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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXV – N.º 8.117 – DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

LUIZ GRILLO

JOEL ROSA

PÁTRIA AMADA

Alheio à violência que marcou o 7 de Setembro, garoto segura a bandeira nacional

Em Manaus, manifestantes tentam invadir sambódromo, mas são reprimidos rigorosamente

PÁTRIA ARMADA

Rio e Brasília. Em Manaus, manifestantes tentaram invadir o sambódromo logo depois do encerramento do desfile militar, mas a polícia impediu a manifestação e o tumulto teve início. 50 mil pessoas assistiram à parada. Última Hora A2

MARK THOMPSON/GETTY IMAGES

HUDSON FONSECA

O feriado da Independência do Brasil foi marcado por protestos. Enquanto as Forças Armadas e grandes plateias de expectadores tentavam homenagear o 7 de Setembro com manifestação de civismo, atos de violência explodiram em São Paulo,

DILMA ROUSSEFF

O alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, foi o mais rápido e vai largar na pole position, no GP da Itália, que será realizado hoje, a partir das 8h, no circuito de Monza. Última Hora A2 ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

As promessas não cumpridas no Amazonas

Vettel sai na pole e Massa, em quarto

Nem todas as promessas de campanha – no Estado que deu à presidente o maior número de votos – foram cumpridas... ainda. Política A5

AGORA É LEI

Alimentação saudável nas escolas

Todos os dias, nas ruas de Manaus é comum encontrar um acidente com moto

Morte sobre duas rodas

Na cidade onde o número de motos supera o de carros, o índice de acidentes com morte cresce a cada ano. De janeiro a julho deste ano, Manaus registrou aumento de 24,24% no número de acidentes fatais com motociclistas, em relação ao mesmo período de 2012. Dia a dia C4 e C5

Dia a dia C1

Nacional recebe hoje o Salgueiro, de Pernambuco, no estádio do Sesi, precisando apenas de uma vitória simples para seguir tranquilo na competição, na Série D. Pódio E5

Comediante André Lucas (foto) vem a Manaus para homenagear o pai, o humorista Chico Anysio, que morreu em 2012. Plateia D1

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS.

A poesia do movimento ‘subversivo’ Chico Buarque, Gilberto Gil e João Cabral de Melo Neto fizeram o movimento mais subversivo dos anos 70. Ilustríssima G7

DIVULGAÇÃO

Humor em nome do pai

ARQUIVO/FOLHAPRESS

DIVULGAÇÃO

SUPLEMENTOS

Estudo assegura que a ingestão de água reforça os efeitos de uma dieta de emagrecimento. Saúde e Bem-estar F2

TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

33

MÍN.:

23


A2

Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Grupos protestam no desfile cívico de Manaus Pelo menos 50 pessoas começaram a manifestar nas proximidades do sambódromo, mas foram contidos por policiais militares e saíram escoltados JOEL ROSA

RIO

Manifestantes invadem desfile. Oito são presos O desfile militar de 7 de Setembro terminou por volta do meio-dia (horário de Brasília) no Rio e foi marcado por confrontos entre policiais e manifestantes, que chegaram a invadir a avenida Presidente Vargas, onde ocorria a parada. A polícia reagiu e houve confronto, mas o desfile não chegou a ser interrompido. Policiais do Batalhão de Choque jogaram bombas de gás lacrimogêneo. Segundo a Polícia Militar, oito pessoas foram presas durante os protestos. Os manifestantes começaram a se concentrar no início da manhã na avenida

Passos. Impedidos pela polícia de acessar a avenida Presidente Vargas, eles tomaram direção contrária a do desfile. Mas logo depois retornaram, conseguindo furar o bloqueio policial em outro ponto. Com a confusão, as arquibancadas do desfile se esvaziaram. Muitas pessoas deixaram de acompanhar o cortejo. Pessoas que assistiam ao desfile passaram a grade para fugir dos manifestantes. Agentes do Exército liberaram a passagem pela calçada, até então bloqueada. Neste momento, bombas de gás eram lançadas. IDE GOMES FRAME

A confusão iniciou após a polícia revistar jovens encapuzados. Eles gritavam palavras de ordem e criticavam a imprensa local GUSTAV CERVINKA ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

S

aúde, educação, transporte público e segurança voltaram às ruas de Manaus como forma de reivindicações, durante a manhã do feriado nacional de 7 de Setembro. Diversos grupos de movimentos populares realizaram protestos nas proximidades do Centro de Convenções (Sambódromo), incluindo o Movimento do Passe Livre (MPL), União dos Movimentos de Manaus e do Amazonas (UMM e UMA), Fórum Nacional dos Mestiços e Anonymous, considerado o mais radical em suas ações. Embora a maior parte do tempo em que foi organizado o desfile oficial das Forças Armadas e demais autoridades militares do Amazonas não houvesse registrado tumultos de grandes proporções, por volta das 10h30, cerca de meia hora após o término da solenidade cívica, um grupo heterogêneo de mais de 50 manifestantes acessou a avenida Pedro Teixeira, em

frente ao sambódromo, levantando palavras de ordem. Eles haviam partido da concentração no parque Ponte dos Bilhares, seguindo pela avenida Djalma Batista. Contidos pelos policiais militares no interior do sambódromo, os manifestantes deixaram o local escoltados. O princípio de confusão ocorreu em frente às obras da Arena da Amazônia, quando a polícia passou a revistar alguns dos jovens encapuzados ou de máscaras, encontrando objetos suspeitos, como garrafas vazias e pedaços de ferro. Sob protestos contra mídia local, uma jornalista foi agredida durante a tentativa de dispersão dos manifestantes mais exaltados. Um suspeito de ter cometido a agressão foi detido e encaminhado ao 12º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Um dos jovens envolvidos, Hans Moreira, afirmou ter sido agredido por policiais sem motivo e apresentou ferimentos no braço esquerdo. Contraste A revolta declarada contra a polícia e ao sistema de governo brasileiro desses mani-

festantes contrastava com a pacificidade de outros como a dupla Pedro Fernandes e Marcos Alberto, que protestavam contra a inatividade da Câmara Municipal de Manaus (CMM) em chamar os aprovados no concurso público de 2003, e dos cerca de dez representantes do chamado Fórum Nacional dos Mestiços, que manifestavam contra a discriminação sofrida pela exclusão da etnia mestiça dos debates relativos a políticas públicas para as suas necessidades. A confusão gerada pelo “black block baré” ofuscou, ainda, a criatividade com a qual os oito representantes da UMM chamavam a atenção da população em frente ao portão principal do sambódromo. Na ocasião, um dos jovens estava vestido como um político corrupto que prendia com cordas outros cinco colegas, que representavam as pautas mais urgentes para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro. O desfile cívico militar atraiu 50 mil pessoas ao sambódromo e reuniu 4,5 mil militares na solenidade nas comemorações dos 191 anos de Independência.

Governo de ‘olho’ nos protestos O desfile foi apresentado pelo chefe do Estado Maior do Comando Militar do Amazônia (CMA), general de Brigada, José Luiz Jaborandy, e contou com representantes das Forças Armadas, o governador em exercício, José Melo e o arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani. Na solenidade, o Comando do 9º Distrito Naval, apresentou duas visitas dos acordos nacionais, que foram os correspondentes do Peru e da Colômbia. Para José Melo, o desfile foi bem-apreciado pelo público e revelou que o governo está realizando um estudo sobre a onda de manifestações no Estado e no país.

A polícia reagiu e houve confronto com manifestantes

ITÁLIA

Vettel fica com a pole em Monza e Massa larga em 4º O alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, foi o mais rápido nos treinos classificatórios de ontem e vai largar na pole position no GP da Itália, que acontece hoje, a partir das 9h, no circuito de Monza. O atual líder do campeonato sobrou na pista e cravou o tempo de 1m23s755. Seu companheiro de equipe, Mark Webber, anotou a segunda melhor volta (1m23s968) e também larga na primeira fila. O piloto da Sauber Nico Hulkenberg conquistou o terceiro melhor tempo desta manhã: 1m24s065.

Felipe Massa, da Ferrari, que havia ficado em oitavo lugar no treino livre de sextafeira, conseguiu se recuperar e vai largar na quarta posição no grid. O brasileiro fez o tempo de 1m24s132 e superou o também ferrarista Fernando Alonso (1m24s142), quinto colocado. A participação de Massa será decisiva para seu futuro na Fórmula 1. Seu contrato com a Ferrari vence no fim do ano. Ele está ameaçado de perder vaga para 2014 e não vence há quase 80 corridas, a maior série envolvendo um ferrarista na história.


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

Fora de ordem Por entender que o ensino em Manaus é um osso duro de roer, o ex-prefeito Amazonino Mendes nomeou como secretário de Educação um ortopedista. Para a superintendência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), uma fonte inesgotável de recursos e de conflitos com os índios, o senador do PMDB Eduardo Braga conseguiu, “pela parte que lhe cabe nesse latifúndio”, a nomeação do professor aposentado da Universidade Federal do Amazonas, Gedeão Amorim, cuja experiência no setor se limita a um ano administrativo no hospital Francisca Mendes. A Presidência da República, desde Lula, não abre mão no Ministério das Minas e Energia do advogado Edison Lobão, senador que se afastou do cargo para continuar ministro e foi substituído no Senado pelo suplente Edison Lobão Filho. O que seria do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sem os apagões do Lobão pai? O Conselho Regional de Medicina (CRM-AM) “denunciou” o odontólogo Evandro Melo como “não médico”. Melo, em legítima defesa, sacou a imprensa (quem mais?) como culpada pelo “equívoco”, que ele nunca se interessou em corrigir (qual é o problema em ser odontólogo?), mas desagradou ao CRM, criando um mal-estar entre as duas categorias. Quando atendia ao interior do Estado pela Secretaria de Estado de Saúde, Evandro Melo já era “médico” na imprensa escrita, falada e televisada. Ele e o CRM pareciam se dar muito bem. Irmão de José Melo, fiel escudeiro de Braga e, agora, pré-candidato assumido à governança estadual em 2014, o odontólogo Evandro é secretário de Saúde, na administração municipal de Arthur Neto, de quem já fora colaborador na primeira prefeitura do tucano (1989-1992). Em tempos de “pátria amada, idolatrada”, o Brasil é um país de duas realidades antípodas: uma, em que a incoerência é a coerência, e outra que faz incoerente toda coerência.

Nas asas da TAP O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, viaja no próximo dia 9 de setembro para Portugal. Lá, ele terá um encontro com a diretoria da TAP Linhas Aéreas para negociar voos diretos entre o país e Manaus, o que consolidaria o primeiro voo direto entre Manaus e a Europa. Para Arthur, esta iniciativa aumentaria o turismo no Amazonas. – O turista que quer vir para Manaus primeiro precisa ir para outro cidade e só assim consegue chegar aqui. É um sacrifício. A mesma coisa acontece conosco. Quando queremos ir para a Europa primeiro precisamos ir a outro Estado. Queremos um voo direto –, diz o prefeito.

Vendendo o peixe Além de tratar de um voo direto que liga Manaus à Europa, o prefeito também vai palestrar para potenciais investidores europeus e que queiram investir no Amazonas. Arthur mostrará que a economia de Manaus vem crescendo, assim como o turismo ecológico da região. Arthur permanece em Portugal até o dia 14. Indignação Depois da polêmica imagem que mostrou meninas em uma viatura da “Ronda no Bairro”, outro registro vem circulando na internet. A imagem mostra a viatura de placa DAI-5027 estacionada em uma vaga destinada a cadeirantes no Manauara Shopping. Indignação 2 A foto vem circulando no Facebook, Twitter e por mensagens de celular. Os internautas criticam na legenda das fotos: “Depois querem ser respeitados”. Ascensão e queda Em menos de 10 anos, a adorada companhia finlandesa foi da ascensão à queda no domínio do mercado de telefonia móvel. A Microsoſt anunciou nesta semana a aquisição da unidade de celulares da Nokia por 5,4 bilhões de euros (cerca de R$ 16,8 bilhões). Era o fim de

Competência Nos anos 1990, não havia muitas marcas grandes de telefonia celular. Por isso a Nokia dominou rapidamente o mercado. Não foi a primeira empresa a lançar um telefone celular disponível comercialmente, mas foi a primeira a fazê-lo muito bem, e com verdadeiro apelo de massa. Mudou o mundo Tudo corria bem e a Nókia achava que nada poderia dar errado. Mas de repente, em janeiro de 2007, Steve Jobs subiu no palco e tirou o iPhone do bolso, e mudou o mundo para sempre. Fim de um ciclo A queda foi rápida. Segundo dados da Gartner, o smartphone da Nokia era líder em 2007, com uma fatia de 49,4% do mercado. Nos anos seguintes esse número foi caindo, de 43,7%, para 41,1% e depois 34,2%. Caixinha Não é novidade a prática adotada pela deputada estadual do PSOL do Rio, Janice Rocha, acusada de ficar com parte do salário de assessores de seu gabinete. Por aqui, alguns partidos de esquerda adotam isso há tempos.

Isto é, quem trabalha em gabinetes de deputados ou secretarias ocupadas por membros de um certo partido, é obrigado a repassar parte do salário para a sigla. Certa vez um jornalista que assessorava um deputado foi reclamar que aquilo não era justo. E foi demitido. Caixinha 3 Mas os tempos mudaram. Janice, a deputada do PSOL, pode perder o mandato por quebra de decoro. Partido Pirata O Partido Pirata (Piratas) iniciou esta semana a segunda fase do processo de formalização da sigla, com a publicação do Estatuto e do Programa Partidário no Diário Oficial da União (DOU). Registro Nos próximos dias, o Pirata dará início ao registro civil em cartório, cumprindo a exigência da legislação eleitoral para iniciar a coleta de aproximadamente 500 mil assinaturas válidas (cerca de 0,5% dos votantes na última eleição). Vaquinha A publicação no DOU custou R$ 11.844,30, valor que foi obtido por meio de uma campanha na internet, a qual arrecadou R$ 21.163,70 doados por 420 pessoas.

VAIAS

André Lucas

Falta de respeito DIVULGAÇÃO

Para o comediante André Lucas, filho de Chico Anísio, que vem levando o trabalho do pai em frente, não deixando morrer os personagens históricos que tantas alegrias deram ao país.

regi@emtempo.com.br

Caixinha 2

uma lenda.

APLAUSOS

Charge

Aos motoristas que não respeitam, nos estacionamentos dos shoppings, as vagas reservadas a idosos e cadeirantes. Esta semana, policiais do “Ronda no Bairro” foram flagrados cometendo esse desrespeito no Manauara.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br opiniao

O homem nunca é o mesmo A Segunda Guerra Mundial, a Grande Guerra, começou em 1939, foi até 1945 e afirmase que foi o conflito armado que mais seres humanos matou. O palco onde se desenrolou foi basicamente o continente europeu, embora tenha se espalhado praticamente por todos os mares e mais tarde tenha incluído também a África e a Ásia, quando chegou ao Japão e promoveu batalhas em território africano. Na verdade, não houve um só continente e um só país que tenha permanecido isento e fora das consequências que o confronto produziu. A situação de guerra é algo que acontece no mundo exterior, ou seja, algo que abala e modifica a ambiência em que todos nós vivemos e da qual dependemos. A tal comoção reagimos segundo modos peculiares a cada individualidade e também conforme nos condicionam os padrões culturais das coletividades que nos abrigam, sendo algumas de reações mais primárias, senão primitivas, e outras com mais eficientes e refinados mecanismos de controle. Quando era iminente a invasão da Inglaterra pelos alemães, após a desastrosa retirada de Dunquerque, Churchill assumiu o governo e, com absoluta franqueza, prometeu apenas “sangue, suor e lágrimas” ao seu povo, que compreendeu e ajustou-se à situação. O “keep calm and carry on” tornou-se o dístico mais popular e difundido entre os britânicos, a expressar sua fleuma e seu autocontrole diante do trágico. Foi nos campos de batalha que demonstraram sua ira e seu desejo de vingar toda a destruição levada ao seu país. Aqui entre nós, Getúlio Vargas,

de início, não escondeu a simpatia que nutria pelo fascismo de Mussolini e pelo nazismo de Hitler (a quem chegou a entregar Olga Benário, mulher de Prestes), até começarem as pressões de Roosevelt. Mais tarde, após os ataques dos submarinos alemães a navios brasileiros no nosso litoral, o ânimo do povo se inflamou e foi desencadeado o espírito de guerra, que se generalizou e gerou condutas lamentáveis, à altura de um povo ainda distante da maturidade. Até aqui, na longínqua e isolada Manaus, fatos inaceitáveis ocorreram. Italianos que aqui residiam e trabalhavam lado a lado com os brasileiros, passaram a ser perseguidos, segregados e hostilizados, como se fossem fascistas. Famílias inteiras, incluídas até crianças, foram penalizadas, como aconteceu com os Santoro, os Cellani, os Limongi, os Jezzini. Com alemães e seus descendentes as barbaridades foram mais graves. Registrou-se o caso de uma honrada família germânica, aqui radicada, que teve seus móveis lançados à rua, do alto do sobrado que habitava na Guilherme Moreira. Alguns episódios foram tragicômicos, como o caso do padre Stevam Dmitrovich, do Seminário Diocesano São José, polonês de nascimento, cuja pátria penava sob a ocupação alemã e que teve que ser acoitado por meu pai, em nossa casa, porque foi tomado como alemão, em razão do nome estranho que portava. Qualquer fragmento do tempo do homem é assim mesmo: porque não tem sua conduta pré-programada num código genético, tudo pode acontecer e nada pode ser seguramente previsto.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Até aqui, na longínqua e isolada Manaus, fatos inaceitáveis ocorreram. Italianos que aqui residiam e trabalhavam lado a lado com os brasileiros, passaram a ser perseguidos, segregados e hostilizados, como se fossem fascistas. Famílias inteiras, incluídas até crianças, foram penalizadas”


A4

Opinião

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Voto aberto

Há planejamento, mas é favorável à especulação imobiliária. Há um entendimento – que eu acho muito ultrapassado – de que a indústria da construção civil é uma das motrizes da economia nacional. Entre 60% e 65% da área da cidade de São Paulo está disponível para a verticalização

Às vésperas da decisão do Supremo Tribunal Federal que definirá se cabem ou não embargos infringentes para condenados no mensalão, Ricardo Lewandowski questiona: “A prevalecer a tese de que o multicentenário embargo desapareceu dos tribunais superiores porque não foi expressamente previsto em lei, o que dizer sobre as dezenas de infringentes que o STF julgou nos últimos 23 anos, após a edição dessa lei, inclusive em matéria penal? Foram mera ficção jurídica?”. Como faz? Lewandowski também aponta outra questão, referente aos embargos de declaração e outros recursos da ação penal não previstos na lei 8.038/90: “Também seriam abduzidos do regimento interno do STF e do Código de Processo Penal?”. Yn-Yang Mais uma vez, a argumentação do ministro é oposta à de Joaquim Barbosa, presidente da corte, que já se manifestou contrariamente aos recursos que podem mudar o resultado do julgamento. Outros magistrados afirmam ser imprevisível o placar sobre os infringentes. Vai que dá O governo Fernando Haddad (PT) fez as contas e espera aprovar a ampliação da operação urbana “Água Branca” na quarta-feira, com apoio de vereadores da oposição. Após três meses de debate, seus auxiliares apostam em votação unânime. Mimos Para chegar a um acordo na Câmara Municipal, a prefeitura precisou se comprometer a ampliar a oferta de equipamentos urbanos, como escolas e postos de saúde, nas áreas abrangidas.

Em casa Um buraco de grandes proporções aberto semana passada na rua onde Haddad mora, no Paraíso, gerou queda de braço entre a prefeitura e a Sabesp. Em casa 2 Após chuva de reclamações, a empresa informou aos moradores que o buraco foi causado pela galeria de águas pluviais, de responsabilidade municipal. Sujeito oculto O Solidariedade fará no dia 25, em Brasília, um evento para transferir oficialmente a presidência do partido a Paulinho da Força (SP). Ele ficou fora das fichas de registro da sigla para tentar manter sigilo sobre a nova legenda. Agenda Dirigentes calculam que o processo de criação do Solidariedade será votado no TSE na terça-feira. Salto Também na terçafeira, dirigentes da Rede entregarão ao TSE um novo pacote de assinaturas de apoio certificadas. Eles estimam que terão, nessa data, 400 mil fichas validadas, ainda abaixo das 492 mil exigidas para registro do partido.

Reação As críticas feitas pela Rede à lentidão da Justiça Eleitoral no processo de certificação das assinaturas aceleraram o trabalho de parte dos cartórios, mas algumas seções reagiram mal. Há Estados em que o índice de rejeição das fichas aumentou. Festa A pedido de Lula, o PT adiou do dia 13 para o dia 14 a participação do ex-presidente no encontro do partido na região metropolitana de São Paulo, ao lado de Alexandre Padilha. O ex-presidente pediu a troca para poder comemorar no evento o aniversário do ministro da Saúde.

Carlos Augusto Faggin, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, avalia que o Plano Diretor de São Paulo, que regula a disponibilidade de áreas para verticalização, “é muito gentil com a especulação imobiliária” (...) e “a resistência a esta tendência não tem amparo legal”.

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br JOEL ROSA

Hora extra Padilha e caciques do PT paulista pediram aos deputados estaduais do partido que conversem com parlamentares de outras siglas na Assembleia Legislativa e os convençam a apoiar a candidatura do ministro. Na urna O PSB acertou que Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, deve disputar o Senado em Minas. O presidente da sigla, Eduardo Campos, deve ir a Belo Horizonte para assinar a filiação do dirigente do clube.

Tiroteio

Voltando para casa depois de um longo desfile ou ainda se dirigindo para a arena das manifestações cívicas, agora o cidadão tem dois pontos de vista e dois lados políticos? Qualquer que seja a direção em que vá o cidadão, tanto o patriotismo, como a democracia, não acontece, mas se faz, carregando seu peso nos ombros. Não existe almoço grátis

Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br opiniao

O ministro Joaquim Barbosa diz que aceitação é eternizar o julgamento. Não aceitar é eternizar a injustiça.

Vigiai e orai

DO ADVOGADO LEONARDO ISAAC, defensor de Simone Vasconcellos no processo do mensalão, sobre o impasse em torno dos embargos infringentes.

O papa Francisco convocou a igreja, e todos aqueles que a ela quisessem se juntar para um jejum e uma vigília de oração pela paz no mundo e em especial pela Síria, depois de tomar conhecimento dos horrores da guerra naquele país e das consequências de uma possível invasão do seu território por outras nações. Rezamos pela paz porque que ela é dom de Deus. A paz só pode vir do alto. A história mostra que a humanidade sozinha produz horrores inomináveis. Isto não é retórica e nem argumento em favor das religiões, elas mesmas tantas vezes são responsáveis por violência irracional. A humanidade teve e ainda tem monstros sedentos de poder que foram e são responsáveis por massacres, genocídios, câmaras de gás, envenenamentos, destruição de culturas milenares, destruição da natureza e por aí afora, num desfile de horrores que supera toda e qualquer imaginação. A literatura e as artes em geral, retratam em obras de valor universal estes momentos de horror e destruição. Para quem acredita em Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, a redenção da humanidade está nele, no seu sacrifício e na sua recusa de qualquer tipo de violência numa atitude que rompeu a cadeia do ódio e abriu as portas do reinado de Deus, único caminho para a paz. Por isso, devemos sempre rezar pela paz para ouvir de novo a saudação do Cristo ressuscitado: a paz esteja convosco. Jejuar e vigiar pela paz é também manifestar a nossa inconformidade com a guerra, é rejeitar toda violência e declarar alto e em bom som que a humanidade tem outros caminhos,

Contraponto

Poder de síntese No jantar organizado pelo PSDB paulista para comemorar os 25 anos do partido, na última segunda-feira, o governador Geraldo Alckmin avisou que pretendia encurtar seu discurso para não irritar os convidados, e contou uma piada que ouvira de um correligionário. - Na Roma antiga, um cristão que havia sido jogado em uma arena com um leão, prestes a ser devorado, foi até o animal, disse algo em seu ouvido e o leão fugiu. Alckmin contou que o imperador chamou o cristão e perguntou o que ele havia dito ao leão. - Ele só avisou: “Depois do banquete, tem discurso!”. Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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e que a violência não pode ser a única solução para os conflitos, é negar aos senhores da guerra uma pretensa verdade a respeito de nós mesmos. Se dissermos que não há solução fora da guerra ou nos tornarmos insensíveis diante do sofrimento provocado por ela estamos negando a nossa própria dignidade e nos declarando pouco mais que animais que agem por instintos ou menos que eles, pois colocamos nossa inteligência a serviço daquilo que há de pior em nós. Vigiar e orar pela paz é também mostrar solidariedade. Quando nos tornamos indiferentes ao sofrimento de seres humanos, estejam onde estiverem, estamos diminuindo a nossa própria humanidade, pois somos humanos juntos e ninguém existe isolado. Mas talvez o mais importante da oração pela paz é a mudança que esta oração pode provocar no nosso próprio comportamento. Ao rezar pela paz no mundo tomamos consciência da violência embutida nas nossas ações cotidianas, nas nossas palavras que humilham, nos gestos de desprezo, no descaso pelo sofrimento alheio, nas nossas omissões e irresponsabilidades. Tomamos consciência da violência de uma economia que exclui milhões de pessoas, condena multidões à fome e à miséria, impede que as pessoas se realizem plenamente, destrói o meio ambiente e condena gerações que virão a conviver com o lixo que estamos produzindo. Por isso, foi oportuno o convite do papa a uma vigília de jejum e oração pela paz. Oxalá esta oração se torne diária, intensa e nos converta à não violência.

Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Mas talvez o mais importante da oração pela paz é a mudança que esta oração pode provocar no nosso próprio comportamento. Ao rezar pela paz no mundo tomamos consciência da violência embutida nas nossas ações cotidianas, nas nossas omissões e irresponsabilidades”


Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

FALA POVO Como você avalia o governo Dilma? “Não votei nela por causa dos posicionamentos que adota em relação a temas polêmicos como o aborto e o casamento gay”

“Vemos pelos protestos que ainda falta fazer muita coisa. Falta apoio da população. Cobramos muito e fazemos pouco”

Luciana Lima, 34 anos, estudante universitária

“Votei na Dilma e se ela não está cumprindo tudo, pelo menos está tentando. As coisas estão melhorando. Pouco, mas estão”

Aline Santos, 24 anos, industriaria

Raimundo Silva, 25 anos, padeiro

“A prorrogação da ZFM está muito lenta. Trazer esses médicos de fora será que é a solução para a saúde pública?”

“A Dilma disse que iria se empenhar, mas temos tido poucos avanços. Na saúde faltam investimentos em estrutura”

Bruno Rafael, 27 anos, microempresário

Marieta de Jesus, 72 anos, professora aposentada

A5

FOTOS: DIEGO CAJA

Pouco tempo para cumprir promessas feitas ao AM LUCIANO FALBO Equipe EM TEMPO

C

om pouco mais de um ano para terminar o seu primeiro mandato e em um momento delicado da sua gestão e de seu partido, a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), tem cada vez menos tempo para cumprir as promessas que a elegeram como a primeira mulher para comandar a Presidência do Brasil. No Amazonas, onde recebeu 80,57% dos votos válidos no 2º turno das eleições presidenciais, em 2010, o principal compromisso assumido foi com a prorrogação dos incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM) e a extensão desses benefícios para os 13 municípios que compõem a Região Metropolitana de Manaus (RMM). Outra promessa, a instalação do polo petroquímico, ainda está longe de gerar resultados. Já a conclusão do Linhão de Tucuruí está próxima do fim, entretanto, este é um projeto que já se arrastava há décadas. Para o líder do PT na Assembléia Legislativa do Estado (Aleam), deputado José Ricardo, a presidente está cumprindo as promessas feitas para o Amazonas, articulando a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 506/2010, que prorroga os incentivos da ZFM por mais 50 anos – em curso na Câmara dos Deputados - e o projeto de lei 2.633/2011, que estende os benefícios à RMM. No entanto, mesmo a bancada governista sendo maioria no Congresso, os projetos caminham com lentidão por conta dos interesses estaduais. Segundo José Ricardo, o governo federal tem dado continuidade à prática da gestão do ex-presidente Lula, de investimento nas cidades com a injeção de verbas federais em obras das prefeituras e do governo. “A presidente está cumprindo com sua parte nesse aspecto”, acrescentou. “Claro que a gente quer mais. O Brasil precisa de mais. O povo manifestou que quer mais e precisamos ampliar investimentos nessas áreas críticas. Mas, no geral, eu considero que a presidente Dilma está cumprindo com o que foi colocado na campanha”, ressaltou o petista, lembrando que mudar a realidade não depende só da presidente. Na campanha de 2010, Dilma assumiu o compromisso de erradicar a miséria e tem apresentado resultados nesse sentido. Entretanto, os índices de qualidade de vida – que avaliam não só a renda, mas as condições de acesso à saúde e educação,

ALBERTO CESAR ARAÚJO

Faltando 15 meses para terminar sua gestão, propostas feitas por Dilma ao Estado ainda não saíram do papel, efetivamente mobilidade, longevidade, entre outros – apontam que muitos brasileiros ainda vivem em situação crítica. Reflexo desse cenário de insatisfação popular foi o desdobramento das manifestações que aconteceram no mês de junho em todo o país, em que o governo federal teve que adotar medidas de investimentos nesses setores para acalmar os ânimos da sociedade. As manifestações elevaram o tom de críticas ao setor político e com isso a popularidade da presidente caiu expressivamente nesse período. Perfil burocrático Para o antropólogo, cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, a presidente Dilma está sofrendo por ter um perfil muito mais burocrático do que de articulação política, centralizando, excessivamente, as decisões. “A presidente tem dificuldade de dialogar, mantém uma postura isolada”, analisou.

Veja o exemplo da questão diplomática, em que o Brasil tem tradição e sempre foi referência: o governo está levando a pagode Ademir Ramos, antropólogo

Na avaliação de Ramos, Dilma ainda sofre com o “fantasma” do ex-presidente Lula, não conseguindo romper uma relação umbilical e se firmar como líder. Para ele, a presidente apenas está cumprindo a agenda do governo anterior e está tendo dificuldade de imprimir sua marca. O professor destaca que quando ministra, Dilma era reconhecida por ser uma eficiente executora, “competente tocadora de projetos” e que essa qualidade pesou na definição da sucessão presidencial. Ramos enfatizou que as desigualdades regionais continuam “perversas” no país e que a presidente encontra dificuldades em razão do corpo técnico do governo estar desgastado. “Veja o exemplo da questão diplomática, em que o Brasil tem tradição e sempre foi referência: o governo está levando a pagode. Qual foi a resposta da presidente em relação acolhimento do senador boliviano, além de trocar a ministro?”, questionou, ao ressaltar que é necessário dar uma resposta política à questão.

A presidente Dilma Rousseff com o governador Omar Aziz, em uma das poucas visitas que fez ao Amazonas, no curso de sua gestão

Petista defende a presidente O secretário de comunicação do Diretório Municipal do PT, Vital Melo, disse que Dilma possui características e métodos diferentes, mas, que sempre leva em consideração o diálogo político. “A presidente tem uma performance mais rígida, de querer legitimar as propos-

tas e isso acaba por contrariar interesses”, disse. Em relação ao contraste entre as promessas da campanha e as realizações do governo, Melo ressaltou que a pretensão de acabar com miséria é ousada, mas que o governo tem dado passos nessa direção com a criação de programas sociais.

Lula deve ser o coringa do PT Ademir Ramos acredita que o PT, para se manter com condições de disputar a reeleição, precisará cada vez mais da figura do ex-presidente Lula para recuperar forças perdidas com o desgaste do governo e com o julgamento do mensalão - em que uma das principais lideranças

do partido, o ex-ministro José Dirceu, foi condenado. “Lula deve liderar esse processo”, frisou. Já Vital Melo aposta que o caminho para que o país retome o desenvolvimento e Dilma recupere a sua popularidade é a reforma política, que segundo ele, trará mais democracia.


Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Candidatos e partidos devem cumprir prazos

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Corrupção também se combate com mais educação e cidadania” SENADORA ANA AMÉLIA (PP-RS)

Inquérito contra Sabóia lembra ditadura militar A presidente Dilma reclamou quando o cubículo do senador boliviano na embaixada em Laz Paz foi comparado à cela do DOI-Codi, mas sua atitude de abrir inquérito contra o diplomata Eduardo Sabóia guarda semelhança com o autoritarismo do regime militar. É que pela primeira vez no Itamaraty, não-diplomatas tocarão o inquérito: dois servidores da Receita e um da Controladoria-Geral da União, que o presidirá. Ato de coragem Então encarregado de negócios em La Paz, Eduardo Sabóia pôs fim, por razões humanitárias, a 452 dias de asilo do senador Roger Molina. Contra a letargia Sabóia não descumpriu ordens (não as tinha) e o Brasil não pressionou a Bolívia a expedir salvo-conduto, previsto na Convenção de Caracas. Lendo a história Consultando a história, para evitar erros, Dilma veria que em 1964 o chanceler Leitão da Cunha impediu militares investigando diplomatas. Imaginação Depois do Rede, surgem dois novos partidos “exóticos”: o Nacional Indígena e o Popular de Liberdade de Expressão Afrobrasileira. Caças dos EUA: moeda de troca na espionagem É do jogo político: Dilma pode manter a visita de Estado a Washington, em outubro, ainda que não a satisfaçam as alegações do presidente Barack Obama sobre a espionagem dos seus telefones e e-mails. Dilma tem na manga os caças F-18 que os EUA querem vender ao Brasil, e

não quer perder a disputa pelo assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. O “degelo” pode ser bom para ambos os lados. Deixa como está O “degelo” será costurado pelos canais diplomáticos dos dois países, após Obama prometer a Dilma que vai “investigar o episódio”. Amigo fronteiriço Espionado pela inteligência dos EUA, o presidente do México, Enrique Peña Nieto considerou “encerrada” a questão com seu maior parceiro.

Jornalista

curso no Tribunal Superior do Trabalho na ação de uma ex-funcionária porque depositou menos que os R$ 0,46 exigidos e contestou os centavos. Falta de atenção? De grana é que não foi. Caso de polícia Do deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) sobre articulações de José Roberto Arruda e Joaquim Roriz rumo 2014: “Com tanto candidato respondendo por crime, só a polícia para dar jeito na eleição do DF”.

Sem saída Quando contou piadas a Bush e ouviu de Obama que ele era “o cara”, Lula também era espionado, e antes dele até o finado Vargas o foi.

Três porquinhos Conhecida pela teimosia, a ex-senadora Marina Silva escuta orientações apenas de três fiéis escudeiros: Bazileu Margarido, João Paulo Capobianco e o assessor político Pedro Ivo.

Brinde à incompetência Nem a crise diplomática tirou do Ministério das Relações Exteriores o apego a comemorações: antes de sair, o ex-chanceler Antonio Patriota reservou R$ 16,4 mil para comprar 500 garrafas de espumante Brut.

Boicote O ex-governador Íris Rezende e a mulher, deputada federal Íris de Araújo, tem se recusado a participar das reuniões do PMDB de Goiás, presidida pelo jovem deputado estadual Samuel Belchior, 33 anos.

Sucesso Que voto aberto que nada. O que causou alvoroço na Câmara esta semana foi o ensaio fotográfico de Maria Thereza Trad, irmã do deputado Fábio Trad (PMDB-MS), publicado na revista “Playboy”.

Corre-corre O vice Michel Temer, o ministro Aloizio Mercadante (Educação) e os presidentes do PMDB, Valdir Raupp (RO), e do PT, Rui Falcão (SP), trabalham para concluir esta semana o mapeamento das eleições nos Estados, que deve ser apresentado ainda este mês à presidente Dilma.

Setembro sangrento Preocupados com pauta agitada de setembro no Congresso, policiais legislativos reforçam a segurança. Estão previstas votações de matérias envolvendo policiais militares, bombeiros e agentes de saúde. Foi por R$ 0,46 A Petrobras perdeu re-

PODER SEM PUDOR

Nos braços de Morfeu Em seu primeiro mandato de prefeito de Gurinhém (PB), Jorge Ribeiro Coutinho adotou o saudável hábito de fazer uma “ronda administrativa” durante a madrugada, nos bairros da cidade, e sempre encontrava o único guarda municipal noturno, Antônio Minata, entregue ao que mais gostava de fazer: dormir. Certa vez, segundo relato do jornalista Heraldo Nóbrega, Minata apareceu na prefeitura para pedir um novo uniforme, e o prefeito foi à forra: entregou-lhe um pijama, cor cáqui.

Conforme a legislação eleitoral, faltam apenas 27 dias para mudança de partido e registro de sigla para o pleito de 2014 NESLON JR/ASICS/TSE

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Reprise Com denúncias de compra de votos e até de mortos votando na disputa pela presidência do partido, o PT enfim criou o mensalão do B.

Corte do TSE já aprovou o calendário das Eleições 2014. A contagem para o pleito já começou

O

dia 5 de outubro de 2013 marcará exatamente um ano de antecedência das Eleições 2014, quando serão eleitos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Esse dia é o fim do prazo para criação de novos partidos, filiação partidária e estabelecimento do domicílio eleitoral do candidato que pretende concorrer a um desses cargos. A data está detalhada no Calendário das Eleições 2014, aprovado pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e disponível na página da instituição na internet. Os prazos para desincompatibilização variam de acordo com o cargo ocupado pelo candidato. De acordo com a Lei das Eleições (lei nº 9.504/1997), pré-candidatos têm de cumprir algumas obrigações para concorrer, entre elas, provar que têm a filiação partidária e o domicílio eleitoral com pelo menos um ano de antecedên-

cia das eleições. Esse também é o prazo para que um novo partido obtenha o registro no TSE. Assim, restam 27 dias para a filiação partidária de quem quiser se candidatar a qualquer cargo em 2014 e para o registro de um novo

REGISTRO

Nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) também há pedidos de diversas legendas em criação. Os últimos partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foram o PSD, o PPL e o PEN partido que pretenda lançar candidatos no pleito. A Constituição Federal (artigo 16) determina que qualquer lei que altere o processo eleitoral deve entrar em vigor pelo menos um ano antes para ser aplicada a determinado pleito.

O secretário da Corregedoria-Geral Eleitoral do TSE, Sergio Cardoso, esclarece que a Lei dos Partidos Políticos (lei n° 9.096/1995) fixa uma periodicidade semestral para que os partidos entreguem à Justiça Eleitoral a relação de filiados. “É com base nessa atualização de informações que a Justiça Eleitoral gerencia os dados sobre filiados a partido político para todos os efeitos, inclusive para finalidade de registro de candidaturas a cargos eletivos”, explicou. O partido que pretende lançar candidatos em uma eleição deve estar devidamente registrado na Justiça Eleitoral um ano antes do pleito. Esta exigência está prevista no artigo 4º da Lei das Eleições. Atualmente, o sistema eleitoral brasileiro congrega 30 partidos aptos a lançar candidatos em 2014. Outros quatro tentam obter no TSE o seu registro de partido político. São elas o PROS, o Solidariedade, o Rede Sustentabilidade e o Arena.

Menos de um mês para filiações O candidato que deseja concorrer a um cargo eletivo também deve estar filiado a um partido por pelo menos um ano antes do dia fixado para as eleições, ou por prazo superior fixado no estatuto partidário, que não poderá ser alterado no ano de realização do pleito. A determinação está prevista na Lei dos Partidos Políticos e na Lei das Eleições. Isso porque só podem se candidatar aos cargos em disputa cidadãos que estejam filiados a partidos

políticos pelo menos um ano antes do pleito, escolhidos em convenção partidária. No Brasil, não são permitidas as chamadas candidaturas avulsas. Em caso de fusão ou incorporação de partidos após o prazo estipulado (um ano antes da eleição), será considerada, para efeito de filiação partidária, a data de filiação do candidato ao partido de origem. A filiação partidária é o vínculo formal que se estabelece entre um partido político e o eleitor e é uma

das condições de elegibilidade, conforme estabelece o artigo 14 da Constituição Federal. Só pode filiar-se a partido o eleitor que estiver na plenitude do gozo de seus direitos políticos. O artigo 9º da Lei das Eleições também determina que os cidadãos que pretendem se candidatar em 2014 tenham domicílio eleitoral na circunscrição na qual querem concorrer. Ou seja, o candidato deve transferir seu título de eleitor para a localidade na qual pretende concorrer.


Política

A7 FOTOS: ALEXANDRE FONSECA

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Renan FREITAS Pinto

‘Politicamente, já NÃO SOMOS mais OS MESMOS’

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

A aposentadoria aconteceu em meio a um trabalho que não tem interrupção. Estou atuando no projeto de um livro que aborda os cinco séculos de relação Brasil-Alemanha e isso é uma oportunidade de demonstrarmos a importância da Amazônia”

E

studioso da sociologia, o doutor Renan Freitas Pinto é um homem que não para. Após 40 anos dedicados à Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ele acaba de se aposentar como professor titular do Departamento de Ciências Sociais do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) daquela instituição, mas não conseguiu se desligar dos projetos acadêmicos e do conjunto de obras sobre o pensamento sociológico. Aos 70 anos, ele está finalizando um pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e preparando o lançamento, até o fim deste ano, de um livro sobre a Amazônia chamado “Teoria crítica em Adorno”. Ele, que estuda o pensamento de Theodor Adorno e Florestan Fernandes, destaca-se pela sua produção sobre a Amazônia. Quando foi responsável pelo Departamento de Edição da Ufam colaborou na edição de quase cem livros. Colecionador de carros em miniaturas, livros e LPs, Renan, que é membro da Academia Amazonense de Letras (AAL) e possui graduação em letras - língua e literatura inglesa pela Ufam na turma de 1969, é mestre em sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) (1982) e doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo (1992). Na semana passada, o sociólogo recebeu o EM TEMPO em sua casa onde conversou sobre política, manifestações populares, seus trabalhos e colaborações no lançamento de livros – até internacionais – e, sobre os cinco séculos de relações Brasil–Alemanha. EM TEMPO – O senhor

se aposentou após 40 anos dedicados à sociologia e, principalmente, à Ufam. Quais seus projetos a partir de agora? Renan Freitas Pinto – A aposentadoria aconteceu em meio a um trabalho que não tem interrupção. Estou atuando no projeto de um livro que aborda os cinco séculos de relação Brasil-Alemanha e isso é uma oportunidade de demonstrarmos a importância da Amazônia para a construção da ciência ocidental. Até o fim do ano também estou focado no lançamento de dois livros: “Vozes da Amazônia”, volume 2 e “Teoria Crítica em Adorno”. Mas, na Ufam temos uma situação em que aqueles que se aposentam se ainda tiverem fôlego podem atuar na pós-graduação. É isso que estou fazendo. EM TEMPO – Como começou esse trabalho sobre a publicação desses livros? RFP - Esse trabalho teve início em uma experiência no campo de trabalho da Ufam com o projeto sobre a formação do pensamento social da Amazônia. E nosso objetivo era convidar nossos alunos de antropologia, sociologia e história a se interessarem por esses temas. Temos inclusive trabalho de mestrando sobre esse estudo. EM TEMPO – E o que essa parceria pode trazer de vantagens para o país? RFP – Os nossos autores brasileiros, que não são muito conhecidos, passam a ser mais estudados internacionalmente. E, passamos a mostrar também que a Amazônia faz parte do Brasil em termos de pensamentos. O país não é apenas o que produzimos no eixo Rio de Janeiro e São Paulo. EM TEMPO – Quando será lançado?

RFP – No dia 18 de setembro iremos lançá-los no Brasil e, em 2 de outubro, será lançado em Berlim. Já no dia 13 de outubro, vamos apresentá-lo na Feira Internacional do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Estamos em pleno ano de comemoração dos cinco séculos de relação Brasil-Alemanha, e a discussão desse tema é muito importante. EM TEMPO – Como sociólogo, o senhor sempre é requisitado para emitir opinião no campo da política. Como o senhor avalia essas últimas mudanças de comportamento do povo brasileiro, que tem ido às ruas protestar? RFP – Esse momento não é novo, mas tivemos mudanças em alguns aspectos. Os políticos foram tomados de surpresa e viram que a população não está dormindo, e isso já é um ótimo resultado. A pauta de reivindicações também foi muito positiva. Tivemos como novo a participação das redes sociais, que apresentou um grande salto para esse movimento e conseguiu introduzir nessas manifestações uma turma jovem. O modo que eles se organizaram sem a participação de sindicatos ou partidos políticos demonstra um novo modelo de reivindicação da massa. EM TEMPO – Muito se protestou contra o péssimo serviço nos setores de saúde e transporte e pouco se viu contra os mensaleiros e caixa 2 nas eleições. As pessoas estão acostumadas com a corrupção? RFP – Acredito que não. Na verdade, se a população está indo para as ruas é um sinal positivo de que queremos mudanças. Porém, precisamos deixar claro que nem todo político é corrupto. Temos muita gente séria neste ramo. O que queremos é algo

diferente com mecanismo de cobrança mais caro e que as ações não sejam encobertas como são feitas. EM TEMPO – O povo está desacreditado em seus políticos? RFP - A política deveria ser como o futebol onde todos conhecem as regras. O que vemos hoje nos movimentos é que o jogo político seja jogado claramente com a participação de todos. A população não quer mais políticos descompromissados. Alguns parlamentares criam blindagem entre seus eleitores após assumirem um cargo. A política é uma coisa muito séria e importante, e não está sendo feita dessa forma. EM TEMPO – A participação de partidos políticos nessas manifestações foi vetada pelos manifestantes. Por que isso? RFP – Acho que é grave essa questão da população em desacreditar no partido, mas as siglas têm sua parcela grande de culpa, pois não se organizaram de forma respeitosa. Portanto, isso não significa que tenhamos que ser contra os partidos porque podemos entrar em uma época de ditadura. Um país sem partido, oposição e lutas sindicais é muito grave. É fundamental termos um movimento de rua e os partidos políticos aliados. EM TEMPO – Esse novo cenário que se desenha poderá mudar o perfil político para 2014? RFP - Acho que sim. Em alguns sentidos até já mudou. A médio e longo prazo acredito que as deformações ainda serão maiores. O Brasil politicamente não será o mesmo, agora o que ele vai ser ainda é uma incógnita. Temos que aguardar o que a sociedade tem a dizer e fazer sobre isso.

Se a população está indo para as ruas é um sinal positivo de que queremos mudanças. Porém, precisamos deixar claro que nem todo político é corrupto. Tem muita gente séria nesse ramo”

A política deveria ser como o futebol, onde todos conhecem as regras. O que vemos hoje nos movimentos é que o jogo político seja jogado claramente com a participação de todos”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Serviços básicos lideram as proposituras na CMM O

s 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) apresentaram, em sete meses de legislatura, aproximadamente 4,8 mil requerimentos, 1,3 mil indicações e 846 moções, como parte das proposituras parlamentares. De acordo com o gerente do Departamento de Registro Parlamentar (DRP) da CMM, Francisco Assis Lima, as requisições de serviços básicos ao Poder Executivo lideram entre as proposituras apresentadas. “Geralmente o maior volume de proposituras é de requerimentos que se atêm, sobretudo, a pedidos para a execução de serviços que são afeitos aos próprios expedientes das secretarias municipais, como tapa-buracos, desobstrução de esgoto, limpeza das vias públicas e, também, de alguns serviços ligados a reformas”, informou. O setor registrou exatos 4.796 requerimentos que, entre os pedidos, também estão solicitações de dados de órgãos da administração municipal, sobre gastos e contratações de serviços e até a convocação de secretários para prestarem esclarecimentos das ações de suas gestões.

Ele informou que as propostas contemplam as necessidades em variadas áreas de atuação, dependendo da linha do parlamentar. “Vereadores ligados à educação, por exemplo, sua propositura vai ser mais voltada para esta área”, observou. Quanto às indicações, que são ideias, opiniões ou mesmo

PEDIDOS

Conforme levantamento feito pelo EM TEMPO junto ao Departamento de Registro Parlamentar (DRP) da Câmara municipal, em sete meses, já foram apresentados quase 7 mil proposituras na casa sugestões ao Poder Executivo, Lima enumerou 1.306, de fevereiro até 31 de agosto. Em relação à moção, proposição pela qual o vereador expressa seu louvor, congratulação ou pesar, o setor registrou 848 propostas. “Proposituras de agravo e de desagravo, este último, que seria em caso de o vereador achar que algo foi indigno para a população e

ROBERVALDO ROCHA/DIRCOM/CMM

Vereadores usam dessa ferramenta para reivindicar ações do Poder Executivo, como tapa-buracos e limpeza pública que vem ferir a democracia, a dignidade da pessoa humana, ou até mesmo os princípios da administração pública. Apresentada à mesa diretora, a moção é imediatamente despachada pelo presidente e enviada à publicação. Quando seus autores pretendem traduzir manifestações coletivas da Câmara, a moção deve ser assinada, no mínimo, pela maioria absoluta dos vereadores. “O nosso regimento interno fala sobre propor solidariedade e pesar, e existe também de protesto”, disse. Pauta limpa No último dia 27 de agosto, o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Bosco Saraiva (PSDB), se revezou com o vice-presidente, vereador Sildomar Abtibol (PRP), na leitura e deferimento de um grande volume de indicações. Conforme Saraiva, havia mais de cem destas proposituras na ordem do dia e que foram zeradas na mesa, naquele dia. Em relação aos requerimentos, três dos mais recentes que foram aprovados na semana passada tratam sobre o tema de transporte urbano e mobilidade urbana.

