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Vagas com salários até R$ 23,5 mil

Opinião A3 ANO XXIV – N.º 7.602 – MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES - DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO - PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

‘A roubalheira é o câncer da corrupção’

Em entrevista ao repórter Náferson Cruz, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fala sobre a Amazônia, o governo de Dilma Rousseff e as próximas eleições. Com a palavra A7 ALIMENTAÇÃO

Preços variam conforme o bairro ARQUIVO EM TEMPO/MAÍRA COELHO

Economia B1

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Vida acadêmica depois dos 50 anos

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Dia a dia C5

SEM BARREIRAS

TAÇA RIO

Vasco em busca da vitória para se manter na liderança

Programação conscientiza sobre autismo Pais de autistas se unem em projetos e atividades para buscar melhorias de atendimento aos portadores. Dia a dia C2

Atrás da recuperação – depois da derrota para o Botafogo, no domingo passado –, time cruz-maltino recebe o Resende em São Januário. Lance! 6 REPRODUÇÃO

DIVULGAÇÃO/STCK

PROTETOR

Amendoim na redução do mau colesterol Saúde & Bem-estar 2

CRIAÇÃO

Jovens talentos da ilustração no Amazonas Plateia D1


Opinião/Última Hora

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Contexto 3090-1017/8136-7324

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MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

Trio é preso por tráfico de drogas na Zona Norte Polícia encontrou com o grupo uma submetralhadora de nove milímetros. Procedência da arma será investigada GIOVANNA CONSENTINI

Lúcia Antony fala de jogo para privatização da energia A vereadora Lúcia Antony (PCdoB) tem agendada, para a próxima terça-feira (27), uma reunião com a diretoria do Sindicato dos Urbanitários para debater a questão dos problemas de falta de energia em Manaus. Ela ainda tenta confirmar uma reunião com a diretoria da Amazonas Energia para o mesmo dia. É que, no dia seguinte, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) realiza uma audiência pública para debater o assunto. Antony quer confrontar as informações obtidas para saber se as alegações da Amazonas Energia para o problema são de fato reais. A vereadora disse que o receio é de que esteja havendo um desgaste da Amazonas Energia visando a privatização. “Uma preocupação que eu tenho é a de que tudo isso, cobrança indevida, apagão, faça parte de um processo para legitimar a privatização da empresa, como fizeram com a Cosama. Estamos vendo uma nova orquestração, com ofensiva da direita, pegando a Copa do Mundo como gancho e fazendo o governo de refém”, disse. COMANDO DE SEGURANÇA NA SEMSA A Prefeitura de Manaus acaba de assinar contrato com a empresa IIN Teconologias Ltda. para montar um centro de de comando de operações de segurança para a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O sistema terá monitoramento e controle de acesso nas unidades de saúde. SEMED JÁ TEM No ano passado, a prefeitura também fez o mesmo com as escolas municipais. Contratou empresa para montar um centro de operações de segurança para a Semed e retirou os seguranças das escolas. CENÁRIO A cúpula da Assembleia de Deus já começa a programar o cenário político da igreja. Após o deputado Francisco Souza (PSC) anunciar a précandidatura para o município de Iranduba, a igreja já começou a pensar em novos candidatos para as eleições de 2014. Isso porque Iranduba é considerada cidade estratégica, depois da inauguração da ponte Rio Negro, que liga Manaus ao município. LIDERANÇA Tudo tem a liderança do deputado federal Silas Câmara, que nos bastidores está articulando a candidatura do ex-deputado Liberman Moreno para prefeitura de Iranduba, para agradar o prefeito Amazonino Mendes. Souza, com quem Silas dividiu o palanque desde 1998, como candidato oficial da igreja, ficou surpreso. OPERAÇÃO A população de Tabatinga se assustou, na semana passada, com a quantidade de viaturas da Polícia Militar, por

conta da operação “Fronteira Segura”, realizada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, sob a coordenação do coronel Dan Câmara. NOVIDADES A operação está levando algumas novidades para as polícias do município, como a instalação de um núcleo de perícia técnica, até então inexistente no local. Pelo visto não vai faltar trabalho. De janeiro até a semana passada, a polícia já tinha registrado 15 homicídios em Tabatinga, que tem cerca de 50 mil habitantes. AFTOSA O deputado estadual Tony Medeiros (PSL) disse que, enquanto a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) não se manifestar sobre os casos de febre aſtosa no rebanho do Estado, ele vai continuar levando a situação para a mídia. Segundo ele, já foi descoberta a existência do vírus tipo “C” no Amazonas, extinto no país há 15 anos, mas a Sepror ainda não se pronunciou.

APLAUSOS

VAIAS

STJ

Fraude

Para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu que Plano de Saúde deve pagar tratamento de urgência em doença grave.

Para 48 pessoas intimadas pela Polícia Federal a prestar depoimento sobre a fraude em licitações na área da saúde.

De acordo com a polícia, o tipo de armamento é incomum e era usado para fazer assaltos IZABEL GUEDES Equipe EM TEMPO

J

ander Rubens Souza, 45, Tatiana Alemida Ferreira, 33 e Madson Pinto de Oliveira, 21, foram presos na madrugada de ontem na comunidade Raio do Sol, Zona Norte da cidade, por formação de quadrilha e tráfico de drogas. Com eles, a polícia encontrou uma submetralhadora de nove milímetros de uso restrito das Forças Armadas. A prisão, executada por uma equipa da Força-Tarefa da Secretaria de Segurança Pública

do Estado (SSP-AM), foi baseada em denúncias anônimas. De acordo com informações dos investigadores do 15º Distrito Integrado de Polícia, onde a ocorrência foi registrada, eles são suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em assaltos e tráfico de drogas. Ainda segundo a polícia, Jander e Tatiana são casados e foram presos em casa, na rua Girassol. No local, além da arma, os policiais encontraram dois notebooks, aparelhos celulares e munições. Conforme a polícia, a apreensão do tipo de armamento não é muito

comum e a procedência do equipamento será investigada. Após a prisão do casal a polícia encontrou Madson, que estava em via pública quando foi detido. Com Madson os investigadores encontraram 28 trouxinhas de maconha prensada e 130 gramas de cocaína pura, que possivelmente seria revendida no local. A polícia continua investigando o envolvimento de outras pessoas com o trio. Os três ficaram detidos no 15º DIP e depois seriam encaminhados à Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, Centro.

CIRURGIAS

Mutirão contra o câncer de pele A sede da Fundação Alfredo da Matta (Fuam) recebeu, na manhã de ontem, um mutirão de cirurgias e atendimentos de câncer de pele. Com o intuito de dar aos pacientes um prazo de no máximo 45 dias entre a primeira consulta e a cirurgia, a ação contou com um grupo formado por três dermatologistas, quatro residentes e três enfermeiras. No mutirão, realizado pelo governo do Estado

– por meio da Fuam – houve um atendimento a 20 pacientes pré-agendados. Serão feitas outras ações ao longo do ano, para dar mais agilidade ao processo e ao tratamento de quem sofre com a doença. Além disso, a fundação ainda organizará campanhas de prevenção ao câncer de pele, junto à Sociedade Brasileira de Dermatologia. Atualmente, a instituição realiza 30 cirurgias

por semana e 120 por mês. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma é o mais comum na Região Norte, com uma estimativa de 38 casos novos para 100 mil habitantes entre os homens e 43 ocorrências para cada 100 mil entre as mulheres. Porém, o número de mortes por esse tipo de câncer é baixo.

NO STF

Aborto de anencéfalos será julgado A ação que pede a descriminalização do aborto de anencéfalos será analisada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 11 de abril. A ação chegou à corte em 2004, e o voto do relator, ministro Marco Aurélio Mello, estava pronto desde março do ano passado. O STF foi provocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), que defende o aborto nos casos em que o feto tem má-formação no cérebro e já nascerá morto. Como o STF demorou mais de oito anos para analisar a questão, valem apenas as decisões judiciais obtidas caso a caso, como uma situação recente que ocorreu em São Paulo. A CNTS alega que a criminalização do aborto de anencéfalos ofende a dignidade da mãe, que também corre risco de morrer com a gravidez. Estudos anexados ao processo alegam que a má-formação letal no cérebro pode ser detectada com 100% de certeza durante a gravidez, inclusive pela rede pública de saúde. Devido à reação de setores religiosos e de entidades em defesa da vida, que acreditam que o feto já é um ser humano e que o aborto é semelhante ao assassinato, o STF promoveu uma série de audiências em 2008.

INCLUSÃO

SUS discute fertilização in vitro O Ministério da Saúde montou um grupo de trabalho para discutir a inclusão da fertilização in vitro na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda em 2012- sete anos depois da primeira portaria que determinava o atendimento para casais que precisassem do procedimento. Se a medida for aprovada, será a primeira vez que o governo federal vai bancar os custos da mais eficiente forma de engravidar para quem tem problemas de fertilidade - um procedimento que pode custar até R$ 50 mil por tentativa em clínicas particulares. A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida onde óvulo e espermatozoide são fecundados em laboratório. Depois, o embrião é implantado diretamente no útero na mãe. A técnica tem mais sucesso que a inseminação artificial, mas também é mais cara. Em clínicas particulares, o custo de uma tentativa gira em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil, mas pode ir a R$ 50 mil. A chance de engravidar na primeira tentativa é de 30%, dependendo da idade da mulher. O Ministério da Saúde confirmou a intenção de colocar o procedimento na tabela do SUS até o fim do ano, mas não quis dar detalhes sobre como e exatamente quando isso iria acontecer. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, preferiu não comentar a movimentação no ministério sobre o assunto.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

A3

Fala leitor

Editorial

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Desmatamento ilegal e lavagem de dinheiro Enfim, uma abordagem exata de um problema especial: a extração ilegal de madeira foi comparada ao tráfico de drogas e às organizações criminosas. A questão foi colocada assim pelo especialista do Banco Mundial, Jean Pesme. “Vamos olhar para os fluxos financeiros”, disse à BBC Brasil, neste fim de semana. “Na maioria dos casos onde há extração ilegal de madeira em grande escala, há corrupção. Precisamos combater o crime organizado na extração ilegal, da mesma forma como vamos atrás de criminosos organizados que vendem drogas ou de organizações criminosas”. O Banco Mundial estima que os lucros da extração ilegal de madeira alcancem entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões ao ano, e que, por causa da atividade, os países emergentes deixem de receber cerca de US$ 5 bilhões em impostos e royalties. Parte desse “dinheiro sujo”, nas palavras do relatório “Justiça para as Florestas”, financiado pelo banco, é utilizado para corromper autoridades. “Vamos olhar para os fluxos financeiros”, insiste Pesme, para quem, na maioria dos casos, onde há extração ilegal, existe uma rede de corrupção. O relatório do Banco Mundial, sem a criação de uma “inteligência financeira”, os países emergentes, onde ainda se concentram as últimas florestas do planeta, estão deixando de combater os principais agentes da extração ilegal de madeira: as grandes redes criminosas e a corrupção no alto escalão. Nesse contexto, as ações pontuais de prevenção da atividade, que acabam combatendo apenas os criminosos de pequeno calibre. São importantes, mas limitadas contra uma atividade que movimenta bilhões de dólares por ano no mundo. No relatório, o Banco Mundial recomenda que o sistema judiciário dos países usem tais mecanismos para encontrar e punir os criminosos e confiscar seus bens, de forma a parar a atividade ilegal. “Pode ser difícil condenar alguém por desmatamento ilegal, mas talvez você possa condená-lo por lavagem de dinheiro. E no fim das contas o resultado é o mesmo: você usou a Justiça criminal e confiscou os ativos, sem necessariamente ter de provar desmatamento ilegal”. Como nas boas histórias de detetive: siga a pista do dinheiro e encontrará o criminoso.

Não é novidade que a atividade física faz bem a todos. Para crianças, em especial, recomenda-se a prática de algum exercício desde cedo, principalmente para controlar a obesidade. O MMA, que virou moda por meio de nomes como Victor Belfort e Anderson Silva, é uma das modalidades que vem sendo estimuladas no universo infantil. Essa ati-

tude, porém, é motivo de alerta para especialistas que estudam a estrutura muscular e esquelética. O MMA é uma sigla em inglês traduzida como “artes marciais mistas”. E por isso mesmo é que deve ser pensada e programada. De acordo com José Inácio Salles, coordenador do Laboratório de Pesquisa Neuromuscular do Instituto

Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), o fato de os pais matricularem as crianças em aulas que misturam boxe, jiu-jítsu, judô, karatê e outras lutas em uma única modalidade pode ser uma atitude precoce. O MMA ainda precisa passar por estudos e avaliações antes de ser apresentado com tamanha euforia para as crianças. Os campeões

de MMA começam com tipos individuais de luta, seja o boxe ou o jiu-jítsu. Só depois optaram por essa categoria mais abrangente. Elaine Dias – edias@into. saude.gov.br

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Olho da Rua

Dora Kramer

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opiniao@emtempo.com.br SHANA REIS

Pôr de sol, festa de luz e um transeunte a deslizar na passarela de um shopping, no tempo de câmera que é típico do mundo amazônico. Pôr de sol seco, festa de luz. A passarela não tem cobertura como se não chovesse também no mundo amazônico.

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Jacaré e cobra d’água A cada eleição fica pior: os partidos se juntam em alianças desprovidas de sentido programático, presididas exclusivamente pelo afã de conquistar tempo de televisão na propaganda eleitoral obrigatória. Com isso instala-se um ambiente onde vale tudo. Só não vale o respeito ao direito de escolha do eleitor. Chega às urnas às tontas, privado que foi durante as campanhas do embate coerente de conteúdo. Instrumento essencial para a confrontação de propósitos, ideias e modos de agir de cada um dos partidos ou candidatos. A consequência mais visível, e danosa, é o aumento da rejeição à política, atividade por meio da qual se exerce a democracia. Ou pelo menos deveria ser exercida tal como é entendida no conceito maior de República. No Brasil de exotismos partidários não é assim: a sociedade acaba sendo mera espectadora de um jogo cujo roteiro original lhe reservava o papel principal. Digam com franqueza o senhor e a senhora alheios ao ofício da militância cega se são capazes de distinguir, no mérito, as propostas que os partidos apresentam para as próximas eleições municipais ou se conseguem compreender quem é amigo ou inimigo político de quem. Tomemos um pequeno pedaço do drama só para ilustrar: em São Paulo o PSD é parceiro do PSDB, cujo adversário principal é o PT com quem faz aliança em Salvador na oposição ao PMDB. Em Recife se alia ao PSB que em Belo Horizonte está junto com o PSDB que tenta seduzir o PT. Uma corrente sem lógica na qual pouco importa se o aliado de ontem é o adversário de hoje ou o companheiro de amanhã. A Justiça bem que tentou organizar o ambiente quando, em 2002,

tomou por base o caráter nacional dos partidos expresso na Constituição e estabeleceu a regra da “verticalização”, obrigando as alianças partidárias a seguir um critério mínimo de uniformidade nos âmbitos nacional, estadual e municipal. Em 2006, o Congresso votou emenda constitucional para derrubar a norma e institucionalizar a balbúrdia ora em vigor. Efeito cascata – Fato raro, a rejeição de indicações presidenciais de nomes para compor as agências reguladoras – como ocorreu com o indicado pela presidente Dilma à Agência Nacional de Transportes Terrestres há pouco mais de dez dias – não é inédita no Senado. Lula passou por isso. Em julho de 2009, foi rejeitada a indicação de Bruno Pagnoccheschi para uma diretoria da Agência Nacional de Águas (ANA) alegadamente porque o então presidente havia reagido à criação da CPI da Petrobras dizendo que os senadores eram “bons pizzaiolos”. Antes, em 2003, havia sido recusada a nomeação de Luiz Salomão para a Agência Nacional de Petróleo e depois, também em 2009, a de Paulo Rodrigues Vieira, para a ANA, cujo nome foi apresentado de novo e aprovado devido a um acordo de Lula com José Sarney. Novidade, portanto, não há. A diferença é que aquelas rejeições representavam insatisfações isoladas e delas não decorreu uma crise. Agora, a recusa do nome de Bernardo Figueiredo ocorreu concomitantemente à divulgação de um manifesto da bancada do PMDB na Câmara que explicitamente reclamava do PT e implicitamente expressava a contrariedade com o modo Dilma de se relacionar com sua base. A intenção foi dolosa e a reação do governo deu-se no mesmo padrão.

Dora Kramer Jornalista, escreve simultaneamente no jornal “O Estado de S.Paulo”

Fato raro, a rejeição de indicações presidenciais de nomes para compor as agências reguladoras há pouco mais de dez dias não é inédita no Senado. Lula passou por isso”.


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

Cuidado com as palavras, pois elas têm vida própria

Fé sadia para um povo sadio na fraternidade

Neste vasto mundo de Deus, somente o homem fala, somente ele se empenhou na complexa tarefa de estabelecer uma ponte entre a mente e o mundo em que vive, inicialmente apenas real, das coisas, mas depois absurdamente alargado para abranger também os objetos impalpáveis, valores e abstrações. Essa ligação, para se tornar possível, exigiu que o homem criasse as palavras, como signos, pois só por meio delas a relação poderia ser estreitada, até porque sem elas o pensamento mesmo seria inviável. E não se pense que a palavra seja apenas meio de comunicação externa, ainda que certamente assim tenha surgido, uma vez que, encarcerada nesse nível, não teria chegado a ser o instrumento que é para o espírito humano, pois linguagem como mero instrumento de expressão existe entre alguns, senão entre todos os animais. A construção de um sistema de fonemas com significação estabelecida e fixada, que pouco a pouco chegou a adotar normas e regras quanto à forma e assim caminhou para a estruturação que constitui o que hoje chamamos uma língua ou um idioma, enquanto expressão apenas oral, foi a primeira etapa percorrida. O verbo escrito, a linguagem grafada é outra coisa, muito mais complexa e sofisticada e, por isso mesmo, extremamente mais tardia em seu aparecimento. Na medida em que a produção cultural se avolumava, como ainda se avoluma, mais palavras se tornavam necessárias para estabelecer a correlação com o pensamento, cada vez mais abstrato e rico de conceitos. Difícil identificar o momento a partir do qual cada nova palavra que surgia na torrente oral, já se fazia também representar graficamente. Quantas palavras, hoje, integram e formam um idioma complexo e sofisticado, como o português, o alemão, o francês, o inglês? Para registrar a existência e o significado desse imenso e sempre dinâmico universo de vocábulos, foram criados os dicionários (com esta palavra para designá-los), também nomeados léxicos, e aos seus autores coube o título especial de lexicógrafo. Um lexicógrafo nada cria e nada suprime, apenas registra as palavras, vivas ou mortas, em uso ou desuso, por vezes com mais de uma acepção, e delas apresenta a análise semântica, ou seja, explicita sua significação, e a ela nada acrescenta e nem dela retira, como um fotógrafo que faz o seu registro, sem interferir no registrado. É, portanto, um absurdo querer apreender e proibir a circulação de um dicionário, precisamente porque cumpriu sua inalienável finalidade léxica, ainda mais quando tem a qualidade do Houaiss, como recentemente pretendeu um menos arguto membro do Ministério Público, à vista de uma das acepções de “cigano”, pejorativa, julgada por ele preconceituosa. Se a palavra existe e se, além do seu sentido original e primário, outros lhe foram agregados, até mesmo pejorativos, pecaria o lexicógrafo se não os registrasse a todos, afastando-se por dever de ofício de qualquer atitude crítica.

