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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

COPA EM CLIMA TENSO

Foi aberta ontem a Copa das Confederações, considerada o principal teste antes da Copa do Mundo de 2014. A bola começou a rolar às 15h, na partida entre Brasil e Japão, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, pela primeira rodada do Grupo A. Houve tumulto em torno do estádio, reprimido pela polícia de choque três horas antes da abertura da Copa. Última Hora A2, Economia B1, Pódio E2 a E7, Elenco 18 e 19

PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS

ANO XXV – N.º 8.033 – DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO - PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00

Momentos antes da abertura da Copa das Confederações, a polícia de choque isola manifestantes que tentavam chegar ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, palco da partida entre Brasil e Japão

Tumulto antes do jogo Brasil e Japão RAESTRUTURA INFRAESTRUTURA

ARQUIVO EM TEMPO

REPRODUÇÃO

Policiais militares usaram bombas de gás, tiros de balas de borracha e spray de pimenta, na manhã de sábado, em Brasília, para afastar centenas de manifestantes, que protestavam contra os gastos para a realização da Copa das Confederações no Brasil. Última Hora A2

Escolas brasileiras são ruins Somente 0,6% das escolas brasileiras têm infraestrutura próxima da ideal para atender às necessidades básicas dos estudantes. País B6

História adormecida

CABRAL

“Política é ponto de chegada” Em entrevista ao EM TEMPO, ex-senador Bernardo Cabral, 81, diz que política “não é para engordar a conta bancária”. Com a palavra A7

ALIMENTAÇÃO

ADEUS, MEDO A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas afirma que, atualmente, as mulheres estão perdendo cada vez mais o medo de comprometer a relação familiar e denunciando casos de

Aspargo contra o câncer

Saúde e bem-estar F2

ZEN SEKIZAWA/FOLHAPRESS

Chique e referência nos séculos 19 e 20, o centro de Manaus é hoje um cemitério de casarões e prédios históricos abandonados. Dia a dia C4 e C5

LUTO

A boemia mais triste sem Abílio O cantor e compositor amazonense Abílio Farias, de 66 anos, morreu, na noite de sexta-feira, de um infarto fulminante. Última Hora A2

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS

Ela nasceu menino

Apesar de ter nascido com genética do sexo masculino, Danann Tyler (foto), 10, se expressa como menina desde os 2 anos. Ilustríssima G4 e G5 TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

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MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

Amigos e fãs dão adeus ao cantor Abílio Farias

Cantor de bolero de 67 anos, morreu às 19h30 da última sexta-feira, após complicações cardíacas e falência dos rins DIEGO JANATA

ISABELE VALOIS Equipe EM TEMPO

A

migos, familiares e fãs se despediram, ontem, do primeiro cantor profissional registrado do Amazonas, Abílio Farias, 67, que morreu às 19h30 de sexta-feira, por falência dos rins, complicação que surgiu após realizar cirurgia de ponte de safena, na última terça-feira (11). O cantor de boleros estava internado no Prontocord, localizado na avenida Senador Álvaro Maia, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, onde veio a óbito. Segundo a filha do cantor, Joelma Farias, 40, em 2010 o pai havia descoberto que tinha problemas no coração. Realizou o primeiro cateterismo, mas não seguiu rigorosamente a dieta no qual o médico o tinha submetido. Após a morte de sua mulher, Maria Farias, no ano passado, o cantor amazonense ficou muito abalado, mas não largou de mão o trabalho pelo qual era apaixonado. No mês de dezembro do ano passado, ao retornar de uma turnê em Fortaleza (CE), Abílio teve uma parada cardíaca. Logo após os procedimentos médicos, o cantor iniciou novo tratamento e na terça-feira (11),

quando realizava exames cardíacos teve uma segunda parada cardiovascular, no hospital Beneficente Portuguesa, Centro, e foi levado as presas para o hospital Protocord, para que fosse implantada uma ponte de safena, uma vez que estava com três artérias do coração entupidas. Enquanto se recuperava da cirurgia, na sexta-feira

BOLERO

O cantor Nunes Filho foi se despedir do amigo e disse emocionado que a morte de Abílio Farias é uma perda para o bolero amazonense. Mas que suas músicas jamais serão esquecidas (14), o cantor teve a falência dos rins e morreu. Velório O corpo do cantor foi velado na funerária São Francisco, bairro Cachoeirinha, Zona Sul, onde fãs, amigos e familiares foram dar seu último adeus a Abílio. O cantor amazonense Nunes Filho, que foi se despedir do seu

amigo, disse emocionado que a morte de Abílio é considerada uma perda para o bolero do Estado. “Sem dúvida alguma, as canções de Abílio ficarão marcadas no coração do povo de nossa terra”, explicou. Além dos cantores populares da capital, o grande amigo de Abílio e compositor de suas músicas, José Jorge, conhecido como “Xaxado”, disse que foi uma surpresa a morte do cantor. “Tínhamos marcado para sábado entregar o mais novo sucesso de Abílio em homenagem a sua esposa falecida, “Uma Maria”. A letra fala que nem mesmo o dinheiro ameniza a dor da perda da pessoa amada”, disse. Durante o velório foram tocados os maiores sucesso de Abílio Farias, como “Porto da Madrugada”, “Meu olhar te procura”, “Minha cigana”, entre outros. A filha do cantor, Joelma Farias, ainda disse que a morte de Abílio era esperada por seus seis filhos. “Desde que a nossa mãe se partiu, sabíamos que o papai não viveria muito tempo, pois eles eram um exemplo de amor verdadeiro, sempre juntos e unidos souberam por meio da música nos educar”, relembrou emocionada. O enterro estava marcado para às 16h no cemitério São João Batista.

TEFÉ

CARROSSEL DA SAUDADE HERICK PEREIRA/AGECOM

A primeira-dama Nejmi Aziz anuncia apresentações em cidades da Região Metropolitana

Programa tem nova temporada O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Seas), em parceria com a Fundação TV Cultura, colocaram no ar, na última sexta-feira, a nova temporada de apresentações do musical “Carrossel da Saudade”. Nesta nova fase, o programa vai contar com apresentações itinerantes nos municípios da Região Metropolitana de Manaus. O palco de abertura foi o Centro Estadual de Convivência do Idoso (Ceci), no bairro de Aparecida, Zona Sul, onde cerca de 2 mil pessoas participaram do evento, que contou com a presença da presidente do Fundo de Promoção Social (FPS) e a primeiradama Nejmi Aziz. Na ocasião, Nejmi Aziz anunciou apresentações do programa nas cidades de Iranduba, Manacapuru, Rio Preto da Eva, Presi-

dente Figueiredo e Itacoatiara. Segundo Nejmi, essa é uma maneira de valorizar a cultura local. “É mais um incentivo e uma forma de prestigiar a cultura que temos em nosso Estado, por meio

SEXTAS-FEIRAS Os programas vão acontecer todas as sextas-feiras, até o dia 13 de dezembro, com transmissão ao vivo, a partir das 21h, pela TV Cultura (Canal 2). O musical será realizado de forma itinerante

dos nossos artistas locais, e também de levar mais opções de entretenimento para as pessoas que gostam de uma boa música e reelembrar bons momentos da vida”, explicou.

O velório do cantor de boleros levou fãs e amigos à funerária São Francisco, na Cachoeirinha

Anos de história O “Carrossel da Saudade” existe desde 1980 e, nesse período, já foram apresentados 2 mil programas e mais de 30 mil interpretações. Após um ano fora do ar, o evento volta com um cenário e formato diferentes para comemorar os 33 anos de existência. Os compositores e frequentadores assíduos aprovaram o retorno e ficam na expectativa de reviver grandes sucessos da Música Popular Brasileira (MPB) e regional. Um dos intérpretes mais antigos do “Carrossel da Saudade”, o cantor Francis Moraes, enfatizou que se deve manter a tradição e a qualidade em todas as apresentações. “Esse retorno foi uma medida plausível e nos sentimos na obrigação de fazer de coração e bem melhor nessa nova fase, pois o Carrossel da Saudade é um patrimônio de Manaus”, disse.

HRT confirma mortes de funcionários As identificações do piloto Paulo Roberto da Silva Legg, 57, e do mecânico de manutenção de aeronaves, Rubem Cristiano de Sousa Miranda, 37, vítimas fatais da queda do um helicóptero da companhia petrolífera HRT, foram confirmadas pela empresa na manhã de ontem. A aeronave, modelo Bell 212, prefixo PRHRZ, caiu por volta das 8h, na sexta-feira, no município de Tefé (a 523 quilômetros de Manaus). Ontem, por meio de nota, a HRT detalhou que o acidente ocorreu quando o helicóptero se dirigia ao município, já nas proximidades da base de apoio Tefé 1. A assessoria reforçou que o plano de emergência da companhia foi acionado e que as causas do acidente ainda estão sendo apuradas. De acordo com informações da Força Aérea Brasileira (FAB), ainda na sexta-feira, uma aeronave do 7º. esquadrão do 8º. Grupo de Aviação (GAV), em Manaus, foi deslocada ainda ontem para Tefé para ajudar nas buscas pelos possíveis tripulantes desaparecidos. A localização dos corpos, no entanto, foi feita pela própria HRT. Ainda segundo a FAB, o corpo do piloto foi encontrado primeiro, por volta das 14h de sexta-feira, e o corpo do mecânico localizado em torno de 16h30 do mesmo dia. Na manhã de ontem, uma equipe do Serviço Regional de Prevenção de Acidentes Aéreos (Seripa) se dirigiu ao local para iniciar os trabalhos de investigação e apurar se o acidente foi causado por falha mecânica ou humana. Segundo informações do órgão, um helicóptero da FAB conduziu a equipe ao ponto do acidente.

ESTÁDIO NACIONAL

Manifestantes protestam antes do jogo do Brasil Brasília — Cerca de 700 manifestantes conseguiram furar o bloqueio da Polícia Militar e chegar ao estádio Nacional de Brasília ontem, horas antes do jogo entre Brasil e Japão pela abertura da Copa das Confederações. Por volta das 12h, a polícia jogou bombas de efeito moral e gás de pimenta para tentar contê-los. Portando cartazes em protesto contra as obras da Copa e em apoio ao movimento do passe livre em São Paulo, os manifestantes conseguiram chegar próximo a um dos portões de entrada do estádio. Os manifestantes jogaram livros da Constituição aos pés dos policiais e muitos distribuíam flores. Grupo de índios e de professores reclamando melhores salários chegaram depois para reforçar o protesto.

Um dos manifestantes levou gás de pimenta no rosto e precisou de atendimento. Isadora Rodrigues, 22, estudante de artes cênicas da UnB, jogava bolhas de sabão nos policiais. “Essa é a nossa arma”, disse. A polícia montou um novo cordão de isolamento em volta do estádio, o que aumentou a confusão com os torcedores que chegavam e que procuravam informações sobre os portões de entrada. O acordo entre os organizadores e o comando da Polícia Militar era que a manifestação seria feita apenas na rodoviária de Brasília e não subiria para o estádio, mas que acabou não sendo respeitado. O temor da polícia era que no mesmo local já existia torcedores chegando para a cerimônia de abertura da Copa das Confederações. PEDRO LADEIRA/FOLHA PRESS

Manifestantes avançam e chegam perto do portão do estádio


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Indisposição, e não oposição A semana não foi fácil para quem olhou o país do ponto de vista do Planalto Central, mas quem estava na planície pôde dizer que já teve dias melhores. No meio das duas visões, também se haveria de concluir que a antecipação pela disputa presidencial acelerou o conflito de diferenças, que logo se transformaram em desigualdades. A polícia baixou o cassetete em quem ousou protestar contra o aumento da tarifa do ônibus e do metrô, no Rio e em São Paulo, um movimento articulado pelas redes sociais e que agregou os mais variados segmentos sociais, o que levou o lado oficial da observação declarar que se tratava de baderna, pois “até quem não usava ônibus e metrô” teria se imiscuído entre os manifestantes. É provável que a diversidade de classe dos manifestantes seja, enfim, um encontro de suspeitas quanto às decisões de um governo, preocupado em permanecer governo, apenas. É sempre mais fácil saber que o que não se quer, não o que se deseja. Outro fato que também chamou atenção da mídia (também dividida nas tentativas de compreender o protesto das tarifas) foi a manifestação dos ruralistas, que paralisaram rodovias federais – com direito à queima de pneus, panfletagem, megafones com mensagens contra o governo, bem no “estilo oposição” – desde Roraima ao Paraná, passando pelo dividido Mato Grosso. A polícia não interveio, em nenhum momento, ao contrário do que aconteceu com os estudantes, trabalhadores e protestantes em geral. Mais do que “ações contra o governo”, gratuitas, como soam as inquietações do Planalto, o país está realmente indisposto com a inflação (quanto mais se nega que esteja fora de controle, mais acentuada) e com o sensível esgotamento das medidas populistas incrementadas desde o governo Lula. É uma indisposição, não uma oposição.

Relógio chinfrim O relógio da Copa de Manaus decepcionou quem pensava que ia encontrar algo especial, com design moderno e tecnologia avançada. O que a torcida encontrou na praia da Ponta Negra foi um aparelho semelhante aos “termômetros” – quase todos quebrados –, que existem em Manaus há décadas. Quadrado, de plástico e sem qualquer referência ao potencial do Amazonas, em relação à natureza exótica ou ao seu majestoso rio Negro. Traço de Nyemeyer Bem diferente de Manaus, outras capitais da Copa capricharam no relógio que vai marcar o tempo que falta para o início do maior campeonato de futebol do planeta. Para começar, o do Rio de Janeiro foi desenhado por nada menos que Oscar Nyemeyer. Novas curvas Com isso, o calçadão de Copacabana ganhou a companhia de novas curvas. Um relógio desenhado por Oscar Niemeyer. Foi uma das últimas obras do arquiteto – unanimidade nacional –, que morreu em dezembro de 2012. Suíço O design arrojado de Nyemeyer mostra, na ponta de um concreto ondulado, um grande relógio suíço. Mais embaixo, a marcação digital aponta dias, horas, minutos e segundos que faltam para o mundial. Hublot Aliás, não foi só no Rio. Em São Paulo e Brasília também foi lançado um relógio produzido pela Hublot, cronometrista oficial da Copa do Mundo da FIFA 2014. O adeus do boêmio A noite manauense ficou mais triste com a notícia da morte de Abílio Farias, o cantor que durante décadas animou a boemia da cidade com seu canto apaixonado. Memória de palanque Ontem pela manhã, o prefeito Arthur Neto lembrava com saudade do seu amigo. Abílio Farias foi uma figura presente nas memoráveis

batalhas eleitorais de Arthur, cantando nos comícios do resistente “Muda Amazonas”, o movimento político de Arthur Neto nos anos 1980 e 1990. Ele voltou O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Seas), iniciou uma parceria com a Fundação TV Cultura, para uma nova temporada de apresentações do “Carrossel da Saudade”. Itinerante Nesta nova fase do Carrossel, o mais tradicional programa musical amazonense vai contar com apresentações itinerantes nos municípios da Região Metropolitana de Manaus. Roubo de celular Apple e Samsung vão ter que criar tecnologias para bloquear aparelhos roubados. Ministérios Públicos dos Estados Unidos querem acabar com o mercado de venda de smartphones roubados. Para isso, convocaram as maiores fabricantes de celulares para uma conversa de pé de orelha. Pega ladrão A ideia é fazer com que a Apple, Google/Motorola, Samsung e Microsoſt trabalhem com agências do governo para coibir a ação de ladrões de celular. Fim do roubo Na quinta-feira (13), os EUA lan��aram uma iniciativa Secure Our Smartrphones (SOS, Salve nossos Smartphones). O programa convoca os fabricantes para colaborar com o fim do roubo de celulares.

APLAUSOS

elvis@emtempo.com.br

“Kill switch” Anunciada pelos procuradores-gerais de Nova York, a coalização pretende fazer as companhias implantarem nos celulares o chamado “kill switch”, uma tecnologia que permita ao usuário desabilitar o aparelho caso seja roubado. Combate ao crime A expectativa é que deixando o aparelho inativo, a atratividade do crime diminuirá. Mulher no parlamento Uma pesquisa da União Interparlamentar (UIP) sobre a participação feminina nos parlamentos de 190 países, divulgada pela senadora Vanessa Grazziotin, revelou que o Brasil ocupa a 158ª. posição no ranking. □ A média da presença de mulheres nas casas legislativas brasileiras chega a 8,6% dos assentos. Entre os piores Entre os países americanos, o Brasil está entre os piores índices de participação feminina no parlamento, atrás de Cuba (45%), Nicaragua (40%), Costa Rica (38%), Argentina (37%) e Equador (33%). Espaço no poder Vanessa disse que é preciso mudar essa realidade e a campanha nacional no segundo semestre será uma boa oportunidade para debatermos isso com a sociedade. – Para consolidarmos uma democracia precisamos melhorar a participação da mulher no espaço de poder –, disse a senadora.

VAIAS

Abílio Farias

Charge

Badernaço na Copa DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Para a resistência do cantor Abílio Farias que, em vida, lutou por um um espaço para o artista amazonense, numa cidade que nem sempre valoriza seus talentos.

