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HUDSON FONSECA

ROUPAS

PESQUISA

Jaraqui tem mais Ômega 3 que salmão

Elenco dá dicas do uso correto das roupas com listras, as estampas oficiais do verão, que continuam em alta. Elenco 19 e 20

Peixe do Amazonas tem maior concentração de gordura saudável para consumo humano, além do atum e sardinha. Dia a dia C5

MÁRIO OLIVEIRA

Como evitar erros no uso das listras

ANO XXIV – N.º 7.609 – MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES - DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO - PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00

Há 20 anos CPIs acabam em pizza Equipe do EM TEMPO realizou levantamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e constatou que, nas últimas duas décadas, ferramentas como as CPIs obtiveram poucos resultados concretos em suas investigações. Política A5 e A6

POLÊMICA

Lei Seca fica fragilizada em nova decisão do STJ

37.790

vagas de emprego

WALLACE TEIXEIRA/AE

SHANA REIS

THIAGO QUEIROZ/AE

Supremo Tribunal de Justiça afirma que exames clínicos e testemunhas não servem para comprovar o desrespeito à lei. Dia a dia C5

MÁRIO LÚCIO

DHAVID NORMANDO/AE

‘Ibama está com limitações em seus poderes’ ARQUIVO SENADO FEDERAL

Com a Palavra A7

CLÁSSICO VOVÔ

Flu e Bota em duelo pela sobrevivência no Carioca Partida será decisiva para que as duas equipes continuem sonhando com o título do segundo turno do Campeonato Carioca. Lance! 3

25 ANOS

Missa lembra morte de Arthur Virgílio Filho Última Hora A2

Concorra a 10 cestas de Páscoa Veja os detalhes da promoção em Dia a dia C8


A2

Opinião/Última Hora

Contexto 3090-1017/8136-7324

contexto@emtempo.com.br

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

Missa relembra os 25 anos sem Arthur Filho

Morto no dia 31 de março de 1987, um dos políticos mais influentes da história do Amazonas recebeu homenagens ontem, na Catedral de Manaus

F

Sistema “Zona Azul” terá concessão de 15 anos O prefeito Amazonino Mendes (PDT) assinou e publicou, no Diário Oficial do Município (DOM) da última sexta-feira (30), o decreto que regulamenta a lei que institui o Sistema de Estacionamento Rotativo Pago, o “Zona Azul”. Pela regulamentação, a empresa ganhadora da licitação assinará um contrato de concessão de 15 anos, podendo ser prorrogado por mais 15 anos, “desde que considerado satisfatório o padrão de desempenho na prestação ao longo do período contratual”. A área de abrangência do Zona Azul compreende 48 ruas, sendo 37 delas no Centro de Manaus e outras 11 no Vieiralves. Nenhum carro poderá ficar estacionado por mais de duas horas e cada hora custará ao motorista a quantia de R$ 2. A permanência do motorista no carro não desobriga o pagamento da tarifa, segundo a regulamentação municipal. FISCALIZAÇÃO Apesar da concessão do serviço passar a ser de uma empresa privada, a fiscalização será da Prefeitura de Manaus. Será da prefeitura, também, o papel de organizar, gerenciar e fiscalizar a concessão para a exploração dos estacionamentos rotativos. FATURAMENTO Segundo a prefeitura, o faturamento com o pagamento da concessão ao poder público será integralmente revertido à sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação no trânsito. LICITAÇÃO Com a regulamentação do sistema “Zona Azul”, a prefeitura já pode realizar a licitação para a escolha da empresa que será responsável pela implantação do novo sistema de estacionamento rotativo na cidade. ELOGIOS Na última sexta-feira (30), durante cerimônia com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e o secretário nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, o governador Omar Aziz (PSD) e o senador Eduardo Braga (PMDB) trocaram vários elogios. Braga falou que Omar é um excelente governador. Omar disse que Braga poderá ajudar muito o Amazonas como líder do governo no Senado. NADA DE FESTA Omar também aproveitou para criticar abertamente os prefeitos do interior, principalmente aqueles que correm para a sede do governo para pedir verbas para a realiza-

ção de festas temáticas no interior. Segundo ele, algumas festas nem representam a produção rural do município. “Tenho coisas mais importantes para me preocupar”, disse. GUERRA O coordenador do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (Cao-Crime) do MPE, promotor Fábio Monteiro, esteve em Coari e revelou que há uma sensação de insegurança. Ele disse que o clima entre os políticos é de “guerra”. SEGURANÇAS Monteiro disse que os vereadores e alguns secretários chegam a andar com seguranças, chamando a atenção da população. SOLIDARIEDADE A primeira-dama do Estado, Nejmi Aziz, estará em Iranduba, na terça-feira (3), para executar o programa “Escola Solidária”. Presidente Figueiredo, Itacoatiara e Manacapuru também estão na lista.

APLAUSOS

VAIAS

Escola

Lélio Lauria

Para a Escola Estadual Daisaku Ikeda, Jorge Teixeira 4, que reutiliza lixo eletrônico para ajudar no ensino da matemática.

Para Lélio Lauria, que pediu exoneração da Sejus após divulgação de imagens de festa em presídio.

SENADO FEDERAL/ARQUIVO

amiliares e parentes ex-senador da República, Arthur Virgílio Filho, estiveram reunidos na noite de ontem, na Catedral de Manaus, para participar de uma missa dedicada a um dos políticos mais influentes da história do Amazonas morto há exatos 25 anos, no dia no dia 31 de março de 1987. Filho do desembargador Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro e de Luiza da Conceição do Carmo Ribeiro, o principal legado deixado por Artur Filho foi estimular a participação da família na vida pública: seu filho Arthur Vírgilio Neto é ex-senador da República, sendo eleito o senador mais influente de 2010 e o seu neto, Arthur Vírgilio Bisneto é, atualmente, deputado estudual do Amazonas. Culto, orador dos mais destacados que já passaram pelo Congresso Nacional, Arthur Filho foi também jornalista, trabalhando, durante muitos anos, em A Gazeta, de Manaus. Foi fundador e principal estimulador do Aeroclube do Amazonas.

O político Arthur Virgílio Filho morreu dia 31 de março de 1987, há exatos 25 anos

Vida pública dedicada ao AM Arthur Filho foi deputado estadual por três legislaturas, tendo sido líder de oposição e de governo, além de presidente da Assembleia Legislativa, secretário de Economia e Finanças e de

CRIME

Interior e Justiça. Foi deputado federal entre 1959/1962, ocupando a primeira vice-liderança e a liderança do seu partido, o PTB de João Goulart e Leonel Brizola. Eleito senador para a legislatura

HAITI

Suspeito de assaltos em série é preso na Zona Sul Investigadores da Delegacia Especializada em Prevenção Repressão a Entorpecentes (Depre) prenderam Maykel Freitas da Silva, 29, conhecido como “Maykinho”, suspeito de ter cometido vários crimes na cidade. A prisão ocorreu por volta das 21h da última sexta-feira no CDC do bairro Santa Luzia, Zona Sul. De acordo com chefe

de Investigação da Depre, Carlos Brito, havia dois mandados de prisão contra “Maykinho” de homicídio e assalto. O preso é suspeito de comandar os arrombamentos a caixas eletrônicos registrados no ano passado, entre eles, no Centro Universitário Luterano de Manaus (Ulbra), Shopping Center, na Zona Leste.

Cerimônia para os militares Aconteceu na manhã de ontem (31), no 1º Batalhão de Infantaria de Selva, a formatura de desmobilização dos militares recém-chegados do Haiti. A solenidade, que tinha como objetivo maior devolver os militares, que ficaram oito meses em missão no Haiti, a seus familiares, contou com a participação do General de brigada Franklimberg Ribeiro, responsável pelo preparo dos militares. “Estamos muito orgulhosos de poder colaborar com mais essa missão humanitária em um país que foi devastado após o terremoto , precisava de nós e cumprimos a missão”, disse o general.

ARTHUR VIRGILIO FILHO 25º ANO DE FALECIMENTO MISSA DE AÇÃO DE GRAÇAS Arthur Virgilio Neto, Ana Luiza do Carmo Ribeiro Carelli, Julio Verne de Mattos Pereira do Carmo Ribeiro, Ricardo Arthur de Mattos Pereira do Carmo Ribeiro, Maria Goreth Garcia do Carmo Ribeiro, Ruy Carelli, Helena Demes do Carmo Ribeiro, Arthur Virgilio Bisneto, Larissa Meirelles do Carmo Ribeiro, Nicole Georgina Arduini do Carmo Ribeiro, Juliano Garcia do Carmo Ribeiro, Ana Carolina Garcia do Carmo Ribeiro, Aruza do Carmo Ribeiro Carelli, Ricardo Alves do Carmo Ribeiro, Henrique Arduini do Carmo Ribeiro Brito, Arthur Virgilio Meireles do Carmo Ribeiro, Julia Meireles do Carmo Ribeiro e demais parentes e amigos, convidam para a missa de Ação de Graças pela passagem do 25º Ano do falecimento do grande brasileiro que, em vida, se chamou ARTHUR VIRGÍLIO DO CARMO RIBEIRO FILHO.

Local: Catedral Metropolitana de Manaus (Igreja da Matriz) Data: 31 de Março de 2012 – SÁBADO Hora: 19:00 Antecipadamente agradecem àqueles que comparecerem a este ato de fé e piedade cristã.

1963/1971, acumulou a liderança trabalhista com a do governo do presidente Goulart. Presidia o Instituto Nacional da Previdência Social (antigo INPS), quando morreu.

PESCADO

Confusão na ‘Tenda do Peixe’ Um desencontro de informações gerou confusão, ontem (31), na abertura da “Tenda do Peixe”, em frente ao Ginásio Amadeu Teixeira, Zona Centro-Sul. A população foi pega de surpresa ao se deparar com a falta dos peixes populares no valor de R$ 1 o quilo, conforme estava sendo divulgado nos veículos de comunicação. Em nota, o governo do Amazonas esclareceu que os do projetos “Tenda do Peixe” e “Peixe Popular”, mantidos pela Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror), funcionam de maneira distinta e em locais diferentes. Ainda segundo a nota, na tenda os valores dos pescados variam entre R$ 6 a R$ 40, dependendo do tamanho e da espécie. Já o “Peixe Popular”, que funciona em caminhões que circulam pelos bairros, o peixe é comercializado pelo valor de R$ 1, o quilo. Emerson Castro, 34, funcionário público, conta que saiu cedo do bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, para comprar os peixes para Semana Santa. “A gente sai de tão longe e chega aqui só encontra peixe pequeno e caro”, obersvou. A partir de terça-feira, os caminhões do Peixe Popular devem passar pelos bairros Redenção, Jorge Teixeira, Compensa 2, São José 2, Colônia Antônio Aleixo. A “Tenda do Peixe” funcionará até o dia 7 de abril.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

A3

Fala leitor

Editorial

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Uma séria tentativa de não morrer pela boca Na segunda metade dos anos 1970, o cientista Warwick Estevam Kerr aterrissou em Manaus para ajudar na reorganização do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e se encantou com o potencial alimentício (era engenheiro agrônomo de formação) da região, ao mesmo tempo em que desencantava-se com a facilidade dos amazonenses trocarem os alimentos regionais por outros, alienígenas. Kerr sempre reputou que a macaxeira, o cará e a banana pacovão, que sempre frequentaram a mesa amazonense mais ou menos pobre, fossem melhores do que o pão de trigo, por exemplo, uma novidade introduzida nos hábitos alimentares, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, quando a influência dos “aliados” tornou-se hegemônica, qualificando de “subdesenvolvida” ou de “atrasada” toda e qualquer insistência em manter hábitos mais antigos. A valorização da alimentação com produtos nativos está sendo recuperada por uma reportagem que o leitor do EM TEMPO vai ler nesta edição (Caderno Dia a dia, pág. 5), assinada pelo repórter Lucas Prata. Alí, há o reencontro com as pesquisas dos doutores Euler Ribeiro (Universidade do Estado do Amazonas) e Rogério de Jesus (Inpa),em que se constata a longevidade dos habitantes da região de Maués e o perfil nutricional elevado de ômega 3 do popular jaraqui, um peixe comum à mesa dos amazonenses, praticamente durante todo o ano. A ideia das duas linhas de pesquisa é avaliar o teor nutricional e agregar valores das espécies para que componham uma dieta saudável. De acordo com o engenheiro de pesca Rogério de Jesus, no jaraqui, foi encontrada a maior concentração de ácidos graxos, que previnem doenças coronarianas. O marapá possui 20% de gordura, enquanto o jaraqui tem cerca de 2%, e é considerado um peixe semigordo. Esses primeiros resultados podem influir, principalmente no alimento de crianças e jovens, a partir da própria escola, antes que sejam “envenenados” por dosagens letais de gordura. Um retorno às origens pode ajudar a prolongar o presente, o único futuro possível.

É difícil imaginar iniciativa mais inoportuna para o movimento sindical que a campanha contra a contribuição sindical lançada pela CUT na segunda-feira, 26, em Campinas (SP). A proposta, dotada de inegável viés liberal, é polêmica e exclusivista. As outras centrais com maior representatividade entre os trabalhadores e reconhecidas pelo Ministério

do Trabalho (Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central e CGTB) defendem a contribuição, que corresponde ao desconto anual de um dia de trabalho dos assalariados, e repudiam a atitude cutista. Na atual conjuntura, a campanha da CUT é um grave erro histórico, pois desvia a atenção dos trabalhadores das questões principais da pauta nacional e elege como

prioritário um tema que, além de secundário, divide e enfraquece os sindicatos. Nossa expectativa é que os dirigentes cutistas façam uma reflexão crítica e autocrítica sobre o assunto e tenham a sensatez de compreender os prejuízos políticos que a ênfase na ação diversionista causa ao sindicalismo nacional e à classe trabalhadora, pois

queremos a CUT ao lado das outras centrais na árdua batalha para concretizar a agenda da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat). Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Charge elvis@emtempo.com.br

Olho da Rua

Dora Kramer

opiniao@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br ARTHUR CASTRO/AGORA

Ora, ora, quem não deixa de marcar ponto no dia a dia dos brasileiros, dos garis aos senadores: a pizza, que substituiu o samba, que era como tudo acabava. Pois da pizza até a embalagem se aproveita, pois nunca se sabe o que pode cair do céu nesses dias incertos.

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Operação salva-vidas Há quem tenha visto como um golpe fatal na Lei Seca a decisão do Superior Tribunal de Justiça de determinar o teste do bafômetro ou o exame de sangue como as únicas formas de se penalizar a direção perigosa por ingestão de álcool. Na prática talvez ocorra o oposto: a sentença pode acabar funcionando como o empurrão que faltava ao indispensável ajuste para evitar que a legislação vire letra morta em decorrência da perda de seu poder de punição. O STJ explicitou uma situação para a qual o ministro da Justiça vinha alertando. “A mudança é imprescindível porque, da forma como a lei está redigida, não assegura a punição dos infratores e, portanto, pode se tornar inócua”, disse José Eduardo Cardozo em janeiro último. O Congresso, ao seu modo lento e dispersivo, também estava “ligado” no problema, discutindo uma série de projetos em tramitação para corrigir um equívoco de origem: a colisão do texto da lei com a Constituição. Ao estabelecer como parâmetro para punição a existência de um nível x (0,6 grama) de concentração de álcool no sangue do motorista, a lei criou um obstáculo à sua aplicação, pois constitucionalmente ninguém é obrigado a produzir prova contra si e, assim, conferiu legalidade ao ato de recusa ao teste. No início houve um efeito coercitivo. As pessoas temiam as operações policiais de fiscalização e evitavam dirigir quando bebiam. À medida que figuras conhecidas se recusavam a fazer o teste invocando a Constituição, as pessoas foram percebendo que poderiam fazer

o mesmo. Resultado: a Lei Seca começou a correr sério risco de cair no vazio e com isso se perder todo o avanço já conseguido em matéria de mudança de comportamento na sociedade. A proposta que o ministério gostaria de negociar com o Congresso seria a retirada da dosagem de álcool como parâmetro em substituição ao critério da prova testemunhal a fim de levar as pessoas a fazer o teste para produzir prova de defesa e não necessariamente de acusação. Disque-agonia – Instrumento fundamental na interface entre sociedade e autoridades no combate ao crime, o DisqueDenúncia corre sério risco de entrar em processo de extinção. Mantido por doações, de empresas e governos, nos últimos tempos o serviço sofreu uma queda acentuada de aporte de recursos. No Rio de Janeiro, onde começou em 1995 e é responsável pelo esclarecimento de 8% a 10% dos crimes, nada menos que 30 empresários da Federação da Indústria (Firjan) deixaram de fazer doações. Em boa medida pela percepção (equivocada) de que a questão da segurança pública estaria equacionada com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos territórios dominados pelo tráfico de drogas. O governo do Estado, embora reconheça a importância do Disque-Denúncia como auxiliar da polícia e do engajamento da população nesse trabalho, não vem respondendo à altura das necessidades materiais. A situação é crítica: se nada for feito, uma iniciativa bem-sucedida pode resultar em uma oportunidade perdida.

Dora Kramer Jornalista, escreve simultaneamente no jornal “O Estado de S.Paulo”

A Lei Seca começou a correr sério risco de cair no vazioe com isso se perder todo o avanço já conseguido em matéria de mudança de comportamento na sociedade”.


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

A Dama de Ferro e um exemplo a ser seguido

Uma semana santa e rica em ensinamentos

Em uma revista semanal, li que Meryl Streep inicialmente pensou em recusar o papel de Margaret Thatcher que lhe fora oferecido no filme “A Dama de Ferro”, pelo qual, afinal, acabou por levar mais um Oscar de Melhor Atriz, o terceiro em sua brilhante carreira. A disposição para a recusa, segundo declarou a própria, seria consequência da rejeição ao posicionamento político da chamada dama de ferro que, para afixarlhe um rótulo, dir-se-ia de extrema direita, inclusive amiga e anuente do presidente americano Ronald Reagan. A importância que Thatcher teve no mundo, enquanto primeira-ministra do Reino Unido, entretanto, não se deveu ao seu ideário político, ao conteúdo do seu pensamento e das suas convicções, mas sim à sua postura de extrema firmeza, ao destemor com que se posicionava no âmbito do concerto das nações. Ou seja, mais pela forma como atuava, decorrência de um temperamento especial e de um caráter só seu, do que propriamente pela concepção que formou a respeito dos papéis que caberiam ao seu domínio. Foi pela inflexibilidade do caráter que os soviéticos, ao tempo da guerra fria, lhe outorgaram o título de Dama de Ferro. Ao contrário dos políticos que pensam que o papel que lhes cabe é sempre o da transigência, o que os leva à indefinição ideológica e à falta de uma autêntica identidade, o que os torna inconfiáveis, Thatcher, a qualquer custo, era fiel a si mesma e àqueles que nela depositaram sua confiança. Na hora em que a Junta Militar argentina, para capitalizar o apoio político do povo, resolveu invadir as Ilhas Malvinas (Falklands para os britânicos), até os mais fieis aliados, como os EUA, aconselharam Thatcher a fazer um acordo e entregar o arquipélago a Buenos Aires, porque não valia uma guerra, ainda mais de alto custo, pela enorme distância entre o extremo do Atlântico Sul e o mar do Norte. A “Dama de Ferro” a ninguém ouviu, não tergiversou e partiu para reconquistar o território invadido, nem tanto pelo seu valor, mas sobretudo para resguardar a honra e o respeito do Reino Unido, com a firmeza que lhe era peculiar. Entretanto, num momento como este, em que assistimos assustados à decadência moral que se instalou na vida pública brasileira, muitas vezes a contar com a tolerância da própria chefia do nosso governo, há um fato na vida de Thatcher que, para os britânicos, é absolutamente trivial, como deveria ser também para nós, brasileiros. Depois de mais de 11 anos na chefia do governo de um império, a Dama de Ferro chega ao momento de entregar o poder e simplesmente retorna à sua casa de classe média e aos seus afazeres de esposa e de dona de casa, com a maior das dignidades. Que inveja! Não percamos, contudo, toda a esperança. Lembro-me sempre do dia em que, com meu pai, passava em frente ao Banco da Amazônia quando ele me mostrou um homem que trabalhava numa carteira, como qualquer mortal. Simplesmente era Leopoldo Neves (o Pudico), que deixara o governo do Estado havia uma semana.

