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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXV – N.º 8.124 – DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

FLORESTA LOTEADA RICARDO OLIVEIRA

COM AS INVASÕES, REGIÃO METROPOLITANA AMEAÇA VIRAR FAVELÃO

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Sob a mira de arcos, flechas e lanças empunhadas por índios – e por brancos pintados como índios – uma equipe do EM TEMPO conseguiu entrar, sexta-feira, na invasão do Km 4 da AM-070, que corta Iranduba, e detectou que mais de 10 mil invasores já ocupam a área, completamente devastada.

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Em dois meses, o Iranduba já abriga três invasões, onde árvores centenárias vêm tombando sob a força da motosserra. De acordo com um proprietário de terra que está construindo um condomínio, um pastor evangélico e um vereador de Manacapuru vêm fomentando as invasões.

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No interior da invasão, que transformou uma reserva florestal em favela, é possível observar a existência de lotes demarcados com placas de papelão com o nome dos ocupantes. Para entrar na área, só com autorização do cacique Sebastião.

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AGECOM/CHICO BATATA

De acordo com o juiz Rafael Lima, da Comarca de Iranduba, as invasões vêm sendo objeto de preocupação por parte do poder público. Mas, por envolver índios, o fórum foi transferido para a Justiça Federal. Enquanto eles não decidem de quem é a competência, os danos ambientais avançam. Dia a dia C4 e C5

Omar também entregou títulos definitivos para moradores da Zona Leste

ALFABETIZAÇÃO E TERRAS Do outro lado da ponte as invasões avançam, enquanto seringueiras centenárias tombam sob a força das motosserras

VASCO X SÃO PAULO

Omar Aziz lançou, na manhã de sábado, o programa “Amazonas Alfabetizado” e também entregou títulos de propriedade na Zona Leste. Última Hora A2

ELIANA CALMON

MANAUS

POLO INDUSTRIAL

A chance de sair da zona de perigo

‘Estou bastante Museus têm poucos preocupada com o Supremo’ visitantes

Doenças ocupacionais se alastram

Se bater o Vasco, hoje, no Rio, o São Paulo escapa da zona de queda para a Série B e conquista sua segunda vitória consecutiva. Pódio E7

Ministra Eliana Calmon fala ao EM TEMPO sobre sua preocupação com os embargos infringentes do processo do mensalão. Com a palavra A7

Número de funcionários afastados do trabalho por doenças ocupacionais cresceu no Polo Industrial de Manaus. Economia B4 e B5

De janeiro a junho deste ano, espaços registraram queda de 38% nas visitações, em relação ao mesmo período de 2012. Plateia D1

Apple lança o caro e o popular

A revolução das jovens encalhadas

Apple começa a vender duas novas versões do iPhone: a 5S e a 5C. A segunda é colorida e de baixo custo. Elenco 21

Chinesas nascidas nos anos 80 se deparam com pressão social contrária ao adiamento do casamento. Ilustríssima 4 e 5

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.

DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

SUPLEMENTOS Café em exagero mata? Pesquisadores descobriram que o consumo de 28 xícaras de café por semana dobra o risco de morte prematura. Saúde F2

TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

Omar Aziz lança programa ‘Amazonas alfabetizado’ O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares Silva, observou que o programa vem para enfrentar o analfabetismo e abarcará todo o Estado. “Essa é uma meta importante do compromisso de governo e vem para atacar esse problema que ainda existe no Amazonas”, disse. “Nós queremos passar

META

O governo do Estado tem como meta, na fase inicial do programa, alfabetizar 16 mil jovens e adultos acima de 15 anos em 28 municípios do Amazonas. Até 2014, o objetivo é alfabetizar 60 mil Omar Aziz fez a abertura da aula inaugural do programa na escola estadual João Bosco Ramos, no bairro Amazonino Mendes

dos 7% e 8% para os 5% no índice de analfabetismo seguindo o percentual considerado normal de analfabetismo dos indicadores da Organização Mundial de Educação”, argumentou. Inscrito no programa, o aposentado João Cícero Pereira, 81, mostrou entusiasmo. “Nunca é tarde para a gente aprender.

IONE MORENO

MANDATO

Amanda tinha um mandato de prisão expedido desde o dia 28

Golpista é presa após ser reconhecida por vítima Uma mulher identificada como Amanda Pereira de Vasconcelos, 26 foi presa na noite da última sexta-feira (13), após ser reconhecida por uma de suas vítimas do golpe de estelionato. A vítima encontrou a golpista em uma festa e acionou uma guarnição da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que foi até o local e realizou a prisão. No 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde foi comprovado que Amanda tinha um mandado de prisão expedido desde o dia 28 do mês passado. De acordo com a polícia, a suspeita trabalhava em uma escola de idiomas no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, e foi acusada de aplicar

golpes vendendo cursos de inglês, mas quando os alunos iriam para o início das aulas, a turma não existia. Mais recente Amanda também foi acusada de alugar carros e depois os vendia para terceiros. De acordo com o titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), Orlando Amaral, a suspeita já havia arrecadado aproximadamente R$ 23 mil, só com o estelionato na escola de idiomas. “Depois soubemos que a suspeita estava alugando carros e não os devolviam, em seguida a locadora descobria que ela tinha vendido os carros, e por isso pedimos um mandado de prisão”, explicou o delegado.

Entrega de títulos definitivos aos moradores Também na manhã de ontem, o governador Omar Aziz fez a entrega de 1.537 títulos definitivos para moradores dos bairros Zumbi dos Palmares e Tancredo Neves,

na Zona Leste de Manaus. Foram entregues 791 títulos para moradores do Zumbi e 746 no Tancredo Neves. Segundo o secretário de Política Fundiária, Ivanhoé

Mendes, a entrega engloba títulos emitidos este ano e aqueles que não foram concedidos por problemas de documentação ou questões técnicas em anos anteriores.

Lula lamenta morte de ex-ministro

Delegado envolvido em discussão O delegado-adjunto do 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Luiz Carrasco, se apresentou na manhã de ontem (14), no 1º DIP, após ter uma discussão com um mendigo que havia jogado uma ripa de madeira em seu carro de modelo Peugeot, cor cinza e placa não identificada. O caso aconteceu por volta das 7h, na rua 10 de Julho, bairro Centro, Zona Sul de Manaus, quando o delegado saía de casa para o trabalho. No momento da discussão, uma viatura da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que passava ao local, ao ver o carro do delegado no sentido contramão resolveu parar e verificar o que estava acontecendo.

“Estamos começando a entrega nos bairros que receberam este ano as equipes de regularização fundiária. São mais de dez bairros em Manaus”, afirmou.

GUSHIKEN

BRIGA NA RUA

O mendigo ao ver a polícia fugiu do local, enquanto Carrasco explicava o que havia acontecido e se identificava como delegado. O delegado por livre vontade resolveu se apresentar na delegacia e prestar esclarecimentos. A guarnição acompanhou Carrasco até o 1º DIP, na Praça 14, Zona Sul. O delegado explicou ao titular da delegacia, que estava saindo de casa sozinho quando ao se aproximar do seu veículo um mendigo o abordou, e sem falar nada jogou um pedaço de pau em direção ao seu carro. Possível embriaguez Segundo policiais militares que acompanharam a situação, o delegado

apresentava sinais de embriaguez durante a ocorrência, mas Carrasco se recusou a realizar o exame de bafômetro. O titular do 1º DIP, Mário Olindo, pediu que expedisse uma solicitação para a realização do teste do bafômetro, mas depois de uma conversa entre a PM e Carrasco, resolveu não registrar o Boletim de Ocorrência (BO). Depois da situação, Carrasco informou à imprensa que se ele fizesse o teste do bafômetro e desse negado, teria que dar a continuidade no processo, e não era isso que ele queria. Em seguida o delegado seguiu em destino do seu trabalho. O caso não foi registrado na delegacia. DIVULGAÇÃO

O

Amazonas registra uma taxa de analfabetismo entre 7% a 8%, e para reduzir esse indicativo, o governo do Estado lançou, na manhã de ontem, o programa que tem como meta alfabetizar aproximadamente 60 mil pessoas até 2014. Durante a cerimônia, que deu o pontapé inicial ao programa “Amazonas Alfabetizado”, o governador Omar Aziz (PSB) reforçou a importância da iniciativa nas políticas públicas para a educação. “Essa é uma grande obra do ponto de vista social e do conhecimento. Fico muito feliz em ver o entusiasmo dessas pessoas em querer se alfabetizar”, salientou. Conforme declarou o governador, a fase inicial do programa deverá alfabetizar 16 mil jovens e adultos, acima de 15 anos, em 28 municípios do Estado. “A meta deste ano será alfabetizar 25 mil amazonenses, dando oportunidade para aquelas pessoas que não tiveram lá atrás. E até o final do ano que vem, temos por objetivo alcançar 60 mil alfabetizados em todo o Estado”, acrescentou.

CHICO BATATA / AGECOM

Planejamento é reduzir taxa de analfabetismo, que está entre 7% e 8%. Até 2014, 60 mil pessoas serão alfabetizadas

Delegado Luiz Carrasco (de preto) diz que mendigo teria jogado uma ripa em seu carro

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou ontem, a morte do ex-ministro Luiz Gushiken. Gushiken estava internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em estado grave por causa de um câncer contra o qual lutava há 12 anos. Para Lula, Gushiken, que chamou de amigo, foi um militante político brilhante. “Luiz Gushiken foi um militante político brilhante, um conselheiro, um companheiro e um grande amigo. Um homem íntegro que dedicou sua vida à construção de um Brasil mais justo e solidário”, disse o ex-presidente em nota que assina com sua mulher Marisa Letícia. “Nunca esqueceremos a contribuição generosa de Gushiken para a construção desse Brasil que sonhamos juntos e que sem ele não seria possível”. Na nota, o ex-presidente ainda exalta o ativismo de Gushken à frente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, no PT e na Assembleia Constituinte. “No Sindicato dos Bancários de São Paulo, no PT, na Assembleia Constituinte, no governo e em todos os espaços em que atuou, sempre defendeu a democracia, a classe trabalhadora e um mundo com mais harmonia e justiça social”. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, também divulgou nota de pesar pela morte do ex-ministro. Nela, o dirigente petista lamenta o falecimento de um dos maiores construtores do partido.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

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Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Pescado em estado terminal O terminal pesqueiro de Manaus teve suas obras iniciadas em 2005, com uma previsão de custos de R$ 12,5 milhões e até hoje continua sem atender aos seus objetivos, entre os quais o de evitar o desperdício de toneladas de pescado, diariamente, com prejuízos para os pescadores, os armadores, os usuários, e das próprias espécies capturadas. A cidade se vê obrigada a consumir tambaquis curumins e ruelos, vindos de viveiros do Estado de Roraima. A importação e o desperdício já impedem o peixe de ser um alimento popular (em alguns casos chega a ser mais caro do que a carne bovina). O custo do terminal, ainda inconcluso, já estaria em torno de R$ 20 milhões. De 2005 até hoje, já foi construída uma ponte sobre o rio Negro de 3,6 quilômetros; um estádio de futebol foi destruído e outro foi construído no mesmo lugar; a capital amazonense recebe um tratamento de choque para estar bem na foto, durante a Copa do Mundo, no próximo ano, e enquanto se discute a quantidade exata de buracos nas ruas, a questão do abastecimento não parece preocupar, como se alimento não fosse um item importante para os eventos grandiosos da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. No ano de 1970, pescadores e armadores eram colocados diante da perspectiva de o pescado rarear, consideradas as condições em que se faziam a pesca e a distribuição. A resposta era dada com outra pergunta, temperada com o desdém dos que acreditam saber tudo de tudo: como faltará peixe, se estamos diante de um dos maiores rios do mundo? Não demorou muito e algumas espécies como o pirarucu e o tambaqui ficaram resguardados sob a lei do defeso e continuam assim. Mais de 40 anos depois, ainda se discute a construção de um terminal pesqueiro para a capital do Amazonas. Ainda bem que Roraima é aqui pertinho.

Nem parece o governador

O governador do Estado, Omar Aziz, concedia uma entrevista durante o lançamento, neste sábado, do programa “Amazonas Alfabetizado”, quando uma senhora chegou afobada, empurrando todo mundo: – Licença, quero falar com o governador. Como ninguém arredava o pé, a velhinha insistia, já um pouco irritada: – Licença, cambada, quero entregar uma carta ao governador. Ao perceber a aflição da senhora, Omar interrompeu e entrevista para atendê-la. – Pode falar, minha senhora. – Quero falar com o governador. – Pode falar – disse, na maior paciência o governador. – O senhor podia chamar o governador? – insistiu. – Sou eu, pode falar. – O senhor é o governador? – indagou meio incrédula. – Sou eu sim, senhora. Pode falar. – Mas está tão bonito, nem parece o governador! O próprio Omar acabou rindo. Questão de estética De acordo com um assessor de Omar, dona Maria Batista (era seu nome) estranhou a figura do governador. E tem motivos para isso. O governador vem fazendo uma dieta rigorosa e, nos últimos dois meses, já perdeu 19 cm no abdômen. Arthur e Sarafa O PSDB e PSB discutem a formação de palanques nos Estados de São Paulo e Paraná. Mas também projetam aliança no Amazonas, alimentando o sonho de ver uma chapa formada pelo prefeito Arthur Neto, líder tucano, e pelo ex-prefeito Serafim Corrêa, o presidente do PSB no Estado. Isso é possível? Quem sabe, só o tempo dirá. País afora As alianças entre PSDB e PSB também passam por Alagoas, Piauí, Roraima e Maranhão. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o PSB fala em lançar a candidatura da deputada federal Luiza Erundina ao governo do Estado, mas não descarta apoiar a reeleição do tucano Geraldo Alckmin. Mirem-se no exemplo Bem que os vereadores de Manaus poderiam se mirar no exemplo. Lá em Curitiba, o vereador Mauro Ignácio (PSB) deu entrada

em um projeto de lei para exigir a gratuidade de estacionamentos em shoppings, além de outros estabelecimentos comerciais. A Comissão de Urbanismo e Obras Públicas da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) deve analisar, nos próximos dias, a nova lei. Obrigatório O vereador se baseia no decreto n° 582/90 da Prefeitura de Curitiba, que diz, no artigo 2°, que “é obrigatória a reserva de espaços destinados para o estacionamento ou para a garagem de veículos vinculada às atividades das edificações, com área, e respectivo número de vagas calculadas de acordo com o tipo de ocupação do imóvel”. Companheiro “China” Se existia alguém na história do PT que Lula admirava, esse alguém era Luiz Gushiken, companheiro desde os tempos das greves no ABC paulista e a quem o ex-presidente chamava de “China”. – Nunca esqueceremos a contribuição generosa de Gushiken para a construção do Brasil que sonhamos juntos e que sem ele não seria possível – disse Lula ao saber da morte de seu exministro de Comunicação e coordenador de campanha. Iluminado Em nota oficial, Lula disse que agradecia por ter convivido com uma pessoa tão iluminada quanto Luiz Gushiken.

APLAUSOS

– No Sindicato dos Bancários de São Paulo, no Partido dos Trabalhadores, na Assembleia Constituinte, no governo e em todos os espaços em que atuou, sempre defendeu a democracia, a classe trabalhadora e um mundo com mais harmonia e justiça social. Volta à escola Farmacêutica, de formação, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) gravou uma mensagem que foi exibida na abertura do 6º Simpósio Nacional de Assistência Farmacêutica que acontece em Manaus e conta com a presença da presidente da Escola Nacional dos Farmacêuticos, Silvana Leite, e do presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, Ronaldo Ferreira dos Santos. Eu que fiz A senadora é autora do projeto de lei que torna obrigatória a presença de um farmacêutico nas unidades de saúde do SUS. O projeto foi aprovado no Senado e tramita na Câmara. Andiroba no pé A andiroba, planta da região amazônica reconhecida pelo Ministério da Saúde do Brasil como detentora de propriedades medicinais, está sendo usada por grandes empresas de estéticas para massagens que prometem acabar com os problemas e dar relaxamento aos pés.

VAIAS

Luiz Gushiken

Escândalos com policiais DIVULGAÇÃO

REPRODUÇÃO

Para o ex-ministro e ex-deputado Luiz Gushiken morto na sexta-feira, 13. Gushiken foi um dos fundadores e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e deixa um legado político importante para o país.

Para os policiais que se envolvem em escândalos sexuais, comprometendo uma instituição tão valorosa como a Polícia Militar.

Charge regi@emtempo.com.br

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

Surpresa ou hipocrisia No transcorrer da Segunda Guerra Mundial, de lado a lado envidavam-se esforços no sentido de decifrar os códigos dos países inimigos, como meio direto para penetrar nos seus segredos e, assim, conhecer antecipadamente seus planos, seus objetivos, suas estratégias, suas armas mais novas e secretas. A isso tudo e muito mais se chamava atividade de espionagem, que era considerada absolutamente normal e tolerada tanto por quem a praticava, quanto por quem a sofria. Findo o conflito, o mundo se dividiu politicamente em dois, ergueu-se a chamada Cortina de Ferro, ficando de um lado a banda comunista, então liderada pela União Soviética e, do outro, a banda capitalista, que tinha à frente os Estados Unidos da América. Como se vê, separavam-se, como diria Marx, pelos modelos de economia que adotaram, centrados nos modos de produção que os definiam. Iniciava-se então a chamada Guerra Fria e com ela a expansão extremada das atividades de espionagem, quando todos os países do leste e do oeste investiram pesadamente na constituição de órgãos de “inteligência”, que procuravam avidamente desvendar os projetos e as intenções de todos os outros, assim como suas inovações e descobertas de alta tecnologia. Tais atividades eram tão aceitas, ou toleradas, que frequentemente governos realizavam entre si a troca dos espiões inimigos que eventualmente capturavam. Muito ilustrativo, por exemplo, o caso do piloto do avião U-2 americano, aba-

tido pelos foguetes soviéticos, quando, a grande altitude, fotografava instalações militares na Rússia, feito prisioneiro e depois permutado por um russo. Com o advento da era dos satélites artificiais postos em órbita da Terra, e, em seguida, da implantação da internet, os países mais desenvolvidos, detentores das mais altas tecnologias, Estados Unidos à frente, deram um salto qualitativo em relação ao seu poder de espionar, sobretudo quando se tornaram as bases da comunicação virtual. Permaneceram como segredos nacionais pouquíssimos conteúdos, na verdade, apenas aqueles de interesse irrelevante, e não há quem desconheça que nada transita na internet sem que esteja acessível ao conhecimento, sobretudo dos norte-americanos. Não pretendo aqui discutir e muito menos defender a moralidade desses procedimentos que não respeitam a privacidade das pessoas e nem as patentes e projetos de outras nações. Apenas não entendi a surpresa demonstrada, o susto mesmo com que o governo e os políticos brasileiros receberam a notícia de que telefones e computadores são facilmente penetrados sempre que aos poderosos interessar. Só pode ser teatro e cinismo, fingir-se surpreendido com aquilo que qualquer pessoa minimamente informada há muito sabe. Respeitando a criatividade autoral de Nelson Rodrigues, a ninguém é dado o direito de chocar-se frente ao “óbvio ululante”. Apenas pode usar da ocasião para encenar uma indignação diante de uma realidade há muito conhecida e inacessível à sua reação.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Não pretendo aqui discutir e muito menos defender a moralidade desses procedimentos que não respeitam a privacidade das pessoas e nem as patentes e projetos de outras nações”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

O céu é o limite

Brasília é construída de modo a evitar que as pessoas se encontrem. Niemeyer não queria funis para onde todos confluíssem. É importante ver o que isso tem de antidemocrático. (...) Não sei. Talvez o concreto seja meu pior inimigo

Se Celso de Mello votar pela aceitação dos embargos infringentes no mensalão, na quarta-feira, esses recursos serão usados também para rever a dosimetria das penas aplicadas aos condenados. Ministros do STF e advogados concordam que caberão infringentes - que têm poder de modificar o julgamento - nos casos de penas aplicadas com quatro votos divergentes. Nesse caso, até ministros que não votaram na dosimetria, pois tinham absolvido os réus, poderão se manifestar. E aí? Diferentemente do crime de quadrilha, sobre o qual Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso já votaram no STF, não se sabe qual será o entendimento dos “novatos” quanto à lavagem de dinheiro, que pode suscitar infringentes para três condenados. Pista Na sua sabatina no Senado, no entanto, Zavascki disse entender que a lavagem de dinheiro depende de um crime anterior para que fique caracterizada. “Lavar dinheiro significa um ato no sentido de dissimular um delito anterior. É da própria essência do crime”, opinou. Divisão No mensalão, votaram segundo essa tese Ricardo Lewandowski, José Antonio Dias Toffoli, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello, que absolveram vários acusados de lavagem, inclusive os três que podem se beneficiar de recurso: João Paulo Cunha (PT-SP), João Cláudio Genu e Breno Fischberg. Recordação Interina no posto desde a saída da Roberto Gurgel, em 16 de agosto, Helenita Accioli mandou fazer cartões de visita em que aparece como procuradora-geral da República.

Ela deve deixar o cargo nesta semana, com a posse de Rodrigo Janot. Ganha e perde A oposição fez uma avaliação de que será danoso para Dilma Rousseff que o mensalão se arraste até a eleição de 2014. “Será ótimo para os réus e péssimo para a presidente, que nomeou quem agora os salva”, resumiu um tucano. Dados... A Justiça Federal determinou que o Cade encaminhe aos governos de São Paulo e do Distrito Federal todo o material apreendido nas empresas suspeitas de participação em cartel de licitações de trem e metrô.

programa seria “permanente”. Barreira Levantamento feito pela Rede mostra que 53% das assinaturas de apoio ao partido protocoladas em cartórios do ABC paulista foram rejeitadas. O índice fica acima da média do Estado (35%) e é mais que o dobro da média nacional (24%).

Marshall Berman, educador e filósofo americano, que morreu aos 72 anos, na última quarta-feira, em Nova York, sua cidade de origem, nos EUA, e ficou celebrizado pelos ensaios de “Tudo que é sólido desmancha no ar”, considerava que a solidão e automatização eram problemas crônicos da modernidade.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Transparência Cartório eleitoral de Salvador (BA) afixou cartaz em que anunciou a suspensão do atendimento ao público, sem previsão de retorno, em razão de doença da única servidora que trabalha naquele turno.

...abertos O governo Geraldo Alckmin diz que o Cade está catalogando as informações colhidas nas sedes das firmas e deve entregá-las em novembro ou dezembro.

Otimista? Do senador Humberto Costa (PT-PE), sobre as movimentações de Eduardo Campos (PSB) rumo ao Planalto: “Ele não vai disputar a Presidência. Se fosse, já teria entregado os cargos de seu partido no governo”.

NSA Monitoramento do governo detectou anteontem boatos espalhados por uma página falsa no Facebook sobre o fim do Pronatec, programa federal de acesso ao ensino técnico. Horas depois, em Uberlândia, Dilma disse em discurso que o

Pega leve O PSDB vai brecar as articulações para ter o apoio do PMDB à reeleição de Alckmin. Tucanos receberam de aliados de Michel Temer um recado de que as negociações prejudicam a relação do vice com o PT.

Tiroteio

IONE MORENO

Não é que se tenha decidido começar uma via crucis, por conta própria, fora do calendário religioso. Mas por via das dúvidas, é melhor ter um Jesus na mão do que outro(s) que ande(m) com o santo nome de boca em boca, sem propósito, sem ao menos pedir licença, como se deve fazer ao falar do que não se entende. Ora pro nobis

Dom Sérgio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Quando um ministro do STF diz que não se importa com a opinião pública, só podemos esperar dele a aposentadoria compulsória.

A Escritura diz

DO DEPUTADO JÚLIO DELGADO (PSB-MG), sobre a declaração do ministro Luís Roberto Barroso de que “parece irrelevante a opinião pública” no mensalão.

Existe uma maneira católica de ler a Bíblia? Sim, para a igreja a liturgia é o lugar privilegiado da proclamação da Palavra. Na Eucaristia, Cristo está realmente presente nas duas mesas, a da Palavra e a do Pão e do Vinho. Nas igrejas, ao lado do altar temos o ambão que de acordo com as normas litúrgicas tem a mesma dignidade. Esta forma de ler e proclamar a Palavra mostra claramente que a leitura bíblica é antes de tudo um ato eclesial, isto é, da igreja e que a leitura individual embora importante e fundamental está num outro plano. A igreja tem um ciclo de leituras na liturgia diária e na dominical. Num ciclo de 3 anos, quem for à missa todos os domingos escutará praticamente a Bíblia inteira. O mesmo na liturgia diária, só que neste caso num ciclo de 2 anos. É significativo que na liturgia não é o celebrante que escolhe as leituras a serem proclamadas, mas é a igreja, evitando assim toda a tentação de manipulação do texto sagrado e de certa forma forçando os que fazem a homilia a descobrir por meio do estudo e da meditação o que Deus quis e quer falar para o seu povo, numa busca constante e comunitária da vontade de Deus que se revelou na história de maneira definitiva em Jesus Cristo. Uma característica da leitura bíblica na Igreja Católica é que ela sempre leva em conta que o texto tem um contexto. Nenhum texto bíblico existe isolado. Ele foi escrito num contexto histórico e cultural. O texto é de origem divina mas também é humano. Daí a necessidade dos estudos bíblicos, do conheci-

Contraponto

Seleção natural Ao posar para fotos durante o lançamento do projeto de um parque no bairro paulistano da Mooca, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que é torcedor do Santos, fez uma brincadeira e cobriu o símbolo do Corinthians que estava estampado no uniforme de seu ex-assessor e tesoureiro do PSDB do município, Fabio Lepique. Com bom humor, Lepique se virou para os fotógrafos e devolveu a brincadeira: — Não tem problema. O importante é a evolução da espécie. O governador é santista, mas os dois filhos dele são corintianos!

Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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mento das línguas nas quais a Bíblia foi escrita, dos contextos geográficos, políticos e sociais em que a revelação se deu. No entanto também é preciso conhecer o contexto em que a bíblia está sendo lida. A revelação de Deus continua, muito embora a igreja considere normativa a revelação contida nos livros canônicos, que, aliás, foram assim definidos pela igreja. A igreja existe antes das escrituras neotestamentárias que foram escritas pelas primeiras comunidades. No Brasil temos a experiência da leitura da Bíblia a partir da vida, quando se procura tirar as consequências práticas da palavra lida e meditada. Uma outra maneira de ler a bíblia, sempre presente na história da igreja é a arte que brota das Sagradas Escrituras. Nas grandes catedrais por meio dos vitrais, mais também nos ícones e imagens, na música sacra, no teatro e no cinema, a palavra de Deus se torna arte e se propaga por meio do belo. Há sempre o perigo da manipulação da Palavra. Por isso, a Igreja Católica, mesmo incentivando a leitura pessoal das Sagradas Escrituras lembra que existem critérios de leitura que a experiência eclesial foi solidificando por meio dos séculos e que se constitui no magistério e na tradição eclesial. Ter o texto sagrado como único critério de revelação e de fé tem sido caminho de encontro com Deus para milhões de pessoas. Mesmo assim a igreja conserva a sua tradição, consciente dos frutos de salvação que esta tradição e jeito de ser produziu na sua história já longa e provada.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

A igreja tem um ciclo de leituras na liturgia diária e na dominical. Num ciclo de 3 anos, quem for à missa todos os domingos escutará praticamente a Bíblia inteira”


Política

MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

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Sintjam afirma que censo do Judiciário é obscuro Presidente da entidade, Eladis Delzuíta de Paula, critica o método adotado pelo conselho em relação aos questionamentos RAPHAEL ALVES/TJAM

O censo nacional do Poder Judiciário iniciou no dia 26 de agosto e deve terminar no dia 9 de outubro, quando completa 45 dias. Após sondagem com os servidores, CNJ vai ouvir os magistrados

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THIAGO GONÇALVES Equipe EM TEMPO

niciado há três semanas em todas as esferas da Justiça do país, o censo nacional do Poder Judiciário, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é criticado no Estado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas (Sintjam). De acordo com a presidente da entidade, Eladis Delzuita de Paula, não houve, por parte do Judiciário e do conselho uma reunião para tratar sobre o que o órgão quer saber. “O que eu tenho para dizer sobre o censo é que ele é obscuro”, frisou. “Não houve uma discussão previa com os servidores, com os representantes da categoria, com as federações, centrais sindicais e, muito menos, com os sindicatos locais, para saber que tipo de censo é este. O que o servidor ia responder e se os dados estariam garantidos de sigilo, porque na verdade o trabalhador se identifica com o seu Cadastro de Pessoa Física (CPF)”, argumentou. Faltando pouco mais de três semanas para encerrar a pesquisa, até a última sexta-feira, haviam sido registradas 1.161 participações entre os 3.553 servidores cadastrados do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e Tribunal Regio-

nal do Trabalho da 11ª Região (TRT 11-AM/RR). Os dados do Sistema de Gestão de Questionários do CNJ, emitidos pela assessoria de imprensa do órgão, mostram que o TJAM teve 741 questionários respondidos (35.92%), do total de 2.063 servidores cadastrados. O TRE-AM aparece com 188 respostas (38.37%), do total de 490 funcionários. E o TRT-AM, que abrange os Estados do Amazonas e Roraima, computa 232 participações (23.20%), do total de mil servidores cadastrados. No censo, os servidores são submetidos a responder um questionário com 39 perguntas que, de acordo com o CNJ, visa traçar o perfil e a opinião dos detentores de cargos efetivos, comissionados ou requisitados do Judiciário. De um modo geral, são tratadas questões de satisfação com as atividades e ambiente de trabalho, do servidor com relação à sua atuação no Judiciário, bem como a atuação do tribunal, por exemplo, na capacitação do pessoal. A proposta também possibilitará saber quantos servidores são brancos, negros ou portadores de deficiência. Entretanto, a presidente do Sintjam avalia que o questionário não deveria se restringir somente a perguntas básicas, mas aos principais anseios dos servidores. “Acho

importante perguntar do servidor sobre as condições de trabalho e até das possíveis condutas de assédio moral praticadas pelos seus superiores e hierárquicos. Não estou generalizando, mas sabemos que isso existe no dia a dia do ambiente de trabalho”, pontuou. Segundo Eladis, os servidores do Judiciário geralmente encontram dificuldades no ambiente de trabalho,

BALANÇO

Em três semanas do levantamento, o censo do Judiciário já contabilizou 1.161 participações de servidores da Justiça amazonense, de um universo de 3.553 trabalhadores. Pesquisa termina em outubro como com a estrutura física e as ferramentas para desenvolver as tarefas, além da carência de servidores. “Principalmente hoje são as condições de trabalho”, frisou. “Temos um concurso agora e estamos aguardando que os aprovados sejam chamados, porque as varas dos fóruns estão trabalhando com o mínimo de pessoal e acumulando os trabalhos, que não é difícil se verificar os problemas. Basta ir às varas e nos fóruns para saber disso”, comentou.

O questionário se aplica somente aos servidores efetivos - estão excluídos terceirizados, estagiários e servidores cedidos de outros órgãos. Os magistrados participarão da consulta, posteriormente. Pesquisa genérica A servidora Marlene Canelas, 59, que há 35 anos trabalha no Tribunal de Justiça do Amazonas, disse que foi um dos primeiros funcionários do órgão que respondeu ao censo. Ela não se queixou do trabalho, mas avaliou a pesquisa um tanto genérica. “Até agora não tenho nada para reclamar, mas acho que deveria ter espaço no censo para o servidor escrever as suas respostas”, argumentou. Marlene Canelas prestou concurso em 1976 e assumiu o cargo de assistente judiciária em novembro de 1978. Hoje exerce a função de chefe na 2ª Câmara Cível, no segundo andar do edifício Desembargador Arnoldo Peres, sede da instituição. O censo foi iniciado no dia 26 de agosto e ficará à disposição dos servidores por 45 dias. Após esse período, será disponibilizado no portal do CNJ o questionário específico voltado aos magistrados. O resultado será divulgado apenas em porcentagens, a fim de resguardar individualmente os servidores, conforme determinação do CNJ.

Recorde na ‘hora do almoço’ Conforme informações do CNJ, os participantes do censo nacional do Poder Judiciário preferem responder a pesquisa no horário do almoço. Um levantamento feito pelo departamento de tecnologia da informação do conselho mostra que o período de maior incidência do preenchimento de questionários vai das 12h às 14h. Nesse horário, foram contabilizadas mais de 20 mil respostas enviadas entre 26 de agosto e 11 de setembro. Até a tarde da última sexta-feira, mais de 108 mil responderam ao censo. A maior parte dos servidores tem respondido o questionário no período de 9h às 19h. Nesse intervalo, 86.485 questionários foram respondidos durante os 17 primeiros dias da pesquisa, o que equivale a cerca de 90% do total de preenchimentos. No horário de expediente, cerca de 550 questionários são respondidos por hora. Alguns servidores optaram por responder o questionário à noite. Como o censo é todo feito pela internet, é possível

responder de casa, bastando digitar o CPF no portal do levantamento. De 26 de agosto a 11 de setembro, apenas 5.628 pessoas preencheram o formulário entre 19h e meia-noite. Até de madrugada há servidores se dedicando à pesquisa. Nos 17 primeiros dias de mobilização, 455 servidores participaram do censo de meia-noite às 5h. O questionário conta com 39 perguntas que podem ser respondidas em apenas cinco minutos. Até o momento, o segundo dia do censo, 27 de agosto, bateu o recorde de respostas enviadas: foram 21.831 questionários preenchidos. Em seguida, aparece o dia do lançamento, 26 de agosto, quando o levantamento do Poder Judiciário contabilizou 11.859 respostas. No terceiro lugar, o dia 28 de agosto registrou 11.400 participações. Nos dias 7 e 9 de setembro, foi verificada a menor quantidade de preenchimentos, com, respectivamente, 208 e 242 respostas. *Com informações do site do CNJ


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Política

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JANE DE ARAÚJO/AGÊNCIA SENADO

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Eu prefiro que os senhores vejam lá” Jornalista

MINISTRO CELSO DE MELLO (STF), cujo voto vai definir a sorte dos principais mensaleiros

PF deve investigar ameaças a ministros do STF A Polícia Federal será acionada para investigar a origem de e-mails ameaçadores ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, e até mesmo a seus familiares, às vésperas das sessões sobre admissão de embargos infringentes, na tentativa de forçá-lo a mudar sua posição contrária a interesses de mensaleiros. Outros ministros podem ter sido alvo de ameaças, segundo fontes da Procuradoria Geral da República. Não é a primeira vez Os votos desassombrados do ministro Luiz Fux, no caso do mensalão, fizeram dele alvo de ira e de tentativas – inúteis – de intimidação. Procedimento É procedimento padrão a Polícia Federal ser notificada a investigar, em casos de ameaças ou tentativas de chantagem contra os magistrados. É pau, é pedra Mascarados petistas do “black-bloc” anunciam na internet badernaço em Brasília e outras capitais, caso José Dirceu leve a pior no STF. Rua ‘aparelhada’ “Black-bloc” se escondem em máscaras para não serem identificados mesmo: são conhecidos militantes do PT tentando “aparelhar” as ruas. Presidente da CNC premia aliado com recursos O presidente da Confederação Nacional do Comércio, Antônio de Oliveira Santos, abriu os cofres, abastecidos por contribuições previdenciárias, para premiar a lealdade de Josias Silva Albuquerque,

presidente da FecomércioPE. Ele já havia recebido de presente um prédio de 14 andares em Recife (PE), para a federação. E também R$ 35 milhões supostamente para construir unidade do Sesc em Goiana (PE). Jogo bruto Josias Albuquerque assumiu em 1997, após Antônio de Oliveira Santos intervir na Fecomércio-PE para neutralizar um adversário político. Operador O presidente da Fecomércio-PE é o operador que garante ausência de oposição nos 33 anos de Antônio Santos na CNC, no Sesc e no Senac. No limite Os partidos correm contra o tempo para acertas filiações até outubro, prazo exigido pela Justiça Eleitoral para disputar eleições em 2014. Casal 320 Acumulando contratos de R$ 320 milhões anuais para propaganda oficial, a agência paranaense Heads mostra que o casal de ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), seus admiradores, continuam com o prestígio em alta, no governo Dilma. Em campanha Pré-candidato a presidente da República pelo PSDB, o senador Aécio Neves (MG) realiza no sábado (21) o Encontro Regional do Nordeste, em Maceió, e no dia 28 o Encontro Regional do Sul, em Curitiba. Desleixo Alguém na cúpula da Infraero detesta o Espírito Santo: há 8 anos o Tribunal de Contas da União cobra, sem êxito, um

problema com pé e cabeça para a reforma do acanhado aeroporto de Vitória. Dissidência O vice-governador do Ceará, Domingos Filho, comunicou à executiva do PMDB que poderá sair do partido. Queixa-se do domínio do senador Eunício Oliveira, pré-candidato a disputar o governo em 2014. Está inflando O senador Delcídio Amaral (PT-MS) advertiu o ministro Gilberto Carvalho (secretaria-geral) que o governo está demorando demais para resolver o conflito entre índios e produtores rurais: “A bolha vai estourar”, alerta. Sob investigação Criada para investigar morte de tratorista na fazenda Vale do Triunfo, ligada ao banqueiro Daniel Dantas, comissão externa da Câmara acertou com a FAB viagem à região nesta terça (17). Há suspeitas de que teriam aparecido mais três corpos dentro da propriedade. Trombadinha A Justiça Federal de São Paulo condenou a 3 anos em semiaberto um fiscal do Trabalho que pediu jogo de sofá para o filho na empresa fiscalizada. Reincidente, só perderá o cargo após trânsito em julgado. Deixa comigo O ministro Luís Roberto Barroso (STF) reiterou à bancada ruralista da Câmara compromisso de colocar em votação o emblemático caso de “Raposa Serra do Sol” tão logo acabe o julgamento do mensalão. Pensando bem... ...tomara que a sexta-feira, 13, não caia na quarta, 18.

PODER SEM PUDOR

Professor aloprado Jânio Quadros lecionava português e geografia no colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Era tão exigente que os cadernos dos alunos precisavam estar sempre em dia e bem cuidados. Certa vez, um estudante apresentou um caderno rabiscado e rasurado. - Retire-se! – gritou o intolerante professor. O aluno se dirigia encabulado à porta quando Jânio foi ainda mais ríspido: - Pela janela! O senhor não é digno de cruzar essa porta!...

Presidente Renan Calheiros fez um apelo para que os senadores compareçam às sessões plenárias

Senado vai fazer esforço concentrado esta semana As prioridades serão para votações de vetos presidenciais, a minirreforma eleitoral, voto secreto e a PEC da Música

O

s senadores terão uma semana de atividade intensa. De segunda a sexta-feira, haverá sessões deliberativas. Os destaques do esforço concentrado são a chamada minirreforma eleitoral e a proposta que acaba com votações secretas no Poder Legislativo, mas outras matérias importantes também serão votadas, como a PEC da Música e o projeto que define o crime de feminicídio. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez um apelo para que os senadores estejam em plenário a semana inteira. Em resposta, o líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), informou que enviará e-mails e telegramas a todos os parla-

mentares da base governista convocando-os para o esforço concentrado. Além da pauta de votações, o plenário vai ser o palco da segunda sessão temática de debates, durante a qual será discutido o financiamento da saúde com a presença do ministro Alexandre Padilha. Vários dos projetos que devem ser votados pelo plenário na semana de esforço concentrado tramitam na CCJ, onde ainda serão votados na próxima quarta-feira. Entre eles, está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 43/2013, que acaba com o voto secreto no âmbito do parlamento. A PEC ainda não é consenso entre os senadores, já que alguns alegam a possibilidade de constrangimento em votações de indicação de

autoridades e na apreciação de vetos presidenciais. O Congresso Nacional reúnese na terça-feira para exame de vetos presidenciais a sete projetos de lei. Como forma de evitar surpresas, o governo mobilizou-se no início da semana em reuniões com lideranças políticas da Câmara e do Senado para garantir a manutenção dos dispositivos vetados nas propostas do Legislativo. Dos itens a serem votados, o mais polêmico é o veto total ao projeto de lei do Senado (PLS) 198/2007 (PL 200/2012 - Complementar, na Câmara) que prevê a extinção da multa rescisória de 10% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), paga pelos empregadores nas demissões sem justa causa.

Ordem de votações será definida Renan Calheiros afirmou, no final da semana, que a apreciação do projeto da minirreforma eleitoral (PLS 441/2012) dará início à semana de votações. A ordem de votação das demais propostas será definida durante a semana e será fruto dos entendimentos entre os senadores, os líderes partidários e os membros da mesa. O projeto da minirreforma, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), reduz gastos de campanha e dá mais transparência às eleições além de igualdade de condições aos candidatos. Para que possam valer já para as eleições de

2014, as mudanças na Lei Eleitoral (lei 9.504/1997) e na Lei dos Partidos Políticos (lei 9.096/1995) precisam ser aprovadas pelo Senado e pela Câmara até o fim de setembro. Consenso Em entrevista à Agência Senado na tarde da última sexta-feira, a secretária-geral da mesa diretora do Senado, Cláudia Lyra, explicou que a semana de votações concentradas foi definida pelo presidente do Senado em conjunto com as lideranças da casa e os presidentes das comissões permanentes.

Apesar desse acordo, Cláudia Lyra salienta que o consenso para pautar todas essas propostas não significa, necessariamente, consenso para aprová-las. A secretária-geral acrescentou que também será votado o Projeto de Resolução do Senado (PRS) 66/2013, que estabelece procedimentos para que as comissões permanentes da casa avaliem políticas públicas desenvolvidas pelo Poder Executivo. Ela explicou que a resolução vem para reforçar o ditame constitucional que estabelece o Legislativo como fiscalizador dos atos do Executivo.


Com a palavra

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Eliana CALMON

‘Estou PREOCUPADA com a DECISÃO final DO STF’

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Achei que neste contexto, o Supremo termina dando um passo atrás em fazer uma avaliação literal de dispositivo sem olhar uma interpretação que seja sistêmica. Mas, eu gostei muito do voto da ministra Cármen Lúcia. Ela deu uma explicação muito correta, que eu entendo que também seja pertinente. A interpretação literal sempre tem em si um grande pecado, que é de esquecer o essencial, que terminou sendo esquecido”

rimeira mulher a ocupar uma cadeira no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ministra Eliana Calmon se destaca pela sua atuação firme e pela alta produção, já tendo superado cem mil processos julgados. De 2010 a 2012, esteve à frente da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde segundo ela mesma disse, colecionou desafetos. Avessa ao cenário político, Eliana confessou que tem sido sondada por várias entidades partidárias, mas revela que ainda não definiu se deverá ingressar na carreira política. Polêmica, algumas de suas declarações chegaram a gerar críticas como quando afirmou haver “bandidos de toga” no Judiciário. Atualmente, a ministra Eliana Calmon é diretora-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo (Enfam). A escola funciona como um centro de coordenação para todas as escolas de magistratura do país e, segundo ela, tem como finalidade formar juízes como uma perspectiva nacional e “capazes de atuar como agentes políticos”. Eleita pela revista americana Forbes a mulher mais influente do país no segmento Judiciário, em 2005 e “A Mulher do Ano”, em 2006, Eliana ganhou na última sexta-feira, mais uma medalha para sua coleção: a “Ruy Araújo”, a maior honraria oferecida pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). EM TEMPO – Encerramos a semana com o STF dividido em relação aos resultados dos embargos infringentes do processo do mensalão. O que a senhora achou da votação? Eliana Calmon – Achei que neste contexto, o Supremo Tribunal Federal (STF) termina dando um passo atrás em fazer uma avaliação literal de dispositivo sem olhar uma interpretação que seja sistêmica. Mas, eu gostei muito do voto da ministra Cármen Lúcia. Ela deu uma explicação muito correta, que eu entendo

que também seja pertinente. A interpretação literal sempre tem em si um grande pecado, que é de esquecer o essencial, que terminou sendo esquecida. EM TEMPO – A sociedade esperava por uma resposta mais positiva? EC – Estou preocupada com a decisão final do Poder Judiciário porque foi um julgamento muito longo e politizado, e a população brasileira seguiu esse julgamento como se acompanha uma novela e criou uma expectativa. Festejou-se esse resultado, e agora por uma filigrana jurídica tudo pode ser retomado do ponto inicial. Isso não é bom para sociedade brasileira e para o Supremo Tribunal, além de ser péssimo para todo nosso Judiciário. EM TEMPO – A senhora está sendo cortejada por vários partidos, inclusive o PSB para se filiar e quem sabe concorrer às próximas eleições. Como estão essas conversas? EC – Eu sou magistrada por vocação. No início, eu não queria nem conversar a respeito. As pessoas que me procuravam no meu gabinete eu nem queria atender. Mas, depois de certo tempo eu admiti pelo menos conversar. Porém, eu não tenho nada definido ainda. Acho que é difícil nosso panorama político no momento e não sou política profissional. Tenho muitas dificuldades em fazer inserções neste campo, mas penso que todos falam mal dos políticos e na hora de fazer a sua parte e ingressar na vida política não o fazem com o argumento de que não querem entrar para essa sujeira. Isso não está certo, sou da opinião de que se está ruim, que cada um dê a sua colaboração para melhorar. EM TEMPO – As mulheres ainda têm pouco espaço na política? EC – Se formos olhar a situação das mulheres brasileiras no parlamento, vamos perceber a necessidade de elas fazerem incursões na vida política. Na América Latina estamos em penúltimo lugar com presença do sexo feminino na esfera política. Estamos à frente apenas da Colômbia

e Haiti. Isso me faz legitimar a pensar mais na vida política, mas não estou decidida ainda. Tenho seis meses ainda de avaliação, pois os membros do Poder Judiciário têm um prazo menor para filiação, e só devo me decidir a partir do mês de abril. EM TEMPO – O recebimento de uma medalha na esfera política pode ser um incentivo para que a senhora esteja mais próxima dessa carreira? EC – Não resta dúvida que toda a vez que existe um reconhecimento do nosso trabalho existe um incentivo para continuarmos a dar seguimento desta atividade. A minha grande descoberta como magistrada foi quando exerci o cargo de corregedora do CNJ. Foi neste momento que a nação se despertou para o meu trabalho, mas estava há 34 anos fazendo um trabalho isolado, de julgamentos dentro do meu gabinete. EM TEMPO – A senhora acredita que o seu trabalho poderia ser mais bem aproveitado na esfera Executiva ou Legislativa? EC – Eu não tenho perfil de Poder Executivo em razão de precisar mais tempo de preparo para executar a função. Antes de assumir uma cadeira desta esfera é preciso se fazer um estudo muito aprofundado da questão sociopolítico da região que será administrada para poder traçar sua plataforma política e eu não tenho mais tempo para isso. EM TEMPO – E como a senhora recebe essa homenagem (da Aleam)? EC – Com muita satisfação e felicidade e, sobretudo porque não é uma medalha dada por amigos. Muitas vezes, por uma questão de afetos somos homenageados. A medalha que recebo aqui do Amazonas é fruto do reconhecimento do nosso trabalho, e digo mais, essa medalha não é só minha, e sim do Poder Judiciário. EM TEMPO – A senhora esteve durante 2 anos como corregedora do CNJ. Neste período colecionou desafetos? EC – Sem dúvida alguma, principalmente os fichas-

sujas. EM TEMPO – E como a senhora vê o Judiciário no Amazonas? EC – Eu o vejo como um tribunal reorganizado, onde tanto o ex como o atual presidente firmaram parcerias com o CNJ. Percebo que eles estão tentando se organizar sobre esse ponto de vista. Já no setor político, posso dizer que em todas as vezes que precisei do governador do Amazonas para resolver situações ligadas ao Poder Judiciário, as portas sempre estiveram abertas. Só posso ter boas lembranças do Amazonas. EM TEMPO – Em relação aos Tribunais de Justiça, o CNJ divulgou um estudo sobre o número de ações julgadas de improbidade administrativa, às quais demoravam muito para receber um parecer. Porque isso acontece? EC – Posso dizer com muita ciência disso: hoje sou diretora da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Magistrados e fizemos uma parceria com o CNJ no sentido da escola ajudar no cumprimento da meta 18, que é o julgamento das ações de improbidade, que é da magistratura nacional. O que posso dizer é que temos muitas dificuldades, uma ação que requer um preparo muito profundo dos magistrados. Temos casos hoje em que a casa onde funciona o Fórum é paga pelo município e o juiz tem em suas mãos uma ação de improbidade contra o prefeito, envolvendo não só o gestor como também vereadores e o presidente da Câmara. Isso dificulta, pois qual a independência que poderemos ter quando não se tem estrutura? Estou fazendo um mapeamento para fazermos correições e darmos independência efetiva ao Judiciário. EM TEMPO – E a presença das mulheres no Judiciário. Qual sua avaliação? EC- As mulheres são boas técnicas, elas funcionam bem, são boas julgadoras, mas lamentavelmente não são engajadas em movimentos feministas. As mulheres magistradas ficam à parte e isso me deixa muito entristecida.

Estou preocupada com a decisão final do Poder Judiciário porque foi um julgamento muito longo e politizado e a população brasileira seguiu esse julgamento como se acompanha uma novela”

As mulheres são boas técnicas, elas funcionam bem, são boas julgadoras. Mas, lamentavelmente, não são engajadas em movimentos feministas. Elas ficam à parte”


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Política

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Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIEGO CAJA

O drama dos lesionados no Polo Industrial Economia B4 e B5

Chegada do verão aquece movimento nas academias

Fluxo de clientes deverá aumentar 60% até final do ano, ampliando lucro dos donos dos “templos da saúde” de Manaus ALBERO CÉSAR ARAÚJO

A Top Life conta com cinco unidades para atender públicos diversos na capital amazonense JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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stimuladas pela obsessão de Manaus para manter o corpo “sarado”, as academias da capital amazonense investem alto em aulas diferenciais para atrair o público com a chegada do verão. A aposta é a de haverá aumento de até 60% no fluxo de novos atletas até o final do ano. A unidade da academia Top Life, no São José, Zona Leste, inaugurada em outubro do ano passado, por exemplo, é um investimento do grupo, que possui outras quatro academias espalhadas pela cidade. A expansão visa atingir ao público de bairro com aulas variadas e pacotes promocionais a partir de R$ 90. Segundo o coordenador do período da tarde da unidade, Alcy Duarte, aulas de treinamento funcional (circuito), pilates e Mixed Martial Arts (MMA) estão entre as atividades alternativas que prometem ser os atrativos do verão. “Também investimos em aulas motivacionais, o ‘superaulão’, com novas coreografias a cada semana”, comenta. O preparador físico salienta que as medidas possibilitaram à academia atingir uma clientela de 437 pessoas, aumento de 40% em relação ao primeiro semestre. “Até dezembro essa expansão deve passar

para 60% com mais de 500 alunos na unidade”, estima. A tradicional academia Cheik Clube, por sua vez, prevê acréscimo de 10% no público e no faturamento até o final do ano, com o maior movimento registrado em novembro. O proprietário do estabelecimento, Raidi Rebello, explica que oferece pacotes com mensalidades de, no máximo, R$ 130 para atingir o maior número de clientes, em especial, no centro da cidade. “Somos

ESTIMATIVA

40% CRESCIMENTO

Esta é a estimativa de aumento do número de alunos até novembro na Personal Circuit Training adeptos, assim como a maioria das academias, por planos longos com preços mais em conta. A ideia é fidelizar clientela”, frisa. O diferencial oferecido, segundo ele, é a aposta feita nos segmentos de ciclismo e corridas. “Embora o investimento na musculação seja bem forte, pelo desejo dos alunos de fazerem atividade externas aeróbicas e na academia,

montar grupos especiais de corrida da academia Cheik e o grupo de ciclismo noturno tem ajudado nas projeções de crescimento”, adianta. Sem detalhar expectativa de crescimento, a Companhia Atala, academia que atende o público de bairros como Adrianópolis, Vieiralves, Parque das Laranjeiras e Dom Pedro, deve apostar nas aulas aeróbicas de alto impacto, boxe, muay thai e natação. “Passamos a competir seriamente com a aula de circuito – treinamento funcional -, que é uma verdadeira febre em Manaus e temos o entrave do trânsito, o que nos estimula a aumentar os investimentos”, avalia o proprietário do estabelecimento, Ricardo Atala. A novidade para o verão, segundo o empresário, é a inauguração em quatro meses de um centro de treinamento oficial do Ultimate Fighting Championship (UFC). “Teremos um octódromo na academia, o que deve movimentar o período de férias”, planeja. Com cerca de 30 profissionais e 250 equipamentos, a academia oferece mais de 15 modalidades diferentes, com pacotes a partir de R$ 200. “Mesmo com toda a estrutura sentimos a necessidade de apostar em convênios, levar a academia para bairros como o bairro Nova cidade e inaugurar novas salas na academia”, conta Atala.

