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O JORNAL QUE VOCÊ LÊ ANO XXVI – N.º 8.172 – DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013 – PRESIDENTE: OTÁVIO RAMAN NEVES – DIRETOR EXECUTIVO: JOÃO BOSCO ARAÚJO

BR-319

FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

RODOVIA FANTASMA

O asfalto sumiu. Na chuva, a BR-319 se torna intransitável

Em alguns trechos, a floresta avança no que restou da estrada Morando no meio do nada, sem opção de comércio, posto de gasolina ou políticas públicas, os colonos que ainda habitam às margens da BR-319 são obrigados a caçar animais silvestres para comer

ALEXANDRE FONSECA

ABERTA NO MEIO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA EUFORIA DO “MILAGRE ECONÔMICO” DO GOVERNO MILITAR, A BR–319 FOI CONCLUÍDA EM 1973, TIRANDO O AMAZONAS DO ISOLAMENTO EM QUE VIVIA, AO LIGAR AS CIDADES DE MANAUS E PORTO VELHO. NA DÉCADA DE 70, A RODOVIA ERA UMA

MARAVILHA. MAS, NOS ÚLTIMOS 20 ANOS, FOI ABANDONADA, SENDO DEVORADA PELA EROSÃO E PELO MATO. NA ÚLTIMA SEGUNDA-FEIRA, 28, O EM TEMPO PERCORREU 350 QUILÔMETROS DA ESTRADA E ENCONTROU UMA “RODOVIA FANTASMA”. ÚLTIMA HORA A2

PAUL IN MANAUS

Nomes como Paul McCartney (foto), Elton John e Jack Johnson estão cotados para se apresentar em Manaus, no ano que vem. Já existem, inclusive, datas articuladas para os shows. Plateia D1

DOMINGO IMÓVEIS

Residência inteligente é o que há Imobiliário 5

No cemitério do Tarumã, a movimentação começou desde as 4h

Manauenses aproveitaram a manhã anhã de sábado, que não registrou ocorrência de chuvas, para prestar homenagens a parentes e amigos no Dia de Finados. Desde o fim da madrugada, os cemitérios já se encontravam lotados de visitantes. A tarde foi marcada por cultos ecumênicos. Última Hora A2

SAUDADE BRASILEIRÃO

Clássico FLA X FLU no Maraca Pódio E5

POLUIÇÃO

Rios em estado de alerta Dia a dia C2 e C3

Cachorro também é ‘gente’ Exames atestam semelhanças entre cães e humanos em uma região cerebral que reconhece o prazer. Ilustríssima G3

FALE COM A GENTE - ANÚNCIOS CLASSITEMPO, ASSINATURA, ATENDIMENTO AO LEITOR E ASSINANTES: 92 3211-3700 ESTA EDIÇÃO CONTÉM - ÚLTIMA HORA, OPINIÃO, POLÍTICA, ECONOMIA, PAÍS, MUNDO, DIA A DIA, PLATEIA, PÓDIO, SAÚDE, ILUSTRÍSSIMA, ELENCO, SALÃO IMOBILIÁRIO E CONCURSOS

ENSAIO

A moda vai ao mercadão Elenco 19 a 21

TEMPO EM MANAUS

MÁX.:

32

MÍN.:

24


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Última Hora

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Finados leva milhares de pessoas aos cemitérios

Na data de celebração dos mortos, parentes e amigos reservam um momento para visitar os túmulos e matar a saudade ALEXANDRE FONSECA

MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO

N

a manhã deste sábado, trânsito e comércio intensos marcaram mais um Dia de Finados. No Tarumã, Zona Centro-Oeste, a movimentação era grande desde as 4h, momento que as portas do local foram abertas. De acordo com a administração do cemitério localizado no bairro, por volta de 200 mil pessoas devem passar por ali. A dona de casa Deuzimar Barros, 63, foi ao local visitar os túmulos da mãe e do marido. Para ela, a organização do local estava ótima. “Cheguei aqui cedo e está tudo bem organizado este ano. Até o rapaz que cobre os túmulos com areia nos atendeu rápido”, informou. A satisfação, no entanto, não era consenso. A cozinheira Maria do Socorro Silva, 51, reclamou dos roubos de flores do túmulo da mãe. “Mas todo ano acontece isso. A gente vem aqui, pinta o túmulo, limpa tudo e enfeita, mas tem gente sem coração que rouba as flores que colocamos. É sempre assim”, reclamou. O irmão da cozinheira, Paulo José Silva, 57, confirma: “tem gente que

vê as flores novas e pega para vender. É um absurdo, mas não temos nem para quem reclamar”. Apesar dessas queixas, o tenente Souza Torres, da 19ª CPA Oeste, afirma que não houve graves ocorrências. Segundo a administração do cemitério, são 7 mil sepulturas no local. Já no Nossa Senhora Aparecida, cemitério localizado atrás do Parque de Manaus, são mais de 150 mil, e é para onde a maioria das pessoas que vão até o Tarumã têm seus parentes enterrados. O trânsito do local não foi interditado nem desviado. O fluxo de veículos, no entanto, era intenso, mas diversas equipes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) coordenavam a entrada e saída de carros, cujo acesso à área interna do cemitério se deu pelo primeiro portão e saída pelo segundo. Outras unidades Nos outros cemitérios da cidade, como o cemitério São Francisco, no Morro da Liberdade, Zona Sul, do São João Batista, na Zona Centro-Sul, no cemitério Santa Helena, Zona Oeste, o trânsito também ficou intenso, como todos os anos.

No Tarumã, Zona Centro-Oeste, a movimentação era grande desde as 4h, momento que as portas do local foram abertas

Movimento intenso favorece o comércio Próximo a pessoas de diversas religiões pregando e orando, comerciantes vendiam bebidas, comida, além de velas, fósforos e arranjos de flores. Dezenas de barracas ocupavam a calçada. Um

ELEIÇÕES ROBERTO STUCKERT FILHO PR

dos comerciantes é Jailson Andrade, que há 4 anos comercializa bebidas no cemitério do Tarumã. “Já visitei o túmulo da minha família e agora estou trabalhando. Dá para tirar uns R$ 300 só

CIÊNCIA

Ofensiva judicial pró-animais

Presidente Dilma reuniu seu “staff” para fazer um balanço das obras visandoa eleição de 2014

Dilma cobra agilidade nas obras A menos de um ano das eleições, a presidente Dilma Rousseff reuniu ontem 15 ministros no Palácio da Alvorada, sua residência oficial, para checar o andamento de obras e programas e definir estratégias para acelerar o que está travado. O objetivo do Palácio do Planalto é agilizar a inauguração de obras consideradas “vitrines” para a campanha à reeleição da petista. No Twitter, Dilma disse que a reunião “rotineira” era para “discutir cronogramas de entrega de obras federais pelo país”.

“Considero que governar é oferecer à população serviços públicos com cada vez maior qualidade e honrar a confiança em nós depositada. Por isso, reuniões rotineiras como essa são importantes para coordenar os esforços dos ministérios”, disse a presidente em sua conta na rede social. No feriado de Finados, os ministros chegaram pouco antes das dez da manhã para a reunião com a presidente. As ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento) coordenaram o encontro, do

qual também participaram Paulo Bernardo (Comunicações), Alexandre Padilha (Saúde), Aloizio Mercadante (Educação), Edison Lobão (Minas e Energia), Cesar Borges (Transportes), Francisco Teixeira (Integração Nacional) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social), entre outros. A equipe de Dilma quer acelerar os investimentos, que não estão em ritmo considerado satisfatório, o que deve ser usado como munição pela oposição na campanha eleitoral de 2014.

Novos leilões e mais licitações Entre janeiro e setembro deste ano, os investimentos do Orçamento da União atingiram R$ 46,5 bilhões, uma alta de 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, as despesas cresceram 13,5%.

Segundo assessores presidenciais, Dilma quer checar como está o andamento dos leilões de rodovias, aeroportos, portos e ferrovias. Até o fim do ano, o governo planeja leiloar os aeroportos do Galeão (RJ)

e Confins (MG) -no dia 22 de novembro- e licitar mais duas rodovias. No mês passado, o governo fez o leilão do campo de Libra, para exploração de petróleo da área do pré-sal, no qual apenas um consórcio fez lance, sem ágio.

Universidades do país estão sendo alvo de blitze de ativistas, protestos de alunos e até mesmo ações na Justiça pelo fim do uso de animais em atividades acadêmicas. A ofensiva judicial tem base na Lei Arouca, que estabelece regras para o uso científico de animais, e na Lei de Crimes Ambientais, de 1998, que define como crime realizar “experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”. Um dos casos mais recentes é o da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), que entrou neste mês com recurso na Justiça para retomar a utilização de animais nas aulas de medicina. A ação partiu do Instituto Abolicionista Animal. “Soubemos de casos de animais que recebiam anestesia superficial e acordavam no meio do procedimento”, diz a advogada Danielle Tetü. O pró-reitor de Pesquisa da UFSC Jamil Assreuy nega e diz que o curso de medicina só emprega ratos, e com anestesia, em alguns casos cães, por exemplo, não são usados há um ano e meio. Outra universidade que enfrenta ação na Justiça é a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), que conseguiu em setembro retomar o uso de animais vivos em aulas, após primeira decisão favorável aos ativistas.

nessa data”, afirma. Outra que aproveitava para complementar a renda familiar era Karla Silva, 23. Grávida, ela dizia não se importar de vender as flores sob o forte sol.

O comércio foi fiscalizado pela Secretária Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab), que revelou que 70 agentes estavam atuando nas adjacências dos cemitérios.

AMEAÇA

Talibã paquistanês enterra líder e promete vingança Combatentes do Talibã paquistanês enterraram em segredo, ontem, o líder do grupo depois de ele ser morto por um avião não-tripulado americano. Os militantes rapidamente se mobilizaram para substituí-lo e prometeram uma série de ataques suicidas em represália. O governo paquistanês classificou a morte de Hakimullah Mehsud como uma tentativa dos Estados Unidos de prejudicar conversas de paz, e alguns políticos exigiram que, em resposta, as linhas de suplemento aos EUA para o Afeganistão sejam cortadas. Mehsud, que tinha uma recompensa de US$ 5 milhões pela sua cabeça, e três outras pessoas foram mortas na sexta-feira no reduto militante de Miranshah, no noroeste do Paquistão, informaram fontes de segurança e membros do grupo. O veículo de Meshud foi atingido após ele participar de um encontro de líderes do Talibã. Seu guarda-costas e o motorista também morreram.

Ele foi secretamente enterrado nas primeiras horas do sábado, por alguns parceiros de militância, em meio a temores de que o funeral pudesse ser atacado novamente por aviões norte-americanos, disseram militantes e fontes de segurança.

PROCURADO

Mehsud, que tinha uma recompensa de US$ 5 milhões pela sua cabeça, e três outras pessoas foram mortas na sexta-feira no reduto militante de Miranshah, no noroeste do Paquistão “Cada gota do sangue de Hakimullah que caiu se tornará um homem-bomba”, afirmou Azam Tariq, um porta-voz do Talibã paquistanês. “A América e seus amigos não deveriam ficar felizes, porque nos vingaremos do sangue de nosso mártir”. DIVULGAÇÃO

O líder Hakimullah Mehsud foi enterrado em segredo


Opinião

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Contexto 3090-1017/8115-1149

A3

Editorial

marioadolfo@emtempo.com.br

opiniao@emtempo.com.br

A igreja, nas pegadas de Francisco Ao contrário dos mais de 30 partidos políticos, que disputam pedaços do Estado brasileiro em nome de uma governabilidade jamais conformada, bem diferente da sociedade civil organizada no limite estreito dos próprios guetos corporativos, ainda mais dedicada a rever e fortalecer seus princípios do que as seitas cristãs empenhadas em desenvolver uma “teologia da prosperidade”, que não oferece mais do que um cartão de crédito – uma fórmula de acumulação de bens já desmoralizada desde a segunda metade do século passado –, a Igreja Católica reuniu os pastores do seu rebanho, em Manaus, para sintonizar discurso e prática com o momento conturbado da Amazônia de hoje. Durante os dias do encontro, logo ficou definido que a Amazônia posta para o Brasil é exatamente essa que vive de pires na mão, pedindo ao governo federal uma bolsa família para a sobrevida da Zona Franca de Manaus e não se envergonha de ouvir repetidos “nãos”, ao mesmo tempo em que não tem a humidade de reconhecer que, nos últimos 50 anos, nada de perene foi construído na Amazônia, muito menos uma consciência política que não esteja vinculada ao lucro imediato do sonho extrativista dos yuppies retardatários, que dominam “grupos políticos”, com a empáfia dos coronéis de barranco de um passado de que ninguém parece querer se libertar. Quarenta anos se passaram desde que essa mesma igreja tratou do mesmo assunto, em Santarém, amadurecendo-o, entre muitos percalços, para as conclusões de hoje. Não há dúvida de que a retomada humanitária de agora tem a ver com a presença de Francisco, o bispo de Roma, que não manda, dá o exemplo. É o que a Igreja Católica tomou como exemplo, no encontro de Manaus, ciente de que escolheu o caminho mais árduo para reavivar os homens de boa vontade.

Ranking mentiroso Ninguém quer ser melhor do que ninguém, mas está claro que a mídia do sul maravilha procura, sempre, “avacalhar” Manaus. Por exemplo: no ranking com a avaliação da preparação das 12 cidades-sede para a Copa do Mundo de 2014, publicado pelo Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), Manaus foi quem obteve as piores notas. Agora, se for feita uma avaliação mais criteriosa e justa, vão encontrar cidades em situação bem pior que a nossa.

De zero a cinco Foram avaliados três setores: estádios, mobilidade urbana e aeroportos, com as notas variando entre zero e cinco. E Manaus foi quem obteve as piores notas. Nota baixa A capital amazonense contabilizou apenas cinco pontos. Dois no estádio, zero no projeto de mobilidade e três no aeroporto. Injustiça Não se questiona a mobilidade urbana. Mas com certeza as notas dadas para o aeroporto Eduardo Gomes e para a Arena da Amazônia são injustas e não refletem a realidade. Arena Tem mais. Em termos de projeto arquitetônico e de beleza estética não há nenhuma arena no país melhor que a nossa. Longe e quente Na outra ponta do ranking, destaque para Belo Horizonte, que somou 12 pontos e foi a sede mais bem avaliada. De acordo com o consultor do Sinaenco, Jorge Hori, o resultado não causou surpresa. — Manaus apresenta dificuldades logísticas e climáticas.

Perguntar não ofende Quer dizer então que, antes de Manaus ser escolhida sede da Copa, ninguém sabia que a cidade ficava longe e que o clima por aqui é quente? Ranking Confira o ranking e veja se você concorda: 1º - Belo Horizonte (12 pontos); 2º - Fortaleza (11 pontos); 3º - Natal (10 pontos); 4º - Rio de Janeiro (10 pontos); 5º - São Paulo (9 pontos); 6º - Recife (9 pontos); 7º - Salvador (8 pontos); 8º - Curitiba (8 pontos); 9º - Porto Alegre (7 pontos); 10º - Cuiabá (7 pontos); 11º - Brasília (6 pontos); 12º Manaus (5 pontos). Durma com fome Agora que algumas coisas têm de ser melhoradas em Manaus, disso não há dúvidas. Por exemplo, se alguém quiser comer alguma coisa depois de 1h, não vai encontrar um restaurante aberto. Dois turnos

APLAUSOS

Presente ao Prêmio Qualidade Amazonas (PQA), da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), o vice- governador José Melo (PROS) foi chamado a discursar. Não só discursou, como pediu à sua mulher que levantasse para ouvir uma homenagem. E declamou o poema “Encontro das Águas”, de Quintino Cunha. Está valendo Depois da poesia, um jornalista resolveu cutucar o vice-governador, que é candidatíssimo ao governo em 2014. — Professor, quando começa a sua campanha? — Já começou! Boa causa Na noite de sexta-feira, o cantor-ator Daniel Boaventura retornou ao palco do Diamond para realizar o show “Uma noite na Broadway”. A renda foi direcionada à Apae e Casa Vhida.

Os 32 partidos políticos do Brasil informaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que têm um total de 15.270.234 filiados. Esse número corresponde a 10,8% dos atuais 140.943.293 eleitores do país, segundo dados mais recentes do TSE sobre o eleitorado.

VAIAS

Fieam solidária

elvis@emtempo.com.br

Último romântico

Eleitorado

O problema é que a maioria dos donos de bares e restaurantes não quer pagar adicional noturno para garçons e cozinheiros. Manter uma segunda turma para substituir quem está saindo eles também não querem. Isso reduziria o lucro.

Charge

Greve de ônibus DIVULGAÇÃO

GEORGE CURCIO/DIVULGAÇÃO

Para a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), que reverteu a renda do show de Daniel Boaventura para a Apae e Casa Vhida.

Para lideranças do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM), que volta e meia vivem ameaçando a população com greve. É a categoria usada com fins políticos.

João Bosco Araújo opiniao@emtempo.com.br

O poder e a distorção da TV Os Estados modernos, uns mais, outros menos, porque têm plena consciência dos poderes da chamada mídia (que, fiel ao latim, deveria ser media, meios) buscam estabelecer controles sobre os veículos que a compõem. Sobre os jornais impressos, certamente porque são os mais antigos, já se cristalizou a postura de repúdio à censura prévia e prevalece uma legislação que dá às pessoas ou instituições atingidas injustamente o direito de acionar os veículos por crimes já previstos na legislação penal: infâmia, calúnia e difamação. Já no âmbito da mídia eletrônica, rádio e televisão, pelo menos no caso brasileiro, adotou-se o sistema de concessão em que o Estado, como concedente, estabelece as condições da outorga e reserva para si mesmo o poder de supervisão, fiscalização e até suspensão do concedido. A priori, qualquer pessoa jurídica que detenha a concessão de um canal de rádio ou de televisão tem pleno conhecimento de que esta se deu em caráter precário e sob algumas condições ditadas pelo poder estatal, que pode, ad nutum, cancelá-la. Dentre as condições que até o puro e simples bom senso há de esperar de um concessionário de um veículo de comunicação de massa que pertence ao próprio Estado, como soem ser rádio e televisão, está a expectativa de que preserve uma linha informativa idônea e comprometida com a verdade e que adote o maior empenho em uma ação voltada para o enriquecimento cultural da sociedade em que se insere. Sobretudo quando se trata de televisão, que ganha maior força

comunicadora em razão de ser um meio audiovisual, o que o Estado deve esperar e cobrar é que cada veículo se concentre nas funções de bem informar e mais ainda de educar a população. Até quando produz programação de entretenimento, é de se esperar que não perca o foco educativo. Os casos concretos pululam na televisão brasileira. Ao tomar a Rede Globo, por ser a de maior audiência, como exemplo, no atual momento pode ser visto um programa que se propõe ser apenas de entretenimento e, entretanto, contribui para aprimorar o gosto musical das pessoas (seu título é “The Voice Brasil”). Logo a seguir entra um programa que, por seu título (“Amor e Sexo”), sugere apresentar alguma informação séria e alguma ação educativa, mas apenas vulgariza e distorce grotescamente o tema, numa achincalhação absurda. Num país como o Brasil atual, em que ocorre forte contaminação política (no pior sentido) em todas as ações governamentais, os verdadeiros e legítimos objetivos sociais são rotineiramente negligenciados por quantos assumem o poder como um galardão e uma oportunidade de maior prosperidade pessoal. Políticos e gestores públicos buscam acima de tudo construir uma boa relação com os veículos e com as redes de comunicação para, quem sabe, “tirar uma lasquinha” do poder de divulgação e de formação da opinião pública. É quando o projeto de construção pessoal toma o lugar do projeto de construção de uma sociedade mais qualificada.

João Bosco Araújo Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO

Num país como o Brasil atual, em que ocorre forte contaminação política (no pior sentido) em todas as ações governamentais, os verdadeiros e legítimos objetivos sociais são rotineiramente negligenciados por quantos assumem o poder como um galardão e uma oportunidade de maior prosperidade pessoal”


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Opinião

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Frase

Painel VERA MAGALHÃES

Oriente-se

Somos a favor de manifestações pacíficas. Mas devemos repudiar integralmente o uso da violência nessas manifestações. Não podemos aceitar pessoas tampando o rosto, destruindo o patrimônio público e machucando os outros. Essas pessoas não são democráticas

Na esteira do cancelamento da viagem de Estado que faria aos EUA em outubro e do acordo com a Alemanha para uma ação conjunta contra a espionagem norte-americana, Dilma Rousseff reforçará a guinada em sua política externa. A presidente acertou a primeira visita oficial ao Brasil do presidente da China, Xi Jinping, em abril. Assessores do Planalto lembram que foi com Xi que a presidente acertou a entrada das petroleiras chinesas no leilão de Libra, que ocorreu no mês passado. In loco O detalhamento da agenda de Xi Jinping no Brasil será um dos temas da viagem que o vice-presidente da República, Michel Temer, fará à China nesta semana. Para fotos Apesar da movimentação de aliados de Aécio Neves para antecipar a formalização de sua candidatura ao Planalto, o time de José Serra mantém no calendário previsão de evento em março para demonstrar “unidade” do PSDB e dar saída honrosa ao ex-governador.

12 anos, Renato Rabelo será substituído pela ex-prefeita de Olinda Luciana Santos. Vipinho Uma saia-justa cerca a festa do partido comunista: uma ala do partido quer convidar Eduardo Campos, dada a aliança histórica entre a sigla e o PSB. Outros, porém, temem melindrar a presidente colocando a seu lado na mesa o potencial adversário na eleição de 2014.

rivais de Dilma com seus antigos colaboradores incomoda Lula. A jato 1 A Frente Nacional de Prefeitos começou a pressionar o Senado para levar a plenário na terça-feira o projeto que define novos indexadores da dívida de Estados e municípios. Antes, no mesmo dia, o texto deve passar por duas comissões.

Quem é vivo... O embaixador José Viegas Filho é mais um ex-ministro de Lula a engrossar o time de colaboradores da dupla Eduardo Campos e Marina Silva.

A jato 2 Prefeitos telefonaram para pedir pressa ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que preside a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que vai avaliar o projeto. Seu reduto eleitoral, Campina Grande, é um dos municípios beneficiados pela mudança no indexador.

... na sua Geraldo Alckmin, por ora, prefere continuar distante da pré-campanha nacional e articular a própria aliança à reeleição.

... sempre aparece Viegas, que foi ministro da Defesa no primeiro mandato do petista, participou na semana passada do seminário do PSB e da Rede. Disse que mantém boa relação com Lula, mas atendeu convite dos ex-colegas de Esplanada.

Vem pra rua A Prefeitura de São Paulo tenta acordo para abrir as 800 vagas do estacionamento da Assembleia Legislativa para os frequentadores do Parque do Ibirapuera aos domingos, quando a entrada de carros é proibida.

Vipões Lula e Dilma serão as estrelas do congresso do PC do B, que acontece dos dias 14 a 16, em São Paulo. O partido fará a troca no comando nacional: depois de

Foto oficial Campos e Marina têm canal aberto ainda com Roberto Rodrigues e Luiz Furlan, ex-titulares da Agricultura e do Desenvolvimento na gestão petista. O trânsito dos novos

Mergulho A Secretaria do Verde também estuda a instalação de piscinas de lona e jatos de água nessas áreas de estacionamento aos domingos durante o verão.

Cada um... Enquanto isso, Serra continuará viajando pelo país e Aécio manterá suas visitas a São Paulo. O PSDB paulista organiza um ato com o senador mineiro em Bauru, ainda neste mês.

Tiroteio

Dilma Rousseff defende ação unificada entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário para combater o vandalismo em protestos, como as que têm sido protagonizadas por grupos como os “black blocs”, em entrevista, ontem, a emissoras de rádio de Salvador (BA).

Olho da Rua opiniao@emtempo.com.br

RICARDO OLIVEIRA

Manaus sofreu um processo de depilação em suas ilhargas para receber, inteirinha, uma réplica do Complexo do Alemão, cujo original fica no Rio de Janeiro e funciona como centro de treinamento do que existe de pior em uma sociedade que se acredita civil e organizada, mas deixa muito a desejar, segundo os padrões da Fifa.

Dom Sergio Eduardo Castriani opiniao@emtempo.com.br

Padilha aceita enviar médicos reprovados para o interior. Vão se somar a postos de saúde sem equipamento e sem material.

Enterrar os mortos

DO DEPUTADO ESTADUAL PEDRO TOBIAS (PSDB-SP), sobre os 48 profissionais que foram reprovados no Revalida, mas que participarão do Mais Médicos.

