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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

DOMINGO DIVULGAÇÃO

MONTAGEM SOBRE FOTOS

ANO XXVI – N.º 8.379 – DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

Além de benefícios como perda de peso, redução do colesterol ruim e controle da pressão arterial, o chá-verde tem uma substância que pode combater o câncer de pele. Saúde F2 DIVULGAÇÃO

HORROR NA SALA DE AULA

O RESPEITO DOS ALUNOS PELOS EDUCADORES – TÃO COMUM EM DÉCADAS PASSADAS – DEU LUGAR À AGRESSÃO, AO DEBOCHE E ATÉ MESMO A AMEAÇAS DE MORTE. A SALA DE AULA VIROU CENÁRIO DE VIOLÊNCIA, CUJA MAIOR VÍTIMA É O PROFESSOR. DIA A DIA C1 A C5

ILUSTRAÇÃO: ELVIS BRAGA

RICARDO OLIVEIRA

A revista Elenco elaborou algumas sugestões de presentes para deixar o Dia dos Namorados – comemorado em 12 de junho – ainda mais romântico. Elenco 4 e 5

A construção e a demanda por apartamentos de tamanho menor – ideal para solteiros ou casais sem filhos – têm crescido em ritmo acelerado, em Manaus. Salão Imobiliário 1

As ruas de Manaus e do restante do país já estão enfeitadas para reforçar a torcida pela seleção brasileira, que pode conquistar o hexa em casa

O mundo agora se chama Brasil

Craque do Inter morre em acidente

Ex-atacante Fernandão (foto), ídolo do Internacional, morreu em um acidente de helicóptero, na madrugada de ontem, aos 36 anos. Última Hora A2

CAPOBIANGO

“A minha saída era previsível”

Sem demonstrar arrependimento, Miguel Capobiango (foto) conta por que tomou a decisão de sair da Unidade Gestora do Projeto Copa. Com a palavra A7

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

DIEGO JANATÃ

FERNANDÃO

DIVULGAÇÃO

A cinco dias do início da Copa do Mundo no Brasil, a população se veste de patriotismo para receber as melhores seleções de futebol do mundo e os turistas que vêm prestigiar o Mundial. Expectativa pela conquista do hexacampeonato dentro de casa ressurge da criança ao idoso, todos brasileiros apaixonados por futebol. Pódio E6

Revista de humor publicada em Buenos Aires tira sarro do Brasil e apresenta uma montagem do Cristo com a camisa da argentina e uma arma na mão. Ilustríssima G6

8177-2096 TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 33

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23


A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014

País tem 233 mil ‘fichas’ sujas’ inscritas, diz MPF

De acordo com o órgão ministerial, aproximadamente 88% dos casos cadastrados foram enviados pelo Poder Judiciário

O

sistema criado pelo Ministério Público Federal (MPF) para identificar pessoas potencialmente inelegíveis devido à Lei da Ficha Limpa já tem 233 mil inscritos. A base de dados será usada para futuros pedidos de impugnação de candidaturas. De acordo com o MPF, condenações por improbidade administrativa, por crimes comuns, e demais casos que possam impedir uma candidatura com base na Ficha Limpa, estão sendo computados no sistema, que ainda está recebendo informações. Até o momento 204,9 mil registros de condenações que podem impedir candidaturas foram enviadas ao MPF pelo Poder Judiciário. O Legislativo colaborou com o cadastro com 14.773 registros e o Executivo com 13.862. Como o Ministério Público Eleitoral só tem cinco dias a partir do registro das candidaturas para impugnar candidatos, o sistema, cha-

ARQUIVO EM TEMPO/MARCELL MOTA

mado de Sisconta Eleitoral, será usado para agilizar o trabalho dos procuradores. Caso uma candidatura seja impugnada pelo Ministério Público o caso é avaliado pela Justiça, que pode ou não concordar com o pedido da procuradoria. Amazonas Quase 1% dos “fichas sujas” no país estão no Amazonas. No Estado há 2.064 políticos e servidores públicos com algum tipo de condenação judicial, conforme o cadastro do Sistema de Investigação de Contas Eleitorais. De acordo com o Ministério Público Federal do Amazonas (MPF/AM), entre os principais políticos que estão nesta lista constam o nome do ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, do ex-deputado estadual, Nelson Azedo, da ex-vereadora Rejane Pinheiro, do ex-vereador Luiz Fernando, do apresentador Ronaldo Tabosa, que tenta retomar sua vaga na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Acusado de corrupção já está solto O ex-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (PP) saiu ontem da cadeia, após o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Sebastião Reis, conceder liminar num pedido de habeas corpus e determinar sua liberdade. Octávio foi preso preventivamente acusado de integrar uma organização criminosa que falsificava documentos e corrompia servidores para obtenção de alvarás para empreendimentos imobiliários. Ele deixou a prisão, mas ainda corre o risco de voltar a ser preso. O ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, é um dos políticos que possui a ficha suja no Amazonas

ACIDENTE AÉREO

CRIME

Táxi atropela e mata travesti na Compensa SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

Um homem que atuava como travesti e que até o fechamento desta edição ainda não tinha sido identificado morreu após ser atropelado por volta de 5h da manhã do sábado (7), próximo a loja Maesb Materiais de Construção, na avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Oeste da cidade. De acordo com um popular, um táxi avançou o sinal e atropelou o travesti. O impacto foi tão forte que a vítima foi jogada a aproximadamente seis metros de distância e caiu na calçada em frente a uma drogaria. Ainda conforme as informações do popular, o travesti que era conhecido por atuar na área próximo do acidente não resistiu aos ferimentos e morreu

Morre Fernandão, ídolo do Internacional, aos 36 anos DIVULGAÇÃO

no local. O Instituto Médico Legal (IML) fez a remoção do corpo por volta de 6h30. Assassinato Um dos corpos encontrados no quilômetro 52 da AM-010 (Manaus - Itacoatiara) foi identificado ontem pelo Instituto Médico Legal (IML). Segundo insformações do órgão, a vítima identificada é Thiago Mota, 29, morto por agressão e enforcamento. O segundo corpo encontrado no local tinha as mesmas características da causa morte de Thiago, mas o nome da vítima ainda não foi revelado. O IML informou ainda que familiares de Mota já fizeram a remoção do corpo. Colaborou Stenio Urbano do EM TEMPO ON-LINE ARTHUR CASTRO/AGORA

IML fez remoção da vítima ainda pela manhã de ontem

Helicóptero que levava Fernandão caiu no interior de Goiás

O ex-atacante Fernandão, ídolo do Internacional, morreu em um acidente de helicóptero na madrugada deste sábado, aos 36 anos. A tragédia ocorreu na região de Aruanã, interior de Goiás, onde o jogador possuía casa, por volta da 1h (horário de Brasília). “Estou acordado desde às 5h da manhã, quando me ligaram. Ele estava com mais quatro pessoas, uma delas um vereador lá de Goiás. Nenhum deles sobreviveu. Eles tinham saído da fazenda de um amigo lá em Aruanã e o helicóptero caiu cerca de 20 quilômetros do local da decolagem”, confirmou o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto. O vereador que estava com o atacante era Edmilson Lemes (PSDB), do município de Palmeiras de Goiás. De acordo com Ronaldo Pereira Soares, tenente-coronel da Polícia Militar de Goiás e um dos responsáveis pelo resgate, Fernandão foi a

única das vítimas do acidente que ainda foi retirada com vida dos destroços do helicóptero. O atacante foi levado ao hospital, mas chegou morto ao local. Técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) são esperados para fazer a perícia no helicóptero e determinar as causas do acidente. Ídolo Fernandão é considerado um dos maiores ídolos da história do Internacional. Foi o capitão do clube na conquista da Libertadores e do Mundial de clubes de 2006, este último com uma vitória histórica sobre o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Ainda sagrou-se duas vezes campeão estadual (2005 e 2008) e ganhou a Recopa sul-americana (2007) pela equipe colorada. “O momento é de profundo pesar pela partida prematura do ídolo de 36 anos” disse um trecho do comunicado do Inter.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014

Contexto 3090-1016

tricia@emtempo.com.br

contexto@emtempo.com.br

A3

Editorial opiniao@emtempo.com.br

A ressurreição de Amazonino Agora já se pode dizer o que o Amazonino Mendes fez durante 4 anos como prefeito de Manaus: pensar no futuro do Amazonas, ao lado de Eduardo Braga, a quem trata, agora, como “um homem que nasceu deste coração (batendo no próprio peito)” e que “eu observava aquele jovem de futuro radiante; trocávamos ideias e, naqueles momentos, eu já conhecia o futuro do Amazonas, já enxergava o futuro da nossa história”, esquecidos os desgastes de uma longa convivência dos dois no mesmo grupo político. O afago ao líder do governo Dilma Rousseff no Senado foi feito na manhã de sexta-feira 6, quando Amazonino Mendes e seu partido, o PDT, e alguns outros nanicos, declararam apoio à candidatura de Braga ao governo do Estado. Até aquele momento, o ex-prefeito de Manaus, que guardava um enigmático silêncio, era tratado como o objeto de desejo de vários pretendentes ao mesmo cargo, à direita e à esquerda, se ainda se pode definir esses campos na política amazonense, claramente inclinada ao continuísmo, em uma postura mimética do que sucede pela disputa presidencial. Ao contrário da imagem de quem se desiludira com a política, como a que mostrou durante o exercício da prefeitura, Amazonino Mendes voltou ao palanque mais uma vez energizado. Em um documento de quatro páginas, “que deve ser fartamente distribuído e comunicado”, ele se revela disposto, ao lado de Eduardo Braga, à implementação de “um novo tipo de governo que contemplasse valores fundamentais” para o desenvolvimento e bem-estar da população do Estado do Amazonas. O “apoio com vistas ao futuro e bem-estar do povo do Amazonas” tem oito itens apresentados todos eles em letras maiúsculas, para tornar ainda mais claras as intenções do seu autor, todas elas discutidas com o candidato majoritário. Amazonino está de volta.

Mais de 240 estão inelegíveis O bicho vai pegar. O procurador regional eleitoral do Amazonas, Ageu Florêncio da Cunha, recebeu do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), Josué Filho, a lista com 241 nomes de gestores públicos que sofreram condenações pelo tribunal, sem possibilidade de recurso, de 2006 até hoje. Os gestores são potencialmente inelegíveis e os dados encaminhados pelo TCE-AM serão utilizados pela Procuradoria Regional Eleitoral do Amazonas (PRE/AM) para apresentar impugnação caso esses gestores entrem com pedidos de registro de candidatura. Disque 100

Repúdio O vereador Ednailson Rozenha (PSDB) apresentou uma moção de repúdio, na CMM, contra os deputados federais baianos Luiz Alberto e Zezéu Ribeiro (ambos do PT), que votaram contra a PEC da Zona Franca. Cinema As escolas de educação básica – até o 9º ano – podem ficar obrigadas a exibir, pelo menos duas horas por mês, filmes de produção nacional. A mudança na lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, foi aprovada no plenário do Senado e será enviada à sanção presidencial. O autor do projeto é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Idosos na Copa A prefeitura, por meio da Fundação Doutor Thomas (FDT), vai realizar, no parque do Idoso, a transmissão dos jogos da Copa do Mundo. Telões, quiosques com iguarias da região e música vão compor o cenário do evento, denominado “Idosos

Punição A Câmara dos Deputados analisa um projeto que cassa o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento que comprar, distribuir, transportar ou estocar produtos roubados ou falsificados (PL 7143/14). Inativos Pela proposta, do deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), os sócios da loja penalizada serão proibidos de pedir nova inscrição para empresa no mesmo ramo de atividade por 5 anos. Carapanã bateu... A prometida semana de “esforço concentrado” no Congresso, com votações de segunda a sexta-feira, terminou antes do previsto, com o esvaziamento antecipado da Câmara e do Senado. Não houve votações nos plenários das duas casas, na sexta-feira (6), e os corredores ficaram vazios, com a presença apenas de funcionários do Legislativo. E a gente vai levando... Alarmante Com 715,6 mil presos, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, conforme o Centro Internacional de Estudos Prisionais (ICPS), do King’s College, de Londres, na Inglaterra. Os EUA lideram a lista com 2,2 milhões, seguidos pela China, com 1,7 milhão.

APLAUSOS

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados rejeitou a proposta que fixa em 23h15 (fuso de Brasília) o horário máximo para o término de jogos de futebol realizados em estádios com capacidade superior a 10 mil pessoas. Fuso horário Atualmente, as partidas realizadas à noite começam às 21h50 e terminam às 23h35, se não houver atraso nem prorrogação. Uma das críticas diz respeito à existência de quatro fusos horários diferentes no país, o que tornaria difícil a execução da lei. A queda Pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (6), confirma a tendência de queda nas intenções de voto pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Na comparação com maio, ela variou de 37% para 34%, mas desde fevereiro, já caiu dez pontos percentuais. Porém... Os principais adversários de Dilma, no entanto, não estão conseguindo tirar proveito da situação. Juntos, eles somavam 38% na pesquisa anterior. Agora, recuaram para 35%. Comparando a maio, os dois principais rivais da presidente variaram negativamente. O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à presidência, oscilou um ponto para baixo. Agora está com 19%.

VAIAS

PEC do trabalho escravo

elvis@emtempo.com.br

Mudança rejeitada

na Copa”.

Gestores de escolas públicas das redes municipal e particular terão que divulgar o Disque 100 em salas de aula para denúncias de abusos, violência e assédio sexual infantojuvenil. É o que estabelece o Projeto de Lei (PL) 330/2013, aprovado na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e encaminhado para sanção do prefeito Arthur Virgílio Neto.

Regi

Acúmulo de lixo

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

IONE MORENO

Para a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que permite a expropriação de imóveis onde forem flagrados trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Para os que reclamam levianamente do “descaso” do poder público, mas não contribuem para a limpeza do bairro onde moram. Com a cheia, o acúmulo de lixo se torna tão evidente quanto a falta de zelo de alguns moradores.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

A síndrome do torcedor É realmente uma ocorrência inusitada, algo estranho que exige uma explicação e pressupõe análise e reflexão. Estou a referir-me a esse estado de espírito que motiva e move o torcedor de um esporte, no nosso caso com arrasadora predominância do futebol. Não que outras modalidades esportivas estejam isentas da capacidade de polarizar e magnetizar suas plateias. Apenas, como acontece, por exemplo, com o voleibol, com o basquetebol e mais ainda com o tênis, o golfe e competições esportivas variadas, essas práticas ainda se mantêm distantes do gosto e da vivência das massas e, deste modo, restritas a parcelas e a nichos sociais mais limitados. Falta-lhes ainda atingir a alma popular e, daí, passar a fazer parte do cotidiano e a ser combustível capaz de inflamar os sentimentos e as emoções do povo. Mas, fazendo o recorte e o destaque do futebol, unanimemente reconhecido como paixão nacional e assim vivenciado praticamente por todos os brasileiros de todos os estratos sociais, vamos, após um mínimo de análise, encontrar o espectro de um mistério que precisa ser desvelado. Dentre as quase duas centenas de milhões de brasileiros que formam o universo dos torcedores do futebol, sabemos que a absoluta maioria se constitui de pessoas que jamais foram praticantes desse tal “esporte bretão”, talvez nunca tenham pisado num campo de futebol ou, quando muito, bateram na infância ou batem ainda hoje simplórias peladas na areia das praias, nos campinhos improvisados, nos espaços das pracinhas urbanas. Isso nos diz que, considerando a realidade nua e crua, o futebol em si mesmo nunca fez parte da concretude da vida da grande maioria

desse imenso mar de gente que lota os estádios, que se deixa prender irresistivelmente às telas dos televisores, que faz dele o obrigatório assunto das conversas e das discussões. E é exatamente desse modo paradoxal que as pessoas, pelo menos na sua grande maioria, saem do sério, abandonam seus padrões normais de comportamento, se deixam dominar por intenso fanatismo e assumem comportamentos enlouquecidos, muitas vezes violento, dentro dos estádios ou fora deles, chegando a pôr em risco a vida própria e a dos outros. Em resumo, o que faz de alguém um torcedor é uma energia emotiva, que leva a uma autorrealização pela via da identificação, como no antiquíssimo mito do herói. E há aí duas vertentes a considerar que, inclusive, se unem e se somam para, ao fim, potencializarem-se reciprocamente. Em primeiro lugar, o tomar um time como seu, como objeto da sua torcida, é uma ação inteiramente emocional, condicionada culturalmente de tal modo que é valorizada em sociedade pela intensa vibração e pelo empenho sem limites. Em segundo lugar, mas não em segundo plano, como em todo comportamento que se deflagra e se governa pelo emocional impera o chamado processo primário, ou seja, o reinado dos impulsos, para que a conduta se mantenha como social e “civilizada”, dependerá de uma anterior ação educativa eficiente, que leve a consciência mais desenvolvida a assumir o controle e a estabelecer o predomínio do comportamento regido pelo processo secundário. Lamentavelmente, não é o caso nosso, dos brasileiros, cujo Estado ainda não percebeu que nenhuma sociedade atinge o padrão desejado, sem a valorização da educação.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Em resumo, o que faz de alguém um torcedor é uma energia emotiva, que leva a uma autorrealização pela via da identificação, como no antiquíssimo mito do herói. E há aí duas vertentes a considerar que, inclusive, se unem e se somam para, ao fim, potencializaremse reciprocamente”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

V de Vingança

Precisamos definir o que é uma jornada exaustiva e o que é um trabalho degradante, que pode mudar de um estado para outro [...]. Em São Paulo, por exemplo, um trabalhador pode achar degradante trabalhar sem ar-condicionado e sem água. No Amazonas, tem trabalhador que trabalha precisando dormir em rede

O PV quer usar a campanha presidencial para dar um troco em Marina Silva, que deixou o partido depois das eleições de 2010. Seu novo candidato ao Planalto, Eduardo Jorge, diz que os verdes exageraram nas concessões à ex-senadora. Para ele, Marina defendeu “ideias fundamentalistas” e aceitou o apoio de “pastores reacionários”. A sigla promete retomar bandeiras que guardou no armário há quatro anos, como a liberação do casamento gay, das drogas e do aborto. Sem recreio Eduardo Jorge não perdoa Marina por ter barrado uma adesão do PV a José Serra (PSDB) no segundo turno de 2010. “Ela ficou emburrada porque o povo não a elegeu e foi para casa. Foi uma posição infantil”. Com carinho O verde se diz amigo da ex-senadora e ressalva que as divergências são políticas. Ele é aliado de José Luiz Penna, que comanda o partido desde 1999 e foi o pivô da saída de Marina. Sem ambição O pré-candidato do PV tem apenas 1% no Datafolha. Ele espera crescer, mas admite que ficará longe dos 19,6% que a sigla alcançou há quatro anos. Nela, não Os eleitores que pretendem votar nulo ou em branco estão mais irritados com Dilma Rousseff (PT): 46% dizem que não a apoiarão de jeito nenhum. Neles, talvez No mesmo grupo de desiludidos, 22% rejeitam votar em Aécio Neves (PSDB) e 18% descartam Eduardo Campos (PSB).

Indignados Analistas da campanha tucana atribuem o aumento do “não-voto” à tensão pré-Copa e ao medo de novos protestos violentos. O bruxinho vem aí Randolfe Rodrigues (PSOL) virou cliente de Jassa, o famoso cabeleireiro de Silvio Santos. “Como todo mundo me acha parecido com o Harry Potter, ele fez um corte para me deixar mais velho, ressaltando os poucos fios brancos...” Bola nas costas O Planalto foi surpreendido com a adesão do PDT a Paulo Skaf (PMDB) na disputa pelo governo de São Paulo. Lula se dizia empenhado em garantir o tempo de TV da sigla para Alexandre Padilha (PT). A fila... A Advocacia-Geral da União detectou que funcionários da Receita Federal ameaçam realizar operação-padrão antes da Copa. ... não anda O temor é que a manifestação cause atrasos no desembarque de turistas em portos e aeroportos. O governo ainda não decidiu se vai recorrer à Justiça para impedir o movimento.

Melhor evitar A Prefeitura de Manaus distribui um guia para orientar vendedores e taxistas no atendimento a estrangeiros na Copa. O panfleto ensina a distinguir croatas, sérvios e bielorrussos e sugere “não discutir a crise econômica na Europa”. Chicote aéreo O ministro Moreira Franco (Aviação Civil) determinou que a Anac passe a fiscalizar obras em aeroportos administrados pela Infraero, como já faz com terminais concedidos à iniciativa privada. A agência deverá cobrar prazos e aplicar penalidades à empresa.

Romero Jucá, senador (PMDB-RR) intervém na discussão sobre a promulgação da PEC que permite a expropriação de imóveis onde forem flagrados trabalhadores em situação análoga à escravidão. Romero encontra dificuldades em definir “jornada exaustiva” e “trabalho degradante”, que, para ele, não seriam iguais em todo o país.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

IONE MORENO

Faz o DOC O governo federal atribui a demora nas obras do aeroporto de Cuiabá a atrasos em pagamentos pelo governo de Mato Grosso. Sem dinheiro, a empresa responsável chegou a paralisar os trabalhos. Conta salgada Apesar de ainda não ter sido aprovado, o projeto que institui o pagamento de bônus a juízes já rachou o governo. O Planalto teme detonálo e se indispor com o Judiciário. Miriam Belchior (Planejamento) está em pânico com seu impacto no Orçamento.

Tiroteio

A torcida brasileira abre as portas e as janelas e põe as unhas de fora: verde, amarelo, azul e branco. De repente é aquela corrente para frente, parece que todo o Brasil deu a mão e ficou sem os anéis, todos ligados na mesma emoção. Salve a seleção! Salve a seleção! Salve a seleção!

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Quando a campanha começar, o eleitor vai se dar conta de que os tucanos são fregueses do PT e que só Eduardo poderá bater Dilma.

Pentecostes

DO DEPUTADO BETO ALBUQUERQUE (RS), líder do PSB na Câmara, sobre queda nas intenções de voto do candidato do partido à Presidência, de 11% para 7%.

