Skip to main content

Eleições 2014 - 27 de outubro de 2014

Page 1

Especial

Eleições 2014 MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

politica@emtempo.com.br

(92) 3090-1019

De virada, Melo vence na capital e no interior

RAIMUNDO VALENTIM

Novo governador do Amazonas com 55,55% dos votos, José Melo tem mais quatro anos de mandato garantido

Ao lado do senador eleito no primeiro turno, Omar Aziz, e do seu vice, Henrique Oliveira, o governador José Melo comemorou a vitória nas ruas

A

pós três meses de uma campanha em que o adversário se manteve à frente nas pesquisas, o governador José Melo (Pros) se reelegeu ontem para um novo mandato no governo do Amazonas. Melo superou o desempenho alcançado no primeiro turno e obteve vitória na capital e no interior, com 55,55% dos votos, contra 44,45% do senador Eduardo Braga (PMDB). A vantagem de Melo foi de 173.699 mil votos. Com 11 pontos percentuais acima do registrado pelo adversário, o governador alcançou 869.617 mil votos contra 695.972 mil do adversário peemedebista. O resultado foi visualizado pela reportagem do EM TEMPO às 23h31 de ontem, quando o aplicativo de apuração disponibilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TER-AM) ainda informava que 1.192 votos não haviam sido contabilizados pelo órgão. Os votos obtidos por Melo na capital amazonense foram decisivos para a vitória do governador, que obteve em Manaus quase a totalidade da vantagem contra o adversário. O percentual na capital foi de 59,05%, 545 mil votos, para Melo, contra 40,95% dos vo-

tos, 377.995 mil, para Braga. O governador reeleito já havia registrado vitória no primeiro turno da capital. No entanto, o desempenho do segundo turno foi seis vezes maior. No interior, Eduardo Braga, que havia ganhado no primeiro turno com vantagem de 26 mil votos, foi ultrapassado por José Melo, acirrando o resultado. A vantagem do governador

PERCENTUAL

Com 11 pontos percentuais acima do registrado pelo adversário, José Melo alcançou 869.617 mil votos contra 695.972 mil votos de Eduardo Braga. Votos da capital foram decisivos na região foi de pouco mais de 6 mil votos. Os resultados finais da apuração do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) apontaram que, entre os 62 municípios do interior, Melo obteve 324.616 mil votos, contra 318.356 de Braga. Analistas políticos ouvidos pela reportagem afirmaram houve intensa migração dos votos do terceiro lugar do primeiro turno, Marcelo Ra-

mos (PSB), para José Melo. O deputado socialista obteve a fatia esmagadora dos seus 180 mil votos na capital amazonense, onde Melo emplacou a vantagem decisiva, em número similar ao alcançado por Ramos. No interior, a disputa virou a favor de Melo, mas o resultado foi apertado. Abstenção foi alta O número de abstenções foi três pontos percentuais acima do registrado na primeira votação. 503.243 mil amazonenses deixaram de ir às urnas ontem, um percentual de 22,62%. No primeiro turno, o percentual foi de 19,49%, com 433.813 mil faltosos. Houve leve aumento no percentual de votos brancos e nulos no segundo turno, com 9,04%, ou 155.613 mil. No primeiro turno esse percentual havia sido de 8,3%. O dado curioso do resultado obtido pelo governador reeleito é que o percentual de votos registrados por José Melo, de 55,55%, foi o mesmo número usado pelo seu antecessor e maior cabo eleitoral, ex-governador Omar Aziz (PSD), na sua campanha que o elegeu com folga para o Senado, na votação de 5 de outubro, quando seu número foi 555.

No AM, Dilma vence com folga A presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT), venceu o senador Aécio Neves (PSDB) no Amazonas com quase o dobro dos votos obtidos pelo tucano, em vantagem de 476.458 mil votos. A petista, que não veio ao Estado durante toda a campanha, obteve vitória tanto na capital amazonense quanto no interior. O placar dos presidenciáveis no Estado foi de 65% (1.032 mi) para Dilma, contra 35% (555.801 mil) para Aécio. O melhor desempenho de Aécio foi na capital, onde o

senador obteve a maioria esmagadora dos votos registrados para ele, no entanto sem alcançar Dilma. O placar em Manaus foi de 56,43% para a presidente contra 43,57% para o tucano. O senador registrou expressiva derrota no interior do Amazonas, onde só obteve 147,2 mil votos. Já Dilma obteve pouco mais de meio milhão. O percentual de nulos e brancos foi de 7,74%, com 133 mil amazonenses que não optaram entre Dilma e Aécio.

PLACAR GERAL 173.699 mil votos foi a vantagem obtida por Melo, que venceu na capital e no interior JOSÉ MELO

EDUARDO BRAGA

869.617 mil votos

695.972 mil votos

Capital 59,05% Interior 324.616 mil votos

Capital 40,95% Interior 318.356 mil votos

55,55% 44,45%


2

Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

‘Fiz a campanha como se fosse vereador’, diz Braga

ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Ex-candidato ao governo do Estado, Eduardo Braga disse que concentrou campanha em Manaus, caminhando bairro por bairro

Ao lado da esposa, Sandra Braga, das três filhas e de correligionários, o senador e ex-candidato ao governo Eduardo Braga (PMDB) votou na escola estadual Marechal Hermes, na Zona Oeste de Manaus

caminhadas de bairro em bairro de Manaus a uma candidatura para vereador. Gripado O candidato, por estar gripado e com febre, fruto de caminhadas sob chuva, disse à imprensa que acompanharia a apuração dos votos em seu escritório. “Vim votar à base de remédios por estar com febre e garganta inflamada. Vou me resguardar e não vou acompanhar a apuração na produtora como no primeiro turno”, disse ao reafirmar que governar o Amazonas é um desafio onde é preciso ter vontade de governar. “Pois não é normal o que tem acontecido na segurança pública; não é normal as filas desumanas na saúde (e é possível mudar isso) e não é normal o Estado despencar seis posições na qualidade do ensino público – com a queda no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Mas isso só pode ocorrer se o povo decidir mudar”, concluiu. Em família Após votar, Eduardo Braga acompanhou Rebecca Garcia até seu local de votação, a escola Angelo Ramazzotti. A candidata lembrou que se trata do último dia de uma longa caminhada. “Andamos por todo o Estado do Amazonas. Fomos a todos os bairros de Manaus. Se Deus nos permitir chegar lá, tenho certeza que o desafio será grande, mas nós vamos mudar a história do nosso Amazonas”, disse Rebecca. Depois de terem votado, Eduardo Braga e Rebecca Garcia foram orar na Igreja Nossa Senhora de Nazaré, Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

Após derrota, senador evita declarações Após o término da apuração dos votos para governador do Amazonas, o candidato Eduardo Braga não compareceu à coletiva de imprensa marcada em seu comitê, no Manaus Show Club, localizado na avenida Noel Nutels, Zona Norte, por volta das 19h30 deste domingo. De acordo com sua assessoria, Braga está gripado e sob efeito de medicação e, por conta disso, cancelou a entrevista. O candidato da coligação Renovação e Experiência se manifestou por meio de nota oficial. “Agradecemos a cada um dos milhares de eleitores que nos deram os votos de confiança e acreditaram em nossas propostas para a

construção de um Amazonas melhor para todos. Agradecemos, acima de tudo, o carinho recebido durante toda esta campanha”. O senador ressaltou sua luta pelo Amazonas e renovou compromisso com as pessoas que acreditam em toda a potencialidade de recursos e talentos do Amazonas. “Esperamos que os problemas que afligem nossa população, principalmente a crescente onda de violência, as filas nos hospitais, o déficit na educação e a crise na mobilidade urbana, sejam sanados de forma satisfatória. Que os próximos anos sejam de paz. Deus abençoe o Amazonas”.

Clima triste A saída de veículos do Manaus Show, comitê de Eduardo Braga, foi intensa. Pelo menos uma dezena de kombis deixou o local transportando cabos eleitorais de Braga – alguns até gritando e xingando a imprensa, que aguardava a coletiva do lado de fora do local. A maioria dos veículos também já estava com os adesivos com a face do candidato estampada arrancados. Em um determinado momento, pouco antes da confirmação do cancelamento da entrevista, por volta de seis carros pararam em frente à casa de shows – todos com adesivos e bandeiras do governador eleito José Melo. Em meio a buzinaço e pro-

vocações, os apoiadores de Eduardo Braga gritaram ainda mais palavrões, mas não houve registro de nenhum incidente mais grave. Boatos Depois do cancelamento da entrevista coletiva, havia a suspeita de que Braga deixaria o Estado em jato particular. No entanto, funcionários de todas as companhias aéreas que operam no Terminal de Passageiros 2 do Aeroporto Eduardo Gomes, conhecido como Eduardinho, afirmaram que não havia nenhum vôo sendo preparado para esta noite. O mesmo foi apurado no Terminal 1. Até o fechamento desta edição, não se sabia o paradeiro de Braga. IONE MORENO

A

companhado pela esposa, Sandra Braga, e pelas três filhas (Brenda, Bruna e Bianca), o senador e candidato derrotado ao governo do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), da coligação Renovação e Experiência, votou por volta de 9h da manhã de ontem (26) na escola estadual Marechal Hermes, no conjunto Coophasa, na Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. Na chegada, o candidato foi cercado por eleitores que, além de declararem apoio ao peemedebista, cobraram algumas medidas em áreas como segurança pública e saúde. “Agradeço muito ao povo do Amazonas por todo esse carinho e todo o respeito que tiveram comigo durante toda a campanha”, declarou. Ainda na entrada da escola, Braga criticou seu adversário, o governador reeleito, José Melo (Pros), notadamente pela ausência dele aos debates que estavam agendados por emissoras do Estado para o segundo turno. “Temos muito a lamentar, pois meu adversário não foi aos debates e, com isso, desmontou os confrontos do segundo turno. Houve apenas um encontro na TV Globo, debate esse onde foi possível mostrar a diferença entre as duas candidaturas”. “Nós fomos o único Estado, entre aqueles que estavam na disputa do segundo turno, onde só houve um debate. Isso é uma demonstração de que o eleitor, que queria ver a diferença dos candidatos, ficou impedido porque não houve debate. No mais, é a fé, a esperança e a certeza de que o povo há de tomar uma decisão importante, a qual vamos respeitar, pois a vontade do povo é soberana”, frisou ao justificar que concentrou sua campanha no segundo turno na capital e comparou suas

No comitê central de Eduardo Braga, na Cidade Nova, Zona Norte, os portões permaneceram trancados após a apuração


MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Eleições 2014

3

‘É HORA DE ARREGAÇAR AS MANGAS’, DIZ MELO Durante coletiva, o governador reeleito José Melo firmou seu compromisso com a educação dos amazonenses e disse que irá aprimorar todos os serviços que já estão sendo executados no Estado

N

a noite de ontem (26), após a apuração dos votos para governo do Estado, o governador reeleito José Melo (Pros) concedeu entrevista coletiva na sede do comitê central, localizado no bairro Petrópolis. Acompanhado do ex-governador e atual senador Omar Aziz e também do seu vice Henrique Oliveira, o candidato agradeceu todo o apoio recebido ao longo do pleito e afirmou que agora é “a hora de arregaçar as mangas”. “Hoje, nos tornamos governador de todos os amazonenses. Juntos, vamos, com certeza, fazer tudo aquilo com que nos comprometemos na eleição”, disse. Melo adiantou que, ao longo da semana, irá tirar quatro dias para descansar no interior do Estado e, em seguida, realizará uma reunião, juntamente com seus “companheiros” e, a partir disso, formatará um novo governo que dará amparo para tudo aquilo que foi prometido ao povo do Amazonas. “A nossa prioridade é a educação. A educação vai ser a âncora principal do nosso governo. A partir dela, nós vamos enfrentar todos os outros problemas do Estado. Agora vamos aprimorar todos os serviços do Estado”. Questionado sobre a ausência do prefeito de Manaus Arthur Neto na coletiva, Melo reafirmou sua parceria e amizade com o apoiador. “Nós tínhamos um compromisso que estava acima desta campanha, desta candidatura. Era um compromisso com o povo e com a cidade de Manaus. Fizemos isso com muito carinho. Eu sou professor e, durante todo o tempo, expliquei aos meus alunos que a liberdade é uma das coisas importantes da vida de uma pessoa. Eu e ele (Arthur) temos uma amizade muito

estreita e vamos continuar um trabalho que vem dando certo”, explicou. A reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) também entrou em pauta. Apesar de ter apoiado o seu opositor, Eduardo Braga, o governador esclareceu que sua relação com ela será a melhor possível. “Ela se elegeu presidente da República e eu governador com os votos do povo do Amazonas. Tanto ela quanto eu estamos acima das querelas políticas”.

Governador reeleito, José Melo (Pros) disse que, após um breve descanso, vai formatar um novo governo para o Amazonas

‘Moleque não trabalha no AM’ Acompanhando o governador José Melo, o senador eleito Omar Aziz fez um desabafo sobre as pesquisas realizadas no Estado ao longo do pleito sobre o resultado das eleições de 2014. “Não dá mais para aceitar que o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) faça molecagem na cidade de Manaus e no Estado do Amazonas. Moleque não pode mais trabalhar no Amazonas. No primeiro turno erraram e erraram feio, induzindo o povo a votar por aquilo que eles estavam anunciando. No segundo turno também usaram de má-fé, com maldade, publicaram uma nova pesquisa que não era verdade. Eu, enquanto senador, tomarei providências sobre o assunto, é preciso ter critério para fazer pesquisa”.

