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ALEX PAZUELLO

ELES ESTÃO DE OLHO NA VAGA DE DESEMBARGADOR

A POSSE DE SETE NOVOS DESEMBARGADORES NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO AMAZONAS AINDA ESTÁ SUB JUDICE. MAS, NOS BASTIDORES, AS COSTURAS SOBRE OS NOMES QUE DEVERÃO ASSUMIR JÁ COMEÇARAM. ENTRE OS COTADOS ESTÃO ELCI SIMÕES, JOMAR RICARDO FERNANDES, NÉLIA CAMINHA E FRANCISCO CRUZ. POLÍTICA A5

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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.179 – DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

“ZFM É PATRIMÔNIO DO BRASIL” RICARDO OLIVEIRA

REPRODUÇÃO

PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, SENADOR AÉCIO NEVES DESAFIA O PRÓPRIO PARTIDO, O PSDB, E DIZ QUE A ZONA FRANCA DE MANAUS É PATRIMÔNIO DO BRASIL E NECESSÁRIA PARA A REGIÃO NORTE. COM A PALAVRA A7 MEIO AMBIENTE

Destruição do paraíso amazônico O progresso tem seu preço e quem paga por isso é o meio ambiente, sacrificado e relegado a segundo plano. Dia a dia C3 a C5

RIO NEGRO

Cem anos de tradição no futebol

ARLINDO JR.

Depois da depressão, a redenção

Depois do prédio ter escapado de ser leiloado, Rio Negro chega ao centenário, no próximo dia 13, na esperança de dias melhores. Pódio E2 e E3 Goleiro Clóvis Aranha e a tradição da toalha vermelha no Rio Negro

Plateia D1

Um dos balneários afetados pela rodovia AM-070

DIVULGAÇÃO

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D O M I N G O

Colunista de “Época”, “Vogue Brasil”, “GQ Brasil”, Bruno Astuto (foto com Ana Maria Braga) diz ao EM TEMPO que chique é ajudar ao próximo. Elenco 16 e 17

Dia 15, a República completa 124 anos e experimenta a versão tropical do Estado de bem-estar social. Ilustríssima G4 E G5

Estudos internacionais afirmam que as cápsulas à base de café verde ajudam na redução do peso. Saúde F2

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO E CONCURSOS.

TEMPO EM MANAUS

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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

Justiça condena Rosinha por crime de improbidade A

ex-governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, foi condenada na última sexta-feira pelo crime de improbidade administrativa. Na decisão, a juíza Simone Lopes da Costa, da 14ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio, determinou a suspensão dos direitos políticos de Rosinha por um período de 5 anos. Cabe recurso. De acordo com o processo, durante a gestão de Rosinha à frente do governo do Rio, um contrato da Secretaria Estadual de Educação com a Fundação Euclides da Cunha foi firmado sem a realização de licitação. A parceria previa a implantação de um programa estadual de informática associado à educação. Na sentença, a juíza avalia que não ficou provado que a Fundação Euclides da Cunha providenciou as 254 salas de informática previstas em contrato. Sobre a participação de Rosinha, a magistrada afirma que sua posição, na época, de governadora de Estado lhe impunha maior responsabilidade, tanto de fiscalização de seus subordinados quanto de averiguação dos atos que pratica. Mais condenados Também foram condenados na mesma decisão o ex-secretário de Educação, Claudio Mendonça, que perdeu seus

direitos políticos por 7 anos, e Maria Thereza Lopes Leite, que recebeu o mesmo tipo de suspensão por um período de 6 anos. A Fundação Euclides da Cunha foi condenada a ressarcir integralmente o prejuízo causado ao governo do Rio e não poderá firmar contratos com o poder público por um período de 5 anos. Representante de Rosinha, o advogado Thiago Soares de

ENVOLVIDOS

Além da ex-governadora Rosinha Garotinho, que pode recorrer da setença, foram condenados os ex-secretários de Educação do Rio, Claudio Mendonça e Maria Thereza Lopes Leite Godoy informou em nota que a ex-governadora não foi a gestora desse contrato e suas contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas, que já a eximiu de qualquer responsabilidade sobre esse caso. Ainda de acordo com o advogado, a ex-governadora considera essa sentença de primeira instância uma perseguição política. Ele informou que sua cliente vai recorrer da decisão.

TORTURA

Mãe queima mão de filho em fogão na Zona Oeste JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

Uma mulher de 25 anos foi presa em flagrante na noite da última sexta-feira, suspeita de tortura por queimar a mão do próprio filho, uma criança de 8 anos. Após denúncia feita por parentes da acusada, policiais da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) efetuaram a prisão por volta das 22h na travessa Avoante, na comunidade União da Vitória, bairro Tarumã-Açu, na Zona Oeste de Manaus. Segundo a mãe, o gesto teria sido uma punição à criança pelo furto de uma bicicleta. Questionada pelos policiais, a criança contou que a mãe teria colocado a mão dela sobre uma das bocas do fogão que estava acesa. A criança foi encaminhada

para o pronto-socorro da Criança, na Zona Sul, com queimaduras de segundo grau na mão esquerda. De acordo com o delegado plantonista da Delegacia Especializada

MOTIVO

A mulher foi denunciada pelos próprios familiares, após ter colocado a mão da criança na boca acesa de um fogão. O motivo que a levou a cometer o crime foi uma bicicleta em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Rafael Guevara, a suspeita vai responder pelo crime de tortura, crime inafiançável com pena de 2 a 8 anos.

Abandono intelectual A suspeita também vai responder por abandono intelectual, porque além da tortura verificada no flagrante, a criança não frequenta a escola desde o início do ano – o crime pode ter pena de 15 a 30 dias de reclusão ou multa a ser decidida pelo juiz –. “Ela justificou que com o trabalho de vendedo-

AE

A condenação ocorreu por conta de contrato firmado sem licitação durante a gestão de Rosinha à frente do governo do Rio

ra não tem tempo para acompanhar os estudos do menino e alegou que o matricularia na escola no próximo ano”, detalhou o delegado. Após prestar depoimento na Depca, a mulher foi encaminhada, na manhã de ontem, para a cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus.

Rosinha Garotinho teve a suspensão dos direitos políticos por um período de 5 anos, conforme determinação da Justiça

ENTORPECENTES

TUFÃO HAYAN

Estimativas apontam 1,2 mil mortos nas Filipinas O supertufão Hayan, que atingiu as Filipinas na última sexta-feira, pode ter deixado até 1,2 mil mortos, segundo estimativa da Cruz Vermelha. Os dados oficiais do governo, até o final da manhã de ontem, reconhecem pouco mais de 100 vítimas. De acordo com a secretária-geral da Cruz Vermelha nas Filipinas, Gwendolyn Pang, entre as localidades mais afetadas pelo supertufão estão as regiões costeiras do país. “Do total de vítimas, estimamos que mil pessoas tenham sido mortas em Tacloban e 200 na província de Samar”, disse. Manila, a capital filipina, amanheceu ontem com milhares de soldados nas zonas mais afetadas pelo tufão, que varreu o centroleste do arquipélago antes de seguir para o Vietnã. Diversas cidades e vilas permaneciam totalmente isoladas, o que faz prever um número mais elevado de vítimas. “Temos informações de que imóveis desabaram, casas foram inundadas e ocorreram deslizamentos de terra”, relatou Pang. Enquanto a Cruz vermelha estima milhares de mortos, o tenente do Comando Central da Marinha, Jim Aris Alago, disse que ainda não era possível calcular o número de

vítimas. “Não conseguimos determinar um número específico, pois as comunicações ainda estão cortadas”, relatou. Fenômeno violento O tufão varreu as províncias orientais de Leyte e Samar, com ventos de até 315 quilômetros por hora, tornando-se uma dos fenômenos mais vio-

TOTAL

Do total de vítimas, projeções indicam a morte de mil pessoas em Tacloban e 200 na província de Samar. As localidades foram atingidas com ventos de até 315 quilômetros por hora lentos a atingir terra firme da história. Após passar sobre o centro e o sul das Filipinas, Haiyan seguia sobre o mar do Sul da China em direção ao Vietnã. O Exército iniciou ontem o envio de aviões C-130 com material de socorro para Tacloban, capital da província de Leyte e com 220 mil habitantes. Um jornalista do canal local GMA relatou a presença de dezenas de corpos nas ruas de Tacloban e em uma igreja.

Sete pessoas são presas com drogas em Manaus A madrugada de ontem foi movimentada para a Polícia Militar. Pelo menos sete pessoas foram presas por tráfico e porte de drogas, em diferentes horários e pontos de capital amazonense. Segundo a Polícia Militar, por volta da meia-noite, o casal Luciano Barbosa da Silva, 27, e Márcia Cristina Lima dos Santos, 29, foram presos, na avenida Brasil, Zona Oeste, com 33 porções de pasta-base de cocaína, três porções de oxi e uma porção de maconha. Eles foram apresentados no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Às 1h24, policiais da 22ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) prenderam Hudson de Andrade Ribeiro, 19, que estava com quatro porções, supostamente, de cocaína, três de maconha e

uma de pasta-base. O fato ocorreu no bairro Chapada, Zona Centro-Sul. O infrator foi conduzido ao 12º DIP. Siama Silva de Souza, 21, e Alan Alves da Silva, 27, foram presos por volta das 1h46 após serem abordados por policiais da 30ª Cicom, que perceberam atitude suspeita. Com Siama foi encontrada 13 trouxinhas, supostamente, de pasta-base de cocaína. Ela informou que comercializa as drogas para Alan, que foi preso em sua casa, na rua 0, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste. Os dois foram levados para o 14º DIP. Também no 14º DIP, foram apresentadas Ana Oliveira da Silva, 34, e Maristela Matias de Sousa, 33, presas na rua do Comércio, bairro Nova Vitória, Zona Leste, com 12 trouxinhas de pasta-base e cinco de maconha.

DIFERENÇA

Entra em vigor quarto fuso horário no país Começa a valer, neste domingo, o quarto fuso horário do território brasileiro. O Acre e algumas regiões do Amazonas terão duas horas de diferença em relação ao fuso oficial de Brasília, fora do horário de verão. Nesta época do ano, porém, a diferença é de três horas. Por quase 90 anos esse foi o fuso do Acre. A mudança ocorreu em 2008,

com projeto de lei do então senador e hoje governador do Estado, Tião Viana (PT), que mudou o fuso para apenas uma hora em relação a Brasília. Nas eleições de 2010, no entanto, a população do Estado foi às urnas em referendo sobre o tema de horário, porém, a maioria (56,87%) rejeitou a alteração.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Quem foi que fumou ‘unzinho’? De tanto ser chamado assim, o cantor e compositor Roberto Carlos acreditou que era sim, um rei. Nessa condição jamais permitiria a circulação daquela história em que um rei desfila nu, coberto apenas com o tênue véu da sua desmedida vaidade. Roberto Carlos, entre uma aparição e outra no Natal da Rede Globo, proíbe que se escreva a sua biografia. Não se sabe o que não se conhece sobre o “rei”, que deseja tanto esconder. Há alguns anos, em uma divulgação científica (mais uma) sobre o consumo da maconha, pesquisadores afirmaram que o uso continuado e por muito tempo da erva danifica, irremediavelmente, o cérebro. No mesmo momento, o então ministro da Cultura do governo Lula, Gilberto Gil, declarava que fumara até os 50 anos de idade. A revista “Veja” comentou: “Fumou demais”, remetendo a certa prolixidade (e hermetismo) do discurso do cantor e compositor baiano. Bom, até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende, hoje, a liberação da maconha e outras drogas, em nome de uma desmilitarização do combate ao tráfico, em que o Estado gasta mais dinheiro do que na recuperação dos dependentes. Quem sabe não terá fumado “unzinho”, durante o Seminário sobre o Capital, realizado na USP, durante a ditadura? Em uma biografia, preocuparia mais a FHC o mensalão do PSDB. Nesta semana, o grupo Procure Saber (Roberto e Erasmo Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Djavan, entre os mais notáveis), liderado pela empresária Paula Lavigne, deu sinais de recuo na sua exigência de autorização para que se escrevam biografias. Deve ter pesado na consciência de que foi justamente na luta contra a censura que construíram seu sucesso... e reinado. Não precisava, agora, escrever uma página de que se envergonharão em suas biografias. O rato roeu a rabugice do Roberto.

Omar no ninho tucano O governador Omar Aziz (PSD) teve dois encontros de peso esta semana. Traçou um tambaqui com o governador de Goiás, Marconi Perillo, e conversou longamente com o senador Aécio Neves. Ambos tucanos. Com isso, Omar demonstra que é um político aberto a todos os diálogos. Não interessa o partido, ele vai lá, ouve e diz o que pensa. O governador até concordou em ir com Pirillo ver no que o peixe do Araguaia é melhor que o nosso. Com Aécio, ele assegurou o apoio do parlamentar à proposta de prorrogação da Zona Franca de Manaus até 2073. Pero no mucho Resta saber se o neto de Tancredo foi mesmo sincero. Pelo que se sabe, o PSDB – partido visceralmente paulista –, nunca morreu de amores pela Zona Franca. E isso, sem dúvida, é um dos motivos para o prefeito Arthur Neto (PSDB), que sempre defendeu a Zona Franca, ser amado por uns (tucanos) e a pedra no sapato de outros. Urgência urgentíssima! O deputado José Ricardo Wendling classificou como “estranha” a celeridade dada à sanção do projeto de lei complementar nº 14/2013 que prevê o aumento do número de desembargadores de 19 para 26.

A matéria chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) na última quarta-feira (6), foi aprovada na quinta (7) por volta das 14h, e poucas horas depois, na tarde do mesmo dia, já teve a sanção do governo do Estado publicada no Diário Oficial do Estado (DOE). Repasse Wendling lembrou que, recentemente, a casa aprovou o aumento no repasse de recurso ao Poder Judiciário equivalente a R$ 24 milhões. O montante seria destinado para ampliar a estrutura do Judiciário no interior do Estado com mais juízes, mais funcionários e com estrutura física. Imbróglio Outro ponto que José Ricardo ressaltou é que com o deferimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), concedido ao pedido de suspensão do projeto

de lei complementar, solicitado pela desembargadora Graça Figueiredo, “cria-se mais um imbróglio nessa matéria”. Não adiantou Durante a apreciação final do projeto, os deputados de oposição fizeram uma sugestão em plenário. A de que a votação do projeto ocorresse somente após o parecer do CNJ sobre o pedido da desembargadora. Pergunta cretina Parece piada, mas não é. Na manhã de quinta-feira, um comerciante teve seu estabelecimento assaltado por um bandido armado com uma faca. Passado o momento crítico, o empresário foi a uma delegacia para registrar a ocorrência. Pergunta cretina 2 Depois de fazer a queixa e adiantar seus dados, a vítima levou um susto diante da solicitação da escrivã: — Nome e CPF do assaltante? Diante do espanto, a funcionária argumentou: — É que o ladrão, bem que poderia ser o seu vizinho...

Às vezes, uma cidade anda para trás. Manaus já teve algumas boas lojas no ramo de venda de CDs e discos em geral. Hoje é uma tristeza só. As mais tradicionais apresentam estoques que dão pena. Em loja de sebo você encontra coisa melhor. Fogo de palha A última a se estabelecer

APLAUSOS

Milhões de tablets A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) comemorou a consolidação da produção de tablets na Zona Franca de Manaus. Em discurso nesta quinta-feira (7), a comunista garantiu que a produção já passou de 1,7 milhão de unidades este ano. Alfinetada Vanessa Grazziotin lembrou que o sucesso da produção de tablets na Zona Franca foi possível graças à isenção tributária definida pela Medida Provisória (MP) 534/2011. — A medida sofreu inúmeras críticas à época, mas que agora mostra seu acerto –, alfinetou. Mais emprego Vanessa lembrou que esse grande aumento na produção de tablets tem ajudado no aumento do número de empregos e também na arrecadação do Estado do Amazonas.

Exibido na noite de quintafeira, 7, em cadeia nacional de rádio e TV, o programa nacional do PR, partido da base aliada do governo, teve momentos de pura sessão pastelão. Depois que o presidente da legenda, senador Alfredo Nascimento (AM), desejar boa noite exibindo um sorriso que ia de ponta a ponta da orelha, entrou no ar nada menos que Tiririca, que apareceu como “elemento surpresa”.

VAIAS

Aécio Neves

regi@emtempo.com.br

nesta “Manô dos Mil Contrastes”, na Livraria Saraiva, começou animando e alegrando os discófilos. Mas parece que já iniciou uma trajetória de decadência. É uma pena.

Pastelão

Disco furado

Charge

Blecautes constantes IONE MORENO

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Para o candidato a presidente, Aécio Neves, que saiu em defesa da prorrogação da Zona Franca de Manaus, mesmo sabendo que vai ser trucidado em São Paulo.

Para a Amazonas Energia, que não consegue conter o massacre de apagões que castiga Manaus. Na sexta-feira, foram registradas simplesmente 500 ocorrências em todas as zonas da cidade.

João Bosco Araújo jbosco@emtempo.com.br

Seguro morreu de velho Uma antiga lenda árabe fala de um velho criador de ovelhas que um dia foi surpreendido por uma grave doença que atacou precisamente o mais belo e competente de todos os reprodutores do seu rebanho. Aflito, o homem tratou de imediatamente levar o carneiro à aldeia, onde alguém, com ou sem legitimidade, fazia o papel de veterinário e nessa condição era procurado por todos os criadores de ovelhas, cabras, camelos, vacas, cavalos e jumentos daquela região, que nessas criaturas de Deus tinha a sua economia sustentada. Examinado devidamente, o animal foi medicado com unguentos, garrafadas, ervas especiais e levado de volta para o seu aprisco, onde deveria esperar a cura. No dia seguinte, enquanto o bicho ainda guardava o devido repouso, eis que o seu dono recebeu a notícia, coisa que nunca faltava, como soe acontecer nesses lugarejos, de que chegara à vila um santo homem, um profeta e guru que, por onde passara, deixara a reputação de eficiente milagreiro. Temendo perder a chance única, o oportunista criador correu ao vilarejo, levando em sua carroça o pobre carneiro que, doente, mais sofria com os solavancos do primitivo veículo. Lá, foram feitas rezas, benzeduras e defumações que deveriam garantir a recuperação da saúde do animal. Findo o ritual, o homem voltou para casa apressado, preocupado com o pôr do sol, a fim de não perder os horários dos remédios prescritos pelo primeiro curandeiro. Como diziam nossos avós, seguro morreu de velho, canja de galinha e água benta não fazem mal a ninguém, ou ainda os latinos: “quod abundat non nocet” (o que abunda não prejudica), que os franceses traduziram com fe-

licidade para “abondance de biens ne nuit pas” (abundância de bens não prejudica). A fábula do velho árabe e todas as fórmulas proverbiais a que ela conduziu vieram-me à mente em função das escandalosas denúncias a respeito da espionagem que o governo americano, ou a sua agência de segurança, estaria exercendo sobre vários países, até hoje tidos como “amigos” ou aliados. Que fossem espionados os inimigos ou, pelo menos, os não aliados, seria fato que não suscitaria crítica e nem mesmo espanto. Mas, xeretar a vida daqueles que tradicionalmente se alinham e seguem, às vezes, à risca, as linhas ditadas por Tio Sam, parece algo inaceitável. Ora, acontece que o poderoso Tio, hoje encarnado no simpático Obama, como acontece com quantos detenham a força em qualquer plano e dimensão, sempre convive com o delírio de que outros estão de olho no seu poder e tudo dariam para usurpá-lo. Então, “seguro morreu de velho” e ele, o Homem e seu Reino, pretendem ultrapassar a medida heroica estabelecida por Matusalém ou, quem sabe, até sonhar o velho sonho do “Reich de mil anos”. Afinal, pensam eles, se temos os meios e os recursos, não custa nada “manter as barbas de molho” e sempre dar uma olhadinha no que os vizinhos estão a fazer, ainda que se afirmem “muy amigos”, como diria o velho Gardelon. Enquanto isso, o papa e o Vaticano sequer tomam conhecimento da bisbilhotice americana: “nada temos a esconder”. A propósito, quase esqueci de dizer que, mesmo cercado e cuidado por todos os lados, o pobre carneiro não conseguiu escapar da Morte, a chamada Iniludível.

João Bosco Araújo, Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Como diziam nossos avós, seguro morreu de velho, canja de galinha e água benta não fazem mal a ninguém, ou ainda os latinos: ‘quod abundat non nocet’ (o que abunda não prejudica), que os franceses traduziram com felicidade para ‘abondance de biens ne nuit pas’ (abundância de bens não prejudica)”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Afrouxando o nó

Eu levo a secretaria inteira toda. Vai todo mundo comigo. Eu te dei muito dinheiro.

Diante de um cenário de deterioração nas contas do governo, o Planalto retomou a articulação para aprovar no Congresso projeto de lei que facilita o cumprimento do superavit primário em 2013. Se a proposta for aprovada, a União não terá de cobrir o valor que Estados e municípios deixarem de economizar para pagar juros da dívida, o que daria um alívio aos cofres do governo central. A meta de superavit para governos estaduais e prefeituras neste ano é de R$ 47,8 bilhões. Semântica Pela lei atual, a União é obrigada a cobrir o que os Estados e municípios não conseguirem economizar, mas o novo projeto torna a compensação facultativa. O projeto entrou na lista de prioridades do Planalto. Passivo No ano passado, a dificuldade dos governos regionais em fazer economia para pagar juros da dívida foi um dos motivos que levaram o governo a fazer manobras contábeis para fechar as contas e considerar como cumprida a meta de superavit. Guinada O secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse em junho que o governo cobriria eventual rombo: “Se houver dificuldade de Estados e municípios em atingir a meta nós iremos cobrir. Essa é a definição do governo.” Vaivém O projeto foi aprovado na Comissão de Orçamento em 28 de maio, mas ficou parado por mais de quatro meses. Em 15 de outubro, a proposta chegou a ser incluída na pauta do plenário e, depois, a votação foi transferida para 19 de novembro.

Antispam Será lançado em dezembro o sistema seguro de e-mails do Palácio do Planalto, criado após denúncias de espionagem dos EUA no Brasil. Serão os primeiros e-mails do governo operados pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), e não pela Microsoſt. Minha casa... Depois da saga pela instalação de água quente, a residência oficial do chanceler Luiz Alberto Figueiredo receberá um novo fogão, uma vez que o atual “já esgotou sua vida útil”, segundo edital de licitação. ...melhor A compra inclui ainda outros dois fornos elétricos e dois aparelhos desumidificadores. A despesa estimada é de R$ 5,6 mil. Agora Dilma Rousseff vai a Fortaleza na sexta-feira anunciar parte dos R$ 50 bilhões prometidos para mobilidade urbana. O governador Cid Gomes (PROS) é ponta de lança da estratégia de reeleição da presidente no Nordeste, após ter deixado o PSB. Depois Das oito capitais previstas no pacote de investimentos, faltarão apenas Recife e

Luiz Alexandre Cardoso de Magalhães, auditor fiscal, em conversa por telefone com Ronilson Bezerra Rodrigues, ex-subsecretário de Finanças e suposto chefe da quadrilha que desviou R$ 500 milhões da Prefeitura de São Paulo

Belo Horizonte, governadas por prefeitos do partido de Eduardo Campos. Climão Aliados do governador de Pernambuco acreditam que ele não vai comparecer ao congresso do PC do B, que começa na quinta-feira e terá presença confirmada de Lula e Dilma.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

Climão 2 Após longa discussão sobre a conveniência de chamar o virtual adversário de Dilma, o PC do B enviou o convite, mas o QG de Campos acha que sua presença seria “constrangedora”.