Em sete meses desta nova legislatura, vereadores já apresentaram quase 7 mil proposituras


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

DIVULGAÇÃO

Mercado de paisagismo em alta em Manaus Economia B4

De acordo com a Seplan, as fabricantes interessadas receberiam terreno plano a preços simbólicos e benefícios como a desoneração e a redução de impostos

Indústrias miram Iranduba Ao menos 32 empresas mostraram interesse em se instalar no município vizinho da capital amazonense. Elas são atraídas pelos incentivos fiscais federais e estaduais que serão concedidos à Região Metropolitana de Manaus (RMM)

C

onhecido por suas olarias, Iranduba (a 22 quilômetros de Manaus) virou o cenário propício para investir na implantação de fábricas do outro lado da ponte Rio Negro. A iminência da votação ainda este ano do projeto de lei (PL) 2.633/11 - que estende os benefícios federais da Zona Franca de Manaus (ZFM) para a Região Metropolitana de Manaus (RMM) -, além de iniciativas para a concessão de incentivos estaduais, têm atraído o interesse dos empresários dispostos em fincar suas indústrias no município vizinho da capital amazonense. Na última reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), no mês passado, o secretário adjunto de Política Industrial da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan), Appio Tolentino, destacou que o processo de implantação do primeiro distrito industrial no interior, no caso, em Iranduba, será iniciado até dezembro deste ano. Segundo ele, aproximadamente 32 indústrias demonstraram interesse em produzir no município, entre elas, empresas de bens intermediários para o setor de duas

rodas, eletroeletrônicos, móveis e modulados, cosméticos, perfumaria e medicamentos. Japonesa O consultor de empresas da Profinco Projetos Financeiros e Econômicos, Hélio Pereira, revela que uma indústria de origem japonesa se prepara para firmar contrato com uma empresa terceirizada exclusiva

NEGÓCIOS Daikin, líder na produção de condicionadores de ar split nos EUA e no Japão, aprovou projeto de US$ 115,5 milhões e geração de 754 empregos nos próximos três anos para uma fábrica na BR-174 para a fabricação de chicotes elétricos para motocicletas no município. Segundo ele, o interesse foi impulsionado pela dificuldade em encontrar terrenos adequados e a preços acessíveis dentro da área do parque fabril em Manaus. “Apesar de dificuldades de infraestrutura, como serviços de internet, telefone e fornecimento de água, a avaliação dos empresários é de que terrenos de aproximadamente

três mil metros quadrados para a construção de galpões industriais destinados a pequenas fábricas sairiam mais barato para as empresas, sobretudo se houver incentivos estaduais e federais. Eles estão pensando no futuro”, destaca Pereira. Sumidenso No início de agosto, o prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros, confirmou à Seplan que a Sumidenso é a fabricante de componentes interessada em abrir unidade no município. Segundo ele, a multinacional planeja fabricar chicotes elétricos para automóveis com a geração de 250 novos postos de trabalho. Um executivo da empresa japonesa, que optou por não se identificar, confirmou a prospecção do negócio. “Além de diminuirmos o custo, poderíamos incentivar a contratação de mão-de-obra local, gerando emprego e renda para o município”, comenta. Segundo ele, após a liberação dos incentivos e a escolha do terreno, a instalação da empresa terceirizada seria concluída em prazo de até um ano. “Se reunirmos as condições, estaremos em pleno funcionamento até 2015, produzindo os chicotes elétricos no município e empregando o componente na produção em Manaus”, ressalta.

Ponte sobre o rio Negro facilitará escoamento da produção dos municípios próximos da capital

Interior terá cinco polos fabris FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO E IONE MORENO

JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

Duplicação da rodovia AM-070 (Manoel Urbano) favorece expansão industrial em Iranduba

Com a prorrogação dos incentivos da ZFM por mais 50 anos e da extensão do benefício para os municípios da RMM – Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Novo Airão, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva –, algumas ações são estudadas para viabilizar a instalação das fábricas fora do perímetro de Manaus. Uma das propostas sugeridas é que os processos produtivos básicos (PPBs) existentes hoje no PIM sejam revisados. “Esse seria um grande passo para permitir a terceirização de etapas da industrialização dos componentes fora da capital ama-

zonense, indo ao encontro ao interesse dos investidores”, afirma o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo. A concessão de outras facilidades como a isenção do Programa de Integração Social e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins), além da recuperação de créditos do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que não conseguem ser utilizados hoje, também estão entre as soluções para atrair o investidor para o interior do Estado. Em paralelo, um estudo de

viabilidade econômica está em andamento pela Seplan para a construção de cinco novos parques industriais em Rio Preto da Eva, Manacapuru, Itacoatiara e Presidente Figueiredo, além de Iranduba. A meta é criar uma área em cada município onde possa ser erguido um distrito industrial para alojar as fábricas. Segundo a Seplan, os fabricantes receberiam terreno plano a preços simbólicos e incentivos fiscais federais que incluiriam desoneração do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica (IRPJ), redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e cobrança diferenciada do ICMS.


B2

Economia

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Bancos financiam R$ 6 bi para empresas de turismo Montante registrado no primeiro semestre deste ano é 23% maior do que valor verificado no mesmo período de 2012

D

e janeiro a junho de 2013, os bancos já fizeram empréstimos de R$ 6,1 bilhões para empresas de turismo no país. O valor cresceu 23% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2012, e foi destinado a hotéis, restaurantes, empresas aéreas e agências de turismo De acordo com a Coordenação de Investimentos do Ministério do Turismo (MTur), os investimentos subiram de R$ 5 bilhões para R$ 6,1 bilhões no período. Em 2011, os empréstimos dos bancos somaram R$ 8,6 bilhões, enquanto que, em 2012, a soma foi de R$ 11,2 bilhões, de acordo com o MTur. “O crescimento se explica pelo aumento da interlocução entre os setores público e privado do turismo, o reconhecimento do potencial da área pelos bancos e a organização dos empresários para a captação de recursos”, afirma o secretário nacional de Programas de Desenvolvimento de Turismo, Fábio Mota. Os empréstimos são destinados a empresas aéreas, hotéis, parques, transporta-

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

dores, bares, restaurantes, locadoras de automóveis e agências de turismo. Os recursos podem ser concedidos por instituições financeiras como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.

PARTICIPAÇÃO

Representantes do Ministério do Turismo e de bancos públicos participaram da 41ª Feira de Turismo das Américas, em São Paulo, onde tiraram dúvidas sobre linhas de crédito ao setor turístico Crédito Desde 2003, o MTur articula com os bancos públicos linhas de créditos específicas para o setor, entre elas, o Programa BNDES ProCopa Turismo, destinado à reforma e construção de hotéis, o Programa de Apoio ao Turismo Regional (Proatur) e o Fundo Geral do Turismo (Fungetur).

Hotéis de todos os Estados brasileiros receberam empréstimos provenientes de bancos públicos nos seis primeiros meses de 2013

Especialistas discutem prioridades do setor Um dos temas prioritários durante a reunião dos coordenadores das câmaras temáticas do Conselho Nacional de Turismo (CNT) na Feira das Américas, foi a flexibilização da mão-de-obra do setor, com a possibilidade da criação de um formato de trabalho que se encaixe

na situação de sazonalidade do turismo. O CNT deverá levar a questão ao ministro do trabalho, Manoel Dias. O segundo tema abordado foi a formulação de um documento que fixe a responsabilidade compartilhada de agências, operadoras e hotéis junto ao Código do Con-

sumidor. Os representantes das entidades que integram o CNT pedem ainda uma redefinição das políticas públicas de incentivo à capacitação profissional, em um modelo que atenda a necessidades específicas dos profissionais. “Precisamos avançar e dar continuidade às ações para

promover o desenvolvimento e a competitividade do turismo de uma forma concreta”, ressalta o secretário nacional de Políticas de Turismo do Ministério do Turismo, Vinícius Lummertz. Os assuntos serão encaminhados à próxima reunião do conselho em outubro.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

Amazonas, a sinergia da transformação O mercado de plantas ornamentais em Holambra, no interior de São Paulo, movimenta meio bilhão de reais por ano, dos quais 30% se referem ao comércio de orquídeas. Atualmente, apesar do dólar alto, as empresas que mantêm Garden (loja de flores) em Manaus, importam mudas de orquídeas da Tailândia, da espécie Denphal, por exemplo, um híbrido geneticamente aperfeiçoado e muito procurado no mercado. A muda, incluindo o frete aéreo e climatizado, chega ao Brasil a R$ 18 a unidade para “engorda” nos viveiros adequados do interior paulista – ajustado à luz e umidade tropical asiática, a mesma da Amazônia – para alcançar depois o preço de R$ 90 no mercado. Dois terços das espécies de orquídeas espalhadas pelo mundo têm origem na Amazônia , com predominância do habitat encontrado na calha do rio Negro. Mas não há notícia de estudos, pesquisa, inovação e investimento nesse mercado comprovadamente promissor. O que há, na metade da área do Estado, Manaus à parte, é a predominante falta de sinergia para gerar saídas e na outra metade, nas áreas protegidas, a absoluta proibição vesga e nociva de tocar na floresta, com uma Bolsa de R$ 50, (sic!) distribuída pela FAS, a Fundação Amazonas Sustentável, que teve uma redução de mais de 50% no desembolso no último exercício: era R$ 8,6 milhões em 2011 e baixou para R$ 4,0 milhões em 2012, com aumento comprovado de investimentos nas instalações da entidade, nos jardins da Vila Olímpia, na capital paulista. Nas unidades de conservação

engessadas, os moradores são “desaconselhados” a extrair, beneficiar e comercializar castanha, a brazilian nut, uma das mais fortes economias do interior, que abastecia os mercados europeus e americanos, antes da eclosão da economia da ZFM. Havia escritórios de representação do Estado em Nova York, Londres e Paris que distribuíam folhetos com receitas e vantagens à saúde deste item amazônico. Pela mídia tradicional e redes sociais, nesta Semana da Amazônia, o Brasil se danou a gritar contra a notícia de que mais de 1 milhão de hectares na Floresta Amazônica poderão ser explorados por madeireiras a partir do ano que vem, segundo o edital de concessão florestal, o terceiro deste ano, para manejar a Floresta Nacional de Altamira, no Pará, com área de 360 mil hectares, para a exploração sustentável de madeira tropical. Desinformação ou hipocrisia? Este é um caminho, na contramão da derrubada desordenada da floresta. Manejada cuidadosamente, a atividade vai gerar economia e a produção, distribuir oportunidades e recursos, inclusive, para que o poder público e a sociedade possam vigiar o uso inteligente, permanente e sustentável do bioma. Este hectare, que corresponde a 10 mil metros quadrados, um campo de futebol oficial, se opõe ao preservacionismo maroto. Na fila, está a floresta do Purus, com o objetivo de ordenar a atividade madeireira e promover uma economia florestal de base sustentável, com madeira legal, de origem rastreada, aumentar a oferta de empregos e elevar a

renda e a arrecadação regionais. As áreas abertas para exploração madeireira localizam-se na região de influência da BR-163 (Cuiabá-Santarém) e estão sob pressão do desmatamento. Falta sinergia para alavancar as novas matrizes econômicas. Os gregos esbanjavam precisão e clareza, adotando conceitos da física, para explicitar fenômenos no cotidiano da existência. É o caso do conceito de sinergia que ilustra com eloquência a amplitude e as vantagens desse exercício de inteligência e elucidação. Usado na fisiologia para descrever ações interligadas na execução dos movimentos de sistemas, de elementos anatômicos ou biológicos, a sinergia se aplica nas ações da vida social para destacar os resultados substantivos da coesão dos membros de um grupo ou da coletividade em prol de um objetivo comum. Sua antonímia, a propósito, de acordo com os dicionários, é mais eloquente ainda e se resume a um único conceito: a desinteligência. Infelizmente tem sido essa a forma de articular novas saídas de adensamento, diversificação e interiorização da economia da ZFM. Além das orquídeas, bromélias e uma infinidade de espécies ornamentais de mercados, com efetivos potenciais de sucesso, o bioma oferece os ingredientes da nutracêutica, a indústria do vigor saudável e da eterna juventude, além de inumeráveis itens da flora e da fauna sustentável. Há uma vontade coletiva, inexplicavelmente contida, de avançar no atendimento de um clamor generalizado de diversificação e interiorização da

economia e da prosperidade a partir do aproveitamento sustentável das riquezas naturais. O Polo Industrial de Manaus tem duas empresas que dependem do látex – uma economia do Amazonas que há cem anos respondeu por 49% do PIB nacional – e só conseguem 30% de sua demanda de borracha na oferta local, o resto é comprado no Mato Grosso e São Paulo. Pesquisadores locais já dominam a tecnologia do cultivo racional da seringueira. Ou seja, é viável reativar a economia da borracha na região, não apenas para abastecer as indústrias de pneus instaladas na ZFM e diversificar o setor, mas para apostar na interiorização de novas oportunidades. Na perspectiva compulsória da sinergia para identificar novas matrizes da economia, representantes da academia, pesquisa, fomento e empresários locais do setor agroindustrial e de tecnologia da informação e imprensa, reuniram-se em Manaus, há um mês, sob a coordenação de Cieam/Fieam, para falar de futuro da região, das opções de novos negócios, e referendaram urgência de implantar o polo de bioindústria. Uma das alternativas é conferir à Embrapa gerenciar o Centro de Biotecnologia da Amazônia, com a condição de integrar a academia, a Suframa e Inpa, o setor produtivo, entre outros organismos, que possam somar esforços e multiplicar resultados. É intensa a expectativa de dar uma resposta a tantos anos de adiamento e dispersão de energias para interiorizar a economia, instalar polos regio-

nais distribuídos nas calhas do s rios, para abastecer os projetos de agro e bioindústria que daí podem emergir e transformar potencialidades naturais em prosperidade social, que atenda a milhares de jovens que vagueiam entre o ócio, o tráfico e a delinquência – a chamada geração nem-nem, multidões de moças e rapazes, que nem trabalham nem estudam, – por absoluta ausência de opções. A economia do polo industrial não mais se expande e tem data de vigência fiscal e restrições infraestruturais a serem enfrentadas. É hora de acalentar novas cadeias produtivas, novas tecnologias focadas, com pesquisa e desenvolvimento, nas vocações naturais apostando na migração do conhecimento, desde o laboratório às novas linhas de produção, uma listagem de ações inadiáveis que sugerem a iminência de significativas transformações. Faltam apenas milhares de cientistas, tecnólogos, protocolos de ordenamento dos marcos regulatórios, formação de gestores e estímulos aos empreendedores que sistematizem projetos e parcerias, que levem adiante a evidência das novas perspectivas de bons resultados propiciados por numerosas unidades demonstrativas na produção de alimentos, serviços ambientais, oportunidades em todos os níveis e arranjos funcionais. Viva o Amazonas, viva a Amazônia, sua castanha, sua flora, fauna e a cumplicidade que começa pela socialização da informação, das demandas, dos acertos e, inclusive, dos fracassos, numa necessária, imperativa e inadiável sinergia da transformação.

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Nas unidades de conservação engessadas, os moradores são “desaconselhados” a extrair, beneficiar e comercializar castanha, a brazilian nut, uma das mais fortes economias do interior, que abastecia os mercados europeus e americanos, antes da eclosão da economia da ZFM”


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FOTOS: DIVULGAÇÃO

Mercado de paisagismo está em alta em Manaus Alguns estabelecimentos do setor chegam a registrar um crescimento de até 30% no faturamento por ano BRUNO MARZZO Equipe EM TEMPO

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estritas até então às pessoas de alto poder aquisitivo, as lojas de paisagismo em Manaus precisaram se readequar para atender a alta demanda do mercado. Influenciadas pelo “boom” do setor imobiliário na região, as empresas democratizaram os serviços para atender a todos os públicos. O resultado não poderia ser melhor. Alguns estabelecimentos que comercializam gramas, adubos, pedras de decoração, plantas e flores chegaram a anotar crescimento de até 30% ao ano. “Nos últimos 10 anos, houve uma explosão no mercado imobiliário da cidade. Se antes, tínhamos uma dúzia de condomínios, hoje temos bem mais que 100 imóveis desse tipo. Para cada um desses lugares existe um projeto paisagístico que precisa ser executado e preservado por um custo mensal que pode chegar a R$ 5 mil dependendo do tamanho do local”, explica o paisagista Eduardo Mendes Barbosa, que trabalha há 23 anos no ramo e vende gramas, pedras, flores e adubos na capital amazonense. Segundo ele, quando assumiu o negócio criado pelo pai, o mercado era restrito às pessoas ricas ou instituições públicas e privadas. Barbosa garante que hoje as vendas estão mais “democráticas” atingindo clientes com menor

poder aquisitivo. Entre os produtos mais requisitados para esse tipo de trabalho estão as gramas das espécies esmeralda e batatais que atendem a diferentes tipos de necessidades. Para produzir uma quantidade negociável de gramas, Barbosa dispõe de uma área de 10 mil metros quadrados somente para o cultivo. “Uma placa de grama com um metro quadrado custa em média R$ 8 reais. Essas gramas devem ser aplicadas levando em conta sua utilização no espaço. Se for para ser pisada, orientamos a batatais, que é uma espécie mais forte e resistente a impactos. Para compor espaços que não sofrem impactos constantes como jardins de casas e empresas, a solução é a grama esmeralda”, frisa. Custo Conforme o proprietário da João da Grama, João Silva, que já plantou gramas em lugares inusitados como encostas de estradas, o preço não é definido somente pelo tamanho das placas. De acordo com o empresário, os orçamentos preveem custos que vão desde a entrega, a distância - se é perto ou longe -, e a facilidade de acesso ao local. “Caso o cliente queira que apliquemos a grama é outro custo. Por exemplo, em uma encosta que precisa de equipamentos de segurança, o preço pode até dobrar”, detalha.

Investimento inicial é de R$ 500 mil O gerente comercial da Vida Verde Paisagismo, Rafael Barbosa, afirma que para ingressar no setor, que está em franca expansão na capital Amazonense, o investidor precisa de um terreno com uma área disponível de pelo menos 10 mil metros quadrados além de uma máquina de cortar gramas que custa em média R$ 500 mil. Fora o investimento inicial, é preciso se preocupar também com os gastos com manutenção. “Do plantio até a colheita pode demorar um ano. Porém, depois de estabilizar, os contratos são garantidos”, destaca o empresário ao ressaltar que atrai 50% dos clientes por meio de anúncios na internet. Segundo ele, é possível tirar uma renda fixa de até R$ 10 mil por mês. O lucro alto é obtido, pois, além dos serviços, há despesas ainda com empregados e serviços necessários para deixar o jardim mais bonito. Plantas, pedras de decoração e grama são os produtos mais vendidos pelas lojas de jardinagem


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Autossuficiência em mandioca

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DIVULGAÇÃO/EMBRAPA

Embrapa possui projeto para multiplicar a produção do tubérculo no Amazonas

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m apenas 3 anos o Amazonas poderá alcançar a autossuficiência na produção de macaxeira. A meta será possível graças ao projeto “Manareiro” da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que pretende multiplicar 160 vezes a quantidade de manivas produzidas por cada planta. Esta estratégia de multiplicação rápida de variedades superiores de mandioca para o aumento da produção de farinha e fécula no Estado já está em fase de implementação nos municípios de Manaquiri e Careiro Castanho. O supervisor de implementação de transferência de tecnologia da Embrapa, Raimundo Rocha, afirma que está confiante em relação ao sucesso do projeto. Ele explica que a mandioca é plantada por hastes da planta chamadas manivas. Esta quando manuseada corretamente pode multiplicar sua capacidade de produção em até 160 vezes. “Embora a mandioca seja um cultivo tradicional do Amazonas, nem sempre os agricultores conseguem manter uma reserva de manivas dos seus melhores materiais de mandioca para plantio ou aproveitar adequadamente o potencial de germinação da planta”, explica. Tradição De acordo com Rocha, a multiplicação de manivas, ocorre geralmente pelo método tradi-

cional, que tira cerca de cinco a dez manivas-sementes de uma planta adulta quando ela atinge 12 meses -, o que tem se revelado um método ineficaz para atender a atual demanda do mercado. “Com o projeto ‘Manareiro’ já criamos polos de capacitações que ensinam na prática como aplicar o método de multiplicação rápida. Dessa forma, pode-se extrair de uma planta adulta até 160 novas mudas, em um campo de multiplicação que produz até 1,6 mil manivas-sementes de 20 centímetros em um ciclo de 16 meses”, afirma o supervisor da Embrapa. Demanda Segundo Rocha, o projeto é fruto de um trabalho que teve início há mais de 30 anos, quando a Embrapa percebeu que seria necessário multiplicar a produção para atender a demanda do presente. De acordo com o supervisor, a empresa deu início a uma seleção de materiais com qualidade superior para a produção de farinha e fécula (substância rica em amido que serve como alimento). “Ao longo dos anos essas pesquisas de manivas para várzea e terra firme permitiram cultivar até 33 toneladas de raiz por hectare, isto é três vezes maior que a média regional que colhe de 8 a 10 toneladas por hectare. Nosso maior desafio é conseguir sementes de boa qualidade”, revela.

Técnica ‘tira’ atraso do campo O secretário municipal de Produção Rural do Município de Careiro Castanho, Ostenir Bezerra de Araújo, destaca que a presença de técnicos agrícolas do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), juntamente com engenheiros agrônomos da Embrapa, tira um “atraso” de 50 anos na produção local. “Toda a produção agrícola do município está sendo impactada com ações que visam tirar um maior proveito do campo. Por aqui, ainda se usa tração humana para arar a terra e os conhecimentos são seculares. Somente agora é que os caboclos estão adquirindo conhecimentos que podem resultar em maiores benefícios para suas culturas. O projeto ‘Manareiro’ é um ótimo exemplo que vai gerar renda e qualidade vida para os homens do campo”, enfatiza. Um dos produtores que estão sendo capacitados pelo projeto “Manareiro” no município de Manaquiri, Raimundo Soares destinou dois hectares (um hectare equivale a 10 mil metros quadrados) de sua propriedade para o plantio de mandioca, que segundo ele não estava rendendo de acordo com o esperado. “Eu estava pensando em plantar mamão nessas terras porque a mandioca além de dar mais trabalho para colher, não estava rendendo o bastante. Quando eu ainda discu-

tia essa mudança com a minha esposa, conheci o projeto ‘Manareiro’, que me fez mudar de ideia em relação a possibilidade de ganhos”, salientou.

Resgate O técnico agrícola do Idam, Adonias Pereira, frisa que o projeto “Manareiro” está resgatando o interesse de alguns produtores que abandonaram a cultura da mandioca nos últimos anos, devido às grandes cheias que atingiram essa região. “Para facilitar a capacitação desses agricultores foi criada no município uma Unidade de Multiplicação Rápida de Manivas de Mandioca (UMRM), onde os produtores podem ter contato direto com as técnicas aplicadas na multiplicação da manivas de mandioca”, avalia o técnico.

Estratégia para ampliar a variedade de mandioca no Estado está em fase de implementação em Manaquiri e Careiro Castanho


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Governo: explicações sobre espionagem são genéricas O

ministro das Comunicações Paulo Bernardo disse nessa semana que não se sustentam as respostas que os Estados Unidos deram, até o momento, ao Brasil sobre as denúncias de espionagem, incluindo de dados pessoais da presidente da República, Dilma Rousseff, e de assessores diretos. “Todas as explicações dadas, desde o início desses episódios, revelaram-se falsas, tanto as que recebemos da embaixada norte-americana e que as nossas equipes receberam na visita aos EUA”, disse o ministro. Na avaliação de Bernardo, a denúncia de espionagem é um “embaraço que eles (EUA) nos causam, assim como estão causando para outros países, como México, Alemanha, França”. Ele disse também que o governo brasileiro não tem a “ilusão” de achar que os norte-americanos iriam espionar dados nacionais por achar que “tem alguém tramando ataques”. “Isso é espionagem de caráter comercial, industrial, é interesse (dos EUA) em saber questões sobre o Pré-Sal e outras de peso econômico e comercial. Portanto, é mais grave do que parecia à primeira vista”, disse,

AP

Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo classifica as denúnicas de espionagem como de caráter industrial e comercial ao participar do lançamento do livro “Segredos do Conclave” , do jornalista Gerson Camarotti. Diplomacia Para o ministro, a situação pode ser solucionada de forma diplomática. “O que o governo fez, pedir explicações, é adequado. Nós somos amigos, temos

EMBARAÇO

Na avaliação de Bernardo, a denúncia de espionagem é um “embaraço que eles (EUA) nos causam, assim como estão causando para outros países, como México, Alemanha e França” Casos de espionagem de agências americanas contra o governo brasileiro foram denunciados pelo jornalista Glenn Greenwald

relações diplomáticas há 200 anos, e a diplomacia é o caminho para resolver isso”. O presidente da República em exercício, Michel Temer, que também esteve no evento, concorda com a avaliação do ministro. “Acredito que em brevíssimo tempo, diplomaticamente, se resolverá essa questão mantendo, em primeiro lugar, a soberania do Estado e da figura da presidente”, disse.

Presidência repudia o caso, diz Hoffmann Para Temer, a situação pode ser resolvida “a tempo de a presidente poder ir aos Estados Unidos, se houver essa solução harmonizadora”. A presidente Dilma Rousseff tem uma visita marcada para os Estados

Unidos no dia 23 de outubro, primeira ocasião em que viajará ao país com honras de chefe de Estado. Em meio às denúncias, a presidente examina a possibilidade de adiar ou até mesmo cancelar a visita.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse que o governo já demonstrou repúdio ao caso. Sobre a possibilidade de um cancelamento da viagem da presidente aos EUA, a ministra respondeu que

“vai ter posicionamento de governo e quem está tratando são os ministérios da Justiça, das Comunicações e das Relações Exteriores”. O Senado instalou na terça-feira, 3, CPI que investigará as denúncias.


País

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Brasil planeja lançamento de três satélites até 2016

SEGURANÇA

A partir de 2014, Enem será em local reforçado liações. O novo ambiente deve evitar vazamentos de questões, como os que ocorreram no Enem em 2009 e 2011. De acordo com o Inep, serão 988 metros quadrados, divididos em 21 salas com controle de acesso, uma sala de monitoramento, uma sala para a identificação dos usuários e uma sala para escaninhos, onde serão guardados os objetos pessoais daqueles que tiverem acesso ao local. Na entrada, o usuário é identificado e passa por um scanner, capaz de detectar objetos como pen-drives e CDs. Para entrar em uma das 21 salas, é necessário passar por um leitor biométrico, que irá garantir que a pessoa tem autorização para entrar na área.

Equipamentos serão para uso militar e de comunicação estratégica, de acordo com as estimativas do governo brasileiro. Primeiro satélite será lançado daqui a três anos

Estudantes serão monitorados durante provas do Enem

governo brasileiro pretende lançar, nos próximos 13 anos, três satélites geoestacionários para uso militar e de comunicação estratégica. O primeiro satélite, que já está em negociação, deverá entrar em operação em meados de 2016. O presidente da Telebras, Caio Bonilha, e o assessor do Ministério da Defesa, Edwin da Costa, informaram que a meta é lançar um novo equipamento a cada cinco anos. Como o satélite tem vida útil de 15 anos, um quarto equipamento será lançado para substituir o primeiro, que deverá ficar em órbita até 2031. “A intenção é manter os satélites e fazer as substituições (conforme os equipamentos forem ficando obsoletos), explicou Bonilha, que participou, nessa semana do Congresso LatinoAmericano Satélites. Quando os três satélites geoestacionários estiverem em órbita, apenas estes serão usados. O primeiro satélite geoestacionário será construído pela Thales Alenia e lançado pela Arianespace, ambas empresas estrangeiras. Tanto a construção quanto o lançamento serão gerenciados pela empresa nacional Visiona, uma joint venture entre a Embraer (que detém 51%) e a estatal Telebras (com 49%).

AE

O

JOSE CRUZ ABR

A partir de 2014, as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) serão elaboradas em um local com segurança reforçada. O espaço terá acesso restrito e será construído na nova sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Quem ali entrar, passará por um scanner e será monitorado por câmeras. Além do Enem, serão elaboradas no local as questões do Banco Nacional de Itens, que serve de subsídio para a Revalidação dos Diplomas Médicos (Revalida), a Prova Brasil, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), entre outras ava-

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Presidente da Telebras, Caio Bonilha informa que a meta é lançar um satélite a cada 5 anos

Acordos serão assinados este mês A Telebras deve assinar, ainda neste mês, com a Visiona, o contrato da aquisição do satélite. Depois, a Visiona assinará o contrato com a Thales Alenia e a Arianespace. Depois de lançado, o satélite será operado pela Telebras, que ficará encarregada do sistema civil (em Banda Ka), e o Ministério da Defesa, que será o respon-

sável pelo sistema militar (em Banda X). Para aumentar a segurança da operação do satélite, as duas estações de controle do equipamento, a principal e a reserva, ficarão localizadas dentro de instalações militares no Brasil. De acordo com Edwin da Costa, além de melhorar a qualidade e a segurança das

informações, o novo satélite vai ampliar a cobertura das comunicações militares. Segundo ele, o novo satélite terá três faixas de cobertura: uma nacional, outra regional (que vai cobrir praticamente todo o Oceano Atlântico, parte do Oceano Pacífico e as Américas do Sul e Central) e uma terceira móvel.


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Mundo

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‘Credibilidade internacional está em jogo na crise síria’ autoriza a ação militar americana na Síria para neutralizar armas químicas - com mandato “limitado e sob medida das Forças Armadas americanas contra a Síria” e vetando o uso de soldados. Porém, ela ainda precisa ser votada pelo Senado como um todo. Uma moção semelhante seré analisada ainda por um comitê na Câmara dos Representantes (deputados).

AÇÃO MILITAR

Obama tenta angariar apoio internacional para uma ação militar americana contra a Síria, alegando ter provas de que o regime de Bashar al-Assad usou armas químicas contra sua própria população

Obama disse que acredita que o Congresso irá aprovar a ação, mas que, como comandante supremo das forças americanas, ele se reserva ao direito de tomar decisões em nome dos interesses nacionais americanos. Também o parlamento francês debate a possibilidade de uma intervenção militar na Síria.

Obama tem se desdobrado na corrida para ganhar apoio de governos internacionais em um possível contra-ataque ao regime sírio

AP

A

credibilidade da comunidade internacional, dos Estados Unidos e do Congresso americano está em jogo se não houver uma resposta ao suposto uso de armas químicas pelas autoridades da Síria, afirma o presidente dos EUA, Barack Obama. Ele tenta angariar apoio internacional para uma ação militar americana contra a Síria, alegando ter provas de que o regime de Bashar al-Assad usou armas químicas contra sua própria população em 21 de agosto, matando 1,4 mil pessoas (ainda que organizações e o governo da França tenham contabilizado um número inferior de mortes no episódio). Questionado, na Suécia, se sua decisão de pedir o aval do Congresso americano antes de atacar a Síria colocava sua credibilidade em jogo, Obama respondeu que “a credibilidade que está em jogo é a da comunidade internacional, dos EUA e do Congresso, porque (se nada for feito) falamos da boca para fora que as normas internacionais (que vetam o uso de armas químicas) são importantes”. Nesta semana, o Comitê de Relações Exteriores do Congresso aprovou uma resolução que

PETE SOUZA-WHITE HOUSE

Presidente Barack Obama corre contra o tempo para angariar apoio internacional para uma ofensiva contra o regime de Assad

Ditador sírio Bashar al-Assad poderá atacar países vizinhos como Turquia, Israel e Jordânia

Assad ameaça países vizinhos O regime do ditador sírio Bashar al-Assad afirmou ter tomado “todas as medidas” para revidar a ação militar americana esperada para a esta semana. “Não vamos mudar nossa posição nem mesmo se houver uma Terceira Guerra Mundial”, afirmou o vicechanceler Faisal al-Muqdad em uma entrevista exclusiva à agência de notícias AFP. Muqdad disse também que Damasco poderá atacar alvos na Turquia, Israel e Jordânia caso esses países participem de uma operação internacional contra a Síria. No mesmo dia, a rede de TV saudita Al Arabiya havia noticiado que as forças de segurança da Jordânia estão em estado de alerta. O canal teve acesso especial a uma base aérea e diz que o Exército jordaniano prepara os seus planos de contingência. A Jordânia já afirmou publi-

camente diversas vezes que não irá servir de base para o lançamento de uma ação, apesar de a monarquia do rei Abdullah 2º se opor ao regime de Assad.

ALVOS

Para o governo de Assad não haverá mudança de posição nem mesmo se houver uma Terceira Guerra Mundial. Damasco poderá atacar alvos como a Turquia, Israel e Jordânia Apesar disso, há receio de que o país seja alvo da retaliação síria, após o esperado ataque americano. Os EUA ainda têm de discutir e votar no Congresso a intervenção, motivada pelo suposto uso de armas químicas pelo regime de Assad.

Autoridades militares têm sugerido, também, que há a possibilidade de hostilidade contra os campos de refugiados sírios na Jordânia, como punição do regime. Fronteiras Na região de fronteira, a presença militar é constante, como observado pela reportagem da “Folha”. Entre as imagens divulgadas pela Al Arabiya estão jatos tipo F-16 em um treinamento excepcional. As Forças Aéreas da Jordânia são consideradas das mais potentes nessa região. O governo de Abdullah 2º tem também apoio militar americano, com mísseis antiaéreos Patriot estacionados na fronteira e treinamento específico para as Forças Armadas locais. Além disso, a monarquia jordaniana conta com lançadores avançados de foguetes, capazes de uma rápida identificação de alvos.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

ARTHUR CASTRO/AGORA

Mais motos, maiores imprudências Dia a dia C4 e C5

Contra ‘quilinhos a mais’, aparece até projeto de lei U

m dos maiores temores do brasileiro é, sem dúvida, enfrentar a balança. Pesquisa do Ministério da Saúde revelou que 51% da população, acima dos 18 anos, está acima do peso. Entre as mulheres a obesidade atinge 48%, e os homens, 54%. O levantamento também revelou que os “quilinhos a mais”, além de fatores genéticos, estão relacionados a uma dieta inadequada, rica em gordura saturada, refrigerantes e leite integral consumidos em porções diárias. Na tentativa de estimular desde a infância a preferência por alimentos saudáveis, o Senado Federal aprovou na segunda quinzena de agosto um projeto que quer proibir nas escolas, sejam públicas ou particulares, a venda de refrigerantes, bolachas recheadas ou salgados - os famosos alimentos de baixo valor nutricional e alto teor de gordura e sódio. De autoria do senador gaúcho Paulo Paim (PT) o projeto quer combater os índices de obesidade infantil. A medida prevê inclusive sanções para as lanchonetes que não seguirem a lei. Elas terão o licenciamento vedado ou o alvará não renovado. A proposta seguirá para votação na Câmara dos Deputados. Se por um lado a iniciativa vem conquistando o “repúdio dos estudantes”, por outro, vem sendo vista com bons olhos por nutricionistas e pais de alunos,

que acreditam que a lei pode incentivar o desenvolvimento de hábitos saudáveis. E, quem sabe, evitar o crescimento da obesidade entre as crianças. De acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em 2012, 14,3% das crianças estão obesas e 33,5% têm sobrepeso. A nutricionista Yanetty Alcon acredita que inibir o consumo desse tipo de guloseima diminui a probabilidade de a criança adquirir diversas patologias. “O consumo de sódio, gordura e açúcar, vai contribuir para obesidade tipo 2, aumento do colesterol e outras patologias”, pontuou. Ela explicou que nas escolas da rede municipal de ensino, diferente das particulares, não existem lanchonetes, pois a rede disponibiliza três refeições aos alunos, que seguem uma dieta balanceada. “Se deixarmos duas opções, as crianças têm a tendência de optar pela não tão saudável. Na escola, as crianças que não têm costume de ingerir alimentos saudáveis veem outras crianças comendo frutas e verduras e acabam sendo incentivadas. No município seguimos a resolução 38 que dispõe sobre a alimentação escolar e restringe o consumo rico em gordura e açúcar”, disse. Para ela, a construção de hábitos saudáveis também depende da atenção dos pais. “Não adianta somente dizer que na escola o consumo em excesso de refrigerantes ou sucos industrializados faz mal, se eu disponibilizo para as crianças”, disse.

Alimentação saudável nas escolas ainda tem dificuldade de aceitação por parte dos jovens estudantes, que preferem outras opções MARCELO CADILHE/ARQUIVO EM TEMPO

IVE RYLO Equipe EM TEMPO

SHANA REIS/ARQUIVO EM TEMPO

Proibição de venda de alimentos de alto valor nutricional em escolas tem apoio de nutricionistas e repúdio de estudantes

Ações em prática no município Os excessos são abolidos da alimentação oferecida aos estudantes das escolas públicas no Amazonas. Seguindo a resolução 38 de 16 junho de 2009, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), alimentos ricos em sal, açúcar, gordura, como refrigerantes, refrescos artificiais, enlatados ou salgados não fazem parte da merenda. Para seguir as orientados da resolução, a secretaria municipal de Educação (Semed) investiu nos produtos regionais para turbinar a dieta dos estudantes. O gerente de controle de qualidade da merenda escolar da Semed, Leís Batista, explicou que são inseridos no cardápio das 492 escolas municipais – espalhadas pela capital, na rodovia, ou mesmo à beira do rio - 27 itens adquiridos da agricultura regional. “No cardápio é priorizado o produto da agricultura familiar, para atender a demanda e fortalecer a agricultura da região. Tem todo um trabalho

na construção do cardápio para atender a demanda por modalidade de ensino e não incluir alimentos com gordura trans e itens que possam prejudicar”, disse. Desta forma, as crianças consomem as frutas e verduras produzidas na região. Como banana, abacaxi, melancia, feijão de praia, farinha de tapioca, abóbora, macaxeira, açaí, arroz e macarrão. “Muitas não comem as frutas nas casas delas e passam a consumir na escola e ter conhecimento do que é saudável e o que não é, e esse conhecimento, levam para vida inteira”, apontou. A capital vem investindo R$ 45 milhões no Programa de Alimentação Escolar, que prevê três refeições por turno, com café da manhã, às 7h, com achocolatado ou café com leite acompanhado de pão ou biscoito salgado ou doce. Por volta das 9h, é distribuído suco ou fruta e, às 11h almoço com arroz, feijão, purê, farinha, carne ou frango. Além de fruta como sobremesa. As frituras são o tipo de alimento que o projeto de lei pretende evitar nas escolas do país

Para alunos, projeto é muito radical A ideia de abolir completamente a venda de guloseimas nas escolas, prevista no projeto de lei, é contestada pelos estudantes. Alguns preferem gastar dinheiro com salgados e refrigerantes a ter que consumir a refeição oferecida pela escola. “Não gostei dessa lei. Tudo bem que eles queiram que a gente coma alimento saudável, mas proibir é demais”, disse Ayalla Kalyne Silva, 12, aluna da 9ª série. Ela e a amiga Fernanda Castro, 12, chegavam a gastar ater R$ 15 por semana com lanche, a consumir a merenda oferecida pela escola de graça. “Comprava coxinha, ‘jacaré’, pastel e refrigerante. Eles vendiam suco, mas eu preferia refrigerante. E, depois comprava chiclete, chocolate ou dindin. Mas agora tiraram a cantina e ficamos sem opção”, disse Castro.


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FOTOS: SÉRGIO CASTRO/AE

Uma nova família em 1 ano Todo o processo de habilitação dura, em média, de seis meses a um ano para ser concluído. Mediante o laudo, receberá um encaminhamento para conhecer as instituições acolhedoras e conhecer sua colocação na fila local. A fila segue a ordem cronológica e o chamamento será realizado pela Justiça conforme o perfil pretendido da criança sonhada e idealizada. Preferencialmente a criança será mantida em seu Estado de origem, e somente será inserida em família substituta de outro Estado através do CNA, se não houver aqui pessoas habilitadas interessadas na criança, e em última hipótese

será inserida em família do cadastro internacional através da Secretaria de Adoção Internacional (Cejaia). Quando chegar a vez do candidato, ele receberá o telefonema e um convite para conhecer a história da criança. Se houver interesse, a conhecerá na instituição e posteriormente fará uma declaração de aceitação. A partir daí será dado início ao processo, onde o estágio de convivência será acompanhado pela equipe técnica. Se a pessoa não se interessar por aquela criança, permanecerá na mesma posição na fila aguardando novo chamamento.

Projeto para fomentar adoções Foi protocolada na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o projeto de lei nº 293/2013, que beneficia com a isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) os que adotarem uma criança ou assumirem a guarda definitiva. De acordo com o autor do projeto, o vereador Luís Mitoso, a proposta tem como objetivo aumentar o número de adoções de crianças na capital amazonense. Inspirado por Viamão, cidade do interior do Rio Grande do Sul (RS) que já adotou a lei, Mitoso acredita que Manaus precisa mudar a visão que tem sobre ado-

ção. “O processo, se feito legalmente, não é nenhum mistério. O problema é que já criamos o preconceito de que é um processo demorado e caro, o que não é caso”, afirmou. Para ele, o projeto de lei serve apenas como um incentivo maior para aqueles que já queiram adotar uma criança, mas que não possuem tantas condições financeiras. “Acima de tudo, a pessoa que queira adotar deve fazer isso por amor, não pelo desconto do IPTU. O projeto também servirá para as pessoas começarem a se interessar mais”, comentou.


Dia a dia

MANAUS, SÁBADO, 7 DE SETEMBRO DE 2013

Cemitérios são alvos de ataques de saqueadores

PRAÇA 14

Dupla tenta assalto em sinal de trânsito fechado GUILHERME ALVES Equipe EM TEMPO

CHRIS REIS Equipe EM TEMPO

O

s cemitérios de Manaus, em especial o principal da cidade, o São João Batista, Zona CentroSul, estão sofrendo ataques de vândalos que entram no local, principalmente a noite para saquear os túmulos. Tendo como alvo, principalmente os vasos de porcelana e cristais, além de peças que adornam as sepulturas feitas de bronze e cobre, que são vendidas num “mercado negro”. O cemitério São João Batista possui 25 quadras que são vigiadas por oito servidores da própria Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), no período da noite, divididos em dois turnos. Mercado negro Segundo um trabalhador de túmulo, que não quis se identificar, os ladrões pulam o muro à noite e levam as peças de bronze e cobre, que são mais caras. “Esse material custa em média R$ 40 o quilo e um homem que fica perto do terminal 2 da Cachoeirinha, compra o que é roubado”, denuncia. Ele também lembra que os exemplares da cruz de bronze, que fica em cima do túmulo do senador Jeferson Peres, foi roubada mais de uma vez.

Ladrões de sepulturas procuram peças que possam ser revendidas para outras pessoas

Administração nega os roubos A administradora do São João Batista, Itacy Costa, afirmou que é difícil acontecer roubos,mas citou que já houve uma denúncia de que uma placa de bronze sumiu, mas ninguém sabe o que aconteceu. Ela alega que o muro do local é bastante alto e não tem como pular.

Porém, alega que o número de vigias não é o suficiente para tomar conta com eficiência de todo o lugar. A assessoria de imprensa da Semulsp, órgão responsável pela administração e manutenção dos 10 cemitérios existentes no município, sendo seis lo-

calizados na área urbana e quatro na zona rural, informou que a secretaria sabe a respeito dos roubos de peças decorativas e quando acontece algo similar pede que o dono da sepultura registre a ocorrência num Distrito Integrado de Polícia (DIP). O atentado aconteceu em frente a uma concessionária

REPRODUÇÃO/JANAILTON FALCÃO /AGORA

ZONA NORTE

Imagem de câmera de segurança mostra um dos suspeitos

Drogaria é assaltada pela segunda vez no Cidade Nova Dois homens, ainda não identificados, assaltaram a drogaria Mendes, localizada na rua João Câmara, bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus. O crime ocorreu por volta das 14h de ontem e a dupla conseguiu fugir a pé do local. De acordo com o proprietário do estabelecimento, Robson Souza, 41, um dos suspeitos se passou por cliente, antes de o segundo entrar e anunciar o assalto. “O primeiro chegou pedindo um analgésico e o outro entrou depois, anunciou o assalto e fez nosso motoboy refém, enquanto isso o comparsa pedia o dinheiro”, relatou. Após render as vítimas, a dupla pediu para o proprietário e o funcionário deitarem

Dois homens, ainda não identificados, em uma moto preta, de placa NPA-9030 e modelo não confirmado, tentaram assaltar o auxiliar administrativo Gilberto Figueiredo, 40, no momento em que ele aguardava o sinal de trânsito abrir. A tentativa de assalto ocorreu por volta das 14h de ontem, em frente à concessionária Braga Veículos, rua Ramos Ferreira, bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus. De acordo com a vítima, o garupa da moto bateu com a arma no vidro para que ele abrisse, e como não obedeceu, o assaltante efetuou os disparos. “Eu cheguei a vê-los pelo retrovisor, mas não dava para acelerar e fugir, ele deu coronhadas no vidro e depois atirou. Graças a Deus nenhum tiro pegou em mim”, relatou. Após os disparos, a vítima, que estava sozinha no veículo, saiu pela porta

dianteira do passageiro e se arrastou pelo chão para poder fugir dos assaltantes. “Ele foram ousados. Mesmo depois de ter atirado, um deles desceu da moto e mexeu nas minhas coisas e levou uma bolsa que tinha R$ 300”, disse. Figueiredo acredita ter sido seguido após sair do Banco Bradesco, no bairro Educandos, Zona Sul. Ele teria ido ao banco apenas para fazer depósito de cheques e pode ter sido dada alguma informação equivocada para efetuarem o assalto. O veículo em que a vítima estava, um Gol vermelho de placa não informada, teve que ser guinchado, pois com os tiros o carro não pode mais ser ligado. A 26ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foi procurada pela equipe de reportagem e não soube informar sobre o incidente. O caso foi registrado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). JANAILTON FALCÃO/AGORA

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Trabalhadores denunciam que ladrões pulam os muros durante a noite e levam peças de bronze e cobre dos túmulos para vendê-las no mercado negro

no chão enquanto eles pegavam o dinheiro. “Em momentos assim eles fazem um terror. Nós ficamos deitados no chão e um deles dizia que se alguém levantasse, ele iria atirar”, acrescentou. Os assaltantes conseguiram levar R$ 300 do caixa e celulares das vítimas. Imagens de segurança registraram a ação e devem ajudar a polícia a identificar os suspeitos. Segundo o proprietário da drogaria, esta é a segunda vez em menos de seis meses que sofre um assalto. Na última vez, os suspeitos também conseguiram fugir do local. Até o fechamento desta edição, o caso não havia sido registrado na delegacia policial da área.

COINCIDÊNCIA

HOMICÍDIOS

Mulher é assassinada após discussão em bar Uma mulher identificada por Maria Auxiliadora da Silva de Souza, 31, foi morta a facadas após uma discussão em um bar. O crime aconteceu no beco do Povo, bairro João Paulo 2º, Zona Leste. De acordo com a polícia, um homem identificado por Manoel Menezes da Silva, 40, é suspeito de ter cometido o crime. Populares revoltados com a atitude do acusado o detiveram, espancaram e esfaquearam. Depois do ato de violência da população, o suspeito chegou a fugir e se esconder na casa de sua filha, nas proximidades do bar. Policiais militares da 30ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foram acionados e informados onde o sujeito havia se escondido. Os policiais seguiram até a casa da filha de Manoel e realizaram a sua prisão. Por estar muito machucado, o suspeito foi encaminhado ao hospital Platão Araújo, juntamente com a vítima, que em seguida morreu. Após a consulta médica, Manoel foi apresentado no 30º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde negou todo o fato. Na manhã de ontem, o suspeito foi encaminhado para a cadeia pública

Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, Centro, e vai responder pelo crime de homicídio. Em depoimento, ele disse que estava apenas bebendo com a vítima, com quem costumava beber e não tinha motivos para assassiná-la. Outro caso Um homem identificado por Dioney dos Santos Oliveira, 28, foi morto a tiros durante a madrugada de ontem. O crime ocorreu no quilômetro 1 do ramal do Calado, na AM-070, estrada que liga Manaus a Manacapuru (a 65 quilômetros da capital). Segundo a polícia, a vítima foi encontrada com os olhos vendados e as mãos atadas. A polícia prendeu o filho de um policial, identificado como Alexandro de Andrade Bragança, 21, uma hora após o crime. Ele é um dos suspeitos de participar da execução. Segundo o delegado Antonio Rodrigues da Silva, a vítima teria sido executada antes de a família pagar o resgate. Dioney foi sequestrado por quatro homens que exigiam da família da vítima, R$ 20 mil pelo resgate. (Com matéria de Mazinho Bezerra, do AGORA, em Manacapuru)

Vítima de roubo reconhece autor do crime no São José O desempregado Joel Martins Ramos, 21, foi preso ontem por policiais militares da 9ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) após ser reconhecido pelas vítimas de um roubo cometido no último dia 30. A prisão ocorreu em um restaurante, que não teve o nome divulgado, localizado no bairro São José Operário, Zona Leste. De acordo com a polícia, o autônomo Francisco Socorro, 44, passava próximo ao estabelecimento quando reconheceu seu carro roubado, por meio de uma rachadura no símbolo do veículo modelo Ônix, de placa NOQ 4262, estacionado em frente ao restaurante. No local, a polícia interrogou o suspeito para saber de quem era o carro. Joel informou primeiramente que não era seu. Em seguida afirmou que o carro havia sido alugado

de uma pessoa desconhecida pelo valor de R$ 100 e seria devolvido amanhã. Durante o deslocamento da polícia e o interrogatório, os dois filhos do autônomo, vítimas do assalto, foram ao restaurante e reconheceram o suspeito. O caso foi registrado no Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFV). Assalto No dia 30 de agosto passado, os dois filhos, que não tiveram os nomes revelados, lavavam o carro em frente à própria casa, localizada na rua Criciúma, bairro Nova Vitória, Zona Leste de Manaus, quando foram surpreendidos por dois homens em uma moto. Segundo os relatos, um deles estava com capacete e o outro sem o equipamento. Armados, os assaltantes renderam as vítimas e levaram o veículo. ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

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Pátio da DERFV, onde o caso do roubo do veículo foi registrado


Dia a dia

MANAUS, SÁBADO, 7 DE SETEMBRO DE 2013

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Ao defender sua mulher, lutador de MMA é morto Crime aconteceu na saída de uma academia, onde Fábio Queiroz treinava com sua mulher. Acusado estaria embriagado REPRODUÇÃO/FACEBOOK

ISABELLE VALOIS Equipe EM TEMPO

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lutador de MMA (Mixed Martial Arts), Fábio Soares Queiroz, 26, foi morto na noite da última quinta-feira (5), no momento em que saía de uma academia na avenida Codajás, bairro Petrópolis, Zona Sul. De acordo com a polícia, ele foi alvejado por um homem identificado por Antônio Carmo de Souza, 44, que antes do crime mexeu com a esposa do lutador, Ellen Cristina Lopes do Nascimento, 24. Na delegacia, Ellen contou que chegou à academia juntamente com Fábio, mas teve que retornar ao carro para buscar um livro que havia esquecido. Foi nesse momento que Antônio começou a jogar piadas para Ellen por causa do short que estava vestindo, mas não ligou. Quando retornava para a academia, o suspeito novamente mexeu com ela. Assustada com a forma que Antônio havia lhe abordado, Ellen contou ao marido que tinha ficado constrangida com a piada. Depois do treino Fábio e Ellen resolveram ir embora, e no momento em que caminhavam para o carro ela informou que o homem que havia mexido com ela ainda estava pelo caminho. Revoltado, Fábio disse para Antônio respeitar a sua esposa, mas por perceber que ele estava alcoolizado, resolveu não discutir e entrou na drogaria Shekiná,

no caminho entre o carro e a academia. Quando saiam da drogaria, o suspeito foi ao encontro da vítima e perguntou se ele iria fazer alguma coisa com ele, passando a insultá-lo. Um amigo de Fábio, identificado com Rainey, também foi ao encontro do rapaz e que Antônio havia dito algumas palavras de baixo escalão para sua esposa, mas por perceber que ele estava alcoolizado, pediu que o lutador não desse importância. Após tanto insulto, Fábio não aguentou e foi em direção de Antônio e chegou a

FATALIDADE

Segundo um amigo da vítima que testemunhou tudo, Antônio Souza atirou contra a mulher de Fábio após a discussão, mas ele se pôs na frente da mulher e acabou atingido, morrendo logo depois Fábio Queiroz tentou defender a mulher do assédio de Antônio na saída da academia e acabou baleado e morto pelo acusado

empurrá-lo, indo em seguida para o carro. Nesse momento, o suspeito levantou a camisa e tirou da cintura um revólver de calibre 38 e efetuou um disparo contra Fábio, que não o atingiu, e outro tiro em direção de Ellen. Quando viu que o homem atiraria contra sua esposa, Fábio se jogou na frente para protegê-la, mas acabou sendo alvejado. Ao ver a vítima no chão, o suspeito correu para o posto de gasolina Três Irmãos, nas proximidades.