Com frequência se ouve que a enfermidade é castigo de Deus contra o pecado e o pecador. Nem é preciso dizer como essa afirmação traz angústias e sofrimentos. Mas, será verdade mesmo que sofremos porque pecamos ou porque alguém próximo a nós o fez? Na Bíblia encontramos o Livro de Jó que contesta essa tese e apresenta tudo o que aconteceu de desgraça na vida do personagem não como castigo mas como provação. Ao tratar da morte de pessoas justas, o Livro da Sabedoria diz que “Deus provou-os como se prova o ouro na fornalha” (Sb 3,6). Nesta Campanha da Fraternidade sobre saúde pública vem-nos propor a cura de um cego de nascença (Jo 9,1-41) como luz para resolver a questão. Ao verem o cego, os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?” A resposta do Senhor foi: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus”. Portanto, a doença deve ser encarada como tempo na vida em que se podem manifestar a presença e a força divinas. Pelo menos nos casos citados ninguém foi culpado. Entretanto existem enfermidades causadas pelos seres humanos, como não? Quem fuma sabe muito bem que poderá ter câncer de pulmão, problemas de coração, acidentes vasculares e outras desgraças. Quem se deixa dominar pelo alcoolismo sabe muito bem que poderá ter cirrose, pressão alta e um monte de enfermidades. Quem come demasiada e indevidamente tem probabilidades de tornar-se obeso e enfrentar problemas cardíacos. Quem é promíscuo em relações sexuais poderá contrair doenças sexualmente transmissíveis como sífilis, Aids e companhia. Para quem quiser ver, aí estão à mostra as infelicidades causadas pelas drogas e pela irresponsabilidade no trânsito: violência que mata, amedronta e enlouquece. Quando nasce uma criança com o vírus HIV porque a mãe com Aids não se cuidou na gravidez, será que o problema do nenê é vontade divina? Neste e em outros casos parecidos os culpados são homens e mulheres que se colocam contra o pensamento de Deus. Muitos males poderiam ser evitados. Um dos objetivos da Campanha de Fraternidade de 2012 é conscientizarnos de que a prevenção se constitui o melhor meio de acabar com muitas enfermidades. Devemos abraçar com entusiasmo as campanhas contra o alcoolismo, tabagismo, as drogas, a violência no trânsito, a obesidade.Talvez nos falte audácia. Estamos muito tímidos em cobrar das autoridades, políticas públicas de prevenção como prioridade e sua execução rápida. Um povo consciente de seus direitos e deveres já andou meio caminho no gozo de boa saúde e na vitória contra enfermidades. A Campanha da Fraternidade é um chamado ao exercício do amor solidário em atitudes e ações concretas. Neste ano somos alertados a exercer a cidadania. Pagamos impostos e temos direito ao respeito de quem tem obrigação de fazê-lo. Mas também somos todos responsáveis pela saúde de todos.

João Bosco Araújo Diretor-executivo do Amazonas EM TEMPO

É um absurdo querer apreender e proibir a circulação de um dicionário, porque cumpriu sua inalienável finalidade léxica, ainda mais quando tem a qualidade do Houaiss”.

Painel RENATA LO PRETE

Ordem no ninho

Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus

Pose para foto FHC e Sérgio Guerra também devem subir ao palanque decorado com banners e balões nas cores azul e amarela. Os précandidatos devem aguardar a proclamação do resultado na liderança do partido.

Neste ano somos alertados a exercer a cidadania. Pagamos impostos e temos direito ao respeito de quem tem obrigação de fazê-lo. Mas também somos todos responsáveis pela saúde de todos”.

Jean Pesme, especialista do Banco Mundial, afirma que “na maioria dos casos onde há extração ilegal de madeira em grande escala, há corrupção”.

Em nenhum país existe tal obrigatoriedade. Imagine perder tempo para que cada empregado imprima seu comprovante Adauto Duarte, diretor da área sindical da Fiesp, critica a implantação do ponto eletrônico nas empresas que deve entrar em vigor em 2 de abril, após cinco adiamentos.

Making of Imagens do evento serão captadas pela GW, produtora que fará a campanha do PSDB. Yin e Yang O esforço de convivência harmônica entre os grupos de Serra e Alckmin passa pela montagem de equipe de campanha que mescle auxiliares de ambos. A mediação será dos secretários Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano) e Andrea Matarazzo (Cultura). Cotas A minirreforma do primeiro escalão paulista, motivada pelas desincompatibilizações eleitorais, refletirá o rearranjo. Serristas cobram a indicação do sucessor de Matarazzo, que deve deixar o governo em abril. A sucessão na Secretaria de Desenvolvimento Econômico também é parte do xadrez. Muy amigo O QG de Fernando Haddad não digeriu a brincadeira de Vicente Cândido (PT-SP), que chamou Gabriel Chalita (PMDB) de “meu prefeito” ao encontrálo na Câmara. O deputado reivindica a coordenação da campanha petista, mas não topa cuidar do programa de governo. Agora, o clima azedou. Compensação Na conversa de quinta-feira, Kassab e Dilma Rousseff trataram de alianças fora de São Paulo.

Amarrado a Serra, o prefeito ofereceu ajuda do PSD em capitais nas quais o PT enfrenta problemas mais agudos na montagem de coalizões. Hora extra Dilma Rousseff mandou todos os ministros informarem seus e-mails pessoais para que ela consiga fazer contato com os auxiliares a qualquer momento, incluindo fins de semana. Verde desbotado A presidente confessou a interlocutores estranhar o silêncio das ONGs ambientalistas e de ícones do setor em apoio à posição do governo de não ceder às exigências dos ruralistas no Código Florestal. Freio Após as derrotas do governo na Câmara na semana passada, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) conversou com Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para que o governo reabra discussão com a base aliada e evite que a PEC que transfere aos Estados a demarcação de áreas indígenas avance. Oráculo Virou piada entre os senadores a comissão de notáveis, na qual pontifica o ex-ministro do STF Nelson Jobim, criada pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), para estudar a revisão do pacto federativo. Oráculo 2 Nas comissões, diante de um impasse, os senadores ironizam: “Antes de votar, temos de ouvir o que pensam os notáveis”. Os que mais se divertem são os presidentes da CAE, Delcídio Amaral (PT-MS), e da CCJ, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Tiroteio Eduardo Braga está garantindo que o PMDB está pacificado. Só se o conceito de paz dele for o mesmo do presidente Barack Obama a respeito do Iraque”

Frases Precisamos combater o crime organizado na extração ilegal, da mesma forma como vamos atrás de criminosos organizados que vendem drogas ou de organizações criminosas

Encerrada a maratona das prévias, que despertou rivalidades internas adormecidas desde 2008, a ordem no PSDB é apostar na pacificação interna. Se confirmada hoje a vitória do favorito José Serra, José Aníbal e Ricardo Tripoli já se comprometeram com a direção municipal a subir ao palco montado na Câmara paulistana pouco depois das 16h para um ato de apoio. Caberá ao governador Geraldo Alckmin fazer um discurso pregando a conciliação e a união a tucanos incitados por sete meses a “oxigenar” o partido – e que assistiram à inscrição de Serra na undécima hora ante o aceno de Gilberto Kassab ao PT de Fernando Haddad.

“Esse sentido de urgência precisa ser cada vez mais afirmado. Temos que discutir qual será a matriz energética do país e a possibilidade de utilizar energia eólica e outras fontes limpas

Fernando Henrique, Henrique ex-presidente da República, de passagem por Manaus, alerta para o risco da demora na tomada de decisões para estimular o desenvolvimento sustentável.

DO DEPUTADO LÚCIO VIEIRA LIMA (PMDB-BA), ironizando declaração do novo líder do governo no Senado em meio à crise de relacionamento da presidente Dilma Rousseff com sua base de sustentação no Congresso.

Contraponto

Amnésia seletiva Demitido do Ministério das Cidades por Dilma Rousseff, Mário Negromonte (PP-BA) conversava no plenário da Câmara quando encontrou Cândido Vaccarezza (PT-SP), também destituído da liderança do governo na casa. — Vaccarezza, agora que estamos fora do governo deveríamos escrever um livro juntos! Escaldado pela crise na base e pela disputa interna de grupos no PT, o paulista se fez de rogado: — Mário, livro só sobre o Império Romano! Além do mais, estou muito novo para escrever minhas memórias. Publicado simultaneamente com o jornal ‘Folha de S.Paulo’


Política

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

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Proximidade das eleições mostra barganha política Partidos e pré-candidatos. Todos estão de olho nos bastidores na composição das chapas neste processo eleitoral

8 MEG ROCHA Equipe EM TEMPO

A

três meses das convenções partidárias, os atores políticos iniciam um ritmo frenético de negociações em torno das composições das chapas. Ao contrário do que se imagina, não são somente o quociente eleitoral ou o tempo de televisão que permeiam essas “conversas”. Mas, de como será o processo de divisão de cargos e participação num eventual governo. Os partidos políticos do Amazonas, os de direita principalmente, cortejam o apoio de uma única legenda nestas eleições municipais: o do PSD, sigla que tem como ente máximo o governador Omar Aziz. O secretário-geral do partido, Paulo Radin, confirmou que o PSD tem sido visto pelos demais como a “noiva” desse pleito. “Estamos conversados e articulando com todos. Ouvindo a cada um deles para poder analisar de forma macro as possibilidades. Mas, até o momento o governador ainda não se posicionou. Provavelmente no mês de maio se decida a respeito do apoio”, revelou. O líder do PHS na Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Wilker Barreto, - um dos partidos que compõem a base aliada ao prefeito Amazonino Mendes (PDT) na casa

A

-, disse que dialogar sobre futuras composições política com intento de integrar o governo é necessário para a governabilidade. “Compor o governo com militantes políticos é justo, para que os aliados tenham a participação na gestão pública, até mesmo porque, o partido não tem só militantes com mandato. Mas, de fato, é preciso ter maturidade política para lidar com

Estamos conversados e articulando com todos, ouvindo cada um deles para poder analisar de forma macro as possibilidades Paulo Radin, secretário-geral do PSD

essas questões. Afinal, sem essa composição ninguém governa”, explicou. Wilker adiantou que, possivelmente, o chapão do governo municipal será formado pelo PDT, PHS, PPL, PRB, PSC, PTdoB, PTC e PRTB, na primeira etapa do processo eleitoral, onde o PV e o PTN, ficam sós, a princípio. O socialista Elias Emanuel (PSB), líder do partido no Legislativo Municipal, também

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asseverou que o Executivo, de fato não governa sozinho, mas com similaridade partidária. “Todo governo tem uma participação coletiva daqueles afeitos ao ideal partidário apresentado. Nós, por exemplo, não temos como seguir no governo com o PDT”, afirmou. Elias informou ainda que, para o primeiro turno o PSB irá sair com ‘chapa puro sangue’ tanto na majoritária quanto na proporcional. Mas, num segundo turno poderão vir com ele o PCdoB, PT, PPS, PSDB, legendas que segundo ele, têm afinidades históricas com seu partido. Barganha eleitoral Já o tucano, vereador Paulo De’Carli, disse que a barganha não cabe aos partidos de oposição, que não detêm a máquina do governo. Ele disse que a reestruturação na administração pública deve ocorrer depois das eleições. O presidente do diretório estadual do PPS, Guto Rodrigues, ressaltou que o partido continuará as conversas com os pretensos apoiadores do pré-candidato a prefeito, Hissa Abrahão (PPS), devendo priorizar o diálogo com as legendas que, no âmbito nacional, têm algum vínculo com o ‘popular social’, como o PV, DEM, o PSDB e o PR, por conta da atual postura oposicionista dos republicanos no Congresso Nacional.

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‘Negociatas de coisas concretas’ Na análise do cientista político Gilson Gil, as ideologias partidárias perderam seu espaço tornando os partidos pragmáticos, sendo mais frequente a negociata de ‘coisas concretas’. “Em termos imediatos, podemos pensar que, quando falamos em “coisas concretas”, estamos pensando principalmente em cargos na máquina pública. É a forma de um grupo ter a certeza de que estará representado em um governo, já que a questão ideológica está sendo tratada, hoje, de forma secundária”, observou Ele destacou que, quando o período eleitoral se aproxima, esse tipo de negociação mais pragmática, envolvendo cargos, cresce e toma proporções mais flagrantes.

“Em especial, nesse período pré-eleitoral, cargos como o de vice ou as secretarias, são alvos desse tipo de articulação. Creio que o mais

CARGOS

O analista político Celso Corsino chamou a atenção para o mau exemplo que vem do governo federal, que se estende aos Estados e municípios, se referindo ao alto número de cargos de confiança

importante, hoje, é dá transparência a esse processo, pois assim, a população e os formadores de opinião poderão verificar quais os

interesses que há por trás de cada acordo, de cada negociação”, alertou. O analista político Celso Corsino afirmou que se criou uma cultura da barganhas no mundo político atual, o que confirma a visão no imaginário das pessoas de que política é apenas um balcão de negócios. “Neste cosmo de negociações, a política tem sido mesmo um bom negócio para enriquecimento. Ninguém quer perder o poder e para isto faz-se inúmeras concessões para angariar apoio”, analisou. Para ele, há um enfraquecimento das oposições, que deu brecha à sobrevivência de um governo com aliados ávidos por cargos. Segundo ele, existem mais de 25 mil cargos de confiança, só no executivo federal.


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Política

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

Cargo de vice-prefeito é cobiçado nos bastidores

Cláudio Humberto COM TERESA BARROS E LEANDRO MAZZINI

www.claudiohumberto.com.br

Os problemas de narcotráfico e violência pesam sobre a igreja” PAPA BENTO 16, sobre a repressão militar e o confronto entre os cartéis no México

Câmara gastará R$ 310 milhões em prédio novo Os deputados custarão ainda mais caro aos brasileiros: vão ganhar um novo prédio, na ampliação do Anexo IV da Câmara, estimado em R$ 310 milhões. O projeto prevê 40 mil metros quadrados só de garagem, com três subsolos, além de rampas de acesso e subsolo de serviço. A área reservada para os novos 87 gabinetes é de 9,5 mil metros quadrados, e abrigará gabinetes do Anexo III, que são os menores. Financiamento A Câmara informa que R$ 270 milhões da obra vêm da venda da folha de pagamento dos servidores; R$ 40 milhões, do nosso bolso mesmo. Ano novo, prédio novo A primeira parte do plano de ampliação do Anexo IV, que terá 1.300 vagas de garagem, deverá ser construída a partir do próximo ano. Outras mordomias O novo edifício terá dois restaurantes, lanchonetes e serviços como bancos, agência de correio e até companhias aéreas. Pela boca O ministro Marcelo Crivella (Pesca) quer aumentar o consumo de peixe nas escolas. Pelo preço do pescado, a garotada vai comer sardinha. Ação contra Protógenes a caminho da gaveta Se depender do Planalto, vai ficar na gaveta do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a ação do Ministério Público Federal contra o delegado-deputado Protógenes Queiroz (PCdoB). Os procuradores pedem sua condenação

pelos crimes de vazamentos de informações para a Globo e fraude processual, na operação “Satiagraha”. Em crise, o governo não quer abrir outra frente de desgaste com o PCdoB. Farra em vista Ruralistas querem aprovar emenda prevendo que só o Congresso pode definir áreas indígenas ou quilombolas. O governo se opõe à farra. Tira o tubo A Presidência da República reservou R$ 42,4 mil mais remédios, a maioria para dores fortes de coluna, além de doses de adrenalina. Loja de louças O ex-deputado Carlos Abicalil, que passou raspando no escândalo do dossiê anti-Serra, agora é assessor do senador José Pimentel (PT-CE). O pequeno pode mais Ministro amigo de Dilma não se importa que ela grite com assessores. O maior medo dele é que um servidor humilde (manicure, garçom etc) grave no celular uma das broncas humilhantes que levam da presidenta. “Seria devastador, acabaria com a imagem dela”, aposta. União na dieta O casal de ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) perdeu, juntos, quase quinze quilos. Caminham lado a lado todos os dias, e fecharam a boca para afinar a silhueta. Cerca Lourenço Dilma não tem jeito para muitas coisas, e uma dessas é encaminhar uma conversa com um ministro para lhe dizer que precisa de seu cargo para novas composições. Pode ter

Jornalista

Enquanto pré-candidatos a prefeito de Manaus não se definem, muitos políticos colocam seu nome na disputa GIOVANNA CONSENTINI

acontecido de novo. Pra inglês ver Para o senador tucano Aécio Neves (MG), a CPI da Saúde é “o primeiro grande teste para o PR provar se realmente está na oposição, ou o anúncio foi só pra inglês ver e ganhar novo cargo no governo”. Birita em foco O líder do PSDB, Bruno Araújo (PE), critica a forma com que é feita a discussão sobre liberar a venda de bebidas alcoólicas na Copa de 2014: “Estão condicionando o Mundial a algo pequeno como a birita”. Raposa & galinhas Gestor na concordata da estatal de energia, Mauro Santos vai negociar a dívida bilionária da Celpa no Estado do Pará. Ele foi advogado de campanha de Simão Jatene (PSDB), que privatizou a Celpa em 1998. “É a raposa no galinheiro”, alerta o deputado Cláudio Puty (PT-PA). Candelabro italiano O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar suposta nomeação irregular para adido policial na Itália do ex-superintendente da PF no Rio, Angelo Gioia, que estaria respondendo a inquérito criminal. Tudo em casa A Justiça condenou o prefeito de Jitaúna (BA), Edísio Alves (PMDB), a devolver R$ 500 mil e juros por contratar laboratório sediado de graça em imóvel dele e administrada por sua ex-doméstica. Cabe recurso. Pensando bem... ...só resta parafrasear Chico Anysio, perguntando: “É mentira, Terta?”.

PODER SEM PUDOR

É duro ser secretário... O atual ministro José Múcio, do Tribunal de Contas da União, é paciente e bem humorado. Provou isso quando foi secretário do governador de Pernambuco, Roberto Magalhães. Certa vez, no Programa Geraldo Freire, da rádio Jornal, Magalhães pediu seu testemunho para uma afirmação: - Meu governo já fez mais de 12 mil quilômetros em eletrificação rural! José Múcio não deixaria o governador mentindo sozinho: - É verdade, foram mais de 12 mil quilômetros... - É mentira! – exclamou Magalhães, desistindo da lorota – Não posso mentir ao povo. Na verdade, foram só 8 mil!