Lembrando, ainda, outros resultados errados em vários momentos no Estado, disse: “Isso não é de hoje. Foi assim com o prefeito Arthur Neto, foi assim com o Melo e será sempre. Essa má-fé tem que acabar. Essa má-fé induz, sim, as pessoas que não estão envolvidas no processo. O Ibope precisa tomar vergonha na cara e não se meter a fazer pesquisa no nosso Estado. Não acerta uma”, declarou. O senador agradeceu, ainda, todo o apoio a sua campanha e a de Melo, fazendo votos de que o mandato do seu sucessor seja melhor do que o dele. “O Melo vem se preparando há muito tempo. Espero que ele (Melo) seja melhor do que eu fui. Hoje, não existem vencedores ou vencidos. Agradeço ao prefeito Arthur pelo apoio e toda sua sabedoria”.

Agressões Ao longo de toda a campanha, fortes denúncias foram feitas contra o candidato à reeleição. Muitas delas levadas para o lado pessoal. O governador disse que todas as providências já foram tomadas junto à Justiça e que tais acusações não deixaram marcas. “Ao longo de toda essa campanha, nós só fizemos tratar daquilo que o povo precisava, que eram propostas. Não tive ouvidos para essas coisas. Só tinha a preocupação de apresentar aos amazonenses de forma correta aquilo que eu, Henrique, Omar e todos os nossos companheiros estávamos propondo para o Amazonas ao longo desses próximos 4 anos”. Ainda durante a coletiva, Melo não revelou será fará mudanças em seu secretariado. “Após o descanso, vamos pensar sobre o governo e tudo ao seu tempo. Ao longo dos dias vamos tratar sobre esse assunto. Durante toda a campanha eu disse que era um candidato da continuidade. Na verdade, vou dar continuidade ao governo que deu certo e aprimorar aquilo que deve ser aprimorado”, finalizou. Em seguida, o governador fez seu discurso para seus eleitores e seguiu para a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde recebeu os cumprimentos da presidente do TRE, desembargadora Socorro Guedes.

NOTA DE AGRADECIMENTO Chegamos até aqui com um objetivo comum, garantir o avanço do desenvolvimento e da implementação dos programas sociais a partir da vitória nas urnas, que possibilitará mais quatro anos de um governo que vai caminhar lado a lado com o povo, trabalhando para o povo. Quero apertar a mão de cada um dos colaboradores e correligionários do Pros pelo apoio demonstrado ao longo do primeiro e segundo turno, não importando qual tenha sido a função ou atividade desenvolvida, cada um foi importante para esta jornada. Neste sentido, quero chamar a atenção especialmente para a força e a garra da juventude do meu partido, pela luta e pelo suor da campanha diária nas ruas, praças, vicinais e em cada canto que visitamos, inclusive os mais longínquos, onde sempre houve pessoas com bandeiras, faixas, adesivos e cartazes. Quero agradecer aos meus amigos pessoais, que por serem muitos (graças a Deus!), principalmente no interior, prefiro não citá-los por nomes para não cometer a leviandade de esquecer alguém. Também quero

agradecer o apoio da minha família, dos meus filhos e da minha querida esposa Edilene, meu principal esteio de conforto, segurança e carinho, e a cada um dos meus aliados políticos, cujo apoiamento garantiu uma trajetória vitoriosa da coligação Fazendo Mais por Nossa Gente. Pessoas da envergadura política de um Omar Aziz, Pauderney Avelino, Arthur Neto e Silas Câmara, que muito me honraram com seu apoio imprescindível na difusão e defesa das nossas ideias e compromissos firmados em todos os municípios e comunidades nos quatro cantos do Estado com a população amazonense. Alguém disse certa vez que quanto mais digladiamos para conquistar nossos objetivos, menos culpados nos sentimos diante da não realização dos mesmos. Ora, meus amigos, eu esperei 32 anos da minha vida pública para vivenciar este momento e ao longo desse tempo não acreditei quando algumas pessoas me disseram que a vida se resume em vencer dificuldades, porque dentro de mim há uma força muito maior que as tribulações: a

fé. Nesses anos de amadurecimento político aprendi que somente quem é determinado consegue enfrentar o mundo e as suas feras e se consagrar vitorioso no jogo da vida. Fiz das pedras que me atiraram pelo caminho uma muralha e por trás dela criei as estratégias para driblar meus adversários e me sagrar vitorioso na ética, moral e nos bons costumes. Foi nessa perseverança de filho de seringueiro acostumado desde pequeno a trabalhar para ajudar a família que descobri a luz que alimenta o brilho da minha alma no caminho de vitórias que ainda tenho para seguir... Um forte abraço. José Melo de Oliveira, presidente do Pros.


4

Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Amazonas teve segundo Apesar de algumas ocorrências, como boca de urna e paradas de ônibus lotadas, o pleito no Amazonas foi melhor neste segundo turno

“O

Amazonas viveu uma das suas eleições mais tranquilas”, essa foi a análise da presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TER-AM), desembargadora Socorro Guedes, ao realizar o balanço final do processo eleitoral do Estado. Em coletiva de imprensa, organizada no anexo do Tribunal, no bairro Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul de Manaus, a desembargadora parabenizou as mais de 35 mil pessoas envolvidas no pleito, que terminou com um segundo turno favorável ao governador José Melo (Pros) e presidente Dilma Rousseff (PT), ambos reeleitos. “Parabenizo inicialmente todos os magistrados e membros do Ministério Público, nossos servidores, as forças de segurança e todos os envolvidos diretamente no pleito. Dissemos no primeiro turno que éramos 34 mil, mas com o apoio das forças de segurança fomos mais de 35 mil pessoas. Isso sem jamais esquecer os mesários que de uma forma voluntária, sem nada a receber, prestaram esse grande serviço à cidadania e democracia do Brasil”, ressaltou. A presidente do TRE ainda agradeceu o trabalho da imprensa, que durante o período acompanhou as ações da Justiça Eleitoral. “A quem reputamos e respeitamos muito o trabalho, esperamos que tenham gostado da nossa acolhida”, destacou. Dentre os números apresentados pela equipe do Tribunal, estiveram a substituição de 20 urnas eletrônicas. Dez substituídas em Manaus e sete no interior, os municípios que registraram pro-

blemas foram Manacapuru, Iranduba, Tefé, Coari, Careiro, Amaturá e Itacoatiara. Conforme informou o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Messias Andrade, o pleito não chegou a ser prejudicado e as pessoas levaram em média 40 segundos para computar seus votos. “O número de substituições foi de 0,3%, um número baixíssimo e um dos menores entre os incidentes ocorridos nos demais Estados do país. Preparamos-nos e planejamos tudo com muita responsabilidade, realizamos testes na sextafeira e no sábado. O momento mais complicado é sempre o do envio dos dados computados nas urnas, e mesmo esse aconteceu dentro de toda a normalidade”, analisou. O caso mais inusitado e que culminou a troca do aparelho, segundo Andrade, aconteceu em Manacapuru, onde uma urna ficou encharcada com a água da chuva. “Choveu muito na noite do sábado, e infelizmente a urna foi deixada em baixo de uma goteira. Diante disso, o objeto teve que ser trocado, pois estava com o seu interior comprometido pela umidade”, explicando que os demais problemas foram relacionados ao teclado numérico, data, hora e monitor, que dificultavam a visualização dos candidatos. No Amazonas foram utilizadas, ao total, 6.535 urnas, divididas por 6.883 seções eleitorais. Manaus continuou sendo o maior colégio eleitoral do Estado, concentrando mais de 1 milhão de eleitores, 55,8% do eleitorado. Parintins seguiu a lista, com 64 mil votantes, Itacoatiara com 55 mil, Manacapuru, 52 mil, e Coari com 46 mil.

Segundo balanço do TRE, esta foi uma das eleições mais tranquilas

Lotação no transporte coletivo O terminal 3, localizado na Cidade Nova, Zona Norte da cidade, enfrentou superlotação em algumas linhas de ônibus. Segundo a Guarda Municipal, o local não apresentou ocorrências durante o dia e o tráfego de veículos seguiu normalmente. O eletricista Carlos Gonçalves, 49, disse que a espera chegava a durar até trinta minutos, porém o movimento estava melhor em comparação ao primeiro turno. “Os ônibus estão fluindo mais do que na última eleição. No geral, está tranquilo”, disse. Já a diarista Francisca do Carmo, 52, criticou as linhas pela demora e superlotação. “É sempre assim por aqui. Muita gente e pouco ônibus”. No terminal 4, o fluxo de passageiros durante o dia foi de 70 mil pessoas, segundo o fiscal da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Juiselino Maciel. “As linhas que mais lotam são as que vão para a Ponta Negra. Assim como vimos no primeiro turno, vimos hoje. Após votar, as pessoas aproveitam a catraca livre para passear e levam bebidas, cachorros, vão junto com a família. Então, essas linhas lotam”.

Maior colég No segundo turno das eleições, a rotina no maior colégio eleitoral da cidade, a escola estadual Eldah Bitton Telles, na Compensa, Zona Oeste, seguiu sem maiores problemas. A escola onde votam mais de 10.500 eleitores amanheceu com a presença da Polícia Militar e do Exército, que revistou as mochilas dos eleitores. “Não tivemos nenhum flagrante próximo à escola. Chegamos a receber uma denúncia de compra de votos, mas quando fomos apurar não encontramos nenhum suspeito”, declarou o sargento Rosivaldo Santos, da Polícia Militar. Responsável pela coordenação da zona eleitoral, o chefe de cartório Carlos Amorim afirmou que quatro urnas chegaram a ser trocadas na zona por apresentarem problemas técnicos logo pela manhã. “Fora as urnas, as votações foram tranquilas. As pessoas vêm mais decididas para o segundo turno, quase não houve filas”, comentou. Na escola Professor José Bernardino Lindoso, conhecida como “Quarentão”, localizada no bairro Cidade

N c o ç t d d p m H p d

N E C s e c t s c

S u p r p t T o d v s t


MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Eleições 2014

5

DIEGO JANTÃ

IONE MORENO

turno menos conturbado

Em menor número em relação ao primeiro turno, os santinhos voltaram a sujas as ruas

Santinhos sujaram as ruas votam mais de 5 mil pessoas. “Não tivemos substituição de urna e não temos fila devido à brevidade do voto. As pessoas vêm mais decididas para o segundo turno”, comentou. A Polícia Militar e o Exército fizeram a segurança da escola e revistaram os eleitores que estavam com mochilas ou assemelhados. De acordo com o soldado Moraes, a portaria expedida pela presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amazonas, que solicita a presença do exército e proíbe a presença de vendedores ambulantes próximos ao colégio eleitoral, fez com que se diminuíssem as ocorrências. “Assim, não temos aglomeração das pessoas na frente da escola e podemos monitorar com mais segurança”, afirmou.

A limpeza da cidade, que registrou santinhos espalhados em locais pontuais, também foi comentada por Socorro Guedes, que remeteu ao compromisso dos candidatos a não repetição das cenas vividas durante o primeiro turno, onde a cidade ‘‘afundou’’ em lixo eleitoral. “Eles entenderam a importância de mantermos a cidade limpa e cumpriram as suas palavras. Constatamos isso desde o início da manhã, quando realizamos um sobrevoo e identificamos uma normalidade na aparência das ruas”, comemorando que serviços como o da gratuidade no transporte coletivo foram obedecidos pelas empresas do transporte público.

RAIMUNDOVALENTIM

Apesar dos candidatos terem sujado a rua de forma mais tímida, os portões da escola estadual Marcantonio Vilaça II, na Cidade Nova, Zona Norte da cidade, amanheceram com santinhos do candidato ao governo Eduardo Braga (PMDB). Segundo o coordenador responsável pelo colégio eleitoral, Rodney Geraldi, o material foi deixado nas proximidades da escola durante a madrugada. “Não vimos suspeita de nenhum veículo próximo que possa ter efetuado o despejo do material. Provavelmente, eles jogaram durante a madrugada. Quando vimos, acionamos rapidamente a prefeitura e o local foi limpo”. No segundo turno, Geraldi afirma que as votações ocorreram sem maiores problemas no colégio, onde

o eleitoral tranquilo

ALMARIA

escola estadual dah Bitton Telles, na mpensa, que é conderada a maior zona eitoral da cidade, m 10.500 eleitores, o abalho foi tranquilo, m nenhuma ocorrêna mais grave

orro Guedes, expediu a portaria solicitando a sença das forças militadentro das escolas. “As soas colaboraram e não mos nenhum problema. mbém não presenciamos rrências de distribuição santinhos ou compra de os. Acredito que a preça do Exército nos pors intimida esse tipo de

ações”, disse Pedro Carvalho, coordenador do colégio onde votam cerca de 9 mil eleitores em 23 seções. No Instituto de Educação do Amazonas (IEA), localizado na avenida Ramos Ferreira, no Centro, o movimento também foi tranquilo. Segundo o coordenador do colégio eleitoral, Avelino Marreina, a zona eleitoral também não apresentou flagrantes e nem problemas em relação à substituição de urnas. “Os problemas que persistiram foram os mesmos do primeiro turno: eleitores que cometem erros, geralmente relacionados à assinatura. Tentamos explicar que, apesar da assinatura, o eleitor votou com o número do seu título e pode checar no TRE depois”, disse. A funcionária pública Maria do Perpétuo Socorro, 70, decidiu não votar no segundo turno e justificou seu voto após tomar conhecimento de que alguém havia assinado no seu lugar. “Achei um absurdo e não posso concordar com esse erro. Alguém tentou se passar por mim, eu estava viajando no primeiro turno”, comentou.

