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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

ANO XXVI – N.º 8.158 – DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

FLORESTA VIRA LENHA DE OLARIAS

As máquinas avançam na Cidade Universitária e lenheiros recolhem a madeira e a empilham em forma de feixes de lenha. O passo seguinte é transportar a carga para as olarias

A lenha retirada no local é usada nos fornos para a queima de tijolos

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Para construir a Cidade Universitária, na região metropolitana, o governo está sendo obrigado a sacrificar a floresta no entorno. Mas, pela primeira vez na história do Estado, fez a coisa correta, licenciando a lenha e a madeira para ser utilizada na queima de tijolos do polo de cerâmica de Iranduba.

Máquinas estão abrindo uma clareira no meio da floresta e árvores centenárias estão sendo tombadas. Somente nas obras de acesso à Cidade Universitária, foi autorizada o volume de 9.186 metros cúbicos de lenha e 117 metros cúbicos de madeira.

A retirada desse material foi feita por lenheiros da Cooperativa Extrativista de Biomassa do Amazonas e repassada à Associação dos Ceramistas do Amazonas (Aceram), para direcionamento às olarias associadas. O total de madeira recolhido até o final da obra, garantirá a queima de tijolos até o ano de 2015. Caderno Especial

Para construir a obra, árvores centenárias são sacrificadas

COPA EM MANAUS ABRE 10 MIL VAGAS

Economia B1

A obsessão pelas redes sociais Dia a dia C6 e C7 RESGATE

Um memorial da política amazonense

HOJE É DOMINGO Gonzagão ultrapassou fronteiras

Saúde

e bem-estar

Manaus vai sediar, de 25 a 27 de outubro, o primeiro curso sobre autismo. Número de casos no país chega a 1 milhão. Saúde F8 DIVULGAÇÃO

PERIGO

Ilustríssima G8

Os rivais Botafogo e Vasco movimentam o G4 e a zona de rebaixamento, neste domingo, no clássico carioca, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. Pódio E5 IONE MORENO

Política A5

TELEVISÃO

Os conflitos de ‘Barrados no Baile’

Plateia D4

FOGÃO X VASCO

Histórico da construtora e documentos são alguns dos cuidados que o comprador deve ter para evitar transtorno. Salão Imobiliário 1

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RICARDO TRINDADE

‘O acesso à Justiça vai melhorar’ Com a palavra A7 TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

Silêncio vira obstáculo contra tráfico de pessoas

TERRAS

Governo entrega mais de 2 mil títulos na Zona Norte

FÁBIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR

Pesquisa do Ministério da Justiça mostrou que o Amazonas está entre os Estados onde o crime tem como objetivo principal o trabalho escravo LUCIANO NASCIMENTO Agência Brasil

A

ausência de denúncias sobre o tráfico de pessoas dificulta o enfrentamento desse tipo de crime, disse na última sextafeira (18) o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, durante o lançamento da pesquisa Diagnóstico sobre Tráfico de Pessoas nas Áreas de Fronteira no Brasil. O ministro classificou a prática como subterrânea, devido à dificuldade de verificar a sua ocorrência. “O crime do tráfico de pessoas é o que eu poderia chamar de crime subterrâneo. É um crime difícil de detectar e que dificulta profundamente as autoridades policiais e os órgãos de investigação e de repressão do Estado de poderem atuar”, disse Cardozo. O ministro também ressaltou que a dificuldade na obtenção de dados está relacionada à cultura permissiva nesse tipo de crime, o que leva à pouca notificação dos casos. “Esta pesquisa dentre vários aspectos nos mostra, por exemplo, a existência, especialmente nos Estados de fronteira, de uma cultura permissiva, de uma cultura que parece ditar ser normal que as pessoas possam ser traficadas”, declarou. “Também a ausência de denúncias se prende à vergonha das vítimas e das famílias em não querer dizer que sofreram esses atos ilícitos”, completou o ministro.

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça: “Tráfico de pessoas é um crime difícil de detectar”

Delito para obter mais escravos O levantamento, feito pela primeira vez na região de fronteira, abrangendo 11 Estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e Santa Catarina), constatou que as pessoas geralmente são traficadas para fins de exploração sexual e trabalho escravo. Também detectou, situações como pessoas traficadas para a prática de mendicância e de crianças e adolescentes para

servidão doméstica. A pesquisa mostrou ainda a falta de conhecimento sobre o tráfico de índios que residem em regiões mais remotas e que migram de um estado para outro, de um país para outro. “Tráfico de índios que são forçados muitas vezes a serem ‘mulas’ para transportar drogas e de índios que são levados para mão de obra escrava em plantações, na região Sul do país”, disse Cardozo. Nos Estados do Rio Grande

famílias dos bairros Zumbi dos Palmares e Tancredo Neves, na Zona Leste. Ivanhoé Mendes informa que outros bairros de Manaus estão em processo de regularização fundiária, que deve ser concluído até 2014. “Vários bairros de Manaus estão re-

NÚMEROS

Foram entregues 1.460 títulos no Monte das Oliveiras, 129 no Campos Sales, 132 no Vale do Sinai, 228 na Colônia Terra Nova, 39 na Colônia Santo Antônio, 504 no Riacho Doce e 227 no Novo Israel cebendo equipes da SPF para medição dos terrenos e cadastramento socioeconômico dos proprietários”, explica. Mais de 8 mil títulos foram entregues na capital, devendo chegar, até o final do ano, a 15 mil e atingir a marca de 40 mil em todo o Estado, no final de 2014.

José Melo na entrega dos títulos: 40 mil até o fim deste ano

DISTRITO INDUSTRIAL

Fábrica fechada para trabalhadores Cerca de 100 funcionários da empresa Sundown, marca da Brasil & Movimento (B&M), estiveram ontem pela manhã na frente da fábrica de motos, na avenida Buriti, Distrito Industrial, levados pela notícia de que a companhia seria arrematada na última sexta-feira (18) em leilão realizado pela Justiça do Trabalho em 30 de agosto, por R$ 16 milhões. A venda seria efetuada para pagamento de dívidas trabalhistas, e a arrematante foi a Ibepar Participações (Transportes Bertolini). Segundo o advogado da empresa, Rui Mendonça, a notícia surpreendeu a todos, pois um acordo com os credores havia sido feito e homologado em 26 de setembro passado. “Fui informado da situação e fui até o local, onde trabalhadores estavam reunidos em frente aos portões trancados em

do Sul, Pará, Paraná, Amazonas, de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul é maior o tráfico para fins de trabalho escravo. O levantamento destaca que a maior parte é traficada para trabalho escravo na indústria têxtil ou zona agrícola. A maioria dos casos de tráfico para exploração sexual foi identificada nos Estados de Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, do Pará, Amapá e Acre.

O vice-governador José Melo entregou ontem 2.719 títulos definitivos de terra para moradores de sete bairros das zonas Norte e Oeste de Manaus. A solenidade aconteeu na Escola Estadual Ana Neire Marques da Silva, no conjunto Galileia 2, Cidade Nova, Zona Norte. Foram entregues 1.460 títulos para moradores do bairro Monte das Oliveiras; 129 no Campos Salles; 132 no Vale do Sinai; 228 na Colônia Terra Nova; 39 na Colônia Santo Antônio; 504 no Riacho Doce; e 227 no Novo Israel. Foi a quarta entrega de títulos realizada este ano, informa o secretário de Política Fundiária, Ivanhoé Mendes. A primeira foi realizada dia 20 de abril, com a entrega de mais de 700 títulos para moradores do Puraquequara e Colônia Antônio Aleixo. No dia 31 de julho, foram entregues 3,2 mil títulos para moradores de 11 bairros das zonas Oeste e Centro-Oeste de Manaus e, no dia 14 de setembro, 1.537 títulos para

CHICO BATATA/AGECOM

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cumprimento a um mandado judicial”, informou. Sem trabalho A unidade da Sundown na capital amazonense tem em torno de 90 colaboradores, que questionam como irão trabalhar se perderem seus empregos, tendo famílias para sustentar. Os funcionários começaram a se reunir em frente à sede da empresa desde as 7h. “Alguns deles afirmaram que irão ficar acampados até segunda-feira à espera de uma resposta”, disse Mendonça. O processo que tem a B&M como executada tramita na 1ª Vara do Trabalho, e a decisão do juiz Djalma Monteiro de Almeida teve como base o descumprimento de acordos. “O juízo deixa de homologar a ratificação do acordo não cumprido, primeiro, porque seria anuir com o calote, ou

seja, aceitar a ratificação de um negócio não cumprido; segundo, porque seria desrespeitar o princípio da segurança jurídica, como se a hasta pública não tivesse nenhum valor; e terceiro, seria contribuir com um negócio nebuloso envolvendo uma empresa, a cessionária, que além de não cumprir com a sua parte no negócio anterior, não assina o documento de ratificação”, informou o magistrado em sua decisão. Nessa novela, o Sindicato dos Metalúrgicos, reclamente no processo, informou que a Bertolini havia depositado em juízo o valor do imóvel, mas os embargos apresentados pela Sundown causaram o atraso do pagamento dos operários. O leilão abrangeu dois lotes de terras, um de 29 mil metros quadrados e outro de 26 mil metros quadrados.

ANIMAIS

Ativistas organizam protesto Cerca de 50 ativistas de defesa dos animais passaram a noite de sexta-feira (18) em vigília em frente ao Instituto Royal, em São Roque (a 66 quilômetros de São Paulo), de acordo com a Polícia Militar. O grupo permanecia ontem no local, onde estava marcada uma manifestação contra o uso de cães em testes feitos pelo instituto a partir das 10h (hora local). Mais de 9 mil pessoas haviam confirmado participação no protesto pelo Facebook. Na madrugada de sexta-feira, um grupo de ao menos cem ativistas invadiu o instituto e resgatou 178 cães da raça beagle, usados em pesquisas para empresas farmacêuticas. Não é a primeira vez que o

instituto é alvo de protestos. Em agosto do ano passado, cerca de 200 manifestantes de diversas ONGs de proteção aos animais foram até o portão da empresa, onde quatro seguranças estacionaram o carro em frente ao portão de entrada para evitar arrombamentos. Outro lado O advogado do Instituto Royal afirmou que o local “passa por constantes vistorias e nunca foi encontrada irregularidade”. Segundo ele, todas as atividades com animais desenvolvidos no instituto são regulares, certificadas e tocadas por profissionais qualificados, com ampla experiência e reconhecimento. O laboratório registrou

um boletim de ocorrência e aguarda o resultado de inquérito policial para decidir se vai adotar alguma medida jurídica. “Equipamentos de laboratório, computadores, medicamentos e outros objetos ou foram levados ou foram destruídos. Várias salas foram arrombadas. Ainda não foi calculado o prejuízo.” Segundo o promotor do Meio Ambiente de São Roque, Wilson Velasco, que investiga indícios de violação dos direitos dos animais por parte do instituto, laudos de veterinários comprovaram que o espaço estava dentro das normas exigidas. Ele disse que a invasão do instituto fez com que se perdesse qualquer prova que pudesse indicar maus-tratos.

MANIFESTAÇÃO

Médicos não abrem mão da greve Ontem a classe médica local participou da tribuna popular projeto Jaraqui, às 10h, na praça Heliodoro Balbi (praça da Polícia), no centro de Manaus, para discutir o cenário da saúde pública e mecanismos considerados “repressores da democracia”. O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Vianna, contestou todas os argumentos dos gestores municipais que por meio de recursos jurídicos impediriam o direito legítimo da categoria fundamentado na

Constituição Federal e Lei de Greve 7.783/1989. “Não aceitamos o retrocesso no processo da democracia! O prefeito de Manaus, Arthur Neto, e o secretário municipal de Saúde, Evandro Melo, não cumpriram a pauta de reivindicação dos médicos e não aceitaram a negociação segmentada proposta pelo Simeam”, disse Vianna. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, neste fim de semana o Comando de Greve iria se reunir para discutir as estratégias de ação e a as-

sessoria jurídica da entidade e elaborar a Contestação e Agravo Regimental contra a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), que declarou a suspensão da greve no âmbito municipal na última sexta-feira (18). Entre as principais reivindicações da categoria estão a regularização dos médicos concursados que trabalham 40 horas para cumprimento de 20 horas, de acordo com o edital do concurso, e revisão do Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS).


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

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Editorial

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Exemplo da ronda no bairro O programa Ronda no Bairro surpreende os moradores das áreas (praticamente toda a cidade) em que atua, pois não se trata de um comportamento usual dos policiais em relação aos comunitários. Onde e quando já se viu um cidadão caminhar pelas ruas do seu bairro e ser abordado com cordialidade por um policial? Pois é disso que se trata. Os policiais entregam aos comunitários folders com informações sobre o programa criado há pouco mais de um ano, o distrito a que está ligado, o mapa das ruas que os carros patrulham e os telefones de cada viatura. Policiais e moradores aprendem a se tratar pelo nome, o que estabelece um clima de confiança mútua. Há um exercício de boa vizinhança estabelecido por esse programa, que também é inédito na cidade. Agora, pergunte se os profissionais do Médico da Família têm a mesma disposição ou a mesma orientação? Copiado sem o menor cuidado das ações básicas de saúde promovidas em Cuba, esse programa prima por estabelecer o maior distanciamento possível das comunidades onde deveria interagir (pois só assim poderá cumprir seu objetivo). Mas o atendimento básico de saúde permanece como ação de emergência, em que os usuários do serviço são tratados como anônimos com quem jamais se tratará uma segunda vez. Um ambiente de barracas armadas depois da passagem de um furacão, uma relação informal com refugiados e desenraizados. Se o governo tiver fôlego – quer dizer, se o próximo governo não desmantelar, como é de praxe o programa que está dando certo e ganhando a estima da população – para amadurecer essa experiência que parece exitosa, é bem provável que o Ronda no Bairro consiga disseminar entre as várias boas intenções governamentais alguma política que dê certo.

Manaus exporta pedreiro Na quinta-feira passada, o voo da Azul deixou Porto Alegre com destino a Manaus, com escala em Belo Horizonte. Trazia entre os passageiros quatro amazonenses que estavam trabalhando numa cidade do interior dos pampas gaúchos. Detalhe, os quatro eram pedreiros manauenses contratados para obras do governo gaúcho. Imaginar isso há 10 anos seria delírio. Exceto se os trabalhadores fossem executivos de uma grande empresa. Pedreiros, nem pensar. Mal conseguiam trabalho por aqui. E – quem diria –hoje faltam pedreiros em Manaus. Talvez até dois motivos: tem muita obra e pouco pedreiro. E os poucos que temos ainda estão sendo contratados pelo governo gaúcho. Empreitada em Belém Mas não fica só nisso. Os mesmos quatro pedreiros manauenses que estavam fazendo obras no Rio Grande do Sul estão, agora, passando alguns dias com a família em Manaus, e semana que vem já embarcam para fazer novas obras. E sabe aonde? Em Belém do Pará. Novo tempo Dá para acreditar? Pois é a pura e boa verdade. Um novo horizonte profissional se abre para esses profissionais que durante muito tempo eram quase que discriminados como trabalhadores sem qualificação nenhuma. Hoje, pedreiro viaja o país, com passagem e estada pagas, para trabalhar. O passageiro que fez a mesma viagem com os pedreiros e conversou longamente com eles é Leandro Coronel, também manauense, formando em publicidade e propaganda pela ESPM/RS – Escola Superior de Propaganda e Marketing.

— Confesso que me senti orgulhoso de ver aqueles quatro trabalhadores conquistando um espaço de muito respeito e mostrando competência numa região onde a disputa no mercado de trabalho é muito forte –, comentou o publicitário. Dá-lhe, Maria! Ao lado de grandes marcas, como Osklen, Melissa e Boticário, a amazonense Maria Oiticica está representando sua marca de joias sustentá-

veis em feira de inovações em Nova York. A designer de biojoias, que morou em Manaus até o início de 2002, é uma das convidadas a participar do Be Brasil, evento em estilo pop up store, que apresenta algumas inovações brasileiras em diversos setores. Joias da floresta O Be Brasil está rolando desde o dia 15 de outubro e termina dia 22 de outubro, no Soho, em Nova York. Maria Oiticica vai representar sua marca de joias sustentáveis, com produtos da Amazônia, e contar um pouco de suas criações, entre elas cinco de suas peças favoritas. Ponte polêmica A ponte sobe o rio Madeira na BR-364, distrito de Abunã, está dando o maior quiproquó. Quando recebeu em audiência os senadores de Rondônia e Acre para tratar do assunto, o então ministro Alfredo Nascimento informou que o projeto estava sendo redimensionado para adequar-se à realidade do rio após a construção das barragens das usinas hidrelétricas. Deixa comigo Alfredo tranquilizou a todos informando que a obra da ponte estava no PAC e já tinha, desde então, recursos da ordem de R$ 240 milhões para sua execução. Enquanto o preço apresentado pela construtora era de R$ 131 milhões. O dedo dele Na época, foi levantada uma forte suspeita sobre a licitação

APLAUSOS

Charge elvis@emtempo.com.br

subfaturada. E a culpa foi jogada sobre o deputado Roberto Dorner (PPMT), que possui quatro outorgas de autorização concedidas pelo governo federal para explorar serviço de transporte de passageiros, veículos e cargas na navegação de travessia em três rodovias federais na Bacia Amazônica. Manobra criminosa A falta de educação no trânsito continua provocando cenas absurdas na ponte do bairro São Jorge, sentido Centro-bairro, onde a pista oposta está fechada para obras. Motociclistas, taxistas e muitos motoristas confiados permanecem fazendo retorno indevido no acesso pela travessa Arthur Bernardes, até mesmo batendo contra os “dentes de dragão” instalados na área. Toda hora O fato acontece até mesmo em horários de pico. Principalmente à noite, e nos fins de semana, gerando estresse por conta de quem precisa passar por aquele trecho. Falta cidadania Está na hora de se colocar um agente de trânsito – o chamado marronzinho –, para flagrar e punir os irresponsáveis que engarrafam o trânsito, não sabem o que é cidadania e brincam com a vida de seu semelhante. Motora do bem O bom motorista sempre segue até a rotatória nas proximidades do colégio Castelo Branco para pegar a outra pista, sem causar problemas ao tráfego.

VAIAS

VINICIUS DE MORAES

BANDIDOS E CORRUPTOS DIVULGAÇÃO

ABR

Para o poeta VinIcius de Moraes – que ontem completou 100 anos –, por sua obra, história de vida e talento para cantar o amor, a felicidade, o sorriso e a flor.

Para o karma brasileiro de ter que conviver eternamente com bandidos e corruptos. Por mais que a polícia prenda, as investigações desbaratem quadrilhas todos os dias, eles continuam surgindo aos borbotões.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

A questão e seus dois lados Quando uma questão atinge a dois lados e os dois têm interesses, versões e objetivos diferentes e ainda, além disso, vivem em mundos ou ambiências díspares, será sempre muito difícil resolvêla, precisamente porque a harmonização conciliadora dependerá de concessões e de renúncias de interesses unilaterais. Escritores e pesquisadores com índole de historiador reagem com veemência contra a posição assumida por músicos e artistas de outros naipes que, em nome de uma possível preservação da privacidade pessoal, se insurgem contra a liberação de imagens e dados biográficos que se tornariam públicos por meio de livros e artigos. Dentre os que pretendem impedir ou apenas embaraçar o trabalho dos biógrafos, há os que o fazem por razões apenas pessoais, como ocorreu, por exemplo, com o cantor Roberto Carlos, que conseguiu impedir judicialmente a publicação da sua história pessoal. Neste caso, como em outros semelhantes, não se vislumbra nenhuma outra razão que não seja o desejo de ocultar suas particularidades e, tenha ou não esse direito, nada há aí de incongruente ou contraditório. Em outros específicos casos surge uma dimensão a mais, que alguns veem como intrinsecamente contraditória. São aqueles que envolvem artistas e intelectuais altamente politizados, que se deixaram marcar por intensa participação na vida pública e política da nação, sobretudo quando se manifestaram com veemência contra qualquer tipo de censura. A essa colocação respondem que não estão agindo em defesa da censura, mas apenas exercendo o

direito de preservação da própria intimidade pessoal. Há porém uma particularidade que não pode ser excluída do debate e que atinge tanto um artista de comportamento político comedido, como é o caso de Roberto Carlos, quanto um artista que sempre foi um ativista político e que, inclusive, teve problemas marcantes com os governos autoritários, que o levaram mesmo a exilar-se em outros países, como ocorreu, por exemplo, com Chico Buarque e com Caetano Veloso. Esse dado particular reside simplesmente no fato de que todos eles são personalidades públicas, que se promovem e se aceitam como de consumo social e, assim, passam a pertencer à cultura nacional e, por isso, ao próprio povo, com acentuada restrição do seu direito à privacidade, já que um pacto tácito é estabelecido entre eles e o seu público, abrindo suas vidas à sociedade que os consome e os mantêm. Muito difícil, como se vê, estabelecer aí os limites que seriam razoáveis para ambas as partes. Finalmente, há que considerar-se que a obra de um artista e mesmo de qualquer homem público sempre se vincula estreitamente à sua vida pessoal e às contingências que a marcaram. Seria então legítimo privar-nos do conhecimento a respeito desses expoentes da humanidade? Como aceitar ser privado de saber sobre a vida de Beethoven, mesmo que nos deem o acesso à sua obra genial? Nada saber sobre as pessoas de Balzac, de Galileu, de Maquiavel, de Shakespeare, de Molière seria razoável, porque seus descendentes gostariam de proteger segredos pessoais ou familiares?

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Finalmente, há que considerar-se que a obra de um artista e mesmo de qualquer homem público sempre se vincula estreitamente à sua vida pessoal e às contingências que a marcaram. Seria então legítimo privar-nos do conhecimento a respeito desses expoentes da humanidade?”


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Opinião

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Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Vai passar?

Manter a imunidade de impostos da emenda constitucional nº 75 também para fora da área da Zona Franca significa eliminar fatores de compensação comparativa das indústrias do segmento audiovisual, que operam e empregam um grande número de trabalhadores, o que poderá causar a extinção das indústrias fonográficas no Estado

Os líderes dos partidos da Câmara vão discutir na terça-feira pedido do deputado Newton Lima (PTSP) para que seja votado em plenário projeto seu que acaba com a censura a biografias e está parado na Comissão de Constituição e Justiça. O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), diz que agilizará a votação da matéria se o colegiado decidir. “Está na pauta nacional e o Legislativo pode decidir.” Ele evita, no entanto, antecipar sua opinião sobre o mérito da proposta. Placar A maioria dos líderes já se manifestou a favor da liberação de biografias. A dúvida recai sobre que posição será adotada pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Histórico Caiado processou em 2005 o escritor Fernando Morais, e obteve sua condenação, por ter sido citado no livro “Na Toca dos Leões”, sobre a agência de publicidade W/Brasil. Dinastia O projeto original que retira do Código Civil o dispositivo que permite censura a biografias é do ex-ministro Antonio Palocci. Foi reapresentado na legislatura passada pelo atual titular da Justiça, José Eduardo Cardozo e, em 2011, teve a terceira versão, pelas mãos de Lima. Na reserva O governo de São Paulo fez as contas e afirma que está “pouco propenso” a reduzir sua alíquota de ICMS incidente sobre combustível de aviação, de 25% para 12%. O pedido foi feito pelo ministro Moreira Franco (Aviação Civil), em uma tentativa de abrir espaço para a redução das tarifas aéreas.

