Especial
Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 28 DE SETEMBRO DE 2014
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Pesquisas aquecem a reta final da campanha eleitoral FOTOS: DIVULGAÇÃO
A uma semana do 1º turno das eleições, candidatos se apegam aos números das pesquisas e miram nos indecisos
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m cada resultado divulgado na TV, no rádio ou na internet, acende a luz verde ou amarela para os candidatos. É assim a campanha eleitoral, com as pesquisas de intenções de votos, feitas por empresas especializadas. Para o eleitor, o sobe e desce das estatísticas de opinião serve apenas para ele acompanhar o desempenho de seu candidato até o dia 5 ou 26 de outubro (primeiro e segundo turnos, respectivamente). Mas para quem trabalha com marketing político e estratégia, essas pesquisas são mais que números: são dados valiosos que servem de diretrizes para se chegar até os eleitores indecisos e também garantir até o dia da eleição o voto daqueles que já se consideram decididos. O empresário Durango Duarte, da empresa Perspectiva, que trabalha há 25 anos neste ramo, explica que as pesquisas de intenções de votos refletem a performance dos candidatos em contato com os eleitores. Para quem está no front, trabalhando para que o candidato seja eleito, os números mostram o que deve ser aprimorado ao longo da campanha eleitoral, que dura pouco mais
de três meses. “As estatísticas não mentem e podem virar pelo avesso a estratégia de campanha política”, alertou. As pesquisas, disse Durango, além de apontarem os rumos da campanha eleitoral, são ferramentas também para motivar os correligionários, as pessoas que caminham ao lado do candidato e estão sempre presentes nos comícios e caminhadas. “Uma pesquisa com resultados positivos, por exemplo, deixa os militantes felizes e agitados. Mas, se os números forem negativos, pode ocorrer um certo descontentamento”, acrescentou. Grandes empresários que investem em campanhas políticas também usam os números das pesquisas eleitorais para determinar em qual candidato irá investir mais. “A pesquisa não é capaz de mudar o voto, mas tem um papel estratégico muito importante”, ressaltou o empresário. Capital e interior De acordo com o professor universitário e sócio da empresa de pesquisa Action, Afrânio Soares, Manaus representa 55,4% da concentração total de eleitores no Amazonas, o restante está nos municípios do
interior. Para desenvolver uma pesquisa séria de intenções de votos em todo o Estado, é preciso montar uma grande estrutura de pesquisadores para percorrer, simultaneamente, no mínimo 15 municípios. A pesquisa é feita em dois dias, por meio de um sistema informatizado de coleta de informações.
A pesquisa não é capaz de mudar o voto, mas tem um papel estratégico muito importante”, ressaltou o empresário Durango Duarte, empresário - Perspectiva
“O trabalho do pesquisador é árduo. Ele não vai até uma praça e conversa com várias pessoas. Ele vai de porta em porta, aborda os moradores e aplica um questionário com perguntas específicas, as quais geram um resultado preciso”, explicou. Segundo Afrânio, entre 2 mil e 3 mil pessoas são pesquisadas durante uma coleta
de intenções de voto. Como por exemplo, na última parcial, divulgada pela Action, este mês, foi divulgado que o candidato Eduardo Braga (PMDB) aparece à frente do governador José Melo (Pros) e do deputado estadual, Marcelo Ramos (PSB). Para o professor, as pesquisas de intenções de voto não servem de parâmetro para o eleitor decidir seu voto na urna, porém, sem elas, é impossível pensar em uma campanha vitoriosa. Decididos Nos dias que antecedem as eleições, pelo menos 80% dos eleitores estão decididos em quem irão votar, por isso, as pesquisas de boca de urna têm resultados mais próximos da realidade. Os 20% restantes decidem o voto momentos antes da votação. Uma pequena parcela, cerca de 3%, representa o “voto útil”, ou seja, os eleitores indecisos que votam nos candidatos que estão vencendo ou perdendo. “As pesquisas refletem a vontade do eleitor, mas tudo pode mudar à medida que o candidato altera seu discurso político, melhora as suas propostas”, afirmou.
Voz das ruas podem não refletir o voto nas urnas Nas ruas, há quem diga que as pesquisas de intenção de voto não refletem o sentimento do eleitor. Para a estudante universitária Daniela Caetano, 21, os resultados são manipulados em favor de certos candidatos, por isso, prefere não acreditar nos números divulgados pela mídia. “Eu decidi meu voto com base nas propostas que meu candidato apresentou. Lamento que muita gente acredita que
pesquisa ganha eleição e acaba acompanhando uma falsa tendência”, afirmou. Já a cabeleireira Ivone Martins, 25, e o marido Sílvio César, 25, disseram que têm acompanhado as últimas pesquisas, porém, os números servem apenas para saber quem está melhor nas intenções de voto. “Estas pesquisas são apenas termômetro e não me influenciaram para escolher o meu candidato”, afirmou.