Iniciamos hoje a Semana Santa com as cerimônias que recordam a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Em nossa igreja teremos palmas bentas nas mãos e, entre cantos e orações, reviveremos aqueles momentos de glória. Em seguida, participaremos da missa cujas leituras bíblicas nos lembrarão que tudo é passageiro, pois cinco dias depois aquele festejado Senhor passaria pela condenação e morte de cruz. Como faz bem saber que a multidão muda conforme a direção do vento! O herói de hoje poderá ser o bandido de amanhã, o líder ovacionado de agora poderá ser xingado em momentos posteriores. Como se enganam os maníacos por grandeza ou fama! Como diz o Eclesiastes, “vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl 1,2). No caminho de Deus muitos estão com Ele enquanto as coisas andam bem e tudo é glória; poucos têm coragem de segui-lo na dureza dos sofrimentos. Na Quinta-Feira Santa, à tardezinha, começaremos as celebrações da Páscoa. Vamos nos reunir para lembrar a última ceia, quando Jesus lavou os pés de seus discípulos, deixou o mandamento do amor fraterno e instituiu a Eucaristia. A lembrança abrangerá também a agonia no Jardim das Oliveiras, a traição de Judas, a prisão e a noite de horrores nas casas de Anás e Caifás. O lava-pés fala fortemente da necessidade de estabelecer na igreja e na sociedade relações não de prepotência, mas de serviço. Quando existe respeito pela dignidade do outro, solidariedade e humildade, desaparecem a violência e as guerras. A Eucaristia é o dom máximo de Deus, que se faz presente e se doa como força na existência humana. Nela se torna atual a entrega de Jesus na cruz em favor de todos. Os sofrimentos de Jesus não se repetirão, mas sua recordação leva-nos a experimentar até onde chega o amor divino por nós. Na sexta-feira, pela manhã, o caminho do calvário ou via–sacra reviverá passo a passo os momentos da paixão, desde a condenação pelo tribunal romano até a ressurreição. Tenho participado por 20 anos dessa procissão e sempre me emociona a fé de nosso povo. Enfrentamos chuvas e até tempestades e lá estavam os fiéis. É um ato de piedade que nos torna mais próximos do Senhor. Não se trata de teatro, mas de mergulhar no mistério de Deus. As 15 horas marcarão o momento de lembrar a morte de Jesus. Será uma cerimônia em que pediremos por todos e todas, leremos a paixão do Senhor escrita por João e veneraremos a cruz que deixou de ser instrumento de morte para tornar-se altar de vida brotada do sangue redentor. Depois, será a oportunidade de recordar o sepultamento do corpo de Jesus com a tradicional procissão do Senhor Morto. Na noite de Sábado Santo para domingo, a certeza da vitória de Jesus sobre a morte e a garantia de que Ele vive povoam os momentos celebrativos. Ressuscitou é o grito dos que sabem que nosso Deus vive e nos faz participar de sua vida. Aí está a Semana Santa com muitos apelos. Vamos celebrá-la?

João Bosco Araújo Diretor-executivo do Amazonas EM TEMPO

A importância que Thatcher teve no mundo se deveu à sua postura de extrema firmeza, ao destemor com que se posicionava no âmbito do concerto das nações”.

Dilma Rousseff disse, em Nova Déli, na Índia, que este é o século de um novo caminho das Índias, em uma referência à rota marítima que levava que passava pelo Brasil, nos tempos da Colônia.

É uma cidade muito carente, que não tem trabalho nem para os brasileiros nem para os haitianos. Mas eles estão confiantes de que se encontrará uma solução e então poderão viajar a outras regiões do país Gilda Carvalho, procuradora federal dos Direitos do Cidadão, cobra que o governo brasileiro acolha os haitianos que estão na fronteira com o Estado do Acre, à espera de ingressar no país.

RENATA LO PRETE

Sob nova direção

Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo Metropolitano de Manaus

O governo paulista antecipará a troca no comando da Polícia Militar, promovendo mudanças nos postoschave da corporação já a partir desta semana. O atual comandante, Álvaro Camilo, irá para a reserva em maio, mas a cúpula da Segurança Pública decidiu acelerar a transição, que deve imprimir novo perfil à PM. Entre os nomes à mesa de Geraldo Alckmin o favorito é César Franco Morelli, hoje à frente da Tropa de Choque. Próximo do secretário Antonio Ferreira Pinto e tido na polícia como “linha dura”, ele liderou a desocupação da reitoria da USP em novembro. Seu efetivo também agiu na cracolândia e no Pinheirinho. Reciclagem Com a saída de Camilo, no cargo desde abril de 2009, a tendência é de substituição gradativa nos 12 postos de comando do organograma da PM.

Na noite de sábado santo para domingo, a vitória de Jesus sobre a morte e a garantia de que Ele vive povoam os momentos celebrativos. Ressuscitou é o grito dos que sabem que nosso Deus vive”.

Ronda tucana Paulo Telhada, que deixou em novembro o comando da Rota, espécie de tropa de elite da polícia paulista, vai liderar grupo de candidatos a vereador do PSDB ligados à área de segurança em São Paulo. Aleluia Sob pressão de prefeitos, que buscam recursos para iniciar obras antes que vigorem as restrições da lei eleitoral, Alckmin libera na quarta pacote de Páscoa que prevê assinatura de 400 convênios com municípios. Padrinho O senador Aloysio Nunes Ferreira, um dos principais aliados de José Serra, é o maior defensor de que o pré-candidato tucano escolha Alexandre Schneider (PSD), de saída da Secretaria Municipal de Educação, como vice em sua chapa. Padrinho 2 Aloysio acha que Schneider anularia a vantagem de Gabriel Chalita (PMDB) e Fernando Haddad (PT) no tema educação. Tô fora Eliana Calmon foi sondada por dois partidos para ser candidata em 2014. Gentilmente, a corregedora do CNJ recusou e avisou que não entrará na vida política. Vai cumprir o mandato, voltar ao STJ e, após a aposentadoria, “cuidar da família”. Calendário O DEM marcou para 13 abril o evento em

que anunciará acordo com os tucanos em Salvador (BA). Antonio Imbassahy deve abrir mão da candidatura em favor de ACM Neto. Na estrada O ex-presidente Lula pediu a senadores do PT que o visitaram na semana passada que organizem um grande ato em Brasília no dia 25 para que ele agradeça o apoio recebido durante o tratamento contra o câncer de laringe. Na estrada 2 Lula irá à capital federal para a estreia do documentário “Pela Primeira Vez”, com bastidores da posse da presidente Dilma Rousseff, produzido por Ricardo Stuckert, fotógrafo do instituto do petista. 220 volts Na conversa com os correligionários, Lula quis saber a situação no Senado e elogiou a condução do partido no caso das acusações contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Os petistas saíram do encontro impressionados com a vitalidade do ex-presidente. Diáspora Ninguém vai tocar no assunto até a eleição, porque não é mais possível mudar de partido. Mas a cúpula do DEM já admite que, após outubro, voltará com força a tese da fusão ou da extinção da legenda, abatida por mais um escândalo de repercussão nacional. Ortotanásia O deputado Ronaldo Caiado (GO) foi incumbido pela direção do DEM de pedir que Demóstenes “facilite” as coisas e peça sua desfiliação do partido.

Tiroteio Demóstenes está duplamente abalado: pelos fatos que a cada dia se agravam e por ter sido abatido pelo mesmo método que ele sempre usou com os outros. Agora virou contra ele.

Frases Vamos criar este corredor entre Brasil e Índia de tal forma que possamos nos orgulhar de termos iniciado uma nova era. (...) Este século 21 é o século dessa nova carreira das Índias

Painel

Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se a morte está na China, eu vou para a Bolívia Luiz Inácio Lula da Silva Silva, ex-presidente do Brasil, afirma, em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, que “estaria morto” se perdesse a voz.

DO LÍDER DO PT NO SENADO, WALTER PINHEIRO (BA), sobre a cobrança que o senador do DEM costumava fazer a políticos investigados pela Polícia Federal.

Contraponto

Pivô da discórdia No auge da crise no Congresso, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) se encontrou com o ministro Aldo Rebelo (Esporte) e não resistiu à provocação: - Você é o responsável pela paralisia da Câmara! Aldo desconversou: Eu? Mas estou licenciado do mandato de deputado! Sim, respondeu Alencar, o “impasse Aldo” está na pauta, com a Lei Geral da Copa, cuja aprovação urgente o ministro defende, e o Código Florestal, cuja versão da Câmara que você relatou os ruralistas querem recuperar... Publicado simultaneamente com o jornal ‘Folha de S.Paulo’


Política

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

A5

Câmara municipal instalou 19 CPIs em quase 20 anos Levantamento feito na casa legislativa mostrou que nenhuma dessas investigações trouxe o resultado esperado

ARQUIVO EM TEMPO/REINALDO OKITA

Os graves problemas do desabastecimento de água é sempre bandeira de políticos, mas o problema nunca se resolveu MEG ROCHA Equipe EM TEMPO

E

m quase 20 anos, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) realizou 19 comissões parlamentares de inquéritos (CPIs) com temas diversos, mas que não tiveram resultados concretos. O levantamento faz parte de uma estatística realizada pelo vereador Waldemir José (PT), que é funcionário de carreira do Legislativo municipal. De acordo com o parlamentar, desde 1993 que a Câmara vem se utilizando desse mecanismo para “dar uma resposta à população” mas, que ao final dos trabalhos, não há um acompanhamento posterior da casa quanto aos efetivos resultados que se quer chegar. Os temas investigados em quase duas décadas foram diversos, como abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica,

transporte coletivo, tráfico de influência, crime eleitoral e grilagem de terras, para citar alguns. O relatório das comissões investigativas, via de regra, são enviadas ao Ministério Público do Estado (MPE), que por sua vez, conforme o teor e o resultado das investigações parlamentares, lhe cabe ajuizar uma ação civil pública junto ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Apesar de todo esse trâmite, nada se sabe sobre o que realmente resultou todas as 19 investigações que a Câmara se propôs a fazer nesses quase 20 anos. Vereadores consultados pela reportagem passam a bola à população que, segundo eles, deveriam cobrar dos entes públicos um resultado prático. Para o tucano Paulo De’Carli, a população teria que fiscalizar mais de perto o andamento das ações e cobrar das autoridades uma solução efetiva para esses

problemas. Dessas 19 CPIs, sete foram realizadas em ano eleitoral, inclusive a que está em curso na Câmara, que investiga as falhas no abastecimento de água na cidade. Em 2005, a questão da água

INTERESSES

Instalada há quase um mês, a CPI da Água na Câmara encontra-se polarizada, refletindo sutilmente os interesses de velhos caciques da política regional. Comissão tem 90 dias para encerrar os trabalhos foi alvo de uma investigação na casa, que teve como relator o vereador Leonel Feitoza. Ao ser questionado pela reportagem como seu relatório havia sido tratado nos órgãos competentes, ele não soube responder.

Prática antiga O cientista político Gilson Gil observou que desde a época da administração do expresidente Fernando Collor de Mello, em 1992, que é notório o uso político das CPIs já que as oposições, em qualquer nível, usam esse instrumento para “aborrecer” a situação que, por outro lado, esforça-se para inibir sua abertura. “Por isso, os problemas antigos são revisitados e nenhum resultado é alcançado de fato”, disse. Ele classifica CPI em ano eleitoral como “demagógicas”. O coordenador do Núcleo de Cultura Política da Ufam, Ademir Ramos, acrescentou que CPIs têm se transformado em palanque e, em meios de promoção política, desgastando o parlamento. Segundo ele, esse instrumento deveria ter o intento de dar visibilidade às questões sociais.

Investigação causa conflitos na CMM A instalação da CPI da Água na Câmara este ano foi precedida de uma verdadeira batalha entre os vereadores de oposição e situação, representados por Waldemir José (autor da proposta) e Leonel Feitoza (que se demonstrou contrário, mas que responde pela presidência da CPI), além do “independente” Hissa Abrahão (PPS), também contrário à

instalação. O discurso de cada bancada evidenciou a bandeira levantada pelos “caciques” a quem simbolizam dentro do Legislativo e que estão envolvidos no processo eleitoral, como o prefeito Amazonino Mendes (PDT), o ex-prefeito Serafim Correa (PSB) e o deputado Francisco Praciano (PT). Continua na página A6

FALA POVO Qual sua avaliação sobre uma investigação parlamentar? “As CPIs são formas de tentar conquistar os votos. Os políticos veem o momento propício para mostrar trabalho” Louise Guimarães Assunção, 23, universitária

“Acho que a CPI não vai dar em nada. As investidas dos políticos têm de ser vista pela população com cautela. Eles querem ser vistos” Mário Antonio, 23, autônomo

“Essas movimentações são próprias das proximidades das eleições. Os políticos mais fortes são contrários à CPI”

“Essa CPI Não vai prosseguir porque a classe política de Manaus não quer, de fato, solucionar esses problemas”.

“Quero acreditar que nem que seja próximo às eleições, eles vêm fazer algo pelo povo que sempre os elege”

Antonio Evilon Rezende Pontes, 26, vendedor

Libni Miranda dos Santos, 28, desempregado

Raimundo Barros de Sousa, 35, microempresário

FOTOS: JOEL ROSA


A6

Política

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Cláudio Humberto COM TERESA BARROS E LEANDRO MAZZINI

www.claudiohumberto.com.br

Vai gastar a sola do sapato” PRESIDENTE DO PT-SP, Edinho Silva, sobre Marta Suplicy na campanha de Haddad

Infeliz no governo, ministro busca porta de saída O ministro Gilberto Carvalho não permanecerá por muito tempo na Secretaria Geral da Presidência da República, segundo amigos. Após uma monumental bronca da presidente Dilma, ele comunicou ao ex-presidente Lula, a quem “representa”, que não aguenta mais. Lula pediu-lhe paciência. Desde então, “escanteado” de reuniões e decisões importantes, Carvalho dá sinais de fadiga nas relações com Dilma. Desconfiança Dilma desconfiou que Carvalho é quem vazava informações reservadas à imprensa, e passou a fazer reuniões sem ele. Pararam os vazamentos. Auge da humilhação Dilma deu bronca humilhante em Gilberto Carvalho, militante católico, após uma declaração dele que abriu crise com a bancada evangélica. Bullying, não Segundo relato de amigos, o ministro disse a Lula que não estava no governo para sofrer maus-tratos da presidente. Um angustiado O secretário-geral fez discurso amargo, esta semana, afirmando que ocupar um cargo público traz “muita angústia, muita frustração”. Financiamento para o Corinthians é ‘sigiloso’ Corinthiano fanático, Lula não vai gostar da encrenca: o Ministério Público Federal em SP comprou briga com o Banco do Brasil, que se negou a informar as condições do financiamento para

a construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, alegando “sigilo”. O MPF alega que são documentos públicos, envolvendo o BB em empréstimo do BNDES, para a Odebrecht construir o estádio para a Copa de 2014. Só entre eles O MPF não aceita a “cláusula de confidencialidade” no financiamento do BB: a União assumiria todos os riscos do negócio com BNDES. Tem briga O Ministério Público Federal “tomará as providências legais cabíveis”, caso o BB mantenha o sigilo, explicado num ofício, em março. Só para trouxas Todo dia é dia de trouxa: o mensalão será julgado em maio. Acertou quem lembrou hoje é 1º. de abril ao ler esta notícia. Líder em loja de cristais Além do discurso áspero, o novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), parece haver absorvido a delicadeza de papel de embrulhar pregos da presidente Dilma. Isso não deve acabar bem. Rindo à toa O presidente da Frente Agropecuária, Moreira Mendes (PSD-RO), acha que o novo Código Florestal aprovado pelo Senado só é bom para o grande produtor: “O Blairo Maggi é que deve estar rindo à toa”. En route Comprado da França, o “São Paulo”, único portaaviões do Brasil, não deverá mais soltar fumaça ou pegar fogo: a Marinha vai pagar R$ 496 mil pela tradução

Jornalista

do manual de manutenção do “museu flutuante”. Exílio na Europa Ciro Gomes avisou que se mudará para a Europa caso seu irmão, governador Cid Gomes, apoiar o PT em Fortaleza. E só volta após a eleição. Deve ter recebido herança para custear o exílio europeu... Panos quentes No PSDB, a avaliação é que a candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo serve para colocar panos quentes no conflito com o mineiro Aécio Neves. Pelo menos, até a escolha do candidato à Presidência. Marta distante O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) acha que Marta Suplicy vai ajudar “discretamente” a campanha de Fernando Haddad a prefeito: “Ela aparecerá na hora certa”. Falta combinar com a senadora. PMDB se divide Vice da Câmara, a deputada Rose de Freitas (ES) tem sido hostilizada no PMDB pelos partidários da candidatura de Henrique Alves (RN) à presidência da Câmara. Ela quer ser alternativa de Dilma à sucessão de Marco Maia, mas a presidente deseja alguém do PT. PCdoB vetado no Acre Irmãos, o governador Tião Viana e o senador Jorge Viana, do PT, queimaram as pontes com o PCdoB. Preteriram a deputada Perpétua Almeida, líder nas pesquisas, na disputa pela prefeitura de Rio Branco. Pensando bem... ...o bicheiro Carlinhos Cachoeira é o novo operadorgeral da República.

PODER SEM PUDOR

Má companhia O governador do Ceará, Virgílio Távora, viajava em 1953 com o “coronel” Mário Leal em avião tão pequeno quanto precário, quando o motor parou. Leal desabafou: - Coronelzinho, são quatro horas da tarde e, pelo visto, nós ainda vamos ter tempo de jantar com o cão do inferno! Távora não gostou, mas, preocupado, não disse nada. Até que o piloto fez o motor funcionar de novo e o avião pousou em paz. Távora cobrou do amigo: - Por que você disse que nós íamos jantar com o cão do inferno? Mário Leal olhou para o céu, coçou o cangote e disse, com todo respeito: - Excelência, senhor governador, eu sei com quem eu ando...

Para Vicente Lopes, não é o parlamento que tem que punir, mas as autoridades competentes

Deputados dizem que CPI não é trampolim eleitoral Atualmente há um ensaio de uma comissão investigativa na casa, para tratar das falhas na energia elétrica da cidade MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO

A

lguns deputados estaduais preferem não classificar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) como um trampolim eleitoral, mas a defendem como um instrumento importante em investigações por seus poderes constitucionais. Contudo, asseguram que para ter respaldo e apresentar resultados positivos, é importante a seriedade e a isenção de interesses particulares. O deputado José Ricardo (PT) não descarta a possibilidade de muitos políticos mal intencionados usarem a CPI como palanque eleitoral, mas defende que em muitos momentos ela busca uma solução para os problemas da sociedade. “Você tem bons e maus exemplos de CPI, depende de como alguém quer usá-la; em ano eleitoral tem um ímpeto maior, mas elas acontecem também fora desse período; a questão da água, por exemplo, calhou de ser nesse período, mas busca atender o interesse da população”, defendeu. Marcelo Ramos (PSB), José Ricardo e Vicente Lopes (MPDB) defendem a ideia do papel constitucional da comissão em apurar, investigar e encaminhar o resultado da investigação aos órgãos competentes, como o Ministério Público Eleitoral (MPE) e Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), mas que não cabe ao parlamento chamar e punir os culpados. “Esse papel é de cada órgão competente e a população é o ingrediente

fundamental nesse processo de cobrar os resultados e pressionar as devidas instituições”, salientou Lopes. Para Ramos, CPIs são criticadas como ato particular e eleitoral, pois sempre vem à tona em anos específicos, falando de um tema de interesse da população, como a falta de água, energia e transporte coletivo. Ramos acredita que muitas vezes a CPI é usada para interesses particulares sim, mas defendeu que a CPI do apagão, proposta por ele na Aleam, é pontual “Ela sur-

APAGÃO

Marcelo Ramos critica uso de CPI para ato particular. Apesar disso, defende uma investigação para apurar causas dos últimos apagões elétricos que atingiram a capital amazonense neste mês giu a partir dos dois últimos apagões acorridos na cidade nos dias 17 e 18 de março”, informou. De acordo com Belarmino Lins (PMDB) responsável por presidir a última CPI realizada pela Aleam, há quase dez anos, sobre a existência de cartel de combustível, acredita que o político tem usado a CPI como palanque eleitoral sim, pois ela se torna muito evidente, seja no processo eleitoral municipal ou estadual. Segundo ele, a CPI é um instrumento influente, mas que precisa ser usada com responsabilidade.

Aleam não deve instalar comissão Apesar da justificativa de Ramos e da persistência em implantar a CPI do Apagão na Assembleia Legislativa desde o dia 20 de março, ele está tendo dificuldade em convencer os colegas a assinarem o requerimento. Segundo ele, cria-se um clima tenso na casa, pois alguns como o presidente da Aleam, Ricardo Nicolau (PSD) e Sinésio Campos (PT) são contrários à investigação, sob a justificativa de que não é competência da Assembleia, por se tratar de uma empresa que recebe recursos federais. Para o parlamentar alguns setores da casa tentam blindar a empresa Eletrobrás Amazonas Energia. Por outro lado, tem os que simpatizam com a ideia, como o vice-presidente da casa, Marcos Rotta (PMDB) mas que preferem uma comissão especial para investigar o caso, a se indispor com o restante dos colegas governistas. Os únicos que assinaram a CPI foram a oposição e o tucano Arthur Bisneto.

Resultados ‘pífios’ e ‘aquém’ Para o analista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) José Seráfico, as CPIs são como brasas, que os políticos cobrem com areia

e em determinado momento sopram para ver se sai fogo, mas os resultados são “pífios e estão aquém dos interesses e das necessidades da população. Eles estão

pensando em aparecer para que o eleitor lembre o nome deles no dia do pleito; e a população muito ocupada em sobreviver acaba confundindo essa legitimidade.