Uma das festas mais tradicionais no interior do Brasil e do Amazonas em particular é a Festa do Divino. Uma coroa com uma pequena pomba no alto é conduzida com todas as honras durante muitos dias, visitando as casas dos devotos. Nas suas andanças é acompanhada por porta-bandeiras e tocadores de instrumentos de percussão. Os cantos são muitas vezes cantados em latim. As coreografias são precisas e obedecem a um ritual bem determinado. Tudo que é arrecadado serve para a grande partilha final. É a religiosidade popular que tem sua hierarquia própria e sobrevive à margem das instituições religiosas, dando corpo a um catolicismo popular que sobreviveu à falta de padres nas comunidades ribeirinhas e a seu modo guardou a fé recebida da igreja. A experiência cristã de Deus é trinitária. O Deus revelado por Jesus é amor e amor significa relações e relações são pessoais, portanto na natureza divina subsistem três pessoas. Uma delas é o amor entre as duas primeiras e é este amor que vem habitar nos corações e nas consciências entrando na história e transformando-a por dentro. E este amor é poder, tão bem representado na coroa do Divino. Ele está no meio do povo que é empoderado por ele. Por isso, Ele é chamado de pai dos pobres e luz dos corações. Num dia de Pentecostes, que era uma festa judaica, um grupo de discípulos de Jesus estava reunido a portas fechadas em Jerusalém. O Mestre havia sido

Contraponto

Jogo do bicho Presidido pelo deputado estadual Baleia Rossi, o PMDB paulista reuniu, durante a semana, seus pré-candidatos à Câmara e à Assembleia para uma palestra sobre marketing político. Gaudêncio Torquato apresentou as características do pleito deste ano: - Estamos vendo o casamento de bode com zebra, jacaré com elefante, touro com cobra d’água. Nunca tivemos alianças tão desprovidas de sentido. O dirigente peemedebista interrompeu: - Professor, por razões óbvias, peço que o senhor evite usar a baleia como exemplo nas comparações! Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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coragem, abriram as portas e com ousadia começaram a anunciar que aquele Jesus que havia sido barbaramente assassinado depois de um arremedo de julgamento tinha sido constituído Senhor e estava vivo, e mais ainda, voltaria para o julgamento final. Iniciaram uma transformação histórica virando tudo de cabeça para baixo. Os que entenderam isto e aceitaram a proposta se reuniram em comunidades onde tudo passou a ser comum e os necessitados desapareceram. Viviam cheios do Espírito, deixavam-se conduzir por ele e não resistiam à sua ação. Hoje uma multidão imensa se reúne no centro histórico da cidade. Outra multidão acompanha pela mídia. Reunidos expressam o sonho de um mundo governado pelo amor e conduzido pelo Espírito, um mundo onde poder seja serviço e que o serviço seja à base da fraternidade. Sempre haverá resistências e tentativa de manipulação. Num século onde o pentecostalismo dentro e fora da igreja tornou-se uma forma cristã de viver, onde o espírito parece estar movimentando vidas e instituições como em raras ocasiões, é preciso discernir os frutos da sua presença. E o fruto maior é o da liberdade. A manipulação das consciências em vista de lucro e de poder é um pecado contra o espírito. A mentira leva à morte e o abuso é resistência ao amor. O povo que carrega a coroa é um sinal eloquente de esperança num poder libertador, e os ritos anuais lembram aos poderes de plantão que

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Num século onde o pentecostalismo dentro e fora da Igreja tornou-se uma forma cristã de viver, onde o Espírito parece estar movimentando vidas e instituições como em raras ocasiões, é preciso discernir os frutos da sua presença. E o fruto maior é o da liberdade”


Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014

A5

MPF quer evitar manobras de candidatos fichas sujas Órgão federal quer fazer valer a Lei da Ficha Limpa nestas eleições e criou sistema para cadastrar potenciais inelegíveis

DIVULGAÇÃO

RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

O

cenário para candidatos fichas sujas será ainda mais difícil nas eleições deste ano. Pelo menos é que planeja o Ministério Público Federal (MPF). Aprovada em 2010 e, em vigor desde 2012, quando aconteceu as eleições municipais, a Lei da Ficha Limpa deve ser testada, novamente, no pleito de 2014. Para evitar que candidatos potencialmente inelegíveis consigam liminares para suspensão de condenações na Justiça e, assim, driblar a impugnação de suas candidaturas, o Ministério Público Eleitoral irá detectar as manobras a partir de um sistema de acompanhamento junto aos Tribunais de Contas do Estado e da União. Em fase de construção do esquema de operação que será executado nas eleições, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) deverá mapear junto aos tribunais todas as liminares de suspensão de condenações, concedidas no último pleito e ainda em vigor para, desta forma, criar um banco de dados atrelado ao levantamento dos fichas sujas do Estado. Para eventuais manobras de potenciais inelegíveis, a PRE pedirá à Justiça que notifique o órgão quando houver tentativas de burlar a lei. A Procuradoria aposta que o acompanhamento dará margem de atuação para recorrer dos pedidos antes que os inelegíveis prossigam com a candidatura. A lei foi feita para barrar nas urnas pessoas con-

denadas em órgão colegiado, mesmo sem o trânsito em julgado, por crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas. A inelegibilidade é de 8 anos. Haverá novidades também no sistema de coleta das fichas criminais estaduais. No início de maio, o MPF enviou requerimentos a 18 órgãos do Estado para que alimentem o sistema Sisconta com os dados criminais de cidadãos, servidores públicos e políticos. Até o início deste mês, quase 6 mil potenciais fichas sujas foram cadastrados no sistema por nove órgãos. O restante das entidades consultadas não soube usar o sistema e tiveram o prazo prorrogado. O MP ainda espera aumentar essa lista após o envio dos dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e a da Justiça Federal, antes de revisar o sistema. O Poder Judiciário local cadastrou 1.054 nomes, a maioria não pertencente à classe política, que tiveram condenações nos últimos anos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), enviou 3 nomes; Tribunal de Contas do Estado (TCE), 241; Ministério Público do Estado (MPE), 5; governo, 435; ControladoriaGeral do Estado (CGE), 377. A Câmara Municipal de Manaus (CMM) cadastrou 13 nomes e a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), 5 inelegíveis. Os dados são do Ministério Público Federal. Nas eleições municipais de 2012, 600 nomes estiveram na lista de fichas sujas, com 81 pedidos de impugnação, dos quais dez atingiam candidatos à prefeituras municipais.

Ministério Público Federal está montando base de dados com nomes de pessoas que foram condenadas e que ficarão inelegíveis

CÂMARA FEDERAL JBATISTA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Deputados planejam votar pautas pendentes nesta semana que se inicia na Câmara Federal

Orçamento impositivo na pauta O plenário da Câmara dos Deputados pode votar na próxima semana os destaques à proposta do orçamento impositivo de emendas parlamentares (PEC 358/13). A proposta, de autoria do Senado, obriga a União a executar as emendas parlamentares no montante de até 1,2% da receita corrente líquida. Os destaques pendentes pretendem retirar do texto regras sobre os limites mínimos de aplicação de recursos federais em saúde. Esse ponto faz parte do acordo fechado pelo governo com o Senado quando a matéria

tramitou naquela casa. A matéria está pautada para sessão extraordinária marcada para terça-feira à noite. Farmacêutico Na sessão ordinária de terça-feira, os deputados podem analisar o projeto de lei 4385/94, do Senado, que regulamenta a presença de farmacêuticos em farmácias. De acordo com o substitutivo da Comissão de Defesa do Consumidor, de autoria do deputado Ivan Valente (Psol-SP), o estabelecimento deverá ter um farmacêutico exclusivo de plantão durante todo o funcionamento e não

poderá exibir propaganda de medicamentos. Ministro do TCU Ainda na sessão ordinária, o plenário precisa votar o projeto de decreto legislativo 1.472/14, do Senado, que indica Bruno Dantas Nascimento para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), na vaga que cabe àquela casa indicar. Bruno Dantas Nascimento já foi conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


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Política

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CPI da Petrobras ouvirá Graça Foster na quarta

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não pretendemos que este tema se sobreponha aos demais” PRÉ-CANDIDATO A PRESIDENTE DO PARTIDO VERDE, Eduardo Jorge, sobre a “natureza”

Governo pagou (sem saber) protesto dos índios A manifestação de um grupo de índios, em 27 de maio, que ficou conhecida pelas flechas atiradas contra policiais e motoristas, foi bancada com recursos federais. E sem que o governo soubesse. Acionada para investigar o caso, a Polícia Federal identificou servidores e antropólogos ligados ao governo federal ou financiados com recursos públicos, por trás do inesperado protesto dos índios. Como gado Recursos públicos também foram usados pelos antropólogos ligados à Funai e Funasa, ilegalmente, para levar índios a Brasília como gado. Causa própria ONGs fizeram os índios protestar contra o projeto de transferir a demarcação de terras ao Congresso. O projeto retira poder das ONGs. Bucha de canhão Exibindo cocares que lembravam filmes de faroeste americano, índios foram conduzidos à passeata que acabou em pancadaria e flechadas. Hesitação O Planalto avalia a oportunidade de a PF indiciar e entregar à Justiça servidores e antropólogos que estavam por trás da baderna indígena. Maus-tratos de Dilma podem virar atração na TV A oposição trabalha para levar à TV, na campanha, testemunhos de funcionários dos palácios do Planalto e da Alvorada supostamente ofendidos pela presidente Dilma. Como o caso da ca-

mareira que teria tomado uma bordoada, após pegar um colar diferente do solicitado pela patroa temperamental. Ou os médicos e militares, ajudantes de ordem, que, maltratados, passaram a enfrentar até problemas emocionais. Insuportável Entre as histórias mais marcantes de bullying de Dilma: levou uma oficial da Marinha, indignada, a abandonar sua ajudância de ordens. Eu avisei... Ex-ministro muito ligado a Dilma, hoje em campanha no seu Estado, chegou a advertila para possível denúncia de serviçais maltratados. Excessos Impaciente e intolerante a falhas, Dilma dá broncas consideradas desproporcionais sem olhar a quem, de ministros à camareiras. Boca maldita Nelson Bocaranda, o blogueiro do jornal El Universal (Venezuela), que primeiro anunciou o câncer de Hugo Chávez, diz que a doença de Lula voltou, obrigando visitas de madrugada ao hospital Sírio Libanês. Temer faz ofensiva Às vésperas da convenção do PMDB, nesta terça (10), o vice Michel Temer passa o fim de semana em Brasília ao telefone, em busca de votos favoráveis à reedição da aliança com a presidenta Dilma. Viés de baixa Eduardo Campos (PSB) perdeu 4 pontos percentuais e Dilma (PT) 3, na disputa presidencial, segundo o Datafolha. Ambos fora da margem de erro. Aécio Neves

Jornalista

A convocação da presidente da Petrobras para abrir a fase de depoimentos da CPI Mista é uma surpresa para a casa DIVULGAÇÃO

(PSDB), mais estável, oscilou apenas 1%. Nova sensação O presidenciável Pastor Everaldo (PSC) caminha para se transformar na sensação da campanha. Sua ligação a Marcos Feliciano (PSC-RJ), terror do mundo gay, não parece atrapalhar seu desempenho. PP de volta Filho do senador Benedito de Lyra (PP-AL) e enrolado com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal, o deputado Arthur Lira apareceu na última reunião do blocão, que se rebelou contra o Dilma. Sansão O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), neo-cabeludo após implante, tenta descobrir quem o apelidou de “Sansão”, após a valentia contra servidores. A brincadeira é dos amigos da “governança” do Senado. Areia movediça O PT-SC, que lançou Cláudio Vignatti ao governo, está uma arara com a presidenta Dilma, que rasgou seda na última sexta ao governador Raimundo Colombo, do PSD, que está longe de apoiá-la no Estado. Circulando De nada resolveu a carteirada de Marcio Lacerda (PSB), prefeito de BH, na tentativa de receber a seleção chilena no aeroporto. Foi barrado por militares da Aeronáutica para não “atrasar o desembarque”. Pensando bem... ...teremos Copa com faturamento Fifa, estádios padrão Lula, transportes estilo Cuba e preços nível Noruega.

PODER SEM PUDOR

Bisturi rápido Após uma homenagem ao Dia da Mulher, na Assembleia Legislativa da Paraíba, uma loura estonteante de “magníficos e exuberantes seios”, como relatou Hélder Moura no Correio da Paraíba, passou pelo médico e deputado Antônio Ivo. Boquiaberto, cutucou o deputado Inaldo Leitão: - Eu em cima de uns peitos desses... Só então Ivo notou que sua própria mulher ouvira o gracejo. E o desafiou: - O que é que você fazia, Antônio Ivo?!... Ele, em cima da bucha: - ...eu pegava o meu bisturi e fazia uma plástica de torar!

Graça Foster volta a depor no Congresso sobre a compra da Refinaria de Passadena, nos EUA

A

presidente da Petrobras, Graça Foster, será ouvida pela CPI Mista da Petrobras na quarta-feira (11), às 14h. Será a quarta vez que Graça Foster comparecerá ao Congresso Nacional para explicar a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, além de outras denúncias contra a estatal. A convocação da presidente da Petrobras para abrir a fase de depoimentos da CPI Mista é uma surpresa, uma vez que o relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou em entrevista, na terça-feira passada, dia 27, que a fase de depoimentos poderia começar com o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que chegou a ser preso pela Polícia Federal na operação Lava a Jato. “Vamos analisar todas as informações, mas acho que Paulo Roberto Costa, que já está convocado pela CPI do Senado, pode ser um bom começo para a CPI mista. Isso dependerá de outras decisões” disse o relator. O presidente da CPI Mis-

ta, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) considerou que o “ponta pé” inicial não poderia ser outro, senão com a Graça Foster. Apesar de ela já comparecido para apresentar explicações ao Congresso, Vital do Rêgo aposta que pode haver novidades. “A presidente reiterará o

CONVOCAÇÃO

Na terça-feira passada, dia 3, foi aprovado um bloco com cerca de 230 requerimentos para ouvir dezenas de pessoas e obter acesso à cópia das investigações da operação Lava a Jato seu posicionamento, até porque ela vem tomando essa posição ao longo das últimas presenças em comissões. Só que nós vamos ter um debate e os senadores e deputados que solicitaram a presença dela acreditam que isso suscitaria, efetivamente, um novo direcionamento, por-

que outros deputados e senadores estão com dúvidas”, declarou. Ao depor à CPI da Petrobras do Senado no final de maio, Graça Foster reafirmou que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), “não foi um bom negócio” e que hoje a estatal brasileira não o realizaria. “À luz da situação atual, os números mostram que não foi um bom negócio. Num futuro próximo é possível que haja melhorias, mas hoje, com a decisão do refino no Brasil, com a descoberta do pré-sal e com um mercado interno crescente, não é mais prioridade. Mas lá atrás em 2006, foi considerado [um negócio] potencialmente bom”, afirmou Graça. Convocados Na terça passada (3), foi aprovado um bloco com cerca de 230 requerimentos para ouvir dezenas de pessoas e para obter acesso à cópia das investigações da operação Lava a Jato, incluindo as quebras de sigilo dos envolvidos.

Ex-diretor depõe na terça-feira O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa depõe à CPI da Petrobras no Senado na terça-feira (10), a partir de 10h15. Ele deve prestar informações sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, entre outros temas. O ex-diretor da estatal foi preso em março pela

Polícia Federal, na operação Lava a Jato, que investigou esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele acabou solto, dois meses depois, por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” no início de junho, Paulo Roberto Costa assegurou que não houve superfaturamento nas obras de Abreu e Lima.

Segundo ele, a Petrobras divulgou o valor da obra em US$ 2,5 bilhões, sem saber quanto a refinaria custaria de fato: “Foi conta de padeiro”, disse. O ex-executivo declarou ainda que recebeu do doleiro Alberto Youssef, em 2013, uma proposta para prestação de consultoria, pois o doleiro estava comprando a empresa Ecoglobal, que assinaria um contrato com a Petrobras.


Com a palavra

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Miguel CAPOBIANGO

‘Sou UM discípulo de GILBERTO Mestrinho’ FOTOS: DIEGO JANATÃ

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Estava aguardando o momento em que eu sentisse que o projeto não precisaria mais de mim. Estimava que no dia 22 de maio quando passássemos a Arena da Amazônia para a Fifa, eu poderia ter a tranquilidade de sair e as coisas continuassem no rumo certo”

escendente de uma família política tradicional do Amazonas, Miguel Capobiango Neto, tinha tudo para ser o “homem da Copa”. Mas, faltando 15 dias para o início do Mundial entregou sua carta-renúncia do cargo de coordenador-geral da Unidade Gestora da Copa (UGP-Copa). Sem demonstrar nenhum arrependimento, declarou que resolveu tomar essa atitude porque sentiu que já havia cumprido a sua missão. Sobrinho e afilhado do exgovernador Gilberto Mestrinho – morto em 2009 - Biango, como é mais conhecido, se diz um discípulo do “boto navegador” e confessa que tudo que aprendeu sobre o cenário político foi com Mestrinho. Filiado há 30 anos no PMDB, ele ocupa há duas décadas o cargo de secretário-geral do partido e afirma estar se preparando para encarar mais uma campanha política. Com um vasto currículo na carreira pública, o ex-deputado estadual já atuou com todos os políticos após a era Mestrinho. “Tenho boas entradas com todos. Trabalhei com Eduardo Braga, José Melo, Omar Aziz, Serafim Corrêa, Amazonino Mendes e Luiz Alberto Carijó”, disse. Apaixonado por futebol e o torcedor do Fluminense, ele disse que independente de cargo estará na Arena da Amazônia nos quatro dias de jogos como um torcedor. Em uma entrevista ao EM TEMPO dois dias após anunciar oficialmente sua saída, o ex-gestor da UGP Copa falou sobre futebol, da construção da arena, dos desafios políticos no Amazonas, da sua ligação com Gilberto Mestrinho, e dos 3 anos e meio em que esteve à frente da UGP-Copa. EM TEMPO – Faltando 15 dias para o início dos jogos na Arena da Amazônia o senhor deixou o cargo. Por que tomou essa decisão? Miguel Capobiango – Estava aguardando o momento em que eu sentisse que o projeto não precisaria mais de mim. Estimava que no dia 22 de maio, quando passássemos a Arena da Amazônia para a Fifa, eu poderia ter a tranquilidade de sair e as coisas continuassem no rumo certo. Mas, antes de sair consegui distribuir todos os projetos e planos operacionais para as secretarias que já vinham nos ajudando em todos esses anos. Fazendo isto, fiquei bem à vontade para deixar a pasta e intensificar meu trabalho em outras ações. EM TEMPO – O senhor é secretário-geral do PMDB,

partido do senador Eduardo Braga e trabalhava em uma secretaria ligada a José Melo, principal opositor de Braga nas próximas eleições. Houve pressão política para deixar a UGP? MC – Não. Na verdade, a minha saída era uma situação que eu já havia previsto desde o início do ano, quando percebi que essa conjuntura política iria ocorrer no mesmo período dos jogos. Quando houve o desligamento do ex-governador Omar Aziz (PSD) e a passagem de comando para o atual governador José Melo (Pros) essa minha situação foi bastante conversada com ambos e com o presidente do meu partido, Eduardo Braga. Todos queriam que tudo ocorresse bem durante os jogos, por isso, aceitei ficar até o momento de entregar o estádio para Fifa. EM TEMPO – No fim do mês passado o senhor entregou uma carta-renúncia na sede do governo e depois voltou atrás, ficou mais uma semana no cargo e se desligou novamente. O que aconteceu de fato? MC – Eu renunciei ao cargo há 15 dias, mas fiz isso devagar. Antes da última reunião com a Fifa, que estava marcada para dia 19 de maio, conversei com o governador José Melo e anunciei que aquele encontro seria o último. No dia 28 dei entrada na minha carta e, na mesma noite, o secretário Extraordinário, Evandro Melo, convocou uma reunião com todas as pastas envolvidas para definir sobre essa transição dos trabalhos. Mas eu me coloquei à disposição a todo o momento para resolver dúvidas e questões ligadas à UGP Copa. Não foi uma questão de voltar atrás. Estava apenas colaborando para que tudo ocorresse bem. E no dia 2 de junho, o governador José Melo anunciou a minha saída definitiva. EM TEMPO – E em que condições a Arena da Amazônia foi entregue para a Fifa? MC – Passamos a obra praticamente pronta, o que está sendo feito agora são apenas preparações para que o estádio possa atender a todas as demandas operacionais de um evento desta magnitude, mas esses são elementos de responsabilidade da própria Fifa. Situações como as instalações das operadoras de celulares e questão de internet. Estão acontecendo também ações no entorno da arena para dar melhor comodidade ao público. EM TEMPO – Durante mais de 3 anos e meio o senhor respirou futebol e na hora de ver o resultado deste traba-

lho saiu de campo. Não sentiu arrependimento? MC – Não, sempre fui muito dedicado às questões públicas. Fui apresentado ao segmento pelo saudoso Gilberto Mestrinho, que era meu tio e padrinho de batismo. Talvez eu seja o único discípulo dele ainda em atividade, e essa vaidade de querer ser o nome da Copa não me seduz. Para mim foi tranquilo tomar essa decisão. EM TEMPO – O senhor vai acompanhar os jogos na arena? MC – Sem sombra de dúvidas, vou como torcedor, sou um dos maiores entusiastas desta competição. EM TEMPO – Qual será o legado na Copa do Mundo para o Amazonas? MC – Com certeza a oportunidade de mostrar o Amazonas para o mundo. Neste período de Copa vamos receber pessoas e jornalistas de todos os lugares do planeta e essa será uma grande vitrine para atrair investimentos turísticos. Queremos deixar a sensação de que o nosso Estado merece ser visitado, que moramos em um local lindo que contempla o maior Distrito Industrial e que tem a capacidade de multiplicar investimentos e negócios. Será a nossa oportunidade de mostrar que somos uma cidade cosmopolita e não regional. EM TEMPO – Ainda durante a construção da arena houve acidentes que vitimaram alguns trabalhadores. Como lidou com isso? MC – Foi muito crítico. Os dois trabalhadores que faleceram dentro da arena eu não tive a oportunidade de conhecê-los pessoalmente, mas sei da colaboração individual que cada um deu para aquela construção. O primeiro caso foi do Raimundo Nonato, que caiu à noite de uma laje, até hoje de forma inexplicável. O acidente dele ocorreu no momento em que os demais operários estavam em um horário de descanso e ninguém sabia o que o Raimundo estava fazendo sozinho naquele local. Esse fato ocasionou um clima terrível na arena durante semanas. O segundo, foi do cearense Marcleudo, que iria fazer aniversário no dia seguinte da sua morte (lágrimas). Isso foi muito doloroso a todos. Teve também o caso do operador Antônio Martins, que não morreu na dentro da obra, mas sim no entorno, quando estava desmontando o guindaste. Ele foi quem fez a montagem instrumentária da arena. Sou muito grato a todos. EM TEMPO – E como foi o trabalho de adequação com

os outros setores? MC - Conseguimos fazer um trabalho integrado muito bom. Seja na segurança ou saúde. As entidades de classe também estiveram permanentemente conosco. Fizemos um trabalho muito grande com as Forças Armadas. A Prefeitura de Manaus também esteve a todo o momento muito presente e aliada ao nosso trabalho. Foi o trabalho de muita gente, e que deu certo. EM TEMPO – O senhor teme que possíveis manifestações durante os jogos possam atrapalhar o evento? MC – As manifestações são direitos conquistados com muita dificuldade pela população brasileira. É legítimo e deve ser garantido a todos e temos que estar atentos para corrigir rumos que não estão bem. O que precisa ser evitado são as badernas e manifestações com agressões. EM TEMPO – Quando se construiu a arena houve muita discussão sobre a demolição do “Vivaldão”. O senhor acredita que acertou em ter derrubado o antigo estádio e levantar outro? MC – A maior certeza de que fiz o melhor foi quando o Amadeu Teixeira, que era um dos grandes críticos sobre a demolição do antigo estádio, entrou na arena. Depois que ele viu o que conseguimos e percebeu que não teríamos condições de fazer no antigo Vivaldão o que fizemos com a arena, mudou o conceito. Vi isso nos olhos dele. E foi neste momento que tive a conclusão que estávamos no caminho certo. EM TEMPO – Outra crítica é sobre o que será feito com o estádio após a Copa do Mundo. Falam que será um novo “elefante branco”... MC - Falavam a mesma coisa do sambódromo quando estava em construção, e hoje aquele espaço é uma das áreas mais utilizadas da cidade para grandes eventos. Tenho certeza que a arena também será bem utilizada. EMTEMPO – Herdeiro político de Gilberto Mestrinho, como analisa o cenário político atual? MC – O Gilberto conseguiu montar uma filosofia política. Todas as campanhas que vieram depois exigiu uma mudança de comportamento. Acabou-se aquela questão de administrar a cidade dentro de um gabinete. E isso se manteve até hoje, passando por Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz, que inclusive saiu com uma popularidade alta. Todos tiveram a mesma origem política.