Me disseram que quando nos sítios arqueológicos são encontrados vestígios de rituais fúnebres surge a certeza de que aí viveram seres humanos. É próprio da humanidade enterrar ou cremar seus mortos dando assim sentido à vida e reconhecendo que a realidade transcende o espaço e o tempo. Numa última despedida manifestamos o que as pessoas são para nós e revelamos quem nós somos e como nos enxergamos. O drama dos desaparecidos, além de político e institucional, é um drama humano exatamente porque impede às famílias de ritualmente se apropriar da morte de seus entes queridos e tornálos finados, os que chegaram ao fim, encerrando a passagem pelo espaço e pelo tempo e penetrando na eternidade. Ontem foi Dia de Finados. Visitamos os cemitérios, lembramos os que partiram, sentimos saudades e reconhecemos que nossas raízes buscam sua fonte nas histórias de pessoas que amamos e que nos amaram. Ter passado é não se submeter à tirania do presente, é reconhecer que a vida foi construída e que nós também passaremos e que haverá um futuro sem a nossa presença física. Ao fazer memória dos falecidos nos recusamos a esquecê-los e ao mesmo tempo reconhecemos que a vida é maior que os poucos anos de uma história tão rápida e às vezes tão turbulenta e frustrante. Para os que acreditam em Cristo a vida não tem fim, mas é transformada. No centro de nossa profissão de fé encontrase a certeza da ressurreição de Jesus. Crer na ressurreição de Jesus é acreditar que nós também ressuscitamos. Não se

Contraponto

Soprando velinhas O senador Magno Malta (PR-ES) apareceu alegre na sessão da Comissão de Constituição e Justiça de 16 de outubro, seu aniversário. O parlamentar aproveitou a data para conseguir pequenos privilégios com os colegas. V. Exa. me concede a palavra, em nome do meu aniversário? solicitou o senador ao presidente, brincando. Malta pediu até que um de seus colegas se curvasse um pouco para que pudesse enxergar um interlocutor. Vou gastar todos os pedidos hoje, porque amanhã... Ainda bem que aniversário é só uma vez por ano, ou ninguém aguentaria! disse Vital do Rêgo (PMDB-PB). Publicado simultaneamente com o jornal “Folha de S.Paulo”

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trata somente de afirmar que a alma é imortal, ou que continua a existir em sucessivas reencarnações, mas a nossa fé nos diz que ressuscitaremos na carne, isto é com a nossa identidade pessoal e única. E esta identidade pessoal e única é vivida num corpo que deve ser respeitado. Daí a importância das exéquias onde nos despedimos do corpo de quem conviveu conosco. Daí toda a mística dos cemitérios onde estão os corpos dos que nos antecederam. É por isso que quando corpos são profanados, cemitérios são descuidados, nos sentimos mal, porque é a dignidade humana que é vilipendiada. Nós católicos acompanhamos com a nossa oração os que partem para a eternidade. Acreditamos que aí se dá o encontro definitivo e total com o Mistério, que é Amor infinito. A oração pelos defuntos nos coloca em sintonia com eles e cria a comunhão dos santos. Nós que caminhamos juntos na estrada do mundo não estamos sozinhos no momento final, único e dramático do encontro com a realidade última da nossa vida. É bom poder visitar um cemitério, melhor ainda quando podemos ali refazer memórias, sentir saudades, renovar a fé na ressurreição. Muitos de nós participamos ontem da Eucaristia celebrada em cemitérios fazendo memória da morte e ressurreição de Jesus, e colocando nesta memória a memória dos nossos entes queridos. Oxalá nunca sejamos impedidos de enterrar nossos mortos, de ritualmente nos apropriarmos de seu fim e de poder chorá-los. Seríamos menos humanos.

Dom Sergio Eduardo Castriani Arcebispo Metropolitano de Manaus

Nós que caminhamos juntos na estrada do mundo não estamos sozinhos no momento final, único e dramático do encontro com a realidade última da nossa vida. É bom poder visitar um cemitério, melhor ainda quando podemos ali refazer memórias, sentir saudades, renovar a fé”


Política

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

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Modernização das Cartas Magnas a passos lentos A revisão da Constituição do Estado iniciou há um ano e seis meses na Aleam. Na CMM, trabalhos começaram há três meses

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

A

promessa de que seja concluída até a próxima sexta-feira a análise das Propostas de Emenda a Constituição (PEC) que tratam da revisão da Constituição do Estado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) pode dar uma reviravolta na tramitação do projeto, um ano e meio depois de ter sido instituído este trabalho naquela casa legislativa. Por enquanto, a entrega do documento repaginado – que estava prevista para o aniversário da cidade, no dia 24 de outubro – mantém prazo não determinado para sua conclusão. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM) – que também revisa a Lei Orgânica do Município de Manaus (Lomam) – o andamento dos trabalhos na reformulação da Carta Magna do Estado é um pré-requisito para que sejam feitas as adequações na lei maior do município. No Legislativo municipal, o grupo especial foi criado dia 5 de agosto deste ano para revisar a Lomam. Segundo a presidente da Comissão de Revisão Constitucional da Aleam, deputada Conceição Sampaio (PP), o processo depende dos pareceres da CCJ sobre as PEC’s. Se este for o caso, o deputado David Almeida (PSD) – que preside o grupo – comenta que até esta sexta-feira devem ser entregues os posicionamentos das quatro de nove PEC’s discutidas na CCJ, como a do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal (Sindepol) e do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil (Sinpol). A propos-

ta concede aos delegados as mesmas garantias dos juízes: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos. “Foram nove PEC’s, mas cinco já voltaram para a Comissão. Quando passa pela CCJ é verificada a admissibilidade, a constitucionalidade e a legalidade. Estas propostas chegaram a CCJ e agora, quando saírem, voltam para a Comissão de Revisão, que deve finalizar o processo iniciado por eles”, destacou. Apesar das críticas quanto ao “andar” da análise, Almeida lembra que as propostas chegaram à Comissão de

PROPOSTA

Revisão da Constituição do Estado e da Lei Orgânica do Município de Manaus (Lomam) estão em andamento nas duas casas legislativas e a proposta é modernizar as Cartas Magnas do Amazonas Constituição e Justiça há três meses. “A Constituição não pode ser do dia para a noite. Como você analisa propostas que realmente vão mudar a Constituição, você tem que discutir, analisar, conversar e ver as discussões. Analisamos mais de 300 projetos e ainda tem a revisão da Constituição. Tem que ter cuidado e o critério da legalidade para que as propostas não fiquem vagas e lá na frente sejam motivos de Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade)”, avaliou. A deputada Conceição Sampaio ressalta que a primeira fase para adequar os artigos, até mesmo adequá-

los a realidade da Constituição Federal, foi finalizada, mas seria um gasto a mais publicar a nova versão sem incluir as proposituras analisadas pela CCJ. Por outro lado, ela entende que a comissão precisa de melhor tempo disponível para a verificação da legalidade, especialmente quando o projeto se refere a algo de extrema importância para a região: a Carta Magna do Estado. Uma propositura que já recebeu parecer contrário dos membros da CCJ foi a de autoria do deputado Chico Preto (PMN), que estendia o fórum privilegiado dos secretários a outras funções de chefia, como chefes da Casa Militar e Civil, comandante da polícia, delegado geral, entre outros. O próprio parlamentar – que também é membro da Comissão – voltou atrás na proposta. O presidente da Aleam, deputado Josué Neto (PSD), espera que este processo seja finalizado ainda neste ano de 2013, antes do último dia de atividades parlamentares (em 19 de dezembro). De acordo com ele, como a CCJ está com uma pauta extensa, é possível realocar técnicos jurídicos para dar maior celeridade nesta demanda. Hoje a Comissão conta com quatro técnicos destinados a este serviço. A proposta de revisão constitucional foi sugerida pelo ex-presidente da casa legislativa, deputado Ricardo Nicolau (PSD), por meio de requerimento aprovado em plenário no dia 8 de maio de 2012. Com base no requerimento foi criada uma comissão mista, integrada por deputados e juristas.

CMM também revisa Lomam No Legislativo municipal, o presidente da Comissão de Revisão da Loman, vereador Alonso Oliveira (PTC), sabe que o processo não será concluído neste ano. Ainda assim, ele assevera que isto não significa atraso por parte do grupo, tendo em vista o grau de sensibilidade da matéria, bem diferente das outras que tramitam na CMM. “Estamos tratando da maior lei do nosso município. Eu não posso de maneira nenhuma ser inconsequente e fazer o processo voar dentro da casa, sem ter critérios suficientes”, ponderou.

De acordo com ele, embora não tenham sido discutidos, já foram analisados entre 250 e 257 artigos da Loman - que possui 446 artigos. Daqui a duas semanas, a expectativa é avançar com pelo menos 50 artigos. Por conta do envolvimento dos vereadores com o Plano Diretor, ele reconhece a necessidade de um período maior para a discussão do material. Além disso, também observa que a Câmara depende de decisões da própria Constituição Estadual, para garantir o princípio da simetria.

Cem mudanças na Constituição Em torno de cem modificações foram apontadas no relatório final da Comissão de Revisão. A proposta a ser sugerida pela deputada Conceição Sampaio é quanto à publicação da Nova Constituição a partir destes ajustes que já foram aprovados pela casa, caso não haja retorno antes do recesso parlamentar por parte da CCJ. Segundo a parlamentar, a publicação apenas com as alterações entregues por ela, pelo relator, deputado Orlando Cidade (PTN) e pelo secretário, juiz Ronnie Frank Stone, já torna a Carta Magna do Estado atualizada. De acordo com Conceição,

o pleito será feito apenas se for verificada a necessidade da CCJ analisar por mais tempo as PEC’s instauradas. Uma das mudanças detectáveis é quanto aos municípios do Amazonas. No artigo 12 da Constituição do Estado ainda estavam inclusos alguns, como Auatiparaná, Augusto Montenegro, Auxiliadora, Axinin e Caburi. Conforme a justificativa, após a decisão da Suprema Corte, o Amazonas ficou politicamente dividido em 67 municípios, embora cinco não tenham sido implantados (Belém do Solimões, Bittencourt, Campina do Norte, Messejana do Norte e Tamaniquá).

Especialistas divergem sobre demora A demora na revisão constitucional divide opiniões de advogados. O processo lento não é visto como um ponto negativo pelo advogado Félix Valois. De acordo com ele, a Carta Magna do Estado precisa ser avaliada com seriedade e demandando tempo e revisão, especialmente para não se transformar em um remendo, a exemplo do que ocorre com a Constituição Federal. Em 25 anos de “estrada”, ela contempla uma lista de 73 emendas em seu conteúdo. Por outro lado, a advogada Maiara Carvalho da Motta avalia que a demora só prejudica o Estado, por contar com leis antigas que há muito tempo não beneficiam os que vivem região. “Precisamos de uma nova Constituição e precisa logo. A Assembleia precisa concluir este processo. A falta de celeridade atrapalha. Tem que reunir as novas necessidades para se aplicar às transformações”, destacou. Além disso, segundo ela, a análise de forma lenta não impede que existam emendas, até mesmo por conta da sociedade estar sempre em busca de modificações.


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Política

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Apenas 4% dos inquéritos viram denúncias do MP

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

“Continuamos com votos muito longos, votos intermináveis” MINISTRO MARCO AURÉLIO, do STF, sobre a aposta dos corruptos na lentidão da Justiça

Dilma quer começar 2014 com novos ministros Os ministros do PMDB que disputarão as eleições em 2014 já estão de sobreaviso para começar a encaixotar os pertences. Na contramão do desejo de alguns de permanecer no cargo até março, a presidente Dilma Rousseff avisou ao vice Michel Temer que pretende começar o ano de 2014 já com o quadro renovado na Esplanada. A petista negociará os cargos em troca de apoio para sua reeleição em 2014. Lá vem briga Terceira maior bancada da base, o PP já está de olho no Ministério da Integração, prometido ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Nome forte Com o ministro Aloizio Mercadante (Educação) na coordenação da campanha de Dilma, Carlos Gabas é o mais forte para a Casa Civil. Dificuldades Cotado para substituir Ideli Salvatti na Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini (SP) enfrenta resistência até no PT. Nervos de aço O Tribunal de Contas da União faz “inspeção extraordinária” há dez dias no Tribunal de Justiça do Rio, por ordem da ministra Ana Arraes. Governo tenta evitar ‘pauta bomba’ de fim de ano O Planalto negocia com a base aliada para tentar evitar a votação de um combo de projetos que geram aumento de gastos para o governo. A presidente Dilma teme que a proximidade das eleições leve os parlamentares a votar medidas populistas, como a

criação de piso remuneratório aos agentes de saúde, o fim do fator previdenciário e a PEC 300, que prevê piso nacional para policiais militares e bombeiros. Toda ajuda... A ministra Ideli Salvatti pediu ajuda aos líderes do PTB, senador Gim Argello (DF), Jovair Arantes (GO) e o presidente Benito Gama. ...tem preço Durante a reunião, os petebistas avisaram que não têm qualquer compromisso com o governo, que até hoje não lhes deu ministério. Azucrinador-geral Alvaro Dias (PSDB-PR) se diverte no Senado azucrinando a presidente Dilma, agora ameaçando uma CPI da Copa. Ele a chama de “Ô Dilmo”. Não vai dar certo No Brasil com 200 milhões de habitantes, cerca de 26 milhões pagam imposto de renda para sustentar 50 milhões de pessoas no Bolsa Família. Ignora-se como vivem 124 milhões, e o futuro dessa equação. Só falta o nariz Para o senador Cícero Lucena (PSDB-PB), “o Congresso faz papel de palhaço” ao aceitar que o governo vote em outra medida provisória os termos da renegociação da dívida dos agricultores do nordeste, ignorando todo o trabalho realizado por parlamentares na comissão. Vistoria Após visitar antiga sede do DOI-Codi no Rio, as comissões da verdade da Presidência, Câmara e Senado farão nova diligência na sexta (8) na base aérea do Galeão, para procurar su-

Jornalista

Contra ‘black blocs’ O deputado Esperidião Amin (PP-SC) protocolou na Comissão de Constituição Justiça parecer ao projeto de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para dobrar as penas para vândalos, previstas no Código Penal. Feudo O deputado Esperidião Amin (SC) acredita ser praticamente impossível o PP faturar o Turismo na reforma ministerial. “Pelo que escutei na CNBB e no hospital Sírio-Libanês, a vaga é do PMDB”. Pesou O senador Aécio Neves (PSDB-MG) teme que os violentos ataques dos “black blocs” em São Paulo, enfrentando o governador tucano Geraldo Alckmin, acabe prejudicando sua candidatura à Presidência, em 2014. Falha matemática A Fecovinho garante que já entregou 4,5 milhões de litros dos sucos de uva adquiridos pela Conab, mas a empresa do Ministério da Agricultura menciona 2,9 milhões. Relatório aponta que ainda faltam 1,2 milhão de litros a Nova Aliança e 540 mil da Aurora. A Garibaldi já entregou tudo. Conversa fiada A bancada do PMDB decidiu votar contra a proposta do governo de mandar instalar no país os principais data-centers de provedores de conteúdo à internet, sob avaliação de que não impedirá a espionagem. Vendo para crer Dilma foi alvo de gozação por inaugurar pela terceira vez uma via expressa na Bahia. Queria ter certeza da inauguração, diria o outro.

Padre é um perigo Políticos da Bahia contam uma velha história do interior, ocorrida nos anos 50, quando adversários de um padre candidato a prefeito o ameaçaram de revelar a lista dos filhos que ele fez nas redondezas, caso mantivesse a candidatura. Confessor das mulheres dos adversários, ele respondeu: - Meus adversários podem até dizer quem são meus filhos na cidade, mas eu entrego os nomes de todos os que não são filhos deles... Manteve a candidatura e foi eleito.

SEIS MUNICÍPIOS

Eleitores voltam às urnas hoje Pará, respectivamente, terão novos pleitos. Em todas essas cidades, as eleições de 2012 para prefeito foram anuladas pela Justiça Eleitoral porque o candidato que recebeu mais de 50% dos votos válidos teve o registro de candidatura indeferido. De acordo com a resolução nº 23.280/2010 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesses casos, as novas eleições devem ser marcadas sempre no primeiro domingo de cada mês, pelos Tribunais

DIVULGAÇÃO

postas celas subterrâneas.

PODER SEM PUDOR

Mais de 53 mil eleitores de seis municípios de quatro Estados voltam às urnas, neste domingo, para escolher seus prefeitos e vices. No Paraná, dois municípios realizarão novas eleições: Santa Inês e Inácio Martins. No Rio Grande do Sul, os eleitores dos municípios de Maximiliano de Almeida e Dom Feliciano também vão escolher seus representantes. Em Pernambuco e no Pará apenas os municípios de Água Preta e Palestina do

Para entidades que representam agentes e peritos, falta de eficiência da PF resulta no baixo número de condenações

Regionais Eleitorais (TREs). Novas eleições Ao todo, 59 cidades de 19 Estados já realizaram novas eleições para prefeito e vice-prefeito desde o início do ano. A maior parte dessas cidades está no Estado de São Paulo, onde ocorreram 11 eleições. Em seguida, vem o Estado do Rio Grande de Sul, que teve nove pleitos. Outras novas eleições ainda poderão ser convocadas pela Justiça Eleitoral.

Para o presidente da ADPF, delegado Marcos Leôncio, restrições orçamentárias prejudicam a PF

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combinação de freio no Orçamento da Polícia Federal, desvios de função e conflitos internos não resolvidos resulta em prejuízos ao combate ao tráfico de drogas e aos crimes do colarinho branco, como a corrupção. “O problema é o contingenciamento do Orçamento”, acrescenta o delegado Marcos Leôncio, presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF). Mas dinheiro não é o único problema. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) contabiliza que só 4% dos inquéritos são convertidos em denúncias do Ministério Público, o que, para a entidade, significa ou impunidade ou ineficiência. “Isso prejudica diretamente. Você não tem o pessoal trabalhando onde deveria”, comenta o vice-presidente da entidade, Luís Antônio Boudens.

Insatisfação O presidente da Associação dos Peritos Criminais (APCF), Carlos Antônio de Oliveira, demonstra insatisfação com a eficiência das investigações. “A maior parte dos inquéritos na

DEFICIÊNCIA

Problemas internos na estrutura da Polícia Federal têm gerado inúmeros prejuízos à coletividade, como o combate massivo ao tráfico de drogas e aos crimes do colarinho branco como a corrupção PF são concluídos de forma que o Ministério Público não consegue denunciar e a Justiça não consegue condenar”, critica. Uma das medidas defendidas por ele é reunir apurações de temas semelhantes. Numa mes-

ma unidade, vários delegados abrem inquéritos diferentes para apurar, por exemplo, casos de falsificação de documentos. “Os casos são pulverizados e acabam arquivados.” Ditadura e silêncio As críticas se estendem ao setor de comunicação da PF. “Ainda somos um órgão muito fechado. O setor de comunicação social parece de um órgão da ditadura militar, obrigada sempre a negar informações”, dispara Carlos Antônio. A assessoria da PF prestou esclarecimentos ao site, mas não comentou as disputas entre as categorias profissionais da corporação. Também não disse como enfrentar o número crescente de suicídios entre os policiais ou medidas para melhorar a eficiência dos inquéritos policiais. Outro assunto não explicado pela PF é sobre os eventuais desvios de funções na categoria.


Com a Palavra

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

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Eleonora MENICUCCI

‘O maior VILÃO é o PATRIARCADO’

FOTOS: TOMÁS FAQUINI

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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Com certeza o maior vilão é o patriarcado, a cultura que coloca a mulher como propriedade e posse do homem, seja namorado, companheiro, pai e filho ou até mesmo um agressor desconhecido. Não se pode simplificar a questão da violência”

esde o dia 30 de outubro, o Amazonas entrou para a lista de unidades federativas que aderiram ao programa Mulher, Viver sem Violência, com a assinatura do termo de adesão firmado pela ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), e por representantes do poder público estadual e municipal. À frente do programa, que agora contempla 12 Estados do país, a ministra abordou pontos significativos em entrevista ao Amazonas Em Tempo, que poderão servir como auxílio na implementação cada vez mais bem sucedida da Lei Maria da Penha (lei federal 11.340, decretada em agosto de 2006). Para reforçar as medidas do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, o Mulher, Viver sem Violência oferece serviços públicos de segurança, justiça, saúde, assistência social, acolhimento, abrigamento e orientação para trabalho, emprego e renda. O objetivo da iniciativa é prestar de forma mais rápida o atendimento às vítimas da violência de gênero. Somado às Centrais de Atendimento à Mulher (180), ao Pacto de Enfrentamento à Violência com Estados e Municípios, à indenização regressiva e a várias outras medidas do poder público, o programa federal garante uma rede protetiva com integração dos serviços e melhoria no acesso. As Casas das Mulheres do Brasil devem começar a ser construídas a partir do ano que vem, garantindo um passo a mais no fim do constrangimento daquelas que denunciam seus agressores e nem sempre encontravam estruturas adequadas para atendimento.

EM TEMPO - Pelo que já foi detectado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), quais os tipos de violência mais enfrentados pelas mulheres? Eleonora Menicucci - Vão desde a violência psicológica à violência física, que pode se transformar em fatal quando a mulher é vítima de assassinato. Ainda assim, qualquer forma de violência é uma violência lamentável que deve ser punida. Seja violência sexual, como o estupro, ou violência doméstica, muitas vezes realizada pelo marido, namorado, companheiro. Tudo é uma forma de agressão que muitas vezes pode chegar ao assassinato. A violência psicológica, quando o homem ameaça, humilha a mulher na frente dos filhos ou de qualquer outra pessoa, também é uma situação lamentável, porque mexe com algo que não está explícito, que é o sentimento da mulher de que ela é inferior. EM TEMPO - E quem pode ser apontado como o principal vilão nesta história? EM - Com certeza o maior vilão é o patriacardo, a cultura que coloca a mulher como propriedade e posse do homem, seja namorado, companheiro, pai e filho ou até mesmo um agressor desconhecido. Não se pode simplificar a questão da violência estruturada pelas relações de gênero. EM TEMPO - A Lei Maria da Penha é eficaz na proteção da mulher? EM - É muito eficaz, pois trouxe à sociedade brasileira demonstração clara de que ainda existem mulheres sofrendo por conta de agressões. Ela não só minimizou a violência contra as mulheres como mostrou que dá cadeia e mexe na conta bancária dos agressores, tendo em vista a indenização regressiva, que

os obriga a ressarcir ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) as indenizações pagas pelo Estado às vítimas ou a seus dependentes. Não posso dizer o número exato, mas sei que a lei contempla mais de três mil medidas protetivas, como a que define que os agressores mantenham uma distância da vítima. Além disso, foram mais de 30 mil presos em flagrantes desde sua implementação, até mesmo com condenações emblemáticas, como no caso do ex-goleiro Bruno (condenado pelo assassinato de Eliza Samúdio), do policial militar reformado Mizael Bispo (que pegou 20 anos pelo assassinato de Mércia Nakashima, morta no dia 23 de maio de 2010 em uma represa na cidade de Nazaré Paulista) e da banda de Salvador, New Hit (no qual nove integrantes do grupo foram presos sob a suspeita de estupro contra duas adolescentes de 16 anos, após um show realizado em trio elétrico em Ruy Barbosa). São várias situações na qual em menos de 5 anos os suspeitos foram condenados. Em outros tempos, não haveria uma lei que condenasse. EM TEMPO - O que as mulheres amazonenses ganham com a implementação do programa? EM - O programa muda a vida delas. A mulher passa a ter segurança, passa a valer o que sempre valeu, ou seja, ser um sujeito com os mesmos direitos do restante da sociedade. E ela vai ter proteção por conta da integração dos serviços dentro do mesmo espaço físico, com a implementação da Casa Mulher do Brasil, que corresponde a Centros Especializados Integrados de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência. Serão nove núcleos de centro especializados em zonas de fronteiras, sendo que já temos três e vamos abrir mais seis.

EM TEMPO - Como as vítimas podem participar do programa? EM - Elas devem procurar a Casa da Mulher para serem encaminhadas a um dos 87 hospitais de referência que atendem a mulheres vítimas de violência agora. Nós temos uma lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff (PT) que torna obrigatório e integral o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) para vítimas de violência sexual, inclusive com métodos contraceptivos. EM TEMPO - Com a adesão do Amazonas, sobe para 12 a quantidade de unidades federativas envolvidas com o Mulher, Viver sem Violência: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Roraima, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. Existe diferenciação do projeto de uma região para a outra? EM - É um programa básico. Nós temos 26 dos 27 Estados que se interessaram em assinar o termo de adesão – apenas Pernambuco ainda não entrou para esta lista. E o projeto é um só para todas as capitais. Nós entregaremos, sem dúvida nenhuma, o programa com as diretrizes básicas para os que firmaram o termo. E, a partir daí, eles farão o desenho de como será alocado. EM TEMPO - Para finalizar, qual o recado a senhora daria às mulheres vítimas de violência de gênero? EM - Elas precisam saber que a União já conta com políticas públicas, em parceria com os governos estaduais, as prefeituras e os sistemas legais do nosso país, para apoiá-las. Isso prova que elas não estão nesta sozinha, que podem denunciar cada vez mais porque já existem políticas públicas para defendê-las.

O programa muda a vida delas. A mulher passa a ter segurança, passa a valer o que sempre valeu, ou seja, ser um sujeito com os mesmos direitos do restante da sociedade”

Elas precisam saber que a União já conta com políticas públicas, em parceria com os governos estaduais, as prefeituras e os sistemas legais do nosso país, para apoiálas”


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Política

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Votações importantes no Senado ficam para terça

Projetos como o do Orçamento Impositivo e o fim do voto secreto devem entrar na pauta do Senado depois de amanhã

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uas propostas de emenda à Constituição – a do orçamento impositivo e a que acaba com todo tipo de voto secreto no Legislativo – devem ser votadas a partir da próxima terça-feira no plenário do Senado. O anúncio dessas votações foi feito pelo presidente da casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), na última quarta-feira. A PEC do Orçamento Impositivo (PEC 22 A/2000) foi apresentada pelo então senador Antônio Carlos Magalhães (ACM). O texto aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e que será examinado pelos senadores, prevê que a União ficará obrigada a liberar o dinheiro das emendas dos parlamentares ao Orçamento federal, até o limite de 1,2% da Receita Corrente Líquida (RCL) da União. Além disso, a proposta cria uma fonte de financiamento estável para a saúde pública, uma vez que 50% dessas emendas parlamentares serão destinadas ao setor. A expectativa é que essa PEC seja votada, pelo menos em primeiro turno, na terça-feira. No dia seguinte, os senadores devem examinar a proposta de emenda à constituição (PEC 43/13) que

ANA VOLPE/SENADO

acaba com todo tipo de votação secreta na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, nas Assembleias Legislativas estaduais, na Câmara Legislativa do Distrito Federal e nas Câmaras de Vereadores. Essa votação deve ser mais polêmica, a julgar pelos debates ocorridos na última quartafeira. Naquela sessão havia a possibilidade de essa proposta ser votada, mas o líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira (SP), pediu mais tempo para melhor análise do texto. O líder tucano considera o fim de todos os votos secretos no Poder Legislativo um “verdadeiro suicídio institucional”. O senador Walter Pinheiro (PTBA), por sua vez, afirmou que a bancada do Partido dos Trabalhadores apoia “integralmente a questão do voto aberto em todas as circunstâncias no parlamento brasileiro”. O relator da proposta na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Sérgio Souza (PMDB-PR), admite que falta unanimidade quanto ao voto aberto, mas defende que a emenda constitucional deva ser votada o quanto antes e lamentou que essa votação já não tenha acontecido na quarta-feira.

