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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.269 – DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJOV

INFÂNCIA BANDIDA CRIME PRATICADO POR MENOR CRESCE 40%

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DADOS DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA APONTAM QUE EM JANEIRO DESTE ANO FORAM REGISTRADAS 283 OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO MENORES. INFRATO

NO ANO PASSADO, FORAM 4.176 CASOS, UM AUMENTO DE QUASE 40% EM RELAÇÃO A 2012, QUANDO A SECRETARIA APONTOU 3.011 OCORRÊNCIAS.

DIVULGAÇÃO

AINDA ASSIM, AS DISCUSSÕES EM TORNO DO POLÊMICO PROJETO DE LEI QUE PREVÊ A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL DIVIDEM OPINIÕES. ASSUNTO GANHA FÔLEGO E PASSA A SER DISCUTIDO NESTA SEMANA, NO SENADO. DIA A DIA C4 E C5

DIVULGAÇÃO

BLACK BLOC NA MIRA

GOVERNO FEDERAL VAI ENCAMINHAR AO CONGRESSO NACIONAL UM PROJETO PARA REGULAMENTAR MANIFESTAÇÕES POPULARES COM OBJETIVO DE COIBIR AÇÃO DE VÂNDALOS E CRIMINOSOS. POLÍTICA A6

ARQUIVO

DOMINGO

SHOW

CLIMA DE DESPEDIDA EM MANAUS A área externa do Diamond Convention Center será o palco do sunset com os shows do Chiclete com Banana, Latino e Banda 5%. A apresentação marca a despedida do vocalista Bell Marques. Plateia D1

8177-2096

VELHOS CARNAVAIS Regados a luxo e glamour, bailes inesquecíveis do Rio Negro, Ideal, Olímpico, entre tantos outros, marcaram a história do Carnaval de Manaus. Elenco 18 e 19

JORNALISTA ACIDENTAL Coletânea mostra como a atividade de Joaquim Nabuco como repórter internacional moldou sua escrita e influenciou seus livros. Ilustríssima G4 e G5

O show marca a despedida do vocalista do Chiclete com Banana, Bell Marques (no centro)

DENÚNCIAS • FLAGRANTES

SENADORES SEM PRESSA

Duas semanas após o fim do recesso parlamentar, o Senado Federal ainda não votou nenhum projeto em plenário. Última Hora A2

VASCO X FLA

CLÁSSICO CARIOCA Pódio E5

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

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Última Hora

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MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

Bala de borracha deve ser mantida na lei de protesto

Uso de máscaras Com relação ao projeto de lei, Cardozo tem reservas sobre a proposta de punir ou tipificar como crime o uso de máscaras nas manifestações.

Uma possibilidade em discussão é garantir à polícia o poder de exigir que mascarados se identifiquem. Quem se recusar poderia ser levado a um local à parte e liberado após a manifestação. No entanto, o assunto não é consenso entre os secretários de Segurança. O Rio, por exemplo, defende veto total às máscaras. Aviso prévio Quanto a outro ponto polêmico, o aviso prévio das manifestações, Cardozo sugeriu que tal exigência só ocorra em regiões onde possa haver

EXCESSOS

O texto não deve prever veto ao uso de balas de borracha para conter excesso nas manifestações, que deverão ser anunciadas previamente. A restrição aos mascarados, porém, ainda é polêmica O uso da bala de borracha para dispersar manifestantes deverá continuar sendo permitido de acordo com a lei proposta pelo governo

tumultos, como na avenida Paulista, em São Paulo. Segundo o ministro, estuda-se “uma lei equilibrada, sem excessos, afirmada no contexto da democracia brasileira”. Sobre o uso de balas de borracha por parte da polícia, o ministro defendeu o uso do recurso, considerando a “baixa letalidade”, e ressaltou que as forças de segurança só devem agir quando a situação se agravar.

Durante o encontro de secretários, o ministro da Justiça também defendeu um “regramento” nacional para atuação das PMs. “A proposta que fizemos é justamente de termos uma

indicação, uma orientação para atuação das nossas polícias. Para que a sociedade saiba como elas atuam, os parâmetros, os limites.” A secretária nacional de Segurança Pública, Regina

Miki, expôs uma coleta de dados e a discussão com todos os comandantes militares do Brasil. O Ministério da Justiça trabalha em um texto a ser apresentado aos Estados. “O Brasil terá

um regramento unificado que defina o uso proporcional da força. Para que policiais não sejam acusados injustamente e para que situações indevidas de ação policial sejam coibidas e punidas”.

GOVERNO

EM 15 DIAS

Senado: nenhum projeto aprovado após o recesso Duas semanas após o fim do recesso parlamentar e a volta aos trabalhos legislativos, no último dia 3, o Senado Federal ainda não votou nenhum projeto em plenário. No final do ano passado, em balanço da atuação legislativa dos senadores em 2013, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), comemorou a aprovação de 615 matérias, 210 a mais que em 2012. Parte dessas matérias foi resultado da chamada “agenda positiva”, criada para dar resposta à onda de manifestações de rua pelo país no ano passado. Neste ano, os dois principais assuntos que ganharam destaque na casa, o indexador da dívida de Estados e municípios com a União e o projeto que tipifica crime de terrorismo, foram retirados de pauta, e a votação, adiada em pelo menos 15 dias. Renan Calheiros marcou para a próxima terça-feira, 18, uma reunião com todos os líderes partidários, que deverão apresentar seus projetos prioritários para o primeiro semestre. A intenção é montar uma pauta capaz de ser votada neste ano, “encurtado” devido às eleições de outubro. “Nessa reunião, nós vamos recolher de cada líder as suas prioridades para que possamos votar um calendário

‘Regramento’ nacional para atuação das polícias

com as prioridades e com um esforço para votação de modo a compatibilizar o calendário eleitoral com o funcionamento do Senado Federal”, disse o presidente em plenário. O líder do PT, Humberto Costa (PE), afirmou que a partir da próxima semana o trabalho dos senadores poderá deslanchar. “O que segurou um pouco as votações esta semana foi a busca por uma

EM PAUTA

Neste ano, os dois principais assuntos que ganharam destaque na casa, o indexador da dívida de Estados e municípios com a União e o projeto que tipifica crime de terrorismo agenda mais consensual”, justificou o parlamentar. O vice-líder do governo, Jorge Viana (PT-AC), disse que a reunião entre as lideranças é necessária para “estabelecer um cronograma de trabalho”. “Só após esse entendimento de líderes é que nós vamos, então, fazer a condução do debate e a votação de algumas matérias”, argumentou.

PSB não descarta fazer alianças ALBERTO CÉSAR

O

governo federal vai enviar ao Congresso Nacional, em regime de urgência, um projeto de lei para tratar do direito à liberdade de manifestação e para estabelecer sanções para casos de vandalismo, lesão corporal e homicídio. O texto não deve prever veto ao uso de balas de borracha para conter excesso nas manifestações, que deverão ser anunciadas previamente. A restrição aos mascarados, porém, ainda é polêmica. Os pontos principais foram discutidos ontem e anteontem em Aracaju, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, durante a reunião do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública de todo país. Ele acredita que o texto estará pronto para ser enviado ao Congresso na próxima semana. “Dessa forma, vamos garantir a segurança do cidadão que participa e dos profissionais que ali atuam, como os jornalistas. Atos de vandalismo são inaceitáveis, pois acabam atingindo pessoas, causando lesões e mortes, como nós vimos, lamentavelmente, no caso do cinegrafista”, disse o ministro, em referência a Santiago Ilídio Andrade, atingindo por um rojão em protesto no Rio.

AE

Preocupado com os excessos nas manifestações, governo vai enviar ao Congresso um projeto para conter a violência

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

De olho na movimentação do pleito que se avizinha, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) deve conservar a aliança com o prefeito Artur Neto. O anúncio foi feito pelo presidente estadual do partido, o vereador Marcelo Serafim, em entrevista durante o 1º encontro com os filiados do PSB e Fundação João Mangabeira, na manhã de ontem. Sem discutir nomes de possíveis candidatos, no encontro foram debatidas as diretrizes que deverão compor o programa de governo do PSB. Mesmo com a possibilidade de interesses do partido em âmbito nacional ir de encontro com quaisquer articulações locais, é interesse da base estadual do PSB aproximar-se do prefeito. “O PSB é um partido que tem uma aliança com o prefeito Artur Neto e nós buscaremos a manutenção dessa aliança. No entanto nós temos entendimento que as questões nacionais podem em algum momento atrapalhar determinadas conversações locais. Porém, estamos bem conscientes do nosso papel, das nossas metas, e das nossas missões e não vamos nos furtar a corrermos riscos, inclusive para oferecemos alternativas reais para o Estado do Amazonas”, salientou.

Em reunião do PSB, os líderes da legenda evitaram discutir nomes para uma possível chapa

Líderes da sigla adotam a cautela O presidente de honra do PSB e ex-prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, explicou que não é interesse do partido anunciar nomes antes do prazo e que as atenções serão concentradas em definir um programa de governo sólido. “A questão de nomes, vamos cuidar depois, queremos chegar com nomes no momento certo, que é até 30 de junho. Agora vamos chegar com propostas e bandeira que são mais importantes

que os nomes. O PSB tendo candidato à Presidência, vai estar com bandeira em todos os Estados, inclusive no Amazonas defendo idéias e soluções”, disse. O candidato à Presidência do PSB é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Serafim acredita que com um coerente programa de governo, que começa a ser formulado em todos os Estados, há chances de Campos disputar o segundo turno.

“Temos convicção de que a bandeira e o programa vai permitir a ele um crescimento significativo levando-o ao segundo turno. Estamos nessa aposta”, afirmou. No dia 22 de abril, o governador Eduardo Campos virá a Manaus para discutir junto com militantes do PSB e da rede as pautas. Ele será homenageado na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

tricia@emtempo.com.br

A hora de apertar o botão Na primeira vez em que um processo de cassação teve voto aberto em plenário, a Câmara dos Deputados cassou, na semana passada, o mandato de Natan Donadon, até então um deputado-presidiário que havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 13 anos de prisão por formação de quadrilha e pelo desvio de cerca de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia. Donadon cumpre pena na penitenciária da Papuda, em Brasília. Foram 467 votos favoráveis e uma abstenção, bem diferente da votação secreta ocorrida no final de agosto do ano passado quando o mandato do réu foi mantido. Na ocasião, 233 deputados votaram a favor de sua cassação, 131 contra e foram registradas 41 abstenções. Para cassá-lo, eram necessários 257 votos, o que representa a metade do total de deputados mais um voto, o que não ocorreu. Dessa vez foi diferente. Elementar, meu caro Watson, já diria Sherlock Holmes. Afinal, em um ano eleitoral é preciso fazer bonito, orgulhar o país e levantar a bandeira da democracia, da justiça, da boa-fé, da salvação da lavoura. Tudo bem para quem disser que não se pode generalizar, que existem, sim, políticos sérios, honestos e com boas intenções. Existem, porém infelizmente estão cada vez mais escassos. Precisamos apostar nesses e deixar de incorrer em erros como votar, lá na frente, em um político como um Donadon da vida, entre outros não menos culpados que ele. Apertar o botão certo na urna faz toda a diferença. E como faz.

Que venha o técnico inglês O governo do Amazonas recebe nesta segunda-feira, às 16h30, na Arena da Amazônia, o técnico da Inglaterra, Roy Hodgson. O técnico que falou mal de Manaus estará acompanhado pelo Ministro de Relações Exteriores do Reino Unido William Hague. Não entra Falando em arena, muitos jornalistas foram barrados na visita da presidente Dilma ao estádio, porque estavam sem tênis e as mulheres porque estavam de saia e sapatos abertos. ‘É que, pelas regras da construtora, é obrigatório o uso de calça comprida e sapato fechado, preferencialmente tênis. De saia não Sandálias, calçados de salto ou tipo Croc não são permitidos. Mulheres não podem usar saias, vestidos, camisas sem manga ou “tomara que caia”. Valcke na praia Neste domingo, quem visita o complexo turístico da Ponta Negra é o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Jérôme Valcke. Ele estará acompanhado pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e por membros do Comitê Organizador Local (COL). Fifa Fan Fest É na Ponta Negra que será realizado o Fifa Fan Fest durante os jogos da Copa 2014. A visita ao complexo está marcada para às 12h50. A comitiva será recebida no complexo pelo prefeito Arthur Neto. Do complexo turístico, a comitiva seguirá para a Arena da Amazônia Vivaldo Lima, onde será recebida pelo governador do Estado, Omar Aziz, para visita às obras. Pela ZFM Já tem data para a presi-

dente Dilma Rousseff ir brigar pela Zona Franca na União Europeia. Será dia 24 de fevereiro, na 7ª Reunião de Cúpula entre Brasil e União Europeia, em Bruxelas. Defesa Dilma pretende discutir o questionamento europeu ao regime tributário da Zona Franca de Manaus. — Vamos defender esse sistema tributário em todas as instâncias, na Organização Mundial do Comércio, onde for preciso. ZFM na pauta A presidente disse que estará na União Europeia e um dos temas da sua pauta será a Zona Franca de Manaus. A garantia foi dada durante entrevista concedida sextafeira a rádios de Manaus. Rebecca na luta Falando em Zona Franca, a deputada federal Rebecca Garcia (PP/AM) solicitou, essa semana, do presidente do Grupo Parlamentar Brasil-União Europeia (UE), o deputado Sebastião Bala Rocha, uma reunião com a representação da UE no Brasil. Relatório Rebecca afirmou que levará um relatório, elaborado por técnicos e economistas, com informações importantes sobre os benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM). — Vamos solicitar uma intermediação para tentar acabar com os questionamentos da UE em relação ao modelo ZFM.

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

Te quero verde Segundo a parlamentar, a reunião deverá ocorrer na próxima semana, em Brasília. Rebecca disse ainda que levará também documentos elaborados por instituições internacionais ligadas à questão do meio ambiente. Floresta Rebecca quer mostrar a importância de se manter a ZFM, como mecanismo de proteção das florestas. Confraria do Bosque Belíssima a homenagem, em forma de música que o médico Expedito Theodoro – membro do Clube dos Discófilos Fanático (CDF) –, fez ao “senado do Bosque”, uma confraria que reúne há mais de 20 anos no Bosque Clube. In memoriam O CD com 32 canções clássicas que lembram a geração da confraria, Expedito homenageou todos os integrantes da confraria, inclusive a Raimundo Limongi Cabral (in memoriam), que nos deixou em 2012. Guerra de smartphones A briga pelo mercado de smartphones ganhou um novo capítulo. Uma pesquisa recente da consultoria Gartner confirmou que os celulares da Samsung superaram em vendas os celulares da Apple no mundo. 300 milhões Os aparelhos da empresa sul -coreana foram comprados por 300 milhões de pessoas, quase o dobro das vendas da Apple – 150 milhões.

VAIAS

Barco-escola Samaúma

Regi

Ministro Moreira Franco AGECOM

DIVULGAÇÃO

Para o barco Samaúma, projeto realizado em parceria entre os empresários e o governo federal, que vai levar o saber aos jovens do interior do Amazonas.

Para o ministro Moreira Franco que, agressivamente, disse que o problema na reforma dos aeroportos para a Copa, não é o atraso das obras, mas a jornalista que o entrevistava.

João Bosco Araújo jbosco@emtempo.com.br

Os modelos que vingam Num mesmo dia leio nos jornais da cidade notícias de dois casos deploráveis e assustadores. O primeiro deles falava de um adolescente que aplicou no próprio irmão um golpe de luta, se não me engano a tal MMA, designado como “Mata Leão” e, assim, simplesmente matou o outro, também um adolescente. Depois de preso (não entendo porque, após 18 anos, ése preso e antes disso, apreendido, quando nos dois casos há retenção e subtração da liberdade), o infeliz autor afirmou que fez o que fez para defender a mãe (no caso, de ambos) e que, ademais, o outro, a vítima, ainda seria dependente de drogas. Se confirmadas, ou não, essas alegações com que pretendeu se justificar, disso as notícias nada falaram. Resta ouvir a mãe, mas é bom lembrar que mãe é mãe e pode até mentir para resguardar o filho que lhe sobrou, já que o outro está irremediavelmente perdido. O segundo caso também envolveu dois menores, adolescentes, que se desentenderam durante um show, parece que de forró, brigaram e um acertou o pescoço do outro com um desses socos de kungfu, provocando fratura da coluna cervical e morte quase imediata. O homicida, designação que cabe a menores ou maiores de idade, não teria, de pronto, apresentado uma explicação para tamanha violência. Uma coisa, entretanto, precisa ser dita e ouvida por toda a sociedade. Lamentar e indignar-se com ocorrências como essas são atitudes inconsequentes, levianas e irresponsáveis, quando a mesma sociedade e os veículos de comunicação que nela se sustentam vivem a divulgar e, o que é mais grave, a valorizar e a prestigiar esses espetáculos de estúpida violência que têm como único objetivo o

massacre de outra pessoa, tal como se veem nos tais torneios de MMA, Muai-Tay e congêneres. Mudando de pau para cacete, mas ainda insistindo na hipocrisia de uma sociedade que estimula e fomenta certos comportamentos para depois, ela mesma, condenar e reclamar providências contra esses mesmos fatos, choca-me o procedimento omisso, covarde e irresponsável com que o Estado, pelo menos o Estado Brasileiro não atua na questão da qualidade que as estações de televisão deveriam manterem suas programações. Afinal, os canais de rádio e de televisão são inalienavelmente propriedades do Estado, que apenas os concede, em caráter precário e provisório, às empresas privadas que os postulam. O posicionamento do Estado Brasileiro exala hipocrisia e cinismo quando o mesmo exerce o devido e necessário controle sobre as emissoras que mantém em suas mãos, as chamadas TVs Educativas, enquanto libera as outras à permissividade, como se não tivesse responsabilidade sobre o que entra nas casas das famílias brasileiras. Acontece que a sociedade é um organismo vivo e, assim, suas partes, seus elementos constitutivos interagem uns sobre os outros e contribuem para o resultado final que será esse organismo como um todo. O que desejo, em síntese, dizer é que não tem sentido criticar a erotização generalizada que ora presenciamos, a baixa moralidade, o desplante com que se anunciam e são consumidos as garotas e os garotos de programa, a sociopatia dos que fazem da pedofilia o objetivo da sexualidade e, ao mesmo tempo, sentar-se frente ao televisor para acompanhar com avidez o desenrolar do Big Brother Brasil.

João Bosco Araújo, Diretor executivo do Amazonas EM TEMPO

Acontece que a sociedade é um organismo vivo e, assim, suas partes, seus elementos constitutivos interagem uns sobre os outros e contribuem para o resultado final que será esse organismo como um todo”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Dada a largada

O medo das ruas, os toques de recolher, os abusos policiais, o medo infundido nos cidadãos para que se fechem em suas casas, é o fermento que faz fermentar todas as ditaduras

Em reunião com representantes dos principais partidos políticos, a TV Globo definiu na sexta-feira as datas dos debates da eleição presidencial: 2 de outubro, no primeiro turno, e 24 de outubro, no segundo. Também ficou acertado que só serão convidados os quatro candidatos mais bem posicionados na última pesquisa da semana anterior. A cobertura diária das atividades dos candidatos começará em agosto e também ficará restrita aos quatro primeiros nos levantamentos. Aerotrem Em 2012, a Globo restringiu a seis o número de candidatos no debate da disputa pela Prefeitura de São Paulo. Levy Fidelix (PRTB) conseguiu na Justiça o direito de ser convidado, e o debate acabou suspenso. Na bancada A emissora também definiu as datas das entrevistas com os candidatos: no “Jornal Nacional” serão de 11 a 14 de agosto, no “Jornal da Globo”, de 1º a 4 de setembro e no “Bom Dia Brasil”, de 22 a 25 de setembro. Convescote Michel Temer irá promover um jantar amanhã no Palácio do Jaburu com os 90 prefeitos do PMDB em São Paulo com a presença de Paulo Skaf. Pedirá todo o empenho pela candidatura do presidente da Fiesp ao governo do Estado. RSVP Temer convidou Dilma Rousseff para o jantar, mas a presidente ainda não confirmou presença. Atestado No encontro com Lula e Alexandre Padilha em Ribeirão Preto, há uma semana, o empresário Maurílio Biagi alegou motivo de saúde para

declinar do convite para ser vice do petista. Padilha pediu que Biagi atue como conselheiro da pré-campanha, e ele topou. Medida certa O petista perdeu 1 kg na primeira semana de caravana pelo interior. Como os eventos são tomados por discursos e fotos, faz as refeições no carro, com marmitas que sua mulher,Thássia, improvisa.

no Estado. Em troca, pedirá apoio da senadora na corrida presidencial. Prazo O PP ainda tenta reverter o apoio de Ana Amélia a Campos e empurrá-la para o palanque de Dilma, atendendo a um pedido do Planalto, mas nem os dirigentes pepistas acreditam no sucesso da empreitada.

Juan Arias, jornalista e escritor espanhol

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ

Vem cá Réu no processo do mensalão mineiro, Clésio Andrade pode ser suplente de Josué Gomes (PMDB) na chapa para o Senado em Minas Gerais. Ele assumiu o Senado na cadeira de Eliseu Resende, que morreu em 2011. Tampão A articulação está sendo costurada pela ala do PMDB de Minas Gerais que defende aliança com Fernando Pimentel (PT) e tenta conter ameaça de dissidência liderada por Clésio. Vaivém A cúpula do PP recebeu recado de que Eduardo Campos pretende formalizar seu apoio à candidatura de Ana Amélia (PP) ao governo do Rio Grande do Sul no dia 22, data de evento do PSB e da Rede

Nova... Advogado de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco entrará amanhã com petição no Supremo Tribunal Federal apresentando laudos que, segundo ele, “confirmam o delicado estado de saúde’’ do ex-deputado. ...tentativa O cardiologista do petista atestou que ele mantém “alto risco” cardiovascular. “Nosso pedido será para que ele continue a cumprir pena em regime humanitário de prisão domiciliar”, diz o criminalista. Provisório No ano passado, Joaquim Barbosa prorrogou a prisão domiciliar de Genoino até fim de fevereiro. Depois disso, ele deve ser submetido a novos exames para que o ministro decida se volta para a Papuda.

Tiroteio

A linha azul, instalada na avenida Constantino Nery, ainda vai dar o que falar quanto às normas a serem obedecidas pelos motoristas de veículos de passeio. O chamado “jeitinho brasileiro” não vai colar para quem cometer a infração de trafegar na pista exclusiva para ônibus. Quem viver verá.

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Os ataques de Padilha ao PSDB mostram o fracasso de sua gestão na Saúde: falou mais do partido que nos três anos no ministério”

Lázaro

DE CARLOS BEZERRA, líder do PSDB na Assembleia paulista, sobre as críticas que o pré-candidato petista fez ao governo Alckmin em giro pelo interior.

Fevereiro é tempo de cheia e às vezes de alagação. A água sobe e vai invadindo tudo, chegando ao assoalho das casas e dos trapiches. Para a Igreja que vive ao longo dos rios é tempo de visita pastoral, as antigas desobrigas, passagem anual para celebrar os sacramentos. Fica mais fácil chegar até as comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas. Durante muitos anos tive o privilégio de fazê-las, desde os tempos em que os seringais ainda estavam ativos até a época de comunidades organizadas. Uma coisa não mudou em fevereiro, e continua nas pequenas cidades, e até na metrópole: o festejo de São Lázaro. Em quase todas as casas do interior não falta o quadro de um homem seminu rodeado de cães, com feridas em todo o corpo, mas de pé, com um cajado na mão. Dia 11 foi o seu dia. As casas se enfeitaram e também as pequenas capelas a ele dedicadas. O ponto alto foi o almoço farto oferecido a todos, até aos cachorros, que segundo a tradição foram os únicos companheiros que restaram ao santo. Numa região em que a dieta se resume ao peixe e a carne de caça, neste dia se mata um porco de casa que foi cevado durante longos meses, às vezes debaixo do barraco, para ser o prato principal do banquete. O nome do santo com certeza vem do personagem principal da parábola de Jesus. Parábola conhecida. É um retrato da situação da humanidade de todos os tempos. Uma humanidade que cria resíduos humanos, pessoas que não contam, ou só contam quando incomodam. Os mecanismos sociais, econômicos e até religiosos que criam estas situações variam através dos séculos,

Contraponto

Olhando com lupa Senadores da Comissão de Constituição e Justiça ficaram surpresos com o ritmo de Gleisi Hoffmann (PT-PR) em seu retorno ao Congresso. Depois que a ex-ministra da Casa Civil pediu vista de uma série de projetos, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) disse a um colega: — Desse jeito, a senadora vai ter que reforçar um estoque de óculos para ler todos os projetos! Mais tarde, na apreciação de outro texto, Álvaro Dias (PSDB-PR), adversário paranaense de Gleisi, insistiu: — Eu sei que a lente da senadora Gleisi está esverdeada e embaçada e ela não pedirá vista. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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mas infelizmente persistem, e se tem a impressão de que se tornam até mais perversos. A imagem do menino amarrado e nu que invadiu as redes sociais neste fevereiro cinzento é um sinal de que os Lázaros continuam a existir. Festejar São Lázaro é reafirmar o que está na parábola. Aos olhos de Deus é Lázaro que conta e se quisermos encontrar o verdadeiro sentido da história e da humanidade devemos ouvi-lo. É a nossa atitude e comportamento diante dos descartados que dá a medida de nossa humanidade, pois afinal somos da mesma carne, e ao desprezar um ser humano estamos desprezando a nós mesmos. Temos nas grandes cidades grupos de pessoas que se dedicam a encontrar-se com homens e mulheres que por inúmeras razões acabaram na rua. Convivem com eles, respeitando as suas opções e ouvindo as suas histórias, oferecem seus serviços e os ajudam a se reintegrar se assim for o seu desejo, fazem isto a partir da fé e da convicção de que cada ser humano é imagem e semelhança de Deus e deve ser amado sem restrições. Lutam para que o mundo se transforme e não existam mais Lázaros, mas sabem que os que existem devem ser amados hoje, aqui e agora. Ao menos tomemos conhecimento da existência destes seres humanos, sejamos capazes de gestos de solidariedade e reconhecimento, do contrário nossa humanidade se degrada. Que neste tempo de Copa não caiamos na tentação de escondê-los e confiná-los para mostrar aquilo que não somos. Infelizmente para tantos não serão dadas nem as migalhas da festa.