Fui apresentado ao segmento pelo saudoso Gilberto Mestrinho, que era meu tio e padrinho de batismo. Talvez eu seja o único discípulo dele ainda em atividade”

O Gilberto conseguiu montar uma filosofia política e as campanhas que vieram depois exigiu uma mudança de comportamento. Acabou-se a questão de administrar a cidade dentro de um gabinete”


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Política

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Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIEGO JANATÃ

Mercado de flores no Dia dos Namorados Economia B4 e B5

Vendas diretas que criam mulheres empreendedoras

Segmento que rendeu R$ 41,6 bilhões no mundo, em 2013, garante até 300% lucros sobre o salário de emprego formal SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

A

venda direta é um mercado de rápido alternativo de fonte de renda extra que passa a ser ocupado por pessoas com ocupação de trabalho formal, mas, que adotam a opção para assegurar um incremento nas finanças do mês. Consultoras de diversas marcas ouvidas pelo EM TEMPO afirmaram que, quem revende produtos ou serviços do segmento pode garantir um ganho maior até 300% o valor da folha de pagamento do emprego. A comerciária Rodiane Guerreiro Gomes conta que há 6 anos entrou para esse mercado de vendas independentes e não saiu mais. De acordo ela, tudo começou pela simples curiosidade, mas, depois das primeiras vendas

percebeu que o negócio era vantajoso. “Vi que era possível ter uma renda igual e às vezes superior ao meu salário”, diz Rodiane, que conseguiu conciliar o emprego com as vendas diretas e atualmente revende produtos de maquiagens, perfumes e joias. O faturamento com as vendas diretas, de acordo Rodiane varia mês a mês, contudo, ela afirma que geralmente consegue alcançar 100% de lucro. “Às vezes brinco dizendo que tenho dois empregos”, comenta Rodiane. A consultora ressalta que em mês que tem datas especiais, como Dia das Mães, Dia dos Namorados e Natal,

RANKING

A Direct Selling News apontou as dez maiores empresas de venda direta do mundo. São elas: Amway, Avon, Herbalife, Vorwerk, Mary Kay, Natura, Nu Skin, Tupperware, Belcorp e Oriflame ela consegue ultrapassar esse percentual por conta do crescimento na demanda. “Quando têm datas importantes no mês, o faturamento chega a mais de 200%”, revela. Outra que também não largou o emprego formal por conta das vendas diretas foi a assessora parlamentar da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Joana D’Arc de Souza Pinho. Ela lembra que há 6 anos revende produtos de beleza, perfumes e bijuterias. “A alternativa possibilita que eu trabalhe em horários flexíveis, desta forma, consigo conciliar

com outras atividades”, avalia. Joana D’Arc afirmou que o resultado da venda independente de perfumes, produtos de beleza e bijuterias sempre é superior ao obtido em seu emprego normal. Segundo ela, o ganho é aproximadamente de 40% a 50% superior ao seu salário. “Esse valor pode ser ultrapassado nos meses com datas comemorativas”, frisa. Exclusividade O mercado de vendas diretas em Manaus se mostra forte como nas outras cidades do país. Estudo divulgado em abril pela Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) mostrou que o mercado de vendas diretas atingiu no planeta R$ 41,6 bilhões em volume de negócios, em 2013, um crescimento de 7,2% em relação ao ano anterior. Os números do segmento são atrativos a ponto de fazer com pessoas como a matemática Vanessa Maquiné deixasse os negócios da família no ramo do comércio para se dedicar exclusivamente ao segmento, e alcançar novos níveis na carreira. Depois de iniciar como consultora, Vanessa descobriu o lado lucrativo das vendas diretas e chegou ao posto de diretora independente. Segundo ela, logo que se tornou consultora de uma marca de maquiagem, os ganhos com as vendas ultrapassaram em até 300% o valor dos seus ganhos no negócio familiar. “Com a possibilidade de ser diretora local da marca, saí do trabalho que estava e fiquei apenas revendendo os produtos. Desta forma consegui triplicar a minha renda e alcançar o posto de diretora”, conta Vanessa.

Atendimento é o diferencial

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Vanessa lidera grupo de mulheres que conquistam mercado

O atendimento personalizado, a exclusividade e a falta de tempo são alguns dos principais motivos que fazem as pessoas recorrerem aos serviços de vendas diretas. “O atendimento realizado em casa ou no trabalho faz a diferença. O cliente sentese importante. Além disso, essa é uma tendência das grandes cidades”, afirmou Dauditis Soares, consultora Natura. Os principais clientes de acordo com as consultoras são as pessoas que fazem parte das relações de amizade, colegas de trabalho, vizinhos e familiares em geral. “Existem épocas que saio para captar novos clientes

como, por exemplo, no Dia das Mães. Monto uma exposição com os produtos em um determinado local e divulgo o meu trabalho para pessoas que não fazem parte do meu dia a dia”, diz Rodiane. Joana revela que, além dos clientes fixos, ela é procurada por pessoas que recebem indicação de amigos sobre o trabalho dela. “Faço de tudo para atender a todos e como, às vezes, não dá para ir para a casa das pessoas, monto pacotes com os produtos disponíveis e envio por e-mail, redes sociais e whastapp para meus clientes. Assim, eles analisam os produtos e fazem os pedidos”, conta.


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Economia

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PÁGINADIGITAL

Tricia Cabral [suapaginadigital@gmail.com]

Layout: Mário Henrique Silva

Bits & bytes

∞ Os 11 jogadores de futebol mais seguidos no Twitter 1) Cristiano Ronaldo (Portugal/foto ao lado): 26,5 milhões de seguidores 2) Neymar Júnior (Brasil): 10,7 milhões de seguidores 3) Wayne Rooney (Inglaterra): 8,76 milhões de seguidores 4) Andrés Iniesta (Espanha): 8,65 milhões de seguidores 5) Mesut Özil (Alemanha): 5,78 milhões de seguidores 6) Sergio Ramos (Espa-

nha): 4,42 milhões de seguidores 7) Daniel Alves (Brasil): 4,36 milhões de seguidores 8) Juan Mata (Espanha): 3,58 milhões de seguidores 9) David Luiz (Brasil): 2,45 milhões de seguidores 10) Iker Casillas (Espanha): 1,6 milhão de seguidores 11) Miguel Layun (México): 414 mil seguidores

>>>> O game “Plants vs. Zombies Garden Warfare” será lançado para PlayStation 3 e PlayStation 4 no dia 19 de agosto, anunciou a Sony em seu blog oficial. Até então, a adaptação para o gênero de tiro em terceira pessoa da guerra entre plantas e zumbis só estava disponível para Xbox 360 e Xbox One.

FONTE: EXAME

∞ ‘Novidades’ da Apple A Apple já prepara a aplicação do iOS 8, sistema para iPhone e iPad. A principal novidade diz respeito às notificações “inteligentes”. Ao receber uma mensagem, por exemplo, o usuário não precisará sair do aplicativo que está usando para interagir com ela. Será necessário apenas arrastar a janela para baixo para responder. Outra novidade do iOS 8 é uma “central de saúde”, chamada Health – já disponível em aparelhos da Samsung. Na essência, ele coletará informações de alimentação, batimento cardíaco e atividade física de outros sistemas e fará gráficos interativos. Destaque também para o novo teclado do iOS 8, chamado QuickType, que vai sugerir palavras enquanto o usuário digita. Moral da história: enquanto a Apple ia com o trigo, a Samsung voltava com o pão.

∞ Vem aí o Galaxy S5 Mini A incansável Samsung não para de lançar um aparelho atrás do outro e como já virou costume – vide S3 e S4 -, vem aí o filhote do S5, o S5 Mini (foto). Ele vem equipado com tela de 4,5 polegadas, display de 720p Super Amoled e câmera de 8 megapixels. Igualzinho ao irmão mais velho, o S5 Mini também vem com o painel traseiro perfurado. Se será à prova d’água ainda não se sabe ao certo, assim como o preço definido do novo brinquedinho da multinacional sul-coreana.

>>>>Cuidado, companheiro(a)! O Facebook Brasil e pelo menos quatro usuários vão ser investigados pela Polícia Federal por causa de ataques ao PT e ao ex-ministro Fernando Pimentel, que deve se candidatar ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. O Partido dos Trabalhadores entrou com uma ação pedindo que seja apurada a responsabilidade da rede social em crimes eleitorais que estariam sendo cometidos por usuários anônimos em grupos do Facebook. Esses usuários, de acordo com o partido, estariam caluniando e difamando o PT.


Economia

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Gado ‘made in Amazonas’ A

pesar da pouca tradição na pecuária, o Amazonas tem exportado bovinos para auxiliar no abastecimento do país. O feito vem dos produtores de Boca do Acre (1.028 quilômetros de Manaus), onde a atividade pecuária representa em torno de 85% da economia do município. De janeiro a maio, o município, que possui rebanho de 365 mil cabeças de gado, exportou 988 bovinos para abate e 5.924 animais para engorda. A negociação é feita, principalmente, com Acre, Rondônia e Minas Gerais. O presidente da Agência Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf), Sérgio Muniz, explica que o interesse do mercado nacional pelo gado de Boca do Acre está relacionado a um produto de excelente qualidade. O município é reconhecido como área livre de febre aftosa com vacinação, conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Nosso gado está isento de hormônio ou contaminantes, além de estar numa região que é rica em matéria-prima com água em abundância, pastagem adequada e clima bom para o rebanho”, afirma o presidente da Adaf.

DIVULGAÇÃO/SEPROR

Apesar da pouca tradição na pecuária, o Estado tem exportado bovinos para outras regiões brasileiras para auxiliar no abastecimento do país com a carne produzida em Boca do Acre, município que é dono do maior rebanho no interior Para ser aceito pelos frigoríficos nacionais, o animal tem que ter carcaça superior a 250 quilos e o gado do sudeste brasileiro, neste período de estiagem, segundo Sérgio Muniz, não atinge o peso ideal para o abate, dando vez ao rebanho de Boca do Acre que se torna alternativa por possuir as condições exigidas.

LEITE

A pecuária leiteira no AM, também, está em expansão com animais de alto padrão leiteiro e a tendência desses animais serem exportados para Acre, Rondônia e Minas Gerais Gado criado em Boca do Acre é cobiçado por outros Estados devido a sua qualidade e ao fato de estar livre da febre aſtosa

O governo investe na qualidade do rebanho bovino de Boca do Acre, por meio de treinamentos, cursos e palestras ministradas pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam). O Estado é o único do país onde o governo subsidia a vacina contra a febre aſtosa, principal doença que acomete o rebanho. O valor comercial da dose é de R$ 1,54. Com o subsídio, porém, o produtor paga só R$ 0,60.

Expoboca deve movimentar R$ 3 milhões Termina hoje a 3ª Exposição Agropecuária de Boca do Acre (Expoboca), que é realizada no parque de exposições agropecuárias do município localizado no quilômetro 12 da BR-317. A feira conta com exposição da agricultura familiar, leilão, rodeio, cavalgada,

shows musicais com atração nacional, exposição de animais, insumos, produtos veterinários e maquinário agrícola, além de financiamentos. Durante o evento acontece palestras com temáticas voltadas ao setor primário, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

A Expoboca é realizada pelo Sindicato Rural de Boca do Acre, com apoio do Sistema Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Amazonas), governo do Estado, por meio do Sistema Sepror,

prefeitura de Boca do Acre e empresas privadas. Expectativa Segundo o presidente do Sindicato Rural do município e coordenador da feira, Ildo Gardingo, a expectativa é receber quase 30 mil pessoas e movimentar R$ 3 milhões.


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Economia

A s flores como um prese Mercado aponta que no Dia dos Namorados a procura por buquês e arranjos é maior que no Dia das Mães e aposta em vendas maiores 15% frente ao mesmo período de 2013 SILANE SOUZA Equipe EM TEMPO

A

s mães talvez não saibam disso, mas, são as namoradas dos filhos que ganham mais flores que elas. É o que afirmam proprietários de floriculturas de Manaus, que esperam com otimismo para o próximo dia 12 de junho, Dia dos Namorados, um crescimento na venda de buquês de até 15% com relação ao ano passado. Segundo a empresária do ramo, Márcia Barros, há pelo menos duas semanas, a sua floricultura iniciou o registro de encomendas de arranjos florais a serem entregues nos dias 11 e 12 de junho. Mas conforme a proprietária da Laços Eternos Floricultura, localizada à rua Capibaribe, conjunto Águas Claras, bairro Novo Aleixo, Zona Norte, o movimento ficará mais forte a partir do dia 10. Para a proprietária da Floricultura Cidade Nova, avenida Noel Nutels, bairro Cidade Nova, Zona Norte, Silvia Cruz, os namorados sempre deixam as compras para a última hora. Ela acredita que a partir da próxima semana as vendas ficarão mais fortes. “Ouvimos que o movimento desse ano será melhor, apesar de a data

ser no mesmo dia do jogo do Brasil”, observa. Se por um lado, a abertura da Copa do Mundo deixa alguns empresários otimistas, por outro o tempo é de pessimismo em relação às vendas. Segundo o gerente da floricultura Flora Orquídea da Amazônia, Ronaldo Araújo do Nascimento, no ano passado, nesse período, os enamorados

ORIGEM

As flores nacionais encontradas nas floriculturas locais são cultivadas em Holambra, a “Cidade das Flores”, interior do Estado de São Paulo. As importadas vêm do Canadá, Equador e Colômbia fizeram encomendas de mais de 80 pacotes de flores e não sobrou nenhuma. Já nesse ano, as solicitações alcançaram apenas 60 pacotes, segundo ele, por conta da Copa do Mundo. “Acreditamos que o evento influenciará um pouco nas vendas de forma negativa”, avalia o gerente da floricultura localizada na praça Chile, bairro Adrianó-

polis, Zona Centro-Sul, que está há de mais de 37 anos no mercado em Manaus. Os floristas foram unânimes em afirmar que a maior procura ainda é por rosas vermelhas. Mas há também outras opções, além das rosas, como as flores do campo. O valor varia entre as floriculturas, mas o preço final quem faz é o cliente. Na Flora Orquídea, por exemplo, a dúzia de rosas custa R$ 70, meia dúzia R$ 35, enquanto o valor do buquê de flores do campo sai ao valor de R$ 25 e os arranjos a partir de R$ 40. A floricultura oferece ainda cestas com flores, chocolates e vinhos com preços entre R$ 500 e R$ 600. “O valor final depende muito da vontade do cliente”, comentou Nascimento. A floricultura Laços Eternos oferece os buquês de flores a partir de R$ 80 a e cestas que chegam a R$ 580. A empresa também vende flores importadas cujo custo é maior. “Enquanto uma dúzia de flores nacionais custa R$ 80 a de flores importadas varia de R$ 90 a R$ 120. A diferença está no tamanho, os botões importados são quase o dobro dos nacionais”, explica a proprietária Márcia, que atua como florista há 14 anos.

Conjuntos de rosas e flores do campo em floriculturas variam de R$ 25 a R$ 600


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ente apaixonado Uma cesta mais romântica Para incrementar na renda, as floriculturas de Manaus oferecem no espaço diversos artigos que simbolizam o momento apaixonado como ursinhos e coração de pelúcia, cartões e caixa de chocolate. Esses objetos estimulam o crescimento das vendas, uma vez que os consumidores compram para deixar as cestas mais românticas. “Quando o cliente vem comprar flores, acaba levando outras coisas para tornar o presente ainda mais especial”, contou o Nascimento. O florista revelou que na Flora Orquídea da Amazônia, os ursinhos de pelúcia custam a partir de R$ 70, os corações e as caixas de chocolates em torno de R$ 20 e os cartões entre R$ 15 e R$ 18. Na Floricultura Cidade Nova, também há outros objetos para incrementar o pacote de presentes. Conforme a florista Silvia

Cruz, os artigos de pelúcia servem para montar cestas e arranjos especiais. Em outras floriculturas, além dos tradicionais enfeites, os empresários investem ainda em outros itens para atrair os consumidores. “O cliente tem à disposição vinho e serviço de telemensagem. Também entregamos em domicílio e não cobramos taxa de entrega”, informa a florista da Laços Eternos Floricultura. A floricultura Flora Tropical, localizada na rua Recife, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, está preparada para as encomendas do Dia dos Namorados. A empresa que trabalha somente com flores naturais oferece o serviço de Assinatura de Flores. Por meio dele é possível fazer pedidos corporativos e a empresa receberá periodicamente flores especiais no endereço cadastrado, de maneira prática e segura.

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FOTOS: DIEGO JANATÃ


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Greves agravam problemas em SP às vésperas da Copa A

quatro dias da abertura da Copa do Mundo, o Estado que receberá 15 delegações, além de milhares de turistas, acumula uma série de problemas na capital. E os transtornos, que não pouparam nem integrantes da Fifa, devem continuar, já que metroviários decidiram, na noite de ontem, manter a greve. No último amistoso da seleção brasileira no estádio do Morumbi, São Paulo registrou o maior congestionamento do ano: foram 204km de lentidão. Houve quebra-quebra em uma estação de metrô, bateboca entre dirigente e sindicalista, além de muita dificuldade para 4,6 milhões de usuários do transporte público. Agentes de trânsito também cruzaram os braços. E o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) ameaçavam dificultar o acesso ao Morumbi quando o Brasil jogou com a Sérvia, às 16h, no último amistoso antes do Mundial. O entrave entre metroviários, que querem aumento de 12,2%, e representantes do metrô, cuja oferta chega ao índice máximo de 8,7%, não foi vencido nem com uma audiência na Justiça. Vice-presidente do Tribunal

Regional do Trabalho, a desembargadora Rilma Aparecida Hemetério advertiu as partes de que, se não houver consenso, a legalidade da greve será julgada. A corte avaliará se os funcionários desrespeitaram decisão liminar, proferida na quarta-feira (4), que determinou circulação de 100% dos trens nos horários de pico, das 6h às 9h e das 16h às 19h, e 70% nos demais períodos. Se a paralisação for considerada abusiva, as punições vão desde a aplicação de multa diária de R$ 100 mil ao sindicato, além de descontos dos dias parados, até demissão por justa causa. O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e o vicepresidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Alex Fernandes, trocam acusações. Jurandir disse que os grevistas deixaram a paralisação para as vésperas da Copa. Alex acusou a secretaria de estar “alamada na corrupção”. Em declarações à imprensa, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que a greve dos metroviários é motivada por questões políticas. Ele considerou a mobilização “sem o menor sentido”.

RAFAEL NEDDERMEYER/FOTOS PÚBLICAS

Cidade acumula uma série de problemas, como greve dos metroviários, que deve se acirrar com o início dos jogos do Mundial

São Paulo vai receber, durante a Copa do Mundo, 15 delegações que vão disputar o torneio e vive um caos no transporte público


País

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Lei da Palmada: ‘conversar apenas nem sempre resolve’ O

administrador de empresas Carlos Damasceno, 40, é pai de três meninas e confessa: “Uma das minhas filhas é bem danada e já levou muita palmada”. Perguntado se concorda com o projeto de lei que pune famílias que usam violência física na educação dos filhos, aprovado na última quarta-feira (4), pelo Senado, ele garantiu ser contra agressões pesadas, mas avaliou que conversar com as filhas nem sempre é suficiente. “A gente quer educar e sabe dos nossos limites. Tem que haver limite. Afinal, não vai ser nem a polícia nem o Estado que vão educar nossos filhos”, disse, apoiado pela amiga Flávia Passos, 37, enfermeira e mãe de um rapaz de 21 anos. Para ela, agressão física que deixa hematomas e fraturas devem ser punidas, mas palmadas ocasionais não fazem mal à criança. “Minha avó apanhou, minha mãe apanhou, eu e minhas irmãs apanhamos e somos, hoje, todas muito bem resolvidas. Pai e mãe querem sempre o melhor para o filho, mas há momentos em que o castigo não resolve e a palmada, sim”, explicou. Já a carteira Valquíria Alves, 37, acredita que todo tipo de

DIVULGAÇÃO

Projeto de lei que pune famílias que usam violência física na educação dos filhos divide opiniões de país no Brasil agressão física contra crianças e adolescentes deve ser combatido e punido rigorosamente. Mãe de um menino de 8 anos e de uma menina de 13, ela garante que nunca encostou a mão nos filhos e que pretende manter a conduta. “Eu apanhava quando criança e não acho que esse seja o modo de ensinar ou educar. Hoje, adulta, não bato nos meus filhos. Minha estratégia é conversar. Só isso e mais nada”, disse. Como punir? Manuel Silva, 41, pai de duas meninas, concorda com Valquíria, mas defende que cada pai tenha a opção de decidir a melhor forma de punir os filhos. “Eu apanhava quando pequeno. Hoje, acho que não é correto. Palmada é uma coisa de outra época e não deve mais ser aplicada como punição”, defendeu. Acompanhada da pequena Ana Clara, 3, a dona de casa Adriana Teles, 39, admite que já deu “algumas palmadas” na filha. Perguntada se a punição resolveu o problema, ela avaliou: “É melhor a gente corrigir do que os outros. Resolver não resolve, mas ela fica com medo e não faz mais por um tempo. Doí, né, filha?”

Pais defendem limites na disciplina dos filhos, mas outros discordam da interferência do Estado no modo de educar as crianças

Educados sem uso de violência e castigos físicos Diante de grande polêmica, o plenário do Senado aprovou o projeto de lei que pune famílias que usem violência física na educação dos filhos. Conhecida como Lei da Palmada, o projeto foi apro-

vado primeiro na Comissão de Direitos Humanos (CDH) da casa, após intervenção do presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) para que o projeto fosse aprovado a tempo de chegar à apreciação do

plenário ainda hoje. A proposta segue para análise da presidenta Dilma Rousseff, que terá até 15 dias úteis para vetar eventuais trechos ou sancionar integralmente o texto.

