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MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

esportes@emtempo.com.br

A arquibancada é aqui Torcedores de Manaus não desanimaram com o fato de Manaus não ser cidade-sede da Copa das Confederações. Pelo contrário, já enfeitaram a rua, marcaram com os amigos e estão prontos para assistir aos jogos e, principalmente, torcer pelo Brasil. Alguns optaram por se aventurar e viajar até as capitais que receberão as partidas. Ontem o Brasil jogou, hoje tem Itália, Espanha, Uruguai e México em campo. Pódio E2 a E7


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Copa que é Copa tem rua enfeitada

Grupo de moradores da Santa Isabel garantem mobilização durante os jogos da seleção na Copa das Confederações

ARQUIVO EM TEMPO/ MARCELO CADILHE

Rua Santa Isabel é popular na decoração em época de Copa. No último Mundial, em 2010, via ficou lotada de pessoas que foram ao local para conhecê-la e assistir aos jogos ÉRICO PENA Especial EM TEMPO

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e existe uma competição que pode ser considerada o “esquenta” para a Copa do Mundo, essa competição chamase Copa das Confederações. A abertura do evento foi ontem, com o jogo entre Brasil e Japão e, mesmo sem apresentar aqueles resultados que todo torcedor brasileiro está acostumado, e sem ter Manaus como cidade-sede, a seleção brasileira ainda consegue reunir pessoas na frente de TVs e telões para, juntas, torcerem e vibrarem com cada lance, cada gol. E não é só sentar e torcer não. Muitas delas capricham na decoração seja das ruas ou das suas casas, tudo para entrar no “clima” dos jogos. A rua Santa Isabel, localizada no bairro da Praça 14, é fiel quando o assunto é mobilização. De 4 em 4 anos, seus moradores se organizam para tornar a via uma das ruas mais bonitas, não só de Manaus, mas do país. Na última Copa do Mundo, a dedicação ganhou uma recompensa: o local foi eleito o segundo mais bem enfeitado do Brasil. O feito foi divulgado em todas as mídias, o que tornou a rua famosa nacionalmente. Para a Copa das Confederações, a conhecida como “parte de cima”, próxima a rua Visconde, é a que decidiu inovar e se enfeitar para o evento – a “de baixo” é a que tem mais tradição em decoração nessas datas futebolísticas. Todos os moradores das 60 casas foram mobilizados e devem transformar a rua em uma das mais bonitas e movimentas durante a Copa das Confederações. “É a primeira vez que enfeitamos a parte de cima da rua. Geralmente nos organizamos

para ornamentar a parte de baixo, que tem tradição e ganhou vários concursos como a rua mais bonita. A Copa das Confederações será um teste para ver como nos saímos e, quem sabe, durante a Copa do ano que vem, possamos concorrer com a parte de baixo”, diz Sônia Maria Moreira, 52, funcionária pública e umas das moradoras integrantes da comissão organizadora. De acordo com Sônia, em dias de jogos do Brasil, a rua fará um mega evento antes, durante e após a partida, com direito a telões, barracas de comida e shows musicais. “Estamos preparando um telão para que todos acompanhem aos jogos. Quando o jogo acabar, a festa continua com

Feijoada regada a pagode e muito futebol Em busca de arrecadar fundos para a compra dos materiais necessários para a decoração e pintura da rua, os moradores da Santa Isabel montaram uma comissão organizadora composta por dez pessoas. Segundo Graça Mota, tesoureira do grupo, todo o dinheiro gasto na decoração é proveniente de uma feijoada realizada no último dia 19 com 250 pessoas que, além de provar da iguaria, ainda puderam se divertir ao som de muito pagode. “Sabemos

que futebol combina com feijoada, daí surgiu a ideia de fazermos uma feijoada dançante para arrecadar dinheiro e foi um sucesso, muito além do que esperávamos” disse a tesoureira. Para o artesão, compositor, poeta e escultor Aguinaldo Barroso, 56, o fato de colorir a rua é muito mais que um simples preparativo para os jogos da seleção, é uma forma de descobrir novos talentos artísticos. Barroso é morador da Santa Isabel a mais de 50 anos e diz

que já viu surgirem muitos deles da simples brincadeira. “Morei minha vida praticamente toda nessa rua e trabalho com artesanato desde jovem, às vezes o que começa com esse simples ato de pintar uma rua ou uma parede, acaba revelando verdadeiros artistas que se destacam no cenário regional”, lembra Barroso. O intérprete da Mocidade Independente de Aparecida, Wilsinho “De Cima” mora há apenas oito meses na rua Santa Isabel, mas já destaca

o clima de união e entrosamento existente entre os moradores. “Tenho certeza que a Copa das Confederações aqui na Santa Isabel vai ser um sucesso igual como é na Copa do Mundo porque o pessoal é muito organizado e trabalha unido”. Wilsinho admite ser uma das pessoas que entrou no clima e ajudou na organização. “Durante a semana vi várias pessoas trabalhando até altas horas da madrugada para deixar tudo certo e é claro que ajudei também”. HUDSON FONSECA