Dom Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo Metropolitano de Manaus

Uma coisa não mudou em fevereiro, e continua nas pequenas cidades, e até na metrópole: o festejo de São Lázaro. Em quase todas as casas do interior não falta o quadro de um homem seminu rodeado de cães, com feridas em todo o corpo, mas de pé, com um cajado na mão”


Política

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

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Manaus concentra 40% dos eleitores em oito bairros O bairro da Cidade Nova, na Zona Norte, é o que mais contabiliza votantes: 144.285. Capital tem 55,2% dos eleitores do AM

RICARDO OLIVEIRA

Filas quilométricas no dia da votação é uma cena comum nos grandes colégios eleitorais de Manaus, a exemplo das zonas e seções localizadas na Escola Estadual Eldah Bitton Teles da Rocha RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

C

om 13 zonas eleitorais, a capital amazonense concentra 55,2% do eleitorado do Estado, com 1.205.167 milhões de votantes num complexo mapa eleitoral, em que oito bairros de diferentes áreas da cidade concentram a maior fatia do eleitorado, 40%, com destaque para a Cidade Nova, Zona Norte, que possui o maior número de votantes por bairro: 144.285 ou 11,9% do universo de eleitores da cidade. Além disso, as Zonas Sul e Centro-Sul, Oeste e CentroOeste, juntas, representam 58% de todo o colégio eleitoral de Manaus, contabilizando 699.186 votantes, dos quais 32,37% se concentram nas Zonas Sul e Centro-Sul e 25,64%, nas duas últimas. As informações foram levantadas pelo EM TEMPO, com base nos dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), referentes a janeiro

deste ano. Abrangendo cinco zonas eleitorais, estas quatro regiões concentram seis dos oito bairros mais expressivos em número de votantes e quatro dos cinco locais de votação com maior número de eleitores cadastrados.

SUPREMACIA

Juntas, as Zonas Sul e Centro-Sul lideram o número de eleitores na cidade, com 390.125, o que representa 32,37% de todo os votantes da cidade de Manaus, que possui 1,2 milhões de eleitores Somente no bairro da Compensa, na Zona Oeste, o segundo maior colégio eleitoral da capital, são cerca 64.734, dos quais 10.668 votam na Escola Estadual Eldah Bitton Teles da Rocha, o segundo centro de votação de Manaus. Na terceira

posição, o bairro Alvorada, Centro-Oeste, tem 64.081 eleitores, onde 7.876 votam na quarta maior zona eleitoral da cidade, a Escola Francelina Dantas. Em seguida, o Centro, com 55.668 eleitores, possui o quinto maior local de votação, no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), com 7.093 mil votantes. Com grande apelo eleitoral e reduto de muitos políticos e candidatos, as Zonas Norte e Leste, juntas, somam 482.489 votantes, tendo o bairro da Cidade Nova como o maior destaque, com 144.285 eleitores. O bairro conta ainda com o terceiro maior local de votação da capital, a Escola Aldeia do Conhecimento, onde votam 8.716 pessoas. A Zona Leste representa 21,56% do eleitorado capital e 11,86% de todo o Estado. Dentre a extensa quantidade de bairros, vilarejos e zonas rurais, o bairro São José Operário é o maior colégio daquela região, com 44 mil eleitores.

Mapa do Eleitorado de Manaus 55,2% 44,8%

ELEITORES Estado – 2.190,433 Capital – 1.205,167 – 55,2% do Estado Interior – 985.266 – 44,8%

32,37% 25,64% 21,56% 18,46% ZONAS Zona Sul e Centro Sul – 390.125 – 32,37% Zona Oeste e Centro Oeste – 309.061 – 25,64% Zona Leste – 259.925 – 21,56% Zona Norte – 222.564 – 18,46%

Reduto tem problemas sociais Ao longo de 33 anos de existência, a Cidade Nova tornou-se o bairro mais populoso da capital e acumula problemas com segurança, saúde, educação e mobilidade urbana. O maior reduto eleitoral concentrado da capital é também o bairro com maior índice de violência de Manaus, conforme apontado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) na última pesquisa sobre o mapa da violência, em 2011. Moradora do local há 10 anos, a dona de casa Francisca Soares, reclama da falta de planejamento para o crescimento do local. “Cresceu de forma irregular e hoje está dessa forma, desorganizado”. A segurança do bairro – que possui cinco etapas e diversos nichos populacionais que

foram se formando ao longo dos anos - é o maior problema enfrentado pela população, segundo Maria do Carmo, moradora há 5 anos . “Até vemos o Ronda no Bairro aqui,

CAMPEÃO

Levantamento feito pelo EM TEMPO, com base em relatório do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o bairro da Cidade Nova é o que mais concentra eleitores na capital, com 144.285 mil votantes mas é preciso mais. Os assaltantes não se intimidam. Em diversas ruas, ninguém tem coragem de sair depois das 22h”, afirmou. A presidente da Asso-

ciação dos Moradores da Cidade Nova 1, Marilza Santos, afirma que a assistência médica nas unidades de saúde do local precisa avançar. “Ainda demora para conseguirmos marcar consultas em qualquer uma das unidades”, declarou. O último resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em 2012, apontou que duas escolas do bairro tiveram a melhor pontuação, segundo o Ministério da Educação. No entanto, a moradora Ana Carolina Amaral, professora de literatura, afirma que ainda há muito para melhorar. “As escolas precisam de melhores estruturas. Hoje ainda sofremos com problemas antigos, como falta de água nas escolas e ainda faltam professores”, denunciou.

BAIRROS Cidade Nova – 144.285 – Zona Norte Compensa 1, 2 e 3 - 64.734 – Zona Oeste Alvorada 1, 2 – 64.081 – Centro-Oeste Centro – 55.688 – Zona Sul São José Operário – 43.995 – Zona Leste Japiim – 43.982 – Zona Sul Petrópolis – 42.246 – Zona Sul Parque 10 - 33.316 – Zona Centro-Sul LOCAIS DE VOTAÇÃO Seção 1015 - Cefet – Centro – 7.093 – Zona Sul Seção 1228 - Aldeia do Conhecimento – Cidade Nova – 8.716 – Zona Norte Seção 1023 – Escola Francelina Dantas – Alvorada 2 – 7.876 – Centro-Oeste Seção 1147 - Escola Estadual Eldah Bitton Teles Rocha – Compensa 3 – 10.668 – Zona Oeste Seção - 1090 - Colégio Tiradentes – Petrópolis – 10.009 – Zona Sul *Fonte: TRE-AM


Política

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

Protestos poderão ser regulamentados em lei

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não podemos rasgar o que o povo manda” SENADOR CRISTOVAM BUARQUE (DF-DF), sobre o projeto que pretende legalizar a maconha

Vacinado, PT-PE evita confronto com Campos Desconfiado de que o expresidente Lula trabalha para substituir Dilma Rousseff na disputa pela Presidência, o PT de Pernambuco decidiu evitar confrontos diretos com o governador Eduardo Campos (PSB), cotado nos bastidores para ser o vice do petista. Segundo dirigentes, “é melhor segurar a onda e observar bem os movimentos de Lula, para não acabar rifado”, como ocorreu nas eleições de Recife, em 2012. Recordar é viver A intervenção de Lula em 2012, sacrificando a candidatura de Humberto Costa (PT) em Recife, levou à vitória do candidato de Eduardo Campos. Espelho meu Para políticos de Pernambuco, aos moldes do padrinho Lula, Campos não pensaria duas vezes para rifar Marina Silva e subir ao poder. Circo armado Ministros recém-saídos do governo garantem que Lula está com tudo preparado para disputar a Presidência. Resta saber se Dilma já sabe. Já foi tarde Horário de verão poupou R$ 405 milhões, uma merreca, considerado o custo à qualidade de vida. A Mega da Virada rendeu o dobro ao erário. Dilma precisa arrumar um namorado, diz Lula Habituado à rotina de receber políticos, empresários e banqueiros, que o procuram para se queixar de “maustratos” de Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula tem uma resposta na ponta da língua, que apresenta como “solução” para o jeito búlgaro de

ser da presidente, arrancando gargalhadas. “Dilma precisa arrumar um namorado...” E ainda dá um jeito de fazer o governo atender o que ela nega aos interlocutores. Governo-sombra Lula mantém um governo paralelo, formado por pessoas de confiança e até ex-ministros como Antonio Palocci, para monitorar o governo Dilma. Futuro Sempre que é indagado sobre o “governo-sombra” no Instituto Lula, ele desconversa: “São pessoas dedicadas a discutir o futuro do Brasil”. Tomando pulso “Futuro”, para Lula, é a eleição. Ele e sua turma avaliam a situação todo dia: se a reeleição de Dilma estiver ameaçada, será ele o candidato. Quem diria... Nunca antes na história deste país houve tantos petistas querendo trabalhar. O mensaleiro João Paulo Cunha, que já foi metalúrgico, agora topa até uma vaga de auxiliar jurídico, para só dormir na cadeia. Ídolo A bancada do PT é só elogios ao presidiário Delúbio Soares que, diferentemente dos outros mensaleiros petistas, optou por manter a discrição, após iniciar sua pena na Papuda, em Brasília. Novo portal Após exigências da presidente Dilma e atraso de meses, o novo portal do Planalto será lançado na próxima semana. Dilma ficou irritada porque viu imitação da página da Casa Branca, que ela mesma havia pedido.

Jornalista

Proposta é do governo federal, que alega que medida é para trazer segurança dos manifestantes e jornalistas AGÊNCIA BRASIL

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Cabo de guerra Senadores do PMDB cobram reação mais dura do líder Eunício Oliveira (CE) à postura da presidente Dilma na reforma ministerial. Dono de cargos, o presidente Renan Calheiros (AL) coloca panos quentes. Bem longe Preterido para assumir ministério, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) tem evitado participar de reuniões do partido, onde peemedebistas não deixam por menos e fazem arder as orelhas da presidente Dilma. Lá vem bala No Pará, a cidade de Marabá que, de tão violenta, ganhou apelido de “Marabala”, 386 pessoas conseguiram do Ministério da Justiça a permissão para portar armas de fogo. Em 2013, foram 29 concessões. Dólar paralelo Promovida pelo governo ao reajustar tarifas nas compras nos cartões no exterior, a crise da falta de dólar desencadeia a volta dos doleiros do mercado negro. Pode faltar máquina para tanta lavagem. Zumbis O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) tem sido incluído entre os “zumbis” que se inviabilizaram após se aliar a Eduardo Campos: André de Paula (PSD), Joaquim Francisco (PSB) e Mendonça Filho (DEM). Vaquinha mia Infeliz era Al Capone: amargou cadeia por sonegar imposto de renda e ninguém da Máfia coçou o bolso para tentar tirar o meliante de lá.

Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, quer disciplinar protestos e manifestações no país

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governo vai encaminhar nos próximos dias ao Congresso Nacional um projeto para regulamentar manifestações populares. Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o objetivo da medida é garantir a segurança dos manifestantes e dos jornalistas que cobrem os protestos e impedir atos “inaceitáveis” de vandalismo. “A ideia é fazer uma lei equilibrada, sem excessos, afirmada no contexto da democracia brasileira, que não aceita atos ilícitos, que não tolera a violência, mas que garanta a liberdade das pessoas de se manifestar independentemente do conteúdo de suas manifestações”, afirmou o ministro. José Eduardo Cardozo pediu aos secretários de Segurança Pública dos Estados que contribuam com o texto do projeto

de lei, que será encaminhado aos parlamentares em regime de urgência. “A maior parte dos secretários opinou pela necessidade de uma nova lei”, disse o ministro, após se reunir com eles. De acordo com Cardozo, aqueles que atuam no campo policial serão ouvidos nos próximos dias a fim de aprimorar o texto. A elaboração de um documento unificado que defina a atuação das polícias militares em todo o Brasil também foi tema da 53ª Reunião do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública, em Aracaju. Segundo o ministro, a proposta não vai desrespeitar a autonomia de cada corporação estadual. “O que propomos é uma orientação para atuação das nossas polícias, para que a sociedade saiba como atuam as polícias, os parâmetros e limites da sua

atuação”, explicou. A sugestão é trabalhada em conjunto com os secretários estaduais. Crimes Na última terça-feira, José Eduardo Cardozo disse que ainda não é possível concluir se a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade pode ser considerada crime contra a imprensa e a liberdade de expressão. Para o ministro, definir o uso proporcional da força vai permitir “saber quando há transgressão e quando não há, para que policiais não sejam acusados injustamente ou para que situações indevidas de atuação policial sejam coibidas e punidas na forma da lei”. Na reunião também foi discutido o esquema policial que será implantado para garantir a segurança na Copa do Mundo deste ano.

PODER SEM PUDOR

Entranhas de um protesto Competente âncora do Jornal Gente, da rádio Bandeirantes SP, José Paulo de Andrade se preparava para entrevistar o ex-presidente Jânio Quadros, candidato à prefeitura de São Paulo. Esbaforido e apoiado por amigos para subir os degraus, Jânio chega ao estúdio. - Presidente, o senhor continua a beber? Zé Paulo esperava uma resposta ríspida, mas Jânio o surpreendeu: - Meu fígado protesta! Há muito que eu não bebo.

Deputado Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, selecionou dez projetos de lei

Câmara também tem propostas

CCJ DO SENADO

Redução da maioridade na pauta A redução da maioridade penal deve movimentar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima quarta-feira. A pauta traz seis propostas de PECs que tratam do assunto e tramitam juntas. A que mais agrada ao relator, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), é a PEC 33/2012, do senador Aloysio Ferreira (PSDBSP), que reduz a 16 anos a maioridade apenas em casos específicos e, mesmo assim, após pedido de promotor e aceitação do juiz especializado

em infância e adolescência. As possibilidades de redução estariam relacionadas a crimes hediondos e a múltiplas repetições de lesão corporal grave ou roubo qualificado. A proposta de Nunes recomenda que a pena seja cumprida em prisões especiais, sem contato com condenados adultos. O jovem infrator terá que passar ainda por exames para atestar se tem ou não compreensão da gravidade do crime praticado. A expectativa é grande em

relação ao início do debate na CCJ. Na última quinta-feira, Ferraço criticou o governo, que estaria se movimentando para impedir a aprovação da proposta. O ministro da Justiça, José Cardozo, já se manifestou várias vezes contra a mudança. “O governo tem se movimentado para impedir que mesmo esse projeto seja votado. Eu acho isso um equívoco. Porque, a qualquer momento, nós vamos estar diante de um retrocesso que é a redução da maioridade”.

O ministro da Justiça informou que vai se reunir novamente com os secretários de Segurança Pública com o objetivo de ajustar o plano de segurança para o Mundial. Há possibilidade de as Forças Armadas serem convocadas para trabalhar em algumas cidades-sede. “Garanto que esse plano de segurança está bem feito, mas queremos ouvir ainda mais os Estados, para que possamos ajustar, fazer a sintonia final, nesta reta de chegada para esses grandes eventos”, disse ele. Em entrevista coletiva após a reunião, o ministro da Justiça

também comentou as denúncias de que manifestantes estão sendo cooptados por partidos políticos para participar dos protestos. “À medida em que denúncias de que pessoas, por alguma razão, teriam sido induzidas a atos de violência, isso será investigado pelas polícias competentes. Às polícias cabe investigar. Havendo ilícito, cabe ao Judiciário punir”, acrescentou. Projetos Na última semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), selecionou dez

projetos sobre violência em manifestações para serem votados em plenário, em data a definir. Também foi anunciada a criação de uma comissão externa para acompanhar as investigações da morte do repórter cinematrográfico Santiago Andrade, atingido por um rojão durante uma manifestação no Rio de Janeiro. Os projetos serão apresentados aos líderes partidários depois de amanhã. “A ideia é apensar todos os projetos em um só, pedir a urgência e trazer a discussão para o plenário”, afirmou Alves.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

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Yedo SIMÕES

‘Sou CANDIDATO à sucessão NO TJAM’

FOTOS: IONE MORENO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Sou candidato à sucessão do cargo de presidente. Irei entrar nesta disputa oferecendo meu trabalho. Já tenho um plano de metas para o tribunal. Sou juiz de carreira e já vivi em todos os setores do tribunal e tenho um diagnóstico do que a Justiça precisa”

a magistratura há quase 34 anos, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), Yedo Simões, decidiu colocar seu nome na disputa para concorrer a presidência da corte. Atual corregedorgeral da instituição, Yedo enfrentou duas correições do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e também a pressão da mídia sobre o julgamento dos processos contra o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PRP). Promovido a cargo de desembargador, pelo critério de merecimento em 2005, o magistrado é o quarto no pleno do tribunal, entre os mais antigos da corte, aptos a disputarem o cargo. Como trunfo que deve usar na campanha em seu favor está a implantação do Processo Judicial Digital (Projud), sob a sua supervisão, que tinha como principal meta resolver o problema do acúmulo de processos “encalhados” nas comarcas do Amazonas. O programa, iniciado no ano passado vem apresentando resultados satisfatórios. Instalado já em 60 municípios, o Projud tem agilizado em quase 80% os processos no interior do Estado, e principalmente criando uma interação entre os municípios. Na semana passada, Yedo recebeu o EM TEMPO para falar sobre os trabalhos desempenhados pela corregedoria, a última correição do CNJ em Manaus e também do projeto de se tornar presidente do tribunal. EM TEMPO – Na última terça-feira o processo que solicita o aumento de vagas de magistrados no Amazonas foi novamente adiado após o pedido de vista do presidente da casa, desembargador Ari Moutinho. Como o senhor avalia a questão? Yedo Simões – Essa questão está sub judice, tem ainda uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no caso e sobre isso eu não posso me manifestar porque é um processo judicial e cada colega tem sua opinião. Houve uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas

também tem um processo judicial que se discute a suposta inconstitucionalidade da lei. Mas, isso tudo precisa ser tratado no âmbito do Tribunal de Justiça e só assim veremos o decorrer da situação. EM TEMPO – E em relação aos juízes, como está o quadro de profissionais no Estado? YS - Tivemos um concurso recente, mas os juízes ainda não têm previsão de serem chamados. Existe um calendário elaborado pela entidade responsável pelo certame de responsabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV), e a previsão é que esses novos servidores sejam nomeados em setembro, mas o presidente Ari Moutinho tinha solicitado que essa data fosse diminuída, e que esses juízes sejam nomeados antes do fim da gestão dele, que será em 3 de julho. Estamos trabalhando para isso e esperamos que os concursados que já passaram nesta primeira fase continuem no processo. Na primeira etapa tínhamos 1,5 mil inscritos, mas apenas 22 foram aprovados e ainda temos três fases a serem obedecidas. Atualmente, temos 36 vagas a preencher e é importante para o nosso órgão recompor isso para trabalharmos para melhoria da nossa corte e da população. EM TEMPO – Atualmente, qual o maior problema do tribunal? YS - Com certeza é a falta de servidores e juízes. Em termos de organização, eu penso que estamos muito bem. Nossa justiça hoje é toda virtual. Temos 100% das nossas unidades em sistema eletrônico. E estamos preparados para enfrentar a modernidade. EM TEMPO – Em janeiro, o CNJ esteve em Manaus onde realizou uma correição no sistema e apresentou um laudo crítico sobre o tribunal. O que o senhor tem a falar sobre isso? YS – Vejo como salutar a ação do Conselho. Ele nos alerta, pois devido você estar focado no trabalho diário na questão administrativa não tem condições de fazer essa radiografia que o CNJ faz. Eles foram inclusive a cartórios extrajudiciais e procu-

raram conhecer o trabalho de juízes e apontaram algumas falhas. Agora, vamos aguardar as recomendações que eles deverão pedir, mas posso adiantar que só com a visita do Conselho percebemos algumas situações que não conhecíamos, agora cabe a nós ajustarmos tudo isso. EM TEMPO – Mas, apesar de todos os investimentos a Associação de Defensores Públicos do Amazonas (Adepam) e também vários advogados têm reclamado da lentidão da tramitação eletrônica do tribunal. YS – Na verdade foi muito desagradável esse comentário. Essa não foi a posição da Defensoria Pública, mas sim, de apenas um defensor que entrou agora no órgão e não conhece o nosso sistema Projud. Checamos que esse servidor passou apenas três minutos logado no nosso sistema e esse período não é suficiente para conhecer toda situação. Esse servidor sequer formalizou uma reclamação conosco, preferiu procurar a imprensa para emitir informações sobre o que ele não conhece. Mas, temos uma equipe eficiente à disposição para ajudá-lo. EM TEMPO – Como está a implantação do Projud? YS – Hoje, nós só temos 4% de processo físico. Faltam finalizar os trabalhos apenas em Coari, Codajás, Tapauá e Parintins. Os restantes de todos os municípios estão fechados. A expectativa é que em dois meses finalizemos esse trabalho. Já na capital temos ainda um acerto de processo que precisam ser cadastrados. Criamos também a assessoria virtual, que a partir de Manaus irá dar suporte às comarcas do interior, onde temos uma grande deficiência de servidores. EM TEMPO – Durante uma sessão da corte alguns magistrados revelaram que juízes do interior davam expediente nos shoppings de Manaus e frequentavam academia no horário em que deveriam estar nas comarcas. Isso procede? YS – Eu pouco saio da minha casa que não seja para o meu trabalho para

constatar essas situações, mas é possível sim que esteja ocorrendo isso. O ser humano tem suas falhas, mas não posso afirmar. Mas, se uma denúncia dessas chegar à Corregedoria vamos sim investigar. Agora é verdade que temos um número elevado de procedimentos na Corregedoria, mas é claro que muitos casos são de denúncias de pessoas que tiveram problemas com processos ou desvio de conduta do servidor. Para evitar isso estamos fazendo nossas fiscalizações. Estou compondo uma comissão de correição permanente para agilizar ainda mais nossos trabalhos. Nosso objetivo é fazer 100% das correições nos cartórios eleitorais. Isso passou a ser um objetivo pessoal meu. EM TEMPO – Em nível nacional o CNJ apontou uma crescente denúncia contra magistrados. E aqui no Estado como está este quadro? YS – Eu não posso dizer da gestão passada, mas desde que assumi a Corregedoria esse índice tem sido normal. Na verdade, quando se fala em denúncia é de todo tipo, desde a morosidade de um juiz em um recurso como questões de prioridade em processos. Mas isso dá-se devido ao número excessivo de trabalho que cada juiz tem. Estamos com a deficiência de 36 magistrados no interior. Chegamos ao ponto de não estarmos mais concedendo férias aos nossos juízes do interior devido ao acúmulo de tarefas. EM TEMPO – Estamos às portas de uma eleição para presidência da corte. O senhor vai colocar seu nome à disposição da disputa? YS- Eu sou candidato à sucessão do cargo de presidente. Irei entrar nesta disputa oferecendo meu trabalho e também já tenho um plano de metas para o tribunal, mas isso eu vou divulgar somente daqui a um tempo. Mas posso adiantar que quero sempre trazer o progresso para o tribunal. Sou juiz de carreira e já vivi em todos os setores do tribunal e tenho um diagnóstico do que a Justiça precisa e do que os meus colegas enfrentam. Eu não quero mais nada na minha profissão.

Desde que assumi a Corregedoria esse índice tem sido normal. Quando se fala em denúncia, é de todo tipo, desde a morosidade de um juiz em um recurso como prioridades em processos”

Vejo como salutar a ação do Conselho. Ele nos alerta, pois devido você estar focado no trabalho diário não tem condições de fazer essa radiografia que o CNJ faz”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIEGO JANATA

‘Made in’ Manaus para a Copa do Mundo Economia B4 B5

Franquia: ‘uma boa ideia’ para começar um negócio ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Empresários amazonenses que apostaram nesse seguimento se dizem satisfeitos e já trabalham nos seus planos de expansão

A pizza quadrada que fez sucesso em São Paulo chegou a Manaus por meio da franquia Os Muzzarellas

EMERSON QUARESMA Especial EM TEMPO

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postar no mercado de franquias continua sendo um bom negócio no Brasil, e em Manaus esse modelo começa a ganhar ares de amadurecimento. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que o faturamento desse seguimento somente em 2013 deve atingir R$ 117 bilhões, uma evolução de 14% no comparativo com o ano anterior. Para 2014, a ABN estima um crescimento percentual de 13% de faturamento das franquias. Focados nesses números e nas vantagens que essse tipo de negócio oferece, o time de empreendedores formado pela advogada Juliana Valente Botelho, 26, o seu esposo, jornalista Thiago Botelho, 27, e mais um sócio, trouxe para Manaus a pizzaria ‘Os Muzzarellas’. Uma franquia de São José dos Campos (SP). “Ganhamos um modelo consolidado e uma inovação para Manaus no setor de delivery de pizza, com pedidos pela internet, sem a necessidade de falar com atendente”, afirma Juliana.