O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e prevê que eles sejam educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante.


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Russos e ucranianos apelam para término dos combates

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Em breve diálogo, Putin e Poroshenko pronunciaram-se pelo fim o mais rapidamente possível do derramamento de sangue

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presidente russo, Vladimir Putin, e o ucraniano, Petro Poroshenko, apelaram esta semana para o fim dos combates na Ucrânia, durante um encontro de 15 minutos que ocorreu no âmbito das cerimônias de comemoração dos 70 anos do desembarque na Normandia. “Na sequência

de um breve diálogo, Putin e Poroshenko pronunciaram-se pelo fim o mais rapidamente possível do derramamento de sangue no sudeste da Ucrânia”, declarou Dmitri Peskov, o portavoz de Putin citado por agências noticiosas russas. Os presidentes também se pronunciaram pelo “fim das ações armadas dos dois

lados, quer do lado das forças armadas ucranianas quer dos apoiantes da federalização da Ucrânia”, acrescentou. Dezenas de chefes de Estado, incluindo o anfitrião e presidente francês François Hollande, o presidente dos EUA Barack Obama e a chanceler alemã Angela Merkel participam das cerimônias.

Vladimir Putin (à dir.) e Petro Poroshenko apelaram para o fim dos combates na Ucrânia

Cessar-fogo começa a ser uma realidade Na reunião, que ocorreu na véspera da posse de Poroshenko no parlamento de Kiev, os dois responsáveis abordaram a possibilidade de um cessar-fogo” nos “próximos dias”, de acordo com os círculos próximos de Hollande. Fontes da presidência francesa asseguraram ainda que Moscou vai enviar, no sábado, um embaixador a Kiev. O presidente francês, François Hollande, que articulou, juntamente com a chanceler alemã, Angela Merkel, o encontro entre os mandatários, ainda disse que, durante o evento, foi discutida a possibilidade de a Rússia reconhecer as eleições presidenciais de maio na Ucrânia.

ABBAS/PERES

Interferência política: papa quer evitar O papa Francisco espera que a reunião inédita com os presidentes israelense e palestino no Vaticano hoje possa ajudar a encerrar as “eternas negociações” e levar à paz, mas não deseja se intrometer na política do Oriente Médio, informou o Vaticano. Atendendo a um convite inesperado do papa feito durante sua viagem à Terra Santa no mês passado, o presidente israelense, Shimon Peres, e o líder palestino, Mahmoud Abbas, irão orar pela paz juntos. “Este é um momento para invocar Deus pela dádiva da paz. É uma pausa na política”, disse o padre Pierbattista Pizzaballa, autoridade da igreja a cargo de sítios católicos na Terra Santa e fundamental na organização do encontro de domingo. “Este é também um convite para que os políticos parem e olhem em direção ao céu”, afirmou Pizzaballa em declaração à imprensa no Vaticano. “Todos querem que algo aconteça, que algo mude. Todos estão cansados destas eternas negociações que nunca terminam.” Os dois presidentes passarão cerca de duas horas nos jardins do Vaticano em uma cerimônia de planejamento complexo que incluirá orações e meditações de judeus, cristãos e muçulmanos na presença uns dos outros. O papa, Peres e Abbas irão ler invocações individuais à paz, apertar as mãos e plantar uma oliveira “cujos ramos simbolizam a paz” nos jardins.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

IONE MORENO

Espaço pode ressurgir das ruínas Dia a Dia C6

Educadores em desespero Violência - física ou psicológica - contra profissionais da área de educação, praticada por estudantes ou até mesmo por seus pais, indicam uma engrenagem de agressões que afetam o desempenho e começam no seio da família do aluno

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Agressão entre alunos: primeiro passo de um problema que, se não observado com a devida seriedade, resulta em perigo potencial para as relações entre estudantes, professores e famílias IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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sensação de segurança expressa na imponente muralha recémpintada com as cores e a logo oficial da Secretaria de Educação se dissipam após uma rápida volta no interior do colégio. As siglas PCC e FDN pichadas nas paredes dos banheiros revelam a ousadia e o perigo iminente à vida de professores e alunos. O terror diário é imposto pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e Família do Norte (FDN), duas facções criminosas que disputam o mercado do tráfico de drogas em Manaus. Em busca de novos consumidores, eles ignoram qualquer autoridade, invadem as escolas e fazem dos professores, do próprio gestor e corpo técnico, reféns. “Temos duas facções que cooptam adolescentes. Nos banheiros das escolas, tem pichado FDN e PCC. Essa violência gerada por dois grupos está aí, atacando as escolas com os jovens. A violência física é uma verdade, mas quando acontece, você não vai saber, porque vão procurar esconder, a não ser que alguém mate alguém na escola”, informou um professora que pediu para não ter a identidade revelada. Em 19 anos dedicados a lecionar na rede pública de ensino, Maria (nome trocado a pedido da entrevistada) se viu numa situação jamais experimentada antes. Ela viveu sob intensa ameaça fora e dentro

da própria escola, caso interferisse de qualquer maneira no mercado de drogas que se instalou dentro da instituição. “Em 3 anos, pegamos 5,320 quilos de entorpecentes, entre cocaína e maconha, dentro da escola. Também pegamos alunos portando quatro revólveres calibre 38 municiadas, quatro facas estilo peixeira e oito estoques”, computou. A professora sofreu ameaça de morte quando surpreendeu, dentro da sala de aula, um estudante de 15 anos de idade, vendendo drogas para os colegas. “Já sabíamos que ele vendia. Pegamos com ele 320 gramas de maconha prensada. Ele me desafiava, ameaçava a pedagoga, tinha certeza de que não ia ficar lá. Encaminhamos o mesmo para a gestora que o conduziu para a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai). Acho que é quem deve resolver isso”, salientou. O estudante foi revistado por policiais militares, que identificaram a droga e o conduziram à delegacia. Além de sofrer ameaça do adolescente, a professora também sofreu ameaça do pai do aluno. “Brigas entre adolescentes acontecem e acho que com a pedagogia ainda se resolve. Mas hoje eles estão descambando para a violência mais acirrada, ferindo os outros com armas. Isto não é coisa de adolescente. Chamamos a PM que fez averiguação e conduziu o adolescente. O pai ficou me ameaçando, disse que ia me matar”, lembrou a professora.

Ameaças mudam rotina Com as ameaças do pai e de traficantes, a professora e os responsáveis pela escola tiveram que mudar a rotina e até adotar colete à prova de balas e segurança 24 horas. O caso do adolescente não foi isolado: outros estudantes também têm envolvimento com o tráfico na escola em que Maria lecionava. “Tem crianças com 10 anos dentro do tráfico, adolescentes de 13, 14 anos. Se ele não vender, o traficante vai cobrá-lo e ele vai usar da forca para fazer com que os outros consumam junto com ele”, denunciou.

‘Ninguém se propõe a resolver’ “Acredito que o Estado precisa agir de verdade, parar de estar mascarando, de achar que o profissional de educação é o culpado por todas as mazelas que acontecem dentro da escola. Nós não somos. A violência não é instituída pelo professor. Quando a violência acontece contra o professor, ninguém se propõe a resolver”, denunciou Maria. Relatos de agressão a professores são comuns. Em uma

escola na Zona Leste, uma professora jogou o apagador em um aluno que passou as mãos nas partes íntimas dela. Outra professora, em uma escola na Zona Norte de Manaus, levou coronhadas de traficantes dentro da sala de aula. O caso aconteceu em 2010, quando seis indivíduos, envolvidos em uma “boca” atrás do colégio – estudantes da escola – entraram na instituição por volta das 7h30, alvejaram um aluno dentro de

sala e deram coronhadas na docente. “A violência dentro da escola está imperando. Traficantes donos das áreas no entorno das escolas molestam diretores e professores. Vejo muitos colegas em estado de depressão profundo, dando aula chorando, porque chegaram ao limite. E esse professor sem plano de saúde vai procurar o SUS? É complicado viver isto”, questionou. Segue nas págs. C2 a C4 ALEXANDRE FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO

Medo Seis meses após o episódio com o estudante, Maria foi remanejada de colégio bem como outros profissionais que vinham sofrendo ameaça. “São colegas pedindo para sair da escola porque são ameaçados por alunos. A realidade é essa”, afirmou Maria. Relação entre professores e estudantes é determinada também pelas relações familiares


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A culpa també Falta de acompanhamento e controle sobre o comportamento dos filhos cria o fator essencial para que estudantes acabem sendo vítimas de pessoas de má índole, arrastando-as para um mundo onde imperam falta de respeito e agressividade

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IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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professora Maria apontou que há inúmeros fatores que contribuem para o crescimento da violência contra os profissionais de educação, entre eles a ausência do acompanhamento dos pais que dá margem para a “adoção” dos traficantes. “A gente sofre dentro das escolas com problema da violência, por conta do afastamento da família e da mãe que permitiu que crianças vivam soltas. E outro problema que é o tráfico de drogas e não temos poder de evitar: quando você tenta fazer, entra em choque com o traficante”, disse. Para ela, outra dificuldade está na ação de muitos pais que buscam se eximir da responsabilidade atribuída a eles. “Não temos obrigação de ensinar o que o lar tem que ensinar. A escola complementa e não tem como obrigação utilizar papel de pai e mãe e reverter para o papel da escola. A violência vem de desvirtuar o papel da escola”, afirmou. Além disso, convencer os pais de que o adolescente tem mau comportamento ou mes-

mo envolvimento com drogas não é tarefa fácil. “Têm pais ameaçando, querendo bater no professor, mesmo mostrando que os filhos estão errados. Chamávamos os pais, mas eles não acreditavam. O pai e a mãe até o final não acreditam que seu filho é usuário, é traficante, só acreditam quando a coisa acontece e a verdade vem à tona. A gente sabe também que muitos adolescentes não entraram porque quiseram, mas era a única via de escape deles. Quando a família falta, o traficante se torna o ‘melhor amigo’. Nós estamos amarrados, mas se amanhã um professor tocar num aluno, todo mundo quer sacrificá-lo e não vão nem tentar entender o que aconteceu”, desabafou. Para ela, o processo de violência não se estabelece de dentro para fora, mas de fora para dentro. E quando o profissional tenta enfrentar, sofre represálias, assim como o próprio aluno que não entra também é ameaçado. Mas Maria apontou que os professores também são ameaçados por coisas banais. “Professor não pode chamar a atenção do aluno que é ameaçado”, disse. As ameaças não se restrin-

gem aos professores, mas a todos os profissionais que trabalham na escola. “O próprio gestor tem medo de se expor, porque é muito cobrado. Ele é uma figura pública que tem que carregar o piano nas costas sem dizer que está sentindo peso. Não pode reclamar para ninguém. Tenho certeza que ninguém chega dentro de uma delegacia para molestar o delegado, mas o cara pode ‘dar’ no professor ou diretor dentro da escola e fica por isso mesmo”, lamentou. Para ela, parte do problema está no comportamento da sociedade em tratar o menor como se fosse incapaz de reconhecer a extensão do certo e do errado. “Aviltam até a competência intelectual do menor em saber que traficar ou praticar qualquer tipo de violência contra colegas e professores é uma coisa errada. Essa insistência de achar que menor não tem competência de saber o que é certo, o que é o bem e o mal, está gerando um problema dentro das escolas, porque eles acham que podem tudo e os pais também acham que os filhos podem fazer tudo”, critica a professora.

Sala de aula destruída por alunos vândalos em escola no Nordeste: falta de controle dos pais


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ém é dos pais

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DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO

Respeito desaparece na escola “Hoje não se respeita mais nem a casa que moramos, nem os profissionais e, de certa forma, o Estado tenta mascarar isso. Um líder do executivo não quer contra si a ideia de que as escolas estão violentas porque o próprio Estado se eximiu da responsabilidade de cuidar desse espaço”, afirmou. a professora Maria. Exemplo Pai de estudante de 12 anos, o caminhoneiro João Marques, 39, reconheceu a postura de alguns pais que tentam se eximir da responsabilidade e “entregar” à escola a educação dos filhos. “Muitos pais confundem que a escola tem que dar educação social. A obrigação de conduzir o filho é de inteira responsabilidade dos pais. Na escola ele vai desenvolver o conhecimento intelectual. Se o filho tem o conhecimento básico vindo da educação do lar, de respeitar as pessoas, com certeza não vai ter problema com professores ou amigos e viver em harmonia

com a sociedade. Ele vai conquistar respeito porque vai saber respeitar. Educação é um conjunto, tem a que se aprende na escola que considero que seja a intelectual, mas a principal vem da família, passada pelos nossos pais”, disse. Para o caminhoneiro, o maior envolvimento dos pais pode contribuir com a maior proteção dos adolescentes contra o domínio dos traficantes. “Todos estão passíveis de acontecer na família, por mais que os pais deem amor e atenção. O importante é perceber o movimento dos filhos e, se souber que eles estão errados, não apoiá-los. E ser claro: você está pagando porque fez isto, e se permanecer nesse erro é porque escolheu esse caminho”, apontou. Além de atuar verdadeiramente na criação dos próprios filhos, Marques acredita que os pais e a escola poderiam ter apoio jurídico e psicológico para auxiliar no desenvolvimento dos jovens.

Manifestação de professores em março: muitos dos que sofrem as agressões acabam se omitindo para evitar exposição

Familiares ignoram maus comportamentos “Muitos pais só defendem os filhos sem querer saber do comportamento deles dentro da escola. E também há muitos pais querendo atribuir as obrigações dele para os professores. Seria importante que o poder público pudesse oportunizar que profissionais com conhecimento jurídico e psicólogos estivessem presentes

nas escolas para ajudar aos jovens e, principalmente, os pais, e explicar que o dever de educar o filho em casa é somente dos pais e não dos professores”, disse. Seduc A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) para levantar alguma

estatística de registros de violência contra educadores e como o problema vem sendo resolvido. Em resposta, a assessoria informou que Seduc está implantando em um prazo de dois meses uma ouvidoria para atendimentos desta natureza e de outras eventuais demandas. A secretaria informou também que dispõe de um setor

chamado Centro de Atendimento ao Escolar (Caes) que desenvolve uma monitoria junto às escolas em alguns casos que seja necessária algum tipo de intervenção. A reportagem encaminhou os mesmos questionamentos aos representantes do Caes, mas até o fechamento desta matéria não recebeu resposta.


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Mundo de valo Comportamento agressivo demonstrado nas escolas por estudantes minam a autoridade do educador, mas não se trata de um fenômeno novo, apenas com maior ocorrência na atualidade em razão de valores invertidos na sociedade

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FLÁVIO GUIMARÃES Especial para o EM TEMPO

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escola, que por excelência é o local dedicado à educação e à socialização de crianças, adolescentes e jovens de modo geral, transformou-se num cenário de agressão, autoritarismo e desrespeito mútuo, onde diversos fatores influenciam para essa realidade. O comportamento agressivo é, na maioria das vezes, contra aqueles que por sua vez emanavam, até essa ruptura, autoridade máxima em sala de aula: o professor. Estudiosos atribuem esses acontecimentos a uma aparente inversão de valores vivida na atualidade. O fenômeno da violência no cenário escolar é mais antigo do que se pode pensar. O assunto já é tema de estudo nos Estados Unidos desde a década de 1950. No Brasil, ainda ocorre uma abordagem tímida, e em âmbito local o poder público sequer dispõe de informações a respeito. Na análise do sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, a ausência de políticas públicas específicas que beneficiem tanto docentes quanto estudantes, aliada

à desestruturação que hoje atinge muitas famílias são fatores que colaboram para a incidência desses casos. O professor analisa que, muitas vezes, as escolas não dão a devida atenção a violências menores que acontecem em sala de aula, e elas acabam se transformando em algo maior. “A agressão física muitas das vezes é precedida

HISTÓRICO

O fenômeno da violência no cenário escolar é mais antigo do que se pode pensar. O assunto já é tema de estudo nos Estados Unidos desde a década de 1950. No Brasil, há uma abordagem tímida de agressões menores como a agressão verbal, que não são tratadas”, observou. Há de se levar em conta, ainda, como a função da escola é entendida hoje em dia. “A escola é por muitas vezes entendida como uma extensão da família e se essa família encontra-se desestruturada, é a primeira a sofrer violência”, apontou.

Relação de autoridade do professor e de outros profissionais da educação fica abalada com episódios de violência escolar

REPRODUÇÃO

Ademir Ramos, sociólogo e professor: harmonia dentro do ambiente escolar está em risco

Sem políticas públicas acessíveis Na opinião do sociólogo, por muitas vezes essa falta de acessibilidade a políticas públicas, como por exemplo, a insuficiência de creches e outras estruturas necessárias ao desenvolvimento das atividades intelectuais tanto de estudantes quanto de professores, colabora para essa transferência de responsabilidade para a escola. “Isso gera vulnerabilidade e acaba colocando em risco a harmonia dentro do ambiente escolar. A violência na escola não é caso de polícia e sim de falta de políticas adequadas à realidade de hoje”, comentou. Muitas vezes, a escola não está aparelhada e prepa-

rada para lidar com situações desse tipo. “Não existe estrutura para acompanhar esses jovens, nem profissionais que dediquem atenção a essas problemáticas. A proposta seria adotar a figura de uma espécie de agente comunitário de educação, a exemplo dos agentes comunitários da área de saúde que pudessem monitorar esses estudantes desde o seio familiar até o local onde estudam”, comparou Ademir Ramos. “Outra boa iniciativa são as escolas de período integral, onde esses estudantes exercem sua intelectualidade de forma recreativa e educacional, além de esportivas”, contou. Em relação à situação

dos educadores que sofrem essas violências, o sociólogo também criticou a ausência do governo que trata esses casos de violência de maneira pontual e não como um agravo à saúde dos profissionais, como também o controle social, representado pelas associações de pais, mestres e comunitários. “O controle social que deveria atuar nessas situações perdeu totalmente a sua identidade. Está mais voltado à preocupação em angariar recursos e realizar movimentos contábeis do que propriamente colaborar no aprimoramento do processo educacional”, destacou.


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ores invertidos REPRODUÇÃO

Orientação, mas em exposição O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Marcos Libório, informou que a entidade não possui registros expressivos de casos de violência cometidos contra professores. Ele informou que muitos procuram o sindicato apenas para pedir orientações de como proceder, mas que na maioria das vezes não querem se expor. “Auxiliamos por meio da assessoria jurídica, mas a demanda aqui é pequena em casos assim, mas sabemos que a realidade pode ser maior”, diz. Libório ressaltou que as próprias secretarias - tanto do Estado quanto do município - não dispõem de registros, nem acompanhamentos de casos dentro dos estabelecimentos de ensino. “Muitas das vezes só tomam conhecimentos pela imprensa”, explicou, acrescentando que sequer os órgãos dispõem de um setor específico para atender esses casos. “O professor fica à mercê”, lamentou. Conforme dados do Sinteam, cerca de 12 mil pro-

fissionais estão vinculados à rede municipal e 25 mil à estadual de ensino. De acordo com o psicólogo do Sistema Hapvida de Saúde de Manaus, Moisés Pereira, o acompanhamento profissional é fundamental para a saúde de qualquer educador que se sinta ameaçado ou esteja com problemas de relacionamento com os seus alunos. “Caso não seja acompanhado por um profissional, isso pode ocasionar transtornos mentais, que vão desde estresse agudo até estresse pós-traumático, e isso prejudica significativamente a qualidade de vida desses profissionais, interferindo até mesmo na vida familiar”. Moisés salientou que o apoio da família é fundamental para que o educador consiga manter o equilíbrio mental e profissional, visto que o ambiente escolar é altamente estressante, com inúmeras cobranças e pressões. “Muitos desses profissionais precisam lidar com um ambiente de extrema violência e desequilíbrio”. A relação ideal entre professores e alunos: profissionais em situações de ameaça podem passar até por transtornos mentais


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Espaço pode ‘ressuscitar’ IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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cemitério de carcaças de carros velhos divide espaço com o lixo, que pela quantidade, parece “adubar” o matagal predominante por todo o local onde um dia existiu o balneário Parque 10 de Novembro, na avenida Mário Ypiranga Monteiro. Um dos locais de lazer mais disputados e tradicionais da cidade, há mais de 30 anos, tornou-se ponto de encontro de usuários de entorpecentes e, hoje, raramente é visitado por moradores da redondeza, testemunhas da ascensão e do abandono do local. O parque foi inaugurado em 10 de novembro de 1938 pelo então governador do Amazonas, Álvaro Maia, chegou até a ser remodelado pelo “arquiteto da floresta”, Severiano Porto, no final dos anos 1960. Mas, foi no início da década de 1970 que os cerca de 500 metros quadrados do banho se transformaram no local favorito do autônomo Pedro (nome fictício), 44, e de todos os meninos da vizinhança. “Eu tinha uns 11 anos, nasci aqui e me criei, era acostumado a vir todos os dias nadar. A água era transparente, dava para ver peixe e areia branca no fundo do rio”, lembrou-se. O local, além de comportar

o igarapé do Mindu, com águas cristalinas, acredite, também abrigava um pequeno lago, um zoológico com mostra da fauna da região, restaurante e museu. “No museu tinha um mapa com toda a área do balneário descrita. Do outro lado do rio ficava o zoológico com tartaruga, anta, arara e até onça e jacaré de uns três metros. Aqui era muito movimentado. Tinha pista de skate e quadra para o pessoal brincar”, disse. Dois tanques com quatro peixes-bois e um lago coberto de marrecos também atraiam a atenção dos visitantes. Sobre o igarapé também havia uma ponte. “Era muito divertido. Passava o sábado e o domingo aproveitando o parque. Vivia cheio. Quem cuidava era a Sedema (Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente)”, apontou. Havia também um palco, onde era apresentados shows de artistas locais e também era ocupado pelos grupos do festival folclórico em junho. O local era movimentado de dia e de noite. Cerca de três décadas depois, o ambiente pouco se parece com o descrito pelo morador. Com as águas turvas, por vezes amareladas e com forte odor, o local em nada lembra o que já foi. “A água do rio ficou poluída

depois da invasão na Zona Leste. Quando ela começou a ficar contaminada, o parque foi ‘morrendo’”, lamentou. Da área onde ficava o zoológico, restou apenas uma clareira. A ponte foi retirada e, dos prédios, só ficaram as ruínas. No lugar em que foi erguido o museu sobraram apenas as colunas e, do restaurante, somente uma calçada. A pista usada pelos skatistas está toda esburacada. O mato e o lixo tomaram conta de tudo. Lixo doméstico, embalagens de alumínio, isopor e plástico, carcaça de eletroeletrônicos e até de veículos ocupam o espaço disputado, antes, pelos nossos avós e pais. Entre o matagal, é possível perceber também o descarte de dezenas de pitos de cigarros, material usado para confecção de fumo e preservativos usados. À noite, o trânsito de pessoas é dificultado pela ausência de iluminação. Os postes que restaram, tiveram a fiação cortada e as lâmpadas roubadas. E, é neste cenário que Pedro (nome fictício) leva o filho, David César, 11, para passear todas as manhãs. “Meu filho gosta muito de passear aqui. Mas hoje está tudo depredado, é perigoso, tem mato em toda a parte. Meus filhos não puderam aproveitar o que eu aproveitei. É lamentável”, afirmou.

