Especial
Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 24 DE AGOSTO DE 2014
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Segurança: candidatos ao governo debatem o tema EM TEMPO propõe uma série de reportagens com os candidatos ao governo, começando pelas questões de segurança pública
IONE MORENO
Candidatos ao governo do Amazonas debatem o tema de Segurança Pública tendo o programa Ronda no Bairro como principal alvo de críticas e de mudanças para melhorar o modelo MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
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caderno de política do EM TEMPO, intitulado “Eleições 2014”, começa hoje (24) uma série de reportagens com os candidatos ao governo do Estado sobre variados temas de relevância para a sociedade amazonense. Para este domingo, o tópico escolhido foi segurança pública. Os candidatos, ao apresentarem suas propostas de governo para este assunto, não deixaram de criticar governos anteriores e o atual com relação às falhas com a questão. José Melo (Pros), governador e candidato à reeleição, pela coligação Fazendo Mais por Nossa Gente, lembrou que no governo Omar e Melo o índice de criminalidade diminuiu, enquanto que no governo anterior (de Eduardo Braga), o número aumentou em 83%. “Só para comparar, nos oito anos do governo anterior o índice de criminalidade no caso de homicídio subiu 83% e em nosso caso, em quatro anos, reduziu em 23%, isso fruto naturalmente dos investimentos, mas, sobretudo do Ronda no Bairro, que é uma polícia presente e consequentemente inibe aquela questão da marginalidade”, finalizou. Consta no plano de governo do candidato a expansão do programa Ronda no Bairro a todos os municípios do interior do Estado, além da realização de concurso público para preencher as necessidades nos quadros da polícia Civil e Militar. “Vamos continuar expandin-
do o programa Ronda no Bairro para outros municípios, em quatro anos teremos o Ronda presente em todos os municípios. Em Manaus, vamos aprimorar cada vez mais o sistema que já temos hoje, onde o Ronda é parte integrante e é pensamento meu também fazer um novo concurso, ao final deste que temos ainda em vigência,
Vamos investir em forças especiais e inteligência para asfixiar o crime organizado e o tráfico de drogas Marcelo Ramos, deputado estadual
para continuar suprindo as necessidades que têm as polícias Militar e Civil nos seus quadros”, destacou. Melo disse ainda que quer ter uma polícia mais humanizada e que também pretende trazer a comunidade para dentro do sistema. “Agora eu pretendo ter uma polícia mais humanizada. Quero utilizar educação, saúde social e segurança pública, juntar todos para que a gente possa trazer a comunidade para dentro do sistema e ao trazer a comunidade para dentro do sistema”, destacou.
Braga critica o Ronda Candidato ao governo do Estado pela coligação Renovação e Experiência, senador Eduardo Braga (PMDB) criticou o programa Ronda no Bairro, implantado no governo Omar e Melo e destacou seus principais pontos de governo para a segurança pública. “O Ronda no Bairro, programa do atual governo escolhido para ser o carro-chefe no combate à violência não responde aos anseios e às expectativas da população. O projeto é bom, mas a falta de qualidade da gestão compromete a sua eficiência. O Ronda no Bairro precisa ser reestruturado, melhorando a sua atuação nas ruas, no serviço prestado à população”, disse. Braga pontuou alguns projetos para a melhoria na segurança pública do Estado, tais como: Elaborar o Plano Estratégico de Segurança Pública, como política de Estado, com diretrizes estratégicas, incorporando metas estruturantes (combate ao tráfico de drogas e redução das mortes intencionais violentas); implantar o Fronteira Segura, programa de defesa das fronteiras para coibir o narcotráfico internacional, por meio de parceria entre as polícias Civil e Militar do Amazonas e a Polícia Federal, Exército, Judiciário e outros órgãos; instituir o Programa de Revitalização da Polícia Técnico-Científica (Politec), com a integração física e funcional dos Institutos de Identificação, Criminalística, Médico Legal e de Genética Forense, tornando a perícia forense do Amazonas referência na Região Norte; entre outros.
‘Ronda não foi bem executado’ Chico Preto (PMN) faz duras críticas à execução do programa Ronda no Bairro. Segundo ele, a ideia é boa, mas não foi bem executada. “A própria ideia do Ronda no Bairro é algo de planejamento que faz todo sentido, porém a execução do programa tem mostrado falhas gritantes e essas falhas por certo têm proporcionado o descrédito que ano após ano vem se acumulando da comunidade de modo em geral”, disse Chico revela que, se chegar a comandar o governo do Estado, pretende ter uma relação próxima com as pessoas que
cuidarão da segurança pública, pois são essas pessoas que conhecem de perto as necessidades. “Eu pretendo, à frente do governo do Estado, ter uma relação muito próxima com as pessoas que executarão a segurança pública para que eu, como governador, possa autorizar e tomar as decisões de correção sempre num menor espaço de tempo”, destacou. Parcerias O candidato também abraçou como proposta de governo realizar parceria com as prefeituras do interior para criar postos do Corpo de Bombeiros.
“Em quatro anos, vamos dotar o Amazonas de estrutura em compartilhamento com a prefeitura de pequenas unidades de combate ao incêndio no Amazonas. No interior do Estado, quando pega fogo, a população só espera o fogo consumir tudo para depois ir lá e ver o que sobrou, porque não tem combate, e olha que água não é nosso problema. O problema é exatamente essa visão de você dotar os municípios, além da polícia civil e militar, de uma pequena estrutura com pequeno carro de combate ao incêndio dimensionado ao tamanho da cidade”, finalizou.
‘Segurança é mais do que polícia’ Para o candidato do PSOL, Abel Alves, as questões ligadas à segurança são muito amplas, e envolvem a conscientização da população para o que realmente é segurança pública. “Essa é uma questão que engloba muito mais do que a polícia, temos que conscientizar a população para o seu papel,” explica Alves. Além dos projetos que envolvem palestras e um trabalho de reorganização dentro do âmbito da segurança, o candidato defende ainda a unificação das polícias, assim como sua desmilitarização. Para o candidato, é necessário que
a polícia trabalhe em parceria com o Poder Judiciário para que assim o modelo de segurança funcione de forma completa. “Não adianta a polícia prender, e o Judiciário soltar,” dispara o candidato. Defendendo sempre que a informação é a melhor arma em qualquer combate, o político pensa em investir pesado nas campanhas de conscientização tanto no combate as drogas quanto à violência infantil, pois, segundo o candidato, a guerra começa dentro do seio familiar, principalmente no que diz respeito à violência infantil.
