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ANO XXIV – N.º 7.554 – MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO – PREÇO DESTA EDIÇÃO: R$ 2,00 SHANA REIS

TENDÊNCIA

Estampas são apostas da nova estação Elenco 19 e 20

PROCURA

Musculação para esculpir corpo do público feminino Saúde e bem-estar E6

Solidariedade que chega dos pobres

Situação precária em que se encontram os haitianos no Amazonas mobiliza diversos setores da sociedade, governo e igrejas. Mas, são das pessoas mais carentes os maiores exemplos de generosidade. EM TEMPO acompanhou a rotina de quem presta socorro aos imigrantes. Dia a dia C5

DIEGO JANATÃ/FREELANCER

FORMAÇÃO

Universitários estão cada vez mais jovens

APÓS 4 ANOS

Joel Santana retorna ao Fla e diz que R10 não é ameaça Lance! 5

JOEL ROSA

AG O DIA

Com 15 e 16 anos, estudantes ingressam cada vez mais cedo no ensino superior. Decisão exige maturidade para planejar a carreira. Dia a dia C6

CELULARES

PIM prepara concorrentes aos produtos Apple e Blackberry

PROJETO DE LEI

Controle rígido nas atividades de flanelinhas Dia a dia C2

MARCELO MACHADO/AE

Economia B1

TRADIÇÃO

Dormir em rede é herança histórica, afirma sociólogo Dia a dia C1

Corrupção pode virar crime hediondo no país

Política A8


A2

Opinião/Última Hora

Contexto 3090-1011/9982-2702

contexto@emtempo.com.br

MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

Omar abre feira solidária na Zona Sul de Manaus A feira de produtos regionais, em parceria com o 7º Comando Aéreo Regional, (7º Comar) é mais uma opção e funcionará aos sábados, no pátio do Cassam ALEX PAZUELLO/AGECOM

Acordo sacramenta saída de secretário do governo Um acordo firmado entre o governador Omar Aziz (PSD) e a executiva estadual do PCdoB, na noite da última sexta-feira (3), em jantar com o ministro Aldo Rebelo, sacramentou a saída do secretário estadual de Esportes, Júlio César Soares, da pasta. O governador já havia prometido trocar o comando da secretaria em maio do ano passado, quando o partido comunista indicou a ex-secretária-executiva da Sepror, Alessandra Campêlo, para o lugar de Júlio César. Diz-se que o governador teria assinado, no jantar de sextafeira, a nomeação de Alessandra Campêlo. A participação de Aldo Rebelo serviu para referendar a opinião do partido em relação à troca no comando da secretaria. O PCdoB entende que o cargo faz parte da fatia da sigla no apoio ao governo. E Júlio César, apesar de ser do partido, herdou a secretaria com a saída de Lupércio Ramos. EM BRASÍLIA O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Érico Desterro, viajará amanhã à tarde para Brasília, a fim de se reunir com o ministro do TCU, Valmir Campelo, para conversar sobre as pendências do Amazonas em relação aos recursos federais para as obras da Copa de 2014. REUNIÕES Desterro disse que também tentará uma reunião com a Controladoria Geral da União (CGU), para tratar da mesma situação. O presidente do TCE disse que tudo isto é para evitar a inviabilização do contrato da obra da Arena da Amazônia. CONVITE A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) foi convidada pela embaixada dos Estados Unidos para visitar o Senado norte-americano com o objetivo de discutir a legislação que trata do tráfico de pessoas.

O

governador Omar Aziz participou na manhã deste sábado, 4 de fevereiro, da abertura de mais uma feira de produtos regionais, dessa vez no pátio do Clube dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica (Cassam), Zona Sul. O novo espaço, resultado de um convênio entre governo do Estado e o 7º Comando Aéreo Regional (7º Comar) da Aeronáutica, é prioritário para as produtoras do sexo feminino, batizado de Feira da Economia Feminista e Solidária de Produtos Regionais

INCENTIVO

O agricultor Antônio Silva, 61, de Iranduba, destacou que a política de incentivo ao produtor rural do governo do Estado vem mudando a vida de sua família, pelas oportunidades oferecidas do Amazonas. Segundo o governador Omar Aziz, a iniciativa de reservar o espaço às mulheres faz parte

da política de seu governo, que pretende melhorar as oportunidades de acesso à qualificação, emprego e renda ao público feminino. “Estamos abrindo espaço para a mulher ter o seu negócio e independência financeira, para que tenha uma melhor qualidade de vida”, afirmou. Operacionalizada pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), em parceria com o sistema produtivo do Estado e Aeronáutica, a meta da feira, que acontecerá quinzenalmente, é movimentar R$ 90 mil a

IPÊS BRANCOS No início do ano, o fundo também lançou edital convocando Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) para apresentarem projeto a fim de arborizar, com mudas de ipês brancos, a avenida Djalma Batista.

DIEGO JANATÃ/FREELANCER

ORGANIZAÇÃO O Ministério Público Eleitoral (MPE) já começa a se organizar para acertar o funcionamento da fiscalização durante o período eleitoral em Manaus e no interior do Estado. Na última sexta-feira (3), os promotores eleitorais se reuniram, na sede do MPE, para tratar do assunto.

EIA E RIMA Na próxima quarta-feira (8), o Prosamim vai realizar audiência pública para apresentar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para moradores de cinco bairros da bacia do São Raimundo. O evento antecipa o início das obras, previsto para maio.

APLAUSOS

VAIAS

Consórcios

Cuba

Para Cuba, que negou permissão para a blogueira Yoani Sánchez venha ao Brasil lançar um documentário.

Grupo de haitianos embarca para Itajaí com garantia de emprego em Santa Catarina

Haitianos vão trabalhar no Sul A empresa Multilog, que atua assessorando exportações em serviços aduaneiros, resolveu acreditar nos haitianos. Ontem, mais de 25 imigrantes embarcaram para Itajaí, Santa Catarina, contratados pela empresa para trabalhar. A oportunidade é inédita e a credibilidade depositada neles também. Além dos direitos assegurados em contrato, receberão

benefícios extras como plano de saúde e odontológico, seguro de vida e cestas básicas. A iniciativa, segundo a coordenação de acolhida, abre portas para a desmistificação de falta de vagas de emprego no Brasil. Lá os contratados irão trabalhar com carga e descarga de materiais, serviços gerais e as mulheres como domésticas. Uma casa foi alugada

para abrigá-los e a expectativa é a de que esse número possa aumentar até o próximo semestre. Ainda ontem, mais um grupo de 250 haitianos chegou de Tabatinga (a 1.607 quilômetros de Manaus). Segundo a irmã Santina, o apoio das igrejas tem sido de total relevância, já que nenhum tipo de repasse de verba pública foi feito até o momento.

EXECUÇÃO

Morto no Beija-Flor com 7 tiros O autônomo Dioston do Amaral Machado, 27, foi executado com sete tiros na cabeça na noite da última sexta-feira (3), no conjunto Beija Flor I, Zona Norte de Manaus. De acordo com informações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o crime ocorreu às 18h30, enquanto Dioston passava em frente à praça do conjunto, na rua

cada edição. O espaço abriga cerca de cem produtores de 15 municípios. Parceria Durante o evento de abertura e assinatura do convênio para a realização da feira, o governador anunciou que o próximo parceiro será a Marinha. As outras feiras da ADS, em parceria com militares, funcionam no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), no bairro São Jorge, Zona Oeste, junto com o Exército, e no Comando Geral da Polícia Militar, em Petrópolis, Zona Sul.

BLITZE

OPORTUNIDADE

ARBORIZAÇÃO O Fundo Municipal para Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA) lançou edital convocando para seleção de projeto, “que tem por objeto complementar a aquisição de mudas dentro do “Programa Manaus Mais Verde”. Esse programa tem objetivo de arborizar as principais vias de Manaus.

CPI AJUDOU O convite ocorreu por conta do trabalho da senadora amazonense à frente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas. A CPI entregou relatório parcial dos seus trabalhos no final do ano passado, no qual consta proposta de reformulação do Código Penal, tipificando o crime do tráfico de pessoas.

Para o crescimento da comercialização de consórcios de carros novos no país, que deve avançar 9% este ano.

O governador Omar Aziz inaugurou a feira feminina de produtos regionais, gerando oportunidade de emprego e renda

Amazonas. O crime é de autoria desconhecida. Na noite de sexta foram registrados mais dois assassinatos. Na manhã de ontem (4), um homem foi assassinado com um tiro e teve uma faca cravada no seu peito enquanto transitava na rua Real, bairro Mauazinho, Zona Leste. O assassinato ocorreu às 11h20. Até o fechamento desta edição a vítima ainda

não havia sido identificada. Prisão Na sexta-feira, Celso Rodrigues Duarte, 27, foi preso em flagrante por policiais militares com 81 papelotes de pasta-base de cocaína, 21 porções de pó da mesma substância, cinco pedras de óxi e R$ 163. O caso foi registrado no 4º Distrito Integrado de Polícia.

Operações apreendem veículos Duas operações foram desencadeadas pela Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) na última sexta-feira (3) nas ruas de Manaus. Uma delas, a operação “Onça”, da PM-AM, permanece até a noite de hoje em todas as zonas de Manaus. Já a operação “Saturação e Barreiras” realizada sexta, apreendeu veículos e recuperou uma moto roubada. Na operação “Onça” estão sendo realizadas barreiras com redutores de velocidade, abordagens de pessoas e veículos, fiscalização em bares e reforço do policiamento nas principais avenidas e áreas de maior ocorrência. O objetivo é combater o crime nas ruas, beco e vielas dos bairros com os maiores índices de criminalidade. Coordenada pela SSP-AM, a “Saturação e Barreiras” contou com o apoio da Polícia Civil, do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-Am) e do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans). Em uma noite, foram apreendidos 26 veículos, 66 motos e uma moto recuperada. Arrastão Três menores e três adultos foram presos em flagrante por por PMS enquanto faziam arrastão na rua I, do conjunto Hiléia I, Zona Centro-Oeste. Alisson dos Santos de Paiva, 21, Samuel Santos da Silva, 21, Moacir Batista Costa Junior, 18 e três menores levaram celulares e R$ 2,4 mil de pelo menos duas vítimas.


Opinião

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A3

Fala leitor

Editorial

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Tatu-bola disputa Copa 2014 com saci-pererê O jogo já não se apresenta muito limpo, e ainda nem começou; deve ser o clima tropical do país que se ufana de estar deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo; mas os dados estão lançados: a ONG A Caatinga, lidera um movimento para eleger o tatu-bola como mascote da Copa de 2014, que está prevista para acontecer em 12 cidades brasileiras. A indicação tem o apoio de cientistas que conhecem o candidato pelo singelo nome de Tolypeutes tricinctus, uma espécie 100% nacional e está ameaçada de extinção, porque o tatu não é bom de bola, isto é, não sabe driblar caçadores humanos que não são bons da bola. Tudo que o Tolypeutes consegue fazer em legítima defesa diante do ataque dos predadores é dobrar-se sobre o próprio corpo, formando uma bola, o que, aliás, sustenta o argumento da ONG que pretende fazê-lo mascote, embora a proposta não venha embalada num discurso dos mais convincentes. “A escolha do tatu-bola mostraria ao mundo a nossa rica natureza e o compromisso com a biodiversidade, além de sensibilizar o povo brasileiro para a defesa e a proteção da nossa natureza”, dizem os organizadores de A Catinga, esquecidos de que os brasileiros não costumam levar muito a sério esse compromisso com a natureza e o meio ambiente, a não ser o que o prostra em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo. E o Tolypeutes pode contribuir mais com a própria extinção, não em forma de bola, mas de sopa, guisado, churrasco no espetinho e outras maravilhas da gastronomia de calçada e calçadão. O tatu-bola concorre com outros animais em extinção, como a onça-pintada. Essa corrida, que mal começou, pode ser vencida, no entanto, por outro personagem que nunca existiu, mas que muita gente viu (ao menos jura que viu), tem uma perna só, fuma cachimbo. É o saci-pererê, que tem torcida organizada entre os aliados políticos da presidente Dilma Rousseff, entre eles o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que defende uma consulta pública, mas não esconde sua preferência. No país da bola, tudo rola.

A partir desta semana começa a funcionar, no Jardim Botânico de Manaus, o Clube da Floresta, um clubinho divertido que mistura leitura, jogos, artes, teatro e muita natureza. As atividades são voltadas para crianças entre 7 e 14 anos e acontecem de terça a domingo em diferentes horários. A inscrição é gratuita, e é possível participar

de uma atividade específica ou de todas. As crianças que se inscreverem ganham uma carteirinha exclusiva do clube. O objetivo é oferecer alternativas de lazer e educação informal ao longo de toda a semana. O Jardim Botânico de Manaus fica na avenida Uirapuru s/nº Cidade de Deus. As atividades foram trabalhadas ao longo dos dois

últimos anos e o formato contínuo foi testado com grande sucesso no final de 2011, durante o evento Férias no Jardim. Na ocasião, cerca de 30 crianças e jovens participaram de 12 dias contínuos de atividades. O programa oferece entre outras atrações, “Contação de Histórias” (narração de histórias clássicas e lendas brasileiras, com uso de bone-

cos e dinâmicas de aprofundamento de conteúdo); “Semear” (passeios na floresta e produção de canteiros, mudas e mini-hortas). Lívia Brasil (3236-5326/8153-2925)

Charge elvis@emtempo.com.br

Olho da Rua

Dora Kramer

opiniao@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br JOEL ROSA

Cachorro no meio da rua não pode mais nem morrer sossegado e os urubus não têm pressa, mas não levantam voo. O cachorro vai parar de latir em algum momento. Mundo cão. Mundo urubu. Parece até mundo de gente.

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Dever de Estado O Congresso aprovou, a presidente da República sancionou e em maio começa a vigorar a lei que obriga o poder público a pôr à disposição da sociedade as informações que lhe forem solicitadas. É uma lei de difícil execução, implicará a criação de novos mecanismos administrativos, mas colidirá principalmente com a mentalidade do poder fechado em suas razões, na convicção de que o Estado tudo pode e nada deve ao cidadão. Muito se tem falado sobre essas dificuldades dentro do governo onde ainda reina a incerteza, mas muito pouco ou quase nada tem sido feito na prática em favor da aplicação da lei que tanto pode gerar tensões quanto produzir avanços. A expressão nítida desse traço de obscuridade e da resistência a ser enfrentada é a maneira como o governo federal vem lidando com as demissões e admissões de ministros e dirigentes de estatais. Não se obedece ao pressuposto de que é obrigação do governante dar informações e um direito do cidadão recebê-las. Auxiliares presidenciais vão e vêm sem que se saibam exatamente os motivos. A presidente nunca fala sobre eles. Mário Negromonte, por exemplo, acabou de deixar o Ministério das Cidades, mas do Palácio do Planalto não se ouviu qual a motivação: se saiu por ser incompetente, alvo de suspeita de prevaricação ou o quê. Da mesma forma, ninguém disse quais são mesmo as qualificações específicas do deputado Agnaldo Ribeiro - além de pertencer ao partido do “saído” - para assumir o comando de uma pasta com previsão orçamentária de R$ 22 bilhões para 2012. Sobre isso, o que se têm são versões anônimas e as palavras do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do vice-presidente Michel Temer dando conta da normalidade nesse tipo de ida e vinda. De fato, o entra e sai de gente no governo é absolutamente normal. Anormal, contudo, é ausência de transparência a respeito. Nesse quesito da falta de compromisso com a informação pública se inscreve com destaque e escândalo o caso recente da demissão do presidente da Casa da Moeda, o economista Luiz

Felipe Denucci. Consta que saiu por corrupção. Teria recebido propina de fornecedores em contas no exterior. Pode ser e pode não ser. O governo não se pronuncia, não esclarece afinal de contas o que se passou realmente, informando apenas a abertura de uma sindicância para investigar se houve ou não houve o “malfeito”. Mas, então, a demissão pode ter sido injusta? Não se sabe. O que há em tela até agora é um jogo de empurra, de palavra contra palavra, entre o ministro da Fazenda e o presidente do PTB, Roberto Jefferson. O ex-deputado diz que o partido apenas encampou o apadrinhamento a pedido do governo. Guido Mantega alega que não conhecia o economista e devolve a responsabilidade da indicação para o PTB, afirmando que os políticos é que pressionaram pela saída dele. A “Casa Civil” manda dizer, por via sem autoria, que alertou a Fazenda desde agosto das suspeitas sobre o presidente da Casa da Moeda. Uma história estranhíssima envolvendo uma estatal com receita de R$ 2,7 bilhões e lucro líquido de R$ 517 milhões em 2011. Enquanto isso, os partidos no Congresso discutem a conveniência ou não de convocar o ministro da Fazenda para dar explicações, com os governistas divididos entre considerar a convocação uma inadequada “politização” ou usar essa hipótese como arma de retaliação. Como se vê, tudo errado nesse episódio emblemático em que o ministro da Fazenda mostra-se sem ingerência sobre um subordinado a respeito de quem ninguém se responsabiliza, demitido não se sabe bem por quem, sob uma acusação cuja investigação ocorre depois do ato consumado. O mais esquisito que é a cena parece verossímil diante de nossas vistas já acostumadas à obscuridade, embora prestes a se depararem com a entrada em vigor de uma lei que obriga o poder público a franquear a todos o acesso à informação. Inclusive as razões pelas quais as pessoas entram e saem da equipe presidencial. É de se perguntar se o governo vai se enquadrar ou se optará pela via da ilegalidade institucional.