FALA, POVO Você acredita nas pesquisas de intenções de voto? “Tenho acompanhado os resultados das últimas pesquisas eleitorais, mas elas não vão mudar meu voto. Estou decidido”
“Saber quem está na frente nas pesquisas e quem não está não muda a minha decisão sobre meu candidato”
“Acho que essas pesquisas de intenções de votos são manipuladas. Eu vejo os resultados pela TV, mas prefiro não acreditar neles”
“Vejo as pesquisas apenas para acompanhar o desempenho dos candidatos na campanha eleitoral. Mas acredito que os resultados não são 100% reais”
“Não acredito nestas pesquisas de intenções de voto. Para mim, o que vale é o resultado nas urnas. Elas não mudam em nada a minha opinião”
Douglas Araújo, 23, fiscal
Célio Santiago, 42, fiscal
Taís Oliveira, 23, vendedora
Ivone Martins, 25, cabeleireira
Maikon Silva, 26, vendedor
FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
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‘A vida cobra coragem do Judiciário’, diz ministra DIVULGAÇÃO TJAM
Ao lado da ministra Cármen Lúcia, desembargadora Graça Figueiredo participou do 100º Encontro de Presidentes dos Tribunais
Acompanhada da ministra Cármen Lúcia e demais presidentes, a desembargadora do TJAM, Socorro Guedes, disse que o colégio dos presidentes nasceu sob o signo da união dos judiciários
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presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, deu uma injeção de ânimo no Judiciário brasileiro ao citar Guimarães Rosa no discurso de abertura do 100º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil, que está sendo realizado em Imbassaí, distrito do município de Mata de São João, Bahia. “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer de nós é coragem”, disse a ministra, para incentivar os 18 mil juízes que existem no Brasil, afirmando que “somos capazes, sim, de mudar a vida daqueles que precisam de justiça”. O 100º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil foi aberto na última quinta-feira (25), no salão de
convenções do Palladium Hotels Resort, reunindo os presidentes de todos os tribunais brasileiros, além do governador da Bahia, Jaques Wagner. A presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargadora Graça Figueiredo, e o desembargador João Simões, que compõe a diretoria do colégio permanente, também participam do evento. Acompanharam a presidente, a juíza auxiliar, Lia Guedes, e o diretor de imprensa do tribunal, jornalista Mário Adolfo. Graça disse que o Colégio Permanente de Presidentes nasceu “sob o signo da união do Judiciário em busca de uma melhor prestação jurisdicional para o povo brasileiro. É isso que viemos buscar aqui”, disse a presidente, que foi cumprimentada pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, e conversou rapidamente com a ministra Cármen Lúcia. Antes de entregar a pala-
vra à ministra Cármen Lúcia, o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJB), Erseval Rocha, e o presidente do colégio, desembargador Milton Nobre, fizeram a saudação aos participantes. “Não foi por acaso quem escolhemos a Bahia para o 100º encontro. Foi fruto de uma decisão consciente e justa para homenagear o Estado onde começou a Justiça brasileira”, afirmou Milton Nobre. O governador Jaques Wagner disse esperar que os dias sejam proveitosos para o aperfeiçoamento do Judiciário mas, lembrando o velho estilo baiano, aconselhou aos participantes do evento a reservarem um “tempinho e curtirem a hospedagem e as belezas da Bahia”. “Todos falam que, dos poderes, o mais forte é o Executivo. E eu digo que não. O poder mais forte é o Judiciário porque ele mantém o império da lei, que, por sua vez, as-
segura a democracia”, disse o governador. Aula de cidadania A presidente em exercício do STF, ministra Cármen Lúcia, mais uma vez foi brilhante em
UNIÃO Graça disse que o Colégio Permanente de Presidentes nasceu “sob o signo da união do Judiciário, em busca de uma melhor prestação jurisdicional para o povo brasileiro. É isso que viemos buscar aqui”, disse a presidente seu discurso de abertura. Disse que, quando foi criado, em Belo Horizonte, há 26 anos, o Colégio Permanente de Presidentes tinha por objetivo se manter unido para buscar realizar a Justiça estatal, para que o povo não busque a “barbárie e o
sentimento de vingança”, por não encontrar mais justiça. “Precisamos estar unidos para passar à frente o bastão, quando tivermos que ir embora”, disse a ministra. Em relação à morosidade da Justiça brasileira, a ministra fez uma comparação do trâmite de um processo com o futebol, que aprendeu com seus irmãos, assistindo aos jogos. “Quem está perdendo xinga o juiz porque quer mais tempo para fazer gols. E quem está ganhando quer que a partida acabe logo”, citado o exemplo, Cármen Lúcia disparou. “Se todos nós queremos o fim da morosidade na Justiça, porque ela não acabou?”, destacou. A presidente em exercício do STF observou que a Constituição vai completar 20 anos. E o cidadão brasileiro se considera um republicano e a Federação precisa de um Judiciário forte e independente. “Agora nós precisamos saber que Judiciário nós, os
magistrados, queremos. Está na hora de acabar com essa cultura de colonização, onde tudo tem que ir para a corte (Brasília). A Justiça tem que terminar nos Estados”, disse a ministra. O 100º Encontro do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil foi encerrado neste sábado (27). Nesta sexta-feira (26), o ministro Marco Aurélio (STF) falou sobre a independência do Poder Judiciário. Os conselheiros do CNJ, Saulo Casali Bahia e Rubens Curado, respectivamente, ministraram palestras sobre celeridade processual e política de atenção ao 1º Grau. O encontro foi encerrado com uma exposição do Instituto Brasiliense de Direito Público sobre capacitação e aperfeiçoamento.
Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA
JOSÉ MELO
Candidato não terá agenda política neste domingo.
Candidato realiza comício pela manhã na cidade de Anamã. À tarde, faz novo comício em Careiro da Várzea e à noite prepara comcío e carreata em Manacapuru.