Estamos preparando um telão para que todos acompanhem aos jogos. Quando o jogo acabar, a festa continua com as bandas Sônia Maria, moradora da rua Santa Isabel

bandas que chamaremos para alegar os torcedores, ainda mais se o Brasil ganhar”. Ainda segundo Sônia, nos dias de partida a rua será fechada das 7h às 23h. Tudo será realizado dentro dos padrões de segurança a fim de que todos preocupem-se com a vitória da seleção. “Somos o país do futebol e quando se trata do Brasil é sempre o otimismo em primeiro lugar. Vamos fazer nossa parte e esperamos que eles (a seleção) façam a deles para deixar a festa bonita” finaliza.

Turma da “parte de cima” da rua Santa Isabel decidiu se antecipar e não enfeitar a rua só na Copa do Mundo ano que vem


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Façam suas apostas! 1

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1 ARQUIVO EM TEMPO/ALEXANDRE FONSECA

ARQUIVO EM TEMPO/GIOVANNA CONSENTINI

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FLAÍZE VIANA Equipe EM TEMPO

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les já brilharam e foram avaliados dentro das quatro linhas durante o Campeonato Amazonense. Mas agora, chegou a hora de dar nota e tentar adivinhar o placar dos próximos desafios do Brasil contra México e Itália, nos dias 19 e 22 de junho, nas arenas Castelão e Fonte Nova, respectivamente. O quinteto que participa do “Bolão da Copa” é formado por três jogadores e dois técnicos, todos com uma vasta experiência no cenário do futebol local, são eles, Vidinha, Cleyton He-Man, Garanha e o técnico Aderbal Lana. Todos dizem acreditar que a final no Maracanã será protagonizada por Brasil e Espanha, além de concordar que as vitórias brasileiras serão apenas por placares pequenos, e até mesmo um empate contra o México, uma vez que não fizemos bonito contra os mexicanos. Confira as previsões das estrelas locais do futebol. Meia do São Raimundo, Vidinha, aposta em uma final com os atuais campeões mundiais, a seleção da Espanha. Antes, o meia prevê a vitória dos canarinhos. “O time do Brasil está em crescimento e as opções táticas testadas, porém ainda falta o entrosamento dos jogadores, pois muitos sequer tinham jogado juntos. Então o que falta para o time é conhecer realmente o trabalho de cada um, para unir no final e ter um bom resultado”, avalia. Já o zagueiro do Princesa do Solimões, Cleyton “He-man” enxerga um empate e uma

vitória dos brasileiros. “A seleção não está bem preparada ainda e sinceramente não sei o que vai acontecer. Eu acredito que até o mundial temos sim condições de chegar afiados. Apesar de não acreditar totalmente, eu gostaria de ver uma final entre Brasil e Espanha, seria uma partida espetacular”, prevê. O atacante Garanha foi quem mais reduziu a nota para o técnico brasileiro. De acordo com o jogador, Felipão quer repetir o mesmo esquema usado em 2002 quando foi campeão ao usar o zagueiro

REALISTAS

Mesmo cogitando placares favoráveis à seleção, jogadores e técnico admitem que a atual equipe Canarinho não inspira confiança alguma na torcida. Garanha acha que ela nem vai chegar longe

como volante. “Acredito que o atual time não inspira nenhuma confiança e com as últimas notícias não acredito que iremos longe. O Felipão quer usar o mesmo esquema tático que em 2002, quando um zagueiro atuou como volante. Sinceramente, já deu certo uma vez, não acredito nisso novamente. Poderemos até vencer, mas não vão ser goleadas”, comenta. Garanha acredita ainda em três vitórias brasileiras: 2 a 1 contra o México, e para finalizar 1 a 1 contra a Itália. Assim como a maioria, o atacante prevê final entre Brasil e Espanha.