Dora Kramer Jornalista, escreve simultaneamente no jornal “O Estado de S.Paulo”

Mário Negromonte, por exemplo, acabou de deixar o Ministério das Cidades, mas do Palácio do Planalto não se ouviu qual a motivação


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

Orgulho de ser brasileiro Gandhi e os sete maiores nem sempre é racional males da humanidade Chegamos agora ao nível de 6ª economia do mundo e superamos assim o PIB do Reino Unido que, até o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), era a maior de todas as potências e se jactava de que o sol nunca se deitava no Império Britânico. Para o nosso ufanismo, chegar a esse 6º lugar, não poderia ser mais nutritivo, sobretudo depois de já ter sido o terreno devidamente adubado pelas bazófias do Lula que, depois de surfar nas ondas legadas pelo Plano Real, pela política econômica do governo Fernando Henrique e pela maré alta da economia mundial, num ataque de fanfarronice, passou a esnobar o FMI e a oferecer e conceder ajuda financeira a vários países, a perdoar calotes e descumprimentos de acordos internacionais, num comportamento que colocou o país na categoria de emergente e novo-rico. O marketing político do ex-presidente foi intencionalmente montado para passar ao povo brasileiro a falsa convicção de que deixamos a faixa dos países subdesenvolvidos e ingressamos definitivamente no Clube dos Oito, ou seja, passamos à condição de superpotência. Acontece que uma meia-verdade é, ao mesmo tempo, também uma meia-mentira e, portanto, nela não se pode confiar, até porque dificilmente se saberá onde termina uma e começa a outra. Que o Brasil está hoje entre as dez maiores economias do mundo, pelo volume do seu Produto Interno Bruto, é a fração verdadeira da enganosa propaganda que o governo Lula lançou nas cabeças dos brasileiros. O que, de propósito, ele deixou de propagar foi a outra fração da verdade, aquela que, ao ser omitida, transformou a primeira verdade numa desonesta e perniciosa falácia. O nó da questão está no fato de que uma coisa é desenvolvimento econômico e outra coisa é desenvolvimento social. Se os dois se combinam em sinergia, então teremos realmente uma nação desenvolvida. Se não, estaremos diante de um organismo desequilibrado, manco, em que a perna mais curta sempre será a do lado social. Faz lembrar o tempo em que o todo-poderoso ministro da economia, Delfim Neto, afirmava que a produção nacional de frangos garantia uma unidade diária para cada brasileiro. Na verdade, a grande maioria não tinha acesso sequer a um mísero pé de galinha. A miséria social que assola o povo brasileiro desmente o ufanismo da propaganda de governo. Para quem duvida, basta entrar numa fila do SUS para se convencer. Ou ainda, tomar conhecimento do vergonhoso fato recentemente apurado por credenciada instituição, segundo o qual, dentre trinta países, o Brasil ocupa o último lugar, no que se refere à transmutação de impostos recebidos, em benefícios e bem-estar sociais. As economias da União Européia e dos Estados Unidos enfrentam uma crise da qual tivemos a competência de nos livrar, é o que nos diz o nosso governo. Comparese, entretanto, o como estamos vivendo, com a qualidade de vida desses povos, mesmo com suas crises.

João Bosco Araújo Diretor-executivo do Amazonas EM TEMPO

O nó da questão está no fato de que uma coisa é desenvolvimento econômico e outra coisa é desenvolvimento social. Os dois em sinergia fazem uma nação desenvolvida”.

Não é muito saudável lembrar somente os males que infelicitam a sociedade. Essa atitude pode fazer-nos cair num pessimismo que não leva a nada. Se não estamos no mundo sonhado como o melhor de todos, também não mergulhamos no pior. Os progressos científicos e os avanços tecnológicos trouxeram um bem-estar que jamais foi gozado em todas as outras épocas da história. O próprio fato de o mal ser notícia e escândalo prova que o bem ainda prepondera. Depois dessa introdução e sem intenções de ser pessimista ou de induzir ao pessimismo, faço um desafio: em sua opinião, quais são os maiores males de nossa sociedade? As pesquisas de opinião, que andam por jornais e revistas, falam de corrupção, drogas, violência e de tantas outras coisas. Já houve pessoas que publicaram listas inteiras. Mahatma Gandhi reduzia a sete os maiores males da humanidade. Vamos ver quais seriam: uma riqueza sem trabalho, prazeres sem escrúpulo, conhecimento sem sabedoria, comércio sem moral, política sem idealismo, religião sem sacrifício, crença sem humanismo. Como toda tentativa de relacionar coisas, acontecimentos, pessoas ou mazelas, esta lista é incompleta ou pode ser discutida. Um fato, porém, é certo: Gandhi tem muita razão em colocar o dedo em algumas feridas que podem ser vistas sem óculos ou binóculos ou telescópios. A riqueza sem trabalho pode vir de herança ou de roubo ou de prêmios de loteria. Se vier de herança, em muitos casos, está nas mãos de dondocas que vivem em páginas de jornal como fúteis, nababos e inúteis à busca de publicidade. Esse tipo de riqueza pouco acrescenta à sociedade e desaparece nas próximas gerações. Se vier de roubo, é criminosa e prejudica as camadas mais sofredoras da população. Enquadra-se no que chamamos de corrupção. São ladrões soltos e dificilmente punidos em países como o nosso. Se a riqueza for fruto de sorte em loteria, poucos são os exemplos de bom uso desse dinheiro. Basta olhar o que aconteceu por aí. Prazeres sem escrúpulo são a principal causa da violência que nos apavora. Entre eles podemos enumerar a dependência química (drogas e alcoolismo), a prostituição, a pedofilia e a degradação da mulher. Conhecimento sem sabedoria é o orgulho, a vaidade, a grosseria, o pouco juízo de tantos mestres, doutores e pós-doutores que se colocam acima dos cidadãos comuns e os despreza. O comércio sem moral causa injustiças, explorações e miséria. Ao comércio sem moral acrescente-se economia e finanças sem moral. Está aí a crise atual para mostrar-lhes os efeitos. A política sem idealismo é cruel e egoísta. A religião sem sacrifício está aí como uso de Deus para enriquecer-se e até para vencer partidas de futebol. A religião autêntica consiste em reconhecer a Deus como Senhor e a nós como seus servidores. A crença sem humanismo coloca a opinião e as leis acima das pessoas. Gandhi foi um sábio e esta lista o demonstra.

Gonzalo Ulloa, do Instituto de Criminologia da Polícia Investigativa do Chile, explica porque os homens chilenos passaram a ter coragem de denunciar a agressão que sofrem das mulheres em casa.

Não estava esperando o soco no rosto, que alguém fosse me bater tão rápido. Sabe quando você ama alguém tanto e acredita que a pessoa simplesmente pode mudar? Eu tinha esperança de que ela ia mudar Peter conta à “BBC Brasil” ter sido vítima de maus-tratos físicos e emocionais pela esposa durante quase um ano. Quando decidiu chamar a polícia, não teve coragem de apresentar queixa.

RENATA LO PRETE

Por fora e por dentro

Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus

Gandhi tem muita razão em colocar o dedo em algumas feridas que podem ser vistas sem óculos ou binóculos ou telescópios. A riqueza sem trabalho pode vir de herança, de roubo”.

Frases O homem se vê mais como humano e entende que tem o mesmo direito que a mulher, o de reclamar e de fazer a queixa policial. Ele está perdendo a vergonha de denunciar os maus-tratos

Painel O resultado do julgamento do Supremo sobre os limites da atuação do Conselho Nacional de Justiça representou derrota não apenas para os adversários de Eliana Calmon em TJs país afora, mas também para os que se opõem ao trabalho da corregedoria dentro do próprio CNJ. Quem acompanha de perto o órgão desde sua instalação, em 2005, sabe que a atual composição de 15 membros - eles são renovados a cada dois anos - é a que inclui mais conselheiros refratários à simples ideia de controle externo do Judiciário. Vários chegaram ao CNJ com o propósito quase explícito de desidratá-lo. Agora, tendem a perder espaço. Mergulho Apoiadores de longa data da missão do CNJ ponderam que, uma vez vencida a batalha no Supremo, Eliana Calmon deveria moderar sua exposição e se concentrar no trabalho investigativo. “O apelo à opinião pública surtiu efeito”, observa um ministro. “Agora é hora de buscar resultados.” Em família Presidente interino da Casa da Moeda desde a demissão de Luiz Felipe Denucci, há uma semana, por suspeita de desvio de dinheiro, Carlos Roberto Oliveira tem dois irmãos trabalhando no órgão. Um deles é gerente. O outro, gravador. Em família 2 Na época em que Oliveira chefiava o Departamento de Matrizes, sua mulher foi acusada de furtar um estudo de projeto de cédulas. O órgão abriu uma sindicância e, posteriormente, uma comissão de inquérito analisou o caso. Outro lado Segundo a Casa da Moeda, a acusação foi leviana e resultou em processo administrativo contra o denunciante “pela prática de ofensa à honra”. Lenda Um cardeal petista observa: a difundida ideia de que no ministério de Lula predominavam políticos, e no de Dilma, técnicos, não encontra respaldo na realidade. Basta cotejar ex e atuais ocupantes das pastas. Colateral Onda de demissões em indústrias plásticas alarma sindicatos da Grande SP. Os cortes são atribuídos ao fim das saco-

linhas em supermercados, vigente desde 25 de janeiro. No eixo de Franco da Rocha, Caieiras e Francisco Morato foram 200 rescisões. O polo fabril tem 4.000 funcionários ligados à produção desse item. Colateral 2 O quadro é mais dramático nas empresas menores, que alegam incapacidade de quitar direitos trabalhistas diante da súbita queda nas encomendas. Apesar da perspectiva de migração para fábricas de ecobags, o complexo maquinário é o entrave às contratações. Sacolaço Na quinta-feira, sindicalistas pretendem reunir representantes do comércio e indústria em manifestação contra a medida. Cartão-postal Um mês depois de iniciada a ação policial na cracolândia, preocupa o governo paulista a migração de dependentes para o entorno do Itaquerão. A polícia usa seu QG de inteligência para sufocar o tráfico próximo ao estádio. Global Dirigentes do PSTU contabilizam atos em defesa dos moradores do Pinheirinho em 22 países. No Haiti, ativistas entregaram carta a Dilma pedindo a desapropriação do terreno. Nos EUA, o Movimento Ocuppy Wall Street aderiu à causa. Local Em São José dos Campos, o aluguel social de R$ 500 oferecido pelo governo inflacionou as locações. Cadastrados pela prefeitura não acham nenhum imóvel por menos de R$ 700.

Tiroteio Já passou da hora de o governador Jaques Wagner descer das nuvens para tomar conhecimento do que está acontecendo nas ruas de Salvador.

Sabemos sobre mais casos agora porque há melhores respostas por parte da polícia, agências e serviços voluntários e por causa de uma mudança na forma como a sociedade vê o crime

Carmel Napier, especialista em violência doméstica, relata que o número de mulheres presas por esse crime na Inglaterra e País de Gales mais do que dobrou nos últimos cinco anos.

DO DEPUTADO ACM NETO (DEM-BA), sobre as mortes e saques registrados na capital baiana na esteira da greve da Polícia Militar. O petista é usuário frequente de helicóptero, mesmo para deslocamentos dentro da cidade.

Contraponto

Dono do pedaço Enquanto aguardava para se submeter a mais uma sessão de radioterapia, Lula entrou num consultório qualquer do Sírio-Libanês, anteontem, para conversar com Miriam Belchior, hospitalizada em consequência de uma crise de hipertensão. De repente, um médico entrou na sala. Ao perceber que ali estavam o ex-presidente e a ministra do Planejamento, desculpou-se. Lula procurou tranquilizá-lo: -Tudo bem! Você ainda não deve estar sabendo, mas eu já estou atendendo aqui! Publicado simultaneamente com o jornal ‘Folha de S.Paulo’


Política

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Pesquisas alcançam apenas 1,06% da intenção de voto Pré-candidatos e partidos políticos baseiam ações no período eleitoral em análises de “consumo interno” para garantir vitória ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

CAMILA CARVALHO Equipe EM TEMPO

Elas dão o “tom” das campanhas até mesmo um ano antes das eleições e seus idealizadores garantem que representam 90% de certeza dos votos válidos nas urnas. O “peso” das pesquisas eleitorais — cada vez mais próximas dos resultados do pleito — é indiscutível pelos pré-candidatos, mas na realidade demonstram a intenção de voto de 1,06% dos eleitores. Segundo donos de empresas e institutos de pesquisas, as análises divulgadas pela mídia em geral não influenciam na condução do voto ou nas estratégias de campanha dos candidatos. O proprietário da empresa Action Pesquisas de Mercado, Afrânio Soares, informou que as pesquisas divulgadas para a população não correspondem a 1% das consultas feitas por partidos e pré-candidatos antes das eleições. “A maioria das campanhas se baseia nos resultados das pesquisas internas para avaliar as ações que estão dando certo”, disse. Segundo ele, a pesquisa divulgada aos eleitores serve apenas para informar a distribuição dos votos em vários momentos do período eleitoral, mas não chega a interferir na intenção de voto. “Existe um grupo de pessoas que adere a técnica do voto útil, que é votar em quem está na frente nas pesquisas. No entanto, esse número não é significativo ao ponto de decidir uma eleição”, garantiu o empresário. Empresas Durante as eleições de 2010 foram registradas no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) 18 pesquisas eleitorais de intenção de voto para os cargos de senador da República, governador do Estado, além de deputados federais e estaduais. Destas, seis foram realizadas pela empresa D.M. Duarte, cinco pelo instituto Ibope de Consultoria, três foram de responsabilidade da A.F. Soares Marketing e Pesquisas de Mercado, duas pela Vox Opinião, uma pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino (Ibrape) e a última pela empresa Sensus Data Ltda. Em um período de seis meses e dez dias — de 5 de março a 25 de setembro do ano passado — as empresas embolsaram R$ 1,2 milhão para avaliar a intenção de voto de 22 mil eleitores. O número de “escolhidos” para responder aos questionamentos dos institutos representa 1,06% entre os mais de 2 milhões de eleitores do Estado.

Segundo a empresa Action a pesquisa divulgada aos eleitores serve apenas para informar a distribuição dos votos em vários momentos durante o período eleitoral

Encomenda de candidatos O cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Gilson Gil, garantiu que as pesquisas influenciam na condução das campanhas eleitorais. No entanto, ele explicou que a influência não se dá pelas pesquisas divulgadas na imprensa, mas sim as de “consumo próprio” encomendadas pelos candidatos e partidos políticos no período que antecede o pleito. “As pesquisas de “consumo próprio” são realizadas a cada semana pelos partidos e candidatos majoritários. Elas são mais completas, com maiores detalhes a respeito da conjuntura política e com diversos tipos de metodologia para guiar a campanha para a

Legislação prevê o registro vitória”, explicou. Na avaliação dele, as pesquisas divulgadas pela mídia não chegam a influenciar nem mesmo a intenção de voto do eleitor e representam um recorte do período em que a análise foi feita. “Se há 30 anos as pesquisas causavam um grande abalo na opinião pública, atualmente os resultados já são aceitos mais naturalmente e não repercutem. Grande parte do eleitorado tem outras formas de decidir o seu candidato, que não é pela pesquisa ou pela divulgação de números”, disse Gilson Gil.

De acordo com o artigo 33 da lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições) as entidades e empresas devem registrar cada pesquisa eleitoral referente às eleições 2012 na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação dos resultados. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu que as pesquisas só serão consideradas válidas se forem

registradas no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), disponível no portal eletrônico do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais. Entre as informações obrigatórias prestadas ao TSE, as empresas devem informar: o contratante; o valor e a origem dos recursos; a margem de erro; o sistema de controle, verificação, conferência e fiscalização da co-

leta de dados; o questionário a ser aplicado; o nome de quem pagou pelo trabalho; o contrato social e o nome do estatístico responsável. A divulgação de pesquisa fraudulenta é considerada crime, com punição prevista pela legislação eleitoral em detenção de seis meses a um ano, além de multa que varia de R$ 53,2 mil a R$ 106,4 mil.


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Política

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Bancada federal defende o aumento de cadeiras

Cláudio Humberto COM TERESA BARROS E LEANDRO MAZZINI

www.claudiohumberto.com.br

Isso é tirar o direito de ir e vir das pessoas” SENADOR JORGE VIANA (PT-AC) sobre os preços abusivos das passagens aéreas

Ministro da Justiça de olho em licitação suspeita O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) ficou impressionado com a escandalosa licitação no Conselho Nacional de Justiça, e determinou a Polícia Federal verificar se órgãos da administração estão fazendo “adesão de ata de preço” com base no contrato da empresa NTC, parceira da multinacional Oracle que venceu a licitação. A ampliação da base de dados do CNJ, inicialmente estimada por sua Diretoria de Informática em R$ 5 milhões saltou depois para R$ 68,6 milhões. Mina de ouro A “adesão à ata de preços” permite que outros órgãos públicos contratem os mesmos serviços licitados pagando preços idênticos. Obstáculos removidos O diretor de Informática e a diretora-geral que discordaram da compra milionária foram sumariamente afastados do CNJ. Proposta obscena Dizendo representar a vencedora da licitação do CNJ, um Geraldo Tavares Jr. ofereceu dinheiro para calar um repórter da BandNews. Como avestruz Apos o escândalo da tentativa de suborno, o CNJ fez uma reunião a portas fechadas em que decidiu que a licitação havia sido “limpa”. Ilegal, ‘galego’ do Lula palpitava no governo Incansável defensor da pelegada da CUT, o espanhol José Lopez Feijoo, há muitos anos no Brasil, não fez questão da cidadania até obter uma boquinha no governo Dil-

ma, “por supuesto”. E assim desfrutou, como imigrante da Galícia, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ao lado de Delfim Netto e Abílio Diniz, convidado pelo amigão Lula, em 2007. Em 2010, foi em comitiva à Espanha natal. Sigam-me O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) agora está com seu blog no Twitter. Festeja os mais de mil seguidores em menos de dois dias. Apertando o passo O ritmo do Senado, este ano, preocupa o tucano Flexa Ribeiro (PA): “Precisamos correr no primeiro semestre. Depois, é só eleições”. Cursinho O DEM reunirá nesta segunda em São Paulo 300 précandidatos a prefeito para um “intensivão” sobre aspectos jurídicos e de marketing. Moeda podre A Casa da Moeda contratou sem licitação uma perícia de R$ 92,5 mil para avaliar o estrago do incêndio no prédio de Moedas de Medalhas em dezembro, quando já “ardia” no cargo o presidente Denucci Martins. Em campanha Do novo líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), sobre disputa ao governo da Bahia: “Sérgio Gabrielli (presidente demitido da Petrobras) é que foi obrigado a se preocupar com 2014. Ninguém vai me demitir”. Santo forte Pacientes do Sírio e Libanês frequentam a capela do hospital, dedicada a São Charbel (popular santo libanês), e rezam pelo restabelecimento

PODER SEM PUDOR

Como recuperar o juízo O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, tentava forçar o então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a suspender o aumento salarial dos deputados: - Se você colocar isso em votação, não poderei convidá-lo à festa de 1º de Maio da Força. Você ia ser mais vaiado que o Severino Cavalcanti... Chinaglia é truculento, mas não é louco: as festas de 1º de Maio da Força Sindical atraem até dois milhões de pessoas, interessados em sorteios de carros e até de apartamentos. E a discussão do reajuste foi suspensa.

Jornalista

Na próxima semana, os deputados amazonenses devem se reunir para discutir o projeto que prevê mais duas vagas ARQUIVO EM TEMPO/ARLESSON SICSÚ

da tranquilidade, quebrada desde que se tornou bunker de Lula. Upgrade O senador José Agripino (RN), presidente do DEM, mudou-se durante o recesso ao espaçoso gabinete da liderança, transferindo tudo para seu antigo gabinete. É que caiu muito o fluxo de pessoas na liderança. ‘Sua Excelência’ A Corregedoria da PF em Minas baixou a ordem: delegados devem ser tratados agora de “Vossa Excelência”, contra o Manual de Redação da Presidência da República, que não contempla tal exigência. Só no flerte Pré-candidato a prefeito de São Paulo, o presidente do PRTB, Levy Fidelix, procurou esta semana o presidente estadual do PTB, Campos Machado. Fidelix quer aliança entre dois os partidos nas eleições. O lixo do Brasil Será em março o julgamento na Inglaterra de dois britânicos e dos irmãos brasileiros Júlio e Juliano da Costa, da Worldwide Biorecycling Ltd, que exportou lixo hospitalar em contêineres ao Brasil, em 2009. Mantenha distância Recomeçou a temporada dos “alambrados disciplinadores” para a segurança das aparições de Dilma e do vice Michel Temer: a Presidência reservou R$ 294 mil para 73,5 mil metros de cercadinho. Não tem jeito Além de “Cachaçolândia”, sugere-se também “Arena 51” para denominar a área doada a Lula na região da antiga Cacolândia.