MARCELO RAMOS
CHICO PRETO
Candidato não divulgou agenda.
Candidato não tem agenda política neste domingo.
HERBERT AMAZONAS
NAVARRO
Candidato não divulgou agenda.
Candidato participa de reunião com os moradores do ramal do Leão, Zona Ribeirinha do Estado.
ABEL ALVES Candidato faz visita ao município de Manacapuru.
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Henrique LIMA
‘Estamos DEBRUÇADOS em uma COLCHA DE retalhos’
FOTOS IONE MORENO
JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
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Manaus é uma cidade que sofre com a falta de espaço público e não iremos permitir ainda que candidatos usem as calçadas para colocar vários cavaletes”
s vésperas das eleições, os candidatos intensificam a propaganda eleitoral na tentativa de angariar o máximo de votos possíveis. Com uma série de normas que devem ser obedecidas pelos postulantes, a comissão de fiscalização de propaganda do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) tem se desdobrado para atender as constantes demandas que surgem dos quatro cantos da cidade. Responsável por comandar a equipe que conta com 20 profissionais, o juiz Henrique Veiga Lima diz estar satisfeito com o andamento dos trabalhos e acredita que, mesmo com o contingente pequeno frente ao tamanho da cidade, vem sendo possível agir com eficácia durante as diligências. EM TEMPO - Há seis dias para a concretização do pleito, quais as dificuldades que a comissão comandada pelo senhor encontra para trabalhar? Existe compreensão por parte dos candidatos e partidos na tentativa de diminuir os crimes relacionados à propaganda eleitoral? HENRIQUE VEIGA - As dificuldades que encontramos estão relacionadas à reincidência no descumprimento das normas, principalmente no que se refere à disposição dos chamados cavaletes, bastante utilizados nestas eleições. A quantidade de vezes que passarmos pelos locais onde materiais dessa espécie já foram apreendidos, é quase certeza encontrarmos novos elementos. Mas, desde que entramos na comissão sabíamos que não seria fácil, e agora, à medida que se avizinha a data do pleito, nós temos a consciência de que o trabalho será muito mais pesado. Até porque na reta final, como acontece em todas as eleições, todos os candidatos vão jogar todas as fichas para formar o
convencimento do eleitor. Apesar dessas situações, a cooperação dos partidos para o tribunal tem sido satisfatória, sim. O exemplo é a pouca utilização de carro de som, o uso de foguetes de modo desenfreado que tem sido evitado, os debates junto às emissoras de televisão que já não vemos aquela multidão em frente ao local, que atrapalhava o trânsito. E isso tudo aconteceu a custo de muito diálogo. EM TEMPO - Quais as irregularidades mais corriqueiras identificadas pela comissão? HL: Além da colocação de placas a despeito do que rege a legislação eleitoral, os chamados cavaletes, estão sendo usados de forma epidêmica. Eles estão no topo de apreensões, Manaus é uma cidade que sofre com a falta de passeios públicos, e as poucas calçadas estão sendo usadas para a disposição desse material. Um cavalete daquele tem em média 80 centímetros, e toma o espaço da calçada inteira. Isso tem nos preocupado muito e temos recolhido em maior número. Espaços como os da avenida Brasil, Bola do Produtor, Bola do Eldorado, Ponta Negra, Jacira Reis, avenida das Torres, estrada do Tarumã e Noel Nutels estão sendo bem visados pelos candidatos e, por isso, estamos intensificando as ações de fiscalização nesses locais. EM TEMPO - O TRE conta com novos mecanismos para combater as irregularidades nas propagandas, a exemplo das redes sociais. O uso dessas tecnologias tem sido satisfatório? HL - Estamos presentes nas redes sociais, o que inclui o whatssApp. Temos uma sala, onde servidores estarão devidamente capacitados para agir com essas ferramentas tecnológicas. A população entendeu o nosso objetivo e tem feito a sua parte. As redes sociais são hoje o nosso
maior canal de recebimento de denúncias. EM TEMPO - Qual o trâmite que uma denúncia segue após ser oficializada? HL - Primeiro o denunciante deve escolher o mecanismo que lhe é mais acessível. Pode ser o telefone 3663-5859, o email propaganda2014@tream.jus.br, ou pode nos procurar na sede do TRE, no bairro Aleixo e nas instalações da Universidade Nilton Lins, no bairro Parque das Laranjeiras, e ainda por meio das redes sociais, que estão sendo formuladas para atendêlo. Depois disso, aquilo que for apresentado como prova do delito será catalogado e, dependendo do grau da irregularidade, o Ministério Público será acionado. EM TEMPO - O que pode ser considerado propaganda irregular? HL - Crime eleitoral é muito subjetivo, porque temos várias situações dentro de questões como: abuso econômico, abuso político, uso indevido dos meios de comunicação, captação ilícita de sufrágio, gasto indevido. Uma das proibições mais combatidas é a veiculação de propagada no dia do pleito, colaboradores com objetos que remetam a um determinado candidato, showmícios, outdoors ou placas com mais de quatro metros, entre outros. Além disso, a distribuição de qualquer objeto para a obtenção de vantagens continua sendo expressamente proibido. EM TEMPO - E qual propaganda é prevista pela legislação? HL - Dentro do que prevê a lei 9.504 de 1997, é permitido o uso de cavaletes, bonecos, placas ou pinturas com até quatro metros, o uso das redes sociais como disseminador das campanhas. Mesas para a distribuição de material de campanha e bandeira ao longo de logradouros públicos, porém, é exigido que ao final do dia,