ARQUIVO EM TEMPO/ALEX PAZUELLO

Figuras do futebol local preferem manter o otimismo quando o assunto é seleção brasileira e até escalam o time de Felipe Scolari para a final da Copa

‘Felipão errou na escalação da equipe’ Palpites na escalação, reclamação dos torcedores, organização dentro dos clubes, baixas e novas contratações, de tudo Aderbal Lana enfrentou, mas chegou a hora de avaliar o trabalho de outro técnico, Luiz Felipe Scolari, o Felipão. Frente ao Nacional, ele enxerga uma seleção com a imagem desgastada perante a torcida brasileira e um técnico que ainda não sabe utilizar os seus jogadores. “O Brasil não tem se portado bem contra o México, talvez aconteça um empate, mas aposto em uma vitória apertada. Acho que o Felipão pecou em não convocar jogadores com nome e que estão apresentando um bom futebol”, avalia. O experiente técnico “prevê” uma final entre Espanha e Brasil. “Suponhamos que dê Brasil e Espanha na final. Obviamente a seleção espanhola tem campanha impecável, eles são os atuais campeões, mas no futebol vejo que uma equipe que vence durante um longo período, uma hora cai. Acho que a Espanha não está com essa moral toda não”.

Vidinha defende uma final entre o Brasil e a favorita Espanha, na Copa das Confederações


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A arquibancada é E quem disse que o fato de Manaus não ser cidade-sede da Copa das Confederações vai desanimar a torcida local, se enganou. Amazonenses já estão preparados para fazer a festa ÉRICO PENA E FLAÍZE VIANA Especial e Equipe EM TEMPO

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ão há dúvidas de que os torcedores são importantes em todos os esportes, mas no caso do futebol a torcida é e sempre será um espetáculo à parte. E quando se fala em seleção brasileira, todo esse amor é multiplicado e até mesmo “sacrifícios” são feitos em prol de alcançar seu objetivo: torcer e torcer muito pela vitória do Brasil. E atualmente, apesar dos resultados insatisfatórios da equipe de Felipe Scolari, a paixão pelo futebol fala mais alto: é hora de ir onde a seleção estiver. É hora da Copa das Confederações. Em Manaus, assim como todo lugar do país, vários torcedores já se programaram, seja em suas agendas, nos bares, nos clubes, nas ruas e até mesmo nos estádios onde serão realizados os jogos da Copa das Confederações, para acompanhar as partidas os jogos da “Canarinho”. O bar do “Loirinho” na Constantino Nery é um dos points de torcedores que aliam duas paixões: o futebol e o Boi Caprichoso. Para o proprietário

Aucides José, o Loirinho, 47, seu bar já virou tradição entre os torcedores. “Sempre nos reunimos para acompanhar os jogos do Brasileirão, mas quando se trata da seleção, a movimentação é maior”. Loirinho está confiante e diz acreditar que o apoio da torcida aliado ao fato de jogar em casa será o grande aliado da equipe brasileira na

TODO LUGAR

Enquanto alguns vão se reunir em casa de amigos, bares ou praças para torcer, outros preferiram investir pesado e viajar até uma das cidades-sede para acompanhar a competição de perto competição. “O Felipão está levando o que há de melhor, tenho certeza que com a garra da torcida chegaremos às finais”. Para ele, o grande destaque do time será Neymar. “Mesmo com todas as críticas negativas, o Neymar vai surpreender. Basta ele ir bem e dar sequência no futebol arte que a seleção precisa”.

O designer publicitário Marcelo Duque, 39, não é tão otimista e nem concorda com a escalação de Neymar. Para ele, ainda falta muita maturidade ao atleta. “Depois dos últimos resultados, a seleção anda muito desacreditada. Mas a gente torce para que o time seja campeão. Ele (Neymar) tem muito estrelismo e pouca maturidade para encarar uma seleção”, critica o publicitário. O professor Edilberto Passos, 41, sempre gosta de filosofar quando o assunto é a seleção brasileira. “Nós temos grandes atletas, mas ainda não temos um grande time. O que nós temos é um time que ainda está em busca de entrosamento e como o brasileiro é otimista por natureza, acredito que isso irá ocorrer durante a competição”. Para os amigos Valdenor Guimarães, 52, e Augusto da Silva, 48, o costume de se reunir com a família e com os amigos na época de jogos da Copa é mantido há anos. Agora, às vésperas do Mundial ser realizado aqui em Manaus, a paixão pelo futebol só aumentou. “Na minha casa, indo bem ou não, nós sempre assistimos aos jogos do Brasil, acho importante torcer”.

Casal vai torcer de pertinho Enquanto muitos amazonenses se preparam para assistir a Copa das Confederações reunidos em casa, frente a seus televisores, teve gente que investiu um pouco mais para assistir o espetáculo entre as quatro linhas ao vivo, como é o caso do casal de engenheiros amazonenses Ted Galvão e Hozanira Galvão. Os dois desembarcam em Fortaleza (CE), para assistir Brasil e México, no dia 19 de junho (quarta-feira), na nova Arena Castelão. “Nos preparamos desde o ano passado quando começaram as inscrições pelo site da Federação Internacional

de Futebol Associado (Fifa), e fiquei na torcida para ser contemplado”, inicia Ted Galvão falando sobre a ansiedade vivida desde o ano passado. Após a confirmação, o amazonense não pensou duas vezes e garantiu o passaporte de entrada, além de garantir também a folga no trabalho. “ Assim que recebi a confirmação não pensei duas vezes e comprei na mesma hora os ingressos da minha esposa e o meu. Aproveitei também para usar as folgas do trabalho. Serão três dias e estou ansioso por esse momento”, comenta.

Casal espera reviver momentos que passou no Mundial de 98

Ted e Hozanira já estiveram nas arq


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onde você quiser!

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HUDSON FONSECA

Augusto, Valdenor, Marcelo, Edilberto e Loirinho já estão preparados para torcer pelo Brasil

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

uibancadas para acompanhar a Seleção na Copa de 98, na França

Para viajar até a seleção tem de se programar Ted e Hozanira garantiram ingressos ao valor de R$ 286 (categoria 2) e as passagens custaram R$ 1,5 mil, em relação a hospedagem o casal ficará na casa da mãe de Hozanira. “Reunimos o útil ao agradável, e gastamos apenas com os ingressos e as passagens. Acredito que outros tantos brasileiros também se programaram e ficarão na casa dos parentes”, comenta Ted Galvão. Além dos amazonenses, mais outras 59.694 pessoas irão assistir a seleção canarinho na Arena Castelão, inaugurada em janeiro deste ano, com capacidade para 64.846 espectadores. O casal embarca no dia 18 de junho e também irá retirar os ingressos no mesmo dia, conforme programado pelo site de compras do ingresso. “Iremos retirar os ingressos no mesmo dia em que chegar lá, pois foi agendado pelo site da compra do in-

gresso. Além da gente, mais um casal de amigos irá nos acompanhar”, explica. Com um palpite claro sobre o placar do jogo e sem preferências na escalação, Ted Galvão, quer apenas ver a seleção canarinho brilhar em campo. “Aposto em 3 a 0 e não tenho nenhuma preferência de escalação. Quero mesmo torcer e ver como ficou o Castelão depois da reforma, estou muito ansioso por isso”. Animação garantida Já faz um tempo em que a presença de mulheres em estádios de futebol tem sido cada vez mais freqüentes, além de embelezar o ambiente elas também garante a diversão, com seus gritos de incentivo e irreverência. A esposa de Ted, Hozanira Galvão, prevê um jogos animado. “Tem que ter muitos adereços, já estou providenciando as camisas para fazer bonito

no estádio. Vamos combinar tudo, para ficar bonito e torcer bastante”, garante. Momentos de angústia Hozanira Galvão relata que viveu a ‘angústia’ vivida pelo marido antes da aprovação para venda dos ingressos. “Eu sempre o acompanho nessas coisas sem problema algum, porque acho que esposa tem que participar, e eu até gosto de futebol. Confesso que fiquei apreensiva porque achei que não iríamos conseguir, mas graças a Deus deu tudo certo e foi bem mais prático do que imaginei”, conta. Além da ansiedade vivida antes da confirmação, Hozanira também se deparou com condição em casa, vivida por conta das filhas. “Essa foi a

exceção das exceções. Fiquei receosa por conta das minhas filhas, mas já nos acertamos e vamos deixá-las em segurança e passar esses três dias”, garante. Para o Mundial em 2014, o casal já faz planos. “Nossa meta é assistir a seleção em 2014. Essa experiência de agora vai ajudar muito. Penso que quem busca desde o início os ingressos, se planeja, tem como torcer e aproveitar, afinal é a maior festa de futebol mundial no nosso país, e temos que participar. Pensei que isso não era coisa para simples mortais, mas vejo que com planejamento dá certo”, concluiu. Reafirmando a empolgação da esposa, Ted Galvão, garante que a viagem, apesar do curto período, está mesmo para uma lua de mel. “Ela está realmente empolgada, como se fosse uma lua de mel. Espero que saia tudo direitinho”.