IONE MORENO

Local onde um dia existiu o balneário do Parque 10, na Zona Centro-Sul, é alvo de projetos para revitalização de sua área

Ruínas do antigo museu da área do balneário: se concretizado, projeto beneficiará a capital

Equipe quer integração de áreas Na tentativa de revitalizar o balneário, um grupo vem apoiando projetos que propõem a recuperação e preservação do igarapé e da área verde que agasalha o leito do Mindu. A equipe “Defesa do Patrimônio”, por exemplo, defende a integração de áreas, como o antigo balneário do Parque 10, ao projeto de revitaliza-

ção do corredor do Mindu. Para eles, criação de um novo parque seria importante para resgatar a área que precisa ser preservada pelo seu valor ambiental e pela memória afetiva da sociedade com o antigo espaço de lazer. O projeto propõe integrar o antigo balneário ao Corredor do Mindu, formando um parque de grande valor ambiental

e cultural, além de reconstruir e preservar as antigas estruturas, que hoje se encontram em ruínas. Em nota, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) explicou que existe um projeto de requalificação do Passeio do Mindu, que abrange o antigo parque, pronto, dependendo de liberação de recursos.


Dia a dia

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A ameaça sobre a Glória

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

Rumores de extinção do bairro e sua fusão ao São Raimundo levam moradores a se mobilizarem contra a ideia com realização de abaixo-assinado e reforço sobre a importância histórica da Glória para a capital amazonense

Moradores do bairro da Glória, na Zona Oeste de Manaus, iniciaram uma campanha para evitar a fusão com o São Raimundo, na busca pela origem dos rumores de extinção da localidade

I

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

magine um dia acordar e perceber que o bairro centenário em que você cresceu desapareceu do mapa? Esse é o dilema que, da noite para o dia, surgiu na vida dos moradores da Glória, Zona Oeste. Indignados com a novidade, eles orquestram uma luta em defesa da autonomia de um dos bairros mais antigos da capital amazonense. A história, que tem tirado o sono dos moradores do bairro, é real. Começou com a mudança no nome de algumas ruas por um grupo de pessoas, coisa corriqueira na Manaus de hoje, até que tomou proporções maiores, surpreendeu, virou notícia entre os moradores da Glória e se estendeu entre os vizinhos no São Raimundo e Aparecida. “Querem extinguir o bairro da Glória e anexar ao São Raimundo. Ficaria só São Raimundo, sumiria a Glória. Há 67 anos moro aqui, quando ouvi que criaram o movimento, se eu não tivesse ido para cima eles teriam conseguido”, situou um dos moradores mais antigos do bairro, Alonso Gomes da Silva, 67, mais conhecido como seu Nato, quem lidera a campanha contra a extinção do bairro. Mas por quê? Quem seria o autor deste assustador enredo? Segundo seu Nato, três pessoas, moradoras de outras comunidades, teriam lançado a proposta. “Ninguém chegou à conclusão do motivo”, afirmou seu Nato. Em defesa da hegemonia da Glória, os moradores foram à luta. Desde o início do ano, eles vêm se organizando para fortalecer o movimento, fizeram até um abaixo-assinado que já alcançou 485 assinaturas repudiando o projeto. “Comprei a briga, discuti, esperneei, fui à Câmara Municipal e à Assembleia Legislativa. Fiquei sabendo que eles não deram entrada no documento até agora.

Mas nós já demos entrada na Câmara, indo contra a mudança de nome do bairro. Cheguei até a falar que se ninguém me apoiasse eu ia fazer uma greve de fome, parar o trânsito, seria meu último protesto em vida”, anunciou Nato. Mas nem foi necessário apelar para tal sacrifício, porque o apoio à causa foi unânime, até mesmo entre os ex-moradores da Glória. “Fiquei feliz quando moradores do bairro São Raimundo mandaram um lembrete de que estão nos apoiando também, caso haja necessidade de eu fazer o movimento”, comoveu-se.

ESFORÇOS

Desde o início do ano, os moradores da Glória vêm se organizando para fortalecer o movimento contrário à possível extinção do bairro, com um abaixoassinado que já alcançou 485 assinaturas Jovens da Glória, percebendo a inquietação e coragem de seu Nato, também resolveram arregaçar as mangas e partir para o combate. “Apagar o nome de um bairro não é apenas apagar a minha cultura, a do seu Nato e a de várias pessoas que moram aqui dentro, é apagar a história de Manaus, porque nosso bairro tem mais de 100 anos de história. A gente briga e dá a cara a tapa, o movimento está sendo puxado por este velhinho, pai do bairro que a gente considera muito. A gente briga não somente pelo nome, mas por um bairro com uma educação, saúde e segurança melhor. Vamos continuar reivindicando nossos direitos”, argumentou o autônomo Aldeyves Gomes, 28. A reportagem tentou, sem sucesso, localizar a pessoa responsável pelo projeto.

Capítulo na construção da cidade A proposta de extinção do bairro é para muitos moradores um desrespeito a um capítulo da construção da capital. “O bairro da Glória é para mim o cartão-postal de Manaus”, defendeu seu Nato. E esta história se confunde com a dele e de dezenas de outros moradores descendentes dos migrantes que povoaram o pedaço de chão de 115 hectares, esquecido entre a Aparecida e o rio Negro. O local começou a ser habitado no início do século 20, quando a população da calha do Baixo Solimões - vinda principalmente dos municípios de Fonte Boa, Tefé, Coari e Codajás - fugiam da alagação em busca de uma vida melhor. “Na época, o pessoal que perdia a plantação de banana e macaxeira com a alagação

vinha para Manaus. Quando chegaram aqui encontraram o matadouro Curro, onde hoje é o prédio do Ministério da Saúde, além das juteiras e serrarias. Vendo oportunidade de trabalho, povoaram. Em 1943 era só mata aqui. A Aparecida já era desenvolvida e o povo que chegava via casas de alvenaria bonitas e aqui (do lado da Glória) só mata, e o caboclo acabou povoando”, narrou. Desbravadores Dentre esses desbravadores estavam a mãe e o tio de seu Nato, ele e dois irmãos, que vieram de Fonte Boa (a 678 quilômetros da capital) no início da década de 1940. “Aprendi a amar o bairro que moro, já vim para nascer e morar aqui, vim do Solimões.

Minha mãe e meu tio trabalharam no matadouro, tinha muito trabalho na época, tinha a olaria. E aqui ficamos”, disse. A área comportou o primeiro matadouro de Manaus, o Curro, construído pela Manaus Marqueth Ltda. e inaugurado em 1912. De lá saíam os gados, porcos, carneiros abatidos para toda capital. Além do abate dos animais, o prédio do matadouro – construído em arquitetura europeia – era uma espécie de atração turística da época. Além do Curro, que se transformou em Frigomasa e em seguida no prédio do Ministério da Saúde, também havia as juteiras Lustoza e Eifoll e a serraria Califórnia, além de uma catraia para o transporte dos moradores e trabalhadores.

A história ameaçada: livro guardado por moradora revela a origem e formação do bairro

Luta diária por respeito aos direitos O bairro hoje em nada lembra a faixa de mata esquecida. Foram construídas quatro escolas públicas, sendo uma para deficientes visuais, duas casinhas de pronto atendimento e um posto médico, o mercado, a igreja de Nossa Senhora da Glória e o campo de futebol Sul-América Esporte Clube. Contudo, a luta dos moradores é diária para ter os direitos respeitados. Eles reivindicam mais investimentos na saúde. “Nossa saúde está falida, ela (dona Sebastiana) paga R$ 10 para o menino ir para a fila no posto marcar um exame. Daqui fomos para UBS da Colônia Oliveira Machado (em busca de atendimento), depois de ter um posto bem aqui”, reclamou. Ele também pede por um patrulhamento mais ostensivo dos policiais militares e fiscalização de agentes da Manaustrans. Além de manutenção nas ruas e limpeza. “Temos um esgoto a céu aberto na praça São José, e uma montanha de lixo na rua 1º de Julho que está virando uma selva”, pontuou Nato. A construção de creche - para que desde pequenos as crianças tenham acesso ao estudo e o tempo ocupado com atividades que contribuam para sua educação - e área de lazer também constam na lista dos moradores.


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Dia a dia

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Centro Aberto de Mídia será inaugurado amanhã

Espaço é destinado a jornalistas locais ou visitantes não credenciados para a cobertura dos jogos da Copa do Mundo FOTOS: ROBERTO CARLOS/AGECOM

O Centro Aberto de Mídias funcionará no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, na Zona Sul da capital, em horário comercial e até as 23h em dias de jogos que aconteçam em Manaus

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manhã começa a funcionar o Centro Aberto de Mídia (CAM) de Manaus na Copa do Mundo da Fifa. O espaço destinado aos jornalistas locais ou visitantes foi desenvolvido pelo governo do Estado, Prefeitura de Manaus e governo federal, por meio do Ministério do Esporte. O CAM funcionará no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, na Zona Sul de Manaus, das 8h às 18h e das 8h às 23h, nos dias de jogos na capital. O CAM da sede Manaus vai oferecer atendimento das assessorias de Comunicação do governo e prefeitura e estrutura completa de trabalho para os profissionais de veículos de comunicação locais, nacionais e internacionais, especialmente os não credenciados pela Fifa, entre os dias 9 e 26 de junho, data posterior à última partida da Copa do Mundo realizada na Arena da Amazônia. De acordo com a subchefe da Agência de Comunicação do Amazonas (Agecom), Cristiane Mota, a intenção é oferecer uma boa estrutura para que os jornalistas não

credenciados pela Fifa possam desenvolver suas atividades de maneira satisfatória. “Nós abrimos o credenciamento esta semana e já temos mais de 200 solicitações. O espaço é aberto, mas esse procedimento é necessário para conhecermos o público que fará a cobertura aqui em Manaus”, afirmou. No CAM, os profissionais terão acesso à internet Wi-Fi de 300 MB disponível em todas as áreas, sala de imprensa com 40 bancadas para trabalho, computadores, impressoras e televisores. Há ainda à disposição um estúdio para gravação de programas de TV e rádio e auditório para entrevistas coletivas. A estrutura também possui uma recepção, onde serão entregues as credenciais aos profissionais, com colaboradores do Programa Amazonas Bilíngue para dar informações; lounge com sofás e uma sala de apoio onde podem ser realizadas entrevistas. Também estarão disponíveis para uso da imprensa restaurante e bar, que será reinaugurado. De acordo com a gerente de comunicação da Manaus-

cult, Mayara Brilhante, a estrutura do Centro de Mídia foi elaborada com base no que foi visto no Centro de Mídia do Rio de Janeiro, no ano passado, durante a Copa das Confederações. “Governo do Estado e prefeitura estão trabalhando em conjunto para que possamos fazer o melhor evento do país”. O Programa Amazonas Bilíngue, realizado pelo governo do Amazonas, oferece curso de inglês para estudantes do ensino médio da rede pública estadual. Mais de dois mil alunos participam do projeto. Durante o período de funcionamento do Centro Aberto de Mídias, 90 colaboradores irão ajudar os jornalistas, prestando informações e orientações. Segundo o coordenador do programa, Duanes Santos, os alunos que têm entre 16 e 17 anos trabalharão em turnos de quatro horas e receberão transporte e refeição. Quinze estudantes dos cursos de letras, turismo e jornalismo, do programa Bolsa Universidade, da Prefeitura de Manaus, também atuarão como colaboradores no CAM.

Programação extensa da SEC Durante a Copa, a Secretaria de Estado da Cultura tem uma extensa programação de espetáculos, shows e entretenimento acontecendo no CCPA, um espaço de difusão da cultura amazônica com mais de 68,2 mil metros quadrados, e em todos os espaços culturais do governo

do Amazonas. As exposições permanentes do espaço também estarão disponíveis para visita dos profissionais de Comunicação, como o Museu do Homem do Norte, com aproximadamente 2 mil peças representativas da cultura do homem amazônico; o Cine Silvino

Santos, destinado à exibição de filmes e documentários com a temática amazônica; e o Espaço Rio Amazonas, semelhante a uma maloca indígena, revestida externamente por palha trançada de arumã (uma fibra regional), destinado a exposições e conferências.

Cristiane Mota, subchefe da Agecom: boa estrutura para profissionais realizarem seu trabalho


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

Capa

Foto da série “The Fundamental Unities” (detalhe), de Martin John Callanan

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A chegada dos black blocs

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Pra que mentir?

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Silviano Santiago tece o romance da vida real. Pág. 3

Um debate capital

Samuel Pessôa analisa obra de Thomas Piketty. Pág. 4

Pra gozar uma relação muito quenchi

4

Diário de Buenos Aires. Pág. 6

5

Rio de Janeiro, 2001. Pág. 7

Do arquivo de Raul Mourão


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO MAURO RESTIFFE/DIVULGAÇÃO

LIVRO | RIO 400+50 Organizado pela historiadora Maria Inez Turazzi e com textos do designer João Souza Leite e da também historiadora Claudia Mesquita, o volume, que será lançado nesta semana, resgata as comemorações do 4º centenário do Rio de Janeiro, em 1965, e marca o início das festas pelos 450 anos da capital carioca. A cidade de então aparece ali não apenas em fotos, mas também em campanhas publicitárias, jornais e revistas. Livraria da Travessa Ipanema tel. (21) 3205-9002 | ter. (10), às 19h | Edições de Janeiro | R$ 59,90 | 288 págs.

“Escada Rolante” (2014), de Mauro Restiffe

CD | DUO CALAVENTO Os músicos Diogo Carvalho, ao violão, e Leonardo Padovani, ao violino, gravaram, nesse primeiro álbum do duo, composições suas e clássicos como “Nightclub 1960”, de Piazzolla. Entre as autorais, está a intrigante “Suíte da Sogra”, que tem como movimentos “A Chegada”, “Convívio”, ���Ladainha” – descrita por eles, no encarte, como “sermão infinito, o papo irritante, a discussão bizantina” – e “A Comemoração da Partida”. Tratore | R$ 19,90

EXPOSIÇÃO | MAURO RESTIFFE “São Paulo, Fora de Alcance”, em exposição a partir de hoje no Instituto Moreira Salles do Rio, inaugura um programa da instituição que trará, a cada ano, um projeto inédito de um fotógrafo brasileiro. Neste caso, reúnem-se 18 das imagens que Restiffe fez na capital paulista com sua câmera Leica e filme preto e branco de alta sensibilidade. Um livro homônimo trará 50 fotos, além de texto de Thyago Nogueira, curador da mostra. IMS - Rio | tel. (21) 3284-7400 | ter. a dom., das 11h às 20h | grátis | até 28/9 IMS | R$ 89,90 | 112 págs. FRANK THIEL/DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | FRANK THIEL O fotógrafo alemão apresenta em “Nowhere Is a Place” uma série de imagens em grande escala de geleiras na Patagônia argentina. As fotos foram feitas entre 2011 e 2013, 15 anos depois da primeira visita do artista ao local. Galeria Leme | tel. (11) 30938184 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 10 às 17h grátis | até 21/6

LIVRO | KURT SCHWITTERS O volume “Contos Mércio” reúne poemas e contos do artista alemão feitos por meio de colagens verbais, frases feitas e expressões coloquiais. O dadaísta, que influenciou artistas como Robert Rauschenberg, criou o movimento Merz, que buscava inserir objetos do cotidiano urbano no mundo das artes. trad. Maria Aparecida Barbosa | Editora da UFSC | R$ 38 | 180 págs.

POP

ERUDITO

MÚSICA | DEBATE O Clube da Música discute neste mês a composição “Atmosphères”, de 1961, do romeno de origem húngara György Ligeti (1923-2006), presente no filme “2001 - Uma Odisseia no Espaço”, de Kubrick. O mediador será Silvio Ferraz, professor de composição da Unicamp. Sesc Carmo | tel. (11) 3111-7000 | ter. (10), às 19h | grátis

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LANÇAMENTO | BLACK BLOCS O livro do cientista político canadense Francis Depuis-Déri aborda as origens do movimento que ganhou os holofotes com as manifestações de junho de 2013. O evento terá bate-papo com o filósofo Pablo Ortellado e com a cientista social Esther Solano. Livraria da Vila - Fradique | tel. (11) 3814-5811 | amanhã (9), às 18h30 trad. Guilherme Miranda | Veneta R$ 34,90 | 270 págs.

EXPOSIÇÃO | SUÍÇA - BRASIL Seis artistas representados pela galeria Christinger de Mayo, em Zurique, expõem seu trabalho na Pilar, que, por sua vez, levará seus artistas à Suíça em novembro. São eles os ingleses Justin Hibbs e Clare Goodwin, os chilenos Johanna Unzueta e Felipe Mujica, e os suíços Monica Ursina Jäger e Michael Günzburger. galeria Pilar | tel. (11) 36617119 | de ter. a sex., às 11h às 19h; sáb., das 11h às 17h grátis | até 14/6 “Perito Moreno #03” (2013), de Frank Thiel

ESTRANGEIRO

LIVRO | CHOMSKY No volume “Mídia - Propaganda Política e Manipulação”, o linguista americano propõe um questionamento sobre a influência que tem a propaganda política em uma democracia. Encerra a publicação o texto de uma palestra proferida por ele em 2002 sobre a cobertura jornalística da “guerra ao terror” americana. trad. Fernando Santos | WMF Martins Fontes | R$ 24,50 | 112 págs.

Folha.com ÚLTIMA SEMANA Obras da galeria suíça Christinger de Mayo

Ilustríssimos desta edição DANILO VERPA - 06.07.2013/FOLHAPRESS

ALVARO COSTA E SILVA, o Marechal, 51, é jornalista. CELSO MAURO PACIORNIK, 68, é tradutor de livros como “Luz em Agosto” (Cosac Naify), de William Faulkner.

MARTIN JOHN CALLANAN, 32, artista britânico, ganhou neste ano o Prêmio Philip Leverhulme. Na série “The Fundamental Units”, fez macro-fotografias das moedas de menor valor ativas em 166 países, como a de 1 centavo de euro. Capa

JOHN BANVILLE, 68, escritor irlandês, recebeu na quarta (4) o Prêmio Príncipe de Astúrias de literatura de 2014.

RAFAEL CAMPOS ROCHA, 44, é ilustrador, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.).

LAURA TEIXEIRA, 38, ilustradora, participa até 18/6 da exposição “SP Estampa 2014” na galeria Gravura Brasileira.

RAUL MOURÃO, 46, artista plástico, participa da mostra “All the Best Artists Are My Friends” na Mana Contemporary, em Newark (EUA).

LOURIVAL CUQUINHA, 39, é artista plástico. Inaugura neste sábado a individual “Territórios e Capital: Extinções”, no MAM-Rio, e participa da coletiva “Multitude”, no Sesc Pompeia.

SAMUEL PESSÔA, 51, é pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia/FGV, sócio da consultoria de investimentos Reliance e colunista da Folha.

FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ECSTASY Obituário do químico americano Alexander Shulgin, pioneiro em alucinógenos >>folha.com/ilustrissima


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Literatura

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Segredos de liquidificador Silviano Santiago processa verdade e invenção RESUMO “Mil Rosas Roubadas”, novo livro do crítico literário e ficcionista, é um romance “à clef” baseado na amizade de toda a vida entre o autor e o produtor cultural Ezequiel Neves. Em entrevista à Folha, escritor aborda a mescla entre realidade e ficção, fala da biografia como gênero e comenta a literatura brasileira atual.