Para grupos políticos, que estão aproveitando a festa do esporte no Brasil para denegrir a imagem do país lá fora. Protesto pacífico vale, é compreensível, badernaço, não.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Foi-se mais um elo Para mim, o verdadeiro patriarca da linhagem foi o inesquecível Ramayana de Chevalier, aliás, Valmiki Ramayana Paula e Souza de Chevalier, médico, romancista, poeta e jornalista, que se liga necessariamente à história da vida intelectual no Amazonas. “No Circo Sem Teto da Amazônia”, talvez seu maior sucesso literário. Do seu pai, apenas notícias vagas me chegaram: chamouse José Chevalier, era professor de francês, diretor de um colégio fundado por ele mesmo em Manaus, cujo nome desconheço. O que não desconheço, como também, por mais fortes razões, não puderam desconhecer quantos tentaram atravessar o seu caminho, foi a força do verbo, escrito e falado, que Ramayana esgrimia como um D’Artagnan dos nossos tempos. Do seu casamento com D. Neuza Magalhães Cordeiro nasceram quatro filhos, dois em Manaus e dois no Rio de Janeiro, para onde se mudara: Stanley (Stanley Emerson Carlyle de Chevalier), Ronald (Ronald Russel Wallace de Chevalier), Bárbara Beatriz e a caçula, Scarlet Moon. Stanley morreu bem moço num desastre, na estrada de Teresópolis. Era um dos mais brilhantes e valorizados jornalistas do Rio de Janeiro, dono de um texto que se destacava pela elegância e pela clareza. Ronald, famoso como Roniquito, foi um dos personagens mais badalados do Rio, mercê da sua brilhante inteligência, da sua erudição e, talvez, sobretudo, da sua irreverência e dos episódios que produziu nos ambientes em que viveu e onde viveram também seus amigos, como Vinicius de

Morais, Tom Jobim, Lúcio Cardoso, Mário Henrique Simonsen, Pierluigi Parodi e outros. Morreu também prematuramente, aí pelos 40 anos, fulminado por um ataque cardíaco. E agora chega a notícia da morte de Scarlet, aos 62 anos, segundo o noticiário dos jornais e das TVs, vítima de uma doença neurológica degenerativa. Pelo que sei, apenas Bárbara Beatriz sobrevive, é o que espero, em Londres, em carreira diplomática. Em tempos de estudantes e de efervescências no Rio, dizíamos que Scarlet era o próprio Roniquito de saias, tanto pela semelhança física, quanto pela vivacidade, pela loquacidade, pela disposição para o debate. Deixei o Rio de Janeiro e assim deixei de vê-la ainda menina, cerca de uns 12 anos, mas nunca esqueci sua tenacidade e sua disposição para a polêmica. Voltei a encontrá-la uma única vez, quando veio a Manaus em busca de algum contato com a terra das suas origens. Estava então casada com o talentoso Lulu Santos. Hoje, quando Manaus se vê rigorosamente ocupada por ondas e ondas de imigrantes e arrivistas, que recebemos com toda a cordialidade, mas dos quais exigimos respeito pelas nossas raízes e pelas nossas tradições de cultura e aos quais aconselhamos que tentem mergulhar um pouco na nossa história, a morte de Scarlet Moon de Chevalier traz consigo uma carga de tristeza e de melancolia. Afinal, era a filha caçula de Ramayana de Chevalier, aquele que, com orgulho, se dizia descendente de Apolinário Maparajuba, o último dos cabanos.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

E agora chega a notícia da morte de Scarlet, aos 62, segundo o noticiário dos jornais e das TVs, vítima de uma doença neurológica degenerativa. Pelo que sei, apenas Bárbara Beatriz sobrevive, é o que espero, em Londres, em carreira diplomática”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Vacina eleitoral

Há uma pressão nostálgica para se debruçar sobre o passado. Nos últimos anos, todos os conceitos passaram a ser emoldurados pela ‘estética do social’. Estamos estilizando a pobreza, enquanto a arquitetura mesmo virou pecado

A queda na popularidade de Dilma Rousseff e o aumento das críticas aos resultados da economia levaram a presidente a adotar nos discursos o mantra de que o “Brasil real” não está em crise. Interlocutores do governo dizem que a estratégia foi traçada em reunião no Alvorada entre a petista, João Santana e Aloizio Mercadante (Educação), na última quarta-feira. A avaliação é que a “crise não existe para o eleitor”, uma vez que o país tem baixo desemprego e renda preservada. Alerta No Planalto, a ordem é monitorar os protestos não só em São Paulo, como também nas demais capitais e tentar detectar outros assuntos, que não as tarifas, que estejam catalisando a insatisfação da população, com riscos à imagem de Dilma. Fogo amigo Felipe de Andrea Gomes, presidente do diretório do PSDB em Pinheiros, e Fernando Guimarães, presidente municipal do Instituto Teotônio Vilela, devem ser enquadrados pela sigla amanhã. Ambos criticaram a PM e publicaram convites para os atos nas redes sociais. Dobradinha Além de fazer fartos elogios a Fernando Henrique Cardoso em evento empresarial em Minas, na sextafeira, Eduardo Campos contou com claque tucana. Diante da ausência de Aécio Neves, seu aliado Marcus Pestana brincou: “Está bem representado pelo Eduardo’’. Leilão Além de negociar com o PT, o ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração), da cota do PSB no governo, conversou na semana passada com o ex-prefeito Gilberto Kassab (SP) sobre uma possível

filiação ao PSD. Versões Campos e Coelho conversarão neste fim de semana sobre o futuro político do ministro, que quer ser candidato ao governo. O aliado disse ao governador que foi procurado pelo PSD, mas interlocutores de Kassab dizem que a iniciativa partiu do ministro, e que o ex-prefeito foi reticente sobre a filiação. Ex-verdes? Dois representantes do PV paulista se aproximam discretamente da Rede, de Marina Silva. O vereador Gilberto Natalini recolheu 5 mil assinaturas para formar o partido e pensa em migrar para a sigla. Já o ex-secretário Eduardo Jorge teve conversa reservada com um representante da legenda. Lobby 1 Luiz Marinho (PT), prefeito de São Bernardo e braço direito de Lula, viaja hoje a Paris para participar de uma feira aeronáutica a convite da Saab, fabricante do caça sueco Gripen. Lobby 2 O prefeito petista defende a compra da aeronave pela Força Aérea Brasileira, numa disputa com outros

Camilo Restrepo, figura-chave colombiana da elogiada reconfiguração urbana de Medellín, defende, em São Paulo, em um encontro organizado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a criação de uma arquitetura para uma população que “há muito já perdeu a crença no Estado”.

concorrentes que ainda será arbitrada por Dilma. O futuro... A Prefeitura de São Paulo estabeleceu como prioridade a aprovação do novo desenho da Operação Urbana Água Branca, que será estendida até bairros da Zona Norte. O presidente da Câmara, José Américo (PT), quer votar o projeto antes do recesso.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

JOEL ROSA

... do Arco O objetivo é autorizar a venda de títulos para a construção de prédios no entorno do rio Tietê, dando o primeiro passo para a implementação do Arco do Futuro, promessa de campanha de Fernando Haddad. Auditório Os planos de renovação do PSDB paulistano passam por atrair celebridades para o partido. Na mira do partido está a apresentadora Patrícia Abravanel, filha caçula de Silvio Santos. Arrastão PT e PSDB dividem uma preocupação em São Paulo: as bancadas que serão eleitas na esteira de puxadores de votos de perfil popular, como Tiririca (PR), Marco Feliciano (PSC) e Celso Russomanno (PRB).

Tiroteio

Já se passou um ano e esse poste, fincado na Constantino Nery com Darci Vargas, próximo àquela passagem subterrânea que atrai engarrafamentos, coitado, resiste bravamente ao tempo, ao cupim viciado em concreto e ferragem, num exemplo de serviço público que muito humano não tem a menor ideia do que seja. Merece medalha.

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Esse comportamento da PM sob o comando de Alckmin não está fora da curva. Já vimos essa repressão na USP e no Pinheirinho.

Tomar consciência

DO EX-PREFEITO DE OSASCO EMÍDIO DE SOUZA (PT), sobre a ação da polícia de São Paulo no protesto contra a alta das tarifas de transportes, na quinta-feira.

Causa estranheza o fato de que se escolheu um dia para que tomemos consciência dos maus-tratos infringidos às pessoas idosas. Foi ontem, 15 de junho. Se todo tipo de violência causa repulsa e indignação, estas são maiores quando as vítimas são indefesas. No caso dos idosos causa ainda maior revolta por se tratarem de pessoas que deram suas vidas pelos outros, gastaram suas energias em longas jornadas de trabalho, viveram seus amores e deram carinho ao cônjuge, aos filhos e aos netos, merecendo na terceira idade serem tratados com o devido respeito. Quando a agressão acontece dentro de casa fica mais difícil ainda acreditar que esteja ocorrendo. As organizações governamentais ou não, assim como a Pastoral da Pessoa Idosa querem que abramos os nossos olhos. Talvez a agressão esteja acontecendo no nosso lar, na casa do vizinho, na nossa rua, na nossa comunidade. Mais que denunciar os casos trata-se de criarmos um ambiente em que o idoso tenha o seu lugar e seja tratado com respeito e dignidade. A omissão é também uma agressão na medida em que favorece situações de sofrimento que poderiam ser evitadas. E assim como existe nas relações de trabalho o assédio moral no trato com os idosos também existe a agressão moral por meio de palavras desrespeitosas, frases preconceituosas, tons de voz que amedrontam. O fato é que estamos vivendo mais. O número de idosos aumenta e deve aumentar ainda mais nos próximos anos. Isto se deve à melhora de condições de vida. Estamos realizando o sonho da longevidade. Mas é preci-

Contraponto

Hora do recreio O ministro Alexandre Padilha (Saúde) participava por mais de três horas de audiência pública na Câmara sobre médicos com diploma estrangeiro quando o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) assumiu o microfone. Ainda sem almoço, como os colegas, o parlamentar protestou: — O ministro está comendo uma rosquinha e não ofereceu para ninguém! – reclamou, em tom de brincadeira. Bolsonaro, que é conhecido por suas posições conservadoras, completou: — Tenho certeza de que o ministro não é homofóbico... Nós queremos a rosquinha dele!

Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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so que o viver mais, seja também viver melhor e com qualidade. O mercado vê os idosos simplesmente como um novo e imenso grupo de consumo que com o dinheiro de suas aposentadorias movimenta seus caixas, seus cartões e seus bancos. Mesmo nas famílias, quantas vezes o idoso é visto e tratado como aquele que aumenta a renda familiar, e quantos dramas vividos a partir dos empréstimos consignados que têm a intenção de aquecer o consumo, mas que destroem economias e relações familiares. Diante deste quadro a doutora Zilda Arns que já havia fundado a Pastoral da Criança, profeticamente deu início a Pastoral da Pessoa Idosa com uma metodologia semelhante: visita domiciliar, controle dos indicadores de saúde, roda de conversa, atividades comunitárias, momentos de espiritualidade. Os voluntários desta pastoral têm ajudado as famílias, os agentes de saúde e as comunidades a terem um olhar mais atento à situação das pessoas idosas. Junto com os grupos de terceira idade que vão se multiplicando em todas as partes, ao lado de geriatras, agentes de saúde, médicos da família, agentes de pastoral, todos se unem num grande esforço para que a vida dos idosos seja uma vida digna. Valorizar este período da vida é valorizar a própria vida humana. Permitir que instintos e sentimentos perversos levem à agressão destas pessoas é perder a própria dignidade. O grau de civilização de uma sociedade se mede pela forma que ela trata suas crianças e seus anciãos.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

O fato é que estamos vivendo mais. O número de idosos aumenta e deve aumentar ainda mais nos próximos anos. Isto se deve à melhora de condições de vida. Estamos realizando o sonho da longevidade. Mas é preciso que o viver mais, seja também viver melhor e com qualidade”


Política

MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

A5

Prefeitos pedem cautela com proposta de divisão REPRODUÇÃO

Projeto de lei que trata do desmembramento de municípios em todo país segue em tramitação no Congresso Nacional

Mais conhecida como a Ilha Tupinambarana, o município de Parintins pode perder três comunidades se o projeto for adiante: a Vila Amazônia, Mocambo e Caburi. O prefeito da cidade pede cautela ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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refeitos dos municípios amazonenses que poderão ser desmembrados, caso a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) aprove a criação de novos municípios, veem o assunto com cautela e defendem uma maior discussão em torno do tema. Há 12 dias, a Câmara Federal aprovou o projeto de lei complementar 416/2008, que prevê o desmembramento, divisão, fusão ou criação de novos municípios brasileiros e devolveu esta prerrogativa às Assembleias Legislativas do país. No Amazonas, existem elencados 16 municípios que podem ter distritos emancipados. Pelo menos 14 comunidades do interior do Amazonas esperam pela aprovação do projeto. De acordo com o presidente da Comissão de Assuntos Municipais do Parlamento estadual, deputado estadual Tony Medeiros (PSL), um relatório feito pela Comissão aponta

como pleiteantes ao estatus de município as comunidades de Novo Remanso, em Itacoatiara; Santo Antônio do Matupi, em Manicoré; Aviana, em Beruri; Campina do Norte, em Caapiranga; Balbina, em Presidente Figueiredo; Purupuru, no Careiro Castanho; Itapeaçu, em Urucurituba; Vila Amazônia, Mocambo e Caburi, em Parintins; Pedras e Cametá, em Barreirinha; Cacau Pirêra, em Iranduba; e o bairro Cidade Nova, em Manaus. Estas comunidades estão insatisfeitas com os investimentos por parte das prefeituras, por isso manifestaram interesse de separar-se de suas sedes. Para o prefeito de Parintins (distante a 369 quilômetros de Manaus), Alexandre da Carbrás (PSD), caso o projeto seja aprovado, a Ilha Tupinambarana perderá três comunidades: Vila Amazônia, Mocambo e Caburi. Carbrás alega que a discussão é inapropriada para o momento difícil que o país enfrenta com o corte de vários recursos financeiros.

“Esse projeto é um processo de perda e ganhos, mas esperamos que seja feita a melhor coisa para o município. As três comunidades que pleiteiam essa independência têm sido assistidas dentro dos parâmetros normais do município e tenho certeza que,

EMANCIPAÇÃO

O prefeito do município de Presidente Figueiredo, Neilson Cavalcante (PSB), declarou que a comunidade de Balbina quer se tornar município, mas na sua avaliação, ainda é prematuro discutir o assunto passando essa dificuldade financeira, teremos mais poder de fogo para investir nessas comunidades”, disse. O prefeito de Rio Preto da Eva (a 60 quilômetros da capital), Ricardo Chagas (PRP), acredita que a decisão precisa ser tomada com muita respon-

sabilidade, pois atualmente os municípios já enfrentam grandes dificuldades com o corte do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) “Essa decisão deverá ser bem tomada para que se não prejudique ninguém. Se aparecerem mais municípios a questão econômica e estrutural será mais complicada”, analisou. Estudo detalhado O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Iran Lima (PSD), que também é prefeito de Boca do Acre (a 1.537 quilômetros de Manaus), declarou que será preciso fazer um estudo mais detalhado sobre isso por conta da divisão dos repasses, pois se houver um corte ao meio desses recursos poderá prejudicar não só a comunidade que pleiteia a emancipação, mas também a sede. “Precisamos avaliar bem essa questão e conversar com a população sobre o caso. Não se pode de uma hora para outra fazer uma divisão”, salientou.

Prós e contras ao projeto Para o prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (PTB), que poderá perder a comunidade de Cacau Pirêra, as emancipações de distritos poderão ser válidas se os recursos financeiros não forem divididos. “Nosso município, por ser o mais próximo de Manaus, é o que mais cresce. Temos hoje 60 mil habitantes. Se cada comunidade receber o seu repasse, sou de acordo. Agora, se o repasse for o mesmo para dividir, ambas as partes irão perder muito na questão de infraestrutura e investimentos. Já vivemos dentro de um orçamento apertado”, observou. Para transformarem-se em município, as comunidades e distritos devem atender à risca os critérios estabelecidos pela lei. Entre eles, estão o número

mínimo de 6 mil habitantes; ter pelo menos 50% de eleitores do número total de habitantes; e possuir independência econômica e financeira. Após cumprir todas as exigências legais, as comunidades e municípios devem realizar plebiscito onde será ouvida a vontade popular. O PLC 416/2008 é de autoria do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e regulamenta o parágrafo 4º, do artigo 18 da Constituição Federal. Ele estabelece que a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de municípios serão feitos por leis estaduais e dependerão de estudo de viabilidade municipal e de consulta prévia por meio de plebiscito nos distritos envolvidos. O projeto agora está no Senado.


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Política

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AGÊNCIA CNJ

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Que os deuses do futebol estejam em nossa torcida” MINISTRO MARCO AURÉLIO MELLO (STF) em artigo para o site claudiohumberto.com.br

Blocão anti-PMDB quer Eduardo vice de Dilma Diante do quebra-pau no PMDB, dividido sobre manter a aliança com o PT, lideranças de partidos aliados têm defendido criação de uma frente para lançar o governador Eduardo Campos (PE) a vice da presidente Dilma, na disputa pela reeleição em 2014. A frente, composta pelo blocão PSD-PP-PR-PTB, desbancaria o PMDB e ganharia força para barganhar espaços mais “polpudos” em eventual segundo mandato. Poço de mágoas Defenestrado dos Transportes, Alfredo Nascimento não vê hipótese de apoiar Dilma, ao contrário do dono do PR, Valdemar da Costa Neto. Dissidentes O PT acha difícil obter apoio do PDT, que está pavimentado na Força Sindical do deputado Paulo Pereira (SP), que se opõe ao governo. Ficou no passado De olho nas eleições em SP, o PSD de Gilberto Kassab passou de independente a governista, caminho também visado pelo PTB. Tudo é peixe Virtual adversário de Dilma em 2014, o tucano Aécio Neves (MG) flerta com o PMDB e demais aliados insatisfeitos com o governo. MD aguarda na gaveta decisão sobre tempo de TV Presidente do PPS, Roberto Freire pisou no freio e colocou na gaveta a fusão com o PMN, que originaria sigla MD (Mobilização Democrática), até que seja decidido se os novos partidos terão direito a tempo de TV e fundo partidário. A cúpula do PPS

garante que, apesar do recuo, continua dialogando com o ex-governador José Serra (PSDB) e se aproxima cada vez mais do presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE). Garantias Antes de bater o martelo sobre a fusão, o PPS quer garantir a filiação dos novos deputados, sobretudo do PSD de Gilberto Kassab. Sonho de consumo Na expectativa de acolher os “sonháticos”, PPS e PMN estão na torcida para que naufrague a criação da rede da ex-senadora Marina Silva. Força-tarefa Parlamentares se revezam na tarefa de responder às perguntas de internautas feitas a Aécio Neves, dentro das áreas em que atuam. Deu tudo errado Quem viajou de avião desde sexta-feira presenciou a deprimente confusão entre rigor e grosseria de despreparados agentes de segurança aeroportuária. Funcionários terceirizados, contratados sem tutela da Polícia Federal, humilhando idosos, crianças e cadeirantes. Porta-voz indiscreto O ex-presidente socialista Mário Soares, que se reuniu demoradamente com Dilma em Lisboa, concedeu entrevistas jurando que a presidenta criticara a política de austeridade do anfitrião dela, o primeiro-ministro. Na geladeira O ex-presidente Lula continua dando um gelo no governador Eduardo Campos (PSB), apesar de seus índices nas pesquisas de intenção de voto mostrarem que, por enquanto, ele não ameaça ninguém.

Jornalista

A pele que habito A bela presidente Laura Chinchilla enfrentará protesto na terça (25), na Costa Rica. Ela diz aceitar pagar US$ 45,6 milhões à brasileira OAS, após cancelar contrato de concessão de rodovia supostamente irregular. A fronteira do perigo Nascido no Brasil, o presidente da FAM International Group, Joe Biudini, alertou na imprensa internacional que o Brasil corre perigo com as “fronteiras porosas”. Responsável por estudo para a Copa das Confederações, ele avalia que a ameaça vem da Tríplice Fronteira. Preparativos eleitorais O PSDB designou o senador Cássio Cunha Lima (PB) para coordenar a comunicação do partido e Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo, para a elaboração de conteúdos programáticos. Falta interesse O deputado Simplício Araújo (PPS-MA) diz que, além de “abrir mão da Comissão de Direitos Humanos para colocar dois mensaleiros na CCJ”, o PT pulou fora de novo: “Eu obstruí sozinho a votação da cura gay”. Pior que está, fica Roberto Requião ficou ainda mais isolado no PMDB após a intervenção de Osmar Serraglio em 72 diretórios do partido no Paraná, com apoio de Orlando Pessuti, arqui-inimigo do senador. Candidata ao governo estadual, a ministra Gleisi Hoffmann (PT) ficou radiante. Pergunta no ônibus Onde está o senador abilolado Eduardo Suplicy (PT-SP) cantando “Blowin in the wind” para acalmar a garotada em São Paulo?

PODER SEM PUDOR

Cachorro não vota Cena contada por Simão Pessoa, no seu “Folclore Político do Amazonas”: um homem chega para votar em Iranduba, na eleição de 2000, seguido por um cão. “Vai embora, Faísca!”, ordena. Mas o cachorro o ignora. - Deixa de ser intrometido, Faísca! – insiste. Como o animal não arredava patas, tomou um chute nas costelas. O pobrezinho saiu em disparada, ganindo. O homem explicou suas razões aos demais eleitores, indignados com a agressão: - Bicho besta, esse Faísca. Eu já disse que aqui a gente pode votar em cachorro, mas cachorro ainda não pode votar...