eles sejam retirados a fim de evitar transtorno na circulação de pedestres e veículos. EM TEMPO - Caso uma irregularidade fique evidenciada, a coligação a qual pertence o candidato também pode sofrer sanções? HL - Não. Apenas o candidato será punido. EM TEMPO - Como se dá essa punição? HL - Por meio de multa, que é calculada pelo potencial do delito cometido. EM TEMPO - Como acontece o trabalho de fiscalização nas cidades do interior? HL - Por força da Constituição Federal, cada representante de comarca no interior fica responsável por acompanhar o desenrolar da propaganda eleitoral em sua cidade. Mas, como viveremos eleições gerais, a comissão de propaganda poderá interferir em situações de grande complexidade. Esse juiz ganha poder de polícia para impedir que determinado delito tenha continuidade. Essa parceria, que vem desde as primeiras eleições, e que também é consolidada com a participação até das polícias, incluindo a F ederal, é essencial para a lisura e a eficiência do processo. EM TEMPO - Para o senhor, a legislação eleitoral vigente é satisfatória? HL - A grande verdade é que estamos debruçados em cima de uma colcha de retalho. Acredito que devem ser feitas reformas substanciais, para que as legislações fiquem agrupadas. É por conta de desencontros na lei que vivemos comumente problemas de jurisprudência. As interpretações têm mudado conforme o sabor de cada eleição e isso é um complicador. Mas, se essa é a ferramenta que nós temos, é com ela que vamos trabalhar sempre na procura de fazer o melhor.
Acho que as coisas melhoraram. O exemplo é a pouca utilização de carros de som e o uso de foguetes de modo desenfreado. Tudo isso foi conseguido à base de conversa”
Dentro do que prevê a lei é permitido o uso de cavaletes, bonecos, placas ou pinturas com até quatro metros. Até uso de redes sociais como disseminador nhas também está permitido”
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lidera divulgação de inf De acordo com especialistas, o grupo que aparece mais vezes como réu nas ações impetradas por partidos políticos é a empresa Google, e Estado com mais processos é o Paraná
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esde o início da campanha, ao menos 137 ações judiciais foram registradas na Justiça Eleitoral até o dia 24 de setembro contra a divulgação de informações sobre candidatos que disputam as eleições gerais. O cálculo é da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que desde o início do processo alimenta o site Eleições Transparentes, um mapa interativo com as origens dessas ações. Os dados, alimentados com a colaboração das próprias empresas de mídia, indicam que a maioria esmagadora das ações é contra o Google. Sozinha, a empresa concentra mais de três quartos das ações (103). Bem atrás vem o instituto de pesquisas Ibope, que é réu em 16 processos. O número de ações sofridas pelo Google é justificado pelo tamanho e pela abrangência da empresa, de acordo com Guilherme Alpendre, secretário-executivo da Abraji. Ele explica que a maioria das ações catalogadas pede a retirada de vídeos do canal Youtube — pertencente ao Google. “Muitos dos blogs (com conteúdo considerado difamatório pelos candidatos) estão abrigados na plataforma Blogger, do Google”, acrescenta Guilherme. Em comunicado, a empresa afirma que “não é surpresa o Google estar no topo da lista”, pois a “web é a maior vitrine para todos os conteúdos”. “Importante salientar que normalmente nós teríamos divulgados estes números por meio do “Transparency Report do Google” — mas como o “Transparency Report” sai muito depois do período eleitoral, achamos que valeria a pena dar transparência a estes pedidos de remoção em tempo real”, afirma o Google, em nota. A companhia acrescenta que o Brasil “é um dos países onde o Google tem recebido tradicionalmente o maior número de pedidos de remoção de conteúdo na web durante períodos eleitorais”. Ibope Depois do Google, a empresa que mais recebeu ações foi o instituto de pesquisas Ibope — Alpendre explica que empresas que prestam esse tipo de serviço geralmente são processadas porque candidatos
Pesquisa Google
questionam critérios de levantamentos de dados que podem ser desfavoráveis a eles. De acordo com a Abraji, Twitter e Facebook não quiseram participar do levantamento. Ranking estadual No ranking dos Estados, o Paraná é o que tem mais registros de ações: são 25, ou 18% do total do país. O segundo lugar fica com Alagoas, com 19 ações, ou 13% do total. De acordo com Guilherme Alpendre, os dados corroboram com uma conjuntura já existente em outros pleitos. “A gente, em eleições passadas, tinha notado que no Paraná já tinha bastante casos de cerceamento em época eleitoral. Conseguimos comprovar numericamente que o Paraná é o principal Estado em que isso acontece”. Mapa interativo O mapa interativo aponta
O Brasil é um dos países onde o Google tem recebido tradicionalmente o maior número de pedidos de remoção de conteúdo durante as eleições Google, empresa de web
ainda que a maioria dos autores pertence ao PMDB, com 28 ações ou 20% do total, seguido por PSDB, com 25 (17%) e PP, com 16 (ou 11%). Já o cargo que contabiliza mais autores de processos judiciais é o de governador, com 58% (82 ações). O candidato que mais acionou a Justiça — 14 vezes — foi Benedido de Lira, candidato do PP ao governo de Alagoas. Alpendre afirma que o cargo de governador, ao mesmo tempo que possui mais representantes numéricos que o de presidente, permite que os candidatos fiquem mais em evidência. “Governador é o cargo com mais visibilidade, com um número bem maior de candidatos. Por isso que é mais comum que as ações partam dos que concorrem a esse cargo”, diz.