ALVARO COSTA E SILVA

“Bispo Macedo da música popular brasileira”: assim Zeca chamava o compositor Renato Russo, de cujas letras “debochava”. A inconfidência é coletada, de forma “não autorizada”, pelo biógrafo do produtor cultural em “Mil Rosas Roubadas” [Companhia das Letras, R$ 42,50, 280 págs.], novo romance de Silviano Santiago. O exagerado Zeca – que “não tinha como escapar, ao dobrar da esquina, da inevitabilidade dos paraísos artificiais” – é explicitamente calcado em um personagem de carne e osso: Ezequiel Neves, morto em 2010, aos 74 anos. Jornalista musical da cena underground nos anos 1970 que assinava seus artigos como Zeca Jagger (pela adoração que professava aos Rolling Stones) ou Angela Dust (em referência ao “angel dust” ou pó de anjo, droga sintética pesadíssima, em voga na época), letrista, descobridor e produtor do Barão Vermelho, parceiro e mentor de Cazuza, Ezequiel conheceu Silviano em Belo Horizonte, quando ambos tinham 16 anos. Foram amigos íntimos até o fim da vida. “O emblemático no Ezequiel era menos o desespero e o deboche e mais ter instituído formas de comportamento para a juventude, o que ele começou a fazer ainda no tempo em que nos conhecemos. O que fez na imprensa alternativa e no rock do Brasil ele já havia feito antes, quando era um garoto de província”, afirma o escritor. O narrador em primeira pessoa do livro, salpicado de referências culturais, tem muito ou quase tudo de Silviano Santiago, 77, um dos mais astutos críticos literários do país, a par de realizar uma obra ficcional de experimentação. “O conflito no romance oscila entre o enrustido e o desbundado, entre o funcionário público assalariado com aposentadoria garantida e o

ator que sobrevive com a bilheteria diária e vive num apartamento em sistema de comodato, entre o universitário bem posto na vida e o artista que vive como agregado. No fundo, “’Mil Rosas Roubadas’ é um livro sentimental”, define o escritor. Folha - O romance propõe um jogo ao leitor: o da verdade na ficção. O que é falso e o que é verdadeiro? Silviano Santiago - O romance – ou a obra de arte – ludibria as categorias opostas e excludentes de verdade e de mentira para nos retirar do ramerrão de uma visão de mundo precária de ética. A verdade é a obra de arte enquanto tal. Romancista algum pede ao leitor para assimilar a verdade como se ela viesse da boca de jurista íntegro. Tampouco lhe pede para acreditar na mentira tal como dita por boquirroto. O romance é descendente da técnica da meia-tinta na pintura. Leonardo da Vinci lembra que, “para desenhar em relevo, os pintores devem aplicar uma meia-tinta sobre a superfície de um papel de modo a localizar as sombras mais escuras e depois o lugar das luzes principais”. O romancista aplica a meia-tinta a um tema polêmico para localizar melhor as sombras mais densas e acentuar o lugar inquietante em que pode jogar a luz reveladora. Compete ao leitor, e só a ele, afiançar, abonar ou não, a verdade naquela ficção e a vida naquela mentira. “O Falso Mentiroso” e “Histórias Mal Contadas” levam a experiência da “meia-tinta” ao extremo. O novo livro se aproxima também de “Em Liberdade” e “Viagem ao México”, por ser um romance narrado em forma de biografia, quase um pastiche do gênero. Em que ponto se situa “Mil Rosas Roubadas”? Como a maioria dos romancistas, sou um falso mentiroso. Ao dizer que, como autor, minto, é porque digo a verdade da “ficção”, da literatura. Uso e abuso dos dados acontecidos que me são oferecidos pela minha experiência de vida (autobiografia) e pela experiência de vida das pessoas que conheço (biografia). Ponho-os a trabalhar no liquidificador da prosa literária e, no processo de estilização, escorrem mil rosas roubadas. O romance se assemelha aos exemplos dados porque, afinal, foram escritos pelo mesmo autor. No entanto deles se diferencia porque eu nunca tinha sido tão confessional. Ou seja, sempre deixava os dados biográficos ocuparem o lugar de honra. Agora, não. O narrador se pergunta se todo biógrafo “não será monstruoso por defini-

ção?”. Qual sua avaliação do gênero biográfico? Biografia é um gênero em si. A autobiografia também. O romance – pelo menos desde Daniel Defoe, passando por Gustave Flaubert e Machado de Assis – usou o gênero biografia ou autobiografia como suporte. Suporte é como a moldura que envolve uma tela. Mas a tela/romance não se confunde com o suporte/ biografia. O estilo, os recursos retóricos, os efeitos buscados etc., são outros e diferentes. Se o romance for escrito na terceira pessoa, tem como suporte a biografia (“Madame Bovary”). Na primeira pessoa, a autobiografia (“Dom Casmurro”). Meu narrador é um biógrafo autobiógrafo, ou vice-versa. É uma figura monstruosa: duas cabeças e um só olho. Acredito, no entanto, que a imagem estrambótica revela os truques (de estilo, retóricos etc.) de qualquer biógrafo. É impossível escrever uma biografia que não seja minimamente autobiográfica. Elevei a contradição entre a terceira e a primeira pessoa ao extremo. Para tal, usei o gênero romance. Qual é sua opinião sobre a produção biográfica no Brasil? Aclaremos antes um ponto. Se o romance tem como suporte o gênero biográfico ou autobiográfico, a biografia tem como suporte o verbete enciclopédico. Tenta narrar os fatos particulares das várias fases de uma vida real. De maneira objetiva, ela dá nome aos bois. Ao contrário da enciclopédia, que encontra no estilo enxuto e conciso sua redenção, os parâmetros da escrita biográfica tendem a ser ditados pela diversidade do jornalismo moderno. Algumas têm como herança o bom jornalismo que herdamos do antigo “Diário Carioca”. Outras têm como modelo os escandalosos tabloides ingleses. Outras mais têm como modelo “Contigo” ou “Caras”. Há de tudo. No novo milênio, o crítico mapeia. Indica o que pode ser aquilo que é e o que pode ser aquilo que parece ser. Assim sendo, diz que há filmes recentes mais interessantes para a discussão sobre a biografia: “Madame Satã”, de Karim Aïnouz, “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles, e “Capote”, de Bennett Miller. Aprendam com eles, futuros biógrafos. Seu narrador é um historiador. Isso o afasta do biógrafo, digamos, mais ligado à produção jornalística? De modo algum. O narrador é historiador porque, enquanto personagem, tinha de ser historiador. Paradoxalmente, ele se revela mais emotivo e mais apaixonado que o artista. Seria ele o verdadeiro artista? Seus conflitos são também

o alicerce para um dos capítulos mais importantes do romance, “Estilo”. A questão do estilo, a meu ver, é a principal do gênero romance, questão muitas vezes escamoteada no gênero biografia. Com que estilo o narrador de biografia ou de romance (pouco importa o gênero) escreve a vida de outra pessoa bem diferente dele?

e os entrega de bandeja aos biógrafos, de JK a Roberto Carlos e a Paulo Coelho.

Como analisa a chamada polêmica das biografias não autorizadas? A moda da biografia seria alguma coisa a mais que o sinal dos tempos? O gosto do leitor pela biografia é, por um lado, tão contemporâneo quanto a internet e o Google e, por outro, está tão enraizado na sociedade pós1968 quanto o narcisismo. Combine os dois. No retângulo designado à pesquisa no Google, insira o nome de político com importância no cenário nacional. Acompanhe-o da palavra narcisismo. Não há livro, jornal, revista, site, ou blog que não lhe forneça rico material para uma biografia. Em seguida, insira o nome de figura notória das artes e dos esportes. Não será diferente o resultado. Na sociedade midiática e informatizada, o narcisismo ata o político à figura notória e, ao definir a ele e a ela como celebridade, os individualiza

De que maneira se revela, em “Mil Rosas Roubadas”, o peso da tradição literária brasileira, que transparece em sua obra ficcional? Desta vez sentei-me com mais prazer à mesa da literatura mineira. Ela produziu os mais instigantes romances “à clef”, ou seja, aquela prosa literária que transita com coragem e galhardia entre as pessoas do cotidiano do autor. Lembro dois nomes: Cyro dos Anjos, com o notável “O Amanuense Belmiro”, e Fernando Sabino, com o sempre moderno e atual “O Encontro Marcado”. Quem não reconhece os quatro cavaleiros do Apocalipse (Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e ele próprio) na trama do romance de Sabino? Não ouso citar Guimarães Rosa, mas deveria. Aliás, o toque não é privilégio dos romancistas. Nosso poeta maior, Carlos Drummond, termina sua brilhante carreira de poeta com os livros “Boitempo”,

E a literatura brasileira, de maneira geral, como anda? No momento, é de qualidade mediana. Alguém vai pular. Dos que estão tentando esse salto, acho Michel Laub o melhor. Se ele vai conseguir, ninguém sabe.

“Menino Antigo” e “Esquecer para Lembrar”. Não escondo o fato de que minha tese de doutorado foi sobre André Gide. Não é difícil reconhecer no romance “Os Moedeiros Falsos”, Jean Cocteau, Tristan Tzara etc. Mas a leitura única do romance pelas carteiras de identidade é pobre, evidentemente. Hoje o entretenimento venceu? Não compete ao crítico de literatura e das artes ser censor. Compete-lhe mapear o estado atual da produção cultural, seja no Brasil, seja no estrangeiro. Diante da realidade que é a nossa cotidiana, estamos felizes por saber que as classes C e D entram no mercado de consumo. Natural que o entretenimento passe a ser o pão nosso de cada dia. Mais do que ao crítico cultural, compete ao educador – em qualquer nível da escola – ser a bola da vez. Ele é que deve vencer a parada. Não o artista. Este deve evitar a todo preço a solução de continuidade que poria ponto final no curto e notável percurso da arte brasileira. No mais, é tirar da manga a carta de Oswald de Andrade: a massa ainda comerá do biscoito fino que fabrico. Utopia por utopia, por que não apostar também na utopia artística? Eu e muitos apostamos.


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Economia

3 História da riqueza Erros e acertos do fenômeno “O Capital no Século 21” RESUMO Lançado na França em 2013, livro de Thomas Piketty estourou ao sair em inglês neste ano. Pesquisa do francês e sua equipe gerou valiosa base de dados sobre desigualdade, mas livro, que recupera ideia marxista de compulsão à acumulação, falha ao desconsiderar efeitos do comércio internacional na evolução do capitalismo.

SAMUEL PESSÔA ILUSTRAÇÃO LOURIVAL CUQUINHA

“O Capital no Século 21” consolida década e meia de trabalho do pesquisador francês Thomas Piketty ao lado de uma equipe de colaboradores, cujos achados foram publicados em outros dois volumes e em diversos artigos acadêmicos nas melhores revistas internacionais. A maior contribuição desse esforço coletivo de pesquisa é um exaustivo trabalho historiográfico que resultou na construção de bases de dados de desigualdade de renda e de riqueza, para diversos países e

ao longo de décadas. É difícil fazer uma avaliação criteriosa do ainda recente volume, que, lançado originalmente em francês, em 2013, pela Seuil, explodiu em nível global a partir de sua tradução para o inglês, neste ano, pela Harvard University Press. A obra chegou às listas de mais vendidos e gerou tal comoção que a editora Intrínseca, que deve lança-lo no Brasil em novembro, já colocou o título em pré-venda em sites de livrarias. Se o resultado cristalizado na publicação ainda é passível de controvérsias, e elas têm aparecido, provavelmente o esforço coletivo de pesquisa justificaria um prêmio Nobel para a equipe capitaneada pelo docente francês – Piketty, 43, leciona

na Escola de Economia de Paris desde 2007 e na Ehess (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais) desde 2000. Em artigo publicado há duas semanas, o jornal britânico “Financial Times” questionou a credibilidade dos dados usados na pesquisa e, em sua edição de junho, a revista conservadora “The American Spectator” afirmou que Piketty propõe um “confisco” de fortunas. Mas é difícil imaginar que haja erros de fato grosseiros, a ponto de desqualificar os achados do grupo, e que tenham escapado aos pareceristas dos conceituados “Journal of Political Economy”, “Quarterly Journal of Economics” ou “American Economic Review” – publicações em que Piketty e colaboradores publi-

caram várias das conclusões que estariam no livro. Propósitos A publicação de “O Capital no Século 21” parece atender a dois objetivos de seu autor. Primeiro, defender uma posição política muito clara. O texto é um manifesto de defesa da social-democracia europeia continental com Estado grande e provedor dos serviços e seguros sociais básicos – saúde, educação, previdência e assistência social – e de instrumentos tributários que impeçam a concentração excessiva de renda e riqueza. O volume cumpre muito bem esse objetivo normativo. Os autores liberais e libertários terão trabalho e gastarão muito tutano respondendo ao

libelo de Piketty. Trata-se de contribuição importantíssima ao debate público. O segundo objetivo foi construir uma narrativa do desenvolvimento do capitalismo desde meados do século 19 até os dias de hoje e, possivelmente, para o resto do século 21. Uma narrativa que permita organizar e dar coerência ao conjunto de evidências empíricas desvendadas ao longo do trabalho dos pesquisadores nos arquivos. Trata-se de uma obra de sistematização. É nesse sentido que o volume assume a grandiloquência de clássicos como “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, “Princípios de Economia Política e Tributação”, de David Ricardo, ou “O Capital”, de Karl Marx. Embora, claro, somente a passagem do tempo dirá se o livro é o clássico que promete ser. Por ora é possível afirmar que a narrativa que o livro nos


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oferece para organizar os inúmeros achados e fatos empíricos descobertos por Piketty e seus colaboradores é, na melhor das hipóteses, muito incompleta. Do ponto de vista teórico, o autor parte da rejeição da teoria padrão que os economistas construíram para explicar a poupança, que é a forma de transmissão intertemporal de renda, e, portanto, a acumulação de capital. Segundo a teoria padrão, a principal motivação para a acumulação de capital é a transferência de renda de um indivíduo para si mesmo, de sua idade ativa para a velhice. A teoria de poupança ao longo do ciclo de vida – que rendeu o Prêmio Nobel de 1985 ao economista ítalo-americano Franco Modigliani – sustenta que as pessoas poupam enquanto trabalham para consumir na velhice. Entre muitas outras, a teoria de ciclo de vida prevê que a parcela da riqueza transmitida por meio de herança tem que ser relativamente pequena. A herança seria riqueza não intencional deixada pelos pais aos filhos em função de incerteza com relação à data da morte. Como não sabemos o momento exato da morte, ao morrer sempre sobra algo que os filhos herdam. Acumulação Para Piketty, a partir de certo nível de riqueza, a renda gerada pelo capital é tão elevada que é possível sustentar com ela níveis elevadíssimos de consumo e simultaneamente acumular e legar para seus herdeiros mais do que se recebeu. O capital se acumula de forma automática. Aqui Piketty ecoa Marx. Para os que muito têm, é relativamente barato gerir o patrimônio e conseguir retornos elevados, fato não possível para os pequenos poupadores. O elevado retorno à escala da indústria de gestão de riqueza exerce pressão concentradora adicional. Está criado o capitalismo rentista e patrimonialista no qual o acesso à riqueza depende cada vez mais da sorte de nascer na família certa do que de seu esforço e mérito. É evidente que Piketty se preocupa com o início do patrimônio. Ele argumenta que a acumulação inicial deve-se a sorte, acaso e, muitas vezes, a mérito – esforço, trabalho diligente e inovador, talento. Mas diz que a riqueza, meritória ou do acaso (e, muitas vezes é impossível distingui-las), transforma-se rapidamente em riqueza sem risco e de rendimento perpétuo. A taxa de retorno do capital é a renda percentual do capital, ou seja, uma taxa de retorno de 5% ao ano significa que o fluxo de renda gerado pelo capital equivale a 5% do valor do capital. Uma vez constituído o patrimônio, a descendência proprietária passa a pertencer ao invejado clube dos indivíduos que, pelo nascimento ou casamento, não precisarão pelo resto de seus dias se preocupar com como pagarão suas contas. Apesar das diferenças – a acumulação primitiva de Marx resultava de roubo, pirataria e expropriação (aparentemente o capitalismo melhorou) –, para ambos o capital acumula-se automaticamente. O paralelismo com Marx termina aqui. Piketty considera que a economia de mercado com propriedade privada dos meios de produção é a forma mais eficiente de organização da atividade econômica. Neste aspecto a quarta e final parte do livro tem paralelismo com a Teoria Geral de Keynes: mensagem reformista, que reconhece os méritos, mas identifica falhas no funcionamento da economia de mercado e su-

gere políticas para “consertar” a máquina. Distribuição Os economistas trabalham com dois conceitos de distribuição de renda. A distribuição interpessoal da renda descreve como a renda gerada, de capital e de trabalho, é distribuída entre as famílias. A distribuição funcional da renda descreve a divisão da renda entre capital e trabalho. A distribuição funcional da renda é um conceito simples. Um único número – a parcela do capital na renda, ou seu complemento, a parcela do trabalho na renda – descreve-a integralmente. A distribuição interpessoal da renda é um conceito matemático muito mais complexo do que um número. Para facilitar a análise, os estatísticos inventaram números que sintetizam a desigualdade. Os mais conhecidos são os índices de desigualdade de Gini e de Theil. Piketty prefere outros indicadores. Para descrever a desigualdade interpessoal de renda, acompanha particularmente a parcela da renda apropriada pelos 50% mais pobres, pelos que estão entre os 50% e 90% mais ricos, os 10% mais ricos, o 1% e o 0,1%. O autor assevera que o capitalismo tende à concentração de ambas as distribuições, interpessoal e funcional. Ao longo das três primeiras partes do livro, apresenta para os países europeus e para os EUA a evolução do produto per capita; a evolução da riqueza da economia e da sua natureza, se pública ou privada, da terra, do capital físico ou dívida pública; a evolução da renda do capital; da relação capital-produto; da participação do capital na renda; e, finalmente, a evolução da distribuição interpessoal da renda e da riqueza. Piketty e seus colaboradores encontraram um ciclo de concentração de renda que termina com a Primeira Guerra. Entre 1914 e 1974 toda a dinâmica se inverte. Há redução da relação capital-produto, reduz-se a participação do capital na renda, e a distribuição interpessoal da renda e da riqueza melhora para os diversos indicadores de desigualdade interpessoal de renda empregados na obra, além da parcela da riqueza existente derivada de herança ter se reduzido expressivamente. A partir de 1974 a dinâmica do capitalismo retorna ao seu curso normal. Há um novo ciclo concentrador. Segundo o estudioso, a melhora distributiva nas seis décadas entre 1914 e 1974 deveu-se à sucessão de tragédias – duas guerras mundiais e, entre elas, a Grande Depressão – que destruíram muito capital. Adicionalmente, no pós-Guerra houve em diversos países a imposição de impostos confiscatórios sobre a riqueza, além de apoio a instituições que aumentaram o poder de barganha do trabalho frente ao capital e a criação do Estado de bem-estar social. Finalmente, a repressão financeira das décadas de 50, 60 e 70 promoveu redução forçada do endividamento público e houve a estatização de diversos setores. Essa dinâmica foi quebrada pelo neoliberalismo de Reagan e Thatcher. O pacote de políticas que inclui a desregulamentação dos diversos mercados, forte redução das barreiras comerciais nos anos 80, e, nos anos 90, das barreiras à mobilidade internacional de capitais, além da privatização de diversos setores produtivos, alterou o poder de barganha do trabalho nos países centrais. Sem a regulação estatal, o capitalismo retomou seu rumo concentrador. Voltamos à dinâmica da “belle époque”.

Poréns Se nada for feito retornaremos ao mundo de Jane Austen ou Balzac, no qual a melhor forma de alcançar uma vida confortável é casar com a pessoa certa. O livro documenta em detalhes a familiaridade que os escritores do século 19 tinham com o funcionamento do capitalismo patrimonialista. O elemento final de preocupação de Piketty é a manutenção das instituições democráticas. Para ele, a dinâmica normal de uma economia de mercado que resulta necessariamente no capitalismo patrimonialista coloca em risco a democracia como a conhecemos. Ele afirma que a democracia seria incompatível com excessiva concentração de riqueza. O primeiro reparo que se pode opor à narrativa de Piketty se refere à tendência de elevação da participação do capital na renda

conforme a quantidade de capital cresce. Evidentemente, quando a quantidade de capital se eleva, sua taxa de retorno cai. A questão é a intensidade dessa queda. Se a taxa de retorno cair proporcionalmente menos do que a quantidade de capital, a participação do capital na renda se eleva. Se a queda da taxa de retorno for proporcionalmente maior do que a elevação da quantidade de capital, a participação dele na renda se reduzirá “pari passu” à elevação da relação capital-produto. Em qual mundo vivemos? Segundo o livro, em um mundo no qual a acumulação de capital eleva a participação do capital na renda. O autor considera que a forte flexibilidade tecnológica permite que a queda do retorno do capital, diante do aumento de sua quantidade, seja pequena. A flexibilidade tecnológica

significa que é relativamente simples substituir trabalho por capital. Ou seja, quando a quantidade de capital se eleva, o retorno não se reduz muito, pois seria relativamente fácil transferir atribuições do trabalho ao capital. Diversas estimativas sugerem, no entanto, o oposto. Não seria tão fácil assim substituir trabalho por capital. Portanto, conforme o estoque de capital cresce, seu retorno cai mais do que proporcionalmente. Por que motivo Piketty obteve resultado oposto? A maior falha analítica de uma narrativa tão abrangente do desenvolvimento do capitalismo desde o século 19 até hoje é não ter incorporado a questão do comércio internacional de bens e serviços e da mobilidade internacional de capital.

Um dos períodos de plena prevalência do capitalismo patrimonialista é, segundo Piketty, a “belle époque”, final de um período que os historiadores econômicos conhecem por Pax Britannica. Essa época se inicia com o fim das guerras napoleônicas, seguido pela suspensão das leis que impediam a Inglaterra de importar cereais (as “Corn Laws”) e pelo desenvolvimento do telégrafo e do navio a vapor e de casco de metal. Tais inovações tecnológicas, em associação com o domínio britânico sobre os mares, geraram a primeira grande globalização, inaugurando o comércio de longo curso de commodities agrícolas e minerais, além de forte mobilidade de capital. Havia investimentos britânicos em ferrovias mundo afora.


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Diário de Buenos Aires

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O MAPA DA CULTURA

Favelito, o mascote A Copa pelo olhar cáustico dos hermanos

FELIPE GUTIERREZ

“Barcelona” é uma publicação de humor criada há mais de dez anos e que, pelo estilo das pautas, textos, títulos e montagens gráficas, lembra o antigo jornal brasileiro “Casseta Popular”. A edição que está nas bancas de Buenos Aires é sobre a Copa, “uma oportunidade histórica pra gozar uma relação muito quenchi”, explicam eles no subtítulo, no portunhol que marca boa parte das piadas. Na publicação há montagens fotográficas, como a de uma bandeira do Brasil com uma banana no meio e a do Cristo Redentor com uma camisa da seleção argentina e uma arma na mão. “Barcelona” também apresenta um mascote extra-oficial da Copa: o Favelito. Uma chamada da edição de 30 de maio afirma que “cada vez mais argentinos de classe média viajam ao Brasil, se hospedam em favelas e saem para roubar para conseguir se manter”. É tema frequente na mídia argentina o custo elevado da hospedagem nas cidades-sede e os preços dos ingressos. “Barcelona” elenca ainda os sonhos de consumo do brasileiro: “Está confirmado que ele [o brasileiro] só quer praia, um violão (e/ou um berimbau), uma mulata deliciosa, um copo de cachaça, um prato de feijoada, uma turbina de avião e pronto: não precisa mais do que isso para ser feliz”. O sarro não é só com os rivais: sobra até para Lionel Messi, cuja mentalidade é descrita como “indecifrável; quando quer, ganha sozinho, quando não, perdem 11”. Na ficha do camisa 10, o item “sex appeal” diz: “Quase nulo”. O periódico traz ainda outros temas, como um “projeto de lei” que proibiria tomar mate, fumar e comer enquanto se envia um SMS ao volante. “Foi aprovada uma medida que castigará quem se distrair com outras atividades enquanto redige um SMS ao dirigir”, explica. Carta da discórdia Às vésperas do feriado da Independência, o governo, por meio da equipe de relações públicas de Cristina Kirchner, divulgou uma carta do papa Francisco felicitando o povo argentino. A autenticidade da missiva, porém, foi questionada por Guillermo Karcher, argentino que trabalha no cerimonial do Vaticano. O texto seria coisa de um “artista da colagem”, que a fez com más intenções,

disse ele, ao vivo, no canal de TV C5N. O Vaticano afirmou que o documento era, sim, verdadeiro –e começou a disputa. Na TV pública, em um programa ultrakirchnerista chamado “678”, um convidado, o jornalista Orlando Barone, criticou o C5N, afirmando que o episódio da carta foi uma tentativa da mídia de prejudicar o governo. Um apresentador do canal, Eduardo Feinmann, resolveu responder, cha-

FELICIDADE

Às vésperas do feriado da Independência, o governo, por meio da equipe de relações públicas de Cristina Kirchner, divulgou uma carta do papa Francisco felicitando o povo argentino. mando Barone de “ameba, ‘comemierda’ e parasita do Estado”. Pachamama O circuito de cinemas da cidade exibe muitos filmes nacionais, incluindo alguns documentários, vários deles sobre temas da natureza. “Cuerpos de Agua” é sobre o transbordamento de água que inundou a cidade de Bolívar, no Estado de Buenos Aires, nos anos 1980, arrasando a região produtora de trigo. O do-

cumentário mostra como o governo local ficou atônito, e a população, perdida à espera da ajuda. Uma das histórias narradas é a de dois irmãos atingidos pela cheia que decidem caçar, pela primeira vez na vida, para ter o que comer. Em meio à névoa, um acaba por atirar no outro. Em “El Cielo Otra Vez”, o tema é um projeto ambiental para levar o condor a repovoar o interior argentino. Outro animal protagoniza “Buscando al Huemul” –este, já fora do circuito, contava a história de dois amigos em uma viagem para avistar um veado das montanhas do sul, o huemul, que corre risco de extinção. Da cor ao PB O Museu de Arte Contemporânea de Buenos Aires abriga uma exposição do lado menos conhecido do venezuelano Carlos CruzDiez, considerado um dos principais artistas latinoamericanos vivo. Famoso por suas pinturas e esculturas coloridas, ele tem exibidas cerca de 50 fotografias em preto e branco. Cruz-Diez, que tem 90 anos, foi repórter fotográfico em Paris na década de 1960. Entre as muitas imagens da mostra estão retratos de dois colegas que, como ele, foram fundamentais na criação da própria arte cinética: Alexander Calder e Jesús Soto.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Se essa rua fosse dele RAUL MOURÃO