Onde pega Auxiliares de Geraldo Alckmin reconhecem que, para fugir do imposto de 25%, as empresas aéreas abastecem suas aeronaves em outros Estados. A perda de arrecadação, entretanto, seria maior com o corte do ICMS. O Distrito Federal atendeu a pedido das companhias e reduziu a alíquota. Ponta... Municípios consultados pela Frente Nacional dos Prefeitos estimam que suas dívidas com a União devem cair entre 30% e 40% com a proposta de mudança na fórmula de correção. ... do lápis Depois de fazerem as contas, os prefeitos passaram a telefonar para os deputados em Brasília para pedir a aprovação do projeto. Dois pra lá... Eduardo Campos viajará a São Paulo amanhã para acompanhar Marina Silva na TV Cultura, onde a ex-senadora e sua possível companheira de chapa em 2014 dá entrevista ao programa “Roda Viva”. ... dois pra cá O governador de Pernambuco, por sua vez, participa dia 11 de novembro do “Programa do Jô”, da Rede Globo,

Omar Aziz, governador do Amazonas, ao ingressar, sextafeira 18, com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a emenda constitucional conhecida como PEC da Música, que criou isenção de impostos para CDs e DVDs de artistas nacionais. A ação está nas mãos do ministro Teori Zavascki.

que na semana passada exibiu entrevista com a ex-senadora. Túnel do tempo De um aliado que conversou recentemente com Lula, sobre a reação do ex-presidente à aliança entre Campos e Marina: “Acho que, se pudesse voltar atrás, ele recolheria pessoalmente assinaturas para viabilizar a Rede”.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

SAC Nas conversas políticas, Lula procura traçar um diagnóstico de como anda a relação do governo Dilma Rousseff com os Estados, na tentativa de remover obstáculos às alianças para 2014.

IONE MORENO

Infiltrados Eduardo Campos tem manifestado contrariedade com a ação de dirigentes do PSB suscetíveis a pressões do PT. Tem dito que terá de achar um modo de contê-los na campanha. Sem alta Diferentemente de outros ministros que serão candidatos e devem deixar as pastas entre dezembro e janeiro, Alexandre Padilha (Saúde) não recebeu sinal de Dilma sobre quando será liberado para a campanha para o governo de São Paulo.

Tiroteio

A preocupação com o câncer de mama e o alerta para o preventivo do câncer de útero e ovário, dessa vez, ganhou adeptos inusitados. Quando se esperaria que um ônibus “de linha” se atrevesse a “vestir” o rosa da campanha e saísse a divulgá-la sem cobrar um aumento de tarifa, que é a pauta de todos os dias?

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Será que a família de Augusto Pinochet autorizaria biografia sobre as barbaridades que o ex-ditador cometeu e ordenou no Chile?

O sinal de Jonas

DE WADIH DAMOUS, presidente da Comissão da Verdade do Rio, sobre artistas que defendem a necessidade de autorização para publicação de biografias.

As missões católicas e as das igrejas protestantes históricas se caracterizam, sobretudo na África e na Ásia, por duas construções além da igreja: a escola, em geral com internatos para meninos e meninas, e o dispensário ou hospital. Assim acontece a propagação do Evangelho e a implantação da Igreja. De um lado o cuidado com a vida material, a saúde e, de outro a instrução que acompanhava a catequese e o catecumenato. Isto aconteceu, sobretudo dos meados do século 19 até meados do século 20, quando o Estado assumiu a educação e a saúde, muito embora muitas escolas e hospitais ainda estejam com a Igreja e com novas expressões religiosas que vão surgindo. Não deveria causar admiração este método missionário uma vez que o cristianismo é a religião da Palavra. E como religião da Palavra logo se inculturou na cultura greco-romana, utilizando-se de seus conceitos racionais para expressar os seus dogmas, e da sua racionalidade legal para organizar-se. Mais adiante é na Igreja e com ela que começam as instituições que dariam origem as Universidades. Por isso a fé cristã autêntica não se opõem à razão e quando razão e fé não se entendem é preciso dialogar e aprofundar cada uma das duas para detectar onde está o problema. Para a religião da Palavra a única forma válida de expansão é o diálogo, que se torna característico da missão. Diálogo supõe palavra e mais que isto confiança na palavra e na sua força. Supõem também reconhecimento do outro e da vontade fundamental que existe

Contraponto

Com a mão no bolso Geraldo Alckmin (PSDB) ficou desconfortável ao perceber que era uma das poucas autoridades sem gravata em um evento do governo paulista na última sexta-feira. --Queria pedir desculpas por ter vindo aqui sem gravata. Em Pindamonhangaba, minha cidade natal, ir a solenidade sem gravata é como estar literalmente nu - disse. Depois, o tucano se justificou: - É que eu saí cedo e encontrei meu filho indo trabalhar. Ele estava sem gravata porque, nas empresas privadas, sexta-feira é o “casual day”. Eu vi ele sem gravata e quis entrar nessa - explicou, provocando risos. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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em todo ser humano de buscar e encontrar a verdade. Diálogo supõe liberdade religiosa e isto quer dizer também estado laico. Na história da missão sempre houve a tentação de usar o poder do Estado para impor o Evangelho e vice-versa, a tentação de usar a religião como suporte e legitimação do poder político. O resultado sempre foi desastroso. As instituições religiosas devem colaborar para o bem comum e por isso o Estado as deve reconhecer e em muitos casos subsidiar, com regras claras e transparentes. Dois grandes perigos rondam a humanidade, o primeiro é o crime organizado, uma sociedade paralela que se rege por leis próprias, considerando os seres humanos meros consumidores de drogas ou mercadorias que podem ser traficadas a vontade, o segundo é o fundamentalismo religioso que mata em nome de Deus, sem nenhum respeito pela liberdade individual e pelos direitos humanos fundamentais. Nesta situação é preciso voltar ao sinal de Jonas, que foi a palavra que mudou a situação de Nínive. Fortalecer a Palavra sem medo da razão, fortalecer a palavra sem utilizar-se do poder e sem usá-lo para expandir a Igreja que deve manter-se livre e libertadora. O Estado laico deve reconhecer a religião, garantir seus espaços e não interferir nas suas atividades próprias, desde que estas não firam a liberdade dos outros. Cabe às religiões não caírem na tentação do conchavo político, das alianças espúrias, da utilização de meios que destroem a liberdade e a dignidade das pessoas.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Diálogo supõe palavra e, mais que isto, confiança na palavra e na sua força. Na história da missão sempre houve a tentação de usar o poder do Estado para impor o Evangelho e vice-versa, a tentação de usar a religião como suporte e legitimação do poder político. O resultado sempre foi desastroso”.


Política

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Política de Manaus será contada em um memorial

ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM/CMM

Instalado no salão nobre da Câmara Municipal de Manaus (CMM), o espaço vai ser inaugurado na próxima quarta-feira

O poeta Dori Carvalho, que é o responsável pelo acervo e conteúdo do “Memorial Carlos Zamith”, explicou que a intenção do espaço é resgatar a história política do Estado e de seus personagens

da nossa cidade, personagens ilustres como o Fábio Lucena, ficarem esquecidos daquela forma. Os jovens precisam conhecer quem foram essas pessoas, o que elas pensavam, defendiam e a sociedade precisa relembrar essa história. Quem me conhece sabe o valor que dou para a história da nossa cidade, dos nossos representantes políticos. Por isso convidamos os funcionários da CMM a colaborar com esse projeto”, disse Bosco. Resgate Entre as personalidades que ganharão as telas do me-

EXPOSIÇÃO

Estará exposto ainda no memorial a carteira de identidade do exvereador Sérgio Rodrigues Pessoa Neto, que assumiu a presidência da CMM em 1948, após a morte do presidente, Adriano Jorge morial estão os ex-senadores Fábio Lucena, Jefferson Peres, João Bosco Ramos de Lima e o governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD). A história da Câmara, da cidade de Manaus e dos ex-presidentes da instituição desde 1833, também fazem parte do acervo virtual. “A intenção do memorial da Câmara Municipal de Manaus é resgatar a história política da cidade e é contando a vida política de pessoas que contribuíram com a cidade, participaram ativamente da política e da formação do parlamento que faremos esse

resgate. Por meio da história de vida desses personagens que fazem parte da Câmara desde 1833, é possível contar muito da história da Câmara e de Manaus”, explicou Dori Carvalho, responsável pelo acervo e conteúdo do espaço. Personagens Entre as relíquias do memorial, várias fotos do ex-senador Fábio Lucena, uma delas, durante sessão plenária na década de 70, quando foi vereador em Manaus. Ele foi eleito em 1972 e 1976 e durante esse tempo ajudou a escrever a história da casa legislativa com Projeto de Decreto que atribuiu o nome do ex-presidente da CMM, Adriano Jorge, ao plenário do Parlamento. Nascido em Barcelos (AM), Lucena – que também foi senador eleito por dois mandatos (1982 e 1986), morreu em 1987 deixando sua marca na política do Amazonas. Tatiana Lucena, uma das filhas do exsenador, destaca que a vida de figuras históricas não deve ser esquecida. “É importante esse resgate da história do meu pai, que é sinônimo de coragem e honestidade, o que falta muito hoje nesse cenário político”, disse. “Louvável a atitude do presidente Bosco Saraiva em resgatar essa memória do Brasil e do Amazonas”, finalizou Tatiana. Além de fazer parte da história da Câmara, Fábio Lucena é parte de Manaus por ter dado nome a escolas, ruas, becos e à ponte que liga o bairro São Raimundo ao bairro Aparecida. O memorial ganhou ainda um livro escrito por Simão Pessoa, sobre a história da Câmara de Manaus, que ainda será lançado.

Misto de interação e tecnologia Neste primeiro momento, o museu será virtual, com telas onde as pessoas acessarão as informações por meio de conteúdo interativo. Os visitantes terão acesso ao acervo por meio de gestos em frente à tela. De acordo com o responsável pelo sistema tecnológico do memorial, o chefe do Departamento de Informática da CMM, Luciano Mendes, não há outro projeto com tecnologia similar em Manaus que ofereça essa interação e acessibilidade que o memorial terá. Além das telas com sensor de movimento, os visitantes poderão ouvir a história por fones e acompanhar a tradução em libras, o que permitirá que pessoas com deficiência

visual ou auditiva possam visitar e ter acesso ao conteúdo multimídia. Em um segundo momento, o memorial será ampliado e trará novas informações, objetos e estatuetas de personalidades da política amazonense. A atualização das informações será contínua, com novas fotos, vídeos e objetos que podem ser doados ou cedidos para exposição na Câmara. O memorial está em busca de objetos pessoais, fotos históricas, livros vídeos ou qualquer item da família e de amigos que contêm a história da política manauara. Contribuições O acervo virtual foi organizado a partir de contribuições

de familiares, amigos e da pesquisa de servidores da CMM que buscam registros históricos desde o início do ano para montar o memorial. Entre os colaboradores estão as servidoras da casa e pesquisadoras Cíntia Lins e Laura Vicuña; o designer Jean Ítalo Collares; os servidores Antônio Diniz e Dori Carvalho, responsáveis pelo conteúdo do memorial; o escritor Simão Pessoa; o responsável técnico Luciano Mendes, a professora Gisela Braga, que cedeu fotos antigas de Manaus, familiares e amigos de vereadores e figuras políticas do Estado. O espaço ficará aberto ao público no mesmo horário de funcionamento da Câmara que é das 8h às 14h, de segunda a sexta-feira. REPRODUÇÃO

O

s 180 anos de história da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que serão comemorados em dezembro, e de alguns dos principais nomes da política da cidade serão resgatados e contados por meio de tecnologia de ponta. Fatos históricos, fotos de vereadores e ex-presidentes da casa legislativa, objetos pessoais, livros e vídeos estarão disponíveis para visitação a partir do dia 23 de outubro no memorial da Câmara, que será equipado com 11 telas de 55 polegadas, sensíveis ao toque, para tornar acessíveis as informações que resgatam a memória política de Manaus. O memorial será inaugurado na próxima quarta-feira, em comemoração ao aniversário de 344 de Manaus (que acontece no dia seguinte) e será o espaço de referência da cidade sobre os fatos históricos dos políticos amazonenses. O museu audiovisual funcionará no salão nobre do Legislativo municipal, que receberá o nome do ex-vereador, escritor, historiador e jornalista Carlos Zamith, que faleceu aos 87 anos, em julho deste ano, deixando uma grande contribuição à história de Manaus e ao futebol amazonense. A iniciativa do Memorial surgiu depois que o presidente da casa, vereador Bosco Saraiva (PSDB), durante uma visita ao depósito da sede do Legislativo municipal encontrou um vasto acervo da Câmara em condições precárias e misturadas em meio a móveis velhos e entulho. “Foi uma imagem que me marcou muito. Como podia a história dos representantes políticos

O ex-vereador Fábio Lucena (em pé) é um dos homenageados no Memorial da Câmara


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Política

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Parlamentares lançam projeto suprapartidário

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Estou disponível para o partido para o que ser e vier” JOSÉ SERRA (PSDB) torcendo para que a pré-candidatura de Aécio Neves não decole

Contribuinte é quem paga multas dos partidos Terminado o prazo de filiações partidárias, pré-candidatos queimam a largada antecipando campanhas em aparições públicas e programas de televisão, em flagrante desrespeito à lei e aos cidadãos. O Tribunal Superior Eleitoral distribui multas, tentando impedir as infrações. Mas o detalhe é que as penalidades aos partidos infratores são pagas pelo mesmo contribuinte desrespeitado, por meio do Fundo Partidário. Pobre eleitor Em 2010, Dilma (PT) foi multada pelo TSE em R$25 mil, e Aécio Neves (PSDB) em R$ 22,5 mil, mas quem pagou foi o eleitor-contribuinte. Por nossa conta Saem do bolso do contribuinte os quase R$ 400 milhões anuais que compõem o Fundo Partidário, objeto de desejo dos donos de siglas. Tá explicado As leis são feitas pelos políticos, e eles definem como e quanto pendurar as próprias malfeitorias no Fundo Partidário. Fundo é uma mãe Até quando a multa é pela má prestação de contas de campanhas, o dinheiro sai dos cofres públicos que abastecem o Fundo Partidário. Farra federal: US$ 12 mil a datilógrafa no Japão Só o Itamaraty pode explicar o que faz com os ideogramas japoneses a datilógrafa brasileira (CPF ***.245.211-**) que embolsa US$ 12 mil por mês no Japão: ela integra o “trem da alegria” de servidores colocados à disposição de embaixadas e consulados, burlando o “caráter excepcional” de uma

lei de 2006. O vale-tudo contempla profissões já extintas e até inúteis nas representações diplomáticas, como artífice. Excepcionais Os “farristas” descumprem a exigência legal de vagas nos postos, domínio do idioma local, concurso e formação educacional adequada. Mantra Marina Silva bateu na tecla, em reunião do diretório do PSB, de sua aposta na alternativa política para o País, e não em projeto de poder. Ao ataque Aécio Neves planeja intensificar suas visitas a São Paulo, onde deu uma trégua para não parecer provocação ao desafeto José Serra. Sob pressão Testemunha em sindicância do Departamento de Imigração e Assuntos Jurídicos do Itamaraty, o advogado Luis Vásques disse na quarta (16) que chegou a responsabilizar pessoalmente diplomata Eduardo Sabóia por eventual suicídio do opositor Roger Molina na Embaixada do Brasil. Clésio 2014 O senador Clésio Andrade (PMDB) já informou a diversos personagens da política mineira, incluindo pré-candidatos como Fernando Pimentel (PT), que sua candidatura a governador de Minas Gerais é irreversível. Falta qualidade Após Dilma afirmar que seus adversários terão de “estudar” para ser presidente, o deputado Marcos Pestana (PSDB-MG) ironizou o eventual cursinho preparatório da presidenta: “Aécio, Eduardo e Marina não se interessariam,

PODER SEM PUDOR

Bolsas para todos Conta-se em Urussanga (SC), cidade vizinha a Criciúma, que em 1999 estudantes carentes pediram bolsas de estudo ao vice-prefeito Sandrini, que assumira no lugar do titular, Ruberval Pilotto. Solícito, o prefeito interino chamou um assessor e determinou que fosse à papelaria adquirir todas as bolsas que fossem necessárias. E ainda reforçou, para incredulidade geral: - Se a prefeitura não tiver dinheiro, pode colocar na minha conta, eu pago.

Jornalista

Proposta em parceria com o site Congresso Em Foco quer realizar debates de temas nacionais por um novo Brasil GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

porque prezam muito a qualidade do ensino”. Chapa dos sonhos O governador Jaques Wagner (PT-BA) articula para lançar o secretário Rui Costa (Casa Civil) candidato a sua sucessão, em chapa com Otto Alencar (PSD) ao Senado e Mário Negromonte (PP) candidato a vice. Boa política O chanceler Luiz Alberto Figueiredo acertou com o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) participar de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, na próxima quinta-feira (24). Aberto ao público Líder do PSB, Beto Albuquerque (RS) sugeriu ao governador Eduardo Campos (PE) e a Marina Silva que o PSB e a Rede criem um Conselho Político com participação de lideranças políticas, artistas e intelectuais. Pedras no caminho Cotado para disputar o governo paulista, o deputado Walter Feldman (PSB) terá de enfrentar idêntica pretensão dos deputados socialistas Luiza Erundina e Márcio França. Mas Marina prefere Feldman. Briga no TO O PSD-TO vai à Justiça contra o governador Siqueira Campos (PSDB), por ameaçar cortar verbas públicas de prefeitos da oposição e interferir em processos no Tribunal Regional Eleitoral e no Tribunal de Contas. Pensando bem... ...com políticos, doadores de campanha e até defuntos no cadastro, o Bolsa Família deveria se chamar Mamata Família.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi quem teve a idea de concretizar esse projeto

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m encontro realizado na última quintafeira no restaurante Olivae, em Brasília, costurou as linhas gerais de um projeto ambicioso. Promover um debate suprapartidário entre as lideranças mais bem avaliadas do Congresso Nacional, personalidades de diferentes áreas e a sociedade com a pretensão de propor soluções concretas para os grandes problemas nacionais. A ideia nasceu de parlamentares agraciados este ano com o Prêmio Congresso em Foco, realizado anualmente pelo site jornalístico de mesmo nome e que, aceitou o desafio de viabilizá-la. Debates nas principais capitais do país, com transmissão ao vivo pela internet, contemplarão temas tradicionalmente negligenciados pelo Parlamento brasileiro e que voltaram à tona com as manifestações deflagradas em junho, como educação, saúde, previdência, mobilidade urbana, combate à corrupção e à criminalidade e desenvolvimento econômico sustentável.

As discussões serão realizadas a partir de março de 2014 e os seus resultados serão reunidos em livro e, conforme sugestão aprovada pelos parlamentares participantes do almoço, convertidos em propostas legislativas a serem

PREOCUPADOS

Eleito o melhor senador pelos internautas este ano, Cristovam Buarque destacou que os parlamentares premiados têm em comum o fato de não serem indiferentes às reivindicações populares apresentadas no Congresso. Nove parlamentares prestigiaram o lançamento do projeto: os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Cristovam Buarque (PDT-DF), Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e os deputados Alessandro Molon (PTRJ), Chico Alencar (Psol-RJ), Jean Wyllys (Psol-RJ), Marcus

Pestana (PSDB-MG) e Paulo Teixeira (PT-SP). Os senadores Humberto Costa (PT-PE), Ana Amélia (PP-RS), Delcídio do Amaral (PT-MS) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) se desculparam pela impossibilidade de comparecer, mas afirmaram apoio à iniciativa. O fundador do Congresso em Foco, Sylvio Costa, apresentou um esqueleto da ideia, que foi enriquecida com diversas sugestões de aprimoramento, tanto em relação aos temas a serem tratados quanto ao formato do projeto, cujo nome provisório é “Brasil em foco”. Em 2014, ele substituirá o Prêmio Congresso em Foco, que não será realizado no ano que vem em razão da coincidência com a campanha eleitoral (o prêmio será retomado em 2015). A conexão entre o prêmio e o novo projeto é forte. Os parlamentares premiados, além de participarem dos debates a serem realizados, atuarão como curadores informais, indicando por exemplo nomes representativos para participar das mesas de discussão.

Debates têm que ser amplos Autor da ideia de reunir os parlamentares premiados em torno de discussões sobre o futuro do país, o senador Randolfe defendeu que os debates não se limitem a “teses acadêmicas”. “Mais importante que o debate é propor conclusões. Dos debates, sairiam propostas legislativas”, sugeriu. O senador recomendou, ainda, que essas conclusões sejam tema de debate entre os candidatos à Presidência

da República, mediado pelo Congresso em Foco. Pedro Simon também demonstrou entusiasmo com a possibilidade de abertura de uma nova janela de debate sobre questões nacionais, algo que, segundo ele, deixou de existir no Parlamento há algumas décadas. Marcus Pestana também lamentou o desaparecimento de espaços para encontros suprapartidários entre congressistas que se preocupam em

discutir os grandes temas. Aécio e o petista Alessandro Molon deixaram de lado as divergências partidárias e sugeriram a inclusão da mobilidade urbana entre os objetos de discussão. Paulo Teixeira e Jean Wyllys também defenderam a discussão de temas levantados pelas manifestações. “O tema da democracia vai além do Parlamento. Talvez possamos dar uma abrangência maior a esse item’’, disse Teixeira.


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Ricardo TRINDADE

‘O ACESSO à Justiça VAI MELHORAR’ FOTOS: IONE MORENO

LUCIANO FALBO Especial EM TEMPO

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Nos últimos anos, a Defensoria vem se tornando bem mais conhecida. A Defensoria Pública do Amazonas foi criada em 1990. Algum tempo atrás, o conhecimento sobre ela era muito reduzido. Temos observado que esse conhecimento tem aumentado e tem repercutido no aumento da demanda”

om 27 anos de profissão, sendo 23 na Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), e 54 anos de idade, o defensor-geral Ricardo Trindade vive o apogeu profissional. À frente da Defensoria do Estado, está vendo 60 novos defensores públicos sendo incorporados à instituição, que sofria com a falta desses profissionais. Em sua gestão, também vê a autonomia financeira se tornar realidade com o recente anúncio feito pelo governador Omar Aziz (PSD), que já adiantou que enviará o projeto para análise do Legislativo estadual. Trindade contou para a reportagem que entrou na defesa dos mais carentes, antes mesmo da criação da Defensoria - instituída pela Constituição Federal de 1988 - no extinto serviço de Assistência Judiciária gratuita, em 1986. O defensor disse que a escolha foi vocacional e que as recentes conquistas na DPE-AM representam um ganho para a cidadania. EM TEMPO – Por que a maior parte dos novos defensores públicos estaduais são de outros Estados? Ricardo Trindade – Primeiro, porque nós tivemos um número grande de escritos de fora do Amazonas e de pessoas que se dedicam a fazer concurso em todo o Brasil, que nós chamamos de “concurseiros”. É uma tendência muito grande nas carreiras jurídicas de aprovação de pessoas de outros Estados. EM TEMPO – Existe muita reclamação de entidades de classe e de membros da Justiça, bem como dos serviços essenciais, sobre a falta de profissionais e estrutura. Como isso afeta a qualidade do atendimento à população? RT – Com esse fortalecimento da Defensoria, porque é o órgão que permite o acesso à Justiça aos carentes, com o aumento do número de defensores e, acima de tudo, com a nossa autonomia financeira, que foi anunciada pelo governador, a

tendência é que haja uma melhora considerável do acesso à Justiça, à resolução mais rápida dos processos, à diminuição da população carcerária. EM TEMPO – Perguntaria, justamente, como a chegada dos novos defensores vai mudar esse cenário de reclamação de morosidade, falta de profissionais? RT – Principalmente no interior do Estado, onde não há advogados, os processos ficam paralisados porque não tem quem atue no processo. Agora, com a presença do promotor de Justiça e do defensor público, a tendência é que esses processos tenham andamento. A chegada desses profissionais vai permitir também que a população possa ajuizar ações em relação aos diretos a que fazem jus e deixam de reivindicar na Justiça, justamente, por conta da falta de um profissional para assisti-los. É um ganho para a cidadania. EM TEMPO – O que a população sabe realmente sobre o trabalho da defensoria? RT – Nos últimos anos, a Defensoria vem se tornando bem mais conhecida. A Defensoria Pública do Amazonas foi criada em 1990. Algum tempo atrás o conhecimento sobre ela era muito reduzido. Temos observado que esse conhecimento tem aumentado e tem repercutido no aumento da demanda dos serviços porque há uma procura bem maior, principalmente na capital. EM TEMPO – Existe um projeto, que está em vias de ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff, que facilita o processo de criação de novos municípios. No Amazonas, isso vai impactar de que forma o trabalho da Justiça e dos serviços auxiliares? RT – Dependendo da quantidade de municípios que forem criados, certamente, vai influenciar. Deverão implicar na necessidade de aumento de mais defensores, juízes, promotores, na medida em que surjam mais comarcas. EM TEMPO – Na posse dos novos defensores, o go-

vernador Omar Aziz disse esperar que o trabalho dos nomeados seja focado em ações coletivas, não esquecendo as ações individuais. O senhor compartilha desse pensamento? RT – Compartilho plenamente. Até porque nas ações coletivas se consegue atingir um número de pessoas bem maior, beneficiando toda uma coletividade numa ação só. É de suma importância que a Defensoria Pública se volte para ajuizar ações em prol das comunidades, quando estas estiverem sofrendo com algo que afete seus direitos. EM TEMPO – A maior demanda é de processos familiares, em que as ações são individuais. Se a orientação é trabalhar por ações coletivas e a maior demanda são ações individuais, como equalizar essa conta? RT – Nas ações coletivas, apesar de ser um número menor de ações, podemos atingir um número maior de pessoas, 500, 600 até 5 mil. Em relação às ações familiares, temos mais ações, mas menos pessoas beneficiadas. EM TEMPO – Na prática, qual o benefício da autonomia financeira para a instituição? RT – Com a autonomia financeira, a Defensoria vai ter a liberdade de gerir o seu próprio orçamento para fazer concurso ou adquirir prédios, por exemplo, sem pedir autorização para o governo. Então caberá ao gestor tomar as iniciativas que ele achar importante. EM TEMPO – O senhor falou que esses 60 novos defensores ainda não satisfazem a necessidade do Estado. Explique. RT – Quando se fala isso é porque, em razão da carência existente na capital, esses novos defensores muito brevemente estarão vindo para Manaus. Então, dai nós vislumbrarmos futuramente, em 2015 ou 2016, realizar um outro concurso para suprir aqueles defensores promovidos para a capital. EM TEMPO – Qual o período mínimo que esse pro-

fissional deve ficar lotado no interior? RT – Três anos. O período do estágio probatório. O início de carreira começa obrigatoriamente no interior, assim como no Ministério Público e na magistratura. A classe para qual serão promovidos está vazia, então logo terão que ocupá-las. EM TEMPO – Por que existia tanta carência de defensores? RT - Isso é decorrente do longo tempo que a Defensoria ficou sem fazer concurso público. Antes desse último concurso, só tivemos um outro em 2003 nesses 25 anos. Nesse período, o quadro foi se esvaziando por conta de aposentadoria, falecimentos que culminou nessa situação de vazio no quadro, que agora está sendo resolvido. EM TEMPO – Nesse tempo que a instituição ficou defasada de profissionais como conseguiu se manter? RT - A grande verdade é que os defensores tiveram que se desdobrar, com uma carga excessiva de trabalho. E todas as pessoas que nos procuram nunca ficaram sem atendimento. Um volume de trabalho grande. Tanto é que os defensores atuam em pelo menos três varas. Para dar conta, avaliamos aos casos mais urgentes que são priorizados. EM TEMPO – Em todos esses anos de trabalho, existe algum caso que marcou a sua vida, além do campo profissional? RT - Fui designado para defender um rapaz acusado de praticar homicídio. A família disse que era legítima defesa e montei minha tese. Quando fui falar com ele tive uma surpresa: ele estava com uma Bíblia nos braços e disse “doutor, sei que minha família disse que foi para me defender, mas é mentira, aceitei o senhor e não vou mentir mais”. Anos mais tarde, quando o vi novamente ele estava bem arrumado e tinha se tornado pastor evangélico. Fiquei muito feliz e aquilo me marcou profundamente, fazendo acreditar cada vez mais no ser humano.