Especialistas discordam das ações Para Fabro Steibel, especialista em comunicação e política e membro do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, o Marco Civil da Internet, sancionado em abril deste ano, desestimula o acordo entre as empresas de mídia e os políticos, e acaba fazendo com que as disputas pela veiculação de conteúdos na web terminem na Justiça. “O Marco Civil, apesar de não proibir, desestimula isso (o pedido direto para a retirada de material) a acontecer. Isso é bem claro no Marco Civil. Ele incentiva as empre-
sas a exigirem uma ordem judicial. Isso deveria acontecer durante as eleições de forma muito clara. O que acontece no Brasil durante as eleições é que ocorre uma excepcionalidade nas garantias à liberdade”, argumenta Steibel, para quem o Tribunal Superior Eleitoral não define claramente o que é propaganda irregular na internet. Ele critica os critérios para que uma publicação seja considerada irregular. Fabro acredita que, por causa da celeridade característica da Justiça Eleitoral, muitos conteúdos são
barrados por liminares, sem que haja uma reflexão profunda sobre sua natureza “A liberdade de comunicação acaba comprometida, porque quem tem o melhor time de advogados ou de monitoramento das redes sociais acaba tendo um poder desigual. O entendimento nos Estados Unidos, por exemplo, é que é mais importante a democracia. Em vez de você impor restrições, o que você faz é com que mais e mais pessoas possam falar. Lá, a ideia é que quanto mais as pessoas falarem, mais dados bons aparecem”.
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formações nas eleições Estou com sorte ‘Eleições 2014’, o programa Depois de fazer testes nos processos eleitorais da Alemanha e da Índia, a Google decidiu lançar no Brasil uma plataforma para ajudar os cidadãos a conhecer os candidatos à presidência da república e aos governos estaduais. O site se chama Google Eleições 2014 e concentra informações concisas sobre cada pleiteante, trazendo notícias, vídeos e outros conteúdos de parceiros da imprensa. A Google explica que pre-
tende tornar sua plataforma o mais neutra possível e, por isso, os candidatos não aparecem com descrições elaboradas. Para ver conteúdo sobre cada um deles, você precisa fazer isso ativamente. Os únicos elementos que ficam destacados são os últimos vídeos adicionados. Há entrevistas com os candidatos à Presidência divididas em blocos de assuntos correlatos e também sessões na íntegra.
Ponderações da OAB no caso Por outro lado, o vicepresidente da Comissão de Direito Eleitoral da OABRJ, André Miranda, pondera que o histórico da Justiça Eleitoral não é de respaldar medidas de censura prévia e que ela foi criada para zelar pela manutenção da igualdade dos candidatos e da lisura do pleito. O advogado acredita que as ações dos candidatos são em geral legítimas, “porque o Google é um instrumento de divulgação como qualquer outro”. “Você tem ali uma praça pública, e como tal, tem
que ter alcançada uma tutela jurisdicional. Você hoje tem no Google um instrumento célere de divulgação de notícias. E a Legislação Eleitoral garante que você proteja o candidato contra notícias inverídicas, com divulgação infundada. A Justiça ajuda o candidato a obter a tutela adequada para se proteger desse veículo. Você tem cada vez mais esse tipo de pedido, dado o aumento progressivo do número de notícias que o Google divulga. A internet é o veículo que as pessoas buscam”.
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Tráfico é o desafio para o novo presidente brasileiro
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
O solo está rachado, com sede” AUGUSTO JOSÉ PEREIRA FILHO, PROFESSOR DA USP, sobre o reservatório da Cantareira
Dinheiro farto na campanha do presidente de CPIs Presidente das CPIs da Petrobras no Senado e no Congresso, Vital do Rêgo tem remotíssimas chance de conquistar o governo da Paraíba: agarrado ao 4º lugar, é de longe o que tem o pior desempenho nas pesquisas, entre os 18 candidatos do PMDB a governador no país. Apesar disso, é também de longe um dos que mais recebem doações em dinheiro: oficialmente, até agora, foram quase R$ 3 milhões. Comparação A campanha à reeleição do governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), que lidera as pesquisas, atraiu doações de apenas R$282 mil. Fartura Mesmo sem chances, Vital do Rêgo na Paraíba arrecadou quase o triplo da soma de 8 candidatos nanicos a presidente da República. Costas largas O PMDB também investe em Vital do Rêgo, que recebeu mais recursos do partido que Iris Rezende (Goiás) e Roberto Requião (Paraná). Suplente solidário Entre os doadores de Vital do Rêgo destaca-se, claro, seu primeiro suplente, o exsenador e empresário Raimundo Lira. Campanha eleitoral faz a alegria da área jurídica As campanhas fazem a alegria de advogados que atuam na Justiça Eleitoral que, como jabuticaba, só existe no Brasil. E tanta alegria se justifica: de acordo com a segunda parcial da prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral, as bancas de advocacia já faturaram mais de R$ 4,6
milhões só com os principais candidatos à Presidência, Dilma (PT), Aécio (PSDB) e Marina (PSB). Os gastos do PT Dos R$ 56 milhões gastos por Dilma para se reeleger, mais de R$ 2 milhões foram utilizados para pagar sua estrutura de advogados. Despesa tucana O candidato do PSDB, Aécio Neves, gastou mais de R$ 40 milhões na campanha, mas reservou até agora, R$ 1,7 milhão para a área jurídica. PSB gasta menos Marina (PSB) ainda não prestou contas, mas dos R$ 17 milhões gastos até Eduardo Campos, os advogados já haviam custado R$ 750 mil. Controle da tevê Um dos planos de Dilma, se reeleita, é impor a regionalização da produção da televisão aberta, com o objetivo de acabar com a grade nacional. Seria o fim das telenovelas nacionais, por exemplo. Daí a determinar o que pode ou não ser divulgado será um passo. Tiro ao alvo Ex-secretário nacional de Justiça no governo Lula, Romeu Tuma Jr diz que duvidaria da seriedade da delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa, se ele não tivesse mencionado a presidente Dilma. Tá feia a coisa O ministro Gilberto Carvalho jogou a toalha. Admitiu em uma roda que restam ao PT duas esperanças de eleição em governos estaduais: Tião Viana, no Acre, e Wellington Dias, no Piauí. O olhe lá.
