Pódio - 4 de dezembro de 2015

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MANAUS, SEXTA FEIRA, 4 DE DEZEMBRO DE 2015

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Pódio

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Galo fecha com técnico Aguirre Pódio E2

Tênis de mesa transforma vida de jovem amazonense FOTOS : DIEGO JANATÃ

Marlison da Silva encontrou no esporte uma ferramenta de desenvolvimento motor. Ele tem parte dos movimentos do corpo paralisada

Marlison e seu professor e amigo, Vivaldo, todos os dias se reunem para treinar na escola Adalberto Vale

LINDIVAN VILAÇA

M

arlison da Silva Alfia, 16, é um garoto da periferia de Manaus. Com parte dos movimentos do corpo paralisada por conta de uma paralisia cerebral, que teve ao nascer, vivia uma vida excluída da sociedade. Não andava, não saía de casa, tinha dificuldade na escola... Mas tudo mudou quando o menino conheceu o professor Vivaldo Serafim. Treinador de tênis de mesa, Serafim percebeu que por meio do esporte poderia dar uma vida mais feliz ao jovem. O que nem o mestre nem os familiares do menino imaginaram era que a raquete transformaria a vida de Marlison de ponta a cabeça. Após três anos treinando, o jovem é literalmente outra pessoa. Melhorou a forma de andar, aprendeu a escrever e se destacou de maneira impressionante nas partidas de tênis de mesa, tanto que já foi campeão do Jogos Escolares Paralímpicos em 2014 e, neste ano, disputando numa categoria acima da sua (ele é participante da classe 6 e jogou na 7), ficou em terceiro lugar no individual, em duplas e conquistou o ouro por equipes. “Eu amo tênis de mesa. Treino todos os dias e por isso consegui essas medalhas”, afirmou o garoto, que perguntado sobre a importância de Vivaldo em sua vida, ficou emocionado. “Ele é um pai para mim, um anjo que Deus colocou na minha vida”, concluiu. Além de técnico no tênis de mesa, Vivaldo é, também, professor de sala de aula de Marlison. O mestre leciona e

o garoto estuda no 5º ano da escola municipal Joaquim da Silva Pinto, no Crespo, Zona Sul. “Marlison é um aluno muito especial. O conheci quando ele ainda tinha 14 anos de idade. De lá para cá, ele vem se desenvolvendo cada vez mais, tanto que as conquistas são a maior prova. Além do tênis de mesa, o hobby dele é o xadrez, sempre que tem competição, torneio, ele quer participar”, contou Vivaldo. Essa história só confirma que a prática de esporte é uma poderosa ferramenta de inclusão social. No Amazonas, muitos atletas com deficiência têm se destacado

SUPERAÇÃO Nas Paralimpíadas Escolares de 2015, disputada em Natal (RN), Marlison faturou a medalha de bronze no individual, mas competiu na classe 7, com atletas com deficiência menor que a sua, que é integrante da classe 6 Mesmo com partes do corpo sem o movimento perfeito, o garoto chama atenção pela habilidade de que tem com as raquetes de tênis de mesa

nacionalmente, e a exemplo de Marlison, conquistando medalhas em competições de grande porte. Por trás dessa realidade, o cenário dos esportes paralímpicos no Estado não é dos melhores. O custo é alto, o incentivo do poder público deixa a desejar e muitos paratletas sequer contam com local de treinamento. “Hoje, além das dificuldades físicas enfrentadas, os paratletas sofrem com a falta de incentivo. Outro fator é a falta de um local

adequado para treinamento. Infelizmente não é só o Amazonas que passa por isso, mas o Brasil todo. Isso prejudica muito o desempenho e a qualidade dos atletas”, comentou Vivaldo. Fera no xadrez Na escola Marlison aprendeu muitas coisas, entre elas a principal foi escrever. Além da baixa mobilidade, o garoto desenvolveu principalmente as características de ser a mais nova promessa do tênis de mesa no Estado. “Ele foi

um aluno que superou suas dificuldades muito tarde, tanto que ele já foi para escola com idade avançada, onde se desenvolveu muito bem na matemática. Daí ele entrou no xadrez e foi se soltando pouco a pouco. Do que depender de mim vou ajudar o Marlison a realizar esse sonho que é chegar à Seleção Brasileira Paralímpica”, concluiu. Além de ser craque com a raquete na mão, Marlison mostra potencial no xadrez. O jogo, na verdade, é somente uma forma de distração,

mas alegra o jovem. Ontem (3), na escola onde estuda foi realizado o 3º Festival de Xadrez, um evento que usou o esporte para incentivar o gosto pela matemática. Na competição, lá esteve Marlison entre os vencedores. Entre os 60 alunos que disputaram o torneio, ele ficou em segundo lugar. “O xadrez é um esporte muito bom porque abre a mente da gente e trabalha também o físico, né? Eu melhorei muito jogando xadrez. Ele é pura matemática e abre a nossa

mente e ensina coisas que a gente não sabe”, afirmou. “Não é o meu principal esporte. O meu esporte é o tênis de mesa, mas gosto de praticar xadrez também”, disse. A adversária na final, Ana Carolina Lima, 11, afirmou que o título foi mais honroso porque foi em cima do Marlison, que segundo ela, é o garoto prodígio do colégio, visto que é bom no tênis de mesa, no xadrez, e um dos melhores alunos em sala de aula. “É sempre difícil ganhar dele”, afirmou.


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