Há 34 anos meu pai me levou pela primeira vez ao restaurante Nova Capela, na rua Mem de Sá, no bairro da Lapa. Foi um almoço entre pai e filho para conhecer o tradicional estabelecimento que nunca fecha as portas, frequentado por artistas, jornalistas e outras figuras boêmias. Foi nessa ocasião que ouvi falar pela primeira vez do pintor chileno Selarón, que vendia seus quadros de mesa em mesa pelos restaurantes da região. Em 1990, Selarón se mudou para a Escadaria do Convento de Santa Teresa, deixou de perambular com suas pinturas debaixo do braço e iniciou sua grande obra. Com um balde de cimento, espátula e suas próprias mãos azulejou os 215 degraus da escadaria onde morava e trabalhava. Construiu uma obra de arte pública conhecida no mundo inteiro sem lei de incentivo, sem produto-

res, sem patrocínio. Contou apenas com a colaboração de sua audiência, pois, ao longo dos anos, centenas de pessoas enviaram azulejos de suas cidades. A escadaria de azulejos se tornou então uma obra colaborativa, interativa e em permanente processo. (Selarón nunca a considerava pronta; isso era, inclusive, um argumento para ele dizer: “Compre uma pintura minha, que eu preciso concluir a obra”). O artista de rua criou de uma só tacada uma gigantesca obra de arte, um marco urbanístico e um ponto turístico. Um novo ponto turístico numa cidade já repleta de pontos turísticos. Sob o prisma comercial, a escadaria era seu golpe de mestre: funcionava como um engenhoso chamariz para atrair clientes diariamente ao seu ateliê. Em 2001, meu ateliê começou a funcionar na rua Joaquim Silva e nos tornamos vizinhos. Nesse período de convivência tivemos vários encontros, tomamos dezenas de cervejas, escutei muitas histórias e fiz centenas

de fotos. A maior parte delas é de turistas fotografando a escada, mas fiz alguns retratos do artista trabalhando ou simplesmente observando sua obra e seu público. Selarón era um sujeito delirante, compulsivo e megalomaníaco. Considerava-se o maior artista do mundo e era comum vê-lo afirmar sua superioridade em relação a Leonardo da Vinci, Michelangelo, Picasso, Gaudí, entre outros. Achava a estátua do Cristo Redentor no Corcovado uma obra menor e menos importante que sua escadaria. Em uma noite de setembro de 2012, eu estava tomando cerveja no bar do Ximenes, na esquina da rua Joaquim Silva com a Teotônio Regadas, junto dos artistas paulistas Marcelo Cidade e André Komatsu, que acabavam de visitar o meu ateliê. Conversávamos sobre a escadaria e sobre Selarón, quando o próprio artista passou esbravejando sobre como os japoneses haviam destruído a Capela Sistina. Pedi explicação e então tivemos contato com sua

teoria de que a restauração da pintura do teto da capela, realizada na década de 1980, com o patrocínio de japoneses, havia descaracterizado a obra de Michelangelo. Emendou perguntando ainda se Picasso havia feito uma escultura tão importante quanto sua escadaria e espinafrando Gaudí por ter usado pouco vermelho no parque Güell, de Barcelona. Selarón amava o Rio e a Lapa. Sua intenção era clara: ao azulejar sua rua, desejava que esse gesto reverberasse pela região na forma de outras melhorias. Infelizmente isso nunca aconteceu. Na manhã do dia 11 de janeiro de 2013, há quase um ano e meio, seu corpo foi encontrado carbonizado por volta das 7h20, na escadaria que hoje todos chamam de Selarón. Morreu sobre sua própria obra. No dia seguinte à morte, uma estranha tese de suicídio começou a circular nos jornais, sites e televisão e a investigação policial tomou esse rumo. Assim como muitos moradores da região, não acredito nessa hipótese.

ACERVO PESSOAL RAUL MOURÃO

Rio de Janeiro, 2001

Artista chileno Jorge Selarón em sua obra no Rio, em 2010


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‘Retro Gamers’ Independente das novidades do mundo dos videogames, há quem prefira os “clássicos” que marcaram gerações FOTOS: DIVULGAÇÃO

BRUNO IZIDRO Equipe EM TEMPO ONLINE

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s videogames de última geração Playstation 4 e Xbox One certamente são os atuais “sonhos de consumo” de muitos jogadores. Mas existem aqueles que ainda preferem os bons e velhos consoles clássicos como Super Nintendo e Mega Drive na hora do entretenimento. Esses jogadores mais nostálgicos são os chamados “retro gamers”. Eles não se atraem muito com gráficos bonitos dos games modernos e optam por continuar com a experiência dos jogos antigos. “Levo mais em consideração as mecânicas e dificuldades dos jogos antigos. Não levo tanto em conta os gráficos”, explica Amélio Belchior, 28. Ele, juntamente com outros amantes de jogos eletrônicos do passado, formam o “Retro Games Manaus”, grupo que organiza campeonatos de jogos como Mortal Kombat, Mário Kart e Bomberman em importantes eventos locais como Anime Jungle Party e Manaus Game Party. Os campeonatos são uma forma de manter viva a memória de games antigos e os jogos presentes nos torneios são escolhidos pelo próprio público, em enquetes realizadas pela internet. “A grande maioria prefere os jogos para videogames da Nintendo, principalmente, Super Nintendo

e Nintendo 64”, diz Belchior. Por serem videogames lançados no início dos anos 1990, é normal que eles estejam na faixa etária dos 30 anos, mas Belchior conta que jogadores mais novos também se interessam pelas “antiguidades”. “Os campeonatos já tem um público fiel com “caras” que têm mais de 30 anos, mas sempre aparecem pessoas mais novas, adolescentes ainda, que querem participar e conhecer”. Outra característica bastante forte entre esse tipo de gamer é o hábito de colecionar. O próprio Belchior, é dono de um Super Nintendo, um Nintendo 64, um Sega Saturno e, até mesmo, um Atari, que possui centenas de jogos para cada um deles, todos originais. “Para Super Nintendo tenho mais de cem “fitas”. Ganhei quando era criança, tenho ele há mais de 18 anos e funciona perfeitamente”, fala. Ser retro gamer não significa só jogar ou gostar de jogos do passado. Felipe Nascimento, 26, é dono de um Dreamcast, último videogame lançado pela empresa Sega (que fazia rivalidade com a Nintendo nos anos 1990), mas também não deixa de jogar games recentes em seu Playstation 3. “Tem muito retro gamer, principalmente os mais velhos, que acham que só os jogos antigos que são bons. Sinceramente, acho até uma atitude meio ignorante,

Novidades no mundo ‘retrô’

Mesmo sem gráficos perfeitos, jogos do passado atraem

porque se “abrissem mais a cabeça” iriam ver que existem muitos jogos interessantes atualmente”, fala. Nascimento cita o game “The Last of Us”, lançado no ano passado para Playstation 3, como um exemplo de um bom jogo. Assim como Belchior, Nascimento gosta de colecionar videogames antigos que usam como mídia o CD. “Não prefiro muito Mega Drive ou Super Nintendo porque precisam de cartuchos e eles não são tão baratos assim e estão cada vez mais difíceis de achar, por isso, prefiro videogames

que rodam CD”, conta. O sonho dele é poder comprar os raros 3DO (da Panasonic) e o PC Engine/TurboGrafx-16 (lançado no final dos anos 1980 e considerado o primeiro console a rodar CD).

É normal que videogames antigos, assim como qualquer equipamento eletrônico, deixe de funcionar com o passar do tempo, mas para aqueles que ainda sentem aquela saudade de jogar Super Nintendo, Mega Drive e outros, há uma opção, o RetroN. O RetroN é um videogame que pode rodar vários jogos antigos em um único aparelho, já que ele possui entradas de cartuchos como Nintendo 8 bits (também chamados de Nintendinho), Master System e outros. O produto possui diversas versões, indo do RetroN 1 ao 4. A diferença entre eles é a quantidade de encaixes de cartuhcos de diferentes videogames. Em Manaus, a loja Player Games, comercializa o RetroN 2, que consegue rodar jogos de Nintendinho e Super Nin-

tendo. Segundo o gerente Fabrício Simões, o videogame veio com unidades limitadas. “O que nos impediu de trazer mais aparelhos foi a parte burocrática, já que eles são aprovados pelo Inmetro e Anatel. Além do videogame precisar do uso dos cartuchos originais, algo que nem todos possuem”, fala. Para tentar contornar essa dificuldade, Simões diz que a loja já está negociando a venda de um cartucho especial que pode ser utilizado no RetroN 2 e possui leitor de cartão SD (como os de celular), que armazena diversos jogos baixados online. “A previsão é que ele chegue nos próximos 60 dias”, fala. Além disso, o gerente adianta que a loja deve passar a vender jogos antigos como cartuchos de Super Nintendo, Mega Drive e outros, até o fim do ano.

Loja em Manaus pretende trazer produtos novos dentro do universo de “antiguidades” de cartuchos como de Mega Drive


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Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br Marlídice Peres e Lourdinha Archer Pinto

>> Arraial da Cha-Chá . A versão 2014 da famosa festa junina da ótima Charufe Nasser, no Parque do Idoso, manteve a tradição da movimentação e alegria. . Um quilométrico bufê apresentava as delícias juninas sempre apreciadíssimas nesta temporada, além do alto astral da noite e dos convidados. Forrós e músicas da época animavam a noite, que tinha ambientação de bandeirinhas e fogueira. Noitada das boas. FOTOS: MAURO SMITH

Francisco e Graziela Nogueira

>> Objeto de desejo . A Melissa já conquistou os pés e os corações de fãs pelo mundo e, desta vez, cria novo projeto que será sinônimo de desejo entre as colecionadoras fashionistas. O projeto Melissa Miniatures tem como objetivo combinar arte, design, moda e arquitetura transformando modelos icônicos da marca em objetos decorativos e colecionáveis que cabem na palma da mão. . Para a primeira edição, a Melissa homenageia os designers e arquitetos que colaboraram com a marca – Irmãos Campana, Karim Rashid, Zaha Hadid e Gaetano Pesce – com cinco miniaturas.

>> Festa brasileiríssima . Será uma noite brasileira, a Festa dos Namorados, na próxima quarta-feira, no Diamond. . Como a coluna já entrou no ritmo da Copa, a festa fará um ‘esquenta’ para o primeiro jogo do Brasil – no dia seguinte – e fará uma noitada com ambientação nas cores da bandeira do Brasil, jantar com cardápio verde e amarelo e apresentação da grupo ‘Samba e Cevada’, que tocará sambinhas no estilo Lapa carioca, além do DJ Pratinha, que foi convocado para sacudir a pista de dança. Imperdível. . Os ingressos para a festa podem ser adquiridos pelos números 8118-9717 ou 9985-1422.

Rosele e Ruizinho Franco de Sá

>> Empório Árabe

Luis Antonio e Socorro Vasconcellos Dias emoldurando a querida Charufe Nasser, em sua festa de aniversário com sabor junino

Zeca Nascimento com Olinda e Hirói

Antonio e Norma Silva

David e Jéssica Tayah

A querida Marilena Perales

O chef sic Gabrielovich Marzan

DIVULGAÇÃO

. Será no dia 16, a abertura do novo restaurante da cidade, no Shopping Ponta Negra, com especialidades árabes. . Quem assina o cardápio do restaurante é o chef sic Gabrielovich Marzan, que trabalha com eventos palestinos há mais de 35 anos. O novo local contará ainda com um empório para venda de produtos árabes. . O empreendimento assinado pelos empresários Murad Aziz e Marília Zuazo oferecerá charutos em conversa, doces, CDs e DVDs e acessórios do universo árabe.

CINEMA

Público poderá conferir jogos da Copa na telona

Em Manaus, nem todas as redes de cinema mostrarão as partidas, mas a Cinépolis vai reservar uma sala para exibir alguns jogos

As partidas de futebol das seleções que vão disputar a Copa do Mundo Fifa não serão exibidas apenas pelas emissoras de televisão. Quem não puder ir torcer nas arquibancadas dos estádios nas cidades-sede vai ter a oportunidade de assistir aos jogos também nas telas dos cinemas. Em Manaus, nem todas as redes com salas disponíveis na capital transmitirão as disputas do mundial. Segundo o gerente de programação da empresa Cinépolis do Shopping Ponta Negra, Wanderson Alexandre Ferreira, uma das salas foi reservada e está sendo preparada para exibir alguns dos jogos durante o campeonato, mas ainda sem definição das seleções que passarão pela telona e os dias dos jogos.

“Até o momento, apenas uma sala do cinema foi reservada, mas essa situação poderá mudar tanto no número de salas quanto em relação às partidas que serão exibidas. Mas o jogo do Brasil com certeza será transmitido”, diz. Estreante na cidade no dia 15 de maio, o cinema Kinoplex não exibirá nenhuma disputa do mundial por motivos tecnológicos. De acordo com a assessoria da empresa, devido a rede ter sido inaugurada recentemente as salas ainda são carentes de um tipo de equipamento, uma espécie de antena, para que possa captar e transmitir as imagens ao vivo. Os ingressos que podem ser adquiridos na bilheteria de cada cinema ou pela internet, com o valor que varia de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).


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Espetáculo homenageia ‘Chicos’ Apresentação do musical, selecionado por meio de edital da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), acontece hoje à noite no palco do Teatro da Instalação, que fica no Centro de Manaus, a partir das 20h, com entrada gratuita

H

oje, retorna aos palcos amazonenses o musical “...Mas podem me chamar de Chico”, espetáculo estreado em julho de 2012 no Teatro Amazonas, tendo realizado uma temporada no Teatro da Instalação no mesmo ano e diversas apresentações em outros espaços. O musical “...Mas podem me chamar de Chico” apresenta um repertório dos “Chicos” da música brasileira: Chico Buarque, Chico César e o amazonense Chico da Silva. Com uma hora e meia de duração, a montagem entremeia canções desses três artistas, com dramaticidade, irreverência e leveza, isto é, com todas as nuances que as músicas que são executadas pedem. Para dar conta do recado, um elenco de grandes nomes da música local foi escalado: Zezinho Corrêa, Márcia Siqueira, Marcos Paulo, Lucilene Castro e Cinara Nery. Quem assina a direção do espetáculo é o paulista William Pereira e o manauense Márcio Braz. As coreografias são de Monique Andrade, diretora do Corpo de Dança do Amazonas (CDA). O figurino foi concebido por Rizzo Andrade e a direção

musical é de Hudson Alves. Reldson de Paula é quem fica na sonorização. O repertório escolhido busca definir cada um dos três ícones da música brasileira. Chico Buarque com toda sua alma “feminina”, um nordestino com a veia poética latente, sendo considerado um dos grandes compositores surgidos na década de 1990 e, claro, o Chico da Silva, às vezes sambista, às vezes romântico e uma das maiores referências no que se refere a compositor de boi-bumbá. Fazem parte do repertório, obras como “Olho nos olhos”, “Vai passar”, “Cálice”, “Mama África”, “A primeira vista”, “Pensar em você”, “Vermelho”, “Sufoco” e “Pandeiro é meu nome”. A apresentação de hoje acontece no palco do Teatro da Instalação, localizado à rua Frei José dos Inocentes, 129, no Centro, às 20h, com entrada gratuita.

Zezinho Corrêa, Márcia Siqueira, Marcos Paulo, Lucilene e Cinara dão voz ao show

MANAUENSE

Exposição mostra início do futebol Para atender ao público formado por turistas brasileiros e estrangeiros que virão assistir aos jogos e conhecer a cidade, durante a Copa do Mundo, além do próprio residente de Manaus que deseja um programa diferenciado, o Millennium Shopping preparou uma programação especial. Até este domingo (8), acontece a exposição “Manaós 1914 – Uma Paixão Pelo Foot-Ball”. Tratase de um verdadeiro passeio pelo início do futebol na capital amazonense. A exposição mostra o pri-

meiro Campeonato Amazonense de Futebol disputado há exatos 100 anos com o Manaós Athletic Club, Manaos Sporting, Nacional, Rio Negro e o Club Vasco da Gama. De acordo com o empresário Joaquim Souto Loureiro, responsável pela exposição e proprietário do acervo, naquela época a presença inglesa era forte na cidade, que vivia o início da decadência do Ciclo da Borracha, período em que a capital teve a economia impulsionada pela venda do látex extraído das

seringueiras amazônicas. Loureiro ressalta que, inclusive, é o látex que é o personagem principal dessa história, pois, graças à matéria-prima, foi possível a origem e ascensão dos jogos com bola. Além da bola, a exposição também traz a Taça Willian Gordon, de prata, encomendada pelo comerciante inglês chamado William Gordon, que ofereceu o prêmio para a organização do campeonato, a Liga Amazonense de Football, que, em sinal de agradecimento, resolveu batizá-la com o nome dele. DIVULGAÇÃO

A mostra apresenta o primeiro Campeonato Amazonense de Futebol, disputado há 100 anos


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Jantar romântico em clima de Copa Realizado anualmente por Fernando Coelho, colunista do EM TEMPO, a festa tem como objetivo celebrar o Dia dos Namorados, data tradicional e comemorada em todo o país

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a próxima quartafeira, dia 11, o Diamond Convention Center (Tarumã) será palco de mais uma edição da tradicional Festa dos Namorados, realizada anualmente por Fernando Coelho, colunista do EM TEMPO. Um dos diferenciais deste ano é que toda a decoração será baseada na Copa do Mundo e, também por esse motivo, o jantar que sempre é realizado dia 12 foi antecipado, pois neste dia haverá o primeiro jogo da seleção brasileira. “Há uma campanha em todo o país para que as festas sejam antecipadas devido ao jogo. Com isso, o dia 12 acabou virando um feriado no qual o casal poderá se divertir com outras opções. E aproveitando o momento, decidimos que este ano o cardápio da festa contará com ‘comidinhas’ de diversas partes do país, dando um charme na comemoração e oferecendo ainda mais opções aos casais”, explica Fernando Coelho. Sobre a decoração do local, Coelho enfatiza o uso das

cores da bandeira do Brasil – verde, amarelo, azul e branco. “Toda a ornamentação está sendo feita pelo Bandeirão Decorações. Nada de usar somente o verde e amarelo, queremos que todas as cores façam parte dessa comemoração tão especial”. Vale destacar que o convite do jantar inclui, além do bufê, água, refrigerante e cerveja. Atrações E festa que é festa não pode faltar música animada. Coelho adianta que entre as atrações estarão a banda Samba & Cevada e o DJ Alexandre Prata. “A noite começa com um sambinha carioca da melhor qualidade. Esse grupo é conhecido por sempre usar branco em suas apresentações, dando um ar moderno no visual. A outra atração é Pratinha, que participa das festas mais descoladas da cidade e que promete um setlist que colocará todo mundo para dançar”. E para quem está sempre ocupado pela rotina diária, existe um serviço exclusivo

de delivery. “Sabemos que as pessoas passam o dia todo trabalhando e não encontram tempo de parar para adquirir algo. Então usamos o serviço de delivery. Os interessados entram em contato conosco e mandamos entregar os convites onde quer que elas estejam. É uma maneira de facilitar a vida das pessoas”, comenta. O evento conta com o apoio do jornal Amazonas EM TEMPO, Yara, Shopping Ponta Negra, Magistral, Fametro, Contém 1g e Salvare.

O DJ Alexandre Prata foi convidado para comandar o som eletrônico da Festa dos Namorados

SERVIÇO FESTAS DOS NAMORADOS EM RITMO DE COPA Quando Quarta-feira, dia 11, a partir das 21h Onde Diamond Convention Center (avenida do Turismo, Tarumã) (92) 8118-9717 ou 9985-1422 Os integrantes da banda Samba & Cevada apresentam-se sempre com roupas brancas


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

TV Tudo Procura por elenco Conflitos à parte, o diretor Dennis Carvalho trabalha em ritmo forte na formação do elenco de “Babilônia”. Os testes correm soltos no Projac para diversos personagens. A pré-produção da novela vai começar depois da Copa do Mundo. Quando a novela do Aguinaldo estrear, “Babilônia” entrará em linha de produção.

DIVULGAÇÃO

Visita Fabíula Nascimento, em passagem por Nova York, para participar do 12º Brazilian Film Festival, representando os filmes “Mato sem Cachorro” e “SOS Mulheres ao Mar”, visitou também os estúdios da TV Globo América. Lá, a atriz concedeu entrevista a Mila Burns para o “Globo Notícias”, que é transmitido pela Globo Internacional para os países das Américas.

Elas também curtem Segundo pesquisa do Combate, 35% do público que acompanha as transmissões do UFC no canal é constituído por mulheres, na contramão de muita gente que achava que a pancadaria despertava interesse apenas dos homens. De olho na audiência feminina o Combate não descarta agregar novos valores ao seu time, que reúne, atualmente, a comentarista Kyra Gracie, as repórteres Caryna Americano, Laís Lacerda, Carla Tank, a apresentadora Viviane Ribeiro e a correspondente Ana Hissa.

diretor Mauro Mendonça Filho pretende iniciar no fim deste mês as gravações da série policial “Dupla Identidade”, escrita por Glória Perez. Estão confirmados no elenco Bruno Gagliasso, Débora Falabella, Luana Piovani, Marcelo Novaes, Cris Nicolotti, Aderbal Freire Filho e Marisa Orth, entre outros.

Início de gravação De acordo com a Globo, o

Por outro lado O nome de Vera Fischer

REGI

Apertem os cintos Esta série policial promete mostrar um Bruno Gagliasso nunca antes visto na televisão, num trabalho de botar medo. O papel é o de um serial killer. Bruno encontra-se em Nova York e, na volta ao Brasil, nos próximos dias, irá priorizar “Dupla Identidade”.

ainda não aparece nas listas de elenco de “Dupla Identidade”. Cogitou-se a participação da atriz assim que surgiram as primeiras notícias sobre este trabalho. Porém, Glória Perez, quando consultada a respeito, preferiu não se manifestar. Esperando a vez A Globo, oficialmente, ainda não tem planos de produção para o “The Voice Kids”. O programa está no “pacote” do “The Voice”, mas por enquanto é só isso e apenas isso. Mudanças Kaká Marques vai deixar a direção do “Ritmo Brasil”, apresentado por Faa Morena.