A franquia ofereceu ao casal como item de inovação uma pizza com a forma quadrada, algo inédito para Manaus. Há dez meses funcionando na Zona Centro-Sul da capital, a pizzaria foi um investimento na ordem de R$ 250 mil, o qual Thiago estima que conseguirá recuperá-lo aproximadamen-

Para evitar desastres é necessário ter disposição de atuar no negócio, sem deixar a unidade somente na mão de funcionários Jorge Kemel, Consultor de Franquias

te em mais oito meses de funcionamento da empresa. “A franquia é um bom atalho por conta de todas as experiências que outros empreendedores já tiveram”, observa. Primeiro empreendimento do casal e do sócio, a franquia funciona hoje com 15 funcionários, entre pizzaiolos,

operadores da internet e entregadores. Juliana e Thiago revelam que se sentem confiantes para, dentro de pouco tempo, expandir o negócio para outra região da cidade. A segurança do casal está no franqueador, o qual Juliana classifica não como um ‘chefe’, mas sim um ‘professor’. Shoppings Segundo o consultor especializado em franquias Jorge Kemel, da empresa Vetor – Varejo e Franchising -, o crescimento deste seguimento segue o rastro da expansão de shoppings existentes e da implantação de novos espaços comerciais deste formato. De acordo com Kemel, para os próximos quatro anos, a expectativa é que pelo menos 70 novos shoppings sejam inaugurados no Brasil. Para estes empreendimentos, o setor que mais cresce, conforme o consultor, sãos as franquias das redes de fastfood. “Cada shopping possui em média cerca de 120 lojas. As franquias chegam a representar até 50% das lojas desses empreendimentos. No setor de fast-food, por exemplo, elas já correspondem a 75% das

lojas instaladas nas praças de alimentação”, observa. Apesar dos números que representam arrecadações bilionárias e que por isso fazem brilhar os olhos de investidores eminentes, o consultor adverte que, como todo negócio, se faz necessário ficar atento sobre a franquia que pretende investir. Caso contrário, a experiência pode ser desastrosa, devido a inexperiência sobre o empreendimento do franqueado; a falta de capital de giro; a indisposição a atuar no negócio à distância, deixando a unidade na mão de funcionários; e principalmente, por não aceitar a orientação da rede. Segundo o consultor, o investidor precisa estudar muito a escolha que fará sobre uma franquia. Porque, uma vez feita a má escolha de uma franqueadora, pode levar o investidor a insatisfação, principalmente pela falta de inovação no negócio, pela inexistência dos suportes necessários para o crescimento das unidades, também pela má escolha do ponto e por fim, por conta da má administração da verba de propaganda, o que prejudica a divulgação da marca na região.

Amazonas exporta franquias

Açaí no Ponto cresce com um produto regional consolidado dentro e fora do Amazonas

A franquia Açaí no Ponto, que nasceu em Manaus, já conseguiu exportar seu modelo para 17 Estados brasileiros. Há um ano franqueada dessa empresa a empreendedora Ananda Carvalho, 22, presidente da Associação de Jovens Empresários do Amazonas (AJE), conta que antes de abrir a sua primeira empresa ela procurou uma alternativa que a oferecesse um produto consolidado, um mercado estudado e toda uma estrutura de negócio testada.

“Encontrei tudo isso numa franquia”, afirma. Ananda observa que Manaus, geralmente importa franquias. Ela, por sua vez, resolveu escolher uma empresa local por um relacionamento melhor, a possibilidade de uma troca de ideias e uma negociação facilitada. “Imagina ser um franqueado como uma rede MCDonald, que não deixa de ser uma boa marca, mas você terá que se submeter a padrões com os quais não poderá negociar ajustes”, observa.

Hoje, com mais duas empresas, além da franquia Açaí no Ponto – Traning Consultoria Soluções Empresariais e a Interactive Mobile –, Ananda lembra que outro ponto determinante para a escolha da Açaí no Ponto foi o fato de ela ser do ramo de alimentação com um produtor regional e consolidado. “Para mim esse ramo tem um retorno muito rápido. Os shoppings inclusive dão prioridade para empresas franqueadas desse ramo”, salientou.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

Pesquisador ‘aposta’ no uso comercial do gengibre Mercado de cosmético será abastecido em setembro com sabonete feito a partir dessa planta com potencial econômico

A

pós 15 anos de pesquisas com o Zingiber Zerumbet, conhecido como gengibre amargo, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), o doutor em Biotecnologia e Recursos Naturais Carlos Cleomir e seu grupo de pesquisa, desenvolveu a partir do óleo essencial desta planta e de frutos amazônicos, sabonetes que auxiliam no combate a acne vulgar. A dermatose atinge aproximadamente 90% dos adolescentes. A expectativa do pesquisador é lançar o produto até setembro de 2014. O sabonete vegetal antiacne e anticéptico foi patente-

DIVULGAÇÃO

ado pela empresa Biozer da Amazônia, que é de propriedade de Carlos Cleomir e uma das sete empresas incubadas pelo Inpa. A primeira etapa já foi concluída, inclusive com a obtenção do protótipo (produto de teste nos resultados parciais do projeto). “Este produto tem um diferencial se comparado aos outros que já estão no mercado, pois os extratos retirados do gengibre possuem ação anti-inflamatória, antioxidante e antibacterianas”, explica o pesquisador. Originário da Ásia, o gengibre amargo foi encontrado pelo pesquisador e sua equipe em visitas técnicas e excursões realizadas em

Iranduba, Parintins, Itacoatiara e Presidente Figueiredo, municípios amazonenses que possuem grande quantidade da planta. Em Manaus, o gengibre amargo, foi localizado em áreas rurais como Tarumã Mirim e Puraquequara. Segundo o pesquisador, apesar das potencialidades medicinais e econômicas, as pessoas utilizam a planta basicamente para ornamentação, neste caso a flor. Carlos Cleomir lembra que antes suas pesquisas estavam voltadas para a potencialidade de combate ao câncer com o uso do gengibre amargo, porém ele observou que a planta tinha base científica para expansão dos estudos.

Sabonete de gengibre amargo será usado para combater acne vulgar que atinge adolescentes

Ennio Candotti economia@emtempo.com.br

De E.Candotti para A.Lopes e W.Perico Caros Wilson Perico e Alfredo Lopes, 1. Ao ler as vossas generosas palavras, (Em Tempo, 1/2 pg...) que comentam algumas afirmações minhas, registradas com mestria pelos jornalistas Suelen Reis e Wilson Nogueira em entrevista publicada na revista “Valer” Cultural de outubro/ novembro 2013, pg.6 (www.valercultural.com.br ) e motivado pela menção ao jogo de bola relatado Condamine, lembrei de um outro jogo parecido praticado pelos astecas em que a bola (também de látex ou de chicle) devia ser atirada, com os quadris e as coxas, através de um furo circular de aproximadamente trinta centímetros de diâmetro, aberto em uma pedra também circular de um metro de diâmetro. 2. O que me impressionou porém nos relatos deste jogo é que o melhor jogador, o que mais ‘furos’ atravessaria com seus arremessos, era sacrificado ao deus Sol para garantir que ele voltasse a brilhar no céu no dia seguinte. Quantos Ronaldinhos sacrificados! 3. Outra questão, esta agora de caráter tecnológico, é que os aztecas antigos conheciam as rodas (encontramse rodas em brinquedos e no mencionado jogo da pelota) mas não a utilizavam como máquina simples capaz de aliviar a fadiga no transporte e no deslocamento de pesos. Uma formidável máquina que usa o atrito(estático) para rodar, facilitando o movimento. 4. Foram necessárias as reflexões de físicos (teóricos e aplicados) como Galileu e Newton para que a volta do Sol no horizonte, todas as manhãs de cada dia fosse uma certeza e não uma dúvida angustiante na vida dos mortais. 5. Se dependesse dos doutrinários ortodoxos bastaria sacrificar jogadores talentosos para garantir a luz do dia. 6. E aqui, quero apoiar minha alavanca e dar argumentos para um ponto de vista, ligeiramente diferente do vosso, sobre como se relacionam a ciência, a academia e a indústria ( creio que este é o nó das divergências): 7. Eu defendo que um sitema de inovação em C&T apoiado apenas em instituições e laboratórios de ciência aplicada, de engenharia voltada a fins específicos da indústria não se sustentam no longo prazo, não ajudam a indústria a se renovar e inovar, e mais grave, não se reproduzem, não formam novos ‘engenheiros’, quadros inventivos e capazes de promover inovações. 8. A grande maioria das aplicações é resultado de pesquisas básicas, desinteressadas ou interessadas apenas em aplicações de interesse da própria pesquisa. A internet surgiu nos laboratórios do CERN e tinha por objetivo compartilhar um grande numero de informações entre pesquisadores que analizavam os registros dos detectores das partículas que se formavam nas colisões de elétrons, protons, pósitrons a altíssimas energias. Vale observar que a Europa investiu no CERN dez bilhões de Euros para construir uma máquina que produz resultados de remota aplicação mas imenso significado para a evolução

das teorias físicas e a compreensão do micro e macrocosmo e beneficiar-se do que se costuma chamar de ‘spin off’ tecnológico da pesquisa cientifica desinteressada. 9. O laser, a fissão nuclear, a fusão nuclear nas estrelas, a energia elétrica, as ondas eletromagnéticas, o DNA e a dupla helice, são descobertas que mudaram os rumos da nossa vida cotidiana e o caminhar da humanidade. Não foram encomendas da indústria . 10. Não se trata, a meu ver, de herança de Coimbra, dos padrões acadêmicos eruditos e livrescos, trata-se de uma falsa visão da relação entre o papel da pesquisa básica nas universidades e da formação prática voltada às aplicações supostamente úteis à industria. 11. Atribuo as nossas deficiências nas virtudes competitivas (comparadas com os padrões nacionais) em pesquisa, ensino e extensão à falta de apoio à pesquisa básica, aparentemente desinteressada ( do ponto de vista da produção de bens para o mercado), dada pelos órgãos que influem nas diretrizes da política de C&T no Amazoas e que devem sim dar apoio também à pesquisa aplicada. 12. Convém lembrar que a pesquisa básica e a formação de recursos humanos a ela associada, tem sido objeto de rígidos padrões de avaliação pelas agencias nacionais e internacionais. Enquanto a avaliação da pesquisa tecnológica, aplicada, é mais complexa e ainda não encontrou sistemas confiáveis de medida e comparação. Enquanto a avalição da produção cientifica em ciencias exatas é razoavelmente (e há criticas severas a esse sistema) calibarada pela produção de artigos indexados em revistas qualificadas, o sistema de avaliação de qualidade na área tenológica através do número de patentes não é uma referência consensual. 13. Entendo que os recursos investidos em treinamento de quadros especializados e pesquisas voltadas a objetivos de atender às demandas das empresas, poderiam oferecer melhores condições de competitividade à industria, se o ambiente de pesquisa basica e desenvolvimento tecnológico obedecesse a uma rígida avaliação de qualidade e essa fosse um característica permanente de nosso ambiente industrial – acadêmico. 14. Defendo que o ambiente de pesquisa básica bem avaliado e exigente em seus padrões de qualidade poderia fertilizar a pesquisa aplicada e industrial através do intercâmbio de idéias e a boa formação de quadros. Inclusive colaborando como observatório de ideias novas que surgem no horizonte da indústria ( vejam p.e. a fotônica substituindo a eletrônica nos dias de hoje ). 15. Como justificar que o quinto PIB do país convive com a centésima posição de suas universidades e institutos de pesquisa tecnológica? Sabendo que na classificação da produção científica, na qualidade do ensino e no impacto na produção industrial as istituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico acompanham o PIB na Eco-

nomia nacional. 16. É da resposta a esta pergunta que quero recolher elementos que nos permitam, na próxima década, reverter as incomodas posições ora ocupadas por essas instituições. 17. Ficaria feliz em pedir desculpas às instituições cujo desempenho critiquei, e o farei sem vacilar, desde que esse abjuro seja apoiado nas conclusões de um programa severo de avaliação, local, nacional e/ou internacional ( como se fez em outras instituições nacionais como p.e. Unicamp, UFRJ-COPPE). Uma avaliação técnico - científica das nossas instituições de P&D, financiadas com recursos públicos, federais, estaduais ou da Suframa. 18. Se considerarem oportuno posso pedir desculpas antecipadas pela suspeita levantadas e, caso as avaliações me dêem razão, fica o compromisso de me devolver as desculpas. 19. Quando insisto na severidade da avaliação o faço porque entendo que o valor dos investimentos públicos foi e é muito alto. A prestação de contas dessas instituições deve ser pública e expressa em forma que todos a possam entender (e não apenas os tribunais e a burocracia das contas). Não se trata de lisura na utilização dos recursos, se trata de avaliação das efetivas contribuições técnico científicas capazes de contribuir para a renovação e competitividade da indústria e a permanência dos melhores talentos em Manaus . 20. Entendo que os recursos dos incentivos fiscais (ou dos recolhimentos de 1% para a UEA ou 5% da industria de informatica para P&D), são recursos públicos que a legislação, por vezes permite, sejam investidos em projetos de interesse comum do poder público e das próprias empresas. 21. Creio que deveríamos entender melhor a natureza desses recursos, ( incentivos fiscais , % do faturamento destinados a P&D, UEA etc), são eles públicos ou privados? Se há uma lei que determina o valor e regula seu recolhimento são públicos, se são ofertas voluntárias são privados. Lembro que em 2005 na Comissão de Orçamento do Conselho Nacional de Ciencia e Tecnologia, os recolhimentos de % do faturamento de empresas ao FNDCT para os fundos setoriais, impostos etc. eram contabilizados pelos orgãos responsáveis pelo orçamento de C&T como públicos. O seu uso foi em 2006 distribuido pelo MCT, em parte, em programas horizontais de P&D que nem sempre interessavam às indústrias de origem dos recursos. 22. Participei (antes como vice presidente e depois como presidente da SBPC) na segunda metade dos anos 80 das batalhas no Congresso Nacional em que se criaram legislações voltadas a fomentar os investimentos em tecnologias da informação. Lembro que nosso propósito era encontrar fontes de financiamento para o desenvolvimento de pesquisas capazes de permitir o desenvolvimento de projetos nacionais em TI e propiciar a competitividade da nossa industria de informática então nascente.

23. Naquela época a Coréia era apenas um pequeno país em busca de desenvolvimento, hoje lá se desenham os dispositivos que montamos no Polo Industrial. Pena, passados trinta anos poderíamos ter chegado mais longe, em Manaus e no país. O que gostaria de chamar a vossa atenção é que não é (apenas) por falta de recursos, financeiros e humanos, que a produção científica e tecnológica no Amazonas nos preocupa e compromete a competitividade e o desempenho das industrias do Polo Industrial. 24. Há uma outra questão que, para finalizar, gostaria de levantar: a da autonomia da universidade e dos institutos de pesquisa ( conforme consta na Constituição Federal Art. 217 ) estaduais e federais. Novamente discordamos, não se trata de distanciamento entre a realidade produtiva e o ócio improdutivo. Trata-se, a meu ver, de uma condição necessária para bem administrar o bom senso e o uso dos recursos públicos em áreas de ensino e pesquisa: produzir conhecimentos novos, formar jovens, atender a demandas de interesse social e industrial, competir internacionalmente e dar significado moral à realidade em que estamos imersos. As universidades estaduais paulistas conseguiram autonomia financeira (mesmo que parcial) no início dos anos noventa. 25. A falta de autonomia impede por exemplo que a UEA implante e/ou consolide a pesquisa científica em suas unidades, uma vez que os controles dos tribunais ( e a opinião das ‘elites’ conservadoras ) se concentra na contabilidade das horas de aula efetivamente dadas pelos professores: dizem que quem não leciona em sala de aula vive no ócio. Pesquisar ? Isso é coisa que se faz em Miami ou Paris. 26. A batalha não é nova, lembro que em 1975 na UFRJ ao criar o Instituto de Física, enfrentávamos querelas semelhantes que foram contornadas pelo crescente financiamento recebido por órgãos externos de apoio à pesquisa ( o BNDES e a Finep no caso ). Venceram as pesquisas e o bom senso prevaleceu na UFRJ. A carga horaria se limitou a seis ou oito horas de aula por semana. Hoje o Instituto de Fisica é um dos melhores do país e a COPPE e as engenharias se beneficiam com a presença do ilustre vizinho. 27. Lá, mas ainda não aqui. Por que ainda não há um Instituto de Física, de Química ou de Matemática na UEA (apesar de seus últimos tres reitores estarem sinceramente empenhados em criá-los)? Não será porque predomina entre nossas lideranças academico- industriais conservadoras a visão de que a UEA deve se concentrar em preparar quadros para a indústria e para a administração pública e não deve se preocupar com pesquisa e conhecimento? 28. Parece fora de propósito dizer que a UEA também deva contribuir para decifrar a biblioteca da biodiversidade e dos ambientes amazônicos, aprender a ler os livros da natureza e quando possível tirar proveito dos segredos das culturas indigenas, da

fauna e da flora e seu convivo com os ambientes naturais. Os conservadores, pragmáicos, repetem o mantra: a nos cabe conservar, devemos apenas evitar que se derrubem as árvores (quando possível). Não é nossa tarefa entender como e porque esta foresta cresce e se multiplica em solos pobres (façanha que os sojicultores gostariam imitar). 29. Sempre lembro de uma observação que ouvi em uma conferência internacional sobre meio ambiente: a vocês brasileiros cabe conservar a floresta. As pesquisas sobre toxinas, enzimas, fotossíntese, fitoterápicos e produtos naturais , devem ser feitas em Londres, N.York ou Paris, pois são necessários grandes laboratórios, exigem investimentos de grande porte e os resultados devem obedecer à legislação internacional que regula a propriedade industrial! 30. Finalizo para reafirmar minha convicção que o CBA sofre de doença crônica consequência da falta de autonomia em sua gestão e de um Conselho Técnico Científico, com caráter deliberativo que zele pela qualidades de sua produção científica e técnica e o proteja dos miopes tutores do Mdic. 31. A falta de consistência científica contamina a sua estrutura jurídica e institucional. A idéia, que até agora prevaleceu em sua gestão, que um instituto de grande porte como o CBA deve limitar suas ações ao mundo aplicado e prestar serviços apenas às indústrias, é a meu ver equivocada, pequena para os desafios que o entender (e aplicar) a biodiversidade amazônica colocam aos pesquisadores tanto puros como aplicados. 32. O estoque de conhecimentos da biodiversidade amazônica é ainda muito pequeno para que um instituto possa se dedicar apenas às suas aplicações, sem se preocupar com a pesquisa básica e a formação especializada de novos quadros (sem eles em pouco tempo a instituição se torna estéril) . 33. Novamente, a avaliação da produção científica e da formação especializada da instituição nos poderia dar um claro retrato de sua eficiência na realização da missão institucional que lhe foi dada: ampliar o estoque de conhecimentos e apoiar a indústria ( onde ela estiver, se em Manaus, melhor). As atividades aplicadas seriam apenas uma das consequencias naturais do bom desempenho da pesquisa fundamental. Os jovens formados se encarregariam de renovar e dar continuidade ao projeto institucional. Perdoem a extensão de minha ‘resposta’, não imagino que ela possa ser publicada integralmente, eventualmente em partes, o vosso bom senso e experiência o decidirá. Talvez os pontos levantados (33!) possam servir, junto com outras reflexões, como roteiro para promover um debate dedicado a examinar as razões que nossas instituições encontram para promover a pesquisa e o desenvolvimento capazes de responder aos desafios sociais, ambientais e industrias da Amazônia. Com cordialidade, Ennio Candotti

Ennio Candotti físico

O laser, a fissão nuclear, a fusão nuclear nas estrelas, a energia elétrica, as ondas eletromagnéticas, o DNA e a dupla hélice, são descobertas que mudaram os rumos da nossa vida cotidiana e o caminhar da humanidade. Não foram encomendas da indústria”


Economia

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Planejar antes de gastar faz bem ao consumidor

A dica parte de especialistas no momento em que há no Brasil uma crescente constante nos índices de inadimplência

ANDRÉ TOBIAS Especial EM TEMPO

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consumidor amazonense precisa tomar mais cuidado na hora de gastar, principalmente quando usar o cartão de crédito. O alerta é feito por especialistas em planejamento econômico, após a divulgação de dados que confirmam ser crescente o índice de inadimplência. Em janeiro, por exemplo, dados da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus) aponta que 3,1% dos consumidores deixaram de pagar suas contas em dia. A pesquisa ainda aponta que 30% das dívidas foram adquiridas por meio de compras em carnês de lojas, outros 25% pelo uso indiscriminado dos cartões de créditos.

O presidente da CDL-Manaus, Ralf Assayag, considera esse índice de inadimplência aceitável pelo elevado volume de compras realizado em dezembro do ano passado, as quais são cobradas somente em janeiro. O vigilante Bruno Silva, 24, conta que começou o ano com uma dívida de R$ 5 mil. De acordo com ele, a ‘bola de neve’ cresceu depois que ficou desempregado no ano passado, uma vez que, já tinha feito compras no comércio local. “Quando contraí a dívida eu estava empregado. Havia comprado no cartão de crédito para pagar parcelado. Porém, saí do trabalho e não tive como quitar os débitos”, afirma. Para Bruno, o seu principal erro foi a falta de planejamento adequado na hora de atender o desejo de comprar

um pouco mais. “Ao invés de pagar o que devia, gastei com outras prioridades que naquele momento eram mais urgentes”, lamenta o vigilante, ao garantir que, por estar com

ALTAS

No Brasil, a inadimplência do consumidor registrou alta de 1,1%, em relação a dezembro, o que representa a quarta alta mensal consecutiva, segundo indicadores levantados pela Serasa Experian. emprego novo buscará como meta pagar todas as suas dívidas ainda este ano. A engenheira ambiental Catriana Figueiredo, 28, re-

conhece que faltou planejamento e acabou passando dos limites ao comprar além do que o seu bolso permitia. Assim como Bruno, ela saiu do emprego recentemente. Isso dificultou ainda mais a quitação das dívidas contraídas via cartão de crédito e no seu descuido ao deixar uma conta corrente bancária aberta, sem movimentá-la. “Acabei deixando uma conta corrente em aberto num banco, e quando fui fechar as taxas de manutenção vi que elas eram altíssimas. Fiquei muito mais atrapalhada”, salienta. No momento, Catriana se dedica aos estudos e sonha em passar em algum concurso público da sua área. Ela espera arrumar um emprego o quanto antes para poder limpar o seu nome na praça e pagar tudo aquilo que deve.

‘Antes do crédito tenha cautela’ Para o economista Antônio Gadelha falta planejamento para a maioria dos consumidores. Ele alerta que antes de ter crédito é necessário ter cautela. “Tentar poupar e gastar o necessário é a fórmula mágica para quem não deseja se complicar financeiramente. Isso deixa o nível de endividamento sob controle e diminui a inadimplência”, sugere. Gadelha frisa que o consumo exagerado é desnecessário, portanto é um dos principais motivos de endividamento, o que contribui para o aumento da inadimplência do consumi-

dor. “Hoje as pessoas vivem numa sociedade consumista. O ideal é gastar somente aquilo que você pode e comprar o necessário. É preciso ter conscientização financeira e planejamento”, salienta. O economista fala que o consumidor brasileiro não tem o costume de poupar e por isso perde muito. “Se o fizesse, isso seria uma excelente válvula de escape na hora de fazer compras emergenciais, recorrendo ao dinheiro guardado ao invés de fazer empréstimos bancários e mais dívidas no cartão de crédito”, acrescenta.


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Economia

Produtos e serviços ‘made Empresários amazonenses aproveitam o evento esportivo mundial para vender ideias e alavancar seus negócios JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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apenas quatro meses da Copa do Mundo, empreendedores de diversos segmentos em Manaus aceleram os preparativos na busca de emplacar produtos e serviços exclusivos para o mundial. Novos pratos e peças de vestuário elaboradas com exclusividade para o período estão entre as iniciativas que prometem conquistar os torcedores durante e depois dos jogos. Entre os empresários que vão apostar no evento futebolístico está o proprietário do restaurante Tambaqui de Banda, Mário Valle. Em fase de fechamento dos últimos detalhes junto à organização dos jogos, o empreendedor está com tudo pronto para o lançamento do fish n’chips, um box (caixa) pequeno que contém 150 gramas de filé de tambaqui empanado, batatas fritas e um molho especial de maionese e mostarda. Inspirado em um prato tradicional inglês, feito a base de peixes dos rios da Amazônia, Valle diz que o petisco será vendido a R$ 12 na Arena da Amazônia, durante os jogos e promete conquistar principalmente o paladar dos torcedores estrangeiros. O lanche também poderá ser encontrado em for-

mato de combo (fish n’chips e refrigerante), com preço ainda não definido. “Os boxs serão equipados com lâmpadas de infravermelho para manter a comida aquecida para o cliente”, garante o empresário. Para ganhar os visitantes ‘pela boca’, o empreendedor projeta um investimento de R$ 80 mil, que será utilizado no aluguel e adaptação de três contêineres para comercializar o produto, e contratar 16 funcionários que serão responsáveis pela pro-

Já que o tambaqui é o peixe que melhor representa o Estado, resolvemos vender essa ideia, apostando na tradição britânica do prato Mário Valle, Tambaqui de Banda

dução do fast-food. “A meta é comercializar em torno de oito mil unidades no primeiro jogo (Inglaterra e Itália), apostando na tradição britânica do prato e entre quatro e seis mil caixinhas nos outros três jogos” estima. Valle lembra que a inovação surgiu durante a Copa das Confederações, no ano pas-

sado, quando comerciantes de outros Estados investiram na venda de pratos típicos de suas regiões durante os jogos nos estádios. Moda Outra iniciativa partiu da jornalista Cristiane Batista e da sua sócia Michele Guimarães, proprietárias da grife de roupas femininas Santa Cris. De olho no número de turistas que escolherão Manaus como destino, elas iniciaram a confecção de uma coleção moda praia que incluirá, biquínis, saídas de banho, túnicas e calças de tecidos leves, adaptadas ao clima local. Cristiane detalha que as estampas das peças compostas de araras, onças, do grafismo de pedras do Largo São Sebastião, entre outras. “Nosso conceito é proporcionar ao turista um vestuário de acordo com o clima amazônico. Queremos ajudar a criar uma identidade de moda no Estado”, argumenta. Cristiane, que desde 2007 comercializa vestuários relata que em 2013, durante um evento recebeu um grande pedido de biquínis que seriam comprados por um empresário mexicano. “Foi quando percebi o potencial do nosso produto para os estrangeiros”, conta a empresária, que ainda não definiu o preço das peças, mas, projeta vendê-las futuramente em um quiosque.