NO SENADO

Debates abertos ao público Os cidadãos terão a oportunidade de participar, amanhã, de duas audiências públicas no Senado. Uma na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), com a finalidade de debater a possibilidade de redução da maioridade penal, e outra, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), para discutir a regulamentação da emenda constitucional que garantiu mais direitos aos trabalhadores domésticos. O Sena-

do disponibilizará canais de comunicação para facilitar a interatividade. A audiência pública da CDH será realizada a partir das 9h e será transmitida ao vivo pelo portal e-Cidadania e pela TV Senado. O público pode participar com perguntas ou comentários diretamente aos senadores e convidados pelo link http:// bit.ly/PECdasdomesticas. A interação também é possível pelas redes sociais e pelo serviço telefônico Alô Senado

(0800-612211). No debate da CCJ, que começa às 15h, a transmissão se dará igualmente ao vivo pelo portal e-Cidadania e pelo canal 2 da TV Senado na internet, já que nesse horário a emissora estará transmitindo a sessão plenária. Os cidadãos poderão igualmente participar pelas redes sociais e pelo Alô Senado. Além disso, a audiência será transmitida, por meio de videoconferência, para todas as assembleias legislativas.

O Conselho Nacional de Justiça comemora os números: procura triplicou nos últimos 5 anos

Busca pelo CNJ cresceu 170% nos últimos 5 anos Números fazem parte da estatística interna do órgão, que completou 8 anos que foi criado, na última sexta-feira

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procura pelo Conselho Nacional de Justiça, que completou 8 anos na última sexta-feira, cresceu 170% em 5 anos. Enquanto em 2007 foram instaurados 2.913 processos, no ano passado 7.867 casos foram propostos no CNJ para corrigir ou melhorar a gestão dos tribunais. Criado pela emenda constitucional 45/2004, o conselho divide opiniões entre juristas e dentro da magistratura, por suas restrições na conduta de juízes e suposta invasão de competência na edição de normas. Desde quando foi instalado o processo eletrônico no conselho, em 2007, quase 41

mil processos foram apresentados — 3,3 mil só neste ano. Cerca de 35 mil, segundo o órgão, já foram resolvidos. Ao longo de 8 anos, o colegiado se reuniu pelo menos 191 vezes em sessões plenárias ordinárias e extraordinárias. Punições Desde que o órgão entrou em atividade, houve 56 punições contra juízes por infração disciplinar, com pena máxima de aposentadoria compulsória em 36 casos. O número de sanções, segundo críticos, é pequeno diante do alto número de irregularidades constatadas nos tribunais. Para 2013, o CNJ definiu

19 metas, algumas delas com a finalidade de combater a corrupção e a improbidade administrativa. Entre elas está a Meta 18, que prevê o julgamento até o fim deste ano de todas as ações de improbidade e crimes contra a administração pública ajuizadas antes de dezembro de 2011. Dos mais de 116 mil processos que são alvo da meta, 39,5 mil já foram julgados, o que corresponde a 33,9% de cumprimento. Desde fevereiro, um grupo de trabalho acompanha o cumprimento do objetivo, cujos dados estão disponíveis no portal do Conselho Nacional de Justiça.


Com a Palavra

A7 FOTOS: DIEGO JANATÃ

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Bernardo CABRAL

‘UMA Constituição NÃO SE ESCREVE TODO DIA’ VALÉRIA COSTA Equipe EM TEMPO

A emenda constitucional está prevista em seu bojo para quando houver necessidade de uma revisão. O que acontece é que é preciso ter o cuidado, pois uma Constituição não se escreve todos os dias”

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o próximo dia 5 de outubro, a Constituição Federal promulgada em 1988 pelo então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, o ex-deputado federal Ulisses Guimarães, vai completar 25 anos. Um marco na história constitucional brasileira, haja vista que, entre as sete Cartas Magnas que o país já teve, esta é a única considerada como a “Constituição Cidadã”, em que a figura do homem brasileiro se sobrepõe em relação à figura do Estado. Mais importante ainda é a participação de um ilustre amazonense na composição do texto constitucional: o exsenador José Bernardo Cabral. Aos 81 anos de idade, Cabral entrou para os anais da Câmara Federal, quando na condição de deputado, relatou a Constituinte de 1988, a primeira após a redemocratização do país depois de um período de mais de duas décadas sob o regime da ditadura militar. Em Manaus nesta última semana (ele mora na cidade do Rio de Janeiro), onde veio receber uma homenagem da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Bernardo Cabral falou ao EM TEMPO sobre a Constituição de 1988 e sua participação e sobre suas impressões da política brasileira. EM TEMPO – Este ano completa 25 anos da promulgação da Constituição Federal, em que o senhor atuou como relator quando era deputado federal. Na sua avaliação, está no momento de a Carta Magna ser revista? Ela está caduca? Bernardo Cabral – A Constituição Federal é a lei magna do país. A emenda constitucio-

nal está prevista em seu bojo para quando houver necessidade de uma revisão, de ser atualizada. O que acontece é que é preciso ter o cuidado, pois uma Constituição não se escreve todos os dias. Portanto, não pode ficar a reboque de interesses meramente circunstanciais. Ou seja, apresentar uma emenda para mexer na Constituição Federal, tendo em vista um objetivo que não atende ao povo, à sociedade, é melhor não apresentá-la. De modo que não é simples mexer no texto constitucional. O professor Francisco Horta, jurista e desportista carioca, em sua oratória, relembra que essa Constituição começa com o homem, com o ser humano. E essa é a verdade, porque todas as demais começavam com o Estado. Logo, se essa é a “Constituição Cidadã”, na hora que for para melhorá-la ou atualizá-la, terá que ser feita em função do ser humano. EM TEMPO – Recentemente, o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o constitucionalista Luiz Barroso, criticou o excesso de emendas à Constituição. O senhor concorda com ele? BC - Assim como eu critico também, porque acabaram transformando a Constituição Federal de 1988 numa colcha de retalhos. Aquilo que eu dizia ainda pouco: é preciso ter em mente que uma Constituição não é escrita todos os dias. Ela é uma lei fundamental de um país. EM TEMPO – A Constituição de 1988 foi promulgada num momento crucial do cenário político-social e econômico do Brasil, quando o país estava recém-saído de um regime militar cruel que foi a ditadura. A composição do texto constitucional teve influência dos aconte-

cimentos deste período? BC - Sem dúvida nenhuma, porque naquela altura compunha o texto constitucional banidos, pessoas que haviam sido aposentadas, cassadas e que voltaram. E, esse reencontro se deu no texto constitucional. Ninguém imaginava que, àquela altura pudesse cair o muro de Berlim (Alemanha); que o Leste Europeu fosse todo ao seu deblaque. O partido comunista deixou de existir e a União da República Socialista Soviética cedeu lugar à Rússia. De modo que, claro que influenciou. O momento era outro. Nós estávamos saindo de uma excepcionalidade institucional para um reordenamento constitucional. O Brasil tinha ficado mais de 20 anos num túnel escuro. Mas, hoje nós estamos no espelho da democracia. EM TEMPO – O senhor participou do governo do ex-presidente da República e hoje senador, Fernando Collor de Mello (PTB-AL), no início da década de 1990, como ministro da Justiça. Na sua avaliação, qual foi o ponto mais importante desta administração que durou apenas 2 anos? BC - Bom, eu só fiquei sete meses como ministro da Justiça nessa administração. Não fiquei os 2 anos. Mas, nestes sete meses, eu posso dizer que se deve, àquela altura, muitas conquistas: Temos hoje o Código do Consumidor, temos a Infância e Juventude devidamente regida. Nós temos uma coisa que pouca gente se lembra, que foi a atualização do serviço de estrangeiro. Tudo isso passou na minha gestão. Portanto, após a minha gestão, eu não sei o que houve, não posso opinar. EM TEMPO – Como relator da constituinte, o senhor colocou a manutenção da Zona Franca de Manaus

(ZFM) nas disposições transitórias. Na última década, a defesa do modelo econômico sempre esteve na pauta do dia. O que falta para isso ser resolvido? BC - O problema não é meu, não sou congressista. Eu fiz o meu dever. Eu coloquei lá o artigo 40 das disposições transitórias na Constituição Federal mantendo a Zona Franca de Manaus por mais 25 anos. O texto é constitucional. Eles não podem tirar de lá, é por isso. EM TEMPO – Ausente há uma década do Parlamento federal, como o senhor avalia hoje o Congresso Nacional? Há uma mudança de comportamento do parlamentar da sua época e o da atualidade? BC - Na época do meu Parlamento não havia o mensalão e nem os mensaleiros (risos). Essa é a grande diferença. EM TEMPO – Qual conselho o senhor daria para aspirantes a político? BC - Que eles não se esqueçam que a política é o ponto de chegada e não de partida. Não é para engordar a conta bancária. Ele recebe uma procuração em nome do povo e do eleitor para trabalhar pela sociedade e não pelos seus interesses pessoais. EM TEMPO - Como o senhor recebe a homenagem da Assembleia Legislativa do Estado? BC - Com muita emoção. É muito difícil receber o reconhecimento de um trabalho quando se ainda está vivo. Foi muito difícil chegar à relatoria da Constituição. Disputei com nomes como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e, ao assumir essa missão ainda ouvi que a Constituição não completaria 6 meses, e hoje estamos aqui completando 25 anos.

O momento era outro. Nós estávamos saindo de uma excepcionalidade institucional para um reordenamento constitucional. O Brasil tinha ficado mais de 20 anos num túnel escuro”

Foi muito difícil chegar à relatoria da CF. Disputei com nomes como o do ex-presidente Fernando Henrique e, ao assumir essa missão, ouvi que a CF não completaria 6 meses”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIEGO JANATÃ

O potencial econômico do tucumã no AM Economia B4 e B5

Manaus movimentará R$ 1 bi com a Copa de 2014

Ao todo, as 12 cidades-sede capitalizarão R$ 30 bilhões durante os jogos do evento esportivo internacional no país ROBERTO CARLOS/AGECOM

Capital amazonense vai receber durante os jogos da Copa grande fluxo de turistas, que injetarão um volume bilionário na economia local

BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO

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Copa do Mundo de 2014 vai movimentar em torno de R$ 1 bilhão em Manaus durante o período das competições, em meados do próximo ano. Em todas as sedes dos jogos, esse montante será de aproximadamente R$ 30 bilhões, conforme números divulgados no seminário “Efeitos da Copa e Olimpíada na Economia Nacional”, realizado no início do mês em São Paulo. Além dos profissionais que virão a trabalho, os turistas nacionais e estrangeiros devem movimentar a rede hoteleira, de turismo e incrementar uma série de setores da economia do Estado. “O governo criou um plano estratégico de atuação que está em andamento para receber bem todos os visitantes que vierem durante a Copa de 2014. Vamos formar e capacitar todos os operadores de turismo e serviços com cursos de idiomas e relações pessoais. Para os pequenos empresários, vamos oferecer curso de gestão em parceria com outras instituições que atuam em conjunto conosco”, afirma a presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Oreni Braga. Por sua vez, o coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa), Miguel Capobiango, destaca que o legado da Copa de 2014 deverá se estender pelos próximos anos no Amazonas. Segundo ele, os novos empreendimentos vão dar um novo parâmetro para a sociedade amazonense, que desde então passa a entender a importância de grandes inves-

timentos e a associação com grandes eventos. “Embora não possamos entregar tudo o que foi previsto no cronograma de obras por questões similares às outras capitais, estou convicto que estamos na direção certa”, frisa. Para Capobiango, é necessário que toda a sociedade se envolva no processo de recepção dos turistas que virão à cidade entre os meses de junho e julho de 2014. “O dia a dia dos turistas e profissionais vai ser pautado por uma agenda livre. Nosso papel é garantir a infraestrutura para a Copa do Mundo na cidade”, salienta. Com o intuito de prestar melhores serviços aos turistas na cidade, a Amazonastur vai elaborar uma cartilha com informações em dez idiomas que vão revelar os principais pontos turísticos do Estado, além de alertar os visitantes sobre os lugares inapropriados. Cautela Mais cauteloso, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, avalia que ainda é cedo para fazer projeções assertivas sobre os impactos econômicos da Copa de 2014. Ele ressalta que os poderes públicos devem criar políticas como as que limitaram o acesso de caminhões de grande porte no centro da cidade em horários de grande circulação de clientes. “Acredito que está na hora de regulamentar o programa “Zona Azul”, que limita o acesso de carros em determinadas ruas do Centro por hora”, declara ao frisar que a medida, embora impopular, vai disponibilizar 3,7 mil vagas na cidade.

Hotéis preparados para receber visitantes O diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Amazonas (ABIHAM), Roberto Bulbol, destaca que a indústria hoteleira tem trabalhado a todo vapor para acomodar os turistas que virão para Manaus. Porém, ele destaca que os grandes investimentos não estão pautados somente pela Copa do

Mundo de 2014. “Hoje, Manaus tem a capacidade para oferecer 18 mil leitos, o que está além do fluxo constante de clientes. Até 2014, outros cinco hotéis de grande porte serão entregues. Portanto, o que mais nos preocupa são as condições de infraestrutura que a cidade oferecerá no futuro”, enfatiza.

Para Bulbol, a indústria hoteleira do Amazonas deu um salto qualitativo e quantitativo nos últimos anos. Segundo ele, o quadro econômico dos últimos 10 anos contribuiu para um avanço no setor e a Copa do Mundo veio para consolidar os investimentos da indústria hoteleira. “Hoje temos estrutura para atender

aqueles jovens que viajam com baixo custo e para os profissionais da mídia, os hotéis dispõem de salas multimídias com acesso à internet. Os hóspedes mais exigentes também não ficarão desamparados, porque a cidade tem hotéis de padrão com serviços classe A”, comenta o empresário. ARQUIVO EM TEMPO/REINALDO OKITA

Atualmente, Manaus oferece 18 mil leitos, número que aumentará em 2014 com inauguração de novos empreendimentos


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Economia

Gastos em tecnologia s Apesar de configurar entre as dez maiores economias do mundo, o Brasil investe apenas 0,5% do seu produto interno bruto (PIB) em inovação tecnológica, política que afeta a indústria nacional, de modo geral, e a Zona Franca de Manaus (ZFM), em particular BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO

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mbora nos últimos 10 anos o Brasil tenha se consolidado entre as sete maiores potências econômicas do mundo, a indústria nacional e, por tabela, o setor fabril amazonense, ainda carece de mais inovação tecnológica para se manter competitiva no mercado internacional. Enquanto nas áreas de produção de petróleo em águas profundas, fabricação de aeronaves, biocombustíveis e commodities agrícolas e de ferro o país está na dianteira global, outros países emergentes investem em tecnologia como política de Estado. Para o coordenador em exercício do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Inovação (Nepi) Francisco Helson, o governo federal deveria investir mais que 0,5% do produto interno bruto (PIB) para alavancar a indústria nacional. Porém, ele ressalta que a iniciativa privada deve investir e participar do processo. “O Brasil detém conhecimentos em ciência, tecnologia e inovação (CT&I), mas com pouco apoio financeiro e político, fica difícil dar prosseguimento e alcançar bons resultados em áreas que demandam maior competitividade”, ressalta. Segundo Helson, os países desenvolvidos chegam a inves-

tir até 5% do PIB em inovação, o que se reflete em produtos que alcançam mercados no mundo inteiro. “Um exemplo forte que está em evidência no mercado internacional é a Coréia do Sul, um país que direciona 3,5% do seu PIB às áreas de tecnologia e hoje exporta produtos, bens e serviços para o mundo inteiro. Aqui mesmo no Brasil, os produtos coreanos eram vistos com desdém há pouco mais de 10 anos, principalmente os carros. No entanto, hoje são sinônimos de qualidade e confiança. A revolução coreana começou como uma política de Estado há pelo menos 30 anos”, destaca. Com o surgimento de novos autores globais, a concentração de tecnologia e inovação saiu da tríade formada por União Européia, Japão e Estados Unidos. “Os países de tradição e recém-chegados a área de C&T, incluindo Brasil, Coréia do Sul, China e Índia, estão criando um ambiente global mais competitivo, desenvolvendo suas potencialidades nas esferas da indústria, da ciência e da tecnologia”, analisa. Helson explica que as grandes multinacionais instaladas no Brasil e, principalmente, no Polo Industrial de Manaus (PIM) deveriam destinar um percentual dos seus ganhos e lucros às pesquisas de inovação tecnológica no Amazonas.

Mesmo possuindo conhecimento para desenvolver tecnologias, pesquisadores recebem pouco apoio financeiro e também político

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Samuel Benchimol: a empreitada do conhecimento O elogio do conhecimento é o ponto alto da exposição Pioneiros & Empreendedores, a Saga do Desenvolvimento do Brasil, que começou nesta quarta-feira, dia 5, no Centro Cultural Palácio da Justiça. A mostra realça a figura do professor e empreendedor Samuel Benchimol, mas destaca outros, e muitos anônimos ficaram a caminho, reagiram com garra e brio à debacle do Ciclo da Borracha, há cem anos, inventando saídas e semeando as espigas da transformação. Mário Guerreiro, Cosme Ferreira, Petronio Pinheiro, JG Araújo, Antônio Simões, Isaac Sabbá, Moyses Israel, Phellipe Daou, entre tantos... Em nome deles, portanto, é oportuno – neste momento de reflexão e mobilização em torno do modelo Zona Franca – ilustrar o papel do conhecimento da esfinge amazônica na trajetória do professor Samuel Benchimol, destacando sua presença e decisiva colaboração na dialética do saber e fazer, do pensar e do empreender, como fórmula de sucesso nos negócios da família e da região. Seu pioneirismo foi – fundamentalmente - vislumbrar um modelo de desenvolvimento específico para as condições humanas, bióticas, físicas, geográficas e geopolíticas da Amazônia, baseado no conhecimento, que desembarca mais recentemente

no conceito de sustentabilidade que influenciou todo o pensamento amazônico e brasileiro, ecoando na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocorrida no Brasil, a Rio-92. Há 21 anos, no Rio de Janeiro, quando a floresta e as supostas queimadas foram escolhidas pelos países poluidores como o bode expiatório do aquecimento global, Benchimol, em sua “Guerra na Floresta”, publicação lançada no evento, desmascara a hipocrisia e defende uma alternativa de crescimento para a Amazônia, para o Brasil, com alcance global: “...um modelo que seja ecologicamente adequado, politicamente equilibrado, socialmente justo e economicamente viável.” É importante aferir o quanto isso vai rapidamente se refletir na academia, na sociedade, na legislação, nos paradigmas regulatórios, nos novos critérios que norteiam os licenciamentos de projetos e os próprios projetos da Amazônia. A bandeira do conhecimento foi desfraldada na academia, nas entidades de classe, nas autarquias e agências regionais de fomento. A própria certificação das lojas Bemol, pelos paradigmas ISO, da International Organization for Standardization, consolidando um novo patamar de qualidade, tem

por base os pilares conceituais desse modelo. É o pioneirismo do saber que agrega o discurso acadêmico, a lente visionária - de quem conhece a história e antevê o futuro - ao cotidiano do processo produtivo e da geração da riqueza. Samuel Benchimol, neste contexto, deixa um legado de raro exemplo de professor, autor e empresário da região amazônica, que conseguiu conciliar a teoria com a prática, o pensamento com a ação, o conhecer e o empreender numa dialética fecunda e singular. Samuel foi diretor e um dos fundadores do Banco do Estado do Amazonas, um dos primeiros diretores da Companhia de Petróleo da Amazônia (Copam), parceiro de primeira hora e de transposição dos desafios, de Isaac Benaion Sabbá. Ali, ele empresta sua experiência de co-fundador e gestor da empresa de varejo Benchimol, Irmão e Cia. Ltda., as lojas Bemol, que completou 70 anos. Essa empresa foi também, por mais de 40 anos, uma das principais exportadoras de produtos regionais extraídos a partir do conhecimento tradicional da biodiversidade. Com a experiência da refinaria fundou com os irmãos a Sociedade Fogás Ltda., já em 1956, empresa pioneira na distribuição de GLP (gás liquefeito de petróleo) em 4 Estados brasileiros: Amazonas, Rondô-

nia, Acre e Roraima. Líder empresarial, foi diretor de entidades de classe como a Associação Comercial do Amazonas, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sindicato de Distribuidores de Petróleo (Sindigás) e presença respeitada e atuante na Federação da Indústria (Fieam). Imprimiu nessas organizações, e em todos os fóruns de defesa da Amazônia, a busca constante de melhoria e mudanças na perspectiva da reflexão e da ação. E essa visão está presente nas empresas que fundou, hoje com vasto histórico de inovação e modernidade. Num de seus 115 títulos amazônicos, “Manaós-doAmazonas”, são listados 41 produtos extraídos da floresta e que faziam a base da economia regional nos anos 1940 em diante, quando esses empreendedores, a despeito do marasmo econômico da Amazônia de então, consolidaram teimosamente seus investimentos na região. Uma verdadeira empreitada de bons negócios da floresta. Farinha, cacau, castanha, borracha, malva e juta, resinas, óleo essencial de pau rosa, bálsamo de copaíba e cumaru. ... são alguns carroschefes das empresas que I.B. Sabbá fez florescer a partir do almoxarifado de produtos naturais da hiléia demandados pelo mercado internacional. Com os recursos dessas

empresas, desembarcaram nos anos 1960 na Companhia de Petróleo da Amazônia, matriz de uma rede de terminais para distribuição do combustível que possibilitou o ensaio de integração da Amazônia com a vida econômica do país. Visitar Pioneiros & Empreendedores, a Saga do Desenvolvimento do Brasil, é compreender o presente a partir do sangue, suor e lágrimas da obstinação e conquista dos antepassados, que souberam buscar e consolidar o conhecimento do mistério amazônico, e dele fazer um tônico para revigorar a caminhada e encarar o desafio inteligente da transformação. (*) Alfredo é filósofo e ensaísta.

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

É importante aferir o quanto isso vai rapidamente se refletir na academia, na sociedade, na legislação, nos paradigmas regulatórios, nos novos critérios que norteiam os licenciamentos de projetos e os próprios projetos da Amazônia.


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são incipientes no país FOTOS: DIEGO CAJÁ

Número de patentes é baixo O coordenador da Incubadora de Tecnologia da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Euler Guimarães, acredita que falta aos brasileiros a cultura da inovação. Ele conta que nas faculdades e centros de pesquisas e inovação do Brasil, os pesquisadores acabam ficando limitados a publicações em revistas científicas e não conseguem viabilizar seus negócios. “O número de pedidos de patentes segue baixo e as atividades de P&D continuam lentas no setor empresarial, deixando assim a maior parte do esforço de financiamento nas mãos do setor público (55%). A maioria dos pesquisadores é composta por acadêmicos (63%). Os pesquisadores também continuam desigualmente distribuídos no país e a produção nacional está dominada por um pequeno grupo de universidades de excelência, o que dificulta a transferência de tecnologia para os grandes e pequenos parques industriais do país”, observa o especialista.

Segundo ele, não há uma valorização no sentido de transformar a pesquisa em propriedade intelectual protegida por lei, diferentemente de países como os Estados Unidos, por exemplo, em que os pesquisadores, diante de resultados inovadores, já entram com pedido de patente. Para Guimarães, a questão da patente tem muita relação com a maneira como os centros de estudos foram criados no país, em que os investimentos acadêmicos foram desconexos do desenvolvimento industrial. “O fato gerou a cultura de que a ciência só é boa se for para gerar conhecimento. Não é saudável esta desconexão entre academia e indústria. O ideal é que haja todo um sistema de financiamento e cooperação entre os atores responsáveis pela inovação tecnológica e a patente entra nesta relação não como uma ferramenta de total proteção e geração de royalties, mas como um eficaz mecanismo de atestado de inovação e de competitividade”, salienta. Na avaliação do coordenador da Fucapi, Euler Guimarães (à direita), falta cultura da inovação no país na área tecnológica


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Economia

O potencial econô DIEGO JANATÃ

Além de ser um importante item da dieta local, o fruto amazônico pode ser usado para agregar valor, fato que o torna cobiçado por produtores rurais e empresários da região JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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ARQUIVO EM TEMPO/ALEXANDRE FONSECA

opular nas feiras e na dieta da população da região, o tucumã possui um potencial econômico que vai além do “x-caboquinho” que o torna cobiçado por agregar valor aos negócios de produtores rurais e empresários do Amazonas. A utilização não apenas da polpa, mas dos resíduos descartados no manuseio do fruto (casca e caroço), pode ser um caminho para o melhor aproveitamento por parte dos investidores do típico fruto amazônico rico em fibras. Estudo realizado pelo pesquisador em Ciências de Florestas Tropicais do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Adriano Amir Didonet, em seis grandes feiras da capital amazonense, aponta que 88% do fruto comercializado em Manaus é formado por resíduo (sendo 70% de caroço 18% de casca) e apenas o restante corresponde à polpa consumida em sanduíches e outros pratos regionais. Segundo ele, 40% do total do caroço corresponde à óleo de tucumã, resíduo que pode ser reaproveitado para a alimentação de animais e para a produção de combustível, o chamado biodiesel. “Entretanto, mesmo com seu potencial de uso e o interesse por parte dos comerciantes, a grande maioria desse material teve como destino o aterro controlado de Manaus”, observa. O levantamento feito nas seis feiras aponta que entre maio de 2011 e abril de 2012, 268,5 toneladas de resíduos foram pro-

duzidas, uma média de 22,4 toneladas por mês. Para o pesquisador, devem ser consideradas melhores formas de gerir o resíduo decorrente dessa atividade comercial. “A grande quantidade de resíduos produzida, e sua fácil acessibilidade são fatores para seu aproveitamento com ganhos socioeconômicos futuros”, destaca Adriano Didonet. Potencialidades Fora a polpa - que é utilizada para a elaboração do x-caboquinho, a produção de sorvetes e para receitas de culinária em restaurantes regionais -, os resíduos descartados podem ser reaproveitados de várias formas. A casca pode ser usada, por exemplo, na fabricação de rações animais e produção de madeiras à base da palmeira. “O óleo do caroço, por sua vez, pode ser beneficiado para a produção de combustíveis”, acrescenta Adriano Didonet. Por sua vez, o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Luiz Antônio Cruz, explica que os estudos para o uso dos resíduos no biodiesel estão em andamento. Segundo ele, as pesquisas avaliam o material genético, o volume de polpa por fruto para produzir mais óleo e um maior aproveitamento do caroço. “O objetivo é desenvolver uma técnica para conseguir extrair o maior volume de óleo possível do fruto para a produção do biodiesel”, relata. O pesquisador informa ainda que o trabalho está em estágio inicial e enfrenta dificuldades com o custo da pesquisa e o com o domínio total da tecnologia necessária.

Valor médio do tucumã vendido nos mercados da capital amazonense é de R$ 3,79. Porém, o quilo da polpa pode chegar a R$ 5

Preço cobrado nas feiras é ‘salgado’ A pesquisa do Inpa mostra que, no período de um ano, 367,8 toneladas do fruto foram comercializadas nas feiras e mercados de Manaus. Deste total, 46,6% (171,1 toneladas) foram revendidas no varejo “in natura” (o fruto propriamente dito) e 53,4% (196,7 toneladas) foram beneficiadas

para a venda da polpa. Ao longo de 2012, o preço da saca no atacado variou entre R$ 30 e R$ 180, sendo o valor mais comum R$ 80. No varejo, a dúzia de frutos foi revendida em média a R$ 3,79 (variando entre R$ 2,50 e R$ 5) e o quilo da polpa, em média, foi comercializado por R$ 31,47 sendo os

preços mais comuns R$ 3 a dúzia de frutos e R$ 30 por um quilo de polpa. Caro Segundo Adriano Didonet, historicamente, o tucumã tem sido um dos mais caros comercializados nas feiras de Manaus. “É mais caro comprar um quilo de polpa de

Fucapi investe em pesquisas Há 13 anos, a Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) investe na cultura do tucumã. Conforme o líder do projeto Design Tropical, Robervando Gonçalves, o caroço do alimento tem sido utilizado para a confecção

de cestarias e biojoias, enquanto da palmeira são extraídas lâminas de madeira empregadas na marchetaria em peças pequenas como porta-cartões e mobílias, sobretudo, mesas. “Pela exuberância da cor da madeira que é preta rajada de amarelo,

as peças saem até 20% mais caras em relação àquelas fabricadas com outras madeiras podendo variar entre R$ 300 e R$ 15 mil, dependendo do objeto e, ainda assim, não paramos de receber pedidos”, afirma.

tucumã do que comprar um quilo de tambaqui, um alimento igualmente tradicional dos amaz o n e n s e s” , compara o especialista.


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ômico do tucumã DIEGO JANATÃ

Produção em massa defendida

Conhecida por ser saboroso comestível, polpa do tucumã é insumo para criar novos produtos

Soluções são apontadas Segundo o pesquisador, para viabilizar a expansão das plantações de tucumã, o desenvolvimento e a popularização de tecnologias mais eficientes de armazenamento e extração da polpa é um caminho. “Um despolpador específico para o fruto ainda não foi desenvolvido,

falta pesquisa na área e articulação entre produtores e feirantes”, relaciona. A tecnologia, de acordo com ele pode proporcionar o fornecimento de frutos com melhor qualidade, e aumentar em mais de 100% a produtividade da atividade de despolpa.

Na avaliação do presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, o tucumã possui um potencial econômico grande para futuros projetos. Para ele, deveria haver um interesse maior em cultivar a espécie a não apenas extraí-la da natureza. “O crescimento da demanda é muito superior a oferta. No momento em que houver o aumento do cultivo com tecnologias apropriadas, será possível fornecer o fruto a preço mais justo, em maior quantidade e utilizá-lo até mesmo para a comercialização de produtos fora do Amazonas”, projeta. Para Lourenço, a situação é parecida com a que passou a economia de beneficiamento da borracha. “Hoje, o Amazonas produz 800 toneladas ano, mas a fábrica de pneus instalada no Estado demanda 3 mil toneladas ano. A produção extrativa não é elástica. O desafio é realizar essa mudança”, avalia. Sepror O secretário de Produção Rural do Estado do Amazonas, Eron Bezerra, pondera

que apesar do potencial de escala comercial fora de Manaus, ainda não há demanda suficiente para justificar grandes investimentos em plantações. “A indicação do fruto para o produtor só é feita quando há segurança de viabilidade econômica, o que ainda não é o caso”, ressalta. Eron Bezerra também de-

ORIGEM

Em 2011 e 2012, o tucumã foi fornecido aos feirantes de Manaus por 20 localidades diferentes com destaque para municípios como o de Itacoatiara, Autazes e Rio Preto da Eva monstra preocupação com o esgotamento das plantas. “Se houver demanda o tempo inteiro haverá saturação da plantação e prejuízo para a espécie. Quanto aos subprodutos, acreditamos no potencial, inclusive por termos exemplos como o açaí, que tem demanda até mesmo internacional”, conclui o secretário. IONE MORENO

Valor do produto subiu 230% O levantamento do Inpa detectou ainda que o preço real da saca do tucumã aumentou 230% entre 1995 e 2012. Para o pesquisador Adriano Didonet, o acréscimo acentuado pode estar relacionado com problemas na oferta. “O curto tempo de prateleira que ocasiona em perda de frutos e o baixo rendimento de polpa contribuem com o elevado custo do tucumã “in natura” e, principalmente, da polpa extraída, como é comumente comercializado”, frisa. Para ele, a expectativa era de que o estímulo dos altos preços estimulasse a produção, aumentando a oferta e consequentemente provocando uma diminuição do

PARCERIA

Fucapi tem capacitado profissionais que trabalham com o fruto amazônico, viabilizando projetos economicamente viáveis para os empreendedores, inclusive, no interior do Estado

seu valor para o consumidor final. “A coleta do fruto é feita pelo extrativismo, ou seja, não existem plantações de tucumã que possibilitem produção em larga escala, e o extrativismo, por sua vez, apresenta limitações restritivas ao desenvolvimento desse mercado”, explica.

Para Muni Lourenço, interesse por tucumã deve ser maior

Fatores como baixo rendimento da polpa contribuem com o elevado custo do tucumã


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País

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Menos de 1% das escolas têm infraestrutura ideal Isto é: biblioteca, laboratório de informática, quadra e dependências para atender estudantes especiais

Na maioria das escolas de comunidades rurais os alunos não têm infraestrutura para o aprendizado

A

penas 0,6% das escolas brasileiras têm infraestrutura próxima da ideal para o ensino, isto é, têm biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva, laboratório de ciências e dependências adequadas para atender a estudantes com necessidades básicas. O nível infraestrutura avançada inclui os itens considerados mínimos pelo Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi), índice elaborado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Já 44% das instituições de educação básica contam apenas com água encanada, sanitário, energia elétrica, esgoto e cozinha em sua infraestrutura. Esse é o resultado de um estudo feito pelos pesquisadores Joaquim José Soares Neto, Girlene Ribeiro de Jesus e Camila Akemi Karino, da Universidade de Brasília (UnB), e Dalton Francisco de Andrade, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), intitulado “Uma escala para medir a infraestrutura escolar”. A pesquisa incluiu dados do Censo Escolar de 2011 de 194.932 escolas. Girlene afirma que ela e os pesquisadores esperavam que os resultados demonstrassem a precariedade de muitas das escolas brasileiras, mas pontua que o percentual de elementares (44%) e de avançadas (0,6%) foi um “choque”.

“Sabíamos que encontraríamos diferenças e que a zona rural, por exemplo, apresentaria infraestrutura mais deficitária. Mas não achávamos que seria tanto. O mesmo vale para as diferenças regionais, como é o caso do Norte e do Nordeste, e para as redes municipais, onde se concentram as escolas com as piores condições”, afirma.

PRECARIEDADE

Já 44% das instituições de educação básica contam apenas com água encanada, sanitário, energia elétrica, esgoto e cozinha em sua infraestrutura. Esses locais sequer têm espaço para lazer

“A criança, quando chega à escola, tem que ter equipamentos, conforto no ambiente para se concentrar, se dedicar aos estudos e ao aprendizado. O professor precisa de equipamento para desenvolver o trabalho dele, assim como a escola”, explica Joaquim José Soares Neto. “O Brasil está passando por um momento em que é consenso que se deve investir em educação. A pesquisa traz uma perspectiva de como orientar esse investimento para resolver um problema que não é simples”.

Desigualdades regionais Os dados do estudo revelam que as grandes diferenças entre as regiões do país aparecem também na infraestrutura das escolas. Das 24.079 unidades de ensino da Região Norte, 71% podem ser consideradas no nível elementar, o mais precário. No caso do Nordeste, esse índice ainda se mantém alto, mas cai para 65%. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o maior percentual de escolas localiza-se no nível básico. Em todas as regiões a taxa de colégios

públicos classificados como de infraestrutura avançada não excede os 2%. Quando observados os dados por redes, as desigualdades também são grandes. Entre as escolas federais, 62,5% podem ser consideradas adequadas e avançadas. No caso das estaduais, 51,3% das unidades são básicas em relação à infraestrutura e, considerando as municipais, 61,8% das escolas são classificadas como elementares.

Resultado no desempenho Os pesquisadores não fizeram ainda a relação entre infraestrutura escolar e o desempenho dos alunos. “É necessário correlacionar os resultados das avaliações, como a Prova Brasil, com as condições físicas das escolas. O nível socioeconômico das regiões em que a infraestrutura é insuficiente é também bastante carente. Essa discussão precisa ser feita”, afirma Neto.

Para ele, a escala ajuda a apontar quais são as regiões do país que precisam de políticas públicas especiais. “Não interessa onde a criança esteja: ela tem direito a uma educação de qualidade. Isso pressupõe também uma infraestrutura escolar de qualidade”, ressalta. “É preciso mais recursos, com um investimento que seja realizado com eficiência”.


Mundo

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Sucessor de Ahmadinejad manterá programa nuclear O direito de produzir energia nuclear e enriquecer urânio se tornou uma política do Irã e nem opositores questionam sua continuidade

O

s rumos do programa nuclear iraniano não devem mudar com a eleição presidencial deste fim de semana. Longe de ser uma iniciativa do governo de Mahmoud Ahmadinejad, o direito de produzir energia nuclear e enriquecer urânio se tornou uma política de Estado e nem mesmo opositores do regime questionam sua continuidade. São essas as análises de diferentes especialistas consultados pelo “Opera Mundi”, que indicam que a única mudança provável com o novo presidente será no tom das negociações com os Estados Unidos e seus aliados. “Todo o sistema iraniano concorda que o Irã tem o direito fundamental de gerar combustível nuclear”, afirma o professor de química da Universidade da Califórnia do Sul, na sigla em inglês USC, e especialista em questões nucleares, Muhamed Sahimi. “É uma questão nacionalista muito importante para o país e nenhum político quer ir contra isso, nem mesmo os mais críticos”, acrescenta o analista Hooman Madj. O programa nuclear iraniano teve início na década de 1970 durante o governo do Shah Mohammad Reza Pahlavi e contou com o apoio da Casa Branca. Na

AE

ocasião, os EUA emitiram um documento reiterando a importância da produção de energia nuclear no país. As autoridades iranianas fecharam contratos milionários com empresas europeias e norte-americanas que foram cancelados com a Revolução Iraniana de 1979. Foi a partir desse momento que EUA e seus aliados começaram a tentar impedir o desenvolvimento do programa nuclear do país. Liderança Os governos que se seguiram, incluindo os de Ali Akbar Hashemi Rafsanjani (1989 – 1997) e Mohamed Khatami (1997, 2005), considerados os principais líderes da oposição atual, mantiveram a construção de usinas nucleares como um dos principais alicerces da política externa. Com Mahmoud Ahmadinejad, o programa avançou radicalmente na medida em que aumentava a pressão internacional, liderada pela Casa Branca. “Pensar que podemos persuadir Teerã a não obter uma arma nuclear enquanto apontamos uma arma para a sua cabeça, não é nada realista”, afirma o professor de Relações Internacionais e colunista da revista “Foreign Policy”, Stephen Walt.

Política é considerada ‘irracional’ Diferentemente do que muitos imaginam, a ação das autoridades iranianas em relação ao programa nuclear nada tem de irracional. “Os líderes iranianos já demonstraram que quando se trata de política externa, cálculo frio e análise de custo-benefício são o que eles usam para decidir o que devem fazer”, conclui Sahimi. De acordo com professor de relações internacionais, Mohsen Milani Walt, o Estado iraniano possui a percepção de que está extremamente ameaçado por diversas razões: existem três potências nucleares em sua região (Paquistão, índia e Israel) e existem tropas norte-americanas em duas fronteiras (Afeganistão e Iraque) Especialistas acreditam que o Irã tem o direito fundamental de gerar combustível nuclear

DURANTE A COPA

CONTRA ASSAD

EUA intensifica apoio a rebeldes Os Estados Unidos anunciaram um aumento no apoio militar ao principal grupo rebelde sírio depois de determinarem que o governo usou armas químicas contra a oposição, disse uma autoridade sênior da Casa Branca nesta semana. “O presidente tomou uma decisão sobre fornecer mais suporte à oposição, que vai envolver apoio direto (ao Conselho Militar Supremo), o que inclui apoio militar”, disse o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, a repórteres. Os rebeldes, que há 2 anos lutam para derrubar Assad, estão inferiorizados militarmente e sofreram recentemente uma série de derrotas no campo de batalha. Por isso, o vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, disse que o presidente decidiu oferecer “apoio militar direto” à oposição. Ele não especificou, no entanto, se isso incluirá ajuda letal, como armas, algo a que

Obama até agora se opunha. Rhodes disse apenas que a ajuda militar será diferente “em escopo e escala” daquela que foi previamente autorizada e que incluía equipamentos nãoletais, como óculos de visão noturna e blindagens corporais. O anúncio ocorreu após intensas deliberações entre Obama e seus assessores de segurança nacional em meio a uma crescente pressão doméstica e externa para que ele intervenha de modo mais incisivo no conflito. “Nossa comunidade de inteligência avalia que o regime de Assad usou armas químicas, incluindo o gás de nervos sarin, em pequena escala contra a oposição múltiplas vezes neste ano”, disse Rhodes a jornalistas. “A comunidade de inteligência estima que cem a 150 pessoas tenham morrido por causa de ataques detectados com armas químicas na Síria até agora.

ONU pede que Brasil cuide de suas moradias AE

Poderio militar dos rebeldes sírios se acentua com novas armas

Na semana da abertura da Copa das Confederações no Brasil, a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Moradia Adequada, a brasileira Raquel Rolnik, divulgou comunicado em que alerta para possíveis violações de direitos humanos relacionados com os megaeventos no país. Segundo ela, denúncias recebidas pelo órgão nos últimos 3 anos indicam que a população brasileira pode estar sendo submetida a despejos forçados e à elevação do custo da habitação por causa da especulação imobiliária, a exemplo do que ocorreu em outros países que sediaram eventos semelhantes. “Eu reconheço que os megaeventos esportivos podem ser uma oportunidade para melhorar o acesso à moradia adequada, por exemplo, através da melhoria de sistemas de transporte e melhorias ambientais nas cidades-sede. No

entanto, a experiência mostrou que os eventos resultam muitas vezes em despejos forçados, deslocamentos, operações de retirada de pessoas sem teto e um aumento geral do custo da habitação adequada”, disse por meio do comunicado. “A situação, infelizmente, não é diferente no Brasil atualmente. Espera-se que o campeão de muitas copas de futebol use esta oportunidade para mostrar ao mundo que também é um campeão do direito à moradia, em especial para as pessoas que vivem na pobreza, mas a informação que recebi mostra o contrário”, acrescentou a relatora da ONU. De acordo com a nota, entre as denúncias estão despejos sem o devido processo ou em detrimento de normas internacionais de direitos humanos, sendo que, em vários casos, os moradores não foram consultados e não tiveram a oportunidade de participar nas decisões.


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Mundo

MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

JOEL ROSA

Históricos, belos e agonizantes Páginas C4 e C5

As mulheres reagem!

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Queda no índice de violência doméstica e crescimento das denúncias diárias mostram que vítimas começam a perder cada vez mais o medo ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

O

primeiro olhar, o primeiro sorriso, o primeiro beijo de um casal apaixonado sempre é vivenciado na mente de uma mulher. Ditados explicam que tudo no início é maravilhoso, mas só se conhece o outro quando o casal se une e decide morar junto. As manias, os costumes e os pontos negativos começam a aparecer, os piores momentos acontecem quando se iniciam as discussões e depois se transformam em agressões físicas e verbais. Foi assim que aconteceu com a dona de casa que se identificou apenas por Tayla, 24. Após nove anos, ela teve a iniciativa de denunciar o companheiro, depois de ele ter chegado na madrugada de segunda-feira passada (10) em casa junto com o irmão e expulsado as duas filhas de 6 e 8 anos da rede onde dormiam e mandado que as duas dormissem no chão para que o seu irmão se acomodasse ali. Revoltada com a situação e pela forma como o companheiro chegou - gritando com as filhas -, a dona de casa chamou a atenção dele e explicou que não era certo acordar as filhas aos gritos e mandá-las dormir no chão, enquanto seu irmão bêbado ocupava o lugar delas. Ao ver o aborrecimento da companheira, o autônomo iniciou uma discussão e ameaçou agredi-la por causa da desobediência de uma ordem dele. Lembrando-se na hora da discussão sobre a Lei Maria da Penha, ele começou a quebrar todos os aparelhos domésticos e agredir verbalmente Tayla. Os vizinhos assustados com o choro das crianças e os gritos do autônomo chamaram a polícia, mas quando os policiais chegaram, o agressor já havia fugido da residência e deixado sua família em ruínas. Mas a coragem de denunciar prevaleceu. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), as mulheres vêm perdendo mais esse medo de comprometer a relação familiar, e agindo mais com a razão ao denunciar os casos tanto na delegacia como também para a própria família e vizinhos – a exemplo de Tayla. De 2010 para 2011, a violência doméstica cresceu 2,4 %, mas houve uma queda de -33,2% de 2011 para 2012, o que, de acordo com a secretaria, indica mais informação sobre a Lei Maria da Penha. Com esse dado positivo, a Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) informou que, em média, 20 casos de violência verbal e física são ali registrados diariamente. O secretário de Segurança Pública, coronel Paulo Roberto Vital, na apresentação do Anuário Estatístico de Segurança Pública de 2012, explicou que a violência doméstica é o que mais preocupa a secretaria. “São coisas que não vão ser resolvidas com o aparato policial. Também me pergunto o porquê do aumento da violência doméstica nas nossas sociedades. Não é isso que nós queremos. Esta violência está vindo

dentro do seio da família, então precisamos buscar alternativas. Eu conclamo todos os segmentos religiosos, que têm a sua representatividade, interação dos conselhos comunitários, e através destes programas sociais buscarmos alternativas para mudar essa atitude social”, disse Vital. A hora do ‘basta’ Por estar desempregada, morar de aluguel e ter perdido a máquina de lavar na confusão, Tayla conseguiu ir até a DECC na última quartafeira (12), com ajuda de sua mãe que lhe emprestou dinheiro para comprar comida e pagar a passagem de ônibus. Na delegacia, a dona de casa contou que o companheiro sempre utilizou drogas, mas que no meio do casamento havia parado de utilizar, momento em que a sua família se estabilizou. Há dois anos, porém, o vício voltou a ser mais forte e o autônomo retornou ao álcool e à pasta-base de cocaína. “Hoje me considero em estado de depressão, pois jamais pensei que a nossa história chegaria a este ponto. O que mais me dói é ver que os meus filhos choram por sentirem falta do pai e principalmente da comida, pois todo o dinheiro era destinado apenas para o vício do meu marido”, desabafou Tayla, emocionada. Segundo a dona de casa, o autônomo gastava em média de R$ 300 por mês para sustentar o vício. Recentemente, ele fez um empréstimo de R$ 5 mil, dinheiro gasto no vício. “Meus filhos não ganharam nenhuma roupa nova e muito menos um calçado. Foi o amor pelos meus filhos que me fez ter coragem de vir até a delegacia e denunciá-lo. Neles eu encontrei força para dizer ‘basta’. Quero tentar mudar de vida, espero que tudo se resolva, agora vou poder procurar emprego, pois ele não me deixava trabalhar”, relembrou. A vítima era mantida todos esses anos como dona de lar, se aparecesse alguma oportunidade de emprego era logo descartada pelo companheiro que sempre informava que a mulher deveria cuidar dos filhos e da casa. Mas, quando o autônomo não estava em casa, Tayla lavava algumas roupas para conseguir dinheiro e comprar as coisas para os filhos. Leia mais nas páginas C2 e C3

Tayla, vítima de agressão, tomou coragem para denunciar a violência psicológica do companheiro


C2

Dia a dia

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A coragem diante da agressão

Nayara Mota chegou a perder um bebê por causa do terrorismo psicológico e das agressões físicas do ex-companheiro, e aguarda solução até hoje FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Nayara relembra com nervosismo a perseguição sofrida por conta do ex-companheiro, que até a fez abortar ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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medo, a omissão da família e o amor às vezes falam mais alto e evitam que a mulher tenha forças para ir até a delegacia denunciar o agressor. Há casos em que elas, após a primeira agressão física, perdoam o companheiro. Daí sucedem as outras agressões, até serem mantidas em cativeiro e reféns da própria vida. Algo assim aconteceu com a estudante Nayara Ferreira Mota, 18, que pela segunda vez procurou a delegacia especializada para denunciar o ex-companheiro. Com os hematomas que indicam o grau das agressões sofridas pelo corpo, a jovem, que mora no bairro Coroado 3, Zona Leste, tremia de nervosismo na DECCM. Ela não acreditava nos atos cometidos por uma pessoa que tanto amara. Nayara relembrou que o romance de quase 2 anos terminou por causa da primeira agressão, há quatro meses, pois as amigas do ex-companheiro sempre atrapalhavam o relacionamento do casal, por não aceitarem a relação do amigo com a estudante. Ciúmes e invenções de histórias das próprias colegas do ex-companheiro levaram à primeira agressão. Certo dia, a estudante retornava para casa, quando foi surpreendida pelo marido com um pedaço de pernamanca com uma ponta de prego e começou a golpeá-la, deixando um grande hematoma em sua perna esquerda, além dos puxões de cabelo, murros e socos. A jovem não teve outra reação a não ser de pegar as suas coisas e voltar para a casa da mãe. Com medo que algo pior acontecesse consigo, Nayara foi até a especializada e realizou um boletim de ocorrência (BO) contra o companheiro. Após a recuperação da agressão, ela descobriu que estava grávida do ex-marido e iniciou o procedimento do pré-natal. Em visita à ginecologista, a estudante foi informada que a sua gravidez era de risco e que todo cuidado era pouco. Na semana passada, Nayara foi surpreendida novamente no bairro pelas amigas do seu companheiro que começaram a dizerlhe vários desaforos sobre sua gravidez e sobre ele. Irritada, a estudante retornou para a casa, e tanta raiva acabaram levando a complicações de saúde. Foi levada ao hospital, mas já era tarde demais: por causa da raiva, Nayara havia abortado. O ex-companheiro, com remorsos, procurou-a e pediu perdão pelo que tinha acontecido, pois Como Nayara, várias mulheres estão superando o medo de havia pedido que as amigas denunciar a violência, contando mesmo com a ajuda de vizificassem incomodando quannhos que testemunham as agressões sofridas pelas vítimas do a encontrassem.

Mecanismos de defesa A titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (Deccm), Kethleen Araújo, explicou que com os mecanismos de proteção e maior punição dos agressores disponibilizados pela Lei Maria da Penha, verificou-se um aumento considerado de denúncias tanto pelas mulheres vítimas de violência quanto por pessoas que testemunham tais violências, como vizinhos e familiares. “A aplicação efetiva da lei tanto pela polícia quanto pelo Judiciário, trazendo a devida responsabilização penal aos agressores e a proteção à vítima, seja por meio das medidas protetivas de urgência, do pedido de prisão preventiva ou em flagrante, também traz credibilidade a lei e aos órgãos participantes da rede de enfrentamento”, disse. A delegada informou que a mulher vítima de violência pode buscar apoio para registro de sua ocorrência e a realização dos procedimentos penais em qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP), estando todos aptos a atender e realizar os procedimentos necessários. Outros órgãos, como a Secretaria de Assistência Social (Seas) e o Serviço de Apoio Emergencial à Mulher (Sapem), disponibilizam de serviços de psicólogo, assistente social,

encaminhamentos a outros serviços sociais e um abrigo provisório para as mulheres vítimas que necessitam. “Tal serviço encontra-se disponível atrás da Delegacia da Mulher. Também contamos com uma Casa de Abrigo (pertencente à Seas), onde as mulheres em situação mais grave, onde há perigo de morte, podem ser abrigadas por um período indeterminado. Tal abrigo possui endereço sigiloso e as vítimas lá abrigadas não podem receber visitas. Detalhe importante é que podem ser abrigadas juntamente com seus filhos”, garantiu. Apoio Além de todos esses apoios, a titular da especializada conta com o Núcleo de Apoio Emergencial à Mulher da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (Naem), que trata das causas familiares, tais como separação, divisão de bens, guarda de filhos e outros das vítimas de violência doméstica. Quanto à vítima, a titular explica que caso a mulher esteja ou tenha acabado de sofrer qualquer tipo de violência deverá, primeiramente, acionar a polícia, para que, conforme o caso, seja o agressor preso e levado até um DIP para a realização dos procedimentos legais.

Uma perseguição constante Após ser agredida novamente por seu ex-companheiro, Nayara retornou para casa e contou a situação para a sua mãe, que a levou a delegacia para fazer nova denúncia. “Tenho medo que a qualquer momento ele me mate, pois quando ele me encontra pelo bairro me agride. Está é a segunda fez que o denuncio, da primeira ele não foi encontrado para as audiências. Espero que dessa vez as coisas pos-

sam ser resolvidas”, disse a vítima, assustada. Nayara contou que a pedido do ex-companheiro, no momento em que os dois resolveram morar juntos, teve que largar os estudos. “O que mais me dói é saber que eu resolvi largar mão de tantas coisas importantes e ser tratada dessa forma por ele. Não importa se não iríamos mais ficar juntos, ele me fez perder um filho que já amava, mesmo sem ter visto”, desabafou a estudante.


Dia a dia

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Marcas de uma barbaridade ERLON RODRIGUES/AGORA

Em um dos casos mais chocantes do ano, mulher teve a cabeça raspada e o corpo queimado pelo companheiro violento ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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Luziara Nogueira exibe no corpo as marcas da violência do marido: caso de grande choque na sociedade local

ntre os casos de violência doméstica que chocaram o Estado, um dos mais recentes foi o da dona de casa Luziara Nogueira Gomes, 28. Seu marido, o agricultor Romildo Gomes dos Santos, 26, foi preso no dia 23 de abril deste ano na residência do casal, localizado no ramal 13, da estrada de Autazes, na rodovia BR319 (Manaus-Porto Velho), ao tentar matar a mulher, então grávida de três meses, por ciúmes. Romildo manteve a companheira em cárcere privado, espancou-a com um pedaço de ferro, cortou seu cabelo com um terçado e em seguida raspou-lhe a cabeça com um barbeador. Não satisfeito, ateou fogo em Luziara. Ela contou que as agressões ocorriam há pelo menos 8 anos, período em que manteve o relacionamento com o agricultor, com quem teve três filhos e estava grávida do quarto. Todo esse tempo, Luziara suportou a situação, que chegou ao conhecimento da polícia por meio de denúncia de moradores, vizinhos da vítima. A gravidez foi o estopim para a agressão bárbara. “Desde que ele soube que eu estava grávida, começou a dizer que o filho era do seu irmão, e por isso começou a “judiar” do meu corpo, sempre me

ameaçando, mas agora ele agiu de uma forma como nunca tinha feito”, disse. Além dos golpes no corpo com a barra de ferro, o agricultor golpeou a mulher também na barriga, tentando fazê-la abortar. Luziara também foi atingida com um estilete nas costas pelo marido descontrolado. Toda a agressão foi testemunhada pelos três filhos do casal. A criança mais nova, de 2 anos, também foi atingida pelo fogo. Os vizinhos, revoltados com as torturas que Luziara vinha recebendo, chamaram a polícia. A vítima disse que ele a tinha obrigado a contar aos policiais que tinha levado uma queda, por isso estava cheia de hematomas, além da queimadura. Na época do crime, os policiais relataram um forte odor de gasolina. No quintal, foi encontrada a barra de ferro e documentos queimados, pertencentes a Luziara. Em depoimento, a mulher confirmou o espancamento e a tortura. Graças à coragem da vítima, o agricultor foi preso e encaminhado para o 34º. Distrito Integrado de Polícia (DIP), no município de Careiro Castanho, a 88 quilômetros em linha reta de Manaus. Na delegacia o suspeito mesmo tendo negado na hora da abordagem da polícia em sua casa, confessou todo o crime e ainda disse que havia espancado a companheira por ela tê-lo traído com um vizinho.


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Dia a dia

O cemitério da h Marcos de um passado de riqueza, prédios e monumentos históricos permanecem à mercê da degradação pela ação do tempo, mas a esperança de recuperação ainda existe LUCIANO LIMA Equipe EM TEMPO

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restes a comemorar o seu 344º aniversário no próximo mês de outubro, Manaus atrai milhares de turistas anualmente em busca de aventura e boas recordações na metrópole encravada no meio da selva amazônica. Além das belezas naturais, a capital amazonense chama a atenção pela bela e rica arquitetura construída durante o apogeu da borracha, entre os séculos 19 e 20, que revela a grande miscelânea europeia de prédios, praças e monumentos deixados como legado para a cidade. No entanto, a falta de responsabilidade com o patrimônio público e a ação do tempo vêm transformando o “porto de lenha” em um verdadeiro “cemitério” de casarões e prédios históricos, alguns abandonados e outros sob posse consolidada, passado por gerações familiares. Não tem como negar que muitos prédios históricos na cidade mantêm um padrão de qualidade e beleza igual ou superior comparados aos grandes marcos arquitetônicos no mundo, porém há muitos cujo valor artístico está degradado, abrindo espaço para o esquecimento desses que um dia compuseram a harmonia e a construção da história da capital. Contudo, há uma grande preocupação por parte da nova gestão municipal no que se refere ao restauro e recuperação da identidade desses locais. Dados do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) apontam na área do

centro histórico de Manaus 1.656 unidades de interesse de preservação de primeiro e segundo graus, além da orla portuária e dez praças históricas, o que pode ser um grande passo visto que a cidade é hoje um dos pontos no Brasil mais visitados por turistas nacionais e internacionais. Com o propósito de assegurar a preservação do patrimônio histórico, o prefeito Arthur Neto estabeleceu a criação da Secretaria Municipal Extraordinária para Requalificação do Centro (Semex), órgão responsável em desenvolver ações e projetos para recuperação do

SOLUÇÃO

O prefeito Arthur Neto estabeleceu a criação da Secretaria Municipal Extraordinária para Requalificação do Centro (Semex), responsável por ações e projetos para recuperação do centro histórico centro histórico de Manaus em ação conjunta com outras secretarias municipais ligadas à infraestrutura, cultura e turismo, trânsito, limpeza pública, além de secretarias sociais e de produção. Área prioritária Segundo o coordenador de patrimônio histórico da Semex, Roger Carpinteiro Peres, se o proprietário de um desses imóveis de interesse histórico chegar a descaracterizá-lo ou de alguma forma extinguir suas características sem autorização, ele poderá responder judicialmente pelo fato.

A área portuária abriga instalações imponentes como a Catedral Metropolitana de Manaus (Igreja da Matriz) e um conjunto de obras que identificavam o local como porta de entrada da então província baré. Hoje tomada pelo comércio e por centenas de ambulantes, é quase impossível tais obras concorrerem com a descaracterização na área. O desenvolvimento econômico no porto de Manaus foi percebido pelo surgimento de arquiteturas peculiares, como o prédio da Alfândega inaugurado em 1906, trazendo elementos medievalistas e renascentistas construídos pela firma inglesa Manaos Harbour Limited. Na contramão das áreas tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional e bem diferente do quadro de conservação, encontra-se ali a antiga sede da empresa de navegação Booth Line, dentro das instalações da área privatizada do porto, e que atualmente sofre com as ações do tempo e com a morosidade nas questões jurídicas que envolvem o prédio. A estrutura interna e externa do local está quase que completamente comprometida, deixando o local à sua própria sorte. No último mês de maio, o Implurb e a Defesa Civil Municipal embargaram as obras do conjunto arquitetônico que compõe o Palacete Silvério Nery, localizado na esquina da rua dos Andradas com a Joaquim Nabuco, Centro. A interrupção aconteceu após os órgãos receberem denúncia de irregularidades e também constatarem alteração no projeto de reforma, acarretando na interrupção imediata.

Complexo Booth Line, no Centro: ruínas de um período histórico que estão fadadas ao desaparecim

Fonte da praça da Matriz recuperada mas escondida da visão pública pelas barracas de camelôs

Um caráter político e didático Mas o que seria dos prédios e palacetes históricos sem a presença de monumentos importantes em sua composição. São inúmeras formas, significados e materiais que fazem dos tradicionais monumentos um detalhe à parte na capital amazonense, principalmente em espaços públicos. A pesquisadora na área de patrimônio e design urbano, Evany Nascimento, explicou que construir um monumento, por menor que seja, principalmente em espaço público, tem sempre um caráter político e didático. “Sempre são obras relacionadas a figuras públicas ou eventos que marCoreto da praça da Polícia: exemplo de vontade política na recuperação de monumentos

caram a história da cidade, Estado ou país”, esclareceu. “Há também outras obras de caráter mais decorativo, como algumas esculturas e as fontes que estão nas praças de Manaus, cuja função principal é o embelezamento do espaço”, acrescentou a pesquisadora. Assim como os prédios históricos, os monumentos estão vulneráveis às ações do tempo, ainda que sejam feitos para durar. A pesquisadora afirma que normalmente são utilizados materiais como os bronze, ferro e mármore, que são mais “resistentes”, porém a conservação de grande

parte dos atuais monumentos deve-se à ausência de intervenção inadequada, o que garantiu a integridade da obra. Esperança Enquanto as reformas surgem gradativamente na cidade-sede da Copa do Mundo de 2014, o manauense acompanha despretensiosamente a “ressurreição” desses locais tão emblemáticos que merecem não só a atenção do poder público ou compaixão do tempo, mas também o respeito coletivo das gerações que esperam uma cidade mais bonita e conservada.


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história avança

FOTOS: JOEL ROSA

ento como tantas outras estruturas na capital amazonense que poderiam servir como um atrativo turístico a mais para o setor, principalmente com a proximidade da Copa do Mundo de 2014


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O bom conhecimento está ao alcance de todos nós FOTOS: DIEGO CAJA

Mostra sobre empreendedorismo usa tecnologia interativa como atrativo para estimular visitação de estudantes

Marina Toledo e um dos itens da mostra no Centro Cultural da Justiça: interação maior com os visitantes permite melhor absorção do conhecimento sobre a história do empreendedorismo CHRIS REIS Equipe EM TEMPO

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ma verdadeira viagem pela vida de várias personalidades brasileiras, que fazem parte da história econômica e – por que não? - cultural do país. Assim pode ser definida a exposição “Pioneiros & Empreendedores: a Saga do Desenvolvimento no Brasil”, que pode ser conferida no Centro Cultural da Justiça. Um dos nomes presentes na exposição é do empresário Samuel Benchimol, fundador do grupo amazonense Bemol/Fogás. No total, podem ser conferidas as trajetórias de 24 empreendedores, como Roberto Marinho, Francisco Matarazzo, José Ermírio de Moraes e Gerdau-Johannpeter, Valentim dos Santos Diniz, Júlio Mesquita e Leon Feffe. Com forte apelo didático, que mistura tecnologia com interação, a mostra faz um passeio histórico em salas com formas de labirinto, desde o período colonial até hoje. Dividida em cinco módulos em dez salas, a exposição oferece aos visitantes além da biografia desses empreendedores, um passeio até os locais por eles visitados na busca de novas tecnologias para serem empregadas no Brasil. Uma das partes mais interessantes é a simulação de um diálogo entre visitantes e personalidades, onde eles falam sobre questões econômicas e seus pontos de vista. Para ter

acesso às informações, basta um toque na tela e pronto: a pessoa é transportada ao período da personalidade, com as curiosidades. “A ideia é destacar o papel fundamental desses homens na formação econômica do Brasil e trazer a experiência desses empreendedores para quem visita a mostra. Ela está dividida em períodos históricos para mostrar que esses homens contribuíram, cada um ao seu tempo, para o desen-

AUTORIA

Os momentos de reflexões e avaliações No final da exposição, os visitantes, na maioria das vezes estudantes, são convidados a uma discussão, onde são questionados sobre o que podem fazer para melhorar o país. De acordo com Marina, os jovens são levados a propor mudanças, que podem ser realizadas no seu bairro ou escola. Tentamos mostrar também que não bastar ter ideias se elas não forem implemen-

tadas. “Eles percebem que esse homens tiveram que colocar em prática o que pensaram. Propomos uma reflexão sobre o contexto no qual as propostas deram certo e que não foi tão fácil”, confirma. A trajetória de Roberto Marinho, assim como da família Diniz do grupo Pão de Açúcar e de Francisco Matarazzo, que, em seu tempo, formaram o maior império

industrial da América Latina, são logo identificadas pelos observadores, como as histórias mais populares e conhecidas. Para Fernando Ávila, 31, professor do segundo ano do ensino médio, a exposição é altamente positiva, principalmente no aspecto histórico. “A gente se transporta aos lugares e períodos ao passar por essas salas. Aqui a gente

ver com mais profundidade, o que na televisão, por exemplo, só é dada uma pincelada”, avalia. Na opinião do estudante Gabriel Ramos, 17, o que viu na mostra levará para toda a vida. “Com certeza dá para absorver muita coisa daqui. Principalmente as histórias de vida que nos dão força para não pararmos de sonhar e irmos em frente”, analisou.

A mostra “Pioneiros & Empreendedores” foi idealizada pelo professor Jacques Marcovitch, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Feausp) volvimento do país”, explicou Marina Toledo, coordenadora pedagógica da exposição. Marina lembrou que a mostra foi idealizada pelo professor Jacques Marcovitch, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Feausp) quando escreveu 24 biografias para servirem de exemplo aos seus alunos, em 2001. Deu tão certo a ideia que ele resolveu fazer uma exposição que já passou pelo Rio de Janeiro, Fortaleza e a seguir estará no Recife.

Segundo Marina Toledo, coordenadora pedagógica, a mostra destaca o papel dos empreendedores na formação econômica


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Amazonas está em quarto lugar na cobertura vacinal Estado teve até sexta-feira um dos melhores resultados na campanha de vacinação contra a poliomielite no Brasil

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balanço parcial do Ministério da Saúde indica que 8.080.773 crianças em todo país foram vacinadas contra a poliomielite, na primeira semana da campanha. Do público-alvo - formado por 12,9 milhões de criança, na faixa etária de seis meses a menores de cinco anos – 62,6% já participaram da mobilização. A meta é atingir 95% deste público, o que totaliza 12,2 milhões de crianças. A 34ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, iniciada no dia 8 de junho, continua até o dia 21 de junho. De acordo com os dados preliminares repassados pelas secretarias estaduais e municipais de Saúde, até as 16 horas (hora oficial) de sexta-feira (14), os Estados com as maiores coberturas vacinais foram: Paraná (75%), Rio Grande do Sul (74,8%), Rondônia (74,1%), São Paulo (70,7%) e Amazonas (70,8%). O melhor desempenho por subgrupo de idade, até o momento, foi entre as crianças de seis meses a menores de um ano, atingindo 70,3% do público-alvo, o que representa 1.025.463 doses aplicadas. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações

ARQUIVO EM TEMPO/MARCELL MOTA

(PNI), do Ministério da Saúde, Carla Domingues, destacou que os números estão dentro dos objetivos traçados, mas ressaltou a importância dos pais ou responsáveis de levarem as crianças aos postos para tomar a dose da vacina. “Ainda dá tempo de tomar a gotinha para proteger as crianças da paralisia infantil e ajudar o país a ficar livre do

ÍNDICES

De acordo com dados preliminares, os Estados com maiores coberturas vacinais foram Paraná (75%), Rio Grande do Sul (74,8%), Rondônia (74,1%), São Paulo (70,7%) e Amazonas (70,8%) poliovírus selvagem”, afirmou a coordenadora. Segundo ela, para repetir o sucesso das campanhas anteriores, é preciso que os pais e responsáveis levem as crianças aos postos de todo o país até o dia 21 de junho. “É fundamental também que os pais não se esqueçam da caderneta de vacinação dos filhos, para

que o profissional de saúde possa avaliar a situação vacinal da criança, considerando o esquema sequencial”, explicou a coordenadora. Doença erradicada O último caso registrado de poliomielite no Brasil foi há 24 anos e, desde 1994, o país mantém o certificado emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de erradicação da enfermidade. Mesmo assim é fundamental manter as crianças imunizadas para evitar a reintrodução do vírus no Brasil, pois alguns países da África ainda registram casos da doença. Vale lembrar que não existe tratamento contra a paralisia infantil, sendo a vacina a única forma de prevenção. Ela protege contra os três sorotipos do poliovírus 1, 2 e 3. Mesmo as crianças que estejam com tosse, gripe, coriza, rinite ou diarreia, podem receber as gotinhas. Em alguns casos – como, por exemplo, em crianças com infecções agudas, com febre acima de 38ºC ou com hipersensibilidade a algum componente da vacina –, recomenda-se que os pais consultem um médico para avaliar se a vacina deve ser aplicada.

Em todo o país, campanha da vacina contra a poliomielite chegou a mais de 8 milhões de crianças


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Doação de sangue ainda continua ínfima no país ALINE LEAL Agência BRASIL

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Ministério da Saúde alerta que apenas 1,9% da população doa sangue. O ideal para suprir as necessidades seria que esse índice subisse para 3%. Dados do Hemocentro de São Paulo mostram que até quatro pessoas podem ser beneficiadas com uma doação. Para o técnico administrativo Jarbas Rocha, doar sangue é uma rotina. Há cerca de 30 anos, ele doa três ou quatro vezes por ano. “Comecei a doar porque alguém do trabalho precisou, depois continuei doando já que sempre tem alguém precisando”. Foi vendo o pai doar que o analista de sistemas Raoni Rocha, filho de Jarbas, também resolveu, aos 18 anos, adotar essa rotina. “É só uma picadinha, não dá para assustar. Vale a pena, ajuda muita gente”, disse. “Quando a gente precisa é que vê o quanto é importante fazer a doação rotineira”, lembrou o fisioterapeuta Lívio Fortes, que há três anos teve dengue hemorrágica e precisou receber plaquetas - as

células do sangue cuja função é ajudar na coagulação, evitando sangramento em excesso. “Como eu era doador, tinha prioridade para receber a transfusão, mas meu sangue não é muito comum e não tinha em estoque, o AB positivo, e meus amigos correram atrás de doadores compatíveis”, lembrou.

CONDIÇÕES

A doação de sangue pode ser feita por pessoas maiores de 18 e menores de 68 anos, acima de 50 quilos. Jovens com 16 e 17 anos podem doar somente com autorização do responsável legal

A quantidade de sangue colhida não afeta a saúde do doador, a recuperação é imediata. Na hora de doar, todos passam por uma entrevista que tem o objetivo de dar mais segurança ao doador e aos pacientes que receberão a doação. O sangue doado é testado para doenças como hepatite B,

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Índice de doadores está abaixo de 2%, segundo o Ministério da Saúde, quando o ideal seria 3% para atender a demanda hepatite C, HIV, HTLV, sífilis e doença de Chagas. Grávidas Podem doar pessoas maiores de 18 e menores de 68 anos, que tenham mais de 50 quilos. Jovens com 16 ou 17 anos também podem doar, desde que tenham autorização do responsável legal. No dia da doação, é preciso apresentar documento com foto, emitido por órgão oficial e válido em todo o território nacional. Mulheres grávidas, que tiveram parto normal há menos de 90 dias ou cesariana há menos de 180 dias ou que estejam amamentando, ficam temporariamente impedidas de doar sangue. Pessoas resfriadas devem esperar o desaparecimento dos sintomas e quem fez tatuagem deve aguardar 12 meses para fazer a doação. De acordo com o decreto-lei 5.452, o doador tem direito a um dia de folga no trabalho a cada 12 meses trabalhados, desde que a doação esteja devidamente comprovada. Esse direito também se estende ao funcionário público civil de autarquia ou militar, conforme preconiza a lei federal 1.075.

Doação de sangue no Brasil ainda está aquém do ideal para manter o atendimento à demanda


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Plateia MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

plateia@emtempo.com.br

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Oficinas gratuitas de música Plateia 3

(92) 3090-1042

O novo CD de

Eliana Printes

Radicada no Rio de Janeiro, cantora amazonense prepara disco com participação de Isabella Taviani, Luiz Melodia e Quarteto de Cordas da Alemanha PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO

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té o mês de agosto o Brasil deve conhecer o novo CD da cantora Eliana Printes. A amazonense anuncia a finalização do projeto que, em Manaus, deve ser lançado no palco do Teatro Amazonas. O álbum - o oitavo de sua discografia - conta com as participações de Isabella Taviani, Luiz Melodia e ainda do Quarteto de Cordas da Alemanha. O CD está em fase de conclusão da parte gráfica. Somente após o fechamento das artes a artista vai determinar o título do trabalho. O material está sendo produzido na cidade do Rio de Janeiro, onde a cantora reside há 15 anos. “O disco está pronto, mas só vou decidir o título após o encerramento desta última etapa”, conta. O volume é composto por dez faixas, dentre elas, sete inéditas e três regravações. Eliana afirma que o material utilizado é composto por artistas de várias partes do Brasil. “Recebo inúmeras composições, tanto por email como pelo correio. São tantas músicas bonitas, que daria para fazer mais outros álbuns”, relata a artista. O convite para a participação da cantora e compositora carioca Isabella Taviani é resultado da amizade mantida entre as artistas há alguns anos. As amigas já chegaram a dividir o palco em shows

cariocas e sempre se encontram em teatros, casas de eventos e em estúdios. De acordo com Eliana, a gravação em parceria foi um momento único e prazeroso. “Apesar do tempo de amizade, nunca havíamos gravado uma música juntas, por isso, resolvi convidá-la neste novo trabalho. A gravação foi supernatural. Demos muitas risadas. O resultado ficou bem legal, logo vocês vão poder conferir”, comemora. A amazonense ainda frisa que se sente honrada em poder receber Luiz Melodia e o Quarteto de Cordas da Alemanha em seu projeto. “São excelentes profissionais. Esse álbum é único por reunir nomes consagrados, tanto no cenário musical brasileiro, como no internacional”, disse. A amazonense considera que todas as produções são especiais e únicas, com diferenciais distintos. Ela explica que cada processo de criação apresenta o artista e suas experiências obtidas naquele período. Alguns meses após, o resultado desse mesmo CD seria outro. “Todos os álbuns são diferentes uns dos outros. O trabalho musical absorve tudo o que estamos vivendo naquele momento. Assim como o ser humano passa por modificações, o resultado do trabalho, também”, informa. A cantora adianta que o volume deve chegar às lojas de todo o país entre os meses de julho e agosto.

Amor ao Teatro Amazonas Eliana Printes relembra que seu primeiro contato com uma casa de espetáculos foi ainda na infância, quando foi levada a área interna do Teatro Amazonas pelo seu pai que, na época, era marceneiro do prédio. Ela conta que a beleza do local a impressionou e de certa forma, marcou sua vida. Por isso, anualmente, faz questão de agendar ao menos três shows no espaço cultural. “Meu pai segurou em minha mão e saímos caminhando pelo corredor central da plateia. As pinturas do teto, as esculturas, me encantaram. Parecia um lugar mágico, para onde quer que olhasse”, cita. Mesmo que de forma inconsciente, a menina passou a admirar o segmento artístico, principalmente, na área musical. Ao ouvir, junto com o pai a canção “Construção”, de Chico Buarque, sentiu o primeiro gosto pela música. “Ele ouviu essa letra umas dez vezes. Acho que aprendi a música inteira naquele momento. Foi assim que passei a gostar a cada dia mais de música”, comenta. Aos 13 anos de idade Eliana Printes começou a sonorizar os primeiros acordes em um violão. Ela passou a frequentar aulas em um conservatório de música, em Manaus. Nesse período, foi convidada para ser vocalista de uma banda do Serviço Social da

Indústria (Sesi). A partir daí, começou a se apresentar em shows onde era convidada. “Formamos um grupo para poder apresentar nossas composições em festivais que aconteciam na cidade, o mais famoso era o Festival Universitário de Música (FUM) promovido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam)”, recorda. Após alguns anos, o grupo estudantil se desfez e a jovem cantora decidiu iniciar a carreira solo. O seu primeiro show aconteceu no Teatro Amazo-

CD

O novo álbum de Eliana Printes, ainda sem título, será composto por dez faixas, dentre elas, sete inéditas, feitas por compositores de todo o país, e três regravações nas, o local dos sonhos. “Fiz de tudo um pouco, desde vender ingressos, até colar cartazes pela cidade”, expressa. Hoje ela conta com uma discografia composta pelos álbuns “Cinema Guarany” (2011); “Mais perto de mim” (2007); “Pra você me ouvir” (2003); “Pra lua tocar” (2000); “O próximo beijo” (1998); “Eliana Printes” (1996) e “Eliana Printes” (1994).

Ainda sem título, o novo disco de Eliana Printes deve ser lançado em agosto

Um dos convidados do novo disco é Luiz Melodia


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Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br FOTOS: DE BARROS E MAURO SMITH

César Bandeira e Graça Figueiredo

Waltinho Oliva Pinto e Dagoberto Moisés

Juliana e Wellington Lins Jr.

André Sá e friend Alberto e Rocilda Martins

>> Arraial chic no Diamond agitou o society

Leandro e Camila Lins

Ari e Lourdinha Moutinho

Edson e Michele Cunha

Nelsinho e Marlice Martins

. Foi realmente um festão o evento da coluna, quarta-feira, no Diamond Convention Center, que comemorou o Dia dos Namorados com uma linda festa no estilo ‘junino’, e que agradou em cheio a turma habituée das festas promovidas por este espaço. Wilker Barreto e Camila Fabianne

Nilson e Ana Goreth Pimentel

. O Diamond estava deslumbrante com a ambientação junina proposta pelo Bandeirão, que realmente se supera a cada evento, apresentando um trabalho sempre nota 10. As irmãs Dodora Cavalcanti, Fabíola Moraes e Deborah Boscá merecem cumprimentos especiais. Noite linda e alto astral! . Capítulo à parte para as delicias juninas apresentadas nos vários buffets da festa. De tacacá a banana frita, passando por aloá, bolo de macaxeira, canjica, munguzá, vatapá, pirarucu de casaca e por aí vai...Todo mundo aplaudiu de pé. Pratos assinados pelo chef estrelado do Diamond, Jersey Moraes, num trabalho supervisionado pela bela e competente Hellen Garcia.

Guto Oliveira

Paulo e Carla Pacheco

. O ponto alto da noite foi a apresentação da premiada quadrilha Marupiara, que deu um show e foi aplaudidíssima no evento. A quadrilha em questão é ganhadora de vários prêmios nacionais. A coluna aproveita para agradecer todos os patrocinadores, amigos, incentivadores e toda a equipe de trabalho

Alberto e Sandra Lucia Saraiva

Jean e Fernanda Mendonça

Najla e Jorge Akel

Achiles Fernandes e as lindas recepcionistas da festa

PE. Mauro Cleto e Waisser Botelho

Evelise Pessoa e Celso Campos

Marco Barbosa e Paula Garcia Fátima e Iêdo Simões

João e Ana Paula Paiva e Kika Moura

Janeth e Carlos Carvalho

Helena e Julio Verne do Carmo Ribeiro

Larissa e Sandro Martins

Viviane Figueiredo e Jonathan Queiróz

Deusa e Elci Simões

Edinho Serrão, Lene Oliveira e James Cavalcanti

Serginho e Márcia Martins

André e Eugênia Catunda

Assem Mustafa Neto e namorada

Junior e Samira Carvalho

Leonardo Leão e Ana Elisa Praciano

O casal Garcia

Fabíola Coelho e Zé Luis Damian


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GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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O barroco traz a questão de dar liberdade ao intérprete, semelhante à música popular, porque existe o elemento de improviso”

estre e doutora em música, Laura Rónai, que além de flautista é pesquisadora e professora universitária, volta à capital amazonense para uma apresentação ao lado da Orquestra Barroca do Amazonas (OBA), hoje, a partir das 17h, no Centro Cultural Palácio Rio Negro (CCPRN). Ao longo da semana, ela ministrou um workshop com instrumentistas locais. Ao lado da OBA, coordenada pelo maestro e professor doutor Márcio Páscoa, ela irá tocar peças de (George Philipp) Telemann, como “Suíte para duas flautas e orquestra”, (Evaristo Felice) Dall’Abaco, como “Concerto Op.5 nº3 para duas flautas e orquestra, entre outras. A música barroca, inclusive, faz parte da vida profissional de Laura Rónai, que é coordenadora da Orquestra Barroca da Unirio (OBU), no Rio de Janeiro. Ao EM TEMPO, ela fala sobre essa vertente da música.

Laura RÓNAI

‘A raiz DA MÚSICA ocidental ESTÁ no BARROCO’

EM TEMPO – Por que se dedicar à música barroca é importante para a cultura brasileira? Laura Rónai – A nossa língua é toda baseada no latim. Quem estudou minimamente o latim tem mais facilidade para entender a construção do idioma atual. Com o barroco existe a mesma relação, pois toda a raiz da música ocidental está ali. O barroco traz a questão de dar liberdade ao intérprete, semelhante à música popular, porque existe o elemento de improviso, de liberdade de pensamento do intérprete, que aprende a tomar essa liberdade, não só a técnica que já vem pronta. EM TEMPO – O ensino de música barroca é expressivo no Brasil? LR – Vem se tornando cada vez maior, mas ainda é modesto em relação aos instrumentos modernos, vindos do século 19. São Paulo está começando um processo desse, com a volta de Luis Otavio Santos da Europa, que vem se dedicando a um curso específico nessa área, por exemplo. EM TEMPO – Tanto sua orquestra quanto a OBA tem muitas semelhanças, mas qual sua opinião sobre o trabalho feito no Amazonas? LR – A orquestra Unirio tem 12 anos e um contingente maior de integrantes, mas a OBA trabalha com recursos materiais muito melhores que nós, pois os músicos tocam em instrumentos genuinamente barrocos. É caro possibilitar isso no Brasil. É difí-

cil. Percebo que o Amazonas, principalmente em termos governamentais, conseguiu reconhecer que esse trabalho é importante. A minha orquestra, praticamente, é mantida por doações de todos os músicos, por exemplo. EM TEMPO – Recentemente a OBA lançou um álbum, gravado na Europa. Qual a sua opinião sobre o potencial técnico do Brasil para a produção de discos do gênero? LR – A última participação minha em um CD foi em um de Sergio Roberto de Oliveira, chamado “Sem espera”. Gravar orquestra é dificílimo. Barroco ainda mais. Por ser uma música rara de ser tocada, os técnicos procuram outra sonoridade porque já têm uma ideia preconcebida do que poderia ser. Achei o CD da OBA muito bonito, um resultado muito feliz. Além da qualidade técnica de captação, traz peças que eu não conhecia, um repertorio inédito resgatado. Mesmo sem eu ter feito nada para esse disco, me sinto orgulhosa desse trabalho.

SERVIÇO CONCERTO OBA – COM LAURA RÓNAI Quando: domingo, dia 16 de junho, às 17h Onde: Centro Cultural Palácio Rio Negro (avenida 7 de Setembro, Centro) Ingressos: Entrada gratuita


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RESENHA

Sangue, bullying e divertimento CÉSAR AUGUSTO* Equipe EM TEMPO

PERFIL

César Augusto é jornalista, editor de Dia a dia e cinéfilo

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m uma época em que a criatividade anda em baixa e a indústria cinematográfica investe pesado nos remakes, os fãs do escritor Stephen King aguardam a nova versão de “Carrie, a estranha”, primeiro livro do rei da literatura de horror norte-americana e também o pioneiro em suas adaptações para as telas. Enquanto o filme dirigido por Kimberly Peirce não estreia por aqui – a previsão é final de novembro deste ano -, vale a pena revisitar a primeira adaptação dirigida por Brian De Palma em 1976 (2 anos após o lançamento do livro). Carrie White, interpretada por Sissy Spaceck (então com quase 30 anos, mas perfeita como uma adolescente de 14), é uma estudante que sofre bullying em sua escola e é dominada pela mãe, a fanática religiosa Margareth White (Piper Laurie). Solitária e introvertida, a garota descobre ser telecinética – capaz de mover objetos

com a força da mente. E isso ocorre de uma forma brutal: quando ela tem sua primeira menstruação, durante o banho na escola após a aula de educação física. Desconhecendo a origem do sangue – uma ignorância forçada pela mãe, para quem tudo relacionado à sexualidade era pecaminoso -, a jovem pensa estar morrendo e é ridicularizada pelas colegas, que lhe atiram absorventes higiênicos e gritam obscenidades. Em meio a essa situação, uma lâmpada explode: é o primeiro sinal de poderes que se externam após um grande trauma. O episódio do banheiro aproxima Carrie da professora de educação física, senhorita Collins (Betty Buckley), que se compadece da ignorância da garota, lhe faz ganhar a simpatia da colega Sue Snell (Amy Irving) e a inimizade da estudante Chris Hargensen (Nancy Allen), que recebe, juntamente com as outras alunas agressoras, uma punição pela brincadeira de mau gosto. A chegada da menstruação de Carrie será, para Margareth Whi-

te, a confirmação do que ela chama de “maldição do sangue”. Mas caberá a Chris Hargensen, com cumplicidade do namorado Billy Nolan (John Travolta), o papel de mentora da humilhação para Carrie no baile de formatura da escola, quando os poderes da garota serão usados em uma vingança sangrenta. Os méritos do filme de De Palma nunca foram superados. Dono de um apuro técnico em seus filmes, ele criou sequências antológicas na versão de 1976, não repetidas nem na versão para a televisão, de 2002 (exibida eventualmente pelo SBT), ou na continuação de 1999, “A maldição de Carrie” (The rage: Carrie 2). O desenrolar de cenas tensas em câmera lenta, as diversas simbologias que aparecem ao longo do filme (como a cruz branca no asfalto em frente à casa de Carrie) e, sobretudo, o uso do split screen (tela dividida) na sequência do baile dificilmente terão páreo. Mesmo com Chloë Grace Moretz no

papel-título e Julianne Moore como Margareth White, a nova versão só deve primar – se seguir a tendência de outros remakes – pelos efeitos especiais mais realistas, sobretudo porque, como os trailers divulgados já revelaram, o novo filme será mais fiel ao livro que a versão de De Palma. Na película original, a destruição se limita ao ginásio da escola. Na obra de King, assim como na versão de 2002 (que manteve a narrativa fragmentada do livro) e na de Peirce, a fúria de Carrie também se abate sobre a cidade de Chamberlain, onde se passa a história. Vem chumbo grosso por aí. Ou não.

Enquanto a nova versão de ‘Carrie, a estranha’ não chega ao Brasil, vale a pena rever o original de Brian De Palma, de 1976”

COCA-COLA

Concurso para colorir as ruas Quatro comunidades de Manaus estão preparando os pincéis e convocando a juventude, para fazer uma grande mobilização, no dia 22 de junho, quando irá acontecer o concurso de decoração de ruas da campanha “Vamos Juntos Colorir o Brasil”, promovida em todo o país pela Coca-Cola Brasil. Em Manaus, o concurso é coordenado pelo Grupo Simões, fabricante e distribuidor da Coca-Cola na Região Norte, e executado pelo projeto “Coletivo CocaCola”, braço de negócios

sociais da Coca-Cola Brasil. O objetivo é compartilhar com o brasileiro a paixão pelo futebol, expressada culturalmente por meio da pintura das ruas, durante eventos esportivos. O concurso irá escolher a decoração mais bonita de Manaus, que irá concorrer na etapa nacional, em 24 de junho, com outras cidades brasileiras. Na capital amazonense, quatro bairros, onde estão instaladas as unidades do projeto “Coletivo Coca-Cola”, foram escolhidos para participar

da ação. Nesses bairros, ao invés de ruas, foram selecionados locais de grande movimentação e ligados ao futebol, com o objetivo de que a ação deixe um legado de arte, cultura e esporte para as comunidades. O grande dia acontecerá em 22 de junho, das 9h às 15h. Após a conclusão das pinturas, os convidados farão a blitz julgadora nos bairros. O resultado sairá dia 24, quando também será afixada, no local vencedor da regional, uma placa de mérito do concurso.


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MANAUS, DOMINGO, 16 DE JUNHO DE 2013

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

TV Tudo Séries O último episódio da atual temporada da série “Louco por Elas” será apresentado nesta terça que vem, dia 18. E ainda não há nada sobre o seu futuro. Tudo indica que deve parar definitivamente por aí. Séries 2 O último episódio da atual temporada de “Pé na Cova” será exibido dia 20, quinta-feira próxima. Mesmo envolvido com sinopse de uma outra novela, Miguel Falabella já foi informado sobre o retorno da sua série à grade, ainda este ano. Grava em agosto. Séries 3 Por sua vez, “O Dentista Mascarado”, do Marcelo Adnet, terá o seu último episódio na sexta-feira que vem. E, assim, deixará o caminho livre para a estreia de “Saramandaia”, no dia 24.

Revezamento

REDE GLOBO/JOÃO MIGUEL JÚNIOR

Possibilidade Nada certo ainda, mas na Globo se estuda a possibilidade de Alinne Moraes aparecer em um dos principais papéis da novela do Manoel Carlos, a substituta de “Amor à Vida”. O último trabalho da Alinne foi “Como aproveitar o fim do mundo”, gravado no segundo semestre do ano passado.

Teatro Rogério Fróes, Débora Olivieri, Marcos Breda, Renato Rabelo, Silvio Ferrari, Renan Ribeiro, Sabrina Miragaia, Fabio Bianchini e Otávio Zobaran estão no elenco da comédia “O dia em que raptaram o papa”. Estreia dia 5 de julho, no Teatro Clara Nunes, Rio, com direção de Tadeu Aguiar. O que fazemos? A direção da Band continua batendo cabeça, meio sem saber como definir a grade de programação no segundo semestre. O “Quem fica em pé?”, do Datena, tem a sua volta confirmada, mas ainda não há uma definição de quando. Endereço certo Na despedida emocionada do diretor Vildomar Batista da equipe de produção do “Programa da Tarde”, uma frase chamou atenção:

- Ao longo da minha jornada descobri que apresentador só pensa no próprio bolso. Aprendam isso! Tudo na mesma Nada se alterou na Rede TV! no que se refere ao fu-

Durante toda a Copa das Confederações, em um esquema que deve ser mantida até o dia 1º de julho, o “Globo Esporte”, em uma edição única, continuará sendo apresentado por Cristiane Dias. Ora ao lado do Tiago Leifert, ora com o Alex Escobar. E isto, desde a última semana, já vem acontecendo.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

turo do seu departamento artístico. Ainda não tem ninguém acertado para substituir Mônica Pimentel e como já se passaram dois meses, só resta mais um para resolver este assunto.

C’est fini

Bate–rebate • O “Esporte Espetacular” do próximo dia 30, na final da Copa das Confederações, será feito do Maracanã.... • ...Com os apresentadores Glenda Kozlowski e Ivan Moré, direto do gramado. • Globo e SporTV continuam chamando o estádio de Brasília de Mané Garrincha, e não de Nacional, como recomenda a Fifa... • ...No que fazem muito bem.

Valdir Zwetsch, diretor executivo de jornalismo e esporte, vai acompanhar a cobertura da Band na Copa das Confederações, pessoalmente, em algumas praças. Já o diretor nacional de jornalismo Fernando Mitre, não. Ficará em São Paulo mesmo. Então é isso. Mas amanhã tem mais. Tchau!

‘AMOR À VIDA’

Atriz faz sucesso como Patrícia

Marcio Braz E-mail: novoasilva@yahoo.com.br

DIVULGAÇÃO

O auto dos bois – análise crítica 2

A atriz Maria Casadevall diz que são poucos os pontos em que se parece com sua personagem

Aos 25 anos, a paulistana Maria Casadevall tem causado inveja na mulherada ao interpretar a impetuosa Patrícia, de “Amor à Vida” (Globo). É que sua personagem, além de muito descolada, vive pelos cantos do Hospital San Magno ou do próprio apartamento nos braços do médico Michel (Caio Castro), com quem não quer ter um relacionamento sério. “As pessoas me falam: “Como é sortuda essa Patrícia!’. E eu acho que ela é mesmo”, diverte-se a atriz. Completamente focada no trabalho, Maria viu sua vida mudar desde que apareceu na trama das nove -em sua primeira cena, deu um tapa na cara de Márcio Garcia. “Eu não sou muito antenada em redes sociais. Mas fiz um perfil, e milhares de pessoas começaram a me seguir mandando mensagens carinhosas.

Foi assustador”. Mesmo com o assédio, Maria, que segundo os amigos tem jeito de menina, não mudou sua forma de ser, tampouco parou de frequentar os lugares de que mais gosta. “Agora, fico muito tempo no Projac (estúdios da Globo), mas não deixo São Paulo. Ainda caminho pela cidade, pego ônibus e metrô”, revela a atriz, que cresceu no bairro da Consolação (Centro). Mas engana-se quem acha que vai esbarrar com Maria pela noite. Muito diferente de seu papel, a atriz prefere ler livros em um bom café. “Tem alguns cafés de São Paulo que são meus lugares preferidos para passar o tempo. Fico uma tarde lendo livros”. Para ela, outra diferença entre a atriz e a personagem é o estilo. Patrícia é antenada e se preocupa mais com a aparência. “Eu sou desliga-

da de moda. Faço minhas misturas e vou para a rua. Minha avó fala que sou quase cafona”, comenta. Já o corte de cabelo rende outro episódio sobre a vida da atriz -e pode ter contribuído para que ela conseguisse o papel na trama de Walcyr Carrasco. “Um pouco antes do teste, fui ao cabeleireiro e cortei. Quando cheguei em casa, achei reto demais. Coloquei uma música, peguei a tesoura e nasceu esse corte. No teste, eles gostaram”, lembra a atriz, que escutava “Obla-di, Ob-la-da”, dos Beatles, na hora do corte. “Acho que esse ímpeto de viver a vida de forma avassaladora eu tenho da Patrícia. A diferença é que ela exterioriza tudo”. Maria fez uma participação na minissérie “Lara com Z” (Globo, 2011) e tem atuado no teatro alternativo desde 2009, com o grupo Os Satyros.

O reflexo dos contrários tem-se expandido para além das fronteiras. Aquilo que na economia criativa se convencionou chamar de a “intangibilidade do tangível” tem nos revelado alguns entreveros difíceis equacionar, uma vez que o dinheiro é o deus do nosso tempo. Um primeiro aspecto a ser discutido se trata justamente de compreender o que as associações folclóricas Garantido e Caprichoso entendem por tradição e, num segundo momento, qual a relação dos elementos “tradicionais” com aquilo que é considerado o “novo” (no entender dos grupos, o novo é antônimo de tradição). O conceito de tradição a que tenho debatido ao longo dos anos na imprensa local é entendido por Garantido e Caprichoso como algo estático e preso a um determinado tempo e espaço. As leituras menos simplistas conseguem dissociar aquilo que faz parte da comunidade e que é aceito como tal, ou seja, é imanente a vida social do seu grupo e, por isso, sujeita a transições e nuances (a verdadeira tradição, em suma), com aquilo que é rememorado, uma lembrança. Essa lembrança, ao contrário dos que se pode pensar, não é fruto de uma vontade coletiva. Surgiu das ideias de alguns como estratégia de vitória na arena, uma fumaça para convencer jurados de que seu grupo é mais tradicional que o do outro. É o caso do espanta-cão, instrumento usado há muito na batucada do Garantido e esquecido logo depois, mas rememorado pela apresentação de 1997. Trata-se de uma lembrança mas não “a volta de uma tradição” como se noticiou à época, afinal, não foi algo inerente à vida do grupo e muito menos ao “ethos” encarnado, por isso mesmo, esquecida de vez até hoje. Essas estratégias de legitimização sobre aquilo que os bumbás conside-

ram como folclórico ou tradicional obedecem, como falei, a uma finalidade prática, com vistas à vitória do bumbá no Festival Folclórico de Parintins. Sobretudo por conta da passagem da cultura popular para a indústria cultural que tem gerado, na festa de Parintins, ao longo dos últimos 16 anos, uma distorção de ideias estéticas e conceituais bastante prejudiciais à estrutura da festa. Basta citar o que vem acontecendo em 2013. A começar pela invenção de uma tradição centenária que não encontra raízes nem na tradição escrita – autores dos mais diversos como Tonzinho Saunier, Simão Assayag e Odinéa Andrade não se entendem quanto a história dos bumbás - nem na tradição oral onde encontramos se é possível encontrar uma uma série de divergências como bem nos aponta o antropólogo Sérgio Ivan Gil Braga. Esse marketing enjeitado sequer pensou em preço e muito menos no produto, cujo público sairá prejudicado (como sempre!) nesta briga de ego dos contrários. O binarismo presente na festa de Parintins (dois bumbás, duas cores e duas cidades) encontra seu reflexo, agora, em duas redes de televisão já contrárias no sistema de mercado. A falta de perspicácia de ambas as diretorias em vencerem a baixaria intelectual e a pobreza sentimental tem prejudicado mais uma vez a festa que, às vésperas de sua realização, ainda nos guarda mais um “tradicional” momento: a briga dos bumbás pela escolha dos jurados. Embora haja exceções à regra, as exceções ainda não são a regra. O patrimônio imaterial da festa, o universo do intangível, se perde nesse atual festival de atrocidades. Pois é, quando se está no fundo do poço, a saída é gritar e pedir ajuda. Ah, mas esse ato de humildade não faz parte da identidade dos bumbás, não é verdade?

Marcio Braz *Ator, diretor, membro do Núcleo de Antropologia Visual da Ufam e do Conselho Municipal de Política Cultural

O conceito de tradição a que tenho debatido ao longo dos anos na imprensa local é entendido por Garantido e Caprichoso como algo estático e preso a um determinado tempo e espaço”


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Programação da TV

REPRODUÇÃO

SBT 5:30 Jornal da Semana 6:00 Arnold 6:30 Pesca Alternativa 7:30 Brasil Caminhoneiro 8:00 Aventura Selvagem 8:30 Vrum 10:00 Domingo Legal 18:00 Vamos Brincar de Forca 18:45 Sorteio da Telesena 19:00 Programa Sílvio Santos 23:00 De Frente com Gabi 0:00 True Blood 1:00 O Mentalista 2:00 Rizzoli & Isles 4:30 Igreja Universal

RECORD Silvio Santos comanda as noites de domingo no canal SBT

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Apesar do conforto colocado à sua disposição, você pode não se entender muito bem com as condições materiais de que usufrui. Cuidado para não desperdiçá-las. TOURO - 20/4 a 20/5 Júpiter afligido por Mercúrio dificulta a comunicação, em especial dos sentimentos e com as pessoas queridas. Talvez você queira fazer trocas e negócios um pouco desconexos. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 A coragem emocional é o ingrediente principal para tomar certas decisões, em particular as que lhe organizem pessoalmente. É tempo de se dispor a conviver com todos. CÂNCER - 22/6 a 22/7 A displicência no tratamento das pessoas e na comunicação pode trazer seus devidos prejuízos. O momento pede concentração, em especial diante dos obstáculos. LEÃO - 23/7 a 22/8 Júpiter interfere na atuação de Mercúrio e dificulta a relação com amigos e o trato com a saúde. O esbanjamento é o problema, o que talvez não fique claro desde o começo. VIRGEM - 23/8 a 22/9 É fundamental manter uma organização básica no trabalho. Organize bastante bem as ações práticas dentro do trabalho, e seus projetos pessoais irão ganhar mais força. LIBRA - 23/9 a 22/10 No trabalho profissional há situações a serem superadas. Não fique adiando, ou elas só pioram. Encontre uma direção na qual organizar suas ações e empreender esforços. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Há uma grande quantidade de ideias, envolvendo você, mas estas podem ficar no ar. Não cobice o que é dos outros, mas se esforce na direção do que é legitimamente seu. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As facilidades que estejam ao seu dispor podem contribuir negativamente para a produtividade material. Mas, se for objetivo, as facilidades podem ser de grande valia. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A troca de ideias com amigos pode ser estimulante, mas talvez seja também dispersiva. Mantenha uma orientação básica em seus relacionamentos e tudo irá bem melhor. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 As cobranças e exigências dificultam as ações no trabalho. Você preferiria trabalhar sem os outros interferindo, mas hoje terá que aprender a trabalhar com uma situação assim. PEIXES - 19/2 a 20/3 Seus sentimentos, de tão fortes, tendem a cegar. Você tende a enxergar o que você quer, muito mais do que realmente perceber como estão as situações e relacionamentos.

4:45 Bíblia em Foco 5:00 Santo Culto em Seu Lar 5:30 Desenhos Bíblicos

REDE TV

GLOBO

9:00 Amazonas da Sorte 14:00 Eliana

20:00 Fantástico 22:05 Revenge 22:50 Domingo Maior 00:40 Prêmio da Música Brasileira (Compacto) 1:10 Sessão de Gala 2:45 Corujão 4:20 Festival de Desenhos

8:00 Record Kids 9:00 Amazonas da Sorte 10:00 Record Kids 12:00 Tudo a Ver 14:00 Programa do Gugu 18:30 Domingo Espetacular 22:15 Tela Máxima 0:15 Programação IURD

4:40 Sagrado 4:55 Santa Missa em Seu Lar 5:55 Amazônia Rural 6:02 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7:00 Globo Rural 7:55 Auto Esporte 8:30 Esporte Espetacular 11:25 Temperatura Máxima. Filme: Alvin e os Esquilos 2 13:00 Esquenta! 14:30 Domingão do Faustão 15:00 Futebol 2013: Copa das Confederações - Espanha x Uruguai 17:00 Domingão do Faustão

Cinema

6:30 Igreja Internacional da Graça 7:30 Igreja Internacional da Graça 8:30 TV Kids 9:00 TV Shopping Manaus 10:00 Super Oferta 10:30 A Questão É 11:00 Igreja Internacional da Graça 12:00 Fique Ligado 13:00 Esporte Performance 14:00 Encircuito 15:30 A Questão É 16:00 TV Kids 16:45 Video Mania 17:30 Ritmo Brasil 18:10 O Último Passageiro 19:30 Te Peguei 20:30 Teste de Fidelidade

22:30 TV Shopping Manaus 23:30 Dr. Hollywood 0:30 É Notícia 1:30 Bola na Rede 2:30 Igreja Internacional da Graça

BAND 5:00 Igreja Mundial 5:50 Popcorn TV 6:30 Santa Missa no Seu Lar 7:30 Fé na Verdade 8:30 Ação na TV 9:30 Mackenzie em Movimento 9:45 Infomercial 10:40 Verdade e vida 11:00 Pé na verdade 12:30 Band Sport Club 13:30 Pré-jogo 14:40 Futebol 2013: Copa das confederações 16:50 Pós jogo 17:40 - Copa das confederações 20:00 Polícia 24h 21:00 Pânico na Band 0:15 Canal Livre 1:15 Alex Dereniaz 1:35 Show Business 3:00 Igreja Mundial

Cruzadinhas

ESTREIA Além da Escuridão – Star Trek: EUA. 12 anos. Quando a tripulação da Enterprise é chamada de volta para casa, eles descobrem que uma força de terror incontrolável, de dentro de sua própria organização, detonou a frota e tudo aquilo que ela representa, deixando nosso mundo em situação de crise. Tendo contas pessoais a ajustar, o Capitão Kirk lidera uma caçada humana em um mundo em zona de guerra para capturar um homem que é por si só uma arma de destruição em massa. Playarte 1 – 13h, 15h40 (3D/dub/diariamente), 18h20 e 21h (3D/leg/diariamente); Playarte 10 – 12h, 14h40, 17h20,20h (dub/diariamente) e 22h40 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 2 – 11h40 (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h40, 20h40 (dub/diariamente) e 23h40 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 6 – 18h50 (3D/leg/diariamente), 12h50, 15h40 e 21h50 (3D/dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h05 e 19h20 (3D/dub/diariamente); Cinemais Millennium – 16h40 e 22h (3D/leg/diariamente); Cinemais Millennium – 15h e 18h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h, 16h40, 19h25 e 22h (3D/dub/diariamente); Cinemais Plaza – 13h30, 16h10, 18h50 e 21h25 (dub/diariamente). Um Golpe Perfeito: EUA. 12 anos. Jake Vig é um polido trapaceiro que, junto com seus asseclas, acabou de roubar milhares de dólares do contador Lionel Dolby. Tudo parece ter dado certo, mas quando o contador e um de seus comparsas aparecem mortos Jake descobre que na verdade o dinheiro roubado pertencia ao excêntrico chefão do crime organizado Winston King. Playarte 3 – 13h15, 15h10, 17h05, 19h, 20h55 (leg/diariamente) e 23h59 (leg/somente sábado e domingo); Cinemais Millennium – 14h45, 17h10, 19h15 e 21h25 (leg/ diariamente). Royal Opera House – Nabucco: INGL. 12 anos. A trama é baseada na história bíblica do rei Nabucodonosor e é centrada em sua captura dos hebreus, sua luta contra Abigail, sua filha inescrupulosa, a punição divina contra ele e sua salvação final. A rica música de Verdi oferece melodia, poder e puro drama numa escala que faz jus aos épicos temas da ópera, tais como o patriotismo, a fé, o amor e a redenção, invocando toda a grandeza da Orquestra e do Coro do Royal Opera House. Playarte 4 – 14h (somente sábado) e 16h (somente domingo).

CONTINUAÇÕES Se Beber, Não Case 3 – 14 anos: Playarte 5 – 12h25, 14h30, 16h35, 18h40, 20h45 (dub/diariamente) e 22h50 (dub/somente sábado e domingo); Playarte 6 – 13h25, 15h30, 17h35, 19h40, 21h45 (leg/diariamente) e 23h50 (leg/somente sexta e sábado); Cinemark 7 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 14h, 16h20, 18h40, 21h (dub/diariamente) e 23h30 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 8 – 17h10, 19h40 e 22h (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h30 e 21h40 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h50, 17h, 19h10 e 21h20 (dub/diariamente). Odeio o Dia dos Namorados – 14 anos: Playarte 2 – 14h15, 16h20, 18h25, 20h30 (diariamente) e 22h35 (somente sexta e sábado); Cinemark 3 – 15h e 20h (diariamente); Cinemais Millennium – 14h40, 16h50, 18h50 e 21h (diariamente); Cinemais Plaza – 15h20, 17h30, 19h40 e 21h45 (diariamente). Depois da Terra – 12 anos: Playarte 4 – 12h45, 14h50, 16h55, 19h, 21h05 (leg/diariamente) e 23h10 (leg/somente sexta e sábado); Cinemark 1 – 12h (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 16h40, 19h, 21h30 (dub/diariamente) e 23h50 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 3 – 12h40, 17h30 e 22h20 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 15h20, 17h30, 19h40 e 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 17h10, 19h15 e 21h30 (dub/diariamente).

Velozes e Furiosos 6 – 14 anos: Playarte 7 – 13h20, 16h, 18h40, 21h20 (dub/diariamente) e 23h59 (dub/somente sexta e sábado); Cinemark 4 – 18h20 (dub/não será exibido sábado) e 21h10 (dub/diariamente); Cinemark 5 – 16h30, 19h20 e 22h10 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 14h, 16h30 e 19h (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h20, 16h50, 19h20 e 21h50 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 15h30, 18h30 e 21h (dub/diariamente). Reino Escondido – Livre: Playarte 8 – 13h e 15h10 (dub/diariamente); Cinemark 4 – 13h20 (dub/não será exibido sábado) e 15h50 (dub/não será exibido sábado e domingo). O Grande Gatsby – 14 anos: Playarte 8 – 17h20, 20h10 (leg/diariamente) e 23h (leg/somente sexta e sábado); Cinemais Millennium – 21h20 (3D/leg/diariamente). Faroeste Caboclo – 14 anos: Playarte 9 – 12h50, 15h, 17h10, 19h20, 21h30 (diariamente) e 23h40 (somente sexta e sábado); Cinemark 5 – 11h10 (somente sábado e domingo) e 13h40 (diariamente); Cinemais Millennium – 14h50, 17h, 19h10 e 21h15 (diariamente); Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h30 e 21h40 (diariamente). Fuga do Planeta Terra – Livre: Playarte 8 – 12h45 e 14h50 (dub/diariamente).


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FOTOS: WILLIAM REZENDE

::::: Sala de Espera Brunella Dantas, Lauro Cavalcanti, Eliana Printes, Adjuto Afonso, Márcia Meirelles e Orlando Cidade estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

“Ednelza Sahdo – Uma Estrela em Cena. É com este tema que “A Grande Família” vai movimentar o Carnaval na passarela do samba, para conquistar o título de campeã em 2014.

::::: Encontro chique Com chocolates da grife Talita Avelino e trilha sonora do DJ-colunista Alexandre Prata, acontece na próxima terça-feira, o esperado lançamento dos lenços grifados da dupla Gisele Alfaia e Tânia Castro, de 18h às 22h, no atelier do Vieiralves. E mais, delícias juninas para dar as boas-vindas a coleção TeG, inspirada nos cocares de Wernner Botelho, para você amiga sobrenomada se esbaldar com estilo nos redutos bovinos do Festival Folclórico de Parintins. Merci pelo convite.

A UEA sediará o seminário acadêmico para celebrar o Dia Mundial do Refugiado em Manaus. A ação é promovida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados e acontecerá no próximo dia 20, a partir das 18h30, no auditório da Escola Superior de Ciências Sociais da Cachoeirinha. O assunto, sobre os preparativos da Copa de 2014, foi discutido em audiência pública, no Plenário Ruy Araújo da Aleam, anteontem. A Audiência foi requerida pelo deputado Francisco Souza (PSC), presidente da Comissão de Turismo e Empreendedorismo da casa. Celso Seixas e João Thomé Mestrinho foram os anfitriões impecáveis na noite de ontem, no Olê Olá, com o esperado repeteco do show de Renatinho e banda tocando tudo da jovem guarda. Aliás, a casa noturna da Major Gabriel virou a coqueluche entre os notívagos da cidade. Batizado de Arraial do Amazonas Shopping, o evento assinado pela M1 Eventos, vai movimentar a cena junina chique da cidade com danças folclóricas, muito forró e a participação dos cantores Kelly & Klinger, David Assayag, Leonardo Castelo e o grupo Falamansa. Quando? A partir do próximo dia 21, no estacionamento do centro de compras.

A tradicional festa de Santo Antônio de Borba contou com a presença marcante do vice-governador José Melo, na comemoração dos festejos na praça com show do padre Fábio de Melo e missa na catedral da cidade para celebrar o santo padroeiro borbense

::::: Caos Os condutores que cruzam a Djalma Batistas pedem socorro da coluna. Vários e-mails chegaram com a reclamação que está definitivamente impossível dirigir pela avenida em hora de pico. O motivo? A falta de marronzinhos para colocar ordem nas filas duplas em frente as faculdades e dos centros de compras sem falar dos irresponsáveis que se desvencilham dos carros para atravessar de um lado para outro a avenida. Socorro!

A bela Adriana Brito na sua sessão parabéns junino que movimentou o Fran’s Café

::::: Cozinha chique O renomado chef Alex Atala estará na cidade na próxima semana. Será o comandante de evento orquestrado em parceria entre a Amazonastur e o Tropical Hotel, onde inclusive o chef atuou durante alguns anos. Atala virá acompanhado de um grupo de jornalistas estrangeiros e fará uma demonstração do “Brigadeiro de Pripioca”, raiz descoberta por ele mesmo. O evento será fechado para os chefes e alguns convidados, apenas.

::::: McDia Feliz já começou em Manaus

Ana Guerra e André Amorim convidam para o esperado “sim” marcado para o próximo dia 22, no Athenas Buffet, às 10h, seguido de recepção no elegante lugar

As pessoas interessadas em ajudar o Gacc-AM a arrecadar recursos por meio do McDia Feliz, já podem adquirir os tickets da campanha. Esses tickets, no dia 31 de agosto, poderão ser trocados por um Big Mac em qualquer restaurante da rede McDonald´s em Manaus. A mobilização, que é a maior campanha nacional em prol das crianças e adolescentes em luta contra o câncer, é realizada nacionalmente pelo Instituto Ronald McDonald. Em Manaus, os tickets estão sendo vendidos no escritório da entidade, fincado na João Valério. O telefone é 3656-1811.

A pequena Isabelly Freire Almeida no seu festim de aniversário, assinado pela mama Pollyanna, no endereço da Ponta Negra, era só felicidade ontem


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‘Cultura itinerante’ prevê oficinas gratuitas de artes GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

A

inda este mês, a Fundação Municipal de Cultura e Turismo (ManausCult) dá início ao projeto “Música no Parque”, como parte do programa “Cultura Itinerante”, que prevê a extensão de conhecimentos artísticos para a população, sobretudo aos pequenos cidadãos. Está previsto para quarta-feira a abertura de uma série de oficinas de música, voltadas exclusivamente para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos de idade. A atividade acontece no Parque do Mindu. Os escalados para esse primeiro momento do programa são os músicos locais que trazem em comum o pertencimento ao grupo Cordão do Marambaia. Karine Aguiar, Ygor Saunier, Miquéias Pinheiro e Gonzaga Blantez vão dedicar suas habilidades para o ensino e despertar do interesse instrumental entre os participantes. “Vão ser oficinas voltadas especialmente para musicalização de crianças e adolescentes e a minha missão será iniciá-los no

canto. Queremos trabalhar a base, descobrir pessoas que tenham vocação artística e ajudá-las a se descobrir também dentro de uma vocação artística e, assim, encaminhá-las a um estudo mais direcionado”, reflete a cantora Karine Aguiar, que além do grupo, também mantém carreira solo.

CURSOS

Os interessados podem escolher entre as oficinas de canto, com Karine Aguiar, percussão, com Ygor Saunier, violão com Gonzaga Blantez e flauta doce com o músico Miquéias Pinheiro

O embrião do que seria o programa “Cultura itinerante” já havia sido mencionado pelo diretor-presidente da ManausCult, Bernardo Monteiro de Paula, em meados de maio, quando houve reunião entre ele e a classe artística. Na ocasião, foram destacadas ações em potencial, incluindo esta.

Instrumentos Karine Aguiar reforça que os participantes que ainda não tenham tido contato com a música, ou que já tenham tido esse contato em algum momento e que gostariam de conhecer um pouco mais, terão a oportunidade de escolher entre as oficinas de canto, percussão (Ygor), violão (Gonzaga Blantez) e flauta doce (Miquéias) que, embora seja muito mais conhecido como contrabaixista, também é professor de flauta-doce. “Por uns dois anos, inclusive – entre 2010 e 2012 – tive a chance de dar aulas no projeto Jovem Cidadão. Sobre essa iniciativa do projeto “Música no Parque”, acredito que existam vários fatores envolvidos que o valorizam, que não somente o cultural, mas social também. A gente percebe o quanto atividades como essa podem promover a prevenção de crianças do contato com outras coisas, como as drogas e a marginalidade”, observa Miquéias Pinheiro, cuja parcela de alunos do projeto Jovem Cidadão está matriculada no Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro (Laocs). Outras informações podem ser obtidas pela página do Facebook da Manauscult.

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Com início este mês, projeto reúne artistas locais para realizar cursos de música para crianças e adolescentes

O baterista Ygor Saunier é um dos professores que irão ministrar a oficina de percussão

Ritmos amazônicos em curso Na oficina de percussão, por exemplo, Ygor Saunier vai dar ênfase aos ritmos amazônicos, objeto de pesquisa acadêmica do próprio instrumentista. “Todos nós, embora com oficinas distintas, vamos trabalhar para direcionar as crianças e adolescentes ao conhecimento da cultura local. Iremos usar um pouco do folclore e da cultura

local para ilustrar as nossas aulas”, diz a Karine Aguiar. De acordo com a artista, a culminância do projeto – ainda sem data explicitada – vai reunir as crianças do curso, apresentando um pouco do que aprenderam junto com o Cordão do Marambaia. “Isso é importante para que eles saibam como funciona, como é estar em

um palco, para sentirem como é ser artista ali, na prática mesmo”, diz. As oficinas estão previstas para serem realizadas pela parte da manhã e pela tarde, na seguinte disposição: violão e flauta, às terças e quintas-feiras, das 9h às 12h; percussão e canto, às quartas e quintas-feiras, das 14h às 17h.


EM TEMPO - 16 de junho de 2013