Com a palavra

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

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Superintendente do Ibama MÁRIO LÚCIO

Ibama teve poder reduzido FOTOS: SHANA REIS

Náferson Cruz Equipe EM TEMPO

H

armonizar as políticas ambientais e administrativas, além de incentivar a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que visa a regularização de propriedades e, consequentemente a redução no desmatamento, são alguns dos desafios do superintendente do Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Mário Lúcio Reis. O gestor também descortina as falhas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), que levou à paralisação de parte de um trecho de recuperação da rodovia BR-319 (Manaus - Porto Velho). A nova lei ambiental, que regulamenta o artigo 23 da Constituição Federal e define as competências de municípios, Estados e União na fiscalização de crimes ambientais e que restringiu o poder de fiscalização do Ibama, ocasionando o fechamento de 11 bases do órgão no interior do Estado, são outros temas abordados na entrevista que Mário Lúcio concedeu ao EM TEMPO.

Chegamos a ter 14 escritórios no Amazonas, mas isso quando o Ibama cuidava de tudo, desde a carteirinha do pescador. Hoje, temos unidades apenas em Manaus, Humaitá e Parintins. O Ibama era uma esfera que recebia todos os anseios e ficava passando para outros órgãos”

EM TEMPO – O que falta para que a rodovia BR-319 seja totalmente liberada para os devidos reparos? Mário Lúcio - O que está emperrando são as falhas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), especialmente na área de fauna. A notícia que eu tenho é que agora que o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) estaria refazendo o estudo, que foi notificado há algum tempo atrás, para apresentar ao Ibama. O interessante é que o Dnit não tem prazo para apresentar o estudo, sendo que o Ibama tem prazo para dar respostas. Partes desses estudos são contestadas pelos analistas do Ibama. O que está em licenciamento é a parte central da BR-319, um trecho que compreende 400 quilômetros. Tem que fazer a abertura de uma nova estrada porque a floresta literalmente já tomou conta do que foi a rodovia. EM TEMPO – Como o senhor classifica os atos e competências do Ibama? ML - Até então só quem licenciava manejo florestal, desmate e a realização de estudos para que se averbasse a reserva legal nas propriedades rurais, era o Ibama. Mas, com a Lei Complementar (LC) 140, que regulamenta o artigo 23 da Constituição, aprovada em 2011, agora cabe

aos municípios, Estados e a União, fiscalizar esses delitos ambientais enquanto que a competência do Ibama é de apenas restringir e licenciar as ações do homem na natureza de forma isenta e idônea. Mas ainda há confusão sobre o que cabe às esferas municipais e estaduais. Para a União, a situação ficou menos traumática, em decorrência da lei 11.284, que regulamenta parte do Código Florestal e transfere a competência da política florestal do Brasil, que até então era da União, para os Estados. EM TEMPO – Como é que fica a situação dos grandes empreendimentos licenciados e que buscam a legalidade? ML – No Estado são poucos os empreendimentos que são licenciados pelo poder federal, pois a grande massa desses empreendimentos fica a cargo do Estado por questão de competência. Entretanto, temos o linhão de Tucuruí, que passa pelos Estados do Pará, Amapá e Amazonas, cuja integração com o sistema nacional já foi licenciado e está na fase de implantação. Ainda temos a BR-319, que por hora encontra-se em fase de estudo e a hidrovia do rio Madeira, no trecho de Porto Velho (RO) a Manaus, que é um empreendimento licenciado e que está na fase de renovação da licença. O licenciamento ambiental é a ferramenta que existe para definir que esses impactos sejam feitos em menor intensidade possível. Temos que analisar de que forma eles precisam ser mitigados ou compensados a quem tiver prejuízos, seja ele do ponto de vista ambiental ou social. EM TEMPO – O Ibama diminuiu seu leque de ações com o fechamento de vários escritórios do órgão no Estado? ML - Ficamos no vácuo da regulamentação em mais de 20 anos, e, hoje, a Constituição é muito clara: cabe à União, aos Estados e aos municípios, o dever de fiscalizarem. Chegamos a ter 14 escritórios no Amazonas, mas isso quando o Ibama cuidava de tudo, desde a carteirinha do pescador. Hoje, temos unidades apenas em Manaus, Humaitá e Parintins. O Ibama era uma esfera que recebia todos os anseios e ficava passando para outros órgãos, quando isso era competência comum de todos. EM TEMPO - Como fechar sem perder a eficiência? ML - Muitos municípios começaram a criar suas próprias

secretarias e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) passou a se fortalecer e começar a agir e ter seu papel. E, para combater os problemas de meio ambiente do Estado, fizemos um acordo e o Ibama passou a cuidar daquilo que nos últimos dez anos passou a nos ameaçar muito, que foi a fronteira agrícola, desmatamentos efetuados por pessoas de outros Estados que chegavam aqui grilando terras e, então, nos concentramos e profissionalizamos nessa área. Cabe ao Ibama fiscalizar os empreendimentos em gleba federal, terras públicas, terras indígenas e unidade de conservação federal, mas não perdemos o direito de agir supletivamente onde tenha uma degradação, seja em qualquer município, desde que seja comunicado. Apesar de não termos mais servidores estamos monitorando os locais que ficaram sem escritório. EM TEMPO – Mas houve danos ao atendimento onde funcionavam os postos do Ibama? ML – Confesso que sim, que houve um prejuízo, pois o órgão tem que mobilizar toda uma estrutura para atender a denúncia. A lógica é que os municípios façam isso, mas nós entendemos que para nossa região, as novas diretrizes será um processo demorado para assimilar, porque as ingerências políticas são muito maiores em nível municipal, principalmente em ano eleitoral. Infelizmente ainda vai levar um tempo para a gente amadurecer essa relação mais profissional em nível local, mas distante, porque o órgão federal tem uma inserção maior. EM TEMPO - E como gerir essas ações? ML - Quando se descentraliza as ações é uma forma de fortalecer e apoiar os municípios. Porém, os municípios não têm fonte de receita para tocar toda essa obrigação constitucional legal. Quando se descentralizou a educação e saúde, também pensaram nos recursos. Eles têm fonte específica para a área. Acho que o meio ambiente deveria ter uma fonte para isso, para exercer com a devida competência, para ser mais cobrado. EM TEMPO - O Ibama está no centro de toda discussão que tange o Código Florestal. Em maio do ano passado o atual ministro do Esporte, Aldo Rebelo, enquanto deputado estadual, declarou que o Ibama era o principal

culpado pelo aumento no desmatamento. Qual a sua opinião sobre isso? ML - Para muitos, quando conveniente somos heróis, para outros, somos vilões. Somos mais vilões pelo seguinte: se aumentar o desmatamento o culpado é o Ibama, que não monitorou e fiscalizou; mas se o Ibama age, o desmatamento não sobe e esse mesmo grupo que te culpou vem e diz que você está atrapalhando o desenvolvimento. Então, esse discurso eu não vou comentar porque ele é conveniente para o momento. Mas nós temos a consciência tranquila de que estamos contribuindo para a redução do desmate, agora temos a convicção de que não basta só fiscalizar, outras medidas têm que ser tomadas com urgência e que nós vamos agradecer se determinadas medidas forem tomadas. EM TEMPO – O objetivo é arrecadar? ML – Não, não é arrecadar; nunca foi e nem vai ser. O Ibama não multa por prazer. O dinheiro vai para o Tesouro Nacional. Nossa missão é proteger o ambiente. Até pela postura de municípios, caiu em mais de 30% as atuações. Nossa média sempre foi superior a mais de mil autuações por ano. EM TEMPO - O Brasil precisa desenvolver melhor a política fundiária? ML – Sim, muito produtor não busca o licenciamento ambiental porque ele não tem o documento da terra. Então, ele sabe que vai receber um não no órgão ambiental e, por ele não ter esse documento, não consegue ter acesso ao banco, ao recurso oficial, juros para investir na produção. Então o primeiro ponto seria avançar mais na questão fundiária, o segundo a tecnologia disponível, com a melhoria genética, e principalmente para a correção do solo. O produtor não precisa desmatar e se ele levar tecnologia, vai cuidar de uma área menor e vai investir menos dinheiro, para ter rentabilidade. EM TEMPO - Que projeto e ações o Ibama fará daqui para frente? ML - Crescer e permanecer no controle da região sul do Estado, onde é prioridade controlar o desmatamento, a extração da madeira e o tráfico de animais silvestres. Estamos fazendo uma operação silenciosa de investigação no combate à biopirataria. A segunda meta é implementar o CAR que visa a regularização dessas propriedades, que será o início para outras ações.

Cabe ao Ibama fiscalizar os empreendimentos em gleba federal, terras públicas, terras indígenas e unidade de conservação federal”

Para muitos, quando conveniente, somos heróis; para outros, vilões (...) Então, esse discurso não vou comentar, porque ele é conveniente para o momento. Temos a consciência tranquila”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

PSDB não descarta prévia para escolha de candidato Filiados tucanos ensaiam pré-candidatura à Prefeitura de Manaus, mas dependem de definição do ex-senador Arthur Neto ARQUIVO EM TEMPO/MARCEL MOTA

ALESSANDRA KARLA LEITE Equipe EM TEMPO

A

corrida para as eleições municipais no PSDB passa por uma velada disputa interna, na qual todos os pretensos pré-candidatos a prefeito de Manaus esperam somente por uma definição do líder do partido, o ex-senador Arthur Neto, para, de fato, colocarem seus nomes à disposição. Embora neguem o clima de competição entre os possíveis “cabeças de chapa”, os vereadores Paulo De’Carli e Mário Frota, o ex-vereador Plínio Valério e até o presidente de honra do partido, o diplomata Arthur Neto, não descartam completamente a possibilidade da realização de prévias na legenda. De acordo com Arthur, que vê com reservas a ideia de fazer eleição interna, tudo será analisado com muita cautela, dando chances a todos de se qualificarem para, quem sabe, tentarem a vaga. “Quem achar que tem mérito pode se lançar, mas eu vejo isso com muitas reservas. Em São Paulo, por exemplo, as prévias quase dividem o partido. Tudo depen-

DIVULGAÇÃO

derá de um consenso. Nós não temos tradição de prévias, os candidatos têm de se qualificar, mas ainda é muito cedo para isso”, ponderou. Questionado sobre a possibilidade de ser o candidato da sigla à Prefeitura de Manaus, Arthur Neto relembrou, ainda, que espera uma resposta judicial sobre a eleição para o

ESPERA

Arthur Neto espera uma decisão judicial sobre o processo que move na Justiça Eleitoral para reaver seu mandato de senador da República. Ele tem evitado falar em sucessão municipal Senado, em 2010, na qual ele perdeu a vaga para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB). “Todos sabem que não perdi a eleição e, como qualquer cidadão, eu espero uma resposta da Justiça. De qualquer forma, eu quero ouvir o partido, não quero me precipitar em nada. Tudo será feito com muita cautela”, ressaltou.

Ex-senador retornou a Manaus e deve reorganizar a legenda

O vereador Paulo De’Carli não esconde o desejo de se candidatar

Eleição interna pode acontecer até maio Para o vereador Paulo De’Carli, a ideia da eleição interna é mais aceitável, apesar de ele não eliminar a possibilidade de um acordo. “Havendo mais de um candidato, teremos prévias. O Mário Frota também se lançou como opção, mas tudo será conversado entre nós”, disse. De’Carli apresentou, no último dia 23, um resumo

do projeto “Jeito PSDB de governar” ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que esteve em Manaus participando do 3º Fórum Social Mundial de Sustentabilidade e de reuniões com os correligionários do PSDB, mostrando, com isso, sua real intenção de ser o nome escolhido do partido. Segundo o vereador tucano, o projeto consiste

em uma projeção das diretrizes nacionais para a administração pública. Ele adiantou ainda que, se o partido decidir realizar prévias, terá 30 dias para fazêla, ou seja, se resolverem no começo de abril, a eleição interna poderá acontecer no início de maio. Outro nome citado como pretenso pré-candidato é o do vereador Mário Fro-

ta, que acredita em uma eleição interna – caso haja necessidade – como um processo democrático. O ex-vereador Plínio Valério descarta participar de uma prévia interna e acredita que o melhor nome do partido para prefeito é o de Arthur Neto. “Em minha opinião, ele é o melhor nome do partido para se lançar a prefeito”, disse.


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

economia@emtempo.com.br

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Economia B2

Sonho da aposentadoria Com apenas R$ 31,10, por mês, 371 donas de casa amazonenses contribuem para a Previdência Social para garantir o direito à tão sonhada aposentadoria ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

D

Quem a vida toda se dedicou a casa agora garante benefícios

(92) 3090-1045

REPRODUÇÃO

epois de anos de dedicação aos afazeres do lar, 371 donas de casa amazonenses lutam para tornar o sonho da aposentadoria uma realidade, mesmo sem exercer atividade remunerada. Com apenas R$ 31,10 – valor que representa 5% do salário mínimo -, elas contribuem para Previdência Social a fim de garantir um futuro sem aperreios. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o número de pessoas que optaram por essa modalidade ainda é baixo no Estado, embora a procura tenha aumentado nos últimos meses, depois que foi sancionada a lei federal 12.470/11. Conforme o instituto, a média do índice de adesão no Amazonas, em fevereiro, chegou a 40,52%, maior do

que a taxa nacional de quase 13%. Até o mês passado, em torno de 1,5 milhão de pessoas haviam aderido a modalidade em todo o país. “O número de adesão poderia ser maior não

O número de adesão de donas de casa poderia ser maior não fosse a falta de divulgação sobre o benefício no Amazonas Victor Orsine, chefe de benefícios do INSS

fosse a falta de divulgação sobre o benefício no Amazonas. Tivemos dificuldades de repassar informações até mesmo pelas dimensões do Estado. Essa falha de comu-

nicação prejudica a expansão do benefício quando comparamos com as outras unidades da Federação”, afirma o chefe do Serviço de Benefícios do INSS, Victor Orsine. A presidente da Associação das Donas de Casa do Estado do Amazonas (ADCEA), Elizabeth Maciel, diz que o número de mulheres interessadas em recolher a contribuição é significativo. Na semana passada, pelo menos 880 donas de casa participaram de uma conferência que foi realizada justamente para explicar sobre a importância do benefício. Conforme Elizabeth, a principal barreira que “trava” o aumento da adesão é a incerteza por parte das donas de casa que possuem mais de 45 anos e não sabem se poderão receber aposentadoria. É o caso de Francisca Lobato, 54, que tem interesse em contribuir com a Previdência Social, mas tem receio por conta da idade. “A

maioria das mulheres pensa em recolher a contribuição, mas não possui a certeza se vai se aposentar”, frisa. A lei federal 12.470/11 permite que a dona de casa tenha direito à aposentadoria por idade do INSS, a partir dos 60 anos, desde que comprove 15 anos de recolhimento. Para ter direito a alíquota reduzida de 5% ou R$ 31,10, a pessoa não pode ter renda própria, precisa se dedicar ao trabalho doméstico em sua própria residência, pertencer a família de baixa renda (inferior a dois salários mínimos mensais) e estar inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Um projeto de lei tramita no Congresso Nacional para favorecer com a aposentadoria a dona de casa cuja idade se aproxima dos 60 anos, pois reduzirá o tempo de contribuição para essas mulheres para até dois anos.

GIOVANNA CONSENTINI

Dedicação que garante direito Desde quando casou aos 15 anos, a dona de casa Maria do Socorro Ribeiro, 52, optou por se dedicar aos trabalhos domésticos. De lá para cá se passaram 37 anos sem que ela pudesse usufruir dos direitos que qualquer trabalhador possui quando está empregado, incluindo, o de contribuir com a Previdência Social para ter uma aposentadoria digna na velhice. Por esse motivo, Maria do Socorro, que é matriarca de uma família cuja renda mensal é de R$ 1 mil, não pensou duas vezes quando foi a publicada a lei 12.470 e se apressou em procurar o INSS, em janeiro deste ano, para se cadastrar. “Eu me casei nova e sempre trabalhei em casa. Acho justo que a dona de casa que trabalhou a vida inteira possa se aposentar. Seria Donas de casa se reúnem para trocar informações sobre a importância da aposentadoria

uma forma de recompensar o trabalho de casa”, enfatiza, ao ressaltar que é “suportável” o valor de R$ 31,10 da contribuição previdenciária

BENEFÍCIO

A mesma lei que beneficia as donas de casa com o acesso à aposentadoria também vale para os homens que desempenham atividades na própria residência, sem remuneração da dona de casa. Lei também beneficia “dono de casa” A lei que beneficia a dona de casa com o recolhimento da Previdência Social, na prática, vale também para

o homem desempregado que passa o dia em casa sem desempenhar atividade remunerada. Para obter o benefício, eles terão que preencher os mesmos requisitos exigidos para elas, ou seja, estar inscrito no cadastro único, ter renda familiar mensal de dois salários e trabalhar somente no âmbito residencial, sem remuneração. “Essa legislação é aplicada para ambos os sexos”, garante o chefe dos Serviços de Benefícios do INSS, Victor Orsine. Conforme a lei nº 12.470/11, poderá contribuir com a alíquota reduzida de 5% qualquer pessoa “sem renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que pertencente a família de baixa renda”.


B2

Economia

MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

Consumidor vai parcelar compra em até 200 vezes Nova operadora de cartão, que entra no mercado brasileiro a partir deste mês, já está de olho na Região Norte REPRODUÇÃO

RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO

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om foco nas classes C, D e E, a Shopcard, nova bandeira de cartão de crédito, começa a operar no país neste mês e já está interessada na Região Norte. Para conquistar o mercado nacional, especialmente o nortista, a empresa trás uma nova forma de pagamento - em até 200 vezes – modalidade que pode ser “atraente” ao olhos do consumidor, mas arriscada para o bolso. O presidente da Shopcards, Waldemar Petty, destaca que a operadora aposta em um nicho de mercado pouco explorado na região que são as “Privates Labels”, um estilo de cartão emitido pelos varejistas e válidos para a realização de compras com o emissor do cartão ou em qualquer estabelecimento credenciado. “Apostamos na classe média atual de 40 milhões de pessoas, em um cenário muito favorável. A estimativa é de que até julho já tenham sido emitidos 600 mil cartões no país, quantidade que até 2013 deve atingir mais de dois milhões de plásticos”, projeta. Para conquistar os usuários de cartão, a Shopcards promete não só oferecer os mesmos juros praticados no mercado atualmente, mas também prazos prolongados, que financiarão as compras dos consumidores em até 200 vezes. “Não haverá uma quantia específica que poderá ser parcelada, pois a missão é o alongamento de prazos. Com a Shopcards, o que se vende atualmente em 12 meses poderá ser vendido em 30, 40 meses. Tudo dependerá da avaliação do lojista para oferecer aos seus clientes prazos que podem chegar a 200 me-

ses”, frisa Petty, ao completar que a meta da administradora de cartões é estar presente em todos os Estados brasileiros. Por considerar que a Região Norte é pouco assistida por grandes bancos e cartões de crédito, a nova operadora pretende priorizar a entrada do cartão nos Estados nortistas. Segundo o presidente da Shopcards, as negociações com grandes varejistas locais estão “a pleno vapor”. Investimento de US$ 5,8 milhões para empreitada Para iniciar as operações, foram destinados para a empreitada US$ 5,8 milhões, dos quais US$ 1 milhão foi destinado para investimentos em tecnologias. A empresa pretende atuar, inicialmente, em áreas ligadas às lojas, sistema

Quem for fazer esse financiamento deve estar atento às taxas de juros, para que os prazos longos não comprometam o orçamento Erivaldo Lopes, economista

bancário e consumidores. De acordo com o presidente da empresa, a Shopcards contará com um banco de dados para oferecer aos compradores itens e produtos de seus interesses, de maneira eficaz. “Queremos ser a Apple do mercado”, frisa o presidente da administradora de cartões, Waldemar Petty, ao assinalar que a modalidade de atuação adotada pela Shopcards já é comum no mercado norte-americano e na Europa.

Apesar de atraente, nova modalidade de pagamento pode comprometer o bolso do consumidor, segundo alerta de economista

É preciso ter cautela na hora de comprar A entrada da Shopcards no país foi vista com “bons olhos” pela Associação Comercial do Amazonas (ACA), porém a entidade acredita que os lojistas devem avaliar as propostas da operadora e os consumidores devem ficar atentos aos juros cobrados nas prestações das compras efetivadas.