Com a autonomia financeira, a Defensoria vai ter a liberdade de gerir o seu próprio orçamento para fazer concurso ou adquirir prédios, por exemplo, sem pedir autorização para o governo”

A grande verdade é que os defensores tiveram que se desdobrar, com uma carga excessiva de trabalho. E todas as pessoas que nos procuram nunca ficaram sem atendimento”


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Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

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IONE MORENO

A autonomia do trabalho de free lancer Economia B4

Empresas no AM abrem 10 mil vagas para a Copa FOTOS: REINALDO OKITA/ARQUIVO EM TEMPO

Empreendimentos de vários setores “correm contra o tempo” para contratar mão de obra qualificada para o evento mundial

Camareiras, recepcionistas, mensageiros, técnicos em manutenção e garçons figuram entre principais categorias que serão demandadas durante jogos que acontecerão em Manaus no próximo ano ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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uem quer garantir renda com a Copa de 2014, ainda dá tempo de encontrar emprego. A menos de oito meses para o início dos jogos do grande evento futebolístico mundial, setores importantes da economia amazonense procuram profissionais qualificados para preencher em torno de 10 mil vagas que estão abertas no aguardo por interessados. Somente no setor de bares e restaurantes, ao menos 5 mil vagas serão disponibilizadas em Manaus até junho do próximo ano, quando será dado o pontapé inicial para os jogos da Copa de 2104. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel/AM), Janete Fernandes, as oportunidades abertas vão suprir a necessidade do setor que deverá registrar crescimento de 10% até meados do próximo ano. “Atualmente, empregamos em torno de 60 mil pessoas na capital amazonense e deveremos contratar mais 5 mil empregados para garantir a demanda do setor”, explica. Por sua vez, a rede hoteleira ofertará até 3 mil vagas para a Copa de 2014. A demanda será, principalmente, por camareiras, recepcionis-

tas, mensageiros, técnicos em manutenção e garçons. Para essas categorias, os salários vão variar entre R$ 750 a R$ 2,2 mil conforme a função, qualificação e necessidade das empresas. “Há empresas que querem contratar profissionais que falem dois ou até mesmo três

TORNEIO

Ao todo, Manaus vai receber quatro jogos durante a Copa de 2014, ou seja, oito seleções diferentes virão jogar na cidade, atraindo turistas para região e criando oportunidades de emprego idiomas”, conta o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Amazonas (Abih/AM), Roberto Bulbol. Segundo ele, a expansão da oferta foi favorecida também pela inauguração de cinco empreendimentos, cujas portas vão ser abertas no próximo ano com 2 mil novos apartamentos. “Ao menos mil pessoas deverão ser contratadas em definitivo, enquanto os demais atuarão em

regime temporário”, revela Bulbol. Comércio Já no comércio, as vagas que serão criadas exclusivamente para a Copa de 2014 somam 2 mil oportunidades, conforme estimativa da Câmara de Dirigentes Lojista de Manaus (CDL Manaus). Conforme o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag, o volume ofertado poderia ser maior se houvesse mais investimentos. “Poderia ser a melhor o número de contratação diante da magnitude de evento como a Copa de 2014”, analisa.

Capacitação é um dos gargalos Segundo os empresários, apesar de as oportunidades existirem, falta mão-deobra capacitada para atender a demanda do mercado. Para enfrentar esse gargalo a aposta é em cursos profissionalizantes nas áreas que vão ser mais demandadas para a Copa de 2014. No caso dos bares e restaurantes, a Abrasel realiza com frequência cursos próprios para qualificar as pessoas áreas da gastronomia, incluindo, garçons, co-

zinheiros, chefes de cozinha, atendentes, recepcionista, barman entre outros. Segundo a entidade, um garçom ou cozinheiro podem ganhar em média até R$ 2 mil dependendo da casa onde trabalham. Já o chefe de cozinha pode receber salário de até R$ 5 mil. O piso da categoria é de R$ 600. Pronatec Outra opção é o Programa Nacional de Acesso ao

Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Ministério do Turismo, que vai oferecer 61.439 vagas até dezembro nas modalidades Pronatec Copa e Pronatec Copa na Empresa. Entre os 54 cursos estão inglês, espanhol, recepcionista e camareira em meios de hospedagem. Segundo o governo, a meta do programa é oferecer 240 mil vagas em cursos em ocupações de base do setor turístico, em 120 municípios brasileiros, até 2014. DIVULGAÇÃO

Rede hoteleira vai contratar 3 mil pessoas

Ao menos 5 mil vagas serão abertas nos bares e restaurantes na capital amazonense


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Economia

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A ‘cobiça’ estrangeira por negócios no Amazonas Empresários dos ‘quatro cantos do mundo’ chegam ao Estado para investir em diferentes áreas econômicas do Estado JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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interesse de empresários estrangeiros em firmar negócios no Amazonas ultrapassa os limites da indústria local. Os “gringos” cruzam a fronteira para investir em áreas como a de alimentos e bebidas, serviços, logística, meio ambiente e até na aviação. A parceira entre a capital do Peru, Lima e o Amazonas é uma das conexões comerciais em alta. Segundo o gerente geral do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Marcelo Lima, na primeira quinzena deste mês, empresários do país sul-americano vão receber representantes de 15 empresas do ramo de alimentos e bebidas de Estados da Região Norte, entre eles, o Amazonas, para prospecção de negócios. O dirigente adianta que empresas como a fabricante de chocolates com sabores regionais Oiram e a Cachaçaria do Dedé estão entre as empresas que irão negociar possíveis parcerias com o país vizinho. “A expectativa de negócios é promissora”, aposta o gerente.

Alemanha A Alemanha trilha o mesmo caminho para fechar acordos com o Amazonas. Segundo Marcelo Lima, até abril de 2014, negócios que começaram a ser definidos este ano com o Estado alemão de Baden-Württemberg, devem sair do papel. Entre as áreas de interesse do país europeu estão engenharia, metalurgia, distribuição de estruturas móveis, indústria automotiva, tecnologia da informação, energia renováveis e serviços públicos. “O interesse varia entre formação de joint venture e troca de canais de distribuição e produção”, detalha. Portugal Uma parceria que deu certo foi a firmada entre Portugal e Amazonas. Em setembro, a Transportes Aéreos de Portugal (TAP) anunciou investimentos de quase R$ 60 bilhões para oferecer o vôo que liga Manaus a Lisboa a partir de 2014. Os empresários pensam em trazer também o Park Europa, projeto hoteleiro que contará com cinco parques temáticos, 72 unidades hoteleiras e mais de 200 restaurantes no Estado. O investimento previsto é de quase R$ 30 bilhões e geração de 75 mil empregos no Amazonas.

Polo Naval tem atraído investidores

Novas rotas estão em análise Na esteira dos negócios fechados com Portugal, o investimento em novas rotas de vôo ligando o Amazonas a países sul-americanos e europeus se configura como a aposta do Estado tanto para o incentivo ao turismo quanto para escoar a produção local. Segundo o assessor téc-

nico da Coordenação Geral de Comércio Exterior da Suframa (Cogex), Frederico Aguiar, pelo menos duas novas rotas estão em fase final de Estudo. A primeira é a linha que ligaria Manaus à capital do Equador, Quito e de lá faria conexão com um país europeu ainda em fase de negociação.

Custos A segunda é a rota que ligaria Manaus à capital do Peru, Lime e à Madri na Espanha. Entre as empresas cotadas para fechar o acordo está a chilena LAN linhas aéreas. “A conexão deixaria mais baratos os custos de produção e distribuição de produtos do PIM”, justifica.

Mesmo em fase de implantação, o Polo Naval atraiu investidores interessados em se instalar no novo parque fabril. O Estado foi visitado por comissões de cinco países interessados no potencial do novo distrito, a mais recente realizada a duas semanas por empresários japoneses. Holandeses, finlandeses, italianos e ingleses também vieram sondar a possibilidade de se instalar no futuro polo. “Fora as grandes comissões, pequenos grupos vindos da China, Espanha e Estados Unidos também demonstraram interesse durante visitas”, conta o presidente do Sindicato da Indústria Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas (SindnavalAM), Matheus Araújo.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Que pito toca o CAS? Com habilidade e clareza de posicionamento, como membro nato na composição do Conselho de Administração da Suframa, o presidente da Fieam, Antônio Silva foi ao ponto: cobrou especial atenção do representante do MDIC, o secretário-executivo, Ricardo Schaefer, para as demandas salariais dos servidores da Suframa e da reposição dos cargos e funções esvaziadas. Os servidores têm uma depreciação histórica nos vencimentos e falta gente e instrumento pra tocar na orquestra. De quebra, indagou sobre a liberação dos PPBs. O questionamento se insere no movimento maior de impaciência e revolta de empresas que esperam 6, 12, 24, 36... meses, por uma autorização, com data pré-fixada pelo Conselho da autarquia, que confere as isenções constitucionais. Este tem sido o maior entrave federal – à parte os gargalos de infraestrutura. Apesar dos dados otimistas da Suframa de faturamento em real, na aferição que utiliza o dólar, há um visível encolhimento do desempenho do PIM. É absurdo deixar investimentos embargados na gaveta sob a alegação de prejuízos virtuais em outras regiões do país. É como se fosse um jogo de futebol, em que, na volta do intervalo, o juiz mudou as regras e não avisou aos interessa-

dos. São episódios que autorizariam a reescrever uma versão baré do Processo de Franz Kafka, o clássico da literatura tcheca que descreve as situações de absurdo existencial e social em limites insuspeitados. Com uma composicao que inclui os ministerios de Desenvolvimento e de C&T e Inovação, além da representacao institucional dos atores envolvidos, o CAS é uma esquizofrenia institucional, com personalidades ambíguas que se degladiam contra o interesse de quem as mantém. O caso Adidas é emblemático, e remete a uma das maiores fábricas de material esportivo do mundo, que optou por iniciar suas atividades em Manaus, um forte apelo ambiental, e que fica no Brasil, o país do futebol. A empresa teve que instalar na Argentina sua fábrica, por decisão/embromação kafkiana dos burocratas de Brasília. Ninguém cogitou consultar as entidades locais para saber vantagens ou eventuais prejuízos concorrenciais. Nem levou em conta a contrapartida que exigisse – formalmente - a paulatina adoção dos fatores e elementos da biodiversidade e diversidade étnica e cultural milenar da floresta como a empresa sugeriu. E que, por evidentes razões de mercado, pretendia fazer. O alerta da FIEAM revela uma inquietação em relação às regras

do jogo. É complicado investir numa economia, marcada pela volatilidade de tantos fatores, à mercê de burocratas distraídos. Este é um cenário que precisa ser enfrentado e que se deve abrir uma discussão pública a respeito. Os descaminhos são decorrência direta e proporcional ao mandonismo do gabinete. A questão é crucial e definitiva. E tudo sugere que o novo secretárioexecutivo do Mdic está disposto, pelo menos, a escutar. É um embaraço perverso sobre o qual é imperativo conversar, argumentar, regulamentar e esclarecer, em definitivo, e no melhor dos mundos, no contexto de construção de uma politica industrial. Topamos a parada desde quando não signifique travar o modelo, afugentar investimentos em nome de abstrações explícitas ou barganhas sombrias. A especulação em cima de eventuais setores de canibalização de investidores precisa ser debatida sobre os registros econômicos da História sob o signo de Macunaíma. Com os acertos políticos da União antropofágica, a produção de açúcar na Amazônia, além da borracha e do cacau, foi canibalizada por outras regiões do país, exatamente pela ausência crônica de uma definição combinada de segmentação industrial na perspectiva da redução das

desigualdades regionais. No caso dos embargos autoritários do PPB, o bom senso sugere que é melhor verticalizar – com as exigências de nacionalização de componentes - do que não publicar, condenar ao estado de expectativa e suspensão investidores que optaram compartilhar este desafio de investir e desenvolver no meio da floresta comprometidos com sua conservação e sustentabilidade. Com todo respeito às alianças politicas federais... esta relação de dependência já esgotou suas prodigalidades. A questão do Centro de Biotecnologia da Amazônia – pra ilustrar a psicopatologia atávica - foi novamente pautada, como ocorre há 13 anos, e a promessa da iminente definição do modelo de gestão, que “estava saindo do forno” no dia 19 de agosto último, deverá ser objeto de uma nova consulta. Comissão técnica virá de Brasília para colher expectativas locais de sua estruturação institucional para prospecção de negócios e resultados. Um filme cuja reprise já ultrapassou todos os limites de paciência na expectativa de um final, se não feliz, decente e coerente com o interesse local. Vem à mente o impacto dessa enrolação sobre todas as propostas e oportunidades de negócios que foram alimentados, estimulados há mais de uma década, e que aguardam o desfecho da festa com

a definição de um CNPJ... A expectativa de fazer da relação entre o chip da inovação e o cipó deste bioma infinito, uma caldeirada de negócios, fica para depois, montada mais uma comissão, para resolver aquilo que já tem solução e definição natural. Tudo sugere, porém, que a Suframa descartou convidar a Embrapa para ajudar a equacionar o enigma, com sua bagagem de 40 anos no setor. Ao longo dos últimos meses esta foi uma solução a mais sensata e disponível – que envolveu o apoio de mais de três dezenas de instituições locais - para fazer andar na direção dos bionegócios este empreendimento que já consumiu mais de R$ 120 milhões das empresas instaladas na ZFM. A Suframa não tem gente, hoje, para atender as demandas formais das exigências que a Lei e suas variações absurdas impõem. Ao que consta, em seu quadro defasado de material humano, não há especialistas em biotecnologia. Entre os que lá atuam – a opinião pública ficou sabendo nesta quinta-feira – ganham salários ridículos, menores que de muitas categorias de quem não se exige qualificação ou experiência. E neste vai e vem da esquizofrenia federal, fica difícil ouvir e saber , meu caro Thomaz, que pito toca o CAS?

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Topamos a parada desde quando não signifique travar o modelo, afugentar investimentos em nome de abstrações explícitas ou barganhas sombrias.


Economia

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

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Consumo de peixe em alta De acordo com dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o brasileiro tem ingerido 23,7% mais pescado, nos últimos dois anos, comportamento que favorece a produção das espécies e os investimentos na piscicultura no país

O

s brasileiros hoje consomem muito mais pescado do que antigamente, para surpresa de especialistas das áreas de alimentação e abastecimento. Segundo dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a média por habitante ano no país al-

Mudança de hábito ajuda na expansão “Há uma década os supermercados não contavam com espaço para a exposição de peixes congelados e principalmente frescos, que era no imaginário popular característica de local sujo. Hoje encontramos o tambaqui, a pescada amarela, o pargo e a cioba apenas pra citar alguns”, recorda o secretário Eloy Araújo. Com o tempo, os jovens descobriram os sashimis da culinária oriental e os restaurantes de comida a quilo nas cidades passaram a oferecer pescado aos seus clientes. Também a indústria inovou com produtos de preparo mais fácil, de cortes prontos e as pizzas de sabor atum. A demanda aquecida motivou a indústria do pescado, sobretudo da aquicultura, modalidade com maior espaço para crescer a produção. Em 2011, a criação de pescado em cativeiro no país atingiu 628,7 mil toneladas, crescimento de 31,1% em relação ao ano anterior.

Brasil quer a liderança da produção Nos últimos anos, o Brasil se estruturou para se tornar um grande produtor de pescado, assim como já tem liderança em outros tipos de carne, como bovina, suína e de frango. O país, afinal, é o que possui mais água doce no mundo (13%) e um extenso litoral. No final de 2012, o governo federal lançou o Plano Safra da Pesca e Aquicultura, que oferta R$ 4,1 bilhão em crédito para o setor. Também o MPA criou uma rede de laboratórios oficiais para certificar a qualidade do pescado para exportação, importação e consumo interno. Este ano, um edital do MPA incluiu 27% dos municípios brasileiros em programa para estimular a piscicultura em propriedades rurais. O governo também passou a imprimir maior velocidade no lançamento de editais para a produção de pescado em grandes reservatórios e no litoral.

cançou 11,17 quilos em 2011, nada menos do que 14,5% a mais do que em relação ao ano anterior. Já entre 2009 e 2010 o ritmo de crescimento da demanda foi de 7,9%. Em dois anos (2010 e 2011) o crescimento da demanda por peixes e frutos do mar aumentou

em média 23,7%. Assim, pode-se acreditar, com alguma margem de segurança (as importações continuaram aquecidas), que atualmente os brasileiros já devem consumir pescado na média mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 12 quilos por habitante/ano.

Este fenômeno de aumento acentuado de consumo de pescado, que se repete em outras partes do mundo, pode ser explicado no país por alguns fatores, segundo o secretário de Infraestrutura e Fomento do MPA, Eloy de Sousa Araújo. “Nos últimos anos, a condição de vida dos brasileiros melho-

rou, a moeda nacional, o real, readquiriu o poder de compra e a população procura alimentos mais saudáveis para consumo, sendo o pescado uma excelente opção”, avalia. O crescimento no consumo foi confirmado com a divulgação do Boletim Estatístico do MPA sobre a produção brasi-

leira de pescado em 2011, o mais recente disponível. O boletim permitiu relacionar a produção nacional com as importações e exportações de pescado neste ano de referência, bem como avaliar em perspectiva os anos anteriores e as tendências de mercado.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

A busca da autonomia no trabalho free lancer JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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iberdade de escolhas, flexibilidade de horários e ‘fazer’ o próprio salário são alguns dos motivos que levam profissionais competentes optar por uma carteira de trabalho “em branco” e se aventurar no universo free lancer. Entretanto, a escolha da autonomia, que vem se tornando popular também em Manaus, envolve vantagens e desvantagens e exige cuidados específicos de planejamento para que o trabalhador moderno não passe por apuros financeiros. Há três anos, o fotógrafo e hoje, microempresário, Francisco Araújo, aceitou o desafio de mudar o estilo profissional e de vida. A opção de Francisco foi abandonar o jornalismo fotográfico e se dedicar aos eventos sociais e empresariais. “Eu saí de um emprego convencional com salário certo e quando fui procurar por outras oportunidades resolvi tentar a sorte trabalhando de forma mais livre”, recorda. Entre vantagens e desvantagens, o aspecto mais importante da mudança foram as adaptações financeiras.

DIVULGAÇÃO

Profissionais abrem ‘mão’ da carreira em empresas corporativas para trilhar caminho no comando do próprio negócio “Precisei adotar um caderno e anotar todas s entradas e saídas de dinheiro no mês para não me perder nas contas. Também precisei aprender a emitir notas fiscais e descontar o valor referente à Previdência Social, uma vez que deixei de ter um empregador para fazer o depósito por mim”, relaciona. “Sapos” O publicitário, Rafael Froner, que hoje tem emprego fixo, além de trabalhar sozinho paralelamente, já trabalhou seis meses como freelancer e descobriu no estilo profissional seu modo de vida. “O melhor desse universo é ganhar em qualidade de vida e deixar de engolir sapos, uma vez que você é seu próprio chefe”, argumenta. Ele conta que precisou se adaptar. A primeira medida que tomou foi abrir uma poupança e se disciplinar para realizar depósitos regulares e se esforçar para não movimentar o dinheiro. “Quebrei os cartões de crédito, passei a pagar as dívidas logo no início do mês, a separar uma quantia para conta corrente e guardar o resto na poupança. Foi uma libertação”, comemora.

Francisco Araújo (à esquerda) abandonou as redações dos jornais impressos, onde era empregado, para atuar de forma autônoma

Economista alerta para alguns cuidados Para o economista Marcus Evangelista, os profissionais devem ficar atentos a outros cuidados. Segundo ele, nessa modalidade é importante manter uma reserva emergencial. “Podem ocorrer momentos em que não tenham contratos previstos a curto prazo e se forem prevenidos, os autônomos podem

fazer uso desses recursos para uma eventual época de vacas magras”, simplifica. O especialista também sugere que os profissionais independentes evitem contas a prazo para não assumir compromissos mensais e correr o risco de atrasar as prestações, caso a demanda de serviço esperada

não ocorra. Outra dica é o depósito ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de sua contribuição mensal baseada no volume de recursos recebidos pelos serviços prestados. “Uma vez iniciado os recolhimentos, ele não deve falhar e recolher mês a mês, para garantir uma aposenta-

doria razoável”, ensina Evangelista reforça ainda a importância de uma planilha mensal de controle de gastos e recebimentos, e de um depósito preferencialmente em poupança. “A poupança é mais prática apesar do menor rendimento e permite retiradas de emergência”, completa.