Inspirado nos ingleses, o Tambaqui de Banda lançará para a Copa o fish n’chips, que é um box (caixa) con


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ontendo 150 gramas de peixe regional

GIOVANNA CONSENTINI

DIEGO JANATA

e in’ Manaus para a Copa Serviço de ‘dicas’ para estrangeiros Além dos produtos ‘made in’ Manaus para a Copa, alguns serviços estão em fase de formatação para atender melhor aos turistas em junho. A blogueira Carol Castro, 24, uma das autoras do blog “O Bom Daqui” (OBD), está preparando o espaço virtual para os visitantes. A página eletrônica que dá dicas de restaurantes, hotéis e festas em Manaus terá uma editoria exclusiva para auxiliar quem visitar a cidade. Entre os serviços oferecidos, Carol destaca as dicas de restaurantes e hotéis próximos à arena. Segundo ela, a ideia da página não é obter lucro, mas sim, facilitar a vida do turista e ajudar Manaus a construir uma boa imagem quanto à qualidade dos serviços oferecidos. A blogueira acrescenta que pretende preparar uma versão em inglês dos textos do site, a fim de atender turistas estrangeiros que desejam conhecer mais sobre cidade. Empresário Mário Valle acredita que a idéia poderá dar certo ao ponto de abrir franquias para ser vendida em outras localidades


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Mais Médicos: intervenção policial nos casos de faltas Resolução federal irá punir com rigor profissionais que se ausentarem de suas atividades sem prévia comunicação ABR

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Governo brasileiro publicou uma série de medidas para “frear” a fuga de profissionais que integram o programa federal Mais Médicos sem justificativas prévias

‘Um probleminha aqui, outro ali’

Associação auxilia estrangeiros

Outros 22 médicos de Cuba desistiram formalmente do Mais Médicos e retornaram à ilha. A resolução determina ainda que seja aplicada uma advertência para o médico que se ausentar do trabalho por mais de quatro horas até dois dias sem justificativa. Em caso de reincidência ou ausência por mais de 48 horas, o profissional será desligado

A Associação Médica Brasileira (AMB), uma das entidades de classe que têm feito oposição ao Mais Médicos, divulgou nota anunciando o lançamento, de um serviço de apoio para profissionais estrangeiros que atuam no programa e que estejam insatisfeitos. “Visando a proteção da liberdade e integridade dos profissionais trazidos de

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pós admitir que 89 profissionais abandonaram o Mais Médicos, o governo determinou que, a partir de agora, quando um médico estiver sumido por mais de 48 horas, as comissões estaduais ou do Distrito Federal responsáveis pelo programa terão que informar a ausência aos órgãos de segurança. A determinação faz parte de uma resolução publicada pelo Departamento de Planejamento e Regulação da Provisão de Profissionais da Saúde, no “Diário Oficial” da União. A medida, de acordo com a pasta, tem o objetivo de garantir a integridade física dos médicos participantes. A resolução determina ainda que a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) também seja comunicada sobre a ausência de um médico no caso de ele ser estrangeiro. Além destas medidas, o governo publicou também novas regras para fazer o desligamento de profissionais que descumprem as normas médicas e têm ausências injustificadas no programa. As medidas são uma tentativa do governo de melhor controlar o número de desistências do programa, e garantir condições mínimas para que os profissionais vivam nas cidades para onde foram designados. O governo orienta que ausências injustificadas por mais de dois dias úteis já sejam objeto do desligamento do profissional do programa, dando ao médico o prazo de cinco dias para que ele apresente uma justificativa. Nesta semana, o governo publicou uma lista com os nomes de 89 profissionais que não estão atuando no programa, dentre eles 80 brasileiros. Caso não informem seu paradeiro, serão desligados do programa. No grupo estão cinco cubanos que abandonaram o programa. Um deles é a médica Ramona Rodriguez, que pediu ajuda ao DEM e está em Brasília. Ela já apresentou um pedido formal de refúgio ao Brasil e está empregada na Associação Médica do Brasil. O segundo caso revelado é o do médico Ortelio Jaime Guerra, que abandonou o programa e está nos Estados Unidos. O ministério não tem informações sobre o paradeiro dos outros três médicos cubanos.

do programa. A presidente Dilma Rousseff não esconde sua opinião e sempre que pode faz uma avaliação positiva do programa Mais Médicos e ignora as recentes desistências dos profissionais, sobretudo cubanos. “Esse é um programa do meu coração, eu cuido dele todo dia, fico olhando. Óbvio que você tem, sempre vai ter,

um problema aqui e outro ali. Mas sobretudo é isso: um programa feito para pessoas”, afirmou. “O Norte é a região mais beneficiada pelo Mais Médicos. Não só não haviam médicos mas, quando haviam, não ficavam permanentemente. O Mais Médicos, pra mim, está sendo um sucesso por resolver uma série de problemas”, afirma a presidente.

outros países pelo governo federal através do Programa Mais Médicos, a Associação Médica Brasileira (AMB) disponibiliza oficialmente o Programa de Apoio ao Médico Estrangeiro”, diz o comunicado. “O objetivo da entidade é atender médicos, tanto de Cuba como de outras nacionalidades, que necessitem de orientação”, acrescenta.

TAM

Justiça ouve réus de acidente aéreo

Acidente com avião da TAM matou 199 pessoas, em 2007

A Justiça Federal em São Paulo começou a ouvir, na última sexta-feira, 14, os réus apontados como responsáveis pelo acidente com o voo da TAM JJ 3054, em que morreram 199 pessoas. No acidente, ocorrido no dia 17 de julho de 2007, um avião proveniente de Porto Alegre chocou-se contra o prédio da TAM Express, ao lado do aeroporto de Congonhas, por não ter conseguido parar na pista, ao pousar. Além dos passageiros e da equipe de bordo, morreram pessoas que estavam em terra. Estão sendo ouvidos pela

8ª Vara Criminal Federal em São Paulo a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, o vice-presidente de Operações da TAM, Alberto Fajermann, e o diretor de Segurança de Voo da TAM, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro. Os três são acusados pelo crime de atentado à segurança do transporte aéreo e podem pegar pena de até 12 anos. “Este julgamento é um marco para que as pessoas tenham mais responsabilidade no trato do transporte aéreo. Existe o risco, existe, mas vamos tentar

minimizá-lo ao máximo. Uma companhia aérea despachar um avião completamente carregado, com um reverso inoperante para um aeroporto que eles sabem que não tem área de escape. Para mim, isso é irresponsabilidade. É isso que está sendo julgado aqui”, disse o presidente da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAMJJ3054, Dario Scott, que perdeu a única filha, de 14 anos, no acidente. Scott destacou que o julgamento dá uma satisfação para a sociedade de uma forma geral. “E [serve] para

que as autoridades e as pessoas que trabalham no setor do transporte aéreo tenham mais responsabilidade. Que eles saibam que vão ter que responder por seus atos. Não é simplesmente por conta de interesses econômicos, abrir um aeroporto nas condições que foi aberto.” Segundo o advogado dos parentes das vítimas do acidente, Ronaldo Marzagão, a sentença deverá ser proferida possivelmente, em agosto. “Temos a expectativa de que apresentados os memoriais,só faltará a sentença”, disse Marzagão.


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Copa: governo prevê gastar R$ 1,17 bi com segurança A

lém da construção de 14 Centros Integrados de Comando e Controle (12 regionais e dois nacionais, em Brasília e no Rio), os Estados vão receber 27 Centros de Controles Móveis (caminhões equipados que ficarão nas proximidades dos estádios), 12 imageadores aéreos (equipamentos instalados em helicópteros, capazes de captar e transmitir imagens em tempo real para os centros de controle), robôs para detonação de explosivos e 36 Plataformas de Observação Elevadas (com 12 câmeras de alta resolução capazes de captar, tratar e transmitir imagens). Todo o aparato de segurança estará em pleno funcionamento no período entre 20 dias antes da Copa (20 de maio) até 5 dias depois do término (18 de julho). Neste período, todos os 14 Centros Integrados de Comando e Controle (CICCs) estarão operando 24 horas por dia. A Força Nacional de Segurança (FNS) colocará 10,6 mil homens à disposição das 12 cidades que vão sediar jogos. No entanto, pelo menos cinco governos estaduais não pretendem, a princípio, solicitar apoio da Força: São Paulo, Paraná, Ceará, Bahia e Amazonas. Ainda não decidiram a utilização da mesma Rio, Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso. Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Pernambuco não responderam aos questiona-

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Projeto vai envolver mais de 100 mil profissionais de segurança e defesa civil, sem considerar o contingente das Forças Armadas mentos da reportagem. Preparação A secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, disse que foram ministrados mais de 40 cursos para os agentes da FNS, como mediação de conflitos e controle de distúrbios, no caso de haver protestos. “Nossa preocupação é garantir o direito legítimo dos brasileiros à manifestação. Para aqueles que usarem os protestos para praticar crimes, os policiais da Força foram treinados para discerni-los e individualizar suas condutas para que sejam punidos de acordo com a lei”, disse Regina. Contigência A função que a FNS vai desempenhar em cada cidade vai variar. Em alguns locais, ficará aquartelada como força de contingência. Em outros, auxiliará a Polícia Militar no patrulhamento ostensivo. Em Estados, poderá acompanhar as delegações, com batedores. A quantidade de chefes de Estado que virão ao Brasil ainda não está fechada, mas a Sesge já trabalha com a presença dos presidentes dos países dos BRICs (Rússia, Índia, China e África do Sul), já que a reunião de cúpula do grupo foi marcada para logo depois da final da Copa, em Fortaleza. Mandatários de EUA, Israel, Irã e países em conflito serão classificados como de alto risco, e terão esquema de segurança especial.

Forças Armadas e de Segurança vão atuar em conjunto antes, durante e após o período de realização da Copa no Brasil este ano

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PUNIÇÃO

Cardozo afirma que enviará projeto que prevê punição para manifestantes para o Congresso

Lei para crimes em manifestações O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que a pasta já trabalha num esboço do projeto de lei para punir excessos e padronizar a ação das forças policiais em manifestações. O texto será enviado pelo governo ao Congresso Nacional em regime de urgência e seria uma resposta à morte do cinegrafista Santiago Andrade, 49. “Teremos nos próximos dias definição desse texto que tem como objetivo assegurar a liberdade de manifestação”, disse. Entre as proibições estariam o uso de explosivos e o anonimato em protestos. Cardozo diz que é preciso sanções para quem transgri-

da o direito da população de se manifestar, independentemente da causa. “Queremos garantir segurança ao cidadão que participa e à imprensa, indispensável nesse processo, fazendo com que não se admita atos de vandalismos em protestos.” O ministério vai recolher sugestões dos Estados para o projeto. Segundo Cardozo, foram coletados dados em reuniões com comandantes de todo o país para propor uma espécie de “cartilha” da atuação policial nos protestos que esteja enquadrada num maior consenso possível. Ainda segundo o ministro, é necessário que o Brasil tenha

esse regramento unificado que defina o uso da força, para que policiais não sejam acusados indevidamente ou que não cometam abusos. Até o fim da próxima semana, a minuta do projeto deverá ser compartilhada com secretários de segurança. Cardozo tem pressa, apesar de não ter estabelecido prazo para concluir o projeto de lei e encaminhá-lo para análise dos deputados e senadores. Criar uma lei específica para coibir violência em protestos, contudo, está longe de ser consenso, pois o Código Penal já prevê punições para crimes como agressão e dano ao patrimônio.


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Mundo

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ONU mostra preocupação com mortes na Venezuela

UNICEF

Crueldade contra crianças na África é preocupante

Comissariado de Direitos Humanos da ONU pediu que sejam apuradas com rigor as mortes de três pessoas durante manifestações nas ruas venezuelanas

De acordo com ele, os confrontos entre milícias Antibalaka, de maioria cristã, e ex-combatentes Séléka, nas últimas semanas, têm revelado “níveis sem precedentes de violência contra crianças”. “Pelo menos 133 crianças foram mortas ou mutiladas, algumas de modo horrível, em dois meses”, informa o Unicef. Decaptações Segundo o comunicado, foram verificados casos de crianças intencionalmente decapitadas. A organização diz ter conhecimento de outros casos em que crianças, feridas em tiroteios, ficaram isoladas e, quando conseguiram chegar a um hospital, tiveram de ser amputadas. O Unicef apela ao governo da RCA, à comunidade internacional e a líderes religiosos e civis do país que ajudem a acabar com a violência. Para o fundo da ONU, os graves crimes contra crianças têm de ser investigados e os responsáveis, punidos. AFP

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Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) pediu que os responsáveis pelos ataques a manifestantes na Venezuela não fiquem impunes. Na última quarta-feira, 12, protestos estudantis e marchas em apoio ao governo venezuelano deixaram três mortos e pelo menos 60 feridos. “Os autores devem ser julgados com penas adequadas”, afirmou em Genebra, o portavoz Rupert Colville. O representante do Alto Comissariado disse que as Nações Unidas estão “preocupadas” com as informações sobre os ataques a manifestantes por parte de grupos armados ilegais. “Também nos preocupa que a situação possa desencadear mais violência”, ponderou. Colville mencionou também que as denúncias sobre intimidações que jornalistas sofreram durante a cobertura dos protestos são, de igual maneira, preocupantes. “Soubemos que alguns profissionais tiveram equipamentos apreendidos e que houve agressão a jornalistas estrangeiros e locais, enquanto cobriam os protestos”, alertou. Outro ponto lembrado pelo porta-voz diz respeito à prisão de alguns manifestantes, que estariam sendo acusados de terrorismo. “É grave a informação de que há, inclusive menores detidos, e que a alguns foi negado o direito de ter contato com seus familiares e advogados”, acrescentou.

Representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na África Ocidental informaram estar horrorizados com a crueldade e a impunidade que crianças são mortas ou mutiladas na República Centro-Africana (RCA), onde pelo menos 133 menores foram vítimas desses crimes nos últimos dois meses. A RCA passa por uma crise desde março do ano passado, quando a coligação Séléka, de maioria muçulmana, derrubou o governo do país majoritariamente cristão. O caso desencadeou uma espiral de violência, que já deixou milhares de mortos e de deslocados. “As crianças são cada vez mais visadas devido à sua religião ou comunidade”, disse o diretor regional do Unicef para a África Central e Ocidental, Manuel Fontaine. Em comunicado divulgado na página do Unicef na internet, Fontaine explica que a violência na República Centro-Africana tem se intensificado na capital, Bangui, e no Oeste do país.

Onda de protestos na Venezuela espalha desconfiança no governo do presidente Nicolás Maduro

Manifestantes pedem segurança Líderes estudantes disseram que o objetivo dos protestos é pedir mais segurança pública, medidas econômicas efetivas para conter a crise que afeta o país e também por maior liberdade de expressão. O governo, entretanto, afirma que entre os manifestan-

tes há grupos “fascistas” que causaram os tumultos, ataques ao patrimônio público e incitaram à violência. Na visão governista, o objetivo final seria um golpe de Estado. A Justiça no país decretou a prisão de Leopoldo López, um dos líderes da direita venezuelana, acusado de ter pla-

nejado os ataques ocorridos em meio aos protestos. López apoiou a candidatura presidencial de Henrique Capriles, nas eleições presidenciais de abril do ano passado. De acordo com a imprensa no país, no entanto, a aliança foi desfeita e atualmente López agiria de maneira mais independente. Unicef alerta contra a crueldade com crianças africanas


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diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

BRENO FREITAS/ARQUIVO EM TEMPO

Em defesa dos animais silvestres Dia a dia C2-C3 JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

Inca aponta redução de casos de câncer no AM

Ocorrência da enfermidade está relacionada ao envelhecimento da população. Estado ocupa a 22ª posição no ranking

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estimativa para 2014, divulgada recentemente pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, apontou uma leve redução no número de casos de câncer no Amazonas. A previsão é que sejam registrados 4.830 novos diagnósticos no Estado, 130 a menos que a publicação anterior, lançada em 2012. No ranking nacional, o Amazonas figura em 22º lugar em número de casos por taxa bruta de incidência, com 267,16 diagnósticos para cada 100 mil habitantes, a maioria (143,56) entre as mulheres. De acordo com o diretor-presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), pneumologista Edson de Oliveira Andrade, o número ainda é considerado alto e tem relação direta com o envelhecimento da população. “O Brasil vive hoje um momento de transição epidemiológica, em que se tem resquícios de doenças infectocontagiosas. Já passamos de países que tiveram aumento na taxa de sobrevida, o que ele-

vou, também, os índices relacionados às doenças crônicas degenerativas, entre elas o câncer”, explica o especialista. De acordo com ele, o grande desafio neste momento é conscientizar a população acerca dos fatores de risco, alertando para a mudança de comportamento de vida, o que inclui, por exemplo, acabar com hábitos como o tabagismo, que está relacionado diretamente com vários tipos de neoplasias malignas, entre elas os tumores de garganta, pulmão e mama. Ele pede atenção, ainda, para o consumo excessivo de álcool e alimentos industrializados, este último tratado como principal causa das doenças do trato digestivo, entre elas o câncer de estômago e o de intestino. Edson Andrade ressalta que, nos últimos anos, o avanço no número de casos foi

acompanhado por mudanças nos protocolos de tratamento do câncer no Brasil e no mundo, permitindo que novas drogas, a exemplo do Trastuzumabe (Herceptin), utilizado no tratamento e controle do câncer

de mama, fossem inseridas na lista de medicamentos padronizados pelo Ministério de Saúde. Com isso, a margem de segurança no tratamento aumentou significativamente. “Também com base na literatura e comprovação da

eficácia de outros medicamentos, aqui na FCecon, os profissionais têm optado por utilizar alguns quimioterápicos fora da lista de padronização, o que resulta na injeção de recursos exclusivos do Estado para esta finalidade”,

ressaltou. Segundo o pneumologista, o medicamento Trastuzumabe, por exemplo, já era adquirido com recursos exclusivos do governo do Estado, para pacientes da Fundação, mesmo antes da padronização, ocorrida em 2012.

Principais tipos da doença Edson Andrade lembra que, só em 2012, a FCecon registrou cerca de um milhão de procedimentos, entre ambulatoriais e hospitalares. Hoje, a instituição atende pacientes de Estados e países vizinhos. “Também por este motivo, a instituição tem se empenhado em ampliar suas ações de prevenção, principalmente no que diz respeito aos tipos mais incidentes de cânceres, que são o de pulmão e próstata, entre os homens, e de colo uterino e mama entre as mulheres”, assegurou. Ainda conforme a estimativa divulgada pelo Inca, devem ser registrados, em 2014, no Estado, 510 casos de câncer de próstata, mesmo número estimado para 2012. Já mama e colo uterino devem registrar aumento este ano. O primeiro, cuja estimativa de dois anos atrás apontava para 340 casos, deve registrar, este ano, 390. O segundo passará de 600 para 630.

Prédio da Fundação Cecon, no bairro Dom Pedro: apesar da estimativa, número de casos ainda é alto


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A ordem do di

Proteção a animais silvestres contra o comércio ilegal e a caça predatória vem sendo intensificada no Estado do Amazonas com a disseminação de informações sobre o crime e a busca da legalização dos criadouros pelo Ipaam

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GERSON FREITAS Especial para o EM TEMPO

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falta de uma legislação própria sobre a fauna transforma o Amazonas em um grande mercado a céu aberto para comercialização de animais silvestres. Esse tráfico, segundo a gerente de fauna do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Sônia Canto, é a segunda maior atividade ilícita do mundo, gerando anualmente bilhões de dólares. Uma forma de combater esse crime ambiental é tirar as pessoas envolvidas da ilegalidade por meio de campanhas feitas pela mídia. “Qualquer comércio de animais silvestres só é possível mediante a autorização do órgão ambiental responsável”, afirma Sônia. De acordo com o artigo 32 da lei de crimes ambientais (Lei 9.650, de 12 de fevereiro de 1998), é passível de sanções penais e administrativas as condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. De julho de 2013 até este mês, o Ipaam realizou 265 resgates, feitos todos os dias. De acordo com Sônia, foram relatadas 380 solicitações de resgate, algumas situações fáceis de resolver. “Em alguns casos, orientamos as pessoas por telefone sobre os procedimentos que devem ser tomados para a devolução desses animais para a natureza. Às vezes só precisam destinar esses animais ao seu habitat natural - rios, igarapés e florestas”, diz a gerente. Um dos objetivos do Ipaam é criar uma legislação com instruções normativas para a exportação, que determine e regularize a parte relativa aos animais silvestres, o processo de criação e pesquisas sobre

a biopirataria. O maior desafio do instituto tem sido a fiscalização. Contando com o apoio de parcerias com órgãos públicos, o Ipaam tem repassado material aos municípios do Amazonas no intuito de divulgar sobre a ilegalidade da comercialização de animais silvestre e suas penalidades. O Amazonas tem uma grande vocação extrativista, na grande maioria das vezes esse extrativismo vem da população do interior, que trabalham com atividade de caça e pesca. O trabalho de educação ambiental feito pelo Ipaam é justamente alertar a todos o que eles podem e não podem fazer, pois a falta de informação na maioria das vezes tem sido o maior fator para que o comércio de animais silvestre cresça a cada dia. Linha direta Por ano, o Ipaam recebe mais de mil denúncias de todas as esferas, e 90% delas são atendidas. Existe uma linha direta para a fiscalização, onde as denúncias são anotadas, gerando um protocolo para que o denunciante acompanhe o processo. Além disso, o site do instituto (www.ipaam.am.gov. br) disponibiliza um link para quem quiser fazer a ocorrência pela internet. As denúncias podem ser feitas anônimas ou identificadas. A gerente de fauna garante que aquelas identificadas ficam em total sigilo e que em hipótese alguma é revelado o autor. “Quando alguém se identifica, facilita muito nosso trabalho. Em caso de algum desencontro ou de uma informação incorreta, o instituto entra em contato com o denunciante e informa o que está acontecendo”, afirma Sônia.

Multa de até R$ 3 mil A falta de atendimento a algumas ocorrências acontece pela dificuldade de acessibilidade aos locais onde esses animais se encontram, ou por muitas vezes os endereços informados por quem procura o instituto estarem incorretos ou incompletos. Quem praticar ato de abuso e maus-tratos, ferir ou

mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, será punido com pena-detenção de três meses a um ano, e multa que varia de R$ 500 a R$ 3 mil por indivíduo. Segundo a mesma lei, “quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota

migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente (art. 1°, inciso III)” também está sujeito a estas penalidades. Essa tem sido a luta do Ipaam, desde o ano passado, quando assumiu a responsabilidade de cuidar dos processos relacionados à fauna amazônica.


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dia é proteger!

DIOGO LAGROTERIA

Parcerias para o trabalho O instituto tem recebido chamados de resgate do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério Público e Polícia Federal, órgãos que atuam em parceria com o Ipaam no combate ao comércio ilegal de animais. Dos que são resgatados, 90% são devolvidos para a natureza. No momento do resgate, os veterinários do Ipaam fazem uma análise clínica do animal, quando passa por exames. Caso seja identificada alguma doença, o animal fica no instituto e depois é levado ao centro de triagem do Ibama, ou é levado

para o Instituto Sauim Castanheiras, lá são tratados, medicados e quando já estão em ótimo estado físico são soltos na natureza. Um trabalho em conjunto multi-institucional é realizado com a ajuda da Eletrobras Amazonas Energia e Corpo de Bombeiros para o resgate das espécies. Todos os dias temos ligações de resgate para três espécies: a iguana, jiboia e preguiça. “O desmatamento contribui muito para que esses animais invadam cada dia mais o meio urbano”, comenta Sônia. O instituto destaca ainda que a sociedade precisa ficar alerta sobre os riscos de criar um animal silvesal tre como doméstico: além de comportamentos agressivos no decorrer do tempo, esses animais poderão transmitir doenças como a raiva, leptospirose, vírus, vermes e doenças ainda conh não conhecidas pela medicina, podendo causar até uma epidemia.

BRENO FREITAS ARQUIVO EM TEMPO

HUDSON FONSECA

O maior problema no combate à criação irregular e comercialização de animais silvestres é a falta de informação

Conscientização é a maior meta O Ipaam tem investido em campanha para a educação e conscientização ambiental na capital e no interior do Amazonas. Segundo o presidente do instituto, Ademir Stroski, foi determinada como uma das prioridades do Ipaam em 2014 a realização de campanhas para esclarecer à população que a gestão de fauna há um

ano é uma competência do governo estadual e também orientar quanto ao que é certo e errado no relacionamento do homem com a fauna silvestre, assim como os casos passíveis de licenciamento ambiental. “Primeiro precisamos orientar para o que diz a lei que regulamenta as questões de fauna no âmbito federal e

criar os normativos estaduais, porque existem hábitos culturais no amazônida em relação à fauna silvestre”, afirma Stroski. Como exemplo, ele cita o consumo de carne de caça e a manutenção em cativeiro de animais silvestres como bichos de estimação, que não podem ser ignorados e requerem uma educação ambiental. ALEXANDRE FONSECA/ARQUIVO EM TEMPO

Quelônios apreendidos em blitz: pessoas ainda desconhecem o que é certo e errado


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Velho tema vo

Trâmite do projeto de redução da maioridade penal para 16 anos reacende a polêmica sobre sua eficácia. Enquanto isso, no Amazonas houve crescimento de quase 40% nos delitos praticados por menores de idade entre 2012 e 2013

REPRODUÇÃO

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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esta semana, um adolescente de 17 anos foi acusado de matar o irmão de 21, com um golpe “mata leão”, no bairro Petrópolis, Zona Sul. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) apontam que em janeiro deste ano foram registradas 283 ocorrências envolvendo menores infratores. No ano passado, foram 4.176 casos, um aumento de quase 40% em relação a 2012, quando a SSP apontou 3.011 ocorrências. Ainda assim, toda vez que um fato policial envolvendo crianças e adolescentes choca a opinião pública, as discussões em torno do polêmico projeto de lei que prevê a redução da maioridade penal ressurgem. Na próxima quarta-feira (19), a comissão de Constituição e Justiça do Senado deve votar o projeto que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos. A proposta admite que jovens maiores de 16 anos, que se envolvam em crimes hediondos e múltiplas repetições de lesão corporal grave ou roubo qualificado, possam cumprir penas como adultos. O autor do PL é o senador Aluysio Nunes Ferreira (PSDB) de São Paulo. A proposta divide opiniões não somente nas casas legislativas, onde alguns senadores criticam o fato de o governo se posicionar contra a matéria. Para uns, o projeto é válido porque pode ajudar inclusive a enfraquecer o mercado do tráfico de drogas, que recruta adolescentes. Outros prezam por maiores esforços e investimentos do governo na formação da juventude. O advogado Luis Eduardo Valois, que foi presidente da

Comissão de Direitos Humanos da Seção Amazonas da Ordem dos Advogados do Brasil (OABAM), apontou que cerca de 75% dos atos infracionais cometidos por menores delinquentes ocorrem contra o patrimônio. “Os crimes contra a vida que cometem são muito pequenos num universo percentual. Quando comete crime violento, ou é porque ele está ligado ao tráfico ou é drogado. Uma gama de fatores sociais levam o menor a delinquir. Colocar o menor de 18 inimputável é uma questão de proteção contra o Estado omisso”, disparou. Para ele, somente a implantação efetiva de políticas voltadas para menores poderá reduzir a criminalidade juvenil. “Enquanto os jovens filhos de ricos estão nas escolas públicas ou privadas, você vê nos sinais crianças de 6, 7 anos fazendo malabarismos, cheirando cola. Como você pode pedir de uma criança dessas que ela seja um primor, um exemplo, uma pessoa que tenha retidão de caráter? Não dá”, justificou. Valois explicou que o direito sozinho não tem condições de resolver o problema da criminalidade juvenil. Uma das saídas apontadas pelo advogado seria trabalhar na base da estrutura familiar. “Se você não trabalhar a criança na origem, você não vai reduzir a criminalidade juvenil, nem a adulta, porque o crime é um fator social. O direito entra (como diz no popular) de gaiato, não resolve criminalidade. O que resolve é uma base socioeconômica sólida, uma distribuição de renda, boa aplicação do dinheiro público e, quando falo ‘resolve’, quero que você entenda ‘diminui’, porque o crime nunca vai deixar de existir. Agora se você tiver uma sociedade perto da igualdade, você tem baixíssimos níveis de criminalidade”, explicou.

‘Governo brasileiro só tem política no papel’ Hoje, menores de 18 anos que cometem crimes, dependendo do caso, ou são conduzidos a um dos cinco polos de liberdade assistida ou à internação em centros onde são submetidos a medidas socioeducativas que visam a ressocialização, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Lá eles podem permanecer por até 3 anos. “Só que nesses 3 anos ele tem que ser trabalhador. Não é só jogá-lo lá como num depósito humano. Isso são políticas públicas que têm que ser efetivadas. O ECA não é uma legislação da impunidade”, ressaltou Valois. Apesar de haver necessidade urgente de investimentos,

em âmbito estadual, o advogado já observou algumas melhorias. “O governo desativou a Delegacia do Menor, que funcionava atrás do sambódromo. Hoje a estrutura física é melhor. A delegada Linda Glaucia trabalha inquéritos com muita competência. A omissão não é total, o que falta são políticas públicas voltadas para o menor que poderiam tratar mais questão da jovialidade e inexperiência e tentar conduzi-lo para o caminho do bem”, finalizou. Políticas públicas O sociólogo Ademir Ramos defende a implantação de políticas públicas eficientes, que deem condições a todos

FALHAS

Em conformidade com o advogado Luis Eduardo Valois, o sociólogo vê falhas em centros de internação e instituições onde jovens envolvidos em delitos são submetidos a medidas socioeducativas adolescentes terem acesso às oportunidades. “Trata-se de definir políticas públicas de atendimento à criança e ao adolescente. O governo brasileiro só tem política no papel. Antes de criminalizar é necessário cobrar o cumpri-

mento de políticas públicas em atenção à criança e ao adolescente. O ECA já contempla medidas, punições e penas para quem comete delito”, apontou. Em conformidade com o advogado Valois, o sociólogo vê falhas em centros de internação e instituições onde jovens envolvidos em delitos são submetidos a medidas socioeducativas. “Do jeito que estão sendo aplicadas não resolvem. Estão fazendo um faz de conta. Para ser eficiente seria necessário investimento. As escolas são um exemplo disso, que têm graves problemas e não atendem mais a demanda da juventude”, ressaltou. REPRODUÇÃO

Quando o assunto é a maioridade penal, há conflitos por conta da falência do papel do Estado e da insegurança crescente


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olta ao debate

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Ressocialização ainda possível

Cerca de 95% dos 235 jovens que cumprem medida socioeducativa no projeto Tocando em Frente cometeram roubo. Em seguida, o maior número de atos infracionais diz respeito a envolvimento com tráfico de drogas. Dos 235, 223 são meninos e 12 são meninas, com idades de 12 a 17 anos. Para a coordenadora e uma das idealizadoras do projeto, Janete Canto, a desestruturação familiar e a falta de oportunidade em quase 100% dos casos constituem o enredo de vida desses jovens infratores. “Em todas as histórias de vida desses adolescentes, o motivo é unânime. Primeiro a família: muitos são filhos de pais separados, e o motivo da separação é sempre violência doméstica, pai usuário de droga ou alcoólatra, infidelidade... Ou ainda, a criança não tem a companhia da mãe e vai encontrar na rua pessoas de má-fé, ou porque fugiram de casa para se livrar da violência. Isso vira um ciclo vicioso”, pontuou. Para Janete, que está há 11 anos à frente do projeto de inclusão de pessoas em vulnerabilidade social - atividade independente composta por iniciativa da sociedade civil - a redução da maioridade penal não irá contribuir com a redução do envolvimento dos jovens em crimes. “Reduzir não irá resolver o problema, se os valo-

res familiares não mudarem, teremos meninos de 12, 14 anos pagando por crimes em penitenciárias”, ressaltou. Ela defende que as medidas socioeducativas são eficazes e podem auxiliar na ressocialização. “O juizado mesmo afirmou que as medidas são mais eficazes que a internação, dependendo de como o trabalho é feito. Se o governo nas três esferas investir em projetos com metodologia bacana de inclusão, com certeza vai ter mais resultados”, disse. Prova disso, é um rapaz que aos 15 anos foi encaminhado ao projeto, após cometer roubos. A família, já desacreditada da possibilidade de recuperação, cogitava abandonar o jovem. Um ano após seguir as medidas de liberdade assistida recomendadas pelo juiz, o menino mudou completamente de postura e hoje volta ao centro para dividir sua experiência e incentivar pessoas na mesma situação. “Hoje ele faz o segundo período da faculdade de psicologia. A mãe dele vende Natura para ajudar a pagar o curso. É um rapaz responsável, um orgulho para a família e para nós, que hoje nos ajuda. Na época em que chegou aqui, ele foi excluído, expulso da escola. Mas graças a Deus ele veio, foi acolhido, não desistiu dos estudos e hoje nos motiva e faz acreditar que realmente é possível”, afirmou.

Nas ruas, redução é unanimidade FOTOS: DIEGO JANATÃ

“Sou a favor da redução . Se o adolescente pode votar, por que não pode assumir pelos seus atos?”

“Acho que aos 16 anos já se sabe distinguir o certo do errado e é justo que ele seja julgado como os maiores de 18”

Alexandre César Frota, 42, autônomo

Alexsandro Gama, 16, estudante

“Do jeito que está, acho que não funciona porque o menor infrator vai fazer um trabalho social que não surte efeito”

“O Brasil precisa ser mais rigoroso e não aliviar para o menor. Mas acho que devem ter mais políticas para os jovens”

Edson Menezes, 40, instrutor

Emerson Monteiro, 23, industriário

“A lei que temos hoje ampara muito os jovens infratores. Acho que eles têm que assumir o que fizeram”

“Se for reduzida a maioridade penal, que seja feita de uma forma que o adolescente pague pelos crimes”

Ewerton Correa, 34, agente de portaria

Janaína Alves, 28, vendedora


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Chegou a vez

Produzido pela empresa incubada Biozer da Amazônia, o sabonete de gengibre amargo é um dos sete produtos e registros de patentes depositados pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em 2013

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pós 15 anos de pesquisas com o Zingiber Zerumbet, conhecido como gengibre amargo, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), o doutor em Biotecnologia e Recursos Naturais Carlos Cleomir e seu grupo de pesquisa, desenvolveu a partir do óleo essencial dessa planta e de frutos amazônicos, sabonetes que auxiliam no combate a acne vulgar. A dermatose atinge aproximadamente 90% dos adolescentes. A expectativa do pesquisador é lançar o produto até setembro de 2014. O sabonete vegetal antiacne e antisséptico foi patenteado pela empresa Biozer da Amazônia, que é de propriedade de Carlos Cleomir e uma das sete empresas incubadas pelo Inpa. A primeira etapa já foi concluída, inclusive com a obtenção do protótipo (produto de teste nos resultados parciais do projeto). “Este produto tem um diferencial se comparado aos outros que já estão no mercado, pois os

extratos retirados do gengibre possuem ação anti-inflamatória, antioxidante e antibacterianas. Esta é a proposta do sabonete, que chegará ao mercado até setembro”, explicou o pesquisador. Originário da Ásia, o gengibre amargo foi encontrado pelo pesquisador e sua equipe em visitas técnicas e excursões realizadas em Iranduba, Parintins, Itacoatiara e Presidente Figueiredo, municípios amazonenses que possuem grande quantidade da planta. Em Manaus, o gengibre amargo foi localizado em áreas rurais como Tarumã Mirim e Puraquequara. Segundo o pesquisador, ape-

sar das potencialidades medicinais e econômicas, as pessoas utilizam a planta basicamente para ornamentação, neste caso a flor. Carlos Cleomir lembra que antes suas pesquisas estavam voltadas para a potencialidade de combate ao câncer com o uso do gengibre amargo, porém ele observou que a planta tinha base científica para expansão dos estudos.

A substância Zerumbona é o principal composto bioativo dos rizomas da planta. Mas, segundo Cleomir, é possível utilizar a planta inteira, inclusive as folhas para a produção de produtos e pesquisas à base do gengibre amargo. De acordo com a coordenadora de Extensão Tecnológica e Inovação (Ceti) do Inpa, Rosangela Bentes, o produto tem um grande valor potencial e econômico para o norte do Brasil. “É um dermocosmético com potencial de

tecnologia verde, que para a produção demanda a valorização da cadeia produtiva, para que haja desenvolvimento do produto”, disse. O sabonete é um dos sete produtos e registros de patentes depositados pelo Inpa no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), em 2013. O projeto para desenvolver o sabonete contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Mercado Para o pesquisador Carlos Cleomir, é necessário que haja investimento na matéria prima, para que se possa ter produção industrial. Desta

forma, o Inpa juntamente com a Biozer da Amazônia tem um projeto de desenvolvimento sustentável, que visa criar uma “Unidade Demonstrativa de Cultivo e Bioprospecção de Espécies Amazônicos”, que será construída na comunidade Tarumã Mirim, propriedade da União Federal e que está em fase de tramitação para liberação da área. A unidade irá atuar na cadeia produtiva de fitoterápicos (gel, pomadas, extratos), cosméticos (gel, pomadas e sabonetes) e alimentos, como geleia mista de frutos amazônicos e iogurte funcional. Os nomes dos frutos seguem em sigilo contratual. A Unidade Demonstrativa é financiada pela Finep, Inpa e Fundação Amazônica de Defesa da Biosfera (FDB).


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do gengibre

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Produto em desenvolvimento O sabonete será sólido, porém não será descartada a opção de produção líquida, terá tamanho e preço semelhantes aos produtos disponíveis no mercado. “Esse produto chegará ao mercado, pois está sendo desenvolvido pela empresa incubada no Inpa tendo, em vista que tais produtos são oriundos de dois pedidos de patentes de processo e composição transferida para a empresa em 2011, e que culminou no desenvolvimento do mix de produtos, que durante 2 anos a empresa licenciada realizou caracterização dos produtos que hoje também são protegidos em cotitularidade”, contou Rosangela Bentes. Origem O gengibre (Zingiber officinale) é uma planta herbácea da família das Zingiberaceae, originária da ilha de Java, da Índia e da China, de onde se difundiu pelas regiões tropicais

AMBIENTE

Níveis de poluição em estudo Para avançar na compreensão dos processos que produzem chuva na região dos trópicos úmidos e medir níveis de poluição na área urbana de Manaus e sua influência no ciclo de vida das nuvens, uma parceria entre Brasil e Estados Unidos investirá R$ 24 milhões para realizar o maior esforço observacional já empreendido nesse campo. Isso será possível por meio do Projeto Green Ocean Amazon (GOAmazon) que produzirá novos conhecimentos científicos sobre a atmosfera, formação de nuvens e precipitação de chuva. O lançamento do GOAmazon acontecerá na próxima terça-feira (18), às 19h, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), parceiro do projeto. “É um projeto extremamente ambicioso. Com ele, também iremos conhecer melhor vários aspectos da interação entre a floresta e a atmosfera e obter informações mais

precisas para serem usadas em outras pesquisas”, disse o pesquisador responsável pelo GOAmazon no Inpa, o doutor em física da atmosfera Antonio Manzi. Durante 2 anos, o GOAmazon objetiva ainda avançar nos conhecimentos científicos de como os processos superfície-atmosfera afetam a hidrologia e o clima tropical. A estrutura física do projeto é composta por 11 contêinereslaboratórios que estão em fase final de instalação na Fazenda Agropecuária Exata S/A, em Manacapuru, a 68 quilômetros da capital. Esses laboratórios possuem uma série de equipamentos que medirão propriedades da atmosfera, como concentração de gases e material particulado (aerossóis), formação e desenvolvimento das nuvens, fluxos de radiação solar e atmosférica, variáveis meteorológicas como temperatura, velocidade e direção do vento, umidade, velocidade

da chuva, pressão atmosférica, fluxo do gás carbônico, de calor latente e sensível, entre outros. Os equipamentos foram estrategicamente instalados em um local com pouca interferência humana, porém, é onde chega com certa regularidade a pluma de poluição de Manaus, por conta do transporte provocado pelos ventos alísios (ventos que sopram de leste para oeste nos trópicos). As pesquisas serão realizadas em diversos sítios experimentais em Manaus e seu entorno e, também, com aeronaves equipadas para obter dados para o estudo do ciclo de vida dos aerossóis (partículas de suspensão na atmosfera) e das nuvens e da interação entre eles. “As cidades produzem poluição pela queima de combustível dos automóveis e das termelétricas. Essa poluição tem impacto direto na formação das nuvens”, destaca Antonio Manzi. JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

O projeto GOAmazon vai estudar a relação da poluição do ar com a formação das nuvens

do mundo. Outro nome conhecido no norte do Brasil, é a mangarataia. Trata-se de uma planta perene da Família das Zingiberáceas, que pode atingir mais de 1 m de altura. As folhas verde-escuras nascem a partir de

PROMESSA

Segundo a coordenadora Rosângela Bentes, o sabonete de gengibre chegará ao mercado, pois está sendo desenvolvido pela empresa incubada no Inpa e os produtos são oriundos de dois pedidos um caule duro, grosso e subterrâneo (rizoma). As flores são tubulares, amarelo-claro e surgem em espigas eretas. O seu caule subterrâneo é utilizado como especiaria desde a antiguidade, na culinária e na preparação de medicamentos.


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Fundação abre inscrições para cuidadores de idosos A

Fundação Doutor Thomas (FDT) está oferecendo 200 vagas para o curso de Cuidador de Idosos. Serão 100 vagas neste primeiro semestre e outras 100 no segundo. As inscrições começam amanhã e seguem até o dia 21, na própria sede da FDT. O candidato deve ter mais de 18 anos e ensino médio completo. A realização do curso tem como base a crescente demanda da população de idosos no país. Pesquisas recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacam que em 2050 a população de idosos no Brasil será de 63 milhões de pessoas. Em 1980 eram dez idosos para cada 100 jovens. Em 2050, serão 172 idosos para cada 100 jovens. No ano passado, foram três turmas formadas na FDT, com cerca de 300 profissionais capacitados. Este ano serão duas turmas, devido aos ajustes na carga do curso, que antes era de 130 horas e a partir de agora passa a ser de 300 horas. A diretora-presidente da FDT, Martha Cruz, explica que a mudança surgiu devido à preocupação de melhorar a qualidade técnica do curso. “É um curso que tem ganhado cada vez mais

espaço no Brasil. Com o aumento da população da terceira idade, estes profissionais estão cada vez mais requisitados. No entanto, para exercer a função é preciso se profissionalizar’’. A gerente em exercício do Núcleo de Ensino e Pesquisa sobre Envelhecimento em Manaus (Nepem), Valtimar Carneiro, lembrou que, segundo o Ministério da Saúde, existem, hoje, aproximadamente 3,8 milhões de idosos com algum grau de dependência no país. “Logo, tanto nos hospitais, quanto em clínicas, e até mesmo nos domicílios, as pessoas buscam por profissionais que tenham o curso, que sejam qualificados’’. O curso tem a parceria da Fundação com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Escola de Serviço Público Municipal (ESPI) e Ministério Público. A entrega dos documentos deve ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na recepção da FDT, localizado no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul de Manaus. Os interessados devem apresentar RG, CPF, comprovante de conclusão de ensino médio e comprovante de residência. Todos os documentos devem ser originais. A taxa é de R$ 30.

MARCIO JAMES/SEMCOM

Prazo inicia amanhã e vai até 21 de fevereiro, com 100 vagas para o primeiro semestre e outras 100 para o seguinte

O curso de cuidadores de idosos oferecerá 200 vagas este ano, com carga horária de estudo ampliada para 300 horas-aula


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Livro fala de amor gay (92) 3090-1042

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O show marca a despedida de Bell Marques, do Chiclete com Banana

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Caderno D

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Sunset dos ‘chicleteiros’

é hoje

A despedida de Bell Marques da banda baiana será uma “pimenta” a mais ao sunset da Fábrica de Eventos, que terá ainda os shows de Latino e Banda 5% na tarde de hoje, na área externa do Diamond Convention Center, no Tarumã tória de vida de muita gente, as músicas simbolizam alegria, amor e festa. Mesmo que Bell siga carreira solo, ele sempre vai ser a ‘cara’ do Chiclete. Eles não são um grupo, são um time ou, como dizem, são ‘um estado de espírito’. Nossa intenção é que, apesar da despedida, o show seja para cima, divertido e alegre, como sempre foram as apresentações da banda. Vai ser lindo, tenho certeza. Chiclete é Chiclete e eles vão deixar saudade”, afirma. O Chiclete com Banana é composto por Wado Marques (teclado), Waltinho Cruz (percussão), Lelo Lobão (contrabaixo), Deny (persussão), Walmar Paim (bateria) e Bell Marques (vocal). A banda, que fará sua despedida oficial durante o Carnaval de Salvador deste ano, tem 27 discos gravados, além de dois DVDs, faz uma média de 130 shows por ano e já conquistou prêmios no Brasil e no exterior. O show em Manaus ocorrerá pouco mais de 20 dias antes da despedida oficial do vocalista do Chiclete com Banana. O grupo faz shows ainda em Brasília, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Piauí, Maranhão, Ceará, Rio de Janeiro,

São Paulo, entre outros Estados brasileiros até o Carnaval de Salvador, onde arrastarão o trio Nana Banana. Mais atrações do sunset Outra atração que merece destaque no sunseté o cantor Latino. Irreverente, estiloso e ousado, o carioca é sinônimo de “festa”. “Latino é um showman. Tem um perfil versátil e muitas vezes até polêmico, mas, sobretudo, é um cantor com identidade própria impressa em suas músicas. Ele tem grande empatia com o público e com certeza vai fazer uma grande apresentação. Esse ‘casamento’ de Latino e Chiclete é perfeito e não tenho dúvidas que o público vai gostar do resultado”, opina Bete. Com 20 anos de carreira, o cantor está em turnê pelo Brasil com o CD/DVD Latino Live in Copacabana, que reúne hits e músicas inéditas. Entre as faixas do novo trabalho estão “Me Leva”, “Só Você”, “Renata”, “Dança Kuduro” e as novas “Caranguejo”, “In Love” e “Gigante”, esta composta para festejar a Copa do Mundo no Brasil.

Latino já fez inúmeras parcerias musicais ao longo de sua carreira, entre as quais, com Bruno & Marrone, Perla, Belo, Buchecha, Banda Calypso, Dudu Nobre, Maria Cecília & Rodolfo, Double You, entre outros. Quem for prestigiar o sunset da Fábrica vai poder conferir ainda, pela primeira vez em Manaus, as músicas do CD de trabalho de Latino, intitulado “Bonde do Carrel”, o qual reúne 12 músicas que falam sobre sexo de uma forma divertida e, ao mesmo tempo, provocante com um pouco de malícia nas letras. Carrel é o primeiro single do novo trabalho e pode ser baixado na internet. O encerramento da festa ficará por conta de outra atração também carregada de axé, a Banda 5%. O sexteto baiano é formado por amigos que começaram a carreira musical se apresentando em bares de Salvador. Não demorou muito e começaram a surgir os convites para que a banda participasse dos carnavais fora de época em todo o país. Atualmente, a Banda 5% já tem mais de 600 shows realizados, três turnês internacionais na bagagem e dois CDs gravados.

Axé com pitada internacional Entre os artistas com os quais a Banda 5% já dividiu o palco estão nomes como Ivete Sangalo, Thiaguinho, Zezé di Camargo e Luciano, Naldo, Asa de Águia, entre outros. Além do Brasil, a banda já alcançou voos mais altos ao tocar em festivais na Alemanha, na Holanda e no Brazilian Day, em Nova Iorque (EUA), em 2012. O novo trabalho do grupo, o CD “Música& Parceria”, é um trabalho completamente autoral. “O conceito de ‘música & parceria’ faz referência

aos amigos que a música nos deu por essas estradas e palcos da vida. Assim, participaram desse CD artistas, como, Claudia Leitte, Sidney Magal, Gilmelândia, Adelmo Casé, Rafa Chaves e a Confraria da Música, além de muitos músicos competentes”, diz Topera. Se a intenção é curtir um domingo diferente e animado, a aposta é o sunset da Fábrica de Eventos. Ainda dá tempo de garantir o ingresso e, assim, participar de um show inesquecível.

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nfim, está chegando a hora dos shows que vão dar o pontapé inicial ao Carnaval de Manaus. É hoje que a área externa do Diamond Convention Center, na avenida do Turismo, será o palco de um sunset inesquecível com os shows de Chiclete com Banana, Latino e Banda 5%. A tarde deste domingo promete ficar na memória, principalmente dos chicleteiros de carteirinha, já que será a última oportunidade de conferir o vocalista Bell Marques à frente do grupo baiano. Para não perder um minuto sequer da festa, vale ressaltar que o sunset terá início às 17h e a primeira apresentação será a do cantor Latino, em seguida será a vez do Chiclete com Banana subir ao palco. E a animação segue com a terceira atração, os meninos baianos da Banda 5%. No entanto, quando o assunto é a despedida do vocalista Bell Marques do Chiclete com Banana, a expectativa toma conta das opiniões até de quem está organizando a festa. A proprietária da Fábrica de Eventos, Bete Dezembro, considera a banda de axé music uma das atrações musicais que melhor representam o ritmo baiano no mundo. Para ela, a saída de Bell Marques do grupo vai gerar um “vazio”, principalmente aos chicleteiros, mas no show em Manaus, a despedida do cantor será regada de alto astral, marca conquistada pela banda ao longo dos 30 anos de carreira. “Essa banda marcou a his-

Uma das atrações é a banda 5%

SERVIÇO CHICLETE COM BANANA E LATINO Quando Hoje, a partir das : 17h Onde: Diamond Convention Center – avenida do Turismo, Tarumã Ingressos: Pista – R$ 50 Camarote VIP (3º lote) – R$ 200 (2x no cartão) com open bar até às 23h (Chopp Brahma, caipirinha, caipiroska, água e refrigerante). Pontos de Estande da Fávenda: brica de Eventos (Amazonas Shopping – 2º piso), Asya Fashion (Shopping Cidade Leste), Óticas Veja e Bar Chopp Brahma (av. André Araújo – Aleixo). Informações: 3303-0100 / www.fabricaingressos.com


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Fernando Coelho Jr.

Alex Deneriaz, Eliane Schneider e Amilcar Silva

>> Imperdivel 1: Todos os caminhos levam, no próximo sábado ao Diamond, para a feijoada de Carnaval comandada por esta coluna, que está em sua 15ª edição. É o “Feijão Top”, a opção chic da temporada de Momo em Manaus. Socialites surgirão usando sensacionais camisetas customizadas especialmente para o evento, que terá a banda da pagode Poxa Vida inciando o evento, além da bateria Swing Samba Show. Camisetas/ingressos podem ser adquiridas por meio dos números: 8118-9717 e 99851422. Nos encontramos por lá!

Hellen e Gutemberg Alencar, Sérgio e Luciane Novaes

>> Imperdivel 2: o Cieam - Centro das Indústrias do Estado do Amazonas promoverá, no próximo dia 20, o 147º Encontro com Notáveis, trazendo a Manaus a palestra com Oscar Schmidt, do basquete, no Studio 5. Informações: 3627-3800/ cetrin@cieam.com.br.

fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Niver

O vice-governador José Melo, a primeira-dama Nejmi Aziz e o governador Omar Aziz recebendo a presidente Dilma Rousseff em sua chegada a Manaus, onde esteve em visita oficial

. Alberto e Sandra Lucia Saraiva foram anfitriões, na quinta-feira, no Village. O motivo do get-together? Comemorar o aniversário de 50 anos dele, reunindo um grupo de amigos e a família. . Noite agradável em roda fechadíssima.