“Será uma forma a mais de incentivar as vendas no comércio local e nacional, além de proporcionar aos consumidores mais um meio de se ter acesso a bens de consumo. Mas, devem ser avaliados alguns pontos para saber se vale a pena comprar em longas parcelas e quais as taxas de juros que

serão disponibilizadas pela nova empresa de cartões”, alerta o presidente da ACA, Gaitano Antonaccio. Para o economista Erivaldo Lopes, os lojistas serão os grandes beneficiados com a Shopcards, uma vez que terão mais uma opção para vender. No caso do consumidor, o economista destaca

que cartões de crédito potencializam o poder de compra do cliente, mas é preciso ter cuidado para não “afundar” em dívidas. “Quem for fazer esse tipo de financiamento deve estar atento as taxas de juros, para que a compra com prazos a perder de vista não venha a comprometer o orçamento”, completa.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Economia e pirotecnia na floresta Na semana passada desembarcaram em Manaus os “arautos da sustentabilidade amazônica”, uma confraria de celebridades ávida por vestir a própria vaidade com o manto messiânico do preservacionismo maroto, movido a bolsas verdes fundadas na premissa da intocabilidade amazônica que só a eles importa e beneficia. Entre eles, estava o ex-presidente FHC, dando entrevistas sobre como cuidar da região (sic!). Entre suas bravatas, reiterou a posição contrária à cultura da cana-de-açúcar na Amazônia. É a mesma ideia imposta à gestão Lula pelas ONGs que agasalhou em seu governo, através de Carlos Minc, um ministro que se notabilizou por uma única façanha ambiental: liberar plantio e consumo da maconha, indiferente à rede suja de sangue que gerencia o negócio. O silêncio costuma ser mais eloquente que mil palavras em de-

terminados contextos. FHC, que é portador de genética amazonense, muita ganharia se ficasse calado a respeito. Considerado o príncipe dos sociólogos no Brasil, esqueceu de visitar a história e reconhecer que o segundo ciclo da economia brasileira, após o extrativismo do pau-brasil, se deve exatamente à cultura da canade-açúcar no Baixo Amazonas, uma riqueza que abriu os olhos de Portugal para os bionegócios da região, oportunidades subtraídas dos espanhóis pelo desacordo do Tratado de Tordesilhas. FHC deveria ser mais hábil na defesa dos usineiros paulistas. Sobre o assunto, o senador Flexa Ribeiro, um tucano paraense mais coerente com os interesses regionais, conseguiu aprovar o Projeto de Lei do Senado (PLS) 626/2011, que permite o plantio de cana em áreas degradadas e nos biomas Cerrado e Campos Gerais da Amazônia Legal. Ela-

borado em outubro, o projeto já foi aprovado pelo relator Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), na semana passada, da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, de acordo com as normas do Código Florestal Brasileiro, além de se orientar por doze diretrizes que incluem o uso de tecnologia apropriada para a produção nessas áreas. Basta dar prioridade nas áreas já degradadas ou ocupadas por pastagens, com técnicas de produção adequadas que permitam a preservação do meio ambiente e a conservação da biodiversidade. Na equação da sustentabilidade amazônica a economia da floresta guarda um rol de saídas e soluções mais do que problemas. Problema, e dos graves, é o descaso em torno de seu conhecimento, e a omissão crônica da União em torno das alternativas racionais de aproveitamento. São múlti-

plas as vantagens de substituir pastagens, ou áreas degradadas por projetos precipitados, além dos campos gerais, por plantio de cana para a produção de álcool e de grãos para produção de alimentos ou biocombustível para propiciar opções de infraestrutura energética. Menos de 1% do território amazônico, com aptidão para essas culturas, superaria em 3 milhões os 6,6 milhões de hectares a área em que o Brasil produz álcool e açúcar, hoje. No caso do Amazonas, o que dizer da agregação de aproveitamento imediato da silvinita para um polo industrial de fertilizantes, considerando a importação onerosa do potássio de que hoje dependemos? .É ignorância ou má-fé ou desinformação dizer que o plantio da cana, mesmo em áreas degradadas, empurra a agropecuária para a floresta. Na Amazônia, o plantio de cana-deaçúcar em Presidente Figueiredo,

na biqueira de Manaus, responde pela exportação de açúcar mascavo beneficiado pra toda a América Latina. Em Ulianópolis (PA), Arraias (TO), e uma dezena de usinas no Mato Grosso já cravam 45 milhões de toneladas de produção de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, segundo a CONAB, o órgão federal que regula a produção. Segundo suas estatísticas, a produtividade média do Brasil é de 79 toneladas por hectare. Na Amazônia, alcança 70 ton., bem maior que Alagoas e Pernambuco, produtores tradicionais de cana, graças a acordos políticos de Getúlio Vargas, que transferiu da Amazônia para o Nordeste os incentivos no setor. Mesmo assim, a produtividade naqueles estados é de, respectivamente, 63 e 52 toneladas por hectare, o que comprova o peso da pirotecnia quando o assunto é economia na hipocrisia ecológica em torno da floresta.

Alfredo MR Lopes, Filósofo e consultor ambiental

O silêncio costuma ser mais eloquente que mil palavras em determinados contextos. FHC, portador de genética amazonense, muito ganharia se ficasse calado a respeito”


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‘Padrinhos’ investem nos estudos dos concurseiros Amazonenses ganham apoio financeiro de familiares para lutar pela tão sonhada vaga de trabalho no serviço público LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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om o apoio financeiro da família, concurseiros amazonenses focam nos estudos para garantir a tão sonhada estabilidade em um emprego. Em busca de conquistar uma vaga em concurso público, eles abrem mão da “vida normal” para depender de “padrinhos” que, em alguns casos, chegam a desembolsar R$ 1,2 mil, por mês, só no pagamento de cursos preparatórios. Por conselho do pai, Vanessa Afonso Rodrigues, 25, tem se debruçado diariamente nos livros. Formada em jornalismo, ela chegou a trabalhar como estagiária na assessoria de imprensa da Polícia Civil, mas percebeu que suas expectativas seriam atendidas apenas se voltasse à corporação como funcionária pública. Sob o mesmo ponto de vista, o pai da jornalista lhe deu a alternativa de sair do emprego e se dedicar aos concursos. Além dos estudos em casa, Vanessa também se prepara em um curso preparatório cujo custo é de R$ 160 por mês. De acordo com ela, embora

seu pai lhe dê apoio financeiro, há um prazo de um ano para que ela seja aprovada em algum concurso, mesmo que o nível seja de ensino médio. Atualmente, para não causar aperto no

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Maridos, mulheres e pais assumem o papel de “padrinhos” nessa caminhada até que o concurseiro conquiste uma vaga no serviço público. Gastos dos candidatos chegam a R$ 1,2 mil

orçamento dos pais, proprietários de uma padaria, ela deixou de lado os gastos considerados dispensáveis. “Está sendo muito difícil não gastar com bobagens, parar de comprar roupa, parar de ir a festas”, diz, ao enfatizar que, antes ela gastava, em média, R$ 700 por mês, e agora seu custo chega a R$ 400. Mesmo sob “aperreio”,

vale a pena lutar por uma vaga em um concurso, por conta das vantagens a longo prazo, como no caso da aposentadoria. “Há um apelo melhor nos salários de quem se aposenta como concursado”, destaca. Escolhas O engenheiro Jorge Fernandes, 45, também adota a postura de concurseiro. Após largar a chefia de engenharia em uma das multinacionais do distrito, ele se dedica há três anos em concursos públicos da área de direito, na qual também é formado. Após conquistar a diplomação, ele se viu de frente com três opções: voltar para o distrito, montar o

próprio negócio ou estudar, e acatou pela última. Embora conte com o dinheiro da indenização, o também advogado recebe apoio da mulher para sustentar as contas familiares, principalmente quando os gastos mensais com os estudos chegam a R$ 1,2 mil. “Tivemos de reduzir custos. Hoje, não vamos mais a restaurantes caros”, comenta. Diante d a

disputa acirrada com concurseiros de outros Estados, Fernandes menciona que é preciso muita dedicação para entrar no serviço público. “Sem determinação, candidatos deixam espaço para que 80% dos aprovados sejam de fora”.

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Jorge Fernandes largou cargo de chefia para tentar uma vaga de concursado

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Emprego dá lugar aos estudos O economista Yuri Gomes, 25, diz que abriu mão do emprego para “entrar de cabeça” nos estudos. Desde o início deste ano, ele recebe auxílio dos pais, com os custos básicos de moradia, roupa e alimentação, além do curso no valor de R$ 400 por mês. No total, os gastos mensais do economista rendem aos seus pais R$ 700. Segundo ele, o interesse em concursos surgiu após fechar uma loja de assistência técnica de celular no final de 2011. Para reeducar o tempo aos estudos, ele precisou entrar em um cursinho de apoio e se privar de alguns “luxos”. “Vale tudo pela a estabilidade”, frisa.


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Empresas amazonenses na busca por excelência Para garantir competitividade no mercado e aumentar os indicadores, empresários locais investem em planejamento DIVULGAÇÃO

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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om investimento mensal de até R$ 11 mil, empresas amazonenses de médio porte se mobilizam para “dar cara” ao modelo de gestão e aumentar a competitividade no mercado local. Com monitoramento até 2015, oito grupos empresariais participam da primeira edição do projeto Parceiros para a Excelência (Paex) no Amazonas, elaborado pela Outitude Business School (OBS). O diretor do programa, Fábio Guarnieri, explica que esse grupo de empresas é monitorado, a partir de um planejamento que estabelece metas e indicadores para serem atingidos, chamados de “painéis de bordo”. Cada empreendimento é avaliado por três anos e investe no projeto R$ 11,8 mil, por mês. Dentre as participantes estão empresas de vários segmentos, dos quais a área jurídica, como a Andrade & Câmara Advogados Associados; alimentícia, como frigorífico Vitello Ltda.; e hospitalar;

como o Hospital Santa Julia Ltda. Também participam a HTS Serviços de Hotelaria e Turismo, a Labelpress Indústria e Comércio da Amazônia, a ótica Avenida, a Unipar Construtora e a Fermazon. A diretora administrativa da Labelpress, Tatiana Rocha, diz que o intuito da empresa é de reestruturar o planejamento estratégico, tanto financeiro como de produção. De acordo com Tatiana, o investimento mensal tem sido de R$ 9,8 mil. A representante afirma que somente a partir do segundo ano o retorno deve ser verificado, mas há uma previsão de que anualmente tenha uma expansão de até 20% do lucro líquido da empresa. O gerente de atacado da Vitello, José Nascimento, comenta que o programa partiu da diretoria para incentivar a formação de líderes. Nascimento ressalta que nesse período inicial a empresa já identificou todas as normas necessárias para melhorias, na parte financeira e na gestão de pessoas, assim como em termos de produção, a partir da organização dos ambientes de trabalho.

Gestores e funcionários ‘alinhados’ Em parceria com a Fundação Dom Cabral, a OBS realizou, na capital, um curso ministrado pela mestre em administração de empresas Ássima Maria Ferreira, para discutir a liderança com pessoas. A palestrante diz que o objetivo é fazer com que o papel dos gestores esteja alinhado aos de seus funcionários. O próximo grupo a participar já possui duas empresas inscritas, a Real Bebidas e a Tutiplast. Segundo o diretor do programa, Fábio Guarnieri, o interesse das empresas se deve a vontade de melhorar a performance, os espaços econômicos financeiros e capacitar os seus gestores. Gestores de empresas discutem como alinhar as suas atribuições com a de seus funcionários


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Pacificação nas favelas do Rio mostra nova realidade O fim da convivência com o crime nas favelas trouxe outra realidade aos moradores, que sentem o peso dos tributos

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rávida de quatro meses do primeiro filho, Alice Carina Queiroz, de 18 anos, apesar de morar no Morro da Caixa d’Água, no Complexo da Penha, não tem água com regularidade. As torneiras podem ficar secas por semanas na casa de pau a pique onde ela vive de aluguel, embora pague R$ 12 por mês à associação de moradores para que a água chegue até a sua residência. O abastecimento de energia elétrica também é precário, mas por isso ela não paga um centavo: Alice conta com um “gato” (ligação clandestina). Agora, no entanto, com o processo de pacificação da região e a consequente oferta de serviços que virá, uma preocupação maior vem tomando conta dos seus pensamentos: a de que não conseguirá pagar as contas dos serviços regulares de água e de luz do casebre, que tem até arcondicionado. A preocupação de Alice, cujo marido está desempregado, é a mesma da maioria dos moradores das favelas dos complexos do Alemão e da Penha, que têm, respectivamente, 58.430 e 35.388 habitantes, segundo critérios do

FOTOS: MARCELLO CASAL/JR

Instituto Pereira Passos (IPP). Vencida a barreira de dar fim ao domínio do tráfico nos territórios, com a implantação das primeiras UPPs (nas favelas da Fazendinha e Nova Brasília), outros desafios terão que ser enfrentados pelo Estado: da falta de saneamento básico ao desemprego. Nesses 16 meses de For-

PRECARIEDADE

O abastecimento elétrico também é precário, mas por ele a população não paga um centavo: a maioria conta com um “gato” e não conseguiria pagar a conta de energia

ça de Pacificação, o Exército montou uma planilha de todas as mazelas dos complexos de favelas, com informações próprias e de entidades públicas e privadas. Além das ligações clandestinas de energia e água, os militares alertam para a informalidade do comércio, onde 90% dos estabelecimentos são irregulares. “Quando chegamos aqui, em

2010, não havia dados exatos. Até hoje, buscamos algumas informações para comparar a situação anterior com a atual. Isso é importante para medir o trabalho de todos os envolvidos no processo de pacificação e o grau de satisfação dos moradores”, disse o comandante da Força de Pacificação, general Tomás Paiva. Nascida e criada na região, Alice e o marido, porteiro desempregado, pagam R$ 120 de aluguel pelo barraco de telhas de amianto. Apesar de tosco por fora, o imóvel tem aparelhos domésticos que garantem algum conforto: além do ar-condicionado, os moradores têm máquina de lavar roupas, fornos elétrico e de micro-ondas, geladeira, TV e chuveiro elétrico — grande vilão do consumo de energia. “Com o tempo quente, é quase impossível ficar dentro de casa. Tem que ter ar-condicionado. Tenho “gato”, sim, pagar energia é muito ruim!”, reclama Alice, que desembolsa R$ 40 pelo botijão de gás. Se tivesse que pagar a tarifa comum de energia elétrica, Alice precisaria desembolsar R$ 200,34 — o cálculo foi feito pela Light, baseando-se no número de aparelhos.

Militares mantêm ronda de blindados e soldados no Complexo do Alemão para segurança

As mordomias do morro A conta, porém, poderia ser reduzida para R$ 45,65, se a moradora trocasse os equipamentos por aparelhos mais eficientes e econômicos, mudasse de hábitos e recebesse o benefício da tarifa social. Dono de uma das melhores casas do Morro da Palmeirinha, no Alemão, Adailton Pedro de Lima, de 40 anos, tem quase a mesma quantidade de eletrodomésticos que Alice. Ele também conta com “gato”. Além de bem decorada, com uma palmeira no quintal, a casa tem uma piscina de 15 mil litros, o que fez com que, na época da ocupação, em novembro de 2010, a polícia fizesse buscas diversas vezes no local, achando que se tratasse da residência de um traficante. “Já estou até acostumado. Mostro logo meu contracheque. Trabalhei duro para construir o que tenho”, disse o funcionário da Plus-Vita, uma das poucas empresas que sobreviveram à violência da região. Com uma renda familiar — somando os seus rendimentos e o da mulher

— em torno de R$ 5 mil mensais, ele disse que não teria condições de manter a casa, avaliada em cerca de R$ 80 mil depois da pacificação, se ela ficasse em outro lugar. Adailton diz que não se importa de pagar pela energia que utiliza: “Mas é importante que se saiba que há pessoas que mal ganham o salário mínimo, por isso não têm como pagar a luz. Mas sou a favor do pagamento, pois assim posso exigir um serviço de qualidade. Aqui falta energia com frequência. Segundo o superintendente de Relacionamento com as Comunidades da Light, Mário Romano, no Alemão há apenas nove mil clientes da concessionária. As perdas na região são de 60%, enquanto no Complexo da Penha chegam a 69%. A energia é de baixa qualidade, justamente porque não houve manutenção ao longo dos anos, por causa da violência. “O Complexo do Alemão não se difere muito de outras comunidades que eram dominadas pelo tráfico”.

Convivência pacífica com as forças dà suporte às famílias

Perdas da companhia energética A Light vem investindo cerca de R$ 20 milhões no Alemão. De acordo com Romano, a meta é chegar a agosto com 12 mil clientes legalizados no complexo, reduzindo a perda de 60% para 5%. A adimplência, hoje em torno de 45%, deve passar para 92%. Entre os projetos da concessionária para a região, consta a instalação de painéis solares para aproveitamento de energia no programa “Minha Casa, Minha Vida”, da União. Apesar de o IBGE apontar no Censo de 2010 que 99% das casas da região têm água, boa parte dos moradores conta com um serviço bastante irregular, desembolsando de R$ 5 a R$ 12 mensais para as associações, sem garantia de abastecimento contínuo. Há relatos de falta d’água por mais de uma semana. Fica a cargo das associações levar água da parte baixa para o alto do morro, arcando com despesas com manobristas e consertos — mas a bomba é da Cedae. Segundo a estatal, a ampliação da rede no Complexo da Penha está por conta do Morar Carioca (plano da prefeitura para urbanizar todas as favelas até 2020). No Alemão, a Cedae informou que vai recuperar quatro reservatórios.


País

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Aposentadoria de políticos pesa aos cofres públicos Extinto em 1999, o Instituto de Previdência dos Congressistas tem orçamento para 2012 de R$ 135,95 milhões

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antigo Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC), extinto em 1999, ainda onera os cofres públicos da União com o pagamento de aposentadorias e pensões de ex-parlamentares. Para 2012, a dotação orçamentária para o pagamento dos beneficiários do antigo IPC para as duas casas do Congresso é de R$ 135,95 milhões. A Câmara informou que 443 ex-deputados federais recebem aposentadorias pelo IPC, além de 521 pensionistas de parlamentares falecidos. No orçamento da Casa, a dotação é de R$ 113,75 milhões para este ano; já foram pagos R$ 16,9 milhões. O Senado informou que há 78 senadores aposentados pelo IPC, mas não deu o número de pensionistas. A dotação para o pagamento desses benefícios para 2012 é de R$ 22,2 milhões. Entre os 78 senadores aposentados pelo IPC, onze estão com o benefício suspenso porque exercem mandato eletivo: cinco senadores, cinco deputados federais e um deputado estadual. Criado em 1963, o IPC permitia que parlamentares se aposentassem com oito anos

ANTÔNIO CRUZ/ABR

de mandato e 50 anos de idade. Quem se aposentava com oito anos de mandato recebia o benefício proporcional: 26% do subsídio parlamentar. Hoje, esse valor corresponde a R$ 4,26 mil (levando-se em conta o subsídio parlamentar de R$ 16,5 mil). Segundo a Câmara, são descontados desse valor 27% de imposto de renda e 11% de previdência. A Câmara informou ainda que a grande maioria dos benefícios pagos pelo antigo IPC é equivalente a 26% do subsídio parlamentar. Para o parlamentar ter direito à aposentadoria integral era preciso ter 30 anos de mandato de contribuição para o IPC, ou se aposentar por acidente de trabalho ou invalidez. Quando eleito, o parlamentar se associava ao IPC e podia inscrever a mulher e filhos menores de 21 anos, como beneficiários. A pensão equivalia à metade do valor do benefício. Com a pressão da opinião pública, o IPC foi extinto em 1997, quando se criou o Plano de Seguridade Social dos Congressistas. Mas foi garantido o direito a aposentadoria/pensão pela regra antiga a quem exerceu mandato até o começo de 1999.

SENADO VALTER CAMPANATO

ONGs contra a corrupção, fincaram 594 vassouras verde-amarelas na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso

ROOSWEL PINHEIRO/ABR

HIDROGRÁFICA

Tarifa pode ser cobrada por bacias de grandes rios

Livros já contam com sistema em linguagem Braille, para cegos

MP prevê recursos para produtos aos deficientes O Senado aprovou sem alterações, o projeto de lei proveniente da Medida Provisória (MP) 550 que permite ao governo subsidiar empréstimos para que pessoas com deficiência possam adquirir equipamentos como cadeiras de rodas e carros adaptados. Os senadores autorizaram a União a conceder subvenção econômica de R$ 25 milhões por ano a instituições financeiras oficiais para que elas

forneçam crédito aos deficientes físicos. O governo poderá editar um ato a fim de definir o limite de renda para poder ter direito ao financiamento. No mesmo ato também será explicitado quais são os bens e serviços de tecnologia que poderão ter o crédito subvencionado pela União. A matéria, que recebeu apoio de diversos senadores durante a sessão, foi aprovada em votação simbólica.

A cobrança pelo uso da água nos rios de domínio da União, hoje restrita a quatro bacias hidrográficas, poderá se estender, ainda este ano ,,para as bacias do Paranaíba, que banha os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal, e do Verde Grande, integrante da Bacia do São Francisco. Segundo o gerente de Cobrança pelo Uso de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA), Giordano de Carvalho, a iniciativa é sempre dos comitês de bacias, que recebem apoio técnico da instituição. No momento, estão sendo elaborados os planos de Recursos Hídricos das novas bacias, sem os quais a cobrança não pode ser iniciada. As bacias interestaduais que já cobram pelo uso dos

recursos hídricos são as dos rios Paraíba do Sul, entre São Paulo, o Rio de Janeiro e Minas Gerais; Piracicaba, Capivari e Jundiaí, entre São Paulo e Minas Gerais; São Francisco, que envolve sete Estados brasileiros; e Doce, entre Minas e o Espírito Santo. Carvalho informou que futuramente - “existe uma previsão para 2015” - a cobrança poderá ser feita também nas bacias do Rio Grande, entre São Paulo e Minas Gerais, e do Paranapanema, entre São Paulo e o Paraná. A cobrança é um instrumento econômico de gestão dos recursos hídricos, criado pela lei 9.433/97. O valor é calculado pelos comitês de bacias hidrográficas. A ANA operacionaliza a cobrança e recebe o dinheiro arrecadado, que é repassado integralmente.

Manifestantes contra transposição do São Francisco


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Mundo

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Famílias americanas mais informadas sobre autismo O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA indicou, em dez anos, um aumento na estatística da síndrome, antes camuflada pela desinformação

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ovos dados divulgados pelos CDCs (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) indicam o que, à primeira vista, parece um aumento preocupante dos casos americanos de autismo -problema mental que pode atrapalhar de forma severa as interações sociais e o desenvolvimento da linguagem. O transtorno, que afetava uma em 150 crianças americanas no ano 2000, passou a acometer uma em 88 crianças em 2008, último ano para o qual existem dados consolidados. O grande problema, no entanto, é saber o que esses números significam. Em primeiro lugar, eles são uma estimativa, obtida a partir de dados recolhidos por uma rede de monitoramento do autismo que atua em 14 dos 50 Estados americanos. São, portanto, uma extrapolação, não um censo de todas as crianças americanas que têm o problema, carecendo de maiores informações para chegar aos números exatos. Também é difícil saber se o problema está aumentando de fato ou se médicos e pais apenas melhoraram sua capacidade de detectá-lo. Mark Roithmayr, que preside a ONG Autism Speaks, diz

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que os números são resultado de “diagnósticos melhores, mais amplos (que consideram mais pessoas como autistas) e uns 50% que nós não sabemos como explicar”. Já para o pesquisador Estevão Vadasz, coordenador do programa Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, o número recém-divulgado não inspira muita confiança. Famílias informadas “Não há razão para aumento da prevalência. Agora estamos mais aparelhados para fazer diagnóstico e as famílias estão mais informadas, correm atrás”, diz ele. Mesmo que a explosão de casos seja real, o difícil é explicar o porquê dela. Com exceção dos fatores genéticos, que parecem ser muito importantes, não há relação clara entre variáveis ambientais e autismo. A hipótese de que certas vacinas poderiam aumentar o risco de desenvolver o problema foi desacreditada, como outras ideias do tipo. Outra dificuldade em estimar números é que o autismo não é uma doença com manifestação uniforme, mas o que se costuma chamar de “espectro do autismo”.

ANTITABAGISMO

Austrália retira logomarca de cigarros das prateleiras Vinte e cinco anos após ter limitado o fumo em ambientes fechados, a Austrália deve se tornar, no final do ano, o primeiro país a tirar as logomarcas dos maços. A ideia é usar 75% da frente e 90% do verso do pacote para grandes fotos e mensagens de alerta à saúde. A identificação do produto terá uma forma padronizada, em duas pequenas faixas. No Brasil, que baniu os fumódromos no fim de 2011, o banimento às logomarcas não está no horizonte. Jane Halton, secretária do departamento de saúde e envelhecimento da Austrália,

disse que uma decisão como essa requer engajamento do governo como um todo, incluindo a do presidente do país. “É muito mais simples de se adotar uma política como essa se você tiver coerência dentro do seu governo. Se é visto só como uma questão de saúde, é mais difícil de implementar. E você precisa do presidente para dizer: “Sim, isso é importante, é para o bem do nosso povo”. E é por isso que estamos fazendo”, afirmou. Segundo Halton, o banimento da marca foi o avanço mais lógico no controle do tabagismo na Austrália.

PESQUISA

Médicos e pais apenas melhoraram a capacidade de detectar

Teste do efeito da testosterona A dificuldade de entender como o autismo surge levou pesquisadores como o britânico Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, a estudar a relação entre o transtorno e as características mais comuns da mente humana, como diferenças cerebrais entre homens e mulheres. Para Baron-Cohen, “ser homem

é ter uma forma muito leve de autismo”. Ele postula que o problema, cinco vezes mais prevalente entre meninos do que entre meninas, seria uma versão muito exagerada da relativa falta de empatia dos homens. Agora, ele está estudando o papel da testosterona, hormônio masculino, no cérebro autista.

Falta de substância deixa pessoas vulneráveis à gripe Espada versus escudo, lança versus armadura; a mesma regra básica da antiga história militar vale para o duelo entre micróbios e o sistema de defesa do organismo. Uma enorme equipe de pesquisadores descobriu um “escudo” que permite a camundongos e seres humanos se protegerem do vírus da gripe, notadamente da sua versão letal, como a da epidemia mundial de 2009/2010. Foram 31 “pesquisadores” que realizaram o estudo publicado na revista científica “Nature”; mas

dois deles eram conjuntos de cientistas com dezenas de pessoas cada um. Esse bando foi necessário para produzir os detalhados experimentos que mostram como a proteína IFITM3 atua de modo a ser um “escudo” antivírus ideal. Os camundongos sem a proteína tiveram mais problemas inflamatórios e maior replicação do vírus da gripe A. O mesmo foi descoberto em seres humanos sofrendo com a doença, cuja severidade foi claramente vinculada ao tipo de proteína IFITM presente no organismo.


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Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

diadia@emtempo.com.br

Jaraqui é o peixe com mais ômega 3 Dia a dia C5

(92) 3090-1041

NILSON BELÉM Equipe EM TEMPO

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assumiu a autoria do assassinato e inocentou Olgaci, não sabemos por que ele ainda continua preso”, afirmam os familiares. O autônomo Erivelton Oliveira da Cunha, 54, irmão de Olgaci, conta que a família

Não sei mais o que é sorrir. Todos os dias oro de joelhos e peço a Deus que meu filho seja liberado da prisão. Ele é inocente Maria Oliveira, mãe de Olgaci

Há quatro anos a mãe e o irmão de Olgaci Oliveira tentam provar a inocência dele no crime. Novo julgamento é esperado

gastou uma fortuna contratando advogados, que ingressaram com cinco recursos e apelações junto ao tribunal pedindo a anulação do júri. Em julho de 2008 Olgaci foi condenado em um primeiro júri a uma pena de 45 anos, três meses e dois dias. Depois seguiram-se outras três condenações, além de cinco recursos e apelações, também rejeitados pelos magistrados. “Não sei mais sorrir. Toda noite peço a Deus que a justiça seja feita ao meu filho”, afirma Maria Oliveira, de 82 anos.

Caso possui falhas processuais

ARQUIVO EM TEMPO/BRENO FREITAS

reso, cumprindo uma pena de 45 anos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no quilômetro 8 da BR–174 (que liga Manaus a Boa Vista), o industriário Olgaci Oliveira da Cunha, 44, afirma ser inocente do crime pelo qual foi condenado. Segundo a família do detento, o verdadeiro assassino já teria confessado na justiça a verdade, mas o poder público estaria fazendo “vista grossa” para o caso. O Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) determinou que seja feito um novo julgamento, mas que não tem data prevista para acontecer. Olgaci foi preso em 2008 junto com Joel Araújo, 23, acusado de assassinar, no dia 6 de dezembro de 2006, no município do Careiro Castanho (a 110 quilômetros de Manaus) o agricultor Paulo Youiti Nomura, 58. A família do presidiário alega que Joel confessou ser o culpado do crime, mas Olgaci continua na penitenciária. “Em depoimentos prestados à polícia, à Justiça e à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do Amazonas (OAB-AM), Joel

Família afirma que o industriário Olgaci da Cunha está preso injustamente. O verdadeiro culpado do crime teria confessado a verdade, mas a Justiça faz ‘vista grossa’ para o caso ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

r e t e d o p a ç i t s Ju

Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM acompanha o caso

Uma das iniciativas dos parentes foi buscar ajuda ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), Epitácio Almeida, que iniciou um procedimento de apuração para reunir provas sobre o crime. Uma das iniciativas do presidente foi ir ao Compaj no dia 6 de novembro de 2010, e tomar os depoimentos de Joel e Olgaci. No presídio Joel reiterou o que já havia dito na polícia assumindo a culpa pelo crime e inocentando Olgaci. Epitácio Almeida considera que o caso possui falhas processuais graves que precisam ser reparadas para que a justiça possa ser restabelecida em relação ao acusado. Epitácio afirma que a culpa do industriário foi formada baseada apenas em um depoimento, sem a

participação de familiares e de defensores públicos. Em depoimento colhido no presídio, Joel contou que no dia do crime estava bebendo com um primo, na época menor de idade,

REVELAÇÃO

Segundo investigações da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM, um processo de apuração dos fatos revelou que Olgaci teria sido acusado de participar do crime de forma errônea e decidiu ir até o sítio de Paulo Noruma cobrar uma dívida trabalhista. O acusado contou que trabalhou por sete meses na fazenda, e ao ser demitido não recebeu o que merecia.

Ao bater na porta da casa de Nomura, Joel disse que queria receber mais dinheiro, mas o agricultor falou que não iria pagá-lo. Houve uma discussão entre o trio e Joel tirou uma faca da cintura e desferiu um golpe no pescoço do agricultor. Enquanto isso, seu primo agrediu a esposa de Nomura, Maria de Nazaré Fernandes e a filha, Cecília Nomura. Após praticarem o crime, Joel e o primo fugiram para o município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), mas na mesma noite retornaram para Manaus, onde foram presos em uma casa no bairro Compensa, Zona Oeste. Conduzidos ao 5º Departamento Integrado de Polícia (DIP), Joel conta que diante da presença dos parentes do agricultor assassinado, foi torturado para que acusasse a participação de Olgaci no crime.

Justiça determina novo Júri Depois de uma análise, o desembargador do TJAM, Djalma Martins entendeu que a decisão dos jurados no julgamento de Olgaci era contrária às provas dos autos e determinou que um novo julgamento fosse realizado. “A decisão dos jurados desviou-se flagrantemente da prova, e, portanto, não tem como se sustentar, sob pena de comprometimento da verdade. Dá-se parcialmente provimento ao apelo dos advogados para cassar a decisão, submetendo Olgaci Oliveira a novo julgamento”, descreveu em seu despacho. A família comemora.


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WETHERSANTANA/AE

Lei Seca enfraquece após determinação do Supremo Tese aprovada semana passada pelo tribunal em Brasília abre um precedente perigoso na lei, que fica mais vulnerável MÁRIO OLIVEIRA

WILLIAM GASPAR Especial EM TEMPO

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Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu na semana passada que apenas o teste do bafômetro ou o exame de sangue podem atestar o grau de embriaguez do motorista para desencadear uma ação criminal. A maioria dos ministros do tribunal acredita que exames clínicos e testemunhas não servem para comprovar o desrespeito à Lei Seca. Essa ação dificulta a aplicação da medida no país, uma vez que o motorista pode se recusar a soprar o bafômetro ou fazer o exame de sangue. Segundo o professor de direito penal da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cássio André Borges, a tese serve como orientação para as demais instâncias do judiciário e não necessariamente é uma lei que interfere diretamente nas infrações. De acordo com o STJ, a Lei Seca trouxe critérios objetivos para a caracterização do crime de embriaguez, tipificado pelo artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). É necessária a comprovação de que o motorista esteja dirigindo sob influência de pelo menos seis decigramas de álcool por litro de sangue. Esse valor pode ser atestado somente pelo exame sanguíneo ou pelo teste do bafômetro. “Essa decisão não é algo em que eu me basearia. Ela abre um precedente perigoso”, opina o especialista em direito. A diretora-presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Mônica Mello explica que o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), diferentemente da legislação penal, não traz “margem de tolerância”. Ela afirma que conduzir veículos sob a influência de álcool, em

qualquer situação, implica na penalidade. “Essa tese gera a impunidade. É direito não produzir provas contra si, mas acredito que isso deva valer quando não agride o direito do próximo”, defende. A prova testemunhal e o exame clínico, de acordo com Mônica Melo, continuam tendo validade para a aplicação da multa de R$ 955 por infração gravíssima e para a suspensão do direito de dirigir por um ano. “O que muda com a decisão do STJ é que o motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro não vai mais responder pelo fato

DETERMINAÇÃO A diretora-presidente do Detran-AM, Mônica Melo disse que o Código Brasileiro de Trânsito (CTB) não traz margem de tolerância. E conduzir carros com sinais de embriaguez implica em penalidade

O cinegrafista Alessandro Pinto não aprova a definição do STJ, e diz que a medida coloca em risco a vida de todos no trânsito

na Justiça, mas isso não significa dizer que ele não será punido de alguma forma”, ressalta a presidente. A população Em Manaus, a decisão tomada em Brasília não agradou aos motoristas. Para o enfermeiro Edeni Silva Chaves, os membros do STJ abriram margem para a impunidade no trânsito. “O carro pode se tornar uma arma sobre rodas. Se já oferece perigo para alguém sóbrio, vai fazer um grande estrago se for conduzido por alguém alcoolizado”, opina. Quem também desaprovou a atitude tomada no tribunal foi o cinegrafista Alessandro Pinto.“Vejo pessoas bêbadas fazendo rachas nas ruas e pondo várias vidas em perigo. Essa decisão coloca em risco a segurança de todos”, diz.

Ministro da Justiça defende

O que deixa de valer com a Lei

Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu a proposta de que o Congresso Nacional modifique a lei. “Há uma decisão final e isso faz com que tenhamos que, rapidamente, dialogar com os líderes no Congresso para modificar a lei. Se a medida, continuar da forma que está redigida, não tem condições de atingir a punibilidade que precisamos para esses casos”, disse o ministro. Entre as mudanças defendidas pelo governo para endurecer a Lei Seca, está

Quando o motorista se nega a fazer o teste do bafômetro, ele pode ser considerado embriagado pela autoridade de trânsito e pela inversão do ônus da prova. Para fins criminais, no entanto, isso não terá validade. O agente leva o motorista até um médico, que preenche um laudo onde são sinalados pontos como existência de odor de álcool, vestes desalinhadas, equilíbrio, exaltação, olhos vermelhos e agressividade. Essa avaliação (exames clínicos) deixa de ter valor para a Justiça.

a retirada da dosagem alcoólica, que caracterizaria o crime; permitir que uma pessoa em visível estado de embriaguez possa ser condenada, e que sejam utilizadas como provas depoimentos de testemunhas. Dessa forma, o ministro acredita que o bafômetro seja mais utilizado como forma de provar inocência. Diante da polêmica gerada, o governo federal se voltou para essas propostas encaminhadas pelo Ministério da Saúde. Se aprovada, a medida invalida a decisão do STJ da última quarta-feira.

O que ainda vale com a nova determinação: Teste do bafômetro O bafômetro indica o número de miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões, demonstrando se o motorista está dentro do permitido por lei. Pode ser feito no momento da abordagem. Exame de sangue Verifica a quantidade de álcool no sangue e se o motorista consumiu bebidas alcoólicas além do permitido. É feito no Instituto Médico Legal (IML).


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Nome de ruas é motivo de ‘gozação’ a moradores Estima-se que existam ao menos 14 mil nomes de ruas com denominações embaraçosas na cidade de Manaus FOTOS: JOEL ROSA

IZABEL GUEDES Equipe EM TEMPO

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ocê já pensou ter que morar na rua do Vasco, mesmo sendo flamenguista doente? Ou então ao abrir um crediário na loja virar alvo de gozação porque mora da avenida Penetração?. Pois várias pessoas precisam enfrentar essas situações todos os dias. A prefeitura, responsável pela administração e mudanças dos nomes de ruas e avenidas da cidade, não tem um número especifico em relação às denominações diferentes colocadas nos endereços dos moradores. Mas estima-se que existam ao menos 14 mil ruas com denominações embaraçosas na cidade. A reportagem do EM TEMPO percorreu algumas delas para ouvir a opinião e as histórias da população em relação ao assunto. Um desses locais encontrados foi no bairro Cidade de Deus, Zona Norte, onde algumas ruas do bairro foram identificadas com nomes de times de futebol. A denominação para alguns não é tão esquisita assim, a não ser que a pessoa more na rua do Vasco ou do Flamengo e seja um torcedor fanático do time contrário, como a dona de casa, Lindacira Castro, 32.

Aqui tem um monte de ruas com nome de time. Mas as brincadeiras são mais frequentes aos times rivais como Vasco e Flamengo Dênis Santos, industriário

Ela assume ser torcedora do Flamengo, mas mora na rua do Vasco há cerca de cinco anos. Para ela a situação é muito engraçada, já que muitas pessoas, inclusive de times adversários, acabam tirando “sarro” da situação inusitada. “Muitas pessoas questionam isso e ficam tirando gracinha. Claro que como boa flamenguista gostaria de morar na rua com o nome do meu time, mas assim como eu, muitos moradores daqui torcem pelo flamengo e a situação acaba virando uma brincadeira”, afirma. Na esportiva Assim como para Lindacira, o industriário Dênis Santos, 25, também leva tudo na esportiva. Apesar de morar na rua Botafogo, não esconde a sua paixão pelo Flamengo e diz que a situação é motivo de piada entre os moradores e diversos torcedores do bairro. “Aqui tem um monte de ruas com nome de time. Mas as brincadeiras são mais frequentes aos times rivais como Vasco e Flamengo. Às vezes a situação fica embaraçosa quando vou fazer um cadastro em uma loja, por exemplo, e dou o endereço. Sempre me perguntam se torço pelo Botafogo. É até engraçado”, lembra.

A Brigadeiro Hilário Gurjão, no Jorge Teixeira, é conhecida como rua do Fuxico, por conta de um grupo de senhoras que falava da vida dos outros

A ‘Penetração’ virou piada O questionamento sobre o endereço também virou motivo de piada na vida do comerciante Paulo Souza, 42. Morador da rua Penetração, Cidade Nova, Zona Norte, conta que vivenciou situações engraçadas e até constrangedoras por causa do nome da rua. “O nome é meio inapropriado para uma rua. Uma vez fui fazer entrevista e acharam que eu estava mentindo”, garante. Nem sempre a nomeação

dada a uma rua agrada os moradores. A comerciante Raquel Araújo, 30, há 15 mora na antiga rua São Pedro, no bairro do Coroado 2, Zona Leste, disse que o nome da via foi alterado para Sete Quedas, mas todo mundo só usa o nome antigo. O mesmo ocorre com a Brigadeiro Hilário Gurjão, no Jorge Teixeira, Zona Leste, mais conhecida como rua do Fuxico, onde o apelido é usado para facilitar o endereço.

Rua da Penetração, na Cidade Nova, é levada na esportiva

Por vontade da população A escolha e a troca de nomes de ruas, de acordo com o Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb) segue a legislação em vigor, determinada por uma lei municipal. Em alguns casos, de acordo com o antropólogo e coordenador do Núcleo de Cultura Política da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, o que prevalece é a vontade do povo. Isso porque, mui-

tas vezes, mesmo com a mudança de um nome de determinada rua da cidade, as pessoas acabam não utilizando a identificação atual e se prevalecem do “direito” de permanecer falando o nome antigo ou apelido. “O nome da rua, muitas vezes dado pelos próprios moradores, nem sempre é de acordo com a legislação. Mas é uma forma de atribuir à identidade do lugar de acordo com os habitantes”, avalia.


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O crime está sendo ‘organizado’ no presídio

FOTOS: REPRODUÇÃO

Investigações do Ministério Público do Estado apontam que detentos controlam o tráfico de drogas na cidade NILSON BELÉM Equipe EM TEMPO

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repercussão do caso da “festa particular” regada a cerveja, churrasco e TV de LED na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) pode levar todos os 12 envolvidos no caso a serem transferidos para presídios federais. A decisão faz parte de um procedimento instaurado há dois meses pelo coordenador do Centro de Apoio Operacional de Combate às Organizações Criminosas (Cao-Crimo) do Ministério Público do Estado (MPE-AM), promotor Fábio Monteiro, que monitora a atuação do crime organizado dentro dos presídios da capital. Investigações do MPE apontam ainda que, celulares, drogas, bebidas e mulheres para prostituição, tinham facilidade de entrar nas unidades prisionais com a conivência de diretores e agentes penitenciários. Porém, o mais grave apontado nas investigações, é que, mesmo de dentro das prisões, presos estariam comandando o tráfico de drogas nas ruas de Manaus, e até assassinatos. “Nossas proposta é tirar esses detentos do Estado.

É o caminho mais viável e natural. Esses presos são perigosos”, diz Monteiro ao afirma que pretende se reunir o mais breve possível com o promotor e o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), com a cúpula das Secretarias de Estado de Segurança (SSP) e de Justiça e Cidadania (Sejus) para definir como será feito

INVESTIGAÇÃO

O Ministério Público Estadual instaurou um procedimento há dois meses para monitorar a atuação do crime organizado dentro dos presídios da capital. Revelações são gravíssimas e ameaçadoras esse procedimento. No processo instaurado para investigar a “farra” no presídio, a Secretaria Executiva de Inteligência (Seai) da Secretaria de Segurança Pública (SSP), descobriu que o crime vem se organizando dentro das penitenciárias e tentando se transformar em um poder paralelo. De acordo com Fábio Monteiro, essas organizações criminosas podem se manifestar quando diretores e

Atentado planejado na cadeia Um dos alvos da ousadia do crime organizado foi a ameaça sofrida pelo juiz da Vara Especializada de Combate ao Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), Mauro Antony, que foi informado sobre a existência de um plano para assassiná-lo, em novembro do ano passado. Uma investigação da SSP apontou como autor da tentativa o traficante Márcio Pessoa da Silva, o “Marcinho Matador”, preso na operação “Tentáculos” deflagrada pela Polícia Civil no ano passado. “Marcinho” é dos detentos que aparece no Facebook participando da “festa” dentro do presídio e teria feito as ameaças ao magistrado de dentro da própria penitenciária. O presidente do Sindi-

cato dos Servidores Penitenciários do Amazonas (Sinspeam), Antônio Jorge de Albuquerque, disse já ter a procurado a Sejus para denunciar as irregularidades que ocorrem dentro do sistema prisional e as ameaças que os agentes carcerários recebem de detentos. “Quem sofre mais são os agentes. Somos reféns do crime dentro dos presídios. Você não sabe o que esses presidiários são capazes, mesmo estando nas penitenciárias. Eles falam que sabem onde moramos, quem são nossos parentes”, afirma. Antônio Jorge falou de uma situação ainda mais grave. “Dois colegas nossos já foram assassinados só porque resolveram bater de frente com detentos perigosos”, afirmou. ARQUIVO EM TEMPO/BRENOFREITAS

Fábio Monteiro investiga “farra” dentro dos presídios

agentes de unidades prisionais são corrompidos. . Uma das alternativas para frear, ou pelo menos diminuir esse poder paralelo do crime organizado nos presídio é a transferência dos chamados “xerifes” para presídios federais. “Cortando os ‘cabeças’, ou seja, mandando para fora os que comandam a quadrilha, vai desestruturar o crime organizado fazendo com que o mesmo demore a se organizar novamente”, explica. A outra medida seria fazer cumprir o que determina as Leis de Execução Penal vigentes no país, que preveem um regime disciplinar diferenciado para presos perigosos, ou seja, usar todo o rigor da lei: “Para que isso ocorra é preciso o envolvimento das autoridades como o próprio MPE e o Poder Judiciário que devem ser céleres e evitar que os criminosos usem as ‘brechas’ para conseguir habeas corpus e voltem impunes para as ruas”, diz Monteiro.Estremecido com essa falta de controle carcerário, na última sexta-feira (30), o titular da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), Lélio Lauria, pediu exoneração do cargo.

Após ‘festa’ secretaria se cala Antes do anúncio do pedido de afastamento do ex-secretário Lélio Lauria na última sextafeira (30), a assessoria da Sejus informou que não poderia se manifestar sobre a denúncia da existência do crime organizado dentro dos presídios da capital. Mas reafirmou a abertura de sindicância para apurar as denúncias envolvendo os presos do Puraquequara. A assessoria informa que, tão logo tomou conhecimento da denúncia, a secretaria determinou o afastamento do diretor do presídio e providenciou a transferência dos detentos para outras duas unidades de Manaus - o Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e o Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDP), localizados na BR-174 (que liga Manaus a Boa Vista). A sindicância tem prazo de 30 dias para ser concluída e, após o encerramento das investigações, se for comprovada a participação de funcionários, os mesmos serão demitidos. Cada preso responderá processo disciplinar que poderá resultar em sanção de 30 dias de isolamento na cadeia pública. Presos fazem “reuniãozinha” dentro de uma cela da Unidade Prisional do Puraquequara


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FOTOS: HUDSON FONSECA

Tradicional jaraqui é o mais rico em ômega 3

O peixe apresenta um percentual alto em gordura ômega 3, que evita a morte das moléculas do corpo humano LUCAS PRATA Equipe EM TEMPO

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jaraqui é o pescado regional mais rico em ômega 3, tipo de gordura benéfica à saúde. Novos estudos apontam que o peixe possui uma vitamina essencial que o corpo humano não é capaz de produzir. Com essa descoberta, o povo amazônico se torna um grande beneficiado dessa riqueza natural. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o município de Maués (a 276 quilômetros da capital) é a região onde as pessoas apresentam idade acima da média brasileira. A maioria dos idosos leva uma vida saudável acima de 80 anos. Ao levantar os fatores que contribuíram para esse alto índice de longevidade, o jaraqui surgiu como uma das principais fontes. Durante uma pesquisa realizada pelo doutor em geriatria, Euler Ribeiro sobre o envelhecimento do homem na floresta amazônica, foi descoberto que um dos fatores que contribuem para a longevidade da população é a alimentação. “O povo do mediterrâneo come muito peixe do mar, azeite e vinho. Já os ribeirinhos não possuem esses alimentos, mas tem as frutas da floresta, guaraná, o açaí e principalmente os peixes, que tem proteínas de fácil absolvição em relação aos de mar. O jaraqui é mais rico em ômega 3, 6 e 9 do que o salmão, o atum e sardinha”, ressalta o especialista. Ainda segundo Ribeiro, a

GIOVANNA CONSENTINI

gordura ômega 3, evita a morte da molécula do corpo humano. “O jaraqui na região amazônica é abundante, fácil de ser capturado e saboroso, por isso é o mais consumido, e um dos responsáveis por essa expectativa ampliada da vida. E um antioxidante de origem gordurosa, que inibe a morte celular, assim o ser humano vive mais. A cada 100 gramas de carne de jaraqui, nós temos uma fração em torno de 0,06 miligramas acima dos peixes do mar”, complementa Ribeiro. Perfil nutricional elevado Após uma pesquisa realizada com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) com sete espécies de peixes da Amazônia, constatou-se que o jaraqui possui um perfil nutricional elevado de ômega 3. De acordo com o engenheiro de pesca Rogério Jesus a ideia da pesquisa foi avaliar o teor nutricional e agregar valores às espécies para que eles componham a dieta dos povos da Amazônia. “Foram analisados o pacu, o jaraqui, a branquinha, o curimatã, a pirapitinga, o aracu e o mapará. A carne dos animais possui elevados níveis de proteína, sais minerais e ácidos graxos para uma dieta saudável e balanceada. O valor nutritivo desses peixes é igual ou maior que o das espécies marinhas. No jaraqui, foi encontrada a maior concentração de ácidos graxos, que previnem doenças coronarianas.O marapá possui 20% de gordura, enquanto o jaraqui tem cerca de 2%, sendo tido como um peixe semigordo”, explica.

O vendedor Pedro de Araújo comenta que a procura pelo jaraqui é grande nas feiras. O produto proporciona uma vida longa

Peixe mais procurado na banca O feirante Pedro de Araújo de Lima Filho, 44, que tem uma banca na rua Amazonas, bairro Grande Vitória, Zona Leste, comenta que o jaraqui é o peixe mais vendido em sua banca e tem clientes que só compram ele. “O jaraqui é um dos peixes mais tradicionais da nossa região, é também o mais procurado. Por dia, vendo aproximadamente 30 peixes dependendo do movimento. O valor varia de 6 a 7 unidades por R$ 10. Tenho clientes que só compram jaraqui comigo, devido a qualidade”, ressalta. O auxiliar de produção Antônio de Aragão, 59, comenta que o jaraqui é o peixe preferido dele. Todas as semanas ele compra uma dezena e deixa guardado em sua geladeira. “Primeiro que o peixe, in-

Tabela do valor calórico dos peixes da Amazônia Espécie Aracú comum Branquinha Curimatã Jaraqui Mapará Pacú Pirapitinga

Energia (kcal) 117.59 110.14 109.33 97.79 241.62 112.05 107.15 Antônio de Aragão procura colocar o peixe em seu cardápio

dependente da espécie é o meu prato principal. Mas o jaraqui é o meu preferido por ser uma comida saudável. Como trabalho em uma fábrica, todos os dias no almoço eles servem carne ou frango. No jantar busco fazer uma refeição diferente”, ressalta. A aposentada Camila Rodrigues Santana, 80, afirma que gostaria de consumir peixes todos os dias, mas devido ao preço em comparação com a carne bovina e de frango fica inviável. “O quilo do peixe é mais caro do que o de outras carnes e não rende tanto por ter espinhas. Como o jaraqui tem o preço mais acessível compramos mais ele, e assim podemos satisfazer o desejo. Agora, além do preço, o beneficio para a saúde também pesa no cardápio amazônico”, destaca.


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Quatro novos campi vão ampliar interiorização Municípios de Itacoatiara, Tefé, Eirunepé e Humaitá receberão unidades do Ifam ainda este ano para atender 5 mil alunos DIEGO JANATÃ/FREELANCER

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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uatro novos campi do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) serão construídos no interior do Estado. Os municípios que receberão as novas unidades são Itacoatiara, Tefé, Eirunepé e Humaitá. As obras iniciam no segundo semestre deste ano e a previsão para entrega é julho de 2013. Os institutos irão atender aproximadamente 5 mil alunos nos cursos integrado e superior, voltados para as áreas agrícolas, industrial e de serviço, contemplando os três setores da economia. O lançamento dos editais para a construção dos campi, ao custo de R$ 8 milhões cada, está previsto para o mês de maio. Segundo o reitor do Ifam, João Martins Dias, o projeto de interiorização dos institutos de ensino vem sendo incentivado pelo governo federal, que pretende, ainda na gestão da presidente Dilma Rousseff, construir 600 mil escolas profissionais em todo Brasil e alcançar a marca de 1 milhão nos governos se-

guintes. Atualmente, existem 370 mil escolas. “É importante essa expansão porque o Estado do Amazonas tem o maior número de municípios distantes, daí a necessidade de a gente não levar somente modernidade, mas conhecimento profissional técnico para que esse pessoal capacitado possa provocar produção, principalmente de alimentos. Queremos que aprendam, e, por meio da tecnologia, provoquem desenvolvimento sustentável”, disse. O instituto possui dez polos. Os campi mais antigos em Manaus datam do final da década de 30: o do Centro (ex-Escola Técnica Federal do Amazonas), Distrito Industrial, na Zona Sul; e na Zona Leste (antiga Escola Agrotécnica do Amazonas), além do município de São Gabriel da Cachoeira, criado em 30 de junho de 1993. O processo de expansão foi iniciado em 2007, com a construção do campus de Coari. Em seguida, entre 2009 e 2012, os municípios de Presidente Figueiredo, Tabatinga, Lábrea, Parintins e Maués também receberam uma filial do instituto.

Início como Escola de Aprendizes

O reitor João Diz mostra o avanço do ensino técnico e tecnológico no interior do Amazonas

Aulas começam em fevereiro Apesar da previsão de entrega dos prédios para julho de 2013, as aulas devem iniciar em fevereiro do próximo ano. João Dias apontou que o instituto deve fazer convênio com as prefeituras municipais

para que sejam cedidos ambientes provisórios para comportar os alunos. As unidades irão oferecer curso integrado (médio e técnico) nas áreas de informática, edificações e química e superior em diversas

áreas. De acordo com o reitor, a escolha dos cursos não é feita de forma aleatória e segue análise dos Arranjos Produtivos Locais, Sociais e Culturais (APLS), com o objetivo de desenvolver a economia das localidades.

O Ifam iniciou suas atividades em 1909 por iniciativa do presidente Nilo Peçanha, que criou as Escolas de Aprendizes Artífices responsáveis pelo ensino prático e conhecimentos necessários aos menores que pretendiam aprender um ofício. A sede ficava no bairro da Cachoeirinha, Zona Sul, e possuía 33 alunos que tinham aulas de sapataria, tipografia, desenho e marcenaria. Em 1937 a escola tornou-se Liceu Industrial e passou a oferecer cursos voltados ao setor industrial. No dia 10 de novembro de 1941, foi inaugurado o atual prédio, na avenida Sete de Setembro, passando, a se chamar Escola Técnica de Manaus.


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Robótica é usada para o ensino da matemática Alunos da Escola Estadual Daisaku Ikeda, no Jorge Teixeira, têm na robótica uma ferramenta para resolver cálculos DIVULGAÇÃO

AURIANE CARVALHO Equipe EM TEMPO

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eças de computador, ventilador, rádio e baterias de celular, entre outros produtos que seriam jogados na lata do lixo, hoje são utilizados por alunos do 8º ano da Escola Estadual Daisaku Ikeda, localizada no bairro Jorge Teixeira 4, Zona Leste de Manaus, para montar protótipos de robôs e maquetes móveis que simulam movimentos. A ideia inicial foi apresentar um trabalho diferente durante o aniversário de seis anos da escola, comemorado no último dia 6 de março, onde cada turma deveria preparar uma apresentação para homenagear a instituição. No entanto, o trabalho acabou ganhando uma proporção maior: mostrar aos alunos que é possível aprender física e matemática brincando e construindo. O idealizador do projeto, o professor de matemática da instituição, Moisés Ricardo de Queiroz, formado em Ciência da Computação e Matemática, com especialização em educação matemática, está convicto disso. “Percebi que, com a brinca-

deira, os alunos passaram a gostar mais da disciplina, pois eles aprendem brincando, o que é mais louvável. Passamos um domingo discutindo e montando essas maquetes. O resultado foi surpreendente, ou seja, a robótica sendo utilizada como ferramenta pedagógica”, relembra. Com o invento, o professor passou a ministrar um curso de noções básicas de robótica, passando assim a montar e dar vida às maquetes e protótipos. O resultado, segundo ele, foi um sucesso e passou a aplicar suas experiências no ensino diário da disciplina matemática. “Vivemos em uma época onde a tecnologia, além de avançar expontaneamente, está em toda parte, influenciando e mudando as relações e processos sociais. Então é necessário torná-la nossa aliada no ensino, não só da matemática, mas por seu caráter multidisciplinar, em todas as outras matérias” explica Moisés. De acordo com o professor, os alunos já estão se preparando para fazer outro trabalho para ser apresentado na Feira de Matemática, que será realizada no dia 31 de maio, na escola.

Estudantes reciclam o que seria lixo

Estudantes de escola pública usam sucatas que iriam para o lixo para facilitar a aprendizagem

Ação descobre jovens arquitetos O projeto da escola acabou revelando novos talentos e aptidões, como a da aluna do 8° ano, Leilane Marinho, 13, que sempre teve facilidade em matemática e foi um das “arquitetas”, que projetaram a maquete. “Eu pretendo fazer engenharia mecatrônica, então foi maravilhoso aprender a

mexer e a montar os protótipos. Inclusive quem não gostava de exatas acabou descobrindo seu talento ao mexer com os robôs” diz Leilane, que também participa do projeto Casa da Física, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A interação do trabalho em grupo também foi

destacada pelos estudantes como um dos principais fatores para o sucesso do projeto. “O trabalho em conjunto e a organização foi essencial para a realização do projeto. Com as etapas e as tarefas de cada um, bem definidas, foi muito mais fácil e rápido trabalhar” contou a estudante.

O projeto de robótica educacional ainda precisa se estruturar para continuar, mas por enquanto as experiências produzidas continuam a servir de ferramentas para as aulas de matemáticas, e, a direção da escola, já se disponibilizou a dar todo o suporte necessário para a ampliação contínua do projeto. “Uma iniciativa tão positiva como essa deve ter prosseguimento e nós temos o dever de dar todo o apoio”, destaca a gestora da escola, Irenilce Lasmar. O professor Moisés destaca. “No futuro, pretendemos ter uma sala temática onde os alunos possam fazer as experimentações”, disse.


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Mulheres vulneráveis a quedas após os 60 anos Pesquisa feita pelo Módulo de Saúde Vila da Prata, Zona Oeste, revelou que 92% das quedas ocorreram dentro de casa ARQUIVOEMTEMPO/BRENO FREITAS

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MÔNICA FIGUEIREDO Equipe EM TEMPO

dosos da faixa etária acima de 60 anos estão mais vulneráveis a quedas e são as mulheres, as maiores vítimas. De acordo com o médico geriatra (especialista no tratamento de doenças da velhice) Gefferson Ferreira, as pesquisas revelam que mulheres acima de 65 anos são as que mais caem. Os homens representam apenas 25% desses registros. Ferreira definiu como queda a mudança para o nível inferior pela instabilidade do corpo. Além do fator idade, estão entre os principais motivos da queda: doenças que comprometem o aparelho osteomuscular; o sedentarismo; medicamentos diuréticos, digitálicos, antidepressivos; e obesidade. “Polifarmácia é outro fator que compromete muito também. Aquele paciente que vai ao médico e só sai de lá com uns 15 remédios contribui”, comentou. Uma pesquisa realizada entre os pacientes idosos do Módulo de Saúde Vila da Prata, Zona Oeste, em 2011, revelou que 22% dos idosos que já

caíram consomem bebidas alcoólicas. “Esses não são dados nacionais. São dados da nossa área de abrangência. Eles relataram que fazem uso de álcool”, frisou a diretora da unidade, Sonaira Castro. A diretora destacou ainda que nessa mesma pesquisa, 36% dos idosos disseram que não precisam de cuidadores e que,

PESQUISA

O médico geriatra Gefferson Ferreira, especializado em doenças da velhice, garante que mulheres acima de 65 anos são as que mais caem. Os homens representam apenas 25% dos registros na maioria dos casos, preferem viver sozinhos. O levantamento revelou, ainda, que 92% das quedas registradas ocorreram dentro da casa do idoso e apenas 8% foram motivados por fatores externos. “Dentro do ambiente domiciliar é onde se registra o maior número de mortes de idosos”, afirmou Ferreira.

Hoje no Brasil, a população acima de 60 anos – os considerados idosos de acordo com a lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 – compreende a 12% do total. Até 2025, a expectativa é que haja no país 30 milhões de idosos. No Amazonas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas nessa faixa etária compreendem a 6% da população, representando um total de 209 mil pessoas, sendo mais de 108 mil na capital. Gefferson Ferreira afirmou que Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são os Estados onde se tem registrado o aumento da população idosa e, em contrapartida, a menor quantidade de crianças. E é nesse cenário, de uma população cada vez mais idosa, que se encontram fatores de riscos, entre eles, a queda. Segundo Gefferson Ferreira, quem já caiu uma vez está mais propício a cair de navamente. Isso porque o próprio medo induz a isso. Depressão e problemas de visão também fazem com que o idoso tema sempre por uma nova queda.

A medida que a longevidade aumenta, também cresce a preocupação com a qualidade de vida

As consequências e cuidados Quando há uma queda, a principal consequência é a hospitalização, associada a fraturas, pneumonias, úlcera de pressão, infarto e perda de massa muscular.

“Os idosos passam a ter medo de andar. Mas o importante é prevenir. É sempre mais trabalhoso para a família”, comenta o médico. Os trabalhos de prevenção,

de acordo com Gefferson, são feitos em vários níveis e passam pela abordagem, campanhas, ajuda médica e políticas públicas voltadas para essa faixa etária.


Caderno D

Plateia MANAUS, DOMINGO, 1º DE ABRIL DE 2012

plateia@emtempo.com.br

JOEL ROSA

Artistas comentam Lei Antibaixaria Plateia D3

(92) 3090-1042

HUDSON FONSECA

FAO terá versão completa em alemão da ópera ‘Lulu’ Pela primeira vez, obra de Alban Berg será apresentada na íntegra em palco brasileiro, durante o festival de ópera GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

A

16ª edição do Festival Amazonas de Ópera (FAO) será marcada pela montagem completa da peça “Lulu”, do compositor Alban Berg, pela primeira vez no Brasil. O compromisso com a interpretação fidedigna da obra alemã (mais pelo idioma do que pelas origens austríacas do autor) fez com que a própria Secretaria de Estado de Cultura (SEC), sob a chancela do governo do Estado, trouxesse intérpretes estrangeiros para dar vida a algumas das personagens mais relevantes da ópera. A única montagem de ‘Lulu” anterior a essa aconteceu no fim da década de 1930, no Rio de Janeiro. Contudo, segundo o maestro e diretor dos Corpos Artísticos do Amazonas (no qual está inserida a Orquestra Amazonas Filârmônica, Marcelo de Jesus, apenas os dois primeiros atos da obra foram apresentados na ocasião. “O ópera completa tem três atos, sendo que o último não chegou a ser finalizado por Alban Berg, que morreu antes disso. Outra reflexão é que aquela primeira montagem no Rio foi em idioma italiano. Manaus, além de receber a obra completa, ouvirá em alemão”, diz. Marcelo lembra que a então viúva de Alban, Helene Berg, não autorizou que o terceiro ato da ópera do marido morto fosse interpretado do jeito que estava. “Na verdade, somente depois da morte dela, no fim dos anos 1970, aconteceu de um compositor (Friedrich Cerha) concluir o pouco que faltava para dar um desfecho à “Lulu”, comenta o maestro. Enredo “Lulu” conta a história de uma artista que é testemunha do suicídio do marido, quando este descobre sua traição com um médico (Dr. Schön), que vem a se tornar seu esposo após o episódio trágico. Dona de uma aura sedutora, Lulu atrai inclusive olhares femininos, como da Condessa Geschwitz, que chega a assumir a identidade

de Lulu para acobertá-la do crime de assassinato do próprio marido, Dr. Schön. Lulu é interpretada pela soprano alemã Anke Berndt, convidada especialmente para compor esse elenco. Outra artista “importada” é a mezzo-soprano Ulrika Tenstam, que faz o papel de Condessa Geschwitz. “Não tem como aprender essa ópera, em específico, em poucos meses. Por isso, optou-se por trazer pessoas que já cantaram “Lulu” antes, diz Marcelo de Jesus. Segundo o diretor, a profundidade da composição de “Lulu” está na dificuldade em executála. Para Marcelo, esta é uma montagem para poucos. “Ela é um monumento na música erudita. É uma das mais expressivas e representa um passo muito grande para o festival. De extrema dificuldade, sob todos os aspectos, incluindo a relação da orquestra com o maestro. Geralmente, em uma semana de

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Pepes do Valle, baixo

Vinícius Atique, barítono Murilo Neves, baixo

MARCO

A única montagem de ‘Lulu” em território brasileiro aconteceu no fim da década de 1930, no Rio de Janeiro, quando apenas os dois primeiros atos da obra foram apresentados em idioma italiano

Flávio Leite, tenor Carolina Faria, mezzo-soprano

ensaio com os instrumentistas, conseguimos avançar bastante na execução de uma ópera. Estamos há quatro semanas de trabalho em “Lulu” e muito ainda há por ser feito”, diz. Marcelo explica que esse desafio justifica-se pelo fato da construção musical “dodecafônica”, que é um sistema diferente de composição, criado pelo mentor de Alban Berg, o alemão Arnold Schoenberg, no início dos anos 1920, mudando os rumos da história da música erudita. “É uma ruptura de tudo o que existia até ali. No Festival Amazonas de Ópera, esta deve ser a segunda obra baseada nesse sistema, mas em nível ainda mais elevado de exigência”, afirma.

Alban Berg, compositor

Elenco com grandes nomes líricos A ópera “Lulu” é regida e dirigida pelo maestro Luiz Fernando Malheiro e traz direção cênica de Gustavo Tambascio, cenários de La Tintota, figurinos de Rosa Magalhães, iluminação de Fábio Retti, além do elenco composto por: Carolina Faria, mezzo-soprano (uma camareira, o ginasiano, o valete), Murilo Neves, baixo (o diretor de Teatro / o médico / o banqueiro / o professor), Flávio Leite, tenor (o pintor /um negro), Matteo de Monti, bai-

xo-barítono (Dr. Schon / Jack, o estripador), Juremir Vieira, tenor (Alwa), Pepes do Valle, baixo (Schigolch), Eduardo Amir, barítono (um domador / um atleta), Gilberto Chaves, tenor (o principe / o mordomo / o marques), Tamar Freitas, soprano (uma garota de 15 anos), Andréia Souza, mezzo-soprano (sua mãe), Elaine Martorano, mezzo-soprano (uma decoradora), Vinícius Atique, barítono (um jornalista) e Roberto Paulo, baixo (um criado).

SERVIÇO 16º FESTIVAL AMAZONAS DE ÓPERA Quando: de 20 de abril a 27 de maio de 2012 Onde: Teatro Amazonas Informações: (92)3232-1768 Ingressos: www.bestseat.com. br ou bilheteria do teatro.


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fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br CÉSAR CATINGUEIRA

. Para as ações de socorro aos municípios atingidos pela cheia dos rios, cuja previsão já aponta para uma das maiores da história, foram assinados um termo de compromisso que prevê repasse de R$ 30 milhões para ações de contenção de encostas nos municípios afetados pela erosão durante a subida das águas, além do convênio de R$ 8 milhões que serão usados pelo governo do Estado para emissão do Cartão Solidariedade. Por meio do cartão, o governo do Estado vai destinar R$ 400 para cada uma das famílias em situação de risco.

. O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCEAM), conselheiro Érico Desterro, deu palestra, na sexta-feira pela manhã, em Manaus, aos desembargadores presentes no 91º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil. O convite foi feito pelo presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador João Simões, anfitrião do evento. Iolandinha Oliveira, cheia de alto-astral, em tarde no society

>> Objeto de desejo . Para comemorar a inauguração da nova loja em Tokyo, no Japão, a Leica lançou uma versão especial em cor branca da famosa câmera fotográfica M9. Jéssica Sabbá Tayah, usando Dior, em evento très chic

>> Encontro

. Será uma pocket collection com apenas 50 unidades. Além da exclusividade, linda!

. Na palestra, que durou mais de 90 minutos, o conselheiro Érico Desterro abordou o tema “Os aspectos relevantes do controle exercido pelos Tribunais de Contas em relação ao Poder Judiciário” e alertou aos presidentes das cortes sobre a atenção que o Judiciário deve ter para evitar problemas futuros.

. No repertório, somente hits e, claro, o grande sucesso “Assim você mata o papai”, que está na trilha sonora de “Avenida Brasil”.

A

Fernando Coelho Jr.

. Um dos mais consagrados grupos de pagode do país, o Sorriso Maroto, está em plena comemoração pelos 15 anos de carreira e vem festejar também em Manaus, no próximo dia 13 de abril, no sambódromo, com produção da Fábrica de Eventos.

GUEIR

. O governador do Amazonas, Omar Aziz, assinou na manhã de sexta-feira, com o governo federal, convênios que vão garantir o repasse de R$ 82 milhões para ações integradas de auxílio às famílias atingidas pelas enchentes no Estado e para o programa “Água para Todos no Amazonas”. Os recursos foram anunciados durante cerimônia na sede do governo do Estado, na presença do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.

>> Só sorrisos

CATIN

>> Convênios importantes

CÉSAR

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>> Vitrine >> Ângela e Luís Otávio Bastos decolam para uma temporada no Canadá. >> O ex-ministro Bernardo Cabral vem a Manaus na próxima semana. >> Menga Junqueira está programando a Semana Santa no Rio.

>> Na expectativa de começar, a 1ª Bienal do Livro Amazonas comemora a procura de 80% do projeto Visitação Escolar dentro do evento. No total, serão sete dias destinados à visitação escolar, em que estudantes de 7 a 17 anos vão embarcar no universo literário e curtir as incríveis programações

culturais no Studio 5. >> Tânia Castro abriu atelier no Vieiralves. >> O querido Antonio Silva estreia idade nova neste domingo. >> Janjão Neto inaugurou um Fast Temaki, ao lado da

Beer Dance, com noitada com lista do promoter Rodrigo Santos. >> Ricardo Atala também aniversaria hoje e ganha muitos cumprimentos. >> Amanhã é a vez de Sheila Jacob entrar no alvo de cumprimentos pelo seu aniversário.

>> Numa linda iniciativa, mais de 50 crianças e adolescentes do Abrigo Moacyr Alves foram batizadas na Igreja Nossa Senhora Rainha da Paz, Shangrilá, bairro Parque 10. Na ocasião, cada participante do projeto “Madrinhas e Padrinhos de Coração” adotou por “um dia” uma das crianças substituindo o papel da mãe ou pai biológico.

Ângela Bulbol de Lima, com modelo Nina Ricci e Chanel, em recente e badalado evento no Ephigênio Salles


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Projeto causa polêmica Elaborado pela deputada estadual da Bahia, Luiza Maia, a possível lei pretende proibir a contratação de bandas e artistas que possuam em seu repertório musical composições e coreografias que denigram a imagem da mulher como um todo JOEL ROSA

PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO

A

s músicas que desvalorizem a mulher ou que a exponham a situações consideradas constrangedoras podem estar com os dias contados. Isso poderá ocorrer caso o projeto de lei nº19.237/2011, de autoria da deputada estadual da Bahia, Luiza Maia (PT-BA), seja aprovado, podendo ser repercutido no âmbito nacional. O projeto, que foi votado na última terça-feira, dia 27, prevê a proibição da utilização de recursos públicos para a contratação de artistas que em suas músicas, danças ou coreografias destratem o sexo feminino. O assunto tem causado polêmica entre os brasileiros, sendo assunto até de programas televisivos nacionais. De acordo com a autora da emenda, músicas do axé, forró e swingueira como “ela sai de saia e bicicletinha, uma mão vai no guidon e a outra tapa a calcinha” ou “só as cachorras!”, retratam duplo sentido e inferioridade à classe, mesmo tendo conquistado o linguajar da população que canta as letras. No cenário local, os principais nomes da noites de Manaus opinam sobre a discussão e concordam que aprovação da lei, mesmo sendo na Bahia, poderá causar impacto no panorama amazonense.

Opinião Para o DJ Evandro Jr., que comanda as bandas Xiado da Xinela e Xote com Pimenta, o projeto é inviável e vem contra a ideia de democracia. Ele acredita que, caso seja aprovada pelos parlamentares, não deverá ser cumprida por muito tempo. “Essa deputada está equivocada. Não podemos mandar nas pessoas. Assim como existem músicas que falam da mulher, também tem aquelas que falam dos homens. Se continuar assim, daqui a pouco não poderemos mais fazer músicas”, reclamou, demonstrando indignação. Ao falar sobre o impacto que a promulgação da lei poderá ocasionar, o DJ concorda que, querendo ou não, refletirá no contexto local, mas não bloqueará o gosto e costume do público, que segundo ele, já está acostumado com as letras. “Com certeza a lei causará repercussão local, o que não impedirá as pessoas de ouvir e dançar, como acontece hoje. Se formos analisar, as próprias mulheres brincam com assuntos referentes a elas mesmas, como nas músicas “Os três defeitos” e no funk “Quero trair a minha namorada””. Segundo Jr., essa polêmica é antiga e teve início com as marchinhas de Carnaval como “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é?” e “Maria sapatão, sapatão, sapatão...”.

Artistas ponderam o assunto

Luciano Kikão acredita que deve haver exceções com as letras DIVULGAÇÃO

O cantor Evandro Jr. é totalmente contra o projeto de lei

Com uma opinião balanceada, o compositor Luciano Kikão diz que é a favor da lei, mas em casos de letras pesadas ou excessivas, como as citadas pela deputada. Para ele, o assunto é complexo e polêmico e é justo que haja análise e votação. “Quando as pessoas estão nas festas não querem saber das letras que estão sendo cantadas, porque estão em busca de diversão, então, encaram isso como algo natural. Minhas músicas não falam mal da mulher, mas dos homens e são bem-aceitas”. Kikão ainda defende a tese da necessidade de profissionalização para a devida opinião do tema. “A deputada precisaria entender de música para ter base de opinião, porque seria necessário saber qual música iria denegrir a imagem feminina”, explicou, ao dizer que o impacto depende da interpretação. Melvino Jr., do grupo Jr. e Banda, também concorda parcialmente com o teor do projeto. Para ele, a concordância só ocorre nos casos das músicas que transmitam duplo sentido ao ouvinte.

Ele acredita que no caso de aprovação, a lei afetará diretamente o funk carioca, mas também o forró amazonense. “Se vetarem esse tipo de música em shows, os artistas sofrerão diretamente. As cançõess vendáveis são as de duplo sentido, com

Se pedirmos para alguém citar uma música com letra bonita, com certeza terá dificuldades para lembrar Melvino Jr., cantor

bordões fáceis e sem criatividade. Se pedirmos para alguém citar uma música com letra bonita, com certeza terá dificuldades para lembrar”, disse, ao revelar que concorda com a deputada, no que diz respeito a vulgaridade, porém, “ é o tipo de música que vende”, concluiu.


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Thiaguinho em Manaus Após a gravação do seu primeiro DVD em carreira solo, que acontecerá de 4 a 6 de abril, no CrediCard Hall São Paulo, o cantor chega à cidade para apresentar suas novas canções como “Buquê de flores”, “Ainda bem” e “Muleke conquista”

E

m uma nova fase da vida e da carreira, Thiaguinho que integrava o grupo Exaltasamba, agora ganha os palcos cantando sozinho. Com um estilo divertido, carismático e simples, Thiago André Barbosa, virá a Manaus para o lançamento oficial de sua carreira solo. Depois de nove anos à frente do “Exalta”, ele se apresenta no próximo dia 13 de abril, dividindo o palco com o grupo Sorriso Maroto, no sambódromo. Quem acompanhou a final do programa “Big Brother Brasil”, da Rede Globo, teve uma ideia de como será o show do cantor na cidade. Com pensamentos modernos e atitudes responsáveis, Thiaguinho já disponibilizou seis músicas inéditas para o público ir se familiarizando com a apresentação. Por outro lado, nessa nova fase, o artista pode se apresentar ainda mais eclético. A performance solo do apelidado “principe do pagode” não se limita só ao gênero. Nesse novo formato, os fãs podem conhecer novas roupagens na voz dele até para sucessos como “Eu quero tchu, eu quero tcha”; “Paradise”, do Coldplay; “Não quero dinheiro”, do Tim Maia e outras versões de funk carioca. Aos 29 anos, o artista já é considerado uma das melho-

DIVULGAÇÃO

res vozes românticas do país no gênero pagode. Thiaguinho, que começou a cantar e compor aos 12 anos de idade, teve como maior incentivadora sua mãe, que o levava para a igreja e lá ele deu início aos primeiros trabalhos. Aos 17, começou sua carreira na noite, em barzinhos cantando música popular brasileira, pagode e muito samba. Após ter deixado o grupo Exaltasamba, Thiaguinho se prepara para gravar seu

PARTICIPAÇÃO

Thiaguinho participou na última semana da final do “Big Brother Brasil”, que serviu de prévia para apresentar as mais recentes canções do artista que, agora, segue em carreira solo primeiro DVD solo, intitulado “Ousadia e alegria”, nos dias 5, 6 e 7 de abril, no Credicard Hall, em São Paulo. O que não vai ser surpresa na gravação são os novos singles que o cantor disponibilizou gratuitamente na internet. Entre eles, podem ser destacadas as músicas “Buquê de flores”, “Sou o cara para você”, “Muleke conquista” e “Ainda bem”

Blitze dará ingressos grátis

SERVIÇO THIAGUINHO E SORRISO MAROTO

A chance de conferir essa festa sem ao menos tirar a mão do bolso pode ser dada com as blitze do show de Thiaguinho e Sorriso Maroto que a equipe da Fábrica de Eventos promove a cada semana. Itinerante e acessível para todas as zonas da cidade, durante a ação é possível concorrer a prêmios e a ingressos gratuitos. Quarta-feira, por exemplo, das 16h às 18h, os clientes do Lanche El Shadai, no Eldorado, poderão ganhar ingressos, brindes, camisetas e CDs. Quinta-feira será a vez da loja Apa Móveis, no Manoa, das 10h às 12h. No sábado, a blitz será especial. Em um dos pontos de venda de ingresso, a maratona segue ainda com a banda Cuka Fresca, dando um esquenta de como será o dia 13 de abril, das 20h às 23h, na praça do Carangueijo, no Eldorado.

Quando 13 de abril Onde sambódromo Ingressos 1º lote – Pista: R$ 35; Camarote: R$ 120; Área VIP: R$ 150 e Camarote Stage R$ 250.* *Todos os valores são de meia-entrada e, com exceção da pista, podem ser parcelados em 2x no cartão de crédito. vendas Estande da Fábrica de Eventos (2º. Piso Amazonas Shopping), Óticas Veja, Mika’s Chopp, Picanha’s Burgers (avenida Djalma Batista, Chapada), Minds English School (rua Acre, 40, Vieiralves) e Fuga de Lula (Centro) Thiaguinho faz show solo em Manaus pela primeira vez


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A dama do teatro local

Na semana em que foi comemorado o Dia Mundial do Teatro, a atriz Ednelza Sahdo faz uma retrospectiva da carreira e fala do seu amor e dedicação às artes cênicas que, além de reconhecimento, aumentou seu elo com os familiares FOTOS: MÁRIO OLIVEIRA

PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO

“A

arte é a minha vida, uma paixão, é a missão que Deus me deu e me dedico a isso com muito amor”. Foi o que disse uma das artistas mais conhecidas na capital amazonense, Ednelza Sahdo, ao falar sobre a carreira profissional durante a semana em que foi comemorado o Dia Mundial do Teatro. Hoje, aos 67 anos de idade, ela comemora o sucesso como atriz, professora de teatro, cantora e produtora de eventos voltados à cultura popular, trajetória que teve início com o incentivo do pai, que também era músico. A atriz relembra que desde a infância tinha vontade de atuar e ao ter contato com o cinema e com os filmes nacionais essa aptidão só veio aumentar, tudo isso aliado ao incentivo paterno. “Comecei a cantar na rádio Difusora e fazendo pastorinhas, manifestação natalina com musicas e poesias logo iniciei no teatro. Fazíamos apresentações em clubes, montando teatros musicais”, afirma. De acordo com Ednelza, o investimento no campo das artes cênicas lhe rendeu bons resultados, e um dos principais é que sua geração, hoje, perpetuada em filhos, netos e

bisnetos, também é composta por artistas, o que para ela é motivo de alegria. “Meus filhos sempre tiveram vocação para a arte. Todos são envolvidos de alguma forma, direta ou indiretamente. É uma pena que não podemos viver disso porque é impossível, temos que ter outra profissão”, explica, ao dizer que chegou a participar de cursos voltados

A arte é a minha vida, uma paixão, é a missão que Deus me deu e me dedico a isso com muito amor, todos os dias Ednelza Sahdo, atriz

para a área em Manaus e em outros estados, se especializando não só em encenação, mas em técnicas como maquiagem e iluminação. Outra representação que sempre será bem lembrada pelo povo amazonense é o título de porta-bandeira, carregado por Ednelza por 23 anos. Ela defendeu as cores verde e branco do Grêmio Recreativo Escola de Samba

Mocidade Independente de Aparecida com muita garra e bailado no período de 1981 a 2007, quando passou o pavilhão a sua neta Naruna, dando prosseguimento a história da família na agremiaçao. A atriz, que também é funcionária pública e produtora de eventos, chegou a fazer parte do elenco do filme nacional “A festa da menina morta”, dirigido pelo ator Mateus Nachtergaele, em 2007. “Foi uma experiência muito válida porque foi algo muito profissional. Conheci um lado do teatro que ainda não tinha tido a oportunidade de atuar, que é o cinema. Foi realmente gratificante”. Ednelza está em plena atuação, compondo o quadro de atores do espetáculo “Ventos da morte”, dirigido por Douglas Rodrigues. Também está atuando e dirigindo o teatro adulto “Nós Medéia”, em conjunto com Gerson Albano. A neta de Ednelza, Naimê Sahdo, é atriz, produtora, palhaço e animadora de festas, tudo isso, aos 22 anos de idade. Ela conta que começou a ter interesse pela área aos dez anos . “Minha primeira apresentação foi em uma peça de teatro e dança, apresentada pelo grupo da minha avó. A partir daí, comecei a trabalhar em Companhias de teatro. Minha avó sempre foi minha inspiração”, relata com entusiasmo.

TEATRO DIVULGAÇÃO

A peça “Cobra Norato”, inspirada na cultura oriental, será apresentada no largo

Domingo de espetáculo infantil O primeiro dia do mês de abril terá teatro com programação cultural gratuita para o público infantil. Às 17h, na Casa da Música Ivete Ibiapina, os pequenos poderão acompanhar um pouco da história da Comunidade de Jandira, localizada no município de Iranduba, interior do Amazonas na peça “As aventuras de Vovô Pacheco em Iranduba”, que mostra que, mesmo com o avanço da urbanização após a inauguração da Ponte Manaus-Iranduba. ainda há possibilidade de manter as tradições culturais.“Vamos mostrar

um pouco da cultura do município e dapreservação do meio ambiente, bem como .fazer com que eles percebam que podemos brincar com material reciclado”, diz Valderes de Souza, idealizador da peça. No Teatro Jorge Bonates, às 18h, uma aventura mostrará um pouco da cultura oriental. A peça “O dia em que a terra dançou” repassa ao público infanto-juvenil as comemorações do oriente que estava próximo a completar mais uma primavera. Coreografias, cantos e adereços representam a cultura do Japão no espetáculo.

Com direção de Douglas Rodrigues, a encenação traz em sua essência um conto japonês que retrata o sonho de Yong, um garoto que almeja tornar-se samurai. “O espetáculo faz ainda alusão à tragédia que assolou o Japão”, disse . Às 18h30, o folclore popular vai invadir o Centro Cultural Largo de São Sebastião. “Cobra Norato” é um espetáculo teatral que utiliza a lenda da cobra grande para resgatar a antiga tradição dos contadores de causos da Amazônia, como também a valorização da animação de bonecos e das cantorias interioranas.

SERVIÇO AS AVENTURAS DO VOVÔ PACHECO EM IRANDUBA Onde Casa da Música Ivete Ibiapina Quando Hoje, às 17h

O DIA EM QUE A TERRA DANÇOU Onde Teatro Jorge Bonates Quando Hoje, às 18h

COBRA NORATO Onde Centro Cultural Largo de São Sebastião Quando Hoje, às 18h30

Hoje, aos 67 anos de idade, ela comemora os frutos da carreira que começou na infância


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Programação de TV SBT 05h00 – Aventura Selvagem – reprise 06h00 – Pesca Alternativa 07h00 – A Grande Ideia 07h30 – VRUM 08h00 – PGM Manazinha 08h30 – Chaves 09h00 – Sorteio Amazonas dá Sorte (Local) 10h00 – Domingo Legal 14h00 – Eliana 18h00 – Roda a Roda Jequiti 18h55 – Sorteio da Telesena 19h00 – Programa Sílvio Santos 23h00 – De Frente com Gabi 00h00 – O Mentalista/ The Mentalist 01h00 – Série: Divisão Criminal / The Closer 02h00 – Série: Os Esquecidos 03h00 – Encerramento da Programação

GLOBO 04h45 – Santa Missa em Seu Lar 05h45 – Sagrado: Compacto – Poder 06h29 – Pequenas Empresas – Grandes Negócios 07h00 – Globo Rural 07h59 – Auto Esporte 08h30 – Esporte Espetacular 11h35 – Esquenta 12h58 – Temperatura Máxima. Filme: Monstros vs Alienígenas 15h00 – Futebol 2012: Campeonato Carioca - Flamengo x Bangu 17h00 – Domingão do Faustão 20h00 – Fantástico 22h20 – Domingo Maior. Filme (A Programar) 00h10 – UFC – Em Busca de Campões 01h15 – Sessão de Gala. Filme: O Vigarista do Ano 03h10 – Corujão I. Filme: Dormindo com o Inimigo 04h30 – Festival de Desenhos

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ

RECORD 05h30 – Desenhos Bíblicos 07h20 – Record Kids – Pica-Pau 09h00 – Amazonas dá Sorte – Bingo - local 10h00 – Record Kids – Pica-pau 11h30 – Tudo é Possível – PGM 15h30 – Programa do Gugu – PGM 19h30 – Domingo Espetacular – PGM 22h15 – Repórter Record 23h00 – Amazônia – PGM 23h30 – Série: Casais Perfeitos (1ª Temporada – inédita) 00h00 – Programação IURD

REDE TV 06h30 – Igreja Internacional da Graça – local 08h25 – Programa: Viva Amazônia – local 08h55 – Campeonato Italiano – Lazio x Cagliari 11h00 – Igreja Universal da

Graça – local 12h00 – Programa: Fique Ligado – local 13h00 – Programa: Esporte Performance – local 14h00 – Programa: Semeando Bênçãos – local 14h30 – Programa: Amigos do Volante – local 15h00 – Sabores & Ideias – local 15h30 – Programa: Fé e Milagres – local 16h00 – Programa: Luta Tribal (reprise) 16h30 – Olhar Digital (gravado) 17h15 – Ritmo Brasil 17h45 – Belas na Rede 18h30 – O Encantador de Cães 19h15 – O Último Passageiro 20h45 – Sessão Especial 22h30 – Programa: Amazon Trip – local 23h10 – Dr. Hollywood Brasil 00h10 – É Notícia 01h10 – Igreja Internacional da Graça – local

BAND 05h00 – Igreja Mundial 06h00 – Sol Brilhante

Cinema

06h30 – Santa Missa no Seu Lar 07h30 – Fé na Verdade 08h30 – Conexão Cargas 09h00 – Desenho 09h30 – Brasil Caminhoneiro 10h00 – Informecial 11h00 – Auto + 11h30 – Band Clássicos 12h00 – Band Esporte Clube 12h30 – Futebol 2012 – Flamengo x Bangu 17h00 – Terceiro Tempo 19h20 – Segurança Especial 20h10 – Pânico na TV – estreia 22h30 – Canal Livre 23h30 – Isto é Manaus 00h30 – Show Business – reap. 00h45 – Cine Band 03h10 – Igreja Mundial

TV CULTURA 05h55 – Abertura da Estação/ Hino Nacional 06h00 – Via Legal 06h30 – Brasil Eleitor 07h00 – Palavras de Vida 08h00 – Santa Missa

09h00 – Viola, Minha Viola 09h15 – Curta Criança 09h30 – Janela Janelinha 10h00 – Escola Pra Cachorro 10h15 – Meu Amigãozão 10h30 – Turma do Pererê 11h00 – ABZ do Ziraldo 11h30 – Anima TV Tromba Trem 11h45 – Anima TV Carrapatos e Catapultas 12h00 – Turma do Pererê 13h00 – Dango Balango 13h30 – TV Piá 14h00 – Stadium 15h00 – Amazônia com Bruce Parry 16h00 – Ver TV 17h00 – De Lá Pra Cá 17h30 – Cara e Coroa 18h00 – Papo de Mãe 19h00 – Conexão Roberto D’Ávila 20h00 – Esportvisão 21h30 – MPTV – Reprise – local 22h00 – Cine Ibermédia 00h00 – Doc. Especial 00h30 – Hino Nacional / Encerramento da Emissora

Cruzadinhas

PRÉ-ESTREIA

DIVULGAÇÃO

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Os aspectos divertidos e encantadores do dia não devem fazê-lo se atrasar ou se perder. Os detalhes precisam ser cuidados, mesmo quando tudo vai bem em um relacionamento. TOURO - 20/4 a 20/5 As ideias, os planos e os desejos que lhe empolgam mais devem se conformar com as condições disponíveis de imediato. Trabalhe as limitações o melhor possível. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 As pessoas terão bastante boa vontade com você, mas é preciso ser respeitoso com isso e de modo algum abusar dos outros. Um equilíbrio assim tornará tudo melhor entre vocês. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Momento para firmar bons compromissos com as pessoas amigas. Tendência a uma certa timidez nas relações afetivas, mesmo quando deseje ser mais carinhoso. LEÃO - 23/7 a 22/8 Um dia para se divertir no trabalho e junto com outras pessoas. Mas algum compromisso de rotina pode impedi-lo de curtir o dia com as atividades como as apreciaria. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Você quer se divertir com o que gosta e talvez esteja mesmo precisando disso. Mas as responsabilidades materiais exigem serem cumpridas. Concilie bem as duas coisas. LIBRA - 23/9 a 22/10 Saturno em conflito com Vênus indica aborrecimentos e situações rigorosas em seus relacionamentos. Há acordos e princípios que precisam ser respeitados por você. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O aspecto tenso do dia impede sua livre locomoção e movimento. Compromissos podem lhe prender, literalmente. É preciso saber negociar bem os passos a serem dados. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Um dia de impedimentos na realização dos gostos e prazeres físicos. O dia de hoje não é propriamente para brincar. Use seus recursos de acordo com um projeto bem definido. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Algumas dificuldades podem ser superadas de maneira criativa, em seu trabalho. Coloquese com boa vontade e você estará chegando nos melhores resultados possíveis. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento de reflexão profunda quanto ao que tem real valor para você. O que tem real valor poderá surgir de maneira agradável, benfazeja e fácil de ser lidado. PEIXES - 19/2 a 20/3 Os deveres com os parceiros exigem restrições em sua rotina. Você gostaria de ser mais esparramado para levar seu cotidiano, mas os compromissos lhe chamam.

Espelho, espelho meu: USA. Livre. Lily Collins vive a princesa exilada Branca de Neve e é perseguida pela Rainha Má, que governa o reino sem piedade. Na sua luta para conquistar o trono a que tem direito e também para ganhar o coração do príncipe encantado, Branca de Neve contará com a ajuda dos leais e destemidos sete anões nessa aventura fantástica cheia de romance, rivalidade e muito humor. Cinemark 2 - 17h10(dub/somente na quintafeira); Cinemais Plaza 6 – 14h10, 16h30, 18h45 e 21h15 (dub/somente quinta-feira); Cinemais Millennium 6 – 14h20, 16h50, 19h15 e 21h35 (leg/somente quinta-feira). ESTREIAS Lórax: Em busca da trúfula perdida: USA. Livre. A história de um garoto de 12 anos que busca a garota dos seus sonhos. No meio desta jornada, ele conhece Loráx, uma criatura mal humorada que luta para proteger seu mundo. Cinemark 1 – 11h30 (dub/somente sábado e domingo), 13h50, 16h20, 18h30, 20h40 (dub/diariamente) e 23h (dub/somente sábado e domingo); Cinemark 7 – 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (dub/diariamente) e 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 1 – 13h45 e 15h45 (3D/dub/diariamente); Playarte 3 – 12h30, 14h30, 16h30, 18h30, 20h30 (dub/diariamente) e 22h30 (dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 4 – 12h31, 14h31, 16h31, 18h31, 20h31 (dub/ diariamente) e 22h31 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Plaza 1 – 14h e 15h50 (3D/ dub/diariamente); Cinemais Plaza 8 – 13h30, 15h20, 17h10, 19h e 20h50 (dub/diariamente); Cinemais Millennium 1 – 13h50, 15h40, 17h30, 19h20 e 21h10 (3D/dub/diariamente); Cinemais Millennium 2 – 14h30, 16h30, 18h30 e 20h30 (dub/diariamente). Fúria de Titãs 2: USA. 12 anos. Uma década após derrotar o monstruoso Kraken, Perseu leva uma vida tranquila como pescador ao lado de seu filho Helius. Porém no Monte

Olimpo, depois que os humanos perdem a fé, os deuses não conseguem mais conter os Titãs, o que inicia uma guerra. Cinemark 6 – 11h20 (dub/3D/somente sábado e domingo), 13h30 (dub/3D/diariamente), 15h40 (3D/dub/ diariamente) 17h50 (dub/3D/diariamente), 20h (3D/dub/diariamente) e 22h20 (dub/3D/diariamente); Cinemark 8 – 12h20, 14h30, 16h40, 19h, 21h30 (dub/diariamente) e 23h50 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Playarte 1 – 17h45, 19h45 (3D/dub/diariamente), 21h45 (3D/leg/diariamente) e 23h45 (3D/dub/somente sexta-feira e sábado); Playarte 10 – 12h45, 14h45, 16h45, 18h45, 20h45 (leg/diariamente) e 22h45 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Plaza 1 – 17h40, 19h40 e 21h40 (3D/ dub/diariamente); Cinemais Plaza 2 – 14h50, 16h50, 18h50 e 21h (dub/diariamente); Cinemais Millennium 3 – 14h, 16h (3D/dub/diariamente), 18h, 20h e 22h (3D/leg/diariamente); Cinemais Millennium 5 – 15h10, 17h10, 19h10 e 21h20 (leg/diariamente). O artista: FRA/BEL. 12 anos. Na Hollywood de 1927, o astro do cinema mudo George Valentin começa a temer se a chegada do cinema falado fará com que ele perca espaço e acabe caindo no esquecimento. Enquanto isso, a bela Peppy Miller, jovem dançarina por quem ele se sente atraído, recebe uma oportunidade e tanto para traballhar no segmento. Será o fim de sua carreira e de uma paixão? Playarte 8 – 13h45, 15h55, 18h05, 20h15 (diariamente) e 22h25 (somente sexta-feira e sábado); Cinemais Millennium 7 – 14h50, 17h, 19h30 e 21h30 (leg/diariamente).

CONTINUAÇÕES Guerra é guerra – 12 anos: Cinemark 2 – 12h50, 15h (dub/diariamente), 17h10 (dub/não será exibida apenas na quinta-feira), 19h30 e 22h (dub/diariamente); Cinemais Plaza 4 – 14h30, 17h, 19h15 e 21h20 (dub/ diariamente); Cinemais Millennium 4 – 15h, 17h20, 19h40 e 21h40 (leg/diariamente). Cada um tem a gêmea que merece – 10 anos: Cinemark 3 - 14h50 e 19h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 5 – 14h20, 16h40, 19h10 e 21h10 (dub/diariamente). John Carter – 12 anos: Cinemark 3 12h10, 16h50 e 22h05 (dub/diariamente); Playarte 9 – 21h20 (leg/diariamente) e 23h59 (leg/somente sexta-feira e sábado).

Jogos vorazes – 14 anos: Cinemark 4 – 11h40 (dub/somente sábado e domingo), 14h40, 17h30, 20h20 (dub/diariamente) e 23h10 (dub/somente sexta-feira e sábado); Cinemark 5 – 13h, 15h50, 18h50 e 21h50 (dub/diariamente); Playarte 5 – 12h30, 15h20, 18h10, 21h (dub/diariamente) e 23h50 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Playarte 6 – 14h20, 17h10, 20h (leg/diariamente) e 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado); Playarte 7 – 14h21, 17h11, 20h01 (leg/diariamente) e 22h51 (leg/somente sexta-feira e sábado); Cinemais Plaza 3 – 14h40, 18h40 e 21h30 (dub/diariamente); Cinemais Millennium 8 – 15h20, 19h e 21h50 (leg/diariamente).

Pequenos espiões 4 – Livre: Playarte 2 – 13h50, 15h50, 17h50, 19h50, 21h50 (dub/ diariamente) e 23h50 (dub/somente sextafeira e sábado); Cinemais Plaza 6 – 15h e 17h20 (dub/somente até quarta-feira). A saga molusco – Amanhecer – 14 anos: Playarte 9 - 14h, 15h50, 17h40 e 19h30 (dub/diariamente); Cinemais Plaza 6 – 20h e 22h (dub/somente até quarta-feira). Anjos da noite – O despertar – 16 anos: Cinemais Plaza 7 – 15h10, 17h30, 19h30 e 21h50 (dub/diariamente); Protegendo o inimigo – 14 anos: Cinemais Millennium 6 – 14h20, 16h50, 19h15 e 21h35 (leg/somente até quarta-feira).


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::::: Sala de Espera Márcia Guerreiro, Felipe Schaedler, Bruna Santoro e Brena Dianná estão trocando de idade hoje. Os cumprimentos da coluna. A ala competente e cheia de charme do setor nutricionista pilotada por Márcia Bezerra, Márcia e Rocilda Martins, Noélia Carramanho, Domingas Alecrim e Fátima Gonçalves baixaram para conferir o novíssimo Village, anteontem. A mesa era contagiante, tamanho o alto astral da mulherada animada. Ícone do humor desde os anos 80, Sérgio Mallandro vai animar a agenda cultural da Semana Santa, em duas apresentações nos dias 7, às 21h e, no dia 8, às 19h, no Teatro Direcional. O show que ele traz será o “Sem Censura” em que o astro vai contar histórias cômicas e surpreendentes que ele protagonizou ao longo de sua carreira. Todas as expectativas voltadas para a 1ª Bienal do Livro Amazonas. Um autor internacional já confirmado será valter hugo mãe, o angolano considerado um novo José Saramago. No entanto, o big

evento literário que acontece de 27 de abril a 6 de maio, no Studio 5, trará inúmeras outras celebridades. Dezenas de atletas se reúnem, neste domingo, na Ponta Negra, para participar da 1ª etapa do Powerade Circuito Amazonense de Triathlon. A competição será realizada pela Fetriam, em parceria com a Semdej, a Sejel, e o Hotel Park Suites, que será utilizado como base pelos atletas. A Pousada Amazônia está com um pacote bem legal para a Semana Santa. O lugar é ótimo, com muita tranquilidade, bons apartamentos, comida da melhor qualidade e atendimento supercortês. Ligue e reserve: 3231-1021 e/ou 2334-3660. A elegante Ghislaine Oliveira comandou (ontem) almoço regional, no Aruba, só para os amigos mais chegados em torno da sua sessão parabéns.

Patrícia Macedo de Campos é só felicidade. Também pudera. A jovem juíza foi homenageada pela ministra Eliana Calmon, do CNJ, em solenidade do TJ-AM no Palácio Cultural Rio Negro, pelo cumprimento das metas de 2011. Detalhe que deveria ser copiado: a meritíssima, que acumula a 1ª e a 2ª Varas da Dívida Ativa da Fazenda Municipal, sentenciou 23 mil processos no ano passado. Aplausos!

Jander Vieira

jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br HERICK PEREIRA/AGECOM

Família feliz: Gabriel, Ednéa e Euler Ribeiro, Giullia com os protagonistas da melhor festa-tendência da temporada, Gizella e Marco Bolognese. Evento chique e moderníssimo que serviu de cortina para celebrar os 21 anos de casados do jovem-casal

::::: Realeza do pagode Depois de participar da final do BBB12, o príncipe do pagode, Thiaguinho, e um dos grupos mais consagrados de pagode do país, Sorriso Maroto – dono do hit “Assim você mata o papai” – estarão juntos na superprodução que Bete Dezembro e sua Fábrica de Eventos preparam para o próximo dia 13, no sambódromo.

::::: Café da manhã de Páscoa A Escola Solidária já é considerada um sucesso da geração de oportunidades, criada pelo governo Omar Aziz e apoiada pela primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz, que estará em Iranduba, na próxima terça-feira. Os bons resultados crescem em números e o casal Aziz intensificará essas ações que são aplaudidas pela população

O Sleep Inn Manaus vai promover no domingo de Páscoa, dia 8 de abril, um café da manhã especial. Parte do valor arrecadado com a venda do café será doada para a ONG Childhood Brasil, que desenvolve projetos contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. Mais informações, somente pelo telefone 3321-8801.

::::: Delícias regionais Desde ontem, em frente à Arena Amadeu Teixeira, a administração Aziz disponibiliza aos amantes do tambaqui, matrinxã, pirarucu, quelônios e bacalhau da Amazônia uma Tenda do Pescado. Com o objetivo de atender a população com pescado com valor acessível durante a Semana Santa. A tenda funcionará até o próximo dia 7, sempre das 7h às 20h. Os valores do tambaqui variam de R$ 6 a R$ 9 dependendo do tamanho. Já quilo da matrinxã será de R$ 8 a R$ 9. O pirarucu será comercializado de R$ 5 a R$ 35 o quilo e o bacalhau da Amazônia terá os valores do quilo variando de R$ 20 a R$ 40. Que tal?

Nos domínios do Mon Plaisir: Jon van Betten, John Appeldoorn, Mônica Bonfim, Michiel Rexwinkel, Leandro Silva de Souza, Ana Margareth Pereira, Helena da Costa e Reinier van den Berg da Fundação Opção Verde comemorando o seu primeiro projeto social, em parceria com a Fundação Forest For Ever, no interior do Amazonas


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Rock com ‘pegada’ mas leve para as crianças

MUSICAL GUTO MUNIZ/DIVULGAÇÃO

Coletânea intitulada MPBebê traz em sua primeira edição clássicos gravados pela banda brasileira Legião Urbana DIVULGAÇÃO

PRISCILA CALDAS Equipe EM TEMPO

O

s bebês da nova geração foram presenteados com novos estilos de canções de ninar. Agora, ao invés de serem embalados ao som de músicas como “Dorme neném que a cuca vem pegar”, as crianças poderão aprender, junto com os pais, as letras que agitaram as noites deles. A gravadora carioca Performance Music está lançando uma coletânea composta por 12 CDs, intitulada MPBebê. A seleção foi criada com inspiração nos ícones da Música Popular Brasileira (MPB), em formato e estilo de caixinha de música. E o primeiro CD a ser lançado traz os principais sucessos de Renato Russo, como “Que país é esse?” e “Tempo perdido”. De acordo com a assessora de imprensa da gravadora, Vivian Marler, o segundo álbum se chama “Ágape para bebês” e reúne músicas religiosas. O terceiro CD, que está em fase de masterização, trará os sucessos da cantora Rita Lee. “Os outros trabalhos deverão ser lançados até o final deste ano”, afirma Vivian, ao salientar a oportunidade que as crianças terão de aprender as músicas que fizeram parte de uma época da vida dos pais.

A montagem, que teve início em 2002, volta a Manaus após vencer prêmios ano passado

‘A pequena sereia’ retorna hoje Entre as canções selecionadas no CD está “Que país é esse?”

Repertório para a família Com produção de Juca Muller e arranjos do músico Gian Fabra, a coleção traz um repertório selecionado, tudo para que a família possa desfrutar de bons momentos de descanso. “Mamãe, papai, titios e familiares, poderão reviver belos momentos, junto com os pequeninos, já que as canções que compõem a série MPBebê, com certeza fizeram parte e marcaram a vida de todos”, explico.

O primeiro disco é composto por faixas como “Índios”, “Eduardo e Mônica”, “Geração Coca-cola”, entre outras. Os amazonenses interessados em adquirir o trabalho de rock em versão para bebê, pode solicitar pelo email vendas@performance. art.br. Segundo Vivian, no Rio de Janeiro o CD é vendido por R$ 12,50, valor que deverá sofrer alterações ao sair da cidade.

A adaptação nacional da peça da Broadway vencedora de cinco prêmios em 2003, entre eles Melhor Espetáculo e Melhor Atriz, “A pequena sereia”, desembarca novamente em Manaus para uma única apresentação hoje, a partir das 17h, no Studio 5 Festival Mall. A produção vem mostrar o trabalho do diretor Fernando Bustamante e de outras participações importantes, como a cênica Cia. de Dança, responsável pela criação coreográfica do espetáculo e a Orquestra DrammAto, responsável pela concepção da trilha sonora.

tória de Ariel, uma sereia encantada com o mundo dos humanos. Sua obsessão se torna ainda mais forte quando ela se apaixona pelo príncipe Eric. Para poder viver com seu amado, ela faz um terrível acordo com Úrsula, a Bruxa do Mar.

Pacto Para tornar-se humana, ela acaba dando o que tem de mais precioso: a própria voz. Sua busca pelo verdadeiro amor acaba se tornando uma terrível corrida contra o tempo, onde Ariel somente poderá contar com a ajuda de seus amigos, os seres dos mar. Infantil A adaptação mineira A montagem conta a his- teve estreia em 2002, no

Teatro da Praça, em Belo Horizonte. Com o sucesso e a boa recepção do público, o espetáculo cresceu. Com novos figurinos, a equipe formada por 20 atores, bailarinos e cantores ganhou mais peso na encenação.

SERVIÇO MUSICAL “A PEQUENA SEREIA” Quando: Hoje, às 17h Onde: Studio 5 (avenida Rodrigo Otávio, Distrito Industrial) Quanto: De R$ 30 a R$ 60

EM TEMPO - 01 de abril de 2012  

EM TEMPO - Caderno principal do jornal Amazonas EM TEMPO www.emtempo.com.br

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