que substituem madeira e reaproveitamento de

cascalho, por exemplo. “Em outros países tem coisas acontecendo neste sentido, mas ainda não chegou aqui no Brasil. O que as pessoas aplicam muito é pegar alguma sobra de material e fazer revestimento, mas isso é criatividade e sempre existiu. Por exemplo, o caco de cerâmica as pessoas pegavam o que sobrava e faziam a calçada de casa. Mas acredito que a questão está em energia e água”, pontua Custódio.

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