Apesar de proibido, conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral, muitos eleitores levaram crianças para o local das urnas ALBERTOCÉSAR

va, na Zona Norte da ade, o movimento para egundo turno das eleis foi marcados pela nquilidade e presença Polícia Militar dentro escolas. Após a susta de bomba na escola nicipal Senador Cândido nório Ferreira, durante o meiro turno, a presidente TRE, desembargadora

Na maior zona eleitoral da cidade, a escola Eldah Bitton, conhecida como “Quarentão”, algumas seções eleitorais enfrentaram filas


6

Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Crimes eleitorais dominam ocorrências policiais no AM RAIMUNDO VALENTIM

Tanto na capital como no interior, a polícia combateu crimes como transporte irregular de eleitores e distribuição de gasolina

Para evitar incidentes ou atos de vandalismo, a Polícia Militar do Amazonas e o Exército Brasileiro revistaram os eleitores nas portas das seções eleitorais no segundo turno em todo o Estado

A

Polícia Civil (PC) registrou durante o segundo turno das eleições, ontem (26), no Amazonas, o total de 53 Termos Circunstanciados de Ocorrências (TCOs), sendo 51 nos municípios do interior e dois na capital. A corporação registrou ainda, no interior, 20 flagrantes de crimes eleitorais, abriu três inquéritos policiais, deteu 17 pessoas e apreendeu 18 veículos por transporte irregular de eleitores, 416 litros de gasolina, e R$ 62,6 mil que seriam supostamente usados para compra votos. Na capital, a PC não registrou nenhum homicídio, bem como não houve qualquer acidente de trânsito com vítimas fatais. Segundo o delegado Emerson Negreiros, o caso

mais grave registrado pela polícia foi a denúncia contra Álvaro Melo, marido da ex-diretora do Detram-AM, Mônica Melo. “Ele fez abordagem a um pastor que supostamente estava fazendo transporte ilegal de eleitores. O homem até deu voz de prisão ao pastor próximo à escola Estelita Tapajós, no bairro Educandos. A PC foi ao local, constatamos o caso e o encaminhamos à Polícia Federal”, disse Negreiros. Dos dois TCOs registrados em Manaus, um foi por desordem, quando uma pesquisadora da empresa Perpectiva, Suzy Ferreira de Araújo, 32, realizava levantamento de boca de urna dentro da escola estadual Isaac Sverner, no bairro São José 2, Zona Leste. E outro por quebra de sigilo de votação, quando

um homem identificado como Ubirajara Oliveira Rodrigues, 40, foi detido por fotografar a urna eleitoral, na hora da sua votação. Além dos TCOs em Manaus, um homem foi detido porque dirigia um microônibus com material de campanha, no conjunto Viver Melhor, bairro Santa Etelvina, Zona Norte, mas como ele não estava distribuindo, apenas assinou o termo. Conforme a assessoria da Policia Civil, todos as pessoas que assinaram TCOs responderão ao juizado eleitoral, que decidirá se pagarão pena com compra de cestas básicas, salário mínimo ou serviços comunitários. Desacato A Policia Militar registrou às 13h46 um caso de desacato

REGISTROS

Na capital, a polícia não registrou nenhum homicídio e nem acidente de trânsito com vítimas fatais. A denúncia mais grave foi contra Álvaro Melo, marido da ex-diretora do Detram-AM, Mônica Melo à autoridade em frente à escola estadual Jorge Sobrinho Rezende, no bairro Tancredo Neves, Zona Leste. Um rapaz que estacionou em local proibido não atendeu ao pedido de um sargento do Exército Brasileiro, que pediu para que retirasse o veículo do local. Ele teve que assinar o TCO, mas, por não se caracterizar crime

eleitoral, ele não responderá à Justiça Eleitoral. O delegado geral adjunto da PC, Mário Aufiero, informou que durante a madrugada de domingo a Polícia Civil notificou aproximadamente 800 bares por conta da Lei Seca. Durante as blitze, até a tarde de ontem, 40 bares foram fechados, lacrados e notificados. Santinhos O juiz da fiscalização da propaganda eleitoral, titular da vara do meio ambiente, Adalberto Carim, não registrou nenhum caso mais grave de santinhos jogados nas ruas de Manaus. Ele disse, no entanto, que o registro das mais de 72 mil toneladas de santinhos recolhidos pela Prefeitura de Manaus, durante o primeiro turno, foi encaminhado ao Ministério

Público Federal (MPF), que deverá avaliar num prazo de 30 dias. Segundo Carim, o órgão deverá abrir inquérito civil. “A Justiça aguardará a conclusão para recebermos possivelmente ações civis públicas”, disse. O juiz informou que, na última semana, recebeu vasto material de fotografias e filmagens da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com imagens de automóveis com o nome de candidatos que jogaram santinhos no primeiro turno. “Esse material também será analisado pelo Ministério Público Federal”, afirmou.

No interior do Amazonas, a movimentação dos eleitores foi intensa durante todo o dia. As principais ocorrências registradas foram de problemas com urnas, compra de votos, falta de energia elétrica e chuva. O registro mais grave ocorreu em Parintins (a 369 quilômetros de Manaus), quando uma forte chuva castigou a cidade e atrapalhou a votação do segundo turno das eleições. No município, onde existem mais de 64 mil eleitores, segundo o chefe do cartório da 4ª Zona Eleitoral, Antônio Mariano, uma interrupção no fornecimento de energia elétrica paralisou por cerca de 30 minutos a votação no município. “Tivemos essa dificuldade e substituímos duas urnas que apresentaram problemas, uma na sede e outra na zona urbana do município”, disse Mariano. Ele salientou, ainda, que alguns mesários deixaram de

comparecer aos respectivos locais de votação. “O tribunal vai adotar as medidas cabíveis, foram imediatamente substituídos e a eleição transcorreu normalmente”. O promotor eleitoral do município, André Seffair, acredita que a abstenção nesse segundo turno deverá ficar entre 30 ou 40%. “Bem maior do que no primeiro turno”, afirmou. Mas, apesar dos ocorridos, o juiz Aldrin Henrique, titular da 4ª Zona Eleitoral, considerou tranquila a votação no município. “Tudo ocorreu dentro do que o TRE programou, não registramos nenhum incidente, funcionou tudo perfeitamente”. Representação contra PF A ocorrência de maior proporção foi uma representação protocolada pela advogada Daniele Pinheiro, em nome da ex-primeira-dama de Parintins, Michele Valadares Garcia, mulher do deputado

eleito Frank Bi Garcia (PSDB), contra o delegado da Polícia Federal, Caio Cézar Cordeiro de Oliveira Silva, que, na manhã de sábado (25), teria entrado sem mandato no comitê da coligação Fazendo Mais Por Nossa Gente. A advogada disse ao EM TEMPO que o delegado não teria comunicado a operação à Justiça Eleitoral e que ação teria constrangido a ex-primeira-dama e amigos que estavam em companhia. “A ação policial gerou ampla e falsa notícia de que a mesma havia sido presa comprando votos de eleitores o que nunca ocorreu”, diz a advogada. O delegado Caio Cézar, por sua vez, não quis gravar entrevista, mas negou que tenha sido deselegante na abordagem. Ele disse que foi ao local porque identificou a presença de muita gente e que apenas ouviu a esposa do deputado eleito sem causar nenhum transtorno.

DIVULGAÇÃO

Votação no interior teve clima tenso

Transporte irregular em Lábrea No município de Lábrea (a 702 quilômetros da capital), o motorista Francisco Siqueira, 52, foi preso na madrugada de ontem sob a suspeita de compra de votos. Com o suspeito foi encontrada a quantia de R$ 1,7 mil mais santinhos da coligação Renovação e Experiência, do candidato

Eduardo Braga (PMDB). O suspeito foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Civil da cidade, para os procedimentos cabíveis. Segundo informações da assessoria de Braga, o homem não presta serviços à coligação, mas o caso será acompanhado pelo setor jurídico. Ainda em Lábrea,

outros dois homens que trabalham como motoristas da prefeitura foram detidos sob suspeita de crime eleitoral. Luís Alberto Maia da Silva, 53, e Jonas Maia da Silva, 36, transportavam aproximadamente 200 eleitores em um caminhão (foto acima). Os veículos pertencem ao município.


Eleições 2014

7 FOTOS: RICARDO OLIVEIRA

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

José Melo disse que durante campanha alguns “se desviaram do caminho da ética e da decência”

“A mais dura batalha de toda a minha vida” José Melo diz que, durante a campanha, nem tudo aconteceu como o povo queria e alguns “se desviaram do caminho da ética e da decência” MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

A

campanha eleitoral de 2015 entra para a história da trajetória política do candidato à reeleição, José Melo (Pros), como a mais “dura batalha” de toda a sua vida. Isso porque, de acordo com o governador, nem sempre as coisas aconteceram no formato que o povo queria. — Aqui e acolá alguns se desviaram do caminho da ética, do caminho da decência. Agora Deus me deu a serenidade suficiente para eu não me arredar daquilo que eu me propus, que era a apresentação das minhas proposituras. Melo disse que deixou que o próprio povo e Deus “tomasse conta daquele outro lado” e fui em frente. Melo acha que isso foi importante porque hoje o povo todo sabe quais são essas propostas. — Também foi suficiente para que hoje, nas urnas, o povo saiba o que fazer – disse o candidato do Pros. Melo chegou ao colégio Ângelo Ramazotti, em Adrianópolis, às 09h12, em companhia do candidato a vice, Henrique Oliveira e de seu antecessor, o senador eleito Omar Aziz (PSD), que estava acompanhado da ex-primeira-dama Nejmi Aziz. Na avaliação da campanha, Melo disse aos jornalistas que a jornada foi “muito boa”, porque passou todo o tempo falando de propostas e respeitando o povo. — O amazonense é um povo

generoso que sabe reconhecer e entender as coisas. Estou feliz, ontem fui a Manacapuru e caminhei por toda a Manaus. E vi o entusiasmo do povo que reconheceu nossas propostas e sabe que elas que são muito importantes para o futuro. Por isso estou muito feliz. Estou feliz mesmo. O candidato adiantou o que pretende fazer nos primeiros dias de janeiro de 2015, caso

“Eu vou descansar uns quatro dias que eu não sou de ferro, e depois nós vamos reunir um grupo de amigos e técnicos para formatar aquele governo que eu coloquei nas minhas propostas” José Melo, governador do Amazonas

seja eleito. — Eu vou descansar uns quatro dias, que eu não sou de ferro, e depois nós vamos reunir um grupo de amigos, um grupo de técnicos para que possamos formatar aquele governo que eu coloquei nas minhas propostas. Um governo que possa dar as respostas a tudo aquilo que eu me comprometi com o povo do Amazonas ao longo da minha campanha –, informou. Ao ser provocado pelo repór-

ter do EM TEMPO se “arriscava” um resultado para as eleições a presidente da República, o governador respondeu: — Não, caboclo, porque aí seria um palpite e eu não sou palpiteiro! (risos) — E o coração, governador, como é que está? – cutucou um repórter de TV. — O coração está ótimo, está excelente. Ontem eu devo ter andado uns 13 quilômetros, então ele deve estar ótimo. Melo foi questionado se queria comentar o resultado da últimas pesquisas do Ibope, publicado na tarde de sábado, que aponta 50% das intenções de votos para ele e 50% para Eduardo Braga (PMDB). — Ibope? O que é Ibope? – ironizou Melo, provocando risos entre os jornalistas e disparando logo em seguida a mesma frase que soltou no primeiro turno: — O verdadeiro instituto de pesquisa é o que o povo vai colocar nas urnas hoje. Ao ser perguntado se estava confiante, o candidato respondeu que uma eleição é sempre uma incógnita”, mas ele acredita que tem uma enorme esperança de que vai vencer esta eleição “muito bem”. — O importante é ganhar – respondeu o governador, caminhando para a 41ª Secção, onde votou. Após confirmar o voto, olhou para os fotógrafos, uniu as mãos como se fosse rezar e, logo em seguida, fez com os dedos o sinal nove, de noventa.