Trabalho escravo entra na pauta Os senadores também podem votar, na próxima semana, a PEC 57A/1999 que pune quem explora trabalho escravo. Segundo o texto, comete esse crime quem força outra pessoa a trabalhar mediante coação ou restrição de liberdade, quem obriga o trabalhador a uma jornada exaustiva, em condições degradantes, ou que dificulta sua locomoção por conta de dívidas. A punição é a expropriação da área, tanto rural, quanto urbana, para fins de reforma agrária ou para programas habitacionais. Os senadores devem votar também o PL 432/2013, que regulamenta a expropriação das propriedades rurais e urbanas onde se encontre trabalho escravo. Senadores adiaram para a próxima terça-feira votações como a PEC do Orçamento Impositivo


Caderno B

Economia MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

economia@emtempo.com.br

(92) 3090-1045

IONE MORENO

Polo cerâmico amazonense a todo vapor Economia B3

Características e práticas de um verdadeiro gestor Habilidade de comunicação, iniciativa e perfil educador são os pré-requisitos que um “chefe” deve ter para se tornar um líder LUANA GOMES Especial EM TEMPO

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e há algum tempo o autoritarismo era a melhor forma de conduzir uma equipe, hoje este é considerado o maior pecado de quem assume um cargo de chefia. Com as oscilações no meio empresarial, surgiram até mesmo diferenciações das posições de chefe e líder. Para quem deseja ser um bom gestor, dar somente ordens é uma carta “fora do baralho”. O atual modelo de liderança, que ainda tem a resistência de alguns gestores, foi moldado pelas novas relações de trabalho, segundo o gerente da unidade de capacitação empresarial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas (SebraeAM), Ricardo Rivadavia. “Passou do uso do comando e da força para o modelo do convencimento e adesão a propostas inovadoras e motivadoras”, ressalta. Rivadavia pontua que o líder moderno não cumpre apenas tarefas, mas supera desafios, especialmente quando lida com mentes, pessoas e não mais funções e processos. Muito mais que um diploma de nível superior, o bom gestor precisa ter habilidade de comunicação, equilíbrio emocional e perfil de educador. O gerente cita como exemplo Luiza Trajano, do Magazine Luíza, que lidera cinco mil lojas e mais de 20 mil colaboradores sem nunca ter ido a uma faculdade. Para ele, as principais características do líder moderno são sua

visibilidade como visionário, capacidade de correr riscos calculados, o fato de ser motivador, inovador, perspicaz, flexível com pessoas e firmemente comprometido com resultados. Há tempos no departamento de capacitação empresarial, Rivadavia destaca que a principal mudança do “líder de ontem” e do “líder de hoje” é que liderança não é mais resultado de uma indicação superior, ou seja, se não houver reconhecimento deste “dom” por parte do grupo, os resultados finais da equipe serão irrisórios. “Portanto, a nova liderança é primeiramente conquistada, não adquirida por cargo. Nem sempre o chefe é o líder, e os desavisados que ainda insistem neste modelo estão fadados ao fracasso”, assevera. Reconhecimento Para ter êxito no comando, o líder não precisa ser o best friend forever (gíria bastante popular da geração atual) de seus funcionários, mas deve priorizar a motivação daqueles que o cercam. Além disso, Rivadavia chamou atenção sobre a necessidade de preservar uma “distância profissional”. “No sentido de que suas relações devem ser absolutamente respeitosas e corteses, mas sem perder de foco que essa relação tem um objetivo: alcançar um resultado, que precisa ser vendido como benéfico para todos”, enumera. O diretor-executivo da consultoria Strategic Advanced, Carlos Rosa, afirma que a teoria remete a três estilos básicos de liderança: autocrática,

Motivar e atitudes positivas Para o diretor, as principais características de um líder se remetem à capacidade de motivar, fazer as pessoas comprarem um sonho, desenvolver equipes, atingir resultados, atitudes positivas e construtivas, visão sistêmica, inteligência emocional e espiritual.

Antes mesmo de pensar que no ganho financeiro, Rosa salientou que um dos maiores retornos da boa liderança é o clima organizacional saudável, pessoas motivadas e felizes com que fazem e como fazem, assim como o reconhecimento do grupo.

democrática e liberal. Entretanto, segundo ele, com o aumento da complexidade se fez necessário desenvolver variantes, tais como: liderança visionária e situacional. Rosa pontuou as principais falhas de quem assume um cargo de chefia: “subestimar a capacidade dos seus liderados, não percebendo seus pontos fortes e fracos, mudar o comportamento (para pior) em função de estar no poder e não liderar por atitudes, mas sim cobrar uma postura e fazer o contrário do que fala.

DICAS PARA SER UM BOM GESTOR 1. Praticar uma boa governança: com transparência, confiança e respeito às legislações. 2. Atuar coletivamente e decidir participativamente. 3. Identificar, estimular, desenvolver e reconhecer talentos – inclusive os melhores que os seus próprios. 4. Focar sempre em resultados coletivos.

6. Liderar por atitudes. 7. Desenvolver a espiritualidade dos liderados, no sentido de estimular valores mais nobres nas relações com o grupo e a ambiência que o cerca (respeito, solidariedade, colaboração, cortesia, família e religião de cada um). 8. Ser transparente, verdadeiro e constante em apresentar indicadores durante e no final do processo. 9. Trabalhar para a empresa e não na empresa.

5. Não colocar coisas antes das pessoas; entendendo que o capital financeiro, físico e estrutural da empresa não é nada, sem o capital intelectual.

10. Vencer a si mesmo, em suas dificuldades e fraquezas, todos os dias.


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Economia

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Antecipar benefício nem sempre é a melhor saída Especialistas recomendam cautela para quem solicita o adiantamento do décimo terceiro salário junto aos bancos

REPRODUÇÃO

LUANA GOMES Especial EM TEMPO

H

á empregadores que deixam para pagar o décimo terceiro somente no dia 20 de dezembro, último prazo do pagamento imposto pela lei 4.749, de 1965. Diante desta realidade, muitos funcionários decidem recorrer a medidas drásticas por não “aguentarem” o tempo de espera e optam pela antecipação do benefício por meio das instituições financeiras. Os economistas alertam que esta não é a melhor opção. Com taxas a partir de 3,09% ao mês, o Bradesco oferece antecipação de até 80% do valor total do décimo terceiro. A alternativa pode ser solicitada até dia 07 deste mês. No caso específico dos aposentados que recebem até um salário mínimo, a solicitação pode ser feita até dia 22. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode ser financiado e incluído no valor da prestação. No caso do Banco do Brasil, a antecipação de mesmo percentual do valor a receber do benefício é destinada aos clientes que recebem salário

creditado em conta-corrente no banco e com limite de crédito aprovado. A linha não exige garantia e o IOF é financiado automaticamente no valor da prestação. As parcelas do crédito – que fica na faixa de R$ 100 a R$ 5 mil – coincidem com o recebimento do benefício ou vencimento do contrato, o que ocorrer primeiro. Ainda que a medida seja aprazível aos olhos dos “afobados”, o membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Erilvaldo Lopes, detalha que é um erro ter pressa em gastar o décimo terceiro, especialmente quando não se trata de um benefício, mas direito do trabalhador. “Só em caso de extrema necessidade, pois o banco vai cobrar um ágio sobre o valor. Afinal, trata-se de um empréstimo, embora com baixíssimo risco para o banco”, considera. Lopes especifica que o trabalhador deve esperar o prazo e priorizar o décimo terceiro no pagamento de dívidas ou ao menos a amortização; ou realizar investimento em caso de quem não tem dívidas; ou complementar a compra de um bem de consumo que já esteja programado.

Mais dicas para evitar recorrer ao “atrativo” O assessor de economia da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio/ AM), José Fernando Pereira, afirma que, a não ser que o consumidor esteja “atolado em dívidas”, antecipar o décimo terceiro não é um dos melhores recursos, já que o

risco do banco é zero, porque debita o crédito logo que o benefício é depositado. Neste caso, só quem perde é o próprio cliente do banco, em virtude dos altos juros. Segundo ele, uma das observações dos últimos anos é que grande parte do percentual do décimo terceiro

é aplicada na aquisição de bens de consumos duráveis. Por sinal, estimativa da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus) era que 40% do montante referente ao benefício – que deve ser pago nesta segunda parcela – seria utilizado para quitação de dívidas, enquan-

to o restante refletiria nas vendas do setor. Como dica, José Fernando considera que uma das melhores estratégias é fazer uma reserva do dinheiro, abrindo ou investindo em uma caderneta de poupança para evitar futuras “dores de cabeça”.

Alfredo MR Lopes alfredo.lopes@uol.com.br

PPB: o embargo ilegal

Enquanto o Congresso adia a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC506/2010), que prorroga por 50 anos a Zona Franca de Manaus, por manobra da bancada paulista para incluir os benefícios fiscais para Informática por igual período,um fato relevante colocou na ordem dia das empresas - que aguardam até 50 meses para ter seu PPB - Processo Produtivo Básico liberado - a consulta jurídica na busca por seus direitos. Não resta alternativa, que não seja a investida ao arcabouço jurídico, para definir as regras do jogo que amparam os investimentos na Zona Franca de Manaus. O fato relevante é a recusa peremptória, por parte do Ministério do Desenvolvimento e de Ciência, Tecnologia e Inovação, do PPB de um item a ser produzido no Polo Industrial de Manaus. O item, que será revelado tão logo a empresa tome suas providências legais, é um entre as dezenas que aguardam manifestação ministerial. Sem critérios explicitados, nem amparo jurídico para a decisão, a recusa pura e simples revelou que o GTPPB, a instância dos ministérios que dá a sentença, passa a ser o formulador da política industrial nacional, com status jurídico superior à Carta Magna e à suprema corte deste país. Pode? Até aqui as entidades que representam as empresas locais,em nome da proatividade e nobreza que devem permear as relações, descartaram a hipótese de recorrer à Justiça para dirimir dúvidas e equacionar pendências,

atrasos, descasos... A sentença de veto de ao PPBvai brecar um empreendimento, com os danos e perdas que isso representa. Em Manaus, diz o decreto-lei 288/67, que criou a ZFM, somente está proibida a fabricação de armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros. Para todos os demais produtos, o governo federal, por regulamentação por ele próprio estabelecida, tem 120 dias para publicar o PPB e se não o faz, não resta outra saída além de recorrer à justiça. No mais pessimista dos cenários, o juiz dirá que o PPB está aprovado por decurso de prazo. Simples assim! Ele não encontrará em lugar algum do acervo jurídico nacional qualquer penduricalho legal que impeça quem quer que seja o direito de fabricar, no âmbito da Zona Franca de Manaus, qualquer produto. Do lado de quem estão as entidades quando o PPB de um produto fica travado ou, como agora, não foi liberado? A resposta parece óbvia mas não tem sido assim a partir desse axioma legal insofismável. A mesma pergunta se aplica à Suframa, a agência federal que tem a responsabilidade da distribuição de benefícios fiscais. Até aqui Suframa e entidades buscaram a negociação, temendo que os pingos da legalidade nos is da intransigência imperativa resultem em aumento das liberalidades formais, em outras palavras os entraves burocráticos. Este caminho da conversa proativa

não tem prosperado pondo em risco o marco regulatório de uma ZFM que encolhe a cada dia. Os dados de desempenhoestão aí para quem sabe ler. Essa alternativa da diplomacia fiscal, e da desregulamentação burocrática se revela na indefinição, por exemplo, do modelo de gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia, que consumiu mais de 120 milhões das empresas instaladas na ZFM, e tantos prejuízos causa há 13 anos pela protelação do polo de biotecnologia. Entidades e a própria Suframa, em lugar de descredenciar com o aparato legal o mandonismo do GTPPB, se curvam à decisão de dois burocratas que não adotam a Lei, nem se baseiam em critérios públicos e transparentes para proibir empresas no âmbito da ZFM. Melhor seria contestar, com as tábuas da lei, a insensatez de travar por tantos anos um polo de bioindústria que poderia promover o aproveitamento inteligente e não predatório da biodiversidade. Quanto à embromação ou veto do PPB, transcorridos os 120 dias por ele próprio estabelecidos, que se consulte a lei e lhe confira o poder dadecisão. Chega do discurso da indignação moral, da especulação sobre razões republicanas, ou obscuras, em busca daquilo um direito líquido e certo. Esgotadas as saídas, construídas na mesa de negociação eleitoral, o melhor caminho – como recomendam sábios juristas escolados no direito familiar ou empresarial - o mais correto caminho é a lei. Em agosto último, depois de

esperar mais de 4 anos pela liberação do PPB, o Processo Produtivo Básico que normatiza e habilita o produto para fruição dos incentivos fiscais, a empresa de medicamentos Novamed obteve a aprovação do projeto no Conselho de Administração da Suframa, órgão máximo de distribuição dos incentivos na Zona Franca de Manaus. São mais de 50 de prejuízos causados pela demora na liberação do PPB. É curioso lembrar esta é a primeira indústria de fármacos, com capacidade potencial de utilizar a imensidão de recursos genéticos da floresta. No limite, esta é a base ecológica de que falava o atual ministro do Desenvolvimento, ao cobrar da ZFM outras matrizes econômicas com agregação de valor e maior competitividade. Outras propostas do setor, incluindo empresas de cosméticos, focadas em oleaginosas, fibras e resinas com potencialidade comercial, desistiram ou capitularam diante do lobby contra a ZFM. A pátria da nutracêutica, de que falava a geógrafa Bertha Becker, ao propor estabelecimentos de produção para as comunidades ribeirinhas amazônicas, esbarra na pátria da burocracia transformada em entidade autotrófica. E essa incerteza da insegurança legal, prazos imponderáveis, entre outros entraves,interferem na tomada de decisões, desestimula a programação dos investidores, embaralha cronogramas, enfim, compromete a definição de novos empreendimentos na região. Definido pela lei federal n.º 8.387, de 30 de dezembro de 1991, o PPB foi criado

para substituir a política anterior que era estabelecida pelo índice nacionalização de componentes, e para reduzir a importação de insumos. O processo fixa um conjunto mínimo de etapas físicas a serem cumpridos pelas empresas que se candidatam a receber incentivos, e foi estabelecido para gerar maior adensamento da cadeia produtiva e agregação nacional. Cumpridas as exigências, a empresa inicia a produção daquele bem e só a partir daí passa a usufruir das isenções tributárias. Teoricamente o PPB cumpre o papel de controlar o número de importação e de exigir níveis crescentes de nacionalização de partes e peças produzidas. Cada produto obrigatoriamente tem que cumprir a um PPB, e sua liberação tem passado por critérios técnicos e por pressões dos Estados mais industrializados, temendo a paranoia da fuga de empreendimentos em direção a Manaus. Se os benefícios fiscais da ZFM só são concedidos com o início da fabricação, e sua fruição após a comercialização dos produtos, protelar ou embargara liberação do PPB é espalhar danos, impedir a criação de empregos e renda, evitar a receita pública dos tributos. É essencial recordar que o modelo Zona Franca de Manaus – intrinsecamente ligado ao zelo e guarda do bioma florestal - é a política federal de desenvolvimento mais acertada para a Amazônia. Com a palavra, a Justiça! (*) Alfredo é filósofo e ensaísta

Alfredo MR Lopes Filósofo e ensaísta

Do lado de quem estão as entidades quando o PPB de um produto fica travado ou, como agora, não foi liberado? A resposta parece óbvia mas não tem sido assim a partir desse axioma legal insofismável


Economia

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Polo cerâmico do Estado com trabalhos acelerados A um mês do início do período de chuvas, o setor está produzindo diariamente 400 mil tijolos em Iranduba e Manacapuru

DIEGO JANATÃ/ARQUIVO EM TEMPO

JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

A

té a primeira quinzena de dezembro, o polo cerâmico do Estado vai funcionar a todo vapor. Antes que o período de chuvas se intensifique e o nível do Rio Negro volte a subir, impossibilitando a coleta da argila, as 30 fábricas dos municípios de Iranduba e Manacapuru, trabalham no máximo da capacidade produtiva. Segundo a Associação de Ceramistas do Estado do amazonas (Aceram), um milhão de tijolos estão saindo do forno das olarias diariamente, gerando um faturamento também diário de R$ 400 mil ao setor. A presidente da Aceram, Irlene Batalha, analisa que, com a produção no topo, a receita do segmento neste ano deve ser 20% maior em relação ao do ano passado. De acordo com a presidente, com a alta da demanda, o preço do insumo também subiu. No último mês, conforme o sindicato, o preço do milheiro do tijolo foi reajustado em 8%, sendo vendido atualmente entre R$ 390 e R$ 410. “Com o reajuste, que ocorreu devido à dificuldade de matéria-prima e o bom pe-

ríodo para o setor, esperamos aumento de até 20% sobre o ano anterior”, afirma. O sócio e gerente da olaria Cerama, Geraldo Dutra, avalia o ritmo de produção como bom e diz que os principais clientes das olarias do polo são as obras residenciais do Estado. “As gran-

SEGMENTO

O polo cerâmico de Iranduba e Manacapuru é composto por aproximadamente 30 fábricas de pequeno porte que, juntas, empregam cinco mil funcionários diretos e criam em torno de 12 mil empregos indiretos Com a produtividade a todo vapor e as vendas em alta, as olarias, juntas, chegam a faturar até R$ 400 mil por dia

des obras comerciais e de construtoras expressivas não consomem os tijolos do polo amazonense. O grande consumidor é aquele que constrói ou reforma sua casa”, diz. Segundo Dutra, a partir do próximo ano, o setor pode crescer ainda mais, pois passará a ser estimulado pelas construções do programa do governo federal Minha Casa Minha Vida no interior do Estado.

Falta de licenças pode afetar o desempenho Apesar do bom momento, a falta de licenças pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para extração de matéria prima (argila para a produção e lenha para a queima dos tijolos) pode

impedir o avanço do setor. De acordo com a presidente da Aceram, Irlene Batalha, o estoque produzido pelo setor vai durar até março de 2014. O diretor presidente do Ipaam, Antônio Stroski, informou

que o polo não será prejudicado por falta de acesso à mão de obra, mas disse que os produtores terão de cumprir as exigências ambientais. Ele disse ainda que os resíduos obtidos das obras da Cidade

Universitária, serão disponibilizados ao setor. “Serão de oito mil a 8,9 mil metros cúbicos de lenha disponíveis ao longo da construção, além de toda argila que puder ser retirada da área”, adiantou.


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Economia

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Amazonas receberá mais três unidades flutuantes JULIANA GERALDO Equipe EM TEMPO

A população do interior do Amazonas terá mais assistência do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para solicitar o recebimento de benefícios previdenciários. A expectativa do órgão é de que três PREVbarcos – unidades flutuantes móveis voltadas para o atendimento e concessão de benefícios – estejam em funcionamento a partir do segundo semestre de 2014. As embarcações, que juntas somam investimentos – ainda em processo licitatório – de R$ 193 milhões, vão se somar a uma unidade flutuante já em atividade no Estado e devem suprir 43 municípios com cem mil atendimentos por ano, a partir de 2014. Com a expansão, as calhas dos rios Juruá, Purus, Japurá, Madeira, Médio e Alto Solimões, Baixo Amazonas e rio Negro passam a compor a área de abrangência do serviço, com mais de 20 mil quilômetros de malha fluvial. De acordo com o gerente da unidade móvel flutuante Manaus 1 (PREVbarco), Clizares Santana, o objetivo das novas

unidades é atingir localidades no Estado onde não existem agências e dar mais tempo à população para atendimento junto ao órgão. “Hoje, com apenas um barco, a Previdência consegue passar, no máximo, seis dias em cada município. Com o aumento da frota, essa permanência passa para 25 dias, em média,

EM 2014

As embarcações, que juntas somam investimentos de R$ 193 milhões, vão se somar a uma unidade flutuante já em atividade no Estado e devem suprir 43 municípios com cem mil atendimentos por ano por localidade”, enfatiza. Segundo Santana, entre as principais atividades, as equipes das embarcações, compostas por oito pessoas – seis técnicos do INSS, um assistente social e um médico perito – vão realizar os atendimentos e a concessão de benefícios, sendo os principais, o salário-maternidade e a aposentadoria

DIVULGAÇÃO

Em 2014, o Estado vai ser contemplado com mais três embarcações para atendimento de benefícios previdenciários por tempo de serviço. Obstáculos Mesmo com o aumento da frota previsto para o próximo ano, o gerente explica que a cobertura previdenciária do Estado ainda deixa a desejar. O índice do Amazonas é de 7,2% de cobertura contra um índice nacional de 15,4%. “Estamos muito abaixo da média. Com os avanços no número de atendimentos, pretendemos alcançar 11% de cobertura nos próximos 5 anos, mas ainda assim é pouco”, afirma. Para mudar o quadro, o gestor ressalta que é necessário o auxílio de cooperativas, sindicatos locais, prefeitura e da Associação Amazonense de Municípios (AAM). “Para conseguir o benefício da aposentadoria, por exemplo, um trabalhador rural vai precisar comprovar o tempo de serviço e como, em geral, esses trabalhadores são informais, todos esses órgãos podem ajudar a facilitar a captação dos documentos para a concessão de benefícios. Quanto mais organizado for o município, mais fácil é vencer a burocracia e conceder benefícios”, argumenta.

Objetivo é chegar a localidades onde não existem agências e melhorar o atendimento à população

Expedições vão a 20 municípios Até outubro deste ano, três expedições com o PREVBarco foram realizadas atendendo 20 municípios. De acordo com dados do INSS, já foram pagos R$ 8,3 milhões em benefícios para 2,9 mil beneficiários no Estado. Em torno de 80% do montante pago foi destinado ao auxílio salário-maternidade com 2,3 mil concessões.

A primeira missão, em janeiro deste ano, que durou 93 dias e percorreu os municípios de Boca do Acre, Lábrea, Pauiní, Canutama e Tapauá foi a que registrou melhores resultados com 9,1 mil atendimentos e 1 mil benefícios concedidos. A segunda, realizada no mês de maio em cinco municípios do Médio Solimões,

registrou 5,9 mil atendimentos com 418 concedidos. Já a expedição ao Alto Solimões finalizada em outubro teve 5 mil atendimentos e 1,2 mil benefícios concedidos. Foram atendidos moradores dos municípios de Alvarães, Uarini, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Jutaí e Fonte Boa.


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País

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Brasil e Alemanha se unem por violação de privacidade B

rasil e Alemanha evocaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos na proposta de resolução contra invasão de privacidade entregue nesta semana à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Para os dois países, as pessoas devem ter garantidos, no ambiente digital, os mesmos direitos que têm fora dele. A iniciativa é uma resposta para as ações de espionagem internacional da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos. De acordo com o documento, a coleta de informação por meio da interceptação de dados é uma “preocupação crescente”, devido ao ritmo do desenvolvimento tecnológico dos países, que aumenta a capacidade de monitoramento por parte de Estados e empresas. As normas internacionais que fundamentam proposta conjunta são o Artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Artigo 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que mencionam o direito à privacidade, a inviolabilidade de correspondência e a proteção contra ofensas. No texto apresentado à ONU,

AFP

Os dois países vão à ONU contra as recentes denúncias de espionagem de agências de segurança dos Estados Unidos os dois países observam que, apesar da necessidade das medidas de combate ao terrorismo, essas práticas devem ser feitas de acordo com o direito internacional, os direitos humanos, o direito dos refugiados e o direito humanitário. Brasil e Alemanha pedem, no texto, garantia para proteção

PREOCUPAÇÃO

De acordo com o documento, a coleta de informação por meio da interceptação de dados é uma “preocupação crescente”, devido ao ritmo do desenvolvimento tecnológico dos países

Presidentes do Brasil e da Alemanha evocaram, na ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos contra invasão americana

de dados em comunicações digitais; medidas para a cessação das violações do direito à privacidade (inclusive, por meio da adequação das legislações nacionais); revisão dos procedimentos adotados atualmente; estabelecimento de mecanismos nacionais de supervisão de atividades de espionagem e intensificação da transparência no âmbito das comunicações.

Proposta requer ações severas contra os EUA A proposta de resolução, que vai tem de passar pela apreciação das delegações dos 193 países-membros da ONU, pede ainda que a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi

Pillay, apresente à Assembleia Geral da ONU, de forma prioritária, um relatório preliminar sobre a proteção do direito à privacidade e recomendações a serem consideradas pelos Estados nas próximas sessões

da assembleia - em outubro de 2014 e 2015. O documento apresentado está no contexto das recentes denúncias de espionagem feitas pela imprensa internacional por meio de

informações repassadas por Edward Snowden, ex-consultor contratado para prestar serviços à Agência Nacional de Segurança (NSA), órgão de segurança do governo norte-americano.


País

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Rodovias bem pavimentadas permitem economia de 5% Confederação Nacional de Transporte (CNT) admite que, com boas estradas, motoristas reduziriam consumo de combustível

S

e o pavimento de todas as rodovias do país tivesse classificação boa ou ótima, em 2013, seria possível uma economia de até 5% no consumo de combustível, o que representa, no caso do óleo disesel, 661 milhões de litros (R$ 1,39 bilhão). Também haveria redução da emissão de 1,77 megatonelada de gás carbônico. A conclusão é da pesquisa “CNT Rodovias”, apresentada pela Confederação Nacional do Transporte. A pesquisa feita este ano mostrou que 63,8% da extensão avaliada apresenta problemas ligados a pavimento, sinalização e geometria da via. Em 2012, o percentual era 62,7%. A CNT percorreu 96.714 quilômetros de rodovias, o equivalente a toda a malha federal pavimentada e às principais rodovias estaduais. Em relação ao pavimento, foi avaliado se as vias atendem a atributos como capacidade de suportar efeitos do mau tempo, resistência da estrutura ao desgaste e escoamento eficiente das águas (drenagem). A pesquisa apontou que 46,9% do total avaliado apresentam deficiência.

AG/BR

Sinalização Sobre a sinalização, a pesquisa indica que 67,3% da extensão avaliada apresentam problemas. Segundo a CNT, o resultado é preocupante, porque os sinais de trânsito têm a finalidade essencial de transmitir aos motoristas informações e instruções para garantir a movimentação correta e segura dos veículos. Os dados sobre geometria das vias mostram que 77,9% não estão em padrões satisfatórios. De acordo com a confederação, as características geométricas da via afetam a habilidade dos motoristas em manter o controle do veículo e em identificar situações e características perigosas nas vias. As rodovias concessionadas são as mais bem avaliadas pela pesquisa da CNT. Em relação ao estado geral, 84,4% foram classificadas como ótimas ou boas, enquanto 15,6% ficaram no patamar de regular, ruim ou péssimo. A análise das rodovias sob gestão pública mostrou que 26,7% são classificadas com condições ótimas ou boas e 73,3% não estão em condições satisfatórias.