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Jornalista
Combater o tráfico de drogas e melhorar o sistema prisional brasileiro são desafios do novo mandatário a partir de 2015 DIVULGAÇÃO
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Dupla de anões Na ONU, enquanto o Brasil se envergonhava com o discurso de Dilma criticando os países que combatem os cruéis terroristas do “Estado Islâmico”, seu aspone Marco Aurélio Top-Top Garcia a tudo assistia na plateia, sem dar palpites, ao lado do anão diplomático Antonio Patriota. Tucanos, 24 Caso confirme a vitória no primeiro turno em São Paulo, Geraldo Alckmin garantirá mais quatro anos do PSDB no governo paulista e baterá recorde: os tucanos vencem o governo do Estado desde 1994. Deu errado Na intimidade, Dilma responsabiliza o ex-presidente Lula pelo seu desempenho baixo em São Paulo. Ela adora seu ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, mas avalia que não era mesmo o melhor candidato. Vai entender Preso em agosto por porte de drogas, Marcelo Valente, candidato do Psol a deputado no DF, divulgou vídeo em defesa da legalização e, vá entender, criticando a “impunidade” da família Perrella, em Minas. A dupla do Quinto A OAB vai comemorar o Quinto Constitucional em 16 de julho, data da Constituição de 1934, que fixou 20% das vagas dos tribunais a advogados e membros do Ministério Público. Não fosse isso, Ricardo Lewandowski não presidiria o STF, nem Francisco Falcão o STJ. Pensando bem... ...problemas na voz só aparecem quando Dilma tem comícios marcados com petistas que ela detesta, como Tarso Genro (RS).
O combate ao tráfico e ao uso de drogas é um dos principais desafios do novo gestor do país
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eduzir o número de homicídios, combater o tráfico de drogas e melhorar o sistema prisional brasileiro são alguns dos principais desafios que o próximo presidente do Brasil terá que enfrentar na área de segurança de acordo com a análise de especialistas. Com 154 pessoas assassinadas por dia e uma média de 29 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, o Brasil tem uma taxa alta de homicídios, segundo a especialista em segurança da Universidade de Brasília (UnB), Lia Zanotta. Para ela, a preocupação maior é o número de jovens vítima da violência urbana. “A taxa de homicídios no Brasil, comparativamente, internacionalmente, ela é mui-
to alta. Ela varia de 27, 26, ou 23 homicídios, conforme o ano, por 100 mil pessoas. Você compara com três a quatro homicídios por 100 mil nos Estados Unidos e taxas menores ainda na Europa. Então, no global das estatísticas, são os jovens que mais matam e que mais morrem”, afirmou a especialista. Para o membro do conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ariel de Castro Alves, é impossível dissociar segurança de educação. “O aumento de empregos e de escolarização não tem chegado aos setores que es-
tão mais vulneráveis, principalmente aos adolescentes.” Outro problema, de acordo com especialistas, é o grande número de detentos provisórios presos nas cadeias de todo o país. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que não há defensor público em 72% das comarcas do país. Segundo a presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos, Patrícia Keterman, com a estrutura atual, é impossível atender toda a população carcerária que aguarda julgamento. “É um problema seríssimo, porque se trata de privação de liberdade dessas pessoas que ainda sequer foram condenadas”.
PODER SEM PUDOR
Profissão, genro
DIVULGAÇÃO/ASSESSORIA
AÉCIO
O governador Plácido Castelo perfilou o secretariado no aeroporto, para saudar o marechal Castello Branco na primeira visita a Fortaleza após o golpe de 64. Castello se impressionou com o jovem chefe da Casa Civil: - Tenho 21 anos, presidente – disse-lhe o rapaz. - Você é muito jovem. E a sua profissão? – interessou-se o marechal. - Jornalista... - ...muito jovem, muito jovem... – balbuciou o presidente. - ...e genro, presidente – finalizou o secretário. Castelo Branco deu uma sonora gargalhada. Estava diante de Dário Macedo, jornalista que depois faria carreira de sucesso em Brasília.