De acordo com a deputada federal Rebecca Garcia, o aumento de vagas dará mais força na casa LUANA GOMES Equipe EM TEMPO

A

articulação a respeito do aumento da bancada federal também faz parte da atuação dos deputados amazonenses em Brasília. Na próxima semana, o senador Eduardo Braga (PMDB) deve se reunir com os outros representantes do Estado para discutir o projeto. Segundo a deputada federal e também subcoordenadora do grupo político que representa o Amazonas em Brasília, Rebecca Garcia (PP), na última legislatura – na qual ela atuava no mesmo cargo de agora – este processo também esteve entre as pautas da bancada, com a realização de uma audiência pública que contou com pronunciamentos dos deputados a respeito da questão. Rebecca argumenta que há necessidade deste aumento para que a briga de votos possa ter mais força na Câmara dos Deputados, culminando na aprovação de projetos em benefícios ao Estado. “Cada um busca apoio para aumentar duas vagas no Amazonas. É

preciso que aja articulação”, ressaltou. A parlamentar esclarece que, dentre assuntos diversos, a prioridade na conversa da bancada federal a respeito da reabertura das atividades é este salto de oito para dez no número de deputados da Câmara e, consequentemente, na quantidade de membros da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). O deputado Átila Lins (PSD) detalha que, em virtude das eleições de 2010, o projeto acabou não sendo aprovado. Segundo Lins, as alterações só poderiam acontecer no ano anterior ao período eleitoral. Conforme o deputado estadual, Belarmino Lins (PMDB) – por sinal, irmão do deputado federal –, “não basta somente abraçar esta luta, tem que ter apoio da bancada federal e o fato é que só se tem notícia do silêncio”. Átila Lins declara que deve pedir à subcoordenadora, deputada Rebecca, para realizar audiência no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão no qual o procurador-geral eleitoral deverá comparecer este mês, para tratar da votação da

matéria. Em 2010, o relator da solicitação, ministro Arnaldo Versiani, foi quem elaborou a audiência para debater o assunto. O membro do PSD confessa que no primeiro ano de mandato, a bancada não esteve a frente do assunto, por conta da retomada de trabalhos legislativos, mas avalia que “agora está na hora de voltar a trabalhar na demanda”, ressaltando que o projeto será complicado, tendo em vista que a elevação do número de vagas para o Amazonas reflete na perda de outros Estados, como o Piauí. “Eles tem menos eleitores, mas uma bancada maior que a nossa”, destaca, observando que ainda é preciso fazer um intenso debate, pois todos os Estados tentarão se mobilizar para manter suas vagas. O deputado federal Francisco Praciano (PT) declara que é contrário ao projeto, justificando que o aumento não interfere na atitude do parlamento. Praciano garante que a bancada é pequena, mas é suficiente para tratar dos assuntos estaduais, só é preciso mais compromisso.

Aleam também avalia projeto De forma menos radical, o principal aliado de Praciano no Estado, deputado José Ricardo (PT), avalia que não há necessidade de aumentar as vagas na Assembleia, atualmente composta por 24 parlamentares, mas declara que defende o aumento na Câmara Federal que, consequentemente, resulta no aumento da casa legislativa amazonense. Conforme o parágrafo

segundo do artigo 20 da Constituição do Estado, a quantidade de deputados estaduais é equivalente ao triplo da representação na Câmara dos Deputados. “Acho que 24 é suficiente, se cada um se empenhasse”, assevera José Ricardo, apontando que a sua defesa a nível federal se dá por conta da população do Amazonas. O último Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística) estima que a população do Amazonas seja de 3,3 milhões de habitantes. Por conta do mesmo motivo, Belão explica que é preciso posicionar a Aleam de acordo com sua dimensão, já que a casa trata de interesses públicos, enfatizando que o Amazonas já foi um território pequeno, mas hoje é um Estado pujante, visto e ouvido em todo território nacional.


Com a palavra

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ARQUIVO EM TEMPO/MICHELL MELLO

Cláudio CASTRO

“HAITIANAS estupradas e grávidas” SHANA REIS

NÁFERSON CRUZ Equipe EM TEMPO

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O abuso sexual é feito pelos chamados “coiotes”. Além do desastre que assolou o Haiti, elas ainda têm que conviver com vários crimes. Parte das haitianas que sofreu abuso sexual estão grávidas e passam por problemas psicológicos” ARQUIVO EM TEMPO/MICHELL MELLO

m fuga para chegar até o trapézio amazônico, fronteira do Brasil com o Peru e Colômbia, alguns haitianos se tornam vítimas de espancamentos, extorsão, roubos, tráfico de órgãos e estupros, no lado peruano. Segundo o vice-presidente da Associação dos Trabalhadores Haitianos no Amazonas (Atham), Cláudio Castro, 53, a entidade que conta com o aval da embaixada haitiana em Brasília (DF), busca alternativas para que os responsáveis pelos abusos sejam punidos. De acordo com ele, há em Manaus haitianas grávidas vítimas de estupros. Na entrevista ao EM TEMPO, Castro, que há 17 anos atendeu causa semelhante na República das Filipinas, país asiático, diz que faltam programas assistenciais para ajudar os haitianos, assolados pelo terremoto - de magnitude 7 -, que devastou aquele país no dia 12 de janeiro de 2010. Apesar do Termo de Cooperação Técnica firmado por vários órgãos do Estado do Amazonas, para que os haitianos tenham apoio, Castro, pondera que ainda há muito o que fazer, para que o país não se torne “tutor de haitianos pelo resto da vida”. EM TEMPO – Na última semana o diretor da Organização Internacional dos Migrantes (OIM), Juan Artola, declarou que por trás do fluxo de haitianos para o Brasil, está montado um sofisticado esquema feito por “coiotes” (traficantes de seres humanos). O senhor confirma essa informação? Cláudio Castro – Sim, a maioria dos haitianos teve que desembolsar entre 2 a 3 mil dólares para chegar ao Brasil. Eles juntaram suas últimas economias na esperança que as coisas melhorem. No Haiti muitas pessoas estão morando na rua sem ter o que comer, os mais afetados são as crianças e os idosos. EM TEMPO – Que re-

latos os haitianos fazem ao senhor, em relação à jornada que realizam até chegar ao Brasil? Cláudio Castro – Eles passam por uma série de perigos e sofrem influências de muitas pessoas que prometem ajuda, mas não cumprem. Várias haitianas estão sendo estupradas durante o trajeto até o Brasil, a maioria dos casos acontecem no Peru. O abuso sexual é feito pelos chamados “coiotes”. Além do problema que assolou o Haiti, eles ainda têm que conviver com esse tipo de crime. Parte das haitianas que sofreu abuso sexual está grávida e passam por problemas psicológicos. EM TEMPO – De que forma a associação dos trabalhadores haitianos, outras associações e as igrejas combatem esse tipo de situação? Cláudio Castro – É lamentável, porque as pessoas já chegam abaladas psicologicamente pela perda de membros da família, bens materiais e ainda por serem violentadas, isso é repugnante. As autoridades têm que tomar posição para que esta tragédia seja revertida, não adianta abrir as portas e deixar essas pessoas sem assistência. Esse povo necessita de ajuda, eles não têm para onde ir. O que fazemos pelos haitianos é dar assistência básica, com a doação de alimentos, colchões e roupas e quando somos solicitados por consultores de empresas, garantimos emprego a eles. EM TEMPO – Para o senhor, as autoridades são morosas quanto ao abrigo dos haitianos que buscam refúgio humanitário no Brasil? Cláudio Castro – Sim. Na carta do procurador da República Anselmo Henrique Lopes, ele realça esta situação. O documento recomenda o prazo de 20 dias para que a União tome medidas efetivas quanto à falta de condições de higiene, saúde e violação dos direitos humanos, como a dignidade e o trabalho, além do efetivo respeito aos direitos que resguardam a integridade física e psicológica, além de ações para reprimir agentes

autores de eventuais abusos sexuais, tráfico de órgãos e tráfico de pessoas. Caso seja descumprida a recomendação, serão tomadas medidas cabíveis ao caso. EM TEMPO – Essa omissão é credenciada ao governo Federal, que em tese seria o responsável por cumprir tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário? Cláudio Castro – Exato. O Ministério das Relações Exteriores deveria programar, por meio de acessos diplomáticos e instrumentos de cooperação jurídica internacional, medidas efetivas a fim de que os governos estrangeiros fiscalizem seus agentes públicos com o objetivo de evitar o cometimento de delitos em detrimento dos imigrantes haitianos que se encaminham para o Brasil. EM TEMPO – Pelo menos seis mil haitianos estão no Brasil. Desse total, quantos estão no mercado de trabalho? Cláudio Castro – Mais de 10% dos seis mil haitianos no país já estão desempenhando algum tipo de função legalizada. Recebemos pelo menos dez e-mails via embaixada haitiana em Brasília (DF), de consultores parlamentares e empresários que se comoveram com a situação e oferecem todo tipo de apoio aos haitianos, o principal é o emprego. A maioria das empresas que contam com haitianos em seu quadro empregatício está satisfeitas com o desenvolvimento deles. Mas, ainda há pessoas inescrupulosas que se aproveitam da humildade dos haitianos e praticam a exploração de trabalho, pagando uma quantia irrisória para uma ampla jornada de trabalho. EM TEMPO – Em sua opinião esse tipo de assistencialismo é a forma certa de se estender a mão? Cláudio Castro – Não, sou contra o Brasil ajudar, porque precisamos de investimentos em certas áreas, mas já que as portas da fronteira foram abertas, agora vamos ter que arcar com a responsabilidade,

o que não podemos é convidar uma pessoa para entrar em casa e horas depois dizer a ela para ir embora, ou seja, dormir na rua. Isso é inaceitável. Quem não pode ajudar, por favor, não atrapalhe e não tente denegrir a imagem dessas pessoas tão sofridas. EM TEMPO – A falta de uma assistência eficaz compromete a índole desses haitianos, uma vez que eles podem ser atraídos para os diversos tipos de criminalidade? Cláudio Castro – Sem dúvida, a falta de assistência de modo urgente pode acarretar na prática de crimes, principalmente, a cooptação para o tráfico de drogas, que é a maneira ilegal de se ganhar dinheiro fácil. Para combater isso, devemos tomar decisões eficazes como um todo, o que não podemos é ficar recebendo ajuda aqui e acolá. Tem que haver um programa sério para apoiar essas pessoas com moradias decentes, saúde e emprego. EM TEMPO – Para os haitianos o Brasil equivale aos Estados Unidos para os brasileiros? Cláudio Castro – Sim, eles têm o Brasil como se fosse o “Eldorado”, devido inclusive ao momento econômico favorável a exemplo do mercado na construção civil que vem dobrando a cada ano a oferta de emprego. Sem falar nos eventos como a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. EM TEMPO – O que o senhor espera que aconteça nos próximos anos com fixação dos haitianos no país? Cláudio Castro – Não podemos ser tutores de haitianos pelo resto da vida. Temos que encontrar formas para adaptá-los à região, a exemplo do que aconteceu com os japoneses que vieram para o Brasil há oito décadas, que atualmente, conta com uma forte colônia no Amazonas. O mesmo exemplo acontece em outras regiões do país, com a chegada de estrangeiros que após se adaptarem contribuíram para o desenvolvimento da região.

Os haitianos têm o Brasil como se fosse o “Eldorado”, devido inclusive ao momento econômico favorável do Estado, a exemplo do mercado da construção civil que vem crescendo”

A maioria dos haitianos tiveram que desembolsar entre 2 a 3 mil dólares para chegar ao Brasil. Eles juntaram suas últimos economias na esperança de um futuro melhor”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012 GERALDO MAGELA AG SENADO

Corrupção pode se tornar crime hediondo no Brasil Projeto pretende estipular punições mais rígidas nas infrações cometidas por autoridades públicas que afetam o erário JOSÉ CRUZ/ABR

MEG ROCHA Equipe EM TEMPO

Penas serão asseguradas

O

projeto de lei do Senado (PLS) n° 660/2011 que transforma os crimes de corrupção, peculato e obtenção de vantagens ilícitas em hediondos passíveis de prisão temporária, inafiançável e insuscetível de graça ou anistia, tem causado divergência entre as autoridades do Poder Judiciário e a bancada amazonense no Senado. O PLS aguarda definição de relatoria da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), para receber decisão terminativa. A senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB) acredita que seja necessário consultar, amplamente, os juristas a respeito do tema, visto que, para ela, somente classificar a corrupção como crime hediondo pode vulgarizar o termo. “A matéria é delicada e exige uma análise minuciosa no âmbito jurídico, por isso, devo ouvir os profissionais competentes do Poder, porque expor uma posição prévia sobre o projeto seria um equívoco. É preciso estabelecer critérios nessa tipificação como, por exemplo, o homicídio é um ato grave, mas não necessariamente tido como hediondo”, disse. Já o senador Eduardo Braga (PMDB) analisa a matéria como uma possibilidade de proporcionar um controle maior do poder público sobre esses crimes. “Sou favorável, o Brasil precisa, cada vez mais, combater a corrupção e ter claro o comando e controle do poder público sobre esse crime, que existe desde que o mundo é mundo. Quanto mais controle tiver, melhor. Transparência e democracia são os meios para combater esse tipo de prática”, afirmou.

De acordo com o autor do PLS n° 660/2011, senador Wellington Dias (PT-PI), a proposta foi impulsionada pela necessidade de maiores punições contra ilegalidade na administração pública, de maneira a prezar pela proporcionalidade entre a conduta e as penas. “A ideia é dar um tratamento mais rigoroso às irregularidades que decorrem de cargos de natureza pública, cujos

ocupantes devem observar com maior empenho os padrões éticos de probidade e moralidade”, ressaltou. O petista enfatizou em sua justificativa que a hediondez assegura que a pena será cumprida inicialmente em regime fechado e a progressão de regime ocorrerá após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for réu primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente. REINALDO OKITA

Senador Eduardo Braga diz que o projeto poderá proporcionar melhor controle do poder público

Modificação do Código Penal Para o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), Érico Desterro, a coibição dessas infrações não está na criação de novas leis, e sim, na execução da legislação existente. “Categorizar não é a solução, nada adianta classificar os crimes com novas leis, falta é a aplicação das leis que já existem. Por isso, aumentar a pena, tipificar os delitos, são medidas que servem só para dizer que está sendo feito

algo contra os corruptos. No geral, não ocorre a punição devida às autoridades envolvidas. Penso que o caminho é a efetividade da legislação em vigor”, expôs. Por outro lado, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado Amazonas (TJAM), Rafael Romano, avalia a proposta de modificação do Código Penal como um avanço, pois para ele as ilegalidades listadas constituem-se em atos que afetam diretamen-

te a sociedade, já que, frequentemente, eles desviam os recursos públicos destinados aos diversos segmentos sociais para causa própria. Opinião, compartilhada pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OABAM), Antonio Fábio Barros de Mendonça, que vê como uma ação positiva a elaboração da lei, considerando que as referidas ilegalidades resultam em prejuízo ao erário e refletem na sociedade. A matéria pretende alterar vários artigos do Código Penal


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

economia@emtempo.com.br

Empresários apostam em serviços delivery

(92) 3090-1045

Economia B2

Indústria declara ‘guerra’ contra Apple e Blackberry Nokia e Samsung preparam as “armas” para se tornarem mais competitivas ANWAR ASSI Equipe EM TEMPO

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avanço dos aparelhos da Apple e da Blackberry no mercado brasileiro tem obrigado empresas como a Samsung e a Nokia, ambas com fábricas em Manaus, a buscar “armas” para enfrentar a concorrência. Após amargar uma queda de 31% na venda total de smartphones, que alcançou 19,6 milhões de unidades, no último trimestre de 2011, período em que a Apple vendeu 37 milhões de iPhones, a Nokia vai apostar no aumento da oferta dos produtos, principalmente, os celulares, para alavancar os negócios. Uma das apostas é o grupo de smartphones da família Nokia Lumia, com sistema operacional Windows Phone. “A plataforma do WP7 tem 90% de aprovação entre seus usuários e acreditamos que ela é bastante competitiva para superar a concorrência. Teremos para 2012 um portfólio bem amplo com soluções completas, incluindo a parceria estratégica com a Microsoſt”, afirma a diretora de comunicação da Nokia, Jô Elias, ao salientar que, apesar da concorrência, a empresa finlandesa continua sendo referência em mobilidade. Desde o lançamento do moDe um lado, indústria local busca estratégias inovadoras para se destacar no mercado

delo Lumia, equipado com sistema operacional Windows, já foi vendido um milhão de unidades. “A partir desse resultado, queremos avançar ainda mais em vendas, marketing e em sucessivas introduções de produtos necessárias para o sucesso”, afirmou o presidente executivo da empresa, Stephen Elop. Para entrar no “campo de batalha”, nos últimos dois anos, a Samsung investiu mais de US$ 8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. A empresa aposta nos aparelhos Galaxy S II, um dos mais vendidos do mundo e escolhido na Europa como o melhor smartphone do ano passado, e Galaxy Note, recém-lançado no mercado. Na parte de tablets, as fichas da Samsung estão depositadas nos atuais modelos Galaxy Tab 7, o Galaxy Tab 8.9 e o Galaxy Tab 10.1. “A Samsung aposta no portfólio variado, porque acredita que cada consumidor tem um tipo diferente de perfil e portanto necessita de um tipo diferente de aparelho. Nós acreditamos que com nosso vasto portfólio podemos atender as expectativas de qualquer consumidor”, enfatiza a multinacional, por meio da assessoria.

Apple ameaça fabricantes do PIM Para o economista Guebryan Rezende, especialista na área de tecnologia, a Samsung está em melhores condições do que a Nokia em fazer frente ao “assédio” da Apple, que vai instalar em breve uma fábrica no interior de São Paulo, com projetos de investimentos de US$ 12 bilhões, em cinco anos. No primeiro momento, a nova unidade brasileira vai produzir o iPad, o cobiçado tablet da Apple. “A Nokia hoje tem focado em outro público, que

não é o dos smartphones. Ela tem se direcionado a um público de médio porte, diferentemente da Apple e da Samsung, que buscam atingir todos os públicos, competindo entre si”, declara, ao ressaltar que os smartphones da Apple e da Samsung possuem similaridades na parte de hardware. Segundo Guebryan, a Blackberry não ameaça a Nokia e a Samsung porque as duas empresas não focam o público principal da marca norte-americana, que é o mundo corporativo.