Marcelo Ramos está confiante na sua candidatura a vice-prefeito na chapa genuína do PSB ALESSANDRA KARLA LEITE Equipe EM TEMPO

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m meio às especulações e costuras políticas sobre quem serão os candidatos à Prefeitura de Manaus, o cargo de vice desponta como alvo de disputa entre os aliados das chapas concorrentes nas próximas eleições. Mesmo sendo um cargo pouco notado, o peso político do vice pode ser um atrativo para o eleitor decidir entre os candidatos. Na capital, nomes como o do deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), deputado federal Silas Câmara (PSC), vereador Marcel Alexandre (PMDB), deputado estadual Chico Preto (PMDB) e deputada federal Rebecca Garcia (PP) surgem como prováveis escolhidos para reforçar a imagem dos candidatos a chefe do Executivo. A decisão do PSB, de acordo com o deputado Marcelo Ramos, é irreversível quanto à chapa formada com o exprefeito Serafim Corrêa, que deve encabeçar a aliança “puro sangue”. Para o parlamentar, deixar o cargo de deputado estadual para se lançar vice-candidato a prefeito, não configura uma desvantagem, pelo contrário, já que a função no Executivo municipal pode proporcionar o apoio a um projeto político-administrativo no qual ele acredita e vai apostar. “Nossa decisão está tomada.

É uma oportunidade de governar junto e aprender com a experiência do ex-prefeito Serafim Corrêa. A experiência dele e a minha juventude são a expressão de uma visão moderna”, declarou. No caso do vereador Marcel Alexandre, que é 1º vice-presidente na CMM, seu nome vem sendo cogitado pelo partido para concorrer à eleição majoritária como vice-prefeito da capital.

DESEJO

Políticos que ensaiam uma candidatura a vice-prefeito defendem seus nomes com respaldo. Um deles, o vereador Marcel Alexandre, disse que os resultados de suas votações o capacita

Nas eleições de 2008, ele se elegeu vereador com 11 mil votos. Em 2010, quando disputou o cargo de deputado federal, obteve 49,5 mil votos, deixando-o como suplente da coligação PRB, PP, PTB, PMDB, PTN, PSC, DEM, PRTB, PMN, PTC, PRP e PC do B, segundo dados disponíveis na página do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM). O vereador reconhece que vem sendo sondado a respeito da chapa que poderá compor ao cargo majoritário. Para ele, tais questionamen-

tos são indícios de que os eleitores estão observando os trabalhos na CMM, o que lhe dá credibilidade como político representativo. “Sempre perguntam com quem eu vou compor uma chapa. Se o povo acredita que sou representativo para o cargo, então é porque eu sou e não há motivos para que meu nome não seja lançado”, disse. Sem interesse A deputada federal Rebecca Garcia (PP) afirmou que não tem nenhum interesse em participar das eleições como candidata à vice-prefeita. Para a parlamentar, nada justifica deixar o cargo na Câmara dos Deputados, para não ser cabeça de chapa. “Nas últimas eleições o PP fez dois deputados federais e foi a única sigla que colocou mulheres em todas as casas legislativas. O partido está maduro o suficiente para lançar candidato ao cargo majoritário”, ressaltou a deputada. Recém-filiado ao PSD, o deputado estadual Chico Preto disse que o partido tem tamanho e nomes fortes para lançar um candidato a prefeito e que as indicações virão do presidente regional do partido, governador Omar Aziz. “Acredito que nada justifica o PSD ser coadjuvante”, enfatizou. Questionado sobre a possibilidade de vir a ser candidato a vice, o deputado se limitou a dizer que qualquer membro filiado ao PSD poderá concorrer.

‘Um jogador no banco de reserva’ Na opinião do analista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), José Seráfico, a figura do vice-prefeito é vista como um jogador que está no banco de reserva. “O jogador, quando entra

em campo, ainda tem oportunidade de fazer alguma coisa. Já o vice-prefeito não tem coragem e tampouco estímulo para mudar algo. Na verdade, fica apenas ocupando o cargo”, comparou. Para ele, o vice-prefeito é

uma espécie de tampão, já que os partidos não têm viés ideológico e sim fisiológico. “Todos os partidos fazem apenas arranjos para chegar ao poder. Nenhum deles faz projeto para mudar algo de fato”, declarou.


Com a palavra

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Fernando HENRIQUE CARDOSO

Falta uma agenda política FOTOS: MÁRIO OLIVEIRA

NÁFERSON CRUZ Equipe EM TEMPO

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restes a completar 81 anos de idade, o sociólogo, cientista político e ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), conhecido como FHC, é considerado um divisor de águas na política econômica brasileira. “Pai” da nova moeda brasileira, o Real, implantado há quase 18 anos, foi em seus dois mandatos presidenciais que o tucano ficou marcado por medidas econômicas que trouxeram muita polêmica à época, a exemplo da privatização de diversas estatais brasileiras e a implantação de uma política neoliberal. Tido como um dos fundadores do partido tucano, FHC diz ainda que para ser um exímio gestor de uma grande cidade, precisa-se evitar a “roubalheira”, que, infelizmente é um câncer da corrupção no aparelho público no país.O expresidente falou ao EM TEMPO na última sexta-feira, no Tropical Hotel, quando esteve em Manaus para palestrar na 3º edição do Fórum de Sustentabilidade Mundial.

Hoje há essa concepção de você poder preservar o meio ambiente educando e ao mesmo tempo dando oportunidade para o indivíduo sobreviver. Não pode ser uma coisa que você simplesmente olhe para um lado e não para outro. Isso requer uma mudança muito grande no modo de encarar todas essas questões”

EM TEMPO – Como o cidadão pode conservar o meio ambiente ao mesmo tempo em que se pensa no índice de desenvolvimento econômico? FERNANDO HENRIQUE CARDOSO – Hoje o conceito que se usa é de desenvolvimento sustentável. No passado havia uma posição entre movimento e ecologia e preservação do meio ambiente e, hoje, não há mais. A ideia é como você junta as duas coisas. Também temos que analisar como é que vive as pessoas na Amazônia. Não é só a floresta, temos que cuidar também das pessoas. Hoje há essa concepção de você poder preservar o meio ambiente educando e ao mesmo tempo dando oportunidade para o indivíduo sobreviver. Não pode ser uma coisa que você simplesmente olhe para um lado e não para outro. Isso requer uma mudança muito grande no modo de encarar todas essas questões. EM TEMPO - O Amazonas precisar está atento? FHC - O Amazonas, especialmente tem uma área de preservação imensa. Mas a gente precisa está sempre atento, pois a maior contribuição para o surgimento de gases estufa no Brasil é a queima da mata, isso não se justifica. Precisamos evitar e terminar com a queima da mata indiscriminada e aplicar

essas técnicas para conservar a floresta. EM TEMPO – O senhor acha que o atual governo está dando continuidade à política ambiental implantada na sua gestão? FHC – O tema meio ambiente na minha época era difícil. Eu mesmo aumentei a área de preservação de 50% para 80% da Amazônia. Houve muita gritaria, hoje ninguém discute, sabe-se o que é necessário. Houve uma época quando fizemos esse aumento (1997), havia uma queima de 20 mil quilômetros quadrados. Agora tem seis mil. EM TEMPO – Código Florestal é a saída para conter o avanço da devastação? FHC - Está havendo uma questão muito seria e é preciso chegar a um ponto de equilíbrio. O Senado lançou, no sentido de evitar que houvesse prevalência dos ruralistas. Agora a Câmara esta fazendo para que não aceite o que o Senado fez. Mas eu acho que as políticas hoje estão incorporadas mais ao Estado brasileiro, tanto na questão de governo, porque o país precisa ter uma política de defesa do meio ambiente. EM TEMPO – O senhor faz parte de um grupo chamado “The Elders”, criado por Nelson Mandela. De que forma esse grupo de pessoas influentes pode levar ajuda a países desestabilizados? FHC – Somos dez pessoas e nos dedicamos a questões relacionadas a soluções de conflito, a exemplo do Sudão, Zimbábue e alguns países do Oriente Médio, onde estamos tentando ajudar a resolver e também temos uma campanha grande para evitarmos a mutilação de crianças e mulheres na África. EM TEMPO - Há possibilidade deste grupo atuar na Amazônia? FHC - Não é esse o foco principal, o Elders atua apenas nas questões de conflitos, mas temos outros grupos que lidam com temas de combate às drogas, meio ambiente e que pode atuar por aqui. EM TEMPO – A presidente Dilma Rousseff realizou na semana passada, uma reunião com um grupo de 27 grandes empresários e banqueiros do país, para cobrar mais investimento no setor produtivo. O senhor acha que isso foi uma tentativa de mudar o foco para uma agenda positiva no país?

FHC – A indústria está padecendo bastante, está sofrendo em toda a sua manufatura. Não só na questão do câmbio, que a indústria sempre se queixa e o governo tem tentado. Mas é difícil, porque a questão do câmbio depende das condições internacionais, como se tivesse um afluxo de dólar para o país, e isso é difícil controlar, mas há uma diminuição da produtividade, só que essa produtividade não é dentro da fábrica, é da fábrica para fora. EM TEMPO - O que falta? FHC - Um sistema de impostos mais adequado e diminuir a taxação com inteligência. Nós, hoje, temos uma arrecadação que já permite com que o governo atue na redução de impostos, sem prejudicar o desenvolvimento econômico e social. Nossas estradas, portos e aeroportos, precisam ser melhorados, então é uma produtividade nacional não é dentro das fábricas. Então, uma parte desse trabalho é do governo não é das empresas, que tem tentado avançar. Mas, eu acho que a reclamação prossegue. O governo quer ação e mais desenvolvimento, mas para isso tem de haver um ambiente favorável ao investimento, com produtos e marcas econômicas estáveis no sentido da responsabilidade e é preciso que o Brasil avance nas reformas que ficaram paralisadas, em todo o período do governo Lula. Não houve reformas estruturais. Houve no começo, mas depois parou, precisa-se retomar isso, então a presidente para desenvolver o país, não precisa pedir dos empresários necessariamente, é preciso que o governo faça o que tem que ser feito. EM TEMPO - O senhor vai participar na eleição para prefeito? FHC - Eu nunca participei de eleições municipais quando era presidente. Acho que a gente tem que ter uma certa noção de responsabilidade e o presidente da República não precisa, não é correto fazer pressão. Agora que não sou presidente, eu também não tenho razão para está fazendo campanha, vou votar no candidato do meu partido em São Paulo, que vai ser escolhido nessa próxima prévia, tudo indica que será o José Serra. EM TEMPO - Como o senhor avalia a candidatura de José Serra? FHC - O Serra foi um bom prefeito e governador de São Paulo e poderá ser de novo um bom prefeito. São Paulo precisa de uma visão grandiosa,

é uma cidade que você pode multiplicar os problemas que acontecem em Manaus, então multiplica esses problemas, a cidade cresce e com elas seus problemas, então a capital paulista precisa de um prefeito que tem a capacidade de entender a cidade e ter capacidade de gerenciar, não só a política, mas administrar com correção e evitar a “roubalheira”, que infelizmente é um câncer da corrupção no aparelho público do país. EM TEMPO – Há uma articulação do PT para atrair o apoio do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) à candidatura do exministro da Educação Fernando Haddad, candidato do Lula. O senhor teme que isso aconteça e enfraqueça o candidato tucano? FHC – Mas, ele (Kassab) não vai fazer isso ele é um aliado histórico do partido. EM TEMPO - O senhor vai apoiar a candidatura à Prefeitura de Manaus, do ex-senador Arthur Neto? FHC – O Arthur vai ser candidato? ... (risos).. Se ele está pensando vamos ver. EM TEMPO - Como o senhor avalia a politização na formação dos ministérios do atual governo federal? FHC - A qualidade das alianças que vem desde o governo de Lula e agora de Dilma, mostra que ela não é boa para o Brasil. É difícil lidar com o dia a dia do congresso. Não posso lhe dizer que eu não tenha tido dificuldade. Mas o congresso é para isso mesmo: não é só para dizer amém, é para tomar posição. O que eu acho é que o congresso funciona melhor quando o país tem uma agenda e quando isso está colocando no congresso. Acho que o congresso ficou sem agenda especialmente no final do segundo mandato do presidente Lula, sem medida provisória e falta de reforma. Agora a presidente Dilma herdou essa situação e tem uma aliança de 80% no congresso, se não é para fazer reforma não precisa de 80% basta 50%, mais um. Então ela tem espaço para abrir uma nova agenda e ter uma nova política no congresso, mas chamar o congresso para temas e não ficar debatendo nada. Quem vai ser isso ou aquilo? Cadê minha fatia? Isso cansa o povo. Cansa a todos e destrói a verdadeira política no Brasil. Então a presidente Dilma vai ter que mostrar ao Brasil que ela quer uma agenda nova e que quer o congresso para essa agenda.

O governo quer ação e mais desenvolvimento, mas para isso tem de haver um ambiente favorável ao investimento, com marcas econômicas estáveis no sentido da responsabiliade”

Quem vai ser isso ou aquilo? cadê minha fatia? Isso cansa o povo. Cansa a todos e destrói a verdadeira política do Brasil. Então DIlma vai ter que mostrar ao Brasil que ela quer uma agenda nova“


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Política

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

AM contribui mais, recebe menos Economia B2

Em cada bairro, um preço Levantamento realizado pela reportagem do EM TEMPO em diversas zonas de Manaus constatou que do café com leite ao prato feito, se mudar o bairro, também altera o preço. Diferença entre estabelecimentos pode chegar a 150%

ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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azer uma simples refeição fora de casa e notar a sensação de ter gasto a mais tem explicação: na capital amazonense, o valor do mesmo produto em diferentes zonas pode ter a variação de até 150% para o bolso do consumidor. Do café ao prato feito, muda o bairro, muda o preço. Em pesquisa feita pelo EM TEMPO foi constatado que enquanto o café com leite custa R$ 1 em uma padaria na Zona Norte, em estabelecimentos de mesmo padrão da Zona Sul, o valor do produto chega a ser R$ 1,50 mais caro, custando R$ 2,50. A disparidade do preço pode ser verificada em dez estabelecimentos comerciais em todas as zonas da capital, visitados pela reportagem, para avaliar o valor do café com leite, pão com queijo e do prato feito. A diferença na cobrança tem pouco a ver com a inflação, mas sim com a localização do empreendimento, decora-

ção, o custo operacional e, até mesmo, com a renda da população que frequenta a área explorada. A pessoa que mora na Cidade Nova, mas que trabalha na área central da cidade, por exemplo, vai ter que desembolsar R$ 1,50 a mais, ou seja, R$ 2,50 caso decida tomar o café com leite no Centro, ao invés de consumi-lo na padaria do bairro em que reside. Na Zona Centro-Sul, o mesmo consumidor pagará R$ 1,20 pelo produto. Os gastos aumentam se junto com a bebida, o consumidor optar por comer um simples pão com queijo. No Centro, esse tipo de sanduíche chega a custar, em média, R$ 2,70, enquanto que na Cidade Nova, local mais barato onde o produto foi achado, o pão com queijo pode ser encontrado a R$ 1,50, economia de 80%. “Muitos estabelecimentos analisam o poder aquisitivo do consumidor para colocar o preço. Fatores como a localização, o custo operacional e as instalações do empreendimento também contribuem

para essa variação de preços entre as diferentes zonas da cidade”, destaca o empresário Jonas Neves, proprietário da Panificadora Neves, no Conjunto Manoa, no bairro Cidade Nova, Zona Norte. O empresário Jean Fabrí-

Fatores como localização, custo operacional e instalação do empreendimento contribuem para variação de preços entre as zonas Jonas Neves, empresário

cio, 36, afirma que não se importa em pagar R$ 0,50 a mais no café com leite que costuma tomar no bairro Parque 10, na Zona Centro-Sul, que é 25% mais caro do que o valor da xícara vendida no bairro em que mora na Zona

Centro-Oeste. “De certa forma, o consumidor contribui para os preços altos de um produto quando ele pode ser encontrado por um valor mais em conta. Se o consumidor “boicotasse” o produto caro, os preços provavelmente baixariam”, salienta. Mais caro é melhor? Para o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Ailson Rezende, tem consumidor que prefere desembolsar mais em certos produtos, porque acredita que o produto caro é de melhor qualidade. Segundo ele, as diferenças nos preços são normais em função da área em que se comercializam os produtos. Na avaliação do especialista, quanto mais moderna for a área, mais sofisticado será o estabelecimento, o que encarece os produtos. “Quem paga a manutenção do ambiente é o cliente. Quanto mais sofisticado for o local, mais elevados serão os produtos comercializados”, analisa.