Forças especiais Já Marcelo Ramos (PSB) defende em seu plano de governo o direito à vida. Pensando nisso, segundo ele, o programa Ronda no Bairro será estruturado ao seu propósito: polícia de base no bairro. Além de investir em inteligência e forças especiais. “Vamos investir em forças especiais e inteligência para asfixiar o crime organizado e o tráfico de drogas, pois a maior parte da criminalidade está ligada ao tráfico de drogas e ao crime organizado”, disse, explicando que esse projeto é para a capital e interior.
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FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
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A pesada bandeira para o sustento Os cabos eleitorais aguentam o cansaço, fadiga e horas de sede. A maioria dos trabalhadores defende uma única causa: seu sustento DENY CÂNCIO Especial EM TEMPO
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ontratados para serem combatentes das estratéas dos candidatos na eleição deste ano, os cabos eleitorais de ruas entregam ‘‘santinhos’’, panfletos de proposta, carregam placas e também atuam como agitadores de bandeira. Sempre sorridentes e fazendo muito barulho, esses trabalhadores enfrentam muitas dificuldades para executar sua tarefa e a maioria confessa: estão atuando naquela função pelo dinheiro e não pelo candidato. Sob o sol escaldante às 10h da manhã do último sábado, um grupo de 20 pessoas trabalhava fazendo bandeirada para um candidato ao governo na Bola do Eldorado, Zona Centro-Sul. Para enfrentar o calor, muita água e protetor solar, além do boné. Os cabos eleitorais percorriam os pontos de grande fluxo nos sinais, e balançavam o estandarte com o nome e o número do candidato. Sempre acompanhados dos guardadores de placas – aqueles que ficam nas esquinas segurando a placa dos candidatos.
‘ ‘ To d o dia é um lugar diferente. O sol é de rachar, mas nós recebemos um tubo de protetor solar e algumas recomendações para evitar algum tipo de doença’’, esclarece a equipe de três agitadores de bandeira. Vida fácil Engana-se quem pensa que o trabalho deles se restringe apenas a balançar bandeiras por algumas horas. Desde cedo, os cabos eleitorais se organizam com líderes de grupo, geralmente nos comitês devidamente montados, e abastecidos com materiais da campanha. De lá, as equipes são divididas e encaminhadas para o ponto definido. ‘‘Eles (líderes de divulgação da campanha) nos orientam a usar chapéu e o protetor solar que eles nos dão. E nos permitem até usar sombrinhas e buscar sombra para não ficar tão expostos ao sol. Mas, tem muita gente que reclama. Eu estou aqui mais pelo dinheiro mesmo. Nunca
nem vi de perto o candidato para quem trabalho’’, disse um cabo eleitoral. Entre as principais dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores está o calor e falta de banheiro. Segundo uma equipe que trabalha para um deputado federal, para driblar as dificuldades, os cabos eleitorais de rua procuram “dar um jeitinho’’ para cada necessidade diária. Eles almoçam perto da kombi que traz suas refeições e aproveitam a distribuição de água para amenizar a sede e se refrescar. “Nossa função é simples: balançamos a bandeira num local bem movimentado para que o ‘candidato seja visto’.E ali estamos sujeitos a tudo, desde cantadas, até a um atropelamento, pois mesmo ficando nas calçadas pode de repente um carro perder o controle e nos atingir. Se alguém quer ir ao banheiro somos parceiros de cobrir o ponto dele. Usamos banheiros públicos ou pedimos em alguma loja, eles nos ajudam” comentou uma moça que preferiu não se identificar. O almoço também é improvisado. Segundo os trabalhadores, quando a kombi
vem deixar as quentinhas, eles aproveitam os assentos para almoçar e beber água. “Não é fácil, ficamos muito tempo em pé, no sol, apenas com um garrafão de água, que esquenta rápido demais. Mas, precisamos do salário”, declarou um estudante. Uma das trabalhadoras que não importou de se identificar é Maria Sueli. Autônoma, tem como fonte de renda apenas serviços de costura e toda campanha eleitoral aproveita para ganhar um trocado. ‘‘Vale a pena para quem não tem trabalho. Na minha equipe todos estavam precisando. Estavamos desempregados. Eu nunca trabalhei de carteira assinada. Faço serviços de bico em atelier e roupas para festivais. Este serviço de cabo eleitoral é uma ajuda que favorece pessoas. E no final do mês compensa’’, comenta. Segundo apurou a equipe do EM TEMPO, a maioria dos candidatos vem pagando um salário minino de R$ 724,00, além de bancar a alimentação e o transporte. O horário de trabalho fica entre seis e oito horas por dia. “Não é o trabalho ideal, mas como não temos estudos, é o que nos resta”, lamentou Maria.
Trabalhadores recebem um salário mínimo para atuar nas ruas
Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA
JOSÉ MELO
Candidato não divulgou agenda.
Candidato não divulgou agenda.
MARCELO RAMOS
CHICO PRETO
Candidato realiza caminhada na Zona Leste às 9h e às 11h tem reunião de planejamento de campanha com equipe.
Candidato fará caminhada no bairro da Raiz e à noite tem encontro popular com moradores do bairro Santo Antônio.
HERBERT AMAZONAS
NAVARRO
Candidato não divulgou agenda.
Candidato irá realizar visita à cidade de Novo Airão.
ABEL ALVES Candidato fará caminhada no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste, e no fim da tarde caminhada no núcleo 16 do bairro Cidade Nova, Zona Norte.
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Eduardo BRAGA
Um GOVERNO de EXPERIÊNCIA IONE MORENO
JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
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enador da República, governador do Amazonas por dois mandatos, prefeito de Manaus por quatro anos. Eduardo Braga (PMDB) volta ao palanque em busca da terceira eleição ao cargo de chefe do Executivo estadual, com críticas severas aos seus sucessores. Braga se diz confiante no apoio popular para mais uma conquista. Em um bate-papo com a reportagem do EM TEMPO, ele falou de suas propostas e de como pretende governar o Estado caso saia vitorioso das urnas no dia 5 de outubro. Leia e fique por dentro das propostas do candidato do PMDB.
...quero governar o Amazonas novamente pela experiência. Meus dois mandatos de governador, um mandato de prefeito e agora de senador da República me fizeram conhecer como funciona Brasília de uma maneira muito mais próxima do que eu tinha experimentado até então...”