Investimentos em inovação O investimento em pesquisa tem sido uma das “estratégias” que as empresas instaladas no país têm adotado para enfrentar a concorrência estrangeira. Elas têm buscado apoio na lei 11.196, a chamada “Lei do Bem”, que prevê incentivos fiscais para quem investir em inovação e elaborar novos projetos. Conforme a diretora de comunicação da Nokia, Jô Elias, a empresa tem se beneficiado da “Lei do Bem” para desenvolver novos modelos de telefone celular, melhorias de processos de manufatura, desenvolvimento de aplicativos,

soluções e serviços para telefonia móvel. A Samsung salienta que a aprovação por parte do Congresso Nacional da medida provisória (MP) que trata da isenção fiscal aos tablets dá mais segurança aos fabricantes sobre as regras exigidas para a desoneração. Dados do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) mostram que menos de 400 empresas brasileiras utilizam a “Lei do Bem” de incentivo à inovação. Um dos principais motivos é a falta de conhecimento da legislação por parte dos empresários.

Do outro, os novos “queridinhos” ganham ainda mais espaço no mercado nacional


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

Empresários apostam em novos serviços ‘delivery’ Atividades, que antes só poderiam ser feitas fora de casa, começam a ser adaptadas em atendimento em domicílio ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO

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ferecer atendimento personalizado e comodidade está entre as prioridades de pequenas empresas amazonenses, que capricham ao levar novos serviços até a casa do consumidor. Com atividades que vão de lavagem de carro a consultas veterinárias, o mercado delivery conquistou a clientela da capital. Se antes para lavar um carro o manauense tinha de levar o seu veículo até um posto de lavagem, hoje o lava a jato vai até a casa do consumidor. O responsável pelo serviço delivery é o comerciário Marcos Gomes, que nos finais de semana garante uma renda extra com o trabalho de limpeza ecológica de veículos. “Montei o lava a jato Eco Clean há dois meses para aumentar a minha renda e o negócio tem dado certo. Basta ligar e agendar que vou até a residência do cliente limpar o carro pelos preços de R$ 25 e R$ 50”, afirma o empreendedor, que oferece o serviço munido de produtos importados - um “trato” que vai além da lataria. No início a lista de clientes da Eco Clean era pequena, mas hoje a empresa está com

a agenda cheia. “Começamos lavando os carros de amigos e hoje, graças à divulgação do atendimento a demanda pelas nossas lavagens está em alta. São cerca de 20 lavagens em domicílio por final de semana, o que rende ao lava a jato até R$ 500”, revela Gomes. O empreendedor diz ainda que, com o aumento da demanda pela limpeza ecológica do lava a jato domiciliar, até

RENDA

500 REAIS

É o valor que o lavador de carros garante, por final de semana, com o serviço feito na casa do cliente Marcos Gomes, que começou oferecendo o serviço de lava a jato para os amigos, hoje tem agenda cheia em toda a cidade

pouco tempo realizada apenas em estacionamentos de shoppings, já contratou um ajudante. “Cada lavagem dura em média 45 minutos, então preciso de uma pessoa para me auxiliar”, destaca o microempresário, ao lembrar que a lavagem é ecológica - método que utiliza pouco menos de 600 mililitros de água com líquidos biodegradáveis.

Todo o aparato de lavanderia em casa Enquanto a Eco Clean lava carros em domicílio, a Lig Lav também faz delivery de lavagem de sofás, cadeiras, poltronas e bancos de veículos no local de escolha do

cliente. Os serviços custam a partir de R$ 80. “Atendemos de segunda a sábado e basta o agendamento para que os serviços sejam efetuados”,

Alfredo MR Lopes Petronio Augusto Pinheiro, a lição maior funda em mais duas premissas, que remetem, uma delas, a Cosme Ferreira Filho, seu mestre, patrão, depois sócio e sempre amigo, um cearense visionário, que viveu radicalmente a convicção de que é preciso conhecer e se valer da inovação tecnológica e da pesquisa científica para empreender na floresta; e a outra aos ensinamentos de Dom Bosco - onde Petrônio se formou - que se sustentam no binômio fecundo da oração e trabalho, condição primeira da realização pessoal, na priorização familiar e na determinação empresarial. Omnia vincit labor, o trabalho vence tudo, um lema de vida e manual de instrução existencial, simples e eficaz como as premissas das grandes invenções e transformações de toda a História. Essa equação eficaz e profética ele transformou em governança corporativa, moderna e arrojada, que conjuga os tempos verbais do empreender na perspectiva do partilhar, como mecanismo seguro e promissor de f azer avançar. Uma equação que descreve o legado de Petronio, companheiro amoroso de Iclé, sua referência e porto, na relação com os filhos, e vínculos de afeto com amigos e colaboradores, perseguindo a primazia da harmonia e na alegria, que lhe importava sempre assegurar, “a fim de que todos tenham vida e a tenham em abundância”, a maior lição que nos deixou...

Alfredo MR Lopes Filósofo e consultor ambiental

Uma confraria da reinvenção da Amazônia, que é preciso revisitar, compreender e tomar como parâmetro de luta e determinação”

Consultas veterinárias também estão entre os serviços requisitados. O Centro Médico Veterinário aposta na ida até o cliente para se diferenciar da concorrência em Manaus. “Só não fazemos procedimentos cirúrgicos, mas consultamos e aplicamos medicação no animal no local escolhido por quem solicita o atendimento”, afirma o veterinário Alexandre Lima. De acordo com Lima, a demanda pela consulta em domicilio, que custa R$ 100, está em alta. “Todos os dias realizamos em média três consultas direto na casa do cliente”, destaca Lima. Fortalecimento no mercado local Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

do Amazonas (Fecomercio), Roberto Tadros, o segmento de serviços se fortalece a cada ano no Estado. Ele ressalta que os serviços delivery são uma das formas que as empresas e empreendedores encontraram para fortalecer suas atividades, além de considerar a prática benéfica para a economia local. O dirigente afirmou ainda que atualmente os serviços estão mais acessíveis, pois há menos burocracia para abrir um negócio e até mesmo para aderir ao crédito para expandir o empreendedorismo. ERLON RODRIGUES

ba na genética e poética da saga nordestina na Amazônia, precisamente no Amazonas, fundamentalmente cearense, do apogeu e da débâcle do Ciclo da Borracha, ocorrida há cem anos e na persistência da semeadura de preparação de um novo tempo, mais próspero e preferencialmente mais fraterno. Petronio é a própria personificação dessa identidade, de teimosia e audácia, um verdadeiro patrimônio social e cultural que se reinventa permanentemente, se recusa à intimidação, e avança na afirmação e consciência desse modo singular de ser e proceder. Um movimento de fibra e força que emerge e se explica a partir de uma dialética de sangue, lágrimas e suor, típica da contradição e comunhão entre amor e dor, entre o flagelo da seca e as promessas de fartura, da cobiçada fortuna que a Hevea brasiliensis representou. Foram 500 mil retirantes da penúria à procura do látex, que desembarcaram na Amazônia, e a fizeram própria, definiram sua identidade, e na somatória de dois Ciclos de riqueza, mazela e explicitação, desenharam o que somos, ensaiaram o que queremos e ilustraram com a própria vida de que é capaz nossa obstinaç ão. A saga de Petronio na Amazônia, suas origens, ações, convicções, conquistas e lições, que o Memorial apenas começa a mostrar, num universo fecundo e impressionante de realizações, se

que, segundo ele, é um dos diferenciais da lavanderia, que hoje conta com seis colaboradores e faz cerca de 30 lavagens em domicílio por semana.

Veterinário em domicílio

alfredo.lopes@uol.com.br

Por iniciativa dos familiares, e apoio efetivo dos amigos, está na web o Memorial Petronio Augusto Pinheiro, um justo tributo e reconhecimento a um membro diferenciado da confraria dos guerreiros, responsável pela resistência e persistência em favor de uma Amazônia aguerrida, protagonista a um só tempo de um século de glamour e depressão. Uma confraria da reinvenção da Amazônia, que é preciso revisitar, compreender e tomar como parâmetro de luta e determinação. Por isso, o Memorial, que é digital, moderno, ousado e dinâmico, como seo Petronio. E um convite para nós todos, retirantes que somos de uma contradição visceral que importa diluir e superar. A contradição de habitar o quintal da bio-prosperidade a exibir índices tão constrangedores de desigualdade e exclusão social. Nascido no dia dois de dois de vinte e dois, Petronio encarnou “...uma conjunção binária, rara e curiosa, que sugere, de acordo com os numerólogos, uma postura visionária, refinamento de ideais, intuição apurada, atenta à revelação e à comunhão transcendental, capaz de unir vidas e propósitos, na dialética rara de partilhar e empreender”. Magia ou profecia, será exatamente isso que os visitantes do projeto multimídia, www. memorialpetroniopinheiro. com.br, vão encontrar nessa celebração da perseverança e da esperança que se estri-

completa o proprietário da Lig Lav, Geraldo Lira. O empresário afirma ainda que a empresa oferece produtos específicos para cada tipo e cor de estofamento, o

Veterinário atende na casa de até clientes, diariamente


Economia

MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

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Venda de consórcios dispara Com parcelas fixas e sem comprometer o orçamento, a modalidade ganha espaço no Amazonas pelos juros mais baixos se comparada ao financiamento. Projeção da Abac é de que o comércio dos consórcios cresça 9% neste ano

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

RICHARD RODRIGUES Equipe EM TEMPO

C

om a liberação de crédito “apertada” para financiar veículos, a comercialização de consórcios no país deve avançar até 9% neste ano. Com parcelas fixas e sem comprometer o orçamento, a modalidade tem conquistado espaço no Amazonas pelo sonho de adquirir o carro próprio sem entrar no “aperreio”, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac). Dados da entidade apontam que somente nos dez primeiros meses do ano passado, a venda de novas cotas registrou total acumulado superior a dois milhões de transações, montante 20,7% superior ao mesmo período de 2010. “Os números demonstram que o consumidor tem encontrado no consórcio uma forma inteligente de poupar”, destaca o presidente da Abac, Paulo Roberto Rossi. Ao comentar as perspectivas para o próximo ano, considerando as informações sobre eventual influência da crise internacional, Rossi mostrouse otimista. “Entendemos que o sistema de consórcios continuará crescendo. Mesmo com a perspectiva de um cenário instável, projetamos crescimento de 7% a 9% para

Negócio sem arrependimentos A funcionária pública Maria Carolina Pereira, optou pelo consórcio para conseguir o tão esperado carro. Ela alega que o consórcio foi a melhor maneira que encontrou para comprar o veículo próprio pela facilidade que a modalidade oferece. “As tarifas são mais em conta do que um financiamento e, além disso, tive várias opções da melhor maneira para pagar as parcelas. Optei pelo prazo de 72 meses, mas antes mesmo de terminar

de pagar fui contemplada e hoje já estou com o meu carro”, revela a funcionária pública que paga parcelas fixas de R$ 450 de um carro de R$ 33 mil. A nutricionista Caroline Fonseca também preferiu o consórcio para ter o carro próprio. “Foi o método mais econômico de comprar um automóvel, pois as parcelas não comprometem o meu orçamento”, ressalta ao destacar que paga uma carta de crédito de R$ 30 mil, com parcelas de R$ 586. GIOVANNA CONSENTINI

Abac orienta que para que não tem pressa de ter o carro, consórcio pode ser a melhor opção

Bancos na disputa por clientes

Caroline paga carta com parcelas mensais de R$ 586

Entre os que disputam clientes para vender consórcios estão instituições financeiras como o Bradesco e o Itaú. O Bradesco Consórcio aposta em planos de até 72 meses para atrair os consumidores que desejam pagar um carro na “valsa”. Conforme o Bradesco, o cliente que optar pelos seus

consórcios recebe uma carta de crédito para comprar um veículo, o que permite liberdade de escolha na hora de comprar o carro próprio. O banco observa, ainda, que se o consumidor fizer o consórcio de um determinado carro e mudar de ideia, não há problemas quando for contemplado.

Já o Itaú aposta no prazo de até 80 meses para garantir o sonho do consumidor. Além de poder pagar o carro a logo prazo, o consumidor que adquirir um consórcio do Itaú não tem juros e as taxas administrativas são bem mais em conta do que as cobradas em um financiamento, segundo o banco.


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Economia

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Economia até dez vezes maior com reutilização Mais de 70 empresas do parque fabril local conseguem produzir da mesma maneira, reduzindo os gastos com água

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roduzir e economizar ao mesmo tempo sem causar impactos negativos ao meio ambiente já é possível para ao menos 10% das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Só com projetos de reutilização de água essas fábricas conseguem reduzir os gastos com o líquido em até dez vezes. De acordo com dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), 73 empresas informaram à autarquia a utilização da norma ISO 14.001, que define medidas para se estabelecer um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). “Antes de aderirmos à norma, o gasto mensal de água girava em torno de 30 mil a 40 mil metros cúbicos por mês. Depois que começamos o tratamento de efluentes, passamos a reutilizar 85% de água e reduzimos esse gasto em mais de dez vezes”, revela o engenheiro de segurança do trabalho Clewdson Costa, responsável pela implementação do projeto na Technicolor,

fabricante de componentes eletrônicos do polo. A empresa atua seguindo os requisitos da norma desde 2003 e estabeleceu planos de sustentabilidade não apenas para economizar financeiramente. “Fizemos investimentos financeiros para tratar água e resíduos sólidos. Não só contabilizamos a economia com gastos ou materiais, mas com o investimento feito na preservação dos bens renováveis”, destaca o presidente regional da empresa, Wilson Périco. Consumo recua 28% Na fabricante de motocicletas Yamaha, a economia também é certa. De 2009 a 2011, o consumo de água por produto recuou 28,16%, enquanto que o gasto com energia elétrica diminuiu 13,87% entre 2010 e 2011. De acordo com o diretor da empresa no Amazonas, Genoir Pierosan, a economia energética foi possível após a realização de estudos luminotécnicos e instalação de sensores de movimento em interruptores e projetos que utilizam a luz natural para iluminação de ambientes.

JOEL ROSA

LARISSA VELOSO Especial EM TEMPO

Fabricante de componentes eletrônicos do PIM, a Technicolor consegue reaproveitar 85% da água que é utilizada na empresa

Gigantes aderem à redução de desperdícios A empresa Honda, que também fabrica veículos de duas rodas, reduziu o consumo de água de 1,21 para 0,73 metros cúbicos por motocicleta produzida, por meio do reuso em processos internos e da implantação de uma estação de tratamento, com

capacidade para tratar 2,58 mil metros cúbicos por dia. Única produtora de lavalouças em Manaus, a Whirlpool conta com a água como uma de suas matérias-primas. O reaproveitamento mensal gira em torno de 52 mil litros, o que repre-

sentou economia de mais de 585 mil litros em 2011, de acordo com o gerente-geral de manufatura da empresa, Evandro Cavalieri. Para o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, além de otimizarem os seus processos produtivos,

as empresas que buscam essa iniciativa agregam valor ambiental aos seus produtos, o que garante um diferencial no mercado, ampliando a competitividade do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) no âmbito nacional e internacional.


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Economia

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País

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México teme ameaça de perder acordo com Brasil O governo brasileiro pretendia romper o acordo automotivo com os mexicanos, mas em um telefonema reatou o diálogo

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o tomar conhecimento que o governo brasileiro pretendia romper o acordo automotivo com o México, o presidente daquele país, Felipe Calderón, telefonou no fim de semana para a presidente Dilma Rousseff. Na conversa, eles decidiram reabrir as negociações para garantir um equilíbrio maior no intercâmbio comercial não apenas de automóveis de passeios, mas também de outros produtos. Atualmente, o Brasil tem um déficit de cerca de US$ 1,17 bilhão com o México. Na próxima semana, a chanceler do México, Patricia Espinosa, e o secretário de Economia, Bruno Ferrari — responsável também pelo comércio exterior — virão a Brasília. A expectativa é que ao longo deste mês se chegue a um entendimento que dê equilíbrio à balança comercial entre os dois países. Até 2008, a balança bilateral era favorável ao Brasil, com um superávit de US$ 1,555 bilhão. “Queremos rever os termos do acordo e a expectativa é que ao longo deste mês cheguemos a um bom termo. O presidente Calderón

DIVULGAÇÃO

mostrou-se disposto a rever o acordo”, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que ao lado do chanceler Antonio Patriota acompanhou o diálogo entre Dilma e Calderón. “A expectativa é que este mês deve ser concluída a negociação. É uma reafirmação do engajamento do governo mexicano”, disse Patriota. O Brasil defende o aumento do conteúdo regional na produção dos veículos nos dois países e a ampliação do acordo, para que sejam incluídos caminhões, ônibus e utilitários, e não apenas carros de passeio. Também quer que o comércio bilateral seja expandido para o maior número de itens possível, como alimentos e químicos. “O acordo é desequilibrado, mas há um enorme interesse do México em mantêlo”, disse Pimentel. O acordo automotivo com o México está em vigor desde 2002. Com a exclusão do México do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros importados em 2011, há um déficit do lado brasileiro de US$ 1,5 bilhão somente no comércio de veículos.

O Brasil quer mais conteúdos nacionais na produção de caminhões, ônibus e utilitários e não apenas em carros de passeio

Anfavea é favorável a parceria binacional O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea), Cledorvino Belini, afirmou que a indústria nacional é favorável à manutenção do acordo entre Brasil e México em vigor desde

2002. No entanto, admitiu que haveria vantagens ao Brasil, se fossem alteradas certas condições em sua renovação. “Hoje existe um desequilíbrio na balança comercial que está preocupando o governo”, disse ele, após

se reunir com o secretárioexecutivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Para o presidente da Anfavea, por enquanto não há risco de o déficit com o México levar a um processo de demissões nas montadoras

brasileiras e a revisões nos planos de investimentos da indústria nacional. “De um lado, temos superávit com a Argentina e, do outro lado, temos déficit com o México. Já foi o contrário, são períodos cíclicos”.


País

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CIENTISTAS

ONG sugere tatu-bola para mascote da Copa de 2014 Uma ONG dedicada à preservação ambiental, apoiada por cientistas, lançou uma campanha para eleger o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) - espécie 100% nacional e ameaçada de extinção - como mascote da Copa de 2014, que acontecerá no Brasil. O animal traz no nome, não por acaso, a protagonista do futebol. Para despistar os predadores, o tatu-bola consegue se dobrar sobre o próprio corpo, formando uma esfera. Os dribles, porém, não funcionam com os muitos humanos que caçam a espé-

cie, já desaparecida de várias áreas. “A escolha mostraria ao mundo a nossa rica natureza e o compromisso com a biodiversidade, além de sensibilizar o povo brasileiro para a defesa e a proteção da nossa natureza”, diz a ONG A Caatinga, que lidera o movimento. A briga, porém, não vai ser fácil. Animais “pop”, como a onça-pintada, também estão no páreo, disputando até com personagens da literatura. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, defendeu uma consulta pública, mas já mostrou uma certa inclinação pelo saci-pererê.