ALBERO CÉSAR ARAÚJO

Cheik Clube estima incrementar em 10% faturamento da academia situada no centro da cidade

Aposta nos circuitos alternativos Há quase 3 anos, treinamentos diferenciados para o corpo como as aulas de circuito – treinos de alto impacto realizado geralmente em quadras de areia –, dividem espaço com a musculação tradicional. Conhecido como Netão, o professor de circuito e um dos proprietários da Personal Manaus, o profissional de educação física, Raimundo Neto Costa, argumenta que a modalidade ganha destaque devido à monotonia das academias locais. “Na

areia, a pessoa trabalha condicionamento, aquecimento e exercícios de explosão. É mais dinâmico”, defende. Ele conta que começou com três clientes em 2010 e agora possui pelo menos 50 alunos regulares, aumento superior a 1.500 %. “Oferecemos exercícios ao ar livre três vezes por semana a um preço médio de R$ 100. Com a popularidade do esporte e o preço acessível, esperamos dobrar o número de alunos e chegar a 100 adeptos até

novembro”, projeta. O preparador físico, Leonardo Moura, também comemora a boa aceitação da modalidade em Manaus. Ele, que inaugurou a marca Personal Circuit Training, em 2012, conta que passou de uma turma de 10 pessoas para uma carteira de 300 alunos com aulas em vários horários no Fazendário Clube, Zona Centro–Sul de Manaus, avanço de quase 3.000%. “O fluxo de alunos chega a 200 pessoas diariamente”, calcula. DIVULGAÇÃO

Treinos de alto impacto viraram “moda” entre atletas que querem fugir dos ambientes fechados


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Economia

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Consultoria gratuita ajuda a salvar micro empresas

Fruto da parceria entre Sebrae e Fucapi, projeto ALI possui consultores capacitados para organizações corporativas

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ara enfrentar a concorrência, empresas de Manaus ampliaram a procura por consultorias gratuitas de profissionais que são qualificados em diferentes segmentos. A medida é considerada pelos empresários como uma ferramenta eficaz para crescer e encontrar uma melhor colocação do produto ou serviço no mercado. Proprietário da Loppiano Pizzaria, Rogério Cunha relata que buscou auxílio do programa Agentes Locais de Inovação (ALI), criado nacionalmente pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e executado pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi),

DIVULGAÇÃO

para poder alavancar os negócios. Segundo ele, o projeto veio para inovar conceitos e acrescentar mais dinamismo à organização, que possui mais de 20 anos de atuação em Manaus. “Os empresários que não buscarem esse tipo de inovação vão acabar ficando para trás”, avalia. Por conta do programa, Rogério inseriu uma nova área em sua empresa, a “Gestão de Qualidade”. “Percebemos que conseguiríamos mais sucesso com a participação mais intensa de todos os funcionários. Por meio dessa área, todos os funcionários têm carta branca para exporem suas ideias em uma reunião que acontece a cada duas semanas. Dessa

forma, conseguimos absorver a maior quantidade de novidades possíveis”, acrescenta. Os agentes do programa que foi inspirado em projeto similar na Índia -, tem um período de 2 anos para acompanhar pelo menos 40 empresas e apresentar um diagnóstico administrativo e de inovação de cada uma delas. A partir do diagnóstico e junto ao empresário, o agente traça um plano de negócio exclusivo àquela organização, com a finalidade de aumentar o desempenho no mercado local. Hoje, 20 agentes atuam no projeto. De acordo com o coordenador do ALI na Fucapi, Ewerton Larry, o programa é a oportunidade ideal para o empresário conso-

lidar a sua marca no mercado e corrigir pequenos erros que compromem o sucesso da organização. “Os proprietários das empresas não precisam investir nenhum dinheiro diretamente no projeto, mas vão atender às orientações dos agentes. Os técnicos irão orientar os administradores dizendo quais profissionais ou serviço ele deve contratar para alavancar seu empreendimento”, afirmou. Os agentes têm ensino superior em diversas áreas e passaram dois meses sendo capacitados pela Fucapi. Além dos 20 em atuação, a Fucapi conta ainda com mais cinco profissionais reservas, que estão aptos a suprir eventuais necessidades dos empresários.

Empresas como a Loppiano Pizzaria se beneficiam com projeto

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Educação, a pedra angular

Há um ano foi lançado o Mapa do Trabalho Industrial para 2013, elaborado pela CNI/Senai, com a proposta de orientar a demanda de mão-de-obra dos trabalhadores de nível técnico em todo território nacional. Um grito de alerta e um convite para o país olhar com rigor e atenção para este tema, a maior e melhor ferramenta de transformação social. O descuido virou entrave dramático de competitividade e crescimento. É a indústria propondo sua parte, num Brasil que tem apenas 6,6% de seus jovens em situação de ensino na qualificação técnica. Na Alemanha, o país que enfrenta a crise europeia com mais criatividade e resultados, esse percentual é de 53%. E lá o poder público acompanha, dá suporte, premia e cobra resultados das instituições responsáveis. Por isso a equação é direta entre qualificação e avanço na sociedade globalizada e e stribada no conhecimento. O axioma é elementar, simples e evidente, mas, parece, no Brasil em geral e no Amazonas em particular, difícil de entender e complicado de enfrentar. Constrange relembrar que as duas universidades públicas do Estado, uma delas a mais antiga do país e a outra financiada pelas indústrias, estejam nos últimos lugares no ranking das universidades aferido pela Folha. Constrange a todos, mais ainda, porque este

Estado representa a sexta economia do país e precisa de maior suporte técnico e educacional. O levantamento da CNI no Pará, por exemplo, uma economia diversificada e com focos de produção espalhados em diversos pontos geográficos, foi pontual e elucidativo, nos limites de sua atuação e demandas. O Estado teria de formar 104,4 mil trabalhadores em nível técnico e em áreas de média qualificação para atuar em profissões industriais até 2015. No Amazonas, o Senai focou no Polo Industrial de Manaus sua estratégia de qualificação, e está avançando no imperativo da inovação com parcerias interacionais, incluindo Alemanha. Mas não lhe compete estruturar estratégias de ensino à luz das demandas e potencialidades regionais. Pela pesquisa, as indústrias dos sete Estados da Amazônia carecem de 294,8 mil profissionais nos próximos 3 anos. O Pará com 104 mil, o Amazonas responde por cerca de 95 mil dessas vagas, seguida por 62 mil de Rondônia, 15 mil do Tocantins, 9 mil do Amapá, 6 mil do Acre e 3 mil de Roraima. As ocupações com maior demanda passam por inovação – é imperativo agregar valor à produção local – e se espelham na expectativa de técnicos em eletrônica; técnicos em segurança no trabalho; técnicos de controle da produção; técnicos em eletrici-

dade e eletrotécnica; técnicos em operação e monitoração de computadores. O planejamento do perfil técnico do Mapa do Trabalho Industrial, porém, atende a uma demanda da indústria instalada, mas não alcança, no caso do Amazonas, os polos potenciais e mais coerentes com a vocação de negócios e bionegócios da região: da bioindústria, o polo gás-químico e de fertilizantes, a mineral, as cadeias produtivas, o beneficiamento dos itens do extrativismo sazonal, a fruticultura, as tecnologias de produção intensiva de látex, guaraná fibras, alimentos. E isso não é exatamente atribuição da indústria embora o setor tenha interesse e proposições a apresentar. De que vale tãosomente definir o modelo de gestão do CBA, o Centro que daria suporte a um polo de bioindústria sem a vontade política de mobilizar investidores, pesquisadores, agências de fomento, com o respectivo aporte de recursos em qualificação. No Map a serão necessários 174,6 mil trabalhadores para a indústria de alimentos - cozinheiros industriais - entre 2012 e 2015 em todo o Brasil, mas na Amazônia, podem ser criadas milhares, ou milhões de vagas na produção de alimentos com a piscicultura das fazendas aquáticas ou com a agroindústria de várzea na produção e benefi-

ciamento de grãos, bioenergia, infraestrutura de energia solar que permite funcionamento de comunicação e transporte mais acessível. Outro planejamento e respectivas exigências. Mas a roda da evidência não gira. O setor de Ciências Exatas da Universidade Federal do Amazonas, que engloba diversos setores de Engenharia, Matemática e Tecnologia, costuma abrir concursos para a média de mais de 100 vagas rotativas disponíveis, e não consegue suprir as próprias demandas por falta de candidatos ou pelo baixo nível dos que se apresentam. Salários, desarticulação institucional, ausência de uma cultura empreendedora entre academia e economia travam a saída para novas trilhas. O mesmo se dá na UEA, a Universidade do Estado do Amazonas, onde os alunos pressionam de diversas formas por docentes no setor. Há um ano, Fieam/Cieam fizeram um estudo para identificar lacunas e buscar alternativas para minimizar o problema atual e futuro da falta de profissionais qualificados para atender as demandas do PIM. Descobriram que há recursos disponíveis para a qualificação profissional nas instituições ligadas às indústrias, mas falta interatividade entre academia e setor produtivo. Maior participação dos empresários em conhecer e

contribuir com as atividades realizadas pelas instituições para adequação dos cursos às reais demandas da indústria. É preciso aproximar academia, economia e mercado. Até porque não é só a escassez de engenharia que prejudica a indústria. A criação do programa do governo federal “Ciência sem Fronteiras”, concebido para aumentar a formação e especialização de engenheiros e de outras profissões de ramo tecnológico - como muitas das soluções de emergência - carece de um planejamento sobre as verdadeiras demandas, vocações, parcerias e, aí, então, a definição do perfil técnico que se impõe. O Estado fornece bolsa aos estudantes amazonenses matriculados em programas de pós-graduação fora do Estado, num esforço exemplar de qualificação para chegar ao número de 8 mil doutores, atualmente há 1,6 mil, mas muitos estão desempregados ou subempregados porque avançaram sem uma articulação interinstitucional entre academia, economia e mercado, uma triangulação que demanda vontade política, debate, oitivas, disposição proativa e planejamento inteligente e eficiente de médio e longo prazo à luz de novas matrizes econômicas e das demandas sociais que o IDH recente detectou. Sem educação, cá pará nós, prorrogar a ZFM é mera figuração!

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Há um ano, Fieam/Cieam fizeram estudo para identificar lacunas e buscar alternativas para minimizar problema atual e futuro da falta de profissionais qualificados para atender demandas do PIM”


Economia

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Rede Novo Mundo traz 11 lojas para o Amazonas

Unidades da empresa goiana serão inauguradas até fim do ano e vão gerar mais de mil postos de trabalho no Estado

A

rede Novo Mundo vai abrir 11 lojas no Amazonas até o final deste ano. Destas, duas serão no interior do Estado, nos municípios de Manacapuru e Itacoatiara (a 78 e 280 quilômetros de Manaus, respectivamente). Com mix de ofertas – entre móveis, eletros, portáteis e produtos de telefonia e informática -, a rede possui sede em Goiânia, mas já atua no CentroOeste, Nordeste e prepara a consolidação no Norte. O objetivo do grupo é ter ao menos 20 lojas no Amazonas. Até junho do ano que vem, planeja chegar também em outros três municípios do interior: Parintins, Coari e Tefé. As demais lojas da rede ficarão em Manaus. “Nosso radar está ligado para o Acre e Rondônia também”, antecipa o gestor geral de marketing da Novo Mundo, Luiz Cláudio Araújo. Araújo explica que a empresa decidiu investir no Amazonas depois de realizar ampla pesquisa de análise sobre as possibilidades de avanço da rede pelo Brasil. O resultado mostrou que, apesar de o Estado abrigar grandes lojas, havia uma lacuna e possibilidades para que o grupo colocasse seu negócio. Para este fim, a empresa comprou as lojas do grupo Esplanada. Em Manaus, a rede terá uma loja no Centro, localizada na

FOTOS: DIVULGAÇÃO

avenida 7 de Setembro. Já as outras estarão distribuídas nos bairros do São José, Zumbi, Alvorada, Nova Esperança e Cidade Nova, além de uma unidade na Bola da Suframa. Contratações Para atuarem nestas lojas, a rede está contratando a mão de obra de mais de mil trabalhadores, que se somam aos outros 5 mil colaboradores distribuídos pelo Brasil. Dos contratados em Manaus, boa parte já foi selecionada e participa de cursos e treinamentos em Goiânia (GO), na UniMundo - universidade corporativa da rede. Neste local, os funcionários passam por processos de integração, formação e aperfeiçoamento, aprendendo, entre outros conteúdos, noções de compras, vendas, marketing corporativo, logística, além de entrarem no padrão Novo Mundo de atendimento. Além das lojas, a capital amazonense também receberá um centro de distribuição da rede, que está localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, em uma área de 12 mil metros quadrados com expansão. Neste centro, estarão empregados pelo menos 200 trabalhadores direta e indiretamente. “Desde o início, sabíamos que a logística para o Amazonas teria que ser poderosa”, avalia Araújo.

Além de Manaus, Mundo Novo inaugurará duas lojas no interior e tem planos para abrir outras três em municípios amazonenses

Empresa tem 200 pontos comerciais no país

Nova opção de compras terá móveis, eletros e informática

Pioneira na venda a crediário no centro-oeste do país, a rede tem como target primário as classes C e D pela facilidade de pagamento, o que não exclui compras por parte das classes A e B da sociedade. “O cartão fidelidade da Rede Novo Mundo é extremamente agressivo, porque ele realmente facilita a compra do cliente. Nenhuma rede em Manaus oferece isso. A não ser que mude depois da chegada do grupo”, explicou o gestor de marketing, Luiz Cláudio Araújo. Entre as medidas que a rede adotou para conhecer melhor o mercado do Amazonas,

está uma pesquisa de cunho sociológico e antropológico, realizada por 40 pesquisadores. Estes, instalaram-se por 45 dias em 40 lares do Amazonas, analisando o comportamento das famílias, seus hábitos, costumes e opções. Estes profissionais ficaram encarregados de captar informações como a que canais e programas de TV as famílias preferiam assistir, o que ouviam nas rádios, o que compravam e de que forma, além de como preferiam pagar – entre outros pontos. Fundação A rede Novo Mundo surgiu

há 57 anos em Goiânia. Ela começou como uma loja de 80 metros quadrados, localizada na avenida Anhanguera, no centro da cidade, de propriedade de Luciano Martins Ribeiro – atualmente vice-presidente do conselho da rede. A loja possuía um estoque apenas de fabricação própria e três funcionários. Com o passar dos anos, para atender parte de sua necessidade de produtos para comercialização, a Novo Mundo deu início à atividade industrial. Hoje, dispõe de duas linhas de produção: de colchões e estofados, que suprem a demanda do varejo da

rede e dos lojistas atendidos pelo atacado Novo Mundo. Grupo A pequena loja de Goiânia expandiu-se e a cidade deu lugar a matriz e outras 199 lojas espalhadas pelo país. O grupo é presidido por Carlos Luciano Martins Ribeiro e é composto pelas seguintes empresas coligadas: Época Decorações, Época Galeria de Arte, Saccaro, Mega Moda, Agropecuária Barra Bonita, NewWorld, Aldeia do Vale, Pantanal Shopping, Novo Mundo Construtora, Montreal, Colchões e Estofados Novo Mundo e MR Soluções.


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Economia

O drama dos empregados JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

O

episódio em que a Samsung foi denunciada por infrações trabalhistas graves, mês passado, trouxe à tona um drama recorrente nas empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM): o alto número de afastamento de empregados devido à aquisição de doenças ocupacionais. Dados da Secretaria de Saúde do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM) apontam que, em 2012, 456 funcionários foram afastados das funções pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com doenças ocasionadas por más condições de trabalho. O número, que corresponde ao segmento metalúrgico, de duas rodas, naval, mecânico e eletroeletrônico, é 6,7% superior em relação ao total de afastamentos verificado no ano anterior, quando foram registrados 427 casos. Segundo o sindicato, o número real é ainda maior, uma vez que a estatística foi baseada apenas nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) informadas à entidade. O operador Emerson Paz, que desde 2003 trabalhava na área de embalagens da LG Eletronics, foi afastado

da empresa após apresentar tendinite e bursite nos braços devido a esforços e movimentos repetitivos. “Minha função era embalar os televisores, fechar a caixa e empilhar. Fechávamos entre 80 e 110 caixas por hora”, lembra. O operário chegou a retornar ao trabalho, mas foi afastado novamente para poder operar as lesões. Desde então, ele recebe o pagamento pelo INSS

SUL-COREANA

Mês passado, o MPT acusou a Samsung de submeter seus funcionários à realização de movimentos repetitivos e jornadas de trabalho de até 15 horas diárias, entre outras infrações trabalhistas e aguarda melhorar de quadro para voltar ao serviço. “Agora, espero a liberação do médico para exercer minhas funções normalmente. Espero que me desloquem para outro setor, que cause menos impacto a minha saúde”, comenta. Doenças Lesões no ombro e inflamações nas articulações foram as maiores vilãs dos operários

FOTOS: DIEGO CAJA E DIVULGAÇÃO

Dados do Sindmetal-AM mostram que o número de funcionários afastados do trabalho por causa de doenças ocupacionais cresceu 6,7% em relação aos anos anteriores

das fábricas de Manaus, ano passado. Com 304 casos de afastamento, representaram 66,6% do total de doenças ocupacionais registradas. As lesões de punho e de síndrome do túnel do carpo - que causa formigamento e dormência nos membros superiores -, anotaram 61 casos e os problemas de coluna e hérnia de disco totalizaram 51 afastamentos. Diminuição da visão e da audição, problemas no quadril, joelhos e até síndrome do pânico também foram registradas em 2012. Ranking Com 74 funcionários afastados, conforme o sindicato, a Moto Honda liderou o ranking de doenças ocupacionais no PIM, seguida da Nokia com 48 casos, da Yamaha (44) e da LG Eletronics (39). A Samsung e a Philips também figuraram na lista com 28 e 23 afastamentos, respectivamente. Outra estatística, desta vez, do Ministério da Previdência Social, apontou que entre 2009 e 2011, 1.475 afastamentos foram verificados no Amazonas, sendo 52,8% do total de pessoas afastadas formado por mulheres. Os números consideraram apenas os registros em CAT. Afastamentos sem registro superam a marca de 2 mil casos.

Junto com outros 40 funcionários da fábrica de Manaus, Tatiane move ação contra a Samsung


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lesionados no PIM Sindicato denuncia descaso Jornadas prolongadas, movimentos repetitivos e a ausência de intervalo para descanso estão, de acordo com o presidente do Sindmetal-AM, Valdemir Santana, entre os principais fatores que causam as doenças no parque fabril de Manaus. Segundo ele, as empresas precisariam oferecer ginástica laboral, estabelecer intervalos de 15 minutos a cada duas horas, providenciar cadeiras para descanso e rodízio de funções para evitar lesões nos trabalhadores. Entretanto, o funcionamento adequado dependeria da fiscalização dos órgãos responsáveis. “Apesar do esforço da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE) em resolver a situação, o número de auditores é insuficiente para a tarefa. Como o sindicato não tem autoridade para fiscalizar e aplicar correções, o que fazemos é conversar com as empresas e denunciar”, critica. MPT O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), no Amazonas, Ilan Fonseca, explicou, em ocasião anterior, que as empresas recebem auditorias

variadas onde são verificadas falhas ergonômicas – relação do trabalhador com o equipamento –, folhas de ponto, para avaliar o número de horas trabalhadas e número de afastamento por doenças. No caso da Samsung, Fonseca, que atuou como um dos procuradores da ação, conta que além dos dados, o MPT recebeu de-

RESPOSTA

Na época da denúncia, a Samsung Eletrônica da Amazônia se defendeu ao informar que iria realizar análise do processo para cooperar plenamente com as autoridades brasileiras

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Lesões por movimento repetido Conforme a ação movida contra a Samsung, na fábrica de Manaus, uma televisão é embalada a cada 4,8 segundos, um smartphone, a 85 segundos, e condicionador de ar split, a dois minutos. Em único dia, mesmo movimento pode ser repetido 6,8 mil vezes por empregado da linha de produção. A operadora de produção, Tatiane dos Santos, que trabalhava na área de televisores da empresa sulcoreana, foi afastada da função em fevereiro deste ano, após adquirir lesões na coluna e hérnia de disco. Ela conta que montava com outros operadores, de 3 a 4 mil televisores de 46 polegadas diariamente e que o

serviço de alimentar a linha com material para realizar a montagem teria prejudicado sua saúde. “Abastecia a linha com películas para as TVs. Tinha que carregar pilhas do material o dia inteiro para realizar a montagem. Essa atividade, somada ao fato de que trabalhava em pé das 7h até 17h com horas extras quase diárias que iam até 21h e com apenas 10 minutos de descanso, agravaram o problema”, relata. Após quatro meses de afastamento, Tatiane foi desligada em agosto deste ano. “Fui demitida com 40 funcionários que movem uma ação civil contra a empresa”, conta.

Honda lidera casos de doenças ocupacionais no Polo Industrial

núncia de uma funcionária, o que deu origem à notificação que pode gerar multa de até R$ 250 milhões à empresa por danos morais coletivos aos trabalhadores. Na época, ele declarou que se aprovada, o valor da multa será transferido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que escolherá a melhor forma de beneficiar os trabalhadores.

Samsung foi denunciada por infrações trabalhistas graves Tatiane foi afastada da função após lesionar coluna no trabalho


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País

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Espionagem coloca Brasil e EUA em crise, afirma Burns O

número dois do Departamento de Estado americano, William Burns, admitiu que a relação entre Brasil e Estados Unidos passa por dificuldades por causa das “revelações sobre a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA)”, mas afirmou que espera a visita oficial da presidente Dilma Rousseff a Washington, programada para outubro. Burns, que é vice do secretário de Estado, John Kerry, falou durante a cerimônia fechada de posse da nova embaixadora dos EUA no Brasil, Liliana Ayalde. Ayalde chega hoje no Brasil. Segundo a “Folha” apurou, Burns enfatizou a importância das relações bilaterais, mas reconheceu as dificuldades causadas pelo escândalo de espionagem da agência americana sobre a presidente Dilma, referindo-se explicitamente às “revelações sobre a NSA”. Ele tratou a visita da presidente, que está em dúvida, como fato. O embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, não esteve presente à cerimônia de posse, no Departamento de Estado. Ele foi representado pelo ministro-conselheiro Ernesto Araújo. Segundo dados

AE

Número dois do Departamento dos EUA, William Burns vê atrito com o Brasil em razão dos escândalos de espionagem passados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden ao jornalista americano Glenn Greenwald, os EUA tiveram acesso a conversas e mensagens trocadas por Dilma com seus assessores mais próximos. Compromisso Em reunião às margens da

DESAFIOS

Burns enfatizou a importância das relações bilaterais, mas reconheceu as dificuldades causadas pelo escândalo de espionagem da agência americana sobre a presidente Dilma Rousseff William Burns acredita na importância das relações bilaterais com o Brasil, mas reconhece as dificuldades em razão da espionagem

cúpula do G20, em São Petersburgo, o presidente Barack Obama se comprometeu, segundo Dilma, a transmitir explicações formais sobre a espionagem ao governo brasileiro. Para obter essas informações, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo está nos EUA. Nesta semana, ele se reuniu com a conselheira de segurança nacional de Obama, Susan Rice, em Washington.

Chanceler brasileiro tenta contornar o caos Em nota, a Casa Branca afirmou que o presidente americano “entende as preocupações levantadas pelo Brasil a respeito de certas atividades de inteligência supostamente realizadas

pelos EUA”. E prometeu uma “ampla revisão” das atividades de inteligência para garantir que são apropriadas. Já em Nova York, Figueiredo encontrou-se com o secretário-geral da

ONU, Ban Ki-moon, mas não revelou o teor da conversa com o secretário. A missão do Brasil na ONU tampouco revelou detalhes sobre como a questão da vigilância foi abordada, nem

explicou que tipo de cobrança o governo fez aos EUA. Se Figueiredo tratou de vigilância na reunião de ontem com Ban Ki-moon, não foi a primeira vez que ele levou a pauta à ONU.


País

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Judiciário não julga metade dos crimes contra a União

‘MAIS MÉDICOS’

Reprovado em teste fará ‘recuperação’ no trabalho

Em dois anos, os tribunais federais não julgaram metade dos processos contra a administração pública e improbidade administrativa, afirma balanço do CNJ

confirmaram a previsão do reforço para alunos com rendimento abaixo do considerado ideal. A “recuperação” será coordenada por instrutores. A meta é garantir a habilidade do profissional de se comunicar em português, e não de medicina. “Os recrutados têm formação reconhecida, não precisam ter os conhecimentos técnicos novamente avaliados”, justificou o observador da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Rubem Sierra. A prova valerá 6 pontos, de acordo com relato feito pelos alunos que estão há três semanas fazendo o curso de capacitação. A previsão é de que ela seja dividida em duas partes. Na avaliação oral, haverá simulação de atendimento.

Estrangeiros são submetidos a testes para atuar no país

menos de 4 meses do fim do prazo estipulado para que conclua todos os processos relacionados a crimes contra a administração pública e por improbidade administrativa, distribuídos aos tribunais até 31 de dezembro de 2011, o Poder Judiciário julgou menos da metade da meta estabelecida nos últimos 2 anos. Até o início de setembro, os tribunais tinham julgado 54.909 dos 119.598 processos, o que equivale a 46% do total, segundo balanço do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgado esta semana. O resultado está aquém do desejado, segundo o diretor do Departamento de Gestão Estratégica do CNJ, Ivan Bonifácio, responsável pelo levantamento apresentado durante a reunião preparatória para o 7º Encontro Nacional do Poder Judiciário. Apesar disso, Bonifácio destacou que, com o estabelecimento da Meta 18, os julgamentos de processos por improbidade administrativa e por crimes contra a administração pública aumentaram. Ao longo de 2011, por exemplo, foram julgados 41,5 mil processos do tipo. E, mesmo ao longo deste ano, o ritmo de trabalho vem se intensificando.

CNJ

A

ABR

Profissionais formados no exterior com desempenho considerado insuficiente no curso de capacitação do “Mais Médicos” poderão passar por uma “recuperação” nos municípios onde vão atuar. Na última sexta-feira, 13, último dia do ciclo, os profissionais se submetem à segunda e última avaliação. Os que tiverem média superior a 5 serão automaticamente aprovados. Aqueles que alcançarem 5 pontos exatos poderão receber um acréscimo na nota por participação em classe. Mesmo se o bônus não for concedido, os alunos passarão por um reforço nas cidades e por uma nova avaliação. Médicos e profissionais encarregados de acompanhar o curso em Brasília

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Processos contra administradores públicos se arrastam nos tribunais de todo o país, diz CNJ

Tribunais emperram julgamentos Até dois meses atrás, o percentual de julgamentos concluídos pelos cinco tribunais regionais federais, 27 tribunais de Justiça estaduais e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegava a 38,47% do total. De julho para cá, além de acelerar os julgamentos, a Justiça suspendeu

diversos processos por diferentes motivos, segundo informações dos tribunais encaminhadas ao CNJ. Improbidade administrativa são os atos praticados por servidores públicos que violam os preceitos de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições e que resultem

em enriquecimento ilícito e lesão aos cofres públicos. Entre os crimes contra a administração pública estão o peculato (desvio de dinheiro público), concussão (ato de exigir para si ou para outra pessoa, dinheiro ou vantagem em razão da função pública) e corrupção ativa e passiva.


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Mundo

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‘Repúdio a armas químicas é uma vitória da diplomacia’ E

mbora 100 mil pessoas já tenham sido mortas na guerra civil que assola a Síria há mais de 2 anos, foi o suposto uso de armas químicas que configurou o que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou de cruzar a “linha vermelha”. Para o cientista político canadense Richard Price, autor do livro “The Chemical Weapons Taboo” (O Tabu das Armas Químicas, em tradução livre), o repúdio da comunidade internacional ao uso de armas químicas é “um dos esforços mais bem-sucedidos de controle dos horrores de guerra”. Segundo Price, o êxito foi obtido graças à combinação de uma série de fatores: acordos internacionais, opinião pública contrária às armas de destruição em massa e, principalmente, tradição de não uso. “Acordos internacionais foram firmados a partir da constatação de que as armas químicas representam uma ameaça indiscriminada a civis”, disse Price citando a Declaração de Haia de 1899, o Protocolo de Genebra de 1925 e a Convenção Sobre Armas Químicas de 1993, que entrou em vigor em 1997. “Mas a tradição de não uso

AE

Cientista político canadense afirma que rejeição às armas químicas é um esforço contra os horrores da guerra contribui para seu status quase único de controverso e abominável. O que aconteceu na Segunda Guerra Mundial foi muito importante nesse sentido: poucos líderes se arriscaram a fazer o que nem mesmo Hitler fez. Apesar do uso de gás em grande escala nos campos de concentração, Hitler não usou agentes químicos como arma de combate”, completou. Ataque químico O suposto ataque químico contra civis sírios ocorreu no último dia 21 de agosto, na periferia da capital Damasco, matando 1.429 pessoas, sendo 426 crianças, segundo um relatório da Casa Branca. Tanto o regime do ditador Bashar alAssad quanto a oposição síria negam que sejam responsáveis pelo ataque. Para o pesquisador Price, a postura de ambos os lados só reforça o estigma moral conferido às armas químicas. “É lamentável o que ocorre na Síria, mas, por outro lado, é a confirmação do tabu, ou seja, a confirmação de que, apesar da violação das normas, o uso de armas químicas é moralmente inaceitável”, afirmou Price, que também é professor da University of British Columbia, em Vancouver (Canadá).

O suposto arsenal de armas químicas que o ditador sírio Bashar al-Assad estaria escondendo levou à pressão internacional

Arsenal nuclear tem uso mundial irrestrito De acordo com Price, assim como as armas químicas, as armas nucleares estão incluídas na categoria de armas de destruição em massa, mas “não há tratados que proíbam seu uso, apesar dos esforços”. “O que há são regras banindo testes e posse de armas nucleares, mas o fato de China,

Rússia, EUA, França e Reino Unido estarem autorizados a manter seus arsenais é um obstáculo na busca da proibição completa”, afirmou. EUA x Síria A denúncia do uso de armas químicas levou Obama a ameaçar o regime sírio com

uma intervenção militar, que seria votada no Congresso dos EUA nesta semana. O anúncio de Obama foi feito no último dia 31 e, desde então, esforços têm sido feitos por todas as partes a fim de encontrar uma solução diplomática para o conflito. A última movimentação

nesse sentido ocorreu no dia 12, quando a Síria enviou à ONU um documento no qual se compromete a assinar a Convenção Sobre Armas Químicas. Esse seria o primeiro passo da proposta feita pela Rússia, país aliado da Síria, que prevê ainda a entrega e destruição do arsenal sírio.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

TÁCIO MELO/SEMCOM

Avenidas ganham novo visual Dia a dia C6 e C7

Bêbados infratores JOEL ROSA/ARQUIVO EM TEMPO

Campanhas de combate à embriaguez ao volante esbarram na falta de bom senso e irresponsabilidade de quem usa redes sociais para driblar a lei ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

“S

e beber, não dirija”, é a frase mais utilizada em quase todas as campanhas do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran–AM), como forma de tentar combater acidentes graves e até mesmo fatais, mas os atos de irregularidades continuam diariamente. Com o surgimento das novas tecnologias, as blitze de combate às infrações são informadas por Facebook, Whats app, Twitter e mesmo SMS, o que atrapalha o trabalho de investigação e colabora para que o pior aconteça: avisados antecipadamente, os motoristas irresponsáveis driblam a fiscalização, escapam da punição e, infelizmente, acabam causando acidentes que, quando não os deixa sequelados ou mata, destroem a vida de outros inocentes. Tentativas para mudar essa realidade não faltam. No próximo dia 18, começa a Semana Nacional do Trânsito, abordando justamente o abuso de álcool ao volante. Em Manaus, o Detran vai enfocar o tema “Década de Ações de Segurança do Trânsito – 2011/2020: Álcool, outras Drogas e segurança no Trânsito: efeitos, responsabilidades e escolhas”. O Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) também garantiu em participar da semana com campanhas reforçadas para a segurança dos pedestres em travessias,

alertando os motoristas sobre como colaborar nas faixas sinalizadas. Segundo estatísticas do Detran, desde janeiro até o dia 2 deste mês, 1,94 mil pessoas já foram multadas por embriaguez. Diferente do ano passado, quando no mesmo período o número chegou a 646. Além da multa, o condutor infrator fica em média 12 meses sem dirigir. De acordo com o diretor-presidente do Detran-AM, Leonel Feitosa, o departamento realiza um estudo para que esse prazo do “castigo” seja aumentado para 36 meses. “Estamos tendo muitas ocorrências de pessoas que estavam com suas

INICIATIVA

No próximo dia 18, começa a Semana Nacional de Trânsito, que vai abordar a questão ainda não resolvida sobre o abuso do álcool ao volante, causa de muitos acidentes graves e até mesmo fatais habilitações suspensas e são pegas novamente dirigindo embriagadas, e é necessário que combatamos esse tipo de ato”, disse. A assessoria do Detran-AM, apesar de questionada desde a última quarta-feira (11), não forneceu informações estatísticas recentes sobre o número de vítimas fatais ou lesionadas em acidentes de trânsito em Manaus.

Um caso de sobrevivência Por causa da bebida e o volante, inocentes morrem, pessoas são lesionadas por toda a vida ou outras conseguem sobreviver para contar sua história. O empresário Luciano Vieira, 38, foi uma vítima da combinação de bebida e direção. Ele chegou a ficar preso entre as ferragens do carro, mas afirma ter sobrevivido para poder contar a história e colaborar que outras pessoas evitem descumprir os regulamentos da legislação de trânsito. O acidente aconteceu na madrugada do dia 23 de dezembro de 2007. Naquele ano, o empresário trabalhava com animação de festas, iluminação e caixas de sons. Quando estava se deslocando para deixar um casal de amigos em suas residências. Após deixar o primeiro, seguiu com a namorada dele para deixá-la em casa, mas na rua Rio Branco, no conjunto Santos Dumont, em um sinal próximo à passagem de nível, outro carro avançou o sinal e bateu seu veículo. A namorada do amigo, que vinha no banco de trás, foi jogada para fora do car-

ro, enquanto Luciano ficou preso entre as ferragens. “A situação foi tão rápida que não tive como ter reação, no momento em que o rapaz bateu, simplesmente desacordei e não estava mais consciente do que estava acontecendo ao meu redor”, relembrou Vieira. Bebida O empresário ficou em coma na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) por mais de quatro horas. Quando retornou, seu irmão estava ao seu lado e contou tudo o que havia acontecido e informou que o acidente lhe causou a fratura de quatro costelas. “Meu irmão contou que o outro motorista conseguiu fugir. Os peritos que foram até o local, informaram que no outro carro foram encontradas várias garrafas de long neck e que o motorista alcoolizado teria dormido ao volante e batido o meu carro. Foi comprovado que ele estava dirigindo a aproximadamente 150 quilômetros por hora”, contou. Até hoje o motorista infrator não foi identificado.

Acidente de trânsito com vítima fatal em Manaus: abuso de álcool e desrespeito às leis são os alvos da campanha deste ano

‘Problemas culturais’ impedem soluções De acordo com o titular da Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito (Deat), Luiz Humberto, recentemente houve uma mudança na legislação onde a Lei Tolerância Zero foi implantada para complementar a lei nº 9.503/97 do Código de Trânsito Brasileiro. Para condutores de veículos que estejam trafegando sob o efeito de álcool e sejam flagrados pela polícia, a legislação determina que o condutor seja

encaminhado para qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde será autuado por embriaguez ao volante (artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro) com pena de detenção de 2 a 4 anos, porém na maioria dos casos a pena é afiançável e o valor é estipulado pela autoridade policial no ato da ocorrência. Luiz Humberto informa que acidentes de trânsito estão relacionados a uma série de problemas culturais que a so-

ciedade enfrenta. Cidadãos “É preciso desenvolver mais campanhas educativas nas escolas, formar cidadãos de forma que eles estejam aptos para entender que é fundamental ter respeito com o próximo e lembrar: se estou bebendo, não posso dirigir; se vou dirigir, não posso beber. Essa iniciativa é significativa para salvar vidas”, disse. Na maioria das fiscaliza-

ções, os condutores acabam se livrando, pois são avisados por meio de redes sociais sobre os locais onde estão acontecendo as fiscalizações. Ele conclui que a iniciativa deve vir de casa, onde os pais precisam dar bons exemplos aos filhos, pois na maioria das ocasiões pais, na companhia dos filhos, desrespeitam as sinalizações do trânsito, avançando sinais, dirigindo pela contramão e parando em cima de faixas de pedestres.


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Dia a dia

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Palmada ou diálogo?

Polêmica sobre como lidar para impor limites aos filhos ainda está longe de acabar. Discussão ainda envolve a real necessidade do castigo físico para evitar comportamentos indevidos e controle dos pequenos sobre os próprios pais REPRODUÇÃO

LUCIANO LIMA Especial EM TEMPO

U

ma palmada ou um castigo verbal? Qual a melhor maneira de impor limites nos filhos dentro e fora de casa? A famosa “palmadinha” vem levantando polêmica e possui projeto de lei esperando por aprovação unânime em Brasília para que seja definitivamente proibida nos lares brasileiros. Contudo, essa possível decisão pode ser um divisor de águas na maneira como as regras serão aplicadas, daqui em diante, às crianças e jovens diante de pais doutrinados em uma criação tradicional. Segundo a psicóloga Izane Maria de Souza Queiroz Macedo, a ação pode ser prejudicial. “A violência com palmadas mexe com o emocional da criança e esta guardará mágoas para sempre” explicou. “Não é com palmadas que você educa, e sim com diálogo para ensiná-la a pensar no que fez, e os pais podem fazer e manter limites retirando da criança aquilo que ela mais gosta”, exemplificou a psicóloga. A pedagoga Mariângela Lima da Silva acredita que estabelecer regras é o melhor caminho. “Com certeza a palmada não é bem-vista pelos educadores, e limite é a palavra chave. Para isso deve haver regras de boa convivência, cumprimento de leis e isso deve ser ensinado desde a infância”, falou. “Mas também não sou contra a palmada, pois há uma grande diferença entre palmada e

espancamento, e acredito que a intensidade que é questionável”, disse a pedagoga. A produtora de TV Yara Oliver, 29, entende que o castigo é o correto. “Aprendi que tinha que obedecer meus pais e respeitá-los. Minha filha quando faz ‘malcriações’ fica de castigo, temos várias regras e o castigo por um mal-feito é essencial para aprendizado”, ressaltou. Lei da Palmada Diante de muitos questionamentos e pelo menos 14 passagens na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto de lei (PL7672/2010) conhecida popularmente como a “Lei da Palmada” tem levantado questionamentos e oposição de alguns parlamentares. A proposta aprovada em comissão especial da Câmara no final de 2011 e prevê em caso de “agressão’’, encaminhamento dos pais ao programa oficial de proteção à família, tratamento psicológico ou psiquiátrico e também advertência, além de encaminhamento da criança ou adolescente para tratamento profissional. A lei também responsabiliza professores, médicos ou servidores públicos com o pagamento de até 20 salários mínimos caso estes não denunciem o fato às autoridades. A falta de acordo entre parlamentares pode levar o projeto para votação no plenário o que tem causado desencontros nos trâmites acerca de uma decisão final quanto à “Lei da Palmada”.

Discussão ainda sem conclusão Em tom de desacordo, o deputado Marcos Rogério (PDT-RO) apontou a possível decisão como atropelo. “É um projeto que não poderia ter ganhado tramitação conclusiva. Por quê? Porque o regimento interno cita o artigo 68 da Constituição Federal, que proíbe a tramitação conclusiva, porque esse tipo de projeto trata de direitos individuais”, disparou. “Então, o que aconteceu foi um atropelo regimental e uma ofensa à Constituição Federal”, disse o parlamentar. A presidente da comissão especial, a deputada Érika Kokay (PT-DF) defendeu uma reforma legislativa diante da oposição. “Existe um grupo de parlamentares que acham que educação é bater,

que acham que as crianças podem ser submetidas a tratamentos cruéis e degradantes. Esses parlamentares não admitem que nós possamos reformar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA-lei 8.069/90)”, falou. A deputada justificou que o projeto trata somente do direito das crianças e adolescentes serem isentos de castigo físico e tratamento cruel e degradante. A secretária Ane Freitas, 28, defendeu a palmada. “Qualquer criança, pelo menos a minha, tem que ser corrigida com palmadas sim, mas de leve, claro. Temos que colocar limites antes que coloquem para os pais e isso deve ser introduzido sem exageros e com conversa”, argumentou.


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Dia a dia

Em 40 anos, mais de 1,8 mil teses e dissertações Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia comemora aniversário com uma produção científica de relevância para nossa região

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m 2013, os programas de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) completam 40 anos, desde a criação do programa de Botânica em 1973. Ao longo deste tempo, foram produzidas mais de 1,8 mil dissertações e teses que contribuem com a produção científica na região amazônica. Formar pesquisadores qualificados influencia diretamente as estratégias que podem ser tomadas na região, uma vez que, segundo o diretor do instituto, Adalberto Val, é relevante não só entender os processos em curso na Amazônia, mas o que é necessário para um futuro adequado para a região, compatibilizando floresta e demandas sociais. “É muito diferente atender demandas de uma população em um ambiente estruturado do que atendê-las em um ambiente diverso como a Amazônia. A mobilidade na região requer uma série de ações diferentes daquelas que são requeridas em lugares estruturados, e só podemos conseguir atender essas demandas por meio de novas tecnologias e informações. A pós-graduação tem o papel fundamental na capacitação de pessoal para produzir essa informação. Eu diria que o nosso domínio sobre a Amazônia está diretamente relacionado com a nossa capacidade de formar e fixar pessoal qualificado e de alto nível na região”, afirma Val. Ainda segundo o diretor e pesquisador do Instituto, a formação de mão de obra qualificada para a região, não se aplica na atuação apenas em academias ou instituições de pesquisa. “Nós estamos em um movimento hoje mundial para um novo paradigma de relação das pessoas com seus ambientes, estamos em um processo de transição. Esse processo não vai só afetar apenas os países envolvidos ou a sociedade que está mais estruturada, mas ele vai ter reflexo por todo o sistema de uma maneira geral”, afirma. “Por isso, quanto maior e mais robustas forem as informações que você tem para um dado ambiente, melhores serão as intervenções que poderá fazer. E as informações vêm da produção científica, que decorre da capacitação profissional”, conclui o diretor. Comemoração Segundo a coordenadora de capacitação, Beatriz Ronchi Teles, a comemoração dos 40 anos dos programas de pós-graduação será nos dias 12, 13 e 14 de novembro, quando ocorrerá a Menção Honrosa Warwick Estevam Kerr, mais alta homenagem conferida pelo Inpa a brasileiros e estrangeiros que tenham contribuído para o desenvolvimento e avanço da docência, da pesquisa científica e tecnológica e da inovação no âmbito de seus programas de pós-graduação.

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Adalberto Val, diretor do Inpa: capacidade de qualificar pessoal de alto nível em nossa região


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Dia a dia

Floresta é loteada e p

Com três invasões c que só está começando, a região metropo em um grande favelão se o p MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

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Enquanto se decide de quem é a competência, madeiras de lei, como centenárias seringueiras, continuam tombando

carro com o adesivo “reportagem” chama a atenção dos índios que estão na entrada da invasão do Km 4 da rodovia Manoel Urbano. Em fração de segundos eles armam as flechas em seus arcos e apontam para o veículo do jornal. “Voltem. Voltem daqui!”, grita um deles, com olhar furioso. Tem o corpo pintado de preto e desenhos de urucum vermelho por todo o braço. Baixamos os vidros do Celta e tentamos explicar que só queríamos conversar com o cacique Sebastião, o líder da invasão. – Tu pode até entrar. Mas não vai sair! – ameaça um segundo índio que direciona o arco para o para-brisas do carro. Um terceiro, que parece liderar o grupo debruça-se na janela do carro e com semblante irado avisa: – Daqui ninguém passa. De inimigo “tamo” cheio. A televisão só diz que a gente faz refém, que a gente ameaça e que a gente mata. Tudo mentira! O repórter explica que por isso está ali. Para ouvir o outro lado da história, o lado dos invasores e de seu líder, o cacique Sebastião. E nada mais. – Está vendo, eu trouxe um gravador. O cacique vai falar o que quiser, eu gravo, e só escrevo o que ele falar. Se ele não quiser dar entrevista, a gente vai embora, combinado? No meio do “diálogo” ríspido, sempre sob a mira de flechas e lanças, um dos seguranças chega montado em uma motocicleta e, de forma sensata, tenta contornar a situação. – Deixa eles entrarem. Eles querem falar com o Sabá. Vamos levar eles lá, nada de violência. – Não é televisão? pergunta o chefe do grupo indígena. – Não. É jornal impresso, aquele de papel. – Vou confiar, mas se ele não quiser falar vão embora, para o bem de “tudo”! – Como é seu nome, por favor? – pergunta o repórter. – Nada de nomes. Nada de perguntas! – corta o índio, voltando a franzir a testa. Em seguida chama um de seus “guerreiros” e dá as ordens: – Vá na moto e leve eles lá com o Sabá. Vocês repórteres (dirigindo-se aos jornalistas), sigam a moto. E depois, apontando para os seus comandados: – E quando eu falar não quero ninguém me interrompendo, viu? Parece incrível, mas estamos dentro da invasão onde até a Polícia, fiscais de meio ambientes e até equipes da Amazonas Energia se recusaram a entrar, diante das ameaças. Em agosto o fotógrafo do EM TEMPO, Ricardo Oliveira – o mesmo desta reportagem – tentou entrar e foi feito refém. São 15h22 de sexta-feira. O sol causticante resseca ainda mais a terra e o calor é infernal. É a primeira vez que uma equipe de jornalistas tenta dialogar com os invasores e a documentar o cenário de terra arrasada em que se transformou aquilo que um dia já foi uma reserva florestal com castanheiras centenárias, árvores de mogno, palmeiras de

tucumã e animais silvestres. O que se vê agora é a terra nua, devastada, ressecada, dividida em milhares de lotes para aproximadamente 10 mil invasores, de acordo com o tikuna José Nerys, que, vindo de Anori, está morando na invasão há dois meses. Uma olhada rápida no ambiente dá para perceber que nem todos que estão com a pele pintada e nos ameaçam com arcos e flechas são índios de verdade. Têm cabelos crespos, pele clara e usam calção de surfistas, vendidos em qualquer portinha de bazar em Iranduba. Trata-se de um artifício inteligentemente usado para que a competência para julgar a ocupação ilegal da terra passe para o fórum da Justiça Federal, já que a questão envolve índios. Mas, se houver índios de verdade, eles não chegam a 20 representantes que, segundo eles mesmos, são de etnias variadas. Alguns se identificam como mura outros sateré mawé ou até mesmo apurinã. No mais, são caboclos de Iranduba e Manacapuru brincando de “mocinho e índio”, mas que, no fundo, estão tentando segurar seu pedaço de chão. A vida corre preguiçosa nas entranhas da invasão. Pequenos comércios vendem carvão, refrigerantes, peixe e conservas. Mulheres trajando apenas

FAVELAS SEMEADAS Mas, enquanto eles discutem de quem é a competência, a invasão avança deixando árvores tombadas, terras loteadas e favelas semeadas. Pobre região metropolitana shorts e sutiã estendem roupas em varal. Homens erguem barracos com todo tipo de material: palha de palmeiras, ripas de caixotes, paus de escora retirados da floresta, sacos de plástico e isopor. Num igarapé ao lado, adolescentes da cidade tomam banho e bronzeiam a pele que já está esturricada pelo sol. Algumas estão só de calcinha e sutiã. Por todo lado existem troncos de árvores que tombaram sob a força da motosserra. Com um olhar mais aguçado é possível enxergar pequenas placas de papelão com inscrições grotescas demarcando o “lote do Raimundo”, “lote do Gabriel”, “lote do Edilson”. A floresta foi loteada e o poder público nem viu. Ou fez que não viu. Em poucos minutos a moto para em frente a um barraco e o segurança aponta: “É aqui, vá chamar o cacique”, ordena para o índio que estava na garupa. Cinco minutos depois, sem largar a lança, o rapaz volta em companhia de uma índia mura, que avisa: – O Sebastião não está. Foi lá na cidade e só vai estar aqui à noite. – Agora é melhor tu ir embora – aconselha o índio. Diante de um convite tão amigável, achamos por bem seguir o conselho, até porque manda quem pode, obedece quem tem juízo.


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poder público não vê FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

consumadas e uma olitana está ameaçada de se transformar oder público não fazer nada

Para transpor a porteira da invasão, só com autorização dos índios e brancos travestidos de índios

Agora, eles já somam mais de 10 mil invasores A invasão do Km 4 da rodovia Manoel Urbano (AM 070) teve início em agosto e não tinha mais que 700 invasores. Em menos de dois meses subiu para 6 mil e agora somam mais de 10 mil. E não para de chegar gente. Durante o tempo em que ficou nas entranhas da invasão, a equipe do EM TEMPO observou que mais de cinco novos carros chegavam para ocupar um pedaço de terra. São carrões do tipo Pálio, Strada, Fiat Uno, Haillux, Eco Sport, e Frontier, demonstrando que a invasão está tomada por gente sem escrúpulo que nem de terra precisa.

Correm boatos que na invasão existem parentes de vereadores de Iranduba, habitantes de Manacapuru e Novo Airão e que a área pertence a evangélicos que estão permitindo a ocupação da terra para depois negociar com o governo uma indenização pela desapropriação. Comentam até que o próprio prefeito, Xinaik Medeiros está fomentando a invasão. Apesar de negar tudo, Xinaik Medeiros acaba se comprometendo porque se recusa a dar entrevistas e foge da imprensa como o diabo foge da cruz. E, como diz um velho ditado da selva, quem cala consente.

Placas de papelão demarcam os lotes com os nomes de seus proprietários

O juiz Rafael Lima alega que, por se tratar de índios, a competência é da Justiça Federal

Enquanto isso, Justiça discute de quem é a COMPETÊNCIA

Veja quem está por trás das invasões Para entrar sem problemas na invasão “Novo Ariaú”, encravada em uma reserva florestal da comunidade de Ubim, no Km 36 da rodovia Manoel Urbano, é necessário um código: motocicletas e carros buzinam três vezes, a pé, o visitante tem que conversar primeiro com um homem armado de terçado. Acompanhados por um proprietário que está construindo um codomínio fechado na fronteira com a invasão e de seu advogado, Nelson José Oliveira da Silva, a equipe do EM TEMPO se atreve a entrar, mas os dois homens que vêm acompanhando a situação, aconselham que não.

“ N e m a gente, nem os fiscais do meio ambiente e muito menos a polícia se atreveu a fazer isso. É perigoso”, adverte o proprietário que já detectou derrubadas de castanheiras e focos de fumaça nas floretas de sua propriedade. A invasão “Novo Ariaú” é a

segunda que está surgindo no “efeito dominó”. A terceira que vem se formado, já ameaça devorar as terras do empresário que está construindo um codomínio e prefere não se identificar com medo de ameaças. De acordo com nossos “guias”, quem está por trás das invasões no município de Iranduba é um vereador da Câmara Municipal de Manacapuru, José da Silva Gerônimo e o pastor Dilson Freda, da

Assembleia de Deus Tradicional e presidente da Associação Comunitária de Ubim, Francisco Belfort, conhecido na região como “Chico Maranhão” – , por ser imigrante da terra de Sarney –,

além de um homem conhecido apenas por Cubiu, que está sendo indiciado pela Delegacia Especializada de Repreensão a Crimes Ambientais. Depois de desistir de entrar no aglomerado de barracos e devastação da “Nova Ariaú”, tentamos chegar à casa do pastor, um barraco localizado no quintal da igreja Assembleia de Deus Tradicional. – O

pastor Dilson não está. Foi para Manaus cuidar de negócios – descarta, da porta semiaberta, uma mulher aparentando uns 40 anos – A senhora pode informar se o pastor é o líder dessa invasão? – não sei, mas acho que ele manda lá também, porque ele é o presidente da Associação de Ubim que comanda tudo por aqui – entregou a mulher. De dentro da casa, uma voz de homem, irritada, interrompe a conversa: – Não fala nada, sua burra! Seria a voz do próprio pastor Dilson?

Proprietários das terras estão vigiando a floresta para tomar as motosserras e impedir novos cortes de árvores

Parte do conjunto de obras da construção da ponte Rio Negro, a região metropolitana foi abraçada pelos habitantes de Iranduba como a “terra prometida”. Aquela que em poucos tempos atrairia investimentos, geraria empregos, desenvolvimento e, o que seria ainda melhor, valorizaria a terra de quem já as possuía desde o tempo em que a região do outro lado do rio era uma terra que ninguém queria. O tempo provou que o outro lado da moeda seria amargo. Com a facilidade da travessia – agora feita de carro e não da estressante balsa –, Iranduba e o abandonado Cacau Pirêra passaram a ser “terra de ninguém”, atraindo criminosos, golpistas, especuladores e vigaristas. Um “faroeste caboclo” onde todo mundo se acha no direito de invadir terrenos que já têm donos. Ninguém respeita cerca de arame farpado, vigias e muito menos títulos de propriedade. Mas onde está a Justiça que não vê nada disso? Onde está a polícia que se recusa a monitorar a entrada de aventureiros em terras alheias? Onde estão os órgãos de meio ambiente que permitem a devastação da floresta e a transformação de reservas ecológicas em favelas? De acordo com o juiz Rafael da Rocha Lima, da 1ª Vara da Comarca de Iranduba, as invasões vêm sendo objeto de uma grande preocupação por parte dos poderes Judiciário, Legislativo, Executivo e do Ministério Público. De acordo com o magistrado, as invasões correm nesse exato momento no início da Manoel Urbano, que já foram alvos de liminares concedidas tanto pelo juiz da 1ª Vara quanto da 2ª Vara. – Mas, no momento essas ações estão tramitando na Justiça Federal por conta de uma manifestação por parte da Funai, porque há interesse indígenas nas demandas. Por conta disso houve des-

locamento para a Justiça Federal, com base no que diz a Constituição – explica Rocha Lima. Ele disse que há pouco tempo também foi detectada uma segunda invasão, a “Nova Ariaú” e uma terceira, já no limite do lago, que só está começando, mas que já é possível se avistar, sobre as copas das árvores, focos de fumaça de roçado e castanheiras centenárias sendo derrubadas. – Essa situação possessória já está tramitando aqui na 1ª vara, mas essas invasões, além das questões possessória e fundiária, trazem também um dano ambiental à área, porque as pessoas na terra, fazem o loteamento irregular do solo e também degradam o meio ambiente. Disse o juiz que essa questão ambiental está sendo passada ao Ministério Público que vai analisar a situação para saber se é o caso ou não de se entrar com uma medida judicial para que o Poder Judiciário, uma vez provocado, possa analisar a situação para ver qual a melhor medida a ser tomada. Sobre a possibiidade de uma ação pública civil ser a saída judicial para deter as invasões, o magistrado explica que essa questão diz mais respeito ao Ministério Público. – A documentação será encaminhada, acredito eu, pela titular da Delegacia Especializada de Repreensão a Crimes Ambientais. Entregando essa documentação ao MP, vai ser feito o juízo de valor para saber qual a medida mais adequada a ser encaminhada ao Poder Judiciário – explica Rafael Lima. Mas, enquanto eles discutem de quem é a competência, a invasão avança deixando árvores tombadas, terras loteadas e favelas semeadas. Pobre região metropolitana.


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Dia a dia

‘Quadrilátero da Copa’ 15 avenidas

Meta da prefeitura é preparar 65 quilômetros do sistema viário no entorno da Arena da Amazônia até março de 2014

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Prefeitura de Manaus está trabalhando em cinco frentes de obras para requalificar a cidade para a Copa de 2014. A expectativa é que até 31 de dezembro cinco avenidas do projeto “Quadrilátero da Copa” estejam totalmente pavimentadas, entre elas Djalma Batista, Dom Pedro, Loris Cordovil, Pedro Teixeira e Turismo. As obras começaram em julho. Nesta semana, os trabalhos foram intensificados na avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, Zona CentroOeste, que foi parcialmente interditada nos dois sentidos para reestruturação da base asfáltica do trecho que vai do sambódromo até o hospital de Medicina Tropical.

FOTOS: TÁCIO MELO/SEMCOM

“Todas as principais avenidas de Manaus receberão intervenções. Serão, pelo menos, 200 quilômetros de recapeamento até o fim da gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto, sendo 65 quilômetros até março de 2014, pois estão inseridos no “Quadrilátero da Copa”. Nesse trecho específico da Pedro Teixeira, além da pavimentação, trabalhamos ainda na reciclagem da sub-base asfáltica com reforço em solo cimento”, explicou o diretor de Engenharia da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Antonio Nelson. O “Quadrilátero da Copa” contempla, ao todo, 15 avenidas do entorno da Arena da Amazônia, Centro, aeroporto internacional Eduardo Gomes e parque Ponta Negra. Os qua-

tro eixos foram divididos em cinco lotes pela Seminf, sendo o primeiro entregue até fim do ano. A prefeitura também realiza pavimentações em outros corredores da cidade, como André Araújo, Ephigênio Salles e Professor Nilton Lins. Fazem parte do segundo lote de obras do “Quadrilátero da Copa” as avenidas Constantino Nery, Torquato Tapajós, Max Teixeira e Noel Nutels, até o Terminal de Integração da Cidade Nova (T3), Zona Norte. O terceiro lote é a avenida Coronel Teixeira, da bola do Carrefour até a marina do David. São pouco mais de 7 quilômetros de via que deverão ser recapeados em parceria com o Exército Brasileiro, por meio do convênio entre prefeitura e Comando

Militar da Amazônia (CMA). Os quarto e quinto lotes correspondem às avenidas Senador Álvaro Maia e Brasil, além da Mário Ypiranga, Umberto Calderaro Filho e Autaz Mirim, respectivamente. A reestruturação completa está estimada em R$ 200 milhões, com recursos do Tesouro Municipal e Caixa Econômica Federal. As obras do primeiro lote estão sendo realizadas pelo consórcio Manaus Etacom, cujo valor é de R$ 40,870 milhões. Os avisos de licitação dos lotes 2, 4 e 5 já foram publicados na edição de nº 3245 do Diário Oficial do Município (DOM), de 3 de setembro deste ano. As concorrências ocorrem nos dias 7 (lotes 2 e 4) e 8 de outubro (lote 5).

Obras de reestruturação estão orçadas em R$ 200 milhões

Requalificação A exemplo do que vem sendo realizado no projeto “Nova Djalma Batista”, além dos trabalhos de recapeamento, as avenidas do “Quadrilátero da Copa” também receberão nova iluminação pública, ordenamento das calçadas, projeto de mobilidade urbana, sinalização bilíngue e humanização dos espaços públicos. De acordo com o diretor-presidente do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, a ideia é aplicar ao desenvolvimento da cidade obras urbanísticas que dinamizem a qualificação dos espaços públicos, como praças, parque e os próprios passeios. “Manaus tem uma grande demanda por lazer público. A população precisa de mais lazer urbano gratuito, de mais oportunidades para a prática

esportiva ao ar livre, ou, do simples encontro contemplativo. As calçadas são fundamentais para o início desse trabalho de qualificação e humanização dos espaços públicos”, afirmou Moita. Ainda segundo o diretor-presidente do Implurb, a ação na avenida Djalma Batista foi organizada em dois processos pela enorme quantidade de disfunções urbanas existentes, tais como estacionamentos irregulares, obstrução e modificação das calçadas. “O primeiro passo é o ordenamento urbano, que inclui desocupação dos passeios, depois passaremos para obra física propriamente dita, priorizando a regularização dos estacionamentos irregulares, mas para isso é preciso deixar a plataforma de três metros de calçada livre”, completou.


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reestrutura de Manaus As avenidas principais do espaço do “Quadrilátero da Copa” passarão por uma reestruturação com novo asfalto

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Bus Rapid Service é prioridade Outra prioridade da prefeitura no processo de requalificação de Manaus é a melhoria do transporte coletivo com a implantação do Bus Rapid Service (BRS). Cinco das 13 plataformas que começaram a ser reformadas para o novo modelo já estão em fase de acabamento. Serão 17 quilômetros de faixa exclusiva para os ônibus articulados que passarão pelo T3, T4 e avenida Torquato Tapajós. Segundo Waldir Frazão, diretor de Transportes Urbanos da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), o BRS também contará com câmeras

de fiscalização eletrônica ao longo de todo trajeto, especialmente próximo aos abrigos centrais, para garantir que outros veículos respeitem as faixas exclusivas. O condutor que for flagrado pela fiscalização eletrônica invadindo o trajeto dos ônibus articulados estará sujeito à multa. “Também implantaremos o sistema de semáforos inteligentes. A medida permitirá que os ônibus do BRS tenham sempre tráfego livre, pois ao se aproximarem dos sinais de trânsito estes, automaticamente, ficarão verdes e liberarão a passagem do ônibus”, garantiu

Waldir Frazão. O diretor disse ainda que a meta da SMTU é que com a implantação do BRS a velocidade média do transporte coletivo aumente em 50%. “Estimamos que a velocidade média passe dos atuais 12 quilômetros por hora para 24 km/h, garantindo o garantindo cumprimento dos horários das rotas, melhorando o serviço oferecido e atraindo mais usuários para o sistema de transporte coletivo. Com isso, também aumentaremos o Índice de Passageiros por Quilômetro (IPK) o que possibilitará, no futuro, a redução da tarifa”, finalizou.

Trabalhador da prefeitura em ação na região próxima à Arena da Amazônia, Zona Centro-Oeste

Avenida Pedro Teixeira, no Dom Pedro: um dos locais beneficiados com os trabalhos

Roberto Moita, diretor-presidente do Implurb: grande demanda por lazer público na cidade


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Dia a dia

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Conferência das Cidades vai tratar de mobilidade ções não governamentais e poder público. Eles foram eleitos nas etapas municipais da conferência realizadas em 20 cidades do Amazonas (Presidente Figueiredo, Nova Olinda do Norte, Alvarães, Borba, Coari, Parintins, Tefé, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Maués, Manacapuru, Novo Airão, Eirunepé, Autazes, Silves, Be-

EVENTO

A 5ª Conferência Estadual das Cidades vai reunir 300 representantes de seis segmentos da sociedade: movimentos populares, trabalhadores, empresários, entidades profissionais e outros ruri, Maraã, Novo Aripuanã, Lábrea e Manaus). Eleição de delegados Os participantes vão discutir e elaborar propostas com base no tema Desenvolvimento Urbano, como a participação social, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Urbano (FNDU), as políticas de integração territorial e de incentivo à implantação de

instrumentos de promoção da função social da propriedade. A agenda vai priorizar 15 propostas para o período 2014-2016, que serão aprovadas no evento. Além disso, serão eleitos 45 delegados para representar o Amazonas na etapa nacional da conferência em Brasília de 20 a 24 de novembro. Propostas Segundo o titular da Searp, José Farias (Zeca do PT), as propostas deverão contemplar não só a capital, mas, também, o interior do Estado. “É mais uma oportunidade de reunir poder público e sociedade civil para discutir e elaborar de maneira qualitativa, propostas, que vão beneficiar municípios amazonenses, com o apoio federal para a execução de ações de melhorias nos setores da habitação, saneamento, mobilidade urbana e regularização fundiária”, salienta o secretário. O resultado da conferência será um relatório a ser enviado a Brasília para concorrer à composição do documento nacional da 5ª Conferência das Cidades que será encaminhado para a presidente Dilma Rousseff.

A mobilidade urbana será uma das questões a ser debatida na conferência estadual

Programação 25/9/2013 - quarta-feira 13h - Início - credenciamento 15h - Cerimônia de abertura 16h às 16h40 - Palestra Magna – Quem muda a cidade somos nós: Reforma Urbana já! 17h - Coquetel de abertura e encerramento do credenciamento 26/9/2013 - quinta-feira 8h às 12h - Continuação do credenciamento 8h30 às 10h - Leitura e aprovação do Regulamento da 5ª Conferência Estadual das Cidades do Amazonas 10h às 10h20 - Intervalo (Lanche) 10h20 às 10h40 - Retrospectiva das quatro últimas Conferências Estaduais das Cidades do Amazonas 10h40 às 11h - Abordagens orientativas para os trabalhos em grupo temáticos • EIXO 1 – Participação e

Controle Social no Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano; • Eixo 2 - Fundo Nacional de Desenvolvimento Urbano - FNDU; • Eixo 3 - Instrumentos e Políticas de Integração Intersetorial e Territorial; • Eixo 4 - Políticas de Incentivo à Implantação de Instrumentos de Promoção da Função Social da Propriedade. 11h às 12h30 - Início dos trabalhos dos grupos temáticos 12h30 às 14h - Almoço 14h às 15h30 - Continuação dos trabalhos dos grupos temáticos 15h30 às 16h30 - Priorização das propostas e entrega para a coordenação de

sistematização 17h - Lanche e encerramento 27/9/2013 - sexta-feira 8h30 às 10h - Leitura das propostas 10h às 10h20 - Intervalo (Lanche) 10h20 às 12h - Reunião dos segmentos para indicação/ eleição dos delegados 12h às 14h - Almoço 14h às 15h - Leitura dos nomes dos delegados indicados, por segmento, para a 5ª Conferência Nacional das Cidades 15h às 16h30 - Proposição e apresentação das moções 16h30 às 17h - Coquetel de encerramento do evento ROBERTO CARLOS/AGECOM

H

abitação, saneamento, mobilidade urbana e regularização fundiária serão pautas de um amplo debate sobre o Sistema de Desenvolvimento Urbano na 5ª Conferência Estadual das Cidades do Amazonas. O evento será promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Articulação de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares (Searp), nos dias 25, 26 e 27 de setembro. A abertura do evento acontece no dia 25, às 15h, e as plenárias nos dias seguintes serão realizadas das 8h às 17h, no auditório Belarmino Lins da Assembleia Legislativa do Amazonas (avenida Mario Ypiranga, 3.950, bairro Parque 10, Zona Centro-Sul). O encontro conta com o apoio do Ministério das Cidades, do Conselho Nacional das Cidades e do Conselho Estadual das Cidades do Amazonas (Concidades/AM) e irá reunir 300 representantes de seis segmentos da sociedade: movimentos populares; trabalhadores; empresários; entidades profissionais, acadêmicas e de pesquisa; organiza-

MANOEL VAZ/SEMCOM

Sistema de desenvolvimento urbano será discutido em conferência estadual promovida pelo governo do Amazonas

A questão da habitação urbana também será um dos temas tratados no evento do governo


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plateia@emtempo.com.br

Sorriso Maroto estará no Samba Manaus (92) 3090-1042

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Menos visitantes

nos museus

ARQUIVO/GIOVANA CONSANTINI

Espaços registraram queda de 38%, ou seja, cerca de 45 mil visitantes deixaram ter essa opção de lazer no primeiro semestre, de acordo com dados do Indicadores de Desempenho do Estado do Amazonas

Em maio de 2012, um total de 29.415 pessoas circularam pelos museus locais, enquanto no mesmo mês, este ano, os indicadores caem para 14.814, quase 50% a menos

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e janeiro a junho de 2013, os museus administrados pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), receberam 73.816 visitantes, de acordo com os últimos dados divulgados pelo documento chamado Indicadores de Desempenho do Estado do Amazonas, da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (IdeaSeplan). A quantidade é menor 38% em relação ao número registrado no ano passado. Em 2012, no mesmo período, foram computados 119.043 visitantes nos museus públicos do Estado. Somente na comparação do mês de junho de ambos os anos, houve redução de mais de 45% nas visitas. A maior acentuação nessa diferença de públicos está atrelada ao mês de maio. Em 2012, nesse período, foram registradas 29.415 pessoas circulando pelos museus, enquanto que no mesmo mês de 2013, os indicadores caem para 14.814, quase 50% abaixo do dado anterior. Levando em consideração apenas os seis primeiros meses de 2013, o mês que recebeu menos visitantes foi fevereiro, com 7.867 pessoas nos espaços. A diferença de 45.227 pessoas

relacionando o primeiro semestre de um ano com o outro pode ter sido ocasionada pelas obras de reforma que toda a estrutura do Palacete Provincial está recebendo desde abril deste ano. A informação é da diretora do Departamento de Museus da SEC, Nazarene Maia. “Mesmo assim, não fechamos o prédio para visitação. O espaço está em manutenção, mas não privamos ninguém de ir. Contudo, dos cinco museus que abrigamos, estamos em funcionamento apenas com o museu de arqueologia e o de numismática Bernardo Ramos”. A diretora, por outro lado, admite que outros fatores externos podem influenciar nessa redução no número de pessoas que buscam visitar os museus. “Nós temos diversos espaços culturais para as pessoas visitarem. Temos teatros, parques, centros culturais, enfim. É normal que haja esse refluxo em determinados períodos”, reflete a gestora. Segundo Nazarene Maia, o prédio como um todo está em manutenção, incluindo reparos em sistemas hidráulicos, prediais e elétricos. “O prédio tem 137 anos de existência e abriga os museus há 5 anos. Então, é um espaço que requer cuidados e manutenção específicos”, explica. A diretora não soube precisar o prazo para o término das obras. “É um prédio antigo que precisa

de muitos cuidados e paciência, para não correr o risco de ferir sua integridade”, declara. O Palacete Provincial, onde ficam cinco dos museus do Estado (entre os 11 espaços coordenados pela SEC, incluindo o museu do Seringal, localizado na zona rural), tem seis mil metros quadrados, laboratório de arqueologia, ateliê de restauro e café. “A visitação acontece de terça-feira a domingo. O desgaste físico do prédio é grande e, para que a gente mantenha um padrão é necessário haver essas intervenções”, completa. Para a pesquisadora de museus Rila Arruda, o público manauense, de uma forma geral, ainda não tem o hábito de visitar esses espaços. “Há vários fatores que influenciam nisso, desde a falta de troca de exposições até a existência de uma política de formação de público para os museus, assim como já existe para os festivais. As articulações entre governo e escolas ainda é ínfima. Existe um problema em relação à difusão cultural, que apresenta ainda um marketing baixo. As programações poderiam aparecer mais em jornais – inclusive nos mais baratos. Se a divulgação se limitar à internet, como ocorre hoje, não vai chegar ao grande público”, pondera a autora do livro “Museus do Amazonas”, de 2012.

Estratégias para atrair gente Um exemplo de sucesso na prospecção e fidelização de visitantes de museus é o chamado Catavento Cultural, museu de ciência e tecnologia de São Paulo, que aposta na interatividade como principal atrativo de público, colocando-o em primeiro plano para a prospecção do próprio conhecimento. Segundo o diretor educativo do espaço, Osvaldo Guimarães, a média de visitação no Catavento varia entre 45 e 50 mil visitantes por mês. “A interatividade torna o passeio por um centro de ciências um acontecimento, no qual o visitante é o protagonista. Em termos de aprendizado, é um recurso que se relaciona com todos os órgãos dos sentidos e com a experiência emocional, da surpresa, da curiosidade e do encantamento. É claro que se aprende com o que simplesmente se vê ou lê, mas quando você vivencia um experimento isso se

torna inesquecível. Além disso, o edifício histórico Palácio das Indústrias que abriga o Catavento, com sua arquitetura eclética e centenária, é outro atrativo”, explica o diretor, enfatizando que a conjunção desses fatores, aliada também à preocupação estética das instalações e à constante renovação e aprimoramento, são as principais razões do sucesso do local. Para Guimarães, para que os museus como um todo possam ser mais atrativos para o público é preciso mostrar que o seu acervo é fundamental para a formação do cidadão, seja atuante de que área for. “Em uma época em que a mídia tenta cativar consumidores desde a infância, nós queremos cativar o cidadão com as realizações da ciência. Que ele veja e sinta como a ciência é importante para a sua qualidade de vida”, diz. BRUNO MATTOS

GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

IONE MORENO

Caderno D

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O museu Catavento Cultural fica em São Paulo As obras do Palacete Provincial, apesar se manter aberto, são indicadas como motivo da queda de visitas


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>> Nova pista . A noite de quinta-feira foi bem movimentada na região do Vieiralves, com a festa de abertura do Glam Dancing Bar, nova pista com clima moderninho da cidade. . A noitada, só para convidados, foi embalada pelo set list do DJ Louis Erre. O empresário Carlo Caitete estava de anfitrião da festa de inauguração da casa, com projeto dos arquitetos André Sá e Achilles Fernandes. Ferveção até altas horas.

>> Inauguração . O governador do Estado do Amazonas, Omar Aziz, inaugura na segunda-feira, às 11h, a unidade Parintins do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, localizada no bumbódromo da cidade. . O projeto é uma parceria do governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Cultura, mais Prefeitura de Parintins, por meio das secretarias municipais de Cultura, Turismo e Saúde, mais Secretaria de Estado da Saúde, Corpo de Bombeiros do Amazonas, Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e Polícia Militar do Amazonas. . A unidade Parintins do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro inaugura com capacidade para atender 5,7 mil alunos em 48 cursos artísticos e técnicos oferecidos em três turnos, de segunda a sexta-feira.

>> Objeto de desejo

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

>> Desenvolvimento urbano

Salvia Leite, João Fernandes e Rui Franco de Sá

. Habitação, saneamento, mobilidade urbana e regularização fundiária vão ser pautas de um amplo debate sobre o sistema de desenvolvimento urbano na 5ª Conferência Estadual das Cidades do Amazonas. . O evento será promovido pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Articulação de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares (Searp), nos dias 25, 26 e 27 de setembro.

Norma Araújo e Guto Oliveira

Bruno Mazieri, Mellanie Hasimoto e João Artur Vieira

. A abertura do evento acontece no dia 25, às 15h, e as plenárias nos dias seguintes serão realizadas das 8h às 17h, no auditório Belarmino Lins da Assembleia Legislativa do Amazonas. O resultado da conferência será um relatório a ser enviado a Brasília para concorrer à composição do documento nacional da 5ª Conferência das Cidades, que será encaminhado à presidente Dilma Rousseff.

. A grife suíça Parmigiani Fleurier fabrica relógios perfeitos para admiradores de um luxo secreto. . São apenas 5 mil peças por ano, que têm como marca registrada o esqueleto do mecanismo à vista na parte de trás. Suas pulseiras de couro são sempre Hermès, para quem a Parmigiani produz todos os relógios. A boa nova é que a marca abre um corner em São Paulo, este mês, dentro da Tools & Toys, no Cidade Jardim, para bons de bolso!

>> VITRINE . No próximo dia 21, acontece a tradicional feijoada beneficente para a Casa Vhida no Clube do Trabalhador. . Jander Vieira irá comemorar 20 anos de colunismo com festa no Diamond, no próximo dia 26, com dinner e espetáculo de humor com o artista Gustavo Mendes no palco. A society já está fazendo suas reservas de mesas. . Hoje, mais uma edição do “Escritório do Samba” no Lappa, no agito comandado pelo núcleo de festas Arrecad, que tem na equipe o simpático Breno Pimentel. . No dia 18, festa badalada de inauguração do showroom de imóveis e o mais novo empreendimento da Patrimônio Manaú, do empresário Marco Bolognese, com a presença confirmada de Álvaro Garnero.

Paulo Ricardo, Samya Cury e Arlindo Paiva, no coquetel de premiação de arquitetos na Florense

Helder Chagas e Nivea Mendonça

Schneider e Willys

. Até o dia 20 de outubro, na praça de eventos do Amazonas Shopping, Angry Birds Park.


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SERVIÇO ESQUENTA NO ‘ESCRITÓRIO DO SAMBA’ Quando: Todos os domingos, a partir das 15h Onde: Lappa Bar, rua Rio-Mar, 98, conjunto Vieiralves, Nossa Senhora das Graças

Atualmente, a banda é formada por Cris Oliveira (percussão), Sérgio Jr. (guitarra), Bruno Cardoso (vocalista), Vinícius Augusto (instrumentos de cordas) e Fred Araújo (surdo)

Sorriso Maroto no palco do Samba Manaus 2013

Um dos grupos de samba de maior repercussão no país faz a festa para os samba-maníacos, no primeiro dia do evento

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om a música “Fofinha Delícia”, feita sob medida para a personagem Perséfone, interpretada por Fabiana Karla na novela “Amor à Vida” (Rede Globo), o grupo Sorriso Maroto estourou em todo Brasil. O repertório de sucessos da banda carioca poderá ser conferido pelo público manauense na primeira noite, 11 de outubro, do Samba Manaus 2013, no sambódromo. O hit dedicado às mulheres gordinhas levanta o astral de quem está com alguns quilos acima da média. “As gordinhas estão se sentido poderosas porque a música mostra que toda mulher pode ser bonita do jeito que é”, afirma o vocalista da banda, Bruno Cardoso. Fazer música de sucesso não é novidade para a banda que emplaca o terceiro hit consecutivo em uma novela global. Eles também conquistaram espaço nas telas com as composições, “É Nóis Fazer Parapapá”, que ganhou destaque na novela “Salve Jorge”, e “Assim Você Mata o Papai”, da trilha de “Avenida Brasil”. O vocalista lembra que a divulgação excepcional da segunda música na novela foi o “empurrão” que faltava para aquecer as vendas do DVD “Sorriso Maroto – 15

anos”, uma homenagem à trajetória talentosa da banda de pagode que surgiu no Grajaú, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Aliás, não existem fronteiras para o Sorriso Maroto. Eles ganharam espaço também no universo da música sertaneja, quando apostaram na união do grupo com o cantor Michel Teló e lançaram o hit “É Nóis Fazer Parapapá”. A parceria ganhou as rádios do todo o Brasil e provou que a mistura entre o pagode e o ritmo sertanejo pode gerar bons frutos. Desde os primeiros hits nas rádios, em 2002 (“Ainda gosto de você”), a banda estava presa a um estilo mais românticomeloso. Foi somente a partir de 2008, com o sucesso “Assim você mata o papai”, que o Sorriso Maroto deu um novo rumo à carreira, assumindo um ritmo mais versátil. Atualmente, a banda é formada por Cris Oliveira (percussão), Sérgio Jr. (guitarra), Bruno Cardoso (vocalista), Vinícius Augusto (instrumentos de cordas) e Fred Araújo (surdo). Nas apresentações, o quinteto conta com um público estimado de mais de 200 mil pessoas. Na agenda de shows, cerca de 200 por ano são cumpridos pelo grupo carioca.

Hoje é dia do ‘Escritório’ O festival que vai agitar o sambódromo está na boca do povo e os amantes do samba já estão em clima de festa. Isso porque o primeiro “Esquenta no Escritório do Samba”, realizado pela Arrecad Produções e Eventos, irá acontecer hoje, a partir das 15h, no Lappa Bar, Vieiralves. A roda de samba será animada pelas bandas locais Nosso Caso,

Cacildis e Cuka Fresca. O evento dará o start para o Samba Manaus 2013, que contará com 12 atrações nacionais. “O Samba Manaus deste ano já estreia com uma megaatração e a primeira noite de samba será uma noite histórica, com a apresentação do Sorriso Maroto e outras grandes atrações”, ressalta Daiana Pereira.

SERVIÇO SAMBA MANAUS 2013 Quando: 11 e 12 de outubro Onde: Centro de Convenções – sambódromo (avenida Pedro Teixeira, Alvorada) Ingressos: Pista individual - R$ 45 (2º lote estudante) Área VIP Brahmeiro individual - R$ 150 (2° lote estudante - 2x no cartão). Open bar até as 3h (chope Brahma, caipirinha, caipiroska, refrigerante e água). Passaporte Pista – R$ 80 (2º lote estudante) passaporte área VIP Brahmeiro – R$ 250 (2º lote estudante 2x no cartão). Open Bar até as 3h da manhã (chope Brahma, caipirinha, caipiroska, refrigerante e água). Vendas: Estande da Fábrica de Eventos (segundo piso do Amazonas Shopping), Ótica Veja, Fuga de Lula (Centro) e Bar Chopp Brahma (avenida André Araújo, Aleixo) Passaportes: Estande da Fábrica de Eventos (segundo piso do Amazonas Shopping) e Bar Chopp Brahma (avenida André Araújo, Aleixo)


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RESENHA

Texas Hippie Coalition: uma

banda que você deve conhecer AUGUSTO SEVERO Equipe EM TEMPO

PERFIL

Augusto Severo é músico

T

odo grande fã de rock sabe que, de vez em quando, somos surpreendidos com alguma novidade, com algum disco desconhecido, com algum “revival”. Alguns fãs mais radicais ressaltam a importância do rock em alguma época específica (sejam os anos 70, 80 ou 90), ou simplesmente passam a acreditar que nunca mais surgirá outra banda como as do passado. Verdade ou não, o mundo do rock está aí para provar que sempre podemos ser surpreendidos! Das areias flamejantes de Denison, Texas, três músicos se encontraram para criar uma banda que tocasse música diretamente influenciada pelo sul caipira dos EUA. Na formação original, estavam Big Dad Ritch, Randy Cooper e John Exall, cada um deles com sua própria banda e suas próprias rivalidades. Aliás, o próprio cenário musical do Red River Valley, região desértica que originou a banda, lembra muito o próprio cenário musical autoral de Manaus: bandas sem apoio ou reconhecimento, com muito talento e trabalhos dignos,

que precisam se juntar para fazer as coisas acontecerem. Assim como aqui, as bandas dos caras tiveram que ralar muito, principalmente para embarcarem em uma turnê por Dallas. Foi num desses trabalhos conjuntos que os membros se conheceram melhor e decidiram iniciar o projeto. O destaque mais que especial vai para as referências claramente visíveis da banda: Pantera, Pride and Glory, Black Label Society, Rebel Meets Rebel, Willie Nelson, Lynyrd Skynyrd e ZZ Top. As influências são tão marcantes que o simples fato de você escutar THC te faz viajar no tempo, buscando uma inevitável comparação com as bandas que a inspiraram a criar o som característico do southern metal (o metal do sul dos EUA). O destaque especial que possibilita essa “viagem” é o grande (mesmo, ele é enorme) e carismático vocalista Big Dad Ritch, com uma excelente e poderosa voz que lembra bastante o incrível Phil Anselmo, lendário vocalista do Pantera, do qual Big Dad é reconhecidamente grande fã. Com algumas mudanças na formação, o Texas Hippie Co-

alition (na sigla, THC, obviamente proposital) conta hoje com Big Dad Ritch, John Exall, Cord Pool, Gunnar Molton. Eles estão no seu terceiro disco. O primeiro foi “Pride of Texas” (2008), seguido de “Rollin”’ (2010) e o último, “Peacemaker” (2012). O “Peacemaker” conseguiu até mesmo ser mais parecido com os discos de metal da década de 80 e 90, graças a habilidade do premiadíssimo produtor Bob Marlete, que já produziu o Seether, o Black Sabbath e ninguém mais ninguém menos que Alice Cooper!!!! O THC também fez uma apresentação excelente em sua única vinda ao Brasil, na Virada Cultural de São Paulo, onde foram agraciados pelo carinho dos já existentes fãs brasileiros. Texas Hippie Coalition é uma boa pedida para quem quer ver algo que se inspira nos clássicos, consegue ser simples e cativante ao mesmo tempo. É simplesmente impossível não se divertir escutando o som da banda, que tem tudo para se tornar uma das mais importantes no estilo, e por que não, no cenário mundial.

Ouça no seu carro, aumente o volume e tente não acelerar!


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BEM SIMPLES/ MARIA CLARA DINIZ

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–Rebate

TV Tudo DIVULGAÇÃO

Canal de cultura Beatriz Milhazes, a artista brasileira viva com as obras mais valorizadas atualmente, é uma das entrevistadas do “Em Movimento - Especial ArtRio”, que o Arte 1 apresenta hoje, a partir das 23 horas. Na conversa com Gisele Kato, Beatriz fala sobre o peso deste rótulo e a pressão do mercado artístico.

Convidada especial Nada certo ainda, mas tem gente da direção da Globo interessada na participação da Alice Braga em uma das próximas novelas. Isto, dizem, coincide com o desejo da atriz em passar uma temporada no Brasil. MMA No dia 21, o canal Combate vai apresentar mais duas disputas de cinturão

do UFC, dos meio-pesados Jon Jones e Alexander Gustafsson, e o galo brasileiro Renan Barão contra Eddie Wineland, O Combate, que vem investindo em transmissões ao vivo, até o mês de agosto já registrou crescimento de 33% na sua base de assinantes em relação ao fechamento de 2012. Vem aí O GNT anuncia para dia

Dentro da nova programação da TV Cultura, com estreia dia 30, Aldo Quiroga responderá pelo “Primeira Edição”, ao meiodia... • ... E Cadu Cortez, pelo programa sobre a movimentação dos clubes de futebol e outros esportes. • Voltando da sua viagem pelo mundo, Gugu Liberato deve ocupar novamente as instalações da sua produtora, a GGP, em Alphaville... • .... A Azul, que ainda é sua inquilina, está deixando o local. • Pelo twitter Pedro Tourinho contou que teve manifestação na Bahia, cerca de 100 pessoas, pela permanência do Bell no “Chiclete com Banana”. • As candidatas ao Miss Brasil estarão em Belo Horizonte a partir desta segunda-feira,

Cara e Coroa Dentro de mais alguns dias, Carla Fioroni vai iniciar as gravações da sua segunda personagem em “Chiquititas”, no SBT. Além da zeladora, Ernestina, atualmente no ar, ela viverá a vilã Matilde, sua irmã gêmea.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini 2, às 9h30, em São Paulo o evento de apresentação da segunda temporada da série “Sessão de Terapia”, que voltará ao ar em 7 de outubro, às 22h30, com 35 episódios. Só falta definir o local. Entre outros, estarão presentes o diretor Selton Mello, Zécarlos Machado, Bianca Comparato, Cláudio Cavalcanti, Adriana Lessa, e o menino Derick Lecoufle, estreante na TV.

Ficamos amanhã Tchau!

assim. Mas tem mais.

Márcio Braz*

TV

Começa o ‘Quem Fica em Pé?’

Atores que integraram o elenco de “Carrossel” comemoraram a decisão de Silvio Santos em acabar com a reprise da novela. E o motivo não poderia ser outro. Assim que o SBT tirar do ar, os agentes desses artistas e até eles mesmos poderão abrir um canal de negociação com as outras emissoras. Com “Carrossel” no ar isso não seria possível.

E-mail: novoasilva@yahoo.com.br DIVULGAÇÃO

O campo e a cidade: caminhos e desafios

O apresentador Luiz Datena comanda a segunda temporada do programa dominical

Hoje, às 19h, o publico voltará a ver o apresentador José Luiz Datena em seu estilo mais descontraído. Ele retorna ao comando do game show “Quem Fica em Pé?” (Band), que chega à segunda temporada. “O que me fez querer fazer esse programa foi justamente parar de trabalhar no “Brasil Urgente’. É um sonho meu deixar o noticiário policial para fazer entretenimento”, diz Datena. Em cena, ele se diverte, instiga os participantes e fala sobre sua vida. “Saio mais alegre da gravação do “Quem Fica em Pé?’. Só não saio mais leve porque é um ritmo de gravação que cansa”, diz ele. Na disputa, um participante precisa eliminar dez oponentes. Correndo contra o tempo, ele tem de acertar questões de conhecimentos gerais e fazer com que os adversários caiam em um buraco. O competidor que

permanecer em pé até o final do jogo ganha R$ 100 mil. “É engraçado como as pessoas ficam apavoradas ao responder às perguntas. Chegam a

MISS

Na nova temporada, haverá uma edição com a participação das misses eleitas neste ano e que concorrem ao Miss Brasil, entre elas a vencedora do ano passado, Gabriela Markus

errar questões simples”, diz Datena. Na nova temporada, haverá uma edição com a participação das misses eleitas neste ano e que concorrem ao Miss Brasil. Gabriela Markus, a vencedora do concurso no ano passado, também aparecerá na atração.

Para Datena, o fato de poder apresentar um programa de entretenimento abre uma nova perspectiva em sua carreira na TV. “As pessoas têm um prazo de validade no jornalismo investigativo. O Ratinho, por exemplo, hoje se consolidou fazendo humor. O Marcelo Rezende viu sua audiência subir com o Percival. Então, penso que posso ter outros desafios também”, comenta ele, que deseja comandar uma atração no estilo do “Programa do Ratinho” (SBT). “Mas não no mesmo horário que o dele, pois não vou concorrer com um amigo”, afirma. Segundo Datena, as notícias policiais deverão ter um espaço reduzido nos próximos anos. “Já não há mais espaço para esse tipo de programa. Esse noticiário vai ser assunto apenas dos telejornais, como já está acontecendo”, disse.

A população mundial a partir dos anos 1950 cresceu a taxas elevadas devido ao aumento da expectativa de vida da população e da diminuição da taxa de mortalidade, causando uma pressão sobre a exploração dos recursos naturais. Esse fator contribuiu para um processo de urbanização pujante: a concentração de pessoas nos grandes centros fomentou o processo industrial e cada vez mais a população do campo migrou para os grandes centros em busca de emprego e renda. Desde os primórdios da economia na Grécia e em Roma, já se falava no tema e já havia algumas considerações sobre a participação do Estado nos assuntos da sociedade. Os mercantilistas (entre Século XV e final do Século XVIII) defendiam uma ampla intervenção estatal nos assuntos econômicos. Os clássicos, desde Adam Smith (1776), mudaram sua concepção em relação aos mercantilistas e minimizaram em suas abordagens a importância do Estado, pregando uma economia de livre mercado. O livre mercado perdurou até a crise de 1929, pois a recessão generalizada provocada pela crise não foi temporária, como pregado pelos clássicos, havendo assim a necessidade de uma ampla intervenção do Estado na promoção de políticas públicas. O objetivo era que as economias voltassem a crescer e recuperar o nível de emprego. Este importante papel do Estado perdura até os dias de hoje. A tradição do Estado regulador vai além das exigências de cumprimento de leis antitruste e da criação de agências que assegurem a conduta competitiva e regulação dos monopólios naturais. O Estado deve conduzir a política monetária e fiscal, deve controlar as flutuações econômicas e influenciar a distribuição de renda, bem como direcionar o crescimento e

o desenvolvimento econômico. A partir da década de 1970 surge uma nova ideia de movimento social, que será totalmente inovador, colocando em questão uma nova compreensão sobre a vida política econômica e social do povo. Esses novos movimentos têm a capacidade de se auto- organizarem, não se vinculando a nenhum tipo de organização, sendo a sua única preocupação a igualdade entre os membros e buscando sempre superar algum tipo de carência, pois só assim alcançarão alguns objetivos. Esses movimentos começam e terminam rapidamente, talvez seja o fato da falta de amadurecimento e conscientização de seus membros, apesar de serem diferentes da luta do campo, diferente em relação aos setores onde um é o setor urbano e o outro é o campo. A essência é a mesma, estão em busca dos seus direitos, respeito e dignidade, portanto merecem reconhecimento como qualquer outro movimento. Os movimentos que lutam pela terra, sempre tiveram maiores repercussões, pois é uma luta que parece nunca ter fim. Esse problema tem suas raízes no período de colonização do Brasil, onde as terras foram mal distribuídas. Nesse processo de racionalização do Estado, os movimentos sociais, no Brasil, cumprem um papel importante seja no âmbito de reclamar a emergência de políticas públicas que solucionem os problemas de seus trabalhadores, seja como parceiros colaborativos nessa empreitada. Estes movimentos só tiveram reconhecimento em meados de 1960, quando surgiram os primeiros movimentos de luta contra a política vigente, ou seja, a população insatisfeita com as transformações ocorridas tanto no campo econômico quanto no social.

*ator, diretor, cientista social, membro do Navi – Núcleo de Antropologia Visual e do Conselho Municipal de Política Cultural

O Estado deve conduzir a política monetária e fiscal, deve controlar as flutuações econômicas e influenciar a distribuição de renda, bem como direcionar o crescimento e o desenvolvimento econômico”


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MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

Programação da TV

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RECORD 04:45 - Bíblia Em Foco 05:00 - Santo Culto Em Seu Lar 05:30 - Desenhos Bíblicos 08:00 - Record Kids - Pica Pau 09:00 - Amazonas Da Sorte 10:00 - Record Kids 11:30 - Tudo A Ver 14:15 - O Melhor Do Brasil 18:30 - Domingo Espetacular 22:00 - A Fazenda 6 22:45 - Tela Máxima 00:10 - Programação Iurd

GLOBO 04:30 - Santa Missa. 05:30 - Amazônia Rural. 06:00 - Pequenas Empresas, Grandes Negócios. 06:35 - Globo Rural. 08:00 - Fórmula 1: Grande Prêmio da Itália. 09:35 - Auto Esporte. 09:55 - Esporte Espetacular (Stock Car). 11:30 - Temp. Máxima. Filme: Diário de Um Banana. 13:15 - Esquenta.

15:00 - Futebol 2013: Campeonato Brasileiro - Cruzeiro x Flamengo. 17:00 - Domingão do Faustão. 19:45 - Fantástico. 22:05 - Revenge 23:35 - Rock In Rio V. 03:30 - Hawaii Five-0

SBT 03:45 - Jornal Da Semana Sbt 05:00 - Igreja Universal 06:00 - Pesca Alternativa 07:00 - Brasil Caminhoneiro 07:30 - Aventura Selvagem 08:30 - Vrum 09:00 - Sorteio Amazonas Da Sorte (Local) 10:00 - Domingo Legal 14:00 - Eliana 18:00 - Roda A Roda Jequiti 18:45 - Sorteio Da Telesena 19:00 - Programa Silvio Santos 22:00 - Conexão Repórter 23:00 - De Frente Com Gabi 00:00 - Série: True Blood 01:00 - Série: O Mentalista // The Mentalist 02:00 - Série: Cidade Do Crime// Southland 03:20 - Big Bang 04:00 - Igreja Universal

BAND

02:30 – El, Arnold! 03:00 – Igreja Mundial

05:00 – Igreja Mundial 05:50 – Popeye 06:30 – Santa Missa No Seu Lar 07:30 – Sabadão Do Baiano 08:00 – Conexão Cargas 08:30 – Ação Na Tv 09:30 – Mackenzie Em Movimento 09:45 – Infomercial – Polishop 10:45 – Verdade E Vida 11:00 – Irmãos Caminhoneiro - Boletim 11:05 – Pé Na Estrada 11:30 – Minuto Do Futebol - Boletim 11:35 – Band Esporte Clube 13:55 – De Olho No Futebol - Boletim 14:00 – Gol, O Grande Momento 14:30 – Futebol 2013 (Camp. Brasileiro) 16:50 – Terceiro Tempo 19:00 – A Caçadora De Relíquias 20:00 – Quem Fica Em Pé? - Estréia 21:00 – Pânico Na Band 00:00 – Canal Livre 01:00 – Minuto Miss – Boletim 01:02 – Minuto Do Futebol – Boletim 01:05 – Alex Deneriaz 01:40 – Show Business-reapresentação

REDE TV! 06:30 - Igreja Int.da Graça 07:30 - Igreja Int.da Graça 08:30 - A Voz Do Servidor 09:00 - Tv Shopping Manaus 10:00 - Blitz Top Tv 10:30 - A Questão É 11:00 - Igreja Da Graça 12:00 - Fique Ligado 13:00 - Mult Sport Club 14:00 - En Circuito 15:30 - A Questão É 16:00 - Esclarecendo A Fé 16:45 - Vídeo Mania 17:00 - Ritmo Brasil 17:45 - Vídeo Mania 18:15 - Morning Show 19:45 - Te Peguei No Domingo 21:15 - Teste De Fidelidade 22:45 - Tv Shopping Manaus 23:45 - Dr Holywood 00:30 - É Notícia 01:30 - Bola Na Rede 02:30 - Igreja Da Graça

Zeca Carmago e Renata Ceribelli apresentam o “Fantástico”

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 É no casamento e uniões que você sente forte a pressão da realidade material e de circunstâncias limitantes. Sua força, por maior que seja, pouco pode diante do mundo. TOURO - 20/4 a 20/5 Momento de cuidar de seu equilíbrio físico e emocional. Suas forças precisam ser recompostas. Veja o que precisa ser cuidado em seu organismo, e cuide do melhor jeito. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 As relações afetivas, sociais e amorosas, estão em momento delicado. Suas expectativas se frustram e você pode ficar amuado com isso. Equilibre sua atitude e os sentimentos. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Os assuntos ligados à família e ao trabalho estão em conflito. Há momentos em que as limitações prevalecem. Você tende a não conseguir o que almeja. Convém ter paciência. LEÃO - 23/7 a 22/8 As atividades intelectuais, as viagens, as comunicações e os estudos estão limitados e podem lhe frustrar. Procure contornar os problemas, sem perder a direção almejada. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Os acordos financeiros são difíceis, beiram a impossibilidade, mas é preciso levar adiante o que se propôs, mesmo sob risco. Não use a força, procure contornar os obstáculos. LIBRA - 23/9 a 22/10 A relação a dois irá mostrar pontos de limitação na relação de vocês, assim como no jeito de ser de vocês dois. É preciso paciência e delicadeza para lidar com a situação. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Respeite as limitações que se impõem. O encaminhamento das tarefas e trabalhos se depara com obstáculos materiais, inimizades ou mesmo deficiências pessoais. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Uma situação social irá limitar ou bloquear a realização de algum romance, aventura ou anseio pessoal. Quanto mais forçar a situação, mais ela tenderá a lhe fustigar e frustrar. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 A vida profissional e a familiar entram em choque, talvez uma impedindo a outra de se realizar. Parece não haver lugar para construir as duas situações ao mesmo tempo. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 As atividades intelectuais e de comunicação tendem a sofrer impasses e somente com dificuldade irão caminhar nestes dias. Mas vale a pena levar adiante o que se propôs. PEIXES - 19/2 a 20/3 Os desacordos financeiros e as obrigações materiais, que preferiria não ter, levam a um impasse. Respeite as limitações do momento. Equilibre-se em seus compromissos.

Cinema

Cruzadinhas

ESTREIA Aviões: EUA. Livre. Bem acima do mundo de “Carros” (Cars) chega a nova animação cômica de aventura e cheia de ação “Aviões” (Planes), da Disney, apresentando Dusty (voz de Dane Cook), um avião que sonha em competir como piloto de alta altitude. Mas Dusty não foi projetado exatamente para competir e, além disso, ele tem medo de altura. Então ele recorre a Skipper, um avião da marinha veterano que o ajuda a se classificar para enfrentar o atual campeão da corrida. A coragem de Dusty é colocada em um teste definitivo enquanto ele tenta atingir alturas que nunca sonhou alcançar, dando a um mundo fascinado a inspiração para alçar voo. Cinemark 6 – 13h05, 15h20, 17h40 (3D/dub/diariamente), 20h (3D/ dub/exceto terça-feira e quinta-feira); Cinépolis 2 – 12h10, 14h40, 17h10, 19h40 (dub/diariamente), Cinépolis 5 – 12h, 14h15, 16h35, 18h50, 21h10 (3D/dub/diariamente); Playarte 1 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30 (3D/dub/diariamente), Playarte 3 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40, 20h40 (dub/diariamente), 22h40 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h10 (3D/dub/diariamente), 14h20, 16h20, 18h20 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 18h50, 21h (3D/dub/diariamente), 14h, 16h, 18h (dub/diariamente). Dose Dupla: EUA. 16 anos. Um agente especial e um perito em inteligência militar são contratados para roubar um banco. Logo, eles descobrem que sua verdadeira tarefa é outra: eles devem investigar um ao outro. Para piorar a situação, o mandante da tarefa é o mesmo banco que eles pretendiam roubar. Cinemark 1 – 12h40, 15h30, 18h10, 20h40 (dub/diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 9 – 18h30 (dub/diariamente), 13h15, 15h50, 21h25 (leg/diariamente); Playarte 6 – 13h30, 15h45, 18h, 20h15 (leg/diariamente), 22h30 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h15, 21h30 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 17h20, 19h40, 22h (dub/diariamente). Invocação do Mal: EUA. 14 anos. Antes de Amityville, houve Harrisville. “Invocação do Mal” narra o conto horripilante de Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson, Vera Farmiga), investigadores paranormais de renome mundial, que foram chamados para ajudar uma família aterrorizada por uma presença maligna em uma fazenda isolada. Forçados a confrontar uma poderosa entidade demoníaca, os Warrens encontram-se presos no caso mais terrível de suas vidas. Cinemark 7 – 14h (dub/somente segunda-feira, terça-feira e quinta-feira), 16h30, 19h, 21h40 (dub/diariamente); Cinépolis 4 – 13h30 (dub/diariamente), 16h15, 19h, 21h45 (leg/diariamente); Playarte 7 – 13h50, 16h05, 18h20, 20h35 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h40, 17h, 19h20, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h20, 16h40, 19h, 21h30 (dub/diariamente). Rush – No Limite da Emoção: EUA/ING. 14 anos. O filme narra a emocionante história de dois dos maiores rivais que o mundo já viu: o bonitão playboy inglês James Hunt (Hemsworth) e seu metódico e brilhante oponente austríaco, Niki Lauda (Brühl), cujos embates nas pistas sintetizaram o contraste entre duas personalidades extraordinárias, uma distinção que refletia também em suas vidas privadas. Acompanhando a trajetória deles dentro e fora das pistas, Rush – No Limite da Emoção observa os dois pilotos enquanto eles se esforçam para atingir a máxima resistência física e psicológica, onde não há atalho para a vitória, nem margem para erros. Se cometer um erro, você morre. Cinemark 8 – 12h50, 15h40, 18h40, 21h30 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 15h45 (dub/diariamente), 12h50, 18h40, 21h40 (leg/diariamente); Playarte 5 – 13h20, 15h50, 18h20, 20h50 (leg/diariamente), 23h20 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h10, 16h30, 19h, 21h35 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h30, 17h, 19h20, 21h50 (dub/diariamente).

CONTINUAÇÕES One Direction – This Is Us: EUA. Livre. Cinemark 6 – 20h (3D/dub/somente terça-feira e quinta-feira), 22h10 (3D/ dub/diariamente), Cinemark 7 – 11h30 (3D/dub/somente sábado e domingo), 14h (3D/dub/somente segunda-feira, terça-feira e quinta-feira); Cinépolis 1 – 13h, 15h30 (3D/leg/diariamente); Cinemais Millennium – 21h10 (3D/leg/ diariamente). O Ataque: EUA. 12 anos. Cinemark 4 – 13h10, 15h50, 18h50, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 10 – 16h (dub/diariamente), 12h50, 19h15, 22h15 (leg/diariamente); Playarte 2 – 17h30, 20h05 (leg/diariamente), 22h40 (leg/ somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h, 16h45, 19h25,

22h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 13h50, 16h30, 19h10, 21h45 (dub/ diariamente). Casa da Mãe Joana 2: BRA. 14 anos. Cinemark 2 – 13h, 15h, 20h10 (diariamente); Playarte 8 – 13h, 15h25, 17h20 (diariamente); Cinemais Plaza – 14h35, 19h30 (diariamente). Jobs: EUA. 12 anos. Cinemark 2 – 17h10, 22h20 (dub/diariamente); Cinépolis 1 – 18h, 21h (leg/diariamente), Playarte 4 – 13h15, 15h50, 18h25, 21h (leg/diariamente), 23h35 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 21h (leg/diariamente). Cine Holliúdy: BRA. 12 anos. Cinépolis 6 – 15h, 19h40 (diariamente). Se puder... Dirija!: BRA. 12 anos.

Cinépolis 6 – 13h, 17h20, 22h (diariamente); Playarte 1 – 21h30 (3D/dub/diariamente), 23h20 (3D/somente sexta-feira e sábado); Playarte 8 – 19h15, 21h05 (diariamente), 22h55 (somente sextafeira e sábado). Os Estagiários: EUA. 12 anos. Cinemark 3 – 13h20, 18h30 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 22h10 (dub/diariamente); Playarte 9 – 18h20, 20h45 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 14h15, 16h40, 19h15, 21h45 (leg/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 18h40 (dub/diariamente). Percy Jackson e O Mar de Monstros – Livre: Cinemark 3 – 16h, 21h20 (dub/ diariamente), 23h50 (dub/somente sex-

ta-feira e sábado); Playarte 10 – 13h45, 16h, 18h15, 20h30 (dub/diariamente), 22h45 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 21h10 (dub/diariamente). Gente Grande 2 – 12 anos: Cinemark 5 – 11h50 (dub/somente sábado e domingo), 14h20, 16h50, 19h30, 22h (dub/diariamente); Playarte 9 – 14h10, 16h15 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 16h35, 21h20 (dub/diariamente). Os Smurfs 2 – Livre: Playarte 2 – 13h10, 15h20 (dub/diariamente). Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos – 12 anos: Cinemais Plaza – 16h45, 21h35 (dub/diariamente).


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::::: Sala de Espera FOTOS: JANDER VIEIRA

Jander Vieira

A Aleam pilotará, na próxima quarta-feira, às 11h, sessão especial em comemoração ao Dia do Administrador. O evento é de autoria do deputado Adjuto Afonso (PP).

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Bonito de ver É imponente, não tem como não notar. A arquitetura da Arena da Amazônia já enche os olhos mesmo ainda incompleta. A estrutura que “encapa” o estádio em forma de cesto indígena dá uma ideia do que será a obra: magnífica! É o governo Omar Aziz fazendo sua parte, falta agora o governo federal fazer mais e melhor, mas isso já são “outros 500”. Se é que vocês me entendem...

Esbanjando elegância discreta: a empresária Rosiane Lima

::::: Difícil

Em rasante rápido por alguns lugares no Brasil, este colunista pôde constatar um fato real e triste: nossos aeroportos – mesmo com o método pouco eficiente do “fazer tudo em cima da hora”, do governo federal – são uma tristeza. Em Guarulhos são intermináveis filas, em Brasília minúsculas placas informam os visitantes e em Manaus... Bem, o Eduardo Gomes parece uma feira. O absurdo, todos praticam preços exorbitantes! Oremos...

Chega a ser milagrosa a sensação de trafegar de carro por algumas vias finalmente reestruturadas com capa asfáltica em Manaus. O que seria algo banal na vida urbana da capital, passou a ser uma sensação de alívio, afinal, com ruas e avenidas obedecendo a um “padrão lunar”, não trepidar pelas crateras da cidade ficou até divertido. Que tal?

O governador Omar Aziz inaugura, amanhã, às 11h, a unidade Parintins do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, fincada no bumbódromo. A atuante diretora-presidente Martha Moutinho Cruz, da Fundação Doutor Thomas, está às voltas com uma programação especial durante todo este mês, em comemoração ao Dia do Idoso. No próximo dia 12, acontece no Parque do Idoso a feijoadíssima dos amigos seguida de ações voltadas para o universo da melhor idade, como amostras, oficinas, mutirões de cidadania, gincana, entre outros eventos. Viva!

Na entrega da Medalha Rui Araújo na Aleam: ministra Eliana Calmon – a grande homenageada da temporada – dividindo com a desembargadora Socorro Guedes e a juíza Lúcia Viana os confetes-com-flashes

::::: Batuque

::::: Brilho Quando o clima é positivo, tudo sai perfeito. Talvez por isso o aniversário de 20 anos de colunismo do editor deste espaço, que acontecerá dia 20 no Diamond Convetion Center, é assunto alegre e comentado nas altas rodas da Manaus glamour. Também pudera. Para comemorar aliamos o riso humorado do global Gustavo Mendes com a informalidade de quem faz notícia social com respeito e leveza, isso sim traz amigos e admiradores, o resto é assunto para “baixas rodas”, mas, dessas, eu quero distância. A todos do bem, até lá!

::::: Imperdível diversão

El bonitón Daniel mais o pai, querídissimo por sinal, Carlos Hebron, nos domínios do Zefinha Bistrô

::::: Festival A atuante SEC acaba de anunciar as bandas locais e algumas atrações nacionais que farão parte do Festival Amazonas Rock, que acontecerá entre os dias 5 e 6 de outubro em Presidente Figueiredo. Entre os locais estão a badalada Zona Tribal, Chá de Flores e Jarakillers. Entre os visitantes está a banda Autoramas. A julgar pelo sucesso do ano passado, será um festão.

Eles e ela, no lançamento do combo das 100 toadas antológicas do Caprichoso, no Olímpico Clube: Jender Lobato e Keynes Breves com a inesquecível presidente azulada, Márcia Baranda.

Como é um dos endereços mais badalados quando o assunto é um bom tacacá, a Tacacaria Parintins agrega um gostinho a mais na cuia. O show da cantora Nely Miranda promete ser a pedida para este domingo no palco do CSU do Parque 10. A promoção é uma iniciativa das sócias Bruna Iannuzzi, Suzana Batista e Fabíola Araújo. Nasceu o esperado Lafayette Bisneto, bambino do jovem-bonito-casal Marcela e Lafayette Neto. Os pais de primeira viagem estão ocupadíssimos com as fraldas e as mamadeiras.

::::: Diferença Yvelise Braga e Ramimo Neto conferindo noite sobrenomada na cidade

Achilles Fernandes está trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

Como já é tradição, passada a folia bovina do mês de junho, os articuladores dos bois em Manaus começam a realizar os ensaios “fora de época”. Por isso o “Batucando no Verão” é um evento aguardado pelos amantes do gênero. O próximo acontecerá, neste domingo, e terá Sebastião Junior e Israel Paulain no palco do Al Mirante. A realização fica por conta do MAG, sob a assinatura do arteiro Rivaldo Pereira. O deputado Francisco Souza com sua Elma em aparição indispensável sob os cliques da coluna

Hoje, tem mais uma edição do “Escritório do Samba”, no Lappa Bar com o melhor do samba de raiz, os principais jogos de futebol e chope liberado. Aliás, neste domingo, o palco do lugar dará espaço aos “esquentas” oficiais do maior festival de samba do mundo, o Samba Manaus. As bandas Nosso Caso e Cacildis pilotarão o menu musical do disputado espaço sambista. Eu vou!

HOJE

Tacacá ao som de Nely Miranda

DIVULGAÇÃO

Cantora é a atração de hoje da Tacacaria Parintins, no CSU do bairro Parque 10

Hoje, a Tacacaria Parintins (localizada no Centro Social Urbano do Parque 10) recebe, a partir das 17h, dentro do projeto “Tacacá com Pavulagem” a cantora Nelly Miranda. O couvert artístico é gratuito. “Além do nosso serviço de culinária, apostamos em outro lado, que é levar música de qualidade para nossos clientes. Afinal um completa um

outro e queremos dar o melhor”, explicou Suzana Batista, proprietária do lugar. Nely, que tem um pouco mais de 10 anos de carreira, deve levar ao espaço gastronômico cultural, um repertório que terá alguns de seus sucessos como: “Eclipse Solar”, “Equações”, “Dia D” e “Depois de tanto tempo”. No set list também devem

constar sucessos da Música Popular Brasileira (MPB) . Carreira A artista aprendeu violão aos 11 anos na igreja e resolveu fazer cursos para se aperfeiçoar. No repertório da cantora, um misto de ritmos é o grande destaque. “Nos shows, canto do MPB ao Rock, de Pinxiguinha até Sister of Down”, disse.


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MANAUS, DOMINGO, 15 DE SETEMBRO DE 2013

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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Capa

ilustração de Daniel Bueno


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O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

LIVRO | BENEDITO NUNES Obra fundamental para estudantes de literatura, “O Tempo na Narrativa” ganha nova edição, dentro de série que homenageia o filósofo paraense (1929-2011). Publicado originalmente em 1988, este breve ensaio articula ideias da teoria literária e da filosofia para tratar das tentativas, em ficção, de escrever narrativamente um elemento tão inapreensível como o tempo. Loyola | R$ 19,80 | 88 págs.

O LEGADO DE AUGUSTO BOAL Gustavo Fioratti faz três perguntas ao escritor Julian Boal, filho de Augusto Boal (1931-2009), criador do Teatro doOprimido. Olivro homônimo dá início, no dia19, ao relançamento da obra do dramaturgo e diretor pela Cosac Naify (R$39,90,224págs.). Folha - Alémde homens e mulheres, plateias tradicionais do Teatro doOprimido, que outros perfis são possíveis? Julian Boal -A questão é definir se um grupo sofre opressão. Se você considerar por exemplo que a cura gay é discutida no Brasil, você pode situar gays como grupo oprimido. O Teatro do Oprimido deve ser analisado mais pelo lado educativo ou artístico? Depende um pouco do país.Na Europa émais associado à pedagogia,mas nos EUA há uma conferência anual de pedagogia que atraimuitos diretores de teatro. Existe umcontrole sobre a aplicação de sua metodologia? Temos notícia de maisde130 grupos em cerca de 30 países, é certo que hámais, e não há controle. Como os métodos de Brecht ou Stanislávski, existemvárias leituras.

LIVRO | HELDER MACEDO Verso final de um soneto de Camões, “Tão Longo Amor Tão Curta a Vida” é o título do novo livro do escritor português, 77. Crime, geopolítica e história de amor compõem a trama intrincada deste sexto romance de Macedo, também cultuado poeta e ensaísta. Rocco | R$ 29,50 | 208 págs.

‘Casal na Chuva’, foto de German Lorca (1952)

LITERATURA | RICARDO LÍSIAS Na quinta (19), o jornalista Luiz Nadal entrevista ao vivo o autor de “Divórcio” (Alfaguara). Será o segundo encontro do projeto mensal “Isto Não É Um Perfil”, que aborda a trajetória de escritores contemporâneos, como Veronica Stigger, convidada na estreia, Andréa Del Fuego e Lourenço Mutarelli, programados para os próximos meses. Casa das Rosas | 19h30 | grátis

FOTOGRAFIA | GERMAN LORCA “A São Paulo de German Lorca”, que a Imprensa Oficial e a Casa da Imagem lançam na sexta, resume a experiência deste pioneiro da fotografia moderna no Brasil. No lançamento, Lorca, 91, debate com o também fotógrafo e artista plástico Fernando Lemos e José de Souza Martins, autor do texto do livro. Biblioteca Municipal Máriode Andrade | R$ 60 | 232 págs.

POP

ERUDITO

REVISTA | CELEUMA 2 A publicação eletrônica do Centro Maria Antonia aborda, em seu segundo número, “O Erro Crítico”. Recordando juízos equivocados, nomes como Sheila Leirner e Inácio Araujo; entre os representantes dos criticados, o artista Nuno Ramos e a cineasta Tata Amaral falam à revista, que conta ainda com ensaio visual de Raul Mourão. www.mariantonia.prceu.usp. br/celeuma

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BRASILEIRO

FOTOGRAFIA | LI ZHENSHENG Um dos destaques da mostra Paraty em Foco (paratyemfoco.com), o chinês Li Zhensheng participa amanhã, em São Paulo, de bate-papo com Dorrit Harazim, autora de texto sobre sua trajetória publicado na revista “Zum” n. 4. Li, que documentou a Revolução Cultural, escondeu durante décadas, sob o assoalho de sua casa, negativos de imagens pouco lisonjeiras ao regime, produzidas enquanto ele fazia registros oficiais. Cine Livraria Cultura | 19h30 | grátis (retirada de senhas a partir das 9h na Loja IMS por Livraria Cultura

LIVRO | ANTROPOLOGIA DA DOR “A dor é primeiramente um fato de situação”, afirma David Le Breton na introdução a este livro. As situações, portanto, e as formas que a manifestação física do sofrimento assume ao longo da história e segundo o meio cultural são parte da detalhada análise proposta pelo cientista social francês. trad. Iraci D. Poleti ed. FAP-Unifesp | R$ 52 | 248 págs.

Kang Wenjie, 5, campeã no aprendizado e na aplicação do pensamento de Mao Tse-tung, retratada por Li Zhensheng, em 1968

LIVRO | PRIMEIRA MANHÃ Para entender como nasce uma história de amor, so sociólogo francês Jean-Claude Kaufmann deixa de lado lógica da primeira noite e analisa os gestos, as falas e as ações da manhã seguinte. A pesquisa sociológica sobre os sucessos e desencontros da vida a dois é feita a partir de relatos sobre as atividades banais e sobre os símbolos – chinelos, escovas de dentes, pão e café – das primeiras horas do dia. trad. Giseli Unti Bertrand Brasil | 256 págs. | R$ 34

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição ARQUIVO PESSOAL

CLAUDIUS CECCON, 75, é arquiteto e cartunista.

FRANCESCA ANGIOLILLO, 41, é editora-adjunta da “Ilustríssima”.

DANIEL BUENO, 39, é artista gráfico. FABIÁN CASAS, 48, escritor argentino, autor de “Os Lemmings e Outros”, volume de contos a sair pela Rocco em outubro. FÁBIO KOIFMAN, 49, doutor em história e professor da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), é autor de “Quixote nas Trevas: o Embaixador Souza Dantas e os Refugiados do Nazismo” (Record).

LÍGIA MESQUITA, 31, é correspondente da Folha em Buenos Aires. MARCELO NINIO, 47, é correspondente da Folha em Pequim. SYLVIA COLOMBO, 41, ex-correspondente da Folha em Buenos Aires, é bolsista da Knight-Wallace Fellowship, da Universidade de Michigan.

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha ROCK IN RIO Veja fotos da primeira edição do evento, realizada em 1985 >>folha.com/ilustrissima

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Ilustríssima Semana


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Literatura

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Piglia viu a América O novo romance do escritor argentino RESUMO Após 15 anos como professor nas universidades Princeton e Harvard, autor de “Respiração Artificial” (1980) lança “El Camino de Ida”, baseado na vida nos campi americanos. Radicado novamente em Buenos Aires, escritor acredita que a polarização política em seu país tenha engolido lamentavelmente o debate cultural.

SYLVIA COLOMBO

É hora do almoço no agitado café da Biblioteca Nacional de Buenos Aires, instituição histórica construída no local onde algum dia esteve a residência

do general Juan Domingo Perón (1895-1974) e que foi dirigida por ninguém menos que o escritor Jorge Luis Borges (18991986). Lá o escritor argentino Ricardo Piglia, 71, espera pela reportagem da Folha. Cartão-postal da capital portenha e emblema da história política e cultural da cidade no século 20, a biblioteca hoje se transformou numa trincheira dos intelectuais que defendem o controverso governo da presidente Cristina Kirchner. Realizar algo ali ou mesmo ser visto na companhia de seus diretores é assinar o recibo de uma determinada filiação ideológica. Reúnem-se ali acadêmicos e escritores que compram a ideia de que Cristina encarna o progressismo dos anos 70, quando a militância e as guerrilhas de esquerda enfrentavam a ditadura militar (1976-83). Piglia, porém, não teme ser rotulado ou identificado com essa bandeira. Caso raro de intelectual argentino que não tomou posição definida entre o kirchnerismo e o antikirchnerismo, o escritor vê aspectos positivos na atual gestão, mas

critica duramente outros. Exemplo disso é o que o leva a estar ali nesta sextafeira de inverno: gravar um dos quatro capítulos de uma minissérie documental sobre Borges para o Canal 7, a televisão pública argentina. Explica-se: para o mundo artístico e intelectual argentino, trata-se de uma contradição, ou ao menos de um claro dilema ideológico. Afinal, o autor do “Aleph” é considerado um inimigo da esquerda e do peronismo, por ter ficado ao lado dos militares durante o golpe. Propor e realizar um programa sobre Borges para o canal do Estado, tomado pelo discurso populista de esquerda oficial nesses tempos de kirchnerismo é, portanto, um desafio. Piglia, que conheceu Borges quando tinha 18 anos e o encontrava para conversas sobre literatura, vê o programa – que atualmente está no ar – como “algo necessário”. “Essa polarização extrema que vemos hoje na sociedade, os que são contra e a favor do governo, está ganhando contornos muito violentos. Mas não de-

veria invadir a cultura. A cultura não é pró nem contra um projeto político, ou pelo menos não é só isso. É algo que vai muito além, que deixa um legado, e é esse aspecto que quero explorar de Borges hoje. O que ele deixou? Qual é a sua atualidade?”. Piglia conta que o projeto o animou por reaproximá-lo das questões argentinas. Nada melhor para alguém que passou os últimos 15 anos dando aulas nas universidades de Princeton e em Harvard, passando na capital argentina apenas alguns meses por ano. Ida A experiência norte-americana é uma das principais fontes de inspiração para “El Camino de Ida” (O Caminho de Ida), seu mais recente romance, que acaba de ser lançado na Argentina e na Espanha e que chegará ao Brasil no primeiro semestre de 2014, pela Companhia das Letras. O novo romance traz de volta o “alter ego” de Piglia, Emilio Renzi, que aparece em outros livros mas que, desta vez, encarna um acadêmico argentino

convidado a dar aulas numa universidade norte-americana e que se apaixona por uma típica professora universitária local, chamada Ida Brown. O ambiente dos campi dos EUA já havia aparecido na série de diários que o autor manteve durante o período e que vem publicando aos poucos agora – parte deles saiu na “Ilustríssima” no ano de 2011. “São coisas diferentes, apesar de a matéria-prima ser a mesma. Nos diários vinha muito de minha reflexão sobre os temas que surgiam durante a experiência acadêmica. Aqui está mais bem retratado o ambiente das discussões, o lado humano daqueles que as protagonizam”, diz. O novo livro põe em exame a violência – não só pelos questionamentos que propõe acerca de como ela ocorre nos Estados Unidos mas também pelo que deixa entrever sobre sua presença na Argentina nas últimas décadas. Um dos personagens mais interessantes é Munk, inspirado amplamente no Unabomber – apelido do matemático e ter-

rorista norte-americano Theodore Kaczynski, condenado à prisão perpétua por atentados que mataram três pessoas e feriram mais de 20. “Trata-se de uma figura fascinante, pelo ambiente do qual saiu, suas referências intelectuais, a cultura que o produziu. A política ajuda a canalizar a violência das sociedades. E o Unabomber é uma típica produção americana”, diz. Para Piglia, os Estados Unidos são um país violentíssimo, mas que se recusa a fazer uma interpretação política dos atos de violência, aparentemente inexplicáveis, que lá se desenrolam. “Na Argentina, se um trabalhador é demitido, vai a um sindicato. Nos Estados Unidos, vai para casa, enlouquece, sai atirando. Aí o fenômeno é tratado do ponto de vista psíquico; mas não: é político”. E acrescenta, brincando, que o que falta hoje aos Estados Unidos é um pouco de peronismo. A ideologia nacionalista, tão enraizada na Argentina, teria levado a violência para o nível do debate político em seu país.


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Reportagem

3 A revolução das encalhadas Jovens chinesas rejeitam obrigação social de casar antes dos 30 anos RESUMO Beneficiada por 30 anos de abertura econômica, geração de chinesas nascidas na década de 1980 se depara com pressão social contrária à profissionalização e ao adiamento do casamento. Família, governo e mídia colam às solteiras o rótulo de “mulheres sobra”, que voluntariamente parte delas começa a contrariar.

MARCELO NINIO ILUSTRAÇÃO DANIEL BUENO

Desde que rompeu um namoro de cinco anos, há poucos meses, a designer gráfica Bai Yu pensa duas vezes antes de visitar os pais. A distância é uma boa desculpa, já que ela vive em Pequim e a viagem à Mongólia Interior, sua província de origem, é longa e cansativa. Mas o principal motivo que a mantém longe de casa é a pressão familiar. Se não mudar logo de estado civil, alertam os pais, ela corre o risco de perder o “prazo de validade”. Solteira aos 31 anos, pelas normas sociais chinesas Bai já passou faz tempo da idade de casar. O maior pesadelo foi na última Festa da Primavera, como é conhecido o Ano Novo chinês, quando a família se reuniu para a data mais importante do calendário chinês. “Tem sempre aquela tia perguntando por que ainda não casei e outra com uma lista de candidatos que quer me apresentar”, diz Bai. Mas, para ela, o pior é carregar a marca desonrosa da encalhada, um fardo pesado num país em que igualdade

entre os gêneros não acompanhou a vertiginosa transformação dos últimos 30 anos de abertura econômica. O peso começa na semântica. Em mandarim, a junção de dois caracteres condensa o insulto de que são alvo as solteiras chinesas a partir dos 27 anos: “sheng nu” (“mulheres sobra”, numa tradução ao pé da letra). “O estigma do ‘sheng nu’ é o retrato perfeito do confronto épico que está sendo travado na sociedade chinesa entre o velho e o novo”, diz Joy Chen, autora do best-seller “Não Case Antes dos 30” – como indica o título, uma incitação à rebeldia contra a rotulação. Por milênios, explica Chen, o único papel da mulher na China era ser mulher e mãe. “Essas jovens têm o peso de 5.000 anos sobre os ombros. Acontece que as chinesas são cada vez mais instruídas e bem informadas e estão rejeitando o papel tradicional”. É o caso de Bai Yu, uma típica filha dos anos 1980. Ela faz parte da primeira geração nascida na esteira da abertura promovida a partir de 1978, mas ainda com um pé nos anos de isolamento e radicalismo da era maoísta. “Odeio o termo ‘sheng nu’ e não me vejo como uma

SOBROU

Em mandarim, a junção de dois caracteres condensa o insulto de que são alvo as solteiras chinesas a partir dos 27 anos: ‘sheng nu’ (‘mulheres sobra’, em tradução livre e ao pé da letra).

encalhada”, diz Bai, vestida num elegante conjunto de seda azul turquesa. “Os mais velhos não entendem isso, mas estar solteira também pode uma escolha.” Além do preconceito e da pressão imposta pelos pais, a rebeldia de jovens como Bai enfrenta inimigos poderosos no aparato da autocracia chinesa. Há alguns anos, a Federação de Mulheres da China, órgão estatal, oficializou o estigma da encalhada em artigos publicados em sua página na internet. Os títulos beiravam a demonização das solteiras: “Oito formas simples de escapar das armadilhas da solteirona” ou “As solteironas merecem nossa simpatia?” (a resposta era não). Para escapar do rótulo de encalhada e evitar o risco de virar uma sobra na prateleira do mercado de relacionamentos, o site da federação estabeleceu o limite de 27 anos como a linha vermelha das solteiras. Como a idade legal mínima na China para o casamento de mulheres é de 20 anos, isso deixa uma janela estreita para as jovens chinesas. Feministas A fato de ser da competência de uma agência estatal representar os interesses da mulher é sintomático da ausência de movimentos femininos sérios no país. A opinião é de Wu Qing, 75, incansável ativista de direitos humanos e uma das pioneiras (e solitárias) feministas da China. Professora aposentada de inglês, Wu foi deputada do Congresso do Povo pelo distrito de Haidian, em Pequim, por 27 anos – até ser proibida de se candidatar ao posto, em 2011. Ela não esconde sua irritação toda vez que ouve o termo “sheng nu”. “É uma enorme discriminação contra a mulher. Por que não usam o mesmo termo para os homens? As pessoas não são sobras. Cada um de-

veria decidir se e quando quer casar”, opina Wu. Uma das fundadoras, em 1987, do grupo de estudos femininos da Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, onde lecionava, ela diz que não é possível separar os direitos das mulheres da restrições às liberdades políticas no país. “Nenhum direito é dado de bandeja. Se querem igualdade, as mulheres têm que lutar por ela”, esbraveja a ativista. As reformas econômicas deram novas chances de ascensão às mulheres chinesas. Segundo um ranking da revista “Hurun”, especializada no mundo dos endinheirados, sete das dez empreendedoras mais ricas do mundo são chinesas. Mas Wu afirma que essas histórias de sucesso se desenrolaram apesar do sistema vigente, e não graças a ele. Homens ganham mais do que mulheres com a mesma qualificação e têm mais chances de serem promovidos. Isso sem falar na hegemonia masculina que prevalece na política. “Entre os sete membros do Comitê Permanente do Partido Comunista, não há nenhuma mulher. E entre os 25 do Comitê Central só há duas mulheres. Quem vai defender

COISA SÉRIA

A televisão chinesa exibe atualmente 22 programas de namoro. Um dos mais populares deixa claro já no nome que não há tempo a perder: ‘Se você não é sério, não me amole’.

os interesses femininos?”, indaga a ex-deputada Wu. Cochicho A pressão social sofrida pelas mulheres solteiras na China vai muito além do discurso oficial e do cochicho dos vizinhos, tendo reflexos na cultura popular. A televisão chinesa exibe 22 programas de namoro, que atraem enorme audiência e geram inflamados debates. Um dos mais populares deixa claro já no nome que não há tempo a perder: “Se você não é sério, não me amole”. “Esses programas alimentam o estigma da solteira como perdedora e a pressão para que a mulher considere o casamento a única coisa que importa”, reclama a jornalista Yuan Yaowen, 30. “E as candidatas são geralmente meninas entre 22 e 25 anos, que nem deveriam estar pensando em casar.” O choque entre tradicional e moderno cria um código de conduta que confunde e incomoda as mulheres da geração 80. “Por um lado, a sociedade é ultracompetitiva e nos incentiva a valorizar a formação profissional para conseguir um emprego”, diz Yuan, que está há mais de dois anos sem namorado. “Por outro, espera-se que larguemos tudo no começo de nossas carreiras para sermos mulheres e mães”. Os números comprovam: a importância do casamento manteve-se imune ao ataque às instituições burguesas promovido pelos comunistas, desde que tomaram o poder em 1949, e à modernização das últimas três décadas. Segundo o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, 77,4% das mulheres chinesas entre 25 e 29 anos já são casadas. Para efeito de comparação, no Brasil, o índice de casadas para o mesmo grupo é de 32,7%; na França é de 27,3% – ainda que haja casos mais extremos que o chinês: na Índia, só 5,9% das

meninas dessa faixa etária são solteiras. A ansiedade dos pais para que as filhas se casem antes dos 30 é explicada pela preocupação com a imagem, mas também pela manifesta preferência dos homens chineses em mulheres na casa dos 20 para o matrimônio. Para desencalhar as filhas, todo esforço é válido – inclusive a embaraçosa exposição pública. No parque de Zhongshan, bem ao lado da Cidade Proibida, marco histórico de Pequim, centenas de pais se reúnem todo domingo, num verdadeiro mercadão de solteiros. Mais uma vez, o abismo geracional é gritante. Enquanto os jovens buscam novas amizades e ensaiam flertes em plataformas virtuais, como microblogs e o programa de mensagens por celular WeChat (uma febre na China), os pais preferem se jogar no corpo a corpo. Os casais se posicionam ao longo de uma das alamedas arborizadas do parque. Com pequenos cartazes escritos à mão, promovem os atributos das filhas e informam os requisitos que esperam encontrar no genro de seus sonhos. Cada um faz o que pode. Algumas mães andam pelo par-

FORTUNA

O foco na riqueza a qualquer custo é uma marca dos anos de modernização na atual China. O casamento, por extensão, acaba se tornando um meio para alcançá-la mais rápido.


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que com o cartaz em punho, lembrando os compradores de ouro do centro de São Paulo. Outras chegam a pendurar no pescoço uma foto da filha ou do filho – há raros casos de rapazes anunciados, mas os solteiros não são rotulados como “encalhados”. A maioria está lá sem o conhecimento dos filhos. “Tian Xiaogi, nascida em 1986. Pós-graduada em ciência da alimentação na Nova Zelândia, 1,69 m de altura. Procura: rapaz entre 27 e 35 anos, pelo menos 1,70 m de altura, emprego estável, apartamento próprio”. Diante do cartaz, um pai com ar tímido espera possíveis interessados. O casal se dividiu. Enquanto ele marcava o ponto, a mulher caminhava pela alameda de anúncios, analisando currículos e trocando fotos com outros pais. “Minha filha queria ficar na Austrália para fazer um doutorado, mas nós dissemos que era hora de ela voltar”, conta Tian Li. “Ela está com 27 anos, é uma idade crítica. Depois dos 30 é muito difícil achar um marido”. O fator econômico também pesa. Pelas convenções chinesas, um homem precisa ter um imóvel para casar – como bem destacava o cartaz dos Tian. Segundo uma pesquisa da consultoria chinesa Horizon, 3/4 das mulheres consideram a posse da casa própria uma prioridade no candidato a marido. O foco na riqueza a qualquer custo é uma marca dos anos de modernização na China que revolta a feminista Wu Qing. “A mídia oficial não para de promover a riqueza e o poder como metas”, critica Wu. O casamento, por extensão, acaba se tornando um meio para alcançá-las. Sabendo disso, muitos homens começam a financiar o apartamento para sua vida de casado bem antes de encontrar a noiva. O fenômeno é tão comum que impactou o mercado imobiliário. Segundo um estudo elabo-

rado por três economistas, entre eles Yin Liu, da conceituada universidade Tsinghua, em Pequim, a competição por noivas ajuda a explicar a disparada dos preços no mercado imobiliário chinês. O resultado é que os preços dos imóveis são mais altos nas cidades onde a população masculina supera em muito a porção feminina. A corrida é tão acirrada que gerou um termo depreciativo para a oferta de homens que não podem começar a vida conjugal com a casa própria: “casamentos nus”. Demografia A julgar pelos números da demografia chinesa, não deveria ser problema para as mulheres achar um noivo. Na faixa entre 20 e 30 anos, há 20 milhões de homens a mais que mulheres, resultado da prática de abortos seletivos condicionada pela preferência de muitos pais por meninos. Em 2012, nasceram 118 meninos para cada 100 meninas. Significa que o estigma das encalhadas é apenas um componente de um problema maior. Uma verdadeira crise de solteiros, conforme indicou num estudo recente um dos maiores sites de notícias da China, o Sohu.com.

SEM HOMENS

Para Joy Chen, autora do livro - hoje bestseller -’Não Case Antes dos 30’, falta uma ‘cultura da paquera’ na China. ‘Muitas solteiras não têm exposição a homens em suas vidas normais’.

Intitulado “Mulheres e Homens em Perigo”, o estudo gerou acaloradas discussões no popular microblog Weibo, a versão chinesa do Twitter. Apesar das divergências, quase todos os usuários culparam a política de filho único pela distorção. “A política de filho único está em vigor há 30 anos. Muitos moradores das áreas rurais optaram por abortos quando conceberam meninas. Agora seus filhos não conseguem achar esposas. Isso é o que dá quando se matam bebês!”, disparou a internauta identificada como Jingxuan 57203. O desequilíbrio tende a aumentar. De acordo com algumas projeções, em 2020 haverá 30 milhões de chineses a mais que chinesas. Para um governo obcecado com o mantra da “sociedade harmoniosa”, é um problema e tanto. Antes só “Acho que a campanha estatal contra os solteiros se dá em grande parte pela preocupação em evitar a instabilidade social”, especula Wang Jin, 30, que trabalha numa firma de importação de vinhos. Assim como outras solteiras de sua idade, ela reconhece que é exigente e prefere ficar só que mal acompanhada. “Os homens chineses são imaturos. Acham que vão casar para ter alguém para servi-los”, reclama. “Melhor esperar.” O nível de instrução crescente das novas gerações de mulheres chinesas provocou um obstáculo adicional. Além de tornar as mulheres mais independentes e exigentes, a maior qualificação reduziu suas chances no mercado dos casamentos, devido à convenção chinesa de que homens devem ganhar mais que as mulheres. “Os homens chineses ficam intimidados com mulheres com poder econômico”, diz Wei Wang, 25, que acaba de voltar à China depois de cinco anos na Austrália. Se dependesse dela, Wei

teria ficado em Brisbane, onde se formou em finanças e marketing. Só voltou por insistência dos pais. Mas não tem nenhuma intenção de ceder à pressão para que se case antes dos 30. “Metade das minhas colegas de escola estão casadas e já tem filho”, conta Wei. Em muitos casos, a pressa em casar acelera a frustração. “Muitas já estão falando em divórcio. Não quero cometer o mesmo erro”. No parque Zhongshan, alguns pais admitem, com indisfarçada tristeza, que o investimento que fizeram na educação das filhas pode ser um tiro pela culatra. “Estou pensando em tirar do anúncio que minha filha tem pós-graduação em psicologia”, diz Aiu Aiguo, diante do cartaz que anuncia o currículo. “Uma moça qualificada demais assusta os homens”. Além da pós-graduação, o cartaz exibido por Aiu informa que sua filha mede 1,70 m e nasceu em 1988, o que ainda a mantém dois anos distante de se enquadrar no estigma de encalhada. Para ele, porém, aos 25 ela já está “velha”. “Tenho medo dos efeitos físicos e psicológicos que ela sofrerá, caso demore a se casar”, afirma o pai, sentado

INDICAÇÃO

Os encontros são por meio de indicação de amigos ou parentes. A familiar é determinante. ‘Tenho encontro marcado com um rapaz indicado pelos meus pais. Insistiram tanto que decidi dar uma chance’.

numa cadeira dobrável ao pé de uma árvore. “Se continuar solteira, sua personalidade vai se estragar”, teme Aiu. Paquera Para Joy Chen, a autora de “Não Case Antes dos 30”, um dos problemas é a falta de uma “cultura da paquera” na China. “Muitas solteiras não têm exposição a homens em suas vidas. Elas vão para o trabalho e ficam o tempo todo com as amigas. Muitas das solteiras com quem conversei disseram que mal conhecem homens”, diz Chen. As moças ouvidas pela Folha concordam. A grande chance de encontrar um namorado espontaneamente é durante os estudos universitários. Depois de formadas, as oportunidades mínguam. Os homens são tímidos, e a maioria das mulheres, mesmo as de mentalidade mais aberta, não acha respeitável tomar a iniciativa. “O choque entre tradicional e moderno não ocorre só entre gerações mas também dentro de nós”, reconhece a esbelta professora de ioga de 29 anos que pede para ser chamada de Alice. Os encontros geralmente se dão por meio de indicação de amigos ou parentes. A ação familiar é determinante. “Tenho encontro marcado com um rapaz indicado pelos meus pais. Insistiram tanto que decidi dar uma chance, para pararem de me ligar”, conta ela. Outra opção popular são os sites de casamento. O mais popular deles, Jiayuan. com (belo destino, em mandarim), tem 93 milhões de usuários registrados e escritórios em várias cidades da China. Sua fundadora , Gong Haiyan, decidiu criar seu próprio serviço on-line de relacionamentos após fracassar na busca por um marido na internet. Passados dez anos, sua empresa é a maior casamenteira on-line da China e está cotada na Nasdaq,

a bolsa eletrônica de Nova York. Porém o que mais enche de orgulho a fundadora Gong foi ter achado o marido dos sonhos pelo site. Segundo Li Zhongxiao, vice-presidente de relações públicas do Jiayuan. com, todo dia entre 6.000 e 7.000 usuários mudam seu status de “solteiro(a)” para “apaixonado(a)” ou “encontrei o que procurava”. “Mulheres modernas têm educação superior, são independentes economicamente e na mentalidade, por isso suas preferências são muito diferentes do que no passado”, diz Li. Ele afirma que os três principais requisitos das usuárias em relação ao namorado que procuram são “carreira bem-sucedida, maturidade e valores comuns”. O sonho, porém, é minimizado por um número crescente de mulheres – aquelas que se negam a aceitar o estigma de encalhadas. No ano passado, essa geração de mulheres independentes ganhou um aliado com a produção de uma série de TV que redefiniu o rótulo tão incômodo. Truque A virada de mesa foi possível com um truque linguístico. “Sheng” – o termo que, no começo deste texto, foi definido como “sobra” – também pode significar “vitoriosa”, uma vez que, em mandarim, palavras homófonas ganham sentido diferente segundo o ideograma escolhido na escrita. O seriado “O Preço de uma Mulher Vitoriosa” conta a saga de uma mulher solteira que constrói uma carreira de sucesso apesar dos tropeços na vida amorosa. Para muitas solteiras, a ficção imita a vida. “Como é que vou me sentir perdedora se faço o que quero e tenho o poder de decidir quando e com quem casar?”, questiona a jornalista Yuan Yaowen. “Quero mais é aproveitar a vida de solteira enquanto posso”.


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Diário de Buenos Aires O MAPA DA CULTURA

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Cria de Elvis, pai de Magal Mostra revê carreira de Sandro, o hitmaker

LÍGIA MESQUITA

Quem já cantarolou os versos “Tenho!/ Um mundo de sensações/ Um mundo de vibrações/ Que posso te oferecer”, sucesso na voz de Sidney Magal, talvez não saiba que a canção é argentina. O autor de “Tengo” é Sandro, versão “hermana” de Magal e Roberto Carlos. O cantor, que vendeu 22 milhões de discos, foi um dos artistas mais famosos da Argentina. Sandro, nome artístico de Roberto Sánchez, morreu em 2010, aos 64 anos. Para comemorar seus 50 anos de carreira, que seriam completados neste mês, o Centro Cultural Borges inaugurou a exposição “Yo, Sandro - Un Mundo de Sensaciones”, em cartaz até 6/10. A mostra faz uma vasta retrospectiva da vida do músico, também conhecido como Sandro de América, Cigano e Elvis argentino. Estão lá fotos de sua in-

fância, seus instrumentos, as letras que compôs, as capas de 36 discos, os cartazes dos 12 filmes que estrelou, imagens dos programas de TV que apresentou e de seu show no Madison Square Garden, em Nova York, em 1970 – ele foi o primeiro latino-americano a cantar ali. Ao som de seus hits, percorre-se uma sala escura com os figurinos de seus shows, cheios de brilhos, franjas e seda vermelha. O público canta junto muitas das músicas românticas classificadas de “brega” e as várias versões para sucessos dos Beatles e de Elvis Presley. As homenagens a Sandro não param aí. Em 2014, sua biografia chegará aos cinemas pelas mãos do diretor Miguel Mato. Rabugentos Juan José Campanella, diretor de “O Segredo de Seus Olhos”, Oscar de filme estrangeiro em 2010, estreou na direção teatral. Em “Parque Lezama”, ele

aborda com humor e delicadeza um tema atual: o mundo em que não cabe a velhice. Na peça em cartaz no teatro Liceo, os atores Eduardo Blanco e Luiz Brandono interpretam o zelador de um prédio e um ex-militante comunista, ambos com mais de 70 anos, que se encontram todos os dias em um parque e ficam amigos. Um vive o drama de estar prestes a perder o emprego de 40 anos por já não ser “útil” no edifício onde os moradores preferem fazer um jardim de inverno e uma área gourmet. O outro se mantém vivo inventando diversas histórias para o colega de banco de praça. Campanella assina a adaptação da obra original do americano Herb Gardner, “I’m Not Rappaport” (Eu Não sou Rappaport). A peça virou filme em 1996, com Walther Matthau e Ossie Davis. No Brasil, ganhou o nome de “Rabugentos & Mentirosos”.

Totó E Campanella também estreou em outra área: a direção de filmes de animação. Há menos de dois meses em cartaz, seu longa “Metegol” já fez quase 2 milhões de espectadores na Argentina. Metegol é o nome em espanhol do futebol de mesa conhecido no Brasil como totó ou pebolim. Na produção argentina, o jovem Amadeu, craque no brinquedo, tem que ajudar a salvar sua cidade dos planos de um famoso jogador de futebol, ex-morador do local, que pretende construir ali um parque temático” em sua própria homenagem! Tudo isso porque na infância ele havia perdido uma partida de totó para Amadeu. No conflito, os jogadores de brinquedo ganham vida e acompanham o protagonista em um de seus maiores desafios: participar de uma partida de futebol real. O filme estreia no Brasil no fim de novembro com o nome

“Um Time Show de Bola”. Almoço com estrelas Um dos programas de maior sucesso da TV argentina voltou ao ar no início de agosto depois de dois anos de recesso. No dominical “Almorzando con Mirtha”, Mirtha Legrand, 86, recebe quatro personalidades de diversas áreas para um bate-papo à mesa de almoço. A loira, espécie de Hebe local, comanda o programa desde 1968. O curioso é que, na atração, ninguém come. Afinal, quem quer aparecer mastigando em rede nacional? Se Diego Peretti, o terapeuta da versão argentina de “Sessão de Terapia”, com seu perfil proeminente, estivesse levando o garfo à boca, talvez tivesse engasgado quando Mirtha perguntou: “Já sugeriram que você operasse o nariz?”. E antes de se despedir, pausa para o “merchan” de umas pílulas para digestão. “Aqui, ninguém vai precisar”, avisou aos comensais.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Notícias do Eldorado Rio de Janeiro, 1985

U. DETTMAR - 11.01.85/ FOLHAPRESS

Show do grupo de heavy metal Iron Maiden, uma das atrações da noite de abertura do primeiro Rock in Rio

FABIÁN CASAS TRADUÇÃO FRANCESCA ANGIOLILLO

Naquela época chegavam, por primos ou amigos mais velhos, notícias do Eldorado. Eles haviam estado lá e o que contavam era extraordinário. Muitas mulheres, divertidas e nada histéricas como as argentinas. E muita vegetação e praias longuíssimas, de areia branca, como nos nossos sonhos. Diferentemente do que afirmou Paul Nizan no começo de seu romance “Aden, Arábia”, eu tinha 20 anos e pensava estar na idade mais linda da vida. Mas justamente por ter 20 anos não podia deixar o país sem permissão dos meus velhos. A mídia havia informado: no Brasil, um país vizinho, teria lugar o Rock in Rio, um festival de música que unia grandes bandas e a paisagem que para nós era a antecipação do paraíso na terra. Eu e quatro amigos do bairro decidimos fazer um plano para estar lá. Vendemos roupa, instrumentos, discos, drogas. Até organizamos uma

festa, na qual fiz as vezes de DJ para descolar cruzeiros. Era para isso que os queríamos: cruzar a linha de sombra, ir embora. Conseguimos o dinheiro, e meu pai assinou a permissão. Pulando de um micro-ônibus infernal para outro, adentramos o Brasil, o país de Pelé, de Caetano, de Gal Costa, de Roberto Carlos. Depois de uma viagem interminável, chegamos ao Rio e descemos para esticar as pernas, mochilas no ombro, vagando pelo calçadão. Era como ter vivido a vida toda em branco e preto e descobrir a cor. As pessoas gritavam, cantavam. As mulheres sorriam, pediam para falarmos “argentino”, diziam que adoravam nosso sotaque. Depois de dois dias dormindo numa praia e com as entradas para o festival no bolso, já estava falando portunhol. Eu também queria ter 1 milhão de amigos! E, se todos fossem mulheres, tanto melhor! Nessas lembranças, rumamos para os portões do festival; levamos uma barraca para dormir ali, sem pagar hotel. Somos como um caracol fosforescente, no bolso levamos ácido, que

vamos começar a ingerir assim que comece a festa. Conosco, vão umas brasileiras que acham que parecemos os Beatles. Rod Stewart toca com uma banda incrível; Al Jarreau se apresenta fazendo sons com a boca desses que só os cães escutam e com os quais enlouquecem. Vou ao delírio com Ney Matogrosso, com sua liberdade, seu despudor. Tem o torso nu e usa uma calça justa coberta de plumas (se fosse na homofóbica Buenos Aires, o matariam. Aqui somos todos andróginos). Numa noite, saio da barraca e vejo sobre o palco um gigante dançando ensandecido. Fico achando que é coisa da minha cabeça, com aquele tanto de ácido, mas não: é Eddie, o boneco que se sacoleja no palco do Iron Maiden. A festa é total. Chove e tudo está enlameado e escutamos o melhor do rock e estamos a ponto de superar a forma humana. Mas, na vida, como se sabe, há que aprender a lidar com a frustração. Enquanto tirávamos um cochilo na barraca, aquelas garotas que nos

adoravam nos levaram tudo: mochilas, documentos, livros. Ficamos com a roupa do corpo. Andei uns dias pelo Rio, pedindo dinheiro para comer, vestindo bermuda, havaianas e regata. Antes de conseguir voltar para casa com a ajuda de um amigo do meu pai, topei na rua com Bruce Dickinson,o vocalista do Iron Maiden. “O que houve com a sua cabeça?”, perguntei. “Cortei quando bati na cabeça da guitarra, sangrou à beça”, disse. Era um cara tranquilo, ninguém diria que era de uma banda de metal. Disse a ele que tinham nos roubado, e ele morreu de rir. Contei que o que mais lamentava era a perda do meu livro de bolso de Ezra Pound. Ele me disse que, para ele, Pound era um mestre. Recitou para mim um poema genial, que dizia algo assim: “Eu, que tinha você entre as coisas essenciais/ me enraivecia ao ouvir seu nome/ em meio a lugares banais”. Ao voltar para Buenos Aires, procurei o poema de Pound, achei-o e o traduzi. Isso foi há muito tempo. Agora, parece que vou voltar ao Brasil.


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História

6 Egocêntricos,

vítimas ou heróis? Transgressões no Itamaraty RESUMO Dentro de um ministério regido por hierarquia e normas próprias como o Itamaraty, atos de rebeldia são pouco comuns. Historiador das relações internacionais faz um apanhado de casos em que representantes do país atuaram contra as regras estabelecidas, com motivações diversas, da convicção ética à pequeneza pessoal.

FÁBIO KOIFMAN

Como em uma orquestra, vige no Itamaraty, ministério hierarquizado e dotado de regras próprias, um ritual de obediência que visaria desmotivar, cercear e eventualmente punir a dissidência. A Casa – como muitos chamam o MRE – não estimularia a independência de pensamento. A desobediência não é fato tão comum na história do ministério. A maioria dos diplomatas é disciplinada e segue as regras. Quase sempre é quando as ordens ferem os princípios de um diplomata que pode surgir um transgressor. Em 2008 fui chamado a falar sobre o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas (1876-1954) aos alunos do Instituto Rio Branco em Brasília. Era um sinal positivo e curioso que a Casa convidasse alguém para falar aos futuros diplomatas sobre um embaixador que fez o que eles não deveriam de modo algum fazer: deixar de cumprir as orientações e ordens da chefia. Representante do país na França ocupada, Souza Dantas não seguiu as orientações do Estado Novo (193745) de Vargas e praticou ajuda humanitária, emitindo vistos a perseguidos do nazismo. Alguns articulistas, acadêmicos e jornalistas têm se referido a Souza Dantas quando opinam a respeito do recente caso envolvendo o diplomata brasileiro Eduardo Saboia, que ajudou na fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina, asilado na Embaixada do Brasil em La Paz por quase 500 dias. Em uma primeira análise, os casos de Souza Dantas e de Saboia têm pouco em comum. Enquanto Souza Dantas encontrou dificuldades morais em seguir a determinação da Secretaria de Estado, Saboia aparentemente teria enfrentado o silêncio quanto a como proceder para contornar a situação envolvendo o senador boliviano. Nem todas as transgressões ocorridas no MRE deixaram registros escritos; alguns casos de diplomatas rebeldes só puderam ser apurados nos corredores da Casa. Nem todas, também, se deveram a motivos de consciência ou humanitários – várias tiveram mesmo origem em fatos comezinhos. Eram fins de 1902 quando Manuel de Oliveira Lima foi indicado para a nossa

representação no Peru. Desagradado com o destino, postergou o quanto pôde sua volta do Japão, onde estava lotado, apesar de o barão do Rio Branco ter solicitado com máxima urgência seu retorno ao Brasil – a demora se estendeu por mais de seis meses. O desentendimento com o barão do Rio Branco agravou-se ao longo de 1903, com a publicação de artigos de Oliveira Lima em jornais expressando críticas às decisões da política externa brasileira. Citando o visconde de Cabo Frio, teria afirmado: “Peru só na mesa, assado, e para quem gosta. Eu não gosto”. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, em seu discurso de posse em julho de 1903, na presença do presidente da República e de outras autoridades, Oliveira Lima teceu críticas à situação da carreira diplomática brasileira. Desejava ir para a Europa, mas acabou sendo enviado para a Venezuela onde permaneceu por três anos. A intempestividade em público também atingiu Rui Barbosa. Sem ser diplomata de carreira, em 1916 ele foi escolhido para representar o Brasil em importantes cerimônias comemorativas na Argentina. Naquele momento, o governo brasileiro ainda se mantinha neutro em relação ao conflito que seria conhecido mais tarde como Primeira Guerra Mundial. Em 14 de julho, sob o argumento de que já estavam concluídas as cerimônias oficiais e que se expressava não como representante diplomático – embora tivesse exigido um salário mensal de embaixador –, Rui Barbosa pronunciou um discurso no qual assumia posição favorável a um dos lados em conflito, o dos aliados. Nessa época, Luiz Martins de Souza Dantas respondia interinamente pelo Ministério das Relações Exteriores. Mesmo com antigas ligações de amizade entre as famílias, a defesa de posição divergente produziu acusações mútuas, bate-bocas nos jornais e o rompimento definitivo entre os dois. Curioso foi o caso em que uma rebeldia foi respondida com outra. Mário de Pimentel Brandão era embaixador na Bélgica quando os alemães invadiram o país, em 1940. Bruxelas estava sob bombardeio, o que levou o governo belga e todo o pessoal diplomático a fugir – Brandão inclusive. Do Rio, o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Maurício Nabuco, dirigiu a Brandão uma repreensão por ter abandonado o posto sem a devida autorização do governo brasileiro e a divulgou por circular. A resposta de Brandão, também aberta, foi de que se na antiga Roma de Calígula um cavalo havia sido feito cônsul, não era de se admirar que no Brasil moderno outro cavalo (algumas versões mencionam “burro”) houvesse chegado a embaixador e a secretário-geral. Sem conseguir do governo punição de Brandão pela resposta, Nabuco passou a transgressor: simplesmente abandonou o posto e viajou para Petrópolis e lá permaneceu. Foram precisos meses

(e pedidos cordiais do presidente da República) para que o secretário-geral voltasse ao trabalho. Célula Em 1952, com o Partido Comunista Brasileiro na ilegalidade, cinco diplomatas foram, a partir de uma denúncia, acusados de criar uma “célula comunista” dentro do MRE. Eram eles João Cabral de Melo Neto, Antônio Houaiss, Amaury Banhos Porto de Oliveira, Jatyr de Almeida Rodrigues e Paulo Cotrim Rodrigues Pereira. Em 20 de março de 1953 foi publicado o despacho do presidente da República: Vargas seguiu o parecer do Conselho de Segurança Nacional e a proposta do ministro das Relações Exteriores, assinando decretos que colocavam os cinco “em disponibilidade inativa” – ou seja, sem remuneração. O processo ainda foi enviado à chefia de polícia para promover a apuração “da responsabilidade criminal dos indicados”. Os cinco impetraram ações no Supremo Tribunal Federal e só no ano seguinte seriam reintegrados ao Itamaraty. Houaiss e Almeida Rodrigues seriam aposentados compulsoriamente depois do golpe de 1964. Álvaro de Barros Lins não era diplomata de carreira, mas em setembro de 1956 foi nomeado embaixador do Brasil em Lisboa por Juscelino Kubitschek. Desgastou-se com a ditadura salazarista por criticar o Tratado de Amizade e Consulta entre Brasil e Portugal, que considerava “lesivo” aos interesses brasileiros. Em 1959 o Brasil concedeu asilo político ao general Humberto da Silva Delgado, líder oposicionista português. O governo português não reconheceu o asilo. Considerando a reação de Kubitschek ao fato insuficiente e acusando-o de cúmplice com as ditaduras, saiu do posto em outubro do mesmo ano. Delgado foi assassinado pela polícia política de Salazar próximo á fronteira espanhola em 1965. Foi contra a nascente ditadura brasileira que se insurgiu, em 1964, o embaixador Jayme de Azevedo Rodrigues. Em serviço em Genebra na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), ao receber o comunicado da deposição do presidente João Goulart, telegrafou ao Itamaraty: “Não sirvo a governos gorilas”. No dia 2 de julho, sua aposentadoria foi publicada com base no primeiro dos atos institucionais militares. Zum-zum O regime militar brasileiro teria no diplomata Manoel Pio Correa um aguerrido defensor da ordem. Em 1966, ao assumir a função de secretário-geral, Pio Correa deixou claro que não gostava de diplomatas “pederastas”, “vagabundos” e “bêbados” – os termos são do próprio diplomata, conforme citados em suas memórias (“O Mundo em que Vivi”). Logo descobriu que Vinicius de Moraes, lotado ali, não era assíduo ao trabalho. Além disso, era contratado da casa noturna ZumZum, em Copacabana, onde se

apresentava todas as noites. Convocou-o propositalmente em uma manhã bem cedo para lhe dar duas opções: ou largava o trabalho noturno e assumia uma função ou pedia licença sem vencimentos. Vinicius foi obrigado a licenciar-se. O AI-5 o aposentaria compulsoriamente em 1968. A atividade artística quase foi daninhas a outro homem de letras. José Guilherme Alves Merquior foi, desde cedo, muito presente no meio intelectual de sua época. Em 1962, aluno do Instituto Rio Branco, ele participou da organização de um festival de cinema russo. No ano seguinte (ao fim do qual tomaria posse como terceiro secretário do Itamaraty), foi convidado a dar um curso de introdução à estética no Instituto Superior de Estudos Brasileiros e chamou a falar o marxista Leandro Konder. Teria ainda coordenado uma exposição de fotógrafos cubanos. Designado para servir em seu primeiro posto internacional em 13 de maio de 1966, teria sido inquirido a respeito dessas atividades que flertavam com a ideologia comunista – segundo conta-se, por pouco não foi cassado. Uma disputa de cunho pessoal quase coloca o Brasil em um grave incidente com a Síria de Hafez alAssad – pai do atual ditador sírio, ele havia tomado o poder via golpe de Estado em 1970. Entre 1969 e 1972, Roberto Luiz Assumpção de Araújo era embaixador em Damasco. Assad passou a cobiçar a casa na qual Assumpção estava instalado, tentando convencê-lo a se mudar. O embaixador não cedeu, e os dirigentes sírios passaram a utilizar outros meios de pressão, que incluíram o corte sistemático de energia e água da residência. Sem sucesso, obstruíram o esgoto, o que produziu uma situação insustentável. Assumpção, ao invés de dar-se por vencido, arriou a bandeira brasileira e seguiu com o protocolo de rompimento de relações diplomáticas com o país árabe. O caso produziu alvoroço na comunidade sírio-brasileira, que se lançou em reclamações contra Assumpção. Uma ordem expressa de Brasília finalmente convenceu o embaixador a deixar a casa. Para alguns, os atos de José Maurício Bustani quando diretorgeral da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) o qualificam como transgressor – e, se não o foi com relação ao Itamaraty, certamente pode-se dizer que ele entrou em choque com o governo norte-americano. Eleito para a Opaq no período 1997-2000 e reeleito para o quadriênio seguinte, 2001-2005, ele agiu de maneira independente a fim de tentar fazer fazer com que as regras valessem do mesmo modo para todos os países. O governo George W. Bush passou a vê-lo como obstáculo, e Bustani não chegou a concluir o segundo mandato: menos de um ano antes do início da segunda guerra do Iraque, os Estados Unidos passaram a articular pela sua remoção do posto, o que acabou por ocorrer em abril de 2002.

EM TEMPO - 15 de setembro de 2013  

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