MANAUS, SEXTA FEIRA, 18 DE DEZEMBRO DE 2015
3090-1075
esportes@emtempo.com.br
DIVULGAÇÃO
Pódio
E1
SURFE
Mineirinho é campeão Mundial Pódio E4
São Pauloou
‘Vergonha FC’? Gravação feita por Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol do clube, mostra esquema de desvio de comissão na compra de jogadores feita pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar
DIVULGAÇÃO
S
ão Paulo (SP) - Um trecho da gravação feita pelo vice-presidente de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, foi divulgado ontem (17) com implicações para o ex -presidente Carlos Miguel Aidar. A conversa, gravada sem o conhecimento de Aidar, mostra que o ex-mandatário tentou desviar a comissão da contratação de um jogador da Portuguesa para reparti-la com Ataíde. Os dirigentes também abordam supostas irregularidades em um contrato com a fornecedora de material esportivo Under Armour. Com a gravação, crescem dúvidas com relação ao papel de Cinira Maturana, namorada do ex-presidente, e Douglas Schwartzmann, ex-vice-presidente de comunicações. Ataíde começa a conversa questionando Aidar sobre a comissão que partiria da negociação do jogador Gustavo, da Lusa, com o São Paulo. Ele indaga o ex-presidente se o esquema não seria outro “batom na cueca”, em alusão à expressão usada pelo empresário Abílio Diniz para se referir à polêmica contratação do zagueiro Iago Maidana. “Ele me paga honorários. Ele paga honorários para mim. Só isso, e eu repasso a você em dinheiro. Não é nem cheque, não tem rastro nenhum, nem para você, nem para mim”, afirmou Aidar. Ataíde, então, admite enfrentar problemas financeiros, mas afirma não querer participar do esquema para receber o dinheiro da comissão. Ele ainda diz ter informações de que Cinira levou uma comissão milionária para assinar um contrato com a Under Armour. O ex-presidente nega o envolvimento da namorada nas transações e aponta Schwartzmann, vice de comunicações de sua gestão, como responsável pelas assinaturas de contratos com a fornecedora. “Deixa eu falar uma coisa, quem tem contrato com a Under Armour é o tal do Jack, que é o Douglas”, diz Aidar. Jack Banafsheha é uma figura misteriosa no São Paulo. O norte -americano seria representante da empresa Far East, sediada
Vice-presidente (esquerda) e presidente (direita) do Tricolor paulista em coletiva de imprensa no mês de junho, antes da saída de Aidar do comando do clube do Morumbi
em Hong Kong, que intermediou as negociações entre o clube e a Under Armour. Dias após a renúncia de Aidar, e-mails trocados entre o ex-presidente e Jack mostravam que o empresário havia perdoado uma dívida de R$ 18 milhões com o Tricolor. Assim como Aidar admite na gravação de Ataíde, setores da oposição são-paulina já acusavam Jack de ser um personagem interpretado por Schwartzmann. Em entrevista ao jornal ‘Diário de S. Paulo’, no último fim de semana, Aidar negou as acusações. “Claro que (o Jack) é real”, afirmou.
Bauza é anunciado com técnico O São Paulo tem um novo técnico. Na tarde de ontem (17), o clube paulista anunciou a contratação do bicampeão da Libertadores Edgardo Bauza. O argentino de 57 anos assinou um contrato válido até o final de 2016. “Estou muito feliz por poder contratar um treinador vencedor, bicampeão da Libertadores, que é o torneio que o nosso torcedor mais gosta de disputar”, afirmou o presidente do São Paulo Futebol Clube, Carlos Augusto de Barros e Silva. O São Paulo ficou sem técnico durante 38 dias. Em 9 de novembro deste ano, Doriva foi demitido do cargo e Milton Cruz assumiu interinamente até o final do
Campeonato Brasileiro. Com a chega de Edgardo Bauza, o clube paulista tem seu quinto técnico em 2015: Muricy Ramalho, Milton Cruz e Juan Carlos Osorio também comandaram a equipe em 2015. Campeão da Libertadores com o San Lorenzo em 2014, Edgardo Bauza enfrentou duas vezes o São Paulo um ano depois pela competição continental, com uma vitória e uma derrota. Na ocasião, o time argentino acabou sendo eliminado na fase de grupos, enquanto o clube paulista avançou junto com o Corinthians. Além do San Lorenzo, Bauza conquistou a Libertadores também com a LDU, em 2004.
Trechos da gravação da conversa Ataíde: E esse negócio do Gustavo (zagueiro da Portuguesa), quando a gente pode fazer? Aidar: Ah, amanhã. Ataíde: Mas não é outro batom na cueca, p***? Aidar: Ele me paga honorários. Ele paga honorários para mim. Só isso. E eu repasso a você em dinheiro. Não é nem cheque, não tem rastro nenhum, nem para você, nem para mim. Ataíde: Pô, Carlos Miguel, e eu não quero esse dinheiro também, não. O que eu não quero é que você vá mexer no futebol. Vou te contar uma coisa que ninguém sabe. Caiu nas minhas mãos o acordo que a Cinira fez com a Under Armour. Ela recebeu 1 milhão e dez parcelas de 500, a última termina em julho de 2019. Eu não abro isso para ninguém, eu não vou falar para ninguém, mas eu quero que me deixe mexer no futebol, eu quero seriedade no futebol, eu não quero dinheiro de nada. Eu sou um duro, mas nunca fiz nada de errado. Eu fiquei triste quando você me ofereceu dinheiro. Você achou que eu topava essas coisas, eu não topo nada, não quero nada. E outra coisa, esse da Cinira, da mesma forma, maneira,
que eu tenho, qualquer dia alguém pega. Aidar: A Cinira tentou fazer um negócio com a Under Armour e não conseguiu. Ataíde, ela não tem contrato com a Under Armour. Ataíde: O cara falou que tinha. Aidar: Não tem contrato com a Under Armour. Ataíde: Então está bom, melhor para você. Aidar: Deixa eu falar uma coisa, quem tem contrato com a Under Armour é o tal do Jack, que é o Douglas (…) Ataíde: E como é que o Douglas faz reunião lá? Aidar: Não sei. Faz reunião onde? Ataíde: Na casa dele para ir contra você. Aidar: A Cinira não tem nenhum contrato com a Under Armour. Ataíde: Mas chegou a fazer, né? Aidar: Isso é verdade. Ela negociou. Mas naquela época que o Douglas (…) Ataíde: Eu não quero nada. Aidar: O negócio da Under Armour estava perdido. Vieram uns caras para cá que falam inglês, nós fizemos uma reunião no
meu escritório, almoçamos, desfizemos o negócio, e eles foram embora. Não teve negócio nenhum, nenhum. Depois eles voltaram via Jack. Agora, como é que o Jack voltou, eu não também não sei, Ataíde. Mas chegou porque eu conheci o cara aqui. Ataíde: O Júlio contou aquele dia para nós isso. Aidar: Eu estive com o cara, isso é verdade, o cara esteve comigo. Assinou o contrato. Agora, se tem rolo aqui, juro por Deus que não sei e também não quero saber. Ataíde: Agora tem outra coisa, sabe o negócio da hamburgueria aí, tem um negócio da hamburgueria? Fez contrato com o Palmeiras, fez contrato com o Corinthians, fez contrato com o Grêmio. E o advogado do Palmeiras falou que está fazendo contrato com o São Paulo, mas o que atrapalhava é que o Douglas pediu 15%… Aidar: O Douglas está pedindo comissão em tudo. Ele veio aqui e descaradamente. Ataíde: Por que você não acaba com isso, pô? Vamos acabar com isso, pô! Aidar: Ataíde, eu estou com o seguinte problema,
bem. Se eu mandar o Douglas embora, vai o Dedé junto. Você não percebe que eu estou acuado? Completamente acuado? Eu estou a ponto de largar isso aqui a qualquer hora. Eu estou de saco cheio. Eu não preciso disso. Se eu voltar para o escritório para mim é muito melhor. Ataíde: Ah, eu estou tão nervoso com essas coisas todas, rapaz, mas tão nervoso… Esse negócio do Iago foi uma m*** né? Aidar: Mas, p***, o que você queria? Ataíde: E por que você fez essa confusão toda? Aidar: Porque, Ataíde, você não queria o jogador? Queria ou não queria? Ataíde: Não queria assim! Para pagar, não, ele vinha de graça. Aidar: O cara nunca veio de graça. Aí apareceu a p*** lá na (…). Taí a Cinira, pergunta para ela! Ataíde: Dois filhos da p*** aqueles dois, o Walter e o Raul. Aidar: No Juan Figuer, o Raul trouxe operação de crédito, dinheiro do exterior. Esse Raul eu conheci no Centro de Treinamento como se fosse amigo do Osorio. Ataíde: Você me contou.