Em relação ao estado geral, 84,4% foram classificadas como ótimas ou boas, enquanto 15,6% ficaram no patamar de regular DIVULGAÇÃO

PESQUISA

ANS

Inep vai aplicar questionário a faltosos nas provas do Enem

Planos de saúde pagam somente 20,7% das multas

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vai aplicar um questionário aos candidatos que se inscreveram, mas não fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no final de semana passado, com o objetivo de identificar o perfil desses estudantes. O exame deste ano registrou 29% de abstenção. Dos mais de 7,1 milhões de candidatos inscritos, cerca de 2 milhões não compareceram à prova. O Inep estima um gasto de aproximadamente R$ 58 milhões com impressão de provas e contratação de profissionais que atenderiam a esses estudantes. A taxa de abstenção mantém-se constante nas últimas edições, porém à medida que o número total inscrições aumenta, crescem também os gastos com o exame. O Ministério da Educação

As operadoras de planos de saúde e odontológicos receberam, entre janeiro a agosto de 2013, R$ 243.356.843,27 em multas. Porém, dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostram que somente 20,7% das multas aplicadas são pagas. A quantidade de multas aplicadas cresceu 390% nos últimos cinco anos, passando de 415 para 2.035, sendo que em 2009 as empresas receberam R$ 50.798.090,27 em multas e pagaram somente 15,2% do montante. De acordo com a ANS, o aumento no número de multas neste ano é resultado de um maior rigor no controle e na fiscalização das ações de operadoras de planos de saúde, além da maior procura dos consumidores pelos canais de relacionamento da agência e para reclamações.

(MEC) estuda medidas para evitar ou repor essas despesas. O questionário servirá para levantar o perfil dos participantes ausentes e servirá de base, segundo o Inep, para a elaboração de “uma solução estruturante para reduzir o índice de abstenção no exame”. Cancelamento O Inep também avalia a possibilidade de abrir um prazo para que os candidatos cancelem a inscrição no Enem, antes da impressão das provas. O presidente do instituto, Luiz Claudio Costa, disse à Agência Brasil que adoção de medidas punitivas para os participantes que faltam sem justificativa dependem de mudanças na legislação, como a cobrança em dobro da taxa de inscrição. As provas do Enem foram aplicadas no último final de semana, nos dias 26 e 27 de outubro, em mais de 1,1 mil cidades.

Inep quer traçar perfil de estudantes que deixam de fazer o Enem

Só em 2012, a ANS recebeu mais de 1 milhão de ligações e a maioria das reclamações é sobre a negativa de cobertura. Por conta dos serviços ruins que estão sendo prestados, 246 planos de 26 operadoras estão com a comercialização suspensa, sendo que desde o ano passado, já foram suspensas a comercialização de 618 planos de saúde de 73 operadoras. Apesar das classes menos favorecidas, com renda familiar mensal de até R$ 1.109, representar apenas 8% do total dos usuários de planos de saúde individuais no Brasil, ela é a maioria entre os novos contratantes. Da fatia dos segurados desta faixa da população, mais de 54% contrataram um plano nos últimos três anos, apontou um estudo do Data Popular.


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Mundo

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Força-tarefa americana vai monitorar efeitos climáticos para o consumo dos veículos ou para a contaminação do ar por parte das indústrias. Obama também ordenou às agências do Governo que promovessem a preparação das autoridades locais para os efeitos das mudanças climáticas, dos graves incêndios florestais no oeste do país aos frequentes ciclones na costa atlântica e no Golfo do México. Gestão Isso implica em ajudar as comunidades a “atualizar suas normas de construção, ajustar a forma de gestão dos recursos naturais, investir em infraestruturas mais sólidas e reparar os danos” eventuais, segundo a Presidência. Esta iniciativa do governo democrata foi revelada no mesmo dia da publicação de uma pesquisa de opinião feita pelo Centro Pew sobre Mudanças Climáticas, que mostra que 67% dos americanos acreditam que há “evidências sólidas” do aquecimento global. No entanto, esse percentual não mostra uma disparidade de opiniões entre os democratas e os republicanos: 88% dos aliados do presidente Obama acreditam no aquecimento, contra 50% de seus adversários políticos.

ARGENTINA

LEVANTAMENTO

Jornalistas denunciam na OEA falta de liberdade Em uma audiência na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Nova York, dois jornalistas argentinos acusaram o governo de Cristina Kirchner de cercear a liberdade de imprensa no país. Joaquín Morales Solá, colunista do jornal “La Nación” e do canal a cabo TN, do Clarín, e Magdalena Ruiz Guiñazu, apresentadora da Rádio Continental, representaram um grupo que inclui outros 5 jornalistas do país. Solá falou em “represálias que se são através da demonização do jornalismo independente”. Segundo o jornalista, o Estado promove uma censura indireta utilizando-se de diversos meios para difamar os jornalistas que têm uma visão crítica ao governo. Já Magdalena contou um episódio ocorrido há 3 anos

Obama se comprometeu a agir por decreto, na tentativa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa nos Estados Unidos

em que foi submetida a “um julgamento ético e popular” na frente da Casa Rosada, no qual foi acusada falsamente de ter sido chefe de imprensa do Ministério da Economia durante a ditadura. Dois membros do governo argentino também participaram da audiência. A embaixadora argentina na OEA, Nilda Garré, classificou a exposição dos jornalistas como “a voz das corporações”. Nesta semana, o Governo ganhou na Justiça uma batalha de 4 anos contra o grupo de mídia Clarín, principal crítico à gestão de Cristina. A Corte Suprema declarou constitucional quatro artigos antimonopólio da Lei de Mídia que eram questionados pela empresa. A OEA reconheceu neste ano que a Lei de Mídia “representa um importante avanço” na Argentina.

União gay em pesquisa do Vaticano O Vaticano está pedindo que bispos e párocos do mundo todo expressem as opiniões locais sobre casamento homossexual, divórcio e controle da natalidade, numa pesquisa preparatória para um sínodo em 2014 que discutirá a reação entre os ensinamentos católicos e a família. Esse tipo de levantamento é comum antes dos sínodos (reunião geral de bispos), mas esse questionário em especial demonstra uma maior sensibilidade com questões outrora consideradas tabu, como a maneira pela qual a Igreja pode incluir crianças adotadas por casais homossexuais. O questionário foi enviado aos bispos em 18 de outubro, acompanhado de uma carta do arcebispo Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do sínodo. A carta e o questionário foram divulgados esta semana no site da publicação National Catholic Reporter, e tiveram seu teor confirmado

REPRODUÇÃO

O

presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criou por decreto um grupo de trabalho para assessorar o Governo em relação aos efeitos das mudanças climáticas, informou a Casa Branca. A formação dessa “força-tarefa”, composta por oito governadores e líderes de governos locais, é uma continuação do plano de ação para o clima, lançado em junho por Obama. Uma lei para lutar contra as mudanças no clima, promessa do presidente durante a campanha eleitoral para seu primeiro mandato em 2008, não foi alcançada no Congresso devido à oposição dos legisladores republicanos, que negam a existência de mudanças climáticas provocadas por atividades humanas. Também se opõem a uma norma desse tipo os legisladores democratas de estados com importantes receitas procedentes de combustíveis fósseis, como Virgínia Ocidental (carvão) e Louisiana (petróleo). Por isso, Obama se comprometeu a agir por decreto, na tentativa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa no país, seja por meio da formulação de normas mais rígidas

AFP

Promessa de campanha do governo de Barack Obama, as mudanças climáticas da Terra são alvo de grupo de estudo

pela Santa Sé. “Preocupações que eram inauditas até alguns anos atrás surgiram hoje como resultado de diversas situações, da prática disseminada da coabitação (...) às uniões entre pessoas do mesmo sexo que, não raramente, são autorizadas a adotarem crianças”, diz um prólogo da pesquisa. Mudanças A pesquisa não necessariamente prenuncia uma mudança na doutrina da Igreja Católica a respeito do casamento homossexual ou do controle da natalidade, mas ela é mais um sinal de que o papa Francisco quer se aproximar dos católicos comuns em questões relacionadas à família contemporânea. Em entrevista publicada em setembro, o pontífice disse que a Igreja deveria deixar de lado sua obsessão contra o aborto, a contracepção e a homossexualidade, para se tornar mais misericordiosa.

Relatório será apresentado em reunião episcopal no ano que vem


Caderno C

Dia a dia MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

diadia@emtempo.com.br

(92) 3090-1041

DIVULGAÇÃO

Assédio moral, um flagelo Dia a dia C4 e C5

Escola Verde se destaca e vira referência no AM C

olocar a mão na terra, manusear sementes e mudas de hortaliças, aprender sobre o processo de germinação, a importância de minhocas, composição de adubo e desenvolver valores relacionados às questões ambientais se tornaram rotina na vida dos jovens participantes do Programa Ciência na Escola (PCE), no município de Rio Preto da Eva, município distante 80 quilômetros de Manaus. Idealizado pela mestra em Agricultura no Trópico Úmido do programa de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Bianca Galúcio, em parceria com a coordenadora Francisca Pereira, o tema Escola Verde: educação com os pés na terra tem como objetivo despertar os alunos para a vocação científica com temas de interesse próprio como a merenda escolar, uma vez que os produtos cultivados sem agrotóxicos enriquecem a alimentação na escola. “O objetivo é o despertar científico, proporcionar a visão sobre o que é ciência e pesquisa, mostrar que essa ciência está perto deles, no dia a dia”, ressaltou Galúcio. Famoso por ser a terra da laranja e detentor de famosos cafés regionais, o município vem se destacando também na educação. O tema Escola Verde: educação com os pés na terra foi o primeiro abordado pelos alunos de ensino fundamental e médio da cidade, isso quase dez anos atrás. De lá pra cá muitos alunos já passaram por essa escola, entre eles os pais, amigos e demais fami-

liares dos estudantes que aprovaram e apoiaram a iniciativa. Quando questionada sobre o número de alunos e voluntários que já passaram pelo projeto, a coordenadora Francisca Pereira responde, enfática: “mais de 500”. Apesar de o município possuir três temas aprovados, o diferencial está na união entre jovens e coordenadores que tem como assunto central a horta orgânica da escola Rio Preto da Eva. São 15 bolsistas e mais de 40 voluntários que juntos pesquisam, investem

HISTÓRIA

O tema Escola Verde: educação com os pés na terra foi o primeiro abordado pelos alunos de ensino fundamental e médio da cidade, isso quase 10 anos atrás e aprendem mais sobre como construir uma horta e a importância de comer alimentos saudáveis tanto na escola quanto em casa. Os jovens conseguiram transpor os muros da escola e virar referência em qualidade de vida e alimentação saudável. Realizaram oficinas e palestras sobre reaproveitamento de alimentos e técnicas de elaboração de receitas saudáveis para merenda escolar. Mas não foram apenas os jovens que viraram referência, a ideia que tem como líder a professora Francisca, passou a ser cobiçada também nas escolas municipais e hoje está presente nas 10 escolas da prefeitura.

Um novo meio de aprendizado Participando pela segunda vez do Escola Verde, o estudante Luan Viana começou como voluntário e conta a importância do projeto para a educação escolar e sua experiência na participação. “No início eu não sabia nem regar, tenho planta em casa, mas elas sempre morriam e eu não sabia o motivo. Participei dos cursos e hoje eu sei para que servem os fertilizantes, o melhor jeito de plantar. Ajudar os outros e passar o conhecimento que eu aprendi com o Escola Verde está sendo muito bom, eu consigo transmitir o que eu aprendo”,

descreve Viana. O professor de biologia Mateus Gonçalves aprovou pela primeira vez o projeto Minhocultura e Compostagem, trabalhando com os demais coordenadores a Horta Orgânica da escola estadual Rio Preto da Eva. Apesar de ser o primeiro ano coordenando projetos, o professor da rede pública já teve o seu primeiro contato com o PCE anos atrás. “Tive a satisfação de ter um filho bolsista do PCE ainda na primeira edição do Escola Verde aqui no município, hoje ele é estudante de gastronomia”, disse.

DIVULGAÇÃO

Rio Preto da Eva possui hoje três projetos na sua única escola estadual, financiados pela Fapeam com apoio do Inpa


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Dia a dia

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Nossa bacia hidro Embarcações do Amazonas jogam por ano mais de 13 milhões de toneladas de resíduos sanitários nos rios. O problema é achar a melhor forma de tratar esses dejetos que poluem constantemente nossas águas, principalmente vindos das embarcações no Estado DIVULGAÇÃO

Barcos na região portuária de Manaus: constituição da estrutura das embarcações é um dos obstáculos para a implantação de sistemas de tratamento adequado para os efluentes sanitários ADRIANA PIMENTEL Especial EM TEMPO

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tualmente circulam na bacia hidrográfica do Amazonas 120 mil embarcações, segundo estatísticas da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), divulgadas em agosto de 2013, sendo que cerca de 3 mil delas são de uso comercial e transportam cargas e passageiros, realizan-

do o deslocamento fluvial de aproximadamente 9 milhões de pessoas por ano. E o destino dos resíduos sanitários produzidos por essas embarcações, sem qualquer tipo de tratamento, são os rios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) possui regulamentos próprios para tratar do assunto como a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 72, de 29 de dezembro de 2009, que diz

em seu artigo 66: “É proibida a liberação de efluentes sanitários não tratados, oriundos de embarcações, em áreas dos portos de controle sanitário ou suas áreas de fundeio”. Entretanto, a mesma lei ainda não obriga as embarcações que fazem o transporte dentro e fora do Estado. “A RDC nº 72 nos dá um prazo de três anos, a contar da sua nova edição (publicada em 2012), para que possa-

mos normatizar esta situação”, afirma o coordenador substituto da Anvisa, Ozéias Reis da Costa. Os efluentes sanitários representam perigo à saúde pública e ao meio ambiente e exigem maiores cuidados no seu acondicionamento, transporte, tratamento e destino final. O engenheiro Roberto Lavor estuda o assunto há três anos e alerta que, por ano, são

despejadas cerca de 4.050 toneladas de fezes e 13 milhões de litros de urina nos rios do Amazonas, com mais de 450 microbactérias conhecidas. Para a adequação, as embarcações devem ter tanques de retenção ou tanques de tratamento - um problema para o coordenador, pois além dos espaços físicos que esses tanques demandariam, há a questão da própria constituição de sua estrutura. “No

Amazonas, 66,1 por cento das embarcações ainda são de madeira, e a implantação desses tanques, em alguns casos, interferiria na flutuação da embarcação”, afirma Lavor. Existem no mercado vários tipos de tanques de tratamento, o mais utilizado são os biodigestores, que possibilitam o tratamento de detritos, fezes e urina, ao preço de R$ 5 mil. O mercado disponibiliza vários modelos.


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ográfica em perigo DIVULGAÇÃO

Avanços lentos no tratamento O Amazonas é a região com a maior bacia fluvial do mundo, com mais de 7 mil afluentes e 25 mil quilômetros de vias navegáveis. Hoje, apenas 5% dos barcos possui um sistema de tanque de efluentes. “É um número muito baixo para a quantidade de barcos que circulam no Estado”, afirma o coordenador da Anvisa, Ozéias Costa. “Vejo que já melhoramos muito as condições sanitárias dentro das embarcações, mas sei que ainda há muito a fazer”, constata. De acordo com a proprietária de barcos recreio que fazem rota para o interior do Estado, Greicy Fernandes, o maior problema é a falta de estrutura nos portos do interior. “Muitas vezes não temos nem energia. Quem irá coletar (os resíduos)”, explica. A Anvisa determina que coleta, transporte e descarte dos resíduos devem ser exe-

cutados obrigatoriamente “por empresas prestadoras de serviços devidamente cadastradas, credenciadas e licenciadas pelo órgão ambiental competente, com autorização específica para o descarte dos resíduos”. Porém, segundo o coordenador, temos poucas empresas que são certificadas para essa prática. A legislação ambiental brasileira determina que os terminais portuários devem possuir os meios adequados para o recebimento e tratamento dos diversos tipos de resíduos e para o combate à poluição. Em termos ambientais, com o tratamento dos resíduos sanitários, as águas dos nossos rios estariam mais limpas. “Esse é um problema que envolve a saúde, além de promover uma alternativa técnica para os impactos ambientais”, esclarece o engenheiro Roberto Lavor.

Grandes riscos para a saúde A junção de urina e fezes jogadas nos rios sem nenhum tratamento através das embarcações é uma fonte de contaminação em escala crescente. Os efluentes sanitários contém a presença de organismos causadores de doenças. A prevalência de infecção é um espelho da situação de higiene insalubre das águas, que podem, em alguns casos, serem crônicas. A água contaminada é a causa de 80% dos casos de diarreia no Brasil e segunda de morte de crianças de até 5 anos no mundo As tribos indígenas das

No movimento constante de barcos nos rios amazônicos, a quantidade de poluição por dejetos chega a ser assustadora

etnias localizadas nas proximidades de Benjamim Constant, no Alto Solimões e no Alto Rio Negro, bem como a etnia Ianomâmi, localizada na divisa do Amazonas com Roraima, possuem elevados índices de doenças infectocontagiosas, que aumentam o nível de mortalidade da população indígena através da contaminação dos rios. Mas não apenas as populações indígenas e ribeirinhas são afetadas com este problema, a das cidades também sofre com a degradação provocada por esse ato.

Entenda algumas denominações Gerador de resíduos: embarcações, plataformas e afins, cujo responsável é pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, direta ou indiretamente demandante de serviço de retirada de resíduos em instalação portuária brasileira.

Empresa coletora de resíduos: pessoa jurídica, de direito público ou privado, habilitada perante os órgãos competentes, credenciada pela autoridade controladora para a prestação de serviços de retirada de resíduos de embarcações em instalação portuária brasileira.

Resíduos de embarcação: resíduos sólidos, semissólidos ou pastosos, e líquidos gerados durante a operação normal da embarcação, tais como água delastro suja, água oleosa de porão, mistura óleos.

Armazenamento temporário: consiste na guarda temporária dos recipientes contendo os resíduos já acondicionados, em local próximo aos pontos de geração,visando agilizar a coleta dentro do estabelecimento e aperfeiçoar o deslocamento entre os pontos geradores e o ponto destinado à apresentação para coleta externa. IONE MORENO


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Perversidade dent Em 2012, 145 ações sobre assédio moral chegaram ao Ministério Público do Trabalho no Amazonas. Este ano, foram 116, mas o número pode ser muito maior IVE RYLO Equipe EM TEMPO

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cada 20 dias, um bancário vítima de assédio moral comete suicídio no país, segundo pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB). Além dos trabalhadores do setor financeiro, também é comum a perseguição no ambiente de trabalho de acordo com denúncias do Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT 11ª Região) entre funcionários de telemarketing e da rede de supermercados no Amazonas. Cresceu em 130% o número das denúncias feitas ao MPT no Amazonas, que envolvem maus-tratos no ambiente de trabalho. Em 2012, foram 145 processos, e de janeiro a outubro deste ano, 116, envolvendo 2.349 trabalhadores. Momentos de intensa insegurança, nervosismo e desrespeito foram vividos pelo publicitário Jeremias Burzo, 26, na sua primeira experiência como profissional. “O chefe impedia que saíssemos do trabalho no término do expediente, mesmo se já tivéssemos terminado nossas tarefas. Tínhamos que

ficar até quando ele achasse necessário. Se não gostava de alguma coisa, gritava e nos insultava com todos os palavrões que conhecia, e isso acontecia sempre. Palavras de incentivo ou pelo menos uma ‘bom-dia’ eram raríssimos. Já a cobrança não era pouca. Fazia-nos sentir incapaz e nos ameaçava demitir todo o tempo, e dizia que tinha muitos amigos que adorariam ocupar

PERIGOS

Os problemas no trabalho se refletiram na vida pessoal do publicitário Jeremias Burzo, que estendeu a “desarmonia” do trabalho para casa, evitando até contato com os amigos minha vaga”, afirmou. Resistir a toda aquela tensão seria sinônimo de competência, pois, para alguns profissionais, pessoas fracas que não aguentariam aquilo não apresentam o perfil necessário para a profissão e são facilmente descartadas. “Alguns colegas diziam

que era assim mesmo, que vida de agência era puxada e que só os ‘fortes sobrevivem’. Pessoas de outros setores percebiam o jeito abusivo com o qual ele tratava os subalternos, diziam que era injusto, que eu não poderia aceitar ser tratado daquele jeito, mas em outros momentos estavam confraternizando com ele. Nunca entendi isso, porque o meu chefe não destratava somente a mim, mas até pessoas de outros setores. No final das contas, aguentei quieto e não fiz nada”, revelou. Os problemas do trabalho se refletiram na vida pessoal do publicitário, que estendeu a “desarmonia” da empresa para casa. “Evitei o contato com meus amigos, parei de sair, de fazer coisas que gostava. Minha atenção era voltada só para a agência. Quando era ‘sacaneado’ descontava tudo na minha família e na minha namorada. Entrei em depressão, mas não procurei ajuda, contei somente com o carinho dos poucos amigos que restaram e da minha namorada. Hoje ele não é mais meu chefe, mas o que restou foi um imenso desgosto pela profissão que escolhi”, lamentou.

Refúgio para a incompetência Casos de abuso de poder não se restringem somente ao setor privado. Dentro das repartições públicas há também relatos de falta de respeito entre os servidores. O servidor público Gurgel (nome fictício), 37, já testemunhou relações predadoras. “Nunca fui vítima de assédio moral, mas já testemunhei situações em que colegas passaram por verdadeiras ‘saias justas’. O problema todo começa porque pessoas sem preparação e sem capacidade de liderança assumem postos de chefia. Isso acontece em todos os cantos, tanto na iniciativa privada quanto no

serviço público, geralmente por apadrinhamento ou amizade. É um problema gerado pela própria empresa. Sempre é uma pessoa autoritária, que quer ter razão em tudo mesmo sem ter fundamentos, impõe seu ponto de vista até com grosseria e até nem admite o sucesso de outros colegas ou que alguém tenha conhecimento maior que o seu”, apontou. Para ele, pessoas que se aproveitam da condição de chefe para humilhar outras são na verdade carentes habilidades e competência. “Infelizmente, pessoas assim estão ocupando esses cargos sem ter compe-

tência para isso e usam o assédio moral para obter respeito. Meus colegas agiam com medo sempre de represálias do chefe. O resultado era um clima péssimo para a organização, falta total de incentivo, e o “líder” só cobrava e nunca colaborava com nada. Ele nunca conseguiu respeito de ninguém. Hoje não está mais nessa função de chefia na repartição, mas chegou a humilhar e até difamar seus subalternos. Poderia até ser processado. No final das contas, o responsável pelo assédio não tem nenhum tipo de competência”, atestou.

A submissão ao assédio moral provoca efeitos destruidores sobre a mente da pessoa afetada


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Cartilha esclarece prejuízos Na última semana, foi realizada na sede do MPT a campanha nacional “Assédio moral em estabelecimentos bancários”. Foram reunidos representantes do Banco do Brasil, Banco da Amazônia, HSBC, Bradesco, Santander e Itaú, além do Sindicato dos Bancários e associados, para discutir a forma de combate a essa relação predadora que se desenvolve no ambiente de trabalho. Estudos realizados pela Confederação Nacional dos

Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf), em âmbito nacional, revelam que o assédio moral atinge 66% dos bancários. Por isso, foi escolhido o setor bancário por conta da quantidade de ocorrências que envolvem a categoria, que refletem no numero de inquéritos civis instaurados e ações ajuizadas pelo Ministério Público do Trabalho. Para esclarecer os prejuízos trazidos com o assédio, foi entregue aos participantes a cartilha “Assédio moral em

estabelecimentos bancários”. Em 2012, o MPT recebeu 145 processos. Destes, 51 continuam ativos ou em acompanhamento, 9 foram firmados termos de ajuste de conduta e foram beneficiados 1.022 trabalhadores. Já de janeiro a outubro de 2013 foram 116 processos autuados, dos quais 73 permanecem ativos e um foi firmado termo de ajuste de conduta. Neste ano já foram beneficiadas 2.349 pessoas.

ANDRÉ ABREU/REPRODUÇÃO

FOTOS: DIVULGAÇÃO

tro dos gabinetes

Charge retrata com humor a situação enfrentada pelas vítimas do assédio moral no trabalho

Número pequeno de denúncias Em 2012, o Ministério Público do Trabalho no Amazonas (MPT 11ª Região) teve 145 procedimentos autuados e neste ano já foram 116 no Amazonas. Contudo, a procuradora do MPT e a coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), Fabíola Salmito, acredita que esses números não retratam a realidade, uma vez que denunciar ainda é tarefa muito difícil, pois o trabalhador tem receio de represália e até mesmo de perder o emprego. Ela explicou que assédio moral ocorre quando se desenvolve no ambiente de trabalho uma relação não sadia de exclusão, discriminação e desvalorização do trabalhador. “O assédio não pode ser considerado uma conduta isolada, e sim reiterada, uma vez que envolve a figura do assediador e do assediado. Acontece também quando o assediador exige tarefas impossíveis, uma meta fora

razoável e a pessoa passa a se sentir culpada, mas não é. O assediado passa a se sentir inútil, desvalorizado. Mas para ser considerado assedio, tem que ser inserido na rotina, acontecer rotineiramente de forma repetitiva”, afirmou. E por vezes essas cobranças podem ser feitas de maneira áspera com tom

RESULTADOS

Desmotivação, insegurança, baixa autoestima, depressão, alcoolismo e até mesmo suicídio podem ser observados em pessoas que sofrem perseguição no ambiente do trabalho abusivo na voz. “Cada um tem um jeito de falar, claro que existe uma média razoável, mas tem gente que por natureza já tem tom abusivo, mas não está querendo assediar. Já existem pessoas educadas, mas que assediam”, analisou.