Custo do ‘PF’ varia até 23% A constatação de pagar preços diferentes para consumir os mesmos alimentos também é notada na hora do almoço, onde a variação de um prato feito em estabelecimentos com padrões semelhantes é de 23,10% de uma região da cidade para outra. O prato feito com três opções (carne, frango ou peixe) mais o acompanhamento custa, em média, R$ 8, no Centro, mesmo valor que é cobrado, por exemplo, em restaurantes na Zona Norte. Porém, esse preço é R$ 1,50 mais caro do que o valor de um “PF” comercializado na Zona Leste, onde o prato pode ser comprado a R$ 6,50. “A localização influencia muito no preço. Nessa área da cidade, o custo é mais baixo do que em outras”, opina Ida

Oliveira, 47, gerente da Padaria e Restaurante Lest Pan, no bairro São José, na Zona Leste. A gerente Sonélia Fernandes, 57, do Restaurante Casa da Saltenha, no Centro, também concorda que o local de atuação do estabelecimento é determinante para estipular o preço da refeição. “Temos um custo operacional alto, pois a concorrência é grande na área central”, frisa. “As pessoas pressupõem que quem anda no Centro está a trabalho e, quem trabalha tem renda maior. Portanto, os empresários avaliam que quem está na área central da cidade possui condições de pagar um pouco mais pelo almoço”, enfatiza o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Ailson Rezende.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

Contribuições em alta, contrapartida em baixa

Mesmo sendo o nono Estado que mais contribuiu para os cofres da União, o Amazonas recebeu repasse inferior ao Pará RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO

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etentor da nona posição entre os Estados que mais contribuíram para os cofres públicos do país, em 2011, o Amazonas destinou R$ 11,6 bilhões à União. Em contrapartida, recebeu do governo federal R$ 2,3 bilhões em transferências constitucionais, no mesmo período. Mesmo a frente de diversos Estados na arrecadação, o montante recebido pelo Amazonas foi R$ 2,4 bilhões a menos do que o Pará, por exemplo, que, no acumulado do ano, contribuiu com R$ 6,6 bilhões e recebeu R$ 4,7 bilhões do governo, segundo dados do Tesouro Nacional. Os repasses ocorreram por meio do Fundo de Participação por Estados (FPE) - R$ 1,3 bilhão, Imposto Operação Financeiras (IOF) - R$ 27,2 milhões, Imposto sobre Produtos Industrializados – Exportação (IPI-EXP) - R$ 36,3 milhões, Fundo Nacional de desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) - R$ 883,6 milhões, pelas Leis Complementares (LC) 87/96 - R$ 11,7 milhões, Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) - R$ 27,7 milhões e Fundo de Fomento às Exportações (Fex) - R$ 21,8 milhões. Para parlamentares amazonenses, em Brasília, a parcela de “peso” do Amazonas na arrecadação federal deveria influenciar nos valores encaminhados pela União ao Estado. O deputado federal Pauderney Avelino, por exemplo, defende que os repasses deveriam ser mais “volumosos” e o governo federal deveria rever a divisão das quantias destinadas às Unidades da Federação para que não houvesse disparidades. Avelino acrescenta, ainda, que o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) é um argumento utilizado pelo governo

federal para que o Amazonas fique atrás na divisão de verbas. “Isso é o que não pode, mas infelizmente é uma justificativa muito utilizada na desvantagem que o Amazonas tem em relação aos outros Estados”, completa, ao ressaltar que a União também deveria aumentar os repasses não obrigatórios por meio de convênios, ações governamentais e emendas. A senadora Vanessa Grazziotin também acredita que o rateio feito entre os recursos que atendem aos Estados precisam ser revistos, porém ela acredita que o Amazonas é uma das Unidades da Federação na lista das “bem assistidas” pelo governo federal. “Não

podemos fazer a “conta” do que arrecadamos muito e recebemos bem menos do que vários Estados, pois o governo abre mão de muito impostos para manter o Polo Industrial de Manaus (PIM) competitivo”, diz.

REPASSE

4,7

BILHÕES DE REAIS

Foi o montante que o Estado do Pará recebeu da União, depois de ter contribuído com R$ 6,6 bi

Avanço de 16% Em 2011, o Estado recebeu em recursos da União R$ 2,1 bilhões, montante que não inclui os repasses às prefeituras dos municípios amazonenses. O aporte é 16,35% superior ao registrado no mesmo período de 2010, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). Do total de recursos destinados ao Amazonas em 2011, R$ 1,6 bilhão foi proveniente da cota-parte do Fundo de Par-

ticipação por Estados (FPE), enquanto R$ 45 milhões foram da cota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e R$ 36 milhões da cota-parte da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). O Amazonas também foi beneficiado com transferências financeiras determinadas pela

em um ano

LC 87/96 (R$ 14,7 milhões) e através da cota-parte do Fundo especial do Petróleo (FEP), que no ano passado somou R$ 236 milhões. Ainda conforme a Sefaz, foram repassados ao governo por meio de transferências R$

31,8 milhões em recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), R$ 79,9 milhões em recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento para a Educação (FNDE), R$ 780 mil do Fundo nacional de assistência Social (FNAS) e outras transferências da União que somaram R$ 26,3 milhões.

“Essas verbas são recursos constitucionais, repassados por meio de cotas, como royalties do petróleo, e transferências encaminhadas para determinadas áreas, como saúde, educação e assistência social. Com relação ao montante que atende aos governos, esses valores são estabelecidos pela União de acordo com a arrecadação anual”, explica o secretárioexecutivo do Tesouro da Sefaz, Edson Pará.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

O código, a orla e o alerta do juiz É da maior importância - no momento delicado da discussão do novo Código Florestal do país, cujos reflexos ganham repercussão internacional e apreensão local - a decisão do juiz federal Dimis da Costa Braga de suspender as obras da empresa Amazon Aço na área de influência do Encontro das Águas, sob a alegação de descumprimento da legislação ambiental. A medida é inédita e atende a ação do Ministério Público Federal, que assim, e enfim, expande suas atenções para o conjunto de descasos com a orla fluvial de Manaus, onde, historicamente, os empreendimentos se instalam sem os requisitos de estudos e relatórios de impacto ambiental que a legislação em vigor determina. O magistrado determinou a demolição da obra já executada e a recupera-

ção da área degradada, como prescrevem a lei e o bom senso. É importante acompanhar o desfecho dessa magistral intervenção. Em junho próximo, vinte anos depois, a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, volta a ser visitada por conta da gravidade e urgência desta equação entre progresso e natureza. É preciso sensibilizar a humanidade sobre a emergência da problemática posto que envolve o futuro da espécie no planeta. A área da obra sentenciada localiza-se num ecossistema delicado do ponto de vista socioambiental e paisagístico e, paradoxalmente, no gargalo de ocorrência de 90% das atividades da economia local. Operar naquele espaço, como destacou a sentença do magistrado, exige um conjun-

to de estudos, precauções e medidas compensatórias para assegurar os parâmetros de sustentabilidade (reposição dos estoques naturais e atendimento às demandas sociais), para evoluir na complicada combinação entre meio ambiente X desenvolvimento. E é essa a equação vital que se coloca aos gestores e empreendedores, à vista do interesse público. Há duas décadas, acusada justamente pela imprensa dos países mais poluidores, de vilã do aquecimento global, a Amazônia ajudou a recolocar a questão nos padrões de justiça e corresponsabilidade das nações, remetendo a discussão pro patamar civilizatório da sustentabilidade efetiva, coletiva e global. É preciso conversar e priorizar compromissos em todos os fóruns de

discussão pra valer... É oportuno lembrar que o referido meritíssimo determinou, no ano passado, a suspensão do Tombamento do Encontro das Águas exatamente porque o IPHAN desconsiderou a audição da sociedade a respeito. A decisão do tombamento foi tomada em cima de um parecer eivado de equívocos, de um arqueólogo arrivista, desavisado e absolutamente indiferente aos clamores da economia e cidadania local. Tombamento não é engessamento e sim uma medida extrema de guarda e zelo que implica em mobilizar atores locais pra assegurar suas intenções e respectivas condutas. E em qualquer cenário, trata-se de um gesto e um bem que o tecido social, necessariamente, precisa chamar de seu, como

diz o poeta. Além de ouvir todos os setores envolvidos, empreender na área em questão supõe um ritual de estudos e medidas preventivas e compensatórias que assegurem racionalidade e responsabilidade com a paisagem e demais parâmetros patrimoniais: a sociedade, a natureza e a cultura, desta e das gerações futuras. Daí a autoridade do órgão ambiental para licenciar e monitorar as ações de uso e ocupação do bioma. E se a melhor maneira de conservar um bem natural é atribuir-lhe uma finalidade econômica, é inviável e inaceitável, doravante, empreender na área de influência do Encontro das Águas sem acatar os imperativos dessa saudável liturgia. Felicitações ao magistrado.

Alfredo MR Lopes Filósofo e consultor ambiental

Tombamento não é engessamento e sim uma medida extrema de guarda e zelo que implica em mobilizar atores para assegurar suas intenções e condutas”


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Economia

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Parceria assegura maior capacitação de mulheres Em aliança com a SDS, programa Consulado da Mulher projeta triplicar o número de qualificações no Amazonas LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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om foco na capacitação de mulheres de baixa renda, o Consulado da Mulher – um dos ‘braços’ da fábrica de eletrodomésticos Whirlpool - firmou uma parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS) que deverá triplicar o número de qualificações no Estado. Em cinco anos, mais de 600 já foram capacitadas pelo programa. A parceria, fechada na última sexta-feira, deverá, ainda, consolidar o empreendedorismo entre as mulheres que residem nas Unidades de Conservação do Estado. Segundo a titular da SDS, Nádia Ferreira, existem 41 áreas protegidas no Amazonas, que cobrem em torno de 19 milhões de hectares e abrigam 10 mil famílias. A proposta do acordo é de que as mulheres responsáveis por esses grupos familiares sejam auxiliadas para gerar alternativas de emprego e renda, sem afetar o terreno protegido. “É a melhor forma de proteger essas áreas

e elevar o desenvolvimento”, ressalta Nádia, ao destacar que a Whirlpool deve entrar com os equipamentos e a capacitação, da mesma forma que já atua no território amazonense. O consulado local foi a terceira unidade de apoio da multinacional americana implementada no país. Hoje, ele acompanha 140 mulheres em processo de capacitação profissional. De acordo com a diretora executiva do programa, Leda Boger, a ação tem objetivo de assessorar mulheres com baixa renda ou pouca escolaridade. Perfis atendidos O programa atende pessoas vulneráveis, que tenham acima de 16 anos e disponibiliza, caso necessário, os aparelhos produzidos pela empresa para possibilitar a ampliação da capacidade produtiva dos novos empreendimentos. Leda explica que o ciclo de assessoria dura dois anos, tempo estimado para garantir autonomia aos participantes do programa. Contudo, esse período pode se estender, dependendo do estágio de desenvolvimento do produto,

como no caso da Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarn), com 40 associadas, que teve a conSH sultoria ampliada por mais AN AR EIS seis meses. As novas empresárias vendem seus produtos na própria unidade da Whirlpool e em feiras, universidades, pontos estratégicos que servem como “vitrine” para diversos itens. No Amazonas, a principal execução de parte das associadas está relacionada aos segmentos de artesanato, alimentação e costura. “A gente respeita bastante a habilidade das mulheres e a vocação”, destaca a diret o r a execuLéa e Laciete contam com assessoramento do consulado para escoar os produtos tiva.

Garantia de emprego e renda Ao agregar a geração de renda ao público feminino, na comunidade Tarumã, o Consulado da Mulher acompanhou o micronegócio Sabores do Tarumã. A presidente do empreendimento, Daniele Aparecida Serrão, comenta que existia problema de ociosidade na comunidade, apesar da existência de matéria-prima, e o auxílio “deu vida ao grupo”, facilitando a compra dos primeiros equipamentos. As microempresárias Léa da Silva Muniz e Laciete também contam com o consulado para escoar os produtos fabricados artesanalmente a partir de folhas de jornais, como potes, jarros e bandejas.


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Economia

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Grandes redes vão injetar R$ 16,5 milhões até 2013 Com meta de abrir 17 drogarias e gerar 200 empregos até o ano que vem, setor aposta no crescimento de 15% até 2014

SHANA REIS

ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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m expansão na capital amazonense, as grandes redes de drogaria vão investir em torno de R$ 16,5 milhões, até 2013, para abrir 17 lojas novas e gerar 200 empregos diretos. Até 2014, o crescimento do setor deverá chegar a 15%, segundo projeção do Sindicato do Comércio Varejista de Drogas do Estado do Amazonas (Sindidrogas). “É um mercado que está extremamente aquecido e que vai continuar se expandindo nos próximos anos com as grandes redes dominando o setor”, afirma o vice-presidente do Sindidrogas, Alarico Rodrigues. Os investimentos milionários refletem a política agressiva que as grandes redes adotaram para “engolir” com fusões ou incorporações as drogarias independentes e conquistar o mercado em Manaus. Nessa “guerra” pelo domínio da liderança, o Grupo Tapajós adquiriu a rede de lojas das Drogarias Avenida e criou uma nova bandeira – a Farma Flex. Com a fusão,

o grupo, que é dono também das redes de drogarias Santo Remédio, passou a ser a segunda maior empresa do setor, em Manaus, superando a rede das Drogarias Nazaré e ficando atrás somente do Grupo SB Comércio, proprietário das Drogarias Angélica e Farma Bem. Até o final do ano, segundo o Sindidrogas, o Grupo Tapajós pretende investir em torno de R$ 5 milhões para abrir mais duas lojas e ampliar a rede. A entidade afirma que o Grupo SB Comércio, por sua vez, tem planos de gastar R$ 6 milhões para abrir mais cinco unidades até dezembro de 2012. Segundo o diretor de negócios da Full Time Consult, Flodoaldo Matos, a expansão dos grupos Tapajós e SB Comércio é favorecida pelo fato de ambas as empresas serem distribuidoras de medicamentos, o que garante vantagem sobre as concorrentes. “O revendedor que trabalha só com o varejo fica em desvantagem em relação as grandes redes, que geralmente foram montadas por distribuidoras e abastecem a preços acessíveis as lojas do grupo”, avalia.

As drogarias da capital amazonense apostam em fusão com grandes redes para tentar driblar os altos custos operacionais

Drogarias da capital programam expansão Com investimentos de R$ 2 milhões, a rede de Drogarias Nazaré pretende abrir mais três lojas até janeiro de 2013. As novas unidades vão elevar para 20 o número de estabelecimentos da empresa, que passará a empregar 350 funcionários.

“Há um movimento de fusão no setor. A tendência é de que as grandes “engulam” as pequenas que sofrem com o custo operacional que é muito alto. Cada dia que passa, os lucros ficam mais reduzidos”, enfatiza a diretora comer-

cial das Drogarias Nazaré, Sandra Mousse. Custo Segundo o Sindidrogas, o custo operacional de uma drogaria não fica por menos de R$ 120 mil por mês. Conforme a entidade, as drogarias Farmá-

cia do Trabalhador vão investir, nos próximos seis meses, em torno de R$ 3,5 milhões para abrir mais sete unidades. De acordo com a entidade, atualmente, existem 400 drogarias na capital e 300 no interior que, juntas, empregam mais de 4 mil funcionários.


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Economia

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País

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Operadoras devem cobrir os novos procedimentos Usuário de plano de saúde deve cobrar atendimento para os novos procedimentos autorizados de consultas, diz o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

A

s operadoras de planos de saúde que deixarem de cobrir um dos novos procedimentos que passaram a integrar a lista obrigatória de serviços estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) serão multadas em R$ 80 mil. Desde o dia 1º, mais 69 procedimentos foram incluídos na lista de consultas, exames, cirurgias e tratamentos com medicamentos especiais de planos de saúde. Em caso de negativa por parte da operadora, a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Joana Cruz, alerta o usuário a procurar o plano de saúde em primeiro lugar. Se ainda não conseguir o atendimento, deve denunciar a empresa à ANS pelo telefone 0800 701 9656 ou em um dos 12 núcleos da agência, que é a responsável pela fiscalização do setor. Em última instância, o consumidor pode recorrer à Justiça. A advogada defende uma cobertura ainda mais ampliada, citando como procedimentos que poderiam ser incluídos os transplantes de fígado e pulmão, que ainda estão de fora da lista. “Os planos deveriam atender muito mais. Se não cumprir, tem que entrar na Justiça”, disse Joana Cruz.

ELZA FIÚZA/ABR

PESQUISA

Bilheterias crescem 7% em 2011 nos cinemas Os cinemas brasileiros alcançaram inéditos R$ 1,4 bilhão de renda em 2011. Mas relatório divulgado ontem pela Motion Picture Association of America revelou que o Brasil ainda está longe dos países mais lucrativos. O estudo da associação, que representa os grande estúdios de cinema do mundo, confirmou o declínio da bilheteria americana em 4% em relação ao ano passado. Somando a renda dos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá, chegou-se ao número de US$ 10,2 bilhões. Até os filmes em 3D sofreram uma

queda de US$ 400 milhões, grande parte pela ausência de um fenômeno do porte de “Avatar” em cartaz. Se não contarmos com os números em baixa da América do Norte, a indústria global teve um aumento de 7% em relação a 2010, alcançando a marca dos US$ 22,4 bilhões. Há cinco anos que o mercado internacional de cinema aponta crescimento. Com a recessão americana e o bom momento dos países emergentes, Hollywood cada vez mais olha para fora de suas fronteiras.

‘MINHA CASA’

Idosos e deficientes terão casas garantidas no projeto Mais 69 procedimentos foram incluídos na lista de consultas, exames, cirurgias e tratamentos

Tipos de serviços disponibilizados Entre os novos serviços que devem ser oferecidos pelos planos de saúde, está a cirurgia de redução de estômago (bariátrica) por vídeo, que é menos invasiva que o método convencional. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a inclusão da técnica

atende a uma antiga demanda dos pacientes e profissionais. Das 60 mil operações bariátricas feitas no país em 2010, 35% usaram a técnica da videolaparoscopia. Outra novidade é o tratamento com medicamentos especiais para quem sofre de artrite reumatoide. A co-

ordenadora institucional da Associação Nacional de Grupos de Pacientes Reumáticos (Anapar), Lauda Santos, comemorou a entrada dos medicamentos na cobertura dos planos. Ela lamenta, no entanto, que eles ainda não estejam disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Novos critérios e procedimentos para a seleção dos beneficiários do programa “Minha Casa, Minha Vida” estão estabelecidos na portaria nº 610, publicada na edição de ontem (27) do Diário Oficial da União. A portaria revoga a anterior (nº 140) e traz modificações como a reserva de, no mínimo, 3% das unidades habitacionais para os idosos. O mesmo percentual será reservado para atender pessoas com deficiência ou suas famílias, desde que não haja percentual superior fixado

em legislação municipal ou estadual. Entre as famílias, permanecem como critérios de priorização as que tenham mulheres responsáveis pela unidade familiar, as que moram em áreas de risco ou insalubres e as que estejam desabrigadas. Os candidatos devem estar inscritos nos cadastros habitacionais do Distrito Federal (DF), Estados e municípios. A indicação dos beneficiários continua sendo da administração municipal ou distrital onde será executado o empreendimento.


País

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SEGURANÇA

Traficantes voltam a dominar parte da Rocinha A disputa de traficantes de drogas por bocas de fumo está de volta à favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Quatro meses após a ocupação policial da favela, que tinha como objetivo a implantação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), o governo do Rio vê o primeiro revés na política de pacificação dos morros cariocas. Desde terça-feira (20), a parte alta da Rocinha é dominada por integrantes da facção Comando Vermelho. A invasão aconteceu na se-

gunda-feira (19). Quatro pessoas já morreram. Os moradores, assustados, evitam ficar até tarde nas ruas, situação bem diferente dos primeiros dias logo após a ocupação. Na quarta-feira (21), o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame foi comunicado da ação dos traficantes. Determinou que a Polícia Militar (PM) retome o território. A disputa por pontos de drogas na Rocinha começou quando os traficantes perceberam a redução do efetivo de policiais.

ANTÁRTICA

Módulo meteorológico ficou ativo após explosão O módulo meteorológico da Estação Antártica Comandante Ferraz pode ter continuado a coletar e armazenar dados de pesquisa, mesmo depois do incêndio que atingiu a base há um mês. O módulo, que fica afastado da parte principal da base, destruída pelo incêndio, funciona por meio de baterias e pode ter recolhido informações referentes à temperatura, direção e intensidade do vento, umidade relativa do ar e pressão atmosférica. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a estação meteorológica, chamada de Meteoro,

tem baterias com carga suficiente para manter o funcionamento dos equipamentos por um mês. O módulo funciona automaticamente sem a necessidade de pesquisadores no local. Missões do Inpe viajavam regularmente à estação apenas para fazer a manutenção da unidade. A estação, que também transmitia os dados em tempo real à sede do Inpe, no Brasil, parou de transmitir informações às 2h do dia 25 de fevereiro, justamente no momento em que o incêndio atingia a casa de máquinas principal da estação.