PROMESSA
Dilma quer uso das forças nacionais A presidente Dilma Rousseff em visita a Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte citou, durante entrevista, ações de seu governo para a mobilidade urbana e voltou a prometer maior integração das forças de segurança pública, em um eventual segundo mandato. No Dia Mundial Sem Carro, a candidata defendeu as ações que vêm realizando no transporte público. Segundo ela, o governo federal já estudou a abertura de uma linha de financiamento específica para
as bicicletas, além da isenção de tributos que já existe na Zona Franca de Manaus. Mesma tecla Dilma voltou a mencionar que foram aplicados R$ 143 bilhões, como financiamento, e recursos do Orçamento para ações de mobilidade. Antes das manifestações de junho do ano passado, o aporte estava em torno de R$ 93 bilhões, porém, mais R$ 50 bilhões entraram na promessa, priorizando capitais e regiões metropolitanas.
Antes de repetir que a participação dos bancos públicos é importante para que ações como as de mobilidade sejam viabilizadas, a candidata enumerou investimentos no transporte público, para a construção de metrôs, veículos leves sobre trilhos e corredores exclusivos de ônibus, citando obras que já foram construídas e outras ainda em construção. “O tempo é algo de que todos precisamos para viver com a família, com os amigos. Enfim, desfrutar da vida, e garantimos isso”, disse.
Em sabatina promovida por um jornal carioca, tucano também se disse contrário à reeleição
Segurança hoje no país é tragédia O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, afirmou que a “segurança era um problema e hoje é uma tragédia”. Ele participou de sabatina organizada pelo jornal “O Globo”. Segundo Aécio, “os governos não têm condições estruturais de confrontar o problema”. “A marca do governo é a terceirização (dos problemas). Está na hora de termos um
governo que assuma as responsabilidades”, disse. Questionado sobre a aprovação do fim da reeleição, Aécio disse que, “se as circunstâncias permitirem, ele poderia se comprometer a mudar a lei, e isso poderia virar um compromisso”. Ele reconheceu que “a reeleição faz mal ao Brasil”. “Digo isso porque fui reeleito, e sei como é. A atual presidente
acabou por desmoralizar a reeleição. Não tem diferença entre o público e o privado”. Outro assunto abordado na sabatina desta quarta-feira foi a proposta do tucano com relação à reforma política. “Defendo a reforma política no primeiro dia do meu governo. O governo precisa de um apoio de três ou quatro partidos. Porque é bom ter oposição também”, disse.
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 28 DE SETEMBRO DE 2014
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Aids: tema desprezado nos debates dos presidenciáveis
Especialistas afirmam que a Aids é só mais uma entre inúmeras questões esquecidas pelos candidatos em seus planos de governo
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e os candidatos à Presidência da República dependessem da defesa da Aids, ou, pelo menos, de uma simples menção a ela, nenhum deles seria eleito. O tema só não foi absolutamente esquecido dos programas de governo porque Aécio Neves, do PSDB, o incluiu no item 21 de sua proposta, da seguinte maneira: “Retomada da prioridade necessária para a manutenção do programa HIV/Aids, com a qualidade que o tornou mundialmente reconhecido”. Levando em conta justamente o fato de que o programa brasileiro de combate à Aids é referência mundial, a reportagem foi ouvir algumas lideranças no tema sobre a ausência dele da campanha para as eleições 2014. A doença, afinal, também tem ficado de fora dos debates e não só dos programas registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Todos os entrevistados disseram que o fato de um compromisso estar registrado num programa não significa que
será cumprido. “Em 2010, Dilma Rousseff e José Serra assinaram uma carta de compromisso do Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp) e nada aconteceu”, lembra o professor e pesquisador Jorge Beloqui, ativista do Grupo de Incentivo
A política brasileira nestas eleições tem a marca de ataques pessoais e do conservadorismo. Dilma não cumpriu o que prometeu José Araújo, presidente do Epah
à Vida (GIV), de São Paulo. José Araújo Lima, presidente do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (Epah), de São Paulo, diz que a Aids é apenas mais uma entre inúmeras questões esquecidas pelos
candidatos. “A política brasileira nestas eleições tem a marca de ataques pessoais e do conservadorismo”, avalia Araújo. Ele também reclama do fato de Dilma não ter cumprido “com nenhum dos itens” da carta de compromisso assinada nas eleições passadas. Beloqui destaca que as taxas de incidência de Aids hoje são maiores ou iguais as de 1996, entre os homens, e só esse dado já seria preocupante o bastante para chamar a atenção dos políticos e exigir deles compromisso. Mortes ainda assustam Vando Oliveira, coordenador da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+) do Ceará, enumera outros dados. “A Aids é uma doença que não tem cura, ainda há muitos registros de
óbitos em consequência dela, sem contar que o tratamento provoca inúmeros efeitos colaterais”, diz Vando. Falta, na opinião de Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp, vontade política para tratar do assunto. “A Aids é um problema de saúde pública mas deixou de ser prioridade para os governos. Entre enfrentar a doença, e tudo o que a cerca, e manter as bases aliadas conservadoras que vão lhes dar suporte, talvez os candidatos prefiram não se comprometer. E, assim, vamos regredindo no contexto mundial da Aids”, analisa Rodrigo.
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Falta vontade política para debater assunto
Ativista afirma que poucos políticos se interessam em assinar cartas de compromisso com o tema
Vontade política também foi o motivo apontado por Marcio Villardi, coordenador do Grupo Pella Vida Rio de Janeiro, para a ausência do tema Aids da atual campanha. “É um reflexo do que vem acontecendo em todas as esferas do governo”, diz Marcio. “Para você ter uma ideia, divulgamos há umas três semanas, por meio do Fórum de Ongs/Aids do Rio, uma carta de compromissos para os candidatos de nosso Estado. O retorno foi
quase zero”. Marcio diz que a candidata a presidente Luciana Genro, do Psol, acabou assinando a carta porque soube dela por meio dos candidatos a deputado de seu partido, Jean Wyllys (federal) e Marcelo Freixo (estadual). “Fora isso, nem o presidente da Frente Parlamentar de Luta Contra HIV/Aids e Tuberculose do Estado, o deputado Gilberto Palmares (PT), nos deu retorno”, continua Marcio. “O enfrentamento da Aids
está ausente da cabeça dos candidatos”, reforça Marcio. “Mesmo com toda a atenção que o movimento social chama para a causa, mesmo depois de a mídia ter divulgado tanto o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) mostrando aumento de 11% no registro de novos casos nos últimos anos”.
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MANAUS, DOMINGO, 28 DE SETEMBRO DE 2014
Conservador: só em 9 Estados os favoritos são ‘novidades’ TERRA
Onda regressista do pós-protestos predomina nas disputas regionais. Em 2/3 dos Estados, os favoritos querem a reeleição
Os partidos políticos, bandeira dos protestos de junho de 2013, não refletem em dois terços dos Estados, onde os favoritos pelas pesquisas de intenção são candidatos à reeleição
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m 1,3 ano após as manifestações que, entre outras bandeiras, protestaram contra os partidos políticos em junho de 2013, uma onda regressista e conservadora predomina nas disputas regionais. Em dois terços dos Estados, os favoritos apontados pelas pesquisas de intenção são candidatos à reeleição, ex-governadores que querem voltar ao cargo ou integrantes de oligarquias locais. Só nove concorrentes com chances de serem eleitos poderiam ser definidos como “novidade” - nunca exerceram o cargo nem integram famílias tradicionais -, ainda que a maioria já tenha exercido mandato eletivo.
Sete ex-governadores que tentam retornar ao posto são líderes da disputa em seus Estados, de acordo com as pesquisas. Três desses candidatos são peemedebistas: Eduardo Braga (Amazonas), Paulo Hartung (Espírito Santo) e Marcelo Miranda (Tocantins). Cada um dos outros quatro partidos neste bloco tem um representante cada. São o DEM, com Paulo Souto (Bahia); o PDT, com Waldez Góes (Amapá); o PSDB, com Cássio Cunha Lima (Paraíba); e o PT, com Wellington Dias (Piauí). Outros dois ex-governadores que lideravam as pesquisas desistiram da corrida eleitoral, por causa da Lei da Ficha Limpa. Renunciaram à disputa José Rober-
to Arruda (PR, Distrito Federal) e Neudo Campos (PP, Roraima), ambos considerados ficha-suja pela Justiça. Mais 4 anos Os eleitores de oito Estados têm dado preferência aos atuais governadores. Este bloco é dominado por candidatos do PSDB, que elegeu oito mandatários em 2010. São tucanos os governadores Geraldo Alckmin (São Paulo), Beto Richa (Paraná), Marconi Perillo (Goiás) e Simão Jatene (Pará). Também são favoritos à reeleição o acriano Tião Viana (PT), o catarinense Raimundo Colombo (PSD), o sergipano Jackson Barreto (PMDB) e o fluminense Luiz Fernando Pezão
(PMDB). O governador do Rio está numericamente à frente de Anthony Garotinho (PR), mais um ex-governador que tenta voltar ao cargo e mostra força eleitoral. Segundo a mais recente pesquisa Ibope no Estado, os dois estão tecnicamente empatados. Candidatos de grupos oligárquicos lideram a disputa em dois Estados. Um deles é o alagoano Renan Filho (PMDB), herdeiro e correligionário do presidente do Senado, Renan Calheiros. Também é do PMDB o favorito no Rio Grande do Norte - Henrique Eduardo Alves. No Pará, Helder Barbalho (PMDB), filho do senador Jader Barbalho, está tecnicamente empatado com o tucano Simão Jatene.
PT e PSB lideram ‘novatos’ Dois partidos têm quatro dos nove candidatos “novatos” em disputas pelo governo estadual. Com Delcídio Amaral (Mato Grosso do Sul) e Fernando Pimentel (Minas Gerais), o PT é um deles. O outro é o PSB, com Rodrigo Rollemberg, no Distrito Federal, e Paulo Câmara, em Pernambuco. Único desse quarteto a nunca ter disputado uma eleição, Câmara está em
empate técnico com o segundo colocado, Armando Monteiro (PTB). Os outros cinco partidos nesta lista têm um postulante cada na liderança, todos já com passagem pelo parlamento. Eles são PP (Ana Amélia, Rio Grande do Sul); PMDB (Eunício Oliveira, Ceará); PDT (Pedro Taques, Mato Grosso); PCdoB (Flávio Dino, Maranhão); e PSDB (Expedito Júnior, Rondônia).
EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato e Assessorias
REVISÃO Gracycleide Drumond e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Kleuton Silva e Mário Henrique Silva
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima