Caderno E
esportes@emtempo.com.br
(92) 3090-1017
Arena da Amazônia Vivaldo Lima pode receber partidas das Olimpíadas
Manaus entra na disputa por futebol das Olimpíadas
Após o sucesso na Copa do Mundo 2014, a capital do Amazonas pretende receber alguns jogos de futebol de Rio 2016 THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
C
om “carta branca” do governador José Melo e do prefeito Arthur Neto, Manaus entrará na disputa para sediar alguma partidas de futebol das Olimpíadas de 2016, que serão realizadas na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O evento é o maior de esportes do mundo e reunirá competidores de mais de 200 países. A informação foi divulgada na tarde de ontem pelo secretário estadual de esportes, Ricardo Marrocos.
“Recebemos a autorização do governador para brigar por esses jogos. Não sabemos ao certo quantos serão, mas pretendemos receber algumas partidas dessa competição que é a maior do mundo”, disse Marrocos, ao revelar que a cidade conta com uma arma surpresa na disputa, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e atual mandatário máximo da Confederação Sul-Americana de Atletismo, Roberto Gesta. Com mais de 40 anos dedicados ao esporte, o
cartola acredita que Manaus está preparada para receber uma competição do tamanho das Olimpíadas. Além disso, o ganho para o Estado em termos esportivos será imensurável. “A idéia que todos temos é aproveitar essa estrutura da Copa, que custou um valor considerado ao Estado, e trazer algumas partidas de futebol. Manaus demonstrou que tem condições disso. Fomos, talvez, a melhor sede da competição em todos os sentidos. Se os Jogos Olímpicos vierem para Manaus, vai ser
um marco. Não há dinheiro no mundo que pague isso. Vai ser muito mais importante que a Copa do Mundo. Os Jogos Olímpicos são sensacionais”, ressaltou o dirigente. Possibilidade real O secretário Ricardo Marrocos citou que o primeiro passo já foi dado. Segundo ele, a comissão está montada e a notícia foi espalhada. Agora, tudo dependerá das negociações que acontecerão entre o Estado e o Comitê Olímpico do Brasil (COB).
“Temos a carta branca do governador José Melo para buscar que Manaus seja uma subsede das Olimpíadas. A partir de hoje, vamos divulgar isso. Vamos participar dessa movimentação política junto com o doutor Gesta. Sábado (17), ele vai ser reeleito presidente da Confederação Sul-Americana de Atletismo. Nessa cerimônia, teremos a presença de varias autoridades do esporte mundial. Tudo está coincidindo para o sucesso da cidade. Vamos planejar um encontro com Nuzman
para ajustar os detalhes. Estamos trabalhando contra o tempo”, citou Marrocos. Outro ponto positivo que o secretário pretende utilizar é a forte ligação que Roberto Gesta tem com o presidente do COB, Arthur Nuzman. “Conheci Nuzman em 74. Fui vice dele na confederação. Então, tenho uma ligação boa com o presidente. Vou falar com ele sobre isso e tenho certeza que teremos o seu apoio. Vamos mobilizar a cidade e as autoridades para que esse sonho vire realidade”, concluiu Gesta.
PANORAMA
ARTHUR CASTRO
Treinadores felizes com ‘evolução’ Aderbal Lana cita evolução do futebol amazonense como fator para se comemorar
Eles são xingados, nunca agradam a todos os torcedores e têm a obrigação de fazer um time vencedor. Esses são os treinadores de futebol. Neste 14 de fevereiro eles comemoram o seu dia. Técnicos como Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Telê Santana marcaram os seus nomes na história do futebol brasileiro. No Amazonas, o mais famoso é Aderbal Lana. Aos 68 anos, o treinador mineiro coleciona passagens por São Raimundo, Nacional e Fast Clube. Vencedor, o folclórico treinador tem em seu currículo oito campeonatos estaduais, além do tricampeonato da Copa Norte à frente do Tufão da Colina. Nesta temporada, Lana terá um novo desafio. Ele aceitou a proposta do Nacional para assumir a coordenação técnica do Leão
da Vila Municipal. Com sua vasta experiência no futebol baré, o treinador comentou sobre a realidade dos profissionais no Amazonas. “Sempre disse que nos últimos anos o futebol do Amazonas tem melhorado muito, principalmente no aspecto da qualidade de vida. Hoje, os clubes pensam no bem-estar dos seus profissionais. Então, não podemos reclamar. Até o ano passado, reclamávamos muito dos deslocamentos para jogar no interior. Por exemplo, o Fast ia jogar em Manaquiri. Não tenho nada contra a cidade e nem contra o povo, porém, esse deslocamento provocava um grande desgaste. Hoje, temos estádios na capital. Praticamente todos têm locais para jogar e campos para treinar, menos o Rio Negro”, afirmou Lana, que ainda completou
ao dizer que é a favor do processo de reciclagem dos profissionais brasileiros. “Acho muito importante que os treinadores se reciclem. Apoio também que os jovens comecem a trabalhar. Principalmente os ex-jogadores. Dou o maior apoiou. Acho que tem que haver renovação. Isso deve acontecer em todos os setores”, completou o vitorioso treinador. Técnicos descartáveis Reconhecido no Estado como um estudioso do futebol, o treinador português Paulo Morgado afirma que a profissão precisa ser mais respeitada pelos dirigentes locais. Segundo o técnico, que em 2014 trabalhou no Manaus FC, para os clubes amazonenses, os treinadores de futebol são descartáveis.
“A realidade é dura e crua. As condições de trabalho melhoraram, mais ainda não são as ideais. Os técnicos são obrigados a treinar na Ponta Negra, porque vemos clubes sem campos. Tem que melhorar o respeito entre diretoria e treinador. O técnico no Amazonas é descartável. Ele é muito bom quando chega ao clube, mas vira ruim depois de duas derrotas”, reclamou o português, ao afirmou que a grande maioria dos ‘professores’ do Estado precisam investir em cursos de atualização. “A maioria dos treinadores não tem cursos de técnicos. Os que têm, fizeram o curso há 10 ou 15 anos. Muitos necessitam se reciclar. O treino está evoluindo dia a dia. Tento fazer isso. Leio muito e vejo o que está sendo feito na Europa”, finalizou o português. (TF)
RICARDO OLIVEIRA
MANAUS, QUARTA-FEIRA, 14 DE JANEIRO DE 2015