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ONU elogia alcance do ‘Minha Casa, Minha Vida’ Organização acredita que a articulação governamental do “Minha Casa, Minha Vida” é exemplo de oferta de moradia para a população de baixa renda

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capacidade de articular os governos federal, estaduais e municipais para ampliar a oferta de habitação no país é uma das principais características do programa “Minha Casa, Minha Vida”, segundo a avaliação da equipe de especialistas da agência da Organização das Nações Unidas para Habitação (ONU-Habitat). O grupo está no Brasil para documentar práticas relacionadas ao programa, lançado em 2009 pelo governo federal, com o propósito de construir e financiar 1 milhão de moradias para famílias de baixa renda. As conclusões farão parte de uma publicação que a ONUHabitat lançará em 2016, com experiências bem-sucedidas em diversos países e metas até 2025. Além da iniciativa brasileira, os especialistas estão avaliando programas habitacionais de outros países, como a Etiópia e o Chile. De acordo com o representante da ONU-Habitat, Erik Vittrup, o “Minha Casa, Minha Vida” tem uma visão “adequada” de como atacar o problema do déficit habitacional.“O programa entende que essa questão não se resume à construção de casas, mas que a solução depende de um modelo de governança”, disse Vittrup.

WILSON DIAS/ABR

A presidente Dilma lançou a segunda fase do programa que entregará 2 milhões de moradias

Modelo de parceria e interação De acordo com o Ministério das Cidades, a segunda fase do programa prevê a construção de 2 milhões de unidades habitacionais com investimentos de R$ 125,7 bilhões entre 2011 e 2014. “Trata-se de um mode-

lo de parceria e interação entre governo federal, estadual e local, o que em muitos países, mesmo grandes, sequer existe”, ressaltou o representante da ONU-Habitat, Erik Vittrup, que destacou, ainda, que a parceria estabelecida com

empresas privadas para as construções é um mecanismo importante de dinamização do setor. As unidades habitacionais do programa são erguidas por construtoras privadas e financiadas para as famílias pela Caixa Econômica Federal.


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Mundo

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

EUA se recupera da crise e Europa fica para trás A economia norte-americana mostra sinais de estar se levantando, enquanto Europa continua em situação crítica, diz Instituto de Pesquisa Econômica ROBERTO STUCKERT/ABR

VATICANO

Bento 16 prefere reformas sem trauma em Havana A bordo do avião que o levaria ao México e depois a Havana, o papa Bento 16 enunciou um objetivo de sua viagem a Cuba: ratificar o apoio do Vaticano ao processo de reformas econômicas do regime comunista empreendido por Raúl Castro “num espírito de diálogo para evitar traumas”. Como seu antecessor fizera em 1998, o papa também criticou o marxismo e o sistema comunista, que, segundo ele, “não corresponde mais à realidade”. Mas frisou: “Novos modelos têm de ser encontrados com paciência e de uma maneira construtiva”. Ele disse ainda querer “contribuir num espírito de diálogo

para evitar traumas e ajudar o caminho rumo à uma sociedade fraternal e justa.” Foi uma chancela à atuação da cúpula católica em Havana. A igreja tem abrigado espaços de debate sobre as reformas -tolerados pelo regime Castro - e ganhou peso político quando o cardeal Jaime Ortega negociou a liberação de mais de cem prisioneiros políticos em 2010. Por outro lado, setores da oposição têm cobrado mais apoio. Na semana passada, um grupo de 13 dissidentes invadiu uma igreja em Havana e exigia que o papa Bento 16 levasse suas demandas a Raúl Castro. Após dois dias, a polícia desalojou os manifestantes a pedido da igreja.

SUBMARINO Os presidentes representantes dos países que compõem o G20, que pensam em ampliar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI)

E

studo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), constata que a economia norte-americana tem conseguido superar as consequências da crise econômica “que ela mesma gerou”. O estudo versa sobre a situação do mercado de trabalho nos Estados Unidos e na Europa neste momento de instabilidade econômica financeira mundial. “A economia norte-americana, mais dinâmica e inovadora, tem melhor conseguido superar as consequências da

crise que ela mesma gerou”, diferentemente do quadro europeu. Essa é uma das conclusões da pesquisa. Segundo o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, André Gambier, o pior cenário ocorre na Europa. “Apesar da gravidade da crise, o momento de instabilidade parece estar restrito à região europeia, que tem quadro de manutenção de crise”, observou. Nos Estados Unidos, mesmo sem retomar os níveis pré-crise, é possível notar a recuperação da economia. “O crescimento

da economia americana ainda é muito frágil. Mas é possível notar o aumento que está se iniciado com alguma velocidade. No entanto, ainda há muito que caminhar”, acrescentou. Na opinião do especialista, o pior momento do mercado de trabalho da economia norteamericana pôde ser observado no primeiro trimestre de 2009, quando sete pessoas procuravam emprego para cada vaga criada. No último trimestre de 2011, esse número caiu para 4,2. Mesmo com a melhora, os “efeitos da crise não foram

totalmente revertidos”. “Esse foi o pico da recessão. Nos EUA, os dados para o mercado de trabalho confirmam a ligeira recuperação do setor produtivo, mas com níveis baixos de salários e a manutenção de uma grande massa de desempregados”, avaliou Gambier. Em relação ao Continente Europeu, o estudo aponta que os “já debilitados países do Sul europeu estão sofrendo e irão continuar a sofrer fortes contrações em sua base produtiva e agravamento da situação sociopolítica – empobrecimento.

Cabo de 6 mil quilômetros vai ligar Fortaleza a Angola A Telebras e a Angola Cables anunciaram um acordo para implementar um cabo submarino de 6 mil quilômetros ligando Fortaleza a Luanda, em Angola. O edital de licitação internacional para escolher a empresa responsável pelo projeto deve ser aberto em julho deste ano e a construção do cabo deve levar em torno de 18 meses. Segundo o presidente da Telebras, Caio Bonilha, a expec-

tativa é que o cabo submarino comece a operar no primeiro semestre de 2014, já com o objetivo de melhorar o tráfego de informações durante a Copa de 2014. A Telebras estima que a infraestrutura reduzirá em 80% o custo de saída de internet do Brasil. Atualmente, sete cabos submarinos ligam o país ao exterior, sendo cinco até os Estados Unidos e apenas um até a Europa


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

diadia@emtempo.com.br

GIOVANNA CONSENTINI

Cinquentões de volta às universidades Dia a dia C5

(92) 3090-1041

ARQUIVOEMTEMPO/ALEXANDREFONSECA

A saga de quem se arrisca andar de ônibus

Cada vez mais estressante, o trânsito na cidade tem causado transtorno aos usuários WILLIAM GASPAR Equipe EM TEMPO

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odos os dias, milhares de pessoas em Manaus perdem horas dentro dos ônibus. Este é um problema comum das grandes cidades, agravado pelo constante congestionamento das vias da capital amazonense. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), em horários de pico de outras capitais do Brasil afora, os ônibus percorrem ao menos 15 quilômetros em uma hora. Em Manaus, a frota faz apenas 10 quilômetros no mesmo tempo. A secretária Arlete Mattos, 32, mora no bairro João Paulo 2, Zona Leste, e trabalha no Centro de Manaus. De acordo com ela, a viagem que precisa fazer de casa para o trabalho é a sua maior dor de cabeça. Para chegar antes das 8h no tra

balho precisa estar às 5h30 no ponto de ônibus. Ela pega a linha 680 ainda vazia até o terminal da Cachoeirinha, na Zona Sul. “No terminal pego outra condução em direção ao Centro. A viagem não é longa, demora apenas 10 minutos, mas por volta das 7h, os ônibus já estão lotados”, diz. No fim do dia Arlete começa a se preocupar com o retorno para casa. Segundo ela, o trajeto parece ficar ainda mais longo por conta do trânsito. Ela sai às 17h, início do horário de pico no trânsito em Manaus. “Eu levo em torno de uma hora e 40 minutos dentro do 447 lotado e antes de chegar em casa tenho de tomar um executivo por mais uns 30 minutos. Tudo isso por causa dos congestionamentos da cidade”, lamenta. Quem também enfrenta problema parecido diariamente é Henrique Costa, 27, que mora no bairro Terra Nova, Zona Leste, e trabalha como almoxarife em uma loja no conjunto Francisca Mendes, na Zona Norte. Às 5h15 ele já está

no ponto de ônibus à espera do 418. Por ser muito cedo, ele quase sempre pega o coletivo sem muitos passageiros. A viagem dura, em média, uma hora e quinze minutos. “O grande problema é esse número exagerado de carros na volta para casa. Após quase dez horas de trabalho, vou em pé dentro do ônibus, que quase não sai do lugar nas ruas por falta de espaço”, reclama. Alternativa de fuga Passando tanto tempo presas dentro dos ônibus, muitas pessoas adotam alguns costumes para se distrair no trajeto. Mônica Ferreira, mora na Cidade Nova, Zona Norte, e depende do transporte coletivo para chegar à universidade, que fica do outro lado da cidade. Como o trajeto leva em média mais de uma hora, ela encontrou maneiras de se distrair e passar o tempo. Ouvir uma música no MP3, falar com alguém pelo celular, acessar a internet, ler um livro, jornal ou revista, fotografar as paisagens da janela do veículo e conversar com quem estiver ao lado, são algumas das ativida-

des que a estudante diz praticar para amenizar o transtorno no trajeto. “Essas coisas ajudam a distrair e às vezes acabamos esquecendo que é tão ruim andar de ônibus em Manaus”, completa a universitária. Causas e soluções Especialista em planejamento de transporte da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Geraldo Alves de Souza, diz que o transporte público de Manaus é complicado como em qualquer outra cidade que não possui um sistema específico, como canaletas e vias exclusivas para o tráfego dos ônibus. Segundo Alves, a pavimentação das principais linhas de ônibus, realizada pela Prefeitura Municipal, não é suficiente. “Deveria ser feito um estudo para implantação de vias exclusivas para o tráfego de coletivos. A melhoria não teria um custo alto”, disse. De acordo com o engenheiro de transportes, Sérgio Ejzenberg, que estuda as variações do trânsito em

todo o país, uma das soluções para melhoria seria o poder público investir, a curto prazo, no transporte coletivo, ampliando os corredores e melhorando o serviço. A longo prazo, a opção seria trens, já que nossa região não permite a implantação de um metrô, por dificuldades geográficas. “Se houver alternativas mais baratas, as pessoas deixam de utilizar o veículo por causa do custo, que é muito alto”, afirmou Ejzenberg. Em contrapartida, o diretor presidente do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), coronel Walter Cruz, garante a falta de planejamento e imprudência dos motoristas dos coletivos também contribuem para o pouco fluxo nas ruas nos horários de pico. “O Manaustrans registra todos os dias ações imprudentes dos condutores. Isso também deve ser levado em conta, assim como o mau planejamento das rotas”, afirma.


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Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

Quebrando as barreiras do preconceito humano Famílias de autistas se unem em atividades que antecedem o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma das lutas é pelo diagnóstico preciso IZABEL GUEDES Equipe EM TEMPO

N

o Brasil estima-se que existam cerca de dois milhões de autistas — síndrome provocada por alteração cerebral, que afeta a capacidade da pessoa se comunicar. Em Manaus, em virtude da dificuldade e preconceitos, pais de jovens e pequenos autistas se unem em projetos e associações para buscar melhorias de atendimento aos portadores da deficiência. Nesta semana muitos deles, estarão presentes em encontros e seminários específicos que antecederão o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, comemorado no dia 2 de abril. O transtorno do espectro autista, nome original do autismo, é, inicialmente, identificado pelos pais, que analisando a atitude comportamental da criança acabam buscando ajuda médica. Mas nem sempre o diagnóstico é dado com precisão pelos médicos. Foi o que aconteceu com a industriária Francircley França, 41, que só percebeu o autismo do filho,

Alec Ruan, 11, quando este tinha dois anos. Segundo Francircley, nem todo médico é capaz de identificar a síndrome, uma vez que até por especialistas o transtorno passa despercebido. “Tive que levar meu filho a um neurologista, que deu o diagnostico preciso. Mas nem sempre isso acontece. Às vezes até eles não sabem dizer o que a criança tem. Eu percebi, porque o Ruan não agia da mesma forma que as outras crianças. Não chorava e tinha dificuldades de falar e andar”, conta. A industriária diz que no início foi difícil aceitar essa situação, por conta do preconceito e das dificuldades relacionadas à educação escolar e tratamento, mas hoje não liga para a opinião de pessoas indiferentes com os autistas e só que ver o filho feliz. “Hoje penso diferente. Sei que quando ele crescer ainda vai sentir preconceito por parte de alguns, mas hoje não me importa o que os outros pensam porque quero o melhor para meu filho. Ele é uma criança especial”, garante. Além do preconceito, a industriária acredita que muita coisa precisa melhorar em

relação aos autistas, pois a estrutura atual, em boa parte dos lugares, ainda é muito precária. Foi pensando nessas dificuldades que Joaquim Melo, em parceira com outros pais, fundou o Instituto Autismo no Amazonas. A associação tem como foco realizar reuniões e trocar experiências e informações com o intuito

ASSOCIAÇÃO

Aproximadamente 40 pais frequentam as reuniões e palestras destinadas a esclarecer as dificuldades de uma criança autista. Eventis são promovidos pelo Instituto Autismo do Amazonas de buscar melhores alternativas de atendimentos aos portadores do autismo e lutar pelos seus direitos. Melo, que também tem um filho autista, conta ter tido a ideia de criação do instituto após ter enfrentado dificuldades para conseguir tratamentos e atendimento específicos para Ulisses, atualmente com 7

anos. “Percebemos isso nele aos dois anos, quando apresentou problemas no seu desenvolvimento. Notamos a dificuldade de diagnóstico na nossa região e fomos buscar tratamento em outro Estado”, disse ele, ao afirmar que chegou a criar um blog especifico para falar do assunto. “A partir daí muitos pais entraram em contato conosco e resolvemos fundar a associação”, relata. Aproximadamente 40 pais são associados e frequentam as reuniões e palestras destinadas a esclarecimentos e a dar assistência psicológica e pedagógica para os pais e seus filhos. O instituto foi criado em novembro do ano passado. “Ainda estamos em fase de construção e muita coisa precisa ser conquistada. Estamos buscando parcerias e fazendo projetos direcionados para esse segmento”, explica o diretor presidente. A patologia, muitas vezes desconhecida, atinge cerca de 70 milhões de pessoas no mundo, conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que decretou no dia 2 de abril o Dia do Autista.

Livros e revistas ajudam Dedicados exclusivamente para pais e interessados no assunto, o jornalista Francisco Paiva Júnior criou a Revista Autismo, para, segundo ele levar informação séria e de qualidade, a respeito dos transtornos do espectro do autismo, para pais e profissionais e todo o Brasil. Além da revista, ele vai lançar na semana do autista em Manaus, o livro “Autismo; Não espere, aja logo!”, que demonstra e explica

como identificar se seu filho é um autista. “O livro, na verdade, foi escrito bem antes da idealização da revista. Tenho um filho, o Geovane, de 4 anos e 11 meses, que é autista. Escrevi o livro, não como um especialista, mas como um pai. A ideia é mostrar os sintomas do autista para tentar estimular o diagnóstico precoce, mas não de uma forma técnica para outras pessoas”, esclarece.

FOTOS: GIOVANNA CONSENTINI

Programação dia Azul

Sintomas do autismo

26/3– 19h – Auditório da Prefeitura de Manaus - Compensa. Lançamento da 3ª edição da revista Autismo e do livro “Autismo - Não espere, aja logo” Palestra com o jornalista Francisco Paivaautor do livro. 27/3- às 18h – Rádio CBN - rua MN, 9, Morada do Sol - Aleixo Palestra com Denise Teperine Dias - Vivenciando e experimentando a integração sensorial. 30/3- 7h30 às 11h30 e 13h às 17h - Escola Mayara Redman Aziz– avenida Paraíba Palestra: Autismo x Educação: desafios,

• Não estabelece contado com os olhos • Parece surdo • Age como se não tomasse conhecimento do que acontece com os outros • É inacessível perante as tentativas de comunicação das outras pessoas. • Ao invés de explorar o

vivências e práticas na inclusão. 31/3 - Programação da Secretária de Estado e Cultura (SEC) no Largo de São Sebastião 01/4– 19h - Missa na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, no Parque Dez 2/4 – 8h Missa promovida pelo AMA-AM com a participação dos alunos da Escola André Vidal 2/4 - 9h - Tribunal na Câmara Municipal de Manaus 2/4- 19h – Auditório do Colégio Dom Bosco – avenida Epaminondas, 57 – Centro Palestra sobre Avaliação Escolar e Autismo com a psicóloga Milena Derze Marques.

ambiente e as novidades restringe-se e fixase em poucas coisas. • Apresenta certos gestos como balançar as mãos ou balançar-se • Cheira ou lambe os brinquedos • Mostra-se insensível aos ferimentos podendo inclusive ferir-se intencionalmente.

Joaquim fundou uma associação para os autistas O autista tem dificuldade para se comunicar com outras pessoas


Dia a dia

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Ganhando a vida ‘no ar’

Pilotar um avião e voar entre as nuvens é a rotina de muitos profissionais que atuam no mercado aéreo. Porém, para entrar nesse segmento é preciso dedicação, responsabilidade e principalmente força de vontade para driblar a saudade ARQUIVO DA GOL

MÔNICA FIGUEIREDO Equipe EM TEMPO

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iajar de avião pode ser uma aventura para uns e temor para outros por estar a milhares de metros do solo. Para profissionais do ramo aéreo, estar em um avião vai muito além de uma emoção ou lazer. Pilotos e comissários de bordo revelam que a profissão exige uma rotina sem planejamento, mas a adrenalina proporcionada pela carreira é indescritível. Em 2006, o manauense Bruno Faria, 24, iniciou seus estudos na aviação. Hoje, após realizar alguns cursos, o piloto trabalha em uma empresa de aviação com atua na Região Norte. Bruno conta que, ainda criança, manifestou interesse em tudo ligado à aviação e, ao contrário do que acontece com muitos meninos que durante a infância sonham em comandar um avião, nunca abandonou a ideia. Em sua família, com exceção de um primo que é comissário de bordo, não há profissionais de aviação, mas o jovem piloto sempre contou com o apoio dos pais. “Em casa fui o único que enveredou por esse caminho meio ‘incomum’. Sempre recebi muito apoio dos meus pais, que sabiam não se tratar apenas de um sonho de criança, incentivando-me e investindo em minha formação”, comentou. Sobre a profissão, Bruno destacou que muitos consideram poder conhecer vários lugares como o grande diferencial da carreira. Mas por conhecer a realidade da Região Norte, ele ressalta a dependência pelo transporte aéreo. “Principalmente na região amazônica, por ser, em sua maioria, desprovida de ligações terrestres. Somos um elo, ligando culturas e povos. O advento da aviação é imprescindível no desenvolvimento de um país ou região”. Há 15 anos atuando como comissária de bordo da empresa Gol Linhas Aéreas, Maria Rita de Cássia Micheletto diz que graças a sua profissão tem “o privilégio de conhecer todas as capitais brasileiras”.

O gosto pelo atendimento ao público e as diversas possibilidades que a profissão oferece levaram Maria Rita a trilhar esse caminho. A ausência de rotina e as aberturas para o crescimento cultural são o principal diferencial da carreira cheia de surpresas. Uma das principais experiências relatadas pela comissária ocorreu logo no início de sua carreira. “Uma gestante sentiu contrações no momento da chegada a São Paulo. Foi uma experiência marcante. Só houve tempo para o pouso e para levá-la ao hospital, mas a possibilidade do nascimento a bordo foi emocionante”, conta ressaltando que o treinamento é bastante rigoroso em todos os aspectos, para que a tripulação esteja sempre muito bem preparada para atender os clientes nesse tipo

Cursos para preparação de comissários Em Manaus são oferecidos cursos para comissários de bordo e pilotos comerciais e privados, no Aeroclube do Amazonas. Marcos Benchimol é um dos alunos formados pela escola. Em sua família ninguém é aeronauta, mas as viagens feitas em sua infância na companhia do pai e do avô, o estimularam a escolher a profissão. “Sempre quis ser piloto, então decidi ser comissário porque estava mais próximo da realidade. Não ter rotina, era um plano antigo”, comentou. Sobre o curso, ele conta que é dividido entre teórico e prático, o que ajuda a desmistificar a ideia de que o comissário só está a bordo para servir. Demonstrando, também, que o trabalho se estende para a questão da segurança do voo. “Gostei bastante. Não ficou nada a desejar. Todas as matérias são relacionadas à aviação, meteorologia, sobrevivência na selva, primeiros socorros. Quando se fala comissário de bordo ainda há preconceito de que são garçons. Há essa visão de servir, mas não é passado que nós somos agentes de segurança de voo”.

Uma gestante sentiu contrações no momento da chegada a São Paulo. Foi uma experiência marcante. Houve tempo para levá-la ao hospital Maria Rita comissária

de condição. Ao contrário de Bruno e Maria Rita, a copiloto Paula Pitean, da Gol Linhas Aéreas cresceu brincando de “comandar aeronaves” ao sentar no colo do pai e fingir que estava pilotando. Filha de piloto, ela contou que não foi surpresa para sua família quando anunciou que seguiria a carreira do pai. O curso foi iniciado por hobby, para poder ter autorização de voar sozinha. Mas foi nesse período que Paula decidiu seguir com a carreira, até ser selecionada para integrar a equipe da Gol em 2008, momento em que considera sua realização profissional. “Estar na função de copiloto é muito emocionante. Me preparei muito para isso e estou dando continuidade a um sonho de família”, disse. DIVULGAÇÃO

A copiloto da Gol Linhas Aéreas, Paula Pitean, aprendeu a gostar da aviação com o pai

Decolar na carreira não é fácil Para a comissária Maria Rita de Cássia Micheletto, a “vida no ar” pode ser solitária se o tripulante não souber administrar a rotina. Outro problema apontado pela profissional é a rotina puxada de trabalho e preparação. “Temos uma escala de trabalho variada. Tem dias que estamos trabalhando de manhã, outro à noite. Entrar no mercado também não é fácil. O curso de preparação é puxado”, disse.

O piloto Bruno Faria contou que ainda há certo glamour. “Creio que a admiração vem da responsabilidade que carregamos. Conduzir com segurança e perfeição uma aeronave com centenas de pessoas, não é tarefa simples, apesar de para nós parecer normal”. Faria diz que hoje, os brasileiros já estão se adaptando ao novo “modelo” de aviação comercial, entendendo que o foco principal

é a pontualidade e a segurança. Questionados quanto aos riscos da profissão, os profissionais afirmaram que lamentam quando há um acidente aéreo “Além de nos colocarmos no lugar da equipe em bordo, também lamentamos a perda dos colegas, e principalmente dos passageiros, mas nosso trabalho é muito gratificante e dessas experiências tiramos lição de prevenção”, disse. ARQUIVO PESSOA

Marcos Benchimol estudou bastante para ser comissário

O piloto Bruno Faria diz que conduzir uma aeronave é uma responsabilidade grande

Formação O presidente do aeroclube Luiz Mário Peixoto, ressalta que o curso para formação de profissionais aéreos tem duração de três meses, com aula teórica e prática. Em seguida, os alunos realizam uma prova elaborada pela Agência Nacional de Aviação (Anac). As aulas práticas são realizadas em um campo de treinamento na área do Careiro. Somente após todo esse processo é que o aluno é brevetado para voo. O tempo mínimo para tirar uma carta de piloto é de 15 semanas. Atualmente são formados pilotos privados, comerciais, e de helicóptero, além do curso para comissário de bordo. Os preços variam de R$ 1.550 para curso de piloto e R$ 1.900 para comissário. “Estamos com uma turma de 60 profissionais em treinamento, mas já formamos mais de 4 mil profissionais. Temos exalunos trabalhando em grandes empresas aéreas, como a TAM e a Gol Linhas Aéreas. Também temos alunos atuando nos Estados Unidos e um que é piloto particular da aeronave do rei do Marrocos. Temos um grau alto de profissionalismo. O piloto sabe que se cometer um erro paga com a própria vida”, revela. Peixoto.


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Cinquentões estão de volta à universidade Fazendo diferença nas salas de aulas, cada vez mais pessoas com idade acima de 50 anos estão buscando aprimoração profissional superior LUCAS PRATA Equipe EM TEMPO

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uma sala de aula, mas isso não vai me impedir de vencer. Estou muito ansioso para começar a estudar, tenho certeza que ainda posso contribuir para uma sociedade que tanto precisa”, esclarece.

CRESCIMENTO

Dados da Universidade do Estado do Amazonas mostram que a quantidade de alunos com idade acima de 50 anos estão aumentando na sala de aula. Este ano, 530 se matricularam

ficadas para o curso de música na UEA. “Eu sempre me identifiquei com a música, mas nunca havia prestado vestibular para o curso. Participei 10 anos de um coral, mas não tinha conhecimento técnico. Como faltam três anos para me aposentar como bancária decidi que ia prestar vestibular para a área que eu sempre sonhei estudar. Tive total apoio da minha família, e estou muito feliz por poder fazer o que eu mais amo”, destaca.

Outra “caloura” da universidade é Eleni Soares, 54, graduada em geografia diz que sempre foi apaixonada por música, e próxima de se aposentar decidiu investir no sonho. Ela é umas das classiJOEL ROSA

pesar das estatísticas mostrarem que a grande faixa etária das universidades públicas do país são de pessoas com idade entre 18 e 30 anos, um novo perfil de alunos está fazendo diferença nas salas de aula. São os “cinquentões”, que em busca de escrever novos capítulos na história de suas vidas estão prestando vestibular e obtendo êxito. Nesse ano, só na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) aproximadamente 530 pessoas, com idade acima de 50 anos foram matriculadas para diversos cursos. Após vários processos seletivos realizados na busca de cursar uma faculdade, o assistente administrativo, Paulo Roberto Corrêa Viana, 61,

se classificou em sétimo lugar no curso para bacharel em saúde coletiva da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), e diz estar muito ansioso para voltar a estudar. “Desde jovem quando eu ainda morava no Rio de Janeiro, meu sonho sempre foi cursar medicina, mas nunca conseguia uma nota suficiente, mesmo assim nunca desisti. Quando vim morar em Manaus voltei a prestar vestibular e cheguei a passar nos cursos de Fisioterapia e Odontologia em uma universidade particular, mas não tinha condições de arcar com os custos.Quando recebi a notícia de que havia passado no vestibular de uma faculdade pública, fiquei emocionado”, explica. Apesar de estar a muito tempo sem estudar Paulo, comenta que isso não será problema. “Estou há mais de 30 anos sem ir para

Prestes restes a se aposentar, Eleni decidiu voltar à universidade para estudar música

Respeito é fundamental na sala Ainda de acordo com Eleni, apesar da idade, seus colegas de classe a respeitam muito. “A relação com pessoas mais novas é muito interessante. Eu me identifiquei com uma amiga de classe que tem apenas 18 anos. Tenho idade pra ser avó dela. Nunca é tarde para ir à busca do que você realmente quer”, ressalta. Para o reitor da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), José Aldemir de Oliveira, nunca é tarde para cursar uma universidade. Ele comenta que hoje é normal pessoas com mais de 50 anos inseridas junto com adolescentes de 17 anos. “Essa é a nova tendência, pessoas maduras voltando a estudar, devido o perfil demográfico da nossa região que muda muito. Na sala de aula, os próprios professores têm uma forma es-

pecial para ensinar essas pessoas, que precisam de um pouco mais de atenção que os mais jovens. São alunos que contribuem bastante com os mais novos, pois tem experiência de vida. Esperamos daqui a cinco anos ser referência em nacional, nas áreas de medicina, enfermagem e odontologia”, garante. De acordo com dados da UEA dos 26 mil estudantes que se formaram na instituição, 3,5 mil são pessoas com idade acima de 50 anos.

Paulo Roberto, aos 61 anos passou em sétimo lugar no vestibular GIOVA

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Assédio moral no trabalho pode ser proibido por lei Um projeto que está em tramitação na Assembleia Legislativa pode acabar com humilhações contra o servidor público AURIANE CARVALHO Equipe EM TEMPO

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epreciar ou desqualificar a imagem do servidor público em razão de subordinação hierárquica sem justa causa; colocar em risco esse funcionário ou afetar sua saúde física ou psíquica. Essas são algumas formas de assédio moral enfrentadas por servidores públicos e funcionários de empresas privadas. Essas ações serão vedadas em todo o Amazonas a partir da promulgação do projeto de lei 97/2011, de autoria

da deputada estadual Conceição Sampaio (PP). O PL já foi aprovado pelos parlamentares e proíbe o assédio moral no trabalho. Essa medida atende uma solicitação dos sindicatos dos Fazendários do Amazonas (Sifam), dos Funcionários Fiscais do Estado do Amazonas (Sindifisco-AM), e Associação dos Servidores Públicos do Amazonas (Aspa). Para o presidente da Aspa, Jonatas Oliveira, a lei virá para apoiar os servidores que sofrem constrangimento em seu ambiente de trabalho por seus superiores. Embora

não se tenha dados exatos de quantas pessoas já sofreram o assédio, ele assegurou que recebe muitas denúncias do caso. “Chegaram ao nosso conhecimento várias reclamações de assédio moral, principalmente, no interior do Estado. O assédio é um fator de risco grave, sendo necessária aplicação de política de prevenção para eliminar ou reduzir os riscos que envolvem os servidores”, destacou. Oliveira disse que, como não havia uma lei para punir a pessoa que praticava o ato, acabava permitindo que o servidor sofresse calado a agressão. “Apesar de termos o Estatuto do Servidor e uma Corregedoria ainda assim é preciso uma lei que normatize o assédio moral para punir quem pratica o crime. Em um dos casos que chegou ao meu conhecimento, a pessoa foi totalmente humilhada pelo chefe durante o atendimento ao contribuinte porque desconhecia uma informação. Como retaliação, a vítima ficou meses sem ter acesso ao computador e ficou isolada no órgão”, relatou.

Combater o desrespeito no mercado A autora do projeto, deputada Conceição Sampaio, disse que a lei pretende acabar com o assédio moral em instituições públicas. Ela afirmou que uma lei sozinha não muda uma sociedade, mas contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. “Essa questão do assédio moral é algo que já acontece há bastante tempo. O PL 97/2011 proíbe e pune nas repartições o exercício de qualquer ato que se caracterize como assédio moral no trabalho, por parte de superior hierárquico que implique em violação da dignidade. O projeto prevê, ainda, advertência, suspensão e demissão de quem praticar o crime.


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Anvisa proíbe utilização de aditivos nos cigarros Anvisa conseguiu, esta semana, proibir a venda de cigarros com aditivos. A medida evita atrair novos fumantes SHANA REIS

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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epois de lutar duas décadas contra o consumo de tabaco e a indústria tabagista, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, na semana passada, a utilização de aditivos em cigarros vendidos no Brasil. Pesquisas do órgão apontam que aromas como canela, chocolate, menta e tutti-frutti são uma “armadilha” que mascaram a nicotina e conquistam o paladar de crianças e adolescentes. Vendido em estabelecimentos de fácil acesso, os cigarros com sabores são um chamativo para que crianças e adolescentes se viciem. Uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelou que 44% dos estudantes brasileiros já tinham fumado cigarro com aditivos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense) de 2009, apontaram que a média nacional de estudantes que experimentaram cigarro foi de 24,2% e, Manaus obteve resultados acima da média com 24,4%. Entre os anos de 2007 e 2010, a Anvisa

constatou o crescimento de 21 para 40 marcas de cigarro com aromatizantes. A proibição dos aditivos tem dividido opiniões. O universitário Felipe Farias, 20, disse

Fabricantes lamentam a restrição

ESTATÍSTICAS

Pesquisa do Instituto Nacional de Saúde na Escola, apontou que a média nacional de estudantes que experimentaram cigarros foi de 24,2%. Em Manaus o resultado foi maior com 24,4% Cigarros com aditivos de menta, canela e chocolate estão proibidos de ser comercializados

que a proibição ajuda a conter o consumo. “Meu pai é fumante e convivo com o odor do cigarro dentro de casa. Aos 17 anos experimentei o black menta e gostei. Fumei por dois anos. Acho que se não fosse o aroma, nunca teria fumado”, comentou. Já o motoboy Caio Reis, 32, disse que essa medida não vai inibir o consumo. “Quem quiser fumar vai fazer isso de qualquer maneira. Não acredito que essa seja a melhor medida de proibição”, disse.

Componentes são mais perigosos Trabalhando há 33 anos em uma bomboniere no bairro Compensa, Zona Oeste, a comerciante Auxiliadora Araújo, 42, afirmou que precisou incluir o cigarro com aditivos no comércio a pedido de clientes. “A demanda de solicitação é muito grande”, disse. A chefe do de-

partamento de Prevenção ao Controle do Câncer da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Marília Muniz, revela que o consumo dos cigarros aditivados são piores que os comuns. “O cigarro já possui mais de 4 mil substancias tóxicas.

Somada aos compostos aromatizantes aumenta o problema”. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que realiza campanhas nas escolas públicas de conscientização do vício e também realiza tratamento para quem deseja largar o vício.

Uma das principais empresas do ramo de cigarro, a Souza Cruz, informou por meio de nota que lamenta a restrição do uso de ingredientes em produtos derivados do tabaco. Segundo a empresa, a Anvisa não demonstrou ter levado em conta os argumentos do setor e tais medidas contribuem para a participação do mercado ilegal. Atualmente, o comércio ilegal responde por 30% no mercado brasileiro, e sonega o pagamento de cerca de R$ 3 bilhões de impostos por ano ao Brasil. A empresa acredita que o assunto ainda deva ser discutido com mais profundidade com as empresas.


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Festival ‘Breves Cenas’ encerra hoje

(92) 3090-1042

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A nova geração de

FOTOS: DIVULGAÇÃO

ilustradores Jovens talentos do Amazonas se destacam no ramo da ilustração e animação GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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Humberto Rodrigues fez cursos de animação em Paris

e Parintins para o mundo ver”. O jargão do boibumbá Garantido parace cair como uma luva para o designer Humberto Rodrigues, que mora em Manaus desde 2004. Ele é apenas um dos novos talentos de ilustradores local tipo exportação. No auge dos seus 25 anos, Humberto já tem trabalhos encomendados para aparecer na televisão, em âmbito nacional, e até para os Estados Unidos, para onde está desenvolvendo material para ser veiculado na internet. “Trabalho com muito material confidencial. Esse que vai para o mercado estangeiro, finalizei faz muito tempo, mas os termos de confidencialidade são bem fechados”, ressalva. Amante das animações em 3D (três dimensões), Humberto tem como suas criações mais queridas os curta-metragens “Sapopeia” e “Engolelogoumajacaentão”. O primeiro, apresentado em diversos festivais do gênero pelo país, incluindo a Região Sudeste, é resultado da conclusão do curso de pósgraduação na PUC/RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e trata da história de um sapo que quer resgatar a princesa do reino do brejo. O segundo filme é um dos episódios de uma série de curtas produzidos por animadores autorais brasileiros. Segundo Humberto, para 2012 outros três curtas estão previstos. Além das animações, o designer também aprecia o trabalho de ilustrar capas de livros. “Me sinto muito à vontade fazendo e explorando novos estilos”, diz. Em 2011, Humberto fez um curso de férias na escola Gobelins, em Paris, “É um intensivão que faz uma lavagem cerebral no bom sentido”, declara.

Formado e pós-graduado no Amazonas, Bernado Bulcão se dedica a compor tirinhas infantis

Entre prêmios e personagens Na animação em 2D, Daniel Santi, de apenas 21 anos de idade é formando do curso de design e desde 2010 atua como ilustrador, mesmo ano em que, por seu trabalho, conquistou o primeiro lugar em um concurso nacional promovido pela Zupi Design. “Sempre gostei de desenhar, mas o interesse profissional veio depois que fiz uma ilustração para uma namorada. Comecei a colocar na internet meus desenhos e todo mundo gostou”, conta o jovem artista, cuja influência são as ilustrações “cult”, do tipo fantasia. Depois da graduação, Daniel

segue para a PUC/SC, onde cursará pós em arte e animações para “games”. Traços Fanático por quadrinhos, Bernardo Bulcão, de 28 anos, é pós-graduado em design, comunicação e multimídia, e atua como autor das tirinhas infantis que são publicadas no suplemento da revista “Amazonas faz ciência”, editada pela Fundação de Amparo e Apoio à Pesquisa do Amazonas (Fapeam). “Gosto muito dos trabalhos pessoais que coloco no meu blog (xcaboquinho.wordpress.com). Não tenho tema favorito, mas vou mais pelo

caminho do cinema, quadrinhos, cultura nerd”, diz. Bulcão, graduado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), é autor de personagens como os “Xcaboquinhos”, personagens criados em parceria com alguns colegas da pós-graduação para uma disciplina ligada a “game design”. “A ideia era que fosse algo bem regional e divertido, fazendo referência a super-heróis (no caso, os X-Men). Então, utilizamos frutas regionais para criar os personagens Pupunhantã, TucuMan e TapereBoy”, explica. Continua na D3

Com apenas 21 anos, Daniel Santi conquistou um prêmio no concurso da Zupi Design


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>> Homenagem

>> Carbono

. O presidente da Câmara Municipal de Manaus, vereador Isaac Tayah fará uma homenagem ao importante médico paulista José Ricardo Carvalho de Lima Rehder, em sua passagem pela cidade.

. O governador do Amazonas, Omar Aziz, defendeu na sexta-feira, durante o segundo dia do Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus, a necessidade de remuneração pela manutenção da floresta em pé. Segundo Omar Aziz, esta é a proposta a ser levada pelos Estados da Amazônia à Conferência Rio+20, que acontece no mês de junho, no Rio de Janeiro.

. Rehder é oſtalmologista, professor doutor, vicereitor da Faculdade de Medicina do ABC de São Paulo, além de professor titular da Escola Paulista de Medicina - UNIFESP e Coordenador Nacional do Projeto Visão Amazônica. Homenagem justíssima. Aplausos. HERICK PEREIRA

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

FOTOS: MAURO SMITH

>> Microfone

. “A curto prazo, não tem outra discussão acerca da preservação que não seja a remuneração do sequestro de carbono que as florestas do Amazonas e de toda a Amazônia fazem para o mundo. Por isso é que a remuneração da floresta em pé tem que existir. Nós temos que decidir isso agora, na Rio+ 20”, disse o governador que, nesta segunda-feira, deverá discutir o assunto durante o Fórum de Governadores da Amazônia, que acontece em Belém . A ideia é que os Estados possam construir uma proposta em conjunto que irá resultar na Carta da Amazônia, a ser levada à conferência.

. O rei Roberto Carlos lotou a Arena Amadeu Teixeira, na quinta-feira à noite, apresentando seu show para plateia VIP amazonense. . Canções inesquecíveis que fizeram dele uma majestade da música brasileira apresentadas no palco especialmente montada para ele e sua orquestra. Noite aplaudidíssima.

A segunda edição da Escola Solidária no interior do Amazonas aconteceu em Novo Airão sob a coordenação da primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz, seguindo a determinação do governador Omar Aziz em gerar oportunidades e oferecer acesso aos serviços gratuitos da rede estadual. Nejmi com a primeiradama de Novo Airão Luciane Silva que garantiu dar continuidade as atividades sociais no município

>> Objeto de desejo

>> Encontro . Governo e empresários discutem investimento no setor produtivo O cantor Roberto Carlos interpretando suas famosas músicas no palco da Arena Amadeu Teixeira

Selma Reis e Ana Paula Perrone

. Quando se pensa em Tom Ford, já vem a palavra luxo. O estilista lançou uma linha de óculos sensacionais. . As armações, tanto femininas, quanto masculinas, foram inspiradas nos anos 50 e são de metal banhado a ouro e com material extraído de chifre de búfalos. Para acompanhar, uma caixinha com capa de couro e tecido de chamois para proteger o óculos, creme especial de limpeza e certificado de autenticidade, o que dá muito mais charme. Preço em média R$ 3 mil.

Virna e Sérgio Lins

Com o sorriso do sucesso, Juca Semem, um dos organizadores do show

Karla Moreno

. A presidente Dilma Rousseff se reuniu na última quinta-feira no Palácio do Planalto com um grupo de 28 dos maiores empresários e banqueiros do país para um encontro com a finalidade de discutir o investimento da indústria no setor produtivo do país. . O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Antonio Silva, foi um dos participantes do encontro, representando também o Grupo Simões. Segundo Antonio Silva, o encontro foi uma oportunidade para os empresários reivindicarem ao governo medidas que favoreçam a competitividade da indústria, como a desoneração tributária, menor taxa de juros e medidas para conter a valorização do real.


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Foco no lado empresarial Destaque feminino entre a nova geração de ilustradores, apresentados na página anterior, a designer Lara Denys também desenvolve o seu talento de empresária trabalhando por conta própria, com sua empresa homônima

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designer vencedora do concurso que escolheu a imagem que melhor traduzia Nossa Senhora da Amazônia, em 2011, Lara Denys, atualmente cursa especialização em design estratégico, pelo Istituto Europeo di Design (assim mesmo, em italiano), em São Paulo, há um ano. “A vida inteira gostei de desenhar e isso evoluiu no ensino médio e na faculdade, onde assimilei toda a fundamentação técnica. Tive muita influência de colegas, também, na ilustração digital, que é muito mais prático e prazeroso do que o trabalho com vetores”, avalia. Seu nome é a própria empresa e, dos “serviços” gratuitos na escola, desde colaboração em jornal interno até concepção de camisetas para times dos amigos, Lara desenvolve, hoje, campanhas para cinco empresas de grande porte. Lara admite que concursos de ilustração não são atrativos. “Odeio competir. De qualquer forma, quando participo de alguma coisa, é porque me identifico com a causa, mas não me preocupo em ganhar. Particularmente, gosto de pensar em algo que seja útil para as pessoas, como um material sobre saúde, educativo, por exemplo”, diz. Embora tenham percep-

ções, gostos e influências diferenciadas, os ilustradores entrevistados trazem em comum a opinião de que os atuantes nesse mercado precisam manter o nível de valorização de seu trabalho, para que contratantes

COMPETIÇÃO

“De qualquer forma, quando participo de alguma coisa, é porque me identifico com a causa, mas não me preocupo em ganhar” Lara Denys, designer

e sociedade possam ter a interpretação mais fidedigna sobre essa profissão. Além disso, todos tiveram formação (em nível de bacharelado ou especialização) pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi).


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Que negócio todo é esse? Série de “programetes” de televisão ensina curiosidades sobre a fauna e a flora da região amazônica e, muito em breve, será exibido para o todo o Brasil. A produção conta com a apresentação do amazonense Aldemar Matias CRÉDITO DO FOTÓGRAFO

GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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ue tal descobrir, em apenas um minuto e meio, qual planta encontrada na região amazônica é, geralmente, considerada mato pelos brasileiros, mas que é ingrediente fundamental para uma refeição na Europa? Ou qual pássaro é um “imitador” por excelência sem ser o papagaio? Curiosidades sobre a flora e a fauna da Amazônia é o conteúdo principal da nova série de programas curtos de televisão, produzida pela TV Cultura do Amazonas, que deve ser exibida para todo o Brasil, em breve. Batizada de “Que ? é esse?”, a série deve entrar na grade de programação local no próximo mês de abril, em horários rotativos. O símbolo de interrogação dá lugar, dependendo do conteúdo da faixa, às iconografias de peixe, pássaro ou planta. “Por enquanto, temos pelo menos 12 interprogramas prontos divididos entre essas três categorias, mas não serão veiculados de uma só vez e a série é infinita, podendo ter inúmeras possibilidades para novas produções”, explica a diretora de produção e programação da TV Cultura do Amazonas, Liliane Maia. A série conta com a parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas

(Fapeam) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDS), além do apoio do Museu da Amazônia (Musa), responsável pela orientação a respeito dos temas a serem abordados e onde encontrar os espécimes para captação de imagens. “Temos, também, a colaboração de instituições como o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia) e o Ifam (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas), que disponibiliza seus professores e pesquisadores para fundamentar as explicações contidas nos programas”, diz Liliane. De acordo com Liliane, o primeiro “brainstorm” da produção aconteceu em fevereiro de 2011 e a execução propriamente dita do projeto começou em meados de agosto do ano passado. De fato, a própria diretora-presidente da TV Cultura do Amazonas, Wânia Lopes, admite que ideia da série surgiu a partir de uma conversa entre Liliane e o cineasta Aldemar Matias, que fazia parte do quadro de funcionários da emissora. “Canais como o Animal Planet e o Discovery Channel podem vir aqui e fazer programas incríveis sobre a Amazônia. Mas existem aspectos em uma produção audiovisual que vão além da qualidade técnica. É a vivencia no lugar que se está abordando”, diz Aldemar.

Para todo o Brasil assistir Ainda em abril, a diretora-presidente da TV Cultura do Amazonas, Wânia Lopes, afirma que a emissora local assinará contrato com a TV Brasil – televisão pública nacional – para a veiculação da série “Que ? é esse?” para todo o país. Esse já era um compromisso da gestão anterior da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e há poucos dias a nova administração manifestou à TV amazonense que vai manter e cumprir o acordo. “Acreditamos que em maio, toda a rede exibirá os “interprogramas” produzidos aqui. Além disso, a TV Brasil deve se tornar financiadora do projeto. Na última reunião de rede, nossa produção foi considerada um modelo que deve ser seguido pelas demais emissoras públicas do país”, destaca. Aldemar Matias improvisa durante a gravação de mais uma edição do programa “Que ? é esse?”


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Adeus ao ‘amado mestre’ Personalidades do cenário artístico de Manaus lamentam a perda de Chico Anysio, que morreu na tarde da última sexta-feira, dia 23, no Rio de Janeiro. O artista é um dos ícones brasileiros e serviu de inspiração para atores nacionais

Comentários no Twitter de personalidades @lapena - Helio de La peña: O Brasil ficou menos divertido. #RipChicoAnysio @MarceloTas – Marcelo Tas: Grande mestre se vai, sempre eterno gênio Chico Anysio! @oserginho - Serginho Groisman: Chico Anysio deixa vivo centenas de personagens. Fica em paz. @rodrigovesgo – Rodrigo Scarpa: Muito triste! O nosso mestre se foi. Fizemos uma homenagem ainda em vida. @Tiririca2222 – Tiririca: Chico fez o mundo sorrir por muitos anos e hoje fez o mesmo mundo chorar... Vai com Deus meu mestre... Você mereçe (sic!) um bom lugar no céu.

CHRIS REIS Equipe EM TEMPO

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mundo artístico brasileiro perdeu, na tarde da última sexta-feira, dia 23, o humorista Chico Anysio, que perdeu uma batalha de meses contra uma doença nos pulmões. Conhecido e reconhecido pela versatilidade como artista, ele foi locutor, ator, compositor, escritor, artista plástico e humorista, sua faceta mais conhecida, não por caso, afinal foi o responsável pela construção de mais de 200 diferentes personagens que entraram para a história da TV brasileira e para o imaginário do povo. Na opinião do ator e diretor Michel Guerrero, a perda de Chico Anysio, que ele considera o mestre do humor do Brasil, significa um duro golpe para a cultura brasileira, pois transitava em diversas vertentes da arte e cultura nacional. “Chico foi radialista, onde começou a carreira; a seguir foi para a televisão e trouxe o vídeotape para o país. Ele sempre esteve a frente do seu tempo”, avalia ao complementar que como humorista, Chico foi brilhante e deixou um legado que nunca

morrerá, pois foi, segundo Guerrero, o maior de todos. Apesar de não inspirar seu trabalho na obra do artista, o ator considera que ele é uma referência. “Tenho vídeos e embora não me inspire diretamente, com certeza intuitivamente tenho algo dele”, diz.

O país inteiro sabe e reconhece a importância dele como um grande mestre. O Brasil aprendeu a dar risada com ele Chico Cardoso, teatrólogo

Para o radialista Joaquim Marinho, Anysio possuía uma grande capacidade de criar tipos com características bem brasileiras. “Qualquer imitação que fazia eram pessoas que tinham a ver com o que era brasileiro. Ele não se baseava em tipos estrangeiros e, talvez também por isso, era insubstituível. Ele desenvolvia a legítima

piada brasileira como ninguém”, avalia. Além disso, tinha uma personalidade um pouco polêmica, sendo muito amado e ao mesmo tempo odiado, por sempre exercer sua veia crítica. “Ele foi um grande nome em todos os sentidos”, conclui. Comparação “Chico Anysio assim como Charles Chaplin deixou registrada para a posteridade na arte, a forma mais correta de representar”, compara o teatrólogo Chico Cardoso. De acordo com ele, o Brasil aprendeu a fazer humor Anysio, e acentua que para ter criado uma gama tão ampla de personagens, ele realmente tinha um talento excepcional. “O país perde o pai do humor nacional, uma pessoa que tinha uma criatividade sem igual”, assegura. O teatrólogo diz que, com toda certeza, a diversidade que Chico desempenhava a cada personagem influenciava o humor dos artistas do Brasil. “O país inteiro sabe e reconhece a importância dele como um grande mestre. O Brasil aprendeu com ele a dar risada. Além disso, influenciou, influencia e influenciará toda uma geração que virá após sua partida”, garante Cardoso.

Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, o Chico Anysio nasceu no Ceará em 1931. Seu primeiro trabalho foi na rádio Guanabara, onde atuava como locutor, ator, comentarista esportivo e autor de programas. Na década de 40, começou a atuar e escrever para a TV. No começo de década de 70, estreou seu primeiro programa na TV Globo, o “Chico Anysio Especial”. Em 1973, lançou o “Chico City”, que tinha como cenário uma cidade do interior por onde passavam os mais variados tipos. Em 1981 estreou o “Chico Total” e depois o “Chico Anysio Show”, que ficou no ar até 1990, programa de esquetes que foi substituído pela “A escolinha do professor Raimundo”, que ficou no ar até 2002, e lançou toda uma geração de comediantes. Entre os “alunos” estavam: Tom Cavalcante, Claudia Rodrigues e Claudia Gimenez.Na déca-

da de 70, lançou dois discos com o amigo e parceiro Arnaud Rodrigues. Os dois representavam as personagens “Baiano e Paulino”, ou “Caetano e os novos baianos”, uma homenagem a

TRAJETÓRIA

Nascido no Ceará, Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, popularmente conhecido como Chico Anysio, nasceu em 1931. De lá para cá, foi responsável por diversos programa de TV Caetano Veloso e Gilberto Gil. A composição mais famosa de Chico é o forró “A fia de Chico Brito”, que foi gravada por Dolores Duran e Elis Regina. Ele também publicou 22 livros. Sendo vários bestsellers como “O batizado da

Salomé - Senhora gaúcha íntima do expresidente Figueiredo. Em aparição recente no “Zorra Total”, conversou com Dilma Rousseff

Professor Raimundo - Se dedica a dar aulas em sua própria escola

Alberto Roberto - Galã e âncora de um talk show, se considera um símbolo sexual. Sua marca é uma touca de renda na cabeça. Bordão: “Não garavo”

Carreira marcada pelo sucesso

Painho - Pai-de-santo que lê os búzios para baianos ilustres

vaca”, “O telefone amarelo” e “O enterro do anão”. Outro destaque na literatura é o bem-humorado manual “Como segurar seu casamento”. Sua última obra foi o livro de contos, “Fazedores de histórias”. Chico Anysio também fez incursão no cinema como dublador. É dele a voz do protagonista da animação “Up - altas aventuras”, mas antes, fez uma participação especial no filme “Se eu fosse você 2” e em 1996, interpretou o personagem Zé Esteves, que era pai da personagemtítulo, da produção “Tieta”. Em 2011, recebeu o prêmio especial do Júri do Festival do Rio pelo desempenho no longa “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do diretor Vinícius Coimbra. Ele também foi artista plástico, retratando paisagens ao redor do mundo, dos países que visitava. Seus trabalhos foram expostos em diversas galerias do Brasil.

Bozó - Diz que trabalha na TV Globo como “diretor gerente” e usa um crachá para tentar provar

Bento Carneiro - O “vampiro brasileiro” se apresenta como “aquele que vem do aquém do além, adonde que véve os mortos”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

Programação de TV SBT 05h00 – Aventura Selvagem – reprise 06h00 – Pesca Alternativa 07h00 – A Grande Ideia 07h30 – VRUM 08h00 – PGM Manazinha 08h30 – Chaves 09h00 – Sorteio Amazonas dá Sorte (Local) 10h00 – Domingo Legal 14h00 – Eliana 18h00 – Roda a Roda Jequiti 18h55 – Sorteio da Telesena 19h00 – Programa Sílvio Santos 23h00 – De Frente com Gabi 00h00 – O Mentalista/ The Mentalist 01h00 – Série: Divisão Criminal / The Closer 02h00 – Série: Os Esquecidos 03h00 – Encerramento da Programação

GLOBO 05h50 – Santa Missa em Seu Lar 06h25 – Pequenas Empresas – Grandes Negócios 06h59 – Globo Rural 07h55 – Auto Esporte 08h30 – Esporte Espetacular (Stock Car – SP) 11h30 – Esquenta 12h48 – Temperatura Máxima. Filme: Vasco da Gama x Resende 17h00 – Domingão do Faustão 19h45 – Fantástico 22h07 – Big Brother Brasil

RECORD 05h30 – Desenhos Bíblicos 07h20 – Record Kids – Pica-pau 09h00 – Amazonas dá Sorte – Bingo - local 10h00 – Record Kids – Pica-pau 11h30 – Tudo é Possível – PGM 346 15h30 – Programa do Gugu – PGM 135 19h30 – Domingo Espetacular – PGM 413 22h15 – Repórter Record 23h00 – Amazônia – PGM 012 - HD 23h30 – Série: Casais Perfeitos (1ª Temporada – inédita) 00h00 – Programação IURD

22h53 – Programete UFC

REDE TV

23h03 – UFC - Em Busca de Campões 00h25 – Sessão de Gala. Filme: Conte Comigo 02h17 – Flash Big Brother Brasil 02h23 – Corujão I. Filme: Táxi 4 03h53 – Série Americana

06h30 – Igreja Internacional da Graça – local 08h25 – Programa: Viva Amazônia – local 09h15 – Campeonato Italiano – Lazio x Cagliari 11h00 – Igreja Universal da

Horóscopo

Cinema

GREGÓRIO QUEIROZ

PRÉ-ESTREIA

Graça – local 12h00 – Programa: Fique Ligado – local 13h00 – Programa: Esporte Performance – local 14h00 – Programa: Semeando Bênçãos – local 14h30 – Programa: Amigos do Volante – local 15h00 – Sabores & Ideias – local 15h30 – Programa: Fé e Milagres – local 16h00 – Programa: Luta Tribal (reprise) 16h30 – Olhar Digital (gravado) 17h15 – Ritmo Brasil 17h45 – Belas na Rede 18h30 – O Encantador de Cães 19h25 – O Último Passageiro 21h00 – Sessão Especial 22h30 – Programa: Amazon Trip – local 23h10 – Dr. Hollywood Brasil 00h10 – É Notícia 01h10 – Igreja Internacional da Graça – local

BAND 05h00 – Igreja Mundial 06h00 – Sol Brilhante

06h30 – 07h30 – 08h30 – 09h00 – 09h30 – 10h00 – 11h00 – 11h30 – 12h00 – 12h30 – 15h00 – Resende 17h00 – 19h20 – 20h10 – 21h00 – 22h30 – 23h30 – 00h30 – 00h45 – 03h10 –

Santa Missa no Seu Lar Fé na Verdade Conexão Cargas Desenho Brasil Caminhoneiro Informecial Auto + Band Clássicos Band Esporte Clube Fórmula Indy Futebol 2012 – Vasco x Terceiro Tempo Segurança Especial Bones Prision Break Canal Livre Isto é Manaus Show Business – reap. Cine Band Igreja Mundial

TV CULTURA 05h55 – Abertura da Estação/ Hino Nacional 06h00 – Via Legal 06h30 – Brasil Eleitor 07h00 – Palavras de Vida 08h00 – Santa Missa

09h00 – Viola, Minha Viola 09h15 – Curta Criança 09h30 – Janela Janelinha 10h00 – Escola Pra Cachorro 10h15 – Meu Amigãozão 10h30 – Turma do Pererê 11h00 – ABZ do Ziraldo 11h30 – Anima TV Tromba Trem 11h45 – Anima TV Carrapatos e Catapultas 12h00 – Turma do Pererê 13h00 – Dango Balango 13h30 – TV Piá 14h00 – Stadium 15h00 – Amazônia com Bruce Parry 16h00 – Ver TV 17h00 – De Lá Pra Cá 17h30 – Cara e Coroa 18h00 – Papo de Mãe 19h00 – Conexão Roberto D’Ávila 20h00 – Esportvisão 21h30 – MPTV – Reprise – local 22h00 – Cine Ibermédia 00h00 – Doc. Especial 00h30 – Hino Nacional / Encerramento da Emissora

Cruzadinhas DIVULGAÇÃO

ÁRIES - 21/3 a 19/4 As atividades de rotina não deveriam ser tão abaladas por suas inquietações e por gestos passionais. Seja mais cordato para cuidar direito de suas responsabilidades. TOURO - 20/4 a 20/5 Os desafios no amor podem ser muito interessantes, mas não se deixe entusiasmar demais por eles. Nem tudo cabe em seu relacionamento, por isso vá com calma. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 O convívio familiar e com os amigos está em conflito mais forte. Procure aprimorar a maneira de se relacionar nestes âmbitos. Na vá provocar confusões além da conta. CÂNCER - 22/6 a 22/7 As mudanças que ocorrem em sua rotina parecem querer perturbar ou explodir com sua situação profissional. Levante os olhos para o futuro e veja quais são as possibilidades. LEÃO - 23/7 a 22/8 As desgraças na vida material não devem ser superestimadas nem subestimadas. Lide de maneira sóbria com elas, encontrando os problemas e procurando por uma solução. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Grandes aflições pessoais tendem a afetar a vida a dois. Tendência, mais uma vez, a querer romper, rebentar todo vínculo. Contudo, há coisas de valor a serem preservadas. LIBRA - 23/9 a 22/10 Possível sensação de crise iminente, agora por que as pessoas cutucam sua sensibilidade. Dar crédito às reações exageradas é perder o frágil equilíbrio do momento. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 As relações afetivas e sociais estão em fase de conflito e irresolução. Nada funciona direito, apesar das promessas terem sido tentadoras. Não provoque demais as pessoas. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As pessoas colocam o dedo em pontos sensíveis de seus sentimentos ou da situação profissional que está vivendo. Cuide do que lhe cabe na vida, sem reagir a provocações. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As paixões mobilizam dificuldades no trabalho e nas relações familiares. Uma coisa não se coaduna com a outra. Veja o que pode ser aprimorado em seus valores e princípios. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 A dificuldade para estabelecer acordo com as pessoas precisa ser bem compreendida por você. Não adianta se agitar e discutir. Procure o caminho do melhor entendimento. PEIXES - 19/2 a 20/3 Se as relações humanas não lhe dão paz, não por isso deixe de cuidar de suas coisas. Nem tudo deve ser regido pelos problemas, em especial nas relações afetivas.

O Lorax: Em busca da trúfula perdida: USA. Livre. Uma criatura da floresta compartilha o eterno poder da esperança. A aventura animada conta a jornada de um rapaz que procura pela única coisa que poderá fazer com que ele conquiste a afeição da garota de seus sonhos. Para encontrá-la, ele terá que descobrir a história do Lorax, a zangada, porém charmosa criatura que luta para proteger seu mundo. Cinemais Millennium 3 – 14h40, 17h (3D/dub/diariamente); Cinemark 4 – 15h50, 18h (3D/dub/somente sábado e domingo). ESTREIA Jogos vorazes: USA. 12 anos. Em um futuro distante, onde os Estados Unidos estão sob o comando de um regime totalitário, a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece para ser escolhida como a representante de seu distrito, ao invés da irmã Primrose (Willow Shields), em um reality show mortal que conta com participantes de

outros 12 distritos. A partir de então, ela passa por um período de treinamento, para se preparar para a competição. Cinemark 6 – 14h30, 17h30, 20h30 (dub/ diariamente), 11h20 (dub/somente sábado e domingo) e 23h30 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 7 - 15h20, 18h20, 21h30 (dub/diariamente), 12h20 (dub/somente sábado e domingo); Cinemais Plaza 2 – 15h, 18h40, 21h30 (dub/diariamente); Cinemais Millennium 1 – 14h30, 18h10, 21h (3D/dub/diariamente); Cinemais Millennium 8 - 15h20, 19h, 21h50 (leg/diariamente); Cinemas Amazonas 4 - 14h30, 17h30, 20h30 (dub/diariamente); Playarte 1 - 12h, 14h50, 17h40 (dub/diariamente); 20h30 (leg/diariamente); 23h20 (leg/somente sexta e sábado); Playarte 5 - 12h30, 15h20, 18h10, 21h (dub/diariamente), 23h50 (dub/ somente sexta e sábado); Playarte 6 - 14h20, 17h10, 20h (leg/diariamente), 22h50 (leg/ somente sexta e sábado); Playarte 7 - 14h21, 17h11, 20h01 (leg/diariamente); 22h51 (leg/ somente sexta e sábado).

CONTINUAÇÕES Protegendo o inimigo - 14 anos: Cinemark 2 – 12h30, 17h15 (leg/diariamente) e 23h40 (leg/somente sexta e sábado); Cinemais Plaza 3 – 14h30, 16h50, 19h10, 21h40 (leg/diariamente); Cinemais Millennium 5 – 15h, 17h20, 19h40, 22h (leg/diariamente). Anderson Silva: Como água - 12 anos: Cinemark 4 – 14h, 15h50, 18h, 20h10, 22h (diariamente), 12h10 (somente sábado e domingo) e 23h50 (somente sexta e sábado); Cinemais Millennium 2 – 14h45, 18h50 (diariamente); Playarte 10 – 13h50, 15h40, 17h30 (diariamente). Guerra é guerra - 12 anos: Cinemark 3 – 14h20, 16h40, 19h, 21h20 (dub/diariamente), 12h (dub/ somente sábado e domingo), 23h40 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 1 – 13h10, 15h30, 17h40, 20h, 22h30 (dub/diariamente) e 11h (dub/somente sábado e domingo); Cinemas Amazonas 5 – 16h15, 20h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 4 – 15h10, 17h10, 19h15, 21h20 (dub/ diariamente); Cinemais Millennium 4 – 15h30, 17h30, 19h30, 21h40 (leg/diariamente). Pequenos espiões 4 – Livre: Cinemark 5 – 12h40, 14h50, 17h10, 19h40 (dub/diariamente); Cinemas Amazonas 6 – 13h50;

Cinemais Plaza 8 – 14h40, 16h30, 18h30 (dub/diariamente); Cinemais Millennium 3 – 14h20, 19h10 (3D/dub/diariamente), 19h10 (3D/dub/somente sábado e domingo); Playarte 3 – 12h35, 14h35, 16h35, 18h35, 20h35 (dub/diariamente) e 22h35 (dub/sábado e domingo). Histórias cruzadas - 12 anos: Cinemais Millennium 7 – 14h50, 18h40, 21h30 (leg/ diariamente); Playarte 8 – 15h25, 20h50 (leg/diariamente). John Carter – 12 anos: Cinemark 8 - 13h40, 16h30, 19h30, 22h20 (dub/diariamente); Cinemas Amazonas 6 – 15h50, 18h30 e 21h10 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 1 – 14h, 16h40, 19h20, 22h (3D/dub/ diariamente); Cinemais Millennium 3 – 16h20, 21h20 (3D/dub/diariamente) e 21h20 (3D/dub/somente sábado e domingo); Playarte 2 – 12h10, 14h50, 17h30, 20h10 (leg/diariamente), 21h (leg/diariamente) e 22h50 (leg/somente sexta e sábado). Cada um tem a gêmea que merece – 10 anos: Cinemark 2 – 15h, 19h50, 22h05 (dub/diariamente) e 0h15 (dub/somente sexta e sábado); Cinemais Plaza 5 – 14h20, 16h45, 18h50, 21h (dub/diariamente); Cinemais Mil-

lennium 6 – 15h10, 17h10, 19h20, 21h25 (leg/diariamente); Playarte 4 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente) e 23h15 (dub/somente sexta e sábado). A saga molusco – anoitecer – 14 anos: Cinemais Plaza 6 – 14h50, 17h, 19h, 21h10 (dub/diariamente); Playarte 9 – 14h, 15h50, 17h40, 19h30 (dub/diariamente). O pacto – 14 anos: Cinemais Millennium 2 – 16h40, 21h10 (leg/diariamente); Playarte 9 – 21h20 (leg/diariamente) e 23h35 (leg/ somente sexta e sábado). Anjos da noite 4 – 16 anos: Cinemais Plaza 7 – 15h20, 17h20, 19h40, 21h50 (dub/diariamente). Motoqueiro Fantasma 2: espírito de vingança – 12 anos: Cinemark 5 – 21h50 (dub/diariamente) e 0h (dub/somente sexta e sábado); Cinemas Amazonas 6 – 14h, 18h20 (dub/diariamente). Billi Pig – 12 anos: Cinemais Plaza 8 – 20h50 (diariamente); Playarte 10 – 19h20, 21h30 (diariamente) e 23h40 (somente sexta e sábado). W.E. – O romance do século – 16 anos: Playarte 8 – 13h, 18h25 (leg/diariamente) e 23h50 (leg/somente sexta e sábado).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

::::: Sala de Espera Amanhã, o querido Pedro Côrtes troca de idade. Os cumprimentos da coluna. Hoje, tem café da manhã solidário, no Lar das Marias na Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos do conjunto Dom Pedro – a partir das 7h30.

FOT

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br HERICK PEREIRA/AGECOM

Os queridos Cláudia e Mário Bernardino festejaram (in family) mais um ano harmonioso de casório.

A Vivo, por meio do programa Vivo EnCena, concretizou parceria com a SEC para realizar workshop em maio, com o renomado diretor teatral Sérgio Ferrara, de São Paulo. O estilo urbano chique que a ala feminina adora acaba de invadir as araras da Refuge. Por lá, as sobrenomadas encontrarão looks laminados, brilhos e um festival de estamparia gráfica. A loja multimarcas da ótima Graça Makarem está – digamos – um luxo! Menga Junqueira, Lúcia Viana, Manoel Netto e Maria Odenir Machado estão afivelando as malas rumo ao Rio, para curtir o feriadão da Semana Santa.

IL :W

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END

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Jander Vieira

O chef Anilton Silva chegou da rasante por Sampa. Na mala muitas novidades para o chique Barbacoa.

O fotógrafo Juca Queiróz comandará, no próximo dia 7, na Saraiva Megastore, a exposição Photovivência – diálogo com fotógrafos, promovido pela MBF. O evento está marcado para começar às 17h.

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REZ IAM

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Em ritmo acelerado, a primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz está cada vez mais presente no interior do Amazonas. A dama levou as ações de cidadania do governador Omar Aziz a Novo Airão, durante todo o dia de anteontem. Apaixonada pela fauna e flora da região, Nejmi revelou que sua estada nos municípios amazonenses renova suas energias. Aliás, a primeiríssima esteve (ontem) em São Gabriel da Cachoeira inaugurando a primeira Escola Fazenda da Esperança em área indígena do país

::::: Gestão pública Ângela Bulbol de Lima, titular da Fundação Escola de Serviço Público Municipal (FESPM), lançará na próxima quarta-feira, um pacote de projetos de capacitação destinado a servidores públicos, para este ano. Uma das novidades será o 1º Master of Business Administration (MBA) em Gestão Pública e Supervisão Escolar, para formação de 500 diretores de escolas da rede municipal. No lounge chic do Mon Plaisir: os anfitriões do tipo impecáveis atendem pelo nome de Ney Barroso e Dacy – simplesmente ótimos

Conferindo a noite divertida-chique do lounge Mon Plaisir: o simpático casal Érika e Roberto Britto

::::: Plateia

::::: Solenidade

A Fieam, em parceria com o Sebrae, dá continuidade às ações do Projeto de Mobilização para Elevação do Grau de Inovação nas micro e pequenas indústrias do Amazonas. No próximo dia 29, às 18h30, será realizada a palestra “Inovação: um privilégio de todos”, no auditório do Sebrae, na Leonardo Malcher. O tema será conduzido por Carlos Gustavo Nunes, sócio-fundador da Biotec Amazônia, professor da Ufam na qual ministra cursos de engenharia genética, biologia molecular e afins. A palestra é gratuita. Os interessados devem confirmar sua presença pelos 3182-9958, 3182-9963 ou 9249-3194.

Amanhã, o presidente da Aleam, deputado Ricardo Nicolau pilotará sessão especial em homenagem ao 68º aniversário da Polícia Federal, conforme aprovação do requerimento nº 207/2012, de autoria do deputado Marcelo Ramos (PSB). Seguido da solenidade de outorga da Medalha Ruy Araújo “postmortem” aos agentes da Polícia Federal Leonardo Matzunaga Yamaguti e Mauro Lobo.

::::: Cúpula A presidente Dilma Rousseff se reuniu no Palácio do Planalto com um grupo de 28 dos maiores empresários e banqueiros do país para um encontro com a finalidade de discutir o investimento da indústria no setor produtivo do país. O presidente da Fieam, Antonio Silva, foi um dos participantes do encontro, representando também o Grupo Simões. Segundo Antonio Silva, o encontro foi a oportunidade para os empresários reivindicarem ao governo medidas que favoreçam a competitividade da indústria, como a desoneração tributária, menor taxa de juros e medidas para conter a valorização do real. Aplausos!

O diretor artístico da H Produções, Dyego Monnzaho, e o produtor Tarciano Soares, celebram o sucesso do Festival Breves Cenas de Teatro, com patrocínio da Caixa Econômica Federal e da SEC


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 25 DE MARÇO DE 2012

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Teatro oriental no ‘Breves Cenas’ Festival, que iniciou na última quinta, encerra hoje no Teatro Amazonas GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

King Company Brasil apresenta tradição japonesa do kabuki, de forma didática, em espetáculo de curta duração, hoje

O

teatro japonês é a tônica da apresentação “Kabukiza”, do grupo de teatro King Company, de São José do Rio Preto (SP), que integra a programação de encerramento do Breves Cenas, hoje. O festival começa às 19h, no Teatro Amazonas. A entrada é gratuita. Mas, engana-se quem acredita que o espetáculo é uma cópia fidedigna do clássico kabuki oriental. A performance lembra mais um documentário sobre o assunto. A esquete, encenada pelo ator Pedro Gabriel Torres, será em tom de palestra e não haverá elementos cênicos que façam o espectador ser remetido ao padrão japonês,

FESTIVAL

Único evento do gênero no Norte do país, a quarta edição do Breves Cenas de Teatro reúne, desde quinta-feira até hoje, 16 cenas selecionadas de dez Estados de todo o país além de um leque. “O espetáculo é extremamente cosmopolita e “antropofágico”, pois se espelha num tipo de teatro do outro lado do mundo. Houve um amplo processo de transformar essa linguagem sem ser pessoal. Tradicionalmente, por exemplo, o kabuki é desenvolvido por famílias e, além disso, tem muitas outras peculiaridades que nos fizeram perguntar a nós mesmos como se apropriar dessa cultura sem querer ficar imitando, o que poderia ser ridículo”, explica o ator. Entre as adaptações desta breve cena está a sonoridade que ambienta a performance, uma vez que, para se aproximar do timbre e harmonia orientais, o ator utiliza o afro-descente instrumento musical chamado de berimbau, popular nas rodas de capoeira, por exemplo. De fato, esta é a segunda vez que

Programação •Quintal - Casca de Nós Companhia de Teatro (MG) •Kabukiza - King Company (SP) •Monólogo de Miguel - Apatotadoteatro (SC) Classificação: 16 Anos •Acontecia em 1950 - Cia. Duplos (MG) -

a King Company apresenta o espetáculo “Kaukiza”, neste formato. “Fizemos uma apresentação em São José do Rio Preto meio que para testar o trabalho. Na verdade, essa é uma peça de teatro que dura pouco mais de 40 minutos, na versão completa, mas que conseguimos adaptar com êxito para se tornar uma cena curta”, conta o ator. Diferentemente da cena estendida, a apresentação em Manaus não contará com a presença do instrumentista Ronaldo Celeguini, que é o responsável por tocar o berimbau. “Para o festival, estou apenas eu em cena e na produção. A expectativa é muito grande e me sinto bastante empolgado com a viagem para Manaus, que não conheço ainda. Mas tenho referências que atestam o bom tratamento que a cidade dá aos artistas”, diz Pedro Gabriel. Segundo o artista, “Kaukiza” é resultado de pelo menos dois anos de andamento de um processo de pesquisa, mas “apenas” seis meses para montar texto e interpretação. Além disso, a concepção surgiu em meio à produção de outro espetáculo do grupo, chamado “River roll, river hall”, também fundamentado no teatro kabuki. “A resposta do público – até mesmo na primeira montagem – foi surpreendente, em São Paulo. Tinha tudo para não dar certo, incluindo muito nervosismo, mas recebemos críticas positivas, porque é um espetáculo de compreensão acessível, muito mais pelo fator expressão corporal”, afirma o ator, que também assina o roteiro. Depois de participar do Festival Breves Cenas, em Manaus, a esquete “Kabukiza”, cuja direção é de Gerrah Tenfuss, volta para São José do Rio Preto e se prepara para ser encenada, na versão completa, no festival internacional de teatro daquela cidade, previsto para o período que vai de 4 a 14 de julho. Realizado pela H Produções, o festival está na quarta edição e conta com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e do governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura (SEC).

SERVIÇO FESTIVAL BREVES CENAS Quando Hoje, às 19h Onde Teatro Amazonas Ingressos entrada gratuita Inf.: www.brevescenas. com.br

EM TEMPO - 25 de março de 2012  

EM TEMPO - Caderno principal do jornal Amazonas EM TEMPO www.emtempo.com.br

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