FOTO LEITOR: JOSÉ DA CONCEIÇÃO

Vai que é sua A interlocutores, Geraldo Alckmin afirmou que acha que Aécio Neves não deve se importar com as movimentações de José Serra e precisa se portar desde já como candidato do partido à Presidência. Calendas Entre os erros que atribuem a Fernando Haddad, dirigentes petistas listam a exigência de que São Paulo e Palmeiras devolvam os terrenos de seus centros de treinamento. Dizem o anúncio é impopular e inócuo, já que o CT do Palmeiras só será devolvido em 2078.

Tiroteio

Os casarões antigos de Manaus são alvos de propaganda que descaracterizam a estética de uma cidade. Essa foto foi tirada na rua 10 de Julho, no Centro.

Leonardo Boff opiniao@emtempo.com.br

Após Simão Pedro esquecer de encontros com o presidente do Cade, Tatto não lembra que sua mulher foi sócia de auditor investigado”

A transfiguração na morte

DE MILTON FLÁVIO, presidente municipal do PSDB-SP, sobre secretário de Haddad ter se dito “surpreso” com acusação contra sócio de sua mulher.

Adital — O Dia dos Mortos, 2 de novembro, é sempre ocasião para pensarmos na morte. Trata-se de um tema existencial. Não se pode falar da morte de uma maneira exterior a nós mesmos, porque todos nós somos acompanhados por esta realidade que, segundo Freud, é a mais difícil de ser digerida pelo aparelho psíquico humano. Especialmente nossa cultura procura afastá-la, o mais possível, do horizonte, pois ela nega todo seu projeto assentado sobre a vida material e seu desfrute etsi mors non daretur, como se ela não existisse. No entanto, o sentido que damos à morte é o sentido que nós damos à vida. Se decidimos que a vida se resume entre o nascimento e a morte e esta detém a última palavra, então a morte ganha um sentido, diria, trágico, porque com ela tudo termina no pó cósmico. Mas se interpretarmos a morte como uma invenção da vida, como parte da vida, então não a morte; mas, a vida constitui a grande interrogação. Em termos evolutivos, sabemos que, atingido certo grau elevado de complexidade, ela irrompe como um imperativo cósmico, no dizer do Prêmio Nobel de biologia Christian de Duve que escreveu uma das mais brilhantes biografias da vida sob o título Poeira Vital (1984). Mas ele mesmo assevera: podemos descrever as condições de seu surgimento, mas não podemos definir o que ela seja. Na minha percepção, a vida não é nem temporal, nem material, nem espiritual. A vida é simplesmente eterna. Ela se aninha em nós e, passado certo lapso temporal, ela segue seu curso pela eternidade afora. Nós não acabamos na morte. Transformamonos pela morte, pois ela representa a porta de ingresso ao mundo que não conhece a morte, onde não há o tempo; mas, só a eternidade. Consintam-me testemunhar duas experiências pessoais de morte, bem diversas da visão dramática que a

Contraponto

Muy amigos Conhecidos por militar em lados opostos no debate sobre a regulamentação da mídia, o presidente do PT, deputado Rui Falcão, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, deixaram uma cerimônia abraçados. O primeiro é ferrenho defensor da matéria, enquanto Bernardo é criticado internamente por não brigar no governo federal pelos interesses petistas. Ao avistar um grupo de jornalistas, Falcão disse: — Estão vendo? Somos amigos! Bernardo arrematou. — Sim, mas ele está me dizendo o que tenho de fazer. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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nossa cultura nos legou. Venho da cultura espiritual franciscana. Nos meus quase 30 anos de frade, pude vivenciar a morte como são Francisco a vivenciou. A primeira experiência era aquela que, como frades, fazíamos toda sexta-feira, às 19h30 da noite: “o exercício da boa morte”. Deitava-se na cama com hábito e tudo. Cada um se colocava diante de Deus e fazia um balanço de toda a sua vida, regredindo até onde a memória pudesse alcançar. Colocávamos tudo, à luz de Deus e aí, tranquilamente, refletíamos sobre o porquê da vida e o porquê dos ziguezagues deste mundo. No final, alguém recitava em voz alta no corredor o famoso salmo 50 do Miserere no qual o rei Davi suplicava o perdão a Deus de seus pecados. E também se proclamavam as consoladoras palavras da epístola de são João: “Se o teu coração te acusa, saiba que Deus é maior do que o teu coração”. Éramos, assim, educados para uma entrega total, um encontro face a face com a morte diante de Deus. Era um entregar-se confiante, como quem se sabe na palma da mão de Deus. Depois, íamos alegremente para a recreação, tomar algum refresco, jogar xadrez ou simplesmente conversar. Esse exercício tinha como efeito um sentimento de grande libertação. A morte era vista como a irmã que nos abria a porta para a casa do Pai. A outra experiência diz respeito ao dia da morte e do sepultamento de algum confrade. Quando morria alguém, fazia-se festa no convento, com recreação à noite com comes e bebes. O mesmo ocorria depois de seu sepultamento. Todos se reuniam e celebravam a passagem, a páscoa e o natal, o vere dies natalis (o verdadeiro dia do nascimento) do falecido. Pensava-se: ele na vida foi, aos poucos, nascendo e nascendo até acabar de nascer em Deus. Por isso havia festa no céu e na terra. Esse rito é sagrado e celebrado em todos os conventos franciscanos.

Leonardo Boff, Teólogo

Na minha percepção, a vida não é nem temporal, nem material, nem espiritual. A vida é simplesmente eterna. Ela se aninha em nós e, passado certo lapso temporal, ela segue seu curso pela eternidade afora”


Política

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

A5

Começam a surgir nomes para as vagas no TJAM

Nomeação dos sete novos membros da corte do Poder Judiciário está sub judice, mas a corrida nos bastidores começou ARQUIVO EM TEMPO

O MPE-AM terá direito a uma vaga e um dos cotados é o procurador-geral Francisco Cruz

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

O juiz Elci Simões (à dir.) aparece como cotado para uma das sete vagas destinadas ao tribunal

ARQUIVO EM TEMPO

ARQUIVO EM TEMPO

O juiz Jomar Ricardo Fernandes é apontado como um dos candidatos pelo critério de antiguidade

A juíza Nélia Caminha também aparece como cotada para a vaga pelo critério de tempo de serviço

Das sete vagas aprovadas, cinco serão destinadas ao tribunal na escolha entre os seus 131 juízes que deverão ser selecionados pelo critério de merecimento e de antiguidade; e duas serão destinadas ao quinto constitucional, ou seja, uma vaga para a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Amazonas (OAB-AM) e outra para promotores e procuradores de Justiça, do Ministério Público do Estado (MPE). Esses dois últimos serão escolhidos pelo governador, a partir da lista sêxtupla afunilada pelo TJAM em análise dos nomes enviados pelas entidades, que já apontam seus candidatos.

a candidatura. Segundo Simonetti, adiantando que não pretende concorrer ao posto, os candidatos precisam comprovar que atuam há pelo menos 10 anos de forma ativa na advocacia, tendo um portfólio de, no mínimo, cinco causas por ano. “Quero deixar claro que esse processo será feito de forma transparente e íntegra pela casa. Iremos dar ampla publicidade à escolha”, disse. A respeito da sua candidatura, Simonetti afirmou que escolheu presidir a OAB no Estado e não pretende deixar o cargo. Nas dependências do MPEAM, poderão se inscrever ao

RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

A

posse de sete novos desembargadores na corte do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) ainda está sub judice, pelo menos até sair uma decisão final do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a respeito de uma ação movida pela desembargadora Graça Figueiredo, que pede a anulação da sessão que aprovou o aumento de 19 para 26 integrantes do pleno. Entretanto, nos bastidores, as articulações sobre os nomes que deverão assumir estão a todo vapor.

No caso dos magistrados, a escolha é de responsabilidade do tribunal. Dos cinco, três deverão ser selecionados pelo critério de merecimento e os outros dois por antiguidade. Pelo critério de tempo de magistratura, já são apontados como principais candidatos os juízes Elci Simões, que é irmão do corregedor-geral do TJAM, o desembargador Yedo Simões; Jomar Ricardo Fernandes e Nélia Caminha. De acordo com o presidente da OAB-AM, advogado Alberto Simonetti Neto, a entidade está esperando somente o ofício de Ari Moutinho solicitando o início do processo de indica-

DIVISÃO

A divisão das sete novas vagas na corte do TJAM serão cinco para juízes do tribunal, uma para o Ministério Público do Estado (MPE) e outra para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) ção dos nomes. Na Ordem, os 33 conselheiros devem definir se a escolha será por indicação do próprio conselho ou dos advogados. Neste último caso, é aberto um edital para

posto todos os procuradores e promotores de Justiça com mais de 10 anos de carreira e menos de 65 anos de idade. Concluído o prazo de inscrição, no primeiro dia útil subsequente, é realizada a sessão do Conselho Superior do órgão. É feita a votação e de lá serão definidos os nomes que vão compor a lista sêxtupla. No órgão já desponta como mais cotado o procurador-geral de Justiça, Francisco Cruz. Procurado pelo EM TEMPO, ele não quis falar sobre a questão. Apesar de cotado, Cruz terá que deixar o posto na procuradoria se quiser, de fato, concorrer ao cargo. RAPHAEL ALVES/TJAM

Aumento teve rápida aprovação O projeto que aumenta em sete vagas o número de integrantes da corte do Judiciário local, foi aprovado em sessão tensa e com bate-boca entre desembargadores na tarde da última terça-feira e, 48 horas depois, em regime de urgência, foi aprovado pela maioria dos deputados na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) – com 18 votos a 2 - sancionado pelo governador Omar Aziz (PSD) e publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) ainda na tarde da última quinta-feira.

TRÂMITE

Em apenas 48 horas, o presidente do TJAM, desembargador Ari Moutinho, conseguiu aprovar o aumento na corte do tribunal, no plenário da Assembleia e, conseguiu a sanção do governador Omar Aziz Nos bastidores do Poder Judiciário e do Legislativo, comenta-se que a pressa do presidente do tribunal, desembargador Ari Mou-

tinho, em aprovar o aumento do número da corte seria uma forma de balizar o seu poder na instituição com fins a eleger o seu sucessor no comando do TJAM. Seu mandato expira em junho de 2014 e, consequentemente, a posse dos novos membros seria ainda em sua gestão. Procurado pela reportagem, Moutinho preferiu o silêncio e apenas deve se pronunciar sobre esse imbróglio jurídico após o julgamento do CNJ ao pedido de anulação da sessão do dia 5 de novembro. Ari Moutinho (à direita) presidiu a sessão do dia 5, quando foi aprovada as novas vagas


Política

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

Governo quer cota para negros para uma década

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Eu acho um absurdo paralisar obra no Brasil” PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF e obras embargadas pelo TCU por suspeita de corrupção

Conforto e alto luxo, a tônica nos três poderes Contrário ao discurso de cortes de gastos, gabinetes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo exibem mobiliário moderno, com conforto e até luxo para autoridades. A fim de manter o alto padrão da decoração, os três poderes devem gastar ainda este ano R$ 1.412.469,44 com vasos ornamentais, sofás e cortinas, televisores de 60 polegadas e até um glamoroso tapete vermelho alugado por conta do contribuinte. Carrinho Entre gastos curiosos estão R$ 209 mil reservados ao deslocamento de ministros do Supremo Tribunal Federal no Rio, em carros blindados. O controlador Em único edital, o Tribunal de Contas da União prevê gastar R$ 6,1 milhões só na compra de mesas de escritórios, gaveteiros, armários... Traseiros bem tratados Reformado em 2010, o Palácio do Planalto torrou R$ 3 milhões em 150 cadeiras, 102 poltronas, 16 sofás e 54 mesas de designers famosos. De molho O Itamaraty pôs na geladeira processo administrativo contra Eduardo Sabóia, diplomata que deu fuga ao senador boliviano Roger Molina. Pimentel conduz o PT-MG a inédita unidade O PT mineiro costura uma unidade inédita, após muitos anos dividido e colecionando derrotas ou sendo obrigado a alianças formais e informais com o PSDB. Agora, apesar da disputa acirrada pelo controle do diretório regional, os petistas de Minas Gerais defendem a mesma coisa: a candidatura

do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) ao governo do Estado, por enquanto bem posicionada nas pesquisas. Quem diria Tanto o deputado Odair Cunha (MG), ligado a Pimentel, quanto Gleide Andrade, do grupo de Patrus Ananias, defendem a unidade petista. Nome forte Fiel escudeiro de Michel Temer, Eliseu Padilha (RS) é um dos notáveis do PMDB que tentarão negociar acordos eleitorais nos Estados. Divisão O bloco PP-PROS está dividido sobre apoiar o Marco Civil da Internet. O grupo se reunirá semana que vem com o relator, Alessandro Molon. Vale da Sinecura Com 6 mil e 232 servidores, o Senado bate em números de funcionários a Petrobras no Rio, com 6.135, e gigantes como o Facebook, com 900 funcionários, e o Twitter, com apenas 500. Tutti buona gente A PF prendeu em setembro Valmor Luiz Bordin, gerente de operações da Conab no Paraná. Foi soltou em seguida, mas depois o tribunal cassoulhe a liberdade provisória e ele voltou para a cadeia. Agora é oficial Parceiro dos “Black Bloc”, o “ativista” Leonardo Morelli mandou ofício ao ministro simpatizante Gilberto Carvalho anunciando o “Dia de Fúria”, dia 1º. Teve 119 bananas de dinamite apreendidas, em São Paulo. Sua convocação “anticapitalismo” no Facebook é show de mau português. Toma lá, dá cá A fim de impedir a votação

Jornalista

de projetos que impliquem em gastos ao governo, a ministra Ideli Salvatti prometeu liberar emendas a torto e a direito para a base aliada, e até para parlamentares da oposição. Lavanderia Olé Localizada pela Interpol no Brasil, uma testemunha poderá abrir o bico sobre o narcotraficante espanhol José Antonio Pouso, que “lavou” €15 milhões na Espanha com ex-mulheres brasileiras, diz o jornal “El País”. Afogado em números Procurado ao telefone e email por dois dias, o Ministério da Justiça não atualiza números do Pronasci, o programa de Segurança e Cidadania do governo Lula, que prometia bolsa de R$ 400 e 19 mil casas a policiais, 33 mil vagas em prisões e a Escola Superior da PF. Racha no PT Em crise em Pernambuco, o grupo do PT ligado ao senador Humberto Costa já aposta na expulsão do presidente do partido em Recife, Oscar Barreto, acusado de fazer jogo do governador Eduardo Campos (PSB). Tudo se copia Conhecido como “Patinhas” na Bahia, o marqueteiro João Santana se inspirou nos motes do baiano Roberto Santos, de Joaquim Roriz no DF e Paulo Maluf em São Paulo, criados por Duda Mendonça nos anos 1990, para trombetear que Dilma “fez e fará muito mais”. Nada se cria... Lendas brasileiras Mais duas contribuições ao vasto almanaque de “assombrações”: corrupto devolver dinheiro e político pedir desculpa pelos erros.

PODER SEM PUDOR

Dupla sertaneja Os deputados Inaldo Leitão (PL-PB) e Luciano Leitoa (PSB-MA) certa vez estavam próximos um do outro, como uma piada à procura de quem a contasse. Encontraram o deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), sempre muito brincalhão: - Essa é a dupla mais dinâmica da casa, Leitão e Leitoa.

ORÇAMENTO

Relator aumenta receita de 2014 A receita primária líquida para o Orçamento de 2014 deve aumentar R$ 12,1 bilhões, de acordo com o relatório da receita à Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA, PLN 9/13) para 2014, entregue na última sextafeira pelo relator, o senador Eduardo Amorim (PSC-SE). Na proposta de Orçamento para 2014 enviada pelo Executivo, a receita primária líquida, que engloba tudo o que o governo federal arrecada, depois de

descontadas as transferências para os Estados e municípios, estava estimada em R$ 1,08 trilhão. Com a reestimativa, sobre para R$ 1,092 trilhão. De acordo com a análise feita por Amorim, o aumento de 1,1% deve vir, principalmente, das chamadas receitas não administradas – como as decorrentes de concessões, dividendos de empresas estatais e royalties do petróleo, por exemplo.

Projeto que destina 20% para afrodescendentes do Planalto deve passar por três comissões diferentes na Câmara ROBERTO STUCKERT FILHO/PR

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Os cálculos do relatório foram feitos, segundo Amorim, a partir de um aumento na estimativa de inflação oficial (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) de 5% para 5,9% e de uma diminuição na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país de 4% para 3,8%. Além disso, a taxada de câmbio média subiu de R$ 2,25 para R$ 2,30, “mais próxima à expectativa do mercado de R$ 2,32”.

Presidente Dilma Rousseff (PT) anunciou projeto de cotas para negros na última quarta-feira

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nunciado pela presidente Dilma Rousseff na quarta-feira, o projeto das cotas para negros na administração pública federal tem prazo de validade. A proposta original enviada pelo governo ao Congresso estabelece o fim da ação afirmativa após 10 anos da lei entrar em vigor. Para o Palácio do Planalto, este é o tempo necessário para outros instrumentos previstos no Estatuto da Igualdade Racial terem impacto e permitirem o ingresso de afrodescendentes no funcionalismo pela ampla concorrência. A proposta estabelece que 20% das vagas em um concurso público serão destinadas a candidatos negros que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, “conforme o quesito cor ou raça uti-

lizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE)”. A quantidade de oportunidades deverá ser anunciada no edital da seleção. E, se não houver número suficiente de aprovados, as vagas que sobrarem serão redistribuídas entre os outros candidatos. Apesar de prever a cota para negros, a norma estabelece, no artigo 6º, que “esta lei entra em vigor na data de sua publicação e terá vigência pelo prazo de 10 anos”. “Pressupõe-se que diversas outras ações fomentadas pelo Estatuto da Igualdade Racial (algumas das quais já implantadas, como é o caso da reserva de vagas em universidades) impactarão também no ingresso de negros pela ampla concorrência, constituindo a reserva de vagas proposta um avanço significativo na efetivação da

igualdade de oportunidades entre as raças”, diz a justificativa da proposta, assinada pela ministra da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, e pela secretária-executiva do Ministério do Planejamento, Eva Maria Cella Dal Chiavon. O projeto chegou no fim da tarde da última quinta-feira na Câmara. Logo depois, foi distribuído às comissões de Direitos Humanos (CDH), Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) e Constituição e Justiça (CCJ). No entanto, como tramita em urgência constitucional, os relatores da proposta em cada colegiado podem apresentar seu parecer direto em plenário. A proposta trancará a pauta da casa a partir de 45 dias. Na quarta-feira, Dilma fez um apelo ao Congresso para as cotas para o funcionalismo sejam aprovadas.


Com a palavra

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Aécio NEVES

‘A ZFM É PATRIMÔNIO do Brasil’ FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Vou falar de forma bem clara e franca. Isso não é uma questão do PSDB, por mais que queiram transformar isso em uma guerra política. Falo como presidente nacional do partido: ‘A ZFM é patrimônio nacional do Brasil, ela é necessária para a região’”

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mineiro Aécio Neves nasceu com veia política. Presidente nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o senador herdou do avô, Tancredo Neves, um dos políticos de maior nome do país, a vontade de mudança. Possível pré-candidato dos tucanos à presidência da República, em 2014, Aécio esteve em Manaus neste fim de semana para participar da homenagem de 35 anos de vida pública do prefeito de Manaus, Arthur Neto, também de seu partido. Durante passagem por Manaus, ele visitou a fábrica da Moto Honda no Polo Industrial de Manaus (PIM), reuniu com lideranças partidárias, conheceu o mercado municipal Adolpho Lisboa e o Encontro das Águas, e agradeceu os moradores do bairro Tancredo Neves, na Zona Leste. Em conversas com a imprensa, evitou falar de sua candidatura e fez grandes críticas a administração da presidente Dilma Rousseff (PT). Questionado sobre sua posição nas pesquisas eleitorais, onde está atrás de Dilma e da ex-senadora Marina Silva (PSB), foi enfático: “Para a presidente ter uma posição confortável na eleição, ela tinha que estar nas pesquisas com muitos pontos superiores aos de hoje. Reafirmo o que disse há dias atrás: ‘Nós temos todas as condições de irmos ao segundo turno e vencermos as eleições’”, comentou. EM TEMPO – A sua visita a Manaus tem algum propósito político visando à campanha de 2014? Aécio Neves – Vim para participar da homenagem ao prefeito Arthur Neto, mas é claro que vamos discutir assuntos relacionados ao planejamento da região. O que me faz estar aqui hoje também é a minha crença, de que o Brasil merece muito mais do que está tendo, e isso faremos com muitas conversas e organização. Em relação à campanha eleitoral, isso será discutido apenas lá na frente. Mas, as próximas eleições não serão importan-

tes apenas para o PSDB, e sim para todo o país. EM TEMPO – O TCU suspendeu várias obras no país e também o repasse de recursos para algumas cidades, inclusive o Amazonas. O senhor acha que isso pode gerar um prejuízo ao Brasil? AN – Na verdade, acredito que precisamos ter um planejamento e capacidade de execução, o que não existe neste governo atual. Hoje, o Brasil é um cemitério de obras inacabadas, mas não por culpa do TCU e sim desse governo que não fez adequadamente seu planejamento. Não podemos achar natural a paralisação dessas obras, isso para mim é fruto da incapacidade do atual governo, e digo que o aprendizado do PT no governo do país tem custado muito caro. Os petistas passaram 10 anos demonizando as privatizações e isso têm custado caro. O governo não tem o que entregar, e está ocioso com o fim do mandato da presidente. EM TEMPO – O Amazonas trava uma luta para garantir a extensão da Zona Franca de Manaus. E dentro do PSDB existe uma guerra fiscal entre o Norte e o Sudeste. Como o senhor pretende mediar isso? A N – Vou falar de forma bem clara e franca. Isso não é uma questão do PSDB, por mais que queiram transformar isso em uma guerra política. O que existe são diferenças de pensamento em termos do que é a Zona Franca. Falo como presidente nacional do partido: A ZFM é o patrimônio nacional do Brasil, ela é necessária para região, e fundamental para desenvolvimento do país. A Zona Franca já está incorporada, ela é um instrumento de conquista da região. Por isso, vamos votar em sua permanência. E mais, queremos que ela se fortaleça e se transporte em um polo exportador importante. Não desprezo a importância da ZFM também na preservação da natureza. EM TEMPO – Ainda nes-

se campo de discussão, há um atrito entre dois tucanos ilustres: o prefeito de Manaus, Arthur Neto e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Como o senhor pretender equilibrar isso? A N – O partido político é feito de pessoas, que nem sempre compartilham do mesmo pensamento sobre todos os temas e, temos que respeitar isso. Mas, temos a coragem de chegar até o final com uma posição que seja do partido. E a posição do PSDB, com todo respeito ao governador Alckmin, é de que a ZFM deve ser fortalecida. EM TEMPO – Em suas visitas ao país, o senhor prometeu lançar uma agenda do futuro para o Brasil. E para o Amazonas, quais suas propostas? AN – Essa agenda será lançada na primeira quinzena de dezembro, mas não teremos a pretensão de apresentar um programa de governo inacabado, seja para o Brasil ou regiões. É necessário apresentarmos para discussões da sociedade brasileira aquilo que consideramos essencial no que precisa ocorrer no país, seja no controle da inflação, no campo econômico para retomarmos um crescimento maior. Temos que fazer uma agenda da gestão pública, onde o setor privado não seja visto como inimigo do governo. Neste planejamento queremos um campo social muito mais que busca o PT, queremos medidas de superação e vamos falar do avanço da infraestrutura na região. Pretendo estar aqui outras vezes para conhecer aqueles que vivem essas questões e com base nisso fazer um levantamento bem mais detalhado no quesito. EM TEMPO – Nas últimas eleições presidenciais, o PSDB não conseguiu bons votos no Amazonas. Como a sigla pretende mudar esse quadro? AN – Quero fazer isso conversando. Vamos revirar essa página. A população de Manaus tem acompanhado a

credibilidade do prefeito Arthur Neto e tenho certeza que podemos surpreender. Vamos fazer um projeto ousado para esta região. EM TEMPO – O seu nome está sendo cotado para disputar a presidência da República, mas até o momento o partido não oficializou nada. O senhor é candidato? AN - Eu sou de um Estado, Minas Gerais, onde costumamos não colocar a carroça na frente dos bois e costumo dizer que a política é a arte de administrar o tempo. Se tomarmos uma medida incorreta em um curto espaço de tempo, teremos problemas lá na frente. Estamos hoje no momento de construção da nossa unidade. Vemos hoje, um ânimo que não se via há muito tempo dentro do partido, e tenho a plena convicção de que para o bem do Brasil temos que encerrar esse ciclo do PT. Iremos lançar na hora certa um candidato, mas no momento queremos apresentar propostas firmes.

Temos a coragem de chegar até o final com uma posição que seja do partido. E a posição do PSDB, com todo o respeito ao governador Alckmin, é de que a ZFM seja fortalecida”

EM TEMPO – Em recentes pesquisas eleitorais, a presidente Dilma Rousseff (PT) tem apresentado uma grande vantagem diante do seu nome. Como o senhor pretende mudar esse quadro? AN – Esses resultados são naturais, porque o que vivemos hoje no Brasil é um monólogo, onde somente a presidente Dilma é quem fala. Mas hoje, estamos a um ano de eleição, e teremos outras oportunidades e visitas em Estados. Porém, na maioria das pesquisas, as pessoas não querem votar na atual gestão. Agora é claro, quando se coloca o nome da atual presidente e de uma pessoa que nunca concorreu a um pleito nacional, é obvio que tenhamos uma margem. Agora, para ela ter uma posição confortável na eleição, a presidente tinha que estar nas pesquisas com muitos pontos superiores aos de hoje. Reafirmo o que disse há dias atrás: “Nós temos todas as condições de irmos ao segundo turno e vencermos as eleições”.

Eu sou de um Estado, Minas Gerais, onde costumamos não colocar a carroça na frente dos bois e costumo dizer que política é a arte de administrar o tempo”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIVULGAÇÃO

Novos negócios necessitam de investimentos Economia B4 e B5

Artesãos lucram com o lixo FOTOS: IONE MORENO

Itens como jornais antigos, carcaças de aparelhos eletrônicos, revistas rasgadas e até garrafas quebradas ganham vida em novos produtos desenvolvidos a partir do talento de profissionais na arte de transformar ‘restos’ em fonte de renda

O lixo descartado pela população é aproveitado por artesãos manauenses que criam variados produtos, em especial de decoração, para tirar o próprio sustento ou incrementar salário mensal da família

J

ornais antigos, computador queimado, garrafa quebrada, revista rasgada, celular pifado. Enquanto muitos veem apenas a lixeira como destinação final destes itens, há quem encontre utilidade e uma alternativa de renda ao transformar lixo em objeto de desejo de muitos consumidores, os artesãos dão um novo significado ao que seria jogado fora. Desde agosto do ano passado, José Denizal de Melo, 41, aderiu à empreitada de transformar resíduos eletrônicos em peças decorativas como reproduções de motos e aviões. A atividade teve o start após curso realizado para formação de técnico de informática e eletrônica. Para exercitar o que era aprendido em sala de aula e testar seus conhecimentos, ele começou a acumular peças recolhidas da empresa de informática na qual trabalhava como motorista e esperava por uma promoção depois do reforço educacional no currículo. Em determinado momento, esses resíduos precisaram ser jogados. Sem coragem de simplesmente “ensacar” todos os itens e esperar o carro do lixo, Denizal decidiu pôr em prática outra habilidade: a de artesão. Segundo ele, a maior inspiração é por conta do sangue “parintinense”. “É um dom nato. Está no sangue ser artista”, pontua. A ideia trouxe retorno

instantâneo. Atualmente ele “sobrevive” apenas do lucro dos artefatos vendidos, um percentual de aproximadamente 80% em cima de cada produto. Denizal já produziu mais de 110 peças, orçadas de R$ 20 a R$ 450. Os gastos ficam por conta do uso de cola, broca e a compra por quilo de alguns “restos” em empresas de reciclagem. Os itens demoram de três a cinco dias para ficarem prontos, quando se tratam de réplicas. Quando são feitas solicitações a critério da sua própria imaginação, esta fabricação demora dois dias no máximo. “Eu imagino um carro e faço como pensei na minha mente. Tipo uma moto do futuro mais arrojada também, essas coisas”, detalha Denizal.

Escoamento Além das redes sociais, artesãos como Denizal contam com o apoio do governo para escoar seus produtos em feiras e eventos organizados pela Secretaria de Trabalho e Emprego do Amazonas (Setrab-AM). De acordo com a

gerente de economia solidária da secretaria, Socorro Papoula, boa parte dos 85 empreendimentos solidários listados em Manaus desenvolve arte com a reciclagem. Segundo Denizal, as feiras e exposições são fundamentais para mostrar e vender as peças que fabrica a partir da reciclagem.

Redes Sociais Hoje, ele possui uma página no Facebook intitulada “Denizal Arte Eletrônica”, que expõe os produtos. O artista possui peças que rodam por Brasília e outros canCom o fim do ano, Cleone espera aumentar vendas de oratórios “reciclados” tos do país.

Bolsa PET e presépio de papelão A artesã Rosemira Araújo Rocha, 37, começou a investir na arte sustentável depois de largar o emprego no Distrito Industrial como reserva de produção em uma fábrica de eletroeletrônicos. Para “ocupar o tempo e não ficar à toa”, ela participou de curso no Serviço Social do Comércio (Sesc) para criar bolsas de garrafa PET. A partir daí, já somam sete anos em que produz bolsas, borboletas para parede, peças para papel higiênico, entre outros itens, todos cotados de R$ 10 a R$ 70. “Nas vendas em feiras avulsas, retiro em média de 50% a 60% de lucro em cima de cada item”, revela. Atualmente, ao menos 3,3 mil toneladas de lixo são jogadas diariamente no Amazonas, conforme o Panorama dos Resíduos Sólidos no Bra-

sil, realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Há 5 anos, Cleone dos Santos, 42, fabrica produtos a partir de papelão, jornal e garrafas de vidro. O carro-chefe são os oratórios (igrejas feitas em papelão) ao preço de R$ 150. O interesse surgiu após um curso de produção de flores artificiais. “Foi daí que comecei a criar diversidade de peças”, frisa ao relatar que os itens podem ser adquiridos a partir de R$ 10. A chegada do fim de ano acendeu a “luz de esperança” da artesã, que espera receber número elevado de pedidos para oratórios e presépios. Cleone participa de feiras em espaço aberto como a da Aparecida e a da Cachoeirinha. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

Denizal produz itens a partir de resíduos eletrônicos


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

Alfredo MR Lopes Filósofo e consultor ambiental

Alfredo MR Lopes Copa do Mundo deixa um legado de progresso Amazonas em São Paulo, a sinergia inadiável! alfredo.lopes@uol.com.br

Relatório mostra que países como a África do Sul, última sede do evento, foram beneficiados pelo torneio mundial IONE MORENO

Expectativa é que Copa traga desenvolvimento ao Brasil em áreas como a de infraestrutura

D

esde que a África do Sul sediou a Copa do Mundo FIFA 2010, o esporte passou a ser visto como importante catalisador para o desenvolvimento de infraestrutura e mobilização social. De acordo com o relatório nacional da Copa, publicado em 2012, os resultados do evento são duradouros e benéficos para o país-sede. Como exemplo, o investimento de aproximadamente US$ 1,1 bilhão na construção e reforma de 10 estádios, além de criar opções para eventos esportivos de alto padrão no país, gerou 66 mil empregos e US$ 750 milhões em rendimentos. Outro investimento, em transportes, totalizado em quase US$ 1.7 bilhão também melhorou o ambiente do país, com aeroportos, portos, estradas e ferrovias. Tais melhorias geraram um grande número

de empregos e instalações de padrão mundial, que são capazes de sediar grandes eventos, como a Copa Africana de Nações de 2013. Planos de investimento também nasceram após a Copa do Mundo, em 2013 um novo investimento de US$ 83 bilhões foi anunciado para infraestrutura. O ambicioso Plano Nacional de Infraestrutura introduziu o controle nacional e central da construção de represas, estradas, pontes, usinas, escolas, hospitais, duas novas universidades e outras construções que transformam o cenário do país, e tem um impacto profundo nas vidas dos cidadãos. 18 grandes projetos estratégicos de infraestrutura foram identificados como prioridade dentro do Plano, especialmente os direcionados aos 23 distritos mais pobres do país, garantindo o acesso

à água potável, eletricidade e saneamento básico, mudando positivamente a vida de quase 19 milhões de pessoas. O programa de investimento na construção de portos, estradas, ferrovias e usinas elétricas também contribuiu com o crescimento econômico, fazendo o país mais competitivo no mercado internacional. Para o governo sul-africano firmar o crescimento nacional, providenciar trabalho decente para toda a população e melhorar a prosperidade do país, esse tipo de plano é essencial. Aumentar o investimento em infraestrutura tem impacto econômico significativo e positivo, aumentanto os rendimentos do país, inserindo pessoas no mercado de trabalho e melhorando a competitividade da África do Sul e sua posição no cenário econômico internacional.

Um Seminário sobre a Amazônia – Cenários, Pioneiros e Utopias – debateu Novas Matrizes Econômicas, nesta sextafeira, no encerramento da Semana da Faculdade de Economia, Administração da USP, Universidade de São Paulo-FEA-USP. O evento se insere ainda nas atividades do programa de PósGraduação sobre Pioneirismo Brasileiro, daquela instituição, sobre a batuta do prof. Dr. Jacques Marcovitch, que já dirigiu a renomada academia e está ajudando a reduzir essa distância vesga entre economia e academia. E a reduzir, também, a distância entre dois estados que tem história, presente e perspectivas de extraordinária cumplicidade e colaboração. Amazonas e São Paulo interagem no contexto maior da história do desenvolvimento nacional e integração regional, dessa vez, poré m, através de seus pioneiros. Na pauta dos debates, a lembrança e as lições de Isaac Sabbá, Samuel Benchimol, Petronio Pinheiro, Cosme Ferreira, Antônio Simões, Mário Guerreiro, Moyses Israel, estre outros, que cavam o próprio espaço de prestígio com seu legado empreendedor, na galeria nacional de pioneiros que fazem a história do país. O curioso nessa incursão da memória do pioneirismo é que ela revisita justamente o estado que recebeu, na consolidação do Ciclo do Café, a migração de investimentos que deixaram a Amazônia com a debacle do Ciclo da Borracha há cem anos. Ninguém fala disso. Nada mais oportuno recordar para justificar essa brasilidade cúmplice que se impõe e que pode tornar-se mais ainda robusta. É ainda curioso lembrar que esta relação, há bem pouco tempo, antes da economia brasileira abrir-se à globalização, relatava uma intimidade proveitosa entre os dois mercados. Para cada dólar importado para a indústria da Zona Franca, três dólares eram adquiridos da indústria paulista. Essa contabilidade foi turvada com a invasão do fator chinês, mas revelou grandes ganhos e evidentes probab ilidades. O evento é uma sequencia da Mostra de Pioneiros do Brasil e o Estado do Amazonas, que chegou a Manaus há um ano e se deparou com uma história de empreendedorismo que os livros de História do Brasil ignoram. O foco inicial da Mostra era Samuel Bechamol, que já integra a biblioteca dos Pioneiros, como o empreendedor que adotou a dialética do fazer e saber, nos seus empreendimentos bem sucedidos e vasta obra acadêmica, com mais de 115 títulos. Contemporâneos de Benchimol, os demais pioneiros ajudam a desenhar uma paisagem de luta e resistência para consolidar a brasilidade e pressionar pela integração nacional. No encerramento da Mostra, em Manaus - que ocorreu de junho a agosto deste ano, e reuniu milhares de pessoas, sobretudo estudantes - um grande debate aproximou 35 instituições públicas, entidades de classe e empresas regionais para abordar as lições do Pioneirismo e Futuro da Economia Regional, sob a coordenação da Federação e Centro da Indústria do Estado do Amazonas, em agosto 2013. Ali estavam reunidas as intuições, propostas e expectativas dos que vivem a Amazônia e dos que a ela se achegam. E foram exatamente as recomendações contidas neste encontro, o gancho de abertura para apresentar o tema deste Seminário Amazônia – Cenários, Pioneiros e Utopia, a cargo do professor Jaques Marcovitch. Daí também a opção de prioriza r o debate sobre os resultados do estudo do Fundo Amazônia: Evolução Recente e Perspectivas, realizado no âmbito do pela própria FEA/USP. Afinal, este Fundo disponibilizado pela Noruega, BNDES e Petrobras, não tem avançado em seus objetivos de conter a depredação ambiental e promover alternativas de desenvolvimento e prosperidade. A distância do Planalto e sua comprovada limitação para entender e gerir a Amazônia explicam o paradigma quelônio de distribuição destes recursos. Como não poderia deixar de ser, num misto de homenagem e divulgação de intuições preciosas e geniais, o evento, ao debater Novas Matrizes Econômicas, sob a batuta de Silvio Crestana, que já dirigiu a EMBRAPA, e mostrou a amplitude de possibilidades de bionegócios para a floresta, resgata o projeto

para a Amazônia no Século XXI, coordenado pela professora Bertha Becker em 2009, no âmbito do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). A aquicultura, o grande de oportunidades e de alternativas de distribuição de riqueza. Estas recomendações, curiosamente, são o roteiro base escolhido para nortear a parceria de pesquisa com fomento entre o INPA e a AFEAM, a agência de fomento das cadeias produtivas do Amazonas, iniciada logo após o encontro de agosto em Manaus. E essa é a premissa básica que permeia e deve permear o conjunto de iniciativas pioneiras dessa aproximação institucional e estratégica entre Amazona e São Paulo. Sempre focado no papel e nas lições dos Pioneiros, aqueles que se afirmam a partir das adversidades, de momentos de turbulência e incertezas, o Seminário elegeu uma empresa, entre muitas que emergem desse grande dilema amazônico entre desenvolvimento e sustentabilidade, a Beraca, que concebe pioneirismo na perspectiva dos bioempreendedores e sinaliza com o buriti, a árvore da vida, como carro chefe de sua proposta de reinventar a Amazônia pela biotecnologia . Sob a coordenação de Thiago A. Terada, os resultados do Programa de Valorização da Biodiversidade, gerenciado desde 2000 junto às comunidades locais, demonstram que é absolutamente factível compatibilizar o desenvolvimento regional da Amazônia em sintonia com o zelo da floresta tropical. Outras tantas empresas com foco na biodiversidade amazônica já se haviam articulado no Encontro após a Mostra dos Pioneiros, de agosto., além das empresas encubadas pelo INPA, praticamente todas focadas em inovação e biotecnologia. Ninguém duvida que este é o caminho dos arranjos produtivos da floresta. Utopias, a intuição que se antecipa, é a síntese da apresentação sobre os pioneiros. Resgatá-los significa apresentar alguns pressupostos da visão amazônica do pioneirismo, e das utopias que decorrem de suas lições. Na recuperação da trajetória do livro, lançado ao final do debate, apresentei as linhas mestras que sustentam a obra – fruto do levantamento histórico feito para o projeto Pioneiros e Empreendedores do Brasil - que versa sobre as ações empreendedoras de enfrentamento que se seguiram à quebra do Ciclo da Borracha e os avanços conquistados pelos pioneiros da Amazônia, suas lições e intuições. A utopia de que fala o texto, longe de significar a pirotecnia d e manter a floresta em pé a qualquer custo, postula manter erguida a dignidade das pessoas que habitam o beiradão amazônico, ludibriadas com bolsas de compensação fantasiosa em nome da intocabilidade desumana. A utopia remete a um horizonte que está presente em ações a um projeto para a região amazônica. Uma região que aspira ao respeito às suas especificidades, importância de sua diversidade e grandeza do seu potencial. São propostas fundadas em novas politicas publicas que abrangem o médio e longo prazo, transcendem os mandatos e superam o imediatismo eleitoral. Elas reclamam a educação e o conhecimento para promover a dimensão humanista na condução de saberes para formar e reter talentos e propiciar caminhos. Uma nova economia florestal que recorre à tecnologia da inovação para viabilizar a segurança alimentar, energética e de saúde, e a reestruturação das cadeias produtivas com o pleno aproveitamento das bioengenharias e da bioinformática. O debate, portanto, ao aproximar duas unidades emblemáticas da federação, precisa retomar as ações bem sucedidas e as que estão em curso, aproximar Universidades, especialmente USP e UEA, trabalhar em redes de articulação e interatividade cívica, ética, científica e focada na integração e inovacao inteligente da promoção humana e social amazônica.


Economia

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Instagram vira sucesso de vendas instantâneas JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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Instagram – rede de postagem instantânea de fotos pela internet –, desponta como um grande aliado para o comércio virtual em Manaus. Ao invés dos registros das baladas, passeios turísticos ou do próprio cotidiano, os usuários aproveitam a plataforma para vender objetos novos ou usados, transformando a ferramenta em uma verdadeira loja “on-line”. Além da praticidade, a adesão ao Instagram foi uma forma encontrada pelos lojistas virtuais para escapar dos altos custos de aluguel e da manutenção que um empreendimento exige. Há quase um ano, as irmãs Rebeca Oliveira e Andrea Barbosa largaram a psicologia para se dedicar em tempo integral à produção e venda de doces e salgados exclusivamente via Instagram. Andrea conta que o negócio começou de forma tradicional. “Vendíamos brigadeiros em repartições públicas e depois passamos a oferecer bolos e empadas diferentes, como as de queijo coalho com tucumã. A demanda foi crescendo e os amigos sugeriram que tirássemos fotos dos quitutes

e publicássemos no Instagram. Deu certo”, comemora. As irmãs criaram uma página no Facebook, uma conta no Instagram e batizaram a loja de “Doce com amor Ateliê”. A página do Facebook não surtiu tanto efeito, mas com a publicação de fotos no aplicativo, em uma semana, as pequenas encomendas viraram grandes

MERCADO

É possível encontrar no Instagram vendedores de produtos diversos como roupas, comidas, calçados, roupinhas para bebê, cosméticos e até acessórios para cachorros, criando um leque de grande de opções pedidos para festas. “A iniciativa fez toda a diferença porque o Instagram nos deu rapidez e retorno imediato. As pessoas olham as fotos, entram em contato pelo telefone ou Whats App e, em minutos, o negócio está fechado. Como entregamos em casa, a comodidade para o cliente ficou garantida”, comenta Andrea. As empresárias calculam que,

ALEXANDRE FONSECA

Rede social de postagem de fotos se tornou vitrine para ‘lojistas virtuais’ venderem produtos e serviços pela internet entre janeiro e outubro deste ano, somam 1,3 mil seguidores no aplicativo, com uma média de 25 encomendas por semana. Com o sucesso e renda que chega a R$ 3,5 mil por mês, Andrea e Rebeca pensam em abrir uma loja para vender as guloseimas. “Não tínhamos capital para investir em um local porque implicaria gastos como aluguel, conta de água, luz, telefone e salários de funcionários. Agora, amadurecemos a ideia. Se o plano se concretizar, não pretendemos deixar o Instagram de lado”, avisa Andrea. Roupas O apelo da venda instantânea também conquistou Thayane Miranda, 23, que ao engravidar, ela se viu com grande quantidade de roupas e sapatos que não serviriam mais. Por sugestão do marido e da sobrinha, abriu uma conta no Instagram exclusiva para vender os itens usados e em alguns meses passou a comercializar novas peças de vestuário na loja virtual “Bonequinha de Luxo”. “Hoje, a média é de 15 entregas por dia na casa das clientes e vendo até para outros Estados. O Instagram é eficaz e não pretendo deixá-lo de lado”, complementa.

Andrea e Rebeca abandonaram a psicologia para comercializar doces e salgados no Instagram

Bazar e brechós são promovidos A dona da loja virtual Enchanté Moda Feminina que vende roupas e acessórios femininos, Thaís Pires, foi mais além. Após observar o “boom” de lojas exclusivas pela internet na cidade, ela resolveu promover misto de brechó e bazar para reunir os lojistas virtuais, tanto de produtos novos quanto de

itens de segunda mão. Ela conta que a ideia surgiu depois que foi “barrada” de participar de grandes bazares de Manaus por não possuir uma loja propriamente dita. “Foi quando surgiu o It brechó bazar”, frisa. A primeira edição do “It” foi realizada no dia 21 de setembro com 37 participantes.

O segundo evento deste tipo está marcado para o dia 30 de novembro no Adrianópolis Apart Hotel e já conta com 36 inscritos. “A procura é tanta que programamos uma edição especial em dezembro. Se der certo, para o próximo ano, a proposta é fazer um bazar por mês”, projeta Thaís Pires.


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Economia

O criativo bo Com ideias inovadoras, empreendedores locais criaram projetos inéditos como o dirigível que transporta cargas e querem agora tirar do papel seus planos que vão gerar emprego e renda para a região JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

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om boas ideias na cabeça, empreendedores manauenses “arregaçam as mangas” para tirar seus projetos do papel que, além de criativos, podem ser lucrativos para os investidores que apostarem nesses novos planos no futuro. No fim de novembro, quatro grupos de pequenos e micro empresários de Manaus vão participar do salão de negócios criativos durante a Feira Internacional da Amazônia (Fiam) em busca de financiamento. Se a ideia “pegar”, o sonho do negócio inovador pode virar realidade. Encabeçada por três pesquisadores do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o grupo “Amazônia Socioambiental” espera ansioso pela oportunidade de “vender” seu projeto, que é inédito na cidade: criar um escritório de elaboração de projetos e gerenciamento de empreendimentos sociais e ambientais. “A proposta do escritório é escrever um projeto completo para facilitar a capitação do recurso e gerenciar o andamento da atividade para que os produtos previstos sejam entregues no prazo e com qualidade”, esclarece o diretor executivo da empresa e mestre formado pelo Inpa, Diego Brandão.

Com sete projetos elaborados e R$ 1,5 milhão em recursos previstos nos primeiros cinco meses de atividade, o diretorexecutivo, Camilo Pedrollo, e a gerente do projeto, Caroline Lara, querem dar um passo além. A novidade, que busca financiamento no salão da Fiam, é provar aos empresários locais interessados no aspecto socioambiental que investir nos “pequenos” pode auxiliar a economia regional e agregar valor à marca da empresa. Conforme explica Brandão, empresas investem em um único evento como uma palestra ou um dia de educação ambiental para se mostrarem preocupadas com o meio ambiente. “Às vezes, uma empresa chega a gastar 20 mil em um evento isolado e a ideia de que ela é preocupada com a questão não é fixada.”, conta o diretor. A solução proposta é que os empresários invistam de fato nesses projetos e, à médio prazo, possam associar o sucesso dos microempreendedores ao seu negócio, provando ser engajados na questão. “Com o projeto aprovado, garantimos um retorno de investimento de até 20 vezes mais em relação à quantia aplicada inicialmente e todos saem ganhando. Com essa ideia, esperamos atrair interessados no salão”, pontua Brandão.

Rede de café e jogos temáticos A arquiteta e design, Monique Bastos, desenvolveu uma novidade para o ramo de entretenimento da capital amazonense: uma rede de cafés com o tema “jogos de tabuleiro”. Com um prédio alugado e a equipe já montada, ela busca agora financiamento para colocar em prática o sonho antigo que surgiu em função da falta de opções de lazer em Manaus após uma roda de conversas com os amigos. “A ideia é concretizar uma rede de cafés temáticos, servindo além de bebidas e aperitivos, um acervo diferenciado de jogos de tabuleiro. Quase todas as pessoas gostam de jogar, por este Novos empreendedores vão “vender” seus projetos durante o salão da Fiam para buscar financiamento do empresariado

motivo, apostamos nesse nicho inédito na cidade. Vamos disponibilizar ainda profissionais para ensinar as regras dos jogos”, detalha animada. Expansão Com o capital obtido, Monique pretende abrir uma rede batizada de Ludotheka com 30 unidades pelo país, sendo a primeira delas em Manaus. Depois, ela pretende estender o projeto para os países da América Latina. “A seleção para a feira deixou a equipe confiante de que o negócio é inovador e viável. Esperamos que os investidores presentes pensem da mesma forma”, afirmar a arquiteta.


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Displays de LCD ‘made in Amazonas’

Outros dois projetos que aguardam capital de giro têm o mesmo objetivo: promover soluções para a indústria local. Um deles é o do coordenador do programa de engenharia de produção da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Waltair Machado. O professor e sócio da Inove Solutions vai levar para o salão, a ideia de produzir, em Manaus, displays de LCD para televisores e monitores de vídeo. “Hoje, 100% dos displays usados na fabricação desses produtos nas fábricas de Manaus são importados e representam 50% do custo de fabricação do produto final. Temos tecnologia pronta para fabricar os itens

aqui e barateá-los em até 40%, podendo futuramente tornar os produtos mais baratos ao consumidor”, explica Waltair. Entretanto, o projeto já aprovado no Conselho de Desenvolvimento da Amazônia (Codam) que prevê a produção 300 mil telas no terceiro ano de atividade e geração de 70 novos postos de trabalho, encontra dificuldades para sair do papel. “Vamos buscar um aporte de R$ 5 milhões para custear um prédio e a adaptação do ambiente produtivo, além da compra de equipamentos necessários”, detalha. Oportunidades O salão de negócios criativos, que será reali-

zado durante a 7ª Feira Internacional da Amazônia (Fiam 2013), no período de 27 a 30 de novembro, em Manaus, será a grande

DIFICULDADES

Ideias boas existem, porém, o principal empecilho para que novos projetos deixem de serem rascunhos e passem a realidade é a falta de recursos, que podem ser obtidos por meio de investidores oportunidade para os empreendedores conseguirem obter financimanto para seus respectivos projetos.

Segundo a coordenação do evento, o objetivo do salão é aproximar empreendedores com propostas de negócios inovadoras aos investidores, viabilizando a transferência de capital para empreendimentos que aliem rentabilidade e impactos positivos ao desenvolvimento regional. Encontros As quatro propostas selecionadas passarão por dois momentos: o primeiro consiste numa apresentação de 15 minutos de cada proposta para todos os investidores e o segundo é um encontro individual dos investidores com os empreendedores cujos projetos lhes trouxeram interesse.

Dirigível beneficiará indústria O empreendedor Stefan Keppler aposta em soluções logísticas para beneficiar o parque fabril local. O plano dele é fabricar e comercializar balões dirigíveis de hidrogênio para o transporte de cargas, como insumos da indústria, em baixas altitudes. “Caso a ideia vingue, o balão pode virar um novo modal de logística, só que em três dimensões” ressalta. A empresa Cargo Liſter visa se fixar em Iranduba para produzir os balões e iniciar os trabalhos com transporte de cargas como tijolos produzidos no município para Manaus. “No período em que a estrada fica ruim para o transporte,

o balão pode ser alternativa para permitir o fluxo da entrega do produto” relata. Transporte O plano, segundo o empresário, é estender a capacidade de atendimento para empresas do polo industrial local, transportando cargas entre as fábricas como forma de aliviar o tráfego de carretas pelas ruas da capital e no futuro transportar até 60 toneladas em produtos para o sul e sudeste do país. “Para alçar voo, o projeto precisa de investimento maciço orçado em US$ 3 bilhões para os próximos 3 anos. É esse capital que vamos buscar”, comenta. Produção local de display de LCD para televisores e monitores de vídeo vai baratear pela metade os custos do insumo


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País

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Espionagem da Abin não se compara aos casos dos EUA A

revelação sobre ações de espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra diplomatas estrangeiros não pode ser comparada, tanto em escala, quanto em natureza, ao esquema global de vigilância organizado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), recentemente revelada pelo ex-agente da CIA Edward Snowden. A opinião é do embaixador brasileiro Rubens Barbosa, que também acredita que o caso não deverá causar incômodo diplomático ao Itamaraty. Para ele, o episódio se justifica como um caso de segurança nacional, versão defendida oficialmente pelo governo brasileiro. Os procedimentos realizados pela agência também foram normais, já que, em alguns casos, investigavam a possibilidade de espionagem em território nacional. “Em um dos casos, envolvendo diplomatas iranianos (a “Operação Xá”), a reportagem afirma que a ação teria sido realizada a pedido de outro país. Isso mostra apenas um entrosamento grande entre essas agências de segurança, que possuem acordos bilaterais

REPRODUÇÃO

Para o embaixador Rubens Barbosa, episódio não deverá causar complicações diplomáticas para governo brasileiro para casos como lavagem de dinheiro, por exemplo. Tratase de um acompanhamento não ostensivo, é uma prática muito usual”, explicou. Estados Unidos Já o escândalo que revelou a rede organizada pela NSA para espionar diversos países e alguns de seus líderes, de acordo com Barbosa, “atingiu um nível em que não se esperava chegar, surpreendendo a todos”. “Snowden era analista de uma agência de inteligência, saiu dela portando dados e divulgou informações envolvendo diversos países, envolvendo até o monitoramento de chefes de Estado. A escala é bem diferente, a natureza é diferente. Agora, em ambos os casos, é tudo espionagem”, lembra. Uma das consequências do escândalo envolvendo a NSA é que alguns países foram obrigados a reconhecer que estão vulneráveis. “Por essa razão se discute agora um novo código de conduta, com o objetivo de deixar essas ações dentro de limites. Mas, estes não chegarão a ser divulgados”, e só daqui a alguns anos será possível saber se ele foi de fato respeitado, acredita o diplomata.

Segundo o embaixador Rubens Barbosa, prática de espionagem da Abin é usual e difere da investigação a chefes de Estado

Políticas independentes dificultam diálogos Para Barbosa, a dificuldade nessa negociação é que, enquanto alguns países (Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) compartilham as mesmas informações porque oferecem

total cooperação aos Estados Unidos em matéria de política externa e segurança, outros como França, Brasil e Alemanha nunca atingiram o mesmo status, porque têm políticas independentes”.

“Grampos” Novos documentos vazados por Snowden mostram que, em colaboração com o serviço secreto britânico, Alemanha, França, Espanha e Suécia também espiona-

ram comunicações online e telefônicas, afirmou o jornal britânico “The Guardian”. A revelação vem depois da descoberta de espionagem dos EUA contra a chanceler alemã Angela Merkel.


País

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Violência contra os jovens cresceu 326,1% no Brasil Mapa da Violência descreve que, a cada 100 mil jovens, entre 14 e 25 anos, 53,4 foram assassinados, em 2011

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violência contra os jovens brasileiros aumentou nas últimas três décadas de acordo com o Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado nesta semana pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), com dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Entre 1980 e 2011, as mortes não naturais e violentas de jovens – como acidentes, homicídio ou suicídio – cresceram 207,9%. Se forem considerados só os homicídios, o aumento chega a 326,1%. Do total de 46.920 mortes na faixa etária de 14 a 25 anos, em 2011, 63,4% tiveram causas violentas (acidentes de trânsito, homicídio ou suicídio). Na década de 1980, o percentual era 30,2%. “Hoje, com grande pesar, vemos que os motivos ainda existem e subsistem, apesar de reconhecer os avanços realizados em diversas áreas. Contudo, são avanços ainda insuficientes diante da magnitude do problema”, conclui o estudo. O homicídio é a principal causa de mortes não naturais e violentas entre os jovens. A cada

REPRODUCAO

100 mil jovens, 53,4 assassinados, em 2011. Os crimes foram praticados contra pessoas entre 14 e 25 anos. Os acidentes com algum tipo de meio de transporte, como carros ou motos, foram responsáveis por 27,7 mortes no mesmo ano. Segundo o mapa, o aumento da violência entre pessoas dessa faixa etária demonstra a omis-

MORTES

Do total de 46.920 mortes na faixa etária de 14 a 25 anos, em 2011, 63,4% tiveram causas violentas (acidentes de trânsito, homicídio ou suicídio). Na década de 1980, o percentual era 30,2%

são da sociedade e do poder público em relação aos jovens, especialmente os que moram nos chamados polos de concentração de mortes, no interior de estados mais desenvolvidos; em zonas periféricas, de fronteira e de turismo predatório; em áreas com domínio territorial de quadrilhas, milícias ou de tráfico de drogas; e no arco do desmata-

mento na Amazônia que envolve os estados do Acre, Amazonas, de Rondônia, Mato Grosso, do Pará, Tocantins e Maranhão. Omissão De acordo com o estudo, a partir “do esquecimento e da omissão passa-se, de forma fácil, à condenação” o que representa “só um pequeno passo para a repressão e punição”. O autor do mapa, Julio Jacobo Waiselfisz, explicou à Agência Brasil que a transição da década de 1980 para a de 1990 causou mudanças no modelo de crescimento nacional, com uma descentralização econômica que não foi acompanhada pelo aparato estatal, especialmente o de segurança pública. O deslocamento dos interesses econômicos das grandes cidades para outros centros gerou a interiorização e a periferização da violência, áreas não preparadas para lidar com os problemas. “O malandro não é otário, não vai atacar um banco bem protegido, no centro da cidade. Ele vai aonde a segurança está atrasada e deficiente, gerando um novo desenho da violência. Não foi uma migração meramente física, mas de estruturas”, destacou Waiselfisz.

Jovens são, segundo os dados do Mapa da Violência, o principal alvo da onda de violência no país


Mundo

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Programa nuclear iraniano em debate por EUA e Israel

SURTO

ONU começa vacinação contra poliomelite na Síria

Presidentes dos dois países trocam informações para uma série de articulações que visam o enfraquecimento da ideia dos iranianos em programa nuclear AFP

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presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para discutir as negociações internacionais sobre o programa nuclear do Irã, afirmou a Casa Branca em comunicado. “O presidente forneceu ao primeiro-ministro uma atualização sobre as negociações em Genebra e reafirmou seu forte compromisso em evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear, que é o objetivo das negociações em andamento”, disse a Casa Branca. “Os dois concordaram em permanecer em contato sobre essa questão”. Netanyahu já manifestou ser contra a negociação. Numa decisão de última hora, ministros do Exterior do Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos chegaram a Genebra para as negociações sobre o polêmico programa nuclear. Com a ida dos chanceleres a Genebra, onde representantes de seis potências mundiais estão reunidos com autoridades iranianas, cresceu a expectativa por um acordo. Mas o consenso deve sair nos próximos dias, de acordo com o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, que espera que o resultado seja de “longa duração”.

Num esforço para tentar impedir a disseminação da poliomelite, mais de 20 milhões de crianças serão vacinadas na Síria e em países vizinhos contra a doença contagiosa. O primeiro surto de pólio desde 1999 na Síria já provocou paralisia em dez crianças e representa um risco para centenas de milhares de outras na região, segundo a OMS. “O surto não apenas é uma tragédia para as crianças, é também um alarme urgente, e uma oportunidade crucial para alcançar todas as crianças na idade de imunização, onde quer que estejam”, disse o chefe da área de pólio da Unicef, Peter Crowley,

em comunicado. No Líbano, onde vivem mais de 800 mil refugiados, em 400 assentamentos informais, a meta é vacinar 750 mil pessoas. “O plano de vacinação no Líbano é ir de casa em casa, barraca por barraca “disse Annamaria Laurini, representante da Unicef no país. No acampamento de al-Omariya no Vale de Bekaa, mais de 300 crianças foram vacinadas nesta sexta-feira. Em uma tentativa de aumentar a conscientização para a campanha, as crianças, com os dedos pintados de roxo, gritavam palavras de ordem encorajando os pais a vacinar seus filhos.

Reator na usina nuclear de Bushehr, no Irã, é uma das preocupações das potênciais mundiais

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Fim dos desembargos econômicos Num dos poucos detalhes divulgados sobre as reuniões, o negociador Majid Takht-Ravanchi contou que seu país pediu às potências que considerem reduzir em uma primeira fase as sanções bancárias e ao petróleo. Com a economia estrangulada pelas sanções, a medida permitiria um alívio ao país. O Ocidente suspeita que o

Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares e, por isso, a comunidade internacional impôs punições à República Islâmica, que insiste no caráter pacífico das suas atividades. Contudo, o clima de extremo otimismo após um longo dia de encontros e conversas entre representantes do Irã e dos cinco membros permanentes

do Conselho de Segurança da ONU, e os avanços na negociação sobre o programa nuclear do país, fizeram com que o secretário de Estado americano, John Kerry, decidisse interromper sua viagem ao Oriente Médio para ir pessoalmente a Genebra conversar com o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif. Pelo menos 20 milhões de crianças serão imunizadas


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

DIVULGAÇÃO

Insetos são usados em investigações Dia a dia C8

Os heróis do voluntariado

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Criado há dois anos, o Grupo de Amigos Voluntários Independentes do Amazonas (Gaviam) vem crescendo no auxílio a atividades de resgate, tornando-se grande parceiro na defesa civil em situações de socorro aos cidadãos amazonenses

Atuação do Gaviam chega também à questão ambiental

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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omente nos primeiros dias de novembro, nos quais o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou o aumento de precipitações, característica comum na transição do período seco para o chuvoso, a Defesa Civil atendeu a 58 ocorrências na cidade. Desmoronamentos de barranco, queda de árvores sobre residências e fiação elétrica, alagação, risco de desabamento de casas e até mesmo resgate de crianças e adolescentes perdidas na floresta vêm mobilizando equipes socorristas dos bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil nas últimas semanas. A exemplo disso, na passada, o que começou como uma inocente brincadeira terminou reunindo equipes de resgate, polícia e inclusive biólogos e moradores do bairro Nova Cidade, Zona Leste, numa busca que durou cerca de 24 horas. Tudo porque três crianças e cinco adolescentes trocaram a tarde na escola por um banho no igarapé da reserva Adolpho Duke e acabaram por se perder na mata. Acompanhando de perto toda a ação, cinco integrantes do Grupo de Amigos Voluntários Independentes do Amazonas (Gaviam) ofereceram suporte às equipes e, mais tarde aos desaparecidos. Fabiano Melo, Andriele Souza, Andre Nascimento, Denis Mendes e Elder Bernardes fizeram parte do grupo que foi formado em 2011 por amigos que - comovidos com as dificuldades enfrentadas pela população, principalmente durante a época das chuvas - optaram por substituir o lazer do fim de semana e interferir nessa realidade. Apaixonados por esporte de aventura, cães e pela floresta, os 12 amigos, que atuam nas mais diversas áreas, resolveram reunir conhecimentos e partir

para ação, montando um grupo de busca e salvamento. No início eram 12 pessoas, entre bombeiros civis, ex-militares, biólogo, engenheiro ambiental, profissionais da área de saúde e de segurança e que tinham em comum o amor pelo voluntariado. “Começou como um hobby. No fim de semana juntava os amigos num sítio pra acampar e praticar esporte de aventura. Daí, pensamos em fazer um negócio que possa fomentar e ajudar outras pessoas”, lembrou a presidente do grupo, a administradora Suzy Arruda, 27. Nesse mesmo período, os amigos já realizavam trabalhos voluntários, ainda de maneira tímida, fazendo doações de

GÊNESE

Apaixonados por esporte de aventura, cães e pela floresta, os 12 amigos, que atuam nas mais diversas áreas, resolveram reunir conhecimentos e partir para ação, montando um grupo de busca alimentos e roupas e levando orientações sobre sustentabilidade, conservação do meio ambiente e saúde - com enfoque a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e higiene - pelo menos duas vezes por ano, em municípios próximos. Como a maioria dos integrantes eram bombeiros civis, a princípio o grupo direcionou para atividades de busca e salvamento, com auxílio dos cães farejadores. “Admiramos o trabalho da PM com os cães e começamos a fazer cursos, conseguimos parceria para trazer gente de fora para dar treinamento. A ideia era atuar na busca e salvamento com cães, mas acabou puxando várias frentes”, salientou.

Busca, salvamento e prevenção Além de busca e salvamento, os membros são capacitados para atuar em parceria dos cães farejadores, no combate e prevenção de incêndio, resgate de animais, sobrevivência, primeiros socorros e várias outras áreas, além de promover palestras sobre meio ambiente, sustentabilidade e saúde. Tudo, certificado por meio de cursos e treinamentos feitos em parceria com a Polícia Militar, o Batalhão de Policiamento Ambiental, a Defesa Civil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e as Forças Armadas. “A gente é certificado por eles para executar as tarefas e não estamos fazendo porque gosta e deu na cabeça”, assegurou. De 12, em 2011, o grupo saltou para 20 voluntários diretos e 10 indiretos, entre veterinários, psicólogos, enfermeiros, psicólogos e militares que arranjam um espaço livre, após o trabalho e os estudos para ajudar aos órgãos que possuem insuficiência de contingente. “O efetivo é carente. Imagina se a Polícia Militar não tivesse tantos cães quanto o efetivo que deveria ter em Manaus. O custo é alto”, apontou.

Simulação de acidente com participação do grupo: atuação em diversas atividades

Uma nova visão do trabalho Com cerca de um ano de trabalho efetivo, a presidente Suzy Arruda aponta o reconhecimento do grupo em meio aos órgãos públicos. “A satisfação é grande de perceber que os órgãos têm visto a gente de maneira diferente. Tanto que tem nos ofertado vagas dos cursos que fornecem para a equipe deles, pensando que no futuro eles podem contar

com a gente”, afirmou. O grupo conta com ajuda de amigos na compra de material e fardamento e não é remunerado para desempenhar as atividades. Eles ressaltaram o apoio da empresa B.A. Elétrica, que doou o fardamento e alguns materiais. O ponto de encontro dos voluntários foi cedido pela Semmas. Apesar das dificuldades, eles pensam

em expandir ainda mais a atuação. “Nós nunca pensamos que fossemos ganhar essa dimensão, mas hoje a gente vê muito mais na frente. Conseguimos ver um grupo maior, mais estruturado, com sede própria, viaturas, pessoas trabalhando ‘full time’”, desejou. (Continua na pág. C2)

No episódio dos jovens perdidos na reserva Duke, Gaviam teve participação de destaque


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Uma paixão pela aventura FOTOS: DIVULGAÇÃO

A partir do treinamento de cães, o Gaviam iniciou um processo de crescimento que o colocou no caminho do reconhecimento de sua importância no auxílio ao cidadão

A preocupação com o meio ambiente é uma das características dos voluntários do Gaviam IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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paixão dos amigos pelos caninos praticamente norteou a atuação do Gaviam. O grupo treinou quatro cães, que ficam com seus donos os membros do próprio grupo. “Foi comprovado que cães têm maior rendimento quando ficam com dono, pela afetividade. Há casos nos canis que quando trocase de cuidador, tem cão que morre”, explicou Arruda. Entre os queridinhos do Gaviam está o rastreador brasileiro de um ano e seis meses, Beethoven, que vem sendo treinado e já auxilia nas buscas. “Hoje ele vem evoluindo bem, e de 0 a 10, posso dizer que ele está no nível 8. Para mim em especial, ver o cão trabalhando, compreender que ele pode encontrar alguém perdido, salvar uma vida é muito bom. O cão não ganha nada, para ele é uma brincadeira, mas é muito legal ver o trabalho deles, não tem chuva nem sol eles estão lá”, apontou.

Contudo, treinar e tratar de cães farejadores requer tempo e boa dose de investimento. Segundo Suzy, cada cão custa uma média de R$ 500 mensais, arcado pelos próprios voluntários. “O custo é alto. É como se fosse um filho”, disse. A utilização dos animais oportunizou o grupo uma aproximação e parceria com

ATUAÇÃO

A paixão dos amigos pelos caninos praticamente norteou a atuação do Gaviam. O grupo treinou quatro cães, que ficam com seus donos os membros do próprio grupo a ONG Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Pata). “Eles acharam nosso trabalho legal e nos chamaram para que nós ajudássemos a fazer conscientização com população. Estamos unindo forças para trabalhar políticas públicas voltadas à fauna, flora e

eventos institucionais”, disse. Juntos eles já realizaram a terceira edição das “cãominhadas”, ação de proteção ambiental e o primeiro desfile de cães sem raça definida. “Pretendemos fazer o circuito de aventura de animais em 2014”, adiantou. Voluntariado Há dois anos disponibilizando o tempo livre para o voluntariado, Suzy Arruda define a ação de todos os integrantes como um trabalho de renúncia. “A gente costuma dizer que o Gaviam é a união de muitas coisas e renúncia de tantas outras. É unir amizade, carinho, paixão pelo o que a gente faz e renunciar família, lazer”, pontuou. Ela é formada em administração e trabalha na área de logística. No Gaviam, Arruda articula treinamentos, cursos e parceiros, gere a parte de comunicação e resolve outras pendências que possam aparecer. “Como tenho flexibilidade com relação a tempo, acabo conseguindo gerir e dar resposta que o grupo precisa”, disse.

Treinamento de cães do Gaviam: animais levam auxílio importante às atividades dos membros

Sob chuva, sol e até doenças Seja nos dias de sol, ou chuva, os voluntários arranjam um tempo, durante a escala de folga para prestar socorro. O vigilante Denis Mendes, 28, afirmou que a partir do momento que tem folga do serviço, fica à disposição do grupo. Além de poder ajudar as pessoas, Mendes revelou que as tarefas desempenhadas no grupo significam a oportunidade de realizar um antigo sonho de adolescente. “Nós homens temos aquele

pensamento em viver aventuras iguais aos atores, tipo o Rambo. E isso é tipo um sonho que está sendo realizado. É muito bom ajudar. Sempre falo que minha recompensa não vem do homem, mas vem de Deus e virá no tempo certo. A Amazônia precisa de gente com boa vontade”, afirmou. Não há tempo ruim para o vigilante Manuel Marques, 41, que mesmo resfriado, ficou à disposição do grupo na última quinta-feira (7)

por conta da chuva que atingiu alguns pontos da cidade. “A gente trabalha todos os dias para que possamos ajudar as pessoas da melhor forma possível, fazendo bastante curso, estudando e treinando bastante”, disse. A experiência de participar do grupo transformou as prioridades do voluntário. “Eu pensava em sempre acampar nos domingos, hoje já penso diferente, a coisa é mais séria”, afirmou.

A colaboração do grupo vai até mesmo o socorro nos casos de acidentes naturais

Os integrantes do Gaviam em ação durante treinamentos


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Progresso x natureza

Depois da construção da ponte Rio Negro, há dois anos, a região de Iranduba e Manacapuru colhe os impactos acelerados com a duplicação, agora, da rodovia AM-070, com o meio ambiente tentando resistir ao desenvolvimento FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO

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ois anos depois de sua inauguração, a suntuosidade dos 3.595 metros de comprimento da ponte Rio Negro, além de caracterizar um novo monumento da arquitetura amazônica, encobre situações resultantes da integração da Região Metropolitana de Manaus (RMM). Quatro anos de construção e bilhões de reais trouxeram desenvolvimento gradual na outra margem do rio e, na esteira, impactos principalmente ambientais na natureza amazônica. Esta semana, em uma visita aos balneários localizados ao longo da rodovia AM-070 (Manaus-Macacapuru), atualmente em obras de duplicação, a equipe do EM TEMPO constatou de perto essa série de impactos e como a natureza sobrevive – e aqueles que dela geraram um negócio de lazer cuja procura aumentou com a facilidade do acesso. Logo ao atravessar para

o lado da região de Iranduba, nos deparamos com várias áreas prontas para receber grandiosos empreendimentos imobiliários – uma visão em diferente da anterior, quando a travessia era feita somente por meio de balsas. Vários loteamentos e conjuntos habitacionais estão sendo construidos e oferecidos, exercendo forte pressão sobre os recursos naturais, como a retirada da vegetação, exploração madeireira e ocupação irregular das margens dos cursos d’água. De acordo com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), com a ponte Rio Negro, o eixo rodoviário composto pelas rodovias AM070 e AM-352 (Manacaparu-Novo Airão), passa a ser uma das frentes de prioridade no controle ambiental do órgão. “Empreendedores também querem se instalar nestas áreas. O controle ambiental sobre eles e os usuários é inadiável”, afirma o presidente do Ipaam , Antonio Ademir Stroski.

As medidas estão sendo tomadas, mas não na velocidade do desenvolvimento. Próximo ao entroncamento com a rodovia AM-353, está sendo instalada uma base de fiscalização com alojamentos e toda a infraestrutura para abrigar os analistas ambientais do Ipaam. O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impactos no Meio Ambiente (EIA-Rima) levou somente três meses para mapear uma área de 9,5 milhões de quilômetros quadrados, e considerou que os efeitos seriam sentidos a apenas cinco quilômetros da obra. A realidade é outra, pois as consequências chegam mais longe. No estudo foi constatado que quatro espécies de peixes da região ainda não haviam sido catalogadas. O temor é de que todos esses patrimônios naturais corram o risco de sucumbir à ocupação desordenada da margem direita do rio Negro. (Continua nas páginas C4 e C5)

Máquinas em ação na duplicação da rodovia AM-070: impactos ambientais ao longo das obras

Na floresta cortada pela rodovia, ainda é possível encontrar a natureza intacta e sublime


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Uma luta pela n Sobrevivendo aos danos causados pelo progresso, proprietários de balneários amargam aumento de problemas decorrentes da falta de conscientização ambiental ADRIANA PIMENTEL Especial para o EM TEMPO

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utra questão que preocupa muito os moradores e comerciantes do outro lado do rio Negro é a duplicação da rodovia AM-070. Os balneários às margens da estrada estão sendo desapropriados e indenizados para a ampliação da via estadual. Em alguns desses balneários, as obras já foram iniciadas, e os proprietários indenizados, como é o caso do Balneário Nascente, no quilômetro 14, do comerciante Roberto Duarte de Lima, 73, que recebeu a quantia de R$ 50 mil, e agora se encontra em uma situação delicada, pois desde o início das obras a água de seu balneário está turva. “A água não está mais como antes, fica represada. Estou bastante preocupado, pois me sinto abandonado. Esse balneário é meu sustento. Acabei com meus tanques de alevinos”, relata Roberto. Mais à frente, no quilômetro 25, encontramos o Balneário Ecológico, que possui mais de 80 mil alevinos. O balneário também irá sofrer mudanças com a duplicação da rodovia. Segundo o proprietário Edson Barros, as obras só irão começar em março de 2014, causando danos. “Na época da Copa

do Mundo o meu balneário ainda estará desativado, por conta das obras”, afirma o proprietário com receio. Comércio A partir da chegada de mais pessoas, surge a necessidade de maior oferta de serviços como comércios, postos de gasolina, infraestrutura urbana, coleta, tratamento e disposição final adequada de resíduos, oferta de água tratada, coleta e tratamento de esgoto sanitário e tudo isso leva a transformações ambientais. Chegando à Cachoeira do Castanho, situada no quilômetro 22 da rodovia AM- 70, nos deparamos com uma bela paisagem com água limpa e gelada, ao fundo um barulho relaxante das águas sobre as pedras. À primeira vista o local não parece muito bonito, cheio de barracas improvisadas de madeiras e lonas. Estavam apenas pessoas que trabalhavam ali, de longe avistamos um senhor que carregava suas melancias e as colocava em uma canoa de madeira, uma verdadeira “dança de equilíbrio”. Morador do lugar há 43 anos, Antônio Pinto Leite é comerciante na região, proprietário de uma barraca que vende comidas e bebidas no final de semana. Nos dias úteis, Antônio vende em áreas vizinhas algumas frutas cultivadas na região.

Antônio Pinto Leite e sua preciosa carga: escassez de peixes

População triplicou após ponte Antônio Pinto Leite conta que a comunidade antes da construção da ponte era formada por apenas 50 famílias, mas esse número triplicou depois da inauguração. Atualmente, a comunidade vive do comércio. Cerca de 3 mil pessoas frequentam o balneário nos finais de semana. As condições de vida das pessoas melhoraram bastante. Entretanto, quando o comerciante foi questionado sobre a pesca e a caça na região, logo foi dizendo: “Aqui não tem mais caça, é muito difícil eu encontrar algum animal. Os bichos que achamos são arraias e cobras. Até

os peixes estão escassos”, afirma Antônio Leite. Os proprietários e comerciantes proíbem a entrada de alimentos e bebidas dentro das praias e balneários, pois alegam que as pessoas produzem lixo sem nenhum tipo de preocupação com o meio ambiente. “Somos nós que coletamos toda a sujeira e mantemos tudo aqui limpo e em ordem para que as pessoas venham desfrutar”, enfatiza Maria de Lurdes da Silva, proprietária de um flutuante localizado às margens da cachoeira. Na praia do Açutuba, na altura do quilômetro 28, o

cenário não é diferente. Logo na entrada avistamos uma placa que proíbe a entrada de comida e bebida. A praia tem um fluxo intenso de visitantes - cerca de 5 mil pessoas no final de semana - e barcos recreios também levam turistas para visitar o cenário. Segundo o Ipaam, os balneários são de responsabilidades dos órgãos ambientais municipais, porém existem debilidades no controle ambiental, por isso está entre as medidas do órgão parcerias com as prefeituras para programas de monitoramento dos balneários.

A arte do arco e flecha na mata Nem sempre a construção significa desenvolvimento, principalmente quando se trata de uma região que possui extraordinária beleza cênica, que ainda conserva paisagens naturais pouco alteradas, verdadeiros paraísos ecológicos marcados pela exuberância da floresta amazônica. Entretanto, uma região isolada demograficamente e com uma imensidão de espécies em sua biodiversidade preA vida bucólica na região tenta se manter mesmo com a proximidade da exploração dos recursos

cisa de cautela ao iniciar grandes construções. A 60 quilômetros de Manaus ainda podemos encontrar meninos pescando às margens do rio Ariaú de forma artesanal, com arco e flecha. Alguns são caboclos, outros são os índios saterê-mawê que moram na aldeia. Eles caçam, plantam, pescam, coletam e produzem os instrumentos necessários para suas atividades. Um lugar de preservação, onde

se encontram uma fauna diversificada: cobras, jacarés e tartarugas de várias espécies – um encontro com o jacaré é visto como algo cotidiano. O município de Iranduba possui 101.474 quilômetros quadrados e é o município amazonense com maior número de sítios arqueológicos registrados, com mais de cem descobertos até o momento. E é todo esse potencial que está à mercê do progresso crescente.


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atureza

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

Na praia do Açutuba, o aumento do fluxo de visitantes gerou medidas para manter a limpeza

Em toda a extensão da rodovia AM-070, balneários intocados aguardam intervenção das obras

Roberto Duarte de Lima em seu balneário, afetado pela rodovia: prejuízos nos seus negócios


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Predadores do tráfego Estudo divulgado pelo Sinetram aponta que o trânsito já caótico de Manaus piora cada vez mais com a ação constante do transporte clandestino em todas as zonas da cidade, o que ainda contribui para o aumento das tarifas DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO

Trânsito congestionado em avenida de Manaus: quadro que tende a piorar cada vez mais com a invasão frequente dos meios de transporte clandestinos que colocam em risco os passageiros ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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ngarrafamentos por todos os lados passaram a ser a rotina dos manauenses há alguns anos. A compra de carros tem crescido cada vez mais, inversamente proporcional à modernização do sistema viário, resultando nesse caos aparentemente difícil de controlar. Agora o transporte clandestino que vem sendo praticado na capital começa a dar sua parcela de colaboração nesse inferno sobre rodas. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) realizou recentemente um estudo com o objetivo de mostrar para a população que o transporte clandestino, além de perigoso, colabora no aumento do valor da tarifa dos ônibus, pois retira os passageiros do sistema convencional.

Conforme o estudo, aproximadamente 290 mil passageiros diariamente são retirados do sistema de transporte convencional e passam a utilizar os meios de transporte irregulares. Foi revelado que na cidade existem aproximadamente 700 veículos irregulares que realizam esse serviço. Além dos clandestinos, ainda estão inclusos os executivos, kombis, vans e até mesmo ônibus nessa confusão de tráfego. De acordo com a tabela fornecida do estudo, os 210 alternativos transportam 115 mil usuários por dia. Os executivos - 424 carros - por dia transportam 169,6 mil passageiros, enquanto as kombis, vans e ônibus transportam 12,6 mil pessoas, e os mototaxistas – cerca de 15 mil na cidade - transportam um número de pessoa incalculável. O presidente do Sinetram, Algacir Gurgacz, explicou que, além de transportar pessoas

Os meios de transporte clandestinos são os predadores do sistema convencional e não oferecem o menor conforto Algacir Gurgacz, presidente do Sinetram

de forma irregular, esse sistema também traz prejuízos para o sistema convencional, pois tirando passageiros dos coletivos, além de colaborar para a majoração da tarifa, também não oferece a mínima segurança aos usuários. “Os meios de transporte clandestinos são os predadores do sistema convencional. Além de não oferecerem o menor conforto, eles acabam atrapalhando o tráfego dos

demais veículos, pois param em qualquer lugar, às vezes até causando acidentes. Esse tipo de serviço é o que muitas vezes faz aumentar a tarifa, porque as empresas têm um cálculo das despesas. Eles tirando nossos passageiros acabam comprometendo os custos”, destaca Gurgacz. Outro ponto apontado pelo presidente do Sinetram é a falta de compromisso que as cooperativas têm com seus trabalhadores, pois eles não têm a carteira assinada e muitas vezes não possuem qualificação para saber lidar com os usuários. “As cooperativas não assinam a carteira de trabalho para não ter compromisso com seus trabalhadores. Pegam qualquer pessoa para dirigir os veículos, e não dão treinamento para estas pessoas, isso é um perigo. Já as empresas só trabalham com profissionais capacitados”, alerta o presidente.

Fiscalização e até ameaças A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que há processos de fiscalização, quando são feitas as abordagens em veículos descaracterizados para não chamar a atenção dos infratores. “Quando identificamos um veículo com suspeita de estar fazendo transporte clandestino, acompanhamos e o veículo é apreendido”, informou a superintendência por meio de nota. Para o proprietário retirar esse veículo é necessário pagar as taxas de guincho, parqueamento e multa de 31 UFMs (R$ 2.313). De acordo com a SMTU, as fiscalizações precisam

ter o apoio da Polícia Militar e/ou da Guarda Municipal pelo fato de haver muitos casos de ameaças e agressões aos fiscais da própria superintendência. Dados Com base nas fiscalizações, desde janeiro a setembro foram 181 veículos apreendidos por estarem realizando transporte ilegal. Ainda na nota, a SMTU informou que o tipo de veículo que é apreendido com mais frequência são kombis, mas há também muitos casos de pessoas que fazem transporte de passageiros em carros particulares, alguns até mesmo caracterizados como táxi.


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Coleção de Invertebrados do Inpa vai a São Paulo Mais de 90 espécies de insetos foram fornecidas pela Coleção de Invertebrados do Inpa para representar nossa biodiversidade

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ertencentes a Coleção de Invertebrados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), 99 exemplares de insetos preservados das mais variadas formas, cores e hábitos, serão destaque da exposição “Amazônia Mundi”, que terá início no dia 29 de novembro no Serviço Social do Comércio (Sesc) - Itaquera, em São Paulo (SP). A exposição terá a duração de 17 meses com encerramento em 2015. “O objetivo da exposição é sensibilizar o público para questões voltadas ao meio ambiente, em especial a Amazônia. O Sesc espera 240 mil pessoas, em especial escolas, ao longo dos 17 meses de mostra”, afirma Anna Claúdia Agazzi, uma das organizadoras do evento. As espécies pertencentes a Coleção de Invertebrados do Inpa em exposição servirão para chamar atenção sobre a biodiversidade amazônica e sua preservação. “A exposição desperta curiosidade e fará com que as pessoas conheçam mais a Amazônia. Os insetos ainda sofrem um preconceito e mostrar as pessoas como eles são, fornecer esse conhecimento, pode fazer diminuir esse

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preconceito e despertar o interesse nesses animais”, explica Márcio de Oliveira, curador de invertebrados do Inpa. Dentre os 99 indivíduos que irá representar a biodiversidade dos insetos, estão a borboleta azul (Morpho adonis), a borboleta coruja (Caligo sp), o bicho pau (Phasmatodea), o besouro serra pau (Calli-

FINALIDADE

As espécies pertencentes a Coleção de Invertebrados do Inpa em exposição na capital paulista servirão para chamar atenção sobre a biodiversidade amazônica e sua preservação

pognon armillatus), o maior besouro do mundo (Titanus giganteus), a jequitiranaboia (Fulgora lanternaria), tucandeira (Paraponera sp), saúva (Atta sp), além de variadas espécies de abelhas (Apidae). A exposição “Amazônia Mundi” é um evento artístico e educacio-

nal que apresenta as principais questões existentes no imaginário humano sobre a “Grande Floresta Amazônica” e ao mesmo tempo, informa quanto a situação atual da região e sua importância para o planeta. A mostra é gratuita e será um espaço de mil metros quadrados de experiência sensorial e interativa. Nas instalações do evento haverá Vila Amazônica e Barracão Comunitário; do Imaginário à Realidade: Amazônia Sensorial; Ciência e Biodiversidade; 100 Anos da Queda da Borracha; A Amazônia e o Clima; Desvendar... Revelar - os mitos e as festas populares; Amazônia e o Futuro: Crie Futuros; Galeria Amazônia: exposições temporárias e Cine Amazônia: mostra de filmes com temática da região. O Sesc Itaquera fica localizado na avenida Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1.000, Itaquera, na cidade de São Paulo (SP). A organização está por conta da Farte Arte, que organiza exposições sobre a Amazônia em diversos lugares do mundo (Paris, Suíça, Alemanha, China, entre outros) desde 2002.

O bicho pau, de nome científico Phasmatodea, será um dos “itens” expostos em São Paulo


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Os pequenos investigadores Estudos com insetos para auxiliar polícia e médicos legistas na elucidação de crimes aumentam na região amazônica, com a Entomologia Forense, pela qual é possivel obter informações sobre o horário de uma morte, por exemplo

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sar insetos para auxiliar a polícia e os médicos legistas a elucidarem crimes é uma das áreas da Entomologia que avançam na Amazônia. A Entomologia Forense ajuda, por exemplo, peritos criminais a determinarem o tempo entre a morte de uma pessoa e a descoberta do corpo (intervalo pósmorte), saber se o corpo foi removido ou se houve uso de veneno e de drogas. De acordo com a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), Ruth Keppler, a determinação do tempo de intervalo pós-morte pode ser feita por meio da utilização de insetos associados à decomposição de cadáveres. “Isso já vem sendo utilizado por órgãos públicos do Amazonas e é uma resposta das nossas pesquisas para aplicações em laudos criminais”, disse Keppler. No corpo em decomposição são encontrados vários insetos. Os mais comuns são as moscas varejeiras (família Calliphoridae) e os besouros, que colonizam o material orgânico, onde desenvolvem suas crias. As moscas varejeiras são as primeiras a colonizar um corpo após a morte, na maioria das vezes em questão de horas. So-

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mente quando o corpo está ressecado é que os besouros entram no processo. A Entomologia Forense é uma área em expansão na região, especialmente nos trabalhos acadêmicos e científicos, e foi uma das temáticas discutidas durante o 5º Puxirum Entomológico, realizado de 4 a 6 de novembro pelo Programa de PósGraduação em Entomologia

Área de importância para o futuro Outras áreas da Entomologia já estavam em andamento ao longo dos anos e faziam parte da grade curricular do Programa, como a entomologia médica, entomologia agrícola e a taxonomia. “A biologia hoje é uma das áreas mais importantes para o futuro. É claro que ela não vem sozinha, ela vem acompanhada das tecnologias, como as engenharias, e nisso tudo a biologia pode ser uma ferramenta que se juntando a outras áreas pode alcançar o objetivo de ter biólogos atuando dentro da biologia do futuro”, destacou Ruth.

EXEMPLO

De acordo com a pesquisadora do Inpa, Ruth Keppler, a determinação do tempo de intervalo pós-morte pode ser feita por meio da utilização de insetos associados à decomposição de cadáveres do Inpa (PPG-ENT/ Inpa). O nome Puxirum é uma palavra é Nheengatu que significa união de esforços em prol de um algo em comum. O objetivo principal do evento é aproximar os alunos da graduação dos estudantes da pós-graduação, mostrar os trabalhos desenvolvidos dentro do Instituto na área da Entomologia, além de discutir os desafios e avanços nesta área do conhecimento.

Atividades O Puxirum contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e participação de cerca de 120 estudantes e 30 professores e palestrantes. A Entomologia Forense utiliza o estudo dos insetos para descobrir fatos relacionados a crimes


Caderno D

Plateia MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

plateia@emtempo.com.br

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Memórias de Álvaro Maia (92) 3090-1042 3090-

Plateia 3

Arlindo JR.

‘Entrei em depressão QUANDO SAÍ do Caprichoso ’ DIVULGAÇÃO

BRUNO MAZIERI Especial EM TEMPO

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A minha história é de amor com o Caprichoso, não dinheiro como muitos acham. Somente sentimento e estou muito feliz”

em bem assumiu a presidência do Boi Caprichoso e Joilto Azedo já realizou mudanças que balançaram as estruturas de torcedores e, principalmente, dos artistas ligados ao bumbá azul e branco. Dentre elas, a troca de função de Júnior Paulain - que até então ocupava o cargo de apresentador – para amo do boi, a volta da ex-portaestandarte Karyne Medeiros como sinhazinha da fazenda e talvez a maior mudança de todas: a volta de Arlindo Jr. como apresentador. Em entrevista ao EM TEMPO, Arlindo – que está no seu terceiro mandato como vereador – afirma que o convite foi feito em um dia e aceito na mesma hora, que ficou em depressão 4 anos após seu afastamento do bumbá, ressalta que é amigo sim da ex-presidente do boi Márcia Baranda (mesmo que alguns achem o contrário) e que está preparado para defender o item que, por muitos anos, ficou sob o seu comando. EM TEMPO – Você fez uma aparição surpresa durante a apresentação do Caprichoso no Festival Foclórico de Parintins este ano. Aquele foi o momento no qual pensou que era a hora de voltar? Arlindo Jr. – Esse sentimento surgiu primeiramente quando participei da gravação do DVD oficial do Caprichoso, no curral Zeca Xibelão, em Parintins. E se consolidou com a minha aparição no bumbódromo. Foi uma loucura! As pessoas sempre me perguntavam por que tinha saído, me afastado... Apenas sei que é chegada a hora do meu retorno. Voltei porque amo minha galera e amo meu boi. EM TEMPO – Como foi feito o convite pelo atual presidente do boi Joilto Azedo? AJ – Fui procurado no último domingo, dia 3 e na mesma hora aceitei. Foi tudo muito rápido, não teve uma história ou negociação. A minha história é de amor com o Caprichoso, não dinheiro como muitos acham. Somente sentimento e estou muito feliz. EM TEMPO – Como se

deu seu afastamento do boi em 2007? AJ – Sou um soldado do Caprichoso e sempre que precisarem de mim estarei lá. Algumas pessoas quiseram me tirar, não foi apenas uma. Aliás, a associação folclórica, de fato, nada tem a ver com isso. Muitos que passaram por lá não pensam na agremiação, somente no poder. EM TEMPO – E como foi esse período sabático? AJ – É a primeira vez que confesso isso para alguém. Achei que estava acabado, que realmente não prestava. Fiquei muito mal, entrei em depressão. Parei de fazer shows, deixei de cantar, deixei minha carreira de lado. Não fiz mais nada. Depois de algum tempo a galera do Caprichoso começou a me cobrar sobre isso. Porém, passei 3 ou 4 anos nessa situação. Só fazia dois eventos por ano: uma no Carnaboi e outra no Boi Manaus. Foi quando decidi voltar à ativa. Gravei um CD, meu primeiro DVD, meu segundo DVD e as coisas começaram a engrenar novamente. EM TEMPO – E durante todo esse tempo você ainda ia ao festival? AJ – Sempre! Nunca deixei de ver o Caprichoso na arena. As primeiras vezes foram horríveis. Era uma explosão de sentimentos. Chorava muito todas as vezes que via a apresentação. Minha esposa, inclusive, dizia: “Para com isso! Já chega!”. Mas não conseguia ver tudo aquilo e não estar participando como sempre participei. EM TEMPO – Como é sua relação com a ex-presidente Márcia Baranda? AJ – Muita boa. Somos amigos. Aliás, sempre fomos! Não tenho nada contra ela. EM TEMPO – Você voltou a ocupar uma função que foi sua, mas até então era do Jr. Paulain. Agora ele será o amo do boi. Como ficou a relação de vocês? AJ – Tenho ele (Jr.) como um filho. Fui a primeira pessoa a levá-lo para dentro da arena para cantar, se apresentar. No futuro ele poderá ser sim um grande apresentador. O que aconteceu foi que colocaram ele na cova dos leões. Era muito novo, imaturo. Mas tenho a certeza que ele ainda

dará muitas alegrias para o Caprichoso. E tenho convicção que a diretoria atual fez o correto.

(Garantido) estava muito acomodado, já sabia qual seria a técnica do nosso boi. Agora, isso vai mudar.

EM TEMPO – Durante muito tempo você e David Assayag (já foi levantador do Garantido) foram rivais. Agora, vocês jogam no mesmo time. Como é essa relação? AJ – É bem melhor! Somos amigos e acredito que será ótimo tê-lo ao meu lado defendendo um item tão importante. Na verdade, sempre foi um sonho tanto do Garantido, quanto do Caprichoso ver essa dobradinha. Sempre quiseram ver dois artistas de certa magnitude juntos. Finalmente conseguiram.

EM TEMPO – De uns anos para cá, o que se percebeu é que os bois viraram um grande comercial. Como você analisa isso? AJ – De fato virou sim um grande comércio, um cabide de empregos. O amor e a paixão foram deixados de lado. Cabe a essa nova diretoria resgatar o orgulho de ser Caprichoso, de estar ali por querer. Sem isso nada vai funcionar. É torcer e se sentir vitorioso mesmo que se perca. Afinal de contas, a vitória é consequência de um bom trabalho. É preciso saber que o dinheiro deve ser gasto na arena e não fora dela. Não podemos acabar com essa festa, a cidade de Parintins não pode perder isso.

EM TEMPO – Você é vereador em Manaus e com a proximidade do festival a sua agenda certamente ficará complicada. Como fará para manter esse contato direto com a associação folclórica? AJ – Hoje em dia existe a internet e com ela uma série de ferramentas como WhatsApp, Skype e tantas outras que permitem fazer conferências. Vai ser muito mais fácil do que era no passado. Sem falar que boa parte das decisões do boi são tomadas em Manaus, por pessoas que moram na capital. Porém, terei o final de semana livre para ir até Parintins e fazer tudo o que for necessário. EM TEMPO – Qual sua leitura sobre o Caprichoso? AJ – Ele sempre foi um boi diferente. Não se pode tentar fazer com que o Caprichoso seja igual o Garantido. Cada um pensa de uma maneira e nós temos que fazer o nosso. O Caprichoso sempre foi inovador e muitas vezes até chocava as pessoas. Fomos os únicos a fazer uma Amazônia Quaternária, u m a Catedral Verde... Precisamos continuar com esse pensamento, ir para as inovações e essa diretoria pensa dessa forma. Junto com Joilto vem uma série de artistas competentes e que vão entrar cheios de vontade para ganhar o tricampeonato. E vale ressaltar que o contrário

EM TEMPO – Com a sua volta as críticas são inevitáveis. Está preparado para elas? AJ – Nem Jesus Cristo agradou a todos. Mas hoje, Graças a Deus, eu voltei. Mas voltei por ser uma unanimidade. Se tivesse havido um “racha” para a minha volta, jamais teria aceitado o convite. Minha função é dar meu sangue pelo Caprichoso e fazer dele um boi campeão. Quero mostrar que venho com garra e força, fazendo aquilo que sempre fiz de melhor. Estou preparado para as críticas, mas somente me interesso pelas construtivas.

É a primeira vez que confesso isso para alguém. Achei que estava acabado, que realmente não prestava. Fiquei muito mal, entrei em depressão. Parei de fazer shows, deixei de cantar, deixei minha carreira de lado”


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Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br FOTOS: CÉSAR CATINGUEIRA

Deborah Camely

Tetê Figueiredo, Israel Santos e Rossana Figueiredo

Lene e Pedro Ferreira

A primeira-dama Nejmi Aziz na festa de abertura da Casa das Artes, que movimentou o time feminino da cidade, na quinta-feira

>> Soberane . A SKN Incorporadora movimentou a rua Salvador, na quinta-feira à noite, no lançamento do Soberane, o novo empreendimento que reúne residence, work e mall. . O belo estande apresenta espaços decorados do empreedimento assinado por equipe de criação estreladíssima de São Paulo, entre eles, os arquitetos da Aflalo & Gasperini, a decoradora Fernanda Leite e o paisagista Benedito Abbud. Nota 10! Tudo isso no ‘coração’ de Adrianópolis.

Valdenice Garcia Alessandra Brandão, de YSL

>> Lulus chics

Hildebrando Janã Neto

. A abertura do novo espaço de eventos da cidade – a Casa das Artes – reuniu time de mulheres AAA, em tarde que juntou moda + atitude + arte. . O local elegante estreou com exposição das joias do designer paulista Ara Vartanian, palestra do colunista da Vogue, Bruno Astuto, sobre moda, desfile de modelos da coleção ‘Bizantina’ de Dolce & Gabbana e exposição de quadros do artista plástico amazonense Rui Machado. . A tarde foi um congestionamento de mulheres bonitas e sofisticadas. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Cristiane e Jorge Sotto Mayor

O diretor da SKN, Eduardo Han, no lançamento do Soberone

Roberto Carvalho e Jorge Roldão

>> Lusa . Será no dia 6 de dezembro, no Diamond, a festa de fim de ano desta coluna, comemorando 29 anos de atuação no colunismo social da cidade. E a festa será portuguesa! . O dinner será um festival de gastronomia lusa com delícias da Terrinha. . Além de tudo, terá a apresentação de uma dança portuguesa e o sorteio de dois bilhetes para Lisboa no novo voo da TAP no ano que vem. O society de Manaus estará em peso no evento. Agendem.

Young Han, Douglas Ono e George Barros

O colunista da Vogue, Bruno Astuto, e Ângela Bulbol de Lima, na inauguração da Casa das Artes

Renatinha Braga Alves, de Dolce & Gabbana

Durante congresso promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), em Gramado, Gabriela Bandeira de Melo Lins de Albuquerque recebeu o prêmio de melhor Dissertação de Mestrado em Estruturas, do ano de 2013. Aplausos!

Ane Cameli e Florence Ayub

Patricia Ruiz e Cris Topdjian


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Carmen Novoa Silva E-mail: novoasilva@yahoo.com.br

‘Canção de fé e esperança” 90 anos - Álvaro Maia

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ão passadas exatamente nove décadas da oratória e peça poética literária do século passado mais inspirada dos anos 20. Foi em novembro de 1923. O jovem poeta Álvaro Maia de 30 anos, faz esse discurso na autêntica catedral civil de Manaus, o Teatro Amazonas. Portas abertas à grande festa cívica ali se encontravam o que de melhor havia na intelectualidade, na cultura e na política da época. Naquela noite, comemoravase o primeiro centenário da adesão do Amazonas à Independência do Brasil. Álvaro Maia falou em nome da mocidade Amazonense. Gravou em perenidade uma página antológica. Mesmo hoje, 90 anos depois, ainda pode ser compreendida pela atualidade em muito de seus aspectos, principalmente sociais. Afinal, para os das gerações posteriores, o que significa esse manifesto magnífico através de amazonidade do qual o público ficou galvanizado no Teatro Amazonas? Um povo dito ético e que honra suas raízes e seus vultos heróicos e históricos é um povo que vence os obstáculos porque segue os moldes de ancestralidade no que concerne a sentimentos benéficos e humanitários. E um povo sadio é feito de sonhos. De sonhos e utopias. A serem cumpridas. E quanto a este nosso vulto histórico da nossa “Canção de Fé e Esperança”, Álvaro Maia, persistirá no silêncio das bibliotecas e na memória de uns poucos? Com o intuito de Resguardar o Canto... tomei a decisão junto com Academia Amazonense de Letras do Amazonas neste novembro, dedicar um dia festivo em louvor aos 90 anos do manifesto superlativo e insuperável do século 20. E aqui deste espaço dar

continuidade a esse mérito histórico de Álvaro Maia quando desenhava àquela época o futuro da terra como caminho de superação, integração e redenção social e cívica. Urge resguardar o canto... Canção de fé... atual Tão atual é a Canção de Fé... que dias o general do exército (do comando Militar do Amazonas) general Eduardo Villas Boas em entrevista ao jornal “Estado de S. Paulo” afirmava que a Amazônia é como uma colônia do Brasil. Diria eu, um apêndice a ser tolerado por seu caráter exótico. Uma espécie de clube social a ser exibido em folders e outros tipos de marketing em feiras mundiais de turismo. Aqui apresentam a floresta imensa e misteriosa... Ali, aldeias indígenas e suas culturas mágicas... E a fauna e a flora em biodiversidade imensurável expostas a turistas ávidos pelo diferente: hotéis de selva a proliferar para os famosos e notáveis do mundo, bendizerem a terra farta e sacrossanta. Isso sem olhar o outro lado do muro: seus habitantes e os ribeirinhos, expostos a carência de educação, saúde, moradia, saneamento básico, isolados da civilização etc. e etecetera. As palavras de Canção de Fé... possuem três princípios: união, mais igualdade, mais brasilidade. Álvaro Maia mesmo depois, já governador do estado do Amazonas estaria de mão atadas para administrar um estado claudicante para não dizer paralítico em sua economia. Precisava de um “Levanta-te e anda” só surgido em 1967 quando o projeto do deputado do Amazonas, Pereira da Silva foi posto em prática pelo governo Castelo Branco. A implantação da Zona Franca de Manaus foi a ressureição econômica de um Estado que Álvaro Maia em sua sensibilidade poética cantava em 1923.

Carmen Novoa Silva é membro da Academia Amazonense de Letras

Memorial Álvaro Maia Em 1991 o então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, sob horas de grande inspiração mandou erguer o “Memorial Álvaro Maia”. A inauguração obteve da mídia regional inúmeras reportagens históricas e atuais tudo com grande repercussão nos meios sociais e intelectuais da terra amazonense. Todos exaltavam a ideia da preservação do legado daquele que chamavam de “O Cabeleira” e o “Tuxaua” e principalmente de “Príncipe dos Poetas”. Era imortal da Academia Amazonense de Letras. O memorial foi dotado de vasto acervo. Objetos pessoais, fotografias, livros. Esse patrimônio literário e biográfico foi doado por amigos pessoais do poeta. Livros autografados por ele. Fotos assinadas e ofertadas a amigos. Local Foi construído no antigo balneário do Parque 10 de Novembro. O igarapé já aterrado devido a poluição das águas. Nada mais sugestivo e simbólico já que o dia 10 de novembro de 1937 era a data da inauguração do Estado Novo de Getúlio Vargas. Álvaro Maia fazia assim sua homenagem como interventor do Estado à época. O bairro Parque 10 leva como herança a data dessa nossa história republicana. Onde funcionava a sede social e festiva foi adaptada para a instalação do “Memorial” em 1991.

Resgate do cântico destruído “O Memorial” se encontra na atualidade totalmente destroçado: sem telhas, paredes dilapidadas à marreta. E o mato viçoso serpenteando por entre os escombros. As colunas intactas porque foram confeccionadas em tempos não descartáveis. O acervo precioso teve como destino os caminhos arteiros de Mefistófeles. Lugar não sabido e ignotu. Todas as cidades do mundo tem seus vultos históricos, seus poetas – maiores, suas figuras queridas. A casa de “Chico Chavier”, a de Cora Coralina, a do “Padim Cícero”, a de Juscelino Kubitschek, a casa de madeira de Abraham Lincoln... Isso é a impressão digital de um povo. Única. Para destruí-la, somente com a aquiescência deste. Principalmente quando feito com verba pública, pulverizada por egos incultos e mesquinhos. Os que possuem genuíno compromisso com Manaus pedem o retorno do pássaro solitário (Salmo 101). Aquele cujo canto ecoa há 90 anos de fé e esperança e palavras que ainda hoje poderiam ser proferidas por permanecerem vivas. Seu texto – poema, servirá para conhecimento da atual geração e também para estudos, análise da personalidade e do poder criativo do superlativo poeta das terras de Humaitá. Vejo nas ruínas do Parque 10 a vontade imensa de uns poucos, em jogar sal em nossas memórias. Para que aí nada mais germine e nada mais cresça...

Álvaro Maia fez seu discurso no Teatro Amazonas

O atual bairro Parque 10 de Novembro ainda como balneário na época que foi inaugurado por Álvaro Maia

Parte interna do Memorial Álvaro Maia onde se vê seu acervo


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MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

RESENHA

Sexo, violência e muito sangue PERFIL

CÉSAR AUGUSTO* Equipe EM TEMPO

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César Augusto, é jornalista, editor do DIA A DIA e cinéfilo

ventualmente, no meio cinematográfico, estilos “adormecidos” são resgatados em novas produções. Foi assim que Eli Roth resgatou o “gore” com “O albergue” (Hostel), em 2005, e sua sequência de 2007. E, de algum modo, o cineasta ainda trouxe o velho discurso um tanto quanto moralista que relaciona sexo e perversão à punição na história de jovens mochileiros que, na busca por prazeres inconfessáveis e aventuras sexuais ilimitadas, se deparam com uma estranha organização cujo objetivo é satisfazer o sadismo alheio com torturas afligidas aos desventurados rapazes e moças, em um espetáculo de violência que termina sempre na morte da vítima. É assim que os norte-americanos Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Dereck Richardson) e o islandês Oli (Eythor Gudjonson) são seduzidos pela ideia de garotas fáceis e sexo sem limites em uma pequena cidade da Eslováquia, onde conhecem um albergue indicado para Paxton por um viajante, para onde são levados por três “recrutadores”. Nos pri-

meiros dias, há muita diversão e garotas fáceis, até que Oli desaparece com uma das jovens hospedadas. Em busca do amigo, descobrem que os hóspedes são sequestrados e levados a um edifício onde acontece um comércio sádico: pessoas ricas pagam para torturar e matar lentamente os jovens hospedados no albergue, em um festival de sadismo e morte que acaba envolvendo os dois rapazes. O filme não poupa cenas bizarras de mutilações e violência. Em um dos momentos mais bárbaros, Paxton se esconde em meio aos cadáveres de outras vítimas e testemunha o destino dado aos corpos, que são esquartejados e queimados em uma fornalha. Mas a trama gira em torno dos jovens e sua luta para escapar do edifício, enquanto que a sequência amplia a situação quando coloca o foco nos

agressores. Nessa segunda parte, vemos o que aconteceu com Paxton no final do primeiro filme e conhecemos as novas candidatas às torturas, as estudantes Beth (Laura German), Lorna (Heather Matarazzo) e Witney (Bijou Philips), convencidas em Roma a ir ao mesmo albergue por Axelle (Vera Jordanova), amiga dos primeiros “recrutadores” que foram alvo da vingança do rapaz sobrevivente. Sem saber, acabam tendo suas vidas leiloadas por ricaços sádicos, como Todd (Richard Burgi) e Stuart (Roger Bart), para quem as motivações vão da pura adrenalina à vingança virtual contra uma esposa opressora. Enquanto Beth mantém-se distante do assédio dos homens – e até de Axelle -, Witney é a desvairada insaciável, e Lorna, a jovem tola e virgem – esta, ao ceder aos encantos de um eslovaco, é a primeira

vítima da fábrica de morte, em uma sequência horripilante na qual é amarrada de cabeça para baixo e mutilada por uma “cliente” que se banha em seu sangue. Ou seja, é a melhor evidência da relação sexo e punição do primeiro filme. Ao contrário do primeiro filme, cujo final já é de se esperar, a sequência tem uma reviravolta muito interessante com inversão de papéis – quase uma banalização da natureza perversa humana oculta nas aparências. Por isso considero a continuação superior ao original, ao fugir das situações previsíveis. Uma terceira sequência, sem Eli Roth na direção, foi feita alguns anos depois, diretamente para DVD. As duas partes de “O albergue” mexem com os nervos e não são indicadas para quem se impressiona facilmente. O “gore” voltou em grande forma. Quem aprecia o estilo não se decepciona.

Em duas partes, “O albergue” é um resgate do estilo “gore”, de sangria desatada, que marcou o cinema de terror nas décadas de 1980 e 1990”

PROJETO DIVULGAÇÃO

Serginho Queiroz faz show hoje O projeto Arte no Parque, desenvolvido pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), apresenta hoje, a partir das 10h, no Parque do Mindu, o show do cantor amazonense Serginho Queiroz. Esta é a quarta edição do projeto, que acontece todo primeiro domingo de cada mês no anfiteatro do Parque Municipal do Mindu, no Parque 10, com a proposta de levar atividades artísticas e culturais para a unidade de conservação como mais uma opção de lazer e entretenimento para os frequentadores. Nesta edição, o projeto acontece excepcionalmente no segundo domin-

go do mês, dia 10, devido à realização do Dia D de Luta contra os Resíduos Sólidos, no último dia 3. Carreira Dono de uma voz límpida e um canto forte, Serginho Queiroz lançou recentemente o CD Serginho Queiroz – Perfil para marcar os 20 anos de carreira profissional. O disco traz uma coletânea dos seus trabalhos com canções de compositores regionais e nacionais. Vencedor da edição do Festival de Calouros do Sesc realizada em 1994, Serginho conta que gosta de cantar desde a infância. No repertório da apresentação, composições de Paulo Marinho e Gonzaga Blantz, Eliana Printes, Adonai Barreto, Celdo Braga e Osmar Oliveira, Adria-

na Calcanhoto, Zé Ramalho e Caetano Veloso. Em 1999, Serginho Queiroz venceu o Festival Universitário de Música como melhor intérprete. No ano 2000, além de ficar em terceiro lugar do Festival da Canção de Itacoatiara, gravou seu primeiro CD ao vivo no Teatro Amazonas através do projeto Valores da Terra da Fundação Municipal de Cultura Villa Lobos, intitulado “Essa Voz Que Canta Em Mim”, com repertório construído a partir das composições mais conhecidas dos compositores amazonenses. Este CD foi selecionado pelo premio TIM da Música Brasileira, disco que mereceu menção honrosa do júri. O segundo CD “A Montanha e A Chuva”, que foi lançado em 2004, com repertório de MPB.

Premiado e destaque na noite local, o cantor participa do projeto Arte no Parque


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–Rebate

TV Tudo DIVULGAÇÃO

Band marca data para Galisteu A estreia do reality “Quem quer casar com meu filho?”, na Bandeirantes, com Adriane Galisteu, está confirmada para o dia 6 de janeiro, às 22h30. Será exibido nas férias do “CQC”. O programa está na prateleira da emissora há algum tempo e correu até o risco de não ser apresentado.

Tudo na mesma A Bandeirantes não está programando a exibição de nenhum especial em dezembro. A ordem que já existe é continuar com a grade normal. A exceção atenderá pelo nome de Danilo Gentili na passagem do ano. E só. Inferno astral Passaram a ser uma raridade as festas de aniversário nas novelas. Dificilmente se vê alguém

apagando velinhas. Tudo isso para dizer que a do César, Antônio Fagundes, em “Amor à Vida” deve estar próxima. Está num inferno astral daqueles. Já faz vários capítulos que não dá nada certo com ele. É uma notícia ruim atrás da outra. BBB A estreia do novo “Big Brother” está entre 7 e 14 de janeiro. A Globo ainda não anuncia de forma oficial. Internamente, no entan-

to os trabalhos indicam para o dia 7, a primeira terça-feira do mês. Lançamento Os programas da rádio Bandeirantes, “Na Geral”, do Beto Hora, Lélio Teixeira e José Paulo da Glória, e o “Esporte em Debate”, Leandro Quesada e Alexandre Praetzel, irão transmitir o lançamento do livro do Milton Neves. Será amanhã, a partir das 19 horas, no Centro de Convenções Frei Caneca.

‘ESPORTE ESPETACULAR’ DIVULGAÇÃO

• A madrugada também entrou em questão na direção da Bandeirantes... • ... As opiniões estão bem divididas quanto ao horário que será ocupado pelas igrejas do Valdomiro e Edir Macedo... • ... Alguns entendem que eles devem se dividir entre 3 e 6 da manhã, enquanto outros acham que o ideal é das 2 às 6... • ... No meio de tudo existe a questão do dinheiro. O que está pesando é essa horinha a mais ou a menos e a quantidade que entrará ou deixará de entrar no caixa. • Naldo Benny também estará no projeto do “Sai do Chão”, da Globo, no começo do ano que vem. • O Viva chama atenção para o próximo “Damas da TV” com Susana Vieira. No programa, como sempre, ela não economiza nas palavras... • ... E ela traça um paralelo interessante sobre as novelas de ontem e de hoje. No ar, quarta-feira, às 21 horas. Vai concorrer com “Amor à Vida”.

Autoras negam redução de novela Apesar de “Joia Rara”, novela das seis da Globo, receber uma boa conceituação da crítica, a sua audiência ainda não corresponde a expectativa. O Ibope, desde a sua estreia, continua dando sustos. Preocupa. DIzem até que a novela corre sério risco de ser encurtada. Bem, se alguém tomou essa decisão, esqueceu de avisar as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes. Mas elas dizem que nada mudou.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini O IETV - Instituto de Estudos de Televisão - vai realizar, pela 9ª vez, o Festival Internacional de Televisão - FITV, entre 11 e 14 de novembro, no Oi Futuro Ipanema, Rio. O envento é considerado o maior acontecimento do gênero na América Latina. Então é isso. Tchau!

Márcio Braz E-mail: novoasilva@yahoo.com.br

A dramaturgia de Benjamin Lima - 1

Na foto, Thalita Rebouças, Fernanda Gentil, Christiane Fernandes e Glenda Kozlowski

Mulheres para falar de futebol A análise dos melhores lances da rodada do futebol ganharão um olhar feminino a partir deste domingo, no “Esporte Espetacular’’ (Globo). A jornalista Fernanda Gentil, a atriz Christine Fernandes, a escritora Thalita Rebouças e a apresentadora Glenda Kozlowski vão se reunir em um bate-papo descontraído no quadro “Bolsa Redonda’’. “Não queremos falar de futebol como os homens falam. A mulher sempre analisa o lado mais emocional da partida’’, comenta Christine. O quadro também pretende explicar algumas regras do esporte para o teles-

COMENTÁRIOS

As convidadas pouco entendem de futebol, mas a ideia é ter bate-papo descontraído no quadro “Bolsa Redonda’’ para falar do esporte, além de outros assuntos como família

pectador. “A ideia é ajudar as mulheres a entender do assunto. Mas isso não impede que os homens também aprendam. Muitos deles têm vergonha de assumir que não sabem de futebol’’, diz Fernanda Gentil.

Do grupo, Thalita Rebouças é a única que não entende do esporte. “Minha dúvida pode ser a da telespectadora, que poderá interagir com o programa pela internet.’’ Segundo Glenda Kozlowski, a reunião das mulheres vai render outros assuntos. “A gente fala bastante, então, assuntos familiares e até dicas de beleza vão se misturar aos gols da rodada’’, descreve a apresentadora. No quadro, elas ainda vão eleger o jogador mais bonito no “As Minas Piram’’ e mostrar imagens divertidas dos jogos no “Ah, Gente, que Fofo’’ e no “Só que Não’’.

O dramaturgo e jornalista paraense Benjamin Lima se muda definitivamente de Manaus para o Rio de Janeiro em 1919 em busca de tratamento. Sua doença, tabes dorsalis, oriunda de uma sífilis mal curada, se agravara. Esta mudança de ares pode ser entendida como uma espécie de resistência ao “açoite da morte” – agora, ao que parece, agindo de forma incisiva sobre ele – haja vista a urgência em se transferir bruscamente para a capital do país à procura de tratamento. É justamente neste momento de dor e angústia que Benjamin Lima escreve a sua primeira peça teatral e, portanto, se torna um autor dramático. Sérgio Miceli nos sugere que, muitas vezes, a conversão a carreira de escritor pode muito bem ser explicada por aspectos pessoais ligados, por exemplo, a doenças. O que se pretende dizer é que não é exatamente a doença que transforma Benjamin Lima em escritor, e sim, as condições de vida que ela impõe. Tonteira, cansaço físico, e a dificuldade de ficar em pé, por exemplo, são alguns dos sintomas provocados pela Tabes Dorsalis, portanto, o ingresso na carreira intelectual/literária é feito em resposta as dificuldades de Benjamin Lima em enfrentar atividades que demandassem grande esforço físico. Como no faz crer alguns relatos de seus contemporâneos, a ideia de ídolo, exemplo de vida, de homem aguerrido, de um intelectual que “Viveu toda a sua vida – vida de sofrimento físico sem pausa – para a única alegria: a alegria de ler e escrever ultrapassa os limites dos comentários fraternos e

transparece em sua dramaturgia. A incessante luta de Benjamin Lima contra a doença incutiu em suas peças teatrais temas como traição e vingança, elegias à razão e à eloquência, já que as vinganças são sempre muito bem planejadas e executadas, convertendo-se em atos positivos em favor dos heróis. Em “A revolta do ídolo”, Carlos Edmundo, escritor, 29 anos, está prestes a receber um prêmio literário por seu último livro. No entanto, esta notícia gera um sentimento de culpa, melancolia, transformando-o num homem “taciturno”, depressivo. É então que nos é revelada uma carta escrita pelo seu irmão, Mário Edmundo, e que justifica o motivo de tal sentimento: Mário havia cometido suicídio motivado pela infelicidade de ver em Carlos Edmundo o artista que nunca conseguira ter sido. Para completar, Carlos fica sabendo por Juvenal, “agente de informações secretas”, da traição de sua mulher com Cláudio e, a partir daí, maquina uma vingança que se consuma no terceiro ato: escreve um livro de baixa qualidade, impresso em outra gráfica, e o põe na livraria de nome Daniel. Manda distribuir um boletim cujo conteúdo informava a todos que o verdadeiro literato, na verdade, era seu irmão, Mário Edmundo, de quem havia roubado os originais das obras e mandado editar com seu nome. A intenção de Carlos era provocar um sentimento de vergonha na esposa adúltera, fazendo-a ser apontada por todos como a mulher de um “pobre de espírito, um cretino”.

Márcio Braz* ator, diretor, membro do Núcleo de Antropologia Visual da Ufam (Navi) e do Conselho Municipal de Política Cultural

Sérgio Miceli nos sugere que, muitas vezes, a conversão a carreira de escritor pode muito bem ser explicada por aspectos pessoais ligados, por exemplo, a doenças”


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MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

Programação de TV

GLOBO

DIVULGAÇÃO

SBT 3H05jornal da semana SBT

3H45bíblia em foco

10H05 pé na estrada

4H50 amazônia rural

4H igreja universal

4Hsanto culto em seu lar

10H30 minuto do futebol

5Hpesca alternativa

4H30desenhos bíblicos

10H35 copa petrobras de marcas

6H brasil caminhoneiro

7Hdesenhos bíblicos

6H30 aventura selvagem

8Hamazonas da sorte

7H30vrum

9Hrecord kids

8H sorteio amazonas da sorte

10Hdomingo da gente

10H30 temperatura máxima

9Hdomingo legal

13H15o melhor do brasil

13H30 futebol 2013 - ao vivo

13H10 esquenta

13H

17H30domingo espetacular

15H50 terceiro tempo

15H futebol 2013h campeonato brasileiro

17Hroda a roda jequiti

21Htela máxima

18H oscar – desenho

17H domingão do faustão

17H45 sorteio da telesena

23H15programação iurd

6H00 globo rural 6H55 auto esporte 7H30 esporte espetacular

18H45 fantástico 21H10 sai de baixo 22H40 domingo maior: 0H20 sessão de gala:

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ

10H irmão caminhoneiro

3H50 santa missa em seu lar

5H30 pequenas empresas, grandes negócios

Regina Casé comanda o “Esquenta”, hoje, na TV Globo

RECORD

eliana

11H30 de olho no futebol 11H35 band esporte clube 13H golh o grande momento do futebol

18H10 caçadora de relíquias

18H programa silvio santos 22H de frente com gabi

19H só risos

BAND

21H pânico na band

23Htrue blood 0Hdivisão criminal/ the closer 1Hcidade do crime// southland

1H50 corujão i

2H20 big bang

3H35 festival de desenhos

3H igreja universal

Cinema

0H canal livre

4H igreja mundial 4H50 popeye 5H local 8H30 mackenzie em movimento 8H45 infomercial – polishop 9H45 verdade e vida

1H minuto do futebol 1H40 show business - reapresentação 2H15 igreja mundial

Cruzadinhas

ESTREIA

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Bom momento para pagar o preço necessário - em dinheiro, tempo ou esforço - para solucionar antigos problemas. Um momento de alívio, satisfação e reequilíbrio pessoal.

REPRODUÇÃO

TOURO - 20/4 a 20/5 Bom momento para valer-se de recursos materiais para se desvencilhar de pequenos problemas. Use o que tem de melhor para cuidar da saúde e corrigir deficiências. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 As barreiras encontradas para o desenvolvimento profissional são superadas de modo particularmente feliz. Ideias criativas darão novo colorido ao trabalho. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Boa fase para os estudos, atividades intelectuais e culturais. Novos projetos e ideias criativas são bem vindos. Mas há mais por acontecer, antes que a situação se defina. LEÃO - 23/7 a 22/8 Bom momento para desenvolver o trabalho, por meio da participação ou apoio de outras pessoas. Pode haver mais recursos disponíveis. Os resultados ajudam a resolver dívidas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Momento estimulante para as relações humanas, a cooperação e a relação a dois. As novas ideias devem ser trabalhadas em conjunto para se ter o melhor resultado. LIBRA - 23/9 a 22/10 Mercúrio e Júpiter indicam melhor condição no trabalho e nas finanças. Você pode contar com facilidades vindas de outras pessoas ou situações. A saúde e o humor são positivos. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 A expressão dos sentimentos amorosos está positivamente estimulada. Momento para dar vazão ao romantismo e à imaginação criativa, valendo-se da boa habilidade mental. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 A rotina em sua casa e os cuidados familiares estão hoje beneficiados. Momento para ser criativo nestes assuntos, abrindo as portas para melhorias significativas. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Grande momento na comunicação afetiva. A expressão dos sentimentos resultará em momentos felizes junto às pessoas queridas. Inspiração artística, poética e pictórica. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Os negócios estão beneficiados pelo bom aspecto do dia. Facilidade para comerciar e fazer acordos vantajosos para ambos os lados. Momento para fortalecer o patrimônio. PEIXES - 19/2 a 20/3 A conversa com bons conselheiros é uma maneira positiva de compreender melhor o que se passa consigo mesmo. Será suficiente para delinear em linhas gerais a direção futura.

Bons de Bico: EUA. Livre. Nessa hilária comédia para todas as idades, é obcecado por uma missão: salvar todos os perus do planeta. Já Reggie é engraçado, inteligente e geralmente tem medo de tudo! Juntos, esse dois perus, formarão uma dupla inusitada que terá que colocar de lado suas diferenças, viajar no tempo, mudar os rumos da história e impedir que os perus se tornem o prato tradicional do Natal. Cinemark 4 – 12h30, 14h50, 19h50 (3D/dub/diariamente), Cinemark 5 - 11h20 (dub/exceto sexta-feira), 13h50, 16h10, 18h30, 20h50 (dub/diariamente); Cinépolis 3 – 12h50, 15h20, 18h30, 21h35 (dub/diariamente), Cinépolis 4 – 12h30, 14h50, 17h, 20h (3D/dub/diariamente); Playarte 8 – 12h40, 14h40, 16h40, 18h40 (dub/diariamente), Playarte 9 – 13h40, 15h40, 17h40, 19h40, 21h40 (dub/diariamente), 23h40 (dub/somente sexta-feira e sábado). DIVULGAÇÃO

Capitão Phillips: EUA. 14 anos. Capitão Phillips é uma análise complexa do sequestro do cargueiro norte-americano, Maersk Alabama, em 2009, por uma tripulação de piratas somalis. Por meio das objetivas especiais do diretor Paul Greengrass, é ao mesmo tempo um thriller emocionante e um retrato complexo dos vastos efeitos da globalização. O filme se concentra na relação que se estabelece entre o comandante do Alabama, o capitão Richard Phillips (o vencedor de dois Oscars, Tom Hanks), e o comandante pirata somali, Muse (Barkhad Abdi), que o toma como refém. Phillips e Muse se veem numa rota de colisão irreversível quando Muse e a sua tripulação tomam por alvo a embarcação desarmada de Philips. No impasse que se segue, 235 quilômetros ao largo da costa da Somália, ambos os homens se verão à mercê de forças que fogem ao seu controle. Cinemark 2 – 12h10, 15h10, 18h, 21h10 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 14h35, 17h40, 20h50 (leg/diariamente); Playarte 10 – 12h50, 15h30, 18h10, 20h50 (leg/diariamente), 23h30 (leg/somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES

Thor 2 – O Mundo Sombrio: EUA. 10 anos. Cinemark 1 – 12h50, 15h30, 18h10, 21h (dub/diariamente), 23h50 (dub/exceto domingo), Cinemark 4 – 17h10, 22h10 (3D/dub/diariamente), Cinemark 6 – 11h (dub/exceto sexta-feira), 13h20, 16h, 18h40, 21h30 (dub/diariamente), Cinemark 7 – 12h, 14h40, 17h30, 20h20 (3D/ dub/diariamente), 23 (3D/dub/exceto domingo); Cinépolis 1 – 16h25, 22h5 (3D/dub/diariamente), 13h35, 19h15 (3D/leg/diariamente), Cinépolis 5 – 14h, 19h10 (3D/dub/diariamente), 16h35, 22h10 (3D, leg/diariamente); Cinépolis 8 – 14h30, 17h10, 19h45, 22h20 (dub/diariamente), Cinépolis 9 – 13h15,

16h, 18h45, 21h20 (leg/diariamente); Playarte 1 – 12h, 14h15, 16h30, 18h45 (3D/dub/diariamente), 21h (3D/leg/diariamente), 23h15 (3D/leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 5 – 13h, 15h30, 18h, 20h30 (dub/diariamente), 23h (dub/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 13h01, 15h31, 18h01, 20h31 (dub/diariamente), 23h01 (dub/ somente sexta-feira e sábado), Playarte 7 – 13h50, 16h20, 18h50, 21h20 (leg/diariamente), 23h40 (leg/somente sexta-feira e sábado). Tá Chovendo Hambúrguer 2: EUA. Livre. Cinemark 3 – 12h40, 15h, 17h20, 19h40, 22h (dub/dia-

riamente); Playarte 4 – 13h, 15h, 17h (dub/diariamente). Meu Passado Me Condena: BRA. 12 anos. Cinemark 8 – 11h30 (exceto sexta-feira), 14h, 16h30, 19h10, 21h50 (diariamente); Cinépolis 7 – 13h, 15h35, 18h10, 20h40 (diariamente); Cinépolis 10 – 14h15, 16h50, 19h20, 21h50 (diariamente); Playarte 3 – 12h50, 14h55, 17h, 19h05, 21h10 (diariamente), 23h15 (somente sexta-feira e sábado), Playarte 4 – 19h06, 21h11 (diariamente), 23h16 (somente sexta-feira e sábado). Gravidade: EUA. 12 anos. Cinépo-

lis 4 – 22h30 (3D/leg/diariamente); Playarte 2 – 17h40, 19h35, 21h30 (leg/diariamente), 23h25 (leg/somente sexta-feira e sábado). Serra Pelada: BRA. 14 anos. Cinépolis 6 – 16h15, 22h (diariamente). O Conselheiro do Crime: EUA. 16 anos. Cinépolis 6 – 13h30, 19h (leg/diariamente); Playarte 2 – 13h, 15h20 (leg/diariamente). Silent Hill - Revelação: EUA. 16 anos. Playarte 8 – 20h40 (leg/diariamente), 22h45 (leg/somente sextafeira e sábado).


Plateia Pla

FOTOS: JANDER VIEIRA

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::::: Sala de Espera

Jander Vieira Elma e o deputado Francisco Souza

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Viva, Souza!

Giuliane Souza e o bambino Keven

O competente advogado Eduardo Ribeiro

Suely Batista e Francisco Honorato

Lino Chíxaro e Paula Soares estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna.

Vereador Amaury Colares e sua Valdeth

Com festa surpresa pilotada pela mulher Elma, o deputado Souza ganhou jantar no La Parrilla. Noite que reuniu amigos, colaboradores, sua adorável família e o espírito de Deus, creia. O aniversariante é daquelas pessoas que transpiram o bem, é querido, conquistou respeito e admiração da classe política e cativa público por ser um verdadeiro amigo – raro nos dias de hoje.

O aniversariante e seus fiéis escudeiros: Rafael Cantuário, Elaine Santiago, Alessandra Moraes e Fernando Guimarães, da nova e competente safra de jornalista da cidade

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Monica Santaella abre os portões da casa do Parque 10 para celebrar seu aniversário reunindo a família e os amigos mais chegados. A cantora gospel Jorgina Batista

Marco Antônio e sua Keula e o divertido Kalebe

O viaduto Ayrton Senna, localizado entre as avenidas Mário Ypiranga e Djalma Batista (em frente a Unip), foi o escolhido pelo projeto Arte e Juventude nas Ruas para receber grafites de 12 artistas locais que estão colorindo o espaço com pinturas abordando temáticas regionais. Em família, a desembargadora Marinildes Mendonça de Lima ganhou ontem sessão parabéns intimista, no endereço da Ponta Negra.

Cléo, Jonathas e Anderson Vieira

A linda família do festejado aniversariante

::::: Aterrissagem

::::: Puro malte

::::: Ho ho ho

A solenidade que marcou a inauguração das lojas Novo Mundo em Manaus foi um sucesso. O evento que congestionou a loja da Autaz-Mirim, em frente ao shopping Grande Circular contou com a presença do diretor-presidente da rede, Carlos Luciano Martins Ribeiro, dos governadores do Amazonas, Omar Aziz, e de Goiás, Marconi Perillo, além dos principais diretores da empresa, que possui mais de seis mil trabalhadores diretos e 200 lojas espalhadas pelo Brasil. Aplausos!

Amanhã, na chique Adega do Castelinho, o grupo Top Internacional reúne os amantes do bom uísque para uma noite de degustação. Trata-se do lançamento dos single malts da Distilerry Glenfilddich, às 18h30, com presença do expert Christiano Protti – o embaixador da marca no Brasil.

A tradicional decoração de Natal do Amazonas Shopping foi inaugurada, com a presença do Papai Noel, que ganhou toque mágico especial a partir de uma parceria com a Coca-Cola. Com a temática “O Natal em família acontece no Amazonas Shopping”, a decoração conta com vários personagens tradicionais da época, como os ursos polares, boneco de neve e rena. A novidade fica por conta da interatividade, já que os personagens são animatrônicos (com movimentos que parecem reais) e se espalham por espaços lúdicos de paradas obrigatórias para o público.

A linda Maria Carolina Assi Alencar vai ganhar sessão début do tipo moderna e chique no próximo dia 29, no Dulcila da Ponta Negra. Merci pelo convite. No dia 19, o Ceros Restaurante vai comandar almoço dos mais concorridos para celebrar seus 19 anos de sucesso.


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Plateia

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Capa

Ilustração com carimbos de Andrés Sandoval

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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1

Quem matou JFK?

2

Mora na fisiologia

E outras indicações culturais. Pág. 2

Por que ‘pemedebismo’ rima com ‘lulismo’. Pág. 3

Estado de bem-estar tropical

Arrecadação e gasto postos na balança. Págs. 4 e 5

4

Diário de Washington

5

Do arquivo de Antonio Silvio Lefèvre

No país da piada política pronta. Pág. 6

China, 1966. Pág. 7


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 13 INDICAÇÕES

BRASILEIRO

DIVULGAÇÃO

EXPOSIÇÃO | ALDO BONADEI A galeria Almeida e Dale homenageia os 40 anos de morte do pintor (1906-74), que se completam em janeiro, com mostra de 30 de suas obras. Em conjunto, os trabalhos ilustram a pesquisa plástica que norteou a trajetória de Bonadei, da feição quase acadêmica do início ao pioneirismo no desenvolvimento da arte abstrata no Brasil. de seg. a sex., de 9h às 19h; sáb., de 10h às 13h | grátis | até 6/12

HQ | REMY O jornalista Diogo Bercito, correspondente da Folha em Jerusalém, e a ilustradora Julia Bax contam a história de um garoto com bronquite asmática que, ao morrer, se depara com um gato falante que habitava seu pulmão. O gibi é uma produção independente da dupla. R$ 25 | 60 págs. | lançamento na quarta (13), durante o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em Belo Horizonte

LIVRO | VINTE CENTAVOS As manifestações lideradas pelo Movimento Passe Livre que resultaram na revogação do aumento de 20 centavos das passagens de transporte público em São Paulo são o tema do livro. O trabalho analisa a atuação do poder público, da imprensa, dos partidos e da polícia durante os protestos. de Elena Judensnaider, Luciana Lima, Marcelo Pomar e Pablo Ortellado | Veneta | R$ 29,90 | 240 págs.

CINEMA | TATUAGEM O primeiro longa de ficção dirigido por Hilton Lacerda enfoca a relação amorosa entre o diretor de um grupo teatral e um jovem militar no Recife dos anos 1970. Política e sexo (em certos momentos beirando o explícito) se fundem no filme, que ganha relevo pela direção precisa de Lacerda e pelo ótimo elenco, com destaque para Irandhir Santos , no papel do líder da trupe. estreia nacional na sexta (15) WALT SISCO/COPYRIGHT BETTMANN/CORBIS/ ASSOCIATED PRESS

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OLHARES PARA KENNEDY

Um dos momentos mais conhecidos da história dos EUA, o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy completa 50 anos no próximo dia 22. A efeméride inspirou uma série de lançamentos. A pedido da Ilustríssima, Carlos Eduardo Lins da Silva, editor da versão brasileira da “Columbia Journalism Review”, selecionou o melhor do que já se produziu, em filme, livro e música, sobre JFK.

POP

ERUDITO

‘Dia e Noite’, pintura de Bonadei

1 - ‘JFK – A Pergunta que Não Quer Calar’ (1991; em DVD por R$ 19,90): o filme de Oliver Stone sobre as dúvidas a respeito do assassinato é o mais popular e influente produto cultural sobre JFK. 2 - ‘O Herói do PT-109’ (1963): lançado quatro meses antes do assassinato, com Cliff Robertson no papel de Kennedy, este filme ajudou a reforçar a mitologia do presidente ao mostrar seu heroísmo na Segunda Guerra Mundial.

1 LIVRO | ANATOMIA DE UM ASSASSINATO Em livro recém-lançado nos EUA, Philip Shenon, repórter do “New York Times” por 20 anos, escarafuncha os bastidores da investigação do crime e traz à tona aspectos pouco conhecidos da morte do presidente. Com base em depoimentos inéditos, descreve uma complexa teia de pistas falsas, conchavos e tentativas de encobrir o caso, por vezes tão mirabolantes quanto um romance policial. trad. George Schlesinger, Jairo Arco e Flexa, Pedro Maia Soares e Pedro Sette-Câmara | Companhia das Letras | R$ 64,50 | 688 págs.

JFK e Jacqueline, em desfile pelas ruas de Dallas, pouco antes de o presidente ser morto

LIVRO | OS ÚLTIMOS DIAS DE JOHN F. KENNEDY O livro tem escopo mais amplo do que dá a entender seu título, e retrata os pontos-chave das intensas vida e carreira política do 35º presidente americano. Trabalho a quatro mãos do apresentador de TV e comentarista Bill O’Reilly e do escritor Martin Dugard, o livro, lançado em 2012 nos EUA, já vendeu 2 milhões de exemplares e foi publicado em mais de 20 países. trad. Otávio Albuquerque e Janaína Marcoantonio L&PM | R$ 39,90 | 336 págs.

LIVRO | STEPHEN KING Os mistérios que cercam a morte de Kennedy eram um tema à procura do mestre da literatura de terror. No romance ‘Novembro de 63’, um professor de 35 anos é transportado para o passado com a missão de impedir o assassinato do presidente. Munido de farta pesquisa sobre o cenário político e cultural dos anos 1960, King faz do eterno desejo de modificar o passado uma fábula de horror. trad. Beatriz Medina Suma das Letras | R$ 79,90 | 736 págs.

ESTRANGEIRO

3 - ‘Uma Vida Inacabada – John F. Kennedy 1917-1963’ (2004; Bertrand, Portugal; R$ 44,30): o livro de Robert Dallek é a melhor biografia de Kennedy já publicada. 4 - ‘Mil Dias – John Fitzgerald Kennedy na Casa Branca’ (1966; Civilização Brasileira): o mais importante relato do governo JFK foi escrito pelo historiador, e também assessor do presidente, Arthur M. Schlesinger Jr. 5 - ‘Abraham, Martin and John’ (1968): canção de Dick Holler, imortalizada na versão de Ray Charles, é a homenagem mais famosa em música ao presidente.

Folha.com QUADRINHOS Confira imagens da HQ de Diogo Bercito, correspondente da Folha em Jerusalém

Ilustríssimos desta edição ARQUIVO PESSOAL

André Sandoval, 39, artista plástico e ilustrador. Antonio Silvio Silvio Lefèvre, 70, é sociólogo, editor e livreiro. Interpretou o personagem Pedrinho na primeira adaptação do ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’ para a TV, em 1952, na Tupi. Charles Bernstein, 63, poeta americano públicou no Brasil ‘Histórias da Guerra: Poemas e Ensaios’ (Martin Fontes). Claudius Ceccon, 75, é arquiteto e cartunista. Elisa Von Randow, 38, é designer e ilustradora.

Fernando Rodrigues, 50, é repórter especial da Folha na Sucursal de Brasília. Gustavo Patu, 43, é repórter especial da Folha na Sucursal de Brasília. Marcelo Coelho, 54, é articulista da Folha. Mario Kano, 48, é editor-adjunto de Arte da Folha. Raul Juste Lores, 38, é correspondente da Folha em Washington. Régis Bonvicino, 58, poeta é autor, entre outros, de ‘Estado Crítico’ (Hedra).

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha >>folha.com/ilustrissima


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Especial República CRÍTICA

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Os ‘ismos’ e o poder Da luta à representação de classes RESUMO Marcos Nobre, professor de filosofia da Unicamp, sintetiza a política brasileira a partir da ideia de “pemedebismo”, que designa a fisiologia e a resistência aos movimentos sociais. O conceito poderia ser empregado à recomposição do PT a partir da vitória de Lula, tema do professor de ciência política da USP André Singer.

MARCELO COELHO

Na abertura de “Imobilismo em Movimento - Da Abertura Democrática ao Governo Dilma” [Companhia das Letras, R$ 36, 208 págs.], Marcos Nobre diz que o livro é dedicado “às

Revoltas [de Junho de 2013]”. Assim mesmo, com maiúsculas: as Revoltas de Junho. Há outras maiúsculas subentendidas no ensaio analítico deste professor de filosofia da Unicamp e excolunista da Folha. Mereceria maiúsculas, por exemplo, o conceito que fundamenta toda a avaliação de Nobre a respeito do funcionamento político brasileiro. Tratase do que ele chama de “pemedebismo”, algo mais amplo e insidioso do que o mero “peemedebismo”, com dois “E”. Marcos Nobre não faz referência apenas ao conjunto de práticas e discursos do velho PMDB; praticamente todos os partidos se incluem nessa entidade, cujos intuitos e estratagemas justificariam, a rigor, que Nobre empregasse a caixa-alta: o Pemedebismo. Estamos diante de “uma cultura política que se estabeleceu nos anos 1980 e que, mesmo se modificando ao longo do tempo, estruturou e blindou o sistema político contra as forças sociais de transformação”. Embora o livro de Nobre seja, no geral, muito legível e interessante, vale prestar atenção

nessa frase, algo enrolada. Uma “cultura política” blinda o “sistema político”? Uma coisa estaria agindo sobre a outra? Qual das duas? Ou seria o “sistema” que cria uma “cultura”? Poderíamos entender o “pemedebismo” como um conjunto de fenômenos conhecidos: fisiologia, fraqueza partidária, resistência aos movimentos sociais. Mas quais as causas, as origens, os porquês desse fenômeno? Ou esse fenômeno é causa e origem de tudo? Por mais antiquado que possa parecer, não conheço modo melhor para explicar essa “blindagem” do que o recurso a conceitos de inspiração marxista, algo que o livro tende a evitar. Se não quisermos dar às classes sociais o papel de agentes, de responsáveis pelo surgimento do “pemedebismo”, seria preciso provar que o “pemedebismo” sufocou não apenas as reivindicações da esquerda mas também as do empresariado industrial, do agronegócio, dos banqueiros. Será? Mas, quando se afirma que uma “cultura política” fechou o caminho para reivindicações sociais, pressupõe-se que os se-

tores financeiro, agroexportador e industrial, provavelmente nessa ordem, andaram levando a melhor. Em vez de apontar para esses setores, o que talvez lhe valesse a crítica de maniqueísmo, Marcos Nobre prefere atribuir ao “Pemedebismo” o papel de personagem principal de seu drama. Do lado oposto, sufocada durante 20 anos, mas renascida com as Revoltas de Junho, estaria a “Voz das Ruas”. Só que acabamos em outro maniqueísmo, afinal, e um bocado mais vago; ironicamente, o esquema de “Imobilismo em Movimento” lembra a retórica do velho PMDB (o bom, o peemedebista com dois “E”) no tempo das lutas “do povo” contra o “regime”. Tudo corre o risco de parecer reclamação de torcedor: se nosso time perdeu, o resultado não é legítimo. Como, no jogo da democratização, os movimentos sociais foram derrotados, eis um sinal de que o sistema político não é democrático o suficiente. Não deixa de ser verdade. Há pouca participação popular, muitos parlamentares se

voltam apenas para o enriquecimento pessoal, campanhas custam caríssimo, a manipulação dos marqueteiros substitui qualquer debate. Lembro que as próprias classes dominantes estão longe de se sentir satisfeitas com seus políticos; no mínimo, desejariam que estes cobrassem menos pelo serviço. Pode ser que seus interesses não estejam sendo atendidos plenamente; mas isso não quer dizer que não estejam sendo atendidos. Reconstrução Estas críticas pontuais ao livro de Marcos Nobre não fazem justiça ao conjunto, que é principalmente uma reconstrução histórica tão aguda quanto apaixonada das principais decisões de governo nos últimos 20 anos no Brasil. As teses básicas, e alguns trechos literais, de “Imobilismo em Movimento” são retomadas em “Choque de Democracia” [Breve Companhia, R$ 4,99 ], breve livro eletrônico que Marcos Nobre escreveu em pleno entusiasmo com as manifestações de junho. Entusiasmo e apaixonamen-

to são coisas admiravelmente expurgadas de “Os Sentidos do Lulismo - Reforma Gradual e Pacto Conservador” [Companhia das Letras, R$ 29,50, 280 págs.], do cientista político e colunista da Folha André Singer. Ex-porta-voz da Presidência no primeiro mandato de Lula, Singer é capaz de analisar “a frio” a atuação dos petistas no poder. A principal tese do livro, demonstrada com estatísticas eleitorais na dose certa, já é bastante conhecida a esta altura. Desde a democratização, a política brasileira teve uma característica curiosa: quanto menor a sua renda, mais o eleitor votava nos candidatos de direita. A simpatia pela esquerda, e pelo PT em geral, sempre foi maior nos setores mais instruídos, mais urbanizados e mais ricos da sociedade. Uma recomposição, entretanto, ocorreu a partir da vitória de Lula em 2002. As políticas de aumento do salário mínimo, de Bolsa Família e crédito consignado tiveram o condão de “popularizar”, pela primeira vez, a base eleitoral do metalúrgico de São Bernardo.


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Especial

REPO

3 Toma cá, dá lá A máquina de arrecadar e a máquina de gastar RESUMO No dia 15, a República brasileira chega aos 124 anos e experimenta a versão tropical do Estado de bem-estar social. Desigualdade e pobreza diminuem no jovem país, mas a um alto custo: apesar de a carga tributária consumir mais de um terço da renda nacional, o Estado é deficitário, e o crescimento econômico, anêmico.

GUSTAVO PATU INFOGRAFIA MARIO KANNO ILUSTRAÇÃO ANDRÉS SANDOVAL

“A expansão do gasto público na área das políticas sociais clássicas constitui uma exigência mínima de uma sociedade democrática”, sentenciava o histórico programa partidário. Não se tratava de um documento do PT, ainda jovem naquele final de 1982. Intitulado “Esperança e Mudança” – antecipando em duas décadas e meia os lemas do americano Barack Obama – e apresentado como “uma proposta de governo para o Brasil”, o texto foi publicado na “Revista do PMDB”. Inspirado pelas experiências da social-democracia europeia e pela crise da ditadura militar, o partido lançava a pedra fundamental do que viria a ser a principal obra da história recente da República brasileira: a versão tropical do Estado de bem-estar social. A explosão da dívida externa havia sepultado o crescimento econômico vendido como milagroso pelos militares, e uma bandeira caía no colo dos adversários do regime: era hora de enfrentar, por meio da ação social do poder público, a escandalosa desigualdade entre ricos e pobres. É curioso que, enquanto ganhava impulso no Brasil, o ideário social-democrata se enfraquecia na Europa. Cinco anos antes fora dado à luz o manifesto “A Correta Abordagem da Economia”, do Partido Conservador britânico, que consagrava o que se convencionou chamar de neoliberalismo. O panfleto apresentava o diagnóstico e a agenda que seriam aplicados por Margaret Thatcher: os excessos

do gasto público exigiam impostos extorsivos, inibiam a ambição individual e paralisavam a economia; deveriam ser corrigidos com privatização e livre mercado. Depois que o PMDB passou de maior partido de oposição a maior partido governista da redemocratização, ideias neoliberais e social-democratas nativas travaram o maior de muitos duelos na elaboração da Constituição de 1988. As primeiras se abrigavam em um bloco parlamentar heterogêneo apelidado pejorativamente de “Centrão”; as segundas já haviam batizado um partido, o PSDB, dissidência da navemãe peemedebista. Ingovernável “Carta deixa país ingovernável, diz Sarney”, foi a manchete da Folha em 27 de julho de 88, com o relato de um pronunciamento dramático do então presidente em cadeia de rádio e TV, no qual se antevia uma “brutal explosão de gastos públicos”. No começo do mês, o jornal havia noticiado que, com as imposições constitucionais, as despesas da Previdência poderiam saltar para Cz$ 1,6 trilhão – volume de cruzados, moeda da época, equivalente a 4% do Produto Interno Bruto. Líder do PSDB no Senado, Fernando Henrique Cardoso respondia que os benefícios aprovados eram “o mínimo”. Já presidente da República, tentou inutilmente conter os gastos previdenciários, que hoje rondam a casa de 7% do PIB. Entre os direitos estabelecidos na Carta, estava o piso de um salário mínimo para os benefícios, inclusive para trabalhadores rurais que nunca contribuíram; assistência a idosos e deficientes de baixa renda; e acesso universal aos serviços públicos de saúde. Suécia “Vamos discutir o tamanho do Estado? É um bom debate”, dizia o secretário da Receita Federal. “Na Suécia, a carga [tributária] é de 50%, e o Estado oferece tudo; nos Estados Unidos, a carga é menor, e o cidadão paga tudo; no Brasil, há essa desigualdade de renda”. O ano era 2007, e Jorge Rachid, um dos principais tecnocratas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, tentava convencer uma comissão de deputados a prorrogar a CPMF. A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, ou “imposto do cheque”, havia sido criada em caráter temporário para financiar a saúde – e àquela altura era destinada também à Previdência e à assistência.

O argumento se valia do fascínio exercido na classe política nacional pelo modelo do “Estado que oferece tudo”, cujo exemplo mais lembrado é o sueco. O país escandinavo é um dos poucos no planeta capazes de fazer parecer modesta a carga brasileira de impostos e contribuições sociais. Se lá os cidadãos entregam metade de sua renda ao governo, aqui a conta fica pouco acima de um terço. As receitas e despesas públicas no Brasil são quase

O PMDB lançava a pedra fundamental da principal obra da história recente da República: a versão tropical do Estado de bem-estar social

incomparáveis, se considerados os parâmetros do mundo emergente. Como exemplo, podemos nos limitar ao peso que têm, em diferentes economias, os programas de proteção social – nome dado a mecanismos de inclusão social e de combate à pobreza, como o Bolsa Família. Na modelar Suécia, estimase que os gastos em proteção social consumam 21,5% do PIB. No Brasil, a parcela é de 12,5%. Os EUA, contraexemplo de Rachid, colocam na área 9,2%. E o México gasta só 2,8% do PIB no setor. Na história do Brasil republicano, é notável o salto dos gastos públicos dos anos 1990 para cá. A carga não passava de 10% do PIB no início da República; um século depois, estava na casa dos 25%; em pouco mais de uma década dividida entre os governos FHC e Lula, saltou para 35%. Hiperinflação Em seus primeiros anos, o Estado de bem-estar tropical foi diluído em uma hiperinflação

Temores neoliberais e esperanças socialdemocratas se confirmaram: o país não reencontrou o crescimento duradouro

que corroía o valor dos benefícios, o que permitia ao governo fechar suas contas. Depois que o Plano Real civilizou a alta dos preços, os impostos subiram. Temores neoliberais e esperanças social-democratas se confirmaram: a economia não reencontrou o caminho do crescimento acelerado e duradouro, mas a concentração de renda finalmente entrou em trajetória de queda. Tensões se acumulam entre os dois polos ideológicos à medida que os movimentos políti-

cos oscilam entre um e outro. Tucanos e petistas, em meio a acusações, elevaram gastos e privatizaram, criaram programas sociais e elevaram os juros para conter a inflação. O Bolsa Família é um exemplo de vitória discreta do pensamento liberal que defende ações focadas nos mais miseráveis em vez das políticas sociais clássicas preconizadas no documento do PMDB. Uma das responsáveis pelo manifesto, a mais tarde petista Maria da Conceição Tavares, chamou de “débeis mentais” os economistas da Fazenda do primeiro mandato de Lula que defenderam a focalização do gasto social. A agenda social do PT, ao chegar ao Planalto, era ambiciosa e incluía a ampliação das políticas universais e da reforma agrária; sua principal marca, porém, acabou sendo a opção mais barata. O debate nos meios político e acadêmico em torno dos programas mais decisivos para a redução da pobreza e da desigualdade segue ainda hoje.


G5

MANAUS, DOMINGO, 10 DE NOVEMBRO DE 2013

República

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Municípios são novas estrelas da federação GUSTAVO PATU

Odorico Paraguaçu vestia o paletó às pressas quando recebia um telefonema do governador. Mas se a novela “O Bem-Amado” (1973) se passasse hoje, o prefeito de Sucupira talvez não se mostrasse tão reverente: estaria acostumado a tratar diretamente com a Presidência da República de assuntos relativos a creches, postos de saúde e Bolsa Família. Até o célebre cemitério que pretendia inaugurar poderia receber verbas de algum convênio com o governo federal. Prefeitos com mais verbas e poderes são a mais recente inovação do federalismo brasileiro, cuja história se confunde com a da República. Em contrapartida, os Estados se encontram enfraquecidos. “As Províncias do Brasil, reu-

A redemocratização ensina que, se pode tornar o país ingovernável, a expansão do gasto social tem sido a garantia da governabilidade

Dilma Rousseff, com menos dinheiro à disposição que Lula, optou por privilegiar educação e Bolsa Família. Tolerância Em 2007, aprovada pela Câmara, a CPMF não conseguiu os necessários três quintos do Senado e foi extinta. Para Samuel Pessôa, professor de economia e colunista da Folha, a derrota sinalizou que a tolerância da sociedade ao aumento da carga tributária não é infinita. Nos anos seguintes, as des-

pesas públicas e o bem-estar social se mantiveram em alta graças a um já esgotado ciclo de prosperidade mundial que favoreceu o país, escreve Pessôa em “O Contrato Social da Redemocratização e seus Limites”, publicado há um ano. Em entrevista, Pessôa opinou que o próximo governo pode ser obrigado a lidar com uma repactuação desse contrato, seja com a revisão da política de valorização do salário mínimo, seja com uma nova rodada de alta de impostos. A ofensiva do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, pela elevação do IPTU pode funcionar como balão de ensaio para a segunda opção, “se ele não se machucar muito”, especula o pesquisador da Fundação Getulio Vargas (RJ). Previsões de que o aparato de proteção social levará a um colapso das contas públicas têm sido contestadas por estudiosos como Eduardo Fagnani, da Unicamp. “O projeto inspirado nos valores do Estado de bem-estar social foi progressivamente

tensionado de 1990 em diante. Abriu-se um novo ciclo de contrarreformas antagônicas à cidadania social recém-conquistada”, escreveu em artigo para a revista petista “Teoria e Debate”. A argumentação seguida por Fagnani identifica os juros pagos aos credores da dívida pública, entre os mais altos do mundo, como a real ameaça à estabilidade fiscal e a origem de interesses contrários à expansão da seguridade. O mais novo embate se dá em torno das transformações demográficas do país. Um lado calcula que o envelhecimento da população levará à multiplicação das já generosas despesas com aposentados; o outro atribui à recuperação da economia o papel de produzir a receita necessária. Debate econômico à parte, a política da redemocratização ensina que, se pode tornar o país ingovernável, a expansão do gasto social tem sido a garantia da governabilidade – mais ou menos como uma aliança com o PMDB.

nidas pelo laço da Federação, ficam constituindo os Estados Unidos do Brasil”, estabelecia o segundo artigo do decreto número 1 de 1889, o inaugural da era republicana. Sob óbvia inspiração da bem-sucedida experiência norte-americana, procurava-se levar a sério a ideia de Estados autônomos para formular as próprias leis e cuidar de sua administração, a ponto de seus governantes serem chamados inicialmente de presidentes. Um século depois, o Brasil seria mais original, ao decidir alçar também os municípios à categoria de entes federativos, em um modelo inédito de autonomia local. Na prática, as cidades ganharam um Executivo, um Legislativo e o fim da tutela dos Estados. Em termos ainda mais concretos, houve uma multiplicação do número de prefeituras e câmaras municipais, mais atribuições e mais recursos. Segundo levantamento do economista José Roberto Afonso, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, desde a Constituição de 1988, os municípios elevaram de 13,3% para 18,5% sua participação nas receitas públicas do país – via arrecadação própria e repasses obrigatórios feitos pelas instâncias estadual e federal. No mesmo período, a fatia dos Estados no bolo tributário caiu de 26,6% para 24,6%. Nessas contas não entram as crescentes verbas transferidas voluntariamente da União e dos Estados para os municípios. “Cada vez mais há uma ponte direta entre

governo federal e governos locais, sem envolver os Estados; em federações tradicionais, isso é impossível ou proibido”, observa Afonso. Guerra Se a lógica federativa supõe a cooperação entre seus entes para promover políticas públicas e desenvolvimento econômico, há algo de anormal na experiência brasileira. Basta dizer que o principal tema de discussão entre os governadores do país é a guerra fiscal: a disputa entre os Estados pela atração de investimentos por meio de incentivos tributários. Sem conseguir chegar a um acordo em torno de uma política que deprime sua capacidade de arrecadar, os Estados acumulam outros contenciosos, como a repartição dos tributos arrecadados pela União e das receitas esperadas com o petróleo do pré-sal. “O que quebrou os Estados foi a crise dos anos 1990”, diz o cientista político Antonio Lassance, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Naquela década, o endividamento excessivo dos governos estaduais foi solucionado por um socorro financeiro federal. Desde então, os Estados são devedores da União e precisam se submeter às exigências da credora. Novas dívidas, por exemplo, com o sinal verde do Tesouro Nacional. O poder e a autonomia dos Estados oscilaram ao longo da história republicana. O papel centralizador da União foi exercido de maneira mais notória em dois períodos autoritários, o Estado Novo de Getúlio Vargas e a ditadura militar. Para Fernando Rezende, pesquisador da FGV, vive-se hoje no Brasil, pela primeira vez, um momento de centralização com democracia, ainda que o espírito da Constituição tenha sido o de radicalizar a descentralização. Segundo seu raciocínio, a mesma crise orçamentária dos anos 90 forçou o governo federal a reforçar suas receitas a fim de cumprir as metas fiscais impostas pelo Fundo Monetário Internacional. Para tanto, os tributos escolhidos foram aqueles que não são repartidos com os Estados e municípios, em especial as contribuições destinadas a sustentar a rede de programas de proteção social. Enquanto interrompia o espalhamento de receitas, a União passou também a encabeçar a definição de políticas públicas – “uma série de decisões que vão amarrando as mãos dos administradores estaduais e municipais”, nas palavras de Rezende. O Bolsa Família, por exemplo, tem gestão compartilhada, na teoria, pelas três esferas de governo; todas as regras do programa, no entanto, são definidas em Brasília.


G6

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Diário de Washington O MAPA DA CULTURA

4 Política é coisa séria? Humoristas dominam debate público nos EUA

RAUL JUSTE LORES

As manhãs de domingo são o horário favorito da TV americana para tratar de política. Todos os grandes canais abertos (e os principais da TV paga) têm mesas- redondas com deputados, ministros, comentaristas e lobistas. A tradição, criada em 1947 com o “Meet the Press”, o programa mais antigo em atividade nos EUA, está ameaçada. Audiências têm caído, o público, envelhecido, e os convidados, com seus cabelos acaju e ternos acima do tamanho, se repetem por todos os canais. Em contraponto, a política tem ganho terreno em outros horários da grade. Desde o início deste ano, duas das maiores audiências entre os “talks shows” de fim da noite são de comediantes que tratam quase exclusivamente do tema. Jon Stewart, com o pro-

grama “The Daily Show”, e Stephen Colbert (“The Colbert Report”) são líderes entre o público de 18 a 49 anos. As duas atrações, do canal pago Comedy Central, têm deixado para trás figuras históricas como David Letterman e Jay Leno, das grandes redes abertas CBS e NBC. Mas a maior sensação atual na TV americana, em termos de política, se chama Bill Maher. O militante ateísta comanda o programa “Real Time with Bill Maher”, que vai ao ar nas noites de sexta-feira na HBO norte-americana. A atração já recebeu figuras distintas como o escritor Salman Rushdie e o cientista Richard Dawkins, o jornalista Glenn Greenwald e o cineasta Oliver Stone. Maher, também produtor da série “Vice” (que andou levando os Harlem Globetrotters à Coreia do Norte), faz barulho defendendo posições como o fim do embargo a Cuba e ironizando

o juiz da Corte Suprema que disse que o diabo existe. Seus monólogos ao final do programa, chamados de “new rules”, se tornaram imperdíveis para o público que, para se informar sobre o poder, trocou os políticos pelos humoristas. Fusão latina Quem não sofre com perda de público e tem filas de políticos querendo aparecer em seus programas é a Univision, rede famosa pela programação em espanhol. Mas, como a imigração latino-americana encolheu nos últimos anos, o grupo tem cobiçado a geração de filhos de migrantes já nascidos nos EUA e que têm no inglês seu primeiro idioma. Em parceria com a rede ABC, a Univision criou recentemente um canal para esse grupo, pretendendo, de quebra, atrair uma fatia do público jovem em geral, que anda deixando a TV aberta. Lançado há duas semanas, o “Fusion” já chega a 20 mi-

lhões de lares americanos. O céu é o limite A capital dos EUA tem atraído milhares de jovens que cresceram nos subúrbios vizinhos de Maryland e Virginia, mas que pretendem morar em áreas centrais, mais agitadas e caminháveis. O problema é um só: espaço. As cidades-dormitório possuem 5 milhões de habitantes, enquanto em Washington só há 650 mil pessoas. Com isso, o metro quadrado encareceu muito, e o governo quer mudar uma das características históricas da cidade: o limite de altura das construções. Desde 1910, a legislação determina que a altura dos prédios não ultrapasse a largura das ruas e avenidas. Com poucas exceções, os edifícios em ruas secundárias não superam os 27 metros de altura (9 andares) e, em avenidas, 40 metros (13). A lei foi criada depois

da inauguração do polêmico (e pavoroso) Hotel Cairo, de 1894, que tem 50 metros. A prefeitura pretende aumentar o limite em 25%, mas só o Congresso americano pode aprovar a mudança. Fluxo e refluxo Depois que protestos pela morte de Martin Luther King, em 1968, provocaram a destruição de bairros inteiros da cidade, a capital assistiu a um êxodo da população branca para os subúrbios, e diversas áreas centrais se tornaram de maioria negra. O retorno dos jovens dos subúrbios brancos para áreas centrais está mudando a composição étnica de Washington. Logan Circle, por exemplo, que tinha maioria negra, tornou-se terreno de restaurantes caros, gays e de juventude branca. No contrafluxo, muitas famílias negras e latinas estão migrando para os subúrbios. A proporção de negros na cidade, que em 1980 chegou a ser de 70%, hoje é de 49,5%.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

5 Viagens às terras do nunca mais China, 1966 ARQUIVO PESSOAL

Antonio Silvio Lefèvre, em Paris, durante manifestações de maio de 1968

ANTONIO SILVIO LEFÈVRE

Em 1964, ano do golpe militar, levado pela generosidade e ingenuidade juvenis a fazer bobagens, eu, um estudante de medicina na USP, fui parar no Tiradentes – presídio por onde mais tarde passaria a futura presidente Dilma Rousseff – e acabei exilado em Paris. A experiência de estar ali naquele momento se revelaria extremamente enriquecedora. Não apenas por ter-me permitido estudar na Sorbonne e morar com o “pai adotivo” Antonio Candido (então lecionando lá), mas por ter vivido a revolta que partiu de Paris em maio de 68 para contaminar o mundo. Nada, porém, foi mais enriquecedor do que as viagens que pude fazer, a partir de Paris, para destinos ao leste de Berlim, nada recomendados a qualquer brasileiro que temesse ficar com a “ficha suja”. A mais emocionante de todas foi a mais extrema: com jovens de vários países, sendo eu o único brasileiro, fui à China. Era agosto de 1966 quando deixamos Paris de trem e chegamos a Moscou. O conflito sino-soviético estava no auge e, enquanto visitávamos a cidade, acreditamos ter sido seguidos por agentes da KGB, desconfiados de que fôssemos espiões a serviço dos chineses. Ao longo de uma semana viajando de trem, vimos comboios militares repletos de

armas, em plena guerra do Vietnã. Recebidos como heróis pelos chineses – afinal, poucos ocidentais iam até lá –, no primeiro dia fomos conhecer a Universidade de Pequim. Qual não foi a nossa surpresa ao chegar lá e dar de cara com uma manifestação de estudantes, incompreensível para nós. Nossos guias, estupefatos, não conseguiam nos explicar o que acontecia. À noite nos levaram para jantar num restaurante de especialidades do sul da China. Mal havíamos comido o primeiro prato quando uma multidão enfurecida começou a gritar na porta. Um dos guias foi conversar com eles e, ao voltar, nos explicou: “São discípulos do presidente Mao Tse-tung e vieram aqui para fechar este restaurante, símbolo de privilégios burgueses. Em respeito aos camaradas estrangeiros, porém, esperarão que terminemos o jantar.” Sem esquecer a sobremesa, saímos depressa de lá – bem a tempo de vê-los entrar e quebrar tudo. Nos dias seguintes, cenas estranhas se desenrolaram, tanto em Pequim quanto em Xangai: desfiles pelas ruas, com pessoas acorrentadas e com chapéus de bruxa, sendo insultadas e torturadas pelos jovens manifestantes de fitas vermelhas nos braços. Eram os guardas da Grande Revolução Cultural Proletária, desencadeada então pelo presidente Mao, cujo livrinho vermelho de ensinamentos eles ostentavam como pequenas bíblias. “O presidente Mao vai lhes explicar tudo pessoalmente”, nos anunciou com orgulho

o guia-chefe, marcando nossa visita ao Grande Timoneiro para o dia seguinte. Ao chegarmos à Cidade Proibida, que abrigava a sede do governo, nos informaram de que o encontro com Mao não seria possível. Fomos recebidos por Chen Yi, ministro do Exterior, intelectual que falava francês correntemente. Chen Yi explicou-nos então que a Revolução Cultural havia sido posta em marcha por Mao para combater o perigo revisionista e o risco da restauração do capitalismo na China. O ministro aproveitou para nos informar que havíamos sido convidados pelos camaradas vietnamitas a visitar os subterrâneos de sua guerra – assim poderíamos dar testemunho ao mundo de sua luta contra o imperialismo ianque. Para nossa sorte, na véspera da visita programada, houve intensos bombardeios americanos nos locais aos quais nos destinávamos. Os chineses, por precaução, resolveram cancelar o “passeio”. Não fosse isso eu talvez não estivesse aqui para contar essa história, ou a história da deposição de Chen Yi, e depois a da prisão de Jiang Qing, mulher de Mao, e a do fim da Revolução Cultural, com a vitória do capitalismo (de Estado) na China. Mas tudo isso aconteceria vários anos depois, quando nós, testemunhas do momento histórico, já tínhamos perdido, havia tempo, as nossas ilusões esquerdistas. O que sobrou foi o relato das viagens de um estudante sonhador às terras do nunca mais.


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EM TEMPO - 10 de novembro de 2013