EM TEMPO - Mesmo carregando um mandato de senador da República e figurando como líder do governo federal no Congresso, o senhor pleiteia o cargo de governador do Estado do Amazonas. Quais os motivos que lhe levam a desejar o comando do Executivo estadual pela terceira vez? Eduardo Braga - Primeiro, quero governar o Amazonas novamente pela experiência. Meus dois mandatos de governador, um mandato de prefeito e agora de senador da República me fizeram conhecer como funciona Brasília de uma maneira muito mais próxima do que eu tinha experimentado até então. Creio que no Amazonas estamos precisando de uma gestão que faça com que as coisas possam andar mais rápido. Não é que o Estado esteja parado, o Estado está andando, mas de maneira muito devagar. EM TEMPO - Como o senhor descreve essa estagnação? Eduardo Braga - A ponte sobre o Rio Negro, que é uma obra de grande envergadura, nós conseguimos executar, entre projeto, licitação e financiamento, em 5 anos. No entanto, a duplicação da AM-070, que é a duplicação de Manaus/Manacapuru, mesmo tendo dinheiro desde 2010, mesmo tendo projeto, está andando muito devagar. A cidade universitária, que foi lançada com tanta pirotecnia, não tem nenhuma obra de universidade ali. O que existe até agora é apenas o arruamento e uma estrada de acesso. Portanto, as obras vão muito devagar. A avenida das Torres, ou das Flores, que por sinal não tem flor nenhuma, era para estar pronta há um ano. Enquanto isso, a cidade está sem mobilidade urbana, com um transporte urbano lento e o povo sofrendo. A lentidão também abrange as questões ligadas à saúde. Nós tínhamos praticamente acabado com as filas e agora isso tudo
voltou. As pessoas estão indo de madrugada para as policlínicas. Quando eu construí os Serviços de Pronto Atendimento (SPAs), acabaram as filas. Nós criamos uma central de regulação, fazíamos a hora marcada e as pessoas tinham um tratamento mais humanizado, criei os Amigos da Saúde. Os coloquei dentro das unidades e isso tudo acabou. EM TEMPO - Em seu plano de governo, o senhor destaca bastante os projetos voltados para a segurança pública, que é considerada serviço essencial. Algumas declarações repercutiram de forma negativa dentro dos quartéis, onde em boa parte estão os policiais ligados ao programa Ronda no Bairro, instituído pelo seu sucessor Omar Aziz. Como o senhor enxerga o atual momento da segurança pública do Amazonas? Nesse contexto, o Ronda no Bairro tem espaço na sua administração, caso eleito? Eduardo Braga - Nós tivemos a maior fuga de todos os tempos dos nossos presídios, 170 presos fugiram de uma vez. O que para mim é uma vergonha. O Ronda no Bairro é um bom projeto, e agora estamos tomando conhecimento de estupros dentro das viaturas, de violência policial, isso tudo é gestão. Eu nunca acabo com o que é uma boa ideia, procuro fazê-la funcionar bem. Eu quando sucedi o Amazonino, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) era uma boa ideia e não estava consolidada e eu consolidei a universidade. Chego ao governo do Estado, se for da vontade de Deus e do povo, com o compromisso de fazer segurança pública. Mas, para mim, fazer segurança não é acabar com o Ronda. Ao contrário, quero fazê-lo funcionar bem. Quero que a população possa se identificar com uma polícia que é cidadã, que respeita o povo e que, ao mesmo tempo, combata o crime sem se transformar em criminosa. As cenas que temos visto revoltam qualquer um. Ao mesmo tempo, existem várias denuncias relativas à conivência com o tráfico. O que quero é acabar com isso. Queremos premiar o bom policial e tirar de circulação o mal profissional, não quero comandantes envolvidos com o crime dentro da polícia. Não dá para gastar milhões e milhões com aluguel de carro com uma Delta, nacionalmente envolvida em escândalos, e enquanto isso o nosso policial não é bem treinado, não é reconhecido. Então, quero dar melhores condições para esses policiais. O contrato com a Delta termina em dezembro, e se eu chegar ao governo realizarei uma nova licitação. Uma licitação que não seja nem tanto e nem tão pouco.
EM TEMPO - Seu concorrente mais forte é o atual governador José Melo, que tem nas mãos a máquina pública. Como o senhor se vê nesta disputa? Eduardo Braga - Nossa candidatura tem recebido um favoritismo nas pesquisas e temos visto isso com muita humildade. Porque o povo vê a necessidade de termos uma gestão de uma forma mais eficiente, isso me deixa bastante confiante na vitória. EM TEMPO - O senhor, durante seus mandatos, realizou ações conjuntas com a prefeitura municipal. Caso seja eleito em outubro, ações como essas devem ter destaque durante os quatro anos de mandato? Sua relação com o prefeito Arthur Neto permite cooperação? Eduardo Braga - Já fui prefeito e quando prefeito fui o primeiro a fazer a famosa aliança, que no fim se chamou ação conjunta. Na época, Amazonino Mendes governador e eu prefeito, isso ficou marcado na cabeça das pessoas, porque foi a primeira grande parceria entre Estado e prefeitura. Quando fui governador, ofereci a parceria a prefeitos de diversas matizes políticas. Ofereci ao Alfredo Nascimento, Luiz Alberto Carijó, Serafim Corrêa e ao próprio Amazonino. Em algumas vezes conseguimos fazer parcerias, está aí o programa Águas para Manaus (Proama). O Serafim entendeu que era importante liberar o Estado para que nós pudéssemos fazer o Proama. Eu fiz o projeto, depois não queriam botá-lo para funcionar sabe lá Deus por que. Alguns diziam até que a solução não era o Proama. Agora está aí, ele entrou em funcionamento, passou seis meses estava resolvendo o problema da água. Houve um acidente e todo mundo reconheceu que ele faz falta. Portanto, eu vou procurar o prefeito, vou ter um diálogo institucional com ele, vou propor parceria para que possamos atuar. Quero conversar com o Arthur em alto nível, tive meus problemas com ele há um tempo, mas tenho conversado com ele depois disso. Ele também teve seus problemas comigo, mas também ficou para trás. Eu tenho respeito pela história política dele e tenho certeza que ele pela minha. EM TEMPO - No seu plano de governo, o senhor voltou a defender o projeto do monotrilho, visando à melhoria da mobilidade urbana de Manaus. A tentativa fracassada do seu governo de construir o monotrilho, vez ou outra é lembrada por
seus opositores, como o senhor defende essa ideia? Eduardo Braga - Defendo o monotrilho porque na época que fomos fazer o projeto para a Copa do Mundo, contratamos as duas maiores empresas de consultoria do mundo, que nos apresentaram vários modais. Mas, os moldais estavam entorno de uma espinha dorsal central, que era o anel viário do monotrilho recebendo contribuições de diversos modais, até do BRT, para que nós pudéssemos aliviar o engarrafamento. Melhorar a qualidade do transporte urbano, sem que nós tivéssemos problemas de desapropriação, que é muito cara em Manaus, especialmente nos corredores viários e ao mesmo tempo sem atrapalhar o trânsito que já é caótico. A grande vantagem do monotrilho é que você trabalha com vigas e pilares pré-moldados. Feita a fundação que se faz no canteiro central, o resto é trabalho aéreo que pode ser feito durante a noite. Nós começaríamos o nosso monotrilho junto com o de São Paulo, o deles está quase pronto e o nosso nem começou. Não falta dinheiro, porque ele está ai. Falta vontade política. EM TEMPO - Alguns políticos amazonenses reclamam de demora na liberação de verbas federais para o Amazonas. O senhor concorda com esse tipo de descontentamento? Eduardo Braga - Em época de política tem conversa para tudo e tudo aparece. A verdade dos fatos é que o governo da presidente colocou muitos recursos no Amazonas, antes do governo da presidente não tinha creche no país. Para Manaus, a Dilma deu dinheiro para a construção de 55 unidades e o dinheiro está aí. Escolas de tempo integral, eu fui governador, construí escolas desse modelo pela primeira vez. A Dilma deu dinheiro para o Estado construir escolas de tempo integral e isso nunca tinha acontecido. Mas, isso é um tipo de coisa que não se fala para o povo. O hospital do sangue, há três anos o dinheiro está depositado na conta da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), o hospital de Manacapuru, há dois anos o dinheiro está depositado na conta do governo e a obra não começa. O hospital da Polícia Militar, há um ano o dinheiro está depositado na conta do governo e nada de acontecer obra. O anel viário que liga o Distrito Industrial ao aeroporto, dois anos o dinheiro à disposição do Estado. A avenida das Torres, a segunda e terceira etapa é 100% financiada com dinheiro do governo federal, ou da Caixa Econômica, ou a Fundo Perdido do Orçamento Geral da União.