Bate-rebate • Começam hoje as leituras da peça “Retratos e Canções”, com direção de Renato Andrade... • .... No elenco, Dani Moreno, que esteve em “Salve Jorge” na Globo, mais Paulinho Serra e Rodrigo Sant’anna. • Chegou ao fim um romance na nossa televisão com todos os ingredientes de um dramalhão dos novos tempos... • .... No “roteiro” protagonizado por dois rapazes e um quase senhor, traições e muita choradeira... • ... Mas o artista central desse drama já dá sinais de recuperação. Deu a chamada volta por cima e está no ataque novamente. • Rede TV! pretende fazer a coletiva do “Encrenca”, dia 16, em São Paulo. • O Esporte da Bandeirantes atravessa um dos seus momentos mais tranquilos.

Problemas de ‘Em Família’ A decisão da Globo em acabar com “Em Família” mais cedo, acabou respingando em autores da faixa nobre. “Império”, escrita por Aguinaldo Silva, próxima atração do horário, entrará no ar dia 21 de julho, uma semana antes do previsto. Pela ordem, “Babilônia”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, teria que começar em janeiro. Teria. Os dois autores não consideraram nem um pouco interessante a ideia de estrear antes do Carnaval. Complicado.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Com André Bankoff no elenco, a segunda temporada da série “O Negócio”, sobre prostituição, estreia em agosto no HBO. Rafaella Mandelli, Juliana Schalch e Michelle Batista fazem as protagonistas. O canal já negocia uma terceira temporada com a produtora Mixer. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz* E-mail: plateia@emtempo.com.br

A invenção do Amazonas

MÁRIO ADOLFO

GILMAL

ELVIS

A realização do primeiro voo direto entre Manaus e Europa (Lisboa) ofertado pela TAP Linhas Aéreas tem provocado polêmicas nas redes sociais a partir de uma montagem digital onde há uma comparação entre a chegada dos lusos nas terras tropicais no ano de 1500 e o referido voo onde ambos, segundo o que a charge nos sugere, os portugueses se deparam com índios, no primeiro caso, arredios e em situação de combate e, no segundo, cordiais com belas índias do folclore de Parintins recepcionando os turistas. A charge digital ou même como é chamado, não deixa de ser uma crítica criativa, com uma construção de conteúdo irônica e racional, longe dos pieguismos da crítica apaixonada. O même não faz críticas ao voo, evidentemente, mas sim a forma com que recepcionamos os turistas onde, de fato, temos insistido na diluição de nossa identidade descambando-a no folclore parintinense. Talvez o tema da identidade tenha sido o mais explorado por esta coluna, assim como o de políticas culturais e o regionalismo. Como sabemos, a identidade tem sido estudada ao longo de muitos anos por um sem-número de especialistas. Sérgio Buaque de Holanda, em “Raízes do Brasil”, foi um dos pioneiros no processo de compressão do tema voltado ás questões nacionais, sem sequer usar o termo. A herança ibérica e o personalismo do “homem cordial” (este último, sobretudo), são os principais vetores a marcar a identidade brasileira, segundo Holanda. Gilberto Freyre contribuiu para a identificação de nosso tipo nos apresentando estudos relevantes onde a intimi-

dade da casa grande e da senzala, as relações entre o coronel e as mucamas negras, forjaram o mestiço brasileiro identificados pelos traçosfísicos, cor, fala e outras formas de expressão. Neste sentido, cumpre-nos esclarecer que o mestiço é a composição por excelência do brasileiro. Não se enquadra, claro, na categoria de povos ou comunidades tradicionais, afinal, não é nem uma coisa e nem outra. É um tipo presente em muitas de nossas ações cotidianas e a reproduzimos de forma constante. Esta digressão sugere que a mestiçagem não só se deu entre negros e brancos, mas inúmeras culturas e povos também miscigenaram e contribuíram para a formação cultural do povo brasileiro. Logo, a identidade não deve ser fixada como algo e imutável. Ela é dinâmica, como a própria vida. No caso do Amazonas, inúmeros povos contribuíram para a formação social da Amazônia. Judeus, mulçumanos, africanos, barbadianos, italianos, entre outros, forjaram nossa identidade que podemos bem defini-la como diversa e plural. Logo, simplificarmos a riqueza de nossas expressões culturais, gestos, culinária e artes e reduzi-la a categoria folclórica especificamente boi-bumbá e dizer que esta é nossa identidade soa no mínimo estranho. A cultura do diálogo é importante para discutirmos o assunto e assim refletirmos sobre quem somos e de onde viemos. Parece mesmo que há uma confusão quando falamos de identidade. Já somos bem crescidinhos para compreender o tema o superarmos.

Márcio Braz* *ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

No caso do Amazonas, inúmeros povos contribuíram para a formação social da Amazônia. Judeus, mulçumanos, africanos, barbadianos, italianos, entre outros, forjaram nossa identidade que podemos bem defini-la como diversa e plural. Reduzi-la a boi-bumbá é estranho”


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Programação de TV

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SBT 5h Jornal Da Semana 6h Igreja Universal 7h Brasil Caminhoneiro 7h30 Planeta Turismo 8h30 Vrum 9h Sorteio Amazonas Da Sorte 10h Domingo Legal 14h Eliana 18h Roda A Roda Jequiti 18h45 Sorteio Da Telesena 19h Programa Silvio Santos 23h De Frente Com Gabi 0h Nikita 1h Alvo Humano 2h Cult 3h20 Big Bang 4h Igreja Universal

11h55 Esquenta

12h Fique Ligado

14h Mundial de Fórmula 1 - Grande Prêmio do Canadá 15h45 Temperatura Máxima - Os Três Mosqueteiros 20h Fantástico

16h30 Palavra Que Transforma

22h25 SuperStar

17h Ritmo Brasil

23h40 Domingo Maior - Bater ou

17h45 Amazonas Dragway E Luta

Correr

Tribal

1h25 Sessão de Gala - Hanna 3h10 Corujão - Johnny Mnemonic - O Cyborg do Futuro

LIBRA - 23/9 a 22/10 O uso adequado dos recursos e instrumentos que tem à disposição é algo mais importante do que parece. Há uma harmonia quando se utiliza a ferramenta certa. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Momento estimulante à sutileza da mente, e também aos sentimentos, estimulando a compreensão humana. A relação amorosa é a mais beneficiada pela inspiração. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Você é capaz de perceber coisas inauditas, que nunca havia percebido - inclusive e em especial das pessoas com quem está em relação próxima. Abra-se à nova compreensão. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Um dia para tratar de temas profundos com os parceiros e a pessoa amada. Criatividade para resolver seus problemas. O bem pensar e a boa comunicação estão a seu favor. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Hoje é um dia para meditar e compreender as situações com as quais normalmente está tão atulhado que acaba não percebendo muita coisa. Sensibilize-se de modo diferente. PEIXES - 19/2 a 20/3 Um dia de especial e rara inspiração artística, poética, amorosa e mesmo religiosa, pois que hoje tudo isso tende a se mesclar em uma riqueza de grande amplitude.

18h45 Muito Show – Edição Especial 20h15 Gente Da Mata 20h45 Te Peguei Na Tv 21h15 Tv Shopping Manaus 22h15 Teste De Fidelidade

6h10 Amazônia Rural

6h30 Igreja Int. Da Graça

23h35 Ronaldo Castro

6h40 Pequenas Empresas, grandes

7h30 Igreja Int. Da Graça

0h05 Sob Medida - Reprise

Negócios

8h30 Igreja Solidária

1h É Notícia

7h15 Globo Rural

9h Rompendo Barreiras

2h Bola Na Rede

8h10 Auto Esporte

10h Tv Prime

3h Igreja Int. Da Graça

Cinema

Cruzadinhas

ESTREIA

PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br

© Revistas COQUETEL

A pior reação da Óleo usado Afetar; plateia a um artista no tempe- atacar ro de Soltar; De + saladas deixar cair uma

Dois países europeus da Copa de 2014 Aquele Produto indivíduo da olaria

A sexta letra Feito em pedaços Maior mamífero do mundo

Nome da letra da palma da mão Sua capital é Goiânia Orna; enfeita

Embalagem de venda do cigarro

O dedo onde se coloca a aliança

São dois no número 100

Completa; inteira

A Culpa é das Estrelas: EUA. 12 anos. A história gira em torno de Hazel e Gus, dois adolescentes que se conhecem em um grupo de apoio a pacientes com câncer, e compartilham, além do humor ácido e do desdém por tudo o que é convencional, uma história de amor que os faz embarcar em uma jornada inesquecível. Cinemark 1 – 12h30 (dub/somente sábado e domingo), 15h30, 18h30, 21h30 (dub/diariamente), 0h30 (dub/somente sábado), Cinemark 6 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 17h20, 20h30 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sábado); Cinépolis Millennium 4 – 13h30, 16h15, 19h15, 22h15 (dub/diariamente), Cinépolis Millennium 8 – 12h45, 15h30, 18h30, 21h30 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 1 – 12h45, 15h30, 18h30, 21h30 (dub/ diariamente), Cinépolis Plaza 5 – 13h30, 16h15, 19h15, 22h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 3 – 14h10, 17h20, 20h40 (leg/diariamente), Cinépoilis Ponta Negra 5 – 13h30, 19h15 (dub/diariamente), 16h15, 22h (leg/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 7 – 15h30 (dub/diariamente), 18h30, 21h30 (leg/diariamente); Kinoplex 1 – 15h40, 18h20 (dub/somente sábado e domingo), 21h (leg/diariamente); Playarte 3 – 13h15, 15h50, 18h25, 21h (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 13h16, 15h51, 18h26, 21h01 (dub/diariamente), 23h31 (dub/somente sexta-feira e sábado).

Mão de tinta colocada na parede

Precisão; exatidão A forma desenhada do círculo

Sílaba de "erguer"

Detector de aviões Em prol; a favor

Preferência; escolha

Dar título de rei Diferença de horário entre países

Parte do bovino chamada de mocotó

Hiato de "cooperar"

Esburacar; romper Carne de assados

(?) e salvos: ilesos Estrela, em inglês Geovanna Tominaga, apresentadora

Campeão três vezes (red.)

54, em algarismos romanos (?) Prado, ator brasileiro

Objetivo Efeito do sapato apertado

Parte traseira de caminhões

BANCO

CONTINUAÇÕES

Malévola: EUA. 10 anos. Cinemark 4 – 12h50, 15h10, 17h30, 19h50, 22h20 (3D/dub/diariamente), Cinemark 7 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 13h50m 16h20, 18h40, 21h15 (dub/diariamente), 23h40 (dub/ somente sábado); Cinépolis Millennium 1 – 14h, 16h30, 19h, 21h20, Cinépolis Millennium 3 – 13h45, 15h50, 18h15, 20h45 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Plaza 2 – 14h, 16h30, 19h, 21h45 (3D/dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 21h40 (3D/leg/diariamente), 15h (3D/dub/diariamente), Cinépolis Ponta Negra 4 – 14h30, 19h45 (3D/ dub/diariamente), 17h, 22h15 (3D/leg/ diariamente), Cinépolis Ponta Negra 8 – 13h45 (dub/somente sábado e domingo), 16h (dub/diariamente), 18h45, 21h (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 16h40, 19h (dub/diariamente), Kinoplex 3 – 14h, 16h20, 18h40, 21h10 (3D/dub/ diariamente); Playarte 1 – 13h50, 16h, 18h10 (3D/dub/diariamente), Playarte 5 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 13h21, 15h21, 17h21, 19h21, 21h21 (dub/diariamente), 23h21 (dub/somente sexta-feira e sábado).

diariamente); Cinépolis Millennium 6 – 14h30, 17h, 19h30, 22h (diariamente), Cinépolis Millennium 7 – 12h30, 15h (diariamente); Cinépolis Plaza 3 – 15h30, 21h15 (diariamente), Cinépolis Plaza 4 – 14h30, 20h (diariamente); Cinépolis Ponta Negra 2 – 16h20, 19h40, 22h10 (diariamente), Cinépolis Ponta Negra 6 – 14h (exceto quinta-feira), 17h30, 20h15 (diariamente); Kinoplex 4 – 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (diariamente); Playarte 10 – 12h45, 14h55, 17h05, 19h15, 21h30 (diariamente), 23h40 (somente sexta-feira e sábado).

Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou: BRA. 14 anos. Cinemark 2 – 18h (diariamente), Cinemark 3 – 11h10 (dub/somente sábado e domingo), 14h, 16h30, 19h, 21h40 (dub/diariamente), 0h15 (dub/somente sábado), Cinemark 5 – 13h10 (dub/

X-Men – Dias de um Futuro Esquecido: EUA. 12 anos. Cinemark 5 – 15h50 (3D/dub/diariamente), 18h50, 21h50 (3D/dub/exceto segunda-feira), Cinemark 8 – 17h50 (dub/diariamente), 23h50 (dub/somente sábado), 11h50 (dub/somente sábado e domingo,

No Limite do Amanhã: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 12h55, 15h20, 20h45 (dub/diariamente), 23h20 (dub/ somente sábado); Cinépolis Millennium 7 – 17h45, 20h15 (leg/diariamente); Cinépolis Plaza 8 – 13h15, 15h45, 18h15, 21h (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 10 – 13h15 (dub/somente sábado e domingo), 18h20 (dub/diariamente), 15h50, 21h15 (leg/diariamente); Kinoplex 2 – 14h10, 21h20 (dub/diariamente); Playarte 9 – 14h, 16h15, 18h30, 20h50 (dub/diariamente), 23h05 (dub/ somente sexta-feira e sábado).

Foguete bélico 60

Solução M H A D O A Z U L E M E O I A S T T T E Z A O E R D A R A O C FU S O A R R C A L O E R I A M V R

VIRGEM - 23/8 a 22/9 A importância que as pessoas têm em sua vida é algo que precisa ser reconsiderado por você. Uma compreensão maior esclarece a consideração que deveria ter por elas.

15h30 A Questão É

5h Power Ranger – Rpm 6h Popeye 6h30 Santa Missa No Seu Lar 7h30 Sabadão Do Baiano 8h Power Ranger + Popeye 8h30 Roland Garros – Ao Vivo 12h Formula Truck – Ao Vivo 13h30 Copa Petrobras De Marcas 14h30 Irmão Caminhoneiro Boletim 14h35 De Olho Na Copa - Boletim 14h40 Minuto Da Copa - Boletim 14h45 Band Esporte Clube 15h30 A Informar 14h30 Futebol 2014 – Ao Vivo 17h 3º Tempo 19h Só Risos 20h Polícia 24h 21h Pânico Na Band 0h Canal Livre 1h Minuto Da Copa – Boletim 1h05 Alex Deneriaz 1h40 Show Business 2h30 Igreja Universal

14h50, 20h50 (dub/diariamente); Cinépolis Millennium 2 – 15h40, 18h45, 21h45 (leg/diariamente), Cinépolis Millennium 5 – 14h45, 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 6 – 13h, 16h, 19h30, 22h20 (dub/diariamente), Cinépolis Plaza 7 – 14h45 (dub/somente sábado e domingo), 17h45, 20h45 (dub/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 1 – 18h25 (3D/leg/diariamente); Cinépolis Ponta Negra 9 – 14h15, 20h45 (dub/diariamente), 17h15 (leg/diariamente); Kinoplex 5 – 15h50, 18h35, 21h25 (3D/dub/ diariamente), 13h10, 15h50, 18h35, 21h25 (dub/somente sábado e domingo); Playarte 1 – 20h20 (3D/ dub/diariamente), 22h55 (3D/leg/ diariamente), Playarte 2 – 14h10, 17h10, 20h10 (leg/diariamente), 22h40 (leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 7 – 12h40, 15h15,

V T A L E I A L A R H G A D A CE R Ã O R A P A T R E O S M Ã R O C S S I

LEÃO - 23/7 a 22/8 Momento de esclarecimento e de clarividência a respeito de pessoas e de si mesmo. Tudo se passa em um plano sutil. Seja compreensivo com as pessoas de seu convívio.

14h En Circuito 16h Ad & D

TOURO - 20/4 a 20/5 As relações afetivas e humanas estão beneficiadas pela compreensão. Um dia para se ter ideias inspiradas, um tanto fora do convencional, mas muito ricas e vibrantes.

CÂNCER - 22/6 a 22/7 As imagens mentais aceleram e modificam o ritmo de seus ciclos orgânicos, cerebrais e psicológicos. Alterações de percepção e de sensação podem ocorrer neste dia.

13h Passaporte Amazônia

17h30 Domingão do Faustão

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Suas deficiências estão mais claras e pode organizar o jeito de lidar com elas. O desejo de perfeição deveria tornar-se desejo de estar em processo de aperfeiçoamento.

GÊMEOS - 21/5 a 21/6 É tempo de se recordar do sentido maior de seu trabalho. Mais do que cuidar das responsabilidades, hoje você pode compreender mais a respeito do que estas significam.

BAND

F R E B A L A NE Ç C A M E A O P Ç O O R S T A U G T C A R L I

GREGÓRIO QUEIROZ

11h Igreja Da Graça

REDE TV

5h10 Santa Missa

Horóscopo

10h30 A Questão É

Car /Goiânia - Compacto)

4h43 Festival de Desenhos

GLOBO

Para quem gosta de automóveis, “Vrum” é a pedida pelo SBT

8h45 Esporte Espetacular - (Stock

4/maço — star. 5/opção. 6/coroar. 8/molestar. 10/carroceria.

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17h50, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado). Godzilla: EUA. 12 anos. Cinépolis Plaza 4 – 17h, 22h30 (dub/ diariamente); Playarte 8 – 12h45, 18h05 (dub/diariamente). O Espetacular Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro: EUA. 12 anos. Cinépolis Plaza 3 – 18h (dub/diariamente); Playarte 8 – 15h20, 20h40 (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Rio 2: EUA. Livre. Cinépolis Millennium 2 – 13h15 (dub/diariamente); Cinépolis Plaza 7 – 14h45 (dub/somente sábado e domingo); Cinépolis Ponta Negra 2 – 13h10 (dub/somente sábado e domingo).


Plateia

FOTOS: ALESSANDRA NEVES

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Os anfitriões-irmãos Gigi e Jefferson Cunha celebradíssimos na festa dos 11 anos da “Em Visão”

Jander Vieira Decepcionante

Ele e Elas: Christóvão Gomes com Akemi e Harumi Tsuji conferindo a festa luxo da revista “Em Visão”

Aplausos

ALEXANDRA GONÇALVES/STOCK AMAZON

Manaus ganhou a sua primeira delegacia móvel, que vai reforçar o atendimento da Polícia Civil do Amazonas no período da Copa. Durante a apresentação, o delegado-geral Josué Rocha também anunciou as obras de reforMoisa Guerma e adequação do prédio reiro – macéronde funciona o Instituto rima e sempre elegante de Identificação Ader– desfilando son Conceição de Melo estilo próprio, e de instalação de uma no lançamento dos parfums da nova Delegacia Espegrife Karl Lacializada em Crimes gerfeld da Top Contra a Mulher, na Internacional Zona Norte de Manaus.

O que são essas plaquinhas que foram confeccionadas para orientar turistas e população local sobre pontos turísticos e vias de Manaus para a Copa? Gente, que criatura foi essa que teve a infeliz ideia? Placas de trânsito do tamanho de uma cartela de ovo. Quem vai ver isso? É preciso uma lupa para ler e na velocidade dos carros ninguém consegue obter a informação, dado o tamanho. Placas têm que ser grandes, quase um outdoor. Por que ainda insistem em pensar pequeno para uma cidade grande como Manaus? Pela fé!

Cordialidade

ALEXANDRA GONÇALVES/STOCK AMAZON

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

O presidente da Fieam, Antonio Silva, recebeu na sede da entidade, comitiva de executivos da Yamaha Motor da Amazônia. O encontro marcou a passagem do cargo de diretor da multinacional, Seijiro Teramae, para seu sucessor, Osamu Yabuzaki. “Como entidade representativa da indústria amazonense estamos aqui para apoiar e fornecer todas as informações sobre o segmento produtivo do Amazonas. Desejamos boa gestão ao diretor Yabuzaki e que ele possa contar com o Sistema Fieam para o fortalecimento de suas atividades industriais e para o aumento em inovação e competitividade da Yamaha Motor”, disse Antonio.

Sala de Espera Adriana Brito e Indrid Benzecry estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

Hoje, às 18h, tem o “Paraíso Utópico”, show com o vocalista Gustav Cervinka, no Centro Cultural Usina Chaminé; às 19h, no Teatro Amazonas, o Corpo de Dança do Amazonas apresenta a releitura de “A Sagração da Primavera”.

Coro

Do correto staff da Top Internacional, a simpática Patrícia Berg, na badalada noite Karl Lagerfeld parfums, da loja do Manauara Shopping

O curso de Administração do UniNorte promove hoje a 1ª Caminhada Verde com o intuito de levar alunos e professores às ruas da Ponta Negra, em uma caminhada pela preservação do meio ambiente. A atividade começará às 7h30 e percorrerá as ruas da cidade com o tema “Administração por uma cidade mais limpa. Sou egresso, faço parte dessa história”.

O escritório jurídico Silveira, Athias, Soriano de Mello, Guimarães, Pinheiro & Scaff – Advogados, que possui uma vasta carteira de clientes na sua unidade de Manaus, vai inaugurar filial no coração de Nova York. Precisamente em Manhattan, próxima ao Central Park. Amanhã, das 19h às 22h, começará o curso de culinária intermediária com a chef

Fiscalização

Com a presença do governador José Melo, foram entregues dois ônibus adaptados que vão servir para o atendimento itinerante do Procon-AM. Os ônibus serão utilizados, inicialmente, durante a Fan Fest na Ponta Negra, para atender as demandas dos consumidores durante todo o evento da Copa. O atendimento no local começará a partir do próximo dia 12, permanecendo até o dia 13 de julho, das 10h às 17h. O atendimento nos dias de jogos em Manaus e da seleção brasileira se estenderá até 22h. Após o período dos jogos, o Procon-AM utilizará o ônibus no atendimento da Região Metropolitana de Manaus, bem como em ações nos bairros da capital.

Veroka Marques, e segue até o próximo dia 11, no Messer Núcleo de Gastronomia, no Parque 10. Vai ter festão daqueles no salão de festas, do condomínio Aristocrático, no próximo domingo. O bambino Calebe Souza Roberto ganhará sessão parabéns para celebrar seus cinco aninhos. A TIM inaugurou mais uma

loja de parceiro em Manaus, desta vez no Uai Shopping. O novo espaço está dentro do novo conceito TIM Store, que oferece layout e mobiliário que valorizam o conforto. O querido Hamilcar Silva ganhou (ontem) jantar de aniversário preparado pela mulherfesteira Eliane Schneider, no duplex do Saint Moritz. Encontro do tipo intimista somente para 18 convivas.


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 8 DE JUNHO DE 2014


EM TEMPO - 8 de junho de 2014