AÇUCENA

Falta de seis moradores derruba incentivo federal O que muda em uma cidade de pouco mais de 10 mil habitantes quando seis pessoas resolvem morar em outro lugar? Tudo, considerando o que aconteceu em Açucena, pequeno município da região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Seis cidadãos a menos nas estimativas de população feitas pelo IBGE reduziram oficialmente o total de moradores da cidade para 10.183 pessoas, representando uma queda de R$ 160 mil mensais nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios.

Com isso, o prefeito teve que demitir os secretários de Obras, Administração, Desenvolvimento Social e Agricultura. Ele já fez cortes em programas sociais e em Saúde e Educação. Há menos funcionários na varrição de ruas e menos médicos. “Exonerei 70 funcionários e não cheguei a R$ 100 mil de economia mensal. Vou ter de administrar as secretarias via decreto”, lamenta o prefeito Ademir Siman (PT), que recorreu ao IBGE e à Justiça Federal, mas não obteve sucesso.

Os governos federal, estaduais e municipais não têm recursos, as estradas acabam ficando sem a devida manutenção

Ausência de recursos é realidade nas estradas

Rodovias seriam melhores se o valor arrecadado com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico tivesse ido para os 67 mil quilômetros de rodovias no país

A

realidade brasileira da falta de recursos para a manutenção das rodovias do país seria completamente diferente se os R$ 80 bilhões arrecadados pela Cide, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, tivessem sido de fato aplicados na manutenção de estradas, conforme determina a lei 10.336, que criou a taxa com essa finalidade. Na avaliação do professor Creso de Franco Peixoto, do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), de São Bernardo do Campo, somente um quarto desse valor foi de fato aplicado nas rodovias. “Desde que foi cria-

da (em dezembro de 2001) a Cide já coletou R$ 80 bilhões, mas apenas 25% desse total foram efetivamente pagos para obras nos 67 mil quilômetros das rodovias federais no país”, afirma o professor, que é engenheiro civil e mestre em transportes. Como os recursos disponíveis sem a Cide são poucos, observa Creso Peixoto, dificilmente os responsáveis pelas estradas brasileiras conseguem ter uma estratégia eficiente de gestão de pavimento, o que encurta a vida útil das rodovias. Do que é arrecadado pela Cide, 71% são da União e 29% dos Estados e municípios. Segun-

do ele, quando uma rodovia chega a um terço de sua vida útil, que varia de 10 a 15 anos, perdeu cerca de 10% de sua estrutura. Nessa fase, explica, o trabalho de reabilitação é mais fácil, mais viável e mais barato. Mas como os governos federal, estaduais e municipais não têm recursos, as estradas acabam ficando sem a devida manutenção. “A gestão não consegue usar técnicas de gerência de pavimentação porque os recursos são parcos, não são suficientes para garantir o bom rodar nas estradas do Brasil inteiro. Daí a tendência de deixar a manutenção para longos períodos de tempo. E remediar a

situação com operações tapaburaco”, explica. De outro lado, lembra Creso, as rodovias concessionadas, principalmente em São Paulo, tiveram os pedágios corrigidos de 20 anos, como previam os contratos iniciais, para mais de 28 anos. Esse período, na sua avaliação, é “muito longo” porque os pedágios são corrigidos pelo IGP-M e acabam com preços muito altos. “Faltam recursos para as rodovias públicas, mas a taxa da Cide não é repassada para seu devido fim. E as rodovias concessionadas têm pedágios cada vez mais caros. Essa disparidade interfere diretamente na superfície rodante”, explica.


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Mundo

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Genética explica vícios

SAÚDE

Estudo feito por pesquisadores britânicos concluiu que casos de dependência química tendem a ser comuns na mesma família, cuja história indica um risco de consumir tipos diferentes de produtos

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ue os cérebros de viciados em drogas são diferentes daqueles de pessoas saudáveis já se sabia, mas uma nova pesquisa resolveu o principal dilema que prejudicava o entendimento da questão - as anormalidades cerebrais são preexistentes ou surgem devido ao consumo de droga por longos períodos? O estudo feito por pesquisadores britânicos concluiu pela primeira alternativa, o que ajuda a explicar por que casos de dependência química tendem a ser comuns na mesma família. “Drogas estimulantes como a cocaína são altamente viciantes, mas nem todos os que usam a droga se tornam dependentes. Os dados indicam que menos de 20% das pessoas que experimentam cocaína vão se tornar dependentes dela em um prazo de dez anos”, declara Karen Ersche, da Universidade de Cambridge, Reino Unido. Ela lembra que a história familiar indica um risco genético de adquirir um vício em droga. Por isso os pesquisadores, que publicaram seus resultados na revista “Science”, testaram 50 pares de irmãos que incluíam um viciado e outro sem vícios. Como grupo-controle, foram analisados 50 outros voluntários com idades e quociente de inteligência semelhantes.

DIVULGAÇÃO

O resultado deixou claro que os pares de irmãos tinham certas características anormais no cérebro que os distinguiam do grupo-controle. Imagens de ressonância magnética do cérebro revelaram alterações na substância branca dos pares de irmãos em comparação aos voluntários saudáveis. O tamanho de estruturas cerebrais ligadas ao controle de impulsos estava modificado nos dependentes e em seus irmãos. Todos os participantes fizeram um teste tradicional para checar a capacidade de controlar impulsos. A pessoa tem de repetir uma ação e parar assim que ouvir um som. O resultado era previsível: os irmãos se saíram pior no teste. As drogas estimulantes agem reforçando esse comportamento, pois afetam diretamente sistemas cerebrais ligados a motivações, além de modularem sistemas de controle em regiões como o córtex pré-frontal. O mal funcionamento desses circuitos pode facilitar o desenvolvimento de dependência química, afirmam Ersche e colegas. A grande dúvida ainda é por que um irmão desenvolve o vício e outro não. Os irmãos participantes do estudo têm idade média de 33 anos, o suficiente para terem sido expostos a drogas.

Dados indicam que menos de 20% das pessoas que experimentam cocaína se tornam dependentes

A ajuda para superar o risco O próximo passo da pesquisa, segundo Ersche, é explorar os motivos pelos quais os não viciados conseguiram superar o risco de se tornar dependentes. Isso ajudaria médicos a traçar estratégias para evitar o vício e servir de guia para a reorientação de de-

pendentes. O perfil de anormalidades cerebrais lembra as mudanças na estrutura do cérebro que ocorrem normalmente na adolescência, com os sistemas pré-frontais demorando mais para amadurecer. Esse descompasso no desenvolvimento do ór-

gão, lembram os pesquisadores, criaria um desequilíbrio entre os sistemas de controle e de recompensa, “que predisporia os adolescentes à busca de sensações e comportamento impulsivo, tornando-os potencialmente vulneráveis a consumir drogas”.

Boa parte do mundo usa drogas O consumo de drogas ilegais é tanto uma questão de saúde pública como de polícia, mas é essa ilegalidade que torna difícil ter estimativas precisas do impacto do problema, segundo análise publicada no “Lancet”. Isso fica claro nas estatísticas do trabalho: o mundo teria entre 149 milhões e 271 milhões de usuários de drogas, ou algo entre 2,8% e 4,5% da população. São entre 125 milhões e 203 milhões de usuários de maconha e haxixe; entre 15 e 39 milhões de usuários de opióides, anfetaminas ou cocaína; e entre 11 e 21 milhões de usuários de drogas injetáveis. O maior índice de consumo de drogas ilegais está nos países mais ricos ou próximos a áreas de produção de droga - rota do tráfico e próximo de países produtores como Colômbia e Bolívia. As estatísticas nos países pobres são menos confiáveis. Apesar do seu uso mais intenso, maconha e haxixe não aumentam a mortalidade, pois não existem casos de overdose da doença. Mas o consumo de Cannabis está ligado ao aumento de doenças mentais como psicoses. Já o uso de opióides causa overdoses fatais além de disseminar HIV, hepatites C e B, algo que também acontece com os que usam cocaína ou anfetaminas.


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041 41

JOEL ROSA

Cada vez mais cedo na universidade Dia a Dia C6

Dormir, só

se for na rede

Mesmo com a modernidade das camas, muitas pessoas ainda associam uma boa noite de sono à rede atada em casa MÔNICA FIGUEIREDO Equipe EM TEMPO

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ormir em rede é um costume antigo, herdado dos índios que já mantinham o hábito antes mesmo de Pedro Álvares Cabral desvendar o Brasil, há mais de 510 anos. Originalmente chamada de “ini”, o objeto foi batizado de “rede de dormir” pelo escrivão da frota de Cabral, Pedro Vaz Caminha, que ao ter o primeiro contato achou semelhanças com a rede de pescar. E hoje, mesmo passados mais de cinco séculos, muita gente ainda mantém o hábito. Em Manaus, há quem prefira o embalo de uma boa rede do que o conforto de uma moderna cama. Algumas pessoas não limitam o uso da rede ao pouco tempo da sesta (descanso após o almoço), ou ao lazer dos fins de semana no sítio e nas varandas de casa, por exemplo. Elas usam a rede para substituir suas camas, por não

PREFERÊNCIA

O costume de se embalar ultrapassa a hora da sesta ou a hora de descanso na varanda. Amazonenses aderem à rede durante a noite toda e dizem não trocá-la por nenhuma cama se sentirem confortáveis e não conseguirem dormir. Aos 60 anos, a aposentada Marilene Soares disse que, desde jovem, dorme em rede mesmo tendo uma cama em seu quarto. “Dizem que o certo é a gente dormir de peito para cima, mas eu não consigo e acordo com dores no corpo quando não durmo na rede”, justifica. Para ela, uma boa noite de sono é no embalo da rede. Os armadores estão no quintal da casa e no quarto da aposentada. “Às vezes, quando está

ventando, eu armo a rede lá no quintal e fico me embalando. À noite, ligo o ar-condicionado e durmo na rede. Cama para mim, só de enfeite”. Aos 58 anos, a aposentada Graça Tavares diz que nunca ficou sem uma rede em casa e que o seu costume passou para filhos e netos. Segundo ela, quando eles chegam à sua casa procuram logo a rede para se embalar. É nela que Graça faz o neto mais novo pegar no sono. “Meu filho também tem uma rede no quarto dele. Já dormi tanto em rede nessa vida. Pego os travesseiros coloco um embaixo da cabeça e outra debaixo das pernas para ficar confortável e fico me embalando”, diz. Segundo Graça Tavares, algumas noites ela dorme na rede e, durante a madrugada, passa para a cama. “Mas não consigo e volto para rede. É nela que eu fico vendo televisão de forma mais confortável”, conclui.

Dores nas costas é um mito Para o sociólogo Pedro Rapozzo, quando se trata da constituição das sociedades amazônicas, observa-se que o ato de dormir nas redes reflete, entre outros aspectos, uma condição social formada historicamente pelo passado rural, sobretudo marcado pelas sociedades ameríndias que possuíam na rede um hábito de dormir ou descansar bem antes da colonização portuguesa. “Podemos talvez imaginar que o ato de dormir em rede também pode ser pensado como um fenômeno de resistência aos hábitos impostos pela sociedade ocidental europeia no momento da colonização”, comenta. Por se virar muito na cama e incomodar a mulher, o aposen-

tado José Clemente, 75, diz que prefere dormir na rede. “Isso já é um hábito. E não é só dormir à noite. Às vezes, eu termino de almoçar e vou para a rede. Minha mulher também gosta, mas para passar a noite toda dormindo, só eu”. De acordo com o médico ortopedista Frederico Veiga, a afirmação de que dormir em rede prejudica a saúde é um mito. Ele afirma que o amazonense, que já está acostumado, não tem a coluna afetada. O especialista esclarece, porém, que as pessoas que já apresentam algum problema na coluna devem ter cuidado. “Nesses casos, dormir em rede não é recomendado, pois ela pode agravar o problema. As indústrias de colchões também jogam pesado na mída e levam à compra de colchões que nem sempre resolvem o problema”. HUDSON FONSECA

Graça diz que o hábito de dormir em rede já foi herdado por filhos e netos. É nela que ela sempre faz, de forma aconchegante, o neto mais novo dormir

Como única forma de dormir “(...) Independentemente de onde estivermos situados, o fenômeno, ou o fato de dormir em rede pode ser pensado como uma representação de nossos hábitos culturais constituídos socialmente ao longo da história de nossa formação, o que caracteriza generalizadamente um “costume” bastante observável em nossas sociedades amazônicas, o que levou a uma identificação maior e visivelmente aceita, sobretudo entre grupos sociais rurais. Mas isso não pode ser tomado como uma verdade já que no mundo urbano, dormir na rede também configura outras condições para além do hábito constituído. A rede também se traduz, na maioria das vezes, como o único meio de dormir entre as famílias que não possuem condições econômicas de adquirir, por exemplo, uma cama. Se esse hábito tem ultrapassado décadas, pode explicar como carregamos os elementos que refletem na linguagem, na alimentação e em outras representações culturais”. *Sociólogo Pedro Rapozzo


Dia a dia

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FOTOS: JOEL ROSA

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Prisão para o ‘flanelinha’ que extorquir motoristas Proposta de deputado do Mato Grosso do Sul visa punir “guardador de carro” que cobrar ou constranger “clientes” IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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ão adianta tentar disfarçar, correr ou fingir-se de bêbado. Sempre haverá alguém para acompanhá-lo até o veículo para dar dicas de manobras e, de quebra, abocanhar uma gorjeta. Na tentativa de evitar constrangimentos ou mesmo extorsões, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei (PL) que visa criminalizar a conduta dos “flanelinhas”, responsáveis em “reparar” os carros estacionados em vias públicas. De autoria do deputado Fábio Trad (PMDBMS), o projeto atribui pena de 1 a 4 anos de detenção para o “guardador de carros” que extorquir ou constranger o condutor do veículo. As penas podem dobrar se ocorrer qualquer dano aos veículos, em virtude do não consentimento do proprietário. Para os motoristas entrevistados, a lei poderia auxiliar a evitar possíveis desconfortos. “Já me senti constrangi-

do. Alguns impõem preço e não dá para pagar toda vez que estaciono o carro. Pago quando posso, mas tem uns que além de cobrar, ainda tabelam o valor e querem de R$ 5 para cima. Por isso, prefiro estacionar onde já conheço”, afirma o profissional liberal Rubens Cavalcante. Já o comunicador visual Abrahão Melo diz que a classe precisa se organizar. “Acho que deveria ter uma organização, administrado por empresa privada. Com isso, evitaria constrangimentos e danos. Não são todos os “flanelinhas” que são gente boa. Tem uns que se você não pagar ou repassar uma quantia baixa eles xingam a gente”, diz. O universitário Eduardo Pontes discorda da falta de organização da categoria, sendo que muitos entregam ao “cliente” fichas com o valor do estacionamento. “Fui para uma casa de forró e tive que deixar o carro longe do local da festa. Quando saí do carro, uma senhora me deu um papel escrito à caneta com o valor anotado”.

Além de “reparar” os veículos, alguns “flanelinhas” incrementam o trabalho e também oferecem o serviço de lavagem de carro

‘Guardadores’ dizem concordar com medida

Para “noturnos”, cobrar é certo

Do lado de fora do veículo, entre os “flanelinhas” entrevistados, nenhum reconheceu realizar a cobrança pelo serviço prestado. “Acho esse projeto até bom, porque tem muito “flanelinha” que gosta de cobrar taxa para guardar. Eu nunca cobrei, se a pessoa dá, tudo bem. Não é obrigado”, disse o guardador Antônio da Silva, que há cinco meses trocou as vendas de água e refrigerante para guardar carros no Centro. Por outro lado, os guardadores dizem acreditar que somente a organização da

Quando o assunto passa para os guardadores noturnos, que cuidam dos veículos, principalmente próximo às festas, a ideia muda. “Se o guardador tiver um terreno, ele tem que cobrar sim. Caso contrário, ele não tira nem o aluguel do espaço. Fora que ainda tem que enfrentar bêbado, que gasta tudo com bebida e ainda dá o cano no guardador. Mas na rua, não acho certo cobrar”, desabafa Anderson. O pintor profissional

categoria pode evitar esse tipo de constrangimento. “Acho que deveria ter uma organização melhor, distribuir fardamento, fazer uma coisa certa. Não acho correto cobrar pelo serviço, não temos esse direito. As pessoas dão o que quiserem”, disse o guardador Anderson Nascimento, que há 16 anos cuida dos veículos na avenida Eduardo Ribeiro, Centro. Com o serviço, Anderson chega a faturar uma média de R$ 800 mensais, que sustentam uma família de cinco pessoas. Ele afirma que tem

apreço pelo que faz e não pensa em deixar o posto. “O lado bom daqui é que você faz o seu horário. Eu ainda incremento o orçamento com a venda de acessórios para carro”, relata. Nascimento aposta que o trabalho informal traz mais retorno financeiro. “Está vendo aquele vendedor ali? (aponta para um funcionário de uma loja de calçados). Ele deve ganhar uma média de R$ 700 por mês. Eu tiro isso em quatro dias, reparando os carros e com a venda de produtos”, justifica. Segundo

ele, o faturamento chega a aumentar 20% nas datas comemorativas, como Dia das Mães, Natal e Ano Novo. O guardador Paulo Júnior Colares, que trabalha há 18 anos na avenida Eduardo Ribeiro, disse já ter conquistadou muitos clientes. “Nunca cobrei nada. E já tem muita gente que nos procura e confia no serviço. Aqui é bom porque você é seu próprio chefe, mas em compensação, tem de aguentar o sol quente e uns xingamentos, de vez em quando”, afirma Paulo Júnior.

Manoel de Souza, 56, que há 17 anos complementa a renda de casa “reparando” os carros dos convidados de uma casa de festas na Compensa, Zona Oeste, se posiciona contra os guardadores que taxam a “reparada”. “Eu distribuo uma senha para que as pessoas tenham a segurança que eu estou guardando o carro, mas não cobro nada. Os clientes que me conhecem, confiam no meu trabalho e dão gorjeta”, esclarece Manoel.


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Uso de arma não letal por cidadão comum é defendido Projeto de lei apoia a compra desse tipo de armamento para defesa pessoal e não exige treinamento do comprador

DIEGO JANATÃ/FREE LANCER

NÁDUA MOURA Equipe EM TEMPO

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iante do alto índice de violência nas capitais brasileiras, a população poderá ganhar, em breve, uma alternativa de proteção pessoal: o uso de armas não letais. Está em análise na Câmara Federal, o projeto de lei (PL) 2.801/11 que, caso seja aprovado, permitirá também ao cidadão comum o uso desse tipo de armamento. Atualmente, o artifício é utilizado apenas pela polícia. A proposta consiste na lilberação do uso da arma Taser M26, que funciona na incapacitação neuromuscular. Ela funciona com um dispositivo dotado de energia autônoma que ao entrar em contato ou ao efetuar disparo de projétil, por mais leve que seja, faz com que uma pessoa perca o controle neuromuscular por alguns segundos, deixando-a totalmente imobilizada, conforme explicações do comandante do 1º Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado do Amazonas, major Antônio Júnior de Souza Brandão. De acordo com ele, o uso desse tipo de armamento pode ser liberado para a população desde que sejam obedecidos critérios como a análise de comportamento das pessoas que solicitarem o porte da arma. O manuseio feito de forma incorreta pode causar acidentes relacionados à perda no controle muscular, garante ele. “As pessoas podem usar para defesa pessoal, mas se houver excessos, podemos

ter graves problemas com a liberação desse uso. Entre as consequências estão os traumas físicos, que podem levar à morte durante a queda da pessoa que perdeu o controle muscular ao receber a descarga elétrica”, esclarece. Mesmo com o benefício da defesa pessoal, Brandão ressalta a consciência de que, mesmo com uma arma dessas, ninguém está salvo da ação de bandidos, por isso a arma não letal só deve ser usada em situações que a pessoa possa surpreender em uma ação e nunca, servir para uma reação. A proposta será analisada pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votada em plenário. Cuidados com os cardíacos Por ser um mecanismo de defesa, a Taser M26 dificilmente não será associada ao trânsito. Em discussões entre motoristas, porém, o uso incorreto pode representar riscos maiores aos portadores de problemas cardíacos. De acordo com o cardiologista Mariano Brasil, as descargas podem causar arritmias cardíacas. Em pessoas com diagnóstico de cardiopatia, uma descarga da Taser M26 pode resultar em sequelas irreparáveis, podendo levar à morte. “O uso descontrolado dessas armas pode torná-las letais, principalmente se o alvo for uma pessoa com esse tipo de problemas cardíacos”, explica.

Se houver excessos podemos ter graves problemas com essa liberação. Entre eles estão os traumatismo físicos que levam à morte

Expedição não será cobrada De acordo com o projeto de lei, o registro das armas de incapacitação neuromuscular será obrigatório, mas não será cobrada taxa para a expedição e a renovação do documento. Para obter o

Antônio Brandão, do 1º Batalhão de Choque

registro, o cidadão não terá de comprovar capacidade técnica, nem aptidão psicológica, requisitos exigidos para que seja concedido o registro de arma de fogo. O interessado em obter uma arma não letal deverá ter idade míni-

Ao tocar na pele, a Taser M26 faz com que a pessoa perca o todo o controle neuromuscular

Medida aprovada Nas ruas de Manaus, a população se mostrou favorável à proposta, principalmente por se tratar de um mecanismo de defesa pessoal, no momento em que ações de bandidos assustam os cidadãos. Para a enfermeira Maria Fernanda Almeida, 34, é uma alternativa para ‘armar’ a população, com um equipamento que poderá intimidar

a ação dos bandidos. “Acredito que assim nós poderemos andar mais tranquilos na rua, pois depois de um assalto, quando o bandido virar de costas, podemos surpreendê-lo”. Para o motorista de transporte coletivo, Antonio Rocha da Silveira, 38, vítima de três assaltos durante o trabalho, a liberação da arma poderá ajudar a in-

terceptar a fuga de assaltantes. “Já que não podemos ter armas de fogo, acho que a população pode ter algum tipo de mecanismo para intimidar os bandidos que se sentem cada vez mais à vontade para atuar no crime”.

ma de 18 anos e comprovar idoneidade, ocupação lícita e residência fixa. Para o deputado Luiz Argolo (PP-BA), os requisitos vão ajudar a impedir a compra de armas por pessoas com antecedentes criminais ou que tenham pendências com a Justiça.


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FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

A ajuda vem do vizinho Enquanto discussões sobre possíveis repasses para auxiliar na manutenção e reerguimento da vida de haitianos no Amazonas é discutida por governantes, população, na maioria carente, tem “arregaçado as mangas” e ajudado imigirantes como pode NÁFERSON CRUZ Equipe EM TEMPO

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amílias de baixa renda expressam compaixão na ajuda aos imigrantes haitianos. De acordo com igrejas católicas e evangélicas, além de organizações não governamentais (ONGs), que prestam assistências aos recém-chegados, a maior parte das doações vêm de famílias carentes e não do poder público. Segundo o vice-presidente da Associação dos Haitianos no Amazonas (Atham), Cláudio Castro, 53, as entidades não têm como arcar com essas responsabilidades pelo resto da vida. “Quem deveria promover assistência é o governo federal, que abriu as portas da fronteira para a entrada dos haitianos no Brasil. O povo brasileiro tem seus problemas para resolver, mas foi o governo brasileiro que os convidou para entrar em nossa casa. O que não podemos é deixar essas pessoas dormirem nas ruas e passarem fome”, argumenta. Castro ressalta que há precariedade na alimentação, na higiene, saúde, no tratamento médico e , ainda, há violação de outros direitos humanos como a dignidade e o trabalho. Embora, o Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome tenha anunciado o repasse de R$ 900 mil aos Estados do Amazonas e Acre para a elaboração de programas de assistência aos imigrantes haitianos, um dos coordenadores da organização ONG “Ame Haiti”, Manoel Almeida ressalta que, enquanto o governo federal teoriza sobre fazer algo em prol dos haitianos, a sociedade organizada tem apoiado a causa há mais de um ano. Os recursos foram calculados com base no número de haitianos que cada Estado recebeu. O Amazonas,

que tem 4,6 mil haitianos, vai receber R$ 540 mil. Já o Acre, com o registro de 1,4 mil imigrantes ficará com R$ 360 mil. “É isso que o governo pode fazer por essas pessoas? E ainda temos que dividir esse mínimo de recurso com o Acre, que já recebeu mais incentivo”, diz Almeida, ao se referir a verba de R$ 1,3 milhão, repassada no dia 19 de janeiro deste ano pelo Ministério da Saúde ao Acre. “A esfera federal só apoiou a causa devido a pressão da sociedade. Cadê os governos e os grandes empresários?”, completa Manoel, que também é líder estudantil. Para amenizar no atendi-

Dominguinhos doou dois quartos

Stênio (de camisa branca) coordena a ONG Ame Haiti e se esforça para auxiliar os haitianos

MOBILIZAÇÃO

Pastorais e ONGs pedem auxílio de governantes para lidar com a situação precária com que os imigrantes haitianos têm chegado ao Brasil. Eles dizem não ter condições de ajudá-los para sempre mento aos haitianos, um grupo de 20 pessoas ligadas às diversas áreas sociais está sendo capacitado. O curso é ministrado no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), na avenida Boulevard Álvaro Maia, Praça 14 de Janeiro, Zona Centro-Sul. De acordo com Stênio Maciel, 27, que coordena o projeto, desde agosto de 2011 quando o “Ame Haiti” foi criado, mais de 2 mil haitianos foram atendidos com doações de famílias carentes. Maciel enfatiza a falta de apoio dos órgãos públicos. “Agradecemos à sociedade, às pessoas que tem se dedicado a essa causa”, conclui Stênio. Na sexta-feira (3), mais 300 haitianos chegaram a Manaus.

Imigrantes recebem ajuda, na maioria das vezes, de vizinhos e pessoas carentes sensibilizadas

O pastor Ozias Miguel, do Ministério Apostólico Fonte de Vida, São José Operário 2, Zona Leste, também se sensibilizou com o problema. Ele dedica parte de seu tempo na ajuda aos haitianos, atuando no repasse de alimentos doados pelos membros de seu ministério e na procura por abrigos. Foi na rua Terra Nova, no bairro São José Operário 2, Zona Leste, que Miguel teve a colaboração do amigo Domingos das Dores de Souza, 53, o “Dominguinhos”, proprietário de uma estância. Domingos diz que preparava os quartos para alugar, a fim de garantir uma renda a mais no bolso, contudo, ao se deparar com a situação, cedeu dois quartos. “Já tinha até recebido propostas de aluguel, mas pensei que eles, além de terem perdido familiares, estão aqui tentando se recuperar”. Em uma das dependências da estância, está o haitiano Edmund Dantas, 25, que hoje atua no setor de produção de uma empresa no Distrito Industrial. Ele revelou que metade do salário que recebe, de R$ 640, encaminha à família no Haiti. Emocionado, ele lembrou da mãe, que morreu na tragédia. “Ela foi uma boa mãe”, diz.


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Universidade com calouros cada vez mais ‘meninos’

Nova fase tem sido encarada por adolescentes de 16 anos. Acompanhamento dos pais é fundamental para adaptação JOEL ROSA

WILLIAM GASPAR Especial EM TEMPO

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ocados na necessidade de formação superior para obter melhor colocação no mercado de trabalho, estudantes têm ingressado cada vez mais cedo nas universidades da capital amazonense. Com 15 ou 16 anos e com saída recente do ensino médio, muitos dos novos universitários enfrentam dificuldades de adaptação e entrosamento na nova fase, assumida tão precocemente. Fernanda Costa, de 16 anos, é uma das estudantes que cedo terão de encarar o ambiente acadêmico. Aprovada no curso de ciências naturais da Ufam neste ano, Fernanda conquistou uma vaga por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), logo na sua primeira tentativa. “Hoje em dia tudo tem começado mais cedo. Como eu me alfabetizei an-

OPOSTOS

Enquanto os pais dos adolescentes aprovados no vestibular comemoram vaga conquistada, calouros admitem que o “novo” que será encontrado na faculdade assusta tes, acabei entrando na faculdade assim que realizei meu primeiro vestibular”, explica a acadêmica, que aos 4 anos já estava alfabetizada Natural de Belém (PA), ela vai se mudar para Manaus a fim de concluir seu curso e dedicar-se integralmente à faculdade. “Tenho certeza que vou me sair bem nessa nova fase. Pretendo, após concluir o curso, me especializar em uma área, realizar um estágio fora e ingressar no mercado de trabalho”, adianta. Jonathan Brasil é outro exemplo de jovens que vão entrar cedo na universidade. Também com 16 anos, ele foi aprovado para o curso de engenharia civil da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). “Sempre me foquei nos estudos e sou muito curioso em tudo o que faço. Ser aprovado tão cedo na universidade sempre foi uma das minhas metas”, revela o calouro. Para Jonathan, a nova fase

educacional representa vitória e felicidade. “Com certeza estou muito contente por essa conquista tão rápida, mas tenho medo do que vou encontrar. Muitos professores contam que na faculdade o nível de estudo é muito maior”, desabafa. Mas o calouro de engenharia impressiona desde pequeno. De acordo com sua mãe, a nutricionista Nádia Brasil, ainda quando criança, o garoto surpreendeu a todos na escola em que estudava ao ler mais de 66 livros em apenas um ano. “Quando ele era pequeno, ganhou até um prêmio. Em vez de brincar, ele se trancava na biblioteca do colégio e “devorava” os livros”, lembra. Para o pró-reitor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Francisco de Melo, a criação de novos cursos e o aumento do número de vagas são razões para que os alunos cheguem cada vez mais cedo às universidades. “Mas em outros cursos, os mais competitivos, eles entram mais tardiamente”, explica. Outro fator importante citado por Melo é o Processo Seletivo Contínuo (PSC) feito pela Ufam. O sistema consiste em três provas realizadas durante o ensino médio. Nelas, é possível acumular pontos mínimos para que uma vaga seja conquistada. “O PSC é um dos principais responsáveis por toda a juventude cada vez mais presente nas instituições de nível superior”, disse. Nova geração Em tempos de tecnologia, a internet tornou muito mais rápidas a transmissão e disseminação de informações entre todos, o que tem estimulado cada vez mais a juventude na busca pelo co-

nhecimento, que é cada vez mais apurada. Segundo a professora universitária Jônia Quédma, muitas vezes a rotina não ocupa todo o tempo da nova geração de estudantes e eles buscam no estudo uma forma de libertação e ocupação. Jônia explica que esses jovens são imediatistas e têm dificuldades para esperar por tudo. Da mesma forma, que sentem a necessidade da novidade, tendo a universidade como principal foco. “Hoje se cria muito cedo uma necessidade impressionante pelo saber”, justifica a a professora universitária Jônia Quédma.

Jonathan vai entrar na faculdade com 16 anos

Pais devem orientar Entrar mais cedo em um curso superior exige maturidade para planejar a carreira e a escolha do curso. De acordo com a psicóloga Ednéia Leda, muitas das vezes os jovens não estão preparados para tomar esse tipo de decisão, que deve ser sempre acompanhada e

orientada pelos pais. “Sendo ainda muito cedo para decidirem sozinhos sobre esse tipo de questão, os candidatos têm de ser orientados pelos responsáveis sempre”, explica. Para Leda, no aspecto educacional, a imaturidade também é constante. “Ao sair do ensino médio, que muitas vezes é deficiente, os alunos não adquiriram a postura que lhes é exigida em uma universidade”, conclui a psicóloga.


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Ecologicamente corretos até na hora de construir A fim de reduzir a emissão de gases poluentes, pessoas já erguem construções tendo em vista o meio ambiente

ARQUIVO PESSOAL.

LUCAS PRATA Equipe EM TEMPO

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preocupação com o meio ambiente tem despertado o interesse de pessoas para a criação de espaços sustentáveis. As técnicas de bioconstrução e permacultura já são usadas em Manaus, a fim de reduzir a emissão de poluentes e levar a sociedade a conhecer ideias de preservação do meio ambiente. Buscando reduzir impactos ambientais, empresas da construção civil têm investido na chamada responsabilidade ambiental. Muitas têm usado, inclusive, a técnica da bioconstrução, uma modalidade da arquitetura e da construção que tem como objetivo reunir tecnologias milenares às atuais e aproveitar recursos naturais para a criação de ambientes ecológicos, tudo utilizando matéria-prima com menos poluentes. O turismólogo Orlando Rivero, especialista em permacultura, divulga há cinco anos os conceitos da bioconstrução. Ele comenta que, em Manaus, o conceito sempre existiu, mas nunca foi tão divulgado. “A proposta da bioconstrução é trabalhar a favor

da vida usando materiais menos poluentes e encontrados no próprio ambiente. Tudo para reduzir gastos, principalmente com transporte, contribuindo então, para a diminuição da quantidade de calor. A bioconstrução é um ramo da permacultura. Os dois interagem com o que está em nossa volta. Na visão dessas ideias o que existe é a falta de perspectiva para um destino sustentável”, explica. Segundo Rivero, qualquer pessoa pode ter iniciativas que poluam menos o meio ambiente. “A partir do momento que o assunto for mais divulgado, as pessoas vão começar a criar coisas com o que elas têm no espaço em que vivem como, por exemplo, construir um fogão de barro com os pneus velhos do carro juntando barro e garrafas de vidro. Basta ter ideias e botar a mão “na massa”, comenta. Orlando ministrou um curso sobre bioconstrução, no último dia 28, para moradores da vila de Paricatuba, no município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus). Na ocasião, ele construiu uma cozinha de sete metros quadrados utilizando garrafas de vidro, garrafas PET, pneus usados e barro.

Rivero utiliza métodos menos poluentes e repassa a outros

Fogão de barro é um exemplo de ideia favorável ao ambiente

É preciso incentivar iniciativas empresariais De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), Werner Albuquerque, os empresários esbarram nos custos. Os profissionais até empregam essas questões nos projetos,

mas muitas vezes, os clientes descartam por serem mais caros. Como não existe obrigatoriedade na legislação de construção civil, eles não podem obrigar. “Na verdade, muito se fala e pouco se faz. As soluções

existem, mas pessoas nunca priorizam a questão ambiental e preferem coisas mais baratas. O governo precisa verdadeiramente incentivar a questão energética que, comprovadamente, é altamente poluente. Existem

muitas formas de gerar energia. Devia haver reais incentivos de eficiência energética e a criação de estações de tratamento de esgotos para amenizar a degradação do meio ambiente”, sugere Werner Albuquerque.


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Plateia MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

plateia@emtempo.com.br

Tesc prepara nova peça para 2012 (92) 3090-1042

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GOSPEL em todos os ritmos Bandas e artistas fazem sucesso com músicas religiosas nos mais variados gêneros, do pagode ao heavy metal

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GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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rtistas do mundo cristão, comumente chamados de “gospel”, acreditam que a principal diferença de tocar para o público evangélico, católico e demais segmentações religiosas, é a preocupação em levar uma mensagem que faça o indivíduo evoluir como ser humano. A afirmação é do presidente da Associação de Músicos e Artistas Cristãos do Amazonas (Amacam), pastor Francisco Mesquita. Mais conhecido como Tio Mesquita, o líder evangélico diz que o lado espiritual pode ser “tocado” independente das preferências rítmicas de cada um. “O músico secular (como chamam os artistas que não fazem parte do rol gospel) se preocupa com sucesso pessoal e esquece a espiritualidade. Nós temos a necessidade de falar sobre o Evangelho, sem bebidas e demais vícios. O Evangelho é para todos. Se o camarada praticava o pagode antes de se converter, não tem porque evitar agregar isso à sua nova realidade”, justifica o pastor em relação a existência de diversos grupos de música gospel em diferentes gêneros, incluindo rock, brega e forró, por exemplo. A diversidade de estilos musicais no universo cristão, de acordo com Mesquita, facilita a construção de eventos variados, fomentados, sobretudo, pelas igrejas. “Se uma instituição realiza uma feijoada beneficente, ela pode contar com a participação de uma banda de pagode gospel ou “pagospel”, como inventamos”, diz. Atualmente, a Amacan abraça aproximadamente 60 artistas, entre bandas e cantores individuais, incluindo o grupo de pagode Eterna Morada e Ministério Ariel, de forró, das quais o próprio pastor é integrante. Mesquita explica que todos os artistas cristãos têm um compromisso em criar letras que estejam de acordo com

os ensinamentos da igreja. “A maioria tem música autoral, que por sua vez é amparada pelos seus ministérios (igrejas), pois as músicas são avaliadas previamente pelos pastores”, afirma. Contudo, nem sempre as letras precisam ser “sisudas”. A canção “Desliga o teu celular” da banda Eterna Morada, por exemplo, é um samba ao estilo partido alto, que dá uma espécie de repreensão bem humorada aos “irmãos” inconvenientes. O trecho principal da canção diz “quando você entrar na igreja, desliga o teu celular/ não deixa a tua bênção escapar/ e na hora da oração, fecha teus olhos, meu irmão/ de olho fechado tu falas com Deus/ e de olho aberto tu perde a unção”. Em termos de organização de classe, a Amacam vem se consolidando como entidade

Eliane Feijó: destaque local Cantora profissional desde os 15 anos de idade, a amazonense Eliane Feijó é uma das cantoras cristãs de maior projeção fora do Estado. Atualmente, a artista produz o segundo disco da carreira, cujas gravações devem ser concluídas no fim deste mês, em Manaus. Depois disso, ela volta para a cidade de São Paulo, onde reside, para finalizar mixagem e masterização do álbum, que vem com 12 faixas, contemplando estilos como pop, adoração, pop rock e hinos. A primeira viagem de Eliane para divulgar seu trabalho foi em 2007, 11 anos depois de iniciar sua trajetória artística. Um ano depois, já casada, mudouse para o Rio de Janeiro, onde ficou por sete meses,

JEOL ROSA

Se o camarada praticava o pagode antes de se converter, não tem porque evitar agregar isso à sua nova realidade Francisco Mesquita, presidente da Associação de Músicos e Artistas Cristãos do Amazonas

promovendo suas músicas, incluindo as mais famosas “Deus luta por você” e “Por suas pegadas”, que dá nome ao primeiro disco. Além do Rio de Janeiro e São Paulo, Eliane passou por algumas cidades de Minas Gerais, nesse período. “Meu maior público ficou em torno de 8 a 10 mil pessoas, dentro de uma igreja no Rio”, diz. Entre outros nomes do mundo artístico gospel, está o de Jamily de Jesus, de apenas 9 anos de idade, descoberta pela Amacam em um festival de novos talentos. A pequena está em fase inicial de gravação de um disco, cuja previsão de conclusão é para julho de 2012. No repertório, consta a música autoral “Fonte de vida”, título do disco.