Segundo a procuradora, a conduta é mais presente dentro de organizações que possuem estruturas hierárquicas. “Embora seja possível acontecer entre pessoas do mesmo patamar hierárquico, ocorre com mais frequência entre superior e cargo inferior. Como os chefes estão para ditar normas fica mais propício, pois não atentam que estão lidando com pessoas. Você pode ser chefe sem destratar ninguém”, apontou. Desmotivação, insegurança, baixa autoestima, depressão, alcoolismo e até mesmo suicídio podem ser observados em pessoas que sofrem perseguição no ambiente de trabalho. “O trabalho que é visto como algo que dignifica a pessoa humana, mas o assediado passa a ver o contrário. O ambiente de trabalho fica hostil, não há prazer em ir trabalhar e os danos psicológicos são elevados porque a pessoa se sente excluída, inútil e os próprios colegas distanciam-se porque acham que se mantiverem a amizade podem sofrer assédio também”, relatou.

Dificuldades em comprovar o ato Contudo, um dos grandes problemas é comprovar o assédio porque, segundo a procuradora, muitas vezes a conduta ocorre entre assediador e assediado e não existe nenhuma testemunha. “Se o assédio acontece por e-mail, é preciso guardar o e-mail, não procurar ficar sozinho com

o assediador, registrar o assédio e os colegas de trabalho terem a sensibilidade em, percebendo, depois ajudar como testemunha e colaborando com justiça”, apontou. Reportada a denúncia ao MPT, é feita uma ação contra a empresa, por ser responsável pelos atos dos

empregados. Apesar de a ação ser contra a empresa, ela se reflete no autor. “A sanção vai de acordo com o código de ética, que pode ir desde uma advertência até suspensão e rescisão do contrato de trabalho por justa causa, pela pessoa não agir dentro da legalidade”, assegurou.


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Investindo na acessi Empresa do sistema de transporte coletivo capacita motoristas e cobradores para o atendimento a passageiros portadores de limitações físicas ou com mobilidade reduzida na busca de eliminar problemas com esses usuários

É

lei federal. Até 2014, o sistema de transporte coletivo deve se tornar acessível a todos que tenham dificuldades de locomoção. Visando se adequar à legislação e melhorar o desempenho dos colaboradores no atendimento a cadeirantes, a empresa Expresso Coroado, de forma pioneira, vem realizando o “Curso de Capacitação de Motoristas e Cobradores no Atendimento a Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida”. A lei nº 10.098/2000 determina normas e critérios para promover a acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Por conta disso, não apenas os veículos, mas também pontos de parada, terminais e o sistema viário devem ser adequados para garantir a livre circulação. Um desafio que vem sendo encarado por empresários do sistema de transporte coletivo. De acordo com o coordenador de treinamento da Expresso Coroado, Carlos Alberto, a ideia surgiu depois de uma análise da Lei e em virtude dos índices de reclamações, por conta do mau atendimento

de alguns funcionários, que deixavam a desejar na hora de lidar com deficientes. “Nosso diretor executivo, preocupado com o bem estar dessas pessoas, teve a ideia de realizar esse curso para mostrar como se deve proceder em casos como esses. Para isso convidamos uma pessoa que é portadora de deficiência para

LEGISLAÇÃO

A lei 10.098/2000 estabelece normas e critérios para promover a acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida até 2014 em todo o sistema de transporte coletivo ministrar a palestra e passar algumas orientações. Nosso objetivo é dar conforto e bom atendimento para os nossos usuários, principalmente para essas pessoas que precisam de um cuidado a mais”, informa. Segundo o coordenador, todos os 500 funcionários da empresa, entre motoristas e cobradores, estão re-

cebendo treinamento teórico e prático. No final do curso, ganham um bottom identificando que eles receberam o treinamento para atender pessoas com deficiência. “Para que isso não ficasse apenas na sala de aula, levamos os colaboradores à rua e colocamos em algum deles uma venda nos olhos, simulando uma deficiência visual, e outros em cadeira de rodas, simulando uma deficiência física. Tudo isso para eles sentirem na própria pele algumas dificuldades dessas pessoas que necessitam de um atendimento especial, e poder melhor atendê-los”, destaca. Diálogo Para o presidente do Centro de Vida Independente (CVI), Ronaldo André Brasil, que ministrou a palestra para os colaboradores, a melhor forma de todos se entenderem é através do diálogo. Os motoristas e as pessoas com deficiência tem direitos e deveres e todos precisam está em sintonia para que ninguém saia prejudicado, e o deficiente tenha um bom serviço.

Profissionais com nova visão “Neste curso não vamos abordar só a dificuldade dos deficientes, e sim a dificuldade que todos têm. O motorista e o cobrador tem um ponto de vista da situação do deficiente, e o deficiente tem outro ponto de vista em relação aos colaboradores

do transporte, então precisamos dialogar e chegar a um consenso, em que todos temos direitos e deveres”, informa Ronaldo Brasil. Conhecimento Segundo Ronaldo, para evitar possíveis transtor-

nos entre as partes, todos dever ter o conhecimento da lei. “Os direitos dos deficientes surgiu por meio de legislação, e não deve ser executado apenas por boa vontade, mas também pelo cumprimento de uma lei”, finaliza.

Problemas de acesso a portadores de limitações físicas começam com a própria estrutura


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ibilidade aos ônibus

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Cadeirante palestra para funcionários da empresa: maior aproximação entre usuários especiais e trabalhadores


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plateia@emtempo.com.br

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Ponto de Equilíbrio lança DVD Plateia 3

(92) 3090-1042

Amazonas na rota de artistas internacionais Após o anúncio da possível vinda de Elton John para Manaus, a Fábrica de Eventos afirma que já “sonda” Paul McCartney e Jack Johnson

A Arena da Amazônia poderá ter, em sua abertura, o cantor Elton John, no dia 21 de fevereiro de 2014. Já o ex-Beatle Paul McCartney tem interesse em fazer um show na cidade

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Arena da Amazônia poderá ter, em sua abertura, a presença do cantor britânico Elton John. A data “bloqueada” – como a Fábrica de Eventos faz questão de ressaltar – é 21 de fevereiro de 2014. Porém, outros dois nomes também já estão sendo sondados pela mesma produtora para possível apresentações na cidade: Jack Johnson e o ex-Beatle Paul McCartney, conforme informa Bete Dezembro, responsável pela empresa. Segundo a empresária ambos os artistas se mostraram interessados em apresentar sua série de sucessos na capital do Amazonas. “O Jack Johnson, por exemplo, ficou encantado com o Teatro Amazonas e o Encontro das Águas. Já o Paul McCartney tem muito interesse pela Amazônia. Então, nada mais justo do que tentar, em parceria com grandes patrocinadores, a vinda dos dois para a nossa cidade”, explica. Vale ressaltar que a Fábrica de Eventos foi responsável pela vinda para o Estado de grandes nomes do rock com The White Stripes em 2005 e do Iron Maiden em 2009. Para Bete esse fluxo maior na vinda de grandes artistas internacionais para Manaus se deve a Copa do Mundo de 2014 e, consequentemente, a abertura da Arena da Amazônia. “Com esse evento

a Região Norte ganha uma maior projeção mundial e, juntamente com isso, desperta o interesse desses nomes. Aliás, a capital cresceu muito desde a vinda do Iron Maiden e nada mais justo do que suprir essa demanda”, comenta. Porém, tais apresentações só serão possíveis com o investimento de apoiadores e patrocinadores. “É preciso que as empresas e o próprio governo entendam que é muito bacana agregar uma marca em apresentações de grande porte. Assim como acontece nos festivais como o Rock in Rio, por exemplo, sabemos que o retorno é garantido. Caso contrário, não haveria investimento. Queremos que as pessoas tomem consciência disso”, diz. Outro ponto crucial é o staff e estrutura necessária para os shows. “Já demos o ponta pé inicial na aquisição de iluminação e sonorização de alta qualidade. Muitas vezes os números usados triplicam ao comumente empregado em apresentações nacionais. ão basta vende ingresso, é preciso oferecer um serviço de qualidade. E isso, a Fábrica já faz”, finaliza.

Ex-Beatle quer vir à Amazônia

Este ano, Paul McCartney fez shows em Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza

Surf Music com Jack Johnson Conhecido nos quatro cantos do mundo, o cantor, compositor e também surfista Jack Johnson está na programação dos maiores festivais de música. O artista se aproximou mais da música aos 17 anos, quando ao participar de uma competição de surfe, sofreu um acidente que o deixou 90 dias parado. Durante esse período, começou a compor influenciado por ídolos como Bob Marley. Foi estudar cinema na Califórnia aos 18 anos, não queria ser um profissional do surfe, por isso optou pelo cinema, ideia que lhe rendeu um documentário (“Thicker

than water”), dirigido por ele mesmo, gravado a partir de uma aventura ao redor do mundo com amigos. O material ganhou o título de Documentário do Ano pela revista “Surfer”. Jack Johnson ainda fez mais dois documentários, ambos também sobre surf: “A Broken Down Melody” e “September Sessions”. Ele mesmo compôs as trilhas sonoras dos filmes. Incentivado por amigos como Ben Harper que o indicou para uma grande gravadora, ele gravou seu primeiro CD, “Brushfire Fairytales” em 2001 e, a partir daí, ganhou grande notoriedade a nível

mundial, e por esse motivo Harper é também considerado como o “padrinho” dele. Em 2003, lançou seu segundo CD, “On And On”. Em 2005, Johnson alcançou o topo de sua carreira com o lançamento de seu terceiro CD, “In Between Dreams”, no qual conquistou o 2° lugar no Top 200 da revista “Billboard”. “In Between Dreams” e todos os discos posteriores foram gravados não mais pela Universal Records, mas pela sua própria gravadora, a Brushfire Records gravando CDs de vários amigos como Matt Costa, G.Love e Ben Harper.

Outro nome que promete movimentar a cidade, caso este venha a se apresentar na capital do Amazonas, é o ex-Beatle Paul Mc Cartney. O artista alcançou fama mundial como membro da banda de rock britânica The Beatles, com John Lennon, Ringo Starr e George Harrison. Lennon e McCartney foram uma das mais influentes e bem-sucedidas parcerias musicais de todos os tempos, escrevendo as canções mais populares da história do rock. Após a dissolução dos Beatles em 1970, McCartney lançou-se em uma carreira solo de sucessos, formou uma banda com sua primeira mulher Linda McCartney, os Wings. Ele também trabalhou com música clássica, eletrônica e trilhas sonoras. Paul McCartney é o canho-

to e baixista mais famoso da história do rock, embora também toque outros instrumentos, como bateria, piano, guitarra e teclado. É considerado como um dos mais ricos músicos de todos os tempos. Foi eleito, em 2008, o 11º melhor cantor de todos os tempos pela revista “Rolling Stone”. Fora seu

MUNDIAL

Atualmente, Paul McCartney é o canhoto e baixista mais famoso da história do rock, embora também toque outros instrumentos, como bateria, piano, guitarra e teclado

trabalho musical, McCartney advoga em favor dos direitos dos animais, contra o uso de minas terrestres, a favor da comida vegetariana e a favor da educação musical. Em 1997 foi publicada a biografia intitulada “Many Years From Now”, autorizada pelo músico e escrita pelo britânico Barry Miles.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Cantor quer cantar no Teatro Amazonas, segundo a empresária Bete Dezembro


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>> Très chic . O evento da semana será na próxima quinta-feira, inaugurando o novo espaço de eventos da cidade, o ‘Casa das Artes’.

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>> Vitrine

Fernando Coelho Jr. fernando.emtempo@hotmail.com - www.conteudochic.com.br

FOTOS: MAURO SMITH

>> Qualishow

. O Parque das Laranjeiras estará movimentadíssimo na data com a palestra confirmada do top colunista da Vogue Brasil Bruno Astuto, exposição das joias do estrelado joalheiro Ara Vartanian, além de outros itens très chics. . A festa é uma parceria de Angela Bulbol de Lima, Cris Topdijian, Gisele Maranhão e Pat Ruiz.

>> Três queridas trocando de idade neste domingo: Rose Becil, Raquel Dobriner e Carol Frota.

. Seguindo a tradição de todos os anos, o presidente da Fieam, Antonio Silva, por meio do departamento de assistência à média e pequena indústria e do Programa Qualidade Amazonas, orquestrou mais uma edição do Qualishow. O vice-governador José Melo e o presidente da Fieam, Antonio Silva, no Qualishow

. O evento homenageia organizações que se destacaram com suas atuações especiais durante o ano, reunindo poderosos dos setores de indústria, comércio e serviço. Um festão e tanto, no Diamond, na última quinta-feira.

Hissa e Amanda Abrahão

. Noite Portuguesa, que apresentará um festival de delícias no dinner de buffet com pratos do país do fado. A noitada chic reunirá o society AAA de Manaus nesta festa que terá a apresentação de uma dança portuguesa e o sorteio de dois bilhetes para Lisboa no novo voo da TAP, via Paradise Turismo. Festa animadíssima para ver e ser visto. Agendem.

>> Cumprimentadíssima ontem pelo seu aniversário, a querida Elizangela Silva. >> Monica de Luna e José Loureiro estão convidando para o seu noivado, no dia 8, no salão de festas do Acquarelle. >> Amanhã é a vez de cumprimentar Higino Souza Netto e Rui Franco de Sá, ambos aniversariando na segunda-feira.

>> Festão . Será no dia 6 de dezembro, no Diamond Convention Center, a festa de fim de ano desta coluna, em clima temático.

>> Entra na última semana de exibição a segunda etapa da 1ª Mostra Pan-Amazônica de Arte, que reúne obras de artistas plásticos de toda a Amazônia Ocidental. A Mostra se encerra no dia 9, está em exposição na MS CASA.

Douglas Mousse, Marcelo Lima e Nelson Azevedo

O vice-governador José Melo e sua Edileine

Célia Villas-Boas e Wilson Périco Cleide Avelino, Norma Silva, Célia Villas-Boas, Valdenice Garcia e Célia Simões

Júlio Verne e Helena do Carmo Ribeiro

>> No próximo sábado, na Glam, a festa Diva X Diva Halloween Edition. O promoter Rafael Froner assina a ferveção. >> No almoço de sexta no Chez Charufe, em mesas diferentes, Cristiano e Alessandra Brandão, Nelsinho Martins e as irmãs Zeina e Leila Nasser. >> Marcelo Coelho está circulando em Orlando, Estados Unidos.


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Ponto DE EQUILÍBRIO

‘Nossa prioridade É DECIDIR NOSSO caminho artístico’ DIVULGAÇÃO

GUSTAV CERVINKA Equipe EM TEMPO

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Guardamos a lembrança de um povo amoroso. Vale mencionar que um grupo (de fãs) de Manaus esteve presente na gravação de nosso DVD, no Rio. Conversamos um pouco com eles e nos disseram que a ida foi por terra, durante dias entre ônibus e caronas de carro”

banda de reggae Ponto de Equilíbrio é uma das mais proeminentes do segmento no Brasil. O grupo está com novo álbum no mercado fonográfico. Tratase do DVD “Juntos somos fortes”, gravado em junho de 2012, no palco do Circo Voador, no Rio de Janeiro. De acordo com o baterista da banda carioca, nascida em Vila Isabel, Lucas Kastrup, em entrevista ao EM TEMPO, a obra reúne sucessos de toda a história do grupo e uma música inédita. Ainda não há previsão, mas o artista, em nome da banda, revela que gostariam de voltar a tocar em Manaus o quanto antes. A banda é formada, ainda, por Pedro Caetano (contrabaixo), Tiago Caetano (teclados), Márcio Sampaio (guitarra), Hélio Bentes (voz), André Sampaio (guitarra) e Marcelo Campos (percussão). EM TEMPO – O que você destaca como a principal característica desse DVD? Lucas Kastrup – Nosso primeiro DVD traz o registro de nossa performance ao vivo em um show gravado em

nossa cidade, no palco do Circo Voador. Traz clássicos da banda, com novos arranjos, músicos convidados, além da participação especial de Marcelo D2 e Laurinho, de O Rappa. Também conta com videoclipes que também trazem participações especiais do quarteto jamaicano The Congos, do Don Carlos, além do making of e um documentário curta-metragem “Liberdade em Neves”, produzido pela própria banda. Em breve estaremos disponibilizando em CD e também em Blu-Ray. EM TEMPO – Tiveram algum contratempo no cronograma de produção? É um álbum independente. É melhor gerenciar a carreira sem interferência de gravadoras? LK – Tivemos que aprender na prática como a produção e pós-produção de um DVD envolve uma série de detalhes, mas a vantagem de se envolver em todo o processo faz com que a gente possa assinar nossa obra de forma única. Já passamos por gravadoras e, estando ou não com algumas delas, nossa prioridade é decidir nosso caminho artístico com autenticidade. EM TEMPO – Alguma

música inédita contida no DVD? LK – Sim. A canção “Estar com você”, uma composição do nosso guitarrista Márcio Sampaio e parceria do vocalista Helio Bentes. É uma música de amor que fala do cotidiano de um casal e da saudade e retorno ao lar. EM TEMPO – Muitos artistas reclamam que o país, embora rico culturalmente, ainda está distante do cenário ideal em ter-

SUCESSOS

O novo álbum traz registro de show gravado em meados do ano passado, no palco do Circo Voador, no Rio de Janeiro. A obra reúne sucessos de toda a história do grupo e uma música inédita mos, sobretudo, de apoios e patrocínios. Vocês têm problemas com isso? LK – É um cenário de muita luta. Viver de música no Brasil é uma batalha, mas no nosso caso a internet acaba sendo uma ferramenta importante. Mais do que contar com o apoio de instituições públicas ou privadas, temos ao

AFF

Festival distribuirá R$191 mil O 10º Amazonas Film Festival (AFF) começou na última sexta-feira e segue até o dia 6. Há quatro mostras competitivas divididas em: Internacional de Longa-Metragem, Curta-Metragem – Brasil, Curta-Metragem – Amazonas, Curta-Metragem

– Amazonas - Projeto Jovem Cidadão. O evento contará ainda com 13 outras mostras, com uma grade de 129 filmes, que serão exibidos gratuitamente em diversas partes da cidade e do interior, durante a programação do festival, que é realizado pelo governo do

Estado do Amazonas. O AFF é um dos eventos de cinema mais importantes do Brasil e que nesta edição oferecerá R$ 191 mil distribuídos às quatro categorias, dos quais R$ 64 mil para as mostras e R$ 127 mil para o VIII Concurso Amazonas de

Roteiro Inédito para Produção de Filme de Curta-metragem Digital. Prestigiado internacionalmente, o AFF reunirá produções da Alemanha, Itália, Espanha, Filipinas, Inglaterra, além de EUA, Índia, França, Afeganistão e Brasil.

DIVULGAÇÃO

10º AMAZONAS FILM FESTIVAL Programação de Domingo Local: Teatro Amazonas 15h15 - Faroeste - Um Autêntico Western (curta-metragem) 15h45- Metro Manila (longa metragem) 18h30 – Curtas-metragens: Verdade Nua e Crua Artistas – um espetáculo urbano Um minuto de brasilidade Eles podem Voltar E as crianças continuam cantando Watyama 20h - Curtas-metragens: Strip Solidão Quinto Andar 20h30 – Longa-metragem: Il Futuro (O futuro) O longa metragem “Il Futuro” será exibido hoje

nosso lado a parceria de um público sempre crescente e diversificado. EM TEMPO – Quais são os próximos passos do grupo? LK – Em 2013 e 2014 estaremos em turnê com o lançamento do DVD, mas já entrando em estúdio para esboçar novos trabalhos musicais. Temos muitas músicas ainda inéditas e a vontade de produzir coisas novas. EM TEMPO – Alguma previsão de retorno para cá? LK – Pretendemos voltar o quanto antes, para essa terra tão rica culturalmente e mágica por natureza. EM TEMPO – O que lembram de Manaus e do público da cidade? LK – Guardamos a lembrança de um povo amoroso. Vale mencionar que um grupo (de fãs) de Manaus esteve presente na gravação de nosso DVD, no Rio. Conversamos um pouco com eles e nos disseram que a ida foi por terra, durante dias entre ônibus e caronas de carro. Grande presença dessas pessoas e a bandeira do Amazonas que levaram ficou registrada no vídeo, em vários momentos da gravação.

É um cenário de muita luta. Viver de música no Brasil é uma batalha, mas no nosso caso a internet acaba sendo uma ferramenta importante”


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MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

RESENHA

Dez anos da revolução no cinema chamada ‘Matrix’

AUGUSTO SEVERO* Especial EM TEMPO

PERFIL

Augusto Severo, é músico

U

ma das mais representativas trilogias da modernidade acaba de completar 10 anos de encerramento. “Matrix”, “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolution” comemoraram nesse novembro de 2013 a data de lançamento do último filme, que encerrou de vez o arco psico-tecnofilosófico mais marcante da geração 2000. Ainda que criado propositalmente como uma trilogia, e que tenha navegado inicialmente como uma típica produção Hollywoodiana, “Matrix” re-vo-lu-ci-o-nou o conceito de cinema, do roteiro à estética, passando pela evolução tecnológica que permitiu a idealização do filme. O “Bullet-Time” (efeito especial eternizado por Neo caindo em

câmera lenta, desviando de balas), se tornou uma referência pop das mais abrangentes, e a própria tecnologia virou tendência obrigatória em tudo que se sucedeu depois do filme, fossem outros filmes, clipes musicais ou várias outras mídias visuais. Além da trilogia, o cenário teve a complementação de nove curtas de animação, compilados na série “Animatrix”, que desenrolava outros elementos da história principal. Foram também lançados dois games, o “Enter the Matrix”, que corria paralelamente à história do segundo filme,e mais tarde o “Path of Neo”, que amplificava ainda mais a história toda, pelo ponto de vista do seu protagonista, Neo. Uma série de quadrinhos foi lançada nos Estados Unidos, e vários contos feitos por fãs também se popularizaram. Mesmo que tenha sido pre-

viamente tachado de filme de “Ação/ficção-Científica”, “Matrix” era muito mais que apenas isso. A trilogia possuía profunda carga filosófica, proporcionava o choque de realidades, questionamentos, questionamentos e, questionamentos... “Matrix” se tornou uma paixão mundial sobre enfrentamento dos cotidianos: o longa abordava tantas coisas que o simples fato de falar sobre o filme era praticamente proporcionar o melhor de uma conversa de bar com os amigos (falando de coisas profundas e prazeirosas) e ainda assim encontrar-seantenado com todo o viés de modernidade vigente. Aliás, não me lembro de outro filme da geração 2000 que tenha se popularizado tanto no boca-a-boca quanto este: as pessoas íam ao cinema, assistiam ao filme e comentavam depois: “Cara, já assistiu

‘Matrix’? Mano, você tem que ver, não dá pra definir!” e todo mundo que via comentava, e levava mais gente a assistir, e tudo isso antes do whatsapp e da popularização das redes sociais. Por ser uma obra contemporânea com alta carga de terminologia moderna e científica, Inevitavelmente existiam aqueles que não conseguiram assimilar bem o filme, gerando controvérsias de todos os tipos sobre a real intenção dos irmãos Wachowski (os diretores e idealizadores). “Matrix” provava indiretamente que ainda havia pessoas presas em suas formas pessoais (e antiquadas) de percepção do mundo. Se você não assistiu, assista. Se você assistiu e não entendeu,assista de novo. Se já assistiu e gostou, comemore: “Matrix” transformou tudo ao seu redor, inclusive você.

Ainda que criado propositalmente como uma trilogia, e que tenha navegado inicialmente como uma típica produção hollywoodiana, “Matrix” re-vo-luci-o-nou o conceito de cinema”

‘ESCRITÓRIO’

Samba & Cevada anima o domingo O Lappa Bar (Vieiralves) recebe hoje, a partir das 15h, mais uma edição do já tradicional projeto “Escritório do Samba”, que busca resgatar as grandes rodas de samba da cidade. Entre as atrações estão as bandas Samba & Cevada, Nosso Caso e o talento da cantora Tayna Pimentel. Além disso, a casa conta com

a transmissão ao vivo dos jogos do Campeonato Brasileiro para aqueles que não dispensam as competições. Segundo Rodrigo Azevedo, que está há um ano a frente do projeto “Escritório do Samba” – há três meses sendo realizado no Lappa – contará nesta semana com o retorno da banda Samba & Cevada.

“Eles foram os responsáveis pela inauguração do projeto no local e agora retornam. Na verdade, eles são um grupo com um público fiel e isso nos chama bastante atenção. Onde você anuncia que eles serão atração, a casa lota. Então, nada mais justo do que estarem conosco neste momento”, explica. DIVULGAÇÃO

SERVIÇO “ESCRITÓRIO DO SAMBA” Quando: Todos os domingos, a partir das 15h Onde: Lappa Bar Quanto: R$ 25, por pessoa A banda Samba & Cevada inagurou o projeto “Escritório do Samba”, no Lappa


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MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Canal 1 plateia@emtempo.com.br

Bate–Rebate

TV Tudo Perfil Depois de duas produções às 11 da noite - “O Astro” e “Gabriela”, Humberto Martins agora vai aparecer na novela “Em Família”, próxima das 21 horas na Globo. Virgilio, o personagem, é um artista popular que trabalha com esculturas em madeira. Ele se casa com Helena (Julia Lemmertz), o grande amor da sua vida, e terá como grande rival Laerte, papel de Gabriel Braga Nunes. Onda gigante Na segunda-feira, o campeão mundial e protagonista da série “Desejar Profundo” do Canal Off, Carlos Burle, surfou uma onda de aproximadamente 36 metros na Praia do Norte, em Portugal. Burle acredita que pode ter ultrapassado o recorde mundial de 24 metros do americano Garrett McNamara, conquistado em janeiro deste ano no mesmo local. A propósito Sabe-se que vários programas da televisão brasileira e de outros países já se interessaram em exibir o feito do campeão Burle. Mas o certo mesmo, pelo menos até agora, é que as imagens estarão na 4ª temporada do programa que estreia no primeiro semestre de 2014.

DIVULGAÇÃO/GLOBO

Só no galope A televisão continua bem distante, praticamente desaparecida, dos planos da Ana Paula Arosio. Vivendo no interior de São Paulo, ela se dedica à vida no campo e ao hipismo, inclusive se saindo com destaque em algumas competições. Titular Christiane Pelajo reassume sua posição na bancada do “Jornal da Globo” na próxima terça-feira. Poliana Abrita, sua substituta no período, segue no posto até esta segunda-feira, formando dupla com William Waack.

A partir de hoje, depois do “Fantástico”, substituindo “Revenge”, a Globo passa a apresentar o “Sai de Baixo”, regravado e já exibido no Viva. Aliás, foi uma produção feita especialmente para aquela emissora.

Rotina Diego Guebel, do Artístico e Programação da Band, é bastante cuidadoso com os seus exercícios. Quando está aqui ou na Argentina é sempre a mesma coisa. Todos os dias, não importa a hora que vai dormir, ele acorda às 5 da manhã para correr e jogar tênis pelo menos três vezes por semana. Está em forma.

Novo Vídeo Show Vinicius Valverde não vai integrar a nova fase do “Vídeo Show” na Globo, idealizada pelo diretor Ricardo Waddington, no ar a partir de 18 de novembro. A saída do repórter já era esperada, até em função dos seus laços com o Boninho.

Pronto socorro Raul Gil deu um susto na sua última gravação no SBT. Na véspera, comeu o que não devia e passou mal durante o programa. Ficou cerca de duas horas no ambulatório da emissora tomando soro. No fim, restabelecido, foi terminar seu trabalho. Um pelo outro

Jaqueline também sai O novo “Vídeo Show”, do Zeca Camargo, continuará com Otaviano Costa, Dani Monteiro e Marcela Monteiro, mas também não terá Jaqueline Silva, além do Vinícius. Existe a possibilidade da entrada de mais dois apresentadoresrepórteres, mas isto passará a depender do desenvolvimento do programa.

• Rubens Barrichello será o focalizado deste domingo, 21h15, no programa “Grandes Nomes”, do Multishow. • A propósito do Multishow, Fábio Porchat é o jurado convidado do 5º episódio do “Prêmio Multishow de Humor”, nesta segunda, às 22h30. • A reformulação na programação da Rede TV! está prevista para acontecer em março do ano que vem... • ... Necessários cálculos serão realizados até lá para saber se poderá haver uma redução nos horários vendidos... • ... Hoje, cerca de 40% da grade está comprometida com igrejas e outros do gênero.

Cauã Reymond, o ladrão de coração A série “Amores Roubados”, em reta final de gravações, será exibida na Globo em janeiro. Só não se sabe ainda como serão os trabalhos da sua promoção, por causa de todo noticiário que ainda envolve os protagonistas Isis Valverde e Cauã Reymond. São dez capítulos. Curioso é que o personagem do Cauã é o Don Juan Leandro, que tem uma forte queda por mulheres casadas. É descrito como um ladrão de coração.

Flávio Ricco Colaboração: José Carlos Nery

C’est fini Estão funcionando oficialmente, desde a última sextafeira, os escritórios do A&E no Brasil. Os canais History Channel, E! e Bio, além do próprio A&E, irão apresentar novidades em breve nas suas programações Ficamos assim. Mas amanhã tem mais. Tchau!

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‘ALÉM DO HORIZONTE’

Felicidade é tema de novela Em “Além do Horizonte’’, novela das sete global que estreia amanhã, um trio de aventureiros terá de passar por vários desafios na mata para encontrar parentes que resolveram fugir em busca da felicidade. A trama, com moldes bem diferentes para o horário, é encarada como um grande desafio para os autores Marcos Bernstein e Carlos Gregório, além do diretor Ricardo Waddington. “A proposta de aventura, algo totalmente novo na TV, foi o que mais me atraiu. É uma nova perspectiva de história. A novela terá muito romance, humor e um universo todo inventado por nós’’, descreve o diretor. A história começa com o

drama de Lili (Juliana Paiva). Logo no primeiro capítulo, ela descobre, por meio de uma carta, que seu pai, Luis Carlos (Antônio Calloni), que ela acreditava estar morto, está vivo. Então, disposta a descobrir o seu paradeiro, coloca na cabeça que nada poderá detê-la em sua busca. “Nessa carta, o pai dela conta que foi atrás da felicidade. Mas que felicidade será essa, tão forte, a ponto de um homem abrir mão de acompanhar o crescimento de uma filha? Esses valores vão ser levantados a todo momento pela novela. Então, por meio de enigmas, ela vai descobrindo pistas que devem levá-la até o local onde ele mora’’, conta Juliana. Logo de cara, a tal carta faz

com que o caminho da jovem se cruze com o de William (Thiago Rodrigues), um garoto que também sofre com o desaparecimento do irmão, Marlon (Rodrigo Simas). Em comum, eles têm Tereza (Carolina Ferraz), tia do garoto e amante do pai de Lili. Mais tarde, quem aparece para embarcar comocasalnessaaventuraéRafa (Vinicius Tardio), cuja namorada, Paulinha (Christiana Ubach), preferiu largar tudo para, também, ir embora misteriosamente. Todas essas pessoas fazem parte de uma comunidade de nome Grupo, cujos integrantes largaram suas vidas para experimentar algo novo, inesperado e sem problemas para resolver, em uma pequena comunidade distante.

A história começa com o drama de Lili (Juliana Paiva) que será filha de Flávia Alessandra

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Vida na selva será explorada na trama Juntos, Lili, William e Rafa deixam a família de lado e partem para um caminho longo, em plena Amazônia, a fim de encontrar seus familiares desaparecidos. Dessa relação a três, um romance logo surgirá. “William e Lili são muito diferentes um do outro e começam se estranhando. Enquanto ele é do subúrbio, ela é uma patricinha da zona sul do Rio. Mas eles vão se envolvendo aos poucos’’, revela Thiago Rodrigues. Segundo Juliana, a possibilidade de Rafa também brigar pelo amor da mocinha não pode ser descartada. “Acho que essa história dará um belo triângulo amoroso. Rafa não verá a namorada por um bom tempo e estará carente. Não sei Thiago Rodrigues vai viver o jovem Willian na novela

até que ponto a convivência poderá mexer com esses meninos’’, comenta a atriz. A vida na selva, no entanto, não será fácil. Entre brigas, discussões e romances, o trio encontrará alguns percalços durante a trajetória. “Eles vão ter de sobreviver na mata com pouca coisa nas mochilas. Mas eu acredito que a amizade cada vez mais forte entre eles fará com que se unam contra tudo, inclusive contra a Besta’’, conta o ator Vinicius Tardio, referindo-se a um esquisito e misterioso monstro, que dará as caras na floresta e aterrorizará os personagens. Com o passar do tempo, o trio, enfim, chegará à comunidade -local escolhido por seus familiares para viver. O ator Antônio Calloni, que, na

história, será um dos líderes do Grupo, conta o que ele tem de tão especial. “Essa comunidade cientifico-filosófica fica no meio da floresta, e seus moradores chegaram até lá por estarem cansados de suas vidas. Eles buscam a felicidade a todo custo e estão, inclusive, construindo uma máquina para produzi-la. Essa é a parte mais ficcional da trama e que vai de encontro ao pensamento comum das pessoas que sempre querem achar uma solução mágica para a alegria. Na trama, isso será possível’’, descreve Calloni. Não estranhe se começar a perceber muitas semelhanças entre “Além do Horizonte’’ e o seriado americano “Lost’’ (2004-2010), em que sobreviventes de

um acidente aéreo ficam perdidos e sobrevivendo com dificuldade em um local distante de tudo. “Além de “Lost’, os filmes “A Praia’ (1999), “A Vila’ (2004) e “Horizonte Perdido’ (1973), que mostram histórias em ambientes isolados, serviram de inspiração. Em todos esses filmes há pessoas que vão em busca de um ideal comum e que têm de deixar para trás valores e conceitos. Elas tomam atitudes radicais e abandonam tudo’’, comenta o autor Carlos Gregório. Para os atores, a expectativa de poder contar uma história tão misteriosa é ótima. “Eu, que adoro fazer parte desse universo de aventura, estou adorando esse novo desafio”, diz Rodrigo Simas.


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MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Programação de TV

GLOBO

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3h50 Santa Missa em Seu Lar 4h50 Amazônia Rural 5h30 Pequenas Empresas, Grandes Negócios 6h00 Globo Rural 6h55 Auto Esporte 7h30 Esporte Espetacular 09h00 Fórmula 1: Grande Prêmio de Abu Dhabi. 10h25 Temperatura Máxima: HomemAranha 2. 12h20 Esquenta 14h Futebol 2013h Campeonato Brasileiro - Goiás x Botafogo. 16h Domingão do Faustão 18h45 Fantástico 21h10 Sai de baixo 22h40 Domingo Maior: 0h20 Sessão de Gala: 1h50 Corujão I 3h35 Festival de Desenhos

10:00 Repórter Cidadão 11:00 Em Circuito 12:30 Sábado Total 16:15 Good News 16:45 Plantão 24h 17:45 Amaury Jr. Show 18:45 Rede TV! News 19:30 TV Kids 20:00 Amor e Fé 20:30 Te Peguei na TV 20:45 Luta Tribal 21:45 Mega Senha 23:15 Teste de Fidelidade 1:00 Igreja Internacional da Graça

SBT 3h05 Jornal da Semana Sbt 4h Igreja Universal 5h Pesca Alternativa 6h Brasil Caminhoneiro 6h30 Aventura Selvagem 7h30 Vrum 8h Sorteio Amazonas da Sorte 9h Domingo Legal 13h Eliana 17h Roda A Roda Jequiti 17h45 Sorteio da Telesena 18h Programa Silvio Santos 22h De Frente Com Gabi 23h True Blood

BAND 4h Igreja Mundial 4h50 Popeye 5h Local 8h30 Mackenzie Em Movimento 8h45 Infomercial – Polishop 9h45 Verdade E Vida 10h Irmão Caminhoneiro 10h05 Pé Na Estrada 10h30 Minuto Do Futebol

RECORD

10h35 Copa Petrobras De Marcas 11h30 De Olho No Futebol 11h35 Band Esporte Clube

0h Divisão Criminal/ The Closer 1h Cidade Do Crime// Southland 2h20 Big Bang 3h Igreja Universal

REDE V 5:00 Igreja Internacional da Graça 7:00 TV Kids 8:00 Educação em Foco 9:00 A Voz do Servidor 9:30 TV Shopping Manaus

3h45 Bíblia Em Foco 4h Santo Culto Em Seu Lar 4h30 Desenhos Bíblicos

13h Golh O Grande Momento Do Futebol

7h Desenhos Bíblicos 8h Amazonas Da Sorte 9h Record Kids 10h30 Tudo A Ver 13h15 O Melhor Do Brasil 17h30 Domingo Espetacular

18h Oscar – Desenho

13h30 Futebol 2013 - Ao Vivo 15h50 Terceiro Tempo 18h10 Caçadora De Relíquias 19h Só Risos 21h Pânico Na Band 0h Canal Livre

21h Tela Máxima - Charlotte Gray - Paixão Sem Fronteiras 23h15 Programação Iurd

1h Minuto Do Futebol 1h40 Show Business - Reapresentação 2h15 Igreja Mundial

“Sai de Baixo” volta ao ar na noite de domingo da Globo

Horóscopo GREGÓRIO QUEIROZ

Cinema PRÉ-ESTREIA

Cruzadinhas REPRODUÇÃO

ÁRIES - 21/3 a 19/4 O momento exige alguns sacrifícios novos, mas positivos, de modo a fomentar o crescimento espiritual. Você se reúne a novos grupos e pessoas e isso traz novo sentido. TOURO - 20/4 a 20/5 Sua participação no ambiente social e com os amigos traz um novo sentido para sua vida, a qual funcionará mais em função e em acordo com os grupos dos quais faz parte. GÊMEOS - 21/5 a 21/6 O sentido de sua vocação se amplia e se engrandece. Seus dons e talentos servem a causas maiores. Não trabalhe apenas em função de ambições particulares. CÂNCER - 22/6 a 22/7 Sua religiosidade está mais forte e exige ser desenvolvida. Is sentimentos devocionais são mais fortes. Você almeja um grau superior de união com tudo e com todos. LEÃO - 23/7 a 22/8 A percepção do sentido da vida se amplia e você penetra em reinos antes desconhecidos. Há um sentido maior em tudo o que é vivido por você com as outras pessoas. VIRGEM - 23/8 a 22/9 Você se dedica às outras pessoas com um profundo sentimento de devoção e cuidado. Seus relacionamentos passam a ser orientados por sentimentos muito além da razão. LIBRA - 23/9 a 22/10 Seu trabalho é ajudar as pessoas, a lhes confortar e dar esperança. Exerça esse trabalho mais do que nunca. Os tempos pedem você viver sua espiritualidade desta maneira. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 O sentido do amor se amplia até sua máxima expansão. Você é chamado ao amor incondicional, ao amor que transcende os desejos egoístas e particulares. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 O sentido de família se amplia até abarcar todas as pessoas que seus sentimentos alcancem. Sua noção de identidade própria vai a camadas mais profundas de si mesmo. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/1 Sua mente se abre a captar percepções e imagens das alturas mais elevadas à mente e ao sentimento humano. Você passa a comunicar ideias maiores do que você mesmo. AQUÁRIO - 20/1 a 18/2 A utilização de seus recursos materiais é redefinida por motivos maiores do que sua vontade pessoal. O sentido de caridade e de serviço dispõe de seus recursos. PEIXES - 19/2 a 20/3 Sua essência começa a se revelar com maior clareza. É mais fácil o contato com aspectos de sua espiritualidade e mediunidade. Você se apercebe de mais dimensões.

Capitão Phillips. EUA. 14 anos. Richard Phillips (Tom Hanks) é um comandante naval experiente, que aceita trabalhar com uma nova equipe na missão de entregar mercadorias e alimentos para o povo somaliano. Logo no início do trajeto, ele recebe a mensagem de que piratas têm atuado com frequência nos mares por onde devem passar. A situação não demora a se concretizar, quando dois barcos chegam perto do cargueiro, com oito somalianos armados, exigindo todo o dinheiro a bordo. Uma estratégia inicial faz com que os agressores recuem, apenas para retornar no dia seguinte. Embora Phillips utilize todos os procedimentos possíveis para dispersar os inimigos, eles conseguem subir à bordo, ameaçando a vida de todos. Quando pensa ter conseguido negociar com os piratas, o comandante é levado como refém em um pequeno bote. Começa uma longa e tensa negociação entre os sequestradores e os serviços especiais americanos, para tentar salvar o capitão antes que seja tarde. Cinépolis 10 – 22h15 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Millennium – 21h45 (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 21h25 (dub/somente sexta-feira e sábado).

ESTREIA O Conselheiro do Crime: EUA. 16 anos. Thor (Chris Hemsworth) e Jane Foster (Natalie Portman) terão que se adaptar a nova dinâmica intergalática, causada pela ausência de Odin (Anthony Hopkins). A trama será passada nos Nove Mundos presentes na mitologia nórdica. A direção será de Alan Taylor (Game of Thrones), que assumiu a função após a desistência de Patty Jenkins, que abandonou o barco alegando divergências criativas. Cinépolis 4 – 13h, 13h30, 14h45, 18h, 18h30, 19h45 (dub/diariamente), 15h30, 16h, 17h15, 20h45, 21h15, 22h30 (leg/diariamente), 14h, 19h, (3D/dub/diariamente), 16h30, 21h45 (3D/leg/diariamente). Playart 1 – 12h20, 14h30, 16h40, 18h50 (3D/dub/diariamente), 21h (3D/leg/diariamente), 14h, 14h01, 16h10, 16h11, 18h20, 18h21, 20h30, 20h31 (dub/diariamente), 12h40, 14h50, 17h, 19h10, 21h20 (leg/diariamente), 23h31 (leg/somente sextafeira e sábado). Cinamark 1 – 13h, 13h30, 15h40, 16h10, 18h20, 18h50, 21h, 21h30 (dub/diariamente), 23h50 (Dub/somente sexta-feira e sábado), 16h40, 22h10 (3D/leg/diariamente), 11h00 (dub/somente sábado e domingo), 12h30, 15h10, 17h50, 20h30 (3D/dub/diariamente), 23h10(3D/dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Millennium – 14h10, 14h40, 17h00, 18h50, 19h20, 21h40 (3D/dub/diariamente), 16h30, 21h20 (3D/leg/diariamente), 13h40, 16h, 18h20, 20h40 (dub/diariamente), 15h30, 17h40, 19h50, 22h (leg/diariamente). Cinemais Plaza – 13h20, 14h10, 15h30, 17h40, 19h50, 22h (dub/diariamente), 14h40, 16h30, 17h, 18h50, 19h20, 21h10, 21h40 (3D/dub/diariamente).

CONTINUAÇÕES Thor: O Mundo Sombrio. EUA. 10 anos. Cinépolis 10 – 13h15, 16h15, 19h10 (leg/diariamente). Playart 8 – 18h20, 20h40 (leg/diariamente). 23h (leg/somente sexta-feira e sábado). Cinemark 3 – 12h20, 15h (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h50, 17h10, 19h30, 21h50 (leg/diariamente).

17h10, 19h30, 21h50 (diariamente).

Meu passado me condena: BRA. 12 anos. Cinépolis 7 – 13h20, 14h15, 15h45, 17h, 18h15, 19h30, 20h50, 22h (diariamente). Playart 5 – 13h10, 13h11, 15h15, 15h16, 17h20, 17h21, 19h25, 19h26, 21h30, 21h31 (diariamente). 23h35, 23h36 (somente sextafeira e sábado), 11h30(somente sábado e domingo), 14h, 16h30, 19h10, 21h50 (diariamente). Cinemais Millennium – 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (diariamente). Cinemais Plaza – 15h,

Serra Pelada: BRA. 14 anos. Cinépolis 2 – 13h10, 16h10, 19h05, 21h50 (diariamente). Playart 2 – 19h, 21h10 (diariamente), 23h20 (somente sextafeira e sábado). Cinemark 5 – 12h10, 14h40, 17h10, 19h40, 22h20 (diariamente). Cinemais Millennium – 15h10, 17h20, 19h40 (diariamente), 21h45 (somente sexta-feira e sábado.

Gravidade: EUA. 12 anos. Cinépolis 1 – 14h05, 17h10, 20h, 22h20 (3D/leg/diariamente). Playart 10 – 13h15, 15h10, 17h05, 19h, 20h55 (leg/diariamente), 22h50 (leg/somente sexta-feira e sábado).

Tá Chovendo Hambúrguer 2: EUA. Livre. Cinépolis 3 – 12h40 (dub/dia-

riamente). Playart 8 – 13h10, 15h10, 17h10 (dub/diariamente). Cinemark 2 – 11h20 (dub/somente sábado e domingo), 13h40, 16h, 18h30, 20h50 (dub/diariamente). Cinemais Millennium – 14h20, 16h20 (dub/diariamente). Cinemais Plaza – 14h35, 16h40 (dub/diariamente). Os Suspeitos: EUA. 12 anos. Cinépolis 3 – 15h05, 18h10, 21h10 (leg/diariamente). Playart 9 – 12h40, 15h30 (leg/diariamente). Playart 8 – 12h40, 15h30 (leg/diariamente), 18h40, 21h35 (dub/diariamente). Mato Sem Cachorro: BRA. 12 anos. Playart 2 – 14h10, 16h35 (diariamente). Cinenark 4 – 11h10 (somente sábado e domingo), 13h50, 19h20 (diariamente). Cinemais Millennium – 18h40, 21h10 (diariamente).

Silent Hill: Revelação: FRA/CAN. 16 anos. Playart 9 – 19h10, 21h10 (leg/diariamente), 23h10 (leg/somente sexta-feira e sábado). Riddick 3: EUA. 16 anos. Cinemark 3 – 17h40, 20h20 (dub/ diariamente), 23h20 (dub/somente sexta-feira e sábado). Cinemais Plaza – 14h, 16h20, 18h45, 21h20 (diariamente). Rota de Fuga. EUA. 14 anos. Cinemais Plaza – 14h20, 16h45, 19h (dub/diariamente), 21h25 (exceto sexta-feira e sábado). Invocação do Mal: EUA. 14 anos. Cinemais Plaza – 14h30, 16h50, 19h10, 21h30 (dub/diariamente).


Plateia

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

::::: Festão daqueles

::::: Sala de Espera

Jander Vieira jandervieira@hotmail.com @hotmail.com - www.jandervieira.com.br

::::: Tecnológico O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), com apoio da Prodam, realizará em Manaus, no próximo dia 14, minicurso gratuito sobre IPv6, novo protocolo para o endereçamento na internet. As inscrições para o minicurso podem ser realizadas pelo endereço cursos.ceptro.br/evento/41. O evento é realizado todos os anos e nesta edição tem como tema “Desafios da Qualidade e Segurança da Informação”.

::::: Grande conquista

Na sessão parabéns da bambina-neta Gizella, Graziela e Francisco Nogueira nos domínios do salão de festas do Walderez Simões

HERICK PEREIRA

REPETINDO A DOSAGEM DE SUCESSO: A CHIQUE GIZELLA BOLOGNESE PILOTARÁ MAIS UM CURSO DE ETIQUETA SOCIAL, COM PARTICIPAÇÃO DE EDINHO SERRÃO COM AULAS DE PONTA-PLANTA-CALCANHAR, NO PRÓXIMO DIA 13. OS INGRESSOS ESTÃO NA BOBSTORE, DO VIEIRALVES. O LAPPA BAR RECEBE HOJE, A PARTIR DAS 15H, MAIS UMA EDIÇÃO DO JÁ TRADICIONAL PROJETO “ESCRITÓRIO DO SAMBA”, QUE BUSCA RESGATAR AS GRANDES RODAS DE SAMBA DA CIDADE. ENTRE AS ATRAÇÕES ESTÃO AS BANDAS SAMBA & CEVADA, NOSSO CASO E O TALENTO DA CANTORA TAINA PIMENTEL. O MULTIMÍDIA THÉO ALVES FECHOU UMA PARCERIA COM A M1 EVENTOS. DONO DE UMA VASTA EXPERIÊNCIA EM EVENTOS COM BEBIDA LIBERADA, THÉO É O RESPONSÁVEL PELO BAR DO MANAUS SUMMER FEST, QUE ACONTECERÁ NOS PRÓXIMOS DIAS 9 E 10, NA PRAIA DO TROPICAL HOTEL. A NOVO MUNDO CONVIDA PARA CONFERIR O JANTAR DE LANÇAMENTO DAS LOJAS DA

MANOEL NETTO

A Aleam aprovou, por unanimidade, durante a semana, o projeto de lei nº 349/2013, que altera o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração dos servidores da Seduc. As alterações trazem benefícios salariais para a carreira de cerca de 30 mil funcionários públicos estaduais da educação, incluindo professores e servidores da área administrativa, como merendeiras e motoristas. Para o governador Omar Aziz, a aprovação do novo PCCR é uma conquista dos servidores e um ganho para a política educacional do Estado. Não há desenvolvimento se não tivermos uma educação forte e comprometida e o caminho é esse: incentivar aqueles que levam o conhecimento a todas as gerações, destacou.

ZENILDE CASTELO BRANCO, FRANK ABRAHIM, CAROL FROTA, GLAUCIO COELHO E FRANK LIMA ESTÃO TROCANDO DE IDADE HOJE. OS CUMPRIMENTOS DA COLUNA.

MAURO SMITH

O encerramento da primeira edição do projeto da Equador Petróleo, Nossa Energia Move a Amazônia, já tem data para acontecer. Será no dia 7 de dezembro na praia da Ponta Negra e contará com atividades que vão do esporte a música. A celebração está marcada para as 15h, com uma corrida de cinco quilômetros e o show da banda Detonautas. Os interessados para participar da corrida devem ir ao www.assessorcor.com.br e pagar uma taxa de R$ 45, valor que será revertido para a aquisição do kit corrida. A premiação total é de R$ 25 mil aos vencedores.

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Casal dos mais queridos da coluna, Jorginho Pereira e Mirian Laredo, na divertida festa de aniversário dele no endereço da Ponta Negra

GRIFE EM MANAUS, NO PRÓXIMO DIA 6, NO DULCILA DA PONTA NEGRA, ÀS 20H. O DOUTOR-CARIOCA LEONARDO BIAR PILOTARÁ UM WORKSHOP ABORDANDO O TEMA “SISTEMA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL DAS OBRIGAÇÕES FICAIS, PREVIDENCIÁRIAS E TRABALHISTAS”. A ENTRADA É GRÁTIS E ACONTECE NO AUDITÓRIO DA PGE, DAS 8H ÀS 12H, NO PRÓXIMO DIA 12. A ATUANTE SECRETÁRIA DA SEJEL, ALESSANDRA CAMPÊLO, PREFERIU CUMPRIR AGENDA CONCORRIDA DE TRABALHO NO ESPORTE AMAZONENSE, DO QUE SESSÃO PARABÉNS EM COMEMORAÇÃO AO SEU NIVER ANTEONTEM. DIA 17 DE DEZEMBRO TEM JANTAR DE INAUGURAÇÃO DA PRAÇA DOS AMIGOS, A ANTIGA LAJE QUE ESTÁ UMA CHIQUERIA SÓ POR SINAL, DO QUERIDO PEDRINHO AGUIAR NO ENDEREÇO DO SÃO JORGE. A NOITE SERÁ EM CLIMA PRÉ-NATAL SEGUIDO DE CELEBRAÇÃO DO NIVER DO ANFITRIÃO. A 2ª MEIA MARATONA DO AMAZONAS ACONTECERÁ NO PRÓXIMO DIA 30, SENDO PROMOVIDA PELA ADMINISTRAÇÃO AZIZ EM PARCERIA COM A FEDERAÇÃO DE ATLETISMO DO ESTADO DO AMAZONAS. A LARGADA ESTÁ PREVISTA PARA 17H, EM FRENTE DA SEDE PALACIANA.

::::: T-Shirt transada A presidente do Fundo de Promoção Social e primeira-dama, Nejmi Jomaa Aziz, veste a camisa da qualidade de vida das famílias amazonenses. Nesta semana, ela fez a alegria de feirantes da cidade de Manacapuru com a entrega de materiais que vão auxiliá-los nas suas vendas naquele município

Com a assinatura do artista Rui Machado na logomarca da feijoadíssima. A Fundação Doutor Thomas está a todo vapor com os preparativos da festança solidária em prol da melhor idade da instituição. Quando? No próximo dia 9, no Parque do Idoso, a partir das 12h. No menu musical: o vaivém dos artistas da cena interessante cultural da cidade. As camisetas-convites já estão circulando.


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Plateia

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013


MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

opiniao@emtempo.com.br

(92) 3090-1010

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As cédulas de Cildo Meireles

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A um passo da humanidade

Pela neurociência, Totó também pode ser gente. Pág. 3

3

Tim-tim, Marcel!

4

Por um longo tempo, deitei cedo

O centenário de uma catedral literária. Pág. 4

A imaginação de Marcel Proust. Pág. 5

5

Diário de Berlim

6

Do arquivo de Fabio Massari

7

Só é rei quem não perde a realeza

Capa

Ilustração de Guazzelli

E outras 8 indicações culturais. Pág. 2

Goethe e a vida como obra de arte. Pág. 6

Rio de Janeiro, 1996. Pág. 7

Dos males da privacidade Pág. 8


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Ilustríssima Ciência

O MELHOR DA SEMANA EM 9 INDICAÇÕES

BRASILEIRO EXPOSIÇÃO | CÃES SEM PLUMAS A mostra na galeria Nara Roesler, que tem os desvalidos como tema, se encerra no sábado (9) com debate, às 11h, entre o curador Moacir dos Anjos, o professor da Unicamp Márcio Seligmann-Silva e alguns dos artistas, como Paulo Bruscky. Um dos destaques da coletiva, cujo título alude ao poema de João Cabral de Melo Neto, é Cildo Meireles, que reeditou seu “Projeto Cédula” (1970-76) com a frase “Cadê Amarildo?” nas notas, em vez de “Quem matou Herzog?”. De seg. a sex., de 10h às 19h; sáb., de 11h às 15h

REVISTA | SERROTE #15 A publicação do Instituto Moreira Salles traz especial sobre as manifestações, com análises do filósofo Ruy Fausto, da jornalista Carla Rodrigues e do psicanalista Tales Ab’Sáber e compilação de palavras de ordem, cartazes e manchetes feita pelo editor Paulo Werneck, curador da Flip 2014. Destaque ainda para o texto vencedor do 2º Prêmio de Ensaísmo Serrote, de Francesco PerottaBosch, sobre o fascínio do músico John Cage pelo vão do Masp R$ 37,50 | 240 págs.

LIVRO | MÁRIO DE ANDRADE Maria Augusta Fonseca, professora do departamento de teoria literária da USP, sintetiza, em volume da série Por Que Ler a vida e a obra do escritor modernista (1893-1945). Garimpando toda a vasta produção do autor (da prosa, contos e poesias às cartas, artigos de jornal e conferências), o livro destaca a atualidade de seu pensamento para compreender a história do Brasil. Globo Livros | R$ 29,90 | 248 págs.

TEATRO | GRUPO TAPA O grupo leva aos palcos “De Um ou de Nenhum”, do escritor italiano Luigi Pirandello (1867-1936). Com direção de Eduardo Tolentino de Araújo, a peça versa sobre um triângulo amoroso entre dois amigos e uma prostituta e apresenta temas centrais na obra do Nobel de Literatura de 1934: falsas aparências e crises de identidade. Teatro de Arena Eugênio Kusnet | de qui. a dom., às 21h até 17/11 | R$ 20 | 14 anos INSTITUTO LINA BO E P.M. BARDI/ DIVULGAÇÃO

POP

ERUDITO

1

O vão do Masp, por Lina Bo Bardi

‘Inserção em Circuitos Ideológico Projeto Cédula’, de Cildo Meireles

LIVRO | CONTOS DA CANTUÁRIA As histórias de cavalaria e alegorias morais de Geoffrey Chaucer, publicadas pela primeira vez em 1475, são uma das bases da literatura ocidental. Esta nova edição tem ensaio do crítico Harold Bloom e mais de 300 notas explicativas. trad. José Francisco Botelho | Penguin/ Companhia das Letras | R$ 54 | 680 págs.

LIVRO | JOHN LENNON, YOKO ONO & EU Jonathan Cott, jornalista da revista “Rolling Stone”, apresenta as versões completas de todas as suas entrevistas com John e Yoko – a primeira em 1968, a última apenas três dias antes do assassinato do cantor, em dezembro de 1980 –, além de imagens raras. As conversas compõem um retrato vívido e por vezes inusitado de um dos casais mais notórios do século 20. trad. Claudio Carina | Zahar | R$ 39,90 | 232 págs.

LIVROS | POESIA FRANCESA A Ateliê Editorial lança coletâneas bilíngues de dois nomes centrais da poesia francesa. Nos versos de “Gérard de Nerval: Cinquenta Poemas”, o poeta (1808-1855) concilia a expansão e o esgotamento das formas clássicas. Já “Fragmentos do Narciso e Outros Poemas” atesta o rigor formal de Paul Valéry (1871-1945) ao tratar de temas como paixão, natureza e conhecimento. “Gérard de Nerval: Cinquenta Poemas” | trad. Mauro Gama | R$ 60 | 148 págs. “Fragmentos do Narciso e Outros Poemas” | trad. Júlio Castañon Guimarães | R$ 40 | 130 págs.

CINEMA | CINEPIANO O pianista Tony Berchmans interpreta suas composições durante a projeção de três comédias mudas: “Cops” (1922), de Edward F. Cline e Buster Keaton; “Vida de Cachorro” (1918), de Charles Chaplin; e “O Grande Negócio” (1929), de James W. Horne e Leo McCarey, com o Gordo e o Magro. Galeria Olido | hoje, às 18h Centro Cultural da Penha | quinta | dia 7 | às 20h

FESTIVAL | MIX BRASIL Com cinema, teatro, música e literatura, o festival de diversidade sexual chega a sua 21ª edição. Na abertura em São Paulo, na quinta (7), será exibido “Interior. Leather Bar.”, misto de ficção e documentário, com cenas de sexo reais, dirigido pelo ator James Franco e pelo cineasta Travis Mathews – releitura de “Parceiros da Noite” (1980), em que Al Pacino é um policial que se infiltra em boates gays. Em São Paulo: de 7/11 a 17/11 | No Rio: de 14/11 a 21/11 | www.mixbrasil.org.br

Ilustríssimos desta edição ALEXANDRE RODRIGUES, 46, é jornalista e escritor, autor de “Veja se Você Responde Essa Pergunta” (Não Editora). CLARA ALLAIN, 56, é tradutora. ELOAR GUAZZELLI, 51, é ilustrador. FABIO MASSARI, 49, é jornalista, autor de “Mondo Massari - Entrevistas, Resenhas, Divagações & ETC” (Edições Ideal). GREGORY BERNS, professor de neuroeconomia na Universidade Emory, autor de “How Dogs Love Us” (como os cães nos amam, New Harvest). Publicou originalmente no “New York Times” os resultados de sua

CULTURE CLUB/ GETTY IMAGES

ESTRANGEIRO Folha.com

pesquisa com cães. HELOISA STARLING, 55, é professora titular de história na UFMG. LILIA MORITZ SCHWARCZ, 55, é professora titular de antropologia da USP. MARCEL PROUST (1871-1922), escritor francês, autor de “À Procura do Tempo Perdido”. MARIO SERGIO CONTI, 58, autor de “Notícias do Planalto” (Companhia das Letras), é repórter da “piauí” e colunista de “O Globo”. Está traduzindo “À Procura do Tempo Perdido”. RAFAEL CAMPOS ROCHA, 43, é ilustrador, autor de “Deus, Essa Gostosa” (Quadrinhos na Cia.). RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO (18461905), ilustrador e ceramista português. SILVIA BITTENCOURT, 47, jornalista, é autora de “A Cozinha Venenosa - Um Jornal contra Hitler” (Três Estrelas).

A BIBLIOTECA DE RAQUEL A colunista do Painel das Letras e repórter da “Ilustríssima” comenta o mercado editorial FOLHA.COM/ ILUSTRISSIMA Atualização diária da página da “Ilustríssima” no site da Folha MIX BRASIL Imagens de alguns filmes em exibição no festival >>folha.com/ilustrissima


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Ciência

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Cachorro também é ser humano As emoções caninas postas em exame RESUMO Exames de ressonância magnética atestam semelhanças entre cães e humanos quanto ao funcionamento do caudado, região cerebral que reconhece o prazer. A constatação de emoções parecidas leva pesquisador a defender que animais têm uma “humanidade” limitada e que deveríamos rever o tratamento dado a eles.

GREGORY BERNS TRADUÇÃO CLARA ALLAIN

Há dois anos meus colegas e eu treinamos cães para ficarem num aparelho de ressonância magnética – totalmente despertos e sem estarem amarrados ou presos de nenhuma forma. Nossa meta é determinar como funcionam os

cérebros dos cães e, o que é ainda mais importante, o que eles pensam de nós, humanos. Agora, depois de treinar e fazer exames de ressonância magnética em uma dúzia de cães, minha única conclusão inescapável é esta: os cães também são pessoas. Como os cães não falam, os cientistas deduzem seus pensamentos a partir de observações comportamentais. É arriscado. Não é possível perguntar a um cão por que ele faz alguma coisa. E não é possível lhe perguntar como se sente. A possibilidade de trazer à tona emoções animais assusta muitos cientistas. Afinal, a utilização de animais em pesquisas é um grande negócio. Era fácil evitar as perguntas difíceis sobre as percepções sensoriais e as emoções dos animais, porque essas perguntas não tinham resposta possível. Até agora. Com o exame direto dos cérebros dos animais, passando ao largo das limitações do behaviorismo, a ressonância magnética nos revela o estado interno dos cães. O exame é realizado em espaços confinados e ruidosos. As pessoas não gostam do procedimento, durante o qual é preciso ficar totalmente imóvel. A prática veterinária convencio-

nal reza que é preciso anestesiar animais para que não se movam enquanto passam pela ressonância. Mas não é possível estudar a função cerebral de um animal anestesiado – ao menos não quanto a elementos interessantes como percepção ou emoção. Desde o início, tratamos os cães como pessoas. O dono de cada cão assinava um termo de consentimento baseado no modelo usado para procedimentos em crianças. Ressaltávamos que a participação era voluntária e que o cão tinha o direito de abandonar o estudo. Usamos apenas métodos de treinamento positivos. Nada de sedação ou cintos. Se o cachorro não quisesse ficar no aparelho de ressonância, podia sair, como qualquer voluntário humano. Minha cadela Callie foi a primeira. Resgatada de um abrigo de animais, Callie era uma cadela magra, mista de terrier, uma raça conhecida como “feist” – independente, corajosa – nos Apalaches, a região do leste dos EUA de onde ela vem. Fiel às suas origens, Callie preferia caçar esquilos e coelhos no quintal a ficar aconchegada no meu colo. Sua curiosidade natural provavelmente foi o motivo para ela ter ido parar num abrigo, mas também o que fazia fácil treiná-la. Com a ajuda de meu amigo Mark Spivak, treinador de cães, comecei a ensinar Callie a entrar num simulador de aparelho de ressonância magnética que construí na sala de minha casa. Callie aprendeu a subir degraus e a entrar num tubo, a colocar sua cabeça sobre um apoio de queixo e a ficar totalmente imóvel por períodos de até 30 segundos. Também precisou aprender a usar protetores de orelhas para resguardar sua audição dos ruídos de 95 decibéis feitos pelo aparelho. Após meses de treinamento, algumas tentativas e erros no aparelho de ressonância real, fomos recompensados com os primeiros mapas de atividade cerebral.

Nos primeiros ensaios, medimos sua resposta cerebral a dois sinais feitos com as mãos no aparelho. Nos ensaios posteriores, ainda não publicados, determinamos que regiões do cérebro dela distinguem cheiros de cães e humanos conhecidos e desconhecidos. Em pouco tempo a comunidade ficou sabendo de nosso esforço para determinar o que os cachorros pensam. Em um ano tínhamos reunido uma equipe de uma dúzia de cães preparados para fazer ressonância magnética. Semelhança Estamos apenas começando a responder às perguntas básicas sobre o cérebro canino, mas não podemos ignorar a semelhança notável entre cães e humanos na estrutura e no funcionamento de uma região cerebral chave: o núcleo caudado. Rico em receptores de dopamina, o caudado se localiza entre o tronco encefálico e o córtex. Nos humanos, desempenha papel crucial na antecipação de coisas que nos dão prazer, como comida, amor e dinheiro. Mas será que podemos virar essa associação de trás para diante e deduzir o que uma pessoa está pensando pela simples medição da atividade do caudado? Devido à enorme complexidade das interligações entre as diferentes partes do cérebro, geralmente não é possível associar uma função cognitiva ou emoção isolada a uma única região cerebral. É possível, porém, que o caudado represente uma exceção. Partes específicas do caudado se destacam porque, diante de um grande número de coisas que dão prazer aos humanos, elas se ativam de forma consistente. A ativação do caudado, sob as circunstâncias apropriadas, é capaz de prever nossas preferências de comida, música e até mesmo beleza. No caso dos cães, descobrimos

que a atividade no caudado aumentava em resposta a sinais das mãos que indicavam comida. O caudado também se ativava diante do cheiro de humanos conhecidos. Em ensaios preliminares, ele se ativava diante do retorno do dono que tivesse momentaneamente saído das vistas do animal. Essas descobertas provam que os cachorros nos amam? Não exatamente, mas muitas das mesmas coisas que ativam o caudado humano, coisas associadas a emoções positivas, também ativam o caudado canino. Os neurocientistas chamam a isso homologia funcional, e pode constituir um indicativo de emoções caninas. A capacidade de sentir emoções positivas, como amor e apego, significaria que os cães possuem um nível de percepção sensorial comparável ao de uma criança. Por muito tempo, cães foram tratados como propriedade humana. Embora leis estaduais e a Lei do Bem-Estar Animal, de 1966, tenham exigido que se destine um tratamento melhor aos bichos, elas consolidaram a visão de que os animais são coisas – objetos dos quais se poderia dispor, desde que tomado o cuidado razoável para minimizar seu sofrimento. Mas agora, ao usar a ressonância magnética para afastar as limitações do behaviorismo, não podemos mais fazer vista grossa para as evidências. Os cães, e provavelmente muitos outros animais também (especialmente os primatas com parentesco mais estreito conosco), parecem ter emoções, exatamente como nós temos. Isso significa que precisamos rever o tratamento que damos a eles. Humanidade Uma opção é reconhecer uma espécie de “humanidade” limitada dos animais que demonstram evidências neurobiológicas de emoções positivas. Muitos grupos de resgate já usam esse rótulo

de “guardião” para descrever os humanos que cuidam de animais, vinculando o humano a seu protegido por meio da responsabilidade implícita de cuidar dele. Aquele que deixe de atuar como bom guardião corre o risco de ter seu cão encaminhado para outro protetor. Mas não existem leis que tratem animais como pupilos ou protegidos, de modo que os diferentes grupos de resgate que operam segundo o modelo da guarda carecem de bases legais para proteger os interesses dos animais. Se déssemos mais um passo adiante e concedêssemos aos cães os direitos que acompanham a condição humana, eles ganhariam proteção adicional contra a exploração. A criação de cães sob condições desumanas para finalidade de lucro rápido, o uso de cães em laboratórios e as corridas de cães seriam proibidos, pois violariam os direitos básicos de autodeterminação de uma pessoa. Creio que a sociedade ainda está a muitos anos de distância de considerar cães como pessoas. Contudo decisões recentes da Suprema Corte levaram em conta descobertas da ciência neurológica que abrem essa possibilidade. Em dois casos, o tribunal decidiu que infratores menores de idade não poderiam ser sentenciados à prisão perpétua sem a possibilidade de liberdade condicional. Em suas decisões, a corte citou evidências obtidas em exames de imagem cerebral a fim de atestar que o cérebro humano não está maduro na adolescência. Embora esses exemplos não guardem relação com a percepção sensorial dos cães, os juízes abriram a porta para o recurso à neurociência nos tribunais. Quem sabe um dia vejamos um caso judicial em que os direitos de um cão sejam defendidos com base em exames de imagem cerebral.


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Literatura

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A pedra fundamental

Há cem anos, nascia a catedral de Proust RESUMO A série Primeiríssima Mão, em que a “Ilustríssima” adianta trechos de lançamentos vindouros, traz o início do primeiro tomo de “À Procura do Tempo Perdido”. “Do Lado de Swann”, cujo centenário se completa no dia 14, ganha nova tradução para o português, a sair pela Penguin/ Companhia das Letras em 2014.

MARIO SERGIO CONTI ILUSTRAÇÃO GUAZZELLI

No próximo dia 14, será o centenário da chegada às livrarias parisienses de “Do Lado de Swann”, o primeiro dos sete tomos de “À Procura do Tempo Perdido”, de Marcel Proust. Multidões não sairão às ruas para, mascaradas com o bigodinho do romancista, fazer vigília no Ritz, onde ele pedia um frango inteiro, cerveja e inúmeras xícaras de café quando escrevia o seu livro. Apenas alguns, em Londres, no Cairo, em Tóquio ou numa padaria nas Perdizes, brindarão à memória do grande artista. Foi ele quem aclarou as intermitências do coração, a mecânica dupla da memória, a força paralisante do hábito, a engrenagem da sociedade cujo fluido é medo e engano, a matéria dúctil do tempo que se perde e é dado aos seus leitores reencontrar. Datado? Sem dúvida; vive-se na história. Mas, enquanto a enferrujada geringonça burguesa continuar a ranger e a moer mulheres e homens aos milhões, lá estará “À Procura do Tempo Perdido”. Para compreender o que se nos passa nos dias de solidão de amor, o romance entre Swann e Odette. Para analisar a política ao redor, a reação dos distintos ao caso Dreyfus. Para entrever o que de bom pode vir depois do ciclo do capital, uma sonata no salão da Duquesa de Guermantes. Com conhaque barato num copo ordinário: tim-tim, Marcel! Quatro editores se recusaram a publicar “Do Lado de Swann”. Havia motivos mundanos para tanto. Proust era tido como diletante. Não tinha profissão, nunca trabalhara, vivia em festas, herdara o equivalente a dezenas de milhões de reais com a morte dos pais. Publicara a suas custas um livro

ilustrado, crônicas de jantares de grã-finos e traduções do caótico John Ruskin. Ritmo vegetal Houve também razões literárias. Ninguém entendeu o livro, a combinação de análise e narração, o desenvolvimento em ritmo vegetal, as mudanças cubistas de assunto de um capítulo para o outro, os hiatos abissais no enredo. Mas Proust sabia o que estava escrevendo. Quer dizer, tinha uma noção incerta do que fazia: imaginava que escrevia um romance em dois livros. Depois viraram três, foram para cinco e acabaram em sete. O mais famoso dos vetos à publicação foi o de André Gide. Proust sempre se queixou de que a “Nouvelle Revue Française”, onde o autor de “O Imoralista” era editor, nem abrira o pacote com o original datilografado de “Swann”. Mas Gide leu, sim, trechos do livro e estranhou sobremaneira algumas imagens proustianas, como as “vértebras” que apareciam na testa de uma personagem, a tia Léonie. Proust acabou pagando para que uma nova editora, a de Bernard Grasset, o publicasse. Lentamente, o livro seguiu seu curso, o de amealhar espanto e admiração até se tornar uma obra-prima do modernismo. Gide veio a ler “Swann” inteiro. Escreveu então uma carta a Proust dizendo que a sua recusa inicial fora um dos maiores erros que cometera na vida. O rascunho da carta será leiloado no próximo dia 26, e a Sotheby’s avalia que ele será arrematado por 150 mil euros. O trecho traduzido a seguir é o comecinho de “Do Lado de Swann”. Nele, o narrador descreve o lusco-fusco entre insônia e sono, entre sono e sonho, entre sonho e realidade. Ao mesmo tempo, vai relembrando diversos dos quartos onde dormiu ao longo dos anos. O passado e o presente se condensam naquilo que ele escreve: “Um homem que dorme mantém em círculo ao seu redor o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos”. Proust comparou “Tempo Perdido” a uma catedral e a uma sinfonia. É útil ter essas metáforas em mente ao iniciar a sua leitura. A estranheza que se experimenta não advém da dificuldade do estilo do escritor, perfeitamente compreensível. É que a leitura da abertura do romance corresponde a ver uma catedral bem de perto. Ou a ouvir apenas os primeiros acordes da protofonia de uma peça musical majestosa. Só com o recuo em relação à igreja, só com o desenvolvimento da sinfonia – para que se possa contemplá-las na sua inteireza, do começo ao fim – é possível captar a inteligência do romance em plenitude. O espaço e o tempo precisam agir para que Proust viva.


G5

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Imaginação

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Quartos da minha vida A reviravolta total nos mundos fora de órbita RESUMO A série Primeiríssima Mão, em que a “Ilustríssima” adianta os principais lançamentos vindouros, traz o início do primeiro tomo de “À Procura do Tempo Perdido”, assim rebatizado na nova tradução para o português. Iniciada há cem anos pelo francês Marcel Proust, a obra é um dos monumentos da literatura universal.

MARCEL PROUSTI TRADUÇÃO MARIO SERGIO CONTI

Por um longo tempo, deitei cedo. Às vezes, mal apagada a vela, meus olhos se fechavam tão depressa que não tinha tempo de me dizer: “Adormeço.” E, uma meia hora depois, o pensamento de que era tempo de procurar dormir me despertava; queria pousar o volume que acreditava ainda ter nas mãos e assoprar a luz; não cessara de fazer reflexões dormindo sobre o que acabara de ler, mas essas reflexões haviam tomado um rumo um tanto particular; parecia-me que era de mim mesmo que o livro falava: uma igreja, um quarteto, a rivalidade de Francisco I e Carlos V. Essa crença sobrevivia durante alguns segundos ao meu despertar; ela não chocava a minha razão, mas pesava como escamas sobre meus olhos e os impedia de perceber que a vela não estava mais acesa. Depois ela começava a me parecer ininteligível, como os pensamentos de uma existência anterior depois da metempsicose; o assunto do livro se destacava de mim, eu estava livre para me deter nele ou não; logo recobrava a visão e ficava atônito de estar imerso numa obscuridade, suave e repousante para os meus olhos, mas talvez ainda mais para o meu espírito, ao qual ela aparecia como uma coisa sem causa, incompreensível, como uma coisa verdadeiramente obscura. Eu me perguntava que horas poderiam ser; escutava o silvo dos trens que, marcando as distâncias como o canto mais ou menos afastado de um pássaro na floresta, me descrevia a extensão do campo deserto onde o viajante se apressa em direção à próxima estação; e o pequeno caminho que percorre ficará gravado na sua lembrança pela excitação que ele deve aos lugares novos, aos atos inabituais, às conversas recentes e

às despedidas sob a lâmpada estrangeira que ainda o seguem no silêncio da noite, e à doçura próxima do regresso. Encostava suavemente minhas faces nas belas faces do travesseiro que, cheias e frescas, são como as faces da nossa infância. Riscava um fósforo para olhar meu relógio. Logo meia-noite. É quando o doente que fora obrigado a partir em viagem e a dormir num hotel desconhecido, despertado por uma crise, se alegra ao perceber sob a porta um raio do dia. Que felicidade, já é de manhã! Num instante os criados estarão de pé, poderá tocar a campainha, virão lhe prestar socorro. A esperança de ser aliviado lhe dá coragem para sofrer. Agora mesmo achou que ouvia passos; os passos se aproximam e depois se afastam. E o raio do dia que estava sob a porta desapareceu. É meia-noite; acabam de apagar o gás; o último criado partiu e será preciso passar a noite toda a sofrer sem remédio. Readormecia, e às vezes só despertava por breves instantes, o tempo de escutar os estalos orgânicos das madeiras, de abrir os olhos para fixar o caleidoscópio da obscuridade e, graças a um brilho momentâneo de consciência, de experimentar o sono no qual estavam mergulhados os móveis, o quarto, o todo do qual eu era apenas uma pequena parte e a cuja insensibilidade voltava rapidamente a me agregar. Ou então, dormindo, havia regressado sem esforço a uma época para sempre passada de minha vida primitiva e reencontrado alguns dos meus terrores infantis, como o de que meu tio-avô me puxasse pelos cachos de cabelo, e que se dissipara no dia – data para mim de uma nova era – em que os tinham cortado. Havia esquecido esse acontecimento durante o meu sono, e reencontrava a sua lembrança assim que conseguia acordar para escapar às mãos de meu tio-avô, mas por precaução envolvia completamente a cabeça com meu travesseiro antes de retornar ao mundo dos sonhos. Às vezes, como Eva nasceu de uma costela de Adão, uma mulher nascia durante o meu sonho de uma falsa posição de minha coxa. Formada pelo prazer que eu estava a ponto de experimentar, imaginava que era ela quem o oferecia. Meu corpo, que sentia no dela o meu próprio calor, tentava juntar-se a ela, e eu acordava. O restante dos humanos me parecia bem distante diante dessa mulher que eu havia abandonado há apenas alguns momentos; minha face ainda estava quente do seu beijo, meu corpo dolorido pelo peso do seu. Se, como acontecia algumas vezes, ela tinha os traços de uma mulher que conhecera na vida, iria me dedicar inteiramente a esse objetivo: reencontrá-la, como aqueles que partem em viagem para ver com os próprios olhos uma cidade desejada e imaginam que se pode experimentar numa realidade o encanto do sonho.

Pouco a pouco a lembrança dela se esvanecia, eu esquecia a moça, filha de meu sonho. Um homem que dorme mantém em círculo ao seu redor o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos. Ele os consulta por instinto ao acordar e neles lê num segundo o ponto da terra que ocupa, o tempo que correu até despertar; mas a sua ordem pode se embaralhar, se romper. Se de madrugada, após uma insônia, o sono o surpreende durante a leitura numa postura demasiado diferente da que dorme habitualmente, basta o seu braço erguido para deter e fazer o sol recuar, e no primeiro minuto do seu despertar ele não saberá mais as horas, achará que acaba de se deitar. Se adormecer numa posição ainda mais insólita e inabitual, por exemplo, numa poltrona depois de jantar, então a reviravolta será total nos mundos fora de órbita, a poltrona mágica o fará viajar a toda velocidade no tempo e no espaço, e no momento de abrir as pálpebras achará que está deitado alguns meses antes, noutra região. Mas bastava que, em minha própria cama, meu sono fosse profundo e descontraísse inteiramente o meu espírito para que este perdesse o mapa do lugar onde havia dormido e, quando eu acordava no meio da noite, como ignorasse onde me encontrava, nem sequer soubesse num primeiro instante quem eu era; tinha apenas, na sua simplicidade original, o sentido da existência tal como ele pode fremir no fundo de um animal; estava mais despido que o homem das cavernas; mas então a lembrança – não ainda do lugar onde estava, mas de alguns onde morara e poderia estar – vinha a mim como um socorro do alto para me retirar do vácuo de onde não poderia sair sozinho; em um segundo passava por séculos de civilização, e a imagem confusamente entrevista de lâmpadas a querosene, e depois de colarinhos de gola rebatida, recompunha pouco a pouco os traços originais do meu eu. Talvez a imobilidade das coisas ao nosso redor nos seja imposta pela nossa certeza de que são mesmo elas, e não outras, pela imobilidade de nosso pensamento diante delas. O fato é que, quando acordava assim, com meu espírito se agitando para tentar saber, sem conseguir, onde estava eu, tudo girava em torno de mim no escuro, as coisas, as regiões, os anos. Meu corpo, entorpecido demais para se mexer, procurava, segundo a forma do seu cansaço, discernir a posição dos seus membros para daí deduzir a direção da parede, o lugar dos móveis, para reconstruir e nomear a moradia onde se achava. Sua memória, a memória de suas costelas, de seus joelhos, de seus ombros, lhe apresentava sucessivamente vários dos quartos onde havia dormido, enquanto ao seu redor as paredes imóveis, mudando de lugar segundo a forma do cômodo imaginado, turbilhonavam nas trevas. E antes mesmo

que o meu pensamento, que hesitava na soleira dos tempos e das formas, tivesse aproximado as circunstâncias e identificado o cômodo, ele – meu corpo – recordava para cada quarto o tipo de cama, o lugar das portas, o lado para que davam as janelas, a existência de um corredor, e isso junto com o que pensara ao adormecer e que reencontrava ao acordar. O lado anquilosado de meu corpo, procurando adivinhar sua orientação, imaginava-se, por exemplo, estirado ao longo da parede numa grande cama de dossel, e eu logo me dizia: “Ora, acabei dormindo antes que mamãe tenha vindo me dar boa-noite”; eu estava no campo, na casa do meu avô, morto havia muitos anos, e meu corpo, o lado sobre o qual eu repousava, fiéis guardiães de um passado que meu espírito não deveria jamais esquecer, me recordavam a chama da luminária de cristal da Boêmia, em forma de urna, suspendida no teto por pequenas correntes, a lareira de mármore de Siena no meu quarto de dormir em Combray, na casa de meus avós, em dias distantes que naquele momento eu imaginava atuais, sem deles formar uma imagem exata, e voltaria a ver melhor dali a pouco, quando de fato tivesse acordado. Depois renascia a lembrança de uma nova atitude; a parede fugia noutra direção: eu estava no meu quarto na casa de Madame de Saint-Loup, no campo; meu Deus! são pelo menos dez horas, devem ter terminado de jantar! Devo ter prolongado demais a sesta que faço todos os finais de tarde ao voltar de meu passeio com Madame de Saint-Loup, antes de vestir minha casaca. Pois muitos anos se passaram desde Combray, quando, nos nossos regressos mais atrasados, eram os reflexos vermelhos do poente que eu via nos vitrais de minha janela. É outro tipo de vida que se leva em Tansonville, na casa de Madame de Saint-Loup, outro tipo de prazer que encontro ao sair apenas à noite, percorrendo ao luar esses caminhos onde antigamente brincava ao sol; e o quarto onde terei adormecido em vez de me vestir para o jantar, de longe o vejo ao regressarmos, atravessado pelo fogo da lâmpada, único farol na noite. Essas evocações rodopiantes e confusas nunca duravam que alguns segundos; muitas vezes, minha breve incerteza do lugar onde me encontrava não distinguia melhor umas das outras as diversas suposições da qual ela era feita, assim como não isolamos, vendo um cavalo correr, as posições sucessivas que nos mostra o cinescópio. Mas eu tinha revisto ora um, ora outro, os quartos que havia habitado na minha vida, e acabava por me recordar de todos eles nos longos devaneios que se seguiam ao meu despertar; quartos de inverno onde, quando se está deitado, aconchega-se a cabeça num ninho que se tece com as coisas mais disparatadas: um

canto do travesseiro, a parte de cima do cobertor, uma ponta de xale, a beira da cama e um número do “Débats Roses”, que acabamos por cimentar com a técnica dos pássaros, calcandoas indefinidamente; onde num tempo glacial o prazer que se saboreia é o de se sentir separado do exterior (como a andorinha do mar cujo ninho fica ao fundo de um subterrâneo no calor da terra), e onde, com o fogo mantido a noite toda na lareira, se dorme num grande manto de ar quente e esfumaçado, atravessado pelos lampejos de brasas que se reavivam, espécie de alcova impalpável, de caverna cálida escavada no seio do próprio quarto, zona ardente e móvel nos seus contornos térmicos, arejada por sopros que nos refrescam o rosto e provêm dos cantos, de partes vizinhas à janela ou afastadas do fogo, e que esfriaram – de verão onde se gosta de se estar unido à noite morna, onde o luar apoiado nos postigos entreabertos joga até o pé da cama sua escada encantada, onde se dorme quase ao ar livre como o pássaro embalado pela brisa na ponta de um raio de luz – às vezes o quarto estilo Luís XVI, tão alegre que nem na primeira noite nele me sentira muito infeliz, e onde as pequenas colunas que sustentavam levemente o teto se afastavam com tanta graça para mostrar e reservar o lugar da cama; às vezes, ao contrário, era um quarto pequeno e de pé-direito tão alto, escavado em forma de uma pirâmide da altura de dois andares e parcialmente revestido de mogno, onde desde o primeiro segundo eu ficara moralmente intoxicado pelo cheiro desconhecido do patchuli, convencido da hostilidade das cortinas roxas e da insolente indiferença do pêndulo tagarelando alto como se eu não estivesse ali – onde um estranho e impiedoso espelho de pés quadrangulares, barrando obliquamente um dos cantos do cômodo, escavava à força na suave plenitude de meu campo visual de costume um lugar imprevisto; onde meu pensamento, esforçando-se durante horas por se deslocar, por se expandir para o alto, a fim de tomar exatamente a forma do quarto e preencher até em cima o seu gigantesco funil, passava noites bem duras enquanto estava estendido na minha cama, os olhos erguidos, o ouvido ansioso, as narinas desobedientes, o coração palpitante: até que o hábito tivesse mudado a cor das cortinas, calado o pêndulo, ensinado a piedade ao espelho oblíquo e cruel, dissimulado ou expulso totalmente o cheiro de patchuli, e diminuído sensivelmente a altura aparente do teto. O hábito! criada hábil mas vagarosa, que começa por deixar nosso espírito sofrer durante semanas numa instalação provisória; mas o qual, apesar de tudo, é bem feliz de encontrar, pois sem o hábito, e reduzido a seus próprios meios, nosso espírito seria impotente para tornar um aposento habitável.


G6

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Diário de Berlim O MAPA DA CULTURA

estrangeiro em 1980. Além de lançar uma edição comemorativa de “Anos de Cão”, encadernada em tecido e trazendo 130 gravuras feitas pelo próprio autor, a Steidl também está preparando uma exposição para o final de novembro, em Lübeck, cidade atual de Grass. Ali está localizada a Günter-GrassHaus (www.grass-haus.de), um museu com seus desenhos, esculturas e os originais de sua obra literária.

SILVIA BITTENCOURT

S A ALEMANHA perdeu Marcel Reich-Ranicki, 93, o seu maior crítico literário. Ele foi chefe do caderno cultural do jornal “Frankfurter Allgemeine Zeitung” (FAZ), estrela do programa televisivo “Das Literarische Quartett” (quarteto literário) e editor do cânone da literatura alemã. Reich-Ranicki popularizou a crítica de livros na Alemanha com seu jeito claro e direto de falar e escrever. Seus textos eram oásis dentro do empolado jornal alemão. Dizia que a função da crítica era animar o público para a literatura. Judeu nascido na Polônia, passou sua juventude em Berlim, onde logo descobriu sua paixão pela literatura alemã. Frente à perseguição nazista, porém, foi obrigado a deixar a cidade em 1938. Passou cinco anos no gueto de Varsóvia – experiência narrada na autobiografia “Mein Leben” (Minha Vida, de 1999), que vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Costumava lembrar que nunca fizera um curso universitário. Proibido pelos nazistas de estudar, foi um autodidata. Suas críticas eram

6 Adeus a um crítico furioso O autodidata que rasgava livros ruins

afiadas e temidas. Entrou em conflito até mesmo com monstros sagrados da literatura alemã, como Martin Walser e Günter Grass. Famosa é a capa da revista “Spiegel”, de agosto de 1995, na qual uma fotomontagem mostra um Reich-Ranicki colérico, rasgando ao meio o livro de Grass “Um Campo Vasto” (publicado no Brasil pela Record). Chamou-o na ocasião de “prosa sem valor, monótona e ilegível”. Jubileu A editora Steidl está comemorando os 50 anos de “Anos de Cão”, de Günter Grass, Nobel em 1999. O livro faz parte da sua chamada “Trilogia de Danzig”, que também reúne “O Tambor”, publicado originalmente em 1959, e “Gato e Rato” (1961). “Anos de Cão” conta a história do século 20 a partir da perspectiva de três narradores. O “leitmotiv” é um cachorro, Pluto, o pastor alemão de Hitler. E o palco é Danzig, a cidade natal de Grass (hoje Gdansk, na Polônia). Grass diz considerar esta obra “mais rica” do ponto de vista estilístico e literário do que o romance “O Tambor”, que acabou se tornando mais famoso por causa do filme de Volker Schlöndorff, premiado com o Oscar de melhor filme

Prêmio A escritora húngaro-alemã Térezia Mora, de Berlim, acaba de ganhar o mais importante prêmio literário da Alemanha, o da Bolsa do Comércio de Livros. Sua obra “Das Ungeheuer” (O Monstro) foi considerada o melhor romance do ano. Parte do livro lembra um “road movie”. Traz a história de Darius Kopp, que depois de meses trancafiado num apartamento sai à procura de um lugar para jogar as cinzas da mulher, Flora, que suicidou. A narrativa tem uma forma original. Uma linha horizontal corre ao longo do romance de quase 700 páginas: acima da linha, um narrador conta a busca feita por Darius Kopp e como ele descobre o diário de Flora; embaixo estão as anotações de Flora, apontando para a depressão que devorava a mulher. Goethe Um livro de 750 páginas está na lista de best-sellers na Alemanha: a biografia “Goethe “’ Kunstwerk des Lebens” ( a vida como obra de arte), de Rüdiger Safranski. O título já indica que essa biografia se centra menos nos livros e mais na vida intensa de Goethe (1749-1832), autor de “Fausto” e “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, entre muitas outras obras: a infância em Frankfurt, os estudos em Leipzig e Estrasburgo, a ida para Weimar, a temporada na Itália. “Ele não foi apenas um grande escritor, mas também um mestre da vida”, diz Safranski, que vem apresentando sua obra pelo país. Queridinho das mulheres, Goethe vivia apaixonado. Circulava entre políticos, artistas e cientistas. Até Napoleão Bonaparte recebeu-o para um café da manhã, em outubro de 1808. Safranski é um dos maiores biógrafos da Alemanha. Também retratou Schopenhauer, Nietzsche, E. T. A. Hoffmann e Schiller.


G7 G

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Arquivo Aberto MEMÓRIAS QUE VIRAM HISTÓRIAS

7 Mil vezes obrigado, Lou Reed Rio de Janeiro, 1996

FABIO MASSARI

É bem possível que, de muitas entrevistas difíceis que tive, a que tentei fazer com Lou Reed seja a pior e a mais famosa. Nesse momento de absoluta tristeza (alguém tinha pensado que um cara como Lou Reed podia simplesmente morrer?), quando a parte da nossa vida trilhada por sua música passa acelerada diante dos nossos olhos marejados de blues, me parece oportuno, diria inescapável, revisitar esse encontro e, de algum jeito, promover uma espécie de acerto de contas. Não me entenda mal, leitor: essa entrevista televisiva (para a MTV Brasil) com o músico nova-iorquino, que aconteceu em setembro de 1996, às vésperas de suas primeiras apresentações no Brasil (The Hooky Wooky Tour), não deu mesmo bom resultado jornalístico. Imagino que nem o mais hábil dos editores teria sido capaz de salvar o material e se virar com a dinâmica trincada, com a eloquência quase sombria da nossa conversa. E é bom que tenha sido

assim: o clima instável, as dificuldades específicas desse encontro acabam por validá-lo: não queria que tivesse sido de outro jeito. Tudo ia bem no começo. Depois das rápidas formalidades de apresentação, nos instalamos no set armado à beira da piscina do hotel Sheraton, no Rio de Janeiro. Tudo testado e pronto para a ação. Como eu tinha acabado de assistir a uma bela apresentação no festival suíço Paleo, em boa parte da área próxima ao palco reservada aos fotógrafos, arrisquei de cara umas considerações impressionistas sobre sua relação com o público, sobre a cumplicidade que ele conseguia estabelecer nessas ocasiões grandiosas. Pareceu agradar. Apesar da sisudez, pensei que tudo estava tranquilo e que teríamos uma boa conversa. Mas aí veio a ruptura. Percebi na hora o vacilo que alterou inelutavelmente o andamento dos trabalhos: a pergunta sobre as biografias, ou melhor, a pergunta com referência pontual a uma biografia e ainda uma certa insistência no assunto das biografias e a ele, Lou Reed, como biografado. Mea culpa, mea velvetiana culpa!

Não tinha mais volta. Foi mínima a alteração em sua linguagem corporal: intensificou-se apenas o movimento sinistro de alisar o curativo que exibia sobre as veias do braço esquerdo. Mas o olhar” O que era intenso e mirava bem no alvo dos meus olhos desde o início transformouse num objeto perfurocortante e me atravessou como uma flecha. Ou, mais de acordo, como uma espada de samurai. Fui em frente, deixando claro que acusara o golpe, reconhecia, e até falamos mais um tempinho: Zappa, guitarras, o legado. Mas realmente já era. Senhor do tempo, Lou Reed devolveu a cada duas perguntas um monossílabo – técnica para lá de pragmática de enxugamento das atividades, basicamente porque, para o entrevistador, cada segundo passa a valer por uma eternidade e meia e, nessas horas, o que você mais quer é que tudo acabe logo. Encerramos com um forte aperto de mão e nos despedimos. Passados alguns minutos, enquanto eu e a equipe nos preparávamos para bater em retirada, vi Lou caminhar em minha direção.

Com um leve cutucão no ombro e algo parecido com um sorriso, puxou conversa. Foi logo explicando, por linhas nada tortas, o motivo do mau humor: detestava biografias. Ironicamente, ele me fez perceber que eu devia saber da sua insatisfação pesada e declarada. Eu sabia e sei, Lou. Só pode ter sido o tal do “imponderável” das entrevistas que resolveu se meter no meu caminho. Proseamos por mais alguns instantes e, antes de ir embora, Lou viu, entre as minhas coisas desarrumadas, um CD do maravilhoso “Berlin”. O disco estava ali para o caso de surgir um clima bom para um autógrafo. Ele então pegou o CD, disse que era um de seus prediletos e escreveu uma dedicatória. Comentei algo sobre as criancinhas chorando no álbum, e ele sorriu antes de partir. Na capa, escreveu “thanks!”. Eu respondo: mil vezes obrigado, Lou Reed. P.S.: Em defesa da empreitada televisiva, registro que colocamos a entrevista no ar quase em estado bruto – a sabedoria minimalista do mestre e o sofrimento do entrevistador, sem maquiagem.


G8

MANAUS, DOMINGO, 3 DE NOVEMBRO DE 2013

Ensaio

8 Medos privados

em lugares públicos Homem cordial assombra biografias

RESUMO ‘Raízes do Brasil’, publicado por Sérgio Buarque de Holanda há quase 80 anos, diagnosticou na cordialidade a rede de relações privadas que comanda a cena pública do país. O homem cordial, símbolo da fluidez entre as duas esferas, reaparece no debate sobre as biografias ao reivindicar para seus desejos o amparo da lei.

HELOISA STARLING LILIA MORITZ SCHWARCZ ILUSTRAÇÃO RAPHAEL BORDALLO PINHEIRO

No Brasil, a vida privada ocupa ainda hoje o papel de nossa principal referência. A interpretação mais frequente desse fenômeno aposta na ideia de que a ancoragem no privado é sinal de maturidade democrática. O suposto é que essa expansão democrática se sustenta em direitos e, uma vez que os direitos são respeitados, não há motivo para maior preocupação. Tal abordagem converge com o fortalecimento da ideia do indivíduo como personagem de si mesmo e

tem sido recorrente para explicar tanto a importância que atribuímos a certa escrita autorreferencial quanto para sustentar o argumento de que só quem viu, sentiu e experimentou pode registrar a verdade dos fatos vividos. Visto pela perspectiva do mundo privado, cada um de nós seria, ao mesmo tempo, autor e editor de uma escrita de si: apenas o indivíduo – e sua memória – seria capaz de ordenar, rearranjar e significar o trajeto de uma vida no suporte de um texto e disso criar uma narrativa; e apenas ele, que conhece a autenticidade de suas ações e emoções, estaria autorizado a expressá-las para si e para os demais. Contudo entre as quatro paredes da vida privada se perde muito. Refugiados na intimidade, os indivíduos desfrutam o privilégio de ter seu pequeno mundo só para si; mas falta-lhes uma forma específica de convivência que se define pela presença do outro e pela possibilidade de ser confrontado com suas opiniões. E porque lhes falta, acima de tudo, a liberdade do falar uns com os outros e uns contra os outros, uma única versão acaba por servir como padrão de verdade, seja para medir a própria vida, seja para pensar a sociedade ou narrar a história do país. Foi preciso um jovem modernista, indeciso entre a crítica literária e a historiografia, escrevendo sob o impacto das transformações da Era Vargas, para argumentar que, no Brasil, a complexa rede de relações pessoais e privadas comanda a sociabilidade dos brasileiros na cena pública. Mais do que isso: esse comando não traduz a potencialidade de uma

esfera privada bem definida; ao contrário, torna evidente que, entre nós, público e privado nunca existiram plenamente; ou melhor, variam em função da situação, do contexto, do status e até do momento. Em fins de 1930, esse jovem modernista, Sérgio Buarque de Holanda, então com 28 anos, voltou ao Brasil, depois de uma temporada na Alemanha enviando reportagens para “O Jornal”. Em Berlim, Sérgio acompanhou a agitação política da República de Weimar e o crescimento do partido nacional-socialista, assistiu sem nenhuma regularidade a aulas de história na universidade, traduziu legendas de filmes para ganhar uns trocados – entre eles “O Anjo Azul”, de Sternberg, com Marlene Dietrich – e caiu na farra. Não se sabe bem como, ainda arrumou tempo para escrever: trouxe, na mala, o esboço de um ensaio intitulado “Teoria da América”, com cerca de 400 páginas manuscritas. O ensaio sobreviveu, mas alterado pelo impacto da modernização do país nos anos 30, trocou de enfoque e foi publicado como livro, em 1936. “Raízes do Brasil”, o livro, nasceu cercado de mal-entendidos e de muita polêmica e se transformou numa obra decisiva de interpretação histórica e de análise sobre os dilemas irresolutos da formação social brasileira. Cordialidade Quase 80 anos depois, “Raízes do Brasil” ainda oferece um instrumental crítico para entender o país. O livro diagnostica na cordialidade o traço definidor da nossa cultura e, no

seu agente mais famoso – o homem cordial –, um risco para a construção da vida democrática. Dominado pelo coração, mobilizado pelo fundo emotivo de seus afetos, o homem cordial é uma anomalia política por sua particular compreensão do mundo público, contaminada, desde o início, pela compulsão que ele sente de estender seus direitos individuais sobre esse mundo, fazendo dele um mero apêndice, o prolongamento de seus interesses particulares e de suas relações pessoais. Habituado a transpor quase naturalmente a lógica do mundo privado à cena pública, o homem cordial é um personagem inquietante: ele só consegue viver em uma “pólis” caricata, que se coloca a serviço da proteção narcísica dos cidadãos e se mantém desperta por conta do imediatismo emocional de seus membros. “Raízes do Brasil” traz um alerta contra o apego aos “valores da personalidade” cultivados pelo homem cordial e contra a maneira como esses valores incidem sobre as diversas instâncias do Estado, dos partidos políticos, das instituições do mundo público. Essa insistência na manutenção de práticas próprias ao privado sobre o que é comum a todos quem sabe signifique dar continuidade a certa forma de sociabilidade da escravidão que sobreviveu alterada no clientelismo rural e resistiu à urbanização, quando a classificação hierárquica manteve-se sustentada por fortes laços pessoais. Seria a cordialidade, talvez, a singularidade da nossa colonização ibérica, marcada por vínculos pessoais, que tornam fluidas delimitações e diferenças entre esferas públicas e privadas de atuação. Essa fluidez impede ao homem cordial adquirir a necessária condição de abstração para sustentar a ideia de que a democracia não é só um regime político mas uma forma de sociedade, cujo princípio normativo está na noção de que pessoas obrigadas a obedecer às leis devem ter igual direito, a despeito das diferenças entre elas. A mesma fluidez o impede de aceitar o catálogo republicano das liberdades irredutíveis e o leva a relativizar as diferenças que separam sua cena privada e o mundo público, para assegurar seus interesses particulares, solicitar privilégios e prover a censura. Biografias Com tudo isso, Sérgio Buarque talvez se espantasse com a maneira como o homem cordial reapareceu na agenda do dia, disposto a marcar o debate sobre o tema das biografias e a reivindicar para suas demandas e desejos individuais o amparo da lei. Naturalmente, seus pontos de vista são emanados diretamente do mundo privado: o papel de vítima assumido pelo homem cordial no debate não deixa de ser uma escolha vantajosa. A perpetuação desse papel mantém os termos imaginários de uma injustiça cometida entre indivíduos; já o desejo de compensação, sobretudo monetária, não busca a transformação das condições que produziram o prejuízo, mas a garantia de que ele possa beneficiar-se dessas condições, sempre como vítima. Com um ponto de vista vindo da privacidade, o homem cordial defende ser mais seguro para todos aceitar a premissa de que existe uma oposição entre o mundo público e a vida privada e que essa oposição equivale à diferença entre o que deve ser conhecido e o que deve ser ocultado. A premissa é

mais do que duvidosa. As duas esferas – o espaço íntimo, o mundo comum – somente podem subsistir sob a forma de coexistência. Mais do que isso: a definição do público e do privado é, na verdade, o desenho de uma fronteira dentro da qual se abrigam, conectam e se desenrolam dimensões diferentes de nossas vidas. Privado e público só se definem um em relação ao outro. Não é difícil perceber, dentro dessa fronteira, os modos como se flexiona o privado. Historiadoras que somos, vamos a um exemplo retirado da nossa história. Um rei sabidamente, e até hoje, não tem escapatória: sabe que é sempre, e desde que nasce, figura pública. Seu casamento é um contrato de Estado; sua morte é sempre anunciada por uma nova vida; os filhos são antes de mais nada herdeiros; e seus diários íntimos não passam de peças públicas. Pedro 2º, por exemplo, ciente de sua condição, guardou para si o que queria preservar e permitiu a exposição, e até utilizou-se dela, quando devia e queria. Ele era visto por todos, todos falavam dele e nem sempre falavam bem. A sátira da época fez de Pedro 2º objeto permanente: suas pernas finas, sua voz estridente, aguda demais para sua altura, maior do que a da média dos brasileiros, tudo foi motivo para chacota de cartunistas como Angelo Agostini. E o que dizer do chargista Raphael Bordallo Pinheiro? O português, pouco após a espinhosa promulgação da Lei do Ventre Livre, em 1871, publicou uma brochura em que ridicularizava a mania de movimento do imperador (que não parava de viajar) e debochava da lei polêmica: “No Razilb, seu rei é tão bom que libertou os filhos na barriga (mas não as mães, que por certo não ficaram nada satisfeitas)”. Não se trata de apresentar um personagem excepcional; d. Pedro apenas sabia que algumas pessoas – como os monarcas, os artistas,

os cientistas, as celebridades, os políticos – têm um pacto com o público. Só é rei quem não perde a realeza; sejam reis monarcas, reis do futebol, reis momos do Carnaval e reis da canção. Uma biografia é a evidência mais elementar da profunda conexão entre as esferas pública e privada – somente quando estão articuladas essas esferas conseguem compor o tecido de uma vida, tornando-a real para sempre. Escrever sobre uma vida implica interrogar o que os episódios de um destino pessoal têm a dizer sobre as coisas públicas, sobre o mundo e o tempo em que vivemos. E a tarefa de julgar, dizia Hannah Arendt, não é prerrogativa do biógrafo nem do biografado: é privilégio dos outros. Na composição da biografia cabem os grandes tipos, os homens públicos, as celebridades; cabem igualmente personagens miúdos, quase anônimos. Em todos os casos, porém, não cabe tarefa fácil: é muito difícil reconstituir o tempo que inspirou o gesto. É preciso calçar os sapatos do morto, na definição preciosa de Evaldo Cabral, para penetrar num tempo que não é o seu, abrir portas que não lhe pertencem, sentir com sentimentos de outras pessoas e tentar compreender a trajetória de uma vida no tempo que lhe foi dado viver; as intervenções que protagonizou no mundo público de sua época com os recursos de que dispunha; a disposição de viver segundo as exigências desse tempo, e não de acordo com as exigências do nosso tempo. O historiador anda sempre às voltas com a linha difusa entre resgatar a experiência dos que viveram os fatos, reconhecer nessa experiência seu caráter quebradiço e inconcluso, interpelar seu sentido. Por isso, a biografia é um gênero da historiografia e é essencial para compreendermos os brasileiros que fomos e os que deveríamos ou poderíamos ser. Essa história é pública e ao público pertence.

EM TEMPO - 3 de novembro de 2013  

EM TEMPO - Caderno principal do jornal Amazonas EM TEMPO

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