Não dá para gastar milhões e milhões com aluguel de carro com uma Delta, nacionalmente envolvida em escândalos, e enquanto isso o nosso policial não é bem treinado”
Nossa candidatura tem recebido um favoritismo nas pesquisas e temos visto isso com muita humildade. Porque o povo vê a necessidade de termos uma gestão de uma forma mais eficiente”
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OSAMA BIN LADEN É CAN E disputa uma vaga na Assembleia Legislativa contra Leandro Papa Sopa (PP), Felipe Kaboco de Ferro (PP), Madonna da Compensa (PRP), Risca Faca (PSOL) e Palhaço Quiabo (PTN) MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO
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ocê votaria em um candidato com o nome de Osama Bin Laden? Leandro Papa–Sopa, Madonna da Compensa ou ainda Risca Faca? Os leitores e eleitores podem até estar pensando que isso é um texto de humor. Mas não é, esses candidatos existem e estão inscritos oficialmente no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AM) para disputar as Eleições de 2014. Se você é daqueles que acham que eleição é uma festa e aquilo que dá para “ chorar também dá para rir”, vai ter um leque de opções para escolher seu candidato, principalmente à Assembleia Legislativa, onde estão concentrados os nomes mais engraçados e, até certo ponto, bizarros, que disputam uma cadeira no parlamento. Tem candidato para todos os gostos e humores: Kaboco de Ferro, Pão Torrado, Pai Amado, Ombro Amigo, Rosa do Coração, Zé Bonitinho, Palhaço Quiabo e por aí afora. Candidato que pretende se eleger sem gastar muito, faz de tudo e adota as mais incríveis e apelativas “técnicas de marketing” para divulgar o nome. Até mesmo mudando o próprio nome. Nesse apelo acaba adotando os nomes mais bizarros. E se você pensa que isso pode surtir um efeito negativo, está muito enganado. A história política do Brasil registra casos em que “candidatos” que usaram nomes “patéticos” acabaram se elegendo. No Amazonas, o maior fenômeno foi o veterano radialista José Costa de Aquino que, com o apelido de “Carrapeta”, se elegia nos anos
1970–80 sem imprimir uma carta. No dia em que ficou muito sério e resolveu adotar o sisudo “Costa de Aquino” nunca mais se elegeu. Na maioria das vezes, o fenômeno dos votos pode ter sido alimentado pelo voto do protesto e do descrédito com a categoria política. O caso mais curioso da história política no Brasil é do “Bode Cheiroso”, que foi eleito vereador na década de 50, no município de Jaboatão dos Guararapes, no interior de Pernambuco. A história foi mais ou menos assim: a população do município já andava “porraqui” com o perfil dos vereadores e resolveram protestar nas urnas, descarregando os votos num
PROTESTANDO Na maioria das vezes, o fenômeno dos votos pode ter sido alimentado pelo voto do protesto e descrédito com a categoria política
bode que andava pelas ruas da cidade, o famosíssimo “Bode Cheiroso”, um velho conhecido da comunidade. Quando abriram as urnas não deu outra: o Bode Cheiroso foi eleito com centenas de votos! Mas não assumiu, porque o TRE de Pernambuco anulou a candidatura. Quer dizer, “Bode Cheiroso” foi cassado antes de assumir! Baseado nesses “estranhos fenômenos”, a cada eleição surgem candidatos com nomes esquisitos, estranhos, bizarros, curiosos e, por que não dizer, engraçados. São aqueles que pretendem se eleger sem gastar muito, por isso fazem de tudo e adotam as mais incríveis e apelativas “técnicas de
marketing” para divulgar o nome. Até mesmo mudando o próprio nome. Nesse apelo, acaba transpondo a barreira do absurdo. E em 2014 não poderia ser diferente. A corrida eleitoral do Amazonas está abarrotada de candidatos com esse perfil. Por exemplo, do baiano Manoel Nunes, que vive no Amazonas e quer abocanhar uma vaga na Assembleia com o bombástico (perdoem o trocadilho) nome de Osama Bin Laden. Além de usar o nome do terrorista que detonou as Torres Gêmeas nas barbas de George Bush, o cara ainda se veste como tal. Na verdade, Osama Bin Laden é Manoel Nunes de Assis, candidato a deputado estadual pelo PTN sob o número 19.171, da coligação “Fazendo Mais por Nossa Gente” Bin Laden vai disputar uma cadeira na Assembleia com adversários que também estão bebendo na mesma fonte do marketing: o escracho. Confiram quem são seus adversários: Leandro Papa Sopa, cujo verdadeiro nome é Leandro José Péres de Araújo, candidato a deputado estadual pelo PP, na coligação “Renovação e Experiência” , com o número 11.211; Madonna da Compensa (Iranete Souza Marinho), candidata pelo PRP, nº 44.400, coligação “Fazendo Mais por Nossa Gente”; Risca Faca (José Carlos Ramalho Cutrim), candidato do Psol com o nº 50.090; Jackson Saúde e Fé (Jackson Guimarães Cordeiro), do PTB, com o nº 14.145; Pai Amado (Carlos Alberto Brito Davila), do PV, nº 43.111, na coligação “Juntos Pelo Povo”.
“Uma candidatura para explodir a corrupção” O baiano Manoel Nunes de Assis tem 46 anos. Desempregado, resolveu se lançar candidato a deputado estadual pelo PTN, na coligação “Fazendo Mais pela Nossa Gente”, usado o nome Osama Bin Laden. Apesar de ter feito a opção pelo nome de um terrorista que estarreceu o mundo ao detonar, no mais ousado atentado da história, as torres gêmeas do World Center, em Nova York, a candidatura de Nunes t e m
sido bem aceita pelos moradores do Tancredo Neves, o bairro onde vive. Ele explica porque: EM TEMPO – O senhor sobrevivia de que, antes de decidir entrar na política? OSAMA BIN LADEN, candidato do PRN – Estou desempregado, sobrevivo do aluguel de uma casa. EM TEMPO – O senhor é baiano? BIN LADEN – Na verdade eu sou um sertanejo. Nasci no sertão baiano, em Santa Maria da Vitória. EM TEMPO – Por que o senhor decidiu entrar na política? BIN LADEN – Eu já tinha me candidatado outra vez, com meu nome natural, a deputado estadual pelo PHS, em 2002. Tive apenas 396 votos, mas ganhei uma grande experiência. EM TEMPO – Por que o nome Osama Bin Laden? BIN LADEN – Esta é uma candidatura de protesto.
Existe uma revolta em relação aos políticos, digo, ao péssimos políticos. Por isso optei por ser um candidato que pudesse falar o que pensava, sem medo de partidos ou de eleitor. O nome pode influenciar, porque o personagem, apesar de ter sido um terrorista, era um destemido que não temia os poderosos. EM TEMPO – Também contou a questão do visual, não é? BIN LADEN – Sim, claro. Quando meus amigos souberam da minha ideia de criar o personagem para falar o que pensa, começaram a observar que eu estava parecido fisicamente com o Bin Laden. Aí um amigo conseguiu a farda, eu mesmo confeccionei o turbante e registrei o nome no Tribunal Regional Eleitoral. EM TEMPO – Bin Laden era o terrorista mais procurado do mundo, acusado de ter detonado as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Isso não poderia criar um efeito contrário no eleitor e em vez de atrair votos, criar uma rejeição? BIN LADEN – Isso pode
acontecer, mas eu estou preparado, pois tenho um argumento. Se alguém questionar, eu respondo: “Mas vocês mandam para Brasília, em toda eleição, bandidos, assassinos, corruptos... Quando desviam o dinheiro do remédio dos hospitais públicos e pessoas inocentes morrem, os políticos estão matando que nem Bin Laden; quando desviam o dinheiro do asfalto e um carro capota por causa de buracos na estrada e as pessoas morrem, os políticos estão matando que nem Bin Laden. No fundo, eles também elegem terroristas. EM TEMPO – Mas o povo o chamou de terrorista, durante a campanha, nas ruas? BIN LADEN – Ao contrário, o povo me surpreendeu quando eu fui para rua. Fazem selfie comigo, me abraçam, acenam quando me veem. E eu que pensava que o eleitor iria me confrontar. EM TEMPO – Qual o seu número? BIN LADEN – 19.171. EM TEMPO – No Código Penal isso é estelionato? BIN LADEN – Ué, mas não está cheio de 171 lá em Brasília?
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NDIDATO NO AMAZONAS TERROR NA POLÍTICA
O candidato Osama Bin Laden, cuja identidade “secreta” é Manoel Nunes de Assis, adotou como slogan “uma candidatura para explodir a corrupção”
Confira outros candidatos com nomes curiosos e diferentes: Madonna da Compensa (Iranete Souza Marinho) – PRP. Risca-Faca (José Carlos Ramalho Cutrin) – Psol Leandro Papa-Sopa (Leandro José Péres de Araújo) – PP. Papinha (João Paulo Repolho Cruz) – PSB. Chegou Chegou (Robelson Oliveira da Silva) – PV Palhaço Lero Lero (Raimundo Nonato Nascimento) – PSDC. Edivan Bal Amigo da Naval (Edivan Costa do Nascimento) – PV. Lica Generoso (Elidiane Samia Vieira de Oliveira) – PSDC. Elizoneide Afro Indígena (Elizoneide Rodrigues Silva) – PCdoB Pai Amado (Carlos Alberto Brito D’ Ávila) – PV Felipe Kaboco de Ferro (Felipe Ramos André) – PP. Guarda Sorriso (Hermenegildo de Castro Cavalcante) – PCdoB. João Couto Ombro Amigo (João Couto da Silva) – PTB. Ligeirinho (João Luiz da Silva) – PSTU. Papinha (João Paulo Repolho Cruz) – PSB. João Chapinha (João Soares dos Santos) –PSDC. Barreto da Estiva (Clodomir Farias Barreto) – PCdoB.
Macaco Tião, lançado a prefeito do Rio pela revista “Casseta & Planeta”, acabou em 3º lugar nas eleições de 1988
Cacareco foi um rinoceronte do Zoológico de São Paulo que, nas eleições de outubro de 1959, teve mais de 100 mil votos
A democracia do escracho Conscientes de que seu voto seria nulo, o eleitor brasileiro já tirou muito sarro durante um momento tão sério como uma eleição. A democracia brasileira registra casos hilários, como a expressiva votação do Macaco Tião, lançado candidato a prefeito do Rio de Janeiro pela turma do “Casseta & Planeta”. As eleições municipais de 1988 transcorriam no maior tédio, até surgir o candidato do zoológico. O Macaco Tião era um personagem irreverente da cena carioca, que jogava fe-
zes sobre os seus visitantes. Pois a revista de Bussunda e Cia. resolveu lançá-lo para prefeito, com o seguinte argumento: “Se o voto é obrigação, vote no Macaco Tião. Ele já tem uma grande vantagem diante dos outros candidatos: já está preso.” Os Cassetas foram os maiores defensores da candidatura com o mote de “dar uma banana para a caduquice na política”. A candidatura de “Sebastião Alves Paranhos Paiva de Prata, 25, o popular Macaco Tião, o último preso político brasileiro”, cresceu e ganhou as ruas.
A brincadeira era séria e foi conquistando adesões. Boa parte do elenco da TV Pirata posaria para os fotógrafos vestindo a camiseta da campanha (vendida aos milhares), que trazia uma foto do candidato em sua jaula e o slogan “tudo pela evolução, vote Macaco Tião”. No dia 15 de novembro, Marcello Alencar seria eleito com 31% dos votos. Em terceiro lugar, com 9,5%, aparecia o vencedor (i)moral da eleição: Sebastião Alves Paranhos Paiva de Prata, o chimpanzé mais votado da história.
FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
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‘Atos de campanha não atrapalham Presidência’
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
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“O olho do dono engorda o boi” Jornalista
Após demiti-la, Lula quer se aproximar de Marina O ex-presidente Lula disse ao comando da campanha da presidente Dilma que é preciso restabelecer uma “ponte” com sua ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que demitiu do cargo. Lula diz pretender “abrir um canal de diálogo” com Marina, para o caso de a disputa de segundo turno vir a ser travada entre Dilma e o tucano Aécio Neves. Se necessário, a conversa com Marina pode ganhar contornos religiosos. A história da demissão... Lula diverte amigos contando que certa vez a então ministra Marina pediu demissão dizendo ser a “vontade de Jesus”. Ele pediu um tempo. ...suspensa por Jesus Para segurá-la no governo, Lula chamou Marina e inventou ter ouvido de Jesus em sonho: “Companheiro Lula, Marina deve ficar”. Ela chorou. Seja feita Sua vontade Marina só seria demitida após Lula perder a paciência. Ela chegou a levar um pastor para participar de suas audiências com o presidente. Caindo na galhofa Lula arranca gargalhadas imitando Marina. Ele põe o paletó sobre a cabeça, como se fora um chale, e faz expressão de madona piedosa. Odebrecht se enrola em polêmica até nos EUA A empreiteira Odebrecht ameaça ir à Justiça americana para discutir a derrota na concorrência para a obra do novo terminal do aeroporto de Nova Orleans, nos Estados Unidos. A derrota fez a empresa perder um contrato de US$ 546 milhões (mais de R$ 1,2 bilhão). No primeiro processo de concorrência, uma
das empresas parceiras da Odebrecht chegou a ser acusada de discriminar mulheres e minorias raciais. Pegou mal A empresa enrolada nas acusações de preconceito e racismo foi retirada do consórcio Odebrecht, que foi rebatizado. De nada adiantou. Só alegria A Odebrecht recebe boas notícias do BNDES, que vai bancar sua obra da última etapa do porto de Manta, no Equador, por R$ 350 milhões. Pode sair antes Dilma pode indicar o novo ministro do STF antes da eleição. Disputam a vaga Luis Inácio Adams (AGU) e José Eduardo Cardozo (Justiça). O derradeiro O tucano Aécio Neves admitiu indicar um nordestino para o Supremo, na vaga de Joaquim Barbosa, caso vença a eleição e o substituto não tenha sido escolhido. O PT nomeou cariocas, paulistas e gaúchos e apenas um nordestino, já aposentado: o sergipano Carlos Ayres Britto. Repulsa Marina Silva (PSB) já sinalizou que não aceita apoio dos governadores tucanos Beto Richa e Geraldo Alckmin, no segundo turno. Dilma, ao contrário, não só aceita como até lhes promete “relação republicana”. Atenção, eleitor Candidatos à reeleição na Câmara dos Deputados ou no Senado devem ficar atentos às declarações de bens. Qualquer um deles ganha, em quatro anos, mais de R$ 1 milhão (líquidos) só com salários. Contas feitas Sem contar a verba indenizatória, um senador chega a
Candidata à reeleição, Dilma diz que aproveita o tempo das caminhadas e visitas como forma de “fiscalizar” trabalhos PR
DILMA ROUSSEFF garantindo que a agenda da candidata não prejudica a da presidente
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ganhar mais de R$2 milhões, descontados os impostos, durante o mandato. Deputados estaduais e governadores recebem mais de R$1 milhão num mandato. Nova crise O ministro Gilberto Carvalho sempre cria um problema novo para Dilma, quando viaja. Na Paraíba, durante encontro com políticos locais, nem sequer citou o senador Vital do Rêgo (PMDB), um aliado que na presidência das CPIs da Petrobras tem o dom de fechar os olhos. Apelo a Dilma Em baixa no Planalto desde as pesquisas indicando a vitória de Eunício Oliveira (PMDB) para o governo do Ceará em primeiro turno, o atual governador Cid Gomes (Pros) jura que “vira o jogo” em duas semanas. Desde que Dilma se engaje na campanha do candidato petista. Repeteco Candidata ao governo do DF pelo Partido da Causa Operária (PCO), Perci Marrara até parece que não leva isso muito a sério. O registro da candidatura foi rejeitado pelo TRE, exatamente como em 2010. Conta, Costa, conta O fim de semana apreensivo de políticos graúdos, com a notícia de que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa havia fechado acordo de delação premiada, foi amenizado com o meio desmentido de sua nova advogada. Ela disse que nada há de concreto, ainda. Sinais e cores Jorge Viana (PT-AC) destacou o “alerta vermelho” para Aécio Neves e o “amarelo” para Dilma. Ficou louco para dizer que “sinal verde” mesmo só para a conterrânea Marina Silva.
PODER SEM PUDOR
Eu bebo, sim
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presidente da República, Dilma Rousseff, negou no final de semana que os atos de campanha atrapalhem o trabalho como governante. “A minha ação como presidente passa por olhar obras” disse em coletiva de imprensa durante visita à estação Fenac do Trensurb, na região metropolitana de Porto Alegre. Segundo ela, antes sua agenda combinava tarefas de gestão com eventos para a entrega de obras nas cidades. “Agora aproveito meu tempo como candidata para fazer duas coisas: faço supervisão
das obras, fiscalizo as obras. Você sabe aquela frase célebre: ‘O olho do dono engorda o boi’... Se tiver alguma coisa errada, eu como presidenta vou ver”. Dilma afirmou que o país tem obras de dimensões muito variadas, cada uma com suas particularidades, e citou a visita que fez ontem ao projeto de interligação da bacia do São Francisco. “Eu olho essas obras, olho hidrelétricas, e além disso recebo e participo de todos os atos de governo”, revelou. “Porque estamos numa época bendita, a tecnologia permite que se acompanhe tudo o
que você quiser em t e m p o real. Você passa a ser múltiplo.” Investimentos A presidente também disse que o Brasil passou muito tempo sem investir em mobilidade urbana. “Não se investia de forma planejada em metrô nem em outros transportes sobre trilhos. E não se pensava em como integrar tudo isso, tendo em vista uma passagem mais barata”, afirmou.
Mobilidade urbana ‘tá na moda’ De acordo com a presidente, o governo federal destinou R$ 93 bilhões à mobilidade urbana na primeira parte do seu mandato e outros R$ 50 bilhões após os protestos de junho do ano passado. “Uma das grandes reivindicações (das manifestações) era mobilidade urbana”, falou. Ela também destacou que foi investido quase R$ 1 bilhão só na ampliação da malha de trem urbano da região metropolitana de Porto Alegre, para completar o trecho entre as cidades de São Leopoldo e Novo Hamburgo. Dilma chegou ao local da coletiva de trem. Acompanhada de militantes e do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, ela embarcou na estação Santo Afonso, em um vagão comum, que já estava ocupado por passageiros. Desceu duas paradas depois, na estação Fenac. Após a entrevista, ela visitou as instalações do Aeromóvel
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Em 1993, o senador Gilberto Miranda (PMDB-AM), grande apreciador de vinhos e dono de invejável adega, criticava o excessivo poder das estatais quando, em aparte, Esperidião Amin (PP-SC) forneceu mais alguns dados que enriqueceram o pronunciamento. Miranda agradeceu: - Vossa Excelência é como vinho Bordeaux: quanto mais velho, melhor! - Então – respondeu Amin, na bucha – vê se me manda logo uma caixa...
Dilma diz que campanha serve para que ela “fique de olho” nas obras
Presidente Dilma, segundo ministros, deve intensificar campanha durante o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV
de Porto Alegre. PT não é Marina A presidente Dilma Rousseff foi questionada em
GASTOS
Dilma afirma que seu governo destinou R$ 93 bilhões à mobilidade urbana na primeira parte do seu mandato e outros R$ 50 bilhões após os protestos de junho do ano passado evento em Belo Horizonte, sobre o que pretende fazer para dissociar Marina Silva, uma ex-petista, das realizações do governo do PT ambas foram ministras do governo Luiz Inácio Lula da Silva. “O povo saberá fazêlo”, respondeu brevemente a presidente.
Trabalho em dobro Pouco depois de Marina anunciar sua candidatura ao Planalto, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que o PT, agora, terá de trabalhar dobrado para reeleger Dilma, valendo-se de uma “artilharia forte” no programa eleitoral de TV. Para ele, é preciso agir sem “salto alto”, com o objetivo de estancar a migração dos eleitores insatisfeitos para a candidatura de Marina. “Temos de trabalhar muito, até mais do que antes”, disse o ministro. “Temos de ter artilharia forte na televisão e uma infantaria forte também nas ruas. Isso, graças a Deus, nós temos. Não tem salto alto, não tem ‘já ganhou’, não tem 1.º turno”, afirmou Carvalho. Para a campanha do PT, Marina é adversária mais perigosa que o tucano Aécio Neves em eventual 2.º turno.
Dilma deve avançar com seu horário eleitoral, diz ministro O ministro da Educação, Henrique Paim, afirmou, em entrevista à imprensa após participação no V Fórum Estadão Brasil Competitivo, em São Paulo, que a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, deverá avançar nas pesquisas de intenção de voto quando começar a expor as conquistas do governo atual no horário eleitoral. Questionado, Paim evitou avaliar as possíveis consequências para a candidatura de
Dilma da entrada de Marina na disputa presidencial. “A presidente tem todas as realizações para demonstrar no horário eleitoral, e a população vai entender que esses resultados são importantes”, limitou-se. O ministro afirmou que a presidente deve focar as conquistas na área da educação durante a exposição dos avanços. Segundo ele, devem ser destacadas melhorias tanto na educação superior quanto na profissional.
Eleições 2014
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Caciques políticos descem de hierarquia nesta eleição
Grandes nomes da política local declinaram de disputar cargos maiores de olho nas costuras políticas feitas com partidos
RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
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ntigos senadores e prefeitos, agora candidatos a deputado estadual e federal. Tradicional figura da política amazonense, Serafim Corrêa (PSB), eleito vereador por duas vezes e prefeito de Manaus em 2004, agora, pela primeira vez, disputa o cargo de deputado estadual. Outro político que almeja um cargo de menor status este ano é o senador Alfredo Nascimento (PR). Ex-ministro do governo Lula e presidente nacional da sigla, Alfredo agora encerra o seu mandato no Senado, inaugurando na disputa a deputado federal, após ser eleito vice-governador (1994) e prefeito da capital amazonense por duas vezes (1996 e 2000). Outros nomes como os ex-senadores Jefferson Praia e João Pedro também encabeçam a lista de políticos que foram “caciques” do Estado, e que agora passam para o outro lado da classe. Mas, a disputa
por cargos ‘menores’, muitas vezes, é resultado de acordos e cálculos partidários entre as siglas, que buscam a melhor forma de posicionar seus nomes de acordo com as estratégias eleitorais. Há casos de candidato “puxador de votos” ou ainda aquele que não vê mais chance de alçar voos maiores. A aposta do PSB é de que Serafim Corrêa não terá dificuldades em inaugurar a sua cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A campanha do partido acredita que o ex-prefeito tem potencial eleitoral capaz ainda de puxar votos para muitos candidatos da coligação, como o vereador socialista, Elias Emanuel, também candidato ao cargo. A cúpula da sigla vê como uma “obrigação” eleger o presidente. Presidente de honra do partido, Serafim Corrêa optou também por lançar o seu filho, o vereador Marcelo Serafim (PSB), na difícil corrida pelo Senado. A negociação surpreendeu blocos adversários, que apostavam em
Serafim para acirrar a disputa. Ex-aliado político de Serafim, o senador Alfredo Nascimento (PR), também apresenta projeto semelhante nestas eleições. Ex-ministro do governo Lula e presidente nacional da sigla, Alfredo agora encerra o seu mandato no Senado, inaugurando na disputa a deputado federal, após ser eleito vice-governador (1994) e prefeito da capital amazonense por duas vezes (1996 e 2000). Alfredo tem a vaga disputada pelo ex-governador Omar Aziz (PSD), de quem é aliado nestas eleições. A escolha por não disputar a reeleição foi costurada ao longo dos últimos passos do congressista. O senador viu a sua imagem desgastada após ser varrido do Ministério do Transportes, depois de ser alvo de um escândalo de corrupção revelado pela revista “Veja”. Alfredo se afastou dos holofotes e chegou a confidenciar aos aliados sobre o desejo de encerrar a vida pública. O senador afirmou recentemente, no entanto, que
ter sido inocentado o fez entrar na disputa novamente. Tendo ocupado a cadeira de Alfredo no Senado, o petista João Pedro não tentará a vaga neste ano. A cúpula petista optou por lançar o deputado federal Francisco Praciano na disputa. Candidato a deputado federal, João Pedro recebe grande destaque no programa partidário da sigla. No início das negociações, o petista fez grandes esforços para garantir o apoio ao candidato do PMDB, senador Eduardo Braga (PMDB), e chegou a ser cotado a vice na chapa. Lançado na carreira pública pelo lendário político amazonense Jefferson Péres, o exsenador Jefferson Praia (PSDB) tenta agora se eleger deputado estadual. Praia chegou ao Senado em 2008, após a morte do político, que chegou a ser candidato a Vice-Presidência da República. O PSDB tem também o caso do vereador Plínio Valério, que após ter ficado por oito meses na Câmara Federal, tenta se eleger deputado estadual neste ano.
Não há hierarquia de cargos O analista político e professor de ciências sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Seráfico, acredita que a escolha dos candidatos por cargos “menores” representa um perfil de acordo partidário, mas não deve ser encarada com pragmatismo. Segundo ele, não deve haver, na representação pública, uma estrutura hierárquica entre os cargos eletivos. Seráfico defende a escolha baseada em avaliação pessoal. “Não devemos olhar para a estrutura da organização da democracia como se fosse estrutura de cargo público, onde os sujeitos tendem a ter promoções de carreira. Essa
é uma visão equivocada, ainda que possa orientar o eleitor para os acordos e convenções partidárias.
PERFIL
Segundo o especialista em ciência política, Marcelo Seráfico, a escolha dos candidatos por cargos menores representa o perfil do acordo partidário de cada legenda O sujeito pode ser um excelente parlamentar, mas descobrir, enfim, não ter vocação para Executivo, e vice-versa. As representações são distintas”, defende.
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Petição pública quer eliminar os políticos profissionais U
m dos principais juristas do Brasil, Luiz Flávio Gomes, lança petição pública, que receberá milhares de assinaturas em todo Brasil, para acabar com a reeleição. Segundo ele, ela é uma das principais responsáveis pela multiplicação da corrupção e nepotismo na política nacional. Presidente do Instituto Avante, Gomes tem números e dados que comprovam o quanto a reeleição é maligna para o país. A petição será entregue no Congresso Nacional. O jurista Luiz Flávio Gomes, um dos maiores criminalistas do Brasil, acaba de criar o Movimento pelo Fim dos Políticos Profissionais. A iniciativa popular, que via petição pública colherá milhares de assinaturas em todo Brasil, pretende lutar contra homens e mulheres que fazem da política seu único meio de vida.
É comprovado que a eterna reeleição nos cargos eletivos é um multiplicador da corrupção, nepotismo e clientelismo. Fatores que deturpam a política nacional, impedindo o desenvolvimento do país e bem estar de seus cidadãos. O objetivo do movimento é a aprovação de uma emenda constitucional que acabe com a reeleição no Brasil. “A não reeleição é um freio contundente no atual quadro de degeneração da nossa política nacional, que precisa urgentemente de reforma”, diz Gomes. “Vamos chegar a milhão de assinaturas”, afirma. O atual cenário de profunda insatisfação política, que culminou nas Manifestações de Junho/2013, somadas às intenções de votos brancos e nulos na casa dos 15% demonstram que essa mobilização é urgente e necessária.
COMO ACABAR COM O POLÍTICO PROFISSIONAL? Todas as assinaturas deverão serão entregues ao Congresso Nacional, para que seja feita uma emenda constitucional. O objetivo é: 1- nenhum político pode ser reeleito para o mesmo cargo eletivo. Se estivesse em vigor atualmente, José Sarney não teria exercido mais de 60 anos de vida pública. 2- nenhum político pode deixar de exercer a sua profissão particular, 3- possibilidade de destituição pelo povo do político incompetente e corrupto, mesmo antes do fim do mandato.
Ampla experiência jurídica É presidente do Instituto Avante Brasil, doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri e professor honorário da Faculdade de Direito da Universidad Católica de Santa María, em Arequipa, no Peru. Membro e consultor da delegação brasileira no décimo período de sessões
da Comissão de Prevenção do Crime e Justiça Penal da ONU, realizado em Viena. Foi promotor de justiça em São Paulo de 1980 a 1983, juiz de direito de 1983 a 1998 e advogado de 1999 a 2001. Atualmente, é comentarista do Jornal da Cultura, as terça-feira, ao lado do âncora William Corrêa.
EBC
O jurista Luiz Flávio Gomes afirma que a reeleição é um dos fundamentos que legaliza a corrupção dentro da política brasileira
Marina Silva afirma que se eleita não tentará a reeleição
‘Ser presidente do país não é um cargo vitalício’ A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, se comprometeu a não disputar um segundo mandato caso seja eleita em outubro. A ex-senadora também deixou em aberto a decisão de deixar o partido em 2015 para fundar a Rede Sustentabilidade. “ Agora não é hora de ficarmos cada um querendo valorizar a parte. É hora de lutar pelo
todo. Nosso compromisso é pelo fim da reeleição. O meu mandato será um mandato de apenas quatro anos. O que eu quero é ajudar a renovar a política”, declarou A proposta de fim da reeleição estará no programa de governo da ex-senadora, que será lançado no próximo dia 29. Marina desconversou quando foi questionada se
o projeto de fundar a Rede no próximo ano esta mantido, mesmo depois que o PSB a colocou na cabeça da chapa presidencial com a morte de Eduardo Campos. “Me comprometo em governar o Brasil. Não devemos tratar o presidente como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política e as lideranças po-
líticas têm que entender que o Estado não é um partido e que o governo não é o Estado”, justificou. Depois da crise gerada com a saída de Carlos Siqueira da coordenação geral de campanha, Marina se reuniu na última sexta-feira (22) com a nova coordenadora, a deputada federal Luiza Erundina, e outros integrantes da equipe.
EXPEDIENTE EDIÇÃO Mário Adolfo, Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Moara Cabral, Joelma Muniz e Raphael Muniz
REVISÃO Dernando Monteiro e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Kleuton Silva e Mário Henrique Silva
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima
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Segundo especialista, a reeleição é uma das principais responsáveis pela multiplicação da corrupção e nepotismo na política