Vítima morreu a caminho do hospital Ellen e Rainey socorreram Fábio e o levaram para o hospital pronto-socorro 28 de Agosto, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu no caminho. Após o tiroteio, uma guarnição da 3ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) passou ao local e foi in-

formada da localização do suspeito. Ao chegar ao posto, os policiais encontraram Antônio e realizaram abordagem, encontrando a arma com a numeração raspada e o conduzindo ao 3º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Na delegacia, Ellen fez o reconhecimento de Antônio

seu advogado, mas para a imprensa contou que havia agido por legítima defesa. Antônio foi conduzido na manhã de ontem para a cadeia Raimundo Vidal Pessoa, Centro, e vai responder pelo crime de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e falsidade ideológica.

INSUBORDINAÇÃO

CARROS POLÍCIA CIVIL/DIVULGAÇÃO

Protegeu sua família e foi preso JOÃO PEDRO FIGUEIREDO Equipe AGORA

Policiais passaram por oficinas em quatro bairros da capital e uma área na Zona Sul

Operação abrange desmanches A Polícia Civil do Amazonas, por meio da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV), coordenada pelo delegado titular Jaime Ferreira, realizou na manhã de ontem, por volta das 8h, uma operação nas oficinas, ferros-velhos e desmanches de carros nas Zonas Leste, Oeste e Sul. A operação é uma determinação do delegado-geral Josué Rocha e do diretor do Departamento de Polí-

como autor dos disparos. A polícia descobriu que o suspeito também andava com duas identidades, uma com seu nome verdadeiro e outra com o nome de Jefferson Israel dos Santos Bastos. Em depoimento, o suspeito informou que só iria explicar tudo na presença de

cia Metropolitana, Emerson Negreiros, que tem objetivo de percorrer todos os estabelecimentos onde se executem reformas ou recuperação de veículos. Foram visitadas três oficinas nos bairros Cidade de Deus e João Paulo, uma no Lírio do Vale e Compensa e no Porto Demétrio, na Zona Sul. O delegado Jaime aproveitou as visitas para orientar os proprietários sobre a obrigação do livro de registro

do movimento de entrada e saída de veículos. “Neste primeiro momento, estamos conscientizando que é necessário que todas as oficinas, ferros-velhos e desmanches de automóveis mantenham o livro de entrada e saída, com todas as informações do proprietário”, afirmou. Durante a operação, os policiais civis aproveitaram para verificar se os veículos encontrados tinham restrição junto à polícia.

Três policiais militares, lotados na 21ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foram presos por abandono de posto e insubordinação depois que um dos soldados decidiu ir, por conta própria, até a sua casa ao ficar sabendo que um homem estava tentando arrombar a porta, onde estava sua esposa juntamente com seus dois filhos pequenos. O fato ocorreu na madrugada de ontem, no bairro Santo Antônio, Zona Oeste, quando o soldado Pedro Henrique Santos recebeu uma ligação de sua esposa, onde informava que um homem não identificado estaria focalizando uma lanterna para dentro da casa onde moram e tentava arrombar a porta da entrada. A mulher estava apenas com dois filhos, um deles de 5 meses de idade. Segundo o soldado, ele entrou em contato, via rádio, com uma viatura da 5ª Cicom, que atende na área, porém os policiais estavam com dificuldade de encontrar o endereço. Enquanto esperava, o soldado recebeu outra ligação de sua mulher, que já estava desesperada, dizendo que o homem continuava em seu terreno. Foi quando

o soldado decidiu seguir na viatura 6304, junto com os soldados William Moreno e Douglas Almeida, até a sua casa. Quando chegaram ao local, ele encontrou a esposa assustada, fizeram busca pelas redondezas, mas não encontraram o suspeito. Como os soldados são da 21ª Cicom, que cobre o bairro São Jorge, também na Zona

Era minha família que estava em risco. Nossa missão é proteger a família dos outros, eu estava protegendo a minha Pedro Henrique Santos, policial militar preso

Oeste, ele não tinha autorização para atender a ocorrência no Santo Antônio, foi o que alegou o aspirante oficial Wisley Souza da Silva. De acordo com o soldado Pedro Santos, o aspirante questionou o motivo que eles deixaram sua área para cobrir uma ocorrência em outro bairro e encaminhou os soldados envolvidos para a corregedoria da Polícia Militar.

Envolvidos passarão por corregedoria “Eu recebi a ligação e passei para uma viatura mais próxima, mas eles estavam com dificuldade de encontrar o local, depois que a esposa ligou de novo eu decidi sair com a guarnição e ir até minha casa. Era minha família que estava em risco, era meu filho de 5 meses que estava na casa. Nossa missão é proteger a família dos outros, eu estava protegendo a minha”, relatou Pedro Henrique. De acordo com o subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Moisés Cardoso, os três soldados envolvidos no caso foram presos em flagrante pelo crime de abandono de posto e insubordinação e foram encaminhados para o Batalhão de Guardas da PM, onde devem apresentar suas defesas para um possível relaxamento de prisão.


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Dia a dia

Zona Leste ganha casas n Prourbis se prepara para entregar 88 imóveis no próximo dia 24 de outubro, data de comemoração dos 344 anos da capital amazonense. Trabalhos estão em fase de finalização, com serviços de acabamento que representam 80% das obras no total

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Prefeitura de Manaus entregará 88 moradias populares no dia 24 de outubro, data em que se comemora o aniversário da cidade. As casas estão sendo construídas pelo Programa de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Socioambiental de Manaus (Prourbis), no bairro Jorge Teixeira 3, Zona Leste, e entraram em fase final de acabamento. De acordo com o prefeito Arthur Virgílio Neto, que tem inspecionado as obras rotineiramente, esta é apenas a primeira fase do programa. A área habitacional que será entregue está localizada na rua Brigadeiro Hilário Gurjão e se encontra com 80% das obras concluídas, já em fase de finalização, recebendo

serviços de acabamento. O prefeito foi ao local durante o feriado e fiscalizou de perto os apartamentos do bloco AH-3, onde foram investidos recursos da ordem de R$ 5.343.102,63. “O Prourbis é um ambicioso projeto de urbanização, talvez o maior que já se fez. Vamos abrigar aqui pessoas que estavam morando dentro do igarapé e áreas de risco, em condições abaixo do normal”, disse Arthur Neto. Na parte externa dessas áreas habitacionais, já acontecem obras de urbanização que contemplam calçamentos, jardins e instalação de playgrounds. As moradias que serão entregues possuem 45 metros quadrados de área, com sala de estar, dois quartos, cozinha, um banheiro e área de serviço. O engenheiro Claudemir Andrade, coordenador do Prourbis, garantiu que o trabalho segue em ritmo acelerado e que 88

famílias cadastradas, de um total de 204, irão receber os imóveis neste primeiro momento. “Estamos em nível de acabamento, para em outubro, reassentar as famílias e oferecer qualidade de vida digna, não só pela parte infraestrutural, mas também social. Esse é o objetivo do programa”, assegurou. Pavimentação Durante a semana, o prefeito também caminhou pelas ruas do bairro que estão sendo reestruturadas com asfaltamento, pavimentação com paver (bloco intertravado), calçamento e sarjetas. Na rua Apapá, Arthur aprovou a pavimentação com os blocos, que resolveu um problema de décadas no local. “Aqui no Jorge Teixeira tínhamos problemas de ruas que possuem mais de 25% de inclinação e dificultavam o processo normal de terrapla-

nagem. Resolvemos isso com o uso de bloco intertravado, que tem uma melhor aderência e diminui o impacto das águas fluviais”, explicou o prefeito ao enfatizar a durabilidade do serviço. A declaração do prefeito foi confirmada pelo jovem morador do local, Clênio Júnior que nunca havia visto a rua urbanizada. “Moro aqui há 19 anos, desde que nasci, e sempre tivemos problemas. Fico feliz de ver tudo urbanizado, isso valoriza nosso bairro e melhora nosso dia a dia”, reafirmou. Além da rua Apapá, o mesmo processo de pavimentação será usado nas ruas Cuiú-Cuiú, Lontra, Mussum, Pescada, Caparari, Caranguejo e Pescada. O restante das vias do bairro receberá recapeamento de massa asfáltica e padronização de calçadas e sarjetas.

O prefeito Arthur Virgílio Neto em uma de suas vistorias no Prourbis: obras com 80% de conclusão


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Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

Rede pública local atende 1,2 mil alunos especiais

Projetos de lei visam melhorar educação especial

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educação de crianças especiais ainda é um desafio para a rede pública em todo o país. Em Manaus, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), existem 1.215 crianças matriculadas na rede municipal de ensino público que necessitam de educação especial, sendo 264 delas portadoras da Síndrome do Autismo. Há ainda cerca de 950 com outras necessidades dentre elas: superdotação, paralisia cerebral e deficiências intelectuais. O Complexo Municipal de Educação Especial (CMEE) que funciona na avenida da Penetração, Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, é o centro avaliador de alunos da rede municipal de ensino que apresentam algum tipo de deficiência e também indica quais os tratamentos que cada criança deve receber. De acordo com a pedagoga e coordenadora do Complexo, Maria Reni Formiga, no local funcionam os programas de desenvolvimento de alunos deficientes, como: Programa de Estimulação Essencial, que atende bebês a partir de seis meses a 3 anos, de Estimulação de Aprendizagem para crianças de 4 a 6 anos, o Programa Multiprofissionais (Promulti) que atende alunos de 6 a 12 anos e o Programa de

Reeducação Comportamental para adolescentes de 13 a 18 anos. “A equipe do centro é composta por psicólogos, pedagogos, psicopedagogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos”, explicou Maria. Ela destaca que a criança é matriculada normalmente em qualquer escola e os pais devem informar a sua necessidade, mas há casos de omissão paterna. “Todo aluno com deficiência pode ser matriculado em escolas regulares. Cabe aos pais falar da necessidade de seu filho, mas há casos que eles não informam por medo de que eles sofram algum tipo de preconceito. Quando identificamos algum desses casos, eles são chamados à escola e o complexo direciona às atividades para essa criança desenvolver sem prejudicar seu rendimento”, destaca Reni. Conforme Reni, cerca de 100 crianças são atendidas diariamente na unidade. Ela também ressalta que nas escolas os alunos que necessitam de educação especial participam do programa da “Sala de Recursos”, para ajudar a desenvolver as habilidades que a criança ainda não tem. “O aluno participa do programa na própria escola em que estuda em um turno oposto as suas aulas convencionais”, afirma.

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Manaus possui 1.215 crianças matriculadas, sendo que 264 são portadoras de autismo. Em Manaus há um centro avaliador de alunos que auxilia no tema

Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), projetos de leis de autoria da presidente da Comissão de Educação, vereadora Therezinha Ruiz ( DEM), tratam sobre a educação especial. “Nossos projetos visam maior inclusão dessas crianças na rede pública e garantir o direito delas, alguns já assegurados por lei”, disse. Dentre as propostas, ela destaca o PL nº 097/2013, que estabele as diretrizes para atender os alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Outro projeto em tramitação, de n.º 109/2013,

trata da criação da “Semana Municipal de Conscientização do Autismo”, a ser comemorada, anualmente, a partir do dia 2 de abril, como é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Therezinha destaca ainda o projeto que institui a obrigatoriedade do professor mediador para auxiliar na socialização e cidadania dos alunos com deficiência física e autistas devidamente matriculados nas escolas. “Os projetos são pensando no bem da coletividade. A educação especial em todo país ainda é um desafio”.

Transtorno impede interação social e dificulta comunicação

Criança autista em brinquedo: necessidade de atenção maior

O autismo é um transtorno de desenvolvimento global, que impede a interação social, dificulta a comunicação com outras pessoas e apresenta comportamento restrito e repetitivo. Existem diferentes teorias e hipóteses sobre o autismo, ainda não há um resultado definitivo, mas alguns estudiosos indicam que o transtorno é causado por múltiplos fatores, incluindo até mesmo questões biológicas e genéticas.

Diagnóstico O diagnóstico da Síndrome do Autismo é feito normalmente antes de a criança completar 3 anos, quando os sintomas mais comuns começam a ficar evidentes, como não prestar atenção quando é chamado por alguém, andar na ponta dos pés, ficar com os braços sempre erguidos e demonstrar desinteresse em objetos e brinquedos, dentre outros que devem ser observados pela família.


Caderno D

Plateia MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

plateia@emtempo.com.br

DIVULGAÇAO

Valer planeja lança e-books este ano Plateia 3

(92) 3090-1042

Homenagem de filho para pai Manaus recebe a primeira apresentação do espetáculo de humor em que André Lucas homenageia o pai Chico Anysio, comediante que morreu em 2012 GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

FOTOS: DIVULGAÇÃ O

Ao longo de sua carre ira, Chico Anysio cri ou 209 personagens pa ra a TV e o teatro

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om 20 apresentações já marcadas por todo o país, o ator e comediante André Lucas inicia a temporada do espetáculo “Revive” por Manaus. A performance traz diversos textos assinados pelo humorista Chico Anysio, morto em março do ano passado, selecionados pelo filho, que prometem fazer o público voltar no tempo. O show na capital amazonense acontece dia 29 de setembro (domingo), no Teatro Direcional. Ao EM TEMPO, por telefone, André Lucas falou da emoção em produzir o espetáculo e do seu envolvimento com a profissão paterna e com a própria cidade de Manaus. Segundo o ator, o show tem referência de toda a trajetória de Chico Anysio, em 50 anos de carreira. Obviamente, um resumo de criações imortalizadas pelo teatro e pela televisão. Além de (re)contar as histórias que julga mais emblemáticas e engraçadas da vida artística do pai, André Lucas ainda solta a voz imitando algumas das personagens mais famosas de Chico. A performance tem aproximadamente uma hora e 15 minutos de duração. André Lucas, com 25 anos de profissão, está entre os filhos mais famosos de Chico Anysio, ao lado de nomes como Nizo Neto (que também exerce a atividade de dublador), Lug de Paula (Seu Boneco) e Bruno Mazzeo. Embora tivesse a televisão praticamente como residência desde pequeno, André Lucas ficou popular ao interpretar a personagem “Seu Aranha”, o policial ao qual ele próprio se referia como “puliça”, que foi um dos “alunos” da “Escolinha do Professor Raimundo”, na TV Globo, no período de 1993 a 1995 e em 2001. Além da temporada de espetáculos que se inicia, André Lucas revela que deve lançar um CD em março de 2014. “É um álbum com piadas do meu pai, e vem com o título “Tal pai, tal filho”, que foi um dos shows que realizamos juntos. A capa do CD, inclusive, está pronta e é assinada pelo (cartu-

nista) Ziraldo”, diz. EM TEMPO – Quanto tempo foi necessário para criar o espetáculo? Existe algum elenco de apoio com você? André Lucas – Foram seis meses de preparação, contando a seleção dos textos e a produção. Estou sozinho no palco. A ideia é reviver as histórias que ele (Chico Anysio) contou no teatro, mas vou fazer um número que é uma entrevista coletiva, na qual as perguntas dos jornalistas estão gravadas e eu respondo com as vozes das personagens. EM TEMPO – Falando nisso, você tem a habilidade de imitar todas as vozes das criações de seu pai. Como você descobriu esse potencial? AL – Desde pequeno, rato de estúdio, tive a felicidade de aprender a colocar as vozes, por intuição mesmo. EM TEMPO – Como surgiu a ideia de produzir “Revive”? AL – Até pouco tempo, estava participando do (programa) “A praça é nossa” (do SBT, transmitido em Manaus pela TV EM TEMPO) e por alguns compromissos não estou gravando no momento. Mas um tempo desses, no “Programa do Ratinho”, conversando nos bastidores, ele disse que com a minha

capacidade de imitar as vozes, eu tinha que fazer a “Escolinha do Professor Raimundo” na TV. Pensei melhor e decidi criar um espetáculo. EM TEMPO – Dos 209 personagens criados por Chico Anysio, quantos estão retratados em “Revive”? AL – Aproximadamente 15. Parti do critério de popularidade para facilitar a lembrança do público. Mesmo sabendo quais seriam os prováveis personagens, fizemos uma pesquisa para fundamentar essa escolha. Mesmo aqueles que ele não fazia a anos, todo mundo lembra do Azambuja (malandro carioca), Tadinho (traído pela esposa), Pantaleão (contador de histórias) e Tim Tones (pastor), cuja origem da voz até explico no show. Foi inspirada no Alziro Zarur (fundador da Legião da Boa Vontade – LBV). Tem um quadro que faço um negão carioca, que uso a peruca que meu pai usava para interpretar o “Zé Tamborim” (sambista). Mas não é o Zé. Só a peruca que é dele. EM TEMPO – Há quanto tempo você não vem a Manaus? AL – Acho que há uns 4 anos, talvez. Lembro que a última vez em que estive aí foi para apresentar o espetáculo ���Tal pai, tal filho”, junto com ele, no Teatro Amazonas. Mas eu vou a Manaus desde 1989. Conheço Manacapuru, Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo. Adoro a cidade. O povo é ótimo e o público maravilhoso.

A ideia é reviver as histórias que ele (Chico Anysio) contou no teatro, mas vou fazer um número que é uma entrevista coletiva, na qual as perguntas dos jornalistas estão gravadas e eu respondo com as vozes das personagens”

SERVIÇO ANDRÉ LUCAS “REVIVE” CHICO ANYSIO Quando: dia 29 de setemOnde:

No espetáculo, André Lucas vai interpretar 15 personagens de Chico Anysio

Quanto: Ponto de venda: Informações:

bro, domingo, às 19h Teatro Direcional (Manauara Shopping) R$ 50 (meia) bilheteria do Teatro Direcional (92) 3342-8030/ www.teatrodirecional.com.br


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 8 DE SETEMBRO DE 2013

>> Cena chic . Uma nova boate surge na cidade, o Glam Dancing Bar, que inaugura no próximo dia 12 de setembro trazendo uma nova e sofisticada opção de entretenimento para o público. . Localizado na rua Pará, Vieiralves, o espaço vem com conceito de bar e clube reunidos num mesmo local, com ambientes sofisticados e trilha sonora em sintonia com as novidades da e-music. . Com decoração inspirada nos anos 30, a casa traz revestimentos capitonê, lustres de cristal negro, cortinas e espelhos. Também é destaque o mobiliário design, com cadeiras Louis Ghost, releitura do designer contemporâneo Philippe Starck. O projeto leva assinatura da dupla André Sá e Achilles Fernandes.

Fernando Coelho Jr.

Daiana Pereira no setor VIP da “Festa das Poderosas”

fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

Interino Guto Oliveira

JP LIMA

Fábio Teixeira no agito da Fábrica de Eventos

Hayure Lins presença bonita no show da Anitta

. Dois DJs da cena local de house e eletrônica comandarão as picapes da casa: May Seven e Louis Erre. Versáteis e com experiência em balançar as pistas eles prometem bons hits em remixes exclusivos.

>> Fábrica de Eventos arrasa no feriado! . Uma das maiores produtoras de eventos do país, a Fábrica de Eventos, conhecida pelo padrão de qualidade, mostrou que é realmente possível trazer grandes espetáculos para capital. Prova disso foi a “Festa das Poderosas”, na última semana. . No palco, Anitta - a cantora de maior evidência no cenário pop nacional, ganhadora de vários prêmios concedidos pela mídia especializada – e, de quebra o bacanérrimo MC Sapão, que arrasaram no palco do Studio 5. . Um dos momentos mais inusitados da noite foi o pout-pourri que misturava desde “I Kissed a Girl”, de Katty Parry que ganhou um batida funk com “Get Luck”, do duo Daſt Punk. Sucesso total! . Agora é recarregar as energias e aguardar outubro, que será a vez do maior evento de samba do mundo, Samba Manaus.

>> Investimentos . Com produtos para todos os públicos e “bolsos”, a Capital Rossi tem como um dos principais focos a classe C. Direcionados a esse perfil, que não para de crescer, a construtora dispõe de seis empreendimentos que possuem apartamentos de dois e três dormitórios e tamanhos a partir de 41 metros quadrados. . Entre os residenciais disponíveis para essa faixa da população estão os empreendimentos, Ideal Torquato, Jardim Paradiso Girassol e o Villa Jardim Torquato, que é composto pelos condomínios independentes Orquídea, Azaleia, Lírio e Jasmim. . Os empreendimentos fazem parte da campanha “Pronto para Morar”, na qual são apartamentos com as obras concluídas ou em fase final de acabamento. Vale conferir!

>> Internacional

Paulo e Karla Pacheco dividem a cena com Waltinho Oliva Pinto

. Beyoncé desembarca no Brasil hoje, no estádio do Castelão, em Fortaleza, para abrir a turnê “Mrs. Carter Show” latinoamericana. No seu figurino, apenas peças exclusivas da Gucci, criadas pela diretora criativa da marca, Frida Giannini. . Depois de Fortaleza, a cantora segue para Belo Horizonte, onde fará show no dia 11 (estádio Mineirão), depois no Rio de Janeiro no dia 13 (Cidade do Rock no Rock in Rio 2013, em São Paulo no dia 15 (estádio do Morumbi) e em Brasília no dia 17 (estádio Nacional de Brasília).

>> Ingressos individuais . A ideia é oferecer ao público a opção de entretenimento, agregando vantagens como conforto e praticidade. Sendo assim, a Fábrica de Eventos mais uma vez sai na frente e inova na 13ª edição do maior festival de samba do mundo. . Esse ano quem quiser pode se antecipar e comprar o seu ingresso individual - destinado a uma das noites do Samba Manaus – ou o passaporte para os dias 11 e 12 de outubro. . Outra boa sacada é a venda dos ingressos on-line pelo cartão de crédito em até 12 vezes, além dos pontos de vendas no stand da Fábrica, Óticas Veja, Fuga de Lula e bar Chopp Brahma. Não dá para perder!


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Valer planeja lançar 160 e-books até o fim do ano Apesar de ter anunciado a novidade para 2011, somente neste ano editora irá colocar no mercado as obras virtuais

DIVULGAÇÃO

GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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m 2011, a editora Valer anunciou que lançaria até o fim daquele ano 11 obras em versão e-book (livros eletrônicos desenvolvidos em plataformas digitais específicas). A perspectiva, até hoje, não foi realizada. Contudo, o gestor da editora, Isaac Maciel, reafirma que a empresa tem o compromisso de entrar nesse nicho de mercado e aponta que em dezembro deste ano 160 títulos, nesse formato, serão lançados. Segundo o empresário, esses 160 e-books já estão prontos. “Pretendemos lançar mais que isso de uma vez, mas prontos só temos esse número. Converter os livros para o formato digital não é tão complicado. O que está sendo amadurecido são outros aspectos, como o modelo de negócio e a segurança dos dados”, diz. Sobre o atraso de 2 anos na intenção original, Maciel admite que a Valer ainda não estava preparada o suficiente para compreender a dimensão do que seria lidar com o novo modelo de produto. “Por

várias razões não foi possível lançar os e-books, mas a principal foi o nosso conhecimento limitado a respeito desse novo negócio. Levamos um tempo para compreendêlo melhor e ainda estamos aprendendo”, afirma. A persistência, de acordo com o gestor da editora Valer, se deve ao fato

PROJETO

Além dos e-books, a editora vai dar continuidade à revista de cultura “Valer Cultural” e lançará mais projetos, entre eles o portal de internet e um aplicativo para tablet e outros dispositivos móveis

de que estar inserido no mercado de e-books é algo inexorável. “Com relação ao custo-demanda é algo caro ainda, mas o formato do livro digital é irreversível. Na minha opinião, as editoras, independentemente das suas vontades, têm que se adaptar a isso. Caro é, mas é necessário fazer”, enfatiza Isaac Maciel.

Segundo ele, esses 160 títulos prontos para serem lançados como e-books não são inéditos. Todos já são disponibilizados em edição impressa. Entre os títulos estão obras de autores como Djalma Batista, Marilene Corrêa, Elson Farias, Wilson Nogueira e Astrid Cabral, entre outros. “São os autores e os livros mais representativos do catálogo da Valer”, comenta. Maciel afirma que algumas das obras eletrônicas virão com vários recursos interativos, mas outras não. “Alguns quase nada se diferem do impresso, já outros são cheios de possibilidades”, completa. Entre essas obras, estão mantidas as que o EM TEMPO divulgou à época do anúncio preliminar, como “Simá”, de Lourenço Amazonas, considerado o primeiro romance amazonense, publicado originalmente no século 19, em 1857. O gestor da editora revela que a Valer está pronta para novos desafios. “Estamos desenvolvendo um projeto chamado ‘Valer Cultural’, que tem uma revista de cultura (já em circulação) e passará a ter um portal na internet e um aplicativo para tablet”, disse.

Títulos amazônicos vão receber versão virtual pela Valer a partir deste semestre


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RESENHA

F O TO

U LG S: DIV

AÇÃO

Sugestão de título: Da nostalgia ao 3D PERFIL

Érico Cinemeiro é jornalista, blogueiro e apaixonado por cinema

ERICO PENA Equipe EM TEMPO

A

inda me lembro de quando era pequeno, meu pai me levando às salas de cinema e, naquela época, quem quisesse assistir algum filme tinha que enfrentar filas nos cinemas - que ficavam espalhados e concentrados em uma única região da cidade, o Centro. Os mais antigos devem lembrar do Cine Chaplin, Oscarito, Cantinflas e Renato Aragão, que persistiram bravamente ao tempo, até a chegada dos modernos cinemas dos shopping centers que, com seu “ar” de novidade e modernidade, fizeram que a clientela migrasse para as salas mais luxuosas e confortáveis. Alguns filmes que assisti nesses cinemas marcaram a minha vida. Clássicos tipo “Os Goonies”, “Superman 3”, “Os Caça-Fantasmas”, “Robocop”, “King Kong 2”, “Anaconda”, e até mesmo “Matrix”, “X-men”

e “O Senhor do Anéis” eu cheguei a ver sentado naquelas cadeiras desconfortáveis de madeira e todas no mesmo nível (tínhamos que torcer para ninguém mais alto sentar na nossa frente). A tela era velha e surrada de guerra e o ambiente, bom, quase sempre tinha uns gaiatos “agitando”, jogando pipoca nos outros deixando o lugar um pouco mais sujo do que devia. Lá assisti praticamente todos os filmes dos Trapalhões, lembro de voltar dormindo no colo do meu pai depois de dar boas risadas mesmo sem saber direito o que estava acontecendo, mesmo ficando sentado em uma cadeira desconfortável. Porém, aos poucos essa nostalgia foi se perdendo, as salas esvaziando e os antigos cinemas foram obrigados a fechar suas portas e dar vez aos mais modernos, situados geralmente nos shoppings, com as cadeiras, ou melhor, poltronas, acolchoadas e em níveis diferentes e com uma tela curvada e não mais reta como era antes. Sendo uma arte que lida com multidões, os filmes começaram a ficar bem mais elaborados, cheios de efeitos especiais (ou visuais, como é chamado agora) e as salas cada vez mais cheias, mesmo com o preço do ingresso sendo bem mais caro que alugar um filme para assistir no conforto do seu lar, mesmo as vezes o filme não tendo tanta qualidade, sendo apenas o famoso “arrasa-quarteirão”, que possui pouco conteúdo e muita ação sem sentido.

O preferido principalmente da garotada mais jovens. Com o tempo, surgiu também a pirataria. Filmes que antes mesmo de entrar em cartaz nos cinemas já estava sendo vendido pelos ambulantes nas ruas, com um preço quatro vezes menos que as entradas de cinema e com uma qualidade que deixa muito a desejar. Com isso, o mercado perdeu uma grande fatia de seus “clientes”, que aderiram ao famoso “piratex”. O que fazer em tão? Eis que alguém tem a brilhante ideia de fazer filmes em 3D, ideia que nem era tão original, mas que conseguiu atrair novamente boa parte do público apenas por uma simples questão de curiosidade de saber como é que é? “Avatar” (2009), de James Cameron, foi o primeiro grande exemplo disso e hoje as produtoras já fazem os filmes nas duas versões 2D e 3D como uma forma de satisfazer todos os gostos e, para algumas pessoas, só há graça de ver um filme se estiver usando o famoso óculos 3D. Até ai tudo bem, toda evolução é benéfica e a sétima arte mais cedo ou mais tarde também passaria por esse processo, porém não devemos deixar morrer a verdadeira essência do prazer de ir ao cinema, aquela que nos faz enfrentar filas enormes, gente mal-educada e tudo mais, pois a sensação da sala escura e do filme na telona é algo que sempre vai emocionar e encher os olhos... com ou sem 3D.

Não devemos deixar morrer a verdadeira essência do prazer de ir ao cinema, aquela que nos faz enfrentar filas enormes, gente maleducada e tudo mais” HOJE

Moda na Tacacaria Parintins Na edição de hoje do projeto “Tacacá com pavulagem”, da Tacacaria Parintins, fincada no Centro Social Urbano (CSU) do Parque 10, será a vez da criadora de moda Cris Batista realizar a exposição de camisetas de sua marca, a Santa Cris. A coleção “Catadores de sonhos” foi totalmente pintada à mão por Cristiane Batista e a artesã Mary Glades. A estilista explica que os filtros surgiram após uma pesquisa sobre os sonhos, quando encontrou os filtros.

“Na minha leitura os filtros de sonhos serão tendência no mundo da moda”, avalia. Ainda segundo ela, a coleção é produzida em malha PET, sendo totalmente sustentável, o que significa que a cada camiseta produzida, quatro garrafas PET são retiradas do meio ambiente. Sobre expor no espaço, diz que gostou. “Acredito na forma de expor os produtos que são populares. Tem essa cara de regional sem ser regional, pois a nossa região é do mundo.

Todo mundo gosta do Amazonas ou tem curiosidade em conhecer. E por ser um local aberto, um parque de convivência quebra a barreira da internet, do mundo virtual e a grife também pode incorporar e adquirir novos clientes”, analisa. De acordo com Suzanna Batista, proprietária, a Tacacaria está com uma proposta de levar os mais diferentes artistas a exporem seus trabalhos. “Somos mais que sabor, somos a identidade de um povo”, disse.


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Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–rebate

TV Tudo

REPRODUÇÃO

Está fixo Daniel Boaventura já pode ser confirmado no elenco fixo do “Tapas & Beijos”. O seu personagem, Paulo Cesar, o PC, se encaixou perfeitamente no espírito e barulho da coisa. Nova questão Nos interiores da teledramaturgia da Globo a pergunta que se faz é, até quando vai essa história da Marina Ruy Barbosa ou da personagem dela em “Amor à Vida”? A maioria entende que ninguém merece passar por uma situação tão constrangedora. Fora da ponte O autor Carlos Lombardi continua meio lá e cá, morando em São Paulo, mas deslocando-se com enorme frequência ao Rio, para acompanhar de perto as primeiras gravações de “Pecado Mortal”. Não há distância que os separe. E sempre de carro. Ele faz questão de evitar os serviços da ponte-aérea. Qualidade “Saramandaia” tem enfrentado problemas com o seu horário de exibição, no entanto, é um dos traba-

Nova questão - 2 Em tudo isso também pesa o fato de enquanto está - mas não está - em “Amor à Vida”, Marina ficará impedida de fazer ou ser lembrada para outro trabalho. Fala-se até que a direção da Globo, em nova reunião com Walcyr Carrasco, tentará buscar uma solução para o caso. lhos mais perfeitos realizados pela Globo nos últimos tempos. O cuidado com a sua produção e os detalhes obser-

vados em cada cena são aspectos que devem ser ressaltados. Poucas novelas têm uma finalização tão caprichada.

JOIA RARA DIVULGAÇÃO

• É aquilo mesmo. A Rede TV! não vai colocar ninguém agora no lugar da Mônica Pimentel, à frente do seu Artístico... • ...Todos os assuntos relativos à área serão conduzidos por uma comissão de diretores. Por enquanto. • A atriz Maria Eduarda também foi confirmada no elenco de “Em Família”, do Manoel Carlos. Ela fez “Lado a Lado”. • Caio Castro será o convidado do “Marília Gabriela Entrevista”, hoje, 10 da noite, no GNT. • Nilton Travesso está como um consultor-geral para todos os assuntos sobre o próximo “Teleton” do SBT... • ...O diretor do programa, como aconteceu nos anos anteriores, será Michael Ukstin. • Toda a família do Ratinho e a direção do SBT deverá participar da festa de 15 anos do seu programa, nesta segunda-feira.

“Vídeo Show” André Marques e Ana Furtado não receberam ainda qualquer posicionamento oficial da Globo sobre mudanças na equipe de apresentadores do “Vídeo Show”. Os dois continuam tocando o programa normalmente, porém, cientes, até em função de tudo que vem sendo dito nos bastidores, de que algo está para acontecer. Agora, se Fernanda Lima vem aí, ou não, para tomar conta do “Vídeo Show”, só o tempo dirá.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Iris Abravanel e equipe estão bem adiantadas na adaptação da novela “Chiquititas”. A produção já recebeu o capítulo de número 100. Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

Márcio Braz E-mail: plateia@emtempo.com.br

Óscar Ramos: o artista do indizível

Atriz passou a fazer aulas de dança, incluindo balé e jazz, para viver vedete de cabaré

Spiller potencializa sensualidade Após viver Antônia, uma mãe que lutava pela guarda da filha, em “Salve Jorge”, Letícia Spiller, 40, deverá mostrar seu lado exuberante na próxima novela “Joia Rara” (Globo), que estreia no dia 16. Ela será Lola, a principal vedete do Cabaré Pacheco Leão. Para viver a artista da boêmia carioca dos anos 1930, a atriz vai mostrar sua versatilidade ao cantar e dançar em cena. “A dança faz parte da minha vida desde sempre. E é uma delícia poder levar essa paixão antiga para a personagem”, diz Letícia, que tem aulas de balé e jazz, além de caminhada, entre suas atividades. Na primeira fase da trama, que começa na década de 1930, Lola está no auge da carreira. Mas, apesar da beleza e de conquistar

os homens com sua dança, ela começa a sentir os efeitos da idade. Assim, na segunda fase da novela, Lola ganha uma rival, a francesa Aurora (Mariana Ximenes), alguns anos mais nova e que promete revolucionar os shows do cabaré, reaberto após a Segunda Guerra Mundial. Mariana Ximenes, que deverá ter inúmeras cenas de embate com Letícia em “Joia Rara”, conta que a rivalidade está só em cena. “Conheço a Letícia há muito tempo. Ensaiamos juntas, conversamos sobre as vedetes e sempre saímos para almoçar, o que nos aproxima ainda mais”, diz. Em forma para o drama Aos 40 anos e com o corpo invejado por muitas mulheres, Letícia Spiller conta que está se entregando totalmente à dançarina

Lola. “No palco, a gente se transforma. Há uma disponibilidade para viver aquele momento. Essa vedete tem um pouco do charme da Marilyn Monroe. E até mudei meu cabelo”, diz ela, que tingiu os fios de loiro platinado. Mas, em meio às plumas e aos paetês, a dançarina viverá um drama. É que ela tem um caso antigo com o vilão Manfred (Carmo Dalla Vecchia), por quem é perdidamente apaixonada, e sonha em, um dia, pertencer à família rica do rapaz. “Embora seja atirada e sensual no palco, a Lola é sensível e passional na vida privada. Na busca por uma linda história de amor, ela chega a ter um noivo misterioso”, adianta Letícia. Por Alex Francisco

São poucas as pessoas que guardam para si um sonho. São tantas as outras que o compartilham e nos fazem vivenciar com elas este instante mágico de sublimação e felicidade. O artista plástico Óscar Ramos é um desses que sonhou e ainda sonha com um mundo inquieto, vigilante e em permanente conflito como se nos quisesse mostrar o que há por detrás das máscaras, um mundo que não vimos, mas que está presente em toda sua inteireza. Embora reconheçamos que a virtude hoje não fora eleita um atributo ou qualidade humana, em “Maya: um japiim na minha janela”, primeiro (ou segundo?) livro (relato) de Ramos, aposta num mundo vibrante e de forte pulsação, cheio de intransigências e cercado de descobertas neste solilóquio que quer ser (e ter) diálogo, afinal, até a poetisa Emily Dickinson quis ser lida pois chegou a enviar seus escritos para um amigo encerrando a lenda de que ela escrevia para si própria. Mas Ramos sempre quis ser lido, visto e sentido e em “Maya” estamos diante de um relato reflexivo, um homem frente às suas próprias impressões a respeito da vida, da pintura e da arte, seja na Espanha, Itacoatiara, Manaus, Inglaterra ou Rio de Janeiro, cidades habitadas pelo nosso autor. “Maya” nos revela como um artista genuinamente amazonense rompeu a fronteira do extrativismo intelectual e sagrou-se como um dos maiores artistas visuais do Brasil. O texto de Óscar Ramos é fluente e verdadeiro. É possível emocionar-se não só através das imagens produzidas pelo jogo de palavras, mas, sobretudo, pela sintaxe vibrante que pulsa equânime ao ritmo da emoção. Mesmo os constantes erros de digitação aparecem não como sendo exatamente um erro e sim como uma proposta de linguagem onde se é possível identificar os instantes da pausa, da catarse, do cansaço e da adrenalina. Um texto que revela o profundo amor

pelas coisas amadas, parafraseando Leonardo Da Vinci. Não se pode ficar indiferente a leitura de “Maya”. A leveza do texto é contrastada com certa ironia e a agressividade e de quando em vez, um lado erótico sem ser lascivo. Um homem que presta contas do seu passado e do seu presente e se mostra esperançoso em relação ao futuro. O Márcio Braz tom da escrita se assemelha a “Tris- Ator, diretor, membro do Navi – Núcleo de tes Trópicos”, de Claude Lévi-Strauss, Antropologia Visual livro que Ramos leu e sem dúvida foi da Ufam e do Consua Musa juntamente com a obra de selho Municipal de Max Bill e Marcel Duchamp. Uma espéPolítica Cultural cie de etnografia do eu, de qualidade literária espantosa e vibrante. Araras, peixes, água e índios não são para Óscar Ramos um produto exótico, pronto para a exportação. Ao contrário, esta natureza faz parte dele, assim como para Roberto Evangelista, amigo do artista e de igual grandeza poética. A praga do regioEsse amanalismo que insiste em reverberar zonense de na arte amazonense é criticada por Itacoatiara, Ramos de forma sutil, sem mesmo ele saber. As trocas de experiências ganhador com Luciano Figueiredo, Torquato de vários Neto, Júlio Plaza, Mompó e tantos prêmios outros mostra como o nível intelectual de Óscar Ramos assumiu na como diretor fase de jovem aprendiz uma superior de arte em qualidade estilística e se fez presencinema (...) te num sem-número de pinturas e trabalhos gráficos. nos mostra Esse amazonense de Itacoatiara, que a vida é ganhador de vários prêmios como feita de dediretor de arte em cinema e cujas obras vão desde capas de disco de talhes e que cantores importantes como Caetano são poucos Veloso e Maria Bethânia nos mostra os que a em “Maya” que a vida é feita de detalhes e que são poucos os que a conseguem conseguem fisgá-la nestes instantes fisgá-la. mágicos a que chamamos de arte. Mas Óscar Ramos o consegue e saímos agora impressionados não só com sua pintura de tez construtivista, mas também com sua escrita, uma obra literária excelente.


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Programação da TV

DIVULGAÇÃO

GLOBO 04:30 Santa Missa. 05:30 Amazônia Rural. 06:00 Pequenas Empresas, Grandes Negócios. 06:35 Globo Rural. 08:00 Fórmula 1: Grande Prêmio da Itália. 09:35 Auto Esporte. 09:55 Esporte Espetacular (Stock Car). 11:30 Temp. Máxima. Filme: Diário de Um Banana. 13:15 Esquenta. 15:00 Futebol 2013: Campeonato Brasileiro - Cruzeiro x Flamengo. 17:00 Domingão do Faustão. 19:45 Fantástico. 22:05 Revenge 23:35 Domingo Maior. Filme: Busca Explosiva 2. 01:15 Hino Obrigado Senhor. 01:20 Hino Nacional 01:25 Encerramento Previsto (Manutenção Mensal)

BAND Sebastian Vettel é o favorito para o GP da Itália, hoje, às 8h

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ ÁRIES - 21/3 a 19/4 Um dia para ter uma visão sem ilusões a respeito de si mesmo, e também de sentimentos e afeições. Pode ser desconcertante, mas você se perceberá com mais clareza. TOURO - 20/4 a 20/5 Sua relação com o prazer sensual precisa ser transformada e refinada. A manutenção de seus princípios deve impedir algo que lhe agrada, mas lhe faz mal. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 Seus desejos afetivos podem ser negados por situações duras e impositivas. As relações sociais e as amizades sofrem por isso algum tipo de baque ou mesmo uma perda. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Momento para olhar de perto os aspectos mais difíceis e conflituosos em sua profissão. As ilusões que pudesse estar alimentando no trabalho serão transfiguradas. LEÃO - 23/7 a 22/8 A realidade imediata impõe os caminhos do dia. O cultivo de pensamentos agradáveis, mas talvez superficiais, será interrompido bruscamente por urgências práticas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Sentimentos fortes tendem a invadir, perturbar e mudar a sempre frágil harmonia das relações afetivas. Pode haver uma decepção consigo mesmo ou com a pessoa amada. LIBRA - 23/9 a 22/10 O momento requer uma revisão das relações afetivas e do modo como confia nas pessoas. É preciso não se empolgar superficialmente, para evitar mais desilusões ainda. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Vênus em conflito com Plutão, seu regente, indica mudança forçada e imprescindível no trabalho e na lida com conforto e hábitos de saúde. Cuide bem das outras pessoas. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Tendência a viver fortes conflitos no amor, em seus sentimentos e com a pessoa amada. Você sonhou errado e agora a realidade lhe cobra voltar ao que faz sentido de verdade. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Possível rejeição ao que tentem lhe trazer de bom e agradável. Sua insatisfação ou angústia perturba o clima emocional a sua volta, e em especial em seu lar. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 Momento para aprender sobre o amor e sobre a maneira de se aproximar das pessoas. Algum impedimento exige refinar e ampliar o uso da sensibilidade nas relações. PEIXES - 19/2 a 20/3 As situações exigem dispor de suas coisas de modo mais impessoal O gosto por certos bens materiais é contrariado frontalmente, exigindo rever o apego que mantém com eles.

05:00 Igreja Mundial 05:50 Popeye 06:30 Santa Missa No Seu Lar

07:30 08:00 08:30 09:30 09:45 10:45 11:00 11:30 11:35 12:00 13:30 13:35 14:00 14:30 16:50 19:15 19:50 20:00 21:00 00:00 01:00 01:05 01:40 02:30 03:00

Sabadão Do Baiano Conexão Cargas Ação Na Tv Mackenzie Em Movimento Infomercial – Polishop Verdade E Vida Pé Na Estrada Minuto Da Copa Band Esporte Clube Fórmula Truck De Olho Na Copa Band Esporte Clube Gol, O Grande Momento Campeonato Brasileiro Terceiro Tempo A Caçadora De Relíquias Popeye Só Risos Pânico Na Band Canal Livre Minuto Da Copa Alex Deneriaz Show Business El, Arnold! Igreja Mundial

SBT 03:45 Jornal Da Semana Sbt 05:00 Igreja Universal 06:00 Pesca Alternativa 07:00 Brasil Caminhoneiro

Cinema ESTREIA Jobs: EUA. 12 anos. A história da ascensão de Steve Jobs, de rejeitado no colégio até tornar-se um dos mais reverenciados empresários do universo da tecnologia no século 20. Cinemark 2 – 12h40, 15h30, 18h20, 21h20 (dub/diariamente); Cinépolis 2 – 16h20 (dub/diariamente), 13h30, 19h30, 22h30 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 14h05, 16h30, 19h, 21h30 (leg/diariamente); Playarte 1 – 18h45 (dub/diariamente), 21h20 (leg/diariamente), 23h55 (leg/somente sexta-feira e sábado), Playarte 6 – 12h50, 15h25, 18h, 20h35 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado).

07:30 Aventura Selvagem 08:30 Vrum 09:00 Sorteio Amazonas Da Sorte (Local) 10:00 Domingo Legal 14:00 Eliana 18:00 Roda A Roda Jequiti 18:45 Sorteio Da Telesena 19:00 Programa Silvio Santos 22:00 Conexão Repórter 23:00 De Frente Com Gabi 00:00 Série: True Blood 01:00 Série: O Mentalista // The Mentalist 02:00 Série: Cidade Do Crime// Southland 03:20 Big Bang 04:00 Igreja Universal

RECORD 04:45 Bíblia Em Foco 05:00 Santo Culto Em Seu Lar 05:30 Desenhos Bíblicos 08:00 Record Kids - Pica Pau 09:00 Amazonas Da Sorte 10:00 Record Kids 11:30 Tudo A Ver 14:15 O Melhor Do Brasil 18:30 Domingo Espetacular 22:00 A Fazenda 6

22:45 Tela Máxima 00:10 Programação Iurd

REDE TV! 06:30 Igreja Int.da Graça 07:30 Igreja Int.da Graça 08:30 A Voz Do Servidor 09:00 Tv Shopping Manaus 10:00 Blitz Top Tv 10:30 A Questão É 11:00 Igreja Da Graça 12:00 Fique Ligado 13:00 Mult Sport Club 14:00 En Circuito 15:30 A Questão É 16:00 Esclarecendo A Fé 16:45 Vídeo Mania 17:00 Ritmo Brasil 17:45 Vídeo Mania 18:15 Morning Show 19:45 Te Peguei No Domingo 21:15 Teste De Fidelidade 22:45 Tv Shopping Manaus 23:45 Dr Holywood 00:30 É Notícia 01:30 Bola Na Rede 02:30 Igreja Da Graça

Cruzadinhas REPRODUÇÃO

O Ataque: EUA. 14 anos. O ex-miliar John Cale (Channing Tatum) tinha o grande sonho de entrar para a equipe do serviço secreto que protege o presidente dos Estados Unidos (Jamie Foxx), mas vê sua intenção ir por água abaixo quando não é aprovado na seleção. Sem saber como dar a notícia para sua filha, ele a leva para um passeio à Casa Branca. O que John não esperava era que neste mesmo dia o local fosse atacado por um grupo paramilitar fortemente armado. Com o governo tendo que enfrentar o caos na nação e o relógio correndo, cabe a John encontrar algum jeito de salvar o presidente do ataque. Cinemark 6 – 12h50, 15h50, 18h50, 21h50 (dub/diariamente); Cinépolis 5 – 13h10, 16h05 (dub/diariamente), 19h, 21h50 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 14h, 16h40, 19h25, 22h (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h, 16h40, 19h20, 22h (dub/diariamente); Playarte 7 – 13h10, 15h45, 18h20, 20h55 (leg/diariamente), 23h30 (leg/somente sexta-feira e sábado). One Direction – This Is Us: EUA. Livre. O filme é um retrato íntimo com acesso total à vida do fenômeno global da música em turnê. Entremeado de imagens deslumbrantes de apresentações ao vivo, este longa-metragem inspirador narra a história extraordinária da ascensão meteórica à fama de Niall, Zayn, Liam, Harry e Louis, de suas origens humildes em sua cidade natal à disputa no X-Factor, da conquista do mundo à apresentação na famosa O2 Arena de Londres. Ouça o que dizem pessoalmente esses jovens e veja realmente o que é ser One Direction. Cinemark 7 – 13h40, 16h, 18h30, 21h (3D/dub/diariamente); Cinépolis 3 – 12h30 (3D/leg/somente sábado), 14h40, 17h20, 20h, 22h15 (3D/legdiariamente); Cinemais Millennium – 15h, 17h10, 19h10, 21h10 (3D/leg/diariamente). Casa da Mãe Joana 2: BRA. 14 anos. Após lançar o livro “Casa da Mãe Joana”, Montanha (Antonio Pedro) está levando uma vida tranquila como escritor de sucesso. Só que o reencontro com PR (Paulo Betti) e Juca (José Wilker) faz com que sua vida, mais uma vez, vire pelo avesso. O trio precisa escapar de duas irmãs (Leona Cavalli e Lucia Bronstein) que desejam receber a todo custo a herança deixada pela mãe (Carmem Verônica), além de lidar com um médium picareta (Anselmo Vasconcellos) e um fantasma francês (Caike Luna), que deseja morar na mansão de Montanha. Cinemark 3 – 12h30, 14h40, 17h10, 19h20, 21h30 (diariamente); Cinemais Millennium – 14h30, 16h45, 18h50, 21h15 (diariamente); Cinemais Plaza – 15h10, 17h20, 19h30, 21h35 (diariamente); Playarte 4 – 13h, 14h55, 16h50, 18h45, 20h40 (diariamente), 22h35 (somente sexta-feira e sábado).

CONTINUAÇÕES Cine Holliúdy: BRA. 12 anos. Cinemark 4 – 15h20, 22h20 (diariamente); Cinépolis 1 – 14h20, 18h50 (diariamente); Cinemais Millennium – 16h20, 21h (diariamente); Cinemais Plaza – 15h, 17h, 19h, 21h20 (diariamente); Playarte 10 – 16h55, 18h50, 20h45 (diariamente), 22h40 (somente sexta-feira e sábado). Se puder... Dirija!: BRA. 12 anos. Cinemark 4 – 13h (diariamente), 20h10 (exceto terça-feira); Cinépolis 1 – 12h (3D/somente sábado), 16h35, 21h30 (3d/diariamente); Cinemais Millennium – 14h10, 18h40 (3D/diariamente); Cinemais Plaza – 15h20, 17h30, 19h40, 21h40 (3D/diariamente); Playarte 2 – 17h40, 19h30, 21h20 (diariamente), 23h10 (somente sexta-feira e sábado),

Playarte 1 – 13h30, 15h15, 17h (3D/ diariamente).

mente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado).

Os Estagiários: EUA. 12 anos. Cinemark 1 – 15h10, 18h, 20h50 (dub/diariamente) e 23h40 (dub/somente sexta e sábado); Cinépolis 2 – 12h50, 18h30, 21h15 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 14h20, 16h50, 19h20, 21h50 (leg/ diariamente); Cinemais Plaza – 14h05, 16h25, 18h50, 21h30 (dub/diariamente); Playarte 3 – 13h10, 15h35, 18h, 20h25 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado).

Percy Jackson e O Mar de Monstros – Livre: Cinemark 8 – 12h10, 17h50, 20h40 (dub/diariamente) e 23h10 (dub/ somente sexta-feira e sábado); Cinépolis 2 – 15h50 (leg/diariamente); Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h30, 21h40 (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 14h40, 16h50, 19h15, 21h25 (dub/ diariamente); Playarte 5 – 14h, 16h15, 18h30, 20h45 (dub/diariamente) 23h (dub/somente sexta-feira e sábado).

O Casamento do Ano: EUA. 14 anos. Cinemark 1 ��� 12h (dub/diariamente), Cinemark 5 – 17h20 (dub/diariamente); Playarte 8 – 18h10, 20h05 (leg/diaria-

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos – 12 anos: Cinemark 8 – 15h (dub/diariamente); Cinemais Plaza – 13h50, 16h30, 19h10, 21h50

(dub/diariamente). Gente Grande 2 – 12 anos: Cinemark 5 – 12h20, 14h50, 19h40, 22h10 (dub/diariamente); Cinemais Millennium – 14h50, 17h, 19h15, 21h20 (leg/diariamente); Cinemais Plaza – 14h10, 16h20, 18h40, 21h (dub/diariamente); Playarte 9 – 13h10, 15h15, 17h20, 19h25, 21h30 (leg/diariamente), 23h35 (leg/somente sexta-feira e sábado). Os Smurfs 2 – Livre: Cinemark 4 – 17h40 (exceto terça-feira); Playarte 10 – 12h35, 14h45 (dub/diariamente). Meu Malvado Favorito 2 – Livre: Playarte 8 – 14h, 16h05 (dub/diariamente). Minha Mãe é Uma Peça – 12 anos: Playarte 2 – 14h, 15h50 (diariamente).


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AGECOM

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FOTOS: JP LIMA

::::: Sala de Espera

Jander Vieira

A performática Anitta

jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: A Festa das Poderosas

Durante a programação do desfile cívico cujo tema é: “Semana da Pátria de Amor e Esperança ao Amazonas”, as presenças marcantes do general do Exército Eduardo Villas-Bôas, comandante Militar da Amazônia, e do governador em exercício José Melo – no sambódromo

::::: Dia 26, no Diamond Atento a todos os detalhes como um bom anfitrião, este editor se muniu de vários profissionais indispensáveis para alavancar o jantar de celebração dos seus 20 anos de colunismo: decoração do Bandeirão, chocolates da grife Blend, set list do DJ Sidney Almada e o stand-up do global Gustavo Mendes. Os convites já estão circulando. Agende!

Num Studio 5 lotadíssimo, a Fábrica de Eventos conseguiu reunir várias tribos de gente bonita e divertida durante as apresentações do MC Sapão e do furacão Anitta. Ou seja, sucesso absoluto. Pontos para a visionária Bete Dezembro e sua agenda de festas indispensáveis que movimentam o setor de eventos interessantes da cidade. Jéssica Camila Adriana Cidade e Vandex Alvino

Tereza Dezembro, Daiana, João e Dênis Pereira

Talita Loureiro e Brenda Barra

Gigi Cunha e Eifell

Marcelo e Lara Luz com Kátia Gomes

Adriana e Anora Samad com os filhos Anoar Filho e Nathalia

::::: 26 aninhos Com seu jornalismo de excelência, o EM TEMPO festejou seus 26 anos de informação aos amazonenses com sessão parabéns intimista na redação do matutino, anteontem.

Renato Mar e Hanna Câmara

MC Sapão

Amanhã, Karla Costa, Matheus Santaella, Hamida Yacub e Didi Redman estão trocando de idade. Os cumprimentos da coluna. A feijoadíssima da Casa Vhida está movimentando o cenário beneficente da cidade. Será no próximo dia 21, no Clube do Trabalhador, a partir das 12h. O convite custará irrisórios R$ 50. Deixe seu estilo muquirana de lado e ajude as crianças com HIV.

::::: Oportunidade A rede Novo Mundo está se preparando para se instalar no Amazonas, com a inauguração de 14 lojas na capital e no interior. Em virtude disso, iniciou processo seletivo para contratação imediata de 250 vendedores. Os interessados devem entregar currículo e documentos até o próximo dia 16, no Hotel Líder, fincado no Centro, ou podem ser enviados ao rhnovomundo@novomundo.com.br.

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Os amantes da velocidade têm encontro marcado nos próximos dias 14 e 15 de setembro, quando será realizada a quarta etapa do Campeonato Amazonense de Arrancada 2013. A competição começará às 9h e prosseguirá durante todo o dia, na pista Amazonas Dragway de Iranduba. A linda Trula Ituassú vai ganhar festão elaborado do mundo dos Smurfs no próximo dia 17, no Morada Buffet, às 19h. No menu: as delícias da coruja-avó Charufe Nasser.


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opiniao@emtempo.com.br

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Camus em São Paulo

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Conservadorismo é como pão quente

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Olavo de Carvalho fala de seu livro best-seller. Pág. 3

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Quem conta um conto

O ato de narrar como traço evolutivo. Págs. 4 e 5

4

Diário de Tóquio

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Do arquivo de Affonso R. de Sant’Anna

Capa

O amor é perfeito no museu japonês. Pág. 6

Rio de Janeiro, 1973. Pág. 7

ilustração de Rafael Campos Rocha

(92) 3090-1010


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Ilustríssima Semana

O MELHOR DA CULTURA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO LIVRO | ALCEU AMOROSO LIMA Durante 30 anos, o crítico e pensador católico (18921983) escreveu para sua filha Maria Teresa, religiosa reclusa em São Paulo. Este “Diário de um Ano de Trevas” dá seguimento a “Cartas do Pai” (2003) e colige as missivas enviadas por ele à sua Tuca entre janeiro de 1969 e fevereiro de 1970 – as quais, diante do panorama da época, se tornam um retrato político do que se passava fora dos muros do convento. org. frei Betto e Alceu Amoroso Lima Filho | IMS | R$ 49,90 | lançamento na quinta (12), na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, com bate-papo entre frei Betto e Luiz Alberto Gomez de Souza

ARTES PLÁSTICAS | A GENTIL CARIOCA, 10 A galeria fundada no Rio pelos artistas Ernesto Neto, Marcio Botner e Laura Lima comemora dez anos inaugurando uma nova sede no número 11 da mesma r. Gonçalves Ledo, no centro da cidade, onde funciona a original (no número 17). A programação inclui individual de Jarbas Lopes (no prédio antigo) e a instalação de uma das “cosmococas” de Hélio Oiticica, “CC 1 Trashiscapes”, feita em 1973 com Neville d’Almeida (no novo). de 10/9 a 26/10, de ter. a sex. de 12h às 19h; sáb. de 12h às 17h | grátis | agentilcarioca.com.br

1

LIVRO | ARISTÓTELES “Da Interpretação” é um pequeno, mas importante texto, em que o filósofo grego (384-322 a.C.) analisa a relação entre pensamento e palavra escrita. Nesta edição bilíngue, o texto original é complementado por um detalhado comentário a cargo do tradutor, José Veríssimo Teixeira da Mata, mestre em filosofia da lógica pela USP. ed. Unesp R$ 38 (192 págs.)

LIVRO | RÉGIS BONVICINO “Flâneur do século 21”: assim o poeta americano Charles Bernstein define o autor de “Estado Crítico”. Carros, letreiros, vozes: o ambiente urbano povoa os poemas do livro, lançado na terça (10). Livraria Cultura do Conjunto Nacional, 18h30 | Hedra | R$ 34 (114 págs.) FOLHAPRESS

CAMUS FAZ 100 ANOS Três perguntas sobre a visita do autor de “O Estrangeiro” (191360) ao Brasil, em 1949, respondidas por Claudia Pino, professora de literatura francesa da USP e coordenadora do curso sobre o escritor que começa amanhã, às 19h30, no Centro Universitário Maria Antônia (mariantonia.prceu.usp.br).

POP

ERUDITO

PSICANÁLISE | FÉ E RAZÃO O número 56 da revista “Ide”, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, trata de diferentes visões sobre o debate interminável da história do pensamento ocidental. A edição inclui um artigo inédito em português do filósofo alemão Leo Strauss (1899-1973); uma reflexão psicanalítica sobre “a mais estranha invenção humana: a ressurreição dos mortos”; e um texto do teólogo dominicano Frei Carlos Josaphat. R$ 35 (213 págs.) | lançamento no sábado (14), às 11h30 na sede da SBPSP (www.sbpsp.org.br)

LIVRO | BEATRIZ BRACHER “Garimpo” reúne contos escritos entre 2009 e 2012 e publicados pela autora em jornais e revistas. O primeiro deles, com trechos transcritos de papiros egípcios, saiu na “Ilustríssima” em 2011; já o conto-título, que reconstrói uma história familiar em forma de anotações de diário, apareceu na revista “Granta 10”, em 2012. Editora 34 | 136 págs. | R$ 32

Folha - O que trouxe Albert Camus ao Brasil? Claudia Amigo Pino - Uma questão diplomática: um programa do governo para estreitar as relações culturais entre a França e os países da América do Sul.

Ao lado de Lina Bo Bardi, Albert Camus come feijoada na casa de Oswald de Andrade, em 1949

LIVRO | O QUE VOCÊ É E O QUE VOCÊ QUER SER O psicanalista britânico Adam Phillips escreve sobre coisas que as pessoas deixam de lado e as frustrações criadas sobre a vida não vivida. Colaborador do “London Review of Books”, o autor sempre usa exemplos de personagens literários para ilustrar suas teorias psicanalíticas para leigos. trad. Cleci Leão | Benvirá | 232 págs. | RS$ 29,90

Como a visita marcou a produção do escritor? Ele escreveu uma novela, “A Pedra que Cresce”, em que o personagem principal, um francês de visita ao Brasil, vive uma solidão existencial – como Meursault, do livro “O Estrangeiro”. No final do relato, o protagonista encontra uma espécie de amor e sai da sua solidão, antecipando o último romance do escritor, “O Primeiro Homem”.

DIVULGAÇÃO

Qual é o lugar da obra de Camus no Brasil de hoje? Ele é muito lido por aqui, mas pouco estudado. É preciso um debate mais amplo sobre a sua obra, que incentive a publicação de livros não traduzidos no Brasil e a discussão acerca da necessidade de edições mais cuidadosas.

Cena de “Todos os Outros”, de Maren Ade

CINEMA | ESCOLA DE BERLIM A mostra promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil exibe, em São Paulo (de 11/9 a 28/9) e no Rio (de 27/9 a 14/10), 19 filmes da Escola de Berlim – o termo define o cinema de autor alemão feito a partir dos anos 1990, voltado para o retrato objetivo de temas cotidianos. É o caso de “Todos os Outros”, longa de Maren Ade premiado no Festival de Berlim de 2009, que mostra um feriado na vida de um casal. De R$ 2 a R$ 4 | Programação em bb.com.br

ESTRANGEIRO Folha.com

Ilustríssimos desta edição CRISTINA BOCAYUVA - 24.04.1991/ FOLHAPRESS

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA, 76, é poeta e escritor, autor de “Sísifo Desce a Montanha” (Rocco). ALEXANDRE VIDAL PORTO, 48, é escritor, diplomata e colunista da Folha, autor de “Sergio Y. Vai à América” (prêmio Prêmio Paraná de Literatura 2012). MARCO RODRIGO ALMEIDA, 29, é jornalista da Folha.

JOÃO CABRAL DE MELO NETO, (1920-99), poeta e diplomata, autor de “Morte e Vida Severina”. RAFAEL CAMPOS ROCHA, 43, é ilustrador e cartunista, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.). REINALDO JOSÉ LOPES, 34, é jornalista, autor de “Além de Darwin” (Globo) e assina o blog “Darwin e Deus” no site da Folha.

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha JOÃO CABRAL NETO Outros fac-símiles de ‘Notas sobre uma Possível A Casa de Farinha’ >>folha.com/ilustrissima


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Entrevista

OLAVAO DE CARVALHO

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Cruzada anti-idiotas O filósofo que quer salvar você da estultice RESUMO Novo livro de Olavo de Carvalho, que reúne ensaios publicados em jornais e revistas, tornou-se um bestseller quase instantâneo. Em entrevista, o filósofo radicado nos EUA analisa criticamente tanto a esquerda brasileira como uma parte da “direita nascente”, que ele diz serem formadas e formadoras de idiotas.

MARCO RODRIGO ALMEIDA

O mínimo que todo mundo precisa saber para não ser um idiota não é tão mínimo assim. Ao menos na visão de Olavo de Carvalho, ela engloba quase 200 textos, espalhados por 616 páginas. Abarca uma miríade de temas – como história, democracia, religião, ciência, linguagem, educação, guerra (mas não só). Todo esse material, publicado originalmente pelo filósofo em jornais e revistas entre 1997 e 2013, é agora reunido em “O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota” [Record; 616 págs.; R$ 51,90]. Felipe Moura Brasil foi responsável pela seleção do material. “E agora o reparto com você, leitor, na esperança de que também se afaste da condição de bichinho e se eleve à altura dos anjos”, escreve o jornalista na empolgada apresentação do volume. Apontar um idiota, reconhece o livro, é tarefa fácil. Mais difícil é não sê-lo, nem fazer papel de um. Na nada modesta cruzada de livrar o leitor de toda forma de idiotice, o volume elege como alvo principal o pensamento de esquerda que considera hegemônico no país. Dispara contra políticos e intelectuais (também sobra munição para a “direita nascente”), artistas, o MST, o movimento gay e as recentes manifestações no país. O autor destas parcas linhas também leva seu quinhão de farpas. Olavo de Carvalho é um dos principais representantes do pensamento conservador no Brasil. Publicou diversos livros (“O Imbecil Coletivo”, “O Futuro do Pensamento Brasileiro”) e criou o site Mídia sem Máscaras (www.midia semmascara.org). Seus textos e aulas online têm conquistado um público fiel ao longo dos anos. O novo livro vendeu em apenas uma semana, segundo a editora Record, 10 mil exemplares. Dos Estados Unidos, onde vive desde 2005, Olavo de Carvalho concedeu à Folha a seguinte entrevista por e-mail. Folha - O título do livro é um tanto provocativo, até

mesmo para atrair o leitor. Mas não seria pouco filosófico chamar de “idiota” quem não compartilha certas ideias? Olavo de Carvalho - Ninguém é ali chamado de idiota por “não compartilhar certas ideias”, e sim por pretender julgar o que não conhece, por ignorar informações elementares indispensáveis e obrigatórias na sua própria área de estudo ou de atuação intelectual. Nesse sentido, creio ter demonstrado meticulosamente, neste e em outros livros, que alguns dos principais líderes intelectuais da esquerda brasileira, assim como uns quantos da direita nascente, são realmente idiotas e fabricantes de idiotas. O sr. comenta que a normalidade democrática é a concorrência “efetiva, livre, aberta, legal e ordenada” entre direita e esquerda. Mas também que todo esquerdista é “mau, sem exceção”. Como é possível equilibrar esses dois aspectos? Depende do que você chama de esquerda. Há uma esquerda que aceita concorrer democraticamente com a direita, sair do poder quando perde as eleições e continuar disputando cargos normalmente sem quebrar as regras do jogo. O Partido Trabalhista inglês é assim. Nosso antigo PTB era assim. Disputavam o poder, mas sabiam que, sem uma oposição de direita, perderiam sua razão de ser. Há uma segunda esquerda que deseja suprimir a direita pela matança dos seus representantes reais ou imaginários. Esta governa Cuba, a China, a Coreia do Norte etc., assim como governou a URSS e os países satélites. Há uma terceira esquerda que, aliada da segunda, diverge dela em estratégia: pretende conquistar primeiro a hegemonia, de modo que, nos termos de Antonio Gramsci, o seu partido se torne “um poder onipresente e invisível, como um mandamento divino ou um imperativo categórico”; e, em seguida, tendo controlado a sociedade por completo, apossar-se do Estado quando já não haja nem mesmo a possibilidade remota de uma oposição de direita. Só aí virá um toque de violência, para dar acabamento à obra-prima. A existência da primeira esquerda é essencial ao processo democrático. A segunda e a terceira devem ser expulsas da política e dos canais de cultura porque sua essência mesma é a supressão de todas as oposições pela violência ou pela fraude e porque se infiltram na primeira esquerda, corrompendo-a e prostituindo-a. Ninguém pode apoiar esse tipo de esquerda por “boa intenção”. Você já viu algum militante dessa esquerda sonhar em implantar o socialismo e depois ir para casa e viver como um humilde operário do paraíso socialista? Eu nunca vi.

Cada militante se imagina um futuro primeiro-ministro ou chefe da polícia política. Quando matam, é para conquistar o direito de matar mais, de matar legalmente. São porcos selvagens – sem ofensa aos mimosos animais. O sr. argumenta que o brasileiro é maciçamente conservador, mas desprovido de representação política. Por que não temos políticos e partidos que tomem tal bandeira? Já está respondido na pergunta anterior. O método da “ocupação de espaços” realizou no Brasil o ideal gramsciano de fazer com que todo mundo nas classes falantes seja de esquerda mesmo sem sabê-lo, de modo que toda ideia que pareça “de direita” já seja vista, instintivamente, sob uma ótica deformante e caluniosa, com chances mínimas ou nulas de argumentar em defesa própria. Suas próprias perguntas ilustram o sucesso dessa operação no Brasil. Você pode não ser um militante de esquerda, mas raciocina como se fosse, porque na atmosfera mental criada pela hegemonia esquerdista isso é a única maneira “normal” de pensar, às vezes a única maneira conhecida. Por isso, você, ao formular as perguntas, fala em nome dos meus críticos de esquerda, como se eles, e não o público que gosta do que escrevo, fossem os juízes abalizados aos quais devo satisfações. Suas ideias podem ser consideradas de direita? Algumas sim, outras não. Nem tudo no mundo cabe numa dessas categorias. Você não viu a turma da direita enfezada cair de paus e pedras em cima de mim quando afirmei que homossexualismo não é doença nem “antinatural”? É ridículo tomar uma posição ideológica primeiro e depois julgar tudo com base nela por mero automatismo, embora no Brasil de hoje isso seja obrigatório. Em quais pontos suas ideias podem ser classificadas de direita e em quais não? Não tenho a menor ideia, nem me interessa. O coeficiente de esquerdismo ou direitismo está antes nos olhos do observador e varia conforme as épocas e os lugares. Só gente muito estúpida – isto é, a esquerda brasileira praticamente inteira – imagina que direita e esquerda são categorias metafísicas imutáveis, a chave suprema para a catalogação de todos os pensamentos. Outros, principalmente na direita, dizem que direita e esquerda não existem mais, o que é também uma bobagem, porque basta uma corrente se autodefinir como “de esquerda” para que todos os que se opõem a ela passem a ser julgados como se fossem a “direita”, querendo ou não. A

esquerda define-se a si mesma e define seu adversário, por menos que este se encaixe objetivamente na definição. Nos EUA, alinho-me nitidamente à direita, porque ela existe como agente histórico, é definida e é autoconsciente, mas no Brasil essas coisas são uma confusão dos diabos na qual prefiro não me meter. O sr. Lula não foi, na mesma semana, homenageado no Fórum Econômico de Davos por sua adesão ao capitalismo e no Foro de São Paulo por sua fidelidade ao comunismo? A última moda na esquerda nacional é cultuar o russo Alexandre Duguin, que é o suprassumo do reacionarismo, enquanto na “direita liberal” muitos adoram abortismo e casamento gay, pontos essenciais da estratégia esquerdista. Prefiro manter distância da direita brasileira, seja isso lá o que for. No capítulo sobre o golpe de 64, o senhor diz que Castelo Branco foi “um grande presidente”, e Médici, “o melhor administrador que já tivemos”. Comenta ainda que está na hora de repensar o governo militar. Qual é sua opinião hoje? No Brasil de hoje não se pode louvar um mérito específico e limitado sem que imediatamente a plateia idiota transforme isso numa adesão completa e incondicional. Neste país, as pessoas, mesmo com algo que chamam de “formação universitária”, só sabem louvar ou condenar em bloco, perderam totalmente o senso das comparações, das proporções e das nuances. Isso é efeito de 30 anos de deseducação. Os méritos dos governos militares no campo econômico, administrativo e das obras públicas são óbvios e, comparativamente, bem superiores a tudo o que veio depois. Ao mesmo tempo, esses governos destruíram a classe política, infantilizaram os eleitores e, por timidez caipira de entrar na guerra ideológica ostensiva, preferiram matar comunistas no porão (embora em doses incomparavelmente menores do que os próprios comunistas matavam em Cuba ou no Camboja) em vez de mover uma campanha de esclarecimento popular sobre os horrores do comunismo. Tudo isso foi uma miséria. Foi o que eu sempre disse, mas, hoje em dia, se você reconhece uma pontinha de mérito em alguém, já o transformam em devoto partidário dele. Não distinguem nem mesmo entre aplaudir um governo enquanto ele está no poder e tentar avaliá-lo com algum senso de objetividade histórica depois de extinto, mesmo se você, como foi o meu caso, o combateu enquanto durou. O fanatismo idiota tornou-se obrigatório. É disso que o meu livro fala. O sr. é bastante crítico ao movimento gay. Não acredita que ele foi o res-

ponsável por conquistas importantes? No começo, quando lutava apenas contra a discriminação e a violência anti-homossexual, esse movimento parecia bom e necessário. Mas isso foi só a fachada, a camuflagem do que viria depois: um projeto de dominação total que proíbe críticas e não descansará enquanto não banir a religião da face da Terra ou criar em lugar dela uma pseudorreligião biônica, dócil às suas exigências. O que o sr. pensa sobre o projeto da cura gay? Ninguém pede ajuda a um psicólogo para livrar-se de uma conduta indesejada se é capaz de controlá-la pessoalmente ou se não quer abandoná-la de maneira alguma. Quando alguém vai a uma terapia com o propósito de livrar-se do homossexualismo, é porque não o vivencia como uma tendência natural da sua pessoa, e sim como uma compulsão neurótica que o escraviza. É bem diferente de alguém que é homossexual porque quer, ou de alguém que deixou de ser homossexual porque quis e teve forças para isso. Proibir o tratamento de uma compulsão é tornála obrigatória, é fazer de um sintoma neurótico um valor protegido pelo Estado. É uma ideia criada por psicopatas e aplaudida por histéricos. O sr. apoiou a invasão do Iraque em 2003. Nos anos seguintes, vários abusos e atrocidades dos soldados americanos foram divulgados. Acredita que, no saldo geral, a guerra foi positiva? Não apoiei a invasão do Iraque. De início fui contra. Foi só depois, quando os americanos começaram a exumar os cadáveres das vítimas de Saddam Hussein e viram que eram mais de 300 mil, que comecei a achar que a guerra era moralmente justificável. Das tais “atrocidades americanas”, a maioria é pura invencionice, e as genuínas, inevitáveis em qualquer guerra, nem de longe se comparam ao que Saddam Hussein fez contra o seu próprio povo em tempo de paz. A guerra, em si, foi positiva do ponto de vista moral, mas a tentativa de forçar o Iraque a adotar uma democracia de tipo ocidental foi ridícula e suicida. A primeira Guerra do Golfo foi bem-sucedida porque se limitou às metas militares, sem sonhos “neocons” de reformar o mundo. Como avalia as manifestações no Brasil? Tudo começou como uma tentativa de golpe, planejada pelo Foro de São Paulo [coalizão de partidos de esquerda latino-americanos] e pelo governo federal para fazer um “upgrade” no processo revolucionário nacional, passando da fase de “transição” para a da implantação do socialismo “stricto sensu”.


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Ciência

3 A origem das histórias A capacidade de narrar e a evolução da espécie

REINALDO JOSÉ LOPES ILUSTRAÇÃO RAFAEL CAMPOS ROCHA

Um dos pontos a respeito dos quais os cientistas que estudam a evolução humana mais discordam é o suposto habitat original de nossos ancestrais. Entre os candidatos estão as savanas abertas (o mais tradicional), as matas ciliares, lagos rasos (segundo uma hipótese amalucada, a do “macaco aquático”, nossa falta de pelos e postura bípede teriam surgido como adaptações para a vida semi-imersa) e até a Terra da Nunca. “Os seres humanos são criaturas da Terra da Nunca. Ela é o nosso nicho evolutivo, nosso habitat especial. Nutre a nossa imaginação; reforça o comportamento moral; cria mundos seguros nos quais podemos praticar nossas habilidades. Vivemos na Terra do Nunca porque não podemos deixar de viver na Terra do Nunca”, escreve o norteamericano Jonathan Gottschall, professor de literatura do Washington and Jefferson College, na Pensilvânia. Se o leitor está se perguntando o que um professor de literatura teria a dizer sobre a evolução do homem, vale ressaltar que Gottschall não está sozinho. Sua obra mais recente, “The Storytelling Animal: How Stories Makes us Human” (o animal contador de histórias: como as histórias nos tornam humanos), é parte de uma pequena onda de livros que, nos últimos anos, têm tentado usar a teoria da evolução para explicar como e por que contamos e ouvimos histórias.

Portanto, “Terra do Nunca”, no vocabulário do livro de Gottschall, é só um jeito telegráfico de designar a miríade de mundos imaginários que nasceram e morreram desde que o primeiro contador de mitos se sentou em torno de uma fogueira no Paleolítico. Entre a maternidade e o túmulo, nossas mentes talvez passem mais tempo passeando por esses mundos do que pelo mundo real. E, para o pesquisador americano e colegas seus como o neozelandês Brian Boyd, da Universidade de Auckland, tal capacidade teve papel importante, até determinante, para que o Homo sapiens se transformasse no maior best-seller evolutivo da história da Terra. Em suma, eles enxergam a capacidade de inventar histórias como uma adaptação biológica, não muito diferente, para todos os efeitos, de coisas como um polegar opositor ou o andar bípede. Para esses pesquisadores, aplicar os princípios darwinistas às narrativas de ficção é apenas o corolário lógico do projeto de entender o homem como mais uma espécie de grande primata, sujeito às mesmas leis que o resto dos seres vivos. Adaptação Ocorre que existem alguns critérios mais ou menos consensuais para tentar determinar se um comportamento pode ser classificado como uma adaptação. O primeiro e mais simples também é, na prática, o mais difícil de confirmar empiricamente: postula-se que uma adaptação deve conferir alguma vantagem reprodutiva, ainda que sutil ou indireta, ao indivíduo que dela se vale.

É aqui que o chavão popular sobre a “sobrevivência dos mais aptos” fica longe de corresponder à compreensão científica de como opera a evolução. Em princípio, características que ajudem um organismo a salvar o seu próprio pescoço, mas façam com que ele fique para trás na corrida para se reproduzir, não são adaptativas. Só para usar o exemplo mais exagerado, os machos de louva-a-deus costumam se deixar devorar pelas fêmeas durante a cópula. Esse comportamento é alegremente perpetuado pelas futuras gerações de insetos do sexo masculino, porque os machos medrosos demais para encarar tais núpcias de sangue, ao longo do tempo evolutivo, não conseguiam chegar perto o bastante dos órgãos genitais das agressivas moças da espécie. Outro critério: o comportamento se desenvolve de forma mais ou menos espontânea em todos os membros neurologicamente normais da espécie em questão, com um mínimo de estímulo. Se a espécie possuir uma variedade de tradições culturais (constatadas não só entre nós como também entre chimpanzés, golfinhos e corvos, por exemplo), tais tradições terão relativamente pouco impacto sobre o dito comportamento. É por isso, entre outras coisas, que a linguagem articulada – mas não a leitura e a escrita, claro – é vista como uma adaptação típica do Homo sapiens, assim como ocorre com uma lista razoavelmente extensa dos “universais humanos” – traços de comportamento que parecem transcender culturas, como o ciúme e a fofoca.

Há ainda um critério que, sem forçar muito a barra, podemos chamar de econômico. Num mundo de recursos finitos, é preciso “decidir” (quase sempre de modo inconsciente) como alocar recursos, tanto fisiológicos quanto comportamentais. Vale mais a pena bater ou correr? E por aí vai. Ora, se certo comportamento, apesar de custoso, não é eliminado da população pelo escrutínio não muito compassivo da seleção natural, é indício de que os benefícios compensam os custos e, portanto, é provável que se trate de uma adaptação. Quando aplicamos essa pequena lista de critérios ao fenômeno das narrativas de ficção, afirmam Gottschall e companhia, as coisas começam a se encaixar. Crianças Começando pela naturalidade do fenômeno, crianças pequenas têm verdadeira compulsão por improvisar histórias. “Não precisamos subornar crianças para que inventem histórias como temos de fazer para que comam brócolis”, diz Gottschall. “Elas brincam de faz de conta quando não têm o que comer. Brincaram de faz de conta em Auschwitz”. O argumento faz algum sentido, afirma o escritor catarinense Cristovão Tezza, autor do premiado romance “O Filho Eterno”. “Já especulei sobre a possibilidade de haver uma relação entre narrativa e aquisição da linguagem, do tipo ‘falar é narrar’, um conceito que eventualmente uso, com força de metáfora, quando falo da importância da literatura”. Tezza diz desconfiar, porém, da associação entre biologia e cultura. “Ao mesmo tempo, sinto-me desarmado para rebater a ideia com força, com o tacape!”, ri ele. À primeira vista, o lado “econômico” da equação não é muito controverso. Dos poetas da Grécia homérica ou da Europa medieval, valorizados pela capacidade de memorizar milhares de versos, até os sucessos de bilheteria turbinados por efeitos especiais e imagens 3D, está claro que as pessoas estão mais dispostas a gastar recursos, tempo e energia com a Terra do Nunca do que pareceria razoável. Nesse sentido, a visão evolutiva da ficção “concretiza, ou procura atribuir solidez, àqueles clichês que sempre mencionam nossa dependência das narrativas, dependência que realmente parece existir, mas que cada vez mais migra para outros meios de narrar, para outras mídias, como o cinema ou o videogame”, diz o escritor mato-grossense Joca Reiners Terron. Falta ainda, no entanto, o quesito ao mesmo tempo mais simples e mais compli-

cado. Se inventar a Terra do Nunca (ou a Terra-média, ou Nárnia) é uma adaptação, em que exatamente ela favorece o sucesso reprodutivo? Cheesecake A dificuldade de apontar com precisão esse benefício adaptativo das narrativas inventadas levou até entusiastas da chamada psicologia evolucionista (como é conhecida a visão darwinista da mente humana) a afirmar que tanto a ficção quanto outras formas de arte seriam apenas subprodutos de faculdades mais gerais do cérebro. Steven Pinker, da Universidade Harvard – ao mesmo tempo um dos mais respeitados e o mais pop dos psicólogos evolucionistas –, definiu a arte como “cheesecake sensorial”, uma espécie de estímulo artificial criado com o único propósito de fazer os sentidos humanos sentirem mais prazer do que o que pode ser encontrado na natureza. “Eu acho que a arte vem, em parte, desse impulso que nós temos de tentar sair da prisão dos nossos cinco sentidos”, diz o escritor João Ubaldo Ribeiro. “Nós percebemos uma faixa muito pequena da realidade, nossos sentidos são limitados. Isso sempre motivou, por um lado, o uso das drogas e, por outro, a música, a poesia, que não deixam de transcender a lógica do bom senso e subverter a realidade”, opina o baiano. Remodelando o raciocínio para o contexto específico da ficção, a criação de seres imaginários e tramas rocambolescas que nunca ocorreram nem poderiam ter ocorrido seriam “tiltes” dos sistemas cerebrais que nos permitem enxergar motivações e personalidades específicas em criaturas reais – capacidade conhecida como “teoria da mente”. Essa sim seria uma faculdade praticamente ex-

PASSEIO

Entre a maternidade e o túmulo definitivo, nossas mentes talvez passem mais tempo passeando por mundos imaginários do que pelo mundo real em que vivemos e estamos acostumados

clusiva da nossa espécie (há controvérsias sobre a presença de algum rudimento dela nos grandes macacos, por exemplo), com relevante valor adaptativo. Pavão É possível, por outro lado, atribuir uma função biológica à habilidade narrativa e, de novo, aos pendores artísticos de modo geral, sem interpretá-la como uma adaptação propriamente dita. Bastaria interpretar essas capacidades como uma forma de seleção sexual – em síntese, uma espécie de “cauda de pavão” cognitiva. É que, no fenômeno da seleção sexual, características aparentemente inúteis podem cair no gosto dos membros do sexo oposto como pista para escolher um parceiro. Ao longo do tempo, surge uma corrida armamentista, na qual manifestações cada vez mais exageradas daquela característica passam a competir pela atenção do(a) possível noivo(a). O resultado são adornos aparentemente despropositados, como as caudas dos pavões ou as galhadas dos alces. Despropositados? Não exatamente. Paradoxalmente, o tamanho e a complexidade desse tipo de penduricalho podem funcionar como sinal de “qualidade” (saúde, bons genes, muitos recursos) do organismo de quem os ostenta, porque a)produzir o treco requer considerável dispêndio de energia ou b)o adorno é um trambolho tão desajeitado que só um indivíduo de “qualidade” conseguiria andar por aí com ele e ainda assim escapar de predadores e acidentes. E se a imaginação pródiga e a habilidade linguística de um grande contador de histórias fossem um bom sinal de qualidade genética no “segundo órgão mais importante” do corpo humano (como disse Woody Allen), o cérebro? As evidências a esse respeito ainda são esparsas, afirma o psicólogo evolucionista Marco Antonio Correa Varella, da UnB (Universidade de Brasília). “No caso mais próximo que conheço, um estudo alemão, ao analisar a biografia de muitos escritores do país, verificou que o pico da produção, ou seja, a obra mais famosa e importante, ocorre entre 25 anos e 35 anos, e que os que se mantiveram solteiros continuaram a produzir obras literárias por mais tempo do que os que se casaram, padrão também encontrado no caso de cientistas. Ou seja, o ápice da competição por parcei-


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ros coincide com o ápice da exibição cultural, pelo menos em homens”, conta. Compulsão Em seu livro “On the Origin of Stories” (“Sobre a Origem das Histórias”), Brian Boyd, cuja especialidade acadêmica mais “normal” é a obra de Vladimir Nabokov (18991977), insiste que faz mais sentido enxergar a compulsão narrativa humana como uma adaptação. Seu principal argumento é a síndrome de Peter Pan da nossa espécie, digamos. Vimos, com efeito, como narrativas improvisadas de faz de conta aparecem de forma espontânea no comportamento dos filhotes humanos. Para Boyd, a arte de modo geral, e a ficção em particular, não passam de uma forma de “brincadeira cognitiva” que realiza, talvez de forma ligeiramente mais sofisticada, a mesma função das brincadeiras de faz de conta da infância. Nesse ponto da argumentação, o método comparativo entre espécies, essencial para o pensamento evolutivo, entra em ação novamente. Hoje, sabemos que quase todas as espécies de mamíferos e aves, e talvez até invertebrados como os polvos, gostam de brincar, em especial durante a infância. A propensão para brincadeiras parece ser um método eficaz para treinar habilidades motoras, cognitivas e sociais num ambiente relativamente seguro, deixando o animal mais jovem em melhor posição para enfrentar desafios reais mais tarde. Experimentos com animais de laboratório mostram que oportunidades abundantes de brincar fazem muita diferença, para melhor, no desenvolvimento, trazendo principalmente flexibilidade comportamental, ou seja, capacidade ampliada de reagir a estímulos e padrões inesperados. Quando esses dados são traduzidos para o contexto humano, diz Boyd, é importante levar em conta tanto a duração proporcionalmente muito grande da nossa infância quanto a nossa dependência profunda da capacidade mental para sobreviver – habitamos o “nicho cognitivo”, ressalta ele. Mesmo nossos adultos se engajam em brincadeiras em taxa muito superior à que se vê entre outros mamíferos. A própria anatomia da nossa espécie dá a impressão de ser uma versão “pedomórfica” (grosso modo, infantilizada) da anatomia dos grandes macacos. Todos sofreríamos, em certo sentido, de síndro-

FRONTEIRA

‘Darwinistas literários não questionam a fronteira entre ciências humanas e naturais, mas sugerem que aquelas devem adotar o modelo destas’, relata com detalhes Idelber Avelar

me de Peter Pan. Os estímulos sensoriais e cognitivos cuidadosamente planejados pelos grandes narradores, portanto, seriam uma versão lúdica de “simulador de voo”, uma forma de viver experiências – e aprender com elas – sem sair do sofá de casa ou da poltrona do cinema. Para Gottschall, essa função simuladora provavelmente se estende também às peripécias que todos vivemos de forma inconsciente, à noite, quando sonhamos. Uma boa definição operacional de sonho, para ele, seria algo como “alucinações sensório-motoras intensas com estrutura narrativa”. “Nós mal conseguiríamos descrever um sonho se evitássemos usar o vocabulário de uma aula básica de teoria literária: personagem, trama, cena, ponto de vista, perspectiva”, escreve ele. “Acho que a ideia tem totalmente a ver, até já escrevi isso”, concorda Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e um dos principais especialistas brasileiros na neurobiologia dos sonhos. Ele cita seu próprio texto em inglês sobre o tema: “O sonho e a brincadeira são a fonte original da consciência humana, e contar histórias tem a ver com ambos”. E emenda: “A capacidade de imaginar sem ter de atuar é o ‘Lego’ de nossa mente transformadora do mundo”. Outro aspecto adaptativo importante do ato de narrar é, para Gottschall, o papel social de muitas histórias, em especial as de caráter sagrado: mitos, narrativas de origem, historiografias oficiais (muitas vezes mais criativas do que certos au-

tores de fantasia). Animais intensamente sociais como nós têm muito a ganhar com a coesão grupal que certas narrativas trazem quando se trata de confrontar outro grupo – e, claro, muito a perder quando certos membros de nosso grupo resolvem usar isso em seu próprio benefício. “Encarar o ato de contar histórias da mesma forma que a evolução da comunicação animal é estudada nos abre os olhos para a questão de que existe um conflito evolutivo entre quem emite um sinal e quem o recebe. O que emite tende a se favorecer ao manipular o comportamento alheio a seu favor, enquanto o receptor se beneficia extraindo informações honestas relevantes sobre o emissor”, explica o psicólogo evolucionista Marco Varella. Cultura Além de tentar desenvolver um modelo mais preciso para o papel evolutivo da compulsão humana por narrativas, Gottschall e companhia terão trabalho considerável para convencer a maioria de seus colegas, pesquisadores da área de humanidades ou escritores, de que não estão tentando “biologizar” indevidamente um fenômeno cuja esfera apropriada é a da cultura, e não da natureza. Vários dos entrevistados pela Folha sobre o tema falaram sobre os perigos de uma visão determinista do

homem e recordaram a celeuma em torno da sociobiologia, movimento científico dos anos 1970 que é precursor da atual psicologia evolutiva e ficou sob fogo cerrado por supostamente justificar práticas sexistas e racistas com base “na natureza humana”. “O mundo está ficando cada vez mais ‘naturalizado’. Todo mundo conhece os efeitos do darwinismo aplicado às questões sociais e o fascínio de justificar o senso comum e o preconceito por meio de uma teoria genial”, diz o escritor carioca Bernardo Carvalho. Ele critica a ideia de que certas literaturas seriam mais

DESTINO

‘Há, em um monte de autores, uma vontade muito forte de escapar ao determinismo ao qual o homem está condenado’, afirma o renomado escritor e pensador Bernardo de Carvalho

“naturais” que outras. Gottschall, por exemplo, afirma que os experimentos radicais de certos autores modernos, como James Joyce (18821941), são impenetráveis para pessoas comuns por não levar em conta a predileção humana por narrativas com começo, meio e fim. “Há em Joyce, e em um monte de outros autores, não só modernos, uma teimosia, uma resistência a reduzir o homem às suas funções naturais. E a literatura passa a ser a própria expressão disso. Há, nesses autores, uma vontade muito forte de escapar ao determinismo ao qual o homem está condenado. Não se trata apenas de contar histórias, mas de refletir sobre essa condição trágica”, argumenta Carvalho. “Os darwinistas literários têm o grande mérito de colocar em pauta um problema de crescente interesse: as relações entre natureza e cultura, esferas que foram frequentemente percebidas como domínios estanques e separados”, diz Idelber Avelar, professor de literatura latino-americana da Universidade Tulane (EUA). Para ele, o próprio impacto da ação humana na biosfera, ao longo dos últimos séculos, exige tal reflexão. O problema, adverte Avelar, é que “os darwinistas literários não propõem um questionamento da fronteira entre ciências humanas e naturais, mas sugerem que aquelas devem adotar o mo-

delo destas. Há uma nítida hostilidade às humanidades em seu trabalho. Ao analisar narrativas e poemas, eles terminam sempre pressupondo a conclusão a que querem chegar”. Um pouco mais compassivo, João Cezar de Castro Rocha, do Instituto de Letras da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), diz que é interessante a possibilidade de estudar a literatura pelo prisma evolutivo e que o espectro da sociobiologia não deveria tolher a pesquisa. “Mas é importante situar o problema numa escala histórica. Não se trata da grande novidade do momento. A discussão, no fundo, tem a ver com a tensão permanente entre saber o que é mais relevante para o ser humano, ‘nature’ (natureza) ou ‘nurture’ (criação), e durante muito tempo a balança pendeu para o lado da ‘nurture’.” Ele aponta também a dificuldade de traçar cenários mais seguros sobre a evolução humana e, em especial, quando o tema são comportamentos – os quais, por definição, não se fossilizam. Mas admite que o impulso de especular é quase irresistível. “É fascinante pensar, por exemplo, se o processo que levou à complexidade mental humana foi desencadeado não por um cérebro maior que nos permitiu contar histórias, mas pelo início do ato de narrar desencadeando, com o tempo, mais complexidade cerebral”, propõe.


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Diário de Tóquio O MAPA DA CULTURA

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Um coração de metal Em exposição sobre o amor, sexo é peça rara

ALEXANDRE VIDAL PORTO

O amor pode assumir várias formas, todas elas avassaladoras. Em Tóquio, a exposição de arte mais visitada neste verão fala disso. A exposição “All You Need Is Love” acontece no Museu de Arte Mori, e a curadoria, eclética, inclui do russo Marc Chagall ao chinês Zhang Xiaogang, passando pela mexicana Frida Kahlo, o romeno Constantin Brancusi e a americana Nan Goldin. Os trabalhos são exibidos de acordo com temas relacionados ao amor (significado, romance, perda, família e transcendência). As fotos de Tatsumi Orimoto e de sua mãe com Alzheimer (família) são comoventes, e caminhar pelo labirinto psicodélico de Yayoi Kusama (transcendência) é prazeroso. No entanto, em relação ao amor, o sexo aparece como elemento menor. Suas representações mais explícitas são algumas gra-

vuras japonesas shunga e as telas bordadas pela artista taiwanesa Chang En-Tzu, nas quais personagens de histórias infantis são representados em atos eróticos. Na exposição, o conceito de amor é idealizado. É brilhante, bonito e sem imperfeições. É asséptico. Assume formas tão abstratas quanto “Hatsune Miku”, criação cibernética que se apresenta como cantora, mas que não desafina ou envelhece. Não é à toa que o cartaz da exposição apresenta um vistoso e polido coração de metal, embalado para presente em papel dourado, de autoria do norte-americano Jeff Koons. Quando me dei conta de que aquele coração não trazia nenhum arranhão ou desgaste, foi que me perguntei se aquele amor todo exibido no Mori seria, de fato, amor verdadeiro. Dois coelhos Todas as tardes, às 17h, pontualmente, uma canção invade as ruas de Tóquio.

Dura uns 30 segundos. Nunca falha. O som vem de altofalantes instalados em postes, e a escolha musical varia dependendo da região da cidade. No meu bairro, toca uma canção de ninar tradicional chamada “Yuuyake Koyake”, que toda criança japonesa cresce ouvindo. Haviam me dito que se tratava de um aviso para as crianças de que a noite se aproxima e que elas devem voltar para casa. A explicação faz sentido e é poética. Combina com um lugar em que tudo funciona por meio de regra coletiva e é comum ver crianças irem desacompanhadas à escola. Depois, porém, no site da prefeitura, descobri que o objetivo daquela música diária é verificar que os alto-falantes estejam funcionando em caso de catástrofe ou terremoto. Também faz sentido. Uma função não invalida a outra. Com uma cajadada, matam-se dois coelhos. Ou, como se diria por aqui, “Isseki Nicho”.

A Viagem de Horikoshi A maior bilheteria nos cinemas de Tóquio é o novo – e último – filme de animação de Hayao Miyazaki, que ganhou o Oscar por “A Viagem de Chihiro” em 2003. “The Wind Rises” (“o vento se levanta”), apresentado no Festival de Veneza com o anúncio da aposentadoria do cineasta de 72 anos, baseia-se na vida de Jiro Horikoshi, que projetou o avião Zero, usado pelos kamikazes na Segunda Guerra. Como os anteriores, o filme de Miyazaki traz mensagem pacifista e enfoca os dilemas éticos e morais enfrentados por Horikoshi ao ver sua obra associada à destruição. Myazaki, habituado aos elogios da comunidade politicamente correta, tem tido de lidar com críticas inesperadas. Setores da sociedade civil, em especial organizações antitabagismo, acusam-no de irresponsabilidade social e condenam o filme por exibir um número que acham exa-

gerado de fumantes. Turismo nuclear Comenta-se que o governo japonês estuda autorizar atividades turísticas na área da usina nuclear de Fukushima. A região, atingida pelo tsunami e o grande terremoto de 2011, foi cenário do segundo pior acidente nuclear da história. A ideia seria construir um complexo turístico que incluísse hotel, restaurantes e um museu, a cerca de 40 km da usina. Os defensores da iniciativa argumentam que ela ajudaria a estimular a recuperação e a revitalização econômica da área devastada. Entre as atrações turísticas anunciadas, estariam visitas ao interior da usina e ao ponto zero do vazamento nuclear. Um lembrete aos visitantes: não se esqueçam dos uniformes de proteção e dos respiradores, porque os trabalhos de descontaminação das instalações ainda levarão décadas para se completar.


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Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS ACERVO PESSOAL

5 Um movimento subversivo Rio de Janeiro, 1973

Afonso Romano de Sant’Anna (de cavanhaque), Gilberto Gil (ao microfone), João Cabral de Melo Neto (de terno) e Chico Buarque

AFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

Transcorria o ano da graça (e da desgraça) de 1973. Portanto, o que vou narrar tem 40 anos. Se você tem essa idade, devo lhe dizer que, em 1973, corria solta a guerrilha do Araguaia, Salvador Allende foi derrubado, terminava a guerra do Vietnã, fizeram a primeira ligação pelo celular, inventaram a ethernet e ergueu-se o fatídico World Trade Center. Aqui havia o governo Médici. E havia a censura. E havia a tortura. E havia a poesia. Os exilados só iriam começar a retornar em 1979/1980. A coisa aqui era braba! O poeta Moacyr Felix chegou a publicar o poema: “O Exílio É Aqui”. A poesia é outro exílio. Então, nesse duplo exílio, eu, que na adolescência havia publicado “O Desemprego do Poeta” (1962), encarei, de novo, esse desencontro. Acontece que eu era diretor do departamento de letras e arte da PUC-RJ. Acontece que havíamos criado ali uma pós-graduação que estava mexendo com o estatuto da teoria literária e, por isto, trouxe ao Brasil Michel Foucault. Acontece que, desafiando a repressão, propus aos alunos um curso muito doido, um curso sem bibliografia, um curso que não sabia como ia se desenrolar ou terminar. Então lhes disse: “Este semestre vamos estudar a poesia que se está fazendo no país. O detalhe é que ninguém sabe, nem eu nem vocês, qual a poesia que se está fazendo no país. E isto não apenas por causa do regime que nos atordoa, mas porque o sistema literário também é repressivo. Pode ser que tal poesia esteja sendo gerada fora do eixo acadêmico e editorial, fora do controle de certos grupos. Vamos estudar o que não conhecemos, o que vai aparecer e que pode ser muito bom ou muito ruim. É um risco. Quem for brasileiro siga-me!”. Seguiram. E o imprevisível ocorreu. Quando pelos jornais os poetas do país souberam dessa “abertura poética” que antecedeu em cerca de dez anos a “abertura política”, começaram a mandar seus poemas. E eu estimulava: já basta a censura dizendo o que se pode e não se pode fazer. “Mandem poemas visuais, poemas corporais, poemas em super-8, poemas orais, escritos, dramáticos, enfim, o que estão produzindo sob o nome de poesia.” Resultado: mais de 600 poetas saíram de suas tocas. O projeto acabou se chamando Expoesia. Vários significados: exposição do que é, do que não é (ex) e do pretende ser poesia. Além de “happenings” e imensos pôsteres, foi elaborado um programa que consistia numa exposição didática dos movimentos que marcaram a poesia brasileira neste século: modernismo de 1922, Geração de 45, vanguardas (1956-1967), tropicalismo (1968), poesia marginal (1968-1973). Naquele tempo a poesia brasileira era um estranho entredevorar-se de grupos que se hostilizavam: Geração de 45, concretismo, neoconcretismo, Práxis etc. Botar esse pessoal junto era uma temeridade. Cada grupo era dono da verdade e da poesia. Havia um AI-5 não só na política, mas na poesia. Cada movimento poético tinha (militarmente) suas “palavras de ordem”. Talvez cansados disso, os poetas atenderam milagrosamente ao chamado, exceto os concretistas paulistas. Esse movimento foi representado por uma bela exposição de poesia concreta alemã. Durante uns dez dias, em outubro de 1973, para espanto dos padres e dos poetas, a universidade abriu-se ao inesperado. Faculdades e escolas programaram visitas de alunos. E foi histórico o debate entre João Cabral de Melo Neto, Chico Buarque, Gilberto Gil, Ronaldo Bastos e Jards Macalé: um diálogo entre música popular e poesia erudita no auditório apinhado de jovens. Foi aí que João Cabral disse: “Eu não posso hoje ler nenhuma sequência de ‘Morte e Vida Severina’ sem que a música me fique soando no ouvido. Hoje, estou resignado a tirar das minhas ‘Poesias Completas’ o auto de Natal ‘Morte e Vida Severina’, pois creio que ele pertence mais ao Chico do que a mim”. A ideia proliferou: Curitiba realizou a Expoesia 2, Friburgo, a Expoesia 3, e havia pedidos para que se fizessem outras expoesias em Brasília, Belo Horizonte, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. O SNI (Serviço Nacional de Informações) considerou a Expoesia o movimento mais subversivo daquele ano.


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EM TEMPO - 8 de setembro de 2013