Associação de Músicos e Artistas Cristãos tem oito anos DIVULGAÇÃO

representativa desses artistas, em apenas oito anos de criação (embora tenha sido constituída formalmente em 2009). “As igrejas conhecem a associação e os pastores ligam para solicitar bandas para seus eventos. Como temos um cadastro atualizado, fazemos esse papel de intermediação. De uma forma geral, os músicos doam seus talentos. Apenas quem tem registro na Ordem dos Músicos do Brasil recebe cachê, quando o evento permite isso, claro”, explica Mesquita. Para agosto desse ano, o presidente da Amacam pretende organizar o 6º Fest Music.

Eliane Feijó é uma das cantoras de maior projeção fora O grupo Louva Senhor faz canções gospel no ritmo do axé


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>> Objeto de desejo . A badalada griffe italiana Missoni, que é sempre um nome em alta quando o assunto é moda com charme, lança nova coleção de bolsas. . Além de carteiras e clutchs, a Missoni agora investe nas maxbolsas com o mesmo zig-zag famoso da marca.

>> Novo point

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br FOTOS: CÉSAR CATINGUEIRA

>> Duplo motivo . Foi para comemorar o aniversário do anfitrião, a festa que George e Júlia Lins de Albuquerque orquestraram, no casarão da família no Parque das Laranjeiras, também comemorando o noivado da filha Gabriela com Agnelo Rodrigues Neto. . A noite tinha a assinatura dos Lins, que sempre fazem festas sensacionais, com tudo no ponto certo, incluindo nisso boa mesa, ótima música e ambientação sempre passando pelo chic e tradicional. Júlia Bandeira de Melo Lins de Albuquerque é uma das anfitriãs mais elegantes do Amazonas. 1

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. O novo point do Vieiralves, o ‘Touchdown’ que se prepara para inaugurar, em breve, terá hoje uma noite de testes de serviços, apenas para um grupo de convidados íntimos dos proprietários. . O local está bacanérrimo, com temática esportiva, e deverá se confirmar como o novo e principal ponto convergente da nova geração da cidade. O bar é um investimento da charmante Maria Helena Gesta de Melo e Yuri Czovny.

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A senadora Vanessa Grazziotin acompanhou a visita ministerial de Aldo Rebelo às obras da Arena da Amazônia e aproveitou o encontro com a primeira-dama Nejmi Jomaa Aziz para uma discreta conversa que pautou ações sociais. Ao final, muita alegria em ver de perto as obras da Copa de 2014 avançando

>> Luto . A sociedade de Manaus está de luto pela morte do empresário Walter Oliva Pinto. 1- Os anfitriões Júlia e George Lins de Albuquerque; 2- A elegante Rita e o deputado federal Átila Lins; 3- Mozart e Julinha Aguiar; 4Agnelo Rodrigues Neto e a bela fiancée Gabriela Bandeira de Melo Lins de Albuquerque; 5- Os irmãos Belarmino, George, Átila, Wellington e Ademar Lins de Albuquerque; 6- Geórgea Lins de Albuquerque e Ivan Queiroz; 7- Gisella Lins de Albuquerque e Matheus Alexandre

. Era um dos nomes tradicionais entre o alto empresariado local, pai do querido amigo Waltinho Oliva Pinto. A coluna se associa a todos e envia votos de pesar à família.


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Depois da Europa, Tesc prepara novo espetáculo A peça “Operação Macunaíma” utiliza a comédia para falar de sobre Amazônia, índios, militares e missionários FOTOS: DIVULGAÇÃO

CHRIS REIS Equipe EM TEMPO

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Teatro Experimental do Sesc (Tesc) está de volta a cidade para os novos projetos de 2012, após uma pequena turnê por algumas cidades da França com a peça “A Paixão de Ajuricaba”, um clássico do teatro amazonense. A montagem foi reapresentada em Manaus ontem e no próximo dia 11 será levada à uma cidade do interior, ainda não definida. Para este ano, o grupo também está preparando a peça “Operação Macunaíma”, uma comédia que se passa nos dias atuais e contará a história de um capitão do exército que é enviado a São Gabriel da Cachoeira. Por lá, o militar recebe como missão fazer na cidade um evento de democracia e sustentabilidade, onde acontecerão algumas situações hilárias, de acordo com o diretor Márcio Souza. “Será uma peça sobre a Amazônia, índios, militares e missionários. Mostrará os encontros e

desencontros entre a cultura do povo indígena e do homem branco”, conta. Sobre o espetáculo de comédia “Sábados Detonados”, um dos maiopres sucessos do Tesc que, no passado, foi apresentado no Teatro Direcional, o diretor diz que não existe

SEM PREVISÃO

De acordo com o diretor Márcio Souza, o projeto de humor “Sábados detonados”, um dos maiores sucessos de público do Tesc, não tem previsão de entrar em cartaz este ano

previsão de volta. “Estamos aprofundando pesquisas que demandam muito tempo e, com isso, não podemos dar continuidade aos “Sábados”. Além disso, o resultado não tem nos agradado, mas não é em relação ao número de público, pois estamos procurando mais que isso”, conclui. ARQUIVO EM TEMPO

Márcio Souza disse que o Tesc foi bem recebido na França

“A paixão de Ajuricaba” foi apresentada em três cidades francesas, em janeiro, e tem previsão de entrar em turnê na Itália

Montagem com sessões lotadas na França Montagem criada em 1974, “A Paixão de Ajuricaba” foi apresentada nas cidades de Rennes, Toulouse e Aix en Provence, na França. “A recepção foi fantástica. Melhor ainda do que esperávamos, todas as apresentações com casa lotada”, afirma o dramaturgo Márcio Souza que escreveu e dirige a peça. Além da procura para assistir a peça, segundo ele, o público também tinha interesse em debater com mais profundidade o que estava sendo mostrado. “Em cada cidade que chegávamos os ingressos já estavam esgotados. Em

Rene houve debate no dia seguinte da apresentação, foi muito bom”, recorda. Em Toulouse houve dois espetáculos com casa lotada, sendo que uma sessão foi direcionada a estudantes, onde foi realizada uma programação de integração entre o elenco e os alunos co conservatório de teatro da cidade. “Apresentamos a pesquisa que fizemos e o encontro terminou com uma espécie de aquecimento que fazemos com cantos indígenas” , lembra o dramaturgo. Em Aix en Provence, última cidade visitada pelo grupo,

Márcio Souza destaca que ficou na plateia a metade dos expectadores, cerca de 250 pessoas, para o debate que começou imediatamente após o término da apresentação. “Começamos a discussão às 8h30 e terminou depois da meia-noite”, relembra com orgulho. O diretor conta que as apresentações foram em português, mas que havia uma narração e legendas em francês com um resumo do contexto geral, ao final de cada ato. “Os expectadores não encontravam dificuldade para o entendimento da

peça porque a maioria já tinha lido o livro”, destaca, complementando que esta preparação dos expectadores era percebida ainda mais durante os debates. “Sempre tinham teóricos ligados as universidades que analisavam os espetáculos, que tinham uma perspectiva muito boa do que era apresentado. Eles entenderam, por exemplo, que esta montagem não é épica”, analisa. Segundo Souza, o grupo recebeu convites para fazer outra turnê, que deve acontecer na Itália. “Ainda estamos em negociação”, disse.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

RESENHA

Conflitos familiares na telona CIBELE CHACON* Especial EM TEMPO

O filme “Precisamos falar sobre o Kevin” é um relato angustiante sobre o relacionamento entre mãe e filho que culmina em um massacre. Baseado no livro homônimo de Lionel Shriver, o filme conta a história ficcional de Eva Khatchadourian e seu filho, Kevin. Sempre sob perspectiva da mãe, o longa se inicia revelando uma multidão de pessoas em meio a um líquido vermelho, que parece uma pintura aterrorizante de corpos sujos de sangue. O longa marca a volta de Lynne Ramsay à direção, após hiato de nove anos desde Morvern Callar. Dona de uma direção eficiente, Ramsay estabelece alternâncias bastante dinâmicas e fluidas entre as temporalidades. Mostra Eva desde a gestação até o desdobramento pós-tragédia. O roteiro nos apresenta uma mulher amargurada e deprimida,

que deixou sonhos promissores em detrimento da família. O espectador consegue ver a sensação de impotência da protagonista no passado, e percebe que se atenua cada vez mais sob os olhares vazios de uma mulher que não mais vive, apenas sobrevive. Sozinha, ela é vítima de agressões verbais e físicas. Desde pequeno Kevin não consegue interagir com a mãe. Quais são os culpados pela relação conflituosa e a postura hostil do menino? A frustração da mãe se contrapõe à alegria do pai, que sempre desejou o filho e não entendia as reclamações de Eva sobre a postura de Kevin. Ela é a única capaz de enxergar o filho como ele realmente é. Torna-se óbvio diante de tantas provocações e conflitos, que a eminência não era positiva, mas o desfecho dessa relação atinge um grau mais angustiante e perturbador do que se espera. Aos leitores do livro, não é impactante, mas

muito bem construído. As atuações dão o tom e o transtorno necessário aos personagens. O frio parece sair da tela e ir direto para o estômago de quem assiste, causando inquietação e

ENREDO

“Precisamos falar sobre o Kevin” é um relato angustiante sobre o relacionamento entre mãe e filho que culmina em um massacre. O longa já estreou nos EUA e ainda não tem data no Brasil incômodo. Tilda Swinton interpreta Eva, e mostra mais uma vez a competência e as escolhas certeiras. É uma atriz que provoca emoções a partir de outras e não de atuações mecânicas e falas decoradas. Também é preciso destacar os atores que interpretam Kevin.

Dos 6 aos 8 anos fica a cargo do excelente Jasper Newell, que consegue mostrar o perfil de uma criança com traços de psicopatia e se distanciar dos mimados e birrentos por natureza. Já Ezra Miller o interpreta na adolescência e consegue ser assustador. O olhar dos dois atores parece o mesmo. É impressionante como ambos conseguiram transmitir os sentimentos de Kevin – ou a falta deles. Miller é, sem dúvida, uma das melhores revelações do ano. “Precisamos falar sobre o Kevin” não se reduz a um filme de psicopata. Longe disso. Mostra a percepção de uma mãe na formação de um filho sem emoções. Alguém frio e calculista que é um lobo em pele de cordeiro. Mostra a história de uma mãe que carrega amor, dor e culpa por ser o ponto de partida de uma tragédia que ela sempre soube que aconteceria. *Cibele Chacon é colaboradora do PLATEIA

A mãe problemática é interpretada por Tilda Swinton

Dois atores intepretam Kevin, em fases diferentes da vida


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HOJE

Dança e teatro em vários pontos da cidade

Márcia Siqueira, idealizadora do projeto, interpretará, juntamente com Cinara Nery e Simone Ávila, sucessosd de Elis Regina

Cantoras homenageiam o talento da ‘Pimentinha’ As amazonenses Márcia Siqueira, Simone Ávila e Cinara Nery interpretarão os grandes sucessos de Elis Regina que, este ano, completa 30 anos de morte

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trio formado pelas cantoras amazonenses Cinara Nery, Simone Ávila e Márcia Siqueira, serão as responsáveis por homenagear a cantora Elis Regina, hoje, a partir das 20h, no Teatro Amazonas, com o espetáculo “Nós, voz, Elis”, com entrada gratuita. Com aproximadamente uma hora de duração, o tributo – que será mais uma das inúmeras homenagens pelos 30 anos de morte da cantora terá arranjos e direção musical do maestro Paulo Marinho. A primeira edição do show aconteceu em 2006, também realizado por Márcia, uma grande admiradora da “pimentinha” Elis. “Todo cantor que se preze tem que escutá-la. É uma referência, tanto como intérprete quanto pelo vasto repertório que possuía. Ouvir Elis é uma

SET-LIST

No repertório do show “Nós, voz, Elis” estão músicas como “O bêbado e o equilibrista”, “Trem azul”, “Como nossos pais”, “Alô, alô marciano”, “Dois pra lá, dois pra cá” e “Canto de Ossanha” obrigação”, opina. Márcia destaca, ainda, que o show tem como objetivo principal homenagear a grande artista que foi Elis sua importância para Música Popular Brasileira (MPB). “Na primeira vez que montamos a apresentação a repercussão foi excelente, tanto de público como de crítica. E, apesar de que com o passar do tempo termos modificado o repertó-

rio e mudado as participações, o foco continua sendo homenageá-la”, assegura. As intérpretes se revezarão no palco, cada uma apresentará cinco canções que ficaram famosas na voz da cantora gaúcha. O cenário será composto por projeções de imagens da cantora. O show terá participações dos instrumentistas da Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA), que apresentará sob a regência do maestro titular Marcelo de Jesus. A banda que acompanhará as cantoras será formada pelos músicos: Paulo Marinho e Aírton Silva (piano), Gaúcho (bateria), Ênio Prieto (sax/flauta) e Wilson Assis (contrabaixo) O set-list será composto pelas músicas: “Atrás da porta” (Chico Buarque); “Upa neguinho” (Edu Lobo); “Como nossos pais” (Belchior); “Canto

de Ossanha” (Tom Jobim e Baden Powell); “Alô, alô marciano” (Rita Lee); “Travessia” (Milton Nascimento); “O bêbado e a equilibrista” (Aldir Blanc e João Bosco); “Trem azul” (Lô Borges); “Dois pra lá, dois pra cá”( Aldir Blanc e João Bosco) e, claro, “Madalena” de Ivan Lins e Ronaldo Souza que não poderia ficar de fora e será cantada em duetos e em um trio.

Hoje, a partir das 17h, três pontos da cidade receberão espetáculos de dança e teatro oferecidos pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC). O primeiro deles é a montagem infantil “Quem tem medo do escuro”, da Cia. de Arte Cristã. A peça consiste em uma apresentação de teatro de bonecos e será encenado na Casa Ivete Ibiapina. Às 18h, no Teatro Jorge Bonates, a Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas Arte & Fato apresenta ”O dia em que a terra dançou”. E, ainda, às 18h, no Centro Cultural Largo São Sebastião, o Palhaço Puxa Puxa e Trupe reapresentam “Os trapalhões do riso”. Já às 19h30 é a vez de “A guerra dos farrapos e suas influências para o gaúcho de hoje”, que será encenado no Centro Cultural Largo São Sebastião. A montagem, que é inspirada na maior guerra civil de todo o continente, irá apresentar a invasão do império brasileiro no Rio Grande do Sul. As coreografias vão enaltecer grandes nomes que estiveram à frente desse episódio e também retra-

SERVIÇO “QUEM TEM MEDO DO ESCURO” Quando: Hoje, às 17h Onde: Casa da Música Ivete Ibiapina (rua 10 de Julho, nº 451, Centro) Quanto: Gratuito

“A GUERRA DOS FARRAPOS” Quando: Hoje, às 19h30 Onde: Centro Cultural Largo São Sebastião Quanto: Gratuito

”O DIA EM QUE A TERRA DANÇOU” Quando: Hoje, às 18h Onde: Teatro Jorge Bonates (rua Recife, s/nº, sede da Sead, Flores) Quanto: Gratuito

tar os gloriosos bailes que aconteciam antes e após a guerra no período de 1835 a 1845. Direção de Tarcísio Fabrício e Rayssa Reis. Coreografia de Ulisses Aquino e Odeilson Pantoja. JOEL ROSA

SERVIÇO SHOW “NÓS, VOZ, ELIS” Quando: Hoje, às 20h Onde: Teatro Amazonas, largo de São Sebastião, Centro Quanto: Entrada gratuita Informações: (92) 3232-1768

Um dos espetáculos será no largo São Sebastião

CARNAVAL

Baile infantil ‘A magia das artes’ Marchinhas e os melhores sucessos dos carnavais de todos os tempos ganham adaptações de música eletrônica no bailinho de Carnaval “A magia das artes”, que acontece no Teatro Direcional, no próximo dia 20, às 17h. Com produção especialmente montada para agradar aos baixinhos, o Teatro terá uma decoração circense, com muitos palhaços, mágicos e, claro, alegria infantil com muitas cores e luzes. Para completar, a coorde-

nação será da ArtCena Produções que incluirá no bailinho muitas brincadeiras e até um playground à disposição das crianças. Para agitar o evento, vários DJs vão tocar no espaço repaginando os grandes sucessos do Carnaval, mas com batida eletrônica. “Será um bailinho de Carnaval moderno e ainda com uma produção visual bem elaborada para incrementar a festa da criançada”, declara o diretor geral do Teatro Direcional, Adriano Gobeth.

SERVIÇO BAILINHO “A MAGIA DAS ARTES” Quando: Dia 20 de fevereiro, às 17h Onde: Teatro Direcional (Av. Mario Ypiranga Monteiro, 1.300, Adrianópolis) Quanto: R$ 30 (meia) DIVULGAÇÃO

O evento, direcionado ao público infantil, contará com decoração temática e vários DJs locais


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DIVULGAÇÃO

Igha comemora 95 anos em 2012 Será montada uma programação comemorativa ao longo do ano, focada na música e na literatura, com lançamento de livros, recitais e seminários

IONEMORENO

SILVIO LIMA Equipe EM TEMPO

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m 2012, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha) completa 95 anos de existência e contribuição com a cultura do Estado. A data exata do aniversário será no dia 25 de março, mas as atividades comemorativas ocorrerão ao longo do ano “Para comemorar, vamos fazer atividades que envolvam a sociedade amazonense como um todo”, ressalta o presidente do Igha, Geraldo dos Anjos. De acordo com dos Anjos, os lançamentos de livros ocorrerão duas vezes por mês no instituto, um sábado sim e outro não. “Como fizemos uma parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), faremos vários lançamentos dos livros”, explica. Além disso, o Igha realizará, neste ano, alguns seminários. Um deles será em homenagem à chegada dos italianos no Brasil. “Ainda não temos data, mas já conversei com o cônsul da Itália no Brasil e estamos ajustando apenas a questão de patrocínio”, informou dos Anjos. Outro seminário terá

como tema o folclóre e será organizado pela professora Marita Monteiro, secretáriageral do Igha. “Vamos fazer também as atividades das comemorações também da semana nacional do museu, com atividades relacionadas ao Centro histórico de Manaus. Vamos contar com o apoio de es-

DESTAQUE

O Igha realizará alguns seminários, um deles será em homenagem à chegada dos italianos no Brasil e o outro terá como tema o folclórico, organizado pela professora Marita Monteiro tagiários de história para a realização de passeios com alunos de escolas públicas”, lembra Geraldo dos Anjos. O presidente do Igha explica que, para o instituto ficar mais próximo do público, há a possibilidade da realização, uma vez por semana, de uma apresentação musical no local, com o projeto “Música no

museu”. “Estou em negociação com o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, para realizar esse projeto na sexta ou sábado, a partir de junho. Mas ainda é algo que está em negociação”, indica. O museu do Igha, está localizado na rua Bernardo Ramos, 117, no Centro. O atendimento funciona de terça a sextafeira, das 14h às 17h e, aos sábados, das 8h às 12h. Já o Centro de documentação, com entrada pela rua Frei José dos Inocentes, funcionará de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h. O Igha é constituído por 50 membros eleitos pelos seus pares. Este ano, deverá tomar posse a professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a socióloga Isabel Valle, no dia do aniversário do instituto. O instituto foi fundado em 25 de março de 1917, considerado de utilidade pública pela lei estadual nº 897 e pela lei municipal nº 1.071 sendo, dessa forma, tutelado e financiado pelo Estado do Amazonas e pelo município de Manaus. No acervo do Igha há 450 peças da arqueologia e etnografia amazônica guardadas.

Segundo o presidente do Igha, Geraldo dos Anjos, o instituto homenagem aos italianos


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MANAUS, DOMINGO, 5 DE FEVEREIRO DE 2012

Programação de TV SBT

04h55 – Amazônia Rural

RECORD

05h25 – Pequenas Empresas – Grandes Negócios

04h00 – Aventura Selvagem – reprise 05h00 – Pesca Alternativa 06h00 – A Grande Ideia 06h30 – VRUM 07h00 – PGM Manazinha 07h30 – Programa Expressão (Local) 08h00 – Sorteio Amazonas dá Sorte (Local) 09h00 – Domingo Legal 13h00 – Eliana 17h00 – Roda a Roda Jequiti 17h40 – Sorteio da Telesena 17h45 – Programa Sílvio Santos 22h00 – De Frente com Gabi 23h00 – Série: O Mentalista / The Mentalist 00h00 – Série: Divisão Criminal / The Closer 01h00 – Série: Os Esquecidos 02h00 – Encerramento da Programação

GLOBO 03h44 – Santa Missa em Seu Lar 04h44 – Sagrado: Compacto – Conversão

05h58 – Globo Rural 06h55 – Auto Esporte 07h30 – Esporte Espetacular (Descida das Escadas de Santos) 10h30 – Esquenta 11h46 – Temperatura Máxima. Filme: Uma Noite no Museu 13h39 – Domingão do Faustão I 15h00 – Futebol 2011: Campeonato Carioca – Vasco da Gama x Friburguense 17h00 – Domingão do Faustão II 18h45 – Fantástico

04h30 – Desenhos Bíblicos 06h20 – Todo Mundo Odeia o Chris – HD 08h00 – Amazonas dá Sorte – bingo - local 09h00 – Record Kids – local 10h30 – Tudo é Possível – PGM 339 14h30 – Programa do Gugu – PGM 128 18h30 – Domingo Espetacular – PGM 406 21h15 – Repórter Record 22h00 – Amazônia – PGM 005 - HD 22h30 – Série: Aprontando na Índia 23h00 – Programação IURD

21h06 – Big Brother Brasil

REDE TV

21h52 – Domingo Maior. Filme: The Edge - No Limite

Graça – local 13h00 – Programa Esporte Performance – local 14h00 – Programa Semeando Bênçãos – local 14h30 – Programa Amigos do Volante – local 15h00 – Break Obrigatório 15h05 – Programa Na Geral – local 15h35 – Programa Fé e Milagres – local 16h05 – Break Obrigatório 16h15 – Ritmo Brasil 16h45 – Belas na Rede 17h50 – O Último Passageiro 19h00 – Pânico na TV 21h30 – Dr. Hollywood 22h30 – É Notícia 23h30 – Bola na Rede 00h00 – Igreja Internacional da Graça – local

BAND

23h50 – Flash Big Brother Brasil 23h56 – Sessão de Gala. Filme: O Último Golpe 01h25 – Corujão I. Filme: População 436 02h36 – Série Americana 03h44 – Festival de Desenhos

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ

05h30 – Igreja Internacional da Graça – local 09h15 – Programa Viva Amazônia – local 09h45 – Break Obrigatório 09h50 – Melhores Momentos do Futebol 12h00 – Igreja Internacional da

03h45 05h00 05h30 06h30 07h30 08h30 09h00

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Espaço Vida Vitoriosa I Sol Brilhante Santa Missa Fé na Verdade Conexão Cargas Brasil Caminhoneiro Infomercial

10h00 – Auto + 10h45 – Band Clássicos (HD) 13h45 – Gol, o Grande Momento do Futebol (HD) 14h15 – Futebol – ao vivo (HD) – Vasco x Friburguense – direto do Rio de Janeiro/RJ 17h00 – Terceiro Tempo 19h00 – Lassi 19h30 – Um Hóspede da Pesada 20h00 – Um Tio da Pesada 20h30 – Família Moderna 21h00 – Bones (HD) 22h00 – Prision Break (HD) 23h30 – Canal Livre (HD) 00h30 – Isto é Manaus 01h00 – Show Business (HD) 01h45 – Cine Band – Arizona Nunca Mais

TV CULTURA 03h55 – Abertura da Estação/ Hino Nacional 04h00 – Via Legal 04h30 – Brasil Eleitor 05h00 – Palavras de Vida 06h00 – Santa Missa 07h00 – Viola, Minha Viola 08h00 – Curta Criança 08h30 – Janela Janelinha 09h00 – Escola Pra Cachorro 09h15 – Meu Amigãozão

Cinema

09h30 – Turma do Pererê 10h00 – ABZ do Ziraldo 10h30 – Anima TV Tromba Trem 10h45 – Anima TV Carrapatos e Catapultas 11h00 – Turma do Pererê 11h30 – Catalendas 11h45 – Copa São Paulo de Júnior 13h00 – Stadium 14h00 – O Planeta Azul 15h00 – Ver TV 16h00 – De Lá Pra Cá 16h30 – Cara e Coroa 17h00 – Papo de Mãe 18h00 – Conexão Roberto D’Ávila 19h00 – Filarmônica de Berlim 20h30 – Curta TV 21h00 – MPTV – Reprise – local 21h30 – Roda Viva Amazonas – Reprise – Local 22h30 – Lado – B – Local – Reprise 23h00 – Programa de Apoio 23h30 – Programa de Cinema 01h00 – Hino Nacional / Encerramento da Emissora

Cruzadinhas

ESTREIAS DIVULGAÇÃO

ÁRIES - 21/3 a 19/4 Os equívocos com os amigos tendem a ser inofensivos, apesar de perturbar os sentimentos. Seus interesses maiores podem não encontrar bom apoio concreto. TOURO - 20/4 a 20/5 Um dia difícil para você organizar as ações práticas. Você é bastante rígido, então poderá ser muito inflexível e com isso dificultar os ajustes necessários neste momento. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 As idealizações são emperradas pela má lida com as situações práticas e concretas. As viagens são desfavorecidas, por falta de condução realista. CÂNCER - 22/6 a 22/7 As situações maiores que você mexem com pontos sensíveis. Você pode se magoar ou se sentir diminuído. Não perca tempo se lamuriando diante das mudanças necessárias. LEÃO - 23/7 a 22/8 O convívio com parceiros e no casamento exige hoje algum sacrifício; ou então pode sofrer restrições, o que, de qualquer modo, é um sacrifício, só que forçado. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Os trabalhos rendem menos do que esperava. Redefina expectativas, pois nem tudo pode crescer como gostaria. Aqueles que parecem lhe ajudar, talvez sem querer, atrapalhem. LIBRA - 23/9 a 22/0 Momento difícil na vida afetiva: as responsabilidades exigem mais de você, do que está recebendo em afago e carinho. Há momentos em que é preciso dar mais do que receber. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Em casa, as exigências crescem, e você pode não ter a habilidade de conduzir bem as situações. A falta de discernimento e organização tendem a se fazer presentes. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 As repreensões que o mundo lhe faz calam fundo. Pode ser aconselhável rever os valores que pretendia seguros. Nem sempre o mundo concorda conosco, e é preciso aceitar isso. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 As tensões levam a confrontos com pessoas que tocam seus pontos sensíveis. Valores são colocados em cheque. Não tente interpretar as situações com a mente instável. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 O aspecto entre Sol e Lua evidencia possíveis falhas em sua atuação no trabalho ou mesmo quanto à integridade de certas atitudes. Cuide melhor de seu bem estar. PEIXES - 19/2 a 20/3 Seus desejos e sentimentos confrontam-se com adversidades. Um dia para reconsiderar o que você estava sentindo e desejando. Há uma ordem melhor a ser alcançada.

A Bela e a Fera 3D: EUA. Livre. Um dos clássicos do Walt Disney está sendo relançado em 3D. Trata-se de “A Bela e a Fera”, produzido originalmente em 1991, que conta a história de um príncipe que é transformado em uma fera e uma jovem chamada Bela que ele aprisiona em seu castelo. Para se tornar príncipe novamente, a Fera deve amar Bela e ganhar seu coração, ou ele será Fera para sempre. Cinemark 4 – 12h10 (dub / sábado e domingo), 14h30, 16h50 e 19h10 (dub / diariamente); Viagem 2: A ilha misteriosa: EUA. 10 anos. Desta vez, Hutcherson, que fez no primeiro filme o sobrinho do geólogo interpretado por Brendan Fraser, embarca a contragosto em uma aventura com a sua mãe, em busca de seu avô desaparecido (Michael Caine). The Rock será o namorado da mãe e Vanessa Hudgens entra para

viver uma nativa da ilha do Pacífico que ambienta a trama, e acaba se envolvendo na aventura. Cinemark 6 – 12h50, 15h10, 17h30, 19h50 e 22h10 (dub / diariamente); Playarte 1 – 13h30, 15h30, 17h30, 19h30 (3D / dub / diariamente) e 21h30 (3D / leg / diariamente); Playarte 6 – 13h, 15h, 17h, 19h, 21h (dub / diariamente) e 23h (dub / sexta-feira e sábado); Cinemas Amazonas 6 – 13h20, 15h25, 17h30, 19h35 e 21h40 (dub / diariamente); Filha do mal: EUA. 16 anos. O filme mostra a história de uma mulher que foi convencida de que a mãe matou três pessoas após enlouquecer. Quando descobre que os assassinatos eram parte de um ritual exorcista, ela parte com uma equipe para filmar um documentário. Cinemark 7 – 11h40 (leg / sábado e domingo), 13h50, 16h, 18h10, 20h20 e 22h30 (leg / diariamente);

CONTINUAÇÕES À beira do abismo – 12 anos: Cinemark 1 - 11h20 (dub / sábado e domingo), 14h, 16h20, 18h50, 21h20 (dub / diariamente) e 23h50 (dub / sexta-feira e sábado); Playarte 5 – 14h10, 16h20, 18h30, 20h40 (leg / diariamente) e 22h50 (leg / sexta-feira e sábado); Cinemas Amazonas 5 – 16h20, 18h40 e 21h10 (dub / diariamente). Alvin e os esquilos 3 – Livre: Cinemark 2 - 12h40, 15h, 17h10 e 19h30 (dub / diariamente); Playarte 7 – 12h, 14h, 16h, 18h, 20h (dub / diariamente) e 22h (dub / sexta-feira e sábado); Cinemas Amazonas 4 – 13h40, 15h50 e 17h50 (dub / diariamente). Os descendentes – 12 anos: Cinemark 2 – 22h (leg / diariamente); Playarte 10 – 13h20, 15h40, 18h, 20h20 (leg / diariamente) e 22h40 (leg / sexta-feira e sábado).

Sherlock Holmes 2 – 14 anos: Cinemark 3 – 14h40, 20h40 (dub / diariamente) e 23h40 (dub / sexta-feira e sábado); Playarte 4 – 13h20, 16h, 18h40, 21h20 (leg / diariamente); e 23h59 (leg / sextafeira e sábado). 2 coelhos – 16 anos: Cinemark 3 12h20 e 17h50 (diariamente); Playarte 8 – 14h, 16h10 e 18h20 (diariamente). J. Edgar – 10 anos: Cinemark 4 – 21h40 (leg / diariamente); Playarte 2 – 16h e 21h15 (leg / diariamente).

sexta-feira e sábado); Playarte 9 – 14h, 17h05, 20h10 (leg / diariamente) e 23h15 (leg / sexta-feira e sábado); Cinemas Amazonas 4 – 20h30 (dub / diariamente). As aventuras de Tintim – 10 anos: Cinemark 8 – 11h (dub / sábado e domingo), 13h20, 15h40, 18h30, 21h (dub / diariamente) e 23h30 (dub / sexta-feira e sábado); Playarte 3 – 13h45, 16h, 18h15, 20h30 (dub / diariamente) e 22h45 (dub / sexta-feira e sábado); Cinemas Amazonas 5 – 14h (dub / diariamente).

As aventuras de Agamenon, o repórter – 14 anos: Cinemark 5 – 13h e 14h50 (diariamente).

O espião que sabia demais – 14 anos: Cinemark 2 – 13h30, 18h45 (leg / diariamente) e 23h59 (leg / sexta-feira e sábado).

Os homens que não amavam as mulheres – 16 anos: Cinemark 5 – 16h40, 20h (dub / diariamente) e 23h20 (dub /

Forças especiais – 14 anos: Playarte 8 – 20h30 (leg / diariamente) e 22h45 (leg / sexta-feira e sábado).


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::::: Confete-com-flash

::::: Sala de Espera

O Japa Food Temakeria inaugura, na próxima terçafeira, mais um templo de delícias orientais. O lugar escolhido foi na Ephigênio Salles, precisamente no Shopping Mundi. Lucilene Castro e Zezinho Corrêa agendaram para o próximo dia 10, a partir das 23h, no Toc Toc Delícias & Chopp, o show “Ó abre alas”. As cantoras Cinara Nery e Lívia Mendes sobem ao palco do bar Botequim, no próximo sábado, com o show “Carmen do Brasil” – às 22h. Os alunos dos colégios Martha Falcão e Pinocchio serão recebidos em grande estilo assim que pisarem na escola de Adrianópolis. É que a direção da escola preparou uma equipe de fotógrafos para recebê-los. Cada estudante ganhará uma foto personalizada como lembrança do primeiro dia de aula, na próxima terçafeira, início do ano letivo. A foto será emoldurada e entregue no mesmo dia. O grupo TVLar comemora, amanhã, 48 anos de atividades e para celebrar a data lançará uma pro-

moção para sua contagem regressiva rumo ao Jubileu de Ouro, em 2014, ano da Copa do Mundo. Neste mês de aniversário, todos os móveis, em todas as lojas, estão com condições de pagamento excepcionais. Se é que você me entende...

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com - www.jandervieira.com.br HERICK PEREIRA/AGECOM

Zezia Araújo, Marcelo Monteiro e Daniel Nazzaro estão trocando de idade hoje. Amanhã é a vez de cumprimentar o juiz Mauro Antony.

A PDG definitivamente fincou suas bases em Manaus. A empresa ampliou seu espaço na torre Business do Millennium Shopping com um moderno escritório para atender às demandas cada vez mais crescentes na capital amazonense, com obras em andamento na Ponta Negra e no Morada do Sol. As atividades do Parque Municipal do Idoso serão retomadas na próxima terçafeira, no tradicional evento da “Acolhida 2012”, que será realizado em dois turnos: a partir das 9h para os usuários do turno matutino e às 14h para os participantes da tarde. O objetivo do projeto “Envelhecendo Feliz” é preparar as pessoas na transição para a terceira idade, evitando o aparecimento de doenças e promovendo a qualidade de vida.

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Champanhe, feijoadíssima e vaivém da ala puro-poder do setor feminino chique da cidade não faltarão. Onde? No skindô pré-carnavalesco deste editor, para celebrar seus trinta e uns aninhos, no Stravaganza, a partir das 12h33, do próximo dia 11. O menu musical ficará a cargo do DJ-colunista Alexandre Prata, que irá abusar das marchinhas e sambas enredos que fazem sucesso nos grandes bailes indispensáveis da folia de momo. Creia: vai ser um deboche!

::::: Astro O amazonense Marcelo Mourão Gomes, primeiro bailarino do American Ballet Theatre, comparado pela crítica especializada ao Clark Gable dos palcos de dança, conquistou mais uma vitória internacional. Ele se apresentará como convidado especial, no próximo dia 9, na Inglaterra, no Royal Ballet de Londres, companhia de dança que figura as cinco melhores do mundo. Que tal? FOTOS: WILLIAM REZENDE

Ao lado do governador Omar Aziz a primeira-dama, Nejmi Jomaa Aziz participou do receptivo ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, para a apresentação do projeto Arena da Amazônia e fiscalização das obras que estão 35% concluída com recursos do Governo do Estado

::::: Skindô infantil As crianças que forem ao Millennium Shopping durante o feriado de Carnaval vão contar com uma programação exclusiva para a garotada, que vai de oficinas de máscaras e reciclagem, passando por pintura facial e baile de Carnaval infantil. As atividades são gratuitas, começam no próximo dia 17 e seguem até o dia 21, das 16h às 20h. A programação para a recreação infantil do centro de compras permite que as famílias tenham um espaço para lazer na capital amazonense, em que a garotada não fica de fora. Os irmãos Gigi e Jefferson Cunha – editores da “Em Visão” – transpirando alegria com a nova edição da revista que tem na capa e recheio o empresário Waldery Areosa Ferreira

Sandra Lúcia Saraiva e Alexandre Prata no setor gastronômico chique do Empório dos Reis

::::: Arrumando a casa Os membros da Executiva Nacional do Partido Social Cristão (PSC) estiveram em Manaus visitando o diretório regional presidido pelo deputado Francisco Souza. Durante os dias que ficaram na capital, os membros discutiram assuntos administrativos relacionados à sigla no Amazonas. É a primeira visita que a Executiva faz ao Amazonas em 2012. “Desde que assumimos o partido, estamos buscando melhorar algumas questões administrativas como forma de reestruturar o diretório e assim fortalecer a sigla”, disse Souza.


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EM TEMPO - 5 de fevereiro de 2012