>> Batizado . Maria Eugênia e André Catunda batizaram o filho Bernardo, na Igreja de Nossa Senhora das Graças, com cerimônia celebrada pelo padre Mauro Cleto. . Após a cerimônia religiosa, os avós maternos, Maria do Carmo e Wellington Lins, receberam para dinner no casarão do Vieiralves, comemorando a data. Noite ótima, assim como os anfitriões.

Sandra Lucia e Alberto Saraiva na festa de aniversário dele no Village

FOTOS: BARROS

Marco e Gizella Bolognese

Wellington e Maria do Carmo Lins

Juliana e Wellington Lins Jr., padrinhos de Bernardo

André e Maria Eugênia Catunda com o filho Bernardo em seu batizado na Igreja de Nossa Senhora das Graças

>> Vitrine

Kátia Sebbem, Denise Santana e Cristiane Aguiar Dora Saraiva, Socorro e Luis Antonio Vasconcellos Dias

>> Imperdivel 3: Neste domingo, a pedida é se jogar no sunset da Fábrica de Eventos com grande show do Chiclete com Banana e Latino no Diamond. A turma mais bonita da cidade vai estar por lá. >> O aniversário de 70 anos de Gerson Paiva será

comemorado hoje com festa no Parque Tropical. >> Tendo como solista o maestro Marcelo de Jesus ao piano, a Orquestra Experimental da Filarmônica sobe ao palco do Teatro Amazonas neste domingo, às 19h, para concerto dedicado à Mozart e Tchaikovsky, em mais uma apresentação da Série Guaraná, promovida pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura. >> Jander Vieira comemorou seu aniversário com um grande almoço ontem no Le Rêve. >> Maria Eug6enia Lins Catunda e Cacilda Antonaccio Senna estão no alvo dos cumprimentos, hoje, pelos seus aniversários. >> A Paradise Turismo, da competente Claudia Mendonça, acaba de firmar parceria com a tradicional companhia de turismo Tumlare especializada em programas personalizados e de alta qualidade, sendo atualmente uma das maiores operadoras europeias, com uma das maiores redes de escritórios pela Europa. Circuitos chics! >> Na terça-feira é o aniversário do stylist Edinho Serrão. Cumprimentos da coluna.


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Livro desmistifica

preconceito TRICIA CABRAL Equipe EM TEMPO

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Desabafo “A ideia de escrever meu livro surgiu em 1995, depois de ter perdoado completamente todos os envolvidos na minha prisão. Queria escrever, relatar os fatos sem rancor, sem ódio no coração. Levei 15 anos procurando uma editora que se interessasse em publicar. Hoje em dia, encontro muita receptividade naqueles que leem. O próprio Faustão (apresentador) leu em uma semana e indicou o livro no programa dele”, relata Ivann. Segundo ele, a aceitação do livro, hoje em dia, tem sido uma enorme surpresa, pois toda a divulgação foi feita inicialmente no “boca a boca”. “Os atores estão descobrindo agora e tenho recebido apoio verbal deles, me achando muito corajoso em ter exposto tudo de forma tão clara e honesta. A atriz Irene Ravache deu um depoimento no programa ‘Mais Você’ e depois me avisou que tinha indicado meu livro”, conta. E não parou por aí. Além de Faustão, Ana Maria Braga e Irene Ravache, a atriz Eliane Giardini se ofereceu para trabalhar quando o projeto virar filme. “Ela quer fazer o papel de minha mãe”, antecipa. Após a divulgação do livro em programas de TV, Ivann conta que passou a ser procurado por pessoas que nem conhecia. “Muita gente me escreveu suas dificuldades em relação ao assunto. Virei uma espécie de confidente dessas pessoas”, afirma.

O escritor Ivann Willig ganha apoio para divulgar seu livro do elenco da novela “Amor à vida”, que exibiu o beijo gay

Comemoração ao lado do elenco global Para Ivann Willig, é notória uma tolerância maior à homossexualidade mediante “tantas passeatas gays, reportagens, filmes sobre o tema, mas numa visão mais particular se vê a homofobia pelo interior de qualquer Estado brasileiro”. “Percebo que atualmente é politicamente correto aceitar a condição de quem se descobre gay, mas na verdade ainda é uma hipocrisia mascarada, pois não é tratado efetivamente como

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uinze dias após o término da novela “Amor à Vida” (TV Globo), o esperado beijo entre os personagens Félix (Mateus Solano) e Nico (Thiago Fragoso) ainda repercute no país. A quebra desse tabu, orquestrada pelo autor da trama, Walcyr Carrasco, também serviu, de alguma forma, para driblar preconceitos, e há quem agradeça. É o caso de Ivann Willig, 43, autor do livro “Grades do Preconceito”, que embora lançado há quase 3 anos, voltou a ficar em evidência no cenário literário nacional, conquistando apoio, inclusive, de vários artistas, como Antônio Fagundes, Glória Pires, Suzana Vieira, Ary Fontoura, entre outros. Nascido em Cachoeira do Sul (RS), Willig é formado em artes cênicas pela UNI-Rio e em cinema pela Unesa. Já dirigiu três curtas-metragens, sendo um deles “A Idade da Inocência”, com Marcos Caruso e Roberto Bonfim. Desde 2008, trabalha como caracterizador de atores para as novelas da Globo, mas foi na literatura que encontrou uma forma de expressar seu lado pessoal. “Grades do Preconceito” conta a história de um adolescente de 14 anos que se apaixona por um jovem de 18 e decide enfrentar a família e a sociedade para viver esse amor.

ARQUIVO PESSOAL/IVANN WILLIG

Caracterizador de atores, Ivann Willig relança o livro “Grades do preconceito” e ganha apoio do elenco da Rede Globo da obra sobre um amor gay

O maestro Marcelo de Jesus irá tocar piano na noite de hoje

algo dentro dos ‘padrões normais’”, desabafa. Sobre a postura do deputado-pastor Marco Feliciano, que defende a “cura gay”, Ivann é direto: “É um equívoco total. Quem precisa ser curado de uma condição que não é nenhuma doença? Eu nunca me senti como um homem optando em me tornar homossexual. Eu me descobri homossexual e percorri um caminho interno pela minha própria aceitação”.

Ivann conta que fez questão de contar a própria história no livro para alertar famílias que estejam passando por conflitos. “Eu me acho no dever de expor minha experiência para mostrar que é possível ser forte e crescer como integrante de uma sociedade”. Quanto ao beijo gay de “Amor à Vida”, produção na qual trabalhou nos bastidores, ele conta que havia uma ansiedade por parte do elenco. “Estávamos todos ansiosos

pela cena do beijo na festa do último capítulo, pois sabíamos que ela tinha sido gravada com e sem o beijo. Ninguém sabia qual cena iria ao ar. Quando aconteceu foi uma explosão de alegria”, lembra. “O caminho é esse. Só não podemos nos acomodar. É uma luta diária como em qualquer relacionamento. É uma conquista diária”, conclui. “Grades do Preconceito” tem 108 páginas e está à venda na Livraria Cultura.

CONCERTO

Obras de Mozart e Tchaikovsky As obras de dois dos maiores gênios da música de todos os tempos, Wolfgang Amadeus Mozart e Pyotr Ilyich Tchaikovsky, são os temas do quinto espetáculo de fevereiro da “Série Guaraná” de concertos promovidos pelo governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, e patrocínio da Ambev, no Teatro Amazonas. O show hoje começa às 19h, com ingressos para a plateia a R$ 20 (inteira) e demais lugares nas frisas e camarotes gratuitos. A composição do austríaco escolhida para abrir a noite,

que terá no palco do teatro a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica pela primeira vez sem maestro, uma vez que o regente Marcelo de Jesus será o solista do recital, será o Concerto para Piano nº 23 em Lá Maior, escrito em 1786 e considerado por especialistas como uma das mais impressionantes ilustrações da sensibilidade e do estilo de Mozart. Dividida em três movimentos, a composição passa pelo equilíbrio elegante, divertido e incansavelmente otimista do primeiro ato, para um movimento mais lento e triste no segundo até o retorno ao

clímax eufórico no final. “Além do desafio natural de trabalhar em uma obra tão complexa, este espetáculo também marca o amadurecimento técnico individual e coletivo de nossos músicos, em sua quase totalidade formados no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro”, destacou Marcelo de Jesus. Tchaikovsky Composta entre 1869 e 1880 e abertamente inspirada na eterna obra de William Shakespeare, a belíssima Romeu e Julieta – Abertura Fantasia, do russo Tchaikovsky encerra o concerto da Or-

questra Experimental, desta vez sob regência do maestro Otávio Simões. A peça inspira-se nas três principais vertentes do livro de Shakespeare para criar um dos mais conhecidos poemas românticos sinfônicos, utilizado incontáveis vezes em filmes e comerciais. A entrada do público no Teatro Amazonas será permitida 30 minutos antes do início do espetáculo. Para mais informações sobre shows, eventos, projetos, centros culturais e demais atividades desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Cultura acesse facebook. com/culturadoamazonas.


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RESENHA

Luz, som, conspiração! CÉSAR AUGUSTO Equipe EM TEMPO

PERFIL

César Augusto é jornalista, editor do Dia a dia

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rian De Palma é um dos meus diretores prediletos, e de vez em quando revisito alguns de seus filmes, principalmente os produzidos em sua melhor época, nas décadas de 1970 e 1980. É desse período que vem “Um tiro na noite” (Blow out, 1981), um thriller tenso vindo na esteira dos sucessos “Carrie, a estranha” (Carrie, 1976), “A fúria” (The fury, 1978) e “Vestida para matar” (Dressed to kill, 1980). Conhecido pela técnica cinematográfica apurada e homenagens a outros cineastas a quem considerava mestres, De Palma retoma esses elementos em “Um tiro na noite” ao homenagear Michelangelo Antonioni, realizador de “Depois daquele beijo” (Blow up, 1966), e Alfred Hitchcock, com suas referências a “Janela indiscreta” (Rear window, 1953). Enquanto em “Blow up” um fotógrafo descobre, por meio de ampliações de suas fotos, que registrara acidentalmente um assassinato (e em “Rear window”, outro fotógrafo suspeita de

um crime cometido por seu vizinho a quem espiona), no filme de De Palma um técnico de efeitos sonoros de filmes de terror baratos, Jack Terry (John Travolta), grava um acidente no momento em que captava sons durante a noite: um carro aparentemente estoura o pneu, perde o controle e cai em um lago. Ele pula nas águas para salvar os ocupantes do veículo e acaba retirando das águas a jovem Sally (Nancy Allen), mas o motorista acaba morrendo. Jack, no entanto, com sua experiência, percebeu outro som imediatamente antes do estouro do pneu, que poderia ser um tiro. Ao saber, no hospital para onde levara Sally, que o homem morto no veículo era o governador George McRyan, um potencial candidato à presidência dos Estados Unidos, os instintos de Jack o levam a investigar o que poderia haver por trás do acidente, usando suas gravações e imagens do carro caindo no lago, registradas oportunamente e vendidas para emissoras de televisão pelo vigarista Manny Karp (Dennis Franz). Ao descobrir o envolvimento de Sally com Manny em golpes onde eram DIVULGAÇÃO

forjados flagrantes de encontros amorosos para prática de chantagem, ele percebe que de fato o desastre foi armado e acaba se envolvendo em uma conspiração política. A partir de então, Jack e Sally se tornam alvos do matador profissional Burke (John Lithgow), que tentará apagar quaisquer indícios da trama armada para liquidar o governador. O uso da câmera lenta, uma das marcas de De Palma, surte o mesmo efeito da técnica em filmes anteriores como “Carrie, a estranha” - apesar de exagerada e cansativa em “Irmãs diabólicas” (Sisters, 1974) -: suspense extremo de fazer prender a respiração. Há espaço também para humor negro e chocante: na busca por um grito de mulher para a dublagem do último filme de terror em que trabalha, Jack acaba conseguindo-o de uma maneira irônica e cruel. De Palma, em “Um tiro

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na noite”, só confirmou meu respeito e admiração obtidos com seus filmes anteriores. Como um discípulo de Alfred Hitchcock, a quem sempre faz referência em suas obras, sabe como nenhum outro fazer o verdadeiro cinema. Seu filme seguinte, o remake de “Scarface” (1983), com Al Pacino, serviria como consolidação de um grande talento que hoje faz falta, depois de “Dália negra” (2006) e “Guerra sem cortes” (2007). Aos 73 anos, De Palma está com seu lugar reservado entre meus melhores cineastas do século 20.

ÃO

“Um tiro na noite” reafirmou o talento do diretor Brian De Palma em abusar das técnicas cinematográficas para fazer filmes de sucesso”

HOJE

Samba, chope gelado e futebol

SERVIÇO “ESCRITÓRIO DO SAMBA” Quando: Domingo, 16, a partir das 15h Onde Lappa Bar (rua Rio Mar, 98, Vieiralves) Quanto R$ 25, por pessoa Uma das atrações do “Escritório do samba”, realizado hoje, é o grupo de pagode Nosso Caso

Tradicional point de domingo, o Lappa Bar será palco de mais uma edição do projeto musical “Escritório do Samba”. A partir das 15h, o público que for até o local poderá conferir as bandas Amizade do Samba, Tayna Pimentel & Poxa Vida e Nosso Caso. O evento conta, ainda, com chope Brahma liberado das 15h às 18h. Ainda neste hoje, será transmitido, ao vivo, o jogo Flamengo e Vasco, que disputam o Campeonato Carioca. Para Rafhael Pina, um dos realizadores do projeto, o “Escritório do Samba” já virou parada obrigatória dos

manauenses que não dispensam um bom samba. “Hoje já conseguimos detectar que as pessoas se programam para ir até o Lappa aos domingos. Antigamente a maior diversão era ir até um flutuante e passar o dia lá. Atualmente esse quadro tem mudado e estamos bem satisfeitos”. Pina adianta, ainda, que no próximo dia 16 de março, o cantor Gustavo Lins fará parte do evento. “Estamos com esse desejo de sempre trazer uma atração nacional para o nosso evento. Tivemos o Délcio Luiz e agora será o Gustavo Lins. O retorno tem sido bastante positivo

até porque sabemos da necessidade de trazer artistas renomados ligados ao samba e pagode para Manaus”. Ele comenta também que em março o projeto se estenderá até Boa Vista (RR). “Temos uns amigos lá compraram a nossa ideia. O evento será realizado no Santa Cevada, que segue os mesmos padrões do Lappa. Porém, o “Escritório do Samba” só será realizado aos sábados, quando trouxermos também a atração para Manaus. Estamos bastante ansiosos e já soubemos que a cidade está bastante animada com o show”, finaliza.


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate-rebate

Jornalismo A apresentadora Amanda Klein ficará 20 dias afastada do “RedeTVNews”. Em férias, já a partir da próxima terça-feira, ela fará uma viagem a Cingapura e Tailândia. Claudia Barthel será a sua substituta no período. GPS Renata Fan, sem interferir nas suas atividades esportivas, fechou com o Google. A partir de março, ela será a voz feminina do aplicativo de trânsito Waze, um GPS que mostra as condições do trânsito em tempo real com base na captura de dados e informações de seus milhares de usuários. Declaração de guerra O assédio do SBT a Danilo Gentili e a sua consequente contratação é uma novela que ainda promete vários capítulos. A Bandeirantes, através de seu executivo de conteúdo, Diego Guebel, como esta coluna já informou, não poupará esforços para cobrar responsabilidades. Declaração de guerra 2 Internamente, na Band, a bronca com o Danilo Gentili é muito grande, que se estende nas mesmas proporções ou

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TV Tudo Dentro e fora Na volta do “CQC”, Dani Calabresa vai fazer a bancada, ao lado do Marcelo Tas e Marco Luque. Mas não deixará de gravar matérias ou mesmo quadros, como o “Sem saída”, o da máquina da mentira.

tamanho para o SBT. Já se fala em boicote a tudo que se refira ao concorrente. E isso inclui também o próximo Teleton. Reality da Rede TV! Em relação ao reality “The Bachelor”, as gravações, segundo informa a Rede TV!, terão início a partir de maio e sua estreia está prevista para outubro. Cacá Marcondes, com passagem pela extinta MTV Brasil, e atualmente no Arte 1, vai se desligar desse canal de cultura do Grupo Band para assinar a direção-geral do programa. Enrustido Pessoas da produção do “Big Brother” trabalham com a possibilidade de uma grande revelação nas próximas edições do programa. Existem desconfianças internas de que um outro participante poderá sair do armário a qualquer momento. Já tem alguns dias

que ele está ameaçando. Mestre de cerimônias Luigi Baricelli vai fazer a abertura do Rio Open de Tênis, segunda-feira, no Hotel Sheraton Niemeyer. A competição terá as participações de Rafael Nadal, Ferrer, Robredo e Almagro entre outros. Transmissão do SporTV. Duelo O grande objetivo do SBT, através do “Arena”, que estreia dia 8, das 23h15 à 01h15, é interromper a sequência de vitórias do “Legendários”, da Record, que há quase 4 anos se mantém na vice-liderança de audiência. A emissora de Silvio Santos promete um bom investimento nesse programa, misto de esporte e humor, para voltar ao segundo lugar. Como mais um detalhe, o duelo que se dará entre a corintiana Lívia Andrade e a palmeirense Juju Salimeni.

• A Conspiração Filmes pretende começar as gravações da série “Boca do Lixo” no meio de março... • ...O elenco ainda está em fase de escalação. • Claudia Leitte também vai entrar na casa do “BBB” para apresentar o seu show... • ...Só falta definir quando. • A Globo intensificou as chamadas anunciando para segunda-feira a inversão dos horários de exibição do “Vale a Pena... “ e “Sessão da Tarde”. • Patrícia Maldonado e Téo José vão fazer o carnaval da Band em Vitória... • ...A transmissão, que ainda era dúvida, foi confirmada nesta última semana. • O GNT confirmou ontem Grazi Massafera como nova apresentadora do “Superbonita”, no lugar de Luana Piovani. Ela estreia dia 7 de abril.

Fechando a conta A Bandeirantes ainda não conseguiu chegar ao número exato de profissionais da sua equipe que estarão envolvidos diretamente na cobertura da Copa do Mundo. Acredita-se que, considerando o pessoal das praças, deve passar de mil até com certa folga.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini O bicampeão mundial Zito é o convidado de hoje no “Loucos por Futebol”, da ESPN Brasil, às 20h30. Além de relembrar fatos marcantes de sua passagem pela seleção brasileira, o exjogador contou que foi um dos responsáveis por levar o atacante Neymar para o Santos.

Márcio Braz plateia@emtempo.com.br

A realidade pós-dramática

GILMAL

MÁRIO ADOLFO

REGI

Cada vez mais o racionalismo se impõe como medida de suplantar os atributos da ilusão agindo sobre a realidade vivida libertando o homem de certa passividade franciscana e recolocando a sua situação moral, material e espiritual no centro das grandes discussões. O drama como veio condutor para o encantamento, a fantasia e a ilusão é um gênero nascido no ambiente capitalista, na realidade das cidades, técnica de dominação de um mundo cada vez mais ciente do seu papel no sistema de mercados. De modo inconsciente (ou não) os agentes devotados ao intento do “desencatamento” estariam partilhando de ideias onde Brecht foi o pioneiro: o distanciamento nada mais é do que a primeira revolução teatral pós-dramática da história, movimento de superação de uma plateia passiva, alienada, ao nível da consciência - tanto é que Hans-ThiesLehmann afirma que o teatro pós-dramático é, sobretudo, um teatro pós-brecthiano. É claro que se trata aqui de uma rasteira observação do tipo marxista e que de modo algum pretenderei abordar neste artigo, que por si só já daria pano pra manga. O que não quer dizer, evidentemente, que estamos diante de uma observação descartável, cabendo, portanto, um estudo menos mecânico para se chegar a conclusões precisas. Um dos pontos signicativos atribuídos à suspensão do pósdramático tem haver com o que o prof. Dr. MatteoBonfitto esclarece em seu artigo “O ator pós-dramático: um catalisador de aporias?” em livro organizado por J. Guinsburg e Sívia Fernandes. A “referencialidade” como implicação da representação é um conceito importante que o autor

não desenvolve em seu artigo, claro, pois este não suportaria tal desenvolvimento em curto espaço. Mas, se “refletir sobre a referencialidade envolve, por sua vez, o reconhecimento da existência no objeto ou campo de observação de códigos e convenções reconhecíveis culturalmente”, o teatro pós-dramático trataria da ressignificação de objetos e elementos gestuais que exigiriam da plateia um esforço de “presentificação” ao relacionar-se com a nova conduta apresentada. É a reinvenção de tais elementos que nos sugerem a natureza do ator pós-dramático, na sua interrelação com o objeto e com os elementos postos em jogo de modo diferente dos usuais, longedas prefigurações diretas e comunicações imediatas que aquele objeto ou gesto teria com o público. O pós-dramático seria, em nossa análise, uma experiência ousada de certo racionalismo na tentativa de ressignificar espaços, objetos, tempo, coisas, pessoas e situações de modo a abstrair a ilusão e a fantasia incidindo sobre o público um novo olhar, um novo pensamento. O teatro pós-dramático, afirma Lehmann, obedece a “uma nova etapa [do drama] [...] dentro da história do teatro, que tem um desenvolvimento”. A totalidade, a ilusão, a primazia do texto e a reprodução do mundo são, para Lehmann, as características do teatro dramático. O teatro dramático – a que o autor inclui como praticante o filósofo e dramaturgo alemão Bertolt Brecht– obedece a uma série de teknés teatrais de modo a afetar o público pela fantasia, pela ilusão, numa tradução mimética da realidade. No teatro dramático, o espectador é passivo, ele apenas “assiste”.

Márcio Braz Ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural

O pós-dramático seria, em nossa análise, uma experiência ousada de certo racionalismo na tentativa de ressignificar espaços, objetos, tempo, coisas, pessoas e situações”


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Programação da TV

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SBT 05:00h Jornal Da Semana 06:00h Brasil Caminhoneiro 06:30h Aventura Selvagem

7h30 Record Kids 8h Amazonas Da Sorte 9h Record Kids 12h Jogos Olimpicos De Inverno 13h15 O Melhor Do Brasil 17h20 Domingo Espetacular 21h15 Série Spartacus

07:30h Vrum

22h15 50 Por 1

08:00h Sorteio Amazonas Da Sorte (Local)

23h10 Programação Iurd

09:00h Domingo Legal 13:00h Eliana 17:00h Roda A Roda Jequiti

GLOBO

17:45h Sorteio Da Telesena

02h40 Olimpíadas De Inverno

18:00h Programa Silvio Santos

(Esqui Alpino Super G Masculino /

22:00h De Frente Com Gabi

Snowboord Cross Feminino

23:00h Série: True Blood

6h Amazônia Rural

00:00h Série: Crimes Graves

6h30 Pequenas Empresas,

01:00h Série: Alcatraz 02:20h Big Bang 03:00h Igreja Universal

Grandes Negócios 7h00 Globo Rural 7h55 Auto Esporte 8h30 Esporte Espetacular Tour Do Brasil - Ciclismo - Compacto)

RECORD Na semana passada, Silvio Santos liderou a audiência no domingo, ultrapassando o “BBB14”

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Fascínio por alguma pessoa ou situação que lhe suscita a criatividade e o amor. Poderá alterar toda a rotina em nome desse fascínio. Os sentimentos surgem com força. TOURO - 20/4 a 20/5 Bom momento para a vida em família, para resolver pendências e para fazer um bom uso de seu dinheiro e recursos para investir e cuidar destes assuntos. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Você está altamente apaixonado e apaixonante. Dirija sua paixão para algo positivo e que propicie felicidade. As relações humanas e afetivas estão altamente estimuladas. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Um certo interesse ou atração inspira você a assumir atitudes e fazer coisas no trabalho e na vida financeira. Aproveite as facilidades para construir algo que lhe seja bom. LEÃO - 23/7 a 22/8 As pessoas e ambientes fora do convencional atraem muito você. Poderá se fascinar por algum interesse ou pessoa. Os assuntos intelectuais e culturais estão favorecidos. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Algum trabalho lhe atrai e faz parecer que algo de espetacular vai acontecer - sem exageros, há algo de bom por acontecer: você vai ter mais liberdade no trabalho. LIBRA - 23/9 a 22/10 Uma visão romântica do futuro favorece o entendimento na vida a dois. Também as parcerias de trabalho são favorecidas por alimentarem esperanças e sonhos conjuntos. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O trabalho está favorecido por bons relacionamentos e pelo suporte e apoio que certas pessoas irão lhe prodigalizar. Aproveite o bom momento para fazer algo legal. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Forte atração amorosa e sexual por alguma pessoa, talvez até mesmo pela pessoa amada. Urano é não-convencional: simboliza uma atração fora do que poderia esperar. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As relações de trabalha causam fascínio e frisson, mas podem também ser produtivas. Entusiasmo e inspiração favorecem as atividades criativas. Nada de rotinas vazias, hoje. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Você é capaz de comunicar seus sentimentos e desejos na vida amorosa, de tal modo que se encanta ainda mais com seu amor. Uma forte paixão rasga todas as razões. PEIXES - 19/2 a 20/3 Os encantos de sua família surgem espontânea e inesperadamente aos seus olhos. Mas algo também se modifica na relação com os familiares. Bom momento para negócios.