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DIVULGAÇÃO

Felipão vai ter de incorporar JK

Neta de Kubitschek, fã incondicional do futebol brasileiro, diz acreditar que a seleção evolua 4 anos em uma Copa

A Anna Christina não esconde seu pouquíssimo conhecimento em futebol, diferente do seu avô

nna Christina ainda preserva o sorriso e a doçura de quando valsava ou dormia de mãos dadas com o seu avô, o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Ela diz não saber “onde enfiar a cara” depois

de um insignificativo atraso para receber a reportagem da Gazeta Esportiva, lamenta-se por não ter passado batom nos lábios para posar para fotografias e cumprimenta carinhosamente quem vê pela frente. Chega até a esconder

as lágrimas com os dedos quando fala do acidente automobilístico que matou JK em 1976. Sua postura é digna de quem não se deixa levar pela “grande correria e loucura”, causada pela presença da seleção brasileira em Brasília.

Celeridade e slogan: a cara da seleção Hospedado no hotel reconstruído pelo marido (o ex-governador do Distrito Federal Paulo Octávio Alves Pereira) de Anna Christina Kubitschek Barbará Alves Pereira, o técnico Luiz Felipe Scolari não pode se permitir a tranquildade que a neta de Juscelino deixa transparecer. Ao contrário. Em Brasília, Felipão comanda uma seleção que terá um ano para ser colocada à prova para a Copa do Mundo. O slogan de celeridade de JK nunca foi tão válido para o futebol nacional. “Você quer saber se a seleção precisa avançar 4 anos em um, décadas depois de o Brasil crescer 50 anos em 5 anos, como dizia o vovô? Vou perguntar para os meus filhos!”, disse, antes de mostrar confiança na hipótese de Felipão se travestir de JK: “Para falar a verdade, eu acredito, sim!”.

Uma figura totalmente ‘pé-quente’ O mineiro Juscelino, o mais ilustre torcedor do modesto AméricaMG (“gente, que time é esse?”, surpreende-se a sua neta), ficou conhecido como “pé-quente” pelas conquistas brasileiras no esporte durante o seu mandato. Naquele período, o saltador Adhemar Ferreira da Silva foi bicampeão olímpico em 1956, nos Jogos de Melbourne; a tenista Maria Esther Bueno ganhou o seu primeiro título em do torneio de Wimbledon em 1958, em dupla com Althea Gibson; a seleção de basquete levou o Mundial de Santiago; e o peso-galo Éder Jofre derrotou o mexicano Eloy Sánchez para ostentar o seu cinturão no boxe. Sem mencionar a mais marcante vitória, a da equipe de Mané Garrincha – o mesmo que dá nome ao estádio Nacional de Brasília – na Copa da Suécia. “Pé-quente é JK!”.


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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Respeito, a campeã está em campo A favorita e atual detentora do título mundial encara, hoje, seu primeiro desafio na Copa das Confederações, o Uruguai, na Arena de Pernambuco Fórlan deve reforçar o Uruguai contra a favorita, neste domingo

Iniesta está entre os escalados de De Bosque para a partida de hoje

FICHA TÉCNICA ESPANHA URUGUAI

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clássico entre Espanha e Uruguai, dois campeões mundiais, é uma das principais atrações da primeira rodada da Copa das Confederações. As duas equipes se enfrentam hoje, às 18h (de Manaus), na Arena Pernambuco, em Recife (PE), na abertura do Grupo B. A Fúria chega para o torneio como uma das principais favoritas, por conta de ser a atual bicampeã européia e campeã mundial. Agora, busca no Brasil o único título importante que falta a esta geração. Já a Celeste tenta mostrar que a irregular campanha nas Eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2014 é apenas um

acidente. Os uruguaios ganharam fôlego extra com o triunfo por 1 a 0 sobre a Venezuela no meio de semana. Vicente del Bosque, técnico da Espanha, considera fundamental um triunfo na estreia para que o seu time não se sinta pressionado na sequência da competição. A chave conta ainda com Taiti e Nigéria, que se enfrentam amanhã. “Nós sabemos que a Copa das Confederações é um torneio de alto nível, tanto que jamais conseguimos ganhar. Portanto, é fundamental encarar cada partida como numa decisão, pois apenas campeões disputam a competição. Teremos uma pedreira na estreia, um

dos favoritos ao título e isso é desgastante. Mas, por outro lado, se ganharmos teremos grandes possibilidades de nos classificarmos para a segunda etapa”, disse um humilde Del Bosque. Pelo lado do Uruguai, o discurso é de respeito ao adversário. Apesar disso, o técnico Oscar Tabárez deixa claro que a Celeste não teme o adversário. “A Espanha está fazendo história: tem vencido os torneios mais importantes, jogado uma bola de dar inveja a todos e exercido uma grande influência no futebol atual. Porém, não estamos no Brasil a passeio e queremos ganhar o título. Uma boa forma de demonstrar isso

é fazer uma grande estreia”, disse Tabárez. Mas o treinador não esconde que um empate contra a Espanha já seria um bom resultado. ”Aspiramos boas coisas para todas as partidas. No entanto, independentemente do primeiro jogo, o jogo-chave será o segundo [contra a Nigéria]. Se pudermos ganhar o segundo, daremos um grande passo para estar entre os quatro melhores”, afirma. O treinador do Uruguai ainda não definiu seu time para a estreia e faz mistério. A principal dúvida é quanto ao esquema tático, pois pode abandonar o ousado 4-3-3 e escalar Gastón Ramírez para fortalecer

a marcação. Neste cenário a barração deverá ficar a cargo do atacante Diego Forlán, do Internacional. Já a Espanha vai manter a base que vem disputando as Eliminatórias, com o técnico meio-de-campo que conta com peças como Xavi, Fábregas e Iniesta. Além de tantos astros, a Espanha tem a seu favor o excelente retrospecto recente e também contra o adversário deste domingo. A equipe não perde há 22 jogos, desde fevereiro de 2011. Como se não bastasse, a campeã mundial nunca foi derrotada pelo Uruguai: foram quatro vitórias e cinco derrotas.

Local: Arena Pernambuco, em Recife (PE) Horário: 18h (de Manaus) Árbitro: Yuichi Nishimura (Japão) Espanha: Victor Valdés, Jordi Alba, Piqué, Sergio Ramos e Arbeloa; Busquets, Javi Martínez, Xavi, Fábregas e Iniesta; David Silva. Técnico: Vicente del Bosque Uruguai: Muslera, Maxi Pereira, Lugano, Godin e Cáceres; Diego Pérez, Gargano e Cristian Rodríguez; Diego Forlán (Gastón Ramírez), Suárez e Cavani. Técnico: Oscar Tabárez

FOTOS: DIVULGAÇÃO

DISTINTOS

Maraca sedia ‘Choque de Opostos’

Batotelli entra em campo para atuar de forma isolada no ataque

Itália e México se enfrentam hoje, às 15h (de Manaus), no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), no complemento da primeira rodada do Grupo A da Copa das Confederações, aberta ontem com o duelo entre Brasil e México. O Maracanã vai presenciar hoje o encontro entre duas seleções que atravessam momentos distintos. A Itália vem ganhando confiança com a boa campanha nas Eliminatórias européias para a Copa do Mundo de 2014, que será disputada no Brasil. O time italiano lidera seu grupo com grandes chances de classificação. Já o México vem penando nas Eliminatórias da Concacaf, colocando em risco sua presença em 2014. O técnico José Manuel de la Torre está, inclusive, ameaçado de demissão. Apesar das realidades distintas as duas se-

leções se respeitam bastante. “Não devemos menosprezar a força de uma Itália, que mais uma vez está na lista das favoritos. O México, porém, tem suas virtudes e pode ganhar”, disse De La Torre.

SITUAÇÕES

Enquanto a Itália entra em campo esbanjando confiança, graças a campanha nas eliminatórias do Mundial, o México tenta esquecer dessa fase para se focar apenas na partida de hoje Na Itália também é grande o respeito pelo time mexicano. “O México não é mais uma força emergente e sim uma realidade. É forte nas categorias de base e hoje colhe esses frutos desse eficiente trabalho. Te-

mos que ter cuidado para não sermos surpreendidos”, disse Andrea Pirlo, experiente meia da Azzurra. Em termos de escalação, a Itália enfrenta um problema. O atacante El Shaarawy, apresentando dores na coxa direita, deverá começar o confronto no banco de reservas, assim, o técnico Cesare Prandelli vai abrir mão do esquema 4-4-2 e optar pela entrada de mais um meia, com Giaccherini e Aquilani disputando posição. Assim, Balotelli atuará de forma isolada no ataque. Já o México, apesar de estarem ainda na zona de classificação para a Copa do Mundo nas Eliminatórias, os mexicanos têm um jogo a mais do que concorrentes diretos. Um dos destaques da equipe, Chicharito Hernández pediu para que a seleção pare de se lamentar pela situação complicada nas Eliminatórias e se concentre na Copa.

Chicharito quer que time esqueça campanha ruim nas eliminatórias

FICHA TÉCNICA MÉXICO ITÁLIA Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ) Horário: 15h (de Manaus) Árbitro: Enrique Osses (Chile). México: Jesús Corona, Severo Meza, Javier Rodríguez, Héctor Moreno, Jorge Torres Nilo e Carlos Salcido; Jesús Zavala, Javier Aquino e Andrés Guardado; Giovani dos Santos e Chicharito Hernández. Técnico: José Manuel de la Torre Itália: Buffon, Abate, Barzagli, Chiellini e Mattia de Sciglio; De Rossi, Pirlo, Marchisio, Montolivo e Giaccherini (Aquilani); Balotelli. Técnico: Cesare Prandelli


E8 Lúcio Silva

‘Todo o favoritismo está com a Espanha’

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Todo mundo espera que a torcida apoie e possa dar sua contribuição, para ajudar a seleção. É a grande chance de conquistar mais um título, agora jogando em casa

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ltimo jogador a levantar o troféu de um torneio como capitão da Seleção Brasileira principal, o zagueiro Lúcio não vê a equipe de Luiz Felipe Scolari como favorita para a Copa das Confederações, mas acredita nas condições de o time anfitrião se sagrar campeão por atuar com o apoio da torcida. Nesta entrevista, o zagueiro apontou a Espanha como principal candidata no torneio que começou neste fim de semana, mas vê o lado motivacional como fundamental para o Brasil voltar a ser campeão da competição. A Seleção não conquista uma taça em campeonato desde 2009, justamente quando Lúcio marcou o gol do título na vitória por 3 a 2 contra os Estados Unidos, na Copa das Confederações da África do Sul. Na edição anterior, o zagueiro ainda teve a chance de comemorar o troféu na Alemanha, onde atuava pelo Bayern de Munique e teve o apoio da torcida local. Porém, para chegar às conquistas, Lúcio teve de amargar dois vexames em Copa das Confederações, em 2001 e 2003. Agora, o pentacampeão mundial fica na torcida para que a equipe de Felipão aproveite a “grande chance de conquistar mais um título”. GAZETA PRESS: Você foi o último jogador a levantar um troféu pelo Brasil, na Copa das Confederações de 2009. Qual é a importância desta competição? LÚCIO: Título é sempre importante. Se você vai lá e não ganha, o pessoal coloca outro peso, falando que o time está ruim, não serve e tem de mudar. Se estiver disputando, você tem de mostrar seu valor. Claro que não é tão importante como uma Copa do Mundo, mas tem valor. GAZETA PRESS: Aquele título de 2009 ajudou a dar confiança à Seleção em meio às críticas ao técnico Dunga? LÚCIO: Críticas sempre vão existir no futebol, mas o que me marcou naquele grupo foi a união, o respeito um pelo outro e a vontade de vencer. Sempre comentávamos que não tinha titular e nem reserva. Quando um não podia jogar, o treinador já sabia que tinha um substituto e que poderia contar com outro. Ele acreditava nos jogadores que tinha em mãos. GAZETA PRESS: O Brasil estava perdendo por 2 a 0

PAULO LIEBERT/AE

para os Estados Unidos na final, quando o Luis Fabiano marcou duas vezes e empatou. Você foi o responsável pelo gol do título, aos 39 minutos do segundo tempo. Foi um dos mais importantes de sua carreira? LÚCIO: Sim. Foi um dos mais importantes na Seleção. O título também foi importante, atuando como capitão. Nós nos preparamos bem para fazer uma boa partida e treinamos muito jogadas de bola parada. Naquela situação, foi um pouco diferente, porque nossa equipe saiu perdendo por 2 a 0 e, depois, conseguiu empatar. Nos últimos minutos de jogo, consegui fazer um gol marcante e importante para a minha carreira, foi inesquecível. GAZETA PRESS: Desde que chegou ao São Paulo, você conversou com o Luis Fabiano sobre aquele título? LÚCIO: Sim, nós conversamos, até porque somos companheiros de quarto e ficamos revendo algumas fotografias. Um passa a foto que tem para o outro. Foi um momento legal, porque o grupo estava bem fechado, tinha união. Além de companheiros de Seleção, acabamos nos tornando grandes amigos e são coisas que vamos guardar para o resto da vida. GAZETA PRESS: Agora, como você imagina para a Seleção Brasileira jogar aqui na Copa das Confederações? LÚCIO: Todo mundo espera que a torcida apoie e possa dar sua contribuição, para ajudar a Seleção. É a grande chance de conquistar mais um título, agora jogando em casa. Claro que a Seleção vai ter de ter a sabedoria de jogar e lidar com a pressão normal. O importante é aproveitar a torcida ao seu favor. GAZETA PRESS: Você acha que vai ser importante também para o torcedor entender como vai ser na Copa do Mundo? LÚCIO: Quanto mais os jogos são difíceis, mais apoio precisa. Isso o torcedor brasileiro tem de fazer. Sempre vai existir cobrança, mas, na hora do jogo, tem de ter apoio e algo a mais pela vantagem de estar jogando em casa. O Brasil tem de saber se aproveitar bem disso. GAZETA PRESS: Apesar de o Brasil jogar em casa, você acha que a Espanha pode ser a equipe a

ser batida? LÚCIO: O favoritismo sem dúvida está com a Espanha, por ter sido a última campeã mundial, ter uma equipe forte, com grandes nomes. Ela entra na competição como favorita, pelo elenco que tem e pelos títulos que vem conquistando, como Copa do Mundo e Eurocopa. Sem dúvida, é uma equipe de muita qualidade. GAZETA PRESS: Se a Espanha é favorita, em que nível o Brasil está na briga pelo título? LÚCIO: Acho que logo em seguida aparece o Brasil, pelo fato de jogar em casa. Tem de aproveitar este ponto positivo de ter o apoio da torcida e conhecer o País, os estádios... GAZETA PRESS: Você conhece o Felipão muito bem. Como você acha que ele vai trabalhar a questão da torcida junto com a Seleção? Lúcio: Acredito que a principal arma do Brasil vai ser a motivação, com o apoio fundamental da torcida. Com todo mundo entrando motivado e com a qualidade dos jogadores, a Seleção tem condições de vencer a Copa das Confederações. GAZETA PRESS: Sua primeira Copa das Confederações foi em 2001, quando o técnico Emerson Leão imaginava ter o respaldo da CBF para não levar jogadores badalados, mas foi demitido na volta do torneio. LÚCIO: É isso o que digo. Antes de começar, a competição não tinha peso e valor, não davam uma importância maior. Depois que perdeu, chegou ao ponto de o treinador ser demitido. Quando você entra em campo, vai disputar o título para guardá-lo em sua carreira. Tem de entrar em todas as competições para vencer. GAZETA PRESS: Como foi a primeira Copa das Confederações que você disputou? LÚCIO: Era uma das primeiras convocações ainda, e a Seleção estava em momento complicado, conseguiu depois se classificar com dificuldade para a Copa do Mundo. No meu caso e no de outros jogadores também, os clubes não queriam nos liberar para ir ao Japão, porque preferiam que nós tivéssemos um descanso maior. Na metade da competição, acabei machucando meu pé e não participei do último jogo. Não foi uma das melhores

(competições). Além disso, não tivemos um tempo de preparação e entrosamento para pegar um ritmo de jogo. GAZETA PRESS: Teve um peso não contar com jogadores balados? LÚCIO: Acho que a logística pode ter atrapalhado um pouco. Se comparar com 2005, o Parreira também abriu mão de alguns jogadores na Copa das Confederações e conseguimos o título na Alemanha. Em 2005, a equipe estava mais estruturada, tinha uma base, enquanto em 2001 passávamos por dificuldade também nas Eliminatórias. Tudo isso somou para que no final não tivéssemos um bom resultado no Japão. GAZETA PRESS: Em 2001, foi a primeira vez que a Fifa colocou a Copa das Confederações como teste no mesmo país da Copa do Mundo. Você acha que ajudou para vocês conhecerem o Japão e a Coreia do Sul? LÚCIO: É uma ajuda muito grande poder conhecer o país, onde vai ficar, os estádios em que vão ter jogos... É uma vantagem para as Seleções que participam da Copa das Confederações, porque se trata de uma adaptação. GAZETA PRESS: Depois do fracasso em 2001, o Brasil foi eliminado na primeira fase da edição de 2003. O que aconteceu? LÚCIO: Foi em uma data muito estranha. Para nós, a Copa das Confederações seria sempre um ano antes da Copa do Mundo. Era complicado para todo mundo jogar em 2003. Alguns clubes bateram o pé para não liberar seus jogadores, pelo desgaste e pelo risco de lesão. O Brasil não conseguiu jogar bem e não teve a preparação adequada também. GAZETA PRESS: Depois de duas edições, você ganhou sua primeira Copa das Confederações em 2005. Teve um sentimento diferente? LÚCIO: Toda competição é importante para mim, mas, naquela ocasião, eu estava jogando pelo Bayern de Munique e toda minha família estava lá na Alemanha. Tivemos um tempo de preparação melhor, a estrutura na Alemanha era excelente e o grupo estava muito focado, com um tempo melhor trabalhando com o Parreira. Nós já nos conhecíamos e tínhamos um entrosamento.

Acredito que a principal arma do Brasil vai ser a motivação, com o apoio fundamental da torcida. Com todo mundo motivado e a com qualidade dos jogadores, a seleção vence”.

“O título foi importante (em 2009), eu atuando como capitão. Nós nos preparamos bem para fazer uma boa partida e treinamos muito jogadas de bola parada naquela ocasião”

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MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013


Pódio - 16 de junho de 2013