Page 1

R$ EXEMPLAR

2,00 DE ASSINANTE

VENDA PROIBIDA PREÇO DESTA EDIÇÃO

8177-2096 DENÚNCIAS • FLAGRANTES

O JORNAL QUE VOCÊ LÊ

A partida parecia favorável ao ‘English Team’, mas foi a ‘Azzurra’ quem saiu vitoriosa com o golaço de Mario Balotelli

RICARDO OLIVEIRA

ANO XXVI – N.º 8.386 – DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

ARENA FERVEU 2X1

AZZURRA

Brasileirinha entra no clima bonachão do italiano

Italianos descobriram adereços e penas dos índios da Amazônia

RICARDO OLIVEIRA

RICARDO OLIVEIRA

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Com apoio da maioria da torcida na Arena da Amazônia, a Itália venceu a Inglaterra por 2 a 1 na tarde deste sábado. A temperatura girou em torno dos 30ºC neste sábado, com quase 70% de umidade relativa do ar e sensação de abafamento. Claudio Marchisio abriu o placar para a Itália e Daniel Sturridge empatou logo depois. Já na etapa complementar, Mario Balotelli marcou o gol da vitória em Manaus. Pódio Jornal da Copa 4 e 5

Até “centurião romano” apareceu na torcida da Itália ALEXANDRE FONSECA/SEMCOM

CONVENÇÃO

PSDB lança Aécio para presidente

IONE MORENO

Com o reforço do ex-presidente FHC, o senador mineiro Aécio Neves foi oficializado neste sábado como candidato do PSDB para a eleição à Presidência. Última Hora A2 RELIGIÕES AFRO

Amazonas é um dos mais preconceituosos Seguidores de religiões de matriz afro convivem com o preconceito e a violência gerados pela falta de conhecimento e fanatismo. Dia a dia C2 e C3

PLATEIA O comediante paraense Rominho Braga se inspira na própria vida para montar show de humor, que será apresentado hoje no Teatro Manauara.

Em tempo de Copa do Mundo, nem só a “amarelinha” da seleção faz sucesso. A onda é inovar nas camisetas, sem fugir do verde e amarelo.

Na Ponta Negra, palco do terceiro dia da Fan Fest, o Olodum levou mais de 10 mil pessoas ao delírio

BATUQUE NA FLORESTA No palco da Fan Fest, o grupo baiano Olodum transformou o domingo num dia de grande agitação, levando mais de 10 mil pessoas à praia da Ponta Negra. Pódio Jornal da Copa 9

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA E ELENCO.

A obra da norte-americana Vivian Maier tornou-se um dos maiores tesouros fotográficos do século 20. TEMPO EM MANAUS

MÁX.: 33

MÍN.:

23


A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Candidatura de Aécio Neves é oficializada pelo PSDB Além dos tucanos PSC, PSTU e PV também realizaram as suas convenções nacionais ontem, apresentando seus candidatos

O

senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu oficialmente o posto de candidato dos tucanos à Presidência da República num discurso com forte tom emocional e duras críticas ao PT e à gestão de Dilma Rousseff. Aécio disse que a gestão petista não tem se mostrado “digna” de atender às demandas da sociedade. Segundo ele, não há mais uma “brisa” de mudança no ambiente político, mas uma “ventania”. ”Um tsunami vai varrer do governo aqueles que não têm se mostrado dignos de atender as demandas da sociedade”, concluiu. A convenção nacional do partido aconteceu na manhã de ontem, em São Paulo. Os principais nomes do PSDB estiveram ao lado de Aécio no evento, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu antecessor no cargo, José Serra. O presidenciável acusou o PT de ter enganado o povo que o elegeu. “Acreditaram na propaganda de quem dizia defender a ética e elegeram um governo que foi protagonista de um dos mais vergonhosos casos de corrupção da nossa história”, afirmou, em referência ao mensalão. O discurso teve uma conotação defensiva. Há mais de uma década o PT acusa o PSDB de ser privatista e não ter sensibilidade social. Numa resposta a isso, Aécio fez um longo resgate de ações

ORLANDO BRITO/PSDB/MG

do governo FHC e disse que foi o tucano quem lançou pedras fundamentais para a criação de programas como o Bolsa Família. “Nós governamos para as pessoas”, disse, citando a criação dos genéricos, e programas como o Saúde da Família Pastor e metalúrgico Além dos tucanos o Partido Social Cristão (PSC) homologou ontem, durante convenção nacional, o nome do Pastor Everaldo Dias Pereira como candidato à Presidência da República. A convenção ocorreu na Assembleia Legislativa de São Paulo, com a presença de 60 delegados, dos quais todos votaram no pastor Everaldo. Durante discurso fez críticas à atual política econômica e tributária e disse que para promover mudanças no país é preciso a existência de um Estado mínimo. Ele criticou a existência de tantos ministérios (39). Outro a realizar convenção nacional, o PSTU lançou ontem oficialmente a candidatura do metalúrgico José Maria de Almeida, o Zé Maria, à Presidência da República. A legenda escolheu a professora e assistente social Cláudia Durans para a candidatura de vice-presidente. Zé Maria criticou a atual gestão da presidenta Dilma Rousseff e disse que o país segue sendo governado com base nos interesses das grandes empresas. Segundo ele, o PSTU usará a força dos trabalhadores e dos jovens.

RIO GRANDE DO SUL AGÊNCIA RBS

PV escolhe Eduardo Jorge O Partido Verde (PV) definiu ontem o médico e ex-deputado federal Eduardo Jorge como candidato da legenda na eleição para presidente da República, em outubro. A atual vice-prefeita da Bahia, Célia Sacramento, também do PV, complementa a chapa como vice. Segundo Eduardo Jorge, que também foi secretário municipal de Saúde e de Meio Ambiente de São Paulo, além de deputado estadual, o PV quer se colocar como opção alternativa na disputa. “O PV é um partido do século 21. Os três partidos grandes (PT, PSDB e PSB) ainda estão no século 20. Eles continuam ligados naquele velho sistema capitalista e socialista, em que a questão do meio ambiente é considerada uma coisa secundária, quando não desprezível”, disse Jorge. Ex-presidente FHC esteve na convenção nacional do PSDB para apoiar a candidatura de Aécio

SC

Vendaval atinge 11 cidades

Bandidos usaram dinamites para tentar arrombar caixas

Reféns são usados como cordão humano em assalto Ladrões armados com fuzis invadiram uma empresa na madrugada de ontem, na cidade de Lindolfo Collor (RS), a aproximadamente 50 quilômetros de Porto Alegre, fizeram 15 funcionários reféns e tentaram explodir caixas eletrônicos. Na ação, funcionários da companhia, a indústria de couro Minuano, foram usados como uma espécie de “cordão humano” para evitar uma eventual chegada da polícia. Dentro da fábrica, o alvo dos ladrões eram os caixas eletrônicos de um posto bancário do Banco do Brasil. Ao menos três homens usando toucas renderam o segurança da empresa enquanto um ônibus que levava empregados deixava o local. O grupo obrigou o moto-

rista do ônibus a estacionar o veículo na diagonal na via diante da fábrica e espalhou pregos pela rua, segundo a Brigada Militar. Os ladrões usaram dinamite para tentar explodir dois caixas eletrônicos. Os equipamentos não chegaram a ser destruídos, mas os bandidos podem ter levado o dinheiro que estava na parte superficial dos caixas. Os homens fugiram em um carro e ninguém havia sido preso até o final da tarde desse sábado. Não houve feridos. Os reféns usados como “cordão humano” informaram à polícia que os homens portavam fuzis. Os homens conseguiram fugir em um Ecosport e ninguém foi preso até o momento.

Um vendaval atingiu a região oeste de Santa Catarina na madrugada de ontem e 11 municípios foram atingidos. Além dos destelhamentos de casas, houve queda de árvores em dois pontos da Rodovia BR 282, mas o tráfego foi liberado. Conforme a Defesa Civil, o vento chegou a 60 quilômetros por hora. O vendaval atingiu os municípios de Entre Rios, São Domingos, Ipuaçu, Xanxerê, Bom Jesus, Ponte Serrada, Ouro Verde e Faxinal dos Guedes. Em Santa Catarina, 400 mil pessoas foram afetadas pela chuva forte na última semana. Em torno de 50 mil pessoas ficaram desalojadas e 6 mil, desabrigadas. Duas mortes foram registradas, uma em Guaramirim e outra em Mafra. A Defesa Civil recomenda que os moradores evitem o contato com as águas e não dirijam em lugares alagados. Também devese evitar transitar em pontilhões e pontes submersas e ter cuidado com crianças que vivem próximo a rios e ribeirões.

HIGIENE

Clientes ignoram nova avaliação Na disputada praça de alimentação do shopping Center 3, na avenida Paulista, frequentadores almoçavam na sexta (13) sem reparar nos novos adesivos dos restaurantes do estabelecimento. Os banners da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que separam 2.075 estabelecimentos de todo o país em três categorias (“A”, “B” e “C”), começaram a aparecer nos últimos dias. “Almoço aqui todo dia e não tinha visto a placa”, conta a bancária Denise Silva, 25, prestes a fazer seu pedido no Gendai, de nota “C”. A letra indica o grau de higiene do estabelecimento e, com isso, o risco de contaminação da comida. A nota considera, por exemplo, se há controle de temperatura dos alimentos e se estão certos os

procedimentos de limpeza. A avaliação pretende também pressionar por melhorias, ao permitir comparações entre estabelecimentos. Funcionários do Gendai afirmam que, no dia da vistoria, estavam com menos pessoal e a limpeza atrasou. Ainda assim, dizem que a repercussão da placa foi quase nula. “Está aí desde a semana passada e ninguém ligou”, diz o subgerente Vinícius. A rede afirma, em nota, que “já tomou as devidas providências” e ressalta que outras lojas Gendai tiveram “desempenho satisfatório”. Em Brasília, o novo selo passou desapercebido até por proprietários dos locais fiscalizados e havia dúvidas entre quem percebeu a letra colada. “Eu vi (o adesivo) Diz ‘B’,

mas não diz se isso é bom ou ruim”, comenta o geólogo Paulo Guimarães na saída de um café no Distrito Federal. A nota de cada estabelecimento é determinada pela somatória dos problemas encontrados em vistoria. Critérios Todos os locais que receberam os selos, com qualquer nota, cumprem os critérios mínimos sanitários para funcionar. Dessa forma, o cliente não deve pensar que existem ratos num restaurante “C”. “Isso seria risco iminente (à saúde); cabe interdição sem processo”, explica André Godoy, gerente de alimentos da vigilância sanitária do Distrito Federal. “A lista (“C”, “B” e “A”) é dos aprovados: bom, muito bom e excelente”, diz. GIOVANNA CONSENTINI/ARQUIVO EM TEMPO

Avaliação nos restaurantes feita pela Anvisa vem passando despercebida por clientes


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Em junho, há um ano

Alguém viu o príncipe por aí? O príncipe Harry estava sim na arena para assistir à derrota de sua seleção. Mas a imprensa local não conseguiu furar o bloqueio do camarote very Vip da Fifa, montado na Arena da Amazônia. Por alguns momentos, surgiram dúvidas se realmente o filho de Charles estava mesmo na arena. “Veio-não-veio” foi o que mais se ouviu nas conversas de jornalistas que estavam na arena. Realeza em Minas Também no dia 24 de junho, o príncipe Harry vai ao Mineirão para assistir à partida entre Inglaterra e Costa Rica, válida pela terceira rodada do Grupo D da Copa do Mundo. Azarando Sabrina Sato vai ter a possibilidade de ficar frente a frente com o príncipe Harry. A apresentadora da Record faz parte da seletíssima lista de convidados que participarão do baile que será realizado em homenagem ao monarca na sede do consulado britânico, no próximo dia 25 de junho, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Então tá, japa! — Fiquei muito feliz com o convite, mas ainda não confirmei presença, pois a minha agenda de gravação está uma loucura –, afirma Sabrina, cujo nome foi aprovado pelos representantes do Palácio de Buckingham, na Inglaterra. Troco A torcida do Amazonas deu troco ontem ao técnico Roy Hodgson, da seleção da Inglaterra. Pivô da polêmica com a capital do Amazonas, criticada pelo clima quente e úmido, Hodgson viu sua seleção ser vaiada toda vez que seus jogadores pegavam na bola.

Umidade A temperatura girou em torno dos 30ºC neste sábado. Mas isso com quase 70% de umidade relativa do ar e sensação de abafamento. Estafados Apesar do jogo ter começado às 18h (hora local), era visível a estafa dos jogadores, tanto italianos quanto ingleses. O 4º árbitro não suportou o calor e acabou desmaiando. Italiano gostou O técnico da seleção italiana, Cesare Prandelli, colocou um ponto final na boataria de que o gramado da Arena da Amazônia estava prejudicando. Veredicto Na noite desta sexta-feira, após conduzir o treino de reconhecimento do campo, à véspera da estreia contra a Inglaterra, ele deu seu veredicto. — O gramado está em boas, eu diria até ótimas condições de jogo – disse Prandelli. Rede de boatos Ainda de acordo com Cesare, as informações que a equipe havia recebido sobre o gramado da Arena da Amazônia foram as piores. Mas ele constatou que não eram reais.

— Está em condições de receber um bonito jogo –, declarou o técnico, encerrando as especulações sobre o campo.

APLAUSOS

regi@emtempo.com.br

Sobre a Arena da Amazônia, o técnico disse que é um estádio muito bonito. E possibilita uma acolhida muito especial pela torcida, porque a arquibancada é muito próxima do campo. Olodum Quem pensou que o show do Olodum, na Fifa Fan Fest da Ponta Negra, havia acabado quando começou a partida Itália e Inglaterra, se enganou. Depois dos 2 a 1 da Azurra, o grupo baiano voltou ao palco para encerrar a festa deste sábado. Praia, som e telão Não faltaram elogios à organização da Fan Fest de Manaus. A cada dia, a Ponta Negra vai mostrando porque tem se tornado o principal ponto de encontro para quem quer acompanhar os jogos da Copa. Isto é que é Principal patrocinadora da Copa do Mundo da Fifa, a Coca– Cola levou um grupo de jornalistas de Manaus à Arena da Amazônia para assistir ao clássico dos campeões, Itália e Inglaterra. A concentração foi no almoço amazônico do restaurante Banzeiro. Rainha Imensas filas se formaram, ontem, no restaurante Banzeiro. Mais de 70% do púbico eram de Italianos e ingleses. Houve até um sósia da rainha Elizabeth 2º que chegou para almoçar de vestido clássico, salto, colar e coroa de soberana.

VAIAS

Organização da arena

Regi

Belo estádio

Italianos A Itália contou com o apoio da maioria do público em Manaus assim que subiu ao gramado para o aquecimento.

Há um ano, no dia 13 de junho, o Movimento Passe Livre fez ecoar a “voz das ruas” contra o aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus. Foi violentamente reprimido, em São Paulo, e o tiro da polícia saiu pela culatra. A voz treplicou em mais de cem cidades do país, agregando novos valores aos R$ 0,20 iniciais: eram exigidas mudanças mais caras aos que estão acostumados a comandar o país por meio de conchavos e negociatas políticas e financeiras nos bastidores. Os três poderes da República sentiram-se acuados e trataram de estabelecer estratégias para estancar o que parecia uma grave sangria. O movimento foi criticado por não estar ligado a nenhum tipo de organização, por isso seria “anarquista” (o termo que mais se usou): por não possuir uma “programática”, não possuir um líder, isto é, o Movimento Passe Livre era censurado ou patrulhado justamente pelo que tinha de melhor: nenhum compromisso com os partidos que perderam o bonde da história. Com o mesmo cinismo de sempre, os censores do movimento, apresaram-se a anunciar ajustes em suas pautas de comportamento. Nada foi cumprido e o país vai se aproximando de mais uma eleição, desta vez majoritária, com as mesmas normas. O historiador Voltaire Schilling, lembrou ontem ao “G1”, que as manifestações que se iniciaram em junho de 2013 foram o maior levante da população brasileira desde as diretas- já, movimento que reivindicou eleições presidenciais diretas entre 1983 e 1984. O país, que parecia ter encontrado o Paraíso, descobriu-se descontente. Nos corredores dos palácios do Executivo, do Legislativo e do Judiciário as costuras continuam, no sentido de evitar aquilo que um parlamentar da ditadura de Getúlio Vargas aconselhava: “Vamos fazer as mudanças, antes que o povo as faça”. Só não sabem ou não querem mesmo fazê-las.

Torcedor explorado DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

Para a organização da Arena da Amazônia, durante o jogo Itália X Inglaterra. Entrada tranquila, serviço de informações perfeito, colaboradores atentos, banheiros limpos e identificação de lugares sem problema. Foi show de bola!

Para os preços praticados dentro da Arena da Amazônia. Água e refrigerantes estavam custando R$ 8, enquanto que o copo de cerveja era cobrado o absurdo de R$ 13.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Bom, enquanto durou Joaquim Barbosa anunciou aposentadoria para tão logo se extinga seu mandato de presidente do Supremo. Vai fazer falta e deixará um vácuo que parece não ter, entre os que lá ficarão, quem preencha. Se há, ainda não se revelou. Quem sabe, por timidez, ou por medo (quem não tem?), ou mesmo por falta de estofo, já que competência intelectual, por definição, ali não deve faltar, embora haja quem já andou tropeçando na caminhada judiciária. O “Homem” como afetivamente nos acostumamos a chamá-lo depois de tantos e tantos anos de só decepções com tantos que receberam o já fatídico título de presidente (ou de presidenta), uniu numa só pessoa qualidades que raramente se juntam, pois o comum é que, quando uma haja, as outras escasseiem, e assim por diante, num infindável rodízio. Mas, dizia eu, no “Homem” se juntaram a boa formação acadêmica, que até incluiu pós-graduação na França, a coragem abundante e sempre presente e, sobretudo, a honradez e a dignidade que só aparecem quando o caráter se nutre fartamente da moralidade incondicional. Como diria Kant, nele a vontade moral se exerce e se rege por imperativos categóricos, que afastam os imperativos hipotéticos, onde a vontade se deixa submeter a condicionamentos e a resultados quase sempre inconfessáveis e, assim, deixa de ser moral. Sua origem já revelada foi na pobreza e, para desmentir a falácia do Lula, chegou onde chegou sem se servir das tais quotas para negros, índios, pobres etc., embora pelo menos duas das condições tenha preenchido: foi pobre e continua a ser negro. Quando Lula, por uma dessas peças que o Destino costuma pregar e que geralmente servem para fazer

cair as máscaras, decidiu pelo nome de Joaquim Barbosa para preencher vaga aberta no Supremo, fê-lo para enaltecer a si mesmo, para apresentar como mérito seu (como se algum nisso houvesse) o fato “nunca antes acontecido na história deste país” de fazer chegar um negro à nossa Suprema Corte. Não fui eu, mas ele mesmo, Lula, quem declarou que sua opção por Joaquim Barbosa foi ao fim, decidida pelo fato de tratar-se de um negro, categoria até então ausente no Supremo. Como sempre, prevaleceu o político que sempre joga para a platéia e não para o time, como seria sua obrigação. Jogou para a platéia e, ao mesmo tempo, achou que teria plantado no Supremo mais um súdito pronto a cumprir as suas ordens e atentar aos seus interesses, quando se apresentassem. Pobre Lula! Exatamente no seu governo haveria de ocorrer o maior escândalo da história política brasileira: o Mensalão. Muito justo, por sinal, pois se ele mesmo em tudo que fazia colocava o rótulo do “nunca antes na história deste país”, também em se tratando de falcatrua e escândalo teria que se fazer presente a mesma etiqueta. Por pura inferência, acredito que o ministro, ciente dos seus próprios méritos e das suas qualidades, nunca se sentiu devedor do seu nomeador, e assim assumiu o cargo para cumprir o dever de jurista e jurisconsulto. E aí o Destino se intrometeu e veio jogar, por sorteio, precisamente no colo de Joaquim Barbosa essa “jaca mole” chamada mensalão, para que dela fosse o Relator. Vá com Deus, ministro. Sua aposentadoria é legal e justa e, ademais, dá para compreender que sua convivência no Supremo não deve estar fácil e mais difícil ficaria, a cada nova nomeação petista.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Pobre Lula! Exatamente no seu governo haveria de ocorrer o maior escândalo da história política brasileira: o Mensalão. Muito justo, pois se ele mesmo em tudo que fazia colocava o rótulo do ‘nunca antes na história deste país’, em se tratando de falcatrua se faria presente a mesma etiqueta”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Cabo de guerra

Eu acho que a instituição Presidência da República, liderada por uma mulher, tem que ser respeitada. Eu vi alguns moleques gritarem no campo e não eram nenhum pobre que estava passando fome, que não tinha escola. Pelo contrário, parecia que comiam demais e estudavam de menos porque perderam a vergonha e a falta de respeito com nossa presidente

A campanha petista está dividida sobre o tom que Dilma Rousseff deve adotar diante da queda nas pesquisas. A ala liderada pelo ex-ministro Franklin Martins quer que ela antecipe o embate político e assuma um tom ofensivo contra os adversários e a imprensa. Ele argumenta que o Planalto está na defensiva e tem se deixado pautar pela oposição. O marqueteiro João Santana defende que Dilma não deve cair no “bate-boca” e pede paciência até o início da propaganda na TV. Clima quente Os dois grupos trocaram palavras ríspidas na última reunião no Palácio da Alvorada, dia 2. Segundo participantes, Dilma indicou concordar com a linha sugerida por Santana. Ao menos por enquanto. Nós e eles O presidente do PT, Rui Falcão, atenua as divergências e diz que as comparações com o projeto do PSDB serão inevitáveis. “Vamos mostrar o que nós fizemos e o que nós faremos.” Venezuela Os petistas prometem não recuar no debate sobre o decreto que cria a política de participação social. A oposição diz que a medida é “chavista”. O governo rejeita o adjetivo. “Será um teste. Vamos ver quem está de que lado”, desafia Falcão. Barrado no baile O senador Armando Monteiro (PTB), candidato ao governo de Pernambuco, foi barrado por seguranças da Presidência em seu próprio prédio, onde ofereceu jantar a Dilma e Lula na sexta-feira (13). Libera o doutor O segurança pediu que o porteiro interfonasse para saber se o parlamentar

podia subir. “A casa dele é aqui...”, respondeu o funcionário. Esquimó O ex-presidenciável Randolfe Rodrigues afirma que o PSOL errou ao encampar o discurso contra a Copa. Para ele, não se pode confundir a crítica aos gastos com o futebol. “Isso daria certo no Alasca, não no Brasil”. Cachimbo da paz O vicepresidente americano, Joe Biden, enviou sinais de que pretende tratar sua visita ao Brasil como um gesto de normalização das relações com o país, após as denúncias de espionagem dos EUA. Eu acendo O Planalto deve ser receptivo ao “namoro”, diz um auxiliar de Dilma. No início, a aproximação terá uma agenda mais leve. Serão evitados temas polêmicos, como disputas comerciais e tensões diplomáticas. Queixa ao bispo As seis centrais sindicais do país fizeram reclamação contra o Brasil na OIT (Organização Internacional do Trabalho). As entidades protestam contra decisões da Justiça do Trabalho sobre o

direito de greve. Batalha do Metrô As centrais reclamam da concessão de liminares que obrigam os trabalhadores a manter serviços considerados essenciais ou impedem a realização de piquetes. 82º senador Parlamentares se dizem impressionados com a presença assídua de Paulo Schmidt, presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), em gabinetes do Senado. Seu lobby por benefícios para juízes gera desconforto na Casa.

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente, criticou na sextafeira 13 as vaias direcionadas à presidente Dilma Rousseff durante a abertura da Copa do Mundo, quinta 12, no Itaquerão, em São Paulo. Chamou de moleques os autores dos xingamentos.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br DIEGO JANATÃ

Eu explico Schmidt alega que as associações de juízes “sempre fizeram interlocução com o Congresso”. Ele sustenta que a Anamatra defende, “além da pauta corporativa, assuntos sobre a estrutura do Judiciário”. Tipo exportação Luís Roberto Barroso, o ministro do STF, foi convidado a falar amanhã em evento das Nações Unidas, em Nova York. Vai abordar a inclusão da justiça como um dos objetivos de desenvolvimento do milênio.

Tiroteio

Quem foi à primeira Fan Fest descobriu que o barato sai caro, como esse torcedor que nem chegou a saber o resultado do jogo do Brasil contra Croácia, se por acaso esteve interessado. Não foi o único a formar a nova dupla do sertanejo universitário pósCopa: Fuleiros do Fuleco (não sem pagar antes os direitos autorais da Fifa)

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Em vez de defender a civilidade e condenar as ofensas a Dilma, Aécio prefere pegar carona na deselegância e no preconceito. DO PRESIDENTE DO PT-SP, EMIDIO DE SOUZA, sobre a afirmação do tucano de que as vaias na abertura da Copa do Mundo mostram uma ‘presidente sitiada’.

Contraponto

Tamanho não é documento Ao cumprimentar as autoridades no palanque de um evento do PT na última sexta-feira (13), no Recife, o ex-presidente Lula fez uma pausa após citar o nome do ministro da Educação, Henrique Paim. – Paim, levanta para todo mundo ver! – pediu o petista, ao microfone. O ministro, que não está entre os integrantes mais altos da Esplanada, se levantou prontamente. – Quando você fala “ministro”, as pessoas acham que é um homem grande... Se você ficar sentado, ninguém vai te ver! – brincou Lula. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

CENTRAL DE RELACIONAMENTO Atendimento ao leitor e assinante ASSINATURA e CLASSIFICADOS

3211-3700 assinatura@emtempo.com.br classificados@emtempo.com.br

REDAÇÃO

3090-1010 redacao@emtempo.com.br

3090-1001 circulacao@emtempo.com.br

Norte Editora Ltda. (Fundada em 6/9/87) – CNPJ: 14.228.589/0001-94 End.: Rua Dr. Dalmir Câmara, 623 – São Jorge – CEP: 69.033-070 - Manaus/AM

www.emtempo.com.br

@emtempo_online

Diretor de Redação Mário Adolfo marioadolfo@emtempo.com.br Editora-Executiva Tricia Cabral — MTB 063 tricia@emtempo.com.br Chefe de Reportagem Michele Gouvêa — MTB 626 michelegouvea@emtempo.com.br Diretor Administrativo Leandro Nunes administracao@emtempo.com.br

CIRCULAÇÃO

DO GRUPO FOLHA DE SÃO PAULO

Presidente: Otávio Raman Neves Diretor-Executivo: João Bosco Araújo

Gerente Comercial Gibson Araújo comercial@emtempo.com.br EM Tempo Online Yndira Assayag — MTB 041 yndiraassayag@emtempo.com.br

/amazonasemtempo

/tvemtempo /

Os artigos assinados nesta página são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

Memória A fé e consequentemente a identidade cristã se alimentam da memória. Ter fé é acreditar em eventos salvíficos que são narrados nas escrituras sagradas e celebrados na liturgia. Fazer memória atualiza o mistério e os que celebram são inseridos no mesmo, apropriando-se dele e sendo por ele envolvidos. Já a fé de Israel é vivida assim e a celebração da Páscoa mantém a unidade entre as gerações no decorrer dos séculos e permite a cada nova geração viver de novo a experiência do Êxodo que é constitutiva da identidade do povo da primeira aliança. Para a Igreja Católica a memória fundamental, em torno da qual se estrutura e em vista da qual se organiza e vive, é a memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Esta memória é a razão da sua existência e ela existe para anunciar este mistério até a volta do Senhor. Segundo os relatos, sobretudo paulinos, Jesus deixou um sinal desta memória ao abençoar o cálice e o pão na última ceia e ao ordenar a sua Igreja que assim o fizesse até que voltasse. De geração em geração a Igreja repete o gesto de Jesus. Ele é tão fundamental que em torno dele se organiza toda a sua vida. Os que presidem a Eucaristia são ordenados para tanto. Só participam plenamente dela os que são batizados, isto é, membros inseridos no seu mistério. Há situações objetivas de comportamento que impedem a comunhão e para que esta se restabeleça existe o sacramento da reconciliação. Não se entende a identidade católica sem a Eucaristia e ser católico é participar da missa e acreditar no que ela representa, mesmo quando por falta de mi-

nistros ou por razões geográficas o fiel não pode participar com a frequência desejada. Foi natural que no decorrer da história esta fé fosse se solidificando e surgisse na igreja a adoração eucarística que começa quando se guarda o pão consagrado para levá-lo aos doentes e prisioneiros bem como para enviálo para as comunidades mais distantes em sinal de comunhão. Sem esquecer que a Eucaristia é em primeiro lugar sacramento que faz memória da Páscoa de Jesus e da doação total de sua vida em favor da humanidade e que, por isso mesmo, compromete a quem dela participa a seguir os passos do Ressuscitado, a igreja também adora esta presença real que supera todo entendimento e que exige fé na gratuidade da ação divina que supera toda imaginação e toda racionalidade. No dia do Corpo e Sangue do Senhor a comunidade sai às ruas e caminha atrás da hóstia consagrada para dar testemunho da sua fé na presença real de Jesus na Eucaristia. Poderíamos dizer que das múltiplas procissões e festas que se sucedem ao longo do ano esta é a que marca por excelência a sua identidade. O Brasil é um país de tradição católica e isto explica o feriado, mas é claro que o pluralismo religioso o marca e isto é uma riqueza se soubermos nos respeitar e admirar a profundidade de cada experiência religiosa. Conhecer-nos melhor é o primeiro passo para o amor e o respeito mútuo. Como católico quis partilhar este aspecto fundamental de nossa experiência de fé, pois às vezes elementos secundários e não constitutivos são muito mais visíveis.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

De geração em geração a igreja repete o gesto de Jesus. Ele é tão fundamental que em torno dele se organiza toda a sua vida. Os que presidem a Eucaristia são ordenados para tanto. Só participam plenamente dela os que são batizados, isto é, membros inseridos no seu mistério”


Política

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

A5

Adversários fazem mistério sobre programa de governo Pré-candidatos estão montando consultorias em diversos segmentos para captar informações às suas plataformas de campanha MICHEL DANTAS/AGECOM

Pré-candidato à reeleição, o governador José Melo (Pros) se prepara para oficializar sua candidatura nos próximos dias. Interlocutores afirmam que o programa de governo está sendo consolidado

D

iante de pesquisas que apontam um eleitorado insatisfeito e com forte desejo de radicais mudanças na maneira de governar, pré-candidatos ao governo do Amazonas nestas eleições já trabalham estratégias para incrementar seus respectivos programas de governo e captar o almejado voto da “mudança”. Nessa batalha pela melhor vitrine, a escalação de conselheiros ou a verticalização de ideias são medidas adotadas pelos concorrentes. Tendo passado por mais de 20 municípios desde janeiro deste ano, as caravanas que tem feito o pré-candidato do PMDB ao governo, senador Eduardo Braga, pelo interior foram pensadas para representar muito mais do que uma forma de fortalecer os laços do peemedebista com o eleitorado interiorano, onde desfruta de popularidade. Batizadas de “o PMDB ouve você”, as viagens visam captar o máximo de propostas do interior e reclamações dos moradores em setores como saúde, educação e infraestrutura. Para consolidar essas reclamações e posteriormente transformá-las em braços do plano de governo peemedebista, Braga já conta com um time de especialistas em cada setor, chamado pelos seus aliados de “núcleo de pesquisa”. Essa equipe reúne engenheiros, economistas, educadores e conselheiros que trabalham cruzando os dados arrecadados no interior com a satisfação do eleitor com a possível proposta do PMDB. Todo esse aparato será, após a finalização da pesquisa, transformada em propaganda eleitoral nas mãos do marqueteiro Carlos Colonnese, conforme apurado pela reportagem. Já nas mãos do marqueteiro do governador José Melo (Pros), Raimundo Luedy, estarão dados em fase final de consolidação,

FOTOS: DIVULGAÇÃO

segundo aliados do pré-candidato à reeleição. Interlocutores afirmaram que a equipe de Melo trabalha agora no cruzamento dos dados arrecadados a partir de aliados em todos os municípios do Estado. O governador tem uma agenda de viagens ao interior para cumprir nos próximos meses, mas não tem conseguido executá-la. Estratégia Encurralada em um cenário de poucas alternativas de coligação, a deputada Rebecca Garcia (PP) tem buscado no reduto de aliados próximos ao presidenciável Aécio Neves (PSDB) a base das propostas que irá apresentar a partir do fim deste mês. Há muito tempo que progressista mantém negociações com o tucano e seus aliados, uma forma de viabilizar nacionalmente a aliança com o PSDB do Amazonas, onde o prefeito e principal liderança da sigla, Arthur Virgílio, se mantém distante. Rebecca tem carta branca do governador de Minas Gerais (MG), Alberto Pinto Coelho (PP) para acessar dados de projetos de sucesso implantados no Estado, forte aliado aos tucanos. Na capital, ela tem contato com a ajuda de um corpo de conselheiros formado pela cúpula das pastas estaduais de Finanças (Sefaz) e Planejamento (Seplan), além de mestres da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e da Faculdade Federal do Amazonas (Ufam). Segundo Rebecca, há cuidados para não revelar o nome desses aliados. “Essas pessoas temem serem perseguidas”. A deputada afirmou ainda que há no Estado muitas controvérsias sobre os dados sociais, pois “são muito maqueados”. “Hoje, não há dados confiáveis no Estado. Nem o governador pode dizer se sabe ou não a real quantidade de analfabetos aqui. Esse é maior problema”, criticou.

Reuniões para elaborar propostas

Rebecca tem realizado uma série de sondagens para seu projeto

No PSB do deputado Marcelo Ramos, haverá a mesma articulação feita pelo seu palanque nacional, o presidenciável Eduardo Campos na dobradinha com a ex-ministra e vice na chapa, a ex-senadora Marina Silva. Ramos estabeleceu um calendário de encontros programáticos que serão apresentados por meio de debates com colaboradores e entidades civis organizadas. A apresentação desse pacote será apresentada durante a convenção estadual da sigla. “A mudança começa na elaboração do projeto de governo. No meu caso, iremos trocar a velha tática da convenção pela apresentação do nosso conteúdo programático, com a participação do povo, maior

TÁTICA

Assim como o PSB nacional vem buscando informações nos Estados para montar o conteúdo programático de seu candidato presidencial, Marcelo Ramos também adotou mesma tática

interessado em ouvir reais propostas. Não queremos condutas da velha política”, disse Ramos. Os précandidatos Hissa Abrahão (PPS), Chico Preto (PMN) e Henrique Oliveira (SDD) não foram localizados pela reportagem para comentar sobre seus respectivos programas de governos. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Marcelo Ramos aposta em sua pré-candidatura ao governo Braga tem realizado sucessivas reuniões no interior do Estado


A6

Política

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Randolfe, do Psol, desiste de disputar a Presidência

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não consegui unir nem o meu partido em torno da candidatura”

Lava a Jato: MPF ‘seguiu o dinheiro’ de campanhas A operação Lava a Jato é produto da estratégia do Ministério Público Federal de adotar o lema “siga o dinheiro”, para investigar a origem do financiamento eleitoral. A Lava a Jato pôs na cadeia doleiros que atuam para grandes partidos, lavando dinheiro sujo da corrupção, e até o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que a PF acredita ser um “banco central” de políticos que há anos comandam o Congresso. Resolvedor-geral Investigadores acham que Paulo Roberto Costa seria “resolvedor-geral” de problemas para figurões da política, inclusive financiar campanhas. Mapeamento Procuradores fazem um cruzamento de dados para mapear negócios obtidos no setor público por financiadores de campanhas eleitorais. Começa assim No Brasil, é comum os políticos compensarem os financiadores de suas campanhas garantindo-lhes negócios com o Estado brasileiro. Prioridades De um leitor indignado: “tantos helicópteros para a segurança da Copa, e quase nenhum para acudir as vítimas das enchentes no PR e SC”. Bolsa Família: R$ 8,4 bilhões na ‘veia’ do eleitor Em pleno ano de eleição, o governo Dilma distribuiu R$ 8,45 bilhões diretamente a famílias “em condição de pobreza e extrema pobreza”, nos primeiros quatro meses do ano, por meio do Bolsa Família. Em 2010, último ano de governo, o ex-presidente Lula destinou R$ 14,4

bilhões ao Bolsa Família. Se continuar no mesmo ritmo, Dilma deve gastar, no seu último ano de governo, quase o dobro do antecessor. Ano eleitoral Em 2013, o governo Dilma gastou R$ 24,8 bilhões com o programa Bolsa Família. Este ano a cifra pode ultrapassar os R$ 27 bilhões. Dez bi a mais No primeiro ano de governo Dilma os gastos com o Bolsa Família foram de R$ 17,3 bilhões. Em 2013 gastou R$ 7,5 bilhões a mais. Monitoramento A turma do “comitê popular da Copa” denunciou à Anistia Internacional e à OAB que tem sido monitorada e procurada em casa e no trabalho. Bateu, levou O deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPMI da Petrobras, encontrou o colega Fernando Francischini (SDD), que levou uma pizza para a reunião da comissão, e alfinetou: “Lugar de palhaço é no circo”. O deputado oposicionista reagiu na bucha: “E o de ladrão, é na cadeia”. Missão impossível Membros da CPMI da Petrobras defendem obstrução da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para impedir o recesso no Congresso e manter na ativa a comissão de inquérito. Difícil é os partidos aceitarem. Sem dinheiro no balcão Deputados do PR dizem que o ministro César Borges (Transportes) quer a cabeça do diretor-geral do Dnit, mas eles já não têm o mesmo interesse de antes, porque, em ano eleitoral, o órgão fica “engessado”.

Jornalista

DIVULGAÇÃO

RANDOLFE RODRIGUES (PSOL-AP), que desistiu de se lançar candidato a presidente

Nem pensar Pré-candidato ao governo do Amazonas, o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB), já avisou ao governo que não vê hipótese de oferecer a vaga de vice para o desafeto Alfredo Nascimento (PR-AM). Jogou a toalha O senador João Vicente Claudino (PTB) não aceitou as ponderações feitas pelo ex-presidente Lula em visita ao Piauí, na sexta-feira (13) e manteve a decisão de renunciar à reeleição. A preocupação do PT é que isso fragiliza a candidatura do senador Wellignton Dias ao governo. Fio da navalha O senador Benedito Lira (PP-AL) acha “natural” apoiar Dilma (PT) em Brasília e Eduardo Campos (PSB) em Alagoas. Ele prefere um presidente “comprometido com o Nordeste”. Solução O tucano Aécio Neves pressiona os correligionários Simão Jatene e Cássio Cunha Lima para lançar duas candidaturas ao Senado, no Pará e Paraíba. Aécio prefere a reeleição de Cícero Lucena e Mário Couto. Fera ferida Assessores do Planalto se depararam com o nervosismo da presidente Dilma após as sonoras vaias e xingamentos na abertura da Copa. “Ela soltou os cachorros com os assessores e ministros”, conta um deles. Ingratos Comentários on-line do jornal “Granma” torceram pela Croácia, no jogo contra o Brasil. E dizem preferir Alemanha e Uruguai, na Copa.

PODER SEM PUDOR

Tempo esgotado O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fazia duras críticas à indicação de Tereza Grossi para a diretoria de fiscalização do Banco Central, quando foi interrompido pelo senador Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que presidia a sessão: - O seu tempo acabou, senador. Simon foi rápido no gatilho, como sempre: - Eu excedi nove minutos e 22 segundos, senhor presidente; dona Tereza vai ficar no cargo por 4 anos. Ela acabaria abatida pelo escândalo dos bancos Marka e Fonte Cidam.

ELEIÇÕES

Aécio Neves oficializa candidatura O senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu oficialmente neste sábado (14) sua candidatura à Presidência da República. Em seu discurso, apresentou-se como opção para uma “mudança confiável”. Ele escolheu São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, como palco do evento. Numa crítica à presidente Dilma Rousseff (PT) e num aceno ao mercado, defenderá uma gestão econômica “firme e transparente”. Aécio decidiu falar de im-

proviso, mas as linhas gerais de seu pronunciamento indicam que ele destacará seus compromissos sociais. Ele deverá garantir a manutenção e o “fortalecimento” de programas como o Bolsa Família, numa tentativa de minimizar a exploração do tema pelo PT na campanha. A convenção contou com pronunciamentos de diversos nomes do partido, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal fiador da campanha de Aécio,

Pré-candidato retirou, anteontem, seu nome da disputa e sugeriu nome do deputado Marcelo Freixo para o cargo

e o ex-governador de São Paulo José Serra, que por anos foi o principal desafeto de Aécio no PSDB. O mineiro fez questão de reservar “um espaço nobre” para a fala de Serra na convenção. O ex-governador abordou que o partido precisa estar unido para derrotar o ciclo petista - que representaria o “atraso” - para inaugurar uma nova era de “confiança”. Serra enfatizará que a sigla pode contar com ele na caminhada.

Randolfe disse que enfrentava divisões internas dentro do seu próprio partido, por isso desistiu

E

scolhido pelo PSOL para disputar a Presidência, o senador Randolfe Rodrigues (AP) retirou nesta sexta-feira (13) a sua pré-candidatura. Ele diz que tomou a decisão sozinho e agora sugere que o partido lance Marcelo Freixo, deputado estadual do Rio, para disputar o Planalto. O senador não havia pontuado em nenhuma pesquisa do Datafolha até agora e enfrentava divisões internas no partido. “Temos que fazer uma revisão profunda. A esquerda tinha que ter se renovado depois das manifes-

tações de junho, e isso não foi feito”, afirmou. “Nós tínhamos que apresentar uma novidade nesta eleição. A maior liderança do nosso partido não sou eu, é o Marcelo Freixo. Existe esse sentimento dentro do partido, mas ninguém tem coragem de falar. Eu resolvi falar”, afirmou. Freixo, no entanto, descartou ser o novo candidato do partido à Presidência da República. Ele agradeceu a indicação do senador Randolfe Rodrigues (AP), que desistiu de disputar o Planalto, mas disse que a ideia não faria “sentido algum”. “Vou apoiar a Luciana Gen-

ro. Agradeço a gentileza dele, mas não faz sentido algum. Tenho outra missão a cumprir no Rio”, afirmou. Freixo disse que disputará a reeleição como deputado estadual. Se próximo objetivo é concorrer novamente à Prefeitura do Rio, em 2016. “Não posso sair do Rio agora e dar um passo maior do que as minhas pernas”, disse. “A decisão de retirar a candidatura foi do Randolfe. Respeito as razões dele, mas não há crise no partido. Vamos nos unir em torno da Luciana”, concluiu.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

A7

Ageu FLORÊNCIO

‘O MPF É UM órgão apolítico’ FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

O

A fiscalização não é feita apenas no MP, mas em todos os órgãos que compõem o sistema. Até mesmo a população poderá contribuir. Vamos trabalhar em parceria com a Polícia Federal, que está com um planejamento específico para o pleito deste ano”

procurador eleitoral da República, Ageu Florêncio da Cunha, é membro do Ministério Público Federal desde 1997, tendo oficiado como procurador da República nos Estados de Roraima e Amazonas. Já atuou como procurador-chefe e procurador regional eleitoral na Procuradoria da República em Roraima (PR-RR) e na Procuradoria da República no Amazonas (PR-AM). Atualmente, é titular do 3º Ofício Criminal na PR-AM e procurador regional eleitoral no Amazonas. Ele deve permanecer à frente da função eleitoral no Estado até o final deste ano, e deverá comandar o processo eleitoral de 2014. De postura imparcial, Ageu declarou que o órgão é uma instituição apolítica e que para o pleito deste ano espera que tudo ocorra da melhor forma possível. Em entrevista ao EM TEMPO na semana passada, Ageu falou sobre as expectativas nas eleições deste ano, da divulgação do nome dos políticos fichas-sujas e também da fiscalização da propaganda na internet. EM TEMPO – Este ano teremos eleições gerais. Como o MPF irá atuar nesse processo? Ageu Florêncio – O Ministério Público Eleitoral já vem desde o ano passado com uma programação relacionada ao planejamento das nossas atribuições no que diz respeito ao processo eleitoral. Em janeiro de 2013, tivemos três procuradores da República designados como procuradores eleitorais auxiliares para atuarem com atribuições específicas à questão relacionadas à propaganda, condutas vedadas e questões relacionadas a representações oriundas da lei 9.504, que é a lei que rege as eleições. Temos também um sistema de órgãos que compõe um corpo que irá trabalhar na fiscalização e no controle do processo eleitoral. No que diz respeito ao MPE, temos uma organização composta pelos procuradores da capital, que já estão atuando e efetivando algumas representações de propaganda antecipada. Relacionados a zonas eleitorais, temos não somente os procuradores da República, mas também os promotores eleitorais, que são indicados pelo Ministério Público Estadual e pelo procurador regio-

nal Eleitoral. Então, nós temos 60 promotores eleitorais em todas as comarcas. EM TEMPO – Como vai ser a atuação no interior? AF – Nós temos uma regulamentação em que os promotores eleitorais permanecem na zona eleitoral fiscalizando e dando ciência à procuradoria sobre qualquer ato em que eles entendam que extrapole a regularidade da campanha. Já tivemos promotor eleitoral que mandou denúncias a respeito de propaganda antecipada em alguns municípios, como Maués e Barcelos. Recebemos essas denúncias e os procuradores já formularam uma representação e já foram até julgadas. Nesta eleição, todas as representações e reclamações são formuladas pela procuradoria junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). EM TEMPO – No interior, existem muitos casos de compra de votos. Como a instituição vai atuar nesses casos? AF – A fiscalização não é feita apenas no MP, mas em todos os órgãos que compõem o sistema. Até mesmo a população poderá contribuir. Vamos trabalhar em parceria com a Polícia Federal, que está com um planejamento específico para o pleito deste ano. Temos também a disponibilização de banners para orientar a população a fazer as denúncias. Daremos atenção a todas as especulações que chegarem até nós, para que nem a polícia nem o Ministério Público e nem a Justiça sejam usados por candidatos de maneira dolosa. EM TEMPO – Quais as principais irregularidades cometidas por pré-candidatos? A F – As propagandas antecipadas. Até o dia 5 de julho essas ações são proibidas, mesmo que subliminar. Mas vivemos em um país democrático, com liberdade de opinião e muitas vezes as propagandas vêm de forma sutil. Recebemos também denúncias de outdoors e distribuição de panfletos. EM TEMPO – Este ano teremos a primeira eleição estadual com a autorização da campanha eleitoral na internet. Como será feita essa fiscalização? AF – A legislação eleitoral permite a propaganda via internet. Mas, posso garantir que essa questão é um dos pontos

fortes do nosso planejamento, mas não vamos adiantar nada agora. Temos situações de vedação, como o caso de propaganda de internet paga, que é proibido; a compra de endereços de destinatários é proibida. Na semana passada realizamos uma reunião com o pessoal da Polícia Federal para traçar essas questões de fiscalização. Também estamos com a parceria de juízes eleitorais do TRE. EM TEMPO – Na semana passada foi divulgada a lista dos políticos fichas-sujas do Amazonas. O senhor acredita que essa exposição poderá ser favorável ao eleitor na hora de decidir sobre qual candidato votar? AF – Isso foi altamente positivo. Minha avaliação são que os órgãos que detêm esse tipo de informação de maneira originária devem dar publicidade. Acho que isso poderá sim influenciar na decisão do eleitor na hora de escolher seu candidato. A informação a respeito de antecedentes de eventuais candidatos vai munir o eleitor para tomar sua decisão. EM TEMPO- No fim de 2013 o Tribunal Superior Eleitoral apresentou uma resolução que tira a autonomia dos MPEs em instaurar inquéritos policiais para investigar crimes eleitorais. O que o senhor achou disso? AF – Esse dispositivo foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Da nossa parte entendemos que essas iniciativas de limitar as atribuições do Ministério Público são iniciativas infelizes. Um dos poucos órgãos, se não o único órgão com independência total, limitado apenas pela Constituição e as leis, é o MP. Temos autonomia para atuar contra quem quer que seja, do presidente ao vereador do interior mais longínquo. Quem perde com essa medida é a sociedade. EM TEMPO – Como o senhor avalia a política do nosso Estado? AF – O MP é apolítico. Não temos, assim como a Justiça Eleitoral, nenhuma apreciação do que diz respeito à atuação dos governantes. Nossa atribuição será realizar uma eleição mais limpa possível, que realmente expressa a vontade genuína do povo e evitar o abuso de poder econômico ou político. Queremos fazer uma eleição igual.

Até o dia 5 de julho essas ações são proibidas, mesmo que subliminar. Mas, vivemos em um país democrático, com liberdade de opinião e muitas vezes as propagandas vêm de forma sutil”

O MP é apolítico. Não temos, assim como a Justiça Eleitoral, nenhuma apreciação no que diz respeito à atuação dos governantes. Nossa atribuição será realizar uma eleição mais limpa possível”


A8

Política

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Senado vai ter 44 dias de votação até dezembro P

jogo. A maioria dos senadores em fim de mandato disputa a reeleição ou outros cargos eletivos. Outros senadores, que ainda têm mais 4 anos de casa, também entrarão na disputa para governos estaduais e até a Presidência da República, caso de Aécio Neves (PSDB-MG) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP). Embora o primeiro semestre legislativo só termine em 17 de julho, pelo calendário do Senado, mais da metade do ano se foi. Isso porque os 44 dias reservados a votação são inferiores aos 50 dias com sessões deliberativas que ficaram para trás. Ou seja, a casa deve chegar ao final do ano com apenas 94 dias destinados a deliberações. O problema é que dificilmente haverá decisões importantes nas datas marcadas antes das eleições. Esforço concentrado Na semana passada, fizeram o que chamam de “esforço concentrado”, prática que consiste na realização de sessões mesmo às segundas e Senadores terão calendário especial até o fim de 2014 devido a um ano atípico, por conta dos jogos da Copa e das eleições sextas-feiras para votar uma extensa pauta, a fim de que os parlamentares possam faltar nos dias posteriores. Dos 24 itens incluídos na No ano passado, o Senado municípios. Conforme mos- mo os protestos que cer- sessões deliberativas. pauta da casa, 14 foram realizou 126 sessões convo- trou a revista “Congresso caram e tomaram o prédio A Câmara informou aprovados e nove ficaram cadas para votações. Ape- em Foco”, os senadores acu- do Congresso Nacional e que ainda não definiu o sem deliberação. Um dos sar de não haver eleições, os mularam 1.803 ausências ruas e avenidas país afora calendário das sessões itens mais polêmicos aprosenadores faltaram mais do em 2013. Número superior reduziram o índice de fal- deliberativas dos próxivados foi a chamada Lei da que no ano anterior, quando às 1.524 assinaladas em tas na casa. As presenças mos dias, muito menos Palmada, que pune pais e houve disputa eleitoral nos 2012. Ou seja, nem mes- são cobradas apenas nas dos próximos meses. responsáveis que infligirem castigo físico ou humilharem crianças e adolescentes.

Parlamentares faltaram mais em 2013

DIVULGAÇÃO

ara o trabalhador brasileiro, o calendário oficial ainda aponta 146 dias úteis até o final do ano. Mas, para os senadores, há somente 44 dias para votações em 2014. Por causa de jogos da Copa e, principalmente, da campanha eleitoral, o Senado reduziu quase à metade o número dos dias que restavam para as sessões deliberativas até dezembro. Dos 77 dias em que poderia haver sessões deliberativas, considerando-se apenas as terças, quartas e quintas-feiras, 34 foram riscadas do calendário dos senadores. Nesses dias, suas presenças e ausências não serão contabilizadas, a exemplo do que costuma ocorrer às segundas e sextas, quando as sessões tradicionalmente são utilizadas apenas para discursos. De acordo com a previsão repassada pela mesa diretora da casa aos senadores, a Copa só afetará os trabalhos três vezes: nos dias 12 e 17, por causa dos jogos do Brasil contra a Croácia, em São Paulo, e o México, em Fortaleza; e no dia 26 de junho, quando Portugal e Gana se enfrentam em Brasília. Ressalvadas essas datas, todas as demais sessões foram canceladas para que os parlamentares se dediquem à campanha eleitoral, a deles e a de seus aliados. Os congressistas ainda terão recesso parlamentar, de 18 a 31 de julho. Este ano, 27 vagas do Senado estarão em

DIVULGAÇÃO

Por causa das eleições, casa legislativa desiste de votar em 33 dos 77 dias em que haveria votação até o final deste ano

PEC vai favorecer extensão de defensores ao interior do AM

DEFENSORES

DPE comemora PEC aprovada Aprovada na semana passada no Senado Federal, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Defensorias, que fixa prazo de 8 anos para os Estados instalarem em todas as comarcas defensores públicos, deu novo fôlego à categoria no Amazonas. De acordo com o órgão no Estado, 11 municípios ainda não possuem defensores públicos e com essa nova medida a expectativa é que essa defasagem seja sanada. Para o defensor público geral do Amazonas em exercício, Rafael Vinheiro Monteiro, a aprovação da emenda veio

em boa hora, pois colocou essa obrigação para os Estados, sanando assim um problema antigo vivenciado em cidades do interior. Segundo Monteiro, antes do concurso público realizado em 2013 em Manaus, não existia nenhum defensor atuando nos municípios. “Com esse certame o Amazonas conseguiu se antecipar à medida e instalou defensores em quase todas as regiões, mas apesar dos esforços ainda temos regiões que não está abastecida por profissionais da defensoria”.

Segundo levantamento feito pela instituição, cidades como Jutaí, Juruá, Eirunepé, Envira, Silves e Itapiranga são exemplos de localidades que ainda não tem defensores. “A presença deste profissional no interior é extremamente importante, pois o trabalho do defensor não se restringe apenas à questão judicial e sim a um trabalho de orientação jurídica de defesa dos direitos humanos e até de apoio extra-judicial, e isso ajudará na diminuição de demandas ao Judiciário”. De autoria dos deputados Mauro Benevides (PMDB-CE),

Alessandro Molon (PT-RJ) e André Moura (PSC-SE), a PEC determina também que o número de defensores deverá ser proporcional à demanda efetiva pelo serviço e à respectiva população abrangida. Durante o prazo de 8 anos, os defensores deverão trabalhar, prioritariamente, nas regiões com maiores índices de exclusão social e de grande concentração de habitantes. A proposta também amplia a definição de Defensoria Pública na Constituição, classificando-a como instituição permanente e instrumento do regime democrático.


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIEGO JANATÃ

Vendedores ‘lucram’ com o poder público Economia B4 e B5

Água de coco é boa, mas fica mais cara no verão JOELMA MUNIZ Especial EM TEMPO

D

e olho no grande fluxo de turista que visita a cidade nesta época do ano, vendedores elevaram o preço da água de coco vendida em Manaus. O valor cobrado custa, em média, R$ 5, na capital amazonense, mas há situações que a cobrança chega R$ 10. Pesquisa do EM TEMPO nos principais pontos de venda de Manaus ouviu vendedores que projetam para os próximos dias um aumento ainda mais expressivo no preço, que pode chegar a R$ 7 nas bancas. De acordo com o autônomo Wanderley Vital de Lima, 40, proprietário do “Frutão da 8”, localizado na rua 8, bairro Alvorada 1, Zona Oeste, a ideia é aproveitar o volume de turistas que começam a chegar na cidade durante evento mundial. “Os preços devem aumentar algo em torno de R$ 2. Uma Copa do Mundo não acontece todo dia. Temos que aproveitar que os turistas não estão acostumados com o calor de Manaus para alavancar as vendas”, comentou. Os preços praticados hoje estão entre R$ 3 e R$ 5. Mas, dependendo do local e do horário, os consumidores que desejarem apreciar os benefícios do fruto podem ter que desembolsar até R$ 10. Como é o caso de um primo de Wanderley, que segundo ele, trabalha na área da Ponta Negra, e que durante a madrugada cobra caro pelo coco. “Acredite, ele tem freguesia e já conseguiu até comprar um carrão do ano, além do casarão que construiu só com a venda de água de coco”, comenta. O comerciante que vende a água de coco gelada, no copo, hoje R$ 3, e a natural a

FOTOS: DIEGO JANATÃ

Produto que há pouco tempo era comercializado a R$ 1 em algumas bancas de Manaus, hoje é vendido na média de R$ 5 R$ 2,50 deverá aumentar os valores para R$ 4 e R$ 3 respectivamente. Ele, que há 30 anos sustenta a família com a atividade, desde a época que trabalhou na famosa praia carioca de Copacabana, no Rio de Janeiro, explicou que a manipulação da água de coco não é tarefa simples e caso seja feita da maneira errada, pode afetar a lucratividade e pôr a saúde dos clientes em risco. Centro No centro de Manaus, o fruto também é encontrado com preços que se assemelham aos praticados no restante da cidade. Localizado na rua Ferreira Pena, em frente a praça da Saudade, a lanchonete comandada por Kleber Cesar, 22, oferece a unidade gelada por R$ 4. O vendedor também prevê aumento no período, ele diz que

Para saber se vale comprar a água de coco, basta o cliente observar se o fruto possui algum tipo de ferimento na sua casca Wanderley Lima, vendedor de coco

tem um bom lucro com a comercialização do coco, que compra do produtor a unidade por R$ 1,80. “Vendemos em média 40 unidades, como trabalhamos com outros produtos, é uma boa margem de lucro”, frisa. Ponta Negra Ponto turístico dos mais conhecidos da cidade, o parque Ponta Negra possui espaço para pelo menos 20 vendedores que competem na venda do produto. Para a vendedora Aldivânia de Aguiar, 15, que ajuda a família a vender no local, a expectativa é boa para o período. Na banca, a família dela vende aproximadamente 100 cocos por dia, a água de coco custa R$ 5.

Calor forte da região “empurra” as pessoas para o consumo da água do coco que, além de saborosa, é importante hidratante

Idam dá apoio ao cultivo local A Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror), por meio de consulta ao Instituto Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam), informa que, em 2013, foram produzidas 2,7 mil toneladas de coco, em 567 hectares de terras do Amazonas. Conforme informações da Sepror, 561 agricultores trabalham no plantio do fruto por meio do assessoramento técnico da secretaria. No total, segundo os dados do Idam, a produção do Estado alcançou aproximadamente 5,9 milhões de unidades do fruto. Os municípios que figuram entre os maiores produtores de coco, segundo o instituto, são Careiro, Careiro da Várzea, Manaus, Itacoatiara e Presidente Figueiredo. De acordo com infor-

mações da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o plantio do coco ocupava até o ano de 2006, uma área de 173,5 hectares do Amazonas. A expectativa da Superintendência era que o número passasse para 389,6 hectares no ano de 2007. Na época, a produção anual do fruto chegava a 475 mil, com expectativa de expansão para 1,8 milhão de coco. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Suframa para a obtenção de dados mais recentes, mas foi informada que “os dados disponíveis no site da Suframa são os mais atualizados, tendo em vista que o setor responsável ainda está realizando levantamentos mais atuais sobre o setor agropecuário, mas necessita integrar novos servidores para dar celeridade a este processo”. Produção de coco chegou a R$ 2,7 mil toneladas no Amazonas


B2

Economia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

PÁGINADIGITAL

Tricia Cabral [suapaginadigital@gmail.com]

Bits & bytes

∞ Três em um A Asus anunciou o lançamento de um dispositivo híbrido de notebook, tablet e smartphone equipado com os sistemas operacionais Android 4.4 KitKat e Windows 8.1. Chamado de Transformer Book V (foto), o produto é capaz de funcionar em até cinco formas diferentes. O notebook tem 4 Gbytes de memória RAM e 128 Gbytes de espaço para armazenamento interno, tela de 12,5 polegadas HD IPS e teclado qwerty

com touchpad. Tem mais: o usuário pode alternar entre Android e o Windows 8 instantaneamente por meio de um botão de hardware. Basta destacar o teclado para o aparelho se transformar em um tablet que também roda os dois sistemas operacionais e possui as mesmas especificações técnicas. Já o smartphone é equipado apenas com Android. Só não se sabe ainda o preço do “brinquedo”.

∞ Jogos Vorazes nos dispositivos móveis A empresa de entretenimento interativo Kabam anunciou uma parceria com o estúdio de cinema Lionsgate para fazer um game para dispositivos móveis baseado em “Jogos Vorazes”. A Kabam é especializada em games gratuitos para smartphones e tablets. “Com a parceria com o Lionsgate, a Kabam fará um game tão divertido de jogar quanto é assistir ao filme”, diz Kent Wakeford, chefe de operações da Kabam. No game, os usuários farão o papel de membros do “distrito”, em que deverão criar alianças para se libertar, seguindo o espírito da história original. Que venha!

∞ Túnel do tempo Nos finados anos 90 quem nunca sonhou em ter um StarTac (foto)? Revolucionário para a época, o design seduziu milhares de usuários de celulares e a Motorola – que reinava quase absoluta – nem imaginava que um tal de Steve Jobs mudaria o conceito de telefone celular poucos anos mais tarde. Pois bem. O “inovador” StarTac mostrava no display sinal, bateria, hora e data, além de pesar 88 gramas, ou seja, era “o cara”. Tempos depois acabou esquecido em alguma gaveta sem o enterro digno que merecia.

O Nokia Lumia 2520 (foto), primeiro tablet da linha Nokia Lumia, acaba de chegar ao mercado brasileiro. O modelo com tela Corning Gorilla Glass 2 full HD de 10,1 polegadas roda sistema operacional Windows RT 8.1 e oferece diferenciais como conexão 4G, câmera com lentes Zeiss de 6.7 megapixels e recurso para carregamento rápido de bateria. Entre as configurações, também se destacam o processador Quad-core Snapdragon 800 de 2,2 GHz e os 32 GB de memória interna, expansíveis para mais 32 GB com cartão de memória.

∞ Novidades em apps para IOS e Android 1. Let’s Park É um guia de estacionamentos que pode ser muito útil nas grandes cidades. Ele informa onde estão os estacionamentos próximos, quanto cobra cada um, seu horário de funcionamento e outros detalhes.

O aplicativo de mensagens Viber atingiu a marca de cem milhões de usuários ativos no mundo. Até hoje, a empresa só havia divulgado dados referentes ao número de contas cadastradas do serviço – cerca de 400 milhões –, o que não representava a quantidade de pessoas que realmente utiliza o aplicativo. A Viber anuncia ainda o lançamento de uma nova versão da ferramenta para desktop.

A Telltale Ga>>>>>> mes revelou no seu blog oficial que vai lançar as duas temporadas de “The Walking Dead” e “The Wolf Among Us” também para Playstation 4 e Xbox One. Os três games ainda não têm datas de lançamento definidas, mas estão previstos para chegar aos novos consoles no final deste ano. Além disso, a segunda temporada de “The Walking Dead” e “The Wolf Among Us” para Playstation 3 e Xbox 360 serão também lançadas em disco. O Facebook >>>> é a rede social mais popular no mundo. No Brasil, em segundo lugar, mesmo havendo uma disputa acirrada, está o Linkedin. De acordo com o levantamento “2014 Brazil Digital Future in Focus”, da empresa de consultoria digital Comscore, o Linkedin ultrapassou o Twitter e se tornou a segunda rede mais acessada do país.

∞ O tablet da Nokia

∞ Dá-lhe Viber

Como espécie >>>> de preparação para o lançamento de “Halo 5: Guardians”, novo capítulo da série de tiro espacial e uma das marcas mais famosas da Microsoft, a companhia americana anunciou o lançamento da “Master Chief Collection” (foto), um pacote contendo os quatro títulos da franquia em um disco.

2. 3. 4. 5. 6. 7.

Wise Drinking INFO Notícias Mamãe e Bebê Swarm Colab TagLife

A indústria ci>>>> nematográfica pediu autorização às autoridades da aviação americanas para usar drones (aeronaves controladas à distância) em sets de filmagens. Segundo a revista “Hollywood Reporter”, embora o uso das aeronaves seja limitado a questões militares, a Administração da Aviação Federal considera autorizar o pedido, com propósitos artísticos. “Bora” ver! Quem pega no >>>> sono enquanto vai de casa para o trabalho ou adora dormir no ônibus e no trem, agora terá um auxiliar para não perder o ponto de descida no transporte público. O Google adicionou ao serviço do Now uma ferramenta que funciona como um alarme para acordar o usuário quando ele chega num ponto específico do trajeto.


Economia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

B3 REPRODUÇÃO

Governo intensifica luta contra trabalho infantil

Plano de ação será adotado para erradicar a exploração do emprego de mão de obra de adolescentes e crianças

O

Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) possui um plano para realizar várias ações de combate à exploração do trabalho infantil em todo o país, inclusive no Estado do Amazonas. Lançado no último dia 22 de maio, o plano poderá provocar forte impacto na redução do trabalho infantil no Brasil. “O protagonismo do MTE é fundamental para o combate ao trabalho infantil, mas precisamos atingir a meta de erradicá-lo até 2020. O compromisso do Brasil se materializa em várias ações realizadas entre o governo Federal, instituições públicas e privadas. Entre nossas ações, está o Plano de Combate à Informalidade”, afirmou o ministro Manoel Dias. Uma das estratégias do plano é a maior cobertura urbana e rural, por meio da interiorização das ações fiscais da inspeção do trabalho, trazendo presença fiscal em estabelecimentos de micro e pequeno porte situados nas periferias dos grandes centros urbanos e nos pequenos municípios do interior. Nesses locais, a informalidade chega a atingir mais de 90% dos trabalhadores com relação de emprego e concentram, coincidentemente, os maiores focos de trabalho irregular de crianças e adolescentes. Para Manoel Dias, “ao concentrar esforços no combate à informalidade, com maior presença dos auditores-fiscais do trabalho nos locais com grande incidência de emprego informal, o MTE pretende afastar crianças e adolescentes do trabalho proibido”. Informalidade O plano do governo federal visa também formalizar o vínculo de cerca de 17 milhões de empregados no país e afastar do trabalho irregular a parcela de crianças e adolescentes que trabalham com vínculo empregatício nos focos de informalidade.

‘Exército’ de pequenos trabalhadores Segundo a Pesquisa Nacional de Dados por Amostra de Domicílios (PNAD 2012), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há no Brasil mais de 3,5 milhões de crianças e adolescentes com idades entre cinco e 17 anos em situação de trabalho, grande parte em atividades insalubres, perigosas e penosas que os expõem a riscos. O número foi reduzido nos últimos 10 anos, em especial, em função das políticas de assistência social e transferência de renda implementadas pelo governo federal. O MTE acredita que pode acelerar essa redução através de políticas de inspeção do trabalho voltadas para as regiões de maior incidência do problema.

MTE assume compromisso Em comemoração ao Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, celebrado no último dia 12 pela Organização Internacional do Trabalho

(OIT), e o Dia Nacional, instituído pela lei Nº 11.542/07, o MTE reforçou o compromisso em erradicar o trabalho infantil até 2020. Meta do governo brasileiro é a de eliminar totalmente o trabalho infantil no país até 2020


B4

Economia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Autônomos fazem a Comerciantes informais têm acesso aos corredores de órgãos públicos onde vendem doces, salgados e acessórios pessoais ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO

A

lgumas figuras são carimbadas e conhecidas por servidores públicos dentro das instituições por estarem presentes na hora que mais se precisa. É quando aperta a fome, hora antes do almoço, que eles aparecem pelos corredores do poderes com um picolé da massa ou uma boa variedade de salgados e doces. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), existe uma “personalidade” famosa por vender picolés e adoçar a tensão dos funcionários todos os dias de plenário. Aposentado e pai de oito filhos, Antônio Braga, 73, natural do município de Fonte Boa (a 602 quilômetros de Manaus), desembarcou no porto da capital aos 10 anos de idade e depois seguiu direto para a cidade de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), onde trabalhou por mais de 15 anos na agricultura. “Vim para capital por conta da enchente histórica de 1953. Muitas pessoas da minha cidade vieram para Manaus e resolvi fazer o mesmo para tentar a sorte”, recorda Antônio. Apesar de ter chegado muito novo, não faltava vontade a ele de conseguir um emprego. Com

18 anos casou-se com dona Altina Braga, sua companheira até os dias de hoje. Querido pelos servidores da CMM, Antônio conta que há mais de 15 anos trabalha com a venda picolés no Parlamento Municipal e exerce a função com muito orgulho e disposição. Com o produto comercializado nos mais diversos sabores a R$ 1, ele

ESPAÇOS

A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) também são espaços onde comerciantes informais vendem alimentos e entre outros acessórios diz que chega a faturar, por dia, até R$ 60. De acordo com o aposentado, o lucro com a venda dos picolés é o que mais ajuda nas despesas da família, uma vez que, o valor que ganha do benefício da aposentadoria dá apenas para pagar as contas. “O dinheiro do benefício só da para pagar as contas de água e luz. Por isso continuarei vendendo picolés até quando

Deus permitir”, afirma. O casal Rosemary Desidereo, 38, e Júlio Chaves, 54, são outros bons exemplos de trabalhadores do comércio informal que fazem a alegria pela boca de servidores de órgãos públicos. Há mais de 1 ano, os dois percorrem os corredores do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJ-AM), Fórum Ministro Enok Reis, com duas caixas térmicas recheadas dos mais diversos tipos de quitutes. Com formação de cozinheira profissional feita no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), a nordestina, que nasceu em Recife (PE) e se criou em Natal (RN), disse que veio para Manaus para ganhar dinheiro. “Eu vendo sanduíche, salada, suco, almoço sob encomenda e até kits especiais alusivos às datas comemorativas”, enumera. Segundo a cozinheira, o faturamento não deixa a desejar, uma vez que, é com ele que sustenta a filha e paga as contas. Com produtos que variam entre R$ 3 a R$ 15, dona Rose destaca o bolo caseiro como um dos alimentos preferidos dos servidores do Poder Judiciário, os quais, ela afirma, chegam a comprar para levar e comer em casa nos finais de semana.

Dona Rosemary e o marido Júlio Chaves chegam ao Fórum Henok Reis por volta das 8h30 e quando alcanç


Economia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

B5

alegria de servidores DIEGO JANATÃ

am o segundo andar do prédio, o estoque de doces e salgados das caixas térmicas está quase no fim

O aposentado Antônio Braga faz a festa com picolé da massa na Câmara Municipal

IONE MORENO

Alternativa ao mercado de trabalho O presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (CoreconAM), Marcus Evangelista, explica que esse tipo de comércio é considerado trabalho informal. Segundo ele, a depender do segmento, os ganhos podem ser bons, uma vez que os trabalhadores não têm funcionários e custos fixos. “Ele mesmo é o comprador e o vendedor. Se souber formular preços e conquistar uma clientela fiel, o serviço pode se tornar ainda mais rentável”, ponderou. Evangelista avalia que esse tipo de comércio é uma alternativa viável àquelas pessoas que têm dificuldades de se estabelecer em emprego fixo ou não correspondem aos requisitos exigidos pelo mercado de trabalho. Contudo, o economista considera como ponto negativo sobre as pessoas que se submetem a esse modelo de comércio informal a falta de segurança.


B6

País

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

‘Abismo na educação ainda separa Brasil e países ricos’ O

no número de trabalhadores com jornadas semanais de mais de 50 horas (11% do total).

Europeus trabalham bem menos

Falta qualidade Ou seja, não é uma questão de quantidade de jornada de trabalho, mas de qualidade. (Vale lembrar que, apesar de ser a sétima maior economia em valores absolutos, em valores per capita e contando todos os países, o Brasil fica apenas com o 79º lugar.)

“Muitos países latinoamericanos têm níveis elevados de satisfação com a vida. As causas seguem sendo muito debatidas. Pode ter relação com o modo como as pessoas expressam suas emoções e sentimentos ou sobre como se relacionam”, afirma Anthony Gooch, diretor de comunicação da OCDE. Um brasileiro trabalha por ano, em média, mais horas do que um francês, italiano, suíço, alemão, norueguês, dinamarquês ou belga. Apesar disso, produz cerca de um quarto do que produz um trabalhador desses países. A avaliação é da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que fez uma radiografia do mercado de trabalho e aponta a estagnação da produtividade do brasileiro nos últimos 20 anos, enquanto o resto do mundo observou um aumento.

DISTANTE

Estudo da OCDE, espécie de clube dos países ricos, mostra que, apesar do zunzunzum “Brasil potência” da última década, o Brasil ainda tem muito chão a percorrer antes de se comparar com o primeiro mundo O Brasil tem ainda a penúltima pior expectativa de vida (73 anos, contra 80 na média da OCDE; ganha apenas da Rússia) e os piores indicadores de segurança pública. Os dados fazem parte do estudo “Índice para uma vida melhor”, que compara as diferentes nações. A edição 2014 foi lançada nesta segunda-feira. Apesar de tudo isso, chama a atenção que o país tem a 13ª melhor taxa de satisfação com a vida. Muito melhor do que a Espanha e a Alemanha.

No Brasil, apenas 43% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o diploma de ensino médio

REPRODUÇÃO

brasileiro trabalha mais do que a média dos habitantes dos países ricos, mas é mais pobre do que todos. A explicação: o brasileiro trabalha, trabalha e no final produz pouco, pois é pouco instruído. Ou seja, seu suor não agrega muito à economia. Um novo estudo da OCDE, espécie de clube dos países ricos, mostra que, apesar do zum-zum-zum “Brasil potência” da última década, o Brasil ainda tem muito chão a percorrer antes de se comparar com o primeiro mundo. Aqui, apenas 43% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio. É muito menos do que a média da OCDE (75%). É bem menos do que o nosso vizinho Chile (72%). A tristeza é que a situação não está melhorando muito: entre os jovens de 25 a 34 anos, apenas 57% terminaram o segundo grau, contra 82% na comparação internacional. Além disso, o país é o que tem o pior desempenho no Pisa, o exame internacional que compara o desempenho acadêmico de alunos de 15 anos, entre os 36 países analisados pela OCDE. A nota média brasileira é 406, menor do que a média da OCDE (497) e muito atrás da elite mundial, como Finlândia (529) e Japão (538). Apesar de ser, dos 36 países avaliados, o que tem a pior renda per capita, o Brasil fica em 11º

ABR

Estudo diz que o brasileiro trabalha muito e no final produz pouco, pois é pouco instruído: seu suor não agrega muito à economia

Bernardo Boldrini foi morto e enterrado em uma cova rasa

CASO BERNARDO

Aceita denúncia contra 4º suspeito Mais um suspeito de envolvimento na morte do menino Bernardo Boldrini, no interior gaúcho, vai responder pelo crime na Justiça. Na sexta-feira (13), um juiz da cidade de Três Passos aceitou a denúncia (acusação formal) contra Evandro Wirganowicz, irmão da assistente social Edelvânia Wirganowicz, que está presa sob suspeita de envolvimento no assassinato. Bernardo, de 11 anos, foi morto no início de abril no município de Frederico Westphalen. O corpo foi achado enterrado em um matagal dez dias depois do desaparecimento. Foram presos na ocasião o pai do garoto, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugolini, e

a assistente social. O juiz Marcos Agostini diz que há indícios de que Evandro sabia do assassinato e ajudou a abrir a cova onde o corpo foi achado. O magistrado citou os depoimentos de duas testemunhas. Ele também determinou a prisão preventiva de Evandro, que já estava detido temporariamente. A reportagem não conseguiu localizar o advogado dele para comentar o assunto. Os outros três acusados também estão presos. O pai de Bernardo nega participação no crime. De acordo com o inquérito policial, Edelvânia, Leandro e Graciele planejaram e

DENÚNCIA

Na sexta-feira (13), um juiz da cidade de Três Passos aceitou a denúncia (acusação formal) contra Evandro Wirganowicz, irmão da assistente social Edelvânia Wirganowicz, que está presa como suspeita executaram o assassinato de Bernardo. A participação de Evandro foi aferida no decorrer da investigação, após testemunhas terem indicado sua presença nas redondezas do local do crime à época de sua execução. Na sua decisão,

o juiz cita estes depoimentos como indícios para aceitar a denúncia do MP. Desaparecimento Bernardo desapareceu no dia 4 de abril, em Três Passos. Seu corpo foi encontrado no dia 14 de abril, em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico, enterrado às margens do rio Mico. Na mesma noite, Leandro, Graciele e Edelvânia foram presos pela suspeita de envolvimento no crime. De acordo com a investigação policial, Bernardo foi colocado em um carro no dia 4 de abril para ser levado à cidade vizinha para um passeio; durante a viagem, o menino foi dopado e morto com uma droga anestésica.


País

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

B7

Desenho humano marca luta contra a exploração infantil Ação faz parte da campanha mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o apoio da Prefeitura do Rio

C

erca de mil pessoas formaram o desenho de um cata-vento na praia de Botafogo, Zona Sul do Rio, símbolo de combate ao trabalho infantil em todo o mundo. A ação faz parte da campanha mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e recebeu o apoio da Prefeitura do Rio e de várias instituições que desenvolvem trabalhos sociais com crianças e adolescentes. A coordenadora do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (Ipec) da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Maria Cláudia Falcão, explicou que o Brasil foi escolhido para sediar a campanha por ser o anfitrião da Copa da Mundo. “É um momento especial, pois temos grande quantidade de turistas aqui. E, por uma coincidência muito grande, o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil é dia 12 de junho, dia da abertura da Copa, então antecipamos a campanha para chamar a atenção para esse problema que acontece em todo o mundo”, comentou ela. Maria explicou que a ideia do cata-vento como luta contra a exploração de crianças surgiu a partir de uma campanha

FOTOS: REPRODUÇÃO

da OIT do Brasil que acabou sendo adotada pelos demais países. “É um brinquedo, o movimento dele gera energia que simboliza nossa luta contra o trabalho infantil e, além disso, esse cata-vento tem cinco cores que representam a diversidade de raça, de gênero e todos os continentes”. O estudante Pedro Gabriel Ro-

Adolescentes trabalham informalmente

APOIO

A ação faz parte da campanha mundial da Organização Internacional do Trabalho e recebeu o apoio da Prefeitura do Rio e de várias instituições que desenvolvem trabalhos sociais com crianças

drigues Duarte, 14 anos, foi um dos voluntários que ajudaram a criar a forma do cata-vento. Para ele, nenhuma criança deveria trabalhar sem antes completar os estudos. “A criança deixa de fazer o presente dela para trabalhar antecipadamente e acaba lá na frente não tendo base nos estudos nem um bom emprego”, comentou ele.

Mil pessoas formaram, na praia de Botafogo, o símbolo de luta contra a exploração infantil

De acordo com a pesquisa do Pnad, 80% dos adolescentes não trabalham de maneira formalizada

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílios (Pnad) de 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia no Brasil 3,5 milhões crianças entre 5 anos e 17 anos em situação de trabalho infantil. A legislação brasileira permite o trabalho de adolescentes maiores de 16 anos ou a partir dos 14 anos, em situação de aprendiz. “O problema no Brasil é que mais de 80% das crianças que trabalham têm mais de 14 anos, mas a maioria não está trabalhando de maneira formalizada. Precisamos de um esforço maior para que essas crianças possam ser inseridas no mercado de trabalho”, explicou a coordenadora.


B8

Mundo

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Onda de violência no Iraque mostra força de extremistas Entre etnias O conflito entre a minoria sunita e a maioria xiita no Iraque garante ao EIIL um influxo especial de apoiadores. Muitos sunitas se sentem prejudicados pelo governo xiita em Bagdá. De acordo com Walde, isso implica um terreno fértil para o EIIL, que tem como alvo a desestabilização de cidades sunitas. “Eles realmente se especializaram em incitar e se aproveitar de tumultos”, afirma o funcionário da Fundação Friedrich Naumann. Aparentemente, os guerri-

OCUPAÇÃO

Um ataque à cidade de Baiji, ao sul da região de Salaheddine, pode ser rechaçado pelas tropas do governo. Desde o começo do ano, a bandeira negra do EIIL tremula na província de Al-Anbar, ao oeste Insurgentes, que antes eram rivais, agora se unem com a missão de combater e derrubar o governo iraquiano pós-americanos

lheiros do EIIL perseguem uma tática multifacetada. O grupo está profundamente enraizado em Mossul, diz Aymenn Jawad al-Tamini, do think tank americano Fórum do Oriente Médio. Ali, todos os meses, há centenas de ataques do EIIL, e isso, segundo ele, tem desgastado cada vez mais as forças de segurança. Além disso, o EIIL construiu uma base financeira sólida na região, por meio do contrabando de petróleo e da extorsão, e conseguiu trazer outras milícias sunitas para o seu lado.

Milícias estão unidas pelo ódio ao governo Em Al-Anbar, milícias tribais sunitas, cujo motivo não é a instalação de uma teocracia, também simpatizam com os guerrilheiros do EIIL. Eles estão unidos pelo ódio ao governo em Bagdá. O ataque a Mosul mostrou claramente que, na esteira do EIIL, outras unidades de combate perseguem os seus objetivos, afirmou o especia-

lista em extremismo Al-Tamini. “Está claro que isso é usado por outros grupos como o exército da seita religiosa Naqshbandi.” Entre outros, pertencem a esse exército membros do regime Baath do ditador Saddam Hussein, deposto em 2003. Até mesmo grupos da região de Kirkuk entraram no mesmo barco, disse Al-Tamini.

O EIIL foi criado a partir do Estado Islâmico do Iraque, liderado pelo jihadista Abu Bakr al-Bagdadi. Em 2012, al-Bagdadi se envolveu na guerra civil na vizinha Síria e estabeleceu ali a islâmica Frente Al-Nusra. Mas a aliança não durou muito tempo. Enquanto a Frente Al-Nusra luta hoje na Síria em nome da rede terrorista

Al Qaeda, o EIIL opera na Síria e no Iraque de forma independente. Em abril último, as suas unidades avançaram até Abu Ghraib, nas proximidades de Bagdá. Os membros do EIIL são temidos pela sua crueldade. Por esse motivo, no norte do Iraque, cerca de meio milhão de pessoas estão agora em fuga.

CISJORDÂNIA REPRODUÇÃO

P

ela primeira vez, militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) estão patrulhando uma metrópole iraquiana. Depois de intensos combates, os radicais conquistaram esta semana a província de Nínive, incluindo a capital da província, Mossul. Além disso, unidades da organização, que é ligada à Al Qaeda, entraram nas províncias de Salaheddine e Kirkuk. Um ataque à cidade de Baiji, ao sul da região de Salaheddine, pode ser rechaçado pelas tropas do governo. Desde o começo do ano, a bandeira negra do EIIL tremula na província de Al-Anbar, ao oeste. Também na vizinha Síria, o grupo conquistou um largo território. O objetivo é a criação de um Estado entre o Mediterrâneo e o Iraque, em que reine uma interpretação rigorosa da sharia, a lei islâmica. Segundo Falko Walde, especialista em Iraque da Fundação Friedrich Naumann, o avanço em Mossul foi uma surpresa para o governo em Bagdá. O ataque, no entanto, afirma o especialista, não surgiu do nada e há uma série de razões para o ganho de força dos radicais. Primeiro, o grupo atuante no Iraque e na Síria se beneficia da fronteira porosa entre os dois Estados. “Assim é possível movimentar combatentes”, afirma Walde. Além disso, após as recentes eleições, há uma morosidade no processo de formação de governo em Bagdá. “O suposto homem forte do Iraque, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, teme em não conseguir mais um mandato. Existe um vácuo de poder”, explica.

REPRODUÇÃO

Militantes de grupo ligado à Al Qaeda controlam cada vez mais regiões no norte e no oeste deixando o governo impotente

Carro queimado supostamente relacionado ao desaparecimento de três jovens judeus na Cisjordânia

À procura de israelenses sumidos Forças israelenses estão em busca de três adolescentes judeus que desapareceram na Cisjordânia na noite do último final de semana, informaram as forças militares. Enquanto a mídia especula sobre o sequestro dos três jovens colonos, um grande número de soldados israelenses vasculhou o campo em torno da cidade de Hebron, conduzindo buscas casa por casa nos vilarejos vizinhos e bloqueando estradas. A mídia local disse que os três adolescentes foram vistos pela última vez tentando pe-

gar carona para casa na saída de um seminário religioso no assentamento judeu de Gush Etzion, ao norte de Hebron. “As forças estão conduzindo uma ampla operação para localizar os indivíduos”, declarou a fonte militar em um comunicado. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou uma reunião especial com ministros da Segurança e disse em comunicado que Israel responsabiliza o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, pela segurança dos três.

Mas Adnan al-Dmairi, portavoz dos serviços de segurança palestinos na Cisjordânia, rejeitou a crítica de Israel. “Três colonos estão desaparecidos, por que é culpa da Autoridade Palestina. Não temos nada a ver com o assunto. Se um desastre natural atingir Israel, seríamos responsáveis. Isso é insano e inaceitável, não temos conhecimento disso”, afirmou. Os militares não deram os nomes dos adolescentes, mas o jornal “Haaretz” relatou que dois deles têm 16 anos e um tem 19.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

DIEGO JANATÃ

Projeto cria Hospital do Idoso Dia a Dia C4 e C5

Banda larga via fibra ótica chega a Iranduba

DIVULGAÇÃO

Rede Estadual de Comunicação - Trecho Coari-Manaus, resultou na implantação da estrutura de telecomunicação

A

internet de qualidade via rede de fibra ótica já é uma realidade para o município de Iranduba - a 25 quilômetros de Manaus -, onde o governo do Amazonas inaugurou a Rede Estadual de Comunicação – Trecho Coari-Manaus. O projeto consiste em implantar infraestrutura de telecomunicação, por meio de fibra ótica e rádios. Na praça dos Três Poderes, a mais popular de Iranduba, a população já conta com internet sem fio, via wi-fi, com até 2 mega. O projeto recebeu investimento de R$ 9,016 milhões e foi idealizado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e tem o apoio das Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz); Educação e Qualidade de Ensino (Seduc); Segurança Pública (SSP); Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam); Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam); e Processamento de Dados do Amazonas (Prodam). De acordo com o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Odenildo Sena, a proposta começou a ser desenhada desde 2010 com a política de estimular o desenvolvimento desses municípios. “Hoje, o desenvolvimento de um município vem na esteira

da internet. Essa infraestrutura de fibra ótica vai atrair investidores e vai influenciar na melhoria dos serviços de educação, saúde e segurança pública, que demandam sistemas informatizados e para isso precisam de internet de qualidade”, destaca. O diretor presidente da Prodam, Tiago Monteiro de Paiva, explica que este é apenas o primeiro dos sete municípios localizados na rota do gasodu-

TRABALHOS

O trabalho de instalação da internet foi coordenado pela Secti com apoio técnico da Prodam, cujos técnicos coordenaram as obras de “iluminação das fibras” que já existiam na tubulação do gasoduto to que recebe a internet banda larga. “O próximo município beneficiado será Manacapuru. E a nossa previsão é que até o fim deste ano, Coari, Codajás, Anori, Anamã e Caapiranga também possam contar com internet gratuita de alta qualidade”, ressalta o titular da Prodam. Para o mototaxista Anderson Rodrigues, 28, a internet disponibilizada gratuitamente na praça dosTrês Poderes tem

DIVULGAÇÃO

Com a banda larga via wi-fi, estudantes se reúnem após as aulas, na praça dos Três Poderes para navegar nas redes sociais e baixar aplicativos diversos, conforme revela o estudante Eduardo Santos

ajudado a sua rotina de trabalho. “Muitos clientes mandam mensagem pra gente pelo WhatsApp e agora, com essa internet na praça, as mensagens chegam mais rápido. Está bem melhor que o serviço da operadora”, opina Rodrigues. Já o estudante Eduardo Santos, 16, prefere utilizar o sinal para navegar pela internet. “A gente tem vindo aqui para a praça depois das aulas e aproveitamos para baixar aplicativos e navegar nas redes sociais”, diz. Benefícios A Rede Estadual de Comunicação – Trecho Coari-Manaus também vai proporcionar agilidade nos serviços oferecidos pelos postos do Pronto de Atendimento ao Cidadão (PACs), entre eles a emissão de documentos; atração de novos investimentos; geração de emprego e renda; emissão de nota fiscal eletrônica; interligação do programa Ronda no Bairro com sistemas de vigilância e emissão de boletim de ocorrência (BO) eletrônico; integração de hospitais e prontos atendimentos; utilização de novas tecnologias para videoconferências; telemedicina; controle de estoque de medicamentos; prontuários on-line; e também a integração de escolas e universidade a outras instituições de pesquisa; e formação de professores e ensino a distância.

Internet banda larga facilitou a comunicação do mototaxista Anderson com os clientes


C2

Dia a dia

Seguidores de religiões de matriz afro convivem com o preconceito violento gerado pela falta de conhecimento das raízes e pelo fanatismo. Amazonas é apontado como um dos Estados mais preconceituosos do Brasil IVE RYLO Equipe EM TEMPO

A

liberdade de escolher e professar crença religiosa, seja qual for sua matriz, é garantida pela Constituição brasileira. Contudo, basta um devoto do candomblé, umbanda ou qualquer religião afro-brasileira ousar sair na rua trajando roupas ou adereços utilizados durante as cerimônias, que a intolerância toma proporções surpreendentes e a tal civilidade cai por terra. Afirmar a identidade religiosa por meio do vestuário, costume tão corriqueiro entre os mulçumanos, demanda grande coragem entre os devotos das religiões de raiz afro, que chegam a ser vítimas de ofensas, agressões físicas e até mesmo assassinato. A perseguição é situação velha conhecida da Yalorixá Janaína Bandeira, 40, de Oyá de Ile Ase Oyá Leke. “Visto-me quando a causa exige. Mas, se eu sair na rua assim, sou destratada, ofendida e tanto como você, sou civil, tenho profis-

são, filhos. Eu e pai André fomos destratados porque fomos tomar uma água de coco. Num calor deste e você não poder entrar num recinto para beber uma água, porque sua roupa é diferente, é injusto”, lamentou. Ela nasceu no Rio de Janeiro, mas mora há 32 anos em Manaus, onde iniciou seu interesse pelo culto religioso. Janaína é de Oyá, a deusa dos fenômenos climáticos, uma das mais poderosas divindades do candomblé. “Eu sou de Oyá, o orixá que representa o elemento fogo, o ar, que traz as sementes para que germinem, que leva as chuvas, que traz muitas coisas boas”, explicou. ‘Maus bocados’ Durante o período de adoção da religião, a estudante de fisioterapia, passou por “maus bocados”, somente por ter se identificado com uma das religiões mais antigas do país, professadas pelos negros africanos que, assim como o europeu e o indígena, colonizaram o Brasil. “Por não ter carro, ando muito de táxi, tenho ponte

de safena, não posso nem andar muito. Mas já houve ocasiões de ficar no meio da rua. Eu era cliente da empresa de táxi, e o motorista não nos deixou entrar porque estávamos vestidas assim. A discriminação bota sua vida em risco”, repudiou. Dez anos se passaram do incidente, e a situação em nada mudou. “Ainda hoje, se você for pedir um táxi, tem que explicar que é para um candomblecista, porque se vem outro motorista que não aceite, ele não deixa você entrar”, afirmou. Aos 17 anos de idade, quando frequentava a escola, a sacerdotisa Janaína lembra que teve um dos adornos, de uso necessário para seguir compromisso religioso, quase arrancado por uma inspetora que chegou a buscar um bisturi para cortálo. Para ela, a perseguição às mulheres da religião é maior. “Nós passamos mais constrangimento que os homens, até porque nossos paramentos e colares, são maiores, as batas chamam atenção, há ocasião em que somos ofendidas”, disse. DIVULGAÇÃO

Mais estudo e menos conhecimento das pessoas A intolerância e preconceito são motivados por ausência total de conhecimento, a começar pelo hábito pejorativo de se referir aos devotos das religiões de matriz afro como “macumbeiros”. A sacerdotisa explicou que macumba é um instrumento de percussão utilizado durante as cerimônias. “Confundem candomblé e umbanda com satanismo. E, são coisas diferentes. Nós cultuamos as divindades da natureza. Com a facilidade de adquirir informações, por meio da internet, era para a realidade ser diferente. As pessoas hoje estudam mais, mas parece que tem menos conhecimento”, lamentou. Janaína ressaltou que o preconceito contra os negros e contra os seguidores das religiões afro é comum em todo o país, porém no Amazonas ela toma proporções inimagináveis. E a má fama que a capital conquistou entre os devotos de religiões afroO movimento passa por ataques por conta da falta de conhecimento que estimula o preconceito

brasileiras é reconhecida em todo o território nacional. “Em Manaus há muita intolerância. O Amazonas é o Estado que conheço que tem mais recriminação com a religião. Em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo os sacerdotes de outras religiões, padres, pastores, fazem missa em conjunto conosco”, ressaltou. A perseguição sofrida por Janaína durante a adolescência na escola e por onde ela passava parece ter sido herdada pelos filhos da sacerdotisa. “Concluí o ensino médio no ano passado e sofri bullying na questão da religião. Vários amigos aceitam, mas sempre tem uma turminha que fica na chacota”, explicou o filho da yalorixá, Ogan Jeffe Serra de Logun, 18. Ele se lembra da incompreensão de parte dos colegas na escola, quando ele precisava trajar algum adereço. “Uma vez tinha feito obrigações e a gente usa uma

espécie de proteção que são aquelas trancinhas de palha, e eu tinha que usar. Então, uma pessoa viu e começou (a agressão). Nossa religião é uma coisa tão pura, assim como católico e o evangélico que também de certa forma cultuam as divindades da natureza. Não tem nada de aberrador”, analisou. Tolerante, o jovem disse que toda vez que ouvia algum insulto tentava deixar por menos, ou repassava a situação para algum professor ou para a direção. “Fica aquela coisa chata e ainda entra a questão da cor. As pessoas falam é ‘macumbeiro e ainda é negro’. Tenho uma irmã mais nova que sofreu muito com isso. Não dou muita bola, tinha meu círculo de amizade, amigos católicos e evangélicos que me aceitavam. Eu ficava na minha, não parava para ‘bater boca’, avisava ao professor para tomar providencia e não dava muita moral”, apontou.


MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

C3

DIVULGAÇÃO

Perseguições ao extremo

Integrantes do movimento no Amazonas: luta constante

A perseguição contra os fiéis de religiões de matriz afro não se limita a insultos, chacotas, cuspidas ou agressões físicas. Alguns chegam a ser assassinados. O caso mais recente de que se há notícia foi do pai de santo Rafael Medeiros, 28, esfaqueado na noite de 3 de maio deste ano, em uma residência na rua 93, núcleo 11, bairro Cidade Nova, Zona Norte. Medeiros estava em férias em Manaus, visitando amigos, quando tentou apartar um desentendimento religioso entre duas vizinhas, uma protestante e outra candomblecista. “Isso acontece muito. Assim que cheguei a Manaus, o pai de santo Navarro foi assassinado. Depois dele já houve vários degolados, com o membro colocado na boca. Pessoas já apanharam na rua porque eram da religião. Quando vão bater num padre ou pastor?”, questionou a mãe Janaína. Após a morte do pai de santo Medeiros, criou-se enorme comoção contra a intolerância entre os devotos. “Isso acontece

muito. Quantas vezes fui à escola ou peguei meus filhos chorando porque era candomblecista! Isto não é desonra, nós não matamos, não roubamos, não somos traficantes. Nós temos opção religiosa, a maioria é pai de família. Somos seres humanos, merecemos respeito, mas a questão da intolerância está demais”, denunciou Janaína. União Em uma tentativa de unir os devotos de religiões afro contra o desrespeito, pela desinformação a favor da luta pelo direito das mulheres de terreiros a melhores condições de vida, foi criado no dia 1º de junho de 2014, a associação União das Ekejis do Estado do Amazonas. Existem cerca de 4 mil ekejis distribuídas em mais de mil barracões de santo em Manaus. Elas – também conhecidas como ajoiês, makotas, cambonas, guias, ponsilês - cumprem papel fundamental durante as cerimônias religiosas, pois dão suporte aos trabalhos desenvolvidos dentro das casas.

Em várias regiões do país há coexistência de religiões


C4

Dia a dia

Uma importante r Duas emendas apresentadas à Lei de Diretrizes Orçamentárias trazem a proposta de creches e hospital do idoso em Manaus como incentivo à uma política inovadora DENY CÂNCIO Especial para o EM TEMPO

A

velhice é a última etapa do processo de desenvolvimento humano, fase onde o idoso apresenta transformações em seus aspectos biológicos, psicológicos, sociais e na saúde. No Amazonas, essa parte da população cresceu nos últimos 10 anos e aponta em torno de 110 mil cidadãos acima de 65 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse quadro urbanístico trouxe à política municipal o clamor pela atenção às necessidades do idoso em Manaus, desafios que são enfrentados visando assegurar o acolhimento e promoção da autonomia. O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescentes e Idosos da Câmera Municipal de Manaus (CMM) e vereador, Elias Emanuel (PSB), conseguiu emplacar duas emendas voltadas à saúde e a relação social do idoso, ambas apresentadas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e que deverão constar na composição da elaboração do orçamento municipal do próximo ano e também para a atualização do Plano Plurianual

2014 -2017. Elias Emanuel solicitou a inclusão das emendas nº. 19 e 20 à LDO em que pede preferência nos projetos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (Seminfh) para a construção de uma creche em cada zona da cidade e um hospital, instituições que favorecerão os idosos. O projeto elucida que ambas as instituições sejam dotadas de médicos especialistas, gerontólogos, psicólogos e assistentes sociais. O vereador frisa que dar atenção a essa causa é um ato político que envolve a participação dos gestores e da sociedade civil. “Garantir o direito do idoso é nosso papel como cidadão e profissional, e obter conhecimento das dificuldades que a pessoa idosa vivencia no seu cotidiano”, comenta sobre a justificava das emendas. Prioridades O vereador salienta que as duas emendas apresentadas deverão constar como prioridades na composição da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício financeiro municipal de 2015. A fundamentalização da iniciativa é levar o bem-estar à população idosa de Manaus. “Na verdade, daqui a 40 anos a população de idosos será maior que as populações de crianças e

adolescentes juntas, segundo dados do IBGE. Se o poder público não pensar em políticas públicas, vai na contramão da história. Quando faço isso, penso no meu amanhã e no meu compromisso com a causa dos idosos”, diz. Contudo, a cidade conta apenas com dois Institutos de Longa Permanência para o Idoso (Ilpi): a Fundação Dr. Thomas e o abrigo São Vicente de Paulo, onde as vagas são limitadas. Sobre isto, o vereador apresentou como solução a atividade capacitada do cuidador de idosos, apontada como serviço essencial às famílias com anciões. O vereador acredita que essa parte da população tem necessidade de participação efetiva no seio familiar. “Temos hoje uma população expressiva de idosos na cidade de Manaus. A maioria está dentro das famílias. Se compararmos os idosos abandonados que moram com suas famílias e os que vivem na Fundação Dr. Thomas, o número é irrisório”, afirma. “Por isso tem que se popularizar e capacitar a função do cuidador. São profissionais cada vez mais essenciais para as famílias que têm idosos em casa. O convívio com a família tem que ser cultivado de forma a não institucionalizar o idoso”, acrescenta. DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO

Elias Emanuel, autor das emendas: cabe à sociedade cobrar


MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

C5

responsabilidade REPRODUÇÃO

MARINHO RAMOS/SEMCOM

Projetos podem melhorar a qualidade de vida dos idosos

Benefícios para as demandas Sobre concretizar a projeto, o vereador diz que a proposta busca ser sólida ao beneficiar prioritariamente as áreas da cidade onde há demanda. “Não se pode alimentar a ilusão de que nós teremos um hospital em cada zona da cidade. Quanto à creche para o idoso, temos que perceber onde a necessidade é mais prioritária e a partir daí começar a implantação”, informa. Elias Emanuel esclarece que o implemento de políticas voltadas à população idosa resulta na diminuição do abandono e na qualidade de vida, e a proposta do hospital do idoso qualificado com profissionais em gerontologia melhorará o auxilio à saúde destes que carecem de cuidados especiais. “Isso fará com que essa população fique menos relegada ao abandono”, explica. O parlamentar salienta que o projeto tem que ser previsto pela prefeitura dentro do orçamento, e a sua expectativa é que já venham carimbadas as rubricas para a execução em 2015. “Caberá à sociedade se mobilizar para que a prefeitura concretize estas propostas”, explica Emanuel. Manifesto A Fundação Doutor Thomas (FDT), engajada em alertar a população sobre os números de violência sofrida por idosos na cidade realiza neste domingo a caminhada “Respeito à pessoa idosa na saúde e no transporte”, alusiva à jornada pelo Combate à Violência contra o Idoso, em três zonas da cidade: Leste, Sul e Oeste.

O ato público tem parceria com o Fórum Permanente do Idoso e os conselhos municipal e estadual do idoso e demais órgãos municipais e estaduais responsáveis pela política do idoso. Na Zona Leste, a concentração será na avenida Grande Circular. Os demais são a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), na Cachoeirinha, e a sede do Governo do Estado, na avenida Brasil, Compensa. Todas as caminhadas iniciam às 7h. O objetivo é alertar a população sobre os números de casos de violência sofrida por idosos em Manaus e motivar a sociedade a lutar para combater e denunciar essa prática. Conforme registros da Delegacia Especializada de Crimes contra o Idoso, em média, cinco idosos sofrem algum tipo de violência por dia em Manaus. Nos quatro primeiros meses deste ano, houve um total de 648 denúncias. “É comum ouvirmos casos de discriminação contra o idoso, seja no ônibus, na rua ou em órgãos públicos. A discriminação é uma violência e é responsável pelo maior número de ocorrências registradas na Delegacia do Idoso em Manaus. Há também casos de ameaça, perturbação, lesão corporal, maus-tratos, abandono e negligência, entre outros. Por isso é importante a população saber quais os tipos de violência, como denunciar e para onde ligar. Disponibilizamos o número 165 pela FDT, mas também tem o Disque 100”, afirmou a diretora-presidente da Fundação Dr.Thomas, Martha Moutinho Cruz.


C6

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

FCecon conclui seleção de pesquisadores para o Paic

Lista contendo o nome dos acadêmicos das áreas de saúde, cujos projetos foram aprovados, será divulgada no site da instituição na próxima semana. Parceria com a Fapeam viabiliza o financiamento dos projetos selecionados no programa FOTOS: DIVULGAÇÃO

Mais de 20 orientadores, entre doutores e mestres, estarão atuando no programa da FCecon

As pesquisas terão a duração de um ano e os artigos serão publicados em revistas científicas

A

Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) selecionou, na última semana, os 40 acadêmicos que farão parte da edição 2014/2015 do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic - FCecon), que conta com a participação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam). A lista com os nomes será divulgada na próxima semana, no site da instituição www. fcecon.am.gov.br. As pesquisas, todas relacionadas à área oncológica, começam a ser desenvolvidas a partir de agosto deste ano, um mês após a conclusão dos trabalhos da turma inserida no programa em 2013. Com esta edição, o PaicFCecon chega a marca de 111 acadêmicos que ingressaram no meio científico na instituição a partir do programa. A expectativa, conforme informações da diretoria de ensino e pesquisa da FCecon, é que o número

de bolsistas nesta edição seja ampliado para 47, uma vez que serão solicitadas as concessões de outras sete bolsas à Fapeam. O programa contará com apoio de 21 orientadores, entre mestres e doutores que atuam na FCecon, hoje

AVALIAÇÃO

As avaliações dos projetos serão feitas por doutores convidados, que deverão compor a banca de no mínimo três e no máximo cinco membros, conforme determina o edital considerada a unidade de referência no tratamento do câncer em toda a Amazônia Ocidental. Conforme informações da diretoria de ensino e pesquisa, as pesquisas terão a duração de um ano e, com a conclusão,

a expectativa é que os artigos gerados sejam publicados em revistas científicas de grande circulação no meio, além de apresentados em congressos relacionados à oncologia. Iniciação Iniciado em 2011 na FCecon, a partir de uma iniciativa da diretoria de ensino e pesquisa da instituição, o Paic visa apoiar, com recursos financeiros e bolsas institucionais, estudantes de graduação interessados no desenvolvimento de pesquisas na fundação. A partir dele, os universitários das diversas áreas, como medicina e enfermagem, podem ter contato direto com a atividade científica. Entre os temas pesquisasdos na FCecon estão os relacionados às áreas da urologia, mastologia, ginecologia, enfermagem, entre outros. A ideia, conforme Kátia Torres, é que, no futuro, os resultados obtidos com as pesquisas auxiliem na melhoria da atenção ao paciente oncológico.

Investimento ao longo dos anos O edital para o processo seletivo de bolsistas para o Paic-FCecon 2014/2015 foi lançado em abril. Ao ingressarem no programa, os acadêmicos contemplados terão um ano para desenvolverem as pesquisas, passando por uma avaliação parcial após seis meses e a final no último mês da pesquisa. As avaliações serão feitas por doutores convidados, que deverão compor a banca de no mínimo três e no máximo cinco membros, conforme o edital. A FCecon investiu, a partir da Fapeam, fonte fomentadora de pesquisas no Estado, mais de R$ 3 mi-

lhões em projetos da área científica, nos últimos 4 anos, além de cerca de R$ 1,5 milhão proveniente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A evolução dos projetos, no decorrer dos anos, veio acompanhada do aumento dos recursos investidos. Exemplo disso é que, em 2011, a FCecon investiu em Ensino e Pesquisa, por meio da Fapeam, cerca de R$ 30,3 mil. No ano seguinte, foram R$ 433,3 mil e, em 2013, foi registrado um salto nos investimentos, totalizando R$ 992,7 mil – R$ 600 mil destinados ao início da implantação da

primeira Sala Inteligente Oncológica com tecnologia de ponta da Região Norte, a ser utilizada durante a realização de cirurgias minimamente invasivas dentro de várias especialidades da medicina. Nos primeiros meses deste ano, a FCecon já contabilizava R$ 3,1 milhões em investimentos liberados pela Fapeam e pela UEA, para a implantação da Sala Inteligente, além de R$ 192 mil aprovados pela Fapeam, exclusivamente, para o financiamento das bolsas do Paic-FCecon 2014/2015, uma média de R$ 16 mil ao mês para as pesquisas.


Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

C7

Parceria viabiliza mutirões oftalmológicos nos PACs ROBERTO CARLOS/AGECOM

Parceria entre Susam, Ouvidoria-Geral do Estado e o Instituto de Pesquisa e Assistência Oſtalmológica da Amazônia (Ipoam) resultará em três dias de mutirões

N

os dias 21 e 28 de junho e também 5 de julho, o governo do Amazonas realizará um mutirão para atendimento oſtalmológico gratuito para a população das zonas Norte, Oeste e Leste. A ação segue a orientação do governador José de Melo de aumentar a oferta de serviços na área de saúde e é uma parceria da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Ouvidoria-Geral do Estado e o Instituto de Pesquisa e Assistência Oſtalmológica da Amazônia (Ipoam). O projeto vai acontecer nos postos do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) dos bairros Compensa, Cidade Nova e São José, onde serão disponibilizados os seguintes serviços: consultas, exames, encaminhamentos para procedimentos cirúrgicos e doação de óculos. O programa vai acontecer durante três sábados, sempre das 8h às 13h, com a seguinte programação: dia 21 de junho – PAC Cidade Nova (avenida Noel Nutels, 1.350, Cidade Nova 1, Zona Norte),

Exames e encaminhamentos cirúrgicos serão alguns dos serviços oferecidos durante as ações

dia 28 de junho – PAC Compensa (avenida Brasil, 1.325, Compensa 1, Zona Oeste), dia 5 de julho – PAC São José (avenida Cosme Ferreira, 4.605, Uai Shopping, São José 1, Zona Leste). As consultas devem ser agendadas por meio do Disk

SERVIÇOS

Consultas, exames, encaminhamentos para procedimentos cirúrgicos e doação de óculos serão os serviços oferecidos durante os três dias de mutirão, nos PACs das zonas Norte, Leste e Oeste Cidadão pelo número 0800 286 2300 a partir de amanhã, segunda-feira (16). Procura A Ouvidora-Geral do Estado, Zanele Teixeira, explica que os PACs têm registrado alta demanda na procura pelo agendamento de consultas oſtalmológicas. Daí surgiu a

proposta da realização de mutirões, conforme orientação do governador José Melo. “Queremos facilitar o acesso da população a todo e qualquer serviço e essa parceria vai ajudar a suprir essa demanda. Serão novas consultas, além das que acontecem conforme o cronograma semanal de cada posto”, informa Zanele.

Programação Dia 21 de junho PAC Cidade Nova (avenida Noel Nutels, 1.350, Cidade Nova 1, Zona Norte Dia 28 de junho PAC Compensa avenida Brasil, 1.325, Compensa 1, Zona Oeste Dia 5 de julho PAC São José avenida Cosme Ferreira, 4.605, Uai Shopping, São José 1, Zona Leste.


C8

Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014


MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

opiniao@emtempo.com.br

3

(92) 3090-1010

1

José Patrício com seus botões

2

Cinco poemas em tempos sem paz

A melhor fotógrafa secreta do mundo. Págs. 4 e 5

5

Capa

A imaginação de Miklós Radnóti. Pág. 3

Pelos olhos de Vivian Maier 4

autorretrato de Vivian Maier (detalhe)

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Gigante de açúcar invade fábrica

Diário de Nova York. Pág. 6

Do arquivo de Jocy de Oliveira Rio de Janeiro, 1985. Pág. 7


G2

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO ROBSON LEMOS/DIVULGAÇÃO

CURSO | EXISTENCIALISMO O professor de filosofia da USP Franklin Leopoldo e Silva ministra três aulas sobre os existencialistas franceses. Cada encontro será dedicado a um deles: a liberdade em Jean-Paul Sartre, o absurdo em Albert Camus e a totalidade em Maurice Merleau-Ponty. Casa do Saber | tel. (11) 37078900 | R$ 435 | seg., às 20, a partir de 23/6

FOTOGRAFIA | VALDIR CRUZ “Cronotopos” exibe 20 imagens em grandes dimensões feitas pelo fotógrafo paranaense nos últimos 18 anos. A mostra tem lugar na filial paulistana da galeria Bolsa de Arte, de Porto Alegre, inaugurada no mês de abril, em Pinheiros. Bolsa de Arte | tel. (11) 3097-9673 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 18h | grátis | até 12/7

1

“Afinidades Cromáticas XV” (2013), de José Patrício

“Pátio de Ônibus Usados, São Paulo. Coordenadas Geográficas: 23°39’47’’ S 46°43’39’’W”, de Cássio Vasconcellos

EXPOSIÇÃO | CÁSSIO VASCONCELOS “Aéreas do Brasil” traz 25 fotos feitas do céu, 10 das quais em painéis de grande escala. Um livro homônimo, com texto do jornalista Xavier Bartaburu, reúne vasta amostra do trabalho que o fotógrafo produz desde 1996, como um ensaio inédito sobre o Carnaval paulistano de 2014. Paço das Artes | tel. (11) 3814-4832 | ter. a sex., das 10h às 19h; sáb. e dom., das 12h30 às 17h30 | grátis | até 22/6 Bei | R$ 120 | 236 págs.

POESIA | SAM SHEPARD Marcelo Montenegro e Bruna Beber se reúnem nesta segunda (16) para ler trechos de “Crônicas de Motel”, do escritor norte-americano --versos como “as pessoas aqui/ se tornaram/ as pessoas/ que estão fingindo ser”. O encontro é parte do projeto “Poesia de Segunda”, sob curadoria de Fabrício Corsaletti, colunista da Folha. Clube das Artes | tel. (11) 35674988 | 20h | grátis CÁSSIO VASCONCELLOS/DIVULGAÇÃO

EVENTO | BLOOMSDAY “Ulysses”, de James Joyce, narra as errâncias de Leopold Bloom ao longo de um dia, 16 de junho de 1904, data celebrada anualmente mundo afora. Em São Paulo, nesta segunda, uma caminhada pontuada por cenas da peça “Ulisses Molly Bloom “” Dançando para Adiar”, da Cia. Estrela D’Alva de Teatro, vai da Casa Guilherme de Almeida, no Pacaembu, ao Finnegan’s Pub, em Pinheiros, onde serão lidos trechos da obra do autor irlandês. Casa Guilherme de Almeida | tel. (11) 3673-1883 | 17h | grátis

POP

ERUDITO

MÚSICA | CORAL O Coro Mirim do Coral da Cidade e a Orquestra Acadêmica de São Paulo se apresentam hoje na Catedral Metropolitana Ortodoxa de São Paulo. No programa, “Magnificat-Alleluia” (1958), de Heitor Villa-Lobos e “Cântico Universal” (2013), de Luciano Camargo, regente e diretor do coral. r. Vergueiro, 1.515 | 16h | grátis

EXPOSIÇÃO | JOSÉ PATRÍCIO O artista recifense apresenta obras feitas de objetos comuns do dia a dia organizados segundo padrões. São trabalhos de séries como “Afinidades Cromáticas”, em que utiliza combinações matemáticas para ordenar botões e quebra-cabeças, e “Ars Combinatoria”, de mosaicos feitos com peças de dominó. Nara Roesler | tel. (11) 3063-2344 | seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h | grátis | até 20/7

DVD | BENT O filme de 1997 é a versão para o cinema da peça homônima de Martin Sherman que, em 1979, estreou em Londres com Ian McKellen no papel principal. Max, vivido aqui por Clive Owen, é mandado ao campo de concentração de Dachau durante o nazismo por ser gay, mas se finge de judeu para tentar sobreviver. Classicline | R$ 29,90

LIVRO | BÉLA GUTTMANN O sociólogo e jornalista alemão Detlev Claussen, que foi aluno de Adorno em Frankfurt, escreve a biografia do húngaro que é uma lenda do futebol. Guttmann (1900-81) foi jogador e técnico, quando ganhou duas vezes a Liga dos Campeões comandando o Benfica, além de ter treinado o São Paulo. trad. Daniel Martineschen e Alexandre Fernandez Vaz Estação Liberdade | R$ 39 | 176 págs.

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição VIVIAN MAIER/DIVULGAÇÃO

ELEANOR CATTON, 28, escritora neozelandesa, tornou-se, em 2013, a mais jovem vencedora do Man Booker Prize. EMILIO FRAIA, 32, é autor do romance “O Verão do Chibo” (Alfaguara), com Vanessa Barbara, e da graphic novel “Campo em Branco” (Companhia das Letras), com DW Ribatski. GEOFF DYER, 56, escritor britânico, é autor de “O Instante Contínuo - Uma História Particular da Fotografia” (Companhia das Letras). MIKLÓS RADNÓTI (1909-44), poeta húngaro, morto pela polícia nazista.

PAULO SCHILLER, 61, psicanalista e tradutor, é autor de “A Vertigemda Imortalidade” (Companhia das Letras). SÉRGIO SISTER, 65, é artista plástico. JOCY DE OLIVEIRA, 78, é compositora e pianista. Lança o livro “Diálogo com Cartas” (Sesi-SP), sua correspondência inédita com grandes músicos do século 20, em 29/7, no Oi Futuro Flamengo, no Rio. MARCOS AUGUSTO GONÇALVES, 57, é jornalista da Folha em Nova York. VIVIAN MAIER (1926-2009), babá americana cuja obra fotográfica era desconhecida em vida.

BIOFILIA Campanha ambientalista da cantora islandesa Björk entra no currículo das escolas escandinavas RUANDA - 20 ANOS Histórias de vítimas de estupro durante genocídio CÁSSIO VASCONCELLOS Fotógrafo relata como encontrou o pátio de ônibus retratado acima >>folha.com/ilustrissima


G3

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Imaginação

2

PROSA, POESIA E TRADUÇÃO

Cinco poemas de guerra RESUMO O poeta húngaro Miklós Radnóti (1909-44) foi enviado ao campo de concentração de Bor, na atual Sérvia, durante a Segunda Guerra Mundial. Quando os nazistas recuaram, Radnóti e outros foram obrigados a voltar para a Hungria em uma das marchas forçadas, durante a qual ele foi executado. Os textos acima foram encontrados em um caderno de notas no bolso de seu casaco quando o corpo foi exumado de uma vala comum e reunidos por sua viúva, Fanni Gyarmati (1912-2014).

MIKLÓS RADNÓTI TRADUÇÃO PAULO SCHILLER ILUSTRAÇÃO SÉRGIO SISTER

Cartões-postais 1 Da Bulgária, a palavra espessa e selvagem dos canhões se derrama,

pisoteia o dorso da montanha, depois hesita e cai, se atropelam homens, animais, carroças e pensamentos, o caminho se detém gemente, o céu cacheado desliza. Você está sempre comigo na confusão incessante, no fundo da minha consciência você brilha eterna imóvel e muda, como o anjo que contempla o extermínio, ou o verme fúnebre que devora a árvore apodrecida. 30 de agosto de 1944. entre as montanhas 2 A nove quilômetros daqui ardem rolos de feno e casas, e à margem dos pastos sentados mudos camponeses horrorizados sorvem cachimbos. Aqui ainda pregueia a água a pequenina pastora que pisa no lago e bebem nuvens sobre a água debruçadas as ovelhas felpudas. cservenka, 6 de outubro de 1944 3 Da boca dos bois escorre saliva sangrenta, os homens todos urinam sangue, a companhia se detém em novelos malcheirosos selvagens. Acima de nós sopra a morte tremenda. (1)

mohács, 24 de outubro de 1944 4 Desabei a seu lado, seu corpo se virou e já estava teso, como corda, quando se rompe. Tiro na nuca. – Assim será também o seu fim, – sussurrei para mim mesmo, – continue deitado sereno. A paciência agora desabrocha em morte. – Der springt noch auf, – ouvi acima de mim. No meu ouvido secava sangue misturado a lama. (2) szentkirályszabadja, 31 de outubro de 1944 Notas do tradutor 1- A palavra “companhia”, acima, também significa “século” em húngaro. 2- O companheiro morto era um violinista. A expressão em alemão significa algo com “ele ainda se debate”. Marcha Forçada Louco quem da terra morto se levanta e de novo se arrasta, e com a dor do nômade movimenta tornozelos e joelhos, e ainda assim se põe a caminho, como se alçado por asas, e as valas o chamam em vão, não tem coragem de ficar,

e se você perguntar, por que não? talvez ele responda que a mulher espera por ele e uma morte mais bonita, mais sábia. Embora o crédulo esteja louco, porque lá sobre os lares há muito apenas voam cinzas a parede da casa desabou, o pé de ameixa se partiu, e de medo é tormentosa a noite da terra natal. Oh, se eu pudesse acreditar: que não é apenas no coração que eu levo tudo que ainda vale a pena, e que existe uma casa à qual voltar; se ainda existisse! e como em outros tempos na antiga varanda fresca zumbisse a colmeia da paz, enquanto resfriava a geleia de ameixa, e o silêncio do final de verão se banhasse ao sol nos jardins sonolentos, em meio à folhagem frutas pendessem nuas, e Fanni me esperaria loira diante da cerca vermelha e lentamente escreveria sombra a lenta manhã, – mas talvez ainda possa acontecer! A Lua está tão redonda! Não prossiga, amigo, grite comigo! e vou me levantar! Bor, 1944, 15 de setembro.


G4

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Fotografia RESUMO Descoberta por acidente, a obra da norte-americana Vivian Maier tornou-se um dos maiores tesouros fotográficos do século 20. As 100 mil fotos que a babá fez anonimamente só foram valorizadas após sua morte, em 2009, e viraram tema de filmes e livros, como “Vivian Maier: Uma Fotógrafa de Rua”, que sai no Brasil.

EMILIO FRAIA FOTOGRAFIA VIVIAN MAIER

Em 2007, John Maloof, um corretor de imóveis e historiador ocasional de 26 anos, andava atrás de material iconográfico para a elaboração de um livro sobre Portage Park, bairro onde vivia, em Chicago. O volume serviria para promover a região, “colocá-la no mapa imobiliário da cidade”. Na época, John também presidia uma certa Associação de Preservação Histórica do Setor Noroeste de Chicago, e passava parte de seus dias tragado por antiquários, leilões de tralhas, feiras, mercados de pulgas, aquilo tudo que o artista belga Francis Alÿs apelidou de “buracos negros da memória coletiva”. Certo dia, na modesta casa de leilões e venda de “móveis vintage, objetos para casa, arte e antiguidades” RPN (iniciais dos donos Roger, Paul e Nancy), John esbarrou numa caixa atulhada de velhos negativos e fotografias, uma coleção de imagens urbanas dos anos 1960. Sem saber muito bem se aquilo poderia ou não ser útil a sua pesquisa, deu um lance de US$ 400 (cerca de R$ 890) e arrematou o lote: 30 mil negativos, 1.600 rolos de filmes não revelados. Foi para casa, abriu o pacote. As imagens nada tinham a ver com a vizinhança sobre a qual estava interessado – acabou não utilizando uma foto sequer no projeto do livro. Ficaram na caixa, num armário, por quase um ano. Nesse ponto, como num daqueles contos de Maupassant em que depois de uma breve introdução o narrador diz aos ouvintes (quase sempre no final de um jantar): “Vou lhes apresentar o caso mais inquietante que jamais encontrei”, John Maloof nos fala de Vivian Maier. Primeiro, assim, apenas um nome, num envelope, em meio a rolos de filme. Na época, Maloof não sabia praticamente nada sobre

3 Uma vida revelada A descoberta do tesouro Vivian Maier fotografia, mas quando decidiu olhar de perto o que tinha em mãos (e era muita coisa), ficou impressionado. Estava ali, diante dele, um riquíssimo panorama social de Nova York e Chicago nos anos 1950 e 1960, um olhar cheio de empatia sobre crianças e mulheres, a vida de gente simples, a experiência dos afro-americanos na cidade, bêbados, vagabundos, a face de

mármore de nobres senhoras vestidas com pompa, uma freira na sombra, um homem caído e centenas de autorretratos. Resolveu ir atrás daquela que provavelmente seria a autora das fotos. Vasculhou a internet. Nenhuma referência no Google, nada no Flickr, Twitter, Facebook. Ao mesmo tempo em que tentava encontrar pistas – sem sucesso –, surpreendia-se cada

vez mais com a qualidade do material. Passou a escanear os negativos e criou um blog. Seu interesse por fotografia também crescia. Fez cursos, leu livros, passou tardes indolentes assistindo à série “Os Gênios da Fotografia”, na BBC. Em 2009, em mais uma de suas monótonas e periódicas varreduras em sites de buscas, algo enfim surgiu: um brevís-

simo obituário, no “Chicago Tribune”, do dia 23 de abril daquele ano. Uma nota simples, que dizia apenas: “Vivian Dorothea Maier, francesa de origem e moradora de Chicago nos últimos 50 anos, faleceu em paz na segunda-feira. Foi uma segunda mãe para John, Lane e Matthew. Sua mente aberta tocou a todos que a conheceram. Sempre pronta a

dar sua opinião, um conselho, uma ajuda”. A partir disso, Maloof descobriu que John, Lane e Matthew eram irmãos e filhos de uma família para quem a senhorita Maier havia trabalhado por 17 anos, os Gensburg. E descobriu também que, durante 40 anos, entre Nova York, Los Angeles e Chicago, Vivian Maier fora babá. Nascida em Nova York em 1926, filha de pai austríaco e mãe francesa, separados quando Vivian ainda era bebê, mudou-se para uma pequena cidade na França, Saint-Julienen-Champsaur, onde passou a maior parte da infância e da adolescência. Foi lá que, em 1949, começou a fotografar, com uma Kodak Brownie, uma câmera amadora rudimentar. Não se sabe exatamente como desenvolveu essa aptidão. Alguns dizem que foi influenciada pela lembrança de uma amiga de sua mãe, a retratista Jeanne


G5

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Alguém que só existe nas coisas que viu

Bertrand, que conhecera pequena, ainda nos Estados Unidos. Em 1951, aos 25 anos, voltou para Nova York. Foi quando começou a trabalhar como babá – e a fotografar, compulsivamente, o que fez até o fim de sua vida. Revelação Em outubro de 2009, enquanto ia desvendando essas e outras pegadas, John postou o link de seu blog sobre Maier num grupo de discussão do Flickr chamado Hardcore Street Photography. Na postagem, perguntava: “O que devo fazer com essa tralha toda? Consideram esse trabalho digno de uma exposição, de um livro? Ou esse tipo de coisa surge o tempo todo, assim, do nada? Qualquer ajuda é bem-vinda”. Em menos de 24 horas, Maloof recebeu mais de 200 respostas. Algumas, como a assinada pela alcunha Film Noir Anti-Hero, questionavam se aquilo não seria um “hoax”, um boato virtual: “Será que alguém não saiu por aí tirando fotos de pessoas vestidas com roupas dos anos 40 a fim de publicar na internet e dar o crédito para alguém que já morreu?”. Mas a maioria das mensagens (a postagem no fórum chegou a ter 752 respostas) era de relatos absolutamente emocionados com as imagens de Maier. “Seus rolos de filme não são uma sequência de cliques. Vivian não era nada impulsiva, era cuidadosa a cada registro. Raramente tirava três ou quatro ‘takes’ da mesma cena”, comenta John Maloof, em entrevista por telefone para a Folha. Sem perder tempo, John foi atrás dos outros lotes com o nome de Maier do mesmo leilão em que havia adquirido a primeira caixa. Arrematou praticamente tudo. Sua coleção, hoje, tem quase 150 mil negativos (boa parte ainda não escaneada), além de mais de 3.000 fotos impressas, centenas de rolos ainda não revelados e filmes de 8 mm gravados por ela. Nada disso veio à tona durante a vida de Maier, que, até onde se sabe, jamais mostrou a alguém seu trabalho. Neste mês, com o lançamento no Brasil de “Vivian Maier: Uma Fotógrafa de Rua” [Autêntica, 136 págs., R$ 108], editado por John Maloof, com prefácio de Geoff Dyer (leia ao lado), talvez possamos adivinhar algo mais sobre a vida secreta da babá-fotógrafa, cuja obra não raro vem sendo colocada ao lado de mestres como Diane Arbus, Walker Evans, Garry Winogrand e Robert Frank. Dois outros livros foram publicados recentemente nos Estados Unidos e podem aprofundar o olhar sobre seu legado: “Vivian Maier: Out of Shadows” [CityFiles Press, 288 págs., US$ 60], biografia escrita por Richard Cahan e Michael Williams; e “Vivian Maier: Self-Portraits” [ed. powerHouse Books, 120 págs., US$ 50], organizado por Maloof com Elizabeth Avedon. Para o fim de 2014, Maloof promete um novo volume de inéditas. Uma exposição com as fotografias já passou por mais de dez países, incluindo Alemanha, Inglaterra e França, e nos próximos meses deve chegar à Bélgica e à Suécia. Dois documentários, “Finding Vivian Maier”, dirigido pelo próprio Maloof em parceria com Charlie Siskel, e “The Vivian Maier Mistery”, produzido pela BBC e dirigido por Jill Nicholls, aterrissaram recentemente nos cinemas e na TV.

GEOFF DYER

Exposição O reconhecimento crítico despontou já em 2011, na ocasião da primeira exposição individual de Maier, organizada por Maloof, em Chicago. “Tratase de uma das fotógrafas de rua mais argutas dos Estados Unidos”, escreveu David W. Dunlap, em extenso artigo no “New York Times”. “As paisagens urbanas da senhorita Maier conseguem captar ao mesmo tempo a forte marca local e os momentos paradoxais que dão à cidade o seu pulso”, diz o articulista. “As pessoas em seus frames são vulneráveis, nobres, derrotadas, orgulhosas, frágeis, ternas e, não raro, bem cômicas”. Apesar disso, Maloof viu portas de instituições como o MoMA e a Tate Modern se fecharem. “Eles não consideram as fotos como visão do artista se não forem impressas pelo próprio artista”, lamenta. Para o crítico e curador Rubens Fernandes Junior, o fato de nos anos 50 Maier fotografar com uma Rolleiflex, formato médio 6 x 6 cm – mais tarde ela usaria as Rolleiflex 3.5T, 3.5F, 2.8C, uma Leica IIIc, além das Ihagee Exakta, Zeiss Contarex, entre outras – já é um indício de sua exigência em relação à qualidade da imagem. “Significa também, arrisco dizer, que ela provavelmente estava observando os fotógrafos do período”, diz. A grande referência da época, chama a atenção Fernandes Junior, é a exposição de Edward Steichen, no MoMA, “The Family of Man” (1955), que se tornou um marco do imaginário do pósGuerra. Embora existam poucos indícios nesse sentido, o crítico acredita que ela estava atenta ao mundo dos museus, para a produção de fotógrafos como Dorothea Lange, Eugene Smith, Irving Penn, Lisette Model, e às revistas como “Life”, “Time” e “Paris Match”. “Há em suas fotos um olhar terno, generoso, que busca incessantemente o diálogo. Sua

composição nem sempre é óbvia, e sua luz é muito trabalhada, o que denota um amplo conhecimento do ofício”, comenta ele. “O que me espanta é sua atitude de nunca ter batalhado pela publicação ou exibição de suas fotografias. Seria muito rigorosa com ela mesma?” Filme Essa é uma das questões em “Finding Vivian Maier”. Para a realização do filme, o ex-corretor de imóveis e atual guardião do espólio de Maier entrevistou cerca de 90 pessoas, entre remanescentes das famílias em que ela trabalhara como babá e gente que a conhecera na França durante a juventude, além de críticos e especialistas. A partir dos depoimentos, descobrimos que, ao se aposentar, Maier estocou seus pertences em vários guarda-móveis da cidade. Com o passar dos anos, parou de pagar o aluguel, e suas coisas ficaram esquecidas. Foi assim que boa parte de seu material fotográfico foi parar nas mãos de leiloeiros. Nos depósitos, prestes a serem jogados fora, Maloof encontrou chapéus, câmeras, ingressos, um par de sapatos vermelhos, cartas, itinerários de viagem, milhares de dólares em cheques do governo não descontados, um gravador, uma infinidade de recortes de jornais diligentemente organizados em pastas – boa parte deles sobre crimes ocorridos na cidade. Maloof conta que Vivian nunca casou, não teve filhos nem tinha amigos próximos. Revelava seus rolos de filmes num banheiro que tinha na casa dos seus patrões. No documentário, ela é lembrada como uma mulher “intransigente, mas brincalhona, infinitamente curiosa ainda que reservada e, algumas vezes, cruel”. Vestia-se de “maneira antiga, costumava mentir sobre seu local de nascimento,

e nas lojas de material fotográfico apresentava-se sempre com um nome diferente”. Um conhecido recorda ter lhe perguntado do que vivia. “Sou uma espécie de espiã”, foi a resposta. Em 1958, fez uma viagem de quase três meses pelas Américas Central e do Sul, passando por Bogotá, Quito, Santiago, Montevidéu, Buenos Aires, São Paulo, Rio e pela Amazônia. Maloof diz que há uma profusão de imagens destas andanças, mas que ainda estão sendo escaneadas e avaliadas. Em 1959, perambulou ainda por Europa, Oriente Médio e Ásia. Em recente artigo publicado no blog da revista “The New Yorker”, a jornalista e roteirista Rose Lichter-Marck diz que Maier “desafia nossas ideias de como uma pessoa, um artista e, especialmente, uma mulher deveria ser” – ainda mais se pensarmos nos Estados Unidos dos anos 1950, principal cenário das andanças da fotógrafa. Para Lichter-Marck, ao contrário do que o documentário sugere, ao buscar motivações psicológicas e de trauma para a trajetória da fotógrafa, a impressão é de que Maier “era alguém bastante livre, que gostava de estar à margem, e que viveu a vida que quis viver”. Uma possível chave para sua obra talvez esteja em seus autorretratos, tirados em frente a vitrines, espelhos, vidros de carro. E sobretudo naqueles numerosos cliques em que Vivian registra a própria sombra. Num verso de “Folhas de Relva”, Walt Whitman se pergunta: “Será que alguém, quando eu morrer e sumir, escreverá a minha história?/ Como se alguém pudesse saber alguma coisa”. Em 2008, Vivian escorregou e bateu a cabeça num pedaço de gelo, no centro de Chicago. Acabou não conseguindo se recuperar da queda e morreu em 2009, numa casa de repouso, aos 83 anos.

De tempos em tempos, acontece de descobrimos que um escritor que permaneceu inédito em vida morreu deixando uma verdadeira uma obra-prima. “Uma Confraria de Tolos”, de John Kennedy Toole, é um exemplo disso – e de como o termo “obra-prima” é empregado quase como uma compensação para o atraso lamentável. No mundo da fotografia, essa história se repete em variadas versões. Há fotógrafos que acumulam um conjunto de obras e depois desaparecem. Às vezes, eles chegam a desfrutar de alguma fama e notoriedade (E.O. Hoppé, Ida Kar) antes de sucumbirem a uma obscuridade da qual só emergem postumamente. Há aqueles que alcançaram reconhecimento em círculos fotográficos (William Gedney) e, em seguida, desapareceram até do radar de seus pares. Ocasionalmente, o trabalho é descoberto a tempo de o fotógrafo colher reconhecimento tardio. Se Lartigue foi o grande exemplo disso, então Miroslav Tichý ilustra uma síndrome mais estranha, pela qual a descoberta vem tão tarde que a ovação parece póstuma, mesmo se o artista ainda está vivo. E há outros, como E.J. Bellocq, de quem quase nada se sabia até depois de sua morte. Vivian Maier representa um caso extremo de descoberta póstuma: aquele de alguém que existe unicamente nas coisas que viu. Maier não só era totalmente desconhecida no mundo da fotografia como ninguém parecia nem sequer saber que ela tirava fotos. Embora isso pareça inglório, talvez até cruel – um sintoma ou efeito colateral do fato de que ela nunca se casou nem teve filhos e, aparentemente, não tinha amigos próximos –, também diz algo sobre o potencial insondável de todo ser humano. Como escreve Wislawa Szymborska, ao mencionar Homero em seu poema “Census”: “Ninguém sabe o que ele faz em seu tempo livre”. Isso nos chama a atenção para uma remota possibilidade, ou melhor, para duas versões similares de um fato possível. Primeiro, que uma das pessoas que Maier retratou na rua possa ter sido, como ela, um fotógrafo reservado, perseguindo o mesmo hobby com igual obsessão. Segundo, que, se procurarmos com afinco, poderemos encontrar Maier em imagens registradas na rua por algum dos famosos fotógrafos de cuja obra, por vezes, a dela se aproxima. As várias cenas retratadas por Maier que trazem à lembrança o trabalho de Lisette Model, Helen Levitt (tanto em preto e branco quanto em cores), Diane Arbus, André Kertész e Walker Evans, entre outros, levantam questões sobre quanto ela conhecia a história desses fotógrafos ou, de forma mais genérica, a história do meio. Será que ela tirava certas fotos porque, conscien-

temente ou não, elas se assemelhavam a uma ou outra imagem que vira em exposições ou em revistas? Ou seria apenas coincidência (essa “ciência à espera de ser descoberta”, como observa um dos personagens de Don DeLillo em “Libra”)? Talvez, também, seja propício inverter a questão e perguntar: será que reagimos tão prontamente a suas fotos porque conhecemos o trabalho de Model e outros e identificamos seus fantasmas na obra de Maier? De qualquer maneira, há que manter certo distanciamento crítico. Passado o inevitável alarido, destinado a atrair toda a atenção que uma descoberta como a de Vivian Maier merece, é necessário que não se exagere o valor da obra a fim de lhe conferir a qualidade de milagre. Maier contribui de forma importante ao cânone da fotografia de rua; algumas de suas imagens são extraordinárias. Mas, deixando de lado a qualidade, o atraso da descoberta da produção de Maier significa que ela não desempenhou um papel na forma como vemos o mundo como fez o trabalho de Diane Arbus (mesmo se Maier parece ter abordado temas arbusianos antes até de Arbus). Ela se conforma como eco visual, uma série de ecos que servem adequadamente ao propósito de questionar os modos como, em fotografia – mais do que em qualquer outro meio – identidade e estilo se estabelecem e se definem. Um aspecto da obra de Maier se relaciona, de forma particularmente reveladora, ao seu estilo e à sua condição. Muitos de seus retratos de mulheres mostram personagens confinadas pela história – sua indumentária é a expressão disso – entre os papéis estritamente limitados dos anos 1950 e as liberdades frequentemente frustradas da década de 1960 em diante. Maier ganhava a vida como a típica personagem da ficção vitoriana, a babá (ou governanta): uma estranha cujo acesso privilegiado à vida doméstica não permite desenvolver outro dom que não o da observação. No caso de Maier, é como se uma sensibilidade finamente moldada e nitidamente produzida por tais circunstâncias, expressadas à perfeição por suas roupas, o chapéu desabado e o casaco de sempre, ganhasse a liberdade de espreitar, discreta, as ruas de Chicago e Nova York. É inevitável se comover com a atração que pareciam exercer sobre ela as senhoras de idade, representações proféticas de seu próprio destino: mulheres solitárias, de aparência excêntrica, envoltas em sobretudos, abrigando o segredo de uma vida inteira, intuído pela capacidade da câmera de, por um instante, perscrutá-lo. Nota: Esta é uma versão adaptada do prefácio de “Vivian Maier: Uma Fotógrafa de Rua” (Autêntica), traduzido por Eduardo Soares.


G6

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Diário de Nova York

4

O MAPA DA CULTURA

Efeito dominó Como os imóveis, o futebol está em alta

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES

Uma longa fila se forma nos fins de semana à porta da Domino Sugar, uma antiga refinaria de açúcar, no bairro do Brooklyn, próxima à ponte de Williamsburg. A marca Domino é uma das mais conhecidas dos Estados Unidos e continua a ser vendida nas prateleiras dos supermercados, mas as antigas instalações – que por volta de 1870 processavam metade do açúcar consumido no país– foram desativadas em 2004. Um grupo adquiriu o complexo – muito bonito, com chaminés e a característica arquitetura de tijolinhos – e vai erguer na área mais um conjunto de prédios moderninhos com vista para Manhattan. A sede principal foi preservada como “landmark”

da cidade, mas a destruição de outras edificações da planta original e o avanço imobiliário despertaram protestos. Criou-se então um movimento chamado Save Domino (salvem a Domino), que pretende deter o projeto atual e substituí-lo por outro. Até o dia 6 de julho, a Domino Sugar recebe muitos visitantes nos fins de semana para ver uma instalação de Kara Walker, artista americana de 44 anos, negra, cuja obra tematiza a situação dos afro-americanos em seu país. A obra principal é uma esfinge com feições caricaturais de uma mulher negra, erguida dentro da fábrica. A escultura, colossal, foi feita com toneladas de açúcar, doadas pela própria Domino. A esfinge, toda branca,

tem provocado polêmicas. Gentrificação Os esforços do movimento Save Domino para barrar os espigões parecem fadados ao fracasso, pois os prédios já foram aprovados e vão subir. O novo prefeito de Nova York, Bill de Blasio, que assumiu em janeiro, defendeu durante sua campanha a ampliação da oferta de residências com custos moderados, numa cidade em que a elevação dos preços dos imóveis e aluguéis tem expulsado muita gente para longe, num processo contínuo de gentrificação. Uma maneira de alcançar esse objetivo, já praticada desde antes da posse do democrata, é impor condições para a aprovação dos projetos de novos prédios. No caso dos edifícios da

Domino Sugar, a imobiliária terá de oferecer 700 das 2.200 unidades com aluguel a preços abaixo dos de mercado. Em contrapartida, poderá construir acima do gabarito – chegando a 55 andares. O empreendimento é mais um a ocupar as margens do East River, que deixa para trás seu passado industrial. Edifícios espelhados já tomaram conta de boa parte da orla de Williamsburg, um bairro que há anos reunia imigrantes poloneses e passou a ser procurado por artistas, músicos, fotógrafos. A velha história: a vizinhança tornou-se um “point”, atraiu a classe média, e os preços estão em alta. Processo semelhante vem ocorrendo no Queens e em outros lugares do Brooklyn,

como Bushwick e Red Hook. E também no Harlem. World cup Americanos sabem que são os melhores em muita coisa, mas não no futebol. Algum interesse pelo “soccer” existe mesmo assim e parece ter aumentado desde que os Estados Unidos foram sede da Copa, em 1994. A seleção do país participa regularmente dos Mundiais, e eles sabem que o futebol é o esporte mais popular do mundo. Nova York, com um terço de hispânicos em sua população, e mais um punhado de árabes, asiáticos e imigrantes do Leste Europeu, se preparou para a festa. Além de bares decorados com bandeirinhas fazerem promoções para atrair gente interessada em acom-

panhar os jogos pela TV, a mídia tem dado bastante destaque à competição este ano. Arte brasileira Depois da temporada de inauguração de exposições de artistas brasileiros na cidade – que aconteceu entre abril e maio, com a retrospectiva de Lygia Clark no MoMA ocupando o centro das atenções –, o Guggenheim recebe a partir deste fim de semana uma grande mostra de arte contemporânea latino-americana. Com curadoria de Pablo León de la Barra, “Under the Same Sun” (sob o mesmo Sol) reúne 37 artistas. Entre eles, os brasileiros Erika Verzutti, Rivane Neuenschwander, Tamar Guimarães, Jonathas de Andrade e Adriano Costa.


G7 G

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Xadrez com John Cage Rio de Janeiro, 1985

ACERVO PESSOAL

JOCY DE OLIVEIRA

Em 1985, John Cage (191292) esteve pela última vez no Brasil, convidado pela Bienal de São Paulo e por mim, para assistir no Rio de Janeiro à estreia mundial de sua peça para piano “ASLSP” – que tive a honra de executar. Antes de viajar para o Rio, Cage havia estado em São Paulo. Ele nos contaria depois o fiasco da empreitada para conseguir um hotel com fogão e comida macrobiótica – além de suas primeiras impressões no destino. “Ao chegar a São Paulo, levaram-me a um concerto sem pé nem cabeça de um homem barbudo, com longos cabelos brancos, tocando uma música que doía nos ouvidos de tão forte, e após esse desastre ainda me arrastaram para comer uma comida preta chamada feijoada!” – mais tarde descobri que o barbudo era o compositor e músico popular Hermeto Pascoal.

Chegando ao Rio de Janeiro, ele passou vários dias em nosso sítio em Guaratiba e, sendo macrobiótico, costumava ensinar à cozinheira suas receitas especiais – ainda exigindo que usássemos somente panelas de ferro. Nós estávamos habituados a uma dieta integral e orgânica e, além disso, não abdicávamos de um peixe fresco, pescado pela manhã, comprado diretamente do pescador, o que é delicioso. Cage passou a incrementar sua comida macrobiótica com o peixe. Em nossa casa, o colchão em que ele dormia – assentado nas antigas camas estilo dona Maria – era de crina de cavalo. Assim, semanas depois, ao voltar para Nova York, ele me ligou e disse sem preâmbulos: “Comprei o colchão”. Ele havia feito uma verdadeira pesquisa por toda a cidade para conseguir outro colchão de crina, que aparentemente era excelente para sua artrite, assim como para a do coreógrafo Merce Cunningham (1919-2009), seu companheiro. Para a vinda de Cage, or-

ganizei na Sala Cecília Meireles, na capital fluminense, um grande concerto de suas obras, com a participação de outros músicos brasileiros tocando em dez pianos espalhados pelo teatro – além do principal motivo de sua vinda, a estreia de “ASLSP” (“As Slow as Possible”), para piano solo, a meu cargo. Eu continuava a estudar a peça em casa, enquanto ele ia fazer caminhadas e catar conchinhas em frente ao sítio, na praia da Restinga da Marambaia. Além disso, passava os dias jogando xadrez com meu companheiro, Fredrik, que um dia perguntou a Cage quem tinha sido seu professor no jogo. Ele respondeu: “Bobby”. Quem? – perguntou de volta Fredrik. “Ora, Bob Fischer”¦” – campeão mundial de xadrez. Parece que Cage jogava como vivia e compunha – sempre deixando margem ao acaso. O concerto me deu enorme trabalho, mas ele continuava a jogar xadrez sem se abalar com nada. “As Slow as Possible” é uma peça para piano que pode durar alguns minutos ou

Jocy de Oliveira (esq.) e Luciana Villas-Boas observam partida entre John Cage e Fredrik Kirsebom

anos, como diz o título – “o mais lento possível”... O título também se refere a “Soſt morning, city! Lsp!” (mansa manhã, urbe minha! Lbs!, na tradução brasileira de Donaldo Schüler), a primeira exclamação no último parágrafo

do livro “Finnegans Wake”, de James Joyce. Quando Cage deixou o Rio, já no aeroporto, ao despedirse de mim, disse: “Eu nunca tinha ouvido essa peça... Acho que muitas de minhas peças vão morrer comigo,

mas creio que essa é uma das que sobreviverão”. Será que ele se desviava do efêmero e começava a refletir sobre o perene? Isso me leva a pensar em resgatar nossas histórias para que se entrelacem e teçam nossa memória.


G8

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014


MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

plateia@emtempo.com.br

Espaço Favela traz ‘Opção Sonora’ (92) 3090-1042

Plateia 8

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Caderno D

Plateia

DIVULGAÇÃO

‘Era tudo brincadeira’

Comediante paraense, com carreira nacional, chega a Manaus para apresentar piadas do cotidiano e fazer rir de si próprio, em única sessão, no Teatro Manauara

S

e inspirar na própria vida para montar um show de comédia é a proposta do ator e roteirista paraense Rominho Braga, 24, que já utiliza a perda do próprio dedo anelar, quando ainda era criança, no nome do espetáculo, “Toquinho – um desconcerto musical”. O monólogo entrelaçado com piadas, música e diálogo com o público, acontece hoje, às 20h, no Teatro Manauara. Durante a apresentação, o comediante vai contar situações que já passou como o relacionamento com a noiva e quando foi vítima de bullying na época de escola. “Acredito que rir de si mesmo faz a vida ficar mais leve. Se levar muito a sério deixa as coisas muito pesadas, por isso, me inspirei no meu cotidiano e acredito que muitas pessoas vão se identificar com as histórias”, relata. Outros temas como o comportamento das mães, que segundo ele, é igual no mundo inteiro, a

Rominho é um dos novos potenciais da comédia

famosa TPM (Tensão pré-menstrual), discussão de relação entre casais e claro o mundial de futebol que está acontecendo no Brasil, também, serão abordados no stand up comedy. Quanto à rixa que existe entre amazonenses e paraenses, ele já foi avisado e preparou um rap especial sobre o tema. “Vou abrir o show com uma música que tem tudo a ver com essa rivalidade que, na minha visão, é mais forte no lado do Amazonas”, opina o artista que tem uma parte da família manauense. Morando há 1 ano em São Paulo, Rominho almeja ser reconhecido pelo seu trabalho a alcançar o tão sonhado lugar entre as estrelas do humor. No ramo há 6 anos, já emplacou várias participações em programas em nível nacional como o The Noite com Danilo Gentili, A Praça é Nossa, Tudo é Possível, Raul Gil, entre outros. “Mostrei que tenho talento e isso me rendeu uma vaga de roteirista na MTV e um convite

para me apresentar semanalmente no Comedians Club de São Paulo com o grupo Em Pé na Rede, do qual faço parte”, informa. O comediante não tem um ídolo em especial, mas admira os artistas que estão no topo do sucesso como Danilo Gentili, Marcelo Adnet, Fábio Porchat e Tatá Werneck. “Apesar de serem jovens, já batalharam muito para estar em evidência. Tive a oportunidade de conhecer alguns pessoalmente e inclusive o próprio Gentili me aconselhou a seguir em frente na carreira”, comenta. Nas andanças pelos estúdios de televisão, Rominho disse que em nenhum momento se sentiu hostilizado por ser do norte do Brasil. “Ao contrário, eu recebia muita atenção e respondia às perguntas sacanas numa boa, como por exemplo, se as pessoas andavam peladas como índios ou se animais passavam a todo momento pelas ruas . Para mim, era tudo brincadeira”, conclui o comediante.

Companhia local em cena Previsões sobre o resultado dos jogos da Copa do Mundo Fifa e o futuro político do Brasil de um jeitinho bem exagerado e quase que impossível de acontecer fazem parte do show de humor da companhia de teatro amazonense Cês em Cena. O grupo promete causar muitas gargalhadas no público que vai prestigiar o humorista Rominho Braga. Dois dos cinco atores do grupo, Danilo Reis e Antônio Carlos Júnior, contam a história de Pai Rolinha, um pai de santo escrachado e intrometido que tem a missão de adivinhar quem vai levantar o troféu da Copa e ganhar as eleições para a presidência do Brasil. “Quando recebemos o convite foi com a proposta de promover um intercâmbio cultural entre Amazonas e Pará, por isso, acreditamos que essa experiência será válida para mostrarmos o quanto o humor do

norte tem qualidade”, afirma Junior. Há 2 anos atuando, a Cês em cena, também conta com os atores Mikhael Rocha, Elis Marinheiro e Guta Rodrigues. A companhia conquistou no ano passado o prêmio Mirian Muniz de

PREVISÃO

Texto de comédia do grupo de teatro amazonense Cês em Cena traz revelações para o futuro da Copa do Mundo e para as próximas eleições presidenciais Teatro que apoia projetos artísticos de teatro, com o espetáculo X-Caboquinhos, Fuleragem Mode On, desde 2012 em cartaz com pausas para atualização. A temporada 2014 do show vai iniciar no próximo dia 21, igualmente no Teatro Manauara.

Companhia Cês em Cena também faz apresentação cômica


D2 2

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

Marcia e Serginho Martins

Marcelo e Juliana Ramos

Neto e Cybele Marroca, Andréa e Mansur Aziz

>> Festa society com clima brasileiro . A Festa dos Namorados deste ano, no Diamond Convention Center reuniu elenco VIP da cidade, em noite pra lá de produzida e cheia de charme, numa homenagem à temporada de Copa, onde Manaus é uma das cidades-sede. A festa faz parte do calendário anual de eventos organizados por esta coluna, que tem feito festas especiais que estão marcadas na história social da cidade, graças a participação da bonita sociedade local, que sempre se faz presente em nossos eventos. . O Diamond foi lindamente vestido com as cores do Brasil, com ambientação sensacional assinada pelo Bandeirão, que realmente dá um toque especial nas festas de Manaus. A noitada iniciou com show do megabacana grupo ‘Samba & Cevada’ que deu um toque carioca ao evento com sambinhas, trata-se de uma nova banda onde todos os integrantes usam branco e colocam uma linda imagem de São Jorge em todos os shows! De se aplaudir de pé! O DJ Alexandre Prata sacudiu a turma presente, em seguida, com seu set-list chic.

Silvia Tuma, Lupercínio de Sá Nogueira e Cleide Avelino

Graça e Rosedilson Assis

Carol Carvalho e Rodrigo Santos

. Capítulo à parte para o cardápio brasileiro apresentado pelo Diamond, com iguarias divinas. Festa alto astral que agitou a cidade no inicio da temporada de Copa. FOTOS: MAURO SMITH

Natasha e Rafael Fiedler

Ari e Lourdinha Moutinho, a linda Marthinha e Clóvis Cruz Jr

Airton e Raquel Claudino

Kryste Anne e Carlos Edson Guto Oliveira e Lene Araújo A bela Rosiane Lima

Milcia e Nilio Portela

Sandro e Larissa e Alberto Martins

Valdenice Garcia e Nilson Coronin Sérgio e Virna Lins

Waltinho Oliva Pinto Beth e Junior Dabela

Marilia Zuazo e Murad Aziz

Renata Pi e Ari Neto, Andréa e Ari Moutinho Filho, Felipe Moutinho e Jaqueline Rodrigues

Túlio e Suzana Mêne

Elcy e Deuza Simões

Protázio e Rebecca Garcia Helen e José Anselmo Garcia

Adriana Cordeiro e Vitor Liuzzi

Florence e Jorge Ayub

Jefferson Cunha, Lucia Viana e Eduardo Batista

Edson e Michele Cunha Charles e Juliana Garcia Moisa e Charles Guerreiro

César e Jeny Ituassú

Gracinha e Frederico Amim

>> Palco . O cantor Gustav Cervinka se apresenta em duas noites especiais na Usina Chaminé. . A primeira noite será hoje, com o show ‘Paraíso Utópico’; a segunda, no dia 27.

Orsine Jr. e Karina Medeiros

Leandro e Camila Lins

Juliana e Wellington Lins Jr

Jean e Fernanda Mendonça

Giulieta e Paulo Carvalho

. ‘Paraíso Utópico’ leva o nome de uma das músicas que compõem o álbum ‘765’, que tem o objetivo de (re)apresentar essas obras do disco, todas de autoria de Gustav. Imperdível.


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

D3

Copa inspira exposições

As artes visuais, como a fotografia, são algumas das manifestações culturais que mais vêm se influenciando pela movimentação provocada pela realização dos jogos da Copa do Mundo 2014, especialmente as partidas em Manaus FOTOS: LULA SAMPAIO

RENATA FÉLIX Especial EM TEMPO

O

clima da Copa do Mundo também contagiou o mundo das artes visuais em Manaus. Desde ontem a exposição coletiva No Mundo da Bola, reúne obras de nove artistas plásticos e dois fotógrafos que retratam a vida do amazonense a partir do tema do mundial de futebol. A exposição acontece até o dia 30 de agosto na Casa das Artes, localizada na rua José Clemente, 564 Centro, próximo ao Teatro Amazonas em horários distintos. Até o dia 29 de junho, todos os dias, das 9h às 19h; de 30 de junho a 13 de julho, de terça-feira a domingo das 13h às 21h e de 14 de julho a 30 de agosto das 17h às 21h.

A entrada é gratuita. O fotógrafo Lula Sampaio, por exemplo, se inspirou nas frutas, fauna e até nas ruas de Manaus, especialmente enfeitadas para a Copa, para as imagens. O acervo é composto por imagens desde o ano 2000. “Abiu, bacuri, limão, banana pacovã, variadas espécies de pimenta, araras e outros animais foram clicados de um jeito muito especial, mas sempre colocando em evidência a gente simples de Manaus”, diz Sampaio. A exposição conta com obras dos artistas plásticos Francimar Barbosa, Homero Amazona, Eli Bacelar, Noleto, Theo Braga, Sarvia Quara e MariosBell, além de instalações montadas por Nicecleide Panjoja e Nonata da Silva. O fotógrafo Carlos Navarro, também, possui imagens expostas na casa.

Lula Sampaio, que possui no currículo outras 21 exposições, inclusive uma que está aberta ao público no Manauara Shopping, intitulada “Amazônia é show! Manaus é Brasil”, também, buscou nas cores verde e amarela motivos para retratar o cotidiano amazonense, principalmente dos ribeirinhos. Ali, até o dia 10 de julho, as imagens estarão expostas nas portas automáticas, totens e banners gigantes. Todas com legendas no idioma das oito seleções que vão jogar na Arena da Amazônia, Inglaterra, Itália, Portugal, Suíça, Honduras Camarões, Croácia e Estados Unidos. Segundo o fotógrafo, alguns painéis representarão o Amazonas no dia 26 de julho na Galeria Nacional em São Paulo e em setembro no Rio de Janeiro.

Ruas com ornamentações alusivas à Copa do Mundo refletiram no trabalho de Lula Sampaio

GRATUITO

Música para todos os públicos Shows de estilos variados e com entrada gratuita compõem a programação musical de hoje do projeto cultural para o período da Copa “Amazonas de Todas as Artes”, do governo do Estado. Em “Quatro Cantos”, Ellen Mendonça, Mirian Abad, Daniela Nascimento e Lívia Mendes vão interpretar samba e bossa nova no Palacete Provincial (praça Heliodoro Balbi, Centro), às 18h. “Chega de Saudade”, “Água de Beber” e “Canta Brasil” são algumas das composições do repertório. No Centro Cultural Usina Chaminé (avenida Lourenço da Silva Braga, Manaus Moderna, Centro), a atração é o show “Paraíso Utópico”, do cantor Gustav Cervinka, a partir de 18h. O repertório autoral, com influências

de pop/rock e um pouco de hard rock, é composto por canções próprias como “Desconforto”, “Descanse em Paz” e “Bárbara”. Reflexões sobre o cenário político, relacionamentos e até o nascimento de um filho (“À Sua Chegada”) fazem parte do universo temático das músicas selecionadas. O show resgata músicas do álbum “765”, lançado pelo grupo homônimo em 2009, e que estará à venda no local. Os guitarristas Elias Ferreira, Raonny Oliveira, o baixista Ediel Castro e o baterista Tiago Guelfi integram a banda de apoio. “Paraíso Utópico” também será apresentado dia 27, às 18h, no mesmo local. No parque Jéfferson Péres, às 18h30, o projeto de música instrumental Miqueias Pinhei-

ro Group toca clássicos da bossa nova e da música amazonense. Acompanhado pelo saxofonista Leonildo Araújo e pelo baterista Aírton Silva, o baixista vai executar “Wave”, “Garota de Ipanema” (Tom Jobim) e “Deixe Meu Sax Entrar” (Teixeira de Manaus). “Também incluímos no repertório ‘Brasileirinho’, de Waldir Azevedo, pensando no público estrangeiro que estará na cidade”, explica Miqueias. O trio, formado há 3 anos, registra passagens pelo Festival Amazonas Jazz em 2010 e 2011, além do Festival Amazonas de Música em 2012. O grupo tem apresentações marcadas também para os dias 26/6, 5/7 (praça Heliodoro Balbi), 26 e 28/6(Heliodoro Balbi e Antônio Bittencourt), sempre às 18h30. MILENA DI CASTRO/DIVULGAÇÃO

Mirian Abad é uma das vozes da programação musical com acesso gratuito do fim de semana

Cores da bandeira brasileira denotam o espírito competitivo que invade o cotidiano popular


D4

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Futebol é tema de dois documentários em mostra DIVULGAÇÃO

O projeto ‘Cinefoot’ continua hoje com a exibição dos filmes ‘Três no Tri’ e ‘Zico na Rede’, no Cine Teatro Guarany

A

programação do “Cinefoot Tour 2014” continua hoje, com as exibições dos filmes “Três no Tri” e “Zico na Rede”, no Cine Teatro Guarany (avenida Sete de Setembro, 1.546, Vila Ninita – prédio anexo ao Centro Cultural Palácio Rio Negro), a partir de 18h. O projeto é uma mostra de produções audiovisuais sobre futebol que foi idealizado pelo produtor independente Antônio Leal. Esta é a quinta edição do “Cinefoot”, que é apresentado nas cinco cidades-sede da Copa do Mundo da Fifa. Em Manaus, onde o projeto faz parte da iniciativa do governo estadual “Amazonas de Todas as Artes”, e teve início na última sexta-feira. As sessões acontecem no Centro Cultural Povos da Amazônia, no Cine Teatro Guarany e no Centro Cultural Palácio da Justiça. O acesso para toda a programação, que vai até 11 de julho, é gratuito. “Três no Tri” (2013) é um documentário de 15 minutos do jornalista, crítico de cinema e cineasta Eduardo Souza Lima, o “Zé José”. A produção conta a história da foto esportiva

mais publicada no mundo e de seu autor. É imagem do jogador Pelé, com Tostão e Jairzinho atrás dele, pulando e dando socos no ar após o gol da virada durante uma partida da seleção brasileira na Copa do Mundo do México, em 1970. O momento foi registrado pelo fotógrafo Orlando Abrunhosa, da revista “Manchete”. Também do gênero documentário, “Zico na Rede” (2008), de Paulo Roscio, narra ao longo de uma hora de duração a carreira do jogador Zico, o “Galinho”. O filme exibe imagens do acervo pessoal do atleta, considerado o maior artilheiro do Maracanã. O roteiro conta ainda com depoimentos de vários jogadores, além de registrar a última entrevista do radialista Celso Garcia, morto em 2008, responsável por levar Zico ao Flamengo. Amanhã, o destaque do projeto “Cinefoot” é “Bahêa Minha Vida – O Filme” (2011), no Cine Teatro Guarany, às 18h. O longa de Márcio Cavalcanti aborda a paixão da torcida do Esporte Clube Bahia e busca respostas para o porquê de tanto amor.

História da foto de Orlando Abrunhosa tirada na Copa do Mundo do México, em 1970, é contada em “Três no Tri”

Produção local resgata memória do esporte Entre os próximos destaques do “Cinefoot” estão duas produções amazonenses que promovem um resgate de momentos importantes do esporte no Estado: “Vivaldão – O Colosso do Norte”, de Zeudi Souza (dia 27/6, no Cine Teatro Guarany, às 18h), e “Manaos, Futebol no Amazonas”, de Chicão Fill

(dia 3/7, no Centro Cultural Povos da Amazônia, antiga Bola da Suframa, às 11h). “Sentia um pouco de culpa pelo fato de ainda não conhecer o estádio Vivaldo Lima (atualmente Arena da Amazônia). No documentário, tentei realizar uma abordagem mais intimista, por meio de depoimentos de personalida-

des do futebol amazonense”, explica Zeudi. Entre os fatos curiosos relatados no curta, destaca-se a invasão promovida por torcedores na data de inauguração do estádio, em 5 de abril de 1970. Já o filme de Chicão Fill baseia-se em pesquisas históricas para mostrar a importância do esporte na socie-

dade manauense. Partindo da Grécia do século 18, o registro chega às elites inglesas, cuja influência foi decisiva na formação dos clubes locais. Outras informações sobre a programação do “Cinefoot” podem ser acessadas por meio dos sites www.facebook.com/ culturadoamazonas e www. cultura.am.gov.br.

CINEMA

Estúdio investe em heróis da DC A Waner Bros. prepara uma nova leva de filmes de superheróis da editora DC Comics, entre eles longas sobre a Mulher Maravilha e a Liga da Justiça. Os estúdios pretendem assim fazer frente à rival Disney, atual dona da Marvel, responsável pelos quadrinhos do “Homem-Aranha” e do “XMen”, entre outros. De acordo com o site Nikkifinke, sete filmes baseados em uma variedade de personagens dos quadrinhos serão lançados entre 2016 e 2018, alguns deles juntando mais de um super-herói – tal como fez a Marvel pela primeira vez em 2012, com o blockbuster “Os Vingadores”.

LISTA

O site Nikkifinke noticiou que, entre 2016 e 2018, sete longas baseados em personagens de quadrinhos deverão ser lançados pela Warner. Anúncio oficial será feito durante o Comic-Con, em julho

O primeiro deles, “Batman versus Superman: Dawn of Justice”, chega às salas em maio de 2016, sendo seguido por longas sobre Shazam e Sandman previstos para

julho e dezembro do mesmo ano, respectivamente. O filme “A Liga da Justiça”, sequência de “Batman versus Superman” acrescentada pela Mulher Maravilha, está previsto para 2017, assim como um longa com os personagens Flash e Lanterna Verde. O filme sobre a Mulher Maravilha está planejado para julho de 2017, e “O Homem de Aço 2”, estrelando Henry Cavill no papel do Super-Homem, é previsto para maio de 2018. O anúncio oficial será feito no maior evento sobre cultura pop do mundo, o Comic-Con, que acontece neste ano em julho, em San Diego, Califórnia. DIVULGAÇÃO

O Homem de Aço vivido por Henry Cavill voltará a ser visto em dois filmes, o primeiro em 2016


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

D5

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

WZ

TV Tudo Próximas atrações Muito em breve, a Globo terá duas produções ambientadas em São Paulo. A primeira, “Alto Astral”, escrita por Daniel Ortiz com supervisão de Silvio de Abreu, substituta de “Geração Brasil”, com estreia em novembro, vai se passar numa cidade fictícia chamada Nova Alvorada, de médio porte, do interior de São Paulo.

Bate–Rebate JULIANA COUTINHO/DIVULGAÇÃO MULTISHOW

Tá lá Integrante do grupo Porta dos Fundos, Julia Rabello, está confirmada na segunda temporada do “Vai que cola”, que estreia dia 1º de setembro no Multishow. Ela volta como Jaqueline, ex-namorada de Valdo (Paulo Gustavo).

Próximas atrações 2 Enquanto a outra, “Lady Marizete”, do Alcides Nogueira e Mario Teixeira, com lançamento em abril de 2015, terá suas principais ações na favela de Paraisópolis. Tatá Werneck já foi anunciada como protagonista da história. Havelange em série O Canal Brasil vai estrear na quinta-feira, 21h30, uma série de 4 episódios sobre a trajetória de João Havelange, o cartola mais poderoso do esporte mundial no século 20, desde sua participação até a influência decisiva nos principais momentos do futebol em mais de cinco décadas. É um trabalho de Ernesto Rodrigues. Veio assistir a abertura Ruth Arnold, diretora de

MÁRIO ADOLFO

• Humberto Martins pretende se dedicar mais ao cinema, após “Em Família”... • Ele participa das filmagens do longa de ação “Esquadrão Antissequestro”, no Rio, e só aguarda o fim da novela para fechar contrato com outras produções. • Programa da produtora Dogs Can Fly, “Histórias Extraordinárias”, estreia dia 22 de julho, às 22h30, no Nat Geo... • Série documental de oito episódios, vai mostrar a trajetória de brasileiros com problemas físicos graves, e suas histórias de superação. • Reconhecidamente uma grande atriz, Tainá Muller, a Marina, começou “Em Família” como um de seus destaques. No ataque o tempo todo... • Mas, já faz algum tempo, nada acontece para sua personagem - vai do nada para lugar nenhum.

História e título tem tudo a ver Titular da próxima novela das nove, Aguinaldo Silva, explica a origem de “Império”, título definitivo da sua novela, que estreia dia 21 de julho, e já foi devidamente registrado pela Globo: “É o nome da rede internacional de joalherias do comendador José Alfredo Medeiros, o personagem de Alexandre Nero. Esta rede de joalherias é um ‘Império’ familiar”.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini

marketing da Team, empresa responsável pela venda de direitos da Champions League, veio ao Brasil especialmente para assistir ao jogo de abertura da Copa do

Mundo, Brasil e Croácia, na quinta-feira. Antes fez questão de visitar e se reunir com executivos das principais redes de televisão do país.

Todos consideram muito difícil a TV Globo abrir mão da Liga dos Campeões, mesmo porque os resultados oferecidos, principalmente os jogos finais, de uns anos para cá, foram bem interessantes. Mas os seus direitos de exibição valem só até a próxima edição, que será disputada a partir de agosto. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Um complexo de enjeitados

ELVIS

REGI

GILMAL

Com alguma repercussão, o artigo anterior buscou elucidar aspectos precisos a respeito da “venda” de um único modelo de cultura para estrangeiros durante a Copa sob a alegação de que o boi bumbá é “nossa cultura e somente ela nos identifica”. Cabe dizer inicialmente que máximas como esta além de desrespeitosas são absolutamente intransigentes e irresponsáveis, afinal, quem somos o “nós” dito por aí a altos brados? Com o intuito de vencermos a etapa do regionalismo, processo pelo qual muitas culturas já ultrapassaram e hoje são autênticas aprenderam a reconhecer o seu passado e suas dinâmicas de transformação, cumpre-nos esclarecer, para não sermos repetitivos, um pouco mais sobre esta questão reproduzindo, em parte, um artigo escrito nesta coluna há alguns meses atrás. O processo de formação das políticas públicas para a cultura no âmbito do Estado do Amazonas está inserido em um universo ainda muito recente, de um pouco mais de uma década, marco creditado à criação, no contexto da administração do então Governador Amazonino Mendes, da Secretaria de Estado de Cultura, em 1997, responsável também pelo turismo e desporto. Até então, a pasta de cultura consistia numa espécie de Gabinete Civil dos enjeitados, nomeando artistas de renome, sobretudo escritores, a cargos importantes do executivo e ainda, uma espécie de balcão assistencialista onde o artista tornava-se um pedinte a quem o Estado fornecia algumas migalhas, como foi o caso do pintor Hanneman Bacelar que confidenciava aos amigos sua frustação diante desta condição. Em pouco tempo e sob a batuta precisa de Robério Braga, inúmeros Corpos Artísticos e Festivais foram criados, oportunizando a bailarinos e jovens músicos o ingresso em filarmônicas e corpos de dança, assim como o lançamento de obras e documentos raros, fac-similados, sobre os vários aspectos da história regional. Ainda que seja possível reivindicar a

revisão de algumas ações, existe agora um modelo de gestão, com objetivos claros e passíveis, por isso mesmo, de críticas. Se antes as análises conjunturais sobre as políticas públicas para a cultura no Estado estavam condicionadas a ausências de perspectivas, atualmente já existe um material sólido, construído ao longo destes anos, para revisar, criticar, louvar ou questionar. Esta digressão cumpre seu objetivo ao buscar retratar a tentativa do Estado de se desprender das amarras do oportunismo exótico onde a exposição do boi bumbá ao estrangeiro já foi confundido com todos os tipos de práticas (ditas por vários representantes de órgãos internacionais e agências). Um deles, recentemente, confidenciou a um conhecido escritor, o porque insistimos em explorar o turismo sexual por meio de figurantes travestidos de “índios” que não encontram nenhum similar na tradição da cultura brasileira? De forma alguma estamos sugerindo que o boi não é determinante para a construção de nossa identidade, mas, de fato, esta não a determina, ela não é fulcral em nosso processo de formação social. Assim como o boi, outras expressões artísticas também reivindicam sua valorização no sistema burocrático regional, e são muitas as atividades que ganham em importância e história. O Festival Amazonas de Ópera (FAO) é uma destas ações, o que acontece é que parte das críticas ao festival são cercadas de diagnósticos regionalistas, e o regionalismo como sabemos é irmãogêmeo do preconceito e da política de guetos. O regionalismo foi criado por críticos e analistas do sudeste do país com o intuito de explicar o “fenômeno” criativo e renovador da literatura brasileira nos anos de 1930, cujo princípio era o seguinte: se um paulista escrevesse sobre o cotidiano de um grupo de burgueses em Higienópolis, era considerado escritor brasileiro, mas Raquel de Queiroz e Guimarães Rosa, “escritores da realidade do sertão nordestino”, receberam a pecha de regionalistas.

CMárcio Braz ator, diretor, cientista social e membro do Conselho Municipal de Política Cultural.

O regionalismo foi criado por críticos e analistas do sudeste do país com o intuito de explicar o “fenômeno” criativo e renovador da literatura brasileira na década de 1930”


D6

Plateia

Programação de TV

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

DIVULGAÇÃO

SBT 5h – Jornal da Semana 6h – Igreja Universal 7h – Brasil Caminhoneiro 7h30 – Planeta Turismo 8h30 – Vrum 9h – Sorteio Amazonas dá Sorte (Local) 10h – Domingo Legal 14h – Eliana 18h – Roda A Roda Jequiti 18h45 – Sorteio da Telesena 19h – Programa Silvio Santos 23h – De Frente com Gabi 0h – Nikita 1h – Alvo Humano 2h – Cult 3h20 – Big Bang 4h – Igreja Universal

RECORD “Carga Explosiva 3”, com Jason Statham, no “Domingo Maior”

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um dia rico de encontros, conversas e atividade intelectual e artística. Seus sentimentos são tocados de modo especial, ainda mais a partir do meio da tarde. TOURO - 20/4 a 20/5 Muitos negócios e atividades produtivas podem ser combinados e acertados neste dia. Você pode firmar alianças e contratos com pessoas que lhe são especiais. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 A Lua minguando mostra ser tempo de fazer um balanço do que foi renovado, assentando melhor tudo aquilo de novo que está entrando em sua vida. Disposição amorosa plena. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Grande sensibilidade, mas voltada à intimidade mais do que à expressão social ampla. É tempo de terminar as tarefas difíceis que começou - mesmo que esteja sem ânimo. LEÃO - 23/7 a 22/8 Momento socialmente intenso, com encontros e com um espirituoso convívio com amigos. Os grandes planos e sonhos podem ser agora firmados de modo definitivo por você. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Momento delicioso na vida profissional. Convívio prazenteiro com pessoas amigas no trabalho e, ao mesmo tempo, consolidação das boas conquistas das últimas semanas. LIBRA - 23/9 a 22/10 Momento de ideias inspiradas, dando continuidade à disposição de ontem. O amor continua fortemente estimulado - com um novo futuro se revelando ainda mais. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A intimidade amorosa continua sendo um elemento fundamental. É preciso ter a confiança para se abrir à pessoa amada; e esta se conquista, primeiro se abrindo um pouco mais. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Os encontros, parcerias e o relacionamento a dois estão plenamente favorecidos. Agora, já poderá colher um pouco dos frutos que a vida lhe permitirá colher de agora em diante. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As relações de cotidiano tendem a ser divertidas e promissoras. Alguém lhe encanta em especial, seja no convívio de trabalho ou mesmo no âmbito pessoal e afetivo. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 O amor em todas as suas formas continua bem estimulado. Tudo o que estava prometido para ontem, hoje tende a se tornar ainda mais realidade concreta. PEIXES - 19/2 a 20/3 Momento de harmonia especial no ambiente familiar. Aproveite para relaxar - e não apenas descansar, mas realmente se soltar por completo num ambiente aconchegante.

6h – Santo Culto em Seu Lar 6h30 – Desenhos Bíblicos 9h – Amazonas dá Sorte

10h – Atendimento Show de Bola

10h45 – Verdade e Vida

11h – Domingo Show

11h – Band na Copa

15h15 – Hora do Faro

11h30 – Copa do Mundo – Suíça X

19h20 – Domingo Espetacular

Equador

23h15 – Spartacus – Episódio Final

14h – Band na Copa

0h15 – A Nova Super Máquina 1h15 – Programação IURD

BAND 5h – Power Rangers – Mighty Morphin 6h – Popeye 6h30 – Santa Missa no Seu Lar 7h30 – Sabadão do Baiano

14h30 – Copa do Mundo – França X Honduras 17h – Band na Copa 17h30 – Copa do Mundo – Argentina X Bósnia 20h – Só Risos 21h – Pânico na Band 0h – Band na Copa

8h – Power Rangers + Popeye

0h30 – Canal Livre

9h30 – Popeye

1h30 – Show Business – Reapresentação

9h45 – Informercial – Polishop

2h20 – Diário da Copa

10h45 – Irmão Caminhoneiro – Boletim

2h45 – Copa do Mundo – Compacto

10h20 – Pé na Estrada – Boletim

3h – Igreja Universal

Cruzadinhas

GLOBO 4h55 – Santa Missa 5h55 – Amazônia Rural 6h25 – Pequenas Empresas, Grandes Negócios 7h – Globo Rural 7h55 – Auto Esporte 8h30 – Esporte Espetacular 12h – Copa do Mundo – Suíça X Equador 14h – Esquenta 15h – Copa do Mundo – França X Honduras 17h – Domingão do Faustão 18h – Copa Do Mundo – Argentina X Bósnia-herzegovina 20h – Fantástico 22h25 – Superstar 23h35 – Domingo Maior – Carga Explosiva 3 1h20 – Sessão De Gala – Matadores de Velhinhas 3h05 – Hawaii Five-0 4h50 – Festival de Desenhos


Plateia

MANAUS,, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Solidariedade

FOTOS: JANDER VIEIRA

Cresce e ganha corpo a campanha de apoio à pequena Sofia. Nas redes sociais a família da menina de apenas cinco meses já conseguiu arrecadar boa parte do dinheiro para que o bebê faça a cirurgia nos EUA. Claro que o procedimento custa uma fortuna e ainda falta muito, tanto que o Brasil abraçou a causa. Em Manaus, um grupo solidário resolveu fazer pedágios, que estão programados para acontecer nos próximos dias 21 e 22, respectivamente, no parque dos Bilhares, às 17h, e na feira da Eduardo Ribeiro e largo São Sebastião, às 9h. Vamos engrossar esse coro!

Fraca

Decepcionante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo. Um evento chinfrim sem graça, orquestrado por dois coreógrafos estrangeiros que deram um show de desconhecimento sobre o Brasil. Em blogs e textos críticos Brasil afora, o festival de Parintins e o talento dos amazonenses foi citado como parâmetro para o evento de abertura. Com tanta referência é bom que os dois bois façam bonito e segurem a peteca nos três dias de festival. Nada de alegorias mal acabadas e fantasias caindo na arena durante as apresentações, viu? E tenho dito!

Febre

Jander Vieira

Virou uma verdadeira febre positiva decorar as ruas de Manaus nas cores verde e amarelo. A competição entre os bairros Morro da Liberdade, Praça 14 de Janeiro e Alvorada virou tema de reportagens nacionais. Tudo porque as comunidades se uniram para fazer bonito durante os jogos da Copa. A iniciativa é muito válida porque as ruas decoradas viraram verdadeiras atrações para os visitantes. É assim que se faz a diferença. Criatividade popular é tudo.

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br jandervieira

Exagero

Torcer para o Brasil é necessário em tempos de Copa do Mundo, mas não há necessidade do exagero no trânsito que se viu na última quinta-feira. Gente sem noção que corria a mil por hora dando um verdadeiro show de falta de educação. O pior é que mesmo que o aparato policial estivesse de prontidão, não se pode fazer nada quando meio mundo resolveu surtar nas ruas da cidade. A questão é de consciência mesmo. Pela fé!

A macérrima Márcia Martins levando sua elegância para desfilar em noite de lançamento da joalheria Jaqueline Chagas

Adriana Cordeiro também foi conferir as novidades das joias grifadas de Jack Chagas

Denize Santana e Vânia Nunes formando dupla alto-astral durante o coquetel de joias icônicasBrumani na joalheria Jaqueline Chagas

Celles Borges e Carla Frota com a anfitrião Jaqueline Chagas no encontro de quilates da badalada joalheria do Manauara Shopping

MÚSICA

Dupla de embolada faz cinco shows A dupla pernambucana Caju e Castanha estará em Manaus a partir de amanhã para apresentar cinco shows da turnê “Embolando”. A entrada para todos os dias será gratuita e a produção local é da Artcena, com apoio cultural do Ideia Musical e realização do Ministério da Cultura (MinC). Amanhã, o show de embolada de improviso estará no palco do Centro de Convivência da Família Madalena Arce Daou (avenida Brasil, 1.335, Santo Antônio), às 20h30. Depois, será apresentado na praça Heliodoro Balbi (Centro, dia 18, às 20h), no Centro de Convivência do Idoso (rua Wilkens de Matos, s/nº, bairro Aparecida, dia 19, às 18h), na Praça Antônio Bittencourt (a

D7

popular Praça do Congresso, Centro, dia 20, às 18h) e no Teatro Américo Alvarez (rua Ramos Ferreira, 1.572, Centro, dia 21, às 19h30). Há 40 anos que Caju e Castanha representam a cultura popular nordestina e brasileira por meio da embolada de improviso – em que é preciso saber cantar e rimar. Já gravaram 27 discos, dois DVDs e conquistaram quatro Discos de Ouro. A lista de prêmios inclui ainda um Grammy Latino e quatro prêmios Tim de Música Brasileira. A dupla já trabalhou com vários artistas nacionais, entre eles Lenine, Elba Ramalho e Jair Rodrigues. Os parceiros musicais também foram personagens principais do

curta-metragem “Caju e Castanha contra o Encouraçado Titanic”, de Walter Salles e Daniela Thomaz. E suas performances se adaptam a praças do Recife, Rio de Janeiro ou São Paulo e a palcos de eventos como o Rock in Rio, São João de Caruaru, Lollapalooza, Montreux e Cannes. Caju e Castanha costumam investir em coprodução e em participações especiais com artistas de todas as vertentes da música. Suas emboladas são misturadas com forró, cordel, coco, ciranda, MPB, rock, brega e até música eletrônica e o hip hop. Alguns “rappers”, inclusive, chegam a dizer em tom de brincadeira que a embolada é o “pai do rap”. MARCOS HERMES/DIVULGAÇÃO

Pernambucanos Caju e Castanha apresentam-se em cinco locais da cidade a partir de amanhã

Com seu estilo inconfundível, Harumi Tsuji surge esfuziante nos domínios das novidades de FauseHaten, no Manauara Shopping

Sorry

O deselegante técnico da seleção inglesa pode até ter reclamado do calor e exagerado quanto à presença e o tamanho dos mosquitos na Amazônia, mas os turistas ingleses estão adorando Manaus. A cidade vem encantando os visitantes que estão descobrindo o elo histórico da capital do Amazonas com a Inglaterra, afinal foram os ingleses que construíram as galerias do Centro e o porto da antiga cidade da borracha. Perfeito.


D8

Plateia

MANAUS, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2014

Opção de conhecimento U

RENATA FÉLIX Especial EM TEMPO

cultural Atividades do projeto “Opção Sonora”, organizado pelo movimento Espaço Favela, trazem propostas de integração social, em Manaus

Organizadores incentivam a busca por informações

m espaço fixo para servir de ponto de encontro entre grupos e simpatizantes do hip hop em Manaus, além de vitrine para o público conhecer os artistas do segmento, é a proposta do projeto Opção Sonora, promovido pelo movimento Espaço Favela. O encontro cultural vai acontecer todos os domingos, das 14h às 21h, na escola Euro Idiomas (avenida Darcy Vargas, 734, bairro Chapada, Zona Sul). O ingresso para homens custa R$ 5 e mulher não paga. O coordenador do projeto, MC Fino, revela que o evento é único em Manaus e tem o objetivo de agregar à cultura outros estilos musicais e artísticos, por isso o nome “Opção Sonora”. “Hip hop é pura troca de informações. Por isso, há o respeito pela diversidade e abre as portas para outros gêneros artísticos e musicais para ampliar e trocar experiências”, explica. A festa vai contar com a apresentação dos DJs Fino, Saci, Mayer e Messias Mak, grupo Humilde Crew, American MCs e a participação especial do MC Sonic, integrante do grupo de rap Tarja Pretta. Segundo Fino, em Manaus, os grupos ativos do hip hop, que somam aproximadamente 30, estão com o propósito de mudar a cena cultural do movimento e o primeiro passo é acabar com o preconceito para fortalecer a autoestima dos participantes, e mostrar por meio desses encontros que o movimento tem bastante conteúdo e qualidade. Para intensificar as atividades culturais do movimento, uma ofici-

FOTOS: DIVULGAÇÃO

na de hip hop é realizada durante a semana com atividades de grafite, música, dança e um novo elemento que, de acordo com o MC, faz toda a diferença: o conhecimento. “Mostramos que estudar e se informar são o caminho para quem almeja o sucesso e quer se integrar no meio. Hip hop é comunicação e o conhecimento é fundamental para passar o recado na hora de compor uma música, um grafite; entender o corpo para desenvolver uma coreografia com estilo; conhecer as diferentes texturas e tipos de tintas ideais para a grafitagem, manusear com destreza os equipamentos de DJ, fazem parte do processo”, enumera Fino. Ouvir outros gêneros musicais como MPB e samba por meio de grandes artistas como Clara Nunes, Chico Buarque e Caetano Veloso e fazer rodadas de leituras sobre o tema cultura, fazem parte da oficina que é gratuita e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 14h às 17h, na avenida Eduardo Ribeiro, Centro, edifício Palácio do Comércio, sala 1.807. O local foi cedido por um empresário (J. Castro Imóveis) que se sensibilizou com o projeto e resolveu colaborar. Para fortalecer a ação e entender melhor os anseios do jovem que busca no hip hop uma alternativa cultural, são realizadas visitas periódicas aos pais dos participantes menores de idade (13 a 17 anos). O intuito é de conhecer o ambiente em que vive o jovem que procura o projeto ou que os pais acabam levando até o grupo. “Às vezes, a pessoa é revoltada, violenta e para entendermos o problema vamos até a família. Isso fortalece nosso trabalho e mostra que, apesar de sermos marginalizados, não somos bandidos”, explica o MC.

EM TEMPO - 15 de junho de 2014  

EM TEMPO - Caderno principal do jornal Amazonas EM TEMPO