3h45 Bíblia Em Foco 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos 7h Desenhos Bíblicos

Cinema

19h45 Fantástico 21h15 Big Brother Brasil 22h50 Domingo Maior 00h50 Flash Big Brother Brasil 1h25 Corujão 2h45 Havaii Five - 0. 3h40 Festival De Desenhos

11h45 Temperatura Máxima 13h45 Divertics 15h00 Futebol 2014: Campeonato Carioca - Vasco Da Gama X Flamengo 17h00 Domingão Do Faustão

BAND 04:00 Sochi 2014 Olimpíadas De Inverno 06:30 Santa Missa No Seu Lar 07:30 Sabadão Do Baiano 08:00 Desenho 09:30 Mackenzie Em Movimento 09:45 Infomercial Polishop 10:45 Verdade E Vida 11:05 Minuto Da Copa - Boletim 11:10 Pé Na Estrada 11:30 De Olho No Futebol - Boletim 11:35 Sochi 2014 Olimpíadas De Inverno 13:15 Band Esporte Clube 14:00 Gol, O Grande Momento Do Futebol 14:30 Futebol 2014 Ao Vivo 16:50 Terceiro Tempo 19:00 Minusculos 19:10 Caçadora De Relíquias 20:00 Só Risos 21:00 Pânico Na Band 00:00 Canal Livre 01:05 Minuto Da Copa Boletim 01:40 Show Business-reapresentação 02:30 Igreja Universal

Cruzadinhas

ESTREIA Caçadores de Obras-Primas: EUA. 12 anos. Baseado nos fatos reais de uma das maiores caças ao tesouro da história, Os Caçadores de Obras-Primas é um filme de ação que conta a jornada de um pelotão da Segunda Guerra Mundial, liderado por FDR, em direção à Alemanha para resgatar obras-primas de arte das mãos de ladrões nazista e devolvê-las aos seus verdadeiros donos. Seria uma missão impossível: com as peças presas em território inimigo, e os alemães com ordens de destruir tudo, como este grupo - de sete diretores de museus, curadores e historiadores de arte, mais familiarizados com Michelangelo que com uma M-1 -- poderiam ter êxito? Os Caçadores de Obras-Primas, como são chamados, se encontrarão em uma corrida contra o tempo para evitar a destruição de mil anos de cultura, eles arriscarão suas vidas para proteger e defender as maiores conquistas da humanidade. Cinemais Millennium – 14h40, 17h, 19h20, 21h40 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h20, 16h40, 19h, 21h20 (dub/diariamente); Cinemark 6 – 18h15 (dub/diariamente), 00h10 (dub/somente sexta-feira e sábado), 12h50, 15h30, 21h15 (dub/diariamente); Cinépolis – 19h35, 22h35 (leg/diariamente); Cinépolis – 14h, 19h30 (dub/diariamente), 16h40, 22h15 (leg/diariamente); Playarte 9 – 13h15, 15h35, 17h55, 20h15 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). Amazônia Eterna: BRA. Livre. Este documentário apresenta uma nova abordagem sobre o uso sustentável da Floresta Amazônica. Empresários, ambientalistas e moradores falam da sua relação com um dos maiores patrimônios naturais do planeta e discutem soluções para os dilemas da região. O filme apresenta nove experiências bem-sucedidas que comprovam é possível que a Amazônia se desenvolva economicamente sem que seu ecossistema seja afetado. Cinemark 8 – 16h20, 20h50 (diariamente), 23h20 (somente sexta-feira e sábado); Cinépolis – 15h, 17h30 (diariamente).

CONTINUAÇÕES

Hércules: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h30, 21h30 (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza – 18h50, 21h (3D/dub/diariamente); 15h20, 17h30, 19h40, 21h50 (dub/diariamente); Cinemark 4 – 12h (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (3D/dub/diariamente); Cinépolis – 14h30, 19h20 (3D/dub/diariamente), 17h, 21h45 (3D/leg/diariamente); Playarte 5 – 13h15, 15h15, 17h15, 19h15, 21h15 (dub/diariamente), 23h15 (dub/somente sexta-feira e sábado). Trapaça: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium – 14h, 16h40, 19h25, 22h (leg/diariamente); Cinemark 2 - 15h50, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis 15h25, 18h40, 21h50 (leg/diariamente); Cinépolis – 13h, 16h, 19h05, 22h20 (leg/diariamente). Operação Sombra – Jack Ryan: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium – 19h10, 21h20 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 17h10, 19h35, 21h40 (dub/diariamente); Cinemark 2 – 13h10,18h50 (dub/diariamente); Cinépolis – 20h (dub/diariamente), 22h30 (leg/diariamente); Playarte 10 – 18h, 20h10 (dub/diariamente), 22h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). Uma Aventura Lego: EUA. Livre. Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h (3D/ dub/diariamente, 14h, 16h10 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 16h30 (dub/diariamente); Cinemark 1 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h30, 17h10, 19h45 (dub/diariamente), Cinemark 3 – 12h55, 15h20 (3D/dub/diariamente), Cinemark 7 – 13h30, 16h10, 18h40, 21h05 (dub/diariamente), 23h30 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 13h10, 16h05 (3D/dub/diariamente), 13h45, 16h15, 18h45, 21h15 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 12h40, 14h50, 17h (3D/dub/diariamente); Playarte 6 – 13h40, 15h55, 18h10, 20h25 (dub/diariamente), 22h35 (somente sexta-feira e sábado). Quarenta e Sete Ronins: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium – 21h15 (3D/dub/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 17h, 19h30, 22h (dub/diariamente); Cinemark 5 – 13h20, 19h (3D/dub/diariamente); Cinépolis – 15h30 (leg/diariamente); Playarte 10 – 13h20, 15h40 (leg/diariamente). A Menina Que Roubava Livros: EUA. 14 anos. Cinemais Millennium – 14h10, 16h45, 19h15, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h, 16h35, 19h10, 21h45 (dub/ diariamente); Cinemark 5 – 16h, 22h (dub/diariamente); Cinépolis 14h10, 17h20 (leg/diariamente); Cinépolis – 18h15, 21h30 (diariamente).

Playarte 7 – 14h, 16h, 18h, 20h05 (dub/diariamente), 22h10 (dub/somente sexta-feira e sábado).

O Lobo de Wall Street: EUA. 16 anos. Cinépolis – 20h30 (leg/diariamente); Playarte 20h (leg/diariamente), 23h20 (leg/somente sexta-feira e sábado).

Muita Calma Nessa Hora 2: BRA. 12 anos. Cinemais Millennium – 14h50, 16h50, 18h50, 21h10 (diariamente); Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h20, 21h30 (diariamente); Cinemark 8 – 11h40 (somente sábado e domingo), 14h, 18h30 (diariamente); Cinépolis – 13h15 (diariamente); Playarte 3 – 13h10, 15h05, 17h, 18h55, 20h50 (diariamente), 22h45 (somente sexta-feira e sábado). Tarzan – A Evolução da Lenda: ALE. Livre. Playarte 8 – 14h, 16h, 18h (dub/ diariamente).

O Herdeiro do Diabo: EUA. 12 anos. Cinemais Millennium – 18h40, 21h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 19h15, 21h15 (dub/diariamente); Cinemark 1 – 22h10 (dub/diariamente).

Frozen, Uma Aventura Congelante: EUA. Livre. Cinemais Millennium – 14h20, 16h30; Cinemais Plaza – 14h40, 16h50 (dub/diariamente); Playarte 4 – 12h40, 14h50, 17h (dub/diariamente).

Frankstein – Entre Anjos e Demônios: EUA. 14 anos. Playarte 2 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 (leg/diariamente), 23h30 (leg/somente sexta-feira e sábado);

Até Que a Sorte Nos Separe 2: BRA. 10 anos. Playarte 4 – 19h10, 21h20 (diariamente), 23h25 (somente sexta-feira e sábado).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Puro-poder De passagem por Manaus, vindo de Nova York, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou cerca de uma hora e meia com o governador Omar Aziz, na madrugada da última quinta-feira. Eles jantaram juntos e conversaram sobre a conjuntura política. Foi um encontro amistoso entre dois líderes políticos.

::::: Sob nova direção O coronel Hélcio Mota é o novo diretor do Ciops. Ele substitui o coronel Oliveira Filho, que assumiu a coordenação da Secretaria Executiva de Grandes Eventos. Esta semana, o novo comandante e o secretário executivo da Secretaria de Grandes Eventos, coronel Dan Câmara, receberam a visita da equipe de reportagem do Canal Fox Sports, que está em Manaus mostrando a preparação da segurança para os jogos da Copa do Mundo.

A diretora da Faculdade e Colégio Martha Falcão, Nelly de Souza, visitou uma oca da tribo baré, onde há 10 anos a instituição promove um trabalho social junto aos habitantes daquela aldeia, localizada na Comunidade do Livramento, próximo à praia do Tupé. Aos desinformados: por meio do escritório jurídico do curso de Direito da FMF, são realizadas ações de orientação jurídica e de doações junto aos moradores, que fizeram uma bonita homenagem para estudantes e professores que visitaram o local. FOTOS: MANOEL NETTO

ALEX PAZUELLO/AGECOM

::::: Do bem

::::: Sala de Espera Mário Cruz, Rosalina Maués, Lourdes Freire, Joice Rezende e Zeneide Souza estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. Amanhã, Samantha Atala, Elizandra Rodrigues, Cacilda Antonaccio, Atila Dennys, Manoel Paiva e Marcelo Barreto estão aniversariando. Viva! Com inauguração prevista para outubro deste ano, o Manaus ViaNorte está com suas obras em estágio avançado. O maior centro de compras da Região Norte, localizado no Monte das Oliveiras, atualmente começou o processo de cobertura e fechamento das paredes laterais. A empresária Cristiana Arcangeli e o estilista britânico Matthew Williamson – queridinhos da cena-tendência – convidam para conferir a festa pós-desfile do London Fashion Week, hoje. O auê fashionista será realizado na recém-inaugurada balada Whisky Mist. No Diamond, hoje, acontece o imperdível show duplo do Chiclete com Banana e Latino. A ala bonita da cidade desabará em peso.

::::: Faixas Já estão no chão da Constantino Nery e em breve em mais uma dezena de avenidas da cidade, a faixa azul e branca do BRS (Bus Rapid System). Esta será a segunda tentativa de Manaus em dar qualidade ao transporte coletivo urbano. A primeira foi o malfadado “Expresso”. A faixa será exclusiva para os “busões” e espera-se que os motoristas de veículos particulares respeitem o espaço, viram? Oremos.

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Nossa primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz, ao lado da presidente Dilma Rousseff, que esteve na cidade para inauguração do residencial Viver Melhor

::::: Educados Ao ler sobre a Manaus Moderna em vários matutinos da cidade, uma fala de um permissionário chamou atenção deste colunista. Segundo ele, o povo da feira já reúne o lixo em lixeiras e impede que os urubus passeiem pela avenida espalhando vísceras de peixe, boi, porco e o que mais tiver. Nossa, que avanço!

Desfilando educação única: os irmãos Marina e Eduardo Schneider, ele o festejado aniversariante da temporada

A garotada que curte os personagens da turma da Galinha Pintadinha tem mais um encontro marcado (hoje) no Amazonas Shopping, no horário das 16h às 20h, a personagem mais querida do cenário infantil vai estar lá para receber os pequenos que comparecerem ao espaço para brincar e se divertir. A agenda social carnavalesca está divertidíssima. No próximo dia 22, nos domínios do Dulcila da Ponta Negra, tem feijoada chic assinada por Marko Belém e Júlio Ventilari.


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 16 DE FEVEREIRO DE 2014


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opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

3

1

O mundo ao revés de Fernando Zarif

2

Profissão: roteirista

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Um café com Mark Peploe em Florença. Pág. 3

Joaquim Nabuco: repórter Andanças jornalísticas do intelectual, por Angela Alonso Págs. 4 e 5

4 5 6

Diário de Washington

Meditação, ioga e tai chi chuan na catedral. Pág. 6

Do arquivo de Marcos Caldeira Mendonça Itabira, 2007. Pág. 7

Um dia despertei com o cão a meu lado

A imaginação de Rodrigo Naves. Pág. 8

Capa

ilustração de Elisa von Random


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Ilustríssima Semana

ISABELLA MATHEUS/DIVULGAÇÃO

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

1

‘Europe 3’ (1989), desenho de Fernando Zarif

TEATRO | NÚCLEO BARTOLOMEU DE DEPOIMENTOS O coletivo remonta um de seus principais trabalhos recentes. “Antígona Recortada”, com direção e texto de Claudia Schapira, transporta a tragédia grega de Sófocles para a periferia de uma grande cidade, onde garotas são acossadas pelo tráfico de droga. A trilha composta pelo DJ Eugênio Lima conduz o espetáculo, que traz MCs no elenco. “Antígona Recortada” | estreia na sex. (dia 21) | qui., sex. e sáb., às 21h; dom., às 20h | contribuição voluntária | até 9/3

JACQUES HENRI LARTIGUE © MINISTÉRIO DA CULTURA, FRANÇA/AAJHL

LIVROS | TEATRO As artes cênicas são temas de livros lançados por atrizes e professoras da UFBA, ambos editados pela Perspectiva. “A Voz Articulada pelo Coração”, de Meran Vargens, trata da formação vocal do ator, da mecânica da fala à apropriação do texto, por meio da conjugação da técnica com a sensibilidade do artista. Jacyan Castilho, por sua vez, enfoca a relevância da musicalidade nas performances em “Ritmo e Dinâmica no Espetáculo Teatral”. “A Voz Articulada pelo Coração” | R$ 53 | 240 págs. “Ritmo e Dinâmica no Espetáculo Teatral” | R$ 53 | 248 págs.

LIVRO E EXPOSIÇÃO | CARLOS MOREIRA - SÃO PAULO O veterano fotógrafo apresenta um extenso ensaio sobre a capital paulistana,com mais de cem imagens produzidas aolongo dos últimos 50 anos.Algumas das fotografias estão em exposição retrospectiva no Sesc Bom Retiro. ‘Carlos Moreira - São Paulo’ Ed. Tempo d’Imagem e Ed. Sesc SP | R$ 95 | 204 págs. | Lançamento sáb. (dia 22), às 16h, no Sesc Bom Retiro Exposição - de ter. a sex., das 9h30 às 20h30; sáb., das 10h30 às 18h30; dom., das 10h30 às 17h30 até 23/2

LIVRO | TUDO COMEÇA NA OUTRA VIDA Professora do departamento de antropologia da Universidade de Illinois, Alma Gottlieb investiga as maneiras pelas quais a religião e a pobreza afetam a criação dos bebês do povo beng, no Oeste africano, do banho ao modo de ensinálas a engatinhar. A pesquisadora alia o rigor investigativo a reflexões pessoais sobre a maternidade. trad. Mara Sobreira | FAPUnifesp | R$ 120 | 536 págs.

EXPOSIÇÃO | MALLARMÉ, O LIVRO O austríaco Klaus Scherübel toma como centro desta mostra um projeto inacabado do poeta Stéphane Mallarmé – um livro, soma de todos os outros livros, que conteria “a totalidade das relações existentes entre todas as coisas”. Com base em anotações do poeta francês, Scherübel elaborou vídeos, fotografias e objetos. Centro Universitário Maria Antonia abertura na quarta (dia 19), às 20h de ter. a sex., das 10h às 21h; sáb., dom. e feriados, das 10h às 20h até 20/4 | grátis

POP

ERUDITO

LIVRO E EXPOSIÇÃO | FERNANDO ZARIF A obra do artista plástico (1960-2010) é revistada duplamente. O livro “Fernando Zarif “’ Uma Obra a Contrapelo” compila reproduções de 300 desenhos e pinturas, além de textos assinados pelo próprio artista e por intelectuais como Décio Pignatari e Arnaldo Antunes. No lançamento do volume, a galeria Millan inaugura mostra com 40 obras do artista, em diversas técnicas. “Fernando Zarif - Uma Obra a Contrapelo” | Metalivros | R$ 100 | 270 págs. Lançamento - amanhã, das 19h às 22h, na galeria Millan Exposição - de ter. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 18h | grátis | até 27/2

EXPOSIÇÃO | FOOD Marina Abramovic (Sérvia), Shimabuku (Japão), Pipilotti Rist (Suíça) e Lenora de Barros (Brasil) são alguns artistas do elenco “all star” da mostra, que discute a relação do homem (e da arte) com a comida. Composta de instalações, pinturas e esculturas, a exposição tem curadoria da suíça Adelina von Fürstenberg, que falou à Folha sobre o tema – leia em folha. com/ilustrissima. abertura na qua. (dia 19), às 20h de ter. a sex., das 10h30 às 21h30; sáb. e dom., das 10h30 às 18h30 até 4/5 | Sesc Pinheiros

‘Sala na Rocha da Virgem’ (Biarritz, agosto de 1927)

EXPOSIÇÃO | JACQUES HENRI LARTIGUE Após temporada no Rio em 2013, a mostra dedicada ao fotógrafo francês (1894-1986) chega a São Paulo. “A Vida em Movimento” reúne cerca de 225 obras, entre fotos, fac-símiles de páginas de diários e filmes, todas do acervo da Donation Lartigue, na França. O título da exposição expressa o tema central das imagens de Lartigue, o que ele chamava de “a alegria do movimento” – cambalhotas e saltos, carros correndo, aviões em pleno voo. Instituto Moreira Salles | de ter. a sex., das 13h às 19h; sáb., dom. e feriados, das 13h às 18h | grátis

ESTRANGEIRO

LIVRO | JENNIFER EGAN Publicado em 2001, antes do premiado “A Visita Cruel do Tempo”, “Olhe para Mim” ganha agora edição no Brasil. O enredo interliga uma série de personagens, com destaque para duas Charlottes: uma modelo que precisa reconstruir sua identidade após um sério acidente e uma jovem às voltas com um relacionamento secreto. Egan lança olhar sombrio sobre as relações interpessoais e o culto à beleza. trad. Adalgisa Campos da Silva | Intrínseca | R$ 29,90 | 432 págs.

Folha.com FOTOGRAFIA Exposição do francês Jacques Henri Lartigue no IMS (SP)

Ilustríssimos desta edição ADRIANA VICHI/DIVULGAÇÃO

ANGELA ALONSO, 44, é professora livre-docente do departamento de sociologia da USP e diretora científica do Cebrap. Escreveu, entre outros, “Joaquim Nabuco: Os Salões e as Ruas” (Companhia das Letras). CLAUDIUS CECCON, 76, é arquiteto e cartunista. ELISA VON RANDOW, 38, é designer e ilustradora. FRANCISCO FOOT HARDMAN, 61, é professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp e, atualmente, hóspede acadêmico da Universidade de Bolonha. É autor de “A Vingança da Hileia: Euclides da Cunha, a Amazônia e a Literatura Moderna” (Unesp), entre outros.

RAFAEL CAMPOS ROCHA, 43, é ilustrador, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.). RAUL JUSTE LORES, 38, é correspondente da Folha em Washington.

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial

RODRIGO NAVES, 59, é crítico e professor de história da arte. É autor de “A Forma Difícil” e “O Vento e o Moinho” (ambos pela Companhia das Letras).

FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha

RODRIGO BIVAR, 32, é artista plástico.

>>folha.com/ilustrissima


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Cinema

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Cenas fora de campo Os roteiros inéditos de Mark Peploe RESUMO Roteirista de “Profissão: Repórter” e de longas de Bernardo Bertolucci fala dos filmes que escreveu e que não foram rodados. Entre os scripts inéditos, estão dois que Mark Peploe criou com Antonioni: um que se passaria parcialmente na Amazônia e outro que o cineasta espera ver filmado por Kleber Mendonça Filho.

FRANCISCO FOOT HARDMAN

O cenário não poderia ser melhor. Mark Peploe marcou nosso encontro no Giubbe Rosse, no meio de uma tarde invernal ensolarada como só em Florença. Esse “caffè lette-

rario”, surgido no fim do século 19 num dos cantos da praça da República, é uma rara concessão da capital renascentista italiana à modernidade “art nouveau”. Lugar ideal para falar de projetos perdidos; para evocar sonhos cinematográficos frágeis entre sua difícil fixação em película ou sua desaparição no arquivo de filmes incríveis jamais filmados. Mas quem é esse interlocutor que liga para avisar que atrasará uns cinco minutos, e ao chegar, nem bem tirando o chapéu, pede água, café e uma dose de Averna, tradicional licor amargo típico da melhor época do Giubbe Rosse? Quem se lembra de Mark Peploe? Quem o conhece logo percebe a enorme identidade que ele guarda com seu personagem mais famoso, David Locke, protagonista de “Profissão: Repórter”, interpretado por Jack Nicholson no filme feito por Antonioni em 1975. Autor do argumento inicial e do roteiro dessa obra-prima, Peploe conheceu Michelangelo Antonioni na “swinging” Londres durante as filmagens de “Blow-up”, uma década antes, nascendo daí grande amizade

e parcerias. Trabalhou depois muito tempo com Bernardo Bertolucci, sendo o roteirista premiado de “O Último Imperador” (levou o Oscar, o Globo de Ouro e o David de Donatello), além de “O Pequeno Buda” e “O Céu que Nos Protege” (este, uma adaptação do romance de Paul Bowles). Dirigiu também dois longas, “Medo de Escuro” (1991) e “Victory” – este, de 1996, adaptado da novela de Joseph Conrad e ambientado na Indonésia colonial. Nascido no Quênia, em 1943, de pais britânicos, Peploe teve educação cosmopolita e, além da África a que se sente afetivamente vinculado, teve sempre muita proximidade com a Itália. Mas sua base logística foi e continua a ser Londres. Documentarista de destaque na BBC por décadas, conheceu o Brasil nos anos 1960, para fazer uma reportagem-ensaio sobre Oscar Niemeyer. “Era uma época de muita liberdade de criação na BBC, rodávamos o mundo com equipes mínimas e grande abertura para o trabalho”, diz. “Isso marcou profundamente minha formação, e viajar ao Brasil foi sem dúvida importan-

te para forjar esse imaginário do deslocamento que aparece em ‘Profissão: Repórter’.” Bem mais recentemente, voltou fascinado de uma viagem ao Recife, onde esteve, em outubro passado, como membro do júri do festival independente Janela Internacional de Cinema. “Não há dúvida de que o Brasil está repleto de problemas, como o mundo todo. Mas sinto ali uma vitalidade e força criativa difíceis de serem percebidas aqui na Europa. É mais fácil acreditar e ter esperança do lado de vocês”. E daí os ventos benfazejos de uma proposta de parceria talvez impensável há poucos anos. Tendo conhecido o diretor Kleber Mendonça Filho no festival de Locarno, em 2012, e tendo gostado demais de seu “O Som ao Redor”, convidou-o para dirigir um roteiro inédito que ainda guarda daqueles produtivos anos 1970, nascido de outra colaboração com Antonioni: “The Crew” (a tripulação). Argumento original do mestre de Ferrara, é uma história inspirada numa notícia de naufrágio, na distante costa de Nova Gales do Sul, Austrália, num trecho

em que o Pacífico se chama mar da Tasmânia. A história inicialmente foi chamada por Antonioni de “Quatro Homens ao Mar”. O roteiro original em inglês foi subscrito pelos dois, mas aparece também no livro de Antonioni, “I Film nel Cassetto” (os filmes na gaveta), com o argumento mais trabalhado e título de “La Ciurma” (a escumalha), que tem uma carga mais negativa do que em inglês. O fato é que, a depender de financiamento viável, poderemos ter, em futuro breve, uma nova e interessante cooperação cinematográfica, não só pelas geografias envolvidas mas também e sobretudo pelas histórias. O tempo escoa pelas vidraças do Giubbe Rosse, e eu estou ali para saber das memórias de Peploe sobre outro projeto fílmico de Antonioni também nunca realizado: “Tecnicamente Doce”. A história deveria se passar, em tramas paralelas, entre a ilha da Sardenha e a floresta amazônica. O diretor, depois do fracasso definitivo da produção do filme, publicou o roteiro em 1976. E lá, no prefácio, anotou que colaboraram em sua redação, “em momentos e doses

diversas”, Mark Peploe, Niccolò Tucci e Tonino Guerra. “Sim, Michelangelo chamoume, e fui algumas vezes para o seu apartamento, em Roma, onde trabalhamos juntos no texto”. Pergunto-lhe em que idioma escreviam, se em italiano ou em inglês. Ele vacila para responder. É sob visível emoção que reage a um original datilografado em inglês, com correções manuscritas, que lhe ponho diante dos olhos. Explico-lhe que, num golpe de sorte, localizei-o num livreiro antiquário de Baltimore, e que provém do inventário de Hercules Bellville – produtor e diretor norte-americano, colaborador de grandes cineastas, morto em Londres em 2009. “Era meu amigo íntimo”, diz. Depois de várias folheadas, ele começa a lembrar: “Sim, essa letra é dele. Mas continuo a achar surpreendente que este original estivesse com ele”. Antonioni havia escolhido Bellville para ser assistente de direção na Amazônia, respondo. “Sim, mas essas equipes, você sabe, eram incertas, até que o filme se fizesse, e o filme não se fez”.


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História

RESUMO Nova coletânea mostra como a atividade de Joaquim Nabuco como repórter internacional, com base em Londres, moldou sua escrita. Os artigos publicados em meios como o “Jornal do Comércio”, onde começou essa carreira, após derrota nas urnas, permitem acompanhar o trajeto ideológico do autor de “O Abolicionismo”.

ANGELA ALONSO ILUSTRAÇÃO ELISA VON RANDOW

No momento em que você lê este artigo, ele já envelheceu. No hiato entre eu o ter escrito e sua publicação, você foi bombardeado por milhares de informações que pululam na internet. Mas não é de agora que o jornalismo impresso perde para novas tecnologias. Joaquim Nabuco (1849-1910), conhecido como figura-chave do movimento pela abolição da escravidão no Brasil, quando se viu jornalista, em 1882, penou da mesma agrura. Correspondente em Londres, responsável também por Viena e Berlim, Nabuco reclamava de que o telégrafo, inaugurado no Brasil na década de 1870, sabotava o repórter com notícias frescas, enquanto seus artigos mofavam cerca de três semanas no navio até atingirem o leitor. De modo que notícia velha não é coisa nova. Nos seus 300 artigos como correspondente estrangeiro, coligidos por Leslie Bethell, José Murilo de Carvalho e Cícero Sandroni na recém-lançada edição “Joaquim Nabuco Correspondente Internacional 1882-1891” [ed. Global/Academia Brasileira de Letras; vol. 1, R$ 79, 672 págs.; vol. 2, R$ 65, 512 págs.], Nabuco se houve com a perenidade da informação optando por ser mais analítico que noticioso. Dava mais a visada geral que o fato a fato. O jornalismo não estava nos seus planos. Filho de político, estreou no Parlamento em 1879 e se destacou chamando para si a causa da abolição. Correu a Europa em busca de apoio e fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Essa estrela política ascendente, contudo, desafiou a liderança de seu Partido Liberal, ao se decidir por abolicionista. E assim, em 1882, não se reelegeu deputado geral pela Província de Pernambuco. Tornou-se, então, correspondente em Londres do “Jornal do Comércio”, enquanto

3 O jornalista acidental O que Joaquim Nabuco aprendeu como correspondente internacional esperava as próximas eleições. A atuação como jornalista nas baixas políticas se configuraria como padrão. O ofício provisório virou ocupação duradoura. Editor Nos tempos em que são comuns os ataques à norma culta em textos que vão direto do computador do autor para o do leitor, a figura do editor perdeu a aura que teve no passado. Editores pautadores, corretores, eruditos. Joaquim Nabuco teve um desses: Francisco Picot, que viveu no Rio, mas, nos anos 1880, editava da capital francesa o maior e melhor dos periódicos brasileiros do século 19, o “Jornal do Comércio”. E lia com lupa em Paris o que Nabuco escrevia à pena em Londres. Quem ligou um homem ao outro foi o barão de Penedo, que era quase um pai substituto de Nabuco e chefe da diplomacia brasileira em Londres. A morte do correspondente do jornal, um experiente analista econômico, abriu o emprego, com o qual Nabuco garantiria sua sobrevivência física e política nos próximos dois anos, independente do Estado escravista que vinha combatendo. Assim, Picot não escolheu Nabuco, Nabuco não escolheu Picot. O editor esclareceu logo que, em sua escala de valores, o sobrenome Nabuco, seu livro de poemas em francês (“L’Amour et Dieu”) e seu brilho político valiam

pouco. Diferentemente da maioria das pessoas que Nabuco conheceu, Picot não se rendeu ao seu charme. Ao contrário. Implicava, contrariado por ter o moço inexperiente no lugar de seu velho amigo Clark. Picot exigia muito, sempre. Além de pautar os artigos, depois os comentava, catando deslizes, ausências, excessos. A relação com Nabuco foi tensa por conta desse olho de águia, atento à menor das faltas. Reclamava da substância e de tudo que a envolvia, até do fecho dos envelopes em que iam os artigos, como nesta carta de 2 de abril de 1882 (que se encontra no acervo da Fundação Joaquim Nabuco): “Teria sido bom dizer na carta de Londres, sem comentário, que o ‘Financier’ publicou o artigo sobre garantias de juros [...]. Também teria sido bom dar o resultado do empréstimo do Baring para Buenos Aires.[...] Por último, vou recomendar-lhe que molhe bem molhada a goma que fecha a capa das suas cartas”. Nabuco nunca antes trabalhara e cedo se cansou. Mas, cheio de dívidas, sem alternativas, permaneceu sob ordens de Picot. O editor o disciplinou, incutiu-lhe a ética do trabalho. Cobrava concentração em assuntos áridos para quem antes aspirava a poeta, exigia precisão de um habituado ao diletantismo e sobriedade de um pendente ao derramamento. Pedia acurácia no trato de temas que Nabuco antes não dominava – a

economia – e objetividade naqueles sobre os quais antes divagava – a geopolítica. Quem lê o drama “L’Option”, sobre a guerra da Alsácia-Lorena, que Joaquim Nabuco rascunhou nos anos 1870, e vai depois aos artigos sobre a expansão do imperialismo inglês, reunidos nesse volume, enxerga uma metamorfose. Francisco Picot foi para Joaquim Nabuco o que um bom editor é para um iniciante: uma escola. Obrigou-o a dois aprendizados. O substantivo diz respeito à profundidade analítica e teve consequências para tudo aquilo que Nabuco escreveria depois, em particular para seu livro londrino, “O Abolicionismo”, que saiu às carreiras, em 1884, para ajudar a campanha abolicionista no Brasil e impedir que Nabuco desaparecesse dela, estando do outro lado do Atlântico, enquanto seus companheiros a radicalizavam. O livro é de uma argúcia que seu autor não evidenciara antes. Outro ganho dos tempos sob Picot foi o apuro do estilo. Basta fazer o “antes e depois”. Os discursos parlamentares e os artigos para o jornal “O Globo” (que não estão na coletânea), nos anos 1870, são de sentenças compridas, muitos apostos, afrancesados. Já “O Abolicionismo” [Ed. UnB, R$ 32, 252 págs.] é livro de contundências, de frases que são como tiros. Os artigos reunidos na coletânea


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de correspondente, quando o editor amansou, os textos adquiriram tom pessoal. Nabuco inseria referências oblíquas à questão escravista que ardia no Brasil, por exemplo, ao comentar a escravidão no Egito e o livro do norte-americano Henry George, “Progress and Property” (1879), que defendia a socialização da propriedade da terra. Nabuco criticou seu socialismo, que resultaria em Estado “colossal” e ineficiente, colonizado por “classes parasíticas”, mas aproveitou para propalar seu próprio ideal liberal, a taxação moderada e progressiva, com vistas a generalizar a pequena propriedade. No “La Razón”, Nabuco escreveu pouco, entre 1883 e 1884, mas opinava mais, em artigos quase normativos sobre liberalismo, democracia, socialismo, nos quais sobressai sua admiração incontida pelo reformismo político inglês. Aqui e ali, algo de política americana, como o tratado de paz entre Chile e Peru, em 1883, mas o grosso dos textos cozinhava o antes enviado para o “Jornal do Comércio” – a situação desgostou Picot e foi um motivo para interromper sua correspondência em Londres. Outro foram as eleições parlamentares brasileiras de 1884. Nabuco voltou para se jogar de cabeça na campanha abolicionista.

não são todos de mesmo tipo. O primeiro volume traz os para o “Jornal do Comércio” e os produzidos quase simultaneamente para o “La Rázon”, de Montevidéu. São artigos de jornalista. A correspondência de Londres para o “Jornal do Comércio” aborda a geopolítica inglesa, sua política doméstica e a candente questão irlandesa. A economia é pauta obrigatória, sobretudo no que tocava os negócios brasileiros. Já os artigos de Viena e Berlim visavam “resumir os acontecimentos” da política local e eram escritos a partir de Londres. Em conjunto, as três correspondências traçam cenários ge-

opolíticos e perfis e estratégias dos grandes líderes políticos do período, William Gladstone, na Inglaterra, e Otto von Bismarck, na Alemanha. O foco se abre para abarcar Rússia, Prússia, França, políticas dinástica e eclesiástica, reformas modernizadoras, como o voto secreto e a ampliação do sufrágio – Joaquim Nabuco, aliás, não se mostra entusiasta do voto feminino –, e a disputa por territórios na África e mesmo da Europa – caso da Bósnia e da Sérvia. Os artigos reconstroem as relações de força, o campo de poder internacional cujos desdobramentos alcançariam o século 20. Registram aten-

tados e assassinatos políticos orquestrados pelos “niilistas” (anarquistas); avanços do socialismo, com suas “paredes” (greves); conflitos entre as grandes potências e o Congresso Antissemítico Internacional, de 1882, que, narra Nabuco, tomava os judeus por “animais daninhos”. O fecho dos artigos abriga as variedades: a passagem de um cometa, um banquete com Wagner e Lizst, um naufrágio, um livro, um baile, um obituário – o de Darwin, Garibaldi, Marx. Aí o autor externava mais personalidade, mas, se opinasse muito, Picot cortava suas asas – e o trecho do artigo. Só ao final de seu período

Palanque O segundo volume da coletânea traz textos desse tempo, quando enviou do Rio alguns artigos para o “La Razón”, e escreveu para “O País”. Quintino Bocaiuva, abolicionista e editor do jornal carioca, convidou Nabuco para uma coluna que seria seu palanque abolicionista, com críticas furibundas à política escravista do governo do Partido Conservador. Entre 1886 e 1888, escreveu cerca de uma centena de artigos. A coletânea, para manter sua unidade como “correspondência internacional”, incluiu só os escritos da Europa, para onde foi, como enviado especial, a fim de cobrir tratamento de saúde de dom Pedro Segundo. Como o imperador se restabeleceu, os artigos se concentraram na linha dos anteriores para o “Jornal do Comércio”, com foco na política inglesa. Mas, nos textos de 1888, a política brasileira sobressai, como quando narra suas visitas a Glad- stone e ao papa, em busca de apoio para

a abolição da escravidão. Foi justo a política que tirou Nabuco de “O País”, quando o republicanismo tornou-se preponderante na linha editorial. Ao contrário de Picot, Bocaiuva não logrou enquadrar Nabuco, que recorreu ao dono do jornal e assim manteve coluna autônoma, “Campo Neutro”. Mas o arranjo durou pouco. Pós-13 de Maio, os abolicionistas se dividiram. Boa parte, como Bocaiuva, foi para a campanha republicana. Nabuco ficou entre os poucos esperançosos de que o Terceiro Reinado, o de Isabel, faria reformas complementares à abolição. Essa divergência encerrou sua participação em “O País” em 1889. Neste ano, a monarquia, assoreada por várias frentes de descontentamento, caiu, e Nabuco, recém-reeleito deputado, ficou sem emprego. Voltou à imprensa, em 1891, no “Jornal do Brasil”, criado por monarquistas como polo de crítica ao novo regime. Esses artigos, escritos de Londres e Buenos Aires, como aqueles para o “Jornal do Comércio”, produzidos no retorno ao Brasil (por isso excluídos da seleção), são salpicados de antirrepublicanismo e acusam o militarismo não apenas nacional como noutras partes da América Latina – expressão que usa aí por primeira vez. Na coletânea, o leitor vai encontrar então três Nabucos: o jornalista, o abolicionista e o monarquista. “O Abolicionismo” deve ao jornal, embora não tenha sido escrito nele, mas outros quatro livros de Nabuco surgiram na imprensa e conformam dois pares. “Balmaceda” [Cosac Naify, R$ 59, 272 págs.], sobre a guerra civil no Chile, e “A Intervenção Estrangeira durante a Revolta de 1893” [Senado Federal, R$ 10, 150 págs.], a respeito da Revolta da Armada, saíram seriados no “Jornal do Comércio”, entre 1895 e 1896, anos de florianismo feroz e de reação monarquista à República, com a Armada. Tempo de militância, para Nabuco, como um dos fundadores do Partido Monarquista. E tempo de governo militar. Por isso, a análise da política interna chilena, em “Balmaceda”, serve para criticar o republicanismo do Brasil de esguelha. “A Intervenção Estrangeira”, publicado já no governo Prudente de Morais, é explícito em acusar o apoio dos EUA a Floriano como decisivo na

vitória dos republicanos sobre os monarquistas. O outro par de livros é da virada do século. “Escritos e Discursos Literários” (1901) traz artigos publicados aqui e ali, que destilam a adesão cultural ao antigo regime. Nabuco já não propagandeava a monarquia, a República estava consolidada, mas sua fidelidade ao modo de vida aristocrático persistia e está patente na reconstrução precoce da própria trajetória (tinha 40 anos), escrita em outro jornal monarquista,”O Comércio de São Paulo”. A série era explicitamente política, com o cabeçalho “Minha Formação Monárquica”. Ao coligi-la em livro, em 1900, Nabuco encurtou o nome para “Minha Formação” [Editora 34, R$ 49, 288 págs.] – ele aceitara cargo diplomático do governo republicano. Mas o livro guardou certa nostalgia do Império, até ao falar da escravidão que tanto combatera. Prosa evocativa e de um lirismo evidente no trecho que Caetano Veloso musicou como “Noites do Norte”. Traça Li por primeira vez o que vai nesta coletânea em cópias nas quais às vezes o filé mignon do artigo tinha sido refeição de uma traça. A edição em livro recupera a íntegra e ajunta o que era preciso caçar em diferentes arquivos. Assim, presta inestimável serviço ao pesquisador. Contudo, o leitor de jornais velhos espera que o livro traga refrigério gráfico. Este não traz. Como o volume de artigos é grande, optou-se pelas letras miúdas – com que o martírio para os olhos não se altera. Também seria bom um sumário detalhado, que orientasse o leitor entre jornais e datas, e uma advertência sobre a autoria de alguns artigos – os do “Jornal do Comércio” não eram assinados, vinham apenas como “correspondência”. O que se lê é variado em assuntos, épocas e finalidades. Notas de rodapé mais abundantes ajudariam o leitor menos informado sobre Nabuco e seu tempo. A edição o compensa, porém, com quatro textos introdutórios. O primeiro é o erudito, do historiador Leslie Bethell, professor emérito das universidades de Londres e Oxford, sobre a geopolítica e a política inglesa do século 19. O também historiador José Murilo de Carvalho, professor emérito da UFRJ, assina o segundo, apresentando a conjuntura política doméstica em que Nabuco se movia. Bethell e Carvalho são especialistas consagrados no período e antes coligiram a correspondência de Joaquim Nabuco com os abolicionistas ingleses. A apresentação do jornalista Cícero Sandroni dá o panorama da imprensa brasileira no período, e a de Adriana Mirel Clavijo, especialista em relações internacionais, informa sobre o jornal uruguaio “La Razón”. Para quem nunca leu Nabuco, a coletânea é oportunidade de adentrar o universo de um de nossos melhores analistas e flagrá-lo em formação e burilamento. Quem o conhece vai dar com novo ângulo da figura e aquilatar o que significava ser jornalista no estrangeiro no século 19. Boa companhia na leitura deste livro são textos oitocentistas correlatos. O “Times” de Londres enviou William Howard Russel para cobrir os conflitos na Crimeia, em 1854, fazendo dele um pioneiro da correspondência de guerra. José Martí acompanhou a Primeira Internacional socialista para o “La Nación”, em 1888. E Eça de Queiroz, de quem Nabuco foi amigo na velhice, escreveu para um jornal suas “Cartas da Inglaterra”, mais ácidas que as de Nabuco, mas igualmente saborosas.


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Diário de Washington O MAPA DA CULTURA

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Namoradinha nunca mais Geena Davis contra a invisibilidade feminina

RAUL JUSTE LORES

Protagonista do clássico feminista “Thelma & Louise” e do extinto seriado “Commander in Chief”, no qual interpretou a primeira mulher a ser presidente dos Estados Unidos, a atriz Geena Davis, 58, nunca se submeteu aos papéis subalternos que Hollywood dispensa ao sexo feminino. Ela se tornou uma importante lobista no circuito Los AngelesWashington para aumentar e melhorar a presença das mulheres na TV e no cinema. Davis criou um instituto que estuda políticas de gênero na mídia e pressiona produtores a reverter a invisibilidade feminina nas telas. Entre os números divulgados pelo Geena Davis Institute on Gender in Media, descobrimos que, nos últimos 20 anos, de

todos os personagens com alguma fala em filmes, 71% eram masculinos e 29% femininos. Em uma palestra no mês passado, Davis indicou um aspecto perturbador dessa narrativa. Em uma economia com desemprego relativamente alto e onde os maiores salários (e muitos dos novos empregos) estão em áreas ligadas à tecnologia e às engenharias, as mulheres não veem muitos “role models” (exemplos a seguir) nesses setores promissores. Nos filmes lançados nos últimos cinco anos, há 14,25 personagens masculinos que trabalham em engenharia ou computação para cada papel feminino nessas áreas. Em um evento na Casa Branca, executivos do Vale do Silício disseram ao presidente Obama que um filme como “A Rede Social” tinha impacto enorme para estimular jovens a buscarem a carreira de programadores. Mas quase todas as personagens femininas eram namoradinhas dos protagonistas.

O exemplo de Michelle Michelle Obama, 50, também acredita no poder do exemplo – o dela próprio. Nos últimos 15 dias, a primeira-dama americana já participou de cinco eventos na região metropolitana da capital para convencer estudantes de baixa renda a tentarem vagas na universidade. “Vocês têm de continuar seus estudos”, disse a um grupo de estudantes do equivalente americano ao ensino médio. “Há bolsas, programas de crédito escolar e de premiação a melhores alunos”, discursou. Aos 16 anos, Michelle gastava três horas de ônibus diariamente para ir e voltar de uma escola secundária para estudantes de altíssimo desempenho, bem longe da proletária zona sul de Chicago em que cresceu. Ela acabou estudando sociologia em Princeton e se formou em direito por Harvard. Em ambas, participou de associações de mentores para outros universitários de baixa renda. Michelle já liderou uma campa-

nha por alimentação saudável e mais exercícios para combater a obesidade infantil. Ioga na catedral A Catedral de Washington também busca novo alcance popular. Criada em 1893 pelo governo como templo ecumênico, ela já abrigou sermões de Martin Luther King e funerais de ex-presidentes. Com o corte de verbas federais e uma cara reforma, após o tremor que sacudiu a capital americana em 2011, a catedral quer aumentar o número de doações, que respondem por 65% de seu orçamento. O templo passou a cobrar US$ 10 (R$ 24) de entrada de turistas e a organizar aulas de meditação, ioga e tai chi chuan – para isso os bancos são retirados. Segundo o administrador, as novas atividades têm a ver com espiritualidade. A mídia americana tem pintado um quadro sombrio da Olimpíada de Inverno de Sochi, acusando o presidente russo

Vladimir Putin de usá-la para propaganda interna. A rede conservadora Fox News deixou a homofobia de lado para criticar a perseguição contra gays na Rússia. Outras emissoras sugerem que atletas e turistas americanos evitem usar uniformes ou bandeiras do país para fugir de agressões. Até o “New York Times” tascou um ponto de exclamação e

recorreu a Stálin no subtítulo de uma reportagem sobre os jogos. “Bem-vindos a Sochi, um megaprojeto de estilo soviético que faria Josef Stálin orgulhoso!”, escreveu. A TV NBC, que pagou US$ 775 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) pelos direitos de transmissão dos jogos, ficou sozinha na promoção do “espírito olímpico”. Os demais parecem ter ressuscitado a Guerra Fria.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Nos trilhos de Millôr Itabira, 2007

MARCOS CALDEIRA MENDONÇA

Nós, do interior, precisamos criar caso para fazer o tempo passar. Foi numa dessas que desafiei-me: seria capaz de conseguir um cartum exclusivo de Millôr Fernandes para a capa do segundo aniversário de “O TREM Itabirano”, jornal mensal que edito na cidade mineira, terra de Drummond? Sim, queria um desenho do superabundante Millôr, o homenageado da Flip deste ano, ótimo escritor, frasista perfurocortante, jornalista invenal, um dos criadores do mítico “O Pasquim”, fustigador da burrice, cartunista de primeira, tradutor de respeito, humorista fino e culto, enfim, um brasileiro que o Nobel de Literatura não teve a honra de ganhar. Pensei: se convidar Millôr para fazer

o cartum e ele não aceitar, só duas pessoas saberão da minha derrota, ele e eu. Se topar, o mundo é meu. Se é para gastar atrevimento, que seja com graúdos. Mandei um e-mail a ele, fazendo o convite e perguntando preço. Uns dois dias depois, me respondeu: “Topo, desde que você me mande dizer formato, cor e, mais ou menos, o que devo fazer. Meu preço é, adiantado, R$ 55,20. Abracadabraço”. Brincadeira por brincadeira, pus R$ 55,25 num envelope, e escrevi: “Pagamento ao Millôr. Bom negociar com você. Não queremos o troco”. Mandei pelos Correios, com exemplares do jornal. Dei uma semana e enviei outro e-mail, perguntando pelo cartum. Resposta: “Que fazer?, como perguntava Lênine. Estou em falta com vocês, brilhantes itabiranos, que me tratam com tanta condescendência – é essa a palavra? Afinal, qual seria o meu compromisso? Um desenho qualquer? Uma

obra-prima? Kisses”. Quero sua visão sobre um trem mineiro, expliquei, refletindo preocupadamente sobre a audácia de pautar um gênio. Senti-me um pouco Rosário Fusco, da revista modernista mineira “Verde”, que, ao pedir colaboração a Mário de Andrade, sugeriu ao paulista mandar uma “bosta qualquer”. Dias depois, chegam-me dois desenhos por Sedex. Bolei a capa, deixei a Redação e, ao retornar, ouvi da nossa secretária: “Ó, um tal Millôr Fernandes ligou para você”. Não telefonei de volta, agradeci-o por e-mail e insisti em pagá-lo. “Mesmo sendo você um ‘jornalista sem fins lucrativos’ e mesmo não tendo dinheiro que pague, mande-nos a conta, por favor.” Não mandou e nem resposta deu. Não sei se exagero, mas acho que o caso dá um parágrafo numa boa biografia de Millôr: um gigante que, aos 83 anos, colaborou cortesmente

com um novato jornal de interior, que ele nem conhecia. Desde então, passei a mandar “O TREM” para o Millôr, e – faço questão de ressaltar – nunca mais o incomodei. Até pensei em contratá-lo para criar a logomarca do jornal, mas me contive. Espontaneamente, porém, ele passou a me dar dicas por escrito. Sugeriu melhorar a diagramação. “Ô pessoal d’O TREM Bão, menos matéria, gente! Senão fica ilegível. É como o cara bacana que tem muita ideia e quer dizer todas ao mesmo tempo. Vamos AREJAR o pedaço”, aconselhou. Também reclamou do tamanho das frases no alto das páginas. “Caro Caldeira (valha a aliteração), o jornal vai de vento em popa (sobretudo, espero, a popa), arejou bastante. Claro, pode arejar mais. Não desculpo as frases estarem com tipos tão pequenos e claros. De modo geral, estão muito bem escolhidas. Mas por que não, uma vez ou outra,

dar, entre parênteses, uma ripada no ‘pensador’ mais pomposo? AbrAÇO.” Em outra mensagem, citou um tal Ciro, que até hoje não descobri quem é. “É esse o caminho, Caldeira – apresentar ao mundo o Brasil, o cosmopolitismo da província. Sapato neles! Como diria o Ciro, O TREM é do caralho”. Outra sugestão foi brincarmos com a escultura de Drummond na capital fluminense. “Por que vocês não pegam a estátua do Drummond, aqui no posto 6 de Copacabana, e fazem dela o embaixador de Itabira no Rio de Janeiro? A estátua, que poderia ficar ‘relegada’, já está virando uma integração na paisagem. Itabira hoje é uma estátua alegre ali no posto 6”. Desconheço se outro jornal mineiro teve a graça de ter uma capa de aniversário feita com exclusividade por Millôr, inspiração permanente para “O TREM”. Millagradecimentos e sapato neles!


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Imaginação PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

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Teoria do cão RODRIGO NAVES ILUSTRAÇÃO RODRIGO BIVAR

Jacobina era um mendigo do bairro a quem me afeiçoara havia muitos anos. Todos os dias trocávamos algumas palavras: conselhos recíprocos, novidades, palpites sobre o tempo. Dava-lhe dinheiro com regularidade, que ele aceitava quase como o pagamento de uma dívida. Ele vivia com Coronel, um vira-lata em cuja pelagem indefinida convergiam muitas linhagens de cães. O bicho não era dado a expansões, mas aos poucos cedeu a meus afagos. Jacobina e Coronel passavam o tempo todo juntos. À noite dormiam colados um ao outro, em meio ao ninho de papelão e cobertores baratos que os agasalhava.

A morte de Jacobina não me deixou escolha: levei Coronel para casa e procurei ocupar o lugar que o mendigo tivera em sua vida O animal recusou-se terminantemente a dormir na área de serviço do apartamento: arranhava a porta, gania. Resolvi então arrumar sua cama ao pé da minha. Por uns dias ele aceitou a nova situação. Um dia, despertei com o cachorro a meu lado. E não houve jeito de reconduzi-lo ao lugar anterior. O pior, porém, ainda estava por vir. Em pouco tempo Coronel teimou em voltar para o chão e não sossegou enquanto não lhe fizesse companhia. Soube responder estoicamente às novas circunstâncias e em poucos dias já me sentia à vontade na acomodação precária.

Poucos meses depois comecei a perceber mudanças no comportamento de meu companheiro. Sentia-o intranquilo, como se os limites de meu apartamento o oprimissem. O animal não tinha sossego e rodava pelos ambientes à procura de uma saída. Uma manhã, ao retornarmos do passeio matinal, mal pude contê-lo. Coronel queria voltar à rua de todo modo. Tornara-se até violento. Não foi uma escolha fácil. Por fim cedi a seus apelos. Hoje vivemos sem nada, à mercê da caridade alheia. Tratamos com afeto aqueles que nos ajudam. Não me arrependo um só momento pela decisão tomada. Entendo o ar de compaixão dos homens e mulheres que zelam por nós. E nossas faces maltratadas pelo tempo quase não deixam transparecer o que sentimos por eles.

RESUMO Este conto inédito faz parte do segundo volume de prosa de Rodrigo Naves. O livro “A Calma dos Dias”, a ser lançado em março, pela Companhia das Letras, segue a trilha da elogiada estreia do crítico de arte na ficção. A concisão da prosa, visível em “O Filantropo”, de 1998, também marca a nova reunião de textos. Na nova obra, no entanto, Naves abre mais frestas para o convívio de diferentes gêneros literários. Poesia, conto e ensaio se costuram, numa busca do denominador comum entre uma breve história de um viralata e uma pensata sobre a übermodel Gisele Bündchen.


EM TEMPO - 16 de fevereiro de 2014