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País

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Governo vai fazer pressão para conter preços na Copa Comitê interministerial foi instalado pela presidente Dilma e vai recorrer às cidades-sedes para conter abusos comerciais O monitoramento valerá, inclusive, para os produtos oferecidos pela Fifa dentro dos estádios, como refrigerantes, lanches e cerveja. O ministro José Eduardo Cardozo disse que o grupo poderá tomar medidas, desde que fique comprovado o abuso. “Tudo será analisado por este comitê. A partir do momento

FISCALIZAÇÃO

José Eduardo Cardozo (Justiça) também poderá acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para fiscalizar, nos setores aéreo e hoteleiro, situações que ameacem a livre concorrência

em que nós entendermos que existem situações que estão fugindo daquele parâmetro, tomaremos as medidas cabíveis”, disse Cardozo, ao ser questionado especificamente sobre os preços nos estádios durante a Copa. A Folha de S.Paulo mostrou que, a oito meses para a Copa do Mundo começar, o preço

EXTERIOR

Vítimas de tráfico de pessoas são usadas para atos sexuais A exploração sexual é a principal atividade dos brasileiros vítimas do tráfico internacional de pessoas, atingindo principalmente mulheres, adolescentes e crianças. Por outro lado, entre os estrangeiros que vêm ao Brasil, especialmente os bolivianos, cresce o número dos que são traficados para fins de trabalho escravo. No entanto, não há dados mais detalhados. As conclusões são do “Diagnóstico sobre Tráfico de Pessoas nas Áreas de Fronteira no Brasil”, divulgado esta semana pelo Ministério

da Justiça. Segundo o estudo, das 475 vítimas identificadas pela rede consular brasileira no exterior entre 2005 e 2011, 337 sofreram exploração sexual e 135 trabalho escravo, além de três pessoas em que a forma de exploração não é conhecida. O estudo não tem números sobre o tráfico interno de pessoas nem de estrangeiros que vêm ao Brasil. Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, há poucos números a respeito desse crime, uma vez que ele é de difícil detecção.

de passagens aéreas chega a ser dez vezes mais alto do que em um dia normal. O valor cobrado do passageiro é superior, por exemplo, ao de bilhetes para a Europa e para os Estados Unidos no mesmo período. Explicações Uma das explicações dadas pelas empresas aéreas é a lei da oferta e da demanda: se mais gente compra, restam menos lugares no voo, e os assentos que sobram tem tarifário mais caro. A tarifa subiu principalmente nos trechos mais procurados, como a ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio), a rota mais movimentada do Brasil. Durante a semana reuniram-se para a criação do comitê, além de Gleisi e de Cardozo, Gastão Vieira (Turismo) e Moreira Franco (Aviação Civil). Participaram também os presidentes da Embratur, Flávio Dino, e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Marcelo Guaranys. A primeira reunião do grupo será na próxima quintafeira, 24.

Um dos alvos da fiscalização do governo será o aumento nos preços das passagens aéreas

DESAPARECIDAS

PESQUISA

Portal vai localizar crianças

Negro corre mais risco de ser morto Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado esta semana revela que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco. Segundo o estudo, existe racismo institucional no país, expresso principalmente nas ações da polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros”. Intitulado “Segurança Pública e Racismo Institucional”, o estudo faz parte do Boletim de Análise Político-Institucional do Ipea e foi elaborado por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das Instituições e da Democracia (Diest). “Ser negro corresponde a (fazer parte de) uma população de

risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”, afirmam os pesquisadores Almir Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, autores do estudo. Na apresentação do trabalho,

RACISMO

Existe racismo expresso principalmente nas ações da polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros” em entrevista coletiva na sede do Ipea em Brasília, o diretor da Diest, Daniel Cerqueira, que, do Rio, participou do evento por meio de videoconferência, apresentou outros dados que

ratificam as conclusões da pesquisa sobre o racismo institucional. Segundo ele, mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”. Por isso, questionou Cerqueira, “como falar em preservação dos direitos fundamentais e democracia” diante desta situação? Para comprovar as afirmações, Cerqueira apresentou estatística demonstrando que as maiores vítimas de homicídios no Brasil são homens jovens e negros, “numa proporção 135% maior do que os não negros: enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes. No caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes”. REPRODUÇÃO

A

presidente Dilma Rousseff (PT) determinou a criação de um comitê interministerial para monitorar preços, tarifas e qualidade dos serviços durante a Copa do Mundo de 2014. Sob a coordenação da Casa Civil, os ministérios do Esporte, Justiça, Turismo, Fazenda, Saúde e a Secretaria de Aviação Civil vão, com os Procons das 12 cidades-sede, fazer um “diagnóstico detalhado” dos preços e qualidades de serviços em hotéis, restaurantes, aeroportos e demais serviços turísticos. O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) também poderá acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para fiscalizar, nos setores aéreo e hoteleiro, situações que ameacem a livre concorrência. “Não tabelamos nem tabelaremos preços, mas nós não permitiremos abusos. Vamos utilizará todos os instrumentos à disposição do Estado para garantir a defesa dos direitos do consumidor, seja ele brasileiro, ou estrangeiro”, disse a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), em nota.

MARCELO CAMARGO-ABR

Pesquisa revela que adolescentes negros correm 3,7 mais chance de morrer do que brancos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou um sítio na internet com um cadastro de crianças desaparecidas em países da América Latina, de Portugal e da Espanha. A intenção é mobilizar a sociedade na busca das crianças e, em especial, os médicos. Moderada pelo CFM, e com o nome “Médicos em Resgate de Crianças Desaparecidas”, a página é aberta ao cadastramento de crianças desaparecidas por meio de um formulário, no qual podem ser registradas informações sobre a criança, com foto, e também sobre o responsável. É necessário o registro do boletim de ocorrência do desaparecimento. O portal, tem versões em português, inglês e espanhol. Podem ser cadastradas crianças desaparecidas no Brasil, em Portugal, na Espanha, Argentina, Bolívia; no Chile, na Colômbia, em Cuba; no Equador, México, Paraguai; no Peru, Uruguai e na Venezuela. Integrante da Comissão de Assuntos Sociais do CFM, Ricardo Paiva explica a importância da participação dos médicos na localização das crianças. “Toda criança, em algum momento, vai precisar ou de um médico pediatra, ou ir a uma emergência. E o médico mobilizado pode reconhecer que aquela criança tem sinais de violência ou não está na companhia dos pais ou de um parente”, diz. “Nosso diferencial é que é um portal de médicos da América Latina, Portugal e Espanha.


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Obama adverte que crise política encoraja inimigos Após acordo emergencial entre governo e Congresso americano, crise foi interpretada como manobra para favorecer inimigos

O

presidente dos Estados Unidos advertiu que a recente crise política relacionada com o orçamento e a dívida norte-americana encorajou os inimigos do país e prejudicou os seus aliados, defendendo que “não existem vencedores” neste processo. “As disfunções políticas encorajam os nossos inimigos e prejudicam os nossos aliados que procuram em nós uma liderança firme”, afirmou Barack Obama, durante uma intervenção na Casa Branca, um dia depois da aprovação de um acordo bipartidário (republicano e democrata) no Congresso norte-americano que afastou temporariamente a ameaça de um eventual incumprimento por parte dos Estados Unidos. Na mesma intervenção, Obama apelou às duas fações políticas para se unirem na aprovação de um orçamento a longo prazo e para deixaram manobras políticas arriscadas que ameaçam a economia e desperdiçam a confiança do povo norteamericano. O Senado norte-americano (câmara alta do Congresso), e depois a Câmara dos Representantes (câmara baixa), adotaram sucessivamente na quarta-feira, 16, por largas maiorias, um texto de compromisso, após intensas negociações entre republicanos e democratas, que permitiu a reabertura dos serviços da administração federal norte-americana, parcialmente paralisada durante 16 dias, e a subida do teto da dívida dos Estados Unidos. O entendimento alcançado implica subir o limite da dívida até 7 de fevereiro e garantir o financiamento do Estado até 15 de janeiro. Momentos depois da aprovação do Congresso, o acordo foi assinado pelo presidenter Obama. “Vamos ser claros. Não existem vencedores. Es-

AE

tas últimas semanas provocaram danos completamente desnecessários na nossa economia”, disse o chefe de Estado norte-americano. Credibilidade “Provavelmente nada provocou mais danos na credibilidade dos Estados Unidos no mundo, na nossa posição face a outros países, que este espetáculo que assistimos nas últimas semanas”, concluiu. A paralisação parcial da administração federal norteamericana, devido à falta de um acordo orçamental no Congresso entre democratas e republicanos, teve início a 1 de outubro. A reforma do sistema de

AMEAÇAS

Obama apelou às duas facções políticas para se unirem na aprovação de um orçamento a longo prazo e para deixarem manobras políticas arriscadas que ameaçam a economia e desperdiçam a confiança do povo saúde, patrocinada pelo Presidente norte-americano e conhecida como “Obamacare”, tem sido o principal ponto de discórdia entre democratas e republicanos. Limites O limite máximo da dívida autorizado até à data pelo Congresso norte-americano era de 16.699 biliões de dólares (12.329 mil milhões de euros). Este limite foi ultrapassado a 17 de maio e, desde então, o Departamento do Tesouro tem coberto os compromissos por meio de manobras contabilísticas, atrasos nos pagamentos e transferências de fundos fiduciários.

DIVULGAÇÃO

EUA

Schwarzenegger luta para mudar lei e ser presidente O ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger vem fazendo um forte lobby em Washington para conseguir mudar a lei que determina que presidentes norte-americanos precisam ter nascido nos EUA, segundo o jornal “New York Post”. Austríaco naturalizado norte-americano, Schwarzenegger planeja se candidatar à presidência dos Estados Unidos em 2016 caso a lei seja mudada. A tarefa, no entanto, não é nada fácil. Nos EUA, uma emenda constitucional precisa da aprovação de dois terços da Câmara e do Senado. Schwarzenegger se naturalizou americano em 1983. Em 2010, quando perguntado pelo apresentador Jay Leno se gostaria de concorrer à Casa Branca caso a Constituição fosse mudada, o ator respon-

Para o presidente americano Barack Obama a saída para a crise financeira do país não teve “heróis” e nem “vencedores”

deu: “sem dúvida nenhuma.” Após ter governado a Califórnia entre novembro de 2003 e janeiro de 2011, Schwarzenegger está sem cargo político, se dedicando a sua carreira de ator. Atualmente, o ator está promovendo seu último filme, Rota de Fuga, ao lado do astro Sylvester Stallone. Outro lobby de Schwarzenegger quer que a Agência de Proteção Ambiental mude uma resolução de 2007 feita no governo do colega republicano, o ex-presidente George W. Bush (2001-2008), que impede os Estados de determinar os próprios índices de tolerância de emissão de gases em carros novos, picapes e veículos utilitários. Para a administração Bush, os padrões só podiam ser determinados por uma resolução sobre eficiência de combustíveis, o que cabe à União.

ABANDONO

Refugiados sírios precisam de local seguro, diz ONU A agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) apelou para os países europeus e outros Estados que concedam asilo a mais sírios, pois um número crescente está abandonando seu país e seguindo em perigosas viagens através do Mediterrâneo. Os vizinhos mais próximos da Síria, bem como a Líbia e o Egito, estão enfrentando dificuldades para lidar com um êxodo diário de 4 mil sírios e precisam de apoio para dividir esse peso, afirmou o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). “Um número crescente de sírios está cruzando o Mediterrâneo, do Egito para a Itália, dizendo passar por um aumento cada vez maior de ansiedade sobre sua segurança, bem como incidentes de ataques físicos, ameaças verbais, detenção e deportação”, declarou a principal porta-voz da Acnur, Melis-

sa Fleming, em um contato com a imprensa em Genebra. Somente no período desde agosto, 6.233 sírios e palestinos que estavam refugiados na Síria chegaram à Itália em 63 barcos, disse ela. Em todo o ano de 2012 foram apenas 350 sírios. Desaparecidas Segundo Melissa, cerca de 300 pessoas estão desaparecidas depois que uma embarcação levando perto de 500 sírios e palestinos da Síria naufragou na costa de Malta, em 11 de outubro, após partir da Líbia. Sobreviventes dizem que o barco foi alvo de tiros umas duas horas depois de ter deixado a costa líbia. O governo líbio negou que forças do país tenham atirado, mas prometeu investigar o caso. Outro barco, com 112 passageiros, incluindo 40 sírios, afundou na mesma noite na costa do Egito.


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Mundo

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

IONE MORENO

Quando o lazer vira problema Dia a dia C6-C7

Uma pitadinha de perigo Especialista em sistema digestivo alerta que o sal em excesso pode causar câncer do estômago. Segundo projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca), 320 casos da enfermidade devem ser registrados no Estado até o fim deste ano FCECON/DIVULGAÇÃO

O

sal comum, utilizado diariamente no cozimento de alimentos e para temperar saladas, por exemplo, é um dos grandes causadores do câncer de estômago. O composto predispõe à ação que leva a um processo inflamatório que, se não tratado, pode se tornar crônico e desenvolver uma neoplasia maligna, informa o especialista em sistema digestivo e cirurgião da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Sidney Chalub. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, 320 casos da doença devem ser registrados no Amazonas, durante todo o ano de 2013. De acordo com ele, en-

quanto o recomendado por especialistas é a ingestão de até três gramas de sal ao dia, há pessoas que consomem mais que o triplo disto, comprometendo a saúde, já que o sal pode causar, ainda, doenças como a hipertensão arterial, que pode levar ao infarto e ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). O tratamento, no caso do câncer de estômago, é apenas cirúrgico, com a retirada total ou parcial do órgão. Se a retirada for total, explica Chalub, o alimento segue direto para o intestino, onde é digerido, uma vez que o estômago serve apenas como armazenador. “Neste caso, a pessoa tem que reduzir a quantidade de alimentos ingeridos, mas consegue levar uma vida quase que normal após o tratamento”.

As cirurgias, na rede pública do Amazonas, são realizadas na FCecon, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam). Sidney Chalub alerta, no entanto, que o sucesso do tratamento está associado à descoberta do câncer em fase inicial, já que na forma tardia, as chances de cura acabam reduzidas. De acordo com o cirurgião, o ideal é reduzir a quantidade de sal nos alimentos ao mínimo, evitando assim problemas futuros. Congresso O cirurgião, que tem mestrado em tumores de fígado, será um dos palestrantes do 2º Congresso Pan-Amazônico de Oncologia, durante o qual temas como este serão debatidos. O evento, promovido pela FCecon, acontece

entre os dias 27 e 30 de novembro, no Manaus Plaza Centro de Convenções, na avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul de Manaus. As inscrições estão abertas e podem ser feitas no site www.panamazonicodeoncologia.com.br. Paralelo ao evento serão realizados o 2º Congresso de Enfermagem Oncológica da Região Amazônica, a 4ª Jornada de Radiologia, a 1ª Jornada de Anestesiologia e a 1ª Jornada Amazonense de Terapia da Dor e Cuidados Paliativos. O congresso oferece 1,2 mil vagas para congressistas. Além dos profissionais do Amazonas, convidados de outros Estados também irão participar, conduzindo parte das 90 palestras programadas. A programação está disponível no site.

Sidney Chalub alerta que o consumo sem controle de sal pode trazer riscos de câncer de estômago


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Dia a dia

Vai um pedaço de Ação de grileiros visa terras principalmente no Amazonas e no Pará, servindo de sinal de alerta para as facilidades nas vendas de terrenos, especialmente ao longo das rodovias ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

A

proliferação de placas de venda de terrenos ao longo das rodovias é sinal de alerta para a ação de grileiros, criminosos que utilizam artifícios fraudulentos para vender terras públicas. Em setembro passado, a Polícia Civil prendeu 11 pessoas na operação Gaia, cujas investigações foram iniciadas em 24 de abril, onde foi descoberto esquema de venda de terras públicas e privadas por meio de um escritório de fachada. O golpe dos grileiros e estelionatários rendeu até R$ 10 milhões mensais à quadrilha e ludibriou mais de 200 pessoas. Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Amazonas e o Pará são os principais focos de grileiros em todo o país. Somente o Estado vizinho tem 70% de suas terras com pertencentes aos governos federal e estadual, destinadas a assentamentos, reservas indígenas e ambientais e áreas de conservação. Por meio de fiscalização, desde 2004 boa parte das terras consideradas griladas foi impossibilitada de conseguir qualquer tipo de documentação. De acordo com informações

do Incra, recentemente foram ajuizadas 74 ações para reivindicar 400 mil hectares de terras públicas, e a luta continua em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. No Amazonas, não é preciso ir muito longe para identificar os casos de riscos de grilagem. Na verdade, basta atravessar

DADOS

De acordo com informações do Incra, recentemente foram ajuizadas 74 ações para reivindicar 400 mil hectares de terras públicas, e a luta continua em parceria com o Ministério do Meio Ambiente a ponte Rio Negro para chegar a terras em Iranduba e Manacapuru que em boa parte pertencem à União e foram palco de recentes invasões já desarticuladas, deixando um rastro de devastação ambiental e a certeza do oportunismo de grileiros que iludem suas vítimas com promessas de terras fáceis e legalizadas. De acordo com o titular da Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Federal (PF), Daniel Vian-

na Ottoni, o trabalho para combater a grilagem é constante. Recentemente, um grileiro foi preso, quando foi atestada a documentação falsa e a venda dos hectares para terceiros. “A situação é que realmente há casos que precisam ser investigados, pois percebemos quando as terras são ou não griladas. Uma boa parte dos grileiros tem condição financeira estável, e quando a fiscalização chega nesse terreno acompanhamos cada detalhe das investigações e todos os procedimentos”, disse o delegado. As terras pertencentes ao Incra são repassadas para a reforma agrária, agricultores ou pessoas que as utilizam para cultivo. “Quando há um manejo florestal é necessário haver a autorização dos órgãos estaduais, caso contrário é demarcado como crime”, explicou Ottoni. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) é responsável pela autorização do manejo florestal, mas a questão mineral tem responsabilidade da União. “Não é porque a pessoa tem um terreno que pode fazer a retirada”, informou. Quando a grilagem é confirmada, o infrator é preso na PF e só é liberado com o pagamento da fiança, que pode chegar a 100 salários mínimos.

“Despojos” deixados após desocupação de terras públicas invadidas em Iranduba, na Região Metropo

Enganação acontece via internet

O escândalo da operação “Gaia”

Com o avanço das tecnologias, os grileiros também usam a internet para enganar as pessoas com venda de milhões de hectares de floresta. Conforme a organização não governamental Greenpeace, a análise das ofertas de propriedades em sete corretoras virtuais revela a existência de um bilionário comércio de terras na Amazônia. São oferecidos 11 milhões de hectares de floresta nos Estados do Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, movimentando

A operação “Gaia” desbaratou uma quadrilha que, segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Josué Rocha, anunciou, agia na capital há pelo menos sete anos, enganando até pessoas mais experientes. Os terrenos vendidos ilegalmente ficavam nos loteamentos do Águas Claras, Parque das Garças e Água Rica, localizados na Zona Norte. “Uma boa parte desses terrenos estava em áreas de preservação, além de também ser terrenos públicos. Há relatos de que em alguns casos vendiam o

COMÉRCIO

São oferecidos 11 milhões de hectares de floresta nos Estados do Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, movimentando um mercado de quase R$ 1 bilhão, segundo o Greenpeace um mercado de quase R$1 bilhão. Há casos espantosos, como uma imensa área de 2,3 milhões de hectares no município de Alenquer,

no Pará, anunciada pela www.selocorretora.com. br, pela bagatela de R$ 40 por hectare, ou a oferta de uma área de 900 mil hectares em Canutama, interior do Amazonas, onde aproximadamente 97% das terras do município pertencem à União. Outro portal anunciado pelo Greenpace é o www. mercadodeterras.com.br, que negocia uma área de 800 mil hectares em Novo Progresso, no Pará, mas o anúncio ressalta que a escritura da propriedade não está registrada em cartório.

mesmo lote de terra mais de uma vez, enganando os compradores”, explicou Rocha na ocasião da prisão dos integrantes do bando. Entre os acusados de participação nos esquemas fraudulentos estavam o coronel da Polícia Militar, Birilo Bernadino de Oliveira, apontado como um dos líderes da quadrilha, Maria Silma Lima Braga e Jean Cláudio Lima Sombra, suspeitos de agilizar as vendas irregulares. Ambos são conhecidos por liderar invasões e vender terrenos nas comunidades. De acordo com a polícia,

Maria Silma vendia os terrenos com documentos falsificados na imobiliária Banco de Negócios Imobiliários (BNI), localizada no conjunto Vieiralves, onde foram encontrados vários documentos, certidões e carimbos falsificados. Sombra se identificava para as vítimas como oficial de Justiça e realizava a reintegração dos lotes para serem novamente vendidos. Ele também se passava por juiz federal e já respondia por tráfico internacional e considerado o estelionatário mais procurado pela Justiça.

Placas de venda de lotes de terras apreendidas durante a operação “Gaia”, no mês passado: ação


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terra pública aí? IONE MORENO

IONE MORENO

O que é e como ocorre a grilagem A grilagem começa quando um suspeito adentra em terras pertencentes à União e falsifica a documentação, informando que pertencem a seus familiares e foram doadas pelo Estado, envolvendo cartórios e outras pessoas. Quando não, ele próprio vende as terras para uma ou mais pessoas. A origem do nome é explicada por uma história de que os que cometiam a falsificação da certidão a guardavam dentro de uma caixa com dois grilos. Quando um fiscal aparecia para verificar a situação do terreno, o proprietário retirava a documentação que tinha aparência de ser bem antiga. Isso acontecia porque o grilo, dependendo do tempo em que fica dentro da caixa, libera uma substância que deixa a documentação bem amarelada.

olitana de Manaus: terras pertencentes ao governo são muito visadas

Depois da desocupação, efeitos da devastação provocada por invasores ficam mais evidentes ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Compra de terras precisa ser cercada de cuidados para evitar envolvimento com grileiros ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

o de quadrilha ludibriou mais de 200 pessoas e rendeu aos criminosos até R$ 10 milhões por mês


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Dia a dia

Amazonas Saúde Itinerant O número de cirurgias realizadas este ano surpreende. Foram 3.883, incluindo cirurgia geral e ginecológica e também as de catarata em diversos cantos do Estado

O

Programa Amazonas Saúde Itinerante, criado pelo governo do Amazonas para facilitar o acesso dos moradores das sedes e zonas rurais do interior, a diagnósticos e tratamentos de saúde, já alcançou 59 municípios do Estado, somente este ano, registrando, pelo menos, 148,3 mil ações, das quais 99,4 mil foram realizadas a partir dos barcos Pronto Atendimento Itinerante (PAI). A meta é chegar ao final do ano tendo atingido todos os municípios do interior do Amazonas. Segundo o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, o programa existe para suprir a ausência de médicos especialistas no interior do Estado. A determinação do governador Omar Aziz, ressalta o secretário, é criar oportunidades a todos os que moram no Amazonas. A coordenadora de Ações Itinerantes da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Carmelita Maria da Silva Alves, destaca que a principal característica do projeto é a atuação itinerante dos profissionais, levando atendimento a áreas de difícil acesso. O programa é dividido em três eixos: cirurgias eletivas de baixa e média complexidade (vesícula e hernia principalmente,

e incluindo as de catarata), consultas com especialistas e atendimento oſtalmológico, com dispensação de óculos para os casos prescritos. Carmelita explica que, nas ações em terra, 48,9 mil pessoas já foram beneficiadas este ano pelo programa, que, além dos municípios, também esteve nas comunidades Itapeaçu, em Urucurituba, e Santo Antônio do Mapuí, em Manicoré.

INVESTIMENTO

18,3 MILHÕES DE REAIS

é o valor gasto anualmente pelo governo do Estado para realização de ações do programa No caso das cirurgias eletivas, a equipe é composta por dois cirurgiões gerais, um ginecologista-obstetra, dois anestesiologistas, um enfermeiro, um técnico de enfermagem instrumentador e os médicos especialistas. As cirurgias são feitas nas unidades da rede estadual de saúde, onde o paciente recebe todo o acompanhamento durante o procedimento e

também nos períodos pré e pós-operatórios. O número de cirurgias realizadas este ano surpreende. Foram 3.883, incluindo cirurgia geral e ginecológica e também as de catarata. Até o final do ano, outras 400 devem ocorrer. Carmelita ressalta que no mesmo período foram entregues à população 14,1 mil óculos, com estimativa de outros 1,6 mil até dezembro. Ela destaca que, só nos primeiros oito meses do ano, o programa registrou mais de 30,8 mil consultas, nas seguintes especialidades: oſtalmologia, endoscopia, ginecologia, pediatria, angiologia, cardiologia, urologia e neurologia. Já nos três barcos PAI, foram realizadas consultas médicas, procedimentos odontológicos e dispensação de medicamentos, além da entrega de 800 próteses. Dezoito municípios foram contemplados com as ações de saúde a partir das embarcações. Só em consultas foram contabilizadas cerca de 10 mil, sendo 3,7 mil odontológicas e 6,3 mil com clínico geral. Para a realização das ações do programa, que são executadas em parceria com o Ministério da Saúde e secretarias municipais de saúde do interior, o governo do Estado investe, anualmente, R$ 18,3 milhões.

Equipes atuam de forma itinerante, levando atendimento médico e cirúrgico aos diversos pontos do Est


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te chegou a 59 municípios SUSAM/DIVULGAÇÃO

tado do Amazonas por meio do programa executado pelo governo com apoio do Ministério da Saúde

Barcos auxiliam nas atividades O governo do Estado conta com três barcos PAI – Puxirum I, Puxirum II e Zona Franca Verde –, onde são oferecidos, dentre outros serviços, o atendimento médico ambulatorial, para as pessoas que moram em localidades nas calhas dos rios. Essas unidades são equipadas para oferecer consultas médicas e odon-

tológicas, com dispensação de próteses dentárias, além de realização de exames básicos. Equipe A equipe de saúde que atua nos barcos é composta por médicos, odontólogos, protéticos, auxiliares de consultórios dentários, enfermeiros, técnicos de

enfermagem e auxiliares administrativos. Esta ação é desenvolvida pela Susam em parceria com a Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Seas) e a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico e Social (AADES). Cada barco realiza duas viagens por ano, com duração de seis meses. BLOG PREVIDÊNCIA

Os barcos PAI auxiliam as atividades do Amazonas Saúde Itinerante nos municípios


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Dia a dia

CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO com assessorias

A

cena hoje é comum. Sozinhas ou em grupos, pessoas estão alheias ao mundo real e ficam absortas nos smartphones ou tablets – alguns por necessidade, como conferir e-mails, outros por pura impossibilidade de largar o vício em que se tornaram as redes sociais. Há casos em que tanta concentração no virtual rende cenas bizarras, muito além da tão constante reunião em torno de uma mesa de bar na qual as pessoas não conversam – apenas teclam, talvez umas com as outras – ou, mais frequentemente, andam pelas ruas sem prestar atenção até mesmo onde pisam, sem desviar o celular da tela do dispositivo. Uma dessas cenas foi testemunhada pela professora universitária Graciene Siqueira, envolvendo um rapaz e, claro, um smartphone, há alguns meses, quando ela subia as escadas para chegar à sua sala no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em Parintins. “Um homem (acredito

que um aluno), entre 25 e 35 anos estava descendo as escadas. Ele passou por mim mexendo no celular e o pé passou do degrau. Ele caiu faltando uns três ou quatro degraus para chegar à plataforma que dava acesso à outra escada”, conta. “Ele levou um baita susto. Perguntamos se ele estava

Penso ainda que o ser humano não gosta de estar sozinho, que sente necessidade de estar inserido em um grupo Graciene Siqueira, professora universitária

bem e a única coisa em que eu conseguia pensar era até que ponto chegamos nessa fixação de estar olhando celular, como se algo fosse nos escapar se não fizermos isso imediatamente. Lembro também que, passado o susto e constatado que ele estava bem, não pude deixar de rir da situação”,

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relembra. Para Graciene, as redes sociais dão a sensação de que não estamos sozinhos, com pessoas com quem podemos compartilhar nossos pensamentos, sonhos e sentimentos, o que muitas vezes não ocorre com amigos no “cara a cara”. “Penso ainda que o ser humano não gosta de estar sozinho, que sente necessidade de estar inserido em um grupo, assim, se ele não desenvolve essa rede de amigos na escola, no trabalho ou mesmo em casa (seja por qual motivo for), as redes sociais vão se tornar potenciais redes de relacionamento para o ser humano, com a possibilidade de estarmos conectados 24 horas”, analisa. É essa ligação interminável ao Facebook, Twitter e outras redes, porém, é que gera o problema. “Há uma raiz além das facilidades de comunicação. Todos nós, inclusive eu, estamos sujeitos a ficarmos viciados nas redes, mas acredito que o fato de termos atividades como trabalho nos limita, nos coloca com o pé no chão, afinal, redes sociais tomam tempo e tempo é dinheiro”, analisa a professora.

Meu mundo e nada mais

Facebook, Twitter e outras redes sociais acabam tendo seu “lado negro” quando o usuário praticamente deixa de lado o mundo real para se dedicar ao universo virtual

Limites entre real e virtual Em sua profissão, Graciene acaba lidando com essa falta de limites entre o mundo real e o virtual em sala de aula. “Os alunos colocam a bolsa sobre a mesa para esconder o celular, mas o olhar sempre denuncia. Quando estão teclando, dizem que estão anotando na agenda algo relacionado à disciplina”, explica. “Tem aluno que não percebe, por exemplo, que eu parei a aula esperando ele terminar de digitar no celular. Imagine: a professora calada, a turma toda observando o aluno e quando ele termina com o celular é que percebe que

todos o estavam olhando. Essas situações até renderam um vídeo feito por eles onde tem uma cena do professor dando aula e eles de olho em notícia de novela e compartilhando um com o outro”, conta. Mais recente no universo dos chats, o aplicativo Whatsapp – que permite até conversas em grupos via smartphone e por meio de conexão à internet – rendeu, literalmente, dor de cabeça para a jornalista Maria Derzi. O motivo foi justamente o vício que atrapalhou a sua concentração. “Um dia, depois do almoço, eu voltava no

maior calor para o trabalho. Meu celular estava no console do carro, e como sempre, apitava sem parar com as mensagens do Whatsapp. Eu faço parte de um grupo formado por repórteres da área policial, apesar de eu não mais trabalhar nela. Agoniada com o calor e aperreada para ver as notícias, assim que estacionei peguei o celular e fui logo saindo do carro, quando senti a quina da porta na minha testa”, lembra. “Passei o resto da tarde com dor, mas também com o celular na mão de tão viciada que estou nesse troço”, acrescenta.

Jovem absorta em seu mundo virtual: convívio social acaba sendo deixado de lado pelo usuário

Motivos para muita preocupação As cenas protagonizadas por esses “viciados em rede” são engraçadas, mas no fundo devem ser vistas com muita preocupação. Segundo a psicóloga do Sistema Hapvida de Saúde de Manaus, Irle Rocha, os usuários devem ficar alertas para não deixarem esse comportamento comportamento atrapalhar sua rotina. “Tudo em excesso é prejudicial. As pessoas precisam de um policiamento para que a utilização errada e exagerada da tecnologia não prejudique sua rotina. Em muitas situações, os pais têm o papel de redobrar o cuidado com as crianças, que têm muito acesso à tecnologia, redes sociais e várias ferramentas que

PRECAUÇÃO

Segundo a psicóloga Irle Rocha, os usuários de redes sociais precisam mudar o comportamento assim que perceberem os primeiros sinais de que o hábito está sendo prejudicial costumam prejudicar sua concentração”, alertou. Segundo a especialista, os usuários precisam mudar o comportamento assim que perceberem os primeiros sinais de que o hábito está sendo prejudicial. “O maior prejuízo é no meio social, quando muita gente acaba deixando

de lado o convívio com outras pessoas para ficarem monitorando mensagens, Whatsapp ou atualizações nas redes sociais”, afirmou. Irle disse ainda que os amigos podem aconselhar o “viciado”, que muitas vezes não entende que seu comportamento está sendo desagradável. “Os amigos e família são importantes para darem esse alerta. No entanto, o conselho precisa ser bem aceito e o tempo dispensado às redes sociais e à tecnologia precisa ser diminuído o quanto antes. Ninguém quer ser excluído de sua roda social por conta de um vício que pode se tornar um comportamento extremamente desagradável”, finaliza.


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FOTOS: IONE MORENO


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Ameaçado de extinção, sauim recebe homenagem C

hamar a atenção de toda a sociedade em relação ao direito de ir e vir das pessoas e também dos animais, além da importância da manutenção das áreas verdes para o bemestar de todos os habitantes da cidade. Este é o objetivo dos participantes de um passeio ciclístico organizado pelos grupos Pedala Manaus, Guaribike e PAN Sauim-deColeira para comemorar o dia do sauim-de-coleira, neste domingo, a partir das 8h. De nome Saguinus bicolor, essa espécie ameaçada de extinção ocorre apenas na cidade e arredores de Manaus. De acordo com os organizadores do evento, a perda de florestas urbanas e do entorno da cidade tem afetado gravemente as populações de animais, especialmente o sauim-de-coleira. As ruas, avenidas e estradas acabam se tornando barreiras para a movimentação dos animais, o que vem acarretando a morte por atropelamento de sauins e de várias outras espécies silvestres. Sauins são também agredidos por cães e gatos domésticos, atingidos por pedras atiradas com baladeiras e até mesmo mor-

rem eletrocutados em fios elétricos. A pedalada vai sair do Bosque da Ciência, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), passar pela avenida das Torres e chegar no parque do Mindu, onde estão previstas várias atividades como distribuição de

PERIGO

De acordo com os organizadores do evento, a perda de florestas urbanas e do entorno da cidade tem afetado gravemente as populações de animais, especialmente o sauim-decoleira

brindes, exposições fotográficas, apresentações artísticas e demais ações que fazem parte da comemoração do Dia do Sauim e a semana do aniversário de Manaus. Palestra gratuita No dia 30 de outubro, o biólogo Marcelo Gordo, um dos organizadores do evento, será o convidado do projeto Ciên-

cia às Sete e Meia, do Museu da Amazônia. A palestra, com entrada gratuita, será realizada no Teatro Direcional, no Shopping Manauara. Marcelo é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas, mestre em Biologia (Ecologia) pelo Inpa e doutor em Zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi. Tem experiência na área de Ecologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia, Saguinus bicolor, conservação, herpetofauna e primatas. A ecóloga Fernanda Meirelles, do Musa, que também participa do movimento, explica que o sauim-de-coleira é um importante dispersor de sementes, na medida que os frutos são um dos seus principais alimentos. “Ele também consome gomas de árvores, néctar, flores, ovos e, ocasionalmente, filhotes de aves”, completa. Também chamado de sagui, pertence à família de menores primatas do mundo. Os adultos medem de 28 a 32 centímetros de comprimento da cabeça ao tronco e possuem uma cauda fina de 38 a 42 centímetros. Pesam entre 450 e 550 gramas.

NATALIA LIMA/IBAMA

Passeio ciclístico organizado pelos grupos Pedala Manaus, Guaribike e PAN Sauim-de-Coleira faz alertas ambientais hoje

O risco de extinção pelo qual passa o sauim-de-coleira chama a atenção dos organizadores

Curiosidades sobre os animais Na Reserva Florestal Adolpho Ducke, pesquisadores viram um gato-maracajá (Leopardus wiedii) tentando se alimentar de um sauim-de-coleira. Para

atrair o sauim, o gato-maracajá imitava o som de um filhote. No entanto, os bandos de sauins contam com um macho sentinela sempre atento a qualquer

ameaça ao seu bando. Neste caso, o sentinela percebeu que o som fora produzido por um felino e imediatamente gritou para que o bando fugisse.


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plateia@emtempo.com.br

REPRODUÇÃO

Fábio Rabin apresenta stand up, hoje (92) 3090-1042

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Victor HUGO BORGES

‘Tudo é feito DE FORMA SUTIL sem ser militante’

FOTOS: DIVULGAÇÃO

GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

“H

Se você não consegue entreter uma criança, nada consegue ensinar a ela. A gente não quer deixar de colocar nenhuma mensagem no roteiro. Por mais que não force a barra para construir uma moral, isso está associado ao projeto”

istorietas assombradas (para crianças malcriadas)” é uma série de desenhos animados que coleciona o rótulo “nem-parecebrasileira”, que encabeça a lista dos programas mais assistidos na TV por assinatura, mesmo tendo apenas cinco meses de exibição. De acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a animação comanda o interesse de crianças de 4 a 11 anos de idade, superando até mesmo as produções americanas, que ainda são maioria na grade de programação. O criador e diretor do desenho, Victor Hugo Borges, fala ao EM TEMPO sobre as inspirações que o levaram a criar as peças e quais as perspectivas reais de começar a exportá-las. EM TEMPO – De onde veio a primeira ideia para “Historietas assombradas (para crianças malcriadas)”? Victor Hugo Borges – Veio em 2004, quando fui convidado para um projeto infantojuvenil com tema folclórica. Era para um edital cultural (“Curta criança”). Usei como premisssa as histórias que eu ouvia quando criança, contadas pela minha avó e pelas pessoas mais velhas ao meu redor. Sou natural da cidade de Santos (SP), mas alguns familiares moravam numa região perto do litoral, chamada Vale do Ribeira. Ali, consistia em um ambiente de sítios. Eu eventualmente frequentava e peguei quase o fim dessa era. Quando ia visitá-los, pude presenciar o porquê de tantas histórias. Ainda pequeno, tive “insights” para a justificativa para essa imaginação toda. Afinal, tratava-se de

uma área sem energia elétrica, muito rústica e à noite tudo ficava muito escuro. Não conseguíamos enxergar um passo a frente. Só tínhamos, portanto, a imaginação frequente para nos guiar. Pois bem, quando fui pensar o projeto audiovisual desenterrei essa memória. Tudo veio, então, desse ambiente de história oral. O curta estreou em 2005 nas emissoras de TV públicas e a aceitação foi muito boa. O material foi inserido em festivais do segmento e, até hoje, já são mais de 70 prêmios conquistados e isso refletiu no interesse de parceiros que começaram a ser atraídos para investir nisso. EM TEMPO – Existe, de fato, alguma intenção didática como efeito pretendido da animação? VHB – Se você não consegue entreter uma criança, nada consegue ensinar a ela. A gente não quer deixar de colocar nenhuma mensagem no roteiro. Por mais que não force a barra para construir uma moral, isso está muito associado com a raiz do projeto, porque aquelas histórias rurais trazem toda a premissa de uma moral. Elas eram quase sempre inventadas para informar as crianças. É algo muito antigo. Mas nossas preocupações são mais sociais, como tratar da tolerância com as escolhas feitas pelos outros, etc. Tudo é feito de uma forma sutil, sem ser militante, sem parecer didático e sem tom professoral, para não correr o risco de a criança não se entreter. EM TEMPO – A quê você atribui o sucesso da animação? VHB – É muito difícil estabelecer o porquê disso. Afinal, se soubesse o que dá certo, nada daria errado. Mas, se fosse eleger, diria que é respeitar o pú-

blico alvo, falando de igual para igual. A gente muita série que é muito bem feita, mas que não bate com o público. A gente não esperava que tudo chegasse a esse ponto, mesmo porque ainda existe um preconceito grande com a animação nacional. Temos momentos mais ousados, mas não esperava ultrapassar as séries americanas. EM TEMPO – Existe alguma projeção para exportar o produto? VHB – O próprio Cartoon Network vai distribuir na América Latina inteira ainda este ano. Além disso, negociamos a série para o mercado americano. Vai demorar um pouco mais, porque para lá vamos juntar a primeira e a segunda temporadas. No momento, estamos produzindo a segunda (que vem com mais do que o dobro de episódios da anterior) e traduzindo o material da primeira (no ar no Brasil). Eu coordeno as traduções e coordeno o produto como um todo. É raro o criador ainda ter o controle sobre isso. EM TEMPO – Quais as principais dificuldades desse segmento de arte? VHB – A primeira que temos é a falta de expertise, pois o país está construindo isso agora. As leis novas estão ajudando nisso, forçando o exibidor a procurar séries boas para exibir. Acho que o brasileiro tem um certo problema de autoestima, porque parece que não gosta tanto de se ver na tela em outra realidade, como a realidade americana. Os EUA conquistou o mundo pela cultura e apesar de termos uma influência cultural grande, não necessariamente estamos perto de atingir o mesmo padrão. A maioria dos canais fechados tem sede nos EUA e isso pode gerar produtos de qualidade, sim. Espero que o “Historieta” contribua para quebrar isso.

O próprio Cartoon Network vai distribuir na América Latina inteira ainda este ano. Além disso, negociamos a série para o mercado americano”

A maioria dos canais fechados tem sede nos EUA e isso pode gerar produtos de qualidade, sim. Espero que o “Historieta” contribua para quebrar isso”


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SILVIA CASTRO

>> Esporte . Neste domingo, a partir das 8h, as areias da Ponta Negra, receberão o inédito Desafio Rei da Praia de Beach Wrestling. . O evento é uma realização da Federação Amazonense de Luta Livre Esportiva, Olímpica e Greco-Romana (Falle), Federação Amazonense de Mixed Martial Arts (Femma), com apoio institucional do governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer (Sejel). O Rei da Praia é voltado para atletas de luta olímpica, jiu-jítsu, judô, luta livre esportiva e submission. A regra é simples: ganha quem jogar o oponente na areia – cada queda vale um ponto.

A top amazonense Suelem Pinho Collins na festa de inauguração da Move Lounge, nova pista eletrônica da cidade

>> Luto . A sociedade de Manaus está de luto pela morte da queridíssima dona Stella Lustoza. . Ela era, realmente, uma grande dama! Representou o que havia de mais elegante, tradicional e especial em Manaus. Empresária corretíssima, figura forte e emblemática de uma época em que a educação era o fator principal da comunidade que se convencionou chamar de alta sociedade. Enorme perda para Manaus. A coluna se emociona e envia os votos de pesar à família!

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Objeto de desejo >> Noite Portuguesa vai agitar o society de Manaus . Como o tempo é de festejar Portugal, a coluna irá realizar sua grande festa de fim de ano, com uma elaboradíssima Noite Portuguesa, no dia 6 de dezembro, no Diamond. . E será um festão mesmo! Jantar com bufê de delícias portuguesas, aliás uma das culinárias mais interessantes e aplaudidas do mundo, E toda uma produção lembrando o país. . O ponto alto da noite, além da apresentação de uma típica dança portuguesa, será o sorteio de duas passagens para Lisboa, no voo inaugural da TAP, via Paradise Turismo. Alguém vai querer ficar de fora? Agendem, a festa será chic e reunirá os nomes de frente do Jet-set local.

. Há cinco anos a Carolina Herrera lança uma edição especial em outubro, o mês conhecido mundialmente pela campanha de combate e prevenção ao câncer de mama, ou como ficou conhecido, o “Outubro Rosa”. . E este ano não foi diferente, a estilista deu uma repaginada na tradicional fragrância CH Carolina Herrera, e toda a verba da venda do perfume será revertida em prol da luta contra o câncer de mama.

Waisser Botelho com Amanda e o ator Max Fercondini, na badalada festa que comemorou os 13 anos da revista ‘Quem’ em São Paulo

Sempre atenta aos cuidados com a saúde da mulher, a primeira-dama Nejmi Aziz reforça a importância da segunda dose da vacina contra o HPV, que vai até o dia 30 de outubro. A imunização é voltada para as meninas entre 11 e 13 anos, que foram vacinadas na primeira etapa da campanha. Vale a pena prevenir


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Fábio Rabin

‘queimando o filme’ O comediante apresenta pela primeira vez em Manaus o seu mais novo stand up, que tem base em sua nova fase de vida PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO

O

comediante Fábio Rabin retorna a Manaus hoje para apresentar o seu novo stand up “Queimando o Filme”. O espetáculo aborda textos que falam sobre o cotidiano de quem assume a responsabilidade de sustentar uma família. Por telefone, o humorista adiantou detalhes da apresentação. Uma delas é a inclusão de piadas com contextos regionais como a natureza, o calor, as espécies de peixes, entre outras questões. O primeiro espetáculo exibido por Rabin era intitulado “Sem Noção”. Nesse show o público ouvia histórias que caracterizavam uma pessoa solteira. Bebidas, baladas, drogas faziam parte do roteiro. Agora, a situação é bem diferente. O comediante exibe um texto repleto de avaliações sobre a decisão de assumir um com-

promisso afetivo e até mesmo a experiência de enfrentar a paternidade. “Esses acontecimentos fazem parte das etapas de vida de todo o ser humano. Comigo não foi diferente. Sou pai e estou casado. Por isso resolvi fazer meu segundo show com base nessa realidade”, explica. Rabin comenta que apesar de o nome “Queimando o Filme” estar ligado a um fator negativo, a ideia é que os acontecimentos cotidianos sejam repassados de forma cômica sob uma visão realista dos fatos. “Brinco com

SERVIÇO “QUEIMANDO O FILME” Quando: Hoje, às 20h Onde: Teatro Manauara Ingres- R$ 40 (meia) sos: e R$ 80 (inteira)

as dificuldades, com as situações que um pai e uma mãe enfrentam, mas não externam. Geralmente quem vê o seu filho elogia e o acha lindo, mas não imagina o que acontece durante todo o dia”, lembra. A apresentação ainda aborda temas polêmicos como a religião, além de atualidades do cenário nacional. O show tem duração de uma hora e quinze minutos. “É um show bem diferente do primeiro stand up”, cita. O humorista afirma que se apaixonou pela capital amazonense desde o primeiro momento. Ele lembra que teve a oportunidade de mergulhar no rio Negro e ainda de conhecer pontos turísticos, mas o que mais lhe chamou a atenção foram os elementos naturais como os rios e a floresta. De acordo com Rabin, o público pode esperar uma apresentação diferente com um repertório totalmente repaginado e autoral.

Carreira iniciou em um bar Ator há 11 anos, o humorista iniciou a carreira contando piadas, sendo conhecido nacionalmente após uma entrevista para o programa “Pânico na Rádio”, em 2008. Após conquistar um espaço na MTV, chegou a ser um dos apresentadores do “VMB”, prêmio de música nacional. Atualmente, ele integrar o elenco de apresentadores do canal Multishow.

AGITO REPRODUÇÃO

A cantora cearense Tayna Pimentel será uma das atrações do projeto musical no Lappa

‘Escritório’ ganha mais uma edição Há muito tempo os amazonenses demonstram seu amor pelo samba. E foi justamente essa paixão que levou Arrecad Produções a criar o projeto musical “Escritório do Samba”, que já se tornou destino certo para quem curte o gênero musical. O evento, tradicionalmente realizado aos domingos, acontece no Lappa (Vieiralves), sempre a partir das 15h. Nesta semana o local contará com as participações da banda amazonense Nosso Jeitto e da cantora cearense Tayna Pimentel. Segundo um dos sóciosproprietários da Arrecad, Breno Pimentel, o “Escritório do Samba” surgiu dá necessidade de preencher uma lacuna que existia na cidade. “O público local gosta de um bom samba de raiz e também de samba-rock. Sabemos dessa proximidade que Manaus tem com o Rio de Janeiro. Então, nada mais justo do que realizar um “sambão” no domingo e,

principalmente, em um lugar que faz uma homenagem a um dos bairros mais tradicionais da Cidade Maravilhosa, a Lapa”, explica. Pimentel também destaca que essa mistura do samba de raiz com o samba-rock vem justamente de encontro ao pedido dos bambas locais. “Na verdade, gostamos de misturar. Temos como principal referência o “sambão”, mas é claro que o pagode e o samba-rock não poderiam ficar de fora. Então, decidi-

SERVIÇO ESCRITÓRIO DO SAMBA Quando: Todos os domingos, a partir das Onde: 15h Lappa Vieiralves (rua Rio Madeira, 98, Vieiralves) Quanto: R$ 25

mos contar com a presença da Nosso Jeitto, que tem esse lado mais tradicional e a Tayna, apresenta clássicos da Música Popular Brasileira com uma levada mais agitada”, diz. Ainda para o organizador do evento, o sucesso do “Escritório do Samba”, se deve ao serviço oferecido pela sua equipe. “Fazemos de tudo para agradar nossos clientes. E, sempre que possível, contamos com novidades. No caso deste domingo, teremos as “cupidas”, que serão duas garotas vestidas de cupido e que facilitarão a vida dos homens que quiserem “azarar” as mulheres. Elas levarão os bilhetes e, no final da noite, a mulher que mais tiver bilhetes vai ganhar um prêmio surpresa”, adianta. Vale ressaltar que, dois jogos do Campeonato Brasileiros são transmitidos ao longo da tarde e, o chope Brahma é liberado até as 18h.

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O humorista afirma ser apaixonado por Manaus e adianta que a apresentação contará com elementos regionais


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RESENHA

A adolescência nos anos 90 PERFIL

Tricia Cabral jornalista e autora do livro “Cinema Rebelde”

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o início dos anos de 1990, quando a minha geração começava a se despedir do ensino médio, não havia mais do que uma inovadora MTV atraindo espectadores assíduos dos primeiros videoclipes de qualidade produzidos no Brasil, graças a uma forcinha de jovens publicitários como Andrucha Waddington e José Henrique Fonseca, da Conspiração Filmes, que mais tarde produziriam filmes como “Eu, Tu, Eles” e “O Homem do Ano”, além de peças publicitárias premiadas e clipes como “Ela Disse Adeus”, do Paralamas do Sucesso. Pois bem. Além da MTV brasileira, a grande “novidade” do momento no início daquela década era uma série chamada “Beverly Hills 90210”, que virou “Barrados no Baile” nas traduções exóticas da TV Globo. O que muita gente não sabe é que Beverly Hills seria a precursora de outras séries de sucesso, como “Dawson’s Creek” e “Melrose Place”, e posteriormente de “Friends”, “Charmed” e tudo o que aparecia na TV americana abordando os dramas da adolescência e da juventude. E nós devemos isso a um cara chamado Aaron Spelling (1923-2006), o criador e produtor dessas séries nas décadas de 1990 e 2000. Sim, posso dizer com muita

propriedade que a minha geração teve sorte. Que época! Depois da saga dos videogames Atari, Odyssey e Nintendo na infância, fomos contemplados por aparelhos celulares tijolões dos quais ainda não fazíamos questão e nem imaginávamos o quanto seríamos “reféns” dos iPhones e Galaxies da vida, nos dias de hoje. Mas, voltando a Aaron Spelling e suas novidades teens, eis que surge em 1990 “Barrados no Bai-

PRECURSORA

O que muita gente não sabe é que Beverly Hills seria a precursora de outras séries de sucesso, como “Dawson’s Creek” e “Melrose Place”, e posteriormente de “Friends”, “Charmed”

le”, protagonizado pelos hoje quarentões Shannen Doherty, Jason Priestley, Jennie Garth, Luke Perry, Tori Spelling e até a vencedora de dois Oscar de Melhor Atriz, Hilary Swank (por “Meninos Não Choram” e “Menina de Ouro”).

Pela primeira vez, a TV brasileira, por meio da TV americana, tratava abertamente de assuntos como aborto, abuso sexual, virgindade, dependência química, alcoolismo e violência no pior grau em um programa voltado para adolescentes. Embalados pelo sucesso do R.E.M, “Losing my Religion”, um dos temas da série, a maioria dos personagens sobreviveu a dez temporadas ininterruptas. Os fãs da série ainda esperam pelo prometido filme que contaria o que aconteceu com os irmãos gêmeos Brandon e Brenda (que saíram da classe média baixa de Minnesota para os altos padrões de vida

de Los Angeles) e seus amigos Kelly, Stevie, Donna, David e até do Peach Pit, “point” de encontro dos personagens da série. Quem tem entre 30 e 45 anos teve o privilégio de conferir a ousadia de um velhinho chamado Aaron Spelling e suas séries voltadas para a juventude, nas quais a realização pessoal e profissional se sobrepunha, sem qualquer sentimento de culpa, à ganância e à falta de escrúpulos, ainda tão comuns nos dias de hoje. O remake de “Beverly Hills 90210”, exibido atualmente pela Sony? Nem merece comentários.

Quem tem entre 30 e 45 anos teve o privilégio de conferir a ousadia de um velhinho chamado Aaron Spelling e suas séries voltadas para a juventude”


Plateia D5

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–Rebate

TV Tudo

DIVULGAÇÃO

Fortes emoções Os atores de “Amor à Vida” receberam ordens para não assumir outro trabalho até 31 de janeiro. Detalhe: é nesse dia, uma sexta-feira - se não houver outra alteração - que a Globo irá exibir o seu último capítulo. Ou seja, as gravações poderão acontecer horas antes da novela entrar no ar. Primeira na Globo A atriz e apresentadora Jacqueline Sato, com uma passagem pela Rede TV! no programa “O Encantador de Cães”, vai fazer a sua primeira novela na Globo, “Além do Horizonte”. Jéssica é a personagem, uma tatuadora e motoqueira, tipo bem radical, que namora um hacker, vivido por Lucas Salles. Entra no |segundo capítulo. Festival Em novembro, no Teatro OI Futuro em Ipanema, Rio, vai acontecer o Festival Internacional de Pilotos. O seriado “Grudados e Soltinhos”, escrito por Emílio Boechat e Marília de Toledo, com direção de André Miranda, é um dos concorrentes ao prêmio de “Melhor Piloto”.

Descartáveis Pegações à parte, os personagens da Maria Casadevall e Caio Castro não têm mais importância nenhuma nos rumos atuais de “Amor à Vida”. Ficaram naquilo, o que é uma pena, a não ser que o autor reserve uma grande reviravolta no caso para os próximos capítulos. Escalada Dany Bananinha gravou no começo da semana uma matéria com o Gabriel Moojen para o “Zona de Impacto” do SporTV. Os dois foram escalar o Morro da Urca, um grande desafio para a assistente de palco do “Caldeirão do Huck” que tem sérios problemas com

altura. A matéria vai ao ar ainda este mês. Deixa comigo Nesta reta final de gravações de “Sangue Bom”, Dennis Carvalho, diretor de núcleo, assumiu a direção dos trabalhos e assim irá até o “apito” final. O último capítulo vai ao ar no dia 1º de novembro.

HOJE

Eliana faz parceria com YouTube Vale mostrar que sabe cantar, que possui um talento diferente, que tem um jeito nada convencional ou, então, que é mestre em divertir o público. Esse é o perfil que se espera dos candidatos do quadro “Fenômenos do YouTube’’, que estreia hoje no “Eliana’’ (SBT). Na acirrada disputa pela audiência aos domingos, a loira lança agora uma parceria com o canal de vídeos da internet, a fim de levar ao palco os tipos mais curiosos que circulam pela rede. “Negar o sucesso da web é algo que não se deve fazer. Ela é importante e complementar à televisão’’, analisa Eliana. “Fenômenos do YouTube’’ será, no entanto, um concurso. O candidato se inscreve no site do programa e, após as eliminatórias, o melhor vídeo ganhará R$ 50 mil. “Toda semana a plateia elege o que

mais gostou entre os concorrentes já pré-selecionado pelo júri. Na grande final, teremos seis pessoas, que terão 15 dias para apresentar um vídeo novo. O vencedor leva o prêmio’’, diz o diretor do programa, Ariel Jacobowitz. Segundo ele, qualquer pessoa pode participar do quadro. “Não estamos procurando um talento, mas, sim, um fenômeno. E a fórmula para um fenômeno nascer na internet não existe’’, diz Jacobowitz, recordando-se do irmãos Jefferson e Suellen, que fizeram sucesso em 2012 ao cantar “Para Nossa Alegria’’. “Pode ser uma criança rabiscando a geladeira, um susto entre amigos, um passinho de uma música funk ou qualquer outra situação inusitada’’, complementa. Entre os vídeos que competirão na estreia do quadro

estão o do cobrador de ônibus Emerson Leandro da Silva, que alegra os passageiros cantando e dançando, e o de Ederson Thiago do Carmo, que surpreendeu o amigo, Cleyton de Oliveira, ao jogar um balde de água em sua cabeça. “Os donos dos vídeos vão ao palco do programa para uma entrevista ou apresentação com a Eliana e os jurados, que serão convidados que se revezam a cada semana. Assim, o telespectador conhecerá melhor os participantes e as histórias de suas gravações’’, adianta Jacobowitz. O diretor conta que, hoje, o público é criador de um conteúdo que serve para a internet e para a TV. “São veículos diferentes, mas somos todos criadores de conteúdo. O que passa no “Eliana” vira viral no Youtube’’, diz. Por Alex Francisco REPRODUÇÃO

A apresentadora realizará um concurso batizado de “Fenômenos do Youtube” a partir de hoje

• O Premiere deveria agir com mais rigor no aluguel de equipamentos para as transmissões do campeonato brasileiro, séries A e B. • O que se assiste em determinadas ocasiões é de um nível de qualidade muito abaixo do suportável. Quase um VHS. Não dá. • E não se deve esquecer, em momento nenhum, que este é um serviço pago. Tem muito dinheiro em jogo. • Nova novela da Globo, “Em Família”, vai trocar a cor do cabelo da Bianca Rinaldi. • Nadja Haddad, nesta última semana, gravou o torneio musical do “Programa Silvio Santos”. • A ideia da Globo, pelo menos até abril do ano que vem, é continuar com Renata Vasconcellos e Tadeu Schmidt na apresentação do “Fantástico”. Só os dois. • Fernanda Paes Leme será uma das convidadas do “Esquenta”, hoje, na Globo.

Novelas com menos capítulos Desde que a novela é novela, aqui no Brasil, os custos de produção, geralmente muito altos, acabam se diluindo ao longo dos seus quase 200 capítulos. Tudo o que existe como despesa termina por se pagar sem muita dificuldade. Isso funciona assim desde o começo. Nos últimos anos, isso mudou um pouco. Já existem os seriados de temporada e as novelas mais enxutas na faixa das 23h, experiência que aos poucos se pretende estender para outros horários.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Permanece o suspense. Até agora não existe uma confirmação oficial do Gugu Liberato, se ele participará ou não do Teleton do próximo fim de semana. O convite foi feito, mas por razões particulares ele ainda não respondeu.

Marcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Carta aberta a Renan Freitas Pinto Caro professor Renan. Para nós, cientistas sociais, a ideia de ciclo merece ser olhada com certa estranheza e tensão. O ciclo não nasce e acaba como geralmente se supõem ao falar das drogas do sertão ou da Borracha, por exemplo. As estruturas ainda se mantém, firmes e intransponíveis, neste novo extrativismo que é o seringal eletrônico. A onda de manifestações que vem assolando o Brasil nos últimos meses nos dá a certeza de que a esperança é a última que morre. Mas morre. Mas até lá, estamos na luta por tudo aquilo que acreditamos, pensamos e sonhamos e mandar para bem longe a morte da esperança que, um dia venceu, para um certo alguém, o medo. Mas a sociologia nasceu justamente de uma revolução e com o senhor, professor Renan, aprendemos em Sociologia do Planejamento, Sociologia Contemporânea e Teoria Sociológica a tensionar as teorias de autores clássicos como Max Weber e Karl Marx às conjunturas sociais atuantes em nosso processo de formação regional e nacional e a identificar os paralelos com outras formas de atuação no mundo. Com o senhor aprendemos a olhar a Sociologia com o mesmo empenho dos grandes intelectuais, onde o amor pela pesquisa, pela análise acurada, pela observação sensível e pelo rigor metodológico possam atuar de forma sincera sobre a vida dos homens. Nascido em Alagoas, és certamente um dos maiores intelectuais deste país. Dono de uma erudição brilhante, foi, é e sempre serás lembrado por seus alunos com certo embaraço, uma vez que seu alto nível de reflexão sempre nos causou torpor e ao mesmo tempo admiração, pois suas conexões passavam

de Giddens a Faulkner, de Márcio Souza a Lévi-Strauss, de Buñuel a Roberto Evangelista, num registro impressionante e digno dos grandes homens das ideias. Como diretor da Tv Educativa temos o exemplo da construção de uma verdadeira TV pública e não do público, como àquela famosa cadeia televisiva carinhosamente chamada de plimplim insiste em se repetir. É certo que és um dos maiores conhecedores da obra de Max Weber no Brasil, além de sua tese de doutorado publicada há alguns anos, “A Sociologia de Florestan Fernandes”, ser considerada uma das melhores análises sobre a vida e obra deste outro grande sociólogo, Florestan Fernandes. Com o senhor, professor Renan, aprendemos a cobrar da universidade a construção de um sólido projeto de antropologia, que já vemos acontecer. As Universidades Amazônicas, como bem frisas, devem lutar para serem cosmopolitas, ao mesmo tempo que devem ser um dos principais instrumentos de conhecimento de defesa e valorização da diversidade étnica e cultural da região. Nós, cientistas sociais, ou mais precisamente, antropólogos, sociólogos e/ou cientistas políticos, não poderíamos deixar de reverenciar nosso mais brilhante cientista, a quem a Universidade Federal do Amazonas certamente tem orgulho de tê-lo em seus quadros. Sua amizade, Renan, seu respeito, humildade, competência, erudição e carinho nos guiará com ímpeto em nossa trajetória intelectual. E tenha a certeza de que seu exemplo será o foco e luz de nossa vida acadêmica e profissional. Receba nosso amor e gratidão, Ernesto Renan Melo de Freitas Pinto, ou simplesmente, professor Renan.

Marcio Braz

*ator, diretor, cientista social, membro do Núcleo de Antropologia Visual e do Conselho Municipal de Política Cultural

Com o senhor, professor Renan, aprendemos a cobrar da universidade a construção de um sólido projeto de antropologia, que vemos acontecer”


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

REPRODUÇÃO

Programação de TV 14:00 Futebol 2013

SBT 3:05 Jornal do SBT 4:00 Igreja Universal 5:00 Pesca Alternativa 6:00 Brasil Caminhoneiro 6:30 Aventura Selvagem 7:30 Vrum 8:00 Sorteio Amazonas da Sorte 9:00 Domingo Legal 13:00 Eliana 17:00 Roda a Roda Jequiti 17:45 Sorteio da Telesena 18:00 Programa Silvio Santos 22:00 De Frente Com Gabi 23:00 Série 0:00 Série 2:20 Big Bang – A Teoria 3:00 Igreja Universal

GLOBO

Marília Gabriela apresenta programa aos domingos no SBT

Horóscopo

REDE TV

16:00 Domingão do Faustão

3:55 Santa Missa em Seu Lar 4:55 Amazônia Rural 5:25 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6:00 Globo Rural 6:55 Auto Esporte 7:30 Esporte Espetacular 10:30 Temperatura Máxima 12:15 Esquenta

18:45 Fantástico

BAND

6:30 Igreja Internacional da Graça

4:00 Igreja Mundial

7:30 Igreja Internacional da Graça

4:50 Popeye

8:30 Amazonas Dragway na TV

5:00 Local

23:45 Hino Obrigado Senhor

9:00 Rompendo Barreiras

8:30 Mackenzie em Movimento

23:50 Hino Nacional

10:00 Blitz Top TV

8:45 Infocomercial

23:55 Encerramento Previsto

10:30 A Questão É

9:45 Verdade & Vida

21:10 Série Americana 22:05 Domingo Maior

10:00 Pé na Estrada

11:00 Igreja da Graça

RECORD

10:35 Band Esporte Club

12:00 Fique Ligado

11:05 De Olho no Futebol

13:00 Em Circuito

11:10 Gol - O Grande Momento do

14:30 A Questão É

3:45 Bíblia em Foco 4:00 Santo Culto em Seu Lugar 4:30 Desenhos Bíblicos

Futebol

15:00 AD & D

11:40 Copa do Mundo Sub 17

15:30 TV Kids

13:50 Futebol 2013

15:45 Vídeo Mania

7:00 Desenhos Bíblicos

16:15 Ritmo Brasil

8:00 Sorteio Amazonas da Sorte

17:00 Morning Show

9:00 Record Kids

18:30 Te Peguei na TV

10:30 Tudo a Ver

20:15 Teste de Fidelidade

15:50 Terceiro Tempo 18:00 Oscar 18:10 Caçadoras de Relíquias 19:00 Só Risos 21:00 Pânico na TV

21:35 TV Shopping Manaus

0:00 Canal Livre

22:35 Dr. Hollywood

1:00 Minuto do Futebol

23:30 É Notícia

21:15 Tela Máxima

1:05 Show Business

0:30 Bola na Rede

1:55 Copa de Futebol Sub 17

23:15 Programação IURD

1:30 Igreja Internacional da Graça

3:00 Igreja Mundial

13:15 Melhor do Brasil 17:30 Domingo Espetacular

Cinema

Cruzadinhas

GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 O encaminhamento que você dê a qualquer assunto deve ser precedido de uma boa descriminação. Evite jogar com o acaso ou se permitir displicências agradáveis. TOURO - 20/4 a 20/5 Os amigos tendem a participar de alguma situação confusa ou enganosa. Pode ser você que se coloque nessa situação, provavelmente. Uma boa discriminação é necessária. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você tende a confiar nas pessoas erradas ou então julgá-las equivocadamente. É preciso melhor discernimento, em especial com aquelas pessoas ligadas ao trabalho. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Procure não seguir às cegas os projetos ou as ordens. Olhe atentamente para a situação de trabalho. Certas tarefas podem não levar a nada. Elimine os equívocos e a confusão. LEÃO - 23/7 a 22/8 Alguém pode estimular sua imaginação. O desejo de se entregar é forte. Os sentimentos amorosos se exaltam. No entanto, tudo isso tende a levar a frustração e confusão. VIRGEM - 23/8 a 22/9 A indisposição com certas pessoas se baseia em sentimentos ou julgamentos que tendem a ser bastante parciais. Não confunda ainda mais a situação acentuando as distorções. LIBRA - 23/9 a 22/10 A desorganização da agenda e a indisciplina nos afazeres diários complicam o trabalho. A comunicação displicente também é fator de prejuízos no trabalho e no trato com colegas. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Os riscos nas relações amorosas devem ser evitados. A chance de se confundir e fazer bobagem é bem grande. Também não desperdice recursos com projetos sem sentido. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 A imaginação está ativa e corre solta, mas em direção duvidosa. Lembre-se que a visão está turva e a mente fora de foco. Você enxerga distorcidas as situações familiares. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Tendência a se perder nos compromissos e cometer atos falhos na comunicação. As viagens e os estudos são assuntos particularmente afetados por esta confusão. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Atenção com as grandes ideias e o entusiasmo no contato com pessoas especiais. Nem tudo será como é prometido hoje. Cuidado com enganos no uso do dinheiro. PEIXES - 19/2 a 20/3 Por um lado inebriado com algo na vida material, por outro insatisfeito e indeciso em suas próprias decisões. Qualquer decisão importante deveria esperar mais alguns dias.

ESTREIA Os Suspeitos: EUA. 12 anos. Em Boston, um pai de família deve lidar com o desaparecimento de sua filha e de um amigo dela. Quando suspeita que o detetive encarregado das buscas já desistiu de procurar pelo culpado, este pai desesperado começa a desconfiar de todas as pessoas ao redor. Fazendo sua própria investigação, ele encontra o principal suspeito e decide sequestrá-lo. Cinépolis 8 – 14h20, 17h30, 20h20 (leg/diariamente). Cinemark 5 – 12h (dub/somente sábado e domingo), 15h10, 18h20, 21h50 (dub/diariamente). Playartee 5 – 14h20, 17h10, 20h (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 15h, 18h30, 21h25 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 15h20, 18h45, 21h40 (leg/diariamente).

Serra Pelada: BRA. 14 anos. 1980. Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) são grandes amigos que ficam empolgados ao tomar conhecimento de Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado no estado do Pará. A dupla resolve deixar São Paulo e partir para o local, sonhando com a riqueza. Só que, pouco após chegarem, tudo muda na vida deles: Juliano se torna um gângster, enquanto que Joaquim deixa para trás os valores que sempre prezou. Cinépolis 1 – 13h, 13h30, 15h35, 16h10, 18h10, 19h, 20h45, 21h50 (diariamente). Cinemark 7 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (diariamente). Playarte 6 – 13h40, 15h50, 18h00, 20h10 (diariamente), 22h20 (somente sextafeira e sábado). Cinemais Plaza – 15h20, 17h30, 21h50 (diariamente). Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h20, 21h30 (diariamente). Conexão Perigosa:EUA. 12 anos. Adam Cassidy (Liam Hemsworth) é um ambicioso funcionário junior que não vê a hora de subir de posição dentro da empresa em que trabalha, a gigantesca Wyatt Corporation. Entretanto, após cometer um erro que custou bastante caro à empresa, Adam entra na lista negra de Nicholas Wyatt (Gary Oldman), o CEO da corporação. Para compensar o problema causado, Nicholas chantageia Adam de forma que ele seja empregado na maior concorrente da empresa, comandada por Jock Hoddard (Harrison Ford), o antigo mentor de Wyatt. A tarefa de Adam é que ele seja um espião dentro da empresa de Hoddard, passando a Wyatt todas as informações internas que julgue interessantes. Sem saída, Adam aceita a tarefa. Cinépolis 2 – 12h40, 15h30, 18h20, 21h10 (leg/diariamente). Diana: RU/FRA. 12 anos. O longa irá abordar o relacionamento de Lady Di com o cirurgião paquistanês Hasnat Khan, que é descrito no livro “As Crônicas de Diana”, de Tina Brown, como o grande amor da vida dela. Os dois se conheceram em 1995, quando Diana visitou um amigo que havia sido operado no Hospital Royal Brompton, onde Khan trabalhava, e estiveram juntos por dois anos. A relação terminou poucos meses antes do acidente que vitimou a Princesa de Galles, em agosto de 1997. Na ocasião, ela já estava se relacionando com o milionário Dodi Fayed, que também morreu no acidente. Cinépolis 3 – 13h55, 16h50, 19h40, 22h30 (leg/diariamente). Playartee 10 – 13h20, 15h40, 18h, 20h20 (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES Silent Hill: Revelação: FRA/CAN. 16 anos. Playarte 1 – 18h50, 20h50 (3D/ dub/diariamente), 22h50 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado), 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (leg/diariamente), 23h20 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 18h50, 21h10 (dub/diariamente). Riddick 3: EUA. 16 anos. Cinépolis 10 – 20h30 (leg/diariamente). Cinemark 2 – 12h30 (dub/somente sábado e dominho), 15h20, 18h, 20h50 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). Playartee 9 – 13h45, 16h10, 18h35, 21h (dub/diariamente), 23h25 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 14h10, 16h30, 19h20, 21h40 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h50, 17h20, 19h40, 22h (leg/diariamente). É o fim: EUA. 16 anos. Cinépolis 10 – 17h55 (leg/diariamente). Cinemark 3

– 14h10 - 19h10 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 21h (leg/diariamente). Rota de Fuga: EUA. 14 anos. Cinépolis 9 – 22h20 (leg/diariamente). Playartee 8 – 20h30 (dub/diariamente), 22h50 (dub/ somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 14h40, 17h, 19h15, 21h30 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 19h35, 21h50 (leg/diariamente). Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses: JAP. 10 anos. Cinépolis 6 – 12h30, 14h40, 17h, 19h35 (dub/diariamente). Cinemark 8 – 12h40 (dub/somente sábado e domingo), 15h, 17h10, 19h20, 21h30 (dub/diariamente), 23h40 (dub/sexta-feira e sábado). Playarte 7 – 13h20, 15h10, 17h, 18h50 (dub/diariamente). Cinemais Plaza – 14h, 16h (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h30, 16h40 (dub/diariamente). Tá Chovendo Hambúrguer 2: EUA.

Livre. Cinépolis 4 – 13h40, 16h, 18h35, 21h20 (3D/dub/diariamente), 12h50, 15h10 (dub/diariamente). Cinemark 1 – 13h40 16h, 18h30, 21h (dub/diariamente), 14h50, 17h30, 19h50 (3D/dub/diariamente). Playarte 1 – 12h50, 14h50, 16h50 (3D/dub/diariamente), 13h10, 15h10, 17h10, 19h10 (dub/diariamente). Cinemais Plaza – 14h20, 16h20, 18h40, 20h50 (3D/dub/diariamente), 14h50, 16h50 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h40, 17h, 19h (dub/diariamente), 13h30, 15h30, 17h30 (3D/dub/ diariamente). Gravidade: EUA. 12 anos. Cinépolis 5 – 14h, 16h30, 19h20, 21h40 (3D/leg/ diariamente). Cinemark 6 – 22h10 (3D/ dub/diariamente exceto sábado), Playarte 4 – 13h15, 15h10, 17h05, 19h, 20:55 (leg/ diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Millennium – 19h30, 21h35 (3D/leg/diariamente). Mato Sem Cachorro: BRA. 12 anos.

Cinépolis 7 – 13h25, 16h15, 19h05, 22h (diariamente). Cinemark 4 – 14h, 16h50, 19h40, 22h30 (diariamente). Playarte 8 – 13h15, 15h40, 18h05 (diariamente). Cinemais Plaza – 19h, 21h35 (diariamente). Cinemais Millennium – 14h20, 16h45, 19h15, 21h45 (diariamente). Elysium: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 16h40, 22h (dub/diariamente). Playarte 3 – 21h10 (dub/diariamente), 23h20 (dub/ somente sexta-feira e sábado). Cinemais Millennium –14h35, 16h50, 19h10, 21h20 (leg/diariamente). Família do Bragulho: EUA. 14 anos. Playarte 7 – 20h40 (dub/diariamente), 22h55 (dub/somente sexta-feira e sábado). Invocação do Mal : EUA. 14 anos. Cinemais Plaza – Dub. - 14h45, 17h10, 19h30, 22h (dub/diariamente).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

::::: Raposa ingrata Ainda que a ingratidão seja a moeda dos desonestos, o casal mais charmoso da cena política no Brasil setentrional segue a vida como Deus assim o quer para eles. Ou seja, felizes e fortalecidos. Nem a tirania da traição e muito menos a baixaria da ingratidão irá abalar o amor verdadeiro entre os dois. Já as plantonistas teatrais de altar e assíduas assinantes da cartilha do alpinismo social terão que esperar outro incauto casal. Se é que vocês me entendem...

::::: Sunset

Marilza Mascarenhas, Sandra Monteiro e Manuella Pedrosa estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Convite

Esbanjando elegância na dosagem certa: Hamilcar Silva e Eliane Schneider no deslumbrante casório dos belos Clara e Antônio Chaves, no Diamond

FOTOS: JANDER VIEIRA

::::: Casal oficial

É hoje, no Mon Plaisir, a partir das 16h07. O esperado Sunset com o show impagável da banda Redphone, apresentação única e exclusiva somente para poucos convidados. Depois do pôr do sol a coluna, em parceria com Ney Barroso, fecha a noitada com a trilha sonora do DJ Sidney Almada até às 22h. Lógico que você não se furtará desse auê chique, não é? Cumpriu agenda concorrida durante a semana. O Dia do Professor, comemorado na última terça-feira, foi lembrado pelo vice-governador José Melo como um momento para se rever os avanços conquistados pela categoria na capital e no interior nos últimos três anos. Aplausos

::::: Sala de Espera

Jander Vieira A Moto Honda convida para participar da cerimônia de inauguração do mais novo Centro Educacional de Trânsito Honda, o CETH, em comemoração ao aniversário de Manaus. Quando? No próximo dia 23, na Cidade Nova, às 10h30, seguido de almoço aos convivas. Com essa iniciativa a Honda avança ainda mais em suas ações de promover a prática de direção segura entre os motociclistas, por meio de palestras e cursos práticos de pilotagem, visando aprimorar as técnicas de condução e prevenir a ocorrência de acidentes. Aplausos.

O chique que cabe no bolso quem tem a receita são as ótimas Tânia Castro e Gisele Alfaia com os lançamentos indispensáveis da TeG. Depois dos lindos lenços, durante a semana, a dupla criativa lançou os jogos americanos da grife. Simplesmente lindos e indispensáveis

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O governador Omar Aziz e sua Nejmi foram agraciados pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus com o Oscar do Comércio na categoria ‘Grã Personnalité’. O efeito é referente ao importante apoio da administração Aziz na projeção do comércio local. Já a honraria para a primeiradama é alusiva ao intenso apoio à campanha “Liquida Manaus 2013”, que obteve grande sucesso junto aos manauenses.

O hotel SleepInn, que completa neste mês seis anos de atuação no Amazonas, fez parceria com os organizadores do Seven Music Festival, e oferecerá pacotes especiais de hospedagem para que vai curtir o evento, que será realizado no próximo dia 14, na Arena Povos da Amazônia. As reservas já estão sendo realizadas pelo telefone 3321-8800. Hoje, às 20h, tem sessão sorriso com stand-up “Sem Noção” do talentoso Fabio Rabin. Onde? No Teatro Direcional em única apresentação. Karina Bessa e Evelise Pessoa ganharam sessão parabéns do tipo surpresa no almoço do Zefinha Bistrô. A dupla é queridíssima entre as finas da cidade, na terça os cliques do evento concorrido. Bonecos da Companhia de Teatro Vitória-Régia vão compor a produção visual do show da banda pernambucana Mundo Livre S/A em Manaus, na próxima sexta-feira, na reinauguração do R2 Universo Cultural. O novo espaço vai funcionar na Visconde Porto Seguro, no Parque das Laranjeiras. Os salões da cidade ficarão um tanto sem graça. Dona Stella Oliveira Fonseca Lustosa, dona de uma elegância única e mulher de grandiosidade ímpar, não está mais entre nós. À família enlutada, os mais profundos sentimentos, nesta hora tão difícil. O colunista sabe o tamanho e força dessa dor... Somente Deus conforta.


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Plateia

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opiniao@emtempo.com.br

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Os filmes de Joseph Losey

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Da Guerra Fria à ciberguerra

Motivos da espionagem americana no Brasil. Pág. 3

Vidas que se cruzam no infinito

Os trilhos de ‘Anna Kariênina’ e as biografias de Tolstói. Págs. 4 e 5

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Diário de Londres

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Do arquivo de Aracy Amaral

Capa

ilustração de Claudius

E outras 9 indicações cinematográficas. Pág. 2

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O que se passa nos tubos do ‘tube’. Pág. 6

São Paulo, 1973. Pág. 7

O grande sertão de Luiz Gonzaga

A música que expandiu as fronteiras do Nordeste. Pág. 8


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Ilustríssimas Semana O MELHOR DO CINEMA EM 10 INDICAÇÕES

BRASILEIRO

FOTOS: DIVULGAÇÃO

L37ª MOSTRA | NATHAN, O SÁBIO O clássico do cinema mudo alemão, lançado em 1922, será exibido em versão restaurada na área externa do Auditório Ibirapuera, com trilha sonora executada ao vivo pela Orquestra Petrobras Sinfônica. O filme dirigido por Manfred Noa teve um percurso atribulado: foi proibido pelo governo, desapareceu em 1930 e só foi redescoberto em 1996. dia 27, às 20h | grátis

LIVRO | O CINEMA ERRANTE Professor de história do cinema da UFMG, Luiz Nazario reúne ensaios sobre três diretores: Alberto Cavalcanti, David Perlov e Glauber Rocha. Em comum, os cineastas viveram períodos de autoexílio e pregaram uma arte engajada, capaz de transformar a realidade. Perspectiva | R$ 60 | 246 págs.

LIVRO | MISE EN SCÈNE NO CINEMA O crítico e pesquisador Luiz Carlos Oliveira Jr., ex-editor do site “Contracampo”, analisa e traça a trajetória do conceito de “mise en scène” (colocar em cena). O estudo abarca desde textos da revista francesa “Cahiers du Cinéma” que dão fundamento teórico à expressão até filmes recentes (“Elefante”, “O Intruso”) que colocam em xeque alguns de seus postulados. Papirus | R$ 69 | 224 págs.

37ª MOSTRA | FILMES DA MINHA VIDA O ciclo de debates que se estende ao longo do evento reúne artistas para comentar filmes marcantes em suas formações. Os cineastas Júlio Bressane (qua., 23) e Walter Salles (sex., 25), o crítico francês Michel Ciment (dom., 27) e o crítico da Folha Cássio Starling Carlos (qua., 30) são alguns dos convidados. Espaço Itaú Augusta | 12h | grátis

CINEMATECA | MARCAS DA MEMÓRIA O ciclo exibe, em versão restaurada, filmes dos anos 1960 a 1980 que refletem o contexto da ditadura, como “O Caso Dos Irmãos Naves” (qui,. às 18h) e “Os Fuzis” (sáb., às 18h). de qua. (23) a dom. (27) | grátis

ERUDITO

POP

LIVRO | CINEMA JAPONÊS NA LIBERDADE Nos anos 1950 e 1960, São Paulo chegou a ter quatro salas de cinema exclusivamente voltadas ao cinema japonês no bairro da Liberdade. O pesquisador Alexandre Kishimoto relata em seu livro o impacto da produção japonesa e o ambiente cultural fomentado por ela no bairro. Estação Liberdade | R$ 48 | 304 págs.

1 DVD | JOSEPH LOSEY O Instituto Moreira Salles (IMS) lança “Cerimônia Secreta” (1968), em que o diretor americano (1909-84) enfoca a relação de duas mulheres (Elizabeth Taylor e Mia Farrow) que fantasiam ser mãe e filha. O filme integra também mostra do IMS sobre Losey, que inclui longas como “O Maldito” (1951) e “Eva” (1962). DVD “Cerimônia Secreta” | R$ 39,90 Mostra Joseph Losey IMS-RJ | de sexta (25) a 10/11 | R$ 16 programação em ims.uol.com.br

37ª MOSTRA | MÁRIO LAGO Vida e obra do ator e compositor carioca (1911-2002) são o tema do filme de Marco Abujamra e Markão Oliveira exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O documentário traz depoimentos de amigos, cenas de filmes, novelas e poemas de Lago musicados por Arnaldo Antunes. A sessão de quarta será seguida de debate com os diretores. qua. (23), às 20h, e sáb. (26), às 18h, no Espaço Itaú Augusta; qui. (24), às 20h10, na Matilha Cultural | de R$ 15 a R$ 19 LIVRO | IMAGEM-VIOLÊNCIA Cinema e antropologia se mesclam no trabalho da professora da USP Rose Satiko Gitirana Hikiji a respeito de filmes como “Cães de Aluguel” (1992), de Quentin Tarantino, “A Estrada Perdida” (1997), de David Lynch, e “Fargo” (1996), dos irmãos Coen. A violência retratada, mais ou menos exacerbada em cada um, serve de base a reflexões sobre as relações sociais e o poder da arte. Terceiro Nome | R$ 32 | 192 págs.

ESTRANGEIRO

37ª MOSTRA | 2001 O livro de Arthur C. Clarke que inspirou o clássico filme de Stanley Kubrick ganha nova tradução em português. A edição traz ainda texto do escritor sobre o cineasta e os contos “A Sentinela” e “Encontro no Alvorecer”. Já “2001”, o filme, integra retrospectiva Kubrick em São Paulo. trad. Fábio Fernandes | Aleph | R$ 54 | págs. 336 págs. sessões amanhã, às 21h30, no Cinespaço Granja Vianna; qua. (23), às 16h50, no Cinesesc; ter. (29), às 21h10 no Shopping Cidade Jardim | de R$ 15 a R$ 19

Folha.com

Ilustríssimos desta edição PAULA GIOLITO - 14.12.11/ FOLHAPRESS

ANTONIO RISÉRIO, 59, é antropólogo e consultor especial do Cais do Sertão Luiz Gonzaga. ARACY AMARAL, 83, é curadora e crítica. BERNARDO MELLO FRANCO, 29, repórter da Folha, foi correspondente do jornal em Londres até setembro. CLARA ALLAIN é tradutora. CLAUDIUS CECCON, 75, é arquiteto e cartunista. IRINEU FRANCO PERPETUO, 42, é jornalista e tradutor.

LUIS GUSMÁN, psicanalista e escritor argentino, é autor de “O Vidrinho” (Iluminuras) e “Hotel Éden”, a sair pela mesma editora. MIKE TWOHY é cartunista da revista “The New Yorker”. RAFAEL CAMPOS ROCHA, 43, é ilustrador, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.). RICHARD D. MAHONEY, ex-bolsista John F. Kennedy na Universidade do Massachusetts, é o atual diretor da Escola de Questões Públicas e Internacionais da Universidade da Carolina do Norte. RUBENS FIGUEIREDO, 57, professor, escritor e tradutor, transpôs do russo, entre outros, “Anna Kariênina” (Cosac Naify), de Liev Tolstói.

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha CAIS DO SERTÃO Imagens do museu sobre o músico Luiz Gonzaga, no Recife >>folha.com/ilustrissima


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Política

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Meu melhor inimigo EUA e Brasil na ciberguerra global RESUMO A descoberta de que a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras foram alvos de espionagem de agência americana azedou a relação entre o Brasil e os EUA: apesar do duro protesto brasileiro feito na ONU, Barack Obama não se desculpou em público e provavelmente não o fará. O texto abaixo cita quatro sinais de uma emergente guerra cibernética.

RICHARD D. MAHONEY TRADUÇÃO CLARA ALLAIN

Durante a visita oficial que fez a Washington em abril de 1962, o presidente brasileiro João Goulart perguntou ao americano John F. Kennedy o que a Agência Central de Inteligência (CIA) estava fazendo no Brasil. Ele recebeu de Kennedy o tipo de resposta que o presidente Barack Obama deve ter dado à presidente brasileira atual, Dilma Rousseff, na conversa de 20 minutos que tiveram no último 16 de setembro: “Você vai ter que confiar em mim”. Um ano depois da visita de Jango, que incluiu um desfile triunfal em Nova York, a Casa Branca de Kennedy estava conspirando para afastá-lo do poder. Quando as evidências das simpatias comunistas de Goulart se mostraram um tanto quanto fracas – o endinheirado latifundiário gaúcho usava uma medalha de Nossa Senhora no pescoço –, o fato de ele ter desprezado dois militares brasileiros seniores apoiados pelos EUA para promover no lugar deles dois oficiais “ultranacionalistas” foi visto como suficientemente grave para levar o sucessor de Kennedy, Lyndon B. Johnson, a dar o sinal verde. Mas, em março de 1964, a aprovação do presidente dos EUA ao golpe não passava de formalidade, porque – então como agora – o dinamismo de agir, de operacionalizar, está embutido na atividade americana de inteligência. “Com os relacionamentos profundos que tínhamos na comunidade militar e na de inteligência do Brasil, não precisávamos realmente fazer muita coisa”, relataria mais tarde a este autor o embaixador americano no Brasil naqueles anos, Lincoln Gordon. Os planos secretos de Washington de desembarcar “marines” em São Paulo e lançar ataques aéreos a partir da Argentina em apoio

aos golpistas acabaram sendo desnecessários. Nos anos seguintes, a colaboração entre Brasil e Estados Unidos, que cresceu a partir do golpe, seria frutífera para ajudar a CIA a derrubar um governo atrás de outro no Cone Sul. Quando os militares chilenos tomaram o poder em seu país, em setembro de 1973, oficiais de inteligência americanos fizeram uma ponte aérea para levar interrogadores brasileiros treinados nos EUA para o estádio nacional de Santiago, convertido em imenso centro de detenção. Com esses interrogadores chegou um instrumento especial de tortura conhecido por lá como “parrilla”, um catre metálico ligado a um aparelho elétrico. Os interrogados eram eletrocutados com a “picana eléctrica” e queimados nas “parrillas”. Agentes de segurança nacional dos Estados Unidos, presentes em abundância no Brasil hoje em dia, lhe dirão que os maus velhos tempos ficaram no passado. Eles provavelmente têm ra-

DÚVIDA

Os americanos talvez se perguntem por que, com a Guerra Fria ganha e a guerra ao terror contida, ainda é necessário invadir todos os espaços conhecidos de comunicação, a fim de capturar informações. zão. As democracias latinoamericanas, antes cambaleantes, hoje são muito mais fortes e mais profundamente enraizadas do que eram nos anos 1960 e 1970, em grande medida porque muitos dos líderes latino-americanos são como Dilma, que aprendeu da maneira mais difícil a ser resistente e vigilante durante a ditadura militar. Mesmo assim, é preciso indagar por que, após 20 anos de relações crescentemente amistosas entre os Estados Unidos e o Brasil, anos nos quais se viu uma explosão do comércio, de investimentos e formação de “joint ventures” no setor energético, sendo o Brasil hoje um ator internacional de grande importância, o presidente americano não pediu desculpas públicas ao país e à presidente, simplesmente, renovando o convite a Dilma para a visita de Estado que seria a única recebida por Obama no ano. Mas o fato é que ele não o fez e provavelmente não o fará, e vale a pena tentar entender a razão disso. A presidente Dilma, e nós outros que nos preocupamos com o Brasil e os Estados Unidos, poderíamos tomar nota de alguns sinais emergentes

neste caminho sombrio. ‘Plus ça change...’ Supostamente o homem mais poderoso do mundo, o presidente dos EUA é, na realidade, um dos líderes mais confinados, expostos e frustrados do mundo. Ele é criticado e obstruído em todas as áreas, a exceção de uma: no imenso e impenetrável labirinto da segurança nacional americana, ele preside sobre uma panóplia de artes das trevas – espionagem, guerra e execuções extrajudiciais. Como Kennedy e até seu fartamente criticado predecessor, George W. Bush, Obama dispõe de meios para salvar vidas ou causar mortes, para mudar regimes e para gerir orçamentos de segurança nacional que, juntos, ultrapassam de longe todos os gastos empenhados por Brasília em um ano inteiro. Dilma, que afirma querer saber “tudo” sobre a espionagem praticada pelos EUA no Brasil, terá que somar-se ao Congresso americano, à imprensa e ao povo americanos, que também gostariam de saber o que está acontecendo. Ninguém ficará sabendo no futuro próximo. Nova soberana O lugar, que um dia coube à CIA, de rainha das agências de inteligência de Washington – entre as quais há uma disputa perpétua –, foi tomado pela Agência Nacional de Segurança (NSA), convertida em colosso global graças à sua missão de garimpagem e interceptação eletrônica de dados. Antes dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2011, a NSA fornecia cerca de 60% do conteúdo do supersecreto “Briefing Diário do Presidente”, que Obama e os principais funcionários da administração leem todas as manhãs para se pautarem ao longo do dia. Hoje, a porcentagem provida pela NSA é muito mais alta. A agência também é uma colaboradora crucial na determinação dos alvos dos ataques de drones contra terroristas – algo que, não obstante duas catástrofes militares no Iraque e Afeganistão, é motivo de orgulho técnico para a administração Obama. Conclusão: para Obama, a NSA é o que a CIA era para Kennedy: sua rainha secreta. Regras de Washington Obama deve ter ficado surpreso ao ver que seu telefonema a Dilma não surtiu o efeito desejado. Normalmente os amigos e aliados de Washington aceitam a equação de dois pesos, duas medidas praticada por Washington no que tange os erros de comportamento internacionais: nós podemos cometê-los, vocês não podem. Isso é o que se conhece como a excepcionalidade ame-

ricana, uma combinação de letalidade ilimitada e ilimitado complexo de vítima, e a síndrome que ele provoca é algo de que os EUA não precisam e que não beneficia o mundo. Em favor de Obama, há que recordar que o presidente questionou o estado permanente de guerra: “Precisamos definir a natureza e o escopo desta luta [a guerra ao terror], caso contrário ela nos definirá”, ele disse no último 23 de maio, na Universidade Nacional de Defesa. Ela nos está definindo, senhor presidente. O verdadeiro inimigo Assim como os brasileiros, os americanos talvez se perguntem por que razão, com a Guerra Fria ganha e a guerra ao terror contida, ainda é necessário invadir todos os espaços conhecidos de comunicação, sejam eles de indivíduos ou de nações, a fim de capturar informações.

Interceptar comunicações entre Dilma e o presidente do México pode parecer algo amalucado, mas, segundo Richard A. Clarke, uma das autoridades em segurança nacional mais respeitadas dos Estados Unidos, representa apenas um pequeno vislumbre do que é a ciberguerra global. Embora esteja muito atrás da China e Rússia quanto às possibilidades de defesa da pátria contra um ataque coordenado, Washington está muito à frente desses países no que diz respeito a suas capacidades de ataque. Uma dessas capacidades é a “botnet” – uma rede, cujo posicionamento é secreto, de computadores invadidos, que por sua vez atacam outros sistemas, apagando ou reescrevendo seus soſtwares. Uma vez em operação, uma “botnet” pode derrubar ou levar ao colapso equipamentos de infraestrutura civil como hospitais, barragens ou redes de transportes aéreos,

além de serviços de comunicação e aparato militar. Ninguém sabe se a NSA plantou “botnets” no Brasil, mas, em seu discurso recente na Assembleia Geral da ONU, Dilma conseguiu chamar a atenção do mundo para uma prática perigosa – o hacking de Estado contra Estado. O Brasil, porém, se mostraria realmente inovador se seu governo conclamasse à criação de um Tratado de Limitação de Ciberguerra (Cyber War Limitation Treaty, ou CWLT), algo defendido por especialistas como Clarke. Um tratado desse tipo estabelece a proibição de todas as formas de hacking de um Estado contra outro, delimita padrões internacionais de responsabilidade nacional e protocolos de inspeção, e, com o tempo, pode fazer o que fez o Tratado de Não Proliferação Nuclear: isolar os Estados irresponsáveis. Claro que isso não deixaria de fora o maior deles.


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Literatura

3 Biografias sobre trilhos Paralelismos e desencontros em “Anna Kariênina” RESUMO A presença dos trens no romance de Tolstói (1828-1910) aponta para uma trama subjacente à obra, a das pretensões modernizadoras da Rússia. Mas a imagem ferroviária reflete também o princípio ordenador da trama, em que pares de personagens e situações se desdobram sem se encontrarem, como as paralelas dos trilhos.

RUBENS FIGUEIREDO ILUSTRAÇÃO CLAUDIUS

O leitor dificilmente deixará de notar o peso da presença dos trens em “Anna Kariênina”. É numa estação ferroviária, por exemplo, que Anna conhece Vrónski, seu futuro amante. Na ocasião, para horror da protagonista, um homem morre esmagado por um trem – ela própria, como se sabe, se suicidará jogando-se sob as rodas de um vagão. As últimas cenas do romance também se passam numa estação, quando Vrónski parte para a guerra como voluntário. Seu intuito é antes morrer do que alcançar um triunfo militar. E o trem é o veículo para obter o que deseja. Na mesma passagem, primeiro na estação e depois dentro de um vagão, os personagens põem à prova suas visões a respeito da guerra. São inúmeras, no romance, escrito entre 1873 e 1877, as situações em que o trem é fator da ação – elemento presente ou objeto de alusões em conversas, pensamentos ou sonhos. As ferrovias eram novidade na Rússia. Exprimiam um dos esforços mais salientes para modernizar uma sociedade que se via como atrasada, tolhida por traços pré-capitalistas. As vias férreas eram encaradas não só como um instrumento com fins práticos óbvios num país de território vastíssimo, mas também como um símbolo do empenho para equiparar a Rússia aos países ricos. Por isso é importante ressaltar que Liévin – um dos personagens mais importantes do livro – manifesta críticas às estradas de ferro. Sua atitude é ridicularizada por amigos, que mal lhe permitem expor suas objeções e nem mesmo querem ouvi-lo. Nesse aspecto, veem em Liévin um excêntrico ou um provinciano retrógrado. E Tolstói

se vale do personagem para apresentar muitas de suas dúvidas e questionamentos em relação ao que a Rússia pretendia fazer de si mesma e ao projeto de integrar o país ao capitalismo. Mau agouro É inevitável lembrar que o próprio Tolstói viria a morrer justamente numa estação de trem. Mas nem é preciso chegar a tanto. Sem sair das páginas do romance, constatamos que a ferrovia está associada ao destino infeliz ou trágico de personagens importantes do livro. Contra esse fundo, o conforto dos vagões de luxo e a comodidade dos deslocamentos rápidos, a despeito da sua imagem orgulhosa de progresso, contêm uma nota de mau agouro. Se o trem concentra um dos principais temas subjacentes ao romance – a polêmica em torno do projeto modernizador da Rússia –, de outro lado oferece a figura visual constante de dois trilhos paralelos. Isso vem ao caso, pois as linhas paralelas representam um dos princípios mais importantes na estruturação do livro, a constante formal que baliza a ação e ajuda o livro a manter coesas as numerosas e variadas linhas do enredo. O título nos rascunhos era “Dois Casais”, ou “Dois Casamentos”. Essa dupla de pares justapostos reforça a imagem das linhas paralelas e traz à mente a imagem dos trilhos. Assim, o casamento integrase ao tema de fundo do livro e confere uma forma concreta ao mais importante princípio estruturador do romance: o paralelismo. Do que se diz aqui, alguém que não leu “Anna Kariênina” poderia pensar que se trata de um romance esquemático, escrito com régua e esquadro. Não é nada disso, nem de longe. Não que o forte da prosa de Tolstói seja a sutileza ou a discrição. Não é. Seu ímpeto procura o concreto. Um dos principais méritos do livro, sua abrangência, deve muito ao fato engenhoso de não se prender a um centro. A distribuição da ação em linhas paralelas, em geral formadas por casais, escapa do

RUMO

A distribuição da ação em linhas paralelas escapa de ser mecânica porque tais linhas têm rumos independentes. Não seguem direção única; seu destino é tortuoso, incerto.

perigo de adquirir uma feição mecânica porque tais linhas têm rumos em grande parte independentes. Não seguem uma direção única, estável; seu destino é tortuoso, incerto. O crítico russo Viktor Chklóvski (1893-1984) estudou os procedimentos estilísticos de Tolstói e sublinhou o paralelismo. Chklóvski cunhou o conceito de construção escalonada, procedimento que se apresenta quando a narrativa desdobra um objeto mediante reflexos e justaposições. Essa é a base do paralelismo em “Anna Kariênina”. Senão vejamos: a constante presença da ferrovia contém um reflexo das linhas paralelas em que se distribuem os casais e os personagens. De maneira mais específica: o acidente ocorrido na chegada de Anna a São Petersburgo no início do livro contém um reflexo da sua própria morte sob as rodas de um trem, no final. E ainda: a frustrada tentativa de suicídio de Vrónski, o amante de Anna, surgirá como um reflexo antecipado do suicídio de Anna. E mais ainda: o livro abre com a crise conjugal por que passa

IDENTIDADE

A técnica do desdobramento do material romanesco permite que Tolstói expanda o romance até alcançar suas dimensões incomuns, sem perder a coesão característica a suas obras.

o irmão de Anna. Ela chega à capital para preservar o casamento ameaçado. E consegue. Mas essa crise, vista em retrospecto, surge como um reflexo da crise conjugal da própria Anna, que se desenvolverá nas partes seguintes. As duas crises conjugais refletem-se. A segunda, a de Anna, se apresenta mais grave do que a primeira, a do irmão: ela se consuma na separação do casal oficial, ao contrário da primeira crise, resolvida com uma conciliação formal. A mesma gradação do mais fraco para

o mais forte se verifica nas duas tentativas de suicídio: a primeira – a de Vrónski – se mostra mais fraca, contornável; a segunda – de Anna – tem desfecho fatal. Olhando bem, até nesse quadro de dois pares e de duas ações que se refletem vemos formar-se outro paralelo: o da gradação a que ambos os pares obedecem. O primeiro tem efeito mais fraco; o segundo é conclusivo. O primeiro poderia ser visto como um agouro, um mau sinal. Talvez uma variedade mágica do paralelismo.

PADRÃO

O movimento de linhas paralelas tem um duplo aspecto. Supõe uma semelhança, uma vez que as linhas se acham sempre lado a lado. Mas também supõe que elas nunca estão juntas.

Mas voltemos às duas crises conjugais. Elas se refletem, embora tomem rumos distintos. A despeito do motivo comum (o adultério), são independentes, exceto na sua disposição no espaço do romance, pois aí as duas crises conjugais estão presas uma à outra. Ou seja, só a construção do livro cria uma associação entre tais fatos. Os acontecimentos em si mesmos não supõem tal associação. Outro efeito desses reflexos de ações cronologicamente distantes é o enfraquecimento da noção do tempo linear. Pois, se um objeto ou um fato se reflete em outro, do passado ou do futuro, ambos estão presentes simultaneamente no pensamento: o tempo perde sua força de sequência, de concatenação, e adquire outra forma – a da duração. Desdobramento A técnica do desdobramento do material romanesco permite que Tolstói expanda o romance até alcançar as dimensões incomuns que apresenta, sem perder a coesão. Não se trata apenas de


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desdobrar a crise conjugal do irmão de Anna na crise conjugal da própria Anna, como já vimos. Também não se trata apenas de desdobrar o eixo principal da narração em dois casamentos: o de Liévin e Kitty e o de Anna e Vrónski. O próprio casamento de Anna se desdobra em dois: o de Anna com Kariênin e de Anna com Vrónski. E mais ainda: Tolstói dá um passo além e conduz o processo de desdobramento até o âmago da personalidade de Anna. Refiro-me à passagem em que Anna começa a ser vencida pela indecisão e pela ambivalência da sua situação, na qual tinha um marido e também tinha um amante, sem nada esconder de ambos e sem poder desfazer-se nem de um nem de outro. Diz o texto de Tolstoi: “Anna não só estava pesarosa, como também começava a sentir um pavor diante de um novo estado de espírito, que nunca experimentara. Sentia que em sua alma tudo começava a duplicar-se, como às vezes se duplicam os objetos para os olhos cansados. Às vezes, não sabia o que temia e o que desejava. Não sabia se

temia ou se desejava o que existira antes ou o que iria existir, nem sabia exatamente o que desejava”. Logo adiante, o texto diz: Anna “sentiu que sua alma começava a duplicar-se”. Quer escrever uma carta para o marido e outra carta para Vrónski. Planeja abandonar o marido, mas quer levar o filho. Tolhida pelas alternativas, Anna se divide entre elas. E esse processo de divisões e subdivisões sucessivas contém um reflexo do processo de duplicação, de desdobramento, que ocorre em paralelo. Pois, na passagem citada, a consciência dividida de Anna engendra um mundo duplicado. Passo a passo, o romance se expande e multiplica as linhas do seu enredo e as projeta em dobro sempre adiante. Digno de nota é o caso dos filhos de Anna. São dois: um menino, que ela tem com o marido; e uma menina, que tem com o amante. Anna se apega cada vez mais ao menino, o filho do marido, cujas feições se refletem no rosto da criança. No correr do romance, vê-se separada à força do filho e passa a procurá-lo com um

ímpeto que toma o aspecto dos anseios de uma mulher apaixonada. De outro lado, Anna repudia a filha que tem com Vrónski. Parece ver na menina uma espécie de usurpadora que pretende tomar a posição do filho. Esse desdobramento dos filhos e o paralelo formado pelos sentimentos vão se refletir no marido de Anna. Pois o marido, Kariênin, mesmo sabendo que não é o pai da criança, trata a menina com zelo paternal e, sem seu cuidado, talvez a criança nem sobrevivesse aos primeiros

LAÇO

Merece lembrança outro paralelo, não explicitado no romance de Tolstói, mas postulado em sua concepção: o desencontro que prende a Rússia aos países ricos do continente europeu.

dias após o parto. Kariênin jamais se mostrou assim com o próprio filho. Portanto ele também se duplica: no caso da filha de Vrónski, ele deixa de ser o homem preso às convenções. Chega a tratar com grande consideração o amante da esposa. Desse modo como que atravessa as linhas paralelas que compõem o nosso próprio quadro. Dinamismo Nessa situação, tão nitidamente calcada em linhas duplas que se dividem e se desdobram, pode-se ver que o paralelismo em “Anna Kariênina” não se traduz em antíteses, em oposições simétricas, nitidamente contrastantes. Há um dinamismo capaz de dar aos termos de cada um desses paralelos uma boa margem de autonomia, de vida própria. O reflexo, processo em que os termos de cada par se espelham, confere coesão ao conjunto. O dinamismo que os movimenta evita que essa coesão se prenda a simetrias. Quero dizer, os termos que formam os pares e os paralelos não têm o mesmo peso.

O movimento de linhas paralelas tem um duplo aspecto. Supõe necessariamente uma semelhança, uma vez que as linhas se acham sempre lado a lado: cada uma sempre se refere à outra. Mas também supõe que as linhas nunca estão juntas. Sempre refletidas uma na outra, prendem-se, na verdade, em função de um desencontro. Assim todos os casais importantes em “Anna Kariênina” se mantêm ligados em função de um constante desencontro. O que distingue os vários casais é seu sucesso ou seu fracasso em manter tal desencontro totalmente sob controle. No caso de Kitty e Liévin – a família supostamente feliz –, esse esforço de estabilidade no desencontro chega ao fim do romance com sinais de um êxito precário. No caso de Anna e seu novo casamento, nunca sancionado socialmente, o desencontro sai do controle. Torna-se insustentável e conduz à destruição a parte mais frágil: a mulher. Nesse aspecto, a construção com base no paralelismo, da forma elaborada por Tolstói – um paralelismo assimétri-

co –, contém marcas de um mundo social intrinsecamente desigual e opressivo. Merece lembrança outro paralelo, não mencionado explicitamente no romance, mas postulado em sua concepção geral: o desencontro que prende a Rússia aos países ricos da Europa. Em várias situações de “Anna Kariênina”, a vida da elite russa apresenta reflexos desse modelo distante. Basta lembrar a frequência com que se fala francês, inglês e alemão entre as personagens e com que se mencionam obras e conquistas científicas e políticas daqueles países. Aqui também, a exemplo do que ocorre com os vários casais do livro, os dois termos do par não se encontram. Correm em paralelo, com pesos desiguais. A Rússia e o modelo capitalista estão presos um ao outro em um desencontro constante. Se isso, por sua vez, pode ser visto como um reflexo antecipado – como sinal ou mau agouro – de outro paralelo do qual somos parte hoje, é uma questão que vale a pena se fazer, quando lemos “Anna Kariênina”.


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Diário de Londres O MAPA DA CULTURA

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Memórias do subsolo inglês Metrô fantasma em alta e recado do além de Diana

BERNARDO MELLO FRANCO

Os subterrâneos de Londres escondem mais do que terra, tubos, fios e vestígios da ocupação romana no século 1º d.C. A cidade também caminha sobre uma rede fantasma de metrô, com quase quatro dezenas de estações abandonadas ao longo do tempo. Algumas delas ainda preservam o prédio original no nível da rua, com a típica fachada de cerâmica vermelha do período eduardiano. Uma das mais intactas é a de Aldwych, no centro. Foi inaugurada em 1907, quando os passageiros circulavam de cartola e pincenê. Pertenceu a um rabicho desativado da linha Piccadilly e serviu de esconderijo para obras de arte durante os bombardeios alemães da Segunda Guerra. Meio século depois, em 1994, foi aposentada devido à baixa demanda de tráfego. Desde que fechou as portas, a estação virou cenário para filmes como “V de Vingança” (2005) e “Desejo e Reparação” (2007). A partir do próximo dia 7, vai virar atração turística: seus túneis poderão ser percorridos em visitas

organizadas pelo Museu do Transporte de Londres. Os passeios fazem parte da comemoração dos 150 anos do metrô londrino, o mais antigo do mundo. Quem não estiver na capital britânica, mas quiser conhecer seu submundo pode assistir ao documentário “The Secret Station” (www.youtube. com/watch?v=6xSzU0oM4mM). Liquidação As estações abandonadas do “tube” também entraram na mira da especulação imobiliária, um assunto tão frequente em Londres como o preço dos aluguéis no Rio de Janeiro. A bola da vez é Brompton Road, riscada do mapa da linha Piccadilly em 1934. A velha estação fica numa das áreas mais valorizadas da capital britânica, entre South Kensington e Knightsbridge. Também preserva a fachada original e, do lado de dentro, os azulejos coloridos do arquiteto Leslie Green. O imóvel pertence ao Ministério da Defesa e foi um dos bunkers do sistema de artilharia antiaérea durante a “blitzkrieg”. O leilão terá lance mínimo de 20 milhões, cerca de R$ 70 milhões.

Ali perto, em Mayfair, a antiga parada Down Street ainda não desperta o mesmo interesse. Usada como bunker por Winston Churchill, hoje dá lugar a um mercadinho simples, que vende sorvetes e enlatados. Fiasco real Fazia tempo que um filme não era tão malhado nessas ilhas. Lançado com uma ampla campanha de propaganda, “Diana” despencou nas bilheterias e virou o fiasco do ano no Reino Unido. Em um mês, conseguiu se tornar mais impopular que a rival da princesa na vida real, Camilla Parker-Bowles. Não é que a cinebiografia tome as dores do palácio e transforme a Lady Di (1961-97) em vilã. O que afugentou o público foi retratá-la como uma solteirona banal em seus dois últimos anos – uma espécie de Bridget Jones com título da realeza, na definição do “Daily Telegraph”. O constrangimento começou antes da estreia, quando a atriz Naomi Watts sugeriu ter recebido o aval da princesa, diretamente do além, para interpretá-la. O diálogo sobrenatural caberia no tosco roteiro do filme, em que Di vive

um romance de folhetim com um médico paquistanês. “A triste verdade é que, 16 anos depois, Diana sofreu mais uma morte terrível”, fuzilou Peter Bradshaw, do “Guardian”. Recentemente, o diretor do filme, Oliver Hirschbiegel, se disse arrasado com as críticas negativas. Nas ruas de Londres, Watts continua a sorrir vestida de Diana em anúncios nos ônibus de dois andares. Licença para matar “Não é só sexo casual. Parece, na minha opinião, que ele deseja um relacionamento de verdade.” O autor da frase é William Boyd, o novo escritor da série 007. “Ele” é James Bond, o agente secreto a serviço de Sua Majestade. A revelação assustou aspirantes a bondgirl no lançamento do romance “Solo”. Para tranquilizar as leitoras, Boyd deixou claro que o espião conserva outros “maus hábitos”, como a bebida e o cigarro. O livro começa com um café da manhã solitário no hotel Dorchester, com vista para o Hyde Park. Para imitar o ex-mulherengo, é preciso encarar quatro ovos mexidos e apimentados, meia dúzia de fatias de bacon tostado e um café forte.


G7 G

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

Arquivo Aberto MÉMORIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Um evento de vanguarda São Paulo, 1973 ACERVO PESSOAL

Capa do catálogo original da ExpoProjeção73

ARACY AMARAL

Em fins de 1972 já se podia perceber que muitos artistas plásticos faziam experimentações com novos meios: audiovisuais, super-8, 16 mm e som, e não apenas trabalhos conceituais ou com pintura, desenho, gravura, performance. Considerei que seria uma boa ideia reunir esses artistas num evento para que pudessem apresentar seus trabalhos. Comecei relacionando aqueles que já conhecia em São Paulo e, por correspondência com Hélio Oiticica (que estava em Nova York) e Antonio Dias (em Milão), procurei saber quais outros criadores estavam trabalhando nessas especulações. Assim surgiram, além deles, artistas como Raymundo Colares, então em Trento, Iole de Freitas, Anna Maria Maiolino e Cildo Meireles. Em São Paulo, Marcello Nitsche já manejava o super-8, além de Gabriel Borba Filho, Donato Ferrari, Fridman. Mario Cravo Neto, na Bahia, também parti-

ciparia. Devi muito a Marcio Sampaio, crítico de Belo Horizonte, para trazer ao evento alguns mineiros. Mauricio Andrés nos brindou com o sensual “Lama”. Já o goiano Paulo Fogaça nos surpreendeu com o “Bicho Morto”. Era tempo de regime militar, e eram perceptíveis as alusões políticas disfarçadas alegoricamente: no corpo, na poesia, as improvisações criadas por cada um tinham um sabor que hoje, por certo, chamarão a atenção das novas gerações. Consegui então o patrocínio do Banco Novo Mundo e a participação da Fotóptica, para a parte de equipamentos. E onde realizar o evento? Desejava um espaço neutro, nem museu nem galeria. Procurei Abrão Berman, que tinha, na rua Estados Unidos, quase esquina da Melo Alves, um centro de formação para os que se iniciavam com o super-8, o Grife (Grupo de Realizadores Independentes de Filmes Experimentais). Ele acolheu de imediato a ideia, que se realizou em

junho de 1973. ExpoProjeção73 foi um nome híbrido, proposital, para o evento. Posso dizer que foi um sucesso. Pude realizar, graças ao patrocínio, um catálogo bilíngue que teve o logotipo e o desenho gráfico de Claudio Tozzi e Julio Abe Wakahara, com impressão gráfica a cargo do editor Massao Ohno. Resultou em programação diária de sete dias. Havia fila para entrar na Grife, tal a afluência ao evento. O crítico Romero Brest, da Argentina, escreveu sobre a exposição na revista “Vision” e chamou a atenção de Jorge Glusberg, diretor do Centro de Arte y Comunicación de Buenos Aires, que apresentou uma síntese do evento em dezembro de 73. Em época sem internet e sem assistentes, o trabalho de contatar artistas, datilografar cartas, preparar conteúdo do catálogo e solicitar patrocínio foi feito na garra. As cartas levavam cerca de uma semana para os Estados Unidos e de oito a dez dias para a Europa. Às vezes havia um contratempo.

Uma carta para Oiticica seguiu para Milão, e a destinada a Dias, para Nova York. Mas eles trocaram a correspondência e nada de grave ocorreu! E assim seguiu célere o preparo da exposição. Hoje, para celebrarmos os 40 anos do evento no Sesc Pinheiros, os audiovisuais foram remasterizados. O esforço agora foi tentar localizar os trabalhos, muitos extraviados, e os autores, um a um, em trabalho paciente. A ideia de comemorar os 40 anos do evento foi do produtor de vídeo Roberto Moreira S. Cruz, que apresentará uma síntese de vídeos no Brasil, de 1974 até hoje. E a Cinemateca participou na recuperação e/ou limpeza dos super-8. E que tal expor arquivos do evento de 1973, registro de como se organizou há 40 anos um evento de vanguarda? Nota A ExpoProjeção 1973/2013 será realizada no Sesc Pinheiros entre quarta (23/10) e 12/1. A entrada é franca.


G8

MANAUS, DOMINGO, 20 DE OUTUBRO DE 2013

Música

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O sertão e muito mais

Luiz Gonzaga e as fronteiras do Nordeste RESUMO Mais do que o praiano Dorival Caymmi, o músico de Exu (191289) exportou a cultura do Nordeste para os núcleos urbanos do Sul e do Sudeste. Elemento agregador para os migrantes, Gonzaga ganha, em dezembro, um museu que busca refletir a dialética entre tradição e tecnologia que ele próprio imprimiu a sua música.

ANTONIO RISÉRIO

Costumo dizer que Luiz Gonzaga e Dorival Caymmi eram sociologicamente previsíveis. Não que fossem necessariamente acontecer, como efeitos de alguma lei inflexível que regesse as coisas do mundo. Mas porque os ambientes ecológicos e sociais eram propícios à aparição

de um e do outro. Caymmi nasceu num recôncavo negro-mestiço impressionantemente aquático, pleno de orixás. Um espaço de praias, rios, jangadas, saveiros, marcado pela poesia e pela música do samba de roda e dos terreiros do candomblé. Não foi apenas por acaso que nasceu na Bahia, dona da maior fatia do litoral brasileiro, um poeta como ele – o raro e claro cantor das canções praieiras, cultivando um samba diverso do samba já estilizado do Rio de Janeiro. Gonzaga, por sua vez, nasceu entre jagunços e vaqueiros, na região da pecuária e da cultura do couro, marcada por longos períodos de seca. Era esperável que as circunstâncias socioecológicas se gravassem ou se imprimissem um dia, funda e profundamente, nas criações poético-musicais de ambos (no caso de Gonzaga, incluindo seus principais parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas). E de fato elas se encarnaram. Não é por outro motivo que devemos tratar Caymmi como uma expressão estética concentrada da cultura tradicional litorânea da Bahia de Todos os Santos e seu Recôncavo. E Luiz Gonzaga como uma expressão estética concentrada

do amplo e rico contexto em que se configurou a cultura nordestina – vale dizer, sertaneja. Paisagem Em “Os Sertões” (1902), Euclydes da Cunha contrapôs a lonjura sertaneja à extensão praieira. E o que ele vê no sertão é a paisagem atormentada. O “martírio da terra”, que se deixa ler “no enterroado do chão, no desmantelo dos cerros quase desnudos, no contorcido dos leitos secos dos ribeirões efêmeros, no constrito das gargantas e no quase convulsivo de uma flora decídua embaralhada em esgalhos”. No interior desse martírio da terra é que ele vai situar o martírio humano, “reflexo da tortura maior, mais ampla, abrangendo a economia geral da vida”. O ser humano em questão é, obviamente, o sertanejo, “rocha viva da nacionalidade”. É o Nordeste das “figuras de homens e de bichos se alongando quase em figuras de El Greco”. Nordeste das ossadas esbranquiçadas. Dos “sertões de areia seca rangendo debaixo dos pés”. Das “paisagens duras doendo nos olhos”. Um é o Nordeste barroco-canavieiro, místico-erótico, com suas praias e seus orixás. Outro

é o Nordeste do gado e do couro, seco-ascético-milenarista, com procissões que se arrastam pedindo chuva. O rei do baião pertence ao Nordeste messiânico da caatinga abrasada, do sol sinistro e do chão malcriado. “O sertão é ele”, declarou Câmara Cascudo, à lembrança dos ritmos e das paisagens dos sertões pernambucanos. É por isso que foi ele – e não Dorival Caymmi – a estrela das migrações nordestinas. Luiz Gonzaga se projetou no contexto dessa migração massiva, e desempenhou aí o papel de referencial de cultura, influenciando na coesão psicossocial do migrante e, graças ao sucesso que alcançou no sul, no processo de integração do “baiano” à nova realidade sudestina. Circulando no eixo das cidades mais modernas do Brasil, tocando nas emissoras de rádio e gravando discos, entrou com o Brasil sertanejo país adentro. Ali onde milhares e milhares de camponeses passavam, de repente, à condição de urbanitas. A história da cidade, no Brasil, foi marcada por isso. Por este deslocamento massivo da “Communitas” à “Gesellschaſt”, da comunidade à sociedade. Mais do que de uma transição

brusca, trata-se de um corte profundo e radical. O sujeito caía na roda-viva de um novo universo geográfico, climático, social e cultural. E jamais se dá sem dificuldade este salto em direção a outra ordem, em que passavam a vigorar direitos e modos associativos definitivamente dessemelhantes aos que as pessoas conheciam em seus lugares de origem. Entrava em jogo, em São Paulo e em outras partes do país, e num horizonte de crise, toda uma teia de valores, padrões de comportamentos, estruturas de crenças, relações de trabalho etc. E tudo se desdobrando num meio muitas vezes hostil, em cujo âmbito se multiplicavam, por falar nisso, as “piadas de baiano”. Gonzaga desempenhou o papel nada insignificante, social e culturalmente, de força antidesagregadora. Atuando na dimensão dos signos – e em plano de massas –, ele trazia consigo um universo familiar aos nordestinos, com suas representações conhecidas e seus referenciais nítidos. Desse modo, evitou que se esgarçasse ou se rompesse, na migração, o tecido original da cultura sertaneja nordestina. E ainda contribuiu para a sua

afirmação nos bairros que hoje compõem o cinturão mais colorido e mais vivo da periferia da maior cidade que os brasileiros construíram. Luiz Gonzaga viu que era possível reconstruir uma unidade na dimensão da cultura. E isto a partir de uma adequação não subordinada do subsistema cultural sertanejo às realidades em movimento numa nova esfera metropolitana. Luiz Gonzaga foi o primeiro produto industrial que o Nordeste exportou. E se impôs. Conheceu herdeiros e futuros herdeiros. No final da década de 1950, podia olhar para trás e se congratular pela espetacular vitória cultural de seu projeto nordestino. Veio o declínio, no horizonte da cultura de massa de um país que se atualizava e procurava se afirmar no mundo como nação moderna. Era o Brasil sob o signo de Brasília. No campo musical, o rock and roll, a bossa nova e, em seguida, a jovem guarda ocuparam o centro da cena. Com o tempo, porém, Gonzaga renasceria para o país, na voz da novíssima geração da década de 1960. E o baião continuou dando frutos, e os frutos do baião são muitos, encarnando a cultura tradicional como a encarnação do novo.

EM TEMPO - 20 de outubro de 2013  

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