Para Arthur, o Ibope não poderia mais estar aberto

Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto disse que o Ibope já foi “toda aquela Coca-Cola”

Confiante em uma vitória de seu candidato, Aécio Neves (PSDB), com uma margem de 4 a 6 pontos, o prefeito tucano Arthur Virgílio também não poupou críticas ao Ibope que, para ele, é um instituto de pesquisa que não poderia mais estar aberto. “O Ibope é um acinte ao bom senso, é um acinte à verdade. É algo que extrapola todos os limites da tolerância”. — Vocês vão ver daqui a pouco. Os resultados serão abertos e vocês vão ver os números, inclusive aqui no Amazonas. É de chocar mesmo — afirmou o prefeito. Arthur chegou às 11h ao Colégio Pedro II, na avenida 7 de Setembro, onde vota em secção daquela 1ª Zona Eleitoral. Exibindo uma camisa

da seleção brasileira – com os adesivos 45 e 90 –, jeans e tênis. Virgílio foi tietado por eleitores que estavam na fila e posou para várias selfies. Depois de sessão de fotos por câmeras de celular, o prefeito disse aos jornalistas que a campanha não teve momentos “exatamente duros”, mas de “muito baixo nível”. —E isso sempre é reprovável, não engrandece. Inclusive a campanha do primeiro turno foi menos suja do ponto de vista do formato das campanhas, e foi mais suja nas ruas, pois nós vimos os santinhos jogados nas escolas. Hoje tem menos sujeira nas portas das escolas. Os candidatos atenderam aos nossos apelos para manter a cidade limpa. Virgílio avaliou que toda elei-

ção tem sempre um episódio para fechar a página e para abri-la. Ele lamentou a chuva que naquele momento caía sobre a cidade, lembrando que, de certa forma, isso poderia aumentar a abstenção. “E eleição boa é aquela em que a totalidade dos eleitores se manifesta com a liberdade que a democracia permite”. O prefeito se mostrou ansioso em saber o resultado nacional da eleição para presidente da República, mas ao mesmo tempo confiante, porque apesar de reconhecer que seria uma “eleição difícil”, antevia uma vantagem que deveria ser de 4 a 6 pontos para o seu candidato. — Não é o Aécio que vai virar o jogo. É a presidente Dilma que precisa fazer isso.

“Ibope não tem mais moral”, adverte Omar

Para o senador Omar Aziz, “não existe eleição fácil”

O senador eleito Omar Aziz (PSD) soltou os cachorros ontem sobre o Ibope, afirmando que ao publicar pesquisas manipuladas, o instituto está induzindo o eleitor a não votar em determinado candidato e isso é “crime eleitoral”. — Ninguém pode achar que o Ibope pode toda vez chegar aqui no Amazonas, dizer o que quer – e não é a primeira vez — e não acontecer nada. Se o resultado das eleições não for aqueles que eles deram, o Ibope não terá mais moral e ninguém terá mais moral para contratar o Ibope para fazer pesquisa aqui no Estado do Amazonas — , disparou o exgovernador ao chegar para votar no colégio Cônego Azevedo, no bairro de Aparecida, centro de

Manaus. Omar digitou seu voto na 41ª Secção da 1ª Zona e logo em seguida fez o sinal de quatro e cinco com os dedos, que pode muito bem ser nove de 90 ou 45 de Aécio. Muitos jornalistas arriscaram que o senador votou em Aécio, acreditando que ele não votaria em Dilma porque a presidente, no último programa eleitoral, quebrou o silencio que manteve durante toda a campanha e gravou o apoio ao candidato Eduardo Braga (PMDB). “O Omar jamais votaria em quem trabalhou contra a coligação dele e de Melo”, disse um assessor.

Sobre o nível de agressões da campanha, Omar disse que isso nunca prevalece. Para ele, em determinado momento pode até prevalecer “por intimidação”, mas, lá “no fundo do seu coração não é isso que você quer”. A gente não lutou pela democracia achando que a arrogância e a prepotência vão vencer isso. Pau no Ibope Ao avaliar a guerra eleitoral que teve momento de baixo nível e acusações, Omar disse que não foi “nada fácil”, mas observou também que “não existe eleição fácil”. — Toda eleição é difícil, não tem eleição fácil. Agora tem uma

coisa, quando Deus quer e o povo quer, meu irmão, pode fazer o que você quiser que não vai ter jeito. Não adianta achar que é possível mudar a mentalidade das pessoas. Aziz analisou que é mais ou menos isso que tentou fazer o Ibope, ao querer mudar a decisão do eleitor por meio de pesquisas manipuladas que não refletem a realidade. O senador se referia a uma última pesquisa publicada pelo instituto que apontava um empate de 50% para José Melo e 50% para Braga nas intenções de votos. — É inadmissível a gente ter que conviver com isso ainda. Esta não é a primeira vez que eles fazem essa molecagem. Não dá mais!


8

Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Abstenções: índice superou 22% no interior do Estado Mais de 500 mil eleitores, ou 22,62%, deixaram de ir às urnas no segundo turno das eleições em todo o Amazonas IONE MORENO

Uma das hipóteses levantadas pela juíza eleitoral de Iranduba, Luciana Nasser, para justificar o grande número de eleitores ausentes à votação foi a coincidência com o feriado de 24 a 28

F

oi de mais de 22% o número de abstenções no segundo turno das eleições no Amazonas. O percentual representa cerca de 500 mil eleitores. Em vários colégios eleitorais de Manaus e da Região Metropolitana (RMM), poucas pessoas compareceram as suas zonas eleitorais. Em Iranduba, no Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) professora Maria Izabel Desterro e Silva, foi pequena a movimentação de eleitores durante a manhã e a tarde. O município teve, pela primeira vez, votação biométrica em todas as 98 zonas eleitorais. De acordo com a juíza eleitoral do município, Luciana Nasser, o feriado prolongado pode ter sido um dos fatores

PRESENÇA

Em vários colégios eleitorais de Manaus e da Região Metropolitana, poucas pessoas compareceram as suas zonas eleitorais. Em escolas de Iranduba, por exemplo, foi pequena a movimentação de eleitores que motivaram a baixa procura dos eleitores aos colégios eleitorais. Em Iranduba foi decretado ponto facultativo hoje (27), amanhã (28) por conta do feriado do servidor público e as atividades normais no município só serão retomadas na quarta-feira (29). A juíza disse ainda que não foram registra-

dos problemas referentes a urnas e crimes eleitorais. “Este segundo turno está sendo tranquilo, a votação rápida e sem problemas com urnas. O único imprevisto foi a substituição de uma urna porque na sala de aula em que ela estava tinha uma goteira e ela molhou. Não estamos tendo denúncias de boca de urna e nem de irregularidades. Neste segundo turno tem sido bem menor a participação do eleitor”, falou. Dever democrático Mas se muitas pessoas deixaram de comparecer às urnas, muitas outras não abriram mão de cumprir com seu dever democrático e fizeram do segundo turno uma obrigação necessária e indispensável. Foi o caso

das amigas Maria Nilza da Silva e Georgete Rodrigues, ambas de 76 anos. Devidamente arrumadas e bem humoradas, a agricultora e a professora, respectivamente, estiveram na escola estadual Isaías Vasconcelos, em Iranduba, para exercer sua cidadania. “Sou patriota e faço questão de votar e buscar um País melhor. Esse é o nosso instrumento, é com ele que podemos lutar por um Brasil mais justo e igualitário. Até Deus permitir, estarei indo às urnas e exercendo minha cidadania”, disse Georgete. “Não podemos deixar de votar, se não depois como vamos exigir um país melhor? Vim votar e votarei todas as vezes que puder. É um dever de todos”, completou Maria Nilza.

Cacau Pirêra na tranquilidade No município de Iranduba, no distrito do Cacau Pirêra, a eleição do segundo turno também transcorreu sem problemas. O número de abstenções nas escolas onde ocorreu votação foi alto, em razão do feriado prolongado pelo Dia do Servidor Público, comemorado amanhã (28). “O primeiro turno foi realmente mais agitado. O curioso foi a procura de eleitores de Iranduba e de Manaus, que vieram justificar o voto”, comentou o coordenador de uma das zonas eleitorais do distrito,

Aluízio Galdino. No Cacau Pirêra, três instituições foram disponibilizadas para votação e todas operaram com voto biométrico. O motorista Ademar Souza aprovou a biometria, mas confessou que teve dificuldades em votar no primeiro turno, quando teve de fazer 10 tentativas na urna biométrica até ser liberado para votar. “Neste segundo turno, consegui ser identificado logo na primeira tentativa e não demorou nada”, contou o eleitor.


Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

9

‘FUI ELEITA PARA FAZER MUDANÇAS’ Após ter a confirmação de sua vitória, Dilma agradeceu o apoio do ex-presidente Lula

D

ilma Vana Rousseff, 66, foi reeleita ontem para um segundo mandato como presidente da República. Ao final da disputa presidencial mais acirrada da história recente do país, ela recebeu nas urnas mais de 54 milhões de votos, 51,6% dos válidos. Seu adversário, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), 54, obteve 51 milhões de votos, 48,4% dos válidos. A diferença entre os dois é a menor observada entre dois finalistas de uma eleição presidencial desde o fim da ditadura militar e a redemocratização do país. A reeleição de Dilma representa um triunfo de ordem pessoal e outro de natureza política. Criticada por ministros do seu governo e dirigentes do próprio partido, o PT, a presidente venceu apesar do desempenho ruim na economia e ao final de uma campanha marcada pelo desejo de mudança da maioria do eleitorado.

A vitória de Dilma também é um troféu para o PT, que chegou ao poder com Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, e agora ganhou o direito de ocupar o Palácio do Planalto por mais 4 anos, completando

Terei o compromisso rigoroso com o combate à corrupção, propondo mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade Dilma Rousseff, presidente reeleita

16 anos no poder. Nenhuma outra força política do país alcançou essa marca desde a volta da democracia. Esta foi a sexta eleição presidencial em que petistas e tucanos se enfrentaram na final, e a quarta

que o PT venceu. “Esta presidenta está disposta ao diálogo e este é o meu primeiro compromisso”, afirmou Dilma após a confirmação de sua reeleição, num discurso em que rejeitou a ideia de que o país saiu dividido da eleição por causa da agressividade da campanha eleitoral. O maior desafio da presidente reeleita será recuperar a credibilidade de sua política econômica e reconquistar a confiança dos investidores. Outro será recuperar o apoio de partidos que a apoiavam no Congresso e se afastaram do governo durante a campanha. As negociações ocorrerão em meio à tensão causada pelas investigações do escândalo na Petrobras, estimuladas pelos depoimentos de um exdiretor da estatal e um doleiro que acusam o PT e seus aliados de montar um esquema para desviar recursos da empresa para os partidos que apoiam Dilma no Congresso.

Articulações para o novo mandato Dilma escalará um núcleo político forte para atuar na linha de frente da relação do Palácio do Planalto com o Legislativo. No primeiro mandato, Dilma esvaziou funções políticas do Planalto e rompeu pontes com o Congresso. Essa posição resultou em diversas crises do governo com os parlamentares, especialmente em votações em plenário. Para retomar o diálogo, a aposta de petistas é que Dilma deve ter uma “tropa de choque” formada por Aloizio Mercadante, Jaques Wagner

e Miguel Rossetto como ministros. Os três compuseram a coordenação da campanha. A avaliação de assessores da presidente é de que o governo enfrentará uma crise política certa com os desdobramentos da operação Lava Jato, da Polícia Federal. Tanto o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, como o doleiro Alberto Youssef, alvos da investigação, apontaram à Justiça o envolvimento de ministros, autoridades e parlamentares em irregularidades da estatal. Os nomes de Dilma e de Lula surgiram em ci-

tação do doleiro. Fora isso, a definição mais esperada é a do ministro que substituirá Guido Mantega na Fazenda – opção que pode sinalizar mudanças na economia. Um dos cotados é Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Em seu segundo mandato, Dilma também terá o apoio da maioria dos governadores eleitos. Dos 27 nomes eleitos para os executivos estaduais a partir do próximo ano, ao menos 14 defenderam a reeleição da petista.

Brasileiros festejaram a vitória de Dilma na avenida Paulista

PAULO PINTO/FOTOS PÚBLICAS

RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA

Em seu primeiro pronunciamento após ser reeleita, Dilma Rousseff disse que quer ser uma presidente “melhor”


Eleições 2014

10

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Derrotado, Aécio diz que Dilma deve unir o país VALTER CAMPANATO/FOTOS PUBLICAS

Aécio ligou para a presidente reeleita para parabenizá-la pela vitória nas urnas e pediu união em prol do povo brasileiro

Sereno, o candidato derrotado Aécio Neves agradeceu aos seus mais de 50 milhões de eleitores e disse ter parabenizado Dilma pelo seu segundo mandato à frente do país

D

errotado, mas com um capital político de 51 milhões de votos, o ex-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse que deixa a disputa “mais vivo do que nunca” e que o resultado da eleição impõe uma prioridade a Dilma Rousseff (PT): unir o país. Num discurso de dois minutos e em tom sereno, o tucano agradeceu seus eleitores e disse que a campanha o permitiu “voltar a sonhar e acreditar na construção de um novo projeto”. “Cumprimentei agora há pouco a presidente reeleita, desejei a ela sucesso na condução de seu próximo governo e ressaltei: considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos”. Ao lado de seus aliados, entre eles o ex-candidato a vice da chapa, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), e o senador eleito, José Serra (PSDB-SP), Aécio voltou a usar uma mensagem de São Paulo que, segundo ele, “reflete o sentimento que tem hoje a minha alma e o meu coração: combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé”. Embora discreta, a fala de Aécio aponta para a determinação do mineiro em se manter na liderança da oposição pelos próximos quatro anos. “Mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, eu deixo essa campanha, ao final, com o sentimento

que cumprimos o nosso papel”. O semblante dos tucanos era de abatimento. Aliado de primeira hora de Aécio, o senador eleito Antonio Anastasia (PSDB-MG) estava com os olhos marejados quando o ex-presidenciável subiu para fazer o pronunciamento. Durante a apuração Aécio aguardou o resultado da apuração no apartamento de sua irmã, Andrea Neves, em Belo Horizonte. Ao lado de políticos, familiares e amigos, como o apresentador Luciano Huck. Segundo pessoas que estavam no local, o candidato passou quase o tempo inteiro com a família e demonstrou tranquilidade. Ele aguardou a abertura dos números oficiais de frente para a TV, abraçado com a mulher, Letícia Weber, a mãe, Maria Lúcia, e a filha mais velha, Gabriela. Como a apuração já estava adiantada no momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu os dados, assim que os números apareceram, Aécio admitiu a derrota. Houve silêncio na sala. O próprio candidato rompeu. “É isso aí, bola para frente, pessoal. Temos que continuar. Fizemos um bom trabalho”. Do lado de fora do prédio, dezenas de apoiadores esperavam o resultado. Eles

foram chegando a partir das 18h, com cartazes, bandeiras e fotos de Aécio. Gritaram apoio a ele. No momento em que o resultado da eleição saiu, houve choro e revolta. “É triste, é desesperador. Era a chance de o Brasil mudar”, disse a cabeleireira Zila Porto, de 48 anos. “É o voto da fome, mas temos que respeitar”, disse o engenheiro Cipriano Oliveira, 59, que puxou o Hino Nacional assim que a derrota foi confirmada. Durante o dia, Aécio e seus aliados sonharam com a vitória. A pesquisa Datafolha, que indicou uma recuperação do tucano nos últimos dois dias da disputa, alimentou a esperança de uma virada na última hora, a exemplo do que ocorreu na passagem de Aécio do primeiro para o segundo turno. Uma das maiores decepções com a derrota veio do berço político do tucano, Minas Gerais, onde ele perdeu a eleição para Dilma por cerca de quatro pontos percentuais: 52% a 48%. Para o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), o partido vai precisar fazer uma reflexão sobre esse resultado. O grupo de Aécio comandou o Estado por 12 anos, mas agora perdeu o governo para o PT. Na saída do evento em que falou com a imprensa, Aécio recebeu um abraço de Pimenta da Veiga, candidato que escolheu para concorrer em Minas e que perdeu já no primeiro turno. “Lutamos, lutamos”, disse Aécio ao aliado.

Eleição mais apertada do Brasil A eleição presidencial deste ano foi a mais apertada que o Brasil já viu. A diferença entre a presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) foi de apenas 3,26 pontos percentuais. A petista venceu com 51,63% dos votos válidos, ou quase 54,5 milhões de votos. Já o tucano conseguiu 48,37% - pouco mais de 51 milhões de votos. Esse resultado considera a apuração de 99,93% das urnas. Como só 0,07% ainda não tinham sido computadas até as 22h deste domingo (26), a diferença da votação entre os candidatos não terá grandes alterações. Apesar de Aécio não ter vencido, o resultado de hoje deu ao PSDB a maior votação que o partido já obteve na história. Em 2010, a diferença entre Dilma e José Serra (PSDB) foi de 12,1 pontos percentuais, inferior à registrada por Luiz Inácio Lula da Silva tanto na disputa com o senador eleito por São Paulo, em 2002 (22,54) quanto contra Geraldo Alckmin em 2010 (21,66 pontos). Fernando Henrique Cardoso venceu Lula nas duas eleições que disputou, em 1994 e 1998, com 15,25 e 21,35 pontos percentuais de diferença, respectivamente - nas duas

ocasiões, o tucano venceu no primeiro turno. Collor e JK Considerando o período da redemocratização, a última vez que uma eleição foi tão apertada quanto esta ocorreu há 25 anos, quando Fernando Collor de Mello derrotou Luiz Inácio Lula da Silva por 53% a 47%, uma diferença de apenas seis pontos. Antes

DESDE JK

O Brasil não tinha eleição tão acirrada desde a de Jucelino Kubitschek sobre Juarez Távora. Collor e Lula também travaram uma disputa ponto a ponto há 25 anos disso, um pleito só havia sido tão apertado em 1955, na eleição de Juscelino Kubitschek. O presidente que entrou para a história por ter construído Brasília venceu com vantagem de 5,41 pontos percentuais sobre Juarez Távora. Na ocasião, JK conseguiu 35,68% dos votos, e o segundo colocado, 30,27%. Na época não havia segundo turno.


Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

11

Pezão é reeleito no Rio e Crivella não se conforma ser protagonista neste momento”, avaliou Pezão. Na comemoração dentro do hotel, aliados do candidato nesta campanha, além de outros colaboradores, chegaram a cantar em coro um refrão da torcida flamenguista, mas em uma nova versão: “E ninguém cala esse chororô! Chora Garotinho! Chora Lindbergh! Chora o Bispo!”. A música é uma referência ao apoio dado a Marcelo Crivella (PRB), seu adversário, que ganhou o apoio de Anthony Garotinho (PR) e Lindbergh Farias (PT) neste segundo turno. “Se olharmos para os meus números iniciais nesta campanha, seria inimaginável pensar que eu derrotaria Garotinho, Crivella e Lindbergh juntos”, acrescentou Pezão. O senador Marcelo Crivella (PRB), candidato derrotado para o governo do Rio, disse achar “prematura qualquer comemoração” do PMDB. Ele espera pelo resultado de 13 ações de cassação do registro de candidatura do governador reeleito Luiz Fernando Pezão. Caso a candidatura do peemedebista seja validada, promete recorrer até ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Vice-governador desde 2007, o peemedebista assumiu o cargo em abril, após a renúncia do ex-governador Sérgio Cabral

Com apoio dos irmãos Cid e Ciro Gomes, Camilo Santana (foto), do PT, foi eleito governador do Ceará. O ex-secretário estadual obteve 53% dos votos, ante 47% do senador Eunício Oliveira (PMDB). A eleição representa um salto na presença do PT no Nordeste, região que concentra o maior percentual de beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família. Até 2018, com Ceará, Bahia e Piauí, o partido de Dilma governará 48% dos 56 milhões de habitantes da região. No Ceará, a eleição do petista de 46 anos representa, sobretudo, uma vitória do grupo político liderado pelos irmãos Cid e Ciro (Pros). Eles foram os fiadores da candidatura de Camilo e agora conservam a hegemonia no Estado após os 8 anos de governo de Cid Gomes. No Estado, além

DIVULGAÇÃO

Cearenses elegem Camilo Santana

do governo estadual, o grupo dos Gomes já comanda também a capital, Fortaleza, com a gestão do prefeito Roberto Cláudio, também do Pros. Há 26 anos um mesmo grupo político não conseguia manter essa “dobradinha”. A última vez foi com a vitória municipal de Ciro, então no PSDB, aliado ao então governador Tasso Jereissati (PSDB).

ção de 2011 em que uma filha do governador pedia ao subsecretário de Receita uma lista de empresas para “buscar um dinheirinho”. O episódio abriu a artilharia da campanha, com contra-ataques de Jatene, que associou Helder ao pai, Jader Barbalho, que governou o Pará entre 1991 e 1994. “Quem conhece Helder não vota em Barbalho” foi um slogan tucano.

chapa dele, Rodrigo Jucá (PMDB), filho do senador, candidatou-se ao cargo de vice-governador. A governadora eleita substituiu o marido, o exgovernador Neudo Campos (PP, 1995-2002), que renunciou no último dia 12 de setembro, após ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.

após a divulgação do resultado, Rezende disse estar satisfeito por sua participação e pela “consciência tranquila e do dever cumprido”. Ele, que no decorrer da campanha afirmou que seria a última eleição que participaria, disse que a partir de hoje seguiria como militante do partido.

Vencedores em mais sete Estados

Suely Campos vence em Roraima O Estado de Roraima, o menor colégio eleitoral do país, será comandado por uma mulher pela primeira vez na história. Suely Campos (foto), do PP, saiu vitoriosa nas urnas, superando o atual governador, Chico Rodrigues (PSB). Os dois protagonizaram uma das disputas mais acirradas da história eleitoral recente de Roraima. Na campanha, Suely tentou desconstruir a ideia de que era apenas uma “mulher de político”. Chico, apoiado pelo senador Romero Jucá (PMDB), procurou desfazer o boato de que transformaria Roraima em uma oligarquia dos Jucá. Na

O governador de Goiás, Marconi Perillo (foto), do PSDB, foi reeleito para seu quarto mandato. O tucano obteve 57% dos votos, vencendo Iris Rezende (PMDB), que teve 43%. O governador reeleito contará com a maioria da Assembleia Legislativa. Sua coligação elegeu 63% dos 41 deputados estaduais. Esta foi a terceira vez que Perillo e Rezende se enfrentaram na disputa pelo governo goiano – o candidato do PSDB venceu em todas. Perillo dará início ao quinto mandato consecutivo de seu grupo político, que começou com sua primeira eleição, em 1998. Em entrevista concedida

Waldez Góes (PDT), 52, foi eleito o novo governador do Amapá. O pedetista ocupará o cargo pela terceira vez. Pela primeira vez em 20 anos, nem PMDB nem PT assumirão o governo de Mato Grosso do Sul. Quem venceu as eleições no Estado foi o candidato que pregava a “mudança”, o tucano Reinaldo Azambuja. O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), foi reeleito para mais 4 anos de mandato, superando o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) no segundo turno. Atual vice-governador, Robinson Faria (PSD) venceu o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), e governará o Rio Grande do Norte a partir de 2015. O candidato do PMDB, José

LUIZ CHAVES

tendo a mulher de Arruda, Flávia Peres, como vice. A disputa na capital se acirrou na reta final. Em meados de outubro, Frejat prometeu baixar as tarifas de ônibus a R$ 1. O tema dominou os debates nos últimos dias e deu início a uma curva de ascensão do candidato do PR.

Goiás escolhe Marconi Perillo HUMBERTO SILVA

MANOEL LENALDO/ABR

O senador Rodrigo Rollemberg (foto), do PSB, foi eleito governador do Distrito Federal por 750 mil votos, com apoio de 55,5% do eleitorado de 1,9 milhão de pessoas. Seu adversário, Jofran Frejat (PR), obteve 604 mil votos, 44,4% do total. Rollemberg acompanhou a apuração no seu apartamento, na Asa Sul de Brasília. O placar final representa a derrota do grupo político do ex-governador José Roberto Arruda (PR), que desistiu da disputa, sob risco de ter a candidatura cassada pela Justiça. Frejat, até então candidato a vice, assumiu o posto

Simão Jatene (foto), do PSDB, reelegeu-se ontem governador do Pará. O tucano exercerá o cargo pela terceira vez. Jatene teve 52% dos votos ante 48% de Helder Barbalho (PMDB), que vencera no primeiro turno por apenas 50 mil votos. A eleição no Pará foi marcada pelos ataques mútuos entre os candidatos e pelo equilíbrio do eleitorado. Jatene, 65, recebeu forte apoio de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. Em sua campanha, Jatene enfatizou a ideia de que “perdeu” seus dois primeiros anos de governo para arrumar as contas do Estado. Planos para a educação, reforma de estradas e políticas de saúde e segurança no interior foram suas principais bandeiras na campanha. Ainda no primeiro turno, foi alvo de acusações de Helder, que apresentou grava-

TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

Jatene vai para terceiro mandato

Rollemberg sai vitorioso no DF

DIVULGAÇÃO

N

o primeiro pronunciamento após ser reeleito governador do Estado do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) dedicou sua vitória ao ex-governador Sérgio Cabral Filho. Desgastado politicamente, principalmente após o período de manifestações em junho de 2013, Cabral não apareceu na propaganda eleitoral de Pezão ao longo desta campanha. No início da noite de ontem, assim que o resultado das urnas já garantia a vitória do candidato do PMDB, Cabral foi ao encontro de Pezão, que reuniu seus aliados políticos em um hotel no Flamengo, Zona Sul da capital fluminense. Os dois trocaram um longo abraço ao comemorar o resultado. “Nos momentos mais difíceis, em abril e maio deste ano, quando as pesquisas indicavam que tinha 4% das intenções de voto, ele (Cabral) sempre acreditou”, disse Pezão, em entrevista coletiva após a divulgação do resultado. Ele falou sobre a opção de deixar Cabral fora de sua propaganda eleitoral. “Nossa concepção de campanha tinha de mostrar quem vai governar. O Sérgio prestou o maior serviço que esse Estado já teve. Por onde passei, as pessoas falavam que este havia sido o melhor governo da história do Rio. E ele sabia que eu tinha que

LUCAS FIGUEIREDO

Luiz Fernando Pezão, do PMDB, dedicou sua vitória sobre Marcelo Crivella, no Rio de Janeiro, ao ex-governador Sérgio Cabral

Ivo Sartori (foto), foi eleito governador do Rio Grande do Sul, superando Tarso Genro (PT). Atual governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), 66, venceu o ex-senador Expedito Júnior (PSDB), 51, no segundo turno e vai continuar à frente do Palácio Rio Madeira nos próximos 4 anos. Waldez Góes (PDT), 52, foi eleito o novo governador do Amapá, derrotando o atual governador, Camilo Capiberibe (PSB)


Eleições 2014

Site de ‘Veja’ publica nota de direito de resposta

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Não caiu a ficha” Jornalista

JOSÉ IVO SARTORI (PMDB), governador eleito do Rio Grande do Sul, na noite de ontem

Youssef entrega provas sobre políticos que citou Além de entregar comparsas no governo e no Congresso Nacional, o megadoleiro Alberto Youssef também está mostrando à Polícia e ao Ministério Público Federal todas as provas documentais que acumulou e deixou em mãos de pessoas de sua confiança. Ele promete revelar os bens usados pelo esquema do Petrolão para presentear corruptos, além dos números das contas do desses políticos em paraísos fiscais. Varejão da corrupção Paulo Roberto Costa tratava com a cúpula do poder (Lula o chamava de “Paulinho”) e Youssef fazia o “varejo”, pagando propina a políticos. Bancada do Petrolão Alberto Youssef já revelou à PF e ao MPF que pelo menos 28 membros do Congresso recebiam propinas mensais de R$ 100 mil a R$ 150 mil. Eles sabiam de tudo Na terça-feira, 30, Youssef revelou à PF e ao MPF, em depoimento, que Lula e Dilma sempre souberam da roubalheira na Petrobras. PF bem que avisou Ainda no início das investigações, a Polícia Federal concluiu que uma quadrilha se instalou na Petrobras para roubá-la. Estava corretíssima. Desafio de Dilma será aproximar o país dividido Reeleita com grande votação nos grotões, a presidente Dilma (PT) terá uma tarefa difícil em seu segundo mandato: buscar a reconciliação com a metade do país que a rejeitou nas urnas. Após campanha

agressiva, multidões passaram a hostilizá-la nas grandes cidades, durante eventos em estádios, ginásios esportivos etc. O desafio de Dilma será usar muita política e menos propaganda para reconquistar os corações. Antipetismo Maior Estado do País, São Paulo definitivamente não quer papo com o PT: 65% votaram em Aécio Neves. Derrotas decisivas Aécio Neves sofreu derrotas que foram determinantes em sua derrota: Rio de Janeiro e Minas Gerais. Alves sem mandato Depois de 44 anos, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fica sem mandato após sua derrota ontem. Minas e Pernambuco A presidente Dilma Rousseff (PT), reeleita na noite de ontem, venceu em Pernambuco, reduto do falecido governador Eduardo Campos (PSB), com mais de 70% dos votos. Em Minas Gerais, reduto do tucano Aécio Neves, Dilma teve 52,4% contra 47,6%. Aécio cresceu em SP. Sossega leão Homem forte na campanha da presidente Dilma, Giles Azevedo deixou a equipe de sobreaviso ontem para um encontro a fim de acompanhar a apuração dos votos. A turma estava à base do calmante. Pesquisas derrotadas Os pesquisadores do Ibope e Datafolha erraram de novo nos Estados, nas vitórias de José Ivo Sartori (PMDB-RS), Simão Jatene (PSDB-PA) e Marconi Perillo (PSDB-GO), bem mais

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Revista publicou matéria em que afirma que a presidente e Lula sabiam das irregularidades registradas na Petrobras DIVULGAÇÃO/ASSESSORIA

12

expressivas que o previsto. Noves fora, zero O deputado Paulo AbiAckel (PSDB-MG) acredita que as abstenções em Belo Horizonte devido às fortes chuvas ontem não ajudaram nem prejudicaram Aécio ou Dilma: “Como havia empate, perderam os dois”. Bota fora O senador Cristovam Buarque (PDT) diz que ficou “satisfeito” com eleição de Rodrigo Rollemberg (PSB), no DF, deixando de fora a turma de José Roberto Arruda e Joaquim Roriz: “Dos antigos, só sobrou eu”. Mesmo avião Aliado histórico do PSDB, o DEM descolou um avião ontem a fim de levar políticos potiguares e pernambucanos para acompanhar, em MG, o resultado das eleições. Foram no mesmo voo José Agripino (RN), Felipe Maia (RN), Mendonça Filho (PE) e Bruno Araújo (PE). Ano de crise Será perdido o ano de 2015, segundo líderes do Congresso. É que a revelação dos ladrões do Petrolão provocará abertura de processos de cassação e ações criminais na Justiça. E isso deve paralisar o país. Cotados O vice-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e o relator da CPMI da Petrobras, Marco Maia (RS), são cotados no PT para encarar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na briga pela presidência da Câmara em 2015. Para alívio geral Hospitalizado, o megadoleiro Alberto Youssef ganhou bom motivo para não aparecer na CPI do Petrolão, na quarta (29).

PODER SEM PUDOR

Rindo baixo O desempenho do MDB nas eleições de 1974 surpreendeu não apenas o governo autoritário do general Ernesto Geisel, mas também a própria oposição, principalmente os moderados. Empolgado, o deputado Fernando Lyra (PE) telefonou ao moderadíssimo Tancredo Neves: - Dr. Tancredo, elegemos o senador em Pernambuco e vamos ganhar também em Sergipe e no Rio Grande do Norte! No outro lado da linha, o líder mineiro reagiu com sua fala mansa: - Fernando, você não acha que é senador demais?

Revista adiantou edição para que denúncias chegassem às ruas antes do segundo turno

C

onforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a revista “Veja” publicou no site da semanal ontem um texto referente ao direito de resposta concedido à campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) referente à última capa do semanário. Conforme a reportagem de Veja, em depoimento à Polícia Federal, o doleiro Alberto Youssef disse que Dilma e seu antecessor no cargo, Luiz Inácio Lula da Silva, sabiam do esquema de desvio de dinheiro público na Petrobras. O ministro Admar Gonzaga, do TSE, concedeu na noite do último sábado 25 o direito de resposta por considerar que a publicação não teve “qualquer cautela” e transmitiu a acusação de “forma ofensiva” e em “tom de certeza”. “Fácil perceber que a revista ‘Veja’ desbordou do seu direito de

bem informar para, de forma ofensiva e sem qualquer cautela, transmitir ao seu grande público, em tom de certeza, acusação de que Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva

DECISÃO

Ministro Admar Gonzaga disse na decisão que que é “fácil perceber que a revista ‘Veja’ desbordou do seu direito de bem informar para, de forma ofensiva e sem qualquer cautela, transmitir acusações contra Dilma tinham ciência de fato criminoso sobre um dos badalados temas desta campanha presidencial”, afirmou na liminar. No texto, a campanha petista acusa a revista de “às vésperas da manifestação

da vontade soberana das urnas” tentar influenciar o processo eleitoral “por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata”. E ressalta que o texto “repete o método adotado no primeiro turno, igualmente condenado pelos sete ministros do TSE”. Ainda segundo o PT, o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade do relato publicado no semanário. “Todos os depoimentos prestados por Youssef foram acompanhados por Basto e/ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor”, defende.

Íntegra da resposta do PT “A democracia brasileira assiste, mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata. A Coligação ‘Com a Força do Povo’ vem a público condenar essa atitude e reiterar

que o texto repete o método adotado no primeiro turno, igualmente condenado pelos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por terem sido apresentadas acusações sem provas. A publicação faz referência a um suposto depoimento de Alberto Youssef, no âmbito de um processo de delação premiada ainda em negociação, para tentar implicar

a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ilicitudes. Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os depoimentos prestados por Youssef foram acompanhados por Basto e/ ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor.”

A “Veja” usou a nota na íntegra, mas não sem mostrar indignação quanto à decisão de Ademar Gonzaga. Em artigo publicado no site da revista, o direito de resposta “é resultado de uma decisão individual de Admar Gonzaga, ex-advogado da campanha de Dilma Rousseff em 2010 e hoje ministro do TSE, nomeado por Dilma. Decisão judicial se cumpre. Ela foi baseada em jurisprudência firmada no TSE, segundo a qual “sempre que órgão de imprensa se referir de forma

direta a candidatos, partidos ou coligações que disputam o pleito, com ofensa ou informação inverídica, extrapolando o direito de informar, haverá campo para atuação da Justiça Eleitoral para processar e julgar direito de resposta”. O ministro Admar Gonzaga decidiu-se pela concessão do direito de resposta depois de examinar o pedido da coligação da candidata Dilma Rousseff por duas horas, tempo em que também redigiu as nove laudas de seu despacho — ao

ritmo de 13 minutos por lauda. Veja recorreu ao pleno do TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que, entretanto, sem a decisão definitiva, não susta a publicação do texto. A defesa da revista baseouse em três fatos: 1) Ocorreu o depoimento do doleiro Alberto Youssef no âmbito do processo de delação premiada ainda em negociação; 2) As afirmações atribuídas a Youssef pela revista foram anexadas ao processo de delação premiada e; 3) o advogado do

investigado, Antônio Figueiredo Basto, não rechaçou a veracidade do relato. Em seu aspecto doutrinário, lamenta-se a fragilidade a que se submete, em período eleitoral, o preceito constitucional da liberdade de expressão, ao se permitir que, ao cabo de poucas horas, de modo monocrático, um ministro decida merecerem respostas informações jornalísticas que, em outras circunstâncias, seriam simplesmente verdades inconvenientes.

DIVULGAÇÃO

‘Veja’ esbraveja após decisão de ministro

Publicação de “Veja” causou sentimentos diversos nos eleitores


Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

DIVULGAÇÃO/TRE

PROCURADO

13

Eleitor é preso ao fazer selfie na hora de votar

U

Eleitor usa cola instantânea para colar tecla de urna

Homem passa cola em tecla de urna, em Goiás na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, na capital do Estado, foi preso esta manhã. Ele deveria estar no local por volta das 7h40, e só chegou às 11h para trabalhar. De acordo com o TRE, um juiz estava no local e mandou prender o presidente da sessão. Outro mesário o substituiu como presidente da seção e um eleitor que estava no local foi convocado para ocupar o posto de mesário. Quatro prisões foram registradas no Estado, conforme informações do TRE. Além dessa prisão, em Goiânia, outra foi registrada no município de Jaraguá e outras duas no município de Minaçu.

pena de 5 a 10 anos de prisão para o crime de danificação de urna. Na cidade de São Roque, quatro pessoas foram detidas pelo crime de divulgação ilegal de propaganda eleitoral.

CRIME

No primeiro turno, em 5 de outubro, sem saber que era crime, eleitores começaram a postar selfies nas urnas e a postar em redes sociais, dando origem a um tumblr com as imagens Duas pessoas foram presas no município de Jandira por fazer boca de urna. Nas eleições no Estado, 340 urnas tiveram que ser trocadas – 66 na capital e 274 no interior. O número equivale a 0,38% do total de 90.026 aparelhos instalados nas cidades paulistas. Na capital, uma das urnas no bairro do Grajaú (Zona Sul) foi substituída por votação manual.

Vários eleitores continuaram a postar selfies como no 1º turno

FUTURO ANTONIO CRUZ/ABR

EXTERIOR

Qual reforma política será feita? A proposta de Dilma Rousseff de fazer a reforma política como prioridade em seu próximo governo, reforçada em seu discurso da vitória na noite de ontem, é positiva, mas deve ser detalhada pelo governo e o Congresso. A opinião é do cientista político Ricardo Ismael, professor de ciências políticas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). “A pergunta é: que reforma política é essa? Quando se discute o assunto, todo mundo é a favor. Mas qual reforma política ela vai propor? Tem gente achando que é voto facultativo, que é acabar com coligação partidária, ou até o controle dos meios de comunicação. Assim é meio vago, tem que qualificar. Ainda tem que trabalhar muito no Congresso Nacional

para encontrar o consenso”. Na avaliação de Ricardo Ismael, o resultado apertado deverá incentivar a busca de apoios para fazer as reformas anunciadas

APOIO

Na avaliação do cientista político Ricardo Ismael, o resultado apertado nas eleições presidenciais deverá incentivar a busca de apoios para fazer as reformas anunciadas durante a campanha durante a campanha. “Dilma vai tentar buscar a unidade do país, superar os conflitos e problemas que acon-

teceram durante a campanha e extrapolaram alguns limites. Agora é importante que isso passe, que se faça a discussão dos problemas do país. É preciso pensar no crescimento econômico, que certamente é baixo, pensar na questão da Petrobras, em um padrão de administração pública diferente desse que se observou. Tem que pensar também na questão dos programas sociais, que precisam avançar”, disse. O cientista político não vê problema no fato de o PT conseguir o quarto mandato consecutivo, tema levantado pela oposição durante a campanha. “É decisão do povo brasileiro, soberano, com relação a isso. Existiam duas candidaturas no segundo turno, o povo optou pela Dilma. Agora é respeitar a decisão”. PAULO PINTO/FOTOS PÚBLICAS

Um fato curioso marcou a votação em uma seção do município de Formosa, a 242 quilômetros de Goiânia. Um eleitor passou cola em uma das teclas da urna eletrônica, impedindo que ela fosse pressionada. O fato só foi percebido pelo eleitor seguinte, ao entrar na cabine de votação. Ele comunicou o ocorrido aos mesários e a urna foi trocada. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás, o eleitor que colou a tecla da urna já foi identificado e está sendo procurado pela Polícia Federal por prática de crime eleitoral. Além disso, o presidente de uma das seções

m eleitor foi preso após fazer uma selfie em uma seção eleitoral em Embu Guaçu (SP), segundo o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo. No primeiro turno, em 5 de outubro, sem saber que era crime, eleitores começaram a postar selfies nas urnas e a postar em redes sociais, dando origem a um tumblr com as imagens. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Dias Toffoli, afirmou na ocasião que os casos deveriam ser investigados. Outras sete pessoas foram detidas ontem após violarem leis eleitorais. Uma das prisões foi a de um jovem que deu socos e quebrou as telas de duas urnas de seções eleitorais no bairro de Perus, na Zona Norte de São Paulo. De acordo com o TRE, o eleitor de 18 anos de idade passou a dar murros na urna após ter seu voto liberado pelos mesários da 418ª seção eleitoral, na Etec Gildo Marçal Bezerra Brandão. Em seguida, ele foi para seção ao lado e danificou outro equipamento. O rapaz foi preso em flagrante e encaminhado para a 46ª Delegacia de Polícia da capital. A Lei das Eleições prevê

REPRODUÇÃO

O jovem de 23 anos estava em uma seção eleitoral de Embu Guaçu, em São Paulo. Ele postou a imagem no Instagram, foi identificado e preso em seguida

Dilma enfrenta a tarefa de unir um país dividido pela disputa mais acirrada dos últimos tempos

Jornais destacam desafio de Dilma O resultado das eleições no Brasil é destaque na capa das edições dos principais jornais internacionais na internet, que ressaltaram o desafio da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) de unir o Brasil após a dura disputa contra Aécio Neves (PSDB). Na Argentina, o “Clarín” destacou na manchete que Dilma venceu por uma margem estreita “ao final de uma campanha duríssima, cheia de denúncias e acusações mútuas”. “Segundo analistas, a campanha eleitoral de 2014 deixará como legado um país dividido, e pesa sobre os ombros da presidente eleita a responsabilidade de buscar uma reconciliação

para enfrentar os delicados problemas econômicos e políticos do Brasil.” Para o “Financial Times”, da Grã-Bretanha, “Dilma enfrenta agora a tarefa de unir um país dividido pela campanha mais agressiva dos últimos tempos, de ressuscitar uma economia que se arrasta e de pacificar mercados hostis”. O “El Universal”, da Venezuela, destaca na primeira página a reação de Aécio Neves, que reconheceu a derrota e destacou em seu discurso que a prioridade agora é unir o Brasil. Segundo o “The New York Times”, a vitória “endossa uma líder de esquerda que alcançou ganhos im-

portantes na redução da pobreza e na manutenção do baixo desemprego”. O francês “Le Monde” menciona a derrota em São Paulo, principal colégio eleitoral do país, porém “compensada pela vitória em Minas Gerais, o segundo colégio eleitoral e feudo político de Aécio Neves”. O espanhol “El País” traz como destaque um artigo assinado pelo jornalista Juan Arias, do Rio de Janeiro, intitulado “A Mudança Terá que Esperar”. “O medo entre os mais pobres de perder o que conseguiram nos 12 anos de governo petista prevaleceu sobre a incógnita de apostar em uma mudança”, diz o texto. O país precisa saber qual reforma política será feita de agora em diante, diz cientista político


14

Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Mais de 46 mil votaram no exterior antes do Brasil

Aécio Neves ganhou nas zonas eleitorais no exterior com ampla maioria dos votos válidos. Abstenções também foram altas

P

rocesso de votação começou com os eleitores brasileiros que moram em Wellington, na Nova Zelândia, às 17h (de Brasília) de sábado (25). Ao iniciar a votação do segundo turno em território brasileiro, às 8h deste domingo, 46.174 eleitores que vivem em outros países já haviam votado, contando apenas as seções que encerram seus trabalhos e desconsiderando aquelas nas quais a votação ainda está em andamento e as abstenções. Em seguida, votaram os eleitores que vivem na Austrália, no Japão, no Timor Leste, em Cingapura, nas Filipinas, em Hong Kong, na Indonésia, na Malásia, na China e em Taiwan. Os últimos a votar foram os brasileiros que residem em São Francisco, nos Estados Unidos. Lá a votação começou às 13h (de Brasília) de domingo. Os mais de 300 mil eleitores cadastrados pela Justiça Eleitoral no exterior — divididos em 135 cidades de 88 países e em Hong Kong, região administrativa da República Popular da China — votaram para presidente da República. A votação foi das 8h às 17h do horário local. O maior colégio eleitoral brasileiro no exterior fica nos Estados Unidos, onde há mais de 112,2 mil eleitores cadastrados em 10 cidades. As maiores concentrações estão em Miami (22.294), Nova York (21.240) e Boston (18.181). Outro país com um número significativo de eleitores é Portugal. A capital Lisboa registra mais de 17 mil brasileiros aptos a votar; em Porto, são mais de 12 mil. Na Itália, apenas a cidade de Milão contabiliza mais de 14 mil eleitores. A votação fora do território nacional é organizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, com o apoio

DIVULGAÇÃO

dos consulados ou missões diplomáticas em cada país. Fuso Por ser o primeiro país a começar a votação, a Nova Zelândia também é o local em que o processo eleitoral no exterior é encerrado primeiro. Segundo informações do Cartório do exterior, a votação em Wellington terminou às 2h da madrugada deste domingo, considerando o horário de Brasília. Os últimos países a encerrar a votação, também em relação ao horário de Brasília, são Canadá (Vancouver) e Estados Unidos (Los Angeles e São Francisco), às 22h deste domingo.

PENALIDADES

Brasileiros que votam no exterior e que não justificarem seus votos ficam impossibilitados de renovar seus passaportes e podem sofrer outras penalidades ao retornarem ao Brasil As votações ocorreram em consulados e foram realizadas em urnas eletrônicas e na presença de mesários, como no Brasil

Justificativa Os eleitores compareceram à seção no segundo turno, mesmo os que não votaram no primeiro turno. Caso não votassem, precisavam justificar a ausência. O voto no exterior também é obrigatório, e a justificativa deveria ser encaminhada ao onsulado brasileiro mais próximo da residência do eleitor. Quem reside fora do país está sujeito a penalidades impostas pela lei brasileira, caso não votem ou justifiquem ausência. Uma delas e que pode complicar muito a vida de quem mora fora do Brasil é a impossibilidade de renovação do passaporte.

Aécio ganhou em todos os países do exterior No primeiro turno das eleições deste ano, 141.501 brasileiros votaram para presidente da República em 89 países. O número é 63% maior do que o registrado no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010. A abstenção (número de eleitores aptos que não compareceram) também aumentou: de 55,5% para 59,9%. No primeiro turno, os eleitores que votaram fora do país preferiram o candidato

Aécio Neves (PSDB). Ele teve 49,51% dos votos contra 26,01% da candidata do PSB, Marina Silva. A petista Dilma Rousseff ficou em terceiro em território estrangeiro, com 18,35% dos votos. O maior número de eleitores em território estrangeiro está concentrado nos Estados Unidos (112,2 mil), seguido pelo Japão (30,6 mil). Os países europeus, juntos, abrigam 140 mil eleitores brasileiros,

RAIMUNDO VALENTIM

com destaque para Portugal (30,4 mil), a Itália (20,9 mil), Alemanha (17,5 mil) e Inglaterra (16.9 mil). No segundo turno, o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) venceu as eleições com mais de três mil votos de diferença. Foram 3.350 votos para o candidato tucano contra 349 para Dilma Rousseff (PT). O resultado final deu vitória ao tucano, que ficou com 90,5%, e a petista, 9,5% dos

votos válidos. Aécio também ganhou as eleições no Reino Unido. Ele ficou com 4.415 votos (75,5%) e a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) obteve com 1.435 votos (24,5%). Dezessete mil eleitores brasileiros, no Reino Unido, estão aptos a votar. Entre os brasileiros que vivem na China e decidiram votar, 218 optaram pelo tucano, enquanto 63 optaram pela candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT).

BRASIL

Eleitor que não votou pode justificar até 26 de dezembro

Quem não pode ou não quis votar no segundo turno tem até o dia 26 de dezembro para justificar a ausência ao pleito 2014

O grande número de abstenções no país chamou a atenção. Até as 23h (horário Manaus), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia registrado 30.137,317 abstenções ou 21,10%, de um universo de quase 143 milhões de brasileiros aptos a votar. Durante o primeiro turno das eleições, o Amapá foi a unidade da Federação que registrou menos abstenções (10,44%), seguida do Distrito Federal (11,67%) e Roraima (12,43%). No topo da lista de abstenções por Estado no primeiro turno estão Maranhão (23,63%), Bahia (23,19%) e Mato Grosso (22,91%). O eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral deve entregar o Requerimento de Justificativa Eleitoral devidamente preenchido em um dos postos de justificativa da cidade onde estiver. Basta levar o título eleitoral e um documento oficial de identificação. Enquanto não regularizar a situação com a Justiça Eleitoral, o eleitor não poderá

inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública nem tomar posse se aprovado. Também fica proibido de receber vencimentos, remuneração, salário ou proventos de função ou emprego público; participar de concorrência pública ou administrativa da União, dos Estados, dos Territórios, do Distrito Federal ou dos municípios, ou das respectivas autarquias; Outras consequências são a impossibilidade de obter passaporte ou carteira de identidade; renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo e praticar qualquer ato para o qual se exija a quitação do serviço militar ou imposto de renda. Quem não justificou a ausência nas urnas no primeiro turno deve fazer isso até o dia 4 de dezembro. O prazo para quem não votar nem justificar neste segundo turno a ausência termina no dia 26 de dezembro.


Eleições 2014

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

15

Ministro Toffoli diz que ‘brasileiro gosta de votar’ Declaração de Dias Toffoli foi dada a visitantes internacionais que estão acompanhando o processo eleitoral no Brasil

ROBERTO JAYME/AG BRASIL

Ministro minimizou o número de eleitores que deixaram de comparecer às urnas neste domingo; de acordo com ele, a penalidade reduzida poderia ser um motivador para faltas, porém não o é

O

presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, disse neste domingo que o brasileiro gosta de votar. A um público de visitantes internacionais que está no país para acompanhar as eleições, o ministro explicou que o voto no Brasil é obrigatório. No entanto, a sanção para quem não vai às urnas é baixa, “equivalente a um dólar”, segundo Toffoli. O presidente do tribunal explicou que, no primeiro turno, a abstenção foi de cerca de 20% - um índice baixo, na avaliação dele. “O brasileiro gosta de votar, ele gosta de participar do processo eleitoral”, concluiu Toffoli. O ministro disse que, a cada eleição, o TSE consegue totalizar o resultado das votações mais rápido. Neste domingo, a expectativa era que o nome do próximo presidente da República fosse apurado antes das 20h. No entanto, somente após esse horário os brasileiros souberam do resultado, em respeito aos eleitores do Acre, que só terminam de votar às 20h do horário de Brasília. “Nem esse presidente saberá antes, toda a nação saberá junto (o resultado das eleições)”, garantiu. Pós-abertura de urnas Com o resultado da disputa presidencial divulgado depois das 20h30, os brasileiros votaram neste domingo para presidente e, em 13 Estados e no Distrito Federal, também para governador. O TSE informou que os crimes eleitorais totalizaram 1.052 ocorrências, sendo que 451 resultaram em prisão. Nenhum candidato foi detido cometendo irregularidade. No primeiro turno, segundo o TSE, mais de 1,2 mil

IONE MORENO

pessoas foram presas por crimes eleitorais. A irregularidade eleitoral com maior registro no país foi a boca de urna, com 406 casos, dos quais 268 resultaram em prisão. A divulgação de propaganda ilegal foi registrada em 303 ocorrências, das quais 48 resultaram em prisão. Houve 11 ocorrências por corrupção eleitoral, com apenas duas prisões. Até as 12h35 deste domingo foram substituídas 1.733 urnas eletrônicas e 66 eleitores foram presos por crimes eleitorais, diz balanço do TSE. As urnas que tiveram de ser trocadas por problemas representam 0,40% do total. O Estado com o maior número de substituições foi o Rio de Janeiro, com 265. Em segundo lugar está São Paulo com 239 e, em terceiro, Rio Grande do Sul, com 151. O balanço também mostra que 66 eleitores foram presos, 28 deles por boca de urna. Outras 227 ocorrências foram registradas, mas não resultaram em detenções. O presidente do Tribunal Superior, ministro Dias Toffoli, minimizou a abstenção nas urnas de mais de 30 milhões de eleitores – ou seja, 21% do total – em uma eleição acirrada, com uma diferença de cerca de 4,5 milhões de votos entre os dois candidatos à Presidência da República. Ele lembrou que, apesar de o voto ser obrigatório, a punição para quem não participa das eleições é de apenas R$ 3. “Comparativamente a outros países, o comparecimento no Brasil é muito elevado”, avaliou, depois de divulgar o resultado das eleições.

Em alguns municípios, os votos foram realizados utilizando o sistema biométrico, que deve ser adotado pelo TSE em todo o país

Escolhidos pelos eleitores nos Estados Nos Estados, a marcha da apuração começou com o encerramento das urnas, depois das 17h em horário local de cada Estado. Foram eleitos: no Rio de Janeiro, Luiz

Fernando Pezão (PMDB); no Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD); no Ceará, Camilo Santana (PT); no Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB); em Goiás,

Marconi Perillo (PSDB); em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB); no Amapá, Waldez Goes (PDT); na Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB); no Amazonas, José

Melo (Pros); no Rio Grande do Sul, Ivo Sartori (PMDB); em Rondônia, Confúcio Moura (PMDB); em Roraima, Suely Campos (PP); e no Pará, Simão Jatene (PMDB).

EXPEDIENTE EDIÇÃO Mário Adolfo, Tricia Cabral, Isabella Siqueira de Castro e Costa, Náis Campos e Michele Gouvêa

REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato, Emerson Quaresma, Sérgio Victor, Bruno Mazieri, Melanie Hashimoto e Tadeu

Souza (Parintins) REVISÃO João Alves

DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Kleuton Silva, Klinger Santiago, Leonardo Cruz, Mário Henrique, Marcelo Robert e Pablo Filard

TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima


Eleições 2014

16

MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2014

Presidente do PT defende a volta de Lula em 2018

RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA

Para garantir a hegemonia do Partido dos Trabalhadores no governo federal, já existem articulações para a volta de Lula

O

presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse ontem ter “certeza” que o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva se colocará à disposição quando for aberto o processo de escolha da próxima candidatura ao Planalto do partido. “Eu, pessoalmente, sou a favor de que o presidente seja candidato em 2018. Naturalmente, isso vai depender da disposição dele, mas ele tem dito sempre que se colocará à disposição do PT”, afirmou, em café da manhã que reuniu petistas e aliados no Centro de São Paulo. “Eu tenho certeza que o presidente, com todas as qualidades que o (Aloizio) Mercadante mencionou aqui, estará à disposição do PT no momento preciso em

que se abrir o processo para escolher a nossa candidatura”, acrescentou, após o ministro da Casa Civil falar que seria “cabo eleitoral” de Lula em qualquer ocasião. Lula tem dito que não sabe se concorrerá em 2018, quando completa 73 anos. Durante a pré-campanha e início de campanha deste ano, aliados torceram para que Lula concorresse pelo partido em vez da atual presidente e então candidata à reeleição Dilma Rousseff, em movimento que ficou conhecido como “volta, Lula”. Questionado sobre manifestações antipetistas ocorridas nas últimas semanas, o presidente do PT afirmou que “nunca vivemos uma fase de liberdade de expressão tão ampla”, o que permite que atos

como esse aconteçam. “Vamos responder às manifestações de ódio com tolerância. A verdade vencerá a mentira. E não vamos aceitar provocações que estão concitando toda a nossa militância e todos os nossos apoiadores nesse dia de hoje”, disse Falcão. “Incentivamos a manterem a serenidade, a calma, mas também não vamos levar recado para casa”, afirmou. Ao lado de Falcão e Mercadante, estavam o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o senador Eduardo Suplicy, a ministra Eleonora Menicucci, da secretaria de Políticas para Mulheres, o deputado federal Arlindo Chinaglia e o deputado estadual eleito José Américo Dias, entre outros petistas e aliados.

O ex-presidente Lula votou em São Bernardo do Campo. Em 2018, pode voltar como candidato

CRONOLOGIA

Confira quem foram os presidentes do Brasil Marechal Deodoro da Fonseca 1º período: 15 de novembro de 1889 a 25 de fevereiro de 1891. Perfil: proclamou a República em 15 de novembro de 1889. Em 25 de fevereiro de 1891, foi eleito presidente. Renunciou em novembro do mesmo ano. Morreu um ano mais tarde, em 23 de agosto de 1892. Marechal Floriano Peixoto Período: 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894. Perfil: assumiu o cargo de presidente com a renúncia do Marechal Deodoro. Prudente de Moraes Período: 15 de novembro de 1894 a 15 de novembro de 1898. Perfil: dirigiu o Estado de São Paulo e a Assembleia Constituinte. Foi o primeiro presidente a ser eleito pelo voto popular. Campos Salles Período: 15 de novembro de 1898 a 15 de novembro de 1902. Perfil: o principal destaque do mandato de Campos Salles foi o saneamento das finanças do país. Rodrigues Alves Período: 15 de novembro de 1902 a 15 de novembro de 1906. Perfil: foi ministro da Fazenda de Floriano Peixoto e Prudente de Morais. Ao término de seu mandato na Presidência, voltou a ocupar o governo de São Paulo. Affonso Penna Período: 15 de novembro de 1906 a 14 de junho de 1909. Perfil: na continuidade das obras públicas de Rodrigues Alves, modernizou capitais e portos brasileiros, além de ampliar as redes ferroviária e telegráfica. Nilo Peçanha Período: 14 de junho de 1909 a 15 de novembro de 1910. Perfil: durante o curto período de seu mandato, foi criado o Serviço Nacional de Proteção ao Índio, núcleo da atual Funai. Hermes da Fonseca Período: 15 de novembro de 1910 a 15 de novembro de 1914. Perfil: enfrentou Rui Barbosa na eleição, sendo eleito depois da primeira crise da política do “café-com-leite”. Wenceslau Braz Período: 15 de novembro de 1914 a 15 de novembro de 1918. Perfil: esteve no poder durante toda a Primeira Guerra Mundial, momento de grande crescimento da indústria nacional. Rodrigues Alves Período: 15 de novembro de 1918

a 15 de novembro de 1918. Perfil: apesar de eleito pelo voto direto, não assumiu o segundo mandato devido ao seu estado de saúde. Delfim Moreira Período: 15 de novembro de 1918 a 28 de julho de 1919. Perfil: assumiu o cargo interinamente. Porém, pelas regras constitucionais, foi realizada nova eleição, da qual saiu vitorioso Epitácio Pessoa. Epitácio Pessoa Período: 28 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922. Perfil: de fora do trio São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, Epitácio Pessoa tentou assegurar o apoio dos três Estados de maior peso político da época. Arthur Bernardes Período: 15 de novembro de 1922 a 15 de novembro de 1926. Perfil: foi deputado estadual, deputado federal, secretário de finanças e governador de Minas Gerais. Washington Luís Período: 15 de novembro de 1926 a 24 de outubro de 1930. Perfil: governou sob os efeitos da crise da Bolsa de Nova York, em 1929, que gerou pressões ainda mais fortes sobre o preço do café, e a ascensão de movimentos contrários à política do “café-com-leite”. Júlio Prestes Perfil: Eleito, proclamado, mas não empossado devido ao movimento revolucionário de 24 de outubro de 1930. Menna Barreto Período: 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930. Perfil: Assume o poder quando da eclosão do movimento revolucionário de 24 de outubro de 1930. Almirante Isaías de Noronha Período: 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930. Perfil: assumiu o poder e governou com a Junta Governativa. General Augusto Fragoso Período: 24 de outubro de 1930 a 03 de novembro de 1930. Perfil: assumiu o poder e governou com a Junta Governativa. Getúlio Vargas Período: 3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945. Perfil: Chegou à Presidência com a crise da economia cafeeira e da política do “café-com-leite”. Manteve-se no poder depois de 1934, eleito pela Assembleia Constituinte, até 1945, com a instituição do Estado Novo, de influência nítida do fascismo.

José Linhares Período: 29 de outubro de 1945 a 31 de janeiro de 1946. Perfil: Com a deposição de Vargas em 1945, Linhares, então presidente do Supremo Tribunal Federal, assumiu o cargo até que um novo presidente fosse eleito. Gaspar Dutra Período: 31 de janeiro de 1946 a 31 de janeiro de 1951. Perfil: Durante seu governo, foi promulgada a Constituição de 1946, que devolveu a democracia ao país, depois do Estado Novo e a “constituição polaca” de Getúlio Vargas. Getúlio Vargas Período: 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954. Perfil: Voltou à Presidência pelo voto direto ao vencer Eduardo Gomes em 1950. Criou a Petrobras, que garantiu o monopólio nacional sobre a prospecção, a lavra, o refino e o transporte do produto. Cometeu suicídio no ano de 1954, com um tiro, em seu quarto, no Palácio do Catete. Café Filho Período: 24 de agosto de 1954 a 11 de novembro de 1955. Perfil: com a morte de Getúlio, assumiu o governo. Em 1955, devido a problemas de saúde, foi substituído por Carlos Luz, então presidente da Câmara. Carlos Luz Período: 8 de novembro de 1955 a 11 de novembro de 1955. Perfil: assumiu interinamente a Presidência da República por causa de uma doença de Café Filho. Dias depois também adoeceu e renunciou. Nereu Ramos Período: 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956. Perfil: exerceu a Presidência da República por menos de dois meses e entregou o cargo a Juscelino Kubitschek, em 1956. Juscelino Kubitschek (foto) Período: 31 de janeiro de 1956 a 31 de janeiro de 1961. Perfil: trouxe a indústria automobilística ao status que ocupa hoje no país. Construiu Brasília. Jânio Quadros Período: 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961. Perfil: em 25 de agosto de 1961, renunciou. A tradicional postura populista de Jânio, apartidário, justiceiro e adversário da corrupção, comprometido apenas com o povo fez dele o presidente com o maior número de votos até então. Paschoal R. Mazzilli Período: 25 de agosto de 1961 a

8 de setembro de 1961. Perfil: assumiu interinamente quando Jânio Quadros renunciou. João Goulart Período: 8 de setembro de 1961 a 31 de março de 1964. Perfil: deixou o cargo em 1º de abril de 1964 sob a pressão de um golpe militar. Ranieri Mazzilli Período: 2 de abril de 1964 a 15 de abril de 1964. Perfil: assumiu interinamente a Presidência em virtude da queda de Goulart e pela ausência do vicepresidente. Marechal Castello Branco Período: 15 de abril de 1964 a 15 de março de 1967. Perfil: chegou ao governo com a deposição de João Goulart e o golpe que deu início à ditadura militar no Brasil. Marechal Costa e Silva Período: 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969. Perfil: Na crescente linha dura, continuou a editar Atos Institucionais para fortalecer o Executivo, inclusive o nefasto AI-5, em 1968.

Tancredo Neves Perfil: Eleito pelo colégio eleitoral, adoeceu na véspera de sua posse, marcada para o dia 15 de fevereiro de 1985. Morreu no dia 21 de abril de 1985. José Sarney Período: 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990. Perfil: assumiu a Presidência da República com a morte de Tancredo, em 21 de abril de 1985. Fernando Collor Período: 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992. Perfil: primeiro presidente civil eleito por voto direto desde 1960 no Brasil. Deixou a Presidência da República em 2 de outubro de 1992 em meio a denúncias de esquemas de corrupção. Itamar Franco Período: 2 de outubro de 1992 a 1º de janeiro de 1995. Perfil: vice-presidente eleito 1989, assumiu a Presidência depois da renúncia forçada de Fernando Collor.

General Aurélio Lyra Período: 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969. Perfil: assumiu o governo com a Junta Militar por força do Ato Institucional nº 12, de 1969.

Fernando Henrique Cardoso Período: 1º de janeiro de 1995 a 1º de janeiro de 1999. Perfil: exilado durante a primeira fase do golpe militar, retornou ao Brasil em 1968. Participou da fundação do PSDB. E assumiu o ministério das Relações Exteriores e da Fazenda durante o governo de Itamar Franco.

Almirante Augusto Rademaker Período: 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969. Perfil: mesma situação de Aurélio Lyra.

Fernando Henrique Cardoso Período: 1º de janeiro de 1999 a 1º de janeiro de 2003. Perfil: FHC contou em sua reeleição ainda com reflexos do Plano Real.

Brigadeiro Márcio Mello Período: 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969. Perfil: mesma situação de Aurélio Lyra.

Luiz Inácio Lula da Silva Período: 1º de janeiro de 2003 a 1º de janeiro de 2007. Perfil: antes de vencer as eleições presidenciais de 2002, foi derrotado em três ocasiões: em 1989 perdeu para Fernando Collor de Mello e, em 1994 e 1998, para FHC.

General Emílio Garrastazu Médici Período: 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974. Perfil: o período de seu governo ficou conhecido como “os anos negros da ditadura”, subsequentes ao AI-5. General Ernesto Geisel Período: 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979. Perfil: revogou o AI-5. Deu início ao processo de reabertura política “lenta, segura e gradual”. General João Baptista Figueiredo Período: 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985. Perfil: enfrentou o movimento das Diretas Já.

Luiz Inácio Lula da Silva Período: 1º de janeiro de 2007 a 1º de janeiro de 2011. Perfil: enfrentou o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno e foi reeleito com 60,8% dos votos válidos. Dilma Vana Rousseff Período: 1º de janeiro de 2011 a 1º de janeiro de 2014. Perfil: a ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil foi alçada já em 2008 à condição de candidata pelo então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Quando assumiu, tornou-se a oitava mineira e primeira mulher a ocupar o cargo de presidente.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Eleições 2014 - 27 de outubro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu